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[COLUNA] Setembro Amarelo: Uma campanha que deve ir além do mês de setembro.

Hoje acontece a campanha brasileira de prevenção ao suicídio, que desde 2003 acontece dia 10 de setembro, data escolhida pelo Centro de Valorização da Vida (CVV), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). A cor amarela, símbolo da campanha, foi escolhida por conta da história de Mike Emme, um jovem americano de 17 anos, que em 1994 tirou a própria vida em seu mustang amarelo por não saber como pedir ajuda. Em seu funeral, a família de Mike distribuiu fitas amarelas e cartões com a seguinte frase “se você está pensando em suicídio, entregue este cartão a alguém e peça ajuda!”. Mike provavelmente sofria de depressão e recentemente o seu namoro havia terminado, o que deixou o jovem profundamente triste e não houve uma certa atenção, afinal pessoas próximas achavam que isso era normal em um término.
Porque o Setembro Amarelo é uma campanha que deve ser viabilizada todos os dias do ano? A taxa de suicídio no Brasil aumentou cerca de 7% a cada 100 mil habitantes e 800 mil pessoas morrem no mundo todos os anos, totalizando uma morte a cada 40 segundos.
Os transtornos mentais ainda são muito banalizados pela população, como depressão, transtorno afetivo bipolar, esquizofrenia, transtornos relacionados a substâncias e álcool, entre outros; esses transtornos mentais geralmente estão por trás do suicídio, mas não podemos esquecer das pessoas que pertencem ao grupo LGBTQIA+, que frequentemente sofrem preconceitos ou outro tipo de violência e não aceitação da sua identidade por seus familiares, o que produz uma carga emocional muito forte.
Com a vinda da pandemia as taxas de suicídio podem aumentar devido fatores como estresse social, desemprego, questões socioeconômicas e o isolamento. Somos seres sociáveis e alguns já estão há mais de seis meses sem sair de casa, sem poder ver os familiares que ama, conviver com amigos e viver experiências; a ida ao mercado ou faculdade era algo comum, mas não percebemos a diferença que isso fazia para o nosso meio social até a pandemia. Devido ao isolamento o uso das redes sociais se intensificou e por ser uma das principais fontes de entretenimento, devemos ter um olhar cuidadoso sobre isso, as redes sociais podem ser bem enganadoras, pregando a vida e o corpo perfeito. Sem perceber acabamos nos comparando com os outros. As meninas viabilizam um padrão estético imposto pela sociedade e ao se olhar no espelho e ver que o corpo delas, é um corpo REAL, a autoestima imediatamente abaixa e o sentimento de tristeza invade. Claro que não podemos generalizar, mas a parcela de meninas que buscam um padrão corporal é muito grande.
No mês de setembro ocorre toda uma mobilização por conta da campanha, porém, não devemos focar somente nesse mês em específico, é uma campanha para o ano todo, afinal todos os dias alguém pensa em retirar a própria vida e geralmente algumas delas podem apresentar sinais, por exemplo sinais verbais e comportamentais.

– Caso você escute uma pessoa dizer “vou me matar, quero morrer, vou cometer suicídio”, não pense que ela não está falando sério, essa pessoa precisa ser escutada!
– Sintomas como alimentação, se a pessoa está comendo demais ou quase nada, não há apetite.
– Se ela tem insônia ou dorme demais.
– Se de repente ela não tem mais interesse de fazer as coisas que gosta ou deixa de frequentar alguns lugares, isso pode ser um sinal de depressão e isolamento.
– “Estou cansada, não estou animada”. Geralmente essa frase não é dada tanto importância, mas se há outros sintomas, é preciso ter um olhar atento!

Caso você encontre uma pessoa que possui esses sintomas ou outros, tenha uma abordagem acolhedora e se coloque no lugar de ouvinte, com neutralidade, não podemos julgar a pessoa e os seus problemas, cada ser humano lida com a dor de uma maneira diferente, devemos sentar e escutar o que essa pessoa tem a dizer, ela pode não estar pensando em suicídio no momento, mas basta uma situação e isso pode desencadear uma série de sentimentos na pessoa, levando-a cogitar em retirar a própria vida. SEMPRE aconselhe a pessoa a procurar ajuda e conversar com os familiares, pergunte se ela realmente está pensando em cometer suicídio, caso ela diga que sim, tente fazê-la a procurar um serviço de ajuda mental e também se ofereça a ir junto com ela, para a pessoa se sentir mais confortável diante de toda a situação. Não esqueça da pessoa, mande uma mensagem ou ligue para saber se ela chegou a procurar ajuda. O importante é agir.
Caso você esteja pensando ou conhece alguém que esteja querendo retirar a própria vida, pode entrar em contato com alguma unidade de saúde, no CAPS ou então ligue para o número 188 – Centro de Valorização a Vida (a ligação é gratuita).

Sua vida importa!

L. Del Caro