Are You Bored Yet?

Sinopse: O mundo de Aurora Harrison e Ashton Irwin sempre foi calculado pela distância de um avião – ou talvez dois. Ele, baterista da 5 Seconds of Summer, ela, estudante de moda, sempre se desdobraram para manter o relacionamento que começou no auge da adolescência de ambos. Agora na fase adulta precisam resolver se continuar como um casal é o melhor caminho a seguir. Basta eles se perguntarem se estão entediados; o problema é nenhum querer falar.
Gênero: Romance; Drama.
Classificação: 12 anos.
Restrição: Nenhuma.
Beta: Lara-Jean Covey.

ARE YOU BORED YET?

O pôr-do-sol em Los Angeles era quase um clichê. Seus tons alaranjados juntos ao azul celeste do céu criavam um degradê lindo, que chegava a ter a cor rosa na composição, atraia qualquer um que quisesse apreciar o fim de mais um dia ou apenas tirar fotos. Ainda mais se a visão fosse da área perto do famoso letreiro de Hollywood.
Diversos turistas estavam posicionados para verem aquele momento. Com câmeras apontadas, todos observavam a cidade dos grandes e desejos de fama. Havia falatório, barulhos de passos – já que era uma grande subida para chegar ali –, um pouco de música também. Mas entre e o silêncio era como um elefante em uma sala de cristais.
Os cabelos da inglesa balançavam com o vento e ela pouco parecia se importar. A mulher suspirou pesado e observou o rapaz ao lado. O nariz arrebitado, o pequeno coração preto feito com delineador perto de seus olhos castanhos esverdeados, seus cabelos agora tingidos de e penteados com cuidado com gel. Todos os pequenos detalhes do . Sabia que a tranquilidade em seu rosto não era a que preenchia seu coração e sua mente. Sabia muito bem disso pelo jeito que ele franzia a testa e depois balançava a cabeça de leve como se quisesse mandar para longe qualquer tipo de pensamento que pudesse o incomodar.
Ela olhou para os raios de sol novamente. Era bonito, admitiu. Mas naquele momento, ele parecia querer fechar um ciclo.
sentiu o olhar de em si. Segurou-se para não virar o rosto, a segurar pela bochecha e beijá-la da maneira mais cinematográfica que podia. Sentia que olhar da menina não era leve, mas também não era julgador. Era apenas… cansado. Cansado de tudo o que não conseguia explicar, exprimir em palavras.
Ele observou atento a pequena multidão ali. Pareciam animados; se divertiam em estarem ali. Em que momento ele parou de sentir essas coisas com ? Ou será que ele continuava a sentir e só escondeu em um ponto trancado a sete chaves? Ele movimentou levemente a cabeça. O celular em seu bolso vibrou várias vezes, mas nem pensou em se mexer para olhar.
Não era o momento.
Quando o olhar da inglesa mudou de direção, foi a vez dele olhar para ela. adorava brincar com as pontas rosas do cabelo cacheado; achava incrível a variedade de glitter que ela tinha e que sempre usava em suas maquiagens; os lábios bem demarcados e as vezes com pequenas feridas pela mania de em morder a própria boca. Os olhos castanhos escuros que reluziam assim como blackberries recém colhidas do pé; expressivos que só ela sabia demonstrar mesmo sem perceber; que sorriam sozinhos quando ele se declarava do nada para ela. Seu coração doía ao vê-la abraçando as pernas contra si e apoiando o queixo nos joelhos.
Era como se ela quisesse sumir. suspirou pesado.
Eles se amavam. Tão quanto uma criança ama seu brinquedo preferido.
Estar ali era como se tivessem fantasmas no lugar deles.
A presença preenchia. Era apenas mais uma memória. Um momento gostoso.
O clima estava agradável. O sol não incomodava quanto acharam que iria. O vento às vezes fazia cosquinha. colocou seu cabelo para trás das orelhas. Cantarolou uma música aleatória baixinho. acompanhou tamborilando os dedos. riu fraco e esticou deixou a mão ao lado do corpo. Ele percebeu e fez o mesmo.
