It isn’t in my blood

Sinopse: Quando a intimidade chega, ir embora é uma opção
Permanecer, também
Escolher ficar é para quem entendeu
Que a verdadeira magia não está no destino
Aliás, não há destino; só existe eu e você
O resto é poesia pro nosso amor
Pra nossa dor
Pra nós
Fandom: Chris Evans
Gênero: Romance/Drama
Classificação: +18
Restrição: Contem linguagem sexual e uso de drogas
Beta: Natasha Romanoff

 





Prólogo

“Somos almas parecidas,
mas separadas pela vida
Dois corações apaixonados
condenados a viver separados
Um destino cruel
Devastador
Viver assim separado
do seu grande amor”
— Poema as Bruxas
13 de agosto de 2012 — Festa de aniversário do Sebastian
— Eu quero te apresentar a alguém, mas você não pode ser grossa, ok?
A mulher revirou os olhos e concordou com o que o ator disse. Sebastian a segurou pela mão e guiou o caminho até o bar que ficava no meio do restaurante, que havia sido fechado para a festa de comemoração dos 28 anos do ator.
— Chris?
O homem de costas largas e com o cabelo curto se virou conforme o chamado de Sebastian e a morena revirou os olhos quando o reconheceu. Ele segurava uma long neck de cerveja e tinha um sorriso de cruzar as pernas de qualquer ser humano que sentisse atração pelo seu gênero. infelizmente fazia parte desse grupo de humanos.
— STAN!
Ele se levantou animado, cumprimentando o romeno com o famoso “abraço de mano” e com o maldito sorriso ainda ali. As bochechas dele não doíam, não?
— Parabéns, cara! — Chris continuava animado, fazendo a mulher se questionar se ele havia atingido o seu limite de em bebida alcoólica. — Eu pensei que você esqueceria de mim, um mero mortal.
— Você um mero mortal? — Sebastian riu. — Eu quero te apresentar a alguém.
Sebastian puxou a mulher, que até agora estava atrás dele observando a cena, para o seu lado, apertando a mão dela para que tirasse a carranca do rosto. tinha acabado de chegar da Índia, um país com o fuso de mais de 8 horas e Stan havia a buscado no aeroporto com as desculpas de que estava com saudades e ela não poderia perder a sua festa de aniversário. A saudade podia esperar uns 3 dias, né? Ela já tinha ficado 2 semanas fora para regravar umas cenas daquele maldito documentário. Um documentário de 7 episódios, com 1h30 de duração cada episódio, que derivou roteiro para outro documentário.
Céus, ela só queria a cama dela! Cama essa que agora era a do quarto de hóspedes de Sebastian, já que ela não sabia onde estava a chave do seu apartamento. Mas ali estava ela, em um maldito restaurante no meio de NYC, com pessoas que ela não conhecia — e que Sebastian fazia questão de apresentar —, alguns conhecidos e uma taça de vinho vazia na mão. Santa Maria, mãe de Deus! Ela não estava animada nem para conhecer Chris Evans! Quem não ficava animada para conhecer Chris Evans? Principalmente quando ele sorria daquele jeito? Ela ainda tinha uma calcinha no meio das pernas? Sim, ainda tinha. Infelizmente.
— Ei! — Ele se virou para ela. — Você deve ser a , certo? — Ela concordou com a cabeça, tentando manter o seu melhor sorriso no rosto. — Seb fala bastante de você!
— Por favor, foque nas coisas boas!
Ele concordou, o sorriso nunca saindo do rosto. As bochechas dele não doíam?
— Eu foquei, pode acreditar!
Ela sorriu de volta e se sentou em uma das banquetas do bar. estava em uma ótima situação.
— Você quer beber algo?
Com sono e com um princípio de tesão. Algo que ela sabia que não se resolveria naquela noite.
— Se for um copo bem grande de energético, ela aceita — Sebastian começou —, mas se for uma cama ela também aceita.
O DJ mudou o ritmo drasticamente, de um pop dançante foi colocado Valerie, de Amy Winehouse, para tocar.
sorriu sem graça e viu Chris a olhar de cima abaixo. As bochechas dela coraram um pouco.
— Vinho — ela respondeu. — Vinho seria ótimo, Chris!
Ela encarou Sebastian em uma ameaça velada de que ela o mataria e viu o romeno sair à francesa em seguida. Chris se virou para o barman e pediu que ele enchesse a taça da mulher, que sorriu agradecida quando a viu ser preenchida com o líquido vermelho. Ele voltou a encará-la, ela retribuiu a encarada.
Céus, como ele é bonito! Nem a beleza daquele homem conseguia tirar o cansaço dela.
— Me desculpe! — ela pediu, se encostando no balcão do lado dele. — Mas eu estou com jet lag e eu odeio o meu ser humano com sono. Tenho meio que tendências homicidas.
Ela sorriu fraco e começou a cantarolar a música que tocava no ambiente.

