Summer Stars

Summer Stars

Gênero: Drama, romance.
Classificação: 14 anos (palavras de baixo calão e consumo de drogas lícitas)

Restrição: Apenas nome e apelido da pp são interativos, porém nenhuma característica física é citada. Essa fic é baseada na música Walking in the wind da One Direction. Todos os meninos da banda fixos.

Sinopse: Cinco anos após o hiatus, a boyband toma a decisão de voltar.
Em uma reunião enquanto decisões são tomadas, uma notícia inesperada vem a tona. Em meio a surpresa eles tem a chance de uma conversa que a cinco anos não puderam ter. Eles têm a chance de uma despedida.
Mas não é realmente o fim, porque de algum modo, ela sempre o encontraria.
Beta: Sofia Alonzo.

Capítulo único

2020
Minhas mãos suavam. Era nervosismo, eu sabia que sim. Quando o convite surgiu no meu e-mail, eu não pensei que estaria daquele jeito, mas estava.
Eu estava sentada no carro há pelo menos meia hora respirando fundo e pensando porque eu não pisava no acelerador e fugia dali apenas. Era só fugir, certo? Pousei minha cabeça no volante e respirei fundo algumas vezes.
Eu tinha certeza que quem passasse pelo lado de fora do meu carro naquele momento apenas pensaria que eu era uma maluca, mas não era isso.
Eu sou Higgins, em 2012 eu comecei a trabalhar como assistente do meu tio Paul em uma boyband da qual você já deve ter ouvido falar, ela se chama One Direction. Eu trabalhei com os garotos por anos, na verdade até o último momento da banda em 2016, me tornando assistente do empresário dos meninos, depois que meu tio saiu para trabalhar apenas com sua empresa em 2014. Eu amava aqueles garotos como irmãos, pelos menos a maioria deles. E nós éramos como uma grande família, porém com o passar dos anos, carreiras solo vindo, filhos para criar e do meu lado uma carreira com novos artistas, vê-los se tornou algo raro, para ser honesta impossível e a anos eu não os via.
Quando o convite para aquela reunião surgiu em meu e-mail a princípio eu pensei ser uma brincadeira de mal gosto, mas em seguida notei ser de um e-mail conhecido. E depois eu apenas chorei. Chorei porque era um pequeno passo para o momento que os meninos haviam aguardado. E também chorei por receber aquele convite. Por ser lembrada daquele modo.
Mas havia algo no qual eu não havia pensado e era o que vinha me atormentando nas últimas semanas: um quinto integrante da banda que a havia deixado em 2015.
Eu não sabia se ele estaria ali, e sequer havia pensado naquilo a princípio, por que não acreditava que sua presença fosse possível, mas durante meu café da manhã, duas semanas atrás, eu me lembrei de algo que Liam me disse no backstage do The X Factor em sua última apresentação.
Não existe reencontro sem o Zayn, quem dirá volta.
E aquilo me atormentava até aquele momento.
Alguém batendo em minha janela foi o que me tirou de meus pensamentos com um susto que me fez pular no lugar e ouvir a risada característica que eu já conhecia.
Eu respirei fundo, não havia volta. Havia sido pega.
Abri a porta do carro e saí do mesmo, e apesar do nervosismo, ver aqueles rostos conhecidos fez meu coração se sentir reconfortado.
— Caralho, Louis, quase me matou do coração. – Reclamei acertando o britânico que ainda ria.
— Eu estava morrendo de saudade de fazer isso. – Eu neguei com a cabeça fingindo indignação — Vem me dar um abraço, Higgins. – ele abriu os braços e eu me aproximei sendo recebida em seus braços de maneira conhecida. Louis me balançou de um lado para outro enquanto eu ria.
— Eu senti tanta saudade. – Sussurrei e ele beijou minha cabeça.
— Eu também, anã. – Ri de modo descontrolado.
— Até onde sabemos o anão do fandom é você. – Me afastei de seu abraço e o vi fechar a cara para mim.
Shut up, I’m massive! – Ele soltou a icônica frase e eu ri junto a ele.
— Certo, sai, sai, sai. É minha vez. – Harry se aproximou animado e abriu os braços após empurrar Louis — ! – Ele gritou já me prendendo em seu abraço e eu o abracei de volta.
— Hazza! – Gritei com a mesma empolgação e ele riu.
— Senti tanto a sua falta. – Ele confessou beijando o topo da minha cabeça.
— Austin sabe bem o quanto. – Brinquei e ele se afastou com cara de indignado.
— Eu só escolhi o Austin por quê uma certa Higgins se recusou a trabalhar comigo. – Se defendeu e eu ri.
— E comigo. – Niall e Liam levantaram as mãos juntos e eu ri me aproximando primeiro de Liam e o abraçando.
— Você se virou bem, pegou todos meus ensinamentos. – Informei o fazendo me apertar mais em seus braços — Já o Niall se tornou um tipo de Louis versão 2.0. – Impliquei com o irlandês que me cutucou ainda nos braços de Liam me fazendo saltar enquanto ele ria. Niall me puxou pela mão e me abraçou, passando seus braços acima dos meus ombros, quase como se abraçasse minha cabeça.
— Você fique quieta que eu nem xinguei tanta gente assim no twitter. – Murmurou.
— Eu sei, pequeno Leprechaun. – Ele gargalhou alto. Eu senti tanta falta daquela risada, era contagiante.
— Fazem anos que ninguém me chama assim. – O tom de Niall apesar de divertido era nostálgico.
— Ainda bem, porque só eu posso. – O cutuquei e ele se esquivou do abraço.
Encarei os quatro e sorri. Eles haviam crescido e mudado tanto, mas ainda assim, parte deles ainda eram aqueles garotos com quem eu apostava corrida pelos corredores de backstage de estádios pelo mundo, enquanto devia estar correndo atrás deles. E meu coração apertou fazendo meus olhos se encherem de lágrimas.
— Abraço em grupo! – Harry gritou e eles se reuniram ao meu redor me prendendo em um abraço que fez com que um riso e lágrimas me escapassem.
Quando tornamos a nos afastar eu respirei fundo lembrando de algo que pensei durante todo o último ano da banda: falta um.
Ele vem? – Questionei baixo e os garotos se entreolharam.
— Ele confirmou, mas não temos realmente certeza que venha. – Louis foi quem soltou baixo e eu assenti secando os olhos.
— Vamos entrar, aqui fora está esfriando e alguém me disse que teria pizza nesta reunião. Aposto que é tudo papo furado para me convencer a vir, mas vou pagar pra ver. – brinquei e todos riram.
— Vamos. – Niall acenou com a cabeça e nós começamos a caminhar para dentro do prédio. Louis me abraçou pelos ombros e eu o encarei enquanto recebia um sorriso fraco dele.
— Eu te amo, sabe disso, certo? – Eu assenti e Louis bagunçou meu cabelo — Ótimo. – Seguimos abraçados para dentro do prédio e, em meio a conversas, seguimos até o andar onde nos esperavam.
Quando as portas do elevador se abriram todos pareciam nervosos, mas logo deixaram o cubículo seguindo pelo corredor até a recepção do lugar. Era noite, afinal aquilo precisava acontecer naquele horário, e havia apenas uma pessoa na recepção do escritório da gravadora, que assim que viu os garotos, se levantou sorridente.
Houve uma breve conversa, até que fôssemos todos levados para uma sala. As persianas da sala de vidro se encontravam fechadas e assim que a porta se abriu, notei haver algumas pessoas lá dentro.
Após a passagem dos meninos, eu os segui tendo a porta fechada atrás de mim e notei que as pessoas na sala eram seus empresários e o pessoal da gravadora. Apenas me mantive à distância encarando enquanto eles se cumprimentavam.
Notei um quinto empresário e franzi o cenho confusa. O empresário de Zayn havia chego sem ele?
— Quase me esqueci o quão transparente você é com o que pensa. – A voz dele ecoou a alguns metros de mim, a minha esquerda. Engoli em seco e me virei o encontrando encostado no canto da sala – Oi, . – ele sorria pequeno, sem mostrar os dentes.
