Ocean Eyes

Sinopse: Após meses fora da cidade, Destiny está de volta. O seu plano é: focar nos estudos e manter a cabeça abaixada. No entanto, Luke Hemmings, seu vizinho e primeiro amor, está em busca de respostas e não a deixará em paz.

Ele quer entender o que aconteceu com os dois?
Ele quer entender quais são os segredos sombrios que Destiny esconde.
Ele quer entender como os dois arruinaram algo tão verdadeiro e bonito?

E ela, só quer fugir.

Fugir dos fantasmas do passado. Do amor incondicional por Luke e pela culpa que pesava na sua consciência.

Ela só quer fugir daqueles olhos de oceano que assombravam os seus pensamentos.
Gênero: Romance/Drama
Fandom: 5 Seconds Of Summer
Restrição: Cenas de sexo explícito, tentativa de suicídio, udo de drogas e linguagem imprópria.
Beta: Rosie Dunne

Quando finalmente pisquei e despertei pela manhã, o primeiro pensamento que passou pela minha cabeça foi um puta que pariu.

Puta que pariu, porque o maldito do meu vizinho existia e me atormentava até nos finais de semanas.

Puta que pariu, porque o desgraçado estava fazendo um ensaio com a sua banda na garagem, o som absurdamente alto.

Puta que pariu, porque eu havia voltado depois de meses longe dessa cidade.

— Por favor, não, não, isso não pode estar acontecendo — eu gemi em meu colchão, puxando meu travesseiro com força sobre minha cabeça, em uma tentativa patética de bloquear o som terrível.

Eu respirei fundo para acalmar a fúria que crescia dentro de mim, mas era inútil. Quando fechei os olhos com força, forçando-me a voltar a dormir, quase consegui me convencer de que estava sonhando. Até que eu tive que admitir que o barulho irritante do baixo ainda era muito alto e que não era um sonho, mas sim um terrível pesadelo.

Gemendo pela enésima vez, joguei meu travesseiro pelo quarto, ouvindo-o bater na cadeira da escrivaninha, mas não dei atenção.

Se eu tivesse coragem de matar alguém, Hummings seria a primeira pessoa que eu mataria, impiedosamente.

Eu arranquei meu edredom grosso, esfregando o sono dos meus olhos com a palma da minha mão enquanto a raiva queimava na boca do meu estômago.
Com apenas puro ódio motivando meu corpo, arrastei-me até a janela, puxando as persianas para encontrar a visão familiar de minha vizinhança. Todos os gramados verdes e árvores. Empurrando minha janela aberta, coloquei minha cabeça para fora.

E lá estava Hummings e os 5 Seconds Of Summer.

Em todo o seu cabelo loiro e pele pálida. Ele tinha leves covinhas irritantes cavando em suas bochechas, tornando-o mais lindo. Mais irresistível. Mais sedutor.

Mais egocêntrico, mais idiota, mais babaca…

Eu poderia descrever coisas negativas a respeito dele por toda a eternidade.

despertava o meu lado ruim.

— Dá pra abaixar essa porra? — Eu rebati, gritando.

Eles pararam com a poluição sonora, os olhos claros de fixos em mim. Os garotos se entreolharam confusos com a minha declaração repentina. Ele parou, colocando o pedestal do microfone para o lado, suas mãos segurando a base enquanto olhava para cima e me cumprimentando com aquele sorriso característico de um sedutor barato.

— Bom dia, moranguinho! — saudou, acenando com as mãos para mim.

— São oito da manhã, pare com essa merda!

— Relaxa, moranguinho — ele disse, mas o sorriso malicioso em seu rosto só serviu para me enfurecer mais.

Rolei os olhos diante do apelido idiota que ele passou a me chamar ultimamente.

— Babaca – gritei de volta.

apenas acenou zombeteiramente em resposta. Eu podia sentir meu sangue dançando nas minhas veias. Fervendo. Fechei a janela com força e me sentei na poltrona ao lado da minha cama. Apesar de tudo, a música ainda estava lá. O baixo estava rasgando no ar, e eu não tive forças de lutar contra ele. Minha raiva era enorme, e eu poderia fazer merda se continuasse a falar com . Em vez disso, soltei um gemido de frustração e saí da porta do meu quarto.

