Happily

Happily

Sinopse: Você é uma brasileira que atualmente mora em Londres e está em um relacionamento há um ano e meio com Albert Wright Cole, o recém promovido e mais novo empresário da banda One Direction. Albert é um homem muito poderoso e muito influente no meio artístico. O relacionamento de vocês anda estremecido, mas na noite em que você está determinada a tentar restabelecer a relação de vocês um encontro inesperado com Liam Payne pode fazer com que sua vida mude completamente, abrindo seus olhos para a atual situação que você anda vivendo e aos poucos ele começa a fazer parte da sua vida e despertando um sentimento jamais sentido antes.
Gênero: Drama/ Romance
Classificação: +18
Restrição: Os garotos da banda são fixos. Liam é o PP.
Beta: Thalia Grace

Capítulo 1

“You know I wanna be the one who hold you when you sleep

I just want it to be you and I forever

I know you wanna leave

So come on, baby, be with me so happily

It’s 4am, and I know that you’re with him

I wonder if he knows that I touched your skin

And if he feels my traces in your hair

I’m sorry, love, but I don’t really care.”

Após passar as últimas sete horas dentro daquele hospital, a melhor sensação era chegar em
casa, poder tomar um longo banho e relaxar. Há uma semana, o irmão de , de apenas 18 anos, havia sofrido um acidente de carro e está em estado muito crítico, mas hoje ele apresentou melhoras e pela previsão dos médicos amanhã será transferido para um quarto.

Durante essa semana eu estava indo todos os dias ao hospital dar um apoio à minha amiga
, que além de uma grande amiga é minha vizinha que mora no andar em cima do meu e aos seus pais. Eles acabaram tornando-se uma segunda família para mim, afinal eu estava a
um oceano de distância da minha.

Entrei em meu quarto me deparei com duas caixas em cima da minha cama, uma pequena e
uma maior, e em cima dela havia um cartão com envelope prata. Me aproximei e vi que eram
presentes de Albert, um vestido e um par de sapatos. Comecei a ler o cartão para ver qual era
a ocasião tão especial, pois não lembrava quando havia sido a última vez que ele me presenteara assim, de surpresa. No cartão dizia que essa era a roupa para eu usar hoje à noite
na festa de aniversário de um dos sócios da Modest Management, a qual nós dois havíamos
sido convidados.

Albert e eu estávamos juntos em torno de um ano e meio. No início, muitos achavam que eu
estava com ele apenas por interesse, por ele ser um empresário no meio artístico e eu uma
simples brasileira que veio para Londres para estudar. E o fato de ele ter 44 anos e eu 25
também era um dos fatores, ouvia certos comentários em alguns poucos eventos em que eu o
acompanhei. Mas eu aprendi a ignorar, afinal ele foi me cativando e acabou me conquistando
e era isso que importava.

Ultimamente admito que ele andava mais ausente, inclusive esse foi um dos motivos pelo qual me apeguei tanto à família de . Sempre que ele me deixava sozinha por assuntos do trabalho, eu dava um pulinho no apartamento deles. Nesse tempo não fiz muitas amizades, Albert zelava muito por mim e não me deixava sair sozinha, precisei largar meus estudos depois de 4 meses de namoro, ele ficou com muito ciúmes de um colega meu e, para evitar confusão, resolvi trancar a matrícula. Albert realmente era apaixonado por mim, não queria dar motivos para ele ficar chateado. Independente desses últimos tempos ele estar mais distante, sentia que Albert se preocupava e gostava muito de mim, da maneira dele, é claro.

Mas acredito que esta noite será o momento perfeito para me distrair um pouco, quem sabe as
coisas comecem a entrar nos eixos novamente e Albert volte a me notar como antes.
Tomei um longo banho na banheira para relaxar e ficar mais disposta para a festa mais tarde, então comecei a refletir em como o nosso relacionamento já não era como antes, nesses tempos havíamos nos distanciado um pouco, ele andava muito ocupado sempre falando que estava tentando uma promoção, seu tempo era tomado por trabalho praticamente 24 horas, mas pelo fato de Albert ter me surpreendido com este presente, acredito que ele também está
tentando resgatar o nosso relacionamento.

Assim que saí do banho, me enrolei na toalha, fui até minha cama e abri a caixa retirando um
lindo vestido vermelho e o vesti. Caiu perfeitamente no meu corpo, Albert me conhecia bem, inclusive meu gosto. Estava terminando de colocar meus brincos, quando pontualmente às 18h30min, o porteiro tocou o interfone avisando que Albert estava me aguardando. Para minha sorte eu estava pronta, pois ele odiava atrasos. Assim que cruzei o portão de saída do condomínio, avistei seu carro estacionado logo a frente.

— Demorou… — Olhou impacientemente para o relógio, comentou no instante em que abri a
porta do carro.

— Foi só o tempo de descer o elevador, Albert. Eu já estava pronta. — Expliquei calmamente
enquanto colocava o cinto de segurança.

— Está bem. — Me olhou por alguns instantes. – O vestido ficou bem em você, . Acertei o tamanho. — Comentou de uma maneira bem indiferente e logo deu partida no carro.

— Obrigada pelo presente, Albert. — Sorri de leve, mas sem ao menos ele ter prestado atenção.

— Hoje acontecerá uma festa importante, todos os sócios estarão presentes e muitos artistas que são agenciados pela Modest também estarão lá. Você não poderia ir vestida de qualquer jeito não é mesmo? — Comentou de uma maneira arrogante, sem tirar os olhos por um segundo da estrada. Definitivamente ele andava muito estranho.

Respirei fundo, pois não queria criar atrito. Ele deveria estar um pouco cansado e não queria
aborrecê-lo.

— Sabia que o irmão da apresentou melhoras e logo será transferido para um quarto? Isso não é ótimo? — Falei com entusiasmo. Quem sabe essa notícia o animaria.

— Sim. — Respondeu de forma automática e distante, como se praticamente nem tivesse me ouvido. — Agora me lembrei de mais uma coisa, não me faça passar vergonha, mantenha-se discreta, imagem é tudo nesse meio, você sabe disso.

— E alguma vez te fiz passar vergonha por acaso? — Perguntei com o tom de voz mais elevado.

Aquilo era demais para mim. Nos últimos tempos era sempre assim, ele a cada dia se tornava
mais frio e insensível. — O que você tem afinal?

— Não tenho nada, apenas fiz um comentário. Não precisa ficar toda ofendida. Já estamos quase chegando, por favor, se acalme e mantenha sempre um sorriso no rosto.

Ele manobrou o carro até o estacionamento do local e assim que saiu do carro, deu a volta e
abriu a porta para eu sair e assim entramos de mãos dadas.

O clube estava cheio, logo tratou de me apresentar aos sócios que estavam todos reunidos em
uma só mesa e em seguida à Richard, o aniversariante e sócio majoritário da Modest, e sua esposa. Enquanto eles conversavam animadamente, eu comecei a me sentir um pouco deslocada. Albert parecia que nem me enxergava ao seu lado e a esposa de Richard fazia questão de me ignorar e lançar algumas piadinhas que estavam me deixando desconfortável.

— Albert, vou buscar uma bebida. — Falei discretamente.

— Uhum. — Resmungou e balançou a cabeça positivamente, sem sequer me olhar.

Aquilo parecia tudo, menos uma festa. Vários grupinhos conversando, uma música entediante, até que avistei o bar e um banco vago.

— Martini, por favor. — Pedi ao barman.

De onde eu estava conseguia ver de longe Albert. Entre um gole e outro do meu drink, fiquei
apenas observando-o com um copo na mão, ria de uma maneira como nunca havia visto, ele parecia tão entretido, parecia nem ter percebido minha ausência por mais de vinte minutos.

Já havia estado em alguns outros eventos com ele ano passado, mas foram poucos e esta era a
primeira vez me senti totalmente excluída. E não há como explicar essa solidão mesmo estando rodeada de tanta gente. Girei meu banco para ficar de frente para o garçom e pedir mais uma dose. Ao fazer esse movimento, acabei esbarrando em alguém que havia acabado de pegar um copo de bebida ao meu lado, fazendo assim derramar quase todo líquido em meus pés.

— Ai, me desculpa…! — Dei um pulo, levantando-me do banco. — Deixa que eu pego mais uma bebida para você. Nossa, sou muito desastrada mesmo! — Enquanto falava sem parar, me virei de lado para o garçom e pedi mais uma bebida.

— Não se preocupe, eu que peço desculpas… Também estava distraído. — Ele me alcançou alguns guardanapos que estavam em cima da bancada. Nesse instante nossos dedos acabaram
se encostando, fazendo assim com que eu voltasse minha atenção à pessoa que estava diante de mim.

Nesse momento senti meu estômago embrulhar, Albert jamais me perdoaria de fazer
esse fiasco, de derrubar a bebida de um dos queridinhos dele, justamente um dos garotos do One Direction. Era tudo que eu ouvia Albert falar ultimamente e, para piorar a minha situação, tive um lapso de memória. Fiquei tão atônita que sequer lembrava o nome dele, era como se todos os nomes estivessem embaralhados em minha cabeça.

— Vou ter que pagar sapatos novos para você. — Ele riu, enquanto me observava secar os
sapatos.

— Não se preocupe, não vai estragar, não. — Respondi timidamente. — Mais uma vez me
desculpe pelo incidente, nem sempre sou assim tão desastrada… — Coloquei os guardanapos
em cima do balcão. O barman logo alcançou a ele outra bebida.

— Só em festas chatas? — Ele perguntou rindo.

— Como? — Franzi a testa. — Ah, sim… — Eu ri. — É, se é que podemos chamar isso de festa. — Fiquei meio sem graça depois de ter falado. — Nem devia ter dito isso. — Bebi um gole da minha bebida, tentando disfarçar meu nervosismo.

— Então esse será nosso segredo, porque também estou achando um porre, estou apenas
cumprindo agenda. — Ele sentou-se no banco junto ao bar. — E qual é o nome de com quem estou dividindo esse super segredo? — Me perguntou com um sorriso tão simpático estampado em seu rosto.

— Meu nome é . — Respondi olhando diretamente para aqueles olhos castanhos.

— Você trabalha na Modest? — Perguntou puxando o banco, ficando mais próximo do meu.

— Não! E-Eu… Eu sou a namorada do Albert. Acho que é assim que me intitulam. — Não pude conter um riso nervoso.
— Namorada do Albert? — O sorriso dele desapareceu na hora. — Até sabíamos que Albert tinha uma namorada, ouvimos alguns comentários, mas…

— Mas…? — Indaguei, tentando saber que comentários eram esses.

— Nada não… — Balançou a cabeça. — O que eu queria dizer na verdade é como que ele te
deixou aqui sozinha no bar?

—Ele está um pouco ocupado… E eu estava um pouco por fora dos assuntos deles, decidi não
atrapalhar e ficar por aqui mesmo. — Respondi transparecendo que não estava muito contente com a situação. Olhei na direção onde estava Albert em seu círculo de “amigos”. Ele ainda ria muito e conversava de maneira bem expansiva.

— E se importa se eu lhe fizer companhia? Prometo não incomodar. — Tomou um gole de sua bebida.

— Claro que não me importo. — Tomei mais um gole.

— Pelo seu sotaque percebi que não é daqui, certo?

— Eu sou brasileira, estou morando em Londres fazem dois anos. Vim para estudar e aprimorar meu inglês e acabei ficando depois que conheci o Albert.

— E como você o conheceu? Quanto tempo vocês estão juntos? — Perguntou de forma meio
afobada, me deixando um pouco sem jeito. — Desculpe pela pergunta, eu sou meio intrometido às vezes, nem precisa responder se não quiser.

— Imagina… Por mais clichê que pareça, eu trabalhava em uma loja da Armani no shopping e certo dia ele apareceu para comprar um terno e a partir deste dia ele começou a ir até a loja com mais frequência. Até que um dia, depois de alguns convites para tomar café, acabei aceitando seu convite. Depois ele me convidou para jantar e estamos juntos há um ano e meio. — Dei uma breve pausa. — Mas chega de falar sobre mim. E então, você foi o único da banda a ser obrigado marcar presença aqui hoje?

— Não, o Harry e o Niall também tiveram que vir, mas eles saíram um pouco antes do nosso
pequeno “acidente” aqui no bar. Eu também ia ir embora, mas mudei de idéia. — Ainda me
olhando, tomou o último gole de sua bebida.

Por eliminação constatei que haviam sobrado apenas três nomes, Liam, Louis e Zayn. Eu ouvia falar quase sempre deles e agora não consigo lembrar um simples nome? Pensa , como eu posso tentar descobrir sem ter que passar pagar mico?

— E os outros não foram chamados? O… — Tentei me fazer não lembrar apenas o nome de um.

— O Zayn? O Louis? — Ele perguntou, automaticamente respondendo a minha pergunta.

— É… Eles. Por que não vieram?

— O Louis estava com a família e o Zayn resolveu aproveitar uma folga e levar a Perrie para jantar, não sei bem.

Fiquei aliviada que pelo menos não ia dar essa bola fora de ter que perguntar o nome dele. Conversamos por um tempo sobre vários assuntos, até rimos de algumas pessoas que já haviam bebido demais na festa. Era como se eu nem lembrasse que Albert havia me ignorado o tempo todo. Então Liam virou-se para mim.

— Posso te fazer mais uma pergunta? — Concordei com a cabeça, segurando o copo do drink com as duas mãos. — Você parecia um pouco triste e desanimada antes ou foi apenas impressão minha?

— Não… Não exatamente… Digo… É que aconteceram algumas coisas…

Nesse instante fui interrompida ao sentir alguém tocar em meu ombro. Virei meu rosto para
ver, era Albert.

— Você sumiu, agora entendi. — Albert proferiu com deboche, percebia-se que ele estava levemente embriagado. — Então, Liam, minha namorada não estava te importunando por um autógrafo, não é mesmo? — Albert gargalhou.

Liam apenas o encarou com um olhar de reprovação.

— Vamos, querida, temos que ir para casa agora. — Albert me puxou bruscamente pela mão,
então tive que esticar o braço para alcançar minha bolsa que estava pendurada no banco. Na pressa acenei para me despedir de Liam, que apenas me acompanhou com seu olhar até eu sair.

No momento em que saímos do elevador no andar do estacionamento, Albert soltou minha
mão e entrou rapidamente no carro e, assim que eu entrei, ele deu partida. Durante o trajeto de volta permaneci calada e desta vez quem rompeu o silêncio foi Albert.

— Tenho que dizer, você está de parabéns hoje, se comportou muito bem diante de todos, até
recebi elogios seus. O vestido que lhe dei surtiu efeito. — Sorriu maliciosamente. — O que tanto você e aquele garotinho conversavam? Não deu uma de fã louca para cima do coitado não é mesmo?

Realmente isso estava me deixando nervosa e sem paciência, quem ele achava que era para estar falando comigo dessa maneira? As vezes ele era frio e distante, mas esse jeito asqueroso
e arrogante está passando dos limites.

— Sim, é bem como sou. Uma louca desequilibrada, que não sabe me comportar na frente de
pessoas famosas. Um ano e meio de convivência comigo e não tinha percebido? — Respondi
extremamente irritada. — Quando é que eu te fiz passar alguma vergonha? Me diga! — exclamei com raiva.

— Fica calminha, estou só brincando com você, meu docinho. — Respondeu, passando a mão na minha coxa, fazendo eu me afastar daquele toque. — O que foi? Tá ofendida agora é? Amanhã te compro algo novo e garanto que já passa essa birra. — Riu de uma maneira bem irônica.

No fundo eu queria acreditar que ele estava dessa forma por causa da bebida, mas não podia negar que já fazia algum tempo que ele estava me tratando assim, só não havia admitido para mim mesma até esta noite. E eu que pensei que esta seria a noite perfeita para que tudo voltasse a ser como era no início. Doce ilusão a minha. Assim que chegamos ao apartamento, ele abriu a porta, jogou as chaves em cima da mesa e foi direto para o quarto. Eu o segui e assim que ele cruzou a porta do quarto, apenas jogou seus sapatos em um canto, desabotoou a camisa, arrancou o cinto e mergulhou na cama.

— Não fica assim emburrada, vem cá… — Ele deu um tapinha no colchão. — Vem cá, amorzinho.

Mantive toda minha calma para não iniciar uma discussão.

— Vou me trocar. — Respirei fundo e fui até o banheiro fazer minha higiene, tirar a maquiagem e colocar meu pijama. Enquanto escovava meus dentes, minha mente viajou um pouco e veio a imagem do sorriso de Liam e uma sensação de tranquilidade tomou conta de mim nesse instante, levando embora toda irritação que Albert provocou alguns minutos atrás.

Senti como se eu e Liam nos conhecêssemos há tempos. Jamais imaginei que ele fosse assim tão simpático e uma pessoa tão agradável de conversar. Sequei meu rosto e ao me encarar novamente no espelho era como se todas as minhas verdadeiras emoções, necessidades, realizações, medos e carências refletissem ali, diante dos meus olhos. O que havia acontecido comigo e com Albert? Sentia como se esse tempo que passamos juntos estivesse se esvaindo por entre meus dedos e algo estivesse mudando dentro de mim, mas espero se tratar de uma fase e que possamos superar tudo isso.

Ao sair do banheiro, me deparo com Albert estatelado na cama parecendo uma estrela do
mar, me aproximei da cama e tive de juntar toda minha força para empurrar Albert, para que
eu tivesse um espaço onde pudesse dormir. Ele já estava em um sono tão profundo que
chegava a roncar alto. Acomodei-me um pouco encolhida, puxei o lençol, fechei os olhos e
logo acabei pegando no sono.

 

Capítulo 2

Na manhã seguinte, já eram nove da manhã e Albert tinha saído de casa fazia um bom tempo. Sequer havia se despedido. Levantei-me um pouco desanimada e vesti meu robe que estava pendurado ao lado da minha cama. Quando eu estava prestes a sair do quarto, a porta se abriu.

— Bom dia, ! Que bom que já está acordada, quer tomar café, querida? — Perguntou Lydia.

— Sim. Obrigada, Lydia. — Respondi, terminando de amarrar meu robe, e a acompanhei até a cozinha.

— Sabe que horas Albert saiu? — Perguntei, sentando-me à mesa enquanto Lydia servia o meu café.

— Logo que cheguei o Sr. Albert saiu. Mas antes me pediu para lhe passar um recado, que por volta do meio dia ele irá passar para te buscar. Parece que vai ter um almoço na casa de um dos sócios. — Falou enquanto servia alguns pães no prato a minha frente. — Acho que era isso, se entendi bem. Também pediu para você ir apresentável, foi essa palavra que ele usou. Ele falou que provavelmente terá fotógrafos por lá. Foi tudo que ele disse, desculpe, só estou passando o recado.

— Eu sei, Lydia, já estou acostumada. Ultimamente é sempre assim, mas prometi a mim mesma não deixar isso me afetar mais. Talvez seja apenas uma fase por ele estar trabalhando muito. — Peguei a faca e passei manteiga no meu pão.

— É, pode ser… — Lydia concordou e direcionou-se até a pia.

Lydia trabalha há anos para Albert, apesar de eu gostar muito dela e ela sempre demonstrar ter afeição por mim, não sabia se de fato se poderia confiar nela para desabafar o que eu estava passando.

(…)

Liguei para e perguntar como estava seu irmão e se já haviam o transferido para o quarto. Ela contou que o médico pediu mais uns exames e amanhã ele iria para o quarto. Essa notícia me animou e então me tranquilizei. Depois de ter finalizado a ligação, abri meu armário para procurar algo “apresentável”, como Albert falou para Lydia. Enquanto passava meus dedos pelos cabides, fiquei pensando no motivo pelo qual me chamou para dois eventos seguidos de seu trabalho.

Talvez essa fosse a minha chance, eu precisava fazer ele me notar novamente, não estava mais aguentando tanto desprezo da parte dele.

Puxei um nos últimos cabides e encontrei em meio às minhas roupas um terno do Albert, Lydia provavelmente não havia percebido e guardou no lugar errado. Tirei do cabide e joguei em cima da poltrona que tinha no closet. Quando o terno pousou no braço da poltrona, caiu um papel de dentro do bolso dele. Abaixei-me e juntei do chão para ver. Era um cartão de visita da própria Modest, mas tinha algo escrito à mão, atrás:

Sábado às 20:00 – 6 Frith St, London W1D 3JA… 020 7212 1235

Resolvi mudar nosso lugarzinho de sempre. Vou contar os dias, babe!– Amor, Shannon.”

Um frio percorreu minha espinha, eu estava lendo aquilo mesmo? Não podia ser o que eu estava pensando, não. Ao mesmo tempo que tudo parecia se encaixar eu não queria acreditar. Shannon? Seria esse o motivo que ele andava me tratando com tanta indiferença?

Meu Deus, deixar esse tipo de bilhete no bolso do terno era a coisa mais clichê e vulgar que existia. Eu podia aguentar o mau humor dele e algumas palavras rudes, mas traição? Isso era inadmissível. Como tudo isso me doía. Sempre fui fiel e o tratei muito bem, e foi assim que ele me retribuiu?

Depois do acidente do irmão da , percebi o quanto a vida é curta para aceitar a infelicidade. Não posso negar que esse bilhete havia me destruído de vez por hoje, por mais que ele ande totalmente alheio a mim nos últimos tempos, não conseguia deixar de sentir a dor de uma possível traição. Engoli meu choro e orgulho, afinal ainda não tinha total certeza, talvez eu estivesse enganada.

(…)

Albert sempre foi muito pontual, aproveitei e fiquei pronta antes do horário e o esperei na sala. Assim que ele chegou, praticamente nem me olhou e me cumprimentou com um breve beijo no rosto e passou com pressa até o escritório para buscar uma pasta e logo em seguida pegou as chaves para sairmos.

Ele parou na porta e me olhou de forma distante.

— Antes de sairmos, quero avisar que é uma reunião com um brunch, será na casa do Richard e terá alguns fotógrafos, pois os garotos da One Direction estarão por lá. Eles irão fazer uma sessão de fotos para uma revista, para a divulgação do novo CD e tudo mais, enfim, coisas que você não entende, mas você pelo menos tem que saber para não dar nenhuma bola fora. — Me explicou com descaso.

O fitei com certa indignação, mas logo me recompus. O nome Shannon ainda apitava em meu ouvido. Eu estava me controlando ao máximo, não sei de onde estava tirando tanta frieza para não gritar, pegar aquele bilhete e jogar na cara dele. Então tudo que ele me dizia eu apenas concordava com a cabeça, porque se eu abrisse a boca acho que iria me descontrolar de vez e iríamos brigar para valer e esse não era o momento.

(…)

Do lado de fora da mansão, perto dos portões de entrada, vários paparazzi e alguns repórteres estavam a postos. Antes de passarmos pelo portão, Albert abaixou os vidros do carro e me mandou sorrir, fazer a ceninha do casal perfeito e feliz.

Em seguida passamos pelos portões e enquanto Albert estacionava o carro, resolvi romper o silêncio.

— Por que você me trouxe em mais um desses eventos se praticamente nem anda falando comigo? E quando fala é apenas para me ofender?

— Do que você está falando, amorzinho? Esqueceu que você é minha namorada? Claro que iria trazer e apresentar a todos a minha namorada. — Ele fazia questão de enfatizar a palavra “minha”. Por quê? Parecia que eu era propriedade dele, algo que ele havia comprado. Não estava mais suportando olhar para ele. — Se socialize um pouco mais dessa vez, por favor. — Acariciou minha mão.

Assim que saímos do carro ele me deu a mão, entrelaçando nossos dedos. Como pode alguém se transformar drasticamente diante de mim, como se um grande véu houvesse caído diante de meus olhos e eu estivesse vendo um outro Albert? – Sorria. – Ele falou baixo de canto para mim.

Tive que sorrir e abraçar todos que estavam presentes. Eu não era a , mas sim a namorada do Albert. Não sei por quanto tempo esse meu sorriso falso permaneceria no meu rosto, eu queria sumir daquele lugar.

O brunch foi servido na área externa da casa, todos conversavam e mais uma vez fiquei um pouco isolada, e os homens foram discutir sobre trabalho em outra mesa. Suas respectivas esposas se reuniram em outra mesa. Ficava claro que não me incluíam no seu clubinho, talvez por eu não ser casada com o Albert, provavelmente já estavam pré-julgando como sendo apenas mais um “casinho” dele.

Fui até a mesa principal buscar algo para comer, assim me livrando por alguns minutos daqueles olhares críticos para cima de mim.

Nesse instante os garotos chegaram e toda atenção foi voltada a eles. Fiquei parada ao lado da mesa, com o prato na mão, apenas observando a maneira como os tratavam. Só faltava alguém chegar e carregá-los no colo. Como eu não suportava ver tanta bajulação assim.

Albert, todo animado, chegou até mim e me pegou pela mão me fazendo largar o prato no canto da mesa. Foi me levando até onde eles estavam para me apresentar.

— Estes são o Harry, Niall, Zayn, Louis e o Liam que você conheceu na festa ontem à noite. — Liam deu um sorriso tímido, então Albert me puxou pela mão, entrelaçando nossos dedos. — E, pessoal, esta é a minha noiva, .

NOIVA? Eu havia escutado direito? Tentei não demonstrar tamanho desconforto quando escutei essa palavra, mas creio que não consegui disfarçar muito bem minha cara de espanto ao olhar intrigada para Albert.

Cumprimentei um a um, com um sorriso fraco e mantendo minha educação, mas ainda estava um pouco atordoada com o que acabara de escutar. Não sei por quanto tempo ainda suportaria aquele teatrinho.

— Não sei se estão sabendo, mas ontem recebi a notícia que serei o novo responsável por vocês. Nada passa sem minha permissão… E tudo que precisarem podem contar com o Albert aqui. — Fez sinal, encostando o polegar direito em seu peito. — O brunch já está servido. Se quiserem podem ir comer algo agora, pois logo começará a sessão de fotos e a entrevista. — Assim que terminou de falar, me puxou para um beijo e eu acabei virando o rosto. Percebi que ele não se agradou da minha atitude, mas apenas deu um risinho sem graça e se afastou novamente.

— Podem ficar à vontade. Vou terminar meus assuntos com o Richard, depois eu aviso quando tudo estiver pronto para as fotos, com licença. — Deu as costas, me deixou ali e voltou até a mesa onde estavam Richard e mais alguns sócios. Ele não iria criar cena na frente dos queridinhos dele. Meu humor não era o dos melhores e fiquei um pouco sem jeito em ficar diante deles.

— Eu também vou pedir licença, vou buscar algo pra comer. Foi um prazer conhecer todos vocês. — Terminei de falar e me virei para pegar o meu prato de volta.

— Espera! — Liam chamou.

— Nós também queremos saber onde está a comida. — Complementou Niall.

— Sim. — Sorri. — Podem vir comigo, então. — Fomos os seis em direção à mesa.

Depois que servimos nossos pratos, sentamos todos em outra pequena mesa próxima à piscina.

— Então, você é noiva do Albert… — Harry comentou. — Quando vai ser o casamento? — Perguntou enquanto puxava a cadeira e sentava-se ao lado de Zayn.

Fiquei um pouco sem graça, afinal nem eu mesma sabia a resposta.

— Não sei. — Dei com os ombros e continuei a comer, mantendo minha boca cheia, para evitar falar qualquer besteira, ainda mais porque ainda estava com muita raiva de Albert pela situação que ele criou. E quando eu estava com raiva, costumava falar o que não devia.

— Não repare nas perguntas do Harry. Às vezes ele sabe passar dos limites. — Respondeu Liam, dando um leve empurrão de lado no ombro de Harry.

— É que ficamos surpresos com a notícia… Só isso. — Louis explicou.

— Não, tudo bem. Pra ser sincera, eu fiquei surpresa tanto quanto vocês com essa história do noivado, porque… — Limpei a garganta.

— É que o Liam contou que ontem havia conhecido a namorada do Albert, não a noiva… — Louis arregalou os olhos e olhou para o Liam. — Foi ela que você conheceu ontem à noite, não é mesmo?

— Foi ela sim.

— Nossa, que susto, pensei que… Já pensou se não fosse? — Louis riu nervoso.

– Depois sou eu que não entendo de limites. — Retrucou Harry.

Um silêncio um pouco constrangedor pairou por alguns segundos.

— Então, nunca imaginei que estaria aqui, em um brunch, com One Direction. — Falei, mudando o foco da conversa.

— É, oportunidade única. — Louis brincou.

— “One Direction almoça com uma fã.” — Harry completou.

— Quem disse que sou fã? — Zombei.

— Essa doeu. — Niall replicou.

— Brincadeira. Tem como não virar fã? — Eu ri e sem querer acabei olhando para o Liam e senti como se ele não tirasse os olhos de mim e em seguida lançou um sorriso para mim, fazendo com que eu sentisse um frio no estômago, e isso foi estranhamente bom.

— Quase peguei meu prato e me retirei dessa mesa. — Harry fez uma careta.

— Só eu que acho que essa empada enfeitada tem a cara da mulher do Richard? — Zayn soltou um comentário aleatório e todos riram.

Vários assuntos começaram a surgir e rimos muito, até o instante em que, de longe, Albert gritou e sinalizou com a mão para eles se direcionaram até a lateral da mansão, onde aconteceria a sessão de fotos e a entrevista.

— Por que você não vem junto? — Liam me perguntou assim que levantou.

— Não sei se é uma boa ideia… Não quero atrapalhar. — Respondi timidamente.

— Atrapalhar? Prometo que não irá se arrepender. Vem com a gente, a não ser que não queira. — Liam pediu de uma maneira tão doce que seria praticamente impossível de negar este convite.

— Eu quero sim. — Olhei em direção a Albert que estava um pouco mais distante, bem entretido conversando com Richard e sua esposa e mais um pessoal. Pensei por alguns segundos e não poderia recusar a esse pedido. — Está bem, eu vou, nunca estive em uma sessão de fotos assim.

— São só algumas fotos sem roupa, nada demais. — Niall brincou e riu alto.

(…)

Estava tudo montado em uma sala enorme na lateral da mansão, onde tinha uma porta de vidro que dava acesso a área externa. Sentei-me em uma cadeira perto da porta, de frente para um grande sofá onde eles fariam a entrevista e seriam fotografados.

Depois de terem respondido às perguntas da revista sobre shows, o CD e algumas perguntas de algumas fãs, começou a sessão de fotos. Definitivamente eu não esqueceria esse dia, eles realmente demonstravam estar bem à vontade e se divertiam muito com tudo isso, a cada foto tirada uma brincadeira. Todos riram muito quando Louis escorregou do sofá e caiu no chão. Depois Niall ficou imitando alguns sotaques, o ambiente estava totalmente descontraído. Toda essa diversão acabou me contagiando. Diversão. Aí está uma palavra que há certo tempo eu não tinha em meu vocabulário. Na última foto da sessão em grupo, Liam acenou pra mim, então todos fizeram o mesmo e eu acenei de volta. Parecia que tudo era motivo para uma piada.

No momento que começaram a fazer fotos individuais, Liam sentou-se ao meu lado para aguardar a vez dele.

— E aí, o que está achando? Que somos loucos, não é mesmo?

— Só um pouquinho. — Fiz o gesto com os dedos e ri. — Há tempos que não ria tanto. Era exatamente o que eu estava precisando hoje. — Respirei fundo.

— Que bom. Falei que você não ia se arrepender. — Sorriu de leve.

Ficamos em silêncio por alguns minutos e então Liam perguntou:

— Você deve estar feliz por ter sido pedida em casamento, não é mesmo?

Ele me fez lembrar exatamente o que eu estava tentando esquecer, mas algo me fez não conseguir mentir para ele naquele momento.

— Na verdade não fui. — Respondi quase como em um desabafo. — Ainda não sei porque Albert fez aquela ceninha lá fora. Está vendo? — Mostrei minha mão. — Sem anel. Só mais uma das tantas mentiras dele… Quero dizer, uma mentira… Digo… Esquece tudo que eu disse. — Não entendi o porque acabei falando isso a ele, então antes que eu falasse mais do que devia abaixei a cabeça um pouco envergonhada. — Você que deve estar achando que sou pirada. Nem sei por que te falei tudo isso.

Meu celular tocou. Era uma mensagem recebida. Peguei o celular de dentro da minha bolsa. Uma mensagem de , pedindo para eu passar mais tarde na casa dela. Assim que terminei de ler a mensagem, fiquei com o celular na mão.

— Desculpe… Era minha amiga, precisava saber o que ela queria, pois o irmão dela ainda está no hospital. — Larguei meu celular no colo.

— Não, tudo bem. O que aconteceu? — Perguntou interessado.

— Ele sofreu um acidente de carro semana passada, mas desde ontem apresentou melhoras significativas e logo será transferido para o quarto. Estamos no aguardo para que não tenha ficado nenhuma sequela do acidente, ele tem apenas 18 anos.

— Nossa… Espero que tudo corra bem e ele se recupere logo. Era por isso que você estava triste ontem? — Perguntou.

— Não exatamente… — Respirei fundo.

— Se quiser me contar… — Eu desviei meu olhar, cuidando a sessão de fotos, tentando evitar desabafar com alguém que eu mal conhecia. Foi quando quase nem senti quando discretamente Liam pegou meu celular do meu colo.

— Ei, o que está fazendo? — Perguntei, surpreendida pela atitude dele.

— Estou só anotando um número de emergência para você. — Devolveu meu celular. — Quando precisar de alguém para conversar, é só me ligar. — Lançou um sorriso doce para mim e foi inevitável sorrir de volta.

— Aí está você! — Albert apareceu na porta atrás de mim. — Estava te procurando por toda parte. — Agarrou meu braço com muita força. — Vamos! Temos que ir agora, mais tarde tenho outro compromisso e não posso me atrasar.

— Sim, só me solta, porque você está me machucando, Albert. — Falei um pouco baixo para não causar nenhum escândalo.

Liam rapidamente se levantou e o encarou firme, demonstrando estar descontente com a atitude de Albert, que ao se dar conta imediatamente largou meu braço e o olhou um pouco desconfortável.

— Vamos. — Albert limpou a garganta. — Vamos, querida. — Tentou disfarçar sua irritação.

— Calma, vou só pegar minha bolsa que caiu no chão. — Falei para Albert.

— Está bem… Vamos. — Deu as costas e foi apressadamente em direção à porta de saída.

No instante em que me virei para pegar minha bolsa, Liam me alcançou sem pronunciar sequer uma palavra, apenas me olhava assustado pela cena que acabara de presenciar.

— Obrigada, Liam. — Sorri de canto e ele segurou minha mão.

— O número de emergência é 24 horas, está bem? — Apenas concordei com a cabeça e então corri atrás de Albert, que já estava do lado de fora.

— Espera, Albert! — Gritei ao ver que ele estava entrando no carro. — Nossa, não poderia ter sido menos rude? Não consegue mais se controlar nem na frente dos outros? — Perguntei assim que me sentei dentro do carro e coloquei o cinto de segurança.

— Não tenho culpa, você que desapareceu de repente. E eu estava com pressa e tenho outros compromissos, você sabe. E mais, não pega bem pra minha imagem você ficar fugindo de mim, principalmente agora que vou trabalhar diretamente com a banda. Eu consegui uma promoção e vou ganhar grande porcentagem com esses garotos, então, por favor, não estrague tudo. — Explicou nervoso.

— Fugindo? Eu estava ali dentro o tempo todo. — Soltei o ar pesadamente. — Mas não são bem minhas ações que estão estragando alguma coisa, não acha? — Perguntei de uma maneira desafiadora. Na maioria das vezes sempre aguentava calada todas as acusações, mas hoje não.

— Como assim? — Ficou surpreso com meu posicionamento.

— Sim, primeiro anuncia um falso noivado na frente de todos e depois quase me arrasta para fora da casa do Richard… Não sou eu que estou tendo atitudes de gente maluca.

— Primeiramente, sobre ter dito que você era minha noiva, eu ia te contar, mas não deu tempo. É que eu precisava de mais credibilidade entre eles, todos são casados menos eu, então surgiu essa ideia de casamento. Foi quando eles ficaram mais seguros e assim consegui a promoção, entendeu? — Enquanto dirigia me olhou de canto. — Mas eu te amo, uma hora ou outra íamos nos casar, não?

— Já não sei de mais nada, Albert. — Resmunguei.

— Mas não se preocupe, meu amorzinho, vou te presentear com um anel lindíssimo para você usar,. Tenho que dar mais veracidade para a história, não é mesmo? — Sorriu e de repente me encarou sério. — E porque está emburrada, você não tem tudo que precisa?

— Não, Albert. Falta o mais importante: carinho e respeito. Você acha que eu sou o que? — Meus olhos encheram de lágrimas.
— Ai não… Não vai chorar, detesto isso! Eu ando cheio de trabalho e você só reclama!? Nunca deixo faltar nada dentro de casa. Não quero discutir, logo eu tenho uma reunião e não quero ficar nervoso. — Deu um longo suspiro. — Quer que eu me desculpe, é isso? Então está bem. Me desculpa. Satisfeita? — Pediu com um ar de superioridade e desdém.

Finalmente chegamos e então parou o carro na garagem do prédio.

— Eu não vou subir, pois já estou atrasado, meu bem. Só vim te deixar em casa e não sei que horas vou voltar. — Tirou o cinto e virou-se para mim. — Me dá um beijinho para mostrar que me desculpou?

— Albert, você só pode estar de brincadeira, né?

— Por que? Você sabe que eu sou assim, mas eu te amo! — Veio em minha direção e me segurou forçando um beijo.

— Não, Albert. — O empurrei de leve e tirei o cinto.

— Depois vem dizer que não sabe por que me afasto de você? Olha aí, fica de birra por qualquer coisa. — Bufou. — Melhor você subir, mais tarde conversamos, agora não tem condições. — Ordenou e destrancou as portas. — Olha, eu te amo, mas essa sua atitude não dá.

— Você está de brincadeira né, Albert? — Sai o mais rápido possível do carro batendo a porta. Ele pouco se importou, pisou no acelerador e foi embora, me deixando plantada no estacionamento.

Assim que cheguei ao apartamento percebi que Lydia já havia ido embora. Larguei as chaves na mesa e fui direto para o quarto. Totalmente desanimada, fechei a porta e encostei minhas costas contra ela. Fechei os olhos e depois de um longo suspiro não pude mais conter minhas lágrimas como uma forma de desabafo.

Como Albert estava a cada dia se transformando diante dos meus olhos? Não estava mais aguentando aquela situação, acho que ele ainda me ama, mas está confuso. Eu estou confusa, afinal como uma pessoa que uma vez me fez sentir especial agora me causava tanta tristeza e me fazia me sentir tão inferior?

Ele conseguiu fazer com que eu me sentisse um lixo, a pior mulher do mundo, em segundos. Sinto-me uma inútil por ter criado tamanha dependência dele. Eu havia me anulado ao seu lado, não poderia mais deixar que isso continuasse a acontecer, precisava resgatar a antiga dentro de mim.

Ainda em prantos, peguei meu celular da bolsa e mandei uma mensagem para dizendo que não poderia ir até a casa dela hoje. Acabei não dando muitos detalhes para não preocupá-la.

Depois de ter enviado a mensagem, continuei mexendo no celular e vi o último contato adicionado: SOS Payne. Nesse instante em meios às lágrimas consegui sorrir de leve. Encarei por alguns instantes aquele número, lembrando da tarde divertida e descontraída que eu havia tido. De repente meu celular começou a tocar e fiquei sem reação a ver na tela SOS Payne. E agora? Fui eu que liguei? O que eu faço? Será que atendo? Ignoro a ligação? Desligo o celular? Melhor atender.

— Alô? — Atendi, ainda com a voz um pouco rouca.

Oi, . Desculpe incomodar, mas estava tentando ligar no celular do Albert e ele não atende, e então resolvi te ligar. — Aquela voz com aquele sotaque era de arrepiar.

— Tudo bem… — Dei uma fungada, abafando o choro. — Aconteceu alguma coisa? É que o Albert não está em casa.

Não é nada urgente. Ele vai demorar a voltar para casa?

— Na verdade… Não tenho certeza se ele volta hoje…

Um silêncio prevaleceu por alguns segundos e talvez fosse impressão minha, mas parecia ter mais uma voz cochichando do outro lado.

Você está bem? – Perguntou, demonstrando preocupação.

— Estou. — Dei um longo suspiro, me recompondo.

Mas pela sua voz não parece estar… Você tem certeza que está bem?

— Eu estou bem sim. — Minha voz saiu falha.

Eu liguei inclusive para convidar vocês para comer pizza aqui em casa mais tarde. Harry, Zayn e Niall vão vir também para aproveitarmos a folga de hoje. Não é nada formal. Por mais que Albert saiu, você continua convidada. Não está a fim de se juntar a nós? Assim você se distrai um pouco, o que você acha?

— Não sei se é uma boa ideia… — A minha vontade no momento era dizer, “claro, estou indo agora mesmo”, mas se Albert descobrisse ficaria furioso.

Tudo bem, você é quem sabe, não quero causar problemas. Mas o convite está de pé se você mudar de ideia. Vou te mandar o endereço por mensagem, ok?

— Está bem e muito obrigada pelo convite… Se caso eu decidir ir, posso levar uma amiga minha junto? Digo, no lugar do Albert, é claro.

Claro que sim! — Falou em um tom de voz animado. — Você será mais do que bem vinda e sua amiga também. Espero que você mude de ideia e venha.

— Vou pensar bem. — Eu dei um risinho. — Tchau!

Tchau!

Finalizei a ligação com uma sensação diferente, aquela tristeza toda de repente foi substituída por algo tão bom. Provavelmente Albert tinha o encontro “secreto” dele nesta noite, por que eu deveria que ficar chorando em casa?

Um ânimo tomou conta de mim e imediatamente fui tomar um banho, lavei bem meu rosto para tirar qualquer vestígio do meu momento de fraqueza. Parecia loucura, mas algo me dizia para ir. Encarei minhas roupas no closet e decidi que precisava sair. Me arrumei e subi até o andar onde mora e toquei a companhia torcendo para que ela não tivesse saído ou feito outros planos.

— Já vou! — Gritou lá de dentro. Alguns segundos depois ela abriu a porta usando um roupão estampado com corações. — Oi, ! Como assim? O que aconteceu que decidiu vir? Entra.

— Eu não estava muito bem antes, só isso… E seus pais ainda estão no hospital?

— Sim, mas hoje minha mãe vai passar a noite lá e meu pai vai para apartamento novo e não vai voltar para cá. — Respondeu com a voz desanimada.

— Ele realmente decidiu sair de casa, ? — Ela apenas balançou a cabeça afirmativamente. — É que eu vim para tentar te animar, mas acho que não é o momento, vou até mandar uma mensagem avisando que não vou poder ir… — Peguei o celular na mão.

— Não vai poder ir onde? — Ficou me encarando intrigada.

— É que… É que eu pensei… Sou idiota mesmo, você está passando por uma situação difícil, você nem ia poder sair de casa.

— Do que você está falando? — Perguntou novamente, ainda mais confusa.

— Não lembro se te contei que Albert foi promovido…

— Lembro. E…? — me olhava atenta.

— Bom, você conhece a banda One Direction, não é mesmo?

— Sim. — Arregalou os olhos.

— Acontece que eu os conheci, pois o Albert é o novo empresário deles. E…

— Você só veio esfregar isso na minha cara? Muito amiga você, hein…

— Não, ! Espera eu terminar de falar. — Olhei firme para ela. — É que recebi um convite para ir à casa de um deles, porque todos vão se reunir lá para comer pizza. E… — Respirei fundo. — Achei que seria uma boa oportunidade de você se animar depois de tudo que aconteceu com o seu irmão e a separação dos seus pais, mas realmente não é o momento, principalmente que bem hoje seu pai resolveu sair de casa…

— Espera aí! — Descruzou os braços e me segurou pelos ombros. — Eu ouvi bem? Eu vou desmaiar eu acho. É uma brincadeira sua, só pode! Tá zoando com a minha cara. Eu não estou acreditando, afinal depois de tanto bombardeio desse drama familiar que ando nesses últimos tempos… — Começou a andar de um lado para o outro.

— Não é brincadeira. Só que como Albert saiu e provavelmente é uma das noites que ele não voltará para casa, pedi para levar você no lugar dele. — Expliquei.

— Ai, finalmente! — Ela ergueu os braços para o alto. — Ontem a melhora do meu irmão. Hoje, apesar de meu pai ter decidido ir embora de casa, isso acabou de me animar!

— É que eu acabei me sentindo tão insensível. Será que a sua mãe não vai se importar?

— Eu ligo pra ela, mas duvido. Hoje ela vai passar a noite lá com meu irmão e com certeza vai querer que eu me divirta um pouco depois de tudo que passamos.

Era muito bom ver tão radiante novamente. Agora sinto que tomei a decisão certa em convidá-la.

— Cinco minutinhos e estou pronta! — Respondeu empolgada. Ela praticamente voou para seu quarto. — E você realmente vai sair sem o Albert? — Perguntou lá do quarto.

— No caminho vou te contar tudo que andei descobrindo sobre o Albert. — Sentei-me confortavelmente no sofá enquanto aguardava se arrumar.

(…)

— Acho que é aqui. — Verifiquei o endereço na mensagem, conferindo com o GPS. — Estaciona um pouco mais longe, em frente aquele outro prédio ali. — Apontei.

Antes de sairmos do carro da , peguei de dentro da mochila uma peruca ruiva e coloquei. Eu realmente precisava tomar cuidado, não sabia se ficava paparazzi rondando a casa de Liam e não queria que Albert descobrisse que eu havia estado com seus protegidos sem sua autorização.

Enviei uma mensagem para Liam avisando que estávamos chegando, mas pedi para ele não passar o meu nome na portaria e sim o da minha amiga, afinal todo cuidado é pouco, principalmente depois que meu nome havia sido divulgado por causa do “noivado” com Albert.

Assim que chegamos o porteiro liberou nossa entrada. Dentro do elevador, tirei a peruca e guardei de volta na mochila, me olhei no espelho, dei uma leve ajeitada no meu cabelo e pedi para se acalmar e agir com normalidade.

Toquei a campainha e Liam logo abriu a porta com aquele sorriso lindo estampado em seu rosto.

— Oi! — O cumprimentei sorrindo.
— Que bom que você veio. — Falou e me puxou para um abraço.

— Esta é a . — Apresentei minha amiga.

— Prazer! — Ela sem pronunciar uma palavra, ainda tentando se situar, apenas estendeu a mão e o cumprimentou. — Podem ir entrando e fiquem à vontade. Estávamos aguardando vocês chegarem para pedir as pizzas. — Então fechou a porta.

Fomos até a sala onde os outros garotos estavam. Harry e Niall estavam jogados no sofá assistindo Zayn e Louis jogar vídeo game. Assim que nos viram, largaram os controles e se levantaram para nos cumprimentar. Em seguida Niall se manifestou:

— Que bom que chegaram, assim já podemos pedir as pizzas! — Exclamou, correndo para pegar telefone e ligar.

Harry se ajeitou no sofá, liberando um espaço para que eu e pudéssemos nos sentar.

— Vamos pedir duas pizzas grandes, que sabores vocês querem? — Perguntou Liam.

– Uma pode ser aquela Margherita Basílico, que vai muçarela e tomate. Todos aqui gostam? — Sugeriu Louis.

Eu e concordamos.

– E a outra Tutto Salumi. — Niall apontou no cardápio. — Tem pepperoni e vários tipos de salame.

— Niall só sabe pedir essa. — Zayn reclamou.

— Então pede você. — Niall largou o telefone.

— Essas crianças só sabem brigar. — Harry pegou o telefone e alcançou para Liam. — Pede o mesmo da última vez e chega.

Depois de finalmente os sabores serem decididos, em torno de trinta minutos depois a pizza chegou. Nos acomodamos em volta da mesa de centro. Liam sentou-se bem ao meu lado, o que não foi nenhum problema para mim. Logo no início admito que estava um pouco retraída, mas aos poucos ele foi tentando fazer com que eu me soltasse mais. Em alguns momentos que eu me distraía ele roubava alguns pedaços das minhas fatias de pizza do meu prato.

Louis começou a contar algumas piadas e então rimos muito. Algumas eu não entendia, é claro, mas a melhor parte foi quando Niall começou imitar alguns sotaques como ele fez na sessão de fotos e imitou alguns artistas, inclusive chegou até imitar o Zayn, minha barriga chegava a doer de tanto rir.

Fizeram com que eu me sentisse totalmente à vontade, estava me divertindo como nunca, com certeza estaria arrependida se tivesse ficado em casa me lamentando por tudo que ouvi de Albert.

— O último pedaço é meu! — Gritou Niall, fincando o garfo na última fatia de pizza.

— Claro, Niall. Sempre. — Tranquilamente respondeu Zayn.

Rapidamente Niall colocou o último pedaço em seu prato.

— Muitos segredos foram revelados nesta noite. — Louis virou o rosto para mim. — , você por acaso não está aqui hoje como espiã do Albert, não é mesmo? — Perguntou em tom de brincadeira.

— Bem pelo contrário, ele nem sonha que estou aqui. Eu é que vou pedir para vocês me acobertarem nessa…

— Daqui é que essas informações não saem, com certeza. A não ser que a espiã seja a . — Harry a cutucou.
— O segredo de todos vocês está a salvo comigo! — largou seu copo no chão e fez um sinal beijando os dedos indicadores, prometendo segredo. Nesse momento percebi que ela e Harry começaram a trocar alguns olhares.

— Você é tão divertida, não entendo como está com o Albert. — Assim que Zayn terminou de falar, imediatamente todos ficaram sérios e voltaram à atenção a ele.

— Zayn! Acho melhor terminar de comer esse pedaço de pizza aí do seu prato. — Liam chamou sua atenção.

— Que foi? Só falei o que todos estavam pensando. — Respondeu bem despreocupado e todos ficaram mudos de repente.

Então resolvi romper o silêncio.

— Ultimamente ando me perguntando a mesma coisa. — Ri fraco e continuei comendo. — Mas e aí, vai ter o que de sobremesa? — Decidi mudar de assunto.

— Tem sorvete e eu fui até o Gail’s hoje e comprei cheesecake. — Liam respondeu e imediatamente levantou-se e se dirigiu até a cozinha para buscar.

Logo bateu aquela frustração e preguiça assim que terminamos de comer.

— O melhor cheesecake que já comi até hoje. — Comentei, largando a tacinha de sobremesa na mesa de centro.

— Estava muito bom mesmo, mas nós temos que ir. — Zayn e Louis se olharam e logo levantaram-se.

— É, eu vou dar carona para o Zayn. — Louis concluiu.

— Eu quero carona também. — Niall aproveitou e se despediu para ir embora com eles. Liam os acompanhou até a porta e depois voltou para a sala.
— Deixa que eu ajudo com essa bagunça por aqui. — Me abaixei para pegar meu copo.

— Não, pode deixar isso aí mesmo. Você é minha convidada. — Liam falou e se aproximou recolhendo os copos que estavam no chão levando-os até a cozinha.

Enquanto Harry e estavam ocupados conversando entre eles não quis atrapalhar, então continuei a recolher os pratos e resolvi ajudar Liam.

Equilibrando os pratos em um braço e alguns copos na outra mão, entrei lentamente na cozinha. Liam estava de costas e assim que notou minha presença virou-se rapidamente.

, não precisava. Eu mesmo cuido de tudo. — Veio até mim pegando os pratos que eu estava segurando em um braço.

— Por favor, me deixe ajudar, afinal é o mínimo que posso fazer, está bem? E mais, acho que está rolando um clima na sala, assim eu não atrapalho. — Comentei, largando os copos em cima da pia. Então tirei meu cardigan para não molhar e o pendurei em um banco.

Liam foi pé por pé até a porta da cozinha para espiar e voltou rapidamente.

— É, acho que você tem razão. — Ele riu. — Melhor ficar por aqui mesmo. Já está lavando? — Franziu a testa assim que me viu diante da pia enxaguando um prato. — Então deixa que eu seco a louça. — Pegou um pano de prato e parou ao meu lado.

— Sei que fui convidada por causa do Albert, mesmo assim queria agradecer o convite, acho que nem lembro a última vez que havia me divertido tanto. Era exatamente o que eu estava precisando essa noite. — Virei o rosto para ele enquanto alcançava mais um prato para ele secar.

— Fico feliz que você veio e que de alguma maneira pude ajudar. — Deu um meio sorriso enquanto secava o último prato.

Ficamos em silêncio por alguns segundos enquanto eu lavava a louça, apenas o barulho da água prevalecia.

— Agora só falta mais esse copo e acabamos. — Quando alcancei o copo a ele, nossos dedos se tocaram e senti meu braço arrepiar. Foi uma sensação estranha, totalmente nova para mim, mas ao mesmo tempo tão agradável.

— Eu queria te perguntar algo. Só espero que você não se chateie comigo… — Ele me olhou e largou o copo na bancada. — Eu notei que seu braço está um pouco roxo. — Liam virou-se de frente para mim e pegou de leve em minha mão. Deslizou seus dedos onde estava localizado um pequeno hematoma um pouco acima do pulso, provocado por Albert hoje à tarde. Minha pele reagiu ao seu toque quente, era como se algo dentro de mim despertasse e as batidas do meu coração aceleraram. — Foi o Albert, não é mesmo? — continuou segurando suavemente meu braço e me olhou com olhar preocupado. Apenas me desvencilhei de seu toque. — Eu sei que foi ele. Não precisa dizer nada, só posso afirmar que alguém capaz de fazer isso não te merece.

Ele me deixou sem palavras naquele instante. Eu não sabia nem o que responder, ele me pegou desprevenida. Meus olhos percorreram por cada detalhe de seu rosto e a maneira como ele me olhou, sem desviar por um segundo do meu olhar fez com que minha respiração acelerasse.

? — Repentinamente entrou na cozinha me resgatando do estado de transe em que eu me encontrava. — Nós temos que ir daqui a pouco, está ficando tarde… — Então parou de falar, nos olhou e perguntou. — Desculpe. — Ficou um pouco constrangida. — Atrapalhei algo?

— Como? N-Não, estávamos só…Conversando! — Me afastei imediatamente de Liam e fui em direção à . — Acho melhor irmos, está tarde mesmo. — Praticamente corri para fora da cozinha indo até a sala para pegar minha bolsa.

, não precisa ter tanta pressa, espera. — veio atrás de mim — Só vim avisar, porque amanhã de manhã tenho que ir ao hospital.

— Vocês podem ficar o tempo que quiserem. — Disse Liam, que também vinha logo atrás nos acompanhando.
— Eu também lembrei que não sei que horas Albert vai chegar, melhor não arriscar. — Apressada, peguei minha bolsa pendurando-a em meu ombro.

— Espera que eu vou acompanhar vocês até o elevador. — falou Liam.

— Calma aí, também vou descer. Tenho que ir para casa também. — Falou Harry, pegando seu casaco e indo em direção à porta.

Fui a primeira a sair no corredor. Na verdade, nem sei exatamente o que me deu que saí com tanta pressa daquele apartamento. O elevador já se encontrava parado no andar e antes de entrarmos Liam se despediu de nós segurando a porta do elevador.

— Que bom que vocês vieram. — Falou para mim e para .

— E eu? Um ser insignificante. Agora feriu meus sentimentos. — Harry fez de conta que estava triste, debochando de Liam.

— Sim, sim. Você também, Harry. — Riu e o empurrou pra dentro do elevador.