— Oi, Z. – Cumprimentei sorrindo junto a ele.
Era a primeira vez em cinco anos que eu o via pessoalmente. Os cabelos mais curtos e claros, sem o característico topete ou o cabelo longo, a barba tomava conta de todo seu rosto, como sempre, ele usava um moletom junto com as calças pretas. Encarei seus pés apenas para encontrar os típicos all stars pretos por ali. Sorri encarando os meus próprios pés que usavam a mesma coisa que ele.
— Pelo menos um de vocês tem uma parte do look que seja acessível. – Brinquei e ele riu negando com a cabeça e fixando os olhos em mim. Estavam marejados e no mesmo instante os meus também ficaram.
— Senti saudade, . – Eu sorri com uma lágrima caindo por meu rosto. O nervosismo deu lugar a saudade e a alegria de vê-lo e eu me aproximei o abraçando apertado, ato que ele retribuiu do mesmo modo.
— Eu também, Z. – Sussurrei.
Não sei quanto tempo se passou daquele abraço, mas quando nos afastamos era como se não fosse muito e eu ainda precisasse mais dos braços dele me segurando, porém o restante da sala esperava. Eu me encaminhei para cumprimentar os empresários enquanto os meninos cumprimentavam Zayn.
— Então essa é a famosa Higgins? – Jeffrey Azoff empresário de Harry me recebeu com um sorriso que eu retribui.
— Espero que a fama seja boa. – Brinquei e ele sorriu.
— Acredito que das melhores, para ser requisitada nessa reunião. – Ele informou e eu ri fraco meio confusa pelo tom que ele havia utilizado.
Todos nós sentamos na grande mesa e tirando um momento para observar, notei que eu era a única ali que não era cantora ou empresária de ninguém. De nossa equipe regular, eu era a única convocada, e naquele momento uma sensação estranha me subiu a espinha.
Eles iniciaram a reunião falando sobre o aniversário de dez anos da banda que se aproximava. Sobre planos e ideias que haviam tido. Os garotos se olhavam e eu sabia o que aquilo queria dizer: eles estavam escutando as ideias da gravadora por educação, já sabiam o que iam fazer e não incluia livestream, uma foto dos cinco, nem um vídeo.
Naquele ano em específico, a liberdade deles de bater o martelo sobre o que seria feito era maior, e eles a usariam.
— Então, o que vocês acham melhor? – O representante da gravadora questionou e os meninos olharam para Louis.
— Bom… – Louis respirou fundo olhando brevemente para mim — Nós não vamos fazer nada disso. – Aquilo não era uma surpresa para mim — Nós decidimos que vamos soltar aquele documentário… – Ele fez uma pausa enquanto os outros assentiam — E que vamos anunciar uma nova turnê e um álbum para o ano que vem depois das turnês solo. – Eu arregalei os olhos.
— NEM FODENDO! – Gritei sem conseguir me conter e tapei a boca em seguida vendo os meninos rirem – Me desculpem, foi a surpresa. – Indiquei colocando a mão no peito.
— Mas vocês estão decolando nas carreiras solo. – Um dos empresários soltou claramente surpreso, mostrando que não sabia de nada.
— Sabemos. – Niall afirmou — Mas sentimos que é a hora, de todo modo. – Todos concordaram e eu podia sentir meu coração para sair pela boca.
— Tem mais uma coisa. – Harry foi quem disse e quando olhei para a mesa notei que eles me encaravam — Queremos conosco. – Eu sorri pequeno.
— Claro, vou consultar minha agenda lotada e aviso – Brinquei e Harry riu junto aos outros — Vai ser um prazer ajudar os empresários de vocês. – Sorri fraco ainda meio abalada pela notícia.
— Nós te queremos como empresária da banda, . – Liam foi quem soltou e eu arregalei os olhos.
— O quê? Eu não….
— Você sim. – Niall me interrompeu sabendo de meu protesto.
— Você trabalhou diretamente com o último empresário e como ele pediu demissão precisamos de outra pessoa. – Harry se adiantou.
— Teremos nossos empresários individuais, mas tudo passa por você primeiro. As decisões de agenda e tudo mais tem que ser aprovado por você. – Liam completou. Eu estava claramente confusa e chocada com aquilo. Não era algo que eu esperava.
— Não confiamos em mais ninguém no mundo para cuidar de nós, . – Louis me encarou — Você tem olhado por nós por anos. Sempre nos protegendo e sempre vendo tudo do que precisávamos antes de nós mesmos. Você sempre nos apoiou e abraçou quandos as coisas eram difíceis e sempre foi quem levantou os ânimos. – Sorri fraco torcendo o nariz sentindo que podia chorar a qualquer momento.
— Você estava com a gente quando ninguém mais estava. – As palavras de Zayn vieram depois de um longo silêncio — Você sempre esteve. E eu sei que sempre vai estar. – Uma lágrima rolou de meu rosto e eu me apressei em secá-la. Respirei fundo algumas vezes, para que o choro não retornasse.
— Tudo bem. – Foi tudo que eu disse sentindo que se dissesse mais alguma coisa eu colocaria toda a água do meu corpo para fora pelos olhos.
— Hm… Mais uma coisa. – Louis soltou torcendo os lábios.
— Pelo amor de deus, eu sou cardíaca, não aguento mais nada. – Brinquei e todos riram.
— Como eu ia dizendo… – Louis me encarou mostrando a língua e eu ri fraco — Nós vamos anunciar a turnê e o álbum, mas vamos anunciar mais uma coisa. – Dessa vez eu vi Zayn abaixar a cabeça — Zayn não vai estar conosco.
O sorriso que havia em meu rosto sumiu. Não, isso não podia acontecer. Não havia volta sem o Zayn. Eu não disse nada, apenas fiquei em silêncio correndo meus olhos pelos garotos.
— Vamos fazer a volta com o resto de nós, e claramente teremos momentos e referências ao Zayn, mas ele não vai estar lá. – Liam prosseguiu apertando o ombro do amigo.
— O novo álbum já está escrito em partes, Zayn tem participação nas músicas seja em letras ou melodias, mas por decisão do grupo, ele vai agir sob um pseudônimo. – Niall fez o mesmo que Liam tocando o ombro de Zayn.
— É o melhor. – Harry soltou encarando Malik. Zayn levantou a cabeça e me encarou.
— É o melhor. – repetiu as palavras de Harry e eu senti meu olhos marejarem de novo. Eu só conseguia pensar nos garotos no palco sem Zayn, de novo. Como aquilo havia acontecido? Como haviam tomado aquela decisão estúpida? Estavam pensando nela há sei lá quanto tempo e sequer haviam falado comigo? Quero dizer, não nos viamos com frequência, mas vivíamos trocando mensagens e eles não haviam dito nada. Meu estômago embrulhou, como se eu fosse vomitar.
A reunião seguiu com datas sendo discutidas, e-mails trocados e uma nova reunião marcada com um time de marketing para fazer tudo o mais rápido possível. Quando todos se colocaram de pé, eu sentia o ar rarefeito. A notícia repentina ainda sem ser digerida por mim parecia entalada na minha garganta.
Como eles não havia me dito aquilo antes?
— Com licença, eu… Eu preciso… – Informei assim que a reunião se deu por encerrada e eu vi os garotos virarem para o lado que eu ocupava na mesa. — Preciso fazer uma coisa. – Acenei com a cabeça para os empresários que apenas acenaram em despedida — Foi um prazer conhecê-los. Me perdoem por sair assim. – Acenei brevemente e segui para a porta.
. – A voz de Zayn foi a que me chamou, mas eu apenas segui para fora.
Segui pelo corredor até o elevador, entrando nele e encarando os andares. Pensei em ir para o térreo e pegar meu carro para voltar para casa, mas quase sem hesitar minha mente me fez apertar o botão do último andar.
Me encostei na parede do elevador tentando controlar a respiração, enquanto na minha cabeça, cenas do último ano da 1D sem Zayn se passavam em minha mente.