Os dedos mindinhos se entrelaçaram.
Uma chance de recomeçar.

☀️
O sol entrava pela fresta na cortina bege do quarto do australiano. A única bagunça do quarto eram as roupas espalhadas pelo chão. dormia pesado abraçada a cintura de , que com a claridade iluminando o quarto aos poucos, acordou lentamente. A noite anterior parecia um borrão para ele. Não era por causa de bebida, pelo contrário, estava sóbrio até demais. Depois de buscar no estágio, a sexta-feira que parecia que seria mais do mesmo se tornou uma grande conversa sobre eles dois deveriam estar juntos. tirou a forças para fazer essa pergunta no meio do filme que assistiam. , em uma primeira reação, ficou chocado. Mas não era a primeira, nem a segunda, muito menos a terceira vez que ela perguntava isso.
e se conheceram quando ela tinha 16 e ele 19. , junto de seus amigos de banda, havia se mudado para Londres para gravarem o primeiro álbum e tudo estava começando a se encaminhando para um sucesso que ia além de seu país natal, Austrália.
Ela, em seu segundo ano do ensino médio, adorava visitar sebos atrás de cds de suas bandas favoritas e em uma dessas idas, e também estavam. Eles começaram a conversar quando a perguntou sobre o cd da banda Fleetwood Mac que tinha em mãos. E ali iniciaram uma amizade e pouco tempo depois ela conheceu e . Mesmo com toda a confusão de turnê, divulgação e título de nova grande banda do pop, eles mantiveram contato. Mas e só foram ficar pela primeira vez quando eles abriram a turnê para o One Direction na cidade e o achou que ia ser um ótimo primeiro encontro para se declarar para ela.
Estavam juntos a seis anos. Viram cada um crescer à sua maneira, se tornarem jovens adultos conscientes. A primeira vez de foi com ; assim como a primeira viagem internacional; o primeiro grande relacionamento também.
Estava ok perguntar se deveriam enfrentar tanta coisa e com um relacionamento tão estável tão novos. Principalmente porque estava se sentimento muito mal nos últimos tempos – ele também estava, mas preferia não tocar no assunto. Antes, mesmo com toda a loucura, ele fazia de tudo para manter contato. Vídeo-chamadas em horários esquisitos, mensagens de textos contando sobre o dia, às vezes até viagens inesperadas. Agora, com ela morando em cidade perto de Los Angeles, por causa da faculdade, as mensagens diminuíram e as ligações pareciam secas. Só sabiam transar juntos e era isso.

“– Você não acha que tem algo errado, ? – Ela perguntou dando pausa no filme – A gente mal conversa.
– Eu pensei que estivesse tudo bem. – Ele respondeu. – Eu tô ocupado com as novas gravações e você com a sua faculdade. Mas sempre estamos juntos.
passou as mãos pelo cabelo e saiu do colo dele, ficando em pé.
– Não é possível que você tenha achado normal esse tempo todo nós ficarmos no mesmo lugar e ficar um silêncio desconfortável.
– Desconfortável? , nós dois chegamos cansados e tem vezes que só jantamos e vamos dormir. Ou assistimos filmes, igual hoje. Talvez não tenhamos assunto porque nos vemos com frequência.
– Ah agora a desculpa é não ter assunto?! , você fala pra caralho! Se deixar você puxa assunto até mesmo sobre a formiga passando na sua frente!
– Eu tô com a cabeça cheia, tem muita coisa acontecendo, mas eu nunca te deixo de lado ou deixo de te ouvir.
, você realmente não percebeu nossas últimas mensagens”.
As memórias da noite anterior pipocavam na cabeça do australiano e doíam como se fossem uma grande ferida. Não era possível que haviam chegado a esse ponto.
