A Vontade do Fogo

  • Por: Bea H
  • Categoria: Anime
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  • Capítulos: 12 | ver todos

Sinopse: Ela era do clã fundador. A única dos Senju capaz de utilizar todos os jutsus de seu bisavô; Senju Tobirama e considerada um dos prodígios de Konoha.
Jounin aos quatorze, treinada individualmente por Minato e sensei de Itachi, após uma série de acontecimentos, decide abandonar sua aldeia, tornando-se uma renegada. Após fugir, deixando para trás seus amigos e, seu verdadeiro amor, Hatake Kakashi, torna-se aluna de Orochimaru, até que um dia, o mesmo lhe pede para fazer o que ela menos queria: voltar à Konoha.
Fandom: Naruto
Gênero: Drama, Romance
Classificação: 16
Restrição: Todos os personagens do Anime são fixos. Apenas a principal é interativa. A fic acompanha os acontecimentos de Naruto Shippuden, a partir do episódio no qual Gaara é capturado pela Akatsuki. Algumas mudanças singelas foram feitas para que a personagem principal pudesse se encaixar no enredo, nenhum acontecimento importante fora modificado. A fic acompanhará os acontecimentos do anime até o fim do Shippuden.
Beta: Thalia Grace

Capítulos:

Prólogo

Os bustos esculpidos no monte mostravam que aquela era a velha Konohagakure que conhecia e na qual vivi por anos. Não sabia ao certo quantos anos haviam se passado, mas um detalhe fez com que eu me assustasse. O rosto de Tsunade ao lado do de Minato, mostrando que ela, uma dos três Sannins Lendários e minha tia, havia se tornado a quinta hokage da vila.

O vento por ali parecia não mudar. Por alguns momentos, um sentimento saudoso correu por meu corpo. Porém, o mesmo logo foi cortado pela voz de minha consciência. Eu não poderia estar ali, eu era uma renegada.

Segui meu caminho pela floresta, em mais três dias eu chegaria à Sunagakure. Alguns de meus contatos haviam me informado sobre a intenção da Akatsuki em capturar os Jinchuurikis, e o atual Kazekage da vila era o portador da bijuu de uma calda.

Não, eu não fazia parte da Akatsuki, por mais que o convite tenha sido feito, aquilo não era para mim. Nunca havia gostado de trabalhar em grupos. Esse, inclusive, foi um dos motivos para fugir de minha antiga vila.
Porém, de certo modo, meu sensei estava ligado indiretamente à organização, e, à pedido dele, eu deveria observar e – se possível – impedir que a Akatsuki capture todos os Jinchuurikis.

Caminhava lentamente pela floresta, até que uma voz estrondosa e já conhecida soou. Pensando rápido, consegui me esconder perto de uma árvore. Algum ninja sensorial me encontraria, mas nenhum deles era um.

— Quando chegarmos à Areia, você finalmente reconhecerá o verdadeiro significado de arte! — ele esbravejou. — Iremos capturar o Jinchuuriki e voltar ao encontro da Akatsuki em tempo recorde. — sua voz tinha um tom de deboche. Foi então que percebi que apenas ele continuou a andar, seu parceiro havia subitamente parado.

— Deidara. — o outro homem falou. — Tenho quase certeza de que não estamos sozinhos.

MERDA! Ele havia conseguido sentir meu chakra? Como?

— Deixa de loucura, Sasori. — o loiro comentou. — Temos uma missão, precisamos ir. — se virou e seguiu seu caminho novamente.

—É ela, Deidara. — quando o manipulador de marionetes falou, aquele que estava mais à frente parou, virando seu olhar para trás. — A aluna de Orochimaru.

— A Senju? — a voz de Deidara tinha mudado o tom. Agora transmitia medo.

Já que a espionagem havia dado errado, a única opção era tentar fingir uma amizade. Fingir que estava feliz em vê-los.
Me esgueirei, saindo de trás do tronco no qual estava escondida, aparecendo para os dois membros da Akatsuki.

Os olhos de Deidara arregalaram, talvez por lembrar do nosso último encontro, do qual ele quase saiu morto.

— Yasu. — Sasori sibilou meu nome. — Que estranho encontrá-la por aqui.

— Sabe, Sasori — me aproximei um pouco mais. — você me impressiona toda vez. — cruzei os braços em frente ao meu corpo. — Como conseguiu me localizar?

— Eu acho que nós deveríamos fazer as perguntas por aqui. — Deidara finalmente se expressou, ainda com a voz falha. — O que está fazendo por essas florestas, Yasu?

— Estou à caminho de um encontro. — menti. — E essa é a única informação que deve saber. Mas e vocês? — apontei para o loiro e por fim me virei para Sasori. — Sentiu saudades de casa? — o tom de deboche em minha voz era completamente perceptível.

— Vamos logo, Deidara. — o homem, que não estava em sua forma real, e sim envolto por uma de suas marionetes, virou suas costas, já sem paciência. — Não temos nada para resolver por aqui.

Com certeza aqueles dois não queriam entrar em uma luta comigo. Eles estavam à caminho de uma missão importante, eu seria apenas uma perda de tempo e chakra para os dois.

Ambos seguiram seu caminho que, por sinal, era o mesmo que o meu.
Tentei me manter o mais distante possível, porém, não me afastando tanto, para não correr um risco de atraso.
Mas, parece que aquele era o dia dos reencontros. Entretanto, aquele não era um dos mais esperados.

Enquanto corria entre as árvores, distraída por alguns pensamentos, acabo esbarrando num homem. Seus longos cabelos brancos estavam embaçados em minha visão, mas aquela combinação de verde e vermelho em suas roupas não me negava quem era.

— Jiraiya-sensei? — Eu ainda estava caída no chão, que fora um resultado do choque contra ele. Meus olhos não acreditavam no que viam. Ele era a única pessoa da Folha pela qual eu ainda sentia carinho. Um dos únicos que entendeu meus motivos para fugir.

Sua mão rapidamente se estendeu para me ajudar, e quando me puxou, pude perceber seus olhos checando meu corpo.
Com certeza aquele era o Jiraiya que eu conhecia.

— Senju Kin? — seu semblante rapidamente tomou uma forma questionativa. A maneira com a qual me olhava me trouxe lembranças.

Flashback On

— Kin, você tem certeza do que está prestes à fazer? — Jiraiya-sensei sentou ao meu lado em um dos bancos da praça onde estávamos. — O que seu bisavô diria sobre isso?

— Eu realmente não me importo, Sensei. — suspirei. — Todos me veem apenas como bisneta do segundo hokage, aquela que herdou seus Jutsus e habilidades. — apontei para o monte onde o rosto dele estava esculpido. — Mas, eu ao menos o conheci. — uma lágrima escorreu por minha bochecha. — Nem meus pais.

— Entendo que há muitos motivos para que saia da vila, mas… — o interrompi.

— Sensei, eu não posso mais ficar aqui. — levantei rapidamente. — Muitas coisas aconteceram e… — levei as mãos ao rosto. — Eu não posso mais ficar aqui.

— Como você acha que será para ele se você partir? — o homem perguntou, olhando em meus olhos.

— Ele conseguirá viver. — meus olhos se fecharam e o rosto de Kakashi surgiu em minha mente. Ele, com certeza, seria a parte mais difícil de deixar ir. Meu único amigo de verdade em toda a vila.

— Ele já perdeu pessoas demais, não acha? — referia-se à Obito, Rin e Minato.

— Então, serei a última. — abri os olhos com convicção.

— Se irá fugir, tudo bem. — Jiraiya-sensei se levantou e puxou algo de uma bolsa. — Mas, leve isso com você. — Em suas mãos estava a bandana da vila. — Por mais que renegue, para mim, você sempre será uma shinobi da Folha.

Flashback Off

— Esse não é mais meu nome. — suspirei, tocando na bandana amarrada em meu braço, aquela que agora havia um risco, tentando conter as emoções que insistiam em aparecer. Eu já não era mais aquela garota ingênua de anos atrás. Eu era uma ninja renegada da folha, caçada pela mesma, aluna de um dos Sannins Lendários e dona de um dos nomes mais temidos pelos shinobi de outras vilas. — Eu agora me chamo Yasu.

Capítulo 1

O encontro com Jiraiya estava em minha mente. Algumas palavras ditas por ele ainda me cercavam e minha cabeça latejava.
Eu precisava descansar, mas eu já estava atrasada por volta de três dias. Naquele ponto, eu já não sabia se Deidara e Sasori haviam conseguido capturar o Jinchuuriki de Sunagakure.

Segui meu caminho até a vila da areia, mas minha intuição dizia que já não era mais até lá que deveria ir.

Quando o clima foi alterado e a floresta se transformou num deserto, eu percebi que havia chegado onde queria.
Caminhava lentamente sobre as areias quentes do local, tentando não dar na cara de que eu queria entrar na vila, mas sim que estava apenas de passagem.

Durante a caminhada, sinto uma movimentação estranha pelos arredores. Com um jutsu de teletransporte fui para um lugar mais escondido, já demarcado por mim para usar em momentos assim, onde pudesse observar com clareza quem eram aqueles que se aproximavam.

— Sensei, vamos ter outra missão quando chegarmos à Konoha? — uma voz alta e um tanto rouca perguntou. Ótimo, mais ninjas da folha.

— Naruto, depois de tudo isso, você já quer sair em outra missão? — levantei meu olhar para observar melhor. Uma garota de cabelos rosados, presos por uma bandana da vila, se referiu ao menino loiro que caminhava ao seu lado. — Nosso objetivo agora é deixar Gaara à salvo em sua vila, e quando voltarmos, Tsunade-sama nos dirá se teremos outra missão. — seu tom de voz era alto, mas não estressado. — Vamos cumprir esta aqui primeiro, antes de pensarmos em outra.

— Sakura está certa, Naruto. — quando meus olhos encontraram o dono da voz, fora como ser atingida por uma kunai no meio das costas. Eu não esperava por aquilo, não esperava ver tantos rostos conhecidos num intervalo tão curto de tempo. — Temos coisas mais importantes para resolver agora. — os cabelos brancos e a bandana cobrindo o olho esquerdo me faziam ter ainda mais certeza de quem era. Seu corpo era apoiado por outro ninja, esse também conhecido por mim. Eram eles, eu não tinha dúvidas: Kakashi e Gai.

Então, se aqueles eram meus antigos colegas de academia, aquele que estava com eles era o filho de Kushina e Minato. Sabia que aqueles cabelos loiros e arrepiados me remetiam à alguém.

Flashback On

— Eu não consigo. — minha respiração era ofegante. Com as mãos apoiadas no joelho, eu encarava o chão. Eu nunca conseguiria completar aquele jutsu.

— Como sabe que nunca conseguirá? — o homem tinha um sorriso no rosto. — Está em seu sangue, Kin. — meu olhar levantou calmamente, encontrando o de Minato. — Você é a única que pode superar seu bisavô.

Não sabia ao certo qual o nível de persuasão de Minato-sensei, mas aquelas palavras foram extremamente necessárias para que eu, apenas uma genin, me sentisse forte o suficiente para completar um jutsu difícil como aquele.

— Eu vou conseguir! — com convicção, levantei meu corpo, e com o pouco de chakra que me sobrava, montei os selos em minhas mãos. Meus olhos estavam fechados, mas eu me mantinha alerta. Um vento cortante passou por meu corpo, junto à uma sensação estranha, algo como um embrulhar de meu estômago. Aparentemente algo diferente havia acontecido, era a primeira vez que sentia aquilo.

em>— Kin! — ouvi meu nome ser chamado a uma distância considerável. Ao abrir meus olhos, percebi que estava do outro lado da margem do rio onde costumava treinar com Minato. Instantaneamente fiquei assustada, mas ao olhar para para uma das minhas kunais fincadas no chão, eu percebi que o jutsu tinha sido completo. Eu havia me teletransportado. — Você conseguiu! — Minato tinha um sorriso gigante no rosto. Era o orgulho de ver uma técnica tão difícil como aquela, ser finalizada por uma simples genin como eu.

O sorriso em meu rosto era impagável. Sabia que daqui alguns minutos eu correria até Jiraiya-sensei e Kakashi para contá-los sobre o meu feito.

— Hoje conversarei com o Hokage e pedirei para que ele o transforme em chunin. — Minato apareceu em meu lado subitamente, me fazendo dar um pulo para trás. — Vamos voltar para a vila, seus amigos devem estar te esperando.

Flashback Off

Por que aquelas lembranças estavam surgindo tão frequentemente? Não era como se eu sentisse saudades de Konoha.

Minha respiração estava pesada e meus olhos fechados. Eu precisava manter meu foco, eu tinha uma missão.