— Ele foi embora, Tommo. – Minha voz chorava, reclamava do chão do camarim em Jakarta — Ele nem disse adeus. – Louis se aproximou, se colocando de joelhos em frente à mim e me puxando para seus braços.
— Ele gostaria de ter dito, . Eu sei que sim. – Louis garantiu afagando meus cabelos.

Respirei fundo olhando para cima.

— Não é mais o mesmo. – Harry sussurrou enquanto todos nós estávamos sentados ao redor da lareira de sua casa em Londres, durante a pausa para o início dos shows. Ninguém disse nada apenas nos encaramos.

Uma lágrima rolou por meu rosto.

— Nós decidimos uma coisa. – Liam se ajeitou na cadeira do restaurante do hotel enquanto eu deixava minha xícara de café na mesa.
— Digam. – Incentivei vendo-os se encarar por um momento.
— Nós conversamos e decidimos que… – Liam hesitou encarando os garotos como se pedisse ajuda.
. – Louis me chamou e eu o encarei — Nós vamos fazer uma pausa. – Eu franzi o cenho confusa.
— Pausa? Como assim? Agora? Gente os shows da turnê acabaram de começar. – Louis respirou fundo.
— Nós vamos terminar a turnê. – Niall completou — Mas depois disso vamos fazer uma pausa. – Eu ia dizer algo, mas Harry foi mais rápido.
— E não sabemos quando voltamos. – Naquele momento eu franzi o cenho brevemente, me tocando do que eles queriam dizer.