Em seguida eu e a Grazeli também entramos e enquanto a porta ia se fechando Liam acenou, mas antes de fechar completamente, ele segurou a porta, me olhou e então sorriu dizendo:

— A noite foi ótima. — Então largou a porta deixando o elevador descer.

— Hummmm… — e Harry pronunciaram alto, se olharam e começaram a rir.

— Quê? O que foi? Podem parar com isso, vocês dois. — Apontei para e Harry.

— Não dissemos nada. — Harry se defendeu e colocou o braço em volta dos ombros da minha amiga. — Só lembramos uma piada de antes né, ?
— Sei… Piada… Acredito em vocês. — Os ignorei por alguns segundos e tirei a peruca de dentro da bolsa e a coloquei novamente.

— Pra que essa peruca? — Perguntou Harry.

— Nunca se sabe quando vai ter paparazzi ou fãs escondidos perto de onde vocês moram, não é mesmo? Não posso me arriscar desse jeito, Albert não pode descobrir que estive aqui hoje, senão ele me mata. — Dei um riso nervoso.

— Nossa parece que você está falando de um pai ou algo assim, que tem que sair escondida… E que lugar era mais importante pra ele estar do que em casa com a noiva em plena sexta-feira à noite? — Harry perguntou de maneira bem direta.

— Com a amante. — respondeu instantaneamente, quase como se as palavras estivessem escorregado de sua boca. Após ter falado, arregalou os olhos e tapou sua boca com as duas mãos. — Ai, desculpa ! E-era brincadeira, Harry. — tentou consertar o que tinha dito, mas ficou ainda pior. — Às vezes eu a brincamos falando essas coisas do Albert.

Eu apenas olhei feio para ela, não ia adiantar falar mais nada, porque senão ia ser pior. Finalmente o elevador chegou ao térreo, senti um alívio antes que aquele assunto tomasse uma proporção maior.

, não se preocupe, o que acontece no apartamento do Liam, fica no apê do Liam, ok? — Harry então se despediu de mim com um abraço. — E , não vai se despedir de mim? — Abriu os braços e a abraçou bem apertado, a puxou pela cintura de maneira com que os pés da minha amiga ficassem suspensos no ar.

— Aiiii, pronto, agora me solta! — gargalhava. Ele então a soltou de volta no chão. — Boa noite… — depositou um beijo no rosto de Harry.

— Até mais, Hazza! — Acenei pra ele e seguimos até o carro.
(…)

Calmamente abri a porta do apartamento, liguei as luzes e fui direto para o quarto. O relógio marcava 02h30min da madrugada e nenhum sinal de Albert. Senti até um alívio por ele não estar em casa, pela primeira vez não me importava com sua ausência.

Antes de me deitar, coloquei meu celular em cima do criado-mudo e então enquanto puxava as cobertas para me deitar, escutei um barulho de chave na porta. Rapidamente entrei para baixo das cobertas e fingi já estar dormindo.

Albert entrou no quarto não se importando em fazer barulho. Escutei quando jogou as roupas no chão e deitou-se ao meu lado. Consegui sentir o cheiro forte de perfume feminino, um aroma extremamente adocicado misturado com um cheiro forte de whisky. Albert se aproximou, colocando seu braço por cima de mim, causando um extremo desconforto. Esperei até ele pegar no sono e afastei delicadamente seu braço para não o acordar, mas no estado em que ele se encontrava acredito que nem se eu tentasse removê-lo com uma escavadeira ele acordaria.

Eu estava impaciente, agitada, e não conseguia dormir, então me levantei sem fazer barulho algum, peguei meu celular e fui para o quarto de hóspedes, não conseguia ficar mais um minuto naquela cama.

Capítulo 3
Espreguicei-me e olhei as horas em meu celular, eram 07h30min. Acordei cedo, apesar de ter ido dormir tarde, mas eu estava tão disposta, nada como uma boa noite de sono longe do ronco de Albert. Levantei-me e abri as cortinas, deixando os raios de sol invadir o quarto, me sentia leve e ao me lembrar da noite anterior, uma vontade de sorrir tomava conta de mim. Estava diante da janela apenas contemplando o novo dia, quando ouvi uma mensagem recebida em meu celular.

Xx Bom dia, ! Será que te acordei? Queria avisar que você esqueceu seu casaco aqui em casa… Como faço pra te devolver? — Liam xX

Não sei o que estava acontecendo comigo, mas parecia uma idiota lendo a mensagem com um sorriso bobo nos lábios, lembrando-me da noite anterior. Em seguida comecei a digitar para responder a mensagem.
— O que você está fazendo aqui neste quarto? — Albert surgiu atrás de mim repentinamente. Com o susto que tomei acabei derrubando o celular no chão.
— Nossa, você me assustou, Albert. — Respondi um pouco ofegante.
— Acordei e você não estava lá… Dormiu aqui? — olhou para a cama que estava desarrumada. — Por quê? — Voltou a me encarar sério.
— E por que será, Albert? Não será porque você chegou sabe-se lá que horas e capotou do meu lado? Nem sequer me deu alguma satisfação e, pra completar, veio com um cheiro horrível de um perfume doce misturado com o da bebida… Por favor, você realmente acha que eu sou idiota? E que eu tenho que ficar aguentando tudo calada? — Não consegui mais me segurar, falei quase tudo que estava atravessado na minha garganta.
— Eu estava em uma reunião… E tinha mulheres junto, minha assistente estava lá também. Vai ver era o perfume dela, não sei… — Ele se explicava com certo sarcasmo. — Está com ciúmes, meu amorzinho? — veio em minha direção tentando me abraçar.
— Nem chega perto. — afastei seus braços antes que me encostasse. — Eu não aguento mais essa sua arrogância e falta de respeito comigo. Eu não mereço isso. — sentei na cama e coloquei minhas mãos no rosto, não queria chorar na frente dele.
— Nossa, quanto drama… — foi andando até a porta do quarto, — Pode deixar que vou me redimir por ter chegado tarde. Agora vem tomar um café com seu noivo. — estendeu a mão para que eu o acompanhasse. — Vem, meu amor, não fica assim chateada.
Respirei bem fundo, engoli meu orgulho, enxuguei uma única lágrima que teimou em escorrer e decidi o acompanhar até a cozinha.
Não trocamos muitas palavras na mesa. Albert, entre um gole e outro de seu café, passava os dedos pela tela de seu iPad.
— Agora que sou um dos encarregados de cuidar da imagem daqueles garotos, é bom ficar de olho em tudo que eles fazem. — continuou com o olhar fixo para o visor. — Olha aqui! Saiu neste site sobre o brunch que fomos. Aqui eles falam da banda, blá, blá blá… Aqui! Olha, tem uma foto nossa que diz na legenda: O empresário Albert Wright Cole e sua adorável noiva compareceram ao brunch realizado na mansão de Richard G. Timmons.
Sem dar muita importância, tomei mais um gole do meu café e continuei observando Albert, meu pensamento vagava longe lembrando de quando nos conhecemos, intercalava com as palavras e atitudes das últimas semanas.
— Esse noivado está rendendo frutos! — ele riu, colocando o tablet mais para o lado. — Sempre levam mais a sério um empresário da minha idade se tem algum compromisso sério. — lançou um sorriso cínico. — Hoje vou te levar para almoçar, para compensar meu erro, está bem?
Albert só podia ser bipolar, me olhava de uma maneira tão animada e fiquei sem entender aquela mudança repentina de humor. Totalmente confusa, apenas concordei com a cabeça.
— Temos que escolher sua aliança, afinal estamos noivos. E semana que vem teremos um evento beneficente, os meninos irão cantar para arrecadar dinheiro para uma organização que eles são embaixadores e agora eu também estou ajudando, acho que é a instituição Rays of Sunshine. E como eu estou organizando este evento, você tem que estar usando a aliança neste dia. A atenção vai estar voltada a mim. — Sorriu e então, segurando sua xícara, retirou-se da mesa e foi em direção ao seu escritório.
Permaneci ali na mesa, pensando em como Albert podia ser tão frio a ponto de apenas ter noivado comigo por aparência, para subir de cargo. Eu realmente não tinha mais nenhum significado na vida dele e as palavras daquele bilhete martelavam em minha cabeça. Quem era essa tal de Shannon?
Assim que terminei meu café, lembrei que havia deixado meu celular no chão do outro quarto e corri até lá para buscar. Ao passar pela porta do escritório, que estava entreaberta, pude escutar que Albert conversava com alguém no celular, mas não parei e corri para o quarto de hóspedes. Peguei meu celular e liguei para , perguntando que horas ela estaria em casa e saber mais como estava o estado do seu irmão. Ela acabou me convidando para ir a sua casa esta noite, que ela faria um jantar para nós duas e, ao desligar, aproveitei para responder a mensagem de Liam.

Xx Hoje à noite ficarei no apartamento da … Se você puder deixá-lo por lá, senão .eu pego outro dia, sem problema. 😉 xX

(…)

Albert e eu saímos para almoçar e em seguida resolveu passar na Tiffany & Co, para escolhermos a aliança de “noivado”. Na frente das vendedoras da loja ele se portou como o futuro marido perfeito, cheio de declarações e elogios. Colocou a aliança em meu dedo, fazendo com elas ficassem encantadas pela sua encenação.
Chegou a inventar que fez um pedido extraordinário na noite anterior, mas que havia feito com uma aliança de plástico, pois ainda não havia tido tempo de escolher a ideal, que precisava ver como ficaria a verdadeira no meu dedo para saber que era “A Aliança”, enfim, mil mentiras para arrancar suspiros das vendedoras.
A tarde toda ele se mostrou o antigo Albert, aquele por quem me apaixonei, mas foi só chegarmos em casa para que o novo, ou diria, o verdadeiro Albert se revelasse novamente. Algumas horas depois começou a ficar inquieto e não tardou para que arrumasse uma desculpa para sair de casa. Sempre dizendo que tinha uma reunião e resolver alguns assuntos relacionados ao trabalho. O engraçado é que era sábado, e o relógio marcava 18h00min e ele nem fazia questão de inventar uma desculpa melhor.
— Tenho um jantar só com os sócios. Volto tarde. — com um beijo em minha bochecha, se despediu e saiu apressadamente de casa, me deixando mais uma vez ali plantada, sem reação. Nos últimos tempos ele ficava sempre impaciente e ansioso dentro de casa, mas como a única prova que eu tinha em mãos era um bilhete, não podia confronta-lo ainda. Eu não queria acreditar que eu havia vivido uma mentira todo esse tempo, olhei para minha mão e me sentia mais confusa analisando aquela aliança, eu ainda tinha uma pequena esperança que o Albert mudasse de ideia, não sei, voltasse a ser como era antes, me tratar como se eu fosse a melhor coisa que já aconteceu na vida dele.
Era um misto de sentimentos dentro de mim. Esperei alguns minutos e subi até o apartamento de . Assim que toquei a campainha ela abriu a porta, parecia que já estava me aguardando.
— Oi, ! Nossa, estava colada à porta que atendeu tão rápido?
— Oi ! — fez sinal para que eu entrasse. — Minha mãe acabou de sair, foi de volta para o hospital. Meu irmão finalmente foi transferido para o quarto.
— Que notícia boa! Você também vai sair? Achei que iríamos jantar aqui. — perguntei ao perceber que minha amiga estava com um pincel de blush na mão, terminando de se maquiar.
— Não, é que…Adivinha quem me ligou agora pouco?
— Quem? — a segui até o quarto.
— O Harry! Harry Styles me ligou, graças a você! — terminou de colocar os brincos e me abraçou forte. — Ontem, quando você e o Liam foram pra cozinha, conversamos e até trocamos telefone, mas nunca iria imaginar que ele realmente me ligaria… E como minha mãe vai passar mais uma noite no hospital, o convidei pra vir aqui. — olhou as horas. — Inclusive deve estar chegando a qualquer momento.
— Sério? Acho melhor eu ir embora, então.
— Não…Não é um encontro nem nada, você sabe que não dá pra sair assim em público com alguém famoso sem que o mundo fique sabendo. Estamos nos conhecendo, só isso. Só aceitei de ele vir porque sabia que você também estaria aqui, assim não fico tão nervosa.
— Ah claro, ficar de vela, tudo que eu preciso hoje…
— Bem capaz, . Ele me disse que o Liam vem trazer seu cardigan. — disse com um sorriso irônico.
— Não sei se é uma boa ideia. — comentei um pouco receosa.
— Finalmente as coisas estão voltando a melhorar e ontem nos divertimos tanto. Vai ficar, né?
— Está bem, eu faço esse sacrifício por você. — eu ri. Claro que não iria negar a esse pedido.
— Baseado no que eu vi ontem à noite, será um grande sacrifício. — falou sarcasticamente, enquanto ia em direção à cozinha.
— O que você está insinuando, dona ?
— Nada não… — ela riu. — Me ajuda a arrumar a mesa para o jantar?
— Claro. — A segui. — Nossa, o cheirinho está delicioso. Não sabia que você cozinhava.
— Na verdade vamos fazer de conta por esta noite que sim. — ela riu. — É do restaurante da outra rua. Promete segredo? — ela pediu enquanto me alcançava os pratos.
— Pode deixar. — fomos até a sala.
Enquanto estávamos dispondo os pratos e os copos, arregalou os olhos.
— O que é isso? — apontou para meu dedo. — Que pedra é essa que está me cegando?
— Isso? — ergui o dedo assim que larguei o último prato na mesa. — Presentinho de um Albert com a consciência pesada. — Respondi com descaso. — Na verdade, nem sei se posso chamar de presente, pois é para dar continuidade ao teatro do nosso “noivado”.
— Mas você está tão calma com tudo isso… Se fosse eu, já tinha jogado a aliança na cara dele. — falou com raiva.
— Agora eu sinto como se eu estivesse anestesiada. Ele anda me afastando cada vez mais. De certa maneira ele está acabando com todo sentimento que eu tinha por ele, sabe? E desde que encontrei aquele bilhete, sei lá. — Dei com os ombros. — Eu estou confusa, .
—Desculpe falar, mas eu nunca fui com a cara dele, acho que é um sexto sentido, não sei explicar. Ele sempre foi frio ao tratar você e no prédio as pessoas têm certo receio dele.
— É, acho que eu não percebia a maneira como ele me tratava, não sei… v dei um longo suspiro. — Mas é como se agora eu enxergasse coisas que antes não via.
— E você nunca teve aquele brilho nos olhos ao falar dele, sabe? Nunca senti isso pelo menos… Ontem à noite eu vi uma totalmente diferente, mais animada e feliz, como nunca havia visto antes…
— É estranho mesmo, pois eu nunca havia me sentido assim antes. Não precisei ficar medindo minhas palavras e atitudes, estava tão à vontade.
— Então, o que te impede de terminar tudo com o Albert?
Antes que eu pudesse responder, o interfone tocou. Ainda bem, pois acho que eu ainda não sei a resposta.
— Ai, , como estou? — perguntou, nervosa, arrumando sua roupa e indo em direção à porta.
— Está ótima. — eu ri da maneira afobada da minha amiga que correu até o interfone.
— Sim, pode deixar subir. — respondeu ao porteiro.
Rapidamente terminamos os últimos detalhes na mesa de jantar. Nunca vi tanta agilidade da minha amiga antes. Alguns instantes depois, Harry e Liam chegaram e correu para abrir a porta enquanto eu levava a última travessa para a mesa.
— Oi, Harry! Oi Liam. Chegaram bem na hora. Vocês já podem ir sentando que o jantar está servido. — os direcionou até a mesa.
— E aí, ! — Harry me cumprimentou com um abraço. — Nossa, que jantar caprichado! — puxou a cadeira, sentando-se como se já fosse de casa.
Seguido de Harry estava Liam com meu cardigan dobrado em seu braço.
— Sinta-se em casa… Assim como o Harry — riu ao ver a maneira como ele já estava bem à vontade. — Vou só até a cozinha buscar um saca-rolhas para abrirmos a garrafa de vinho.
— Oi, , acho que isso é seu. — gentilmente me alcançou a peça e lançou um leve sorriso.
— Obrigada, Liam. — Peguei o cardigan e o pendurei atrás da cadeira a qual iria me sentar. — Eu sou muito esquecida mesmo. — No instante em que eu ia me sentar, Liam puxou lentamente a cadeira para que eu me sentasse. Fiquei impressionada, não estava mais acostumada com esse tipo de gesto.
— Pronto. — disse ao tempo que enchia a taça de cada um. — Vinho branco! Esse meus pais comparam há uns dois meses, quando fomos à França… — contou enquanto terminava de nos servir. — Acho que é bom, não entendo de vinhos. — riu e largou a garrafa na mesa.
— Antes de começarmos a comer, vamos brindar? — ergueu a taça — À recuperação do meu irmão e às novas amizades. — brindamos.

(…)

Após o jantar, ligou uma música e ficamos na sala conversando e ela abriu mais uma garrafa de vinho.
Perdi a conta de quantas taças havíamos tomado. Recostei-me no sofá quando comecei a sentir um pouco de sono, então olhei para o relógio que já marcava 01h40min da madrugada, o tempo havia voado.
Uma pequena discussão iniciou-se entre Harry e , sobre qual dos dois era o maior fã dos Rolling Stones. Liam e eu nos calamos e ficamos apenas observando.
— Vem, vou te mostrar uma coisa. — minha amiga se pôs de pé em frente a Harry. — Eu tenho uma sala que é praticamente um santuário, tenho tudo que você pode imaginar deles.
— Isso eu quero ver de perto. — Harry, ainda se mostrando duvidar dela, levantou-se rapidamente e acompanhou .
— Vocês também querem vir? — virando-se para Liam e eu, perguntou.
— Eu já vi. Vou esperar aqui e depois vou pra casa, que o vinho já fez o seu efeito… — comentei. — Talvez o Liam queira ver. — disse ao virar meu rosto para ele.
— O Harry definitivamente é muito mais fã que eu, vou esperar aqui também. — Liam respondeu e largou sua taça vazia na mesa de centro.
— Está bem, já voltamos, vou provar para certo alguém — olhou fixamente para Harry. — quem é a maior fã aqui neste apartamento. — ergueu uma sobrancelha encarando Harry. — Vem. — o conduziu pela mão até o outro cômodo.
De repente me vi sozinha na sala, sentada naquele sofá ao lado de Liam e não sabia exatamente como agir. Na tentativa de disfarçar meu nervosismo, peguei minha taça para tomar o último gole de vinho e através da taça percebi que Liam me olhava discretamente. Prolonguei aquele último gole o maior tempo possível pelo fato de não saber exatamente o que falar. Calmamente larguei a taça no canto da mesinha e um pouco hesitante voltei minha atenção a ele.
— Você… — tentei puxar um assunto, mas acabamos por falar os dois ao mesmo tempo.
— Pode falar. — um pouco atrapalhado pediu para que eu continuasse.
— Não era nada importante, só ia perguntar se você queria mais vinho. — parece tolice, mas o modo como ele me olhava fazia com que as palavras sumissem da minha cabeça.
— Não, obrigado. — agradeceu e acomodou-se melhor no sofá. Em um movimento lento, deixou seu corpo bem próximo ao meu. — Eu queria me desculpar por ontem à noite, acho que acabei falando demais. Eu sei que você é noiva de um dos nossos empresários e…
— Não, tudo bem. Não tem nada do que se desculpar. — sorri e dei um longo suspiro. Por que ele tinha que me lembrar desse noivado?
— Só tive uma impressão errada talvez, mas… A maneira que ele te tratou lá na mansão do Richard, só acho que você não deve ser tratada assim. Sei que nos conhecemos pouco, mas… Sei lá. Você é tão divertida, simpática, além de bonita, é claro. — seu olhar não desviava por um segundo sequer, como se aguardasse uma reação ou uma resposta minha, mas permaneci calada, surpresa pelo que eu havia acabado de escutar. — Ai, olha eu falando demais mais uma vez… — disse timidamente e desviou seu olhar por alguns segundos. — Desculpa, eu não devia ter dito isso. — ele demonstrou certo nervosismo.
De fato aquelas palavras haviam mexido comigo e me deixado um pouco confusa. Acabei ficando envergonhada por ele ter presenciado aquela cena, mas um bem estar e uma sensação de paz prevalecia. E esse sentimento andava se tornando constante cada vez que ele estava perto, eu estava até um pouco zonza então não sabia se tudo isso era culpa do vinho ou não.
Tentei parecer o mais indiferente possível, afinal isso só podia ser um pouco de loucura da minha cabeça. E ele deveria estar apenas sendo gentil.
— Não, imagina… — respondi seguramente. — É que… Há muito tempo não ouvia algo assim a meu respeito. — esbocei um sorriso meio contido. — E quanto ao Albert, é complicado… — passei as mãos pelos cabelos.
— Não precisa falar se não quiser.
— É melhor mesmo. Não quero te aborrecer.
— Impossível. — ele falou mais baixo, mas audível. E ao vê-lo sorrir novamente para mim não pude me controlar e meu sorriso se alargou bobamente. Vou matar a por ter aberto essa segunda garrafa de vinho, pois só pode ser culpa da bebida eu ficar de risinhos assim.
Fomos interrompidos pelo toque incessante vindo meu celular. Gentilmente pedi licença e me segurando na beirada do sofá me afastei um pouco e me sentei no braço do sofá para atender a ligação.
— Alô?… Estou aqui na … Sim… Não precisa falar assim… Sim… Calma, já estou indo… TÁ! — desliguei o telefone e era como tivessem jogado um balde de água fria, e fiquei em silêncio encarando o celular por alguns instantes.
— Era o Albert? — com a expressão séria, perguntou Liam.
— Era. — larguei o aparelho no canto do sofá e voltei minha atenção a ele. — Ele… Acho que ficou preocupado por eu não estar em casa e… É melhor eu ir para casa. — apreensiva, dei a volta no sofá. — Depois avisa a que precisei ir e amanhã eu falo com ela. — peguei minha chave que estava em cima da mesa, meu cardigan de cima da poltrona e me dirigi até a porta. Antes de sair, me virei para ele que já estava atrás de mim.
— Ah! E deixa um abraço para o Harry também. — ao me virar de costas para abrir a porta, Liam me chamou.
— Não está esquecendo-se de nada? — Olhei intrigada para ele, não sabendo do que ele estava falando. — Cada dia deixa algo pra trás, hein? — Rindo, me alcançou meu celular.
— Sou sempre assim mesmo, mais avoada impossível. — balancei a cabeça, abri rapidamente a porta e antes que pudesse dar um passo para fora do apartamento, Payne me segurou pelo braço. — Eu esqueci mais alguma coisa? — indaguei olhando ao redor para ver que mais essa minha cabeça de vento havia esquecido.
— Sim. E o meu abraço? — pediu com um sorriso doce enquanto calmamente se aproximou. Meus joelhos até tremeram quando seus braços fortes me envolveram naquele abraço. Eu acabei por abraçá-lo mais forte nesse momento, fechei meus olhos e era como de repente eu me sentisse segura, protegida e uma sensação de alívio e conforto tomou conta de mim. Por um momento desejei não precisar me separar daquele abraço.
— Boa noite, Liam. — falei e um pouco relutante me desvencilhei de seus braços.
— Boa noite, .

(…)

Todo sentimento de euforia foi substituído pelo de aflição quando lentamente fui abrindo a porta do meu apartamento sem fazer muito ruído para não acordar Albert, caso já estivesse deitado no quarto. Ao entrar pé por pé, meu coração disparou quando a luz do abajur da sala se acendeu. Albert estava na poltrona, sentado me esperando no escuro, parecia uma alma penada daquele jeito, só o reflexo da lâmpada refletia em seu rosto.
— Nossa! Que é isso? — perguntei alarmada, com a mão em meu peito.
— Por que não estava em casa? — levantou-se e veio caminhando em minha direção, acendendo as outras luzes da sala.
— Eu falei que estava na . A mãe dela foi passar mais uma noite no hospital e como eu também estava sozinha, resolvi ir fazer companhia a ela.
— Mas até a essa hora? — perguntou em um tom alterado apontado para seu relógio. — Quem mais estava lá? Ela por acaso não estava fazendo alguma festinha no apartamento, não é mesmo? — perguntou insinuando algo.
— Até parece, Albert. Ficamos conversando e acabei esquecendo as horas. — respondi calmamente, caminhando até o quarto. — E olha quem fala da hora, você nem sequer dá mais satisfação… E ainda quer exigir alguma coisa? Está fazendo algo errado que tem tanto medo de que eu esteja aprontando também? — o desafiei.
— Está louca, é? Estou cheio de trabalho… Tudo para conseguir sustentar seus luxos! E você ainda se acha no direito de falar essas asneiras? — se aproximou e pegou repentinamente minha mão. — De onde saiu o dinheiro para comprar essa aliança? — apertava com força meus dedos.
– Você que inventou essa história, não venha jogar a culpa em cima de mim. — puxei minha mão bruscamente até me soltar. — Eu não preciso disso, Albert. Ultimamente só me despreza, nunca está em casa… E de repente eu tenho que ficar fazendo teatrinho da noiva feliz só porque você comprou um anel de noivado?
Sua feição mudou de repente e ficou mais calmo.
— Não que eu nunca vou querer me casar com você, só que não agora… Mas como estavam querendo dar o cargo para outro sócio, porque era casado e passava uma imagem mais séria, eu resolvi dizer que íamos casar, eles já não estavam me levando muito a sério. E como todos simpatizaram com você… Entendeu? — ficou bem próximo de mim, me encarando. — Um dia nos casaremos, prometo. — ele sorriu. — Está bem, meu docinho? Não se preocupe. Eu sei que estou um pouco distante, mas é só por causa do trabalho. — se aproximou mais e me puxou pela cintura. Esquivei-me tentando me livrar de seu toque e ele me segurava cada vez mais forte. — Que foi? — franziu a testa. — Você bem que poderia colaborar um pouco, não é mesmo? — Um sorriso debochado surgiu no seu rosto.
— Eu só quero ir dormir, Albert. Amanhã conversamos melhor, está bem? — tentei me manter o mais calma possível, afinal ainda estava irritada com ele.
— Está bem… Só porque hoje estou cansado. A reunião foi exaustiva… Mas um beijinho antes de deitar eu exijo. — me envolveu pela cintura e me beijou. Mesmo eu estando um pouco contrariada, acabei cedendo ao seu beijo, mas o gosto e o desejo não eram o mesmo de antes, tudo parecia tão diferente. Sentia algo mudando dentro de mim.

CAPÍTULO 4

Mais uma semana se iniciava e hoje não podia ser diferente dos últimos dias. Ao acordar Albert não estava mais em casa e pelo silêncio no apartamento Lydia também não, logo lembrei que Albert havia dado a ela mais um dia de folga.

Após ter ido almoçar no shopping, decidi dar uma passada no hospital para ver como estava o irmão de . Enquanto dirigia, estranhei ao ver que Albert estava me ligando, insistentemente. Assim que cheguei ao estacionamento do hospital, liguei para ver o que ele queria. Pediu para que eu fosse o quanto antes até o escritório da Modest para conversar com ele. Fiquei intrigada, pois ele parecia ansioso no telefone. Depois de ter feito uma visita extremamente rápida, segui direto para a Modest, saber o que era este assunto tão importante que Albert precisava tratar comigo.

— Por gentileza, o escritório de Albert Cole. Ele está me aguardando.

— O seu nome, por favor.

. — dei uma breve pausa. — A noiva dele. — limpei a garganta, pois me sentia desconfortável em dizer que era “noiva” de Albert. Aquilo soou tão esquisito para mim, não sabia explicar. Há algum tempo podia dizer que era o que eu mais desejaria falar, mas hoje foi muito estranho.

— Ah claro, . É no sexto andar, sala 9. Pode subir. — O recepcionista abriu um sorriso.

Apertei no 6º andar, onde ficava o escritório dele. Nesse tempo que estávamos juntos, nunca havia vindo visitar Albert no seu trabalho, essa era a primeira vez. Assim que o elevador parou no andar, me dirigi até uma nova recepção e avisei que Albert estava me aguardando. A moça gentilmente me acompanhou através de um corredor onde à direita localizava-se um espaçoso escritório, com janelas enormes e uma linda vista.
— Pode aguardar por aqui, Albert está na sala do Richard, mas logo retorna. — disse, com uma voz suave e muito gentil.

— Obrigada… — olhei para seu crachá. — Brianna. — Sorri e em seguida ela se retirou.

Caminhei até a janela, atrás da mesa de Albert, cruzei os braços e fiquei observando a rua e um pequeno parque lá embaixo.

— Albert, eu… — ao escutar uma voz se aproximando me virei rapidamente. — Desculpe, pensei que o Albert estivesse por aqui. — falou uma moça alta, de cabelos cacheados, castanhos e longos até a cintura. Ela segurava algumas pastas em seus braços e parou na entrada da porta.

— Se quiser esperar, logo ele vem, também estou aguardando-o. — respondi me distanciando da janela e indo em direção a uma cadeira ao lado da mesa dele.

Ela nada respondeu, apenas me olhou dos pés à cabeça e assentiu com a cabeça.

— Você é a namorada dele, não é mesmo? — perguntou, ainda escorada no batente da porta. — É a… — revirou os olhos como se tentasse lembrar meu nome. — A…

. — respondi um pouco seca, não estava gostando muito da postura daquela mulher. Com meu olhar procurei por algum crachá para tentar identificá-la, mas sem sucesso, resolvi perguntar. — E você, quem é?

— Eu sou a assistente do Albert. — respondeu e em seguida entrou no escritório e largou as pastas em cima da mesa dele. — Meu nome é Shannon. — virando-se de frente para mim estendeu a mão para me cumprimentar.

Shannon? Será que ouvi bem? Um frio chegou a percorrer minha espinha nesse momento. Será que é a mesma Shannon do cartão que eu encontrei, não poderia ser coincidência a assistente ter o mesmo nome. Cumprimentei-a de volta, um pouco perplexa pela minha provável descoberta.

Neste exato momento Albert passou pela porta parando ao meu lado.

— Querida, essa é a minha assistente. — ou eu estava errada em minha suspeita ou Albert era muito dissimulado, falava numa tranquilidade. Pensei que ficaria nervoso, mas pelo contrário, chegou inclusive passar o braço sobre meu ombro. — Por favor, Shannon, deixe-nos a sós um minuto, tenho que conversar com a minha noiva, depois eu te chamo. Está bem?

A morena não pareceu muito contente, apenas acatou a ordem e retirou-se da sala, praticamente desfilando.

— Sente-se. — pediu, assim que se sentou em sua grande cadeira. — Eu te chamei na verdade aqui, a pedido do Richard. — repousou as costas na cadeira, ficando mais confortável. — Bom, o pouco que você conversou com a esposa dele aquele dia no brunch, você comentou que quando morava no Brasil trabalhava com consultoria de moda e essas coisas e isso acabou chamando a atenção dela. E quando ela ficou sabendo que a assistente da Personal Stylist de uma das bandas que a Modest agencia pediu demissão, a esposa dele sugeriu que tentasse chamar você para trabalhar no lugar dela. Claro que tentei explicar que você não se interessa e não precisa desse trabalho, mas… — limpou a garganta.—– Richard continua sendo meu chefe, e…

— Mas eu fiquei muito interessada, sim. — respondi animada o interrompendo.

— Como? — franziu a testa. — Mas está te faltando algo? — sua voz começou a se alterar. — Ou é pra me vigiar mesmo? Não entendi… — me indagou irritado, desencostando suas costas e ficando tenso.

— Até parece Albert… Não se preocupe, não quero te vigiar. — respondi com descaso. — Acho que é uma boa oportunidade, passo os dias em casa. Preciso de uma ocupação, principalmente algo que eu adoro fazer.

— Se bem que não é uma má ideia. — recostou novamente suas costas na cadeira. — Agora que diante dele estamos noivos, isso pode ser até um bônus. — sua voz estava mais calma, olhou para o teto como se planejasse algo. — Vou até chamar imediatamente Richard e dar a notícia. — esticou o braço e apertou um botão avisando que eu iria até a sala de Richard. — E dessa maneira ficamos mais próximos, não? — ele soltou uma risadinha.
Por um instante cheguei até a me arrepender da minha decisão, pois pela cara de Albert, tudo se tratava do seu próprio benefício.

— Richard está te aguardando na sala dele para passar todas as informações. — lançou um sorriso amplo. — Hoje à noite poderíamos ir àquele restaurante de comida italiana que fomos no nosso primeiro encontro, para comemorarmos, o que você acha? — perguntou de uma forma tão serena. — Eu irei me atrasar só alguns minutinhos, pois tenho uns assuntos para resolver. Mas vou deixar a reserva pronta para às 19h00min e você me aguarda lá que vou ir direto daqui. Mas vai de táxi que assim voltamos juntos com meu carro. — pegou o telefone na mão. — Ah, meu amor, nem lembro quando foi a última vez que fizemos algo assim. — falou sorrindo enquanto discava e eu apenas concordei com a cabeça. — Richard, a já está indo até a sua sala. — desligou o telefone.

— Pode ir lá. — ele era só sorrisos. — Nos vemos à noite, então? Já vou reservar a nossa mesa. — Pegou o telefone mais uma vez.

— Sim… — eu ainda estava assimilando tudo isso.

— Eu te amo. — ele falou quando eu estava saindo da sala. Cheguei ficar sem reação no momento e acabei não falando nada, afinal há tempos não o via assim, tão calmo e “carinhoso”. Talvez esse trabalho realmente me aproximasse dele. Parece loucura da minha cabeça, mas como eu gostaria que tudo voltasse a ser como era no início. Senti naquele instante que realmente ele estava sendo sincero, talvez aquele bilhete, o nome Shannon e tudo mais fosse um mal entendido da minha parte. Acho que esse jantar pode ser uma boa oportunidade para esclarecer tudo e nos entendermos de vez.

(…)

— Boa noite, reserva no nome de Albert Wright Cole. — O Maítre verificou o nome e então me encaminhou até a minha mesa.

— A Sra. deseja pedir algo enquanto aguarda o Sr. Cole? — perguntou ao me alcançar a carta de vinhos do restaurante.

— Pode ser o Vinã Gravonia Crianza, safra 1998. – pedi alcançando a carta de vinhos de volta a ele. Lembrei que este era o preferido de Albert.

— Ótima escolha. Com licença. — virou-se de forma educada e retirou-se.

Não demorou para que ele trouxesse o vinho.

O Albert avisou que se atrasaria alguns minutinhos, mas eu estava ficando inquieta. Enquanto enchia mais uma taça de vinho, olhei mais uma vez impaciente para o celular, onde as horas marcavam exatamente 20h10min e nenhum sinal de Albert. Depois da sexta tentativa em entrar em contato, mais uma vez na caixa de mensagens. Empinei em um gole o resto de vinho que ainda continha na taça e chamei o garçom.

— Pode trazer a conta, por favor? — pedi, mantendo meu tom de voz baixo para não explodir de raiva ali mesmo. Eu ainda não estava acreditando que Albert havia me deixado plantada ali feito uma idiota.

Todos conheciam Albert nesse restaurante, eu estava morrendo de vergonha. Pensei que era apenas uma crise no nosso relacionamento, apenas uma fase, doce ilusão a minha de que Albert se importava ainda comigo. Até estava usando uma blusa que ele havia me presenteado no meu aniversário ano passado.
– Que droga! – Pensei ao lembrar que estava sem meu carro, pois a pedido de Albert vim de táxi, para não voltarmos para casa em carros separados. Paguei a conta e saí bufando daquele restaurante. Naquele momento nem fome mais eu tinha de tanta raiva, caso contrário poderia ter ficado e pelo menos ter jantado, assim não perderia totalmente a noite.

Já do lado de fora do restaurante, tirei meu celular da bolsa mais uma vez dei uma conferida se não havia nenhuma ligação ou pelo menos uma mensagem que explicasse o atraso e pude ver que já eram 20h25min. Desci uma quadra a pé, para me acalmar um pouco antes de chamar um táxi.

E como sempre, quando algo dá errado, a probabilidade de mais coisas erradas acontecerem triplicam. Enquanto eu caminhava e respirava fundo, o salto do meu sapato quebrou e acabei torcendo meu pé.
— Merda! — praguejei, arranquei aquele sapato do pé e o segurei na mão. Assim fui mancando até um banco que avistei logo adiante. Sentei e cruzei a perna, girando de leve meu pé, na tentativa de amenizar um pouco a dor que senti ao torcê-lo. — Que lixo de sapato. — O coloquei de lado e peguei meu celular e quando fui ligar para o táxi acabou a bateria daquele maldito aparelho. — O que mais falta acontecer? — Perguntei a mim mesma, quase chorando de raiva. Com meus cotovelos encostados nos joelhos, coloquei as mãos no rosto e baixei um pouco a cabeça. Inspirei e soltei o ar várias vezes, me acalmando, esperando toda a raiva dissipar-se, pois não me permitiria chorar por essa situação no meio da rua.

? — escutei uma voz familiar me chamar. Ergui lentamente a cabeça e pude ver um Toyota preto parado e com o vidro de película escura semi abaixado. Minha visão estava um pouco embaçada, estreitei meus olhos para tentar ver quem estava dentro do carro.

— Liam? — com certa dificuldade consegui identificar o dono da voz que me chamou.

— O que está fazendo sozinha por aqui? Está esperando alguém? — perguntou ao abaixar totalmente o vidro.

— Não… Só estou… — Estou com muita raiva porque o Albert não apareceu no nosso jantar, quebrei o salto do meu sapato e estou sem bateria no meu celular e ainda por cima agora sim estou ficando com fome por ter saído do restaurante sem ter comido absolutamente nada. E para completar me sinto um pouco zonza por ter apenas tomado algumas taças de vinho com o estômago vazio. Pensei. –—Estou… Procurando um lugar para jantar.

— Sentada aí e sem um sapato? — perguntou rindo.

— É, bem… — olhei para o sapato que estava ao meu lado. — Digamos que eu ia jantar, mas… — dei um risinho nervoso.

— Onde está seu carro? Que eu te levo, não vai ir assim sem um sapato.

— Eu vim de táxi e eu ia chamar outro, mas acabou a bateria do meu celular. — expliquei enquanto guardava o aparelho “morto” dentro da bolsa.
— Mas então pode vir de carona comigo. — destravou as portas do carro. — Eu te levo no restaurante que você ia ir.

Por alguns instantes pensei em recusar, mas era o momento de dar um basta nesta minha frustrante noite.

— Está bem… — levantei-me, segurei minha bolsa e meu sapato, mas antes de abrir a porta olhei para ele através da janela. — Vou aceitar, mas só se prometer não me sequestrar. — Ironizei.

— Prometo. — ergueu uma de suas sobrancelhas e lançou um meio sorriso.

Assim que entrei e coloquei o cinto Liam perguntou:

— Então… Qual é o destino?

— Burger King! — respondi em um só fôlego. Queria um lugar totalmente o oposto que Albert e eu sempre costumávamos jantar. Estava com fome e há séculos não comia fast-food.

— Sério? Você veio até aqui e se arrumou assim para ir sozinha ao Burger King? — perguntou espantado, olhando de cima a baixo. Murmurei um “uhum” concordando com a cabeça. — Mulheres… — disse balançando a cabeça e continuou a dirigir.

— Provavelmente estraguei alguns planos seus esta noite, afinal a sua casa fica do outro lado… — comentei tentando descobrir o que ele estava fazendo naquele bairro.

— Não… Eu estava no apartamento do Niall, ele mora por ali, você não sabia? — me olhou e eu neguei com a cabeça. — Eu estava voltando para casa quando te avistei, mas só tive certeza de que era você quando encostei o carro. — Ele sorriu, mas seu olhar estava atento ao trajeto.

Enquanto ele dirigia fiquei momentaneamente hipnotizada, percorrendo meu olhar por cada traço de seu rosto, sua barba, seu nariz, sua boca e… Corpo. Ele vestia uma calça jeans azul escuro e uma camiseta preta de manga curta, continuei a observar suas mãos no volante e seus braços que estavam descobertos e… Que braços. Nesse instante soltei um leve suspiro.

— Chegamos. — ele riu me acordando do meu estado de hipnose.

Provavelmente deve ter percebido. Que é isso ? Estou retrocedendo no tempo e agindo feito uma pré-adolescente? Só posso estar ficando maluca.

Senti até minhas bochechas ficarem quentes. Que maravilha, agora eu devo estar parecendo um pimentão na frente dele. Rapidamente segurei minha bolsa que havia largado em meus pés e retirei o cinto, tentando disfarçar meu constrangimento.

— Obrigada… — agradeci. — Posso abusar um pouquinho mais da sua boa vontade e pedir pra você esperar eu buscar meu lanche?

— Claro, nem precisava pedir. Olha bem se deixaria você aí mancando atrás de um táxi. – me olhou sorrindo e desligou o motor do carro. — E mais, pode esperar por aqui que vou buscar pra você, não vou deixar sair descalça por aí. — soltou seu cinto de segurança.

— Imagina… Eu vou rapidinho e…

— Nem pensar. Me espera aqui que eu também estou com fome e pego para nós dois. — disse de uma maneira firme, porém tão doce ao mesmo tempo. Percebi neste momento o quanto eu não estava mais acostumada com tanta gentileza.

Uns vinte e cinco minutos haviam se passado e nada de Liam voltar. O lugar nem estava tão cheio para demorarem tanto para atender um simples pedido. Quando pensei em sair do carro para ver o porquê da demora ele entrou apressadamente dentro do carro.

— Segura aqui pra mim, por favor? — falou um pouco afobado enquanto me alcançava dois pacotes na nossa super saudável refeição. Assim que travou as portas e ligou o motor do carro, algumas fãs enlouquecidas começaram a bater no vidro e flashes do lado de fora me fizeram entender o que estava acontecendo.

Ele dirigiu com muita cautela para não machucar ninguém que estava do lado de fora, assim que viu que elas haviam ficado para trás, pisou no acelerador.

— Viu? Se tivesse deixado eu ir, não ia precisar sair assim como um fugitivo. — o repreendi em tom de brincadeira.

— É… Talvez… Mas assim foi mais emocionante. — abriu um amplo sorriso enquanto diminuía a velocidade. — Você precisa ir para casa ou… — fez uma pausa.

— Acho que devemos comer logo antes que isso fique com gosto de papelão. — olhei para os pacotes do Burger King que estavam em meu colo.

No instante em que terminei de falar, Liam deu uma virada brusca no volante, dobrou a esquina e acelerou novamente. De reflexo segurei tudo para não derrubar. E alguns minutos depois desacelerou bem em frente a um prédio, o qual eu reconheci, mas não era onde eu residia e sim o prédio onde Liam morava.

— Pronto. — antes de estacionar abriu o portão ao lado e dirigiu até o estacionamento. — Chegamos. — desligou o motor.

— Como assim? — perguntei espantada. — Que eu saiba não somos vizinhos.

— Era o lugar mais próximo e aqui não tem paparazzi. Assim podemos comer tranquilamente. — tirou o cinto e virou-se para pegar um dos lanches. — Depois eu prometo que te levo para casa. — abriu a embalagem retirando um delicioso Steakhouse. — Peguei um igual para você, espero ter acertado no pedido.

— Eu não como nada no Burger King há séculos. — meu estômago já estava roncando. Abri aquele pacote o mais rápido que pude e dei uma grande mordida naquele hambúrguer. Nunca pensei que fosse saborear com tanta vontade uma simples comida de fast-food. — Nunca tinha experimentado esse… Que delícia. — disse enquanto terminava de engolir.

— É um dos meus preferidos. — Liam comentou.

Assim que terminamos de comer, Liam abriu outro pacote que continha uma coroa do Burger King. Desdobrou e colocou em minha cabeça.

— Agora sim! — ele riu e fez um gesto de reverência com os braços. — Rainha, digna de quem acabou de devorar um Steakhouse e uma porção de Satisfries em tempo recorde.

— Que exagero… — estreitei os olhos. — Talvez eu estivesse com só um pouquinho de fome. — zombei.

— E não pense que não vi quando você pegou algumas das minhas batatinhas fritas. — ele arqueou uma de suas sobrancelhas e eu ergui os ombros me fazendo de desentendida e ele acabou por rir.

E de repente era como se eu pudesse ser eu mesma novamente, sem medos e receios, meus sorrisos eram verdadeiros, tudo fluía naturalmente e não precisava fingir nada ao lado dele.

E o que era para se tornar uma noite frustrada acabou se transformando em uma das noites mais agradáveis e divertidas que já tive.

(…)

Entrei tranquilamente dentro de casa e o silêncio reinava no apartamento, somente o barulho das minhas chaves em contato com a mesa de vidro. Ainda descalça e com meus sapatos na mão me dirigi até o quarto, assim que os larguei dentro do closet, coloquei meu celular para carregar.
Não sei se diria para minha surpresa ou era o que eu esperava, mas ao ligar o dispositivo não havia sequer uma mensagem ou ligação de Albert, nenhum sinal dele e era como se a Terra o tivesse tragado.

Estava me preparando para dormir e ao sentar-me na cama antes de deitar, ouvi o barulho da porta abrindo-se e fechando e logo em seguida alguns passos. Permaneci na mesma posição, apenas aguardando Albert passar pela porta do quarto.

— Oi, . — ouvi ele se aproximar e continuei de costas, permanecendo sentada totalmente imóvel. — Nossa, você não vai acreditar no que aconteceu. — parou diante de mim, fazendo com que eu apenas erguesse meu olhar para ver qual seria a desculpa esfarrapada que ele inventaria desta vez. — Fiquei preso em uma reunião de última hora e… — continuou se explicando. — O tempo voou e meu celular ficou sem bateria.

Não expressei uma reação diante de tamanha mentira. Eu sentia o mesmo perfume adocicado que me causava náusea, misturado novamente com aquele odor de álcool que exalava de sua pele.

— Com quem você estava, Albert? — perguntei com frieza.

— O-O quê? — arregalou os olhos. — Acabei de te contar o que aconteceu, está surda?

— Pelo contrário, escutei perfeitamente e além da minha audição estar em perfeito estado, meu olfato também está. — levantei-me ficando de frente para ele. — Ela não tem um “perfuminho” melhor, não? — expressei nojo balançando minha mão, fazendo um vento diante do meu nariz.

— Ela? De quem você está falando? — se fez de desentendido e me deu as costas, tirando seu terno e jogando-o no braço da poltrona. — Eu estava em reunião, até admito que serviram Whisky e eu acabei tomando um pouquinho. — desabotoou a camisa e começou a soltar o cinto.

— Albert! Chega de mentiras. — o segurei pelo braço. — O que você ganha com isso? Eu fiquei que nem uma idiota no restaurante uma hora esperando e você não teve sequer a decência de me avisar que não apareceria… — meu tom de voz começou a se elevar.
— Quanto drama pra nada. Me desculpe mesmo… — falava de um modo cínico. — Eu prometo que isso nunca mais vai acontecer. E… — jogou o cinto em um canto. — Você fica imaginando coisas, acho que está ficando louca, só pode.

— Louca? Só se for louca por ainda acreditar que você vai mudar. — minhas mãos tremiam ao ver tamanho cinismo da parte dele. — Eu só quero a verdade, Albert!

— Essa é a verdade, se você quiser acreditar ou não o problema é seu. Eu já pedi desculpas por ter deixado você esperando. E eu prometo que vou te recompensar por isso. Eu sinto muito, você sabe que esse trabalho anda me consumindo ultimamente. — falou enquanto atirou sua camisa em cima do seu terno. – Só chega de devaneios por hoje, está bem? — pediu de maneira rude.

— Mas… — bufei. Parecia que eu estava tentando argumentar com uma porta. Aquela discussão não estava indo a lugar algum.

— Olha. — me segurou pelos ombros. — Você sabe que eu não tenho ninguém além de você, meu bem. — sorriu com um ar petulante. Não conseguia acreditar nas palavras dele. — É só você. — aproximou seu rosto do meu e depositou um rápido selinho em meus lábios. — Eu juro, meu amor. Agora vamos dormir, pois não esqueça que amanhã nós dois temos muito trabalho pela frente.

Assim que me soltou deu a volta na cama e deitou-se apenas de cueca. Nem mesmo foi tomar um banho antes de se deitar e tirar aquele cheiro repugnante.

Sentia meu relacionamento com Albert escapar por entre meus dedos, quanto mais eu me esforçava para manter essa relação, mais ele se afastava e tinha atitudes que estavam destruindo qualquer sentimento que existia ainda dentro de mim.

Mas era nesse meu novo emprego que deveria depositar toda minha concentração e foco. Amanhã eu seria apresentada aos garotos da 5 Seconds of Summer, a nova banda a qual eu estaria responsável pelos seus looks e produção de agora em diante. E era estranho como dessa vez eu não me senti como das outras vezes que Albert fazia as dele, hoje eu me sentia mais segura e um pontinha de esperança estava brotando em meu peito, como se esse novo trabalho fosse o meu oxigênio e não poderia deixar meus assuntos pessoais interferirem na qualidade do meu trabalho e nem deixar essa oportunidade escapar.

N/A: E então o que estão achando até agora? Passando para avisar quem quiser participar do grupo de Happily, vou deixar aqui o link (https://www.facebook.com/groups/305140909609881/). Até a próxima atualização. Bjusss

 

Capítulo 5
 

Nestes últimos dias Albert andava bem atarefado, mas estava bem mais cauteloso comigo e inclusive havia me presenteado com uma roupa nova para o evento desta noite, sempre com o pensamento de que bens materiais corrigiriam seus erros comigo.

É óbvio que eu ainda não havia engolido toda aquela história de segunda-feira, mas ele negava sempre todas minhas acusações e ainda não tinha provas suficientes para confrontá-lo. E esse era um evento importante não apenas para ele, mas para todos que estavam envolvidos nesta causa. A instituição “Rays of Sunshine”, foi formada em 2003 para alegrar os dias das crianças que sofrem de alguma doença terminal, eles ajudam a realizar o sonho de cada um e muitos apoiadores resolveram se reunir para fazer esse evento para arrecadar mais fundos.

Enquanto me aprontava no quarto, a cada cinco minutos Albert gritava da sala para saber se eu já estava pronta. Eu sabia perfeitamente que precisávamos chegar um pouco antes, mas ele fazia questão de ficar aos berros me apressando.
Olhando-me no espelho, enquanto terminava de passar meu batom, Albert me chamou mais uma vez.

— Já está pronta? — Albert gritou, impaciente. — Vamos! — Cutucou o relógio no pulso.

— Sim, já estou indo… — Gritei de volta.

Guardei rapidamente o celular na bolsa, dei uma última conferida no espelho, borrifei meu perfume e estava para encarar uma bela encenação, mesmo em um evento tão lindo, só eu sabia, naquele momento, a tormenta que era ter que fingir estar perfeitamente feliz com alguém quando tudo por trás está desmoronando.

O que me confortava é que estaria presente, pois a empresa de seu pai era uma das colaboradoras da instituição e como seus pais estavam separados, ela o acompanharia no lugar de sua mãe.

(…)

Assim que chegamos ao portão principal, nos deparamos com várias fãs e muitos fotógrafos.
Em seguida seguimos pelos corredores do local, lá havia alguns quadros com fotografias espalhadas pelas paredes de algumas crianças que tiveram seus desejos realizados pela Rays of Sunshine. Mais adiante entramos na sala de imprensa, havia mais fotógrafos e equipe de televisão que estava fazendo a cobertura do evento. Posamos para algumas fotos e Albert inclusive deu uma pequena entrevista, afinal ele estava agenciando os garotos do One Direction e foi um dos colaboradores principais para que o evento acontecesse. Ele também me apresentou, com bastante orgulho em dizer que “sua noiva” era a nova Stylist dos garotos da 5SOS, que inclusive havia entrado minutos antes de nós.

No momento em que iríamos passar para o salão principal, a imprensa se agitou quando Harry, Zayn, Niall, Louis e Liam chegaram logo atrás de nós.

— Chegaram meus garotos! — Imediatamente Albert soltou minha mão e correu até eles. Aproveitou para ser fotografado ao lado deles. Fiquei apenas observando, mais distante, próxima da porta do salão, enquanto eram fotografados. Todos eles estavam de preto, mas obviamente foi Liam que mais me chamou atenção naquele momento, usava por cima da camisa uma jaqueta preta de couro, estava de tirar o fôlego. Sei que não devia reparar nele dessa maneira, mas foi quase que inevitável. Hoje era como se não o visse mais como uma celebridade e sim lembrava a maneira como me fazia sentir cada vez estávamos juntos e de nossa conversa na segunda-feira. Assim que me avistou lançou um sorriso e eu retribuí com um pequeno aceno.

Depois que cruzaram os flashes, Albert veio até mim, entrelaçou nossos dedos e os chamou para entrarmos todos juntos. Ao passarmos pela porta principal, a equipe organizadora nos guiou até as mesas indicadas. Duas mesas ao lado da minha estava
com seu pai e outras pessoas que eu não conhecia, então apenas acenei para eles.

Paramos diante de nossa mesa e todos os assentos estavam devidamente indicados onde cada um deveria se sentar. Sentei-me ao lado da esposa de Richard. Outros sócios também estavam presentes na nossa mesa, mas para a minha infelicidade Shannon estava na mesa ao lado da nossa. No instante em que chegamos, não disfarçou alguns olhares para Albert e percebi o quanto me analisou de cima a baixo quando me viu, mas não deixaria ninguém arruinar essa noite que tinha uma causa tão nobre.

Na mesa à frente da nossa estavam Luke, Michael, Calum e Ashton. Estava orgulhosa por terem aceitado usar as roupas que eu escolhi, esses meninos tinham personalidades fortes e foi um grande triunfo convencê-los e entrar em um consenso entre o gosto deles, o que a Modest propôs para a imagem deles e o que eu havia sugerido. Estava muito satisfeita com o resultado e em poucos dias trabalhando com eles, já me fizeram me sentir super a vontade e nos demos muito bem. Na mesma mesa, sentaram-se Zayn, Liam, Niall, Harry e Louis.

Alguns garçons transitavam pelo ambiente servindo champagne, a decoração e iluminação do local estava tudo perfeito.

Em um telão, próximo ao palco, colocaram um vídeo com todas as ações da Rays of Sunshine e os colaboradores da instituição. Enquanto o vídeo passava, Albert envolveu seu braço em meu ombro e não desgrudou até o momento em que todos bateram palmas.

— Boa noite, senhoras e senhores! Gostaria de chamar para fazer o discurso de abertura, um dos principais organizadores deste evento Sr. Albert Wright Cole. — Albert subiu ao palco todo sorridente, ajustou o microfone à sua frente e então iniciou seu discurso.

Ao finalizar anunciou o primeiro show, chamando ao palco Rita Ora. Ao retornar à mesa se grudou ao meu lado mais uma vez, comecei a ficar extremamente desconfortável, ao perceber que eu estava no meio de certa provocação entre Shannon e Albert. Então delicadamente tirei o braço de Albert que me envolvia, não queria criar nenhuma cena. Obviamente eu não queria parecer uma doida na frente de Richard e sua esposa, afinal ninguém sabia de nada, até onde eu saiba é claro, mas não era da minha personalidade criar ceninha de ciúmes.

Em alguns momentos eu olhava com certo desespero para , mostrando a minha insatisfação de estar ali e ter que fingir algo que eu não sentia mais. Mas os olhares de , alternavam entre Harry e eu, só que quem obteve a maior atenção da minha amiga, com certeza foi um moreno de olhos verdes. Albert pediu licença e retirou-se da mesa sem dar nenhuma explicação e depositou um beijo em meu rosto.

