Midnight Love

Sinopse: Você sempre foi apaixonada pelo MET Gala, e quando finalmente tem a oportunidade de participar do evento – mesmo que seja trabalhando – acaba conhecendo alguém muito especial.
Gênero: Românce
Classificação: Livre
Restrição: Sem restrições
Beta: Elena Alvarez

MIDNIGHT LOVE

A primeira segunda feira de maio sempre foi um dia muito esperado por mim e minha mãe, e muito provavelmente, por todos os amantes de moda, afinal, é quando acontece o MET Gala. Nossa tradição incluía muita pizza, pipoca, Coca-Cola e pijamas confortáveis para comentarmos os looks escolhidos pelas celebridades durante a transmissão do pink carpet. Os dias após o baile eram quase tão importantes quanto, pois logo a nova edição da Vogue sairia junto com algumas fotos e alguns poucos detalhes do evento, que alimentariam minha imaginação até o próximo ano.

Cresci deslumbrada com a ideia de um dia ser famosa o suficiente para participar de um baile tão exclusivo e excêntrico como esse, sonhando em ser convidada pela própria Anna Wintour e usando um vestido que combinasse com o tema do baile.

Mas aqui estava eu totalmente longe da fama e do glamour, 25 anos, formada em gastronomia pela NYU e trabalhando, na maior parte do tempo, de ajudante de cozinha no Crystal Palace, restaurante de minha madrasta, que por acaso, é dos restaurantes mais famosos e disputados de NYC, e o favorito de Anna Wintour. Não que eu já a tenha tido qualquer tipo de contato com ela, só ouvia as histórias dos meus colegas de trabalho. Katarina, minha madrasta, não permitia que eu recebesse as pessoas famosas ou muito importantes, já que quando eu era adolescente passei por uma fase em que era totalmente obcecada por uma boyband, então apenas ouvia os relatos de meus colegas de trabalho.

Minha mãe morreu quando eu tinha 13 anos, e alguns anos mais tarde meu pai conheceu Katarina. Meu pai era o típico homem de negócios de Wall Street, vendendo e comprando ações e sempre lidando com muito dinheiro, passando mais tempo dentro do escritório do que dentro de casa comigo. Os dois se davam bem e pareciam felizes juntos, e Kat, mesmo sendo um pouco rígida, sempre quis o melhor para mim.

Nunca imaginei que um dia, de fato, teria a oportunidade de entrar no MET Gala, até que no sábado antes do baile, assim que fechamos o restaurante, Katarina convocou uma reunião com todos os garçons e hostess.

– Caramba, são 01:17 da manhã, o que aconteceu de tão grave para que ela queira fazer uma reunião agora? – queixou-se Jeremy para Willa e para mim.

Dei de ombros e bocejei enquanto me recostava em uma das geladeiras. Estava exausta, mas acreditava que se Kat queria falar conosco agora, é porque o assunto realmente não podia esperar. Assim que ela entrou na cozinha, tentei parecer mais acordada, endireitando a postura, assim como Jeremy.

– Estão todos aqui? Ótimo! Como vocês já sabem daqui dois dias é o MET Gala, um dos eventos mais importantes para este restaurante – Katarina parecia um pouco ansiosa – faz alguns anos que somos nós quem preparamos a janta do MET, e isso acaba atraindo mais e mais pessoas, o que é ótimo para nós.

Todos concordamos silenciosamente enquanto ela falava.

– Porém, devido a onda de gripe que atingiu a cidade, a Real Food, a empresa que normalmente cuida da recepção e dos garçons me avisou que mais de 40% do staff deles está de atestado e não vai poder trabalhar – ela tentava soar normal, mas como a conhecia bem demais, podia ouvir o leve tom de pânico em sua voz. Fiquei mais alerta. – Sem contar nos outros eventos acontecendo na cidade em que eles irão trabalhar. Ou seja, preciso de 13 pessoas para segunda à noite, por isso chamei vocês aqui agora.

Meu coração disparou, e me senti mais acordada do que nunca. Não podia ser real, podia?

– Não tenho como conseguir pessoas qualificadas para um evento desse porte tão em cima da hora, porém eu tenho minha própria staff, que é tão qualificada quanto qualquer outra. – Ela me lançou um longo olhar que dizia que não acreditava na minha qualificação, mas que estava de mãos atadas.

Todos concordaram prontamente, animados, antes mesmo de ela perguntar se toparíamos. Eu apenas assenti, silenciosamente, embora quisesse sair pulando e gritando pela cozinha.

Nem conseguia mais prestar atenção no resto das palavras de Katarina, tudo que eu conseguia pensar era que eu, EU, , ia no MET. Não importava que eu não entraria lá como convidada, que eu não participaria da festa e nem me divertiria dançando ou fazendo o que quer que eles fizessem, MAS EU ESTARIA LÁ! Poderia ver com meus próprios olhos.

Não sei quanto tempo mais durou a reunião, fiquei tão presa em meus devaneios que não percebi que todos já haviam saído, deixando apenas eu e minha madrasta na cozinha.

– Pode ir tirando esse sorrisinho do rosto – ela disse em um tom de reprovação, que ela usava sempre que achava que eu estava fazendo algo idiota. – Você sabe que só estou te chamando para trabalhar na segunda porque você fez aquele curso de hostess há um tempo atrás e foi muito elogiada, e principalmente, porque estou com pouco pessoal.

– Não precisa se preocupar – comecei, me defendendo – sei me comportar perto de gente famosa, e sou muito boa no meu trabalho aqui. Pode perguntar, Willa vai confirmar! – Willa era uma espécie de “mentora” para mim. Me ajudava muito dentro do Crystal, e fora também, era quase minha segunda mãe.

– Eu sei como você é, sou sua chefe, lembra? É bom que você saiba se comportar mesmo. – Encarou-me, séria.

– Pode ficar tranquila. Tudo vai sair maravilhosamente bem. Sempre adorei o MET Gala, e não faria nada para prejudicar o Crystal ou você – assegurei-a. Precisava acabar com essa conversa logo para ligar para Nina, minha melhor amiga, que estava estagiando na Vogue, ela iria surtar quando soubesse.

Eu estava eufórica. Teria a chance de entrar no MET e ver como aquele evento funcionava, e tudo bem que não estaria realmente participando, não como eu sempre sonhava que seria, mas eu poderia ter uma noção de como realmente acontecia e o que as pessoas faziam. Assim que entrei dentro do taxi, peguei meu telefone e liguei para Nina.

