I Prefer the Drummer

I Prefer the Drummer

Sinopse: Usando uma camiseta escrito “I Prefer the Drummer”, Betina Lima estava animada para ver sua banda favorita – 5 Seconds of Summer – pela primeira vez. Na intenção de fazer seu favorito, Ashton Irwin, rir e talvez ganhar as baquetas, a estudante de Comunicação Social acabou ganhando muito mais.
Gênero: Romance.
Classificação: 14 anos.
Restrição: Insinuação de sexo; palavras de baixo calão.
Beta: Thalia Grace.

Capítulos:


I Prefer the Drummer

Mesmo que o Cine Joia comportasse pouco mais de mil pessoas na casa de show, fãs adolescentes sabiam como agitar uma rua. Para a turnê em solo brasileiro, que antecedia a estreia de seu terceiro álbum “Youngblood”, 5 Seconds of Summer escolheu fazer uma turnê mais intimista.
andava quase correndo enquanto procurava um papel na pochete que estava sua cintura; tudo isso desviando de ambulantes e outras fãs. Faltavam 10 minutos para a entrada na passagem de som e ela não tinha ideia de qual portão procurar. Isso porque ela havia pedido uber com uma hora de antecedência do hotel onde estava hospedada.
– 21 anos na cara e eu continuo correndo atrás de boyband – A menina sussurrou para si mesma ao mesmo tempo que lia o papel todo em inglês que explicava toda a experiência a mais que ela pagou. Ela torcia para os 150 dólares valessem a pena.
Ela pediu informações para o primeiro segurança que viu e sentiu seu coração acelerar quando ouviu que se ela não corresse para o portão lateral ela não entraria. Agradecendo por estar de all star e com sua calça preferida – azul marinho com leves listras brancas em corte reto -, ela correu pelo amor que ela tinha aos quatro membros da banda.
A menina negra de pele clara chegou no portão respirando forte e tendo certeza de que seus cabelos curtos e ondulados pareciam um abajur em sua cabeça. Entregou os documentos para o segurança que a deixou entrar e repassou os papéis em mão para uma mulher da produção do show.
Com tudo conferido, guardou tudo de volta na pochete. Ganhou um saco preto pequeno para guardar o celular e o mais importante: o crachá de vip da Soundcheck Experience. Andando para a fila que guiaria todo mundo para a pista, a menina sorriu e não parecia acreditar no que estava ao redor de seu pescoço. Luke Hemmings, Michael Clifford, Calum Hood e Ashton Irwin estavam lindos na foto escolhida. Principalmente Ashton.
A menina sorriu e agradeceu quando uma menina mais nova do que ela elogiou sua camiseta. “I Prefer the Drummer” era a frase que preenchia quase toda a parte da frente. Era seu jeitinho de falar que vocalistas raramente a atraiam.
Aos poucos, todas da fila estavam na frente do palco. Era muito estranho entrar ali sem ouvir gritos ou cantorias, mas a sensação única de exclusividade a deixava animada. Não havia mais de 25 meninas ali e isso era incrível.
Um homem grisalho e com crachá escrito STAFF entrou no palco os gritos surgiram.
– Por favor, não gritem – Falou o homem – Vou explicar como vai funcionar a passagem de som e por favor colaborem.
A primeira coisa que fez foi comemorar mentalmente que seu inglês estava ótimo. Entendeu o sotaque do homem sem menor problema. Depois ficou feliz com o fim da euforia sem motivo.
– Os rapazes vão cantar 4 músicas e depois eles sentam para responder às perguntas de vocês – O grisalho continuou – Nessa hora, vocês vão levantar a mão e eu vou levar o microfone até vocês. Mas apenas lembrando que eles vão responder 5 perguntas, ok?
Um “ahhh” coletivo preencheu o lugar fazendo rir, mas entendendo total o sentimento. 5 perguntas eram poucas.
– Apenas lembrando: não é permitido tirar fotos ou filmar. Quem for pego com celular, será expulso.
O homem agradeceu pela atenção e saiu. Agora sim a ficha começou a cair. A banda entraria e sabia não tinha estabilidade emocional o suficiente para vê-los na sua frente pela primeira vez. Esse era o dilema da vida dela: continua amando uma banda que surgiu no teen pop e tendo feelings como uma adolescente de 14 anos, porém ela tinha 21, fazia faculdade de Comunicação Social e escrito um artigo sobre padrão entre fãs usando o período da turnê da One Direction com a 5SOS como objeto de estudo.
Duas s diferentes dentro de uma só enaltecendo os mesmos 4 homens.
Não demorou cinco minutos para os quatro surgirem e aí sim a loucura ter motivo. não parava de sorrir. Parecia surreal!
Luke estava com seus cachinhos loiros bagunçados e segurava uma garrafa de água e foi direto para o microfone. Michael tinha cara de sono, mas tinha um sorriso tímido preso no rosto; ele acenou para umas meninas que estavam grudadas na grade. Calum parecia um pouco sério e focou em ajustar seu baixo. Ashton deu um sorrisinho para a plateia e sentou na bateria, mas não deixou de olhar para o pequeno grupo de fãs que estava ali, ainda mais quando notou uma delas.
As músicas escolhidas para a passagem de som foram os três singles lançados até aquele momento e uma do primeiro álbum. Todas ali cantaram as músicas como se fossem o show oficial e a banda pareceu ter gostado da energia que estava no lugar.
preferiu ficar um pouco para atrás e assim poder dançar e se divertir sem atrapalhar ninguém. Quando ouviu os primeiros acordes de Want You Back, ela virou a pessoa mais feliz dali. Era seu single preferido e com certeza uma das músicas que ela mais esperava para ouvir ao vivo. Ela fazia caras e bocas e simplesmente não estava nem aí se alguém fosse rir dela. Ao final, já estava cansada. Assim que acabasse precisava comprar água.
Os meninos bebiam água e conversavam rapidamente entre si enquanto a produção colocava quatro banquinhos na beirada do palco e separam microfones. O mesmo homem grisalho surgiu com um microfone extra e ficou parado ao lado dos bancos.
– Vocês já sabem as regras. Então quem quiser perguntar, levanta a mão que passo o microfone.
levantou a mão e esperou se notada. Ela mantinha um sorriso empolgado e esperava que mesmo atrás da pequena multidão o produto a olhasse. Seu coração quase parou de vez quando Ashton a olhou. Acenou para o rapaz, apontou para a própria camiseta e deu um joinha em seguida. O baterista riu e cutucou Calum para que olhasse para ela. Mais uma vez ela acenou dessa vez tentando não ficar sem graça.
Os dois voltaram a atenção para o que deveriam estar fazendo quando uma menina que estava abraçada a grade fez a primeira pergunta: vocês estão namorando? Calum respondeu que só Luke e Michael estavam. A plateia pareceu meio triste, mas logo estavam rindo de novo, principalmente com Michael fazendo piadas. tentava não parecer impaciente e torcendo pra escolherem ela.
Ashton sussurrou algo para Calum, que riu baixo.
– Peter, escolhe aquela menina ali no fundo – Calum falou – A da blusa de baterista.
deu uns pulinhos de alegria e chegou mais perto do palco para pegar o microfone, contrariando a regra inicial.
– Olá, qual seu nome? – Luke perguntou.
!
, sua camiseta me ofende. – Respondeu Calum, fazendo todos rirem e virarem na direção dela. A menina não sabia onde enfiar a cara.
– Desculpa – A menina não parava de rir – Mas é a verdade!
– Bom gosto – Ashton falou na direção dela com um sorriso bobo – Qual sua pergunta?
– Na playlist que vocês liberaram no Spotify tem Arctic Monkeys, The Police, The Neighbourhood, por exemplo. Queria saber se esses artistas são uma pista do que a gente pode esperar pro álbum? – Perguntou depois de respirar e conseguir focar.
– É uma boa pergunta! E sim, com certeza influenciaram no processo. Talvez você perceba de uma maneira direta em algumas músicas. No geral, o álbum foi um processo de amadurecimento do que queríamos como banda e como gostaríamos de soar – Luke respondeu orgulhoso.
– Foi um processo de experimentar também – Completou Michael – Às vezes Calum tocava algumas notas sem pretensão que acabaram virando parte de uma música, por exemplo. Nós aproveitamos todos os momentos e espero que vocês gostem!
agradeceu pelas respostas e devolveu o microfone. Depois de seu momento único com os meninos, pareceu que tudo passou muito mais rápido. Talvez por sua cabeça reviver o tempo todo o que tinha acontecido e não conseguir focar em nada. Os quatro rapazes saíram palco desejando ótimo show a todos e respondeu mentalmente que a passagem de som já a tinha deixado realizada.

