Never let me go

Sinopse: Voltando à Inglaterra após um ano sabático, Aaron e Lola se veem envoltos em uma nova realidade. Mas ao tentar se adaptar, Aaron percebe que apesar de tanto tempo longe, as coisas ainda não haviam voltado ao normal. E provavelmente nunca voltariam.
Gênero: Romance/ Drama
Classificação: 12 anos
Restrição: Os nomes Marina, Lourdes, Renee, Elizabeth e Catherine estão em uso
Beta: Regina George

Capítulos:

Prólogo

Viajar com um membro da realeza era definitivamente diferente de tudo que ele já havia feito antes. O avião particular mais parecia um hotel de luxo ou um teatro de grandes produções: tinha detalhes dourados, que possivelmente eram de ouro, com assentos de couro branco e fotos do Elton John. Era estranho isso, estar usando avião privado de um dos maiores cantores do mundo, mas lá estava ele. Sir Elton, quando soube que e Lola iriam retornar à Inglaterra, fez questão de mandar seu avião particular para buscá-los em Nova Iorque. Ele adorava Lola – e quem não adorava? – e era seu padrinho. Bem, pelo menos padrinho de consideração, já que Lola nunca teve um batizado ou algo do gênero. Mas Sir Elton a adorava e não deixaria sua afilhada de consideração voar em um avião comercial, de jeito nenhum.
Era muito mais fácil viajar desse jeito. já havia feito milhões de viagens no seu tempo como ator, voando de set a set em aviões desconfortáveis, esperando horas na imigração e segurança. Ele odiava tudo aquilo, então gostava das vantagens de viajar desse jeito. A segurança funcionava para eles e por eles: eles nem tiveram que tirar os sapatos e casacos. Uma breve inspeção de rotina foi feita apenas por protocolo e logo eles foram liberados para embarcar. Um carro os levou até o avião e toda a documentação necessária para viajar foi cuidada por um assessor da realeza.
Ele estava tomando uma taça de vinho branco enquanto Lola dormia, assistindo as nuvens que ficavam mais espessas conforme eles se aproximavam da Inglaterra. Era uma mudança de cenário, definitivamente. No último ano, ele e Lola ficaram na casa de seus pais em Middletown, uma cidade do interior de Nova Iorque, que ficava há duas horas da capital do estado. Era uma vida tranquila que eles levavam – tomavam sorvete de iogurte na frente do mercado, caminhavam pelo centro da cidade sem seguranças os seguindo, passeavam no parque e jantavam em família na varanda. Era uma boa vida, uma vida tranquila, mas não podia durar para sempre.
Tinha sido um acordo entre e a família de Lola. Eles passariam um ano longe, para o bem da garota. precisava de apoio para cuidar da menina e só poderia ter isso em sua casa, com seus pais o ajudando. Por mais que os avós de Lola fossem carinhosos e prestativos, as coisas eram muito mais complicadas quando se vivia num castelo com a maior autoridade da monarquia atual.
Então aceitou a chance assim que lhe foi dada e voltou para os Estados Unidos, sentindo como se aquele tempo em casa pudesse cura-lo. Mas não pode. Nem todo tempo no mundo poderia resolver a bagunça que ele estava.
Ele fez o que pode com o que tinha. Ainda estava fragilizado e mal conseguia dormir, e cuidar de Lola era definitivamente um desafio. Mas ele tinha a ajuda dos pais, que largaram tudo para ajudá-lo a criar a filha por aquele ano. Agora que voltava para a terra natal de Lola, ele estava assustado demais, morrendo de medo de como tudo seria. As coisas eram complicadas com a família real e todo mundo sabia, ele sabia quando se meteu naquilo tudo. Mas não se arrependia, de forma alguma. Não trocaria o que tinha por nada naquele mundo.
-Senhor – Uma aeromoça chamou sua atenção – Estamos prontos para aterrissar. Existe mais alguma coisa que posso fazer pelo senhor? – O loiro assentiu negativamente e a aeromoça sorriu ao se afastar.
Logo tudo seria diferente. Toda a sua vida estava prestes a mudar mais uma vez e ele não sabia se estava preparado para lidar com tudo aquilo. Mas ele sabia que não tinha muita opção então apenas respirou fundo e se ajeitou na cadeira de couro extremamente confortável. Quando ele abrisse os olhos, teria uma nova vida. Pelo menos ele não estava sozinho nessa loucura toda.

