Oxford University

Oxford University

Gênero: Restrita, Romance, Comedia
Classificação: 18 anos
Restrição: Os meninos são fixos, Harry é o principal.
Sinopse: Nunca estamos preparados para mudanças em nossas vidas. Ter que se mudar para outra cidade para fazer faculdade não é algo fácil… Ter que começar a sua vida praticamente do zero em um lugar onde ninguém te conhece… Felizmente, isso não dura por muito tempo, já que logo faz amizade com sua vizinha de quarto e você acaba retomando a sua vida de álcool, drogas e sexo desregrado, até… bem… até você se apaixonar por ele…
Beta: Lara-Jean Covey.

Capítulos:

Cara Grace ,

Temos o prazer de informar que você foi bem-sucedida em seu requerimento para Medicina na Universidade de Oxford. A Universidade é uma instituição excepcional comprometida com a conquista de melhorar a saúde mundial, com belos profissionais, e agora você tem a chance de formar uma parte muito especial dessa missão e de nossa comunidade.

Incluída está sua carta de oferta oficial da Universidade de Oxford. Isso define as condições acadêmicas e financeiras que precisam ser atendidas e quais são os passos necessários para que você receba sua carta de confirmação final e contrato universitário.

Por favor, envie um e-mail à Equipe de Admissão em [email protected] para confirmar sua aceitação desta oferta e seu termo de condições até 28 de fevereiro de 2019. Depois de ter cumprido todas as condições da sua oferta, você terá a oportunidade de começar a se envolver com seus colegas de classe através de um grupo privado no Facebook.

Após a aceitação, por favor, também fornecer uma atualização sobre sua aplicação no sentido de garantir assistência financeira.

Mais uma vez, gostaríamos de estender nossos mais sinceros parabéns por essa conquista maravilhosa.

Universidade de Oxford.

[email protected] | www.ox.ac.uk

I – O Primeiro Dia

Acordei antes de meu despertador tocar. Sim, eu estava ansiosa. Havia acabado de me mudar para um lugar onde não conhecia absolutamente ninguém e isso realmente me deixava apavorada. Nunca fui a melhor em começar uma conversa com pessoas desconhecidas, e, por conta desse fato, tudo o que eu conseguia pensar era que passaria os próximos dias sozinha, ou até o primeiro trabalho em dupla – ou em grupo – ser anunciado. Espantei esses pensamentos ao levantar e vestir a roupa que havia separado. Um vestido vermelho, meia calça e um scarpin, não muito alto, preto. Abri a porta do quarto, caminhando o longo corredor dos dormitórios até chegar na saída do prédio. O dia estava agradável. O verão ainda não partira por completo, então o sol ainda era capaz de aquecer um pouco a cidade fria que era Oxford.Sem muita dificuldade, cheguei ao auditório onde haveria uma recepção dos alunos de medicina do primeiro ano.Há 45 minutos uma moça de cabelos pretos recitava todas as regras do campus, que estavam contidas na cartilha que recebemos ao efetuar a matrícula, a qual todos os alunos já haviam lido. Era nítido que ninguém mais aguentava toda a ladainha desnecessária que ela dizia.- Hey, acabei me atrasando, o que eu perdi? – Um rapaz, de cabelos loiros e olhos azuis, disse com um sotaque forte ao sentar ao meu lado. – Aliás, me chamo Niall. – Estendeu a mão para mim.- Prazer Niall. . – Segurei sua mão, finalizando o cumprimento. – Na verdade, você não perdeu nada. – Ele franziu o cenho – Essa louca só está dizendo o que todos nós já sabemos. – Sua expressão continuava confusa. – As regras!- Ah, as regras. – Ele rolou os olhos. – Ainda bem que cheguei atrasado então. – Me arrancou uma pequena risada.- Realmente, não perdeu nada. – Senti meu estômago dar sinal de vida. E ao olhar no relógio, constatei que era quase hora do almoço. – Já estou começando a ficar com fome. – Ele me encarou por um momento.- Vou ser direto, você foi a única pessoa que me respondeu algo aqui hoje, então quero saber se você quer almoçar comigo. – Suas bochechas ficaram rosadinhas. – Não só comigo, obviamente, com minha prima também, bom…- Tudo bem, Niall, eu entendi. – O interrompi e o vi prender o ar por um segundo. – Você também foi a primeira pessoa que foi gentil comigo. – Ele sorriu.Voltamos a fingir prestar atenção na fala da moça, mas logo começamos a fazer piadas de como ela pronunciava as palavras e o tempo passou rápido.Fomos liberados daquela cansativa palestra por volta de meio dia. Agora teríamos outro grande problema: Achar o refeitório em que o almoço seria servido. Sim, dentro de Oxford nós temos tudo: dormitórios, prédios de aula, refeitórios que servem almoço e jantar… E em cada prédio onde moram os estudantes, há uma cozinha compartilhada. Enfim, descemos as escadas do auditório conversando sobre o curso e mais algumas apresentações pessoais. Niall é irlandês – e daí vem o sotaque carregado que notara mais cedo –, pretendia se especializar em pediatria, por conta de seu amor por crianças e tinha 20 anos, como eu.- ! – ele exclamou ao meu lado enquanto olhava pra frente.- Até que enfim, Niall! – A loira se dirigiu a ele. – Achei que tivesse morrido aí dentro.- , essa é minha prima, que eu mencionei mais cedo. – Ele me puxou pelo braço em direção a garota.- , prazer. – Ela estendeu a mão em minha direção. – Mas pode me chamar de .- Sou , mas pode me chamar de . – peguei sua mão, completando o cumprimento.- Ótimo, apresentações feitas. – Niall começou. – Podemos ir almoçar agora? – seguimos caminho até o refeitório, sendo guiados por . – também irlandesa e veterana na universidade – é louca! Como cheguei a essa conclusão? Bom, durante nosso agradável almoço, ela e seu primo contavam histórias de como foi viver na Irlanda e de como eles sentiam falta de toda a liberdade que lá existia, mas que eram proibidos de fazer na Inglaterra, como beber na rua. contou de uma vez em que ela e alguns amigos estavam afim de beber, decidiram comprar garrafas de vodka e começar a bebe-las beber no caminho para casa. A loira não sabe como ela chegou em casa, apenas lembra de flashes de seus pais gritando e a chamando de irresponsável. Ela ficou de castigo durante uma semana, até a carta de aceitação de Oxford chegar em seu correio. Seus pais ficaram tão felizes que a tiraram do castigo. Isso deu brecha para que, mais uma vez ela tomasse um porre daqueles, mas dessa vez, indo para a casa de uma amiga e não pra dela. Niall não ficava muito atrás. Ele contou como quase foi flagrado no quarto de uma garota que ele estava se envolvendo e teve que passar a noite no telhado, apenas de cueca, para que os pais da garota não o vissem. Só pôde sair de lá pela manhã, depois que eles foram trabalhar.- E você, , qual foi a maior loucura que fez? – perguntou curiosa, enquanto dava um gole em seu suco de laranja.Parei para pensar um pouco. – Acho que foi o dia que fumei Sativa pela primeira vez…- Você não tem cara de quem faz essas coisas, . – Niall acusou.- E realmente não faço. – Dei ombros – pelo menos não todo dia…- Conte essa história, o que está esperando? – a loira incentivou-me a contar.- Bom, o meu pai sofre de ansiedade, e um dos métodos de tratamento para ele é usar a erva… – comecei expondo fatos.”Eu sempre via alguns amigos fumando, e dizendo que sentiam uma onda meio louca. Um dia, eu decidi que queria sentir essa tal onda que todos eles diziam sentir. Esperei meus pais dormirem e segui até o armário onde eu sabia que ele deixava e peguei um cigarro que já estava pronto, me tranquei no quarto e o acendi. Demorou umas três tragadas para eu aprender como se faz direito, mas assim que peguei o jeito, comecei a me sentir leve e ria de tudo. Absolutamente tudo, a ponto de acordar meus pais numa das crises de riso que acabei tendo. Eles bateram em minha porta, pedindo para que eu a abrisse, mas não podia a abrir. O cheiro lá dentro era muito forte, e a metade do cigarro que eu havia fumado também estava lá. Menti dizendo que estava vendo stand up comedy no youtube e eles me mandaram dormir.”- Então você roubou maconha do seu pai? – perguntou, incrédula. Eu apenas assenti. – Niall onde você conheceu essa pérola? Eu amei essa garota! – apertou minha bochecha. – Escuta, eu estudo Letras e meu dormitório fica um pouco longe de onde vocês moram, mas precisamos marcar um dia para fumarmos… Você até pode dormir lá.- Ótimo, eu a conheci primeiro, . Para de tentar roubar a amizade que estou tentando findar. – O loiro rolou seus olhos azuis, nos arrancando risadas.- Ora, venha você também, priminho. – Ela bagunçou seu cabelo, enquanto levantávamos e levávamos a bandeja até o local indicado.- Achei que não fosse chamar. – Ele sorriu satisfeito. Eu apenas observava a cena pensando em como eu lidaria com duas pessoas loucas ao meu lado. Honestamente, eu estava adorando.- Agora eu tenho aula, e preciso ir. – A mais velha começou. – Mas me dê seu telefone, vamos nos falando até marcar um dia. – Me entregou seu celular, onde digitei meu número, e a entreguei. – A gente se vê, ! – e saiu correndo em direção a algum prédio, onde teria aula.Eu e meu novo amigo seguimos nosso caminho até o dormitório dele, já que durante o resto do dia não tínhamos mais nada programado. Iríamos gastar o tempo conversando para “enriquecer nossa amizade” em suas palavras. O prédio em que ele morava ficava bem de frente para o meu. Então realmente seríamos amigos próximos. Seu quarto ficava no segundo andar, e enquanto subíamos as escadas era notável a semelhança entre nossos dormitórios. Finalmente entramos no quarto e começamos a conversar sobre diversas coisas. Muitas pessoas poderiam pensar que ele estava com segundas intenções, mas nossas conversas eram tão inocentes que se alguém ousasse a ouvir, diria que ele era gay. Niall é um garoto extremamente bonito, e estaria mentindo se dissesse o contrário, porém não conseguia sentir atração por ele a ponto de desejar imaginar ele nu em minha frente. E tinha certeza que ele se sentia da mesma forma. Era fraterno.- Niall, eu… – a porta se abriu revelando um rapaz de cabelos castanhos, segurando três livros enormes. – Oh, desculpa. – Ele ameaçou fechar a porta.- Liam, essa é minha amiga, . – Ele me apresentou, e o moço voltou a abrir a porta mais calmamente.- Amiga? – ele perguntou e nós dois assentimos. – Ok. Prazer , sou o Liam, colega de quarto do Horan. – Me cumprimentou, dando um beijo no rosto.- Muito prazer, Liam. – Sorri doce – Acho que vamos nos esbarrar bastante por aqui.- Eu também acho. – Ele também sorriu de forma doce. – Enfim, gente, estou muito cansado, então, se puderem fazer o mínimo de barulho eu vou agradecer. – pediu calmamente, e era notável o cansaço estampado em seu rosto.- Tudo bem, eu preciso ir. – disse ao ver que já eram seis da tarde. – Vou tomar um banho, comer um pão e capotar.- Bom, você, porque eu vou jantar! – Niall se jogou de costas na cama.- Tchau Nialler, tchau Liam! – disse indo até a porta.- Tchau . – disseram em coro assim que fechei a porta atrás de mim.Segui calma e tranquilamente até meu quarto. Tomei um banho e deitei na cama pegando meu notebook para assistir alguma coisa na Netflix. Diferente de meu amigo, eu tinha um quarto individual, e isso me proporcionava uma paz interior maravilhosa. Bom, pelo menos era o que eu esperava ter. Comecei a ouvir uma música alta vinda do quarto ao lado. Até aí eu estava tudo bem. Foi quando comecei a ouvir vozes cantando mais alto do que a música em uma desafinação tremenda. Abri a porta, olhando todo o corredor. Não era possível que eu era a única ficando incomodada com aquilo. Voltei para dentro do quarto e ignorei o máximo que pude. Mas assim que o relógio marcou dez da noite eu já não aguentava mais. Calcei os chinelos e fui até a porta da minha vizinha. 301 era o número de seu quarto. Bati uma, duas, três vezes, e ninguém abria a maldita porta. Mas claro que não, eles estavam gritando lá dentro. Decidi abrir a porta encontrando uma garota negra, de cabelos cacheados e um garoto de cabelos castanhos pulando ao som de Coldplay.- HEY! – Gritei chamando a atenção dos dois.- Pois não. – A cacheada pausou a música e caminhou até a porta.- Não querendo ser chata, até porque eu amo música alta, mas eu to tão cansada… – os olhos verdes do rapaz chegaram até os meus. – E toda essa música de vocês tá atrapalhando até minha linha de raciocínio. – A garota riu.- Bem, uh… Qual seu nome? – ela se pronunciou.- . Me chamo . – Fiz a devida introdução.- , eu sou Faith, mas pode me chamar de Fay, e esse é meu amigo Harry. – Ele estendeu a mão, e eu a peguei, cumprimentando por educação. – Nós pedimos desculpas pela música alta, é que perdemos a noção do tempo quando estamos brincando de Karaokê.- Tudo bem, não tem problema. É que realmente já fazem horas. – Expus o fato de aquela zona estar acontecendo há um bom período de tempo.- Vamos parar de fazer barulho agora, mas por favor, não diga nada ao reitor. – Ela pediu.- Não vou dizer, Fay, relaxa. – Dei ombros. – Bom, de qualquer forma, obrigada.- Por nada. – A garota respondeu e olhou para seu amigo, segurando o riso.- Aliás, belo pijama. – Ouvi a voz rouca do garoto pela primeira vez. Senti minhas bochechas corarem e apenas segui caminho de volta para meu quarto.Não é possível que não exista uma única pessoa sã nessa universidade.

II – Beerpong!

– VOCÊS ESTUDAM EM CADÁVERES? – Liam gritou ao entrar no quarto e ouvir eu e Niall conversando sobre a aula de anatomia.
– Ué, Liam, queria que estudássemos em que? – Horan revirou os olhos ao dizer a frase.
– Livros? – Ele respondeu sugestivo.
– Eu não vou cortar um livro com um bisturi, preciso estudar em cadáveres para saber direito como as coisas são. – O loiro deu ombros.
– Pois que estudasse em bonecos então. – Liam ainda estava inconformado.
– Porra Liam, vai ler suas leis e deixa a gente estudar em gente morta, pelo amor de Deus. – Joguei o travesseiro de Niall nele.
– A partir de hoje vou dormir com um olho aberto e o outro fechado… Nunca se sabe. – O moreno guardou seus livros na estante que compartilhava com o colega de quarto enquanto brincava com a possibilidade um assassinato. – Vocês vão almoçar agora?
– Sim, estou morrendo de fome. – Disse me levantando e calçando o tênis.
Niall se levantou logo em seguida e partimos em direção ao refeitório. Ao chegar, nos servimos e sentamos numa mesa um pouco afastada de onde todos os outros alunos estavam. Observávamos todos que entravam para almoçar, mas uma garota se destacou assim que vi os olhos de Liam brilhando. Eu já sabia quem ela era, era a minha vizinha de quarto, e, no momento que ela acenou para mim, ouvi a respiração de Liam falhar.
– De onde você conhece Faith Hall? – Liam me perguntou assim que a garota deu as costas para onde estávamos.
– Ela é minha vizinha de quarto. Conheci ela ontem quando pedi para ela e o amigo gay dela abaixarem o volume da música. – Expliquei dando ombros. – Há quanto tempo você é apaixonado por ela? – Niall prendeu o riso para que não saísse alto demais.
– Eu não sou apaixonado por ela,. – Fingiu muito mal. – Eu só a admiro.
– Não sabia que “estar apaixonado” tinha mudado para o verbo “admirar”, Liam, preciso anotar essa informação. – Niall tirou sarro da cara do amigo, que bufou alto.
– Espera, você disse amigo gay? – Payne me encarou semicerrando os olhos. – Esse eu não conheço…
– É, alto, cabelos cacheados, bonitinho e com olhos verdes. – Descrevi o garoto e foi a vez de Liam rir.
– Harry não é gay,. – Continuou gargalhando. – Está muito longe disso, aliás. – Tomou um gole de sua Coca-Cola.
– Hey vizinha, posso me sentar com você, Harry ficou preso na aula e não conseguiu vir almoçar comigo. – Faith se aproximou interrompendo a conversa.
– Claro que sim. – A garota se sentou à mesa. – Fay, esses são meus amigos Niall – apontei para o loiro que enfiava uma batata frita na boca. – E Liam. – Apontei pro moreno que parecia estar tendo um colapso.
– Muito bom conhecer vocês. – Ela disse sorrindo – E como uma boa veterana, estou convidando vocês para a festa que vai ter no deck hoje.
– Onde fica esse “deck”? – Niall perguntou, curioso e aparentemente interessado nessa festa.
– Logo depois do prédio de humanas tem um lago, ano passado fizeram um deck lá e desde então é o local de festas dentro do campus. – Liam se manifestou pela primeira vez, desde que a garota se juntou a nós.
– Oh, então você também é veterano? – Perguntou diretamente ao meu amigo que congelou por dois segundos e só conseguiu assentir com a cabeça para a resposta dela. – Não está cumprindo bem com seu papel se não leva os calourinhos às festas.
– Liam é um chato, só quer saber de estudar. – Horan acusou o amigo. – Estaremos lá sim, Faith. – Virou-se para mim –, temos aula de fisiologia.
– Ah não, aquela professora é muito chata. – Lamentei ao lembrar de quem ministrava a aula – Tchau Fay, até a noite. – Acenamos para a cacheada e a deixamos sozinha com Payne na mesa. – Liam precisa tomar iniciativa, e vai ser a força. – Cochichei para o loiro que assentiu e riu.