A apresentação de Rita estava quase no final e em seguida seria a apresentação da 5SOS, levantei-me para acompanhá-los, pois eu seria a encarregada de anunciá-los no palco. Assim que começaram a tocar voltei para minha mesa, mas antes de retomar ao meu lugar, parei para cumprimentar Niall, Harry, Zayn, Louis e Liam.

Estranhei que ao voltar à mesa, Albert ainda não havia voltado e quando me virei para a mesa ao lado, coincidentemente Shannon também não estava. Permaneci em pé, próxima à minha cadeira e olhei para os lados, mas não o avistei. Bufei, pois meu sexto sentido me dizia que algo errado estava acontecendo, foi quando percebi Richard e sua esposa me olhando, estranhando minha atitude, então resolvi me sentar.

— Que linda sua aliança! — Marla exclamou, pegando minha mão para vê-la de perto. — Você e o Albert vão se casar quando? — Me olhou atentamente aguardando minha resposta. Nunca… , pensei.
— Obrigada Marla… Não sei… — respondi totalmente desanimada e um pouco rude.

— Como não sabe? — Marla olhou intrigada para Richard.

— Não, não Marla… — Tentei explicar, não queria ter sido tão indelicada com ela. — É que… Ainda estamos tentando decidir a data, sabe como o Albert é, gosta que tudo saia perfeito. — falei, lançando um sorriso falso.

— Sim… O Albert é assim mesmo, com ele tudo tem que sair perfeitamente do jeito dele. É um homem muito responsável e dedicado. Você tem muita sorte. Vocês formam um casal muito bonito. — Sorriu de maneira muito simpática. — Você não concorda Richard? — olhou para o marido que parecia distante olhando para os lados. — Richard? –ela o chamou a atenção.

— Sim? — voltou à atenção a nós. — Sim… Claro, querida. — Sorriu e tomou um gole de seu champagne.

Aquele papo de casamento e que Albert era o homem perfeito e ideal estava revirando meu estômago. Foi nesse instante que Albert retornou ao seu lugar, puxando a cadeira ao meu lado.

— Albert, onde você estava? — perguntei com o tom de voz mais baixo, nitidamente nervosa assim que ele se sentou ao meu ao lado.

— Por aí, precisava fazer o social e cumprimentar alguns conhecidos… Onde mais eu estaria? — puxou a cadeira, acomodando-se melhor. Pude então perceber que a ponta de sua camisa estava para fora do cinto. E alguns minutos depois, por pura coincidência, Shannon também voltou à mesa ao lado. — Está tudo correndo bem, não é mesmo? Esses garotos são fantásticos mesmo! — comentou com Richard sem tirar sua atenção do palco.

Um sentimento de ódio tomou conta de mim, então senti meus olhos encherem de lágrima. Ele era mais sujo e imoral que eu imaginava. Não poderia ficar mais nenhum segundo naquela mesa, eu precisava me acalmar para não tomar nenhuma atitude precipitada.

— Vocês me dão licença? — Pedi e rapidamente saí daquela mesa. Assim que cruzei a mesa onde estava Shannon, ela me olhou e lançou um risinho cínico, só confirmava minha suspeita, fazendo com que eu ficasse ainda mais irritada. Direcionei-me até o corredor que dava acesso aos banheiros e corri antes que eu perdesse totalmente minha compostura e esfregasse a cara daquela vadia no chão, junto com a do Albert, é claro.

Tudo que eu conseguia pensar no momento era como Albert podia fazer aquilo comigo? Não ter mais um pingo de respeito por mim, não importar mais sequer com a minha presença. Fiz o maior esforço para não chorar até chegar ao banheiro, não queria que ninguém me visse nesse estado.

Caminhava a passos largos, aquele corredor parecia infinito, só parei quando esbarrei em alguém.

— Desculpa… — Ao tentar prosseguir percebi em quem havia esbarrado. — Liam? — eu ainda estava um pouco desnorteada.

— Opa… — Ele me segurou pelo braço. — Quanta pressa. — Sorriu, mas logo seu sorriso se desfez quando inevitavelmente uma lágrima a qual eu estava segurando, resolveu escorrer pelo meu rosto. — O que houve? — questionou apreensivo.

— N-nad… — Eu não tinha vontade de falar para não parecer ridícula em começar a desabafar com ele. — Nada relevante. — Dei um longo suspiro, controlando o choro.

— Você tem certeza? — Seu olhar era atento e preocupado. Fitava-me de maneira tão intensa fazendo com que eu perdesse a fala por alguns minutos. Nossos olhares estavam fixos um ao outro e eu, como resposta, apenas balancei a cabeça afirmativamente. Acho que se começasse a falar eu desabaria e a última coisa que queria naquele momento era ter uma crise de choro na frente dele, então baixei a cabeça. — Vou fingir que acredito… —– Deu um passo à frente se aproximando mais de mim. Um calor começou a percorrer minha pele no momento em seus dedos tocaram meu rosto, afastando gentilmente uma pequena mecha de cabelo que estava perto do meu olho. — A propósito, você está ainda mais linda esta noite. — Sorriu de canto no instante em que ergui meu olhar até encontrar seu rosto que estava extremamente próximo ao meu.

— Obrigada. — Minha voz saiu um pouco rouca, ligeiramente tímida. Afinal não estava esperando por aquele elogio.

Mais uma vez um silêncio veio à tona, durante alguns segundos nos olhávamos apenas ao som de Luke, Michael, Calum e Ashton que ainda estavam tocando. Eu não conseguia ter reação alguma, as palavras pareciam não fluir e apenas continuei a encarar aqueles olhos castanhos que de certa maneira pareciam me decifrar. Ele me passava tranquilidade e ao mesmo tempo conseguia sentir sua inquietação. E um toque suave e inesperado em meu queixo fez com que minha pele inteira arrepiasse. Estava ali totalmente entregue àquele momento, envolvida pela troca de olhares e um leve friozinho no estômago, minha respiração começou a ficar pesada, todo esse sentimento começou a me deixar assustada.

— Finalmente te a-ach… — Zayn apareceu afobado. Imediatamente eu dei um passo para trás. Ele parou ao lado de Liam e limpou a garganta. — Só vim avisar que somos os próximos e… Albert está aguardando. — Intercalou o olhar entre nós dois.

— Estou indo. — Liam respondeu para Zayn e em seguida voltou sua atenção a mim. — Eu tenho que ir, mas não fique mais assim, está bem? — Liam falou antes dar as costas e acompanhar Zayn. Assim que se afastaram fiquei por alguns minutos, parada em meio ao corredor, tentando entender o que de fato acabara de acontecer. Distante em meus pensamentos fui despertada por um cutucão em meu ombro.

— Que está fazendo aqui parecendo um pilar? — perguntou ao parar à minha frente.

— Nada. — voltei meu olhar a ela. — Eu estava voltando para a mesa.

— Não, não. Antes vem comigo até o banheiro que essa sua cara aí não me engana.

(…)

— E assim está sendo a minha noite fantástica. — Ironizei ao finalizar minha história enquanto revirava suas mãos embaixo do secador de mãos.

— Mas é um desgraçado mesmo. — Virou-se de frente para o espelho para dar uma retocada na maquiagem. — Desculpe a sinceridade, mas acho que você tem que dar um basta nisso tudo, logo. Eu sei o quanto você andou se esforçando por esse relacionamento, mas pelo visto ele não está dando a mínima. — Deu com os ombros e virou-se novamente para mim. — Você mesma disse quando aconteceu o acidente do meu irmão que a vida é curta demais para fazer rascunho dela, nem sempre dá tempo de passarmos à limpo. E eu ando seguindo esse lema e você também deveria segui-lo.

— Eu sei… Vou tentar começar a seguir meus próprios conselhos. — Respirei fundo.

— Sabe, eu aceitei em ir a uma festa com o Harry assim que acabar esse evento e… Ai… — ela parou de falar e arregalou os olhos. — Vamos voltar logo que estou ouvindo quem começou a tocar. — Me pegou pela mão e foi me levando até a porta, enquanto cantarolava o início de “Don’t forget where you belong”.

— Pelo menos para uma de nós a noite está sendo ótima, não é mesmo? — Ri enquanto praticamente estava sendo arrastada pela minha amiga através do corredor. Tão apressada que praticamente nem me ouvia.

Eu nem sequer existia mais ao lado de , sua atenção estava totalmente voltada ao palco. Pude perceber que o olhar do Sr. Styles também estava direcionado à minha amiga, assim que a avistou próxima ao palco.

, vou voltar para minha mesa. Depois nos falamos.

— Uhum. — Murmurou, sem sequer me olhar.

(…)

O evento em geral tinha sido um sucesso, desde a audiência e em arrecadações de fundos. Já na saída tivemos que posar para mais algumas fotos, em seguida Albert me deixou sozinha para orientar seus queridinhos..

Logo avistei um pouco mais distante e consegui apenas me despedir com um aceno, pois uma fotógrafa de uma revista de moda queria uma foto minha com os garotos da 5 Seconds of Summer, e queriam uma breve entrevista como a nova personal stylist da banda.

Após me despedir de Luke, Ash, Mike e Calum, olhei ao meu redor e não avistei mais Albert. Perguntei para Richard, mas ele também não havia falado com ele. Decidi ir até o estacionamento, o carro ainda se encontrava por lá, calmamente me aproximei e me escorei na traseira do carro e alguns minutos depois Albert apareceu.

— Estava te procurando. — falou inquieto.

— E eu também. — Respondi com descaso.

— Vamos… Tenho mais um compromisso daqui a pouco. — Olhou para o relógio e entrando rapidamente no veículo.

— Como sempre… — murmurei irritada, entrando sem muita pressa no carro. É “Outro compromisso” às 23 horas da noite, sabia muito bem que “compromisso” era esse, mas depois das taças de champagne que tomei, já nem tinha ânimo de questionar mais nada naquele instante.

(…)

No momento em que pisei no apartamento e vi Albert feito um furacão passar até o quarto e pegar uma pasta, senti que não poderia mais deixar essa situação se prolongar. Todos esses sumiços de Albert, as mentiras, estavam me corroendo por dentro e eu não podia esperar mais nem um dia, vim repensando no carro o caminho todo sobre isso.
— Albert… — O chamei, mas sem muito sucesso em chamar sua atenção. — Albert… — Falei mais alto, conseguindo apenas com que ele olhasse brevemente para mim. — Nós precisamos conversar.

— O que foi? Não pode deixar pra amanhã? Não está vendo que estou com um pouco de pressa? — Virou-se novamente indo em direção ao closet para pegar outro casaco.

— Não, Albert. É justamente sobre esse seu comportamento, por nunca ficar em casa e… — Continuei falando enquanto o seguia pelo quarto. — Sempre saindo tarde da noite…Tem que ser agora.

— Eu já falei um milhão de vezes. Ando muito atarefado com o trabalho. — Bufou. — Mas você nunca está satisfeita, tudo para poder continuar proporcionando a sua vidinha perfeita, meu amor. Seu carro, suas roupas, as joias…

— Para, Albert! — O puxei pelo braço. — Chega de desculpas esfarrapadas! Por onde você andou boa parte da noite? — o soltei no instante em que ficou de frente para mim.

— Onde mais eu estaria? — Começou a ficar impaciente. — Estava muito ocupado por causa deste grande evento, você acha que é fácil? Ter que fazer o social com todo mundo e manter tudo em perfeita ordem? — seu tom de voz estava extremamente alterado.

— E a Shannon? Também estava fazendo o “social”? — indaguei em tom de provocação.

— O quê? — elevou mais sua voz e me olhou juntando as sobrancelhas. — Do que está falando?

Então me virei no closet, estiquei meu braço até o fundo da gaveta ao meu lado e de lá tirei o cartão que havia encontrado alguns dias atrás, no bolso do terno de Albert.

— Isso aqui. — Balancei aquele pedaço de papel diante dos olhos dele. E ele apenas demonstrava uma expressão confusa. — É muita coincidência sua assistente ter o mesmo nome, não é mesmo?

Imediatamente arrancou o pequeno cartão por entre meus dedos.

— Que porcaria é essa? De onde você tirou isso? — perguntava aos berros.

— Estava no bolso de um terno seu. — Respondi.

— Nem sei o que é isso. — Leu rapidamente. — Isso não é meu. — Amassou o papel e jogou em meus pés. — Agora você deu para ficar vasculhando minhas coisas e inventar coisas ao meu respeito? Não tem mais o que fazer não? — falava rispidamente.

— Cala boca, Albert. — Minha voz saiu um pouco tremida, como ele podia ser tão grosseiro comigo?

— Como você pode ser tão ingrata? — gritava enfurecido.

— Ingrata, eu? Ultimamente ando tentando salvar este relacionando mais do que tudo e como resposta recebo apenas sua ausência e gritos. Não tente mais me enganar Albert, onde mais você tem que ir agora, à meia noite? Eu sei que você tem outra e…
— Você está ficando maluca é? — me segurou violentamente pelos pulsos.

— Me solta, Albert… — Pedi com a voz um pouco trêmula ao sentir a pressão de seus dedos começarem a me machucar. Ele respirou bem fundo, então me soltou e passou as mãos em seus cabelos.

— Estou de saco cheio dessas suas baboseiras. — Bufou dando dois passos para trás.

— Então acho melhor terminarmos. — falei em um só fôlego, como se aquela frase havia escorregado de minha boca, gerando certo alívio.

Albert arregalou os olhos.

— O quê? — balançou a cabeça. — Quer saber, acho que você não está muito bem essa noite, talvez o champagne que você tomou não está te deixando pensar racionalmente.

— Eu nunca estive tão lúcida na minha vida. — O encarei bem séria. — Isso seria melhor para nós dois e… — Nesse instante meu celular começa a tocar. Ele apenas me olhou aguardando eu ir atender, mas ignorei por alguns minutos, necessitava de uma resposta dele e resolver isso tudo de uma vez por todas. — Eu quero terminar, Albert.

— Não. — Ele olhou para o meu celular que parava de tocar. Fui então obrigada a interromper a discussão e corri para atender.

— Quem era? — Albert se aproximou e perguntou um pouco preocupado ao ver o meu nervosismo.

— Era a . O irmão dela… — Fui guardando o celular na bolsa e voltei até ao closet para trocar de roupa. — Eu não consegui entender muito bem, pois ela estava nervosa e chorando. — Tirei o vestido o mais rápido possível, vesti uma calça e uma blusa. — Eu estou indo pra lá. — Estava um pouco desnorteada, então peguei uma bolsa maior e ao abrir apenas joguei a outra bolsa que estava usando no evento e a chave do meu carro para dentro.

— Mas o que aconteceu? — Albert realmente parecia preocupado naquele instante.

Eu estava um pouco trêmula e não estava nem sequer conseguindo responder.

— Eu preciso ir até o hospital. — havia me deixado extremamente preocupada, ela mais chorava que conseguia falar.

— Olha, , amanhã conversamos. — Albert, falou em um tom de voz compreensivo, diferente de como estava a minutos antes. — Vai lá ver o que ela quer, aí você se acalma e…

— Amanhã conversamos. — O cortei e dei as costas, saí do apartamento sem olhar para trás. Nesse momento só conseguia pensar naquela ligação.

(…)

Passei correndo pelos corredores daquele hospital, parando em frente à recepção. Logo à frente, avistei chorando e corri até ela.

— O que aconteceu? — perguntei aflita.

— Ainda não sei bem certo… — soluçava. — Eu… Eu estava indo para a festa e minha mãe ligou, cheguei agora pouco e… Meu irmão teve uma complicação… — falava um pouco atordoada. — Está agora em uma cirurgia bem delicada no coração, aí… — suspirou fundo. — Eu não entendo o que esses médicos falam.

— Calma, ele é forte, vai dar tudo certo. — Ela continuou a chorar, enquanto eu a abraçava. — Onde está sua mãe? Vamos nos sentar e aguardar.

Fomos andando até a sala de espera. Naquela sala branca onde o silêncio prevalecia, a mãe de estava sentada com a cabeça abaixada e as mãos no rosto.

Calmamente me aproximei de Rosane.

— Quer que eu busque uma água? Um café? — pousei minha mão em seu ombro. Demonstrando um pouco meu apoio. Lentamente ela ergueu seu rosto, com os olhos inchados apenas lançou um sorriso fraco.

— Não. Obrigada, querida. — respondeu com a voz rouca.

Eu e nos sentamos nos bancos à frente dela. De repente vejo Jack, um dos seguranças da One Direction cruzando a porta da sala e em seguida Harry segurando dois copos de café.

— Harry? — estranhei ao vê-lo por aqui.

— Foi ele quem me deu uma carona. — fungou. — Estávamos indo para a festa juntos. Ele só tinha ido levar para casa um outro amigo que estava conosco.

— Sim… — O segurança ficou parado na porta enquanto Harry se aproximou.

— Oi, . — Me cumprimentou baixo e sentou-se ao lado de , entregando-lhe gentilmente um dos copos.

— Oi, Harry. — O cumprimentei de volta.

— Obrigada. — Minha amiga agradeceu e tomou um gole do café.

Depois de algumas horas esperando, acabei cochilando e ao acordar vi que minha amiga também havia cochilado. Estava repousando sua cabeça no ombro de Harry, que permanecia acordado.

— Finalmente ela conseguiu dormir um pouco. — Cochichou Hazza.

— Se você precisar ir eu cuido dela. — Arrumei minha postura na cadeira. — Amanhã vocês têm o dia de folga? — perguntei baixinho para não acordar .

— Sim. — Afirmou com a cabeça. — Mas eu vou ficar. — Sorriu e envolveu seu braço ao redor dela.

Olhei para os outros bancos e o pai dela também havia chegado e estava sentado ao lado de sua mãe, muito aflito aguardando por notícias.

No instante em que pensei em levantar para buscar algo na cafeteria do hospital, um médico cruzou pela porta. A passos lentos ele veio em direção dos pais de . Retirando a touca da cabeça, olhou para eles.

— Sr. e Sra. ? — deu dois passos ficando bem próximo a eles.

— Sim. — Rosane ergueu-se rapidamente da cadeira, sua respiração estava nitidamente acelerada, nesse momento. acordou e todos nós nos levantamos para escutar o que o cirurgião tinha a dizer.

— A cirurgia foi extremamente complicada devido ao estado em que Thomas se encontrava. Ele teve uma hemorragia no pulmão que expeliu muito sangue pela traqueia. Seu coração estava fraco demais e seus rins começaram a parar de funcionar. Nossa equipe fez tudo que estava ao nosso alcance, mas… Thomas não resistiu. Sinto muito.

— NÃO! — Rosane gritou, caindo de joelhos diante do médico. Seu choro era incontrolável.

Era como se de repente todo ar se extinguisse daquela sala. Fiquei paralisada ao ver aquela cena, totalmente em choque não acreditando no que estava acontecendo. Meu corpo inteiro ficou gelado, ao ver cair aos prantos, Harry a abraçava forte tentando de alguma forma confortá-la e foi quando senti a primeira lágrima começar a escorrer pelo meu rosto, seguido por um aperto no peito. Thomas era tão jovem e o considerava quase como um irmão, e então não pude mais conter meu choro, por mais que queria permanecer forte para dar todo apoio a eles, foi inevitável.

 

N/A: E aí meninas? O que dizer desse capítulo tão triste… Mesmo depois de tanto tempo de ter escrito, ainda sinto um aperto no peito ao repostar essa cena. Por enquanto é só, não esqueçam de comentar e segue o link do grupo para quem quiser participar e até a próxima atualização! Bjuss [Link do Grupo: https://www.facebook.com/groups/305140909609881/]

 

Capítulo 6
 

A mídia caiu em cima de e sua família desde o dia em que Harry a acompanhou no hospital. Apesar das tentativas de manter o público longe da cerimônia, durante o velório e todo o caminho do cemitério alguns paparazzi não respeitaram o momento, pelo simples fato que Harry compareceu para dar um apoio à . E eu como “noiva” de Albert e trabalhando com a 5SOS, Luke, Michael, Calum e Ashton também passaram para prestar seu apoio e tudo se tornou prato cheio para notícias e especulações.

Por conta de tudo isso, e sua mãe, um dia após o funeral, viajaram até Portsmouth, onde mora a sua avó, para ficarem um tempo afastadas dessa loucura toda. Esse era um momento extremamente delicado e a imprensa não estava deixando em paz.

Albert havia sido super compreensivo, até estranhei todo apoio que ele estava dando à família dela e inclusive à mim, super sensível, tentando me agradar de todas as formas, deu uns dias para que eu ficasse em casa e até ficou mais em casa me fazendo companhia. Era outro homem, ou diria o antigo Albert? Tudo isso me fez adiar a conversa que havíamos tido antes de tudo acontecer.
ficou completamente em “off”, quase não tinha como me comunicar com ela, mas dei esse tempo que ela estava realmente precisando.

Depois de dois dias voltei ao trabalho, focando toda minha energia ali. Duas semanas e meia se passaram e tudo estava tranquilo, mandei algumas mensagens para , mas, claro, não existem palavras suficientes que confortem alguém nesse momento.

Há dois dias mal havia falado com Albert, devido aos compromissos e as entrevistas com a banda. Estavam todos se preparando para os próximos shows da turnê, isso tomava a maior parte de seu tempo. E creio também que ele propositalmente andou me evitando, tentando fugir da conversa que havíamos iniciado naquele dia.

Hoje cruzaria com Albert na Modest, teria que passar para pegar a agenda do dia diretamente com ele, pois de agora em diante a 5 Seconds of Summer faria os alguns shows de abertura durante a turnê da One Direction.

Infelizmente acabei me atrasando um pouco e, assim que fiquei pronta, não tive nem tempo de comer nada, mas no caminho parei na primeira coffee shop pra pegar meu café, afinal não acordo enquanto não tomo minha dose de cafeína diária.

Cheguei à Modest e assim que saí do elevador, a primeira pessoa com quem me deparo é Shannon

— Oi, . — Cumprimentou, me olhando de cima a baixo.

— Oi… — respondi com desprezo.

— Veio falar com o Albert? — me olhou com cara de nojo. — Eu aviso que você está aqui.

— Não precisa não. Eu sei exatamente onde é a sala dele e como ele está me aguardando, vou passar direto. — Com a voz firme, ergui a cabeça e segui confiante pelo corredor, a deixando para trás.

— Posso entrar? — Dei duas batidinhas na porta da sala dele que estava entreaberta.

— Sim… — Levantou-se, me deu um beijo no rosto e deu passagem para que entrasse e então fechou a porta.

— Chegou tarde ontem e nem sequer vi quando acordou hoje. — Perguntei e sentei-me na cadeira em frente a sua mesa.

— Desculpe. Fiquei resolvendo algumas pendências até tarde e hoje pela manhã não quis te acordar. — Respondeu de maneira distante. Foi em direção à sua mesa e pegou uma pasta. — Vamos ao que interessa. Aqui tem uma cópia do que você será responsável de agora em diante, para os shows e todas as obrigações da banda. Você precisa assinar esses papéis para mostrar que está ciente de tudo. — Falou, me alcançando os papéis e depois se direcionou até outra gaveta. — E aqui neste iPad já está toda agenda deles do mês, está tudo conectado, assim qualquer alteração você será notificada, porque tudo está vinculado. As duas bandas praticamente vão caminhar juntas a partir de agora, então tudo tem que passar por mim, inclusive tudo que você Twittar e postar. Não podemos deixar que nada estrague a imagem de nenhum deles. Entendido?

— Sim. — Albert parecia um robô programado para falar tudo aquilo.

— Esta tarde eles terão uma sessão de fotos para uma revista. O endereço onde você deve pegar as roupas que você vai escolher e todas as informações estão todas especificadas na agenda do seu tablet. Alguma dúvida?

— Sobre isso, por enquanto não… Mas tenho outra dúvida… Quando vamos continuar a nossa conversa?

— Aqui só respondo assuntos relacionados ao trabalho. — Ele respirou fundo. — À noite conversamos, está bem? — Falou tão manso que estava desconhecendo. — Se precisar de qualquer coisa pode me chamar. Agora que todas as informações foram repassadas, você está liberada. — Sentou-se e abriu seu laptop me dispensando instantaneamente. — Até a noite. — Se despediu com um sorriso fraco.

— Até, Albert. — Guardei tudo dentro da bolsa e saí.

(…)

Cheguei ao Corinthia Hotel, onde aconteceria a sessão de fotos. Os fotógrafos e toda equipe da revista Billboard, já estavam lá. As roupas escolhidas recém haviam sido entregues. Comecei a organizar nos cabides com os respectivos nomes, foi quando Caroline ligou avisando que não poderia comparecer na sessão desta tarde pois não estava se sentindo muito bem. Por ela estar no final da gravidez, seu médico recomendou ela ficar de repouso durante toda à tarde e qualquer dúvida era só ligar para ela.

Tentei me manter o mais calma possível, pois este seria um grande desafio, sozinha, ter que manter a ordem de todos os nove juntos nesta tarde.

No momento em que estava terminando de pendurar o último cabide, consegui escutar os gritos incontroláveis das fãs do lado de fora, foi assim que sabíamos que eles haviam chegado.

Ashton e Niall entraram correndo, em seguida foram um a um me cumprimentando.

— Temos uma nova slylist! — Comemorou Niall, parando do meu lado para tirar uma selfie.

— Não, não… Na verdade estou emprestada hoje, porque Caroline não estava se sentindo muito bem e precisou do dia para ficar de repouso. — expliquei.

— É, nem vem, Niall, ela é nossa. — Luke se aproximou correndo e me abraçou de lado.

— Está bem, está bem… — Eu ri e me soltei dele. — Agora o dever me chama, pessoal, venham comigo… Todos para o provador agora — Aprontei indicando o local. — que eu vou entregar a roupa de cada um.

Foi só me distrair por alguns segundos, Harry trocou os cabides das roupas dele pelo do Zayn. Será que eram agitados desse jeito sempre? Depois que consegui controlar a situação todos estavam prontos.

O fotógrafo separou primeiro Luke, Ash, Michael e Calum para as fotos da banda, eles pulando de uma mesa e depois as individuais. A primeira parte eu havia concluído com sucesso.

As fotos estavam ficando incríveis e eles estavam colaborando comigo. Fiquei ao lado para assistir toda sessão. Em seguida juntaram as bandas para fazer algumas fotos com todos juntos.

Durante uma foto e outra, notei que Liam lançava alguns olhares para mim e às vezes sorria, ou seria apenas impressão minha? Uns tempos para cá eu andava prestando mais atenção nele do que devia. Na última troca de roupas, Calum resolveu ficar só de cuecas e chapéu, correu até a janela e abanou para as fãs, nem preciso dizer que gritavam incessantemente. Eu deveria prever que logo aprontariam mais uma, afinal estavam se comportando demais nos últimos minutos.

Mas o importante é que tudo correu bem e dentro do tempo e ainda além de tudo foi uma tarde que rendeu muitas risadas.

A sessão estava acabando, comecei a organizar minhas coisas. Em seguida apenas com um aceno me despedi de todo para não atrapalhar as fotos finais.

Cruzei a porta de entrada do hotel e um grupo de fãs ainda estavam por ali e atravessei rapidamente a rua para pegar meu carro.

— Eu não acredito!—– Exclamei ao ver que por questão de 10 minutos a mais no estacionamento, meu carro havia ficado preso. Peguei rapidamente meu celular e liguei para Albert.

— Que droga! Atende infeliz… — praguejei ao chamar várias vezes e dar na caixa de mensagens. — Atende logo… — Liguei cinco vezes e nada, sempre na caixa. — Mas que merda! — Chutei o pneu que estava com a trava amarela. — Isso nunca havia acontecido antes, não sei nem pra onde ligar, quem procurar. Comecei a andar ao redor do carro, ainda com o celular encostado em meu ouvido, na esperança de que por milagre Albert atendesse.

De repente ouvi o alvoroço das fãs e voltei minha atenção à porta do hotel, me escorei no capô do carro e continuei tentando ligar. Bem em frente ao hotel uma van preta estacionou e alguns seguranças direcionam Mike, Calum, Ashton e Luke até ela.

Em seguida duas SUVs preta estacionaram logo atrás do meu carro. Não demorou para que eu avistasse Zayn e Louis saindo do hotel com os seguranças, após tirarem fotos com algumas fãs, correram até a primeira também Niall, Harry e Liam, mas antes de embarcarem na segunda perceberam o pequeno “incidente” com meu carro.

— Precisa de ajuda? — Perguntou Niall, mas logo o segurança foi o empurrando para dentro da camionete pelo fato de as fãs estarem tentando romper a barreira para atravessar a rua atrás deles.

— Vem com a gente. — pediu Harry que já estava sentado no banco da frente. Eu olhei para o meu celular e as 15 chamadas não atendidas para Albert.

— Vamos, depois alguém vem liberar seu carro. — Insistiu Liam.

Os seguranças do outro lado da rua não estavam mais conseguindo conter todas as fãs, então “pulei” o mais rápido possível para dentro da camionete que em seguida deu partida, cantando pneu, afinal as fãs conseguiram se desvencilhar da barreira.

— O que aconteceu? — Perguntou Niall, se referindo ao meu carro.

— Isso nunca havia acontecido antes. — respondi preocupada. — Não sei nem como resolver.

— Na verdade dá para resolver tudo por telefone, aí você paga a multa e alguém reboca o carro, nem se preocupa. Aconteceu isso com um amigo meu uma vez. — Liam comentou.

— E a ? — Harry pediu do banco na frente do passageiro, virou-se para mim. — Ligou? Como ela está?

— Conversei com ela ontem, parece estar um pouco melhor e me disse que voltará semana que vem, pois terá a semana de provas e não pode mais faltar.

— Que bom. Não consegui falar com ela por esses dias e não quis incomodar. — Comentou virando-se novamente para frente.

Paramos no prédio da Modest, onde todos haviam deixado seus respectivos carros no estacionamento. Logo notei que o carro de Albert não se encontrava por ali.

— Olá, Sr. Franciosi. — Me aproximei da guarita do zelador. — Só gostaria de saber, por acaso o senhor viu Albert saindo? Digo… Se o Sr. Cole saiu?

— O Sr. Cole saiu fazem umas duas horas. Avisou que tinha uma reunião e não deu muitos detalhes.

— Só mais uma perguntinha… é que eu precisava repassar uns assuntos com a assistente dele. Sabe me informar se ela o acompanhou nesta reunião?

— A senhorita Shannon… Não tenho certeza, pois ela saiu uns 10 minutos depois do Sr. Cole. — o zelador coçou a cabeça. — Ela saiu sem me avisar nada.

— Eu falo com ela outra hora. Obrigada, Sr. Franciosi. — Agradeci. Caminhei pelo estacionamento e me direcionei até o elevador. Era como se o que eu havia acabado de escutar não me chocasse mais, eu parecia estar anestesiada em relação a toda essa história de Albert e Shannon. Deveria aproveitar esse sentimento para conseguir conversar com ele esta noite.

— Eu sabia… — Comentei baixinho para mim mesma.

— O que? — Liam, que estava logo atrás de mim, falou.

— Que susto! — Parei e me virei para ele. — Nada, não… — soltei um riso acanhado e neguei com a cabeça.

— Vai precisar mais uma carona? — perguntou sorrindo. — Meu carro está logo ali. — Apontou com as chaves na mão enquanto andávamos pelo estacionamento. Fiquei muda por alguns segundos, pensando se deveria mais uma vez aceitar a ajuda dele. Era incrível como sempre ele aparecia nas horas em que mais eu precisava.

— É melhor eu pegar um táxi hoje, porque desse jeito vou ficar para sempre em dívida com você. — ri timidamente.

— É por causa do Albert? Ele vai ficar com ciúmes que eu te leve para casa? — indagou Liam. Eu ri na mesma hora.

— Com certeza não é isso. Albert com ciúmes de mim, duvido. — As palavras acabaram saindo sem eu pensar e imediatamente interrompi meu raciocínio. — Não, ele não é muito ciumento. — Tentei consertar, mas o que eu havia dito não tinha como voltar atrás.

— Mas deveria. — respondeu, me olhando de uma maneira que acabou me deixando totalmente sem jeito. Senti até minhas bochechas corarem. Que sensação era essa que ele causava sobre mim?

— E-eu. — Acabei gaguejando. Estava me sentindo perdida, não sabia mais nem o que falar, como se as palavras sumissem da minha cabeça. — Eu… — respirei fundo. — Vou ligar para o táxi, obrigada mesmo assim. — fui abrindo minha bolsa para pegar meu celular.

— Tem certeza? Vai recusar a minha carona? — Fez um beiço com cara de triste e continuou parado a minha frente esperando minha resposta.

Algo me fazia me perder diante daquele olhar, uma voz dentro da minha cabeça martelava em aceitar, mas ao mesmo tempo um medo também me dominava, como se eu estivesse fazendo algo errado. Que mal teria em aceitar novamente uma carona dele?

— Você sempre faz isso para convencer as mulheres a pegar carona com você? — falei em tom de brincadeira.

— Não. — Ergueu uma de suas sobrancelhas. — Mas está funcionando? — Sorriu de canto.

Antes que eu pudesse dar uma resposta, o ronco alto de um motor invadiu a garagem. Albert estacionou na vaga ao lado do carro de Liam.

— Albert! — Me virei espantada no instante em que ele bateu a porta do carro, mas pude notar pela expressão em seu rosto que quem estava surpreso era ele.

? O que está fazendo por aqui? A sessão de fotos não era no hotel… — estalou os dedos tentando lembrar. — No Corinthia Hotel? — virou brevemente o rosto e cumprimentou Liam.

— Era lá sim, Albert. — Aquele nervosismo só o entregava cada vez mais, principalmente que em questão alguns minutos depois o carro de Shannon coincidentemente entrou pela garagem. — Mas por que tanta surpresa em me ver por aqui? — estiquei o pescoço olhando o carro dela ser estacionado na vaga ao lado. — Também trabalho para a Modest, esqueceu? — perguntei com cinismo.

— Não foi isso que quis dizer. — me encarou sério. — Pensei que você estaria por lá e… — limpou a garganta. — É que me ligaram sobre o carro e vim buscar uns documentos e… Você sabia que tive que liberar algumas multas? Como eu não sabia que você tinha duas multas atrasadas? Avoada como sempre, depois eu que tenho que arcar com as consequências. — sua voz começou a se alterar, sem ao menos se importar com a presença de Liam. — Quer saber? Entra logo no carro que conversamos em casa. — Irritado, destravou as portas e entrou novamente no veículo. E ali voltou o velho Albert a reinar, toda aquela calmaria dos últimos dias foram pro espaço.

— Obrigada mais uma vez, Liam. — agradeci com um sorriso no rosto. Ele retribui sorrindo meio sem jeito, então dei a volta no carro. Antes de entrar pude ver que Shannon observava tudo de dentro do seu Toyota prata, cuidando meus passos e no instante em que olhei, ela virou o rosto em uma tentativa falha de disfarçar.

Assim que chegamos ao apartamento, Albert resolveu despejar toda sua frustração para cima de mim.

— Você não cansa de me trazer problemas? — afrouxou a gravata do pescoço.

— Do que você está falando? Que problemas? — perguntei sem entender seu mau humor.

— Além de imprudente está com lapsos de memória também? Claro, pois quem vai ter que pagar as multas sou eu, não é mesmo? — Albert estava bem alterado.

— Não precisa pagar, eu mesma agora posso arcar com os custos da multa. Eu juro que não sabia dessas multas atrasadas. — expliquei mantendo a calma.

— Ah! É assim agora? Está achando que é alguém? — soltou um riso debochado. — Acha que pode se bancar sozinha só porque está trabalhando nesse meio? Você é uma ingrata, sabia? — gritou, apontando o dedo em meu rosto.

— Eu ingrata? — meu sangue ferveu ao ouvir isso. — Quem você pensa que é em falar sobre gratidão? Ultimamente tudo que você me faz passar é humilhação atrás de humilhação… Não se importa mais nem um pouco comigo. Porque ainda quer continuar com isso, não entendo. Pra que fingir esse noivado e depois sempre me tratar que nem lixo? Eu não aguento mais! Porque continuar? Por quê? — desabafei chorando.

— Por que… — Ele gritou. — Você sabe por quê… — Ele fez uma pausa e respirou fundo. — É por que… P-Por que eu te amo. — respondeu, mas eu não sentia sinceridade. Seu olhar era frio como sempre. Aquelas palavras soaram tão vazias, não tiveram efeito nenhum sobre mim.

— Ama? Belo modo de provar… Me traindo com sua assistente. — Ele ficou vermelho e me segurou bruscamente pelos braços. Engoli seco.

— De novo com essa história absurda? Pare de inventar essas besteiras! Quantas vezes vou ter que repetir? — pressionava meus braços com força. — Eu não tenho ninguém! Ninguém! — repetiu aos berros.

Ele era forte, sentia seus dedos afundando em meus ombros.

— Me solta, está doendo! — Pedi alto.

— Desculpe. — Ele imediatamente soltou. — Mas você tem que parar com essas ideias absurdas.

Senti que eu estava andando em círculos novamente, ele sempre negando e como não tinha mais provas além do bilhete que ele afirmou não ter conhecimento. Não me restava alternativa a não ser dar um basta nisso tudo.

— Albert… Eu quero terminar. — as palavras que estavam presas na minha garganta há mais de duas semanas.

— O que? — Ele passou os dedos pelos seus cabelos. — Você não pode terminar, você é minha noiva, entendeu? — falou firme. — É minha. — Albert então me empurrou no sofá e me beijou a força. Tentei me soltar, mas ele me segurou pelos pulsos e ficou me encarando com um olhar sórdido e um frio percorreu minha espinha. — Viu? Eu te amo. — Aquelas palavras pronunciadas por ele naquele momento me causavam certo e medo e aversão. — Eu te amo. — sem soltar meus pulsos, começou a beijar meu pescoço de um modo bruto.

— Me solta agora, Albert… Me solta! — Gritei e com toda minha força o empurrei com meus pés, fazendo-o cambalear para trás. — O que está acontecendo com você? — perguntei assustada, enquanto me levantava do sofá.

— Você não vai me deixar. — falou por entre os dentes. — Você não é nada sem mim, nada! — A passos lentos se aproximava de mim novamente. — Ninguém notaria sua existência se não fosse por mim. Não se iluda com as roupas caras que você usa, pois sem isso você volta a ser uma mulher insignificante. Acha que eu te tirei do lixo para depois me deixar? — parou diante de mim e com uma de suas mãos agarrou meu cabelos, fazendo com que eu ficasse na ponta dos pés pela dor. — Não é assim que funciona minha querida.

— Albert, me solta! — gritei em desespero.

— Cala boca! Você está em dívida comigo! — seu rosto estava vermelho de raiva e sua respiração ofegante. — Eu posso tirar esse seu empreguinho em um piscar de olhos, você vai morrer de fome, viro sua vida ao avesso. A escolha é sua, baby. — Assim que terminou de falar, largou abruptamente meus cabelos fazendo com que eu caísse no chão.

Eu não conseguia conter meu choro, sequer conseguia responder algo.

— Olha o que você me faz comigo… — Se abaixou e tocou em meu rosto, tentando fazer um carinho. Eu me esquivei. — Me deixa nervoso sem motivos. — Bufou e levantou-se. — Eu não vou ficar aqui essa noite. — Albert deu as costas indo em direção ao quarto. — Não quero mais brigar. Pense muito bem em tudo. Vou para um hotel, colocar minhas idéias no lugar e amanhã conversamos. — Entrou no quarto, juntou algumas peças de roupa, as chaves e bateu a porta ao sair.

Não sabia como havia despertado tanta raiva em Albert, nunca o conheci de verdade, com quem havia me envolvido? Nunca senti tanto medo na minha vida, estava ali caída ao chão, me sentindo totalmente indefesa e humilhada. E o pior de tudo não sabia o que fazer depois de tudo isso.

N/A: E aí meninas, o que estão achando até agora? Não esqueçam de comentar. Já podemos criar o clube para exterminar o Albert? Hahaha Até a próxima atualização. Bjuss

E quem quiser entrar no grupo aqui vai o link: https://www.facebook.com/groups/305140909609881

 

Capítulo 7

O sol trespassava pelas cortinas e o despertador insistia para que eu levantasse, embora tudo que eu queria era ficar ali dormindo. ficar debaixo das cobertas e esperar para que toda situação se resolvesse sozinha ou que tudo não passasse de um pesadelo, mas eu precisava levantar e enfrentar o dia de hoje.

Estiquei meu braço até o criado mudo para verificar as notificações no meu iPad. Havia um recado de Richard nos meus e-mails, convocando uma reunião comigo e Albert às 14h00min.

Lembrei que estava sem meu carro, então precisaria pegar o metrô. Totalmente desanimada, lentamente impulsionei-me da cama e me direcionei até o banheiro fazer minha higiene matinal.

Escolhi um vestido leve, precisava me arrumar e me revigorar, afinal não me permitiria demonstrar minha fraqueza diante dele. Precisava adotar uma nova postura e não deixar que isso voltasse a acontecer.

Passei uma maquiagem, tentando disfarçar a noite mal dormida e antes de sair me despedi rapidamente de Lydia que recém havia chegado, avisei que não tomaria café em casa, peguei meu celular e por um instante até pensei em ligar para , afinal estava precisando tanto de um ombro amigo para desabafar, mas lembrei que não era o momento de chateá-la, ainda estava fragilizada, então guardei o telefone na bolsa e saí.

Enquanto estava no metrô comecei a lembrar da noite anterior e um nó em minha garganta se formou, afinal ainda não conseguia acreditar nas ameaças de Albert, o olhar frio que lançou para mim e o quanto ele ficou transtornado. Era como se uma nova face dele havia se revelado ontem, ou será que nunca o conheci de fato? Com quem convivi todo esse tempo? Todas essas questões rodeavam minha mente e um desânimo tomou conta de mim, como se eu não tivesse mais forças para nada.

(…)

Cruzei a recepção da Modest feito um zumbi, não cumprimentei ninguém e sequer olhei para os lados e peguei o elevador. Logo que cheguei ao andar, avistei do lado de fora da sala de reuniões Richard, parado diante da porta, e no momento que me viu abriu um amplo sorriso e com um gesto me chamou para entrar na sala.

— Pode sentar, . — Indicou a cadeira. — E o Albert? — me olhou confuso.

— Ele… — pensei enquanto me acomodava na cadeira. — Ele… — Não sabia exatamente que desculpa dar. — É que ele precisou… — Nesse instante Albert entrou na sala.

— Estava agora mesmo perguntando sobre você. — Richard falou, dando um tapinha no ombro de Albert. — Pode sentar também.

— Eu fui resolver uns probleminhas com o carro. — explicou. — Mas agora está tudo certo. — Albert me encarou antes de puxar a cadeira ao meu lado.

— Tudo bem. Eu não posso demorar muito, então vamos direto ao assunto. — Abriu seu notebook. — Primeiramente é sobre a turnê. Hoje finalmente consegui fechar para que a 5SOS abra alguns shows da One Direction em outras cidades.

— Isso é uma ótima notícia, Richard. — Albert como sempre um grande puxa-saco, abriu um sorriso estúpido. Eu permaneci em silêncio apenas escutando o que mais Richard tinha a falar.

— É, mas o motivo pelo qual chamei os dois é que devido a tudo isso, vocês sairão em turnê juntos. — Albert instantaneamente me olhou. — Agora posso dizer que está oficialmente em nossa equipe, afinal tudo que ouvi até agora foram elogios e mais elogios em relação ao seu trabalho e os garotos gostaram muito de você, algo que não aconteceu com a anterior, mas isso não vem ao caso. A sessão de fotos de ontem foi um sucesso e mesmo com a ausência da Caroline, você conseguiu manter todos aqueles garotos em ordem, parabéns!

— Muito obrigada Richard. — Agradeci,, respirando tranquila por ter sido reconhecida pelo meu trabalho. — E pode deixar que continuarei sempre me esforçando para fazer o melhor,

— Tenho certeza disso. Ainda mais com vocês dois trabalhando juntos, sei que tudo estará em perfeita ordem. Você tem muita sorte Albert, não deixe essa mulher escapar, hein. — Ele sorriu.

— Mas é claro que não… Jamais! Ela é tudo pra mim… — Me abraçou de lado. Albert não poderia ser mais falso? Eu apenas observei calada, respirei profundamente para não falar o que não devia e não causar um grande escândalo. Mas juro que me deu vontade de vomitar ali mesmo.

— É isso aí. A princípio era isso que queria falar com vocês. Quase ia me esquecendo… Também queria avisar que amanhã à noite não estarei presente na festa de lançamento do álbum das meninas do Little Mix e gostaria que vocês me representassem. — Fechou seu laptop e o guardou. — Qualquer dúvida, só me ligar. Deixei o nome de vocês na lista. Agora tenho um voo agendado e preciso ir. Na volta nos falamos. Boa festa amanhã e aproveitem por mim. — Apertou a mão de Albert e saiu da sala.

Eu me levantei, mas antes que pudesse passar pela porta Albert me impediu, segurando-me pelo braço.

— Não vai falar comigo? — pediu com a voz calma.

— Depois das ameaças de ontem à noite eu deveria voltar a falar com você? — respondi zangada dando as costas para ele novamente.

— Espera… — mais uma vez ele me puxou pelo braço . — Eu peço desculpas. Eu sei que me alterei ontem, mas é que você me deixou um pouco descontrolado, a ideia de te perder me deixa louco.

— Me perder? — franzi a testa. — Você nunca fez um esforço para me manter ao seu lado. Cansei dessa loucura e para o nosso bem, isso tem que acabar, cada um segue com a sua vida e pronto. — Me soltei dele.

— N-não… — gaguejou. — Por favor, me dá mais uma chance. Eu posso provar que eu vou mudar, por favor? — implorou com a voz rouca, pareceria que iria chorar a qualquer momento. — E você não tem para onde ir… E comigo você tem um lar. Me dê só mais uma chance? É tudo que peço. Eu sei que errei, essa noite longe de você eu pensei muito. Por favor. Só mais uma chance.

Respirei fundo, estava tudo embaralhado em minha cabeça, afinal não conseguia tirar da minha mente a imagem de um Albert praticamente psicótico na noite anterior. Não sabia se aquilo se tratava de mais uma encenação ou realmente ele estava arrependido. Meu sexto sentido me fazia duvidar, mas em um ponto ele tinha razão eu não tinha nenhum outro lugar para morar no momento.

— Está bem, mas… — concordei desanimada. — Mas que fique claro que é a última chance, Albert. — Ele abriu um largo sorriso e me deu um beijo, me senti uma idiota em dar mais essa chance a ele, principalmente depois da noite anterior, mas na circunstância atual era o que me restava, pelo menos teria um tempo até encontrar um novo lugar para morar.

— Quase esqueci, seu carro já está liberado, inclusive já vou ligar para alguém trazer ele pra você aqui. Assim você pode ir ao shopping e comprar uma roupa nova, para amanhã. Ok? — Pegou o celular e discou um número, assim que desligou pegou sua pasta, colocou sobre a mesa e tirou alguns papéis de dentro. — Antes que eu me esqueça, preciso que você assine estes papéis. Agora que oficialmente você vai trabalhar direto com a 5SOS. — Me entregou uma caneta.

— O que estou assinando exatamente? — Perguntei antes de assinar.

— Só um termo de sigilo, a respeito de não poder divulgar certas informações da banda. Essas coisas, você sabe… Não precisa ler tudo, assina aí rapidinho que preciso levar o quanto antes esse documento.

Li os primeiros parágrafos e assinei as quatro folhas.

— Agora tenho outros compromissos. Nos vemos a noite, meu amor… — guardou rapidamente os papéis na pasta. — Sabe que eu te amo, né? E muito… — Me deu um beijo na bochecha e saiu apressado.

Albert era uma pessoa totalmente imprevisível, não sabia exatamente o que ele estava tramando ou se estava sendo sincero, mas algo me dizia que não podia confiar muito nessa mudança repentina.

(…)

A tarde passou voando. Como hoje era dia de ensaio da banda, minha tarde se resumiu a participar de um Workshop de Tendências e depois reunião para a escolha do figurino dos shows da turnê.

Ao voltar para casa, no instante em que estava me aproximando do meu prédio, avistei uma moça de óculos escuros, se parecia com a , mas não poderia ser, o cabelo estava um pouco mais comprido e ondulado e o carro era diferente do dela. Ela estava de braços cruzados escorada na lateral de um Maserati branco. Fui diminuindo a velocidade e chegando cada vez mais perto pude reconhecê-la e baixei o vidro.

! — exclamou animada e deslizou os óculos escuros na ponta do nariz. — Estava aguardando você, o porteiro me avisou que você ainda não havia chegado. Resolvi te fazer uma surpresa. — falou de uma maneira tão animada que cheguei estranhar.

— Oi . Que surpresa boa. Eu estava com saudades e a propósito adorei o cabelo novo. — a cumprimentei estranhando o carro e observando a mudança de visual.

— Resolvi mudar para combinar com o presentinho que meu pai me deu. — Passou os dedos pela porta do seu carro. — Estaciona o seu aí na garagem e vem comigo dar uma volta, quero estrear a minha “Snowflake”. — Ela riu.

— “Snowflake”? O que é isso? — franzi a testa.

— É o nome que eu dei para o meu carro novo… — colocou as mãos na cintura. — Ele é branco, então… — respondeu como se fosse tão óbvio ao ponto de eu ter que saber que ela já havia apelidado seu carro.

— Hum… Claro, muito criativo. — Ela fez uma careta para mim. — Está bem… Aguarde só uns minutinhos e eu já volto. — Dei a volta e dirigi até a garagem.

(…)

— Eu estou com fome e já sei exatamente onde poderíamos ir. — falou assim que entrei no carro. — Mas antes temos que ir buscar uma pessoa, pode ser?

— Eu estou de carona hoje, então o que você decidir! — Respondi colocando o cinto de segurança. — E como você está? E a sua mãe? — puxei assunto enquanto ela dirigia.

— Estou melhor. — suspirou. — Decidi voltar antes, não aguento mais tanto choro e tanta tristeza, eu precisava sair de lá. Minha mãe ficou com a minha avó, ela ainda não se conforma. Claro é tudo muito recente, mas é como se eu nem existisse entende? É como se só o meu irmão existisse na vida dela. — Seus olhos encheram de lágrima. — Por isso resolvi voltar e vou ficar no apartamento, sozinha, até ela voltar e se eu precisar qualquer coisa eu tenho meu pai. — Enquanto uma mão ainda estava no volante, com a outra limpou a lágrima que escorreu em seu rosto. — Não quero mais perder tempo da minha vida me lamentando, sei que vai levar tempo até eu superar tudo, mas ficar chorando dia e noite não trará meu irmão de volta.

— Nisso você tem razão. Mas não precisa mais falar sobre isso se não quiser, desculpe ter tocado no assunto.

— Não tem problema. — Balançou a cabeça. — É bom saber que você se importa. — ela sorriu.

— Mas então vamos mudar de assunto. Quem é essa pessoa que estamos indo buscar afinal? — ela não respondeu, soltou apenas um risinho e continuou atenta ao trajeto. — Eu conheço essa cara, … Quem é ele?

— Deixa de ser tão curiosa , é só alguém que eu ando conversando muito por telefone nos últimos dias. — Diminuiu um pouco a velocidade do carro. — Estamos quase chegando. — Dobrou mais uma rua e estacionou em frente a uma mansão com um muro alto. Em seguida pegou o celular e avisou que estávamos aguardando no portão.

Enquanto eu e conversávamos, alguém pulou dentro do carro e tapou com as duas mãos os olhos da minha amiga.

— Adivinha quem? – ao me virar vi Harry rindo.

— Nossa, como saberia? — respondeu sarcasticamente, desviando das mãos dele e virando-se para ele. — Tá ficando louco? — gritou ao vê-lo com os pés no assento do carro. — Pode tirar esses pés do meu banco novinho, já! — falou irritada.

— Sim, senhora! — ele rapidamente sentou corretamente no banco e então se acomodou confortavelmente esticando os braços para os lados.

— Harry, você sabia que ela estava voltando hoje e não me contou? — perguntei, fingindo estar chateada.

— É que… — ele sorriu, deixando suas covinhas aparecerem. — A me disse que queria fazer uma surpresa pra você e como não sou fofoqueiro… — se acomodou melhor no banco. — Mas isso não é importante. Então, quais sãos os planos? Vão ficar aqui em casa e pedir algo para comer? — inclinou-se entre os nossos bancos olhando para .

— É que eu tive uma ideia… — minha amiga começou a falar. — Que tal nos divertimos um pouco e ir a algum lugar para jantar e depois decidimos a próxima parada. Curtir a vida um pouquinho, que tal? Sem nos importarmos com os paparazzi e nada mais. O que vocês acham? — perguntou animada.

— Eu topo! – exclamou Harry. — Posso avisar o Liam para ir também? É que ele ficou de vir mais tarde aqui em casa e…

— Claro que pode! — prontamente respondeu e olhou para mim.

— Então, , só falta você… Sabemos que é meio arriscado, mas… Vai ser divertido. — ela incentivou batendo palmas.

— Não sei não… — pensei por alguns segundos lembrando as palavras de Albert: “Não podemos deixar que nada estrague a imagem deles” e que tudo deveria passar pela permissão dele. — Não sei se deveríamos atrair tanta atenção assim… — Claro que sair um pouco não afetaria em nada a imagem de ninguém, que problema teria sair para jantar? Dei um longo suspiro e ao ver aqueles dois olhando fixo para mim apenas no aguardo da minha resposta, não teria como negar. — Está bem, eu topo. — No momento pensei que só podia ter perdido a cabeça em concordar com essa loucura. Afinal seria impossível que ninguém o reconhecesse e estávamos sem nenhum segurança.

— Feito! Já sei até onde podemos ir… Acho que você vai adorar. — comentou ainda me olhando. — Agora vou colocar uma música para animar… — colocou o cinto e esticou o braço até o visor do rádio. — Tem uma banda que é minha preferida, deixa eu procurar aqui… — Foi passando as músicas na tela. — É de uma banda que tem uns caras muito lindos…

— Aqui achei! Inclusive eu tenho um preferido… — Virou levemente o rosto para mim, riu e deu play. Começou a tocar The Wanted – Walks like Rihanna. Espiei Harry através do retrovisor e pude ver quando ele cruzou os braços e ficou emburrado feito uma criança. — Brincadeira. – ela gargalhou. — Essa é a música que eu adoro. — Trocou para Midnight Memories e em seguida pisou no acelerador e fomos até o restaurante que ela sugeriu.

(…)

— Demorou um pouco pra chegar, mas aqui estamos. Este é o Katavento, um restaurante de comidas típicas brasileiras pra você se sentir em casa… Eu só tinha ouvido falar, mas nunca vim antes. Gostou da surpresa, ? — estacionou quase em frente ao restaurante.

— Tá brincando? Adorei! Às vezes sinto muita falta do Brasil… Obrigada! — respondi animada antes de sairmos todos do carro.

— Daqui alguns dias faremos shows no Brasil. — Harry comentou e pulou para fora do carro.

— Não sabe usar a porta como uma pessoa normal, não? — passou sermão em Harry.

Para nossa sorte, o local estava praticamente vazio, apenas alguns casais e um grupo de amigos estavam por ali. Era um típico boteco brasileiro, realmente me senti estar no Brasil novamente. O dono que também era brasileiro foi extremamente simpático e nos guiou até uma mesa um pouco mais de canto, para não chamar muito a atenção.

