Coleção de Sorrisos

Sinopse: Um beijo capaz de me derreter inteira por dentro, um contato que mesmo que involuntário me faça pensar em meus sentimentos, em um possível nós, mas nunca irá existir um ‘nós’, por isso, sempre voltarei a realidade, com apenas um pensamento: Eu devo fugir daqui o mais rápido possível.
Fandom: Animes & Mangás (Diabolik Lovers)
Gênero: Suspense, Fantasia/Sobrenatural, Aventura, Ficção, Romance
Classificação: +18
Restrição: BDSM, insinuação de sexo, linguagem imprópria, mutilação, conteúdo sexual e síndrome de Estocolmo.
Betas: Natasha Romanoff

Capítulos:

The beginning of the Night – 20:45

— Quem é você? — Ela perguntou, pensativa, quase indignada com a situação.

— Quem sou eu?

Algumas horas atrás…

— Eu sou Bia Komori, irmã mais velha de Yui Komori e filha de Seiji Komori! — Se apresentou a garota, fazendo uma pequena reverência.

— Vejo que o senhor educou muito bem sua filha. — A loira de olhos azuis, que trajava um vestido escarlate e preto, a elogiou, com um tom indiferente, quase como não se importasse com a resposta. — Me chame de Beatrix, prazer em lhe conhecer.

Segunda esposa de KarlHeinz, mãe de Shu Sakamaki e Reiji Sakamaki, lembrou-se a garota. Definitivamente, iria ser uma noite cansativa.

— O prazer é todo meu! — Respondeu, fingindo empolgação.

— Olá! Você deve ser…? — Uma moça de cabelos brancos, olhos vermelhos, vestindo um vestido deslumbrantemente branco com alguns detalhes em preto, se aproximou de ambas e tinha uma face depressiva, quase como se estivesse cumprimentando-a por obrigação.

— Bia… Bia Komori! — Esclareceu a mais nova, imaginando, pelas roupas e aparência mais triste, que aquela deveria ser Christa Sakamaki, terceira esposa de KarlHeinz, mãe de Subaru Sakamaki. Talvez a noite pudesse ficar mais complicada com ela por perto. — E você é?

— Ahh! Desculpe pelos meus modos, sou Christa! — Touché! Havia acertado em cheio. Sorriu calorosa para a albina, feliz consigo mesma pela sua observação.

— Nfu-Nfu, posso ver que vocês já se aproveitaram da nossa querida Komori! — Uma mulher de cabelos roxos, olhos verdes, seios fartos e que trajava um vestido preto com uma flor branca, se aproximou das três. Cordelia Sakamaki, primeira esposa de KarlHeinz, mãe dos trigêmeos, Laito, Kanato e Ayato Sakamaki.

— Por favor, Cordelia, mantenha sua postura — Ameaçou Beatrix, vendo o enorme sorriso mal intencionado que havia se formado na face da de cabelos violetas.
Vendo que um problema começaria ali, a mais nova interrompeu.

— Cordelia Sakamaki? — Perguntou, fingindo reconhecê-la.

— Sim… A irmã da Komori, não? — Ela questionou, mudando sua expressão sorridente para mais uma séria.

— Sim, ouvi muitas coisas sobre você — Acabou entregando a situação. Mesmo falando com animação, não conseguiu sooar como se as coisas fossem boas. Felizmente, fora salva. Alguém trajando um terno a puxou para dentro da multidão, sem mais tempo para explicações. A de cabelos lilases não pareceu se importar.

— Sinto muito pelo comportamento dela — Christa se desculpava, sem tirar os olhos do chão, alguma coisa sobre a albina sooava bastante estranha.

As duas se dirigiram a uma enorme mesa. Diferente das demais, ela parecia propriamente feita para a família real, decorada de modo mais chique que as demais. Beatrix estava ali, sentada próxima a um dos cantos.

— Desculpe me intrometer, mas você está aqui por algum motivo? Quer dizer, além de acompanhar sua família? — Christa perguntou, com um ar inocente, tentando puxar algum assunto apenas para diminuir o desconforto. Ela realmente parecia não perceber o que estava insinuando – que a mais nova estava ali apenas como um “paisagem”, só como acompanhante, madrinha da noiva.

— Vim como convidada da noiva, afinal, Yui-san é minha irmã — Sorriu pequeno, já se entretendo com os arredores. Ela se despediu das duas esposas com uma reverência, procurando algo para mantê-la entretida pelas próximas horas.
Ao sair, sentiu o incômodo se estabelecer naquela grande mesa, agradecendo a si mesma por ter saído de lá.

A jovem caminhou pelo salão com uma taça em mãos, oferecida por um dos inúmeros garçons ali. Sem muito para procurar por algo a mais, ela escutou uma voz exaltando uma apresentação no topo das escadarias.
Sentindo todos os olhares parando sobre a voz, a garota observou seu dono, curiosa.

Observando com mais cuidado, ela notou que aquele homem, de cabelos verdes, fora o mesmo que levou Cordelia para longe de uma possível discussão.