“As sinapses elétricas permitem a transferência direta da corrente iônica de uma célula para outra. Ocorrem em sítios especializados denominados junções gap ou junções comunicantes. Nesses tipos de junções as membranas pré-sinápticas e pós-sinápticas estão separadas por uma fenda muito pequena, onde os neurotransmissores são compartilhados de neurônio para neurônio. As vesículas sinápticas armazenam os neurotransmissores e quando lançados nas fendas, conectam ao seu receptor específico, dando início a uma cascata de reações, que varia de acordo com o impulso gerado.”
A professora Karlsson já falava há pelo menos quatro horas ininterruptas. A matéria já era difícil, e o seu sotaque sueco só piorava as coisas. Olhei para o lado e constatei que meu amigo estava mais entediado do que eu, já que havia adormecido e nem se mexia quando a professora dava uns gritos para despertar os alunos. Olhei para meu caderno e vi que já não anotava mais nada há muito tempo, ao invés disso haviam desenhos aleatórios na folha do caderno.
– Por hoje é só, turma, espero que tenha dado para entender bastante nessa introdução. – A senhora Karlsson finalizou a aula.
– Hey acorda. – Cochichei e cutuquei Niall.
Ele abriu os olhos lentamente e os coçou. Pegamos nossas coisas e caminhamos até nossos prédios. Subi até meu quarto e liguei para. Queria saber se ele iria à festa e ela disse que não, pois teria um teste na segunda feira, bem no primeiro horário, e precisava muito estudar, mas estava muito feliz em saber que eu finalmente estava saindo e conhecendo pessoas novas. Decidi dar uma deitada e descansar um pouco antes de começar a me arrumar de fato.
Tomei um banho e abri a porta do guarda roupa. Fique pelo menos 10 minutos analisando cada peça ali contida para decidir o que eu vestiria. No fim, optei por uma saia de botões, de cintura alta, curta e preta, e um cropped branco. Cabelos soltos ao vento, nos olhos um delineado gatinho e pra finalizar um batom nude rosé. Estava calçando o tênis quando ouvi batidas na porta. Crente que seria Niall gritei um “pode entrar!”, e assim a porta se abriu, revelando Harry de calça e camiseta de botões meio aberta.
– Faith me pediu para vir ver se você estava pronta. – Entrou devidamente no cômodo observando algumas fotos em cima da escrivaninha. – Ou se ia fingir que esqueceu o convite e dormir numa sexta à noite. – Me encarou nos olhos.
– Ah, já estou quase pronta, só vou calçar o tênis. – Ele assentiu.
– Seu quarto é muito mais arrumado do que o da Fay. – Deu uma outra olhada em ao redor. – O típico de uma “boa garota”. – Minhas sobrancelhas se arquearam em surpresa enquanto terminava de amarrar o cadarço do Superga branco. Levantei-me ficando de frente pra ele.
– Não é porque eu pareço ser uma “boa garota” que eu seja. – disse olhando em seus olhos, e a expressão em seu rosto dizia o quanto ele não esperava por aquela reação. – Do mesmo jeito que você parece ser gay, mas já me disseram que não é. – caminhei até a penteadeira onde ficavam meus perfumes e borrifando um pouco do líquido no pulso.
– Pode ter certeza que eu sou muito mais hétero do que aquele seu namorado. – Disse ao parar atrás de mim.
– Que namorado? – Me virei para o encarar com a testa franzida, mas ele estava perto. Perto demais. Podia ver o total de imperfeições em seu rosto, e era um grande total de zero.
– O loiro que anda com você pra cima e pra baixo. – Ele mencionou Horan enquanto colocava uma mecha do meu cabelo atrás da orelha.
– Niall não é meu namorado, Harry. – Rolei os olhos.
– STYLES, ELA TA PRONTA? – Ouvimos Faith gritar do quarto ao lado e ele pareceu sair de um projeto de “transe”.
– ESTÁ SIM, FAY. – Gritou de volta. – Nos vemos no deck,. – Deu uma piscadela e saiu do meu quarto, fechando a porta atrás de si.
O que acabou de acontecer aqui? Harry – que eu descobri ser – Styles estava investindo em mim? Espantei esse pensamento e mandei mensagem para Niall avisando que estava pronta. Ele respondeu que só estava me esperando, e eu desci até a porta do prédio. Eu, Niall e Liam, caminhamos até o tal deck para encontrar a festa.
Chegando no local, me deparei com um lugar um pouco escuro, levemente iluminado por uma luz monocromática vermelha. Um bar improvisado no canto e algumas pessoas dançando Taki Taki. Caminhamos até o bar, onde os meninos pegaram cerveja e eu vodca com Coca-Cola. Dei uma olhada panorâmica no deck, e vi um espaço vazio, mas, antes que pudéssemos nos direcionar até lá, Faith acenou para mim, e caminhou até onde eu estava com os meninos.
– Harry disse que você realmente viria, mas eu quase não acreditei. – Uma garota de cabelos castanhos agarrou Fay pela cintura. – Deixa eu ir, o dever chama. – Ela saiu rindo abraçada com a garota.
– E lá se vai ela junto de Eleanor Calder. – Liam disse recebendo o olhar de Niall e o meu.
– Cara, você tá parecendo um stalker louco. – Niall se pronunciou tirando um beck do bolso e acendeu.
– Eleanor é a namorada da sua paixonite? – Perguntei dando um gole na minha bebida.
– Não, ela é a melhor amiga da Faith, e namorada do Louis, que é quem organiza essas festas. – Payne explicou calmo, bebendo do gargalo de sua longneck.
– Ai Liam, chega logo na menina, pelo amor de Deus. – Rolei os olhos. – Me dá isso aqui. – Peguei o cigarro de maconha da mão de Horan e dei uma tragada, depois soprei a fumaça em Liam, que rolou os olhos.
– Tá achando que me incomoda? – Ele perguntou e eu neguei com a cabeça.
– Já que você não fuma, talvez assim você fique mais de boa, mesmo que de tabela. – Afirmei e Niall riu, enquanto eu dava outra bela tragada.
– BEERPONG! – Faith passou correndo por nós, me puxando pelo braço e levando para uma extremidade da mesa, e ao olhar para frente, vi Harry sorrindo torto.
– Só uma coisa, eu não bebo cerveja, então para jogar só se for com outra coisa… – Lancei um olhar para o dono dos olhos verdes a minha frente.
– Sem problemas, linda. – Ele pegou uma garrafa de tequila no bar. – Um shot em cada copo acertado. – Começou a encher os copos com o líquido. – Damas primeiro. – Me entregou a bolinha com seu tronco quase colado ao meu, e voltou para seu lado da mesa.
Sem dificuldade acertei o primeiro copo, da mesma forma que ele também acertou. E assim fomos seguindo o jogo, até restarem pouquíssimos copos. Não vou mentir, estava meio bêbada, mas não queria perder, ou abandonar o jogo. Eu nunca em minha vida havia abandonado uma partida de beerpong, e essa não seria a primeira. Havia um certo aglomerado de pessoas à nossa volta, acompanhando toda a brincadeira, aparentemente esperando o momento que eu desistiria. Não, eu não iria, nem que eu saísse dali arrastada. Faltavam só dois copos para eu beber, e um só para Styles. Estava um copo da vitória. Minha visão já estava mais turva que o normal, mas por incrível que pareça, eu acerte o maldito copo, o que trouxe consigo uma chuva de gritos e, meus amigos que estavam ao meu lado, pegaram meus dois copos que sobraram e viraram. Harry fez sinal com a cabeça para que eu o seguisse, e caminhou até o lado de fora, acendendo seu cigarro. Fui logo depois dele sair.
– Devo dizer que eu estou impressionado,. – Ele tragou o cigarro. – Primeira garota que ganha de mim no beerpong e me chama de gay no mesmo dia. – Soprou a fumaça para o vento.
– Esperava que eu fosse quieta, com base no que viu no meu quarto? – Ri sarcástica. – Você não me conhece, Styles.
– Então quem é? – Ele perguntou direto.
– Agora você sabe meu sobrenome? Devo eu ficar preocupada ou você é um stalker de longe como meu amigo? – Rebati com outra pergunta.
– Quem o Liam stalkeia? – Ele ergueu uma sobrancelha.
– Como você sabe que é o Liam?
– Ele é o único veterano do seu grupo de amigos, calouros não costumam fazer isso… – Se explicou – Mas quem é? Faith? – Apenas assenti e vi ele sorrir bobo.
– O que foi? – Não estava entendendo.
– Nada, deixa pra lá… – Dispersou o assunto. – O que eu quero saber agora é de você, e, talvez, você e eu…
– Você e eu? – Me aproximei dele, colando nossos corpos e sentindo suas mãos, que já não seguravam o cigarro, apertarem minha cintura de maneira firme. Mordi o lábio inferior, esperando ele se aproximar. Quando estávamos prestes a colar os lábios, afastei-me. – Eu não sou tão fácil assim para cair na sua conversa de primeira. – Ele me encarava com surpresa. – Nos vemos por aí, Styles.
Dei as costas, indo até meus amigos, que já estavam exaustos para os chamar para voltar aos dormitórios. Eles concordaram rapidamente, e assim seguimos para nossos aposentos, para uma noite de sono e talvez uma manhã de ressaca.

 