– Você não vai acreditar – eu praticamente gritei no telefone. – Vou trabalhar no MET Gala!

– O que? Como assim? – Nina estava confusa e um pouco sonolenta. Talvez eu tivesse a acordado.

– Sim! AH! – Soltei uns gritinhos de felicidade. – Meio mundo está com gripe, então vou ser hostess. Não é maravilhoso?

Nina gritou e eu tive que afastar o celular do ouvido para não ficar surda.

– Obrigada, Jesus! Sabia que minhas preces para que a onda de gripe afetasse milhares de pessoas daria certo – Nina disse, me fazendo rir. – Mas e aí, o que você vai fazer?

– Ué, vou trabalhar. Serei hostess. Vou servir as pessoas – respondi confusa.

– Sim, isso eu imaginei. Mas só isso?

– Como assim, só isso? – Não sabia bem onde aquilo estava indo, mas pressentia que iria gostar.

– Ah, é seu sonho participar desse evento, – ela começou a falar baixo também. – Quando é que você vai ter a chance de entrar lá de novo?

– Ah, a gente nunca sabe – eu disse esperançosa. – Pode ser que ano que vem eu…

– Nunca, – ela me cortou. – NUNCA!

– Aí, credo. Não precisa ser tão dura.

– Tô sendo realista, , porque essa é uma chance única. Você não pode desperdiçar ela. E além do mais, eu vou estar trabalhando lá também. – Nina disse, de uma forma que me fez entender onde ela queria chegar.

– Você tá dizendo… – comecei querendo confirmar, mas ela me cortou.

– Exatamente. Amanhã eu te ligo para vermos os detalhes.

E desligou.

Minha melhor amiga, que, indiretamente, trabalhava para a Anna Wintour tinha acabado de me dar a ideia de entrar no baile dela de penetra. E iria me ajudar. Comecei a rir sozinha com o rumo que a situação tomava.

O que poderia dar de mais errado? Eu encontrar a própria Anna, ela perceber que eu era uma intrusa e me expulsar. Seria o escândalo do ano, a reputação do Crystal seria arruinada e minha madrasta, mais do alegremente, me expulsaria de casa. Ou nada aconteceria, eu passaria despercebida por todo mundo, veria tudo e voltaria para cozinha. Além do mais, eu não iria passar muito tempo na festa. Apenas uns quinze ou vinte minutos, para poder ver tudo com meus próprios olhos e então retornaria ao meu lugar como hostess. Ninguém nunca saberia. Eu só precisaria de alguém que me desse cobertura na cozinha e um vestido, para que eu pudesse me misturar. Quer dizer, nada que parecesse fazer parte do tema, mas algo bonito e elegante.

No domingo à tarde Nina me ligou, ela havia acabado de sair de um editorial que estava acontecendo em um dos escritórios da Teen Vogue.

, você vai precisar de um vestido, e eu tenho um para você.

– Uau, e eu nem precisei pedir. Obrigada?

– Não precisa agradecer – Nina respondeu – Vou deixar com o porteiro do seu prédio, acho que você vai conseguir se misturar e ninguém vai notar que ele sumiu. Só não estraga ele, e me devolve na terça o mais cedo possível.

– Nina! Você roubou o vestido? – indaguei, ultrajada.

– Óbvio que não, , quanta drama – sabia que ela estava revirando os olhos. – Apenas peguei emprestado sem que ninguém soubesse.

– Ai meu Deus.

– Não é como se eu pudesse pedir, mas se você não quiser… – Ela não terminou a frase, sabendo que eu concordaria.

– Não, não. É claro que eu quero. Obrigada.

– Sem problemas, baby – ela respondeu rindo. – Vou te mandar mensagens o tempo todo, então fica de olho no celular! E acho que o melhor horário para você passear pelo baile será depois que a janta for servida. Você vai precisar que alguém da cozinha te dê cobertura também.

– Willa vai estar lá, vou falar com ela.

– Ótimo! – Nina comentou feliz. – Só tente desviar da Anna e qualquer outra pessoa que esteja segurando uma prancheta ou algo do tipo. A não ser que seja eu, é claro.

– Ok – concordei, um pouco receosa, tentando afastar alguns pensamentos negativos que começavam a pipocar em minha mente.

– Você não vai desistir agora, . – Agora seu tom era sério. – Se você desistir, vai se arrepender disso pelo resto da vida. Vai dar tudo certo, então relaxa e confia em mim.

– Tudo bem, – assenti. – Vai ser incrível, não vai?

– Vai ser mágico! – respondeu, animada e desligou antes que eu pudesse responder mais alguma coisa.

Passei o dia todo ansiosa, quase perdi a minha estação no metro a caminho do Crystal Palace, e quando estava preparando um brownie, errei a receita e tive que recomeçar do zero. Estava pensando em todos os argumentos possíveis para convencer Willa a me ajudar a entrar no baile sem que mais ninguém da equipe percebesse. Sabia que ela não concordaria de cara, mas também sabia ser persuasiva. Willa tinha 42 anos e trabalhava no Crystal Palace desde que ele fora inaugurado, começou como hostess e hoje era uma das principais chefs da cozinha, apenas Katarina tinha mais autoridade do que ela. Não sei como, ou porque, ela simpatizou comigo e decidiu me treinar e me acolher. Era por influência dela que eu havia decidido cursar culinária. Talvez um dia pudesse ser uma chef tão boa quanto ela.

Quando estávamos caminhando até o metro na volta para casa, tomei coragem para lhe pedir ajuda, seria agora ou nunca.

– Willa, você sabe que amo muito o MET Gala, não sabe? – Comecei, cautelosa.

– Sim, , todo ano você me fala sobre ele. E sei que costumava assistir com a sua mãe – ela colocou seu braço em meus ombros. – Deve estar muito contente, não é mesmo?

– É melhor que um sonho! Nunca imaginei que conseguiria entrar nesse evento de verdade – suspirei, ainda sem acreditar completamente. – Seria maravilhoso poder ver tudo.

– Não sei como é, ou se veremos tudo, mas poderemos ver uma boa parte – ela comentou, sem dar muita importância ao assunto.