[…]
18 e 20 julho de 2013 — NYC/Comic Con San Diego
— ME LIGAAAAAAAAAAAA….
Amelia gritava a música do grupo Exaltasamba a plenos pulmões, enquanto limpava o banheiro semi pronto da casa nova.
— ME MANDA UM TELEGRAMAAAAA! UMA CARTA DE AMOR!
Se a sua mãe lhe ouvisse agora, provavelmente a professora de música estaria tendo um infarto. Amelia poderia até imaginar: a mulher negra com os longos cabelos cacheados estaria com uma das mãos no coração e estaria gritando “em que tom eu errei, Nossa Senhora?”. riu.
— QUE EU VOU ATÉ LÁ! EU VOU! — ela continuou gritando.
— Ou, ou, ou! — Lucas entrou no banheiro, batendo palmas e desligando o som. — Que palhaçada é essa? — A mulher se virou para ele assustada. — Uma coisa é você estar triste por um pinto que tu quer sentar e outra é você estar cantando Telegrama por um pinto que você quer sentar!
se apoiou no esfregão e soltou uma risada melancólica.
Ah, mi amor! — Lucas foi até ela e a envolveu nos seus braços. — Eu também ficaria triste se perdesse a chance de sentar no Chris Evans, porque ele começou a namorar uma mulher que não é isso tudo. — Amelia o encarou de uma forma reprovadora. — Ok, o teu feminismo não deixa você xingar outras mulheres, mas ela é chata demais! — O dançarino apertou a amiga nos seus braços.
— NOSSA PIA CHEGOU!
gritou do andar inferior.

[…]
— Isso é castigo, né? — se virou para Sebastian. — Só pode ser castigo!
O casal de amigos havia acabado de desembarcar no aeroporto de San Diego. Sebastian havia intimado a ir com ele para uma das convenções mais famosas do ano, a Comic Con de San Diego. A mulher reclamava pela centésima vez com Sebastian. Ela adorava as convenções que o romeno ia e a levava, mas a menção de poder encontrar com a namorada de Evans lhe causava náuseas. O último encontro das duas tinha sido em uma festa em que ela acompanhou Sebastian e a mulher havia dado uma crise particular de ciúmes de Chris com ela no banheiro do clube.
Sebastian havia usado a viagem para a Síria para a sua chantagem emocional. “Você vai aceitar um emprego que vai te levar pra longe, temos que fazer memórias”, disse.
Por ela, ele podia fazer memórias na cadeia que ela não se importava, só queria continuar deitada na sua cama e enrolada até o pescoço do que estar ali.
Odiava viagens de última hora, principalmente se ela teria que lidar com uma namorada chata e ciumenta como era a namorada do Evans. Céus, o que ele viu nela?
— Eu juro que vou fazer de tudo para você não cruzar com ela. — Ela murmurou um “até parece”. — Eu sei que ela não é a sua pessoa favorita, mas eu sou! — Ela arqueou a sobrancelha direita para o romeno, que preferiu fingir que não viu aquele gesto. — Faça isso por mim. Vai ser um dia legal e você vai ver todos os seu personagens favoritos!
Ele a abraçou pelos ombros.
— Se eu encontrar com ela, não vou controlar a minha língua.
Ela estalou a língua no céu da boca.
— Eu definitivamente posso lidar com isso!
Ele sorriu, a abraçando de lado.
— Agora vamos tirar umas fotos suas! — Ele tirou o celular do bolso. — Você está muito linda para não ser registrada.

