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[COLUNA] Histórias que nos marcam

Quando eu estava no Ensino Médio, algumas matérias me faziam ter vontade de ir para a escola e aprender, entre elas estava a Literatura. Eu sempre amei muito ler, então ter uma matéria que se tratava principalmente de livros e histórias era incrível. Essa experiencia foi ainda melhor porque tive uma professora que incentivava a ler não só os livros clássicos, mas também outras histórias. Lembro que todos nós adorávamos quando ela fazia uma roda com as carteiras e começava a falar sobre diversas histórias, fossem elas conhecidas e populares ou não.

Foi nessa época que eu comecei a acompanhar uma fanfic chamada Bola na Rede, postada na falecida Clube das Autoras e escrita pela Ray Tavares. Eu me apaixonei completamente pela história de GuiRê! Para quem não leu ou não se lembra, essa história misturava futebol, ensino médio, aventuras e, claro, Literatura. Também colocava em confrontos diferentes classes sociais.

A história se baseava no dia-a-dia de Renata, uma patricinha mimada e super rica, que depois de aprontar várias, é colocada em um internato católico no interior de São Paulo. Obviamente ela surta no começo, mas depois de um tempo ela se acostuma com o local e aprende a viver com as diferenças, por exemplo: sua colega de quarto é uma mulher negra e lésbica, seu interesse romântico, Guilherme, é um bolsista que mora em uma área marginalizada de São Paulo. No meio das paixonites e amizades, a professora de Literatura que eles tanto amam é mandada embora e nisso eles começam a investigar o porquê.

Estou falando dessa história porque alguns anos depois, mais especificamente no começo do ano passado, Bola na Rede se tornou um livro chamado Confidencias de uma Ex-Popular e neste início de 2020 eu o li. Do mesmo jeito que Bola na Rede marcou minha adolescência, este livro marcou este meu começo da minha vida adulta e me fez relembrar das minhas aulas de literatura e da importância que ela teve na minha vida.

Fiz dois anos de cursinho, literatura continuava sendo minha matéria favorita, mesmo que desta vez tenha sido algo mais objetivo pois a finalidade de um cursinho é que a gente passe no vestibular. Estou indo para o quarto ano da faculdade de direito e posso dizer que uma das coisas que mais me fazem falta são as minhas aulas de literatura. Discutir se Capitu traiu ou não traiu Bentinho, me aventurar com Pedro Bala, chorar com a morte da Baleia ou sofrer com Werther.

Esta coluna deveria ser mais uma resenha e indicação do livro da Ray, mas não é possível falar sobre ele sem me lembrar da minha matéria favorita e de como ela me influenciou a ser quem eu sou hoje, dentre tantas pessoas que eu admiro e que eu sempre levarei com um carinho em meu coração, com certeza estão meus professores de Literatura, serei eternamente grata a eles.

Escrita por Cami F