— Boa noite, damas e cavalheiros! Sejam bem vindos ao salão de festas da família Sakamaki. Sou Richter Sakamaki, espero que a noite de vocês esteja sendo divertida! — O homem bradava, e mesmo sendo desconhecido pela garota, seu discurso continuou por longos minutos, criando uma espécie de tensão bastante visível entre os dois quando KarlHeinz se aproximara.

— Como todos sabem, essa enorme festividade tem um motivo — O albino forçou um sorriso, olhando para o casal de noivos à sua esquerda. — A união de um casal! Uma aliança entre a Igreja e o Estado!

Uma salva de palmas fora ouvida, emergindo a garota em um mundo à parte. Encarando a Komori mais nova, ela se encontrava, observava cada detalhe delicado da menor, tentando se lembrar da última vez em que a vira. Mesmo por debaixo da máscara em cores pastéis, podia ver o sorriso de felicidade da mais nova ao avistar sua irmã na platéia. Tinham tanta coisa para conversar, tanto peso da saudade para tirar das costas…

Em uma fala alta, que chamava todos os membros da família Komori ao alto da escadaria, ela foi retirada de seus pensamentos. Com um toque suave em seu próprio vestido, ela o segurou, indo em direção à escadaria, felizmente encontrando Seiji, pai das garotas, no caminho.

— Agora a família está completa! — Bradou KarlHeinz, sendo aplaudido por todas as mãos presentes naquele salão. Ao longo do enrome discurso sobre os benefícios dessa união, a visão da garota se perdia na platéia, buscando algo ou alguém.

Perdida na multidão, os olhos da garota se chocaram com os de um homem de aparência comum entre tantas as outras, mas de uma aura poderosa. Sua máscara escura dava-lhe um tom sedutor que a fez ficar fascinada por um longo tempo. Sem notar, seus próprios olhos se dirigiram para os outros três garotos próximos a ele, máscaras que se destacavam entre todas aquelas em tons opacos, rosa, laranja e verde-água, cores bastantes diferentes e diversificadas, que não capturaram sua atenção, não tanto quanto o de cor escura e aura poderosa.

Seu olhar só voltou a perder o foco quando o discurso acabou, olhando ao redor, só então percebeu o restante da família Sakamaki lá: Shu, Reiji, Ayato, Kanato, Laito e Subaru.

Ela não podia negar, eles eram realmente bonitos, porém não apenas a beleza deles se destacava, mas também a palidez e aura. Tanto quanto o homem mascarado, eles tinham uma aura poderosa, digna da realeza.

Suas máscaras também tinham cores das mais distintas, amarela, azul escuro, vermelho, roxo, verde e cinza, atraindo apenas mais atenção para eles.

O ruivo se aproximou da Komori, ficando ao lado dela, podendo ser reconhecido pela mais velha como Ayato Sakamaki, noivo de sua irmã.
Sem muita demora, as mães também se fizeram presentes, Cordelia, Beatrix e Christa.

Fingindo simpatia, KarlHeinz ficou a sós com a família Komori, falando sobre tudo que estava ocorrendo, de modo mais simpático para que a família pudesse se sentir acolhida.

Com as várias conversações e intrigas, descobriu um pouco mais sobre a família. Os irmãos não eram de longe os formais e sofisticados que aparentavam. Reiji fora o único que herdara a boa postura e formalidade da mãe; o segundo filho sooava bastante cansado, até mesmo em um cumprimento; os trigêmeos não pareciam se importar sequer em cumprimentar, Ayato estava muito ocupado sufocando Yui em um abraço possessivo para prestar um cumprimento; já Subaru, estava próximo da mãe, aparentando estar bem irritado.

As coisas seriam complicadas daqui para frente.

One hour of the Dance — 21:45

Salão da Mansão Sakamaki, 21:45

Em um passe de mágica, os misteriosos homens mascarados haviam sumido. Ao menos agora ela tinha uma distração e esse objetivo era algo como procurar por quatro homens, completamente misteriosos, dos quais nada sabia além das cores das roupas. Sooava um entretenimento bem estranho, correr atrás dos convidados.
Com cuidado, vendo que os noivos estavam mais disponíveis, ela se dirigiu para lá, precisava parabenizá-los.

Bia desceu alguns degraus da escada na qual a família toda se encontrava, parando em frente de sua irmã mais nova, Yui Komori.

— Bia-chan! Não tivemos tempo de conversar, me desculpe pelo acontecimento repentino! — Yui disse, com as bochechas coradas, esboçando um sorriso pequeno e sincero, estava deslumbrante naquelas roupas formais. Sem espaço para questionamentos, a irmã mais velha foi em direção à noiva, quebrando o espaço com um abraço apertado, repleto de saudade.

— Senti saudades. Parabéns pelo noivado! Espero podermos conversar mais a partir de agora — Ela sussurrou, deixando Yui desconfortável, não querendo demonstrar, esta apenas retribuiu o abraço.

— Hey, Chichinashi! Vamos logo! — O abraço fora quebrado pelo noivo da loira, que abruptamente a puxou dos braços da irmã, deixando Bia, visivelmente, desconfortável. Desejava passar um tempo a sós com a irmã, entretanto, começava a entender que isso não seria possível.

— Ayato Sakamaki — Se curvou em respeito a ele, prosseguindo. — Parabéns pelo noivado! — Ela não gostaria de criar problemas, portanto, tentou sooar o mais verdadeira possível, escondendo qualquer preocupação que a assolava.

