My paper heart

My paper heart

Sinopse: “Não sei se poderia me considerar uma groupie, não acredito que seja realmente quem eu sou, minha história é um pouco diferente.
Tenho certeza que o universo decidiu conspirar ao meu favor naquele ano cabuloso e conturbado, me mostrando que existem sempre outras opções a serem cogitadas e que seja lá qual fossem minhas escolhas, ele estaria lá para me segurar se eu estivesse prestes a cair.
Um fanatismo. Uma banda, duas amigas, um sonho e o amor mais improvável do mundo. ”
Gênero: Romance / Restrita
Classificação: +18
Restrição: Contém cenas de sexo explícito. Alguns nomes são fixos mas nada que altere a interatividade da fanfic.
Betas: Natasha Romanoff

Capítulos:

Prólogo

Eu não sei se poderia me considerar uma groupie, o universo que finalmente decidiu atender meus desejos ou o destino que resolveu mexer os pauzinhos em prol da minha felicidade, mas talvez eu seja apenas uma fã sortuda mesmo.
O ano era 2010 e eu ainda era uma adolescente fanática por bandas e afins, era a garotinha que sonhava em conhecer todos os ídolos da sua vida e mais: ter um relacionamento longo e duradouro — com cada um deles.
E foi assim que, depois de alguns anos que já havia desistido da minha improvável meta de relacionamento, eu os conheci: . Uma banda com quatro integrantes lindos, maravilhosos, que pareciam anjos que caíram do céu. Nada de anormal para quem tem vinte e dois anos e ainda não conseguiu libertar sua alma de adolescente para dar espaço a novas experiências.
Eu não sei bem exatamente como tudo recomeçou na minha vida, quando eu me deixei ser teletransportada ao passado para reviver todas aquelas emoções novamente.
Eu jamais poderia imaginar que tudo aquilo que eu sonhava na minha adolescência viria à tona em um dos momentos mais difíceis da minha vida, mudando tudo para melhor. Mas para chegar até aqui eu vou contar um pouquinho de como foram esses anos tentando ser madura o suficiente para ser uma adulta bem sucedida e falhando miseravelmente.

 

Capítulo 1

Era o meu quarto ano de veterinária, meados de 2014, e eu não fazia idéia do que eu estava fazendo ali, talvez por pressão da sociedade de que se formar na área de saúde é sinônimo de dinheiro e uma vida bem sucedida, ou uma realização pessoal da minha mãe, que sempre sonhou com a profissão, mas infelizmente os tempos eram outros e meus avós nunca tiveram condições de bancar tal despesa. Foram três anos bastante difíceis, eu me dedicava cem por cento à faculdade e deixei de lado tudo aquilo que eu mais amava na minha vida: a música. E isso incluía todas as bandas que eu acompanhei desde que era bem novinha. Os pôsteres e revistas que eu guardei bem no fundo de uma gaveta qualquer, e os CDs e DVDs que um dia ocupavam mais da metade da minha escrivaninha branca, hoje davam espaço a livros e mais livros, sendo esquecidos em uma caixa na garagem dos meus pais.
A única coisa que sobrou na minha vida em relação à música foi um violão velho que foi presente do meu avô antes de falecer, dizendo que toda vez que eu me sentisse perdida e confusa era para eu pegar o violão e dedilhar as poucas notas que ele havia me ensinado em todos os anos em que passávamos a tarde com o instrumento nas mãos, quase suplicando para que eu desse continuidade à sua maior paixão, interrompida pelos tempos difíceis que vivia com vovó e seus filhos.
Não me permitir fazer aquilo que amo para poder viver o sonho de outra pessoa parece hipocrisia, já que estudar música também era uma forma de homenagear meu avô, mas era aquilo que eu amava, era aquilo que me inspirava, que me dava forças para abrir meus olhos todas as manhãs com a energia revigorada, para viver um universo paralelo àquele que eu normalmente vivia, era tudo aquilo que eu precisava.
Com esses pensamentos, me sentei de frente ao notebook para dar início a mais um trabalho complexo relacionado à parasitas em animais de grande porte e os danos que causam aos seres humanos que tem contato com esses. Antes de tudo, conectei meu fone no aparelho e resolvi procurar algumas playlists aleatórias na internet que pudessem me acalmar e ao mesmo tempo não me distrair para completar com êxito a pesquisa. Foi assim que depois de muitas horas sentada trabalhando naquele projeto, que um acorde conhecido começou a soar na minha cabeça. As notas de 22 da Taylor Swift começaram a tamborilar minha mente até que umas vozes estranhas emanaram dos pequenos fones, me fazendo estranhar aquele acústico tão esquisito, mas tão gostoso de ouvir.

“It feels like a perfect night for breakfast at midnight, to fall in love with strangers”
Foi quando me peguei fechando meu trabalho e indo pesquisar os donos daquelas vozes misteriosas, que me fizeram sentir arrepios depois de longos anos sem dar valor a uma banda nova realmente boa. Me espantei quando vi quatro meninos na faixa dos dezoito anos no máximo.

“We’re happy, free, confused and lonely at the same time. It’s miserable and magical, oh yeah.
Tonight’s the night when we forget about the deadlines, It’s time.”
Na mesma hora, pareceu que algum botão foi ativado dentro de mim, fazendo com que o meu cérebro parasse de funcionar e deixasse completamente de lado a maturidade que eu demorei a alcançar nos últimos anos, dando espaço ao meu coração e alma de adolescente vendo aqueles quatro rostos angelicais, que eram dignas de um pôster na parede do meu quarto branco e monótono.
— Mas o que é que está acontecendo comigo? — Entrei em um diálogo comigo mesma, rindo dos meus pensamentos. — Meu Deus, eu já tenho quase vinte e dois anos, já passei da idade de me apegar a essas coisas.

“I don’t know about you but I’m feeling twenty-two.
Everything will be alright, if you keep me next to you.
You don’t know about me but I bet you want to.
Everything will be alright, if we just keep dancing like we’re twenty-two”
Parecia que aquela música tinha sido feita para mim naquele momento, eu estava fadada a viver uma vida infeliz e com a eterna sensação de “vida dos outros”, presa a um inferno astral, a um looping eterno. A que ponto chegaria a minha vida se eu não acordasse para a minha atual realidade e percebesse que eu não deveria estar ali? Até quando eu agüentaria tanta pressão? Será que eu seria feliz vestida de branco, fazendo plantões longos e cansativos, tendo em mãos a responsabilidade de curar um ser puro e inocente que não é capaz de me falar seu real problema? Eu não achava que estava preparada para tal coisa e nem se seria capaz um dia.
Não sei por quanto tempo eu fiquei ali, imersa naqueles pensamentos, tudo pareceu perder sentido por alguns minutos e eu só tinha duas opções: lidar com aquilo ou correr atrás dos meus sonhos. O que me fez lembrar daqueles quatro rostos, a felicidade estampada nos olhos de cada um em fazer aquilo que mais amavam.
E eles eram só quatro pirralhos, se eu quisesse comparar nossas idades, mas pirralhos com a coragem que eu nunca tive, me fazendo invejar aquela vida. A vida em um país muito mais desenvolvido do que o meu, onde talvez fosse muito mais fácil conseguir realizar um sonho daquela proporção.
Caí em um sono profundo e conturbado, com aqueles pensamentos confusos que começaram a me assolar.

“It feels like one of those nights , we won’t be sleeping.
It feels like one of those nights, you look like bad news.
I gotta have you”
Algumas semanas já tinham se passado desde o dia que eu encontrei aquele cover acústico da Taylor nas vozes dos meninos do TheVamps e eu me controlei todos os dias para tirar da cabeça aquela idéia maluca de que eu deveria correr atrás dos meus sonhos ou de simplesmente começar a pesquisar a vida desses quatro garotos que me fizeram abrir os olhos para tudo aquilo que eu me forçava a não enxergar.
Era final de ano, final de período, e assim eu concluía o quarto e último ano do meu curso, faltando apenas algumas poucas matérias e a conclusão de curso.
Aquele final de ano foi particularmente diferente e talvez eu me lembre disso pelo resto da minha vida.
Era natal e eu tinha resolvido ficar no prédio onde eu alugava um quarto minúsculo, em um apartamento de uns cinquenta metros quadrados, por conta do mal relacionamento que eu havia tendo ultimamente com meus pais. Já tinha finalizado todos os trabalhos possíveis que eu tinha na grade de matérias do próximo período, tamanho era o meu tédio. Dei uma pesquisada sobre alguns temas que eu poderia abordar para a conclusão de curso e uma rápida olhada nos mentores que eu poderia escolher.
A casa estava vazia, as duas meninas que a dividiam comigo tinham optado em ir para suas casas passar as festas e as férias com as famílias, entre elas minha melhor amiga, Lindsay.
Lindsay e eu nos conhecemos quando éramos crianças, ela tinha acabado de se mudar para o meu bairro depois do divórcio dos pais. Ela nasceu em Hammersmith, situado na zona 2 de Londres e foi fruto de um relacionamento de poucos anos. Sua mãe foi transferida a trabalho em 1990 mais ou menos. Ela e minha mãe eram grandes amigas e trabalhavam juntas em uma empresa japonesa que tinha filiais em todo o mundo. Eu nunca fui capaz de entender como minha mãe foi parar lá dentro com o nível de estudo dela, e na verdade a mãe da Lindy só foi transferida porque minha mãe rejeitou a proposta, já que estava começando a planejar o casamento com meu pai na época e ser transferida para outro pais só poderia dar em duas coisas: o adiamento de seu sonho de casar de véu e grinalda, se caso corresse tudo bem, ou o término com meu pai, já que ela não sabia se seria capaz de manter um relacionamento a distância, e segundo ela nenhuma das opções eram aceitáveis. Ela se arrependeu amargamente alguns anos depois, já que seu relacionamento com meu pai começou a andar de mal a pior.
O pai da Lindy era, na época, o gerente dessa filial na Inglaterra e conheceu sua ex mulher em uma das muitas reuniões que freqüentaram juntos, acabaram se apaixonando perdidamente e se casando logo depois, passando à frente dos meus pais e concebendo a pequena Lindsay.
Nós temos apenas um ano de diferença uma da outra, mas o mais engraçado é que fazemos aniversário no mesmo dia, então quando a sua mãe voltou para nosso bairro e nos apresentou, nós achávamos que éramos gêmeas de pais diferentes e nossa amizade cresceu cada dia mais, tendo em conta que nossas mães também eram grandes amigas, o que facilitou bastante no nosso convívio.
Apesar de ser um ano mais velha que eu, Lindsay e eu sempre estivemos na mesma sala durante a escola, ela havia perdido um ano estudando português antes de se matricular na escolinha do bairro e foi maravilhoso poder crescer ao seu lado. Na faculdade, apesar dos cursos diferentes, optamos por dividir um apartamento a poucos metros do campus e assim conhecemos também a Melissa, que estava desesperada atrás de um quarto perto da faculdade já na primeira semana de aula.
Melissa, vez ou outra, tentava se aproximar mais e entender algum assunto entre Lindsay e eu, mas sabia que era uma missão impossível, visto que nos conhecemos ainda na infância, então ela simplesmente nos dava espaço quando algum assunto sério vinha à tona.
Eu me orgulhava das amigas que eu tinha e elas eram sempre as primeiras a me dizer que eu estava perdendo meu tempo fazendo o que eu estava fazendo.
Preparei um pacotinho de macarrão instantâneo, um copo de refrigerante e me sentei no sofá procurando algum filme ou qualquer coisa que me distraísse tempo suficiente até a hora de dormir, não sei dizer precisamente quanto tempo eu fiquei ali até que me lembrei mais uma vez daquele cover que eu tinha ouvido semanas atrás.
— Quer saber? Estou sozinha mesmo, ninguém vai poder me julgar — pensei, me sentindo patética.
E ali estava eu, procurando, pesquisando, lendo, ouvindo todos os covers possíveis e impossíveis e me apaixonando por aqueles quatro rostinhos. A fã que habitava dentro de mim falou mais alto e eu me dei por vencida.
, , e .
Em um outro momento, eu pesquisava quais possíveis cursos eu poderia fazer para trabalhar com minha verdadeira vocação e parecia até ridículo, mas para trabalhar com música eu deveria simplesmente estudar MÚSICA!
Pesquisando mais a fundo, eu descobri que se eu começasse agora mesmo, em três anos eu estaria trabalhando com o que eu gosto, mas três anos pareciam uma eternidade, me formaria com vinte e cinco ou vinte e seis anos e sinceramente eu não tinha saco para começar de novo do zero.
Fechei o notebook com um sentimento de impotência, de tristeza, de indignação, eu mesma não conseguia explicar.
Faltava apenas um ano para concluir meu curso de veterinária, eu não poderia e nem queria jogar tudo para o alto, apesar de não ver nenhum futuro naquilo.
Peguei meu violão que estava no canto e comecei a dedilhar algumas notas aleatórias, lembrando do que meu avô falava para mim, no quanto eu deveria seguir meus sonhos e não deixar que ninguém diga que eu não sou capaz. Algumas lágrimas rolaram enquanto meu subconscientemente dava início ao meu futuro, a uma melodia, um arranjo e uma letra.

 

 

Capítulo 2

— Lindy, eu não consigo acreditar! — Era início do primeiro semestre de 2014, quando Lindsay chegou em casa com um envelope com duas passagens para passar nosso aniversário na Inglaterra. Todos os anos, seu pai, George, insistia para que a filha o visitasse e conhecesse sua nova família, mas Lindsay sempre arrumava uma desculpa diferente. Há mais de cinco anos que ela se recusava a ir visitar o pai e eu fui surpreendida em saber que eu vou estar presente nesse momento tão singular.
— Ai, , por favor! — Ela quase implorava. — Eu não quero ir sozinha, eu preciso de um apoio. Meu pai se tornou uma pessoa estranha para mim, eu não lembro mais do seu cheiro, do seu beijo de boa noite, eu não sei mais com quem eu tenho que lidar!
A verdade é que George se casou novamente, há dez anos, com um homem, Peter, que sempre tratou Lindsay muito bem em todos os anos que ela ia passar feriados ou férias com eles, mas ela se afastou quando eles decidiram que era a hora de aumentar a família e entrar com um processo de adoção, então começou a recusar os convites do pai.
— Eu sei, amiga, mas é uma coisa tão pessoal sua e eu não quero atrapalhar — rebati, tentando ser madura o suficiente, mas a verdade é que eu não estava mais sabendo me conter.
— O meu acordo com meu pai foi esse: eu iria se ele mandasse uma passagem para você porque você é muito mais minha irmã do que Sophie e Alice, , eu não sei como reagir, o que falar, o que fazer… — Ela finalmente deixou escapar. — Eu tenho medo de não conseguir ver toda essa situação calada, de brigar com meu pai ou Peter por algum motivo besta que a criança dentro de mim me faz falar, de ser malvada com as gêmeas porque eu simplesmente não consigo aceitar o fato de que meu pai as escolheu e eu fui apenas um acidente. — Lindsay deu um respiro profundo, tentando controlar as lágrimas, que a essa altura já molhavam todo o seu rosto. Me aproximei dela e a abracei o mais forte que eu consegui. Eu não sou a melhor conselheira do mundo e geralmente eu não sei o que fazer quando vejo alguém chorar, mas quando se trata de Lindsay alguma coisa dentro de mim me faz ter esse instinto de proteção, eu simplesmente não conseguia ver minha melhor amiga chorando.
— Lindy, você sabe que eu sempre estarei do seu lado, não sabe? — ela concordou, em silêncio. — E eu vou até o inferno com você se for preciso só pra poder segurar sua mão se você precisar de mim, mas, por favor, não fale mais que o seu pai as escolheu e você foi só o fruto de uma transa sem camisinha. George sempre foi muito bom com você, amiga. Todos os anos ele insiste que você vá visitá-lo. Quando nós conversamos, a única coisa que ele quer saber é se você está bem, se você está pronta para visitá-lo, se você o odeia… Amiga, ele é seu pai e ele te ama! — Vi Lindsay engolir o choro (e o orgulho) e sorrir de canto, dando seu melhor sorriso forçado.
— Você tem razão, , acho que chegou a hora de crescer e dar um ponto final aos meus dramas de pré-adolescente rebelde.
Faltava apenas um ano para concluirmos a faculdade. Por conta disso, decidimos adiar a viagem de aniversário e transformá-la em uma viagem de formatura próxima ao nosso próximo aniversario, comemorando, assim, dois ciclos: um encerrado e o outro apenas se iniciando.
O ano que passou parecia se arrastar apesar de estamos super atarefadas com nossas atividades curriculares. Eu me dividia entre as aulas, um estágio remunerado que ajudou bastante com as despesas da viagem e os pensamentos em cursar música uma vez que eu voltasse com Lindsay.
Lindsay não tinha a vida assim tão diferente da minha. Ela já tinha conseguido um trabalho de meio período em um jornal local, o que a rendeu a possibilidade de pular algumas horas de estágio que faltavam e um salário relativamente bem pago para uma futura recém formada em jornalismo. Nesse período, eu ainda consegui achar tempo para venerar minha atual banda favorita — em segredo de estado, visto que meus vinte e três anos estavam se aproximando —, que a este ponto já tinha lançado sua primeira música de sucesso, seguida de um CD novinho em folha para complementar a playlist de covers que eu já estava mais do que cansada de escutar.
Faltando um mês, mais ou menos, para que eu e Lindsay apresentássemos nosso trabalho final da faculdade. O TheVamps anunciou sua primeira turnê mundial em que nosso amado Brasil fazia parte com muito vigor, atendendo todas as minhas preces.
— Ei, Lindy, posso te pedir um favor? — perguntei, receosa, vendo minha amiga querendo quebrar toda a casa depois de ter tido o seu TCC recusado pela quarta vez pelo seu mentor nos últimos três meses.
— Fala, amiga, se eu puder, claro. — Ela tentou ser paciente, mas eu percebi pela sua voz estremecida que ela fez um baita esforço para parecer calma.
— Lembra daquela banda que eu falei para você, há mais ou menos um ano, que eu tinha gostado muito? — Vi Lindsay se virar para mim pela primeira vez depois de horas de guerra contra o notebook e quase pude ver a fumaça saindo do seu nariz ao ouvir o que eu tinha acabado de perguntar.
Nós tínhamos abandonado a vida de fã girl quando entramos na faculdade, mas o principal motivo foi o término de Lindsay com um membro de uma banda do Rio de Janeiro que a fez sair completamente da razão, já que o motivo foi simplesmente: “Não quero te machucar caso eu te traia com alguma menina que for ao camarim”.
, não me fala que você está pensando seriamente naquilo que eu estou recusando a pensar?
— Amiga, eles vão fazer um show em São Paulo, é o único show deles no Brasil e é uma semana depois que, teoricamente, vai sair a nossa nota de aprovação!
— SUA aprovação, — ela me corrigiu, nervosa, tentando se controlar. — Eu nem sei se vou conseguir concluir essa merda!
— Lindy, eu já comprei os ingressos — menti. — E você vai comigo, digamos que pra comemorar o final desses quatro anos intensos, fechando esse ciclo da forma em que ele começou. — Propus, lembrando que exatamente uma semana antes do início das aulas nós fomos ver o show do finado One Direction.
Notei Lindsay, que tentava controlar as risadas, provavelmente tendo as mesmas lembranças que eu, dos dias que os perseguimos em hotéis, em passeios, que tentamos nos infiltrar com crachás falsos dizendo que fazíamos parte da mídia e quase fomos presas por isso, e todas as artimanhas que havíamos usado nos últimos anos para nos aproximar dos nossos ídolos.
E foi com a resposta positiva da minha melhor amiga que concluí a compra e fui escrever na nossa lousinha a contagem regressiva.

Como prometido, eu ajudei a Lindsay todos os dias nas minhas horas vagas a concluir o TCC, visto que o meu já tinha sido concluído e aceito pelos meus mentores, e quando finalmente o e-mail do senhor Salvador chegou anunciando que finalmente Lindsay tinha conseguido, respiramos aliviadas. Faltava só mais uma semana até a apresentação, duas para o show que eu estive esperando por um ano, e estaríamos livres daquela tortura.
Naquele dia, nós resolvemos nos divertir. Colocamos nossas melhores roupas e saímos rumo às ruas do Rio de Janeiro, procurando um lugar badalado para poder esquecer todo aquele peso que carregamos nas costas por quase quatro anos e que estávamos perto de nos livrarmos.
Já havíamos perdido a conta de quantas cervejas havíamos tomado, o bar que tínhamos entrado há algumas horas tinha se transformado em um mini show de pop rock, com uma banda local que cantava as músicas mais atuais do momento, intercaladas com algumas músicas um pouco mais antigas, de quando éramos ainda adolescentes.
Não sei dizer bem quantas músicas eu já tinha reconhecido e cantado em alto e bom tom, orgulhosa de mim mesma por não ter deixado a fã que existia dentro de mim morrer por completo, quando ouvi os acordes de uma das primeira músicas lançadas pelo alguns meses atrás. Eu não sei de onde reuni forças, mas eu dei meu melhor grito histérico, recebendo olhares divertidos de algumas pessoas à minha volta. Lindsay voltava do bar com mais duas cervejas na mão e uma possível transa ao seu encalço, enquanto eu só sabia aproveitar aquela música, imaginando que em duas semanas eu teria o prazer de ouvir aquela canção da boca dos autores daquela obra de arte.
A música acabou rápido demais e só percebi que era a hora de voltar ao mundo real quando ouvi a banda agradecendo o carinho e a energia. Lindsay já estava entregue ao seu mais novo amor de uma noite e eu mexia no celular, até que senti alguém se aproximando devagar e chamando minha atenção com uma coçadinha na garganta.
— Oi, eu te vi empolgada na última música e achei que deveria vir conhecer a única pessoa nesse bar que fez essa música do repertório valer a pena. — Um rapaz na casa dos vinte e seis anos chegou, já vomitando tudo aquilo que tinha para falar e me fazendo rir da sua honestidade. Ele não era o cara mais bonito que eu já tinha visto no mundo, mas os seus olhos brilhavam tanto enquanto ele cantava que dava para sentir o amor que ele tinha por aquilo e por isso ele me pareceu a pessoa mais perfeita do planeta naquele momento. Ele era alto, eu arriscaria uns 1,90m mais ou menos, braços longos e bem definidos, sua camisa larga combinava perfeitamente com a bermuda preta abaixo dos joelhos, seus cabelos bagunçados por conta do show ainda acumulavam gotinhas de suor, o que o deixava extremamente sexy, e seus lábios avermelhados me faziam querer beijá-lo ali mesmo sem pensar duas vezes.
— Oi, acho que você me pegou, eu realmente não esperava essa música e vocês fizeram minha noite valer a pena — respondi, sincera, esperando dar continuidade no assunto, visto que tinha sido abandonada pela minha melhor amiga, que não pode ver um ser humano dando mole que parte logo para o ataque.
O rapaz deu o seu melhor sorriso e eu fiquei de boca aberta, seus dentes eram tão brancos que ficavam fluorescentes nas luzes, que a esse momento já piscavam no ritmo de uma melodia tecno estranha, me fazendo perceber o quanto eclético era aquele lugar.
— Você não sabe o quanto eu fico feliz. O meu nome é Luca, a propósito, muito prazer…?
. O prazer é meu, Luca, vocês são realmente bons.
— Obrigado, é muito importante ter o reconhecimento do público depois de tanta dedicação.
Engatamos um assunto bem cabeça sobre música e eu descobri que Luca não só era o vocalista da banda Partime, que a esse ponto eu tinha acabado de descobrir o nome, mas também recém formado em música e que começaria uma viagem pelo mundo por dois anos em busca de conhecimento na área.
— Eu adoraria estudar música, é o meu sonho, mas acabei fazendo veterinária e eu nem sei o porquê, porém eu gostaria muito de dar atenção a esse meu lado criativo quando eu voltar da viagem com a minha melhor amiga — eu tagarelava sem parar, talvez pela excitação da conversa ou pelo álcool que já começava a me fazer perder um pouco a noção das coisas.
— Uau, você, por acaso, tem algum defeito? — Luca tocou em uma das minhas mãos, fazendo movimentos delicados com o seu polegar naquela região. Ri em resposta, já que estava alterada demais para ter qualquer outra reação. — Seria um prazer te ver no nosso próximo show semana que vem, vai ser um show muito importante para nós do Partime, será que você poderia me dar seu telefone? — Foi direto ao ponto, quebrando totalmente meu autocontrole de não o agarrar.
— Poxa, seria muito legal, Luca, mas semana que vem eu vou estar em São Paulo, em um show que estou esperando há algum tempo — disse, sincera, já que era a mais absoluta verdade.
— Responde pra mim, , você acredita em destino? — Deixei escapar uma gargalhada que tenho certeza que o fez corar depois da sua tentativa falha de flertar comigo. — Então, você acredita? — ele repetiu.
— Não sei, talvez, por quê? — Tentei parecer mais controlada, mas não sei se deu muito certo, já que o garoto parado ali na minha frente riu ainda mais alto.
— Porque nós vamos abrir o show do em São Paulo e eu imagino que esse é o show que você tem esperado tanto. — Eu faltei cair no chão depois daquela informação, minhas pernas vacilaram e eu senti meu estômago embrulhar.
Luca não esperou pela minha resposta e deu prosseguimento aos seus planos.
— Vou supor que isso seja um sim e vou te propor mais uma coisa: você vai ser minha convidada vip e vai assistir o show todinho do lado do palco.
Eu não lembro bem o que eu respondi, mas ter acordado no dia seguinte, com uma dor de cabeça infernal e um Luca nu do meu lado me fez ter a certeza de que eu tinha aceitado de bom grado aquela proposta.