🎵🥁

Ashton saiu do palco procurando sua garrafa de cerveja. No momento que a encontrou em cima de uma caixa de equipamentos, sentiu Calum o abraçar de lado pelo ombro.
– Parece que tem alguém interessado na garota da camiseta – Hood falou rindo enquanto caminhavam de volta para o camarim – Cuidado pra ela não ser menor de idade.
– Cara, se ela fosse tão nova, a pergunta não seria tão boa – Luke, que estava logo atrás, se intrometeu.
Ashton se manteve calado. Antes mesmo de reparar na frase que ela vestia, ele já tinha a achado bonita quando sentou no banco da bateria e observou o público, e se confirmou quando saiu da parte detrás do palco e pôde observá-la melhor. A camiseta tinha sido um mero detalhe.
– Ela deve ser aquele tipo de fã que faz tudo pra ficar com o ídolo – Respondeu Calum.
– Vocês já estão julgando a menina? – Michael disse tentando acompanhar o falatório dos amigos – A menina é fã, parecia estar se divertindo e não duvido que a camiseta é zoeira.
– Já esqueci o nome dela.
– O baterista respondeu na hora.
– Quem sabe ela não é o tipo de fã que vai pra porta do hotel? – Michael sugeriu – Assim pode ser que você a chame pra conversar, sei lá. Ela me pareceu legal.
Calum, agora já desgrudado de Ashton, abriu a porta do camarim questionando quem tinha mexido no videogame dele. Luke gargalhou alto e Michael foi logo se defendendo. O baterista por sua vez se apoiou na parede do lado da porta e pareceu ter uma ideia melhor.

🎵🥁

Depois de comprar merch, a menina sentou no chão apoiada na parede ainda anestesiada com tudo o que tinha acontecido. 5 Seconds of Summer esteve na frente dela e o mais importante, dando atenção! Se a passagem de som já tinha sido incrível, imagina o show?! sorriu olhando para sua nova camiseta e não pareceu perceber quando um homem com crachá da equipe surgiu em sua frente.
, right? – Um auxiliar de produção, função que a menina leu quando levou a cabeça para ver quem a chamava, falou segurando um papel em sua mão. Ela balançou a cabeça confirmando – Isso é pra você.
pegou o papel confusa e agradeceu em seguida. O homem balançou a cabeça e foi embora. Algumas meninas ao redor pararam para prestar atenção; observavam atentamente a hora da menina abrir e todas descobrirem o que estava ali.
– Acho que ela tomou advertência – Uma menina perto de sussurrou.
– Se fosse isso ela não continuaria aqui – Outra respondeu no mesmo tom.
A estudante de comunicação abriu o bilhete e só faltava enterrar sua cara no chão.

