Still Love You

Still Love You

Sinopse: Um casamento de longa data que resultou em dois filhos e em uma separação sem muita explicação. Ele, um cantor famoso que dividia seu tempo entre fazer shows e a família. Ela, uma enfermeira de gênio forte e que estava disposta a ser, mais uma vez, conquistada.
Fandom: Simple Plan
Gênero: Comédia Romântica
Classificação: +18
Restrição: Aparecem algumas referências a banda canadense Simple Plan.
Beta: Sharpay Evans

Chapter one

-Mãe! – ouviu o filho gritar mais uma vez e rolou os olhos com a insistência do garoto. – Nós vamos atrasar! – Ele reclamou de novo, a fazendo bufar impaciente.
-Você tem que ter calma, . Eu acabei de chegar da clínica. – Ela disse agoniada entrando na sala de casa, enquanto sacudia os cabelos secos. – E seu pai não vai morrer se esperar dez minutos.
-Eu sei que não vai, mãe, mas acontece que nós prometemos que iríamos buscá-lo. – O garoto argumentou mais uma vez e vendo que a mãe parecia mais arrumada que o normal, ele fez uma careta confusa.
-Que foi? – perguntou parecendo assustada com a cara do filho. O garoto a olhou dos pés à cabeça, parecendo meio incrédulo com tanta arrumação, enquanto segurava a risada. – Nós vamos sair, , eu não posso ir de qualquer jeito. – A mulher se explicou, mesmo não tendo o mínimo pra explicar.
-Tudo bem! – Ele levantou as mãos em rendição. – Eu não disse nada demais.
Ela rolou os olhos em protesto a observação silenciosa do filho, passou a mão pelo vestido azul escuro de tecido mole, depois meneou a mão para que o garoto levantasse do sofá. levantou do sofá onde estava jogado, em uma rapidez fora do comum, fazendo-a negar com um aceno de cabeça enquanto ria. E embora ele parecesse o mais alvoroçado daquela família, o rapaz tinha nascido com os nove meses completos em suas 40 semanas de ansiedade e desespero para os pais de primeira viagem saindo da adolescência, completamente diferente da pequena Leonor, o pequeno furacão daquela família. Ela sim, tinha nascido uma porção de semanas antes do previsto, sem falar no zero planejamento por parte dos pais.
-Vamos logo antes que você tenha um ataque aí. – A enfermeira riu baixo, vendo a cara de poucos amigos do filho. – Mas se tem uma coisa que eu garanto, é que o seu pai não se perde dentro de Montréal. – A mulher suspirou, enquanto procurava a chave do carro em meio ao molho de chaves disposto na mesinha perto do sofá.
Estranhando o fato de a filha estar calada e ainda não ter saído em defesa do pai, fez careta e olhou pra garota que parecia pertencer ao seu próprio mundo, usando fones de ouvido e balançando a cabeça.
-Leo, tira esse fone do ouvido, ou vai ficar surda. – Ela reclamou a garota, fazendo o gesto de tirar os fones do ouvido e viu a filha suspirar, depois fazer o que ela tinha pedido.
-Qual a discussão da vez? Por que o Pie tá com cara de morte? – A garota cruzou as pernas, prendendo a risada, enquanto olhava pro irmão.
-Reclamando que seu pai está esperando e blá, blá, blá. – rolou os olhos e ouviu os filhos rirem, rindo junto com eles. Encontrou as chaves e levantou o punho, fazendo Leonor e gargalharem. – Vamos seus apressados, mas eu garanto que não vai morrer se esperar. – Ela disse abrindo a porta da frente, esperando que os dois passassem.
-Isso é esquisito. – A garota fez careta. Suspirou e guardou o fone no bolso, seguindo a mãe e o irmão pra fora de casa.
-O quê, meu anjo? – perguntou fazendo careta, enquanto fechava a porta de casa com a chave.
-Você chamar meu pai de . – A garota disse inconformada, enquanto andava abraçada com o irmão até o carro.
-Mas é o nome dele, Leo. – A mulher riu e ao passar pela garota, bagunçou o cabelo dela, vendo-a suspirar.
-Eu sei que é. – Ela abraçou o irmão um pouco mais forte, mas ainda emburrada. – Eu só não superei. Era amor pra cá, amor pra lá. Agora é , limpo, seco e sacudido. Parece que você está brigando com meu irmão. – A garota rolou os olhos inconformada. fez o mesmo, mas por estar saturada daquela conversa.
-Leonor, nós já conversamos sobre isso. – A enfermeira falou séria, destravando as portas do carro.
-Vocês poderiam só se desculpar? – a garota pediu suplicante. – É a única coisa que eu peço! Eu não aguento ficar viajando a cada duas vezes no ano para ver meu pai, eu quero viajar com ele. Eu não gosto de ir visitar, ou dormir na casa dele nos fins de semana, eu quero morar junto com meu pai e minha mãe e o chato do meu irmão. – Leonor ralhou impaciente e sentiu o irmão beliscar seu braço, tanto como em um protesto por ter sido chamado de chato, quanto como em um aviso pra ela parar com aquilo, discutir com a mãe não ia levar a lugar nenhum. Eles tinham que resolver aquela situação com . – Ai! – Ela arregalou os olhos pra ele. – Será que é pedir demais?
-Leonor Anne , esse assunto está encerrado! – disse com a voz autoritária, vendo a filha suspirar emburrada e logo entrar no carro ainda inconformada.
A mulher sacudiu a cabeça, rolando os olhos, depois suspirou, focou a visão e viu o filho lhe olhar suplicante, como se implicitamente pedisse o mesmo que a irmã, mordeu a boca e lançou pra ele um olhar meio perdido. Ela sabia o que tinha que fazer, mas se sentia perdida no meio do caminho. E não iria culpar os filhos por aquilo, ou os fazerem se sentir culpados pelos seus erros. Os dois não tinham a menor culpa de nada. Aquilo era algo entre ela e , apenas entre os dois e mesmo que tivesse respingado em e Leonor, o ex-casal tentava ao máximo não envolver os filhos na confusão toda.
? – perguntou como em um click, chamando o filho antes de entrar no carro.
-Oi mãe. – O garoto terminou de abrir a porta e ficou em pé, entrando no campo de visão da mulher.
-Seu pai disse exatamente o quê, a você? – Ela fez careta. O garoto entortou a boca, confuso com a pergunta. – Sobre chegar, meu anjo. – riu de leve, vendo o filho rir junto.
-Que ele chegava hoje. Agora, no fim da tarde. – fez uma careta confusa. – Por quê, mãe?
-Ele vem de carro, não de avião. – disse convicta, fechando a porta do Jeep branco em uma batida.
Leonor saiu do carro, desgostosa, porém confusa com a movimentação, depois se escorou na lateral do carro branco, olhando da mãe para o irmão e do irmão para a mãe tentando entender o que estava acontecendo ali.
-O que foi? A gente não vai? Vamos deixar meu pai esperando? – Leonor perguntou ainda emburrada.
-Ajeita essa cara. – reclamou impaciente, fazendo a irmã rolar os olhos. – E nós é quem estamos esperando. – O rapaz disse num instante, vendo a mãe afirmar.
-Oi? – A expressão da garota se encontrava completamente confusa.
-Seu pai vem dirigindo. – disse escorando no carro. – Ele tem dessas, daqui a pouco ele encosta aí. – A mulher riu um tanto nostálgica. Conhecia bem demais para saber que ele amava estrada tanto quanto amava viajar.
-Dirigindo? – A garota perguntou confusa, enrugando o nariz.
-Sim, Leo. Dirigindo. – explicou novamente. – Por isso o Chuck me mandou cinco mensagens perguntando se ele já tinha chegado e se tinha chegado bem.
-Mas o tio Chuck sempre manda mensagem perguntando quando o pai está viajando. – A garota disse convicta.
-Mas o está vindo de carro. – colocou a mão na testa, sentindo a preocupação lhe atingir. – Ótimo e ele nem sequer se dá ao trabalho de me avisar, eu não sei como tá a estrada e muito menos a situação dele. Maravilhoso, . – A mulher ralhou de forma irônica, batendo na lataria do carro.
-Ele vem dirigindo da Califórnia? – O garoto soltou um grito esganiçado, fazendo a irmã arregalar os olhos.
-Não! – respondeu de uma vez, vendo os dois suspirarem aliviados. – Não da Califórnia, vem da casa da Louise. Eu tenho certeza como ele estava por lá. não disse nada a vocês? – A mulher perguntou confusa e curiosa, vendo os dois filhos balançarem a cabeça em negação. – Nem uma chamada de vídeo suspeita?
-Não mãe, nada. Ele ligou, mas não fez chamada de vídeo, muito menos disse que estava na casa da vó. – Leonor fez careta. – Sério mesmo que ele vem dirigindo?
A garota mal acabou de falar e ouviu barulho de uma buzina frenética que estava sendo apertada com o propósito e chamar atenção. , e Leonor olharam na direção do barulho, avistando um carro grande e vermelho, que com absoluta certeza, era do e de fato era ele parecendo eufórico ao fazer aquele barulho todo para que fosse notado. O homem mantinha um sorriso gigante no rosto, além de rir da situação. A mulher abriu um sorriso largo, mesmo sem entender exatamente o porquê daquilo, mas sentia seu peito encher só de ver voltando mais uma vez, principalmente depois do que havia acontecido entre os dois.
e Leonor correram em completa alegria pra perto de onde o pai estacionava a Land Cruiser vermelha, logo atrás do Jeep branco que pertencia a . O homem saiu rapidamente do carro gigante e antes que se desse ao trabalho de fechar a porta, correu para abraçar os filhos e matar logo aquela saudade que o consumia. Ela sorriu ainda mais largo vendo aquela cena que tanto lhe agradava e andou rapidamente até onde eles estavam sentindo a mesma euforia que dominava os três lhe atingir, aquela alegria que fazia o coração quase sair pela boca, as pernas cederem e os olhos marejarem sem nem mesmo pedir permissão.
apertava suas duas crianças o mais forte que conseguia, distribuindo beijos na cabeça e no rosto dos dois os fazendo rirem e apertar ainda mais o pai no abraço em meio a confissões da falta que haviam sentido, ao passo que sentia seu peito se encher novamente. Ele estava ali, ele tinha voltado e agora ela faria de tudo para manter o marido que tinha, ou que pelo menos, ela achava que tinha. focou a visão na ex-mulher logo a frente dele e a viu com um sorriso lindo, largo e orgulhoso, o fazendo também abrir um sorriso largo que marcava as suas bochechas, mostrando quase todos os dentes claros fazendo as pernas dela vacilarem e o estomago afundar. Era sempre daquele jeito e muito provavelmente nunca iria mudar, o sorriso dele a fazia querer pregá-lo em um quadro.
O homem soltou os filhos e a chamou com um aceno de mão, abrindo brevemente os braços. As pernas de ganharam vida própria e sem que ela desse qualquer comando ou as fizesse parar, elas correram rapidamente levando a enfermeira até o abraço de . Os dois suspiraram aliviados com o perfume familiar, o abraço gostoso que há tanto havia feito falta, fazendo a mulher se aninhar ainda mais nele, que a apertou da forma mais protetora que conseguiu.
-Que saudade de você. – disse baixo de olho fechado, respirando fundo, aspirando o perfume dele e sendo abraçada com mais força, ao mesmo tempo que sentiu um beijo na cabeça.
-Eu também, . – disse baixo, com o peito aliviado e abraçou-a mais forte ainda. – Senti tanta saudade. – Aquelas palavras fizeram a mulher sorrir aliviada e se deixar aconchegar ainda mais no abraço dele, quase como se o tempo parasse.
-Pai! Você vai dormir aqui, hoje! – Leonor disse eufórica tirando os dois do “transe” e fazendo o homem rir, depois soltarem do abraço.
-Aqui, Len? – perguntou um pouco confuso, mas completamente aliviado de estar ali de volta.
-É sim, não deu pra arrumar o apartamento. – A garota riu.
-Tudo bem, meu amor. – sorriu pra filha que parecia dar pulos de alegria. – , me ajuda a pegar as coisas? – O homem pediu ao filho, que afirmou sorridente.
-Claro que ajudo, pai. – O garoto sorriu largo e andou rápido até o porta malas do carro.
fez o mesmo caminho, sentindo-se finalmente completo como se o buraco em seu peito tivesse sido fechado em um piscar de olhos. Era maravilhoso estar em casa e ser tão bem recebido por daquela maneira. O homem mais sorridente do que nunca, abriu o porta malas que estava repleto de bagagem como malas, alguns instrumentos e a caixa com os skates dentro, depois distribuiu as coisas que tinham ali com o filho.
-É pra levar tudo, pai? – perguntou arrastando a grande mala com roupas, o que fez o homem rir um pouco triste.
-Deixa essa mala aqui. – O homem deu um tapinha de leve na bagagem. – É minha roupa, eu não quero assustar a sua mãe. Essa outra são alguns equipamentos. – Ele disse rindo e o garoto negou com a cabeça. – Pega os pacotes que eu vou pegar a mochila. – apontou.
-É presente? – O rapaz perguntou animado recolhendo os pacotes de papel e parecendo criança pequena, o que fez rir.
-É moleque! É presente sim. – O homem sacudiu a cabeça e riu bagunçando o cabelo do filho, depois beijou a cabeça dele, o vendo sorrir mais satisfeito do que qualquer outra coisa abraçando o pai com força mais uma vez.
pegou o violão, fechou O porta malas, colocou a mochila com computador e afins nas costas e saiu acompanhado pelo filho até a entrada da casa, onde praticamente amassava a filha mais nova dos dois em um abraço.
-Presente! – A garota gritou animada quando viu o irmão carregando os pacotes.
e riram alto.
-É princesinha, é presente. – abraçou as duas de uma vez só, guiando os quatro pra dentro de casa. – , avisa ao Chuck que eu cheguei. – O homem pediu entregando o celular a ela. – Ele só vai acreditar que eu cheguei se você falar.
A mulher pegou o telefone e colocou no aplicativo de mensagens, mandando um áudio para o padrinho de Leonor:
-Chuck? Pode tranquilizar, já chegou e chegou bem, sem faltar nenhum pedaço. Tá grudado nos meninos e muito provavelmente não vai dar sinal de vida tão cedo. Então avisa aos meninos, por favor, valeu.
terminou de falar e logo em seguida aproveitou o celular dele pra tirar uma foto dos três, que andavam praticamente colados pra dentro da casa e depois enviou ao amigo.
A família se acomodou na grande sala clara e arejada da casa, onde e os filhos estavam anteriormente. suspirou e sorriu se jogando no grande sofá em meio aos filhos, que pareciam ter grudado nele com cola, tirou o boné da cabeça e bagunçou o cabelo satisfeito em estar ali novamente.
-Ai que saudade de vocês meus pivetes. – Ele abraçou os filhos fortemente mais uma vez, despertando um sorriso bonito em . – Me contem, ansiosos pra começar o colégio? – perguntou eufórico e viu os olhares dos dois filhos como se ele fosse algum tipo de Extra Terrestre perdido na terra. ao ver a cena, soltou uma de suas gargalhadas mais espontâneas.
-Até parece que nunca estudou, . – A mulher disse o vendo abrir a boca em ultraje.
-Não me difame na frente dos meninos, mulher! – Ele riu junto, causando risos em Leonor e . – Leo vai começar no colégio novo, quero saber se ela está empolgada.
-Sei lá, pai. – A garota deu de ombros. – Acho que sim, eu tenho receio na verdade, mas a Ash vai junto.
-Claro, você e a Ashley vivem grudadas desde os quatro anos. – riu sacudindo a cabeça e beijou a bochecha da filha. – E você, Pie?
-Ansioso pra acabar logo. – O garoto disse de uma vez e levantou o punho, fazendo o pai arregalar os olhos e a mãe rir alto.
-Mas logo assim? – perguntou rindo alto.
-Eu quero ir pra faculdade, pai! – O garoto disse de forma firme, porém esganiçada, fazendo o casal abrir um sorriso gigante. fechou a mão pra soquinho, gesto que foi completado pelo filho.
-Mas eu trouxe presente! – O homem gritou animado, projetando o corpo pra frente.
-Oba, oba! – , Leonor e disseram completamente animados.
O homem sorriu largamente, pegou o primeiro pacote na mesinha de centro e logo levantou do sofá.
-Esse é pra você, . – falou com um sorriso que marcava suas bochechas e abaixou o rosto, beijando a bochecha da mulher que estava mais surpresa do que nunca.
-Pra mim? – O grito saiu um tanto esganiçado, fazendo os adolescentes rirem alto. – Mas…
-Claro que é pra você! – o homem beijou a bochecha dela mais uma vez vendo o rosto da mulher corar levemente. – Acha mesmo que eu ia esquecer de você, ? – Ele riu levemente.
-Abre logo, mãe! – O garoto pediu em completa agonia.
apoiou o embrulho quadrado no colo e como uma criança ansiosa pelo presente de natal, prontamente rasgou o papel cor de terra que envolvia o presente, encontrando uma luminária feita com cipós e madeira. Os olhos escuros da mulher brilhavam como se fossem duas estrelas, combinando então com o sorriso que só crescia ainda mais em seu rosto.
-Uma luminária! – O grito saiu animado assim como todas as expressões corporais de , fazendo sorrir extremamente feliz. – Obrigada! – A mulher o abraçou pelo pescoço, um abraço forte e sincero, que fez se sentir ainda mais grato por estar de volta.
-Por nada! – beijou a bochecha dela mais uma vez. – E eu sei que você é louca por qualquer luzinha que pisca. – Ele piscou e a viu abrir a boca com uma falsa indignação o fazendo rir alto e sacudir a cabeça.
O homem sentou na beira da mesinha de centro com um sorriso grande e ansioso, encarando os dois filhos que estavam bem mais ansiosos que ele.
-Agora meus meninos. – Ele sorriu largamente, vendo os olhos de e Leonor ficarem ainda mais apreensivos e grandes para ele. – ?
-Oi? – A mulher perguntou. Rindo da cena que tanto lhe agradava, ver os dois filhos tão felizes novamente.
-Os dois pivetes merecem presente? – perguntou receoso e viu a ex-mulher entortar a boca, enquanto fazia uma careta de desagrado. Os dois arregalaram os olhos assustados.
-Claro que merecem! – A mulher gritou abrindo os braços e soltando uma gargalhada. sacudiu a cabeça rindo, depois apontou pra ela vendo os filhos rirem junto.
-Primeiro a Leo, pode ser, Pie? – perguntou com um sorriso divertido e o garoto afirmou. – Então, eu acho que você vai gostar um pouquinho. – Ele fez uma leve careta e pegou o embrulho que mais parecia uma caixa larga, entregando a garota que o rasgou de forma desesperada, despertando um sorriso mais do que bobo no pai. – Esse é seu, moleque. – riu e entregou o presente ao filho, que teve a mesma reação de Leonor.
Os dois abriram os embrulhos na maior velocidade que conseguiram e à medida que descobriam o que estava escondido, os sorrisos só apareciam da forma mais encantada possível.
-E aí? Gostaram? – perguntou esfregando uma mão na outra e a única coisa que ouviu foi gritos, logo depois os dois filhos quase lhe derrubando no chão pela euforia do abraço apertado e agradecido.
Leonor havia ganhado um estojo com vários tipos de pincéis, lápis das mais variadas cores e alguns tipos de giz de cera em gel, o que fez a alegria completa da pequena artista. A garota era a veia mais forte para desenhos e pinturas dentro daquela família, porque além de gostar, ela fazia o trabalho com uma grande maestria, apesar da pouca idade. havia ganhado mais uma prancha de Skate e todo o aparato para montar um novo, ele sim parecia a cópia do pai na maioria dos gostos para as coisas, principalmente no quesito esportes.
-Gostaram mesmo? – perguntou rindo ao ver os dois como duas crianças pequenas em pleno natal.
-Claro! – O coro foi sincronizado, fazendo o homem rir e beijar a cabeça dos dois estando encantado com as crianças, que para ele nunca iriam crescer.
-E esse daí, pai? – A garota apontou pra um embrulho remanescente em cima da mesinha, fazendo o homem olhar.
-Ah, esse é do Alex, mas amanhã a gente passa lá pra deixar. Tudo beleza? – Ele perguntou rindo e viu os dois afirmarem prontamente.
passou um bom tempo admirando a empolgação dos filhos com os presentes e sem perceber, fazia o mesmo, mas encantada com o jeito que o homem olhava para os filhos.
-Hoje a cozinha é nossa! – Leonor gritou, rompendo o momento de hipnose e levantando de uma vez do sofá fazendo os restos de papel de embrulho cair no chão. – Eu e o ficamos de cozinhar.
-Oba! Sério? – O homem perguntou animado. – E eu mereço tudo isso? Não querem mesmo nenhuma ajudinha?
-Muito sério. – O rapaz respondeu com o sorriso nas orelhas. – Vai lá pra cima, a mãe te ajuda a guardar as coisas e vocês só pisam na cozinha pra comer. – riu vendo os pais rirem, depois bater sinal de continência.
sacudiu a cabeça ao ver o casal de filhos irem empolgados na direção da cozinha, depois pegou a prancha de skate do menino e o estojo de pinceis da garota enquanto recolhia as malas que estavam pelo sofá.
-Eles estavam mais do que ansiosos pra te ver. – A mulher disse com um sorriso bonito, arrancando um igual em . – estava parindo umas três crianças porque você não chegava. – Os dois riram alto e o homem alargou ainda mais o sorriso bonito.
-Só eles, ? – o homem perguntou quando os dois andavam na direção da escada.
-Você sabe que não. – Ela colou a prancha do skate embaixo do braço e passou a mão no cabelo. – Eu fiquei preocupada porque você… – A mulher usou de um tom acusatório o fazendo rir alto, achando divertida a reação dela. – Fez o favor de não avisar que vinha dirigindo o seu monstro vermelho.
soltou uma gargalhada mais do que espontânea ao ouvir o antigo apelido que ela dera ao carro.
-Ah, mas se eu dissesse, ia estragar toda a surpresa. – O homem disse de forma óbvia arrancando a risada mais espontânea de . – O Monstrinho branco não estava com saudade? – Ele se referiu ao Jeep branco que pertencia a ex-mulher, a fazendo rir e balançar a cabeça em um aceno indefinido.
-Talvez. – deu de ombros, lançando um sorriso meigo a ele. – Ficar sozinho na garagem não é tão legal assim.
abriu um sorriso grande e se atreveu a beijá-la rapidamente na bochecha.
-Porque você trouxe o carro, ? – Ela perguntou com seriedade, preocupada com a impressão que aquilo iria passar aos filhos e até mesmo a ela, em ver o carro junto com ele. No fundo, no fundo, ela ansiava que aquilo não fosse puro acaso. soltou uma risada anasalada.
-Porque eu vim pra ficar, . – O homem falou convicto sem esconder o largo e completo sorriso que estampava seu rosto.
-Seja bem-vindo! – A mulher disse com um sorriso tão radiante que iluminava a sua alma e fazia seu coração palpitar só pela notícia. – É maravilhoso saber que você está de volta. – Ela disse com a felicidade lhe tomando e sentiu o corpo ser abraçado de uma vez, um abraço que lhe fazia falta a tanto tempo.
-Obrigado, . É maravilhoso estar de volta. – O homem beijou a cabeça dela, depois soltou-a enquanto subiam as escadas da casa.
-Nós sentimos muito a sua falta. – declarou de supetão.
-Eu também senti a de vocês, muita. – Os dois riram como se fossem dois adolescentes no auge dos seus 16 anos e sentissem algo escondido um pelo outro.
-Vem, deixa eu te acomodar aqui. – Ela abriu a porta do quarto de hóspedes que ficava exatamente em frente ao quarto que anteriormente pertencia aos dois. olhou pra trás na direção da porta branca e suspirou, depois entrou onde ficaria aquela noite. – Desculpa não ter conseguido preparar o apartamento pra você. – A mulher disse assim que ele colocou a mochila em cima da grande cama de casal.
-Tudo bem, . – riu de leve com a preocupação. – Eu sei da correria que é dar conta desses dois e ainda tem a clínica. Não precisa se preocupar, não precisa se martirizar com isso, ok? – ele sorriu bonito e estendeu a mão, segurando a dela dando um beijo em seguida, fazendo o corpo de mergulhar em uma sensação maravilhosa novamente.
-Okay. – Ela soltou um sorriso bobo mesmo contra sua vontade. – Eu pedi aos dois pirralhos que fossem lá fazer isso por mim, mas eles, inclusive a sua linda princesinha, ficaram dando massada*. – Os dois riram alto, enquanto continuava segurando a mão dela sem qualquer pretensão de soltar. – Principalmente Leonor, mas ela a gente já conhece.
-Eu sei qual a intenção da Leo com tudo isso. – riu sacudindo a cabeça, mas não podia negar que apoiava a filha naquilo. – Amanhã eu junto os dois pra me ajudar, pode ficar tranquila.
-Obrigada, de verdade. Amanhã eu preciso ir dar uma fiscalizada na reforma da clínica, mas aí depois eu passo por lá pra ajudar vocês. – disse com um sorriso tímido.
-Eu espero! – respondeu prontamente com um sorriso largo.
? – A mulher chamou o fazendo ficar mais atento nela. – Obrigada por ter voltado. Espero mesmo que você fique.
-Eu vou ficar, . Prometo. – abriu um sorriso ainda maior apertando levemente a mão da mulher na esperança de lhe passar confiança. – Eu não vou mais embora, pode confiar em mim.
-E eu não quero mais brigar, . Quero trégua. – disse séria e convicta do que estava falando.
-Eu também concordo que isso já foi longe demais. – E dito isso o homem a puxou pra um abraço.
a segurava contra seu corpo como se sua vida dependesse daquilo, ao mesmo tempo que se deixou largar naquele gesto maravilhoso que havia lhe feito tanta falta ao longo do ano que havia passado, ela o apertou forte entre seus braços, como há tempos não fazia deixando o momento ainda mais significativo. O homem com a cabeça encostada a dela e sentindo seu peito encher e ser completado novamente. Era como uma máquina do tempo que trazia todas as memorias boas que o casal já tinha vivido.
-Vou te deixar tomar banho. – riu, beijou a bochecha dele e por fim se afastou de sentindo seu corpo clamar pelo contato novamente. – Depois desce, os meninos cismaram com a cozinha. – Os dois sorriram.
-Tudo bem. Obrigado, . Por tudo. – Ele disse ainda com o sorriso insistente no rosto.
-Ah meu Deus, você está em casa, . Sem essa. – Ela negou com a cabeça, soltando uma risada. – Vou indo.
A mulher soltou a mão dele e caminhou até a porta, mas quando já estava prestes a sair, ouviu chamar por seu nome.
-Ah , minha mãe te mandou um beijo.
Os dois riram e ela sorriu largamente.
-Adoro a Louise. – Ela olhou uma última vez pra ele e saiu do quarto antes que ficasse por lá e prolongasse a conversa demais.
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-Eu estou com fome! – gritou imitando uma criança pequena reclamona ao entrar na cozinha e ouviu as risadas.
-Não me deixaram chegar nem perto, o máximo que me permitiram foi aqui, atrás do balcão. – riu dando dois tapinhas no mármore e os dois afirmaram para o pai.
-Posso ficar aqui também? – Ele perguntou rindo e sentando ao lado da mulher.
-À vontade. – , o filho, falou com o ímpeto de um Cheff, causando algumas risadas.
O clima durante o jantar não poderia ser melhor, entre algumas risadas, sorriso e brincadeiras, os quatro sentiam que finalmente algo estava se encaixando de novo. Era como uma peça perdida que voltava a ter sentido quando encaixada novamente. se sentia completamente em casa e queria poder permanecer em casa, naquela casa, com a família dele, mas se algumas coisas precisavam ser trabalhadas aos poucos ele iria fazer acontecer aos poucos e ter voltado de vez para o Canadá já era um começo.

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O homem deitou a cabeça no travesseiro e mesmo sem a intenção, passou a encarar o teto do quarto de hóspedes não acreditando a que ponto tinha chegado. Ele poderia muito bem estar dormindo agarro a ela, sua mulher, sentindo o cheiro do cabelo cacheado dela, do sabonete e principalmente sentindo o corpo dela se encaixar tão bem ao seu, sem falar que não reclamaria de ganhar alguns beijos.
Ele fechou os olhos na tentativa de que o sono chegasse, mas foi atingido pelas lembranças da primeira vez que a família toda tinha entrado naquela casa.

Junho de 2005.

O ar inteiramente mágico e animado preenchia o carro da grande e nova família. estava dirigindo e no banco do passageiro dividindo a atenção entre os dois filhos, o garotinho de seis e a garotinha de quatro anos, enquanto os dois pareciam abismados com o tamanho das casas daquele bairro e mesmo que tivessem pouca idade, animados com a ideia de visitar algum lugar novo.
-Onde a gente tá indo, papa? – O menino que tinha o mesmo nome do pai, perguntou curioso com o rosto grudado no vidro do carro.
-Conhecer um lugar muito legal! – O homem disse mais animado que a própria criança.
-Eba! – Leonor bateu palminhas praticamente pulando presa a sua cadeirinha e fez os pais rirem.
-A gente chega já. – que também estava tão radiante e animada quando os três, disse com um sorriso gigante.
-Vocês vão gostar muito de lá! – insistiu virando rapidamente pra olhar os filhos, mas logo voltou a atenção para a estrada.
-É um parquinho? Por que é tão longe de casa? – O menino perguntou ajeitando o boné na cabeça e fez o casal rir.
-Pode brincar? – Leonor perguntou animada balançando suas Maria Chiquinhas, despertando na mãe a maior cara de babona.
-Não é um parquinho. – O homem riu com as perguntas animadas. – Mas é perto de um parquinho! Dá pra brincar sim, Leo, a gente vai brincar muito lá! – Ele abriu um sorriso enorme e esticado, ansioso pela reação dos dois com a casa nova.
-EBA! – O grito dos pequenos foi conjunto e a mulher sorriu largamente assim como o namorado.
-Tem cachorro? – Leonor perguntou interessada, enquanto ainda olhava pela janela do carro e riu alto com a careta confusa que fez ao olhar pra ela, sem entender o que a garotinha dizia com aquilo.
-Cachorro? – A pergunta saiu confusa.
-Um cachorro! – , o filho, gritou com as mãos pra cima, causando na irmã menor a mesma reação.
-Não tem… – O homem deu um sorriso amarelo que fez a mulher rir mais.
-Não tem cachorro. – A mãe assegurou rindo com a reação dos três. – Mas é um lugar bem grande! – Ela disse arregalando os olhos pra eles como se fosse criança também e os meninos gritaram animados com a notícia.
-Dá pra correr! – O pai disse com os olhos arregalados ao ver a reação dos dois pelo retrovisor e os pequenos gritaram ainda mais. – Dá pra correr muito! – O homem garantiu parecendo a criança mais velha e riu.
-Papa, você vai correr com a gente? – O garotinho de cinco anos perguntou com os olhos arregalados segurando forte a mão da irmã, com quem era tão unido.
-VOU! – O homem arregalou os olhos se mostrando mais animado do que nunca. – Papa vai correr muito com vocês! E a mama também! – sorriu bonito e afagou o joelho da esposa, piscando pra ela. sorriu e segurou a mão dele.
-VOU CORRER E PEGAR VOCÊS TODOS! – O gritou saiu esganiçado por parte dela e ouviu a gargalhada das crianças.
-CHEGAMOS! – gritou ao estacionar o carro e ouviu a agitação dos dois filhos pequenos.
-OBA!
-É uma casa? – O garoto perguntou confuso ao ver que estavam parados em frente a uma grande casa clara.
-Nós temos casa! – Leonor disse confusa olhando pela janela.
-É a nossa casa nova! – O homem soltou incrivelmente animado se mexendo no banco do carro.
-Uma casa nova! – repetiu a euforia dele, olhando para os filhos no banco de trás. – Maior que a casa antiga, com mais espaço, um quarto pra cada um, muito espaço, uma cozinha gigante… – A mulher enumerou nos dedos como se fosse uma criança e viu os três rirem. – Uma casa linda com um jardim enorme! – Ela abriu os braços dando a ideia de grandeza e soltou e Leonor das cadeirinhas, enquanto o pai saía pra pegar os dois no colo.
-A GENTE PODE TRAZER MEUS BRINQUEDOS? – O menininho perguntou com os olhos da cor dos da mãe mais do que arregalados, os fazendo babarem com tanta empolgação. riu achando lindo e pegou Leonor no colo, depois chamou o filho mais velho com um aceno.
-Nós vamos trazer todos os brinquedos! – O homem abriu um largo sorriso ao ver o garoto lhe abraçar e o pegou no colo. – E tem novos! – Ele arregalou os olhos.
-BRINQUEDO NOVO? – Leonor soltou um grito fino no ouvido do pai, o que o fez esboçar uma careta engraçada e rir alto.
-Muitos brinquedos novos, princesinha! – Ele gritou em resposta a filha. – E nós temos um grande jardim, pode ter uma pista de skate! – deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais e viu os olhinhos mais encantadores arregalados pra ele, compensando totalmente o seu esforço.
-Eba! Vamos ter uma rampa de skate! – O garotinho de seis anos esticou os braços e ganhou um beijo na bochecha. – Leo, eu vou te emprestar meu skate e te ensinar.
-Mas com cuidado, ! – disse os alertando, enquanto enchia a câmera digital de fotos dos três em um dos dias mais importantes da vida deles.
-A gente coloca a joelheira e o capacete nela. – filho disse bem entendido do assunto, segurando a mão da irmã menor.
-Eu quero! – A garotinha soltou um gritinho mais do que animado e beijou a bochecha do pai.
-Fechado! – A criança mais velha deu high five com os filhos.
-Prontos para entrar na casa nova? – perguntou eufórica balançando o chaveiro colorido nas mãos e ouviu gritinhos animados, abrindo um dos seus sorrisos mais largos pela alegria deles. – Com o pé direito, amor. – A mulher disse pro marido e ele firmou com um sorriso imenso, depois beijou-a na cabeça.
-Com o pé direito. – repetiu com um sorriso imenso, apertou os filhos no abraço e ficou a postos.
-Um… – A mulher começou a contagem e colocou a chave na fechadura da grande porta de madeira. – Dois… e já! – escancarou a porta da casa, mostrando o grande espaço vazio que em algumas semanas seria preenchido por móveis, decoração e uma montanha de brinquedos espalhados.
-Bem-vindos à nova residência dos ! – gritou em alto e bom som ao adentrar dentro da nova, grande e clara casa na qual passaria boa parte de suas vidas e quem sabe até o resto dela. Ele riu com a reação de e Leonor que pareciam abismados com o tamanho do lugar, ao mesmo tempo que se sacudiam para descer do colo do pai. – Calma, calma! Vou colocar vocês no chão! – O homem disse rindo e beijou a bochecha das duas crianças antes de coloca-las no chão.
-Coloca! – As duas vozes de criança pequena saíram em coro na mesma velocidade que os dois correram pela casa ao colocarem os pezinhos em contato com o chão. – ISSO É TÃO LEGAL!
riu alto com a animação dos filhos e abraçou de lado, sendo abraçada com força de volta e ganhar um beijinho casto e carinhoso.
-Acho que gostaram da nova casa. – Ela disse sorridente ao ver o imenso sorriso do marido e o quanto ele estava radiante.
-Também acho que gostaram! – Ele sorriu ainda mais ao ponto de suas bochechas quase tomarem os olhos de tanta emoção. sorriu encantada com ele e o beijou ternamente na bochecha. – E se eles gostaram é o que eu precisava!
-Até parece um sonho de tão incrível que a nossa vida está. – A mulher respirou fundo como se realmente não acreditasse em tudo que vinha acontecendo no último ano. O Simple Plan havia estourado nas paradas de sucesso e era uma das bandas mais conhecidas da atualidade, ela finalmente havia conseguido terminar a faculdade depois de alguns imprevistos e os dois tinham comprado a casa dos sonhos.
-Não é sonho, anjo, é realidade. A nossa realidade! – Ele sorriu o mais largo que pode e a beijou levemente sendo abraçado com força.
-Vamos atrás dos meninos. – Ela o chamou com um sorriso genuíno e o viu sorrir igualmente.
-Vamos! – segurou a mão de como se eles fossem tão criança como os filhos e por fim gritou: – PREPARADOS OU NÃO, AÍ VAMOS NÓS!

 

-x-x-x-
-Onde nós vamos? – Leonor perguntou bocejando no banco traseiro do carro do pai, enquanto sentia o sol machucar seus olhos de quem tinha acabado de acordar. – São 08:00 da manhã de um sábado. – A garota reclamou fazendo careta e ouviu um murmúrio de afirmação do irmão que se encontrava afundado no banco da frente.
-Comprar algumas coisas para abastecer e limpar o apartamento. – riu incrédulo com a falta de disposição dos filhos. O rapaz olhou pra ele sem a mínima expressão, mais parecendo um zumbi por teoricamente ter acordado cedo. – O quê? Sem essa preguiça. – O homem olhou brevemente para o filho, depois voltou sua atenção pra estrada. – Cadê a animação de ontem? Eu estou aqui! – se sacudiu no banco.
-Pai, eu te amo. Muito. – O garoto disse de forma sincera, ganhando um esfregão no cabelo. – Mas é sábado! Madrugada de sábado.
-Madrugada? – riu alto.
-Sim pai. – Leonor disse com a voz praticamente morta. – Nós somos jovens, só acordamos depois das 09:00. É biológico.
-É biológico nada, é preguiça mesmo. – riu. – Está me chamando de velho, pirralha? – Ele fez uma careta enrugando o nariz e viu a garota dar de ombros pelo retrovisor.
Os dois riram alto e ele mostrou a língua.
-Para a informação de vocês, eu tenho 37 anos. – O homem respondeu como se, se gabasse de algo grandioso.
-E com dois filhos adolescentes. – negou com a cabeça mostrando reprovação pela atitude dos pais, mesmo ainda afundado no banco.
-Você foi o primeiro, moleque. – O homem cutucou o filho.
-Quanta irresponsabilidade. – Leonor também negou com um aceno de cabeça e depois riu. – Quantos anos a minha mãe tinha? – Ela perguntou encostando o rosto na mão.
mordeu a boca, tentando lembrar das datas e por fim respondeu:
tinha acabado de completar 18 quando o nasceu e ia completar 20 quando você nasceu, Leo. – Ele respondeu batucando os dedos na direção ao som da música que tocava no rádio.
-Meu Deus, duas crianças. – O garoto reclamou mais uma vez, ouvindo a irmã rir alto.
-Então você é uma criança? – perguntou olhando torto para o filho que tinha 16.
-Não, pai. – O rapaz se ajeitou no banco do carro. – Mas vocês tiveram dois filhos com menos de 23 anos de idade. Com 22 eu quero estar, no mínimo, na faculdade. – Ele disse de forma óbvia, fazendo um sorriso bonito surgir no rosto do pai.
-E é exatamente onde eu quero que você esteja. – O homem bagunçou o cabelo do filho como se ele fosse uma criança, fazendo o garoto rolar os olhos e rir. – Firme e forte com a engenharia?
-Firme e forte! – O garoto deu um sorriso completamente largo e bonito, que se assemelhavam em tudo ao do pai. – Eu não aguento ver sangue, não tenho paciência pra humanas e não tenho a menor sensibilidade pra qualquer coisa artística. – fez careta e ouviu o pai gargalhar. – Eu realmente sou das exatas, pai.
-E você, Leo? – O homem a olhou pelo retrovisor e viu a filha sorrir pra ele. – Já se decidiu?
-Na verdade, ainda não. – A garota riu alto.
-Ainda com a ideia maluca na cabeça? – perguntou e a filha deu de ombros. – Desculpa meu anjinho, mas saúde não combina nem um pouco com você. Eu e sua mãe já dissemos isso.
-Sim, isso? – A garota riu. – Descartei da minha lista, eu acompanhei a mãe em um dia de trabalho e decidi que realmente não é pra mim. Estou em dúvida entre Designe Gráfico e Arquitetura. – Leonor disse com um sorriso angelical.
-Isso é bem mais a sua cara, Leo. É ótimo que tenha mudado de ideia. – sorriu imensamente satisfeito e a garota sorriu junto.
Ele estacionou em frente ao grande supermercado e logo saiu do carro, vendo e Leonor fazerem o mesmo, mas ainda com uma péssima disposição, parecendo se arrastar. Depois de pegar um carrinho grande e uma lista cedida por em relação aos produtos de limpeza, os três saíram em busca de desbravar os corredores, fazendo lembrar de quando os filhos eram apenas cotoquinhos de gente e adoravam correr e fazer bagunça dentro do lugar.
-Pai? – A garota o chamou enquanto se pendurava no carrinho de supermercado.
-Oi Leo. – respondeu escolhendo alguns condimentos com o filho mais velho.
Os dois sempre tiveram um apreço maior por cozinha do que as garotas daquela casa, era como se fosse algo passado de pai para filho, alguma herança de personalidade que tinha se agregado bem demais ao garoto de 16 anos. Os dois s se pareciam tanto que, às vezes, fazia se perguntar se o próprio ex-marido não tinha parido o filho.
-Você ainda ama a minha mãe? – A garota foi direta como sempre fora, fazendo o homem olhar pra trás de uma vez, assustado com a pergunta repentina. O filho soltou uma risada alta, depois tapou a boca, percebendo que estava em um corredor de supermercado.
-Que pergunta é essa, Leonor? – O homem perguntou assustado, com os olhos um tanto arregalados, segurando um pote de azeitonas. – É claro que eu amo a sua mãe. – Saiu de forma esganiçada, fazendo os dois adolescentes rirem. – Achei que fosse óbvio. – olhou de um para o outro meio apavorado com a reação dos filhos. – Tem alguma coisa acontecendo que eu não sei, mas deveria saber? – perguntou apavorado, fazendo os dois filhos pararem de rir na exata hora.
-Não! – , o filho, arregalou os olhos e movimentando as mãos de forma que não era nada daquilo que o pai estava pensando. – Não é isso pai. Isso nunca. – O garoto assegurou firmemente. – É só que eu acho que isso já foi longe demais, sabe? Eu sei que eu não sou tão adulto quanto você a minha mãe são, mas é visível o quanto vocês dois se gostam e eu não queria ver mais ninguém sofrendo com essa separação. – Ele agiu de forma centrada como ele sempre costumava ser, mesmo pela pouca idade, fazendo abrir um sorriso largo que chegava a marcar as bochechas, depois abraça-lo pelos ombros.
-A gente queria que vocês voltassem, papa. – A garota fez uma careta pequena vendo o pai rir aliviado. – Eu não gosto de ver vocês assim. Sem falar que eu achei que a mamãe fosse explodir ontem quando você chegou. – Leonor disse de forma desentendida e ouviu uma gargalhada do pai, sabendo que ele também tinha percebido.
-Eu também não quero mais, Leo. Não quero mais passar tanto tempo longe de vocês, nem longe dela. Vocês são a minha família, que eu vou fazer de tudo pra recuperar. – O homem alargou ainda mais o sorriso, deu um beijo carinhoso na cabeça do filho ao qual estava abraçado e mandou um beijo pra garota que sorriu satisfeita. – E sim, eu vi como ela ficou ontem. – tentou segurar a risada, mas quando percebeu já ria descontroladamente junto com os dois filhos.
-Vocês são horríveis. – O garoto disse rindo alto vendo o pai ficar mais leve a cada risada.
-Vem, vamos terminar de fazer as compras. – sacudiu de leve a cabeça, soltou o filho e agarrou a grade da frente do carrinho de compras. – disse que ia passar lá em casa mais tarde, acho que vai buscar vocês, ou deixar os pestinhas de vez comigo. – Ele piscou, depois saiu arrastando o carrinho de supermercado pela parte da frente, carregando a filha que estava pendurada.
-Pai, é anjo. – Leonor debochou do apelido usado pelo pai, fazendo o irmão rir alto. vincou a sobrancelha confuso. – Anjo e Amor. – a garota caiu na gargalhada, vendo o irmão ficar ainda mais vermelho e o pai rolar os olhos.
-Você é muito idiota, garota! – filho gritou rindo, fazendo Leonor rir ainda mais. – Dá espaço, vou subir aí também. – wle riu, subindo no suporte do carrinho junto com a irmã.
-Vão, debochem da minha cara. – O homem incentivou os deboches, rindo com os dois. – Um dia vocês vão saber o que é isso. Eu sou apaixonado por aquela mulher desde que eu tinha dezenove anos de idade. – levantou um dedo.
-Meu Deus, pai. Você tá parecendo o vovô. – Leonor riu alto. – Casado há uns 50 anos.
-Minha meta é essa, pirralha. – Ele riu e voltou a puxar o carrinho, mas não conseguiu pelo peso. – Podem descer, eu não aguento puxar os dois. – disse rindo, apontando para os filhos que fizeram bico e depois desceram.
-Tá velho. – O garoto riu e viu o pai fazer cara de tédio, depois passou a empurrar o carrinho com ajuda da irmã, que havia se pendurado no suporte uma outra vez.
-Por que vocês nunca casaram? – A garota perguntou enquanto pegava um sachê com milho em conserva.
-Eu casei, Leonor! – soltou meio esganiçado os fazendo rirem alto com o desespero dele. – Você e seu irmão estavam no casamento! Não teve festa porque eu sou um tapado e nem um pedido decente eu fiz. Nós dois simplesmente decidimos casar no meio de uma turnê com vocês dois pequenos. – Ele riu junto com os pivetes e por fim suspirou. – Acho que eu acabei me acomodando com a situação, mas ela é minha esposa, sempre foi. – deu um sorriso fechado, porém bonito.
-Então por que ela te mandou embora? – A pergunta da garota saiu cortante, como uma pancada dolorida fazendo o homem arregalar os olhos.
-Leonor! – disse repreendendo a irmã.
-O quê, ? – A garota perguntou de forma agressiva ao irmão. – Você sabe e eu sei que ela mandou o pai embora.
-Leonor! – repreendeu a filha, arregalando os olhos com aquela conversa. Em que mundo tinha mandado ele embora? – Que história é essa que sua mãe me mandou embora? Eu fui porque eu quis, ela não tem absolutamente nada a ver com isso! Eu fui pra não piorar o estado ruim que já estava.
-Não? – Foi a vez de soltar um grito esganiçado, ficando pálido sem uma gota de sangue nos lábios. – Merda, pai! Eu fiz merda, uma grande merda! – O garoto disse em desespero, colocando as mãos nos cabelos.
-O quê que você fez, ? – O homem perguntou assustado.
-Eu disse coisas horríveis a minha mãe. – O garoto disse começando a hiperventilar de olhos arregalados e sentiu um tapa da irmã na cabeça.
-Pelo amor de Deus. – O homem passou a mão nos cabelos. – Não precisava disso, ! Era só acreditar no que ela dizia!
-Mas ela nunca disse nada, papa. – Leonor fez careta e por mais que soubesse que o irmão tinha feito um belo papelão, se apavorar àquela altura do campeonato não ia voltar no tempo.
-Não? – perguntou assustado.
Como ela tinha carregado uma culpa que não era dela por todo esse tempo?

Chapter two

olhava pro filho sem acreditar no que tinha acabado de ouvir e principalmente em como tinha deixado a situação chegar àquele ponto. Ele sabia o quanto tinha sido sofrido sair de casa, como também sabia o que era lidar com dois filhos adolescentes, principalmente quando um era mais impulsivo que o outro.
-Eu não acredito que você fez isso. – Ele disse sério olhando pro filho. O rapaz arregalou os olhos e pareceu empalidecer. – Então aquela confusão toda e tudo que você disse foi por causa disso, ? – O homem suspirou e passou a mão na cabeça.
-Mas pai…
-Sem mas. Você deve sérias desculpas a sua mãe. – O homem esfregou os olhos impaciente. – E sinceramente, eu também. – Ele respirou fundo soltando o ar pelo nariz e deu leves tapas nas costas do filho. – Agradeça pela mãe que você tem, moleque, não é toda mãe que faz esse tipo de coisa.
suspirou um tanto entristecido e segurou novamente na grade do carrinho o puxando pelo corredor
-Pai, você está com raiva de mim? – O rapaz perguntou apavorado, apressando o passo para acompanhar o pai, enquanto Leonor prestava atenção na conversa.
-Não , eu não estou com raiva de você. – O homem deu um sorriso fechado e afagou o ombro do garoto que era mais alto que ele alguns centímetros. – Eu estou com raiva de mim, eu que causei tudo isso. Só peça desculpas a sua mãe, tudo bem?
-Tudo bem, pai. Eu vou pedir sim, não se preocupe e prometo que esse tipo de coisa não vai mais se repetir. – O rapaz disse de forma segura, vendo o pai sorrir em concordância.
-Alguma coisa que eu também deveria saber, Leonor? – O homem perguntou prendendo uma risada.
-Além de que o está namorado. – A garota deu de ombros, vendo o irmão arregalar os olhos pela notícia. – Acho que não.
-Leonor! – O garoto ralhou esganiçado e de olhos arregalados, virando a atenção para o pai que estava com um sorriso esticado nas bochechas.
-Por que você não me disse? – perguntou animado e ansioso.
-Por que faz bem pouco tempo. – O rapaz esganiçou novamente. – Leonor que é bocuda. – Ele fechou a cara pra irmã e a garota mandou um beijo pra ele.
-É a Madeline? A garota francesa? – O homem perguntou animado e até eufórico, feliz pela forma que o filho estava vivendo as primeiras experiências e pelo fato daquilo também respingar em , que mesmo depois de tanto tampo, ainda estava passando pelas primeiras experiências de ser pai.
-É pai, é a Mad. – O garoto tentou soar de forma tediosa, mas um sorriso insistia em rasgar o seu rosto.
O homem sorriu largamente e abraçou o filho de uma vez em comemoração à notícia, enquanto o garoto só conseguia sorrir mais a cada minuto. Leonor rolou os olhos prendendo uma risada, se fosse ela namorando, no mínimo, o pai faria um belo escândalo.
-Vocês já compraram o material escolar? – O homem perguntou animado e ouviu uma gargalhada enorme dos filhos.
-Material escolar? – Leonor estava vermelha tentando prender a risada e olhava para o pai confuso. – Isso é tão coisa de criancinha, pai. – A garota voltou a gargalhar junto com o irmão e rolou os olhos.
-Já compraram ou não? – O homem voltou a perguntar.
-Já sim, eu fui com a Leo na semana passada. – P rapaz disse passando a mão no rosto. – Mamãe estava mandando a gente ir, que nós dois tínhamos que começar a resolver nossas coisas sozinhos e a coisa toda.
soltou uma risada leve, depois balançou a cabeça em um aceno.
-Não falta mais nada, não é? – O homem perguntou rindo e os dois acenaram negativamente, pareciam até sincronizado. – Vocês têm certeza?
-Sim, papa. Compramos tudo. – A garota disse com um sorriso bonito que arrancou um sorriso encantado do pai.
-Ok, então vamos logo aqui. A gente ainda vai passar lá na antes de ir pro apartamento. – deu duas tapinhas na armação de ferro do carrinho de supermercado, induzindo Leonor a empurrá-lo.

-x-x-x-

A manhã mal tinha começado e sentia que o dia iria ser ótimo, talvez porque a reforma da sua clínica de curativos estava indo de bom a melhor, as salas ambulatoriais estavam quase prontas e era questão de alguns dias até a sala dela realmente virar o alvo dos reparos, a recepção já havia sido refeita e estava melhor do que ela e haviam imaginado. A mulher sorriu largamente e apanhou uma pasta com alguns documentos do balcão.
-Posso saber porque a senhorita está com essa coisa na cara? – perguntou rindo e viu a mulher fazer uma careta, passando a mão no rosto.
-O quê, sis? – A enfermeira enrugou o nariz de forma confusa, enquanto olhava pra irmã tentando entender o que tinha de errado em seu rosto.
-Esse sorriso, senhorita Cousseau. – Anne, a fiel escudeira de dentro da clínica, se manifestou fazendo a mulher rolar os olhos e apontar pra ela como se possuísse um luminoso nas mãos.
-E é , Anne. – corrigiu o sobrenome e as duas riram alto, completando um high five. mostrou a língua como um protesto
-Minha Home Care está mais uma vez ganhando forma. – A mulher alargou ainda mais o sorriso e abriu os braços.
-Só isso? – perguntou duvidosa cruzando os braços. – Nada mais? Nada que envolva um certo vocalista bonitão? – A mulher arqueou uma de suas sobrancelhas.
-Por que tudo pra você tem que envolver o ? – perguntou rindo e as três começaram a se descolar para fora da clínica.
-Opa! Agora temos nomes. – riu de forma astuta, enquanto descia a rampa de acesso à clínica. – Eu não tinha citado nomes. – Ela piscou fazendo a irmã rir alto. – Então esse sorriso bonito é por causa do marido?
-Ex. – corrigiu fazendo rir. Fazia tempo que não a via feliz assim. – E não, não é por causa dele. – Ela disse procurando a chave do Jeep na bolsa de mão. – Quer carona, Anne?
-Não precisa, obrigada. – A garota sorriu ajeitando algumas pastas na mão. – Eu vim de carro e ainda vou resolver algumas coisas, mais tarde eu te ligo.
-Tudo bem, obrigada. – sorriu de volta e destravou o carro, seguindo pra lá junto com que ainda não aceitava que nada daquilo tinha a ver com .
-Certeza que esse sorriso não está construído no fato do ter voltado? – perguntou abrindo a porta do passageiro e colocando suas coisas no piso, depois travou as rodas da cadeira.
-Ele todo não. – riu se posicionando perto da irmã. – Talvez metade. – A mulher deu de ombros. – Quer ajuda?
-Claro, eu não mandei seu carro ser um monstro e nem tão alto. – A mulher piscou soltando o cinto da cadeira de rodas e riu alto. – E sobre o sorriso, 75%. – piscou se posicionando para ir pro banco.
-Eu não mandei você ser baixinha. – riu dando apoio a irmã.
-Eu sou mais alta que você sua vaca. – ralhou de forma indignada, fazendo a irmã rir ainda mais. – Ou era. – Ela completou também rindo e por fim conseguiu se colocar no banco do passageiro com a ajuda do impulso de . A enfermeira passou o braço por baixo dos joelhos da irmã e os alinhou da forma certa.
-Prontinho. – Ela sorriu e colocou a bolsa no colo de .
-Obrigada, . – A mais velha agradeceu de forma sincera. – Agora fecha a cadeira e põe no porta malas. – ela deu um sorriso meigo, contrastando completamente com a sua ordem. As duas riram alto.
fechou a cadeira de rodas que tinha a armação vermelha e logo guardou no porta malas, voltando, em seguida, para seu posto de motorista da vez.
-Vai direto pra casa, ou quer passar em algum lugar antes? – Ela perguntou passando o cinto de segurança e dando partida no carro.
-Casa. saiu com o Alex para andar de bicicleta, mas já eles chegam. – A mulher deu um sorriso brilhante e bonito ao mencionar o marido e o filho. – Seus meninos? Cadê?
-Foram fazer compras para abastecer o apartamento. – disse saindo com o Jeep da frente da home care, batucou os dedos no volante repassando o que seria feito o resto do dia e arregalou os olhos de uma vez. – Droga, não pegou a chave do apartamento. – Ela deu um tapa na própria testa.
pai, ou filho? – perguntou rindo e a fez rir junto.
-Os dois são descansados, então tanto faz. – As duas riram alto. – Procura aí na minha bolsa, por favor. – pediu rindo e com a atenção na estrada.
-Homem é o bicho mais descansado da face da terra. – negou com a cabeça e começou procurar a chave na bolsa. – Minha vontade, às vezes, é passar com a motorizada por cima do , sinceramente.
As duas gargalharam e afirmou veemente.
-Eu não tenho cadeira, mas a vontade é essa mesmo. – Ela riu alto passando a mão no rosto.
-Sem problemas, empresto a minha. – piscou ainda rindo e achou a chave do apartamento que durante muito tempo havia pertencido a irmã e ao cunhado. – E sim, a chave está aqui. Quer que eu ligue avisando?
-Não precisa, eu levo lá. Prometi que ia dar uma ajuda. – falou com um sorriso que insistia em continuar abrigado no rosto e deu um sorriso maldoso, enquanto encarava a irmã e a fazia ficar levemente vermelha.