 

Capítulo 3

Lindsay e eu esperávamos ansiosamente Luca no aeroporto de Guarulhos. Ele havia partido dois dias antes para definir alguns detalhes que faltavam para o que seria o show da vida dele, como ele mesmo fazia questão de frisar.
Luca chegou algum tempo depois que desembarcamos, entramos no carro destinado ao garoto pela produção e eu sentia como se estivesse numa montanha-russa. Reviver esses momentos da minha adolescência me fizeram sentir viva e claro que a presença de Luca também ajudava bastante.
Depois do episódio em que Luca me propôs essa aventura, dormimos juntos durante os cinco dias que ele permaneceu no Rio antes da viagem e posso dizer que ajudou bastante no meu humor, já que era a semana do TCC e eu estava muito nervosa.
Eu passava o dia estudando ou no estágio e à noite Luca ia até minha casa, onde uma Lindsay desesperada nos fazia dar boas gargalhadas.
Sexta-feira antes da apresentação final, Luca me mandou uma mensagem de boa sorte que me fez derreter, ele era muito fofo para ser real e eu estava curtindo aquilo. Nós éramos mais parecidos do que eu tinha imaginado e ele estava quase me convencendo de que, sim, eu deveria dar continuidade nos estudos e que dessa vez ninguém me impediria de fazer o que eu gosto.
Nós trocamos muito conhecimento a respeito de música e também na cama, já que Luca era um excelente parceiro sexual. Depois de muito relutar, eu decidi mostrá-lo algumas músicas que eu havia composto nos últimos anos. O fato dele se emocionar entre uma canção e outra valia mais que qualquer elogio que ele não fazia questão em economizar.
Lindsay e eu passamos pelo último exame da faculdade com vigor, o que só aumentou nossa excitação para o show. Minha melhor amiga estava prestes a explodir de felicidade e eu só tinha que agradecer aos céus por tê-la ao meu lado naquele momento, por mais que ela tentasse disfarçar, ela ainda era a mesma garotinha fanática por boybands de sempre.
Luca fez questão de nos ajudar com a hospedagem, apesar da Partime não ser uma banda tão famosa, ela abriria o show de uma das bandas que estavam estourando no momento e isso proporcionava aos meninos algumas regalias como, por exemplo, hospedagem em um hotel maravilhoso a poucos metros da casa de show.
Quis arcar com tais despesas, mas ele não aceitou, disse que era nosso presente de formatura, visto que ele chegou tarde demais para nos presentear com os ingressos. Em poucos dias, criamos uma afinidade gigantesca, talvez pelos nossos pensamentos caminharem lado a lado ou somente por nos completarmos no sexo.
Check-in feito, Lindsay e eu seguimos pelo saguão do hotel em direção ao elevador principal. Nossos quartos ficavam no oitavo andar, junto com o pessoal da produção de ambas as bandas que estariam presentes naquele local. A banda principal ficaria hospedada no décimo e último andar, onde teriam sua piscina privada, sauna, bar e tudo aquilo que você poderia, ou não imaginar. Já nossos atuais amiguinhos da Partime estavam no nono andar.
Deixamos nossas coisas no quarto e resolvemos que aproveitaríamos aqueles dias como se fosse o último final de semana das nossas vidas, uma pré férias antes das férias.
A idéia de que eu estaria num hotel com uma banda famosa me dava calafrios pelo corpo, principalmente uma banda que eu criei uma conexão forte desde quando a descobri em uma playlist qualquer na internet. Pensava no que eles poderiam estar fazendo a todo momento: se eles estavam na piscina como Lindsay e eu, se estavam dormindo… Como eles seriam? Será que seriam ainda mais lindos pessoalmente? Que eles já estavam mais crescidinhos, mas ainda assim eram mais novos do que eu, o que particularmente era ainda mais excitante, já que eu sempre fui aquela que preferia os mais novos.
A piscina privada do décimo andar oferecia uma vista privilegiada da piscina para nós meros mortais e tendo em conta que o hotel estava parcialmente vazio, se algum deles se arriscasse em olhar para baixo, bateriam o olho diretamente em mim e na minha melhor amiga, o que não seria assim uma coisa tão negativa.
Eu estava ali há poucas horas e me sentia de novo aquela menininha de dezessete anos que sempre sonhou com aquele momento. Eu estava tão perto, mas tão longe que uma ideia invadiu minha cabeça: eu tinha que me aproximar deles e usaria o Luca para aquilo
Parecia uma ideia absurda e até mesmo escrota, mas qual era o problema? Eu já estava ali mesmo, oras!
Me virei de bruços e peguei o telefone, ligando para meu amigo colorido. Lindsay ria de mim, enquanto eu recitava cada parte do meu plano milimetricamente calculado, porém Luca estava com o celular desligado.
Insisti ainda algumas vezes antes de desistir de vez, me ajeitando novamente na espreguiçadeira e fechando um pouco os olhos por causa do sol. Foi aí que meus olhos focaram em um ponto distante, mais precisamente a dez andares sobre minha cabeça e eu reconheci o formato daquele cabelo. Eu senti um calor invadir meu corpo e não era culpa do sol, era de dentro para fora. Ele estava ali e eu tinha quase certeza que estava olhando para nós.
Talvez ele estivesse admirando a paisagem, mas que fã não exagera um pouco nas idéias? Cutuquei Lindsay, que abriu os olhos assustada.
— Lindy, olha bem pra cima e me diz o que você vê.
— Nuvem? Ai meu Deus, você acha que vai chover? — Olhei de cara feia para minha amiga e tentei mais uma vez.
— Amiga, olha bem para a cobertura, bem acima das nossas cabeças e me diz o que você vê! — Lindsay colocou os óculos escuros para se proteger do sol, enquanto tentava entender o que eu dizia, olhando para algum ponto no alto.
— Tem uma… cabeça? — Não tive como não rir, é claro que ela tinha amadurecido, eu que não conseguia tirar tamanha ilusão da minha mente.
— Amiga, aquela é a cabeça que tem tirado meu sono por quase um ano e eu nem sei o motivo. É ele, amiga, é o . Eu reconheceria o formato dos seus cabelos até mesmo se estivéssemos cinqüenta andares abaixo dele.
Lindsay soltou um gritinho abafado e me olhou, me fazendo soltar outro e mexer as mãos de uma forma bastante exagerada que qualquer um que nos visse entenderia de imediato que era um momento de extrema excitação por algo.
Eu me perguntava se ele conseguiria nos ver e o quão patéticas nós poderíamos estar sendo naquele momento. Parei imediatamente o ataque e chamei a atenção de Lindsay, éramos adultas e agiríamos como tal.
A cabeça tinha sumido, dando espaço para uma outra silhueta bem diferente e bastante normal para ser reconhecida a dez andares de distância. Foi quando meu telefone tocou e eu pude ver que era Luca que estava retornando minhas ligações.
— Oi, gata, desculpa não atender antes. Como você está? — Luca era carioca, me chamar de gata era mais do que normal.
— Oi, tudo bem e você? O que tem feito de tão importante que nem um mergulhinho com suas fãs número um você não veio dar? — Ouvi Luca gargalhar, muitas vozes se misturavam, fazendo a ligação parecer impossível de ser ouvida.
— De onde eu estou, eu consigo avistar as duas mulheres mais gatas desse hotel e essa foi uma opinião unânime vinda diretamente do décimo andar, mas tem uma em particular com um biquíni fluorescente que me deixou excitado até mesmo com toda essa distância. — Olhei para cima e pude ver Luca acenando em nossa direção, ri dos seus comentários e acenei de volta, percebendo que novamente a tal cabeça misteriosa voltou a observar a paisagem da piscina do térreo.
— Luca, fala pra mim que esse aí do seu lado não é quem eu estou pensando que é.
— Aquele que você não para de falar e elogiar? Não posso falar o nome dele, já que ele está do meu lado. — Gargalhei da forma que Luca se referiu a .
— Meu Deus, você é o cara mais sortudo desse mundo mesmo! Quando você vai pensar que tem uma super fã dele aqui esperando para conhecê-lo? — A esse ponto, Lindsay já me reprovava veemente, mas Luca sabia da minha quedinha pelo do .
— Bom, eu estava pensando em agora, o que você acha? Chama a Lindy, os seguranças sabem que minhas convidadas estão subindo. — Eu não tive como não gritar contidamente e Luca ria da minha reação ainda na chamada.
Desliguei o telefone e passei as novas notícias para Lindy, que continuava me dizendo para me conter porque Luca era um bom garoto e não era justo com ele se eu me jogasse para cima do meu atual ídolo, mas ela também sabia que minha história com Luca jamais teria futuro, pelo menos não pelos próximos dois anos, já que ele tinha os planos dele e eu os meus. Inclusive, quando organizamos aquele final de semana, ele já sabia do meu interesse pelo e deixou claro que, no meu lugar, faria a mesma coisa.
É claro que eu não esperava ir para cama com ele nem nada parecido, eu só imaginava, porque é isso que as fãs fazem.
Ajeitamos nossas coisas e em poucos minutos já estávamos fazendo o caminho para o elevador. Quando esse parou no térreo, pude notar que conhecia aquele rosto que estava saindo e dando espaço para nós, era um dos integrantes do , o melhor amigo de .
deu passagem para nós e nos cumprimentou com um aceno de cabeça, ele tinha os olhos mais que eu havia visto em toda minha vida e eu poderia me perder dentro deles facilmente, caso seu melhor amigo não me deixasse toda arrepiada em cada palavra que saía daquela boca.
Todos os quatro tinham participações nas músicas, era difícil não se apaixonar por eles, mas a voz de era marcante para mim em um nível que ninguém poderia imaginar.
Antes da porta se fechar, nos permitindo ter nossos ataques de groupie, um braço se enfiou no meio das portas, fazendo com que as mesmas se abrissem novamente e nos dando mais uma vez a visão daqueles olhos, daquele rosto, daqueles lábios… Não tinha como não ter pensamentos pervertidos com aquela figura parada bem na nossa frente.
Ele entrou novamente no elevador e nos observou dos pés à cabeça, sem nenhum pudor.
— Vocês são as convidadas do Luca? — Ele nos direcionou a palavra, com aquele sotaque carregado que deixava qualquer mulher de pernas bambas. — Eu sou o , sou o da banda. Ouvi falar de vocês e que vocês gostam bastante do nosso trabalho. — Já naquele momento eu agradecia a todos os Santos por ter tido uma educação rigorosa dos meus pais e por todos os anos que passei estudando inglês e conversando com o pai de Lindsay, que finalmente tinham servido para alguma coisa.
— Eu sou a Lindsay, mas pode me chamar de Lindy. — Minha amiga tomou as rédeas da situação quando entendeu que eu estava inerte na minha bolha, tentando processar todos os acontecimentos recentes. — E essa é a minha amiga, — continuou, me dando uma leve cutucada no braço, me tirando finalmente daquele transe.
Eu fui apenas capaz de balançar a cabeça e estender o braço para um aperto de mão típico de um velhinho de cem anos.
O rapaz se apressou em nos cumprimentar, entrando no elevador e apertando o número dez.
Eu apenas me questionava se aquilo estava realmente acontecendo.
Pareciam os minutos mais longos da minha vida, um silêncio que deixava uma energia pesada no ar, o que provavelmente só foi percebido por mim, já que a essa altura Lindsay e engatavam uma conversa sobre o Brasil ou qualquer coisa que não fui muito capaz de entender.
Durante o percurso, o rapaz explicou que tinha decido para nos encontrar e nos levar até a cobertura, já que não tinha fãs no hotel graças ao cuidado de seus produtores, que fizeram questão de enganar cada menina apaixonada a espera de se hospedar no mesmo hotel que a banda; e que queria ter tido tempo de dar uma volta nas redondezas do térreo para respirar um pouco e estar um pouco longe de determinados assuntos discutidos na cobertura, porém nós já estávamos mais do que prontas para subir, então ele não teve outra alternativa além de dar meia volta e nos acompanhar.
De vez em quando, eu acenava com a cabeça, dava uma risadinha ou fingia indiferença total por estar ali, eu não queria passar a impressão de fã louca e tentei agir com naturalidade todo o percurso, caindo totalmente da minha nuvem imaginária quando as portas se abriram no décimo andar e um barulho de violão adentrou meus ouvidos.

 

 

Capítulo 4

Quando saímos do elevador, fui recebida por um Luca histérico e perceptivelmente excitado de estar ali. Ele me abraçou e me deu um beijo na testa, o que foi bastante estranho, sabendo que há dois dias ele estava com a boca em outra parte do meu corpo. Repetiu o gesto com Lindsay e me deu uma piscadinha, era impressão minha ou ele estava fingindo que realmente nós nunca transamos para me dar a chance de atacar sem que isso me fizesse parecer uma biscate? Agradeci mentalmente a esperteza de Luca e joguei um beijinho no ar para ele, que riu e fez um sinal bastante afeminado com a mão, como quem já estava dizendo “imagina, amiga.”
já havia se sentado novamente com os companheiros e amigos de banda, pegando um dos instrumentos no canto da grande varanda e se unindo àquele pequeno show acústico privado.
— Venham, vou apresentar vocês ao resto do pessoal. — Luca nos deu as costas e começou a caminhar em passos lentos até o pequeno aglomerado de pessoas sentadas numa espécie de rodinha mal feita. Pude notar que cada um estava com um instrumento diferente nas mãos, entre violões e carrons, eu pude finalmente avistá-lo.
Ele tinha uma toalha ao redor da cintura, que com certeza me daria a visão do paraíso se ele estivesse de pé, e uma camisa vermelha jogada em um dos ombros. O cabelo bagunçado e molhado, que deixava claro que ele tinha acabado de sair da piscina, o deixava ainda mais atraente do que o normal.
— Meninos, essas são as minhas amigas, e Lindy. — Luca chegou sem cerimônias, se aproximando da rodinha e fazendo com que todos parassem o que faziam para olhar em nossa direção. — Meninas, esses são o , mas acho que é inútil fazer apresentações.
Naquele momento, eu não sabia realmente onde enfiar a cara. Os meninos da Partime riam enquanto se levantavam para nos cumprimentar. Nós havíamos nos conhecido naquele pub há alguns dias, quando conheci Luca, inclusive descobri que o garoto que Lindsay acabou levando para casa era o rodie dos meninos, estávamos praticamente em família.
Cumprimentamos um por um e demos os primeiros passos em direção à rodinha que continuava ali, mesmo que incompleta. se levantou, se vangloriando que ele já nós conhecia, afinal, foi ele que nos levou até a cobertura, enquanto os outros três meninos apoiavam seus respectivos instrumentos em um canto qualquer onde estivessem seguros e vieram em nossa direção.
Eu já me sentia praticamente a Rainha Elizabeth naquele momento, vendo os meus ídolos caminhando até mim para me cumprimentar, mas, na verdade, depois eu fiquei sabendo que eles só fizeram aquilo porque nós não fomos capazes de mover nenhum músculo do corpo.
, o , foi o primeiro a nos cumprimentar, sendo seguido por , o e .
Se alguém me perguntasse como realmente foram aqueles míseros segundos, eu não seria capaz de explicar.
Há muitos anos que eu não sentia aquela sensação de conhecer um ídolo e o fato de estar em um ambiente informal com eles, sem seguranças ou fãs gritando atrás de mim, me fez por um minuto perder a consciência.
Os meninos eram ainda mais bonitos pessoalmente, em trajes de banho e chinelo, sem gel no cabelo, apenas sendo eles mesmos, era uma experiência que eu realmente jamais pensei vivenciar.
Não sei se eu pareci um tanto antipática tentando conter meus ataques e abraçá-los como se não houvesse um amanhã, como todos os M&G que fui na minha vida, em que nunca fiquei mais de um minuto perto do meu ídolo, mas eu só pensava em quanto eu era sortuda de estar ali e isso jamais teria acontecido se não fosse por Luca, se ele não tivesse escolhido aquela música para finalizar o show, se não fosse por aquele dia em que não ouvi o cover da Taylor e me aprofundei em conhecer o trabalho dos meninos. Era tudo uma coisa que dependia da outra, tudo aconteceu tão perfeito, mas tão sem sentido que eu poderia ficar horas tentando explicar aquela sensação.
— Luca me falou que você toca violão muito bem, eu gostaria muito de poder ouvir sua música. — me pegou desprevenida, não sabia se ficava com raiva de Luca por ter falado uma coisa minha tão pessoal ou voltava para dentro do elevador e me trancava lá para sempre.
— Eu toco por hobby, não sou tão boa quanto vocês — respondi, sentindo minhas bochechas corarem e um buraco negro começar a se formar sob meus pés, me engolindo para Stranger Things.
— Não seja boba, eu te empresto o meu violão e você nos mostra, é sempre bom ouvir coisas novas. — Me encorajou. Lindsay me olhava com dois corações no lugar dos olhos, estava tão anestesiada quanto eu. Ela sabia o quanto era importante para mim a música, que seria uma oportunidade única na minha vida e que eu não poderia desperdiçar.
Lindsay me deu um empurrãozinho, me fazendo caminhar até a rodinha de cadeiras no meio da cobertura, onde ambas bandas estavam sentadas, já dando início a uma nova canção.
Pode parecer clichê, mas as únicas duas cadeiras vazias eram ao lado esquerdo de e minha amiga, que não era boba nem nada, sentou na mais distante, ao lado de , me deixando justamente ao lado daquele pedaço de mal caminho semi nu, como se fosse a coisa mais normal do mundo caminhar por aí despido, deixando todo aquele abdômen escultural à mostra.
Me sentei despretensiosa ao seu lado, esperando que tirasse da cabeça aquela idéia de me fazer tocar e cantar para os meus ídolos do momento, eu não tinha a menor condição de me concentrar.
Entre uma música ou outra, algumas piadas e risadas, era tão emocionante estar ali no meio daqueles talentos, eu me senti tão confortável que arrisquei cantarolar algumas canções junto a eles. A Partime alternava entre grandes sucessos internacionais à algumas músicas brasileiras que deixavam os garotos do com gostinho de quero mais. E foi aí que eu me vi novamente naquela berlinda.
— Então, , parece que você já está um pouco mais familiarizada, por que não mostra para nossos hóspedes do que você é capaz? — Luca tirou fora a pior coisa que ele poderia dizer naquele momento, já me entregando seu violão preto que era três vezes maior do que eu. Ri sem graça, negando educadamente com a cabeça, então ele voltou à sua posição inicial com seu violão e começou a dedilhar uma nomecanção que eu conhecia bem. Foi a última canção que eu escrevi, há mais ou menos um ano, naquele natal sozinha em casa, me fazendo refletir sobre minha vida e o que eu estava desperdiçando dela.

“There’s a lot of things that I may not know, but missing you baby is the only thing I know, I know.
And who am I to say what the future holds, but missing you baby is the only thing I know, I know”
Eu quis chorar lembrando daquele momento e mais ainda por aquela oportunidade que eu ganhei de mão beijada ali, no meio de músicos de altíssima qualidade.
Foi quando eu fechei os olhos, sentindo a mão de Lindsay em um dos meus ombros, sussurrando que eu era capaz e que de qualquer forma era só uma “reunião com os amigos”.
Respirei fundo e dei continuidade à melodia iniciada por Luca.

“If my heart was paper, I’d fold it, throw it to the wind and just hope it ends up with you.
I signed it with love from me to you, tried to be cool, but my feelings they don’t allow me to.
And all that I ask is that at least you write me back, I’m waiting.
Here’s my paper heart, won’t you hold it, hold it”
Naquele momento, eu já tinha me esquecido o real motivo de estar ali. Cantei com alma e coração, sentindo cada palavra, cada significado, cada expressão…
Vi quando me estendeu um violão, me encorajando a continuar. Sorri em resposta, apreciando sua atitude.

“Said you needed space so I gave you time, a year’s gone by and I’m thinking you’re still mine, In my mind.
And I’ve written you this letter like a hundred times, to start a conversation that we should have had that night.
I try”
Luca seguia dedilhando seu violão com maestria, me ajudando a não me perder no meio da melodia.

“Flying through fields over sand hoping one day it will land and ends up with you.
I signed it with love from me to you, I tried to be cool but my feelings they won’t allow me to.
And all that I ask is that at least you write me back
I’m waiting”
Ouvi a voz de pela primeira vez durante aquela canção, ele acompanhou o refrão junto comigo, tentando não errar nenhuma palavra. Estávamos sentados muito próximos e vez ou outra o meu braço direito, que dedilhava as cordas de seu violão, encostava em sua pele desnuda, me fazendo arrepiar por inteiro. Quando a primeira palavra saiu da boca dele, eu não tive outra reação a não ser olhá-lo e me calar, retirando minha insignificância vocal ao ouvir aquela voz rouca quase que próxima ao meu ouvido, me encarando como se não fosse nada de outro mundo o que ele estava fazendo, e realmente não era, mas para mim era mais do que eu poderia um dia merecer na vida.

“Here’s my paper heart I just hope it ends up with you.”
Depois de concluir minha música, fui aplaudida por todos presentes no local. Lindsay se levantou e dava pulinhos histéricos enquanto Luca caminhou em minha direção e me deu um abraço forte, dizendo que estava orgulhoso de mim.
Os meninos do não pouparam elogios e fizeram questão de afirmar mil vezes o quanto eu era talentosa como song writer e como minha voz era delicada e potente ao mesmo tempo, meus olhos relutavam em me fazer passar vergonha. Não era tristeza, era emoção.
Estávamos já longe da rodinha, na beira da piscina, enquanto uns davam saltos e mortais para dentro da mesma e outros se serviam de algumas bebidas e se deitavam nas espreguiçadeiras.
Lindsay e eu optamos pela segunda opção.
Falava distraidamente com Lindsay, quando se sentou na ponta da espreguiçadeira da minha amiga, entregando uma cerveja para cada e fazendo um brinde àquele dia.
Não era nenhuma dúvida que Lindsay olhava como um pedaço de carne mal passada suculenta e eu jurava que da parte dele não era assim tão diferente, já que a cada passo que minha amiga dava eu percebia o olhar do garoto como se a pudesse devorar só com os olhos.
Eles engataram uma conversa sobre a carreira deles, Lindsay se vangloriava de ter acabado de completar o curso de jornalismo e que não via a hora de dar início à sua trajetória.
Resolvi me levantar quando escutei perguntar se Lindsay gostaria de fazer um pequeno tour pelo hotel, já que ele falhou na missão mais cedo, rindo imaginando onde eles dois poderiam parar depois de poucos minutos.
Me aproximei do parapeito da cobertura, deslumbrando a vista privilegiada, que talvez eu nunca seria capaz de arcar com meu salário, e pude ver, inclusive, quando Lindsay e chegaram ao térreo e se sentaram ao bar da piscina próximos demais para quem tinha acabado de se conhecer, a tensão sexual entre eles era visível e como eles conversavam e riam chegava a ser bonito de se ver. O fato de Lindsay falar o inglês tão carregado quanto ele deixava à mostra, para quem não os conhecia, que eram um casal de turistas aproveitando as férias no Brasil.
Fui puxada para fora dos meus pensamentos quando se posicionou ao meu lado olhando para baixo, como havia feito mais cedo, rindo no mesmo instante que percebeu nossos amigos sentados juntos, fazendo a mesma coisa que eles faziam antes de descer, o que não fazia o menor sentido.
— Parece que estávamos atrapalhando o casal — disse ele, em meio um sorriso torto.
— Sim, parece que um bar privado não é bom o suficiente quanto o bar público no térreo — respondi, não tirando os olhos da piscina azul turquesa que parecia ainda mais azul vista ali de cima.
Alguns segundos em silêncio me fizeram questionar minha resposta, talvez eu deveria ter tentado puxar um assunto? Mas eu sinceramente não fazia idéia do que dizer.
— Eu adoro o som de vocês. Em pensar que a primeira vez que os ouvi foi sem querer em uma playlist esquecida na internet — disse, sem pensar muito, querendo deletar imediatamente aquela frase que tinha acabado de sair da minha boca. Parecia que eu estava desmerecendo o trabalho deles. — Quer dizer, eu gostei muito e por isso resolvi adicionar suas músicas na minha playlist principal. — Como se eu tivesse sido a única pessoa no mundo a fazer isso, ele deveria estar me achando patética quando sorriu sem jeito, passando a mão pelos cabelos e se virando de frente à cobertura, com as costas apoiadas no parapeito.
— Então temos alguma coisa em comum, sua música é incrível e eu gostaria muito de conhecer outras como aquela — ele disse, me encarando diretamente pela primeira vez.
Seus olhos pareciam queimar dentro de suas órbitas de tanto que brilhavam, ele tinha um olhar intenso que fazia qualquer garota ferver por dentro.
— Eu não sou profissional como Luca, sabe. Eu aprendi a tocar violão com meu avô e isso virou uma válvula de escape pra mim. — Tentei não me hipnotizar com seu olhar e responder firme como uma adulta responderia.
— Eu também não era profissional, eu escrevia e cantava como hobby até decidir que era isso que eu queria para minha vida. — Ali ele tocou no meu ponto fraco e não estou falando do meu ponto G… talvez o ponto G da minha vida. — Mas eu não quero falar de mim, quero saber de você. O que você faz? Você canta em bares como Luca? — ele falou tudo de uma vez, antes de dar uma boa golada em sua cerveja.
— Na verdade, não. — Engoli a seco antes de continuar. — Eu acabei de me formar em veterinária e, na real, eu não tenho idéia se é isso que eu quero para meu futuro — falei, mais para mim do que pra ele.
— Uau! Você já é formada? Pensei que você tivesse no máximo uns dezenove anos. — riu, me fazendo acompanhá-lo. Eu sei que aparento ser muito mais nova do que realmente sou, mas ele realmente exagerou.
— A verdade é que em alguns meses eu faço vinte e três, comecei a faculdade bem cedo mesmo — respondi, sincera, corando em saber que talvez nossos quase três anos de diferença fossem um problema para ele. havia completado vinte anos em julho daquele ano e completaria vinte e três no início do ano seguinte.
— Se eu pudesse te dar um conselho de músico para uma aspirante a colega de trabalho, eu investiria nesse seu talento.
— É muito mais complexo do que você possa imaginar — respondi, com a maior tranqüilidade do mundo, como se não fosse sobre o meu futuro inibido que eu estava mergulhando com a certeza que me afundaria.
— Bom… — Ele olhou para dentro da cobertura, onde havia as portas de vidro abertas e deixavam a mostra um relógio gigantesco na parede. — Nosso show é só amanhã à noite, então direi que temos bastante tempo para você me explicar.
E foi ali que minha amizade com começou. Quando dei por mim, eu já estava contando a ele toda minha vida antes da faculdade e explicando o porquê de ter escolhido aquilo e ter deixado de lado meu sonho. Contei para ele dos meus planos para uma futura segunda faculdade, que ainda não sabia se realmente eu teria condições psicológicas e financeiras para arcar, visto que meus pais não concordavam. Contei dos planos com Lindsay, que iríamos até a Inglaterra visitar seu pai nas férias e nossa intenção de conhecer o maior número de cidades inglesas possíveis.
também me contou sobre como chegou até ali e que, na verdade, seus pais gostariam que ele tivesse seguido o caminho deles no meio dos negócios e ele estava quase convencido a tal coisa até que um produtor britânico viu alguns covers dele com seus amigos no YouTube e propôs que investissem na banda.
Ele deixou claro o quanto ele amava o que fazia e só de falar sobre o deixava empolgado como uma criança de três anos quando vê o papai Noel no shopping.
Não sei por quantas horas ficamos ali, em pé, conversando empolgados, como se nos conhecêssemos desde sempre, e aquilo me fez me lembrar as noites em claro conversando com Luca no meu quarto sobre nossas paixões depois de uma transa bem dada. Me peguei pensando se seria tão bom na cama quanto eu imaginava, se depois de transar pegaríamos o violão e escreveríamos qualquer canção de amor sobre nós, como toda boa fã apaixonada por seu ídolo.
Era difícil não ter aquele tipo de pensamento quando se tratava de . Já era difícil antes, mas depois de conhecer um lado dele que não estava escrito no Wikipédia, o desejo aumentava cada vez mais.
Vimos quando Lindsay e saíram do elevador que dava para dentro da suíte, mas aparentemente se perderam durante a saída e voltaram a se juntar a nós quando o sol já estava se pondo e todos estavam sentados ao redor de uma mesa cheia de coisinhas gostosas para beliscar antes do jantar.
Eles tinham uma cara sapeca de quem tinha acabado de fazer o que não deviam e aquilo ficou ainda mais claro quando, em algum momento, repousou o braço, despretensioso, sobre os ombros da minha amiga.
Sorri de canto para Lindsay, que emanava felicidade por todos os poros do seu corpo, sussurrando um “depois eu te conto” antes de desaparecer de novo com ao seu encalço, me fazendo sentir uma invejinha branca, já que eu gostaria muito de estar no lugar dela, porém com .
Nos despedimos um pouco antes do jantar, já que os meninos jantariam em um restaurante fora do hotel com os produtores e agentes deles, e ficamos de nos falar quando voltassem.
Luca e a Partime se juntariam a Lindsay e eu no restaurante do hotel, a reserva tinha sido feita para às nove horas.
Segui com Lindsay até nossa suíte para nos preparar e foi só o tempo de fechar a porta que minha amiga começou a dar pulinhos no meio do quarto, dizendo que não acreditava no que tinha acabado de acontecer.
Ela me contou que a convidou para descer com ele porque ele queria ficar perto de outras pessoas, que ele precisava desse tempo sozinho uma vez ou outra, ela não queria atrapalhá-lo, mas ele fez questão que ela o acompanhasse.
Depois de algumas cervejas e alguns shots de tequila, ele pediu que ela mostrasse nosso quarto. Segundo ela, ele disse que gostaria de ver as dependências normais do hotel sem todo aquele glamour que insistiam em dar a ele e seus companheiros de banda.
E foi, na MINHA cama que eles transaram pela primeira vez.
— NA MINHA CAMA, LINDSAY? — Alterei um pouco a voz, fingindo estar indignada com a audácia, mas a verdade é que poderíamos simplesmente mudar os lençóis sem nenhum problema, porém eu conhecia bem minha amiga e ela gostava de um bom drama mexicano.
— Amiga, desculpa, não deu tempo de chegar à minha. — Olhou afetada onde ela deveria, teoricamente, ter a relação que ela quisesse com quem ela quisesse, mas que também estava bagunçada. Eles não transaram só na minha cama, mas também na dela. — Eu não esperava por isso, ele tem aquela cara de anjinho, mas na cama é uma coisa que, uau, não conseguiria encontrar palavras no dicionário para descrever. Tentei disfarçar a risada com uma cara de brava, porém depois de ver os olhinhos brilhantes da minha amiga, que me encaravam como se esperasse algum tipo de reprovação, não aguentei mais bancar a afetada e caí na risada.
Deixei que ela me contasse tudo nos mais, desnecessários, detalhes, enquanto tomava um banho quente e ria da forma que ela se justificava, tentando, ainda, explicar o porquê de terem feito toda aquela bagunça no quarto.
A verdade é que eu estava feliz por ela, há muito tempo não via minha amiga feliz e empolgada assim depois de transar com alguém, e sua felicidade era a minha felicidade.