A porta do elevador se abriu revelando um rooftop onde o bar se encontrava vazio. Haviam alguns sofá e cadeiras na área aberta e eu apenas segui para perto do parapeito encarando a cidade iluminada por luzes de prédios e de carros. A brisa fria batia em meu rosto, mas aquilo não me incomodava. Olhei para o céu e apesar de próximos à cidade, era possível ver várias estrelas no céu.
Tudo pode parecer dramático demais, mas a questão é que eu sabia o que aquele anúncio sobre Zayn queria dizer: era um adeus. Talvez não de todos os garotos em relação à banda, mas de Zayn sim. Nunca mais veríamos Zayn como parte integrante da One Direction, e apesar de ter passado anos tentando me manter distante daquilo, não me tornar fã daqueles garotos foi impossível, e por ser fã meu coração doía. Por ser amiga também.
Para quem via pela internet, ou algumas horas ao vivo, vê-los juntos já era incrível. Mas conviver com aqueles cinco era mágico. Era como se nada no mundo pudesse lhe fazer mal enquanto eles estivessem com você.
Quando eles se tornaram quatro, continuou sendo incrível, mas sempre havia aquela sensação de que algo faltava. A sensação de que todas as piadas precisavam ser completadas com uma frase ou risada que nunca vinha. A sensação de que as mãos juntas ao centro procuravam por mais uma. A sensação de que as vozes harmonizadas sempre estavam em busca da última. A sensação de que aquele espaço, sempre deixado em cada show, apenas o aguardava para quando retornasse. Mas ele não retornaria. Os espaços vazios sempre estariam vazios à espera de Zayn, que nunca viria os preencher. Não mais.
— Você sempre gostou dos terraços. – A voz de Zayn ecoou atrás de mim e eu me virei o vendo a alguns passos de distância, enquanto os demais garotos tomavam o caminho do bar.
— São bons lugares pra pensar. – Murmurei me virando de volta para o parapeito e me apoiando ali. Zayn se aproximou e se colocou ao meu lado.
— Pensar no quê? – Ele questionou e eu o encarei.
— Eu sei que vocês são a banda, eu só não esperava ser pega de surpresa pela notícia. – Respirei fundo — Quero dizer, sempre que falei sobre isso com os meninos só haviam chances de um retorno com você. – Ele pressionou os lábios um nos outros.
— Se serve de consolo, eles queriam te contar antes, eu não deixei. – Eu neguei com a cabeça — , eu pedi que não te contassem pela mesma razão que não me despedi quando saí da banda. – Ele suspirou — Porque eu não seria capaz de encarar Higgins com todos seus bons argumentos para me fazer ficar. – Ele sorriu de canto — Mas eu não posso. Não podia antes e não posso agora. Porque essa não é a minha vida. Não mais. – Eu torci o nariz encarando meus pés — Essa é a vida deles, e eu sei que eles não voltariam sem mim. Não sem termos todos os pontos esclarecidos. Não sem eu explicar que não me sentia traído por eles continuarem com a banda sem mim. – Eu assenti.
Aquilo era verdade. Depois de Zayn sair, continuar fazendo shows completamente alegres e fingindo que nada havia acontecido parecia como um peso nas costas dos garotos. Como se estivessem apunhalando Zayn pelas costas e aquela foi uma das razões para a pausa. Uma das muitas.
— Você nunca vai voltar, não é? – Questionei baixo, Zayn respirou fundo como se buscasse as melhores palavras — Não minta pra mim, porque da última vez que você procurou as palavras assim, você veio com aquele papo de que nunca estaria muito longe de encontrar você na região das estrelas de verão, e eu nunca entendi que caralhos são essas estrelas de verão. Quero dizer, olha pra elas. – Apontei o céu — Elas são iguais no verão e no inverno, eu não sei a diferença. – Apesar de ser um desabafo real, Zayn riu, e rindo ele estendeu o braço me puxando para perto de si, me abraçando.
— Ah, , nunca vai existir ninguém como você. – Um beijo foi deixado em minha cabeça. Eu fechei meus olhos por um momento suspirando. Ficamos em silêncio por alguns minutos, apenas ouvindo barulhos de buzinas e de risadas no bar — Gigi está grávida. – Ele sussurrou e eu me afastei de supetão o encarando surpresa.
— É sério? – Questionei e ele assentiu sorrindo fraco — Ah meu deus, Zayn. – Me aproximei o abraçando e rindo enquanto ele, de modo surpreso, me abraçava de volta. Me afastei o segurando pelos ombros e encarando seu rosto — De quanto tempo? Já sabem o sexo? – ele riu fraco.
— Três meses, quase ninguém sabe ainda. E não, ainda não sabemos o sexo. – Eu sorri largo.
— Ah meu deus, vocês vão ter um mini Zayn ou uma mini Gigi. – Soltei com a voz fina e ele riu — Vai ser a criança mais linda desse mundo. – Soltei empolgada enquanto Zayn sorria de modo terno, porém ainda surpreso, afinal eu não acho que aquela era a reação esperada por ele ao dar aquela notícia para a ex.
Eu e Zayn namoramos em segredo por quase dois anos até que ele saísse da banda. Os garotos e nossas famílias sabiam, mas o resto do mundo não.
Desde o começo eu via os garotos como irmãos, mas com Zayn nunca foi daquele jeito. Desde o primeiro momento meu coração acelerou perto dele, e apesar de relutar contra aquilo, não demorou muito para que um primeiro beijo acontecesse e desde então, nós só acabamos nos aproximando mais, até quando vimos estávamos nos chamando de namorados próximos aos meninos.
Quando Zayn deixou a banda, deixou também uma grande incógnita sobre o que nós éramos, e aquela questão perdurou por semanas até que eu recebesse uma mensagem dele perguntando se poderia me ligar para conversarmos. A ligação não durou muito, já que na época eu estava magoada demais com a partida dele para escutar muito mais além de um pedido de desculpas e que nós havíamos acabado.
Porém, com o passar dos anos e alguma terapia, compreender o lado de Zayn foi libertador. Eu estava com ele quando as coisas começaram a ficar ruins, e apesar de tentar ajudar, eu via seus altos e baixos a todo momento. Quando ele se foi, foi triste e doloroso, mas uma parte de mim já entendia que o que ele havia feito havia sido para o seu próprio bem, e ninguém pode culpá-lo por tomar aquela decisão por si próprio. Eu deixei de culpá-lo.
Eu amei Zayn de maneira intensa, e eu sei que ele havia me amado do mesmo modo. Também sabia que aquele não era um amor que era esquecido, e eu não queria esquecer, mas também entendia que não era um amor que voltaria a ser vivido, porque ele havia se tornado um amor do passado e carinho do presente. Eu soube disso antes mesmo de encontrá-lo naquela sala mais cedo. Eu soube disso em todas as vezes em que as notícias dele e de Gigi me traziam um sorriso ao rosto e paz ao coração. Eu soube disso em todas as vezes que eu via as fotos e como se olhavam, e tudo que eu queria fazer era abraçá-la e agradecer por cuidar tão bem dele.
Zayn era agora como aquele amigo, que apesar de não ver há muito tempo, quando o encontra, você conversa, escuta sobre a vida e se sente feliz por tudo ter dado certo.
. – A voz de Zayn era baixa e ele mordeu o lábio — Eu queria pedir desculpas. Eu te devia mais que uma ligação e…
— Z. – Toquei brevemente seu rosto o fazendo me encarar — Eu entendo. Você fez por você e acho que não tem que se desculpar por escolher você mesmo. Por escolher se cuidar. – Eu sorri para ele — Eu fico feliz que tenha se escolhido. – Zayn sorriu.
Me afastei dele e me virei encarando a cidade por um momento, para em seguida suspirar brevemente.
— Eu vou continuar sentindo sua falta. – Sussurrei e encarei Zayn que sorriu pequeno.
— Fecha os olhos. – Ele pediu e eu franzi o cenho — Vamos, , pelo menos uma vez, não fique questionando. – Eu ri negando com a cabeça e fechei os olhos, respirando fundo.
Lentamente senti a mão de Zayn tocar a minha. Seus dedos puxaram a palma da minha mão a segurando enquanto seu polegar acariciava as costas da minha mão devagar. O calor do corpo de Zayn era mais próximo e eu podia sentir seu cheiro de maneira mais clara, quase como se não vê-lo me fizesse buscar outros modo de reconhecê-lo. Ele ainda usava o mesmo perfume de anos atrás, eu tinha certeza, mas agora o cheiro do perfume se misturava muito menos ao cheiro do cigarro.
— No começo, sempre que eu precisava de você eu fechava meus olhos e me lembrava daquela última noite juntos. – Suas palavras eram sussurradas como um segredo — Em Hong-Kong deitados na varanda do hotel olhando o céu, se lembra daquilo? Foi quando te contei que iria para a Inglaterra por alguns dias. – O ouvi engolir em seco. Depois daquele dia eu nunca mais havia o visto, até hoje — Nós não dissemos e nem fizemos nada, apenas ficamos deitados naquela varanda por horas segurando a mão um do outro. E sempre que eu precisava, era daquilo que eu me lembrava. – Eu sorri fraco — Foi daquilo que me lembrei quando decidi não voltar. De você, do meu lado, independente de qual fosse minha decisão. – Senti um beijo ser deixado em minha testa e abri os olhos encarando Zayn — Nós vamos ficar bem, eu sei disso, mas quando precisar de mim, é só fechar os olhos e eu vou estar do seu lado. – De algum modo aquilo aliviou meu coração.
— Você e suas coisas poéticas na vida real, não é? – Questionei e Zayn riu.
— Pelo menos não são as estrelas de verão. – Eu gargalhei alto negando com a cabeça e Zayn me acompanhou. Encarei nossas mãos ainda juntas sorrindo fraco — Vamos encontrar os meninos e comemorar sua promoção, Higgins. – Zayn chamou minha atenção soltando nossas mãos e me segurando pelos ombros.
Seguimos até o bar onde cada um dos meninos segurava copos com bebidas e na bancada dois outros copos repousavam esperando por mim e por Zayn. Sem fazer alarde sobre nossa chegada, eles continuaram o assunto que consistia em Liam dizendo que eles deveriam gravar todos os shows apenas para pegarmos todos os tombos de Harry.
— Eu concordo. – Eu disse mais alto erguendo meu copo — E proponho que cada um de nós tenha um compilado. – Os garotos concordaram e Harry fechou a cara para mim.
— Você costumava me proteger mais antes. Acho que estou arrependido do convite para ser empresária. – Ele murmurou bebendo a sua bebida.
— Tarde demais, Styles. – Ergui as mãos e ele me mostrou o dedo do meio.
As conversas continuaram regadas à bebidas, boas lembranças e risadas. Entre velhas histórias contadas até que nossas barrigas doessem de tanto rir, uma música começou baixa no bar que já estava vazio e eu encarei Louis que se encontrava com um controle em mãos selecionando a música.
— Uma última vez? – Louis questionou enquanto Act My Age começa pelo lugar.
— Coloca do começo por que eu me recuso não termos a dança do início. – Protestei largando meu copo e me colocando de pé. Fui seguida pelos garotos e Louis voltou a música se juntando a nós em seguida.
Aquela não era uma música escrita por eles, mas ela tinha um vibe da qual eu gostei desde o primeiro momento que a escutei, e eu vivia a dançando por todos os cantos, e isso acabou pegando Niall, e então Louis e logo se tornou um tipo de costume aleatório. Sempre que ela começava nós fazíamos a dança do inicio, pulando enquanto juntávamos os braços em duplas e depois apenas pulavamos e cantavamos a letra a plenos pulmões.
— I won’t act my age, no I won’t act my age. No, I’ll still feel the same around you. – Gritamos nos encarando e rindo. Sim, nós sempre sentiriamos o mesmo quando estivessemos juntos — I won’t act my age, no I won’t act my age. No I’ll still feel the same and you will too. – E então nós começamos a pular por todo o lugar, batendo uns nos outros enquanto riamos.
Quando a música teve seu fim nós respiravamos fundo enquanto nos encaravamos. Rimos por algum tempo até pararmos e apenas fazermos silêncio.
— Acho que está na minha hora. – Zayn foi quem disse e meu coração apertou instantaneamente.
— Abraço em grupo! – Harry, assim como no começo daquela noite, foi quem gritou e rindo fraco nós nos juntamos ao redor de Zayn. Olhos marejados e lágrimas rolando era o que tínhamos naquele abraço. Nada de palavras naquele momento. Não precisavamos delas.
Quando nos afastamos, eu cruzei meus braços após secar o rosto e encarei Zayn nos olhar sorrindo fraco.
— Tchau gente. – Foi o que ele disse antes de se virar e começar a caminhar. Zayn parou na porta do bar se virando com os olhos presos em mim — Cuide desses caras por mim, . – Meus olhos voltaram a marejar enquanto eu sorria.
— E você, se cuide por nós. – Ele assentiu se virando e indo para o elevador, assim que as portas de metal se fecharam e Zayn acenou uma última vez, eu respirei fundo sentindo os braços e o cheio de Louis mais próximos.
— Pelo menos dessa vez pudemos nos despedir. – Ele sussurrou e eu deitei minha cabeça em seu ombro.
— Isso já é uma vitória. – Brinquei e Louis riu me encaminhando de volta à bancada onde os garotos se sentavam com seus copos de volta as mãos.
. – Niall chamou e eu o encarei vendo-o morder a parte interna da bochecha — Acha que as fãs vão realmente estar esperando por nós? – Todos baixaram as cabeças e eu sabia exatamente em que momento eles pensavam.