Enquanto recuperava minha sanidade, um gavião voava baixo no céu. Talvez um mensageiro.
Em rasante, a ave veio para perto de mim é em suas garras havia um pergaminho. Eu estava certa, era uma ave mensageira. Mas, havia muito tempo que não recebia uma dessas.

Ao abrir a mensagem, percebi uma caligrafia ainda não conhecida por mim, mas uma assinatura da qual estava familiarizada.

“Encontre-me no esconderijo de Orochimaru. O mesmo precisa de seus serviços.

-Kabuto.”

Suspirei. O que Orochimaru-sama queria comigo dessa vez?

Enrolei o papel novamente e o coloquei em meu bolso, mandei a ave ir embora, e utilizando a Técnica do Deus Relâmpago, cheguei em alguns segundos na caverna onde Orochimaru se escondia.

— Rápida como sempre, Yasu. — Kabuto sorriu fraco e eu rolei os olhos.

— Sabia que deixar um selo nessa parede seria útil em algum momento da vida. — apontei para a marcação na rocha. — O que Orochimaru-sama precisa?

— Venha comigo. — o rapaz, que estava um pouco mais à frente, começou a caminhar e eu o segui. — Não sei se ficou sabendo do que aconteceu com Orochimaru-sama. — Kabuto falava e eu apenas murmurava em resposta. — Hiruzen o deixou sem os movimentos do braço ao tentar o selar com o Shinigami.

— Orochimaru-sama está doente? — meus olhos arregalaram e um misto de tristeza e surpresa tomou conta de mim.
Por mais ruim que o Sannin Lendário fosse, ainda fora ele quem cuidou de mim ao fugir de Konoha.

— Mas, não é por isso que ele a chamou aqui. — o ninja espião, e braço direito de Orochimaru, abriu a porta de um quarto. — Deixarei que ele mesmo explique.

Ao entrar no cômodo, vi meu sensei deitado numa cama grande, ao seu lado vários remédios e artefatos médicos, que provavelmente eram manuseados por Kabuto. O ninja sorriu ao me ver.

— Yasu. — sua voz fria soou. — Você está diferente. — pude ver seus olhos analisando cada parte de mim. A última vez na qual havia o encontrado, fora quando tinha apenas vinte anos. Agora, com vinte e nove, eu realmente havia mudado. — Menos seus cabelos e marcas. — seu olhar agora estava fixo em minhas mechas cinzas e as leves linhas vermelhas em minha bochecha. — Cada vez mais parecida com seu bisavô.

— Orochimaru-sama. — me curvei rapidamente, em respeito. — Eu soube do ocorrido. — levantei meu tronco novamente. — Com o que posso ajudar?

— Quero que conheça uma pessoa. — seu tom de voz sempre era calmo e sereno, como quem não se preocupava com o que acontecia à sua volta. — Acho que irão se identificar em muitos aspectos. — olhou para Kabuto, acenando positivamente com sua cabeça. Então, o rapaz se retirou da sala. — Quero que o ajude e o observe.

— Ele tem… — perguntei, e logo fui interrompida.

— Sim, ele tem a marca da maldição. — concluiu.

— Então, por que não chamou outro de seus ninjas para observá-lo? Eu estava numa missão. — tentei não alterar meu tom de voz, mas eu não estava conseguindo acreditar que seria retirada de uma missão importante para virar professora de um fedelho qualquer. — Você sabe que aqueles que têm a marca ajudariam ele melhor que eu. — bufei. Eu era uma das únicas ninjas treinadas por Orochimaru que não possuía a marca.

— Ele irá pegar sua missão. — Orochimaru-sama sorriu fraco. — Ele também está atrás da Akatsuki. Mais especificamente, de apenas um membro. — A porta atrás de nós fora aberta e, então, senti que não apenas Kabuto, mas outra pessoa estava a entrar. — Chegaram bem na hora.

Virei meu corpo, e pude observar o rapaz ao lado de Kabuto. Ele era alto e tinha longos cabelos negros, carregava consigo uma espada de lâmina longa e tinha parte da camisa aberta. Perto de seu pescoço eu conseguia ver com perfeição a marca deixada por Orochimaru.
Aquele garoto me passava uma sensação já conhecida.
Como se portava, a maneira que seus olhos me observavam com calma e o jeito que encarou minha bandana, fez com que eu logo soubesse de onde era. E, quando finalmente juntei todas as peças, percebi com quem precisaria lidar.

— Um Uchiha. — sussurrei, porém meu sensei escutou com clareza.

— Exato. — Orochimaru disse. — Este é Uchiha Sasuke. Um ninja da folha e renegado, assim como você. — minha respiração pesou. Os Uchihas não eram fáceis de lidar e minha família nunca tivera um bom relacionamento com eles. Aquilo seria uma verdadeira missão. — Não quero que o treine diariamente, mas quero que seja a pessoa que esteja disponível para ajudá-lo quando possível. — comentou e eu me virei em sua direção. — Quero que trabalhe em uma missão um pouco mais difícil agora, Yasu. — sua voz ficou mais pesada e profunda.

— Qualquer coisa, sensei. — disse, por mais relutante que estivesse àquilo.

— Deixarei Sasuke encarregado de me trazer informações sobre a Akatsuki. — respirou pesadamente e eu pude sentir a raiva subir por meu corpo. Como um garoto de só dezesseis anos seria capaz de espionar uma organização Rank-S como a Akatsuki? — Você… — Orochimaru me encarou por alguns segundos. — voltará para Konoha.

— Impossível! — gritei. — Serei morta. — ri sarcasticamente.

— Não será. — meu sensei disse com convicção. — Sua tia nunca deixaria isso acontecer. — fechei os olhos e respirei fundo.

Flashback On

— Como estão as coisas na vila? — perguntei à Jiraiya, que ainda tinha um olhar surpreso ao me ver.

— Ah, estão bem. — comentou. — Tsunade é Hokage agora. — um sorriso surgiu em seu rosto.

— Eu soube disso. — cruzei os braços e acenei a cabeça em um falso desgosto.

— Ela sente sua falta, Kin. — respirou fundo. — Cogitou tirar seu nome do livro de procurados. — riu fraco e eu franzi o cenho. — Agora ela tem poder pra isso.

— Eu não voltarei. — falei convicta de minha palavra.

— Sabe, Kin — Jirayia ajeitou seus pertences e se virou para continuar seu caminho.—, nunca diga nunca.

.
Flashback Off.

— Parece que você já sabe disso. — Orochimaru continuou. — Mas seu nome não está mais no livro. — abri meus olhos lentamente e o encarei. — Você será minha espiã na Vila da Folha e me trará informações a cada quinze dias. — Kabuto apareceu ao meu lado com uma bandana da vila, dessa vez uma que não estava riscada. — A partir de hoje, você é novamente Senju Kin, shinobi da folha.

Concordei, com muito pesar. Eu não sabia como seria voltar até lá depois de tantos anos. Mas, eu sabia que seria capaz de completar essa missão perfeitamente, como todas as outras. Afinal, eu era uma das ninjas mais fortes da minha geração.

— Não, eu não sou Kin. Não mais. — retirei a bandana riscada de meu braço e amarrei aquela que me foi dada por Kabuto. — Mas tomarei essa identidade para o bem da missão. — apertei o nó e encarei meu sensei pela última vez, antes de me teletransportar para a floresta.

 

 

Capítulo 2

Mais uma noite naquela floresta, esperando o momento no qual a pessoa que eu aguardava chegaria. Mas nada aconteceu até o momento no qual comecei a pegar no sono e senti uma presença.
Com minha kunai em mãos, me preparei para um ataque.

— Calma, sensei, ainda não estou pronto para morrer. — o garoto se aproximou, sentando-se ao meu lado em uma das árvores. — Por que me chamou?

— Já o disse que não existem mais motivos para me chamar assim. — bufei. — Há dois dias Orochimaru me deu uma missão. — suspirei. — Voltar à Konoha. — ajeitei meu corpo e olhei para o rapaz ao meu lado, que tinha surpresa no olhar, e parecia que a qualquer momento perguntaria mais sobre. — Mas, não é para falar sobre isso que lhe mandei um chamado. — voltei a olhar para frente. — Seu irmão está com Orochimaru. E me parece que está atrás de você. — os olhos do homem fecharam e pude sentir sua respiração pesada. — Itachi?

— Eu já esperava por isso, . — sua voz tinha pesar. — Mas, não há nada que eu possa fazer. — levantou-se de onde estava. — A única coisa que eu peço à você, como uma velha amiga… — seus olhos me encararam e eu senti meu corpo arrepiar. — faça com que ele consiga me derrotar.

— Mas, Itachi… — antes de eu terminar, o mesmo se desfez na forma de vários corvos e partiu para outro local.

Flashback On

A árvore no centro de Konoha era um ótimo lugar para ler um bom livro e apreciar a vista das crianças correndo pela rua.

-sensei! — o pequeno prodígio Uchiha se aproximou, fazendo com que eu parasse minha leitura. — Olha só! — o garoto pegou o seu mais novo colete e levantou em minha direção. — Agora eu sou um chunin! — ele tinha um sorriso no rosto, o que alegrou meu coração.

Parabéns, Itachi. — sorri fraco. — Sempre soube que conseguiria.

Você está bem, sensei? — o menino perguntou e eu apenas concordei com um aceno. Mas Itachi não era burro, ela sabia que eu estava escondendo algo. — Vou acreditar, por enquanto. — ele apontou para mim e piscou um olho. — Estou indo para casa. Vejo você amanhã? — ele vestia o colete, animado com seu novo cargo.

Talvez sim. — sorri sem mostrar os dentes e ele seguiu seu caminho.</em

Flashback Off

Aquela era uma das lembranças que tinha do meu último dia em Konoha.
Aos 18 anos, Jounin, com alguns de meus alunos sendo intitulados Chunin, bons amigos e uma boa casa. Talvez, pessoas ainda se perguntem o motivo para minha partida. Mas o que realmente importa é que eles existiram e eu nunca soube lidar muito bem com eles.

Hoje, um dos meus alunos é um dos nukenins mais procurados pela Folha. O homem que massacrou todo seu clã em apenas uma noite.

Quando soube do paradeiro de Itachi pela primeira vez, meu coração doeu. Por mais que eu tenha ido contra a aldeia, eu não esperava que ele fosse fazer o mesmo.

Flashback On

Akatsuki? — perguntei, confusa. — O que é isso? — cruzei os braços. — E que roupas são essas?

Tem certeza que essa é a ninja de quem Pain estava falando? — um cara de aparência estranha e um pouco sombria perguntou.

Eu tenho certeza absoluta, Sasori. — Itachi o respondeu com rispidez. — Akatsuki é uma organização que têm como objetivo trazer a paz para o mundo shinobi.

Eu creio que não. — franzi o cenho. Claramente eles eram criminosos, todos naquela sala, incluindo eu, tínhamos nossas bandanas riscadas. — O que vocês querem comigo?

Queremos você na Akatsuki. — o homem que a pouco descobri se chamar Sasori, foi rápido em sua resposta.

Não, obrigada. — sorri, cínica.

Qual o seu nome, gracinha? — ele continuou, com o mesmo nível de cinismo.

. — assim que falei, o rosto de Itachi tomou um semblante de dúvida. — Esse é meu nome.

Por que recusaria uma oportunidade para ganhar dinheiro? — perguntou.

Eu não curto trabalhar em equipe. — dei de ombros. —- Mas agradeço o convite. — sorri fraco. — E, antes de partir, devo dizer… — encarei meu antigo aluno por um tempo. Havia dor em meu coração, e também em seus olhos. — Você está crescido, Itachi. — e após um sorriso singelo do rapaz, eu me teletransportei.

Flashback Off

Por ser oito anos mais velha que Itachi, o rapaz sempre tivera um respeito enorme por mim. Não apenas porque fui sua Sensei na academia, mas porque eu fui uma das únicas fora do Clã Uchiha que o apoiou.
Atualmente Itachi é muito mais forte e poderoso que eu, mas isso não o impede de me respeitar como sua eterna sensei.

Agora, ele havia deixado em minhas mãos, a chance de ajudar seu irmão à derrotá-lo. E aquela, com certeza, seria uma tarefa dolorosa.

A noite passou rapidamente e, quando percebi, o sol já estava brilhando no céu. Aquela era minha deixa, precisaria continuar minha viagem.

Depois de longos quilômetros caminhados, somados a mais alguns dias de viagem, finalmente havia chegado à Konoha. Mas, eu não poderia entrar pelo portão principal, com certeza todos os guardas sabiam sobre mim e mesmo com meu nome fora do livro, de acordo com Orochimaru, eu não poderia confiar, ou seria morta.

Usei das minhas habilidades de espionagem para entrar por alguns lugares mais escondidos da vila. E quando finalmente consegui, vesti meu capuz e fiz meu caminho direto ao escritório da Hokage.