Uma hora depois, estávamos devidamente vestidas para nossa noite de gala, na companhia de quatro homens incrivelmente lindos que nos esperavam já sentados à mesa.
Luca foi o primeiro a se levantar, nos cumprimentando e puxando a cadeira para mim.
Lindsay se sentou do lado de Roger, o baterista, seguido por Richard, o baixista, e Greg, o guitarrista.
Foi um jantar amigável e divertido, não sabia o quanto os companheiros de banda de Luca eram engraçados. Apesar de conhecê-los um pouquinho, não tinha toda essa intimidade que foi criada depois da nossa tarde na cobertura.
— Então, como foi a conversa com o ilustre, lindo, maravilhoso e talentoso ? — Luca me perguntou, tentando imitar minha voz todas as vezes que eu me referia a depois que soube que eles abririam o show do . Eu ri, dando um tapinha em seu braço, o fazendo se encolher fingindo dor na região.
— Ele é uma pessoa, hum, normal — respondi, sem muita emoção, e Luca riu alto o suficiente para chamar a atenção de várias pessoas que estavam naquele local.
— Eu não esperava outra coisa, . — Luca me olhou como quem dissesse “mas é óbvio” e respeitou meu silêncio.
Eu não era uma pessoa que falava tanto, principalmente dos outros, então me contive em não dar continuação quando eu queria era saber se eles falaram de mim na minha ausência.
— Eu tinha falado de você para ele, do episódio no bar e de como você gostava deles, foi por isso que ele olhou pra baixo quando vocês estavam na piscina — Luca confessou, enquanto bebia um gole de vinho. — Então falei para ele o quanto você era talentosa e medrosa o suficiente para não mostrar isso pro mundo e ele ficou curioso para te conhecer, parece que posso dizer que minha missão foi concluída com sucesso!
— E agora ele deve me ver como uma fã louca, obrigada.
— Sério que você só ouviu a parte de que eu disse que você gostava da banda dele?
— Não, mas preferi ignorar o resto — rebati, divertida, com as bochechas coradas.
— Eu adoro como você se envergonha fácil quando está em público — Luca disse, colocando para trás uma das mechas do meu cabelo, que caíam propositalmente pelo meu rosto, fora do rabo de cavalo alto e alinhado.
Ele se aproximou de mim para me beijar, quando eu vi que atrás dele os meninos da banda retornavam ao hotel depois do jantar e subitamente me sentei petrificada, esperando que ninguém tivesse visto o que tinha acabado de acontecer.
Luca olhou para onde eu olhava antes e entendeu tudo, dando uma risadinha irônica.
— Eu não tenho problema em te dividir com ele, desde que essa noite você dê uma passadinha no meu quarto.
Dei um leve beliscão no garoto, que se divertia com o meu embaraço e voltei a interagir com os outros sentados ali ao nosso redor.

 

Capítulo 5

Já passavam das onze quando Lindsay, a Partime e eu deixamos o restaurante e fomos rumo ao bar da piscina. Luca não tentou mais me beijar durante o resto da noite, mas deixou claro que não foi por falta de vontade.
Nós meio que engatamos uma conversa sobre o nosso não-relacionamento que foi esclarecedora. À parte o fato de que eu estava caidinha pelo encanto de , em alguns meses, Luca e eu já nem estaremos pelo Brasil por longos meses, então era um relacionamento fadado ao término mais cedo ou mais tarde.
— É, gente, a noite foi muito boa, mas eu vou me deitar — Lindsay disse, prontamente, após visualizar alguma mensagem no celular com um sorrisinho sacana no rosto.
— Amiga, te vejo mais tarde ou você está indo sem passagem de volta para o décimo andar? — Àquela altura, todos nós já sabíamos do rolo que ela engatou com um pouco mais cedo, estranho seria se ela realmente fosse dormir na cama do lado da minha.
— Se tudo der certo, te vejo amanhã. — Lindsay saiu, jogando um beijinho no ar para nós, que soltamos em uníssono um “owwwwwnn” em alto e bom tom.
— Então você vai passar a noite sozinha, gata? — Luca chegou mais perto, me fazendo arrepiar. Já que eu não poderia ter quem eu queria, não seria nada mal ter o Luca mais uma noite na minha cama.
Não tive tempo de responder, um par de olhos me encarava do outro lado do bar, estendendo a mão com um copo de Whisky ou qualquer outra coisa que eu não era capaz de identificar. Quando Luca viu de quem se tratava, olhou pra mim com um sorriso maléfico e caminhou em direção ao garoto, que já estava se levantando para se juntar a nós.
Acompanhei com os olhos o momento em que Luca se aproximou de e sussurrou alguma coisa em seu ouvido, o fazendo sorrir e olhar para mim. Aquele sorriso era o suficiente para me fazer estremecer e sentir minhas pernas vacilarem.
Tinha receio do que Luca tinha falado para , ele não estava tão sóbrio para conseguir filtrar bem as palavras, mas eu o agradeceria pelos próximos meses pelo empurrãozinho, pois eu não seria capaz de ser tão cara de pau ao ponto de pedir pra ir pra cama com , ao menos não àquela noite.
Luca se virou para mim, acenando e caminhando em direção à recepção do hotel, enquanto veio à minha direção e se sentou na cadeira onde Luca havia ocupado minutos antes.
— Me deram a missão de ficar de olho em você. — se acomodou perigosamente perto de mim, apoiando o copo pela metade na mesa e se virando de uma forma que nossos rostos ficassem a centímetros de distância.
— Não acha que eu sou grandinha o suficiente para tomar conta de mim mesma? — debochei, tentando parecer extrovertida.
— Acho que não sei te responder isso — riu, me fazendo acompanhá-lo. Sua risada era rouca e forte, e misturada com a minha, parecia a melodia perfeita que faltava para me preencher naquele instante. — Para ser sincero, eu só desci porque fui expulso do meu quarto, acho que você pode adivinhar o motivo.
A cobertura do décimo andar era composta por dois quartos de casal, porém, como os meninos eram em quatro, o hotel providenciou duas camas de solteiro para cada quarto e parece que não tirou a sorte grande em ter que dividir seu espaço com .
— Então acho que hoje é seu dia de sorte, tem uma cama sobrando no meu quarto. — propus, dando uma piscadinha.
— Isso seria você me convidando para dormir com você? — ele respondeu, sorrateiro, me fazendo corar.
— Bom, isso seria eu te dando abrigo essa noite, mas você pode voltar para o décimo andar e dormir no sofá. — Levantei meu copo em forma de brinde e ele me acompanhou, bebendo todo aquele líquido marrom de uma só vez e batendo o copo na mesa.
Ainda havia meu cálice de vinho pela metade, não seria assim tão inconseqüente de virar todo seu conteúdo de uma vez, como havia feito .
Enquanto desfrutava de sua companhia, os meninos que estavam sentados com a gente deixaram a mesa um por um, nos deixando ali sozinhos com uma garrafa de vinho pela metade e uma tensão sexual tão forte que, se acontecesse um terremoto naquele momento, nós não seríamos capazes de sentir.
Já eram quase quatro da manhã quando fomos expulsos do bar. Eu caminhava com dificuldade e mantinha minhas sandálias nas mãos, tinha um braço ao redor da minha cintura, tentando me ajudar a caminhar, se não fosse pelo seu estado de embriaguez tão alto quanto o meu.
Entramos no elevador rindo e tropeçando em nossos próprios pés, enquanto fazíamos gesto de silêncio um para o outro, porém quando a porta se fechou que parou de rir inesperadamente.
O olhei com um ar de dúvida, mas não conseguia controlar minhas risadas, eram mais fortes do que eu. Estava encostada em um dos espelhos do elevador, quando senti que escorregava lentamente, perdendo as forças, e antes que pudesse atingir o chão, fui surpreendida pelos braços de que me levantaram e me seguraram contra o vidro gelado. Então tive que parar de rir.
Nossos olhares diziam tudo aquilo que não conseguíamos expressar em palavras, olhares esses que gravavam cada detalhe dos nossos rostos. Conseguia ver de relance minha expressão no espelho atrás de e era um misto de medo, insegurança, tesão, tudo a ponto de explodir antes dele fixar seu olhar sobre minha boca, prendendo seus lábios contra seus dentes tão forte que pude ver sua boca ficando cada vez mais vermelha, antes de ouvirmos aquela maldita campainha que avisava que tínhamos chegado ao oitavo andar.
deu dois passos pra trás antes de se virar e sair do elevador, me deixando confusa com tal reação. Precisei de alguns segundos para acordar daquele transe e ver a porta se fechando novamente e a impedindo com um dos seus pés, olhando para dentro, esperando alguma reação vinda de mim.
Caminhei em passos lentos até ele e o puxei em direção ao meu quarto, abri a porta e esperei que ele entrasse na maior calma do mundo, como se ele não estivesse prestes a me beijar um minuto atrás.
, eu não… — Não esperei que ele terminasse de falar e o beijei. Sem pensar, sem complicações, sem pedidos, eu simplesmente o beijei e, para minha surpresa, fui correspondida.
Nosso beijo parecia um pedido de urgência. Era quente, feroz, estabanado… Não sei se era o álcool ou a nossa pressa de consumar o ato. Nossas mãos exploravam cada parte dos nossos corpos sem timidez, parecia que elas sempre estiveram ali, pois não foi necessário tanto tempo para descobrir alguns pontos específicos em que arrepios tomavam conta de nós.
Parecia que estávamos nos beijando por horas, quando se afastou ofegante, passando as mãos no cabelo em sinal de nervosismo, me olhando como se se desculpasse.
— Eu não devia ter feito isso. Desculpa, — ele disse, sem mais nem menos, tentando alcançar a porta que dava para o corredor do andar.
Eu o segurei por uma das mãos e o olhei me questionando o que tinha acabado de acontecer.
, se você sair por essa porta, você vai ter que dormir no sofá da suíte de vocês e eu sinceramente quero te ver inteiro para o show de amanhã — menti, como se fosse só esse o motivo pelo qual eu queria que ele permanecesse ali. Eu queria mais, eu o queria por inteiro e eu sei que não sossegaria enquanto não entendesse a razão pelo qual não fomos adiante.
Ele pareceu pensar duas vezes antes de concordar e sem hesitar se sentou na primeira cama que viu pela frente.
Eu fingi que estava tudo bem e fui até o banheiro tomar um banho e me preparar para dormir. Quando me olhei no espelho, eu estava em um estado deplorável de embriaguez.
Meus olhos estavam pretos pelas manchas do delineador e minha boca borrada pelo batom vermelho que há poucos minutos preenchiam meus lábios. Meu rabo de cavalo já não existia mais e era tudo uma bagunça sem nexo, exatamente como minha vida.
Balancei a cabeça na tentativa de não pensar nos acontecimentos recentes e entrei no box, ligando o chuveiro no frio e deixando a água congelada cair sobre meu corpo nu e quente, mais quente por dentro do que por fora.
Não fiquei mais do que vinte minutos sob a água fria e saí do banheiro enrolada em um roupão branco e fofo deixado ali para os hóspedes.
Vi só de cueca, deitado na cama enquanto passava os canais da TV sem nenhuma paciência, mas fingi que era uma cena normal, daquelas que a gente vê todo dia, e passei para o armário que ficava bem do lado da televisão, procurando alguma coisa comportada para dormir, já que eu deveria dividir o quarto com a pessoa que acabou de me rejeitar.
Senti seus olhos me observando a cada passo meu e quando eu tomei coragem para me virar, pude ver o desejo nos olhos dele, o mesmo desejo que com certeza estava emanando do meu corpo.
Entrei novamente no banheiro e me troquei. Coloquei um short preto de moletom e uma blusa de alcinha da mesma cor, dei mais uma olhada no espelho e fui encarar a noite mais longa da minha vida.
Deitei na cama ao lado, desejando boa noite ao garoto que continuava ali intacto, apenas repassando pela milésima vez todos os canais da televisão.
não me respondeu, mas me chamou.
Apoiei um dos meus cotovelos na cama, o encarando enquanto ele se virava pra mim em sorria sem graça.
— Espero que o Luca não fique com raiva de mim por isso, , eu sinto muito por ter me deixado levar pela emoção. O Luca é um cara tão legal e talentoso, eu tenho tantos planos pra ele e sua banda que seria um pecado quebrar essa aliança porque eu fiquei com a namorada dele. — Eu só tive uma reação: gargalhar.
Enquanto eu ria sem controlar os barulhos exagerados que saíam da minha boca, ria uma vez ou outra pedindo para eu parar, olhar pra ele e aceitar suas desculpas, mas era impossível simplesmente parar sabendo que nós perdemos mais de meia hora de uns amassos bem dados porque ele achava que eu e Luca éramos um casal.
— Sério? Você acha realmente que se Luca e eu fossemos namorados, eu estaria aqui com você e ele sabe-se Deus onde? — Levantei, sem esperar uma resposta e me aproximei dele, me ajoelhei na cama onde ele estava sentado com as pernas esticadas, coloquei cada joelho meu de um lado da sua cintura lentamente e fui soltando o peso até estar completamente sentada sobre ele, mais precisamente sobre o seu membro, que a esse ponto já estava rígido e pulsante dentro da boxer preta que era a única peça de roupa que ele usava naquele momento.
— Deixa eu te contar um segredinho, — dei ênfase no seu apelido, chegando bem perto de um dos seus ouvidos e mordendo levemente seu lóbulo. — Se eu fosse namorada de alguém, você acha que eu estaria aqui agora, bem em cima de você, sussurrando no seu ouvido, quase implorando para que você me foda?
Foi o que bastou para que eu sentisse meu corpo sendo jogado contra a cama. se posicionou bem entre minha pélvis, colocando uma das minhas pernas ao redor de sua cintura e esticando a outra para cima distribuindo beijos e lambidas por toda sua extensão até chegar perto da minha virilha e subir rapidamente, encontrando meus lábios.
Dessa vez ele me beijou com mais intensidade, porém com mais calma, nossas línguas já tinham se acostumado com aquele ritmo perfeito e desinibido. Minha mão explorava suas costas e brincava com o elástico da sua boxer, fazendo-o soltar alguns gemidos de repreensão quando eu chegava até seu umbigo e subia por todo seu tórax até chegar em seus cabelos, os puxando com a pressão necessária para que ele desse atenção ao meu pescoço e busto.
Lentamente, afastou as alças da minha blusinha, fazendo com que deixasse meu ombro completamente à mostra e ia depositando beijos calmos ali, descendo lentamente enquanto suas mãos desciam minha blusa até deixar meus seios à mostra.
Ele lambia com tanta maestria meus mamilos que eu já estava delirando antes da hora, me fazendo soltar gemidinhos baixos, o que o fazia me provocar cada vez mais.
revezava entre um seio e outro enquanto uma de suas mãos livres fazia o percurso do meu abdômen até a borda do meu short, me fazendo alçar meu corpo, chocando-o contra seu tórax e pressionando minha intimidade contra seu membro. Não demorou muito para que seus dedos invadissem a pequena peça de moletom e brincasse com minha intimidade por cima da calcinha, que a naquele ponto não poderia estar mais molhada.
Assim que percebeu o quanto eu estava preparada para ele, ele ergueu seu rosto até o meu e me beijou tranquilamente, sem tirar as mãos de onde estava, fazendo movimentos circularem leves e sincronizados naquele botãozinho que estava inchado, pedindo por mais.
… — chamei por ele, interrompendo nosso beijo. Eu queria mais daquilo, eu precisava muito mais do que leves movimentos por cima da calcinha.
— Fala para mim, . Fala o que você quer — ele respondeu, da forma mais sexy possível. Ouvir meu apelido saindo da sua boca daquela forma me fez tirar forças de onde eu não tinha para virá-lo com minhas pernas e me posicionar bem em cima dele.
Claramente, ele não esperava por aquilo, não esperava que eu aproveitasse um momento de fraqueza vinda de sua parte para virar o jogo.
— Eu quero ver você implorar por mais.
Desci meus beijos por seu abdômen olhando fixamente em seus olhos, que brilhavam de tanta luxúria e tesão, até chegar ao seu membro. Depositei alguns beijos e lambidas ali por cima da boxer, fazendo com que ele provasse de seu próprio veneno.
se contorcia conforme minha língua quente molhava o tecido preto que não continha mais o volume que crescia dentro e comecei, calmamente, a puxar para baixo sua boxer, lambendo toda a área que se expunha para mim.
E, de uma só vez, sem dar nenhum aviso, coloquei todo seu membro dentro da minha boca, sem tirar meus olhos dos seus e pude ver quando ele jogou a cabeça para trás, quebrando nosso contato visual. Comecei com movimentos lentos de vai e vem enquanto uma de minhas mãos brincava com seu saco escrotal e ouvia o quanto estava aproveitando aquela situação, até que ele se acomodou novamente na cama, segurando meus cabelos de uma forma violenta, e me puxou para cima, me beijando mais uma vez.
A mão livre estava procurando sua carteira em algum lugar do criado mudo bem ao nosso lado e quando a achou, pude ouvir o barulho de um pacotinho sendo rasgado rapidamente.
Impedi sua ação quando ele ameaçou colocar a camisinha, o fazendo me olhar desconfiado do meu ato, eu apenas sorri e pequei o preservativo de sua mão.
Desci mais uma vez e me acomodei entre suas pernas, nunca desviando meu olhar do seu. Suas feições de satisfação a cada movimento meu me deixavam cada vez mais excitada, ansiando por tê-lo por completo dentro de mim.
Coloquei a camisinha na boca e lentamente à apoiei sobre sua glande, lancei meu último olhar a ele e deixei seu membro preencher minha boca, ajeitando a camisinha perfeitamente. Torci internamente a cada segundo para aquilo dar certo, já que era algo que eu só tinha visto em alguns filmes pornôs na minha solidão de estudante solteira, e foi um sucesso.
Subi novamente até seu pescoço, depositando alguns beijos e mordidinhas leves, não queria que ele ficasse marcado, o ouvindo gemer baixo em resposta. Fiquei de pé na sua frente, ainda em cima da cama e comecei a me livrar das peças que ainda impediam cem por cento nosso contato físico. Tentei fazer isso da forma mais sexy possível e poderia me atrever a dizer que foi mais um ponto ganho com o garoto, que prestava atenção em cada pedaço de pele que eu ia deixando à mostra naquele pequeno show de strip-teaser.
Ele fez menção de se levantar e na mesma hora eu abaixei sobre ele, fazendo um gesto de negação com minha cabeça seguido de um empurrãozinho em seu peito. Ele riu, balançando a cabeça e ajeitou melhor os travesseiros que estavam apoiando suas costas, ali eu o tinha completamente entregue a mim.
Peguei seu membro com uma das minhas mãos e o encaminhei gentilmente até a minha entrada, sentado calmamente e sentindo aquela explosão de sensações dentro de mim. Comecei um movimento de vai e vem calmo e coordenado, alternando em algumas reboladas atrevidas, fazendo seu membro chegar no ponto mais profundo dentro de mim, me atingindo como se fosse me rasgar por dentro.
segurou minha bunda com força, dando velocidade aos meus movimentos enquanto nossos gemidos se misturavam no ar, sem se importar com quem dormia ao lado ou com quem passava nos corredores, aquilo estava gostoso demais para poder se conter.
Cansado de ser dominado, inverteu nossas posições, fazendo com que eu ficasse de quatro na cama, era a vez dele de mostrar do que era capaz.
Antes de me penetrar, pude senti-lo brincando com seu membro na minha entrada, me provocando, me fazendo pedir por mais, gemendo seu nome enquanto implorava para tê-lo dentro de mim.
Então eu senti o impacto dele me penetrando sem mais delongas, estocando forte e intensamente enquanto me dava tapas e apertões na bunda que com certeza ficariam marcados por longos dias.
— É assim que você gosta, ? Quem diria que com essa carinha de santinha você gostava mesmo era de uma foda selvagem. — Antes que eu pudesse responder, puxou forte meus cabelos para trás, me fazendo gemer com a dor prazerosa que aquilo havia me causado, realmente eu gostava de um sexo mais masoquista do que o tradicional papai e mamãe. Dessa vez, foi ponto triplo para ele.
Eu estava perto de atingir meu orgasmo e ele entendeu perfeitamente, continuou estocando no mesmo ritmo até sentir minhas pernas moles e meu líquido lambuzar ainda mais seu pênis.
— Desculpa, sweetheart, mas eu não estou nem perto de acabar com esse momento — ele sussurrou, no meu ouvido, me fazendo querer ainda mais.
me levantou ainda dentro de mim, segurando forte nos meus seios e beijando meu pescoço, eu tinha dificuldades para ficar em pé e ele pareceu gostar daquilo. Quando ele saiu de dentro de mim, me virou gentilmente de frente pra ele e passou a mão em meus cabelos, que grudavam em minha testa. Suas bochechas estavam mais rosadas do que o normal e seus olhos semicerrados entregavam o seu cansaço, afinal, já passavam de cinco horas da manhã e no dia seguinte ele estaria muito atarefado por conta do show no final da noite.
Ele me deitou com calma e me beijou tranquilamente, não parecia o mesmo de dois minutos atrás arrancando meus cabelos e deixando marcas roxas no meu traseiro.
— Eu quero sentir mais de você, eu quero ver sua expressão enquanto você geme para mim. — A única reação que tive foi soltar um gemido abafado antes de sentir a sua língua brincar com meu umbigo e descer até meu clitóris, onde ela parecia dançar com maestria. Seus movimentos intercalavam entre lentos e velozes e eu sentia que realmente estava chegando ao meu segundo orgasmo.
Quando meu corpo começou a querer se contorcer, senti dois dedos me penetrando com voracidade enquanto sua língua continuava com movimentos circulares intensos no lugar perfeito.
Não demorou nem meio minuto para eu gozar novamente, gemendo alto, e continuava me chupando e sugando tudo aquilo que ele podia naquele momento, até que ele levou seus dedos até minha boca, aproximando a sua no exato momento em que eu os chupei, sentindo meu gosto e o seu beijo molhado logo em seguida.
Naquela mesma posição, me penetrou mais uma vez, ele em pé fora da cama e eu com metade do corpo apoiado nela.
Mais alguns minutos e eu pude senti-lo se derramar dentro de mim, junto a um gemido alto cheio de prazer.
Depois de algum tempo se recompondo, caminhou até o banheiro, se limpando e jogando a camisinha fora, eu já me vestia e fazia o mesmo caminho que ele quando o vi voltando para a cama. Me limpei rapidamente, arrumei o cabelo, escovei os dentes e entrei novamente no quarto.
Vi ainda nu, deitado na minha cama, me olhando com cara de bobo.
— Não sei porque você se vestiu, já que daqui a algumas horas você vai estar de novo nua para mim — disse, enquanto dava dois tapinhas do lado dele.
— Assim fica mais emocionante, você não acha? — Me acomodei ao seu lado, de costas para ele, e o senti se acomodar melhor, me abraçando e me puxando para ainda mais perto.
— Isso a gente vai descobrir ao acordar — ele riu e me deu um beijo demorado na bochecha, me desejando boa noite.
Eu não conseguia acreditar que eu não só tinha acabado de transar com , mas que ele ainda estava ali, nu, me abraçando e entrando num sono profundo bem ao meu lado.