– Willa, preciso da sua ajuda – pedi, o mais seriamente que conseguia. – Prometa que vai me vai me ajudar.

– Meu Deus, menina, o que aconteceu? – Virou-se para me encarar, nervosa com meu pedido. – Em que enrascada você se meteu? Katarina quer expulsá-la de casa? Você está grávida? Está metida com drogas?

– Quê? Não, credo. De onde você tirou isso? – Fiquei confusa – O que você pensa de mim? Aliás, primeiro prometa-me que vai ajudar – praticamente implorei.

– É claro, sempre que você precisa vou te ajudar, você sabe disso. Mas agora me diga o que aconteceu, você está me deixando nervosa.

– Willa, preciso que você me ajude a entrar no MET.

– Mas você vai entrar no Metropolitan, vai trabalhar lá, esqueceu? – Ela perguntou de forma sarcástica. – Vai dizer que ficou tão empolgada que achou que era mentira, ou que vai ficar na parte de fora carregando pratos ou algo do tipo?

– Não, é claro que sei disso. Quero ajuda para participar da festa. Ver como é, passear pelas galerias que não teremos acesso enquanto trabalhamos.

Primeiro ela soltou uma gargalhada, e quando viu que eu falava sério, fechou a cara.

, não. – Ela negava com a cabeça enquanto falava. – Ficou louca? Vão te descobrir. Vão perceber pela sua cara deslumbrada que você está no lugar errado. Como pensa em fazer isso?

– Mas Willa, – me ajoelhei aos pés dela, com as mãos coladas em frente ao meu rosto, como se estivesse fazendo uma prece, e de certa forma estava. – Ninguém vai perceber, e vai ser super rápido.

, levanta-se do chão, todo mundo tá olhando pra gente – Ela dizia enquanto me pegou pelos cotovelos e tentava me levantar. Continuei implorando após me levantar.

– Você só precisa distrair o pessoal para eu sair pela cozinha e depois entrar novamente. Você vai me ajudar a realizar o maior sonho da minha vida. E além do mais – tentei me lembrar quais eram os argumentos que havia ensaiado mais cedo – Não vou demorar mais do que cinco minutos, ninguém vai notar.

, eu não sei… – Ela suspirou.

– Mas você prometeu. E eu nunca te pedi nada desse tipo! – Olhei com a minha melhor cara de cachorro que caiu da mudança. – Por favorzinho.

– Tudo bem – ela concordou, claramente contrariada. – Mas se alguém perceber, vou fingir que não sabia de nada. – Me lançou um olhar severo.

– Obrigada! – Praticamente gritei, enquanto a abraçava. – Nada vai dar errado, pode ficar tranquila. E se der, – falei para tranquilizá-la, pois nada poderia dar errado mesmo – ninguém vai saber que você me ajudou. Palavra de escoteiro.

– Você nunca foi escoteiro! Mas vou te dar uma chance.

Nos despedimos quando o metrô dela chegou, e continuei esperando o meu. Estava tão ansiosa para chegar em casa e ver o vestido que Nina havia deixado para mim, que os 15 minutos que eu normalmente demorava para chegar em casa pareceram uma eternidade. Peguei o pacote com o porteiro e corri para meu apartamento, torcendo para não encontrar ninguém no elevador e não ter que perder nenhum minuto conversando. Entrei em casa correndo, já sabendo que provavelmente meu pai ainda não havia chegado e que Katarina estava no Crystal.

Tirei o vestido do pacote e assim que coloquei os olhos nele, me apaixonei. Tive certeza de que era o vestido mais lindo que eu já havia visto. era de um tom de azul claro, com o colo ornamentado em pedras tão brilhantes que pareciam joias, refletindo a luz do meu quarto. Coloquei-o, e coube perfeitamente. A era saia tão leve que imaginei-a esvoaçando quando caminhasse, e possuía uma fenda do lado direito indicando o caminho do tecido e exibindo minha perna até acima do meio da coxa. O tecido era tão leve e de boa qualidade que senti-lo em minha pele era como se fosse um carinho, nunca havia experimentado nada assim antes. Sem contar que quando me olhei no espelho fiquei maravilhada com o que vi, pois ele destacava minhas curvas, o que fez com que eu me sentisse sexy. Era incrível o poder que um vestido possuía.

*

Assim que chegamos no MET com toda a equipe e passamos pelos procedimentos padrões de segurança, uma moça que estava coordenando a organização do evento veio nos receber e nos dar as instruções necessárias, ela se chama Melanie Brown e trabalhava na Vogue. Dentre as várias instruções passadas por ela, frisou que não deveríamos interagir com os convidados desnecessariamente. Obviamente já sabíamos disso, mas entendi que era parte do protocolo.

Durante nosso caminho para a cozinha, Willa me puxou até ficarmos afastadas do grupo e já imaginava o que ela diria.

– Você ouviu o que aquela moça disse, não ouviu?

– Sim, mas eu prometo que ninguém vai me notar. – dei meu melhor sorriso

Willa suspirou.

– Que ideia idiota você teve…

– E você prometeu que ajudaria. – a interrompi.

– Sim, eu sei, e já estou completamente arrependida disso.

– Eu prometo que não vou falar com ninguém, vou apenas olhar em volta. – Eu dizia a ela enquanto ela revirava os olhos. – Vou olhar as decorações, as pessoas. Apenas olhar. Que mal tem nisso?

– Você não pode simplesmente olhar as fotos amanhã, na internet ou na revista?

– Willa, não tem fotos – falei como se fosse óbvio, pois para mim era. – Os convidados são proibidos de postar fotos online, e mesmo que o fizessem, o máximo que postariam seriam selfies. Não quero ver selfies, quero ver a decoração, quero ver a festa acontecendo! Quero ver as outras galerias, que não terei acesso como hostess – disse antes que ela tentasse usar esse argumento. – Só uma hora, para que eu possa ver tudo com calma – pedi.

– Uma hora? Você está louca? – Willa perguntou, ultrajada. – Você tinha me dito cinco minutos!

– Bom, eu não tinha ideia do tamanho disso aqui. – Menti descaradamente. Sempre ia às exposições do Metropolitan.

Willa semicerrou os olhos.

– 15 minutos – ofereceu.

– Olha o tamanho desse lugar, vou demorar 15 minutos só para ir de uma galeria até a outra! Uma hora – propus novamente.