III – Álcool e tesão

O domingo amanheceu calmo em todo o campus. Finalmente consegui me livrar de toda a ressaca que sofri no sábado pós-festa. Gostaria de dizer que nunca mais iria beber daquela forma, mas sabia que isso era uma grande mentira.
Não queria ficar no quarto outro dia, então peguei meus cadernos e segui para uma espécie de pracinha que tinha perto de meu alojamento estudantil. Fazia sol, mas, devido a chegada do outono, não estava tão quente. Era o clima perfeito para observar a natureza e fazer nada o dia inteiro, porém, graças ao meu exagero na dose de álcool ingerido e a situação em que me encontrei no dia seguinte, a única saída para mim era estudar.
Pensei em convidar Niall, afinal estudamos juntos, mas o conhecendo, sabia que faríamos qualquer outra coisa, menos estudar. Estava com saudades de , contudo sabia que ela estava em casa com o primo maravilhoso que ela tinha. pretendia passar o fim de semana todo com a cara nos livros, mas uma emergência em casa a fez mudar a programação, e ela teve de ir a Reading. Em compensação, abençoou meu Instagram com stories dela com Steve – descobri esse ser o nome do primo gostoso – saindo juntos e implicando um com o outro.
Abri as anotações de anatomia e comecei a ler…
“Os ossos são divididos em duas partes, uma mais externa, que é chamada de osso compacto, e uma mais interna, chamada de osso esponjoso, que é onde circula toda a medula do osso. Os ossos longos e chatos das crianças produzem células do tecido hematopoiético. Já nos adultos, a produção se limita aos ossos chatos, como o esterno e costelas, que compõem a caixa torácica. Além disso, o esqueleto é o responsável pela sustentação e proteção de diversos órgãos vitais no corpo humano. O estudo de uma estrutura óssea vai muito além de seu nome e localização. Cada osso tem sua particularidade, que são chamadas de ‘acidentes ósseos’, que auxiliam na fixação de tendões e músculos.”
– Então quer dizer que além de ser uma garota festeira, a senhorita também é estudiosa… – olhei assustada para frente, encontrando os olhos verdes de Harry.
– O que foi, garoto? Vai ficar me assombrando agora? – arqueei uma sobrancelha, soltando a lapiseira que estava na minha mão.
– Claro, qualquer coisa pra ficar perto de você, meu anjo. – Ele pegou minha mão e deu um beijo nela.
– Oh, querido, então você devia ter sentado do meu lado, não estar parado na minha frente. – Soltei uma piscadela e ele se surpreendeu com minha frase.
– Como vou sentar do seu lado com esse monte de caderno aí, ? – rolei os olhos e coloquei-os no chão. – Agora sim. – sentou no banco, passando o braço pelos meus ombros. – Onde paramos na sexta feira? – falou aproximando seu rosto de mim.
– Nos seus sonhos, Styles. – Ele começou a rir. Afastei-me e recolhi meus cadernos.
– O que você tá fazendo? – ele olhou pra mim com uma expressão de quem não estava entendendo nada.
– Voltando pro meu alojamento. – Dei as costas e segui caminho.
– Eu não acredito nisso! Pela segunda vez me deixa sozinho falando com o vento. – Virei uma última vez e mandei um beijo no ar, deixando-o ali sozinho.
De volta ao meu quarto, retomei os estudos, mas logo fui atrapalhada pela minha vizinha que ligou o som alto. Por que, Faith? Por que todo domingo? Meditei um pouco para conseguir focar, e li mais algumas páginas de meus resumos e do livro que havia pegado emprestado na biblioteca.
Após o almoço liguei para minha mãe para saber como as coisas estavam em casa. Aparentemente meu pai e minha irmã estavam em pé de guerra por conta de um garoto que queria a namorar. Parte de mim concorda com meu pai, ela só tem 12 anos, pra que se preocupar com um namorado agora? Fora isso, todos estavam bem e preocupados com o meu sumiço durante a semana toda. É difícil ser a primeira a ter que sair de casa. Meus pais ficam preocupados e querem saber cada passo que eu dou pra fora do meu quarto, ou até mesmo dentro dele. É incrível como eu consegui ser da forma como sou hoje tendo pais superprotetores. Perdi as contas de quantas vezes fui para festas dizendo que estaria indo pra casa de amigas estudar. Hoje eles já aceitam um pouquinho meu lado louco… Não posso extrapolar, então muitas coisas que faço ainda escondo. Sim, sou maior de idade e eles gostam de saber o que faço para tentar me controlar. Nem preciso dizer que falham nessa missão, certo? Finalizei a ligação e fechei os olhos, ignorando a música vinda do quarto de Faith, para dormir um pouco.
– QUE HISTÓRIA É ESSA,? – entrou no quarto fazendo o maior barulho.
– Oi , como foi em Reading? – rolei os olhos sentando na cama, vendo minha amiga fechar a porta atrás dela.
– Para de mudar de assunto. – Ela sentou ao meu lado. – Me conta logo!
– Pra te contar alguma coisa, eu preciso saber o que você quer saber… – me joguei na cama, adorando como eu estava conseguindo a tirar do sério apenas por enrolar para responder.
– Mas é claro que você sabe, … – ela me bateu com o travesseiro. – Como você, que está há uma semana em Oxford, conseguiu fazer com que o garoto, que a maioria das meninas querem chupar e sentar, te cortejasse? – gargalhei alto.
– Primeiramente, cortejar é uma palavra brega, e segundo eu adoro seu vocabulário explícito. – Ela me olhou séria, esperando a resposta. – Eu não sei, juro que não sei. – Sabia a quem ela se referia.
– Harry não é de dar ideia pras calouras, às vezes nem pras veteranas. – Ela soltou esse fato e uma pergunta me veio na mente: Por que eu então?
– Você quer ficar com ele? – perguntei a ela, que começou a rir. – Que foi, retardada?
– Não me leve a mal, mas eu prefiro mil vezes sair com os amigos de Steve do que com esses garotos daqui. – Ela deu ombros. – Harry é gostosinho e tudo mais, mas não é meu tipo. Já o seu…
– Não é que ele é meu tipo, , eu só descobri que gosto da provocação. – sentei de volta, a olhando nos olhos. – E ele é um gato. – Ouvi batidas na porta. – Entra.
– Vizinha, cadê seus amigos bonitinhos? – Faith entrou no quarto. – Ah, oi .
– Hey Fay. – As duas se abraçaram.
– Estão no quarto deles, por quê? – respondi não entendendo o que ela queria.
– Troca de roupa, liga pra eles e vamos todos pro meu quarto beber. Não aceito não como resposta. – Ela virou de costas e foi embora.
Liguei para Niall e disse para ele avisar a Liam, que surtou ao saber que Faith Hall estava o convidando para um social em seu quarto. e eu deixamos a conversa para uma outra hora, e ela foi até seu prédio para tirar a roupa que estava e colocar algo mais a sua cara. Optei por colocar um jeans escuro rasgado e uma cropped vermelha com mangas três-quartos. Nos pés um all star preto. Amarrei meus cabelos em um rabo de cavalo bagunçado, não estava com um pingo de vontade de arrumá-lo. Passei um pó no rosto e estava pronta para ir até o quarto ao lado.
O que Fay queria fazer aquela noite era uma incógnita para todo mundo. Mas eu estava começando a gostar de todo o suspense. Esperei os garotos subirem até o meu andar e bati na porta. Foi Harry quem abriu. Estava vestido todo de preto, mas de uma forma sexy, não fúnebre. O ignorei e entrei no quarto, seguida de meus amigos. chegou logo depois, e nós sentamos em qualquer canto do quarto. Bom, sentar é relativo, já que eu estava deitada entre as pernas de Niall, que estava sentado. Liam estava do nosso lado, sussurrando para nós o quanto ele achava Fay sensacional e bonita. Faith conversava com sobre alguma coisa que não conseguia entender por causa da música que estava um pouco alta. E por fim Styles, que estava sentado na cama de minha vizinha e intercalava seus olhares entre mim e seu celular. Até que nossos olhares finalmente se fixaram um no outro.
“Vem cá”. Ele mexeu os lábios sem emitir nenhum som, e eu apenas neguei com a cabeça. Olhei pra cima e depositei um beijo no queixo de Niall, que olho para baixo encontrando-me e soltando um “O que você ta fazendo, ? Ta bêbada?”. Ri e sussurrei de volta “Só segue o fluxo”. Peguei a mão de meu amigo e entrelacei nossos dedos colocando em cima de minha barriga, e voltei a ter o olhar fixo ao de Harry, que agora tinha uma sobrancelha erguida em incredulidade. Niall me puxou para que eu ficasse um pouco mais alta, e depositou um beijo no meu pescoço.
– E isto é tudo, eu não vou deixar você me usar pra provocar o menino, . – disse baixinho no meu ouvido e eu apenas assenti.
– Eu não tô acreditando no que eu tô vendo. – Liam soltou um pouco alto, se referindo a mim e Niall, chamando a atenção das outras garotas.
– Bom, vamos fazer alguma coisa. – lançou a ideia e todos concordaram.
– Eu acho que podíamos jogar spin the bottle. – Harry se pronunciou.
– Quantos anos temos? Treze? – rebati e todos ficaram em silêncio.
– Isso é tudo medo de me beijar e não conseguir parar, ? – soltou presunçoso, estreitando os olhos.
– Eu realmente queria viver um dia dentro da sua cabeça para saber o que se passa, já que você vive num universo paralelo. – Respondi e os outros quatro que até então assistiam a cena calados, gargalharam. – Mas já que é isso que você quer, game on!
– Vamos deixar as coisas mais interessantes então. – Faith se pronunciou percebendo a tensão no ar. – A cada vez que girarmos essa garrafa, todo mundo bebe um shot. O casal que for formado, bebe dois, e vai ser trancado no banheiro por 15 minutos. O que vocês farão lá dentro fica a critério, mas tem que passar o tempo lá dentro.
– Sem chances de eu ficar trancada com Niall. – chiou ao ouvir a regra da brincadeira. – Amo você, primo, mas eca. – Ela fez careta.
, eu prefiro beijar o Liam a você. – Horan retrucou.
– HEY! – Payne exclamou e rimos. – Anda logo, vamos começar essa brincadeira idiota.
Sentamos todos em um círculo pequeno. Como estávamos em seis, intercalamos para que ficasse um menino, uma menina, e assim por diante, até fechar o círculo. Rodaram a garrafa e o primeiro casal formado, para nossa surpresa foi Liam e Faith. Eu não conhecia Fay muito bem, mas sabia que ela não perderia tempo e ficaria com ele. Aposto que agora ele se encontra no paraíso, trancado por 15 minutos dentro de um banheiro com a garota que ele é afim, enroscada em seu pescoço.
Assim que voltaram, rodamos mais uma vez a garrafa e parou em mim e . Pedimos para não sermos trancadas dentro do banheiro, mas demos um beijo digno de cinema na frente de todos que ali estavam. Styles me encarava como se quisesse me decifrar. Acho que ele não esperava que uma garota com a cara de santa fosse tão errada como eu era. O loiro que estava ao meu lado, cochichou ao pé de meu ouvido que, por mais que fosse sua prima, aquilo havia sido muito excitante de ver. Achei que Niall tivesse parado de me ajudar com os joguinhos para Styles, e só percebi que ele realmente falava sério, quando olhei disfarçadamente para o meio de suas pernas e vi o quanto sua calça havia ficado mais apertada. Ri com isso e rolei os olhos, voltando a me concentrar na brincadeira.
Mais uma vez a garrafa foi girada, e caiu em Liam e dessa vez. Ele estava sem graça por beijar a prima de seu colega de quarto, e também por beijar outra garota na frente de Faith. Ele o fez, mas era notável o quão desconfortável o garoto estava. Horan e Fay se beijaram também, e estava escrito no olhar de Niall para Liam o quanto ele sentia por aquilo, mas eram regras do jogo.
Achava que eu escaparia de Harry, mas como a vida gosta de me pregar peças, assim que conclui esse pensamento, a garrafa parou em nós dois. Ele não disse nada, apenas se levantou, puxou minha mão e me carregou até o banheiro, fechando a porta atrás de si. Me olhou com um sorriso de canto e se aproximou, dando a entender que viria me beijar. Se aproximou mais, e eu virei o rosto.
– Ah, qual é , eu sei que você quer isso o mesmo tanto que eu quero. – Ele olhou para minha boca e depois para meus olhos. Ele exalava álcool, assim como eu.
– Assim não tem graça. É muito fácil. – Dei ombros. – Eu gosto da provocação.
– Nós podemos continuar com a provocação se nos pegarmos. – Ele sugeriu e eu dei uma risadinha curta.
– Não vai ser a mesma coisa, você sabe por que? – o empurrei, fazendo-o sentar no vaso que estava com a tampa fechada. Ele negou. – Porque se eu te mostrar o que sou capaz de fazer, – sentei-me em seu colo, com uma perna de cada lado do seu corpo. – Você não vai querer só ficar na provocação. – falei no pé de seu ouvido, sentindo-o arrepiar. – Admite, Harry, esse jogo é bom demais para a gente desperdiçar dessa forma.
– Não acho que seria um desperdício se eu pudesse fazer você gemer meu nome. – Levantou-se me carregando em seu colo e prensando contra a parede. – Afinal, dois podem jogar. – Beijou meu pescoço e pressionou seu quadril ao meu, me fazendo sentir o volume que se formava. Arfei involuntariamente e ele sorriu de canto. – Nós nem fizemos nada ainda e olha só o estado em que nos encontramos.
– Não fizemos e nem vamos fazer. – Meus pés encontraram o chão, mas ainda estava presa entre a parede e Harry Styles. Olhei por todo o seu corpo, e brinquei um pouco com o cinto de sua calça preta.
– Garota, não faz isso. – Ele pediu fechando os olhos. – Se não vamos fazer nada, não é justo você me tocar para me deixar com vontade de transar.
– Não é possível que você não tenha nenhum contatinho de emergência para apagar esse seu fogo. – Eu acariciei-o por cima da calça. Mordi os lábios enquanto o encarava.
Suas mãos apertaram minha cintura antes de se separarem. Uma alcançou minha bunda, enquanto a outra passeou por meu corpo, parando no meu seio, onde ele o apertou, fazendo minha respiração falhar.
Ficamos nessa provocação por mais alguns minutos, até ouvir Faith bater na porta anunciando o fim do tempo. Ajeitei-me, voltando ao que todos já estavam acostumados a ver: uma garota louca, levemente alterada, com cara de anjo. E saí sorrindo de dentro do banheiro, enquanto Harry soltou um grito não tão alto, indicando que eu havia conseguido o deixar exatamente como eu queria.
Avisei que retornaria até meu quarto, já que tinha aula pela manhã. Niall pediu para pegar emprestado algumas anotações e eu assenti. Despedimos de todos, que também estavam indo embora, e seguimos ao quarto ao lado. Ele sentou na minha cama enquanto eu abria o fichário. Sabia que Horan não era santo, já tinha pegado ele dando umas boas olhadas para minha bunda e até mesmo para meus peitos.
– Horan! – exclamei e ele se assustou, indicando que, sim, ele estava mais uma vez me observando. O empurrei na cama, e montei em cima dele. – Se eu não tivesse medo de estragar nossa amizade eu iria sentar em você aqui, agora mesmo. – Confessei o vendo arregalar os olhos. Niall é bonito, o que posso fazer? Ele seria um ótimo, hm, pau amigo.
– Não é mais fácil você dar pro Harry de uma vez? – ele colocou os braços atrás de sua cabeça, gostando da posição em que estávamos. – Também não acho que isso seja uma boa ideia, .
– Eu não quero que as coisas sejam tão fáceis assim para Harry, Niall. – saí de cima dele, que resmungou em reprovação. – Deus, eu me sinto uma vadia agora. Perdão. – perdi desculpas corando, mostrando o quão tímida estava.
– Hey, relaxa, é isso que acontece quando a gente mistura álcool com tesão. Toma um banho frio, logo passa. – Ele bagunçou meus cabelos. – Agora tenta dormir, temos aula amanhã cedo. – Assenti. – Boa noite, . – me deu um beijo na testa e saiu do quarto.
Era só a segunda vez que eu havia ficado perto de Harry e olha só o que havia acontecido! Vai ser um longo semestre…

IV – Vestida como o diabo

A semana se passou num sopro, e quando percebi já era sexta feira.
Aparentemente agora eu fazia parte de um grupo de pessoas que incluía, além das pessoas que eu já vinha passando um tempo, Eleanor Calder. Conheci Eleanor durante a semana num projeto que eu e Niall decidimos entrar, para que conseguíssemos cumprir a carga horária exigida para atividades extracurriculares. Acabamos conversando bastante, sobre o projeto e todo o resto, como festas e família. Como Els é amiga da Faith, acabou se juntando ao nosso grupo. Ela namora um garoto do terceiro ano chamado Louis, que é estudante de música, e acaba sendo o responsável pelas festas de toda sexta feira. Não pretendia ir na de hoje, mas ela nos fez prometer que iríamos, antes de se levantar a da mesa do refeitório e ir até onde seu namorado estava. saiu logo em seguida, para não se atrasar para a aula da tarde.
– Então, lindezas, o que vocês vão vestir essa noite para me deixar babando? – Harry passou um braço em minha cintura e o outro na de Fay.
– Quem te deu a ousadia de falar comigo assim, Styles? – o encarei brincando, tirando sua mão de mim.
– Jesus, , era assim que você tratava seu ex namorado? – Faith exclamou em meio a risos. Ela adorava o jeito com que tentava colocar Harry em seu devido lugar.
– Eu nunca namorei, amiga. – Dei ombros. – Não sou muito fã de relacionamentos… Pra que ficar só com uma pessoa se eu posso ter várias? – dei ombros e olhei de Harry até Liam, passando por Niall.
– Acho que de três, passaram a ser só dois. – Styles soltou, vendo a amiga o repreender.
– O que? Estou chocado. – Niall soltou sendo o primeiro a entender o sentido da frase do moreno. – O que uma semana e um jogo não fazem com um homem. – ele brincou.
– Então tá rolando? – perguntei animada. Harry assentiu. – Meu Deus, bastava uma brincadeira pra você finalmente pegar a menina… Se soubesse tinha feito isso no dia do deck. – confessei e Liam rolou os olhos. Vi Faith soltar um risinho tímido e puxar Liam pra longe do grupo.
, esteja pronta às 21h, Els vai pegar a gente nesse horário. – ela disse já de costas.
– Vamos Nialler, quero que me ajude a escolher minha roupa. – puxei ele pelo braço. – Eu ia te deixar sozinho, Styles, mas to com pena, você vem? Prometo ficar só de sutiã na sua frente. – brinquei com certo grau de provocação e meu amigo rolou os olhos.
– Por mais que eu queira ver isso, pra depois ter uma cena melhor do que a do banheiro pra bater uma punheta, eu tenho compromisso agora. Então, até a festa, . – ele disse rindo. Se virou, indo na direção contrária da que eu iria.
Fomos até meu quarto no prédio em que morava para escolher um look decente para usar essa noite. Eu queria algo que fosse bonito e bastante provocador ao mesmo tempo. Planejava deixar Harry no mesmo estado de domingo, e para isso eu precisava bolar um plano bom o suficiente. E se, talvez, eu ficasse com alguém enquanto o olhasse? Não sei se gosto dessa ideia… Tinha plena certeza de que eu o deixaria completamente louco essa noite, só faltava descobrir como.
Conversei com Niall um pouco mais, antes dele voltar para o dormitório que dividia com Liam. Descobri que ele estava interessado numa loira que havia visto no deck na semana anterior, e, se ela estivesse na festa de hoje, com certeza tentaria algo com ela. Dei o maior apoio, afinal, ele também merece ter alguém para pegar. Ele foi embora para seu dormitório e eu aproveitei para dormir um pouco, já imaginando o quão longa seria a noite.
Acordei e comecei a me arrumar. A roupa que havia escolhido era uma saia preta de couro, curta e colada, e um body vermelho com um decote não tão vulgar, mas que mostrava o suficiente de meus peitos para causar um impacto. Calcei nos pés uma ankle boot com um salto baixo. Fiz uma maquiagem leve e deixei meus cabelos soltos. Detestava fazer maquiagens mais carregadas para ir a festas, porque sabia que não terminaria com elas intactas em meu rosto.
Fay me ligou, dizendo que Els já nos esperava na frente do nosso prédio e que Niall e Liam já estavam com ela lá embaixo. Desci rapidamente para não fazer ninguém esperar. Cumprimentei a motorista, e entramos no carro. Eleanor não era uma motorista de se admirar, mas fazíamos piadas disso durante o trajeto para deixá-la menos tensa, ainda mais depois que deixou o carro morrer, antes de sair da frente do alojamento.
A festa dessa vez era numa casa. Descobri ser uma casa dividida entre 3 rapazes que estudavam junto de Louis, e acompanhavam o mesmo ritmo festeiro. Ao entrar já senti alguns olhares direto para o meu decote, e nesse momento soube o quão boa havia sido a escolha daquelas peças. Faith e Eleanor puxaram nós três até uma sala, onde demos de cara com Harry pegando uma garota. Praticamente comendo ela no meio de todo mundo. Todos​ estavam tranquilos com a cena, menos Niall, que sussurrou para mim “é a loira que eu falei mais cedo”, e então entendi tudo. Todos se sentaram ali, e quando ia me acomodar no sofá, Niall me puxou, fazendo com que eu me sentasse em seu colo. “Se ele vai ficar com a garota que eu queria, nada mais justo eu ajudar a provocá-lo com a garota que ele quer pegar”, ouvi o loiro cochichar no meu ouvido e soltei uma gargalhada, talvez um pouco alta demais, chamando atenção de nossos amigos, que antes conversavam distraídos, mas logo voltaram ao papo que estavam.
– Rancoroso, gosto. Tem certeza que quer fazer isso? – perguntei baixinho o encarando. Ele apenas assentiu e colou seus lábios em meu pescoço. Mordi o lábio inferior ao senti-lo beijar próximo de minha orelha. Meu ponto fraco. – É melhor pegar um pouquinho mais leve, Niall, não acho que vai ser legal se você me deixar com tesão logo no início da festa. – falei, ainda baixinho, e ele se afastou com um sorriso presunçoso. – Vou pegar uma bebida. – levantei-me indo até a cozinha.
Andei até a cozinha calmamente, analisando cada homem que ali estava. Haviam muitos bonitos. Deus abençoe os universitários. Ri com esse pensamento enquanto enchia meu copo de vodca e misturava com Coca-Cola.
– Tá rindo de que, ? – senti a mão de Styles em minha cintura. Bingo!
– Rindo do quanto você é patético. – dei um gole em meu copo.
– Ouch! – exclamou. – Vem comigo. – me puxou pela mão até o andar de cima. – Você está com Niall então? – paramos no final do corredor, onde se ouvia a música que tocava bem mais baixa.
– Entenda de uma vez, meu anjo, eu nunca estou com ninguém. – mordi o lábio inferior, o encarando nos olhos. – E você e a loira, huh?! Quantas garotas vai querer comer antes de mim? – provoquei usando meu tom mais sedutor.
– O que garante que eu quero transar tanto com você assim, ? – ele se aproximou, me prensando um pouco contra parede.
– Bom, você está aqui agora, não está, Styles? – ele ergueu as sobrancelhas, surpreso com as palavras que haviam acabado de sair de minha boca. – De que adianta gastar tempo com entradinhas, quando se quer o prato principal? – ele abriu um sorriso e tentou me dar um beijo. Virei o rosto.
– Facilita minha vida, me deixa logo te beijar e te pegar de jeito, garota. – ele pediu. Analisei-o de cima abaixo antes de dar o veredito.
– Adoraria, mas hoje eu estou com Niall, já que você está com a presa dele. – tomei outro gole da bebida que quase esqueci que segurava. – Quem sabe não consigo espaço na minha agenda pra você… – pausei um pouco como quem pensa. – Na quarta da semana que vem?! Vou descer, até mais, Harry. – beijei o canto de sua boca, antes de voltar até a sala, sentando no colo de meu amigo outra vez.
Tomei um gole generoso de minha bebida enquanto via Harry chegar, sentar ao lado da loira e puxar as pernas dela pra cima das dele. Ele me encarava como se quisesse me decifrar, e não posso negar de que gostava de toda a atenção que ele me dava. chegou na festa, estranhando a posição em que eu e seu primo nos encontrávamos. Mas assim que viu Styles, entendeu do que se tratava e balançou a cabeça rindo.
Cansada de ficar ali conversando, me levantei, trazendo comigo para onde todos estavam dançando. Começamos a mexer o quadril acompanhando a música desconhecida que tocava. Era uma boa festa, mas já estava ficando chata. Avisei a onde iria e caminhei até Niall, apoiando a mão em seus joelhos para o encarar.
– Você trouxe né? – perguntei e ele afirmou. – Vamos lá pra fora então. – levantei e todo mundo encarou a gente sem entender nada. Talvez tivessem pensado que eu e Niall iríamos para o jardim dos fundos para transar…
– Que foi gente, é só maconha. – rolei os olhos rindo.
– Alguém mais vem? – o loiro de pé, perguntou e passou a mão em minha cintura. Liam e Faith se levantaram para no seguir. Eleanor foi atrás do namorado, deixando Harry e a garota sozinhos.
– Eu tava precisando disso. Mais um segundo lá com a insuportável da Alexi eu ia surtar. – Faith disse após dar uma tragada no beck.
– Tá vendo Nialler, você se safou. – Liam se pronunciou fazendo todos nós rirmos.
– Harry ta de saco cheio dela já. Já falei pra dispensar, não vale a pena aguentar ela só pra transar. – Faith confessou, passando o beck pra mim. – Você devia o ajudar, .
– Por que eu? Você que é a melhor amiga dele. – franzi a testa, sem entender.
– Exatamente por isso que não pode ser eu. Ela conhece minha relação com ele, já a sua…
– Isso é crueldade até pra mim, . – Horan disse enquanto eu dava uma tragada no beck. Respondi um curto “ta” e voltei pra dentro da festa.
Passei por e avisei o que estava rolando nos fundos da casa, e ela se animou, indo saltitando até onde a galera estava. Passei pela cozinha mais uma vez para tomar um shot de tequila e ganhar mais coragem. Pronto, agora vai. Caminhei até a sala vendo a garota sentada junto de Harry, pensando em como o tiraria daquela situação. De longe, observei como ele estava entediado enquanto a garota falava de que precisava de uma ajuda para escolher o corte de cabelo que faria na semana seguinte. Superficial. Me apoiei na parede, para curtir um pouco mais a “tortura” que ele estava sofrendo. Eu queria que ele pedisse por ajuda, por isso estava demorando tanto para intervir. E foi exatamente o que ele fez quando me viu observando de longe. Mexeu a boca pedindo “me ajuda”. Ok, hora de agir.
Andei até onde ele estava, e aproveitando que a garota ao lado estava um pouco distraída, e sentei no colo de Harry, passando uma perna de cada lado, pouco me importando se estava de saia, e dando um beijo no pescoço dele, enquanto suas mãos apertaram minha bunda.
– Hm, oi? – a loira chamou atenção e a olhei com a maior cara de paisagem. – Ele está comigo.
– Ah, linda, acho que não. – respondi enquanto olhava para a posição em que eu estava e depois para a que ela estava, num gesto de deboche. – Não mesmo.
– Diz a ela que você veio comigo, e que está comigo. – ela insistia, ai que garota chata.
– É Styles, me diz que está com ela que saio de cima de você agora. – olhei no fundo dos olhos dele e me mexi em seu colo para acertar minha posição, já sabendo o que aquela fricção repentina causaria.
– Alexi, acho melhor você ir. – ele disse, encarando meu decote. Ela soltou um grito estridente por ter sido contrariada.
Bye bitch. – Acenei ao ver a garota de costas.
– Adoro a forma que você me lembra do diabo, vestida desse jeito. – ele bateu na minha bunda com as duas mãos ao mesmo tempo, e tentou se aproximar para me beijar.
– Acabou a palhaçada, vamos lá pra fora que eu ainda não estou chapada o suficiente para pensar em você nu na minha cama. – ele riu e eu me levantei.
– Você é de outro mundo, .
Voltamos para os fundos da casa, onde tinha um jardim aberto, encontrando nossos amigos. Não preciso nem dizer que terminamos a noite completamente loucos. Eleanor nos deixou na frente da construção em que eu morava. Faith puxou Liam para seu quarto e Niall caminhou para o seu. Harry também veio com a gente, coubemos todos bastante apertadinhos dentro do carro. Como seu dormitório ficava longe, meu coração bondoso fez com que eu o chamasse para dormir no meu quarto, dando privacidade para o mais novo casal do grupo. Ele concordou e me acompanhou até o andar em que morava.
– Hm, ? – ele perguntou assustado quando me viu tirar a saia que vestia, ficando só de body. Resmunguei um “o que?” enquanto amarrava meu cabelo num coque para tirar a roupa e vestir um pijama. – O que você tá fazendo?
– Trocando de roupa, oras. – dei ombro e abri a gaveta, tirando uma calça de moletom e uma blusa confortável. – É só virar pro outro lado.
– Não, eu quero ver isso. – rolei os olhos ao ver que ele havia se acomodado mais na minha cama. De costas tirei a peça vermelha que eu vestia, e vesti a roupa confortável que tinha separado.
– Você vai dormir de jeans? – ergui uma sobrancelha ao o olhar todo vestido. – Tira isso, eu aumento o aquecedor. – e assim me obedeceu, ficando só de cueca na minha frente. YUMMY. – Boa noite, Styles. – disse ao deitar na minha cama.
– Boa noite, . – ele respondeu ao deitar ao meu lado.
Em questão de segundo adormecemos.

