This is not an illusion

This is not an illusion

Gênero: Romance
Classificação: Livre.
Restrição: Não interativa.
Sinopse: Quando Diana recebe a missão de cobrir uma coletiva surpresa, ela não imaginava que veria seu sonho de adolescente se tornar realidade na frente de seus olhos.
Beta: Olívia W.Z.

Meu dia não poderia ter começado pior. Além de não escutar o despertador e acordar meia hora atrasada, a chuva que caia aparentava não ter fim, o que dificultaria minha longa caminhada até a redação da revista. Eu já havia recebido 10 chamadas da secretaria do meu chefe, o que provavelmente não indicava uma coisa boa.
Guardo meu computador e algumas barrinhas de cereal na bolsa, já que não tive tempo de tomar café, e depois de encontrar um guarda-chuva perdido no fundo do armário, tranco o apartamento e desço as escadas até a portaria do edifício onde eu moro.
Ao sair do prédio, abro o guarda-chuva e respiro fundo antes de começar minha caminhada diária até a sede da People Magazine. Londres parece normal para uma manhã do ano de 2022, a mesma correria de sempre. Alguns sons de buzina, pessoas falando ao celular e turistas tirando fotos ao lado das clássicas cabines telefônicas vermelhas.
Apresso o passo ao notar que teria apenas 5 minutos para atravessar os 10 quarteirões até o meu trabalho. Cumprimento com um aceno de cabeça o senhor Bruce, ao passar pela banca de jornal dele que fica apenas alguns metros da minha casa, e piso em uma poça de água ao atravessar a rua, molhando toda a meia que estava dentro da bota de cano curto que eu uso. Decido não me estressar com isso no momento, não quando estou prestes a me atrasar para a reunião que tenho todas as manhãs com a equipe da revista.
Depois de fechar o guarda-chuva e colocá-lo dentro de uma sacola, para que não deixasse um rastro de água por onde eu andasse, finalmente passo pela catraca da recepção, e entro no elevador. Dou uma rápida olhada no relógio, que está no meu braço, e torço para que a reunião tenha atrasado 5 minutos, igual a mim.
Saio do mesmo correndo, assim que as portas abrem uma fresta, e me dirijo a minha sala, para deixar a bolsa e pegar a agenda que eu uso para anotar os temas das matérias que são designadas a mim.
– Bom dia, Diana! – cumprimentou a secretária do meu chefe quando paro em frente a sua mesa.
– Bom dia, Charlie! Onde está sendo a reunião desta manhã?
– Sala 5, e acho melhor você correr, Senhor Edward não está com um humor muito agradável hoje. – Ela me diz enquanto termina de digitar algo no computador.
– Certo, melhor eu ir logo. – Começo a caminhar em direção a sala, mas algo vem a minha cabeça, então viro-me em direção a ela novamente. – Charlie, por que você me ligou algumas vezes esta manhã?
– Ah, foi um pedido do Senhor Edward, ele queria saber se você poderia chegar alguns minutos mais cedo, porque ele havia um assunto importante a tratar com a senhorita. – Assinto, decidindo que falaria com o mesmo após acabar a reunião e volto a caminhar até a sala.
Respiro fundo e me preparo para a confusão antes de bater na porta. Ouço a voz do meu chefe autorizando a abertura da mesma, e tento entrar rapidamente sem ser notada. O que obviamente não deu muito certo, já que esbarrei em uma cadeira, a derrubando no chão.
– Atrasada novamente senhorita Johnson? – Ouço o Senhor Edward me perguntar enquanto me abaixo para pegar a cadeira e levanto meu rosto vendo que a atenção de todos na sala está voltada para mim.
– Me desculpe, não irá acontecer novamente. – Digo enquanto me coloco em pé, e o vejo assentir e voltar ao assunto que falava antes.
– Nem você acredita no que disse! – Ouço Adam sussurrar ao meu lado e dou uma cotovelada em suas costelas. Nós nos encaramos e rimos discretamente, até eu voltar a prestar atenção na reunião.
Conheci Adam quando fui contratada pela revista. Ele já trabalhava aqui há alguns anos e ficou responsável por me auxiliar nas primeiras semanas. Entretanto, nossa amizade só se tornou mais forte depois que eu descobri que meu ex-namorado me traia. Adam me viu chorando no elevador, e me convenceu a sair com ele para um show no final de semana.
– Okay, por hoje é só isso, vamos ao trabalho. – Disse meu chefe após uma hora de reunião, e o pessoal começou a sair da sala, estranho já que o mesmo não designou nenhuma matéria a mim. – Diana, você pode me esperar na minha sala, por favor?
Assinto e me retiro, Adam me acompanha até a sala do senhor Edward, já que estávamos combinando alguns detalhes sobre um festival que vamos no final do mês. Ele me deseja boa sorte, quando chegamos em frente à mesa da Charlie, e vai em direção a própria sala.
Aguardo meu chefe, que chega uns cinco minutos depois, e o sigo para dentro de sua sala, fechando a porta atrás de mim.
– Sabe senhorita Johnson, eu pedi para Charlie te ligar esta manhã, porque tinha uma história perfeita para ti, mas eu tive que dá-la ao John. Era sobre uma investigação policial em andamento, mas a diretoria da revista queria uma resposta imediata de quem ficaria com a matéria, então não pude esperá-la. – Disse o senhor Edward, enquanto se sentava em sua mesa, e eu assenti.
Como eu sou a mais nova do repertório de repórteres da revista, raramente fico responsável por matérias grandes. Essa era uma oportunidade incrível, que graças a minha preguiça matutina, eu perdi.
– Outras matérias assim aparecerão novamente, sua chance vai chegar. É só ter calma. – Ele continua dizendo, e eu assinto outra vez. – Mas não é por isso que eu pedi para a senhorita vir até aqui.
– Não? – Pergunto confusa.
– Não. Chamei-a porque ocorreu um imprevisto. – Ele diz, enquanto se levanta para buscar algumas folhas na impressora. – Hoje de manhã eu recebi uma ligação do Daniel. Ele teve alguns problemas de saúde e não poderá vir trabalhar pelos próximos três dias.
– É algo muito sério? – Pergunto preocupada, enquanto ele se senta novamente.
– Pelo que eu entendi, ele teve uma reação alérgica a algo que comeu. – Diz Edward. Concordo com a cabeça e espero para ver se tem algo a mais para acrescentar. – Mas o problema é que ele tinha que cobrir uma coletiva de imprensa hoje à tarde.
– E o senhor quer que eu vá no lugar dele?
– Exatamente Senhorita Johnson. – Diz e coloca o papel que imprimiu na minha frente. – Aqui são as informações sobre o evento. Como sei que a senhorita não possui carro, vou pedir que Charlie peça um táxi para você.
Enquanto ele termina de falar, pego a folha a minha frente para analisar as informações e sobre o que se trata a coletiva.
– Mas senhor Edward, nesse e-mail só fala o dia, o local e a hora, não tem nem o nome da empresa responsável pela organização. – Comento ainda olhando a folha.
– Sim, essas são as únicas informações que recebi. – Diz, e volto a encará-lo. – O único fato a parte que consegui, foi que apenas revistas de entretenimento receberam o convite.