[…]
O hall H havia sido o completo sucesso e a festa rolava no bar do hotel onde os atores estavam hospedados. não podia negar o orgulho dos amigos que estava estampado no seu rosto. Agora a mulher se encontrava sentada no bar da festa com Mackie.
— Olá, pessoas!
Evans apareceu no campo de visão de , sorridente como sempre. A brasileira retribuiu o sorriso, um sorriso tão grande quanto o dele.
Evans abraçou Mackie e deu um abraço apertado nela. Apertado demais, corpos colados demais. retribuiu na mesma intensidade.
— Amor! — A voz enjoativa que tinha evitado o dia inteiro estava ali, há 5 passos de distância. — Olá!
Ela se afastou do abraço de Chris e sussurrou um “desculpa” quando afastou o corpo completamente dele.
— Olá, casal! — Mackie cumprimentou os dois de volta e sorriu na direção dela. Um sorriso cortês o suficiente pra disfarçar a antipatia que sentia por ela.
— O que vocês dois estão falando? — a namorada, que havia se pendurado no pescoço de Chris em uma clara demarcação de território, perguntou.
“Falando o quanto você é nojenta. Me perdoa, Deusa, por estar xingando outra mulher”.
— Só bebendo — a brasileira respondeu a atriz, o sorriso sempre ali.
— Como foi em Chicago? — Evans perguntou. Amelia aumentou um pouco o sorriso, ele havia se lembrado.
“Frio pra caralho, você provavelmente me esquentaria”.
— Ahn… — ela estalou a língua, tentando soar indiferente — muita informação em pouco tempo de curso e umas que eu aprendi na ong.
— E frio — Mackie acrescentou rindo —, muito frio!
“Cala a boca, seu maldito”.
— Ah — a atriz suspirou. — Eu adoro Chicago. Você teve tempo de conhecer a cidade?
A brasileira reprimiu a careta e manteve o sorriso no rosto.
“Céus, como até sua voz é enjoada? Como esse homem aguenta?”
— Infelizmente, não. Só tive tempo pra respirar mesmo. — Ela se virou para a atriz, sorrindo sem mostrar os dentes. — Algumas horas nem isso!
Mackie, Chris e a namorada engataram em um assunto ao qual Amelia não fez a mínima questão de prestar atenção. A brasileira passou a procurar por Sebastian, que havia saído há uns 20 min, dizendo que ia procurar o banheiro. Ela desconfiava que ele estava procurando alguém pra despir lá, isso sim!
Avistou Sebastian um pouco mais à frente, conversando com uma loira que ela jurava ser a Jennifer Morrison. Ela sorriu diabolicamente e se virou para Mackie
— Cem pratas que eu acabo com a noite do Stan.
Mackie caçou o romeno pelo local e riu quando o avistou. Sebastian e Jennifer estavam em um chove e não molha há muito tempo, desde a leitura do roteiro de Once Upon a Time e isso já fazia anos. Mackie já havia chegado à conclusão de que eles gostavam apenas de flertar um com o outro e nada além disso, mas seria hilário ver o que aprontaria e a cara de Sebastian seria impagável.
— Ok — ele sorriu e se virou em direção à repórter —, mas você tem que acabar de vez com aquele chove e não molha.
Amelia já desconfiava que o afro-estadunidense não gostava nem um pouco da atriz de Once Upon a Time e a cara dele ao se referir a ela só confirmou. A brasileira riu e olhou na direção de Evans e da namorada.
— Vão participar? — a atriz negou com a cabeça e não disse nada.
— Duzentos dólares que você não vai conseguir fazer nada — Chris disse. — No mínimo você vai deixar ele constrangido — provocou.
sorriu debochada
— Você sabe que eu não gosto de ser desafiada, né? — ele concordou.
O sorriso dela aumentou.
— Prepare os seus duzentos dólares, mio amore!
A brasileira sorriu pra ele e se levantou, ajeitou o vestido e foi na direção de Sebastian. O romeno conversava animadamente com a protagonista de OUAT e a brasileira tinha que admitir que eles até formavam um casal bonito.
— Amor, você está aqui! — Ela sorriu para o romeno, que parecia confuso. Passou os braços pelo pescoço dele e o beijou. Um beijo calmo e exploratório. Sebastian passou os braços pela cintura dela e apertou o corpo dela contra o seu.
— Você sumiu! — Se separaram. Sebastian tinha uma cara de perdido. — Fiquei preocupada! — Juntou os lábios aos dele por alguns segundos.
Sebastian mantinha as mãos na cintura dela e sorria em descrença. Jennifer se retirou assim que o beijo começou. Já Mackie, ria junto à namorada do companheiro de cena. Ele não sabia se ria da cara que Sebastian fazia ou da cara que Evans fazia.
Quando a loira já estava a alguns metros de distância, a brasileira fechou a cara e o encarou.
— O que foi que eu fiz? — O romeno levou as mãos à cintura, se separando dela.
— Como foi que você disse mesmo? — tinha um bico enorme formado nos lábios. — Ah, espera: “Eu juro que vou fazer de tudo para você não cruzar com ela!” — Ela bateu no ombro dele. — Sabe com quem eu estava conversando? Quase virando melhor amiga?
— Me desculpa…
— Desculpa o caralho! — Ela se esquivou da tentativa de toque de Sebastian. — Você sabe que eu odeio ficar medindo as minhas palavras.
— Te dou tequila — ele pegou na mão dela e a puxou para perto, passando um dos braços pelo ombro dela —, procuro um McDonald’s aberto para te levar — começou a guiá-la na direção onde os outros três observadores da cena estavam — e definitivamente você vai me perdoar.
sorriu.

[…]
13 de agosto de 2013 — Festa de aniversário do Sebastian
sentia a garganta arranhar de tão seca que estava. Já havia perdido as contas de quantas rodadas ela, Evans e Mackie estavam no karaokê, o trio estava intacto desde que subiram no palco.
Na lista de músicas cantadas pelo trio, Sebastian e Scarlett escolhiam as músicas que seriam cantadas. Estava desde Cyndi Lauper até entrarem nas músicas da Disney.
— Ok! — A Drag que apresentava o karaokê subiu no palco quando acabou a música daquela rodada. — Eu nem preciso dizer quem são os campeões, né? — A plateia vibrou e o trio adversário saiu do palco cabisbaixo. — Vamos complicar um pouquinho mais as coisas?
Novamente, a resposta da plateia era positiva. Uma vinheta antiga começou a tocar no fundo.
— BATALHA DE DUPLAS!
A apresentadora foi ovacionada novamente pelo público.
— Como nós temos nossa última equipe campeã da rodada anterior na casa… — os aplausos estouraram — Deem as boas-vindas para os favoritos da casa!
A equipe da “casa” era composta por 2 mulheres e 3 homens, assim como a equipe que fazia parte.
— Escolham a sua dupla, equipes! — ela se despediu do palco e uma música aleatória começou a tocar
A primeira coisa que o grupo do aniversariante fez foi se reunir.
— Não tem o que discutir. — Scarlett levou as mãos à cintura, fazendo os demais a encararem e se engasgar com o gole recém tomado de cerveja. — A dupla vai ser e Chris — ela juntou as mãos dos dois citados — e a gente vai escolher a música. — Repôs as suas mãos na cintura.
Alguns minutos mais tarde, depois de argumentos da dupla imposta por Scarlett e sendo finalizada pela atriz com “Vocês não têm escolha, só cantem”, eles se encontravam no palco, de frente para a dupla rival que cantava.
— Eu sinto muito pela vergonha que eu vou te fazer passar, . — O ator sorriu fraco para ela e tomou um gole da sua garrafa de cerveja.
Se já tinha a garganta falhando antes, agora ela não sabia dizer se estava com ela falhando por causa da cantoria ou pela voz mais rouca do que o normal do ator. Ela sorriu de volta, tomou um pequeno gole da sua garrafa e tentou limpar a garganta.
— Você não me faria passar vergonha antes de te beijar. — Ela sorriu. — Ou faria? — esbugalhou os olhos um pouco e arqueou as sobrancelhas, formando uma expressão de espantada.
O ator riu e brincou com os dedos na sua garrafa de cerveja.
— Definitivamente não antes de te beijar. — Ele sorriu. As bochechas dela coraram um pouco, céus! Ela não iria conseguir flertar com ele nunca sem acabar corada ou com vergonha?
A dupla adversária terminou de cantar o último verso da música escolhida, era algum dueto dos anos 80 que não havia prestado atenção. A dupla rival foi aplaudida pelo público e eles deram o último gole de “coragem” e andaram até o centro do pequeno palco.
Quando a introdução da música começou, e Chris riram. Aquilo só podia ser uma péssima piada ou uma ótima indireta. A brasileira se preparou para começar a cantar.