V – Sugar Daddy

Acordei estranhando o local em que estava deitada. Desde quando minha cama ficou tão quente e usa perfume masculino? Abri os olhos assustada, percebendo que eu estava deitada no peito de Harry, que já havia acordado e estava mexendo no celular. Afastei-me rapidamente e ele soltou uma gargalhada gostosa de ouvir.
– Bom dia, . – bloqueou o celular e me encarou.
– O que você ainda está fazendo aqui? – perguntei, sentando-me na cama e prendendo o cabelo num coque.
– Eu até pensei em ir embora antes, mas eu queria ver o seu pavor ao acordar comigo ao seu lado. – ele tombou a cabeça para o lado, e uma expressão de divertimento estava em seu rosto. – E você tava me abraçando tão forte, que ficava difícil sair. – arregalei os olhos.
– Pronto, já te soltei, pode ir. – me joguei na cama, deitando de costas para ele.
– Tem certeza que você quer que eu vá? – Ele colou seu corpo atrás do meu. – Talvez eu esteja num ótimo humor para uma foda matinal. – disse em meu ouvido, causando arrepios. Foi quando eu lembrei que ele estava apenas de cueca.
– Ah, é mesmo? – deslizei minha mão até o meio de suas pernas, encontrando o que eu queria. – Bom, talvez eu também esteja. – virei-me de frente, encontrando-o muito perto. Muito perto mesmo. Meus carinhos cessaram.
– Não para, ta gostoso. – ele pegou minha mão e levou de volta ao lugar em que ela estava, e depois alcançou o meio das minhas pernas. Um frio correu pela minha coluna. – Gostei a reação. – disse olhando no fundo dos meus olhos. Ele trocou nossa posição deitando por cima, entre minhas pernas, esfregando sua ereção em mim. – O que foi , ta tão quieta… Adora provocar, mas quando te provocam, você não reage? – minhas mãos alcançaram seus cabelos, os segurando com força.
– Quem disse que eu to quieta? – foi a minha vez de mexer o quadril. Sua respiração ficou mais pesada. Puxei seu rosto de encontro ao meu, mordendo seu lábio inferior, afastando-o novamente. – To só pensando no que eu quero comer de café de manhã. – empurrei seu corpo de cima do meu, e me levantei da cama. – Anda gato, levanta, eu to com fome. – ele estava deitado, rindo feito bobo.
Harry se vestiu, e eu troquei de roupa para podermos ir até uma cafeteria próxima para tomar café. Eu não estava nem um pouco acostumada com dormir com rapazes. Eu nunca os chamo pra minha casa, e sempre vou embora logo após o sexo. Não há necessidade para que eu fique durante a noite… Ou há? A sensação do desconhecido me incomoda bastante, por isso fiquei completamente travada até que chegássemos na cafeteria.
Já dentro do estabelecimento, relaxei um pouco. Ninguém ali sabia que ele tinha passado a noite no meu quarto, então, por que minha cabeça insistia que eu teria que da explicação para todo mundo ali, de que não estávamos juntos? Styles percebeu meu desconforto, e se manteve calado durante maior parte do tempo. Fizemos os pedidos e, para não ter que começar um diálogo decente, peguei meu celular para mexer e esquecer por dois segundos que tinha um cara junto de mim. Sabia que ele estava me olhando esquisito, porque não estava entendendo absolutamente nada do que estava acontecendo, e essa era outra coisa que me incomodava.
De repente pareceu que eu não sabia conversar com ninguém. Me senti tímida e perdida. A minha situação era similar a de um encontro, mesmo sendo apenas uma merda de um café da manhã pós festa… Por que eu não conseguia me manter normal? A questão é: eu saio com muitos garotos, mas com nenhum deles eu preciso passar por isso que estou passando, afinal é sempre só sexo. É fácil vir tomar café com Niall, ou com Liam. Por que parece ser tão mais complicado com Harry? Ele é só um idiota qualquer que quer transar comigo, e eu me divirto deixando ele com o pau duro e dispensando ele.
– Então… – ele começou, claramente incomodado com o silêncio. – Ah, obrigado. – agradeceu a garçonete que entregou nossos pedidos.
– Pode falar. – dei ombros e olhei pro meu croissant.
– Nunca tivemos chance de nos conhecermos de verdade, podíamos usar esse tempo pra isso. – ele soltou.
– Hm, ok. O que você quer saber? – pra que ele queria saber mais de mim?
– Não sei, da onde você é? – ele perguntou tomando um gole de seu café com leite.
– Eu sou de Manchester, e você? – devolvi a pergunta.
– Sou de um pequeno vilarejo chamado Holmes Chapel. – sorriu doce.
– Não acredito que você tenha aprendido a ser tão safado morando num vilarejo. – acusei e vi suas sobrancelhas arquearem.
– Acredite se quiser, mas sim, aprendi morando num vilarejo. – rolei os olhos e sorri. – Só sou assim com quem merece. – piscou com um olho pra mim.
– Vou levar isso como um elogio. – bebi meu cappuccino. – Não é atoa que achei que era gay quando te conheci.
– O que você gosta de fazer quando não está estudando ou dando em cima de mim? – trocou de assunto do nada.
– Eu não dou em cima de você, garoto, se situa. – ele riu. – Mas, eu gosto de assistir pornô e fumar maconha. – ele arregalou os olhos. – To brincando.
– Tudo gira em torno de sexo com você, ? – ele estreitou os olhos me analisando. – Se vamos ter uma amizade, é bom você começar a colaborar para que isso aconteça. – OUCH! Pegou pesado.
– Tudo bem, tudo bem. – a verdade é que não queria falar sobre mim para Harry. – Eu gosto de ouvir músicas, ler e ir para lugares que tem uma paisagem bonita para admirar. – Ele então ficou pensativo, me encarando mais profundamente do que antes.
– Oh, bom dia para vocês! – entrou na cafeteria. Obrigada universo!
– Bom dia… – respondemos em uníssono.
– Eu, hm… Já vou… Tchau . – Harry disse, saindo às pressas da cafeteria.
– Ué, o que aconteceu com ele? – ) se sentou na minha frente.
- Sei lá, me fez algumas perguntas sobre mim e ficou me olhando esquisito. – Dei ombros. – E aí, quais são os planos pra hoje?
Não fazia tempo que eu e havíamos conversado sozinhas, mas ainda assim, a sensação que tinha era de que fazia pelo menos uma semana que não nos víamos. Ela me contou da semana dela, e de como estava triste por descobrir que o primo dela iria embora outra vez – já que só tinha vindo por causa da uma emergência familiar -. Não tinha uma data definida e eu nem quis saber para onde ele voltaria, apenas me concentrei na frase “ele vem para cá hoje, quer sair com a gente”. Okay, seu pedido é uma ordem, querida amiga ). Steve era bem mais velho que a gente, ele já era um médico formado e especializado. Agora, a razão pela qual ele quer sair com um monte de universitários de 20 e 21 anos, é uma incógnita. disse que ele era completamente sem vergonha, e foi ele que a ensinou tudo o que sabe hoje. Disse também que ia ser bem provável que ele tentasse algo comigo, já que Faith estaria agarrada com Liam, e mesmo que ele fosse um galinha, ele respeitava o namoro das pessoas. Não que eles estivessem namorando, mas estavam juntos, e ninguém podia negar isso.
- Ei gente. – Fay chegou se juntando a gente. – O que aconteceu com Harry? Ele passou todo estranho por mim... – ela me olhou querendo resposta.
- Não sei, Fay, a gente dormiu junto, acordamos e viemos tomar café, quando chegou, ele saiu todo esquisito. – dei ombros.
- Como assim vocês dormiram juntos, ? – só não gritou essa frase porque não estávamos no quarto de uma de nós.
- O prédio que ele mora fica longe, e ele não tava de carro, então eu, como a alma caridosa que sou, ofereci que ele dormisse no meu, pra que Liam e Faith pudessem se comer em paz.
- Só dormiram? – A cacheada se sentou ao lado da loira.
- Sim, por incrível que pareça, só dormimos. Já disse a vocês que não vou ficar com ele, e que gosto do jogo. – fiz sinal para a garçonete e pedi um muffin.
- Vou ligar pra ele mais tarde. – Faith fez pouco caso. – Mas então, pub hoje a noite?
Ficamos mais um bom tempo ali, conversando e rindo bastante. Faith contou como Liam vinha sendo um completo cavalheiro com ela, e, mesmo que não seguissem o mesmo estilo de vida, ela acreditava que podiam dar certo. E, de fato, podiam. Fay é completamente louca, e Payne é aquela pessoa certinha, mas que não julga a maluquice dos outros. Eles juntos são a definição do equilíbrio, visto que ela o faz cometer loucuras, e ele a faz ser um pouco mais controlada. Estava realmente feliz por eles estarem juntos, e só fazia uma semana. É absurda a intensidade pela qual estão se deixando levar.
Acabamos emendando o café da manhã no almoço, e depois cada uma voltou para seu quarto. Tentei estudar um pouco, mas ainda estava muito cansada e acabei adormecendo em cima dos livros.
- Por que você fez isso? – meus olhos se encheram de lágrimas.
- Porque você não quis liberar pra mim, eu sou homem, , tenho necessidades. – ele disse enquanto vestia as calças.
- Porra, mas tinha que ser com a minha melhor amiga? De todas as garotas do mundo, tinha que ser justo com ela? – me sentei no canto do quarto abraçando minhas pernas.
- Você devia rever as suas amizades. – ele cuspiu as palavras.
- Você era pessoa que eu mais confiava, a pessoa que mais me conhecia... Não entendo... – comecei, mas as palavras faltaram então me calei.
- Bom, a não ser que você vá abrir as pernas pra mim, não acho que devemos mais ficar juntos... – George se agachou na minha frente. – Você sabe que eu sonho em tirar esse seu cabaço desde que nos conhecemos, e que era só por isso que eu tava fazendo você se apaixonar por mim, porque eu queria foder você em todas as posições, mas já que isso não vai acontecer... Pode ir embora. – abriu a porta de seu quarto para mim.
Eu estava chocada, não sabia o que fazer. A força do além me fez levantar e correr pro banheiro. Eu senti nojo dele. Nojo de saber que algum dia aquela boca havia me beijado. Encarei meu reflexo no espelho, consertei a minha maquiagem, respirei fundo e desci as escadas. Procurei a festa toda por Caleb, seu melhor amigo, e o achei jogando sinuca com alguns outros garotos do time de lacrosse. Sentei-me na mesa de sinuca e puxei Caleb para o meio de minhas pernas, começando um beijo de cinema, enquanto os outros garotos começaram a gritar em coro “George é corno”. De onde veio essa coragem? Bom, nunca saberemos.