– Em uma hora já vamos ter organizado tudo para voltarmos, você será pega. – Lembrou-me

Suspirei resignada.

– Meia hora? – Sugeri. – Vai ser corrido, mas vou dar um jeito.

Willa concordou, um pouco contrariada.

A galeria Charles Engelhard Court, onde a janta era servida, foi transformada em um jardim inglês. O chão havia sido coberto com grama sintética, e havia topiarias elaboradas por todos os lados, assim como vários arranjos com lindas flores lilás em cima das mesas.

Nas primeiras horas, enquanto os convidados chegavam, passei a maior parte do tempo indo da cozinha até a galeria levando bebidas. Mal tive tempo de olhar o interior do museu, ou de ver quem estava presente. Conseguia prestar atenção apenas nas pessoas com quem conversava, quando me pediam alguma coisa. Vi vários atores e atrizes de filmes famosos, também alguns modelos e socialites. Era um tanto bizarro ver todas essas pessoas, que viviam em uma realidade tão diferente da minha, tão perto de mim.

Durante o jantar as coisas correram mais tranquilamente, só tive de servir algumas mesas, levando os pratos que as pessoas haviam escolhido e também lhes trazendo bebidas. Aos poucos as pessoas iam terminando e se dirigindo para a outra galeria, onde mais tarde aconteceria a performance de uma cantora do momento e um DJ estaria tocando.

Quando notei que boa parte da esquipe estava ocupada organizando e limpando a cozinha, chamei Willa para avisar que iria me trocar. Ela concordou, mas não sem antes me dizer mais uma vez o quanto desaprovava tudo aquilo.

Peguei minha mochila com o vestido e fui até o banheiro reservado para os funcionários, e comecei a trabalhar na minha maquiagem e cabelo. Decidi fazer um leve delineado e aplicar muito rímel e batom, e apenas desarrumei um pouco o coque que estava usando para tentar dar a impressão de que eu havia perdido muito tempo fazendo um penteado. Coloquei brincos e o vestido, calcei as sandálias e me olhei no espelho uma última vez antes de enviar uma mensagem para Nina avisando que já estava a caminho.

Era tão estranho estar andando pelo Metropolitan no meio da noite, mas nem por isso deixava de ser incrível. Era quase como entrar na escola escondida, ou então ficar trancada dentro do shopping e ter que passar a noite lá. Mas era muito melhor, porque era o Met e porque tinha um baile acontecendo.

Passei pela galeria onde estavam expostos os trajes da estilista que estava sendo homenageada neste ano. Muitas flores e folhagens estavam arranjadas entre os manequins, fazendo com que a sala tivesse uma aura encantadora. Passei também pela galeria onde foi servido o jantar, para por fim chegar na terceira galeria usada pelo evento, onde a festa realmente estava acontecendo.

A decoração era exuberante, glicínias despencavam de todo o teto, dando a impressão de que ele era mais baixo e feito totalmente de flores, haviam também muitas árvores e arbustos pequenos dispostos por todo os espaço galeria, junto com postes ornamentados que iluminavam o ambiente, e algumas estátuas douradas complementavam a decoração. Era ao mesmo tempo mágico e aconchegante, era como estar dentro do dentro do livro O Jardim Secreto.

Não importava para que lado virasse, podia ver atrizes, atores, modelos, músicos, jogadores e apresentadores famosos. Por várias vezes tive que me controlar meus instintos para não correr até alguém e dizer o quanto eu era fã do seu trabalho, pois sabia que a fangirl dentro de mim não seria contida uma vez que eu abrisse a boca.

Tentei me comportar como se realmente pertencesse a aquele lugar, pois eu queria aproveitar meus minutos tão preciosos naquele evento que eu tanto amava, e aparentemente eu estava conseguindo. Até o momento ninguém tinha me olhado torto ou feito qualquer coisa que indicasse que sabia que eu não deveria estar ali, mesmo as pessoas a quem eu havia servido bebias anteriormente. Garçons e hostess eram realmente invisíveis para as pessoas.

Alisei meu vestido enquanto olhava para a festa que estava acontecendo procurando por Nina. Poderia ser uma festa normal, em um clube normal. Um DJ tocava ao fundo e várias pessoas dançavam na pista, alguns casais se beijavam, e pude ver alguns grupos de amigos rindo e conversando em um canto, enquanto algumas meninas tiravam selfies em outro. Era hipnotizante ver todas aquelas pessoas agindo com tanta naturalidade e tranquilidade, sem medo de dizer a coisa errada ou agir de forma equivocada.

Senti alguém se aproximar e parar ao meu lado, e quando virei para ver quem era, quase caí para trás. Um homem alto, musculoso, loiro e de olhos azuis. Praticamente um deus grego, poderia até ser Apolo ou Adônis. Mas não, era apenas o Capitão América. Ou melhor, Chris Evans.

Não consegui conter meu sorriso, que cresceu ainda mais quando notei que ele me observava. Nunca senti tanta vontade de fazer algo que eu sabia que não deveria fazer, como naquele momento.

– Oi. – Cumprimentei Chris, dando meu melhor sorriso.

– Hey. – Respondeu, enquanto me observava.

Respirei fundo, tentando pensar em algo inteligente, engraçado ou mesmo irreverente para falar, mas nada me vinha a mente, tudo em que conseguia pensar era na beleza de Chris e na decoração.

– Está tudo tão maravilhoso, é quase… Mágico – decidi dizer, por fim. Queria conversar com ele mais do que tudo. – É como se O Jardim Secreto fosse aqui dentro do Metropolitan.

Chris olhou ao redor, como se tentasse ver tudo aquilo sob o meu ponto de vista.

– Eu estava no jardim de Monet, mas com um toque dos Jardins Suspensos da Babilônia, – assim que disse isso nos encaramos e rimos. – Você parece muito feliz em estar aqui. – Chris comentou, entre um gole e outro de sua bebida.

– Bom, é claro, é o MET Gala! – Desatei a falar – Para quem adora moda, é o evento mais esperado do ano, mais até do que o Óscar! Afinal, tudo o que importa sobre esse evento é o pink carpet. E tem o tema também! – Estava começando a me empolgar cada vez mais, gesticulando enquanto falava. Se ninguém havia percebido que eu não fazia parte daquele lugar até agora, era porque eu tinha ficado de boca fechada, mas Chris certamente perceberia logo. – A gente descobre o tema, os hosts do evento, e então ficamos na expectativa das roupas. E tem todo o mistério do que acontece aqui dentro, obviamente. Sem contar que estamos dentro do MET, no meio da noite! É uma festa que mexe com a imaginação das pessoas. – Pausei para respirar. – Bom, pelo menos com a minha.