Tantos dias olhando das janelas
Tantos anos presa sem saber
Tanto tempo nunca percebendo
Como tentei não ver?
Mas aqui, a luz das estrelas
Bem aqui, vejo o meu lugar
Sim, aqui consigo sentir
Estou onde devo estar
sorria de canto a cada palavra dita. Ela sabia que Sebastian era uma pessoa ótima com indiretas, mas nunca teria visto isso vindo. Ela se virou para encarar o ator.

Vejo enfim a luz brilhar
Já passou o nevoeiro
Vejo enfim a luz brilhar
Para o alto me conduz
E ela pode transformar
De uma vez o mundo inteiro
Tudo é novo, pois agora eu vejo
É você a luz
Coisas que não deveriam acontecer estavam acontecendo. sentia um nervosismo surreal, que só aumentou depois deles começarem a se encarar. Céus, aquilo que ela sentia seria o auge do período fértil? Se aquilo era período fértil ou não, nunca saberia.

Tantos dias sonhando acordado
Tantos anos vivendo a vida em vão
Tanto tempo nunca enxergando
As coisas do jeito que são
Ela, aqui, à luz das estrelas
Com ela aqui, vejo quem eu sou
Ela que me faz sentir que eu sei pra onde vou
Quando o ator começou a cantar a sua parte, teve certeza de que suas pernas iriam falhar com ela. Chris começou a retribuir a encarada com uma intensidade jamais imaginada. Ele segurou na mão vazia dela e entrelaçou os seus dedos. A mulher podia sentir o ataque cardíaco vindo. Eles se aproximaram.

Vejo enfim a luz brilhar
Já passou o nevoeiro
Vejo enfim a luz brilhar
Para o alto me conduz
E ela pode transformar
De uma vez o mundo inteiro
Tudo é novo, pois agora eu vejo
É você a luz
É você a luz
Assim que a música acabou e os aplausos ecoaram, eles continuaram a se encarar. O pigarro forte veio da apresentadora
— Se vocês não me chamarem para o casamento — ela se meteu entre eles, quebrando o contato visual —, eu juro que faço O escândalo.
Eles riram sem graça.

[…]
Amelia e Anthony já estavam a três rodadas invictos no karaokê. Em certo ponto, havia começado a bater em Anthony quando ele havia trocado a letra da música. A mulher se retirou do pequeno palco assim que a música se encerrou e foi de encontro à mesa, se sentando entre Sebastian e Scarlett, já que evitava o “Capitão América” desde o pequeno show na batalha de duplas mais cedo. O começo da leitura do script de Capitão América: The Winter Soldier havia sido um sucesso, segundo Sebastian. Tão sucesso que Mackie entrou na dupla Evans & Stan, fazendo virar um trio. Na maioria das vezes, a mulher queria matar o afro-estadunidense e jogar o corpo dele no Rio Hudson, mas a ideia de ir presa sem antes sair do chove e não molha com Chris não lhe agradava.
Agora no palco estava um casal que cantava uma música tão melosa que a mulher retorceu o rosto em uma careta. Sebastian riu e a abraçou de lado.
— Então… — Ela bateu palmas animada.
Ela esticou os braços, se livrando de Sebastian.
— O que eu posso saber do filme novo?
O silêncio reinou na mesa.
— Vocês são o limite da escrotidão. — Ela se virou para Sebastian. — Se você nem me contar se vocês dois — ela apontou para Evans — lutam um com o outro, eu nunca mais cozinho nada pra você. — Formou um bico nos lábios. Bico esse que Evans julgou ser a coisa mais adorável do mundo.
— Você sabe que a gente não pode, né? — Scarlett interferiu antes que os dois falassem algo. A brasileira bufou, jogando os cachos que estavam em seu rosto para trás.
Os próximos nomes chamados ao palco foram os de Sebastian, Scarlett e Anthony. Sebastian olhou para a brasileira com o verdadeiro choque nos olhos e ela apenas o olhou cínica.
— O que foi? — perguntou na maior cara de inocência. — Você está realmente surpreso de ter seu nome naquela lista?
O romeno bufou e seguiu a dupla que já estava andando na direção do palco.
— Você realmente fez isso?
Ela olhou para o loiro com a mesma feição que fez para Sebastian.
— Você acha que eu seria capaz dessa proeza? — O loiro apenas concordou. — Depois do que ele fez com a gente? — Ele voltou a concordar. — Definitivamente! Mas o melhor ainda está por vir.
O trio em cima do palco cantou “When I grow up” e Sebastian incorporava uma Nicole Scherzinger perfeita. Quando a música acabou, o trio fez uma referência e foi aplaudido. A mulher sentada em frente a Chris sorria diabolicamente e ele teve certeza de que ela era uma espécie de demoniozinho. O trio estava se retirando do palco, quando a Drag Queen segurou o braço do romeno, que entrou em pânico. A brasileira sorriu. “Meu Deus, isso ia ser bom demais”.
— Você não, aniversariante! — Ela sorriu. “Ah, aquilo iria ser delicioso”. — Uma amiga sua… — ela passou os olhos pelas pessoas no bar até encontrar a brasileira — aquela maravilhosa ali. — ela apontou para a brasileira, que levantou e fez uma reverência ao público. Sebastian sibilou um “Eu vou te matar” para ela, que retribuiu mandando beijinhos. — Ela me contou que você gostaria de se livrar de algo, que você quer ser livre…
Quando o início de I Want to Break Free começou, Sebastian teve vontade de cavar um buraco na terra e se esconder lá pelo resto da vida. Quando o romeno olhou para a mesa onde estava alguns minutos atrás, encontrou Evans e com os celulares na mão, mais empolgados do que nunca. Céus, ele iria matá-la quando estivessem sozinhos.
— I want to break free…

