I Hate Myself For Loving You

I Hate Myself For Loving You

Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Não interativa.
Sinopse: Quando Arizona levantou de sua cama na segunda-feira o que ela esperava? Que Peter Fleetham finalmente chamasse ela para ir ao baile de primavera, que aconteceria em menos de duas semanas. O que ela não esperava? A volta de One Direction, depois de 5 anos, para uma turnê especial em comemoração aos 10 anos de formação da boy band.
É claro que com a notícia inesperada do retorno do grupo que inspirou a formação do Aloha Fires With The Bella Magma (embora a especialidade da banda seja os hits dos anos 1980, ao invés do pop adolescente dos anos 2010), Arizona e o resto da banda precisam encontrar uma maneira de atravessar o Pacífico e assistir um show do One Direction em Los Angeles, porque sabe-se lá se algum dia terão essa oportunidade de volta. Agora Arizona está em um corrida contra o tempo, porque tem um convite para o baile a conquistar e dinheiro para um ingresso a juntar.

PARTE 1
Walking on Sunshine

Haviam poucas desvantagens em morar no Havaí, afinal as nossas ilhas eram um verdadeiro oásis na Terra, pedaços de terra levantados pelos próprios deuses para que a gente tivesse o menor vislumbre do que é viver no paraíso. E se existia alguma desvantagem, era eu estar dormindo enquanto metade do planeta Terra surtava com a volta de One Direction.
Eu era uma pirralha quando tudo começou, acreditava que cresceria e me casaria com Harry Styles – mesmo com a nossa diferença de dez anos e o fato de estarmos quase em lados opostos do globo, e somando a questão de ele ser famoso e eu uma mera mortal, o sonho ainda permanecia. Então quando anunciaram a tal pausa de dezoito meses, bom, dezoito meses mais tarde eu já estava convencida de que não seria apenas uma pausa.
Esfreguei meus olhos da maneira menos recomendada possível, porque simplesmente não podia acreditar na página que estava aberta diante dos meus olhos. O celular vibrava incansavelmente ao lado do notebook, o grupo do Aloha Fires With The Bella Magma estava pavorosa, Nic comandava a loucura toda, mandando cinco mensagens por segundo. Eu já não estava mais conseguindo acompanhar o raciocínio da minha amiga.
One Direction estava de volta para um especial de dez anos, e além de uma sessão inteira de fotografia, que claramente era recente, e o anúncio da edição de junho da Rolling Stones onde eles seriam a capa, ainda teria uma turnê mundial, começando exatamente no dia vinte e três de julho, pouco mais de dois meses do ponto onde estávamos.
Rolei desesperada através das dezenas de datas, começando em Londres, é claro, então uma passagem pela Europa e partindo direto para os Estados Unidos, dois meses depois. Eram quinze datas em nosso território e nenhuma delas incluía o Havaí.
— Eu não acredito!
Na verdade, eu acreditava sim. Honolulu podia ser uma cidade com todas as características de uma cidade grande, como Nova Iorque, por exemplo, mas isso não significava que as pessoas simplesmente lembravam das nossas incríveis e paradisíacas ilhas no pacífico. Aqui também existem fãs!
Olhei para o celular, ainda vibrando com todas as notificações de mensagens e do Twitter, meu horário já estava ficando apertado para a escola. Vesti a minha melhor camiseta do One Direction, a última que comprara há dois anos atrás, quando ainda parecia improvável vestir aquilo para celebrar o retorno da boyband.
Comi cereais, mesmo que tivesse prometido a Hanna que voltaria a ter uma alimentação mais saudável, depois do que ela viu durante o Natal, quando voltou da Califórnia. Eu tinha mesmo me esforçado, era difícil quando não tinha mais ela para fazer a comida ou, ao menos, para me supervisionar todos os dias. Mas era uma manhã excepcional. One Direction tinha voltado, então podia me permitir comer algo rápido e que não exigia preparo algum.
Saí pela porta da garagem com a mochila nas costas, a minha bicicleta estava apoiada junto às pranchas de Keanu, que não eram usadas há pelo menos dois meses, quando meu irmão partiu para a Austrália, a fim de participar de algumas competições de surf; com o verão de volta ao hemisfério norte, logo ele estaria em casa de novo.