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estacionou o carro grande em frente à casa da família , sorriu ainda em êxtase por estar de volta aquela cidade e saiu do automóvel sendo acompanhado pelos filhos, pegou o presente do afilhado e se dirigiu até a porta da casa abraçado com Leonor, que entre o casal de filhos, era quem tinha se apegado bem mais a ele.
-O que é o presente do Alex, dad? – A garota perguntou curiosa fazendo o pai soltar uma risada e beijá-la na cabeça.
-Um skate, capacete, joelheira, cotoveleira e todo o aparato de proteção. – O homem disse rindo e ouviu uma risada alta dos filhos.
-Mês passado ele queria descer na rampa lá de casa com a bicicleta. – disse rindo alto e o pai arregalou os olhos. – Tia quase enfarta.
-É sério? – O homem perguntou incrédulo. – Meu Deus, o Alex só não tem tamanho mesmo. – sacudiu a cabeça rindo e o filho tocou a campainha da casa.
-É sério sim. – Leonor riu alto.
Ele riu sacudindo a cabeça e logo viu a porta da casa ser aberta por .
!
!
Os dois gritaram juntos e o homem logo tratou de abraçar a cunhada, um abraço apertado e cheio de felicidade, feliz em vê-la bem.
-Cadê o Alex? – Ele perguntou rindo enquanto entrava na casa, logo à frente dos filhos.
-Oi meus amores. – cumprimentou os sobrinhos com abraços e beijos na bochecha e os dois retribuíram da mesma forma. – E o Alex está no banho, . Acho que já desce, tinha ido com o andar de bicicleta. – A mulher riu fechando a porta da casa e depois se dirigiu para perto dos sofás, onde o trio estava.
-Essa fase é maravilhosa. – deu um sorriso largo e cheio de saudade, sentou no sofá e abraçou os dois filhos que sentaram exatamente um de cada lado ao lado.
-É! – riu orgulhosa da criança que tinha. – É tudo muito agitado, mas é completamente incrível. – os dois sorriram bonito. – E aí cunhado, como foi a viagem?
-Como sempre, o melhor foi chegar aqui. – riu e deu de ombros. – Eu precisava disso de novo pra minha vida voltar a andar. – O homem disse de forma sincera e sorriu satisfeita. – E você, Mrs. ?
-Concordo plenamente com o senhor, Mr. . – Ela disse de forma astuta e logo ouviram gritos de uma criança animada.
-TIO! VOCÊ CHEGOU! – Alex apareceu na sala com os cabelos molhados e pingando na testa, enquanto vinha atrás com uma toalha na mão e a roupa parcialmente molhada, rindo pela euforia da criança.
-ALEX! – gritou com a mesma animação do garoto, levantou do sofá e logo o pegou no colo abraçando o mais forte que podia. – Que saudade de você, moleque! – Ele beijou a bochecha do menino, que riu o abraçando de volta.
-Eu também estava! – O garoto gritou eufórico, sacudindo a cabeça e molhando o padrinho que só conseguia rir e sentir saudade de quando os filhos estavam daquele tamanho. – Oi Len! Oi Pie! – Alex gritou acenando exageradamente quando viu os primos sentados no sofá da casa e tratou de descer do colo do .
cumprimentou com um abraço forte e firme, enquanto o garoto de nove anos se jogava em cima dos primos. Os três eram como unha e carne e embora a diferença de idade fosse realmente considerável, Alex era o irmão menor que as crias almejavam ter e vice versa.
-Quem vê, acha que faz uns dez anos que vocês não se veem. – riu alto debochando dos dois homens que estavam na sala e eles fizeram careta de tédio, depois mostraram a língua. – Faz o quê? Duas semanas? – Ela perguntou rindo alto.
-Uma semana. – respondeu com o nariz empinado causando ainda mais risadas na esposa. – Mas família é família, mulher. Você quando vê sua irmã, parece que tá há um ano sem se ver. – O homem piscou com o rebate e ela abriu a boca em um ultraje fingido.
-Shiu, ! – A mulher fingiu ralhar, mas riu.
negou com um leve aceno e sorriu largo, ele sentia tanta falta daquele ambiente que era quase inexplicável.
-Mas Alex! – Ele arregalou os olhos para o sobrinho. – Eu trouxe um presente pra você. – disse mais animado e eufórico do que a criança, que pulava parecendo uma pulga.
-Presente? Cadê? Cadê? – A vozinha esganiçada gritava eufórica.
-Você não deu doce a esse menino não é ? – olhou pra trás na direção do marido com um ar dividido entre deboche e acusação.
-É meu filho, mulher! Acha mesmo que ele precisa de doce pra ser elétrico? – respondeu rindo e abaixou perto dela se escorando na cadeira, negou com um aceno o acompanhando na risada.
-Você trouxe pra Len e o Pie? – O menininho perguntou eufórico apontando para os dois e soltou uma risada.
-Pro Pie eu trouxe um skate novinho! – O homem falou tão animado quanto a criança. – E pra Len eu trouxe um conjunto cheio daqueles pinceis e canetas que ela gosta! – Ele riu e pegou o embrulho colorido perto da mesinha de centro no meio da sala. – E pra você, eu trouxe isso!
O garoto arregalou os olhos e recebeu o embrulho completamente fascinado com o tamanho. O que seria aquilo? Um avião de controle remoto? Uma roupa de astronauta? Ou uma fantasia dos clones de Star Wars? Alexander não perdeu qualquer tempo e sentado no chão rasgou o embrulho o mais rápido que pode, encontrando um skate novinho e toda a parafernalha de proteção.
-MÃE, EU GANHEI UM SKATE! – O menino levantou de uma vez do chão tentando segurar tudo entre os braços quase sem conseguir. – MAIS UM! – Alex gritou de olhos arregalados e os fez rirem.
-Eu sei! Eu estou vendo! – A mulher disse animada e encantada por ver o garoto feliz. – E depois de ganhar um presente, Alex? – Ela arqueou uma de suas sobrancelhas.
-Obrigado, tio! – Ele abraçou da forma mais rápida e forte que conseguiu, ainda concentrado no brinquedo, depois saiu correndo animado para o quintal da casa, acompanhado de e Leonor que pareciam duas crianças quando estavam junto do primo.
riu e se jogou no sofá sorrindo.
-E aí, pretende ficar até quando? – perguntou com um sorriso fechado enquanto o marido sentava em uma das poltronas.
-Eu não vou mais voltar, . – disse rindo e viu a mulher arregalar os olhos como se tivesse indignada por não saber daquilo antes, depois tentar estapear o braço de , que a olhou assustado com a agressão.
-O que eu te fiz? – Ele perguntou de olhos arregalados e completamente confuso, fazendo gargalhar ao ponto de jogar a cabeça pra trás.
-Você sabia e não me disse nada! – Ela ralhou fazendo os dois homens rirem alto.
-Segredo de estado. – fechou os olhos tomando um porte convencido e fez um gesto como se passasse um zíper na boca, depois ganhou outro tapa no braço.
-Dois traidores! – os acusou e riu fazendo o cunhado colocar a mão no peito em completa indignação fingida.
-Eu? – tentou fechar a cara o que só fez o casal rir ainda mais. – Eu não sou traidor, mulher! Mas se você ficasse sabendo, também ficaria sabendo. – Ele piscou e rolou os olhos. – Inclusive… – O homem fez uma careta olhando para a casa como se a analisasse a procura da sua ex-mulher. – Você não estava com sua irmã? Claro que estava, eu não estou ficando doido, ela tagarelou bastante hoje mais cedo sobre a reforma da clínica. – Ele disse tudo de uma vez como se fosse uma metralhadora fazendo os presentes na sala rirem alto. – Cadê ela?
-Foi atrás de vocês. – A mulher riu. – Você esqueceu a chave do apartamento e ela foi deixar, toda animadinha. – Ela deu um sorriso sugestivo que fez rolar os olhos, mas logo rir como se fosse afetado pela sugestividade da mulher.
-Pie! Len! Vamos! A mãe de vocês está lá no apartamento! – gritou pelos filhos que em questão de segundos gritaram que já iam. – Tchau, ! – Ele beijou a cabeça da cunhada e ganhou um abraço apertado dela. – Amanhã a gente aparece pra destruir a sua casa.
Os dois riram alto.
-Tchau ! – Ele abraçou o amigo mais uma vez sendo abraçado de volta na mesma intensidade e ganhando tapinhas nas costas, no momento em que e Leonor apareceram na sala da casa. – Vamos? – O homem os chamou com um aceno.
e Leonor se despediram dos tios assim como tinham feito com Alex e acompanharam o pai até o apartamento, onde já esperava ansiosa e até um pouco preocupada pela demora dos três.

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O resto do dia naquele sábado havia sido cansativo para , e os dois filhos que passaram o dia arrumando, lavando e abastecendo o apartamento, tentando o deixar o mais confortável possível para que pudesse ficar. E depois de várias idas e vindas da enfermeira para atender algumas consultas domiciliares e ajudar os três, o lugar finalmente estava pronto para o uso. Era noite e as duas “crianças” estavam capotadas no sofá da sala após terem comido e visto qualquer programa que passava na TV, enquanto e riam na pequena cozinha do apartamento, na intenção de conseguir o máximo de informações possíveis sobre como estava a vida um do outro.
-Senti falta dessa bagunça toda. – Ele riu fazendo uma vistoria rápida pela cozinha e sorriu contidamente
-Eu acredito que sim. Você sempre adorou essa agitação dos meninos. – Ela encostou o rosto na mão e viu o homem encher seu copo mais uma vez com o líquido arroxeado.
-Sim. – Ele deu um sorriso bonito. – E por aqui? – perguntou com um riso leve e acomodou mais o rosto na mão, tomando um gole do suco de uva.
-Fingir que isso é vinho é fantástico! – A mulher riu alto e o viu gargalhar também, depois dar de ombros.
-É o que temos pra hoje. – Ele também tomou um gole de suco. – Prometo que da próxima vez o teor de álcool na bebida vai ser maior. – abriu um sorriso esperto.
-Assim que se fala! – levantou o copo e os dois riram. – Bom e por aqui as coisas não poderiam estar mais normais. Colégio, trabalho, trabalho, colégio. – Ela deu de ombros. – Nada que você não saiba.
-Você nunca foi monótona assim, . – disse incrédulo e a ouviu rir alto, depois tapar a boca com rapidez para não acordar os filhos que estavam dormindo. Reação que fez o homem descontrolar em uma das suas risadas mais escandalosas.
-Os meninos! – Ela tentava fazê-lo parar enquanto distribuía tapas no braço do , o que só agitava ainda mais o moleque preso no corpo de um quase quarentão. – Para de rir! – A mulher começou a rir junto e para não descontrolar no volume agarrou o rosto dele, tapando a boca do ex-marido com a mão. – Eles vão acordar. – riu tentando abafar as risadas dele, que virou de uma vez e a abraçou pela cintura em um movimento brusco, fazendo os dois corpos estremeceram levemente, depois encostou o rosto com força no ombro da mulher na intenção de abafar as risadas, mas ao invés disso causou uma pequena onda de arrepios que deixou os braços dela completamente eriçados.
Ela fechou os olhos com força e respirou fundo sentindo o perfume amadeirado que ele sempre havia usado e era um dos que ela mais gostava no mundo, isso se não tivesse no topo de suas preferências. Quase que imediatamente, o empurrou levemente pelo peito na intenção de afastá-lo sem causar quaisquer transtornos, afrouxou os braços que estavam ao redor dela sem o menor gosto, ainda mantendo um sorriso divertido no rosto.
-Acho que já deu a minha hora. – A mulher soltou uma risada meio morta e olhou no relógio de pulso pra completar a cena. arqueou uma de suas sobrancelhas e segurou o braço dela olhando a hora assim como ela havia feito, depois arregalou os olhos castanhos. – Exatamente, mais de 22h. – riu pela cara de espanto que ele fez.
-Você não vai voltar sozinha pra casa a essa hora. – disse convicto e ela rolou os olhos.
-Mas é claro que eu vou, . – Ela riu, mas estava completamente segura de si e tinha a mais plena consciência daquilo, ele já tinha perdido uma briga que nem sequer tinha começado.
O homem suspirou e coçou a cabeça fazendo uma careta.
-Certeza? – Ele perguntou com o nariz enrugado.
-Certeza. – Ela riu mais uma vez. – Mas vem, vou te ajudar a levar os meninos pra cama. Espero que caiba. – Os dois riram alto e parecia mais radiante do que nunca.
-Saudade de dormir com eles assim. – O homem riu a acompanhando até a pequena sala do lugar onde e Leonor dormiam sentados no sofá, todos dois usando as roupas do pai, capotados depois de um dia cansativo de arrumação.
-Parecem os dois pedaços de gente de sempre. – disse com um sorriso largo e que cortava seu rosto completamente ao olhar para os filhos.
-Parecem. – sorriu ainda mais largo, um sorriso que marcava suas bochechas. – Eu levo a Len, ajuda o Pie a andar pra lá? – ele perguntou rindo baixo e afirmou.
O homem pegou a filha no colo como se ela não tivesse mais do que seis anos de idade e fez careta com o peso da garota. prendeu a risada pra não acordar os dois e chamou baixo o rapaz que estava jogado de mal jeito no estofado. O casal levou a dupla até o quarto que eles dividiriam com o pai e acomodaram os filhos na cama.
. – o chamou baixo encostando a mão no ombro dele e ele virou o rosto olhando pra ela. – Eu já vou. – a mulher sorriu indicando a porta com a cabeça.
-Eu vou com você. – disse de uma vez largando o cobertor e a ex-mulher arregalou os olhos. – Até a porta, . – ele riu baixo e ela riu junto, negando com um aceno.

-Obrigado pela ajuda, . – agradeceu com toda sinceridade e mantendo um sorriso bonito no rosto, de braços cruzados e em pé de frente para ela que estava escorada no carro branco.
-Não precisa agradecer, era o mínimo que eu poderia fazer. – A mulher também sorriu com uma sinceridade fora do comum. – Mas enfim, dê um beijo nos meninos por mim. – Ela desencostou do carro e virou para abrir a porta, mas sentiu uma mão em seu braço, olhando imediatamente pra .
-Certeza que você não quer ficar aqui? – perguntou com um semblante sério fazendo a mulher morder a boca levemente e negar com um aceno contido e completamente indeciso.
-Acho melhor não. – Ela suspirou. – Deixa pra uma próxima, ok?
afirmou meio decepcionado com a resposta e desceu a mão pelo braço dela com tanta suavidade que fez a pele da mulher arrepiar em puro reflexo. Ele beijou o dorso da mão dela com delicadeza e deu um sorriso fechado.
-Espero. – O homem riu de leve e por fim soltou a mão dela. – Me avisa quando chegar em casa. – pediu e a fez afirmar com um sorriso.
o abraçou em um impulso rápido e beijou-lhe a bochecha mais rapidamente ainda e como em um passe de mágica se enfiou dentro do Jeep branco. Viu o homem acenar uma última vez antes de entrar no prédio e suspirou passando a mão no rosto, depois jogou o celular no banco do passageiro.
-Olha o que esse homem ainda faz com você depois de tanto tempo, . – A mulher disse pra si, como se reprovasse sua atitude diante dele e ligou o carro enquanto passava o cinto.
Ela manobrou o carro saindo logo daquela rua, pois sabia que o caminho pra casa tomaria no mínimo uns trinta minutos, isso se não pegasse qualquer intercorrência no trânsito. O medo também era algo presente, principalmente àquela hora da noite em uma cidade daquele tamanho, mas a vida ensinava a não depender de ninguém e havia aprendido bem aquela lição.
A enfermeira parou no último semáforo perto do bairro onde morava e pegou o celular que havia tocado o alerta de mensagens umas três vezes seguidas depois de ter saído do apartamento, ela o desbloqueou querendo saber, ou talvez constatar que o agoniado àquela hora era querendo saber se a mulher já tinha chegado. riu ao ver uma foto dos seus dois pivetes encolhidos na cama do pai e embaixo a seguinte legenda:
“Bed time with these two little monsters. Xo”
Depois alguns pedidos de que ela realmente o avisasse assim que chegasse em casa, ou ele ia enlouquecer sem notícias. A mulher riu alto e respondeu que já estava chegando, era questão de 10 minutos até ela estar em casa e que ele se acalmasse. não tinha mudado nada, absolutamente nada. O mesmo marido preocupado de sempre.

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se mexeu na cama se espreguiçando e bocejou tentando afastar toda a sua falta de vontade de viver matinal, mas àquela hora da manhã era quase impossível acordar motivada para alguma coisa. A mulher virou um pouco de lado vendo o marido jogado na cama, com as bochechas amassadas pelo travesseiro e um vestígio pequeno de baba escorrendo por ali, soltou uma risada baixa contemplando uma das imagens mais bonitas pra ela, que sorriu largamente fazendo um pouco mais de esforço para virar de lado de uma vez, devido à pouca mobilidade que tinha nas pernas e o abraçou carinhosamente, distribuindo alguns pequenos beijinhos no rosto de .
O homem abriu um dos sorrisos mais bobos e apaixonados que ele conseguia, ao sentir os lábios da mulher dar beijinhos calmos em seu rosto e suspirou audivelmente, mas continuou de olhos fechados como se fosse algum tipo de protesto para acordar e riu com a cena.
-É domingo. – Ela proferiu a pequena frase que simplificava simplesmente todo o argumento que a casa estaria cheia, enquanto acariciava os cabelos que em um dia, bem remoto, já haviam sido loiros.
-Não quero acordar. – puxou-a pela cintura na maior delicadeza e firmeza existente, a abraçando bem apertado contra seu corpo.
-É nossa vez, amor! – riu mais uma vez, passando os dedos entre os cabelos dele e o homem suspirou pelo carinho.
-Despacha todo mundo! – Ele resmungou encostando o rosto no pescoço dela, como se um tivesse o encaixe perfeito para o outro. – Quero ficar na cama com você. – O homem esmagou ainda mais a esposa entre os braços.
-Pra ir despachar eles, também precisa ser você! – A mulher deu a notícia com um tom de culpa disfarçado na voz e os dois riram.
-Manda o Alex! – disse como se aquela fosse a ideia mais genial do mundo e soltou uma risada alta e a mulher, mesmo rolando os olhos, riu junto. – Manda mensagem! Daí o arranja pretexto para ir ficar no pé da mulher dele. – Ele se aninhou ainda mais na mulher fazendo-a rir.
-Meu celular está na sala. – levantou um dedo e o ouviu soltar um grunhido frustrado. – Eu não vou acordar uma criança. – Ela levantou dois dedos. – E eu conheço minha irmã! – O terceiro dedo estava levantado quando ele soltou mais outro grunhido frustrado e se jogou de braços abertos na cama. É, não iria ter escolha, ia ter que acordar. – ! – cutucou a costela dele o fazendo rir e se encolher.
-Eles são dois velhos chatos! – virou novamente distribuindo beijinhos leves pelo rosto dela e a fazendo rir.
-E você é um adolescente super legal! – A morena usou de ironia os fazendo rirem.
-Claro! Um adolescente incrível! – Ele disse com um porte totalmente convencido que a fez gargalhar. beijou a bochecha da mulher e se espreguiçou. – Quer mesmo levantar? – O homem perguntou com uma careta a vendo virar novamente na cama.
-A gente precisa. – Ela suspirou tentando levantar sozinha, enquanto impulsionava o corpo pra frente.
-Não quer mais minha ajuda? – perguntou com falso ultraje a fazendo rir. – Fui descartado mesmo? – Ele sentou na cama passando a mão nos cabelos completamente bagunçados e se largou novamente na cama.
-Você estava sendo mais preguiçoso que o Alex, tive que me virar, ué. – Ela deu de ombros puxando o lençol do corpo pra facilitar o trabalho de levantar da cama e lhe deu um beijo na testa.
-Eu gosto de me sentir útil, mulher! – O homem piscou a fazendo rir baixo, depois levantou da cama se esticando e pegou o óculos na mesinha de cabeceira.
andou dentro quarto dançando ao som de nada, se balançando como se estivesse em uma pista de dança, usando apenas a samba canção e o óculos de grau, o que fez rir abobada com a cena se perguntando mais uma vez como ainda tinha aquele homem incrivelmente maravilhoso depois de tudo que tinha acontecido. O acidente de cinco anos atrás não tinha sido a fase mais fácil da vida dos dois, tão pouco da vida dela que havia mudado completamente, da água pro vinho. E se aquilo não fora suficiente para acabar com o casamento dos dois, nada iria ser.
-Acho que vou usar ela. – riu fazendo pose perto da cadeira de rodas.
-Pode usar! Aí eu fico aqui dormindo! – Ela riu colocando o travesseiro dele no rosto e respirou fundo sentindo o perfume do marido.
-Não me deixe! – Ele fez uma pose completamente exagerada enquanto empurrava a cadeira pra perto da cama. – E você poderia me cheirar em vez de cheirar um travesseiro!
-Shiu! – soltou uma risada abafada pela almofada. – Deixa de ser escandaloso, homem! – Os dois riram e a mulher esticou os braços pra ele a ajudasse a sentar na cama. – Puxa!
-Claro que não é shiu! Eu sou mais gostoso e mais cheiroso! – O homem soltou esganiçado, mas com um porte convencido a fazendo rir. – E você está me confundindo com a sua irmã. – olhou torto para os braços esticados da mulher.
-Mas você não vai deitar de novo! – A mulher piscou sobre o cheiro do travesseiro e continuou com os braços esticados. – Me puxa, ! – Ela pediu fazendo manha.
-Nah, nah! – ele negou com acenos repetidos e sentou na beirada da cama. – Vou te pegar no colo! – o homem deu um mega sorriso triunfal.
-Não, hoje não. – negou de olhos arregalados balançando a cabeça de modo frenético.
-Por que não? – ele esganiçou arregalando os olhos. – Que foi? Aconteceu alguma coisa? – o homem perguntou preocupado e meio assustado.
-Hoje não, . – se largou mais na cama. – Estou ficando preguiçosa! – Ela fez uma careta enrugando o nariz e o fez rir alto.
-Por favor! – Ele fez um bico de choro aumentando ainda mais as risadas dela. – Estou com saudade de fazer isso por você!
-Saudade? – Ela fez uma certa confusa rindo ainda mais. – Você faz isso todos os dias! – frisou a palavra o fazendo rir.
-Deixa eu cuidar da minha mulher maravilhosa! – Ele piscou. – Claro! Daqui uns dias eu vou ter que viajar! Saudade adiantada!
-Sem elogio, ! – A mulher tentou ralhar, mas soltou uma risada.
-E eu só estou falando a verdade, você é perfeitamente maravilhosa! – Ele abriu um sorriso grande que mostrava completamente seus caninos e pegou a mulher no colo mesmo contra a vontade dela.
! – O nome saiu esganiçado o fazendo rir.
-Meu nome! – Ele gritou animado igual a uma criança feliz. – Quer ir logo pro banho? – O homem perguntou fazendo pose com ela no colo e como se fosse algum super herói, disse: – I’m super! entrou em uma crise incontrolável de riso, se sacudindo no colo do marido.
-Bom dia, superDad! – Uma vozinha esganiçada e agitada gritou na porta do quarto fazendo as atenções voltarem todas para lá. – Bom dia, mamãe! – Alex gritou animado fazendo os pais abrirem sorrisos gigantes e amáveis.
-Bom dia, campeão! – arregalou os olhos azuis na impossibilidade de fazer qualquer movimento brusco com a esposa no colo. Alexander sorriu grande e correu até a cama.
-Bom dia, meu amor! – sorriu completamente encantada com a alegria da criança. – Diz pro papai parar de acostumar mal a mamãe. – Ela riu.
-Eu quero ser forte igual ao papai quando eu crescer! – O garoto mostrou os braços como se fosse forte o bastante para aquilo e os três riram. – Muito forte! – Alex disse sorrindo e arqueou as sobrancelhas como se gritasse “Ahá!”. negou com um aceno e olhou completamente apaixonada para o filho.
-Vai ser mais forte, Alex!
-Muito mais forte! – arregalou os olhos azuis, fazendo sua figura menor arregalar os olhos exatamente da mesma forma.
Os dois eram completamente parecidos, tanto fisicamente quanto na personalidade, chegando a achar que tinha parido o próprio filho.
-SuperAlex! – respondeu colocando a esposa na cadeira com o maior cuidado existente no mundo, ajeitando-a para que ela não escorregasse e ganhou um sorriso lindo e agradecido. – O que a gente faz agora? – O homem perguntou sobre a próxima etapa para acomodar e o garoto riu alto.
-Põe o cinto! – Ele gritou balançando as pernas penduradas na cama. – Porque a mamãe é levada! Vai descer essas rampas bem rápido! – Alex pulou da cama rindo e fazendo os pais rirem junto, depois subiu no colo e beijou a bochecha da mãe. riu da cena e beijou a cabeça dela com toda a sua ternura.
-Alexander! Eu devia me ofender, mocinho! – A mulher riu enquanto tentava dar uma bronca no garoto e ele riu mais ainda, depois beijou-a na bochecha.
-Mamãe Levada! – O grito do foi estridente fazendo a criança quase gritar de tanto rir.
! – prendeu a risada sentindo as lágrimas pela vontade de rir encherem seus olhos e não conseguiu mais se conter com o próximo grito que ele deu.
-Você é levada! – Foi o necessário para causar risadas generalizadas.
apertou o filho entre os braços, começando uma sessão de beijos estalados que faziam a criança se dividir entre rir e tentar se esquivar dela.
-Mãe! Para! Eu sou grande! – O garoto fez careta, enquanto a mulher ria pela recusa.
-Já escovou o dente, Alex? – O pai perguntou interessado e o garoto sorriu mostrando todos os dentes e como eles estavam limpos.
-Muito bem! – o elogiou e começou uma nova onda de beijos estalados o fazendo rir em desespero pelas cócegas
-Não! Não! Mamãe me solta! Para! – O garoto se encolhia no colo dela, deixando completamente encantado com a cena. – Não faz igual a Len!
-Não solto! – retrucou.
-Me solta! – Alex gritou rindo escandalosamente.
-Eu posso mais que a Len! – A mulher riu fazendo mais cócegas na criança, enquanto o homem estava completamente hipnotizado com os dois e com certeza, registraria o momento.
-Só eu e o tio podemos chamar ela de Len! – A criança reclamou entre as risadas.
-Tá bom, possessivo! – A mãe riu e o abraçou fortemente entre os braços, esmagando a criança de nove anos, momento que achou perfeito para uma foto clandestina, mas que foi denunciada pelo flash traidor.
-Opa! Olha o flash! – olhou pro marido rindo e o viu fazer a maior cara de culpado de todos os tempos. – Como fica o direito de imagem, Mr.? – Ela estreitou os olhos como se o desafiasse.
-Não consegui não tirar! – Ele deu um sorriso trincado e a criança olhava atentamente para os dois. – Me processa, Mrs.! – O homem colocou a mão na cintura como se fosse uma mulher indignada, fazendo a esposa gargalhar com o teatro dele.
-Processo e levo o Alex. – Ela deu uma de astuta e piscou o fazendo arregalar os olhos.
-QUE? – O homem perguntou tão esganiçado que fez o menino rir alto mais uma vez.
-Escandaloso! – mãe e filho gritaram rindo e acabou por entrar nas risadas também. Ele abraçou-os da forma mais apertada que conseguia e beijou a cabeça dos dois, sendo esmagado por quatro braços.
-Amo vocês, muito! Muito mesmo! – O homem que quase nunca aparecia sério, usou de toda a sua seriedade para proferir aquelas palavras, mostrando o quão sincera elas eram.
-Amamos muito você também! Né, Alex? – sorriu genuinamente cutucando o filho que fez uma careta como se discordasse da mãe.
-Desse tantinho. – O garoto mediu nos dedos o fazendo rir e seu cabelo foi bagunçado pelo pai. – Amamos pai, muito! – O menino soltou o sorriso que havia herdado do pai e quase viu desfalecer chorando em posição fetal. – Vocês já escovaram os dentes? – A pergunta veio de surpresa fazendo o casal se olhar cúmplice e culpado.
negou com a cabeça e riu alto, fazendo o garoto encolher o rosto em uma careta.
-Que bafo de leão! – Alex reclamou descendo do colo da mãe e logo começou a empurra-la, ou tentar empurra-la para a porta do banheiro.
-Vem moleque, eu te ajudo! – levantou ajudando a criança com a cadeira de rodas da mãe.
-Me empurrem! – abriu os braços como se estivesse livre aos quatro ventos e os três riram ainda mais.
A vida não era fácil para ninguém, para aqueles três ela também não era uma das mais facilitadoras, mas encarar tudo com pessimismo não iria ajudar, na verdade por um bom tempo, ela quase havia destruído um casamento tão bonito e construído na amizade. Portanto, uma das únicas regras daquela casa, na verdade a primeira de tudo era que as situações sempre tinham dois lados e a família sempre consideraria o lado positivo de tudo que acontecesse.

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A casa dos estava completamente cheia desde cedo, aquele domingo era responsabilidade deles e assim alternaria até que todos tivessem a sua vez. Sendo uma forma de unir todas as famílias e fortalecer ainda mais as amizades, principalmente quando os meninos estavam de folga das enormes, excitantes e também cansativas turnês. O quintal e a casa grande abrigavam muito bem todos que quisessem aparecer por ali.
O assunto na mesa do Deck onde estavam as mulheres poderosas e gestoras de todas as famílias giravam em torno da volta as aulas que começaria no dia seguinte, incluindo material escolar, estrutura dos colégios, novos colégios e até conselhos sobre quando as crianças fossem começar a estudar.
-Jeff preferiu manter as meninas no mesmo colégio, mas daqui uns anos a Maya vai ter que sair, uma pena. – Michelle disse com o rosto encostado na mão, enquanto via as duas enteadas brincando à beira da piscina junto com Alex, London, , Leonor e os cinco bobalhões que eram piores do que as crianças juntas.
-Uma pena mesmo, ele é maravilhoso. – assegurou por Alex estudar no mesmo colégio que Zoé e Maya.
-Já estou com o coração na mão de pensar que o London vai começar daqui poucos anos. – Jacquelin riu baixo e fez a mesma cara de dor.
-É essa dor no coração pra mudar de colégio, também. – riu e coçou a cabeça. – Não se enganem. Amanhã Leo começa no mesmo colégio que o e juro que estou com o coração na mão. – A mulher fez uma careta e as quatro riram.
-Filho é sempre assim, não importa a idade. – assegurou e as três afirmaram veemente. – Até acostumar é um martírio, o vivia me reclamando que o Alex estava bem, no começo de tudo. – As quatro riram.
-Sabe a minha certeza? – a mulher perguntou rindo e puxando a atenção. – está sofrendo dez vezes mais que a Leonor. – riu alto, causando o mesmo nas amigas.
-Mas também, ele protege demais a garota. – Jacquelin disse rindo e as três apontaram pra ela como se seus dedos fossem um luminoso. – Chuck ainda pilha ele, dois babões. – Ela negou com um aceno e as quatro riram.
-A menina tá uma moça. – rolou os olhos e riu.
-É coisa de pai, vocês têm meninos. Acaba sendo diferente, querendo ou não. – A mulher riu olhando para o lado da piscina onde os outros estavam. – Concorde comigo, Chel!
-Jeff é exatamente do mesmo jeito, e olha que a Maya e a Zoey são duas meninas ainda, Leo já uma moça. – A loira concordou rindo.
-E o pulso firme, quem é? – perguntou retoricamente, soltando uma risada e as vendo afirmarem. – Exatamente, nós somos.
-Ah, se depender do Chuck, o London faz o que quiser e ainda é um bebê, imagina. – Jacquelin riu.
-E Maria Mole lá de casa é o . – negou com a cabeça, sem perceber que havia falado no presente, ganhando pares de olhares e sorrisos sugestivos em sua direção.
-E por falar em . – As três inclinaram o corpo na direção da enfermeira quando Michelle entrou no assunto. – Não rolou nem um remember? – a loira perguntou interessada e riu alto ao ver rolando os olhos.
-Meu Deus, não! – Ela riu um tanto atordoada com a ideia de que na noite passada poderia ter acontecido, mas ela não facilitou.
-Qual é, ? – Jacquelin fez um bico. – Nem um beijinho? – A morena perguntou rindo o que só fazia rir mais com a situação.
-Claro que não! – A morena de cabelos cacheados arregalou os olhos. – O cara chegou antes de ontem! – Ela deu um sussurro meio esganiçado que fez as amigas rirem.
-Tempo suficiente, ! – atiçou rindo das desculpas da irmã.
-Vocês querem que eu agarre meu ex-marido? – soltou uma risada incrédula e procurou algum copo que tivesse qualquer bebida com o teor de álcool maior do que zero, mas a única coisa que achou foi suco.
-Olha que não é má ideia! – Michelle arqueou a sobrancelha.
-Eu garanto que ele não ia reclamar. – assegurou rindo e sacudiu a cabeça.
-Desisto de vocês. – A mulher riu alto levantando da cadeira que estava e ouviu algumas risadas, bem como acusações que ela era fujona.
-Não fuja do assunto, ! – Jacquelin acusou rindo. – Vai onde?
-Procurar álcool. – piscou rindo e as três negaram com a cabeça, mesmo sabendo que o máximo que ela tomaria naquele dia seria algum suco forte ou sem açúcar.
soltou uma risada e antes que pudesse se direcionar pra cozinha da casa da irmã, ouviu uma gritaria perto de onde os meninos e as crias estavam. A mulher olhou para onde vinha a movimentação e viu o filho todo molhado saindo da piscina, mas em vez de estar rindo da situação, estava de cara feia e parecia dizer algo com , o pivô da brincadeira.
! O que é isso? – O pai perguntou completamente assustado e envergonhado pela reação do filho, que estava puto com a situação toda. vincou as sobrancelhas e como uma ave pronta pra briga se armou toda, indo até onde o surto rebelde estava.
Eliot, que falta de respeito com seu padrinho é essa? – A mulher perguntou completamente indignada com uma das mãos apoiadas no quadril e viu a expressão raivosa do filho se dissipar completamente, o deixando meio empalidecido e com os olhos arregalados. – Qual a droga da necessidade de fazer esse escândalo? Você não é de açúcar e não estava com celular ou qualquer coisa no bolso. – Ela vincou as sobrancelhas vendo o garoto balançar a cabeça e tentar despregar a camiseta regata do corpo. – Se não gostou, saia da piscina e procure algo longe daqui, você sabe que se ficar de bobeira vai entrar. O que eu não admito é essa distribuição gratuita de rebeldia, você não é assim!
O garoto respirou fundo e baixou a cabeça assumindo que estava errado, enquanto todas as atenções estavam voltadas pra cena e , o pai, estava de olhos um tanto arregalados pela bronca da mulher.
-Tudo bem mamãe, desculpe. – O rapaz pediu de cabeça baixa sabendo que estava errado e era uma cena até engraçada, ver um garoto daquele tamanho que chegava a ser mais alto que o pai, tomando bronca de uma mulher consideravelmente mais baixa.
-É a mim que você vai pedir desculpas? – A mulher continuou o encarando com a mão no quadril e viu negar com um aceno e direcionar sua atenção pra .
-Desculpe tio , eu prometo que não vai mais se repetir. – Ele pediu realmente arrependido enquanto o homem de olhos claros estava pasmo com o controle que tinha sob os filhos.
-Tudo bem, . – deu um sorriso fechado e dois tapinhas no ombro do garoto. suspirou passando a mão no rosto e repetiu o mesmo gesto que o amigo.
-Agora vê se aprende, moleque. – O homem disse perto do filho, coberto de vergonha pelo chilique e deu um peteleco na cabeça dele.
-Deixa a camisa aí e vai em casa se trocar. – disse e fez menção de voltar para onde estava, mas parou quando viu o garoto pálido. – Que foi, ? Qual o problema da vez? – Ela cruzou os braços.
-Nenhum! – O garoto arregalou os olhos, falando rapidamente e mirou o caminho de casa. – Eu vou me trocar e já venho! – Ele disse quase aos atropelos e saiu logo de perto da mãe, antes que as coisas piorassem ainda mais pra ele.
A mulher suspirou constrangida com o papel feio do moleque e colocou a mão na cintura.
-Desculpa, . Você não merece aguentar os chiliques dessa tripa seca. – A mulher riu e ouviu as gargalhadas generalizadas dos cinco bobões presos no corpo de adultos.
-Tripa seca! – soltou um grito rindo. – Mas tudo bem, , relaxa… – Ele colocou a mão no ombro dela. – A culpa não é sua, é do mesmo! – apontou pro amigo que arregalou os olhos soltando um grito esganiçado.
-Minha? – O homem perguntou apontando pro peito e balançou a cabeça rindo alto e fazendo a cunhada rir junto, depois bater de leve no braço do ex-marido.
-Ele bebeu, ? – perguntou rindo.
-Muito pouco, . – respondeu prontamente. – E a culpa não é minha. – O homem aumentou a careta pro amigo que riu ainda mais.
-Claro que é sua! – insistiu rindo e negou com um aceno.
! – pediu defesa e a mulher deu de ombros.
-Vocês que são brancos que se entendam. – riu e logo voltou pra onde estava sentada anteriormente junto das amigas.
Ela deu um suspiro longo ao se jogar na cadeira, quase que esboçando um desespero inexistente e deu um sorriso de gases fazendo , Michelle e Jacquelin rirem alto e initerruptamente.
-Eu preciso de férias! – A mulher suspirou. – É sério! E de álcool! – A mulher passou a mão no rosto soltando uma risada e fez cara de choro. – Não riam da amiguinha!
-Você não pode beber, é mãe de família. – Michelle apontou pra ela que mostrou a língua.
-Quem vê diz que aqui ninguém bebe. – A enfermeira acusou-as rindo e fazendo as amigas rirem junto.
-O que foi aquilo? – perguntou rindo e passando a mão no rosto.
-Ele achou que podia surtar e ia ficar por isso mesmo. – rolou os olhos, mas estava completamente confusa com a reação do filho, ele nunca tinha aprontado uma daquelas por causa de uma mísera jogada na piscina. – Tá muito enganado, . – Suspirou e jogou o corpo na mesa rindo com todo o seu drama. – Eu juro que vou enlouquecer. – As quatro riram.
-Vai nada mulher, louca você já é! – A acusação veio esganiçada e riu alto, como se todos os seus problemas saíssem pela risada.
O dia havia passado sem mais ou quaisquer intercorrências, todos deixaram , o filho, longe de qualquer coisa que tivesse água na intenção de não causar mais chiliques no garoto, que muito pelo contrário não ficou livre das brincadeiras e zoações dos tios e do pai, que iam desde tripa seca até boneco de açúcar que se desmanchava na água.

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, posso ir deixar os meninos amanhã? – perguntou enquanto a ajudava colocando algumas roupas molhadas durante o dia na máquina de lavar.
-Claro! – A mulher sorriu e ligou o temporizador. – Por que não?
-É o primeiro dia, vai que você queria ir. – Ele riu e lavou a mão. – Eu estou com uma saudade danada de fazer isso. – O homem fez uma pequena careta enrugando o nariz e ela sorriu achando bonitinho. – Mas também sei que você está de coração na mão por causa da Len.
-Culpada! – A mulher levantou a mão rindo e saiu da área de serviço junto com ele, deixando a máquina funcionando. – Mas pode ir, acho até melhor que eu sofro menos. – Os dois riram.
-Tudo bem, amanhã cedo eu apareço aqui. – sorriu agradecido e abraçou-a de lado beijando a cabeça. – Mas eu vou indo, o dia foi longo hoje. – Os dois riram baixo. – Vou só me despedir dos meninos. – O homem puxou-a novamente pra um abraço forte e apertado, fazendo abraça-lo de volta na mesma intensidade, quase esmagando o homem em seus braços. – Tchau, . – Ele beijou a testa dela.
-Tchau. Cuidado no trânsito. – A enfermeira beijou a bochecha dele e ao dois se soltaram.
deu um sorriso fechado e um tanto sem graça, pelo visto ia ser complicado acostumar com escapando assim das mãos dela todos os dias.

O dia havia começado agitado com elétrica acordando os dois filhos para o começo das aulas. Ela acabava sentindo como se fosse sua época de escola novamente e o quanto ela pudesse tornar aquele dia menos traumático para a pequena Leonor que começaria em um colégio novo, ela faria.
Os dois adolescentes saíram eufóricos em saber que pegariam carona com o pai e logo, logo o caminho se tornou um dos mais divertidos depois de anos, conseguia tirar a tensão dos dois nem que fosse com uma risada escandalosa.
fez uma careta enrugando de leve o nariz e sentiu leves arrepios ao parar em frente ao colégio dos filhos. Aquele monte de adolescente agitado entrando e saindo, se abraçando, gritando e rindo, o fazia lembrar do seu tempo de colégio e inclusive, algumas lembranças não eram tão boas. Claro que ele sabia que o filho não sofria aquele tipo de ameaça ou brincadeira dentro do colégio.
, o filho, era o tipo de garoto que não gostava das tais brincadeiras de mal gosto e por mais que participasse do time de futebol em que envolvia todo o status e “popularidade” para alguns alunos daquela escola, ele era um rapaz calmo quando a situação pedia, mas estourado o bastante para não levar desaforo pra casa. O pai conhecia bem demais o filho pra saber que ele não era problema, mas o que mais preocupava ali era Leonor, os alunos novos tinham uma tendência a serem chacota dos outros que se achavam superiores, porém o que preocupava ainda mais o homem não era a hipótese de a filha ser alvo de qualquer brincadeirinha de mal gosto, afinal o irmão estava ali e não deixaria nada de ruim acontecer. tinha medo do gênio forte da filha e das possíveis confusões que ela poderia arranjar por causa dos engraçadinhos. Era até hilário pensar em uma garota daquele tamanho passando um corretivo em um dos garotos, mas não queria encrenca pra nenhum dos dois filhos.
-Chegamos! – O homem tentou parecer o mais animado possível olhando para os dois filhos. O rapaz encontrava-se no banco do passageiro pegando as coisas e Leonor no de trás. Se a conhecia bem, sabia que ela estava em um estado inicial de medo.
-Estou indo, pai! – O rapaz sorriu animado fazendo um toque de mão com o pai e logo abriu a porta do carro.
-Bom dia, Pie! – gritou satisfeito com a animação do garoto e logo olhou pra filha. – Você não vai, princesa?
-Leo, vamos! – O irmão chamou a garota, que suspirou e olhou para o pai com uma careta completamente indecisa, fazendo entender tudo.
-Ela já vai, Pie. Pode ir andando. – O homem meneou a mão e o rapaz afirmou depois foi ao encontro dos amigos.
olhou novamente para a garota e sentou mais para o meio dos bancos.
-Ei… – Ele disse manso estendendo a mão pra ela, que a segurou. – Eu entendo o seu medo. Colégio novo é sempre assim, mas vai ser incrível, vai ser o lugar onde você mais ai sentir falta na sua vida. Acredita nesse velho. – Ele piscou segurando forte a mão dela e a garota riu.
-É o que vem sendo trabalhado comigo. – Leonor soltou uma risada e ele entendeu quem vinha trabalhando o emocional dela.
-E a está completamente certa. Você vai se sair muito bem, Len. – usou toda a segurança que conseguia passar pra ela. – Você é uma garota incrivelmente inteligente, linda, alegre, com o juízo um pouco virado e um gênio pior ainda. – Os dois riram alto. – Confia em mim, seu dia vai ser incrível, você não está sozinha, qualquer coisa tem o seu irmão, a Ash e aposto que você vai fazer novas amizades. Afinal quem não quer ser amigo dessa moça maravilhosa que é Leonor ? – Ele abriu um sorriso largo passando força pra garota que se enfiou no meio dos bancos e o abraçou com força.
-Obrigada, papa! – Ela o apertou entre os braços ganhando um beijo na bochecha e depois ouviu um barulho de alguém batendo no vidro do carro.
-Vamos logo mocinha! – Ashley gritava rindo, gesto que fez os dois rirem alto. – Oi Sr. B! – A garota morena acenou para e ele acenou de volta na mesma animação.
-Oi Ash! Tudo certo? – Ele perguntou esticando a mão pra um soquinho que a garota completou, enquanto Leonor juntava as coisas pra sair do carro.
-Tudo sim! – A moça respondeu sorridente e Leonor abriu a porta traseira do carro para sair.
-Tenham um bom dia, meninas! – gritou acenando exageradamente e a filha agradeceu com uma reverencia mais exagerada ainda o fazendo rir alto e negar com um aceno. Era doida igual a mãe.
Ele coçou a cabeça e suspirou vendo quanto os dois haviam crescido em um piscar de olhos, do nada sua garotinha estava quase uma moça e quase um homem feito, é ele estava ficando velho e as rugas juntamente com os cabelos brancos que insistiam em aparecer mais a cada dia era o que mais denunciava aquilo.
passou o cinto, mas antes de ligar o carro viu o filho cumprimentando uns colegas ao longe o fazendo perceber que todo adolescente ali tinha algum meio de transporte, o homem fez uma careta vincando as sobrancelhas enquanto procurava por qualquer vestígio de outro pai ou responsável que estivesse ali pra deixar um deles e sua procura foi frustrada. Não tinha. Será que os dois não se sentiam envergonhados em ter que pegar carona com os pais até o colégio? Leonor nem tanto, mas estava naquela situação há dois anos. aumentou ainda mais a careta e saiu da vaga em frente ao colégio mais do que decidido, ele ia comprar um carro para os dois.
O quanto antes!

Chapter three

-Você vai fazer o teste para as cheerleaders, Leo? – Ashley perguntava enquanto as duas garotas andavam no corredor rumo ao refeitório do colégio seguindo o caminho que tinha informado.
-Estou com vontade, Ash. – A garota riu. – Mas você sabe que essas garotas costumam ser cruéis, então eu não sei. Bate um certo medo de vez em quando. – Leonor fez uma careta enrugando o nariz.
-A gente devia tentar, vai que é legal! As coisas mudaram. – A garota negra deu de ombros e as duas riram.
-Vamos falar com o , ele com certeza vai saber informar sobre tudo. – A filha mais nova dos disse rindo quando as duas entraram de fato no refeitório do colégio.
Leonor respirou fundo por ver tanta gente desconhecida na sua frente e agarrou ainda mais a alça da mochila. Não era nada demais, ia dar certo, eram apenas pessoas novas, um colégio novo. O high school inteiro assustava para falar a verdade, mas ela não estava sozinha e como seu pai havia dito, iria fazer novos amigos, afinal ela era Leonor e não era a brincadeira de qualquer garoto idiota que iria lhe abalar.
-Leo! Ash! – gritou acenando com a mão levantada pra que elas fossem para a mesa onde ele estava e as duas sorriram aliviadas, depois andaram a passos rápidos para lá.
-Oi ! – Leonor apertou o irmão entre os braços e sentou exatamente ao lado dele o fazendo rir.
-Oi! – Ele beijou a cabeça dela a abraçando de lado. – Oi Ash. – O garoto esticou a mão pra soquinho, gesto que a amiga completou. – Então pessoal, essa é minha caçulinha linda, Leonor pra vocês. – Ele apontou para os amigos na mesa e os garotos riram acenando. – E Leo para as garotas. Essa outra moça é a Ashley, siamesa da minha irmã e o mesmo é válido sobre o nome. – Os jovens na mesa riram. – Esses são Mark, Lisa, Catherine e Andrew, que vocês já conhecem. – Ele apontou para os amigos à medida que ia falando.
-Hey pessoal! – Leonor acenou rindo e Ashley fez a mesma coisa.
-Já comeu? – perguntou a irmã com o cuidado que sempre tinha quando o assunto era ela.
-Nops! – A garota riu. – Eu e a Ash viemos logo pra cá quando a gente te viu.
-Ok, vou comprar o almoço de vocês, não saiam daqui. – O garoto levantou do banco. – E vocês… – Ele apontou para todos presentes na mesa. – Não traumatizem a garota. – O rapaz fez uma careta se afastando da mesa e todos riram.
-Socorro! – Lisa deu um gritinho com os olhos arregalados e Leonor arregalou os dela, meio confusa com a reação da garota. – Como é ter um pai mundialmente famoso? – A moça perguntou um tanto eufórica e Leonor entortou a boca. Será que tinha mentido sobre suas origens?
-Assim, eu não sei se vocês sacaram. – a garota riu meio morta, ouvindo a gargalhada estridente de Ashley. – Mas aquele moço com o mesmo nome do meu pai, por acaso, também é meu irmão. – Ela disse rindo e ouviu as risadas na mesa.
-Eu sei! – Lisa deu um gritinho.
-Mas o evita de falar sobre qualquer coisa sobre o cara da banda! – Catherine disse fazendo um gesto como se fosse um letreiro com as mãos e Leonor riu alto.
-Porque ele não é o cara da banda. – A garota disse de forma óbvia fazendo a loira enrugar um pouco o nariz pela pose da caloura. – Ele é meu pai e o pai do . – Ela mordeu a boca e suspirou sem poder realmente completar a frase com “e o marido da minha mãe”. – é apenas um sobrenome, assim como o da Ashley. – Leonor apontou pra amiga que afirmou com um aceno.
-O Andrew conhece o Sr. . – Ashley disse rindo e apontou para o melhor amigo de .
-Meninas, é perdido, eu já tentei enfiar nessas cabecinhas que o é normal como todo mundo, mas elas não entendem. – O rapaz disse rindo e elas riram junto.
-Vocês foram criados em meio a uma banda. – Catherine voltou a sua convicção e Leonor suspirou. Qual era o problema? O pai dela era normal igual todo mundo, a família dela também! Normal até demais e ela preferia que os dois não tivessem separados. – Tem noção do quão legal isso é?
-Tenho. – A mais nova soltou uma risada. – Isso é sim muito incrível, mas algumas vezes se torna um pouco chato, porque por mais que os meus pais tentem ao máximo proteger a minha imagem e a do , eles não conseguem. – Ela explicou os vendo afirmarem e continuou: – Agora não, agora é sim muito incrível ser parte do Simple Plan, mas já aconteceram algumas coisas meio chatas. Principalmente quando xingavam a minha mãe gratuitamente, ela não fez nada pra ninguém, ela não tem culpa de nada, isso me deixa muito puta da vida, demais. Só que a gente aprende a relevar com o tempo, afinal esse tipo de coisa sempre vai ter. – A garota deu de ombros vendo quatro pares de olhos meio arregalados com o discurso dela.
Sério que ela tinha aquela maturidade pra tão pouca idade?
-Eu achei que só o fosse assim. – Mark fez uma careta confusa e abismada. – Mas que lavagem cerebral fizeram em vocês? – O moreno perguntou meio morto o que causou gargalhadas estrondosas em quem estava na mesa.
-É o benefício de ter pais tão novos, a gente acaba crescendo junto com eles. – A garota riu e sentiu seu estômago reclamar. – Cadê o ? Eu estou com fome. – Ela fez careta olhando para onde as badejas e a comida estavam vendo o irmão comprando seu almoço.
-Tão novos quanto? – O rapaz perguntou rindo e Leonor arqueou uma de suas sobrancelhas.
-Novos ao ponto de seus pais terem menos de quarenta, bem menos. – A garota piscou e o viu arregalar um pouco os olhos.
-Tapado! – Catherine disse rindo alto e deu um tapa na cabeça do amigo, desmanchando um pouco o clima que queria se instalar ali. – Mas me contem meninas, estão interessadas em participar do time das cheerleaders? – a loira perguntou com um sorriso brilhante demais. – Estamos querendo colocar mais gente no time, virei capitã esse ano.
-Não sei, a gente estava pensando que pode ser, se lá. – Ashley deu de ombros rindo.
-Queríamos não apressar tanto as coisas. – Leonor disse com um sorriso e viu o irmão chegar perto com duas bandejas, ele colocou uma na frente dela e outra na frente de Ashley.
-Agora comam ou eu sou morto por duas mulheres raivosas. – brincou sobre as mães e as duas garotas riram. – E apressar o quê, Leo?
-Cath chamou as duas pro time. – Lisa disse animada e o garoto arqueou as sobrancelhas.
-Vocês vão? – O rapaz perguntou com uma pequena careta e a irmã deu de ombros enquanto comia.
-Não sei, pode ser que sim. – Leonor fez uma pequena careta rindo. Sabia que no mínimo aquela simpatia toda da tal Catherine se devia ao fato de ela ser irmã do , que fazia parte do time do colégio, ou a simples questão de a garota ter no nome. – Mais pra sim do que pra não. – Ela riu e o irmão riu junto. – Quando vai ser o teste?
-Na quarta. – Catherine piscou sorrindo e Leonor afirmou com um aceno e um sorriso fechado. riu começando uma conversa paralela na mesa que destoava completamente do assunto anterior.

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? falou assim que a mulher atendeu ao telefone.
-Hey. – Ela respondeu ao cumprimento dele, enquanto organizava algumas coisas para serem esterilizadas dentro da miniautoclave. – Aconteceu alguma coisa? – A mulher fez careta com a ligação àquela hora da manhã. Será que tinha dado B.O. no colégio?
Não, não. – Ele soltou uma risada espontânea pela preocupação recorrente dela. – Eu queria comprar um presente para os meninos, mas queria te perguntar o que você acha antes de eu comprar.
-O que eu acho? – Ela soltou uma risada anasalada. Aquilo era pretexto pra ligar pra ela, não tinha outra explicação plausível. – Você é o pai, . – A mulher disse de forma óbvia. – Eu não preciso resolver tudo.
Eu sei, . Mas eu quero dar um carro a eles!
-Um carro? – soltou um grito meio esganiçado. – Qual a necessidade de um carro? Eu vou deixar, eu vou buscar, você também. – Ela dizia com o telefone preso entre a cabeça e o ombro, enumerando nos dedos mesmo que ele não pudesse ver. – E quando eles precisam, usa o meu.
É exatamente essa a necessidade, . – O homem disse rindo, achando engraçada a reação dela. – Eles precisam se desprender um pouco da gente, começar a andar com as próprias pernas. Um carro é a responsabilidade ideal, se não der certo… a gente tira. a desarmou de todos os argumentos que ela preparava, apenas com uma frase e a mulher suspirou se dando por vencida. Afinal ele tinha razão, talvez fosse hora de dar mais responsabilidade aos dois. – Sem falar que os dois são os únicos no colégio que pegam carona com os pais.
-Qual carro? – Ela perguntou de uma vez, se endireitando na postura e segurando o peso do corpo em uma das pernas.
Então – o homem soltou uma risada um tanto culpada, usando o apelido justamente para amolecer a mulher. – Um Porsche?
-É o que? – ela soltou um grito esganiçado. – Um Porsche? Você pirou? Você não vai entregar um Porsche na mão de Leonor e .
, qual é? – Ele riu alto. – O carro é incrível! Os dois vão adorar! Imagina a carinha deles quando verem o carro, os gritos! Vai ser incrível!
-Não! Você é completamente louco, o preço disso deve ter o preço do meu e o seu carro, juntos. Você não vai comprar um Porsche, . – Ela disse entrando em um estado de desespero, sabendo a que ponto ele chegaria se não fosse barrado e o ouviu rir alto. – Qual o preço disso?
Mais de sessenta. – Ele disse baixo, quase em um sussurro.
-Quanto? – perguntou mais uma vez, achando não ter ouvido direito.
Mais de sessenta. alteou a voz, esperando o grito indignado.
-Você bateu a cabeça em algum lugar! – Ela riu desesperadamente. – Não tem condições.
Claro que eu não bati. É um carro! É um Porsche, é maravilhoso!
-Custa mais de sessenta mil dólares, ! Você não é uma máquina de dinheiro. – Ela soltou outro grito esganiçado e o ouviu rir ainda mais alto. – Você não tem um Porsche, você não vai dar um Porsche aos meninos, nenhum dos colegas deles tem um Porsche!
– O homem implorou de forma manhosa a fazendo rolar os olhos. – Dá pra comprar e você sabe disso! Não vai ser qualquer peso no orçamento.
-Eu sei, mas você não vai. – Ela esganiçou novamente.
Mas e o carro dos meninos? – Ele perguntou choroso, bufou mais uma vez.
-Você tem um limite de quinze mil, , e faça bom proveito do dinheiro. – A mulher estipulou o fazendo rir. – Eu estou falando sério. – Ela riu também.
Vinte e não se fala mais nisso. – O homem disse feliz, com a euforia transbordando na voz. – E eu não vou comprar nada usado. – Os dois riram.
-Você parece criança. – sacudiu a cabeça, rindo junto com ele. – , você tem um limite de 20 mil, dê seus pulos. – A mulher disse rindo e o ouviu gargalhar. – E outra, . Se você aparecer com qualquer coisa lá em casa que seja visível que custe mais de vinte, eu te faço entregar. Combinado?
Combinado, ! Você é quem manda. respondeu mais animado do que qualquer outra coisa fazendo a mulher rir. – Até mais tarde! Beijo!
-Até, . – riu. – Beijo. – ela sacudiu a cabeça rindo e tratou de espantar o sorriso bobo que insistia em ficar na cara, principalmente com a história do “Você é quem manda”, quem dera ela mandasse mais em qualquer coisa.

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Já era quase fim de tarde quando entrou na rua de casa com seu Jeep Compass e logo viu encostado em um Renegade preto novinho em folha. Ah filho da mãe, ele tinha conseguido mesmo?
O homem usava boné, óculos escuros e pelas roupas parecia um garotão com menos de trinta. Ela riu pelos próprios pensamentos e sacudiu a cabeça enquanto mordia levemente a boca, ela pegou o controle do portão e o abriu, fazendo procurá-la e acenar com um belo sorriso. Aquele homem não tinha limites e provavelmente nunca iria ter.
-Um Jeep? – perguntou rindo ao parar o carro na entrada da garagem e o viu dar de ombros com um sorriso gigante.
-Fazer o quê? Os têm um complexo por carro grande. – O homem riu e abriu os braços como se não pudesse fazer nada em relação aquilo, ainda que lá no fundo pedisse um abraço. saiu do carro deixando suas bolsas por lá e andou na direção do ex-marido.
-É lindo. – Ela sorriu vidrada no Jeep, fazendo sorrir junto, mesmo que fosse em reação ao sorriso da ex-mulher.
-Obrigado. – piscou pra ela como se aquele elogio fosse pra ele e a mulher mostrou a língua.
-Não é uma total mentira, mas eu falava do carro. – disse rindo e o viu praticamente inflar com o elogio mascarado. – E eu quase comprava esse quando fui trocar, mas o Compass me ganhou completamente. – Os dois riram e logo se cumprimentaram com um abraço breve, que se tornou apertado, assim como todos os outros depois que ele tinha chegado, completando com um beijo na bochecha.
-Já disse, somos complexados por carro grande. Espaçosos. – disse rindo ainda abraçado a ela, mesmo que um abraço frouxo, mas sem a menor pretensão de soltar. Os dois riram. – Lindo não é? Achei bem a carinha dos dois, aproveito e ensino a Len a dirigir.
-Maravilhoso. – A mulher se esticou mais um pouco e passou a mão no carro que estava encostado. – Vai ser cada grito, vão passar a noite sem dormir, elétricos. – Os dois riram mais uma vez, sabendo que aquilo era certo. Ela abriu um sorriso incrivelmente largo ao ter percebido o que ele tinha falado sobre ensinar a filha a dirigir. – Vai mesmo ensinar Leonor a dirigir?
-Claro! – O homem disse tão eufórico quanto sabia que a filha ficaria. – Por quê?
-Nada. – deu de ombros. – Ela já tem uma certa noção, ensinei algumas coisas.
-Ah não. – Ele soltou um grito inconformado a fazendo rir alto. – Poxa, … – fez um bico inconformado a fazendo rir um pouco mais e afastar um pouco dele. – Eu já tinha planejado tudo! Você é uma estraga prazeres.
-Eu não ensinei nada, bobão! – A mulher riu alto o vendo fazer uma careta totalmente indignada. – Só queria ver tua careta!
-Você é malvada, . – apontou a fazendo rir alto e negar com a cabeça.
-Sou nada. – bateu levemente no braço dele. – Mas me conta. E o preço? – Ela perguntou com os olhos quase faiscantes de curiosidade e o viu fazer uma careta entortando a boca, como se não quisesse dizer o preço do carro e suspirou apertando o nariz na junção dos olhos. – Só diz o preço. – A mulher pediu com os olhos fechados, o que a impediu de ver a cara de riso que ele esboçava.
-19.745 mais precisamente. – disse rindo e viu a ex-mulher arregalar os olhos de uma vez. – Você disse vinte mil. – O homem alertou-a, tirando o comprovante de dentro da carteira que estava no bolso traseiro da bermuda e a viu rir alto e de forma espontânea.
-Você conseguiu. – estreitou os olhos ainda rindo e deu de ombros com um porte completamente convencido, depois abriu o sorriso largo e frouxo que sempre aparecia quando o assunto era a mulher.
-Sempre consigo. – Ele fechou os olhos e deu de ombros com as mãos enfiadas no bolso da bermuda, fazendo sorrir abobada com a cena. – E eu sou louco de contrariar o que você diz, mulher? – perguntou rindo e a viu rolar os olhos, depois abriu a porta do carro pegando os documentos do automóvel.
-Você fala como se eu tivesse moral pra mandar em qualquer coisa. – soltou uma risada pela cara de tédio que esboçou.
-Aí são todos os papeis, guarda, porque você sabe como os dois são. – O homem mordeu levemente a boca entregando a pasta transparente a ela e afirmou com um sorriso, recebendo. – Eu queria pôr você como titular do carro, mas eu não sabia se podia. – disse ainda receoso.
-Se podia? – vincou as sobrancelhas meio confusa. – Você tem a cópia autenticada de todos os meus documentos já pra evitar qualquer problema. – Ela fez uma careta mais confusa ainda e o viu rir sem graça.
-Eu sei que tenho, , como você também tem tudo meu guardado aí…
-Ou você perde. – Ela cortou a frase dele e os dois riram alto.
-Não mais, criei juízo. – levantou o indicador, se mostrando orgulhoso de sua postura e fazendo a mulher afirmar com uma risada. – Mas eu não sabia se podia mais usar seus documentos sem seu consentimento, na verdade. – O homem soltou uma risada anasalada pela rolada de olhos que ela deu.
-Homem complicado. – Ela tentou disfarçar a voz em uma tossida e o viu rir alto, depois virou olhando para o fim da rua, enquanto sacudia o cabelo cacheado por puro hábito. Hábitos esses que faziam tanta falta a e o prendeu completamente, o fazendo por um segundo fechar os olhos e respirar fundo sentindo o cheiro que emanava do cabelo dela. – Olha! Eles vêm ali!
disse de uma vez apontando pro fim da rua e o ex-marido abriu os olhos repentinamente, alargou ainda mais o sorriso, fazendo questão de mostrar quase todos os seus dentes e começou acenar para os filhos de forma exagerada, o que causou algumas risadas neles e em alguns amigos que os acompanhavam, por certo moravam ali por perto e os únicos que conhecia, eram Ashley e Andrew. A mulher sacudiu a cabeça com o exagero dele e riu junto com os meninos.
Os dois se despediram dos amigos, que após cumprimentarem e , se espalharam pelo condomínio na intenção de ir pra casa.
-Pai! – Leonor gritou pulando no pai.
-Oi princesa! – O homem a abraçou fortemente, beijando a bochecha da filha, enquanto o irmão soltou uma risada e abraçou , beijando a cabeça dela e sendo apertado no abraço pela mãe. – ! – Ele chamou o filho com um aceno, não aceitando não como resposta e puxou o garoto pro bolo de abraços, apertando os dois o máximo que podia. – Como foi o primeiro dia? – riu levemente, curioso e bagunçou o cabelo dos dois os fazendo rirem.
-Normal! – O rapaz deu de ombros e escorou no carro ao lado do pai, ainda o abraçando.
-Foi ótimo! Ótimo! Ótimo! – A garota disse animada enquanto intercalava as palavras com beijos na bochecha da mãe. a agarrou com força, como se a filha fosse um bicho de pelúcia fofinho e as duas riram alto. – Não foi tão assustador quanto eu esperava. – Leonor riu sendo apertada pela mãe.
-Claro que não foi. Era apenas um colégio novo, coisinha. – riu.
-Apenas. – , o pai, disse com deboche e riu alto.
-Shiu! – A mulher meneou a mão os fazendo rir mais.
-Mas e esse carro? – O garoto perguntou colocando a aba do boné pra trás e virando pra olhar de verdade o Renegade.
-Realmente. – Leonor fez careta com o carro “desconhecido” ali. – Algum de vocês trocou o carro?
-Nops. – sacudiu a cabeça parecendo uma criança e os filhos riram. – Não trocamos, mas eu pensei e a mãe de vocês concordou. – O homem apontou pra que fez uma reverência exagerada os fazendo rirem. – Depois de muita luta… – Ela rolou os olhos pela alfinetada e riu. – Que nós podíamos dar um carro aos dois! – Ele especificou bem e viu os dois adolescentes arregalarem os olhos.
-Um carro? – O rapaz soltou um grito esganiçado arregalando os olhos e praticamente se jogando em cima do Renegade.
-Pra gente? – Leonor soltou a mochila no chão e como em um piscar de olhos, pulou perto do Jeep preto.
-Ai meu Deus! – Eliot enfiou as mãos no cabelo completamente pasmo e surpreso com o carro que estava na sua frente. – Um carro, Leo! – Ele arregalou os olhos abraçando a irmã com força. – Um carro!
-Eu estou vendo! – A garota disse abismada do mesmo jeito e quase hiperventilando. – É um Jeep, igual ao da mamãe!
-É quase isso! – A mulher riu, fazendo rir junto e entregar a chave na mão do filho.
-Vão, vão dar uma volta! Testem o carro. – O homem disse encantado com a reação dos dois que arregalaram os olhos e logo esmagaram os pais como o mais puro agradecimento pelo presente. – Vão logo! – riu soltando os dois que já tinham abraçado . – Parem de perder tempo aqui.
-Obrigado pai e mãe! – O agradecimento saiu em coro, enquanto os dois entravam no Renegade preto e sorriu imensamente encantada com o jeito dos dois, os vendo saírem logo com o carro dali.
riu sacudindo a cabeça e pegou as duas mochilas que estavam no chão, uma estampada com algumas flores pequeninas e vermelhas e a preta de , colocando as duas nas costas, uma de cada lado.
-Eles não vão voltar tão cedo. – O homem riu olhando pra e a mulher afirmou com um aceno de cabeça. – O Hulk tá aí ainda? – perguntou sobre o cachorro que sempre pertencera a família e soltou uma gargalhada estrondosa.
-Sim, sim, o monstrinho está lá no quintal. – Ela disse com um sorriso frouxo, estendendo a mão pra pedir as mochilas e o homem negou com um aceno de cabeça no maior estilo “mulher na minha companhia não trabalha”. – Quer levar ele pra andar? Os meninos iam levar hoje, mas bem, você viu a euforia com o carro.
-Sim, claro! – sorriu agradecido e satisfeito enquanto os dois entravam na grande e arejada casa. – Você vai junto ou vai ficar aqui? – O homem mordeu a boca mesmo sem perceber, colocando as mochilas no estofado e mordeu a boca por dentro.
-Adoraria poder ir. – Ela riu baixo um tanto frustrada. – Mas além de ter trazido trabalho pra casa, preciso terminar antes das 18:00. – fez uma careta enrugando o nariz, mas na esperança que ele insistisse mais uma vez.
-Regras. – afirmou com um sorriso fechado sobre uma regra que permanecia naquele lugar desde sempre, a noite não era horário de estudo sem urgência, ou trabalho, a noite era o momento da família. – Vou levar o Hulk pra ver o mundo. – Ele apontou na direção do quintal, depois beijou-a na bochecha de surpresa, logo seguindo na direção do quintal.
O que ele precisava fazer para conseguir aquela mulher de novo? Ser calmo e paciente não estava lá tendo tanto efeito, talvez fosse a hora de começar ser incisivo.