Capítulo 6

O sol invadia o quarto, combinado com um barulho estridente que me fazia querer arrancar meus ouvidos. Me remexi na cama, um pouco desconfortável, e notei a presença dele ainda ali, na mesma posição que havíamos adormecido horas atrás.
Levantei com certa dificuldade, procurando a origem daquele som e o achei dentro da calça de , seu telefone tocava sem parar. Vi a hora e não passavam das dez da manhã, um pouco cedo até mesmo para quem não teve a noite agitada quanto a nossa.
Me aproximei devagar da cama com o telefone ainda na mão, era impossível como ele não acordava com aquele barulho.
? , acorda, seu telefone não para de tocar.
? Que horas são?
— São nove e quarenta, tem alguém tentando desesperadamente te achar.
Ele pegou o telefone, olhando quem era que estava interrompendo seu sono e bufou, desligando o telefone e me chamando para ocupar de novo o meu lugar ao seu lado.
, não é melhor você retornar? Pode ser importante.
— A única coisa importante agora é você descansar mais um pouquinho porque hoje eu quero café-da-manhã na cama — ele disse, mordiscando o lóbulo da minha orelha exposta, descendo com beijos pelo meu pescoço e alisando minha barriga sob minha blusa.
— Se você continuar me provocando desse jeito, o nosso tempo de descanso vai acabar nesse exato momento. — Já me contorcia e tentava mais contato com ele. Senti seu membro rígido tocar minhas nádegas, respondendo minha dúvida se voltaríamos a dormir ou se daríamos início ao nosso café-da-manhã.
— Pensando bem, acho que eu estou com fome agora. — Ele abriu minhas pernas, ainda naquela posição, colocando uma por cima de sua cintura e adentrando minha calcinha com uma de suas mãos, que já sabia perfeitamente o que fazer.
Gemi ao sentir o contato quente de seus dedos naquela região tão sensível e com muita dificuldade coloquei um braço para trás, alcançando seu membro que insistia em crescer cada vez mais. Abaixei minha calcinha com um pouco de dificuldade enquanto pegava a camisinha que havia deixado propositalmente sob meu travesseiro e imediatamente senti seu membro pedindo passagem e se encaixando na minha entrada, que à essa altura já estava tão lubrificada que parecia que eu já tinha chegado ao orgasmo umas cinco vezes.
Seus movimentos controlados e um pouco preguiçosos me faziam delirar, eu não queria emoção naquele momento, só queria a sensação maravilhosa que ele me proporcionou no dia anterior.
pareceu ler minha mente quando passou um braço sob minha perna e começou a brincar com meu clitóris.
— Eu sei como você gosta que eu te foda, sweetheart, mas tenho certeza que agora não é uma foda louca que você quer. Seu corpo já está me dizendo que você não pode agüentar nem mais um minuto.
Era nossa segunda transa e ele já havia aprendido aquilo sobre mim? Luca que me perdoe, mas alcançou com mérito seu primeiro lugar no meu ranking.
— Era exatamente isso que eu tinha em mente — respondi, ofegante enquanto sentia sua respiração ficando cada vez mais pesada entre meus cabelos.
Mais algumas estocadas e chegamos juntos ao clímax, fazendo com que praticamente desmaiasse de sono ainda dentro de mim enquanto se recompunha.
Coloquei o despertador para a hora do almoço e adormeci novamente em seus braços. Eu queria que a hora de ir embora nunca chegasse. me completava tanto na cama que eu gostaria de repetir mais mil vezes aqueles momentos, momentos esses que estavam com contagem regressiva para terminar.
— AAAAAAAH. — Dessa vez, tanto eu quanto pulamos da cama quando ouvimos um grito muito próximo da gente. Lindsay tinha acabado de entrar no quarto, se deparando com nu, dormindo comigo de conchinha.
— Lindsay, o que tem de errado com você? — perguntei, indignada, tentando me acalmar depois de ter perdido dez anos de vida depois daquele susto e nos cobrindo com dificuldade.
— Nada, eu só achei tão fofo vocês dormindo assim juntos que eu me agitei um pouquinho — ela respondeu, com a cara mais mal lavada do mundo.
A esse ponto, não entendia muita coisa, já que falamos em português, dando um pigarro e escondendo a cabeça atrás de mim enquanto me abraçava ainda mais forte.
— Lindsay, sai agora daqui. Você teve sua noite de rainha e agora é a minha vez de ter uma manhã de princesa! — exclamei, lançando um travesseiro em sua direção.
— Amiga, desculpa acabar com seu conto de fadas, mas já são duas da tarde e os meninos estão saindo daqui a meia hora, por isso eu vim acordar vocês. Eu já tinha passado mais cedo, sabia que vocês estavam aqui, mas não quis atrapalhar, porém agora é questão de vida ou morte porque, se não estiver pronto em meia hora, eles vão matá-lo!
Eu o chacoalhei, vendo-o reclamar, mas ele tinha que sair da cama o mais rápido possível se quisesse ter a chance de se apresentar com a banda naquela noite.
Aproveitei que Lindsay tinha se trancado no banheiro e me virei para ele, enchendo seu rosto de estalinhos até chegar em seus lábios e depositando um selinho demorado ali.
Senti já a movimentação estranha sob o edredom e quis rir, minha perna estava sobre sua cintura novamente, obviamente eu queria mais uma rodada como aquela mais cedo, mas infelizmente o tempo não estava ao nosso favor.
, você tem que ir agora. Você só tem meia hora para poder se aprontar e estar dentro da van. — Ele reclamou, pressionando seu membro contra mim, me fazendo morder os lábios com força, tentando resistir àquela tentação. — Se você for bonzinho e não se atrasar, eu prometo te recompensar o dobro mais tarde.
Torci para que aquela chantagem fosse boa o suficiente para fazê-lo levantar, sabia que eles ainda dormiriam no hotel depois do show e seria também nossa despedida, já que na tarde seguinte eles já estariam pegando o vôo para seguir em turnê pela América do Norte.
Em menos de dois dias, ele poderia estar na cama com outra fã, fazendo tudo aquilo que fizemos em menos de vinte e quatro horas. Era infantilidade da minha parte, claro, não poderia pensar que por causa de uma transa boa ele me pediria em casamento no dia seguinte.
— Eu vou cobrar. — se levantou, já se vestindo e recolhendo seus pertences pelo chão. — Te vejo mais tarde? — Ele me olhou com aquele sorriso que, nem se eu quisesse, eu poderia recusar tal oferta.
— Claro, vou estar lá na primeira fila. — Bati palminhas com empolgação e recebi um beijinho no ar em resposta.
Assim que a porta se fechou, eu me deitei novamente, sentindo o seu cheiro impregnado nas roupas de cama, pensando na sorte e no privilégio que eu tive de me deitar com . Ele não tinha cara de quem fazia certas atrocidades na cama, mas me surpreendeu de uma forma que seria ainda mais difícil conseguir desencanar dele.
Lindsay saiu do banheiro assim que ouviu a porta ser fechada, me olhando sapeca e esperando alguma coisa sair da minha boca.
— Per-fei-to! — falei, pausadamente, provocando risadas na minha amiga. Ela sabia que não conseguiria arrancar mais nada de mim sobre a noite — e manhã — maravilhosa que compartilhei com .
Se passaram alguns minutos quando ouvi alguém batendo à porta. Eu estava enrolada de novo no roupão e com uma toalha na cabeça, Lindsay havia acabado de passar uma de suas dezenas de máscaras no rosto, de uma coloração amarelada e estranha, e mesmo assim se prontificou a abrir a porta, dando de cara com .
— Não esperava essa recepção, Lindy — ele falou, divertido quando viu a reação da minha amiga, que tentou fechar a porta de imediato, mas foi impedida por um de seus braços.
— Pensei que vocês sairiam do hotel às duas e meia — ela respondeu, tímida.
— Sim, mas se atrasou. — Ele olhou para mim e eu corei. — Já estamos de saída, passei só para avisar que seus nomes estão na lista do M&G, apesar de vocês já conhecerem bem a gente. — Ele piscou para Lindsay. — A gente se vê lá.
Ele deu um selinho na minha amiga antes de se virar e andar apressadamente até o elevador.
Lindsay fechou a porta, suspirando e se escorando nela por longos minutos
— Ai, amiga. Dá uma dorzinha no coração de saber que ele vai embora amanhã e que eu serei só mais uma fã que passou pela cama dele nessa turnê — confessou, indignada. — Ele é tão fofo, nunca imaginei que transar com um cara bem mais novo que eu seria tão difícil de superar.
Eu entendia perfeitamente, também fazia parte daquilo. Suspirei um pouco chateada em saber que minha amiga compartilhava comigo os mesmos pensamentos.
— Já que vai ser nossa última noite juntos, temos que fazer valer a pena. Vamos fazê-los lembrar pelo resto dessa turnê que nós fomos as melhores na cama deles, vamos fazer a diferença, amiga, vamos fazer com que eles pensem na gente por muito tempo depois que isso acabar — disse, mais para mim do que para ela. Eu ainda tinha um pinguinho de esperança dentro de mim de que aquela noite não seria a última.
Nos arrumamos como se fosse apenas um show qualquer, o gran finale aconteceria só depois que chegássemos ao hotel. Eu havia escolhido um macaquinho mostarda que marcava bem minha cintura, deixava os seios bem definidos e caía mais larguinho na parte de baixo, e um vans preto. Optei em prender a franja para trás de qualquer maneira, deixando o look mais despojado.
Lindsay vestia um conjuntinho de calça e cropped preto bem confortável e no pé um adidas star branco.
Parecíamos realmente duas adolescentes indo encontrar seus ídolos: não muito arrumadas, mas arrumadas o suficiente para tentar chamar a atenção.
Luca havia me ligado poucos minutos atrás para saber se precisávamos de alguma coisa e acabou me perguntando sobre como tinha sido minha noite com . Ri de constrangimento, o fazendo entender rapidamente do que se tratava aquele meu silêncio e ele apenas respondeu que, se eu estava feliz, então tudo estava perfeito.

Normalmente, chegaríamos, pelo menos, dez horas antes da abertura dos portões para garantir nosso lugar na primeira fila, mas, sabendo que éramos convidadas de ambas as bandas, nos demos o luxo de chegar cinco minutos antes dos portões pro M&G se abrirem.
Deveria ter no mínimo umas cento e cinqüenta pessoas na nossa frente, éramos as últimas e esperávamos que isso causasse alguma reação nos meninos.
Me senti um pouco mal em ver toda a ansiedade daquelas meninas ensaiando o que dizer aos meninos justamente como eu costumava fazer, se não fosse pelo fato de que eu tinha transado horas atrás com um dos integrantes da banda.
Um misto de nervosismo e ansiedade tomava conta de mim, parecia que era a primeira vez que eu os veria, e depois de mais ou menos uma hora fomos direcionadas até onde estavam os meninos, que esperavam pela próxima fã para mais uma sequência de fotos.
Quando fomos para trás de uma espécie de tenta preta, que separava as fãs da banda, eu sentia as malditas borboletas dentro do meu estômago brincando com a minha sanidade.
O primeiro que apareceu em meu campo de visão foi , que estava distraído demais falando com um dos membros da equipe da banda. e conversavam entre eles e se despedia da fã precedente a nós.
Sorri de canto quando alguém chamou a atenção dos meninos para que eles pudessem receber as duas últimas fãs do dia, para poder dar prosseguimento ao cronograma.
E foi quando ele se virou que nossos olhares se cruzaram pela primeira vez desde aquela tarde no hotel. Pude notar suas bochechas corando assim como a do seu amigo ao notar nossa presença.
Lindsay deu o primeiro passo em direção a eles, cumprimentando primeiro e segurando o riso enquanto fingia que era uma emoção para ela estar ali conhecendo os meninos. Eu a segui um pouco mais contida porque na minha cabeça aquilo ali sim que significava conhecer um ídolo, era tipo uma apresentação oficial e formal como em qualquer outro M&G.
Logo depois, vi Lindsay passando rapidamente por e até chegar ao seu integrante favorito da banda, quase se deixando levar pela emoção quando ameaçou dar um selinho nele e foi prontamente interrompida por um dos seguranças ali presente, atento à cada movimento inadequado que poderíamos dar.
Não consegui conter o riso vendo a cara de indignação de , reprovando a atitude do segurança.
Eu não culpava aquele homem de dois metros de altura por não saber quem éramos nós — as groupies oficiais daquele show —, já que não me lembrava de tê-lo visto nas dependências do hotel.
— Pensei que tinha desistido de vir nos conhecer — sussurrou, divertido, no meu ouvido, quando nos cumprimentamos.
— Você acha realmente que eu perderia a oportunidade de conhecer uma das minhas bandas favoritas? — respondi, me afastando totalmente contra a minha vontade e dando um soquinho em um dos seus ombros.
Posamos para a foto como todas as outras meninas que já tinham passado por ali, mas, diferente delas, não seguimos para a área reservada ao ingresso do M&G.
Assim que passamos pelos meninos, Luca nos esperava com um sorriso largo no rosto e nos guiou até um corredor cheio de portas, que imediatamente identifiquei como os camarins, já que tinha os nomes das bandas em duas das portas de madeira branca.
— Bem vindas ao backstage, meninas — disse, abrindo uma das portas.
Poderia descrever o camarim como uma sala de espera, era tudo branco e devidamente organizado e limpo, algumas poltronas espalhadas pelo recinto davam um ar aconchegante e moderno ao lugar.
Richard, Greg e Roger tinham uma latinha de cerveja na mão cada um e conversavam sobre algum grupo de groupies que eles já haviam nomeado como “as groupies da Partime” para aquela noite. Não pude evitar de rir quando me dei conta que aquilo era exatamente igual como eu imaginei toda a minha vida.
Lindsay se acomodou em uma poltrona próxima aos meninos e não demorou muito para que se envolvesse naquele assunto, que poderia parecer um tanto quanto machista se não fosse por estarmos na mesma situação que as meninas de que falavam.
— Então, , fiquei sabendo que no camarim do lado muitas meninas foram recusadas por dois membros específicos da banda. — Luca deu início ao nosso diálogo, me fazendo me interessar por aquele assunto.
— Jura? Espero que não tenha sido e . — Sorri para ele, levando um tapinha afetado na testa.
— Não sei o que você e Lindy têm para ter feito esses meninos recusarem a quantidade de meninas que chegaram até eles.
— O que eu tenho você conhece muito bem, lindinho.
Antes que Luca pudesse responder, a porta foi aberta por um dos membros da equipe do .
— Vocês são… — Ele desdobrou um pedaço de papel antes de dar prosseguimento à sua pergunta. — Lindsay e ?
O rapaz loiro, que aparentava ter mais ou menos a nossa idade, nos olhou curioso, esperando uma resposta.
— Vou entender como um sim. Sigam-me, por favor.
Eu e Lindsay nos entreolhamos querendo segurar o riso enquanto a banda ali presente assoviava e dava gritinhos excitados durante nosso percurso até a porta.
— Parece que eu perdi minha fã número um para um garotinho bem mais novo do que eu. — Luca deu uma piscadinha depois de ter me alfinetado.
— Você sabe que você sempre vai estar em segundo lugar no meu coração — brinquei, fazendo o garoto me mostrar a língua antes de fechar a porta atrás de nós.

Seguimos o rapaz, que endossava uma camisa preta escrito “ Crew” em letras garrafais entre seus ombros, por pouco mais de cinco metros até que ele parou de frente para uma porta e nos olhou impaciente depois de abri-la.
— Esperem aqui. — E saiu em passos pesados até sumir completamente de vista.
Sentamos no grande sofá vermelho, que tomava conta de uma parede inteira, na frente de um espelho que eu desejei imensamente ter na minha casa algum dia, e esperamos… o que, nós não fazíamos idéia.
Passaram-se quase vinte minutos e nada, o show da banda de Luca começaria em alguns minutos e eu não queria perder por nada na minha vida.
Aquela espera estava começando a nos incomodar, até que Lindsay resolveu se levantar e observar cada detalhe daquele lugar.
Foi assim que ela pôde notar dois envelopes em cima da penteadeira de vidro sob o espelho.
Lindsay” e “”.
Minha amiga caminhou de volta até o sofá com os envelopes na mão, me entregando aquele que continha meu nome escrito em uma caligrafia perfeita.
Abri rapidamente o pedaço de papel, quase rasgando o conteúdo dentro dele, achando um bilhete e um crachá escrito “imprensa”.

“Às nossas fãs preferidas,
É com muito prazer que informamos que no show de hoje vocês terão uma vista privilegiada do palco. Vocês só precisam seguir pelo corredor principal até o final e mostrar as credenciais aos seguranças.
Divirtam-se e aproveitem cada segundo.

.”

Eu não podia acreditar no que meus olhos estavam lendo. Lindsay me olhava petrificada e eu já esperava o que viria a seguir: Um grito tão agudo que poderia ter rompido cada pedaço de vidro contido naquela sala.
— Sério isso? Será que eu morri e estou sonhando? Meu Deus, ! Me lembra de te agradecer pelo resto da minha vida por ter me apresentado , por ter me convencido a vir a esse show, por ter conhecido o Luca e por ter conseguido essa chance de ouro na minha vida — ela falou tudo tão rápido que eu só consegui entender porque eu, basicamente, pensava a mesma coisa.
Colocamos o crachá ao redor do nosso pescoço e saímos da sala nos sentindo as duas mulheres mais poderosas do mundo ao passar pela cortina preta que separava o corredor principal de um pequeno espaço entre o palco e a grade, onde por muitas vezes nós brigamos com várias meninas para poder ocupar.
Nos posicionamos ali junto aos fotógrafos, seguranças e a equipe médica, que ficava responsável pela saúde das meninas que morreriam imprensadas naquela grade fria e suja.
Ainda segurava o envelope na mão e fiz menção de guardá-lo dentro da minha pequena mochila de couro preto, que eu carregava em todos os shows possíveis por ser prática e pequena, quando um pequeno papel caiu de dentro dele.
Não era aquele bilhete que havia também Lindsay. A caligrafia era um pouco relaxada e difícil de ser lida na escuridão daquele lugar, peguei o celular para poder iluminá-lo e demorei a processar aquilo que estava escrito ali.

“Não esqueça que você prometeu que me recompensaria o dobro essa noite por ter sido bonzinho ao me levantar da cama às pressas.
Será que depois desse lugar privilegiado que você e sua amiga estão agora eu não mereceria uma recompensa tripla?”
Eu dei uma gargalhada tão alta que Lindsay me olhou espantada e pegou aquele pequeno pedaço de papel da minha mão, tentando ler o conteúdo dele.
Ela me olhou com curiosidade antes de entender o significado daquelas palavra e, o mais importante, quem era o remetente.
— Lindy, eu não sei como vou conseguir superar esse cara mais tarde.
— Aproveita agora, amiga, deixa para pensar no amanhã só amanhã.
Eu concordei com as sábias palavras da minha amiga e notei o lugar ficando ainda mais escuro, era hora do show.

A Partime entrou no palco já tocando uma de suas músicas autorais, fazendo boa parte do publico pular no ritmo da canção.
Eles eram uma banda já bastante reconhecida nacionalmente, rodavam por todo o Brasil abrindo shows de bandas nacionais e ganhando reconhecimento da mídia e do público. Apesar de conhecê-los há tão pouco tempo, eu tinha um carinho grande por eles, principalmente por Luca, já que ficamos bem próximos durante a última semana. Não só por termos dormido juntos, eu, na real, não via futuro na nossa relação, mas pelo apoio que ele me dava em seguir meus sonhos.
Ainda era difícil de acreditar onde eu estava agora e que isso tudo era graças a ele, que não tinha obrigação nenhuma comigo e muito menos com minha amiga.
O show dos meninos durou o equivalente a trinta minutos, mais ou menos, o que era normal para os shows de abertura de grandes bandas.
Novamente, o lugar ficou com a iluminação mais pesada e algumas músicas aleatórias substituíram o que antes era a voz de Luca, fazendo com que as pessoas presentes no lugar aproveitassem a pausa para descansar e se preparar para o espetáculo principal da noite.
Poucos minutos depois, os meninos, que antes estavam no palco, se juntaram a nós, trazendo alguns copos de cerveja na mão para assistir mais de perto o próximo e tão esperado show.
Luca me abraçava empolgado enquanto dizia que foi a melhor apresentação da vida dele, que ele nunca tinha se apresentado para a quantidade de pessoas que estavam ali naquele dia e que, logo depois da apresentação, seus números de seguidores nas redes sociais quase que se multiplicaram em poucos minutos.
Eu estava honestamente feliz por ele, ele merecia ganhar o mundo com o seu talento.

Aquele momento foi interrompido pelos gritos histéricos das fãs ali presentes. Os meninos entraram no palco um de cada vez, fazendo com que a espera fosse cada vez mais lenta e dolorosa de agüentar.
Os acordes da primeira música foram reconhecidos de imediato por mim, que me fizeram ser levada para outra dimensão pelos próximos setenta ou oitenta minutos.
Eu pulava, cantava, vibrava a cada canção e realmente não me importava com quem me olhava ou o que pensava sobre aquilo, eu só queria aproveitar e admirar aqueles quatro meninos na minha frente.
Por diversas vezes, os meninos da Partime, Lindsay e eu nos abraçávamos em uma corrente de seis pessoas enquanto cantávamos o mais alto que éramos capazes, fazendo os meninos no palco olharem para a gente com uma cara engraçada vez ou outra.
estava ainda mais gostoso naquele personagem que ele incorporava quando subia aos palcos e eu só me orgulhava cada vez mais de ter transado com aquele homem maravilhoso, que fazia milhares de menininhas gritarem e suspirarem por ele.
Foi quando Just My Type deu início que eu lembrei daquele bilhete tentador que eu tinha guardado na minha mochilinha. O peguei rapidamente e resolvi que eu deveria mostrar àquele Deus grego que eu também estava disposta a jogar.
Eu tentava dançar da forma mais sexy possível no ritmo daquela melodia, esperando que ele percebesse que eu tinha aceitado a sua proposta.

“Cause I need this more than just a one night stand, need that honey, won’t you hold my hand?
Times like these they call of a true romance but she’s not ready for that”
Aproveitei que ele desviou o olhar por alguns segundos para onde eu estava com meus amigos e segurei, disfarçadamente, seu bilhetinho entre meus dentes, dando uma piscadinha sexy.

“But I, I, I love it. I, I, I love it. Love the way she plays with my head.
She lets me down, then gets me high.
Oh I don’t know why she’s just my type”
tentou disfarçar uma risadinha quando percebeu minhas intenções durante aquela música.
Eu deslizava lentamente minhas mãos sobre meu corpo enquanto dançava, descaradamente àquele ponto, percebendo que nossos olhares se encontravam com muito mais freqüência do que minutos atrás.
Me excitava a cada palavra que saía da sua boca, imaginando a noite que nos esperava assim que chegássemos ao hotel.

, se você continuar dançando desse jeito, eu não vou conseguir mais me controlar — Luca sussurrou, em um dos meus ouvidos, envolvendo um de seus braços sobre meus ombros e arrancando de mim uma risada nasalada, seguida por uma cotovelada fraca em suas costelas expostas.
— Ele quer jogar um jogo comigo em que eu sempre saio vitoriosa — respondi, me desvencilhando de seu meio abraço e dando um beijo estalado em sua bochecha. — Ah, antes que eu me esqueça, obrigada por ter feito desse momento um dos momentos mais incríveis da minha vida — agradeci, mudando subitamente de assunto.
— Imagina, gata, eu sei o quanto você queria isso e, se não fosse por mim, você daria o seu jeito. — E ele tinha razão.

A música chegava ao final quando desviei minha atenção de Luca para continuar minha encenação. Vi nos olhando confuso, lançando um sorriso tímido em nossa direção sem tirar seus olhos dos meus.

<em“Oh she’s just my type, yeah she’s got just what I like
And she’s just my type, oh, yeah she’s just my type.”
Ele tinha ganho aquela partida nos quarenta e cinco do segundo tempo, quando terminou de cantar as últimas estrofes da música, piscando disfarçadamente para mim e desaparecendo do palco graças às luzes que foram apagadas naquele exato momento.
Poucos segundos depois, ele reapareceu agradecendo o público ali presente e dando início a mais uma, e última, canção da noite.
Nossos olhares não se cruzaram mais durante aqueles últimos minutos, me deixando intrigada, com a sensação de que havia um oponente mais forte do que eu do outro lado do tabuleiro de xadrez.

— Ponto para . — Ouvi Luca dizer, claramente se divertindo às minhas custas… e ele estava coberto de razão.