Pela bandana em meu braço, aquela dada por Kabuto, eu não era parada ou investigada. Afinal, eu era apenas uma ninja qualquer da folha.

Assim que cheguei ao escritório, prestes à bater na porta de cor verde, a mesma se abre, dando espaço para um garoto de cabelos pretos amarrados num rabo de cavalo alto. Seu colete indicava que ele era Chunin. Sua aparência e calmaria me lembravam muito a de Nara Shikaku. Talvez ele fosse um membro do tal clã.

Seus olhos me encararam por alguns segundos e sua testa franziu.

— Eu te conheço? — perguntou, apontando levemente para mim.

— Não! — fui rápida com a resposta, e antes que aquela conversa pudesse continuar, entrei no escritório, deixando o garoto para trás.

Ao entrar, Tsunade estava concentrada olhando uns papéis. Shizune, ao seu lado, tinha um olhar chocado ao me encarar. Não conseguia, ao menos, proferir uma palavra.

— Alguma coisa à mais, Shikamaru? — Tsunade falou, provavelmente achando que quem estava ali ainda era o rapaz que me parou na porta um pouco antes.

— Na verdade, é . — falei. Ela levantou o olhar, surpresa. Tirei o capuz com calma e Tsunade não soube como reagir. Seus olhos marejaram, mas seu corpo se manteve rígido atrás da mesa. — Soube que meu nome foi retirado do livro bingo. — cruzei os braços e ela engoliu seco.

— Sim. — pigarreou. — Eu mesma o retirei. Não acredito que seu crime tenha sido tão grave a esse ponto. — deu de ombros. — E outra, você foi embora da aldeia porque quis. Ninguém a expulsou. — encostou na cadeira, fazendo-a reclinar um pouco. — O que faz aqui?

— Eu vim pedir uma segunda chance. — respirei fundo. A partir dali, seria dado início ao plano de Orochimaru. — Eu quero voltar à Konoha.

 

Capítulo 3

Eu não esperava que Tsunade respondesse tão rápido ao meu pedido. Ouvi-la dizer sim em menos de dois minutos foi uma surpresa.

Porém, era claro que haveria condições para que eu continuasse por lá. Tsunade sempre fora muito tradicional em relação ao nosso clã. Comigo de volta à Konoha, havia dois dos Senju por lá: eu e ela.

Então sua condição foi: continuar estabelecendo o papel de nosso clã em Konoha. Isso, de certa forma, era bom para minha missão, pois o clã Senju sempre fora muito conectado à política e à criação de jutsus, e isso seria uma boa maneira de coletar informações para Orochimaru.

A casa onde eu estava era a mesma onde morei por toda minha vida. Foi nostálgico ver que nada havia sido retirado dali.
Na cabeceira, dois porta retratos, um onde eu estava abraçada à Itachi no momento de sua formação na Academia, ambos tínhamos sorrisos largos. No outro, uma foto minha ao lado de Minato e Kushina. Era uma foto da minha cerimônia Senzo Denrai, onde todas as informações e segredos dos Senju seriam gravados em minha memória.

Flashback On

— Você precisa se apressar, . Se não perderá a cerimônia, né? — Kushina se aproximou, ajeitando meu cabelo rapidamente. — Minato já está esperando por você.

— Tem certeza que não consegue ir agora? — perguntei, fazendo uma feição triste e a mulher riu.

— Sim, mas chego em breve. Ainda tenho que organizar umas coisas por aqui. — ela concluiu. — Vai logo, garota. Seu sensei te espera. — começou a dar batidinhas em meu quadril, junto com algumas risadas.

Saí da casa de Kushina e caminhei até o salão de cerimônias. Chegando lá, Minato-sensei me aguardava ao lado de Jiraiya e Hiruzen-sama. Todos me cumprimentaram com um abraço apertado.

— Eu sempre soube que você seria capaz de superar seu bisavô. — Minato comentou, com um sorriso orgulhoso nos lábios. — Você, realmente, é a única capaz de carregar os segredos do seu clã. — me puxou para mais um abraço. — Estou orgulhoso de você, . — aquele era o sentimento paterno do qual eu sentia falta, mas sempre era suprido ao lado de meu sensei.

Flashback Off

Agora que já estava instalada em Konoha, antes de começar a coleta de informações, eu achei prudente visitar a vila e ver tudo aquilo que mudou.
Desci as escadas, indo para rua. O capuz ainda era um companheiro, não gostaria de encontrar muitos conhecidos no momento.

Passei por vários lugares onde costumava sair com meus antigos amigos. Inclusive o Ichiraku. Assim que passei por ali, vi que aquele mesmo garoto que estava na sala de Tsunade, sentado ao lado de mais dois ninjas.

Me aproximei devagar, sentando-me em um dos bancos da barraca. Olhei para o dono do estabelecimento, pedi um lamen com porco e abaixei meu rosto.
Os jovens conversavam animadamente, então, não notaram minha presença. Porém, parte do meu plano era me infiltrar de fato na Vila. Isso incluía conquistar todos, até os chunins.

— Shikamaru, não? — falei, ainda olhando para baixo. As vozes se calaram subitamente.

— Sim. — o garoto respondeu, com um tom duvidoso. — Você não é a mulher do escritório da Hokage?

— Muito esperto, garoto. — abaixei o capuz, o revelando à ele, pela primeira vez, meu rosto por completo. — Eu sou Senju . — sorri, simpática e percebi a surpresa no olhar dos três ninjas. — Pelo que me parece vocês são uma equipe, não? — os três acenaram positivamente. — Isso significa que você é filho de Shikaku. — apontei para o menino do clã Nara. — Você, filha de Inoichi. — me referi à menina de roupas roxas, ao lado de Shikamaru. — E, você, filho de Chouza. — sorri para o último rapaz, que tinha um pacote de batatas em mãos. — E juntos são Ino-Shika-Cho. — os três franziram o cenho.

—Como você…? — a garota perguntou, gaguejando.

—Morei aqui por muitos anos. — ri fraco, pegando meu lamen que acabara de ficar pronto. — Quem foi sensei de vocês?

—Sarutobi Asuma. — O filho de Chouza respondeu e eu sorri.

—Asuma, né? — sorri. — Como ele está? Kurenai e ele finalmente se assumiram? — brinquei, mas os três fizeram um semblante triste. — O que aconteceu? — perguntei.

—Um membro da Akatuski o matou em batalha. — Shikamaru falou, em tom de voz pesado.

—Qual deles? — perguntei, suspirando. Não acredito que Asuma havia morrido tão jovem.

—Hidan. — a Yamanaka respondeu. — Mas Shikamaru já deu um jeito nele. — falou, com orgulho do amigo e eu sorri.

—Finalmente alguém conseguiu, aquele cara era insuportável. — pisquei, terminando o meu prato. — Preciso ir. Foi um prazer.

—Espera. — Shikamaru falou. — Você foi shinobi daqui, não é? — assenti, aquele garoto sabia mais coisas sobre mim, eu tinha certeza. — Você sabe como é perder um sensei? — perguntou, pressionando os lábios e eu, novamente, acenei em concordância. — Quem foi seu sensei? — sorri fraco e apontei para o monte dos Hokages.

—Namikaze Minato. — falei. — Eu não treinava em trio como vocês, então Minato e sua esposa me tratavam como uma filha. — suspirei pesadamente. — Então, eu perdi muito mais que só um Sensei. — ele sorriu em compaixão. Nós compreendíamos as dores da perda.
Sorri de volta e me afastei do trio. Aquela não seria a última vez que os veria, aquilo era um fato.

Segui em frente, ainda com a imagem de Minato e Kushina em mente.

Flashback On

, todos clãs tem seus prodígios, e você é o prodígio do seu. — o terceiro Hokage falava calmamente. — Você é a única capaz de superar Tobirama. A única que herdou seus jutsus e natureza de chakra. — sua voz era rouca e falhada. — Por isso, você não treinará em grupo. Você será treinada separadamente por Minato. Ele a ensinará tudo que precisa. — concluiu.

—Incluindo a técnica voo do Deus Relâmpago. — Minato, que estava em pé ao lado de Hiruzen-sama, falou e eu torci o lábio. — Nada de fazer essa carinha, . Você é uma ótima ninja, conseguirá dominar esse jutsu em breve. — sorriu. — Está em seu sangue.

Flashback Off

Entrei no cemitério de Konoha, onde haviam os túmulos e pedras memoriais. Eu não tinha flores, muito menos algo especial para colocar ali. Mas, aquela era a primeira vez em onze anos na qual eu voltava para a Vila e passava ali para visitar meu sensei.

Estava me aproximando da pedra memorial dos Hokages, até que uma voz já conhecida soou. Olhei para o lado e lá estava ele; Maito Gai, conversando com seu pai, ou melhor, com a lápide dele. Sorri ao ver a cena. O homem sempre fora muito emotivo e intenso.

—Sempre chorando, Gai. — me aproximei e ele olhou para mim assustado. Por cinco minutos me encarou sem proferir uma palavra, mas assim que sua ficha caiu e percebeu que sim, era eu, começou a chorar ainda mais.

— Eu não acredito que é você, ! — ele chorava escandalosamente. — Eu sempre soube que você voltaria. — me puxou para um abraço, que me fez gargalhar. Ele sempre fora a pessoa que me tirava da minha bolha antissocial é trazia a tona meu lado mais infantil, ou como ele dizia: meu lado mais jovem.

— Você não mudou nada. — brinquei, me afastando do abraço.

—Essa é a força da juventude. — sorriu largamente e eu retribuí.

—Então vamos ver se você ainda me ganha na corrida. — cruzei os braços. — Mas a regra oficial é…

—Correr usando as mãos! — Gai gritou e eu sorri. — Vamos! — ele correu para fora do cemitério e eu o acompanhei. Paramos no gramado que havia ali em frente, plantamos nossas bananeiras e começamos a correr.

Era incrível como ele realmente trazia meu lado mais bobo para fora. Era como se eu nunca tivesse me afastado dele.

Corríamos alegremente até que alguém se aproximou. Inicialmente, consegui ver apenas os pés da pessoa.

— Gai, eu não sei o que está fazendo, mas eu vou entrar no cemitério e na volta a Hokage pediu para passarmos em seu escritório. Diz ela que tem uma novidade para contar. — ao ouvir aquela voz, meus braços perderam a força e eu caí. Mas não fora um tombo qualquer, foi um daqueles bem feios no qual a pessoa fica toda ralada no fim. Ao menos, não havia quebrado um osso.

—Sempre soube que ganharia! — Gai ficou em pé novamente, comemorando. — Ah, claro, deixe-me te ajudar. — estendeu sua mão para mim e eu segurei. — Eu preciso te apresentar meu discípulo, você vai amá-lo! — ele falou animado e eu sorri, concordando.

—Creio que eu seja a novidade. — levantei batendo em minha calça, para tirar a poeira. — Oi, Kakashi. Quanto tempo. — sorri fraco.

. — foi a única coisa que falou. Seu olho direito estava arregalado e sua respiração pesou, pude perceber que, assim como eu, ele não sabia como reagir àquele momento.

—Nós não tínhamos que ir até a Hokage? — Gai comentou ao fundo, mas eu e Kakashi não prestamos atenção, nossos olhares ainda estavam chocados com o encontro.

—Você… — ele engoliu seco. — voltou.

 

Capítulo 4

Flashback On

, onde vai correndo desse jeito? — Jiraiya-sensei perguntou assim que passei por ele numa velocidade consideravelmente alta.

Preciso acordar o Kakashi. — gritei e ele sorriu, continuando seu caminho.

Continuei correndo até a casa de meu amigo. Gai vinha logo atrás de mim. De certo, aquilo não era uma competição, mas basicamente tudo entre eu e Gai era considerado uma.

Logo que chegamos à casa de Kakashi, percebemos que as luzes estavam desligadas. Uma resposta de que havíamos chegado à tempo de fazer a surpresa.

— Um, dois, três e… — Gai sussurrou em minha direção.

Parabéns para você, nesta data querida…! — começamos a cantarolar e fomos atingidos por uma almofada voadora, que o próprio aniversariante atirou em nossa direção. — Eu não acredito que fez isso! — disse, indignada. — Você vai pagar por isso! — peguei outra das almofadas e joguei em Kakashi, que se levantou rapidamente começando uma guerra de travesseiros.

Era bom vê-lo sorrindo após a morte de Obito e Rin. Eu não sabia o sentimento de perder um companheiro de equipe, mas tinha compaixão para compreender o que meu amigo estava sentindo.

— Preciso deixar vocês por aqui. — Gai falou, interrompendo a guerra. —, mas eu tenho uma missão hoje. — seu semblante estava decepcionado.

— Não se preocupe, Gai. — sorri e levantei o dedão em um “joinha”. — Farei com que Kakashi tenha o melhor aniversário do mundo.