[…]
10 de abril de 2014 — Première de Captain America: The Winter Soldier
A mulher já estava na quinta taça de vinho e já tinha se perdido de Sebastian nos primeiros 10 minutos de festa. Maldito romeno que não conseguia manter o zíper da calça fechado, mas como ele iria conseguir? Alguns momentos ela mesma ficava louca para abrir o zíper dele. Maldito romeno! Depois de desistir de procurar por ele, ela se sentou em uma mesa qualquer. Bebericou o vinho da taça e se lamentou. “Patética” era nisso que ela se resumia em sua mente. Sebastian a havia levado para jantar antes da première, fazendo uma surpresa com o elenco e alguns amigos da mulher na cidade. Havia sido a coisa mais fofa naquele dia melancólico de despedidas e de aniversário.
— Pensei que você estaria acompanhada.
A mulher levantou a cabeça, dando de cara com Evans. Ela riu. O filho da boa mãe ficava ainda mais bonito de barba e naquele terno.
— Eu deveria, mas meu melhor amigo me deixou sozinha por um rabo de saia no dia do meu aniversário. — Ela formou um bico nos lábios.
— É realmente seu aniversário? — Ela concordou com a cabeça, ele não havia ido ao jantar. — Ai meu Deus! — O ator levou as mãos à cabeça. Ela riu. — Meus parabéns!
Ele a puxou pra cima e a abraçou, fazendo-a ficar em pé e rir. Um pouco embriagada talvez.
— Obrigada, Evans! — Ela tentou se desfazer do aperto firme dele na sua cintura. — Mas agora você está me machucando.
— Desculpa, desculpa!
Eles se soltaram e a garota sorriu. “Sebastian é o amigo mais filha da puta do mundo”.
— O que você ganhou de presente até agora? — O ator havia se sentado onde ela estava há poucos segundos e a puxou para o seu colo.
acabou sentada na perna do ator. Talvez pelo nível de álcool ou pela cara de pau que a mulher tinha, ela envolveu seus braços no pescoço dele. Algumas pessoas já os olhavam.
— Meus pais me deram uma lente nova. — Ela riu talvez porque o ator roçava agora a barba no pescoço dela. — Minhas irmãs me deram mais uma vergonha pública para a conta.
“E pelo jeito eu vou adicionar mais uma também, puta que me pariu! Que homem, minha deusa”.
Ela brincou com os cabelos da nuca dele e sorriu. “Maldita quinta taça de vinho”.
— Sebastian? — Os dedos dele brincavam agora com as tiras das costas do vestido dela.
— Ele disse que não me daria nada, pois sou uma amiga ingrata. — O ator sorriu e ela o acompanhou.
— Você vai que dia? — Ela murchou.
Iria para o aeroporto dali a algumas horas e só voltaria dali 2 anos e meio. Sentiria falta até do chulé de Sebastian quando ele não usava talco, ou até mesmo das reclamações de Anthony. Sentiria falta até mesmo do ator que estava na sua frente.
Ela o olhou, os olhos dele pareciam ainda mais azuis ou talvez fosse a quinta taça de vinho.
— Vou às 5 horas da manhã do dia 11. — Deu um sorriso triste quando a mão dele foi de encontro aos seus cachos, adentrando pela nuca e massageando a raiz ali, sem abandonar as suas costas.
Sebastian observava o casal um pouco mais à frente. Se a morena o visse, era provável ela sair dali e lhe encher de socos. Por que diabos ela estava fazendo Muay Thai, mesmo? Mas lá estava ele, virando shipper número um do casal, torcendo para que algo acontecesse ou que algum dos dois tomasse uma atitude, principalmente a mulher.

It’s not a silly little moment
It’s not the storm before the calm
Talvez o romeno fosse muito querido por aqueles lá de cima ou talvez já estivesse na playlist do DJ, mas realmente aconteceu algo. O casal agora se localizava na pista de dança.

This is the deep and dying breath
Of this love that we’ve been working on
Chris tinha as mãos na cintura dela e ela as mãos rodeando o pescoço do ator. Maldita hora daquela viagem. Maldita hora que ele havia resolvido sair do chove e não molha.

Can’t seem to hold you like I want to
So I can feel you in my arms
Nobody’s gonna come and save you
We pulled too many false alarms
Passaram vários dias trocando mensagens que eram definidas por Sebastian como “putaria em forma de texto”. Passaram talvez até anos naquilo. Se conheceram e logo rolou a famosa química. Trocaram mensagem, ele começou a namorar, a namorada deu uma surtada. Cantaram como um perfeito casal da Disney em um karaokê, se beijaram escondidos e agora estavam ali dançando como um perfeito casal. Ele a girou.