O carro do meu pai não estava na garagem, apenas o Jeep quadrado e velho, que costumava dividir com Hanna há um ano atrás, quando ela ainda morava conosco. Aquilo só podia significar que os meus pais ainda estavam de plantão no hospital.
Abri o portão da garagem e pedalei para a rua, fechando logo em seguida. Por mais que eu amasse com todas as minhas forças o Jeep vermelho e surrado – que a maior parte das pessoas se recusavam a dirigir, por ser câmbio manual –, descobrira nos últimos meses que andar de bicicleta era ainda mais libertador. Sentir o vento no rosto e no cabelo, colocar o corpo para trabalhar um pouco e ainda tinha a vantagem de morar relativamente perto da escola e os arredores não apresentavam muita dificuldade com ladeiras, fosse para descer ou subir.
Fui diminuindo o ritmo das pedaladas a medida que me aproximava da esquina onde o ônibus escolar parava. Observei se a figura magra e alta de Peter Fleetham estaria postada ali, não havia uma única alma viva à espera do ônibus naquela manhã. Voltei a pedalar com mais força e velocidade, indo de vez para a escola.
Nos fones de ouvido tocavam “Best Song Ever” quando adentrei o estacionamento da escola, movimentado com carros entrando e alunos vagando na direção do prédio principal da escola. A ala B, o lado mais novo e a maior ala da escola, já estava quase totalmente reformada depois do incêndio que Chase Tallant havia provocado quase um ano antes, e eu ainda tinha levado parte da culpa apenas por estar no lugar errado e na hora errada. Aquilo tinha me custado algum tempo de castigo, além de uma briga com uma de minhas melhores amigas, Kylee, já que o boato que se espalhou pela escola logo em seguida envolvia a mim e um caso – inexistente, diga-se de passagem – com Chase, que na época era seu namorado.
Deixei a bicicleta junto com as dos outros alunos e caminhei na direção da entrada principal da escola. Algumas pessoas me cumprimentaram na passagem, Miles, meu “chefe” no time de xadrez, elogiou a camiseta com um tom de sarcasmo, ignorei como de costume. O movimento era frenético no corredor principal, uma confusão de sons, conversas paralelas se misturavam às risadas e portas de armários de metal abrindo e fechando.
Ainda à meio caminho do meu armário vermelho, meus olhos focaram na figura que causaria náuseas em qualquer um que tivesse o desprazer de conhecer a pessoa por trás dos mais de um e oitenta de altura, o cabelo espetado e os olhos puxados.
— Arizona! — Chase pronunciou como se meu nome fosse um elogio. Embora não existisse qualquer regra de vestimenta, e isso incluía os times, ele usava, religiosamente, a jaqueta do time de futebol, onde era o capitão, mesmo sob o calor do Havaí.
— Você pode me dar licença? — Fui mais educada do que ele merecia.
Deu um passo para o lado e liberou a porta. Abri logo em seguida, tirando a figura alta e incômoda de Chase do meu campo de visão.
— Como você está? — A voz dele era abafada em parte pelo metal.
Eu já não sabia mais o que fazer para ele entender, de uma vez por todas, que não existia a mais remota chance de acontecer algo entre nós. Ele era o ex-namorado de uma das minhas melhores amigas, havia me colocado no meio de uma confusão astronômica e ainda deixou que se espalhassem boatos por toda a escola de que realmente tinha algo entre nós, o que deixou as coisas tensas entre Kylee e eu.
— Eu queria te perguntar uma coisa.
— Você já perguntou.
— Isso não foi uma pergunta!
— O “como você está” foi.
Joguei a mochila dentro do armário e peguei o livro de biologia.
— Não é isso, mas se quiser responder também…
Fechei a porta de metal. Certas coisas não precisavam de resposta.
— Fala logo. — rebati com impaciência.
— Quer ir ao baile comigo?
Chase era um formando. Além do baile de primavera, ainda teria o exclusivo e desejado baile de formatura, Chase era um dos garotos mais cobiçados de toda a escola – algo que eu questionava com todas as minhas forças, não havia nada de realmente atraente ali se não fosse a aparência, que se tornava irrelevante quando o conhecia para valer. A minha resposta para a pergunta que metade das garotas daquela escola desejavam ouvir foi uma risada alta e inconsciente.
— Boa piada, Chase.
— Arizona!