Nosso amigo se retirou do local, deixando apenas nós dois. Kakashi caminhou em direção ao banheiro para se ajeitar e sair.

— Então. — falei. — Quinze anos. O que pretende fazer agora? — cruzei os braços enquanto o garoto amarrava sua bandana e subia sua máscara em frente ao espelho.
Um fato curioso é que: eu era a única pessoa da qual Kakashi não escondia o rosto.

— Talvez o mesmo de sempre. Continuar na Ambu. — deu de ombros. — Soube que se tornou Jounin também. — olhou em minha direção, sorrindo.

— Sim, faz um ano que estou treinando um jovem. — sorri fraco.

— Hm, então você agora é -sensei? — brincou e eu mostrei a língua para ele, que apenas riu e se virou para mim. — Vamos? — perguntou. — Que tal um almoço no Ichiraku para comemorar o dia de hoje?

Flashback Off

Depois de nos dispensar de sua sala, Tsunade solicitou que Kakashi me acompanhasse pela vila e me mostrasse o que havia mudado e o que não havia.

Caminhávamos lado a lado. Ambos escondendo nossos rostos. Nenhuma palavra era proferida, diferente de anos atrás, quando conversávamos a cada cinco segundos.

Kakashi sempre fora um ninja quieto e misterioso. Porém, ao meu lado sempre era diferente. Gostaria que ele começasse a falar um pouco mais. Assim seria mais fácil para a minha missão ser completa.

— É aqui onde os nossos alunos costumam ficar para passar o tempo. — mostrou uma área de lazer, que provavelmente fora construída recentemente, já que não a conhecia. — Venha, quero apresentá-la para alguns deles.

Nos aproximamos dos jovens e eu tirei o capuz. Alguns, mais observadores, me encararam com curiosidade. Talvez pelas marcas no rosto idênticas aos do segundo hokage, talvez por apenas ser uma pessoa diferente.

— Kakashi-sensei! — um deles falou, com uma voz alta e clara. Ele tinha um cachorro ao seu lado e presas vermelhas no rosto. Clã Inuzuka, com toda certeza.

— Pessoal, essa é Senju . — apontou para mim e eu acenei, um pouco envergonhada. — antiga shinobi e sensei da folha.

— Antiga? — a menina com o Byakugan perguntou, envergonhada.

— Ah, fui renegada por um tempo. — falei e eles me olharam com estranheza. — Fiquem calmos, não cometi nenhum crime grave. — sorri e eles suspiraram aliviados. — Bom, o que acham de se apresentarem? Talvez possamos sair em missões futuramente, gostaria de conhecer os novos prodígios dessa aldeia. — sorri e pude perceber que Kakashi me observava a cada momento de minha fala.

— Eu sou Inuzuka Kiba. — o menino que apresentou-se primeiro era exatamente quem achei que seria.

—Hyuga Hinata. — a outra menina sorriu.

—Aburame Shino. — o misterioso rapaz falou e eu sorri o cumprimentando.

—Vocês três eu conheço. — apontei para o trio que havia conhecido mais cedo no Ichiraku. — Mas, ainda não sei o nome de vocês dois. — apontei para os outros integrantes do grupo de Shikamaru.

—Sou Ino, e esse é o Choji. — a garota apresentou os dois ao mesmo tempo.

— Bom, acho que terminamos por aqui. — Sorri. — Obrigada por isso. Espero ver vocês em breve. — dei meu melhor sorriso e me virei para Kakashi.

Um grito surgiu de longe, fazendo a atenção de todos ir em direção à ele.

— Kakashi-sensei! — a mesma menina de cabelo rosado que estava no deserto, carregava Naruto pela gola da camisa. — Perdão pela intromissão. Naruto veio correndo quando os viu, mas ele ia ser inconveniente como sempre. — ela ofegou e virou seu olhar para mim. — Haruno Sakura. — sorriu simpática em minha direção e eu fiz o mesmo.

— Senju . — falei.

— Senju? — Naruto falou. — Como a vovó Tsunade? — ri pela maneira que o garoto se referia à mulher.

— Sim, ela é minha tia. — sorri para o jovem, que já havia sido solto das mãos de Sakura.

— Então você também é uma ninja médica? — a menina perguntou curiosa e eu neguei.

é uma ninja de jutsus únicos. — Kakashi comentou e todos voltaram sua atenção à ele. — Além de ter sido uma excelente sensei em sua época, e ter sido aluna de Minato, é a única Senju que herdou todos os jutsus do segundo hokage. Ela é uma das melhores ninjas que a folha já teve. — não pude conter minha feição surpresa. Eu não esperava que Kakashi fosse tecer tantos elogios à mim dessa forma.

O encarei por alguns segundos, ainda sem fala, e apenas sorri.

— Você foi sensei? — Naruto perguntou curioso. — Alguém que conhecemos foi seu aluno? — aquele garoto era definitivamente a cara de Minato, com a personalidade de Kushina. Sorri ao perceber um pouco de cada um daqueles que me ajudaram nele.

— Isso é assunto para outra hora. — disse, colocando uma das mãos na cintura.

—Uchiha Itachi. — a voz de Shikamaru soou e eu respirei fundo. — Você foi a sensei dele, não é? — perguntou, um tanto afrontoso.

—Você faz jus à seu clã, Shikamaru. — sorri, ao me virar em sua direção. — Você é muito inteligente. — foi apenas o que falei, antes de encarar Kakashi pedindo para que continuássemos à caminhar.

Depois de alguns minutos, chegamos à um lugar onde conseguíamos observar o lago da vila com clareza.

— Você é o Sensei do filho de Minato? — perguntei, enquanto jogava algumas pedras na água. Kakashi não disse uma palavra sequer, apenas concordou. — Você sabe que pode falar comigo, não é?

, fazia onze anos que eu não tinha notícias de você. — suspirou. — Não espere que eu a receba com flores e bombons. — disse, sarcástico.

— Não perdeu mesmo o senso de humor. — sussurrei e ele meneou em negação.

—O que você quer aqui? — virou em minha direção, me encarando.

— Cansei de fugir. — disse. Eu precisava mentir até conseguir extrair todas as informações necessárias sobre o armamento e combinações de jutsus secretos de Konoha. — Vem comigo. — estendi minha mão para o homem, que relutou. — Vem, quero que você veja uma coisa. — depois de alguns segundos, Kakashi cedeu e uniu sua mão à minha. Usando a técnica voo do deus relâmpago, nos teletransportei.

—O que? — Kakashi perguntou, assustado. Até que começou a olhar à seu redor. — Aqui é o monte Hokage. — olhou para baixo. — Esse é…

— Meu bisavô. — ri fraco e ele ainda estava surpreso. — Olhe embaixo de seus pés. — o homem chegou um pouco para trás e viu que embaixo dele havia um dos meus selos usados para o teletransporte. Seu olhar se virou em minha direção, um semblante questionativa tomava conta de sua face. — Eu deixei selos espalhados por algumas partes de Konoha antes de fugir. — ele franziu a testa e eu sorri. — Mas, esse aqui é especial.

Flashback On

— Aqui, vem comigo. — Kakashi me puxou e a venda em meus olhos me fazia sentir medo do desconhecido. — Agora sim, tire a venda. — assim que fiz isso, pude ver Konoha por completo. Estávamos no ponto mais alto da vila; o monte Hokage. — Esse é um dos meus lugares favoritos por aqui. — seu sorriso era sincero. — Queria que se tornasse especial para você também.

Olhei para Kakashi com carinho e dei um sorriso.

— A partir desse momento, ele é. — uni minha mão à dele e juntos passamos a tarde observando a Vila.

Flashback Off

, eu… — Kakashi falou, gaguejando um pouco.

— Sim, eu sei. — sorri em sua direção. — Eu também senti falta disso.

—Por que espalhou selos por Konoha? — perguntou curioso e eu suspirei. — Antes mesmo de ir, já pretendia voltar?

— Não. — fui sucinta nas palavras, para não expor muito o que não deveria no momento. — A verdade é que eu nunca pensei em voltar.

— E o que te fez pensar nisso agora? — continuou.

—Há informações que não devem ser compartilhadas nesse momento. — sorri e Kakashi concordou com um aceno. Ele sabia do que eu estava falando. Mesmo que por partes. — O importante é que estou de volta. — falei e ele logo concordou.

— Espero que dessa vez não vá novamente. — e pela primeira vez desde o reencontro, Kakashi falou algo que, ele mesmo aos quinze anos falaria para mim.

— Se eu fugir, pelo menos metade de konoha tem meus selos. — sorri e ele concordou. — Dessa vez não vou embora.

 

Capítulo 5

Depois de todos os acontecimentos das últimas vinte e quatro horas, decidi que seria melhor tirar um tempo para mim. Eu deveria colocar a cabeça no lugar.

Levantei de minha cama ainda um pouco leve por conta do sono, tomei café e me vesti adequadamente. Amarrei a bandana em meu braço e estava pronta.

Decidi usar um de meus selos para realizar um teletransporte até a floresta. Não queria que me vissem saindo pelos portões da aldeia. Assim que cheguei no local marcado, sentei sob a árvore, me encostando em seu tronco.

? — uma voz surgiu, me fazendo abrir os olhos num ato assustado.

— Ah, é só você. — olhei para o garoto, que ainda não conhecia perfeitamente. — Não achei que o veria tão cedo, Sasuke. — o encarei. — E não tão perto de Konoha.

— Há muitas coisas que não sabe sobre mim. — ele mantinha a voz em tom sereno.

— Você me lembra seu irmão. — cruzei os braços. — O mesmo egocentrismo em relação ao seu poder que tinha quando mais novo. — o garoto me encarou com surpresa. — Mas, Itachi ainda era um pouco mais educado que você.

— Como você…? — o garoto balbuciou, ainda sem entender como eu falava com tanta propriedade sobre seu irmão.

— Você quer matá-lo pelo que ele fez e Orochimaru sabe disso, por isso ele pediu para que eu te ajudasse. — dei de ombros me levantando do chão. — Eu sou a única pessoa que sabe como matar Itachi. — Sasuke franziu as sobrancelhas. — Por que eu fui sensei dele.

Flashback On

— Itachi, preciso que se concentre. — falei, me aproximando do menino. — Sei que você é um prodígio e sabe fazer tudo sozinho. — ele riu fraco e eu fiz o mesmo. — Mas, eu ainda sou sua sensei e preciso te ensinar algumas coisas.

— Eu sei disso, .— sensei. — Mas estou animado para o exame chunin e não consigo me concentrar de fato. — rolei os olhos ao ver o garoto agindo de forma estranha.

—Tudo bem, então. — suspirei. — Treine um pouco mais com as shurikens e pode ir para casa. — sorri fraco. — Sei que quer ver seu irmão.

— Acredita que daqui dois anos Sasuke entrará na academia? — ele disse animado e eu concordei. — -sensei, você pode ser professora do meu irmão também?

— Quem sabe um dia, Itachi.

Flashback Off

— Uma Senju treinando um Uchiha? — Sasuke perguntou e eu gargalhei.

— Itachi nunca precisou verdadeiramente de mim. — fiquei frente à frente com o garoto. — Mas, assim como ele, eu era o prodígio do meu clã. — respirei fundo. — Então, eu entendia exatamente a responsabilidade que seu irmão tinha sobre suas costas.

— Ele pegou essa responsabilidade e simplesmente… — pude ver o punho de Sasuke se fechando. Sua fúria estava subindo.

— Agora essa responsabilidade é sua, Sasuke. — olhei em seus olhos. — Assim como seu irmão, você não precisa de mim. — parei ao seu lado e ele inclinou levemente a cabeça. — Aumente seu ódio e mate Itachi.

— Então? — o garoto perguntou.

— Esse foi nosso primeiro e último encontro. — coloquei minha mão sobre seu ombro. — Você sabe o que deve fazer. Eu não o ajudaria em nada. — retirei minha mão e sorri fraco. — Boa sorte, Uchiha Sasuke. — com aquela fala, me despedi do garoto e voltei à vila. Parece que eu só conseguiria descansar e ter um tempo sozinha se estivesse em meu quarto ou num lugar mais quieto.

Decidi ir até à biblioteca de Konoha, talvez lá eu encontrasse algumas coisas interessantes que pudessem me ajudar a retirar informações dos shinobis dali.

Sentei-me perto da seção de História e ali me mantive. Não haviam muitas pessoas por ali, apenas alguns moradores da vila e talvez alguns estudantes. Ninguém com quem devesse me preocupar.

Abri um dos livros intitulado “A História de Konoha” e respirei fundo. Folheei algumas páginas, até chegar onde gostaria.

A história de minha família era um tanto complexa. Meu bisavô e seu irmão foram, basicamente, os maiores Hokages que a Vila já teve.