‘Morning, Sleeping Beauty. sussurrou o apelido carinhoso que ambos adoravam depois de beijar os cabelos da inglesa.
Morning. – Ela falou manhosa despertando devagar. Soltou a cintura dele e rolou ficando de costas para ele. – Que horas são, ?
– Não sei… Mas não deve ser muito tarde.
Ela respondeu “hum…” e ficou quieta.
– Eu vou levantando porque o pessoal vem pra cá e eu preciso arrumar a churrasqueira. – Respondeu ele com a voz grossa e rouca. levantou da cama e abaixou-se para pegar a calça de moletom.

– Oi. – Ele se virou na direção dela.
– Que horas eles vão chegar mesmo?
A frase o decepcionou, mas manteve a postura para não demonstrar.
– Por volta do meio-dia, babe.
Ela virou-se e sorriu levemente para ele.
– Vem cá… – chamou.
na mesma hora voltou para cama. A mulher envolveu seus dedos nos cabelos do rapaz e, cuidadosamente, os acariciou. Sua mão desceu para o rosto e afagou sua bochecha. O ainda estava sonolento por isso parecia que o carinho mais simples e aconchegante o faria dormir novamente. Ele envolveu a cintura dela e a puxou para mais perto.
Mais uma vez o mundo rolando lá fora e eles presos em sua bolha de intimidade.
A inglesa beijou o beijou no queixo, aproveitando em seguida para trilhar um caminho até a boca. Não era como se dali fossem partir para um sexo matinal – já havia rolado coisa do tipo várias vezes. Era uma forma silenciosa de dizer bom dia. E ainda mais para confirmar que estava tudo bem.
Ele respondeu ao estímulo na mesma hora, puxando-a para cima de si. Não ficaram muito tempo na pegação. amava deixá-la em seu peito e conversar com ela nessa posição; ou cantar quando ela pedia. As madeixas que a transformavam em leoa de manhã cedo tampavam sua visão, mas era algo que ele gostava. Ele passeou com as pontas dos dedos nas costas de cima para baixo, abrindo o fecho do sutiã para que nada atrapalhasse seu carinho.
Seus pensamentos não paravam de voltar à noite anterior. O diálogo que terminou com batendo a porta do quarto e o deixando sozinho na sala parecia uma gravação em looping. Não tinha medido suas palavras com cuidado e sabia que havia magoado sua namorada. Sabia também pela cara dela que aquela poderia ser sua última chance.
Terminar com não passava por sua cabeça. Nunquinha.
Eles eram muito amigos acima de tudo, e por isso dava tão certo.
sentiu seu estômago doer. E seus pensamentos negativos triplicarem de volume.
– Seu coração tá acelerado. – Ela sussurrou enquanto tateava as luas tatuadas no braço dele.
– É o seu efeito em mim. – Ele respondeu no mesmo tom depois de sair de seu transe. Sua ansiedade estava começando a crescer e ele precisava controlar até que pudesse sentar novamente com a inglesa para esclarecerem tudo.
– Meio clichê.
– E quando não somos clichê, darling? – Ele falou carinhoso.
riu pelo nariz. Era a realidade. Dois adolescentes apaixonados em busca de um rumo de vida. Só que esse rumo envolvia uma banda teen e a vontade de desenhar roupas de alta costura. Poderiam ser protagonistas de uma comédia romântica norte-americana.
– Você não acha melhor levantarmos?
– Temos que terminar de arrumar o jardim. – ficou pensativo. – Eu posso deixar pro ajustar.
– Injusto!
riu alto.
– Tudo bem… – Ele rolou ficando por cima dela – Um banho antes, certo?
– Certo. – E ela o beijou de novo. – Espero que meu shampoo esteja aqui ainda.
– Você pediu pra entregar um só pra ficar aqui, esqueceu? – Ele se sentou com ela ainda em seu colo.
– Verdade! Vamos então porque eu quero massagem. – prendeu as pernas ao redor da cintura dele dando a entender que não iria andando para o banheiro.
