When You Smile

When You Smile

  • Por: Thainá M.
  • Categoria: Astro | Kpop
  • Palavras: 5706
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Sinopse: “A vida adulta traz consigo algumas pressões que esmorecem até as almas mais sonhadoras. As responsabilidades e o medo do fracasso estavam tirando dela o brilho nos olhos e isso era algo que ele não poderia aceitar. Era ela o motivo de seu sorriso. Se ela não sorrisse mais, o que seria dele? Por amor e por jurar fazê-la feliz em todos os dias de sua vida, ele daria o seu melhor para fazê-la sorrir novamente, porque quando um sorriso estava em seus lábios e ela estava bem, ele também estaria.”
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Sem restrições
Beta: Alex Russo

“내 웃음의 이유 넌데 넌데
(O motivo de meu sorriso é o seu)
왜 그렇게 뭔데 뭔데
(Mas você está tão triste, o que acontece?)”

 

– Estou em casa, meu amor!
O som doce e animado da voz de ecoou feito música pelo pequeno apartamento, como de costume sempre que ele estava em casa depois de um expediente exaustivo no restaurante. Ainda que sentisse os braços dormentes por cozinhar para uma equipe de vinte executivos do ramo imobiliário, fora os clientes habituais, e sua lombar implorasse por descanso, o rapaz sempre mantinha o tom acolhedor ao passar pela porta do que ele chamava de lar há pouco mais de cinco meses. Sua mãe sempre dizia que independente do que lhe atormentasse do lado de fora, ele deveria manter as boas energias ao entrar em casa para poder ter forças para enfrentar o que quer que fosse. Sendo um espírito positivo e enérgico como era, seguia a orientação à risca.
– Você chegou? – a pergunta retórica de veio aos seus ouvidos enquanto ele enfiava os chinelos nos pés e o teria feito sorrir se não fosse seu tom fraco e esmorecido – Estou no escritório!
Há dias que o humor da mulher não era dos melhores e seu cansaço tanto físico quanto mental se tornara evidente para alguém que a conhecia tão bem quanto o namorado com quem dividia uma vida. havia se formado há pouco tempo, mas o frenesi ao redor da comemoração pelo diploma havia se dissipado muito mais rápido do que o esperado e logo ela estava envolta em preocupações sobre conseguir um bom emprego em sua área e desenvolver um projeto de mestrado bom o suficiente para uma bolsa. Nas últimas semanas ela se desdobrava entre escrever seu plano de trabalho, o emprego de meio período como livreira e a procura por algo qualificado entre um e outro. Toda a pressão sobre si mesma estava lhe tirando o brilho dos olhos e tornando seus sorrisos escassos, o que deixava o coração de em pedaços.
– Ei, amor – ele chamou com carinho explícito em cada sílaba ao colocar a cabeça para dentro do cômodo que eles usavam como escritório para ela –, como passou seu dia?
adentrou o local e se colocou atrás da namorada que estava sentada diante da mesa com o notebook aberto, muitos livros ao lado e sua agenda de anotações no colo. O rapaz a abraçou pelos ombros e deixou um beijo demorado em sua bochecha, sentindo-a se encolher em seus braços e segurar suas mãos antes de se virar para ele e sorrir de um jeitinho cansado que o fez murchar um pouquinho. Ele se abaixou diante dela e beijou suas mãos, sorrindo e analisando seu rosto um tanto pálido, mas que continuava a ser o mais bonito de todos no mundo.
– Nada fora do comum exceto que o movimento na livraria hoje foi bem fraquinho e consegui estudar um pouco mais – brincou com os dedos dele entre os seus, não querendo encarar demais os olhos preocupados do rapaz, pois se sentia mal por deixá-lo alarmado –, e você? Tudo certo com o jantar para aquela empresa?
– Fazia tempo que a gente não recebia um grupo de clientes tão grande assim – riu, lembrando do desespero de alguns de seus colegas mais novos –, mas foi tudo perfeito.
Ele deitou a cabeça no colo dela e suspirou ao sentir seus dedos em seus cabelos, iniciando um carinho preguiçoso que o fez perceber o quanto estava cansado e desejoso de uma boa noite de sono ao lado de . trabalhava como garde manger – chef de praça da cozinha fria, responsável por tudo relacionado a preparo de patês, canapés, saladas e molhos frios –, na cozinha de um restaurante de hotel. Seus horários costumavam ser bem exaustivos, por isso se abaixou para beijar o topo de sua cabeça e sugeriu lhe preparar um banho.