Desviei a minha atenção para o meio do corredor, onde encontrei Nicole, usando uma touca laranja com o maior pompom que eu já vira em minha vida, de braços erguidos, um rosto sorridente e uma camiseta do One Direction. Gritamos ao mesmo tempo, corri em sua direção.
— Está acontecendo!
— Está muito acontecendo!
— Eu estou a manhã toda tentando falar com você. Você não viu o grupo não?
— Eu dei uma olhada por cima, você digita muito rápido.
— É um talento natural. — Estalou a língua no céu da boca. — Vamos! — Agarrou o meu pulso e me guiou no meio da multidão. — Reunião do Aloha Fires With The Bella Magma na sala da banda. Agora!
A sala da banda nada mais era que um cubículo, que muito provavelmente fora um almoxarifado em um algum momento da existência daquela escola, que depois do incêndio que comprometeu a maior parte do prédio novo da escola, tudo o que conseguimos foi aquele quartinho. Na porta vermelha estava colado um imenso cartaz do baile de primavera, revirei os olhos diante daquilo, que pior do que receber um convite de Chase, era ainda não ter recebido um convite de Peter.
Entramos no QG, Moana já estava lá dentro, começou a gritar no momento em que nos viu, também usavam camisetas de One Direction. Era incrível como todas tínhamos aquelas coisas, como que apenas à espera da grande notícia chegar até nós. Formamos uma roda de gritos e pulos animados.
— Mas o que está acontecendo aqui?
Virei-me. Peter entrava no cômodo acompanhado de Haunani sobre a sua cadeira de rodas coberta de strass, ela também usava uma camiseta e se juntou aos gritos logo em seguida, Peter ficou parado na porta com uma expressão que se misturava ora em divertimento e ora em desgosto.
Meu coração estava prestes a abrir um buraco em meu peito e se atirar no chão em um ato desesperado. Peter era o forasteiro do grupo, além de único homem a integrar a banda, era o estereótipo do garoto norte-americano branco, com olhos azuis e um cabelo loiro bagunçado. Era irritante e ainda se recusava a me chamar pelo nome certo, usando os nomes dos outros 49 estados – ou pelo menos aqueles que ele sabia, geografia não era o seu forte –. Eu odiava no começo, agora achava fofo, embora preferisse morrer a ter que admitir isso para ele.
Seus olhos vagaram do grupo em geral e pararam em mim, estática em meu lugar, encarando ele como se fosse Davi e eu o próprio Michelangelo admirando a sua nova obra. Meu cérebro começava a listar cada uma das coisas que adorava, desde aquela cicatriz sutil no canto da sobrancelha direita, que ele disse que ganhou depois de cair da cama dos pais quando criança e bater com a cabeça na madeira do móvel, até o modo como ele se recusava a sorrir atoa, como se existisse um limite de uso de um sorriso e ele só o exibia quando realmente fosse necessário, tornando ainda mais encantador. E ele sorriu naquele momento.
Estava pronta para sorrir de volta, até lembrar que deveria estar brava com ele. Eu não havia dito com todas as letras do mundo “Peter Fleetham, eu gosto de você”, mas não era como se eu escondesse, quero dizer, eu não sabia exatamente como dizer aquilo, às vezes eu achava que nem era necessário. Tinha a sensação latente de que ele também gostava de mim, ele estava sorrindo para mim naquele momento, e ele não sorria.
Já havíamos nos beijado em duas ocasiões diferentes, ainda que uma delas fora por causa de um estúpido jogo de Verdade ou Desafio, e Kylee havia me desafiado a beijar Peter apenas para provocar Chase, já que ela sabia que ele estava sentindo alguma coisa por mim. Mas na segunda vez fora diferente, ninguém havia forçado ou obrigado a situação, nunca conversamos sobre o que houve, mas as coisas estavam diferentes, e eu tinha certeza de que não era a única que percebia isso.
Agora tudo o que ele tinha que fazer era me convidar para o baile, fazia quase uma semana que tinham liberado a venda dos ingressos e faltavam menos de quinze dias para o tal dia, eu tinha visto pelo menos dez pessoas diferentes receberem incríveis convites para o baile. E eu só tinha recebido o convite estranho de Chase.
Então virei o rosto e me voltei para as meninas. Harry Styles já teria me convidado para o baile, e não apenas por eu ser incrivelmente maravilhosa.