Nos entregou o cardápio, tinha coxinhas, picanha, feijoada, pastéis, nem sabia direito o que pedir. E tinham uma cartela com mais 100 tipos de cachaça, nem sabia que existia tanto assim.

Fizemos nosso pedido e enquanto aguardávamos alguém se aproximou da mesa.

— Já fizeram o pedido antes de eu chegar? — Liam se aproximou por trás da minha cadeira, e ao escutar sua voz senti um friozinho no estômago. Em seguida nos cumprimentou e se sentou na cadeira vaga ao meu lado.

— Não se preocupe, Payne, pedimos o suficiente para todos. — respondeu Harry.

O atendimento era excelente, ficamos bem à vontade. Garçons muito educados e bem preparados. Tudo estava muito saboroso, as mandioquinhas fritas, os pastéis estavam muito gostosos, adorei a massa principalmente. Crocante e sequinha, lembrando pastel da minha avó, coisa de infância, muito bom.

Jogamos bastante conversa fora, sobre assuntos diversos, a conversa fluía facilmente e o clima era de total descontração. De repente me dei conta como ultimamente estava vivendo feito uma marionete ao lado de Albert, havia esquecido como era viver de verdade, a cada jantar, festa, eventos eu tinha que estar perfeita, não podia abrir minha boca e principalmente não podia ser eu mesma. E derrubar maionese na minha roupa e rir de mim mesma na frente dele, jamais.

— Com vocês não existe a palavra tédio, não é mesmo? — perguntei enquanto passava um guardanapo tentando limpar minha roupa. riu ao ver Hazza colocar duas tiras de mandioca frita na boca imitando um vampiro e virando-se em direção ao seu pescoço.

— Pode ter certeza que não. — Completou Liam que também ria. — Aqui… — apontou para o canto do meu queixo. — Tem maionese aqui também.

— Claro, a criança aqui não sabe como comer sem fazer uma tremenda bagunça. — peguei outro guardanapo, limpando meu rosto. — Dica para a próxima vez: não encher de maionese o pastel!

— Você acabou espalhando mais… Deixa comigo. — Liam não conseguia conter o riso e eu não podia deixar de reparar o quanto ele ficava mais bonito quando ria. Então pegou um guardanapo e ele mesmo passou no canto do meu queixo. Acabei ficando um pouco sem graça. — Pronto! — ele sorriu de canto.

Quando ele sorria daquela maneira, estreitando os olhos, era um sorriso doce. Senti até minhas mãos começarem a suar, ultimamente andava o “notando” até demais, um sentimento de euforia tomava conta de mim, toda essa proximidade, a cada olhar e a cada sorriso dele. Chega…Eu precisava me controlar.

— Vocês têm que desculpar minha amiga. Ela tem sérios problemas motores na hora de comer! — debochou , me ajudando voltar à minha consciência.

— Sim… Sim… — amassei o guardanapo que estava em minha mão e atirei a bolinha bem no nariz da minha amiga. — Já chega. Não tenho culpa se a maionese tinha vida própria. — continuamos a rir.

— Só você com essas manias loucas de encher um pastel com maionese… — torceu o nariz.

Fomos interrompidos no instante em que algumas meninas que recém chegaram ao estabelecimento, antes de sentarem-se à mesa ao lado, imediatamente identificaram Harry e Liam. E logo se aproximaram para tirar fotos com eles. Harry na maior disposição e simpatia levantou-se para abraçá-las e em seguida Liam o acompanhou e os fotografou.

Assim que eles retornaram à mesa, meu celular começou a tocar e é claro que para estragar o momento só podia ser Albert. Afastei-me um pouquinho para o lado e atendi.

— Alô?… Estou com a … Sim, também… Como você sabe? Como? Calma, Albert, não é fim do mundo… O quê? Espera, já estou de saída… Pra que tudo isso? Está bem… Sim… – Desliguei rapidamente o telefone. — O Albert está vindo até aqui, pelo que disse está quase chegando. — Peguei minha bolsa para guardar o celular.

— C-Como? Como ele sabia que você estava aqui? — perguntou espantada.

— Internet! — respondi e logo fui me levantando. — Sim, parece que alguém fotografou o Harry e Liam entrando aqui… E… E me reconheceram também, não entendi muito bem… A “noiva” do Albert. Foi assim que ele disse e então ligaram para ele… Não sei… — Fui respondendo um pouco atrapalhada, não havia assimilado tudo ainda.

— Espera! — Liam levantou-se. — Vamos sair junto com você. — e Harry também rapidamente se retiraram da mesa e me acompanharam até a saída.

Albert estava encostado ao lado de sua caminhonete, com os braços cruzados e com uma expressão zangada estampada em seu rosto. Ao ver , Harry e Liam ele tentou disfarçar um pouco, mas a veia saltada no meio de sua testa denunciava seu real humor.
Estava receosa em me aproximar dele e a pequenos passos andei em sua direção.

! — Pronunciou meu nome por entre os dentes. — Entra no carro agora. — Abriu a porta do carro e em movimento brusco agarrou meu pulso. Murmurei por ter sentido um pouco de dor.

— Albert. — Liam se aproximou nitidamente inquieto. — Acho melhor você se acalmar e soltá-la. — Tentou interceder, agarrou o outro braço de Albert.

Sem se importar, Albert se livrou de Liam, virou-se e ainda segurando com muita força meu pulso me conduziu até o banco de passageiro. Só me soltou no instante em que sentei. Fechou a porta com força, contornou o carro e entrou. Baixou o vidro e chamou Harry.

— Harry, não está com seu carro aí? — perguntou agora com um tom de voz um pouco mais calmo, mas ainda transparecia sua irritação.

— Não, eu… Estou de carona… Com a . — Apontou para minha amiga.

— Se você quiser posso te levar ou… — pegou o celular na mão. — Acho melhor eu ligar para algum dos seguranças virem buscar vocês.

— Não Albert. Eu vou voltar com a minha carona. Já estamos indo para casa. — Hazza respondeu firme e vagarosamente.

Eu apenas mantive meu olhar para baixo, de tamanha minha vergonha por estar passando por essa situação.

— E o Liam? — Albert perguntou novamente para Harry.

— Está com o carro dele.

— Está bem. — Albert bufou e largou o celular de lado. — Não esqueçam que amanhã vocês têm que estar no estúdio de manhã bem cedo e sem seguranças vocês precisam voltar imediatamente para casa. — Harry apenas assentiu com a cabeça. Albert fechou o vidro e deu partida no carro.

— Você ficou louco? — perguntei irritada. Albert não respondeu nada, seu rosto estava vermelho e ele olhava fixo para a estrada. — Pra quê fazer toda essa cena? É assim que você pretende que eu continue ao seu lado? — continuei indagando, mas como não estava obtendo resposta alguma resolvi me calar.

(…)

Entramos no apartamento ainda sem trocarmos sequer uma palavra. Albert então trancou a porta, respirou fundo e virou-se de frente para mim. Foi quando quebrei o silêncio antes que ele pudesse falar qualquer coisa.

— Não entendo sua reação Albert. Qual o problema em levar eles para jantar? Estava tudo sob controle…

— Como você pôde agir feito uma criança inconsequente? — Albert me interrompeu e começou a elevar sua voz. — Como que resolvem sair assim sem nenhum segurança? E se algo acontecesse? Você é retardada ou algo assim? Não entende que eles não são pessoas comuns, são reconhecidos em qualquer lugar e… Ahhh. — Esbravejou passando os dedos por entre seus cabelos. — Longe de mim não consegue fazer nada certo. Não posso me descuidar por um minuto? Esqueceu que tudo que se refere a eles precisa passar por mim antes? E ainda por cima levar eles naquele lugarzinho? E com aquela sua “amiguinha”? — fez uma cara de desprezo.

— Olha, Albert… — Tentei cessar seu monólogo de ofensas.

— Olha, coisa nenhuma. Não me interrompa enquanto estou falando! — gritou mais alto apontando o dedo indicador para mim.

— Interrompo sim! — Elevei meu tom de voz. — Era a última chance, Albert. Pra mim já chega.

— Já chega? Você está se ouvindo? Você é minha noiva! Ouviu bem? Minha noiva! — batia forte contra seu peito. — Você não entende mesmo. Quer saber? Faz o seguinte, espero que isso não se repita, pois caso não lembre, tudo, eu disse TUDO, tem que passar por minha permissão, entendido? Tudo que afeta a imagem deles afeta meu trabalho, entendeu essa parte pelo menos?

Toda aquela atitude arrogante e grosseira de Albert havia me deixado extremamente nervosa. Ele parou de falar por alguns segundos quando meu celular começou a tocar dentro da minha bolsa, mas ignorei.

— Albert, chega de falar comigo como se eu fosse uma débil mental. — Foi a minha vez de gritar com ele. — Não vi problema algum em acompanhá-los em uma simples refeição. De que maneira isso afetaria a imagem deles ou a sua? E mais, resolvemos ir àquele lugar exatamente por ser mais afastado e pouco conhecido, tudo correu bem e nada aconteceu. O porquê de todo esse ataque de loucura? Está com ciúmes?
— Ciúmes? — franziu a testa momentaneamente. — Ciúmes… Daqueles meninos? — balançou a cabeça rindo baixo.

— Você não ouviu antes? Acabou! Já chega Albert! — gritei quase que como as palavras rasgassem minha garganta. — Foi para isso que me pediu mais uma chance? Mais uma chance para continuar me tratando mal e me destratar?

— Você que me tira do sério… Custa fazer as coisas certo? — desmanchou o sorriso cínico de seus lábios. — E não fica emburrada assim, eu tive um dia péssimo e você não colaborou nem um pouco para que melhorasse. Não quero mais discutir com você, meu bem. — Deu dois passos à frente e me segurou pelos ombros e eu me encolhi. Ele tentou beijar minha boca e eu virei o rosto. — Sabe como eu sou. Me desculpe, está bem? Estava só um pouco estressado. — Me soltou calmamente. — Inclusive havia comprado um presentinho pra você. — Deu alguns passos até a mesa e abriu sua pasta e de lá retirou um estojo de veludo preto e me alcançou, minha mão ainda trêmula de tanta raiva, apenas segurei aquele estojo, mas sem abrir. — Espero que me perdoe. — Continuei séria e ele abriu o estojo. — Não gostou? — perguntou ao ver que não esbocei nenhuma reação quando segurei o colar por entre os dedos. Nem um Cartier, consertaria todo dano feito, tudo que acabei de escutar e a maneira como Albert havia acabado de me tratar. Eu estava me sentindo um lixo e ao mesmo tempo não conseguia mais ter reação alguma, parecia que ele não me ouvia nunca.

— Isso não muda nada, Albert. — Atirei a joia contra o seu peito.

— Desculpa, eu juro que vou me controlar mais, é que estava estressado. — Abaixou-se e pegou o colar.

— Você não entende, não é mesmo? — soltei o ar como forma de rendição. — Isso não apaga tudo que acabou de acontecer e tudo vem acontecendo…

— Não fica assim, benzinho. Esquece tudo que eu disse eu falei da boca pra fora e fiquei nervoso porque se algo acontecesse com eles eu seria responsabilizado. — passou a mão em meus cabelos e eu novamente me esquivei. — Depois dessas safiras, ametistas e diamantes eu mereço algo… Algo que pode melhorar o meu humor. — me olhou de cima a baixo e lançou um sorriso extremamente malicioso. Um calafrio percorreu minha espinha. Pela primeira vez me senti extremamente acuada ao seu lado. — Vem… — me segurou pela mão e eu soltei rapidamente e me olhou como se estranhasse a minha atitude.

— Não. Eu vou dormir no outro quarto e…

— Nada disso. — Ele me cortou. — Você vem comigo, meu bem. — Meu corpo tremeu pelo olhar que ele lançou. Senti meu sangue congelar. Quando ele pegou de novo com mais força na minha mão senti meu estômago embrulhar, minha cabeça latejava de nervosa, era como se eu não tivesse mais forças contra ele. Eu estava ainda atônita, parecia um robô que estava sendo guiada por ele. Era inacreditável ele agir dessa maneira, um medo fora do normal tomou conta de mim. Medo de reagir contra ele, me senti acuada e assustada. Era como se por um momento houvesse perdido minhas forças e não pude lutar contra as necessidades dele.

 

Capítulo 8
Sequer percebi o horário exato em que Albert acordou, pois saiu discretamente logo cedo pela manhã. Não que exatamente estivesse surpresa, afinal isso havia virado uma rotina, mas por um breve momento pensei que nesta manhã poderia ser diferente.
Sentei-me na cama por alguns minutos e comecei a me lembrar da noite passada. Aquele sentimento de aversão no momento em que Albert me tocou, seu olhar era distante, tudo havia sido tão mecânico, sem sentimento algum de ambas as partes e ele após se satisfazer, apenas virou-se para o lado e dormiu profundamente, roncando feito um porco e a única palavra que resumia tudo era repulsa, se eu tinha qualquer resquício de que havia algum sentimento por ele, esse foi o ponto final, eu estava me sentindo vazia, algo muito ruim estava remoendo dentro de mim, uma vontade imensa de chorar.
Eu estava indignada e sentia nojo de mim mesma por ter permitido, como podia ter sido tão fraca e submissa. Admito que ele me intimidava e foi quase como se eu não tivesse forças para dizer um “não” a ele, mas não podia mais permitir sentir-me desta maneira e deixá-lo me tratar feito um objeto. Como ele podia continuar a agir assim comigo? Por quanto tempo mais vou me permitir ficar nessa situação? Mas agora, não havia restado absolutamente nada além de desprezo por ele e não podia deixar mais o medo guiar meus dias e a minha vida.

Meu alarme ainda não havia tocado, mas tudo isso havia me tirado o sono. Levantei-me sem muito ânimo e calmamente fui fazer minha higiene matinal e tomar uma ducha para me renovar um pouco, tentar não transparecer todo esse desânimo que tomou conta de mim.

Ao passar pela sala Lydia estava arrumando a mesa para o café da manhã.

— Bom dia, . — Sorridente, me cumprimentou enquanto colocava minha xícara e algumas frutas na mesa.

— Bom dia, Lydia. — Sentei-me e peguei o recipiente que continha o leite e servi em minha xícara.

Enquanto tomava meu café, me sentia impaciente, como se precisasse desabafar com alguém. Olhei para o relógio e pude ver que era muito cedo para acordar . Lembrei que ela teria provas no final da manhã, não teria por que acordá-la essa hora sem motivos. E Albert era como se fosse filho de Lydia, então seria a última pessoa com que poderia expor os problemas do nosso relacionamento.

— Você parece abatida querida, está tudo bem? — perguntou serenamente, da maneira como costumava falar comigo. Mas não conseguia confiar plenamente nela, apesar de sempre me tratar bem, havia algo nela que não transparecia ser verdadeira comigo. Poderia estar enganada, mas todo esse cuidado me soava falso.

— Está tudo bem, sim… — continuei séria a tomar meu café.

— Desculpe perguntar… É que… Bem, pensei que você e o Sr. Albert haviam brigado, ele saiu tão cedo e com tanta pressa quando cheguei… E agora te vejo assim um pouco cabisbaixa, então pensei… — deu uma pausa e me olhou colocando uma maçã no meu prato. — Mas que bom que está tudo bem… — lançou um sorriso acanhado.

— Está tudo ótimo. É só o trabalho… Hoje tenho muita coisa a fazer. Só isso. — sorri fraco após tomar meu último gole. — Lydia, muito obrigada pelo café. — Levantei-me com pressa da mesa. — Agora preciso ir, não posso me atrasar. — Menti, afinal estava com tempo de sobra, mas precisava sair daquele apartamento, não queria ficar mais um minuto perto de Lydia e ter que ficar ouvindo as especulações dela. Peguei minha bolsa e fui mais cedo para o estúdio.

Hoje os garotos da 5SOS gravariam um vídeo “promo” de divulgação de alguns shows e eu precisava escolher seus respectivos “looks” e a melhor maneira de manter minha mente ocupada por estar tão impaciente seria adiantar meu trabalho, assim quando chegassem tudo estaria organizado.

(…)

Havia acabado e tudo estava preparado, olhei as horas e ainda tinha me sobrado uma horinha livre e como ninguém havia chegado, aproveitei para ir até a salinha dos fundos do estúdio, que era como um depósito. Eu estava precisando falar com a e sabia que por ali teria mais privacidade e aquela sensação de estar carregando o mundo nas costas insistia em permanecer comigo, estava precisando conversar com alguém que me compreendesse de verdade.

Enviei algumas mensagens, mas não obtive nenhuma resposta, ela provavelmente devia estar no banho ou se arrumando para a faculdade, logo entraria em contato comigo.

Resolvi aguardar. Sentei-me em meio a alguns equipamentos de som e ao lado de uma vassoura e um balde, permaneci sentada em um amplificador velho, encarando a tela do celular e vasculhando as mensagens de ontem à noite. Havia várias da , mas senti um friozinho na barriga ao achar uma mensagem de Liam perdida no meio das outras, a data de envio era de ontem à noite, ele também estava preocupado. A cena da noite passada com Albert foi embaraçosa, não tinha nem como poder responder às mensagens depois de tudo que eles presenciaram.

Antes de voltar para a sala onde seria feita a filmagem, continuei por ali, isolada por mais alguns minutos, na tentativa de colocar minhas ideias no lugar.

Este lugar estava me fazendo bem e no instante em que eu havia elegido este como meu ponto preferido para me refugiar do mundo a porta lentamente se abriu, fazendo com que eu desse um pulo e pusesse-me em pé imediatamente.

— Liam? O que está fazendo aqui? — Indaguei, sem conseguir evitar meu nervosismo, afinal pra mim seria o último lugar que alguém poderia me encontrar.

? — juntou as sobrancelhas. — É-É que eu vim procurar um pano para limpar a bagunça de café que o Zayn acabou de fazer perto dos fios da caixa de som. — explicou enquanto continuava a me olhar espantado. — Mas eu é que te pergunto. Por que está escondida aqui? — Entrou, fechando a porta atrás dele.

— É que… E-eu… — gaguejei um pouco. — Eu não sabia que você estaria no estúdio hoje. — Tentei mudar o foco, pois se entrasse no assunto eu desabaria. — Pela minha agenda eu estava aguardando Luke, Calum, o Ashton e o Michael.

— Aqui no depósito? — ele riu fraco.

— Não… — franzi a testa e balancei a cabeça negativamente. — Só vim aqui… Bem…. É que cheguei cedo… Vim fazer uma ligação, e… — Expirei em sinal de rendição. Não tinha vontade de me explicar, estava cansada de ficar sempre encobrindo a verdade e contornando as situações com desculpas esfarrapadas. O melhor nesse momento era o meu silêncio.

— Mas você está bem? Eu te mandei uma mensagem ontem… — deu dois passos em minha direção. — Fiquei preocupado, Albert parecia um pouco alterado e a sua amiga tentava ligar, mas só dava na caixa de mensagens. Ele não te fez nada, não é mesmo? — falava sem desviar aqueles olhos castanhos dos meus.

— O Albert… Ele… — Nas primeiras palavras e ao mencionar aquele nome, não pude me conter e comecei a chorar. Não sei exatamente o que aconteceu comigo, mas era como se por um momento através do choro eu conseguisse colocar pra fora o que estava me perturbando.

— Eu falei algo errado? — perguntou apreensivo ao me ver aos prantos diante dele. Apenas movi lentamente a cabeça negativamente, as palavras não saiam pela minha garganta.

Liam, nitidamente preocupado, colocou a mão em minhas costas puxando-me carinhosamente, fazendo-me com que encostasse meu rosto em seu peitoral. Minhas lágrimas molhavam sua blusa, mas ele parecia não se importar e sem dizer uma única palavra, pacientemente começou acariciar meus cabelos. As lágrimas ainda insistiam em cair quando senti sua respiração perto de meu ouvido e em sussurro ele falou:

— Vai ficar tudo bem… — Meu joelho estremeceu e sua voz foi o que bastou para que pudesse começar a me acalmar. Respirei profundamente. Lentamente, entre soluços, fui recuperando minha compostura.

Ainda encostada próxima ao seu ombro, respirei fundo uma única vez e ainda não tinha coragem de voltar a encará-lo, eu estava totalmente vulnerável diante dele naquele instante, mas ao mesmo tempo senti-lo assim tão próximo era como um alívio para tudo que eu estava passando. Afastou brevemente seu corpo do mim, porém seu braço ainda me envolvia de uma forma tão protetora. De repente senti seu dedo indicador em meu queixo, me fazendo levantar a cabeça para que eu o olhasse. Com a outra mão enxugou levemente minhas lágrimas e aquele toque suave e inesperado fez com que todo aquele sentimento ruim desaparecesse, me senti tão bem, uma calmaria invadiu meu peito.

— Desculpa, Liam… — minha voz saiu fraca. Eu estava envergonhada por ter desmoronado emocionalmente em sua frente, ele não deveria me ver dessa maneira.

— Não precisa se desculpar… Só queria que você soubesse que eu me importo com você. E muito mesmo, não esqueça disso. — Sorriu de leve e ele parecia me compreender tanto, sem ao menos eu o ter contado nada, era como se soubesse exatamente o que estava acontecendo comigo. Não conseguia desviar meu olhar do dele, a maneira tão carinhosa que me olhava me fazia com que todos os problemas desaparecessem, eu me sentia tão à vontade ali com ele. Dei mais um longo suspiro e meu choro cessou por completo.

Era inevitável como meu corpo reagia quando ele me olhava daquela maneira. Seus olhos estavam fixos nos meus, conseguia sentir certo desejo em seu olhar e por mais estranho que pudesse parecer, isso não mais me assustava, pelo contrário, me trazia tranquilidade e era como se tudo se encaixasse perfeitamente. Ele estava tão próximo que conseguia sentir sua respiração misturando-se com a minha, nossos olhares continuavam fixos um no outro, senti sua mão segurar meu quadril com firmeza, meu coração parecia que iria saltar pela boca. Nossos corpos estavam perigosamente próximos, quando algumas vozes ecoando pelo corredor me fizeram recobrar meus sentidos e evitar o que estava prestes a acontecer. Ao mesmo tempo em que fiquei frustrada também senti certo alívio, não podia envolver Liam na bagunça que estava minha vida no momento e, acima de tudo, não podia deixar de manter meu profissionalismo e bom senso, afinal sabia que isso poderia comprometer sua carreira e prejudicar o meu trabalho.

— Acho que eles já chegaram. — falei, me referindo aos garotos da 5SOS e em seguida me afastei, caminhando rapidamente em direção à porta. Com a mão na maçaneta, me virei e Liam continuava estático no mesmo lugar. — Você vai ficar por aí?

— N-Não… — balançou a cabeça. — Onde deixei o pano? — olhava de um lado para o outro, desnorteado.

Por um instante até quis rir pelo modo confuso em que ele se encontrava, cheguei a segurar meus lábios levemente, mas um riso discreto acabou escapando.

— Tem um aqui do lado da porta. — Abaixei-me para pegar. Em seguida abri a porta. — Vamos. — estiquei meu braço, o chamando. — Antes que alguém venha te procurar. — Alcancei o pano a ele.

Ele me acompanhou até a primeira sala onde seria gravado o vídeo “promo” com a 5SOS. Antes de eu abrir a porta, me virei para ele e disse:

— Obrigada, Liam…

— Não quero mais te ver triste, está bem?

Sorri fraco e assenti com a cabeça e ele balançou a cabeça negativamente.

“I catch your eye, then you turn away / But there’s no hiding the smile on your face / Inside and out, baby, head to toe / He’s not around, girl, you let me know.” (Eu chamei sua atenção, mas você se virou / Mas não teve como esconder o sorriso em seu rosto / Por dentro, por fora, querida, da cabeça aos pés / Ele não está por perto, garota, me avise). — cantarolou para mim um trecho da música “Does He Know”. Não pude me conter e acabei rindo pela música escolhida. — Agora sim.— ele então abriu um largo sorriso e seguiu em frente até a próxima onde ele iria ensaiar com a banda.

(…)

Entreguei minhas chaves do carro ao manobrista do clube e fiquei alguns pilares adiante da entrada da Maddox, aguardando , exatamente como tínhamos combinado. Não podia contar apenas com a palavra de Albert, precisava garantir sua entrada caso ele não tivesse colocado o nome dela na lista de convidados, ainda mais que não o havia visto o dia todo, para minha sorte. Não sei mais como reagir perante ele.

Notei que ela estava um pouco atrasada, até conferi minhas mensagens se caso havia passado o nome do local correto e a hora.

Vários convidados haviam entrado. Os paparazzi iam à loucura, era flash para todos os lados. De repente avistei Zayn e sua noiva, Perrie, chegando. Logo em seguida Louis e Eleonor também entraram, escapando rapidamente daquele alvoroço.

— Cheguei! — apareceu repentinamente ao lado.

— Que susto! — dei um pequeno pulo.

— Ninguém manda ficar aí distraída… Hummm… Deixe-me ver, caprichou no visual, hein… Gostei de ver! — levantou os dois polegares aprovando.

— Obrigada, e você então? Uau, “Sra. Comprei vestido novo para o Harry”. — a provoquei.

— Tá bom, tá bom… Estamos maravilhosas. Chega de tanta bajulação e vamos entrar agora, ou estamos esperando mais alguém? — perguntou. — Espero que não seja o Albert. — franziu a testa ao falar o nome dele… — Não estou com vontade de olhar para a cara dele depois de tudo que você me contou.

— Não. O Albert vem depois, me avisou por mensagem. Mas falando de outro assunto melhor… Parece que a nossa saída ontem com o Harry e Liam rendeu boa publicidade, você viu? Graças à sua ideia de levá-los naquele restaurante.

— Eu vi as notícias na internet, por isso caprichei no look. A mídia está falando sobre mim. — sorriu e colocou as mãos na cintura. — Olha lá quem está entrando, . — Apontou para Liam e Niall que neste instante estavam entrando na Maddox.

— Vamos. — a segurei pela mão e seguimos em frente na calçada, passando pelo enxame de paparazzi e fãs. Pela primeira vez fui reconhecida e também. Começaram a nos fotografar e me perguntavam sobre o Albert e quem era a minha amiga, qual era a relação dela com o Harry e se estavam namorando. Calmamente, sem dizer uma palavra, apenas sorrimos e seguimos até chegar à entrada do clube.

[Play]

Assim que entramos a pista já estava lotada, subimos até a área VIP. Logo avistamos Zayn, Perrie, Louis e Eleonor sentados em um dos sofás junto com as outras meninas da Little Mix, a Jade, Jesy e Leigh-Anne. Um dos meus deveres depois de ter começado a trabalhar na Modest, apesar de não ter muito contato com elas, era no mínimo saber o nome de quem a agência gerencia as carreiras. Paramos para cumprimentá-los e aproveitei para parabenizá-las pelo lançamento do CD, então escutei alguém gritar meu nome e, ao olhar para trás, Niall com um copo na mão acenou me chamando, ele estava em uma mesa mais ao fundo com Liam e Ashton. Pedimos licença e fomos em direção à mesa deles.

— Oi, ! — Ashton largou o copo na mesa e me abraçou. — Oi, ! — fez o mesmo com ela. — Hoje escolhi sozinho as roupas, ficou bom? — Falou puxando a lapela da jaqueta.

—Está ótimo, Ash. — respondi sorrindo.

Niall logo em seguida veio me dar um abraço.

— E pelo que vejo o joelho já está bem melhor, está sem as muletas. — comentei, pois semana passada ele havia batido seu joelho que há alguns meses ele tinha operado e teve que voltar a usar suas muletas.

— Está bem melhor. Pronto para dançar. — Deu uma leve requebrada.

Liam se aproximou e nos cumprimentou.

— Vocês vão querer beber alguma coisa? — Liam perguntou. Não pude deixar de notar seu olhar pairando sobre mim. — O garçom já deixou duas garrafas de champagne aqui na mesa. — Ele nos alcançou duas taças.

— Obrigada. — Agradeci e em seguida e eu sentamos no sofá.

E o Harry? Será que não vai vir? — minha amiga falou em meu ouvido.

— Acho bom você olhar melhor… — Apontei discretamente para quem estava subindo as escadas.

Harry chegou acompanhado de sua irmã, Gemma, e assim que ele nos enxergou, vieram e juntaram-se a nós.

Após Liam encher novamente nossas taças com champagne, sentou-se ao meu lado. Harry ficou de pé perto de , Ashton não perdeu tempo e sentou-se na poltrona ao lado de Gemma, enquanto Niall, de olho na pista, dançava em frente à mesa.

— Sabia que nós estamos namorando? — Hazza, ainda de pé, apontou para ele e . — Descobri hoje pela internet. As nossas fotos no restaurante brasileiro ficaram ótimas… É que eu sou muito fotogênico. — Ele riu e serviu a bebida em sua taça. — Até que não seria má ideia… — Deu uma piscada para minha amiga e abriu um sorriso que deixava à mostra suas covinhas. Pegou a taça e sentou-se ao seu lado e a envolveu com o braço.

— Mas você é um folgado, né? — fez uma careta. — Mas saiba que vai ter que se esforçar mais para alcançar esse objetivo. — Tomou um gole de sua bebida.

— Isso não será um problema. — Ele respondeu, estufando o peito e lançando um sorriso malicioso.

— Hummm… — Me pronunciei, quebrando um pouco o clima de flerte dos dois.

— E aí, ! O que foi tudo aquilo ontem? Onde está o Albert? — Harry me perguntou olhando para os lados.

— Desculpe por ontem, tenho até vergonha de lembrar, mas agora está tudo bem. Não sei do Albert, falei com ele à tarde por telefone e depois não o vi mais. Espero não cruzar com ele essa noite, pois eu quero esquecer tudo que aconteceu ontem e aproveitar hoje. — sorri fraco e peguei a taça, ingeri um gole da bebida.

— É isso aí. Viemos para curtir a noite! — Comemorou , erguendo a taça. — Não vamos mais pronunciar aquele nome asqueroso que começa com a letra “A”, para não atrair coisas ruins, vai que ele aparece. — Fez uma cara feia.

Harry e começaram a se provocar e ficar de brincadeiras entre eles e nos ignoraram completamente.

Enquanto Liam nos servia com mais champagne, meu celular deu sinal de vida, era uma mensagem de Albert, avisando que eu devia representá-lo bem esta noite, que provavelmente ele não conseguiria chegar a tempo, pois estava resolvendo outros assuntos.

Visualizei a mensagem com total cara de descaso, em seguida desliguei o celular e guardei de volta na bolsa. Eu nem me importei, pois sabia exatamente qual era o nome dos “outros assuntos” dele. Apenas me senti aliviada por não ter que suportar a presença dele esta noite.

— O que foi? — Perguntou Liam, me entregando a taça cheia de volta. Provavelmente deve ter percebido minha feição ao ler a mensagem. — Era o Al… Digo…

— Era. — Assenti com a cabeça. — Segundo a mensagem que recebi, é quase certo que hoje ele não aparece por aqui…

— Que bom. — Respondeu rapidamente deixando escapar um sorriso. — Quer dizer… Q-que bom pra você, eu acho… — Tomou um gole interrompendo imediatamente o que estava falando.

— Sim. Isso é ótimo. Acredite. — Sorri. — Afinal isso sim é uma festa e eu quero me divertir! — falei animada. — Nem dá pra comparar como a do dia que nos conhecemos…

— Nossa, não tem comparação, mas tenho que confessar que de todas essas reuniões da Modest, foi a que mais valeu a pena eu ter ido. — Fixou seus olhos nos meus e deu um meio sorriso e eu retribuí com um largo sorriso.

Niall veio de repente e se jogou no canto do sofá, ao lado de Liam.

— Será que todos vieram aqui só pra conversar? Ninguém vai me acompanhar na pista? — perguntou o irlandês que provavelmente por causa da bebida o seu sotaque estava ainda mais acentuado. Nesse momento o DJ começou a tocar uma música em comemoração do lançamento do CD da Little Mix. A batida da música me chamava para dançar, não poderia ficar por ali sentada.

— Eu vou! — Respondi, me levantando rapidamente e largando minha taça na mesa.

— Eu também… — rapidamente se ergueu do sofá, puxando Harry para acompanhá-la.

Niall foi à frente descendo as escadas, seguido por e Harry, Gemma e Ashton.

— Você não vem? — Perguntei, me virando para Liam que ainda estava sentado terminando sua bebida. — Não vai me acompanhar? — Estiquei meu braço em direção a ele.

— Achei que não ia convidar. — Fez um beiço e depois sorriu. Ainda sentado, me estendeu a mão e largou sua taça na mesa.

— Tá bom, né. Vamos nos divertir! — O puxei, tentando erguê-lo, então ele se levantou e me acompanhou descendo calmamente os degraus. Quando chegamos à pista todos dançavam animados, principalmente que com as mãos de Harry em seu quadril, movia-se ao ritmo da música. Eu que pensei que o Harry era meio lerdo, mas era nítido como esses dois já estavam bem íntimos, mas ao olhar para o outro lado pude perceber que não eram os únicos, Gemma e Ashton digamos que também estavam bem à vontade um com o outro.

Aos poucos fui me soltando, admito que ainda estava um pouco tímida em relação a Liam. Acredito que ele também, afinal dançava um pouco travado ao meu lado. Foi quando Niall me puxou para dançar, ele estava bem empolgado. A mistura da música alta, o público animado, as luzes pulsando e o álcool começaram a fazer efeito, me deixando cada vez mais solta. Deixei-me envolver pela música e não me importava com nada ao meu redor. Não conseguia lembrar quando teria sido a última vez que havia dançado assim, me sentia livre e era como se flutuasse.

Outras músicas tocaram e continuei na pista. Eu estava me divertindo como nunca, Niall e Liam me acompanhavam na dança. As luzes piscavam conforme a batida eu estava ficando um pouco tonta, cheguei a me desequilibrar um pouco por causa do salto, mas Liam rapidamente me segurou.

— Nossa, que reflexo. — exclamei enquanto me reequilibrava sozinha, me afastando de seu toque. Depois da tarde de hoje tive mais que certeza que precisava me manter no controle da situação. — Acho melhor eu sentar… — Falei, me direcionando novamente para a área VIP. Não queria fazer nenhum fiasco, como me estatelar no meio da pista. Como me conheço bem, era algo bem provável de acontecer.

— Eu também vou. Assim posso garantir que você não vai cair na escada. — Liam brincou.

— Sim… Claro… Também não é pra tanto, eu bebi pouco.

Fomos subindo as escadas calmamente, porque realmente eu era fraca para bebida e assim que me aproximei daquele sofá eu praticamente despenquei por ali, para ajudar aquele definitivamente não era o sapato mais confortável, meus pés estavam um pouco doloridos, mas não iria tirá-los, então apenas estiquei um pouco as pernas em um pequeno puff que tinha na minha frente.

Liam chamou o garçom e pediu uma água e assim que o mesmo se afastou, sentou-se de lado com o braço escorado no sofá, ficando bem próximo e de frente para mim.

— A água já vem. E agora sem beber mais nada de álcool, viu? — Liam ordenou rindo.

— Até parece. — franzi a testa. — E só pra constar, foi culpa do salto do sapato e não da bebida… Te desafio ficar equilibrado em cima deste salto a noite inteira. — dei um leve empurrão em seu ombro.

— É, acho que você tem razão. — respondeu olhando para os meus pés. — Vou acreditar nessa sua teoria. — Debochou. Pude perceber que seus olhos subiram lentamente, analisando minhas pernas e depois seu olhar subiu mais de encontro ao meu. Por incrível que pareça não me senti constrangida, pelo contrário, me fez sentir tão bem, estava me sentindo desejada, não sabia o que era essa sensação há tempos.

O garçom trouxe a água, serviu em um copo e depois se retirou. Tomei um pouco e coloquei o copo de volta na mesa.

, vejo que está bem mais animada, assim que gosto de te ver.— abriu aquele sorriso encantador que só ele tem e eu sorri de volta. — É só esse sorriso que quero ver estampado de hoje em diante. — Assim que terminou de falar pousou sua mão sobre minha.

— Vou tentar, pena que não é tão simples assim… — baixei meu olhar, lembrando-me o único motivo que me causava essa tristeza.

— Não desanima, por favor… Só porque uma certa pessoa não te valoriza, você tem que parar de pensar que ninguém te nota ou se preocupa de fato com você. Não pode se conformar com essa situação, acha que passa despercebida por aí? Pode ter certeza que não. Os caras te notam e não adianta me dizer que ainda não percebeu. Você é uma mulher incrível, não é esse tipo de mulher comum que se conhece por aí nas baladas, que se conquista só por uma noite… Você é você, única, tenha certeza disso. — Terminou de falar e então virou um pouco o rosto desviando seu olhar do meu. — Acho que falei mais do que devia.

Fiquei por alguns segundos perplexa, em silêncio diante daquelas palavras que jamais imaginaria escutar, as batidas da música pareciam ecoar na minha cabeça, estava desnorteada sem saber como reagir, pois neste instante tudo que eu conseguia fazer era analisar cada centímetro de sua boca e meu pensamento martelava em como seria beijá-lo agora mesmo. Acho que o álcool havia se espalhado demais em meu organismo e não estou conseguindo mais raciocinar direito. Imagina, querer beijar o Liam, eu estava ficando louca mesmo.

Em um impulso, levei minha mão direita em direção ao seu rosto virando gentilmente de frente para o meu. Senti sua pele quente em contato com minha mão que estava um pouco fria, devido ao meu nervosismo. Aqueles olhos castanhos que me fitavam intensamente, fazendo com que eu perdesse minha razão por completo, era como se meu corpo agisse por conta própria. Seus lábios estamparam um sorriso doce e meu coração acelerou 1000 por hora. Calmamente fui me aproximando, senti sua respiração a poucos centímetros da minha boca, que implorava para ser beijada. De repente um estalo devolveu clareza à minha cabeça e imediatamente me distanciei dele.

— O que estou fazendo? — Rapidamente me levantei e Liam sentado ficou me olhando confuso. — Vou até o banheiro, com licença. — Apressadamente me direcionei ao andar de baixo sem sequer olhar para trás.

Ainda um pouco desorientada, fui passando pelo meio da multidão, com tanta pressa acabei esbarrando de lado em algumas pessoas até que finalmente cheguei ao banheiro.

Parei em frente à pia e me olhei por alguns instantes no espelho. Estava enfrentando um conflito interno entre o certo e o errado. Em que eu estava pensando? Poderia arruinar tudo, inclusive a carreira dele. E se alguém nos fotografasse? Isso era loucura, eu não podia me deixar levar por minhas emoções. Por pior que estivesse minha situação com o Albert, eu ainda estava com ele, não era do meu feitio querer dar o troco dessa maneira. E eu não sentia como uma vingança, apenas era minha vontade mesmo. “Meu Deus, , você pirou de vez.” — Pensei comigo mesma enquanto me encarei no espelho mais uma vez. Respirei bem fundo e passei um pouco de água em minha nuca para me recompor. Sequei minhas mãos e saí.

* Deep / Disclosure Ft. Sam Smith — Latch
[PLAY]

Lentamente fui caminhando por aquele corredor que parecia não ter fim. Todas aquelas luzes pulsando estavam me deixando zonza, comecei a perceber o quão grande era esse clube. Não estava encontrando a dita escada de volta, cheguei por um momento pensar que estava perdida. Enfim avistei a escada de acesso para voltar até a área VIP, mas antes que pudesse dar um passo adiante para subir, alguém de surpresa me pegou pela mão e me puxou até um canto vazio atrás da escada.

— Liam? — Apesar de escuro, as luzes piscavam e revelavam seu rosto. — O que você está fazendo? — perguntei assustada. Ele me olhou firme e então prensou suavemente meu corpo contra a parede. Deixei escapar um breve gemido, quando uma se suas mãos apertou meu quadril. — Liam, acho melhor não. É arriscado… — Minhas palavras não condiziam com minha atitude, eu estava imóvel e sequer tentava escapar dali e também não tentei impedi-lo.

— O que não sai da minha mente, com certeza, vale o risco. — Foram as únicas palavras que ele pronunciou em meu ouvido e meu corpo inteiro estremeceu.

Suavemente passou seus dedos pelo meu rosto e deslizou até minha nuca. Como era bom poder sentir aquele toque que causava arrepio extremo por todo meu corpo. Entrelaçou seus dedos por entre meus cabelos e minha respiração começou a ficar descompassada na expectativa no que viria a seguir. Sem desviar nossos olhares, calmamente ele aproximou seu rosto, sua respiração estava cada vez mais perto. Fechei os olhos e senti seus lábios quentes e macios encostarem nos meus de maneira tão suave e calma. Todos meus sentidos se afloraram nesse instante, meu corpo estava totalmente entregue e a música alta fazia com que eu sentisse uma adrenalina ainda maior, então comecei a ceder àquele beijo que se iniciou lento, mas foi se tornando cada vez mais ardente e intenso e era como se nossos lábios se encaixassem perfeitamente.

O ritmo e o calor iam aumentando e cada vez mais ele pressionava seu corpo contra o meu. Eu não conseguia mais me controlar e involuntariamente, conduzida pelo momento, o agarrei pela nuca e com minhas unhas o arranhei bem de leve, como resposta ele apertou mais forte minha cintura e eu correspondi cada vez mais, acelerando o beijo. Podia sentir meu rosto queimando, sentia como um delírio e passava minhas mãos pelo seu cabelo. Seus beijos começaram a seguir uma trilha até meu pescoço. Sua barba roçando em minha pele e sua respiração quente e ofegante, proporcionavam sensações, as quais nunca havia sentido antes, era como se eu estive em chamas. Recostei minha cabeça contra a parede, me entregando aos beijos que ele distribuía pelo meu pescoço e colo.

Quando pensei estar totalmente envolvida pelo momento, recobrei minha consciência por alguns segundos, e extremamente relutante afastei de leve seu corpo do meu e abri meus olhos. Liam me encarou ainda um pouco desorientado, sem dizer nenhuma palavra. Apenas segurei seu rosto e selei delicadamente nossos lábios, finalizando com um selinho.

— Liam… — Pronunciei seu nome na tentativa de recuperar meu fôlego.

— Eu sabia que ia valer o risco. — falou em meu ouvido e depois lançou um sorriso de canto. Seu olhar estava fixo em mim e suas mãos ainda firmes não soltavam minha cintura.

— E agora? — coloquei as mãos no rosto. — O que foi que fiz? Isso é errado! — falei angustiada e passei as mãos pelos meus cabelos, tentando arrumá-los. Liam apenas observava meu surto de consciência. — Deve ter sido a bebida. A culpa é minha… E se alguém nos viu? Precisamos voltar rápido. — comentei apreensiva e ainda com a respiração ofegante.

— Não faz isso… — suplicou. — Não fale como se fosse um erro… Eu sei que você sentiu o mesmo que eu. — me puxou pela cintura. — Fala que não sentiu… — Lançou aquele olhar doce, que só ele tinha.

— Isso não importa, Liam. Não é justo com você… — respondi, agora um pouco mais controlada. — Isso só iria te prejudicar, tem muita coisa envolvida. — Meu tom de voz estava um pouco mais elevado por causa da música alta.

— Não importa. Não me importo com os outros, o preço que eu tenho que pagar, porque desde aquele dia que você esbarrou em mim, tudo mudou.

— Não, Liam! — respondi firme. — Você não pode, eu não posso…Você fala como se fosse tudo muito simples, mas infelizmente não é… — continuei tentando me soltar dos seus braços.

— O Albert não te merece, eu sei que ele não te faz feliz… Eu sei que…

— Liam — o interrompi e respirei bem fundo. Aquele não era o local para se ter essa conversa. — com essa música alta não dá pra conversar direito, vamos voltar. Depois conversamos melhor. Eu vou primeiro e você espera uns minutos, depois volta, está bem? — Rapidamente dei um beijo em seu rosto e voltei até a pista de dança para ver se encontrava para avisar que eu iria embora. Não tinha condições de eu continuar aqui e correr o risco de continuar a besteira que comecei.

Dei uma olhada ao redor e vi Niall, Zayn e Perrie dançando, me aproximei e perguntei se tinham visto a , me responderam que ela deveria estar com o Harry na área VIP. Subi correndo aquelas escadas, que não sei com não cai rolando. Ao chegar lá, os dois estavam sentados abraçados no sofá e digamos que bem afetuosos entre si.

— Desculpe interromper… — voltou sua atenção a mim. — Eu só queria avisar que eu vou para casa. — Me aproximei da mesa pegando minha bolsa.

— Essa pressa toda por quê? Garanto que você já encontrou o arruinador de festas. — minha amiga falou em um tom de descaso.

— Como assim? Arruinador de festas? — Perguntei sem entender do que ela estava falando.

— Não encontrou “o mala” do Albert? Ele estava te procurando…

Meu coração congelou na hora que ela terminou de pronunciar o nome dele.

— Aí está você! — Em pulo me virei, me deparando com Albert atrás de mim. — Por onde você andou? Te procurei no bar, na pista e não vi você…

— E-Eu tinha ido ao banheiro… — Cheguei a gaguejar, acredito que eu estava com uma cara de quem viu um fantasma. — É que eu bebi um pouco mais do que devia, estava me recuperando.

— Isso explica por que está um pouco pálida… Mas por que já está pegando a bolsa, vai embora? Justo agora que cheguei, meu bem?

— Sim. Não estou me sentindo bem… — “Principalmente agora que você chegou.” , pensei.

Nesse mesmo momento Liam subiu as escadas e ficou bem atrás de Albert.

— Liam! — Albert se virou e o cumprimentou dando um tapinha em suas costas. — Aproveitando bem a festa? Já avisei o Harry ali para não beberem muito e não fazerem nenhuma besteira. Vai que alguém fotografe, aí já imaginou mais fofocas amanhã, depois eu é que tenho que limpar a sujeira de vocês, hein… — Riu sarcasticamente. — Brincadeira. Aqui ninguém pode fotografar, caso contrário vão ter que se entender com os nossos advogados. — Gargalhou.

Liam não expressou nenhuma reação ao comentário de Albert.

— Albert — o puxei pelo braço. —, eu vou ir pra casa… Você fica, afinal não faz muito que chegou. — Liam ainda estava parado perto de Albert, apenas nos observando.

— Está bem. Vou ficar mais um pouco, aproveitar a festa aqui com a pessoal! Depois eu vou pra casa, querida. — respondeu e bruscamente me puxou pelo braço me dando um selinho forçado e então o empurrei de leve. Senti vontade de vomitar ali mesmo. Olhei com os olhos semicerrados para ele, expressando minha insatisfação.

Apenas me virei e acenei pra Harry e . Albert logo em seguida me deu as costas e foi até a mesa buscar uma bebida.

Liam foi até perto da escada, trocamos olhares e ao me despedir dele discretamente falei em seu ouvido:

— Não podemos… Você não pode gostar de mim. — Depois dei um leve aceno enquanto descia as escadas em direção à saída.

(…)

Cheguei em casa e fui direto para banheiro, tirei meus sapatos, tomei uma ducha rápida e coloquei meu pijama. Peguei minhas coisas e fui para o outro quarto. Antes de me deitar, enquanto puxava as cobertas e arrumava meu travesseiro, comecei a pensar no que havia acontecido e ao mesmo tempo em que me sentia culpada, também me sentia feliz. Eu não conseguia parar de pensar naquele beijo, sentia como seu corpo flutuasse, e uma sensação de paz e alegria invadia meu peito, lembrava do toque de seus lábios em minha pele e eu já sentia falta de tudo isso.

Estava deitada e antes de apagar o abajur ao meu lado meu celular vibrou. Era uma mensagem recebida e para minha surpresa no visor mostrava SOS Payne.

“Por que eu gosto de você?” Talvez seja o fato de que aos meus olhos você é perfeita, sempre tento achar uma maneira de estar perto de você e quando estou, tudo que consigo fazer é sorrir. — Liam xX
Li e reli a mensagem várias vezes, não sabia se deveria responder ou não, mas meus sentimentos falaram mais alto e acabei respondendo:

E é só mesmo esse seu sorriso pra dar algum sentido à bagunça que anda a minha vida. xX

Capítulo Nove

O domingo começou com meu sono sendo interrompido pelo toque insistente do celular. Ainda com os olhos fechados, apalpei meu criado mudo até achar o aparelho. Ao encontrá-lo, apenas deslizei meus dedos na tela do dispositivo.

— Alô? — atendi sonolenta e com a voz rouca.

! — Meu ouvido chegou a doer. — Não vai acreditar, acabei de aparecer no E! News… você viu? Viu? gritava do outro lado da linha me deixando atordoada. — Está me ouvindo? O que você está fazendo?

— Em pleno domingo, com esse barulho bom de chuva lá fora, o que mais poderia estar fazendo às… — Abri de leve os olhos, para a claridade do aparelho não me cegar, coloquei o celular diante do meu rosto e espiei as horas. — às 09h10min da manhã?

— Eu te acordei?

— Capaz…Impressão sua… — respondi ironicamente.

— E acordou mal humorada ainda… Levanta rápido que preciso falar com você. Vem logo, vou deixar a porta aberta, só entrar…

— Está bem. — respondi automaticamente e desliguei e seguida.

Espreguicei-me com tranquilidade, como era bom dormir longe do Albert, esse quarto de hóspedes estava sendo a minha salvação. Com muita preguiça e sem muita pressa, praticamente me arrastei para me levantar da cama.

Pé por pé, entrei no meu quarto para poder pegar uma roupa, não queria acordar Albert. Estranhei a porta estar semi aberta. Ao entrar percebi que a cama estava intacta, ele provavelmente nem havia dormido em casa, pude até sentir um alívio.

Assim que troquei de roupa, fui até a cozinha, talvez ainda tinha a possibilidade de que Albert estivesse por ali, lendo suas notícia em total silêncio como costumava fazer aos domingos, mas estranhei ao ver que o apartamento encontrava-se vazio. Ao olhar mais atentamente, sobre o balcão da cozinha havia um bilhete:

Precisei sair logo cedo e não quis te acordar. Tive que fazer uma viagem de última hora.
Volto amanhã. Al
Enfim respirei totalmente aliviada, assim teria um dia de folga do Albert, mas ao mesmo tempo fiquei com raiva por ele continuar tentando me fazer de idiota, então peguei aquele pedaço de papel, amassei e joguei no lixo. Afinal, eu desconfiava, ou deveria dizer, tinha certeza com quem ele passaria o final de semana.

Nesta manhã eu me sentia diferente, a lembrança da noite anterior me fez sentir mais forte e confiante, pensar em Albert e Shannon juntos não me machucava mais e as atitudes de Albert não me atingiam na mesma intensidade como antes, era como se eu tivesse despertado desse relacionamento nada saudável, que apenas me desgastava.

Acabei só esquentando um café e em seguida subi até o apartamento de .

— Cheguei… — Bati e abri devagar a porta.

— Finalmente! — gritou e saiu correndo da cozinha.

— Que cheirinho bom… Estou com uma fome! — comentei rindo.

— Eu passei na padaria e comprei uns “muffins”. Estão no balcão da cozinha… Tem chá também, é só pegar.

Caminhei até a cozinha e peguei um prato e servi dois.

— Você acordou cedo e disposta, para ter ido até a padaria com esse tempo.

— Acordei mesmo! — Ela sorriu.

— Sabe, hoje tenho o dia livre, o Albert foi viajar… — com o prato na mão fui a seguindo em direção da sala. — Pode começar a contar tudinho. — disse de boca cheia.

— Então temos bastante tempo. Senta aí… — apontou para o sofá. — A primeira coisa que fiz quando acordei hoje foi ligar a televisão. Trocando tranquilamente de canal, quando passei pelo E! tomei um susto e fui obrigada a parar… EU! Euzinha estava lá… Fotos minhas e do Harry ontem depois que saímos da Maddox. Estavam falando sobre mim. Uma reportagem inteirinha, as fotos daquele dia que fomos comer no Katavento e até…— respirou fundo. — Bem, eles mencionaram o velório do meu irmão, se eu era a mesma garota daquela vez. — Seu tom de voz mudou ao mencionar seu irmão.

— É esse é o preço, . Agora sua vida está totalmente exposta, infelizmente.

— Eu sei, mas antes eram apenas especulações e agora com essas fotos… É estranho ver fotos minhas assim, tipo sem ao menos eu ter visto alguém tirá-las, sabe? Estavam um pouco borradas, mas dava para nos reconhecer. E diziam que agora era oficial e ser chamada de namorada do Harry Styles, sem ao menos ter sido pedida em namoro. — soltou a respiração. — É muita informação pra minha cabeça.

— Sim, mas… Mas são muito comprometedoras essas fotos? — perguntei voltando à parte das fotografias.

— Não, não exatamente… Ele só me acompanhou até meu carro na saída do clube. Então ele foi se despedir de mim com um abraço e… — limpou a garganta. — E… Bem, é que rolou só um beijinho depois… só um, eu juro! — soltou um risinho.

— Eu sabia! Um beijinho, sei… Pra virar reportagem no E! News, sei bem que foi só um beijinho. — Ri e joguei um pedaço do bolinho nela.

— Ai! — desviou. — Vai sujar meu sofá, sua bitch

— Só espero que o Albert não complique com essas fotos, sabe que ele não vai muito com a sua cara, então a partir de agora é bom vocês serem mais discretos. Albert é capaz de qualquer coisa para que nada interfira na imagem deles. Mas o que depender de mim, ninguém vai atrapalhar vocês dois. — Sorri.

— Sabe, eu e ele temos muita coisa em comum mesmo. E ele é tão divertido, querido e… Beija bem. — Ela riu. — Não sou de ficar me derretendo por ninguém, mas tenho que admitir que adoro estar na companhia dele. E depois de tudo que aconteceu com meu irmão, tudo que eu e minha família passamos, é como se agora finalmente sentisse que as coisas boas estão voltando acontecer na minha vida. Eu só não quero colocar tudo a perder. — Dobrou as pernas em cima do sofá. — Antes que eu esqueça, também estavam falando sobre seu noivado com Albert. Tinha várias fotos de seu discreto anel. Até deixei aberto aqui no notebook, fui procurar umas notícias e achei essa. Olha aqui. — Abriu a tela e virou para que eu pudesse ler:

“Até agora, tínhamos apenas ouvido falar no anel de noivado milionário com o qual o empresário Albert W. Cole teria presenteado a amada. Temos aqui imagens da joia que teria custado cerca de US$500 mil. foi flagrada por paparazzi enquanto entrava na casa noturna Maddox, embora tenha chegado com sua amiga e desacompanhada de seu noivo, Albert chegou um pouco mais tarde. Ela estava usando um vestido Emilio Pucci e com sua clutch Alexander Mcqueen ela esbanjava elegância e ainda mostrou que o cara não está de brincadeira. Olha só o tamanho do brilhante!”

— Fico impressionada como eles sabem até o valor da aliança, nem eu que estava junto na loja sabia… — fechei a tela, pois não queria mais ler nada sobre essa mentira toda.

— Esse pessoal não dorme no ponto. Mas e você? Por que saiu tão apressada ontem? O que aconteceu afinal?

— Eu não estava me sentindo bem… — terminei de mastigar. — E quando o Albert chegou, aí sim que fiquei pior e decidi voltar pra casa o quanto antes. — coloquei mais um pedaço do “muffin” na boca.

— Ah, não.Você está querendo me contar algo… Você fez aquele “olhar”. Aquele que você faz quando está louca pra me contar algo, mas não sabe se deve.

— Que olhar? Como assim? — continuei mastigando um pouco mais rápido.