Assinto e volto minha atenção ao papel.
“Sexta-Feira 01/07/2022 as 15:00.
68 Regent Street, London, UK”

Esse endereço não me é estranho, mas decido pensar sobre isso depois, já que meu chefe voltou a falar.
– Quero que a senhorita chegue pelo menos meia hora antes da coletiva para tentar entender do que se trata. – Ele diz e logo após abre a gaveta de sua mesa, retira uma credencial e me entrega. – Você só vai poder entrar no local se estiver com a credencial, então por favor, não esqueça.
– Pode deixar, não irei esquecer dessa vez. – Digo a ele, e me lembro da vez que fui cobrir um evento e esqueci minha credencial em cima da mesa da minha sala, a sorte é que meu nome estava na lista, então minha entrada foi permitida. E já entendi que se isso acontecer hoje, o final da história não será o mesmo.
Termino de definir alguns detalhes sobre a publicação da matéria antes de me retirar da sala do senhor Edward e me dirigir a minha. Ainda são 9:40 da manhã, e como todas as matérias que eu tinha pendentes já foram enviadas, decido me concentrar em descobrir algo sobre a coletiva.
Entro na sala e vou em direção a uma das cadeiras que ficam ao lado da janela, retiro minhas botas e meias que ainda estavam encharcadas devido a poça de água e as deixo em um canto para ver se conseguem secar até o horário do almoço. Pego o computador, meu celular e uma das barrinhas que havia dentro da bolsa e vou em direção a mesa. Conecto o carregador do notebook na tomada e ligo-o. Enquanto o sistema se inicia pego o celular e entro na minha agenda para procurar o contato de Daniel, torcendo para que ele tenha alguma outra informação sobre o evento.
Frustrando minhas expectativas, a única informação diferente que Daniel obteve, é que o anúncio tem a ver com algum evento grande que está sendo organizado.
Passo o resto da manhã entrando em contato com alguns colegas e fontes a fim de ter o suficiente para formular pelo menos uma base de perguntas que poderiam ser utilizadas na coletiva. Perto do meio dia organizo minha bolsa com o necessário para a entrevista e deixo o resto em cima da mesa.
Decido que vou para o local indicado no e-mail após terminar meu horário de almoço, primeiro para evitar atrasos, segundo que durante minhas pesquisas eu descobri onde será a coletiva. Trata-se de um hotel luxuoso no centro da cidade, o local oferece espaços que são alugados para diversos eventos. Se eu chegar cedo e der sorte, talvez encontre o responsável pelo anúncio ou consiga alguma informação extra antes do início.
Calço as meias, que ainda estão molhadas, e as botas. Saio da minha sala e vou em direção a mesa de Charlie. Vejo que Adam já está me esperando perto do elevador para irmos almoçar e aceno para que ele espere só mais alguns minutos.
– Charlie, o senhor Edward falou com você sobre o táxi que eu vou precisar?
– Falou sim, Diana; ele disse que você ia sair daqui as duas horas da tarde, então já fiz o pedido.
– Então, na verdade eu vou precisar mudar esse horário. Tem como o táxi estar aqui a uma hora? Eu decidi ir para o local assim que voltar do almoço.
– Tem como sim, eu vou ligar para a empresa e avisar sobre a mudança de horário. – Assinto e agradeço.
Saio da frente da mesa dela e vou até Adam que já estava pedindo o elevador. Nós almoçamos juntos sempre que possível. Quando me aproximo ele me abraça pelo ombro enquanto esperamos.
– Você acredita que o Edward jogou uma coletiva surpresa nas minhas mãos hoje. – Digo assim que entramos no elevador.
– Não brinca, mas quando vai ser? – Ele pergunta enquanto nos afastamos.
– Daqui três horas. – Comento e ele me olha com uma expressão incrédula. – A matéria era do Daniel, mas ele teve uma reação alérgica e foi parar no hospital. Então sobrou para mim.
– Pelo menos você sabe o assunto, ou quem está organizando?
– A única informação que eu tenho é o local, a hora e que provavelmente será sobre um evento que irá acontecer. – Comento revirando os olhos.
– Você está ferrada. – Adam diz e as portas do elevador se abrem. Nos dirigimos até a porta do edifício e percebo que felizmente a chuva parou. Caminhamos até um MC Donalds que fica a dois quarteirões da revista e entramos na enorme fila. – Eu lembro da última coletiva surpresa que eu tive que cobrir. Eu tinha conversado com uma fonte e ela me garantiu que o assunto era sobre um novo computador de uma empresa nacional. Quando eu cheguei lá, era o anúncio de um leilão de terras que aconteceria no mês seguinte. Ou seja, eu entrei em desespero porque não conseguia pensar em nenhuma pergunta para fazer.
– Você conseguiu formular uma pergunta descente até o final da coletiva? – Pergunto enquanto rio da expressão brava no rosto do meu amigo.
– Felizmente uma das jornalistas fez uma pergunta que me deu uma ideia. No fim deu certo, mas na hora o pânico é grande. – Comenta, e avançamos alguns passos na fila.
– Você só está me deixando mais nervosa. Eu tenho algumas perguntas preparadas, mas elas não serão uteis para todos os assuntos. – Alcanço meu celular no bolso traseiro da calça e retiro o cartão que eu guardo na capinha do aparelho.
– Fica calma Diana, você vai se sair bem. Um conselho que eu dou é não entrar em pânico. E não tente flertar com nenhum jornalista do local. – Ele comenta de forma natural e eu levanto as sobrancelhas o encarando.
– Igual você fez? – Pergunto segurando a risada e ele me cutuca a cintura. No final nos dois rimos.
– Não sei do que você está falando. – Adam conclui e se direciona ao guichê para fazer seu pedido, já que éramos os próximos da fila.
Alguns meses atrás meu amigo estava cobrindo um novo lançamento do país. O lugar estava lotado e a quantidade de jornalistas era enorme. Adam, pelo menos desde que nos conhecemos, sempre foi muito espontâneo e sincero, do tipo de pessoa que não tem receio de falar o que pensa ou de lutar pelo que quer. Segundo ele, uma hora antes da sessão de perguntas, Adam esbarrou sem querer em um jornalista fazendo com que as bebidas de ambos caíssem no chão. Mesmo eu não acreditando nessa casualidade e sim na ideia de que foi algo proposital.
Ele não me contou o que houve nesse intervalo de tempo, o que eu sei é que ele me ligou muito bravo assim que chegou em casa, acusando este mesmo jornalista de ter roubado algumas perguntas que Adam faria na entrevista. Mesmo que na época tenha sido algo trágico para ele, hoje em dia usamos a experiência como aviso. E para dar boas risadas, é claro.
Caminho até o caixa que ficou livre e faço meu pedido. Dez minutos depois, Adam e eu já estamos sentados em uma mesa ao lado da janela, que nos possibilita ver as pessoas caminhando na calçada.
– Já decidiu se vai sair com o Kyle amanhã à noite? – Pergunto enquanto desembrulho meu lanche.
– Vamos a um bar com alguns amigos dele. – Diz enquanto mexe distraidamente o canudo dentro do milkshake de morango que ele pediu.