Ele riu da minha empolgação.

– Seu primeiro MET? – Perguntou em meio a risos, mesmo sendo bem óbvio que era.

– Eu estou sorrindo demais, não estou? – Peguei uma taça de Champagne que um garçom nos ofereceu. – Devo estar parecendo meio maníaca.

– É claro que não. – respondeu, rindo. – É adorável. Você tem aquele brilho nos olhos igual a uma criança quando vai para a Disney pela primeira vez.

– Na verdade, eu fico assim toda vez que vou para a Disney. Talvez até mais animada.

– Vou te contar um segredo – ele fez uma pausa, e aguardei imaginando o que poderia ser. – Também fico assim todas as vezes que vou para Disney.

Soltei uma gargalhada, imaginando um Chris Evans tão animado quanto eu assim que coloca os pés na Main Street e sente aquele cheirinho de pipoca doce.

– Bom, acho que seria divertido fazer isso na Disney. Digo, entrar lá no meio da noite – ele explicou, após ver a confusão na minha cara.

– Bom, seria realmente incrível, e totalmente bizarro – respondi. – Você já ouviu as histórias de fantasmas da Disney? Muita gente já morreu lá, tem fantasmas no brinquedo do Piratas do Caribe.

Chris cruzou as mãos em cima do peito e desatou a rir. Chris Evans estava gargalhando de algo que eu tinha dito. Algo bem imbecil, mas mesmo assim. Comecei a rir junto com ele.

– Você está me dizendo que o lugar mais feliz do mundo é assombrado?

– Não sou eu, – fiz uma pausa dramática. – É a internet.

Chris gargalhou mais uma vez.

– Então você quer dizer que tudo que está na internet é verdade? – Concordei enquanto gargalhava também.

– É que acho que existe uma linha muito tênue quando se trata de parques de diversão desativados e bizarros e que parecem assombrados e os parques da Disney desligados no meio noite.

Ele ponderou por alguns segundo.

– Você tem razão. – Concordou por fim. – Sem Disney durante a noite para nós… – Ele pausou por alguns segundos. – Acho que não perguntei seu nome.

, mas pode me chamar de .

– Muito prazer em conhecê-la, – pegou minha mão esquerda e deu um beijo, me fazendo rir da cena. – Eu sou Christopher, mas pode me chamar de Chris.

– Encantada, Chris – fiz uma pequena reverencia enquanto segurava a saia do vestido, para entrar na brincadeira, e nós dois rimos. – Vem, vou te pagar uma bebida – comecei a andar em direção ao bar.

– Agora? – Ele perguntou confuso. – Não precisa pagar aqui dentro.

– Eu sei, por isso estou te chamando – dei uma piscadinha para ele.

– Por um momento fiquei feliz, achando que teríamos um encontro na próxima sexta. – Falou, divertido, me deixando em dúvida se era sério ou não.

– Não acho que sou o tipo de pessoa com quem você costuma ir a encontros – contrapus assim que chegamos ao bar.

– Pessoas engraçadas e interessantes?

– Você nem sabe se eu sou interessante, mas obrigada.

– Então talvez você devesse me contar mais sobre você. – Sugeriu, encostando-se no bar e me encarando.

– Tudo bem, mas você também vai ter que me contar mais sobre você. – Retruquei, e ele concordou. – Vamos começar com a sua bebida favorita, assim eu saberei que bebida te pagar, quando sairmos para o nosso encontro de verdade. – provoquei, e ele sorriu. E que sorriso, era o tipo de sorriso que te fazia querer sorrir de volta.

– Sou um homem simples, gosto de cerveja e whisky.

Pedi ao garçom que estava no bar um whisky para Chris e um mojito para mim. Havia prometido que iria apenas olhar, e já estava interagindo com os convidados e bebendo, mas ignorei meu pequeno surto de consciência e foquei no homem que estava em minha frente.

– Então, , já sei que você gosta da Disney, que esse é seu primeiro MET, e que você gosta de mojitos. – Concordava com a cabeça enquanto ele ia enumerando. – E o que faz? Com o que você trabalha?

Pausei por uns instantes, pensando se deveria contar a verdade. Calculei as consequências de contar, enquanto tomava um gole da minha bebida. Chris apenas me observava.

– Trabalho em um restaurante, no Crystal Palace – me decidi pela verdade uma vez que ele já deveria ter percebido que eu não era famosa nem nada, levando em conta o seleto grupo que era convidado, e a minha fascinação por tudo.

– Mesmo? – Ele pareceu realmente empolgado. – Adoro o Crystal! Que prato você me recomenda?

– Os brownies, – respondi de imediato, e ele riu. – São minha especialidade – expliquei e ele levantou uma sobrancelha, me encorajando a continuar falando. – Cuido das sobremesas, e minha receita de brownies é, modéstia à parte, a melhor de todas.

– Eu definitivamente quero provar. – Chris me disse, e bebeu um gole de seu whisky.

– Mas, se você quer realmente me conhecer, ou conhecer qualquer pessoa de verdade, você deve fazer as perguntas certas.

– Que tipo de pergunta? Qual o seu tipo sanguíneo e o número do seu cartão de crédito? – Brincou, sorrindo largamente.

– Não, quem é que liga para isso? – Ri.

– Traficantes de órgãos e estelionatários. – respondeu como se fosse óbvio. – O que não é meu caso, então acho que realmente não é importante. – Ele sorriu.

– Não, o que importa é qual seu filme favorito da Disney. Qual era seu dinossauro favorito quando você era criança – tomei mais gole da minha bebida enquanto pensava. – Que livro você está lendo no momento, a última coisa que você roubou, quando foi a última vez que você chorou e porque – ia contando nos dedos. – Acho que dá pra conhecer muito de uma pessoa com essas cinco perguntas.

– Uau! – deu uma gargalhada. – Ok, isso foi um pouco repentino, mas vou responder SE você responder também. Acho que suas respostas serão mais interessantes do que as minhas.