– Tudo para vossa majestade. – Riu fraco, e logo em seguida a beijou de novo antes de levantar da cama.

☀️
Mesmo com o sol a pino, o dia não estava tão quente. O jardim na parte de trás da casa estava arrumada com alguns jogos de mesas e cadeiras, boias infláveis de temas variados na piscina e em um canto isolado, a churrasqueira com um buffet do lado para as pessoas se servirem. A geladeira da cozinha estava lotada de bebida então só faltava os convidados chegarem.
estava na frente do espelho da sala de estar colando um pouco mais de glitter nos olhos. O dourado da maquiagem parecia ter sido feito para ela pois combinava perfeitamente com sua pele negra. Ela mexia em suas madeixas para terminar de ajeita-las quando a abraçou por trás.
– Você está reluzente hoje. – Ele sussurrou logo após beijá-la na bochecha.
– Gostou da maquiagem?
– Você sabe que eu adoro seus glitters.
– Quer usar hoje? – Ela se virou passando os braços ao redor do pescoço dele.
– Quero só aquele coraçãozinho perto da bochecha.
riu fraco antes de pegar o delineador preto e atender o pedido do namorado.
– Você podia usar mais maquiagem – Ela mexia despretensiosamente no cabelo dele.
– Nos shows?
– Digo no dia-a-dia, mas nos shows também. Você fica muito bonito com sombra colorida.
– Eu suo muito tocando .
– Nada que um primer não resolva. – pegou um pouco de glitter e passou nas têmporas dele – Você reluz ainda mais, babe.
– Nos próximos shows você me maquia. – sorriu e o beijou, mas não deu tempo para o casal aprofundar pois a campainha tocou e era possível ouvir a risada alta de .
– Não sei porque eles ainda apertam a campainha se sabem que a porta fica aberta. – falou rindo. apertou o bumbum dele e se afastou em seguida – Ei, abusada.
– Como se eu não tivesse feito isso várias vezes. – Ela colocou a mão na cintura fingindo indignação.
Ele gargalhou e gritou “já tô indo” quando a campainha tocou de novo acompanhada de “eu sei que vocês estão na sala”.

☀️
Todos estavam bem à vontade no churrasco. Músicas de diferentes artistas tocando na caixa de som, comida e bebida à disposição de todos e, claro, para um dia ensolarado, piscina. Os amigos famosos de se misturam aos amigos não-famosos de e todo mundo parecia bem enturmado.
estava sentada perto de , e umas amigas da faculdade. Não tinham um assunto fixo, afinal um puxava uma fofoca, outro puxava um meme e quando percebiam a conversa atual era totalmente oposta a que começaram.
– Seu hambúrguer vegetariano, sweetheart. chegou por trás da namorada e deixou o prato na frente dela – Se quiser mais me avisa. – Ele beijou o topo da cabeça dela e saiu.
Ela sussurrou obrigada e mandou um beijo de longe para ele.
não entendeu, mas achou melhor não comentar nada.
– O que foi, ? – perguntou quase de boca cheia. – Estamos bem.
só fez seu papel de concordar. Nem parecia que no dia anterior, ela ligou para ele quase chorando porque não sabia se eles iam dar certo. Ele a acalmou e disse que eles precisavam conversar de verdade e não ficar trocando 5 palavras e achar que estava tudo bem.
A tarde seguiu tranquila, mas claro, quem conhecia o casal reconheceu que tinha algo errado. não estava sentada no colo de . Nem estavam grudados. Mas ninguém teve coragem de chegar e perguntar o que tinha acontecido.
estava sentado perto da piscina conversando com e Alex Gaskarth, vocalista do All Time Low, quando os primeiros acordes de What Makes You Beautiful soou na caixa de som. Todos começaram a gritar e ficar animados.
– Vai lá, ! Cadê a dancinha de vocês?! – Ele ouviu gritar incentivando. ria com as mãos escondendo o rosto.