— Obrigado! — Ele deu um sorriso vitorioso, a puxando para perto, fazendo a mais velha sentir, por um momento, que sua irmã era apenas mais um troféu na sua estante, uma conquista que ele faria questão de exibir para qualquer um. Infelizmente, a ideia só se reforçou quando Yui deu um sorriso tímido e forçado.

Desistindo de insistir, ela desceu, degrau por degrau, olhando em volta à procura dos quatro homens mascarados. Para sua infelicidade, eles não estavam em lugar nenhum do salão.
Com a decepção estampada na face, ela chegou ao início da escada, talvez eles tivessem ido embora?
Ela não podia responder a questão, mas por algum motivo o ar naquele local começou a ficar pesado. Ela não sabia se era o apertado do espartilho que sufocava suas vísceras, embelecia seu corpo, entretanto, quebrava seus ossos com uma lentidão dolorosa, sufocante e assustadora. Ou o fato de um dos Sakamaki’s, Laito mais especificamente, estar se aproximando dela como um predador. Por via das dúvidas, sabendo que ele não era flor que se cheirasse, ela apenas se envolveu na multidão, buscando algo, ou alguém.

Para seu azar ou sorte, uma enorme porta entreaberta a chamou atenção. Ninguém parecia realmente perceber que aquele enorme impecilho estava ali, perdidos demais em serem formais. Ela agradeceu, se arrastando na direção dela.

Cruzando a fronteira, ela viu…

O jardim com diversas flores, com um foco nas filas de rosas, tão brancas quanto a pureza e tão vermelhas como o sangue, a mistura perfeita. Pouca luz e muita natureza, um lugar de paz em meio a essa bagunça. Esperava que não fosse proibido ficar ali, afinal, não havia questionado ninguém sobre a permissão para sair do local.

Escutando a música clássica ser tocada por detrás da porta, ela segurou com leveza sua saia, escutando apenas seus sapatos de salto colidindo contra o chão, enquanto andava em direção às flores.

Um pequeno banco entrou em sua visão, se tornando seu objetivo. Os cheiros suaves se misturavam no ar conforme ela se aproximava. Brancas, vermelhas, brancas, vermelhas, se sentia no jardim de Copas de uma das histórias que havia lido.

Os dedos frágeis e pálidos tocaram a estrutura de madeira, verificando se o chuvisco não havia o deixado molhado ao ponto de sujar seu vestido.
Confirmando que não, ela se sentou, não tão formalmente, no local, admirando toda a beleza natural à sua volta. Suspirou, deixando-se perder em pensamentos e lembranças de épocas mais felizes que a atual.

” — Ei, Bia-chan, venha ver o que eu encontrei! — As duas pequenas meninas corriam aos arredores da igreja, procurando “aventuras”. A mais nova avistou um velho poço caindo aos pedaços, mas ainda assim um poço profundo, cheio de água.

— Yui-chan, espere, já estou indo! — A maior falava, correndo rapidamente em direção da mais nova.

A mais velha se aproximou do local, encontrando a loira contemplando a velha construção. Com um enorme sorriso, a de olhos rosas, apresentou para sua irmã mais velha o Poço dos desejos.

— Papai disse que poços podem tornar nossos desejos verdade, não?

— Sim… Apenas… Uma moeda, onde iremos achá-la? — Revistaram os bolsos, sentindo-os vazios, elas se encaram tristes.

— Será que eles aceitam pedras brancas? — Questionou a de olhos verdes, não querendo ver a menor triste. Naquele momento, nenhuma das duas tinham moedas, mas não queriam perder a oportunidade de realizar um desejo, ou ao menos tentar.

Esperançosa, a menor abriu um sorriso, indo atrás das polidas pedras. Sem muita demora, ela retornou com duas pedrinhas, nem tão brancas assim, mas era o que tinham no momento.

— Está pronta? — Yui acenou com a cabeça. — 1… 2… 3… Já! — Ao mesmo tempo, ambas jogaram. Demorou-se alguns segundos, mas conseguiram escutar o barulho da pedra colidindo contra a água.
Ambas se sentam encostadas no poço, com um sorrisinho que indicava a cumplicidade do momento.

— Posso saber o que você desejou Yui-chan? — Questionou, demonstrando-se extremamente curiosa.

— E-Eu… Desejo um dia me casar! — Ela soltou as palavras, se demonstrando bastante insegura sobre os julgamentos de sua irmã, afinal, ela deveria seguir sendo freira, esse era o desejo do pai, e freiras não deveriam se casar. — E você, Bia-chan?

— Eu desejo conhecer todos os seres…

— Seres? Além dos humanos? — Sussurrou a segunda parte, como se fosse um segredo. Vendo a mais velha concordar com a cabeça, ela suspirou receosa, nenhum dos dois desejos poderiam ser realizados com elas ali, presas, condenadas a serem freiras.

— Não se preocupe, nossos desejos vão se realizar! — Falou, tentando demonstrar confiança apenas para animar sua irmã mais nova.”