Acordei suando. Era sempre horrível quando eu sonhava com isso, porque me traziam recordações que não me deixavam seguir em frente e viver novas experiências. Por causa de George nunca namorei, nunca fui capaz de me entregar ao amor outra vez. Eu tinha só 15 anos, e parece que foi ontem que isso aconteceu.
Espantei os pensamentos e fui tomar um banho para começar a me arrumar para ir ao pub. Optei por vestir um vestido verde, curto e um pouco justo, com uma jaqueta jeans folgada, nos pés um salto não tão alto. Prendi meu cabelo num rabo de cavalo arrumadinho, e fiz uma maquiagem mais elaborada. Me perfumei e estava pronta. Fay bateu em minha porta, e descemos as escadas do dormitório.
- Não consegue ficar longe de mim mesmo né, teve até que vir me buscar. – brinquei ao ver que Harry era o motorista.
- Para de falar e entra de uma vez nesse carro. – ele disse brincando, enquanto eu, Liam, Niall e Faith entravamos no veículo.
Styles estacionou próximo ao pub, e caminhamos alguns metros até a entrada. Ao entrarmos, procuramos por , que já estava conversando com seu primo em uma das mesas do local. Ela acenou ao nos ver, chamando-nos para ir até ela.
- Gente, esse é Steve, meu primo. – apresentou o homem com barba que estava na mesa. Niall já o conhecia, e eles deram um toque esquisito. Ele conseguia ser ainda mais bonito pessoalmente.
- Prazer em conhecer todos. – cumprimentou um de cada vez. – Você deve ser . – me olhou de cima a baixo. E deu um sorrisinho de lado.
- Não gostei de como ele te olha. – Harry parou atrás de mim, segurando meu quadril. – Ele te olha como se fosse comer com os olhos. – sussurrou no meu ouvido.
- Você também, e daí? – rebati, com cara de paisagem, sem virar para o encarar.
- Você tá muito bonita, . – me virou de frente.
- Você não vai desistir mesmo né? – ele negou com a cabeça. – Pena. – ri na cara dele. – Steve também não.
- Ah, pelo amor de Deus, o cara é dez anos mais velho que você. – ele rolou os olhos.
- Eu tava mesmo procurando um sugar daddy pra mim. – Gargalhei da expressão que ele fez. Harry me deixou em paz e foi até o bar. Em questão de minutos voltou com dois copos de gim e tônica. Me entregando um deles. – Obrigada. – ele apenas ergueu o copo, como se dissesse “por nada”.
- Então, você faz medicina? – Steve me perguntou, se apoiando na mesa.
Engatamos numa conversa animada e até Niall se juntou a nós. Steve deu boas dicas de estudos e para escolher a área em que atuaremos. Eu nem o olhava mais como um cara que eu gostaria de pegar, e sim como uma pessoa que está ali para conversar com você e ajudar a ampliar sua visão de mundo. Claro que ser um colírio pros meus olhos é um bônus.
Num momento de distração procurei Harry e não achei. Mas... Por que eu estou procurando ele mesmo? Acho que é porque eu gosto de ter toda a sua atenção voltada pra mim. Pedi licença e fui até o bar buscar alguma coisa para beber. Olhei por alguns minutos pra lista de bebidas, e acabei escolhendo uma com sabor adocicado de coco e abacaxi. Piña Colada.
- Hey. – um cara alto e de cabelos grandes me parou. – Tudo bem? – o ignorei e tentei voltar até onde meus amigos estavam. – Ei, garota, tô falando com você.
- E eu te ignorando, me dá licença. – tentei seguir meu caminho, mas fui parada outra vez.
- Sua mãe não te deu educação não? – rolei os olhos e fiz cara de nojo. – É mal educada, mas é muito bonita.
- Ai cara, me erra e sai da minha frente, por favor. – pedi e tombei a cabeça pro lado, impaciente. Ele colocou a mão no meu rosto e eu tirei.
- Eu só quero um beijo. – ele colocou a mão de novo no meu rosto.
- Ela tem namorado, oh babaca. – Ouvi uma voz atrás de mim e uma mão passar na minha cintura. Era Harry.
- Ah, você é o namorado dela? Por que deixou ela ir pegar a bebida dela sozinha então? – ele questionou nosso suposto relacionamento.
- Porque eu tenho perna e livre arbítrio pra fazer o que quiser, agora se me dá licença, eu tenho que voltar pra onde nossos amigos estão, beber um pouco mais a ponto de querer chupar o pau do meu namorado aqui no meio da festa. – o cabeludo se assustou com as palavras que saíram de minha boca.
- É isso que eu adoro nessa mulher. – disse me olhando, enquanto eu ria com deboche da cara do homem na nossa frente. Styles puxou meu rosto e me beijou. Desprevenida. Não acreditei no que estava acontecendo, mas como estava tentando afastar o idiota que não aceita “não” como resposta, retribuí o beijo. Ele não beija mal, beija muito, muito bem mesmo e, por mais inesperado que pareça, eu não queria parar de beijar ele. – Desculpa por isso, mas uma mão lava a outra, você me ajudou com Alexi, e eu te ajudei aqui hoje. Estamos quites. - Pela primeira vez, desde que nos conhecemos, estava sem palavras. – Essa é a hora que você diz “Obrigada, Harry, dorme comigo outra vez”. – E soltou uma gargalhada alta.
- Obrigada, Harry, dorme comigo outra vez? – repeti, com a voz carregada de deboche, o que ele tinha dito.
- Até o fim da noite eu decido. – me roubou outro beijo e puxou para onde todo mundo estava.
De volta ao grupo, ficamos rindo das histórias de e Steve. Eles realmente levam YOLO muito a sério. Não demorou para todos demonstrarem cansaço, e decidimos ir embora. Faith, Liam e Niall se sentaram atrás, e eu no banco da frente com Styles. Ele foi o caminho inteiro tentando por a mão na minha coxa, e eu tirando. Estava divertido, e até quem estava no banco de trás ficava rindo da situação. Chegamos na frente de nossos prédios e todos saíram do carro para se despedir. Niall e Liam foram para o dormitório deles e eu e Faith estávamos indo para o nosso, quando Harry fez sinal para que Fay subisse e me deixasse para trás.
- . – ele me chamou, escorado no seu carro preto. – O que você vai fazer amanhã?
- Acho que dormir e estudar, por que? – andei até um pouco mais próximo dele.
- Tem um lugar que eu quero te mostrar. – franzi a testa. – Você disse que gosta de admirar paisagens bonitas... – Vi um pingo de esperança em seus olhos. Bem pouco. Ele já imaginava que eu iria negar.
- Tudo bem, amanhã que horário? – ele me olhou surpreso.
- Às três da tarde passo aqui para te pegar. – eu assenti. Ele veio até mim. – Boa noite, dorme bem e sonha comigo.
- Se eu sonhar contigo vou ter pesadelo, você sabe. – ele sorriu e me abraçou. Da onde ta vindo todo esse carinho? Eu quero a ironia e o sarcasmo!
- Até nosso encontro amanhã. – ele disse, entrando no carro e dando partida.
- Não é um encontro. – disse e virei as costas. – Tchau Styles.
Ele arrancou e partiu para o prédio em que morava. Subi até meu andar e, ao entrar no meu quarto, tirei as roupas e me joguei na cama. É muito melhor dormir sozinha. Com esse pensamento adormeci.

VI – Boytoy

Acordei por volta do horário do almoço. Comi um biscoito que estava guardado no meu armário. Olhei um pouco as redes sociais e mandei mensagem para minha mãe, perguntando como tudo estava em Manchester. Eu sentia saudades de casa, mesmo tendo pouco tempo que havia me mudado para Oxford. Na verdade eu sinto saudades da minha família, que sempre foi muito unida. Todo domingo nós almoçávamos na casa de minha avó, e era onde compartilhávamos os acontecimentos semanais. Sorri ao lembrar disso, e me peguei pensando no quanto eu queria que eles estivessem aqui comigo. Uma lágrima escorreu no olho esquerdo, mas logo a enxuguei, afinal não podia ficar com cara de choro. Não hoje.
A temperatura seguia amena, mas logo o outono começaria a se manifestar. Ainda era um misto de fim de verão e início de outono. Eu amava as transições de estações, mas mal podia esperar para ver toda a cidade coberta por folhas secas e, seguidamente, neve. O céu estava limpo, por incrível que pareça, mas como na Inglaterra não se pode confiar no clima, coloquei um guarda-chuva na mochila que levaria.
Tomei um banho e comecei a me arrumar. Calça preta com rasgos no joelho e um moletom azul royal, com o símbolo da universidade em branco, um pouco maior que o necessário, com mangas puxadas até o cotovelo. Nos pés um all star preto tradicional. Sequei meus cabelos com o secador e os deixei soltos. Não fiz nenhuma maquiagem, não tinha necessidade disso. Não havia ideia de onde iria com Harry, ou de quanto tempo ficaria lá com ele, então coloquei na mochila um carregador de celular, um pacote de salgadinhos e uma garrafinha com água. Ouvi meu celular vibrar assim que acabei de arrumar tudo, e desci as escadas do dormitório, encontrando Harry apoiado no carro mexendo no celular. Ele também estava com uma calça skinny preta, all star preto e uma camiseta branca. Assim que ele levantou o olhar para mim, vi seu ray-ban preto. Ele sorriu de lado.
– Boa tarde, mademoiselle. – Estendeu a mão, pegando minha mochila e jogando no banco de trás.
– Boa tarde, monsieur. – me direcionei até o banco do carona, sentando e fechando a porta em seguida.
Parle-vouz français? – ele continuou falando francês ao dar partida no carro.
Je parle un peu. – sorri me achando a bilíngue.
– Ok, garota de Manchester, além de francês, fala alguma outra língua? – ele perguntou sem tirar os olhos da rua em que passávamos.
– Infelizmente não. – fiz bico e ele olhou de canto de olho. – Onde vamos?
– Surpresa. – foi a última coisa que disse, antes que eu ligasse o rádio.
Capital FM estava tocando uma música que se encaixava completamente com o dia. Não demoramos muito até passar por um portão, que dava para um estacionamento, onde Harry estacionou o carro, pegou minha mochila e a dele. A partir dali teríamos que ir a pé. Andamos por bons 10 minutos conversando sobre a faculdade, e sobre como ela sugava nossas almas. Assim que paramos em frente a um lago, olhei em volta admirando a natureza que em breve começaria a mudar. Era um lugar muito bonito.
– Bem vinda a Magdalen Bridge Boathouse. – ele abriu os braços e olhou para cima. – Mas nós não vamos ficar aqui. – mostrou o chão e eu semicerrei os olhos o encarando. – Nós vamos ficar lá. – e apontou para o lago.
– Você só pode ta me zoando né? – cruzei os braços. – Nem a pau que vou entrar na água, Harry, ta frio. – ele rolou os olhos.
– Nós vamos de barco, idiota. – me empurrou de brincadeira. – Vem. – puxou minha mão até uma cabaninha. – Espera aqui, eu já volto. – Entrou na cabana e demorou alguns minutos lá dentro, sabe Deus fazendo o que. Aproveitei para tirar algumas fotos do local. Se eu fosse estudante de fotografia, esse com toda certeza seria meu paraíso. – Pronto. – ele voltou segurando um remo enorme.
– Você acha mesmo que vou arriscar a minha vida andando num barquinho com você? – perguntei e ele afirmou com a cabeça. – Ta completamente errado.
– Ai, , larga de ser chata e vem logo. – ele começou a empurrar minhas costas para que eu andasse até a beira do lago. Entrei no barco ainda na areia, assim como ele, e o moço que trabalhava com a locação nos empurrou, até que estivéssemos flutuando nas águas escuras. – Viu, não ta sendo tão ruim.
– Desde que você não vire esse barco e me faça morrer afogada, pode ser que seja agradável. – sorri e agarrei as bordas do barco.
Navegamos um pouco para longe da beirada, numa extremidade do lago onde haviam muitas sombras de arvores. Styles jogou uma toalha no fundo do bote e disse para que eu deitasse, e assim fiz. Ele se deitou também, mas do lado contrário, de modo que seus olhos ficassem na direção dos meus, mesmo que eu o estivesse vendo de cabeça para baixo. Olhei para cima e fiquei admirada com a beleza dos raios de sol passando pelo meio das folhas das árvores.
– Como você descobriu esse lugar? – virei a cabeça para o lado, encontrando seus olhos que me encaravam. Ele tentou disfarçar, mas falhou.
– Logo que eu cheguei em Oxford não conhecia ninguém, então procurava no google pontos mais visitados da cidade, e comecei a andar por aqui. – virei meu corpo de lado para prestar mais atenção na história. – Eu conheci bastante coisa da universidade, e num belo dia vi escrito ‘puntin’* na placa de entrada desse jardim e precisava experimentar. – ele olhou para cima. – demorou um pouco até Bobby me deixar pegar um bote sozinho, mas consegui, e aqui estamos nós. – sorri outra vez. Por que eu sorria tanto?
– Olha, vou ser sincera, não achava que você fosse me trazer num lugar como esse. – seus olhos verdes voltaram a me olhar. – Aqui é tão bonito e tão calmo. – soltei um suspiro enquanto admirava mais uma vez a natureza.
– Já parou pra pensar que essa é a primeira vez que conversamos sem nenhum dos dois investir no outro? – ele soltou cortando a minha vibe.
– Bom, como você mesmo disse, se vamos ser amigos eu preciso fazer isso funcionar. – dei ombros me concentrando outra vez na natureza. Podia até mesmo ouvir o canto de alguns pássaros. E o suspiro de Harry. – Mas não estou tão feliz com isso… Eu gosto de te deixar de pau duro. – Ri mordendo a língua e ele revirou os olhos.
– Que bom que seremos amigos então. – ele deu um sorriso fraco.
– Não pense que eu vou te deixar em paz, Styles. – Ele olhou pra cima também. – Já te contei como eu gosto de quando a gente ta brincando, né? – ele assentiu.
– Por que você é assim, ? – me fez uma pergunta inesperada e que mexia com meu passado não tão distante.
– Bom, digamos que eu apenas decidi que queria mudar, e mudei. – omiti muitos fatos. Não queria contar o que tinha acontecido a ele.
– Como você era antes? – ele esticou os braços pra cima, tentando pegar um feixe de luz.
– Eu era… – idiota, trouxa e corna – normal, como qualquer outra garota que você conhece. – sentei-me abrindo a mochila e pegando a garrafinha de água. – Foi melhor pra todo mundo a minha mudança, menos pros meus pais, eles passam mal comigo.
– Por que? – ele perguntou enquanto eu olhava ao redor de onde estávamos.
– Porque eles são muito conservadores, e queriam que eu fosse a filhinha perfeita. – rolei os olhos. – É isso que estão tentando fazer com que minha irmã se torne. – Por que eu estava contando sobre isso para Harry?
– Minha mãe também queria que eu fosse um filho perfeito, mas eu meio que perdi a cabeça quando meu pai nos deixou. Eu era bem novo, e ele simplesmente sumiu por três meses, e quando voltou, trouxe consigo um advogado e um monte de papéis. – ele revelou e eu me vi surpresa. – Não tenho raiva dele por isso, eles já não eram tão felizes, e agora minha mãe tem o Robin, ele é muito gente boa.
– Que bom que não guarda ressentimentos. – conclui e voltei a deitar o encarando, ele devolveu o olhar e afastou uma mecha do meu cabelo. Não. Não, você não vai me beijar. Não de novo. Ele tentou se aproximar e eu dei uma recuada, olhando para cima. – Por que me trouxe aqui? – ele deu um suspiro.
– Porque eu sei que você não conhece muita coisa daqui também, e esse é um lugar legal. – ele deu ombros. – Você não gostou?
– Não, eu adorei. – sorri, ainda olhando para cima. Ouvi meu estômago roncar.
– Acho que essa é a deixa para irmos até uma cafeteria. – ele afirmou e se sentou, pegando o remo e nos levando até a margem do lago. – Vou só levar o remo de volta à Bobby, você pode esperar aqui mesmo. – disse assim que estávamos em pé no chão gramado. Eu apenas assenti.
Harry não era desagradável como eu imaginava que fosse. Acho que quando mencionou que ele era um dos caras mais “cobiçados” da universidade, já o defini como um babaca, mas ele não era assim. Ele tinha seus picos de loucura, que eu adorava, mas ele também era bastante calmo, principalmente quando não tinha a minha mão em seu corpo tentando o estimular de alguma forma. Ri com esse pensamento. Eu realmente gosto de perturbar o garoto, é divertido.
Ele logo voltou e caminhamos de volta até o carro, seguindo até uma cafeteria dentro do próprio campus. Sentamos próximo aos vidros da entrada do Society Café e, enquanto comíamos e conversávamos, pudemos ver o sol se pôr por detrás dos prédios que frequentamos. Logo depois nós nos dirigimos até o meu dormitório.
– Bom, é isso. – ele disse, se encostando no carro outra vez. Parecia algo bem costumeiro dele.
– Foi um dia agradável. – sorri singelamente e ele me acompanhou.
– Você não é tão irritante como eu imaginei. – ele soltou e fingi estar ofendida. – To brincando. Vem cá. – ele puxou, me abraçando. Não, Harry, para com isso! – Você é uma garota legal. – Soltou o abraço, mas ainda segurando minha cintura.
– Você também não é tão babaca como eu esperava que fosse. – dei ombros já pensando no que faria a seguir, então soltei uma risadinha sacana. – Você não achou que eu fosse te deixar em paz por um dia, né? – me aproximei, dizendo isso em seu ouvido, bem baixinho. Ele franziu a testa em confusão. – Ah, qual é, Styles, vai me dizer que você não gosta de quando eu faço essas coisas contigo? – passei minhas unhas de leve em seu pescoço, agarrei seu cabelo e mordisquei o lóbulo de sua orelha.
– E eu achando que você poderia ser normal por pelo menos vinte e quatro horas. Estava enganado. – soltou e eu assenti. Ele me virou contra o carro, apertando minha cintura com mais força. – Gostar eu gosto, mas eu to cansando de só ser provocado. – foi a vez dele falar no meu ouvido. – Minha vontade, na verdade, é de enfiar a língua no meio das suas pernas e fazer você se contorcer enquanto pede por mais. – minha respiração falhou. Filho da puta, ele ta ficando bom nisso. – Por que não admite que quer que eu te coma lá no seu quarto agora, hein? – colou sua testa na minha, encarando meus olhos profundamente. Abri a boca umas duas vezes sem emitir nenhum som. Simplesmente não conseguia pronunciar uma palavra e sabia que precisava por minha cabeça no lugar.
– Não, na verdade, eu acho que você gostaria de me comer aqui. – senti sua mão agarrar meus cabelos e esfreguei minha bunda em seu pau. – Ou então no capô do seu carro. – rebolei causando mais fricção. Ele apertou meu quadril contra o seu e gemi seu nome. – Mas não vai rolar, desculpa. – me recompus e virei de frente, dando um beijo em sua bochecha. – Até mais, Harry.
– Porra ! – exclamou enquanto eu entrava no dormitório, mas antes de o ver ir embora, pude notar uma expressão confusa e pensativa se instalar em seu rosto. Por que isso dessa vez?
Subi as escadas até chegar em meu andar pensando no dia que tivemos. Foi um dia divertido, mesmo sem as provocações. Peraí… Styles é apenas um boytoy, não posso ficar pensando desse jeito, afinal ele só vai querer sexo e depois tchau, assim como todos os outros foram. Bom, isso não quer dizer que eu não possa o usar apenas pra sexo também… Mas não sei, ele não parece ser assim. COLOCA SUAS IDEIAS NO LUGAR, PELO AMOR DE DEUS! Entrei em meu quarto.
Álcool! Preciso de álcool. Abri o guarda roupa e peguei uma garrafa de vodca que guardava escondida. Não eram permitidas bebidas alcoólicas nos alojamentos, e eles faziam uma vistoria superficial uma vez por semana, por isso que tinha que deixar escondida. Virei a garrafa na boca, sentindo o líquido arder por minha garganta. Cada vez que fechava os olhos e via seu par de esmeraldas na minha frente, dava outra golada, e com pouco tempo já estava um pouco alegrinha.
Fechei os olhos mais uma vez, e lembrei do que tinha acontecido a pouco tempo na frente do alojamento. Deslizei uma mão até chegar na minha boceta e comecei a estimular o clitóris. Puta que pariu, eu preciso muito transar. Peguei o celular ao meu lado e mandei uma mensagem para Nikolas, um bonitinho que fazia projeto comigo e tinha dado em cima de mim. Bom, eu achava que tinha mandado pra Nikolas, já que poucos minutos depois Niall era quem estava na minha porta. Ok, ele também serve.
O puxei pra dentro do quarto e tranquei a porta atrás dele. O fiz sentar na cama e me sentei em seu colo, de frente pra ele. Tirei a blusa, deixando meu sutiã amostra, olhei para meus peitos e depois segui o olhar até chegar no rosto de Niall, que estava confuso – mas nem tanto, já que eu senti seu pau dar algum sinal de vida debaixo de mim.
– O que você ta fazendo, ? – Ele me perguntou, reunindo todas as suas forças pra isso.
– Eu quero transar, Niall. – respondi soltando o feixe do sutiã e o jogando pra algum canto. – Não é óbvio?
– Você tem certeza disso? – ele parecia preocupado.
– Pelo amor de Deus, é só sexo, eu não vou querer casar contigo depois disso. – rolei os olhos. – Ta afim ou não tá? – lancei a pergunta e ele mordeu os lábios olhando para meu busto exposto.
– Só sexo, sem sentimento ou compromisso? – ele perguntou inseguro.
– Sim, caralho, a gente só vai foder e depois vamos continuar sendo os mesmos amigos de sempre.
– Então tá bom. – foi a última coisa que ele disse antes de enfiar a língua na minha boca.
Niall é excelente na cama. O que ele sabe fazer com aquela boca é inexplicável. Ao final de nossa foda, ele se deitou ao meu lado, me puxando pra perto carinhosamente, mas eu não queria aquilo, então pedi delicadamente para que ele voltasse para seu dormitório e ele assentiu, dizendo para eu descansar porque as nossas segundas feiras sempre eram muito cansativas. Logo depois que ele saiu eu adormeci.