— Uma coisa me deixa intrigado. — aquela voz calma já era conhecida. Parece que eu não teria um momento de calma onde fosse. — Como seu bisavô agiria sabendo que você foi sensei de um Uchiha?

— Creio que ele nunca saberá, não é mesmo? — olhei para Shikamaru e sorri.

—Você sabe jogar Shogi? — o garoto perguntou sério, e eu acenei em concordância. — Que tal uma partida?

Eu e Shikamaru fomos até a porta de minha casa, onde montamos o tabuleiro do jogo e começamos uma partida. Sabia que aquilo era uma maneira de tentar uma aproximação, principalmente que agora eu não tinha por perto alguém em quem ele pudesse se inspirar, tal qual fazia com Asuma.

O garoto era realmente habilidoso, suas jogadas eram táticas e muito bem pensadas. Por um momento, pensei que ele fosse me ganhar. Mas o que ele não sabia era que a pessoa que me ensinou a jogar Shogi, fora seu próprio pai, Shikaku.

Montei minha jogada, finalizando a primeira partida com uma vitória para mim.

— Isso foi sorte de principiante. — cruzou os braços e semicerrou os olhos.

— Está duvidando muito de mim, garoto. — sorri fraco, por aquele momento ter me remetido à uma cena específica.

Flashback On

— Se você acertar todos os alvos, eu pago o lanche depois do treino. — Itachi pegava as shurikens que estavam presas em alguns galhos de árvore. — Aqui. — correu em minha direção, entregando as armas para mim.

— Tem certeza? — perguntei, rindo para o menino, que apenas concordou com um sorriso amável no rosto. — Prepare a carteira, então. — com um só movimento, lancei as lâminas, que voaram pelo ar com maestria, alcançando perfeitamente o centro de cada um dos alvos do campo de treinamento.

— Essa não valeu, -sensei. — o garoto tinha os braços cruzados em frente ao corpo e um bico gigante no rosto. — Sorte de principiante.

— Você duvida muito de mim, Itachi.

Flashback Off

— Então, jogaremos mais uma partida. — ele sugeriu e eu assenti.

Continuamos nossas jogadas, Shikamaru como sempre muito habilidoso e genial. Mas, não tão estrategista quanto eu.
Finalizei o jogo com mais uma vitória.

—Quando se é orfã numa vila cheia de ninjas habilidosos, alguns te adotam como irmã mais nova, alguns te deixam de lado, alguns te tratam como filha, outros te ensinam a jogar Shogi. — pisquei para o garoto. — Você é exatamente como seu pai.

Shikamaru sorriu fraco e eu me levantei.

— Será que poderíamos jogar mais vezes? — o garoto perguntou e eu o observei. Seu jeito sério, que é facilmente quebrado quando se começa a criar um carinho por alguém, me lembrava de meu velho aluno. Me aproximar de Shikamaru me traria problemas.

Respirei fundo.

— Claro. — Eu provavelmente me arrependeria de minha resposta. Mas, o segredo para que isso não acontecesse era simples e fora uma das promessas que fiz a mim mesma antes de abandonar Konoha: eu nunca mais criaria laços com alguém, principalmente se forem laços parecidos com os que tinha com Itachi; laços de irmandade.

 

Capítulo 6

Algumas semanas haviam passado e hoje era dia de me encontrar com meu sensei. O combinado era procurá-lo na parte da tarde, então aproveitaria a manhã para fazer mais pesquisas.

Duas batidas em minha porta me avisaram que alguém havia chegado. Abri a porta com calma e me assustei ver outro velho conhecido por ali.

— Ebisu? — cocei meus olhos e bocejei. Ainda estava acordando de fato.

— Tsunade-sama pediu para que eu solicitasse sua presença em seu escritório. — ele foi sucinto em suas palavras e eu apenas concordei.

— Me dê cinco minutos. — aquele fora o tempo necessário para que eu tomasse um rápido banho e pudesse correr para encontrar Tsunade.

Ebisu caminhava em minha frente e eu estranhava sua seriedade, normalmente o homem era um pouco mais atirado — de todas as maneiras.

Quando chegamos à sala de Tsunade ele abriu a porta para que eu entrasse, e entrou logo em seguida.

— Me chamou? — perguntei logo ao entrar. A Hokage tinha uma feição preocupada e o queixo apoiado em ambas as mãos.

— Preciso que vá em uma missão. — meus olhos arregalaram. Aquilo iria atrapalhar todos os meus planos de encontrar Orochimaru. — Eu prometi à mim mesma que não a enviaria em missões agora, mas você é nossa única esperança. — suspirou. — Encontramos o três caudas, e enviamos uma equipe de selamento. Mas há comparsas de Orochimaru atacando nossos times. — engoli seco por um momento. Então, o objetivo dele era capturar a três caudas antes da Akatsuki? — Precisamos que vá e acabe com eles. — como eu sabia que Orochimaru-sama não estaria por lá, precisaria arrumar alguma forma de enviar um aviso à ele.

Matar não era um problema. Não conheço nenhuma daquelas pessoas, e mesmo que conhecesse, para o bem de uma missão bem sucedida, mato quem for necessário.

— Me dê as coordenadas.

Como era de se esperar, não demorei muito para chegar ao rio onde estava o três caudas.
Sob as águas vi o grupo de Selamento formado por Shizune, Sakura, Ino e Hinata. Um pouco mais distante, estava um grupo diferente lutando contra três homens que não conhecia, mas que deveriam ser os tais comparsas de Orochimaru.

— Ok. — respirei fundo. — Hora de dar um jeito nessa briga. — cruzei meus dedos a frente de meu rosto. — Kage Bunshin no Jutsu! — esbravejei, e então mais duas de mim surgiram. Abri meus braços e nas costas de cada um dos clones deixei um selo de teletransporte. — Vocês já sabem o que fazer. — ambas acenaram em concordância e partiram para perto do grupo que lutava contra os homens enviados por Orochimaru.

Havia uma névoa espessa envolvendo os shinobi da folha, mas aquilo não seria um problema. Não para mim. Tirei a espada de minhas costas e a empunhei da maneira correta. Mentalmente, me comuniquei com meus clones para que eles unissem dois dos inimigos, um a frente do outro, e assim fizeram.

Hiraishingiri! — E usando dos selos marcados em meus clones, me teletransportei em direção aos inimigos e com minha espada em mãos, acertei os dois num único golpe fatal. A névoa foi se desfazendo e a equipe que ali estava começou a se recompor. — Vocês estão bem? — perguntei ao ver Kakashi, Shino, Sai e Yamato.

—Cadê o Naruto? — Sai perguntou, preocupado.

— Eu vou atrás dele, protejam o time de Selamento. — falei e todos concordaram. — Kage Bunshin no Jutsu! Acho que cinco clones serão o suficiente. — novamente marquei cada um deles. — Dois de vocês vêm comigo, os outros três fiquem com a equipe de Selamento.

Comecei a correr, enquanto os clones me seguiam. Usando a técnica sensorial de meu bisavô, pude sentir o forte chakra de Naruto vindo do Norte. Ao levar meu olhar até onde a técnica sensorial estava indicando, vi que Naruto não estava só. Kabuto estava ali e havia outro dos comparsas de Orochimaru.

Naruto lutava com ele, enquanto Kabuto observava de longe.

— O que está fazendo aqui? — o ninja do som perguntou assim que cheguei ao local.

— O que é isso tudo, Kabuto? — perguntei apontando para toda a cena de batalha. Olhei para Naruto lutando contra o homem e percebi que aquela não passava de uma reencarnação. — Ele está sob o Edo Tensei? — perguntei.

— Não fale como se fosse sua propriedade. — ele grunhiu.

—Esse é um jutsu…

—Da sua família, eu sei. — deu de ombros. — Isso não importa agora, já que Naruto irá morrer.

— Não irá. — falei com convicção, mandando os dois clones que estavam ao meu lado irem ajudar o rapaz. — Naruto, deixa que eu cuido disso! Ajude com o três caudas! — Gritei na direção do garoto, que assentiu e mudou de posição.

— De que lado você está? — Kabuto perguntou sarcástico.

— Preciso encontrar Orochimaru-sama. — falei.

— Agora não será possível. — ele disse e logo desapareceu.

Filho da puta. — falei após ele fugir. Tentei correr pela floresta atrás de respostas, porém ele realmente havia sumido. Nem seu chakra eu conseguia sentir.

Kabuto era o tipo de pessoa que sabia testar meus limites. E, uma coisa da qual as pessoas não estão acostumadas, é me verem com raiva.
Dizem as más línguas que, com raiva, eu fico ainda mais parecida com meu bisavô.

Encostei a mão em uma das árvores da floresta e com apenas o levantar de um dedo a madeira se quebrou.

Com a respiração profunda, senti o chakra de duas pessoas. Dois chakras fortes e já conhecidos.

— Deidara. — gritei e o ninja, que estava atrás de uma árvore, saiu.

— Oi, , quanto tempo. — falou, com a voz afetada.

— Onde está o outro? — perguntei, me referindo ao ninja que o acompanhava.

— Tobi está escondido. — cruzou os braços.

— Kabuto me estressou, então eu dou a vocês a chance de capturar o três caudas antes deles. — apontei para o rosto do rapaz, que deu um pequeno passo para trás. — Mas não tente ferir qualquer um dos ninjas da folha. Entendido? — ele concordou, engolindo seco. — Do jeito que eles estão indo, não conseguirão selar a bijuu tão cedo. — cruzei os braços. — Essa é a única chance que te dou, Deidara.

Flashback On

O ninja renegado da pedra voava em uma de suas obras, enquanto eu me preparava para contra-atacar.

— Você não conseguirá sobreviver à minha arte, . — gritou, junto com uma risada.

Segundos após sua fala, algumas aranhas de argila surgiram ao meu lado.

— Não é dessa vez que você conseguirá, Deidara. — saltei para trás e concentrei meu chakra na boca, formando o tão conhecido jutsu de meu bisavô; Tenkyū no Jutsu, o Choro Celestial.

Antes mesmo de Deidara anunciar a explosão, lancei as agulhas d’água em sua direção, acertando pontos de seu corpo. Escolhi, naquele momento, que não o mataria.

Logo depois de atingido, ele caiu de uma grande altura, onde provavelmente quebrou alguns ossos.

Desde então, Deidara morre de medo de lutar contra mim.

Flashback Off

Assim que Deidara correu em direção ao rio, pude observar, mesmo de longe, que os ninjas da folha não estavam mais por ali.

Então, os localizei pelo chakra e percebi que todos estavam numa cabana construída no meio da floresta.

Chegando no local, vi que Naruto estava do lado de fora da casa, olhando para o alto.

—Oi, Naruto. — falei, com calma. — Como você está? — sentei-me ao lado do rapaz, que não respondeu minha pergunta.

—Por que, mesmo depois de tanto tempo, você voltou para Konoha, -sensei? — o garoto soltou a pergunta após alguns minutos de silêncio. — Digo, uma vez me disseram que onde há alguém pensando em nós, é para onde devemos voltar. — ele suspirou. — Foi por isso que voltou? — aquela pergunta me fez olhar para dentro da casa. A porta entreaberta me deixava observar com clareza Kakashi sentado num dos colchonetes, lendo seu livro. — -sensei? — Naruto chamou minha atenção.

—Diga, Naruto. — sorri fraco.

—Você se sente culpada? — perguntou. — Pelo o que Itachi fez… — não esperava que tal pergunta fosse feita pelo menino. Aquilo ainda era algo difícil de se lidar.

Flashback On

— Ele o que? — perguntei em voz alta, com a respiração ofegante.

—Exterminou os Uchihas. — O homem mascarado da Akatsuki falou e eu ainda não conseguia acreditar. — O clã estava organizando um golpe de estado contra Konoha, e, para proteger a Vila, Itachi fez o que fez.

—Mas, quando eu fugi e o deixei pistas sobre o possível golpe aos Uchihas, eu não tinha a intenção de que isso acontecesse. — respirei fundo, sentando em um banco que tinha por perto. — Eu só queria que…

— Isso foi tudo pensado por Danzö e Hiruzen. — o homem falou e eu arregalei os olhos. — Eu sei que fugir de Danzö foi um dos motivos de sua saída de Konoha. Afinal, ninguém quer ser uma arma de informações e guerra, não é mesmo? — franzi meu cenho e me ajeitei no banco. — Eu sei de muitas coisas, . — gargalhou. — Ou melhor dizendo, .

Flashback Off

— Não. — respondi rapidamente. — Itachi nunca fora um menino ruim. — respirei fundo. — Se ele fez o que fez, não foi culpa minha ou do que ensinei à ele.

— Mas, agora por culpa do que ele fez, meu amigo nos abandonou. — Naruto abaixou a cabeça. — Sasuke está por aí. E a culpa é toda dele. — ele aumentou o tom de voz e socou o chão de madeira ao seu lado.