We’re going down
And you can see it, too
We’re going down
And you know that we’re doomed
My dear, we’re slow dancing in a burning room
O corpo dela voltou com toda delicadeza para o dele, voltando a se encostar ali com a cabeça na curva do pescoço dele.
A barba dele roçou no pescoço dela e era um ótimo incentivo para que ela se esquecesse dos seus pensamentos e se deixasse levar. A mão esquerda de foi parar no ombro dele, apertando um pouco ali, tentando pôr um pouco da sua frustração naquele aperto. Ela suspirou audivelmente quando ele começou a cantar baixo a música junto ao John Mayer.

I was the one you always dreamed of
You were the one I tried to draw
How dare you say it’s nothing to me?
Baby, you’re the only light I ever saw
I’ll make the most of all the sadness
You’ll be a bitch because you can
You’ll try to hit me just to hurt me
So you leave me feeling dirty
Because you can’t understand
Quando ele passou a subir e descer a destra pelas costas nuas da mulher e viu o jeito como ela suspirou, o ator sorriu. Ele poderia ter tomado atitude anos atrás, mas não! Ele quis apostar em algo que sabia que daria errado em vez de apostar naquilo que estava ali tangível.

We’re going down
And you can see it, too
We’re going down
And you know that we’re doomed
My dear, we’re slow dancing in a burning room
Talvez a cada acorde da música e a cada aproximação a garota tivesse um pé atrás na viagem. Evans não poderia ter se aproximado uns 3 anos atrás? Ele não poderia ter arrastado ela para o banheiro daquele restaurante onde se conheceram? Ele não podia ter beijado ela durante o dueto no karaokê? Mas não! Ele quis ficar na defensiva e ali estavam eles: resolvendo sentimentos de quase 3 anos em 1 dia. Era pedir para chorar sobre o assunto, não é?

Go cry about it, why don’t you?
Go cry about it, why don’t you?
Go cry about it, why don’t you?
My dear, we’re slow dancing in a burning room
Era impossível resolver aquilo naquele momento, naquela hora. Ela tinha um avião para pegar, ele um filme para promover e provavelmente mais 3 para gravar. Ela entraria em um avião para Aleppo, cumpriria o seu contrato, ganharia seus prêmios pelo documentário e talvez… Talvez aí eles dois finalmente se encharcariam naquilo que fosse o que sentissem. Por enquanto ela se permitiria ser praticamente uma gelatina nos braços dele.

Don’t you think we oughta know by now?
Don’t you think we should’ve learned somehow?
Don’t you think we oughta know by now?
Don’t you think we should’ve learned somehow?
Don’t you think we oughta know by now?
Don’t you think we should’ve learned somehow?
Ter aquele relacionamento agora era como dançar em um quarto em chamas, ciente do fato dele estar assim e eles estavam cientes desse fato. Quando a música acabou, ela se separou dele delicadamente e sorriu fraco para o ator.
— Eu estou indo embora e isso — ela apontou dele para ela — vai ser uma injustiça com nós dois.
Ele concordou com a cabeça e a puxou de volta para os seus braços. Cheirou os cachos dela que tinham cheiro de chocolate com coco e suspirou dolorosamente, a afastando um pouco.
— Se quando eu voltar — ela enrolou os dedos no fios da nuca dele — você estiver solteiro — ela sorriu —, eu deixo você andar nesse pedaço de mal caminho que eu sou, fechado?
Ele sorriu e selou os lábios nos dela.
— Fechado!

[…]
13 de agosto de 2015 — Aleppo, Síria
(Ligação)
— Eu não acredito que você fez isso, Sebastian! — a mulher gritou do outro lado da linha.
Não era a melhor ligação da vida de Sebastian, mas era o que ele tinha no momento. não havia conseguido um bom sinal de internet para uma ligação em vídeo, mas havia conseguido algumas horas no telefone via satélite.
— Eu sei! — o romeno berrou de volta, fazendo Mackie o olhar com cara fechada. — Mackie mandou um beijo.
Ela bufou do outro lado. Se Sebastian fechasse os olhos, ele jurava que podia vê-la revirar os seus.
— Fala que eu desejo o corpo dele boiando no Hudson — ela arrastou a voz. — Como está meu futuro namorado? Ops… a princesinha da Marvel eu quis dizer. — A voz dela beirava inocência.
— Eu ouvi isso! — ele exclamou.
— E o Mackie também! — ele se colocou em 3º pessoa.
Ela bufou e riu.
— Foca na informação que eu pedi, por favor!
— Ele está bem. — Mackie tomou o telefone da mão de Sebastian, mesmo ele estando no viva voz. — Choramingou porque você ligou no dia que ele não estaria aqui. — Ela riu. — E eu já vejo ele reclamando de novo. Ele também disse que estava com saudades de te beijar, já que da última vez que vocês se viram não se beijaram direito. — Ela gargalhou. — Palavras dele, não minhas.
A mulher riu e limpou uma lágrima solitária que caiu.
— Fala para ele que eu também estou sentindo saudades dele — ela suspirou. — Também estou sentindo falta de vocês e isso inclui você, Mackie. — A voz dela estava falha e o barulho de alguns soluços também se faziam presentes.
— Você é muito bipolar — o estadunidense constatou também em lágrimas. — Uma hora queria meu corpo boiando no Hudson e agora diz que sente a minha falta? — ele soluçou e ouviu um murmúrio de concordância como resposta. — Eu também sinto sua falta, demônio!
Mackie se levantou, indo em direção ao banheiro.
— Seb? — ela chamou.
O romeno tentou limpar as lágrimas que embaçaram a sua visão e bufou impaciente quando percebeu que quanto mais limpava, mais elas surgiam.
— Oi.
— Eu te amo, ok? — ela soluçou. — Parabéns.
— Eu também te amo, Obi — ele suspirou e fungou o nariz. — Obrigado.