– Hoje não! Vocês já viram essa coreografia umas 300 vezes! – O respondeu rindo.
– Só mais uma vez! – empurrou o amigo pra levantar da cadeira. fazia o mesmo com .
– Tudo bem, tudo bem!
A relação do casal com a música da boyband era desde o início do namoro, quando eles se beijaram pela primeira vez como namorados no show da One Direction. Desde então quando ouviam o Liam Payne cantando “You’re insecure, don’t know what for”, e faziam coreografias toscas que incluíam jogadas de ombros, reboladas que, em comparação, pareciam Spice Girls e movimentos que traduzem literalmente a letra da música como por exemplo jogar o cabelo na hora do “the way you flip your hair”.
cantava como se realmente estivesse no show da boyband. a girava e sempre deixava a mão na cintura para segurá-la depois. E claro, não deixam de imitar Harry todo nervoso em sua parte solo. No fim da música agradeceram ao pequeno público e selaram os lábios rapidamente antes de cada um voltar para seu lugar.
, antes mesmo de sentar em sua cadeira, desistiu. Pegou sua garrafa de cerveja e entrou em casa. Foi para a cozinha e quando viu que ninguém estava olhando para lá, deixou as lágrimas rolarem – e não estava nem aí se sua maquiagem ficará borrada depois. Era muita coisa guardada e ela, infelizmente, não conseguia exprimir em palavras. Deu um longo gole e suspirou pesado quando viu parado olhando para ela. Ele se aproximou e a abraçou. Parecia sem sentido chorar por causa de uma música simples, mas no momento ela era gatilho. se sentia cansada de tentar tudo ficar bem. Estava frustrada de não conseguir ser sincera com . Mas também sabia que o choro era mais uma crise de ansiedade por não saber seu próximo passo.
– Sabia que tinha acontecido alguma coisa. Vocês brigaram feio dessa vez, não foi?
– Não exatamente, . – Ela respondeu enquanto tentava controlar a respiração. Se sentia uma adolescente fazendo tempestade em copo d’água. – Nós não conseguimos conversar direito sem um ficar puto primeiro. E sabe o que acontece depois? A gente transa e finge que nada aconteceu. Eu não aguento mais.
– Vocês sempre foram muito abertos um com o outro. Talvez um dos casais mais sinceros que eu já conheci. – Ele afagou os cabelos dela fazendo ao máximo para acalmá-la. – Ontem eu já tinha percebido isso. Vocês estão se enganando.
– Talvez agora nenhum dos dois queira admitir que acabou.
– Vocês são adultos. Ou vocês conversam e colocam ponto final, ou vai continuar nesse clima que todo mundo já percebeu. Eu não aguento mais ver o de cara fechada nos ensaios, ele não é desse jeito. – foi sincero. – Assim como eu sei que quando é mensagem sua, é você falando sobre como tem se sentido sozinha, mas que não abre mão de passar o final de semana com ele.
As falas do vocalista foram certeiras. Era isso mesmo. estava se enganando o tempo todo para não perder a atenção que tinha de .
– Então acho que o melhor é colocar um fim nesse capítulo. – sussurrou e as lágrimas pareceram aumentar.
ficou em silêncio e apertou mais. Era doloroso ouvir isso. Ele viu o esforço de anos que tanto tanto faziam para continuar juntos; desde ele pegar avião em horários loucos só para chegar mais cedo em Londres e ficar mais tempo com ela, ou ela ir em quase todos os shows que eles faziam pela Inglaterra para vê-lo tocar. Ou o maior dos passos: ela se mudar para Los Angeles e finalmente conseguirem ser um casal mais “normal”.
foi parando aos poucos de chorar. deu um pouco de água para ela e avisou que se ela não quisesse mais ficar, ele poderia levá-la para o dormitório.
– Você pode ficar na minha casa se quiser. – Ele ofereceu. – Você sabe que tem quarto extra e não me importo de você morar por lá.
– Você é incrível. – Ela sussurrou.