— Este aí. — Apontou para mim. — Você fez de novo. Pode começar a falar, eu não vou sossegar, você sabe. — me encarou firme e cruzou os braços. — Pode contar, e agora!

— Está bem… — Suspirei e larguei o prato na mesa de centro. — Não sei nem como contar… — me observava atentamente. Limpei as mãos no guardanapo e me acomodei melhor no sofá. — Bom… Lembra quando vocês estavam na pista dançando e eu resolvi voltar para o andar de cima para descansar um pouco?

— Lembro vagamente.

— Então… o Liam resolveu me acompanhar e ficamos conversando por um tempo. Ele começou a falar algumas coisas pra mim e acho que por causa da bebida, um clima acabou pairando no ar e eu… quase o beijei… — fiz uma pausa. — A bebida estava falando mais alto…— me expliquei.

— Quase? — fez uma cara de decepção. — A bebida… tá bom, .

— Eu acabei entrando em pânico e corri até o banheiro antes que fizesse uma besteira. Depois que me recompus, saí do banheiro, mas antes de eu voltar à área VIP, fui puxada pelo braço até um lugarzinho atrás da escada… E… — Dei uma pausa e falei em um só fôlego. — Liam me beijou.

— Ai meu Deus! — exclamou e colocou as mãos na boca. — Que emocionante! E aí, como foi? — perguntou extremamente animada.

— Foi… — abaixei um pouco o rosto e soltei um riso acanhado. — Foi mais do que bom, posso dizer que nunca me senti do modo como me senti por causa de um simples beijo. E tenho total convicção em dizer não lembro de alguém ter despertado esse tipo de sentimento em mim antes.

— Ai… — se abanou. — Eu te entendo… — ela riu.

— Por isso não podia ficar lá, principalmente depois da chegada do Albert, eu entrei em pânico. E pra completar, quando cheguei em casa Liam me mandou essa mensagem. — Peguei meu celular do bolso da calça e mostrei a ela.

— Nossa… Até me arrepiei agora… — Esticou o braço me mostrando. — São muitas emoções para um dia só! Bem feito pro otário do Albert. Quem não dá valor perde, simples assim.

— Ai, , estou tão confusa. Não tenho mais coragem de olhar para a cara do Albert, parece que ele vai descobrir assim que me olhar. Estou me sentindo tão culpada.

— Espera um pouco. Culpada? O Albert tem outra, te trata mal, em todas oportunidades que tem ele te humilha e ainda você se sente culpada? Pelo quê? — indagou indignada. — Não estou dizendo pra você dar uma de louca e contar tudo pro Albert só por causa de um beijo. Só que eu acho que está na hora de pensar em você agora, chega de ser a sombra do Albert. — franziu a testa e me encarou. — Dê um basta em tudo isso, se o único fator que te prende é por não ter onde ficar, eu posso ter uma solução pra você. Se precisar eu falo com meu pai alugar pra você um apartamento que ele tem, fica em Haggerston e é pertinho da Columbia Road Flower Market. Se não me engano está desocupado. Tem só um detalhe, fica um pouco longe da Modest.

, isso ia ser ótimo. — respondi animada. — E quanto a Modest não tem problema, não é sempre que preciso comparecer lá, preciso estar onde o pessoal da banda precisa de mim. Só espero que o Albert aceite eu sair de casa, pois quando tentei ele não reagiu muito bem.

— É mesmo… Cada vez mais eu odeio esse Albert. — fez uma cara feia.

— Eu já te falei, , com ele eu vou ter que agir com cautela, ele é muito imprevisível, não sei do que ele é capaz de fazer.

— Mas e quanto ao Liam? Como vai ser depois do aconteceu ontem?

— Eu não tenho a mínima ideia de como vai ser quando o ver novamente. Até pensei em evitá-lo até conseguir achar um meio de lidar com a situação. E como vou estar tão envolvida trabalhando com os garotos da 5 Seconds of Summer, praticamente nem vou ter tempo de pensar nele e não vamos nos cruzar assim tão seguido.

— Acho que devia falar com ele o quanto antes, porque depois que você foi embora ele tomou um tremendo de um porre, que o Harry precisou ligar para aquele amigo dele, o tal do Andy, para ir buscá-lo.

— Será que devo ligar para ele? O que vou dizer? O que eu posso fazer, sem que complique mais a situação? Talvez seja melhor deixar as coisas assim mesmo, agir como se nada tivesse acontecido.

— Acho meio impossível, pois é nítido o quanto ele mexeu com você. E não falo só de ontem, eu consegui perceber sua mudança que eu chamo de antes e depois de Liam… Sinto te informar, amiga, mas acho que não vai ser tão fácil ignorá-lo quanto você pensa.

— Mas semana que vem irão retomar a turnê e vão voltar a viajar bastante. Assim vamos ficar um tempo afastados.

— É, pode ser que isso ajude, um pouco. Mas acho que você não deve ignorar seus sentimentos. Não quero ver você triste pelos cantos, principalmente por causa do idiota do Albert. Sabe que pode contar comigo para o que precisar. — sorriu e me abraçou forte. Eu sentia um carinho imenso por e era recíproco, podia confiar plenamente nela e podíamos sempre contar uma com a outra. — Semana que vem já vou ligar para o meu pai e pedir sobre o apartamento. — O telefone de começou a tocar neste instante. — Espera aí, meu celular está lá no quarto, já volto.

Depois de alguns minutos ela volta bufando, com o celular na mão.

— Era meu pai. Disse que está vindo aqui me buscar. Minha mãe viu na TV as notícias e reconheceu eu e meu carro e ligou pra ele. E agora está vindo para me levar almoçar e ter uma “conversinha” comigo, acredita? Era só que me faltava. — jogou o celular no sofá. — Praticamente esqueceram de mim desde a morte do meu irmão e de repente eu voltei a existir? E agora ele quer vir dar uma de pai que se importa? — andava de um lado para o outro. — Me passou um mini sermão no telefone, imagina pessoalmente. E a minha mãe? Não teve a decência de me ligar para falar diretamente comigo? Ligou pra se queixar pra ele? Que eu era uma imoral de ter fotos publicadas de novo com Harry, ficou lembrando meu pai que por culpa dele não respeitaram nem o velório do meu irmão e que ficaram nos perseguindo por um tempo e como eu ainda tinha coragem e continuar com ele? E ainda por cima ficar de amassos por aí? — chegava estar corada de tanto nervosismo. — Imagina querer controlar com quem eu devo sair? O porquê disso agora?

— Calma… Respira… — sei que falar isso não a acalmaria de fato. — Então é melhor eu ir embora. Eu volto mais tarde, me avisa quando você voltar. — Ergui-me do sofá.

— Não precisa ir. Pelo contrário, preciso de você junto comigo. Meu pai é meio cabeça dura e aí você me ajuda. Fica por favor? Assim você me acompanha… Fico te devendo essa pra sempre. Por favor? Por favor? — implorou.

— Que situação que você está me colocando, hein… — pensei por alguns instantes. — Está bem. Eu vou junto com vocês. — Não tinha como negar ajuda a ela e no fundo sabia que com uma boa conversa seu pai sempre cedia às suas vontades e nunca conseguia ficar muito tempo zangado, não era de seu temperamento. — Só espero que ele não se incomode, . Antes preciso passar no meu apartamento pegar minha bolsa e um casaco.

— Não mesmo, você sabe que ele te adora… Assim não vai fazer nenhum escândalo na sua frente. Vamos descendo que logo está passando me buscar. — pegou as chaves e a bolsa e saímos do apartamento.

(…)

Liam’s POV on

Um ruído estrondoso alcançou meus ouvidos e fui forçado a abrir meus olhos. Devia ter sido um trovão, pois escutava o barulho da chuva batendo na janela. Meu quarto estava escuro, mas fui tateando até que encontrei meu celular no criado mudo para verificar as horas. A claridade da tela era insuportável, senti meus olhos arderem, os forcei mais e finalmente consegui abri-los por completo.

— Merda! — uma pontada desgraçada atingiu minha cabeça, parecia uma faca atravessando meu crânio e pude sentir que tudo estava girando. Joguei o celular pro lado, era uma hora da tarde; me levantei aos poucos, sentindo meu corpo cansado, e cocei os olhos, eu estava apenas de cueca. Não lembrava do momento que havia tirado a roupa, na verdade nem como havia chegado em casa.

Mesmo um pouco cambaleando, corri até banheiro, meu estômago estava de mal comigo. Precisei de um banho urgente para tentar me livrar dessa maldita ressaca. Logo que liguei o chuveiro, tudo que aconteceu na noite anterior começou a vir em flashes em minha mente. Eu consegui lembrar exatamente de tudo até o momento em que foi embora e quando mandei uma mensagem pra ela.

Lembro-me também quando acabei escutando a conversa do idiota do Albert, quando estava em um grupo com outros funcionários da Modest. Ele falava sobre o casamento, o anel que havia comprado pra , se vangloriando de tudo, mas comecei a ficar irritado quando ele começou a soltar piadinhas de como era tão dependente dele, e até como ela era na cama. Aquilo ferveu meu sangue, estava perdendo a paciência, como ele podia não ter um pingo de respeito por ela. Tudo aquilo estava me deixando nervoso e eu não podia fazer e nem falar nada, tive que sair de perto o mais rápido possível antes que eu fizesse uma besteira e foi quando no minuto seguinte eu estava virando copos e copos com bebidas fortes, me lembro que tomei vodka e whisky, entre outros drinques estranhos. Lembro-me também de Harry me alertando sobre o exagero que eu estava cometendo e em seguida o nocaute, não consigo me lembrar de mais nada.

Ao sair do chuveiro, tive que garimpar minha toalha que estava embolada embaixo das minhas roupas de ontem. Nossa, também não lembro como elas vieram parar ali. Ao puxar aquele emaranhado de roupas, caiu do bolso da minha calça um brinco. Havia esquecido que eu havia recolhido e guardado no bolso da minha calça no momento que o perdeu no sofá e saiu correndo para o banheiro.

Enquanto estava segurando o brinco não conseguia deixar de pensar no que havia acontecido entre nós na Maddox, por um momento eu estava parecendo um babaca, sorrindo sozinho no banheiro. Então comecei a me perguntar se Albert havia desconfiado de algo e se ele descobrisse, mas nada disso mais importava, eu não estava mais nem ligando, porque a vontade de beijá-la novamente e o desejo de tê-la era maior que qualquer coisa.

Enrolei a toalha na cintura e me dirigi até a sala, deixando pegadas d’água como sempre costumava fazer.

Larguei aquele brinco na mesa de centro, liguei a TV e me joguei no sofá. Não estava conseguindo prestar muita atenção, minha mente estava distante e trocava de canal a cada 10 segundos. De repente escutei um barulho vindo da fechadura da porta.

— Droga! — Dei um pulo do sofá, segurando rapidamente a toalha que quase escapou, revelando mais do que devia. — O-O que você está fazendo aqui? — fiquei quase sem reação ao ver Sophia entrando pela porta de entrada, como ela tinha as chaves do meu apartamento?

— Oi pra você também, estranho. — Trancou a porta atrás dela, largando as chaves e uma sacola de papel da coffee shop que tinha perto de casa, em cima da mesa. — Finalmente a donzela acordou. — veio caminhando tranquilamente em minha direção. — Fui comer fora e te trouxe um café…

— Como? — perguntei ainda sem conseguir entender nada do que estava acontecendo. — O quê? O que você veio fazer aqui? Como tem as chaves do meu apartamento? — indagava nervoso, afinal nem quando estávamos namorando ela possuía uma cópia das chaves.

— Não lembra quem foi que te colocou na cama? — a pequenos passos foi se aproximando. — Não precisa segurar tanto essa toalha, não tem nada aí que eu não tenha visto. — sorriu maliciosamente, ficando a poucos centímetros de distância. — Não se preocupa, o Andy me chamou ontem para te resgatar. Pode ficar tranquilo, fiquei sabendo que você bebeu todas ontem, porque anda sentindo a minha falta. — passou os dedos pelo meu peito ainda úmido, dedilhando para baixo, seguindo um caminho perigoso.

Antes que ela pudesse ir mais adiante, rapidamente segurei sua mão, afastando-a imediatamente. A encarei sério, demonstrando minha insatisfação.

— Nossa, Liam… — juntou as sobrancelhas estranhando minha reação. — Pensei que hoje poderíamos, sabe… Relembrar nossos melhores momentos…— deu um risinho. — Já que ontem você chegou tão acabado que apagou. — Aproximou-se novamente, tentando desatar minha toalha.

— Chega, Sophia! — segurei com força a toalha, dando três passos para trás. — Que merda é essa? Quem você pensa que é? Esqueceu que foi você que terminou comigo, dizendo que éramos para seguir cada um o seu caminho? E toda aquela história de que você queria conhecer novas pessoas? Que estava estressada com a minha rotina?

— Calma. É que ontem quando o Andy me ligou e no instante que te vi, percebi que cometi um erro. — falava tranquilamente. — Não quero mais que você fique assim por minha causa, está bem? Eu também senti a sua falta. — a curtos passos ficou diante de mim, eu recuei novamente, mas mesmo assim ela me beijou. E tudo que senti foi apenas um contato de sua boca com a minha. — O que foi? — se afastou e me olhou intrigada. — Não precisa dizer nada… Você ainda está um pouco surpreso por eu estar aqui, não é mesmo? Mas quero dizer que quero sim voltar com você.

De onde ela havia tirado a ideia de que eu queria voltar com ela? Tudo que eu precisava era ficar sozinho naquele momento.

— Sophia…

— Eu não gosto que me chame assim, gosto quando me chama de Sophie. — falou manhosa, me interrompendo.

— Sophia… — repeti firme. — Eu preciso pensar, eu acabei de acordar e ainda estou com uma ressaca desgraçada. Eu quero que você vá embora.

— Liam, o que houve com você? Nunca me tratou assim. Mas se é isso que você quer eu entendo, vou dar esse tempo. Você ainda deve estar com dor de cabeça. — depositou um beijo na minha bochecha e caminhou até a saída e pegou sua bolsa que estava pendurada em um cabide perto da porta. — Eu vou esperar. — abriu a porta. — O tempo que for preciso. — piscou para mim e saiu.

O que acabou de acontecer? Agora sim estava sem entender absolutamente nada. Por que justo agora Sophia decide que quer voltar comigo? Por que Andy ligou pra ela? Muitas dúvidas estavam rondando minha cabeça, que insistia em latejar. — Maldito whisky! — coloquei a mão na cabeça e corri pelo apartamento em busca de um analgésico.

Mais recuperado e depois de devorar uma fatia de pizza, a única coisa pronta que encontrei na geladeira, fui até o quarto buscar uma jaqueta e a carteira, Niall estava a caminho para passar para me buscar.

Um amigo do Niall está na cidade por uns dias, então havia combinado com Niall de levarmos ele para sair, não sei onde estava com a cabeça em aceitar sair assim duas noites seguidas, principalmente depois do porre de ontem. Só sei que eu estava com muita fome, então espero que ele tenha escolhido um lugar com boa comida.

Liam’s POV off

(…)

Depois de ter almoçado com e o Sr. , decidi voltar para meu apartamento. O dia estava chuvoso, queria aproveitar a ausência de Albert e poder tranquilamente assistir uns filmes e comer porcarias durante a tarde.

Trocando de canais, achei um filme que recém havia começado, Para Sempre. Peguei o pacote de cookies, acomodei as almofadas e os travesseiros e me deitei confortavelmente em minha cama.

E como em todos os filmes de romance que eu assistia, eu estava a me desmanchar em lágrimas. Quando os créditos dos filmes começaram a rolar na tela, olhei para minha mão e não entendia o porquê ainda estava com aquela aliança, fiquei olhando por alguns instantes para aquele brilhante e a noite passada insistia em martelar em minha mente, fazendo com que meu corpo inteiro arrepiasse ao lembrar do toque de Liam. Imediatamente a retirei do meu dedo e guardei na gaveta do criado mudo. Foi quando escutei a campainha tocar. — Que estranho… Quem pode ser a essa hora? — Pensei.

Dei um pulo da cama, enxuguei meus olhos, bati as migalhas que estavam em meu colo e fui correndo atender.

— Estou indo… — gritei.

Ao abrir a porta estava toda arrumada diante da minha porta.

— Meu Deus, ! Toda essa produção só pra vir me ver? — Gargalhei.

— Que engraçadinha você, não? Essa cara inchada, toda escabelada… Passou um trator em cima de você, foi? — foi entrando porta adentro enquanto falava. — Vai se arrumar imediatamente. — Ordenou apontando para o meu quarto.

— Ficou louca, é? Me deixa curtir minha folga aqui…

— Pode ir tirar essas migalhas da cara, que nós vamos sair.

— Nós? Sair? — franzi a testa e passei os dedos batendo os farelos do canto da boca. — E o que te fez criar tanto entusiasmo pra sair hoje de novo?

— Nada. Olha bem se irei desperdiçar de sair para me divertir livremente com a minha amiga, sem o chato do Albert na sua cola. — foi me empurrando de leve até meu quarto.

— Eu te conheço… Aí tem algo mais. Você havia ficado tão chateada por seu pai ter tirado seu carro por um mês, por causa das fotos, e agora está toda animadinha assim. Pode falar a verdade. — me virei para ela e cruzei os braços aguardando uma explicação.

— Está bem, está bem… É que o Harry foi para L.A hoje à tarde, ele até me convidou para ir junto, mas contei o que havia acontecido, sobre meu pai e tudo mais e decidimos melhor não sermos vistos juntos. Assim saindo sozinha dá pra dar uma despistada, sabe? Vou esperar a poeira baixar e assim meu pai tem um tempo para convencer minha mãe a respeito do Harry. E nada melhor que uma noite só nossa para eu me distrair e não ficar pensando e ficar checando o Twitter a cada 10 minutos tentando descobrir o que ele está fazendo em LA. E não quero ficar vendo alguns comentários maldosos sobre mim na internet. Um pessoal da minha turma também vai e não vou deixar você sozinha aí.

— Está bem, vai ser bom eu também me distrair um pouco. Só me ajuda escolher algo. — falei enquanto ia em direção ao closet. — E posso saber onde iremos exatamente? — perguntei ao começar a vasculhar minhas roupas.

— Combinamos de ir ao The Lock Tavern. Fica bem perto do Camden Market. — se escorou na porta do closet.

— Não conheço… — coloquei minha blusa e em seguida vesti meu “destroyed jeans”. — Mas sei onde fica mais ou menos, você vai me indicando o caminho.

(…)

— Vamos querer este Fritas & Peixe. — apontou no cardápio fazendo seu pedido ao garçom que acabara de nos trazer nossa bebida. — Logo meus colegas estarão aqui. Então o que está achando? É legal o lugar né? — perguntou sem tirar o olho do celular.

— É legal, mas eu estou bem aqui. — Coloquei a mão na frente da tela do dispositivo. — Você disse que queria sair pra se distrair e não ficar checando o celular a cada cinco minutos, então…

— É que eu havia recebido apenas uma mensagem do Harry assim que ele chegou lá e… Desculpa, você tem toda razão. — Guardou o aparelho dentro da bolsa.

No momento em que o garçom colocou nosso pedido na mesa, os colegas de chegaram.

— Olá! — levantou-se. — , esses são o George, a Caileen, Maddie, o Aaron e o Teddy. E pessoal essa aqui é a .

— Prazer! — acenei cumprimentando a todos e então ainda sentada me afastei mais no banco para dar espaço para que pudessem se juntar a nós.

— Não lembro a última vez que saímos juntos, . — Caileen comentou.

— Verdade. Foi bem antes do acidente do meu irmão. — respondeu com a voz levemente embargada. Pegou sua bebida e bebeu um longo gole.

— Desculpa, não queria tocar no assunto. — Caileen se desculpou.

— Sentimos falta das nossas saídas. — Nathan interveio. — , não sei até onde você conhece o lado festeira da senhora aqui. — sorriu quebrando o clima que havia se formado.

— Pouco, mas posso imaginar. — eu ri e olhei para , que nesse momento demonstrava estar mais animada.

O ambiente era extremamente agradável, música ao vivo, a conversa fluía tão bem e os colegas da eram muito divertidos. Resolvi pedir mais uma rodada de cerveja para nós, tudo que queria era aproveitar esta noite.

— Assim vai nos deixar mal acostumados. Mais uma rodada? Isso merece até um brinde. — falou Aaron todo animado.

— Com certeza. — Todos concordaram e repetiram seu gesto segurando seus copos e então brindamos.

— Desse jeito estou me apaixonando pela sua amiga aqui, . — brincou Aaron.

— Calma, calma, Aaron. Ela é uma mulher comprometida. Não tão bem comprometida. — debochou. — Mas… Espera aí… — largou o copo na mesa. — Agora que estou notando algo de diferente, ou diria, algo que está faltando em seu dedo. Você perdeu ou…

— Deixei em casa. — completei. — Eu não estava mais suportando usá-lo, estava me incomodando, sabe? — sorri pra do jeito que ela sabia do que me referia.

— Isso definitivamente merece mais um brinde. — riu e ergueu seu copo novamente.

— Estamos um pouco perdidos na história, mas tudo bem. — George que estava mais quieto se pronunciou. — Vamos beber!

— Só tenho uma coisa a dizer, que mesmo que esteja comprometida, vou lutar pelo seu amor, minha querida. — Aaron continuou com suas brincadeiras. E me abraçou de lado, com apenas um braço cheguei pensar que ia me esmagar de tanta força, também com todos esses músculos.

, sinto muito, mas ninguém resiste ao charme do grande Aaron, 1,92 de pura gostosura. E como resistir à esse moreno de olhos azuis? — Maddie apontou para ele rindo. — E falando em gente comprometida, dona … quer dizer que está namorando uma celebridade, hein? Queremos saber todos os detalhes…

— O quê? — minha amiga se fez de desentendida. — Não estou. Somos apenas amigos. — explicou. — Essa música… Até que estou gostando desse DJ que começou a tocar, porque a banda de antes… — fez uma cara feia e mudou imediatamente de assunto. — Não curti não.

— Tem razão, , me bateu até uma vontade de ir ali dançar. Quem topa? — propus ajudando minha amiga se livrar de qualquer interrogatório a respeito de Harry.

Em só coro, todos concordaram imediatamente e se levantaram da mesa, sem contestar. Fiquei surpresa apenas olhando, pois foi tão rápida a resposta de todos que de início fiquei sem reação, acho que bebida havia deixado mais lentos meus sentidos.

— Vamos. — Aaron esticou o braço me puxando para acompanhá-los para perto do palco.

— É, , por enquanto a senhorita se livrou, porque estou com muita vontade de dançar, mas depois você não me escapa de contar sobre seu novo namorado… — Maddie a cutucou.

O pub estava realmente lotado e eu estava ficando com muito calor. Todos estavam dançando e rindo muito, Aaron começou a se passar um pouquinho pro meu lado, então resolvi ir até o bar buscar mais uma cerveja.

Segurei forte minha caneca para não derrubar em ninguém, mas estava bem cheia, então foi meio que inevitável e ao me virar do bar alguém acabou esbarrando em mim e espirrou um pouco de cerveja na minha blusa.

— Droga! — exclamei olhando para a minha blusa e segurei firme o copo para não derramar mais.

— Descul… ?

Ergui a cabeça e não conseguia acreditar em quem estava à minha frente.

— Liam? — senti um friozinho no estômago.

— Nossos encontros serão sempre assim, um esbarrando no outro? — Ele falou em tom de brincadeira e depois sorriu.

— Assim? O-O que você… Como? O quê? Você está fazendo… aqui…— eu estava tão surpresa de encontrá-lo aqui que as palavras não saiam exatamente como eu queria.

— É sempre assim quando você fica nervosa? Mistura o inglês com o português? Tenho que admitir que fica uma graça. — ele riu novamente.

— Não achei engraçado… — permaneci séria e franzi a testa. Tomei um fôlego e falei mais pausadamente: — Eu quis dizer o que você está fazendo por aqui? Está sozinho? — Nessa hora pensei, por que não me calo de uma vez? Que pergunta estúpida, o que mais ele estava fazendo em um pub? E o que me interessa se ele está sozinho? Como sou idiota.

— Eu vim com o Niall e um amigo dele, mas e você? — olhou para os lados. — Resolveu sair um pouco com o Albert? — perguntou sério.

— Não… Ele está viajando. Estou com a e uns colegas dela da faculdade. Ela não gosta de me deixar sozinha em casa e então me arrastou para sair com ela. — soltei um risinho e tomei um gole bem grande da minha cerveja antes que eu derrubasse mais.

— Eu queria mesmo falar com você… — me puxou de leve mais para o canto do bar. — É sobre ontem. Eu queria dizer que eu sei que você está noiva e…

— Eu sei que você havia bebido ontem, então não precisa dizer nada, Liam. — o interrompi.

Antes que ele pudesse dar continuidade à nossa conversa, senti alguém envolver os braços em minha cintura. Eu me virei assustada.

— Aaron! — tentei gentilmente me soltar dele.

— Vim ver por que estava demorando… Estavam pedindo por você e resolvi te procurar. — Aaron estava enrolando a língua, claramente embriagado. — Vejo que está me trocando por outro já? — Aaron riu e depois encarou Liam, mas desta vez se mostrou um pouco ácido e mais agressivo na forma de falar, diferente de como estava se portando antes.

— Ai, Aaron, chega dessas piadinhas. Liam, esse é um dos colegas da .

— Prazer. — Liam, com uma cara nada amigável, estendeu a mão para Aaron.

— Está bem. — Aaron ignorou Liam, deixando-o com a mão estendida. — Você não é um daqueles carinhas lá… — colocou a mão no queixo. — Como é mesmo? Daquela bandinha, que as menininhas ficam gritando, como é? One… — estalou os dedos tentando lembrar. — One… Sei lá…

— Da One Direction. É ele sim. — Prontamente respondi na tentativa de interromper as provocações de Aaron.

— Minha priminha de 11 anos que gosta. — fez uma cara de desprezo. — Agora vamos? — me segurou forte pela mão.

Realmente agora Aaron estava sendo muito inconveniente, como alguém que eu acabara de conhecer estava achando que tinha esse direito sobre mim? Não queria criar caso, afinal ele era amigo da , mas ele estava me deixando irritada.

— Pode ir, Aaron, avisa que logo volto com o pessoal, está bem? — tentei me manter o mais calma possível, afinal ele havia bebido e aquele provavelmente não era seu estado normal. Ele apenas concordou com a cabeça e me olhou com cara amarrada e deu as costas.

— Simpático esse seu amiguinho. — Liam comentou sarcasticamente.

— Não é meu amigo, ele é um colega da faculdade da e eu o conheci hoje. Acho melhor…

Fui interrompida por duas moças que pararam para tentar tirar uma foto com Liam. Aproveitei a deixa para me afastar dele.

— E eu vou voltar com o pessoal. — o avisei e dei as costas rapidamente antes que ele pudesse me impedir de ir. Nem olhei para trás e fui reto em direção aos banheiros.

Aaron me abordou um pouco antes de eu chegar ao banheiro feminino.

— Hey, . — Me segurou pelo pulso. — Como a nunca havia mencionado que tinha uma amiga tão linda? — Começou a me puxar para mais perto dele. Apenas dei um sorrisinho forçado, não estava com muita paciência pra cantada barata e abusada. — Estou falando sério. Acho que estou apaixonado. — me segurou contra a parede.

— Aaron, por favor me solta que eu quero ir ao banheiro. — Não estava conseguindo me soltar. Além de alto, ele realmente era forte. Tentei escapar sutilmente, mas sem sucesso.

— Não precisa ter pressa, gostosa. — deu um apertão na minha bunda. Mas que desgraçado, meu sangue ferveu nesta hora.

— Agora chega, Aaron, me solta agora. — falei furiosa. Havia dois casais se amassando ao meu lado que sequer estavam prestando atenção em mim. Por que esses malditos banheiros tinham que ser tão escondidos?

— É só um beijinho, sei que você também ficou atraída por mim… — Me segurou forte contra a parede.

— Chega, só pode estar de brincadeira… Eu não quero. Tentei ser educada, mas se não me soltar vou ser obrigada a fazer um escândalo. Me solta agora. — falei alto e firme. Ele ficou sério me olhando e então resolveu me largar.

— Que nervosinha… Ainda vai implorar por um beijo meu. — Aaron disse de forma arrogante, por um instante lembrei de Albert. ele então se virou e saiu andando calmamente em direção à saída da área dos banheiros.

Respirei fundo e pude sentir minhas pernas um pouco bambas. Eu nesse meu tamanho, perto daquele brutamontes, tomei um tremendo susto e cheguei inclusive perder a vontade de ir ao banheiro. Cruzei o pub, em uma velocidade relâmpago à procura de , havia perdido a vontade de ficar neste lugar, tudo que eu queria era ir embora imediatamente, nem com o Albert viajando conseguia me livrar e me divertir, tinha que existir clones do Albert por aí.

A encontrei na mesa em que estávamos antes e para minha tranquilidade Aaron não estava ali. Junto com ela estavam apenas Caileen e Maddie.

, estou indo embora. Não estou me sentindo muito bem.

— Que aconteceu? Está pálida. É por causa de alguém? Alguém que acabei de ver aqui?

— Quem? Não… — franzi a testa. — Não é nada, só um mal-estar.

— Pensei que era… Sabe? Como vi o Niall saindo a pouco…

— Não é por isso, realmente não estou me sentindo bem e preciso ir embora. Vamos? — respondi de forma até um pouco rude. Não iria entrar em detalhes, pois queria sair o mais rápido possível, antes de ter que me deparar com o Aaron.

— Você está bem pra ir dirigindo e voltar sozinha? É que vou ter que levar o Aaron pra casa. Tadinho, ele não está em condições de dirigir, estou esperando-o voltar do banheiro. E como a Caileen estava de carona com ele e não sabe dirigir, vou levar ela também. O Teddy já foi embora e o George vai levar a Maddie. E depois vou dormir na casa da Caileen hoje. Estou te achando muito estranha, você não está bem…

— Imagina, . Fica tranquila, eu estou ótima pra voltar sozinha, não se preocupe. É sério. Eu vou indo então, amanhã conversamos. — em seguida me despedi das meninas na mesa e praticamente fui correndo até a saída do pub, tudo para não cruzar o caminho de Aaron novamente.

Antes de pisar para fora da porta do pub, percebi que uma chuva fina começou a cair. E foi no instante seguinte que ouvi alguém chamar meu nome.

, espera… — Liam apareceu atrás de mim na porta. — A pediu para te alcançar as chaves do carro.

— Sempre acabo deixando algo para trás. — saí tão rápido que acabei esquecendo que havia deixado na bolsa dela, porque era maior que a minha. — Obrigada.

— Está começando a chover. Vamos, eu te acompanho até o carro. — falou e segurou as chaves com ele.

— Está bem, mas meu carro está do outro lado da rua. — apontei.

Assim que pisamos na calçada ele tirou sua jaqueta e colocou sobre a minha cabeça, pois chuva começou a ficar mais forte, então começamos a correr até meu carro. Chuva, mais , mais minha falta de coordenação e correr de salto alto, era meio previsível de que o resultado dessa soma não seria bom. Meu salto virou em uma poça d’água fazendo com que eu tropeçasse e caísse de joelhos no meio da rua. Juro que se tivesse um bueiro aberto ou qualquer outro buraco mais próximo eu me enfiava dentro e não saía de lá até o dia seguinte de tamanha era a minha vergonha.

Logo apareceram alguns paparazzi e começaram a perguntar se eu estava bem, juro que não sei de onde eles surgem assim tão de repente. Mesmo abaixo de chuva eles não davam trégua. Que ótimo era tudo que eu precisava fotos minhas estaqueada e molhada na saída de um pub. Liam gentilmente me ajudava a levantar em meio àquele aglomerado de paparazzi.

Liam rapidamente me levantou e eu me escorei nele. Começamos a andar mais rápido para nos livrarmos da chuva e dos flashes. Ele destravou as portas e me guiou até o banco de passageiros. Todos aqueles flashes estavam quase me cegando. E em uma incrível velocidade ele deu a volta e entrou no carro.

— Precisamos sair daqui… — Liam sorriu e colocou o cinto. Fiquei sem entender nada e como estava um pouco desorientada não consegui sequer dizer nada e logo ele arrancou com o carro para poder se livrar logo daqueles paparazzi.

Ficamos em silêncio por um tempo e assim que tomamos uma certa distância daquela rua, Liam falou:

— Desculpa por roubar seu carro. — deu uma risadinha e me olhou de lado.

— Tudo bem… — me arrumei no banco e coloquei a jaqueta dele que estava molhada no banco de trás.

— Acho que não adiantou muito. — Ele comentou se referindo à jaqueta. — Acabou se molhando toda.

— Ajudou um pouco… — assim que respondi, acabei rindo ao me olhar e ver que estava encharcada, com minha calça suja e os joelhos esfolados. — Que ótima noite para ter escolhido usar esse jeans rasgado. — Mencionei ainda analisando meu estado.

— Seu joelho está sangrando. — disse Liam em um tom preocupado. — Quer que eu te leve ao hospital?

— Que exagero para um cortezinho de nada… — abri o porta-luvas e revirei um pouco, então tirei de lá uma caixa de lenços de papel. Peguei uns dois lencinhos e fui passando de leve para tentar limpar um pouco. — No máximo vai ficar um hematoma amanhã.

— Isso se também não render um resfriado. — disse enquanto reduzia a velocidade e foi se aproximando do seu prédio.

— Posso dizer o mesmo pra você, pois com certeza se molhou mais que eu.

— Espero que não, amanhã temos entrevista na rádio logo cedo. — Continuou manobrando até a garagem. — Obrigada pela carona forçada. — falou rindo assim que desligou o motor do carro.

— Sempre que precisar. — sorri para ele.

No instante em que retirei o cinto de segurança, Liam segurou minha mão e então levantei meu rosto, voltando minha atenção a ele.

— Lá no pub percebi que você estava me evitando, mas eu até entendo o porquê. — Soltou um breve suspiro. — O que aconteceu na Maddox… Bem, talvez você deve estar achando que eu sou um idiota imaturo, que costumo agir por impulso, mas não. Isso não significa que eu esteja arrependido, mas eu não tinha esse direito. Então me desculpa… — deu uma pausa olhando em meus olhos. — Eu nunca devia ter te beijado.

— Não Liam, não é que eu estava te evitando, é só que… bem, o problema é que… — pensei por alguns instantes, mas eu precisava falar a verdade. — É que eu também queria te beijar e isso me deixou muito confusa, só isso.

Sua mão então se aproximou de meu rosto, aquele toque fez meu rosto ficar quente, pisquei pausadamente e respirei fundo. Senti-lo assim tão perto novamente, me deixava um pouco desorientada e então temi ir adiante, afinal e se alguém nos fotografasse? Foi quando precisei dizer algo que na verdade não sentia, mas era necessário falar, para que tudo não ficasse mais confuso do que já estava. — Acho melhor esquecermos tudo e continuar como se nada tivesse acontecido. — ao terminar de mencionar essas palavras senti meu estômago revirar, afinal a última coisa que queria era esquecer o nosso beijo.

— É isso mesmo que você quer? — franziu a testa e se afastou um pouco, arrumando sua postura no banco.

— É claro que não, tudo que eu queria era poder repetir a noite anterior, sem me importar com mais e nada e mais ninguém. — Pensei. — Sim. — respondi firme. — Porque estou noiva. — Disse sem muita convicção e engoli seco.

— Então repete, porque seus olhos dizem o contrário. — Virou-se de novo e segurou de leve meu braço, causando novamente um leve formigamento e aquele friozinho no estômago que só seu toque me proporcionava. — Não vou cansar de repetir: ele não te merece. — fez um carinho com seu polegar.

Fiquei sem conseguir pronunciar sequer uma palavra e logo eu estava perdida naqueles olhos que insistiam em continuar a me olhar profundamente, o modo como ele me atraía era como um imã e não podia negar que o que eu mais queria agora era beijá-lo novamente e não me distanciar mais dele.

Atchim! — virei o rosto para o lado. De certa forma este espirro impediu de eu ter que repetir o que não queria dizer e ao mesmo tempo evitou que algo pudesse ir mais adiante dentro deste carro. — É melhor eu ir, estou precisando trocar de roupa… — passei as mãos pelo meu jeans molhado.

— Claro… Não quero ser responsável por uma gripe depois. — concordou e virou-se para sair do carro.

E era como se neste instante meu corpo estivesse formigando de ansiedade, algo mais forte me controlava e em um impulso, antes que ele abrisse a porta eu o segurei pela mão.

— Espera. — falei em só fôlego.

Liam virou-se de frente para mim e pareceu surpreso pela minha atitude. Respirei fundo enquanto ele atentamente me olhava. Eu não estava mais aguentando, nada mais importava naquele momento, apenas me lembrava de toda eletricidade entre nós na noite passada e como eu queria sentir tudo aquilo novamente. Subitamente o agarrei pela gola da sua camiseta e o puxei para mais perto de mim. Deixei meu bom senso de lado e selei nossos lábios em um beijo impetuoso e cheio de desejo, como se eu tivesse uma sede insaciável de seus lábios. Senti suas mãos deslizarem até minha cintura, a segurando com força. Meu coração começou a bater mais forte, eu queria desfrutar de cada segundo.

Assim que deslizei minha mão até sua nuca eu pude sentir sua respiração acelerar. Sem afastar nossos lábios, ele gentilmente encostou minha cabeça contra o vidro do carro e continuou seus beijos pela lateral do meu pescoço. Sua língua começou a contornar o lóbulo da minha orelha e sua respiração quente e acelerada fez meu corpo inteiro estremecer. Seus lábios voltaram ao encontro dos meus e nosso beijo continuava no mesmo ritmo, ele então dava leves mordiscadas me provocando. Nossos toques foram ficando mais intensos, totalmente ofegante eu passei minhas mãos por cima de sua camiseta e agarrei suas costas com força o fazendo soltar um gemido.

Sentia o peso de seu corpo sobre o meu e uma de suas mãos percorreu até a barra da minha blusa, fazendo seus dedos tocarem de leve minha barriga, não consegui conter um suspiro. Era um toque suave e carinhoso, parecia fazer meu corpo flutuar. Um turbilhão de sensações invadia meu corpo e eu estava totalmente dominada por toda aquela atmosfera quente que pairava dentro deste carro.

Comecei a estranhar quando de repente ele foi mudando o ritmo do nosso beijo, agora ele me beijava com mais calma, parecia estar querendo apenas me manter ali envolvida em seus braços, sentia todo seu desejo por mim transparecer, mas mal sabia ele que isso era tudo que eu mais precisava, simplesmente estar com ele e nada mais.

Liam então separou lentamente seus lábios dos meus, como se não desejasse fazer isso.

… — pronunciou baixo, quase como em um sussurro. — Acredite, eu quero mais… Pode até parecer loucura o que irei dizer, mas quero que você seja só minha e a cada dia estou mais certo disso. Mas não quero as coisas pela metade, não sou assim. — dizia enquanto acariciava meus cabelos. — Eu olho pra você e lembro do dia que nos esbarramos e eu te desejei desde então.

— Liam, você sempre me deixando sem palavras. — Sorri um pouco acanhada, me afastando um pouquinho e arrumando minha postura no banco do carro. — Você sabe que é complicado… Não só pelo meu relacionamento com Albert, afinal nosso prazo de validade expirou, mas sim por quem é Albert Cole. E dessa vez quem deve desculpas sou eu. Deveria ter pensado antes de agir e… a partir de hoje o melhor é nos mantermos afastados, é tudo muito arriscado.

— Pelo contrário… Depois de hoje não posso prometer isso. — Sorriu de canto. Pegou minha mão e depositou um beijo nela e rapidamente saiu do carro. — Bons sonhos, . — falou através da janela e correu através do estacionamento me fazendo o perder de vista sem me dar a chance de uma resposta.

Ele me traz a paz que eu tanto buscava, ele me desafiou a abrir os olhos para a vida e resgatou sentimentos que estavam adormecidos dentro de mim.

Realmente as coisas não seriam mais as mesmas depois de hoje, eu poderia dizer que estou apaixonada? Ou melhor, deveria dizer que entrei em um caminho sem volta, um caminho deliciosamente arriscado? Só preciso me entregar, ou não. Bate aquele receio, uma insegurança, aquele medo da paixão repentina e de tudo não passar uma amarga ilusão. Talvez isso seja uma grande confusão da minha cabeça ou talvez não. Preciso urgentemente colocar minhas ideias em ordem… Mas se isso não é o certo, o que é então?

Tudo que eu precisava agora era ir para casa e deixar o tempo responder. Nada como uma noite de sono e um dia atrás do outro. Pulei para o banco do motorista e então dei partida no carro, contornei o estacionamento e saí o mais rápido possível de lá.

Capítulo Dez

Antes de ir à reunião que Richard havia convocado na Modest, eu precisei passar em alguns lugares buscar as roupas que os garotos da 5SOS irão usar em um show local quarta à noite.

Enquanto dirigia, retirei uma das mãos do volante sem tirar minha atenção da estrada, estiquei meu braço até o banco traseiro e tateando consegui alcançar a jaqueta que Liam havia esquecido. Puxei-a para frente e mesmo tendo pegado chuva, seu perfume ainda estava nela.

Eu ainda não conseguia acreditar que eu havia o beijado ontem à noite, onde eu estava com a cabeça? Nunca havia feito algo tão impulsivo assim. Mas tenho que tomar consciência que isso nunca poderá ir adiante, as coisas não são assim tão simples, pois é aí que o nome Albert vem à tona e sua assustadora reação de quando tentei terminar nosso relacionamento martelam em minha memória sem parar. Existem tantas questões contra que eu devo parar de me iludir dessa maneira.

Todas as roupas separadas, agora eu só precisava retornar até a Modest. Dei partida no carro e durante o percurso resolvi sintonizar a rádio para tirar um pouco meu foco dessa miscelânia que eu estava fazendo na minha vida.

— Não é possível… — falei comigo mesma, ao ouvir que a música que estava tocando na rádio era “Right Now” da One Direction. Assim que a música terminou o radialista continuou a transmissão:

Klein: Estamos quase encerrando a programação especial One Direction. Vamos continuar com o “Verdade ou Desafio”. Essa é para o Niall… Verdade ou Desafio?

É claro! Tinha esquecido completamente, ontem Liam havia mencionado que hoje fariam uma entrevista na rádio pela manhã.

Niall:Desafio.

Klein:Faça uma declaração de amor para a ouvinte que vamos ligar agora, usando o nome de três músicas de vocês. (…) — Alô? Quem fala?

(ouvinte 1): É a Emily.

Klein: Oi, Emily. Aqui é da rádio LBC FM… tem alguém aqui que quer te falar uma coisa.

(ouvinte 1): Ai meu Deus! Aiiii, estou… Ahh!

Niall: Olá Emily!

(ouvinte1): Ai, Niall… Não acredito!! Meu Deus… Ahhh!!

Niall: Respira, calma que eu tenho algo pra lhe falar: Estou tão apaixonado por você que fico “up all night” e desde da primeira vez que te vi eu quis “kiss You” e logo pensei que seríamos para sempre “You and I”.

(ouvinte 1): Ahhh! Hoje é o dia mais feliz da minha vida! Ai meu Deus…! Eu te amo Niall!

Klein: Pelo visto é recíproco (rs)… Emily, mantenha a calma aí… Pela sua participação, você acabou de ganhar um par de ingressos para o próximo show da One Direction. É só permanecer na linha para confirmar seus dados e combinar a retirada do ingresso. Obrigado querida.(…) Agora vamos para uma ouvinte que está conosco pelo telefone.

Klein: Bom dia querida directioner, qual é o seu nome?

(ouvinte 2): Faith.

Klein: Esta é para o Liam… Verdade ou Desafio?

Liam: Eu escolho… Verdade.

Klein: Faith, pode fazer sua pergunta.

(ouvinte 2): “Liam, eu li em um site que você e a Sophia voltaram ou estão prestes a voltar? Diz que ela foi vista saindo do seu prédio ontem pela manhã. Eu “shippo” tanto vocês! Isso é verdade?”

Klein: E então Liam, você escolheu verdade… (risos) Não vai deixar suas fãs sem resposta, não é mesmo?

Liam: Klein… E Faith… Só tenho a dizer que nem tudo que esses sites dizem é verdade.

Klein: Isso seria um não? Um talvez?

Liam: Que tal uma pergunta para o Harry?

Essa pergunta chegou me causar um calafrio, ouvir o nome da ex dele, se eles haviam voltado ou não me causou total desconforto. E que história era essa de ela ser vista saindo do prédio dele de manhã? Claro que eu não estava em uma posição de poder fazer exigências, mas depois de ele ter me beijado? E todas as coisas que ele me disse? Um embrulho chegou a se formar no meu estômago e resolvi desligar o rádio como que em um impulso, não queria ouvir mais nada. Eu não podia ficar encanada com tudo isso, afinal eu sabia também o quando esse meio é cheio de rumores e eu precisava manter o foco no trabalho agora. Definitivamente eu estava ferrada, não tinha direito nenhum de me sentir assim em relação a ele. “Em que mundo você está? Admita que foi apenas uma distração e só, ele apenas falou coisas que eu estava precisando ouvir e pronto. Foi bom, foi ótimo, agora é hora de voltar para a realidade. Chega de devaneios, .” — Briguei comigo mesma. Virei à esquerda na última rua e enfim cheguei ao meu destino.

(…)

Cheguei à Modest, bem humorada cumprimentei a todos e antes de cruzar a recepção pedi ao Collin, o zelador, para me ajudar a subir as roupas que estavam em meu carro até o penúltimo andar.

Dentro do elevador decidi parar alguns andares antes e dar uma passada na sala de Albert, para confirmar o horário da reunião com Richard depois. Bati na porta e resolvi abrir, mas ele ainda não havia voltado e para minha surpresa, em cima de sua mesa estava seu celular, o qual vibrou neste mesmo instante. Olhei para os lados, resolvi entrar e fechei a porta. Peguei o dispositivo e era uma mensagem recebida e então aproveitei para dar uma espiada. Vinha de um número desconhecido e dizia:

Xx Vou me atrasar amor, estava um pouco cansada do final de semana extraordinário que tivemos, mas nos vemos mais tarde está bem? Lov, sua Shan. Xx
O número poderia não estar gravado, mas o remetente com certeza não era tão desconhecido assim, “Shan” realmente não escondia a identidade. “Lov, sua Shan” que coisa mais ridícula. Logo me arrependi de ter lido essa porcaria de mensagem, então larguei rapidamente o aparelho de volta na mesa. Albert não podia nem sonhar que eu havia mexido em seu celular.

Toda minha desconfiança sobre o final de semana havia se confirmando, mas aquilo nem me abalava mais, pelo contrário, só me fazia cada vez pegar mais nojo dele. E qualquer pingo de culpa por ter beijado Liam desaparecia.

Saí de sua sala o mais rápido possível, corri e peguei o elevador para o penúltimo andar onde seria feita a prova das roupas e aguardar todos por lá.

— Bom dia, Robbie. — Cumprimentei o fotógrafo que faria a sessão de fotos hoje e larguei minha bolsa em uma pequena mesa perto das caixas de roupas.

— Bom dia, . Está animada, hein… Tomara que hoje eles colaborem conosco, porque o tempo está corrido. — comentou enquanto ajustava sua máquina. — Pensei que o Albert chegaria com você, ele falou que acompanharia a sessão de hoje.

— Como? — arregalei os olhos. — Não estou sabendo de nada. — Após ouvir isso, era como se tivessem me acertado um soco no estômago. — Quero dizer, acho que ele comentou meio por cima. Talvez ele venha mais tarde. — Tentei não parecer mais tão surpresa. Comecei a separar algumas camisetas e então me direcionei até os cabides para continuar organizando.

! — Robbie me chamou. — Pode vir aqui um minuto?

— Claro. — Pendurei o último cabide e fui até ele. — O que foi?

— Me dá uma ajudinha? Quero ver se a luz está boa.

— Claro, que eu preciso fazer?

— Só se posiciona ali. — Ele apontou para o centro no estúdio, onde tinha um grande sofá. — Fica bem ali no centro.

— Está bem. — Meio sem jeito sentei no sofá. — Aqui está bom?

— Aí mesmo. — Ele tirou algumas fotos, enquanto regulava o flash. — Vira mais para o lado. Assim mesmo. — Eu fui seguindo suas instruções.

Pelas risadas que ecoavam pelo corredor pude perceber que eles estavam se aproximando. Michael e Luke entraram rindo, logo atrás Calum e Ashton um pouco mais quietos.

— Só mais uma. — Robbie pediu e ajustou mais uma vez o equipamento.

— Essa modelo vai fotografar com a gente? — Luke brincou.

— Apesar da câmera ter amado ela, hoje são só vocês. — Robbie respondeu e rimos. — Tá liberada, . Obrigado.

— Imagina, quando precisar… — Sorri. — E vocês, venham comigo que as horas voam.

Entreguei um cabide a cada um e os mandei para os provadores, afinal estávamos correndo contra o relógio.

— Nossa… Nem um chá antes? Ou uma piada? — Calum, brincou antes de ir provar a roupa. — Está muito séria hoje, — me apertou a bochecha com uma das mãos, sendo que a outra segurava o cabide.

— Ai, Cal… — fiz uma expressão de dor e depois esfreguei a bochecha. — Não, é que quero terminar logo, eu tenho uma reunião depois com o Richard, só isso… — sorri fraco.

— Entendi.— jogou seu cabide nas costas.

— E se sobrar tempo… — olhei para os quatro. — Peço para Zoey buscar aqueles cookies que vocês adoram da padaria do outro lado da rua, combinado? — Zoey era minha nova assistente, inclusive ela já deveria ter chegado.

— Agora falou minha língua! — Michael correu para o provador, quase escorregando por estar apenas de meias.

Mais uma vez eu tentava manter a ordem enquanto eles trocavam de roupa. O tamanho da calça de Ash estava errado, então ele saiu do provador e me mostrou que não conseguia se mexer, fazendo um rasgo no meio das pernas. Luke saiu de cuecas e ficou na frente da câmera cada vez que tentavam fotografar o figurino do Calum, enquanto Michael filmava tudo que acontecia com seu celular. Claro que não me importava com tudo isso, pois apesar de estarem agitados eles estavam colaborando e estávamos dentro do horário e isso mantinha o clima descontraído e divertido.

Alguns minutos depois Zoey chegou para me auxiliar, afinal conseguir controlar todos era uma missão quase que impossível algumas vezes.

— Zoey, veja se consegue apressar o Mike e o Luke. E alcança pra eles aqueles dois cabides que estão separados ali. — Apontei para a arara de roupas.

— Pode deixar, — Zoey prontamente respondeu.

De repente Albert cruzou a porta, batendo os pés e parou diante de mim.

— Preciso falar com você agora. — falou incisivo. — Vem comigo. — Me segurou pela mão e me guiou até um canto perto dos banheiros.

— O que foi desta vez Albert? — soltei a respiração. Aguardando qual seria a reclamação agora.

— Quero saber sobre ontem à noite. — Mostrava-se nitidamente irritado.

— Ontem à noite? Como assim? — meu coração disparou.

— Sim! A primeira notícia que vejo… — Apontou para a revista que estava segurando. — Olhe! — Quase esfregou a página em meu nariz. — Olhas essas fotos que os paparazzi tiraram. Agora todos estão comentando que você estava sem a aliança, especulando sobre o término do nosso noivado. Como isso aconteceu? — Começou a elevar seu tom de voz.

— O quê? Do que você está falando?

— Está ficando cega, é? Olha isso aqui! — posicionou novamente a revista diante dos meus olhos. — Que história é essa de sair à noite enquanto eu estava fora e junto com a aquela nossa vizinha? Olha bem essas fotos! — continuava cada vez mais nervoso. — Olha isso aqui… — abriu a revista e folheou algumas páginas. — Aqui… Você estava sem a aliança? Logo pela manhã tenho que lidar com tudo isso? Todos especulando o término do nosso noivado e você saindo sozinha sem a aliança! — ele foi elevando seu tom de voz. — Ficou louca, é? Ainda tem mais… — virou a página, quase rasgando. — Olha você aqui caindo de bêbada na saída. E o Liam tendo que recolher você do chão? Olha a vergonha que você me faz passar… Vou ter que me desculpar por você ter feito ele passar por tudo isso, agora o nome dele relacionado a esse fiasco. Ter o nome dele estampado nas notícias de hoje recolhendo você do chão de tão bêbada E ainda o coitado teve que te levar com seu carro? Isso é demais, … — meu nome parecia um xingamento nesta hora. Balançou a revista perto do meu rosto e a jogou em um canto no chão. — Não tem nada a dizer, não? Fica aí com essa cara de sonsa, sem dizer nada.

— Primeiramente acho melhor você se acalmar e baixar o tom de voz. — Olhei diretamente para aquele semblante extremamente irritado, estava tão acostumada a vê-lo daquela maneira ultimamente que não me causava mais nenhum espanto. — Eu saí sim. Não tem como negar, né? — respondi com um tom de deboche. — O que você esperava? Que eu ficasse trancada dentro de casa enquanto você fazia a sua viagem “urgente”? — fiz o gesto de aspas com as mãos. — Fui acompanhar a , sim. Tirei a aliança para tomar banho e acabei esquecendo de colocá-la de volta, afinal ela não tem nenhum significado verdadeiro, então fica fácil de esquecer. E eu não estava bêbada coisa nenhuma, apenas escorreguei por causa da chuva e o Liam gentilmente me ajudou e como havia batido meu joelho no chão ele se preocupou e resolveu dirigir, ou seja, gentileza é uma palavra que não está no seu vocabulário, por isso tanta surpresa neste ato, não é mesmo Albert? — finalizei com um risinho cínico nos lábios. Percebi pelo breve silêncio que o havia deixado mais irritado.

— Você se acha muito esperta né? — Me agarrou pelo pulso. — Eu já estou cansado dessa sua irresponsabilidade. — Começou apertar cada vez mais forte. — Você é extremamente egoísta, imatura e… e… Será que de agora em diante preciso mandar alguém vigiá-la? Você não faz nada certo mesmo…— bufou, enquanto continuava a torcer meu pulso.

— Me solta, está me machucando… — A dor de seus dedos cravados em meu pulso começou aumentar, devido a uma pulseira que eu usava a dor se intensificava e meus olhos começaram a encher de lágrimas. — Se eu sou tudo isso e causo tantos problemas pra você, por que não me deixa livre de uma vez? Assim cada um segue sua vida e assim você não tem que me aguentar mais. — Alterei meu tom de voz, um pouco embargado.

— Fica calada. Hoje mesmo você volta a usar a aliança ou…

—Ou o quê? — o desafiei ao mesmo tempo em que tentava me soltar, mas sem sucesso.

— Está tudo bem aí? — Ashton apareceu no corredor claramente preocupado. Albert imediatamente largou meu pulso.

— Está sim. — Albert respondeu. — Foi só um pequeno desentendimento, não é amor? — olhou diretamente para mim. — Briguinha de casal, nada demais. Já está tudo resolvido. — Passou os dedos por entre meus cabelos. Apenas assenti com a cabeça, não estava conseguindo encarar Ash naquele estado. — À noite tudo fica melhor, né querida? Nada que em quatro paredes não resolvamos. — Falava de uma maneira muito asquerosa, então sem pronunciar sequer uma palavra me retirei e entrei no banheiro.