— No final das contas… Seu desejo foi realizado, mas eu ainda estou aqui. — Sussurrou, sem mais esperança, tentando ver o lado positivo do casamento. Suspirou ao se lembrar, iria conhecer seu passível noivo essa noite, não desejava casar, principalmente com um desconhecido, mas a Igreja e o Estado deveriam se unir. Essa união acabaria com sua formação como freira, também acabando com sua liberdade…

Fora arrancada brutalmente dos pensamentos por um barulho estranho, em estado de alerta ela estava, prestando atenção em tudo e em todos.

 

Twitter para contato.

 

Meet me in the Garden — 22:05

Jardim da Mansão Sakamaki — 22:05.

Barulhos novamente e novamente. A cabeça dela estava confusa, como sempre. Se perdia em pensamentos, desligava completamente deste plano, mas os barulhos voltavam, mais altos, mais assustadores.
Agora não eram mais apenas chiados na pequena cabeça da jovem, eram passos. Ao menos soavam como passos, não conseguia afirmar serem causados por pessoas ou por outra coisa, mas estavam mais altos, barulhentos, se aproximando mais e mais. O que poderia ser?

Ela voltou à realidade, completamente desnorteada, olhando em volta, nada. O barulho ainda estava alto, extremamente alto, mas já estava começando a se acostumar, talvez fossem pequenos roedores que brincavam pelo Jardim, era assim que ela pensava.

Brincando com a barra de seu vestido, ela questionava se deveria voltar lá para dentro ou não, era sua obrigação, sabia disso. A dança principal começaria em pouco tempo, portanto, deveria se apressar se não quisesse passar uma péssima impressão como representante da Igreja.
Em um suspiro cansado, ela arrumou o vestido com cuidado, se permitindo fechar os olhos por alguns segundos, apreciando os sons naturais.

Em um movimento bruto, o braço da garota foi agarrado e ela jogada contra o banco.

Desesperada, encarou os arredores, visualizando aquilo…

Na sua frente, encontrava-se um homem, o homem mascarado que ela procurara anteriormente.
Mesmo com a luz fraca, seus traços eram o suficiente para paralisar qualquer um. A garota não sabia o que fazer, se não observá-lo.

Seus olhos azuis opacos exalavam uma aura poderosa que a fazia engolir em seco, sem conseguir reagir. Seu cabelo bagunçado, de modo formal, alternava entre branco e preto, harmonizando com a cor de sua máscara, escura como a cor de seu terno.

— Quem é você? — ela perguntou, pensativa, quase indignada pela situação. Finalmente, tinha o encontrado, mas não estava mais confortável com a situação, apenas curiosa.

Quem sou eu? — o homem à sua frente questionou, para si mesmo, com um olhar extremamente pensativo.

A mão dele ainda estava posicionada em seu pulso. Algo não estava certo, o toque era frio como a noite. Causava um choque térmico eletrizante na pele quente daquela humana.

Ao tomar consciência de seus próprios atos, ele a soltou, quase que automaticamente fazendo-a sair do encanto, conseguindo ter noção da gravidade da situação.

Percebendo o que ocorreria, ele se afastou, dando espaço para que a garota loira corresse com certa dificuldade pelos saltos e pesado vestido.
Agradeceu mentalmente aos céus por não ter sido impedida pelo homem mascarado.

Ofegante, ela colocou a mão sobre o peito, tentando restabelecer a respiração, olhando mais uma vez para o Jardim.

Não existia mais ninguém lá…

Com cuidado, ela empurrou a porta do salão, tentando ser o mais discreta possível.
Vendo todos presos em seu próprios mundos, ela segurou na barra do vestido, desfilando formalmente em direção ao banheiro. Não conseguiria dançar assim, mas ainda tinha uma dança para realizar, um pretendente para conhecer, não se deixaria levar por um homem estranho.

Escadaria do Salão Sakamaki — 22:27.

Da parte mais alta do salão, a menor observava tudo e todos ao lado do ruivo, seu noivo. Até que o abrir delicado da grandiosa porta a chamou atenção. Com os olhos fixados naquele local, ela viu sua irmã entrar por ela, bastante apreensiva, aparentemente.

Arrepiou-se com um mar de possibilidades, sua irmã não era medrosa, teria de ser algo muito assustador para que ela reagisse assim.
Assustada, a loira olhou ao seu redor.

1… 2… 3… 4…

Desesperou-se, deixando transparecer em sua palidez

— Oe! Chichinashi, você está bem? — o ruivo questionou, encarando sua noiva.

— Ayato-Kun, posso ir ao banheiro? — ela perguntou, docemente, tentando disfarçar sua preocupação. O de olhos verdes, percebendo que algo não estava certo, insistiu para que ele fosse com ela, porém, depois da muita pressa da mais nova, ele cedeu.

Dos seis Sakamaki’s… Apenas quatro estavam presentes…

Seria possível que Bia pudesse ter descoberto o segredo da família Sakamaki? Tremeu com o pensamento. Novamente, olhando para o local mais alto, ela se certificou, faltavam apenas dois deles ali.

— Subaru-kun e Shu-san, você os viu, Christa-san? — ela questionou, com palavras mais ríspidas que o normal, não podia perder um segundo sequer. Vendo a mais velha negar com certa preocupação na face, ela se despediu prontamente, voltando ao seu foco principal.