– Quer que encha a banheira pra você? – ela raspou o nariz em sua nuca, fazendo-o se encolher – Você deve estar exausto.
– Não precisa, . – ele ergueu o corpo novamente, retirando os óculos de leitura dela e se inclinando para deixar um beijo terno em seus lábios – Você está exausta. Comeu alguma refeição completa hoje?
O modo como a mulher desviou o olhar para a agenda, fechando-a e começando a organizar sua mesa de trabalho deixou claro para que sua resposta era negativa. Ela estava tão absorta em suas pesquisas e escritos que mais de uma vez esquecia de se alimentar como deveria. Em breve começaria a perder peso de forma considerável se continuasse agindo daquela forma. Um suspiro pesado saiu por entre seus lábios antes que ela respondesse.
– Almocei no café da livraria, você não precisa se preocupar.
… – ele passou as mãos pelo rosto dela, deixando um agrado em sua pele e fazendo-a olhar para ele novamente – Você está começando a me deixar aflito, amor. Vem aqui – o rapaz a ergueu pelas mãos e a abraçou pela cintura –, vou preparar algo fresco para você comer e depois vamos dormir, ok?
, ainda preciso organizar meu cronogram-
– Shhhh – seu indicador foi para os lábios dela, impedindo-a de contra argumentar –, você já se esforçou bastante por hoje. Não pode sequer descansar um pouco? – ele ergueu uma sobrancelha para ela, que jogou a cabeça para trás ao suspirar, contrariada – Se não quer se cuidar, , vou fazer isso por você e não há como me impedir!
Dizendo isto, a girou em seus braços colando as costas da mulher contra seu tronco ao abraçá-la pela cintura para depois encaixar seu rosto na curva de seu pescoço, deixando beijinhos por sua bochecha antes de começar a caminhar passo a passo junto com ela em direção à cozinha. se encolheu em seus braços e desistiu de qualquer argumentação que poderia fazer, porque honestamente sequer tinha forças para dizer mais uma vez para ele que seu futuro dependia que se esforçasse o máximo que pudesse. Compreendia e detestava preocupá-lo, mas tinha tanto medo de fracassar que isso acabava por lhe cegar para qualquer outra coisa.
– Não quero que fique chateada comigo… – o cheirinho em seus cabelos após o sussurro a fez esboçar um sorriso pequeno e triste – Eu só quero o seu bem e me angustia não ver seu sorriso, . Prometi fazer você feliz e não existe a possibilidade de que essa promessa não seja cumprida todos os dias da minha vida.
parou com ela em frente à ilha da cozinha e com a mulher ainda entre seus braços a virou para si e se concentrou em seus olhos, fazendo-a soltar um suspiro novamente. Estava acostumado a ver um brilho especial no colorido deles, pequenos cristais que cintilavam quando ela sorria ao contar sobre seus planos para o futuro ou quando comentava com animação sobre o último livro que lera e como havia uma personagem tão parecida com ela que estava tentada a mandar um e-mail para o autor. estava acostumado a capturar os melhores sentimentos e as melhores sensações da aura sonhadora de , mas sabia que compartilhando uma vida com ela não a teria feliz e radiante a todo o momento. Ainda assim, nada o impediria de fazer o seu melhor para que ela sorrisse verdadeiramente e ainda que estivesse cansada o bastante para tal, queria que ela soubesse que tinha sim motivos para lhe presentear com o mais belo esticar de lábios que ele já vira.
– ela começou, dedicando sua atenção ao rosto sereno dele, desde seus olhos calmos às bochechas altas e ao sinal charmoso bem abaixo dos lábios –, você sabe que isso não tem a ver com o nosso relacionamento. A minha angústia não parte de você ou de falta de amor. Tem a ver comigo somente, com o que preciso fazer e com o que preciso sacrificar. Detesto preocupar você, mas você conhece todos os meus sonhos e os caminhos que tenho que percorrer até eles. Não é fácil.