Molhei um pouco meu rosto e ainda com a torneira ligada posicionei meu pulso um pouco debaixo da água fria, pois estava bem avermelhado e estava começando a arder. Retirei a pulseira e a guardei no bolso. Enquanto encarava meu reflexo no espelho, me senti muito envergonhada por agora Ashton ter presenciado aquela cena.

Não me reconhecia, por que eu não conseguia reagir contra o Albert? Era um medo que me paralisava, não sabia explicar.

, está aí? Preciso da sua ajuda. — Zoey batia insistentemente na porta. — Não estou achando uma das camisetas do Luke.

— Já estou indo, Zoey. Dois segundos. — Enxuguei minhas mãos, respirei fundo e abri a porta.

— Me ajuda, por favor, que o Albert está me deixando louca, falando que estamos atrasadas. — Zoey falou baixinho para mim, um pouco afobada.

Logo que olhei entre os cabides, encontrei a camiseta que faltava e entreguei à Zoey. Depois de tudo estar pronto e separado, finalmente Albert sossegou e disse que estava indo para a reunião com o Richard, que começaria daqui uns 20 minutos e avisou novamente que não era para eu me atrasar, deu as costas e se retirou.

Em seguida um dos seguranças veio avisar que a van estava aguardando os garotos.

— E os nossos cookies? — Michael, Luke, Calum e Ashton reclamaram quase que em só coro.

— Pessoal, calma. Prometo na próxima deixar separado para vocês antes, está bem?

— Promessa é dívida, hein . — disse Mike.

— Mas é claro, podem confiar em mim. — eu sorri enquanto ia os acompanhando até a porta.

Assim que todos foram embora, ficamos apenas eu e Zoey para terminar de recolher o que faltava.
— Desculpe falar, mas ele é sempre assim? Tão… Tão… — Zoey parou do meu lado enquanto eu acabava de guardar minhas coisas.

— Quem? — parei e olhei para ela.

— O Albert… — ela respondeu timidamente.

— Você quer dizer tão insuportável? — foi inevitável falar, mas pela sua cara acredito que tirei as palavras de sua boca.

— É…— riu timidamente e coçou a cabeça.

— Não. Na verdade ele é cem vezes pior que isso. — Eu estava com tanta raiva que não me contive. — Desculpe, não devia falar essas coisas.

— Tudo bem… Às vezes é bom desabafar. — ela riu novamente, terminando de dobrar uma camiseta.

(…)

Ao entrar na sala de reuniões, Richard me olhou simpático como sempre com um sorriso estampado em seu rosto e em seguida pediu gentilmente para eu me sentar.

— Sente-se aqui querida. — apontou para a cadeira próxima à janela.

Albert apenas me olhava com aquela cara amarga que possuía.

— Marquei essa reunião para repassar alguns detalhes sobre a volta de turnê da One Direction. Como vocês sabem o médico de Caroline pediu para ela antecipar para a semana que vem sua licença maternidade e obviamente não poderá viajar. E vocês lembram que eu havia fechado alguns shows da 5SOS para abertura nos próximos shows durante a turnê? — olhou animado para o Albert.

— Sim, Richard. Claro que lembro. — falou com descaso.

— Como acabei de mencionar, Caroline não poderá acompanhá-los nas próximas viagens e ela ainda não conseguiu encontrar uma substituta. O que eu ainda não havia informado é que estará encarregada das duas bandas nos próximos shows. Em outra reunião eu havia mencionado que você sairia em turnê junto, mas ainda não havíamos acertado as datas. Antes você precisaria acompanhar apenas alguns shows, mas agora preciso você firme até o final da turnê, posso contar com você? Foi inclusive indicação da Caroline que até chegou entrevistar outras, mas ela acredita, assim como eu, que você é a mais qualificada. Eu e todos com quem falo estão muito satisfeitos com seu trabalho e acredito que dará conta de tudo. — Richard era só elogios. — Sei que é trabalho dobrado, mas o salário será dobrado também. Aceita minha proposta? — ele sorria no aguardo da minha resposta.

Olhei para os olhos arregalados de Albert, demonstrando estar muito mais surpreso do que eu com a proposta de Richard. Era uma proposta a qual sequer precisava pensar e ao ver aquela cara petrificada de Albert aguardando minha resposta era impagável. Era óbvio não podia negar uma oportunidade dessas.

— É claro que aceito, Richard. Vou fazer o meu melhor.

— Isso eu tenho certeza. E não se preocupe que a sua assistente irá acompanhá-la também, pra você não ficar sobrecarregada. Nesta quarta ainda não precisará viajar, porque os shows da 5SOS iniciarão a partir do final do mês. Então fique de malas prontas para o fim do mês em diante, quinze dias serão o suficiente para se organizar e depois… Pé na estrada! — Richard falou animado.

Albert ficou mudo, parecia estar em estado de choque.

— Só mais um assunto, é sobre o Harry. Albert eu vi as fotos e algumas notícias sobre ele e uma garota. Queria ter certeza se é aquela sua conhecida.

— É sim, Richard. Ela é nossa vizinha, amiga da . O nome dela é . — explicou Albert.

— Então tudo bem. Assim posso contar que nada sairá do controle, só peço um pouco mais de discrição. — Virou seu rosto para mim. — , mantenha Albert informado dos lugares que eles planejarem ir, está bem? Não quero a vida deles muito exposta, principalmente durante essa época de turnê e final do ano teremos lançamento de mais um álbum, então nada pode atrapalhar, entendido?

— Está bem, Richard. — concordei com a cabeça.

— E hoje à noite não esqueçam da festa de aniversário do Olly Murs, você não pode deixar de ir Albert, afinal você é antigo empresário dele. — Richard deu um tapinha nas costas de Albert e então voltou sua atenção à mim. — , alguma dúvida?

— Não, Richard. Por enquanto, está tudo certo. — sorri.

— Qualquer coisa que precisar é só me ligar. Agora está liberada, não vou mais tomar seu tempo. Eu ainda tenho mais uns assuntos para tratar com Albert. Tenha um bom dia.

(…)

O relógio marcava 19h00min e Albert entrou apressadamente apartamento adentro.

— Está pronta? — Ele me olhou dos pés à cabeça.

— O que você acha, Albert?

— Sim, sim… E onde está a sua amiga? Não podemos nos atrasar.

Ganhamos um convite a mais para a festa do Olly, e era óbvio que minha acompanhante extra era . Assim que desliguei o telefone, mandei uma mensagem para ela avisando para nos esperar na garagem, pois estávamos de saída.

Todo o caminho até chegarmos ao hotel para a festa, ninguém trocou uma palavra sequer dentro do carro.

Assim que chegamos ao terraço, Olly logo nos avistou e veio correndo nos recepcionar. O parabenizamos e apresentei a .
Albert e Olly pareciam velhos amigos, colocando as fofocas em dia. E não era novidade alguma ele me ignorar completamente.

— Albert, a e eu vamos até o bar. — Ele apenas acenou a cabeça e continuou conversando.

— Nossa, seu noivo um poço de companheirismo. — debochou, assim que demos as costas para ele. — Deveria ser ex noivo, né?

— Deveria, mas… — Revirei os olhos. — Espero que breve, .

— Também espero. Então, vamos fazer algo produtivo? Que tal procurar o Harry? Ele me mandou uma mensagem há alguns minutos dizendo que já estava por aqui.

A festa estava cheia e fomos andando até a parte externa, na área da piscina.

, olha lá. — minha amiga parou de andar e com suas mãos virou meu rosto para uma mesa perto da piscina do lado oposto ao nosso. — Está vendo o mesmo que eu? Têm umas oferecidas se jogando pra eles. — uma enciumada falou ao ver Niall, Harry e Louis, todos de pé e dando atenção a umas garotas que estavam por ali.

— Calma , ele está só conversando. — Tentei acalmá-la, mas ela estava com o olhar fixo para eles. — Eles estão sendo educados, afinal eles têm que tratar todos bem e você sabe disso. E se pretende continuar a vê-lo é bom ir se acostumando. Não sabia desse seu lado tão possessiva. — brinquei.

— Há-Há. — me olhou torto. — Eu sei, mas agora vejo que não é fácil. — suspirou alto e voltou a olhar para o outro lado. — Acho bom você olhar na outra mesa, mais atrás deles… — limpou a garganta. — Agora quero ver você dizer o mesmo… Olha lá. — virou meu rosto de volta em direção a outra mesa perto da piscina. — O que você dizia, mesmo? Duvido você manter a calma com aquela ruiva peituda esfregando os peitos na cara do Liam.

Liam estava sentado em uma cadeira, segurando um copo de bebida na mão e ao seu lado em outra cadeira quase que colada na dele estava uma “moça” ruiva, com um decote quase no umbigo, conversando animadamente com ele. Porque ela precisava conversar com as pernas roçando nele, mais um pouco ela senta mesmo no colo dele. Ver aquela cena realmente me pegou de surpresa e fez que meu coração palpitasse e engoli seco. O fato de eu não poder exigir ou fazer nada a respeito me deixou extremamente tensa. Aquilo realmente estava me tirando do sério, meu estômago ficou totalmente embrulhado ao vê-la passando as mãos pelo braço dele.

— Que exagero . — Tentei responder da forma mais calma que consegui e virei meu rosto, para não continuar vendo. — Eles estão apenas conversando, assim como o Harry. — Continuei tentando não demonstrar a minha real vontade de arrancar aquela menina de lá pelos cabelos, eu estava ficando louca, só pode. — E tem mais, o Liam é livre pra fazer o que ele quiser.

— Se você diz… — deu com os ombros. — Mas me desculpa, porque eu não tenho sangue de barata. E posso notar pela sua cara que você também não tem. Admita que está com ciúmes, a mim você não engana, senhorita .

— Mas que coisa, … — bufei. — Eu já tenho problemas demais com o Albert, para ficar com ciúmes de alguém que eu não tenho nada.

— Olha aí, posso ver, você não consegue nem olhar. — me provocou mais.

— Está bem! — admiti, afinal não conseguia enganar minha amiga. — Não gosto nem um pouco do que estou vendo, satisfeita? E quer saber? Já que eles estão se divertindo nós também vamos. — Segurei minha amiga pela mão e a guiei até o bar.

Pedimos um drink, cor de rosa, que estavam servindo, não sei exatamente o que era, mas a cor era tão bonita que nos chamou atenção. Estávamos no terceiro copo quando Albert apareceu do nosso lado.

— Aí está você. — me deu um beijo na bochecha, me pegando desprevenida. — Quantos desses você já tomou? — Me olhou com reprovação.

— Sei lá, Albert. — mexi no gelo da minha bebida.

— Vai começar a beber e fazer besteiras de novo? — perguntou perto de meu ouvido, tentando ser discreto.

— Até aqui Albert? Nunca me dá uma trégua, não? — franzi a testa e afastei meu rosto. Não suportava ficar tão próxima a ele.

— Precisamos ir tirar algumas fotos. Mostrar que o nosso noivado continua. Você está usando a aliança, não é mesmo? — pegou minha mão para conferir. me olhava indignada, enquanto continuava a tomar a sua bebida. — Vem comigo… — entrelaçou nossos dedos e me fez levantar para acompanhá-lo até onde estavam os fotógrafos e eu rapidamente larguei meu copo na bancada do bar.

Eu estava estampando o sorriso mais forçado do mundo e assim posamos para algumas fotos. Segui tudo como se fosse um roteiro, não queria mais brigas, principalmente publicamente, então estava tentando colaborar ao máximo com Albert para não dar nenhum motivo para seus ataques.

Enquanto tirávamos as últimas fotos com mais alguns convidados, fiquei a poucos metros de distância da piscina e vi que Liam permanecia sentado no mesmo lugar de antes e não pude deixar de notar que a mesma ruiva continuava grudada nele. Harry, Niall e Louis não estavam mais por ali, apenas os dois. E enquanto eu os observava, Liam desviou sua atenção daquela ruiva e foi quando seu olhar encontrou o meu e ele me lançou um sorriso discreto, mas eu não correspondi.

… — Albert me chamou me dando um leve puxão pela mão.

— Sim… O que? — virei meu rosto voltando minha atenção a ele.

— Está em que planeta? O fotógrafo está ali. — apontou na outra direção.

Após esse último flash, eu não estava mais disposta a continuar aquela encenação.

— Pronto Albert? Fiz exatamente como você pediu…

— Sim, hoje você está obediente. — falou irônico. — Vou só pegar uma bebida e depois podemos ir embora. — soltou minha mão.

Ele foi caminhando na frente e eu atrás, assim fui o acompanhando até o bar. Não quis olhar para trás para ver se Liam ainda estava me olhando. Nos aproximamos e ainda estava por ali, mas agora acompanhada de Harry que estava escorado no bar e a segurava pela cintura.

— Tudo bem Harry? — pegou um drink com o garçom. — Sem muito agarramento aí com a minha vizinha, hein? Exijo bom comportamento. — comentou rindo em tom sarcástico.

— Pode deixar, Albert. Sei como respeitar uma mulher. — Harry respondeu de forma bem direta. Ele não se deixava atingir pelos comentários estúpidos de Albert.

— Sim, sim… — ele ficou sem jeito. — Estou brincando. Com licença, só um minutinho e logo volto. — largou o copo na bancada. — Quando eu voltar, podemos ir para casa, está bem querida? — deu as costas e logo o perdi de vista.

— Já vai tarde… — murmurou . — Finalmente nos livramos daquela criatura. Ele é completamente louco e dissimulado.

— Esses dias ele do nada começou gritar com um assistente de som, durante um ensaio. Tudo porque não estava de acordo como ele queria e de repente ele voltou a falar calmamente com todos nós, como se nada tivesse acontecido. Parecia um doido e o ensaio ficou tenso depois disso. Só que não foi a primeira vez que ele faz dessas. Ele está a cada dia mais estranho. — Harry contou.

— É… Eu que sei bem… — suspirei.

— O temperamento dele não é dos melhores, uma prova disso é só olhar para o seu pulso. — pegou minha mão.

— Eu sei… — me soltei dela, não gostava de ser exposta assim. — Eu… Eu estou tentando me livrar dessa situação. — tentei explicar.

— Olha quem está vindo… — fez sinal com a cabeça cortando a conversa.

Soltei o ar pesadamente, me aprontando para a volta do Albert e me virei desanimada, mas para minha surpresa não era ele.

— Liam? — Meu coração palpitou e me virei de frente para ele.

— Vi que o Albert não estava por perto, então aproveitei para vir falar com você. Como está o joelho? — sorrindo olhou em direção à minha perna.

, Liam, vocês nos dão licença? Vamos ir dançar… Adoro essa do David Guetta… “I say why does it feel so good?
So good to be bad
cantarolou, cutucou meu ombro e em seguida saiu de mãos dadas com Harry e eu só concordei com a cabeça e virei meu rosto de volta para Liam.

— Só um pouco dolorido, logo está 100%… — respondi com um pouco de descaso. — Não precisava vir até aqui pra me perguntar isso, pode voltar com seus amigos.

— Não entendi. Por que está agindo assim? Aconteceu alguma coisa?

— Não… Nada… — desviei meu olhar. — Eu tenho que ir…

— O que houve? — Liam rapidamente segurou em meu braço.

— Não aconteceu nada. — Respondi friamente. — Eu… — Antes que eu pudesse falar qualquer outra coisa ele me pegou pela mão e me guiou até um lugar atrás do bar. Soltou minha mão assim que entramos.

— Pronto. — Ligou a luz e fechou a porta atrás dele. Estávamos em uma pequena despensa, com várias caixas de bebidas. — Agora você pode me contar o que está acontecendo.

— Não é nada Liam. — Não conseguia manter meu olhar nele, nem sei o porquê estava me sentindo tão irritada com ele.

— Bom, eu não saio daqui até você me contar. — Escorou suas costas contra a porta e cruzou os braço.

— Nossa, vai deixar sua amiga sozinha o resto da noite? Ela vai ficar preocupada. — Aquilo saiu pela minha boca sem controle nenhum. Eu estava com raiva dele, embora não tivesse esse direito eu não conseguia evitar, aquele sentimento estava me corroendo por dentro.

— Que amiga? — juntou as sobrancelhas estranhando minha pergunta.

— A ruiva… — continuei. — Aquela que você estava bem à vontade perto da piscina… — ele ainda me olhava de uma maneira como se tentasse entender sobre o que eu estava falando e então descruzou os braços. Por que eu acabei de dizer isso? — Deixa pra lá Liam, eu tenho que ir embora. — caminhei em sua direção até a porta e a poucos centímetros de seu corpo tentei movê-lo para o lado para tentar sair, mas ele me segurou pelo braço impedindo que eu sequer alcançasse na maçaneta.

— Quem? A prima do Olly? — ele então me soltou, mas permaneceu na porta. Por que agora eu me sentia uma completa idiota em ter mencionado isso tudo? — Espera… — seu semblante confuso se transformou em um pequeno sorriso. — Por acaso você está com ciúmes? — Ele riu, estampando um sorriso largo e satisfeito, me deixando ainda mais irritada.

— Eu… Ciúmes? Imagina… Por que deveria estar? Não estou com ciúmes. — Cruzei os braços tentando parecer o mais desencanada possível e olhei para o lado tentando disfarçar. Foi quando ele começou a rir mais e senti meu rosto ficar vermelho. — O que foi? — o fuzilei com o olhar quando percebi que ele estava se deliciando com esta situação.

Agora me arrependo de ter bebido aqueles drinks, minha boca acaba sempre falando mais do que deve.

— Nada… É que… — fez uma pausa e me olhou. — Então você está com ciúmes. — afirmou novamente ainda com aquele sorriso que não se desmanchava de seu rosto.

— Não. — neguei mais uma vez. — Apenas fiquei um pouco desconfortável com o que vi, só isso.

— Só isso? — parou de rir e respirou fundo. — Sei… um pouco desconfortável… — limpou a garganta.

— Olha Liam, não tenho o porquê ter ciúmes… — engoli seco. — Você é solteiro, tem vinte anos e… E… Fica com quem você quiser. — Dei com os ombros e me virei de costas para ele e caminhei um pouco mais para frente, me afastando.

Eu estava agindo feito uma criança e encarar aquelas caixas enfileiradas na parede me pareceu a coisa mais sensata a fazer naquele momento.

— Só porque eu tenho vinte anos não quer dizer que eu não saiba o que eu quero. — escutei alguns passos em minha direção e senti sua mão tocar meu ombro, fazendo-me virar novamente de frente para ele.

— Não foi isso que eu quis dizer, Liam. — Ergui meu olhar até ele. — Desculpe… Esquece tudo que eu disse.

— Sabe de uma coisa? — ele sorriu. — Agora não me sinto mais tão estúpido por ter ficado louco de ciúmes antes… — coçou a parte de trás da sua cabeça. — Você não tem ideia como fico… Quero dizer, como fiquei quando te vi de mãos dadas e tirando fotos com o Albert.

— Liam eu…

— Eu sei. — me silenciou. — Não consigo evitar, mas… É difícil, ele com você… — ele baixou seu rosto e segurou em uma de minhas mãos. Cada vez que ele me toca me sinto diferente e mesmo suas mãos estando frias um calor percorreu meu corpo. Seu olhar voltou ao meu. A maneira como ele me olha, criando aquela conexão entre nós, aquele olhar doce me desarma por completo. — Só queria que soubesse que desde o dia em que nos esbarramos na festa do Richard perdi o interesse em conhecer outra pessoa. — Eu fui incapaz de me conter e sorri para ele. Sem soltar da minha mão, ele deu mais um passo deixando seu corpo bem próximo ao meu e continuou olhando diretamente em meus olhos. — E não consigo explicar o modo como me sinto quando você está perto… Eu sei que é loucura, você é noiva de um dos meus empresários. E claro que andei pensando nisso ultimamente… — ele soltou o ar frustrado. — Que droga. Ando fazendo um tremendo esforço pra não pensar em você, mas é aí que mais eu penso e mais tenho vontade de estar junto, de te tocar — acariciou de leve meu rosto. — E…

— Você definitivamente deveria parar de fazer isso. — o cortei e ele parou de me tocar, soltou minha mão da dele e apenas continuou me olhando. — Você tem que parar de dizer essas coisas… Você sabe, de falar essas coisas que acabam me deixando sem resposta e me fazem ter vontade de…— fiz uma breve pausa e tomei coragem. — …de te abraçar e te beijar, sem me importar com mais nada e mais ninguém. E acabar de vez com a farsa desse relacionamento, desse… Dessa porcaria de noivado. — Meu querido álcool que insistia mais uma vez anular os sentidos do meu cérebro e fazer com que as palavras saíssem livremente da minha boca.

E foi quando Liam novamente estampou aquele lindo sorriso único e radiante em seu rosto, que deixa seus olhos estreitos do jeito que eu adoro, fazendo com que eu quase esquecesse onde estávamos e todo o risco que corríamos. Todas as emoções mais fortes que podiam existir estavam concentradas em nós. As mãos de Liam agarraram minha cintura em um movimento impetuoso, colando meu corpo junto ao dele. Minha respiração acelerou, eu sentia que estava brincando com fogo, mas naquele instante eu não possuía mais controle sobre mim. Ele aproximou seu rosto e encostou de leve seu nariz no meu, sua respiração estava acelerada e lentamente começou a passar sua língua pelo meu lábio inferior, como provocação. Senti sua barba rala roçar em meu queixo, meu corpo ficou tenso e então cedi ao meu desejo, o agarrei pela nuca e iniciei um beijo lento e antes de aumentar a intensidade mordi levemente seu lábio, obtive um quase inaudível gemido de Liam. Percorri meus lábios até seu queixo, dando mais uma leve mordida e depois desci até seu pescoço, com a ponta da minha língua trilhei um caminho até o lóbulo de sua orelha.

— É-É… melhor eu parar… — sussurrei.

Liam imediatamente, deslizou a palma de sua mão contra minhas costas e em um solavanco me segurou ainda mais firme contra seu corpo. Sua respiração estava ofegante e ele avançou em um beijo voraz, sua língua de encontro com a minha me deixou sem fôlego. O beijo começou a ficar mais intenso e cheio de necessidade e retribui ao mesmo ritmo. Uma de suas mãos começou a percorrer desde o meu quadril até o meu pescoço, entrelaçando suavemente seus dedos entre meus cabelos. Por cima de sua camiseta, cravei minhas unhas em suas costas e ele apertou com mais força meu quadril. Abri ligeiramente meus lábios em busca de ar. Ele só afastou seus lábios dos meus para movê-los até a dobra do meu pescoço, passando sua língua em movimentos tortuosamente circulares e sugou de leve a minha pele, meu corpo amoleceu e ao me desequilibrar bati com minhas costas na prateleira atrás de mim, mas Liam me segurou firme para amortecer o impacto, meu coração estava sendo bombardeado por um turbilhão de sensações. Meu corpo não estava aguentando, eu ansiava por mais, minhas mãos percorreram até a barra da sua camiseta e passei meus dedos por baixo dela, comecei a roçar a ponta dos meus dedos em seu abdômen, aquele contato com sua pele quente era tentador, sentir a reação de seu corpo contrair ao meu toque, pequenos gemidos escapavam durante o beijo e suas mãos cravavam mais forte em meu quadril, enquanto continuava a tocá-lo de maneira provocante o deixando cada vez mais ofegante.

… — falou pausadamente em meio a sua respiração. — Aamanhã… eu…

Tirei minhas mãos debaixo da sua camiseta e voltei a envolvê-las em sua nuca e comecei a distribuir leves mordidas ao redor de seu pescoço.

— Liam!! — uma batida veio da porta e nos separamos instantaneamente e com o susto acabei batendo novamente contra a prateleira atrás de mim e uma garrafa vazia acabou caindo no chão, quebrando em mil pedaços. Ficamos em choque e apenas nos olhamos, torcendo para que a pessoa não insistisse mais uma vez. — Liam… está aí? — a pessoa chamou de novo.

— Parece ser a voz do Niall… — Liam disse em voz baixa enquanto se recompunha. — Vamos fazer silêncio, aí ele vai embora. — desamassou sua camiseta a puxando para baixo.

— Eu te vi entrando aí… É urgente, abre logo! — ele batia insistentemente na porta. — Abre… E eu sei que você não está sozinho aí… Abre logo, é pro seu próprio bem… — a voz de Niall era de preocupação.

— Vou abrir. — ele gritou e foi em direção à porta e eu permaneci no mesmo lugar.

Assim que Liam destrancou a porta, Niall entrou correndo e fechou a porta novamente atrás dele. Ainda em silêncio olhou para mim e depois para Liam e balançou a cabeça de um lado para o outro.

— Cara, você é louco ou o que? — deu um soco no ombro do Liam. — Acho que só fui eu que vi vocês dois entrando aqui… Espero… — passou a mão pelos cabelos.

— Do que você está falando? Eu e a… — Liam tentou explicar. Eu permaneci em silêncio diante dessa situação embaraçosa.

— Não quero nem saber o que vocês estavam fazendo aqui. — Niall o silenciou erguendo as mãos para o ar. — Vocês têm sorte que eu estou aqui… O Albert está que nem louco te procurando a . Eu tive que inventar que você havia bebido e descido até o lobby do hotel, então isso nos dá alguns minutos até ele voltar mais enfurecido. Eu me certifiquei que não tinha nenhum fotógrafo na minha cola, então Liam, se manda daqui agora. — ele abriu a porta e apontou para fora. — que eu vou dizer que encontrei a , saindo daqui agora, que havia se confundido que aqui era o banheiro ou que ela havia passado mal e… Sei lá, algo assim… Você sabe se sua amiga já foi embora? — Niall me perguntou.

— Acho que não, ela estava de carona comigo.

— E ela sabe disso? — apontou para Liam e eu.

— Sabe… — respondi timidamente.

— Assim temos mais uma pessoa com quem contar. Vamos tentar encontrá-la e assim ela confirma a história do banheiro e tudo mais. — olhou para Liam mais uma vez. — O que você está fazendo aqui ainda? Já disse se mandar daqui! — Niall ordenou mais uma vez. Liam me olhou e então saiu porta afora.

— Vem, . Finja que está bêbada, não sei… Estou só tentando ajudar.

— Obrigada Niall. — Saímos juntos daquela pequena despensa.

(…)

Niall fez de conta que estava me ajudando e foi me guiando pela mão, me fez sentar em uma poltrona em um local onde havia sofás e pequenas mesas, mas como todos estavam lá fora festejando a sala estava vazia.

— Aí está você! — Albert gritou assim que entrou na sala e me viu. Veio caminhando e bufando em minha direção. — Niall… — ele desviou sua atenção de mim e olhou para ele. — Onde ela estava? Por que me fez descer até o lobby? — perguntou irritado.

— É que haviam me dito. Mas encontrei ela em uma despensa atrás do bar, acho que ela bebeu um pouco a mais e pensou que era o banheiro lá… e… Agora trouxe ela pra cá, eu ia agora mesmo te avisar.

— Meu Deus, só faz besteira essa mulher… — Albert falou indignado.

— Não Albert, eu mesmo achei que lá era o banheiro antes. Acontece… — Niall tentou me defender.

— Está bem. Pode deixar que agora eu assumo. — o dispensou. — Pode voltar para a festa. Obrigado. — sua voz estava falsamente calma.

— Tem certeza? Não precisa que eu busque uma água? Nada? — Niall parecia preocupado.

— Tenho… certeza. — replicou pausadamente por entre os dentes. — Agora pode ir, Horan.

Ele deu as costas e saiu da sala deixando Albert e eu sozinhos.

— Mais uma hein, … — bufou nervoso. — Não cansa de me fazer passar vergonha, não? — começou a elevar seu tom de voz. — Você sabe que ainda estou provando meu trabalho ao Richard, não posso colocar tudo a perder. Só quero que deixe de ser tão egocêntrica e ver o quanto esse trabalho é importante para mim. — Parou em frente à poltrona em que eu estava sentada.

— Eu egocêntrica? — soltei o ar pesadamente. — Acabamos insistindo sempre no mesmo assunto, você ultimamente só sabe me acusar e brigar por qualquer coisa, credo. — ergui meu rosto para ele e então me levantei.

— Pode sentar aí… Agora você vai me ouvir. — com força empurrou meus ombros e eu caí sentada de volta na poltrona.

— Que é isso? Aqui no meio da festa? Com todas aquelas pessoas lá fora? Realmente você perdeu o juízo. — reclamei alto.

— Não fale comigo assim. Eu exijo respeito! — ergueu uma de suas mãos e cerrou o outro punho. — Cala essa boca! — automaticamente me esquivei e coloquei minhas mãos na frente do rosto.

Um barulho na porta fez com que Albert abaixasse a mão. Ele olhou para trás.

— Liam! — Albert amansou a voz. — Não tinha te visto antes. Eu precisava mesmo falar com você.

— Eu vim… — Liam se aproximou e me olhou assustado. Provavelmente eu estava pálida pelo susto da reação de Albert a poucos minutos antes.

— Eu queria me desculpar, pelo fiasco da minha noiva ontem à noite. — Albert colocou a mão sobre o ombro de Liam. — E queria lhe dizer para não se preocupar que não voltará a acontecer. Não é mesmo, ? — Albert lançou sobre mim um olhar zangado. — Pelo visto terei que contratar um segurança para ela, só pra não deixar ela beber novamente ou deveria dizer que tenho que contratar uma babá? — gargalhou de forma grosseira. — Pode deixar que não vou deixá-la importunar mais você. E me desculpe mais uma vez pelo comportamento inadequado dela.— soltou mais um risinho nervoso.

— Se desculpar por qual comportamento inadequado? — Liam indagou inquieto. — Acho que o único que está se comportando de forma inadequada é você, Albert. Se você está se referindo às fotos da saída do pub ontem, ela não fez nada de errado. Se por um instante você prestasse atenção na mulher que você tem ao seu lado, perceberia que na verdade ela não estava bêbada e sim havia machucado seu joelho. Por isso achei que ela não estava em condições para dirigir. E no fim foi ela quem acabou me ajudando, pois eu estava sem meu carro. — Respirou de maneira como se tentasse recuperar a calma. — Ela nunca me importunou, pelo contrário, me ajudou e muito. Isso só demonstra que você não conhece a de verdade. — explicou, lançando um sorriso para mim. — E quem deveria se desculpar por algum comportamento inadequado seria você, por não saber o que aconteceu de fato e sair julgando pelo que lê na mídia. Nossa Albert, você está há tanto tempo neste meio que por um momento pensei que soubesse que nem tudo que é divulgado é exatamente o que parece. — finalizou sarcasticamente deixando Albert sem palavras.

— É-É… você tem razão. — Ficou estampado que Albert estava furioso por não ter como rebater. — Está bem, então… — Albert fingiu fazer pouco caso, como se não tivesse ouvido uma palavra sequer que saiu da boca de Liam. — Precisamos ir embora, meu amor. — me pegou pela mão e eu instintivamente soltei. — Vamos? — me encarou com o olhar tenso.

— Você pode ir. — respondi rispidamente.

— Por quê? Vai volta a pé? — riu nervoso e olhou um pouco acanhado para o Liam. Agora ele não queria criar cena. — Mas como preciso ir agora, você também precisa ir. — Falou pausadamente por entre os dentes. Era visível que ele estava ficando mais irritado que antes.

— Preciso? A festa está boa e eu queria ficar mais um pouco, querido. — respondi de maneira irônica.

— Mas você é minha noiva e não deve ficar por aí sozinha.— continuou insistindo.

— Está bem. — soltei o ar em rendição. Era pior confrontá-lo dessa maneira e ficar com essa discussão estúpida na frente do Liam não ia levar a nada. — Eu preciso chamar a , afinal ela está de carona com nós, lembra? E em seguida podemos ir.

— Tudo bem, meu amorzinho. — Sua veia da testa estava quase criando vida para fora de seu rosto. Se aproximou e me deu um beijo no rosto. — Vou buscar meu casaco e me despedir do Olly. — deu as costas e ao sair da sala bateu a porta com força.

— Liam, eu preciso ir, você sabe… — Me despedi mesmo contra a minha vontade.

— Na verdade, não sei. — balançou a cabeça negativamente. — Eu não te entendo… Por que acaba sempre cedendo a tudo que ele pede? Olha a maneira como ele te trata. — disse inconformado.

Fiquei o encarando por alguns instantes, não tinha a resposta certa para isso ou seria medo a resposta correta? Era como se eu fizesse tudo automaticamente, quando se tratava de Albert, tudo para não o aborrecer ou deixá-lo zangado. Eu não teria como explicar o que havia acontecido minutos antes de ele chegar, ainda não estava entendendo de fato se Albert teria a coragem de me bater mesmo ou foi só um impulso de erguer a mão para mim?

— É sério, não consigo mais ver ele te tratar assim.— Seu olhar caiu sobre mim em uma expressão séria, mas ao mesmo tempo demonstrava preocupação.

— E-eu… Eu também estou cansada disso tudo, mas é que… É complicado tentar explicar… — Desabafei demonstrando um pouco de minha confusão.

— Mas… Você o ama? — perguntou com a voz arranhada.

— Não, não mais… Já amei. — minha resposta saiu tão clara e imediata, sequer pensei por um segundo ao responder.

— Desculpa, mas agora entendo menos ainda… — Liam coçou a cabeça.

— Viu? A minha vida é uma confusão mesmo, por isso a melhor coisa é você se afastar dessa loucura.

— É tarde demais para eu me afastar. Talvez esse não seria o momento de você parar de dar desculpas e deixar alguém te ajudar a organizar essa “bagunça”? — disse com meio sorriso nos lábios, voltando a dar um passo adiante ficando extremamente próximo. O olhei com serenidade e respondi:

— Talvez este seja o momento de eu enfrentar meus próprios medos e me reerguer sozinha. — suavemente passei a mão pelo seu rosto e ele então a segurou.

— Mas se precisar de ajuda sabe onde encontrar. E só pra avisar, eu não vou desistir de você e estarei com a mão estendida só aguardando você se reerguer.

Sorri para ele e me afastei, pois naquele instante várias imagens do nosso beijo e do nosso primeiro “esbarrão” invadiram minha mente, pude perceber que possuíamos uma conexão que rompia qualquer barreira e nos encaixávamos em vários sentidos, pois cada vez que ele estava perto me sentia segura de alguma maneira e sempre vinha aquela sensação de que tudo vai dar certo e tudo fluía naturalmente. E ele tinha esse poder de me fazer sentir tão bem sendo eu mesma. Eu não precisava usar máscaras ou ponderar minhas palavras com ele.

— Você não existe, Liam Payne. — falei ainda sorrindo e o abracei, não me importando o lugar onde estávamos. — Não quero ir, mas agora realmente preciso… — sussurrei perto de seu ouvido e me afastei lentamente. Ele me olhou sorrindo e em seguida dei às costas, eu não podia arriscar ficar mais tempo nesta festa, afinal não confiava em mim nem mais um minuto perto de Liam esta noite.

Resolvi imediatamente procurar , que ainda estava desaparecida, para irmos embora. Ao passar por um dos sofás, perto de um pequeno gazebo, vejo um casal em altos beijos. Cuja figura era muito familiar. Limpei a garganta para tentar chamar a atenção, interrompendo o clima.

— Não queria atrapalhar, mas… — ligeiramente se separou de Harry e se ajeitou no sofá me olhando timidamente. — Albert quer ir embora e vim ver se vai querer carona ou…

— Espera, eu vou sim com você… Eu… Nós… Digo… — Um pouco desatinada, levantou-se rapidamente do sofá, enquanto Harry permaneceu sentado e arrumou seus cabelos para trás da orelha.

— Desculpa aí, Hazza… — dei um risinho. — Agora que já atrapalhei só vim me despedir. Até amanhã. — acenei e ele repetiu o gesto. Em seguida me afastei e parei no segundo degrau do gazebo, aguardando despedir-se de Harry.

Ao me virar, percebi que ainda estava perto do sofá vestindo sua jaqueta e antes dela se afastar para me acompanhar, Harry se levantou e a puxou bruscamente pelo braço, fazendo com que ela ficasse cara a cara com ele — Não ia se despedir de mim? — assim que terminou de falar com aquela sua voz meio rouca, parou diante dela e a beijou de forma tão apaixonada que fiquei até um pouco envergonhada e resolvi esperá-la um pouquinho mais longe. Eles se combinavam tanto, estava tão feliz pela minha amiga.

(…)

e eu descemos até o lobby à procura de Albert. E ao perguntarmos para alguns funcionários, um deles informou que ele havia ido embora.

— Mas é um filho de uma puta, desgraçado! — praguejou até não poder mais. — Como pode existir um ser assim? — ergueu as mãos para o alto.

— Calma, . Vamos pegar um táxi. Não vou deixar Albert estragar nossa noite.

— Calma? E você vai voltar para casa e encontrar aquele traste lá? Eu tenho vontade de esganar aquele Albert. — trincou o maxilar ao pronunciar o nome dele.

— Sim… Porque… Você sabe, se der tudo certo com o apartamento que você falou logo tudo isso termina e…

— É verdade! — bateu na testa. — Esqueci de falar com meu pai, mas amanhã mesmo te dou uma resposta. Mas pode contar que é quase certo.

, eu vou pegar o táxi, mas se você quiser subir de volta e ficar com o Harry… — minha amiga logo abriu um sorriso.

— Sério? Eu ia perguntar isso, mas fiquei envergonhada. Não tem problema mesmo? — ele riu fraco.

— Claro que não. Aproveita mais a festa… Amanhã conversamos.

— Ai, você é a melhor amiga que alguém pode ter! — me abraçou forte.

— Eu sei! Agora vai lá com o seu Styles. — eu ri e ela correu para o elevador.

(…)

Dentro do táxi recebo uma mensagem. Deslizei o dedo pela tela, era do Albert. O que ele quer agora, depois de ter me abandonado aqui?

Xx Depois de tudo que você me fez passar na festa de hoje vou dormir no hotel. Amanhã conversamos sobre isso. — Albert xX
— NÃO! Eu não li uma coisa dessas! Como pode ser tão idiota… Credo! — falei comigo mesma. Ele só podia estar de brincadeira, eu juro se o táxi não estivesse quase chegando eu dava meia volta e ficaria na festa. Tem horas que penso que isso não é verdade, não pode existir alguém tão imprevisível quanto o Albert. Só não consigo entender uma coisa, se ele tem a dita da Shannon, por que ele ainda quer insistir com essa história de noivado, deveria assumir ela de uma vez. E ele é tão óbvio que poderia ter substituído a palavra hotel na mensagem por Shannon mesmo. Só espero que amanhã a traga boas notícias e logo eu possa me livrar do Albert de uma vez por todas.

 

N/A: Oieeeee!! Só passando para convidar a todas que quiserem a participar do grupo de Happily no face. Bjuss

Capítulo Onze

Após uma noite tranquila de sono longe de Albert, acordei com ruído de voz. Levantei-me, calcei meus chinelos e sorrateiramente fui me aproximando da porta do quarto. Abri sem fazer barulho, pude notar que a voz vinha do escritório de Albert e era como se ele falasse baixo e parecia estar ao telefone com alguém. A porta estava semiaberta, então pé por pé fui me aproximando para tentar escutar melhor.

— Não… Não é bem assim… Calma, benzinho. Eu… Eu sei… mas… Não… Eu já te disse que preciso mais tempo, eu vou deixar a . Mas ainda preciso mantê-la por perto, você sabe… É mais seguro, afinal ela não pode… Eu… O quê? Fazer o que? Por quê? Está louca? Quantas vezes tenho que repetir que você é mais importante na minha vida. O que? Não… Calma, meu amor… Eu preciso de mais uns meses, é tudo que te peço, por favor Shan… Eu sei que você já largou o Richard, mas… mas… Preciso que me dê o tempo de acabar a turnê pelo menos… Eu sei que você não aguenta mais, eu também não… Mas você sabe… Não… Há tempos não encosto sequer um dedo nela, você sabe disso, porque tudo isso agora? Não… Não é…

Que cretino. O Albert é pior do que eu pensava. E o Richard? Será o mesmo Richard que eu conheço? Se for, coitada da Marla. Ainda não estou acreditando no que estou ouvindo.

— Eu prometo… Não podemos colocar tudo a perder, você sabe que eu preciso terminar o que comecei e… Sim… Sim… Você sabe que está comigo nessa. Pode deixar, e no fim o babaca do Richard vai… Espera um pouco… acho que ouvi um barulho…

Meu sangue congelou, quase escorreguei com meus chinelos pela velocidade em que voltei para o quarto e me atirei na cama, puxando rapidamente o edredom por cima da cabeça, fingindo ainda estar dormindo. Segundos depois Albert entrou devagar no quarto, pude apenas escutar os passos e então em seguida ele fechou a porta. Minha respiração estava ofegante, eu estava apavorada. Se ele desconfiasse que ouvi sua conversa? Não quero nem pensar nisso. Não consigo acreditar naquela Shannon, será que havia passado por todos os seres masculinos daquela Modest? Eu sentia uma revolta no estômago em lembrar suas palavras “Não… Há tempos não encosto sequer um dedo nela.”, tudo que me vem na memória é como ainda não me conformei por ter cedido ao Albert há alguns dias atrás, mesmo depois de tudo que ele havia me feito. Outra coisa que eu ainda não estava entendendo era porque ele precisava de mais alguns meses? O que ele pretende afinal?

Eu ainda estava feito uma criança assustada debaixo das cobertas, quando meu despertador tocou, fazendo eu sair rapidamente do meu “esconderijo”.

Entrei na cozinha fingindo ter recém acordado, calmamente fui pegando a cafeteira, o pote de café e o filtro para passar um fresquinho. Nesse instante escutei Albert sair do escritório e veio em direção à cozinha.

— Bom dia. — me cumprimentou de maneira fria como sempre.

— Bom dia. — Coloquei duas colheradas de café no filtro. — Precisamos conversar, Albert.

— Tirou as palavras da minha boca, afinal depois da noite passada… Não estou gostando nada de seu modo de agir ultimamente.

— Meu modo de agir? — falei baixo. — Não — larguei a colher na pia e fiquei de frente para ele. —, dessa vez vou ser direta. Eu quero terminar, Albert. Eu não estou mais feliz nesse relacionamento. Se é que dá pra chamar isso que temos de relacionamento. — respirei fundo.

— O quê? — gritou. — De novo com essa estupidez?

— Olha, Albert…. Não faz mais sentido ficarmos juntos, é tão óbvio que não existe nenhum sentimento de ambas as partes. Chega de tanta mentira, você não me respeita mais há tempos, eu cansei! — falei em um só fôlego.

— Cansou do que? — franziu a testa. — Da Mordomia? Do carro? Da vida boa que você leva?

— Já chega, Albert! Você não se escuta não? — alterei meu tom de voz. — E não me escuta também. Pra mim já chega, não quero mais. Pode ficar com seu dinheiro e… Eu só quero viver minha vida e você segue a sua, com quem você quiser…

— Acho que o álcool de ontem à noite ainda não saiu do seu sangue… — balançou a cabeça ignorando tudo que acabei de falar.

— Albert! Viu só? Nunca podemos conversar civilizadamente. Por favor, estou tentando terminar em paz, não quero mais brigas e estou exausta de ter essas discussões de gente louca, estamos sempre andando em círculos. É sério Albert, chega. Quero terminar e pronto. — retirei a aliança do meu dedo e estendi a minha mão para alcançar a ele.

Albert ficou em silêncio por alguns instantes, algo inédito, apenas encarando o brilhante em minha mão. Pensei que ele fosse gritar, rolar, quebrar a casa, mas não. Pela primeira vez depois muito tempo vi um Albert respirando profundamente em minha frente, tentando se acalmar. Voltou seus olhos à mim, mas seu olhar era vazio, não tinha como prever o viria a seguir.

, você não pode estar falando sério… Não deve estar muito consciente das suas ideias, afinal recém acordou. Eu sei que prometi mudar, mas você também precisa colaborar, não acha? Quer saber? Como amanhã irei viajar, vou te dar esse tempo pra pensar melhor e…

— Não. — o interrompi imediatamente. — Não tem mais o que se pensar, Albert! — Saiu quase que em um grito. — Eu sei que estamos trabalhando juntos e vamos ter que pensar em uma maneira de isso não interferir. Isso será o melhor para nós dois, acredite. Nós dois… Quero dizer está tudo desgastado, não adianta insistir. Já tentei dar todas as chances possíveis desse relacionamento funcionar. — tentei explicar, sem ter que jogar o nome da Shannon no meio disso tudo para não piorar. — Mas estou esgotada, Albert. Eu não quero mais e espero que você pelo menos respeite a minha decisão. Só quero viver minha vida, você sabe que nós dois juntos não estamos mais dando certo. É tudo que peço, não quero nada seu… Se é isso que te preocupa, não quero um centavo…

— Mas, … — deu um passo à frente na tentativa de segurar em meu ombro, mas institivamente dei dois passos para trás tentando evitar que ele me encostasse. — Está bem… — baixou os braços. — Eu só queria pedir um favor. Quero que você fique no apartamento até eu voltar e que não conte a ninguém sobre o término do nosso noivado, está bem? A mídia não pode saber que terminamos.

— Por que, Albert?

— Vou ficar quinze dias longe e não estou disposto a lidar com isso agora… Ter que dar explicações tanto para o Richard quanto para a mídia. Não vê que estou sofrendo?

Sofrendo? Ele falou isso mesmo? Parecia um Albert anestesiado do que sofrendo. Algo estava muito errado, depois de todas as brigas e os ataques de raiva dele e de repente ele concorda terminar assim tranquilamente? Isso está muito estranho. Um calafrio passou pela minha espinha, não consigo mais confiar cegamente nas palavras de Albert. Não, eu não posso pensar assim, afinal por que estou me questionando? Se ele concordou em que terminamos eu me contentava com isso e aceitaria seus termos.

— Sim, sim, sofrendo. — debochei. — Tudo bem Albert, aceito suas condições, mas já vou avisando que vou me mudar logo que você voltar.

— Você já tem até outro lugar para ficar? Estava planejando tudo isso? — seu semblante de repente se fechou.

— Não… — isso aí , vai e estraga tudo de uma vez. — Eu quis dizer… Que assim que você voltar, vou ficar um tempo com a até achar outro lugar para morar.

— Ah, bom. — Suavizou sua feição novamente. — Só continue usando a aliança e não abra o bico para essa nossa vizinha linguaruda. — Deu as costas e se direcionou até o quarto.

Eu ainda não estava acreditando, será que finalmente eu estava livre do Albert? Isso realmente aconteceu? Peguei minha xícara da cafeteira, me escorei na bancada e tomei alguns goles, estava em estado de choque, poderia assim dizer. Sabe quando tudo sai melhor do que você imagina e você acaba até achando que não é real?

Alguns minutos depois Albert apareceu novamente na porta da cozinha, arrastando uma mala grande de rodinhas.

— Eu tenho uma reunião hoje e depois vou para o hotel e de lá, amanhã de manhã, vou partir em viagem com a banda. E a Lydia vem só amanhã, hoje ela precisava ir ao médico. Eu quero que você pense muito bem se essa é a decisão final. Nos vemos daqui quinze dias, terá tempo suficiente para tomar a decisão correta. Até a volta. — deu as costas sem dar a chance de eu falar algo. Escutei ele fechar a porta ao sair.

E para completar minha terça-feira, recebi uma mensagem de Richard dizendo que hoje me daria uma folga para me preparar para o show de amanhã da 5SOS, pois precisariam de mim logo cedo.

Com o dia inteiro de folga, fui organizar algumas coisas no closet. Precisava pelo menos organizar minhas roupas, seria tudo que levaria de mudança daquela casa. Enquanto separava o que ia para doação e o que ia fora e o que levaria, achei uma pequena gaveta que, ao tirar tudo pra fora, percebi ter um fundo falso. Estranhei nunca ter notado, mas aproveitei estar sozinha para dar uma vasculhada. Lá encontrei um envelope grande, pardo e como não havia nada escrito pelo lado de fora e não estava selado, abri rapidamente. Puxei alguns papéis que no cabeçalho estava escrito: “Banco da Inglaterra” e com o timbre. Comecei a ler por cima e percebi que se tratava de um contrato de abertura de conta, tinha muitas cláusulas, mas o que me chamou a atenção foi ler o meu nome como titular desta conta, em momento algum lembrava de ter uma conta neste banco. Pulei algumas páginas e pude ver a minha assinatura, como isso era possível? Não lembro de ter assinado isso. Comecei a ler com mais calma, para tentar entender certo de que conta era aquela.

Se tratava de uma conta bancária aberta há poucas semanas, a qual a única titular era eu e ao revirar mais o envelope, haviam alguns extratos com as movimentações feitas na conta, eram apenas depósitos, o saldo estava bem alto e ninguém havia sacado nada e entre os papéis caiu o cartão do banco, com meu nome gravado. Que estranho, afinal eu tinha minhas economias em outra conta e em outro banco. Como eu não tinha conhecimento dessa conta?

O barulho do meu celular vibrando em meu criado mudo me fez colocar tudo de volta rapidamente onde estava, não podia arriscar caso Albert voltasse de surpresa. Corri para atender.

— Oi, ! Eu estava pensando em te ligar…

— É que você não aguenta de saudades minhas. — gargalhou. — Eu liguei pra saber se caso não tiver muito trabalho, podíamos almoçar juntas hoje?

— Você leu meus pensamentos. — eu ri. — Hoje estou de folga e como tem sol, pensei que poderíamos passar a tarde em Bournemouth, o que você acha?

— Amei a ideia! — gritou do outro lado da linha.

— Isso que é animação… Afinal quando tem sol, temos que aproveitar. Daqui meia hora estou pronta e te espero no estacionamento. Bye.

Era o que nós duas precisávamos para nos distrair no dia de hoje e eu de certa maneira queria comemorar minha “quase” liberdade de volta.

(…)

Estávamos no carro e no momento seguinte em que colocamos o cinto e dei partida no carro, não consegui me aguentar e logo perguntei:

— E então? Como foi ontem com o Harry? Conversaram? O que decidiram? Conte-me tudinho. — comecei a indagar empolgada.

— Ai, , não tem muito o que contar… — abriu um amplo sorriso. — Conversamos sobre tudo, sabe… Se tentaríamos continuar ou não. E bem… Ele disse que não queria continuar com enrolação e me pediu oficialmente em namoro. — ela sorriu novamente.

— Sério? Isso é ótimo! Nem acredito! — eu estava radiante com a notícia.

— É… Nem eu estou acreditando. Quer dizer, isso tudo nem parece real. E tem mais, ele falou que assim que tiver a primeira folga da turnê quer conhecer meus pais. Só tenho medo da reação da minha mãe… — fez uma careta. — Mas já vou preparando-os e sei que depois de conhecerem o Harry, vão gostar dele. Eles nem sabem que tipo de banda que ele faz parte, porque na cabeça da minha mãe ele é um viciado e sei lá mais o que, nem lembro tudo que ela falou no telefone esses dias, você sabe como ela é.

— Pode ter certeza de que sua mãe vai acabar se rendendo ao charme de Harry Styles e não vai mais se opor.

— É, acho que sim. — Trocou a música que estava tocando no rádio. — Deixa eu te contar, você não acredita que hoje fui surpreendida por uma entrega logo de manhã cedo. Um balão de gás em formato de coração com um bilhetinho vindo do Harry. — ela abriu novamente um amplo sorriso. — Ele é tão… tão… — me olhou tentando pensar em alguma palavra. — Ai, , ainda não caiu a ficha, sabe?

— Sei… Eu entendo. Mas eu estou adorando essa ideia, senhora Styles. — gargalhei.

Meu celular de repente apitou para uma mensagem recebida. rapidamente o pegou de dentro da minha bolsa para ler.

— Hey! Quem te deu permissão? — permaneci com uma mão no volante e a outra eu balançava na tentativa de tirar o aparelho de sua mão.

— Hummm… É do Albert. Ugh! — colocou a mão no estômago. — Vamos ver o que esse chato quer…

— Me dá aqui… — Tentei pegar o celular das mãos da , mas ela se virou de lado impedindo que eu alcançasse.

— Você está dirigindo. Deixa que eu leio pra você.

Xx Sobre nossa conversa… Por favor pense bem e não esqueça de continuar com a aliança. E espero que assim que se decidir esteja cem por cento certa para depois não se arrepender. Al. xX
— Que nojo dele.— jogou o celular no banco de trás do carro.

— Isso! Vai e estraga meu celular, sua… — dei um tapa em seu braço.

— Que conversa? Que decisão? Como se arrepender? Estou perdida. — Ergueu uma de suas sobrancelhas. — Me ferve o sangue lembrar de ontem à noite a desfeita que ele fez, nos deixar lá, desgraçado.

— Calma, . Não é bem assim…

— Por que você ainda o defende?

— Não estou defendendo, é que… — pensei por alguns instantes. — Eu preciso que você me prometa segredo, por favor.

— Prometo. — ergueu a mão em forma de juramento. — Fala logo.

— Hoje de manhã rompi o noivado com o Albert.

— Espera, aí. Eu estou ouvindo bem? — ela arregalou os olhos. — Mas e ele? Quebrou o apartamento? Deixa-me olhar bem para você, está tudo bem? — ficou me analisando.

— Estou ótima. Ele concordou, por incrível que pareça. Vou admitir que achei um pouco estranha a atitude dele, talvez ele finalmente tenha se dado conta que não sentimos mais nada um pelo outro, não sei… Mas claro que tem um porém, afinal não seria o Albert sem ter algumas condições. Ele pediu para eu continuar usando a aliança e exigiu segredo só até ele voltar de viagem. Disse que a mídia não pode descobrir… E depois eu posso me mudar. Só não entendi o porquê, apenas aceitei para me ver livre dele assim que ele voltar. Por isso te peço , não fale nada. Não quero complicar as coisas.

— Pode deixar. — ela fez sinal com os dedos como se fechasse um zíper em sua boca. — Não dá pra entender ele mesmo. O que ele ganha com esse relacionamento de fachada, ele tem a Shannon. Talvez ele queira as duas… — deu com os ombros. — Também pouco importa, logo você se livra daquele atraso de vida.

— Assim espero. Torço para que realmente ele tenha entendido que agora acabou mesmo e me deixe em paz. E que não tente me prejudicar no trabalho, não quero nem pensar nessa possibilidade. — balancei a cabeça na tentativa de afastar esses pensamentos. — Chega de falar dele por hoje. — Ergui a capota do carro e aumentei o volume do rádio. — Faz tempo que não ouvia esta música. — Call me maybe estava tocando. — E hoje estou me sentindo tão bem! — gritei e então soltei as mãos do volante e fechei os olhos, cantando junto com a música.

— Sua louca! — gritou assustada. — Segura essa porcaria de volante, quer nos matar? — rapidamente segurou a direção por mim.

— Não. — respondi rindo enquanto sentia o vento transpassar meus cabelos. Abri os olhos e assumi a direção novamente.

— Estou vendo que você está radiante mesmo… Acho que um certo alguém despertou essa nova , hein. — ela riu. — E ontem? Debaixo do nariz do Albert, quem diria? — Gargalhou. — O Niall contou para o Harry… Já que você não me conta… — fez um beiço.

— O que? Eu ia te contar, mas… O quê? Agora todos sabem? — arregalei os olhos.

— Bom, agora além do Harry e eu, o Niall é claro. Porque vocês são tão discretos às vezes. Só trouxa do Albert que não percebe mesmo. Garanto que vocês aproveitaram o depósito, né? — Ela riu.