– Você não parece muito empolgado, o que há de errado dessa vez? – A situação entre os dois é complicada. Eles se conheceram em uma loja do shopping. Kyle trabalhava nela e Adam era um cliente assíduo. A sintonia foi momentânea e estranha. Surgiu como uma amizade, mas que evoluiu rapidamente para um romance. O único problema, é que Kyle ainda não contou para os amigos, e para a família, que é homossexual.
– Eu entendo o receio dele, a aceitação dos amigos e familiares é importante. Entendo o medo de assumir algo em um mundo cheio de pessoas conservadores que não aceitam, entendo que a opinião dos outros tem um grande peso para ele. Entendo que falar sobre algo tão pessoal, sem conseguir prever uma reação é assustador, entendo o medo da rejeição, da agressão, do preconceito, da relativa falta de liberdade para demonstrações em público. Eu juro que entendo, principalmente porque eu passei e passo por isso todo dia. Eu também tenho medo. Porque mesmo que muita gente já aceite e apoie, ainda existe uma boa parcela que nos trata diferente, que nos ofende e que nos repudia. – Ele dirige o olhar para um casal que estava se beijando, do outro lado da rua. – Eu gosto realmente dele, Diana, como nunca gostei de ninguém antes, e olha que eu já gostei de muita gente. – Soltamos uma risadinha e espero ele continuar. – Só tenho medo de que ele desista de nós, porque não tem coragem de dizer as pessoas a volta dele quem ele realmente é e quem ele realmente ama.
Estico minha mão sobre a mesa até a dele, e a aperto em forma de apoio.
– Eu não posso dizer que entendo o que vocês sentem em relação a isso, porque não seria verdade. Mas eu já escrevi sobre casos de agressões a homossexuais, mais vezes do que eu gostaria. É normal que ele sinta medo da rejeição e de todo o resto. O passo para esta revelação é doloroso e cansativo, e ele precisa que você esteja ao lado dele durante o processo. – Tomo um gole do meu suco antes de continuar. – O amor de vocês é lindo, inspirador e, acima de tudo, é real e incrível. Não deixe que os medos e as incertezas do futuro destruam isso. Conversa com ele, expõe o seu lado e ouve o dele, passem por isso juntos, como o casal lutador e forte que eu sei que vocês são.
Termino de falar e me levanto, indo em direção a cadeira ao lado dele. O Abraço bem forte, tentando tirar toda essa preocupação de seu coração. Adam é incrível e uma das pessoas mais fortes que já conheci, sei que ele vai superar toda essa situação e espero que Kyle também consiga.
– Obrigada, amiga, por tudo. Amo você. – Diz enquanto nos separamos, e vejo o sorriso em seu rosto.
– Eu também amo você.
Volto ao meu lugar e finalizamos nosso almoço conversando sobre uma das matérias que ele está escrevendo.
Saímos do estabelecimento e caminhamos de volta a redação. Decido comprar algumas barrinhas de chocolate em uma loja perto da revista, só por precaução caso a coletiva atrase para começar.
Subimos até o nosso andar e Charlie me avisa que o motorista do taxi avisou que já está a caminho. Então me despeço de Adam e corro até minha sala para pegar a bolsa que já estava organizada. Guardo três das quatro barrinhas que comprei, decidindo que comeria uma no caminho até o carro.

***

O caminho até o local foi tranquilo e, milagrosamente, sem trânsito. O motorista era um senhor carismático chamado Anthony. Passei o trajeto inteiro ouvindo-o falar sobre a esposa e os filhos, o que me ajudou a não ficar pensando na coletiva que se aproximava.
Como o Anthony trabalha na empresa conveniada da revista, ao chegar no local, não precisei pagar pela corrida, pois já estava acertado. Me despeço dele e anoto seu telefone, o que facilitará na hora de ir embora. Levanto o olhar e observo o local a minha frente, mas do outro lado da rua. Eu já estive neste hotel antes, alguns meses atrás para um lançamento.
Como eu cheguei mais de uma hora antes, decido perguntar para algum funcionário se a sala já está liberada, e torcer para que ele deixe escapar alguma informação. Quando estou prestes a atravessar, um conjunto de 6 carros pretos e idênticos passam em minha frente, virando a esquina mais próxima. Corro até lá a tempo de ver todos os automóveis entrando na garagem do hotel, o que me leva a acreditar que estão relacionados ao evento.
Espero alguns minutos, para ver se mais algum carro chega, mas nada de diferente acontece. Caminho lentamente até o saguão do hotel, enquanto procuro a credencial dentro da bagunça que é a minha bolsa.
Apresento a credencial para um segurança na porta e converso com a recepcionista por alguns minutos. Ela me diz que a sala ainda não está liberada, mas que os organizadores já estão no local, então assim que ela recebesse uma confirmação, me avisaria.
Me sento em uma das mesas para esperar, e observo atentamente o local. Pessoas entram pela porta principal e se dirigem ao balcão, dois concierges auxiliam os hospedes e carregam carrinhos com bagagem, garçons andam em direção ao restaurante e a recepcionista não para nem por um minuto.
Lembro-me de meu pai. Ele era concierge em um hotel na minha cidade natal. Senhor Harrison sempre foi apaixonado por Amersham. Pelos lugares turísticos, bares e restaurantes, então trabalhar em um emprego que lhe proporcione a oportunidade de apresentar seu lugar favorito no mundo para que turistas também se apaixonem, sempre o fez muito feliz.
Mesmo que hoje em dia ele não trabalhe mais no local, sempre que descobre algo novo sobre a cidade, volta ao hotel para avisar aos concierges atuais.
Perdida nesses pensamentos e em lembranças de coisas que vivi, antes de me mudar para fazer faculdade em Londres, nem percebo o tempo passar. Entretanto, desperto de meus pensamentos quando sinto meu celular vibrar na bolsa.
– Alô, quem é? – pergunto assim que coloco o aparelho no ouvido, já que não olhei o nome do contato, na pressa para não cair a ligação.
– Devo me sentir ofendida por não ter salvado meu número até hoje? – Ouço a voz da minha irmã do outro lado da linha, e reviro os olhos, mesmo que ela não possa ver.
– Eu estou bem, Bethany, e você? – digo com sarcasmo e ela dá risada.
Bethany é minha irmã mais velha. Quando éramos crianças brigávamos o tempo todo, mas ao longo dos anos ela se tornou a pessoa que mais confio na vida. Bett ainda mora em Amersham, com seu marido e com Maya, minha sobrinha de 4 anos. Na adolescência ela dizia o tempo todo que queria abrir uma floricultura, e felizmente seu sonho se realizou. Hoje ela comanda a “La vie en rose” que já é muito conhecida pela cidade, por conta dos lindos buquês que minha irmã monta.
– Liguei para perguntar se Adam vai vir contigo no aniversário da Maya.
– Posso te responder mais tarde? Não estou na revista agora e até ele responder minha mensagem deve levar umas 3 horas.
– Tudo bem, sem problemas. – Diz e rimos ao final. Daqui duas semanas será o aniversário de 5 aninhos da Maya, e seus pais decidiram fazer uma festinha para comemorar. – Se você não está na revista, onde está?
– Vou cobrir uma coletiva daqui uma hora, então já estou no local. – Comento e ela murmura em sinal de concordância. – Sabe, eu estava conversando com Adam semana passada, e achamos que você deveria deixar Maya passar uns dias comigo aqui em Londres, durante minhas férias, o que acha?