Torcia para que fosse outra coisa, tudo estaria perdido se Bia descobrisse. Teria de ver a morte da própria irmã.
Engoliu a seco com a ideia, sabia que, se o segredo fosse descoberto, provavelmente seria morta também…

Mesmo que estivesse desesperada, mantinha a postura formal. Como noiva de Ayato Sakamaki, tinha grande influência, não poderia se deixar levar e não precisava de mais uma punição de Reiji, não agora.

Sendo obrigada por diversas vezes a parar seu longo trajeto para cumprimentar alguns convidados, não sabia mais se sua irmã ainda estava lá, porém rezava para que sim, havia algumas coisas que precisavam ser esclarecidas.

Coisas que precisavam ser esclarecidas, antes que mãos grossas e frias fossem postas em torno do pescoço da jovem, a sufocando sem piedade. Tudo por causa de alguns segredos.

 

 

Why me? — 22:49

Banheiro no Salão da Mansão Sakamaki — 22:49

A porta do banheiro foi aberta, revelando um local vazio, com várias cabines, todas fechadas. Com cuidado, o mais discreta possível, ela chamou pela irmã.

— Bia-chan…?

A mais velha se encolheu, sabia que estava agindo como uma criança, mas não se importou, continuando calada, precisava de seu próprio tempo para pensar.

— Bia-chan, eu sei que você está aí, me responda. Está tudo bem?

Queria questionar a irmã sobre aquele homem, queria lhe contar tudo, perguntar sobre tudo, mas sentia que aquele não era o momento. Naquela cabine, apertada pelo seu próprio vestido, ouvindo o som abafado da música, não era o melhor para conversar sobre aquilo.

Queria entender por si mesma o que havia acontecido, quem era ele? O que havia acontecido no jardim? Que tipo de magia fora aquela? Ou melhor, como ela não reagiu? Queria saber mais, como deveria ser a voz dele, o rosto por detrás da máscara. Se assustou com tais pensamentos, isso soava obsessivo e estranho até para si mesma.

Sem respostas, ela lembrou-se dos olhos azuis opacos, se arrepiou com a lembrança, logo escutando a música cessar e a voz abafada voltar a falar.

— Bia-chan…

Foi a última coisa que ela ouviu a irmã dizer, seguida de um suspiro, da porta sendo aberta e fechada. Yui não estava mais lá e sabia que a dança já estava prestes a começar.
Sem muito cuidado, ela saiu da cabine, verificando sua aparência. Provavelmente, conheceria seu futuro noivo agora, precisava estar impecável para que nada de errado ocorresse mesmo que a decisão fosse contra seu gosto. Estava na hora de agir como alguém madura.

Mesa no Salão da Mansão Sakamaki — 23:00.

A passos decididos, ela cruzou o salão, voltando a se sentar na mesa destinada a ela. Nada havia mudado. Beatrix estava elegante como sempre, interagindo com outras pessoas sem perder a postura. Já no lado oposto da mesa, onde estava a Sakamaki albina, era visível que estava completamente deslocada, com a cabeça baixa, parecia estar em qualquer lugar menos ali naquele evento.

— Está tudo bem? — a mais nova questionou Christa, recebendo apenas um aceno positivo. Aquela situação estava desgastante, era visível nos olhos vermelhos da mulher à sua frente.

Sem muita demora, a música recomeçou, dessa vez especialmente para o casal de noivos, que se posicionaram no meio do salão, tendo toda a atenção voltada a eles.

O vestido da loira arrastava sobre o chão com delicadeza, as bochechas coradas por ter todos os olhos em si, não a impedia de dançar perfeitamente. Estavam perfeitos, suas roupas só destacavam mais a elegância que ambos tinham. Eram de cores diferentes, mas ainda assim se uniam em um contraste, um visual lindo, em um mundo só dos dois. Eles dançavam para todos.
Por algum tempo, Bia ficou orgulhosa da irmã. Ela aprendera a dançar de um modo excelente, coisa que ainda era uma dificuldade para a mais velha. Também orgulhou-se do noivo que ela conseguira, eles pareciam se dar bem, mesmo com o casamento sendo arranjado, o sonho de sua irmã havia se realizado. Sorriu com a possibilidade de sua pequena Yui, já não mais tão pequena assim, estar feliz.

Ayato e Yui rodeavam o salão em uma valsa, estavam perfeitos, suas roupas eram de cores diferentes, mas ainda assim se uniam em um contraste visual lindo. Enquanto ele a abraçava, a música continuou por mais alguns minutos, em uma dança completamente majestosa. Quando a música parou, eles fizeram uma reverência para todos ali. Com uma salva de palmas, todos os elogiaram, enquanto os músicos se arrumavam para tocar a próxima música e os cavalheiros chamavam suas damas para dançar.

Sem muita demora, a dança oficial fora finalizada com uma salva de palmas. Eles ainda dançavam, agora juntos de outros casais que se juntaram a eles, não tirando a atenção que eles emanavam como casal principal.

— Você aceita dançar comigo? — Se assustou por um segundo ao ouvir aquela grossa voz, e ao encarar seu dono, se assustou uma segunda vez, dessa vez ficando verdadeiramente congelada.