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Os dias pareciam voar na concepção de , que mal havia tido tempo concreto para ficar e sair com os filhos, isso sem falar de , vendo que uma viagem já estava praticamente no seu nariz. Eles passariam uma semana fazendo shows no Reino Unido e logo voltariam pra casa pra uma temporada mais calma até o fim de setembro.
Ele acordou com o despertador desesperado que mais parecia anunciar um incêndio e esfregou o rosto fazendo uma careta horrenda. Sim, ele estava sozinho mais uma vez, sem ela, sem os meninos fazendo barulho e brigando por qualquer besteira e mesmo que tivesse passado um ano daquele jeito, não tinha costumado a acordar sozinho, sem qualquer beijinho de bom dia, um abraço apertado, ou até uma risada escandalosa. Ele só queria sua vida volta, porque sabia que nunca iria acostumar com aquilo. O homem afastou os travesseiros que faziam quase o mesmo volume de um corpo na cama, o corpo dela na verdade. E levantou sem muita vontade, o dia ia ser chato e longo arrumando malas, principalmente sem os três dizendo sobre o que ele tinha que levar nas viagens ou não.
O pior não era saber que ele tinha passado um ano naquelas condições, o pior era estar no mesmo apartamento que os dois haviam vivido durante anos com os dois filhos. Era saber que tantas coisas boas tinham acontecido ali, uma das melhores épocas da sua vida estava impregnada naquele lugar, que parecia tão vazio e murcho sem ela, que mesmo estando tão perto parecia a milhas de distância.
-Vamos, ! O dia vai ser longo hoje. – Ele tentou motivar sua coragem e se espreguiçou no meio do quarto antes de entrar no banheiro para um banho gelado.

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A semana parecia estar correndo e já fazia quase dois dias que o Simple Plan estava fora, fazendo alguns shows no país vizinho e junto trazia a saudade apertada para as famílias. E como de costume quando o cunhado estava viajando, ajudava com os afazeres durante a manhã, Alex, Leonor e já tinham ido para o colégio e as duas irmãs tomavam café juntas na casa da mais velha.
. – bateu as unhas na mesa de madeira da cozinha e tomou um gole do café quente. A irmã a olhou esperando que ela continuasse. – Sabe aquela época sua difícil com o ? – Ela mordeu a boca. suspirou fazendo uma careta e coçou a nuca, onde por coincidência tinha uma pequena cicatriz do acidente.
-Sei, sei sim. – A Mrs. enrugou o nariz.
-Quanto tempo vocês demoraram pra… – mordeu a boca e suspirou. – Você sabe, voltar ao que era?
-Um segundo. – riu alto e soltou uma risada desesperada mexendo o café na xícara. – Ele nunca mudou, sis. A distante era eu, você sabe. – A mulher fez uma careta só em lembrar dos tempos difíceis e sacudiu a cabeça. – Ele foi o de sempre o tempo todo, só me deu o tempo que achava que eu precisava pra me recuperar. E eu quase ferro tudo, como você bem sabe. – Ela riu meio morta e assentiu sem olhá-la.
-Mas aceitação é complicado no começo, . – deu um sorriso fechado olhando pra irmã. – está distante. – A mais nova mordeu a boca.
-Distante? – fez uma careta se ajeitando na cadeira por puro costume. – Como assim? – Ela encostou o rosto na mão.
-Nós parecemos apenas… Amigos. – disse completamente desesperada, o que era evidente no olhar. – Há um, quase dois anos, mesmo a gente teoricamente se odiando, a tensão era completamente outra. – A mulher disse completamente esganiçada e desesperada, vendo rir alto como se aquela fosse a piada do século. – Não ri, ! Ele está diferente!
, vocês estão nessa história de separação há quase dois anos, ele passou quase um ano fora. – sacudiu a irmã como se quisesse que o juízo dela voltasse pro lugar. – É natural que as coisas tenham mudado.
-Mudado? – A pergunta saiu baixa e completamente amedrontada, fazendo a mulher prender a respiração só em pensar que poderia ter mudado demais.
-Ele está sendo o ex-marido que você tanto queria, agora aguenta! – arqueou a sobrancelha e as palavras atingiram como um soco na boca do estomago.
-Eu mereci! – A mulher assumiu em desespero e enterrou o rosto nas mãos. – Eu só não sei se quero mais. – Ela respirou fundo.
, você precisa entender o lado dele, poxa! Ele não aguenta mais tanto doce, não vai e, honestamente, ele não precisa aguentar. – rolou os olhos e olhou pra irmã com uma expressão completamente sugestiva, sabendo que tinha consciência de tudo aquilo. – O homem é lindo e não fica muito tempo solteiro se ele não quiser. – Ela arqueou ainda mais as sobrancelhas e sentiu o estomago sacudir de vez quase a fazendo vomitar.
-Eu não quero mais isso! – A mulher disse com a voz chorosa e abafada nos braços, quando ela mais parecia estar deitada na mesa. – Mas ele está distante. Distante, ! Distante demais! Eu não sei se tem mais volta! – Ela atropelava as próprias palavras.
-Odeio te dizer, , mas eu avisei. Eu falei que ia dar problema. – A mulher suspirou e passou a mão no cabelo.
-Eu sei de tudo isso! Eu só não aguento mais. – A mulher suspirou enfiando os dedos entre os cabelos e fez uma careta de pesar.
-Não quer mais o que, ? – A mais velha mordeu a boca prendendo a risada. Ia fazê-la admitir pra si e para o mundo o que queria de volta.
-Você sabe! – respondeu chorosa como uma criança mimada. riu.
-Desembucha! – A mais velha ralhou. A mais nova enfiou ainda mais o rosto nos braços e tomou fôlego pra soltar tudo de uma vez.
-Eu quero meu marido de volta! Eu sinto falta dele! Eu gosto dele demais e isso não é crime! – praticamente gritou dentro da cozinha sem olhar na cara da irmã e ouviu um grito de comemoração que a fez rir alto e continuar com o rosto enfiado nos braços. – Não faz isso sua chata! – A mulher riu alto sentindo seu rosto esquentar. – Eu me sinto ridícula!
-Crime foi essa separação! – condenou ainda rindo. – Um crime contra a humanidade! – A mais velha cutucou a irmã como elas ainda fossem as velhas adolescentes e as duas riram. – E eu faço sim, estou vendo a possibilidade do meu O.T.P. junto de novo, me deixa! – As duas riram.
-O.T.P.? Você anda conversando demais com Leonor! – fez careta, deu de ombros e as duas gargalharam. – Os são meu casal perfeito! – A mais nova fez um coração com a mão.
-Os que são e você não me contraria. – tentou manter a linha séria, mas acabou rindo. – Vocês só passaram por momentos conturbados, sis.
-Você acha que eu não me culpo até hoje por ele ter ido embora? – suspirou coçando a cabeça. – E quem me dera ainda tivesse os ! – Ela fez uma careta inconformada.
-Eu sei que se culpa, embora isso não tenho sido sua culpa, foi uma válvula de escape dele. – deu de ombros e rolou os olhos.
-Bela válvula de escape. Fizesse boxe! – condenou e as duas se olharam, imaginando o desastre que seria no boxe, depois riram alto.
-E se você quiser, querida. Ainda tem. – A Mrs. disse completamente convicta e riu incrédula.
-E você realmente acha que eu não quero? – Ela arqueou a sobrancelha. – Ele não me olha mais assim. Nós parecemos dois amigos idiotas. – fez uma careta desgostosa e a irmã gargalhou com a declaração. – Sinceramente, está impossível conversar com você. – A mulher bufou fazendo a irmã rir ainda mais.
-Vocês? Dois amigos? – sacudiu a cabeça tentando parar de rir, mas soltou outra gargalhada. – , olha pra mim, presta atenção. – Ela estalou os dedos e viu a irmã rolar os olhos. – Vocês nunca serão como dois amigos, não depois de um casamento de mais de 14 anos, porque pra mim, você sabe que não acabou ainda. – A mais nova rolou os olhos sobre o casamento ainda existir. – Não com o brilho que tem nos olhos a cada vez que ele olha pra você, ou fala em você, ou até mesmo a menção do seu nome! – A mulher disse da forma mais explicada possível e arregalou os olhos. – Então, pelo amor de Cristo, não me fala que ele ‘não te olha mais assim’, porque ele olha.
-Não tem brilho, ! – disse completamente esganiçada e até assustada com a quantidade de coisas que estavam sendo jogadas em sua cara. – Eu não quero ele parecendo um secador ambulante, até nós temos dois filhos! – Ela esganiçou mais uma vez. – Ele não me olha mais como mulher, !
-Como é ? – A mulher perguntou completamente indignada. – Você só pode ter bebido álcool em gel pra falar merda a essa hora da manhã. – Ela olhou pro pulso como se lá tivesse um relógio e fez a irmã rir baixo, mesmo que sem vontade. – O seu sorriso ainda está bem presente. O sorriso-. Pelo amor de Deus. – enfiou as mãos nos cabelos impaciente e até irritada pela lerdeza da irmã.
-Sorriso-? – A mulher soltou uma risada desesperada e até nervosa. estava doida?
-Sim, é parecida com a forma que ele sorri quando olha pros filhos. Mas o brilho é diferente. – soltou uma risada baixa acompanhada de um aceno de cabeça e viu a irmã vincar a sobrancelha como se tentasse lembrar de algo e instantaneamente as bochechas de corarem violentamente. Sinal que ela tinha lembrado! – Eu disse! – A mais velha arregalou os olhos apontando pra irmã.
-Ai droga! – riu passando as mãos no cabelo. – É pecado eu querer mais incisivo? Sinceramente, eu não aguento ele mantendo tanta distância. – Ela fez careta e a irmã riu alto.
-E desde quando você se preocupa se alguma coisa é pecado quando se trata de ?
-SHIU! – fez sinal de silêncio e as duas riram. – Não fala assim que me sinto um caso perdido.
só está respeitando uma decisão que vocês tomaram quando decidiram se separar. – deu de ombros mostrando a obviedade do fato. – Mostra pra ele que você mudou de ideia, ele não tem como adivinhar. E assim que você mostrar, o seu marido vai agir!
-E não foi bem assim, no primeiro ano de briga foi ano que nós mais fizemos sexo, se duvidar. Já era certo, se a gente brigava, acabava na cama. – riu colocando a mão no peito como se sentisse saudade e fez cara de nojo. – Não quero mais andando na linha. Não gosto! – Ela negou com uma risada frouxa ao ouvir a frase que tinha saído de sua boca e as duas riram alto.
-Faz ele sair da linha, mulher! Você é a mais efetiva nesse ponto há séculos! – rolou os olhos fingidamente e abriu um sorriso completamente malvado e sugestivo, fazendo a irmã gargalhar.
-Credo! Me sinto um gogo-boy invertido! – ela fez careta, o que só causou as risadas mais escandalosas nas duas.
-Você entendeu, ! A questão é que nenhuma mulher é você! – piscou pra ela e viu a irmã inflar o peito.
-Espero que ele ainda ache isso! – As duas riram. – Porque, pelo amor de Deus, convenhamos, é lindo, gentil, gostoso pra caramba e bom, safado. Ele tem a mulher que quiser! – fez uma careta ao dizer aquilo, sabendo que não queria mulher nenhuma com as mãos nele.
-E ele vai arranjar, se você não levantar a bunda da cadeira! – apontou tomando um gole de café e enrugou o nariz.
-Ele não vai. – A mulher disse convicta e abraçou a irmã de uma vez, que soltava gritinhos animados pela decisão da outra. – Adoro conversar com você! – a apertou mais entre os braços, como se fosse um bicho de pelúcia e beijou mais uma vez a bochecha dela.
-Eu também, sis! Uma das melhores coisas do dia! – A mais velha abriu um enorme sorriso, abraçando pela cintura com toda a sua sinceridade. E a mais nova a sacudiu como se ela fosse um brinquedo. – Para! Não me sacode, que coisa! Mania chata que vocês têm. – A fingiu ralhar e as duas riram.
-Mas eu preciso ir! – beijou a cabeça de mais uma vez, em um gesto de puro cuidado como se fosse a irmã mais velha da situação. – Estou atolada de curativos hoje, muito, muitos, muitos. – Ela fechou os olhos pra dar mais intensidade ao que falava e as duas riram. – E eu tenho que canalizar o tesão no trabalho, ou eu enlouqueço! – A mulher piscou vendo gargalhar.
-Isso! Trabalha, trabalha muito! Eu também vou me afundar no trabalho. Não pelo mesmo motivo que você, claro. – A mais velha deu de ombros com um sorriso pra lá de malicioso e rolou os olhos.
-Vai! Esfrega na minha cara que você tem uma vida sexual ativa, sua vaca! – ralhou e de repente fez uma careta pelo palavreado técnico. – Nossa, isso soou tão enfermeirinha. – As duas riram alto. – Estou indo! Qualquer coisa me liga, ok?
-Esfrego mesmo, fofa! – mandou um beijo enquanto ria. – E sim, muito enfermeirinha, sai daqui! Vai logo! Eu ligo se precisar!
-Isso não se faz! – fez um bico inconformado, depois mandou beijos pra irmã. – Tchau, beijo! Dá um beijo no Alex por mim!
-Pode deixar, mando sim! – esboçou um sorriso bonito. – Beijo, tchau! – Ela mandou alguns beijos e as duas riram com o desespero de ao sair pelo quintal, correndo como sempre, ou se atrasaria pro trabalho. – Sinceramente, esses dois merecem umas boas tapas. – riu da própria frase baixa e negou com um aceno, voltando aos seus afazeres em casa.

-x-x-x-

bocejou mais uma vez naquela madrugada e fez uma careta horrenda ao ver a quantidade de papeis ainda espalhados pela mesa da cozinha. A mulher esfregou os olhos e pegou a caneca decorada para pôr mais um pouco de café, foi até a cafeteira e encheu a xícara da cor escura, voltando para seu posto de trabalho na madrugada. Assim que sentou na cadeira, ela sentiu a mesa tremer e logo tratou de afastar os papeis em busca do celular que tocava. ? O que ele fazia ligando àquela hora? Era melhor descobrir!
-Oi? Aconteceu alguma coisa? – soltou bem preocupada assim que atendeu ao telefone. – Você está bem?
Oi ! – A voz do homem exalava animação, uma animação que a fez rir aliviada. – Eu estou ótimo! Liguei só pra conversar, bater um papo, ouvir a sua voz… – A última parte saiu baixa, porém firme e fez prender de leve a respiração ao mesmo tempo que sorria feito boba.
-Às duas da manhã? – A mulher perguntou soltando uma risada contagiante, soltando todos os papeis que gritassem trabalho e concentrando apenas na ligação.
Me dei conta disso depois eu tinha discado, mas até agora você não me xingou, então suponho que você estava acordada. – Ele disse como se adivinhasse o maior segredo do mundo e os dois riram. – E você, tudo certo por aí com nossos pestinhas?
-É estou acordada sim, estava revendo a papelada da clínica regada a café! Mas tudo certo. – riu de leve. – Os dois não me deixaram trabalhar hoje. Eles me arrastaram pro centro da cidade, alegando que eu precisava ver gente. – Ela disse como se aquilo fosse um absurdo.
Milagres acontecem! – O homem comemorou sobre ela ter saído de casa a fazendo rir. – Eu até ia dizer que você tinha que dormir, por que está tarde e os papeis não vão fugir, mas tá bom demais assim, então fica aí mesmo! – A declaração sincera saiu sem qualquer filtro, fazendo com que sorrisse de forma involuntária, enquanto rodava de leve a aliança no dedo anelar.
-Saudade daminha voz, Mr.? – Ela resolveu entrar na brincadeira dele.
Muita, Mrs.! foi direto a fazendo sorrir boba. – E eu concordo com os meninos que você precisa ver gente. Você é bonita demais pra ficar presa em casa e na clínica.
-Não estou nada bonita nos últimos dias! – Ela tentou desviar do elogio. – Além de estar parecendo um zumbi cheia de olheira e descabelada, estou vivendo a base de café.
Duvido! Duvido mesmo! Em 20 anos você nunca esteve feia, não ia começar agora! – Ele disse todo galante fazendo a mulher rir. – Mas me fala… café, é? E tá bom esse café? – A pergunta saiu um pouco mais grave que o normal.
-E sim, café. Que está ótimo pra sua informação! Aprendi a fazer um café gostoso, forte e quente! – A mulher mordeu a boca, prendendo uma risada, esperando que a conversa tomasse o rumo que sempre tomava quando eles se ligavam durante a madrugada. Aquilo não poderia ter se perdido com o tempo, não poderia mesmo.
Forte, gostoso e quente… – O tom malicioso na voz dele era tanto que não poderia ser confundido com o acaso e a fez rir um tanto descontrolada, como se denunciasse seu nervosismo.
-Por Deus, ! – Ela repreendeu esganiçada e o homem soltou uma gargalhada espontânea e gostosa de ouvir.
Eu não disse nada demais. – O cantor se defendeu a fazendo rir. – Você que tá pensando coisa errada.
-Estou bebendo meu café! E eu te conheço! – Ela disse rindo.
Conhece bem demais, graças à Deus! – O homem disse de um jeito engraçado, fazendo os dois rirem. – E sobre esse café, tá dando água na boca! – Ela mordeu a boca com o teor malicioso da frase. Finalmente seu marido estava voltando, produção?
-Quem sabe se quando você vier por aqui, você experimenta? – Ela deu de ombros em uma frase mais carregada maliciosamente que a dele.
Ah mulher, eu vou cobrar. Com certeza, eu vou cobrar. – Ele soltou uma risada trêmula até certo ponto.
-Cobra, que eu faço.
Isso estende para outras coisas também? afunilou ainda mais o nível da conversa, fazendo os dois rirem.
-Depende do que você quer. – deu mais corda ainda e deu de ombros.
O que eu quero? , eu quero muita coisa! – A mulher arregalou os olhos com o teor da frase.
-Que merda, ! – Ela soltou um gritinho indignado fazendo o homem rir alto e consequentemente ela também. – Para de ficar dizendo essas coisas. – xingou e antes que ele pudesse começar com sua defesa furada, ela continuou: – Safado! Você sabe muito bem o que tá pedindo!
Pra você pensar com carinho, muito carinho, nas minhas propostas. – O homem respondeu como se aquilo fosse óbvio e inocente.
-Eu sei bem o carinho que você quer! – Ela o acusou rindo.
Já disse que você me conhece bem demais. suspirou, a fazendo sacudir de leve a cabeça. Os dois suspiraram de uma forma aliviada.
-Ai… Perdi a vontade de trabalhar! – Ela respirou fundo, se largando mais na cadeira. – Que horas aí?
Finalmente alcancei meu objetivo! – O homem deu um gritinho animado. – Conversando comigo sem empecilhos. – Os dois riram. – E acabei de acordar, são mais de nove aqui. Ainda estou na cama, mas tá tão vazia.
-A minha tem dois pestinhas. – Ela mordeu a boca com um sorriso frouxo abrigado nos lábios. – Vez ou outra eles dormem comigo.
Como eu queria, meu Deus, como eu queria. – A voz do homem era suplicante e fez surgir uma careta de dó em .
-Daqui a pouquinho você volta, não se preocupa. – Ela disse tentando o confortar e mesmo sem saber, fez o homem sorrir bem bobo. – Eu vou dormir, tudo bem? Ou amanhã eu não acordo e fico feito uma múmia. – Os dois riram e ele assentiu com um resmungo.
Não. Espera! Espera aí. Minha foto! disse em um sobressalto.
-Sua foto? A internet ta cheia de foto sua! – A mulher zombou.
Eu estou falando sério, mulher! Eu preciso comprovar que você está parecendo um Zumbi. O que é bem difícil. Não desligo esse telefone sem minha foto! Me dá minha foto! Vou lançar # no twitter!
-Você não é nem louco de fazer isso! – Ela gargalhou com o desespero dele.
Quer apostar? – O homem perguntou em uma ameaça bem engraçada e fingida.
-Não, não quero. Você é doido! – Ela rebateu o fazendo rir. – Como você quer essa foto? – A mulher perguntou rindo, enquanto já se olhava pra ver seu estado.
Me surpreenda!
-Ok. Espera. – Ela disse rindo e logo entrou no chat do WhatsApp, colocou o celular em cima da mesa e ajeitou a camisola preta no corpo, principalmente o busto que parecia estar fora do lugar. Como ela sempre dizia, o problema de ter seios grandes é que eles nunca pareciam estar no lugar certo. viu seu reflexo na câmera e deu um sorriso contido, mas que parecia tão brilhante e genuíno, enviando a foto logo em seguida. – E aí? – Ela perguntou com o telefone no ouvido.
Linda como nos meus sonhos diários! – o homem suspirou apaixonado. – Vai pro bloqueio!
-Você não é nem louco de fazer isso! – Ela deu um gritinho esganiçado e desesperado. – Eu te mato!
Vai virar bloqueio! Céus, você está incrivelmente linda!
-Faz isso e você vai se ver comigo! – ainda continuava em desespero pelas propostas do ex-marido.
Boa noite, ! Até amanhã! – Ele riu e fez barulho de beijo pra se despedir.
-NÃO DESLIGA ESSE TELEFONE, !
Boa noite! Também te amo! – O homem soltou uma risada larga e desligou o telefone, deixando meio estacada no meio da sala, sem ao menos a chance de dizer que amava de volta.

-x-x-x-

-Tchau mãe! A gente não demora. – O rapaz beijou a cabeça dela, quase brincando com a altura da mãe e riu.
-Do treino, pra casa. – Ela alertou novamente e os dois bateram continência, Leonor ganhou um beijo na bochecha e depois saíram de casa ainda na euforia de estarem direto dentro do Renegade.
A mulher riu achando bonitinha a animação dos dois com o carro e o melhor, eles vinham fazendo com que continuassem com o automóvel. Ela e tinham acertado na criação dos filhos, mesmo depois de algumas erradas, mas era normal, ser pais tão jovens não era tão fácil quanto parecia. se encolheu no sofá, ligando a TV no canal de desenhos animados e a cada gargalhada lembrava de alguma coisa da infância dos meninos.
-Len! – A mulher vincou as sobrancelhas com a voz de . Leonor? Mas ela não tinha avisado que ia sair? – Cheguei mocinha dramática! – Ele completou já tendo entrado na casa pela porta dos fundos e riu.
-Leo não está em casa! – Ela se esticou um pouco pra trás no sofá, na intenção de ver a cozinha, mas foi frustrado.
-Claro que está, ela mandou eu vir! – disse confuso, ainda dentro da cozinha. – Me reclamou que eu tinha esquecido dela e a coisa toda.
-Dramática! – foi convicta e os dois riram. – Ela acabou de sair com o . Treino de Hockey. – A mulher baixou o volume da TV esperando que ele aparecesse logo na sala.
-Mas… – fez uma careta confusa e por fim entendeu onde a filha queria chegar com aquele drama todo. O homem soltou uma risada sacudindo a cabeça e murmurou: – Garotinha esperta!
-Oi? – A mulher perguntou por não ter ouvido com clareza o resmungo dele.
-Nada, mulher! – disse rindo e a fez rir alto pelo “mulher”.
-Você que está falando sozinho aí na cozinha. – disse se ajeitando no sofá. – Vem pra cá! – Ela riu fazendo abrir um sorriso largo com o convite e aparecer logo na sala onde ela poderia vê-lo.
-Já que a filha não está, eu me contento com a mãe. – O homem deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais e os dois riram alto, mesmo que ela sentisse seu corpo tremelicar aos poucos com a declaração.
-Você não perde a mania. – A mulher disse com o sorriso ainda frouxo nos lábios por vê-lo e com a saudade matando depois da viagem.
-Nunca! – O homem riu se jogou de uma vez no sofá, a abraçando com toda sua vontade, abraço que foi retribuído na mesma intensidade por .
A mulher apertou em seus braços, o fazendo praticamente enfiar o rosto no pescoço dela pela proximidade, se largando naquele abraço apertado, cheiroso, gostoso e cheio de saudade. O homem respirou aliviado, sabendo que não era preciso qualquer verbalização pra saber que ela tinha sentido a falta dele, assim como ele também havia sentido a falta dela. Os dois riram como duas crianças e se soltaram mesmo sem querer exatamente aquilo.
-Gostei da camiseta. – piscou ao ver que se tratava de uma camiseta antiga sua, que com certeza, havia ficado por lá e riu olhando pra peça de roupa.
-Ela ficou aqui. – A mulher soltou um sorriso bonito e deu de ombros esticando a camisa. – Acabei ficando com ela, gosto de vestir quando estou destruída do dia. – olhou pra e o viu sorrir completamente encantado e com a atenção presa nela. Aquele sorriso! Era o que tinha falado ainda existir. Era ele! A mulher sorriu junto. – Ainda tem seu cheiro, não importa o quanto eu lave. – Frase que só serviu pra sorrir ainda mais largo, aquele sorriso torto que mostrava todos os dentes claros e fazia as pernas dela tremerem.
-Ela fica melhor em você! – O homem manteve o sorriso e se largou mais no sofá colocando sorrateiramente o braço em volta do pescoço dela como se fosse um adolescente com a primeira crush.
-Já ia perguntar se você queria de volta. – disse escorando o corpo ao dele e deitando a cabeça no ombro do ex-marido, ultrapassando qualquer limite que ele mostrou com o cuidado em movimentar o braço devagar e os dois riram quando ele negou com um aceno, dando um beijo na cabeça dela em seguida.
-Com certeza, fica muito melhor em você. – O homem piscou com um sorriso safado e a mulher riu alto, fazendo uma dancinha, depois foi abraçada com força contra ele. Realmente parecendo dois namoradinhos vendo TV.
-Ganhei! – Ela gritou como uma criança e foi abraçada novamente, os dois riram. – Como foi de viagem? – A enfermeira virou o rosto de leve, encostando no ombro dele e olhou pra cima.
-Maravilhoso como sempre. – O homem abriu um sorriso largo, a fazendo abrir um semelhante, enquanto se aninhava mais no abraço dele.
Era sempre daquele jeito, sempre voltava com os melhores sorrisos das viagens das turnês.
-Mas e aí, . O que vamos fazer nessa linda noite? – Ele perguntou em um tom galante, fazendo um carinho leve com a ponta dos dedos no braço dela, quase induzindo a mulher soltar um “Mais um filho, pode ser?”, mas a mulher preferiu não começar com certas brincadeiras que não pudesse controlar depois.
-Eu não sei. – fez um bico pensativo. – Comida? – Ela deu um sorriso trincado e afirmou com um sorriso satisfeito, como se já soubesse o que ela ia pedir.
-Comida é sempre bom! – O homem piscou e os dois riram.
-Sabe a saudade do seu Poutine*? – a mulher fechou os olhos como se sentisse o gosto da comida na boca e o homem deu um pulo do sofá, animado.
-Liberado pra usar a cozinha? – esfregou as mãos e puxou a ex-mulher pelos braços na intenção de fazê-la levantar do sofá. Os dois riram.
-Sonhei com esse dia de novo! – respondeu de maneira exagerada, colocando a mão no peito e sem menos esperar, foi puxada pra um abraço em meio a risadas. – A casa é sua! – Ela piscou rindo da reação dele e apontou pra cozinha. sorriu e beijou a bochecha dela repetidas vezes, apertando ainda mais a mulher no abraço, quando mais queria beijar ela a boca.
-Então saindo um delicioso Poutine* para a anjo! – O apelido saiu sem qualquer aviso, fazendo o cantor piscar ao fim da frase e empalidecer quando percebeu o que havia falado.
arregalou um pouco os olhos por ouvir o apelido outra vez, depois de tanto tempo e ainda mais com aquela sinceridade toda. Ela abriu um sorriso meio morto, sentindo o coração bater forte na garganta, enquanto parecia uma estátua no meio da sala.
*É um prato típico da província de Quebec no Canadá, feito com batata frita e coalhada de queijo, cobertos com molho de carne.

 

Chapter four

Os dois estavam meio estacados na sala, se olhando como se fossem duas assombrações, tudo isso por causa de um simples apelido que havia sido trazido a tona outra vez e não sumiria tão cedo. Na verdade, se dependesse de , o anjo nunca teria sido reprimido, mas o entrosamento e as brincadeiras estavam tão familiares que ele saiu sem qualquer aviso.
-Desculpa, é o costume. – O homem disse completamente perdido, mesmo sabendo exatamente onde estava.
-Tudo bem. – abriu um sorriso bonito e espontâneo, mostrando a satisfação em ser chamada novamente daquele jeito. – Eu senti falta. – A mulher mordeu a boca levemente e foi abraçada de lado da forma mais protetora, recebendo um beijo na cabeça.
-Eu também, anjo. – disse baixinho, com os lábios encostados a cabeça dela e os dois andaram vagarosamente pra cozinha da casa onde a magia aconteceria. Os dois entraram no cômodo que estava limpinho e logo se separaram quando foi em busca das coisas pra fazer o Poutine.
-Cortou o cabelo? – perguntou fazendo uma careta quando ele voltou ao balcão com as batatas e bagunçou o cabelo dele, o vendo rir.
-Cortei! Estava enorme! – deu um sorriso bonito e fechado, enquanto tirava as batatas do saco de tela.
-Eu tinha que ficar mandando você ir! – A mulher soltou uma risada e pegou o resto dos ingredientes na geladeira, voltando pra bancada onde ele estava. – Ou você não ia, ficava dando massada. – Ela rolou os olhos e o viu rir alto. – é exatamente do mesmo jeito. – movimentou as mãos de um lado pro outro e ouviu o ex-marido gargalhar.
-Eu ouvia sua voz mandona! – deu uma piscadela pra mulher e a viu abrir a boca em completa indignação, depois voltou aos afazeres como se nada tivesse acontecido.
-O quê? – A mulher colocou a mão no peito, sustentando o peso do corpo em uma das pernas e ele deu de ombros confirmando o que havia dito. – Eu não sou mandona, ! – deu um tapa no braço dele em protesto e o homem se encolheu rindo.
-Não é mentira! – Ele arregalou os olhos, assegurando o que tinha dito e separando as batatas maiores em um prato.
-Claro que é! – o empurrou com o quadril e os dois riram. – Você é uma pessoa pública, precisava cuidar da sua imagem ou virava o emo de novo. – Ela piscou esperta e ele riu alto fazendo pose, logo começando cortar as batatas. A mulher sacudiu a cabeça levemente e viu o vestígio de barba tomar o rosto dele como em uma novidade que há tempos ela não via. – Barba assim em você é novidade. – A frase saiu antes de ser barrada ao mesmo tempo em que a mão da mulher já ia no meio do caminho pra pegar no queixo dele, mas isso ela parou no meio do caminho.
-Gostou? – virou, perguntando de uma vez e fingindo não perceber o interesse a proximidade dela.
-Oi? – piscou um pouco frenética demais com a pergunta, ainda com o olhar fixo nele e o coração a mil no peito.
-A barba. Gostou? – mudou completamente o tom de voz usado, parecendo sério e sugestivo demais, depois pegou a mão dela suspensa e passou pelo seu queixo, fazendo-a sentir a barba e consequentemente arrepiar e tremer o corpo com aquilo. mordeu levemente a boca, tentando controlar seu estado e o viu com um microssorriso vitorioso e safado. Claro! Era o !
-Você combina com barba assim. – A mulher piscou e o viu sorrir grato, largo e completamente satisfeito com o elogio, sem falar na ponta de malícia que aquele sorriso tinha. Finalmente estava botando as garrinhas de fora e mal esperava pra ele colocá-las de vez a amostra. – Ah, acabei de me lembrar. – Ela disse rindo e o viu dividir a atenção entre ela e as batatas.
-Põe na água pra mim? – pediu com um sorriso que quase fechava seus olhos e a mulher afirmou também sorrindo. – O que você lembrou, anjo?
-O está namorando. – pegou um pote grande e encheu com água. – Ele estava tão feliz, tão lindinho, só fala na Madeline. É Mad pra cá, Mad pra lá. – A enfermeira soltou uma risada leve e encantada. – É tão lindinho! – A mulher voltou pra perto do ex-marido com o pote com água, sal e vinagre em mãos.
-Ele contou! – soltou mais animado ainda, quase sentindo a felicidade do filho. – Na verdade foi a Len que soltou a boca na minha frente. – O casal riu. – Aí ele contou todo feliz e animado! – O homem disse orgulhoso.
-Sim! Ele ficou de trazê-la aqui pra você conhecer e apresentar a garota oficialmente. – sorriu colocando as batatas cortadas na água e ganhou um leve empurrão pelo corpo do a fazendo rir. – A gente marca alguma coisinha quando você estiver de folga. – Ela mordeu a boca levemente.
-Claro! – O homem sorriu a encarando profundamente. – Estou ansioso pra conhecer a garota.
suspirou parecendo preocupada e mordeu levemente a boca.
-O que houve, anjo? – perguntou com as sobrancelhas um pouco vincadas e acariciou o rosto dela, colocando uma mecha do cabelo cacheado da mulher atrás da orelha, a fazendo sentir o choque dos dedos dele com seu rosto.
-Querendo ou não, esse namoro me preocupa. – Ela suspirou um tanto pensativa. – Você sabe que está em uma idade perigosa.
-Idade perigosa? – perguntou rindo.
-É, basta encostar desse tantinho. – Ela mediu a ponta do dedo. – E você sabe muito bem o que acontece. – A mulher arqueou a sobrancelha e riu alto. – É praticamente um curto que dá.
-Credo, mulher! Não é assim! – Ele reclamou um tanto esganiçado e a viu arquear ainda mais a sobrancelha. – Ok, talvez um pouco. – arqueou ainda mais a sobrancelha. – Tá, . É exatamente assim. – Os dois riram alto. – Mas não é só coisa da idade. – coçou a cabeça. – Depende muito da situação também. – Ela arqueou ainda mais as duas sobrancelhas pra ele como se perguntasse se ele estava exatamente daquele jeito e o homem deu de ombros despreocupadamente. – Mas a gente não deve se preocupar com isso, o é muito ajuizado, não vejo onde pode dar errado. – Ele fez uma caretinha enrugando o nariz e afagou a cintura dela, dando um beijinho na bochecha em seguida.
-Você também era! – prendeu a risada e o homem suspirou saturado pela insistência.
-Por Deus, mulher! – Os dois gargalharam. – Ele tem mais juízo do que eu tinha! – explicou novamente e ela riu alto, aproveitando a aproximação do corpo dos dois que emanava um calor tão confortável.
-Com o que eu ajudo, agora? – perguntou rindo e ele mordeu a boca pensativo, depois abriu um sorriso de canto.
-Nada, deixa que eu faço. – piscou rapidamente fazendo a mulher rir e fazer uma dancinha no meio da cozinha. – Quer CD, o rádio, minha voz? – O homem perguntou rindo sobre ter qualquer vestígio de música naquela cozinha. Era sagrado, se estavam cozinhando, a música era o tempero principal.
-Querer. – ela riu e sentou na bancada perto da pia. – Eu queria mesmo era a sua maravilhosa e brilhante voz. – elogiou vendo negar com a cabeça e mesmo sem concordar com ela, inflar um pouco com o elogio. A mulher sabia e convivia com os problemas que ele tinha com as cordas vocais, mas aquilo não fazia do dom dele menos especial, muito pelo contrário, era o que tornava , um cantor completamente verdadeiro e incrível, mesmo que ele nunca concordasse. – Mas não quero forçar, e sei só pelo timbre dela que você andou forçando esses dias. – Ela estreitou os olhos e o viu rir.
-Você sabe, quando tem show é sempre assim. – Ele tentou se explicar e os dois riram.
-Anda na linha com os exercícios? – se esticou ligando o radinho toca CD da cozinha.
-Continuo. – abriu um sorriso completamente satisfeito pela preocupação dela.
-Seguiu direitinho né? – A mulher reforçou a pergunta, parecendo uma mãe lidando com uma criança teimosa.
-Bem direitinho, enfermeira! – Ele virou o corpo de lado e piscou pra ex-mulher, a fazendo piscar e volta. colocou o óleo vegetal na panela e logo a pôs no fogo para fritar as batatas, levando o pote com os tubérculos de molho na água para perto de onde estava na bancada. – E a orelha da Leonor, de onde surgiu tanto furo? – O homem perguntou ainda concentrado nas frituras, tirando do transe de lhe observar quando estava concentrado. A mulher riu.
-São três, . – Ela levantou três dedos e ele meneou a cabeça como se dissesse “tanto faz”. – Ela viu a minha e cismou pra fazer também, acabei levando. – disse e no reflexo moveu o cabelo cacheado, o colocando atrás da orelha.
-Ficou legal! – Ele sorriu de lado, enquanto se virava com o molho e as batatas.
-Eu também achei. – ela balançou as pernas cruzadas e encolheu um pouco os ombros, parecendo uma criança. – Irritou em uma das orelhas, ela ficou com raiva. Foi uma confusão, você sabe bem do gênio. – disse rindo e o ouviu rir alto, sabendo exatamente que aquele era o mais provável de acontecer.
-Gênio da mãe! – cutucou fazendo a mulher abrir a boca em uma indignação fingida, afinal sabia bem a quem Leonor tinha puxado.
-Ei! – Ela o empurrou de lado pelo ombro e virou fazendo uma careta como se reclamasse. – Eu não sou geniosa! Ela é! Eu não!
-As duas! – Ele continuou firme, não dando ouvidos às reclamações.
-Claro que não, ! – Ela protestou em uma indignação quase real e sentiu um tapa leve no joelho descoberto. mordeu a boca pelo gesto tão familiar e soltou uma risada anasalada. – ? – A mulher o chamou com a voz calma e terna, o fazendo olhá-la de uma vez.
-Oi? – O olhar estava compenetrado demais e ele quase podia sentir a respiração ir embora. Que droga ele tinha feito?
-Obrigada pela luminária. – prendeu um sorriso bonito e grato entre os dentes, vendo que o homem abria aquele sorriso completamente maravilhoso, que com certeza era o dela.
-Por nada, anjo. – Ele parecia inflar ainda mais com o sorriso. – Vi e lembrei de você, não tinha como não comprar! – disse como um adolescente confessando algo secreto e ganhou um beijo apertado na bochecha, gesto que o deixou sorrindo feito bobo.
-Eu sou apaixonada por luminárias. Parece doença, mas não é! – Ela apontou com o indicador e os dois riram alto. – Eu sou louca por luzinhas.
-Eu sei, mulher! Eu te conheço! – Ele respondeu enquanto terminava de fritar as batatas.
-Conhece muito, muito mesmo? – perguntou beliscando o que já estava pronto e tomou um tapa na mão. – Ai! – Ela reclamou fazendo careta.
-Só come quando eu terminar. – piscou esperto. – Sim, eu te conheço muito, muito, muito, muito mesmo!
Ela sorriu largamente, de uma maneira que prendia completamente a atenção dele, depois em um ato inconsciente, passou a mão no cabelo, como se amassasse os cachos pelas pontas.
-Me conta! O que tem de bom nas praias da Califórnia? – A mulher se escorou nos braços, o sondando mesmo que discretamente.
-As ondas são as melhores! – A convicção de era fora do normal, fazendo a mulher soltar uma risada leve, porém duvidosa, a conversa do filho depois da viagem tinha sido outra.
-Ondas… tá bom. – Ela fez uma careta desacreditada. – A conversa do seu filho depois da última viagem foi outra. – Os dois riram e negou com um aceno.
-Os interesses do menino eram outros, ué. – O homem deu de ombros e sacudiu a cabeça negativamente.
-Vocês não têm jeito. – Ela acusou e o ouviu rir.
-Relaxa, está tudo tranquilo, tudo sob controle. – piscou e afagou o joelho dela, fazendo um sorriso surgir aos poucos no rosto de .
-Claro que está! Você tá aqui agora, acalmou tudo. – Ela piscou e ele respirou completamente aliviado, olhando o conjunto da cozinha que lhe fizera tanta falta.
Quando se estava longe de casa, até as pequenas coisinhas como o jeito de guardar uma xícara era motivo para um turbilhão e sensações e uma delas, com certeza, era a saudade.
-Eu estou aqui. – abriu um sorriso sincero.
-Você está aqui! – A mulher quase gritou a frase que havia saído com tanta firmeza, felicidade e euforia da boca dela, ao mesmo tempo em que começava I Don’t Wanna Go To Bed na rádio.
Os dois riram baixo pela música que pertencia ao mais novo álbum do Simple Plan e traduzia tão bem o sentimento e a situação do casal, que se não conhecesse tão bem o ex-marido e não soubesse que ele e Chuck quem compunham grande maioria das canções, ela acreditaria que aquela letra era o mais puro acaso. Mas pelo contrário, a enfermeira sabia perfeitamente que a música, assim como algumas outras no álbum, traduziam perfeitamente a situação dos dois.
Era só ouvir:

I don’t wanna go to bed without you
No you, no life, no sleep without you
Go crazy with you, go crazy without you
Her dreams, her nightmares about to
Can’t lie, love at first sight
Love at first night, I took my first bite
I’m insane when I take aim
Like I can’t change with middle range

À medida que ouvia a canção, repassava o vídeo na cabeça e não deixou de soltar uma gargalhada ao lembrar-se da pequena fera que os dois chamavam de filha.
-Você não tem ideia do que eu lembrei! – A mulher disse rindo e vincou as sobrancelhas olhando pra ela, enquanto cantarolava a música.
-O quê? – Ele perguntou ainda confuso.
-Leonor Anne comendo o meu juízo por causa desse bendito clipe. – A mulher deu um suspiro longo e forçado, ouvindo uma gargalhada de . – Sinceramente, eu não sei como você aguentou aquela criaturinha comedora de juízos no seu pé, lá na gravação.
-Nem eu. – disse bem sincero e os dois caíram em uma crise de riso gostosa e espontânea, como há tempos não acontecia.
-Quando quer ser chata, sai de perto. – sacudiu a cabeça mordendo levemente a boca.
-Ela ficou muito possessa comigo, anjo. Você não tem noção. – disse colocando as batatas no papel toalha para tirar o excesso de gordura.
-Eu ouvi Leonor reclamar da “vaca do maiô verde” durante três semanas seguidas e completas. – A mulher fez um gesto com a mão, como se demarcasse os dias das semanas que haviam passado e passou a mão no rosto rindo meio morto. – Pra ser bem honesta com você, eu estava prestes a colar a boca dela, eu juro!
-E eu me explicando como se ela fosse minha mulher e não minha filha! – Ele arregalou os olhos mostrando o quanto aquilo era apavorante e perturbador.
-AI NÃO, ! – A mulher soltou um grito incrédulo, misturado a uma gargalhada e o viu afirmar veemente.
-É sério! – O homem arqueou as duas sobrancelhas. – Tua filha é fogo, !
-Igual a mãe. – A mulher estufou o peito em um porte convencido e piscou. – Meu Deus! Essa menina é doida, ela puxou pro seu lado, juro! – Ela zombou rindo e o viu virar o rosto de uma vez, indignado com a acusação.
-MEU LADO? – colocou a mão no peito, começando a mexer o molho de carne, para cobrir as batatas do Poutine.
-Claro! – A mulher disse de forma óbvia.
-Ela é absolutamente toda você, . – O homem apontou mexendo o indicador. – Toda!
-É nada! – Ela contestou rindo. – Ela é doida igual a você! – comparou a idade mental do ex-marido e da filha.
-Mas é desaforada igual você! – arqueou as sobrancelhas, sabendo que ela não iria ter como rebater aquilo.
-Eu não sou desaforada, seu safado! – A mulher disse indignada, comprovando ainda mais o que ele tinha dito e os dois riram. arregalou os olhos de uma vez. – Ela não arranjou briga com a atriz, não é? – A enfermeira perguntou quase sentindo o sangue fugir do rosto e viu dar um sorriso de gases.
-Quase. – O homem fechou um dos olhos e se encolheu, gesto que fez suspirar meio frustrada.
-Ai não Leonor! – Ela esfregou a testa meio morta.
-Deu tudo certo! – Ele assegurou a vendo sacudir a cabeça negativamente.
-Meu Deus, essa menina se supera. – passou as mãos pelos cabelos cacheados, o que prendeu quase totalmente a atenção dele. – Não ia adiantar brigar! Você já tinha enfiado a boca nela mesmo! – A mulher rolou os olhos se mostrando saturada e até levemente afetada pelo videoclipe, enquanto ele tentava prender uma risada satisfeita, mas completamente sem jeito. O homem ainda com um sorriso satisfeito, cortou o queijo coalho em cubos. – Que foi, ? – Ela arqueou as sobrancelhas pelo sorriso dele.
-Nada, . – deu de ombros com um porte cínico e em um prato pequeno arrumou o poutine, primeiro as batatas, o molho e por fim o queijo cortadinho em cubos, pegou um garfo na gaveta do armário ao lado e estendeu os dois pra ela. – Experimenta! – Ele piscou.
-Eu te conheço! E não me chama pelo nome! – Ela fingiu ralhar, mas tinha os olhos quase brilhantes por ver a comida em sua frente. – Me dá! – A mulher esticou as mãos.
-Shiu! – puxou o prato pra trás, brincando com ela e a viu fazer um bico. – Come! – Ele beijou a bochecha dela de surpresa e entregou de vez o prato.
colocou a primeira garfada do Poutine na boca, sentindo todo o sabor que parecia ser completamente diferente do que ela fazia, embora os temperos fossem os mesmos. Mas claro, a forma como era feito, quem estava preparando e todo o amor para aquilo faziam a diferença no sabor final.
-Tá bom? – perguntou curioso e feliz por vê-la tão entretida com a comida, podendo ser comparada a uma criança com doces.
-Meu Deus, isso é bom demais. – Ela suspirou, depois gemeu baixo com o deleite do sabor da comida e mesmo sem ter a intenção, havia atiçado os pensamentos mais insanos em . Ele suspirou coçando a nuca, enquanto sentia suas costas arrepiarem por completo e sacudiu a cabeça antes que ficasse com cara de palerma no meio da cozinha.
-Os meninos demoram? – O homem cortou o momento, fazendo abrir os olhos de uma vez, um pouco confusa e por fim rir.
-Acho que em uns 40 minutos estão por aqui. Por quê? – Ela soltou uma risada leve, mas ainda continuava confusa. O homem mordeu a boca e afirmou com um aceno firme, depois apertou os dedos das mãos, mostrando certo nervosismo.
? – mordeu a boca receoso.
-Oi? – Ela perguntou sorridente e animada, enquanto comia as batatas cobertas com molho de gravy.
-Por que você assumiu a culpa por eu ter ido embora? – O homem suspirou e a viu fazer uma careta pela pergunta, depois rir baixo. empinou o nariz e sacudiu o cabelo, como se mostrasse que aquele assunto já estava de longe, superado.
-Bom, você já estava longe, bem longe e ter os meninos contra você não era lá a melhor opção. Eu sabia que eles iam ficar com muita raiva de mim, mas eu sou mãe, uma hora ia passar. – Ela deu de ombros soltando uma risada e passou a mão no rosto, completamente impaciente com o que estava ouvindo.
-E eu sou pai. – Ele escorou perto da ex-esposa na bancada. – Você não devia ter assumido toda a responsabilidade, fomos os dois!
-Eu sei que sim. – mostrou que tinha entendido. – Mas só ia piorar sua situação, eu não queria ver os dois te odiando ou qualquer coisa do tipo. – Ela piscou bagunçando o cabelo dele e o homem parecia ter tomado um soco no estomago.
-Eu não queria ver eles odiando você! – soltou num esganiço a fazendo rir.
-Já passou, . Respira, relaxa. – Ela riu achando bonitinha a reação dele e o viu suspirar e afirmar com um aceno de cabeça, depois abraçá-la mesmo que de mal jeito, encostando a cabeça no ombro da mulher e a vendo sorrir genuinamente. – Esquece isso, vamos começar do zero. – declarou fazendo questão que o sentido da frase fosse inteiramente entendido por .
O homem sentiu o coração palpitar forte nos ouvidos com tal declaração. Então se era pra começar de novo, que fosse direito. Ele abriu um sorriso completamente galante e estendeu a mão pra .
, muito prazer. – Ele deu uma piscadela a fazendo rir alto. – Tenho uma banda um pouco conhecida, dois filhos e um cachorro demônio. – O homem puxou a mão dela delicadamente e beijou o dorso.
-Prazer, . . – A mulher riu, sem acreditar que estava fazendo mesmo aquilo, mas continuou: – Tenho uma clínica de curativos, dois filhos e um cachorro demônio. – Ela piscou os fazendo rir no mesmo momento em que Still Loving You começava tocar na rádio.
O acaso, às vezes, assustava de tão certeiro que era.
-Minha música! – gritou pulando da bancada, completamente em alerta e com os olhos levemente arregalados.
-Nossa música! – corrigiu com um sorriso maroto, tomando a mão e a cintura dela, os deixando colados. – Dança comigo? – Ele perguntou apenas pra confirmar algo que eles já faziam e riu acomodando a mão no ombro dele.
-Claro que danço. – Ela respondeu encostando o rosto de lado ao dele, enquanto os dois se balançavam no meio da cozinha, de um lado para o outro. A mulher respirou fundo sentindo o perfume dele, ao mesmo tempo que uma das mãos do ex-marido deslizava sob suas costas, na altura da cintura procurando acomodação e lhe causando alguns bobos arrepios, a fazendo lembrar da primeira vez que os dois haviam dançado aquela música. – Lembra a primeira vez que…
-Seu baile de formatura da faculdade. Você lindamente grávida. – Ele piscou ao responder a pergunta que ela nem mesmo havia terminado e viu abrir um sorriso gigante, enquanto o encarava.
-Exatamente! – A mulher mordeu o lábio inferior na intenção de não alargar tanto o sorriso, mesmo sabendo que não ia dar qualquer jeito. – Quase parindo a sua filha. – Os dois riram.
-A garotinha linda que trollou o pai hoje. – piscou do jeitinho só dele, um gesto que quando feito, levantava um pouco dos lábios mostrando os dentes e fazia o coração de esquentar. – É um dia que eu não vou esquecer. Jamais.
-Garota esperta! – riu baixo e como se fosse um ímã, foi puxada pra mais perto dele, quase acomodando o rosto no pescoço do homem. – Eu também não vou esquecer. Foi tão… – Ela suspirou sentindo o perfume tão conhecido de adentrar seus pulmões funcionando como se fosse uma máquina do tempo e a levando de volta para o momento. – Especial. – A mulher disse baixo, sentindo um beijo carinhoso na cabeça. – Você me disse uma coisa que eu nunca vou esquecer.
abriu um sorriso imenso ao ouvir aquilo, o fazendo sentir como se fosse o mesmo garoto de 24 anos novamente, dizendo que amava a namorada e nunca iria deixar de amar, não importava o que acontecesse entre os dois, assim como dizia na música, ele ainda a amava e nada, absolutamente nada iria mudar.
-Eu lembro. E as palavras são as mesmas até hoje. – Ele apertou-a um pouco mais no abraço, sentindo a mulher se segurar também o abraçando com força. – E vão ser sempre, a promessa está mantida.
-É recíproco. – Ela falou baixo, mas audível o bastante pra sentir o peito dele inflar, como se tomasse fôlego pra entrar dentro da água.
-Você não sabe como me agrada ouvir isso, anjo! – declarou com uma felicidade completamente sem tamanho, se aconchegando ao corpo da mulher e querendo ficar assim pro resto da vida.
-O mesmo tanto que me agrada saber que você ainda me ama. – A mulher riu baixo, deu um beijo estalado na bochecha dele como se fossem dois adolescentes e depois sorriu. – Lembra do com três aninhos todo no paletó? – mordeu a boca encantada com a lembrança e viu os olhos do ex-marido tomarem o mesmo brilho.
-Lembro! Uma graça, todo agitado correndo e fingindo ser gente grande. – sacudiu a cabeça rindo.
-Que coisa mais gostosa! – A mulher soltou um grunhido como se quisesse amassar alguém fazendo rir alto. – Depois capotou em seu colo!
-O guri fez uns 50km, claro que ia capotar! – riu.
-Todo bagunçado, meu Deus. – escondeu o rosto na mão e os dois riram juntos. – Não queria te deixar dançar comigo e queria fazer tudo que você fazia.
-Ciúmes da mãe. – O homem sacudiu a cabeça como se ainda não acreditasse naquilo. – “Papai, agora a mamãe é minha”. – Ele tentou imitar a voz da criança e forçou o rosto contra o ombro dele, enquanto ria.
-Lembra que se ele me via abraçada contigo ele chorava? – A mulher arregalou os olhos ao fazer a pergunta e viu concordar com um aceno frenético de cabeça. – “Solta a minha mãe, solta a minha mãe!” – tentou imitar a voz da criança e viu o ex-marido rir alto. – Hoje eu posso estar agarrada a você, que ele não diz nada. – Ela riu e abriu um leve sorriso maldoso
-O menino estava extremamente incomodado com a minha cara. – passou as mãos entre os cabelos e negou com a cabeça enquanto ria. – Era comigo! Eu ‘roubei’ a mãe dele. Não que eu não goste de fazer isso. – O homem deu de ombros e ouviu uma gargalhada completamente espontânea de , sabendo que ela também gostava de escapar com ele de vez em quando.
-Ai . – Ela negou com um aceno leve de cabeça e encostou o queixo no ombro de . –Depois ele foi crescendo e querendo ser igualzinho a você, em tudo, exatamente tudo. – Os dois suspiraram em concordância, enquanto ele sentia a mulher cada vez mais perto, mesmo que não fosse apenas presencial. – Não esqueço mais daquele cabelo lambido. – declarou o fazendo gargalhar e esconder o rosto no pescoço dela como se sentisse vergonha.
A enfermeira arregalou os olhos, meio tensa pelo movimento brusco e sentiu o corpo tremer.
-Fase esquisita! Esquece! – Ele pediu com a voz abafada, ainda apertando-a contra o corpo e a fez soltar uma risada trêmula.
-Nele ficou muito lindinho, mas era muito Justin Bieber. – A mulher fez uma careta e ouviu a gargalhada de . – Mas eu gostava da sua franja. – Ela disse com uma expressão reflexiva e tirou o rosto do pescoço dela, enrugando o nariz com uma careta. – Leo amava. – disse e foi questão de segundos até soltar uma gargalhada estridente. Ele sabia bem do que ela estava falando, a garota amava mexer no cabelo do pai e enchê-lo de presilhas.
-Len é impossível! – riu e beijou a bochecha da ex-mulher. – E foi uma fase esquisita pra mim também, anjo.
-Discordo! – A mulher fechou os olhos tomando uma pose convencida. – Você estava enorme… – Ela se impediu de apertar os ombros dele como costumava fazer.
-Gordo. – rebateu.
-Também, mas não deixa de ser enorme. – Os dois riram. – 2009 foi mágico! – Ela declarou mais convicta do que nunca e ouviu rir de forma espontânea. Ele deu um beijo estalado na bochecha da mulher e a ouviu suspirar, sabendo que as lembranças ruins de 2010 haviam lhe atingido.
-Não foi sua culpa e você sabe. – disse baixinho e beijou a testa dela. – A gente não sabia que você estava grávida. – O homem a abraçou com força e suspirou um tanto aliviada por tê-lo de volta.
-2011 foi o mais complicado. – Os dois suspiraram. – O acidente da Mi. – A mulher mordeu a boca.
ficou bem quebrado. Não aguento ver ele daquele jeito outra vez. – Ele fez uma careta que se resumia em frustração e até sofrimento. Tinha sido umas das piores coisas pra ver o amigo naquela situação.
-Nem eu. – A mulher suspirou. – Eu não aguento ver nenhum dos dois daquele jeito de novo. – Ela enrugou o nariz.
-Acredita que o tá na saga de tentar outro filho? – perguntou rindo e percebeu que a música já tinha acabado, mas mesmo assim os dois continuavam abraçados no meio da cozinha, como se ainda dançassem. – Pesquisando em tudo que é lugar pra poder convencer a Mi.
-Acredito! Ele me perguntou esses dias onde encontrava notícias confiáveis. – abriu um sorriso largo, encostando levemente a bochecha no ombro de , gesto que fez o homem abraçá-la com mais força. – Eles são muito perfeitinhos, vou colocar os dois em um pote e guardar na minha estante. – A mulher riu baixo, aproveitando o abraço gostoso e o ouviu rir junto.
-São mesmo. Perfeitos um pro outro. – deixou um sorriso bobo escapar. – Aquele tipo de casal que vai durar pra sempre!
-Exatamente! – confirmou eufórica e os dois riram. – Um casal que realmente vai durar pra sempre. só me orgulha mais a cada dia que passa, eu não sei nem explicar como.
-A mim também, anjo. Principalmente vendo o quanto ele cresceu. – sorriu satisfeito e orgulhoso do amigo, depois viu soltar do abraço e encostar na bancada. Ele fez o mesmo. – Alex o mudou pra caramba, mas o acidente foi a guinada. – O homem cruzou os braços na altura do peito.
-Ele cresceu tanto em tão pouco tempo, que foi quase como você na época do . – deu um sorriso leve e voltou a comer o que restava do Poutine.
-É, mas com o foi tudo de uma vez só. – Ele suspirou mirando qualquer ponto no chão. Era irônico o jeito que tudo tinha acontecido e acabado, principalmente quando se tratava dele e de .
-Graças a Deus eles estão bem de novo, você sabe que a situação foi desastrosa. – A mulher suspirou e assim como ele, olhou para um ponto distante na cozinha. – Mas eu tenho a crença de que tudo que acontece com a gente tem um propósito, sabe? – Ela o olhou. levantou a cabeça olhando pra ela e afirmou com um sorriso um tanto nostálgico.
-Sempre soube, anjo. – O homem alargou mais o sorriso. – E concordo com você, o que tiver que acontecer, vai acontecer. – Ele mordeu a boca e os dois riram baixo. – Na verdade já aconteceu. – declarou sobre a separação e suspirou frustrada.
-É uma forma de crescer, querendo ou não. – A mulher rebateu e ou viu um resmungo de afirmação de , depois o viu arregalar os olhos, mirando a atenção para um ponto atrás dela. – Que foi? – Ela perguntou meio assustada com a reação dele.
-Cadê o poutine, mulher!? – O homem perguntou completamente incrédulo e a fez gargalhar.
-Você mandou comer, eu comi! – deu de ombros ainda rindo com a surpresa dele.
-Não é possível que você comeu tudo aquilo, ! – parecia surpreso de verdade com a fome da ex-mulher, enquanto procurava o prato, o encontrando “limpo” na pia. Ele abriu a boca em um perfeito O e olhou pra ela, que deu de ombros com a maior cara culpada existente.
-Mal dos , ! – A enfermeira piscou o fazendo rir plenamente satisfeito com a denominação. – E sua comida é uma coisa de tão gostosa! Comi mesmo!
-Não sei onde você enfia tudo, sinceramente! – deu uma risada morta ao olhar para o corpo da mulher e não ver qualquer vestígio de excesso de comida. – Esse corpo não é de gente que come mais que um camelo. – Ele apontou e a mulher fez uma pose, mas imediatamente vincou as sobrancelhas fingindo ofensa por ser comparada a um camelo, afinal ela sempre soube que comia muito.
-Hey! – Ela reclamou com um grito esganiçado. – Eu não como mais do que um camelo! – A mulher colocou a mão no peito, mostrando certa indignação. – E o que tem meu corpo? – riu se olhando, fingindo não entender onde ele queria chegar.
-Ah , me poupe! – O homem rolou os olhos com uma tremenda cara de tédio ela riu.
-A comida vai toda pra bunda! – brincou soltando uma risada alta e abriu um sorriso de canto bem safado, se esticando completamente na intenção de olhar a bunda da ex-mulher, ele segurou a mão dela e a fez girar em volta do próprio corpo.
-Caramba, verdade! – O homem mordeu a boca, se segurando pra não fazer qualquer gracinha e passar a mão na ex-mulher. – O que não podemos considerar ruim de forma alguma!
! – Ela o cutucou com o cotovelo como se o repreendesse e ele riu, depois beijou-a na bochecha rapidamente. – E meu corpo é normal como o de qualquer mulher! – A enfermeira usou de um tom mais do que óbvio para aquilo. – Na verdade nem tanto, eu tive dois filhos, mas é normal!
Ele suspirou audivelmente, fazendo questão de esvaziar todo o ar dos pulmões, depois colocou a mão no peito fazendo uma cena completamente sofrida.
-Pariu duas vezes. – levantou dois dedos. – Come feito um camelo e continua gostosa! – Ele suspirou mais uma vez, fechando os olhos com força e apertou uma das mãos no peito, enquanto a outra fazia a mesma coisa na porção entre as pernas por cima da bermuda. – Olha esse par de pernas, essa bunda. Sinceramente, eu não vou nem falar dos… – Ele apontou pro busto da mulher e se encolheu pelo tapa forte que ela deu em seu ombro. – Ai ! – O homem reclamou com os olhos arregalados.
-O que deu em você? – A mulher perguntou meio morta e os dois riram alto.
-Em mim nada! – Ele soltou esganiçado. – Não é minha culpa se você continua incrivelmente gostosa. – se encolheu esperando outra tapa, mas logo fez careta, parando de uma vez ao ouvir a música que passava na rádio. – , que música é essa? – Ele arregalou os olhos assustado com o idioma não identificado.
-Quê? – A mulher perguntou confusa e focou sua atenção na melodia, entrando em uma crise incontrolável de riso. – Canta ! – Ela gritou jogando os braços pra cima pulando no meio da cozinha. – Siksanghan maeryeok neukkihan maltu amu neukkim eopseo no no*.
-Meu Deus, que língua é essa? – O homem perguntou as gargalhadas. – Você tomou seus remédios hoje?
-NÃO! – gritou, entrando em uma coreografia nem um pouco conhecida por , fazendo o ex-marido olhar esquisito pra ela. – E isso é coreano! Chama-se K-Pop! – A mulher gritou com os braços pra cima rebolando descontroladamente e o ouviu quase engasgar de rir.
-Onde você arranja essas coisas? – Ele perguntou rindo e passando a mão no rosto, dando um pulo de susto quando sentiu as mãos da mulher segurarem seu quadril tentando o fazer rebolar como ela fazia.
-Rebola, ! – Ela entendeu o sobressalto dele e o homem olhou esquisito. – Isso é do Bluetooth da Leo, os meninos chegaram!
-Não! – Ele disse meio morto pelo rebolado e segurou as mãos dela. – Chegaram? Cadê?
-AQUI! – O grito do garoto rompeu pela cozinha e três adolescentes passaram pela porta, os dois filhos e mais uma garota que sabia ser a namorada do filho só pelo que o garoto dizia e as fotos que mandava. Madeline tinha os cabelos curtos acima dos ombros e um rosto bem fino, combinado a bochechas rosadas. Os três se embalaram na coreografia que a banda coreana K.A.R.D. dançava e o homem riu alto com a cena.
-Até você, moleque? – perguntou sem conseguir controlar as risadas, vendo o filho dançar igual as duas garotas. riu alto e abraçou o ex-marido de lado, ganhando um beijo na cabeça.
-Hey Mad! Tudo bem? – A mulher acenou pra garota, que acenou de volta.
-Tudo sim, !
-Culpa da Leonor. – filho disse rindo sobre saber dançar a coreografia da música e jogou as coisas do treino Hockey no chão, em tempo de ver o pai abrindo os braços e junto com a irmã, correrem para esmagá-lo em um abraço cheio de saudade.
-Papai! – A garota beijou apertada a bochecha do homem, enquanto ele tentava tirar os dois do chão como se fossem apenas crianças.
-Que saudade de vocês. – Ele disse com os olhos fortemente fechados, enquanto distribuía alguns beijos na cabeça dos dois. – Próxima maratona de shows eu levo os dois na mala comigo. – disse rindo e ouviu algumas risadas na cozinha.
-Qual a data? – A garota perguntou rindo quando o irmão soltou do abraço, na intenção de apresentar a namorada.
-Nem tão cedo, Len, ainda vou passar umas boas semanas em casa. – O homem sorriu satisfeito e foi abraçado novamente pela filha. Ele riu e tirou a garota do chão.
-Pai? – olhou pro filho e sorriu mais feliz do que nunca ao ver a felicidade do rapaz que estava prestes a lhe apresentar a namorada. – Minha mãe já conhece. – Ele riu baixo. – Mas essa é a Madeline, a Mad, minha namorada. – O sorriso do garoto rasgava o rosto, enquanto ele segurava forte a mão dela.
-Oi Mad, tudo bem? – pai estendeu a mão pra garota com um sorriso semelhante ao do filho, na verdade quem tinha o sorriso do pai, além das bochechas, dos olhos, da boca e do cabelo. Os dois eram sim muito parecidos – Eu sou o , o pai desses dois bobões. – Ele disse vendo a garota rir e apertar a mão dele.
-Eu sei! Esses dois só falam em você, a está de prova. – A garota disse rindo e viu afirmar de forma fervorosa. O homem soltou uma risada e beijou a cabeça de Leonor que ainda estava abraçada a ele.
-Ok moça, sem queimar meu filme. – O garoto brincou e beijou-a na bochecha. – Mas agora eu vou tomar banho. E eu estou com fome, pai! – fez cara de choro.
-Vai tirar essa inhaca de treino, vai. – fez uma careta e viu o filho mais velho abrir a boca bem ofendido. – Que cheirinho, . – Ela fez careta e a namorada do garoto riu alto. Ele rolou os olhos.
-Eu vou, eu vou, mas eu estou com fome!
-Quando você descer, a gente pede umas pizzas. – O homem disse rindo. – Eu fiz poutine, mas a tracinha aqui não deixou nada nem pra mim. – sentiu um leve tapinha nas costas, bem perto do fim da coluna e fez uma pose, depois mandou beijo para seus bebês.
-Eu perdoo se você fizer amanhã no almoço. – Leonor pediu com os olhos grandes, como o gato de botas e foi apertada no abraço pelo pai babão.
-Faço, princesinha, pode deixar que eu faço. – Ele sorriu largamente.
-Ok, então eu perdoo. – Ela beijou a bochecha do pai, depois da mãe e por fim agarrou o braço da futura cunhada. – Vamos, Mad. Vou te mostrar as coisas que eu te disse que comprei! – A garota disse eufórica e a francesa arregalou os olhos pelo mesmo motivo.
-Ai sim, Claro! – Madeline soltou um gritinho animado e filho rolou os olhos, depois saíram rindo na direção da escada da casa.