“Hey, te achei bonita, ainda mais com essa camiseta. Quer sair depois do show?

Ashton – xxx-xxxx-xxx”

Agora sim estava vivendo uma fanfic. Só faltava o coque frouxo.
Lembrando que haviam curiosas ao redor, ela redobrou o papel e guardou. Seu coração estava acelerado, suas mãos suavam. E ela estava tão em choque que não tinha nenhuma reação.
Liberaram as meninas para a pista; tempinho depois o público geral entrou e um pouco menos de duas horas depois, a banda entrou palco para a alegria e emoção de todas as fãs. O repertório da noite incluiu todos os singles novos, as mais famosas e algumas surpresinhas. cantou tanto que sabia que o dia seguinte seria na base de água para não acabar com a garganta. Por ser um show mais intimista, a banda estava conectada com o público e todos podiam sentir a energia incrível que o lugar estava.
aproveitou tanto que as poucas fotos que tirou foram em momentos que ela parou para beber água. Por sorte ficaram boas e ela até poderia imprimir uma ou duas para colocar em seu mural. E foi em um desses momentos que ela lembrou que não tinha mandado mensagem para Ashton. Sua cabeça ficou tão imersa nas possibilidades e no que poderia escrever que parecia que jogado uma cortina de fumaça no acontecimento e assim ela curtir o show numa boa.
Estava na última música e voltou a se sentir nervosa. Enquanto os acordes de Youngblood tocavam, ela digitava o número de Ashton para salvar na agenda.

“Oi Ashton, é a . Se eu ainda tiver voz, podemos sim. Xoxo”

O show acabou e ela sabia que a qualquer momento o baterista podia responder. Não estava tarde, era por volta de 22:30. Andou para uma lanchonete que ainda estava aberta e além de pedir uma porção de batata-frita, esperava o aplicativo encontrar um motorista.
Já no carro, tentando não fazer aquele ambiente fechado cheirar a gordura e chegando perto de seu hotel, seu celular vibrou.

>“Estamos indo pra um esquenta num bar na rua Augusta (escrevi certo?) Tá afim?”

riu de nervoso, mas respondeu quase no mesmo instante.

“Eu tô um caco e praticamente rouca. Vou pro meu hotel primeiro, mas me manda os detalhes

(escreveu certinho)”

“Eu toquei bateria por quase duas horas e tô indo direto pra lá. O bar é o número Xx. Te vejo lá”

Ela riu e passou a mão no cabelo como se fosse ajeitar.

“Eu não sei você, mas eu preciso de banho haha. Te vejo mais tarde”