– Eu sei, – ele a abraçou novamente e a mulher precisou engolir uma vontade boba de chorar; além de cansada, estava mais emotiva que o normal –, é por isso que estou aqui e vou cuidar de você, ok? – ele se afastou para olhar em seus olhos novamente, segurando as mãos dela entre as suas – Desde que estamos aqui vivendo juntos, seus problemas e suas angústias também são as minhas.
O pequeno sorriso que surgiu nos lábios dela ao que assentiu foi o suficiente para que se sentisse melhor. Os dois estavam juntos desde a entrada na universidade e passaram a dividir uma vida com a saída dela. A família de ambos vivia fora de Seul e para o casal foi natural que um passasse a significar o lar do outro estando sozinhos na capital. O cuidado mútuo era constante e era por isso que se sentia na obrigação de não deixá-la negligenciar a si mesma, porque quando ele precisou de apoio, especialmente quando começou a buscar emprego e a disputar vagas com cozinheiros muitos mais experientes, fora ela quem esteve por trás dele, o fortalecendo e iluminando seus dias.
– Agora você precisa se alimentar! – o rapaz deixou um beijo rápido em seus lábios e contornou a bancada da cozinha enquanto ela se sentava no banco alto, fazendo uma careta – Nem adianta dizer que está sem fome. O que quer comer? – ele virou para ela depois de lavar as mãos e arregaçar as mangas da camisa até os cotovelos – Seu chef pode fazer qualquer coisa.
soltou um riso nasalado quando ele piscou e apoiou o queixo nas mãos enquanto o admirava procurar algo na geladeira. Ver cozinhar era sempre um espetáculo e fazia alguns dias desde que ela parara para apreciar aquilo. Costumava se gabar para o pai por ter um namorado cursando gastronomia, já que ele sempre implicava com ela por conta de sua falta de jeito na cozinha. O homem mais velho sempre perguntava como ela iria se virar vivendo sozinha, mas depois de a mulher dificilmente precisava se preocupar com o que iria comer.
– E se eu quiser um refogado de frutos do mar? – o tom de voz divertido fez com que o rapaz retirasse a atenção do interior do refrigerador para olhar para ela, que implicava com ele com um sorriso mínimo nos lábios. Era o que precisava, vê-la relaxar um pouco e brincar com ele, como sempre fazia.
– Não temos isso em casa, mas eu ligo pra entrega e faço pra você em meia hora!
Ele piscou novamente, indo até ela e se debruçando sobre a bancada de mármore para lhe roubar um beijo rápido. O riso mais aberto que se desprendeu dos lábios da namorada fez com que ele mesmo sorrisse mais abertamente, satisfeito por vê-la esquecer um pouco suas preocupações. Adorava cozinhar para , porque sabia que era algo que sempre lhe arrancava sorrisos, então ainda que soubesse que ela estava brincando sobre os frutos do mar, falava sério quando dizia que faria qualquer coisa que ela pedisse.
– Estou brincando, jagi¹. Não estou com muito apetite e você está cansado, pode fazer o que quiser. Eu vou amar o que quer que você faça.
sorriu e se debruçou sobre a bancada quando ele começou a pegar algumas coisas na geladeira e nos armários. Estava pronta para ver seu chef particular em ação e ser agraciada com a visão sempre sexy das habilidades culinárias do namorado.
– Vou rechear um pão com salada fresca e farei um chá gelado – ele parou de arrumar os ingredientes para espiar o relógio na parede –, porque já está tarde e uma refeição pesada não é uma boa ideia.
Com um sorriso ele retirou sua atenção da namorada para começar a preparar o lanche e esvaziou a mente enquanto o observava manusear os utensílios de cozinha com habilidade. A cena tão familiar lhe aqueceu o coração e a vontade irracional de chorar voltou sem que percebesse, mas dessa vez ela vinha junto de uma gratidão enorme que lhe preenchia e que lembrava a cada pedacinho dela o porquê de amar sem limites aquele homem diante de si. O esforço de para fazê-la se sentir melhor era o gás que precisava e que a fazia ter certeza de que independente de seus sucessos e fracassos, ele estaria ao seu lado sendo o melhor companheiro possível.
– Está pronto! – ele lhe sorriu depois de alguns minutos concentrado, colocando o prato e o enorme copo com chá verde diante dela – Enquanto você come, vou tomar um banho.