-MÃE! MÃE! MÃE! – Leonor gritava correndo pela casa em completo desespero. quase deu um pulo do sofá claro pelos gritos da garota, apavorado em pensar que poderia ser algo grave.
-O que foi, criatura? – perguntou assustada ao ver a filha meio descabelada, mal parecendo respirar de tanta euforia, no meio da sala de estar.
-Leonor, aconteceu alguma coisa? – levantou de uma vez, com os olhos arregalados na direção da garota, que apenas negou com um aceno rápido.
-As vendas. – A garota arregalou os olhos e respirou, deixando o pai ainda mais confuso. – Abriram novamente! – Ela entregou o celular a , fazendo a mãe arregalar os olhos.
-Corre lá em cima e pega minha bolsa dos documentos! Vai, rápido! – A mulher mandou apontando na direção do quarto e a garota afirmou, pra logo depois sair correndo novamente, quase derrubando e Madeline que desciam pra onde os estavam.
-Eu posso saber o que está acontecendo nessa casa? – O homem vincou as sobrancelhas, olhando pra e viu a mulher rir alto, enquanto ainda fuçava qualquer coisa no celular. – Por que a Len tá gritando feito uma doida? E venda de ingressos? Que ingressos? – Ele olhou do filho pra ex-mulher e vice-versa.
-O McFLY está fazendo uma tour agora em setembro, mas é pro lado da Europa, certo? – Ela perguntou e o viu afirmar. e Madeline riram, sabiam exatamente da loucura da garota pela banda inglesa.
-Sim, sim, eu vi os anúncios da tour. Sem falar na Len pagando de fangirl em tudo que é rede social. – Os dois riram e afirmou. – Eu achei que você tivesse conseguido comprar os ingressos, anjo. – O homem disse confuso.
-Eles estão cantando todas as músicas que foram gravadas em álbum e a coisa toda. Anthology Tour, salvo engano. – Ela explicou e mordeu a boca afirmando com um sorriso. Leonor tinha finalmente despertado pra ser fangirl. – Mas não, eu não consegui comprar os ingressos antes e o que nos resta é tentar em Londres, por isso eu mandei ela ir buscar a bolsa com o cartão.
-CHEGUEI! – A garota gritou praticamente pulando no sofá e fazendo o pai tomar mais um susto.
-Ai menina, assim você me mata! – O homem ralhou rindo e ela lhe beijou a bochecha meio eufórica soltando um “desculpa”, depois virou pra mãe, praticamente roendo as unhas.
-Nós vamos comprar as pizzas. – O rapaz levantou do sofá junto com a namorada e olhou pra ele afirmando com um aceno.
-Só não demorem muito, ok?
-Pode deixar, . – A moça francesa disse com um sorriso e bateu continência.
-O cartão, . – O pai apontou pra carteira em cima da mesinha de centro e o garoto quase soltou um gritinho o fazendo rir, depois pegou o cartão de débito do pai que não precisava de documento de identificação, apenas a senha. O jovem casal se despediu e logo saíram da casa.
-Conseguiu, mãe? – Leonor perguntou mais do que eufórica e ansiosa, com o pé batendo no chão freneticamente e suspirou passando a mão no rosto. – Mãe? – ela chamou mais uma vez.
-O que foi, anjo? – perguntou já sabendo que nada bom tinha acontecido só pelo vincar de sobrancelhas dela.
-A conexão caiu, eu não estou conseguindo completar a compra. – Ela suspirou mordendo a boca, ainda olhando pro celular.
A garota sentiu o queixo tremer e os olhos encherem pela notícia.
-Compra de novo. – O homem disse óbvio e pelo jeito que havia soltado o ar, ele entendeu que haviam esgotado novamente os ingressos. – Liga pra lá, .
-Mãe… – A garota chamou meio chorosa.
-Eu vou ligar, Leo. Calma, vai dar certo! – arregalou os olhos pra ela que estava completamente chorosa no sofá e levou o telefone ao ouvido, enquanto se encontrava em um estado desesperador de nervos. Eles precisavam conseguir aqueles ingressos. – Boa noite. Cousseau. – A mulher se identificou na ligação, fazendo e Leonor esboçarem uma careta em completa estranheza por a mulher usar o sobrenome do pai. – Acontece que eu quero um par de ingressos pra Anthology Tour, sim, os três shows de Londres. Mas minha senhora, eu acabei de tentar fazer isso. – respirou fundo, rolando os olhos e coçou a cabeça, bem impaciente. – A conexão caiu no meio da transação e não, eu não estou conseguindo recuperar. Vocês não podem fazer nada pra resolver isso? – Ela suspirou mais uma vez, apertando o nariz na junção dos olhos. vincou a sobrancelha e logo sacou o celular do bolso. – Eu tentei comprar de novo… Oi? – fez careta olhando pro celular vendo que a ligação tinha “caído”. – Ótimo! Muito ótimo mesmo! – A mulher reclamou jogando o celular em cima da mesinha de centro e enfiou os dedos entre os cabelos cacheados.
-Eu não vou mais? – A garota perguntou com um bico de choro que fazia o coração de se partir ao meio. suspirou e esfregou a mão no rosto.
-Meu anjo…
-Eu dou um jeito! – O homem mordeu a boca e ávido em conseguir o show pra filha, ligou pro Eric, manager do Simple Plan. Se ele tinha os meios dele, por mais que não gostasse de fazer aquilo, ele iria usar. era um pai babão, um dos maiores existentes e se poderia dar algo a filha, algo que ela queria tanto, ele iria fazer de completamente tudo pra conseguir. – Eric deve ter o contato do pessoal de lá. – explicou batendo rapidamente o pé no chão, mostrando que estava nervoso. – Eric! – O homem riu animado quando o outro atendeu ao telefone. – Você tem o contato do… Como é o nome dele, Len? O manager do McFLY.
-Fletch! – A garota praticamente gritou com os olhos arregalados.
-Isso! – o homem piscou pra filha. – O Fletch. Me diz que tem, pelo amor de Deus, você é minha última esperança. Ok, procura aí, por favor. – mordeu a boca enquanto esperava o número, na ansiedade que conseguisse levar Leonor no show da banda que ela gostava tanto, principalmente porque música dentro daquela casa era uma das coisas mais importantes.

Chapter Five

-Fletch? – o homem perguntou um tanto eufórico, assim que a ligação internacional foi atendida. – Hey cara. – riu baixo e até aliviado por ter conseguido. – Então, aqui é o . Sim, , do Simple Plan.
Leonor arregalou os olhos ao prestar realmente atenção na conversa do pai e sem sentir, apertou o braço da mãe entre os dedos, fazendo-a rir largamente pela ansiedade da garota e depois beija-la na cabeça, apertando a garota entre os braços em um abraço protetor.
-Sim, sim. – Ele riu baixo. – Então, minha mulher tentou agora a pouco, comprar os ingressos para as três noites da Anthology tour em Londres, mas a conexão caiu. Aí minha filha quase entrou em um estado de choro, porque não ia mais. – mordeu a boca ouvindo o que o outro tinha a dizer. – Jura? Pois ok, muito obrigado. – O homem usou de um tom de voz baixo, interpretado por Leonor como frustrado, que fez a garota tremer o queixo em um bico gigante. – Claro! Até mais. – desligou o telefone e assim que viu as expressões da garota, suspirou de forma audível. estreitou os olhos, sabendo que aquilo era tudo cena dele, enquanto o homem se segurava pra não rir.
-Pai? – A garota perguntou chorosa, encolhida no abraço da mãe e o homem sentou perto dela no estofado. – Vai dar certo ou não? Eu queria tanto ir, é praticamente a última tour que eles vão fazer, estão há tanto tempo em pausa que a gente está com medo de nem voltar mais. E você sabe como música é importante pra gente. – Leonor usou de seus argumentos, ainda parecendo uma criança de menos de sete anos encolhida nos braços da mãe e riu baixo, segurando a mão dela com carinho.
-Então Len. – Ele abriu um largo sorriso que marcava suas bochechas e beijou a mão da filha. – Nós vamos ver o McFLY, meu amor.
-OH MEU DEUS! – A garota deu um pulo de onde estava sentada, feliz com a notícia, enxugando o rosto e rindo ao mesmo tempo. abriu os braços e sentiu a filha cair nele o abraçando o mais forte que conseguia. – Eu vou ver o McFLY! Eu não acredito! Eu não acredito! Obrigada, pai! Você o melhor! – Leonor distribuiu beijos na bochecha de e quase o viu chorar, enquanto a vontade de rir na mulher aumentava.
-Faço tudo por você, minha princesinha! – Ele apertou a filha entre os braços como se ela fosse uma criança indefesa. – Tudo!
-Obrigada, papai! Obrigada! – Leonor sacudiu num abração, os fazendo caírem do sofá e riu alto com a cena dos dois embolados no chão.
-Ai Len! Minhas costas! – riu passando a mão no rosto e ouviu a gargalhada da garota que estava ao seu lado no chão, exatamente igual a gargalhada da mãe, que se encolhia no sofá rindo com a cena. – Anjo! Para de rir e vem ajudar. – O homem pediu rindo e Leonor arregalou os olhos, completamente pega de surpresa pelo apelido.
-Eu não! Você é o cara da yoga, hockey e o diabo a quatro. Levanta e ajuda essa sedentária. – piscou e abriu a boca em um perfeito O, com uma indignação bem fingida.
-MÃE! Eu não sou sedentária! – A garota reclamou bem ofendida com a acusação e o casal riu alto.
O homem levantou do chão em um pulo, fazendo engolir em seco sem nem mesmo perceber. Que droga de físico era aquele? Já não bastava as piadinhas idiotas de mais cedo e ele precisava mostrar que estava em perfeito condicionamento físico? Fazendo-a ter vontade de testa-lo da maneira que mais lhe fazia falta.
-Até onde eu sei, você só faz curso de idioma e desenho. – disse rindo e ajudando a filha a levantar do chão. A garota riu e deu um pulo, parando no chão em uma verdadeira pose de cheerleader.
-Você não disse ainda? – perguntou rindo e deixando mais confuso e curioso ainda.
-Disse o quê? – O homem soltou uma risada morta, confuso e até com medo do que a filha iria dizer.
-Entrei para as cheerleaders do colégio! – A garota gritou pulando e arregalou os olhos, completamente feliz com a conquista da garota.
-VERDADE, LEN?
-SIM, PAPA! SOU UMA CHEERLEADER AGORA! – Ela gritou e sentiu o pai lhe abraçar mais uma vez a tirando do chão e a rodando no ar.
-Que orgulho de você, minha princesa! – Ele abraçou-a com força, enquanto só alargava mais o sorriso bobo com a cena. – Só me promete que vai continuar sendo essa princesa pé no chão, okay? Nada de ser cruel e fria. – pediu com uma preocupação na cara e riu alto com o escândalo dele.
, as cheerleaders não são mais assim! – A mulher alertou rindo e ele fez uma careta enrugando o nariz. – São garotas normais e a Leo é cabeça feita, não vai se deixar levar, nós criamos muito bem a nossa menina!
-Escuta ela! – A garota apontou pra mãe e o homem riu, beijando a bochecha da filha em seguida.
-Quando você vai animar as torcidas? – perguntou animado, curioso e interessado, fazendo uma dancinha ridícula como se fosse uma das garotas da torcida balançando os pompons.
colocou a mão no rosto, tapando os olhos mostrando completo constrangimento pela pose do ex-marido, enquanto Leonor se resumia a rir alto.
-Poxa, . Você poderia dar menos na cara na frente da sua filha! – reclamou como se não tivesse mais jeito e viu o olhar do ex-marido queimar sobre ela, piscar e depois rir baixo numa intenção provocativa.
-O troco vem, . – O homem soltou uma risada e a porta da casa foi aberta por filho, junto com a namorada e três caixas de pizza.
Siamo arrivate con la pizza*! – O garoto gritou com os braços abertos e a namorada fez mais pose ainda, dançando uma música italiana imaginária e causando risadas generalizadas.
-O italiano é meu, ! O seu é alemão! – Leonor gritou ainda rindo com a cena do irmão e o garoto mostrou a língua. – NÓS VAMOS PRA INGLATERRA! – A garota arregalou os olhos e viu o irmão soltar um grito tão animado quanto.
-VER O MCFLY? – gritou de volta, feliz com a euforia da irmã, feliz por finalmente ela ter conseguido o tão sonhado show.
-SIM! – A garota gritou mais uma vez o vendo dar uns pulos com a notícia. – O papai conseguiu e nós vamos!
-Conseguiu? – Madeline vibrou junto com a garota, que afirmou firmemente.
-Só não vale desmaiar no dia! – O garoto debochou da euforia da menor e a garota fez uma careta.
-Eu não vou desmaiar, Eliot, já você eu não garanto! – Leonor piscou e os cinco riram. – Vai ser muito incrível! – Ela respirou fundo, com uma felicidade fora do comum.
-Vai, vai sim, mas saco vazio não para em pé. – , o pai, disse rindo quando o filho andava equilibrando as caixas de pizza. – Se não comerem, os dois desfalecem antes de conhecer o McFLY.
-Querem pratos? – perguntou rindo e levantou do sofá.
-Não precisa, . – Madeleine disse rindo e empurrando o garoto que fazia questão de “travar” no meio do caminho.
-Só papel-toalha, anjo. – disse com um sorriso e piscou. – Deixa que eu pego. – O homem sorriu e logo foi na direção da cozinha.
-Não quer ajuda? Aproveita e traz logo algo pra beber! Deixa eu ir logo. – Ela levantou do sofá antes que escutasse a recusa do ex-marido e seguiu pra onde ele estava, Leonor e riram.
-Comprou de quê, ? – A mais nova perguntou curiosa, o ajudando a destampar as pizzas.
-Hm. – O garoto mordeu a boca apontando pra comida. – Essa metade margherita e metade bacon, os dois comem felizes sem reclamar. – disse com um ar divertido sobre os sabores preferidos dos pais e Leonor afirmou freneticamente. – Essa é meio a meio, mozzarella com calabresa e quatro queijos.
-AI, EU TE AMO, CABEÇÃO! – Leonor abraçou o irmão com força pelo sabor da pizza de calabresa, o sabor preferido dela e o garoto riu alto da forma mais escandalosa possível.
-Claro que você me ama, pirralha! – O rapaz assumiu um porte completamente convencido e ganhou tapas das duas garotas. – Ai! Ai! Calma! – Os três riram.
-E Leo, fiz ele comprar uma doce pra nossa sobremesa! – Madeline fez uma dancinha mesmo estando sentada e esticou a mão por trás do namorado, na intenção de bater high five com Leonor.
-Você é demais, Mad! – A mais nova disse rindo e logo os três viram e voltarem a sala trazendo copos, papel toalha e refrigerante.
Já que o cardápio da noite era pizza, refrigerante era o melhor acompanhamento!
-Quais você pediu? – O homem perguntou sentando no chão, perto da mesinha de centro da sala, enquanto cutucava as caixas.
-Margherita, Bacon, mozzarella com calabresa e quatro queijos. – O garoto deu um sorriso esperto e completou o soquinho com o pai, que tinha estendido a mão.
-E uma doce! – Madeline e Leonor acrescentaram, fazendo e rirem.
-Formigas! – A mulher acusou.
-Boa, moleque! – elogiou, depois saiu distribuindo os pedaços pra cada, enquanto colocava o refrigerante nos copos, mostrando como eram uma boa dupla, na verdade sempre haviam sido.

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buzinou em frente a grande casa clara, esperando que os filhos saíssem logo e aí eles poderiam cumprir o programa de última hora. O homem sabia que a semana ia ser bem cheia por ter prometido a que ajudaria com algumas reformas que a mulher comandava, então era uma forma de aproveitar o tempo com suas duas crianças e talvez, até entrasse na roda. Ele esperava ansiosamente que sim.
-Oi papa! – Leonor entrou no carro alegremente e se enfiou entre os bancos, beijando a bochecha do pai.
-Oi Len! – O homem se torceu completamente e beijou a testa da garota, fazendo os dois rirem pela careta dele.
-Protetor solar. – Ela respondeu antes que ele perguntasse o porquê do gosto estranho que havia ficado nos lábios e gargalhou.
-Cadê seu irmão e sua mãe? – O homem perguntou vasculhando o olhar com a vista, como se fosse encontrar os dois a qualquer momento, ou se fossem aparecer em um passe de mágica.
-O tá com a Mad, e a mama tá lá na tia . – A garota respondeu com um sorriso fechado. – Pra onde nós vamos? Hoje somos só nós dois. esqueceu do mundo. – Leonor rolou os olhos, visivelmente chateada com o possível descaso do irmão.
-Já que é sábado, achei que teria um tempo com vocês. Mas tudo bem, que perde. – O homem riu fazendo uma caretinha e deu de ombros. – Você escolhe, princesinha! Aonde quer ir? – Ele perguntou com um sorriso bonito.
-Claro que perde! – A garota mal deu ouvidos a pergunta, rebatendo completamente esganiçada. – Você viaja sempre e voltou agora pra casa, ele vê a namorada na hora que quer. – A filha mais nova dos rolou os olhos e riu alto com o ciúme da garota.
-Ciumenta igual a mãe! – Ele afirmou pra si e riu, vendo, pelo retrovisor, Leonor fazer uma careta desgostosa.
-Eu não sou ciumenta! que esqueceu do mundo, eu não tenho culpa. – A garota suspirou mostrando toda sua discordância, mesmo sabendo que seria zoada por um bom tempo. – E minha mãe concorda comigo!
-Claro que concorda! – riu com certo deboche, comprovando seus argumentos e tomou fôlego. – Mas me diga, onde você quer comer?
-Vamos comer no Mangiafoco? Depois a gente toma sorvete! – A garota disse completamente eufórica, batendo pequenas palmas e riu achando a coisa mais linda do mundo.
-Vamos no restaurante do tio Jeff! Quem sabe a gente encontra ele por lá? – O homem piscou e deu de ombros, fazendo a filha rir e fazer uma dancinha no banco de trás.
-Adoro aquele careca! – A menina exclamou bem animada.
riu alto com a reação dela e saiu da rua de casa, indo na direção do centro da cidade, enquanto Leonor estava bem concentrada no celular no banco de trás e de vez em quando a olhava pelo retrovisor, dividido entre se encantar com a concentração da criança e morrer de curiosidade sobre o que ela tanto olhava.
-Dad? – A garota chamou depois de ver um comentário dele em uma foto da mãe. soltou um resmungo afirmativo, depois a olhou pelo retrovisor, voltando a atenção pro transito. – Você já beijou minha mãe? – Leonor foi direta fazendo o pai rir um pouco confuso.
-Quê? Como assim, Len?
-Depois que você chegou, pai. – A garota disse óbvia e arregalou os olhos, tossindo meio desesperado com a pergunta. – Pai?
-Que pergunta é essa, Leonor? – A pergunta saiu baixa e esganiçada. A garota fez uma careta pelo nome, já deduzindo que a resposta era negativa.
-Vocês se gostam, é mais fácil, certo? – Ela perguntou um pouco confusa com a situação e viu o pai soltar uma risada morta.
-Eu sou louco por sua mãe, Len. Mas nós estamos separados. – suspirou um tanto frustrado e viu, pelo retrovisor, a garota fazer uma careta. – Eu não posso simplesmente chegar e beijar ela. Só ia dar em mais confusão. – O homem riu baixo, mesmo bem lá no fundo, sabendo que era exatamente aquilo que ele queria fazer.
-Isso é uma droga! – A moça suspirou e ouviu o pai rir baixo. – Eu só queria você em casa logo e isso não é pedir demais. – Ela disse entristecida e esticou o braço, fazendo carinho no joelho da filha.
-Eu também queria, Len. Mas vamos ter calma, pode ser? Adulto é complicado. – piscou e viu a garota rir.
-Vocês não brigaram ainda, já é um avanço. – A garota declarou com um sorriso esperto e o homem concordou veemente
-Certíssima, Len. Sem brigas, um enorme avanço. – sorriu. – Se bem que a gente nunca foi muito de brigar.
-Você não arranjou namorada. Outro avanço. – Leonor levantou dois dedos. – Olha, esse é mil vezes melhor que o outro. – Ela disse e ouviu o pai gargalhar.
-Ciumenta! – O homem fingiu uma tosse e pelo retrovisor, viu a careta de indignação da garota.
-Sou ciumenta mesmo! – A menina estreitou os olhos, riu e mandou beijo pelo retrovisor fazendo a garota rolar os olhos, mas mesmo assim rir.
-Vocês são minha prioridade, sempre! – assegurou e viu sua criança dançar no banco de trás do carro.
-E enquanto eu puder impedir de você arranjar qualquer criatura do sexo feminino que não seja a minha mãe, eu vou impedir. – Leonor foi convicta e ouviu o pai quase engasgar de tanto rir. O homem tentava respirar, mas ria novamente. – Para de rir, pai! – Ela reclamou também rindo.
-Não dá! Você quer ser empata! – riu alto mais uma vez.
-Empata? Agora eu sou empata? – Leonor perguntou completamente esganiçada e o viu arregalar os olhos com a postura dela.
-Calma, Leonor! – pediu meio desesperado. – Não vai acontecer, não está nos planos, só calma!
-Ok, espero que continue desse jeito. – A garota rolou os olhos o fazendo rir. – Os pais de uma colega minha são separados e ela só falta morrer porque a namorada do pai é uma megera. – Leonor fez uma careta enrugando o nariz.
-Sua madrasta não será megera, Len. – O homem piscou e a garota arregalou bem os olhos.
-Oi? – Leonor gritou completamente indignada com o que o pai havia dito.
-Eu lá tenho cara de escolher megera pra mim? – arqueou a sobrancelha, começando uma série de brincadeiras com a garota, já sabendo que ela não estava gostando nada daquilo.
-Você não vai escolher megera nenhuma, . Eu vou dizer a minha mãe! – Leonor rebateu completamente enraivada, sentindo o choro querer aparecer, mas mesmo assim engoliu. – Quem sabe ela não conhece um cara legal? – A garota não escondeu a careta pra dizer aquilo e viu o pai assumir a mesma cara de dor. – Ela é muito bonita!
-Já falei que pra você é pai! – O homem ralhou e ela fechou ainda mais a cara pra ele
-Não me irrita.
-E sim, sua mãe é linda mesmo. Ela merece um cara legal. – disse sentindo o estômago revirar pela tal proposta.
-Por que você tá dizendo isso? – Leonor perguntou sentindo o queixo tremer e mesmo que não quisesse, mais uma vez, chorar por aquilo, ela sabia que se continuasse com o assunto, o choro seria solto.
-Porque ela merece. Assim como eu também mereço! – continuou com a brincadeira, sem ver que a garota já tinha começado a chorar, mesmo que silenciosamente.
-NÃO MERECE! – Leonor gritou soltando completamente o choro. – Você é o cara mais legal! – A garota completou e imediatamente freou o carro, olhando pra trás e vendo a sua menina chorar.
-Len? Você está bem? – Ele perguntou sentindo a garganta travar e a viu sacudir a cabeça negativamente.
-Não faz isso com a gente de novo, por favor! – Ela suplicou desesperada e o homem começou a respirar fundo, sentindo seu corpo tremer violentamente. – Vocês precisam se desculpar! Eu amo vocês dois demais, eu não quero viver longe de um e perto do outro! – soltou o cinto de segurança e como um ninja, se enfiou nos bancos traseiros, abraçando a filha da forma mais protetora que conseguia e só fez a garota chorar mais. – Por que você quer arranjar uma namorada? – A garota perguntou em meio aos soluços, quando ele a abraçava com força e tentava acalentar como se a filha fosse um bebê.
-Desculpa, meu amor, não quis te fazer chorar. – Ele beijou a cabeça da menina envolvida no abraço. – Desculpa o idiota do seu pai? – O homem pediu meio morto e a garota riu em meio ao choro, ainda envolvida no abraço. – Eu não quero arrumar uma namorada, querida. Eu quero me resolver com a minha eterna namorada, a sua mãe. Tudo bem? E eu prometo pra você que eu vou fazer de tudo pra dar certo, até quando eu não tiver mais forças, eu vou lutar por vocês.
-Promete? – Ela fungou o abraçando o mais forte que podia.
-Prometo! – disse firme, apertando a boca na cabeça da criança. – Eu amo vocês demais e por nada no mundo eu me afasto de novo! – Ele abraçou-a com mais força ainda, sentindo ser abraçado da mesma forma.
-Eu senti tanta saudade. – Leonor voltou a chorar como uma criança pequena.
-Eu também, meu amor. – O pai disse baixo, acalentando a menina. – Mas o pai tá aqui agora, não precisa chorar, tá bom? Não precisa.
-E não vai mais embora. – A menina fungou, parando de chorar e enxugou o rosto com as costas da mão.
-E não vou mais embora. – passou os polegares nas bochechas vermelhas da garota. – A gente vai se resolver. No fim ainda vai dar certo, confia no seu pai. – Ele sorriu ao ver a garota abrir um sorriso, ainda que mínimo no rosto. – Ainda está com fome?
-Sim papai. – Leonor disse rindo e ganhou um beijo completamente protetor na testa.
-Vamos almoçar! – piscou fazendo a garota rir, depois voltou ao banco do motorista, quase sem conseguir por se apertar tanto entre os bancos.
-Gordo! – A garota faltou rindo e viu o pai fazer uma cara de completo ultraje.
-Eu não sou gordo! – A resposta saiu esganiçada, inteiramente esganiçada na intenção de fazer a garota rir do jeito mais escandaloso que ela conseguia e riu ao ver a filha naquela situação. Era uma das suas metas mais importantes no mundo, fazer as pessoas que ele amava rirem como se não houvesse qualquer problema lhe atormentando.

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-Eu achei que você fosse zerar minha conta. – brincou ao ajudar a filha sair do carro e a garota riu alto.
-Que exagero, pai! – Ela entregou uma caixinha com comida a ele e o homem riu a abraçando de lado, enquanto os dois atravessavam o pequeno gramado lateral da casa, na intenção de entrar na cozinha pela porta do quintal. Vantagens de ter a casa exatamente no meio do terreno. – Você tem que me alimentar, isso é obrigação de pai. – A garota empinou o nariz o fazendo rir mais.
-Obrigação nada, é encantador ver vocês comerem tanto. – O homem piscou e beijou a cabeça da filha. – Se a gente come, é porque tá feliz.
-Com fome. – Ela remendou.
-Feliz, pirralha, não me corrige. – Ele ralhou de forma fingida e os dois riram. – Espero que a sua mãe esteja com fome.
-Ela sempre está com fome. – A garota riu. – Resta saber se ela está em casa.
-A casa tá aberta, então eu acho que sim… – disse quando os dois iam chegando perto da grande parede de vidro que dava para o grande quintal da casa com piscina e uma pequena rampa de skate. Coisa dos meninos . – Olha quem tá aí. – O homem apontou rindo e a garota deu uns pulinhos.
-Tio e tia ! – Leonor disse animada, completamente animada, e tratou logo de entrar na cozinha correndo como se fosse uma criança pequena.
A garota pulou em de uma vez, o fazendo tomar um susto e depois rir a esmagando como se fosse sua própria filha, tirando a garota do chão e a fazendo rir junto. Leonor abraçou a tia, beijando-a apertado na bochecha e por fim se jogou no colo da mãe, como se não tivesse mais que seis anos.
-Oi! – Ela jogou a cabeça pra trás como se fosse um gato e riu, enchendo a bochecha da menina de beijos, depois abraçou a filha pela cintura a fazendo parecer uma boneca.
-Com quem você estava, Leo? – perguntou rindo da pose da sobrinha e a garota apontou pro pai. bateu continência e andou até eles rindo.
-Com esse moço bem lindo que me levou pra comer lasanha. – Ela se largou mais ainda no colo da mãe a fazendo rir.
-Nossa, lindo? Tá usando os óculos direito? – riu, enquanto cumprimentava o amigo e a garota riu junto.
-Você me acha maravilhoso,, nem vem. – disse com um porte incrivelmente convencido colocando a caixinha branca em cima da mesa, depois abraçou , beijando a bochecha da cunhada. – Cadê meu afilhado?
-Sai pra lá. – O homem rebateu.
-Ele tem que me achar maravilhosa, . Então tira o cavalinho da chuva. – corrigiu e os dois riram. – E o Alex foi pra um aniversário de um amiguinho em um parque de diversões, estou com meu coração na mão, mas ok.
-Relaxa, ele volta inteirinho, só um pouco mais sujo e elétrico. – riu da cunhada, mas beijou a cabeça de . – Oi anjo. – Ele sorriu largo e meio bobo, despertando em uma alegria fora do comum. Será que finalmente as coisas estavam se ajeitando?
-Oi! – sorriu e piscou, o vendo puxar uma cadeira perto e sentar junto. – Mas e aí? Onde vocês foram?
-Mangiafocco! – Leonor falou pausadamente, sabendo que a mãe iria reclamar.
-Ah não! E vocês nem me ligaram? – Ela apertou a filha entre os braços e a garota riu. – Maldade! Que droga hein? Ainda perdi de ver o careca! – A mulher fez um bico que causou algumas risadas.
-Ele mandou um abraço pra vocês duas. – apontou para as irmãs e elas sorriram agradecidas. – E eu e a Len não esquecemos de você. – O homem piscou e empurrou a caixinha branca pra perto de , fazendo a mulher se ajeitar na cadeira de uma vez e Leonor fazer bico por ter que sentar direito ao invés de continuar largada na mãe.
-Lasanha? – Ela arregalou os olhos e viu o ex-marido afirmar rindo. – Ai lasanha! – A enfermeira deu alguns gritinhos fazendo o casalrir e depois bateu de leve na perna da filha. – Pega um garfo pra mim, Leo? – A menina fez um bico, causando ainda mais risadas.
-Vai bicuda, pega um garfo pra tua mãe. – riu e apontou para o lado dos armários com um aceno de cabeça.
-Estou indo. – Ela se apoiou na mesa rindo e foi em busca do garfo pra , sabendo que de um jeito, ou de outro, ganharia um pedaço daquela lasanha, enquanto a conversa continuou embalada entre , , e .

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O domingo havia começado mais cedo do que esperava, principalmente quando o time das cheerleaders apareceu na sua casa, fazendo a mulher lembrar que a filha havia convidado as garotas pra passar o domingo por lá, aproveitando o sol e a piscina. Já , e tiveram trabalho duro, principalmente durante a tarde, direcionada principalmente à reforma da clínica de . terminava de fixar as últimas prateleiras de vidro na sala da ex-mulher, enquanto carregava algumas caixas e fazia companhia ao cunhado na sala, olhando sua agenda da semana em um iPad.
-Como estão as coisas, cunhado? – colocou o tablet no colo e olhou pra , vendo o homem olhar pra trás de uma vez um pouco confuso. – Entre você e minha irmã, tapado! – Os dois riram alto.
-Estão como sempre deveriam ter sido. – O homem deu um suspiro aliviado, mantendo ainda o sorriso gigante na cara.
-Ow, ow, ow! – A mulher levantou as mãos. – Como assim e ela não me disse nada? O que aconteceu e eu não estou sabendo, ?
-Duvido muito que ela não tenha te dito nada. – riu baixo e continuou a apertar os parafusos. – Na verdade, eu quem estou criando certas expectativas.
-Ela me disse que você foi lá na sexta, que passaram um tempo conversando, rolou até dança na cozinha. – Os dois riram e deu de ombros, mas completamente satisfeito com o que tinha acontecido.
-Ela tá perto de novo, . – O homem só faltou brilhar com a declaração e ouviu o gritinho da cunhada. – Minha mulher tá perto de novo, como se eu nunca tivesse ido embora.
-Deus ouviu as minhas preces! – Ela levantou as mãos pro céu o fazendo gargalhar na mesma hora em que entrava na sala, parecendo bem confuso com a crise de riso do amigo.
-Que foi? – Ele perguntou.
-Sua mulher é escandalosa! – apontou com a parafusadeira.
-Meu OTP junto de novo, ! – Ela soltou um gritinho e fez o marido arregalar os olhos, depois gritar em comemoração da mesma forma.
riu alto e continuou seu trabalho quieto, mesmo sabendo que aquela alegria contagiante também o atingia. respirou fundo ao sentir o telefone vibrar e abriu o aplicativo de mensagens, vendo uma de .
: Deu certo as prateleiras?

: Deu, tudo certinho! As últimas estão sendo colocadas 😌

: AEEEEEE -dançando- 💃🏻
: Minha eterna gratidão!
Queria dar um pulinho aí, mas aqui tá cheio de criança. Agradeça a equipe! Todos merecem beijos! KKKKKKKKKK Não meus, mas ok. O vc beija ele!

: Pode deixar! Mas um eu não beijo, não. Eca!
Mas e o Alex? Qual o nível de destruição?>/p>
: Beija só seu marido gente! Mandei beijar ngm além dele!
Alex tá destruindo a pista de skate com o kkkkkkkk

: Qualquer coisa pode dar bronca nele!

: Não vou brigar com a criança!!!! MEU BEBÊ

: Você e o me cansam! Ele tem 5 anos, não é um bebê!

: Meu bebê! Sai pra lá!
riu com o desespero de em defender a todo custo que Alex ainda era um bebê e suspirou, sabendo que seu filho estava sendo, na verdade sempre era, muito bem cuidado na casa dos . Ela mordeu a boca pensando que seria uma boa recompensar a irmã pelos cuidados e abriu um sorriso maldoso.
-Meninos! – A mulher chamou a atenção dos dois, que estavam entretidos com a última das prateleiras e os dois viraram de uma vez.
-Oi! – fez uma careta enrugando o nariz e parecia assustado.
-Tá errado? – perguntou um tanto confuso.
-Não, não! Tá perfeito! – A mulher deu um sorriso grande. – Quero uma foto, estou falando com a sua mulher! – piscou, vendo praticamente se inflar com a notícia.
-Ela sabe que eu estou enfiado aqui dentro? – soltou uma risada, mas logo abriu um sorriso bem maldoso e arrancou a camisa fora do corpo. – Agora pode mandar!
-Céus, ! – reclamou com uma careta bem transtornada. – Que seca é essa? – O homem empurrou o amigo e foi empurrado de volta.
-Ela vai saber agora! – riu alto. – Bota essa camisa, não quero foto sua assim no meu celular, obrigada! – Ela explicou fazendo uma careta. – Tatuagem nova? – A mulher perguntou apontando pra costela do cunhado e o homem olhou afirmando.
-Sim, eu fiz…
-Bota a camisa, ! – interrompeu a fala do amigo e o homem rolou os olhos.
-Claro que não! Para de ser estraga prazer! – Ele rolou os olhos.
-A foto, crianças! – alertou rindo, e os dois praticamente se abraçaram sorrindo pra foto dela. – Ai ficou linda! – A mulher soltou um gritinho animado e em seguida mandou a foto pra irmã, ansiosa pelos xingamentos e surtos de .

: Ajuda do dia! 😉😏

: Tô grávida!
CÉUS, Eu não sei se te mato! Ou se mato esse filho de uma…
Deus, que homem gostoso!
Porque você me manda essas coisas?

: Porque eu sou a melhor irmã do mundo!😌😌
NÃO FALA MAL DA LOUISE!

riu sabendo que os xingamentos viriam com força quando viu em seu celular “ está gravando um áudio…” A mulher riu alto e apertou o play logo colocando o telefone no ouvido, não estava na hora de saber dos surtos.
“Você acha que eu vou xingar minha sogra? Claro que não, aquela mulher é uma santa! Você é uma vaca! Ele é um demônio. Qual a droga da necessidade de tirar a roupa? Assim não! Aqui em casa era mais fácil, mas longe assim é maldade!”

: Eca! Eu não preciso detalhes!

: Faz muito tempo que minha vida não tem mais esses detalhes.
A designe gargalhou mais, com o desespero da irmã e viu olhá-la completamente confuso.
-O que foi? Ela respondeu?
-Sua mulher tá grávida. – A mais velha soltou uma gargalhada pela cara de paisagem do cunhado com a resposta. O homem estava pálido, sem um pingo de sangue nos lábios. – Por causa da foto, tapado! Ela está surtando horrores! – sacudiu a cabeça, ainda rindo e viu o cunhado soltar um suspiro bem aliviado, depois abrir um sorriso idiota.
-Queria engravidar ela de verdade, isso sim! – riu alto e voltou às suas prateleiras com uma animação fora do comum.
-Você já fez isso duas vezes, sossega. – rolou os olhos e sacudiu de leve a cabeça. –Aliás, sossega não, quero ser tia! – os dois riram alto e a mulher viu o telefone vibrar como se estivesse possuído, sabendo que sim, ali era .
: SUA VACA! VOLTA AQUI! NÃO SOME!

: Tô convencendo teu marido a continuar com o trabalho!

: OI? 😳 O que você disse a esse tarado?

: Que você tá grávida do espírito Santo KKKKKKK

: Vai à merda! KKKKKKKKKKKK Uma dúvida, se eu pedir nude, rola?

: Você me ama! E sobre os nudes, se você vier aqui tirar, talvez…

: Amo mais esse corpo gostoso de ! Inclusive, isso é uma tatuagem nova? Quero passar a língua por ela todinha 😏

: CREDO, MULHER! SE CONTROLE!

riu alto com a irmã, mais uma vez naquele dia, até porque era incrível ver tão desesperada e apertou no microfone acima do teclado.
, ela quer nudes! – A mulher disse com um sorriso malvado e viu o cunhado virar de uma vez em sua direção.
: VOCÊ TÁ DOIDA? O.O!
-Oi? – perguntou meio espantado com o que a cunhada tinha dito, mas foi inevitável não rir. – Manda áudio pra ela e me deixa falar? – O homem pediu e a mulher firmou.
-Diga!
-Anjo, eu preferia te mostrar ao vivo! Mas quando chegar em casa, mato sua vontade! – Ele disse aumentando o tom de voz para alguns decibéis a mais e a última coisa que ouviu foi a risada da cunhada.
-Ela vai me matar! – foi convicta, mas estava achando uma das coisas mais divertidas a situação.
: EU VOU TE MATAR!
Meu celular vai encher de foto desse demônio pelado e a culpa é toda sua!

: Como se você fosse reclamar!

: Não exatamente! Mas na minha situação, resolvia bem mais ele nu na minha cama!

: MUITO DETALHE, MUITO DETALHE!

: A MINHA VIDA TA SOFRIDA! Que saudade da boca desse homem!

: Seeeeenhor, tá tão complicado assim?

: Complicado? Querida irmãzinha eu estou há quase um ano sem um misero beijo, imagina sexo! A COISA TÁ FEIA, HORRÍVEL! DESESPERADORA!

: Deixem de ser tapados!

: O tapado é ele! Ta esperando o que? Que eu tire minha roupa e dance em um pole dance?

: SOCORRO KKKKKKKKKKK

: Estou sendo realista KKKKKKKKK inclusive, tem como liberar do trabalho aí? Tipo, nesse exato momento?

: Vou pensar no seu caso u.u

-Tudo pronto,! – anunciou guardando as chaves na caixinha de ferramentas e desmontando a parafusadeira. – Mais alguma coisa?
-Obrigada, cunhado! Mais nada. – Ela sorriu agradecida. – Realmente pronto? Porque está requerendo sua presença em casa em tipo, cinco minutos. – A mulher abriu um sorriso maldoso, como se os condenasse e o homem soltou uma risada larga, arriscaria até satisfeita.
-Estou indo! – pegou a camisa no chão da forma mais rápida que conseguiu, junto com a caixa de ferramentas. – Tchau, beijo!
-A clínica é dela, o pagamento é com ela. – gritou quando viu o cunhado sair as pressas da sala e o homem parou de uma vez, olhando pra trás com o maior sorriso safado de todos os tempos.
-Deixa que lá eu me acerto! – Ele piscou, fazendo os dois gargalharem e logo saiu de uma das clinicas mais conhecidas e bem conceituadas da região.

-x-x-x-
viu o telefone vibrar na bancada da pia e logo o nome de aparecer bem em cima da tela, mostrando que ele havia mandando uma imagem, o que fez seu corpo contrair em antecipação. A ansiedade era grande só de imaginar o tipo de foto que ele havia mandado, principalmente levando em consideração o histórico daquele homem em lhe enviar certas mensagens. Rápido, ela sacudiu as mãos na pia, bateu-as de leve na roupa, olhou para os lados como uma forma de precaução e finalmente pegou o celular na bancada, entrando imediatamente na conversa.
A mulher mordeu levemente a boca vendo a foto de que estava provavelmente pelado, mas mostrava apenas o tronco até a linha embaixo do umbigo, sem falar no sorriso inocente que abrigava os lábios dele e como consequência, acendia um fogo inconsciente em , como se ela estivesse em cima de um fogareiro, ou como se o chão estivesse em chamas.

: Que lombriga! Kkkkkkkk

Ela riu ainda ansiosa, enquanto esperava ele digitar qualquer coisa que estivesse digitando, já sabendo que teria um teor sexual enorme.
: Abre a foto e você vai ver a minha cobra 😏 😉
arregalou os olhos com o sentido da resposta e soltou uma gargalhada, tapando a boca em seguida pra não chamar tanta atenção com o barulho.
: Vai anjo, abre logo, eu sei que você tá louca pra ver. Depois me manda áudio.
Ela mordeu a boca e clicou na foto sem demorar muito. Não ia negar que estava curiosa, mesmo depois de quase vinte anos vendo pelado, cada foto era uma surpresa, ela conhecia muito bem o corpo do ex-marido, assim como ele conhecia bem demais o dela, até mais do que a própria mulher, se duvidasse. Nada melhor do que alguns nudes pra apimentar o relacionamento, ou talvez reacender uma chama, que nunca tinha verdadeiramente apagado.
-Oh meu Deus! – arregalou os olhos ao ver pelado, consideravelmente excitado, com uma das mãos segurando onde teoricamente não deveria, a outra o celular e de frente para o espelho do banheiro. Enquanto o sorriso inocente esticado na sua cara, fazia o corpo dela esquentar ainda mais.
Talvez fosse o tempo sem sexo, ou o mesmo tempo sem sexo com , mas estava complicado. Ela apertou no pequeno desenho de microfone no canto da tela, preparada pra responder a altura e soprou:
Ai delícia. – Ela praticamente gemeu a frase, sabendo que teria efeitos absurdos em . – Estou a ponto de explodir com essa sua inocência fingida estampada no sorriso e bom… – A mulher mordeu a boca soltando uma risada pervertida. – A atual situação que o maravilhosamente gostoso Mr. se encontra. Já tão armado assim, amor? – A ironia no tratamento carinhoso era bem explicita. – E essa tatuagem nova, hm… – suspirou forma audível. – Contornava inteirinha com a língua. Fico até chateada por estar tão longe.
soltou o microfone com um sorriso malvado e viu o áudio carregar pra enviar, quando completou o envio, ela mandou sua frustração em forma de emoji.

: 😔 😩 😔 😔

: Porra, mulher! Olha o que você faz comigo. Só de imaginar sua língua eu fico cada vez pior.
E logo em seguida ele mandou outra foto, focando apenas no problema, que se encontrava em um estado pior do que o que já estava.

: Nossa, ! Chego a sentir o corpo suar, tá tudo molhado aqui, você não tem noção. Eu estou queimando.

Ela riu baixo, sentindo tudo que havia descrito e viu logo em baixo do nome dele: “ está gravando um áudio…” Ah, agora sim o circo iria pegar fogo. A enfermeira apertou o play e imediatamente colou o celular no ouvido.
E você acha que eu estou como? Estou no desespero aqui e você só me fode. Poxa, anjo, fica me dizendo que tá queimando, que tá suada, que tá molhada! E ainda me fez imaginar sua língua descendo por aqui. – ele suspirou. – Mulher, você é malvada, é malvada demais. Se for pra transar por telefone, eu preciso ao menos te ver.”< script>document.write(Tatyelle) abriu a boca em um perfeito O, depois soltou uma gargalhada com a ousadia e o possível sofrimento dele.

: Sexo por telefone não. Só aceito se for presencial.
: E sugiro que você chegue logo. É mais fácil tapear um filho do que dois.
: foi deixar a namorada em casa 😘

: Eu chego em no máximo. Cinco minutos!

: Não se mata! Não se mata!