— Por que vocês estão gritando desse jeito? — Ele entrou na sala, já não sorria mais. — Essa escola é barulhenta pra caramba e eu tô conseguindo ouvir os gritos de vocês lá de fora.
Todas apontamos para as nossas camisetas de cores e estampas diferentes, o único padrão ali era o One Direction. Peter rolou os olhos, outra coisa que ele fazia constantemente, costumava me irritar, mas até aquilo parecia fofo àquela altura. Bufei insatisfeita.
— E eu achando que aquele monte de mensagens era um delírio meu. Não, era só um pesadelo mesmo.
— Pesadelo? — Nicole replicou em choque. — Pesadelo foram os últimos cinco anos, agora vivemos em um sonho. One Direction voltou!
— Esse nome me faz querer vomitar.
— Não devia dizer isso — Haunani apontou. — Se existimos hoje, é por causa de One Direction.
— One Direction causou o Big Bang?
— Poderia — rebati impaciente. — Assim seres inferiores, como você, não existiriam.
— A banda existe por causa deles. — Haunani voltou a falar, a tecladista sempre mais delicada e paciente do que eu era capaz de ser. — Nos juntamos porque queríamos ser um cover de One Direction.
Peter riu. Precisei implorar ao meu cérebro para que não tomasse nota de como aquilo era perfeito. Ele tomou assim mesmo.
— Essa é a coisa mais ridícula que eu ouvi.
— Fazemos agora a votação para tirar ele da banda? — Nicole o olhou com pouca simpatia dos seus 1,50 de altura.
— A favor. — Moana ergueu um braço.
— Meninas — interrompi. — Estamos perdendo o foco aqui. One Direction. — As outras quatro partes da banda olhavam para mim. — Vai ter uma turnê inteira em comemoração aos dez anos. E nem um dos show vai ser no Havaí.
— Obrigado, Deus! — Peter levantou as mãos como em uma prece. Ele acreditava em algo quando convinha.
— E quando eles vêm pra cá? — Moana revirou os olhos, fechando os braços diante do peito. — Ninguém vem. Eu já nem contava com isso.
— Mas eu tenho uma ideia. — Usei um tom convincente. — Vamos para Los Angeles!
— Los Angeles? — A baterista soltou um risinho. — Primeiro, isso custa dinheiro. Muito dinheiro. Segundo, meus pais não me deixariam ir para Califórnia sozinha.
— Sozinha não. Vamos estar juntos!
— Não me coloquem nisso — Peter emendou. Eu estava quase conseguindo ignorar por completo a presença de Peter Fleetham.
— A irmã da Arizona mora lá. — Nicole me fitou. — Não é?
— Mora sim.
— Mas e o dinheiro? — Haunani questionou. — Porque vamos precisar de passagens de avião e uma hospedagem, a não ser que a sua irmã possa abrigar todo mundo…
— Ela mora no dormitório da universidade, acho que isso está fora de cogitação.
— Então passagens, hospedagem e ainda os ingressos. — Moana listou com os dedos. — Meus pais não vão querer bancar tudo isso.
O grupo caiu no silêncio pela primeira vez. Era um ponto válido.
— Bom… Podemos tentar ganhar dinheiro com apresentações. — Peter atraiu a atenção de todo o grupo. Pela primeira vez falava algo digno de atenção. — Já fizemos isso ao longo do ano, não ganhamos rios de dinheiro, mas pode ser alguma coisa.
— Eu topo! — Nicole emendou logo em seguida. — Eu faço o que for preciso pra ver um show deles pela primeira vez.
Fitei Moana e Haunani, eu estava com Nicole, faria o que tivesse ao meu alcance para ir àquele show. Talvez fosse a minha única chance de ver One Direction ao vivo, eu não queria correr o risco de esperar uma próxima reunião incerta. As duas trocaram olhares cúmplices, elas tinham essa coisa, provavelmente por serem amigas desde pequenas.
— Podemos tentar isso — Haunani falou por elas. — É melhor tentar e falhar, do que viver na dúvida, né? — Deu de ombros.
— Você é um gênio, Peter. — Nicole agarrou o braço dele. — E vai com a gente.
— Eu só dei a ideia, não quer dizer que eu me incluía nela.