[…]
“Eu sou cordão umbilical
Pra mim nunca tá bom
E o sol queimando o meu jornal
Minha voz, minha luz, meu som
Todo homem precisa de uma mãe
O céu, espuma de maçã
Barriga, dois irmãos
O meu cabelo negra lã
Todo homem precisa de uma mãe”
— Todo homem
21 de Abril de 2017 — Algum lugar na Palestina
se sentia acabada. Havia acabado de chegar ao novo alojamento, já que o último havia sido atacado pelo exército israelita. A mulher suspirou audivelmente e se sentou ao lado de Leo.
— Saudades de casa? — a editora perguntou e ela concordou com a cabeça. — Toma. — Ela entregou o celular da mais nova que ela havia guardado durante o momento em que havia ido pra mais perto de um protesto que estava acontecendo. — Eles têm internet via satélite aqui e eu consegui a senha pra gente. — A mais nova sorriu. — Vá postar fotos e ligar pra sua mãe. — abraçou a mulher, que sorriu. — Vai logo!
saiu da tenda e viu algumas pessoas na mesma situação que ela: coração batendo nos ouvidos, um sorriso no rosto — aquele tipo de sorriso que você dá quando vai ver/falar com alguém que você ama. Ligou a tela do celular e viu o horário que era no Brasil. Viu umas mensagens por alto no WhatsApp e procurou o tão conhecido contato da mãe e conectou os fones que trazia no bolso. Sentiu as lágrimas virem aos olhos, piscou rapidamente, em uma tentativa de afastá-las, e ligou a chamada de vídeo. Em poucos segundos, a imagem da mãe apareceu e ela não conseguiu conter as lágrimas. A progenitora fez o mesmo e segundos depois todo o seu núcleo familiar principal aparecia na tela do celular. Todos no mesmo estado: lágrimas nos olhos, coração na mão e um sorriso imenso no rosto. tentou falar algo, mas tudo que conseguia era sorrir, um sorriso tão grande que parecia que iria lhe rasgar as bochechas.
— Oi tia…
Um par de olhos cor de mel com um sorriso no rosto apareceu na frente da avó.
— Olha! — Ele tentava mostrar a cabeça. — Eu abri a cabeça na escola! Papai ficou muito bravo! — soluçou alto. — Titia? — ela respondeu um “sim” entre soluços e uma tentativa falha de tentar parar de chorar. — Não precisa chorar, não doeu tanto!
A família riu.
— Sério? — fazia uma cara de surpresa e Allonso concordou. — Já te disse que você é o meu super herói favorito?
— Disse, mas eu não acredito! — Ele emburrou a cara e a tia mais velha perguntou o motivo. — Você andou beijando o Capitão América!
A família riu de novo e ficou acanhada pelo olhar reprovador que recebeu do pai. Alguém havia chamado Allonso, algo interessante o bastante para fazer o pequeno sair da conversa, já que ele nunca queria desligar.
— Você parece cansada — Anastacia constatou o óbvio. — Mamãe fez peixe hoje, por isso que está todo mundo aqui. — A irmã mais velha sorriu.
— Como você está? — perguntou a mãe e voltou a ter lágrimas nos olhos.
— Sinto saudades de casa. — Ela deixou as lágrimas caírem e viu os olhos da mãe fazerem o mesmo. — Eu quero ir pra casa, mamãe. Eu não aguento mais! — soluçou. — Eu definitivamente não estava pronta para ver o que eu vi. — Ela viu os pais concordarem, assim como as irmãs. — Mas eu entendo que foram coisas necessárias para o meu amadurecimento. — Ela sorriu, um sorriso triste. — Mas eu também quero ir pra casa, me esconder na minha cama e não sair de lá.
deixou o choro que estava entalado sair. Sua família deixou que ela chorasse pelos próximos 7 minutos e esperou que ela se acalmasse
— Filha — sua mãe lhe chamou e ela olhou. A mais velha suspirou e limpou uma lágrima densa que caiu do seu olho. — Quando você nasceu, sua avó gritou pra eu tentar te segurar mais um pouco, porque, segundo ela, uma ariana naquele dia tinha tendência a ser a mulher mais arretada da família. — Os seus pais sorriram. — Ela não estava errada. Você nasceu em um puta temporal e tua tia quase não conseguiu chegar aqui em casa a tempo. Quando ela chegou, você já estava praticamente para fora de mim. Eu lembro o que ela disse até: “valha-me, Oxum, que criança mais porreta é essa? Nem nasceu direito é já quer me escalar? A preta velha avisou, não avisou?”. Sua avó já pedia a todos os orixás: “Que a minha filha tenha sabedoria para criar uma ariana!” e falava: “Eu não te pedi pra dar uma segurada, Elis?”. — Eles riram.
— Vá ao ponto, mamãe — Alissa pediu.
A mais velha riu.
— O que eu quero dizer é: Todo mundo me aconselhou a te criar solta, mas te ensinar o que é ter raízes porque você não seria uma pessoa caseira — Elis sorriu — e eu precisaria lhe ensinar a voltar pra casa. Eu te ensinei, querida. Isso que você está sentindo não é medo, é saudades! — Ela sorriu firme para as três filhas. — Todo homem precisa de uma mãe, querida. Fui eu quem te colocou no mundo e só vão te tirar dele quando eu permitir. — fungou. — E eu não estou permitindo.
— Obrigada, mãe!
— De nada, meu pequeno obi. — Ela sorriu firme e delicada. — Agora se despeça e absorva tudo que você tem para absorver.
pediu benção aos pais e se despediu das irmãs, dos dois sobrinhos e dos cunhados. Desligou a ligação e postou algumas fotos que havia tirado no instagram. Olhou para o céu, que começava a amanhecer, e sorriu. Sorriu agradecendo por tudo.

