Atualizações

Entrevista com a autora: Lari Carrião

Nossa entrevistada de hoje é Lari Carrião, autora de histórias como Sweet Addiction, Deutsch Surprises e Barefoot on the grass, além de diversas outras.

Lari, a gente sabe que você passou um tempo se reconectando com a escrita. Conta pra gente como foi esse processo?

》 Foi um processo bem longo, acho que meu bloqueio durou um pouco mais de dois anos e foi frustrante não conseguir escrever. Não consegui ler nada também durante esse tempo, nem fanfic nem livros.

Mas hoje vejo que foi necessário me afastar, para eu entender que escrever tem que ser algo prazeroso para mim e a partir do momento que virou obrigação eu não conseguia mais me conectar com nenhuma história e nenhum personagem. Voltei a escrever sem pretensão de postar, era apenas uma válvula de escape da realidade e fluiu tão bem que aos poucos consegui me reconectar com todas as histórias que estavam de lado.

Qual o segredo para escrever de uma forma tão deliciosa de ler?

》 Não acho que exista segredo, hahaha. Eu procuro escrever da forma que eu gostaria de ler, colocando as sensações e sentimentos que eu gostaria de sentir enquanto leitora. Quase sempre são histórias leves, pois acho que a vida já exige demais de nós e vejo a leitura como algo para relaxar.

Como é seu processo de inspiração? E como consegue dar conta de mil histórias? Você tem uma rotina de escrita?

Inspiração é algo flutuante para mim, infelizmente. Acho que isso é o que me leva a ter várias histórias, pois sempre posso passar para outra quando a inspiração para uma delas está fraca. Eu tento manter um cronograma em mente, para não deixar nenhuma para trás, mas às vezes sinto que não consigo dar conta de todas não! E não tenho uma rotina de escrita. Eu não consigo escrever sobre pressão e quando preciso quase sempre sai algo que eu não gosto. Então eu não uso meus horários livres na rotina para escrever, mas posso escrever durante todos os dias de uma semana e passar uma semana inteira sem conseguir nenhuma linha.

Como você cria a personalidade dos personagens?

》 Pode não fazer muito sentido, mas para mim ela meio que se forma sozinha. Geralmente as minhas histórias surgem de uma cena ou situação pontual. A partir disso eu começo a montar o plot mais detalhado e mais completo e de acordo com as situações que os personagens vão passar eu imagino quais reações e comportamento eu quero que eles tenham. Foi assim em Sweet Addiciton. Começou exatamente com a ideia de uma garota presa em uma clínica psiquiátrica sem motivos. Comecei a trabalhar nos motivos que a fariam estar nessa situação e como ela poderia sair, e também não queria que fosse uma história dramática e depois de um tempo, Lexie surgiu.

Qual o primeiro passo para se tornar uma ótima escritora, como você?

》 Obrigada pelo elogio! <3

Embora eu não me considere ótima escritora, se eu fosse dar um conselho sobre o primeiro passo seria escrever o que te agrada, escrever sobre o que você gostaria de ler e da forma como gostaria que fosse contado. Quando penso na primeira história que escrevi na vida, fico aliviada em lembrar que nunca publiquei! Assim como amadurecemos enquanto pessoas, amadurecemos a escrita também e algo que sempre me ajudou muito foi ler.

Quanto a sua escrita, prefere escrever focando mais na descrição da cena ou no diálogo entre os personagens?

》 Eu não costumo focar muito em descrição, apenas do que é essencial para a cena ou para a história. Às vezes até pesquiso muito sobre uma cidade, um hotel, mas são raras as vezes que realmente faço descrição detalhada. Eu gosto muito de focar em diálogos, acho que através deles é mais fácil visualizar os personagens e suas personalidades.

Sua nova pp é engenheira civil. Diz pra gente qual vai ser o diferencial dela nessa nova profissão.

》 A Aimée está em uma transição no trabalho, ela vai sair de uma obra e vai coordenar o departamento pós-obra, e em ambos ela trabalha cercada de homens e os coordena. Acho que o diferencial e mostrar como uma mulher lida com isso no dia a dia e também com os comentários machistas que infelizmente ainda são feitos.

A princípio, quando ela surgiu na minha mente, eu sabia que queria uma profissão que não tivesse nada a ver com a do PP, que é piloto de Fórmula 1. E pela primeira vez eu pensei: por que não colocar a minha própria profissão em algo? E tem sido bem legal poder falar do que eu sei numa história.

Você tem um personagem preferido?

》 Acho que não. Cada um é único e eu não conseguiria escolher um e chamar de preferido.

Entre suas histórias, qual você mais gostou de escrever? Por quê?

》 Essa é uma pergunta que não dá pra responder! Hahahaha
Eu consigo separar as histórias que não me agradaram depois de prontas, mesmo que a ideia delas fosse boa. Mas acho que cada história surgiu no momento em que eu precisava e por isso todas são especiais.

Por exemplo, não gostei de escrever Nice to meet ya, escrevi super em cima do prazo e não estava confiante, mas depois de pronta eu amei o resultado.

Quais esportes você é fã/acompanha e pretende incluir em futuras histórias?

Já tem algum tempo que venho tentando criar uma história que inclua natação, mas ainda não encontrei um plot ideal. Também me interesso bastante por patinação no gelo e ginástica artística, mas não sei se chegarei a abordar em alguma história.

E, por fim, suas leitoras estão implorando um spoiler de Sweet Addiction, tem algo que você possa nos contar?

Eu sou horrível com spoilers, de verdade. Mas posso contar que vamos ter uma premiação em breve, aparecimento de ex-namorada, uma turnê e eventualmente o pai da Lexie. Mas também muitos momentos fofinhos e românticos com os casais!

Vou deixar um spoiler do capítulo 11!

“- E está tudo bem? – Lexie apenas confirmou com a cabeça. – Luke estava quase me matando por não ter notícias suas ainda. – confessou e ela rolou os olhos.

– E por que ele mesmo não me ligou?

– Primeiro porque o Calum colocou na cabeça dele que a chance de você negar um pedido é menor se eu pedir. – deu de ombros como se não fizesse ideia de onde aquilo tinha saído. – E segundo porque estou na casa da minha mãe e ela já reclamou umas trinta vezes que eu não liguei para a minha namorada nenhuma vez. – os dois riram. – E o pior é que não pude nem contestar muito, porque não temos nem mesmo uma foto juntos.

– Que péssimo que nós somos! – ela fingiu dar um tapa na própria testa. – Mas e então, qual é o pedido que eu vou negar?

– Luke quer que vocês encontrem a gente em Bilbao, para a premiação do EMA no próximo domingo.

– Por quê? – não conseguiu evitar uma careta ao soltar a pergunta.

– Acho que para vocês conhecerem a Espanha, não sei. – deu de ombros. – Luke sendo o Luke. E sem querer pressionar, ele já comprou as passagens pra vocês e acho que vocês saem sexta.”