Capítulo 7

As luzes se acenderam e uma salva de palmas preencheu o lugar, dando fim àquele espetáculo, que pareceu durar apenas cinco minutos.
Lindsay pulava e batia palmas numa sincronia perfeita e me envolveu em um abraço de urso.
— Foi incrível! — disse, se soltando de mim e indo na direção de Luca, o agradecendo por ter nos levado até lá, caso contrário, estaríamos sendo massacradas pela multidão que deixava o lugar de uma só vez. Saímos do local seguindo os meninos de volta ao corredor dos camarins.
Dessa vez, entramos na porta onde era preenchido por grossas letras pretas, onde, poucos metros mais à frente, um aglomerado de meninas tentava passar pelas cortinas pretas que separavam o corredor do espaço onde o público ficava, sendo impedidas pela segurança reforçada dos meninos, me fazendo sentir pena, já que eu sabia exatamente o que aquilo significava.
O camarim ainda estava vazio quando chegamos, era muito maior do que aquele da banda de Luca e definitivamente maior do que aquela “sala de espera” em que nos jogaram antes do show começar.
Engatamos uma conversa animada sobre os shows e o que faríamos quando saíssemos de lá.
Apesar de ter uma vaga idéia, gostaria de participar da after party organizada pelos meninos em uma famosa balada nas redondezas da arena que estávamos, onde a produção havia reservado um camarote exclusivo para nós.
Pouco tempo depois, o mesmo rapaz loiro que nos direcionou pelos corredores mais cedo adentrou o recinto, seguido por seis meninas não tão histéricas como aquelas que havia visto de relance no início do corredor. E elas eram a personificação da groupie perfeita: corpos esculturais escondidos por de trás de roupas coladas, cabelos perfeitamente alinhados e maquiagem carregada e intacta, me fazendo me questionar se elas estavam em algum lugar naquele mar de gente.
Elas se uniram a nós e se apresentaram. Embora não tivesse dado tanta importância em decorar seus nomes, ouvi bem quando uma delas falava sobre .
Eles já tinham tido algumas noites juntos durante outras turnês e ela estava lá convicta de ter um remember com o cara que há poucos minutos estava flertando comigo enquanto estava no palco.
, desencana. Você sabe que ela não tem nenhuma chance contra você. deixou claro que vocês vão passar a noite juntos — Lindsay disse, logo depois de ouvir os comentários que ela fazia com as outras meninas, recusando o convite de Greg para que ela se sentasse com ele.
Greg era alto como Luca, porém mais musculoso. Tinha os cabelos lisos presos em um coque mal feito e uma barba por fazer que o deixava extremamente sexy.
Luca, Roger e Richard já falavam com as outras meninas “disponíveis” e, sem mais delongas, alguns arriscavam alguns beijos rápidos entre um assunto ou outro. As demais fizeram uma rodinha afastada de nós e conversavam entre elas, não dando a mínima para o resto do grupo.
Alguns minutos se passaram naquela ânsia de saber se realmente passaria sua última noite no Brasil comigo. Aqueles pensamentos estavam me devorando por dentro, tanto que eu não percebi quando a banda chegou ao camarim. A única coisa que eu percebi naquele momento foi se aproximando da ruiva que um dia ocupou o espaço que eu tinha ocupado na noite anterior, a cumprimentando com um forte abraço e um beijo próximo demais de sua boca. Já era. Foi tudo o que eu conseguia pensar naquele momento.
Não era ciúmes aquilo que eu estava sentindo, afinal, nós transamos só duas vezes e realmente não tínhamos uma “história” como ele tinha com ela. O sentimento principal dentro de mim era decepção, mas decepção comigo mesma por ter criado uma ilusão infantil na minha cabeça depois das poucas horas que estive na companhia dele.
se acomodava em uma poltrona pequena no canto do camarim com Lindsay sentada de lado sobre suas pernas, eles riam e conversavam como se tivessem sido feitos um para o outro. Eu sorri na direção da minha amiga, que percebeu meu olhar e sussurrou um “eu sinto muito” inaudível para qualquer outra pessoa que não entendesse o que estava se passando ali.
e conversavam numa rodinha com duas das meninas presentes na sala e Greg se servia do buffet de frutas que estava ali à nossa disposição.
Engoli o orgulho e me aproximei dele, pegando uma maçã e me apoiando na bancada cheia de cores e sabores.
— Parece que sobramos nessa bagunça que foi formada aqui — disse, antes de dar uma mordida na fruta, recebendo uma taça de espumante do menino.
— Então direi que podemos brindar à solidão. — Greg ergueu sua taça, me fazendo rir.
— Tim-tim.
Eu sabia que a minha noite “com Greg” não passaria da amizade, mas se dissesse que ele era uma má companhia, eu estaria mentindo.
Ele me fazia rir como poucas pessoas conseguiam e aquilo tornou tudo muito mais leve.
continuava conversando com a menina e tinha uma expressão séria no rosto. Nossos olhares não se cruzavam desde a penúltima música que ele cantara no palco, ele nem se quer me cumprimentou quando entrou no camarim.
Entre umas risadas ou outras que ouvíamos esporadicamente, um estalo alto nos fez girar simultaneamente a tempo de ver um sendo encharcado de algum líquido que eu, sinceramente, não sabia descrever o que era, dos pés à cabeça.
A garota se girou em direção à porta em passos pesados e a bateu com tanta força ao sair do local que ninguém teve sequer a coragem de perguntar o que tinha acontecido ali.
tirou a camisa, deixando aquelas entradinhas à mostra sob a boxer branca que aparecia acima do cós da calça e a jogou em um canto qualquer, se virando para mim pela primeira vez depois de longos minutos, porém ainda sem me olhar nos olhos.
— Greg, me desculpe, mas essa noite você vai ter que fazer do jeito antigo se quiser levar alguém para a cama — ele dirigiu a palavra ao menino que estava ao meu lado, fazendo todas as pessoas presentes, exceto as groupies, rirem em uníssono.
— É aí que você se engana, amigo, a única pessoa aqui que vai ter que correr atrás de alguém vai ser você — Greg respondeu, passando um dos braços sobre meus ombros e me puxando para mais perto.
Eu petrifiquei sem saber o que falar e toda a sala se girou na direção de , esperando alguma resposta do da banda.
Mas não foi preciso, subitamente ouvimos a gargalhada estridente de Greg enquanto se afastava de mim e oferecia uma bebida ao rapaz ali parado.
— Eu sei que ela é sua, garoto, eu nunca faria isso com você. — Ele tocou no copo que tinha acabado de segurar, fazendo um “tim-tim” e arrancando mais gargalhadas dos nossos colegas.
— Pensei que eu teria que usar minha força contra você, cara, e você sabe que doeria mais em mim do que em você — ele brincou com Greg, antes de se aproximar de mim e me dar um selinho rápido.
— Você achou mesmo que eu não viria até você para cobrar sua promessa? — Ele se posicionou entre minhas pernas, já que eu estava sentada em uma bancada vazia em uma das paredes, e depositou um beijo demorado na minha testa, descendo o rosto e encostando o seu nariz no meu. Nossas bocas estavam muito próximas quando ele sussurrou, baixo e quase inaudível. — Eu jamais deixaria você quebrá-la, sweetheart.
— Não teria sido um problema para mim ter que cumpri-la com Greg — menti descaradamente, arrancando um sorriso seu.
— Você não poderia estar mais enganada. — Ele quebrou o contato entre nossos olhares, se acomodando ainda mais entre minhas pernas. Pude sentir o volume dentro das suas calças implorando para ser aliviado enquanto nos beijamos pela primeira vez naquela noite.
Quebramos o beijo com alguns selinhos quando nos avisaram gentilmente que estávamos exagerando e que tinham outras pessoas naquela sala. me ajudou a descer da bancada, me guiando até perto dos nossos amigos ali presentes, se sentando no chão apoiado no sofá e, com as pernas um pouco separadas, me convidou para me acomodar entre elas.
Estar naquele meio abraço um pouco desajeitado me fez voar por alguns minutos, eu simplesmente não prestava atenção em nada do que acontecia ou do que falavam naquela sala.
Eu estava sentada, de pernas cruzadas e de costas para ele enquanto ele brincava com a pele desnuda do interior das minhas coxas, movimentando lentamente seus dedos até que estivessem próximo demais da minha zona mais sensível e refazendo o caminho de volta até meu joelho. Sentia que alguma coisa no meio das minhas pernas começava a dar sinal de vida todas as vezes que seus dedos se afastavam da minha virilha e, sinceramente, naquele momento, eu não estava mesmo dando atenção aos planos para a after party que os demais faziam, eu só pensava em chegar ao hotel e aliviar toda aquela tensão que ele causava em mim.
Era o último show da banda na América do Sul antes deles partirem para a América do Norte, eu não poderia ser egoísta ao ponto de trancá-lo comigo no quarto de hotel até a hora de seu vôo, sabia o quando aquela after era importante para ele e para todos os outros meninos.
, acho que deixei minha carteira na sala ao lado — disse, enfiando uma das mãos dentro da minha pequena mochila, procurando por algo. — Você poderia me ajudar a procurá-la? — perguntei, perto demais de um dos seus ouvidos, o fazendo arrepiar assim que sentiu meu hálito quente na lateral do seu pescoço. Aproveitei e depositei uma mordidinha discreta naquela região.
Sem nem responder, ele se levantou de prontidão, quase me fazendo cair para frente e logo se ofereceu em me ajudar a me levantar do chão.
Fizemos menção de sair, achando que ninguém daria falta de nós pelos próximos trinta ou quarenta minutos, mas fomos parados imediatamente por uma voz conhecida que vinha do fundo do camarim.
— Aonde vocês pensam que vão? A van já está a caminho, saímos em poucos minutos — , o pai de todos, revolveu se pronunciar, nos olhando de cara amarrada.
Ele era, sem dúvidas, o integrante mais responsável da banda e muito politicamente correto na maior parte do tempo.
Tinha sido o único ali dentro a não cair de boca na menina que tentava a qualquer custo arrancar algum beijo dele.
— A deixou cair a carteira dela em algum lugar pelos corredores ou camarins, vamos até o responsável do setor procurar saber se alguém achou — respondeu, convicto demais, me fazendo realmente acreditar no que estaríamos indo fazer, teoricamente.
— Sem meus documentos, talvez não me deixem entrar na boate. Preciso achá-la, tenho tudo ali dentro — disse, com a voz afetada de preocupação.
— Vocês precisam de ajuda? , quando você viu sua carteira pela última vez? — Luca se levantou, dando indícios de que viria conosco.
— NÃO! — e eu respondemos, um pouco alto demais, em uníssono, assustando o garoto que parou a alguns passos de nós.
— Quer dizer, eu acho que deixei na sala que eu e Lindsay esperamos, podem ir na frente, ao máximo pegamos um táxi até o local da festa.
Olhei para minha amiga, que olhava dentro de sua bolsa e me encarava confusa logo a seguir. Eu tinha deixado com ela minha carteira porque era grande demais para minha mochilinha, era assim tão difícil entender que eu só queria um tempo a sós com ?
— Isso! A gente se vê lá — disse, antes de me puxar pela mão e praticamente correr comigo ao seu encalço até a sala vazia que antes foi cenário de uma das esperas mais longas da minha vida.
Ele me empurrou para dentro já com as mãos embrenhadas nos meus cabelos e trancou a porta atrás de si, sorrindo pervertidamente.
— Eu já não estava mais suportando ter você tão perto e não poder fazer nem metade daquilo que eu estava pensando, sentada ali no meio de todo mundo — disse, com uma certa dificuldade, já que minha cabeça estava sendo puxada para trás, tamanha força com que puxava meus cabelos.
Ele sorriu satisfeito e uniu nossas bocas numa velocidade que me fez perder um pouco o equilíbrio. A mão que antes estava me provocando aquela dor prazerosa desceu subitamente até minhas costas, apertando delicadamente aquela região, o que não fazia o menor sentido, já que antes ele estava prestes a arrancar meus cabelos fora.
Continuamos com aquele beijo por alguns segundos enquanto nossas mãos já exploravam cada parte exposta do nosso corpo, aproveitei que ainda estava sem sua camisa e deixei alguns leves arranhões em seu peito, descendo e subindo pelas costas até chegar à sua nuca.
separou nossos lábios, descendo seus beijos até a curva do meu pescoço, ele apertava com destreza minha bunda, descendo um pouco até me segurar no colo, me fazendo cruzas as pernas em torno da sua cintura, me levando para a parede mais próxima a nós.
— Desde quando te vi no Meet and Greeting eu não consigo me controlar — ele confessou, me fazendo soltar uma risadinha nasalada. — E quando você dançou daquele jeito, minha vontade era de encerrar o show para fazer você pagar por aquilo que você estava me causando.
— Então deu certo? — Sorri da forma mais promíscua que eu podia, erguendo uma sobrancelha e mordendo meu lábio inferior a seguir.
Girl, you have no idea.
Ele olhou dentro dos meus olhos e com uma de suas mãos começou a desabotoar o meu macaquinho, fazendo mais pressão contra a parede para não me fazer cair.
Ele fez aquilo com tanta calma que eu perdi a paciência e desci de seu colo, abrindo subitamente os botões que faltavam.
deu um sorriso de canto enquanto desabotoava sua calça, a jogando para longe assim que ela caiu sobre seus pés.
Seu membro marcava sua boxer branca e eu me perdi com aquela visão. Ele aproveitou meu momento de fraqueza para segurá-lo com uma de suas mãos e com a mão livre levantou meu queixo, fazendo com que eu o olhasse.
— Você pode ficar só olhando, se quiser, mas eu tinha outros planos para esse momento — me provocou, apertando ainda mais forte seu pênis ereto sob a boxer.
Umedeci os lábios e me ajoelhei na frente dele da forma mais submissa possível, abaixando o tecido fino enquanto dava leves mordidinhas ao redor do seu umbigo.
Senti arfar quando minha língua tocou sua glande com calma, fazendo movimentos circulares ao redor dela e logo em seguida lambendo de baixo para cima seu membro, que pulsava pedindo por mais.
Me dediquei longos minutos àquela ação até ser puxada para cima pelo garoto ali presente, que abaixou meu macaquinho com um pouco de pressa e me virou contra a parede fria, me fazendo arrepiar por inteiro.
Ele desabotoou meu sutiã com os dentes enquanto acomodava um de seus braços sob uma das minhas pernas, aquele garoto tinha talento em exatamente tudo que fazia.
Tirei aquela peça com calma e a joguei sobre o sofá vermelho que me parecia muito mais confortável do que aquela parede.
— Daqui a pouco podemos explorar ali também — ele respondeu, como quem pudesse ler meus pensamentos. — Mas agora vira para a parede e seja boazinha.
Ele desceu sua mão livre até a minha calcinha, a puxando para o lado e me penetrando sem aviso.
Ele encaixou calmamente sua glande sobre minha entrada e lentamente foi invadindo meu espaço, me fazendo soltar um gemido cansado e subitamente tirando toda sua extensão de mim. Ele continuou me provocando daquele modo até desistir de lutar contra sua própria vontade e aumentou gradativamente os movimentos de vai e vem.
Eu gemia contidamente pelo medo de alguém nos ouvir e aquilo me excitava ainda mais. Vez ou outra, ele parava para depositar beijos sobre minha coluna, me fazendo jogar a cabeça para trás em aprovação.
Poucos segundos depois, ele me virou, me deixando totalmente exposta a ele. Com meus joelhos batendo forte contra a parede a cada investida, ele me fazia gemer cada vez mais alto por sentir que eu estava me aproximando do meu clímax.
Ele saiu de dentro de mim e se agachou um pouco, colocando minhas pernas sobre seu ombro e me levantando numa altura que, se não fosse pelo momento, eu teria gritado de pavor pelo medo de cair.
Eu sentia a parede fria atrás de mim contrastando com sua língua quente que me chupava incansavelmente até eu sentir os espasmos tão esperados tomarem conta do meu corpo, fazendo com que eu soltasse todo o meu peso sobre seus ombros.
Ele deu mais algumas lambidas na minha intimidade, ainda mais molhada, e me repousou no chão, me puxando até o sofá e se sentando logo em seguida.
Me sentei, de frente para ele, sobre seu pênis e comecei a me mover lentamente enquanto ele chupava meus seios e sugava delicadamente minhas auréolas, abafando seus gemidos roucos.
Intercalava meus movimentos entre subir e descer, rebolando, jogando meu corpo para frente e para trás.
pedia para que eu continuasse naquele ritmo, me ajudando a dar velocidade quando necessário, espalmando suas mãos grandes sobre minhas nádegas. Foi quando eu ouvi seu último, e mais alto, gemido, dando indício de que ele também tinha chegado ao fim daquele ciclo.
Me repousei sobre seu peito, sentindo as batidas do seu coração em um ritmo frenético enquanto eu procurava me recompor. Nossas respirações ofegantes diziam claramente o quanto estávamos satisfeitos naquele momento.
Eu poderia dormir ali pelo o resto da minha vida, sentindo as carícias delicadas de por toda a extensão das minhas costas, enquanto o cheiro dos seus cabelos e pescoço adentrava minhas narinas.
Olhei para o pequeno relógio que se encontrava em uma mesinha do lado do sofá e me dei conta de que estávamos ali tempo demais, que era hora de ir embora caso quiséssemos aproveitar a noite com nossos amigos.
Não foi preciso dizer nada, seu celular tocou no instante em que eu me afastei para informá-lo de que era melhor ligar para um táxi o mais rápido possível.
Ele se esticou com um pouco de dificuldade pelo fato de eu ainda estar sentada sobre ele e pegou o aparelho. Fiz menção de me levantar, mas fui impedida por , que balançava a cabeça em negação.
? — foi a única coisa que ele disse, antes de afastar o celular da orelha, segurando o riso. A ligação foi finalizada poucos segundos depois e pela expressão divertida de , talvez estivéssemos encrencados.
— Eu gostaria de repetir o que a gente acabou de fazer, mas, infelizmente, precisamos ir embora — ele disse, calmo enquanto passava seu nariz sobre meu pescoço.
Concordei, dando-lhe um selinho e me levantando para ir em busca das minhas roupas.
Cerca de cinco minutos depois, saímos daquela sala com as feições satisfeitas e sorrindo. jogou um dos seus braços sobre meus ombros e caminhamos lado a lado até chegamos aos fundos da arena, onde um táxi já esperava por nós.

Capítulo 8

Durante o percurso até a boate, retornei as ligações de Lindsay explicando que ela deveria me esperar do lado de fora para entregar meus documentos.
A boate não era tão distante da arena, chegamos rapidamente, encontrando o lugar bastante movimentado. A fila para entrar chegava quase no final da rua do estabelecimento.
Me questionei sobre minha vestimenta, já que não estava preparada para alongar do show até lá, mas me tranqüilizei ao ver meninas com trajes alternativos.
estava sentado ao meu lado, com um braço sobre meus ombros, passando a mão levemente sobre meus cabelos enquanto me contava distraidamente sobre os planos da banda quando a turnê chegasse ao fim.
— Depois de fazer nosso último show nos Estados Unidos, vamos tirar algum tempo de férias. São dois anos que eu não passo as festas de fim de ano com minha família e eu sinto falta disso — ele disse, um pouco chateado pelo fato de não estar tanto tempo quanto gostaria com seus pais. — Eu também tenho um labrador, o nome dele é Chuck e eu sinto tanta falta dele. Joe nunca me permitiu levá-lo conosco em uma turnê. Ele é um cara legal, sabe, mas às vezes é duro demais.
Joe era o manager do . O cara que há alguns anos os descobriu casualmente no YouTube.
— Mas é por uma boa causa. Como você pensa em andar por aí com um cachorro de mais de vinte quilos pra cima e pra baixo? Não é bom nem para a saúde física e mental dele, . — Tentei não ser tão técnica e não dar explicações demais sobre o assunto. Eu só queria confortá-lo de alguma forma, pois sabia que naquele momento ali ele estava basicamente desabafando sobre sua vida pessoal.
— Tinha me esquecido que você é uma veterinária e nunca apoiaria que eu levasse meu cachorro dentro de um ônibus por mais de dez horas por dia enquanto nos locomovemos — ele riu.
— Não é isso, é que realmente não faz bem para ele. As mudanças constantes de ambiente, climas diferentes, horas trancado sem poder se exercitar devidamente, os vôos complicados e exaustivos. Ele é um labrador, precisa de um lugar para brincar, correr e queimar energia. Um ônibus apertado é de longe o melhor ambiente para ele. — me olhou sério, estudando minha expressão. — Que foi? Falei alguma besteira? — me defendi, antes que ele pudesse me atacar.
— Não, pelo contrário. E, a propósito, você fica extremamente sexy quando fala desse jeito. Me deu vontade de repetir o que a gente acabou de fazer lá no camarim da arena — ele disse, mordendo meu lábio inferior.
Eu me controlei ao máximo para resistir à tentação de aprofundar um beijo naquele momento, mas não me senti confortável sabendo que há poucos centímetros de nós tinha um senhor de meia idade, que de vez em quando pedia para eu traduzir para que sua filha mais nova era muito fã da banda dele e perguntava repetidas vezes se ele poderia autografar um pedaço de papel para que ele levasse à menina.
— Quando a gente sair da festa, podemos repetir quantas vezes quisermos. — Dei um selinho nele e comecei a me endireitar, vendo o senhor estacionar o carro alguns metros mais à frente.
Antes de descer do carro, fez questão de autografar uma folha que o senhor havia entregado a ele, deu também uma paleta exclusiva da banda que ele tinha dentro da carteira e agradeceu tentando arranhar um “obrigado” em português, deixando uma bela gorjeta ao motorista, que o agradeceu por pelo menos umas quinze vezes.

Assim que saímos do carro, avistamos e Lindsay na entrada da boate, que tentava explicar ao segurança que eles não pretendiam ir embora, que ela só deveria entregar uns documentos a uma amiga que havia esquecido com ela.
Quando me viu, começou a apontar para mim, claramente mais alterada do que o normal, fazendo com que o segurança se virasse e desistisse, finalmente, de barrá-los.
— Amiga, nunca mais faça isso. Da próxima vez, arrume uma desculpa mais plausível — ela disse, me depositando um beijo na bochecha como sempre fazia quando me via.
— Eu não fiz de propósito, foi a primeira coisa que veio na minha cabeça.
— Não sei porque EU não tive essa idéia antes. Estar com o no meio da multidão está me fazendo quase sair do controle! — ela falou, alto demais, efeito do álcool.
— Foi uma das melhores idéias que eu tive nos últimos tempos — respondi, seguindo as risadas da minha amiga e seguindo em direção à entrada.
Os meninos estavam um pouco mais à nossa frente e passaram sem problemas pelo segurança, parando e nos esperando pacientemente.
Lindsay foi a primeira a entrar, seguindo em direção a e entrelaçando seus dedos nos dele antes de seguir para a escada que dava acesso aos camarotes.
viu a cena boquiaberto pela atitude do “casal”, me fazendo rir da sua expressão.
Quando me aproximei de , ele fez a mesma coisa que Lindsay tinha acabado de fazer com seu amigo e foi minha vez de encarar nossas mãos um pouco chocada.
— O que foi? Não é assim que vocês fazem aqui? — ele disse, soltando minha mão de prontidão.
— Não é isso, é que eu acho íntimo demais, rotulado demais, entende?
— Mais íntimo do que eu te pressionando e te chupando contra a parede?
! — Corei com a comparação absurda que ele tinha acabado de fazer, como se fosse natural falar sobre como você acabou de transar em um lugar com várias pessoas em torno. — Não, é só que sei lá, eu acho muito coisa de casal.
— Então por essa noite nós seremos o casal mais quente dessa festa.
Ele entrelaçou novamente nossos dedos e me puxou pelo caminho em que Lindsay e desapareceram segundos atrás.
— Parece que vocês foram à busca ao tesouro para achar essa carteira! — Luca disse, assim que nos viu passar pela fita que separava o camarote da escada principal, arrancando risadinhas naqueles que entenderam o que ele quis dizer.
— Pois é, Luca, e você não pode nem imaginar o que eu achei no lugar disso. — Continuei na brincadeira, enquanto me servia com um pouco de Champagne que estava ali à nossa disposição.
acompanhou minha ação e antes que eu pudesse dar a primeira golada no líquido, ele deu um grito no meio das poltronas, fazendo todos pararem para observar o garoto.
— Eu queria propor um brinde — ele disse, levantando a taça e sendo seguido pelos demais. — Um brinde a essa turnê, a essa noite, aos meus amigos aqui presentes. À Partime, que foi incrível e que com certeza eu vou fazer questão de dividir o palco mais vezes. Ao Brasil, a essas garotas lindas — ele disse, olhando para mim e para Lindsay, não dando a mínima atenção às outras garotas que acompanhavam os outros integrantes das bandas. — Ao , à Partime e a todos que vieram comemorar com a gente esse último show na America do Sul!
Todos gritavam e assoviavam enquanto as taças eram tocadas no ar. deu uma boa golada no champagne e se virou para mim, me beijando com tranquilidade e me fazendo sentir o seu gosto misturado com o líquido doce e frisante que ele tinha acabado de ingerir.
— Que comece a festa! — Todos gritaram, juntos, antes de Higher do Eliza and the Bear invadir os alto-falantes.
Lindsay me puxou pela mão e descemos a escada rumo à pista de dança que se encontrava bem no meio da discoteca.
Olhei sobre meus ombros e vi me encarar com um sorriso pervertido no rosto enquanto eu me movia segurando meus cabelos e deslizando as mãos pelo meu corpo.

“But if I’m honest I didn’t want it to ever really last this long
(To last this long)
But if you like it, won’t fight it at all and maybe we can get along
We can get along…
Let me take you high, let me take you high, let me take you higher”
Alguns olhares ao nosso redor tentavam acompanhar o nosso ritmo, alguns garotos até tentaram chegar mais perto e foram impedidos por nossos movimentos.
Quando me girei em direção ao camarote, ele não estava mais apoiado na grade. Tentei buscar por aqueles olhos profundos, mas não obtive sucesso. Frustrada, me virei novamente para dar continuidade com a minha amiga, que já estava nos braços de em menos de um minuto em que eu tinha me perdido nos meus pensamentos.
Antes de qualquer outro movimento, senti duas mãos se apoiarem sobre meus quadris e um pequeno puxão me fez ir de encontro àquele abdômen que eu já tinha aprendido a reconhecer sem mesmo ter que olhar.

“I know you think about me
Is it enough to keep you up?
‘Cause all you need is a touch
It’s ecstasy.”
cantarolou baixo nos meus ouvidos, enquanto eu me movia ainda no ritmo dançante da melodia.

“Why won’t you let me take you high? Let me take you high
Let me take you higher.”
Me virei para ele, cantando a parte mais sexy da música, me movendo conforme as batidas o mais próximo possível de seu corpo.

“I’ll give you fever, I’ll give you fire.
Let me take you higher
Why won’t you let me take you high?
Let me take you high
Let me take you.”
A música terminou, mas nós não saímos dos nossos devidos lugares. Nos olhávamos com intensidade e parecia que não tinha mais ninguém ao nosso redor, pelo menos pra mim.
Me aproximei mais de , prendendo seu lábio inferior entre meus dentes. Ele fechou os olhos e soltou o ar todo de uma vez, espalmando a sua mão livre sobre minhas costas e descendo até o meu cóccix.
Quando o soltei, foi a vez dele de vir em minha direção e me beijar de uma forma intensa, calorosa, cheio de desejo, não se importando nem um pouquinho com fato dele ser uma figura pública.

Nossas bocas se descolaram, mas nossos corpos não, dançávamos num ritmo perfeito.
era um bom dançarino e chegou a me confessar que fez aulas de dança quando era mais novo, respondendo muitas das minhas perguntas, como, por exemplo, sua mobilidade na cama.
Algumas vezes, fomos interrompidos por alguns fãs que chegavam pedindo uma foto com o garoto e ele, sempre muito solícito e gentil, atendeu todos eles, um por um.
— Vou subir, quero me divertir e não trabalhar — ele me disse, rindo. — Você vem comigo? — Me estendeu uma mão.
— Se não for um problema… — A segurei, sentindo seus dedos se entrelaçando nos meus, sentindo que eu poderia flutuar a qualquer momento.
— O único problema é a gente estar no meio de toda essa gente. — Ele piscou, se virando e me puxando com ele.

Já passava das quatro da manhã, meu corpo começava a pedir arrego enquanto Lindsay dançava sobre uma das mesinhas de madeira do ambiente. Toda a Partime já tinha ido embora com suas meninas e eu me perguntava quando seria a nossa hora também.
Vi quando colocou Lindsay sobre um de seus ombros, a girando no ar, fazendo minha amiga gargalhar alto enquanto dava soquinhos fracos nas costas do garoto.
Quando ele finalmente a colocou no chão, cochichou alguma coisa em seu ouvido e a vi sorrir sapeca, pegando sua bolsa e se despedindo de nós.
, e conversavam em um canto mais afastado e suas expressões não eram assim tão divertidas, me pareceu injusta aquela reunião sem o .
Quando viu que eu os observava, sorriu em minha direção e se despediu dos amigos, veio até mim e perguntou se tudo bem se fôssemos embora.
— Eu esperei por essa hora desde que adentramos esse lugar — respondi sua pergunta, já me levantando e acenando para os meninos.
Saímos do estabelecimento quando o movimento de carros na rua era quase nenhum, chamei um táxi e esperamos ali na calçada até sua chegada.
Eu e já não tínhamos tanto assunto, a maior parte do tempo a gente se beijava freneticamente e ria. Aquilo não me incomodava tanto, até porque eu tinha plena convicção de que depois daquela noite nós nunca mais nos cruzaríamos de novo naquela situação. Obviamente, eu iria a outros shows da banda, mas me perguntava se eu passaria também outras noites em sua cama.