-Mãe! – ouviu o grito se Leonor na cozinha e virou de uma vez soltando o celular em cima da bancada, com os olhos arregalados pelo susto. – As meninas já foram. – A garota passou a mão no cabelo e suspirou.
-O que aconteceu, Leo? – A mulher perguntou ainda com o coração batendo forte pelo susto anterior, mas transparecia normalidade.
-Eu não sei. As meninas são tão bonitas… – A garota começou o autodepreciamento e suspirou apertando o nariz na junção dos olhos. De onde Leonor estava tirando aquilo?
-Isso é coisa daquela loira, não é? Aquela garota não me desce, Leonor. – rolou os olhos.
-Não mãe, nada com a Catherine e ela também não me desce. – A menina suspirou. – Mas meu nariz é enorme! – Ela tentou olhar e ficou vesga fazendo a mãe rir baixo.
-Claro que não Leo, seu nariz é lindo, é igual ao do seu pai. Ele é ideal para seu rosto. – A mulher explicou e viu a filha suspirar. – Você é completamente linda, meu amor, você é a garota mais linda que eu já vi em toda a minha vida. – andou os poucos passos que separava as duas e abraçou a garota com força, sendo abraçada de volta na mesma intensidade.
-Eu queria ser mais alta. – A menina, alguns centímetros mais baixa que a mãe, disse e riu baixo.
-Você ainda vai crescer, tem dois anos pra se tornar um mulherão, então relaxa porque você vai. – A mulher fez carinho no cabelo da filha e beijou a cabeça dela. – Vai ficar mais alta que eu, porém mais baixa que seu pai, só pra poder usar salto sem culpa e arrasar corações onde passa. – As duas riram alto e a garota parecia até melhor, quando apertou a mãe em um abraço agradecido. beijou mais uma vez a cabeça dela.
-Posso fazer uma tatuagem? – A garota perguntou abafado fazendo a mulher gargalhar. Aquilo só podia ser brincadeira de Leonor. Tatuagem? – É sério! – A moça respondeu emburrada.
-Não, você não pode! – A mulher piscou e mesmo em tom de brincadeira, Leonor sabia que a mãe falava sério.
-Mas mãe…
-Sem mas, Leonor! – Ela bufou com o assunto repetente naquela casa. Quando finalmente aquietava, Leonor aparecia com aquilo? – Você tem 14 anos, quatorze! Você é uma criança! – ralhou sentindo a filha soltar do abraço e fechar a cara. – Não adianta fazer cara feia, você não vai se rabiscar assim, tendo quatorze anos! O seu irmão eu não deixei fazer com 16, imagina você com 14. – a mulher riu meio incrédula.
-Mas você e o papai tem inúmeras tatuagens! – A garota tentou rebater e a mãe lhe lançou um par de sobrancelhas arqueadas.
-Nós dois temos mais de trinta anos, trinta! E começamos nos encher de tatuagem depois dos vinte e cinco. Pelo amor de Deus. – A mulher suspirou, sentindo o estresse tomar conta do seu corpo, sua mente, de tudo. Principalmente com uma criança lhe pedindo uma tatuagem, e ainda emburrada com o não. – Não, Leonor, nada de tatuagem! Eu na sua idade, brincava de boneca. Quer fazer uma tatuagem? Tudo bem, mas só depois dos 18! – bufou e viu a garota rolar os olhos, depois sair da cozinha pisando duro no chão. Era só o que faltava.
A mulher se esticou, tentando se livrar de metade daquele estresse desnecessário e se deu conta que precisava de uma boa rodada de sexo. E logo!
Ela amarrou o cabelo longo no topo da cabeça com um nó e se apoiou na pia respirando fundo. Ser mãe era maravilhoso, mas existiam algumas coisas que comiam o seu juízo de um jeito fora do comum. Já não era fácil estar cuidando de dois adolescentes e de uma clínica, sozinha, ela ainda precisava estar separada. Era cada burrada na vida, que nem acreditava naquilo.
-Hey, mãe dos meus filhos! – A voz muito conhecida por ela, soou alta dentro da cozinha e a mulher imediatamente olhou pra porta do cômodo, vendo seu peladão preferido com um sorriso largo estampado na cara.
-Hey! – Foi apenas o tempo de ela responder quase sem fôlego, por ter a lembrança dele pelado lhe atingindo novamente.
E instintivamente, ela sentiu o corpo ser agarrado por ele, restando apenas a escolha de agarrá-lo de volta, sentindo o nariz do ex-marido roçar ao seu, enquanto os braços mais do que firmes do vocalista a seguravam com força, pressionando a mulher contra o próprio corpo.
Ele estava feliz por tê-la tão rendida e abriu um sorriso pervertido, beijando de forma sugada o canto da boca de , ao ponto de fazê-la soltar um grunhido frustrado. Se ela já estava presa aos braços dele, sendo apertada contra aquele corpo gostoso e todo definidinho, com entradas para literalmente o paraíso, ela merecia ao menos ser beijada direito. Principalmente depois de tanto tempo longe. Aquele foi o estopim pra que segurasse o rosto dele com uma das mãos e praticamente arrancasse o lábio inferior de com uma mordida, sabendo que logo ele enfiaria a língua em sua boca no início de um beijo inteiramente desesperado, que tentasse sanar ao menos um terço daquela saudade louca que invadia ambos os peitos e só tinha fica maior com a conversa recheada em teor sexual de mais cedo.
Os gostos, os cheiros, os toques, eram tão familiares que ao serem provados novamente, pareciam nunca ter sumido ou passado tanto tempo guardados. Era a consolidação de um dos sentimentos mais puros e bonitos existentes. Um amor de adolescência que havia tomado proporções estrondosas nas vidas dos dois. A mais sensata loucura existente entre os dois, uma saudade infundada em apenas orgulho que estava sendo desarmada e destruída aos poucos.
riu baixo, com uma felicidade fora do comum tomando seu corpo e deu mais um beijo sugado na mulher, enquanto os dois se mantinham juntos de testas encostas e narizes colados. Ele segurou o rosto dela com firmeza e beijou-a mais uma vez, sentindo os dedos sorrateiros da ex-mulher entrarem devagarzinho em seus cabelos, assim como a outra mão dela que brincava de forma quase inocente na lateral do cós da sua bermuda. soltou uma risada anasalada construída em safadeza e sem a menor discrição, desceu a mão pelas costas dela, sentindo o corpo tensionar com o movimento por cima do vestido leve, que foi consolidado quando apertou a bunda de , a fazendo suspirar audivelmente ao mesmo tempo que mordia a boca. Consequentemente, mexendo com o emocional dele.
-Que saudade! – disse ainda de olho fechado, sentindo o roçar do nariz dele em sua bochecha.
-De quê, anjo? – Ele perguntou acariciando o rosto dela com o polegar e o nariz, sentindo as mãos pequenas de apertarem seus ombros com força, depois respirou fundo junto com ela.
-De você. – A mulher foi curta e grossa e os dois riram dando mais um beijinho. – Da sua boca gostosa principalmente, mas essa mão boba… – A enfermeira praticamente revirou os olhos ao falar, ainda em meio ao suspiro. – Essa mão me quebra. – Ela abriu um sorriso idiota e sentiu sua bunda ser apertada novamente. – Safado!
-Gostosa! – abriu o sorriso mais largo que conseguia e a beijou mais uma vez, fazendo a mulher o abraçar com uma força fora do comum e logo enfiar o rosto no pescoço dele, deixando o homem arrepiado por completo. – Te amo! – Ele a abraçou com força, como se conseguisse guardar e proteger a mulher pra sempre ali.
-Eu também te amo! – Ela respondeu abafado, sentindo o peito aliviar completamente e se afundou ainda mais no abraço gostoso dele. – Nossa, vai sair? – A mulher riu baixo por sentir o cheiro perfume se espalhar no ambiente. – Tá tão cheiroso. – Os dois riram baixo.
-Que nada, passei o dia lá na clínica hoje, colocando as prateleiras para a senhorita. – sorriu e beijou a cabeça dela, vendo a mulher tirar a cabeça de seu pescoço e sorrir o beijando no queixo. – Estou quebrado. – O homem fez um bico.
-Eu vi a foto! – A mulher exclamou sobre a foto que tinha mandado e soltou uma risada leve, mas que logo se transformou em algo mais generalizado pelas últimas fotos recebidas e o homem riu exatamente pela mesma coisa, sabendo que sim, ela tinha gostado. – Que foto, hein? – mordeu a boca com um sorriso safado.
-Eu estava pensando em você. – Ele sussurrou ao pé do ouvido dela e mordeu levemente a orelha da mulher, sentindo-a tremer contra seus braços. riu da forma mais satisfeita. – Basta eu pensar em você, que ele sobe. – beijou a porção embaixo da orelha dela e no reflexo, colocou lentamente a mão dentro da camisa dele, passando a polpa dos dedos nos músculos oblíquos e o fazendo tremer de leve. – Mas me diz porque você parecia tão tensa, anjo. – Ele começou uma série de beijinhos no pescoço da mulher. Ela respirou fundo, sentindo ainda mais vontade de arrancar a roupa do corpo.
-Fora um ano sem sexo? – A mulher riu baixo, sentindo seu quadril ser pressionado pelo dele contra a bancada da pia. Ela mordeu a boca pra não soltar qualquer som indevido, principalmente sabendo que Leonor estava na sala e os dois suspiraram. – Sua filha amanheceu impossível hoje.
-Ela é impossível. – O homem disse baixo ainda contra o pescoço dela e apertou a cintura de , fazendo-a arfar. – O que mais, anjo? – Ele perguntou subindo a mão pelo abdômen da enfermeira e a mulher suspirou apertando o tronco dele por dentro da camisa, na intenção sorrateira de descer as mãos pra dentro da bermuda do ex-marido.
-Queria fazer uma tatuagem! – A mulher soltou esganiçada sentindo seu corpo arrepiar inteirinho com a mão dele tão perto do seu seio. – Eu disse que não, óbvio! Onde já se viu? Se o eu não deixei fazer com quase 17, imagina que eu ia deixar Leonor no auge dos 14 fazer uma tatuagem. Eu não perdi meu juízo a esse ponto! – Ela suspirou enfiando vagarosamente as mãos dentro da bermuda dele e parou de uma vez o que fazia.
estava com a respiração presa e completamente estacado sem nem encostar mais na mulher, deixando inteiramente confusa com a reação dele. Ela fez uma careta, vincando as sobrancelhas e imediatamente tirou as mãos de onde estava, cruzando-as na altura do peito. tinha feito merda e isso era certo!
-O que foi que você fez? – tomou uma distância segura dele, vendo o ex-marido suspirar completamente frustrado e passar a mão nos cabelos, mostrando ainda mais seu descontentamento.
-Eu… – O homem mordeu a boca com a maior cara culpada que conseguia. – Meio que deixei ele fazer(?)
-Você o quê, ? – soltou indignada. – Qual a sua droga de problema? – A mulher olhou pro teto da casa pedindo calma, pois se pedisse forças, daria na cara dele.
-Ele disse que você tinha deixado. Eu acreditei! – O homem arregalou os olhos, movimentando as mãos freneticamente na intenção de mostrar seu desespero.
-Eu disse que só depois dos 18! – A mulher gritou em indignação, esticando as mãos pra baixo.
-Eles nunca tinham mentido, anjo! – explicou mais esganiçado ainda, afinal ele sabia que tinha feito besteira e a mulher estava bem puta com a situação. – Eu achei que não precisava duvidar.
-VOCÊ NÃO TEM QUE ACHAR! – Ela gritou arregalando os olhos, o fazendo dar um passo atrás. – Era uma tatuagem! Você tinha que, no mínimo, ter combinado comigo, ! – abriu a maior cara de choro existente pro lado dele e o homem suspirou. Se ele já se sentia culpado, o bico de choro dela só tinha aumentado e muito a sua culpa. – Você poderia muito bem ter me ligado!
-Eu sei, eu sei! Eu errei, me desculpa. – suspirou derrotado. – Mas eu achei que ele estava falando a verdade, os dois nunca foram de mentir. Sem falar que a Len estava junto, não pensei que eles fossem te esconder. – Ele explicou calmo e viu o queixo da mulher tremer, sabendo que o desespero tinha tomado de conta dela.
-Eu sou uma mãe terrível. TERRÍVEL! – Ela gritou com a voz inteiramente chorosa, deixando confuso com a mudança repentina de humor. – Meu filho tem uma tatuagem há mais de um mês e eu não fazia a mínima ideia disso! Ótimo ! – A mulher enfiou os dedos entre os cabelos, sentindo algo que nunca havia sentido antes, lhe atingir. Um desespero direcionado a sua conduta com os filhos, um medo de o garoto já ter mentido mais vezes e ela nem ao menos se dar conta disso.
-Anjo, anjo! Não! – abraçou-a com força contra o peito. – Você uma mãe incrível, nunca mais duvide disso. Tudo bem? – Ele acariciou os cabelos cacheados dela, os fazendo desprenderem do nó que o prendia no topo da cabeça. – Você foi mãe aos 17 e foi uma das melhores mães que eu já vi em toda a minha vida. – Ela riu baixo, o apertando mais forte entre os braços. – Uma das melhores, porque minha sogra e minha mãe são implacáveis. – O homem beijou a cabeça dela. – é quase um homem, ninguém espera que você inspecione o corpo dele enquanto ele dorme. Então para de se culpar. Ok? – O cantor disse convicto e ouviu a gargalhada estrondosa da mulher o fazendo rir junto. – Eu estou aqui agora e sempre estive, você não está sozinha. – Ele segurou o rosto dela com as duas mãos comprimindo as bochechas da mulher e a beijou ternamente.
? – chamou ainda de olhos fechados e ouviu um resmungo de afirmação. – Qual tatuagem ele fez? – Ela perguntou receosa.
fechou os olhos com força e soltou uma baforada de ar. Ainda dava tempo de correr?
-Uma garça. Na costela. – Ele deu um sorriso de gases e a mulher arregalou os olhos, engasgando com a própria saliva.
-Ele fez o quê? – perguntou novamente, apenas querendo confirmar suas suspeitas.
-Eu fiz a mesma! – O homem soltou esganiçado na tentativa de melhorar a situação, o que foi em vão.
-Você por acaso é louco? – Ela perguntou em um surto. – Como você deixa um adolescente de 16 anos fazer uma garça na costela? NA COSTELA ! SABE O QUANTO ISSO DÓI?
-Eu sei, anjo! Eu fiz uma igual! – Ele não segurou a risada pelo estado lunático dela. – Ele queria! Eu não ia me meter na tatuagem que o menino queria! Você sabe que eu não tenho moral. – fez um bico na intenção de amolecê-la, mas soltou uma risada incrédula enquanto sacudia a cabeça levemente, pedindo mais paciência se possível.
-Sinceramente. – Ela respirou fundo, negando bem incrédula com o que tinha acabado de ouvir. – Por que você fez junto, hein, tapado? – A mulher disse entre dentes, começando a estapear no braço e fazendo o homem rir ainda mais com a fúria dela.
-Ai, ai, mulher! – se encolheu ainda rindo. – Ele gosta de tatuagem tanto quanto eu e você!
-O garoto tem 16 anos e tá parecendo um gibi. – Ela suspirou passando as mãos entre os cabelos, enquanto o ex-marido se recuperava da crise de riso. – Sem falar na mentira, não é? – o encarou bem e ele suspirou fundo, sabendo que a mentira tinha sido a pior das coisas, principalmente na criação que eles tinham dado aos dois.
-Foi uma tatuagem. – O mais velho ressaltou, mas ainda mordia a boca meio receoso com a mentira e as possíveis proporções que ela poderia ter tomado. – E ele vai ser punido, . Eu posso não ter moral, mas você tem. – Ele deu um sorriso trincado e a mulher revirou os olhos saturada. Os dois findaram rindo. – O que você acha que nós devemos fazer? – arqueou a sobrancelha com o “nós” utilizado. – Você, mulher, você.
-Nada de Inglaterra. não vai. – A mulher foi curta e grossa, vendo o ex-marido arregalar os olhos na intenção de protestar e ela arqueou as sobrancelhas quase perguntando se ele ia mesmo entrar naquela briga, mesmo sabendo quem ganharia.
-Você venceu. – bufou chateado com a decisão.
-Nem eu vou, .
-Oi? – O homem virou de uma vez, completamente confuso com o que tinha escutado.
-Eu não vou deixar ele sozinho em casa, convenhamos, é arranjar problemas. Eu fui adolescente, você também foi. Você vai com a Leo e nós ficamos, está decidido. – A voz firme daquela família suspirou baixando os ombros e mordeu a boca, passando a mão na testa.
respirou fundo realmente analisando o que tinha acontecido e lembrou de dizer ter feito uma igual. Era a da foto! Claro que era!
-Deixa eu ver? – Ela pediu mordendo levemente a boca, e com os olhos maiores do que já eram.
-Ver o quê? – perguntou com uma careta confusa.
-A tatuagem, . – A mulher respondeu de maneira óbvia, o vendo abrir um sorriso safado, depois segurar na barra da camisa.
Ele iria ser malvado, claro que iria! E já tinha certa noção que sim, principalmente na situação de necessidade que os dois estavam e era certo, não passaria daquela noite. O homem puxou a camisa pra fora do corpo lentamente, fazendo questão de movimentar o máximo de músculos que conseguia. Ela respirou fundo e mordeu a boca, depois daria um troco bem dado nele.
-Não precisa ficar pelado na minha cozinha. – usou de deboche e o homem riu incrédulo com o que ela tinha dito. – Deixa eu ver. – Ela praticamente ordenou e soltou uma risada, restando a apenas virar de lado e levantar o braço.
A mulher mordeu levemente o lábio inferior, estando ciente de que aquele pequeno gesto tinha puxado completamente a atenção de e passou o polegar no contorno do desenho da garça, que era enorme como na foto, mas parecia mais bonita ao vivo, logo os outros dedos também haviam tomado caminho pela pele dele, fazendo o homem arrepiar e encolher a barriga como reflexo.
-É linda. – disse baixo, ainda concentrada na garça.
-É reconfortante que você tenha gostado, principalmente depois dessa briga toda. – Ele alfinetou rindo e a mulher abriu a boca em indignação, lhe dando um tapa no braço, mas findou rindo e dando de ombros. – ?
-Oi? – Ela fez uma mínima careta.
-Não vai passar a língua? – O homem perguntou sério, se referindo ao que ela tinha dito mais cedo e entrou em uma crise de riso forte pela pergunta idiota, fazendo entrar junto, depois abraça-la com força pela cintura tirando a mulher do chão.
-Idiota! – Ela disse ainda rindo e enfiou o rosto no pescoço dele, sentindo seus pés tocarem o chão novamente. – Vai falar com a tua filha, vai?
-O que tem de errado com o nariz dela? – O homem riu e beijou-a na bochecha.
-Nada! – rolou os olhos. – Coisa de adolescente reclamando do nariz, embora eu ache uma graça. – A mulher fez um bico.
-Igual a mãe. – Ele piscou e roubou um beijo.
-Igual a mim? Como igual a mim? – Ela colocou a mão no peito, se mostrando bem ofendida com a acusação.
-Igual. – O homem manteve a palavra, enquanto quase roçava os lábios aos dela de tão perto que estava. – Linda e fica de drama sem sentido. – rolou os olhos, mas sorriu com as bochechas meio coradas pelo elogio e abraçou pelo pescoço, enfiando os dedos entre os cabelos da nuca, ao mesmo tempo que iniciava uma série de beijinhos sugados que viraram um beijo mais intenso e urgente.
Ela riu o vendo meio perdido com os olhos fechados e a testa encostada na sua.
-Leonor com 14 anos reclamando do nariz e querendo uma tatuagem. Eu com 14 brincava de boneca. – A mulher declarou e o ex-marido riu baixo, ainda de olhos fechados e passando a ponta do nariz no dela.
-E quando você tinha 17, a gente tinha uma boneca viva. – roubou um beijo e já sabendo que levaria um tapa no ombro, se encolheu.
-Vai falar com a tua filha, vai? – A mulher apontou pra porta da cozinha e foi beijada mais uma vez, antes de ver dançar desajeitadamente enquanto andava pra sala de casa.

Chapter Six

entrou na sala de TV da casa percebendo o aparelho ligado em qualquer programa de música, enquanto via os joelhos da filha detrás das costas do sofá. Ele passou a mão no rosto, pensando no que realmente poderia fazer para tentar conversar com a garota e andou até lá, se jogando no sofá, perto dos pés dela.
-Oi princesa! – Ele disse com um sorriso enorme e a garota pulou sentando no sofá ao vê-lo.
-Papai! – Ela o abraçou com força, ganhando um beijo na cabeça. – Você não disse se vinha hoje! – Leonor fez uma careta confusa, vendo o pai rir.
-Não consigo ficar muito tempo sem vocês. – Ele piscou, apertando a menina ainda mais no abraço e ela se aninhou no abraço do pai. – Len, o que aconteceu? – O homem perguntou preocupado e ouviu a filha suspirar. – Por que esse drama todo com o seu nariz?
-Ele é enorme, eu sou feia. – Ela fez uma careta, tentando ver o próprio nariz e viu tudo trocado. – E eu ainda uso aparelho, com aquela coisa horrorosa pra afastar os molares e estou fugindo dos óculos. É o fim do mundo. – A garota fechou os olhos com força, forçando o rosto contra o peito do pai, o ouvindo rir alto, uma gargalhada estridente. – Pai! – Leonor reclamou com manha na voz, querendo esconder o rosto.
-Primeiro! Você só usa o afastador pra dormir, sem drama, Drama Queen! Seus óculos são apenas para descanso e você mal usa. – O homem rolou os olhos e a garota riu. – E feia? De onde você tirou isso, garota? – Ele deu três beijos seguidos na cabeça dela, ouvindo Leonor prender a risada. – Você é linda, meu amor! Linda! – O homem sacudiu a cabeça, como se gritasse. – A garota mais linda desse mundo! Dizer que é feia? Está de brincadeira com a minha cara, Leonor Anne ? – Ele perguntou com uma falsa indignação, ouvindo a gargalhada estridente da filha, que era exatamente igual a dele, mas ainda sim fez uma careta.
-Meu nariz é um desastre. – A garota fez uma cara de choro exagerada.
-Não renegue meu nariz, Leonor Anne. – Os dois riram. – Posso te contar um segredo?
-Claro que pode, papa! – A garota disse com um sorriso bonito e consideravelmente curiosa com o tal segredo.
-A sua mãe também não gosta do nariz dela. – riu baixo, negando com um aceno de cabeça se mostrando bem incrédulo com o drama do nariz. – Drama Queen igual a você! Acha o nariz dela feio? – Ele perguntou rindo.
-Não! – A garota inclinou um pouco a cabeça de lado. riu e afirmou. – Eu queria ser bonita igual a ela, dad. – A garota enrugou o nariz em uma careta.
-Você é mais, Len. Você ainda consegue ser mais bonita que a sua mãe, eu não sei como isso é possível, até porque vocês são muito, muito parecidas. – Os dois riram baixo e beijou a testa da filha, sabendo que de uma forma ou de outra, havia confortado o coração da garota. – Querida, sua mãe me contou sobre a tatuagem.
-Que eu quero fazer? – Ela suspirou mais uma vez, porém frustrada com o não que tinha levado na cara.
-Sim, mas nisso eu concordo com ela, Leonor. – foi firme, a fazendo entender que nada mudaria a situação. – Você tem 14 anos, não vai fazer uma tatuagem. – Ele disse e ela fez um bico enorme. – Não adianta me olhar com essa cara, não adianta fazer bico, muito menos usar o exemplo do seu irmão. Ele mentiu e você sabe disso.
-Ele vai se encrencar, pai? – A garota enrugou o nariz mais uma vez, perguntando baixo, sabendo que de uma forma ou de outra, tinha acobertado as mentiras do irmão.
-Claro! Sua mãe está possessa com a atitude dele e não tiro a razão dela, pra que mentir? – Ele soltou meio esganiçado e a garota suspirou, afirmando. – Ninguém iria proibir nada quando os dois tivessem a idade certa pra isso. Eu e sua mãe temos inúmeras tatuagens no corpo, mas só começamos depois dos 25 anos. Você ainda é quase uma criança, Leonor. E por mais que eu não tenha tanta moral pra negar qualquer tatuagem, – o homem fez uma careta e os dois riram alto – a sua mãe sabe o que é certo e eu vou por ela.
A garota suspirou frustrada por saber que possivelmente ia acontecer e os dois ouviram a porta abrir, logo vendo o garoto entrar animado em casa.
-Hey Leo! Pai! – O rapaz disse sorridente e animado enquanto fechava a porta, mas perdeu totalmente as expressões ao ver a cara séria do homem pra ele.
sentiu o sangue fugir do rosto, ao mesmo tempo que seus olhos pareciam arregalar involuntariamente. Que droga ele tinha feito dessa vez e não lembrava? Quando o pai ficava sério daquele jeito tinha ferrado, ferrado de verdade. O garoto tomou fôlego e coragem pra abrir a boca, mas ao fazer isso viu a figura da mãe em pé na porta que dava pra sala de estar. estava com os braços cruzados e olhava fixamente pro garoto com aquela cara que fazia ele querer voltar pra barriga dela e não sair de lá nem tão cedo.
-Bonito pra sua cara, Eliot. – Foi tudo que ela disse pra que as pernas dele ficassem bambas. – Muito bonito. Mentindo pro seu pai, omitindo as coisas pra mim e agindo como se nada tivesse acontecido?
E como se fosse possível, o garoto arregalou ainda mais os olhos, olhou pra irmã no sofá e ela negou freneticamente sobre ter o dedurado para os pais.
-Mãe, eu… – Ele botou a mão no peito e continuou com a expressão impenetrável esperando que ele continuasse. – Eu-eu. – gaguejou mostrando o quão apavorado estava e a mulher apontou pro sofá da sala.
-Você mentiu e não vai sair impune da situação, Eliot. – A mulher suspirou bem irada com a situação e viu o garoto sentar no sofá, olhando do pai para ela e vice versa.
Leonor engoliu em seco, sabendo que de alguma forma a culpa também respingava sobre ela.
-Sinceramente, . – O homem suspirou decepcionado com o que tinha acontecido. – Mentir pra mim? Logo pra mim, moleque? A gente nunca te proibiu de fazer nada, na verdade nenhum dos dois e agora uma dessas… Como você quer que eu ou sua mãe continuemos confiando em você depois dessa? – O garoto apenas afirmou com um aceno, sabendo que estava inteiramente errado.
-Você não vai pra Inglaterra, . – começou ditando quais seriam os castigos que o garoto sofreria e involuntariamente os irmãos arregalaram os olhos. – Sem mesada pelo resto do mês, e sem o carro por duas semanas.
-Oi? Mas mãe! – O garoto soltou um grito esganiçado e mulher fechou ainda mais a cara.
-Sem mas, ! – Ela foi dura. – Você sabe o que fez de errado. – suspirou saturada. – E você, dona Leonor. – A mulher apontou pra filha vendo a garota ficar pálida. – Eu vou pensar se você merece ir nessa viagem, pensar. Sei muito bem da sua contribuição na mentira do seu irmão. – Ela terminou a bronca e viu os três em sua sala com os olhos arregalados, quando , o pai, parecia querer chorar com pena das duas crianças e Leonor estava com os olhos marejados pela notícia de que poderia não ir ver sua amada banda na turnê. – Boa noite pra vocês, eu vou deitar. Minha cabeça está capaz de explodir e eu não quero mais reclamações dentro dessa casa.
respirou fundo passando as mãos entre os cabelos e saiu da sala sem saber se tinha sido dura demais com os dois filhos ou não.

-x-x-x-

colocou os dois filhos na cama e mesmo dando uma pseudobronca em cada um por ter deixado a mãe irada, beijou a testa dos dois como um ato de puro cuidado. Se ele estava em casa não ia perder a oportunidade de cuidar da família. Após acalmar os dois furacões, garantindo que ia tentar reverter a situação, principalmente relacionado a Leonor, o homem seguiu para o quarto do casal.
Era hora de acalmar a fera e ele sabia bem como fazer aquilo.
parou em frente a porta do quarto e passou as mãos nos cabelos os jogando pra trás, coçou a nuca e por fim abriu a porta do quarto empurrando-a devagar para não incomodar a mulher que ele sabia estar acordada. caminhou na penumbra até a cama, enquanto tirava a camisa de malha fria e parou perto da king size observando a silhueta da esposa parcialmente encolhida embaixo dos lençóis finos. soltou uma risada sem o menor vestígio de som, desabotoou a bermuda jeans, tirou-a e como de costume, colocou as duas peças de roupa em cima da poltrona.
Ele se espreguiçou e logo subiu na cama se apoiando nos braços, beijou a bochecha de do jeito mais carinhoso e viu a mulher sorrir pra ele em um agradecimento silencioso por estar ali. O homem sorriu em resposta não esperando muito pra deitar e abraçá-la com força, procurando o aconchego do corpo da mulher. Ela sentiu seu corpo ser pressionado ao dele e na mesma hora respirou fundo, transparecendo alívio, mas riu ao perceber a mão dele vagar por seu quadril embaixo do lençol, enquanto recebia pequenos beijinhos no ombro sorrindo de forma bem boba.
-Você está de cueca. – suspirou frustrado e ouviu a risada de como se gritasse um “Bingo!” bem na sua cara. – Isso explica seu ataque lá embaixo. – Ele soltou uma risada anasalada e enfiou o rosto entre os cabelos dela, ganhando um tapa no braço. – Au!
-Eu não dei ataque. – rebateu obvia, porém esganiçada e sabia que tinha exagerado na reação.
-Ah deu sim. – O homem usou de convicção e encaixou ainda mais o corpo dela ao seu, sentido aquele calor tão familiar lhe confortar. – Mas eu já devia suspeitar, é sempre assim. Você fica pirada! – Ele riu baixo e beijou-a de levinho no ombro.
-Tensão pré-menstrual é um inferno. – Ela rolou os olhos e soltou um suspiro, ouvindo a risada espontânea do marido.
-Eu já disse que odeio essa época do mês? Porque eu odeio essa época do mês! – soltou um suspiro frustrado e a mulher riu alto com a declaração dele. – Concordo plenamente sobre o inferno, pesadelo definiria mais. – Os dois riram e jogou levemente a cabeça pra trás, encostando-a no ombro dele, ganhando um beijinho sugado nos lábios. – Eu convicto que a gente ia transar a noite toda, aí eu chego aqui e seu ciclo menstrual começou, eu não poderia ter mais sorte. – ergueu o punho fazendo um bico e viu a mulher rir alto com a cena dele, o fazendo rir junto.
-E você acha que eu lembrei? – Ela riu junto. – Eu não estava contando com essa belezinha logo agora.
-Por causa desses nossos esquecimentos, eu quase desmaio uma vez. – Foi questão de segundos até que os dois estivessem gargalhando da situação passada.
-Não me lembra disso, amor! – cobriu o rosto com a mão ouvindo as risadas ininterruptas dele.
-Eu fiquei apavorado! – soltou um esganiço e os dois riram mais um pouco. – Eu achei que tinha te machucado. – ele beijou a cabeça dela.
-Nem foi tanto assim. – deu um tapa leve na mão dele como se o repreendesse. – Sem exagero.
-Deus do céu. – bateu na própria testa, rindo mais um pouco. – Já passamos por cada coisa, anjo. – Ele suspirou acomodando a mão em cima do quadril dela, brincando com o tecido da cueca feminina azul marinho. – O que era pra ser constrangedor para qualquer casal, te fez morrer de rir da minha cara.
-Eu estava apavorada e quando eu me apavoro…
-Você ri sem parar. – Ele completou beijando a ponta do ombro dela e em um ato rápido, porém cuidadoso, passou por cima do corpo dela, deitando de frente pra esposa.
Ele abriu um sorriso bonito ao vê-la com a bochecha assada na cama e ainda toda encolhida debaixo do lençol. Ah como ele sentia falta daquilo, de um jeito que era até inexplicável. abraçou-a com força, sentindo o nariz da mulher em seu pescoço e a ouviu suspirar aliviada, satisfeita, feliz com a presença dele ali.
-Só Deus sabe o quanto eu senti falta dos seus cuidados. – A mulher disse com a voz abafada pelo pescoço dele e foi apertada com mais força no abraço esmagador.
-E só Ele sabe o quanto eu senti falta de cuidar de você, dos nossos meninos, da nossa família. – beijou-a entre os cabelos, no topo da cabeça e começou fazer cafuné nela, ouvindo a mulher suspirar. – Até do Hulk, juro. – Os dois riram. – Mais calma?
-Calma de que? – perguntou estando largada no marido, quase revirando os olhos pelo carinho em sua cabeça.
. – O homem soltou um suspiro pesado. – Você estava bem nervosa. – Ele resmungou fazendo carinho nos cabelos cacheados dela e a mulher resmungou em afirmação. – Que bom. – beijou-a na testa.
-Nossa, carinho bom. – A mulher disse suspirando, enquanto fazia carinho nas costas dele e o ouviu rir. – Nossa, amor. Não ri! – reclamou também rindo.
-Não dá pra não rir. – sacudiu levemente a cabeça.
-Claro que dá, não ri da minha carência.
-Shiu. – Ele respirou fundo de modo sofrido. – Sem falar que tá carente, assim você me ferra.
-Parei. – disse de uma vez e com um sorriso sorrateiro, movimentou o rosto.
A mulher deu um beijo sugado bem no lábio inferior dele, o fazendo quase revirar os olhos ao sentir novamente a textura da boca dela. segurou-a com firmeza, aproveitando que a mão já estava bem perto da nuca da ex-esposa e agarrou-a e segurando com firmeza contra seu corpo, iniciando um beijo vagaroso, cheio de mordidas, sugadas e até certo ponto construído em safadeza que perdurou por tempo suficiente pra deixá-los mais acesos.
-Maldade. – O homem resmungou de olhos fechados entre uma respirada funda e a enfermeira riu afundada na lerdeza.
-É inevitável. – o beijou mais uma vez como se tomasse o gosto da boca dele e os dois riram. – Boa noite. – O fio de voz dela saiu baixo e até rouco, enquanto a enfermeira observava cada traço do rosto de na penumbra.
-Boa noite, anjo. – Ele beijou-a na testa e continuou o carinho, que começava a ser combinado a uma cantoria baixa, principalmente porque o homem estava disposto a observá-la adormecendo e só aí se permitiria adormecer.

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Bonjour. – sentiu um leve beijo no pescoço, enquanto preparava um café reforçado para os meninos e riu da forma mais espontânea e livre. abraçou-a com força por trás, quase fazendo a mulher se fundir ao seu corpo e os dois riram. – Nossa anjo, que cheiro gostoso. – declarou encostando o nariz no pescoço da mulher, sabendo que ela iria arrepiar.
Bonjour. – A enfermeira apertou os braços por cima dos dele. – Fala do meu perfume, ou dos ovos? – Ela perguntou rindo baixo, sentindo o aconchego de um corpo maior abraçando o seu.
-Na verdade, eu falava de você. Mas a comida também tá boa. – O homem disse baixo, beijou a bochecha dela e depois o ombro, afrouxando os braços pra que ela continuasse a fazer o café. – Quer ajuda?
-Não. – sorriu ao ver, literalmente, o ex-marido só de bermuda na cozinha de sua casa. – Força do hábito, acabei fazendo tudo. Os meninos já descem. – A mulher colocou a caçarola com os ovos mexidos em cima da ilha da cozinha.
-Segunda é sempre essa loucura. – O cantor suspirou baixo e coçou a nuca. – Fui chamar os dois e eles já estavam elétricos se arrumando, procurando livro e essa correria toda. Acho que me atrasei. – Os dois riram e estendeu a ela uma das mãos, que a mulher segurou prontamente.
-Uma hora você acerta. – riu e girou em volta do próprio corpo sendo induzida por ele. – Que foi?
-Linda pra caramba! Um espetáculo, hot mamma! – declarou fechando os olhos só pra enfatizar e a mulher gargalhou pelo apelido idiota, mas que ele costumava usar, depois o abraçou pelo tronco, ganhando um beijinho casto no meio dos lábios. – Espero que você não esteja de batom.
-Eu estou, . Vou trabalhar. – A mulher disse com obviedade e riu, limpando o batom avermelhado dos lábios dele com os polegares e ganhou alguns beijinhos no dedo, bem como um sorriso bobo dele. – Pronto, limpinho. – Ele alargou ainda mais o sorriso.
-Anjo? – Ele perguntou e a ouviu responder com um resmungo. – Não acha que exagerou com o castigo? – O cantor falou bem baixinho e ela suspirou rolando os olhos. – Cancelar a viagem foi pesado, . – O homem soltou desesperado e ela bufou de forma explicita na cara dele.
-A mentira dele não foi a coisa mais leve, . – A mulher rebateu em um tom autoritário olhando bem pra cara dele, com os braços cruzados no peito e mostrando que não cederia. O homem suspirou e passou a mão no rosto. – Os dois não são mais crianças, pelo amor de Deus! Como você quer dar responsabilidade à eles se faz vista grossa quando descobriu que mentiram?
-Eu sei, ! Só que eu acho que impedir a viagem é demais. – O homem se escorou a ilha. – Os dois estavam ansiosos por isso! Leonor chorou por causa dos shows! – Ele soltou um tanto desesperado. – Eu sei que ela fez errado em acobertar as coisas do irmão, mas eles são irmãos, são unidos como você e a , como eu e os meninos!
-Que advogado de defesa esses dois têm. – soltou uma risada e sacudiu a cabeça negativamente. – Meu coração não é tão duro, eu fui da idade dela, eu sei o que é ser fangirl. – Os dois riram e afirmou com um aceno que no fundo era debochado.
-E como sabe. – O homem arqueou as sobrancelhas e ela lhe deu um tapa ardido no ombro. – Ai! É verdade!
-Eu sei que é verdade, ! – Ela riu. – Mas eu quero que os dois pensem bem no que fizeram. Leo vai ver o McFLY, só quero que ela bote a mão na consciência e veja o que pode perder, do mesmo jeito ele.
-Eu me sinto uma fraude como pai quando comparo minha cabeça com a sua, mulher. – Ele soltou toda a respiração pelo nariz como se tivesse decepcionado e riu alto, depois o abraçou pelo tronco fazendo um bico de pena.
-Para com isso, você é um puta paizão. – Ela o apertou entre os braços e ganhou um beijo casto na testa. – Não é à toa que quer fazer tudo que você faz, sua cópia fiel, dá até raiva às vezes. – Os dois riram e a mulher ganhou mais alguns beijinhos nos lábios, o que a fez sorrir novamente, enquanto não estava nem um pouco preocupado se ela estava de batom, ou não.
Bonjour! – Os filhos entraram na cozinha da casa colocando as bolsas em cima da ilha e abriram largos sorrisos ao verem os pais abraçados como se fossem dois namoradinhos, algo que tinha sido rotina durante muito tempo naquela casa e por sorte, voltaria a ser.
-Ótimo. – A mulher piscou para as crianças e os dois riram sentando para tomar café.
-Bom dia! – respondeu devolvendo o sorriso satisfeito para os dois. – Vamos, comam ou vocês se atrasam. – Ele riu, beijou a testa de mais uma vez e soltou a mulher, se esticando pra beijar a cabeça dos dois filhos como um cumprimento animado de bom dia.
O homem, como de costume quando estava em casa, ajudou os dois adolescentes a servir o café e entre as recomendações de que não se sujassem, como se os dois não tivessem mais do que cinco anos, o pai tomou café junto com os dois. tomou seu café preto e puro para só depois comer alguma coisa que lhe desse sustento pela manhã, rituais de sempre que mesmo inconscientes, ainda habitavam de forma clara a cabeça de ao ponto de fazê-lo observar tudo naquela cozinha, aliviado por não ser apenas mais um sonho.

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*Bom dia.
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checou mais uma vez o relógio digital do carro e riu de leve com a brincadeira do casal de filhos que pegavam carona até o colégio. Os dois eram os melhores em dublagem dramática das músicas, rendendo bons vídeos para o pai babão que sempre que possível, os colocava na internet mostrando ser o pai coruja que sempre tinha sido. A mulher acompanhou a cantoria dos dois com batidas no ritmo da música pop que tocava no rádio e com certeza era de algum cantor novo pelo fato de ela não conhecer.
-De quem é essa música? – Ela perguntou fazendo uma careta confusa e ouviu os meninos rirem.
-Do Shawn. – Leonor disse com um sorriso grande. – Treat you better.
-Mais um ídolo? – O garoto zoou fazendo a irmã rir. – Nossa Leonor, você é fangirl de Deus e o mundo. – reclamou causando uma gargalhada estridente na mãe.
-Eu não sou fangirl de Deus e o mundo! – A garota retrucou rolando os olhos e cutucou a cabeça do irmão. – Só não tenho culpa de ter um gosto musical melhor que o seu. – Ela declarou tão convencida quanto o pai, aumentando ainda mais a crise de riso na mãe. – Que foi, mãe?
-Seu pai dizia exatamente a mesma coisa sobre mim, que eu era fangirl de Deus e o mundo. – A mulher ainda rindo, sacudiu a cabeça de leve e percebeu olhares confusos na sua direção. – Eu fui da idade de vocês, tudo bem? – Ela soltou meio esganiçada os fazendo rirem alto. – Eu já fui adolescente e gostava de coisa da minha época, embora fosse apaixonada por musicas da década que eu nasci.
-Do que você gostava? – A garota perguntou curiosa, enquanto o rapaz ria encolhido no banco da frente.
-‘N SYNC*. – respondeu entrando em dos cruzamentos, mas não ouviu qualquer resposta sobre aquilo, deduzindo que eles não faziam a menor ideia de quem eram. – Era uma boyband que nem esses garotos ingleses que você escuta, Leo. Céus, o tinha raiva! – A mulher soltou uma risada alta.
-McFLY não é boyband. – A garota disse incrédula pelo que tinha ouvido e levantou uma das mãos em rendição, enquanto prendia a risada no banco da frente, bem diferente de que estava vermelho de tanto rir. – Tapado! – Leonor reclamou e deu um tapa na cabeça do irmão.
-AI LEONOR! – O garoto endireito a postura de uma vez no banco e olhou-a com os olhos bem arregalados.
-Ei vocês dois! Parou! – A mulher reclamou sacudindo a mão entre eles e os dois suspiraram, mas voltaram a ficar quietos. – E o baile de boas vindas? – incitou a conversa.
-É no sábado. – deu de ombros mostrando que não estava tão interessado assim em ir.
-Empolgada, Leo? – perguntou a olhando pelo retrovisor e viu a garota rir.
-Mais nervosa. – A menina disse mordendo a boca. – Mas parece que é legal.
-Alguém te chamou? – A mulher perguntou interessada e até curiosa.
-Não. – a menina riu e riu baixo. – Na verdade, eu, a Ash, os gêmeos e a Lisa F., combinamos de ir juntos. – Leonor deu de ombros e viu a mãe afirmar com um aceno contido, porém animado e orgulhoso.
-Os gêmeos que você diz, são Dylan e Daniel, certo? – A mulher perguntou com um fio de risada e a filha afirmou com um aceno. – Adoro que você esteja se enturmando bem, meu anjo. Principalmente em um colégio novo. – abriu um sorriso largo e afagou o joelho do seu mais velho que estava sentado ao seu lado, sabendo que boa parte do entrosamento de Leonor no colégio, vinha por incentivo dele. O rapaz sorriu. – E você, meu amor? – Ela direcionou a pergunta a ele.
-Não estou tão animado assim, Mad vai começar a semana de provas da faculdade na segunda e eu preferi nem insistir muito pra não prejudica-la. – fez uma careta meio inconformada, focando sua atenção nas placas dos carros a sua frente e não viu o sorriso bonito da mãe, lembrando bem de quando o pai deles fazia o possível pra não deixar qualquer coisa prejudica-la em épocas de faculdade. – Mas eu vou fazer companhia a Leo e aos meninos, não vai ser de todo ruim. – Ele deu de ombros.
-Vou com vocês pra comprar roupa essa semana. – A mulher garantiu e ouviu resmungos de afirmação, tanto do filho, quanto da filha. O garoto bem menos empolgado, dando a ela a certeza de que ele asseguraria que os gostos da mãe lhe agradariam sem que ele precisasse ir na tal tarde de compras.
O silêncio se instalou por alguns instantes dentro do carro e os dois adolescentes pareciam um tanto inquietos pra perguntar algo a ela, que ainda não tinha percebido por manter a atenção nos cruzamentos agoniados àquela hora da manhã.
-Mãe? – Leonor chamou baixo.
-Oi. – respodeu ainda batendo os dedos no volante.
-O papai dormiu lá em casa ontem? – completou a pergunta da irmã, mesmo já sabendo a resposta, mas queria ouvir de verdade. – Com você?
A mulher engoliu em seco e olhou de uma vez pro filho, um pouco assustada por não esperar a pergunta àquela hora da manhã, mesmo que soubesse que mais cedo ou mais tarde, ela seria feita. respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, como se ajeitasse os que estavam fora do coque.
-Vocês estão juntos de novo? – Leonor perguntou mais esperançosa, do que qualquer outra coisa.
-Quanta pergunta. – a mulher riu morta e respirou fundo. – Sim, ele dormiu comigo ontem. – respondeu sem olhar para os filhos e mordeu a boca.
-Mãe? – A garota incitou a resposta de sua pergunta e o irmão parecia tão ansioso quanto ela.
-Eu não sei. Não da pra tentar explicar nada pra vocês agora. – estacionou o carro em frente ao colégio. – Mas eu prometo que quando eu conseguir entender o que está acontecendo, eu explico a vocês. Chegamos! – Ala deu um sorriso sem graça e os dois afirmaram.
-Ainda tem consulta no dentista mais tarde? – A garota perguntou saindo do carro e confirmou com um aceno.
-Às 14:00, quando eu chegar na clínica eu ligo pra secretaria e aviso. – Ela piscou e mandou um beijo pra Leonor que já batia a porta do Jeep. – Depois das visitas, passo pra pegar os dois!
-Até mais tarde, mãe linda! – A garota mandou beijo fazendo e rirem alto, acenou e saiu ao encontro dos colegas.
-Até, filha linda. – A mulher sacudiu a cabeça ainda rindo. – Você não vai, meu anjo? – Ela afagou o joelho do filho.
-Eu… – o rapaz suspirou e mordeu a boca. – Te peço desculpas pela confusão e pela mentira, maman. A culpa foi toda minha e eu não queria que você punisse a Leo por isso, sabe? Eu sei que ela não abriu a boca porque queria me proteger, mas eu reconheço que a culpa foi totalmente minha e prometo que mentir, eu não minto mais pra você nem pro meu pai. – A sinceridade na voz de era tanta que não esperou duas vezes antes de abraçar o filho e beijar a bochecha dele deixando a marca do batom escuro. – Eu entendo o castigo e não estou com raiva.
-Que bom, meu amor. – Ela bagunçou o cabelo dele, abrindo um sorriso enorme. – Sinal que você está se tornando um rapaz de dar orgulho, mas o castigo continua. – A mãe limpou a bochecha dele e ganhou um beijo de despedida na testa.
-Eu sei que continua. – riu. – Tchau mãe, até às 14:00. – Ele sorriu e saiu do carro em seguida, deixando a mulher orgulhosa pela sua postura.

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*Boyband que fez sucesso no fim dos anos 90 e início dos anos 2000, de onde o Timberlake saiu.
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-Pegaram pesado com você hoje na fisioterapia. – abriu a porta de casa dando passagem pra esposa, enquanto ela ria guiando a cadeira manual. – Eu já estava cansado só de olhar.
-É sempre daquele jeito, amor. Você sabe! – apontou pra ele rindo e logo adentrou a grande sala clara da casa. – Você que é sedentário. – Ela alfinetou e perdeu de ver a cara de tédio do homem.
-Eu não sou sedentário, mulher. – Ele soltou um gritinho esganiçado a fazendo rir alto.
-Nós temos um filho de cinco anos! – A designe de interiores completou a frase dele e os dois riram sabendo o sufoco que era correr atrás de uma criança o dia todo, principalmente quando uma casa cheia de rampas era combinada a um menino louco por skates.
Todos os cantos de mesa, cadeira e qualquer coisa que machucasse haviam sido protegidos para evitar maiores transtornos.
Ela parou a cadeira perto de um dos grandes sofás da sala e esticou os braços pra cima os alongando. riu bobo, ver sua mulher tão bem depois de tudo que havia acontecido, era uma das coisas mais gratificantes dia após dia, era uma forma de saber que os dois estavam derrubando todas as barreiras. Ele sentou ao sofá largando tudo que tinha nas mãos em cima dos acentos e em um movimento rápido, puxou a cadeira de armação roxa pelas rodas pra mais perto de si, com um sorriso malandro e viu a mulher rir pelo movimento brusco. segurou o rosto do marido com as duas mãos nas bochechas e sorriu boba com o bico que ele havia feito, logo dando leves beijinhos nos lábios do guitarrista que parecia flutuar de tão leve pelo carinho.
-Droga. – reclamou baixo e desgostoso ao sentir o telefone vibrar no bolso.
-Que foi? – perguntou rindo levemente e viu o marido de torcer pra pegar o telefone no bolso.
-Estão me ligando do colégio do Alex. – O homem disse sentindo o estomago revirar só por cogitar a ideia de que qualquer coisa tivesse acontecido com seu menino.
-Oi? – A mulher sentiu o rosto empalidecer pelas mesmas hipóteses do marido e respirou fundo. – Atende, !
-Ok, ok. – Ele respirou e atendeu ao telefone sentindo o coração bater nos ouvidos. – Sim, sim, sou eu. – fez uma careta sem acreditar no que a professora do moleque dizia e bufou. – Ele fez o quê? – O homem perguntou incrédulo e foi sacudido pela esposa que não estava entendendo mais nada e ganhou um aperto leve na mão. – Ok, estou indo aí agora, obrigado. – O telefone foi desligado e suspiro incrédulo deixado escapar.
-O que foi, ? – A mulher perguntou com um desespero presente.
-O Alex… – Ele olhou-a como se pedisse por socorro. – Brigou no colégio. – O mais novo disse sentindo um bolo se formar na garganta e viu a careta da esposa como se perguntasse se era mesmo verdade. – Eu também não entendi. Ele não é dessas coisas! – O homem soltou um grito esganiçado.
passou a mão pelos cabelos sentindo a cabeça rodar. Como Alex tinha se metido em briga no colégio? Logo ele que tinha sido criado dentro dos princípios que pregavam que violência e briga não resolviam nada. A mulher suspirou frustrada e derrotada pelo que tinha acontecido, se culpando mesmo sabendo que culpa ela não tinha.
-Ei, não fica assim. – beijou a testa dela, enquanto lhe acariciava o rosto. – Tenho certeza que foi algo bobo e não vai mais se repetir. Eu vou ver o que houve, tudo bem? – Ele perguntou e a mulher suspirou confirmando, mesmo que estivesse apavorada.
O homem beijou a testa da esposa e sem esperar mais saiu de casa às pressas para ir resolver o tal problema em que Alex tinha se metido. Brigar no colégio? Aquilo só poderia ser brincadeira. Ele estava nervoso, mas não chegava a metade do quanto estava só por ter que esperar longos vinte minutos na sala de casa sem poder fazer muito.

Ela olhou de uma vez pra porta da casa, soltando todo o ar de seus pulmões e antes que movimentasse a cadeira de rodas até lá pelo barulho de chave, viu o filho entrar todo amarrotado e com a roupa suja, ao que parecia ser de brincar no chão e ela esperava que realmente fosse isso. A mulher vincou as sobrancelhas ao ver a postura culpada do garoto e o viu fazer um bico gigante de choro, enquanto parecia nem prestar atenção direito de tanto respirar fundo.
-Alexander, venha cá! – A mulher o chamou de forma mais do que séria, o que geralmente não acontecia naquela casa e o garotinho caminhou até onde a mãe estava com uma cara de choro ainda pior, embora segurasse o choro com a desculpa de que meninos grandes não choravam. – Eu nem sei como começar, sinceramente. – suspirou incrédula e passou as mãos pelos cabelos ao ver o pingo de gente todo amarrotado a sua frente. – Brigar na escola, Alexander? De onde você tirou isso?
-Eu não ia deixar ele xingar a minha mãe! – Ele soltou esganiçado por prender tanto o choro e respirou fundo, passou a mão no rosto e olhou mais uma vez para o projeto de rapaz protetor a sua frente.
-Senta e me explica direitinho o que aconteceu. – A mulher apontou pro sofá claro e o garoto subiu ficando com as pernas penduradas.
-O Andrei é um chato e idiota! – Alex xingou o garoto fazendo seus pais arregalarem os olhos pelo vocabulário do garoto. – Ele é um burro!
-Alexander! – ralhou o repreendendo e o garoto bufou. – O Andrei é seu amigo, você não pode sair socando seus amigos!
-Ele não é mais meu amigo! – O garoto frisou com os braços cruzados e bem apertados contra o corpo.
-E por que não? – A voz da mulher saiu inteiramente esganiçada.
-Ele xingou você e eu não vou pedir desculpas e nem ser amigo de quem xinga a minha mãe! – O garoto vincou as sobrancelhas e a boca de se abriu em um perfeito O. – Você me ensinou que respeito é uma coisa importante, mas ele não tem respeito! Eu não vou ser mais amigo dele! – Alex voltou a firmar e o pai do menino respirou fundo.
-Alex… – A mulher o chamou baixo, com medo da resposta que receberia. – O que ele disse? – perguntou e viu o queixo do garotinho tremer.
-Ele disse que você tinha defeito! – E tão rápido quanto saiu a frase, o choro do garoto se exteriorizou forte e doído, deixando os pais de coração partido e se segurando forte pra não desabar na frente da criança. – Mas você não tem defeito! Você é a mamãe mais perfeita do mundo! É a minha mamãe e eu te amo muito, muito, muito eu não quero outra mamãe! – Alex disse desesperado pra que entendesse aquilo e a mulher só conseguia sentir as lágrimas descerem pelas bochechas com o pavor do filho. – Você não tem defeito! – Ele gritou enxugando o rosto vermelho e molhado a todo custo, mesmo que não desse jeito.
respirou fundo, sentindo o nó ficar ainda maior na garganta e passou as mãos pelos cabelos, andando de um lado pro outro na sala de casa. por sua vez abriu os braços para a criança na intenção de acalentá-la e passar todo conforto e segurança.
-Vem cá, meu amor. – Ela o chamou e em um piscar de olhos, Alex subiu no colo da mãe se agarrando a ela e chorando mais um pouco. – Tá tudo bem, filho, tudo bem, ok? A mamãe também te ama muito, muito, muito, muito! E eu quero que você se acalme, pode ser? – perguntou com a voz mansa e esmagou o garoto entre os braços, vendo um pouco ao longe, o marido apavorado e agoniado com a situação. Outro que precisaria de um abraço de urso depois daquilo.
-Não liga pro que ele disse, tá bom? – o menino levantou a cabeça encarando e recebeu um beijo cheio de amor na cabeça. – E eu vou bater nele quantas vezes ele desrespeitar você! Até ele aprender a ter respeito pela mãe dos outros! – Alexander assegurou mesmo sem saber a gravidade do que dizia e a mulher arregalou os olhos.
-Não, Alex! – Ela soltou apavorada, enquanto fazia carinho nos cabelos do filho que já estava com as bochechas vermelhas de tanto chorar. – Você não vai bater mais nele. – A mulher o beijou entre os cabelos e com a visão periférica viu o marido sentar no braço do sofá, chorando de forma mais contida. – Deixa a mamãe te explicar uma coisa? – pediu sentindo o peito apertar e viu Alex afirmar com um aceno, ainda grudado nela. – Amor, a culpa não foi do Andrei…
-Não defende ele! – O menino a cortou indignado com a defesa e sentiu as bochechas molharem de novo pelo choro. A mulher respirou fundo e enxugou o rosto dele com os polegares, depositando um beijo na testa da criança.
-Amor, me escuta, tá bom? Talvez ele nem quis dizer o que disse. Ele só ouviu alguém falando e repetiu. – Ela deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais, mesmo que ainda fosse duro ouvir aquele tipo de coisa e mais duro ainda, ver o filho tão novo passar por aquilo. – Você fala muita coisa que eu e o papai dizemos, não fala? Foi exatamente isso, talvez o Andrei nem achou que você fosse ficar chateado.
-Eu falo! Mas eu não xingo a mãe dos outros! – A criança enraivada disse com firmeza e viu a mãe suspirar um pouco derrotada por não conseguir repreendê-lo.
-Eu sei que você nunca xingou a mãe de ninguém, Alex. – Ela continuou afagando os cabelos dele. – Mas porque a gente te ensinou que isso é feio. O Andrei não teve isso, querido. – A mulher disse calma querendo passar tranquilidade para aquele pingo de gente enraivado.
-Pai. Bate no pai dele! É culpa do pai do Andrei! – O menino pediu de forma suplicante, assustando mais uma vez os pais com sua postura.
-Não! O papai não vai bater no pai do Andrei! – A mulher soltou um grito esganiçado que serviria mais para o marido do que para o próprio filho, ela sabia que era louco o bastante pra arranjar confusão, principalmente quando estava bravo.
-A vontade tá bem grande! – O homem passou as mãos pelos cabelos, com a voz dura, completamente diferente do que ele costumava ser. Afinal ninguém mexia com sua família. – Eu juro como está!
, colabora! – ralhou de forma séria e voltou a olhar pro filho. – Infelizmente você vai ouvir mais vezes as coisas que você ouviu hoje. Lembra que a mamãe não fica triste com isso e não quer que você fique também? – Ela perguntou e beijou a cabeça do garoto.
-Eu não quero mais ser amigo do Andrei, mamãe! – Alex disse indignado e a mulher afirmou com um aceno.
-Não precisa ser, Alex! Mas você precisa prometer pra mamãe que não vai mais bater em ninguém. Tudo bem? Você chega, conversa e diz que é errado. Bater nunca é a solução.
-Tudo bem, mamãe, eu não vou mais bater. – O garotinho garantiu e beijou-a na bochecha, sendo abraçado com força, muita força. – A May disse que você era legal! E você sabe que a May é legal, não sabe? Ela é minha melhor amiga agora! – Ele disse radiante com os olhos azuis mais brilhantes que poderiam existir e a mulher abriu um sorriso emocionado, o beijando na bochecha dessa vez. – Ela disse que você era incrivelmente legal porque andava com rodas, aí eu convidei ela pra brincar aqui em casa antes do Andrei ficar com ciúme e eu bater na cara dele.
-Sei! – A mulher sorriu lindamente passando a mão pelos cabelos dele. – A May é muito legal, é uma ótima melhor amiga! Te amo, pequeno príncipe!
-Te amo grande princesa! – O menino agarrou o pescoço da mãe em um abraçou e beijou-a com força na bochecha, mostrando que ia proteger ela o quanto pudesse.
-Mas agora, mocinho, vai pro banho. Você está todo amarrotado! – fez uma careta e o menino riu ato, a beijou mais uma vez na bochecha e pulou do colo da mãe, correndo para o quarto.
se apoiou nos joelhos, ainda estando sentado e viu a mulher lhe encarar de volta, só que dessa vez com um sorriso gigante e genuíno no rosto, um sorriso de quem tinha conseguido o que queria, conseguido passar a missão que pretendia.
-Desmancha essa cara. – Ela disse rindo e movimentou a cadeira pra mais perto de onde ele estava, depois cutucou a costela do marido. – Desmancha essa tromba, amor. – fez um bico e riu mesmo sem querer.
-Você ouviu o que o garoto disse? – O homem perguntou saturado e indignado. – Tudo culpa do idiota do pai! – ele bufou.
-Eu sei que sim. – A mulher soltou um suspiro exausto. – Provavelmente foi o pai dele que disse algo, mas paciência, já foi. – Ela deu de ombros mostrando que não era nada demais, que os três eram muito mais do que aquilo. – Não tem nada que a gente possa fazer, além de esquecer, claro. Nós temos uma vida pra tocar, um filho pra criar, um casamento pra manter, almoço pra fazer e ainda tenho consulta com minha estomaterapeuta hoje. – Os dois riram baixo e o homem puxou a mão dela dando um beijo casto no dorso.
-Aconteceu alguma coisa? – Ele perguntou curioso sobre a consulta. – Não vi nada de anormal.
-Nada aconteceu, mas você conhece e sabe que ela é paranoica. – riu e o marido riu junto concordando. – Mas eu adoro ser cuidada por essa família enorme.
-Eu te amo, grande princesa. – segurou o rosto da esposa entre as mãos com ternura e carinho, sorrindo do jeitinho só dele, um jeito que mostrava os dentes caninos.
-E eu te amo, grande príncipe. – A mulher sorriu grandemente encantada e sem esperar muito, beijou o marido que já estava mesmo perto dela.