🎵🥁

A Augusta estava movimentada. Por volta de 00:30h, as pessoas estavam formando filas nas casas de shows ou nas baladas mais procuradas. estava renovada. Com saia e cropped pretos – e sua pochete de sempre –, apertando a jaqueta em si, ela andou até o bar de três andares escolhidos pela banda e sua produção. Preferiu que o motorista do aplicativo a deixasse um pouco longe justamente pra ter tempo pra ficha cair.
Na entrada do bar percebeu o quão legal parecia ser. O andar da entrada lembrava um pub, no segundo andar tinha karaokê e alguns jogos tipo sinuca e fliperamas, e o último era uma pista de dança; todos com barman. deu uma olhada nas mesas e não encontrou ninguém familiar. Ao perguntar para uma moça que trabalhava no lugar, descobriu que Ashton já tinha avisado sobre ela e a moça falou que a banda estava no segundo andar.
Subindo as escadas sentiu como se tivesse uma manada morando em sua barriga. Claro que ela sabia as intenções de Ashton. No entanto o nervosismo de conhecer sua banda favorita existia e sobressaia. Afinal ela não ia perder a oportunidade, não é?
Foi fácil identificá-los no ambiente recheado de cantoria mal organizada e gritos de incentivo. Eram os únicos que falavam inglês e que transpiravam a palavra “turistas”. se aproximou com um sorriso que misturava “tô feliz, porém sem graça”.
– A drummer girl apareceu! – Calum falou logo depois que notou a presença da menina. Todos da mesa olharam para ela e ela teve vontade de sair correndo.
– Oi! – respondeu tentando fazer sua voz sair o mais normal possível e sendo simpática.
Ashton levantou da cadeira para complementá-la, com um sorriso um pouco misterioso. o abraçou e seu lado fangirl soltou fogos como se fosse ano novo.
– Você tá ótima – A voz do baterista não passou de um sussurro rouco perto do ouvido da menina.
– Você também não está nada mal – Ela devolveu o sorriso, principalmente enquanto observava as bochechas rosadas e o cabelo cacheados na ponta. Ele exalava um perfume forte, porém agradável.
Ashton apoiou sua mão na cintura dela e a apresentou para o resto do grupo, que era formado pelos outros meninos da banda, Crystall – namorada de Michael – e algumas pessoas importantes como empresário e diretor de turnê. sentou-se ao lado de rapaz e a sensação de conversar com todos era muito boa. Era muito além de ser fã e ficar presa no mundo da música e do showbiz.
Todos não paravam de beber, e ao contrário deles, começava lentamente com chopps. O ambiente estava animado e aos poucos o grupo foi cada um para seu interesse. Michael e a namorada foram jogar videogame; Calum e Luke queriam cantar qualquer música e que qualquer jeito. No final sobrou os dois conversando e bebendo na mesa.
– Me fala mais sobre você – Ashton apoiou o cotovelo na mesa e tombando a cabeça um pouco para o lado. Tinha em seu rosto uma expressão de curiosidade, mas também de malícia.
– O que você quer saber? – perguntou depois de um gole longo de cerveja.
Se estivesse em seu modo fã, com certeza falaria que ele estava adorável com as bochechas em destaque.
– Você sabe o que eu faço, contei do que eu gosto, do que eu não gosto…Sua vez.
– Eu faço faculdade de comunicação social, adoro indie rock e a minha vida não é tão agitada quanto a sua – Ela riu.
– Ah não é possível – Ashton respondeu rindo – Vida de universitário sempre tem alguma coisa acontecendo.
– Isso é verdade, mas, com certeza, você não tá afim de ouvir sobre surtos no fim de semestre ou bebedeira em festas mal planejadas.
– Você tá vivendo sua vida, isso é ótimo!
– Falta pouco pra eu terminar e já sinto saudades.
– Agora me conta da camiseta – Ash sentou virado para ela.
– Então… Short long story: eu me vesti ao baterista do Arctic Monkeys pra ir no show da banda e a camiseta foi um complemento – Ela sentiu de vergonha e se segurava para não rir – E como na 5SOS eu também gosto do baterista, usei de novo.
– Não acredito que não era exclusivamente pra mim – Fingiu-se ofendido – Assim não dá!
– Desculpa, mas não é só de 5SOS que vive minhas playlists – Ela deu de ombros rindo.
Ambos estavam risonhos demais. O álcool no sangue ajudava.
– Obviamente não sei flertar – não sabia onde enfiar a cabeça, já que a sua vontade era de sair correndo e manter apenas a relação ídolo e fã.
Ashton gargalhou.
– Claro que sabe. Se não soubesse, eu não perceberia que seu olhar desvia pra minha boca.
riu alto, sussurrou “você tem razão” e virou a caneca de chopp que ainda tinha um pouco menos da metade. Nesse tempo, sentiu a mão de Ashton em sua coxa.
– Pra quem estava reclamando que ficaria sem voz, você está falando demais – Ele aproximou as cadeiras, que antes não estavam longe.
– Você perguntou e eu respondi – Ela respondeu sabendo para onde essa conversinha levaria.
Ashton subiu a mão para a cintura dela e outra segurou a bochecha com gentilmente.
– Vou gostar ainda mais de você se eu grudar minha boca na sua – Sussurrou passeando com os lábios no maxilar de e se aproximando dos lábios dela.
Ela só se deu o trabalho de passar suas mãos ao redor do pescoço do baterista e em seguida estavam se beijando. Ao mesmo que existia a urgência, existia também a leveza de criar o clima e fazer daquilo algo que ambos gostassem. A distância entre os dois era mínima e Ashton ainda a puxava para mais perto, ao passo de que mais uma puxada e ela pararia no colo dele. Como qualquer outra situação clichê, só se separaram por causa da falta de ar – e também para Ashton não ter nada em relevo em sua calça justa.
levantou e esticou a mão para o baterista, que na mesma hora entrelaçou. Ela, que o guiava, mantinha um sorriso nervoso, porém excitante.
Subiram um lance de escada e a pista de dança estava animada. O DJ variava entre músicas atuais e hits dos anos 70 e 80 – indo do indie pop ao rock clássico, e voltando para a psicodelia. logo se misturou na pequena multidão, arrastando Ashton consigo. Ela começou a dançar à sua maneira, fazendo o baterista ri mas logo entrou na mesma vibe. Eles dançavam sem se importar criando uma pequena bolha. Ao som de Men At Work, Ashton a puxou e a beijou novamente. Dessa vez foi mais controlado – talvez pelas pessoas ao redor – no entanto o sentimento de “quero mais” era predominante em ambos.
Perderam a noção do tempo entre dançar, beber e se beijar mais, e só perceberam quando aos poucos a pista esvaziava. Mal tinham vistos os outros caras da banda. Ashton falou que ia fumar antes de irem embora e ia pedir a saideira.
Com um copo de caipirinha em mãos, dentro da sobriedade que a restava, ela observou Ashton soprar a fumaça ao vento gelado de São Paulo enquanto estava apoiado na grade da varanda da área de fumantes. Tinha sido uma noite insana e ela mesma não parecia acreditar. Se aproximou em silêncio e parou ao lado dele.
– Quer? – Ele esticou o cigarro para ela. negou e bebeu quase metade do copo – É um belo amanhecer.
– São Paulo é uma cidade bonita apesar de tudo – Virou-se apoiando as costas na grade – Se eu pudesse moraria aqui.
– Então assim como eu é só uma visitante?
Ela concordou.
– Vai passar o final de semana aqui também? – Ele perguntou, aproximando do pescoço dela. A confirmação saiu como uma espécie de gemido – Meu hotel ou o seu?

 

CENA BÔNUS

desembarcou à tarde em Los Angeles com um pouco de sono. Ela usava um conjunto de moletom, óculos escuros e seu all star de sempre, afinal quinze horas de voo não eram nada fáceis. Com mochila e mala em mãos, depois de ter passado pela imigração, a primeira coisa que ela fez foi comprar um chip internacional; aproveitou que o aeroporto não estava tão cheio quanto ela imaginava que estaria, eram só os mesmos sons ambiente de qualquer aeroporto no mundo: pessoas circulando, vozes anunciando N coisas e etc.
Em pouco tempo o celular vibrou em mensagens. Algumas de sua mãe, outras de suas amigas falando besteiras nos grupos de whatsapp, mas uma parte era vinda de Ashton.
Seu baterista favorito era o motivo de ter pedido férias adiantadas para dezembro no estágio para que assim pudesse aceitar o convite de assistir a 5SOS nos Estados Unidos. ficou sem reação quando ele chegou com esse papo. Dois meses após ao show no Brasil, Ashton mandou mensagem como quem não queria nada para ela. Claro que ficou feliz, mas era estranho porque depois da one night stand deles, o máximo de interação entre eles eram pequenos flertes por mensagens às vezes. No entanto, eles tinham assunto para conversar e até mesmo quando sentiam que papo poderia esfriar, um deles dava um jeito de prolongar.