Limpando as mãos em um pano de prato, passou por ela e deixou um beijo em seu ombro, sussurrando suas palavras de amor antes de desaparecer pelo corredor. ainda o ouviu cantarolar uma canção qualquer e sorriu para o nada, sentindo-se sortuda apesar de tudo. Após comer, o namorado não deixou mais que ela se enfurnasse no escritório, levando-a no colo para a cama e a enchendo de beijos para distraí-la da argumentação que ela tentara articular para que conseguisse terminar seu cronograma de estudos para a próxima semana. Não havia, porém, como ir contra o alívio que seu corpo demonstrou ao estar ao lado do dele na cama que dividiam todas as noites.
– Não está bom assim? – ele perguntou ao envolvê-la com seus braços e entrelaçar suas pernas por debaixo do edredom quentinho, sorrindo para a feição sonolenta dela ao assentir – Descanse, . Você está indo bem e vai dar tudo certo, ok? Eu te amo.
– Eu te amo.
Sua resposta saiu em um sopro no momento em que ela se abraçou a ele e escondeu o rosto em seu pescoço, inalando o cheiro deliciosamente conhecido de sua loção de banho. Cansada como estava, mal percebeu quando caiu no sono, mas ainda perdeu alguns minutos afagando seus cabelos e apreciando sua expressão serena ao dormir tão profundamente, permitindo-se descansar também logo em seguida, um pouco mais satisfeito por ter a mulher que amava em seus braços, tendo a certeza de que cuidaria dela daquela forma sempre que precisasse dele.


“I feel so good when you smile again
(Eu me sinto tão bem quando você sorri novamente)
너 웃을 때 예쁜 거 너마저 알고 있잖아
(Você sequer sabe o quanto é linda sorrindo?)”

Na manhã seguinte, despertou mais cedo do que o recomendado para um sábado em que somente trabalharia à noite, mas os raios solares adentrando o quarto pelas frestas das persianas o fizeram perceber que, apesar de já estarem no início outono, aquela seria uma agradável manhã ensolarada, o que lhe inspirou para sair da cama antes do anteriormente planejado e preparar algo para que pudesse ter um fim de semana menos estressante. Estava mais do que empenhado em fazer seu amor sorrir mais novamente e aceitara de bom grado o sinal que o clima lhe dera.
Com cuidado, ele afastou seus corpos sobre o colchão e aconchegou a mulher entre os travesseiros para que ela não acordasse. Acabou sorrindo para quão linda parecia ao dormir, a boca entreaberta pela forma como sua bochecha estava pressionada sobre o travesseiro lhe dava uma expressão tão doce que não resistiu em se inclinar em sua direção e deixar um beijo suave na pontinha de seu nariz. A forma como ela o franziu logo em seguida, contorcendo o rosto em uma careta, provavelmente pelo fato do seu toque ter lhe causado cócegas, quase fez com que o namorado risse sonoramente, mas o rapaz se conteve ao levantar e seguir para o banheiro, ainda com um sorriso nos lábios.
A manhã estava realmente agradável, como vislumbrara ainda do quarto, por isso ao abrir as cortinas da sala e arrastar as portas da pequena varanda, ele pôde ver o sol começar a brilhar sobre a cidade e amenizar o frio dos dias anteriores. A brisa refrescante que atingiu seu rosto o deixou ainda mais animado para o que planejava, então o rapaz se apressou para a cozinha, certificando-se de não fazer barulho demais enquanto organizava os ingredientes e os utensílios pela bancada e começava a cozinhar o desjejum com o dobro de capricho, pensando em tudo o que a namorada mais gostava de comer e no que mas seria saudável para ela.
Sempre que podiam, e aproveitavam seus momentos livres juntos em casa e em volta de alguma diversão doméstica que os mantivesse lado a lado sob um edredom quentinho, assistindo a um filme ou maratonando algum drama novo. A personalidade tranquila dos dois criara aquela rotina amena que parecia ser um luxo dos casais mais antigos ou com mais tempo de relacionamento, mas que não era nem um pouco estranha aos dois jovens. Fazia algum tempo, então, desde que eles tinham feito algo diferente ou que tinham saído para um encontro e aproveitado um bom tempo fora de casa. Diante dos últimos acontecimentos e da falta de ânimo de , achou que era o momento perfeito para que eles saíssem um pouco e aproveitassem o clima lá fora.