– Vocês não vão conseguir me convencer disso outra vez. Lembra o que aconteceu ano passado, quando ficou com ela durante o final de semana? – Pergunta e sei que ela deve estar revirando os olhos neste momento.
– Claro que lembro. Eu passei um divertido final de semana com minha linda sobrinha.
– Só esqueceu de citar a parte que ela chegou em casa cheia de tatuagens de chiclete pelo corpo, que você e Adam colaram nela.
– Eu não tenho culpa se ela ficava pedindo mais, toda vez que colávamos uma. Eu sou uma ótima tia que estava deixando a sobrinha feliz. – Digo, esperando ela dizer a frase que sempre me diz.
– Mas você não deve fazer tudo que ela pede né, Diana. – Agora é minha vez de revirar os olhos.
– Okay, já entendi isso. Mas você ainda deveria deixá-la comigo por alguns dias.
– Depois conversamos sobre isso, agora preciso voltar para a loja.
Nos despedimos e eu volto a prestar atenção no saguão. Noto que a movimentação de pessoas aumentou, e algumas carregam câmeras e usam credenciais iguais a minha. Decido me levantar e caminhar pelo ambiente, torcendo para encontrar algum conhecido, e que ele tenha mais informações, do que as anotadas no meu caderno, dentro da bolsa.
Chego próxima a um corredor no canto esquerdo do saguão, no exato momento que vejo algumas pessoas carregando banners e tripés com algumas fotos maiores. Entretanto não consigo ver as imagens pois estavam cobertas por um tecido preto. Elas entraram em uma sala do lado direito do corredor, exatamente no mesmo lugar que ocorreu a última coletiva que cobri neste lugar.
Permaneço no mesmo lugar, olhando para aquela porta, por alguns minutos, até que noto uma pessoa parar ao meu lado. Sorrio em sua direção sendo retribuída imediatamente.
Amber é jornalista de um site, nos conhecemos há dois anos, quando nos sentamos uma ao lado da outra na coletiva de lançamento do primeiro álbum do Louis Tomlinson, “Walls”, em janeiro de 2020.
Nossa amizade surgiu do nada, no exato momento que ela percebeu que a capa do pequeno caderno que eu carregada, era uma foto da One Direction, tirada durante o show no San Siro, em Milão.
Amber é directioner assim como eu, e na maioria das vezes que nos encontramos, o que geralmente acontece quando somos designadas a cobrir a mesma matéria, fato que tem acontecido frequentemente nos últimos meses, saímos para comer alguma coisa após as entrevistas.
– Já está pronta para aceitar que Still é uma das melhores músicas do Heartbreak Weather? – Pergunto a ela.
– Só quando você estiver pronta para aceitar que Treat People with Kindness é um dos maiores hinos do Fine Line. – Fala e nos encaramos por alguns segundos antes de nos abraçarmos.
– Como você está? – digo enquanto nos dirigimos a mesa que eu estava sentada a alguns minutos. – Já superou o fato de o Adam ser gay?
Em uma das nossas saídas, alguns meses atrás, Adam foi me buscar, já que tínhamos combinado uma noite de filmes em seu apartamento. Nesse dia Amber o achou um gato, fato esse que não posso discordar. E sua reação ao descobrir que ele é gay foi impagável. Queria ter tirado uma foto para eternizar este momento. E desde então, sempre que nos vemos eu a pergunto a mesma coisa.
– Estou bem e você? – Murmuro um sim e ela continua. – E bom, levando em consideração o fato que estou saindo com um carinha, acho que superei sim.
Minha reação de surpresa deve ter sido hilária, já que ela gargalha, enquanto suas bochechas coram. Amber é uma garota tímida quando o assunto é sobre o que ela sente, mas feroz quando se trata de uma matéria que está escrevendo.
– Como assim? Desde quando? – Pergunto ainda estática com a informação. – Não faz nem um mês que conversamos sobre isso.
– Foi uma coisa tão inesperada que nem eu estou acreditando ainda. Não é um namoro, pelo menos não por enquanto, estamos apenas nos conhecendo, mas ele é legal, me trata bem e mesmo que discordamos de várias coisas, gosto de ouvir o ponto de vista dele sobre os assuntos. – Comenta e abre um sorrisinho tão fofo.
– Eu estou tão feliz por isso. Ainda mais depois do que houve no ano passado. – Quando nos conhecemos ela era comprometida com um homem chamado Tyler. Eles namoravam desde os 18 anos, quando se conheceram na faculdade, e estavam até noivos mas houve um desentendimento, e entre coisas que não deveriam ser ditas, o relacionamento terminou. Lembro que na época, Amber levou algumas semanas para começar a superar, já que o amava muito, independente do que houve. Mas com o tempo, ela seguiu em frente, se tornou mais forte e independente do que já era, e escutar hoje que ela está saindo com alguém, se permitindo sentir de novo, me deixa muito feliz.
– Tyler foi uma fase na minha vida que me ensinou muito, tanto durante o relacionamento, quanto depois. Me ajudou a crescer e a correr atrás do que acredito. Mas está na hora de deixá-lo completamente no passado e seguir em frente. – Comenta e alarga seu sorriso. – Matthew é bem diferente de Tyler, me faz experimentar sensações diferentes e fazer coisas que nunca pensei que faria antes. Não estou apaixonada por ele ainda, mas também não estou com medo de me apaixonar.
– Você merece sempre as melhores coisas Amber, e se ele te faz feliz, fico contente por ti.
– Mas e você? Continua firma ideia de nunca mais namorar? – Me olha com um olhar debochado, enquanto retiro duas das barrinhas de chocolate que comprei mais cedo e lhe entrego uma.
– Bom, por enquanto ainda não apareceu ninguém que me fez mudar de ideia. Ninguém alcançável pelo menos, já que o Shawn Mendes está namorando e nem ele, nem o Niall sabem da minha existência. – Digo e caímos na gargalhada.
Não é como se eu fugisse de relacionamentos, mas também não faço o mínimo esforço para encontrar alguém e começar um. Não agora pelo menos, já que estou focada demais na minha carreira e em juntar dinheiro para comprar os ingressos dos shows que quero ir.
Passamos os próximos minutos conversando, sobre como foi nossa semana, e sobre o evento que viemos cobrir. Amber possui as mesmas informações que eu, o que ainda nos deixa no escuro. Até que um homem, alto e vestindo um terno preto, aparece daquele mesmo corredor que eu estava observando e nos avisa que a sala de coletiva está liberada, e torço para que as fotos e banners não estejam cobertos.
Nos apressamos em pegar as bolsas e nos dirigimos a fila que se formou na porta da sala, nem eu nem Amber gostamos de nos sentar na primeira fileira, então nem ligamos de não sermos as primeiras da pequena fila.
Paramos na porta, para que um segurança verificasse nossas credenciais e nos dirigimos a segunda fileira de cadeiras. Observo em volta, o que só aumenta minha frustração, já que não há nenhum slogan, foto ou nome dentro da sala. A frente das cadeiras está posicionada uma grande mesa com cinco lugares e microfones, além de garrafas de água e copos. Atrás da mesma tem um grande Backdrop branco, que eu imagino estar ali para esconder uma porta, na qual alguém passará. De cada lado da mesa, está posicionada uma foto, e nas paredes laterais foram pendurados os banners.