“Eu esqueço que Brasil-Estados Unidos demora demais. Quando chegar me avisa”
 

“Tô doido pra ter ver de novo”
A brasileira riu e sentiu suas bochechas esquentarem. Não sabia exatamente o que estava rolando entre eles, mas a sensação era boa. Respondeu avisando que iria para saída C, mas que não era para ele se preocupar porque ela podia pedir um uber. Quase na mesma hora, Ashton ligou.
– Eu tô chegando pra te buscar – Irwin falou antes mesmo que ela pudesse dizer “oi”.
– Eu não quero atrapalhar, Ash, sério – Ela andava de um lado para o outro.
– Be, meu carro é o Land Rover – O jeito que ele falou “Be” soou como o verbo to be e ela riu baixinho.
– Ashton!
– Oi, – Sua voz era doce e a brasileira sentia que ele estava sorrindo.
– Você sabe que eu posso me virar, certo? – Arqueou a sobrancelha.
– Claro que eu sei, mas eu não posso buscar minha convidada vip? – Respondeu divertido.
– Claro que pode – A menina amoleceu o tom de voz.
– Te vejo daqui a pouco – E desligou.
saiu do aeroporto e quase se encolheu quando vento gelado bateu nela. Observou alguns táxis, pessoas chegando, crianças abraçando mãe. Sentou na própria mala e aproveitou para responder outras mensagens. Focada, ela não percebeu que Ashton estacionou poucos metros à frente. O australiano, que parecia ter saído de um filme dos anos 60 com sua jaqueta de couro, camiseta branca e topete, desceu do carro e andou até ela.
– Se distraiu lendo, Be?
Ela reconheceu a voz na mesma hora e levantou para abraçá-lo.
– Tudo isso é saudade? – Ashton sussurrou.
– Um pouco sim – Ela comentou depois de beijar levemente o maxilar dele. Ela tirou os óculos e os deixou pendurados na gola do casaco.
– Só um pouco? – Perguntou afastando-a um pouco, mas ainda a segurando pela cintura – Eu já virei seu baterista favorito.
– Abaixa essa bola – Ela riu sem graça – A gente só se viu pessoalmente uma vez.
– Não estraga o clima, – Pediu fingindo que estava brigando com ela.
– Eu tava doida pra te ver novo, drummer boy. Senão eu não teria topado passar metade das minhas férias com você.
não parava de sorrir por mais sem graça que estivesse. Ver Ashton pessoalmente depois de meses só com zoom tentando diminuir a distância era sensacional. Incrível. Principalmente porque o sentimento de fangirl não era o que predominava. Irwin era engraçado, o deboche personificado, além de ser simpático, atencioso e um amor de pessoa. Ele transpassava essas características em sua pessoa pública, mas no privado dava para prestar mais atenção em detalhes. Ele era muito reservado e por isso quando queria interagir com a menina publicamente ele usava sua conta escondida tanto do twitter tanto do instagram; assim ninguém poderia especular nada e o deixaria em paz, principalmente por ele ser o que mais recebia hate na banda.
– Meus argumentos foram ótimos. Bastou dizer que você ouviria “More” ao vivo que não teve como você recusar – Ele lembrou enquanto mexia no cabelo dela carinhosamente. Ele parecia observar cada característica dela e guardá-la na memória.
– Para de zombar dos meus tweets, Irwin!
– Você quem escreve em português achando que eu não vou ler! – Ashton falou segurando a risada – “More é a melhor música do Youngblood porque lembra outras bandas e Ashton na bateria deve ficar gostoso pra caralho” – Continuou, dessa vez imitando a voz da brasileira.
– Eu nunca nego que você é gostoso – colocou as duas mãos no bolso da calça jeans dele e sorriu. Ashton apertou a cintura dela e a trouxe para mais perto – Vamos pro carro antes que algum paparazzi apareça e estrague o clima.
A brasileira se soltou das mãos do baterista, colocou sua mochila nas costas e pegou sua mala.
– Com isso você não se preocupa – Ele contou enquanto abria a mala do carro – Pedi pro meu agente avisar que amanhã eu faço quantas fotos eles quiserem. E é muito fácil: basta eu ir numa Starbucks, pegar café e andar aleatoriamente por 10 minutos.
– Adoro que você confirma minhas teorias da One Direction – piscou para ele.
– Quem contou essas coisas pra você não está mais aqui – Ashton falou depois de gargalhar – Deixa eu colocar suas coisas no carro, Be.
Ela negou depois já ter encaixado a mala de tamanho médio na Land Rover. Ele fechou a mala e em seguida entraram no carro. colocou a mochila nos pés, pôs o cinto e já foi logo dando play em The Strokes que estava pausado no painel.
Logo na saída do aeroporto, viu algumas palmeiras e aí sim sua ficha começou a cair. Los Angeles era exatamente como nos filmes e séries que passou a adolescência assistindo. Ashton por sua vez achou adorável a reação dela.
– Você trouxe a camiseta? – Irwin perguntou chamando a atenção dela
– Nope. Achei que seria repetitivo.
– Ah, não acredito – Choramingou.
– Eu trouxe algo melhor ainda.
abriu a mochila e revirou até consegui puxar o pedaço de pano.
– Eu serei você em 2014! – A brasileira colocou a bandana vermelha na testa e amarrou – Prontíssima pra tocar Don’t Stop!
Ashton gargalhou. Ele desviou o olhar da rua para ela e continuou a rir quando ela imitou a pose que ele sempre fazia: sinal do rock na mão, um olho piscando e lingua para fora.
– Você acredita que eu usava bandana todos os dias?!
– Eu não duvido! Todo mundo fala que você tinha várias! Pena que quando cheguei no fandom você não usava mais.
– Que bom! Assim você pôde me ver mais bonito.
levou a mão esquerda no rosto do australiano; primeiro passou a mão delicadamente nos cachinhos do rapaz, depois desceu para bochecha fazendo um leve carinho.
– Você é bonito sempre, chuchu – Sendo a última palavra falada em português, o que fez Ash a olhar confuso, mas lembrando do significado logo depois ele sorriu – E eu já te vi muito bêbado, e até se enrolando nas palavras, você é gostoso. Lembra desse dia?
– Lembrar com detalhes eu não lembro, mas você atendeu bem confusa e depois quis me bater.
– Claro! Quem me acorda às duas da manhã só pra cantar Fall Out Boy?
– Você ouviu tudo e às vezes ainda cantava junto – Ele sorriu. Tirou a mão dela da bochecha e beijou o dorso – Acordei no dia seguinte achando que eu tinha sonhado tudo.
– É por isso que eu gosto de você, Ash.
Assim que o carro parou no sinal, o baterista virou o corpo para ela e apoiou delicadamente sua mão na coxa dela, aproximou-se e roçou os lábios levemente no maxilar de antes de selarem os lábios.
– Por que você não fez isso mais cedo? – perguntou depois que se separaram por causa do sinal verde.
– Não sabia se você ia se sentir confortável de me beijar em público. Fora que você fala muito.
– Ah me deixa em paz, Ashton! – Ele riu alto. Sabia que ela estava brincando – Agora desbloqueia seu celular pra eu escolher músicas.
Ele colocou o dedo no celular e na mesma hora, jogou Jonas Brothers na busca. L.A Baby tocou nos alto-falantes, poucos segundos depois a brasileira já acompanhava a letra. Ashton, mesmo sem saber cantar, entrou na mesma vibe que ela e fazia dancinhas engraçadas.
Ashton olhou para , que ainda tinha a bandana amarrada, fingia ser uma grande cantora e se divertia com todo o clima. Ambos estavam sorridentes demais. É, ele tinha feito a escolha certa.