1

– Foi uma merda! – falou ao se jogar na cama, soltando um murmúrio de cansaço – Desculpe.
– Eu já disse que não precisa me pedir desculpas toda vez que você fala palavrão – Jon resmungou e ouviu uma risada de – Não é como se eu fosse te pedir para fazer uma penitência ou algo assim.
– Você é um padre legal – disse em tom de risada e logo o irmão concordou.
– Eu sou um padre legal – Jon repetiu, mas logo mudou o tom da conversa – Mas agora me diz, o que pode ter acontecido de tão errado desde que eu te vi 24 horas atrás?

fechou os olhos, recordando o dia que estava finalmente chegando ao fim. Quando chegou ao Palácio, com aquela visão que era sempre esplêndida e o deixava meio embasbacado enquanto o carro atravessava os portões. Ele viu Lola se endireitar na cadeirinha, tentando ver mais do palácio e abriu um sorriso com aquilo.
Logo estavam estacionados no portão principal e a loucura começou. Diversas pessoas apareceram, todas em ordem, para pegar as malas com rapidez e perfeita organização. Não deu nem tempo de se esticar para tirar Lola de seu assento, pois logo uma mulher – que ele reconheceu como a babá que cuidou da menina quando ela nasceu – surgiu, tirando Lola dali com maestria. A porta ao seu lado foi aberta por um rapaz que aparentava ser jovem demais para estar trabalhando e logo ele saiu do carro, sentindo o ar gelado do verão londrino. Apesar da onda de calor que invadia o país, aquele dia parecia um pouco mais gélido do que esperado. usava uma blusa de manga comprida em um tom de cinza escuro e calça jeans – e ele se arrependeu de ter guardado seu casaco na mala de mão.
– Senhor – Um dos milhares de homens que usavam ternos pretos falou. Todos eram iguais e acenou educadamente – Por favor, me acompanhe.
– Lola, vamos – Ele estendeu a mão para a filha, que já estava de mãos dadas com a babá. A garotinha sorriu, andando em seus passos desengonçados até o pai – Obrigado – Ele agradeceu e a mulher acenou, se juntando a linha de homens e mulheres que havia se formado para recebê-los.
– Vossa Alteza Real Príncipe Albert e Vossa Alteza Real Duquesa Renée estão à sua espera no salão 1844.
Eram 775 cômodos naquele palácio e sempre se via perdido quando adentrava. Por mais que tivesse morado lá por quase um ano e aquela fosse ser sua residência por algum tempo, era tudo muito imponente: A decoração vitoriana era cheia de ouro e pompa e provavelmente um tapete daquele lugar valia mais do que sua casa em Middletown. Lola ficou cansada de andar antes mesmo da metade do caminho e a carregou no colo pelo restante do percurso até o salão 1844. Era ali que as fotos de Natal eram tiradas e reuniões oficiais aconteciam, mas era também a onde a realeza marcava os encontros. Talvez por ser o local mais conhecido do palácio, talvez por ser um dos maiores e mais fáceis de encontrar, ele não sabia direito – e nem ia perder tempo perguntando, se não ia ganhar uma aula de doze horas sobre a história do palácio do avô de Lola.
Assim que pisaram no salão 1844, um homem anunciou:
– Vossa Alteza Real Lourdes e Senhor – Ele sempre achava engraçado quando se referiam a Lola como Lourdes e como a chamavam de Sua Alteza Real. Ela nem tinha três anos ainda e tinha um título desses! Era algo surreal. logo voltou a realidade e abriu um sorriso quando viu os avós de Lola se aproximando.
– Lourdes, minha querida – Renée falou, se abaixando para receber um abraço da neta, que foi prontamente posta no chão e correu para os braços da avó. Por mais que ela não visse essa parte da família há um ano, ela ainda falava com eles diariamente pelo telefone e se lembrava pelo menos dos avós – Minha nossa, como você cresceu! Está enorme, veja isso, Albert.
reverenciou o príncipe e a duquesa com um aceno simples, porém formal. Era estranho ter que voltar a fazer essas coisas fora de um filme de época, mas tudo bem, ele ia se acostumar com isso em algum momento.
, querido, como vai? – Renée disse com um sorriso no rosto, segurando a neta em seu colo – Você parece ótimo.
– Eu estou bem, duquesa. Muito obrigado pela recepção e por ter nos trazido de volta.