VII – Quem foi o sortudo?

As aulas antes do almoço voaram e eu nunca fui tão grata por isso. Amo a área que escolhi, mas existem matérias que me tiram do sério. A tarde toda seria dedicada ao projeto de extensão que estou. Quer dizer, não só eu, mas como Niall também. Niall que passou a manhã toda tentando superar as minhas piadinhas sobre a noite passada. Estávamos eu, Horan e Payne no refeitório para almoçar, e, assim que os outros amigos chegassem, seríamos um grupo maior.
– O que vocês dois tem? – Liam olhou para nós pela mesa do almoço. – Estão o dia todo sem aguentar um encarar o outro que começam a rir.
– Sabe o que é, Liam, aconteceu uma coisa no grupo no whatsapp do projeto hoje cedo e ainda não perdeu a graça. – dei ombros pegando um garfo e enrolando macarrão nele.
– É, e nem adianta a gente te contar, porque você não vai entender… Só quem é de biomédicas, desculpa. – Niall complementou minha fala e Payne rolou os olhos. Não queríamos que ninguém soubesse do ocorrido na noite anterior.
– Tudo bem, tudo bem. – soltou ao enfiar uma cenoura na boca. Olhei em direção a porta e ele entrou, junto de Faith. Um frio correu por minha espinha. Ele estava ainda mais bonito que ontem e ao caminhar, parecendo estar em câmera lenta, até nossa mesa, deu um sorriso de lado para a mesa dos meninos que estudam com ele, mostrando a covinha direita. Mordi o canto da bochecha enquanto o encarava vir até nós. Pela primeira vez eu senti a vontade de deixar de lado só o jogo e sentar na cara desse desgraçado. Apertei a perna de Niall, que estava sentado ao meu lado, disfarçadamente por debaixo da mesa, e ele acompanhou meu olhar, encontrando Harry. Ele ficou confuso com minha reação, então peguei sua mão lentamente e deslizei-a até o meio de minhas pernas, debaixo de meu vestido rodado. Assim que seus dedos alcançaram a renda de minha calcinha ele percebeu a umidade ali e começou a rir, tirando a mão rapidamente e com delicadeza, para que ninguém no refeitório percebesse o que tinha acabado de acontecer. – Certo, são coisas como essas que me deixam louco, ai odeio vocês dois. – encarei meu amigo como se não tivesse acreditando na maneira que ele havia reagido. Eu sabia o quão ridículo aquilo havia sido. Ah, pelo amor de Deus, Harry Styles entra na porra do refeitório e me deixa molhada? Isso ta muito errado.
– Relaxa, Paynecake, é que lembrei da resposta da professora à pergunta da menina. – o loiro trouxe a tona novamente o maldito falso acontecimento no grupo do projeto.
– Ei gente. – Faith cumprimentou ao chegar com Harry onde estávamos. – Hey gracinha. – deu um beijo em Liam e se sentou ao lado dele.
– Hmmmm, então já temos apelidos carinhosos por aqui? – brinquei comendo o macarrão e tentando a todo custo ignorar o cacheado na mesa.
– Ai , me erra. – Fay me deu o dedo do medo e todo mundo começou a rir.
– Oi, o que eu perdi? – chegou e deu um beijo no meu cabelo antes de afastar Niall e se sentar entre nós dois.
– Nada demais, só a declaração pública de amor de nossos pombinhos. – Foi a vez de Harry perturbar a amiga.
– Você sabe muito bem o que eu responderia alto a você agora, mas o local público não me permite. – Ela se virou a ele, que fechou a cara no mesmo momento.
– Ah não, agora você fala. – Niall pediu, Liam e concordaram.
– Deixa pra lá, gente. – ela rolou os olhos voltando a prestar atenção em sua comida. – O que vamos fazer esse fim de semana?
– Pelo amor de Deus, é segunda feira e você já está planejando a sexta? – Liam a encarou e ela deu ombros.
– Claro, querido, quem perde tempo é relógio. – Faith respondeu ao ficante.
– É isso ai, eu concordo com você. – ergueu a mão e elas deram um high-five.
Eles continuaram conversando sobre a programação do fim de semana enquanto eu fingia que estava acompanhando, mas não. Minha mente estava vagando longe, mas não tão longe. Na verdade minha mente estava vagando no ser humano que estava sentado quase na minha frente, e que me lançava alguns olhares vez ou outra. Mas que maldição de desejo sexual repentino é esse? Peguei o celular e abri o aplicativo do calendário menstrual. Período fértil começa hoje, ótimo, vai ser uma longa semana… Por fim, decidimos que iríamos até Londres no fim de semana para um show da Ariana Grande que teria.
Ao final do almoço, nos levantamos e saímos do refeitório, para que outras pessoas pudessem se sentar onde estávamos, e seguimos para a praça em frente a biblioteca. Eu estava tentando evitar Harry ao máximo, porque não sabia se conseguiria parar caso começasse algum tipo de provocação. Essa semana costumava ser mais fácil quando eu não tinha um alvo em específico. Fay deitou no colo de Liam e no de Niall, eu me sentei na frente dos primos, e Harry se sentou ao meu lado. As conversas eram as mais aleatórias, mas o melhor assunto foi quando Faith começou contar histórias de quando era mais nova e Liam ficou muito chocado. Liam é tão certinho, acho que o mais certinho de nós 6, e aposto que em sua cabeça ele deve sempre se perguntar o que diabos está fazendo metido com gente como nós.
“psiu”. – Não seja o Harry! – . – Merda.
– Hm, oi. – peguei meu celular pra tentar me distrair.
– Você ta me evitando ou o que? – ergui uma sobrancelha e encarei seus olhos verdes.
– Eu? Evitando você? Por que faria isso, Styles? – ousei perguntar.
– Porque você meio que já falou com todo mundo… Sei lá, devo estar ficando doido. – ele balançou a cabeça em frustração.
– Eu não to te evitando, garoto, estou aérea. – rolei os olhos e tornei a mexer no celular.
, quem foi o sortudo de ontem a noite. – Fay lançou um olhar questionador, me pegando desprevenida. – As paredes são finas, amiga.
– O que, estava com alguém ontem a noite? – Niall entrou na brincadeira. Idiota, não era pra ter alimentado a pergunta. Não que eu me importe com isso, mas o Harry agora deve me achar mais piranha do que antes, já que sai com ele e depois dormi com outro cara.
– Você não perde tempo mesmo, né garota. – brincou e dei um sorriso levemente falso.
– Não era ninguém demais… – dei ombros querendo mudar de assunto. – Nossa que vontade de tomar um milk-shake. – tentei mudar de assunto.
– O leite de ontem não foi o suficiente? – disse sem pudor algum.
– Você sabe , – engatinhei até ela, deixando parte da polpa da minha bunda amostra para Harry. – Que eu sou insaciável. – dei uma lambida na ponta do nariz dela e ela sorriu adorando a resposta.
– Eu simplesmente amo você, garota. – ela me abraçou e rolamos na grama.
– Eu to indo, ta gente? – Harry levantou meio desnorteado.
– Vai passar em frente a alguma cafeteria? – Liam perguntou e ele assentiu. – Ta vendo , sua chance de tomar ao menos um frappuccino. – me levantei e dei o braço no de Styles, enquanto o escroto do meu amigo loiro ficava rindo no chão. Ótimo, tudo o que eu menos queria está se tornando realidade.
Harry e eu seguimos o caminho todo em silêncio. Eu entendia o ponto de vista dele, mas simplesmente não poderia fazer nada. Ele também deveria ter comido alguém depois de nossa saída, ainda mais se ele tivesse ficado doido pra me comer, como eu tava louca pra dar pra ele. Respirei fundo duas vezes antes de chamar ele pra entrar na cafeteria comigo. Percebi que ele queria negar, mas algo o fez dizer sim, e eu não estava gostando nada do rumo em que ele parecia estar tomando. Nós dois pedimos frappuccino de baunilha e sentamos numa mesa no fundo do estabelecimento. Ele continuou silencioso, e aquilo estava começando a me incomodar. Não somos nem ficantes pra ele estar desse jeito. Eu estaria completamente cagando se ele saísse com outra garota depois de um passeio bobo de barco.
O pedido chegou e ele pegou o copo e o celular. Começou a digitar algo num bloco de notas. Não entendi bem essa reação, mas talvez seja alguma coisa que ele tenha esquecido. Caralho, eu vou mesmo ter que ser a responsável por iniciar uma conversa? Olhei pra sua expressão vazia e depois pra sua mão. Seus dedos estavam inquietos, mas não sabia o que aquilo significava.
– Então… – comecei e dei uma sugada no meu canudinho. – O que você tem?
– Nada, eu to bem. – deu ombros e eu o encarei mais confusa ainda. – Só to preocupado com a faculdade, e pensando que preciso arrumar meu quarto. – estava escrito em seus olhos que era mentira.
– Posso te ajudar com algo? – me ofereci com segundas intenções. As vezes me odeio por isso.
– Não, você deve ter coisa mais interessante pra fazer. – Disse em tom sarcástico para ressaltar a noite que tive após passar parte do dia com ele.
– Não tenho não. Aliás, você nem está me convidando mas eu vou contigo até o seu alojamento para ajudar a arrumar. – disse sabendo que estava sendo completamente inconveniente.
– Bom, você que sabe. – ele deu ombros tornando a tomar sua bebida.
O clima continuou tenso até a hora que decidimos seguir caminho. Não estávamos mais quietos, mas uma energia ruim pairava sobre nós e não estava entendo absolutamente nada. Eu não devia estar me sentindo mal por ter feito o que fiz, não foi a primeira vez que sai com dois caras no mesmo dia. Isso nunca me incomodou, por que agora estava sendo como um pequeno inferno na terra?
O alojamento de Harry não ficava tão longe como imaginava e logo de cara vi que a “bagunça” era uma desculpa mal dada, afinal o quarto estava mais limpo que o meu. Seu quarto também era individual e bem arrumado. Enquanto eu era a louca do branco, ele tinha seu quarto bastante rústico. Bom, se você quer conhecer bem uma pessoa, basta olhar para seu quarto, e o dele dizia muito a seu respeito. Embora Styles estivesse atualizado das músicas atuais, seu gosto musical mesmo era antigo. E isso era confirmado pela vitrola que ele tinha para ouvir os vinis que tinha. Enquanto ele foi ao banheiro, eu aproveitei para espiar a estante, parando em um vinil da Shania Twain. Rapidamente me veio à memória dos almoços em família, onde estas músicas costumavam ser tocadas. Sorri ao lembrar disso. Caminhei com o disco Come On Over até a vitrola e a pus para funcionar. Assim que a melodia de Still The One tomou conta do quarto, senti um arrepio e meus olhos encherem de lágrimas. Por mais que estivesse amando a vida universitária, sinto falta de quando eu era apenas uma criança e não uma quase adulta completamente fodida.
– Você ta bem? – ele depositou a mão em minhas costas suavemente. Levei as mãos ao rosto, recuperando a sanidade.
– Estou sim, mas viemos aqui para resolver o seu problema. – estalei os dedos da mão ao me virar de frente a ele.
, não precisa me ajudar com essa bagunça, eu a fiz sozinho… – ele deu ombros. Maldita educação que não o fez negar quando me ofereci para vir até aqui.
– Eu sei de algo que pode te animar. – olhei sugestivamente e ele seguiu sem entender.
O empurrei até sua cama e assim que ele caiu sentado, eu me instalei em seu colo. Usou suas mãos para se apoiar, atrás de seu corpo, enquanto eu encarava seus olhos. Não tinha ideia do que estava acontecendo. Por que ele não disse nada para me tentar? Por que suas mãos não estão apertando minha bunda do jeito que eu queria que estivessem? Colei nossas testas e nada. Ele continuava a apenas devolver o olhar que eu o lançava. O que diabos está acontecendo aqui??? Como último artifício, colei minha boca na sua, iniciando um beijo cheio de luxúria. Ele devolveu o beijo, mas ainda sem mostrar nenhuma reação. Por que eu tenho sensação de que senti falta de ter sua boca colada na minha? Afinal, só nos beijamos uma vez.
– Achei que beijos eram contra a suas regras. – ele disse no meio do beijo. Afastei meu rosto do seu.
– Achei que você gostasse de me ter tão pertinho de você. – devolvi a linha de pensamento.
– Quer saber, eu gosto mesmo. – e me virou, deitando me na cama e ficando sobre mim. – O cara que te fodeu ontem não fez direito a ponto de você precisar vir até aqui? – com uma mão, apertou um de meus peitos.
– Ai que você se engana. Ele me fodeu tão bem que eu tenho até medo de ficar com outra pessoa e gemer o nome dele. – Não menti, Niall realmente me pegou de jeito ontem. Deus abençoe a Irlanda! Sua mão desceu até o meio de minhas pernas, por debaixo do meu vestido.
– Ele te deixou tão molhada assim, ou só eu consigo fazer isso? – ele ainda deslizava os dedos pela renda da calcinha.
– Do jeito que eu to agora, só você consegue me deixar, Harry. – gemi seu nome olhando em seus olhos profundamente, e depois mordi seu lábio inferior puxando um pouco, para causar dor.
– Bom saber que, mesmo sem fazer muita coisa, eu te tenho assim. – ele olhou fundo em meus olhos. A única coisa que eu queria era sentar nele. Minhas mãos foram até o botão de sua calça, e em seguida ao zíper, abrindo-o e abaixando a calça com a boxer, deixando seu pau a vista. Passei a lingua na minha mão, depositando um pouco se saliva para não causar atrito e começando o masturbar. Sua respiração falhou, mas ele logo tirou minha mão dali e a prendeu no topo de minha cabeça, junto da outra. – Eu não disse que você podia me tocar. Sabe o que é, , eu to cansando desse joguinho. – começou afastar a renda de minha pele. – E mesmo que hoje seja o último dia que eu esteja disposto a fazer parte dessa palhaçada, eu vou fazer você gemer meu nome bem gostoso. – penetrou dois dedos de repente. Não tive tempo de ter outra reação, senão soltar um gemido de puro prazer. Os dedos de Harry eram habilidosos, e enquanto ele seguia os penetrando, seu polegar esfregava em clitóris, fazendo com que eu me contorcesse em prazer. Minhas mãos estavam presas, então não podia agarrar seus cabelos para colar sua boca na minha, tinha que me contentar em apenas olhar seus olhos a uma pequena distância. Meu orgasmo se aproximava cada vez mais, e ele sabia, porque aumentava e diminuía a intensidade dos movimentos de acordo com os sinais que meu corpo dava.
– Harry… – não conseguia formular uma frase, então apenas o gemido de seu nome saiu de minha boca.
– Por mais que eu esteja louco pra te comer aqui e agora, eu não vou fazer isso. – ele pegou seu pau, e passou a cabeça no meu ponto, e foi aí que eu me deixei levar, chegando a um orgasmo excepcional. – Se puder, por favor ir, eu preciso me acalmar… – apontou para seu amigo. E QUE AMIGO, VIU?! – E peço só uma coisa, decida o que você quer, porque ficar nesse impasse não vai ser bom pra você e nem pra ninguém. – Ele subiu a cueca e saiu de cima de mim. – Lembre-se que você que escolheu que as coisas fossem assim. – disse quando já estávamos os dois de pé, me puxando pela cintura e enfiando a língua na minha boca. – A gente se vê por aí, . – ele entrou no banheiro.
O que acabou de acontecer aqui? De onde veio essa vulnerabilidade e por que eu não quero ir embora? Me recompus e antes de sair do quarto para seguir até o prédio onde o grupo do projeto de extensão em Suporte de Vida Básico e Avançado estavam se reunindo, pude ouvir “Ah, , por que me deixa tão louco assim?”. Ri com essa frase e me retirei de onde estava.