🎵🥁
Depois de deixar em sua casa, Ashton precisou voltar para o estúdio. As longas conversas sobre os conceitos que usariam para o próximo álbum o deixavam animado e nervoso. Eles já tinham algumas músicas em fase de demos e não paravam de compor novas. Isso tudo ainda estavam em turnê com o terceiro álbum.
– Cadê sua namorada? – Calum perguntou assim que o baterista entrou na sala.
O lugar estava uma pequena bagunça. Violão jogado ao chão, alguns papéis e canetas, canecas de café e notebook disputavam espaço na mesa no centro do estúdio. No canto, um sofá cinza. E claro, mesa de equipamentos para gravação e a parte isolada pelo vidro.
– Dormindo – Ele respondeu rindo fraco.
– Pensei que vinha com você – Luke comentou enquanto dedilhava notas aleatórias no violão. Ele estava sentado no chão e parecia tentar criar algo.
– Ela falou que precisa ter energia pra beber mais tarde – Irwin disse, depois de pegar seu notebook e sentar no sofá. Luke balançou a cabeça concordando.
– Vocês finalmente oficializaram tudo? – Michael perguntou curioso – Vocês já estão nesse rolo a meses.
– Não. Nem comentamos sobre isso – Ashton deu ombros.
– Que enrolação – Clifford bradou.
Depois que Ashton e ficaram, a banda inteira a seguiu no twitter – para a alegria do lado fangirl da brasileira – e com a intimidade construída, passou a conversar mais com os rapazes. Ela não era nada do que eles tinham especulado e, aos poucos, eles tinham virado colegas delas.
– Cara, eu tenho quase certeza de que vocês já trocaram nudes – Calum comentou segurando o riso – A intimidade tá aí, basta fazer esse relacionamento acontecer.
– Você acha que a gente não percebeu você não negando que ela é sua namorada? – Luke pontuou – Vocês não tem quinze anos. Se resolvam!
Ashton colocou as mãos no bolso e depois tirou mostrando o dedo do meio, enchendo o lugar de risadas.
– Bora pensar nas músicas e depois a gente fala sobre isso?! – Ash tentou contornar a situação soando brincalhão. Calum zoava o amigo de novo e os outros dois tentavam parar de rir. Claro que Ashton já tinha ideia de qual direção todos os flertes, conversas proibidas para menores e outras intimidades poderiam levar o que tudo começou numa soundcheck.
Ele só precisava ficar à sós com .