Surpresa com tudo, ela não conseguiu conter um suspiro. Agora sob a luz, pôde observar ele sem restrições e assim fez. Cada detalhe parecia muito mais vivo, os cabelos desgrenhados, sem perder a aparência formal, caíam sobre o rosto pálido, os olhos azuis escuros e opacos a encaravam em busca de uma resposta, a máscara preta ainda estava ali, mas agora parecia não fazer diferença, era quase como se ela conseguisse o ver por inteiro, mesmo com aquele empecilho.

Curiosa demais para se segurar, ela cedeu. Ainda temerosa, estendeu a mão para ele, sendo segurada pela mão máscula e fria do homem. Aquele toque gelado percorreu todo seu corpo uma segunda vez, em um arrepio de tirar o fôlego.

Buscando um lugar mais afastado, ela o seguia. Nenhuma palavra fora dita, muito menos uma troca de olhares, ele não havia verificado nenhuma vez se ela estava o seguindo e isso tornava o momento bastante constrangedor. Será que ele confiava tanto em si mesmo, a ponto de não verificar se a garota ainda o seguia?

Não havia respondido nenhuma de suas questões, ao contrário, elas apenas aumentavam. Por que estava seguindo um completo desconhecido? Não sabia mais se aquilo era coincidência, interesse ou perseguição. As três opções para ela pareciam terrivelmente alucinógenas.

Procurando se distrair da situação vergonhosa, ela encarou o local, focando na janela levemente embaçada pelas pequenas gotas do choro celestial. Estranhou, era anormal que as chuvas começassem tão cedo, entretanto, apenas prosseguiu, seguindo o misterioso homem mascarado.

Dispostos, não foi necessário que o próximo instrumental começasse. Em um movimento nem um pouco delicado, ela estava em seus braços, provavelmente percebera que a garota não era uma das pessoas mais concentradas e formais daquele salão, tomando então conta de instrui-la na dança.

Ela o observou uma última vez, antes das novas notas musicais invadirem o salão. Aliviada, ela pouco precisava fazer, apenas alguns movimentos que impediam que a dança se tornasse um completo caos. Movimentos suaves, às vezes mais rápidos, às vezes mais lentos.
Focada na música, ela estava evitando encará-lo. Mesmo que não quisesse admitir, o homem à sua frente exalava uma aura assustadoramente poderosa e uma beleza extraordinária que o fazia centro das atenções. Encará-lo poderia fazê-la se perder mais ainda naquela “magia“, portanto, preferia evitar.

O vestido formal dificultava um pouco o contato desnecessário entre eles e ela agradecia isso, não sabia se aquele era mesmo seu pretendente. Se não fosse, estaria cometendo um erro enorme.
Os babados da saia se moviam pelo chão, criando movimentos quase que próprios do tecido. As cores combinavam, das roupas dela e das roupas dele, parecendo quase que complementares, como as dos noivos. A música ecoava por seus ouvidos distraídos, fazendo-a acompanhar apenas o ritmo dos movimentos o máximo que conseguia.
Tinha mais perguntas agora, dentre todas do salão. Por que ele buscara dançar com ela, a mais distraída? Visivelmente, várias garotas o observavam, desejando com seus pequenos olhos estarem no lugar da loira, mas, naquele momento, esse lugar era reservado para ela, por quê?

Diferente da maioria dos casais, eles eram completos estranhos, não sorriam nem sequer se encaravam. Com a dança exemplar e falta de palavras, o casal mascarado chamava atenção.
Com as bochechas coradas por se sentir observada, eles finalizaram a dança com uma reverência entre si, ignorando todos e qualquer um à sua volta.

Ela já estava se preparando para deixá-lo, quando a próxima música ecoou pelo salão.

Para sua surpresa, ele segurou sua pequena e frágil mão, depositando um beijo com seus lábios grossos na sua parte superior… E sorriu

Antes de se afastar, ele sorriu e isso fora o suficiente para as perguntas transbordarem como sangue, derramando do cérebro da confusa garota.

 


Fiancé — 23:19

Salão da Mansão Sakamaki — 23:19.

Aquele sorriso.

Se assustou consigo mesma, por estar pensando em algo tão banal como um sorriso. Não que seus pensamentos sobre aquilo houvessem parado, ela apenas decidiu que não poderia continuar ali estagnada por mais tempo, então saiu andando pelo salão, sem um rumo definido, apenas tentando esquecer aqueles lábios grossos sorrindo com tanta calma, e espontaneidade. É, definitivamente estava enlouquecendo!

Desde quando um sorriso poderia chamar tanto sua atenção? Era inútil, certamente os lábios eram grossos e os dentes brilhantes, tornando aquele gesto lindo. Estava obcecada demais com isso, sabia. Algo a atraía e a afastava sobre aquele homem. Distraidamente voltava à mesa, quando se lembrou… Não sabia seu nome.

Em partes, agradeceu por isso, não precisava saber nada sobre ele, não poderia! Mas em contrapartida ficara curiosa, desejava saber mais, não se importando com o quão obcecada isso soaria.