– Aquilo tudo foi sir Elton – Foi a vez de Albert falar – Ele mal pode esperar para ver vocês. Olá, meu docinho, como você está?
– Meeeoww – Lola respondeu, causando risadas nos avós e fazendo o pai sorrir meio envergonhado. O fato de a garota decidir se comunicar como um gato no reencontro com seus avós da realeza não era lá muito empolgante. Eles provavelmente implicariam com isso depois.
– Agora em inglês – falou e a menina apenas riu. Aquelas bochechas rosadas que envolviam um grande sorriso sempre derretiam o coração de . Lola era um presente, definitivamente. Ela era especial e doce, derretia o coração de todos.
– Ela está igualzinha à – Renée falou com um sorriso entristecido no rosto. Ele pode ver o pesar no olhar da mulher, mas logo ela pareceu afastar aqueles sentimentos – , você deve estar exausto da viagem. Se quiser se retirar até a Majestade estar pronta para te receber.
– A majestade gostaria de me ver? – Ele engasgou, um tanto nervoso.
– Sim – Renée respondeu – Ela gostaria de discutir a questão da sua moradia e da educação de Lourdes.
– Sim, claro, com certeza – Falou, nervosamente. A duquesa sorriu e se virou para brincar com a neta – Até mais tarde, alteza.
– Bem vindo de volta, rapaz – O príncipe falou – Estamos todos muito felizes em ter vocês de volta.
respondeu com um sorriso e logo foi guiado para seus aposentos. O quarto que ficaria era maior do que seu apartamento em Nova Iorque e tinha enormes janelas com pesadas cortinas brancas. Suas poucas malas já estavam ali e em breve ele sabia que seriam desfeitas e arrumadas perfeitamente nos armários. Ele não sabia por quanto tempo ficaria no palácio, afinal, a rainha queria discutir sua moradia. não tinha pensado muito nisso antes, ele simplesmente achou que ficariam no palácio. Por algum motivo que ele não sabia, Albert era o único filho da rainha que ainda morava no palácio de Buckingham. Todos os outros tinham residências em Surrey ou moravam em outros palácios pela Inglaterra. Albert trabalhava lado a lado da rainha, apesar de ser o oitavo na linha de sucessão ao trono – ficando atrás do irmão mais velho, os sobrinhos e os sobrinhos netos. Ele era o terceiro filho da rainha, o segundo homem, e nasceu sendo o segundo na linhagem ao trono – mas foi perdendo o posto com a chegada dos novos membros da realeza. Lola era a décima na linhagem para o trono, o que era absurdamente estranho. Sua filha era da realeza e ele nunca ia entender como ele havia entrado nesse filme distópico da Disney onde as fadas não existiam, mas os monstros eram muitos.
– Então você falou com a rainha? – Jon perguntou, se sentindo um pouco angustiado pela situação do irmão. Ele também ficaria bem nervoso se tivesse que falar com a rainha da Inglaterra. Provavelmente não saberia o que falar e isso era algo raro de acontecer, pois ele sempre sabia o que falar.
– Sim. É tão estranho isso. Eu literalmente acabei de falar com a rainha – contou entre risos nervosos – Eu tinha me esquecido como isso tudo é surreal.
E tinha sido realmente surreal. foi chamado por volta das cinco da tarde para tomar chá com a rainha em um aposento perto do jardim. Lá dentro era tudo tão calmo que era fácil esquecer que aproximadamente oitocentas pessoas moravam lá. Ele podia sentir sua respiração falhar enquanto caminhava até a sala, pensando em todas as possibilidades que o rumo da conversa poderia tomar. A rainha era uma mulher imprevisível. Nas muitas vezes que havia tido a honra de encontrar-se com ela, a Rainha Elizabeth sempre foi muito calma e simpática. Sorridente, segurando sua bolsa e com cabelos perfeitamente penteados, ela tinha aquela presença imponente, mas era apenas uma pequena senhora adorável. Porém, ele já tinha escutado histórias sobre o temperamento forte da monarca e preferia sempre estar em seu agrado.
Quando sua presença foi anunciada, a rainha desviou seu olhar da janela para e ele sentiu seu corpo congelar. Se ela era uma reptiliana ou não ele não sabia, mas que definitivamente tinha um olhar que podia matar qualquer um do coração. a reverenciou e ela estendeu a mão direita para um aperto de mão. Duas balançadas, olhando diretamente nos olhos da rainha, ele podia sentir sua alma saindo do corpo.