— Vocês estão malucos?! – O empresário gritou — Que merda é essa de pausa? Vocês acabaram de finalizar o álbum novo. Como esperam fazer a turnê mundial? – Os garotos respiravam fundo, talvez procurando palavras para se expressar.
— Eles não vão. – Tomei a frente e o homem me encarou — Eles vão fazer a pausa e a turnê ficar para quando eles voltarem. – Dei de ombros e ele me encarou como se não acreditasse que eu tinha a audácia de abrir a boca.
— E quando isso vai ser? Posso saber? – Encarei os garotos que apenas olhavam para mim, como seu eu fosse dona de todas as respostas.
— Dezoito meses. – O homem me encarou parecendo perplexo, estava pronto para falar, mas eu prossegui — Isso não é negociável e é um direito deles depois de anos de trabalho duro. – Ele revirou os olhos.
— Acham realmente que as fãs vão esperar por vocês até voltarem? – Questionou naquele tom persuasivo e vi os garotos se entreolharem hesitantes.
— Não, as fãs não, mas as directioners? – questionei os encarando e sorrindo.

— Não Niall, as fãs não. – Ele torceu o lábio incerto — Mas, as directioners? – Questionei e os rostos dos garotos ali se levantaram para mim — Essas garotas são lendas, e vocês sabem o que o Josh diz… – Deixei a frase solta e Liam levantou se copo em seguida.
— Lendas nunca morrem. – Ele completou a frase e em seguida os copos dos garotos estavam juntos ao dele, enquanto a frase era repetida.
— Lendas nunca morrem. – E dizendo aquilo, eu juntei meu copo aos deles sorrindo para cada um daqueles garotos. Eles eram, sem dúvida alguma, o meu maior orgulho nesse mundo e naquela noite, brindando com eles a legião de fãs que os esperavam, eu prometi protegê-los como elas fariam.

2021
Copos se juntaram no ar em um brinde enquanto todos comemoravamos animados em alto e bom som.
— Parabéns, Liam! – Todos soltaram juntos rindo em seguida.
— Obrigada pessoal, você são incríveis. – Liam agradeceu sorrindo — Obrigado pelos presentes também. Eu adorei todos. – Liam me encarou — E sabemos que o dos caras quem buscou foi a , então obrigado especialmente pela correria que eu sei que foi pra você. – Eu toquei o peito de modo exagerado e dramático o fazendo rir.
— Estou brincando. Não tem o que agradecer, Payno. – Mandei um beijo para ele que sorriu.
As conversas começaram no local. Liam conversava com Louis e Eleanor, enquanto próximo à eles, Cheryl e Maya falavam sobre algo animadas. Bear e Freddie corriam pelo lugar deixando suas gargalhadas e gritos por onde passavam. Harry e Niall conversavam com pessoas da equipe e eu podia notar Niall e a nova estilista trocando alguns olhares, que a alguns dias eu percebi pelo backstage. Harry por sua vez parecia apenas interessado na conversa que tinham.
E enquanto eu observava o ambiente meu coração sentiu saudade de um certo membro que se estivesse ali, estaria comigo falando sobre Niall e a garota, e já planejando os conselhos que daríamos à ele quando viesse os pedir.
Me afastei um pouco, tomando o caminho da varanda do apartamento que pertencia à Liam e dali eu apenas fechei brevemente meus olhos me lembrando daquela noite. Era engraçado como a mesma sensação sempre me invadia quando eu fazia aquilo. A calma e reconforto de certo modo.
— Eu sempre me pergunto no que você pensa quando fecha os olhos assim. – A voz de Harry foi a que ouvi e, assim que abri os olhos, o encontrei ali encostado no batente da porta com sua taça em mãos — Eu sei que é nele, mas fico imaginando qual momento te faz sorrir assim. – Eu sorri fraco dando de ombros.
— É um segredo. – Ele riu assentindo e se aproximando. Styles se encostou ao meu lado tendo uma visão completa da sala de Liam onde as pessoas conversavam.
— Imaginei que fosse. Mistério sempre foi algo meio seu e dele. – Encarei Harry que sorria de canto.
— Acho que está na hora de me desapegar dessas pequenas coisas. – Comentei — Quero dizer, eu sou genuinamente feliz por Zayn. Sem ressentimentos. Mas acho que de algum modo manter essas coisas me impede de seguir em frente. – Dei de ombros.
— Isso e não ter baixado o Tinder até hoje. – Eu gargalhei e ele me acompanhou.
— Harry, para com isso. Você sabe que eu não faço o tipo “conheço em um aplicativo e saio”. – Virei um pouco do conteúdo do meu copo na boca enquanto encarava o irlandês que baixou os olhos para sua cerveja sorrindo fraco.
— É eu sei. Você faz o tipo conhecer a moda antiga. – Ele usou um tom debochado e eu o empurrei pelo ombro.
— Você não pode me julgar, nem redes sociais sabe usar. Quero dizer, quando foi a última vez que postou uma foto sua nos stories? 2019? – Ele estreitou os olhos para mim.
— Eu só não te empurro de volta porque talvez você esteja certa. – Ri negando com a cabeça — Niall está de caso com Kelly, você sabe, não é? – Comentou e eu assenti sorrindo.
— Ainda fico impressionada no quão bom ele é mantendo relacionamentos escondido da mídia. – Harry assentiu – Quero dizer, o máximo que souberam até hoje foi da Hailee. – Neguei com a cabeça.
— Ele vai se casar um dia e ninguém vai saber. – Assenti concordando.
— Você também é muito bom nisso. Ou ficou com os anos. Mas ninguém nunca descobriu seu namoro com a dona da floricultura. Paola, não é? – Ele sorriu fraco.
— Isso mesmo. E nem vão descobrir. – Ele torceu o lábio — Nós terminamos. – Eu abri a boca algumas vezes. Aquele era o relacionamento de Harry que eu achei que duraria para a vida toda, ou pelo menos muitos anos.
— O que houve? – Questionei e ele deu de ombros.
— Ela é ótima, mas temos um visão de mundo e de futuro bem diferentes e eu acabei ignorando isso por um tempo. – Ele respirou fundo — Ela esperava que a turnê do Fine Line fosse a última da minha carreira, mas você me conhece. Os palcos são a melhor parte do meu trabalho e eu não sei viver longe disso. E daí decidimos que era melhor assim. – Assenti devagar.
— Eu entendo. Algumas pessoas só querem a vida normal e sossegada, longe de fama e holofotes. – Ele assentiu.
— E apesar de às vezes eu querer um tempo longe, você sabe, eu adoro a atenção. – Eu gargalhei apoiando minha testa no ombro de Harry que riu junto.
— Narcisista. – Acusei ainda apoiada nele. Tornei a voltar meu olhar para dentro do local observando as pessoas.
— Acho que a gente devia fazer um acordo. – Harry murmurou e eu me desapoiei dele o encarando.
— Que acordo? – Questionei interessada.
— Se estivermos sozinhos até os trinta e três, a gente larga tudo que estiver fazendo e vai fazer aquela viagem ao redor do mundo que você planejava, juntos. – Eu franzi o cenho.
— Harry não tem hotéis cinco estrelas no meu planejamento. – Impliquei e ele riu.
— Eu sei, mas mesmo assim acho que devíamos fazer isso. – Se manteve firme e eu ri fraco.
— Certo. Trinta e três, então. – Estendi a mão para Styles e ele a apertou.
— Trinta e três. – Ambos sorrimos negando com a cabeça.