Após deixar tudo pronto na cozinha, o rapaz se dirigiu ao quarto onde a mulher ainda dormia tranquilamente, mas nem mesmo o bem que aquela imagem lhe fazia o impediu de afastar as persianas para que a iluminação natural tomasse todo o cômodo aos poucos, a fim de despertá-la. , no entanto, sequer se mexeu, o que fez com que soltasse uma risadinha e se aproximasse dela, deitando-se na cama ao seu lado, arrastando-se devagarinho para perto dela até que seus rostos estivessem alinhados e bem perto um do outro.
– ele chamou em um sopro, usando uma das mãos para afagar os cabelos dela –, meu amor, preciso que você acorde. – esfregou seu nariz ao dela com cuidado, observando qualquer reação de seu rosto.
se moveu preguiçosamente ao lado dele, mas ao invés de despertar, agarrou-se ao tronco do namorado e suspirou em seu pescoço, inalando o cheiro bom do banho recém tomado e aconchegando-se ali como sempre costumava fazer. Sua ação quase fez a abraçar de volta e desistir de sair da cama, já que o toque dela era sua coisa favorita no mundo, por isso foi preciso o dobro de força de vontade para que ele levasse os lábios ao ouvido da mulher e deixasse um beijinho casto antes de voltar a sussurrar seu nome. Como seus chamados suaves mais pareciam uma canção de ninar para , aos risos começou a beijá-la por todo o rosto, descendo para o pescoço dela até que a mulher começasse a murmurar, resmungar e perguntar o que diabos ele estava fazendo.
– Estou tentando acordar você. – ele riu, tentando se afastar ao que ela continuava a esconder o rosto em seu tronco – Vamos, ! – ele insistiu quando ela resmungou, afinal, era seu dia de folga na livraria – Fiz hotteok² pra você… – cantarolou, tentando convencê-la.
À menção de seu doce favorito, abriu os olhos vagarosamente e ergueu a cabeça para olhar para o namorado, que gargalhou diante de quão fraca ela era para doces. forjou uma expressão de tédio que apenas o fez rir mais.
– Que horas são? – ela perguntou em um suspiro, finalmente rendida a findar seu sono.
– Quase nove. – respondeu tranquilamente, mesmo sabendo que ela protestaria.
! – ela se afastou dele para encará-lo mais diretamente – Você discursa para que eu descanse mais e me acorda a essa hora no meu dia de folga?
– Ei, é por uma boa causa! – o rapaz se aproximou novamente, agarrando-a pela cintura – Dê uma olhada na janela, jagi. – pediu e ela se moveu para o lado para olhar a iluminação solar se tornar ainda mais evidente – Está um lindo dia lá fora. O que acha de aproveitar para dar um passeio em Banpo?
olhou para a expressão sorridente do namorado e não conteve o próprio sorriso pequeno que surgiu em seus lábios. era mesmo adorável e não existia forma de pará-lo. Tinha tanta sorte por tê-lo.
– Eu adoraria, meu amor – ela respondeu, abraçando-se a ele de volta –, mas você chegou exausto ontem. Não deveria passar o dia aqui descansando?
fez uma careta e abanou uma das mãos na direção dela, negando sua proposta imediatamente. Ele ainda poderia tirar uma soneca durante a tarde e mesmo que não pudesse, ele sacrificaria um pouquinho de seu descanso para vê-la sorrir em um uma manhã agradável como aquela.
– Posso descansar com você, nós dois deitados na grama do parque e aproveitando que o sol resolveu nos dar uma folga do frio da semana. Que tal? – ele sorriu novamente, cutucando ela no braço, insistente como uma criancinha – Fiz seu chá preferido também e assei biscoitos…
gargalhou e foi o suficiente para que sentisse seu coração esquentar mais que o clima lá fora.
– A que horas você acordou? – ela perguntou, espantada que ele já tivesse cozinhado todo o desjejum antes de acordá-la.
– Bem cedo – respondeu, sorrindo –, mas e então? Eu já estou pronto, você não vai se arrumar?