— Naruto, eu… — ao começar a falar, fui interrompida.

— Sakura está te chamando, Naruto. — a voz de Kakashi surgiu da porta, e o garoto olhou assustado para trás, concordando e se levantando sem ao menos se despedir. Kakashi o deixou passar por ele e logo veio em minha direção, se sentando ao meu lado. — Ele ainda não lidou muito bem com a partida de Sasuke. — ele encarava um ponto fixo em sua frente. — Mas, eu o entendo. É doloroso ver um amigo ir embora. — seu olhar se virou para mim. Meus olhos, que tinha a cor vermelha, agora estavam totalmente avermelhados pelas lágrimas que decidiam se formar.

— Kakashi, me desculpa. — eu soltei o pedido como um sussurro.

—Fique tranquila, . — suspirou. — Isso faz muito tempo. — fechou os olhos, sorrindo fraco. — E, assim como o Naruto e Sasuke, eu nunca deixei de ter o mesmo sentimento por você.

Capítulo 7

Durante a madrugada, decidi que seria o melhor momento para me encontrar com Orochimaru-sama. Então, segui meu caminho até seu esconderijo e, por sorte, quando cheguei, ele ainda estava acordado. Kabuto não estava por lá no momento.

. — ele sorriu levemente. — Já tem alguma informação? — perguntou, enquanto pedia para que me aproximasse.

— Nada novo. — respirei fundo. — Mas estou me infiltrando melhor na Vila. — cruzei os braços. — Eles ainda estão receosos com minha volta, mas em breve me darão mais liberdade. — mordi o lábio. — Tsunade, por exemplo, me enviou nesta missão atrás da três caudas.

— Parece que a Akatsuki conseguirá capturá-lo. — seu tom de voz era de desgosto. — Ambos perderemos essa. — uma risada fraca saiu de sua boca. — Bom, agora volte antes que eles sintam sua falta. A aguardo em quinze dias.

Com o jutsu de teletransporte, e o selo que havia deixado perto da casa construída por Yamato na floresta, voltei para onde estava.

— Ela fugiu? — uma voz que logo reconheci ser a de Yamato, perguntou.

Me aproximei lentamente até a porta da casa, aparecendo para ele e Kakashi, que estavam parados, provavelmente fazendo uma ronda noturna.

— Eu não posso mais dar um passeio. — brinquei, ao ver que os dois me olhavam com desconfiança. — Eu só estava sem sono, e decidi dar uma volta pela floresta.

— Sozinha? — Yamato perguntou e eu arqueei uma das sobrancelhas.

— Ela derrotaria nós dois de olhos fechados, Tenzö. — Kakashi bateu no ombro do colega e eu ri fraco.

— Já falei para não me chamar mais assim. — seu rosto ficou avermelhado me fazendo gargalhar.

— Querem que eu fique de vigia? — me ofereci. Ambos pareciam exaustos, já que gastaram praticamente todo seu chakra na luta contra os inimigos de mais cedo. — Estou sem sono, acho que consigo ficar umas duas horas direto. — Yamato me encarou, claramente aceitando a proposta.

— Pode ir, Yamato. — Kakashi falou. — Eu ficarei mais alguns minutos por aqui. — então, nosso colega concordou e entrou na cabana, para finalmente descansar. — Soube que você ganhou de Shikamaru no Shogi. — ele tinha a péssima mania de falar comigo enquanto encarava o horizonte.

— Sim. — sorri ao lembrar da feição do rapaz ao ser derrotado. — Ele é um bom menino. Muito inteligente.

— Asuma o treinou muito bem. — Kakashi comentou e eu concordei.

— Bom, ainda não pude vê-lo em batalha. Mas, só de saber que ele matou Hidan, já o considero bem forte. — encostei na parede e olhei para cima.

— Sente falta de ter um aluno, não é? — ele se virou em minha direção e eu sorri sem mostrar os dentes. — Itachi era um bom menino, . — falou. — Nada do que aconteceu foi sua culpa. — assenti com um aceno de cabeça e pude ouvir um suspiro vindo de Kakashi.

Flashback On

— Isso é seu agora. — Minato-sensei se aproximou de mim, me entregando o certificado de chuunin com um sorriso no rosto. — Parabéns, .

— Isso significa que nossos treinos acabaram? — fiz uma feição triste e ele gargalhou.

— Nunca acabarão, . — o homem cruzou os braços e semicerrou os olhos. — Sempre que precisar de mim, estarei a disposição para te ajudar. — sorriu. — Mas, agora você precisa se virar sozinha. — colocou a mão em minha cabeça, afagando meus cabelos.

Flashback Off

— Pode entrar, eu fico bem sozinha. Daqui algumas horas acordo Shizune para trocar o turno. — sorri para ele. Percebi que estava cansado e com sono. — Pode descansar, Kakashi. Eu sei me virar sozinha. — o homem relutou por alguns segundos, mas logo se levantou, me deixando na vigilância.

——

Na manhã seguinte, partimos para Konoha logo que a equipe encarregada da Anbu chegou para que ficassem em nosso lugar.

Passamos rapidamente as informações e eles se mantiveram alertas. Logo, Yamato e Shizune tomaram a dianteira, seguindo em frente com a as equipes. Eu e Kakashi ficamos um pouco mais para trás, para prevenir os ataques que poderiam chegar de surpresa.

— Quando chegarmos à Konoha — Kakashi tinha um tom de voz baixo. — o que você acha de comermos alguma coisa e conversar sobre os velhos tempos? — engoli seco rapidamente. O que exatamente ele gostaria de falar sobre os velhos tempos?

— Pode ser. — falei, mantendo minha visão para frente, mas pude observar quando o mesmo meneou em concordância.

Depois de algum tempo de viagem chegamos à vila, onde passamos toda informação da missão para Tsunade e a mesma nos liberou para uns dias de folga.

Decidi passar em minha casa antes de encontrar Kakashi. Porém, assim que cheguei na porta de casa, dei de cara com Shikamaru.

— Você está me seguindo? — falei, ao ver o garoto parado ali.

— Não, isso são as boas vindas. — sorriu e esticou em minha direção uma bolsa de comida com o símbolo de seu clã. — Eu disse aos meus pais que você havia saído em uma missão, então minha mãe pediu para que eu trouxesse isso para você assim que chegasse. — respirou fundo. — Assim que soube da chegada de vocês, vim aqui entregar.

— Eu agradeço pelo carinho, Shikamaru. — sorri verdadeiramente. Aquele garoto era realmente especial. — Vou guardar para comer mais tarde. Agora combinei de encontrar o Kakashi para jantar. — falei, abrindo a porta de minha casa.

— Tipo um encontro? — eu sabia que sua pergunta não tinha intenção de soar ofensiva, mas ao ouvi-la, paralisei. — Sensei, não foi minha intenção… — o garoto levantou as mãos, em desespero e eu sorri fraco. Ele realmente já estava se apegando tanto quanto eu.

— Sim. — baixei minha guarda, relaxando os ombros. — Mas não conte isso à ninguém! É um segredo. — apontei para o garoto, que sorriu e concordou. — Ótimo. — abri a porta por completo e sorri em sua direção. — Amanhã te espero para o Shogi. — pisquei um dos olhos e ele concordou, seguindo seu caminho enquanto eu entrava em minha casa.

Flashback On

— Não acredito que você está indo ao seu primeiro encontro. — Kushina ajeitava a parte de trás do meu vestido.

— Kushina! — a repreendi, envergonhada.

— Kakashi é um bom rapaz, . — virou meu corpo, fazendo-me ficar frente a frente com ela. — Estou muito feliz que seu primeiro encontro seja com ele.

— Você está soando como uma mãe orgulhosa, Kushina. — Minato apareceu na porta do quarto, sorrindo.

— Enquanto não temos nossos filhos, eu adoto os todos seus alunos. — a ruiva sorriu largamente e eu meneei em negação, enquanto segurava um sorriso. — Vai logo, , ele deve estar te esperando.

Depois de muita insistência do casal, eu e Kakashi finalmente estávamos saindo para o que eles definiram como um encontro. Mas, para mim não passava de mais um dia com meu amigo.

Encontrei Kakashi em frente ao Ichiraku, onde combinamos de comer.

— Acredita que eles conseguiram? — o garoto perguntou, rindo fraco e eu dei de ombros. — Pelo visto eles realmente querem que algo aconteça entre nós. — nos encaramos por alguns segundos, apenas trocando leves sorrisos. — Vem, vamos comer. Não é como se isso fosse algo novo para nós.

Flashback Off

Assim que terminei meu banho, pude ouvir algumas batidas em minha porta. Quem seria dessa vez?

— Já estou indo! — gritei, me enrolando na toalha e abrindo a porta do banheiro. — Quem é?

— Sou eu. — a voz de Kakashi soou. — Achei melhor que jantassemos por aqui. O Ichiraku está cheio hoje. — falou e eu sorri levemente.

— Pode entrar, me espera na cozinha. — respondi. — Vou só colocar minhas roupas. — me tranquei no banheiro novamente, para vestir as roupas que já estavam ali.

Pude ouvir a porta abrindo e os passos leves de Kakashi adentrando minha casa.
Terminei de me trocar e comecei a secar meu cabelo com auxílio da toalha. Saí do banheiro, encontrando Kakashi em pé, próximo aos porta retratos que ficavam na sala.

— Esse lugar não mudou nada. — ele comentou, ao me ver. — E essa foto — apontou para um dos porta retratos. —, um dia antes de você ir embora.

Flashback On

A casa de Gai estava uma bagunça. Todos os Jounins de nossa turma estavam por lá. Aquele era um dos dias que tirávamos para nos reunir e dessa vez, estávamos comemorando a graduação de alguns de nossos alunos.

— Posso me sentar aqui? — Kakashi se aproximou, apontando para o sofá onde eu estava.

—Sabe que não precisa perguntar. — sorri fraco e ele fez o mesmo.

— O que está acontecendo com você, ? — seu tom de voz era preocupado. — Você está tão distante atualmente. Até mais que eu. — brincou, conseguindo arrancar de mim um sorriso verdadeiro. — Está tudo bem?

— Sim. — olhei para o garoto, tentando passar tranquilidade. Mas, eu estava mentindo. A verdade era que eu estava cheia de dúvidas e problemas rondando minha mente. — Não se preocupe, tudo ficará bem. — ele sorriu e uniu sua mão à minha.

— Obrigado. — foi o que disse.

Nossos olhares se encontraram e conversaram por um tempo.
Ele não sabia o que aconteceria, e eu não tinha coragem de contar. Magoar Kakashi era a última coisa que me vinha em mente, mas eu tinha que certeza que isso aconteceria.
Porém, eu sentia que aquilo doía muito mais em mim que nele.

—Vocês, sorriam! — Asuma apareceu com uma câmera fotográfica ao nosso lado, registrando o momento. Viramos em sua direção e sorrimos, Kakashi tinha os olhos fechados e eu apoiava minha cabeça em seu ombro enquanto nossas mãos ainda estavam unidas. — Essa foto ficou perfeita, amanhã entrego à você, . — concordei rapidamente, enquanto Asuma saia de cena.

Soltei minha mão da de Kakashi e sorri fraco.

— Me desculpa. — levei meus lábios à sua bochecha, depositando um leve beijo. — Eu preciso ir agora.

Flashback Off

Me aproximei do homem e toquei em seu ombro.

— Sei que não importa quantas vezes eu peça desculpas — falei em tom baixo. —, mas… — senti a mão de Kakashi encontrando a minha, enquanto seu rosto encontrava o meu.

— Vamos comer. — ele sorriu e eu concordei com um aceno de cabeça.

Caminhamos até a cozinha, onde, em cima do balcão, havia alguns sacos com comida.
Olhei para Kakashi com dúvida e ele sorriu.

— Achou mesmo que eu viria até aqui e não traria o jantar? — cruzou os braços e eu sorri. — Até parece que não me conhece, . — ele disse e eu assenti. Kakashi estava certo, ele sempre pensava em tudo.

Começamos a montar a mesa do jantar, tirando as caixas de comida que ele trouxe. Depois que tudo estava devidamente em seu lugar, nos sentamos um à frente do outro.

Kakashi, então, tirou sua máscara. Faziam onze anos que não via seu rosto. Ele certamente estava mudado, mas a idade o caía bem, ainda mais bonito que aos dezessete.

— O que você fez durante esses anos? — sua voz tinha um tom de incerteza. Talvez ele não achasse certo me perguntar aquilo, mas mesmo assim queria saber.

— Fiquei vagando sem rumo pelo mundo. — dei de ombros. — Pegando algumas missões clandestinas para conseguir dinheiro. — ele concordou, de certo ele sabia que aquilo aconteceria.