Como pude amar durante a minha pré adolescência? Como pude desejar ser esposa, mulher dos seus filhos e fiel companheira de um ser desprezível como ele?

Eu estava enloquencendo.

Em pleno 14 anos eu senti o amor. Foi um amor a primeira vista. Patético, eu sei.
Vi e seus amigos na garagem, ele havia acabado de se mudar para a vizinhança e era meu vizinho. A janela do seu quarto ficava de frente para a minha, e eu me apaixonei perdidamente. O garoto de 18 anos me deixou num abismo de amor por 4 malditos anos.

Somente no último ano do colegial que eu acordei, e superei aquele amor platônico que eu nutria por .

Afastei dos meus pensamentos e arrastei o meu corpo escada abaixo até a cozinha, seduzido pelo cheiro de bacon. Meu irmão mais velho estava em frente ao fogão, balançando a cabeça ao som da música que ele ouvia nos fones de ouvido.

— Oh, porque todo mundo acorda ouvindo música alta? Meus ouvidos são sensíveis! — eu comentei casualmente, notando que o volume da música nos fones explodia pela cozinha.

Meu irmão não escutou, obviamente, mas me senti melhor por despejar a minha frustração para as paredes. Ele notou a minha presença na mesa e me serviu um prato de bacon, enquanto cantarolava a música. Comemos o nosso café da manhã com um som barulhento ecoando no ar, eu preferia o silêncio absoluto, entretanto Harry escutava um hip hop extremamente alto nos ouvidos, quebrando o meu momento de reflexão pela manhã.

Quando eu estava terminado o café da manhã, ouvi a porta da frente se abrir.

— Olá, babies! — cantou a voz familiar de Kim. Minha melhor amiga. — Como vocês estão?

Ela entrou em casa, saltitante.

— Pior manhã da minha vida — eu reclamei, dando um tapinha no assento ao meu lado para ela se sentar.

Kim riu, colocando sua bolsa em cima do balcão. Hoje era o seu dia de dormir em casa.

— Enquanto passeava pelas ruas da vizinhança, ouvi murmúrios de que uma maluca reclamou do som alto dos vizinhos.

Eu ergui as sobrancelhas.

é a merda de um fofoqueiro, hein. Aquele garoto me irrita profundamente.

— E você o ama mais profundo ainda — meu irmão murmurou, um sorrisinho malvado dançando nos seus lábios. Seus fones de ouvido estavam em cima da mesa.

Rolei os olhos, não deixando o seu comentário me abalar. Meu irmão sabia da minha paixonite esquisita por .

Kim encolheu os ombros, alternando os seus olhos claros entre nós dois.

— Você o amou? — ela questionou, seus olhos arregalados.

Mordi os lábios, e neguei com a cabeça.

— Foi um leve crush na adolescência. Já superei.

A risada debochada do meu irmão ecoou na cozinha.

— Um leve crush que durou 4 anos.

— Mas que não significa mais nada para mim — debati, erguendo o tom de voz. Meu irmão adorava me irritar.

Ele riu, levantou-se da mesa com o prato nas mãos.

— Eu acredito em você, irmãzinha, acredito. — Seu tom de voz irônico me irritou.

— Some daqui, Harry. Agora – enfatizei, lançando o meu olhar mortal em sua direção.

Ele levou as mãos acima da cabeça, num sinal de rendição. Antes de sair da cozinha, ele piscou sedutoramente para Kim, que corou pateticamente.

— Que nojo — murmurei, rolando os olhos.

Ela riu, suas bochechas coradas.

— Vamos assistir CSI?

— Meu Deus, por que você é obcecada por série de detetives?

Ela deu de ombros.

— Sei lá, talvez porque eu tenho um desejo de solucionar um caso de assassinato um dia?

Eu ri alto. Kim insistia que queria ser detetive particular, e capturar os assassinos de San Francisco.

— Tudo bem, vamos assistir à CSI!

 

No dia seguinte, Kim e eu acordamos às 07:00 em ponto. Nos vestimos, comemos e saímos de casa. Minha faculdade ficava relativamente longe de casa, por isso, precisamos ir de carona com o meu irmão pateta. Quando pisei do lado de fora, os resquícios do verão ainda estavam no ar, uma brisa quente beijando minha pele exposta. Um sorriso apareceu na minha boca quando pensei em Hank, um garoto da minha sala, mas foi imediatamente apagado pelo rosto familiar de .