– Você também. Só não quero ver meus dois melhores amigos desse jeito.

☀️
O momento pós-dancinha foi estranho. O selinho rápido de , os amigos rindo e parecendo não perceber que tinha algo estranho, um pouco calado e apenas balançando a cabeça para responder perguntas.
Ele não quis prestar atenção na nova conversa e foi direto para a churrasqueira. Pelo menos ele ali daria para pensar e refletir sozinho. Como era possível que um momento divertido deles parecia um fardo? , depois da música, sumiu e ele pensou que, naquele momento, a One Direction tinha arruinado ainda mais o casal.
Ele virava os hambúrgueres com tanta atenção, que nem viu se aproximar. O baixista, assim como , acompanhava o canal desde o início e por ser melhor amigo de , ele acabava sabendo das conversas que levavam a discussões mais graves.
– Vocês estão em ciclo vicioso e ainda não sentaram para conversar? Quantos anos vocês tem? 15? – O baixista indagou – Na verdade, nem quando vocês eram adolescentes vocês agiram assim.
– Eu sei. – ton) bebeu um gole de sua cerveja. Ele não precisava ser relembrado disso – O problema é que parece que a gente sente que, se sentarmos para conversar, um de nós vai falar que acabou tudo. E não queremos admitir isso.
– Vocês se conhecem melhor do que ninguém. Se chegou na fase de pedir um tempo separado para vocês fazerem mais sentidos juntos e como indivíduos, é importante aceitar e seguir. Não vai ter problema se vocês decidirem voltar. – falou com sinceridade.
– Ela não vai querer voltar, . Ontem eu achei que ela fosse sair de casa. – O tom de voz de diminuiu e ele suspirou pesado. Doía lembrar quando a ouviu conversando com alguém no celular e falar que não se sentia bem na casa dele.
– Como você pode ter tanta certeza se não trocou uma palavra sério com ela?
fitou o amigo, entregou a espátula e falou “Você tem razão”. Ele terminou de beber a cerveja, pediu licença para o amigo e foi em direção a sala de estar para poder pegar sua chave e carteira. Precisava convencer de saírem dali e se resolverem como adultos.
Quando entrou em sala de estar, viu de rosto inchado bebendo água na cozinha e ao lado.
Babe, posso falar com você? – Ele perguntou depois de se aproximar com cautela.
pediu licença, deixando os dois sozinhos no silêncio que eles já estavam acostumados.
– Oi . – Ela sussurrou para não deixar a voz falhar.
– O que você acha de sairmos daqui e ir para um outro lugar?
– Estamos no meio da festa. Não podemos simplesmente sair daqui sendo os anfitriões.
– Claro que podemos. Eles já são de casa; conhecem cada canto daqui e não vão destruir nada.
– Disso eu sei, mas... - Ela tentou desconversar ao máximo. Não era hora de enfrentar seus medos.
– Precisamos conversar, , e eu vou ficar ansioso igual a você se não fizermos isso agora. – ficou sério. Não custava tentar resolver depois de um dia caótico.
– Tudo bem. – Ela cedeu. – Pra onde vamos?
– Você vai ver. – Ele a abraçou, beijando a testa dela em seguida. Se afastou segurando a mão dela e a levando para a porta.
Saíram de casa sem olhar para trás; apenas levando o celular.

☀️
O carro estava preenchido somente pela música do rádio. Era um pop qualquer. Los Angeles sempre com trânsito, mas eles não ligaram. Pouco menos de meia hora depois, estacionou o carro no limite de onde carros poderiam ir e desceu, abrindo a porta para em seguida.
– Não acredito que viemos aqui. – Ela falou enquanto olhava as letras brancas surradas e gigantes que formavam a palavra Hollywood no alto da montanha. Ainda tinham um caminho a pé para percorrer para chegarem na placa.