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tinha aproveitado que havia marcado uma consulta pra irmã, mesmo que fosse apenas pra tirar quaisquer dúvidas de que ela estava bem e que as lesões por pressão* destruidoras de pele e de sonhos não apareceriam mais. E por mais que reclamasse que a irmã era paranoica como enfermeira, a mais nova não estava nem aí para os pseudoxingamentos, afinal sabia que estava fazendo o bem a irmã e enquanto ela pudesse, a mais velha não sofreria com aqueles tipos de lesões nunca mais.
-Tudo certo? – perguntou, batendo levemente na porta do quarto que já estava aberta, vendo as duas irmãs esparramadas na cama. – Sem vestígios das destruidoras de pele? – O homem perguntou rindo e as duas riram junto.
-Tudo certo, ! Sem vestígio dessas destruidoras. – disse ainda rindo. – Sua mulher está novinha em folha, bundinha de bebê! – Ela fechou os olhos pra dar ainda mais convicção a frase e tomou um tapa da irmã em protesto. – Ai! – Os três riram.
-Idiota! – xingou a irmã ainda rindo. – Tá tudo bem, amor, que é paranoica e você sabe. – Ela mandou beijo pro marido e o homem abriu o sorriso mais bobo.
-Pode ser paranoica, mas é a paranoica mais bem referenciada da região. – O homem defendeu a cunhada, vendo-a pular sentada na cama quase como uma criança. – Então ela sabe que é importante.
-Tá vendo? – soltou um gritinho apontando pro e os dois riram. – é mais meu irmão do que você!
-Vocês me cansam. – rolou os olhos de forma teatral e puxou a irmã, a derrubando na cama. As duas riram igual crianças.
-Vocês duas parecem crianças. E o Hidrocoloide*, trouxe? – Ele perguntou sobre a cobertura usada principalmente para prevenir as lesões e afirmou batendo continência.
-Deixei na sala, tá na caixinha! – sorriu e se encolheu na cama de lado como se tivesse a idade de Leonor.
-Ótimo, valeu, ! – Ele abriu um sorriso grato à cunhada e involuntariamente a esposa abriu um igual por vê-lo tão feliz em cuidar dela.
-Por nada, enfermeirão da porra! – A Mrs. supervalorizou o cunhado e ouviu a gargalhada da irmã pela pose que o homem havia feito, acabando por rir junto com ela.
-Vou ficar com o Alex. Beijo pra vocês! – mandou um beijo alado, pronto pra se retirar dali, sabendo que as duas queria conversar sobre alguma coisa.
-Beijo amor, meu enfermeiro lindo! – elogiou o marido de longa data o vendo inflar ainda mais e fazer mais algumas poses bem exageradas, causando risadas escandalosas nas mulheres.
-Vai logo! – disse rindo e se acalmou perto da irmã quando viu o cunhado sumir de sua vista. – Nossa, estou morta. – A mulher se largou ainda mais na cama e ganhou um cutucão na costela. – Ai! – Ela se encolheu fazendo a irmã rir. – Alex não foi pro colégio? – Ela fez uma careta confusa por finalmente se tocar que desde que chegara lá, o garoto estava em casa e suspirou.
-Ele teve um probleminha na escola. – Foi tudo que a mãe do garoto se limitou a dizer deixando ainda mais confusa com a situação.
-Problema? – A careta se exteriorizou tão rápido quanto a frase, fazendo a mais velha afirmar sucintamente. – Como? Leonor se meteu em briga uma vez. – Ela disse meio preocupada e soltou uma risada baixa e frustrada.
-Um coleguinha falou umas coisas sobre mim. O mini deu uma de adulto e me defendeu. – A mulher mordeu a boca e cobriu o rosto com as mãos sabendo que o pior estava por vir. Era algo que machucava, por mais que ela fosse forte.
-Ai meu Deus! Que amor! – declarou todo seu amor pelo sobrinho em um só grito. – O que ele fez? – A mulher perguntou bem ansiosa pra saber o que tinha acontecido, mas na mesma hora mudou de uma vez. – Espera… O que o garoto fez? – A voz da mais nova estava bem mais baixa do que o de costume e o suspiro tomou o quarto.
-Nada, nada. Esquece. – A Mrs. sacudiu a cabeça, sabia que não valia a pena relembrar todo o sofrimento de um pedaço daquela manhã.
-Não me esconde nada, por favor. – pediu de forma serena, cuidadosa e sincera, entendendo que o assunto era de certa forma, pesado. – Você sabe que nós contamos tudo uma pra outra e sempre nos ajudamos.
afirmou com um aceno contido e mordeu a boca, evitando que seu queixo tremesse. A mulher respirou fundo, sentindo um nó na garganta ao ter que repetir a palavra que havia lhe machucado tanto, não por ser pejorativa a ela, e até um pouco daquilo, mas por ter deixado Alex tão abalado.
-Defeituosa. – A palavra saiu quase de forma inaudível e arregalou bem os olhos, sem saber se estava mais triste ou indignada com a situação, que a deixava, no mínimo P da vida*.
-Mas é o que? – A mulher sentou de uma vez na cama, ficando bem retinha e viu a irmã rir de forma leve pela reação dela. – Você sabe que pode processar a família do garoto, não sabe? Isso é tudo coisa que ele escuta em casa! – Ela disse meio desesperada com a situação.
-Sem ficar retinha! – Ela apertou a mão da irmã como se dissesse que estava tudo bem. – Alexander de cinco anos, encheu o menino de tapas e socos e ainda deu razão ao filho! – soltou meio esganiçada e bufou. – E eu sei de tudo isso, , mas pra ser bem sincera? Meu maior problema agora é o meu filho não querer ir pro colégio. – As duas suspiraram.
-Ele não quer ir? – A mais nova perguntou e deitou novamente na cama vendo a Mrs. negar com um aceno de cabeça e um bico, depois abraçou a irmã com força, sendo abraçada de volta na mesma intensidade.
-Não, não quer mais ver o Andrei. – suspirou e recebeu um beijo na bochecha. – Eu estou bem, soeur*. Eles eram melhores amigos, , e agora meu filho não quer mais ver o garoto de jeito nenhum. – Ela fez um bico desgostoso sendo esmagada com um pouco mais de força.
-Ele quem tá certo, que garoto mais desnecessário! – A enfermeira rolou os olhos e as duas riram. – Quer que eu te ajude a conversar com ele? Posso pedir a Leonor. Ela passou por isso uma vez. – A mulher perguntou prontamente vendo sua irmã afirmar com um aceno pidão.
-Quero sim, obrigada! – A mulher agradeceu e beijou-a na bochecha, mas logo fez careta. – Leo passou por isso? – Ela perguntou um tanto confusa e caiu na gargalhada antes de contar. – Para de rir, tapada!
-Depois do dentista peço pra ela vir conversar com ele. Mas sim passou! Na época um garoto disse que era um “cantorzinho de merda”, uma criança de 11 anos disse isso. – A mulher controlou seu estado de riso e respirou fundo. – E ela enfiou papel higiênico molhado na boca dele. Papel higiênico molhado, . – As crises de riso voltaram, dessa vez em dose dupla, enquanto estava vermelha de tanto rir com a história.
-Leonor sendo sua filha! – A mulher colocou a mão no rosto e piscou.
-Eu não consegui repreender, eu só conseguia rir e queria me matar. – As duas riram mais um pouco. – Ele quem brigou com ela.
impondo limites. Essa é inédita! – cutucou e a irmã riu mais ainda. – Depois disso, nunca mais. Ainda mais com a princesinha dele. – riu, mas confirmou o que ela dizia com um aceno. Era perdido, aqueles dois nunca que iam ter pulso efetivo com os filhos. – Aqui nem coragem eu tive de brigar com o Alex.
-Eu também não teria, soeur. – A enfermeira a encorajou e as duas se abraçaram mais uma vez, enquanto a mais velha via fazer uma careta de choro se aninhando nela como se fosse sua filha.
, o que houve?
… – Ela fez um bico. – Você não sabe a última dos irmãos . – A mulher repetiu e fez uma careta confusa pra que ela continuasse. – fez uma tatuagem. – soltou como se arrancasse um curativo rápido e doloroso.
-Eu sei. – A resposta saiu óbvia demais, a fazendo entender que não tinha identificado qual dos dois ela falava.
-Seu afilhado! – colocou as mãos entre os cabelos vendo a irmã arregalar os olhos. – Sem a minha permissão, mentiu pro pai, Leonor acobertou a mentira… Foi uma confusão. – Ela saiu listando tudo que tinha acontecido e ouviu o grito incrédulo de .
-O QUÊ? filho?
-Eu me senti a pior mãe do mundo, ! – soltou um grunhido de choro bem fingido, mas de certa forma bem fundamentado.
-Leonor acobertou? – ainda soltava as perguntas sem um padrão definido, bem incrédula com o que tinha acabado de escutar. Desde quando os sobrinhos eram tão rebeldes?
-Como sempre, aqueles dois são iguais a nós duas. – suspirou passando as mãos, mais uma vez nos cabelos, sem se importar se estava destruindo o coque ou não. – IGUAL A DO PAI! – A mulher soltou de uma vez, indignada com a situação e além de dar um susto em , fez a irmã entender do que ela falava. – O frouxo do pai, que ao invés de barrar, fez a rapariga de uma garça na costela. Pra quê? Para me deixar na vontade! – Ela rolou os olhos e viu a designe entrar em uma crise incontrolável de riso, sacando tudo que estava acontecendo ali. – Eu me sinto uma fraude como ser vivo! – A enfermeira se encolheu ainda mais, abafando a voz no travesseiro e ouviu a gargalhada estrondosa de .
-Você não é uma fraude! – A mulher disse rindo mais um pouco. – E eu sabia! Eu sabia que a frustração tinha nome, sobrenome e um gibi no corpo! – Ela deu sua sacada de mestre fazendo se encolher ainda mais.
-Eu preciso de sexo! – A necessitada soltou um grito esganiçado como se o fato de se enfiar ainda mais no travesseiro fosse resolver o seu problema. – E ele tem um corpo muito gostoso!
-Tá grande a abstinência! – soltou uma gargalhada, claramente zombando da situação da irmã, sem entender porque diabos os dois ainda não tinham transado, porque falta de tempo não havia sido.
-Enorme! – declarou com o rosto enfiado ainda no travesseiro e sentiu a irmã lhe abraçar com força, mesmo que risse. – Céus, como eu queria transar! – Ela suspirou e a mais velha riu mais ainda.
-E por que você ainda não deu pra ele, mulher? – A pergunta saiu de um jeito bem engraçado que fez rir alto e virar na cama de barriga pra cima.
-Estou naqueles dias. – A mulher fez um bico gigante de choro e quase roncou ao tentar esconder a risada. – E isso nem é o pior, . O pior é que ele me mandou a merda de uma foto ontem, estava nu e excitado! Eu não aguento! – Ela forçou ainda mais a voz de choro. – Chegou me agarrando, me beijando, fazendo eu me perder completamente. – suspirou, ainda embalada pelas risadas da irmã e olhou pra ela. – Céus, que amasso bom do caralho!
! – ralhou entre as risadas pelo palavreado da irmã e as duas tornaram a rir alto. – Mas gente, como assim? Ele fez isso? – Ela perguntou incrédula sobre a postura do cunhado no último dia e afirmou com um bico de desgosto. – É LOUCO!
-Eu quase engravidei pela quarta vez antes dos 35, só de ver ele andando em minha direção decidido daquele jeito. SENHOR! – A enfermeira soltou um grito meio desesperado que só fez a irmã rir ainda mais.
-E por que raios vocês não transaram, ?
-Eu já disse! – Ela esganiçou. – A praga da menstruação desceu sinalizando que eu não poderia me divertir. Por quê? Por que meu corpo é egoísta. – A mulher bufou.
-Ai meu Deus, . – cobriu o rosto com a mão para evitar de rir ainda mais da cara de sofrida da irmã. – Que sorte você tem, mas me diz, o que mais aconteceu? Ele dormiu aí, não dormiu?
-Dormiu! Fez carinho, cuidou de mim, disse coisas lindas, até cantou pra que eu dormisse. – A mulher abriu um sorriso mesmo que involuntário, enquanto a outra esperava pelo resto da frase, apostando todos os seus pares de sapatos, que seria catastrófica. – Mas eu queria mesmo era uns tapas na bunda.
-QUE HORROR! – abriu a maior cara de transtorno vendo que estava passando dos limites no que dizia. – Tarada! – Ela acusou fazendo a irmã se afundar ainda mais no travesseiro, mas dessa vez rindo.
-Eu estou chateada com meu corpo! – A enfermeira ditou com uma voz manhosa. – Eu estou com saudade do meu marido e meu útero se virou contra mim. Um rebelde!
-Agora sabemos porque veio uma criança, literalmente, atrás da outra! – riu sacudindo a irmã. – Assim, bem The Flash!
-Dois anos de diferença! – corrigiu apenas confirmando o que a designe havia dito.
The flash!
-Falta de camisinha da nisso. – A enfermeira pontuou como se fosse uma criança chorona no tom de voz. – Não esquece da camisinha, a não ser que seu marido seja vasectomizado. – Ela alertou.
-Nem sendo! – a Mrs deu uma esganiçada. – Não esquece!
-Credo! – riu e suspirou voltando a virar de barriga pra cima.
-Cadê ele? – perguntou colocando os braços embaixo da cabeça.
-Foi almoçar com o David. – Ela respondeu virando de lado e viu a irmã rir. – Ele ligou mais cedo dizendo que queria conversar com o . – A mulher deu um sorriso fechado e a irmã riu mais ainda.
-Acho que alguém vai tomar seu marido antes. – pentelhou e as duas gargalharam. – O que será que o David queria com ele, hein? Ele vinha meio distante ultimamente.
-Só espero que ele não tenha deixado os medicamentos outra vez. – suspirou preocupada. – E concordo que ele vinha distante, me preocupando na verdade. – Ela mordeu a boca um tanto pensativa e fez o mesmo. As duas conheciam bem o amigo e o equilíbrio emocional dele.
A mais nova suspirou ainda calada em relação ao assunto de David e sentiu o celular vibrar no bolso, vendo que se tratava de uma mensagem de , ao desbloquear a tela.
mandando áudio? – A mulher fez careta.
-Aperta o play, quero ouvir o que o maridão disse. – disse com certo deboche na voz e foi empurrada de leve. Mas logo e sua curiosidade sem tamanho haviam apertado o play.
“Sinceramente, mulher? Você e seu marido são burros! Eu não aguento mais esse homem choramingando perto de mim. O que custa aceitar ele de volta logo?”
A voz do David com a gargalhada de ao fundo, se sobressaíram no quarto fazendo as duas irmãs gargalharem com a mensagem.
Anjo, é só pra avisar que eu já saio aqui pra ir ao dentista com os meninos. – a risada de pode ser ouvida e um resmungo de David dizendo que queria ver e Leonor logo. – Às 14h, certo?”
-Responde, ! – A ordem de foi ainda entre as risadas.
-David, não se mete no meu casamento, amorzinho! – A mulher riu alto. – não tem o direito de ficar choramingando pra você! E amor, eu marquei consulta pra vocês três. Te espero em casa e vamos buscar os meninos. – Ela soltou o microfone na tela e ouviu um sonoro “hm” da irmã que vinha em deboche. mostrou a língua e as duas riram.
-Ai meu OTP! – botou a mão no peito fingindo estar bem emocionada.
-Querida, seu OTP não é OTP até consumarmos esse casamento de novo! – A enfermeira disse de modo esperto e sentou na cama a fim de levantar de vez.
-Oh menstruação dos infernos viu? – A designe reclamou a fazendo rir.
-Também concordo com você. Mas preciso ir! – beijou a bochecha da irmã. – Mais tarde Leonor vem conversar com o nosso mini boxeador. – Ela piscou fazendo a irmã rir.
-Obrigada, ! – a puxou para um abraço fazendo-a cair novamente na cama e abraça-la com força também.
-Vai ficar tudo bem com ele, prometo! – A mais nova apertou uma ultima vez, a irmã no abraço, assegurando que iria dar certo. Beijou a testa dela e levantou de vez da cama. – Tchau, Mrs. !
-Tchau Mrs. ! – piscou acenando ao ver a irmã sair do quarto.

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*São lesões que estão mais vulneráveis a aparecer em partes do corpo que recebem grande pressão ou atrito, principalmente em pessoas que possuem pouca, ou nenhuma mobilidade, como cadeirantes, idosos acamados, pessoas em situação de UTI.
*É uma cobertura, ou curativo, utilizado como um meio de prevenção de lesões por pressão, porque ele adere bem a pele ajudando a diminuir a pressão no lugar.
*Puta da vida, irada de raiva.
*Irmã.
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buzinou duas vezes em frente a grande casa pra que saísse logo e eles pudessem ir ao dentista, tendo em vista que já chegariam atrasados. Em pouco segundos a mulher apareceu, fechou a porta de chave e correu o pequeno caminho até o carro fazendo o homem sorrir largamente em ver os cabelos dela “pulando” com a movimentação.
-Hey! Desculpa a demora. – Ela sorriu entrando no carro e sem pensar muito, projetou o corpo pra frente, se apoiou na lateral do banco do motorista e beijou levemente como um cumprimento.
-Sem problemas. – Ele sorriu de forma lerda segurando o rosto dela com uma das mãos e sem deixar que a mulher voltasse a sentar normalmente, beijou-a novamente.
subiu a mão pelo braço dele tateando os limites da manga da camisa, na intenção de apoia-la quase no peito do ex-marido, à medida que o beijo só ficava mais profundo. Talvez fosse o tempo que haviam passado longe, ou até a falta de tempo pra tentar matar a saudade um do outro, mas um simples beijo estava causando vontades absurdas. A mulher suspirou quando sentiu apertar de leve sua cintura e o selou repetidas vezes vendo o homem bufar frustrado ao perder o contato com a língua dela.
-Como o David está? – A enfermeira se jogou no banco do passageiro, passando o cinto e tentando desviar a tensão. deu um longo suspiro frustrado.
-Bem, eu acho. – O homem riu baixo. – Na verdade ele me pareceu um pouco mais abatido, não sabe se vai pra turnê na América Latina. – Ele passou a mão pelos cabelos e sentiu a mão dela percorrer o caminho da sua, fazendo um carinho gostoso que o dava vontade de fechar os olhos e se largar ainda mais no banco do carro. – Oh mulher, não faz isso que afeta o corpo inteiro. – suspirou novamente, dessa vez em contentamento. riu e o beijou na ponta do ombro.
-Ele vai melhorar, você vai ver. – Ela encorajou com um sorriso largo. – O David vai melhorar, ele é forte.
-Eu conto que sim, anjo. – passou a primeira marcha e ao tirar o pé levemente da embreagem, sentiu o carro andar. – E vou ajudar no que puder. – afirmou com um sorriso sincero e baixou o quebra sol a fim de olhar o seu estado no espelhinho, ao mesmo tempo que sentiu a mão dele descansar em sua perna.
-Nós vamos, amor. – A mulher assegurou. – Eu conheço alguns ótimos terapeutas, vou conversar com o David, prometo. – Ela voltou a escorar no banco após olhar seu reflexo no pequeno espelho.
-Obrigado! – agradeceu com toda sua sinceridade, apertando levemente a perna dela onde a mão dele estava, pra logo sentir entrelaçar o dedo nos seus. Os dois sabiam muito bem a importância do baixista na vida de cada um e nenhum deles desistiria sem tentar. – E os , como estão?
Foi a vez de suspirar e fazer uma careta.
-Eles passaram por algo bem desagradável, hoje. O Alex principalmente. – Ela umedeceu os lábios e logo começou contar o que tinha acontecido, enquanto dirigia até o colégio.

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Leonor desceu as escadas que davam acesso aos quartos de cima da casa e logo que viu o conversando com o irmão, anunciou:
-Estou indo falar com o Alex.
-Tudo bem, princesa. – sorriu solidário e acenou pra filha. – Venha jantar em casa, sua mãe vai fazer as melhores batatas recheadas de Quebec. – O homem piscou fazendo os dois filhos rirem e logo a menina sair pela porta.
-Não posso ir? – O garoto voltou a insistir sobre sair com a namorada aquela noite e o pai negou com um aceno frustrado.
-Castigo, é castigo, . – O homem reforçou a ordem de e viu o garoto bufar, depois enfiar as mãos nos cabelos como se não soubesse o que fazer.
-O que eu vou dizer a Mad? – Ele perguntou em um esganiço e parecia até que estava mudando a voz outra vez. O mais velho fez uma careta e logo se controlou pra não rir da cara do filho.
-Você não disse a ela que estava de castigo, moleque? – A pergunta saiu cheia de deboche.
-Não! – A esganiçada foi maior ao ponto de o rapaz realmente mudar a voz.
-Por Deus, Eliot! – O homem tentou se manter sério, mas sua vontade era de rir a cada segundo que passava. – Você vai ter que dizer! Não vai enganar a garota por três semanas!
-Era uma opção. – Ele falou realmente sério e o homem sacudiu a cabeça bem incrédulo.
-Sinceramente? Se eu fosse a garota e descobrisse isso, eu terminava com você. – alertou como se o filho não passasse de um mero amigo seu de adolescência e que muito menos eles tinham uma diferença de idade de 20 anos. – Você tem que contar a verdade, cabeção!
-Pai! E a vergonha? – O mais novo perguntou desesperado, fazendo forçar ainda mais o autocontrole pra não rir.
-Não tivesse feito merda! – ele disse de forma óbvia e filho respirou fundo. – Você tem ideia do que aconteceria se fosse eu na sua posição e mentisse pra sua mãe?
-Não? – O rapaz deu de ombros sabendo que aquilo não ia ajudar em nada na sua vergonha.
-Ela me capava, ! – O homem foi bem direto e viu o garoto arregalar os olhos com a maior cara amedrontada. – As mulheres sabem ser cruéis. Nunca minta pra nem uma delas, elas descobrem e quem se ferra, é você! – terminou todo o seu discurso de marido obediente apontando para o filho, que parecia nem um pouco ter gostado da ideia.
-A minha mãe é uma mulher incrível, bem mais do que isso. – O garoto começou fazer a média e o pai já sabia que lá vinha pedido cair nas costas dele. – Será que você não pode tentar convencê-la? – O sorriso trincado foi o suficiente para que o cantor caísse em uma crise quase sem fim de riso. – Ah pai, qual é? Vai que ela deixa!
? ? – O homem riu mais alto. – A sua mãe? – A pergunta saiu bem debochada e o garoto fechou a cara.
-Eu achei que pudesse contar com você, pai. –O bico do garoto era gigante e pensado pra amolecer o coração do velho, como sempre havia sido. rolou os olhos com o drama dele e respirou fundo.
-Eu vou, mas é você sabendo que a resposta é não. Então trate logo de ligar pra Madeline e explicar a situação. – O homem ditou com uma seriedade bem pouco recorrente nele e viu o garoto poucos centímetros mais alto abrir um sorriso satisfeito que pagava qualquer pedido.
-Pode deixar, pai. – filho sorriu e bateu continência, enquanto o pai passou a mão pelos cabelos e andou a passos lentos até a escada da casa.
O que ele não fazia pelos filhos.
entrou no enorme quarto claro que pertencia ao casal, mesmo que teoricamente ele ainda não tivesse voltado pra casa. E ao ouvir o chuveiro ligado, o homem andou até o banheiro com um sorriso travesso nos lábios. Afinal não era qualquer segredo para ele ver nua e no banho, na verdade, era algo familiar no qual ele sentia uma tremenda falta. Tudo que tinha relação com ela lhe fazia falta, fosse o jeito de dobrar uma roupa, ou até mesmo o jeito de rolar os olhos. E se os dois tinham sido, ou ainda eram, casados por anos, vê-la tomando banho não era nada fora do comum. Ele abriu a porta do banheiro sem deixar que o barulho ultrapassasse o do chuveiro ligando, encontrando a mulher de costas para ele dentro do box de vidro, enquanto massageava os cabelos parecendo não ter qualquer preocupação.
O homem suspirou e subiu o olhar vagarosamente, analisando cada traço, sinal ou marcas pelas pernas grossas da mulher, principalmente a tatuagem que fazia seu sangue ferver e se alastrava lindamente por grande parte da pele lateral da coxa esquerda. Pernas essas que ela dizia serem grossas demais, ao ponto de nem toda roupa vestir bem, o deixando bem confuso em saber onde estava tanto defeito que colocava em pernas tão lindas e bem torneadas, que faziam uma bela dupla com a bunda redondinha da mulher. Outra parte do corpo que ela fazia a ilustre questão de botar defeitos, mas que pra , era uma das mais bonitas. Ele mordeu um sorriso safado ao lembrar do quanto já tinha apertado, beijado, mordido aquela bunda e até distribuído alguns tapas, mesmo que fosse estapeado depois pela mulher indignada.
Aquele sim era um violão de verdade, violão capaz de desbancar qualquer Fender, ou Framous & Warwick, era o violão que ele mais gostava de apreciar, tocar, brincar e era o que estava com ele desde o começo de sua vida. O que tinha aguentado a barra de um começo de carreira com duas crianças pequenas e mesmo assim não tinha mudado nadinha quando a vida passou a ser diferente, ainda era a mesma mulher incrível desde quando os dois tinha os seus 20 anos. Era por aqueles e outros motivos que era sim o seu violão preferido, era o corpo mais lindo de uma mulher com todas as imperfeições sim, celulites, estrias e marcas de que ela era mãe de duas lindas crianças, marcas de que ela tinha dado a ele os dois maiores presentes que um homem poderia querer.
A mulher virou no chuveiro, ainda de olhos fechados e finalmente tirando o que quer que fosse do creme do cabelo que deixava a água arroxeada, fazendo os olhos de brilharem em um lampejo ao ver uma das partes do corpo dela que ele mais achava bonita. E que por incrível que parecesse, era a que menos reclamava. Ela sim tinha os seios mais lindos de toda a população feminina pra ele, eram os seios com o caimento mais perfeito existente. Eram naturais, por isso eram tão lindos. O homem desceu mais uma vez o olhar pelo corpo dela, tendo a certeza que ali ele tinha aprendido o que era ser uma mulher gostosa de verdade. Ia bem além de um corpo escultural e perfeitamente anatômico, ser gostosa, era gingado, era intimidade, era segurança e era autoconfiança, coisa que tinha de sobra. Era o que fazia ele ser ainda mais apaixonado por ela, era o fato de ela ser ainda mais apaixonada por si.
! – Ele foi acordado do transe ao ouvir o grito assustado de , que no reflexo natural, se cobriu como podia, mesmo sabendo que aquilo não tinha o menor cabimento. – O que você…
-Vergonha de mim, anjo? Poxa, magoei. – O homem fez um bico fingido, colocando a mão no peito e ela rolou os olhos voltando ao banho como se não se importasse com a presença dele ali.
-Posso saber por que você invadiu meu banheiro? – Ela perguntou enquanto passava algum tipo de produto no cabelo cacheado.
-Nosso banheiro. – Ele corrigiu e soltou um suspiro bem sofrido. – Puta que pariu, mulher. Não cansa de ficar mais gostosa a cada dia que passa, não? – passou a mão no peito, mesmo que ainda por cima da camisa e andou até a porta do box de vidro.
-Dá licença? – perguntou rindo pelo jeito que ele lhe olhava e viu rir meio sofrido.
-Adoro te olhar nua, é uma obra de arte das mais lindas. – O cantor sorriu de forma lasciva e correu vagarosamente para o lado, a porta de vidro.
-Céus, homem! Assim você me deixa encabulada. – A mulher soltou uma reclamação fingida, enquanto fechava o registro do chuveiro, que o fez rir de forma bonita ainda encarando o corpo dela. – Aqui amor, aqui em cima! – estalou os dedos, chamando a atenção do ex-marido como se ele fosse uma criança. – Por que você invadiu o chuveiro? Digo, o banheiro. – Ela sacudiu a cabeça.
coçou a cabeça um pouco confuso com a pergunta dela, o que era bem evidente pelo ponto de interrogação quase estampado na sua testa. Mas mesmo assim ultrapassou o limite da porta da caixa de vidro que ficava ao lado da banheira de hidromassagem.
-Não lembro. – ele foi bem sincero, se aproximando da mulher sinuosamente e a deixando de certa forma eufórica e com certeza, excitada com a aproximação dele.
O homem, ainda mais ansioso e eufórico que ela, encostou o corpo ao de bem devagar e de forma sutil, prensou-a na parede, fazendo a respiração da mulher ficar dificultosa. Evidente pelo jeito que o peito dela subia e descia descompassado, completando ainda pela boca levemente aberta pra facilitar a entrada e a saída do ar. ainda encarando o corpo colado dos dois, desceu os dedos pela pele molhado dos braços da mulher vendo-a arrepiar com o toque. A enfermeira mordeu a boca e fechou os olhos com força ao sentir seus braços serem erguidos e encostados no azulejo gelado do banheiro, estando realmente presa por ele.
mordeu a boca dela, puxando o seu lábio inferior da entre os dentes, o que além de aumentar o tesão dos dois, deixou-a livre pra gemer em aprovação pelas mordidas. Logo ele não aguentou apenas provocar e tomou a boca dela da forma mais urgente, tentado sanar todo aquele desejo e por mais que o homem soubesse bem que só seria saciado após uma boa noite de sexo, sentir a textura e o gosto da língua dela era reconfortante. ao perceber que suas mãos estavam livres, levou-as a um dos ombros e os cabelos dele, onde ela puxava a cada pressionada que uma das pernas dele dava entre suas, deixando-a em um desespero por mais contato, principalmente ao sentir o volume crescente que abrigava o meio das pernas dele. se concentrava entre aperta-la com as mãos e o corpo e puxar de leve os cabelos molhados da nuca dela, deixando-a ainda mais rendida.
Os dois se agarraram ainda mais quando sentiu as mãos dele descerem por suas costas e se cravaram na sua bunda, fazendo a mulher ficar de ponta de pé, quase a suspendendo. Ela arfou com a pegada brusca e quase agonizou em um gemido frustrado ao sentir morder seu queixo, depois chupar a porção de pele.
-PAI? – A voz grave do rapaz que esperava ansiosamente pela resposta, do lado de fora do quarto, foi o bastante para quebrar a primeira ponta do clima erótico no banheiro.
soltou as mãos que estavam em e com um suspiro frustrado se deixou largar em cima dela, ganhando um abraço tremulo de carinho quando os dois riram com a situação.
-Parece que crescem e ficam mais pentelhos ainda. – O homem passou a mão pelo rosto e beijou-a na testa. – Eu vou matar esse moleque. Atrapalhando minhas transas desde 1999. – Foi o bastante pra que caísse em uma crise de riso quase interminável.
-PAI? O QUE ELA DISSE? – O grito chegou baixo no banheiro do casal e só conseguia rir mais pelo nervosismo.
-O que era pra eu dizer? – A mulher perguntou rindo.
-Nada, anjo. Nada. – Ele respondeu frustrado ao olhar a bermuda preta molhada que nem de longe era sucesso em esconder seu tesão por aquela mulher. – Eu ainda não entendo o que esse garoto tem contra mim. Sério. – disse bem sério e a mulher riu mais uma vez.
-Ele não tem nada contra você. Vai responder o que quer que seja ao moleque. – Ela suspirou frustrada. – Vou terminar meu banho e desço pra fazer o jantar.
-Tenho escolha? – O homem fez um bico gigante e ganhou um beijinho carinhoso. – Veste uma roupa larga, a última coisa que eu quero, é ficar duro no meio da sala vendo sua bunda maravilhosa em um jeans curto.
! – soltou um grito meio constrangido e bateu no braço dele vendo o homem fazer uma careta de protesto. – Desce logo!
-Calma! Estou indo! – Ele levantou as mãos em rendição e a contra gosto saiu do box de vidro, tentando ajeitar o amigo vivo dentro das calças.
O homem saiu do banheiro descontente e arrastou uma das toalhas na bancada da pia, logo atravessando o quarto, enquanto enxugava o peito, meio irritado com a interrupção. Mas melhorou consideravelmente a cara quando abriu a porta branca do cômodo, dando de cara com o filho mais velho.
-E aí? O que ela disse? – filho perguntou vendo o pai passar por ele indo pra escada.
-Você não vai. Pode avisar a Madeline. – O homem suspirou meio frustrado descendo os degraus meio largado.
-Pai, meu namoro está sendo atrapalhado! – O garoto usou de drama pra ver se conseguia psicologia inversa e parou, olhando bem pra cara dele.
-Você acabou de atrapalhar o meu. – ralhou meio esganiçado e o garoto fez uma careta de nojo. – Se contenta e não reclama. – O homem deu um peteleco na cabeça do filho e soltou uma risada. – Vem, vamos me ajudar com as batatas lá embaixo. – Ele deu um empurrão de leve no filho e os dois desceram rindo.

Chapter Seven

-Você fez isso, Len? – O garotinho perguntou de olhos arregalados quando ouviu a prima falar da sua experiência com briga no colégio, depois soltou uma gargalhada, tapando a boca com as mãozinhas, o que fez a moça rir junto com ele.
-Fiz, mas meu pai brigou bastante. – A garota riu jogada na cama do primo em forma de skate, junto com o garotinho que estava com a cabeça no braço dela.
-O tio? – A careta desacreditada do moleque fez Leonor rir alto.
-Claro que sim! E eu também não queria ir pro colégio, sabe? Mas a gente tem que ir pro colégio aprender coisas novas, você está aprendendo a ler, e ler é uma das coisas mais legais do mundo. Sem falar que tem a May também, e se você não for, ela vai ficar preocupada.
-Você acha, Len? – Alex perguntou com uma careta e abraçou a prima com força, sendo esmagado de volta como um ursinho de pelúcia. – Mas eu não quero mais ver o Andrei. – O menino fez uma careta, enrugando o nariz. – E nem falar com ele.
-Não precisa falar com ele. – A mais nova dos deu de ombros fazendo o primo rir. – Mas como ele vai pedir desculpas se você não for pro colégio? Porque olha, ele deve ter levado umas boas brigadas.
-Sério? – A careta do menino ficou maior.
-Claro que é! E ele vai te pedir desculpas, você vai ver. – Leonor beijou a cabeça dele.
-Mas e se ele não pedir, Len? – Alex fez uma careta só de imaginar o quanto lhe incomodava o fato de o colega ser mal educado.
-Ele quem sai perdendo, porque ser seu amigo é uma das coisas mais legais do mundo, pequeno . – A menina piscou e o ouviu rir alto, já voltando ao seu estado de animação constante. – E você tem a May, ela é uma ótima melhor amiga. E eu, se você ainda quiser ser meu amigo, claro!
-Você é minha irmãzinha, Len! – O menino a abraçou com força, enchendo a prima de beijos no rosto, fazendo a menina rir e começar uma sessão de cócegas no seu xodozinho.

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Leonor entrou em casa pela porta da frente e viu as luzes da cozinha acesa, assim como o sistema de som da casa toda ligado, então das duas, uma: ou pai dela estava na cozinha, ou a mãe.
-CHEGUEI! – A garota gritou enquanto atravessava a grande sala de TV que funcionava como o cartão de visitas da casa.
-Cozinha! – Os dois rapazes chamados gritaram e ela riu.
-Oi! – pulou o último degrau da escada e a garota soltou uma risada ao ver sua mãe usando uma calça cinza de moletom. – Como foi com o Alex? – Ela abraçou a filha de lado e lhe deu um beijo na bochecha
-Consegui convencer o pirralho a ir pro colégio amanhã e nós rimos muito. – Ela disse com um sorriso orgulhoso de si mesma e a mãe repetiu o gesto, abraçando sua criança com mais força.
-Obrigada, meu amor. Você não sabe o quanto isso é importante pra sua tia. – A mulher beijou-a na bochecha mais uma vez e viu o sorriso da filha mais nova se alargar ainda mais.
-Achei que minhas meninas não iam chegar! – O homem disse sorridente ao ver as duas na porta da cozinha, extremamente parecidas como ele costumava pontuar.
-Chegamos! – ergueu os braços como se comemorasse e eles riram. – A dona das melhores batatas recheadas de Québec chegou! – A mulher empinou o nariz como se fosse esnobe e ouviu o filho rir alto, enquanto assobiava com dois dedos na boca. – Licença para a melhor cozinheira de batatas. – A frase só serviu para mais risadas e ela empurrou o homem de lado com o quadril, sendo abraçada por ele no reflexo e ganhou um beijo na bochecha.
-A mamãe é melhor com batatas, não dá pra negar! – Leonor tomou impulso e sentou na bancada.
-Tira a bunda daí. – A frase veio em uníssono por parte de e ao mesmo tempo, fazendo a garota enrugar o nariz e pular da bancada, enquanto o irmão ria. – Sem careta, Len! – O pai reforçou.
-Concordo com a Leo, não dá pra negar que a mamãe é melhor com batatas. – O rapaz defendeu a mãe, como sempre costumava fazer e o homem levantou as mãos em rendição, se dando por vencido em relação as batatas.
-Tudo bem! Eu não encosto mais em nada nessa cozinha. – fez a linha bravo-ofendido e viu seus meninos rirem alto.
-Ai que ele ficou bravinho! – alfinetou e ainda rindo, começou preparar as batatas que já estavam cozidas, só precisavam ser recheadas e ir ao forno para gratinar.
-Você não ajuda hein, . – O homem abriu a boca em ultraje e causou mais risadas na família, depois riu junto e beijou a ex-esposa na cabeça.
-Posso trocar a música? – Leonor perguntou já mexendo no iPad que ocupava o suporte e por sua vez, levava às saídas de som dentro de toda a casa e até do quintal
-Claro, meu anjo! – A resposta saiu em uníssono dos pais e os adolescentes riram baixo, porém bem satisfeitos em ver a família se reestabelecendo novamente.
-Quer apostar quanto que é McFLY? – , o filho, perguntou com os olhos estreitos incitando as apostas dentro da casa.
-Aposta meio furada essa sua, . – O homem riu e escorou na bancada da cozinha, vendo a garota entretida procurando a música no iPad. Ah como eles cresciam rápido! Em um piscar de olhos seus dois bebês tinham se tornado adolescentes. – É mais fácil apostar qual dos álbuns.
Room On The 3rd Floor*. – disse convicta, enchendo as batatas com cream cheese e ouviu as poucas risadas.
-Esse é o único que você conhece direito, mãe! – A menina retrucou rindo, enquanto ainda procurava pela música na playlist.
-Por isso mesmo tem que ser ele. – A mulher reforçou ouvindo algumas risadas por parte do ex-marido, mas logo começou se balançar quando ouviu os acordes da guitarra que dava uma magia mais Beatles a melodia. – Eu disse! – Ela comemorou e viu os dois filhos rirem.
-Não é, mãe! – filho riu, fazendo o pai rir alto. – É do segundo álbum, não é, Leo? – O garoto questionou a irmã, que parecia bem eufórica dançando. – É sim, é I wanna hold you.
-Sim, do segundo, Wonderland. – A pequena fangirl parecia bem eufórica em poder falar sobre algo que estava bem presente em sua vida, assim como o pai que estava encantado em estar vendo e participando da dinâmica familiar outra vez. – Pai, vou buscar meu violino, quero te mostrar uma coisa! – Ela soltou um gritinho eufórico e abriu um imenso sorriso ao saber exatamente do que se tratava.
-Violino? – O homem arregalou levemente os olhos ao ver sua criança correndo da cozinha, quintal a fora na direção do estúdio no fim do quintal. – Ela anda treinando? – perguntou um tanto surpreso e viu a ex-esposa afirmar com um sorriso gigante. Já fazia alguns anos que Leonor tinha encucado aprender a tocar violino, principalmente depois do show que a banda do pai tinha feito com a Orquestra Sinfônica de Montreal.
-Aprendeu o solo todinho dessa música sozinha. – O garoto disse orgulhoso da irmã.
-E outras. – riu baixo, sentindo seu peito encher. – Estava tocando Jet Lag esses dias. – A mulher sorriu enquanto montava as batatas na forma untada.
-É sério? – O homem perguntou eufórico, incrédulo e animado, esperando que sua garotinha aparecesse logo e começasse o show. – Ela me mandou um pedaço bem pequeno, mas disse que não sabia tocar tudo, eu juro que chorei!
-Você chora por tudo, pai! – O garoto debochou rindo, ouvindo a mãe gargalhar junto e desviou de um cubo de queijo que voava na cozinha como munição. – É verdade! Minha mãe sabe que é. – Ele apontou rindo e a mulher afirmou.
-Shiu, bolinha! – O homem colocou o indicador rente aos lábios, zoando o filho, como se não tivesse mais que 19 anos e viu o garoto abrir a boca indignado, sendo impedido de rir pelo tapa que ganhou da mulher em repreensão. – Duvido que sua mãe não tenha chorado! – retrucou fazendo careta e abraçou por trás, se encostando à ilha, levando a mulher junto consigo em um abraço que exalava carência.
-Não chorei. – Ela enrugou o nariz olhando pra cima, na intenção de encarar o homem e o filho mais velho dos dois gargalhou debruçado do outro lado da ilha. O mais velho sacudiu de leve a cabeça como se estivesse farto da dureza da mulher, mas em contrapartida a abraçou com força contra o corpo, beijando-a no topo da cabeça.
-CHEGUEI! – Leonor chegou com um grito animado e pedindo pro irmão voltar ao momento inicial da música, ela posicionou o violino o prendendo entre a mandíbula e o ombro, logo começando a acompanhar as guitarras na música, deixando o pai orgulhoso e quase choroso novamente. Choro esse que não tardou a chegar, assim que a garota começou o solo de uma das suas músicas preferidas e composição de . Jet Lag era tocada com maestria, enquanto a menina mostrava todos os trejeitos de uma violonista ao tocar algo que havia aprendido sozinha.

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*Primeiro álbum da banda inglesa, que tinha uma pegada bem Beatles nas músicas.
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O vento levemente frio da noite rondava pelo bairro nobre, enquanto estava escorado a lateral da grande Land Cruiser vermelha, com presa em meio ao seu abraço, parecendo um casal de adolescentes na grande dúvida sobre se despedir ou não.
-Não vai mesmo ficar? – A mulher perguntou baixinho, sentindo seu corpo amolecer de leve, quando pequenos selinhos eram distribuídos por sua bochecha e mandíbula.
-Não tem nada de roupa minha por aqui. – Ele disse a apertando mais um pouco no abraço e os dois riram. – Só a cara e a coragem. Tem muita coisa no apartamento também, amanhã eu trago. – O homem sorriu e roubou um beijinho. – Ou melhor, espero vir ainda hoje.
-Se for pra vir nas pressas, amanhã é melhor. – passou a mão na bochecha dele e o beijou mais uma vez. – Não quero você feito um louco no trânsito do apartamento pra cá. Fica lá, arruma as coisas e vem amanhã cedo. – A mulher riu e o beijou mais uma vez, sentindo lhe puxar ainda mais contra o corpo dele.
-Não me quer aqui? – O cantor perguntou meio duvidoso e a viu fazer uma careta intermediária entre afirmar e negar. – Anjo! – A exclamação saiu meio esganiçada e os dois riram.
Ela abriu um sorriso e fez carinho no nariz dele com o seu, vendo o ex-marido fechar os olhos, suspirando em contentamento. A mulher o beijou de leve nos lábios como se começasse uma brincadeira que consistia em pequenas sugadas e, às vezes, mordidas na boca carnuda do homem, que só sabia respirar e aproveitar os beijos que lhe eram dados.
-Assim eu te levo comigo. – A voz sofrida de a fez rir e abraça-lo com mais força ainda.
-Ei, vocês ai! – O grito reverberou mais alto que o normal, fazendo o casal olhar de uma vez pra uma das janelas da casa, mais especificamente a de cima, a do quarto do filho mais velho. – Eu só liberei o namoro até 22:00. Já são 22:01! – O garoto protestou como se fosse um pai, mais especificamente seu pai.
-Vai dormir, moleque! – pai gritou rindo em protesto a reclamação do filho e apertou ainda mais a ex-mulher no abraço.
-Não acredito que vocês estão aí. – A mulher declarou incrédula e viu o garoto rir. – Tem o que fazer não, ? Vai dormir e leva Leonor junto, eu sei que ela tá aí!
-Dá licença? Que hoje você passou da cota, ! – O homem ralhou, mesmo que ainda brincasse e ouviu o filho rir, sendo acompanhado pela irmã.
-Já pra dentro, dona ! – Leonor apareceu espremendo o irmão na janela e causou mais algumas risadas na mãe. – Isso não é hora de estar namorando na frente de casa. Eu vou ligar pro vovô!
-Vai dormir você também, pirralha! – O pai reclamou mais uma vez, disposto a não soltar tão cedo e viu os meninos rirem. – Vão, entrem! – A ordem saiu mais como uma brincadeira e os irmãos cruzaram os braços como se mostrassem que não iam sair de lá. – Enquanto vocês não pararem de me vigiar, eu não largo!
-Solta minha mãe! Solta minha mãe! – O garoto encarnou o bebê chorão que um dia já tinha sido e a menina entrou na onda.
-Solta minha mãe! – Leonor gritou junto fazendo os pais rirem alto com o escândalo fingido dos dois.
-Não solto, não solto! – O homem arregalou os olhos, cantando a pirraça e abraçou a mulher ainda mais, a fazendo rir alto. – Não solto, não solto! Vou levar ela comigo!
-É sério, pai! – O grito saiu conjunto da dupla quase pendurada na janela.
-Tá, tá! – rolou os olhos e riu junto com a mulher.
-Eu já vou entrar! – virou olhando por cima do ombro e viu a dupla dinâmica afirmar, mas continuar na janela. – Licença? Posso namorar em paz? – A mulher esganiçou e os filhos negaram.
O homem suspirou e pra, infelizmente, se despedir, segurou o rosto dela com delicadeza trazendo a boca de pra mais perto da sua. Ela o abraçou pela cintura, quase como se apoiasse as mãos no vidro do carro e sentiu a boca do cara, por quem ela sempre foi apaixonada, tomar a sua vagarosamente em um beijo lento, mas cheio de saudade pela despedida que vinha a seguir. Os dois se agarraram mais um pouco, mesmo que de forma contida por estarem tão expostos e logo uma das mãos dele tomou a nuca dela, fazendo um carinho que arrepiava até o último fio de cabelo.
-PAI! – Leonor esganiçou ao ver a cena.
-Para com isso, pelo amor de Deus! – O grito apavorado do filho saiu sem qualquer afinação, fazendo e rirem baixo, ainda que grudados.
O homem levantou a mão esquerda e acenou para os dois que estavam na janela, sabendo que eles tinham corrido pra dentro do quarto, mesmo sem olhar. suspirou de olhos fechado e ganhou mais um beijo casto, seguido de um abraço apertado, tendo consciência que aquela sim era a despedida.
-Tchau, até amanhã. – disse com a voz vibrando na testa dela e suspirou, o apertando no abraço.
-Até! – Ela roubou um beijinho. – Avisa quando chegar no apartamento, tudo bem? – A mulher pediu passando a mão no ombro dele como se tirasse qualquer farelo de lá.
-Pode deixar, anjo. – O homem piscou e beijou-a na ponta do nariz. – Eu aviso sim. Te amo. – Ele a beijou mais uma vez na testa.
-Também te amo. – o selou e por fim, soltou o ex-marido do abraço, o deixando livre pra ir.

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O sol da manhã entrava pela porta de vidro e preenchia a grande cozinha da casa, que fazia par com a sala de jantar, deixando tudo iluminado enquanto batia seu smoothie de frutas vermelhas.
? – Ela ouviu a voz abafada combinada a pequenas batidas no vidro e virou, encontrando .
-Hey, ! Entra. – Ela chamou com um aceno e viu o cunhado sorrir agradecido, depois abrir a porta de vidro e entrar na casa. – Quer? É de frutas vermelhas. – ofereceu.
-Não, não, obrigado! – Ele agradeceu com um sorriso. – Mas se tiver café, eu quero.
-Na cafeteira. – A mulher apontou para o eletrodoméstico e viu o cunhado rir, depois abrir um dos armários em busca de uma xícara, já que era de casa.
-Cadê seu marido? – perguntou enchendo a xícara e respirando maravilhado o aroma que saía dela.
-Dormiu no apartamento, ontem. Por quê? – tomou mais um gole da vitamina e deu de ombros.
-Ele me disse que ia correr hoje de manhã com o Hulk, falei que ia junto. – Ele deu de ombros, vendo a cunhada afirmar com um sorriso e um aceno de cabeça. – E vocês, como estão? – perguntou minimamente e sentiu uma felicidade lhe atingir ao ver um sorriso gigante brotar nos lábios da amiga de longa data.
-Melhor do que antes, com certeza! – riu como se tivesse 17 anos outra vez e estivesse conversando com o amigo da mesma idade. – Finalmente, eu acho que o , aquele doido que assumiu uma criança na maior loucura aos 20 anos, voltou. – Ela disse e os dois riram alto.
-Ele nunca fugiu, . Só estava perdido um pouco na estrada. – se recompôs das risadas e saboreou mais um gole de café. – Finalmente aprendeu a fazer café? Porque, nossa, tá muito bom, quase tão bom quanto o da tua irmã.
-Vai te catar! – A mulher xingou sobre não saber fazer café e os dois riram mais uma vez. – Não cansa de pagar pau pra esposa, não? – A enfermeira brincou, vendo o amigo sorrir grandemente, apaixonado como sempre fora.
-Não! Pagar pau pra Mrs. é um desafio diferente todo dia, virou hobby. – Ele piscou rindo e sacudiu a cabeça.
-Estou vendo, Mr. . – Ela riu baixo. – Mas me diz, e o Alex, melhorou?
-Ah, sim! Obrigado por ter pedido a Leo pra ter ido lá em casa ontem, céus, ela ajudou muito, tirou meia preocupação de nossas costas. – O homem riu e sacudiu de leve a cabeça. – Foi pesado tudo que nós recebemos, ele principalmente.
-Eu sei, . – fez uma careta e suspirou. – Justo quando as coisas já estão encaminhadas, acontece isso. E ela, como tá? – A mulher mordeu a boca, ansiosa pra saber notícias da irmã.
me surpreendeu de um jeito, que você não tem ideia. – abriu um sorriso completamente orgulhoso da esposa e foi acompanhado pela cunhada. – Ela se mostrou tão forte ontem, . Mesmo depois de eu estar mal por tudo, ela fez tudo ficar melhor.
-Nossa menina está crescendo, ! Ela é mais forte do que imagina. – A enfermeira sorriu largamente no momento que eles ouviram a movimentação associada a alguns assobios, o que significava que tinha chegado em casa.
-Anjo? Cheguei e trouxe um carregamento de roupa. – O homem disse rindo, enquanto já se dirigia pra grande cozinha da casa.
-Na cozinha com o ! – gritou.
-Hey ! Tudo certo? – O homem sorriu e cumprimentou o amigo com um soquinho de mão.
-Tudo certo! – respondeu animado, tomando um gole do café quente. riu baixo e abraçou pela cintura e lhe deu um selinho. – Bom dia, anjo!
-Bom dia! – abriu um sorriso bobo, ainda com as mãos nos braços dele, como se segurasse o peso do próprio corpo. abriu um sorriso bonito e a apertou com força em um abraço.
-E a ? Cadê ela? – O cantor perguntou pela cunhada, abraçando ainda mais , sem a menor pretensão de soltá-la.
-Foi deixar o Alex no colégio! – O disse com um sorriso imenso, construído em orgulho e amor pela esposa.

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respirou fundo ao estacionar em frente ao colégio do filho e se recompôs antes de olhá-lo na cadeirinha, que estava presa ao banco de trás. O loirinho de cinco anos abriu um sorriso orgulhoso pra mãe como se a encorajasse e mesmo sem saber, deu um ânimo incrível para ela.
-Tudo pronto, príncipe? – Ela se virou levemente no banco, enquanto soltava o cinto. – Quero conhecer todos os seus amiguinhos que ainda não conheço.
-Eles vão adorar te conhecer! – O menino soltou um gritinho animado e sorriu encantadoramente mais uma vez. – Tudo pronto, mamãe! Quer ajuda com a cadeira? – O menino perguntou soltando os próprios cintos.
-Sempre! Eu vou abrir a porta e você aperta o botão, tudo certo? – Ela respondeu com um sorriso animado, vendo o garoto se animar ainda mais por ser importante e necessário no processo. – OK Alex, lá vai. Estou abrindo a porta! – Ela botou suspense e ouviu a gargalhada ansiosa da criança.
A tecnologia era uma faca de dois gumes e isso todo mundo sabia, mas ela tinha sido uma bênção na vida da família . Além das cadeiras de roda feitas com uma liga leve, o carro totalmente adaptado a fazia se sentir ainda mais independente dentro do seu sistema de vida. A porta traseira que abria corrida, fazendo o carro parecer uma nave, deixava tudo mais prático e acoplado ao carro, um mine guindaste na parte traseira que era controlado por um controle remoto, levava e trazia a cadeira com o mínimo esforço e a máxima segurança.
-A porta abriu, mamãe! – O menino anunciou saindo da cadeirinha e pegou o controle do pequeno guindaste.
-Vou abrir minha porta! – Ela disse rindo e o fez, ouvindo o equipamento trabalhar pra por a cadeira fora da parte traseira. – Tudo certo, super Alex?
-Tá indo! – O menininho riu alto pendurado no banco e viu a cadeira tocar o chão, sabendo que a grande mágica conheci dali em diante. – Dá pra pegar?
-Dá sim, meu amor! – A mulher sorriu agradecida e se esticou um pouco pegando sua fiel escuderia, abriu a cadeira de rodas e travou bem perto do banco que ela estava, assim ficaria muito mais fácil pra fazer a transição.
-Já desci do carro, mamãe. – O menininho gritou assim que pôs os pezinhos no chão e andou pra perto da cadeira de tubulação roxa.
-Mamãe vai passar pra cadeira agora, fica quietinho e cuidado com a porta. – Ela alertou. – Você voltou o guindaste?
-SIM! – A criança soltou um gritinho animado rindo e como a mãe pediu, afastou um pouco da porta.
Ela sorriu animada para o filho, virou metade do corpo para a porta do carro e com ajuda das mãos, fez o mesmo movimento com as pernas, assim que viu Alex em seu campo de visão, sorriu para o pequeno que sorria orgulhoso de volta pra ela, mostrando que a mãe era sim sua heroína e ninguém iria lhe mostrar o contrário. respirou fundo tomando força e impulso, logo segurando nos puxadores de apoio acoplados na parte interna do carro que a ajudava a suspender o corpo, se apoiou na cadeira de rodas e logo sentiu seu corpo se acomodar a ela, dando graças a Deus por seu carro ser perfeitamente adaptado pra ela, facilitando e muito a sua vida.
-Você parece aquelas meninas radicais dos desenhos animados, mamãe! – O garoto disse encantado e a fez rir, depois esmaga-lo com força, enchendo a criança de beijos.
-Vamos? Ou você se atrasa pra aula. – Ela sorriu orgulhosa, ajeitando a camisa do filho e ele sorriu de bochechas vermelhas.
Depois de pegar o celular e os documentos, a mulher se afastou pra fechar a porta e logo seguiu com a criança ao seu lado para a rampa que dava para a porta do colégio.
-Me dá sua mochilinha. – pediu como algo involuntário e ouviu seu pequeno príncipe rir.
-Eu levo, mamãe! – Alex segurou as alças e deu um pulinho fazendo a mulher rir. – OI MAY! – Ele gritou assim que viu a pequena garota com cabelos ruivos.
-OI ALEX! – A garota soltou a mão do pai e correu para cumprimentar o amiguinho.
-Mrs. ! – O pai da garota cumprimentou a mulher com um aceno, enquanto sorria pela amizade dos dois pequenos.
-Olá, Mr. Winson! – Ela sorriu de volta.
-Olha, May! Essa é a minha mãe! – Alex abriu um sorriso gigante e ainda segurando na mão da amiguinha, apontou para a mulher.
-Oi mamãe do Alex! – A ruivinha sorriu grandemente, acenando pra . – Ele disse que a senhora era bem legal!
-Oi querida! – A mulher sorriu esticando a mão para cumprimentar a criança. – E ele também me disse que você era uma amiga muito legal. – sorriu segurando a mão dos dois.
-O nome da minha mamãe é . – O loirinho de olhos brilhantes disse sorridente.
-Pode me chamar de tia! – A designe piscou fazendo os dois rirem. – Vamos? Ou os dois lindinhos se atrasam pra aula.
-Vamos! – As duas crianças soltaram gritinhos animados e May acenou para o pai como se o mandasse ir embora dali e o homem riu.
-Você vai mostrar a sua mãe para todo mundo, não é, Alex? – A garota perguntou segurando forte na mão do amiguinho e o menino abriu o sorriso mais largo que existia.
-Mas é claro que sim! Eu vou mostrar para todo mundo que a minha mamãe é a garota mais legal do mundo! – Ele fechou os olhos com força pra dar ênfase naquilo e deu um beijo forte na bochecha da mãe, como se quisesse passar pra ela segurança, quase dizendo que todos os seus amiguinhos eram como a pequena May e mesmo que não fossem, ele ia defende-la até onde pudesse.

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A semana havia passado voando e quando menos esperou, já era quinta feira, dali dois dias seria o baile de boas vindas do colégio dos meninos e ele estava tentando ao máximo dividir as tarefas com , para não sobrecarregar a mulher, que justo naquele dia, o dia de comprar o vestido de Leonor e uma camisa pra , estava atolada até o pescoço de curativos e visitas pra fazer. O homem fechou um pouco os olhos pela claridade ao ver uma manada de adolescentes saindo do colégio e abriu um sorriso grande ao ver Leonor se despedindo dos amigos.
-Papa! – O grito da menina foi estridente assim que ela o viu, não esperando muito pra correr ao encontro dele.
-Que saudade, princesa! – O homem a abraçou com força, sendo abraçado de volta pela garota, mesmo que soubesse que declarar saudade na entrada do colégio e depois de passar uma noite sem vê-la fosse ridículo, algo que a garota nem estava ligando.
-Eu te vi ontem! – A garota soltou uma gargalhada estridente, ouvindo o pai rir junto como se concordasse com ela. – Assim, não é reclamando, mas cadê a minha linda mãe? Ela disse que ia me levar pra comprar um vestido pro Baile.
-Eu sei. E sua linda mãe ficou atolada até o pescoço de curativo pra fazer e me pediu pra vir te buscar. – riu e beijou a testa da sua garotinha. – Cadê seu irmão?
-Tinha treino e ele ficou no campo, mas disse que ia pra casa depois. – Leonor deu um sorriso fechado. – Por quê?
-Nada! – Ele beijou a testa da filha. – Sua mãe sabe disso? – O homem fez uma careta, fechando um dos olhos e a viu rir, enquanto afirmava com um aceno de cabeça. – Vamos?
-Vamos! – A garota disse animada e saiu do abraço do pai.
-Tchau, Leo! Tchau, Sr. ! – Ashley gritou acenando para os dois, que acenaram de volta com a mesa animação da garota. – Te espero lá em casa pra gente estudar!
-Pode deixar! – A mais nova dos gritou em resposta pra melhor amiga. – Tchau, Ash! – Os dois acenaram juntos.
-Onde você quer ir comprar o seu vestido novo? – A pergunta do pai saiu animada assim que os dois se acomodaram dentro do carro.
-Não sei! – Ela mostrou um sorriso trincado que o fez rir. – Mas a mamãe disse que você tem um ótimo gosto, sempre ajudava ela a escolher roupa, portanto, chegou minha vez! – Leonor estufou o peito no seu maior porte convencido e ouviu o pai rir alto, depois beijá-la na bochecha.
Personal stylist ao seu dispor! – O homem brincou rindo e fez a filha rir, saindo da frente do colégio. – Esses bailes são legais! Homecoming* só não é melhor que o de formatura.
-Sim! Você foi com a mamãe? – Ela perguntou com os olhos lampejando em curiosidade e o homem soltou uma risada anasalada.
-Quando eu formei no colégio, a gente não namorava ainda. – deu de ombros com um sorriso meio decepcionado e ouviu a menina rir. – E sua mãe pulou o PROM. Ela passou em três faculdades no meio do colegial. Então não, não tivemos essa sorte. – Os dois riram. – Você vai com as meninas? Ashley, a Lisa e a Donna?
-Mais ou menos. Na verdade, sim. Mas um amigo meio que me chamou hoje, dai combinamos de ir todo mundo junto. – Ela respondeu verificando as notificações do celular e não percebeu quando a cara do pai se dividia entre morte e pavor.
O homem deu um pigarro, seguido de um murmúrio de afirmação, que mais poderia ser classificado como um grunhido de desespero. Sua menininha iria ao baile com um garoto? Não, não, aquilo só poderia ser um pesadelo. Cadê ele acordar com um beijo de na testa, dizendo que o café estava pronto e os meninos estavam animados pra construir a casinha do cachorro no quintal?
Infelizmente eles não tinham mais oito anos de idade.
-Eu conheço? – deu outro pigarro e a garota levantou a cabeça, olhando confusa pra ele. – O garoto, Leonor! – Ele foi óbvio, até meio irritado consigo por estar com ciúme, a fazendo rir.
-Sim! – A garota riu mais e o viu arregalar os olhos, ficando com as pupilas pequenininhas. – São os gêmeos da frente, o Dylan me chamou, o irmão do Daniel, ele vai com a Ash. E a Lisa vai com o Greg, acho. Na verdade, nós só combinamos de ir junto pra não ir com ninguém babaca. – Ela deu de ombros e viu o pai suspirar como se procurasse fôlego. – Eles são meus amigos, pai! E você sabe.
-Tudo bem, Len. – suspirou e ligou o carro, sorrindo pra filha. – Vamos comprar seu vestido, princesa. – O homem disse animado e viu a moça sorrir igualmente a mãe quando estava empolgada com alguma coisa.
Era um baile, não era nada de mais, não ia acontecer nada demais. Ela ia rir, dançar com os amigos e curtir uma festa de colégio, ele já tinha sido adolescente e sabia como era legal, tinha até sido amigo da sua esposa no colegial. Imediatamente ele desligou o carro.
-Len?
-Oi? – Ela vincou as sobrancelhas, bem confusa.
-Eu também era amigo da sua mãe no colegial. – Ele disse baixo e mordeu a boca mais receoso do que a própria criança, mas ouviu uma gargalhada estrondosa dela.
-Pai, coloca nessa cabecinha uma coisa, ok? – Leonor começou a conversa como se fosse a mãe e o homem trancou a respiração. – Eu tenho 14 anos, eu nunca beijei ninguém e eu não vou fazer isso com qualquer garoto babaca de colegial, que não tem nada na cabeça só pra dizer que eu já beijei alguém. O Dylan é meu amigo, apenas meu amigo, nós somos novos no colégio e precisamos de nosso bando, por isso estamos indo juntos ao baile, nada mais. Tudo bem? – A garota arregalou levemente os olhos claros e o homem rolou os dele, voltando a ligar o carro.
-Eu estou só falando, Leonor. As coisas acontecem! – O homem bufou já sem paciência com a própria cabeça que insista em lhe fazer achar que a garota poderia arranjar um namorado sendo tão nova.
-Você e a minha mãe foram um caso a parte. Vocês são maravilhosos e foram escolhidos pra dar certo. Mas eu. – A menina colocou a mão no peito, dando uma entonação mais forte a frase, talvez assim seu pai parasse de dar ataque. – Não estou pronta para esse tipo de coisa agora.
-Nem eu. – Ele sussurrou, mas um tanto aliviado pela opinião da garota e manobrou o carro par longe da rua do colégio. – Mas vamos comprar o seu vestido. – sorriu afagando o joelho da filha. – Desculpa o surto, é coisa de pai, tudo bem? – O homem se esticou e beijou a garota na bochecha. – Sua festa vai ser ótima.
-Obrigada! – O sorriso animado da garota encheu o peito do pai, o que fez com que ele sorrisse da mesma forma, enquanto iam para o shopping.
A tarde havia sido uma das mais divertidas com os dois juntos e mesmo depois de vários vestidos provados e da opinião pertinente de , eles tinham escolhido um vestido vermelho escuro, bem escuro, quase vinho para ela. Uma cor que destacava bastante na garota e uma camisa azul escura pra , já que ele tinha decidido não ir.
Na volta pra casa, depois de ter lanchado no caminho, deixou a filha na casa da amiga e, sabendo que já tinha chegado em casa, ele foi direto pra casa, a fim de choramingar no pé da mulher. Ele saiu do carro sentindo o estômago revirar de leve pelo fato de Leonor estar crescendo mais rápido que o normal e quando percebeu, já havia se jogado no sofá da sala feito uma jaca madura, só aí percebendo que os estavam por lá.
-Criatura, o que foi isso? – fez careta ao ver o estado do ex-marido. – Não deu certo o vestido?
-Que foi, ? – perguntou com uma risada presa, enquanto olhava com vontade de rir para o cunhado.
-Eu não estava preparado. – Ele colocou a mão no peito. – Minha filha, minha princesinha, vai ao baile. Com um garoto! – O homem fez cara de choro e a única coisa que se ouviu naquela sala foram as risadas descontroladas de , e .
-Ninguém mandou ter mulher em casa, ! – O marido de disse rindo no mais puro deboche do amigo.
-Espera você ter uma filha, . Só espera! – praguejou e imediatamente olhou pra mulher ao seu lado. – Por que dói tanto, anjo? – A pergunta saiu dramática demais, causando outra sessão de gargalhadas e dessa vez a enfermeira ficou de pé, tentando parar de rir do marido, que continuava jogado no sofá claro.
-Lá de casa só saiu um menino! – assegurou bem e viu a cara indignada do cunhado.
-E só vai sair meninos! – retrucou sobre ter mais alguma criança e a mulher arqueou uma das sobrancelhas pra ele.
-Apenas o Alex! – sobrepôs a palavra do marido, ouvindo a irmã rir. – E você, , deixa a menina!
-Tem que vir mais um, concordo com o Mr. . – apoiou o amigo e viu a cara de indignação da irmã, depois virou pra , na intenção de consolar o marido. – Olha pra mim. – Ela segurou o rosto dele com uma das mãos. – Você conhece os gêmeos e, acima de tudo, você conhece a sua filha, Leonor é uma menina ainda.
-Que mais parece ser um mulherão. – alfinetou , sabendo que ele ia reclamar.
-Não tá ajudando, . – O homem fez cara de bunda, ouvindo as risadas da cunhada e da esposa.
… – disse de forma mansa, como se tentasse consolar o homem. – Leo é uma meninona, demais, juro a você. Sério, não vai acontecer nada demais.
-Eu sei, , eu sei. Ela sabe o que tá fazendo. – O homem disse num ímpeto, rolando os olhos como se soubesse de tudo aquilo e a mulher fechou a cara pra ele.
-Tá, tá bom então. – Ela levantou as mãos em rendição e deu um grande passo pra trás, fazendo ver que tinha feito merda e logo uma cara de choro.
-Vem cá! – Ele a puxou de novo pelas pernas, abraçando-as como se fosse uma criança chorona. – Só… é estranho, anjo.
-As primeiras experiências são normais. – disse convicta, buscando apoio na irmã e no cunhado. – Eu passei por isso, passou por isso, você e o já passaram por isso. Até o já passou por isso! Primeiro baile e a coisa toda. É legal!
-Ela é uma garota incrível, consciente e acima de tudo, inteligente. – defendeu a garota e viu o amigo fazer uma careta por saber de tudo aquilo.
-Eu sei, . O problema é ela estar crescendo. – O homem fez um bico enorme que fez gargalhar do desespero do cunhado.
-Ela vai crescer, . Você não tem muita escolha! – A mulher passou a mão no rosto, ainda rindo do drama que o cantor fazia.
-Uma hora ela ia crescer, querido! – riu e beijou a testa dele, vendo o homem suspirar frustrado por teoricamente perder o controle e achando fofo da parte dele.
-É, uma hora, infelizmente, isso ia ter que acontecer. – passou a mão no cabelo, que devagar já começava a ficar branco e puxou de forma delicada a fazendo sentar em seu colo como se procurasse carinho. – Cadê o nosso miniboxeador? – Ele perguntou rindo quando ganhou um beijo na cabeça e viu a cunhada rir.
-Subiu com o , devem estar brincando com alguma coisa. – A mulher sorriu pela relação tão boa da família. – Devem estar falando sobre os skates novos. E a Leo?
-Realmente. Cadê a moça que causou todo esse transtorno no pai superprotetor? – perguntou enquanto se ajeitava no sofá grande.
-Ficou na casa da Ashley. – O homem riu baixo e beijou de leve o ombro de . – Vem mais tarde. Mas nossa! Ela estava tão linda com o vestido vinho! – abriu um sorrido apaixonado por lembrar da filha que estava tão linda.
-Mostra pra gente! – soltou um gritinho animado, batendo poucas palmas e se movendo com a cadeira pra mais perto deles.
-Mostra! Eu quero ver Leo toda linda! – abriu um sorriso igual ao do marido, se escorando ao peito dele enquanto o homem procurava a foto.
-Olha, anjo! – chamou entregando o celular a ela e a mulher soltou um gritinho emocionado ao ver a foto.
-Tão linda! Nem parece que é minha! – disse rindo e passou o celular pra irmã, que assim como , estava ansiosa pra ver a foto.
-Ai meu Deus! Ela está tão linda, imagina quando se arrumar toda! – Disse com um sorriso gigante. – Ela é a cara da , você é feio demais . – A mulher zombou do cunhado, fazendo o homem rir alto.
-Olha que eu concordo bem demais, essa menina é linda pra parecer com você. – entrou na brincadeira vendo cunhada rir sacudindo a cabeça.
-Eu sei, meu anjo é linda demais. Ainda bem que os meninos nasceram parecidos com ela! – O homem piscou, completando a rasgação de seda que fez a mulher rolar os olhos, mostrando claramente que estava constrangida, enquanto a babação com a foto de Leonor continuava.