Chegamos ao hotel um pouco depois de receber uma mensagem de Lindsay, dizendo que ela e estavam no nosso quarto, perguntando se teria problema se eu fosse com para a cobertura, ela deixou uma mochila com meus itens pessoais do lado de fora da nossa porta com tudo aquilo que eu precisava para passar a noite lá.
Demos uma rápida passada pelo oitavo andar para que eu pudesse recuperar o objeto e seguimos rumo ao décimo andar.
Devido à hora, às condições físicas que estávamos e o fato de não estar no meu quarto, me impossibilitaram de fazer tudo aquilo que eu planejei durante a tarde antes do show, mas nada me impediria de improvisar.
Entrei na suíte, observando cada detalhe, pensando no que eu poderia fazer para cumprir minha promessa.
, onde fica o banheiro?
— Eu adoro quando você me chama assim. Fica muito mais bonito na sua voz do que quando Joe tenta me acordar nos gritos. — Ele me deu um selinho e me mostrou o caminho.
Peguei minha mochila e adentrei o cômodo. Vi que tinha uma grande banheira branca com alguns sais de banho e velas ao seu redor, acho que era o universo conspirando ao meu favor.
Sabia muito bem o quão clichê era aquela cena, mas transar numa banheira era uma das coisas que eu ainda não tinha feito na vida.
Olhei para fora da porta, vendo se acomodar em uma das espreguiçadeiras com o telefone na mão, então eu teria um pouco de tempo para encher a grande bacia e decorar um pouco o lugar.
Peguei um dos isqueiros que achei em uma das mesas da sala e corri de volta, me trancando no banheiro, rezando para que os outros meninos não chegassem tão cedo, visto que provavelmente eu precisaria de uns vinte minutos até que a água chegasse num nível razoavelmente aceitável.
Abri a torneira e comecei a acender algumas velas espalhadas pelo cômodo, abri minha mochila para procurar por uma escova de dentes e encontrei realmente tudo que eu precisava, entre dezenas de camisinhas, uma lingerie que eu não faço idéia de como Lindsay achou e uma espécie de babydoll vermelho que eu tinha plena convicção de que não era meu.
Poucos minutos se passaram, quando eu ouvi alguém bater à porta.
, tudo bem aí dentro?
— Sim, tudo bem. Resolvi tomar um banho rápido para tirar o suor, já estou indo — menti, eu ainda estava vestida da mesma forma que cheguei.
— Tudo bem, vou tomar banho lá fora e te espero no quarto — ele disse, já se afastando. Eu corri e abri a porta, o olhando um pouco ofegante devido ao “susto” que tinha acabado de passar. Ele até poderia tomar um banho, desde que fosse junto comigo naquela banheira.
— Você não estava tomando banho? — Me olhou de cima a baixo e depois deu uma olhada para dentro do banheiro pela pequena abertura que eu tinha dado ao colocar o rosto para fora, colocando as mãos no rosto e rindo. — Você quase me enganou direitinho.
Ele empurrou a porta, vendo as velas acesas, uma luminosidade ambiente, já que eu tinha feito questão de checar o interruptor que reduzia e aumentava a luz, e uma banheira cheia quase pela metade.
— Tcharã? — Tentei fazer minha melhor cara de surpresa, mas não sei se convenci tanto assim.
Como sempre, ele vestia só uma boxer, me poupando o trabalho de despi-lo.
Me aproximei dele, já beijando sua nuca e ele foi me empurrando delicadamente até próximo à banheira, fechando a porta e dando início ao que prometia ser uma noite inesquecível.
Ele começou a abrir meu macaquinho um pouco mais rápido do que antes, depositando beijos no meu pescoço e mordendo o lóbulo da minha orelha.
Nos despimos juntos praticamente e adentramos a banheira, sentindo o choque da água morna nas nossas peles geladas por causa do ar condicionado da suíte. Ele se sentou primeiro, me puxando para o seu colo. Eu já podia sentir o seu membro rígido e me acomodei sem delongas, eu já estava molhada o suficiente para a lubrificação perfeita.
Gememos juntos quando sentimos o encaixe de nossas intimidades profundamente, a água me dava uma ardência incômoda, mas eu não ousei estragar o clima.
Comecei a me movimentar com calma para provocá-lo, eu sabia que ele reclamaria mais cedo ou mais tarde, e gemia baixo em seu ouvido, vez ou outra depositando alguns beijos naquela região.
Impaciente com aquele jogo, me tirou de cima dele e saiu da banheira, molhando todo o chão sob seus pés, me puxou com calma e me deitou na borda de mármore que parecia ter sido feita justamente para aquele tipo de situação.
O contato com o mármore me fez arrepiar, só não mais do que se posicionando entre minhas pernas para me invadir, agora do jeito dele. Ele fazia movimentos rápidos e eu praticamente gritei seu nome quando senti seus dedos ágeis tocarem meu clitóris, ele fazia tudo aquilo tão sincronizado que não parecia nem real.
Eu sentia que não tardaria para chegar ao meu limite e continuava cada vez mais rápido, me fazendo chegar ao orgasmo mais rápido da minha vida.
Mas ele não parou, ele diminuiu os movimentos, sorrindo para mim e me fazendo me sentir a mulher mais feliz do mundo. Eu queria recompensá-lo e no final foi ele quem me recompensou.
Me sentei lentamente sobre o mármore, que era ressaltado, me fazendo ficar cara a cara com ele enquanto ele continuava a se movimentar ritmicamente dentro de mim, o abracei e passei minhas unhas com uma força maior do que eu gostaria, fazendo urrar e aumentar os movimentos… então ele gostava de sentir dor durante o sexo?
Finquei as unhas ainda mais forte em sua pele, gemendo o máximo que o limite de horário me permitia. Eu gemia o seu nome, dizia o quanto aquilo estava bom, mordia seus lábios aplicando uma força maior do que o normal — e necessária —, e aquilo pareceu ser o combustível perfeito para ele.
— Eu não vou deixar você me enlouquecer, garota — ele dizia, parando seus movimentos quando sentiu que eu rebolava sobre ele.
— Isso é o que nós vamos ver.
O empurrei para longe de mim e corri até o terraço, onde as estrelas estavam se apagando aos poucos, dando passagem aos primeiros raios de sol.
Ele correu atrás de mim, me pegando pela cintura no meio do caminho, parando em uma espécie de cama no canto da cobertura.
Era uma cama de pallets, com um colchão grande e macio, os travesseiros coloridos contrastavam na madeira escura, dando um toque de modernidade ao lugar.
me jogou naquela cama sem nenhuma piedade e subiu de joelhos em cima dela, mas fui mais rápida e me virei assim que ele fez menção de subir em cima de mim, porém não rápida o suficiente para ficar por cima dele. Ele me bloqueou enquanto eu ainda estava de bruços e se acomodou no meio das minhas pernas, as abrindo com um pouco de força e me penetrando, me fazendo empinar um pouco minhas nádegas.
Ouvi sua respiração alta quando ele sentiu o quanto aquela posição me deixava apertada, ele apertava minha bunda com força enquanto se movimentava sobre mim, nós dois gemíamos coisas sem nexo e às vezes eu deixava algumas palavras em português escaparem da minha boca.
Ele colocou um braço sob minha barriga, me levantando, me fazendo ficar de quatro.
— Se a gente continuasse daquele jeito, eu não sei se eu agüentaria por mais tanto tempo — comentou, se inclinando sobre mim e passando um dos braços pela minha cintura, tocando novamente no ponto mais sensível do meu corpo enquanto continuava a estocar forte na minha intimidade.
Mais uma vez, eu não consegui controlar meu tesão. Meus gemidos saíam cada vez mais altos e eu tinha esquecido completamente como falava o inglês. Eu devo ter dito todos os palavrões desse mundo na minha língua nativa enquanto revezava entre me masturbar e dar tapas fortes e ardidos em minhas nádegas.
Ele tocou mais uma vez no meu clitóris e pediu para eu agüentar só mais um pouquinho.
— Continua com o que você estava fazendo antes, , fala mais, fala como se eu entendesse tudo aquilo que sai da sua boca.
Não era o pedido mais normal desse mundo, mas realmente aquilo ME excitava e aparentemente excitava também .
Mais algumas estocadas e eu comecei a sentir minhas pernas vacilarem. Ao perceber que eu estava chegando a mais um orgasmo, ele começou a investir ainda mais rápido e mais forte, me fazendo gozar junto com ele.
Senti seu peso cair sobre mim, me derrubando na cama. Ele tirou seu pênis com cuidado de dentro da minha intimidade e me puxou para ele. Eu sentia seu líquido se misturar com o meu e sair do meio das minhas pernas como se fosse uma fonte.
, você toma anticoncepcional?
— Não se preocupe, eu me cuido direitinho.
Ele se apoiou no cotovelo e me olhou, mas foi um olhar diferente, cheio de carinho.
— Sabe, nessa minha vida eu conheci muitas meninas, levei muitas delas para a cama, algumas até mais de uma vez. — Lembrei da groupie no camarim mais cedo e aquilo me deu uma pontada no coração. — Mas eu nunca me descuidei, nunca. Eu sempre estive atento para me prevenir, principalmente pelas doenças que rodam por aí, mas eu não tive esse pensamento hoje quando transamos depois do show. A camisinha estava dentro da minha carteira e eu simplesmente não quis pegá-la.
Eu não tinha idéia do que responder, então só o beijei.
O beijei sentindo já o gosto da despedida, sentindo aquele sentimento estranho que não existia há dois dias.
Ele quebrou o beijo, passou a mão pelos meus cabelos levemente e eu pude sentir meus olhos encherem de lágrimas, era tudo o que eu mais desejei no mundo não ter feito.
As lágrimas escapavam sem controle e me abraçou, ele me confortou e me deixou chorar.
Eu não chorava só porque pensava estar me apaixonando pelo meu ídolo. Naquele momento, tudo veio à tona.
Toda a minha vida resolveu me dar um tapa na cara enquanto eu estava no momento mais romântico que eu tinha tido com .
— Eu não te conheço bem, , mas você é uma garota especial. Conhecer você ontem foi diferente de todas as meninas que eu conheci até agora, foi natural. — Ele deu um respiro forte antes de continuar. — Você não me forçou a ir para a cama com você, você não chegou aqui ontem se atirando em mim como as outras garotas costumam fazer, você simplesmente chegou e eu tive vontade de te beijar.
— Desde que ouvi falar de vocês, eu pensava como seria transar contigo, mas nunca pensei que a gente transaria mais de uma vez e acabasse nesse momento sentimental — Ri, tentando descontrair o assunto, tentando pensar em outra coisa para poder cessar as lágrimas que insistiam em continuar se acumulando nos meus olhos.
Ele riu, jogando a cabeça pra trás. Ele estava sendo totalmente transparente comigo e aquilo realmente estava sendo difícil de ouvir, dando as circunstâncias de nossas vidas completamente paralelas.
— Por que você tem que estragar o primeiro momento de sinceridade pós sexo da minha vida? — ele riu, fingindo ter sido afetado pelas minhas palavras.
— Desculpa, é difícil de acreditar no que você está falando, só isso. Mas eu não quero que pense que é um tipo de cobrança ou desconfiança, não sei como te explicar, eu só quero que você se lembre de mim assim, feliz por ter te conhecido.
— Onde eu quero chegar, , é que eu não quero ir embora amanhã e deixar você pensando que você foi só mais uma fã que eu conheci ocasionalmente ou que escolheram para levar no camarim, entende?
— Não se preocupe, . Eu entendo o que você quer dizer e agradeço a preocupação, mas eu vou ficar bem. Talvez a gente possa se encontrar de novo por aqui na próxima turnê? — suspirei fundo, caindo na real de que o dia estava amanhecendo e meu momento feliz acabando.
— Eu estou tão cansado, mas não quero dormir. Quero ficar acordado, conversando contigo e isso nunca me aconteceu antes. Eu quero te conhecer melhor, me orgulhar de falar que fui para cama com a garota mais inteligente, engraçada e linda do Brasil — ele disse, tocando meu rosto e me dando um longo selinho, me fazendo rir das suas palavras.
— Então vamos pedir alguma coisa pra comer? Eu também quero te conhecer além do que eu li por aí. — Recebi um sorriso como resposta e nos levantamos, indo em direção ao telefone, chamando o serviço de housekeeping do hotel e pedindo nosso café da manhã antecipado, a manhã seria longa.


Capítulo 9

Nossa refeição chegou aproximadamente quarenta minutos depois da ligação, quando o sol já invadia a suíte e nossos corpos davam indícios claros de cansaço.
Durante a espera, tomamos um belo banho quente juntos, o que nos levou a um segundo round de um sexo intenso, sendo interrompidos apenas quando a campainha tocou indicando que o serviço de quarto havia chegado com a comida.
recebeu o funcionário, deixou o trolley em algum lugar da sala e correu de volta ao banheiro para finalizar aquilo que havíamos parado no meio.
Saí do banheiro primeiro que ele, arrumei uma das mesas do terraço que ficava coberta por uma armação de madeira e esperei pelo garoto, que saiu da suíte enrolado em uma toalha branca.
— Então, por onde podemos começar? — perguntei enquanto me servia com um pouco de café.
— Você pode me perguntar aquilo que você quiser, estou disposto a te responder.
— Os meninos, onde estão? — quis saber, visto que eram sete e meia da manhã e ainda estávamos sozinhos na suíte.
— Com tudo que você poderia me perguntar, você pergunta sobre o resto da banda? — Ele riu.
— Só curiosidade.
— Quando você me viu conversando com e mais cedo na boate, eu estava pedindo que eles dormissem em outro lugar. Eu sabia que estaria com Lindsay, então eu os convenci a deixar a suíte toda para nós — respondeu enquanto levava a xícara de café até a boca.
— Sério? Por isso eu não esperava. E onde eles estão agora?
, eu quero saber mais de você e quero que você saiba mais sobre mim, mas assim você não está ajudando tanto.
— Ok, ok, você venceu.
— Me conta — ele continuou. — Você costuma escrever músicas sempre tão tristes ou também tem alguma coisa mais feliz nesse seu repertório?
Quis rir com sua pergunta, mas decidi levar aquilo a sério de uma vez por todas.
— Bom, depende. Geralmente eu escrevo aquilo que eu sinto no momento, mas isso nem sempre faz sentido às vezes. Paper Heart eu escrevi quando, um ano atrás, eu tinha dúvidas sobre terminar ou não a faculdade de veterinária e eu acabei misturando isso com minha vida sentimental, que não era uma das melhores.
— Coração quebrado?
— Dilacerado. — Rimos juntos e fiquei feliz por ter optado a não se aprofundar sobre aquele assunto. — Não é que suas músicas sejam assim tão diferentes, você passa da perversão ao maior sofrimento do mundo.
— Eu não escrevo sozinho as músicas, . Os meninos sempre fazem parte de cada composição e, claro, muitas vezes exageramos na letra.
— Entendo.
— Você é boa, garota. Numa próxima oportunidade, eu quero conhecer mais esse seu lado — ele comentou, me dando a esperança de que nos veríamos de novo algum dia e sinceramente esperava que aquilo fosse verdade.
— Claro, eu adoraria mostrar para um dos meus ídolos as canções que eu fiz durante alguma noite solitária no meu dormitório. — Ele riu, me dando um tapinha no ombro.
— Você e Luca, o que vocês são afinal? — Foi direto e quase cuspi o líquido preto que tinha acabado de colocar na boca antes de começar a tossir descontroladamente. — Não sabia que era assim delicada a situação de vocês. Não precisa me falar se não quiser. — pareceu seguro de si.
— Não é isso, eu só não esperava essa pergunta.
— Então não tem problema em me responder?
— Como você deve saber, nós nos conhecemos há poucos dias, em um dos seus shows no Rio, e ele cantou uma das músicas do . Eu estava super empolgada para o show de vocês, então eu simplesmente me deixei levar. Ele percebeu e veio falar comigo depois do show, então uma coisa levou à outra.
— E vocês chegaram a dormir juntos?
— Eu não perguntei sobre sua vida amorosa, . — Ri, o fazendo corar. — Mas sim, nós já dormimos juntos.
— É que eu vi como ele te olha, como te trata. Ele é bem protetor com você, inclusive achei que vocês fossem um casal, mesmo sem agir como tal. É clara a química e intimidade de vocês.
— Eu e Luca já tínhamos conversado sobre nós. Seria um relacionamento fracassado sabendo que nossos planos são um pouco diferentes pelos próximo anos — rebati sincera. — Luca é um bom amigo, um bom ouvinte, um bom conselheiro e decidimos não arruinar a amizade que estamos construindo, que nossa amizade tem chances de florescer, um relacionamento entre nós está fora de cogitação.
— E quais são seus planos para os próximos anos, ? — Ele decidiu não continuar naquele assunto. Eu agradeci mentalmente, pois me sentia realmente mal ao falar sobre as pessoas que já transei com um cara que eu tinha acabado de transar.
— Bom, eu e Lindsay estamos indo para Londres daqui uns meses, no nosso aniversário, para que ela reveja o pai e sua nova família. — Suspirei. — Espero conseguir me encontrar nesses meses longe daqui.
— Isso parece bom, um tempo longe de tudo para pensar melhor. Eu gostaria de fazer isso.
— E você pode fazer. Você disse que a banda vai tirar umas férias depois do final dessa turnê, certo?
— O fato de ser famoso me abre muitas oportunidades para tudo, porém não me dá a chance de pegar minha mochila e sair por aí. Sempre vai ter alguém para me lembrar de quem eu sou. — Senti pena de , ele era um garoto normal querendo ser normal, mas sua vida era agitada demais para isso. — Sabe o que seria legal? — ele continuou.
— Não, o que seria legal?
— Se a gente se encontrasse durante nossas férias — ele disse despreocupado.
— Sério? — respondi um pouco desacreditada.
— Por que não? Eu moro há três horas de Londres, mas valeria a pena — ele disse, passando uma de suas mãos pelas minhas coxas sob a mesa. Eu realmente não podia acreditar no que meus ouvidos estavam ouvindo. — Isso se você também quiser, é claro. — se afastou de mim, endireitando-se na cadeira e continuando com seu café da manhã na maior tranquilidade do universo.
— Óbvio que eu gostaria de te ver de novo, só não sei se você pode mudar de idéia assim que pegar o vôo para os Estados Unidos em algumas horas — respondi divertida, mas apreensiva, porque é claro que ele conheceria pessoas diferentes pelos próximos três meses. Talvez a gente pudesse manter o contato, mas com certeza as coisas mudariam.
— Isso a gente só vai saber se acontecer — respondeu com um ar de mistério, dando uma mordida em uma torrada. — Mas, se depender de mim, nada vai mudar. Já você que vai ficar aqui com o Luca… — ele disse rindo.
— Sério? Você vai fazer mais uns cinco shows, conhecer várias fãs e groupies e você está preocupado com o Luca? — Àquela altura ríamos sabendo que aquilo tudo passava de um grande brincadeira e ironia.
— Tantas groupies em todos esses anos e eu nunca tomei café da manhã com nenhuma delas.
— Então isso quer dizer alguma coisa, hein?
— Sim, quer dizer que você me deixa intrigado e eu estou disposto a saber o motivo disso.
— Talvez porque eu seja tão boa na cama quanto você e isso nos dá uma vantagem grande.
— Isso também.
O resto do café da manhã foi assim, um quiz contínuo com perguntas vez ou outra muito íntimas ou bem idiotas, era engraçado o quanto éramos parecidos. era muito mais maduro do que eu pensei, conversar com ele era fácil e eu não tinha idéia disso enquanto estávamos fora da boate sem assunto nenhum. Ali o assunto fluía, a conversa rendia e eu me sentia confortável com isso.
— Aquela menina, no camarim, qual é a de vocês? — soltei sem pensar duas vezes, estávamos sendo sinceros um com o outro, então eu quis aproveitar a oportunidade.
— A Raquel?
— Não sei, a ruiva que foi embora sem mais nem menos.
Ele riu balançando a cabeça, lembrando da cena.
— Ela foi a primeira fã brasileira que eu conheci, seu pai é dono da casa de show em que fizemos nosso primeiro show aqui. Ela estava no camarim com ele assim que chegamos e, bom, ela era gostosa. — Dei um soquinho nele, o fazendo rir. — Depois do show, fomos recebidos pelo seu pai na casa deles, tinha muitos empresários famosos de diversas casas de show do Brasil e aquilo era uma oportunidade de ouro para a gente, caso continuássemos com a idéia de incluir o país nas nossas turnês. — parou de falar e continuei a encará-lo com um ponto de interrogação sobre minha cabeça, esperando pela resposta equivalente à minha pergunta.
— Então nós nos conhecemos, ela parecia ser legal e saímos juntos algumas vezes. Ela acompanhou a banda em vários shows pelo continente e sempre se fez presente, digamos, na minha cama. Nós mantemos o contato por todos esses anos, mas ela esperava uma relação séria e eu sempre deixei claro que não era aquilo que eu queria. Ela enlouquecia e me mandava muitas mensagens todos os dias, me deixando um pouco cansado daquilo.
— Então eu não fui a primeira que você fez questão de dormir mais de uma vez — disse um pouco afetada, já que e Raquel pareciam ter começado a construir alguma coisa, se não fossem os ataques de ciúmes.
— Eu não disse que você foi a primeira que eu fiz questão disso, eu disse que você foi a única que me despertou interesse além do sexo. A Raquel sabia o que fazer porque ela teve tempo de me conhecer e aprender bem os meus gostos, mas isso só depois de algum tempo. Você conseguiu despertar o melhor de mim já na nossa primeira vez.
— Me sinto lisonjeada com essa comparação.
— Você que quis saber, eu só estou te respondendo — ele disse, dando de ombros.
— Tudo bem.

me contou coisas sobre sua família, como, por exemplo, um dos últimos natais que passaram juntos e uma de suas tias caiu da escada enquanto descia para a ceia, tiveram que chamar a ambulância e eles passaram o resto do natal na sala de espera do hospital esperando a cirurgia de emergência que tiveram que fazer nela, porque ela não só caiu, mas também quebrou o fêmur.
Eu ria de cada situação engraçada ou constrangedora que ele me contava.
Me senti mal quando ele confessou ter problemas com o álcool nos últimos tempos e como aquilo afetava seu relacionamento com sua família e com a própria banda. Reclamou de sua fraqueza e de uma depressão que o assolava recentemente, fazendo-o se questionar algumas vezes sobre continuar ou não com o .
Compartilhávamos o mesmo gosto musical e filmes clichês.
Acreditávamos que amor à primeira vista existia, mas que eram casos extremamente raros.
Concordamos que cinema sem pipoca não é cinema e que pizza era muito melhor do que lasanha.
Que todos os vinhos tinham o mesmo gosto e que comida com alcoólico não combinava, que nada como um grande copo de refrigerante para acompanhar.
Que Friends era melhor que How I Meet Your Mother e que Ross não traiu a Rachel, apesar de ter sido um babaca e machista a maior parte da série.
Que filmes de guerra nos faziam chorar no final.
Que cachorros eram mais divertidos que os gatos.
Que era tarde ou cedo demais e que não poderíamos mais prolongar aquele momento.

— Vamos deitar, ? Eu estou realmente cansado.
— Eu também, meus olhos estão começando a arder — respondi sorrindo de lado, a ardência também era devido às lágrimas que eu tentava controlar.

permanecia deitado, fazendo carinho nos meus cabelos. Eu me acomodava sobre o seu peito e uma de nossas mãos se mantinham juntas sobre sua barriga, onde eu movimentava meu polegar calmamente sobre.
, posso te contar um segredo?
— Claro, , acho que a esse ponto já não temos nada a esconder um do outro. — Rimos juntos, antes que eu completasse minha sentença.
— Eu amo suas mãos. — levantou um pouco a cabeça para me olhar, enquanto eu continuava fixando aquela parte do seu corpo.
— Quê?
— Eu amo suas mãos.
— Como assim, , eu não estou entendendo. — Ele ria, olhando para a mão que antes tocava meus cabelos
— Sua mão é grande, seus dedos são longos e ela combina perfeitamente com seu antebraço. — Podia parecer estranho, mas eu sempre tive um fetiche louco por mãos e antebraços.
Eu ouvia rir tentando processar aquilo, tentando entender o que ele tinha de diferente nas mãos.
— Você é estranha e eu adoro isso.
Me virei, pegando meu celular no criado mudo e eram quase dez horas da manhã.
— Posso tirar uma foto?
— Das minhas mãos? — ele perguntou, levantando-as e sorrindo.
— Não, desse momento. Eu quero poder lembrar disso por muito tempo.
não respondeu, pegou meu celular e tirou uma foto nossa em que sorríamos para a câmera.
Uma séria, uma fazendo biquinho, uma mostrando sua mão livre enquanto eu ria descontroladamente ao seu lado, uma beijando o topo da minha cabeça e uma me dando um selinho.
Eu sabia que, se eu acordasse um dia achando que aquilo tudo tivesse sido um sonho, eu poderia simplesmente abrir a minha galeria de fotos e ter a certeza de que foi tudo real.
, você se importa se eu dormir agora? Eu realmente não consigo mais ficar acordada — perguntei sonolenta, lutando contra meus olhos que insistiam em se fechar.
— Se você dormir sem atender minhas necessidades biológicas, , vou ser obrigado a esquecer disso tudo e ligar para a Raquel. — Levantei meu rosto com certa dificuldade e minha expressão curiosa o fez soltar uma risada alta. — Eu estou brincando, eu também não consigo mais ficar acordado, a gente resolve isso quando acordar.
Me deu um último selinho e me acomodou mais entre seus braços.
Sentia seu toque delicado em meus cabelos e ombros nus, enquanto sussurrava “Daylight” do Maroon 5 baixinho, quase me fazendo me debulhar em lágrimas.

“This is our last night, but It’s late and I’m trying not to sleep.
‘Cause I know, when i wake.
I will have to slip away.”

Cenas dos últimos dois dias me atingiram como um flashback de um passado já distante.
Não sabia se estava sonhando acordada ou se tinha adormecido, as recentes memórias já haviam começado a me pregar peças.
Me lembro apenas de me virar de frente para e vê-lo sorrir ainda sussurrando aquela canção, analisando cada linha de expressão do meu rosto. O beijei mais uma vez e fechei os olhos, sendo embalada naquele sono pesado, ouvindo de longe e baixinho a voz do cara que havia acabado de balançar de vez o meu mundo.

“Here I am staring at your perfection
In my arms, so beautiful.
The sky is getting bright, the stars are burning out
Somebody slow it down.

This is way too hard
‘Cause I know, when the sun comes up
I will leave, this is my last glance
That will soon be memory.”