— E ele , conseguiu reencontrá-lo? — levou o lamen até sua boca. Eu sabia que ele falava de Itachi. Engoli seco e respirei fundo. — Não precisamos comentar sobre isso, se não quiser.

— Ele está mais forte e maduro. — olhei para meu prato, enquanto brincava com o macarrão que estava sobre ele. — Mas, não mudou nada. — suspirei fraco. — Ainda chegará a hora na qual você compreenderá o que falo. — olhei para Kakashi e sorri. — Às vezes, algumas coisas são necessárias para o bem maior.

— Entendo. — falou.

— Ainda não. — ri fraco, meneando em negação. — Mas um dia entenderá.

 

Capítulo 8

Haviam se passado dez dias desde o encontro com Kakashi.
Agora, Tsunade me mandava frequentemente à missões onde acompanhava alguns chuunins.
Gai e eu treinávamos sempre que possível e meus encontros com Kakashi eram praticamente diários, assim como minhas partidas de Shogi com Shikamaru.

Era interessante ver como eu estava me integrando à vila novamente.

Após voltar de uma missão na qual substituí Kurenai e acompanhei seu antigo time, combinei de encontrar Shikamaru e Sakura para os ajudar com coisas relacionadas ao estudo de chakras.

— Só vocês para me tirarem de casa depois de uma missão cansativa como essa. — reclamei, enquanto sentava ao lado dos dois na biblioteca.

— Eu me responsabilizo por isso, -sensei. — Sakura falou. — Tsunade-sama me disse que você é uma das ninjas mais fortes e mais inteligentes que a vila já teve. — sorriu. — Acho que seria bom ter você por perto.

— A verdade é que ela ficou com inveja do fato de você ter seu preferido, que sou eu. — Shikamaru apontou para si mesmo e eu soltei uma gargalhada fraca.

— Presunçoso. — abri o livro e virei na direção deles. — Quero que leiam à partir daqui, enquanto busco outros livros, ok? — ambos concordaram e eu sorri, me levantando.

-sensei!!!! — um grito surgiu no meio da biblioteca e minha vontade foi me esconder no meio das prateleiras. O rapaz que me chamava veio correndo enquanto eu morria de vergonha.

— O que você quer, Lee? — definitivamente aquele garoto era uma cópia exata de Gai. Me surpreende ser apenas um discípulo e não seu filho.

— Tsunade-sama e Kakashi-sensei disseram que tem algo importante para falar com você. — ele estava ofegante, mas com um sorriso no rosto.

— Precisava correr tanto para isso? — sorri fraco. — Já estou indo. Avise Shikamaru e Sakura que logo estarei de volta. — pedi e ele concordou. Assim, segui meu caminho até a sala da Hokage.

Ao chegar, vi que Tsunade estava com a feição séria. Kakashi ainda não estava por ali, provavelmente estava chegando e, como eu estava mais perto, acabei chegando antes.

— O que aconteceu, tia? — perguntei, com tensão. Meu receio era de que tivessem me descoberto em apenas algumas semanas de espionagem.

— Eu já sei de tudo, . — ela suspirou. — Mas, não te julgo por ter feito isso, não mesmo. — engoli seco, de forma da qual não sabia mais o que responder. — E, sinceramente, você tem nos ajudado muito. Por isso, temos que te contar algo importante e te pedir ajuda.

— Tsunade, eu… — quando eu ia começar à falar, a porta atrás de mim se abriu, dando espaço para Kakashi entrar. Olhei em sua direção e ele sorriu fraco. Por que ninguém ali estava me julgando já que sabiam de tudo? — O que está acontecendo aqui? Por que não tem jounins me prendendo? Por que vocês não estão me julgando?

— Orochimaru foi morto. — Tsunade falou e meu queixo caiu. Eu não podia acreditar que aquilo havia acontecido. Meu sensei, o homem que me ensinou a completar um dos jutsus mais poderosos de meu bisavô: o edo tensei, estava morto. — Uchiha Sasuke o matou. — minhas pernas falharam. Eu sabia que Orochimaru não era uma boa pessoa, mas fora ele que me acolheu quando mais precisei e quem me ajudou quando tudo parecia estar perdido. Não era certo eu querer chorar por aquilo, mas meus olhos já estavam cheios de lágrimas.

Senti os braços de Kakashi me envolverem e apoiei meu rosto em seu peito, me segurando para não chorar.

— Não te julgamos porque essa é você, . — ele falou, enquanto afagava meus cabelos. — Você é fiel aqueles que estão ao seu lado. E mesmo sabendo que tudo o que Orochimaru fazia era errado, você estava o apoiando porque ele era quem estava contigo. — tirei meu rosto de seu peito, olhando fixamente em seu olho. — A gente sabe que você estava aqui à pedido dele. — meu coração acelerou. — Assim como sabemos que você já tinha dúvidas internas sobre se realmente queria continuar fazendo isso. — ele segurou meu ombro. — Konoha é sua casa, você sempre será parte daqui, não importa o que aconteceu ou o que aconteça. Por isso você não será presa ou explanada. — sorriu. — Mas, será acolhida de volta por nós, sua verdadeira família.

— Eu posso? — apontei para a porta e Tsunade concordou. — Eu juro que não fugirei, só preciso de um tempo sozinha.

Flashback On

Mais uma vez caminhava pela floresta com a intenção de encontrar um corpo para o experimento. Não era muito adepta à assassinar alguém para ter o jutsu completo, e, normalmente, naquele lugar sempre haviam corpos que restavam de batalhas.

— Procurando por algo, ? — aquela voz estridente perguntou e eu rolei os olhos.

— Um corpo. — suspirei. — E se você não calar a boca, esse corpo será o seu. — apontei para o ninja, que na época, ainda não fazia parte da Akatsuki.

— Sempre muito receptiva. — Deidara sorriu. — Gosto disso em você. — apontou para noroeste. — Tem um corpo jogado perto de uma árvore bem ali. — me encarou. — Espero que não faça nada de estranho com ele.

— Nunca imaginei que falaria isso, mas, obrigada Deidara. — sorri fraco e ele fez o mesmo. — Nos vemos por aí.

Corri até onde ele indicou e realmente havia ali um falecido shinobi da névoa. Não sei se Deidara havia o matado, mas o cadáver não era antigo, havia sido morto recentemente.

O coloquei nos ombros e me teletransportei até o esconderijo de Orochimaru novamente.

— Finalmente está de volta. — ele disse, com um sorriso. — Vamos finalizar esse jutsu agora mesmo.

Preparamos o local e meu sensei deixou que eu fizesse os selos de mão. Assim, completando o jutsu de reencarnação.

— A maneira com a qual você evoluiu me orgulha, . — Orochimaru falou, com um sorriso largo. — Não diga isso à ninguém, mas você é minha aluna favorita.

Flashback Off

Estava sentada no gramado próximo ao campo de treinamento. Olhava para o céu e tentava não lembrar de todas as pessoas que perdi até aquele momento, mas era impossível; meus pais, meus sensei, meus avós e todo o resto.

Senti um chakra conhecido se aproximando.

— Vem, vou te levar à um lugar. — Kakashi tinha a mão estendida. Aceitei a oferta e segurei em sua mão.

Caminhamos de mãos dadas por alguns minutos, até chegarmos na floresta próximo à entrada de Konoha, numa árvore bem específica.

Flashback On

— O que estamos fazendo aqui? — Kakashi perguntou.

— Você me levou ao seu lugar favorito. — falei, sorrindo. — Esse é o meu. — apontei para a árvore e ele fez uma feição de dúvida. — Sim, é só uma árvore e não tem muito significado, mas é um lugar onde consigo ficar sozinha e pensar sobre a vida. — sorri e ele fez o mesmo.

— Eu amei. — ele falou, sorrindo. — O que acha de marcarmos nossos nomes nela? — perguntou e eu concordei.

— As iniciais.

Flashback Off

Passei a mão pelas letras que foram empalhadas na árvore e sorri.

— Tem certeza que não está chateado? — perguntei e ele negou com a cabeça, sorrindo. — Você vem aqui com frequência?

— De vez em quando. — assumiu. — Gosto das lembranças que esse lugar trás. — olhei para Kakashi tentando ler seus pensamentos e descobrir se ele se referia ao momento do qual estava pensando. Seu olhar encontrou o meu e ele sorriu. — Nosso primeiro beijo foi aqui.

Senti meu rosto corar e minha pele arrepiar. Mesmo depois de onze anos, Kakashi ainda era o único que tinha tal poder sobre mim.

— Eu sinto sua falta, Kakashi. — respirei fundo. — Muito. — falei e ele se aproximou, deixando nossos corpos colados. Subi minhas mãos por seus ombros, e segurei seu pescoço com leveza. Meus dedos, calmamente tiraram sua máscara, revelando seu sorriso. — Sinto muito por ter te abandonado. — sussurrei.

— Você está aqui agora. — segurou meu rosto e me puxou para perto, selando nossos lábios. Aquele beijo tinha um quê de saudade. O encaixe de nossas bocas era único, como se fossem feitas uma para outra. A mão de Kakashi, que estava em meu rosto, desceu pelo meu corpo, contornando minha silhueta e encontrando minha cintura, apertando ela com calma.

Após faltar ar em nossos pulmões, nos afastamos com calma. Com certeza aquilo seria recorrente à partir de hoje.

— Estou. — sorri. — E não vou mais embora.

 

Capítulo 9

— Então quer dizer que você e Kakashi-sensei são namorados? — Tenten perguntou e eu quase me engasguei com o churrasco que comíamos.

— Como é isso? — Neji se virou, já que estava ao meu lado, e me encarou.

— Gai-sensei comentou. — Tenten continuou e eu encarei Gai com sangue nos olhos.

Estávamos todos sentados na mesa, eu, Gai e seu antigo time. De acordo com os jovens, outros dos seus amigos chegariam para nos acompanhar.
O meu velho amigo fez uma feição culpada e eu rolei os olhos. Sabia que em algum momento ele abriria a boca, aquilo era típico de Gai.

Depois que a primeira rodada do churrasco acabou, Shikamaru, Ino e Choji chegaram, sentando-se conosco para, também, comerem.

. — meu nome foi chamado da porta do restaurante. Assim que meu olhar subiu, percebi que era Kakashi. Os olhares dos chunins eram curiosos, principalmente depois dos comentários de Gai. — Tem um minuto? — perguntou e eu encarei os outros da mesa, que apenas acenaram para que eu fosse.

— Com licença, gente. — sorri para eles e fui até o encontro de Kakashi. — Aconteceu algo? — perguntei preocupada e ele negou, sorrindo.

— Tem alguém que quer te ver. — ele disse e eu concordei. — Vamos até o escritório de Tsunade. — sem que eu esperasse por aquele ato, ele uniu nossas mãos, me fazendo sorrir.

Caminhamos lado a lado, ainda de mãos dadas, até o encontro da Hokage. Assim que chegamos lá, Kakashi abriu a porta e eu pude ter a visão privilegiada de quem era o visitante.

Flashback On

— Você é sensei de um Uchiha, . — rolei os olhos e cruzei os braços. — Como você não consegue dominar um jutsu de natureza fogo?

— Talvez porque a natureza do meu chakra seja água? — estava em frente ao homem que sorria largamente. — Não entendo porque está sorrindo, sensei.

— Você é ingênua demais, . — apontou para cima e eu me virei para ver. — Seu bisavô dominava todas naturezas de chakra, mas, assim como você, a principal era água.

— Todos têm essa mania de me compararem ao Segundo Hokage. — fechei o semblante e ele riu.

— Talvez, se você o conhecesse, saberia o porquê de tanta comparação. — falou. — Agora vai lá e completa esse Jutsu porque eu não tenho tempo para perder aqui.

— Precisa ir até à casa de banho espiar umas moças, Jiraiya-sensei? — Eu ri e ele rolou os olhos, pedindo para que eu prosseguisse com o treinamento.

Flashback Off

. — o homem abriu os braços. — Não faz tanto tempo, mas é sempre um prazer revê-la. — eu ainda estava parada ao lado de Kakashi, segurando sua mão. Jiraiya olhou para nós e sorriu. — Vocês dois, então…

Eu e Kakashi nos olhamos e rapidamente soltamos as mãos, fazendo Jiraiya e Tsunade rirem.

— Você realmente não mudou seu jeito. — me aproximei, também abrindo os braços. — Daquela vez não pude fazer isso por orgulho, mas, agora que estou de volta, acho que posso abraçá-lo. — sorri e o envolvi num abraço que fora retribuído.

— Sempre soube que vocês ficariam juntos. — Jiraiya sussurrou e eu bati levemente em suas costas.

— Mas por que está aqui? — sai do abraço e olhei para ele, perguntando.