– Talvez não tanto quanto você esteja esperando, sou bem sem graça.

– Você pensou nas perguntas, elas devem ter uma história.

– Sim, mas nem todas são divertidas. – dei de ombros e bebi mais um gole do meu mojito.

– Tudo bem, – ele bebeu o resto de seu whisky. – Vamos começar. Filme favorito da Disney. O meu é “Robin Hood”, mesmo não sendo tão reconhecido. Adorava assisti-lo com meu irmão quando era criança.

– O meu é “Alice no País das Maravilhas”, porque sempre quis viver num mundo louco como aquele. Sempre imaginei como seria o meu País das Maravilhas.

– Não lembro de muitos detalhes, acho que só assisti esse uma vez na vida, e faz muito tempo que não vou no brinquedo.

Olhei para ele com uma falsa indignação, com a boca aberta e uma mão no peito.

– Christopher, não sei se poderemos continuar nos relacionando depois de eu descobrir uma coisa dessas.

– Por favor, espere. – Ele entrou na brincadeira – Talvez a resposta sobre meu dinossauro favorito te convença a ficar.

– Tudo bem.

– O meu favorito era o Braquiossauro. – Ele aguardava minha resposta.

– Hm… Que chato, – fingi descaso. – O meu era o T-Rex.

!? Agora eu é que tenho que cortar relações com você. – disse, fingindo estar ofendido da mesma forma que fiz antes, comecei a rir e ele me acompanhou com uma gargalhada.

– Na verdade, não gostava de dinossauros quando era criança – expliquei. – Mas acho que hoje escolheria aquele com o pescoço comprido.

– O Braquiossauro. – Me informou, rindo da minha expressão.

– Veja só, quem disse que eu não aprenderia nada com o MET Gala, – coloquei meu copo vazio no bar, e olhei em volta. A banda agora estava tocando uma balada romântica, e alguns casais estavam dançando. Chris acompanhou meu olhar e então arrumou sua postura, colocando os ombros para trás.

– Chamou, enquanto fazia uma breve reverência. – Quer dançar comigo?

Sorri, um pouco constrangida, mas segurei meu vestido para fazer outra pequena reverência, aceitando o pedido. Chris me guiou até o meio do salão, colocou a mão direita em minha cintura, segurou uma de minhas mãos com a esquerda, e a mão que estava livre coloquei em seu ombro. E deixei que ele me conduzisse, já que sempre fui péssima dançarina.

– Então, Chris, – comecei a falar totalmente constrangida e consciente de nossa proximidade, enquanto encarava seus olhos tão azuis. – Qual foi a última coisa que você roubou?

Chris deu uma gargalhada. Eu havia quebrado o nosso momento, e pensei que talvez devesse ter perguntado algo menos absurdo e idiota.

– Só consigo pensar que se você está me perguntando algo desse tipo é porque existe uma história por trás da pergunta. – Chris comentou ainda rindo, e ri também.

– Mais ou menos, não é como se eu fizesse isso o tempo todo. – Comecei a me defender, para que ele não pensasse que eu era uma completa louca. – O último escritório em que trabalhei era abusivo com os funcionários, então, antes de sair, roubei vários materiais de escritório, como canetas, post it e até um grampeador.

– Escritório? De que?

– Arquitetura.

– Uau, uma mulher de muitos talentos.

– Sou bem eclética com meus trabalhos – sorri, e ele retribuiu. – Na verdade foi por um curto período enquanto eu estava cursando arquitetura, antes de decidir que queria mesmo cursar gastronomia.

– Então, , qual sua comida favorita?

Parei para pensar, e ele logo adicionou:

– Esse é o tipo de pergunta que te faz conhecer alguém, certo? – Ri, concordando com a cabeça.

– É importantíssimo conhecer os hábitos alimentares das pessoas. Como é muito difícil escolher uma comida só eu diria… Macarrão. Ou então os waffles com Nutella e frutas que vendem na Disney.

– Nossa, aqueles waffles. – Chris suspirou. – Mas… sorvete. Nada ganha de sorvete.

– Ah! Foi você quem pediu sorvete de sobremesa hoje!

– Como você sabe? – Ele riu, parecendo um pouquinho constrangido.

Pensei bem em como responder a isso. Eu poderia mentir ou poderia contar a verdade, que enquanto estava na cozinha um garçom chegou dizendo que alguém havia pedido sorvete. Decidi responder com meia verdade.

– Não era uma opção de sobremesa e eu vi um garçom passando com sorvete.

Ficamos em silêncio por um momento, apenas girando no ritmo da música. Apoiei a cabeça em seu ombro, apenas apreciando o momento, enquanto sentia o perfume maravilhoso que ele usava. Ficamos assim até a música acabar e então nos afastamos.

– Quer mais uma taça? – Chris perguntou-me, indicando um garçom que vinha em nossa direção segurando uma bandeja com Champagne, e eu concordei.

– Então – entregou-me uma taça e pegou outra para si. – Quando foi a última vez que você chorou?

– Olha… Faz tanto tempo que nem me lembro. – dei uma risadinha. Tomei um gole da minha bebida. – E você?

– Acho que ontem mesmo. – Ele respondeu e eu ri achando que fosse uma brincadeira.

– Desculpa, mas… É sério? Por quê?

– Por causa de um comercial – Ele respondeu, agora rindo, enquanto passava os dedos no cabelo. – Sou um cara que chora por qualquer coisa. Patético, não?

– Claro que não! É adorável. – falei rindo, e ele riu junto comigo. – Mas então, me fala da sua infância. Do seu primeiro porre.

– Bom, meu primeiro porre não foi na infância, e espero que o seu também não tenha sido, – nós dois rimos da piadinha boba. Nunca havia rido tanto em uma noite, deveria ser a mistura da incredulidade e felicidade que sentia junto com o álcool que havia consumido. – Eu fiz muito teatro. Fui a acampamentos de teatro, oficinas de teatro, aulas de teatro. E meu primeiro porre foi… em um baile do colégio, eu convidei uma garota que gostava, e chegando lá ela voltou com o ex namorado dela. A partir daí não lembro muita coisa, só de acordar no gramado do meu vizinho da frente, no outro dia. – Ele deu de ombros como se não fosse nada demais, e eu dei uma gargalhada.