Capítulo 10

O despertador tocou ao meio-dia. Tínhamos dormido um pouco menos de três horas e sentíamos nossos corpos doloridos e pesados. Eu não queria ter que acordar e dar um fim naquilo, mas aquele toque estridente nos fez cair na realidade.
Eu beijava o pescoço de e alisava seus braços numa tentativa de fazê-lo acordar de qualquer forma.
, acho que eu não consigo. — Sorriu de canto.
— Quem disse que quero alguma coisa? Eu só quero te acordar.
— Você está despertando outra parte do meu corpo e eu estou exausto demais para dar ouvidos ao meu pênis. — Ele riu, colocando uma de minhas mãos sobre seu membro.
— Não se preocupe, eu penso nisso por você.
Escorreguei sob o edredom e abaixei sua boxer, brinquei com sua glande, dando leves beijos sobre sua superfície e descendo por todo seu membro até sua base.
Subi, lambendo toda a extensão de seu pênis até envolvê-lo totalmente com a boca, começando meus movimentos leves e controlados até receber alguma resposta do garoto.
, por que você brinca assim comigo? — Minha resposta foi acelerar meus movimentos, adicionando uma de minhas mãos, que o masturbava enquanto minha boca fazia o resto do trabalho.
Quando percebi que estava ao ponto de chegar ao clímax, aumentei meus movimentos o máximo que eu podia até sentir seu líquido quente dentro da minha boca. Limpei toda aquela área com vigor e subi de volta até ele, passando a língua em meus lábios assim que nossos olhares se cruzaram.
— Hum, um pouco agridoce essa manhã — brinquei, enquanto chupava as pontinhas dos meus dedos.
deixou escapar uma gargalhada e me puxou para perto, me envolvendo em um abraço.
— Você é incrível, , vou sentir sua falta. — Não esperava ouvir aquilo, não tive outra reação a não ser apertar mais ainda meus braços ao seu redor.
— Eu também. Obrigada por compartilhar comigo esses últimos dois dias.
Continuamos naquele abraço, imóveis, por alguns minutos até ouvir alguém bater na porta.
Era perguntando se podia entrar, pois gostaria de pegar alguns itens pessoais que estavam numa mala pequena entre as camas.
Vesti uma camisa de que estava no criado mudo e o ouvi responder o amigo.
— Eu não queria atrapalhar vocês, mas Joe está começando a arrumar as coisas para partimos, cara, você tem que descer para almoçar antes de irmos.
— Tudo bem, me dá dez minutos que vou tomar um banho rápido. — me deu um selinho antes de se levantar, ainda nu, fazendo seu amigo tampar os olhos pedindo que ele se cobrisse.

— Como foi passar a noite no oitavo andar? — perguntei, tentando quebrar o silêncio entre nós.
Apesar de ter conhecido naquele dia no elevador, eu percebi que na verdade ele era bem tímido. Se não fosse por Lindsay puxar assunto com ele, talvez eles nem tivessem dormido juntos.
Suas bochechas coraram antes dele responder.
— Foi muito boa, obrigado, . E a sua?
— Não poderia ter sido melhor.
Mais uma vez o silêncio se instalou e aquilo estava ficando incômodo demais. Peguei o celular e decidi escrever uma mensagem a Lindsay quando ela adentrou a cabeça no quarto, já que a porta estava meio aberta.
Ela me cumprimentou com um beijo na testa e seguiu até , o beijando e o abraçando, dizendo alguma coisa que não fui capaz de entender.
saiu do banheiro devidamente vestido, cumprimentando Lindsay e se sentando ao meu lado da cama, eu não podia me levantar já que eu estava vestida apenas com sua camisa.
— Vamos almoçar, sweetheart?
— Não posso me levantar, . — Apontei com o rosto para meu corpo coberto sob o edredom branco e ele riu, entendendo o real motivo de eu estar ali como se fosse uma estátua.
— Ei, saiam do quarto para que a possa se trocar! — ele disse rápido, fazendo o casal rir e sair imediatamente, pedindo para que eu não demorasse tanto, pois eles precisavam sair do hotel logo.
Corri para o banheiro para fazer minha higiene matinal o mais rápido possível, tomei um banho rápido e me vesti com um vestidinho azul rodado que Lindsay havia colocado na minha mochila e um par de sandálias alpargatas, era aquilo ou eu me atrasaria.
— Desculpa, foi isso que Lindsay colocou na minha mochila — disse me desculpando pelos meus trajes.
— Você fica linda de qualquer jeito. — Ele me deu um beijo antes de sairmos em direção ao restaurante.
O maitre responsável pelo restaurante nos acompanhou até a mesa em que Lindsay e nos esperavam conversando animadamente.
Estranhei o fato de os outros meninos não estarem ali.
disse que aquele era um encontro duplo, então os demais saíram das dependências para almoçar e logo voltariam para nos encontrar no bar até a hora de terem que partir.
— Então, estamos aqui agora para falar de uma coisa séria — deu a iniciativa, chamando atenção dos dois à nossa frente, que não paravam de falar entre eles.
— Quais são os planos para as férias? — disse animado, arrancando sorrisos e uns gritinhos afetados da minha amiga, parecia que eu era a única por fora do trama que arquitetavam. Apesar de ter me dado uma vaga idéia mais cedo ao dizer que nos encontraríamos assim que eu e Lindsay chegássemos à Inglaterra.
Lindsay puxou uma folha de dentro da bolsa onde havia algumas anotações e eu me perguntava quando eles tiveram tempo de fazer aquilo.
— Nós chegamos no dia três de fevereiro, nosso aniversário é dia seis e seria maravilhoso se vocês pudessem estar presentes nesse dia.
— Por que eu não estou entendendo COMO nós chegamos até aqui? — perguntei confusa e minha amiga apenas riu.
— Amiga, eu e conversamos um pouco e tendo em vista que nós iremos até Londres para visitar meu pai, poderíamos nos encontrar algumas vezes, então ele falou com , que concordou, e agora estamos falando com você.
me olhava meio de lado com um sorriso satisfeito no rosto. Quando eles conseguiram organizar tudo aquilo, eu não fazia ideia.
— Eu sabia que vocês já estavam prestes a viajar, Lindsay me disse no camarim depois do show, então falei com e decidimos nos unir a vocês em uma parte das nossas férias. Espero que não seja um problema — respondeu enquanto bebericava um pouco d’água.
— Então nós conversamos essa manhã no terraço e tudo se encaixou — disse orgulhoso.
— Eu nem consigo acreditar em tudo que aconteceu nesses dois dias e vocês já estão me pedindo para raciocinar sobre algo que vai acontecer em quase três meses? — Soltei uma risadinha abafada. — Não vejo a hora que chegue logo fevereiro!
Levantamos nossos copos e brindamos aos planos para o futuro.
Normalmente, eu tentaria pensar duas vezes antes de me jogar assim de cabeça, ele era meu ídolo, nos conhecemos por apenas dois dias e tudo o que ele fazia era me impressionar mais a cada minuto.
Era rápido demais para fazer determinados planos, mas ninguém pareceu se importar com isso naquela hora.
O almoço passou na velocidade da luz, continuávamos empolgados falando sobre aquela viagem e ninguém mencionou o fato de que muita coisa poderia mudar naqueles meses, outras pessoas poderiam aparecer nas nossas vidas, muitos sentimentos estavam em jogo ali e eu tinha medo, medo de cair daquela nuvem que eu estava flutuando e que me levava cada vez mais alto até que a queda seria dura demais para resistir.
Era tudo bom demais pra ser verdade, perfeito demais pra ser verdade, coincidência demais pra ser verdade. Parecia tudo ilusão da minha cabeça, uma viagem alucinante que eu estava fazendo e que eu tinha quase certeza de que não saberia mais voltar pra realidade quando chegasse a hora.

Fomos interrompidos quando e chegaram e se uniram a nós. A Partime já tinha pegado o avião em direção ao Rio, pois fariam um show naquela mesma noite.
Contamos rapidamente sobre nossos planos, fazendo os meninos rirem dizendo que não acreditavam no que estavam ouvindo, que não podiam acreditar que perderam dois membros da banda assim tão facilmente para duas garotas que eles tinham acabado de conhecer. Sabia que falavam aquilo da boca para fora para nos alfinetar a cada oportunidade que tivessem, mas no fundo eu sabia que eles tinham razão, aquilo não tinha chance de dar certo devido às nossas vidas com realidades tão diversas.
Fomos interrompidos por Joe, que até então eu não conhecia, dizendo que era hora de irem embora.
Acompanhei até o décimo andar para pegar suas coisas, tentando memorizar cada detalhe e cada segundo daqueles últimos minutos juntos a ele.
Ele brincava com minha mão enquanto seguíamos por toda a extensão do hotel até o ponto de encontro da equipe.
— Eu quero que você fique com isso. — Ele tirou da mochila a blusa que antes cobria meu corpo. — Para ter um motivo de te ver mais uma vez. Essa é uma das minhas blusas preferidas, então toma conta dela e me devolva em excelente estado no dia seis de fevereiro, ok?
Ri com a sua atitude, achando a coisa mais fofa do mundo o que ele tinha acabado de me dizer.
— Achei que fosse para eu me lembrar de você, mas já que é só pra tomar conta dela, pode deixar que não vou te decepcionar.
me abraçou apertado antes de ouvir Joe dizendo que a van os esperava do lado de fora.
— Se cuida, , não vou esquecer do quanto você me ensinou nesses dois dias. Acho que eu estou indo embora muito mais adulto do que quando cheguei.
— Você também, . Obrigada por ter feito esse momento tão especial, significou muito para mim — disse sentindo uma lágrima teimosa rolar pelo meu rosto. Ele passou sua mão suavemente sobre ela e me deu um último beijo.
Mas foi um beijo completamente diferente daqueles que havíamos dado até aquela hora, parecia que havia um carinho diferente naquele gesto, foi um beijo calmo, sem atrevimentos, sem mão boba, sem segundas intenções. Foi um beijo de despedida, com um toque de esperança; esperança de poder repetir, esperança de que não era o fim.
Ao lado, Lindsay e se despediam da mesma forma, confirmando que há alguns meses estariam de novo um com o outro. Pude ouvir o garoto dizer que nunca tinha conhecido alguém como ela e que avisaria assim que chegasse, que manteriam contato até o dia que pudessem estar de novo juntos e que depois de cada show ele jurava que ligaria pra ela até eles caírem no sono, pra ela ter certeza de que ele não estava com uma groupie qualquer em sua cama.
Aquilo me fez rir, porque Lindsay era extremamente possessiva e ciumenta. Me admirou o fato de ter concordado com aquilo, mas ele parecia um cachorrinho abandonado se despedindo da minha amiga.
A única coisa que me deixou intrigada foi o fato de não ter dado meu telefone para , ele sequer fez questão de me pedir e eu fingi que não era importante.
Não quis que ele pensasse que eu fosse como Raquel e o cobrasse determinadas coisas, mas eu queria ter tido a certeza de que continuaríamos nos desejando até nos reencontrarmos mais uma vez.
Eu deveria esperar e se o destino continuasse ao meu favor, em setenta e poucos dias estaríamos novamente juntos.
Me despedi de e , que fizeram questão de dizer que, se os outros dois iriam ao nosso aniversário, eles iriam junto com certeza, enfatizaram o quanto gostaram de nos conhecer e que realmente éramos diferentes das outras meninas que estavam acostumados a lidar, dizendo inclusive que se nossos casos com os dois outros integrantes não fossem pra frente, que eles não se ofenderiam em ocupar seus lugares.
e os olharam em repreensão antes de nos dar o último abraço e seguirem até a van.
Lindsay e eu fomos até o lado de fora poucos segundos depois que eles saíram, esperando poder dar o último aceno de mãos antes que eles se fossem e foi a cena mais triste da minha vida. Parecíamos duas esposas que se despediam de seus maridos quando iam para a guerra, com nossos braços entrelaçados, acenando com a mão livre e tentando impedir com que as lágrimas caíssem.
Os meninos, por sua vez, estavam com os rostos colados no vidro, dizendo alguma coisa que não fomos capazes de entender e mandando beijinhos no ar até que a van acelerou e os perdemos de vista.

— Amiga o que eu vou fazer agora sem o ? Ele é tão perfeito pra mim, eu quero casar com ele amanhã, quero ter filhos que sejam lindos como ele, quero poder transar com ele até o ultimo dia da minha vida. — Lindsay chorava como uma criancinha no primeiro dia de escola, fazendo o drama que ela gostava de fazer.
Eu queria rir, mas eu sabia o quanto ela estava triste. Eu também estava na mesma situação só que eu conseguia me controlar muito mais do que ela.
— Fica calma amiga, vocês não têm o número um do outro? Então, vocês podem se falar sempre até o dia de nos reencontrarmos de novo.
— Você mandaria uma mensagem para o em quanto tempo mais ou menos? Daqui a umas três horas, você acha o suficiente?
— Eu não tenho o número dele, não trocamos nossos números — respondi abaixando a cabeça, aquilo tinha me deixado bastante chateada.
Minha amiga me olhou com pena e me abraçou, mas disse para que eu não me preocupasse, ela e organizariam tudo direitinho para a viagem, porém aquilo era o que menos me preocupava.
Eu apenas concordei e seguimos em direção ao táxi, que já nos esperava para nos levar até o aeroporto.

’s Point of view

Parecia que tinha um peso dentro de mim me dizendo que aquilo tudo tinha uma razão de ter acontecido. Ver do lado de fora da van acenando fez meu coração parar por alguns instantes e eu gostava daquilo, gostava do sentimento que aquilo me causava.
Enquanto esperávamos o vôo dentro de uma sala privada dentro do aeroporto, peguei meu telefone, tentando me distrair com algo que não fosse aquela garota, mas não demorou muito até que eu me peguei pesquisando seu nome no instagram.
Ela era do tipo reservada, não usava muito aquela rede social, o que me fez ficar ainda mais instigado a saber mais sobre ela e tentar descobrir o porquê dela me causar todos aqueles arrepios todas as vezes que nossas peles se encostavam. Foi um tempo curto demais para ter criado algum tipo de conexão forte com ela, era diferente de tudo aquilo que eu havia sentido no passado e eu me sentia feliz com aquilo.
Me questionava a respeito da nossa conversa na cobertura sobre amores à primeira vista. Se eram tão raros, era possível ter acontecido em quatro pessoas ao mesmo tempo? Olhei para , que sorria olhando para o celular, digitando rápido demais uma resposta que o fazia gargalhar alto. Balancei a cabeça e tornei a olhar as poucas fotos que apareciam na tela do meu aparelho.
tinha várias fotos junto a animais diferentes. Ela sorria e aparentava estar feliz, mas eu sabia que não era assim.
Apesar de amá-los e ser muito boa no que fazia, não era aquilo que ela queria para a sua vida e ela deixou bem claro pra mim. Estava presa naquela realidade por conta de sua família e ela era tão boa que preferia agradá-los a agradar a si mesma.
Ela não era fútil como as outras meninas que eu era acostumado a conhecer. Ela era discreta e sexy ao mesmo tempo, ela era linda com ou sem maquiagem, com os cabelos arrumados ou bagunçados, vestida elegantemente ou simplesmente nua. Ela era maravilhosa do jeito que era, seu coração era grande demais para caber dentro do seu peito. Eu desejava que ela explorasse o mundo, que experimentasse tudo aquilo que ela seria capaz de conquistar caso não fosse tão insegura.
E eu não era bom o suficiente para ela.
Não queria dar esperanças àquela garota, eu sabia que minha vida era complicada demais para envolvê-la em situações que talvez ela não fosse aguentar. Talvez ter feito tantos planos tivesse sido um erro, mas eu queria tê-la mais uma vez nos meus braços, queria experimentar a sensação de vê-la depois de tanto tempo e ter certeza de que meu corpo reagiria da mesma forma que antes, que arrepios tomariam conta de mim e que a necessidade de tocá-la seria tão grande quanto estava sendo naquele momento.
Sabia que não tinha como entrar em contato com ela se não fosse por aquela rede social, não ter pedido o seu número foi difícil demais para mim, mas foi preciso. Eu queria poder entender tudo aquilo com calma, não queria me jogar de cabeça como sem ter certeza de que aquilo poderia funcionar. Tinham sido apenas dois dias, ninguém pode se apaixonar em dois dias, eu não podia ter me apaixonado em dois dias… na verdade, eu não queria acreditar que havia me apaixonado.
Fechei rápido o aplicativo e tentei não pensar mais naquilo, eu teria alguns meses para descobrir se meus sentimentos eram verdadeiros ou era só uma atração absurda que eu sentia por ela.

Já dentro do avião, optei por me sentar com , ele era meu conselheiro, não era tão responsável e maduro quanto , mas em relação aos outros era sempre o melhor a achar saídas e soluções.
Ele sabia que toda vez que eu optava por estar ao seu lado em vôos tão longos, era porque eu havia me metido em problemas e só ele poderia me ajudar a me livrar deles.
também era um bom ouvinte, apesar de agir sempre com a emoção, e naquela situação ali com certeza ele me diria para sair daquele avião e ir atrás da garota que estava bagunçando com minha cabeça.
— O que foi, cara, você está bem? — meu amigo me perguntou depois do avião já ter decolado.
— Eu não sei, estou confuso, não sei o que está acontecendo comigo.
— É por causa daquela garota?
— Sim, ela me fez sentir alguma coisa diferente, mas não nos conhecemos o suficiente, cara. Eu não sei decifrar esse sentimento.
— Ela parece ser uma garota legal — ele disse cansado. — Mas é sempre uma fã. Sabe o que isso pode causar à sua imagem caso venha a público e as coisas não dêem certo.
— Eu sei, cara, mas com ela foi diferente. Nunca me senti assim em relação às meninas que venho conhecido nesse tempo de estrada.
— Você tem que pensar bem. Não se deixe levar pelas atitudes de , eu não sei até que ponto essa relação pode dar certo. Espera um pouco, conheça-a melhor e aí sim você poderá tomar a decisão que for melhor para vocês. Lembre-se que tem um oceano de distância entre vocês dois e talvez depois dessa ida delas à Inglaterra as coisas possam mudar, tanto antes quanto depois. Você sabe que eu te amo, cara, você e os meninos são meus melhores amigos e eu jamais me intrometeria nos seus relacionamentos desde que eles sejam saudáveis e não tirem suas cabeças do nosso trabalho.
— Você conversou com sobre isso?
— Eu tentei, mas ele continua falando da Lindsay e do quanto gostou dela, que ele quer levar o que eles tiveram à diante, quer ser positivo em relação a isso e que, caso dê certo, Lindsay tem condições de permanecer na Inglaterra por ter dupla cidadania, coisa que a não tem, o que torna tudo muito mais complicado para vocês. — Ele tinha razão, eu não tinha pensado por aquele lado, não era justo nem comigo e nem com ela continuar algo que não teria a menor condição de dar certo, era um obstáculo grande demais para poder correr o risco.
Durante o resto do vôo, eu permaneci tenso e imerso em meus pensamentos. Aproveitei que meu amigo tinha dormido e peguei um caderno que eu sempre fazia questão de levar comigo, escrevendo as primeiras linhas do que seria a música que mais falaria por mim durante aqueles anos dentro da banda, uma música que remetia tudo aquilo que eu sentia, mas que ficaria só no caderno.

Quase dez horas se passaram até que o avião pousasse no aeroporto de Atlanta. Seriam cinco shows durante aquela semana e eu não via a hora de poder voltar para casa e poder ter um tempo para pensar em tudo aquilo que continuava a martelar minha cabeça.
Via sempre o instagram de , queria saber o que ela estava fazendo na minha ausência, mas não tinha nenhuma atualização desde o show de São Paulo, a última foto foi com Lindsay e Luca. Vez ou outra perguntava a se ele tinha notícias da menina e ele só me dizia que eu deveria mandar uma mensagem para ela caso eu quisesse conversar com a garota, mas me confortava dizendo que ela estava sempre com Lindsay e que ela estava bem, que não falava de mim para a amiga mesmo quando a mesma perguntava.
Eu consegui conter minha vontade de saber de todas as vezes que abria a janela de mensagens da rede social para escrever uma para ela. Foram cinco dias de shows, cinco dias de camarins repletos de meninas que ansiavam em estar comigo e eu seria hipócrita em dizer que não dormi com nenhuma delas, afinal, eu não tinha nenhuma relação séria com a garota que tinha deixado no Brasil. No fundo, eu queria esquecer, eu queria poder me distrair o máximo possível naquele final de turnê. Por muitos dias, eu bebi mais do que eu deveria e apagava depois de cada show. Tinha dias que eu acordava com uma garota qualquer na cama que eu não lembrava nem de ter perguntado o nome e no final apenas ela habitava nos meus pensamentos, ela continuava se fazendo presente até mesmo quando não estava.
Conheci garotas lindas que eram verdadeiras ninfomaníacas na cama, que me levavam a estados altos de prazer e tesão. Mas no final de cada ato, era nela que eu pensava, era ela que eu queria ali do meu lado, então eu não tinha outra escolha a não ser expulsar as garotas do meu quarto ao me dar conta do que eu tinha acabado de fazer. E aí eu bebia.
Me afundava no álcool para preencher o vazio que eu sentia dentro de mim, a solidão, a saudade…
E foi no último dia que eu tomei coragem para escrever a ela. Eu não tinha idéia do que falar e provavelmente me arrependeria por isso, mas eu não conseguia mais me controlar e o álcool me desinibia mais, eu não tinha mais nada a perder.

’s Point of view

Eu não tive mais notícias de desde que ele tinha saído do Brasil.
Lindsay e mantiveram contato como haviam prometido e o garoto ligava para ela todos os dias depois de cada show e ficavam horas no telefone. Eles estavam levando aquilo numa tranquilidade de dar inveja.
Eu sabia que estava saindo com outras meninas, ouvia quando Lindsay perguntava sobre ele e respondia com uma voz repleta de tristeza. Dizia que ele estava bebendo mais do que deveria e que aquilo estava causando conflitos entre a banda e os produtores, que ele não selecionava com quem dormia e que em um dos cinco dias de show ele fez questão de levar três meninas para o quarto. E em todas as vezes podia ver as garotas saindo antes do amanhecer, ouvindo um alterado pela bebida, batendo a porta e falando sozinho. Que por muitas vezes ele tentou se aproximar do amigo para entender o que estava acontecendo, mas o garoto sempre o insultava e o chutava para fora do quarto como se não fossem melhores amigos de uma vida.
Eu me sentia mal, mas me sentia mal também por ele, eu não sabia desse lado de e isso me assustou. No fundo, eu esperava que ele entrasse em contato comigo de alguma forma, mas a única coisa que ele fazia era perguntar para e eu pedia que minha amiga não dissesse nada, não queria que ele soubesse que eu sentia sua falta quando claramente ele não sentia a minha.
As semanas se passaram se arrastando. Apesar de estar ocupada com os preparativos de documentação e tudo mais para a viagem, Lindsay e eu saímos por alguns dias para que eu pudesse me distrair e não pensar em , mas era impossível, já que minha amiga sempre achava um jeito de falar sobre e que ela poderia pegar o número de com ele caso eu quisesse. Eu dizia que estava bem e que ela estava exagerando as coisas, que o que tivemos foi ótimo e que tinha acabado no exato momento em que ele deixou as dependências do hotel em que estávamos.
Era um domingo, estávamos no pub em que tinha conhecido Luca há algumas semanas, esperando a apresentação da Partime acabar para que pudéssemos dar continuidade à nossa noite.
Os meninos, como sempre, foram maravilhosos e eu sentia muito orgulho do meu amigo. Luca partiria para a Tailândia dois dias depois, então decidimos fazer uma despedida para ficar na nossa memória para o resto da vida.
Entre shots de vodka e cervejas, nós ficamos no local até sermos convidados a nos retirar por um dos funcionários, então resolvemos estender a despedida até nossa casa, onde Melissa concordou de prontidão, já que estava em casa à toa.
Melissa já havia comentado comigo sobre seu interesse por Luca quando eu desabafei com ela sobre em algum dia que eu estava bêbada demais, ela concluiu que Luca estava disponível e que poderia tentar investir nele, recebendo meu total apoio.
Seguimos para o apartamento, que já estava perfeitamente decorado com algumas bexigas e uma faixa improvisada escrita “Sentiremos sua falta, Luca”. Melissa era totalmente precavida para esse tipo de situação, ela mantinha uma gaveta na sua escrivaninha com tudo aquilo que precisava para uma festa surpresa e eu não poderia ter ficado mais feliz com o resultado.
Passavam das seis da manhã quando o pessoal começou a ir embora. Eu, Luca, Lindsay e Melissa continuávamos sentados no chão da sala, conversando sobre alguma coisa sem sentido e rindo ainda mais por conta disso.
Me levantei e caminhei até cozinha atrás de algo para comer e Luca veio até mim, me assustando quando pulou de trás da porta da geladeira que estava aberta.
, queria te perguntar uma coisa. — Ele foi direto.
— Claro, o que foi?
— A sua amiga, Melissa, acho que ela está dando em cima de mim e eu realmente não me importo em ficar com ela desde que você não se importe.
— Sério? Eu fiquei com o dois dias depois da gente transar, por que você não poderia ficar com Melissa? Pensei que nós havíamos esclarecido nossa relação, Luca.
— Eu sei, , só queria ter certeza de que isso não afetaria nossa amizade e nem a sua com ela.
— É claro que não, vem aqui. — O puxei para um abraço, o fazendo gargalhar. Talvez ele estivesse bêbado demais para se lembrar daquilo, mas eu realmente tinha um carinho por ele e queria que ele fosse feliz, ele merecia aquilo. — Eu vou sentir sua falta, Luca. Promete que não vai se esquecer de mim?
— Jamais poderia esquecer da minha fã número um.
Ele se afastou, pegando meu telefone que estava apoiado na pia da cozinha e posando desajeitadamente para uma foto, me fazendo gargalhar pelo efeito álcool e foi a foto mais bêbada que poderíamos ter feito em toda nossa vida.
— Quando eu ficar famoso de verdade, essa foto vai valer milhões.
— Então é melhor eu me apressar em mostrá-la ao mundo! — Rimos enquanto eu abria o instagram e postava a foto com Luca, eu sentiria tanto sua falta.
Na legenda, eu postei a música que cantávamos sempre depois de uma noite de bebedeira. Last Night era nossa trilha sonora e cairia perfeitamente naquele momento.

And if tomorrow never comes, we had last night.” — I’m gonna miss you, thanks for being who you are. <3

Luca postou a mesma foto em seu instagram com a mesma parte da música, afinal, aquela era a nossa música e mudou apenas o final: “thanks for being my #1 fan”. Sorrimos satisfeitos com aquilo, nossa amizade tinha se tornado algo natural e sincera. Eu iria sentir falta das noites em claro conversando com Luca. Ele sabia sobre aquelas semanas tristes que eu vinha tendo por conta de e procurava sempre me animar de alguma forma. Tinha se tornado um irmão mais velho pra mim e eu seria eternamente grata a ele por todos aqueles momentos.
Fui puxada para fora dos meus pensamentos quando Luca me mostrou a notificação que havia acabado de chegar ao seu celular:

curtiu sua foto
comentou sua foto: good luck, bro

Eu gelei, eu não esperava por aquilo, eu não queria que ele pensasse que aquilo tivesse sido de propósito. A música dele na minha foto com Luca, uma música que falava sobre ter feito algo e não se lembrar no dia seguinte, uma música que poderia ter sido a indireta perfeita.
Ali eu percebi, também, que o fato dele não ter entrado em contato comigo não foi por falta de meios de comunicação, ele simplesmente não quis.
Senti meu estômago embrulhando e corri até o banheiro, deixando sair tudo aquilo que estava me fazendo mal junto às lágrimas que eu contive durante todo aquele período de merda. Não me importava mais o quão vulnerável eu estava naquela situação, era óbvio que tudo aquilo estava me enlouquecendo e que mais cedo ou mais tarde tudo viria à tona.
Lindsay entrou no banheiro preocupada e me vendo naquela situação, me despiu e me colocou sob ao chuveiro frio, me ajudando a tomar um banho antes de me colocar na cama, me fazendo dormir, passando as mãos nos meus cabelos enquanto dizia que tudo ficaria bem e que ela estaria sempre comigo.