— Senhoritas — ele gritou, encostado em seu carro vermelho.

Kim acenou educadamente e eu mostrei o dedo do meio para ele. O ignorei enquanto caminhava até o carro do meu irmão, e entrei sem olhar para os lados. Quando estávamos saindo da garagem, os olhos de nunca deixaram o carro, e eu não podia negar o nó que se formou em meu estômago. Eu não gostei do jeito que ele estava olhando. Seus olhos claros estavam fixos no carro até que viramos na esquina, e ele desapareceu do retrovisor.

Aquele olhar me lembrava dos meus olhares que eu lancei em sua direção, quando eu era irritavelmente apaixonada por um garoto que só me ignorava.

 

— Quais são as chances de eu conhecer o amor da minha vida na faculdade? — minha amiga indagou. Ergui as sobrancelhas para ela.

— Oh, levando em conta a quantidade de caras descentes que você já conheceu… acho que 0% de chances, amiga.

— Que pena. Tô me sentindo meio carente ultimamente, quero um namorado. — Ela fez biquinho, piscando os seus longos cílios e olhos verdes em minha direção.

Eu gargalhei.

— Nós duas concordamos em passar as nossas férias de verão sem garotos. Você que topou essa proposta. — Meu tom de voz era levemente acusatório. Era verdade que ela quem ofereceu essa prosposta maluca para mim. E eu topei porque eu precisava urgentemente me afastar dessa cidade.

Ela ergueu sua sobrancelha extremamente cuidada e me lançou um olhar.

— Certo. A culpa é minha. Tô no deserto há mais de um mês, me lembre de não fazer essa proposta estúpida novamente.

Eu ri alto. Estávamos sentadas no capo do carro do meu irmão no estacionamento, esperando a nossa aula começar. Faltavam uns dez minutos, mais ou menos. Minha amiga e eu conversamos com as nossas colegas de sala e, quando o tempo acabou, descemos do capô do carro e atravessamos a entrada da faculdade.

O corredor estava lotado, calouros e veteranos indo para lá e para cá, totalmente perdidos. Avistei rostos familiares e tive que manter um aperto firme no pulso da minha melhor amiga para que ninguém a arrastasse, já que ela estava sendo bombardeada por muitos abraços e cumprimentos. Ela era um pouco popular, eu diria. Principalmente por ser uma YouTuber com 100 mil inscritos no seu canal. Ela se sentia uma celebridade da cidade de San Franscico.

No meio do corredor, próximo à porta da nossa sala, escutei uma voz familiar gritar. Minha outra amiga estava na porta da outra sala, e abriu o berro quando nos viu. Pareciamos garotas do ensino médio que não se vêem há mais de um ano. Mas, bem, minhas amigas costumam ser dramáticas e barulhentas desde sempre.

— Meus amores! — cumprimentou Hailey Hock, toda bronzeada, lábios vermelhos e cílios postiços.

Eu olhei para ela.

— E aí, Barbie

Hailey riu, jogando a cabeça para trás, um sorriso diabólico deslizando em seu rosto.

— Oh, querida, eu já disse que acho a Barbie muito superficial, sou mais natural do que ela, meu bem. — Ela piscou seus grandes olhos escuros, apontando para os seus enormes seios de silicone, um gesto claro de deboche.

Ela ergueu os óculos escuros, pousando-os entre os cabelos cor de caramelo e piscou para mim.

— Não sou mais gata do que aquela Barbie pálida e sem graça? — Ela alisou seus longos fios negros, abrindo um sorriso no rosto.

Kim riu, colocando sua mochila sobre o ombro.

— Você é linda, amiga.

— Eu prefiro você do que a Barbie — eu falei.

Kim se jogou contra a parede, saindo do caminho dos alunos que passavam no corredor, um suspiro melancólico saindo de seus lábios.

— Amiga, você pegou alguém nessas férias? Diga que não por favor. Cometi uma burrice e tô arrependida — anunciou ela, batendo melodramaticamente no peito com a mão e olhando reflexivamente para longe.

Revirei meus olhos e bufei.

— Já passou, supera!