– Bom, eu passei boa parte da minha infância indo ao Central Park e shows da Broadway com a minha mãe, e depois explorando a cidade. E meu primeiro porre… – Pensei por uns segundos – acho que foi no primeiro ano da faculdade, em uma festa que até hoje não sei de quem era e também não faço ideia de como cheguei no meu dormitório. Bem sem graça, eu sei.

– Bom, eu não fiz faculdade, então acho incrível. – Sorriu.

– É legal na teoria, e na prática te faz querer morrer e desistir todos os dias, – nós dois rimos. – Fico feliz que já tenha acabado. – Apenas nos encaramos por alguns momentos, até que voltei a perguntar, – Mas então, você tem algum guilty pleasure? – E Chris soltou uma gargalhada.

– Se você não me achou um idiota até agora, você vai achar, – ele tomou um gole da sua bebida. – Eu adoro ver vídeos de crianças caindo, principalmente se foi um cachorro que as derrubou.

Comecei a rir. Definitivamente não esperava isso. Abri a boca para responder, mas vi Nina vindo em minha direção com uma expressão não muito feliz, gesticulando algo que não fazia sentido para mim. Apertei os olhos, como se isso fosse me ajudar a entender, e Chris virou parar olhar o que havia chamado minha atenção, e foi então que percebi que eu estava atrasada. Havia perdido a noção do tempo.

, aí está você! – ouvi Nina dizer, assim que ela chegou perto o suficiente. – Tem uma pessoa procurando por você. – Então ela notou com quem eu estava conversando, e pareceu ficar meio desconcertada. – Ah, oi. Desculpe interromper, mas precisa ir.

Chris abriu um sorriso encantador e a cumprimentou.

– Droga, que horas são? – Perguntei, tentando não transparecer minha aflição.

– Já passou de meia noite e meia, – Nina respondeu entre dentes, então pegou minha mão e começou a me puxar. – Vem…

– Espera, tem uma coisa que eu preciso fazer antes, – pedi a Nina – vai ser rápido. – Completei, após ela fazer uma careta e revirar os olhos. Entornei o resto do Champagne e coloquei a taça no balcão. Virei-me para Chris e dei um passo, aproximando-me dele. – Eu geralmente não faço isso, mas sei que se não fizer, vou me arrepender amanhã.

Ele não respondeu, e apenas me olhou um pouco confuso. Coloquei uma das mãos em sua nuca e com a outra segurei a lapela de seu terno, puxando-o para mim. Chris entendeu o que eu pretendia fazer, e puxou-me pela cintura me colando em seu corpo, e eu o beijei. E a melhor parte? Ele retribuiu.

Eu estava no MET Gala e estava beijando Chris Evans. Minha vida não poderia ser melhor. Eu nem ligava se havia me atrasado, ou se Katarina iria querer me matar ou me expulsar de casa amanhã, não ligava para nada que não fosse esse momento, que não fosse esse beijo. Já havia beijado vários caras, e até algumas meninas, mas nada se comparava a esse beijo, nenhum havia sido tão sensacional, tão urgente e tão único quanto aquele. E jamais havia sentido borboletas no estômago com um beijo – clichê, eu sei. E ao mesmo tempo em que pareceu durar horas, também pareceu ter acabado muito cedo.

Afastei-me de Chris lentamente, enquanto ainda nos olhávamos nos olhos, os dois um tanto ofegantes.

– Bom, tenho que ir agora. – falei, me sentindo tímida de repente.

– Vem , – Nina começou a me puxar novamente, quebrando o clima.

– Como faço pra te encontrar? – Chris perguntou, ignorando minha amiga.

– No Crystal Palace – gritei para ele, enquanto me afastava com Nina.

*

Era final de tarde de uma terça-feira de junho e mais de um mês havia se passado desde o MET Gala, e eu ainda achava que tinha sonhado tudo. Só acreditava que havia acontecido de fato porque Nina havia visto eu beijar Chris Evans. Suspirei.

Nos primeiros dias ia trabalhar tão ansiosa que a cada movimento de meus colegas, ou quando alguém me chamava, achava que era Chris me procurando. Mas com o passar dos dias e nenhuma notícia sua, fui desistindo da ideia de que ele realmente havia se interessado por mim, embora houvesse passado e repassado tudo que havíamos conversado tantas vezes tentando entender onde foi que tinha errado. Pensar que eu havia interpretado de forma errada tudo o que aconteceu me doía, mas ainda era uma possibilidade.

Meu comportamento estranho deve ter deixado Katarina alarmada, pois começou a perguntar não apenas a mim, mas a todos que tinham trabalhado no MET, como eu tinha me saído. Ela deve ter achado que minha ansiedade se devia a algo errado que eu fizera a alguém no baile e estava esperando ser delatada. Mas mesmo tendo me atrasado, Willa me dera cobertura e absolutamente ninguém deu pela minha falta.

Andar por Nova York era uma das coisas que eu mais gostava de fazer. Observar os prédios e as pessoas andando apressadas enquanto eu passeava tranquilamente era quase terapêutico. Quando passei pela Bloomingdales da 59th entrei para comprar um pijama, e assim que cheguei à seção quase me arrependi. Eram tantos modelos e tantas cores que não sabia muito bem o que escolher. Estava andando havia uns 10 minutos quando encontrei uma camisa azul marinha na seção masculina, com um tecido tão gostoso que seria a camisola perfeita.

Fui até uma garota que trabalhava na loja para finalizar a comprar.

– Boa tarde. – Cumprimento-me ela, e eu respondi. – A senhora encontrou tudo o que procurava?

– Sim, encontrei – respondi enquanto entregava a camisa para ela.

– A parte de baixo está com você? – Perguntou-me, notei seu crachá e vi chamava Shanon.

– Não percebi que tinha parte de baixo, mas não tem problema, vou querer apenas a camisa.

– Sinto muito, senhora, mas infelizmente essa peça faz parte de um conjunto. Só podemos vendê-lo completo. Não quer levar a calça também?

Fiquei um pouco aborrecida com isso, havia gostado tanto da camisa, e não teria o que fazer com uma calça de pijama grande demais para mim.

– Não há nada que possa ser feito? – Insisti, usando meu melhor sorriso.

– Infelizmente para esse modelo, não, senhora. Sinto muito – Shanon parecia mesmo sentir muito. – Posso tentar encontrar outra opção, uma que seja mais próxima do que você busca – ofereceu, e eu concordei.