2021
Eu conseguia ouvir as fãs gritando as letras das músicas que tocavam no estádio. A playlist era apenas com músicas solo dos meninos, ou covers que eles já haviam feito. O anúncio de que Zayn não estaria ali já havia sido feito, mas mesmo assim os boatos na internet eram de que ele apareceria, por isso a cada música dele que tocava as fãs gritavam horrores.
— Foi uma péssima ideia colocar as músicas dele, você sabe, não é? – Matt me questionou. Estávamos na área vip, eu e os demais empresários, junto à família dos garotos que aguardavam ansiosos.
— Decisão dos meninos. E eu os apoio. – Comentei encarando a multidão — Isso e as fotos durante o show são como dizer que mesmo não estando aqui ele sempre vai fazer parte da banda. – Dei de ombros.
— Não tem jeito mais certo de fazer isso. – A voz conhecida de Trisha invadiu o local e eu me virei de supetão a encarando e sentindo todo meu corpo se arrepiar.
— Ah meu deus, Trisha. Oi. – Me aproximei sorrindo largo e sendo recebida em seu abraço.
— Oi, , que saudade de você. – Ela afagou minhas costas. Quando nos afastamos ela sorria.
— Eu não sabia que vinha. – Comentei e ela sorriu. Aquele sorriso de quem aprontava.
— Louis me mandou o convite, assim como para o resto da família. Ele queria te fazer uma surpresa. – Fiz um bico e ela riu.
— Onde estão as meninas? E o Yaser? – Questionei.
— No backstage com os meninos. Eu subi porque queria te ver antes das minhas meninas te alugarem. – Ri negando com a cabeça — E também porque queria ver as garotas. – Ela apontou Anne, Maura e Karen com a cabeça, que se encontravam em um canto mais afastado conversando e nos encararam brevemente parecendo aguardar.
— Vá lá. Eu preciso ir ao backstage de todo modo, repassar os detalhes com os meninos, mas assim que o show começar eu subo. – Informei e ela assentiu.
— Tudo bem, empresária. – Ela soltou a última palavra com tom de importância e eu ri.
— Não pense que a mudança de cargo mudou mais alguma coisa. Eu ainda vou querer aquele abraço quando Little Things tocar. – Ela riu.
— Ainda bem, porque eu também. – Ela tocou meu rosto com carinho e eu sorri. Segurei sua mão e beijei o dorso dela.
— Volto logo. – Afirmei deixando que caminhasse em direção às demais mulheres para então deixá-la.
. – A voz de Jeff irrompeu no corredor bem atrás de mim.
— Pode dizer, Jeff. – Incentivei sem parar, apenas diminuindo o passo.
— Acha que é uma boa ideia a família de Zayn aqui? Quero dizer pode gerar ainda mais buzz em torno de ele voltar e tudo mais. – Franzi o cenho o encarando e parando de andar — Eu sei, Louis o chamou. Não é contra Zayn que estou dizendo isso. Sei o quanto você e os meninos amam ele e respeito isso. Mas estou realmente falando isso por ele. Não estou dizendo para mandarmos ela ir embora, longe de mim. Vocês são família. – Naquele momento eu quis chorar. Os empresários dos meninos eram ótimos, todos eles, mas Jeff parecia o que mais entendia como 50% do meu trabalho era movido pelo meu coração e aquilo me aliviava as vezes. Alguém que não estava tentando me tornar comercial demais — Só estou avisando para termos cuidado na hora que ela for sair ou até durante o show. Isso pode gerar cobrança para Zayn e pressão demais. – Eu assenti respirando fundo.
— Obrigada, Jeff. Vou resolver isso agora com a segurança. – Ele sorriu e eu me virei para seguir meu caminho.
? – chamou e eu me virei o encarando — Sei que não falamos muito isso e que sempre que nos encontramos todos temos discussões, mas… Está fazendo um ótimo trabalho cuidando dos quatro. – Eu sorri largo.
— Vocês também. – Ele assentiu e se virou voltando à área vip.
Segui o caminho pelos corredores cumprimentando pessoas ou perguntando se estava tudo certo. Cheguei até a porta do camarim onde todos estavam aglomerados e ela estava aberta.
A bebê de Safaa sendo o centro de todas as atenções no cômodo.
— Será que posso vê-la ou devo marcar hora? – questionei e vi a Malik mais nova se virar enquanto sua filha repousava nos braços de Niall.
! – Saffy seguiu até mim em passos apressados e eu a recebi em um abraço.
— Pelo amor de Deus, eu não estava preparada para te encontrar tão grande assim, casada e mãe. As minhas costas até doeram com a idade chegando de uma vez. – Brinquei e ela riu se afastando e me encarando.
— Sem essa, aposto que ainda consegue correr atrás de mim nos corredores do backstage. – Brincou e eu ri.
— Por favor, não. Sei que Freddie e Bear já vão me dar esse trabalho. – Ela riu.
— Pelo visto realmente tomaram meu lugar. – Fiz bico para ela.
— Ninguém nunca vai tomar o seu lugar no meu coração, Saffy. – Ela fez o mesmo bico e nós rimos.
— Tá explicado porque ela prefere a a gente, Wali. – Doniya provocou enquanto eu me aproximava.
— Claro, vive mimando ela. – Waliyha murmurou em fingida indignação e eu ri me jogando no colo das duas.
— Como se eu não mimasse vocês duas também. Suas ingratas. – Ambas riram nos juntando em um abraço meio desajeitado — Como estão? Como vão os negócios dessa família de maquiadoras mais que talentosas? – Questionei após me ajeitar entre elas e abraçando ambas junto à mim.
— Bem. Você estava certa inclusive, depois de irmos para o instagram as coisas melhoraram muito. – Sorri largo.
— Esperem só até conhecerem o Tik Tok. As coisas crescem rápido naquele aplicativo. – Vi Louis me encarar em clara desaprovação.
— Ah pronto, agora deu. Até se entregando à essas modinhas. Garota, não te criei pra isso não. – Dei risada de Louis me levantando e seguindo até ele apertando suas bochechas.
— Um velho ranzinza de oitenta e quatro anos. – Ele fez uma careta e me mostrou o dedo do meio — Agora sai da frente, vou lavar minhas mãos para pegar a neném. – Segui para o banheiro lavando as mãos e voltando em seguida — Cadê a bebê? – Indiquei Zaneyah e Niall sorriu — Tô falando dela, Horan. – Ele fez bico e eu ri baixando meus olhos para o bebê.
Ela tinha olhos escuros e atentos. Como se desbravar o mundo fosse o que ela mais queria. Ela me olhava com atenção, tinha uma roupa rosa no corpo e um turbante de um tom mais escuro da mesma cor em sua cabeça. A boca babada, as mãos juntinhas, eram o conjunto de um lindo bebê.
— Ei, pequena Z. – o apelido saiu quase que automaticamente e ela sorriu mexendo a cabeça. Niall me passou ela e eu a segurei com cuidado e atenção. Definitivamente tinha traços de Saffa. Muitos deles.
As conversas no ambiente continuaram e tudo que eu conseguia fazer era admirar a bebê que começou a dormir em meu colo enquanto segurava meu dedo indicador.
— Você leva jeito com crianças. – Liam sussurrou ao meu lado e eu sorri para ele.
— Era de se esperar, depois de cuidar de vocês cinco. – Rebati o encarando.
Outch. – Ele murmurou para rir em seguida — Nós nem demos tanto trabalho assim. – O olhei com descrença e Liam tornou a rir — Ok, talvez tenhamos dado mais trabalho que o normal, mas não aja como se não tivesse se divertido. – Ri dando de ombros.
— Nunca disse que não me diverti. – Me defendi e Liam sorriu de canto.
— Tivemos bons momentos, não tivemos? – Ele questionou e eu sorri largo.
— Tivemos e vamos continuar tendo. – Afirmei e Liam me olhou de olhos estreitos — Garoto, não é por que virei empresária que vamos deixar de fugir para comer porcarias ou ir à festas não. Eu hein. Depois quem vai resolver sou eu mesmo. – Dei de ombros e Liam riu de novo.
— Espero que ainda se lembre dos velhos truques para despistar os seguranças. – Eu sorri.
— Os velhos e os novos. – Pisquei e Payne tornou a rir negando com a cabeça.
— Ainda bem que te escolhemos. – Declarou por fim.
— Pessoal, pediram para avisar que temos dez minutos. – Josh surgiu à porta munido de suas baquetas e acompanhado de Sandy.
— Certo, pessoal. Hora do show. – Anunciei seguindo até Saffa e lhe entregando a pequena Z — Podem subir, eu já vou, preciso fazer algo com os garotos antes. – Informei e ela assentiu. Cumprimentaram todos e desejaram sorte, fazendo o mesmo com Josh e Sandy que ainda aguardavam na porta.
Assim que todos saíram acenei para que os dois entrassem e se juntassem a nós. Fizemos uma roda, onde como de costume, apenas abaixamos nossas cabeças e fizemos silêncio, respeitando quem quisesse fazer suas preces. Eu apenas pedia para que eles fossem protegidos e cuidados naquele show e que tudo desse certo. Quando todas as cabeças estavam de pé novamente eu os encarei um a um sorrindo e fazendo caretas para alguns deles.
— Bom, eu não sei se tenho muito a dizer, a não ser que estou orgulhosa de vocês e que quero que se divirtam. – Informei vendo Louis comemorar fazendo com que rissemos — Vão lá, deem o melhor de vocês, mas não precisam se cobrar tanto. Aquelas garotas amam vocês assim como eu amo. Elas amam vocês só por serem vocês. Esses garotos legais, mas péssimos dançarinos. – Brinquei e todos riram – Exceto por Liam, você é ótimo nisso de dançar. – Apontei e ele fingiu jogar os cabelos, nos fazendo rir. Os encarei respirando fundo — Eu amo vocês e se precisarem de qualquer coisa gritem que eu pulo da área vip para socorrer vocês. – Eles sorriram.
— Isso inclui a gente também? – Sandy questionou apontando para eles e eu ri.
— Óbvio, Sandy. – Ele assentiu suspirando em fingido alívio.
— Abraço em grupo! – Niall gritou e todos nós nos juntamos em um abraço que demorou pelo menos dois minutos quando nos afastamos havia algo no rosto de todos. Uma cumplicidade que sempre tivemos e eu sabia que continuaríamos tendo por anos.
— All day…. – Louis colocou a mão no centro da roda enquanto ele me olhava. Eu sorri, porque ver Louis e saber que todo aquele desentendimento com Malik havia acabado reconfortava meu coração. Assim como com Niall. Eles se amavam demais para aquilo.
Uma a uma as mãos se juntaram no centro, nos encaramos rindo.
— All night! – Dissemos em uníssono — Dj Malik, Dj Malik! – Repetimos no mesmo ritmo de um dos vídeos antigos dos meninos e jogamos as mãos para cima sabendo que aquilo se tornaria tradição.
Saímos do camarim animados e eu me despedi dos meninos decidida a resolver a coisa com a segurança da qual havia falado com Jeff mais cedo. Quando virei um corredor a alguns metros vi a imagem conhecida de um homem.
— Tio Paul? – Questionei o vendo abrir os braços para um abraço ao qual eu retribuí.
— Eles já subiram? – Ele questionou.
— Na coxia. Corre que dá tempo. Vou esperar lá em cima. – Incentivei e ele assentiu.
Não tínhamos certeza se tio Paul viria, por conta do trabalho, mas lá no fundo todos sabíamos que ele daria um jeito de estar ali. Ele não perderia aquele momento por nada.
Segui pelos corredores encontrando o responsável pela segurança e lhe passando instruções sobre a família Malik que ele assentiu seguindo para repassá-las aos demais.
Com isso resolvido eu fiz meu caminho até a área vip e quando adentrei o local a nostalgia me acertou em cheio. Todos estavam ali para ver e apoiar os meninos, como em uma grande reunião familia e eu me sentia em casa daquele modo.
Me aproximei de todos abraçando Yaser, que eu havia desencontrado mais cedo junto ao marido de Saffa e aguardamos.
As luzes se apagaram e o público gritou histérico. Quando o teaser começou a passar no telão eu respirei fundo. Era como uma retrospectiva da banda. Entre momentos de shows, na estrada, vídeos que eu mesma havia gravado nos bastidores ou em hotéis, um tipo de viagem no tempo pela banda se passou na frente de nossos olhos e ao fim dele um vídeo de Zayn acenando e se afastando aos poucos da câmera era visto. Eu via o choro de muito gente lá em baixo, e ali na area vip eu via pessoas limpando discretamente suas lágrimas, e isso incluía todas as famílias, mas não havia real tristeza ali. Na verdade todos pareciam felizes por Z e eu acreditava que estavam.
Éramos família, e naquela família nós só queríamos o melhor uns para os outros. Naquela família, cuidávamos uns dos outros e era aquilo que estávamos fazendo por Zayn. Cuidando dele e cuidando de uma das coisas que ele mais amou na vida. A One Direction.
Niall, Louis, Liam e Harry fariam um bom trabalho cuidando do palco, das fãs e das músicas que Z com tanto carinho os ajudou a criar. E eu? Bom, eu cuidaria dos meninos, como havia prometido, porque afinal, sabemos do quanto eles precisam de alguém que os proteja. E eu definitivamente faria o meu melhor para ser essa pessoa.