São três fotos ao longo de toda sala, se contar a que estava ao lado da porta de entrada, e cinco banners, três em uma parede e dois na outra. Entretanto tudo isso ainda está coberto, pelos tecidos pretos que vi mais cedo.
– Sabe o que eu estava lembrando essa semana? – Diz Amber, enquanto organiza seus materiais para a entrevista. – De quando cobrimos o lançamento do Heartbreak Weather.
– Foi nosso segundo evento juntas e eu lembro como estávamos surtando com uma possível volta da banda pelos 10 anos. – Concluo, lembrando daquele dia.
Eu estava impactada com o novo álbum do Niall. Ouvi durante horas, porque todas as músicas estavam perfeitas. E quando o senhor Edward me avisou que eu ficaria responsável pela entrevista com ele, eu quase enfartei. Lembro que não foi uma coletiva com vários jornalistas na mesma sala, e sim entrevistas individuais. Foi uma das melhores matérias que já escrevi na minha vida. Era um assunto que eu amo e com um dos meus cantores preferidos.
Não nego que fiquei tão ansiosa para a entrevista, que não consegui pregar os olhos durante a noite, então fiquei ouvindo e decorando as músicas do Heartbreak Weather. Passei muitas horas durante os dois dias que antecederam a entrevista tentando pensar em perguntas criativas e inéditas, queria fazer algo diferente e acho que consegui, pelo menos meu chefe gostou do resultado.
Lembro como eu fiquei mal com a pausa da One Direction, afinal eles fizeram parte da minha adolescência, suas músicas representaram coisas que eu vivi e algumas que eu sempre sonhei em ouvir. E ao longo dos anos, quando os meninos lançaram seus próprios álbuns, compondo suas músicas, sobre assuntos que eram importantes para eles, com melodias e acordes que lhe agradavam, tendo o reconhecimento individual que cada um merecia por seu talento e dedicação, eu entendi que eles precisavam disso. Precisavam mostrar para o mundo quem era cada um deles, e não quem era o conjunto One Direction.
Mas não vou negar que dentro de mim, ainda há uma pequena esperança, de que eles retornem algum dia, pelo menos para uma turnê de despedida. Afinal minha meta de vida, ainda é ir em um show deles.
– Verdade, lembra que o spotify tinha mudado a foto de perfil da página da banda, por uma foto dos 5? – Comenta ela.
– Nossa, sim. Foi alguns meses antes do aniversário, e o nome do Zayn tinha voltado a aparecer como membro da One Direction no google.
– Isso só serviu para aumentar a minha expectativa naquele ano, e no final, o máximo que tivemos foram algumas publicações nas redes sociais agradecendo o apoio durante todo esse tempo. – Amber diz risonha e eu concordo com a cabeça enquanto rimos.
Continuamos conversando por mais alguns minutos, enquanto a coletiva não começava. A sala foi ficando cada vez mais cheia, tanto de jornalistas quando de seguranças, e o número de pessoas que eu notei passar por trás do Backdrop somam mais de 15, e nenhuma delas voltou, o que só confirma minha teoria de que há uma porta ali. Dou uma revisada nas minhas perguntas, torcendo para que alguma seja útil ao assunto, enquanto Amber está em ligação com a mãe. Como minha última barrinha de chocolate para tentar controlar a ansiedade, e percebo que já me levantei três vezes para buscar água no fundo da sala, quando um dos seguranças me pergunta se estou passando bem. Afirmo que sim, e retorno ao meu lugar, checando as horas no relógio no meu pulso.
14:55. Faltam apenas 5 minutos para o início, isso se não atrasar, e sinto meu coração acelerar. Não é incomum eu ficar nervosa com alguma matéria, entretanto, dessa vez parece que está pior. Começo a me preparar para a entrevista. Finalizo minha água, coloco o copo de plástico dentro da bolsa, caso precise usá-lo novamente, abro meu caderninho na próxima página limpa, destampo a caneta e finalmente me encosto na cadeira esperando o início.
Amber não parece estar tão nervosa quanto eu. Além do mais, ela está respondendo mensagens de Matthew com um sorrisinho no rosto. Me distraio a olhando e não percebo quando um homem, o mesmo que nos avisou sobre a liberação da sala, sai de trás do Backdrop e para em frente à mesa.
Escuto ele pigarrear no microfone e direciono minha atenção a ele, cutucando minha amiga para indicar que já vai começar.
– Boa tarde a todos. Meu nome é Frederick, e estou aqui para passar algumas informações importantes, antes do início da coletiva. – Diz enquanto retira um papel do bolso da calça. – Estamos aqui para anunciar algo muito especial. A sessão de perguntas será autorizada apenas após todos os envolvidos divulgarem a notícia. Pedimos silencio enquanto eles, e outros jornalistas, estiverem falando. Será permitida somente uma pergunta por correspondente. E gostaríamos de pedir encarecidamente que não publiquem, divulguem ou comentem nada do que será dito aqui, até que o evento tenha finalizado. Tudo bem por vocês?
Todos assentimos e o observamos voltar para a o lado traseiro do Backdrop. Sinto minhas mãos suarem enquanto ele não retorna, e imagino que seja porque esta é minha primeira coletiva surpresa, e o medo de errar seja grande.
Frederick retorna poucos minutos depois carregando plaquinhas que provavelmente contêm os nomes das pessoas que sentaram a mesa. Ele se posiciona ao lado da mesma e retorna a falar. – Vou agora anunciar a entrada dos responsáveis do que será anunciado aqui hoje.
Olho ansiosa para Amber e percebo que não sou a única apreensiva. Além de nós, noto que alguns jornalistas da fileira ao lado também estão. Mas não tenho tempo de olhar para os que estão mais atrás, porque Fred volta a falar.
– Recebam Louis Tomlinson. – O escuto falar e sinto que meu coração vai saltar do meu peito. O encaro de olhos arregalados enquanto o mesmo entra e se senta na primeira cadeira do lado esquerdo da mesa. Frederick caminha até lá e coloca a placa com o nome dele a sua frente. Nesse intervalo de tempo, Amber e eu nos encaramos e percebo que suas mãos estão tremendo. Tento fazer meu cérebro focar em outras possibilidades, para eu não me iludir pensando sobre as quatro cadeiras restantes na mesa. Quatro cadeiras.
Volto a encarar Louis sentado à minha frente. Ele parece tranquilo, usando uma calça jeans e uma jaqueta por cima de uma camiseta vinho. O vejo ligar o microfone e colocá-lo mais próximo.
– Olá pessoal, vocês estão bem? – Pergunta e assinto junto com os outros jornalistas. A maioria deles está neutra e indiferente, porém noto algumas caras de choque, além da minha e da Amber.
Prendo a respiração quando Fred volta a ligar seu microfone. Dependendo da pessoa que ele anunciar agora, pode gerar duas reações em mim. A primeira é simples, eu solto o ar que estou prendendo, e percebo que me iludi novamente pelo mesmo motivo de 2 anos atrás. A segunda consiste em minha pessoa tendo um ataque cardíaco e sendo levada feliz ao hospital. Nenhuma das duas opções é boa, mas não tenho tempo de pensar em outras já que ele volta a falar.