— E se o Niall conta para mais alguém? E se…

— Ele não vai contar, deixa de devaneio. Ele acobertou vocês, não é mesmo? Se ele quisesse ter falado alguma coisa já tinha contado. Caso não tenha percebido, nenhum deles é muito fã do Albert. Só você para aturar aquele “mala” mesmo. Mas como prometemos não falar mais desse fulano… Agora é a minha vez! — ergueu o volume e levantou os braços. — Adoro esse vento e… So call me maybe!— gritou com os braços ainda erguidos. — Isso é libertador.

(…)

— Vamos nos sentar por aqui mesmo. — Arrumei minha toalha na areia.

— Nada como uma tarde livre para tomarmos banho de sol e relaxar. — falava enquanto pegava o protetor solar da bolsa. — Não te falei uma coisa antes…

— O quê? — parei e larguei o tubo do protetor do lado da minha bolsa.

— Mais tarde o Harry me convidou para ir até a casa dele. — ela falou um pouco acanhada.

— E qual é o problema?

— É que… O Harry convidou você também, como amanhã cedo eles vão sair em viagem e ficar 15 dias longe e…

— Olha, eu sei que o Richard meio que pediu para ser a babá do casal Styles, mas… Não vou fazer isso. — eu ri e ajeitei meus óculos escuro.

— Não é isso. É que vai ter alguém mais lá, entendeu? Eu prometi a ele que levaria você junto. — Ela deu um risinho.

— Só isso? Podia ter ido direto ao assunto.

— Eu queria fazer um pouco de suspense. — Ela brincou. — Então temos compromisso certo esta noite? Isso foi um sim?

— Acho que não é uma boa ideia, e se o Albert…

— De novo? — reclamou. — Só me responda uma coisa. Você quer ver o Liam esta noite, sim ou não?

— Não é que eu não queira… — ela me olhou torto. — A resposta é sim, claro que quero. — Minha amiga instantaneamente abriu um sorriso. — Mas… Ele é o Liam Payne, não quero me iludir que com o Albert fora da minha vida as coisas vão dar certo. Quero dizer, é complicado… Ele não vai e não pode colocar a carreira dele em risco por causa de uma aventura ou sei lá o que ele deve achar que sou. Então… — baixei os olhos enquanto mexia na minha bolsa procurando uma presilha de cabelo.

— “Aventura”? Não sei não… Depois que eu voltei para a festa ontem, se você tivesse visto o modo como ele perguntava por você… Vou confessar que acabei contando o que Albert fez, desculpa, mas eu estava tão furiosa que acabei falando. Ele chegou ir atrás de você até o lobby, mas você não estava mais lá. E quando ele foi para te ligar eu o impedi, fiquei com medo que talvez você já estivesse chegado em casa e o Albert estivesse lá, não sei, foi o que me passou pela cabeça naquela hora.

— Mesmo assim, temos que ser realistas, o “magnífico Albert Cole” jamais permitiria eu me aproximar de Liam, um dos queridinhos de ouro dele. — ironizei. — Sabe quando parece que tem tantos contras que acabam te deixando desanimada?

— Eu sei, , agora consigo entender perfeitamente, que tem muita coisa em jogo, se ele não fosse tão famoso com certeza seria mais simples e, claro, entendo que você sendo agora “ex” noiva do empresário deles é um agravante a mais… Mas uma coisa que eu consigo ver nitidamente são os efeitos do Liam sobre você, é como se fosse uma nova .

— Eu também me sinto renovada, não me sentia assim há séculos. — Foi inevitável sorrir. — Sabe quando apenas um olhar basta e você sente como se tudo no mundo fizesse sentido?

— É, minha amiga, então só tenho uma coisa para te dizer: não se afaste do que te faz feliz por causa de medo ou achar que as coisas não vão dar certo, porque pode se arrepender um dia e aí será tarde. Deixa as coisas rolarem, sabe? Esqueça a fama dele, o chato do Albert e viva o hoje.

— Nossa, está inspirada hoje, hein? — sorri de leve.

— Também, não é todo dia que se começa um namoro com Harry Styles, tenho que estar inspirada. — ela riu enquanto amarrava seu cabelo em um coque.

— Eu não quero bancar a sofredora, porque apesar das desavenças e certas coisas que acabo passando com o Albert, mesmo assim sei que tenho muita sorte mesmo. Mas tenho medo de avançar as coisas com Liam e acabar me machucando de novo, sabe? — continuei.

— Olha eu não tenho um Albert doido na minha vida, mas acredite que eu também estou apavorada em me apegar muito ao Harry e de repente ele encontra alguma cantora linda ou uma modelo maravilhosa e me troca em um piscar de olhos… Sim, essa madrugada dormi pouco só imaginando essas possibilidades. E só pela manhã me dei conta que não adianta e nem quero pensar nisso, a morte do meu irmão me ensinou… — Suspirou. — a ser mais forte, confiante e viver um dia de cada vez como se fosse o último. Tão clichê, mas tão verdadeiro.

— Você tem razão, , tenho que parar de me preocupar com o “Se”. Eu fiquei muito tempo calada, aceitando as ordens do Albert, vivendo uma vidinha morna e regrada, por isso que tudo que venho sentindo ultimamente ainda me assustando, deve ser isso. — Me levantei da cadeira e fiquei de frente para minha amiga. — Acho que vou ali molhar meus pés um pouco no mar, você vem?

— Não, pode ir. Eu vou me bronzear mais um pouquinho por aqui mesmo… — Respondeu e recolocou seus óculos escuros. — Afinal tenho um encontro hoje à noite, esqueceu? E você não me respondeu ainda, vai ir ou não?

— Vou sim. — eu sorri. — Afinal quem está de motorista particular sua ultimamente? — ri e bati na aba de seu chapéu tapando seus olhos e fui caminhando até o mar.

(…)

— Para aí que eu toco o interfone. — esticou o braço para fora da janela. — Chegamos! — falou bem perto ao segurar o botão do interfone da casa de Harry.

O portão se abriu para que entrássemos com o carro. Assim que estacionamos avistamos Harry nos aguardando escorado na porta da casa.

— Sejam bem-vindas! — Harry usava uma camisa de botões estampada, uma bermuda preta e chinelos. Abriu os braços amplamente e meu deu um abraço apertado. Em seguida recepcionou com um selinho. — Podem ir entrando, vamos lá trás. Estávamos só esperando vocês pra entrar na piscina.

— Mas, Harry, eu não trouxe biquíni. — reclamou .

— Isso não é um problema. — Olhou maliciosamente engraçado para ela, enquanto a guiava pela mão passando pelos cômodos da casa.

Harry abriu as portas de vidro, permitindo nossa passagem até a área externa.

— Olhem só — apontou para a mesa que estava posta perto da porta. — como eu como sou super chef de cozinha preparei uns mini sanduíches, que são minha especialidade.

— E isso deve ser obra sua também? — Perguntei rindo ao ver uma pêra “enfeitada”, com palitos e uvas imitando umas anteninhas.

— Não. Logo ali adiante, apresento-lhes o criador dessa obra… Ele é mestre com frutas. — zombou de Liam que estava sentado à beira da piscina. Ele vestia uma camiseta cinza de manga curta e uma calça de moletom preta.

Liam levantou-se rapidamente e de pés descalços veio ao nosso encontro com um largo sorriso no rosto.

— Que bom que você veio. — Me abraçou carinhosamente. Pude sentir seu respirar na curva do meu pescoço e quando me soltou para cumprimentar a , era como se já sentisse sua falta. — Oi, . Tudo bem? — a cumprimentou com um breve abraço. — E aí gostaram da minha pêra? — Liam sorriu.

— Sabemos que se você algum dia desistir de cantar pode tentar ganhar a vida fazendo esculturas de frutas. — comentei rindo.

— Tem talento. — brincou. — Eu posso experimentar seus dotes culinários, Harry? — perguntou ao ficar encarando o prato de sanduíches. Nós duas estávamos sem comer desde o almoço e quase toda tarde debaixo do sol e junto ao mar só abriu mais nosso apetite.

— Mas é claro! — Harry puxou o prato para que ela se servisse.

— Hummm… Tenho que admitir que sanduíche miniatura já sabe preparar. — Minha amiga disse e em seguida pegou mais um.

— Viu como sou um ótimo partido. E um bom namorado. — Sorriu e abraçou de lado.

— Calma, isso veremos ao longo do tempo. — gargalhou, enquanto devorava mais um petisco.

— Eu também vou comer, porque o Harry proibiu antes de vocês chegarem. — Liam pegou dois sanduichinhos e me alcançou um.

Depois de apreciarmos o “talento gastronômico” de Harry, sanduíches de vários sabores, nos sentamos à beira da piscina com os pés na água morna e assim continuamos a conversar sobre diversos assuntos, histórias sem noção e rimos muito. Paramos quando percebemos que o sol começou a se pôr e começamos apreciar a chegada da noite.

— Agora é hora de entrar na água! — Liam gritou e levantou-se, ficando na beira da piscina. Em seguida tirou as calças e por baixo ele tinha um calção de banho e em seguida arrancou a camisa, a jogou para trás e mergulhou na piscina. — Vem, . — Passou os dedos pelos cabelos molhados e me chamou com a mão. Sorri e sem dizer uma palavra, movimentei meu dedo indicador negando.

— Agora é minha vez…— Harry se levantou e então jogou sua camisa e seus chinelos longe repetindo o ato de Liam. — Entra, , a água está quente. — Bateu a mão na água espirrando contra os pés dela. — Vamos logo vocês duas… A água está ótima.

— Nem pensar… Olha como estou vestida Harry. Deveria ter me avisado, assim teria vindo com biquíni. — explicou , encolhendo os pés.

Harry deu mais um mergulho e depois nadou até ela de volta. Saiu da piscina e sentou-se novamente ao seu lado. Quando ela estava distraída, a segurou pela cintura fazendo com que mergulhassem juntos. Assim que retornou a superfície d’água, tossindo e cuspindo água, gritou:

Vou te matar Harry Styles! — Dava socos na água enquanto Harry se divertia às custas da fúria da minha amiga. Não me aguentei e cai no riso. Na minha distração fui surpreendida sendo pega no colo por Liam que também me jogou na água.

— “Puta Que Pariu!”…— xinguei em português claro aos quatro ventos, assim que tirei a cabeça para fora da água e comecei a tossir para fora a água.

— É,, foi mais engraçado quando foi comigo, né? Não sei exatamente o que você acabou de gritar, mas tenho certeza de que não foi nenhum elogio. — falava menos enfurecida. Estava mais calma pelo acontecido, inclusive demonstrava sinais que estava achando engraçado. Começou então a rir pelo o fato dos meus cabelos estarem escorridos na minha cara.

— Querem nos matar, só pode… — mergulhei minha cabeça para trás arrumando meus cabelos para tirá-los da frente dos meus olhos.

virou-se em direção ao Hazza e calmamente atravessou a piscina a nado até alcançá-lo. — Hoje você mostrou que não tem medo da morte. — Agarrou-se no pescoço dele e o empurrava pelos ombros tentando afogá-lo, mas era uma tarefa praticamente impossível. Ele apenas ria evidenciando mais ainda suas covinhas e acabou desistindo quando ele a segurou pelos braços e então grudou seus lábios aos dela, roubando-lhe um beijo. Com certeza agora minha amiga não estava mais zangada. Harry saiu da piscina e buscou algumas toalhas. Alcançou uma à que também resolveu sair da piscina.

— Vou buscar algo para tomarmos, preparar uns drinks… — Harry cobriu-se com a toalha. — Você me ajuda, ?

— Claro. — enrolou a toalha em seu corpo, esticou seu braço e ele a segurou pela mão e entraram de mãos dadas para dentro da casa.

— Esses dois… — comentei baixo e me virei de frente para Liam. — E quanto a você Payne… Quanta maturidade, nossa!— balancei a cabeça e nadei ficando mais próxima dele.

— Só quis me igualar pela sua cena de ciúmes ontem… — Ele riu e então de surpresa agarrei seus ombros e projetei meu peso sobre eles fazendo com que ele submergisse na água. Antes que ele colocasse a cabeça para fora d’água me afastei dele.

Fui nadando o mais rápido que consegui até a beira da piscina. Precisava sair antes que ele tentasse uma “vingança”. Segurei firme com as duas mãos na borda, peguei um grande impulso, mas o peso das minhas roupas molhadas estavam dificultando a minha saída e antes que eu conseguisse sair fui puxada pelo pé, caindo novamente dentro da água.

— Não tão depressa… — Liam me ergueu levemente pela cintura e girou meu corpo, fazendo com que eu ficasse de frente para ele. Com as mãos ainda em minha cintura, me empurrou suavemente prensando-me contra a parede da piscina. — Achou mesmo que ia conseguir escapar? — sorriu arqueando uma de suas sobrancelhas.

— Não tenho mais certeza se quero escapar. — respondi baixo, mas eu queria ser ouvida. Eu estava tão cansada de meias verdades e tanta farsa que eu queria aproveitar o único momento em que eu podia ser eu mesma, o momento em que eu estava com ele.

Liam abriu um sorriso satisfeito pela minha resposta.

— Eu queria que você soubesse de uma coisa…— sua expressão ficou séria de repente. — Eu sei que não devia agir assim, mas não consigo evitar quando estou perto de você e… Tenho que confessar que estou pouco ligando se o Albert descobrir, porque ele é um idiota que não te deu a atenção que você merece. Não sei exatamente o que te prende a ele ainda, mas quando estamos perto eu sinto que você quer o mesmo que eu…

— Liam, eu… Na verdade… Eu e o… — Balancei a cabeça negativamente. Eu queria contar, mas não sei se seria a hora certa em dizer que acabei tudo com Albert, afinal ainda estava usando a aliança, mas estar com ele parecia tão certo, como se tudo ao lado de Liam fosse possível. Mas enquanto eu não tivesse tudo cem por centro resolvido era melhor não falar nada. — Eu… Olha o que você faz comigo… Já nem consigo raciocinar direito. — eu ri.

— E eu consigo? — Liam subiu uma de suas mãos e com seu polegar acariciou meu rosto, sentia seu toque úmido deixar trilhas de calor sobre minha pele.

*DAR PLAY NA MÚSICA: Vanessa Elisha — Midnight Swim

— L-Liam… — Minha respiração tornou-se irregular quando aqueles olhos castanhos me fitaram profundamente com muito desejo, instigando todos os meus instintos. Foi quando uma mistura de loucura e razão começaram a me confundir. Sem pensar muito, fiz o que queria fazer desde o momento em que ele tirou a camisa. Levei minhas mãos até seu peitoral e lentamente fui deslizando meus dedos fazendo carícias e percorri até seus braços que me seguravam fortemente contra a borda da piscina. Passei a ponta dos dedos sobre sua pele tatuada em seu antebraço. Ele apenas acompanhava com o olhar e como resposta vi os movimentos da sua respiração acelerarem, formando pequenas vibrações na água.

— Essa é a que eu mais gosto… — minha voz saiu quase que em um sussurro, quando passei novamente minha mão pela tatuagem de pena em seu antebraço.

— É-É… mesmo? — perguntou pausadamente, por entre a respiração pesada. — Por quê?

— Porque… — olhei em seus olhos, que me observavam atentamente. — Porque sim. — lancei um leve sorriso tímido. Ele parecia ansioso, olhava fundo em meus olhos. O toque de nossas peles, todo esse contato estava se tornando insuportável, aquele magnetismo puxava seu corpo ao meu e eu necessitava mais, muito mais.

Calmamente ele foi aproximando seus lábios dos meus e eu não relutei, pois a ansiedade de sentir seu sabor novamente me dominava. Devagar ele passou a língua pelos meus lábios me preparando para o beijo doce e carinhoso que veio a seguir. Fechei meus olhos e comecei a me render àquele beijo, sem pressa, pois tudo que eu queria era desfrutar de cada segundo. Ele me prensou mais ainda contra a parede da piscina, garantindo que nosso contato fosse completo. O agarrei pelos ombros e logo nosso beijo foi se intensificando, cada vez mais ardente e eu retribuía com mais força e desejo.

Tentei reprimir um gemido quando senti suas mãos deslizando até minhas coxas, seu toque era suave e excitante. Na ponta dos pés dei um impulso na água, envolvi minhas pernas em seu quadril e meus braços ao redor do seu pescoço, colando ainda mais seu corpo junto ao meu. Mesmo em contato com a água morna que nos envolvia, meu corpo inteiro se arrepiou. Podia sentir meu coração bater na garganta. Então fui descendo meus beijos e passando minha boca pelo seu queixo, deixando roçar sua barba rala pelos meus lábios. Dei leves mordidas pelo seu pescoço e sua pele úmida arrepiou-se. Comecei a provocá-lo ainda mais, mordiscando o lóbulo da sua orelha e como reação ele agarrou mais forte minhas coxas e soltou um leve gemido.

O vapor da água se misturava com o calor que exalava de nossos poros, era como se eu estivesse em chamas. Sentir seu corpo reagir a cada toque, me deixava cada vez mais excitada. Com minhas mãos em sua nuca continuei a beijá-lo loucamente, tinha sede dos seus lábios e era como se eu não conseguisse mais parar, meu corpo ansiava por mais, adorava sentir sua barba roçar na minha pele e suas mãos fortes tocando meu corpo era algo que eu não queria que tivesse fim. Podia sentir o poder imenso que ele tinha sobre mim, quando nos tocamos tudo se encaixa, eu vou à loucura e acabamos esquecendo do mundo.

Ele rompeu o beijo, afastou meus cabelos do meu ombro e foi passando sua língua através do meu pescoço, o calor de seus lábios estavam me fazendo delirar. Meu corpo inteiro estremeceu quando uma de suas mãos começou a explorar mais meu corpo, seus dedos faziam movimentos provocantes pelo cós dos meus shorts, conseguindo arrancar um grande suspiro que não consegui conter. Em seguida começou a distribuir pequenos beijos pelo meu ombro. Eu o segurei mais forte por entre minhas pernas, podendo sentir sua excitação.

— Isso é covardia, sabia? — Sussurrou em meu ouvido e então suas mãos moveram-se até às minhas costas, acariciando por baixo da blusa fazendo meu corpo ser tomado por um calor intenso.

Enquanto me beijava, foi dedilhando suavemente até soltar meu sutiã e como não tinha alças acabou escorregando na água. Ele parecia nervoso e então senti uma de suas mãos deslizar até meu seio, sua respiração ficou ainda mais ofegante e eu larguei minha cabeça na dobra do seu pescoço mordendo sua pele, para conter um gemido alto quando ele começou a passar o polegar pelo meu mamilo em movimentos lentos. Quando sua outra mão, ainda por baixo da minha blusa suavemente deslizou até minha barriga, chegando até o botão do meu shorts meus joelhos estremeceram. De repente ouvi um barulho vindo da porta, me despertando daquele momento tão prazeroso e impedindo que as coisas fossem mais adiante.

— Você ouviu? — perguntei ainda com minha respiração descompassada.

— Ouvi o que? — Visivelmente frustrado, ele me olhou confuso e um pouco perdido.

— Um barulho da porta… Pensei que o Harry e a estivessem voltando. — o afastei delicadamente, enquanto desprendia minhas pernas de sua cintura.

— Não… — olhou em direção à porta. — Ainda estão lá dentro. A porta deve ter batido com o vento.

— Acho que sim… — respondi e meu queixo acabou tremendo. Todo calor do momento havia se dissipado e o vento londrino se fez presente. Liam riu, me abraçou forte e selou nossos lábios em um pequeno beijo rápido, para que meu queixo parasse de tremer. — É melhor eu sair e pegar uma toalha, está começando a cair a temperatura e não podemos ficar gripados. — Acariciei mais uma vez seu rosto, limpando algumas gotas d’água. — E logo eles vão voltar mesmo. — conclui.

— A-acho que você tem razão. — concordou, mas demonstrando insatisfação pelo nosso momento ter sido interrompido.

Assim que me soltei de seus braços, me virei de costas e saí da piscina com certa dificuldade, porque além do fato das minhas roupas estarem encharcadas eu ainda estava com minhas pernas um pouco bambas.

Quando já estava do lado de fora percebi que Liam permaneceu ainda dentro da piscina.

— Não vai sair também? — Perguntei enquanto torcia a ponta da minha blusa.

— Ainda não… Não posso sair… Ainda… Nesse estado. — deu um risinho olhando para baixo. — Só mais uns minutinhos até eu me “recuperar”.

— Ah, entendi… — Dei um sorriso tímido e então peguei uma toalha que estava dobrada em cima de uma espreguiçadeira. Na tentativa de me enxugar um pouco, envolvi a toalha ao redor do meu corpo.

Meus pensamentos viajaram ao observar Liam saindo da piscina, a água escorrendo em seu corpo, a luz da lua que refletia e a maneira como ele passou a mão pelos seus cabelos, colocando-os para trás. Parecia que vinha em câmera lenta caminhando em minha direção.

— Pronto. Acho que isso é seu. — parou em minha frente sorrindo, segurando meu sutiã.

— E como sempre, a abandonando seus pertences. — Brinquei e então peguei a peça e a enrolei na ponta da toalha.

Liam pegou outra toalha que estava dobrada ao meu lado e se enxugou rapidamente.

— É melhor nós entrarmos, vou buscar na minha mala uma camiseta minha pra você vestir. Não pode ficar com a roupa ensopada, vai acabar ficando doente.

Fomos até a sala e eu preferi esperar em pé, não iria encharcar o sofá do Harry.

— Eu já volto. — Liam subiu correndo as escadas.

Alguns minutos depois ele voltou, havia trocado de roupa e estava segurando uma blusa, para eu vestir e mais uma toalha seca.

— Obrigada. — peguei a roupa e fiz um gesto para que ele se virasse de costas. Podia soar ridícula minha atitude perante que a minutos atrás estávamos bem “íntimos”, mas ele de fato ainda não havia me visto nua, então fiquei envergonhada.

— Desculpe. — virou-se de costas e cruzou os braços. — Nem uma espiadinha? — ele brincou.

Minha blusa parecia pesar uma tonelada, a enrolei junto com meu sutiã na toalha e deixei de lado. Ao vestir seu moletom pude sentir o aroma de seu perfume próximo à minha pele.

— Agora sim. — avisei assim que me vesti.

Virou-se e, estampando um sorriso em seu rosto, falou:

— Olha… Ficou bem melhor em você do que em mim.

— Não sei não… — estiquei as mangas. — Acho tem uma pequena diferença no tamanho que costumo usar. — Ri e segurei a bainha da blusa. Peguei a toalha e a estendi no chão para poder sentar em cima.

— Não… No sofá, nem pensar que vai sentar no chão. — Liam pegou o controle da televisão e praticamente jogou-se no sofá e bateu com a mão ao seu lado para que eu me juntasse a ele.

— Nem pensar. Vou ensopar o sofá do Harry. — sentei-me em cima da toalha, escorando minhas costas contra o sofá.

— Vou ser obrigado a me juntar a você então. — Liam gentilmente pediu licença para fazer companhia ao meu lado e eu movi meu corpo um pouquinho mais para dar espaço a ele.

— Sabe — sentou-se ao meu lado. —, não ia conseguir viajar tranquilo amanhã se não conseguisse ter visto você hoje.

— E eu não vou negar que não me perdoaria se não tivesse vindo. — respondi com um leve sorriso nos lábios.

Liam me olhou carinhosamente e assim que percebeu que minhas pernas estavam arrepiadas, por eu estar com um pouco de frio, afinal ainda estava com meu shorts molhado e a pele um pouco úmida, ele envolveu meu ombro com um braço, me acolhendo em um abraço caloroso. Eu encostei minha cabeça em seu peito, seus braços eram tão aconchegantes que eu queria permanecer assim.

Eu podia tentar definir tudo que estou sentindo agora em uma palavra, mas seria impossível. Eu estava ali e livre de Albert, era como se tudo estivesse se ajeitando na minha vida, então fechei meus olhos e me encontrei em um ponto de paz e tudo que eu poderia fazer agora era aproveitar esse tempo.

— Seu joelho está bem melhor. — lançou um olhar para as minhas pernas. — Prometa que não vai mais cair enquanto eu estiver longe, senão quem vai te socorrer do chão? — ele brincou.

— Pode deixar, depois de ter esse tombo estampado em várias revistas, acho que a minha cota de ser desastrada no mês já foi atingida. — gargalhei. Liam riu e me abraçou mais forte de lado.

Ele começou a tentar escolher um filme para assistirmos e ficamos alguns minutos apenas desfrutando a presença um do outro. Foi quando e Harry desceram as escadas conversando e rindo entre si.

— Ahh! Vocês estão aí! Olha, meu nome é Harry Styles! — imitou Harry, enquanto segurava um copo todo enfeitado na mão. Estava com os cabelos penteados e úmidos, vestia uma camisa com estampas triangulares e uma calça jeans larga. — Que tal? — Parou na nossa frente e colocou uma das mãos na cintura.

— Está faltando só o chapéu. — Liam comentou rindo.

— Pelo visto não fui a única que ganhou roupas novas. — apontou para mim.

— É… O mínimo depois de terem arruinado nossas roupas, né? — franzi a testa e olhei para Liam.

— Onde vocês estavam quando subi pra pegar as coisas na minha mala? — Liam perguntou para Harry.

— Preparamos os drinks e fomos trocar de roupa. Estávamos no meu quarto… — olhou de canto para minha amiga.

— Só fomos trocar de roupa. Que fique bem claro, hein! — completou , olhando diretamente para Liam. — Sem conclusões de vocês dois aí. — intercalou seu olhar entre nós.

— Ninguém falou nada… — eu ri e olhei para Liam.

— O que vocês estão assistindo? — Harry perguntou ao se virar para a televisão.

— Um episódio de “Happy Valley”.— Liam respondeu.

— Que série é essa? Não conheço… Que tal assistirmos um filme enquanto colocamos as roupas da para secar? — sugeriu Harry.

— É melhor irmos embora, está tarde… — olhei para .

— Não acho que seja uma boa ideia ir para casa com as roupas molhadas. Eu já deixei as minhas na secadora, . — prontamente respondeu. — As suas roupas estão emboladas nessa toalha? — ela olhou para o chão.

— Sim, mas não tem problema, eu seco elas em casa.

— Pode me alcançar que é rapidinho, depois vocês vão para casa. — Harry esticou o braço esperando que eu alcançasse as roupas.

— Eu entendo que você tenha que voltar logo por causa do Albert… — Liam disse baixando seu olhar.

— Na verdade ela não precisa mais… — não conseguiu manter sua boca fechada por muito tempo. Logo em seguida percebeu que havia falado mais do que devia ao ver o olhar que lancei a ela.

— Como assim? — Harry e Liam perguntaram ao mesmo tempo, me olhando intrigados.

— Não… Ela quis dizer que o Albert vai passar a noite no hotel perto do aeroporto e não em casa. — expliquei rapidamente sem dar muitos detalhes.

— É… isso… Isso mesmo que eu quis dizer. — ela concordou ficando totalmente sem jeito.

— Mas então não tem problema… Vamos assistir ao filme ou não? — Harry nos perguntou e me olhou sem jeito.

— Está bem. Depois das roupas secas, nós vamos. — respondi enquanto ia me erguendo do chão. E como eu estava com minha bermuda molhada, resolvi aceitar a oferta de secá-la antes de irmos embora. — Harry, pode deixar que eu mesma levo, só me dizer onde fica.

— Eu vou buscar as minhas que já devem estar secas e acompanho ela, Harry. — se manifestou rapidamente.

Enquanto nos direcionávamos até a lavanderia, discretamente dei um pequeno beliscão no braço da minha amiga e falei bem baixinho perto de seu ouvido: “Quase, né, dona ?”.

— Foi sem querer… Eles nem notaram… — Ela riu nervosa.

 

N/A: E aí minhas leitoras lindas, como estão? O que estão achando até agora? Deixo aqui mais uma vez o grupo do face para vocês participarem. Até a próxima atualização… :*

Capítulo Doze

Logo cedo precisei comparecer na Modest para conversar com Richard sobre alguns detalhes do show de hoje à noite. Ao cruzar o corredor em direção à sala do Richard, percebi a porta entreaberta da sala do Albert e estranhei um barulho vindo de dentro e não pude conter minha curiosidade. Calmamente empurrei a porta e logo identifiquei uma bunda empinada e uma cabeça morena vasculhando uma gaveta.

— Hãm-Ham. — Limpei a garganta chamando a atenção.

— Que susto. — Shannon rapidamente levantou-se, movimentando seus cabelos longos para trás quase que como de um comercial de shampoo.

— Quer uma ajudinha aí? — Pedi ironicamente, me escorei no batente da porta e cruzei meus braços.
— Não. — Ela bateu a gaveta fechando-a com força. — Os documentos que preciso não estão aqui. — Contornou a mesa e sentou-se na beirada e cruzou as pernas. — E você? — me olhou com desprezo. — O que está fazendo aqui?

— Quem devia perguntar isso seria eu, não acha? Por acaso não deveria estar viajando com seu querido chefe? Ou ele te dispensou? — soltei um risinho. Ela levantou-se e caminhou em minha direção, a passos lentos com aquele salto quinze.

— Na verdade ele precisou que eu ficasse um dia a mais por aqui, mas amanhã mesmo é o meu voo. O Al não consegue ficar muitos dias longe de mim. Imagina uma semana? Ele deve estar perdido, eu tenho que estar sempre ao lado dele. — enquanto falava mansamente ela movia-se feito uma cobra até parar na minha frente. Ela cruzou os braços e continuou a me encarar com aquela cara de nojo que possuía. “O Al”, ao escutar isso precisei conter meu riso. Será que realmente ela pensou que aquilo me atingiria?

— Isso é o melhor que você consegue? Sério? — lancei um sorriso sarcástico. — Vamos lá, posso até te dar mais uma chance para melhorar a provocação… — por um instante pensei que Shannon me estrangularia com seu olhar.

— “Trouxa” — Ela espirrou a palavra colocando a mão em frente a sua boca.

— Francamente Shannon, você me surpreende com atitudes e respostas tão maduras. Estou impressionada. — Respondi sarcasticamente. — Mas sinto informar que não tenho mais tempo para seus comentários nivel jardim de infância. O Richard está me aguardando, com licença. Vou deixar você continuar a procurar seu cérebro aí na sala do Albert, com certeza irá precisar… — Shannon chegou abrir a boca na tentativa de dar uma réplica, mas percebi que nenhum som saiu apenas suas bochechas avermelharam de raiva, então virei as costas e saí em direção à sala de Richard.

(…)

Eu havia conseguido uma entrada para o “backstage” do show desta noite da 5SOS para Grazi, claro que já havia desculpado pela sua língua solta e não conseguiria ficar de mal com ela por muito tempo, ainda mais depois de ter passado a semana inteira me pedindo desculpas.

Durante o show, Gemma e não se desgrudaram, bateu até uma pontinha de ciúmes. O show havia terminado, mas todos ainda estavam agitados. E era nítido ver Ashton e Gemma trocando olhares e fazendo brincadeirinha entre eles. Continuei de costas, organizando as coisas, enquanto eles continuavam a se provocar.

— Eu consigo sim! — Ahston respondeu para Gemma.

— Chega, Ashton, temos que ir pro After Party.

— Olha como consigo. — Me virei para ver, assim que ouvi Gemma gargalhar. — Viu?

Ashton pegou Gemma no colo e começou a carregar ela para todos os lados.

— Pronto, agora me solta. — Ela não conseguia parar de rir.

Ele continuou com ela no colo, e resolveu subir às escadas e foi quando os risos foram silenciados por um estrondo e Ash e Gemma caídos ao chão.

Todos correram para ver se estavam bem e Gemma começou a reclamar de dor no pulso e Ashton não parava de se desculpar. Logo a equipe médica a atendeu e colocaram uma bolsa de gelo, ela havia torcido o pulso.

Gemma fez questão de que a levasse para casa e acompanhasse o Ashton também, depois do pequeno acidente, definitivamente eles não iriam para o “after party”, então como fiquei sem companhia decidi voltar para casa.

Cheguei em casa exausta, mas ao mesmo tempo tão relaxada, tão zen e leve, com vontade de rir por qualquer coisa. O silêncio do apartamento vazio me trazia uma sensação de que tudo estava começando a se encaixar no seu devido lugar, eu me sentia diferente.

Ao me deitar, segundos antes de apagar meu abajur, como estava um pouco inquieta resolvi pegar meu celular, afinal nem havia dado tempo de olhar se tinha alguma chamada ou mensagem durante toda a noite. E como todos os dias durante essa semana eu recebia alguma mensagem de Liam hoje não foi diferente. Liam enviou uma avisando que estavam no hotel no Rio de Janeiro. Assim que respondi sua mensagem outra veio logo em seguida.

Xx São dez e meia e estou aqui confinado neste quarto de hotel. Está muito ocupada agora? Será que posso te ligar no Skype agora? — Liam xX
Após responder a mensagem, peguei meu laptop e me acomodei na cama. Posicionei sobre meu colo e aguardei a chamada. Assim que atendi a primeira imagem que aparece é a de Liam sorrindo, sinceramente desconheço sensação melhor para finalizar minha noite, ou melhor dizendo minha madrugada.

— Hey, ! — Liam acenou para a câmera. — Desculpa te incomodar tão tarde… Aí deve ser…— baixou o olhar para o relógio. — Uma da manhã?

— Duas e trinta e cinco, mais precisamente. — Eu sorri.

— Oh… Eu te acordei não foi? — perguntou preocupado. — Maldito fuso horário…

— Não, na verdade estava recém indo dormir. Trabalhei até agora pouco…

— Então você deve estar muito cansada pra conversar agora.

— Pra conversar com você não estou cansada. — ele logo estampou um largo sorriso. — E pra falar a verdade estou sem sono. Então me conte, como foram de viagem? O que está achando do Rio de Janeiro até agora?

— Foi cansativa… Ainda não tivemos a oportunidade de ver muita coisa, apenas a vista que temos do hotel. Você sabe que temos que ficar presos no quarto de hotel e principalmente pelo humor de Albert, não sei se teremos como conhecer algum lugar por aqui.

— É ele sabe como ser um estraga prazeres mesmo… — bufei.

— É mesmo… — fez uma careta. — Mas e você? Muito trabalho no show de hoje?— perguntou interessado.

— O show foi tranquilo, correu tudo bem. O problema foi depois quando Ashton resolveu carregar a Gemma no colo e acabaram caindo dos últimos degraus da escada e Gemma torceu o pulso. Logo veio a equipe médica e tudo se resolveu, mas no fim perdi minha melhor amiga para a Gemma — eu ri. — Ela é quem foi junto para levar o Ashton e a Gemma para casa.

— Acho que o Harry não vai gostar nada dessa história aí do Ashton lesionando a irmã. — Liam riu.

— Verdade… E vocês ficaram a tarde toda encarcerados no quarto?

— Saímos um pouquinho… Pelo menos aproveitamos a piscina do hotel à tarde e… Deixa-me te mostrar meu quarto. É de frente para o mar. Espera… — pegou o laptop na mão fazendo um tour pelo cômodo. Inclusive mostrando a bela vista direto para a praia de Ipanema.

— Nossa que vista… Muita inveja neste momento. — Eu ri.

— Sabe… — se afastou da janela e sentou-se novamente na cama. — Eu notei que tem algo faltando neste quarto. — ajustou o laptop de frente para ele de novo.

— Como assim? Pelo que vi tem de tudo… Eu sabia que a fama muda as pessoas, mas estou achando você muito exigente, Liam Payne. — reforcei seu nome e balancei a cabeça.

— Ando mesmo, porque o que falta aqui é quem está do outro lado da tela. — fez uma cara de triste e bateu o dedo na câmera.

Em seguida ele estampou aquele sorriso que me encanta a cada dia mais. Eu então sorri de volta, recostei mais minhas costas na cabeceira da cama.

— Eu preciso confessar uma coisa… — disse e ajustei melhor o laptop sobre meus joelhos.

— O quê?

— Na verdade eu preciso admitir algo… Eu não imaginava que sentiria tanto sua falta.

— Sério? Porque… Eu tinha certeza de que você sentiria a minha falta… — Ele riu e passou o dorso da mão em seu queixo. — Como não sentir falta de todo esse charme aqui? — ainda rindo, arqueou uma de suas sobrancelhas.

— Claro… Senhor irresistível. — brinquei. — Está tão convencido que acho que vou desligar. — baixei um pouco a câmera ameaçando fechar a tela.

— Não… Eu…— ele ficou calado por alguns segundos. — Meu Deus… O calor daqui acabou tirando um pouco do meu sono, mas agora… Te ver assim só com essa… Suponho que seja uma camisola, perdi o sono de vez… — rapidamente levantei a tela do laptop na posição que estava anteriormente.

— Liam James Payne. — o repreendi em tom de brincadeira.

— Você é sempre assim tão… tão… sexy quando vai dormir? Minha imaginação voou alto agora. Lembrei daquela noite na casa do Harry… Na piscina…— ele pegou rapidamente o notebook em seu colo, de um modo meio atrapalhado, posicionando mais perto dele e sem por um segundo desviou seu olhar da tela. E foi inevitável não rir da reação dele. — Já não estou mais aguentando essa distância entre nós… Estou passando mal em não ter você aqui comigo.— balançou a cabeça. — Acho que vou precisar de um banho gelado…

— Payne? — sorri com malícia. — Você sabe como o Skype acaba diminuindo um pouquinho distância entre as pessoas, né? — falei de uma forma melosa, passando levemente meus dedos pelo meu colo até meu ombro. — Opa… — o provoquei largando uma das alças de minha camisola. Na câmera apenas meus ombros e colo estavam a mostra.

— Oh… Acho que vou pirar aqui. — posicionou seu notebook ao seu lado na cama e arrancou a camisa.

— Querendo me provocar também? — mordi o lábio inferior e soltei a outra alça de minha camisola, revelando meus ombros nus, em uma tentativa boba de seduzi-lo. Era deliciosamente divertido esse tipo de joguinho, será que eu havia perdido o jeito? Mas ele me deixava tão à vontade que eu queria continuar.

— N-não… — engasgou-se um pouco as palavras e pegou seu laptop novamente em seu colo. — A cada dia me surpreende, você é incrível sabia? — sorriu de canto.

— Claro, só porque estou prestes a me despir diante da webcam pra você… — torci o nariz e ri de leve.

— Não é por isso… — fez uma careta. — Mas… Você disse “despir”? Para mim? Ouvi bem? — abriu um largo sorriso.

— A não ser que não queira. — dei com os ombros e puxei de volta apenas uma alça.

— Não faz isso comigo, . — fez uma cara de triste.

— Sabe que eu não resisto quando você faz esse biquinho aí. — Apontei para a tela e ri.

Em seguida, bem devagar soltei novamente a alça da minha camisola, deixando-a deslizar pelo meu ombro. Com uma mão ainda segurei a camisola sobre meu busto e com a outra mão afastei um pouco mais o laptop, para ampliar a visão da câmera. Liam ficou em silêncio, seus olhos estavam vidrados em cada movimento meu.

— O que você quer que eu faça para você Liam? — perguntei com a voz suave.

— Continue… Digo, pode continuar tirando essa camisola tão desnecessária. — riu maliciosamente.

— Hoje é você quem manda, Payne. — desci lentamente o restante da seda preta que ainda cobriam meus seios.

— Ah meu Deus… — podia ver seu peitoral subindo e descendo rapidamente. Pude notar em seguida um movimento de seu braço, mas visão da câmera não me permitia ter certeza.

“— Assistindo pornografia?”— Pude ouvir uma voz masculina surgir no quarto do Liam e de repente minha tela ficou preta.

Liam’s POV

— Ah meu Deus… — Eu ainda não estava acreditando, não estava mais nem pensando direito. O meu corpo correspondeu prontamente após me deliciar com aquela visão na minha tela. Tudo que eu queria era estar do outro lado da tela.

“— Assistindo pornografia?”

— Porra! — gritei e levantei rapidamente, fechando o botão da minha bermuda e quase derrubando o notebook no chão… — Mas que merda, Zayn!

— De quem são esses peitos? Gostosa, quem é? — ele virou o notebook de frente para ele e sentou na ponta da cama.

— Cala boca, me dá isso… — praticamente arranquei o computador de suas mãos. Desesperadamente apertei em tudo que era botão na tentativa de fechar o Skype, mas sem sucesso. Por que travou justo agora? Fechei a tela de uma vez e larguei o notebook em uma pequena mesa no canto do quarto. — Que está fazendo aqui? Como entrou, cara?

— Eu bati, mas você não abriu… Agora vi o porquê. — Gargalhou. — Eu tenho meus meios de conseguir as coisas, então descolei uma chave extra e entrei. Estou entediado, vamos beber lá no bar do hotel. A não ser que você queira ligar ali pra sua gostosa e ver se ela não tem uma amiga para uma “conversinha” assim no Skype comigo, que tal?

— Não… Vamos para o bar mesmo. — Sentei-me na cama para calçar meu tênis. — E se quiser tanto conversar pelo Skype, é só ligar para a Perrie do seu quarto. — falei firme.

— Calma aí… Estava só brincando. — Balançou os braços no ar. — É acho que não devia ter interrompido, assim não estaria com tão mau humor. — gargalhou.

— Cala boca. Vou só colocar uma camiseta e vamos.

(…)

Uma semana depois…

Essa semana passou voando, Liam me contou o que havia acontecido aquele dia e pouco nos falamos depois, devido aos shows ele não teve muito tempo. E eu andei bastante ocupada, reuniões com Richard, mais eventos e workshops. Outra coisa me ocupou bastante foi a minha mudança para o apartamento que consegui com o pai da .

Depois do meu último dia de workshop de moda e mídia, fui chamada até Modest, a respeito de uma encomenda que haviam deixado para mim. Assim que cheguei na recepção, me entregaram um lindo bouquet de rosas. Não estava entendo qual era a ocasião, meu aniversário era daqui um mês. Um pequeno cartão se encontrava no meio.

“Estou com muita saudade sua. Amanhã estarei de volta e me desculpe pelo meu comportamento. Com amor, seu noivo Albert.”
Pisquei várias vezes, pois não estava acreditando no que estava lendo, algo estava muito errado. O que havia acontecido durante esses dias? Será que ele fumou alguma coisa enquanto passaram pela Colômbia? Ou ficou amigo de alguém que forneceu drogas para ele no Brasil e acabou esquecendo da conversa que tivemos antes dele viajar? Agora nada mais está fazendo sentido.

Cheguei em casa e assim que coloquei as flores em cima da mesa, pensei em ligar para Albert, para saber o que estava acontecendo, talvez as flores nem fossem para mim. E no instante em que peguei o celular na mão ele mesmo estava me ligando.

— Albert? — atendi desconfiada.

— Recebeu meu presente, querida? — falava com uma voz doce. — Pedi para encomendarem e entregarem para você.

— O quê, Albert? O que está acontecendo?

— Estou ótimo, gostou das flores?

— Você não pode estar falando sério. Esqueceu tudo que falei antes de você viajar? — perguntei meio desacreditada.

— Ai que coisa boa meu amor! Sabe como gosto de mimar a minha noiva. — ressaltou alto “minha noiva”. — Estou com saudades, mas amanhã já estaremos juntos novamente. — ele não estava dizendo coisa com coisa e falava de forma toda carinhosa, isso soava muito estranho.

— Você está bêbado? Errou o número ou o quê?

— Ai eu também! Como você é atrevida… Claro que não… — ele riu. — Também estou morrendo de saudades! E me espere linda e perfumada amanhã, agora tenho que desligar. Um beijo nessa sua boquinha linda.

— O quê? — gritei — Do que você está falando?

— Sim minha querida… Eu também amorzinho… Tenho que desligar agora. Até amanhã.

Desliguei totalmente confusa. Fiquei encarando o dispositivo por alguns instantes, incrédula pela conversa mais doida que já tive na minha vida. Aquele não era o Albert, jamais havia agido dessa maneira comigo, nem quando nosso relacionamento ainda estava bem. Aquilo me causou um mau pressentimento.

(…)

Incrível como duas semanas me fizeram perceber a diferença que Liam havia feito em minha vida e a falta que ele andava fazendo, mas o sentimento de saudades dele foi subitamente sobreposto pelo sentimento de angústia em saber que a qualquer momento Albert cruzaria por aquela porta.

Apenas uma mala havia sobrado, afinal tudo que eu levaria seriam minhas roupas. Eu estava ansiosa para terminar com aquela situação de uma vez, deitei-me no quarto e as horas foram passando e ao ficar trocando de canal em canal, acabei pegando no sono.

Acordei com um raio de sol batendo em meus olhos. Ao pegar meu celular, percebi que ele não havia despertado. Levantei-me em um pulo, estava atrasada e Albert sequer tinha passado em casa. Estava atrasada para a reunião com Richard.

Peguei a minha roupa e acredito que nunca havia me arrumado tão depressa. Cheguei na Modest e corri até a sala de reuniões.

— Com licença… — Um pouco ofegante, dei três batidinhas na porta. — Desculpe meu atraso, Richard.

— Não tem problema… Albert avisou que você se atrasaria. Pode entrar, . Depois Albert repassa as informações que você perdeu. Hoje é mais um comunicado do que de fato uma reunião. Por favor, sente-se.

— Vem aqui do meu lado. — Albert indicou a cadeira vaga. — Eu expliquei a eles que você estava cansada de ontem à noite. — Riu sarcasticamente. — Sabem como é… Eu fiquei longe todo esse tempo. — Deu uma piscada.

Olhei confusa para ele, Albert não estava batendo bem da cabeça. Depois olhei para Liam que permanecia sério.

— Está bem Albert, já entendemos da primeira vez que você contou. Agora vamos voltar ao assunto sobre os próximos shows. Bom , você sabe que agora na próxima viagem vai acompanhar os nossos garotos de perto. Viajará para Amsterdam. Irá auxiliar mais ativamente nos backstages, para vermos como você se sai. Mas acredito que fará um ótimo trabalho, principalmente depois do treinamento que você fez nesses últimos dias. E Zoey estará com você o tempo todo.

Enquanto Richard passava mais outras informações à Ashton, Luke, Calum e Michael, Albert me lançava alguns olhares cínicos. Eu nem devia ter acordado direito, pois não estava entendendo nada. O mais estranho foi ver que Liam desviou seu olhar do meu todas as vezes.

— Acho que por fim era isso, vocês têm alguma dúvida? — Richard olhou para Harry, Zayn, Liam, Louis e Niall que apenas balançaram a cabeça negativamente. — Então estão dispensados.

— Esperem, antes quero fazer um convite, aproveitar que você está aqui também Richard. — Albert se pôs em pé. — Era uma surpresa para , mas… Bem eu acabei de comprar uma casa nova e queria inaugurar dando uma festinha amanhã à noite, para comemorar o sucesso da banda e dos shows, enfim… E como na sexta voltaremos a viajar e não vamos ter muitos dias de folga, pensei em uma boa oportunidade para nos divertimos, que tal?

— Acho isso uma ótima ideia, Albert. Pode contar comigo e com a Marla. — Richard respondeu animadamente.

— E vocês garotos? Afinal quero dar essa festa não somente pela comemoração da casa nova e sim em gratificação a vocês, pelo ótimo trabalho que vem fazendo. — A boca de Albert parecia que iria rasgar em sorrisos. — Posso contar com um sim de todos?

— Uma festa sempre é bem-vinda. — comentou Louis.

— Pode contar com a gente sim. — Niall e Zayn concordaram.

— Comigo também. — Harry respondeu.

— E você Liam, também vai ir não é mesmo? — Albert perguntou.

— É… Acho que vou. — respondeu claramente desanimado.

— Então está tudo certo. Estão liberados, pois precisam se preparar para mais uma entrevista hoje à tarde. Agora preciso ir. Com licença. — Richard fechou sua pasta e saiu apressadamente da sala.

— Harry. — Albert segurou em seu braço antes que chegasse até o elevador. — Você pode levar a sua namorada, afinal ainda não vi os dois juntos de verdade, só fotos meio borradas e por mais que ela seja minha vizinha, acho que está na hora de conhecê-la melhor, né ? — virou brevemente o rosto para mim.

— Pode deixar que levo ela sim… — Harry com um olhar confuso falou. Não era apenas eu que estava estranhando esse comportamento de Albert.

— Quem sabe a partir dessa festa, podemos pensar a respeito em divulgar a informação do namoro e torná-lo oficial… — Deu um tapinha nas costas dele. — E você Liam, não tem ninguém que você queira levar junto na festa?

— Não. — olhou de relance para mim.

— Como não tem ninguém? Acho que está escondendo o jogo. — Comentava com certo ar de cinismo. — Mas se você quiser é só me avisar que eu acho uma garota linda para você. É só me dizer… Seu desejo é uma ordem. — Sua voz tinha um tom de ironia. E meu estômago começou a ficar embrulhado ao ficar escutando tudo isso. — Eu já tive a sorte de encontrar alguém para mim. — me abraçou forte de lado, eu estava a ponto de explodir com aquela atitude de Albert e o empurrei de leve me soltando dele.

— Lembrei que preciso fazer umas ligações. Fiquei de confirmar sobre algumas marcas que oferecem para lançar uma linha de roupas da 5SOS. Com licença. — respirei fundo e saí o quanto antes de perto deles e corri para a minha sala e fechei o mais rápido possível a porta, não conseguia ver Liam daquela maneira, conseguia perceber que ele não estava bem. Era como se faltasse ar dos meus pulmões ao vê-lo e não poder conversar com ele, aquela situação estava acabando comigo.

Sentei-me à minha mesa e liguei meu notebook para conferir os compromissos do dia, assim tiraria o foco dos meus pensamentos que estavam voltados à atitude estranha de Liam, afinal deveria ser coisa da minha cabeça mesmo, ele deveria estar apenas cansado.

Enquanto enviava alguns e-mails, alguém bateu na porta. Levantei-me e fui abrir, pois lembrei que havia trancado a porta. Nem sei o porquê eu havia feito isso.

— Liam! — não pude conter minha surpresa. — Eu tenho que te contar uma coisa. — Estava animada em poder contar sobre o novo apartamento, minha mudança.

Ele não falou nada e apenas entrou nervoso porta adentro.

— O que houve? — franzi a testa.

— O Albert e você estão numa boa, é isso? Se acertaram? Eu só quero saber se eu estou sobrando aqui ou… — Escorou-se na minha mesa me analisando com um olhar abatido.

— O quê? — aquelas palavras saíram automaticamente de uma forma extremamente aguda. — Como? — baixei o tom da minha voz — Ficou maluco é? De onde você tirou isso? — perguntei confusa.

— Ele não te mandou por acaso, flores? — ele falava de maneira ríspida. — Ele não parava de falar de como você também estava com saudades dele e… Hoje na reunião, a noite maravilhosa que tiveram. — baixou os olhos e agarrou firme a borda da mesa.

— Como você sabe das flores e… Espera. Eu não estou acreditando. — Eu achava que o Albert tinha bebido quando havia feito aquela ligação e fiquei sem entender nada. Coloquei a mão na cabeça. Tentando assimilar tudo que Liam havia acabado de contar sobre Albert.

— Então é verdade? — me indagou novamente visivelmente chateado, seus olhos estavam levemente marejados.

— Liam, como você pode acreditar nisso? Ontem à noite sequer ele apareceu… Sei que não demonstrei firmeza diante do Albert e muitas vezes me deixei manipular, mas não mais. Talvez tenha demorado para eu ter percebido quem o Albert era de fato e eu me permiti estar nessa situação e da minha maneira decidi mudá-la. Pensei que você havia percebido quem de verdade eu sou e eu não sei fingir sentimentos, muito menos fazer esse tipo de jogo. Eu não sei onde o Albert quer chegar com tudo isso, afinal hoje mesmo estou me mudando do apartamento. Era isso que eu queria te contar. — falei desanimada e caminhei em direção a porta. — Olha eu não sei que tipo de mulher você pensa que sou, então… E se você realmente acha que faria algo assim, acho melhor você ir. — me virei para a porta e segurei a maçaneta, mas antes que pudesse girar a mão de Liam impediu.

— Eu sou um idiota mesmo… — falou com certa dificuldade e deu um longo suspiro. — Eu precisava olhar nos seus olhos para saber a verdade. Desculpa, por sequer ter duvidado um minuto. É que só de pensar em vocês dois juntos, isso me acaba. — ele respirava profundamente. — Eu tive que controlar, afinal ele é o “Albert Cole” e não podia simplesmente meter meu punho na cara dele, sem que isso se tornasse um escândalo para todos os tabloides de plantão.

Sua mão permanecia sobre a minha e um calor tomava meu corpo, ao mesmo tempo em que estava chateada por ele ter acreditado em toda aquela mentira e por ter duvidado de mim, eu estava sim com muita saudade dele.

— Liam… — Olhei firme em seus olhos. — Acho melhor você ir. — Engoli seco e girei lentamente a maçaneta, abrindo de leve a porta.

— Então eu já vou… — Liam segurou a porta e vagarosamente a fechou novamente. Em um movimento impetuoso me agarrou pela cintura e me prensou contra a porta. — Eu senti muito a sua falta, sabia? — sussurrou a milímetros de distância da minha boca.

— Agora sim, pirou de vez é? Aqui não, Liam. — Cochichei, pois estávamos tão perto da porta. Neste momento eu estava lutando contra a minha vontade de estar em seus braços e acabar com essa pequena distância entre nós.

— Eu não ligo mais, só me importo com você. Percebi que minha sanidade depende de você. E como que você ainda quer que eu finja que o que escutei não me atinge? — selou em um impulso nossos lábios em um beijo que fez meu corpo inteiro arrepiar em um segundo, me rendi sem hesitar. Ele me beijou com fervor e todo aquele calor envolvente tomava conta de meus lábios, a saudade de sentir sua língua na minha me extasiava. Suas mãos habilmente percorriam pela minha cintura e quadris.

Nosso beijo se intensificava cada vez mais, era cheio de necessidade e uma de suas mãos agarrou minha nuca, entrelaçando seus dedos por entre meus cabelos. Meus sentidos foram a loucura e eu agarrei com força o tecido de sua camiseta, um leve gemido saiu de seus lábios, fazendo um calor intenso percorrer pelo meu corpo.

Parei o beijo ao sentir a maçaneta bater nas minhas costas, resgatando minha consciência ao local onde nos encontrávamos. Uma batida na porta, fez meu coração congelar.

Rapidamente nos separamos e eu um pouco desajeitada, tentei desamassar minha blusa e me recompor antes de abrir. Liam sentou-se na poltrona perto da janela e então eu me virei e abri a porta.

? — respirei aliviada. — O que você está fazendo por aqui?

— Esqueceu que fiquei de me encontrar com o Harry e vinha te trazer a chave do apartamento? — balançou um pequeno molho de chaves e me olhou estranho. — Por que está com batom no queixo? — franziu a testa.

— O quê? — passei meus dedos na tentativa de limpar.

então esticou a cabeça para dentro da sala. — Entendi… — ela deu um risinho e acenou para Liam que repetiu o gesto de volta e então se levantou.

— Eu preciso ir, mais tarde a entrevista, lembra? — sorriu para mim e discretamente passou sua mão pela minha ao sair da sala e se despediu também da .

. — Me puxou para dentro da sala. — Você ainda não saiu do apartamento ainda… Vai com calma. — Minha amiga falou baixo, preocupada e me entregou as chaves.

— Eu sei, . Mas esta noite tudo se resolve. — Segurei firme aquele pequeno molho de chaves. — Muito obrigada, por tudo. — a abracei forte.