Sorrindo, se aproximou dele e uniu seus lábios rapidamente antes de rolar para fora da cama e correr para o banheiro, sentindo-se mais animada do que estivera durante toda a semana. O empenho de em deixá-la confortável e fazê-la desestressar era muito mais eficaz do que qualquer outra coisa e lhe enchia o coração dos melhores sentimentos. Ela se viu cantarolando durante o banho e durante o tempo que levou para se vestir e arrumar os cabelos, sentindo-se leve pela primeira vez em muitos dias. Ao chegar à sala, já devidamente arrumada em um vestido de verão, mas com meias grossas o suficiente para vencer a brisa fria, um riso fácil escapou de seus lábios ao ver esperando-a apoiado na bancada da cozinha com uma cesta de piquenique ao seu lado.
Ele era muito melhor do que qualquer protagonista de drama e ela podia provar.
– O que é tudo isso? – perguntou, chegando perto para abrir a cesta e espiar o que ele preparara.
– Nosso desjejum! – sorriu ao responder e roubar um beijo dos lábios dela – Vamos logo? Você deve estar com fome.
percebeu seu sorriso fácil e se apressou em segurar sua mão e guiá-la para a porta, soltando-a apenas para destravar o alarme e colocar os sapatos enquanto ela fazia o mesmo. No elevador, segurou sua mão e beijou-a repetidas vezes até voltar a puxá-la para fora, apressado como se corresse o risco do sol fugir para as montanhas. riu dele.
– Não vamos para o ponto de ônibus? – ela estranhou quando ele a guiou para a direção oposta ao saírem do prédio.
– Não mesmo! – riu, apontando para o final da rua abaixo deles – Vamos alugar duas bicicletas e ir pela ciclovia principal até o parque. Faz tempo desde que fizemos isso, não é?
sorriu ao assentir. Eles costumavam usar muito bicicletas quando ainda estavam na universidade e ela se lembrava bem de como quase sempre chegava ofegante e suado em seus primeiros encontros. Alugar uma bicicleta por algumas horas era mais barato do que pedir um carro particular e o faria chegar bem menos atrasado do que os ônibus. Como eles estavam sempre metidos em estágios e empregos de meio período, o tempo que desfrutavam juntos sempre dependia de alguma correria e sacrifício. Dava um sentimento gostoso no peito ver o quanto tinham evoluído juntos e como agora poderiam desfrutar de todo o tempo do mundo juntos.
– Provavelmente estou um pouco enferrujada. – ela alertou depois de se acomodar no assento da bike e arrumar o capacete na cabeça.
Ao seu lado, já havia enganchado a cesta em frente ao guidão e a esperava para começar a pedalar.
– Eu devo estar também, então não precisamos ir com pressa. A não ser que você queira apostar… – ele arqueou uma sobrancelha pra ela, que negou imediatamente.
– Nem pensar! Vá devagar! – ela pediu ao começar a pedalar e vê-lo ganhar à frente em poucos segundos.
apenas riu e esperou por ela para que começassem a descer a rua juntos. O passeio até o parque foi mais divertido que o esperado e ambos riram muito ao tentarem segurar as mãos enquanto pedalavam, mas falhando em poucos minutos, já que um ou outro sempre desequilibrava primeiro. Quando a ponte de Banpo apareceu em seu campo de visão, até desejou que ela estivesse um pouco mais longe para que pudesse aproveitar um pouco mais a brisa fria que bagunçava seus cabelos e trazia para perto de si o perfume de , mas o ronco em seu estômago aliviou quando eles pararam as bicicletas em frente ao parque e começaram a escolher o melhor lugar para se sentarem.
– Acho que aqui está bom, não? – perguntou, protegendo com uma das mãos os olhos da fraca luz do sol, olhando ao redor do parque às margens do rio Han.
Assentindo, estendeu sua echarpe na grama para que pudessem se sentar e começou a retirar os recipientes da cesta. Seu doce favorito, biscoitinhos de aveia, sanduíches recheados de salada fresca e seu chá favorito, uma infusão de hibisco, canela, cravo e amora, tudo devidamente arrumado e feito por com um apreço que não precisava ser anunciado, ela simplesmente sabia. Como tudo que ele fazia por ela e para ela, vinha sempre cheio de amor e zelo que a faziam mais feliz do que qualquer palavra doce que saísse de seus lábios. Naquele momento, ela só conseguiu sorrir e teria agradecido antes se seu estômago não tivesse lhe obrigado a começar a comer imediatamente.
mais a observou comer do que a acompanhou no desjejum. Vê-la apreciar tudo enquanto fechava os olhos e inclinava o rosto na direção do sol era uma das imagens mais adoráveis do mundo. Queria que ela se sentisse leve e feliz daquele jeito para sempre e não mediria esforços para que isso fosse possível.