– Com vocês… – Sinto meu coração acelerar quando ele para de falar para fazer um suspense. – Harry Styles.
Sabe quando você espera muito algo, e quando acontece, parece que não é real? Essa sou eu nesse momento, enquanto vejo Harry Edward Styles entrar, se sentar ao lado de Louis e o abraçar pelos ombros rapidamente. Ele abre um sorriso e acena para nós e é nesse momento que tenho certeza de que estou sonhando. Harry está com o cabelo mais comprido, e usando um suéter azul claro que o deixa tão lindo e fofo.
Pode não significar nada demais. Pode ser apenas uma coletiva para responder algumas perguntas que são feitas a eles frequentemente. Mas independentemente do que for, vê-los juntos, mesmo que seja apenas eles dois, aquece meu coração de fã.
– Niall Horan pessoal. – Frederick volta a falar e em seguida o meu loirinho favorito, que não é mais loiro, entra na sala todo sorridente. Para todos a minha volta, não é segredo nenhum que mesmo amando os cinco, Niall tem um pouco mais do meu coração. Não sei se é seu amor por Golf, o fato de ser irlandês, ou porque ele fica adorável enquanto toca violão em Little Things.
Horan se dirige a Fred, que lhe entrega duas plaquinhas de mesa. Creio eu que seja uma dele e uma do Harry, já que a sua frente só estão posicionados o microfone e a água. Niall para entre os outros dois que já estão sentados à mesa e os abraça, cochichando algo para Louis que o olha com uma cara de espantado. Quando se senta, bem ao centro da mesa, coloca as duas plaquinhas nos lugares e cutuca Harry na costela, para que ele pare de rir da expressão que Louis fez.
O próximo a ser anunciado foi o Liam. Payne diferente dos colegas, sai pelo outro lado do Backdrop. Seu sorriso se direciona para o final da sala, onde consigo identificar Bear sentadinho ao lado da avó, em um canto mais discreto.
Liam passa pela frente da mesa batendo na mãos dos companheiros. E acena para os jornalistas quando chega ao lado de Fred. Ele comenta algo com o mesmo e se dirige ao seu lugar, ao lado de Niall, carregando a placa com seu nome. Tanto Horan quanto Liam estão vestidos com camisetas pretas. O que diferencia os dois é a presença de um chapéu preto na cabeça do Payne.
Há expectativa na sala. Ainda falta uma cadeira e as possibilidades de pessoas que podem se sentar nela são gigantes. Simon, o próprio Frederick, algum compositor ou até mesmo algum cantor de uma futura colaboração. Bem no fundo eu ainda tenho esperança de que seja Zayn. Não sei se seria possível, até porque não sabemos o que de fato aconteceu anos atrás, quando ele saiu da banda. E espero que mesmo não sendo ele a entrar por aquela porta, que algum dia, possamos ter de volta a amizade entre eles.
Amber segura com força na minha mão, quando Fred volta a falar. Sei que ela tem tantas esperanças quanto eu, pois já conversamos sobre isso diversas vezes.
– Bom, e por último, mas não menos importante, Zayn Malik. – Sinto que o aperto na minha mão se intensifica e encaro Amber, a tempo de ver uma lágrima solitária escorrer pelo seu rosto. Da mesma forma que Niall tem um pedaço a mais do meu coração, Zayn tem o da mulher ao meu lado. Por isso que ver ele sorrindo, tanto para os jornalistas, quanto para os garotos que já estavam sentados à mesa, é tão especial.
Zayn busca sua plaquinha e caminha em direção a cadeira que está na ponta direita. Cumprimenta os garotos no caminho e liga o microfone ainda em pé. – Boa tarde, só queria dizer que é incrível poder me sentar novamente ao lados desses caras que são tão importantes na minha vida.
É estranho pensar em como esse dia teve uma reviravolta. Três horas atrás eu estava surtando porque iria cobrir uma coletiva, na qual eu não sabia nem o assunto. E agora, estou aqui, olhando para aqueles cinco garotos talentosos, que não sabiam dançar e faziam palhaçadas no palco, cheia de perguntas que eu gostaria de fazer.
Queria perguntas sobre a reação do Zayn ao descobrir que seria pai de uma linda menininha. Sobre o clipe de infinity que eu estou esperando a sete anos. Ou se dois anos atrás, eles tinham intenção de fazer algo a mais, além de tweets e publicações para comemorar os 10 anos.
Começo a relacionar com tudo que notei durante o dia. Os seis carros iguais passando, os cinco banners pendurados nas paredes e todo esse suspense e discrição sobre o que seria o evento. Porque era esperado que as fãs e a internet enlouquecessem com a notícia.
– Bom, para quem não nos conhece, nós somos os integrantes da One Direction. – Começou Liam quando todos já estavam em seus devidos lugares. – Somos uma Boyband formada em 2010 durante um programa de TV, e que estava em Hiatos até este exato momento.
A cada frase que saia da boca dos meninos, meus dedos apertam mais os de Amber, que ainda mantemos entrelaçados.
– Em 2015 a banda decidiu dar uma pausa, para que pudéssemos focar em nossas carreiras solo e buscar nosso próprio estilo. – Dessa vez quem falou foi Louis. – Mas no fundo, sempre soubemos que um dia, não tão distante, acabaríamos voltando.
– Nem que fosse para uma turnê de despedida, até porque temos um álbum lançado que não foi muito trabalhado. – Completou Harry.
– E hoje temos um anuncio muito importante, principalmente para nossos fãs, que mesmo depois de todos esses anos, e de todas brigas e confusões, continuam nos apoiando. – Zayn continuou.
– É com grande alegria que anunciamos o primeiro show da History Tour. – Respiro fundo, para não começar a dizer em voz alta, todos os gritos que estou dizendo internamente, enquanto Niall continua falando. – Ele acontecerá em Londres, no sábado, dia 23 de julho.
– Os ingressos irão começar a vender neste domingo, dia 03, as 10 horas da manhã. – Harry concluiu e eu pude notar o sorriso no rosto de cada um naquela mesa. Eu não sei o que se passa na mente deles, mas a empolgação que eles estão transmitindo me deixa aliviada, porque mesmo que eu quisesse isso a muito tempo, acima de tudo, quero vê-los bem.
– Sabemos que o tempo é curto, mas esperamos que nossos fãs possam ter a oportunidade de aproveitar esse momento com a gente, cantando suas músicas preferidas e rindo dos péssimos dançarinos que somos. – Liam diz e após finalizar, algumas pessoas se dirigem aos banners e fotos cobertas, retirando os tecidos pretos que cobriam o anuncio.
“Venha compartilhar conosco a nossa história.
Sábado, 23 de julho de 2022, as 20:00
Estádio de Wembley- London, Wembley HA9 0WS, Reino Unido”

É isso que está escrito em uma das fotos ao lado da mesa, sobreposto por uma imagem dos cinco juntos, que parece ser de um ensaio fotográfico recente. A que esta presente do outro lado não possui nenhuma informação escrita, trata-se apenas de uma foto da banda, porém tem uma aparência mais espontânea e parece ter sido tirada na sala de estar da casa de algum deles.