*Baile de boas-vindas.
 

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Finalmente o sábado havia chegado bem rápido, trazendo ansiedade pra uns e frustração para outros. Leonor estava empolgada com o primeiro baile de verdade, enquanto não estava lá muito interessado em ir sem a namorada, mas não tinha outra escolha e, assim, os dois rapazes da família estavam jogados no sofá exatamente do mesmo jeito, enquanto viam a partida de Hockey que passavam na TV e faziam comentários em relação a temporada. Enquanto e Leonor já estavam há quase duas horas no salão de costume, fazendo , o pai, não saber se sentia medo daquela demora toda, ou se gostava.
, vai ter jogo do Canadiens* em duas semanas na arena daqui. Quer ir? – O homem perguntou animado e bagunçou o cabelo do filho, vendo o garoto arregalar os olhos não contendo a euforia.
-Claro que eu quero, pai! – Ele gritou animado, se virando quase todo no sofá, vendo o mais velho se animar junto. – É a final do campeonato e eu tentei comprar os ingressos, mas já tinha esgotado!
-Eu reservei tem dois meses, moleque! – disse rindo e ouviu o grito animado do garoto.
-Vai ser irado! Nós vamos a final! – O rapaz gritou mais uma vez, fazendo o pai rir. – Todo ano nós vamos! Lembra que o ano passado foi em Los Angeles? – Ele arregalou os olhos.
-Claro que eu lembro! – O homem soltou ainda mais animado. – Nossa! E sua mãe ficou irada porque eu te fiz perder três dias de aula! – A gargalhada saiu sem demora, sendo acompanhada da do garoto.
-Foi a melhor coisa do ano passado inteiro! – filho foi convicto sacudindo a mão de forma exagerada. – E ela queria te matar! – O homem acenou afirmativamente, tentando parar de rir. – Mas também pai, você queria o quê? Você tinha acabado de sair de casa. – O menino animado disse de uma vez e imediatamente o homem engoliu as risadas. – Desculpa. – mordeu a boca, meio culpado por ter entrado no assunto.
-Tudo bem, . – Ele piscou e se esticou, beijando a cabeça do filho. – Eu sei que foi uma burrada minha.
-Chegamos! – interrompeu a conversa quando gritou entrando em casa, recebendo sorrisos. – Oi meus meninos! – A mulher andou sorridente até as costas do sofá, com Leonor no encalço, bem ansiosa pra que o pai ou o irmão percebessem a mudança nela.
-Oi mãe! – O garoto escorou a cabeça no estofados, induzindo o pai a fazer o mesmo.
A enfermeira beijou a cabeça do filho, ganhando um sorriso largo e logo depois beijou o marido de leve, ganhando outro sorriso bonito, porém bobo, do homem.
-Oi anjo! – Ele mordeu a boca, todo bobo olhando bem pra mulher, sabendo que ela tinha mudado muita coisa, só não sabia por onde começar a reparar. Mas duas coisas eram as mais evidentes, ela tinha pintado e cortado o cabelo acima do ombro, a deixando mais linda ainda.
-E aí, Leo? – O garoto fechou a mão pra soquinho, quando a irmã sentou entre ele e o pai. Ela completou o gesto.
-Oi dad! – Leonor arregalou os grandes olhos claros para o pai, com um sorriso gigante, na intenção que ele visse o que tinha mudado.
-Oi princesa! – Ele beijou a cabeça da garota e sorriu, mas sentiu o sangue fugir do rosto ao ver que as sobrancelhas dela estavam diferentes e embora ele soubesse, só queria confirmar. – O que vocês fizeram? – A pergunta saiu meio desesperada.
-Tudo. – riu sentando na mesinha de centro, de frente pra eles.
-Você eu percebi, cortou o cabelo, pintou. Tá linda, inclusive, mais linda. – O homem piscou a fazendo estufar o peito de forma exagerada e ganhou um beijinho. – Mas a Len, tem alguma coisa diferente no rosto dela. – deu uma risada morta, sentindo o estomago remexer.
-A sobrancelha! – Ela soltou um gritinho animado, abrindo ainda mais os olhos redondos.
-O quê? – O homem esganiçou, o que foi suficiente pro filho mais velho cair numa crise de riso. – Por quê? – Outro esganiço presente que tirava ainda mais seu resto de moral.
-Porque eu queria igual a dela e a mamãe deixou! – A menina disse da forma mais óbvia, vendo a careta do pai aumentar.
-Anjo! – esganiçou mais uma vez, arrancando mais gargalhadas do filho, que aproveitou pra colocar lenha na fogueira:
-Ficou linda, Leo! – Ele esticou a mão pra soquinho, gesto que a irmã completou rindo.
! – O homem reclamou ao filho e ganhou uma cutucada de na perna. – Ai!
-Eu falei a verdade! – O rapaz voltou a defender o elogio. – E você também está incrível, mamãe! – Ele mandou beijo pra a vendo esboçar um sorriso gigante e derretido.
-Obrigada, meu amor! – A mulher sorriu pro filho, o vendo sorrir junto.
-Minha criança! – colocou a mão no rosto, enquanto ouvia as gargalhadas da filha, esmagando a menina como se ela não tivesse mais que cinco anos. – Sério que você ta crescendo, princesa? – Ele fez um bico gigante, amassando as bochechas da menina entre as mãos, ouvindo a família rir mais um pouco. – Pra onde minha menininha foi? Traz de volta!!
-Ela tá aí, bobão! Mais linda do que nunca! – A mulher disse com um sorriso orgulhoso.
-O que eu estou vendo é um projeto de mulherão, igual a você. – beijou a cabeça da filha e piscou pra esposa a fazendo sorrir.
-Pai, você vai sufocar ela! – O garoto soltou um grito no meio da risada.
-Vem cá você também, bolinha! – OO homem esticou a mão e puxou o filho mais velho pro bolo de abraços, apertando os dois como se aquilo fosse fazê-los voltar a ter cinco anos. sorriu com uma das cenas mais bonitas nos últimos dias e registrou o momento em foto, usando a legenda “When he realize that his kids are growing up so fast. 😂”.
-Solta eles, amor. – A mulher pediu rindo e o viu negar com um aceno frenético como se fosse uma criança agarrada a um brinquedo. – Sua camisa deu certo, ?
-Tudo certo, mãe. – O rapaz respondeu ainda sendo apertado no abraço.
-Foi a sobrancelha, pai! – Leonor disse as gargalhadas, fazendo a mãe rir mesmo sem querer.
-Olha como ela está linda. – conseguiu separar a cola que estava deixando choroso e segurou com delicadeza o rosto da menina. – Olha, ela não mexeu tanto, só definiu. – Ela sorriu empolgada e a filha piscou os fazendo rirem.
-Sim, tá linda! Mas Deus do céu. – suspirou se jogando pra trás nas costas do sofá. – Eu estou ficando velho. – O homem passou a mão nos cabelos que já tinham alguns fios brancos perdidos em meio a imensidão castanha, fazendo os filhos gargalharem com a cena.
A enfermeira se esticou e o beijou na testa, fazendo o marido sorrir.
-Vocês já comeram, meus meninos? – Ela perguntou encostando os cotovelos nos joelhos e viu os dois negarem com acenos de cabeça. – Vou fazer sanduíche de forno. – piscou e ouviu comemorações. – Alguém me ajuda? – A mulher perguntou ao levantar.
, o pai, riu e prontamente levantou a mão, estendendo-as pra ela como se pedisse ajuda pra levantar. A mulher negou com um aceno leve de cabeça, o puxando com força e fazendo com que ele aproveitasse o impulso pra abraça-la pela cintura rapidamente, tirando-a do chão.
-Vamos! – O homem piscou e deu um beijinho, colocando-a no chão e ouvindo um resmungo de protesto dos filhos.
Os dois entraram na cozinha e logo abriu os armários em busca dos ingredientes pra fazer o sanduíche de forno.
-Amor, pega as coisas na geladeira? – Ela perguntou virando e deu de cara com ele bem perto de si, tomando um leve susto. – Você é doido? – A mulher soltou um esganiço eufórico que o fez rir.
-Na minha atual configuração de vida… – Ele estreitou os olhos como se pensasse no assunto, fazendo a mulher abrir um sorriso espontâneo. – Sim, completamente louco por você e nossos meninos. Mas eu só quero um beijo decente. – disse baixo, encarando a boca carnuda da mulher.
Ele umedeceu os lábios ainda encarando a boca dela e aproximou de leve o rosto, movendo a mão vagarosamente na direção da nuca de , que no reflexo respirou fundo, subindo as mãos nos braços dele, deixando o homem sorridente com o toque. Logo capturando o lábio dela com uma mordida que a fez suspirar mais uma vez e não esperando muito, a beijou verdadeiramente, pressionando o corpo da mulher ao seu, à medida que ela agarrava os cabelos do marido na intenção de que aquele beijo não acabasse logo.
abraçou-a com força pela cintura quase a tirando do chão, quando recebia beijinhos sugados e procurava mais uma vez o contrato com os lábios dela pra mais um beijo.
-Vai ficar por aqui hoje? – A pergunta de saiu acompanhada de algumas pequenas mordidas nos lábios dele e o homem suspirou. – Digo, mais tarde quando os meninos saírem. – Ela perguntou dando um selinho que fez o homem abrir os olhos.
-Se você quiser que eu fique… – Ele jogou a resposta baixa como se não pensasse muito e roubou um beijo sugado.
-Você falando assim? – deu uma risada quando sentiu o nariz dele fazer um carinho gostoso em seu pescoço. – É difícil eu querer que você vá! – A mulher o apertou com mais força no abraço.
-Eu fico! – Ele piscou e a beijou mais uma vez, depois o pescoço fazendo a mulher rir e abraça-lo com força.
-Me ajuda a preparar esse lanche, ainda tenho que ver a roupa desses dois. – Ela passou de leve a mão no ombro dele e depois de mais um beijo, foi solta.
pegou o que era preciso na geladeira, logo ajudando a montar o sanduíche na forma de vidro entre algumas empurradas de quadril pro lado, beijinhos roubados e um clima bem juvenil na cozinha.
-Você vai deixar eles mais tarde? – A pergunta da enfermeira saiu um pouco baixa e o homem fez uma careta descontente, como se pedisse pra que o filho fosse. – Não vou liberar o carro. – Ela riu.
-Os gêmeos não dirigem? – fez uma careta.
-Eles têm 14, . – A mulher disse rindo e o viu fazer uma careta ainda maior.
-Não tem nenhum colega que dirija? – soltou meio desesperado e viu a mulher negar com um aceno contido, prendendo a risada. – Ah, bando de criança empata, viu? – Ele praguejou a fazendo gargalhar. – Poxa, anjo, não ri de mim. – O homem riu junto e beijou o pescoço dela, que se encolheu. – Não dá mesmo pra liberar o ? Acho que já é castigo suficiente a namorada dele não ir.
-Eu vou pensar. – piscou, roubando um beijo do marido. – Agora me ajuda aqui, porque o tempo é curto! – Ela riu divertida e bateu de leve o quadril no dele, sendo agarrada de uma vez, soltando um gritinho como reflexo.

*Um dos times de Hockey Canadenses mais famosos.
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-Cadê esses dois, hein? – respirou fundo, andando de um lado pro outro na sala, como se aquilo fosse apressar o tempo dos filhos e riu.
-Se arrumando. – A mulher disse risonha, enquanto misturava a salada em um recipiente. – Leo faltava só o vestido, sequei o cabelo dela e ficou a coisa mais linda do mundo. – Ela disse com os olhos quase tão brilhantes quanto os de um felino a noite e viu o homem fazer cara de dor.
-Deus do céu, só eu sei como meu coração tá aqui e você ainda me diz uma coisa dessa, ? – Ele perguntou meio desesperado, o que só a fez rir mais. – Você deveria me consolar e não piorar o meu estado, mulher. – O homem fez uma careta, mas findou por rir.
-Calma, amor! – Ela soltou um gritinho que o fez rir. – É uma festa de colégio, apenas, o irmão dela vai junto. Calma!
-Eu sei que o moleque vai junto, mas meu coração não deixa de ficar apertado. – fez uma careta de choro e riu em seguida, ouvindo um barulho bem característico de que os irmãos estavam descendo as escadas. Aqueles dois pareciam duas sirenes. – Estou nervoso! – Ele arregalou levemente os olhos para a mulher e causou mais uma crise de riso nela.
-Boa noite, Sr. e Sra. ! – O filho brincou com o sobrenome deles e Leonor riu um tanto contida, talvez até envergonhada pela produção.
-Diz se a gente não está a coisa mais linda do mundo! – Leonor mandou um beijo pros pais.
-O que vocês acham dos mais lindos da família toda? – O moleque zoou rindo e ouviu a irmã rir de forma mais espontânea, fazendo uma pose assim como ele.
-Que eu vou chorar! – A frase escapou sem permissão da boca do pai babão, quando saía de trás da bancada para abraçar os dois filhos, a fazendo olhar bem pra cara quase de choro do marido. – O quê? Olha esses dois! Eu não posso com isso, meus meninos cresceram e eu estou sofrendo, me deixa, mulher!
-O pai de vocês não tem jeito! – riu sacudindo a cabeça e foi até os dois filhos, sorrindo tão largamente que sua boca parecia estar presa com clipes bem perto das orelhas. – Meus amores estão tão lindos. – A mulher segurou o rosto dos dois, os fazendo rirem com o encantamento dela. – Olha isso, ! Eu quero uma foto! – Ela soltou um gritinho animado e foi esmagada pelos dois filhos, que riram.
-Vocês estão muito lindos! – O homem riu com a cena da mãe sendo enterrada em abraços e capturou o momento em foto. – Eu também quero foto, anjo. Mas vão, se ajeitem, vou tirar a foto mais perfeita do mundo, porque eita família linda que eu tenho. – abriu um sorriso gigante ao ver os três sorrirem exatamente do mesmo jeito, o deixando emocionado. Ele nunca imaginaria que sua vida seguiria aquele rumo, que seus meninos cresceriam tão rápido, assim como seu amor por eles e por .
-E a Ashley e os meninos? – perguntou ao revezar o posto de fotógrafo com o ex-marido, vendo o homem se posicionar no meio dos dois e beijá-los na cabeça.
-A gente ficou de se encontrar na porta do colégio. – Leonor abriu um sorriso animado. – Mas a gente não sabe como vai, já que o tá de castigo.
-Olha a foto! – anunciou os fazendo sorrirem largamente e assim capturar um dos momentos mais lindos. – As avós de vocês vão surtar com essas coisinhas mais lindas! – Os três riram mais um pouco e o homem abraçou os dois com força. – E sobre o castigo, o carro está liberado apenas por hoje e só hoje, ! – A mulher esticou o indicador, vendo o rapaz arregalar os olhos e soltar um grito de comemoração.
O garoto não se aguentou e correu até a mãe, a abraçando com força e a tirando do chão, ao mesmo tempo que beijava a bochecha dela repetidas vezes, em agradecimento por aquilo. Gesto que fez a mulher se dividir entre rir alto, segurar o vestido no corpo e bater no ombro dele, mandando que a soltasse.
-Me põe no chão, moleque! – soltou um gritinho de repreensão, enquanto ainda ria da felicidade do rapaz.
-Eu te amo, dona ! Amo, amo, amo! – filho riu, sacudindo a mãe no abraço e beijou a bochecha dela mais uma vez, ouvindo as risadas do pai. – Vamos, Leo? – Ele chamou a irmã, praticamente brilhando.
-Vamos! – A moça soltou um gritinho animado.
-Juízo, vocês dois! – A mulher alertou, enquanto via se despedir dos dois com abraços e uma cara de quem estava com o coração partido.
Ela piscou para o ex-marido, como se aquilo fosse o confortar e logo saiu acompanhando o casal de filhos até a porta, enquanto os dois tagarelavam sobre como o tal baile iria ser legal, divertido e tudo que ela já tinha passado um dia na idade dos dois. A enfermeira se despediu deles com beijos nas bochechas e as recomendações de cuidado que mais pareciam um monologo, fechando a porta da frente assim que os viu entrarem na casa da frente para chamar os gêmeos, Dylan e Daniel. respirou fundo e seguiu pra cozinha na intenção de consolar o pai babão que mais parecia estar sendo deixado pra trás.
-Hey. – Ela disse baixo sentando ao lado dele, quando encontrou bem sentadinho no degrau do deck. afagou o ombro de tentando o confortar, vendo que o homem fez uma careta de desespero e a abraçou com força de lado.
-Muito mal eu ainda estar com o coração apertado? – O cantor fez um bico imenso e enfiou o rosto no pescoço dela, ouvindo a mulher gargalhar e esmaga-lo entre os braços. – Não ri de mim, mulher! – Ele riu junto, ainda aconchegado a curva do pescoço dela. – Você viu como ela estava linda?
-É muito bonitinho você nessa de papai babão. – disse rindo, começando um cafuné na nuca dele. – E sim, eu vi como a Leo estava incrivelmente linda. Ao contrário do que você pensa, também foi um baque pra mim. – Ela o apertou um pouco mais no abraço, ganhando um singelo beijinho no pescoço. – Nunca imaginei que a Leonor fosse ficar aquele mulherão todo, toda arrumada.
-Não me lembra disso, mulher! – reclamou colocando a mão no peito, como se sofresse com aquilo e a fez rir. – Foi uma pontada no meu coração ver a Len tão linda e crescida, eu juro que foi! – Ele fez uma careta e depois riu da desgraça junto com a mulher. – O também estava lindão, chega bateu orgulho. – O homem abriu um sorriso largo e bobo, despertando o mesmo em .
-Ele estava tão perfeito! – Ela riu encantada. – Me lembrou você na sua formatura do colégio.
-Claro que não! está muito mais bonito, o é lindo, anjo. – riu e passou a mão na cabeça. – Como você lembra disso? – A careta era a mais confusa possível.
-Porque a garota que estava com você parecia um luminoso de tão colorida. – Ela tentou segurar a risada que saiu descontrolada, o fazendo rir junto.
-Não me lembra! – Ele sacudiu a cabeça tentando esquecer. – Naquela época eu já era louco por você, mas e a coragem de te chamar pra qualquer coisa? Onde estava? – sorriu de um jeito nostálgico, levantando a cabeça e beijando a mão de . Ela sorriu junto.
-Você demorou um bom tempo pra me chamar pra sair, só por medo. – Ela sacudiu de leve a cabeça e segurando com delicadeza o rosto dele, lhe deu um beijo calmo, fazendo o homem suspirar em contentamento.
-Sabe qual meu maior medo atual? – Ele perguntou mirando a grama verde do quintal, ainda segurando a mão dela com força.
-Qual? – A mulher mordeu a boca e o beijou na bochecha.
-De qualquer cara melhor do que eu tomar você de mim. – soltou um suspiro olhando pra um ponto distante, sentindo o ar querer lhe faltar e logo um tapa na cabeça.
-Que foi? Tá bêbado? – perguntou bem séria, o fazendo arregalar os olhos e logo gargalhar com a indignação dela. – Só pode, porque não tem outra explicação pra tá falando besteira desse jeito. – A mulher sacudiu a cabeça, em resposta ele riu alto.
-Não é besteira! – Ele esganiçou. – Você é incrível, mulher. Você já se olhou, você realmente já se olhou no espelho e viu esse puta mulherão que você é?
-Mas é claro! – jogou o cabelo pro lado e o olhou piscando freneticamente, o que fez rir largamente e segurar o rosto dela, beijando-a em seguida. – Só que pra mim não tem graça se não é você, sabe? – A mulher piscou, roubando um beijo dele. – Confesso que eu tentei sair com alguém no último ano, mas não deu certo, não deu certo nem um pingo. – fez uma careta ao saber daquilo e sentiu o coração trancar por lembrar do que também tinha feito. Ela vincou as sobrancelhas ao ver o quão pálido ele estava com o assunto e era certo que ele tinha culpa no cartório, e se tinha. –Desembucha, . – Foi tudo que a mulher disse, antes de cruzar os braços e vê-lo rir em desespero.
-Então . – O homem abriu um sorriso culpado, mas que não redimiu em nada a expressão tediosa nela. – Ano passado, depois da nossa última briga, aquela por telefone… Eu saí com o Dimitri. – Ele respirou fundo, sentindo o bolo se formar no estomago e esmagou os próprios dedos. – Nós bebemos demais, eu estava com ódio de mim. Eu achava que não tinha mais volta, não sabia mais o que fazer e pra completar o tinha me ligado chorando, pedindo pra eu voltar… – respirou fundo, sacudindo a cabeça pra espantar todas aqueles pensamentos ruins e sentiu a mão da mulher lhe afagar as costas como se tentasse o consolar.
-O que houve, ? – Ela disse com a voz mansa, usando um apelido tão pouco usado pra ele, que fez o homem sorrir de leve, lembrando de quanto tinha 17 de novo e era assim que ela o chamava.
-Eu cometi o maior erro da minha vida. – A frase saiu direta, grossa e quase carregando consigo um punhado de lágrimas. – Impulsionado por aquele merda, eu acabei me envolvendo com outra mulher, o que só aumentou em 200% a minha culpa, sem falar que a sua lembrança chorando me fez chorar desesperadamente e findar chamando seu nome.
-Oi? – A pergunta saiu da boca de acompanhada de uma gargalhada estrondosa, fruto de uma incredulidade grande com o que ela tinha acabado de ouvir. – Você dormiu com outra e chamou por meu nome? – Ela tentou parar de rir, mas foi inútil, a cara confusa dele só fez com que a mulher abrisse a boca deixando sua gargalhada mais estrondosa sair. De certa forma, aliviando sobre a reação dela.
-Que foi, ? – O homem soltou uma risada desesperada, sem saber o que realmente esperar depois daquela crise de riso. – O que tem de tão engraçado?
-Você, tapado! Como você faz uma coisa dessas?
-Eu não sou tapado! – Ele já não aguentava mais segurar as risadas após o grito dela e tentou respirar fundo, mas foi inútil. – É sério que você está rindo da minha cara?
-Claro! O que você queria que eu fizesse? – Ela arqueou uma das sobrancelhas, claramente debochando dele. – Te escorraçasse daqui? Brigasse com você? Não viaja, ! – A mulher riu ainda mais. – Como você faz uma coisa dessas, tapado?
-Eu não sou tapado, mulher! – Ele tentou ralhar, mas continuava rindo da própria desgraça.
-Claro que é! Você broxou tudo! – alegou convicta o fazendo abrir a boca em indignação que no fundo era bem fingida.
-Eu não broxei, ! – Ele soltou esganiçado e até certo ponto indignado. – A culpa foi sua, você me fez broxar.
-Eu lá faço ninguém broxar, ! – Ela estufou o peito, o atacando com o porte e o homem riu alto, ganhando um tapa sustento no ombro.
-Ai! – O homem arregalou os olhos pelo tapa. – Eu passo por a coisa mais constrangedora da minha vida e ainda apanho? – Ele perguntou indignado e deu de ombros, rindo.
-Claro! Não mandei você ir atrás de qualquer vagabunda. Tivesse broxado comigo. Acho é muito bem empregado. – E enfermeira empinou o nariz, mas a vontade que a habitava era a de rir incontrolavelmente.
-Ela me deixou na mão, . – O homem deixou bem claro o que tinha acontecido, dando a convicção de que não tinha passado de um amasso frustrado.
-Eu tinha dado era na sua cara! Onde já se viu? Transar comigo e chamar o nome de outra? Ah, , tenha a santa paciência. Acho muito bem feito que você broxou! – E expressão indignada de o fez gargalhar e ser empurrado. – Isso é pra você aprender que ele só gosta de mim, se ver outra pepeca, assusta! – A enfermeira mordeu a boca tentando prender a risada, mas foi solta quando a gargalhada estridente de irrompeu o silêncio do quintal, fazendo até o cachorro latir.
-Ah meu Deus, Hulk! Essa mulher é louca! – O cantor gritou em meio as risadas e ao ouvir o latido do cachorro, abraçando de lado e com força, enquanto ela também ria da frase desastrosa. – Sabe que é isso que eu amo em você? Esse seu jeito louco, é essa sua boca solta. – Ele beijou a cabeça dela fazendo a mulher rir ainda mais e esmaga-lo entre os braços. – É a nossa história todinha. Livrando os dois últimos anos, é óbvio! – Os dois riram. – Eu te amo, sabia?
-Você faz questão de me lembrar sempre! – Ela riu segurando o rosto dele entre as duas mãos. – Mas eu também te amo. – abriu um sorriso gigante e não demorou muito até beijar o ainda ex-marido, que a abraçou com força pela cintura, aproveitando que os dois estavam sozinhos e podiam se beijar sem dois filhos chamando, pentelhando, ou qualquer outra coisa do tipo.
Era um silêncio só dos dois, que não significava falta de comunicação quando os dois corpos estavam tão juntos e conectados daquela forma. desceu a mão pelas costas dela, colando ainda mais a seu corpo e sentiu a perna esquerda da mulher ser jogada sobre suas coxas, não demorando muito para que ele elevasse o corpo dela com as duas mãos e a colocasse em seu colo. riu levemente com o movimento e se acomodou direito no colo do ex-marido, segurou o rosto dele com as duas mais o beijou mais uma vez, fazendo o homem suspirar em contentamento.
-Fazia tempo que eu não sabia o que era isso. – riu bobo com os olhos fechados, enquanto passava as mãos pelas coxas da mulher, fazendo carinho. – Como é bom namorar assim. – Ele deu ênfase ao que dizia e riu alto, o beijando novamente.
-Namorar em casa sozinho? – Ela perguntou com uma risada leve, devolvendo o carinho que ganhava nas coxas, mas pelos braços e ombros do ex-marido. – É ótimo mesmo… – A enfermeira mordeu de leve a boca, vendo um sorriso frouxo nos lábios dele. – E fazia anos que não fazíamos isso. – deu um beijinho sugado nele e sentiu seu corpo ser apertado em um abraço gostoso, à medida que o beijo se tornava mais sensual e urgente.
subiu a mão pelo abdome dela, na intenção de segurar o rosto da mulher e ao passar pelos seios, não perdeu a oportunidade de apertar levemente fazendo a mulher suspirar mais contidamente e puxar os cabelos da nuca dele. O homem soltou uma risada larga, migrando seus beijos molhados para o queixo dela, enquanto voltava a mão lentamente pelo braço da ex-mulher.
-Quer entrar? – Ela baixou a cabeça, encontrando os lábios dele novamente. – Comer alguma coisa?
-Só se for você. – A frase saiu baixa, grave que combinada a cara sacana dele, a fez rir largamente, mesmo que sentisse seu corpo reagir ao teor da informação.
-Você é muito idiota! – riu alto e o viu se escorar nos cotovelos com o sorriso mais convencido do mundo. Ela sacudiu a cabeça e levantou do colo dele, ficando em pé e passando por cima do homem para ir pra cozinha.
-Puta merda! – O grito dele foi estrondoso ao vê-la passando de vestido por cima de sua cabeça e ouviu a risada ainda mais larga dela. – Meu caralho! – O homem apertou a porção entre as pernas com uma das mãos e tomou um cutucão no ombro pelo pé da mulher.
-Olha a boca! – reclamou rindo e saiu pra cozinha, fazendo questão de balançar o vestido ao ponto de sua bunda aparecer, sabendo que o homem ia olhar.
Ele levantou de uma vez e logo a seguiu pra cozinha sem esperar qualquer comando.
-O que você fez? – perguntou assim que entrou na cozinha, acompanhando o rebolado natural da mulher com os olhos e mordeu a boca ao vê-la sustentar parte do peso do corpo em uma só perna, deixando a bunda mais evidente no vestido claro.
-Salada. Mas eu ia fazer costelinha de porco agora. – Ela riu baixo e logo passou a se mexer dentro da cozinha, procurando os utensílios necessários. – Abre pra mim? – pediu ao colocar uma garrafa de vinho em cima da bancada, depois se virou pra pegar as taças.
estreitou os olhos ao não ver qualquer marca que indicasse uma calcinha no tecido mole escuro do vestido, que combinado visão de minutos antes, o fez realmente na possibilidade. Será que ela estava nua por baixo do vestido? O homem suspirou e sentiu todos os pelos da nuca se eriçarem só com a ideia. Ele se aproximou vagarosamente e apenas com o peso da mão deu uma palmada na bunda da mulher, a fazendo arfar com o ato repentino.
-Amor! – A reclamação manhosa saiu por puro hábito, quando ela ficou na ponta dos pés pelo reflexo. Mas sentia seu corpo tremer de leve com a palmada repentina, que tinha lhe atiçado profundamente.
-Tá sem calcinha? – Ele perguntou baixo colando a boca ao ouvido dela, assim como o corpo ao da mulher, enquanto passava a mão por toda a extensão de pele descoberta da bunda da ex-esposa.
-Óbvio que não! – Ela mordeu a boca por sentir a mão quente dele massagear levemente sua bunda e colocou as taças em cima da bancada antes que as quebrasse. abriu um sorriso maldoso e ao passar a bunda nele, completou: – Procura que você acha. – A risada saiu sacana, juntamente com uma piscadela safada que o fez rir baixo e morde-la na orelha.
-Safada. – eEe riu baixo contra a pele de pescoço dela e deu mais uma palmada a fazendo arfar e prender um pequeno gemido na garganta.
-Você gosta da minha versão safada. – A mulher respirou fundo ao sentir a mão dele descer e contornar a parte interna da coxa, procurando o meio de suas pernas. – E sabe que eu adoro uns tapas na bunda vez ou outra.
-Senti uma saudade imensa da sua versão safada. – Ele sussurrou beijando-a no pescoço e a mulher esticou levemente a postura ao sentir os dedos dele em contato com o tecido pequeno da calcinha que se escondia entre suas pernas. – Achei. – Ele riu baixo a ouvindo suspirar. – Anjo? – chamou baixo, vendo a pele do pescoço de arrepiar inteirinha e passou a mão na bunda dela mais uma vez, dando mais uma palmadinha de leve, logo segurando-a pela cintura de forma delicada. – Dança comigo? – O cantor virou-a rapidamente e acomodou uma das mãos nas costas dela, bem no início da bunda.
-Danço! – Ela respondeu entre um suspiro, sem conseguir desviar o olhar do dele e o homem abriu um sorriso largo que mostrava todos os seus dentes claros, esticou um dos braços e logo colocou a música dos dois no sistema de som da casa.
Ele fechou os olhos, ouvindo bem aquele som da guitarra tão familiar e colou ainda mais o corpo ao dela, encostando a testa na da mulher, que tão envolvida no momento, passou a fechar os olhos, apenas sentindo o calor dele, o corpo dele e todo aquele clima de tensão em sua cozinha.

Time, it needs time
To win back your love again
I will be there, I will be there

A música tinha vários significados na vida dos dois e sempre havia feito parte dos momentos mais importantes, era certo que aquele era um. Ela segurou a nuca dele com uma das mãos, em um movimento que deixou a boca dos dois tão próxima ao ponto de roçar os lábios, assim como o corpo que do atrito, os deixavam elétricos e loucos por um contato mais íntimo. O cantor pressionou os lábios aos dela, sentindo a mulher mexer o quadril devagar friccionando levemente no seu, que junto a atmosfera séria e sexy daquela cozinha, estava os excitando ainda mais. Ia ser questão de minutos até que sentisse o que estava por vir.
A mulher passou levemente a língua nos lábios dele e logo o beijou de forma urgente, porém vagarosa, tentando aproveitar e de alguma forma, saborear o jeito que a língua dele se movimentava em sua boca. Era uma sensação incrível que a tirava do chão, era como se suas pernas bambeassem todas as vezes que os dois se beijavam daquela forma, o estomago afundava em uma imensidão, mostrando que poderiam passar trinta anos e ela não deixaria de amá-lo tanto. Assim do mesmo jeito que ele, sabia que mulher nenhuma no mundo era ela e nem nunca seria, era só ela que o fazia ficar com o coração louco no peito, quase na goela, só com um sorriso contido, um abraço de surpresa ou o mais inocente dos beijos. Era o amor em sua forma completa.

Try, baby try
To trust in my love again
I will be there, I will be there
Love, our love
Just shouldn’t be thrown away
I will be there, I will be there

-Olha o que você faz comigo. – O homem soltou uma risada anasalada ao acomodar o rosto no pescoço dela e a enfermeira riu, sabendo bem do que ele falava.
-Eu estou sentindo. – disse divertida e o abraçou com força, aproveitando pra beliscar de uma vez a bunda dele e como reflexo, fazer o homem se colar ainda mais a ela, deixando o volume dentro das calças mais evidente.
-Ah é? – perguntou segurando a cintura de com força e roçou ainda o quadril no dela. – Isso é ótimo. Mas eu garanto que eu vou te fazer sentir mais.

Chapter Eight

agarrou com firmeza a cintura dela e, em um movimento brusco, suspendeu a mulher sentando-a na larga bancada da cozinha sem muita delicadeza. Ele afastou alguns utensílios com o antebraço, ouvindo apenas os estalidos em contato com o chão e > o puxou pelos ombros para o meio de suas pernas, agarrando o tecido da camisa entre os dedos, sem dar muita escolha a , a não ser lhe beijar. A mulher sentiu seu corpo arrepiar por inteiro, ao perceber que as mãos dele procuravam algo debaixo do seu vestido e quase gemeu ao senti-las dispostas a tirar sua calcinha tão vagarosamente.
O cantor segurou nas laterais do tecido fino e com o rosto encostado lateralmente ao dela, foi puxando a peça vagarosamente, fazendo a questão de roçar as mãos nas coxas da mulher, sabendo que no reflexo, ela ia arrepiar inteira.
-Arranca logo! – > pediu quase agonizando com a lentidão dele e ouviu a risada sacana do ex-marido.
-Você tá muito apressadinha, anjo. – Ele chupou o lóbulo da orelha, como se quisesse mostrar o que estava disposto a fazer com a língua e ouviu a mulher gemer impaciente.
Enquanto já levava o tecido da calcinha minúscula de renda até os joelhos, sentiu a mão de > brincar por cima da camisa de mangas longas que usava, descendo na direção do cós da bermuda. Ela virou um pouco o rosto, vendo que o dele ainda continuava colado ao seu e lambeu uma boa extensão de pele do pescoço, ao mesmo tempo que acariciava o ex-marido por cima da bermuda, louca pra tirar o cinto dele. soltou uma risada trémula, quase como um ronronar de um gato e pressionou o próprio quadril contra a mão dela, ouvindo a mulher rir satisfeita. Ah, ele adorava aquela mão boba!
-Brinca, brinca comigo, que eu vou te pegar de jeito. – sussurrou gravemente no ouvido dela e findou logo em descer a calcinha pelas pernas, acompanhando o movimento com os olhos e o roçar das pontas dos dedos. Ele deu leves beijos no tornozelo dela, fazendo a mulher suspirar em agonia e riu baixo. Tirou a mínima peça de forma delicada e após despreza-la no chão, subiu arrastando o resquício de barba pelas pernas dela, fazendo a mulher suspirar e gemer em certa agonia. Assim que voltou a sua postura normal, o homem a puxou pelos joelhos, causando um choque entre a intimidade dos dois e fazendo > gemer quase sem fôlego. – Agora me responde, anjo. Me diz onde você quer. É em mim? – Ele roçou ainda mais o quadril dos dois, acabando por gemer junto com ela. – É na minha mão? Ou na minha boca? – O sussurro saiu grave bem ao pé do ouvido, fazendo a mulher tremer inteira.
A enfermeira segurou com força os cabelos da nuca dele, sem se preocupar se aquilo estava causando dores ao ex-marido ou não. Se ele queria provocar, que aguentasse as unhas dela enfiadas em seus cabelos e ombros, quem sabe até a bunda. Ela o fez praticamente enterrar o rosto em seu pescoço, ainda sentindo a mão perigosa e quente dele brincar entre suas coxas.
-Onde você mais gosta, meu amor! – Ela chupou o lóbulo da orelha do homem, o fazendo soltar uma gargalhada gostosa de ouvir que logo foi acompanhada de um aperto nas coxas.
-Estava com saudade da boca do papi? – Ele aproveitou a proximidade para abocanhar o pescoço dela, lambendo uma extensa porção de pele. Gesto que fez a mulher soltar um suspiro desesperado e apertar as coxas em volta dele.
-Não era só da boca não, papi. – Ela puxou a cabeça dele pra trás e mordeu o queixo do homem, o vendo esboçar um sorriso malicioso e inteiramente espontâneo. – Era de você todinho e do brinquedinho também. – > piscou e logo sentiu seu corpo ser agarrado com força, à medida que era beijada tão intensamente por ele, o agarrando ainda mais no reflexo daquele beijo urgente.
emaranhou a mão entre os cachos dela e puxou levemente a cabeça da mulher pra trás, começando a descer os beijos molhados e sugados pelo pescoço dela. O homem mordia levemente cada pedacinho de pele, sentindo ela se agarrar ainda mais ao corpo dele, que quando subiu a mão pelo abdome dela ouviu-a grunhir em contentamento e logo soltar um gemido, quando seu seio foi apertado por ele. O cantor deu um beijo casto entre os seios dela, no meio do decote e logo se afastou minimamente para puxar a camisa fora do corpo e ser ajudado naquilo. Sendo a vez de > se mexer pra tirar a roupa, ela sentiu as mãos dele agarrar a barra do seu vestido e prontamente lhe deu um tapa em repreensão.
-Eu tiro! – A resposta saiu firme, acompanhada de um sorriso sacana.
-Ela vai maltratar. Aguenta coração. – O homem soltou uma risada meio desesperada. Imediatamente > travou as pernas ao redor dele e puxou o homem com força pra bem perto dela.
A enfermeira puxou o tecido do vestido vagarosamente, vendo que ele acompanhava cada movimento que a roupa mole fazia, com um brilho no olhar de quem estava louco pra saber o que tinha por baixo, mesmo sabendo exatamente o que aquele vestido cobria. Logo o abdome foi sendo descoberto e mais rápido ainda o busto apareceu o fazendo suspirar, ainda se segurando na bancada da cozinha. > jogou o vestido em qualquer lugar do cômodo, puxando pelo pescoço para um beijo intenso e quente.
Ele gemeu ao sentir o corpo quente dela por completo em suas mãos e seguiu descendo os beijos sugados pelo pescoço da ex-esposa, não se demorando muito por lá e louco pra chegar logo aos seios, que já recebia a devida atenção das suas mãos. O cantor começou dando beijos sugados, enquanto segurava a cintura dela com firmeza, sentindo seus cabelos serem segurados com força, à medida que ele lambia e mordia cada pedacinho dos seios fartos de >, ouvindo-a gemer em contentamento pelas carícias. O homem mordeu uma última vez, puxando tortuosamente um dos mamilos entre os dentes e a ouviu gemer em alto e bom som, sabendo que tinha agradado.
Ele, então, foi descendo os beijos pelo abdome dela, enquanto reclinava de leve a mulher em cima da bancada. contornou a primeira flor que aparecia quase na linha da cintura, na lateral esquerda do corpo dela, sentindo-a arrepiar e apertar ainda mais as pernas em sua volta, procurando sanar um pouco do desespero que se instalava crescente entre as pernas. As mordidas e lambidas continuaram descendo até metade da coxa, onde a tatuagem findava, que acompanhado ao roçar da pequena barba dele, estava deixando-a mais excitada ainda. migrou os beijos sugados para a parte interna da coxa dela e ouviu a mulher suspirar em antecipação.
> sem qualquer demora, enfiou ainda mais os dedos entre os cabelos dele, como se o incentivasse a continuar com aquilo, sentindo uma risada sacana vibrar contra sua coxa, bem pertinho da virilha, a fazendo quase revirar os olhos. Logo os joelhos da mulher estavam bem postos aos ombros do ex-marido. Enquanto ela sentia beijinhos e pequenas mordidas, assim como o vestígio de barba presente no rosto dele, chegar cada vez mais perto de onde ela sempre quis que ele chegasse.
-O que eu faço, anjo? – A vibração dos lábios dele contra ela foi mais intensa do que o tom de voz e no reflexo, a mulher apertou as coxas contra as bochechas dele. Gesto que fez rir alto.
-Cala a boca e faça logo, ! – Ela ordenou já sem paciência pra tanta provocação e quase perdeu o fôlego, ao sentir a língua quente dele em contato com o que realmente interessava naquele corpo.
O gemido saiu sem qualquer pudor quando ela sentiu que ele beijava tão lentamente toda a extensão de pele que fazia parte da sua área íntima. Os beijos, combinados a mordiscadas e lambidas, causavam na mulher as reações mais despudoradas e espontâneas quando ela se concentrava em quase arrancar os cabelos dele e xingar o marido de forma desconexa. Sabendo que a cada sugada que ele dava, só a fazia chegar ainda mais perto do tão sonhado orgasmo. Os movimentos habilidosos e tortuosos em volta do maior ponto de prazer dela, só se intensificaram quando lhe penetrou dois dedos, a ouvindo soltar um grito esganiçado ao chama-lo pelo apelido carinhoso.
O homem continuou com os movimentos, feliz em saber que estava fazendo a mulher feliz. Ela o chamou pelo nome mais uma vez, a ponto de perder o fôlego, sabendo exatamente o que estava chegando e no reflexo puxou com mais força os cabelos dele, assim que sentiu o beijo sugado ser com mais intensidade do que já tinha acontecido, soltando um gemido cansado, contente e satisfeito ao chegar ao seu ápice. Ela suspirou com força, tentando voltar ao seu estado de sanidade, mas completamente feliz pelo que tinha acabado de acontecer.
> passou as mãos pelos cabelos cacheados e abriu os olhos, vendo com o sorriso sacana, enquanto lambia os próprios lábios. Ele alargou ainda mais o sorriso, com os braços esticados e escorados na bancada e deu um beijo casto no pescoço dela.
-Anjo? – O chamado saiu manhoso por parte dele, fazendo a mulher suspirar. – Me ajuda agora a sair dessa situação deplorável. – O pedido meio desesperado se fez presente, quando o cantor sentia além dos beijos em seu pescoço, que ela tinha começado a dar, o volume rígido no meio de suas pernas, reclamar.
-É só você me dizer como quer que eu faça isso. – Ela mordeu a boca, prendendo um sorriso sacana e ouviu o homem suspirar ansioso pelo que estava por vir.
-Dentro de você, anjo. Eu não aguento mais esperar. – Depois do tão simples desejo, logo ela desfivelou o cinto que ele usava, vagarosamente, podendo ser classificada aquela ação como fetiche, enquanto via o homem sorrir atento ao que ela fazia. Ah, eles iam fazer um estrago e como iam.
A bermuda e a cueca que ele usava, tomaram o mesmo rumo, se juntando as outras roupas que estavam no chão. tirou os pés da roupa, assim que as duas chegaram aos seus tornozelos e puxou a mulher pela cintura pra perto do seu corpo, a ajudando na melhor posição para que os dois pudessem fazer aquilo com efetividade. O cantor passou um dos braços pelas costas dela, segurando a mulher como se fosse um encosto e beijou de leve a clavícula dela. > se apoiou nos ombros dele, segurando-se bem e respirou fundo ao sentir a boca dele descendo mais uma vez por seu busto, assim como a ereção dele roçar em si.
-Pronta? – Ele perguntou localizando a parede mais próxima, ouvindo um suspiro sofrido.
-Pronta! Enterra com tudo, amor. Vai, enterra com força. – > pediu, percebendo seu estado de sanidade ir pelo ralo quando sentiu o pênis dele roçar levemente em sua entrada mais uma vez.
Em resposta, a encostou bem na parede e com uma das mãos apoiadas lá, ele estocou com força, enterrando tudo quase de uma vez só. Em um movimento que a fez gemer em alto e bom som. > se segurou nos ombros dele e dando impulso com uma das mãos bem espalmada na bancada de mármore, puxou o corpo pra cima, ajudando o marido nos movimentos de vai e vem, enquanto ele segurava com força a cintura dela. se segurou ainda mais onde estava se apoiando e tentando controlar sua respiração claramente descompassada, aumentou o ritmo das estocadas, as tornando mais fundas e firmes, ao mesmo tempo que gemia junto com a mulher, sentindo aquela sensação tão gostosa que era estar dentro dela.
-Rebola essa bunda, vai >. – Ele pediu em um tom sofrido de súplica, ainda a encarando e vendo a mulher de olhos fechados e mordendo a boca, enquanto lhe ajudava nos impulsos e parecia pular em seu colo. – Abre o olho, anjo. Abre o olho e rebola essa bunda gostosa pra mim… – Ele mal terminou de falar e sentiu o corpo dela contrair todinho em volta dele, o fazendo gemer grotescamente.
> abriu os olhos ainda respirando entrecortado pelos movimentos rápidos e fez o que o marido pedia. Rebolando contra o quadril dele, gesto que fez os dois gemerem em sincronismo, quase ultrapassando o sistema de som da casa. percebendo que dali a pouco não aguentaria mais segurar, levantou um pouco mais a coxa direita da mulher e segurando a perna dela quase rente ao peito pra ajudar nas estocadas mais profundas, passou a se movimentar com mais rapidez a ouvindo gemer desesperada no ritmo do movimento.
-Vai, . Só mais um pouquinho, vai! – Ela segurou os cabelos dele como se aquilo fosse a garantia de que ele não pararia ate que ela tivesse chegado ao seu orgasmo.
-Vai anjo, assim. Goza de novo comigo, geme daquele jeitinho que me deixa louco, vai. – Ele pediu rente ao ouvido dela, já quase sem fôlego pelo esforço que fazia e sentiu ela se agarrar ainda mais a seu corpo. E se o homem a conhecia bem, sabia que ela chegaria ao seu ápice em questão de segundos. estocou uma última vez antes de ouvir a mulher gemer e quase desfalecer em seus braços, enquanto ela sentia seu corpo explodir em uma onda intensa de prazer, que desencadeou para que o orgasmo dele acontecesse logo após umas poucas estocadas a mais e o homem gemesse chamando o nome dela.
-Oh God. – A mulher suspirou escorada na parede, sentindo seu corpo ainda quente, relaxar.
riu sem forças, com o rosto escorado entre os seios dela e sentiu a mão da ex-mulher fazer um carinho gostoso em seus cabelos. Ele levantou a cabeça e com ajuda dos braços se esticou a beijando-a de leve.
-Te amo! – > beijou o nariz dele, vendo o homem sorrir imensamente encantado. – E, puta merda, que sexo gostoso! – Ela respirou fundo e o viu gargalhar, rindo junto com ele.
-Também te amo, anjo. – Ele sorriu grandemente, mostrando quase todos os dentes claros. – Isso que é sexo! Não é qualquer trepadazinha por aí não. – Os dois riram e ela segurou o rosto suado dele com as duas mãos, vendo as bochechas do homem bem vermelhas.
-Suas bochechas ainda ficam vermelhas! – > riu passando os polegares e ganhou um beijo casto na palma da mão.
-Algumas coisas nunca mudam. – deu de ombros. – Tipo seu nariz enrugado. – Ele piscou e viu a mulher rir alto e abraçá-lo com força, sendo abraçada de volta na mesma intensidade e colocada no chão.
-Você pode, por favor, abrir o vinho agora? – > perguntou rindo levemente e o viu rolar os olhos no mais puro teatro.
-Abro o que você quiser, agora. – Ele piscou e logo se dirigiu para o suporte em que estava o saca-rolhas. – Só olha se eu não quebrei as taças, quando joguei tudo no chão.
A enfermeira riu e se segurou na bancada, pendendo de leve o corpo pro lado, vendo inúmeros utensílios no chão, inclusive as duas taças estraçalhadas.
-Você quebrou minhas taças preferidas, safado! – > ralhou como se o repreendesse e saiu de lá, antes que machucasse os pés com os cacos de vidro no chão.
-Eu acabei de transar com minha mulher, o melhor sexo em cinco anos. Eu estava pouco me fodendo pra o que tinha em cima da bancada. – Ele foi direto e finalmente conseguiu tirar a rolha da garrafa, ouvindo um gritinho animado da mulher pelo tão sonhado vinho ter sido aberta. Os dois riram. – Pega as taças?
-Claro! – A enfermeira sorriu largamente e após dar um beijinho casto no marido, abriu o armário da cozinha, pegando mais duas taças. encheu as duas taças, enquanto abraçava a mulher de lado, sentindo o corpo dela encostado ao seu e > com a cabeça encostada em seu ombro.
-Senti tanta saudade do seu corpo assim, anjo. – O homem revelou baixinho, beijando a cabeça dela e a mulher abriu um sorriso gigante, movimentando a cabeça e o beijando levemente. – Sabe de uma coisa? – A pergunta saiu quando os dois deram um gole generoso no vinho, sentindo o saber se alastrar pelo paladar.
-O quê? – ela afagou as costas dele, ouvindo quase o homem ronronar, esfregando o nariz na bochecha dela.
-Eu sempre tive vontade de ficar pelado com você dentro de casa. – O homem falou com uma seriedade gigante e ouviu a gargalhada da esposa. – É sério! E eu já ouvi tanto os meninos falando certas coisas que eu tinha vontade de fazer e nunca dava. Que inicio de casamento era a melhor coisa e a única experiência que eu tinha era de duas crianças chorando na madrugada! – Os dois riram alto e ela escondeu o rosto no ombro dele, compartilhando do sentimento.
-Quer dançar comigo, Mr.? – A pergunta de > saiu audaciosa, fazendo ele esboçar um dos sorrisos mais gigantes.
-Pelado? – A risada saiu animada.
-Mas é claro! Vamos matar sua vontade de ficar pelado comigo dentro de casa. – > agarrou a taça de vidro em cima da mesa e puxou o corpo dele, colando de frente ao seu.
abriu um sorriso imenso e a abraçou com força, mantendo uma das mãos a segurando pelas costas. Ele escondeu o rosto no pescoço dela, sentindo um carinho gostoso na nuca, enquanto os dois se balançavam no meio da cozinha, ao som de uma música lenta que tocava em uma playlist aleatória. Mas que logo foi trocada por um som altamente conhecido, sensual e envolvente, que fez o homem descer a mão pelas costas da esposa, colando ainda mais o corpo dos dois.

I’ve been really tryin’, baby
Tryin’ to hold back this feelin’ for so long
And if you feel like I feel, baby
Then come on, oh come on
Let’s get it on, oh baby
Let’s get it on

Os dois roçaram de leve o quadril um no outro e segurou a mão dela com a taça, tomando o pouco de vinho que sobrava. Ela abriu um sorriso travesso e não demorou muito pra beijar o marido com a boca e o corpo. Sabendo que o homem ia enlouquecer com aquilo.
foi feito ao som dessa música. – O homem disse convicto e ouviu a esposa rir de leve, passando o nariz no dele.
-Você lembra! – Ela esganiçou animada.
-Claro que eu lembro, você quase me deu uma aula sobre quem era Marvin Gaye. E a gente estava no meu carro. – Ele respirou fundo, sentindo o perfume do cabelo dela adentrar seu olfato. – Era minha menina prodígio, little genius. Lembra? – soltou uma risada contagiante a fazendo rir junto e aperta-lo ainda mais no abraço.
-Lembro, mas aí minha inteligência foi toda pro . Sou uma mulher comum. – Ela fez um bico engraçado que o fez rir alto e enche-la de beijinhos.
-Sabe de outra coisa? – perguntou rente ao ouvido dela, fazendo a pele da mulher se eriçar por inteiro. – Essa música, eu lembrando da gente no meu carro… – O homem sugou a pele do pescoço dela entre os lábios, ouvindo a mulher suspirar, quase gemendo. – Estou louco pra transar de novo. – mordeu levemente a mandíbula dela. – Só que eu quero na nossa cama, lá em cima. – Os beijos foram voltando para o ombro dela, enquanto a mulher só faltava enfiar os dedos nas costas dele.
-É só me seguir, Mr. – > o afastou pelo peito com um dos sorrisos mais safados.
Ela piscou, o deixando bem confuso e em um estalar de dedos, saiu correndo nua pela casa na direção da escada. Sendo a única escolha dele, correr atrás dela, enquanto os dois riam como dois recém casados. soltou uma gargalhada espontânea, com a brincadeira que ela tinha acabado de começar e viu a mulher dar uns pulinhos, antes de entrar no quarto correndo. O cantor fez o mesmo percurso que ela, com a mesma rapidez da mulher e riu maliciosamente ao vê-la jogada na cama.
puxou o corpo dela com uma das mãos, enquanto subia na cama e ouviu a gargalhada de > quando começou a beijar o pescoço da mulher. A enfermeira arqueou levemente o corpo, fazendo o quadril dos dois roçar e ouviu o gemido sofrido dele contra seu pescoço, sabendo que o marido tinha amolecido com o toque. Ela mordeu a boca, juntando habilidade e a força que tinha para virar por cima dele na cama e o ouviu soltar uma gargalhada gostosa de se ouvir.
-Vai sentar? – perguntou com um sorriso sacana e viu um pior surgir nos lábios avermelhados dela.
-Também, mas primeiro eu vou passar a língua por sua tatuagem. – > piscou sinuosamente e apoiou as mãos na cama, praticamente deitando o corpo sob o dele. – Quem é que manda aqui? – Ela mordeu o lábio inferior dele, puxando entre os dentes e ouviu uma risada larga do ex-marido. – Responde, . Fala quem manda! – A mulher mordeu o queixo dele, ao mesmo tempo que rebolou fazendo o homem gemer.
-Você. – O homem suspirou sentindo seu corpo reagir espontaneamente ao dela.
-Quem? – Ela perguntou mais uma vez. – Fala alto, que eu não ouvi!
-Você, ! Você quem manda na porra toda. É você quem manda em mim. – disse em alto e bom som, subindo a mão pela coxa dela, onde ele deu uma palmada leve.
Ela abriu um sorriso satisfeito, construído em malícia, fazendo com que o queixo dele fosse o ponto de partida para os beijos que seriam distribuídos por aquele corpo maravilhoso do homem. Logo o peito foi alvo, o fazendo quase gemer por a respirada funda, enquanto ela se sentia imensamente satisfeita com o caos que estava causando. Os beijos desceram para o começo do abdome, enquanto ela já sentia o corpo dele reagir bem demais aos beijos dela quando a ereção dele roçava em seu corpo. > colocou os braços dele pra cima como se prendesse o homem na cama e ouviu a risada satisfeita dele.
-Eu já disse que você é quem manda! – piscou com um sorriso mais do que safado e pressionou a ereção contra ela, fazendo-a suspirar.
> enfiou o rosto no pescoço dele e chupou um pedaço da pele com força, ouvindo o homem quase perder o fôlego e rir mais uma vez.
-Vai deixar marcado? – A pergunta saiu em meio a uma falha na respiração.
-Pra mostrar que você é meu. Só meu. – A mulher mordeu o lábio dele e voltou com os beijos para o início da garça na costela, que quase havia causado uma guerra.
suspirou em ansiedade, sentindo a língua dela descer pela tatuagem, contornando como havia sido prometido e gemeu quando > mordeu perto do músculo oblíquo, o excitando ainda mais. O homem gemeu mais uma vez com o contato e sem pensar, agarrou os cabelos dela, fazendo a mulher soltar uma gargalhada espontânea, olhando com deboche pra ele.
-Solta! – A ordem saiu acompanhada de mais uma risada e ele suspirou frustrado. – Eu estou mandando soltar.
soltou um grunhido frustrado e a puxou pra cima pelos braços, virando a mulher na cama, praticamente encaixando o corpo dos dois. Ele abriu um sorriso safado e segurou os braços dela acima da cabeça, os prendendo na cama. Ele ia brincar? Que bom, ela aprovava muito aquela atitude dele. > riu com o desespero e mordeu a boca, abrindo um sorriso de deboche para o marido, que fazia a ilustre questão de roçar o corpo no dela.
-Quem manda agora? – perguntou a penetrando de uma vez e ouviu um grito da mulher lhe xingando de cretino. – Hm, anjo… Quem manda? – Ele passou o nariz ao da esposa, que respirou fundo.
-Eu continuo mandando! – Ela piscou pra ele, dobrando as pernas em volta dele para prender o homem por ali mesmo.
-Ah é? – perguntou debochado e puxou uma das pernas dela, inclinado ainda mais pra cima, na intenção que a mulher lhe sentisse melhor. – Então manda que eu faço. – Ele mordeu o queixo dela e viu a mulher suspirar, segurando seu ombro com força.
-Continua!
-Mas já? – Ele soltou uma risada larga.
-Cala a droga da boca e vai logo! – O xingamento saiu desesperado e soltou a mão dela que ainda prendia, sentindo essa mesma mão descer por suas costas e apertar sua bunda, o fazendo rir alto.
-Você quem manda! – O cantor se apoiou em um dos cotovelos, equilibrando o peso do corpo e saiu da mulher, entrando de novo com mais rapidez e força.
Ela gemeu com o movimento brusco e travou ainda mais uma das pernas ao redor dele, arqueando o corpo e sentindo a respiração do homem descompassar a cada estocada funda que a fazia perder o fôlego. soltou a perna da mulher que ele segurava e logo agarrou um dos seios dela, beliscando e apertando na intenção de estimulá-la para promover o melhor orgasmo. Os dois gemeram juntos, ainda que sem fôlego pelos movimentos mais rápidos e intensos e ela pôs a mão em cima da dele, mordendo a boca com força, o incentivando a continuar com as caricias.
O rebolado do quadril em sincronismo era o que fazia os gemidos ressoarem no quarto sem pudor, além da respiração descompassada pelo vigor dos movimentos. respirou fundo, puxando fôlego pra continuar e enfiou o rosto no pescoço da mulher, fazendo a boca dela ficar bem perto de sua orelha.
-Era isso que você queria, ? – Ele perguntou com dificuldade, enquanto ainda estocava com força, deixando a respiração dos dois bem dificultosa e a única coisa que recebeu em resposta foi um gemido baixo no ouvido, que o fez gemer junto. – Era desse jeito que você sentiu saudades? Forte, gostoso e quente? – O homem perguntou mais uma vez, percebendo que a única resposta que estava tendo além dos gemidos, era o corpo dela deslizar no seu, os puxões de cabelo e a expressão de contentamento da mulher. Mas ele queria mais, queria uma resposta concreta, queria que ela falasse e por não receber, diminuiu os movimentos, fazendo com que imediatamente, > abrisse os olhos, completamente confusa com o que tinha acabado de acontecer.
-Por que raios você está parando? – A pergunta saiu em meio a respiração falha, enquanto ela agarrou os cabelos dele, puxando a cabeça do homem e o beijando na mais pura sacanagem. – Não para não, amor. Continua! – > pediu numa manha sem tamanho, o vendo expressar uma careta de sofrimento.
-Fala pra mim, anjo. Era assim que você queria? – mordeu o ombro dela, ouvindo a mulher soltar um grunhido e puxar seus cabelos.
-Era! – Ela respondeu sem muitos rodeios e ouviu a risada sacana dele, antes de sentir o marido estocar de uma vez, a fazendo gemer novamente.