VIII – Kiss her, you fool

Eu imaginava que a semana fosse passar mais devagar devido aos últimos acontecimentos, mas o engraçado foi que ela passou consideravelmente rápido. Mal tínhamos tempo para nos reunir e gastar tempo como de costume, porque a todo minuto que tínhamos vago, estávamos ligando para hotéis e hostels atrás de vagas.
Onde estamos agora? Bom, na estação de trem, esperando o nosso chegar, que por sinal acaba de parar no terminal. Entramos no vagão e fomos caminhando calmamente até onde marcava o número de nossos assentos. O destino só pode estar de brincadeira comigo. Ao olhar para o local onde deveria passar as próximas duas horas, notei que era ao lado de Harry. Não que eu estivesse o evitando, mas também não queria passar tanto tempo ao seu lado sem meus amigos por perto, porque da última vez que isso aconteceu, eu perdi completamente o controle. Tudo bem, eu fui atrás dele, eu sei, mas ainda assim não deveria ter perdido a minha pose de vadia má e ter deixado ele me dominar daquela forma. Sentei-me ao seu lado, peguei meus fones de ouvido e pluguei no celular, ouvindo qualquer playlist no aleatório​, para simplesmente tentar esquecer a existência do ser ao meu lado e, em pouco tempo, adormeci.
Acordei bastante confortável. Talvez confortável até demais. Ao abrir os olhos pude ver Harry dormindo junto a mim, com seu braço em minha cintura, garantindo que eu ficasse escorada nele, e a cabeça dele apoiada na minha. O que é isso, eu dormi e vim parar num universo paralelo? Por algum motivo eu não queria o acordar tão bruscamente, mas também não queria que ele acordasse calmo, então apelei para o que eu mais seu fazer: o tirar do estado normal.
Com cuidado e olhando para todos os lados, para garantir que ninguém nos visse, comecei a depositar um carinho na parte inferior de sua coxa, onde senti sua musculatura contrair um pouco. Continuei a fazer o carinho, mas dessa vez subindo um pouco a mão e parando em cima de seu pau, que começava a dar sinal.
Hmmmm, . – Ouvi um gemido baixo e abafado sair de sua boca. Isso me fez morder o lábio inferior, já sabendo que significava que eu estava com tesão. Tesão por Harry Styles.
– Está sonhando comigo mais uma vez, Styles? – sussurrei em seu ouvido, e ele abriu os olhos em desespero. Se afastou com pressa de mim, tirando minha mão de onde ela estava, mas já era tarde demais, qualquer pessoa poderia ver que sua calça havia ficado mais apertada.
– Achei que tínhamos nos acertado em questão a isso. – me olhou sério, respirando fundo para tentar se acalmar.
– Errado, gato. Não foi consensual, você está nessa sozinho, eu nunca disse que deixaria de te provocar. – dei os ombros e peguei meu celular. – Mas, como eu andei tempo demais com Liam para saber o que é assédio, me contentarei em apenas de causar essas sensações a distância. – pisquei com um olho e levantei, pois o trem havia acabado de parar na estação de Londres.
Nos juntamos aos outro antes de ir em direção ao hostel onde nos hospedaríamos. Por sorte, conseguimos um hostel bastante próximo a O2 Arena, onde seria o concerto da Ariana, e que hospedaria a nós seis juntos. Escolhi a parte de baixo de uma beliche e comecei a me acomodar, enquanto os outros cinco faziam o mesmo.
Deveriamos ter saido para explorar a cidade, mas como insistia em querer chegar o mais cedo possível para ficar o mais próximo do palco, nós almoçamos na proximidade do hostel e voltamos ao quarto para nos arrumarmos… Fay e Liam tinham ido contra as regras de e saíram para dar uma volta, afinal, agora que eram um casal, precisavam de um tempo sozinhos e não sempre grudados com nós quatro. Enfim, decidi tomar um banho e saí apenas de toalha do banheiro, indo em direção a minha bolsa de roupas.
, que porra é essa? – Niall gritou ao me ver afrouxar a toalha que me encobria, fazendo Harry olhar para frente por impulso e tentar desviar o olhar. Bingo!
– Vou por minha roupa ue. – dei de ombros. – Calma que eu já tô de calcinha, ninguém vai me ver nua não, e vou estar de costas pra vocês. – Harry ainda meio desnorteado jamais faria leitura labial, e com essa conclusão apenas movi os lábios sem emitir som nenhum – Não tem nada que você já não tenha visto ou colocado na boca. – Dei uma piscadela e ele segurou o riso.
Finalmente parei de costas para os meninos, e de frente para minha amiga, que ria da situação. O que eu mais gostava em era que ela não me julgava e comprava todas as minhas loucuras. Ela sabia que o motivo de eu estar fazendo isso era um garoto de cabelos cacheados que insistia em se fazer de difícil, e isso estava me aborrecendo. Há alguns dias atrás ele estava todo feliz em brincar comigo do mesmo jeito que eu estava brincando com ele, e então, de uma hora pra outra, ele muda de ideia de forma tão brusca? Logo agora que eu achei alguém tão bom quanto eu nesse jogo, eu não quero perder meu player 2.
– Seu crush ta tentando disfarçar que não ta olhando pra sua bunda, mas ele não consegue. – sussurrou pra mim, me tirando risos.
– Ótimo, era o que eu queria mesmo. – dei língua a ela enquanto pegava uma calça preta com rasgos na bolsa.
– Só pra constar, meu primo também, então você ta matando dois coelhos com uma só cajadada. – respirei fundo. não sabia, mas será que eu deveria contar a ela o que aconteceu naquela noite de domingo?
– Niall está olhando por instinto, mas entre nós só há amizade. – fechei o botão da calça e peguei um cropped também preto.
– E domingo então… Vocês reforçaram a amizade de vocês né?! – ela soltou e eu arregalei os olhos ao passar a mini blusa por minha cabeça. – Ah, qual é , só sendo muito idiota pra não perceber que você dormiu com ele. Acho que o único que realmente não sabe é o Harry. – voltei a minha expressão normal. Ok, todo mundo sabia que eu tinha ficado com Niall, e qual o problema disso? Bom, nenhum. – E eu no seu lugar, pararia de fazer o garoto de trouxa, porque eu acho que ele ta gostando de você.
– Ai , até parece. – rolei os olhos – Gostando de mim? – ri em deboche – nenhum cara que se interessa por mim é porque gosta, e sim porque quer me comer.
– Bom, tentei te dizer, agora, cabe a você decidir se vai querer ouvir ou não. – olhou fundo nos meus olhos. – Vou tomar banho também. – disse alto dessa vez, despertando os meninos atrás de nós do transe em que eles estavam.
Mesmo Fay e Liam tendo saído, quando chegaram conseguiram estar arrumados a tempo. Os portões da arena iriam abrir às 17 horas, mas como estávamos decididos a conseguir lugares bastante próximo a grade, chegamos para a fila por volta das três da tarde. Estava agradecida por ser outono e não verão, caso contrário nenhum de nós aguentaria ficar no sol por duas horas consecutivas, enquanto aguardávamos os portões serem abertos.
Assim que a entrada foi autorizada na arena, andamos, andamos o mais rápido possível para garantir um lugar próximo ao palco, e de fato conseguimos. Não demorou muito e Ella Mai começou a abrir o show, que seria longo, visto que essa estava sendo a maior setlist da Ariana desde sempre.
Ariana começou seu show cantando God is a Woman e, eu as meninas, começamos a cantar como se não houvesse o amanhã, nos sentindo completamente sensuais e lindas. Os meninos, por sua vez, ficavam fascinados com os movimentos de dança que a cantora fazia, vestindo pouca roupa. Tudo estava indo em perfeita ordem até que Side To Side começou a tocar. Como se houvesse um capetinha em meu ombro dizendo “cante para ele”, eu me virei para Styles e mordi o lábio ouvindo o refrão inicial. Ele já sabia que isso aconteceria em algum momento do concerto, só não sabia em qual.
I’m talking to ya, see you standing over there with your body… feeling like I wanna rock with your body, and we don’t gotta think ‘bout nothing… – cantei junto da Ari olhando em seus olhos e pude ver ele silabar um “puta que pariu”. – These friends, keep talking way too much, saying I should give you up… – apontei pra nossos amigos, lembrando do que havia dito mais cedo, que riram por conta de meu movimento. Ele rolou os olhos rindo.
A música seguiu e eu continuei a cantar os versos, sempre destacando o que poderia causar alguma reação nele, só que foi tudo por água abaixo quando percebi que ele tinha levado na brincadeira. Merda, estou perdendo minha capacidade de seduzir alguém? Com esse pensamento vi Ariana sumir do palco para trocar de roupa para seu último “ato”.
Passaram algumas imagens no telão enquanto uma música tocava e fundo. Assim que Ari voltou ao palco, foi o momento de interação com o público, e esse era a parte do show em que eu não prestava a mínima atenção.
– É o primeiro encontro deles? – a cantora perguntou. – É por isso que estão tão afastados?
– Sim, eles ainda estão com vergonha. – Ouvi a voz de Faith e só aí me toquei que estavam falando de mim.
– Qual seu nome, amor? – Ari se direcionou a Styles.
– Harry. – ele respondeu querendo enfiar a cabeça debaixo da terra.
– E o seu? – ela se virou para mim.
. – respondi olhando pros meus amigos que botavam pilha pra que eu entrasse na brincadeira.
– Se vocês estão num encontro, fiquem mais juntos! – ela soltou e ouvimos toda a arena vibrar. – Kiss her, you fool! – e mais gritou foram audíveis por conta da citação de Friends.
Ele decidiu entrar na onda e me puxou pelo braço, fazendo com que nossos corpos se chocassem, segurou meu queixo e colou os lábios no meu. Uma câmera parou em nós, mostrando-nos no telão. Eu não queria parar de beijá-lo, mas também não queria continuar, porque já sabia que se esses momentos continuassem sendo tão frequentes, mudaria completamente a minha posição nessa história. Assim que ela começou a cantar Into You, Harry parou de me beijar, e colou nossas testas, me olhando profundamente com seus olhos verdes, que agora tinham a pupila dilatada… Ah não, não podia estar certa sobre isso! Ele não me soltou como eu havia planejado, abraçando-me por trás e entrelaçando nossos dedos. Agora sim parecíamos um casal. Ok, para toda a arena nós já somos um, então acho que não faz mal seguir do jeito que estamos, embora não seja o que eu mais queira.
Ao fim do show, ele tentou deixar o local de mãos dadas, mas eu me soltei e agarrei o braço de Niall. Eu não estava entendendo nada do que estava acontecendo. E, sendo bem sincera, eu não estava nem um pouco afim de descobrir. Pensamos e ir para algum pub no soho, mas desistimos ao lembrar que nosso trem sairia às dez horas da manhã da estação e não podíamos acordar tarde. Passamos em uma loja de conveniência e compramos uma garrafa de vodka e a levamos para nosso quarto no hostel.
Ao contrário do que planejamos, todos estavam muito cansados até mesmo para encher a cara e lidar com a ressaca no dia seguinte, então acabamos não tomando a bendita vodka, e sim deitando para dormir um pouco.
Rolei na cama por pelo menos uma hora e nada de pregar os olhos. Peguei o celular para me distrair, mas era visível que a claridade da tela atrapalhava quem já estava dormindo. Senti sede, decidi dar uma volta pelo hostel. Enchi minha garrafinha e resolvi ir até o terraço. Ao chegar, fiquei admirada com todas as luzes da cidade. Não, não é como se nunca tivesse visto algo desse tipo, até porque Manchester é uma cidade grande, mas alguma coisa estava diferente. Londres conseguiu me prender por alguns minutos apenas a observando e gravando todos os seus míseros detalhes em minha mente. Muitos são apaixonados por Paris, Grécia, Dubai, Tóquio e Brasil, e eu sou apaixonada pela capital do meu próprio país. Caramba, quanto patriotismo!
? – me assustei ao ouvir uma voz rouca atrás de mim. – O que você tá fazendo aqui?
– A pergunta é o que você está fazendo aqui. – saí do meu transe e encarei Harry.
– Não estava conseguindo dormir e resolvi dar uma volta. – Ele deu ombros e se sentou numa das espreguiçadeiras que ali tinha. Dei costas e tornei a olhar a cidade. – Na verdade… – minha respiração cessou – eu vim pra ver se você estava bem. – tornei a respirar.
– Sim, eu to bem, pode voltar pro quarto agora. – tentei o dispensar.
– O que mais eu tenho que fazer, ? Que inferno! – ele se jogou, deitando na espreguiçadeira.
– Do que você tá falando, garoto? – virei-me a ele e cruzei os braços.
– Eu já te chamei pra sair, eu parei de fazer parte do seu joguinho, eu te beijei naquela porra de show… – ele respirou fundo – O que mais eu tenho que fazer para te mostrar que eu estou gostando de você?
– Que tipo de delírio coletivo é esse, Styles? – ergui uma sobrancelha.
– Por que você tem que dificultar tanto as coisas, ? – devolveu-me a pergunta.
– Porque… – travei. Mexi a boca umas três vezes e quase deixei escapar o que tinha acontecido em minha vida no passado… Com George. – …porque é assim que as coisas são.
– Não, não é assim que as coisas são, assim é como você quer que elas sejam. – ele levantou vindo em minha direção e eu dei as costas novamente.
– Volta pro quarto, Styles. – “gostar de mim”. Ninguém​ gosta de ninguém, só ficam juntos por conta de foda garantida.