Do lado de fora, o sinal berrou no corredor, as aulas iriam começar.
— Vamos nos reunir à tarde? — Nic sugeriu. — Os ingressos começam a vender em pouco mais de quinze dias. Precisamos garantir pelo menos o dinheiro para os ingressos.
— Tudo bem — concordei.
— E isso inclui você, Peter.
— Pode deixar.
Haunani foi a primeira a deixar a sala acompanhada por Moana apoiada em sua cadeira de rodas, mas sem necessariamente empurrar a amiga. Peter olhou em minha direção e levantou o livro que carregava.
— Então… biologia?
Bufei mais uma vez. Segunda-feira era um dos dias da semana que mais tínhamos matérias juntos, o que me obrigava a ter que vê-lo a maior parte do dia. Ótimo! Porque era tudo o que mais queria.
O que tornava aquela aula menos insuportável, era o fato de que Junie era a minha dupla. Ela já estava em nossa mesa, usava o uniforme branco, azul e vermelho da equipe de torcida com a figura de um Corvo Marinho raivoso, a mascote da escola, no meio do peito, o cabelo loiro estava preso em um rabo-de-cavalo alto, preso por um laço imenso e branco. Minha melhor amiga acenou assim que me viu.
— A sua camiseta! — Apontou indiscretamente para a peça de roupa. — Eu não acredito que eles voltaram.
Junie fora a minha parceira de surtos por One Direction quando éramos mais novas – enquanto Kylee se limitava a reclamar do quão irritante eram as músicas –, mas depois que eles começaram a pausa, ela pareceu ligar cada vez menos, então eu não esperava que ela soltasse fogos de artifício com a recente notícia.
— Eu nunca duvidei que isso fosse acontecer. — Tomei o meu lugar.
— Oi, Peter.
— E aí, Junie. — Ele acenou e sentou na mesa ao lado, junto do seu parceiro, Andrew.
Tudo o que me separava de Peter eram trinta centímetros de espaço vazio, mas eu sentia como se ele estivesse colado em mim.
— Ainda não aconteceu? — Junie sussurrou da maneira mais misteriosa possível. O senhor Johansson falava altivamente na frente da classe enquanto desenhava algo na lousa branca.
— Ainda não aconteceu o quê? — Usei o mesmo tom.
— O convite do baile.
Olhei de esgueiro para a minha direita. Peter estava distraído, fazendo o pior desenho de zumbi que eu já vira em minha vida. Ele desenhava o tempo todo e ainda assim era péssimo naquilo.
— Aconteceu. Mas com outra pessoa.
— Quem te convidou? O Miles? — A sugestão pareceu assustar ela mesma. — Eu sabia que…
— Não, Junie! — Antes fosse o Miles, mas eu tinha impressão de que o par ideal para ele era outra pessoa. Me aproximei um pouco mais dela. — Chase.
— O quê? — A voz dela saiu alta e aguda.
Rapidamente voltei para o meu caderno e fingi que estava anotando o que quer que estivesse na lousa.
— Disse alguma coisa, senhoria Wheeler? — O professor e metade da sala tinham os olhos sobre a minha melhor amiga.
— Hmm… O quê… O que é esse desenho, professor? — Fingiu estar impressionada. — Está perfeito! O senhor tem um talento incrível para ilustração.
— Ah… obrigado. — Houve um instante de silêncio, como se o professor ponderasse se aquilo era um elogio genuíno ou uma piada disfarçada, e em seguida voltou a explicação.

N/A: Bom dia, boa tarde e boa noite! Passando aqui apenas para dizer que cá está a primeira parte dessa história, juro que não vai demorar para o resto sair (é só que não deu tempo de preparar tudo mesmo hehe). E como uma verdadeira viciada em música, é sério, praticamente tudo o que eu escrevo envolve música em algum nível, é claro que eu não podia escrever uma história sobre música sem criar uma playlist para ela, que está disponível no Spotify. A playlist é uma verdadeira mistureba, composta por todas as músicas citas no decorrer da história (e como eu falei que não deu tempo de arrumar tudo a tempo do especial, por isso que a playlist não está com todas as músicas ainda, que eu tô adicionando as coisas a medida que tô revisando e as músicas aparecem no texto, ME PERDOEM A LERDEZA!). Então taca o play ai e seja feliz! Nos falamos em breve 😉