2026
O parque de Belleville era um dos locais que eu mais esperava que estivesse cheio, porém se mostrava extremamente vazio, mesmo para a época de baixa temporada. Harry e eu havíamos ido ao mirante e a vista de Paris era de se tirar o fôlego de lá. E depois de apenas tirarmos um tempo para apreciar a paisagem, decidimos ir em direção à uma galeria de arte que a dona do hostel onde estávamos hospedados havia indicado.
Ela garantiu que tinha as melhores obras do bairro de Belleville, sem contar que o caminho entre grafites pelas ruas era uma atração à parte.
Belleville era um bairro que eu tinha vontade de conhecer desde que comecei a lista de lugares que queria conhecer, anos antes. Apesar de não ser uma das maiores apreciadoras de arte, tudo que eu ouvia do lugar sempre que passávamos em turnê por Paris era incrível e a arte de rua sempre ressaltada. E como enquanto estávamos em turnê não tínhamos tempo nem para respirar, eu acabei adicionando o lugar na minha lista.
Quando planejei aquela viagem, era um planejamento solo, mas ter Harry ali deixava tudo mais divertido e muito menos solitário. E Styles se mostrava cada dia mais aberto às experiências que a estrada podia nos oferecer.
Ele capturava tudo com sua câmera enquanto passamos pelos lugares, mas assim que entramos na Rue Dénoyez, pela visão periférica eu o vi abaixar a câmera e podia jurar que tínhamos as mesmas expressões.
As paredes dos prédios que com certeza datavam de anos e mais anos atrás, eram cobertas por desenhos dos mais diferentes tipos, formas e cores. Alguns eram apenas letras garrafais de palavras em diferentes línguas, outros desenhos psicodélicos que misturavam coisas jamais imaginadas, outros eram desenhos mais reais, porém ainda assim pintados em cores vibrantes. Era o caos, mas era o caos mais bonito, cheio de vida e liberdade que eu já havia presenciado.
Uma garotinha era ajudada pelo pai a apertar uma lata de tinta para colorir um desenho na parede metros à nossa frente. Mais alguns artistas espalhados pelo local faziam mais desenhos ou escreviam coisas pelo local e eu só conseguia me sentir encantada e sem fôlego.
— Definitivamente é uma atração à parte. – Harry comentou baixo e eu o encarei vendo-o olhar para todos os cantos maravilhado — É uma bagunça, mas… – Ele parou a frase respirando fundo.
— Eu sei. – Comentei e ele me encarou sorrindo de canto.
Uma leve brisa começou a soprar enquanto caminhávamos pela rua. Mesas de bares e cafés dividiam espaço com artistas e outras pessoas que apenas passavam pelo local.
— Vou parar aqui para pegar uma água, quer algo? – Ele apontou o café a minha direita e eu neguei com a cabeça.
— Eu espero aqui. – Harry assentiu adentrando o local e eu permaneci do lado de fora ainda com os olhos vidrados nas paredes.
Senti alguém puxar a barra do meu casaco e assim que olhei para baixo encontrei uma garotinha que sorria com um papel em mãos.
— Moça, você deixou cair. – Ela me estendeu o papel e falava inglês. Eu notei que o papel era apenas um recibo sem importância, mas ainda assim me abaixei o pegando de sua mão.
— Obrigada, é muita gentileza sua. – Assim que encarei os olhos da menina de perto eu senti todo o meu corpo se arrepiar. Eu conhecia olhos muito parecidos.
— Por nada. – Ela sorriu largo — Você é muito bonita. – Elogiou tocando meu nariz com o indicador e rindo um pouco em seguida.
— Você também. – Sorri pequeno ainda desacreditada.
— Filha, vamos, temos que encontrar a mamãe. – A voz conhecida ecoou atrás de mim e meu corpo inteiro se arrepiou. A garotinha sorriu.
— Tchau moça. – Ela acenou e começou seu caminho, porém parou ao meu lado — Qual seu nome? – Questionou confusa.
. – Respondi sorrindo pequeno e me colocando de pé.
— Foi um prazer. – E dizendo aquilo ela seguiu seu caminho saltitando.
Eu me virei a vendo seguir até um homem de moletom e capuz que a encarava sorridente. De imediato meus olhos marejaram e um largo sorriso se abriu em meus lábios. Era Zayn. Ele guardava em sua bolsa uma lata de tinta, e era ele o pai que eu havia visto mais cedo pintando a parede com a menina. É claro que ele estava ensinando à ela.
— Papai, a moça do papel é tão bonita e ela tem um nome bonito também. – Informou e eu o vi sorrir animado, como eu sempre o imaginei olhando para os filhos.
— Sério? E qual o nome dela? – Ele questionou com muito interesse.
. – E dizendo aquilo eu o vi franzir o cenho e levantar o olhar para mim.
Eu sorri e acenei para ele que abriu a boca para dizer algo, mas apenas sorriu largo acenando de volta. A garotinha tornou a olhar para mim acenando também e eu retribuiu o ato sorrindo largo.
— Viu, papai? – Zayn coçou os olhos brevemente, indicando que assim como eu um choro havia chegado.
— Vi sim, meu amor. – Ele se abaixou a pegando no colo e me encarando em seguida — Dá tchau para ela. – Ele acenou uma despedida primeiro e a menina o acompanhou. Um sorriso ainda maior em meu rosto enquanto eu acenava de volta.
— Se cuida. – Sibilei e Zayn sorriu entendendo o que disse. Ele se virou encarando a parede onde ele desenhava antes e me encarando em seguida, para só então se virar completamente e seguir seu caminho com a pequena em seus braços perguntando se podiam comprar sorvete para a mãe.
A passos lentos eu segui para a parede e encontrei um desenho. Tinha um fundo azul escuro, alguns pontos brancos mais acima e abaixo duas pequenas pessoas com suas roupas pintadas de cores vivas e fora das linhas.
Quase automaticamente um momento me veio a mente.