Uns dois minutos haviam se passado quando Shanon voltou até onde eu estava.

– Acho que encontrei uma solução para que você possa levar apenas sua camisa – informou-me sorrindo.

– Mesmo? – Perguntei surpresa.

– Sim – respondeu sorridente. – Acabei de saber que tem um cliente que está procurando apenas a parte de baixo desse mesmo modelo. Se a senhora concordar, poderão comprar o pijama juntos, o tamanho que ele precisa é o mesmo que o seu.

Quais eram as chances? Se soubesse que hoje era meu dia de sorte, teria comprado algumas raspadinhas na loteria.

– Sim, com certeza – concordei, e fui seguindo Shanon até o caixa, onde um homem alto e musculoso estava parado.

– Senhor, esta é a cliente de quem falei – a vendedora falou para o homem, que se virou para me olhar.

E por um momento ficamos os dois de boca aberta, nos encarando, sem parecer saber o que dizer. E eu sempre tinha algo a dizer, nem que fosse um comentário idiota, e quando Chris Evans começou a rir, me senti um pouco envergonhada, lembrando da forma como o tinha beijado da última vez.

– Oi – disse por fim, timidamente.

Sua expressão mudou por um segundo, então ele abriu um sorriso largo.

– Se eu soubesse que te encontraria aqui, teria vindo antes – falou Chris enquanto se aproximava de mim. – Fui até o Crystal Palace, mas me disseram que não havia nenhuma lá – ele ergueu uma sobrancelha, tentando compreender o que havia acontecido.

– Oh! Agora tudo faz sentido, Katarina vem me atormentando porque acha que eu fiz algo errado – comecei a rir sozinha.

– Te coloquei em apuros? – Perguntou, preocupado.

– Ah não – dei de ombros, – Katarina é minha madrasta e dona do Crystal Palace.

Estava tomando folego para contar toda a história do baile quando notei Shanon sorrindo ao nosso lado.

– Vamos finalizar nossa compra primeiro? – Sugeri e ele concordou.

Era bom saber que ele realmente havia me procurado, eu não tinha interpretado nada errado. Sorri sozinha ao pensar nisso, e quando Chris me olhou sorriu também.

– Quer jantar comigo essa noite? – Ele perguntou assim que saímos da loja.

– Claro! – Respondi um pouco surpresa pela pergunta tão abrupta. – Que horas?

– Que tal agora? Já está anoitecendo e sei o lugar perfeito – estendeu a mão para mim. – Topa?

Pegamos um táxi e durante o caminho ele fez algumas ligações para ter certeza de que o restaurante que ele tinha em mente nos atenderia sem uma reserva, e após alguns minutos paramos em frente a um prédio bem alto. Deixei que Chris me guiasse, e entramos e fomos até o elevador, e então saímos no último andar. Depois de uma leva de escadas, fomos recebidos em um restaurante moderno e aconchegante que ficava no terraço do prédio, e fomos levados até uma mesa com uma vista para o pôr do sol.

– Nunca foi tão difícil encontrar alguém – Chris quebrou o silêncio, sorrindo, enquanto me encarava com aqueles lindos olhos azuis. – Achei que teria algum privilégio por ser o Capitão América, mas ninguém queria me dizer onde você estava ou quem era você.

– Então… – comecei a rir. – Vou te contar a verdade – tomei um gole da água que o garçom havia nos servido. – Eu não fui convidada nem nada do tipo, estava trabalhando como garçonete e decidi dar uma passeada no baile.

Chris começou a gargalhar, com as mãos cruzadas sobre o peito, como já o havia visto fazer antes.

, você é, definitivamente, a pessoa mais interessante que já conheci – ele me falou depois que parou de rir.

– Por quê? Por que fui numa festa chique de penetra?

– Nem todo mundo teria coragem, sabe. Eu não teria.

– Bom, você é convidado todo ano, nem precisa – repliquei, rindo.

– Justo – concordou.

Ficamos em silêncio por alguns momentos, estava brincando com meu copo, me sentindo tímida e com um pouco de medo de dizer a coisa errada. Tudo parecia mais real agora, com a cidade ao fundo.

– ele pegou uma das minhas mãos e permaneceu segurando-a. – Pensei em você todos os dias durante esse mês. Até anotei algumas coisas que queria te perguntar…

Comecei a rir. Havia criado uma lista mental com várias perguntas que também queria fazer.

– Não acredito! Você procurou no Google? – Provoquei, apertando de leve sua mão.

– Também – ele sorriu, um pouquinho envergonhado. – Da última vez era só você que fazia as perguntas interessantes, então quis estar preparado para quando nos encontrássemos novamente.

Abri um sorrio largo ao saber que ele não só havia pensando em mim, mas que havia planejado mais um encontro.

– Pode perguntar primeiro então – falei.

– Antes de fazer uma ligação você ensaia o que pretende dizer? Quando foi a última vez que você cantou e dançou sozinha? Você tem algum palpite de como acha que vai morrer? Como seria um dia perfeito pra você?

– Que perguntas são essas? – Comecei a rir e ele ria também. – São muito mais profundas que as que fiz a você!

– Eu sei, mas tenho algumas mais bobinhas e outras muito mais profundas separadas também – começou a fazer movimentos circulares com o polegar na minha mão. – Quero te conhecer de verdade. Sorri, e enquanto olhava-o nos olhos, percebi que desejava o mesmo, e sabia que seria assim.

O sol se punha, deixando o céu de Nova York com tons de laranja e rosa, e depois roxo e azul, anunciando o começo de uma noite e também de um novo relacionamento entre nós.

FIM

N.A.: OLAR! Turubem? Antes de tudo queria dizer que essa fic foi escrita em 2018, então quando mencionei uma onda de gripe que atingiu a cidade, foi apenas uma saída criativa para que o plot pudesse se desenrolar da maneira que eu havia pensado, até onde sei não sou sensitiva de nenhuma forma (já estou indo reler todas as minhas outras fics em busca de outra previsão hahahaha).

De qualquer forma, sei que essa fic ficou um pouco bobinha, mas desde que essa história surgiu na minha cabeça eu não consegui sossegar, até por ela pra fora. Espero que você tenha gostado e se divertido com ela tanto quanto me diverti pesquisando e escrevendo.

Obrigada por ler!