Capítulo 11

Acordar na manhã seguinte foi difícil demais, minha cabeça latejava e minha garganta queimava por conta do vômito, meus olhos doíam e eu sentia que estavam inchados, eu não tinha idéia do quanto tinha chorado na noite anterior.
Vi Lindsay deitada ao meu lado e dormia tranquilamente. Ela tinha passado a noite comigo para se certificar que eu ficaria bem e deve ter dormido num momento qualquer enquanto falava com , já que seu telefone estava ao seu lado, perto de um de seus ouvidos. Eu admirava a força de vontade deles dois apesar de me fazer um pouquinho de inveja, afinal, nossa situação era bem parecida, porém decisões diferentes foram tomadas.
Me levantei com certa dificuldade até o banheiro, tomando um banho rápido e fazendo minha higiene matinal. Segui até a cozinha, vendo a porta do quarto de Melissa entreaberta e ela na cama acompanhada por Luca. Ri baixinho da cena, me lembrando que um dia era eu quem estava em seu lugar e continuei meu caminho.
Encontrei meu telefone jogado no chão ao lado do sofá desligado e sem bateria e desisti de usar o aparelho, estava faminta demais para me preocupar com aquilo naquele momento.
Coloquei o celular no carregador e dei início ao meu café da manhã enquanto lia uma revista sobre animais de grandes portes que eu assinava por conta da faculdade e que estava há mais de uma semana na mesa da cozinha, ainda lacrada.
Meu celular ligou pouco tempo antes de eu finalizar a última página, o peguei para ver se tinha alguma mensagem ou ligação importante e me deparei com uma mensagem de no instagram, enviada seis horas atrás, exatamente quando eu e Luca postamos aquela foto. Talvez, se eu não tivesse ficado mal e corrido até o banheiro, eu teria visualizado no mesmo momento e temia pelo que poderia ter pensado sobre aquilo tudo, sentindo novamente as lágrimas invadirem meus olhos. Não que eu devesse alguma satisfação a ele, afinal, tinha sido ele quem decidiu não me procurar enquanto vivia intensamente os últimos dias de turnê pela América.
Respirei fundo antes de poder abrir a mensagem, fazendo as contas de que horas era quando ele havia decidido me procurar. Eram quase quatro horas da manhã lá, o que me fez pensar no porquê ele estava no telefone em vez de estar na cama com uma das dezenas de meninas que ele havia dormido naqueles últimos dias.

“Oi, , como você está? Espero que tudo bem. Beijos, .”

A única coisa em que pensei foi em quanto ele estava sendo idiota. Pensei por muito tempo antes de pensar em como responder aquilo sem parecer ter sido afetada pelo seu comportamento ultimamente.
Mas antes mesmo de começar a digitar, outra mensagem me pegou de surpresa.

, você está aí?”

E ele sabia que eu estava, já que estava visualizando suas mensagem naquele exato momento.
Passava do meio-dia e ainda era cedo nos Estados Unidos, cerca de nove ou dez horas da manhã, dependendo de onde ele estava naquele exato momento, o que eu não fazia idéia, já que decidi não acompanhar as notícias relacionadas a eles durante aqueles shows.
Respirei fundo e decidi que não tinha nada de mal em responder, que ignorar talvez só desse a ele o gostinho do meu sofrimento.

“Oi, . Eu estou bem, obrigada por perguntar. E você? Como estão os outros meninos? Espero que vocês estejam se divertindo.”

A mensagem foi visualizada instantaneamente.

“Não consigo dormir, posso te ligar?”

Eu não sabia o que fazer, não sabia se aguentaria conversar com naquele momento. Devo ter demorado muito a responder, porque, quando finalmente decidi mandar meu número, a mensagem não foi mais visualizada.
Senti a tristeza me invadir juntamente às lágrimas grossas que caíam sobre a revista, manchando algumas daquelas páginas.
Alguns minutos se passaram assim: eu, minhas lágrimas e o silêncio, aquilo já havia virado rotina. Mas assim que me levantei, senti meu celular vibrar sobre a mesinha, um número desconhecido estava me ligando e eu sabia que era ele. Meu coração acelerou e minhas pernas vacilaram, tive que me sentar antes de responder a chamada de vídeo e contar até dez para tentar controlar as lágrimas que ainda insistiam em querer preencher meus olhos. Aceitei a chamada e esperei a estabilidade de conexão.

— Oi — ele disse.
— Oi, , você está bem? — perguntei tentando passar alguma tranqüilidade a ele. parecia apreensivo e sua fisionomia parecia cansada, suas olheiras escuras se destacavam em seu viso, aquele semblante triste não condizia ao que eu havia conhecido uma semana atrás, ele parecia destruído.
— Não muito, sinto sua falta. Desculpa por ter sumido, desculpa por não ter te procurado antes — ele soltou tudo de uma vez e estava claramente alterado pelo álcool. — Eu precisava de um tempo para pensar. Pensava que eu não era bom o bastante pra você e que você perceberia isso assim que eu pegasse o avião. Achava que não era justo tentar te prender a mim sendo que a possibilidade da gente estar juntos é tão remota, mas eu quero tentar porque você vale a pena. Eu queria poder ter te ligado antes, ter conversado com você como fez questão de fazer com a Lindsay, eu queria ter sido sábio, , mas tudo o que eu consegui ser foi fraco. Você me desculpa? — Suas palavras foram como um soco no estômago, caíram sobre mim como um balde de água fria no inverno. Meu interior doía, meu coração acelerava cada vez mais.
Se estávamos ali naquela situação, foi porque fomos orgulhosos demais para correr atrás do que queríamos.
, fica calmo, você não me parece bem. Acho melhor termos essa conversa quando você estiver mais tranqüilo, mais sóbrio.
— Não, ! Eu estou bem, eu juro que estou bem. Eu só precisava te ver, mesmo que por uma tela tão pequena e sem poder te tocar.
O silêncio se instalou entre nós, eu não sabia o que responder porque sabia que talvez ele esqueceria de tudo aquilo assim que dormisse e voltasse ao seu estado normal de sobriedade.
— Tudo bem, eu estou aqui. — Foi tudo o que consegui falar.
— Você sente minha falta, ? Você parece tão bem, como você consegue? Garota, você mexeu comigo, por que eu não consegui te fazer sentir as mesmas coisas?
— É claro que eu senti sua falta, ainda sinto. Eu durmo com sua camisa todas as noites, mas ela perdeu seu cheiro. — Abaixei um pouco a câmera para mostrar que eu vestia sua camisa. — Eu não estou bem, . Fiquei preocupada com você. A Lindsay me contou o que você tem feito, você não pode se destruir assim.
— É que ainda não me acostumei com sua ausência. Como eu pude sentir tudo isso em tão pouco tempo, , você consegue me explicar?
— Não, eu não consigo, porque não consigo explicar para mim mesma — respondi sincera e vi que apoiou o celular sobre alguma superfície, me deixando na escuridão total. Eu chamava por ele sem obter nenhuma resposta, mas esperei por alguns segundos antes de pensar em desligar, quando ele voltou com um violão na mão.
— Eu escrevi uma música, posso cantar para você? — Naquele momento, eu já tinha esquecido todo o mal que o seu silêncio tinha me causado naquela semana. Ele iria tocar uma música de sua autoria pra mim, naquele momento, totalmente bêbado e com a voz preguiçosa.
— Tem certeza de que é uma boa idéia? Podemos fazer isso amanhã, acho que você precisa descansar um pouco agora e amanhã conversamos melhor sobre tudo isso.
— Não, eu quero te mostrar agora antes que eu desista.
Assenti e comecei a observá-lo se acomodando na beirada da cama enquanto afinava o instrumento. Eu mal conseguia ver seu rosto, ele deixou a câmera posicionada bem em seu tronco desnudo, me fazendo fechar os olhos e imaginar as vezes em que eu me acomodei ali antes de dormir, aquelas poucas vezes que significaram tanto para mim. Sua pele quente e macia, seu cheiro e seu toque… como eu sentia falta dele.

Uma melodia triste começou a ser dedilhada e eu esperava ansiosamente para ouvir o que ele tinha criado durante aqueles dias. Se eu não tivesse sentada ali ouvindo aquilo, eu não teria acreditado que tinha sido real.

“I’ve had space and time to realize the grass ain’t green and I kinda miss my side
Know I shoulda listened when you told me the first time
You won’t find another like me
‘Cause I’m sat here in my front room with a girl who ain’t you
Hopin’ and prayin’ you’re breakin’ up with another fool
Who didn’t hear the words that I hear on the same loop
You won’t find another like me

Maybe I shoulda loved harder
Put up more of a fight
I know I could’ve been stronger tonight

I look for love, but there’s a space inside my mind
Well, I keep on missing you, I keep on missing you
If you’ve seen enough, know that I’ll be right here
Now it’s somebody new, I keep on missing you

estava concentrado demais na canção e não percebeu o quanto eu me esforçava para não chorar.

I learned every lesson, no more guessing
No more reasons why I should be reminiscing
Instead of saying how I feel
Instead of running from what’s real
‘Cause I can’t keep all this weight on my shoulders
I can’t sleep while my bed’s getting colder
Strip it back and underneath, I know
I’m scared you’ll find another like me

Maybe I shoulda loved harder
Checked if you were alright
I know I could’ve seen things in a better light
Now I realize

I look for love, but there’s a space inside my mind
Well, I keep on missing you, I keep on missing you
If you’ve seen enough, know that I’ll be right here
Now it’s somebody new, I keep on missing you

Ele parou de tocar por alguns instantes e se inclinou um pouco para baixo, olhando para a câmera frontal do celular, sorrindo antes de prosseguir.

And even though there was nights
We’d fight until it subsides
And, God, you know that I tried
But I keep on missing you.

Ele cantou as últimas estrofes e voltou a encarar o celular, seus olhos brilhavam mais do que eu poderia me lembrar e ele esperava alguma resposta, eu devia isso a ele.

, é maravilhosa! — Foi tudo o que eu consegui responder antes dele decidir que tinha ido longe demais com aquilo.
— Eu preciso ir, a gente se fala.
E desligou.
Ele simplesmente desligou, me deixando imersa em pensamentos confusos sobre o porquê daquilo. Ele poderia ter esperado mais ou não ter dito nada. Ele me levou ao paraíso e me deixou de novo no purgatório. Ele não podia, ele não tinha o direito.

’s Point of view

Acordei por volta das sete da noite, quando me sacudia perguntando se eu estava vivo. Demorei alguns minutos para me recompor e organizar minhas ideias.
Lembrava de ter falado com , mas não sabia se tinha sido um dos muitos sonhos que eu vinha tendo com a garota ou se realmente eu tive contato com ela.
— Cara, você nos deixou preocupado. — Ouvi meu amigo dizer assim que dei os primeiros sinais de vida.
— Não me lembro do que aconteceu noite passada.
me contou, conversando com Lindsay poucas horas atrás, que você ligou para hoje bem cedo e que você tocou uma música para ela que você escreveu nessa viagem, você se lembra disso? — Rapidamente peguei o telefone que estava na mesinha ao lado e vi que havia uma ligação de aproximadamente dez minutos para um número estrangeiro. Adicionei o número aos meus contatos, indo na lista do WhatsApp procurar pela pessoa misteriosa e vendo uma foto de ao lado de um cavalo que era três vezes maior que ela, a mesma que eu havia visto dias atrás em seu instagram.
Peguei o caderno dentro da mochila e procurei a canção que poderia ter sido aquela que eu havia tocado. Havia escrito pelo menos umas quatro músicas diferentes naqueles últimos dias, porém tinha certeza de qual eu havia cantado para a garota.
Entreguei o objeto ao meu amigo e esperei que ele terminasse de ler pacientemente, fazendo algumas expressões de surpresa entre uma frase ou outra.
— Foi isso, , eu me lembro agora.
— Cara, o que você fez? O que está acontecendo contigo?
— Depois de ter expulsado outra menina do quarto, eu peguei meu telefone e vi uma publicação de Luca. — Abri a foto, mostrando-a ao meu amigo. — Olha a legenda, cara, o que será que fizeram ontem que eles não deveriam ter feito? Eu enlouqueci, peguei o telefone e mandei uma mensagem a ela, mas ela deveria estar ocupada demais para me responder, . Eu passei a noite com o telefone na mão, esperando que ela ao menos visualizasse minha mensagem, que ao menos me respondesse dizendo que não queria falar comigo depois de eu ter sumido, mas não. Ela é tão boa, cara, que ela estava preocupada comigo, ela quis saber de vocês e se estávamos nos divertindo. — Eu lia as mensagens enquanto explicava ao meu amigo o que havia de fato acontecido. — E então eu pedir para ligar pra ela e ela me atendeu, cara. Eu pedi desculpas por tudo aquilo que eu talvez tenha causado a ela, no final eu pedi para mostrá-la uma música e eu tenho certeza de que foi essa!
— Calma, , você estava bêbado.
— Eu sei! Mas sei também que eu sinto algo por ela e eu sei que não falei nenhuma bobagem. Só que eu fiz uma besteira logo depois, eu desliguei. Eu não consegui olhar para ela quando ela disse que a música era incrível, eu não consegui olhar para ela sem lembrar de tudo o que eu fiz para tirá-la da minha mente. — Eu começava a sentir que poderia chorar a qualquer momento, enquanto meu amigo me olhava surpreso e triste ao mesmo tempo por me ver daquele jeito.
, olha para mim — ele pediu e eu ergui minha cabeça, vendo sua expressão de pena enquanto me encarava. — Vai tomar um banho, você está péssimo. Vou trazer alguma coisa para você comer e depois a gente conversa sobre isso, ok?
— Tudo bem — respondi conformado, indo direção ao banheiro e vendo meu amigo sair fechando a porta atrás de si.
Quando senti a água quente cair sobre mim, eu deslizei pela parede fria até me ajoelhar no chão e deixei que as lágrimas escorressem com força. Eu soluçava, gritava, socava o piso sob mim querendo sentir uma dor ainda maior do que a dor que eu vinha sentindo naqueles dias de total confusão. Sentia falta de e não queria admitir. Não queria admitir que aquela garota havia me conquistado em questão de dias. Vi o sangue jogar pelas minhas mãos quando um pedaço de azulejo foi quebrado, o vermelho tomou conta rapidamente daquele pequeno cubículo branco, senti minhas mãos latejarem, minha visão ficando turva e eu apaguei.
Não fazia ideia de quanto tempo fiquei desmaiado no chão do banheiro e quando acordei estava em uma sala branca com alguns fios pendurados pelo meu braço. Meus amigos estavam em pé em um canto do quarto, suas feições eram de preocupação e aguardavam pacientemente que eu acordasse daquele transe em que estava por conta dos medicamentos.
— Ele acordou! — Ouvi alguém dizer antes de ouvir os sons de alguns passos se aproximarem de mim.
— Cara, o que você fez? — estava ao meu lado e eu demorei alguns segundos até conseguir dizer alguma coisa.
— Me desculpem, eu perdi a cabeça.
— Isso nós percebemos. O que tem acontecido com você, cara? Você sabe que pode falar com a gente sobre qualquer coisa. — Foi a vez de se pronunciar.
— Eu tenho feito algumas besteiras, só isso.
ligou para essa manhã — disse sem cerimônias.
— E por isso você decidiu quebrar o azulejo do banheiro a socos?
— Não, , foi todo o contexto — expliquei sem muita paciência para tudo aquilo que vinha ocorrendo durante aquela semana.
Há muito tempo eu vinha me entregando ao álcool para saciar minha solidão durante as turnês, mas sempre tive muito cuidado para não transparecer aos meus amigos e fãs que eu não estava bem.
A pressão que eu vinha sentindo sobre meus ombros, a saudade de casa, as horas intermináveis entre uma viagem ou outra, a solidão de ser um astro e não ter ninguém para dividir aquilo. Foi tudo um conjunto da ópera, não tinha sido apenas por . Ela foi apenas a cereja do bolo que faltava para que tudo caísse sobre mim de uma só vez.
Eu amava meu trabalho, eu era feliz em fazer o que fazia, mas depois de dois anos sem férias e sem descanso, eu sentia meu mundo desmoronar aos poucos e eu estava me entregando àquilo dia após dia.
Não entrei tanto em detalhes, não queria falar com ninguém. Eu queria pensar em como e por que havia chegado àquele estado. Eu tinha tudo. Eu tinha dinheiro, amigos, uma família que me apoiava, mulheres, luxo, fama, mas ainda me sentia sozinho e tentava preencher a solidão da pior forma possível.
Quando tive alta, segui com os meninos até o hotel em que ficaríamos ainda por aquela noite para descansar antes de seguir para o Reino Unido para nossas merecidas férias.
Eu havia levado muitos pontos em ambas as mãos e por sorte não havia fissurado nenhum osso. Precisei ficar algumas horas no soro, pois estava desidratado, mas no geral estava tudo bem.
Joe nos pediu para permanecermos nas dependências do hotel aquela noite e descansar, já que sairíamos muito cedo para o aeroporto e a viagem duraria pelo menos nove horas.
Estava entediado demais no meu quarto, pensando no que eu tinha feito e que efeito isso tinha causado a . Respirei fundo e decidi que era hora de encarar minhas responsabilidades e falar com a garota.

’s Point of view

Depois de encerrar a ligação, sem mais nem menos, eu passei o dia tentando entender o que tinha acabado de acontecer. Aquela música parecia mais como uma declaração do que um desabafo, mas tentava não me iludir a tal ponto.
Eu sabia de tudo o que ele havia fazendo naqueles últimos dias, Lindsay me atualizava a cada ligação que fazia a . Estava mais do que claro que estava se divertindo ao máximo e que não se importava comigo, as noites em claro que passamos conversando tinham sido apenas para passar o tempo, seu comportamento não condizia com suas palavras e parecia que eu não queria acreditar naquilo.
Naquele dia, vi minha amiga tensa com o telefone na mão enquanto digitava mensagens numa velocidade impressionante e eu sabia que isso só acontecia quando ela tinha algum tipo de problema, além disso, não a vi ligar para e aquilo começava a me preocupar.
Quando perguntava, ela dizia apenas que ele estava apenas muito ocupado resolvendo alguma coisa para o último voo.

Passava da meia noite e eu me arrumava para dormir, peguei o telefone e pensei em ligar para , queria esclarecer o que tinha acontecido naquela manhã, mas não tinha tanta coragem assim.
Repousei o aparelho no criado-mudo antes de fechar os olhos e me entregar ao cansaço.
Fui acordada algum tempo depois com o toque do telefone, me girei na cama, tentando alcançar o aparelho tempo suficiente antes que a ligação fosse encerrada, mas tinha sido tarde demais. Deixei pra lá e não me dei o trabalho de checar quem tinha sido a pessoa que me acordava àquela hora, mas em menos de um minuto o som invadiu novamente meus ouvidos, me fazendo reclamar antes de atender sem checar quem estava decidido a interromper minha noite de sono.
, sou eu. Te acordei? — ele disse antes que eu pudesse dar o “alô” inicial. Me sentei assustada na cama e acendi o abajur mais próximo, sorrindo ao ver seu rosto familiar.
— Oi, . Tudo bem, eu ainda não estava dormindo — menti tentando disfarçar a voz embargada e abrindo os olhos o máximo que eu pude.
— Legal.
Silêncio.
— Aconteceu alguma coisa para você me ligar a essa hora? — Vi que o relógio do celular marcava três e cinquenta.
— Não, eu só queria falar com você.
— Estou te ouvindo. — Tentei não parecer grossa, aquela situação estava realmente me dando nos nervos. Dois dias a mesma coisa, faltava apenas as inúmeras desculpas, uma música nova e uma ligação desligada na minha cara.
— Primeiro, eu gostaria de me desculpar, de novo, por ter sumido essa semana.
— Você já se desculpou ontem. Você não deve fazer isso todas as vezes que a gente se falar.
— Não, é sério. Ontem eu tinha bebido demais e não pensava direito no que estava fazendo. — Sua resposta fez com que uma pontada de decepção me atingisse bruscamente. — Digo, eu senti sua falta e ainda sinto, não sei, eu pensei em te procurar antes, mas não sabia o que dizer. Você está chateada comigo?
— Você sabe que eu não tenho razões para estar chateada contigo. Nós não somos um casal, , você tem direito de fazer o que quiser.
— Você está me chamando de . É lógico que você está irritada. — Eu não aguentei e soltei uma risada, não tinha como me defender daquele argumento.
— Eu não estou chateada com você, só estou preocupada — menti.
— Eu estava tão cansado de tudo, , mas eu bebia, transava com uma garota qualquer, dormia, acordava para um outro dia e fazia tudo totalmente igual. Eu pensava de estar bem, entende? — Concordei e deixei que ele continuasse. — Mas então eu te conheci e eu não precisei me afogar no álcool por dois dias para me sentir mais aliviado. Você me deixava tranquilo, sereno, feliz… Essa semana eu não tive você na minha cama, não tive você esperando por mim depois dos shows e eu fiquei perdido. Foi aí que eu dei conta de que eu estava me destruindo antes de te conhecer, mas quando eu te conheci eu me senti preenchido.
— Eu, eu… Não sei o que dizer.
— Não precisa, eu só queria te dizer que eu sumi de propósito. Eu queria entender os sentimentos que você causou em mim e eu pensava ter sido só atração momentânea, mas não foi, . Eu continuo querendo você e você está longe demais pra isso.
— Em pouco menos de três meses, a gente vai poder se ver, se você ainda quiser.
— Mas são ainda meses nessa tortura, você não entende?
— É claro que eu entendo, mas eu não sei o que dizer ou fazer para mudar isso. São os fatos, , e eu me conformei com eles. Se você não pode lidar com isso, então deveria ter pensado duas vezes antes de me fazer acreditar que você estaria lá quando chegasse a hora.
Ele ficou em silêncio e eu podia ouvir sua respiração pesada.
— O que você quer que eu faça? Eu não posso fazer nada.
— Eu não sei se aguento mais três meses, . Eu quero entender agora o que você despertou em mim.
, por favor, não torne isso mais difícil do que já é. — Fechei os olhos, tentando afastar a vontade incontrolável de chorar mais uma vez.
— Abra os olhos, . Me diga o que você pensa, o que você quer, me fala qualquer coisa que possa me confortar enquanto não posso estar com você.
— O que você fez não é justo. Eu fiquei dias pensando o que tinha feito de errado para você nem sequer pedir meu telefone. Fiquei pensando o porquê de você fazer tanta questão de me dizer que nos encontraríamos na Inglaterra. Foi você, . Foi você que colocou coisas na minha cabeça, porque eu estava conformada em te dar adeus no dia que você deixou o Brasil. — Fiz uma pequena pausa para respirar antes de continuar. — Mas não, você insistiu em dizer que eu era diferente, que fazia questão de me conhecer. Para que, . Para que isso? Por que você simplesmente não fez como sempre faz? Para que você me ligou ontem falando tudo o que você falou, cantando uma música que eu até cheguei a pensar que foi escrita sobre nossa situação? — Soltei todas as palavras que estavam engasgadas na minha garganta. Já não me importava mais, eu estava nervosa demais para pensar nas consequências.
— EU NÃO SEI, TÁ LEGAL? — ele disse alterado demais. — Eu não sei o motivo pelo qual fiz tudo isso e era isso que eu queria descobrir nessa semana.
— Está satisfeito agora?
— Não, porque a única coisa que eu descobri é que eu preciso de você.
— Então deveria ter repensado sobre suas atitudes, porque você pensou só em você, você não sabe como foi para mim.
— Foi por isso que eu te liguei ontem, porque eu não aguentava mais fingir que estava tudo bem quando não estava.
— Eu não sei mais o que dizer, eu não sei o que você quer. Você me deixa confusa, eu… não sei.
— Eu quero te ver de novo, . Eu preciso te ver de novo para saber o que eu sinto por você. — Meu coração pareceu ter parado por alguns segundos e eu não sabia se seu desabafo deveria me deixar feliz ou apreensiva. parecia tão perdido quanto eu, mas ele teve a coragem que eu jamais teria tido.
Suspirei profundamente, pensando no que responder. Eu não tinha uma resposta para aquilo.
— Tudo bem, vamos começar de novo. Vamos apagar essa semana da nossa memória e vamos fazer do jeito certo dessa vez.
— Eu queria que fosse fácil assim. Eu queria ter a coragem e o coração de , mas eu não sou como ele, , eu não sou bom pra você.
— Tá vendo? É isso que você faz. Você coloca coisas na minha cabeça que me fazem acreditar que eu não fui só uma garota qualquer que você transou e no mesmo instante você me faz duvidar disso.
— Eu não sei mais o que fazer. Eu sempre estrago tudo e não queria estragar as coisas entre nós. Eu gostei do que eu vivi e quero experimentar isso de novo.
— Então pare de agir como um idiota.
— Eu juro que vou tentar — ele disse cabisbaixo. — Três meses, certo?
— Sim, menos de três meses. — Sorri.
— Eu adoro esse seu sorriso.
— E você é o culpado.
— Eu preciso ir. Posso te ligar amanhã? — ele disse quando a porta se abriu e os meninos entraram por ela juntos.
— Oi, . Sentimos sua falta, garota. Como você está? — foi o primeiro a se pronunciar, seguido pelos outros que me cumprimentavam e perguntavam como andavam as coisas pelo Brasil.
— Estou bem, meninos. Espero que vocês tenham se divertido durante esses dias.
— E como… A minha parte favorita foi essa noite, quando encontrou desmaiado no banheiro depois de socar o azulejo do pavimento — ele disse quase não controlando as risadas.
— O QUÊ?
— Ah, ele não te disse… foi mal. — foi repreendido por , que voltava à sua posição inicial de frente para o celular, levantando pela primeira vez uma de suas mãos enfaixadas.
, o que aconteceu? — perguntei preocupada.
— Nada, , eu estou melhor agora. Foram só alguns pontos. — Senti novamente tentando abafar as risadas. — Mas eu vou ficar bem.
— Por favor, se cuida.
— Eu te conto tudo assim que eu puder. Boa noite, .
— Como preferir. Boa noite, meninos.
E a ligação foi encerrada.
Mais uma ligação e mais alguns pontos de interrogação e pensamentos que me assombrariam até o próximo contato dele. Tudo o que ele falava me parecia real demais, intenso demais. Um sentimento muito maior do que adoração por meu ídolo começava a se formar dentro de mim. Eu estava me apaixonando por , mas não podia imaginar até que ponto aquela paixão me levaria.