— Sabe, , eu tenho essa sensação de que eu nunca vou estar longe de você. – Zayn comentou enquanto observavamos o céu escuro. Eu sentada entre suas pernas enquanto ele deixava um beijo em minha bochecha — De algum modo sinto que sempre vamos estar ligados. – Eu não entendia o porquê de ela estar dizendo aquilo, mas Zayn tinha tantos momento de reflexão que era quase normal.
— Como assim? – Questionei baixo.
— Como se mesmo não estando mais juntos, de algum modo fôssemos sempre nos encontrar. Em qualquer lugar do mundo, a qualquer hora. Na fila daquele café que sempre vamos juntos, ou em algum lugar que nunca visitamos. – eu sorri fraco.
— Como em um dos lugares da minha lista? – Questionei e ele assentiu.
— Acho que sim. – Ele deu de ombros enquanto eu pensava por um instante.
— Mas e se eu nunca te encontrar em nenhum desses lugares? – Questionei.
— Vai me encontrar nas estrelas de verão.

Sorri para mim mesma. Eu nunca havia entendido aquela história de estrelas de verão. Havia procurado por significados para aquilo por um tempo e nunca havia as compreendido. Mas era aquilo. Aquele desenho na parede. Era a representação daquela noite. Zayn havia prometido que o encontraria. Mesmo que não fosse ele, eu o encontraria de algum modo.
? – A voz de Harry ecoou atrás de mim e eu me virei devagar o encarando — Tá tudo bem? – Perguntou preocupado e eu sorri assentindo. Harry me olhou de cenho franzido ao passo que me estendia um copo — Suco de morangos com hortelã. Vi que eles tinham e comprei pra você. – Sorri para ele pegando o suco.
— Obrigada. – Harry parou ao meu lado e encarou a parede olhando o desenho de modo concentrado.
— É bonito. – Eu assenti — Que nome você daria? – Ele me encarou e eu sorri o encarando.
— Estrelas de verão. – Harry ponderou e assentiu.
— Poético. – Ri fraco tomando do suco.
— Vamos? Quero ver a galeria de arte. – Informei e Harry assentiu.
— Vamos. – Harry passou à minha frente e por uma última vez eu encarei o desenho.
Naquele momento era como se oficialmente eu estivesse fechando um ciclo. Não era o fim, eu veria Zayn outras vezes, eu sabia disso. Mas agora era como se finalmente eu conseguisse seguir em frente.
Nós iríamos continuar bem. De certo modo em nossos corações sempre haveria um espaço apenas nosso e sempre que precisássemos estaríamos lá. E aquilo era o suficiente.