— Bom, estou atrás do líder da Akatsuki. — cruzou os braços e eu arregalei os olhos. Ele realmente queria ir atrás de Pain? — Vim avisar à Tsunade que todas as informações encontradas serão enviadas à Konoha e aproveitei para vê-la. — sorriu. — Você cresceu tanto, lembro de quando ainda era aquela criança que fazia Minato ficar louco após os treinos. — riu e eu fiz o mesmo, lembrando-me de ocasiões específicas. — Por mais que tenha fugido e se aliado à Orochimaru, eu sei que fez isso para crescimento pessoal. — suspirou. — No final das contas, Konoha sempre foi sua casa e eu sabia que voltaria.

Flashback On

— O que você está pensando em fazer, ? — Hiruzen-sama se aproximou de mim no campo de treinamento, vendo o quão nervosa eu estava.

— Não sei, sensei. — suspirei. — Eu nunca imaginei que depois da cerimônia eu seria vista para Konoha como apenas uma arma de guerra.

— Para Konoha não. Para Danzo. — ele falou e eu concordei. — Para mim você sempre será como uma neta. — sorriu. — Eu prometi à seu bisavô e aos seus pais que cuidaria muito bem daquela que seria a herdeira dos poderes do clã Senju.

— Eu não queria ter herdado nada disso. — atirei uma shuriken, acertando um tronco próximo à nós. — Não queria ter herdado as habilidades do Segundo Hokage. Não queria ser de um clã que está, praticamente extinto. — grunhi. — Me passaram todas aquelas informações sobre o clã, e eu ao menos sei todos os jutsus de meu bisavô. — abaixei a cabeça.

— Você sabe o necessário, . — ele falou.

— Não. — levantei a cabeça com convicção. — Se eu sou a única que tem capacidade para restaurar esse clã e dominar todos os jutsus de Senju Tobirama, eu cumprirei meu papel.

— O que diz com isso? — perguntou, preocupado.

—Danzo não terá uma arma de guerra mais. — guardei minhas kunais em minha bolsa de equipamentos e olhei para Hiruzen. — Essa semana fugirei da vila e dominarei o jutsu que ainda me falta. — disse. — Assim, Danzo nunca terá informações sobre os Senju ou o Edo Tensei.

Flashback Off

Jiraiya estava certo, além dos motivos burocráticos relacionados à Danzo, minha saída de Konoha fora para crescimento pessoal.
Após a dominação de todos os Jutsus do Segundo Hokage, eu acabei ficando com Orochimaru por conta dos laços criados e de comodidade, mas, no fundo, eu também sabia que voltaria para Konoha um dia ou outro.

— Espero que você volte, sensei. — falei com pesar. Eu sabia das habilidades de Pain e tinha certeza que aquela não seria uma luta fácil.

— Não posso prometer. — ele sorriu fraco. — Mas é bom saber que, se caso algo dê errado, eu consegui te ver novamente como uma shinobi da folha.

 

Capítulo 10

Naruto e Sakura caminhavam ao meu lado em direção ao escritório da Hokage. Provavelmente teríamos uma missão importante à frente.

Assim que chegamos, pude ver que Kakashi, Yamato, Sai, Shino, Kiba e Hinata já estavam por ali.

— Tantas pessoas assim? — perguntei ao entrar na sala.

— Estávamos esperando apenas por vocês. — Tsunade falou e eu acenei em concordância. — Preciso da atenção total de todos nesse momento. — todos ficaram em frente à mesa da mulher. — Vocês estão responsáveis por trazer Sasuke de volta à Konoha.

— Mas, já tentamos isso uma vez e… — Kiba comentou, mas foi interrompido.

— Traremos ele indiretamente. — Kakashi falou e meu coração gelou, por um instante. Eu sabia onde aquilo chegaria.

— Você não quer dizer que… — perguntei e ele me encarou, suspirando.

— Teremos que capturar Itachi, só assim Sasuke voltará. — Tsunade completou e eu paralisei.

Flashback On

Voltava do mercado de Konoha com algumas frutas em minha sacola, até que uma criança, que mais parecia um furacão, vinha correndo em minha direção.

—sensei. — ele ofegava, me fazendo rir. — Eu preciso te mostrar uma coisa.

— Itachi, mas por que estava correndo desse jeito? — eu ainda ria. — Vai, me mostre.

— Shisui está me ensinando um novo Jutsu. — disse animado, recuperando o fôlego.

— Já está me trocando por Shisui? — fingi tristeza. — Terei que conversar seriamente com ele sobre isso.

Itachi, então, fez uma feição preocupada e logo se aproximou ainda mais de mim, me surpreendendo com um abraço que envolvia, basicamente, apenas minhas pernas.

— Nunca irei te trocar, -sensei. — falou em alto tom e eu sorri, acariciando seus cabelos. — Você sempre será a melhor professora de todas.

Flashback Off

Depois de nos separarmos em duplas e trios, começamos nossa busca pelo membro da Akatsuki. Seria difícil encontrá-lo, já que Itachi era muito bom em apagar seus rastros. Mas, tínhamos os cachorros de Kakashi, e cada grupo tinha seu ninja sensorial. No meu caso, de Sai e de Kakashi, era eu quem tentava o localizar.

Num dado momento, eu e Kakashi nos separamos para tentar facilitar as buscas. Kakashi e Sai usavam os ares, e eu minha habilidade sensorial.

No meio da floresta, comecei a sentir um chakra forte e conhecido se aproximando. E, então, corvos voaram em minha frente, revelando, ao final, o ninja que procurávamos.

-sensei. — o rapaz falou e eu sorri fraco. — Eu precisava falar com você antes que algo específico acontecesse. — eu estava prestes a pedir para que ele colaborasse e me acompanhasse até à Folha, porém, aquela fala me deixou intrigada.

— O que irá acontecer, Itachi? — perguntei, preocupada e ele respirou fundo. — O que irá acontecer? — repeti.

— Chegou o momento, . — seus olhos se fecharam e eu pude sentir minhas pernas tremerem. — Sasuke está vindo ao meu encontro.

Naquele momento, meus olhos marejaram. Eu sabia que um ninja não deveria demonstrar seus sentimentos daquela forma, mas eu não conseguia, não quando se tratava de Itachi.

— Itachi, eu… — suspirei e fechei meus olhos. Foi então que senti os braços de Itachi ao redor de mim. Dessa vez ele estava bem mais alto que eu e meu rosto encostava em seu peito.

— Obrigado. — ele disse, enquanto apoiava o queixo no topo de minha cabeça. — Se não fosse por você, eu não conheceria os verdadeiros caminhos de um ninja. — minhas lágrimas rolavam, molhando parte de seu manto. — Por sua causa eu pude pensar como um ninja e tomar a decisão certa para salvar a vila. — me apertou contra seu corpo, me fazendo chorar ainda mais. — Você me amou como um irmão que nunca teve, e eu te amei como a irmã mais velha que eu nunca achei que gostaria de ter. — afastou o abraço e segurou em meus ombros, olhando em meus olhos. — -sensei. — minhas lágrimas não paravam de cair e eu não sabia mais como reagir àquela situação. Itachi sorriu e se afastou, começando a se desfazer, aos poucos, em seus corvos. — Você sempre será a melhor professora de todas.

E quando ele sumiu de minha visão, eu soube que aquele era nosso adeus. Eu nunca mais o veria.

 


Capítulo 11

Estava feito. No meio de um encontro inesperado com Tobi no meio da floresta, Zetsu apareceu e toda equipe recebeu a notícia: Uchiha Itachi estava morto.

— Uchiha Sasuke o matou. — Zetsu falou e meu peito apertou. Kakashi olhou em minha direção e eu tentava manter o foco na missão. — Nosso trabalho por aqui está feito. — então, os dois ninjas da Akatsuki sumiram, nos deixando sem mais informações.

— Acho que devemos voltar à vila. — Yamato falou e os outros ninjas concordaram, com exceção de Naruto.

— Não! — ele esbravejou. — Não sem encontrarmos Sasuke.

Yamato concordou levemente e caminhou ao lado do menino. Kakashi se aproximou, colocando a mão em minhas costas.

— Aquele que quebra as regras é como lixo. — sussurrei.

— Naruto está certo em ir atrás dele. — Kakashi falou, fazendo com que eu concordasse. — Quer conversar sobre Itachi? — me virei, olhando em seus olhos.

— Esse não é o momento. — torci os lábios. — Ainda há chances de salvar Sasuke. — comecei a correr atrás dos outros shinobis, deixando Kakashi um pouco mais atrás de mim. Eu queria estar ao lado dele, mas estávamos em uma missão que precisava ser cumprida.

Após chegarmos no local onde Itachi e Sasuke tiveram sua última batalha, percebemos que os destroços eram grandes, mas não havia algum sinal de Sasuke por ali.

— Acho que devemos realmente voltar para folha. — foi a vez de Naruto falar. O olhei surpresa e ele suspirou. — Não se importe, -sensei. — sorriu fraco. — Eu não vou desistir de procurá-lo.

Ao chegar à Vila da Folha, todos foram para suas respectivas casas, descansarem da missão.

Assim que cheguei em minha casa, vi que Kakashi esperava por mim na porta. E em um ato totalmente súbito, o abracei. Eu precisava desmoronar, botar para fora a dor que estava sentindo por ter perdido Itachi.

Kakashi acariciava minhas costas enquanto minhas lágrimas me cegavam.

— Guarde-as. — ele falou. — As más notícias não param de chegar. — comentou e eu levantei o olhar para encará-lo, e, pela forma que ele me olhava, eu já sabia do que se tratava.

— Naruto. — foi a única coisa que pensei. — Como ele vai reagir? — minhas lágrimas ainda caíam. — Não é nada fácil perder um sensei, Kakashi.

— Eu sei. — suspirou. — Nós perdemos Minato, lembra?

Flashback On

— Minato-sensei! — gritei, correndo em sua direção. — Boa sorte hoje no nascimento do Naruto. — sorri e ele fez o mesmo. — Aposto que Kushina está muito ansiosa também.

— Estamos eufóricos. — ele falou animado. — Promete que vai nos visitar amanhã para conhecê-lo? — assenti com um aceno de cabeça.

— Estarei lá! — afirmei e ele sorriu.

— Queremos que veja Naruto crescer, como uma irmã mais velha. — sorriu e eu senti meu coração aquecer. — Vejo você amanhã.

Flashback Off

Aquela tinha sido a última vez que encontrara meu sensei.
Infelizmente não estive ao lado de seu filho como ele gostaria. Não pude ver Naruto crescer. Mas agora que estava de volta à Konoha, eu ajudaria o garoto de todas as formas possíveis. Ele merecia isso.

— Tsunade vai contar à ele? — perguntei e Kakashi concordou. — Preciso estar lá, por favor.

Corremos até o escritório da Hokage, onde não só ela, mas Sakura, os sapos amigos de Jiraiya e outros shinobis amigos de Naruto estavam.

O garoto chegou um pouco depois. Seu semblante já não era um dos melhores, devido a última missão que não foi um sucesso.

Foi então que Fukasaku anunciou a morte de Jiraiya e o mundo, não só de Naruto, mas de todos os outros ali, caiu. O Uzumaki ficou extremamente chateado com Tsunade e abandonou a sala, com raiva.

Sakura tentou ir atrás do rapaz, mas a impedi. Ele precisava de um tempo só, eu sabia disso.

— Naruto já perdeu muitas pessoas. — falei para a garota. — Ele precisa de um tempo sozinho.

Kakashi se aproximou de mim, me abraçando de lado.

— Você também precisa de um tempo para seu luto, . — falou em tom baixo. — Itachi e Jiraiya se foram, você não precisa se fazer de forte agora. — Kakashi estava certo. Eu estava segurando toda dor e tentava não externalizá-la, mas a única coisa que eu precisava era chorar. — Vamos para sua casa.

Eu estava sobre minha cama lendo alguns livros enquanto Kakashi preparava o jantar. Eu insisti para que ele ficasse e passasse a noite ali, eu não queria ficar sozinha depois de todos aqueles acontecimentos.

Meus olhos tentavam focar nas páginas, mas sempre desviavam para o abdômen nu de Kakashi na cozinha. Quando ele tinha ficado daquele jeito?

— Aconteceu alguma coisa? — ele perguntou, sorrindo. Pisquei algumas vezes, me recuperando do transe e sorri de volta.

— Nada, só estava te olhando cozinhar. — falei e ele acenou em concordância. — Por que?

Kakashi não falou uma palavra sequer, apenas desligou o fogão e caminhou em minha direção. Apoiando seus braços ao lado de minha cabeça, ficando sobre mim.

— Só achei que talvez estivesse relembrando os velhos tempos. — lentamente começou a distribuir beijos por meu pescoço, fazendo com que eu deixasse, rapidamente, o livro de lado. — Quer relembrar os velhos tempos?