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[COLUNA] The Maine: uma abordagem diferente na relação entre fã e ídolo

The Maine é uma banda de rock alternativo estadunidense, criada em 2007 no Arizona. É composta por John O’Callaghan como vocalista, Jared Monaco e Kennedy Brock como guitarristas, Garrett Nickelsen como baixista e Pat Kirch como baterista. A banda tem nove EPs e sete álbuns de estúdio, sendo cinco desses álbuns lançados 8123 Studios, gravadora criada pela banda e que produz mais bandas e artistas independentes e que não querem as regras de uma gravadora grande sobre o que devem criar ou não. Esse é um dos motivos pelos quais o The Maine é a minha banda favorita: são eles quem decidem o que divulgar para os fãs, priorizando a qualidade do trabalho ao invés de visar o lucro.

Para mim, a banda sempre tem uma música específica para cada momento da minha vida. Quando eu penso em uma música para agradecer pelas minhas amizades, Another Night on Mars está presente. Quando me sinto perdida por conta da vida adulta, eu tenho Growing Up para me consolar. (Un)Lost já me salvou de um momento ruim mais vezes que eu posso contar. We’ll All Be e How do You Feel? já me motivaram diversas vezes a não desistir. Em resumo, são letras que me tocam e me abraçam, me proporcionam os mais diversos sentimentos. É música que eu sinto no coração e na alma, que realmente fala comigo.

E você não tem permissão para ser outra pessoa. Controle o que você puder, confronte o que você não puder. E lembre-se sempre como você é sortudo de ter a você mesmo.  —  (Un)Lost, The Maine.

Mas o maior motivo pelo qual os fãs de The Maine são apaixonados pela banda é a forma como eles lidam com os fãs. Sendo uma banda independente e que não visa criar música comercial, ter o apoio dos fãs é essencial para que eles continuem podendo fazer música, que sempre foi o objetivo deles. Eles começaram em 2007 e antes de fazer a primeira turnê – independente – o único contato que eles tinham com os fãs era pela internet e sair para conhecer essas pessoas que curtiam a música deles foi crucial para construir a política que eles adotam hoje. Você pode ler mais sobre o ponto de vista da banda nesse texto que John, o vocalista, postou no Medium em 2017, quando a banda fez 10 anos.

“Mas que relação diferente é essa?” Bom, em primeiro lugar, queria enaltecer os integrantes da banda. Eles são cinco caras incríveis, dedicados a música e que tratam os fãs com todo o carinho e respeito do mundo. Eles estão sempre produzindo alguma coisa, seja um EP com músicas que ficam de fora dos álbuns, versões acústicas ou covers de músicas populares. Um fã de The Maine dificilmente fica seis meses sem ter material novo.

Em segundo lugar, eles são super acessíveis. É muito fácil conseguir falar com eles pelas redes sociais e durante as turnês, eles sempre param nos aeroportos, saem do hotel para falar com os fãs e é muito comum ver eles do lado de fora da casa de shows falando com a galera. Seguindo esse ponto, quero puxar o terceiro motivo: eles não cobram por isso.

O The Maine tem uma ideia incrivel sobre como um artista deve valorizar seus fãs. No mesmo texto que eu linkei acima o John explica todos esses motivos narrando a trajetória da banda, mas para quem não quiser ler, vou resumir: agora em 2020, a banda fez 13 anos de existência. E mesmo que nenhum deles tenha ficado milionário, eles estão fazendo o que amam: criando música e conhecendo pessoas que apoiam essa música. Dessa forma, eles não precisam cobrar um absurdo por ingressos de shows (eu acho que nunca paguei mais do que 150 reais por um ingresso deles. Claro, a alta do dólar muda as coisas, mas lembro que o primeiro show que eu assisti deles custou 96 reais e isso em comparação aos quase 400 reais do ingresso do Shawn Mendes na arquibancada, é uma diferença gigantesca), e fazem shows e turnês gratuitas nos Estados Unidos (era só aparecer e assistir ao show). Eles também são adeptos ao meet&great gratuito. Sim, isso mesmo que você leu. Meet&great de graça.