— Imagina, . Se você quiser, eu vou poder te dar carona até seu novo apartamento. Hoje meu pai decidiu me devolver o carro com a condição de conhecer bem… Como ele disse? — estralou os dedos tentando lembrar. — “Quero conhecer bem esse tal do Harry Styles da banda One Direction”.— falou imitando a voz do pai dela. — Sim, ele deu um “Google” no Harry. — ela riu.

— Logo ele vira fã. — comentei rindo.

— O difícil mesmo vai ser a minha mãe, mas… Se meu pai aprovar, tenho certeza de que me ajuda a convencer a fera. — agora preciso ir, porque deixei o Harry esperando no estacionamento. Nós vamos ir almoçar juntos depois. E você, juízo aí. — Gargalhou. — Até a noite. — Acenou e ela mesma abriu a porta e saiu em direção ao elevador.

Fiquei olhando por alguns instantes aquela chave na minha mão, com aquela ponta de esperança de que nesta noite eu daria o primeiro passo em ter a minha vida de volta, eu estava ansiosa e ao mesmo tempo sentia um pouco de medo, principalmente depois das flores e a maneira como Albert se comportou antes. Respirei bem fundo para afastar qualquer pensamento ruim e falei para mim mesma: “Desta noite não passa, . Albert não tem mais o poder de te intimidar.”

N/A: Minhas leitoras!!! Será que agora a PP se livra do Albert? Comentem (please!), entrem no grupo do face (clique aqui) Até a próxima atualização. Um beijooo!!

Capítulo Treze

No instante em que pisei no apartamento, escutei ruídos vindo do quarto, percebi que Albert estava em casa. Fui me aproximando tranquilamente e entrei no cômodo. Albert estava sentado na cama apenas de cueca e secando seu cabelo com a toalha.

— Oi meu bem. – Albert me cumprimentou e logo estranhei o tom de voz animado dele e suas palavras.

“Meu bem”? – franzi a testa.

— Agora não posso ser gentil com a minha noiva? – falou de forma totalmente calma. Nesse instante fiquei literalmente de boca aberta. – Então, gostou das flores? Tem que colocá-las na água para não murchar. – Ele continuou.

Permaneci olhando fixamente, descrente ao ouvir as palavras que saiam da boca de Albert e ainda por cima de um modo suave e tranquilo? Esse comportamento estava me deixando assustada.

— O que foi? Não posso te fazer um agrado? – franziu a testa me encarando.

— Você sofreu algum acidente durante a viagem? – finalmente consegui dizer algo.

— Não. Por que, querida? – perguntou serenamente.

“Querida?” “Meu bem”? — Balancei a cabeça negativamente. – O que aconteceu? Você só pode ter batido a cabeça para ter esquecido tudo conversamos e o que foi decidido antes de você viajar. Você não viu a minha mala? – olhei brevemente para o lado. – Esqueceu o que combinamos? Que assim que você voltasse eu me mudaria?

— Do que você está falando? Vamos dormir. – entrou no closet para pegar uma camiseta, me ignorando completamente.

— Albert? – o segui. – Você me ouviu? Eu estou saindo de casa. – falei pausadamente.

— Você está cansada, vamos dormir. – Deu a volta por mim e seguiu em direção à cama.

Isso só podia ser algo para testar meus nervos. Parecia que eu estava falando com as paredes.

— Se você não quer me escutar, tudo bem. – Respirei fundo e me direcionei até perto da porta do quarto, onde estava localizada minha mala. – Eu cumpri a minha parte e não falei nada sobre o término do noivado até você voltar, agora chega. Vou deixar as minhas chaves do carro e do apartamento em cima da mesa. – Destravei o puxador da mala e comecei a arrastá-la até a sala.

— Não… Espera, não vai. – Albert correu e me segurou pelo braço. – Eu pensei que não estava falando sério. – Instantaneamente puxei meu braço para me soltar dele. – Achei que era algum surto seu, TPM, sei lá. – Deu com os ombros. – Vamos conversar.

— Não tem mais o que conversar, Albert. Chega! – falei em um só fôlego. – Você realmente não me escuta. Que parte do “eu não suporto mais essa situação e vamos cada um seguir a própria vida” você ainda não entendeu? Eu só quero que tudo termine na melhor forma possível. Eu não estou pedindo mais nada Albert, nada de você. Já deixei a aliança em cima da cômoda e vou repetir pela última uma vez: não quero nada seu. Estou levando apenas o que é meu, minhas roupas. Inclusive os presentes caros que você me deu estão todos no closet, pode até conferir se quiser.

— Não, . O por que disso tudo agora? Por acaso você tem outra pessoa? É isso? Quem é ele? – Apenas respirei fundo.

— Não Albert, é você que tem outra. Cansei de todas as mentiras e de tantas vezes que tapei os olhos para a realidade. Infelizmente eu não havia notado antes o quanto você me diminuía e me desrespeitava. Esse relacionamento só me faz mal. Portanto, estou dando um basta nisso tudo. – puxei minha mala e parei diante da porta.

— Eu já falei que é só você na minha vida! Você não pode ir. – Elevou o tom de voz. – Você não pode me deixar, eu não permito. – Se pôs à minha frente na porta, barrando minha saída, visivelmente irritado. E aí estava, finalmente o verdadeiro Albert se revelou novamente. A máscara que ele vestiu por alguns minutos começou a cair, afinal aquela atuação não poderia durar tanto tempo.

— Por favor, Albert. Não complique as coisas, você havia concordado. Estava tudo decidido. E quem é você para permitir ou não algo em minha vida? – perguntei com indignação. – Eu não acato mais suas ordens, Albert.

— Você não pode e não vai ir… – segurou a maçaneta da porta de forma bruta.

— O que você quer? – gritei. — Vai me trancar aqui? Vai querer que eu fique através de ameaças? Esse é seu grande plano? – continuei gritando. — A está me esperando e se eu não aparecer daqui alguns minutos com certeza ela virá atrás de mim aqui. Não vai querer que eu faça um escândalo agora e chamar a atenção de todos os vizinhos. Acho que isso não seria nada bom para sua imagem, não é mesmo? – o ameacei com a voz firme. Não me sentia mais intimidada por ele, eu estava com raiva.

— Está bem. – Exclamou frustrado destrancando a porta. Contrariado ele respirou fundo, saiu da minha frente e parou ao lado da porta ainda segurando a maçaneta. — Se está tão decidida, pode ir… – abriu a porta. — Amanhã só preciso que esteja presente na festa, de preferência que chegue um pouco antes dos convidados, pois irei anunciar oficialmente o término do nosso noivado, pode ser? – pediu sério, mas sem perder o ar de superioridade.

— Para este propósito, claro que sim. – Concordei para sair o mais rápido possível daquele apartamento. Puxei minha mala até o corredor e chamei o elevador. Estava de costas quando escutei Albert bater a porta do apartamento. Assim que o elevador parou no andar da , respirei aliviada, enfim me sentia livre, como se agora eu tivesse minha vida de volta. Comecei a pensar em tudo que eu estava me livrando, em não mais precisar viver com inseguranças e medo.

(…)

teve um outro compromisso antes e eu resolvi ir de táxi, pois Albert fazia questão de que eu precisava ir no horário que um jornalista iria estar presente por lá. Desci do táxi e toquei o interfone e encarei aqueles altos muros, não demorou e Albert foi quem abriu a porta.

— Eu estava precisando me presentear e nada melhor que uma casa nova. – Albert falava orgulhoso parado diante daquela linda mansão.

— É… Muito bonita mesmo, Albert. – Respondi sem muito entusiasmo enquanto caminhávamos até a porta principal.

— Vamos, entre. – Abriu aquela gigantesca porta. – Olha como ela é ainda mais bonita por dentro. Olhe bem tudo que você está perdendo…— balançou a cabeça e nesse mesmo instante seu celular tocou, posso até dizer que ele havia ficado pálido ao olhar o visor do celular. – Com licença, preciso atender.

O esperei naquele hall de entrada enorme, chegava ser frio de tão grande.

— Quero lhe mostrar a casa, pois logo o pessoal de organização da festa chega. – Voltou claramente inquieto depois da ligação que recebeu.

— Eu só quero saber, onde está o jornalista que você me avisou que estaria aqui? – antes que ele pudesse responder o interfone ecoou por toda a casa.

— Devem ser os fotógrafos e os jornalistas que convidei. Quero que esta festa seja memorável, quero estampada em todas as notícias amanhã. Pelo menos você está bem vestida. – Me olhou dos pés a cabeça. – Deixou seus melhores vestidos no apartamento, mas esse aí dá pro gasto. – disse e deu as costas para atender à equipe. Evitando com que eu pudesse responder.

Calmamente fui caminhando atrás daquele hall de entrada gigantesco. E vi Albert perto da porta conversando com os fotógrafos.

— Quero fotos estampadas em todas as revistas amanhã, viu? – ele solicitava enquanto fotografavam cada canto da casa.

Pela primeira vez estaria nessas festas sem precisar me preocupar com o que o Albert pensaria a respeito de como me comportar, quando lembro soa tão ridículo. Eu sentia um frio na barriga, pois acho que passei tanto tempo recebendo instruções que de certa maneira me senti um pouco desorientada, mas ao mesmo tempo essa sensação era muito boa. Só não entendia por que uma pontinha de medo insistia em permanecer dentro de mim.

A casa começou a ficar tomada pelos convidados que não paravam de chegar e nada de Albert falar sobre o término do noivado. O garçom passava sempre, certificando com que minha taça não ficasse vazia e conforme as pessoas iam chegando era inevitável meus olhos vasculharem por um convidado específico.

Eddie Halliwell acabara de chegar, ele foi o DJ escolhido para a “simples” festinha do Albert. E depois da quarta taça e os flashes quase me cegarem, finalmente avistei quando e Harry chegaram. Nesse momento a atenção foi toda voltada a eles, então Albert correu prontamente para recepcioná-los. Era foto que não parava mais. Logo em seguida os fotógrafos mudaram o foco para Louis, Eleonor, Zayn e Niall que chegaram na sequência. Então e Harry vieram em minha direção.

— Agora é oficial… – Harry falou rindo com suas covinhas a mostra. Depois olhou para e a abraçou forte de lado, quase esmagando minha amiga e a erguendo do chão.

— E agora sim, minha mãe… Se ela ligar o canal de fofocas que ela costuma assistir de tarde… Amanhã… Ai, estou vendo… – nervosa ela não parava de falar. – Meu Deus! Estou já escutando os gritos dela pelo telefone e… – Harry rapidamente calou sua namorada com um beijo rápido.

Continuamos conversando até que fomos interrompidos pela presença de Albert.

— Quero apresentar vocês para uma convidada especial. Essa é a Kendall Jenner e esta é a minha noiva .

— Ex-noiva, Albert. Ex. – reforcei.

— S-Sim… Vou ter que me acostumar. – Riu meio sem jeito.

— O Harry não precisa de apresentações não é mesmo Kendall? – Albert deu um risinho cínico. – E essa é a nova namoradinha dele. – disse com desdém deixando um pouco sem graça. E essa era a especialidade do Albert.

— Bom, eu a convidei, pois estava precisando de uma modelo para ajudar em um novo projeto que ando trabalhando que achei perfeito para ela. Sabe Harry, estou até pensando na possibilidade de ela fazer alguma participação em um clipe de vocês, talvez. – Voltou sua atenção à Kendall. — Estou analisando algumas ideias, o que você acha Kendall? – sorriu de lado.

— Isso é ótimo Albert. – Ela respondeu animada. – Eu vou adorar trabalhar com você, Harry – Passou a mão pelo seu braço.

— Você não se importa de ter uma linda modelo trabalhando junto com ele, não é mesmo ? Ou já está preocupada com isso? – Debochou. Era nítido que Albert estava a provocando. Aonde ele queria chegar com isso?

Pensei que fosse pular no pescoço de Albert naquele instante. Mas com um largo sorriso no rosto ela respondeu:

— Mas é claro que não me importo, Albert.

— E por que ela deveria se preocupar com isso? – Harry rebateu não gostando das insinuações e afastando delicadamente seu braço de perto da Kendall.

— Albert… – cutuquei seu ombro. – Olha… – apontei para a porta. — O Olly acabou de chegar. – Aproveitei a chegada do Olly para quebrar a situação que estava se formando.

— Claro… Me deem licença. Continuem aproveitando a festa e se conhecendo melhor. – Deu as costas rapidamente em direção à entrada.

— Então Kendall, você desfila para quais marcas? – me virei para ela. — Eu tenho um conhecido que com certeza se interessaria em colocar você em um dos desfiles da Givenchy. Inclusive ele está hoje aqui na festa. Posso apresentar ele a você, tem interesse?

— Ai! Claro! Seria super! – bateu palmas. – Eu quero sim.

— Então vem comigo. – Inclinei meu rosto para o lado e apenas moveu os lábios a palavra: “Obrigada”.

Estava percebendo que esse “projeto” do Albert era na verdade para aos poucos ir plantando certas sementinhas da discórdia entre todos, mas o que dependesse de mim isso não iria acontecer.

Deixei Kendall conversando com Jay sobre os próximos desfiles da Givenchy, assim consegui me livrar dela.

Ao voltar à sala principal pude notar novamente o alvoroço dos fotógrafos, era o Liam. Naquele exato momento me senti meio boba, pois meu coração chegou a disparar. Aproveitei que ele estava cercado e me direcionei à outra sala, acredito que o melhor para essa noite seria evitá-lo, não confiava em mim perto dele.

Consegui encontrar Richard e ficamos conversando alguns minutos, ele começou a perguntar sobre a mansão, perguntou se eu havia ajudado Albert a escolher e depois começou com umas perguntas estranhas, sobre quanto havia custado a mansão até que fui obrigada a contar que não sabia de nada e que inclusive eu havia saído de casa e que Albert e eu rompemos o noivado. Percebi que ele suspeitava de algo, mas Richard era um homem muito discreto e não deixava transparecer o que realmente ele pensava. Logo em seguida ele se distanciou para dar atenção ao Simon Cowell, que havia acabado de chegar.

No momento em que o garçom parou em minha frente me alcançando um drink, Liam passou por trás de mim, esticou seu braço até a bandeja para pegar uma taça e então sussurrou em meu ouvido.

— Finalmente te achei. Você está maravilhosa. – O som da sua voz com aquele sotaque fez meu corpo inteiro arrepiar.

Apenas tomei um pequeno gole da minha bebida, tentando disfarçar o rubor de meu rosto. Quando o garçom se distanciou, aproveitei o breve momento que todos estavam dispersos, me virei para Liam e apenas abri um amplo sorriso.

— O Harry me contou a novidade. – Ele deu um risinho. — Vem comigo? Vamos escapar dessa festa… Vamos sair daqui? – ele propôs. — Eu não aguento mais…

— Você só pode estar bêbado. – eu ri.

— Não. Eu sei que você quer também… Vamos? – Insistiu e deu um passo a frente deixando nossos corpos bem próximos. Cada vez que ele se aproximava era como se o lugar se esvaziasse e existíssemos apenas eu e ele, aonde não existe certo e errado, como envoltos dentro de uma bolha. Mas infelizmente como sempre, essa não era a realidade e o local estava minado de fotógrafos.

— Liam… – Olhei para os lados, mas ninguém nos observava e nem sinal do Albert. – Eu não posso.

— Pega. – Pegou minha mão e sobre a palma colocou uma chave. – É a chave do meu apartamento, vou te mandar por mensagem a senha da garagem e avisarei o porteiro e os seguranças do prédio deixarem você subir.

— Mas Liam, eu não tenho mais meu carro… É arriscado demais.

— Quanto a isso não tem problema, você pode ir com o Harry, assim ele pode entrar direto na garagem. E eu já te falei que desde o momento em que te vi na festa de aniversário do Richard, você vale cada risco. – Sorriu e ergueu uma de suas sobrancelhas. Senti um friozinho gostoso no estômago.

— E se…

— Você não quer? – Questionou.

— Claro que quero. Não é isso, você sabe…

— Então, , vou te esperar. Independente da hora que você for. – Liam me interrompeu e sussurrou novamente em meu ouvido e depois se afastou sorrindo.

. Preciso que você venha comigo até a outra sala. — Richard gentilmente se aproximou e me chamou para tirar foto com os meninos da 5SOS e isso fez com que eu perdesse Liam de vista.

(…)

Mais uma hora se passou desde que Liam havia sumido da festa. Fiz o meu social e aproveitei para procurar a e Harry. Ao cruzar um dos corredores, uma porta do banheiro estava entreaberta e pude escutar duas mulheres conversando. Foi inevitável parar assim que ouvi meu nome e do Albert, minha curiosidade foi maior e parei discretamente para tentar ouvir a conversa.

— Se a Carol visse tudo isso… Tenho certeza de que se arrependeria de ter ficado calada.

— Sei que já fazem uns dois anos praticamente, mas ainda não me conformo… Acho ele nos convidou só para esfregar na nossa cara o quanto ele está bem. Talvez ele pense que ainda temos algum tipo de contato com a Carol.

— Será que essa noiva dele não vai abrir os olhos nunca, chego a ter pena da coitada. É óbvio que esse noivado serviu apenas para conseguir a promoção. Porque se o Richard não tivesse ameaçado a demiti-lo, caso não entrasse nos eixos e se mostrasse alguém sério e que parasse de dar em cima de todas que trabalhavam na Modest, tenho certeza de que ele não estaria noivo coisa nenhuma. E é muita coincidência logo em seguida que ele anunciou estar noivo conseguiu a tão sonhada promoção.

— Verdade… Não sei quem é mais trouxa, a ou o Richard, por ter acreditado nessa mudança repentina do Albert. Isso é que mais dá raiva, porque a Carol era uma ótima funcionária, não teve culpa em cair nas garras desse idiota. Só porque ele virou o Sr. Albert W. Cole, fica sempre impune das situações. Por favor…

— Infelizmente é assim… Só que a Carol foi impulsiva ao revelar a ele que contaria tudo. Ela devia ter feito de uma vez e não ameaçado antes. Só porque ficou com raiva quando pegou ele aos beijos com uma nova estagiária, aí agiu sem pensar.

— Mas ela não tinha provas concretas do relacionamento dos dois, apenas presentes, jóias que no começo ele dava a ela, mas isso não provava nada. Tudo que se ouvia eram rumores do romance deles e então era a palavra dela, uma mera funcionária contra a dele.

— Mesmo assim, ela devia ter colocado todos os podres dele no ventilador, porque ela sabia muito mais coisas do que nos contou na época… Olha agora, ele todo feliz, de mansão nova e ela teve que largar toda vida dela, foi humilhada e precisou recomeçar, sabe-se lá onde.

— Não é justo, mas eu acho que ela realmente estava muito apaixonada por ele, estava cega e para não se incomodar mais, aceitou os termos da Modest e o dinheiro do Albert. Só acho que essa não deve saber metade da história.

— Por favor, não conta pra ninguém, mas ouvi falar que o Albert… Olha talvez sejam apenas boatos, mas… Sei lá… Depois da compra dessa mansão e juntando as peças com que eu ouvi na época da Carol, dizem que ele…

Escutei um ruído e rapidamente saí de perto da porta e corri até o outro cômodo, esbarrando em Albert.

— Onde está indo com tanta pressa? Eu estava te procurando.

— E-eu vou… Estou indo embora. – Respondi recuperando o fôlego.

— Ainda não… – Albert balançou a cabeça negativamente.

— Estou indo… Estou cansada, amanhã tenho mais uns outros compromissos antes da viagem, preciso deixar tudo organizado.

— Precisa de uma carona? Eu te levo. – segurou em meu ombro.

— Eu tenho carona, obrigada. – Calmamente me livrei de seu contato. – Vou precisar falar com algum jornalista ou você já tornou oficial o término do nosso noivado?

— Pensei e acho melhor deixar para mais adiante. – respondeu com descaso. – Vai que você muda de ideia.

— Eu só posso estar ficando louca em estar ouvindo isso. Albert, vou repetir mais uma vez… ACABOU. – Passei a mão pelo meu rosto. – E tem mais, já contei para o Richard sobre o término, então… – dei com os ombros.

— O quê? Você o quê? – agarrou meu braço e praticamente me arrastou para o outro corredor próximo às escadas, ficando só eu e ele. – Como se atreve? Quem você pensa que é em falar com o Richard pelas minhas costas? – falava por entre os dentes. – Isso era responsabilidade minha… – bateu no peito. – Somente minha. Anda se achando muita coisa ultimamente. Só que me faltava…

— Ele perguntou e eu respondi. Simples assim. – mantive a calma ao responder. – Isso não diz respeito somente a você, então chega com esse discurso que já me cansou. – O ignorei e dei às costas, mas antes que eu pudesse dar um passo à frente ele me puxou bruscamente de volta, pelo braço.

— Sua… Sua… – travou o maxilar e suas pupilas chegavam estar dilatadas. Ergueu uma de suas mãos e tudo eu senti em seguida foi um ardor em minha face, ao contato de sua mão pesada com meu rosto. Cheguei a cambalear e levei minha mão em minha bochecha logo em seguida. E assim que voltei o meu olhar para cima, seus olhos não demonstravam sequer arrependimento de seu ato.

— Nunca! – Meu queixo tremeu. — Mas nunca mais encoste um dedo em mim. – Proferi com raiva e corri para fora o mais depressa que pude, não queria mais ficar um minuto ali. Meu rosto ardia e aproveitei o portão aberto enquanto alguns convidados saiam e desci a pé sem olhar para trás, sequer me lembrei de chamar a . Apenas liguei para um táxi e mandei uma mensagem a ela dizendo que havia ido embora da festa.

Enquanto eu aguardava o táxi, só para variar aqui em Londres uma chuva leve começou a cair. O bom que logo o táxi chegou, evitando que eu me molhasse mais. Rapidamente sentei no banco traseiro e bati a porta. Foi inevitável quando senti meu rosto arder, uma lágrima escorreu.

— Para onde, moça? – virou-se para mim.

Larguei meu celular na bolsa e encontrei uma chave, digo, a chave. Encarei por uma fração de segundos aquele objeto prateado na palma de minha mão e pensei: Que se dane, chega de tanta preocupação, chega de pensar demais, chega de colocar tantos empecilhos. Eu não podia mais negar meus sentimentos e minhas vontades. Sorri de canto e passei o endereço ao taxista.

N/A: E aí minhas lindas… Que acharam do capítulo 13? Estão prontas para o 14 e voltar no tempo e sair em turnê juntamente com a 5SOS e One Direction? Hehe Continuem acompanhando e comentando! E não esqueçam de entrar no grupo, hein? (grupo Happily) Bjusss!

Capítulo Quatorze

No momento em que o táxi chegou ao destino, trovões começaram a indicar que a chuva logo iria piorar. Paguei o taxista e assim que pisei para fora do veículo, a chuva decidiu engrossar. Curvei meu corpo e posicionei minhas mãos sobre a cabeça, como se isso fosse impedir de me molhar, precisei correr até a guarita do prédio, mas acabei me encharcando de qualquer jeito. Falei com o porteiro e assim que disse meu nome ele imediatamente liberou minha entrada.

Entrei no elevador e me virei de frente para o espelho, passei de leve meus dedos abaixo dos olhos, para limpar a maquiagem que estava borrada e ao observar meu reflexo pude notar o lado esquerdo da minha face levemente vermelha. Meus cabelos estavam encharcados, mas puxei uma mecha para tentar tapar um pouco, meu estômago chegou embrulhar só de lembrar o que havia acontecido há pouco, ainda não estava conseguindo acreditar que Albert realmente havia chegado a este ponto. Tudo isso começou a girar em minha cabeça e por um instante pensei em apertar o botão para descer e voltar para casa, mas assim que o elevador parou no andar e as portas se abriram tudo clareou em minha mente e segui adiante.

Eu estava com a chave na mão, mas não tive coragem de destrancar a porta e resolvi tocar a campainha. Alguns instantes depois, Liam abriu a porta, sem camisa e de pés descalços, vestindo apenas uma calça de moletom preta.

, pensei que não viria mais… — Ele me recepcionou com um amplo sorriso. Aquele sorriso doce que a cada dia fazia com que eu me apaixonasse mais. Foi quando um sentimento de conforto e euforia tomaram conta de mim e assim eu soube que eu estava no lugar certo e fazendo a coisa certa.

[PLAY]

Sem pensar em mais nada, dei dois passos à frente, deixei cair minha bolsa no chão e o peguei desprevenido envolvendo minhas mãos em sua nuca, o puxando para mim juntando os lábios dele nos meus. Meus lábios estavam frios, os dele estavam quentes e esse choque fez meu corpo inteiro estremecer, como se uma onda de calor percorresse por minhas veias e assim me rendi de vez em seus braços, deixando o beijo aflorar. Seus braços me envolveram firme pela cintura e os meus ao redor de seu pescoço. Enquanto me beijava, Liam com apenas uma perna empurrou e fechou a porta.

Em um movimento rápido ele me pegou no colo, fazendo com que minhas pernas se encaixassem em sua cintura, cheguei a soltar um suspiro, ele lançou um sorriso provocante e ao olhar dentro de seus olhos uma vontade de nós dois que há algum tempo existia, transpareceu e agora não conseguiríamos mais nos conter.

Suas mãos agarraram com força minha bunda e ele não hesitou em recomeçar o beijo. Assim que a minha língua circulou para dentro de sua boca, pude sentir um gosto amargo de tabaco mesclado com o sabor doce da bebida, embora odiasse quando ele fumava, para mim o seu beijo já havia se tornado singular. Nossos lábios sempre se encaixavam perfeitamente, ele sabia como me fazer sentir desejada e única. Ele me beijava de maneira doce, parecia querer preservar um ritmo lento, mas logo ele começou a guiar o beijo e o ritmo começou a aumentar, agora era um beijo voraz e assim ele foi me conduzindo até o quarto.

Aquele som gostoso da chuva que caía lá fora só intensificava o momento e em seu quarto apenas a luz do abajur estava acesa. Senti como se meu coração fosse saltar para fora do peito no minuto em que ele com todo cuidado me deitou em sua cama e depois separou lentamente nossos lábios e então começou a distribuir beijos pelo meu pescoço. Eu estava dominada por todas aquelas sensações que só ele me fazia sentir.

Com os cotovelos apoiados no colchão, ele permaneceu com seu corpo sobre o meu, então Liam acariciou meu rosto e afastou de leve meus cabelos molhados e me olhou intensamente por um minuto. Ele me faz perder a cabeça quando me olha dessa maneira.

, nunca imaginei que fosse possível eu me sentir assim… – falou ainda com sua respiração acelerada, quase que como um sussurro. Em seguida ele carinhosamente selou nossos lábios em um beijo rápido.

Eu sorri e como resposta minhas mãos escorregaram pelo seu abdômen passando por baixo dos seus braços, agarrei com força suas costas nuas e cravei de leve minhas unhas o puxando para mim e trazendo sua boca de volta à minha, arrancando um leve gemido dele.

Com meus olhos fechados, pude sentir a ponta de seus dedos deslizando pelo meu pescoço até minha nuca. Aquelas mãos grandes e quentes percorrendo por minha pele úmida fazia minha necessidade por ele aumentar. Estava totalmente entregue à ele e aos seus beijos. Meu corpo não obedecia mais aos meus comandos e minha respiração se tornou totalmente descompassada.

Liam começou a tatear a procura do zíper do meu vestido, arqueei minhas costas tentando facilitar. Por um momento ele parecia ter certa urgência ao querer me despir, mas assim que desceu o zíper, começou a deslizar lentamente a peça de roupa por minhas pernas, era como se ele quisesse explorar cada curva do meu corpo com calma, aproveitar cada segundo, seus dedos gentilmente passearam pela minha pele e isso só me enchia de prazer. O contato de sua pele com a minha fez meu corpo arder em desejo. Perdi o ar quando ele começou a depositar leves beijos iniciando pelo meu colo e foi suavemente descendo até meus seios. Com sua boca em meu seio direito, sua língua fez leves pressões contra meu mamilo, segurei seus ombros com força e não consegui conter um gemido. Minha pele inteira arrepiou-se quando lentamente ele foi descendo sua língua molhada até meu umbigo, enquanto explorava a região, suas mãos fortes pressionavam meus quadris. Em seguida trilhou seus lábios até meu ventre, roçando de leve sua barba e assim que Liam começou a passar a língua pela borda da minha calcinha, me incitando, mordi meu lábio inferior na tentativa de reprimir mais um gemido. Esse ritmo lento era deliciosamente torturante. Desceu um pouco mais e a cada movimento circular de sua língua por cima da calcinha, que já estava úmida, faziam minhas pernas tremerem.

Liam segurou firme minhas coxas, continuando a dar leves mordiscadas por cima do tecido, eu não estava mais aguentando, minha respiração estava extremamente acelerada e entre alguns gemidos meus ele aproveitou para pausar, no mesmo instante resmunguei lamentando e ele me olhou de maneira instigante, como se quisesse que eu implorasse por mais.

— Liam… – com a voz rouca, murmurei em um tom de reclamação. Ele sorriu com satisfação, sabia exatamente como me deixar à mercê de seu corpo. No mesmo instante, calmamente foi tirando minha calcinha e então continuou. Sua língua iniciou o percurso até a região que eu ansiava, com movimentos lentos tocava sua língua desenhando círculos. Joguei minha cabeça para trás quando ele penetrou um dedo, gemi alto, então ele começou a movimentar o seu dedo lentamente dentro de mim, levemente ele mexia. Esfregava os dedos com carinho e delicadeza e eu estremeci. Enquanto meu corpo tinha reações totalmente alucinantes o senti retirando seus dedos inteiramente de dentro de mim e o anseio por mais estava se tornando insuportável.

Eu sorri de lado, passei as mãos pelos seus cabelos e puxei seu rosto para um beijo muito mais quente e apaixonado, logo minhas mãos passearam pelo seu abdômen e desatei o nó de seu moletom e sem partir o beijo o ajudei a descer a calça e ele rapidamente com os pés a jogou no chão. E então foi a minha vez de provocá-lo, entrelacei meus dedos entre o elástico de sua cueca e a ponta de meus dedos delicadamente tocaram sua barriga, ele gemeu por entre meus lábios. Comecei a tocar toda extensão de seu membro ainda por cima do tecido, eu o contorno por inteiro usando um pouquinho de força, Liam separou nossos lábios e gemeu ofegante em meu ouvido, me deixando ainda mais excitada.

Assim que ele voltou a procurar meus lábios eu o afastei e resolvi inverter as posições, fiquei por cima, eu queria estar no controle. Segurei Liam pelos pulsos por alguns minutos e me sentei sobre suas pernas. Seu olhar estava atento a cada movimento meu e transparecia toda sua vontade. Estendida sobre ele, colei nossas bocas e com minha língua percorri desde os seus lábios até seu pescoço e assim fui descendo até chegar em seu tórax, depositando vários beijos em seu peitoral firme. Sua respiração descompassada me fez querer descer ainda mais, com a ponta da língua cheguei até sua barriga e com leves mordidas alcancei a borda de sua boxer e sem mais delongas, puxei para baixo a última peça que restava, o suficiente para libertar sua excitação. Montei em seus quadris, ele me olhava com anseio, segurei seu membro com uma mão e então deslizei vagarosamente o tomando para dentro de mim, ele arfou quando comecei a me mover para cima e para baixo e relaxei com a sensação de tê-lo por completo em mim, o encaixe era perfeito. Seu polegar friccionava minha intimidade, sentia todos os músculos do meu corpo tencionarem. O suor de nossos corpos se misturava e eu estava quase chegando ao meu ápice. Apoiei minhas mãos sobre seu peitoral e fui acelerando os movimentos, minhas pernas já estavam fraquejando.

… — Liam gemeu alto. — Mais devagar, senão… — segurou meus quadris com mais força, controlando o ritmo. Com só uma mão me controlando, seu polegar voltou a me estimular e ele continuou a se mover dentro de mim sem parar, de forma lenta e eu não consegui mais me conter, meu corpo estremeceu e se contraiu, com uma mão me apoiei em seu peito e com a outra agarrei os lençóis lutando para não deixar um grito ultrapassar meus lábios, mas assim que atingi meu prazer máximo, foi inevitável. Um gemido alto escapou pela minha garganta e simplesmente deixei aquela sensação se apoderar do meu ser, meu corpo inteiro queimava. Liam me segurou firme pela cintura quando meu corpo amoleceu. Ele respirava alto e sorriu satisfeito ao me ver atingir o orgasmo e com as mãos em meus quadris acelerou novamente as investidas, comecei a subir e descer com mais intensidade, ignorei minhas pernas que ainda estavam bambas, pois queria dar o mesmo prazer que ele me proporcionou, intercalei com movimentos rápidos e lentos.

— Isso… Continua, eu… – ele gemeu alto, fechou os olhos, sua respiração acelerou mais. Ele ficou submerso em seu próprio prazer, seus braços estremeceram e soltaram meu quadril, exausto. Fui parando lentamente meus movimentos e colei meu corpo junto ao dele, selando nossos lábios em um beijo calmo, para aos poucos recuperar nossos fôlegos.

Liam passou seus braços ao meu redor, me segurando junto a ele. Recostei minha cabeça em seu peito que se movia rapidamente, recuperando o fôlego, pude escutar seus batimentos cardíacos acelerados. Em seus lábios entreabertos, notei sua respiração cansada que escapava esporadicamente. Uma pequena fresta da janela estava aberta, pude sentir um arrepio de frio pelo vento da noite, soprando em minhas costas, minha pele eriçou-se mais uma vez. Liam me segurou mais forte, puxando-me ainda mais perto para me aquecer. No momento em que aconcheguei meu queixo na curva de seu pescoço, pude sentir que quem tremia era ele.

— Está com frio? – perguntei e puxei o lençol para nos cobrirmos.

— Não. – Ele balançou a cabeça negativamente, acariciando meus cabelos baixou seu olhar para mim e sorriu de uma maneira carinhosa. – Eu me pergunto, onde você andou todo esse tempo?

— No Brasil. – Respondi e rimos. Seus dedos moviam-se suavemente para cima e para baixo pelo meio das minhas costas.

— Você está arrependida de ter vindo até aqui esta noite? – Perguntou.

— Jamais… – peguei uma de suas mãos e entrelacei nossos dedos. – Não vou mentir pra você Liam, que tenho sim um pouco de medo, afinal agora não tem mais volta, tudo que sinto e passamos não consigo mais apagar ou esquecer. – Respondi e ele depositou um beijo no topo da minha cabeça.

— Sabe… – ele continuou. – Agora mais do nunca, me sinto capaz de tudo, inclusive enfrentar o Albert ou qualquer situação contrária, porque nada faz mais sentido sem você. – Apesar de ele ter citado aquele nome que me causava calafrios, Liam me acalmava. “O meu corpo é testemunha do bem que ele me faz” Chico Buarque não poderia descrever melhor minha situação.

— É ilusão achar que as coisas serão fáceis… – suspirei.

— Eu sei que não vai ser fácil, mesmo assim eu quero fazer isso, porque eu quero você. Eu já te falei que eu não vou desistir. – Assim que ele terminou de falar, ergui meu olhar a ele e em meus lábios foi inevitável brotar um sorriso genuinamente feliz. Eu sequer tinha alguma resposta naquele momento, não queria me preocupar com o amanhã, queria usufruir cada segundo. Enquanto Liam continuava a acariciar minhas costas, meus olhos começaram a piscar, uma leve sonolência começou a pesar.

(…)

Abri os olhos lentamente e olhei para o lado e Liam estava de bruços, dormindo. Virei o rosto para o relógio em cima de seu criado mudo, ao ver a hora que marcava, lembrei de tudo que teria a fazer durante o dia de hoje, não poderia me atrasar para resolver os últimos detalhes antes de iniciarmos a turnê amanhã. Vagarosamente me levantei e me abaixei para catar minhas roupas que estavam jogadas pelo chão. Meu vestido estava completamente amassado, mas era a única roupa disponível, então me direcionei silenciosamente até o banheiro.
No instante em que saí, Liam estava se espreguiçando na cama.

— Bom dia! Hora de acordar, dorminhoco… – sorri e me sentei ao seu lado no colchão.

— Bom dia… – ele abriu um amplo sorriso, esticou seu braço e me puxou pela nuca para um selinho. – Como já está vestida? Assim não vale eu ainda estou aqui sem nada… Pode voltar aqui para baixo desse lençol comigo. – Rindo ele ergueu o lençol ao seu lado.

— Não, não… Pode ir levantando Liam James Payne. Temos muitos compromissos hoje. – Tentei puxá-lo pela mão.

— Vamos esquecer o mundo hoje? – resmungou. — Deixar todos esses compromissos de lado e deitar aqui comigo? – fez um beiço e fui obrigada a rir.

— Eu já vou chegar atrasada. Eu preciso ainda passar em casa, tomar banho e trocar de roupa. E…

— Toma banho aqui e pronto. E eu vou lá preparar um café pra você.

— Bem que eu gostaria, mas eu tenho horário, Liam… E se você não me acompanhar até a porta eu vou sozinha. – falei firme, mas sorrindo e me coloquei em pé.

— Está bem, já vi que não vou conseguir te convencer… – sentou-se na cama, apenas com o lençol sobre suas pernas e olhou para o chão. – Onde foi parar minha cueca? – arqueou uma sobrancelha, levantou-se e começou a procurar. – Olha tudo que está perdendo nessa manhã. – falou enquanto passeava nu pelo quarto. – Aqui está. — Encontrou a peça e riu enquanto a vestia. – Agora que já me usou, que ir embora. – rindo se aproximou e me segurou firme pela cintura.

— É, agora já consegui o que eu queria… – brinquei e encostei de leve nossos lábios, em um beijo afetuoso e breve. – Eu realmente preciso ir. – falei relutante.

— Espera… – ele tocou suavemente o lado esquerdo da minha face. – O que aconteceu? Por que está tão vermelho? Estava assim ontem a noite? Ou… Eu não lembro… – ele perguntou preocupado e eu me esquivei.

— Não foi nada… Acho que ontem a noite devo ter me batido, não sei… Ou é falta de maquiagem. – ri um pouco nervosa, não queria me lembrar desse ocorrido da noite passada.

— Mas… — Ele me olhou meio desconfiado e de repente ouvimos um barulho vindo da porta da sala.

Liam correu até o outro cômodo e eu o segui, afinal eu precisava ir.

— Andy? O que está fazendo aqui essa hora? – Liam perguntou ao seu amigo que havia acabado de entrar e largar as chaves em cima da mesa.

— Liam, eu… – ele olhou para mim estranhando a minha presença. – Foi mal, não sabia que você estava acompanhado… – coçou a cabeça envergonhado. – Eu… Nós tínhamos combinado de almoçar hoje, mas… Combinamos outro dia. – foi se virando de volta até a porta a abrindo e esticando o braço recolhendo de volta as chaves.

— Não, eu já estou indo embora… – intervi, aproveitando a deixa para sair.

. – Liam tocou em meu braço.

— Eu estou atrasada e tenho um milhão de compromissos… – dei um beijo na bochecha de Liam. – Nos falamos mais tarde. – Cheguei perto da porta e juntei minha bolsa que ainda estava no chão. – Tchau. – me despedi rapidamente de Andy, que estava ainda estático próximo a porta, sem muita reação ele balbuciou um “Tchau”, então dei a volta por ele e saí até o corredor, me direcionando até o elevador.

(…)

O dia de ontem foi agitado, mal parei em casa. E apesar de ter visto algumas chamadas não atendidas do Albert em meu celular, tive sorte de não o encontrar durante o dia todo. E somente durante a noite terminei de organizar tudo para a viagem e foi quando consegui finalmente falar por telefone com Liam, pois ele também estava com a agenda cheia, mas a conversa foi breve, afinal amanhã tínhamos que acordar cedo.

Estava quase na hora de viajarmos. Vesti algo confortável para encarar horas dentro de um ônibus. Eu fui cedinho até o apartamento da , para poder esperar a van que nos levaria até o local onde estaria o ônibus da turnê, não queria correr o risco de o Albert descobrir meu novo endereço.

Eu estava sozinha aguardando no lobby e não demorou muito para a van estacionasse em frente à porta. Nesse mesmo instante saíram do elevador e Harry.

— Que é isso? Vai viajar por quantos meses, ? – apontou para minhas malas.

— Estou levando apenas o essencial… – franzi a testa e eles riram.

— Amsterdã! Aí vamos nós e ninguém nos segura por lá! – Harry gritou erguendo os braços para cima. Grazi então olhou feio o repreendendo. – É brincadeira… – ele debochou dando um beijo rápido na bochecha da minha amiga. – Olha que linda que ela fica zangada assim. – ele riu e ela balançou a cabeça sorrindo. — Agora me dá um beijo? – olhou para ela e sorriu. — Eu sei que você não vai aguentar de tanta saudade minha. – Harry com seu jeito brincalhão agarrou pela cintura e a beijou.

— Tá… Agora chega de tanto beijo aí e vamos que a van está nos aguardando. – Caminhei a passos largos em direção à saída, arrastando minha mala grande de rodinhas.

(…)

Chegamos ao hotel em Amsterdã de madrugada e eu estava exausta. Acabei nem cochilando no ônibus, Luke e Michael estavam agitados e cantaram quase a noite toda, joguei carta e outros jogos com Calum e Ashton, apesar de estar cansada, nos divertimos muito durante a viagem.

Ao conferirmos os quartos, como as reservas já haviam sido feitas antes de eu começar a trabalhar na Modest, para minha felicidade, quem substituísse a Caroline ficaria em um quarto sozinha.

Entrei rapidamente no quarto, larguei minhas malas em um canto, tirei meus sapatos e corri para o banheiro, pois nada melhor que um banho relaxante pra conseguir dormir.

Infelizmente ao me deitar, não conseguia pegar no sono, não tinha visto Liam desde a manhã de ontem, quando nos vimos de longe ao embarcarmos em ônibus separados. Antes que eu pudesse levantar e ir remexer na minha mala para pegar meu celular, o efeito do banho começou a fazer efeito e acabei pegando no sono.

(…)

Dormi tão bem que acordei bem cedo e disposta. Desci para ir tomar café, em seguida voltei ao quarto e troquei para aproveitar a piscina do hotel. Coloquei meus fones de ouvido sentei à beira da piscina, molhando apenas meus pés.

Enquanto cantava baixinho, inesperadamente fui resgatada de meus pensamentos quando alguém se jogou na piscina, respingando água em mim, me assustando.

— Que droga… – resmunguei tirando meus fones.

— Desculpe… Mas é que quando entrei e te vi tão distraída, foi inevitável. – Liam riu alto.

— Não teve graça… – tirei os pés da água e me virei de lado, não queria que ninguém nos visse tão próximos.

— Que foi? – apoiou seus braços na beira da piscina ficando de frente para mim. – Eu sei que não posso me aproximar muito, mas vi que todos recém desceram para tomar café, melhor dizendo, o Albert, então… Isso nos dá alguns minutinhos a sós. – Segurou na ponta dos meus pés e eu imediatamente os encolhi.

— Liam… – o repreendi e olhei para o lado, conferindo se ninguém estava por perto.

Larguei meu celular de lado, coloquei meus pés na água novamente e então Liam me agarrou pelos pés, fazendo com que eu perdesse o equilíbrio e caísse na água.

— De novo? – esbravejei batendo as mãos na água.

— É só pra relembrar. – Ele riu e me segurou perto da borda da piscina. – Que tal um replay daquela noite no Harry? – sorriu de canto e eu respirei fundo, tentando me manter firme.

— Até que não seria uma má ideia. – sorri com malícia e coloquei minhas mãos em seu peitoral e o afastei, jogando alguns pingos d’água em seu rosto.

Nesse mesmo instante Niall entrou correndo e pulou na piscina dando mais um banho em nós dois.

— Desculpa, – se desculpou rindo. –, o meu alvo era o Liam. Ah… – Niall tossiu cuspindo a água. – E um alerta, porque o Albert está vindo pra cá. – ele falou assim que conseguiu recuperar o fôlego e então me jogou água.

— É guerra é? – repeti o ato jogando água no rosto dele.

— Não, mas é que alguém tem que vir pra salvar vocês dois. – Niall ria, entrando na brincadeira e então me agarrou pelas pernas me colocando sobre seus ombros e me jogando na água.

Enquanto nós três ríamos e nos divertíamos feito crianças na piscina, Luke e Calum chegaram e juntaram-se à brincadeira. Infelizmente toda alegria tinha que ser interrompida, obviamente por Albert.

! O que é isso? – Albert gritou ao deparar-se com a cena. – Saia imediatamente daí… — Fiquei até com raiva, pois aquilo era patético, eu não era obrigada a obedecer aos seus comandos feito um cachorrinho treinado. E ele agia com a maior naturalidade, sequer havia tocado no assunto de ter me dado um tapa na noite da festa na sua mansão, era como se nada tivesse acontecido.

— Você só pode estar brincando. Desde quando tenho que seguir suas ordens? E caso não esteja enxergando bem, isso se chama momento de distração, Albert. – O desafiei. – Que eu saiba alguns momentos de diversão dentro da piscina do hotel não são proibidos, ou tem algo escrito no contrato que não estou me recordando no momento?

— Não – engoliu seco sua raiva por não poder fazer uma cena maior na frente de todos. –, m-mas…— deu uma leve gaguejada, provavelmente por não esperar que eu o enfrentasse. Albert dirigiu sua atenção à Liam. – Liam, depois tem uma pessoa que está hospedada aqui e pediu para ver você depois da entrevista. E … — olhou novamente pra mim. – Mais tarde precisamos conversar. É um assunto muito importante. – deu às costas e saiu do ambiente.

Eu não gostei do tom que ele falou, mas não iria mais ficar intrigada com as coisas que Albert falava, ignorei e voltamos a nos divertir na piscina.

(…)

Enquanto eles cumpriam alguns compromissos durante toda tarde, entrevistas em canais locais e na rádio a qual faria um sorteio de alguns ingressos para o show de amanhã, eu aproveitei a folga para conhecer um pouco Amsterdã e, claro, fazer umas comprinhas, afinal amanhã era meu aniversário e decidi eu mesma me presentear.

Quando estava quase chegando no hotel, aproveitei minha fome para entrar em um restaurante que avistei ali perto. Enquanto aguardava meu pedido, meu celular vibrou e recebi uma mensagem:

Xx Que você está fazendo? Deveria estar aqui, não estamos mais aguentando o Albert. Ele fica só nos olhando assim: (Foto: https://i.pinimg.com/originals/9c/e8/d8/9ce8d8a532c1884e600d18281293908e.jpg) XD Liam xX
Foi inevitável rir após visualizar a foto. Louis, Liam e Zayn fazendo uma careta. Tirei uma foto do prato que estava na minha mesa e respondi a mensagem:

Xx E eu estou apenas curtindo a folga, comendo! E de sobremesa… Acho que é Stroopwafel, nem sei direito o nome disso aqui, mas é uma delícia! Até depois e aguentem firme aí! ☺ xX
A tarde passou voando, visitei alguns lugares e o sol já estava se pondo quando retornei para o meu quarto no hotel. Larguei as minhas sacolas de compras em cima da cama e fui direto para o banho. Saí do banheiro tranquilamente e fechando meu roupão, fui surpreendida com Albert sentado na beira da cama, de braços cruzados. Pensei que meu coração fosse saltar pela garganta.

— Que susto! – coloquei a mão no peito. – O que você está fazendo aqui? Como entrou? – amarrei mais forte o cinto do roupão.

— Como entrei? Isso não interessa… – calmamente ergueu-se da cama. – Achou que ia se livrar de conversarmos sobre sua atitude hoje de manhã e como se comportou na festa? – a passos lentos foi se aproximando. – Ultimamente anda colocando as “garrinhas” de fora, não é mesmo? Tenho mais um aviso pra você: jamais me desrespeite na frente deles novamente. Escutou bem? – curvou-se ficando cara a cara comigo. Seus olhos estavam vidrados, sem piscar. – Acho que você anda com algum lapso de memória… Esqueceu que você está trabalhando para mim? – bateu no peito, enfatizando a última palavra. Eu cheguei a dar um passo para trás. – Pensa que vai ser fácil de livrar de mim? Eu não sou o tipo de pessoa que costuma perder. Você acha mesmo que pode me desafiar assim? – agarrou a gola do meu roupão.

— Albert… Não. Se você não me soltar eu vou gritar feito louca aqui… – meu corpo tremia. – Me solta agora. – pedi com a voz firme.

— Nenhum “super-herói” virá te salvar. – debochou. – E eu vou descobrir se você anda saindo com alguém. Eu descubro tudo e tenho certeza de que esse seu “casinho” deve ser um zé ninguém, porque olhe bem pra você. – Me olhou com muito desprezo de cima a baixo.

— Cala boca Albert… Nem sei do que você está falando, me deixa em paz. Só isso que te peço. — segurei em seus punhos na tentativa de fazer ele me soltar.

— Pode negar, mas se eu descobrir que você está tentando me fazer de trouxa… – bufou. – Você vai se arrepender, pode ter certeza disso, porque ninguém me faz de idiota, entendeu?

— Eu não sei o que você quer de mim, mas eu não tenho mais medo de você, pode me ameaçar o quanto quiser. Vai se mostrar o machão e me bater de novo, é isso? – meu coração estava disparado, mas tentava me manter forte, não podia demonstrar fraqueza na frente dele, não mais.

— Mas é uma abusada mesmo. – Albert gritou e me segurou com mais força pela gola e me sacudiu. Neste instante alguém bateu na porta. – Serviço de quarto! – gritaram do lado de fora.

— Esse foi apenas mais um aviso. – falou por entre os dentes e me jogou contra o armário com bastante violência, fazendo com que eu batesse as costas contra o puxador de ferro da gaveta. – Nunca mais tire a minha autoridade na frente deles! E nunca mais fale comigo nesse tom… – apontou o dedo para mim e em seguida saiu porta fora.

— Você está bem? – a moça com o carrinho entrou rapidamente ao me ver sentada no chão chorando. – Quer que eu chame alguém? Relate para o gerente? Ele te fez alguma coisa? – Ela me perguntava assustada.

— Não se preocupe… – ainda com dor, fui me levantando com a ajuda dela. – Logo fico bem… Eu só tropecei e acabei me batendo as costas aqui. Estou bem. – respondi enquanto arrumava meu roupão. – Pode deixar ali. – apontei para o champagne que estava no carrinho. Nesse momento havia perdido totalmente o ânimo de abrir aquela garrafa.

— Está tudo bem mesmo? Não vai precisar de um atendimento médico? – Perguntou ao ver que eu fui mancando em direção à cama. Eu apenas neguei com a cabeça. – Então está bem. Com licença. – Assim que ela fechou a porta fui lentamente até a frente do espelho, pois estava doendo muito. Ao retirar o roupão, havia um grande raspão nas minhas costas, só não havia cortado pelo fato de o roupão grosso ter amortecido um pouco o impacto.

Um milhão de coisas começaram a passar pela minha cabeça, eu queria sumir daquele lugar. Mas eu tinha um compromisso e um contrato de trabalho que não poderia e não queria abandonar. Pela primeira vez na minha vida eu estava fazendo o que eu gostava, um trabalho o qual eu realmente me identificava. Meu corpo tremia de ódio pelo Albert. Eu não podia mais deixar isso ir adiante, Albert iria me pagar por tudo isso, eu não era mais a fraca e indefesa, mal ele sabia as armas que eu tinha contra ele, agora era só uma questão de tempo.

Vasculhei minha mala atrás de algum analgésico e achei, acabei tomando junto com um gole do champagne mesmo. Quem sabe assim a dor passava mais rápido.

Alguns minutos depois que me deitei na cama, liguei a TV, estava passando uma maratona de Sex and the City. O remédio começou a fazer efeito, a dor estava diminuindo e meus olhos começaram a pesar, quando de repente alguém bateu na porta. Não tinha quase forças para levantar, com dificuldade, praticamente me arrastei até a porta.

— Oi… Já estava dormindo? – Liam perguntou. – Eu vim convidar para ir junto com o pessoal até o bar aqui do hotel. Você quer ir?

— Acho melhor não, Liam. – Estiquei um pouco a cabeça para fora da porta para me certificar que não tinha ninguém no corredor. – Estou um pouco cansada.

— Você não está bem… – juntou as sobrancelhas com um olhar preocupado. – Será que vai ficar doente? Precisa de um remédio? – colocou a mão na minha testa.

— Estou bem, só cansada… Prometo que amanhã já estou melhor, está bem? – sorri fraco.

— Tem certeza? Senão vou ficar aqui com você. É só você pedir que eu fico. – falou baixinho bem próximo do meu rosto. — Acho que vou ficar aqui com você. – deu um passo a frente tentando entrar no quarto.

— Você é louco? Olha, tem as câmeras de segurança. – Com a palma da mão o segurei para que não entrasse.

— Louco? Só se for louco de vontade de te beijar agora mesmo. – Aproximou novamente seu rosto do meu. – Vontade de…

— Para… – eu ri fraco, o afastando novamente, contra a minha vontade.

— É sério, vou ficar por aqui… E…

— Liam? – uma voz feminina surgiu no corredor. E para minha surpresa era ninguém menos que sua ex-namorada, Sophia.

— Sophia? – espantado, Liam olhou para trás. – O quê? Como você está aqui? Digo… – ele se atrapalhou nas palavras.

— Eu vim para Amsterdã assistir o show de amanhã de vocês, eu falei com o Albert hoje pela manhã, ele não passou meu recado? Você sabe que ele e meu pai são conhecidos, assim eu soube que hotel você estaria, preciso conversar com você. – Sophia se aproximou mais de Liam. E eu ainda na porta assistindo isso tudo. – Oi. – Ela olhou para mim. — Você por acaso não é a noiva do Albert? Eu vi nas revistas… Meu pai me disse que você trabalha com a 5SOS.

— Ex noiva… Ex… E, sim, trabalho. – Respondi seca.

— Humm… Vem Liam, estou indo no bar… Vamos… – o segurou pelo braço praticamente tentando o arrastar até o elevador.

— Não, Sophia eu… – ele me olhava confuso.

— Como? – olhou intrigada para ele e depois balançou a cabeça. – E você não vem, ? – ela convidou.

— Não. — respondi séria. – Vão vocês dois. – Engoli seco.

— Logo eu vou Sophia. Pode ir primeiro. – Liam tentou soltar seu braço dela.

— Então eu espero. – enroscou seu braço no dele. Nossa, naquele momento fui consumida pelo ciúme, não podia demonstrar a vontade de arrancar ela arrastada pelo corredor. Apenas respirei profundamente.

— Quer saber, vão de uma vez… Eu vou ficar por aqui, podem se divertir por mim. Está bem? – o encarei por alguns segundos e calmamente fechei a porta na cara deles. Eu não estava mais conseguindo ver aquela cena, meu estômago ficou embrulhado, mas eu não podia fazer nada, absolutamente nada a respeito e isso fazia minha cabeça latejar e um milhão de coisas começaram a passar pela minha mente. Respirei fundo para afastar todos esses pensamentos, afinal eu não tinha nada sério com o Liam, não podia exigir nada. Meu corpo começou a ficar mole, aquele remédio era forte mesmo. Deitei-me novamente e simplesmente apaguei.

N/A: Como estão minhas leitoras?? O que acharam do capítulo 14? Será que consegui cumprir com a expectativa de vocês? Espero que sim! Bom, por enquanto é só e não esqueçam de comentar e deixar a autora aqui feliz… kkkk Bjãooo
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