🎵🥁
A casa de Ashton parecia ter saído de um episódio de Irmãos à Obra. As áreas principais – sala e cozinha – eram em conceito aberto e o que fazia a separação era uma ilha. A parte de trás era pequena, mas de tamanho suficiente para uma banheira de hidromassagem, algumas cadeiras e uma churrasqueira. Além de dois quartos, um escritório e um mini estúdio. Tudo estava arrumado para a festinha, que Ashton chamou de “Bem-vinda, drummer girl”.
A geladeira estava lotada de cerveja, energético e vodka, além de frutas para que pudessem fazer drinks. Em cima da bancada da cozinha, tinham copos de vidro e descartáveis, pratos, talheres e outras coisas necessárias para a resenha. Comida era a última preocupação pois quando tudo mundo chegasse era só pedir pizzas.
estava sentada de qualquer jeito no sofá da sala criando playlist. Ashton abria as portas de vidro que davam o quintal. Eram por volta das 19h15 e a brasileira ainda estava de pijamas e parecia carregar a cama nas costas.
– Ash, fecha pelo menos uma porta – virou a cabeça na direção dele – Não tô acostumada com esse frio.
– Mais tarde eu ligo o aquecedor se você quiser – Respondeu andando até o sofá – Você não vai trocar de roupa?
– Seus convidados só vão chegar mais tarde – Ela continuou olhando para o celular.
– Você vai continuar com sono – Ele alertou.
olhou para ele com cara de poucos amigos e Ashton sentou no sofá, puxando-a para seu colo. Ele pegou o celular da mão dela e colocou de lado. A brasileira se ajeitou ficando de frente para ele, que a segurou pela cintura.
– Não foi você quem pegou fusos diferentes – Respondeu percorrendo os dedos pelo maxilar recém barbeado dele – Fora que você tá com a mesma roupa o dia inteiro.
– Tenho minhas justificativas também, baby.
riu de nervoso, afinal às vezes ela não conseguia relaxar totalmente com ele. Não porque ela se sentia desconfortável e sim porque sua ansiedade sempre a lembrava de consequências de namorar com um membro de uma banda.
– Tá tudo bem? – Perguntou um pouco confuso.
– Tá sim, só não esperava que você me chamasse assim.
– Conversamos tem uns três meses. Você tem nude meu! – Ele pareceu surpreso, afinal ele e a brasileira, mesmo com a distância, construíram convivência.
riu escondendo o rosto do pescoço dele.
– Relaxa, é só apelido carinhoso – Ashton afastou os cabelos ondulados da menina e beijou o pescoço várias vezes – Às vezes você me chama de chuchu e sabe que eu adoro – Falou a palavra em português cheio de sotaque.
fez uma trilha de beijos no pescoço dele até chegar nos lábios e beijá-lo praticamente sorrindo. Ele correspondeu na mesma hora puxando-a para mais perto. O clima começou a esquentar quando ela, sem perceber, começou a rebolar devagar. As mãos de Ashton desceram para a bunda dela, incentivando-a a continuar. Ashton mal podia acreditar que finalmente estava ficando com novamente. O que estava rolando ia além de só fogo no rabo; era a intimidade deles solidificando.
– Não acredito que você tá ficando excitado com esse meu pijama de Jurassic Park – sussurrou rindo fraco no ouvido dele. Aproveitou para deixar um pequeno chupão atrás da orelha.
– Tá incomodada? Posso resolver isso rapidinho… – Ashton respondeu com a voz rouca enquanto coloca suas mãos na cintura da brasileira por debaixo da camiseta. Aos poucos ele levantou a peça de roupa e trocou de posição com ela quando percebeu que ela estava sem sutiã.
Agora por baixo, segurava o gemido principalmente quando sentia pressionar suas intimidades ainda por cima da roupa. Aproveitou para empurrar a jaqueta de couro dos ombros dele, que na mesma hora tirou. O australiano beijava a barriga dela quando o celular tocou. Ashton soltou “shit” meio puto e saiu da posição. Andou até a cozinha e tentou atender sem demonstrar sua frustração. A menina sentou e colocou sua camiseta de volta. O baterista respondia impaciente e desligou poucos minutos depois.
– Quem era? – perguntou olhando por cima do sofá.
– Mitchy – Irwin respondeu passando a mão nos cabelos. O vocalista da lovelytheband não parava de falar e Ashton estava a um ponto de desligar na cara dele. Sua ereção estava marcada na calça e nessas horas, agradecia por ser mulher – Queria saber de bebida – Ashton revirou os olhos – Ele tá mais do que acostumado a vir para festas.
– Vou tomar um banho – Ela se levantou – Despertei até demais agora.
Ashton a olhou e depois apontou para a própria calça.
– Vai me deixar assim?
– Você acha que não tem nada rolando aqui? – também apontou para sua calça, sorrindo convencida.
– Pra você é mais fácil. Fica escondido.
revirou os olhos e foi até ele. Ficou na ponta dos pés e deu um selinho.
– Vem… – Ela segurou a mão dele e o puxou – Eles esperam se a gente demorar um pouco mais no banheiro.
Ashton a abraçou por trás com sorriso safado e a guiou para seu quarto.
—-
, atende a porta pra mim – Ashton gritou do banheiro da suíte enquanto arrumava o cabelo.
– Eu tô terminando de me arrumar também! – estava na frente do espelho do quarto do baterista. Ela abotoava a calça jeans de cintura alta, aproveitando para ficar de lado e ver se a camiseta do The Killers não estava amarrotada atrás. Por cima colocou uma camisa de botões preta com listras brancas que ficou bem maior que ela.
– Você tá linda – Ele respondeu colocando o rosto apoiado na porta. Ele estava sem camiseta, com a cueca um pouco acima da calça preta skinny que usava – A camisa combinou mais com você do que comigo.
se aproximou e o beijou rapidamente.
– Como você demora pra arrumar esse cabelo. Pior do que eu – A brasileira apontou para suas próprias ondas – E olha que meu cabelo parece um capacete na maioria das vezes.
Ele riu, abraçando-a.
– Eu vou lá atender porque, puta que pariu, não tiram o dedo da campainha – Ela se soltou dele e quando se virou, sentiu Ashton bater de leve na bunda dela – Safado!
Ele gargalhou.
– Vai logo que o Michael tá me ligando sem parar.