– Você gostou? – ele perguntou minutos depois, olhando para ela com carinho e fazendo-a voltar a sorrir.
– Nunca existiu a menor chance de não gostar de qualquer coisa que você faça pra mim. – a mulher se aproximou dele, segurando o queixo dele delicadamente entre seus dedos – Você é o melhor do mundo, sabia?
sorriu para o sorriso enorme que ela lhe dera. Ver seus olhos brilhando daquele jeito era tudo o que ele queria.
Você é a melhor do mundo. – ele uniu seus lábios por alguns segundos e se afastou, levando o polegar para a área coberta pelo batom, vendo-a sorrir novamente – O seu sorriso é a única coisa que importa pra mim. Por favor, nunca esqueça isso.
se sentiu emocionada como na noite anterior e quis chorar novamente, mas somente porque se sentia tão amada por ele que era impossível não sentir seus olhos arderem um pouquinho. Por ser como era, tinha a certeza que o teria ao seu lado para apoiá-la em todos os momentos, inclusive nos piores.
– Você nunca me deixa esquecer. – sua voz fraquinha denunciou o choro iminente e isso alarmou o namorado.
– Ei, ei! – ele a chamou, segurando seu rosto com ambas as mãos e a olhando nos olhos, que já cintilavam algumas lágrimas teimosas – Não é pra chorar!
Só que ainda que uma lágrima escapasse, gargalhou e adiantou-se para beijá-lo antes que ele a enxugasse.
– Não é um choro triste, meu amor! – ela o tranquilizou depois de se afastarem minimamente, mas ainda sentindo o toque superficial de seus lábios – Eu só estou tão grata por ter você que não consigo evitar. Obrigada, . Por tudo.
O rapaz afagou seus cabelos e sorriu minimamente, aliviado por vê-la sorrir novamente. Ainda que ela precisasse se esforçar mais, ainda que a vida adulta fosse difícil como estavam aprendendo que era, ele só queria que ela soubesse que não precisava passar por nada sozinha e que não precisava ir às ultimas consequências para atingir seus objetivos. Eles estavam juntos e ainda que uma coisa ou outra não desse certo, iriam procurar por soluções juntos.
– Não me agradeça. Faço isso porque amo você e se puder farei mais e mais e todos os dias de nossas vidas, você entendeu? – quando ela assentiu, ele a beijou de novo antes de voltar a falar – Eu te amo e vou estar com você, dando todos os motivos que você precisa para sorrir assim sempre, ok?
– Eu te amo igual e pra sempre. – ela respondeu, se abraçando a ele de lado, olhando para o parque lotado abaixo deles, vendo a luz solar cintilar no rio logo à frente – Você me deu o que eu precisava hoje e eu amo você ainda mais por isso.
O rapaz beijou o topo de sua cabeça e abraçou de volta, deixando que os pesos de seus corpos relaxassem na grama abaixo deles. se aconchegou em seu colo e deitou a cabeça em seu tronco, sentindo a luz solar os aquecer minimamente enquanto não conseguia parar de sorrir. Olhando-a enquanto seus lábios davam a ele a melhor imagem de todas, sabia que eles estavam bem e que ela estava bem. Era o que importava, afinal. Porque se ela estivesse bem, ele também estaria.

¹Jagi é o encurtamento de Jagiya, termo carinhoso utilizado para se referir a alguém dentro de um relacionamento como namorados ou casados. Em tradução adaptada seria algo como querido/querida ou amor.
²Panqueca doce geralmente recheada com castanhas ou amendoim.

Nota da Autora: Esta fanfic foi inspirada em uma música que sempre é capaz de aquecer meu coração nos dias ruins e espero que assim como ela, essa estória possa ter trazido alguma alegria a quem tenha lido.
Espero que tenham gostado e muito obrigada pela leitura!
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