Nas paredes são fotos individuais, com conceitos bem parecidos, mesmo que cada um apresente seu próprio estilo. Mas não importa o que eu faça, parece que minha atenção não consegue desviar do anuncio ao lado da mesa. De relance consigo ver algumas pessoas tirando fotos do ambiente e dos meninos, mas meus olhos ainda estão fixos na data anunciada.
Saio do transe, quando escuto Amber perguntar se estou bem e me cutucar no ombro. A encaro e assinto, mesmo que eu não tenha certeza da resposta. Decido que agora não é hora surtar, e que preciso me concentrar no meu trabalho, porque se eu ficar desempregada, não terei dinheiro para comprar o ingresso do show, que já imagino que será o valor de um rim.
Anoto as informações importantes em meu caderno e tiro algumas fotos com a câmera do meu celular, que não é a melhor opção, mas é a única que tenho no momento. Observo os jornalistas a minha volta e nenhum parece estar pirando internamente como eu. Volto minha atenção a mesa, quando escuto alguém pigarrear no microfone.
– Ainda temos algumas informações a divulgar, mas assim que terminarmos, serão permitidas as perguntas. – Comenta Zayn e olha para Louis como se passasse a palavra a ele.
– Inicialmente só anunciamos a data do início da turnê. As demais serão divulgadas nas próximas semanas e garantimos que o período para a compra dos ingressos será maior.
– As músicas estão sendo selecionadas, mas seria muito bom, se os fãs comentassem nas redes sociais quais são as favoritas deles, para que possamos montar uma setlist que agrade a todos. – Comentou Niall e em seguida colocou um pouco de água em seu copo.
– Os valores dos ingressos serão divulgados ainda hoje no site da banda. – Disse Liam. – Por hora, acredito que seja isso, mas caso haja outra informação, avisamos durante o resto da coletiva.
– As perguntas estão liberadas, mas por favor, um de cada vez e de forma organizada. – Disse Frederick nos encarando. A maioria dos jornalistas na sala levantam a mão no momento que ele para de falar, desesperados para fazer a pergunta elaborada, antes que outro faça.
– Vamos começar por aquele cara sentado na terceira fileira, de camisa preta. – Diz Harry, apontando para um homem careca e com um caderno em mãos e uma câmera semiprofissional pendurada ao pescoço.
– Olá, boa tarde. Meu nome é Cal e sou correspondente do The Guardian. No início do anúncio, um de vocês comentou sobre uma turnê de despedida. Este show que foi divulgado será o começo de uma? – Perguntou o homem. E de fato o questionamento era interessante.
– Boa tarde. A princípio a ideia não é fazer uma turnê de despedida, mas não descartamos a possibilidade de isso mudar até o final da mesma, como também está em aberto a ideia de produzirmos mais um álbum. – Comenta Liam e sinto meu coração acelerar com a possibilidade do lançamento de novas músicas. – Decidimos pensar sobre isso no futuro e no momento apenas curtir e matar a saudade de estarmos em um palco todos juntos. – Quando ele terminou os jornalistas voltaram a levantar os braços o mais rápido possível, na tentativa de chamar a atenção para si. – Você aí trás, com um óculos vermelho e cabelo preso.
Liam estava apontando para uma garota sentada na ultima fileira de cadeiras, que parecia de certa forma tímida. Ela ajeitou os óculos e escarou o caderno para ler a pergunta. – Oi, me chamo Clarisse e represento o The Notice. Durante o restante da turnê há possibilidade de acontecer outro show em Londres?
– Oi, a ideia é trazer mais algum show a cidade sim, principalmente porque o anunciado hoje está muito próximo e sabemos que grande parte dos fãs não conseguiram ir. Mas isso será divulgado com o restante das datas. – Comentou Zayn de uma maneira Gentil e quando as mãos voltaram a levantar, escolheu um homem de camisa social sentado na primeira fileira do lado esquerdo.
E assim continuou a Coletiva por mais alguns minutos. Até o momento eu não havia levantado a mão nenhuma vez. Primeiro porque queria analisar as perguntas feitas por meus colegas de profissão. E segundo porque ainda não havia decidido qual fazer. E estava anotando as respostas no meu caderno, para que eu consiga publicar as informações corretas sobre o evento
Amber já tinha sua pergunta formulada e precisou levantar a mão algumas vezes até ser notada pelo Louis, que apontou para ela.
– Olá, meu nome é Amber Lynch e eu estou representando o The Charm. – Disse ela toda animada, mas pude notar que suas mãos tremiam ao segurar o caderno. – Durante todos esses anos de hiatos, cada um lançou álbuns incríveis. Vocês pensam em separar uma parte do show para cada integrante cantar, pelo menos, uma música da carreira solo que vocês construíram fora da banda?
– Olá Amber. Inicialmente não havíamos conversado sobre essa ideia. Não sei se os garotos já tinham pensado nela, mas caso não tenham, poderíamos estudá-la. Eu achei bem interessante. – Comenta Zayn e observo os outros quatro sentados a mesa se olharem e assentirem, cogitando a ideia.
Depois que minha amiga se senta, outro jornalista é escolhido e nesse meio tempo decido qual pergunta quero fazer. Demora cerca de quatro respostas até que eu seja escolhida e assim que me coloco de pé, sinto meu coração bater mais rápido ao perceber que os cinco prestam atenção em mim.
– Oi, boa tarde. Meu nome é Diana e eu represento a People Magazine. – Mas antes que eu pudesse continuar e finalmente fazer minha pergunta, noto o olhar cúmplice que Zayn troca com Harry, e me assusto quando eles gritam, sendo acompanhados pelos outros três;
– DIANAAA…
– LET ME BE THE ONE TO
LIGHT A FIRE INSIDE THOSE EYES
YOU’VE BEEN LONELY, YOU DON’T EVEN KNOW ME
BUT I CAN FEEL YOU CRYING.
Eles caem na risada e a única coisa que eu quero é guardar esse momento para sempre na minha memória. Quando eu era criança eu não gostava do meu nome. Tanto que até meus treze anos eu sempre dizia aos meus pais que um dia eu iria mudá-lo. Até que o Midnight Memories foi lançado e eu nunca mais pensei em trocar.
Ao longo do tempo Diana se tornou uma das minhas músicas preferidas. Não só porque é meu nome, mas porque eu sou apaixonada pela letra e pela melodia. E mesmo nove anos depois, ainda a escuto com a mesma emoção que sentia na minha adolescência.
E vê-los cantando essa música, mesmo que tenha sido apenas uma estrofe, aquece meu coração. Respiro fundo, para me acalmar e finalmente faço minha pergunta.
– Bom, dois anos atrás foi o aniversário de 10 anos da banda, e muitos fãs acreditavam que era possível um comeback naquela época. Havia teorias de que vocês lançariam o clipe de infinity, ou que fariam um show de comemoração. Principalmente depois que o site da banda foi reativado e que o Liam disse a um jornal que vocês estavam conversando frequentemente. Naquela época, existia realmente a intenção de fazer algo como está sendo feito agora?