Kim se endireitou e bufou, cruzando os braços sobre o peito.

— Eu estava planejando sair com Harris, o capitão do time de futebol, tudo se arruinou com a nossa proposta.

— A sua proposta, não se esqueça.

Hailey arregalou os olhos escuros.

— Oh, meu bem, Harris não é mais o Capitão.

— Não? — Kim e eu perguntamos em uníssono.

— Não! Quem é o capitão agora é o novo aluno. Gostoso e alto. Ar de badboy e problema estampado na testa.

Que não seja ele, meu Deus.

— Quem seria?

.

E, então, tudo se acabou.

me perseguiu até na faculdade. Eu deveria denunciar aquele garoto à polícia. Por que diabos ele estava em todos os cantos?

Kim explodiu em risadas, a mão pressionada sobre sua boca não fazendo nada para impedir as risadas de vazarem. Ela olhou para Hailey, que estava parada ali com a mão no quadril.

— O capitão do time é o cara que ela tem um crush — Kim deixou escapar.

Lhe lancei um olhar mortal.

— Ops, quero dizer… o cara que ela odeia.

— Você já conhece ? — Hailey me olhou em choque.

— É uma longa história. Nós conhecemos há anos atrás.

— Meu Deus, mulher! Fala logo.

Eu soltei um suspiro derrotado, e contei como nos conhecemos. Falei que era meu vizinho desde os 18 anos e que nós fomos amigos um dia, porém, hoje, não nos falamos mais. Escondi completamente a parte obscura sobre o nosso passado. Eu odiava relembrar todos os momentos íntimos que passei ao seu lado. Finalizei o meu discurso dizendo o quão horrível era vê-lo quase todos os dias há exatamente 5 anos da minha vida.

— É um horror poder ver aquele abdômen brilhante de perto? Acredite em mim, eu daria tudo por isso — Hailey Hock falou lentamente, revirando os olhos. — Ele corta a grama do jardim sem camisa?

Eu engasguei dramaticamente, levantando a mão para impedi-la antes de fingir um vômito dramático.

— Eu não reparo nisso. — Mentira. Todo sábado de manhã, cortava a grama do seu quintal.

Qual seria a coincidência se eu limpasse a calçada da minha casa nos sábados também?

— Por falar no diabo – Kim murmurou, lançando-me um olhar alarmado, e eu me preparei para ver a cara do Anticristo.

Segundos depois, ouvi a sua voz irritante.

— Bom dia, moranguinho.

Eu torci meu nariz em repulsa, virando-me para um sorrindo para mim. Deus, ele era um idiota.

— O que quer aqui?

Eu estava absurdamente alarmada com a sua interação repentina. e eu não nos falamos há quase dois anos. E bem, trocas de provocações não entravam nesse quesito.

— Só vim dizer olá — ele respondeu despreocupadamente. — Você tá linda, Hay. As férias de verão fizeram bem a você. — Ele sorriu sedutoramente para a minha amiga.

— Oh, obrigada — respondeu Hailey, com um sorriso educado no rosto.

— Beleza. — Cortei a atmosfera enquanto puxava as minhas amigas para longe daquele predador de garotas — Estamos atrasadas para o nosso primeiro dia de volta as aulas, tchauzinho.

Hailey olhou confusa para mim.

— Mas eu não sou da sua sala, Tiny.

Vamos — enfatizei, abrindo bem os olhos.

Ela articulou os lábios e concordou com a cabeça. Kim estava imóvel ao meu lado, seguindo-me. Quando eu estava prestes a entrar dentro da sala, ouvi a voz rouca do meu vizinho.

— O nosso professor ainda não chegou.

Pude ouvir Hailey fazer um barulho desagradável, parando no meio do caminho.

— Certo, o gostosão ali é da sua sala? Acho que vou pedir transferência agora…

Olhei para , e ele sorriu ironicamente. Em passos lentos, caminhou até mim.

— Eu espero que você se sente do meu lado, vizinha.

E entrou dentro da sala, com as mãos dentro da calca jeans e exalando um jeito despreocupado.

Notas: Eu estou ansiosa para vcs conhecerem melhor esse casal problemático hahaha. Gente, juro, está sendo divertido escrever essa nova história. Me digam oq acharam da fic! Bjs e até a próxima att.