Suspirou, observando a mesa a qual antes estava sentada, vendo Christa olhando ao redor com um ar de curiosidade, procurava algo. A ação da mais velha fez ela se aproximar, buscando ajudá-la.

— Christa? — chamou, vendo-a sorrir pequeno.

— Seiji-san está te procurando — disse simples, só então fazendo a menor se lembrar. Com um gesto rápido, ela se despediu, indo a passos rápidos atrás do pai. Seu possível pretendente. Havia se esquecido completamente que o pai prometera apresentá-lo hoje!

Esqueceu-se de que havia vindo apenas para conhecê-lo. Na ponta dos pés, com extrema dificuldade pelos sapatos de salto, ela avistou a cabeleira grisalha no meio da multidão, com menos formalidade que antes. Ela andou rapidamente por entre as pessoas, encontrando seu pai no meio.

— Bia, estava te procurando! Vamos, você sabe o que tem de fazer — o senhor disse, esboçando um sorriso forçado. Sabia que, assim como sua filha, ele não gostaria que nenhuma das duas casasse, mas quando se tratava de um pedido direto de KarlHeinz, não existia a possibilidade de querer.

A garota observou todo o local, em busca de seu possível noivo. Imaginava a qual família ele pertenceria, Sakamaki ou Mukami? Ambos filhos do poderoso KarlHeinz, mesmo que houvesse conhecido apenas os filhos da família Sakamaki. Estava apreensiva. Como só conhecera aquela família, imaginava que seria um deles. Cinco possibilidades, Shu, Reiji, Laito, Kanato ou Subaru.

Preferia que apenas o casamento não se concretizasse, independente de quem fosse, não era da sua vontade. Se antes, como freira, tinha pouca liberdade, sabia que como noiva de alguém importante essa liberdade se resumiria a zero, acabando com todo e qualquer sonho que a garota poderia ter.

Ainda achava estranho o fato de o pai ter conseguido quebrar o acordo com a Igreja, permitindo que as suas freiras casassem, mas entendia que isso era muito maior que só um acordo. Dedilhou a borda do vestido, o amassando entre os dedos extremamente aflita. Em que tipo de problemas o pai poderia estar se metendo dessa vez?

O arrepio percorreu seu corpo, acabando por soltar um baixo suspiro. Desejava poder correr dali, ir tão longe que ninguém nunca a encontraria. Mas precisava assumir suas responsabilidades, precisava cuidar do pai, retribuir o cuidado que ele havia tido com ambas e o casamento era uma dessas formas.

O próximo som ecoou pelo salão. Em passos calmos, ela deslizou os próprios sapatos pelo chão, envolvida pelo instrumental. Desejava poder dançar de modo não formal e sozinha, como fazia nas festividades da Igreja, mas isso não estava permitido. Lembrou-se, fixando a sola do sapato no ponto inicial.

Com o braço envolvido no de seu pai, ela caminhou lentamente, tentando não externar o nervosismo que sentia. Pensamentos demais para suportar, ela tentava controlar, arrumando as próprias vestes.

Não se sentia pronta, mas era agora ou nunca!

Seu pai a levou até um local mais afastado da pista de dança, sem soltar o braço dela. A mais nova sentia, também, o quão nervoso o senhor ao seu lado estava.

Salão da Mansão Sakamaki — 23:32

Em um suspiro, seu corpo tremeu. Sentia dentro de si que algo não estava certo. Provavelmente era o nervosismo, saber que a qualquer momento seu noivo chegaria e então ela teria que passar uma vida ao lado de um desconhecido.

Com um aperto contra seu braço, seu pai a soltou e ela se virou em sua direção, dando um pequeno sorriso. Era uma despedida, soava como tal, se arrepiou com o pensamento.

Sentindo e escutando que alguém se aproximava por trás, ela suspirou uma última vez. Se preparando para aquele fatídico destino, sorriu para o pai, se virando na direção de seu pretendente.


 

Midnight — The end of everything

Ela se virou abruptamente. Desejava que o tempo parasse, que não tivesse que aceitar esse estranho noivado, definitivamente não se sentia preparada. Sabia que isso começara por causa da mais nova, mas não poderia culpá-la, estava realizando seu sonho e isso dava à irmã mais velha a vontade necessária para aguentar tudo calada por apenas mais algum tempo.

Em frente ao seu noivo, ela não conseguiu conter a própria reação, denunciando com a face surpresa.

Os olhos azuis, a primeira e mais perceptível característica dele.

Os sapatos pretos compunham parte de suas vestimentas de cor escura, pele pálida, os cabelos bagunçados e mesmo assim formais, tudo compunha uma vestimenta ideal de um príncipe dos livros que lera.

O que lhe causou um verdadeiro espanto, fora os cabelos loiros, contrastando com a máscara dourada. Como seu pai havia arranjado um casamento com o mais velho dos Sakamaki’s?

Isso a fazia entender, pela vigésima vez naquele instante, que o casamento arranjado era de extrema importância para ambas as famílias.

Shu Sakamaki, seu noivo.

— É um prazer conhecê-lo! — ela rapidamente cumprimentou, tentando disfarçar sua face surpresa. Fez uma reverência diante dele, afinal, estava diante do futuro rei… O futuro rei era seu noivo.

Informações demais para dissolver em pouco tempo.

