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[COLUNA] A importância de personagens femininas fortes no processo de autoconhecimento

Pode parecer estranho, de primeira, quando eu digo que as personagens femininas dos livros me ajudaram a passar por um dos momentos mais significativos da minha vida, mas foi exatamente isso que aconteceu. A coluna de hoje é uma história muito pessoal, mas, de alguma forma quero motivar as autoras e leitoras do FOFIC a enxergarem a força que a representatividade feminina é capaz de exercer. 

Eu sempre afirmei que os livros são meus melhores amigos, fazem parte da minha vida desde a infância e sempre estou com pelo menos um em minhas mãos. Dessa forma pode ser até fácil compreender porque eles fizeram parte de momentos cruciais da minha vida pessoal. Nos últimos seis meses, além de estar cumprindo o isolamento social, eu passei pelo processo de transição capilar (que para quem não sabe, é o movimento de deixar o cabelo natural crescer sem química); e sabe, não foi fácil… vivendo essa experiência eu pude perceber que o cabelo é muito mais do que só cabelo, é de fato um processo de autoconhecimento que ainda está acontecendo para mim. 

Agora você deve estar se perguntando “ok Tai, transição capilar, legal! Mas o que isso tem a ver com os livros?”. E eu respondo: enquanto passava por um processo que exigia tanto de mim emocionalmente eu precisei achar suporte em algum lugar, e, mesmo tendo amigos e familiares que apoiaram na escolha, mesmo tendo a oportunidade de trabalhar essa pauta na terapia, as personagens dos livros foram fundamentais nessa escolha. 

Isso porque, elas sempre serviram de inspiração. E, à medida que fui crescendo, me deparando com novos gêneros, novos autores e novas personagens, fui aprendendo cada vez mais. As mulheres começaram a ser cada vez mais bem representadas nos livros. Mulheres grã-senhoras, mulheres rainhas, mulheres liderando equipes de guerra, mulheres não aceitando relacionamentos abusivos, mulheres impondo a opinião, mulheres mostrando que a vida vale a pena ser vivida como a gente quiser. 

Enxergar isso me deu coragem, sabe? Coragem para fazer o big chop (grande corte, tirar toda a parte alisada), coragem para simplesmente não me importar com a opinião daqueles que não me conhecem e, principalmente, coragem para me permitir esse momento de (re)conhecimento, enquanto vou me (re)inventando. Pode parecer clichê, mas sou muito grata por ter cruzado o meu caminho com o de mulheres incríveis – por mais fictícias que sejam, elas representam as que estão fora dos livros. 

Eu espero que à medida que os anos passem, mulheres continuem escrevendo mulheres com tanta força, coragem e empoderamento. Espero que mulheres continuem lendo mulheres, se identificando, aprendendo, tendo o apoio e se inspirando. 

Aelin Galathynius, obrigada por me ensinar a não ter medo e não me render. Tessa Young, obrigada por me ensinar a ser uma mulher forte que, mesmo enfrentando tantos obstáculosnãodesiste daquilo que deseja. Feyre Archeron, obrigada por me ensinar que àsvezes é preciso enfrentar nossos própriosmonstros para que possamos nos reerguer e começar de um novo ponto de partida. Summer Di Laurentis, obrigada por me ensinar que não devemos ouvir a opiniãodaqueles que não nos conhecem, que nãosabem quem somos; você me mostrou que não devo sentir vergonha de quem eu sou e das coisas que eu realmente amo, que me fazem ser eu. […] Brenna Jensen, obrigada por reforçar que nunca, sob hipótese alguma, devemos nos rebaixar por sermos mulheres e que um batom vermelho pode mudar o nosso dia (embora eu prefira um olho com glitter).” – Trecho da carta aberta publicado no @booksdatai e direcionado às personagens femininas.

— Tainá Aguiar.