[…]
31 de Abril de 2017 — Set de Gravação
Sebastian girava o telefone na mão impaciente já. A televisão do trailer ligada para ninguém não ajudava em nada a preencher o vazio que o ator sentia no peito. Sebastian havia gravado todas as cenas necessárias do dia, mas tinha que esperar a realeza da Marvel tomar banho. Por mais que Chris estivesse fedido e nojento, o romeno só queria a sua cama temporária e notícias da brasileira, que tinha alguns dias sem dá-las, e pelo que sabia ela estava em algum lugar da Palestina naquele momento. Ela havia postado algumas fotos da Faixa de Gaza e do muro da Cisjordânia. Ela também havia respondido as suas mensagens e enviado algumas fotos no grupo deles com Mackie.

:
Estou em na Faixa de Gaza (???), to bem! 3:46 am
Eu estou saudades e com fome de McDonald´s 3:47am
Postei fotos lindas que deram muito trabalho 3:49 am
Vão dar valor ao meu trabalho 3:49 am
Amo vocês 3:50 am

Sebastian voltou a guardar o celular e a batucar o pé. Ele definitivamente queria a sua cama de hotel.
O romeno se aconchegou no sofá que estava sentado e entrou em um acordo com si próprio de fingir por alguns minutos que ele estava na cama do hotel. A televisão tinha o seu som cada vez mais distante para Sebastian…
— Estou pronto!
Sebastian apenas revirou os olhos para o outro ator e o xingou. Logo no momento em que o bendito sono estava vindo? Ele se levantou e de repente parou.
— Aumenta — pediu.
“Há alguns dias uma equipe nossa enviada para a Síria e para a Palestina para fazer um documentário — a âncora do jornal parou por alguns segundos, recuperando o fôlego — desapareceu. No dia de ontem, uma equipe de busca achou um dos documentaristas — agora a imagem de um homem aparecia na tela —, Daniel Bonham. Ele disse que o resto da equipe foi levada. Daniel também disse que não foi levado por um defeito genético que uma das mulheres integrantes da equipe disse para os sequestradores”.
De repente, tudo que Sebastian via era a foto da mulher na TV. Era a última foto que os dois tiraram juntos e provavelmente seria a última. As mãos do romeno tremiam, os olhos lacrimejavam, o coração parecia um motor de carro. “Mas que merda estava acontecendo?”
— Sebastian?
A voz de Chris estava tão distante que não parecia que ele estava ali ao seu lado. A respiração do romeno falhou.
— Sebastian, olha pra mim! — o amigo chamou novamente. Chris tentava acalmar o amigo e se acalmar ao mesmo tempo.
Talvez ela ainda estivesse bem e aquilo era um mal entendido. Ela responderia os e-mails de Chris, ligaria para Sebastian e contaria alguma piada suja sobre o ocorrido. Ela apareceria ali dali alguns meses e contaria como foi absurdamente hilário o mal entendido.
Ela voltaria bem e viva, principalmente viva.
Talvez quando Sebastian se acalmasse um pouco ele poderia ligar para a família dela e conseguiria informações de uma fonte confiável, que seria o sotaque forte da sua futura sogra dizendo que “ela acabou de desligar o telefone”.
Alguns segundos depois, Sebastian havia conseguido se acalmar minimamente. Ele tirou o celular do bolso e procurou o número de Anastácia, irmã mais velha de , mas a chamada não foi completada. Se jogou no sofá frustrado, suspirou forte e tentou controlar as lágrimas. Direcionou seu olhar para o amigo, que continuava de pé na sua frente.
— Liga de novo — Chris pediu, segurando as próprias lágrimas. — Liga para a Alissa — ele pediu novamente, com a voz falha.
Sebastian procurou o número da mais nova dos e ligou em seguida.
A chamada foi completada em poucos segundos e Sebastian ouviu a voz fraca da brasileira.
— Alô?
A voz fraca e rouca dela era um claro sinal de que ela estava chorando e Sebastian sentiu o coração apertar
— Só me diz se é verdade? — ele pediu, a voz tremendo.
A mulher soluçou do outro lado da linha, apenas confirmando o que o romeno tanto temia.
— De-desde quando? — soluçou e deixou as lágrimas virem.
Aquilo confirmou o que Chris tanto temia. O americano começou a andar em círculos. Se sentia inútil e impotente diante da situação. O palavrão que ele gritou saiu arranhado da sua garganta e ele deixou que as suas lágrimas caíssem assim como Sebastian.
— Tem uns 10 dias, mas só tivemos certeza ontem — a mulher suspirou. — Ela tinha ido com uns soldados até uma vila depois de eles terem recebido um pedido de socorro e era uma emboscada. Ninguém sabe onde ela e os outros civis podem ter ido, ou sequer se eles estão vivos — ela fungou.
— Eu sinto muito, Alissa — o romeno falou com o estômago embrulhado. Ele definitivamente vomitaria.
— Eu também — alguém chamou por ela do outro lado da linha. — Eu tenho que desligar, Seb.
— Tudo bem.
— Eu vou te manter informado, eu prometo.

 

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