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[COLUNA] A experiência fangirl: “Você ainda é nova e isso vai passar”

Ser fã é uma experiência que eu carrego por quase toda a minha vida. Eu cresci com Harry Potter e desde os meus 6 de idade, nunca houve um momento em que eu não fosse fã de alguém ou de alguma coisa.

Quando eu era criança, não era tão intenso. Eu não tive acesso a internet até os meus 11 anos, então minha vida de fã se resumia em ler os livros repetidamente e alugar os filmes, até ganhar os DVDs de presente. Eu tinha alguns pôsteres, mas a experiência de ter apenas uma coisa para ser fã e crescer com isso foi o que tornou a minha ligação com Harry Potter tão forte. É parte de quem eu sou e muitos valores que eu carrego hoje, eu aprendi com Harry Potter. Eu cresci junto com Harry, Ron e Hermione e isso me formou como pessoa. 

Foi na adolescência que eu ampliei meus gostos e me moldei como uma verdadeira fangirl. Mas não muito, porque eu fui o tipo de fã que gostava muito de um número seleto de coisas. Um ou dois cantores, três bandas, duas séries/filmes e algumas sagas de livros.

Eu sempre fui uma fã intensa e todo mundo que conviveu comigo durante a adolescência deve lembrar até hoje dos meus gostos naquela época. Eu nunca escondi ou fingi que não era uma fã. Era algo que estava escrito na minha testa e eu tinha orgulho de passar noites votando em premiações e de ler livros inteiros em uma madrugada. Isso talvez tenha acabado com a minha vida social e moldado um ideal romântico impossível que me assombra até hoje, mas isso é conversa para outro dia. 

Por eu sempre deixar claro como era uma fã fanática, as pessoas viviam para me dizer que aquela coisa era passageira. E algumas coisas realmente foram. Alguns artistas ficaram para trás conforme eles se mostravam pessoas completamente diferentes do que eu admirava e algumas sagas ainda estão no meu coração, mas foram substituídas por outras. Alguns amores não foram embora e eles me acompanham até hoje e eu sei que vão me acompanhar por um longo tempo.

Mas principalmente, a coisa que realmente nunca foi embora, foi o sentimento de ser fã. Porque isso tudo é sobre ser feliz com algo que se ama. E eu amo, com todo o meu coração, ter sido e ainda ser uma fangirl.

Não é algo do qual eu me envergonho ou me arrependo. Ter passado a minha adolescência admirando artistas e amando sagas e séries ajudou a formar a mulher que eu sou hoje e da qual me orgulho muito.

Então quando você ver uma adolescente dedicando parte da vida dela a algo ou alguém, antes de julgar e atirar uma pedra, lembre que a vida não é sua. Se a pessoa é feliz, você não tem nada com isso. Talvez essa pessoa mude de opinião no futuro e se isso acontecer, é um problema dela. E se não mudar, então ela vai crescer e amadurecer com algo que lhe faz bem. Que lhe faz feliz. 

+ Fangirls e – fiscais da vida alheia, por favor.

Escrita por Grazie S.