– Como vai, senhor ? – Ele tinha trinta e seis anos, era absurdamente estranho ser chamado de senhor, mas ele apenas sorriu.
– Excelente, vossa majestade – Ela apontou para a poltrona a sua frente e logo sentou. Com um aceno chá foi servido para ele, que agradeceu a gentileza. Era tudo muito rápido por lá.
– Ótimo – A Rainha sorriu – Estamos radiantes com a chegada de Lourdes ao palácio. Porém, tenho algumas preocupações que gostaria de discutir com você.
– Claro – Ele segurou as mãos, que estavam suadas, e ficou preocupado se a rainha tinha percebido que suas mãos pareciam manteiga.
– Não houve nenhuma melhora, como você sabe – assentiu pesarosamente – E eu estava pensando, junto a Albert, que talvez fosse melhor vocês irem para alguma de nossas residências no campo. Nós providenciaremos tudo, obviamente, para que vocês tenham todo conforto. Quando Lourdes chegar na idade escolar, quem sabe, vocês poderiam retornar para Londres. Mas talvez agora a melhor coisa para vocês seria ficar em um ambiente mais sereno. O que você acha, Senhor ?
– Eu… Eu acho incrível, vossa majestade. Não queremos dar trabalho.
– Ora, não será trabalho nenhum. É um prazer ter a pequena Lourdes por aqui, mas não consigo imaginar uma criança crescendo em tais circunstâncias atualmente – Ela deu de ombros e sorriu. Logo trocou a bolsa que carregava de lado e soube que era hora de partir.
– Muito obrigado, vossa majestade.
– Espero ver o senhor e Lourdes mais tarde no jantar. Convidei William, Catherine e as crianças para recebê-los. Eles ficaram muito alegres ao saber do seu retorno.
agradeceu novamente e reverenciou a rainha mais uma vez antes de ser escoltado para fora do salão. Ele nem tinha tocado no chá que lhe foi servido, mas era melhor assim, pois além de odiar chás ele queria realmente sair da presença da rainha para poder respirar normalmente.
A notícia foi boa. Seria um alívio não ter que morar naquele lugar com tanta gente, tanta informação. Ele gostava do campo, seria um bom ambiente para Lola crescer. Poderia criá-la com mais liberdade, mesmo que se os avós de Lola fossem morar com eles as coisas acabariam sendo quase iguais a no palácio, mas ainda assim seria melhor do que viver no centro da monarquia moderna.
Então, quando ele se deitou na cama, se sentiu aliviado. Despediu-se do irmão e ficou olhando para o teto por algum tempo, pensando no dia que tivera e na vida que ia levar dali em diante. Ele sempre soube que seria difícil, mas nunca pensou que fosse ser tão difícil assim.
Foi então que, finalmente, ele tomou coragem de fazer aquilo que mais precisava. Respirou fundo ao levantar-se da cama, sentindo todo o seu corpo arrepiar, aquele nervoso que fazia parecer que aquela seria a primeira vez que a veria. Mas era como se fosse a primeira vez, de qualquer jeito. Ele sempre se sentia assim, com o estômago revirado e mãos suadas, quando atravessava o corredor em direção ao quarto.
Abriu a porta, sendo tomado pelo ar gelado do cômodo. Apesar de ter a mesma decoração vitoriana, aquele quarto não era como os outros do palácio. Ele sentou-se na cadeira ao lado da cama e abriu um sorriso, apesar de seu coração estar totalmente partido.

N/A: Hello hello hello. Estou aqui novamente escrevendo fanfic que ninguém liga mas AQUI ESTOU!! Algumas coisas importantes: Eu tive que criar o Príncipe Albert e a duquesa Renée pois 1)o segundo filho homem da rainha, que seria originalmente avô da Lola, está relacionado ao escândalo do Epstein e eu não quero pedófilo na minha fic 2)o filho mais novo da Rainha, Príncipe Edward, é bem mais novo e só teve filhos nos anos 2000, então seria difícil encaixar a PP nisso. Então criei esse príncipe gente fina que vocês vão conhecer nos próximos capítulos. E também queria falar que tem muita coisa que pode estar errada pois a monarquia é doida e as regras são bizarras, então eu pesquisei o máximo que pude, mas relevem qualquer erro por favor. E a pp está no instagram (pois não tenho vida) e é @ofkent, vai rolar muito spoiler sim. É isso, beijinhos @bruni.ta