Eles trocam um olhar e Niall se aproxima do microfone para me responder. – Olá Diana. Só uma pergunta antes, você é uma fã? – Assinto meio envergonhada e o observo sorrir de uma forma que faz meu coração errar uma batida. – Naquela época, havia sim a ideia de fazer alguma comemoração em si, mas nossas agendas estavam cheias e a filha do Zayn ia nascer em poucos meses, então optamos por adiar, até que nossas turnês individuais tivessem sido concluídas e a bebê crescesse um pouco.
– Eu lembro que nessa época o que mais tinha nos comentários das minhas fotos eram emoticons de palhaços e pessoas me mandando direct dizendo que eu devia pagar uma sessão de terapia para elas. Demorei semanas para de fato entender o que estava acontecendo – Comentou Harry fazendo todos na sala rir.
Agradeci e voltei a me sentar, esperando que os outros jornalistas fizessem suas perguntas. Nesse meio tempo decidi que pararia no primeiro café com acesso a internet que eu encontrasse para finalizar essa matéria e enviar para o editor. Quanto antes ela fosse publicada, melhor, tanto para mim que poderia surtar, em paz. Quanto para os fãs que provavelmente estariam loucos atrás de informações.
Quando a coletiva foi finalizada, os cinco integrantes se juntaram na frente da mesa, para tirar uma foto oficial para a divulgação do show, e fomos dispensados. Antes de sair da sala, me sentei novamente para poder organizar meu material dentro da bolsa e pegar meu celular. Tanto para ver a repercussão da notícia, que já deveria ter sido vazada em alguma rede social, quanto para mandar uma mensagem a Adam, pedindo para que ele me ligasse o quanto antes. Amber já havia saído do local, pois precisava ir ao banheiro urgentemente, e combinamos de nos encontrar na recepção do hotel.
Depois desse evento é como se o péssimo inicio do dia de hoje, tivesse sido em um passado distante. A meia, que estava relativamente úmida, não me incomodava mais, o atraso e o estresse desta manhã ao preparar perguntas que nem foram usadas foi esquecido e o tempo chuvoso não parecia mais um problema para caminhar até um café. Minha mente só conseguia pensar no anuncio feito a algumas horas atrás.
Me distraio procurando meu celular dentro da bolsa, e não percebo que a sala já está praticamente vazia. Algumas pessoas estão organizando as cadeiras e retirando as mesas do local, enquanto um segurança espera a minha saída, para poder fechar a porta. Me levanto e começo a caminhar para ir embora.
– Ei, espera aí. – Ouço uma voz atrás de mim. Eu não tinha certeza de que a pessoa estava falando comigo, na verdade se ela não disser meu nome eu não tenho certeza, e sou exatamente o tipo de pessoa que acena para um desconhecido na rua achando que ele está me cumprimentando, quando na verdade ele nem sabe quem eu sou. Então não posso confiar no meu subconsciente.
Decido me virar, só para garantir. Coloco o celular no bolso da calça e encaro a pessoa que agora esta parada a minha frente. Na verdade eu congelo no lugar e fico esperando meu cérebro processar a informação. Niall está parado a minha frente, me encarando.
– Oi, tudo bem? – Pergunto ao perceber uma expressão confusa em seu rosto. – Algum problema?
– Nós nos conhecemos? – Ele indaga. – Sinto que já te vi antes, mas não lembro onde.
– Eu te entrevistei alguns anos atrás, na época de lançamento do Heartbreak Weather. – Comento e tento não pensar no quão perto ele está de mim. – Você não deve lembrar, eu usava cabelo azul e …
– E me fez escrever uma carta para o Niall do futuro. – Ele conclui abrindo um sorriso. – Eu lembro dessa entrevista, foi uma das mais engraçadas que já dei. E só para deixar claro, ainda guardo a carta que eu escrevi.
– Você guarda? – Questiono surpresa com a revelação. Eu não esperava que ele guardaria.
– Claro que sim, sua ideia foi incrível. E já anotei na minha agenda do celular, para que eu não esqueça de ler a carta depois dos cinco anos. – Me diz e passa a mão pelos cabelos, de uma forma que me fez perder o ar. – Você não guardou a sua?
Niall pergunta e me recordo da carta que está guardada dentro de uma caixinha no fundo do meu guarda roupa, para evitar que minha ansiedade vença e eu abra antes do tempo.
– Guardei sim, eu adoro essa ideia de escrever cartas para mim mesma porque ao ler, consigo ter uma ideia do que eu pensava na época e como eu mudei ao longo do tempo.
– Sim, exatamente. Eu realmente não lembro o que escrevi, e agora estou ansioso para ler.
– Mas calma que ainda faltam alguns anos para acabar o prazo. – Digo e ajeito a bolsa em meus ombros. – O jeito que eu encontrei para não ficar pensando nisso toda hora, foi esconder no fundo do armário. Porque assim eu não fico olhando para ela.
– Vou copiar sua ideia, a minha carta fica guardada junto com algumas pastas em uma gaveta, e eu sempre preciso abri-la, o que não ajuda a aliviar a ansiedade. – Ele ri e eu o acompanho.
Depois de alguns minutos em silêncio, tempo esse que passei analisando a forma como aquele cabelo castanho estava caindo sobre o rosto dele, percebo Niall encarar o segurança atrás de mim, que faz um sinal apontando para o relógio em seu pulso, e deduzo que já está na hora de eu ir embora.
– Foi muito bom conversar com você, e só queria deixar claro que a directioner que há em mim está pirando desde o anuncio do show, mas acho que eu preciso ir. – Olho para a janela que tem no fundo da sala e percebo que o céu está cinza, o que pode indicar uma tempestade chegando. – Tenho que chegar a algum café antes que a chuva caia.
Ele também encara a janela e depois sorri ao retornar seu olhar para mim, e sinto um frio na barriga só de analisar seu sorriso.
– Foi um prazer reencontrar você, Diana. – Ele diz e eu assinto me despedindo. Viro-me de costas e caminho em direção ao segurança, enquanto passo as mãos, que estavam úmidas, na calça, na intenção de secá-las.
Queria ter tirado uma foto daquele sorriso, que me desconsertou de uma forma que nunca havia acontecido antes, nem quando eu olhava as fotos dele na internet, para poder guardar de recordação deste momento.
Estou quase na porta da sala, prestando atenção em cada passo que eu dou, na intenção de firmar no chão minhas pernas, que estavam bambas, e evitar um tombo na frente das pessoas que ainda estavam presentes, quando ouço Niall voltar a falar.
– Diana, todos nós precisamos de algo, e isso não pode acabar agora. – Ouço ele falar e me viro para olhar em sua direção. Arregalo os olhos ao entender, depois de alguns segundos, o que ele quis dizer.
– Você não está citando para mim a letra de Diana, né? – Pergunto sem realmente acreditar no que ouvi, com uma expressão surpresa no rosto e um sorriso que não consegui conter.
– Na verdade eu estou te chamando para sair. – Se eu já estava surpresa antes, agora é impossível descrever as sensações que dominaram meu corpo. O encaro incrédula por alguns segundos e forço meu pulmão a voltar a funcionar, enquanto encaro aquele olhos azuis que continuam prestando atenção na minha reação. Me belisco discretamente algumas vezes, só para ter certeza de que isso não é uma ilusão, e então o escuto falar novamente – Então Diana, aceita sair comigo?