Para sua felicidade, ou infelicidade, o loiro não parecia nem um pouco interessado nela ou nessa união. Desde que o vira mais cedo, ele não parecia interessado em nada. Os bocejos, olhar perdido e os fios loiros bagunçados denunciavam isso. Mesmo parado em sua frente, com uma aura terrivelmente poderosa, mesmo assim ele conseguia parecer preguiçoso.

O mais velho apenas a cumprimentou com um aceno de cabeça, arrumando os fones. Em um movimento rápido, ele ofereceu a mão para a moça, ambos sabiam o que deveriam fazer e ambos desejavam fazê-lo o mais rápido possível. Podiam esperar até o casamento para ter um contato mais profundo, agora eles só queriam terminar as obrigações o mais rápido o possível.

Os olhos azuis foram fixados nos dela. Em movimentos vezes rápidos, lentos, ou vezes circulares, a dança se iniciou. Sentia como se todos os olhares do salão estivessem vidrados nos movimentos de ambos, e certamente estavam. Dançava com certa dificuldade, provavelmente bem mais aparente para o público do que quando dançara com o misterioso homem mascarado. Agora precisava se esforçar mais para obter um resultado médio, coisa que o loiro não parecia se importar.

Arrumou mais uma vez os fones, a música em seu aparelho parecia bem mais interessante do que a que tocava externamente. Aquilo fez a garota questionar, quais eram as músicas que ali poderiam tocar? Eram mais animadas do que as que eram tocadas por aqueles instrumentos?

Imaginou-se dançando de modo mais animado, do jeito que gostava, como sempre fazia nas festas da Igreja.

As duas garotas corriam entre as pessoas, recebendo sermões aos gritos, mas isso não as parava.

A igreja inteira estava ali. Era mais uma daquelas enormes comemorações, com muita dança, louvor e comida. Um dos momentos preferidos daquelas pequenas freiras.

Apesar da música seguir um ritmo calmo, as pessoas dançavam de modo bastante animado, sem se importar exatamente com o comportamento. Elas dançavam como desejavam, agradecendo ao divino de modo próprio e divertido.

Saiu de suas próprias lembranças, encontrando-se com a cabeça pendente, quase encostada sobre o ombro do loiro. Ao perceber, rapidamente se afastou, envergonhada. Como havia ficado tão confortável? Certamente foram suas lembranças, mas não deveria ter se desligado por tanto tempo, era um absurdo!

Agradeceu mentalmente aos céus quando pôde se afastar do centro das atenções. Felizmente, a dança não havia durado tanto. Sabia que devia ficar ao lado de seu, futuro, noivo para não causar más impressões na corte, ou na própria população, mas muitas coisas dentro dela, gritavam para não o fazê-lo. Aquele mínimo contato fora o suficiente para que ela não o desejasse encontrar até o casamento.

Soltando seu primeiro sorriso sincero da noite, ela ouvia o monarca anunciar o término da festividade. Era o suficiente para fazê-la sorrir aliviada.

Ele agradeceu pela presença e, é claro, exaltou muito ambas as uniões, a intimidade entre a Igreja e o Estado. Certamente ocorreria mais vezes e pensar nisso já a fazia cansada. Definitivamente, não fora criada para tantos bons costumes e formalidade. Encarava os pés com dor, vendo ali mesmo a maior prova de que não estava acostumada ao mundo do Estado.

Depois de mais algum tempo falando sobre as relações amorosas, comerciais e divinas, KarlHeinz ordenou que seus empregados abrissem as majestosas portas e assim fora realizado. Do topo da escada, eles avistaram conjuntos de vestidos das mais diversas cores, com ternos e penteados dos mais diferentes, todos em conjunto em direção à saída.

Lado de fora da Mansão Sakamaki — 00:00

Enquanto seu pai e sua irmã ficaram para trás, ela pediu permissão de modo exacerbado para que pudesse esperar na carruagem e felizmente fora concedida. Seu pai cedera com certo receio e uma expressão de poucos amigos, mas cedeu. Depois ela lidaria com as possíveis punições pelo seu mal comportamento.

Com a delicadeza de uma duquesa, ela andou em direção ao lado de fora, se juntando à multidão. Em um suspiro pesado, ela notou que todas as carruagens já estavam cheias, fazendo-a questionar sobre voltar ou não.

Para sua felicidade, ou não, bem distante da luz ou de qualquer visão que alguém pudesse ter dali para julgá-la, ela avistou um banco pequeno e abandonado. Não hesitou, partiu em direção à pequena e isolada felicidade, sentando se ali sem questionar.

Todo seu corpo agradeceu, seus olhos poderiam observar a entrada, mas os olhos de ninguém daquela elite poderiam ver a forma despojada em que a jovem, futura noiva do rei, se encontrava.

Suspirou, já não contando qual a vez ou por que fazia aquilo.

Foi quando duas mãos envolveram-se em seus fios de cabelo, desfazendo seu penteado com brutalidade. O cabelo puxado para trás logo mostrou seu principal objetivo.

Quando os dedos se dirigiram em direção aos seus olhos, tudo escuro se tornou e só então ela percebeu. Não conseguia mais gritar, mas já era tarde demais.