🎵🥁
– Ele demora sempre pra se arrumar. Você se acostuma – Calum falou sentando no sofá – Às vezes a gente aposta quem vai terminar primeiro, ele ou Luke.
Os outros três membros da 5SOS haviam chegado praticamente juntos. Mike e Luke com as namoradas, Crystall e Kathleen; Calum com uma garrafa de whiskey. Todos foram muito simpáticos e receptivos com ela.
– Isso ele não conta – respondeu, que estava em pé perto dos amigos do crush – Bom saber disso porque eu posso me arrumar mais tarde.
– Estão falando de mim? – Ashton apareceu com as mãos na cintura com seu sorriso maravilhoso no rosto.
– 30 horas pra se arrumar para aparecer todo de preto – Luke falou debochando.
estava com quentinho no coração. Estava enturmada com os meninos, com as namoradas e se sentia acolhida, mesmo sabendo que a primeira impressão deles era que ela fosse groupie.
E Ashton estava feliz em vê-la conversando com eles. A banda era tudo pra ele; os consideravam irmãos acima de tudo.
– Eu demorei 10 minutos pra arrumar meu cabelo e no final só fiz esse half bun mesmo – Ela mexeu no coque – Ele passou tanto produto no topete que eu fiquei chocada – Ela segurou o riso.
Ashton a abraçou por trás e beijou a bochecha.
– Você se juntou a eles?!
– Ash, eu tenho que te provocar um pouco né – beijou o queixo dele, ato que já havia se tornado seu favorito.
– Assim você rouba meu amigo – Disse Calum abraçando o casal.
começou a rir.
– Eu?! Podemos abrir o relacionamento – Ela comentou brincando – Eu não ligo. Aí resolvemos isso aí.
Calum e Ashton a abraçaram cada um de um lado. Escutaram barulho de foto e os três sorriram.
– Agora você quem quer roubar o Calum – Ashton respondeu também em tom de brincadeira enquanto afastava e abraçou Hood.
fingiu cara de brava e todos riram. Depois que se soltaram de mais um abraço, a brasileira beijou a bochecha de Calum e deu um selinho em Ashton.
– Bora beber?! – incentivou mudando de assunto para não explanar que não existia ninguém que shippava mais Cashton do que ela.

🎵🥁
A sala estava cheia já que os outros convidados haviam chegado. Na mesa de centro tinha caixas de pizzas de vários sabores que dividiam espaço com latinhas de cervejas e copos. A música da caixa de som se misturava com o falatório. conversava com Kathleen e Crystall na cozinha enquanto bebiam. Ashton misturava algumas bebidas diferentes e chamava de drink e fez todo mundo experimentar.
Com todos, aos poucos, se enturmando, o ambiente ficou ainda mais convidativo e amigável. Com uma playlist impecável com vários gêneros musicais, eles dançaram à noite inteira. Para o mais engraçado era ver como a 5SOS agia exatamente como nos vídeos de backstage. Eram muitas piadas internas, eles se zoando o tempo todo e passos de dança diferentes e espontâneos.
Era por volta de quatro e pouca da manhã quando todos pareciam derrotados. sabia que teria dor de cabeça terrível; ela não sabia o quanto de bebida ela tinha virado. Enquanto Green Day saia baixo das caixas de som, todos estavam sentados ou deitados onde podiam. Alguns comendo pizza gelada, outros ainda bebendo.
Estavam largados no sofá, apoiada no ombro de Ashton antes de levantar e ir para a cozinha. Abriu a geladeira, pegou uma garrafa d’água e bebeu no gargalo mesmo depois de sentar na ilha. Ela pegou o celular e olhou aleatoriamente suas redes sociais. Nada de muito novo. Fãs da banda brigando no twitter, seus amigos no rolê nas fotos do instagram, sua mãe mandando áudios perguntando se ela tinha camisinha o suficiente para as férias todas.
Ashton se aproximou sem fazer barulho e, de frente para ela, a abraçou pela cintura.
– Tá tudo bem? – Ash perguntou depois de colocar vodka em seu copo.
– Claro que tá. Eu tô amando! – estava muito à vontade; sentia-se ainda mais à vontade por eles a acolheram de maneira tão amável.
– Você veio pra cá do nada.
Ela balançou a cabeça e sussurrou “bobinho”.
– Sabia que a gente não tem uma foto juntos? – deixou o celular de lado e passou as mãos pelo pescoço dele.
– Isso significa que a gente se diverte juntos ao ponto de não precisar mostrar pra ninguém – Ele respondeu passando os lábios entre o maxilar e o pescoço dela.
– Só uma pra eu guardar e colocar de foto de fundo não vai fazer diferença.
– Quer um meet & greet com a banda agora? – O australiano provocou.
– Só com o baterista – Ela informou no mesmo tom.
Ashton, também sorrindo, pegou o celular abrindo a câmera. Tiraram várias: se beijando, sorrindo, zoando e a favorita dos dois, com o rosto apoiado no ombro de Ashton enquanto olhava para ele. Ambos estavam muito felizes e não era consequência da mistura de vodka, cerveja e outras bebidas alcoólicas.
– Be, namora comigo – Murmurou ele – Juro que não deixo nenhuma fã te perturbar no twitter – Acrescentou.
– Ashton, você tá bêbado. Eu tô bêbada. Você vai se arrepender depois – Ela o interrompeu
– Mas eu sei do que eu tô falando – Ele argumentou.
– Tem certeza?
– Claro que tenho.
o beijou com força, puxando-o ainda mais para o meio das suas pernas. Ashton apoiou as mãos no mármore e quase deitou por cima dela, derrubando alguns copos de plástico que estavam ali. Ouviram alguns gritos tipo “vão pro quarto”, mas não ligaram. Ashton levantou o dedo do meio antes de continuar beijando agora sua namorada.
– Eles não param? – A brasileira riu fraco.
– Você se acostuma com o humor deles – E voltou a beijá-la.
– Ash – Ela interrompeu o beijo – Não ligo de ser trocada pelo Calum. Ele é um amor.
– O que você está insinuando? – Ashton a olhou segurando o riso.
– Eu?! Nada…
Ashton gargalhou e a beijou de novo. Acima de tudo eles haviam se tornado amigos. Boa maneira de começar algo.