“- Vamos lá , você não deveria ficar assim. – ouvi Cheryl dizer enquanto eu fechava meu fichário. Ótimo, como se não fosse tortura o suficiente ter vista aquela maldita cena, tenho que aguentar essa garota atrás de mim. – Acredite, George nem é tão bom de cama assim, já estive com melhores. – ela encarou as unhas.
– E por que você está me contando isso mesmo? Achei que tinha sido clara o suficiente quando te chamei de vadia escrota e disse que não queria te ver nunca mais. – encarei a ruiva de olhos claros em minha frente.
-Por que não é assim que melhores amigas devem se comportar. – ela deu ombros.
– Bom, deveria ter pensado melhor antes de ter abrido as pernas para ele. – Olhei-a de cima abaixo. – Escuta, Cheryl, eu já entendi o que você ta querendo fazer, mas infelizmente não vai dar certo, porque eu já estou em outra… Bom, outra não, em outras, no plural. – Não estava, mas ela não precisava saber.
– Então acho que não tem motivos para eu não te contar o quão bem George chupou minha boceta. – ela levou uma mão a boca. – Ops, escapuliu.
– Que bom, quem sabe agora você para de ser uma vadia mal comida e passa a ser uma vadia bem comida. – algumas pessoas que ouviam nossa conversa começaram a rir e pude ver a ruiva me encarar com ódio. – Toodles.* – Me despedi, virando de costas e disfarçando um sorriso no rosto, caminhando até o banheiro.
Ali eu chorei. Chorei como se não houvesse o amanhã e perdi todas as aulas dos horários que viriam. Na verdade eu não estava nem aí pra escola, eu só queria que o período letivo acabasse, antes que ele acabasse comigo. Foi naquele banheiro que eu entendi que ninguém amava ninguém de verdade, e sim amavam a forma como transavam uns com os outros. Não existia amor, e sim tesão. Tomei então uma das maiores decisões da minha vida: Eu não me deixaria envolver emocionalmente com homem nenhum, apenas fisicamente, e começaria agora!”

o que aconteceu para você ser tão cética quando se trata de amor? – pôs a mão no meu ombro, virando me de frente a ele, trazendo-me de volta do flashback doloroso.
– Nada. – desviei o olhar e minha respiração falhou mais uma vez. – Eu só percebi o motivo das pessoas decidirem estar juntas… Sexo.
– Não é bem assim… – ele me advertiu.
– Ah não? E como é então? Porque até onde eu me lembro você só começou a conversar e brincar comigo porque queria me comer. – lembrei de um passado não tão distante.
– Garota, se eu ainda quisesse só transar contigo, acha que eu estaria aqui tendo essa conversa cheia de sentimentos? – ele destacou um ponto importante. – Acha que eu teria cessado o seu joguinho de provocações?
– Acho, porque seria uma ótima tática para conseguir o que quer. – cruzei os braços.
– Muito pelo contrário, eu parei com isso porque eu estava com medo de acabar me machucando, já que eu comecei a sentir algo por você, então nada mais justo para mim do que… – o interrompi com um beijo.
Nem eu estava me reconhecendo nesse momento. Nunca em minha vida imaginei que faria algo desse tipo. E o questionamento era: por que eu, , estava o beijando, e fazendo isso com tanta emoção dentro de mim? Foi aqui que percebi que não era só ele que havia se envolvido emocionalmente, eu também havia. Agora tudo fazia mais sentido… O motivo pelo qual eu estava sempre atrás dele, o que eu não tinha nenhum outro alvo além dele, e que mesmo dormindo com seu amigo, eu ainda queria dormir com ele. Não era algo puramente carnal, e sim com sentimento envolvido. Ao notar isso, uma lágrima escorreu pelo meu rosto e eu senti um aperto em meu peito. Não, isso não podia acontecer outra vez. Era doloroso demais porque eu já sabia onde tudo iria acabar, e o que eu menos precisava era de um coração partido novamente nessa fase da minha vida. Eu não podia ter outro George. Parti o beijo e só aí ele percebeu que eu estava chorando, então preocupação tomou conta de sua feição. Me afastei dele, enxuguei as lágrimas.
– Você pode ir, por favor? – pedi doce, com a guarda baixa.
– Não. – ele respondeu direto, mas sem soar ignorante.
– Eu só quero ficar sozinha. – pedi outra vez e ele negou com a cabeça, segurou minha mão e me guiou até a espreguiçadeira, onde deitamos e ficamos olhando o céu por alguns minutos, em silêncio.
So wake up, your sleeping heart. I know sometimes we’ll be afraid, but no more playing safe, my dear. – cantarolou pra mim e era de fato o que eu precisava ouvir. Já havia entendido que eu também sentia algo por ele, e se eu continuasse sem me arriscar poderia perder algo bom.
– Não acredito que você ouve The Vamps. – zoei, e ele rolou os olhos.
– Só quando toca na radio, mas achei esse um otimo momento para citar essa letra. – riu anasalado. – Mas tem muita coisa que você não sabe sobre mim, . – passou a ponta de seu nariz no meu, como um beijo de esquimó, antes de me selar os lábios outra vez.
– Eu tenho bagagem demais, Styles. – respirei fundo ao soltar isso.
– Se você a dividir comigo, fica mais leve. – respondeu minha metáfora de maneira digna.
Ficamos por um tempo ali, apenas observando as estrelas e as luzes da cidade brilhando. Eu não devia me preocupar com o amanhã, mas era só o que eu pensava… E se ele me deixasse com o coração partido como o último fez?
O incrível era que toda vez que ele me tocava, tudo o que eu tinha em mente simplesmente desaparecia. Tenho medo dessas sensações que esse garoto me causa, assim como tenho certeza de que ele será o meu fim.

IX – Netflix and Chill

Voltamos com as mesmas duplas nos assentos do trem para Oxford. A presença de Harry já não me incomodava mais como antes. Antes eu iria o caminho todo o perturbando para tirá-lo do sério, mas agora… Bom, agora algo parecia estar diferente. Acredito que provavelmente seja só cansaço. Nós não havíamos conversado mais sobre o assunto da noite anterior, e era como se apenas estivéssemos aproveitando a presença um do outro. Mas, de novo, eu provavelmente estava apenas com sono para manter uma conversa digna, e ao afirmar isso, digo que dormi durante grande parte do caminho de volta.
Se dissesse que parte de mim ainda não estava preocupada com o que aconteceria depois dessa viagem, estaria mentindo, contudo estava disposta a encarar tudo. E ao lembrar-me disso, não pude evitar imaginar uma vida sem todos os garotos e o sexo desregrado em minha vida. Será que eu conseguiria viver assim?
. – ele me cutucou assim que o trem diminuía a velocidade significamente. Mal sabia que eu estava acordada, apenas de olhos fechados pensando em tudo. – Nós chegamos, o trem só falta parar.
– Hm, ah, chegamos. – disse ao abrir os olhos e olhar para a janela.
– Olha pra mim. – ele pediu e assim o fiz. – Eu entendo se você não quiser nada comigo, embora doa, mas eu entendo… Eu só não quero que você me trate diferente, porque eu gosto do seu jeito espontâneo de ser, e… – o dei um selinho, fazendo-o parar de falar.
– Harry, você fala demais, misericórdia. – revirei os olhos em humor e ele riu. – Vamos manter isso só entre nós por enquanto, ok? – ele assentiu e me puxou para um abraço apertado. Sim, Styles tem um dos melhores abraços e eu não posso dizer o oposto. – Ok, bonitinho, vamos logo, eu quero dormir na minha cama. – me soltei do abraço.
O caminho para o Campus foi calmo, e era estranho que esse meus amigos estivesse assim, pois eles eram sempre barulhentos. Não podia os julgar, eu também estava cansada, contudo não queria dormir. Niall e se despediram e seguiram o caminho de seus dormitórios, Liam e Fay subiram as escadas para o quarto da garota. Sobramos eu e Harry ali, parados um de frente para o outro, procurando palavras para dizer, mas ninguém sabia o que.
– Harry. – decidi quebrar o silêncio. – Você está cansado?
– Estou, mas não a ponto de desmaiar de sono como os outros, por que? – ele me olhou curioso.
– Você não quer, sei lá, subir comigo? – eu estava tímida. Não tinha experiência em relações dessa maneira.
– Ah, você precisa de ajuda? – ele prontamente pegou minha mochila. – Aqui, me dá isso também. – pegou a sacola que estava em minha mão com doces que havia comprado na estação de trem.
– Não, não é isso… – ele estava confuso. – Você não quer vir e… e… isso soa ridículo, mas, você quer ver Netflix comigo? – ele sorriu doce e ainda não acreditando no que acabara de ouvir sair de minha boca.
– Seria uma honra. – ele beijou minha testa. – Vamos? – indicou com a cabeça e fomos subindo os degraus.
A cada passo que nós dávamos, eu me desesperava mais. Era mais fácil quando eu tinha apenas o título de amigo, conseguia desenvolver melhor uma conversa, porém quando envolvia sentimento era tudo muito novo para mim. O que eu faria assim que chegasse no quarto? Normalmente eu tiraria a roupa e pagaria um boquete, mas acredito que não seja isso que ele quer nesse exato momento. Apesar de que um boquete não seria ruim, e adoraria saber se ele cabe todo em minha boca, porque eu já o apalpei e é grande… Ai , pare de ter pensamentos impuros nesse momento.
Entramos no quarto e ele colocou nossas coisas no chão, enquanto eu ligava a TV para conectar na Netflix. Avisei que trocaria de roupa e ele apenas assentiu e virou o olhar para seu celular. Que tipo de homem é avisado que uma mulher vai se trocar em sua frente, e ignora esse fato? Vesti um moletom e meias. Bem sensual, , parabéns. Sentei-me na beira da cama, pegando o controle e conectando a TV à internet.
– Você não quer tirar seus jeans para ficar mais confortável? – perguntei sem malícia e ele percebeu isso. Tirou sua calça, ficando de camiseta, boxers e meias.
– Deita aqui. – ele bateu manhoso na cama, ao lado de onde ele havia acabado de deitar.
– Calma, eu to escolhendo algo legal pra gente assistir… – disse ainda com o controle na mão.
– Ai, , larga disso. – ele rolou os olhos. – Nós dois sabemos que você vai acabar escolhendo Friends pra assistir. – segurou o riso quando eu o olhei inconformada.
– Eu não tenho culpa se é uma série muito boa. – tornei a encarar o catálogo de séries e filmes, antes de sentir duas mãos em minha cintura me puxando para onde ele estava.
– Pronto, bem melhor. – ele me abraçou e beijou meus cabelos. – Agora pode colocar na oitava temporada. – rolei os olhos. Como ele sabia que aquela era minha temporada favorita?
– Nunca vou entender como Rachel pode recusar o Joey. – quebrei o silêncio depois de um tempo assistindo a diversos episódios. – Ele simplesmente era perfeito para ela.
– Mas Ross e Rachel é um casal icônico. – Ele rebateu.
– Ross é um homem adulto mimado, Styles. Ele a traiu, ele recusou aceitar o divórcio por “não querer ser divorciado três vezes”, ele a considerava como propriedade, não como namorada, ele não queria que ela tivesse alguns momentos só dela enquanto namoravam, ele a fez escolher entre o trabalho dos sonhos e ele, ele é possessivo e manipulador. Como que você os considera um casal icônico? – apresentei fatos e o encarei inconformada.
– Olhando por esse ponto, é verdade. As coisas seriam mais fáceis se ela ficasse com o Joey. – ele concordou comigo – Mas infelizmente, o coração quer aquilo que ele quer… – passou o nariz na minha bochecha.
– Você é clichê demais, sabia? – brinquei, dando um selinho em sua boca. – To começando a sentir saudades da putaria… Você não?
– Se eu dissesse que não, estaria mentindo… – confessou jogando a cabeça para trás. – Mas a gente pode passar um dia sem tentar um ao outro? – ele pediu e eu não entendi nada. – Eu preferiria sair para comer…
– Ou você pode me comer… – sugeri e ele negou com a cabeça.
– Por que tudo para você tem que envolver sexo? – ele perguntou, olhando fundo em meus olhos.
– Você já me perguntou isso… E eu não quero responder agora. – Dei play novamente na série e voltamos a assistir.
Continuamos assistindo por um bom tempo até acabarmos dormindo abraçados.
Quando acordamos, estávamos famintos, então decidimos que sairíamos para tomar café da tarde em alguma cafeteria ao redor da faculdade. Nossa ideia era que conseguíssemos ficar sozinhos para comer, e quem sabe até conversar um pouco mais para nos conhecermos. Infelizmente, ao passarmos pela porta da cafeteria demos de cara com Liam e Faith. Não que a companhia deles fosse ser desagradável, ela só não era o que precisávamos nesse exato momento.
Nós nos sentamos com nossos amigos e fizemos nossos pedidos. Enquanto conversávamos todos, eu senti a mão de Harry por baixo da mesa alcançar minha perna e depositar ali um carinho. Eu nunca havia sentido aquilo, e por mais que estivesse gostando dessa conexão com Styles, o pânico se instalou em mim, me fazendo tirar a mão dele dali. O que resultou em um olhar disfarçado dele em minha direção. Tinha confusão em seus olhos, e algo neles me dizia para relaxar. Respirei fundo, peguei sua mão e a trouxe de volta para o lugar onde ela estava antes. Ainda apreensiva, tentei me acalmar, contudo não conseguia desligar e deixar as coisas fluírem. Me mantinha em estado de alerta a cada movimento que qualquer pessoa na mesa fizesse, pois estava com medo de que “Liath” percebesse o que estava acontecendo entre eu e Harry. Em contrapartida, percebia que a forma que estava me comportando estava fazendo Styles ficar um pouco chateado com a situação, afinal passava a impressão de que eu não queria ser vista com ele, por isso pedi licença e me direcionei até o banheiro.
Apoiei-me na pia e encarei meu reflexo no espelho. Eu não deveria estar assim na presença de pessoas que são de meu convívio. Na verdade, eu sabia que no fundo aquilo era apenas medo de que Harry fosse como George e na primeira oportunidade que tivesse de me trair, colocaria um par de chifres em minha cabeça. De repente, toda a dor que eu senti quando peguei George no quarto com Cheryl retornou, e a pude senti-la vividamente. Meus olhos encheram de lágrimas e a única coisa que eu consegui pensar foi em mandar uma mensagem para Harry, avisando que não estava me sentindo bem e que estava indo para o dormitório. Meu rosto estava vermelho de chorar, e sentia um aperto no peito enorme enquanto tentava me esquivar das pessoas dentro da cafeteria.
Uma brisa gelada me atingiu assim que cruzei a porta do estabelecimento. Comecei a andar rápido até sentir meu braço ser puxado.
– Hey, o que ta acontecendo? – Styles colocou uma mão de cada lado do meu rosto, olhando fundo em meus olhos.
– Eu só.. Só não consigo fazer isso… Dói demais… – tentei responder da forma mais clara que conseguia, porém não adiantou nada. Ele não sabia da história.
, calma, eu to aqui, mas seja coerente, por favor. – pediu e eu tentei respirar fundo em meio a soluços.
– Isso, de abrir meu coração. Isso não é pra mim, Harry. Eu aguentei uma vez, não sei se aguento outra. Não sei se consigo lidar com o fato de que vou sofrer outra vez. Me perdoa, eu não consigo. – Ele me olhava ainda mais confuso.
– Do que você está falando, ? – Ele me abraçou. – Seja lá o que você esteja tentando me dizer, de uma forma não tão clara, quero dizer que eu jamais faria algo para te fazer sofrer. – beijou minha testa.
– Tem sido um fim de semana com emoções demais. Eu não sou acostumada a sentir. – comecei a me acalmar. – Isso ta acabando comigo. – confessei.
– Só relaxa e curte o momento. – Harry passou seu nariz no meu, antes de selar meus lábios calmamente. Por um segundo pensei em correr e o deixar ali, mas logo que sua língua entrou em contato com a minha, eu só senti paz. Ele afastou o rosto, colando nossas testas e olhando em meus olhos. – Vai dar tudo certo. A gente vai dar certo. – assenti devagar.
– Eu só posso estar delirando. – Ouvimos a voz de Faith e nos viramos juntos, encontrando nosso casal de amigos parado há alguns poucos metros de distância, completamente boquiabertos. – Você – apontou pra mim – e você. – apontou para Harry – O QUE? – gritou.
– Faith, temos o caminho todo de volta para entender o que está acontecendo. Não faça um escândalo. – Liam repreendeu a namorada.
Aconteceu exatamente o que Liam disse que aconteceria. Passamos todo o caminho de volta para o dormitório conversando sobre como eu e Harry havíamos acabado ficando juntos. E, por mais incrível que pareça, foi agradável e acalmou meu coração, pelo menos por esse momento. Acho que a intenção de manter segredo entre nós dois havia se estendido para Liam e Faith.

Nota da autora:  Twitter: @amanda_ritis | Instagram: @amandar_autora

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