Para quem não sabe o que é um meet&great, vou tentar explicar de forma bem didática: é aquele momento em que os fãs pagam (na maior parte dos casos, uma pequena fortuna) para darem um “Oi” e tirarem uma foto com o ídolo, antes ou depois de um evento. Esses momentos duram de 5 a 10 segundos e na maioria dos casos, são extremamente impessoais e estranhos. O The Maine faz isso de graça, pois eles acreditam na premissa de que não existe razão para um ser humano pagar para conhecer outro ser humano.
Tudo gira em torno do entendimento que eles têm sobre dos fãs: somos a base do sucesso deles desde 2007 e se eles estão fazendo música até hoje, é porque nós gostamos da banda e os apoiamos.

Você sempre vai conhecer uma pessoa que é fã de The Maine porque ela vai falar sobre e vai indicar a música deles. Dessa forma, nós criamos uma base que só vai crescendo e eles recebem mais apoio todos os dias e isso permite que eles continuem trabalhando, sem precisar taxar os fãs com a queda da industria musical. Se as pessoas não compram mais CDs, as gravadoras inventam outras coisas que um fã poderia querer, aumentam os valores dos ingressos e cobram pelo meet&great, tornando o artista mais um objeto da loja oficial. O The Maine não precisa fazer isso, porque ao optar pela politica de meet e shows gratuitos, eles alcançam os fãs de forma mais pessoal e esses fãs apoiam e divulgam o trabalho deles.

Se eu não preciso paga rum absurdo para estar com a minha banda favorita, eu posso comprar na loja oficial deles. Camisetas, bandeiras, bonés, CDs… Fãs de The Maine sempre optam por comprar os produtos oficiais deles para expandir o apoio para a banda. Eu nem mesmo tenho onde ouvir um CD, mas a minha cópia do American Candy – o único que eu tenho, porque nos outros anos em que assisti o show deles preferi comprar outras coisas – está na minha estante. Eles tem um dos fandons mais intenso que eu conheço, mesmo não sendo tão gigante. Tudo isso porque nos sentimos próximos da banda.

O The Maine já veio para o Brasil cinco vezes, para realizar turnês. Dessas cinco, eu participei de três. A primeira vez, em 2014, eu não comprei ingresso com meet&great. Era uma das primeiras da fila e vi todos passarem na minha frente, porque as pessoas com meet entravam antes para conversar com a banda. Nesse dia, eles liberaram todas as pessoas que não tinham meet para entrar. Minha primeira foto com eles é com um grupo de pessoas que eu nunca tinha visto na vida, mas ela existe e eu tive o meu primeiro contato com eles em meio a muito choro e abraços apertados.

Na segunda vez, em 2015, o show aconteceu no dia do aniversário do vocalista. Minhas amigas e eu levamos um presente para ele e para os outros integrantes. John usou o chapéu que demos para ele durante uma parte do show e agradeceu imensamente pelo presente (um kit para preparar caipirinha).

The Maine, minhas amigas, eu e uma intrusa porque tinham que ter cinco pessoas no grupo.

Em 2017, novamente eles retornaram. Por um problema de segurança, um grupo passou a frente do meu (que estava na fila desde às 5 da manhã, ou seja, éramos as primeiras) e acabamos discutindo. Quando nos aproximamos deles, a banda nos questionou se estávamos bem e perguntaram sobre o ocorrido, porque estavam preocupados com os ânimos exaltados. Eles nos cumprimentam e nos abraçam com tanto afeto, sem caras de tédio e expressões de que não queriam estar lá.

O The Maine ama o Brasil. Eles passam meses falando sobre nós antes de vir para a turnê e quando estão aqui, parecem constantemente em festa. Na turnê de 2019 eles estavam bebendo Corote e esse é um dos meus vídeos favoritos da vida. Pat está sempre respondendo os fãs nas redes sociais, você sempre encontra um tweet motivacional na conta do John, Garrett é um anjo, Jared tem um abraço incrível e Kennedy sabe falar algumas coisas em português e sempre tenta conversar com a gente utilizando a nossa língua. Isso é uma relação incomum entre fãs e ídolos e ela funciona tão bem entre o The Maine e as/os maineiacs, que eu não acho que funcionaria com outros ídolos e outros fãs. The Maine proporciona uma relação de família e é por isso que eu amo essa banda com todo meu coração e que você que ainda não conhecia eles, precisa conhecer e fazer esse bem para sua própria vida. Apoie uma banda chamada The Maine.

Escrita por Grazie S.