– Era o nosso lugar favorito, lembra? - balançou a cabeça afirmando – Não pensei em lugar melhor.
entrelaçou sua mão na dele e sorriu. Caminharam em silêncio até chegarem no letreiro. Não se importaram de sentar no chão de terra fina mesmo. Ainda não estava cheio. Tinha algumas pessoas tirando fotos, outras estendendo toalhas para esperar pelo pôr-do-sol.
– Então... – A inglesa sussurrou – Quem começa?
virou o rosto para ela.
– Pode ser eu, se quiser.
– Vá em frente.
olhou para frente novamente e suspirou. Era difícil colocar sentimentos para fora.
– A gente se conheceu no auge da adolescência. A banda mal tinha estourado e você já tava do meu lado, me zoando por causa de She Looks So Perfect. – Ele riu fraco. – É muito louco termos crescido juntos. Você na faculdade, com notas ótimas, e eu com quase 22 milhões de ouvintes no spotify.
– Você sabe que eu tenho muito orgulho de vocês e dos meninos, não é? – O sorriso dela era genuíno.
– Claro que sei. – Ele sorriu de volta. – Eu tenho muito orgulho de você também. Acho que viramos adultos decentes. – Ambos riram. – Mas acho que chegou num ponto que simplesmente paramos de confiar um no outro. Nós não conversamos direito. Aonde eu errei pra você não achar que eu também sou seu amigo? , mesmo quando eu estava do outro lado do mundo, eu tinha notícias suas. Agora que somos quase vizinhos, e que você passa várias noites em casa, nós só viramos cada um para lado e não nos resolvemos.
ouvia atenta. Todas as palavras de pareciam pequenas flechas. Apesar da dor, era importante ter tudo isso verbalizado.
... Eu nem sei por onde começar. Eu sei que comecei a ficar mais calada, mais distante. A rotina da faculdade não era algo que eu tava acostumada, e como meu assunto passou a ser moda, talvez você não quisesse ouvir e eu guardei pra mim. Mas a culpa não é só minha. Não sei se reparou que você se tornou a pessoa mais grossa possível por mensagem e as vezes pessoalmente. Eu não posso falar nada que você já tem os argumentos perfeitos.
passou a mão no rosto. Tentava, de maneira simples, extraviar todo seu nervosismo.
– Sei que você passou por diversas coisas, e eu continuo aqui pra te ajudar. O que eu não quero é resposta desaforada. – comentou chorosa.
– Eu te juro que não percebo que faço isso. Pra mim parece tom de brincadeira. – parecia ainda mais chateado.
– Brincadeira de mal gosto. – sussurrou.
– Desculpa por isso.
– Desculpa também. – Ela respondeu.
– Não deveríamos ter transado com raiva várias vezes.
– Foi a nossa forma de escape. Nós combinamos na cama.
Ele concordou sorrindo.
– Não vem com essa cara que não vamos sair direto pro seu quarto, !
– Eu nem estava pensando nisso. – Ele se defendeu agora gargalhando.
– Eu conheço seus olhares!
Quando parou de rir, o conhecido silêncio predominou entre os dois. Finalmente tiraram um peso das costas e parecia um alívio jogar fora tudo aquilo que os dava dor de cabeça.
– O que fazemos agora? – A inglesa perguntou apreensiva.
– Você quer terminar? – Ele foi direto.
– Eu não sei.
– Eu também não sei. – sentiu os olhos encherem. – Será que somos novos demais pra estarmos presos nesse relacionamento?
– Eu nunca me senti presa a você. Mas talvez seja o momento de darmos um tempo.
– Você quer isso?
não respondeu.
– Acho melhor pensarmos e depois sentamos para conversar de novo.
O australiano confirmou.
– Depois do pôr-do-sol, pode ser?
– Claro. – Ela sorriu timidamente para ele, que a beijou na testa.
Ambos estavam com a postura relaxada. Talvez o sol para eles marcava ciclos.
Talvez esse um adeus a mais um ciclo.
Talvez não.
Bastava eles se perguntarem se não estavam entediados.