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O homem se jogou na cama com o maior sorriso que conseguia segurar no rosto e olhou pro lado, vendo a mulher tentar arrumar os cachos rebeldes no topo da cabeça. Ele sorriu encantado ao vê-la e descansou um dos braços atrás da cabeça, sem tirar os olhos dela. O outro ele estendeu a convidando pra deitar em seu peito.
-Que foi? – > perguntou rindo, ao ver o olhar preso a ela e o homem riu.
-Nada, eu que sou o homem mais sortudo do mundo, apenas. – deu de ombros, sentindo o corpo relaxar ainda mais na cama e com um aceno a chamou mais uma vez.
A mulher riu, sacudindo de leve a cabeça e suspirou, aceitando o chamado dele. > se moveu, deitando a cabeça no ombro do marido e colocando uma das pernas sobre ele, o que a fez ganhar carinho.
-Você é exagerado. – Ela fechou os olhos, sentindo o cafuné, enquanto desenhava formas aleatórias no peito dele com a ponta do dedo. Os dois suspiraram contentes.
-Talvez um pouco. – beijou a testa dela, sentindo a mulher lhe abraçar com mais força pela cintura. Ele respirou fundo mais uma vez, sentindo o corpo completamente relaxado e ainda com a boca encostada na testa da mulher, lembrou de algo importante. – Anjo?
-O que? – Ela beijou de leve o queixo dele.
-Nós não usamos camisinha. – Ele sentiu o sangue fugir completamente da boca e > riu baixo.
-Não deixei o contraceptivo. – A enfermeira soltou uma risada divertida, vendo o peito dele baixar em alivio.
-Puta merda, meu coração foi no chão! – cobriu o rosto com a mão, fazendo a mulher rir da forma mais espontânea, sendo abraçada com força e virada na cama de modo repentino.
A mulher riu junto com o marido e passou a mão no cabelo dele, ouvindo o homem suspirar e lhe dar alguns beijinhos entre a boca e a bochecha. segurou a mão dela e deu alguns beijinhos castos nas pontas dos dedos.
-Eu gosto quando você pinta a unha dessa cor. – O homem disse com um sorriso frouxo, ao ver o esmalte vermelho escuro colorir a unha dela. – Fica sexy, só ressalta ainda mais o mulherão que você é. – Os dois riram.
-Você repara na minha unha. – Ela soltou meio incrédula e ganhou um beijo apertado na testa.
-Eu reparo em tudo em você, . Há 20 anos. – Os dois riram baixo. – Achei que você soubesse. – Ele beijou de leve o pescoço dela.
-Eu sei! – Ela o beijou de surpresa. – Mas unha é algo tão pequeno. – Ela riu fazendo carinho no rosto dele.
-Nada em você é pequeno pra mim. – Ele deu uma piscadela travessa e beijou o lábio da mulher. – Está com fome? – perguntou prendendo uma risada e > riu de forma espontânea.
-Faminta! – A mulher jogou a cabeça pra trás na cama e ouviu uma risada divertida dele. – Disposto a, finalmente, fazer as costelinhas? – Ela fez um bico e roubou um beijo.
-Disposto! – O ficou de joelhos na cama e esticou a mão pra ela, ajudando-a a sentar.
Ele seguiu para o closet, na intenção de vestir nem que fosse um samba canção, certeza já passava da meia noite e os meninos chegariam em pouco tempo. Era uma pena que os bailes de colégio não demorassem mais a acabar. O homem se espreguiçou, sentindo uma paz que há tempos ele não sentia e quando finalmente se vestiu para sair do cômodo, viu a esposa entrar desfilando com seu belo corpo a amostra.
-Gostosa! – Ele piscou e saiu rindo, enquanto dava alguns pulinhos pelo quarto.

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O casal jantava calmamente, sentados a ilha da cozinha, enquanto riam de qualquer assunto aleatório e distribuíam alguns beijos, conforme a necessidade. As roupas haviam sido recolhidas do chão e muito bem acomodadas na máquina de lavar roupas, > já tinha tomado seu tão precioso banho, que combinado ao que tinha acontecido anteriormente, a relaxara de uma forma que ela nunca imaginaria. mantinha além de um sorriso bobo nos lábios, um boné mal colocado na cabeça, fazendo com que a mulher entendesse que aquela era a mais nova mania de estilo, se assim poderia ser chamado. O vinho, já aberto, tomou destino em mais duas taças, acompanhando lindamente o jantar de última hora.
-Que horas? – Ele fez careta ao dar a última garfada no que estava no prato e > vincou as sobrancelhas, dando de ombros. – Esses dois não chegam não? – A pergunta saiu até certo ponto preocupada, quando arrastou o celular pra checar o horário.
A enfermeira riu com deboche ao levantar do banco, recolhendo os dois pratos da ilha e o viu suspirar, ainda concentrado em o que quer que fosse no celular.
-Não vem com esse deboche pro meu lado, não. – largou o celular na bancada e se escorou nos cotovelos, rindo, enquanto subia o olhar pelas pernas descobertas da esposa que parecia lavar o que tinha sujado.
-Você pintou e bordou e agora vem dar uma de pai preocupado?
-A figura de pai tem que aparecer vez ou outra, anjo. – Ele deu de ombros, se escorando no tampo de mármore com os cotovelos e tirou o boné, passando a mão pelos cabelos. – Quer ver TV? – A pergunta saiu acompanhada de um bocejo.
-Cansado? – A mulher perguntou rindo e o viu rir junto.
-Morto, mas feliz! – piscou, a chamando com um aceno. Ela arrodeou a ilha, sendo acompanhada por ele e abraçada por trás, ganhando alguns beijos na cabeça.
Momento que os dois adolescentes entraram em casa, parecendo brilhar de tanta animação, mesmo que ainda fizessem silêncio para não acordar os pais que achavam estar dormindo. finalmente sorriu aliviado ao ver os dois entrando em casa e riu da cara de espanto dos filhos ao ver que ainda estavam acordados.
-Esperando vocês. – > respondeu à pergunta subliminar das crias e os dois riram. – Como foi o baile?
-Ótimo, incrível! Nós dançamos tanto. – Leonor soltou um gritinho animado ainda abraçada de lado no irmão. – E rimos bastante.
-Foi sim, tudo isso que a Leo disse. – O rapaz sorriu grande e beijou a cabeça da irmã. – Dançamos e rimos bastante. Foi muito legal! – O filho mais velho disse sorrindo.
-Estão com fome? – perguntou soltando um riso leve, abraçando > com mais aconchego e quase enfiando o nariz no cabelo cacheado da mulher.
-Não! Eu fiz o parar no caminho pra gente comer. – Leonor disse mais do que animada, fazendo a mãe arquear levemente a sobrancelha.
Será que tinha acontecido alguma coisa naquele baile? > não sabia, mas tinha certeza que precisava sondar a filha quando as duas estivessem descansadas. Ela apertou os braços por cima dos braços do marido e viu os meninos, tentarem esconder a estranhesa de verem os pais tão grudados daquele jeito de uma hora pra outra.
-Vão dormir agora? A gente vai subir. – A mulher disse com um sorriso frouxo nos lábios e viu o casal de filhos não saber exatamente o que responder. – Só não façam muito barulho se forem ficar por aqui por baixo.
-Tudo bem, dona >. – filho piscou pra mãe e em um movimento rápido, jogou a chave do carro pra ela, que segurou no reflexo. – Obrigado!
-De nada, meu amor. – Ela sorriu e abraçou o filho com força, se perdendo no abraço do moleque que estava mais alto até que o pai.
-Mas é pequenininha. – O rapaz debochou da altura da mãe, passando a mão na cabeça dela, ouvindo as risadas escandalosas de e Leonor.
-Pequenininha é a mãe, moleque! – Ela xingou fazendo os três rirem ainda mais.
-É mesmo, minha mãezinha! – O garoto riu e beijou a testa dela, apertando ainda mais a mulher no abraço. – Mas é fofinha né, pai? – Ele perguntou vendo o homem vermelho de tanto rir com as palhaçadas dele.
-Vai dormir, ! – Ela disse rindo e o beijou na bochecha, antes de soltar o menino que também ria, dando a vez do abraço para a irmã. – Olha aqui, menorzinha é a Leo! – > agarrou a criança que estava mais alta do que ela pelos saltos.
-Anjo, você quem tá um tamborete perto dela. – riu após beijar a cabeça do filho como um desejo de boa noite.
-Ai que a mamãe tá pequeninha! – Leonor sacudiu a mulher no abraço, a fazendo rolar os olhos.
-Vem anjo, vamos dormir. – O homem chamou com um bocejo e se espreguiçou, estendendo a mão pra ela.
-Boa noite. – Ela desejou aos filhos e segurou a mão de .
-Durmam bem. – Ele beijou a cabeça da filha e por fim acenou pros dois, jogando o braço de forma despreocupada nos ombros da esposa. – Finalmente dormir é? – O homem perguntou baixo, perto da orelha dela. – Eu ainda aguento mais outra. – Ele mordeu a boca e ganhou uma cotovelada de leve na costela.
-Meu Deus, . Se aquieta! – > rolou os olhos e soltou uma risada alta, sendo acompanhada por ele, que a abraçou com força, beijando a cabeça dela.

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> desceu as escadas, passando as mãos nos cachos presos em um rabo de cavalo, sem saber exatamente porque aquela mania lhe perseguia sempre. E antes de entrar de vez na cozinha, viu o marido cantarolar alguma melodia que parecia nova, enquanto se perdia entre as preparações para o café da manhã. Ela sorriu encantada com o jeito animado dele, parecendo ter 25 de novo, principalmente porque tinha tirado os vestígios de pelos que queriam formar uma barba. Era engraçado como um boné o fazia ficar parecendo um menino.
-Bom dia! – Ela riu ainda escorada ao batente da porta e ganhou um dos sorrisos mais lindos dele. O sorriso dela. – O que deu em você, marido? – > fez questão de pronunciar a palavra, o vendo quase explodir de felicidade.
-Bom dia! – A resposta saiu no mesmo tom de felicidade. – E o que deu em mim foi a mais pura e plena felicidade.
-Todo de boné pra trás, parecendo teu filho. – > abriu um sorriso encantado, escorando de leve a cabeça no batente da porta. – Tirou a barba?
-Ficou ruim? – passou a mão pelo rosto liso, fazendo uma careta meio confusa.
-Nada fica ruim em você! – Ela piscou, mandando um beijo alado e o vendo abrir um sorriso ainda maior, que certamente viraria uma risada gostosa de se ouvir.
-Adoro quando ela paga pau pra mim, senhor! – O cantor gritou pro teto da casa, como se agradecesse a alguma divindade, ouvindo a esposa gargalhar.
-Qual o motivo de tanta felicidade? – Ela perguntou ainda rindo e o viu lhe chamar com um aceno de mão.
-As atividades noturnas foram muito valiosas! – O homem abriu um sorriso safado, vendo um igualzinho surgir nos lábios carnudos da mulher, enquanto ela caminhava em sua direção.
-Maravilhosas! – > riu, o abraçando com força e ganhando um beijo na testa. – Me encontro mais leve que uma pena. Sem qualquer vestígio de problemas na minha vida. – Ela disse sentindo seu corpo ser abraçado com força. – Qual a bomba calórica do dia?
-Tem café, panqueca, waffles, bacon e ovo. – piscou a fazendo sorrir ainda mais largo e fechar os olhos com força, como se tentasse sentir o cheiro de todas as comidas ao mesmo tempo.
-Deus, hoje eu não almoço! – Os dois riram, quando a mulher beijou a bochecha do cantor com força, sendo agarrada pelo homem sem demora para um beijo intenso.
Ele enfiou a língua na boca dela sem qualquer demora, pressionando ainda mais a mulher contra seu corpo, o que fez > suspirar e enfiar a mão entre os cabelos dele, ouvindo o marido soltar todo o ar dos pulmões pelo nariz. mordeu de leve o lábio inferior da mulher e abriu um dos sorrisos mais lerdos.
-Você é doido! – Ela arregalou de leve os olhos e deu um tapa de repreensão no ombro dele, vendo o marido rir. O cantor puxou o corpo dela, ainda segurando grudado ao seu e rodou com a mulher no meio da cozinha, a fazendo rir alto, enquanto se segurava nele. Os dois riram mais.
-Louco por você. – deu um selinho estalado nela e abriu um sorriso largo, porém inocente. – E nós precisamos recuperar as energias da noite, mulher!
-Acho muito válido! – Ela riu encostando a cabeça no ombro dele. – Liguei o registro da piscina. Topa?
-E eu nego piscina desde quando?
-E o dia lindo como tá? Tô já puxando os meninos pelo pé. – Ela declarou, fazendo o marido rir da animação dela.
-Daqui a pouco eles descem. – O homem beijou a cabeça dela, feliz por ter sua mulher novamente. Da forma mais completa que ele poderia imaginar, ela era sua de novo, sem faltar mais nenhum pedacinho.
-Já fez café? Adoro seu café… forte, gostoso e quente. – A enfermeira mordeu a boca, prendendo um sorriso safado no canto dos lábios e o ouviu gargalhar.
-Ah, então ela gostou do forte, gostoso e quente? – Ele perguntou com um deboche misturado a malicia e > riu ainda mais alto.
-Do seu café? Sempre gosto. – Ela desconversou rindo e o beijou de leve. – Vou pegar as canecas. – > desabraçou o marido, indo na direção do suporte que portava todas as canequinhas penduradas e puxou o olhar dele sem nem mesmo perceber. – Leo quebrou a minha no mês passado, eu estou usando a sua.
-Hoje eu deixo. – riu, ajeitando o boné na cabeça, enquanto ainda admirava a mulher. Ele nunca se cansava de fazer aquilo. – Mas paga aluguel! – Ele declarou a ouvindo rir alto.
-Que história de aluguel, . – Ela bateu de lado o quadril no dele. – Mas agora fiquei curiosa em como vou pagar isso.
-Hm, eu tenho algumas várias opções… – Ele mordeu um sorriso ladino, passando sorrateiramente a mão na bunda dela, o que fez a mulher arquear uma de suas sobrancelhas. – Mas por enquanto, aceito um beijo. – piscou.
-Não tem forma de pagamento mais interessante não? – Ela perguntou levando a caneca aos lábios, sustentando um sorriso safado, que fez o homem soltar uma risada larga e espontânea.
Sem demorar muito, segurou a cintura dela com as duas mãos e suspendeu a mulher, colocando-a sentada na bancada de supetão. Ela arregalou os olhos, meio assustada pelo movimento rápido e sentiu seu coração gelar, mais uma vez, quando o viu se enfiar sorrateiramente entre suas pernas. O homem carregava um sorriso sacana, combinado ao olhar dele, que mais parecia de um gato querendo brincar com a comida, a fez se apavorar mais um pouco só de pensar que os meninos poderiam acordar a qualquer momento.
-Eu até poderia mostrar. – O sussurro saiu grave, enquanto a mão dele contornava o pouco da tatuagem dela que tinha ficado a amostra. – Mas aí a gente quebrava mais canecas. – Ele terminou a frase apertando a perna dela com força.
! – > soltou um grito de repreensão que fez o homem rir.
-Não grita! – Ele repreendeu arregalando os olhos, como se não tivesse mais que 19 anos. – Assim você quem vai acordar os meninos! – só completou a pose de um pai que não queria acordar as duas crianças.
-A gente não tem mais 25 anos! – Ela voltou a esganiçar, mesmo que medisse o volume da voz, quase estapeando o marido nos ombros.
-E você continua linda e gostosa como na época! – piscou, a vendo abrir a boca em uma indignação fingida. – Até mais!
-Me põe no chão! Daqui a pouco os meninos acordam. – Ela soltou um gritinho e ele negou com um aceno bem infantil.
Os dois ouviram o barulho de dois furacões batendo a porta do quarto e a enfermeira arregalou ainda mais os olhos, ela realmente não queria que os filhos os vissem naquela situação. Era certeza que em poucos dias começariam a surgir perguntas que a deixariam na dúvida até do próprio nome, então era melhor que os dois não vissem nada demais, ou seria complicado explicar ou contornar.
-Tá vendo? – Ela apontou pra porta da cozinha. – Me tira daqui! – > pediu em um esganiço o fazendo rir com o desespero dela.
-CRIANÇAS, O CAFÉ TÁ PRONTO! – Ele gritou, aumentando ainda mais o desespero de > e sentiu um tapa pesado no ombro. – Ai, mulher! Eu já vou te descer daí!
-TEM CAFÉ? – O grito do filho mais velho saiu feliz, como se fosse manhã de Natal.
-OLHA O CHEIRO! – Leonor também gritou mais do que animada, fazendo o pai rir alto e finalmente ajudar > a descer da bancada da ilha para que ela lhe ajudasse a alimentar os dois adolescentes, que para ele, nunca iriam de deixar de ser seus meninos.
A mulher empurrou o marido de leve, o fazendo rir e após ganhar um beijinho, foi pegar pratos e as canecas para que os filhos tomassem café. Logo a cozinha foi tomada pelos dois furacões de pijama, de fato parecendo duas crianças, exceto pela tatuagem que o rapaz tinha na costela e dava uma agonia na mãe toda vez que ela via, por mais que tentasse superar o fato. O pior de ver o filho crescendo, era vê-lo realmente crescendo, tomando algumas decisões sozinho e que algumas das vezes, não era a certa, como aconteceu em relação a mentira. A vontade de olhar a tatuagem do moleque de perto era grande, mas o receio de chorar de desgosto por se considerar uma fraude, era maior ainda.
Depois da folia na cozinha, a família reunida, voltando aos poucos a sua formação original. zoando os dois filhos, como se eles não passassem dos cinco anos de idade e > rindo com as brincadeiras dos três. Pai e filhos ajudaram a organizar o lugar e logo correram pra piscina que completaria lindamente aquele dia de sol. Era fato, o trio parecia peixinhos quando o assunto era água.
> se espreguiçou, rindo em ver pelo vidro da cozinha seus meninos brincando do lado de fora e resolveu dar uma atenção maior ao celular que estava jogado na bancada desde a noite anterior. DROGA! Cinco ligações de Elena. Era oficial, ela iria morrer pelas mãos da mãe. A mulher discou rapidamente um dos números que ela mais utilizava desde sempre e não demorou muito pra que a chamada fosse atendida.
-Oi mãe. Oi, oi!
Oi querida! – A voz doce ultrapassou o limite de várias cidades e 3 horas de viagem, dando uma segurança e conforto imenso a >. – Eu te liguei ontem depois que vi as fotos dos meninos, mas acho que seu celular deve ter sido enfiado dentro do forno de micro-ondas. – A mulher reclamou sem demora, fazendo > rir alto.
-Eles estavam tão lindinhos! Eu quase não deixo ir. – A mamãe mais nova lamentou, ouvindo o suspiro da outra. – Me dói ver os dois crescendo tão rápido. estava sofrendo tanto quanto eu.
Isso é ser mãe, meu bem! – Lenna confortou a filha, rindo baixo por já ter sentido tudo que > estava sentindo. – E seu marido sofre com tudo que envolva a menininha do papai. – As duas riram, deixando a mais velha bem atenta sobre não haver qualquer recusa por parte da filha em ser seu ex-marido. – Pai é tudo igual, só muda de endereço!
-E eu não sei? E agora vem os dois me enchendo a paciência por causa de Leonor, o pai e o filho. – > rolou os olhos rindo. – Mas era tão mais facil quando eles ainda dependiam de mim. Eu me sentia mais confortável em controlar as coisas. – Ela mordeu a boca.
O sentimento é o mesmo pra mim, . – Elena soltou uma risada anasalada. – E o problema com o ?
-Ele tá seguindo o castigo, mas eu ainda me culpo.
Você não tem culpa, querida. Adolescência é uma fase complicada em qualquer lugar do mundo.
-Desculpa! – > soltou um gritinho, fazendo a mãe gargalhar pelo pedido de desculpas que com certeza tinha sido sobre a gravidez do moleque. – E o papai, cadê?
Choramingou horrores ontem, vendo a foto, dizendo que a neta tá crescendo, que o precisa tomar cuidado… – As duas riram alto. – A mesma ladainha que era com vocês.
-Se ele ligar de chororô, eu coloco ele pra falar com a dupla! Eliot tá do mesmo jeito que o original. – A mulher rolou os olhos, ouvindo a mãe gargalhar.
Isso é a convivência com o pai! – Lenna acusou, ouvindo a filha rir da forma mais espontânea e despreocupada. Ali tinha coisa, oh se tinha! – E meu genro, querida, como está?
-Bem. – > se limitou a ser monossilábica.
Bem?
-É. – A mulher reforçou. – Bem… Pergunta logo o que você quer saber, dona Lenna!
Quero saber se vocês voltaram! – A mulher atendeu aos pedidos da filha e ouviu uma tossida.
-Oi?
>, você não me engana. Faz no mínimo uma semana que ele tá direto aí e você anda muito arisca. Não mente pra mim!
O suspiro da mais nova saiu um tanto pesado, mas que confirmava todas as suspeitas de sua mãe.
Eu sabia! Meu amor, escuta a sua voz. Olha o jeito que você fala, a paz que você exala só em mencionar o nome desse homem! – A mãe soltou esganiçada e feliz, ouvindo a filha rir alto sem ter como negar qualquer coisa.
tá aqui mãe, e eu nunca deixei de amar essa praga. É isso. – A mulher voltou a reforçar, mesmo que escondesse e riu baixo.
Vocês transaram! – Elena deu seu ultimato, fazendo a filha quase engasgar e soltar um grito esganiçado, totalmente constrangido.
-MÃE!
Não vem com mãe pra cima de mim, >! Ontem eu te liguei cinco vezes e vocês dois estavam sozinhos quando os meninos saíram de casa.
-E ele me fez companhia! E fazia um ano que a gente não se via, a senhora queria o quê?
Que vocês esperem mais alguns meses antes de me dar mais um neto!
-Se depender de mim? Apenas e Leonor! – As duas riram e a mais nova ouviu um resmungo desacreditado da mãe. – Acredita em mim, mulher!
Eu conheço muito bem vocês dois! Dois sem juízo!
> sacudiu de leve a cabeça, soltando uma risada baixa e abriu ainda mais sorriso bobo ao ver entrar na cozinha com uma postura divertida. Apenas de bermuda e parecendo cantarolar alguma coisa. Ele sorriu igualmente ao vê-la e abraçou a mulher de lado, beijando a cabeça dela em seguida.
-Oi sogra! – Ele gritou deduzindo que fosse Elena ao telefone e ganhou um sorriso da esposa, acompanhado de um beijinho.
Diz a ele que eu estou mandando um oi! – A mais velha disse animada.
-Ela tá mandando oi. – > riu, colocando a ligação em viva-voz, na intenção de que ela não virasse menina de recado.
-Diz pra sua filha amolecer o coração! – debochou na maior cara de pau, vendo a mulher abrir a boca indignada. – Quero voltar pra casa!
-Sai daqui, ! – A enfermeira soltou um grito indignado, o vendo rir e ser beijada de uma vez na bochecha.
>! Diz pro menino voltar pra casa! – Elena intercedeu pelo genro, rindo com a pose do homem.
-Ele não sai mais daqui. – > deu uma tapinha de leve na barriga do marido, o ouvindo rir.
Um convite formal, nunca fez mal.
-Também acho! Concordo com minha sogra. – O homem beijou o pescoço da esposa e sentiu um cutucão na barriga. – Mas você viu que meninos lindos essa mulher pariu?
Meus netos! – Elena disse convencida, ouvindo uma risada conjunta do casal.
-São lindos demais! – O papai babão habitante em se exteriorizou. – Imagina os próximos. Vão vir a perfeição! – Ele soltou animado, sabendo que iria deixar > irada com aquilo.
! Vai procurar o que fazer! – A enfermeira soltou um grito esganiçado e ouviu a gargalhada dele, à medida que o homem lhe apertava mais no abraço. – Parece que é doido! – Ela esganiçou e ouviu um sussurro construído em “por você”.
Eu falei que conheço vocês! – O gritinho de Elena saiu animado, fazendo a filha rir morta.
-Você contou pra sua mãe o que a gente fez ontem? – fingiu confusão, sabendo que > era tão aberta com a mãe quanto era com os filhos.
, vaza! Vaza daqui! – A mulher apontou pra porta do quintal, rindo com o jeito que ele ria. – Não deixa ele criar asa, dona Lenna, não deixa! Da última vez que ele criou asa, me trouxe pra Montréal, junto com os meninos.
-Desculpa, sogra! Mas não dava pra deixar meus três aí não. – O homem riu junto com Elena e beijou a cabeça de >. – Tive que trazer!
Eu entendo, querido, eu entendo! Mas quando vocês vêm aqui?
-Logo, logo. Prometemos! – O homem se prontificou, logo ouvindo os gritos de e Leonor lhe chamando pra ir brincar na piscina. – Os meninos estão me chamando, Lenna. Vou lá ficar com eles! Manda um abraço pro Charlie.
Pode deixar, querido! Mando sim. Dê um beijo em meus netos por mim. Um beijo, até mais!
-Será dado! – O homem sorriu. – Outro, sogra! Prometo que logo a gente vai por aí! – Ele declarou e beijou a cabeça de > mais uma vez, ganhando um sorriso bonito da esposa.
Fico no aguardo!
Eles riram e pegou algumas frutas dentro da geladeira na intenção de fazer seus meninos comerem algo saudável e gelado naquele dia quente. O cantor cortou algumas frutas ricas em água, como melancia, melão e algumas uvas em uma tigela, fazendo uma grande salada e pegou água na geladeira, levando para a beira da piscina onde os filhos estavam.
-Vocês dois já passaram protetor solar de novo? – Ele perguntou ao sair da casa, apertando os olhos pela claridade e recebeu algumas risadas em troca.
-Já sim, pai! – Leonor disse rindo e mergulhou.
-Você tá parecendo a mamãe! – O rapaz disse rindo e se escorou na borda da piscina.
-Estou mesmo parecendo a mãe de vocês. Depois ficam aí se ardendo do sol e a gente quem se preocupa. – O homem confirmou rindo e sentou na borda da piscina do lado da sombra, colocou os pés dentro da água e a tigela com frutas e a água por perto. – Venham comer. – O papai babão chamou e recebeu alguns acenos de mão dizendo que os dois já iam.
baixou os óculos escuros que estava no topo da cabeça e fechou os olhos como se estivesse com o rosto contra o sol. Enquanto mexia os pés dentro da água, aproveitando o melhor do momento, sem ver que o filho tinha se escorado perto dele na borda da piscina.
-Pai? – O moleque chamou a atenção de , enquanto pegava um punhado de frutas no pote.
-Oi, ! – O mais velho respondeu ainda de olhos fechados e respirou fundo.
-Posso perguntar uma coisa? – O rapaz perguntou se apoiando na borda da piscina, na intenção de sentar perto do pai.
-Claro! Nem precisa perguntar se pode. – O homem riu baixo e deu um tapinha encorajador na perna do filho, mal sabendo ele que se arrependeria profundamente da concessão da pergunta que seria feita.
-Você transou com a mamãe?

Chapter Nine

piscou ainda incrédulo com a pergunta que tinha acabado de ouvir. O homem respirou fundo, sentindo a vista desfocar com a pergunta. Mesmo que ele fosse bem aberto com o filho e conversasse sobre tudo que precisava ser conversado, era totalmente diferente quando o pai era o foco da conversa. Já não bastava o moleque estar empatando suas noites de sexo com a esposa, mais do que quando era um bebê. Ele ainda perguntava se tinha rolado? Era muita audácia.
-O que é isso, Eliot? – O pai esganiçou a única frase que conseguiu formular no momento, ainda vendo o garoto com os olhos grandes e curiosos.
-Uma pergunta. – O rapaz respondeu de forma inocente e ainda confuso com o ataque do pai. Não era mais fácil dizer sim ou não?
-Que pergunta, moleque! – Ele tentou desviar, soltando uma risada morta. pai, ainda sem olhar pro rapaz, chamou o cachorro na intenção de desviar do assunto e logo sentiu uma lambida em sua mão. – Tudo certo, amigão? – O homem reclamou rindo, brincando com o Golden Retriever de 10 anos.
O cachorro estava naquela família há tanto tempo, que era tratado como um filho, principalmente quando tinha crescido junto com os meninos e só não dentro de casa pelas alergias de .
-Você tá dormindo aqui na última semana. – O rapaz se escorou ainda mais na borda pra brincar com o bicho de estimação. Ainda insistindo na pergunta e não dando importância as desviadas do pai. sabia bem que o mais velho ouvia com atenção qualquer coisa que ele dissesse, mesmo que não parecesse. – Mas nada se compara com ontem, pai. Vocês estavam num grude só e hoje de manhã, então? Você sabe que eu sei o que isso quer dizer.
O homem suspirou e coçou a nuca.
-Quer dizer que eu amo sua mãe. – Ele abriu um sorriso liso demais e o garoto riu alto. Mas negou com um aceno de cabeça.
-Papai? – A pergunta saiu como se o menino tivesse cinco anos de idade e já esperou a merda que ia sair da boca dele. Eliot era conhecido pelo seu alto poder e constranger qualquer um e ainda parecer uma criança ranhenta.
-Hm. – O pai desviou a atenção pra ele, ainda brincando com o cachorro.
-Tem um chupão enorme no seu pescoço. – A carinha de anjo era o contraste perfeito para a informação que tinha saído de sua boca. O que fez pai tampar de uma vez o hematoma, sentindo o sangue fugir do rosto. O que droga tinha feito noite passada?
-Porra, anjo. – O homem resmungou de forma quase inaudível, baixo ao ponto de parecer um resmungo de dor. – Você não deveria nem saber o que é um chupão, ! – O Mr. ralhou de forma séria, ainda na intenção de desviar do assunto e viu o Hulk ir brincar com Leonor do outro lado da piscina. O mais novo arqueou a sobrancelha bem desacreditado da conversa do pai. Ninguém era criança ali.
-Jura, pai?
-Juro. – A voz saiu firme. Porém mais amedrontada do que qualquer outra coisa.
-Eu não deveria saber o que era um chupão? Até Leonor sabe. – O garoto rolou levemente os olhos e mais uma vez, viu o pai empalidecer como se estivesse prestes a vomitar.
-O QUÊ? – O grito fino saiu rasgando a garganta do cantor e o homem precisou pigarrear. – A LEONOR?
Não, não! Não era possível, Len era apenas a sua menininha!
-Você acha mesmo que Leonor é menos esclarecida que eu? – O rapaz soltou uma risada anasalada, ainda vendo o desespero do pai e suspendeu o corpo na borda da piscina, sentando por lá. – No fim do ano passado, a maman colocou nós dois sentadinhos no sofá do escritório e destrinchou o assunto sem qualquer vestígio de vergonha. – filho movimentou as mãos, mostrando que estava saturado só em lembrar o teor da conversa e viu o pai piscar atordoado.
-A mãe de vocês é louca! – Ele sacudiu a cabeça, tentando esquecer do que tinha acabado de saber, ouvindo o filho mais velho gargalhar. Embora tivesse consciência que era a melhor maneira de explicar certas coisas aos filhos. – Não fala que eu disse isso, mas é! – O homem apontou e riu junto.
-E mesmo assim você a ama. – O moleque abriu um sorriso meigo, embora soubesse que aquilo não ia demorar muito tempo.
-Amo mais por esse motivo. – O homem sorriu encantado.
-Aposto que foi ela quem te explicou muita coisa. – O deboche na voz do garoto fez o homem estreitar os olhos e lhe dar um tapa ardido na perna, fazendo o rapaz se encolher e rir com a mesma cara de pau do pai. – Ai! Sem bater!
-Então para de falar bobagem! – riu baixo e sacudiu de leve a cabeça, desviando a atenção dos olhos para o quintal enorme.
-Não é bobagem! – O rapaz falou com um timbre diferente. – Ela é mais aberta para falar de muita coisa. – Ele mordeu a boca e ouviu uma risada morta do pai.
-Eu só não gosto desse assunto com vocês… – O homem fez uma careta. – Deixo pra .
-Ela passa do limite, às vezes! – filho soltou uma gargalhada estrondosa, o pai riu do mesmo jeito. era louca! – Mas você não respondeu minha pergunta! – Mais um sorriso meigo tinha surgido no rosto do rapaz.
-E nem vou responder! – O homem abriu exatamente o mesmo sorriso. Um sorriso cara de pau e meigo ao mesmo tempo, uma coisa que só aqueles dois conseguiam.
-E no que isso vai dar? – Uma das perguntas mais temidas por ele, foi proferida.
-Olha, , eu não sei. Mas eu espero que resulte no que eu e você queremos. – Ele bagunçou o cabelo do filho, ganhando um sorriso compreensivo em resposta.
O homem se escorou um pouco mais nos braços e sorriu encantado ao ver a filha indo na direção dos dois, enquanto brincava com o Hulk.
-Do que vocês estão falando? – A garota riu com as lambidas do cachorro e sentou ao lado do pai na borda da piscina.
-Basquete! – A palavra escapou de uma vez da boca do mais velho, fazendo o garoto quase juntar a sobrancelha ao cabelo de tanto arqueá-la. Sério que ele iria esconder toda a conversa e o teor dela pra Leonor?
-Dessa marca horrorosa no pescoço dele! – O filho esganiçou meio indignado e ganhou um olhar fuzilante, seguido de um tapa na cabeça. – AI! – O grito saiu acompanhado de uma risada estrondosa.
-Que marca? – A garota fez uma careta tentando enxergar e arregalou os olhos ao ver o chupão, deixando o homem pálido, porém com as bochechas rubras de tanta vergonha. Que merda! Era só o que faltava. – Pai! Que coisa feia! – A menina tentou um tom de repreensão que o estava deixando ainda mais constrangido.
-Leonor! – pai tentou ralhar, sentindo as bochechas esquentarem e tapou, mais uma vez, a mancha roxa com a mão. Ele iria dar o troco em Ah se ia!
-Eu vou falar com a mamãe, porque é sem condições! – a garota fingiu estar saturada e decepcionada. – Que negócio mais feio, Sr. ! – Leonor abriu o berreiro a rir junto com o irmão, assim que os dois viram o bico emburrado do pai. Piorando pra um apavorado quando o homem viu a moça levantar, insinuando ir na direção da cozinha.
-Você vai falar com ninguém, Leonor! Volta aqui! – O homem pendeu o corpo pro lado, tentando segurar a garota pela mão, mas só conseguiu se escorar nos próprios braços, ouvindo-a rir alto.
-OH DONA , VEM CÁ! – A garota gritou, vendo o pai quase perder os olhos da cara.
-LEN? – O gritou só fez o mais velho arregalar os olhos.
-Eu disse! Eu disse, pai! – O rapaz riu alto, se esquivando de qualquer pedala que atingisse sua cabeça.
Não era possível que aqueles dois demônios estavam tirando com a cara do pai. E o respeito, onde estava?
-Vocês não têm nada melhor pra fazer não? – O pai bufou como se não passasse dos 13 anos de idade e ouviu os dois tentarem prender a risada. E por fim o suspiro frustrado, chegando a ser até curioso por parte dos filhos.
-Você voltou de vez? – Leonor saltou com a primeira pergunta, primeira de uma série, na qual não saberia responder. Ele respirou fundo e sem olhar pra garota, mexeu os pés na água, pedindo a todos os anjos que a garota entendesse o recado.
-É que eu não sei, Len. – A frase saiu uma das mais sinceras possíveis. – Eu espero muito que aconteça!
-Ok, paciência! – A moça levantou as mãos em rendição, como se repreendesse os dois pais lentos, por aquilo. – Vocês estão fazendo tudo errado! – A mais nova ralhou como se fosse super entendida no quesito relacionamento e o pai suspirou impaciente.
-Leonor… – O homem esfregou o rosto com uma das mãos. Já estava cheio do mesmo assunto, principalmente quando a única resposta plausível para os dois filhos era “eu não sei”. – Vai dar certo! Eu prometo pra vocês. Isso é tudo que eu posso dar certeza por agora, tudo bem? – beijou a cabeça dos dois e os viu sorrirem satisfeitos. Ao menos aquilo ele tinha conseguido um entendimento.
-Esperamos o anúncio oficial! – A moça piscou como se o encorajasse. – Tipo Line Up. – Os três gargalharam.
-Eu espero que seja com um irmão! – O Jr. deu uma esganiçada que fez o pai gargalhar contente.
-Convençam a mãe de vocês, eu topo na hora! – O sorriso meigo e abusado se fez presente mais uma vez, quase fechando os olhos com as bochechas tão enormes.
Aquela realmente era uma ótima ideia. grávida de novo? Mais um bebê pra cuidar? Que os anjos dissessem amém! Era uma forma de voltar pra casa com chave de ouro. Eles já tinham transado mesmo e continuariam transando, fazer o bebê era o de menos.
-Claro que topa. O chupão no seu pescoço não tá dizendo muito o contrário! – A garota trouxe novamente o assunto à tona, ouvindo o irmão gritar rindo e vendo o pai abrir a boca bem indignado.
-Criança, você não me deixa escolha! – E dito isso, deu um leve tapa na cabeça da filha. Bem leve só pra fazê-la rir alto. Era perdido, ele não tinha qualquer voz com Leonor. – Mas quem sabe? Vai que vocês sobem de nível no patamar da fraternidade. – O homem deu de ombros rindo e ouviu a risada dos dois.
negou de leve com a cabeça e se escorou ainda mais nos cotovelos. Ah como era gostoso sentir o sol batendo no corpo, o vento fresco, a água gelada na piscina, uma lambida do cachorro nas costas…
-HULK! – O grito tentou parecer indignado, mas ele só conseguia rir das risadas dos filhos e bagunçar o pelo do cachorro.
-Sentem no colo do papai pra mamãe tirar uma foto! – A voz de ressoou no quintal, enquanto ela estava encantada com o jeito que brincava com os filhos. Aquela sim era a melhor coisa de tê-lo de volta. – Igual aquela do primeiro fim de semana na piscina! – A voz da mulher estava mais do que eufórica.
-Vamos! Vocês ouviram a mamãe, sorriam para a foto! – O homem abraçou os dois filhos de lado, sabendo que não tinha como colocá-los no colo outra vez, ou passaria duas semanas travado.
abriu um sorriso imenso ao tirar uma foto tão linda e acenou pra que eles saíssem da pose. beijou a cabeça dos filhos. Primeiro o primogênito que carregava seu nome, depois a princesinha que mais tarde lhe deixaria com os cabelos mais brancos.
-Posta a foto, anjo! – O homem pediu com um sorriso imenso, vendo o casal de filhos se dispersarem pela piscina.
-Claro! – sorriu enquanto postava a foto em sua conta no instagram. – Querido, liguei para os meninos. Chamei pra virem almoçar por aqui hoje.
-Oh coisa boa! Eu adoro o movimento! – O cantor disse feliz e escorou nos cotovelos, ainda sentado na borda da piscina.
-Que horas eles chegam? – O filho perguntou ao emergir na piscina e jogou água na irmã.
-Para com isso! – Leonor riu alto, revidando a gracinha. – Quem vem, mamãe?
-Acho que só não o Chuck, meu bem. Ele voltou pra Los Angeles semana passada. – A enfermeira explicou e os dois filhos afirmaram. – Postei, amor. – Ela avisou ao marido sobre a foto que tinha ficado tão linda.
-Dad, a gente pode abrir o Instagram? – O moleque perguntou interessado, voltando a um assunto no qual ele já tinha resposta.
Aquela era uma das únicas coisas que tinha voz com aqueles dois. A privacidade da família, mesmo que pouca, era algo que o homem tentava preservar ao máximo, junto da esposa e sempre tinha sido daquele jeito. Por mais que e Leonor tivessem crescido praticamente junto com a banda e os próprios integrantes dela, os adolescentes não eram tão expostos como o pai ou o London. Era uma escolha de cada família e a dos foi aquela.
, eu acho melhor você continuar com ele privado. – O mais velho se posicionou no assunto.
-Por que dada? – A outra que adorava as redes sociais, perguntou fazendo careta.
-Porque eu não quero expor vocês, princesa. Essa é uma forma de proteção. – Ele suspirou um tanto frustrado. – E vocês dois sabem como exposição demais é complicado. Eu tenho quase 40 anos e não consigo relevar certas coisas, eu não quero vocês metidos nisso. Então eu prefiro manter assim. Com as contas privadas eu tenho controle do que esta acontecendo. Tudo bem? – Ele sorriu fechado e o casal de filhos olhou pra .
-Isso não é comigo. O pai de vocês quem manda. – Ela levantou as mãos em rendição. – E eu concordo com ele, nada de conta aberta. É mais fácil ter acesso ao que chega a vocês. – Ela piscou e ganhou um sorriso imenso e grato do marido.
-Não vai entrar, anjo? – Ele apontou pra piscina com o queixo, desviando completamente do assunto privacidade antes que os meninos voltassem a insistir. – Água está ótima!
olhou pra piscina, depois para o marido e realmente considerando a possibilidade de entrar ali, a mulher desabotoou o short jeans. Que mesmo sem ter a intenção, prendeu a atenção do cantor de uma forma fora do comum. Não era como se ele não tivesse presenciado aquela cena inúmeras vezes nos últimos 20 anos, mas depois de tanto tempo longe e das aventuras da noite passada, considerar ver a enfermeira se despindo, mesmo que fosse ficar de biquíni, era algo que ele não iria perder. mordeu a boca discretamente, vendo a esposa rir com os filhos como se eles ainda fossem crianças pequenas. Já não bastava ser um mulherão, ainda tinha que ser uma mãezona.
O homem se escorou um pouco mais aos cotovelos, aproveitando o show inconsciente e prendeu um suspiro ao ver o biquíni bordô que contrastava lindamente com a pele dela. O jeans curto mal chegou aos joelhos e ela precisou vesti-lo novamente pelo toque da campainha, deixando o homem frustrado com as visitas. Quem em sã consciência aparecia uma hora daquela? Eles não podiam esperar ela tirar o short todo e aí aparecer?
-Chegaram! – O gritinho da mulher saiu eufórico e assim que ela abotoou o short mais uma vez, escorregou dentro da piscina como se estivesse derretendo em frustração, ouvindo uma gargalhada estrondosa do primogênito. Que droga, o pivete tinha percebido.
Os amigos foram levados ao quintal, onde toda a magia daquele dia aconteceria. O Deck já estava pronto como se esperasse ansiosamente para recebê-los depois de uns bons meses, aquela era a primeira vez que os davam uma festinha depois da desastrosa separação. Os domingos tinham ficado completos novamente, era como se, finalmente, uma peça tivesse se encaixado dentro daquele ano que não tinha começado dos melhores. acomodou seus convidados que já eram da família, pelo enorme alpendre que contornava o Deck, enquanto cumprimentava os amigos, deixando-os confortáveis entre o casal, como há tempos não acontecia.
olhou bem da irmã pro cunhado e o contrário também era válido, estranhando todo aquele amorzinho gratuito. Será que tinha acontecido algo a mais do que alguns amassos? Ali tinha coisa. Ela abraçou o homem e logo depois cumprimentou os sobrinhos, vendo os dois bem radiantes. Era maravilhoso ver duas crianças tão genuinamente felizes pela boa convivência dos pais. Era sinal que sim, as coisas estavam andando e nada a deixava mais feliz.
Os donos da casa repetiram os cumprimentos a , Jeff e Michelle, assim como as duas meninas do casal e ao pequeno boxeador mais amado daquela família. Alex era o tipo de criança que ganhava o coração de qualquer pessoa, era simpático, meigo e muito carismático, algo que deixava boba sempre que tinha contato com o menininho. As crianças foram se direcionando pelo quintal, procurando com o que brincar ou se divertir, dividindo-se entre a piscina e a rampa no fim do quintal, deferentemente de Alex que estava preso aos braços da madrinha.
-Eu estava com saudade de você, dinda. – O rapazinho beijou-a na bochecha, fazendo babar com tamanha demonstração de carinho.
-Sério? Saudade de mim? – A mulher perguntou com um sorriso imenso e viu o menino de cinco anos afirmar com a cabeça. – Eu também estava, você não veio mais me visitar. – Ela fez um bico fingido o fazendo rir.
-Mas eu moro aí do lado. – Alexander apontou rindo e ganhou um beijo de surpresa na bochecha. – Amanhã eu venho te ver de novo, tia. Prometo! – A criança fechou os olhinhos pra dar ênfase, deixando-a derretida com tanto amor.
-Você deveria era vir morar comigo! – Ela declarou apertando o menino no abraço e o ouvir rir de forma espontânea.
-E deixar minha mamãe e meu papai, sozinhos? Claro que não, tia. – Ele fez uma careta esquisita que arrancou uma risada encantada dela.
Era incrível a forma que era apegada a Alex. Talvez fosse pelos tempos difíceis logo após o acidente de , quando a mais nova cuidou do garotinho durante uns bons meses, ou pela forma que as duas famílias criavam os filhos. Mas a enfermeira se sentia como uma segunda mãe para o sobrinho, assim como tinha certeza que a irmã, também se sentia mãe dos seus. Além de que, lá no fundo, Alex despertava nela uma maternidade adormecida e que vagarosamente vinha querendo tomar espaço nos últimos meses.
-E aí, campão. Tudo certo? – chegou interrompendo a bolha em que os dois estavam, encantado com o jeito que a sua mulher tinha com a criança. Mais do que nunca, ele queria mais um filho.
-Oi dindo! – Alex acenou animado e completou o high five suspenso.
-Ele disse que estava com saudade de mim. – disse brilhando tanto quanto o sol aquele dia.
-Sei como é o sentimento, Alex. – O homem riu e bagunçou o cabelo do sobrinho, beijando a bochecha da esposa e ouvindo uma risada estrondosa de volta.
-Você mora aqui né, tio? – O garoto fez uma pergunta retórica como se duvidasse da saudade de e os três findaram por rir, quando o casal beijou a bochecha do loirinho ao mesmo tempo. Um de cada lado, fazendo o molequinho ficar com um biquinho de peixe. – Deixa eu ir pra rampa! – Ele pediu com a voz engraçada pelo bico e o casal riu.
-Só não esquece o capacete e a joelheira, beleza? – pegou o afilhado do colo de e colocou o garotinho no chão, fechando a promessa com um soquinho com a criança.
-Beleza! – O gritinho da criança saiu firme e logo Alex correu para onde os pais estavam, na intenção de se aparatar todo e ir brincar na rampa com Leonor e Maya.
riu encantado com o filho dos e bagunçou os cabelos úmidos, ele suspirou ao lembrar de quando seus meninos eram daquele tamanho e sentiu a nostalgia lhe atingir bem na cara. Se não tinha um filho pequeno pra suprir, os não se importariam de emprestar um pouco o Alex. Se importariam? O homem se escorou nos joelhos já gastos pelos anos de pulo em cima do palco e fez uma careta bem fingida sobre eles doerem a qualquer movimento brusco, ouvindo uma risada de .
-Estou velho, anjo! – Ele manteve a careta de dor fingida, simulando esfregar um dos joelhos, enquanto endireitava a postura pra olhá-la e os dois riram.
-Percebe-se! – O deboche saiu na maior cara de pau, fazendo abrir a boca mais do que indignado. Ah então era assim? Ele ia mostrar que estava em perfeita forma física.
-É assim que vai ser? Ok, então. – Ele continuou com sua pose indignada, fingindo acreditar no pseudoxingamento enquanto a mulher ria.
O cantor balançou a cabeça, estreitando os olhos e em um ato mais impensado do que rápido, abaixou a postura, forçando o ombro contra o corpo de e com ajuda das mãos a colocou pendurada em seu ombro como se fosse uma criança teimosa. Logo ele ouviu um gritinho de susto, sentindo alguns tapas em suas costas, causando as risadas de quem estava por ali.
-Quem é o velho agora?
, me põe no chão! – gritou apavorada.
Não por medo de cair, não por medo de qualquer coisa que a fizesse sair com algum machucado. A mulher confiava demais em , de olhos vendados até, mas o pavor se construía no susto de ter sido pega de surpresa.
-Eu não! – Ele usou da cara mais lavada que tinha. – , Leonor! Cadê as fotos? – O cantor perguntou abrindo um dos braços, quanto o outro segurava as pernas da esposa.
-Vocês não façam isso! – A mulher soltou um grito esganiçado, fazendo a irmã rir alto.
-Já tá sendo feito! – A Mrs. riu mirando a câmera do celular nos dois. – Vira ela, . Ou vai aparecer só a bunda. – A mulher riu e prontamente o cunhado virou de lado, dando pra ver a cara de tédio de
-Um bundão lindo desses, bicho! – O elogio saiu envolvido a um tom bem malicioso.
-Vai te catar! – riu alto e deu um tapa de leve na bunda dele, como se o repreendesse pela declaração com o alto teor sexual.
-Sério, vocês me dão ânsia. – filho fez uma careta, representando a única “criança” que estava ali, já que os outros tinham ido brincar na rampa.
-Shiu, bolinha! – O pai meneou a mão, ouvindo as risadas dos amigos. – Vai, . A foto! – O cantor flexionou o braço como se mostrasse seus bíceps, abrindo um sorriso bem convencido enquanto a cara de tédio de completava todo o conjunto conceitual da foto. – Anjo? Acho melhor você segurar o fôlego. – tirou o celular do bolso traseiro do short dela e jogou pro filho.
-Não, não, não! , não! – O gritinho esperneado o fez gargalhar e em seguida pular na piscina junto com ela, soltando a mulher apenas quando estava dentro da água.
nadou até encontrar o corpo dela novamente e ao emergir, sacudiu a cabeça como se aquilo tirasse o excesso de água em seu cabelo, parecendo o cachorro da família e fazendo rir, enquanto se encolhia por ter respingado água nela. Ele passou as mãos pelos fios quase todos grisalhos dos seus próprios cabelos, andando até chegar mais perto de onde a esposa estava. abriu um sorriso divertido que se transformou em um bico pidão, fazendo com que a mulher soubesse exatamente o que ele queria. Ela riu com o jeito fofo que as bochechas rosadas dele se portavam na presença do bico e em seguida, enlaçou os braços ao redor do pescoço do homem, correspondendo o pedido do cantor e lhe dando um beijinho mais demorado.

-x-

Após os ânimos terem se acalmado e até alguns petiscos saídos da cozinha, as famílias conversavam amenidades sobre qualquer planejamento que estava por vir, algumas viagens que pretendiam fazer pra aproveitar o tempo em família ou até mesmo conversas paralelas sobre a vida familiar, como os próximos shows que pretendiam levar a família junto. Tudo era assunto quando eles se encontravam.
E aproveitando o bom humor repentino, ou nem tão repentino assim, da mãe, filho ainda sorrateiro, cutucou de leve o braço dela, na intenção de convencer a mulher a chamar Madeline pra festa do domingo. Óbvio que ele estava ansioso e animado pra apresentar a garota pra todo mundo e aquela era a hora. virou com um sorriso no rosto e se desprendeu da conversa, afagando o braço do filho.
-Oi príncipe! – Ela virou sorridente, abraçando o filho de lado e ganhou um beijo na bochecha. – Que houve? – estendeu o copo com uma mistura de Whisky e Sprite pra ele, oferecendo ao garoto e o vendo fazer uma careta horrenda, ao negar, só a mãe pra gostar de beber aquilo. Mas OK, tudo estava sob controle.
-Queria saber se posso chamar a Mad. – Ele mordeu a boca. – Sabe? Pra vir pra cá. – tentou explicar, vendo um sorriso encantado surgir nos lábios da mãe, já provavelmente meio alterada pela bebida.
-Claro que pode, meu bem! Quer que eu ligue? – A pergunta veio solícita, ao mesmo tempo em que ela rapidamente olhou pro lado, na intenção de entender a crise de riso alheia.
-Eu queria ir buscá-la, maman. – filho abriu um sorriso de criança inocente, mesmo sabendo que estava de castigo pelas próximas semanas. Sem mesada e sem carro, isso se não pisasse mais na bola.
-Oi? – voltou a atenção pra ele, confusa por não ter escutado o pedido anterior do filho.
-Se eu posso ir buscar ela. – O rapaz mordeu a boca.
-Claro que pode, anjinho. – Ela abriu um típico sorriso de mãe, o fazendo entender que não ia ser tão fácil como parecia. Dona estava aprontando alguma.
-De carro?
-Carro? A pé, ué? – Dito e feito, a resposta da mulher o fez rir morto. – Não contou a ela do castigo? Coragem, rapaz! – A mulher ironizou a atitude do filho um pouco alto demais e ouviu as risadas serem direcionadas aquele ponto da conversa.
-O bebezão tá de castigo? O que ele fez? – Jeff soltou a pergunta que era curiosa pra boa parte da turma que estava ali.
-Segura. – entregou o copo ao marido e virou o filho lado, expondo bem a garça da discórdia que até a manhã daquele dia, ela não tinha a mínima coragem de olhar de perto. Talvez o Whisky fosse um bom aliado pra ajudar a enfrentar os problemas e as inseguranças.
-Essa presepada. – levantou o braço do filho, mostrando a tatuagem enorme que deveria ter custado, no mínimo, uns três dias pra fazer. – Esse pivete mentiu pra mim e pro pai e fez essa presepada mês passado, quando estava de férias em Ecinitas com o . – Ela terminou de dizer e o rapaz deu um sorriso de anjo mais falso existente, exatamente igual ao pai.
-Porra, moleque! – bateu na própria testa, rindo por ter finalmente entendido o chilique do afilhado outro dia. – Mentir logo pra quem. – O rapaz abriu um sorriso trincado. – Você tem que entender que elas descobrem tudo, as mulheres são quase agentes da CIA! – O padrinho do garoto voltou a declarar, ouvindo as moças presentes rirem alto.
-Eu sei, dindo! – Eliot arregalou os olhos, ganhando um pedala da mãe. – Ai! – Ee se encolheu, mas continuou: – Agora eu sei porque o meu pai não mente pra ela. – O sorriso maldoso e de deboche surgiu, fazendo e Jeff caírem na gargalhada.
-Cala a boca, pentelho! – O interessado soltou a ralhada, mesmo que risse e revidou a provocação. – Você não tá muito diferente na situação, Eliot. Vocês já sabem que o sabichão aqui tá muito bem amarrado? Namorando uma garota mais velha. – pai abriu um sorriso tão malvado quanto o do filho, ouvindo o coro de “Hm” que deixou o moleque de bochechas ainda vermelhas.
-Era ela quem você queria trazer? – Michelle riu divertida, vendo um sorriso gigante tomar o rosto do rapaz apaixonado.
-Sim. Minha namorada! – O sorriso do rapaz foi quase nas orelhas, despertando no grupo de adultos que mais pareciam crianças, um coro sonoro e constrangedor de “HHM” mais uma vez. Será possível que eles nunca tinham tido 16? Já tinham nascido velhos e casados? – Posso ir ligar pra ela? – Ele perguntou a mãe, rindo da brincadeira e a mulher afirmou com um aceno.
-Vai, pode ir! – riu e deu uma palmada brincalhona no garoto quando o viu praticamente correr pra dentro de casa.
-Vish, tá velha! – zoou e a mulher fez um bico fingido de choro.
-Virou sogra já, ? – Jeff também entrou na brincadeira, vendo a mulher aumentar ainda mais o bico e rir. beijou-a na lateral da cabeça e a abraçou de lado, apertando o corpo da esposa contra o seu.
-É, virei sogra. Mas a Mad é maravilhosa, vocês vão ver. – A enfermeira abriu um sorriso orgulhoso do filho, recebendo seu corpo com Whisky dissolvido em Sprite. – Ao menos ela tem juízo. – Ela riu levemente.
-E Leo? – A pergunta proibida surgiu fazendo o Daddy simular um arrepio de pavor só em cogitar a ideia.
-Leonor é uma criança! – O homem ressaltou muito bem ressaltado, ouvindo os amigos rirem, lhe fazendo de chacota. Que fosse, mas que Leonor era uma criança, ela era e enquanto ele pudesse, iria protege-la de toda essa história de namorados sem futuro.
A mulher rolou os olhos e depois de ouvir um grito do filho, dizendo que estavam batendo na porta, caminhou pra ver quem era, esperando ansiosamente que fosse David. O baixista vinha bastante abatido nos últimos meses e era uma vitória que ele tivesse ido a bagunça na casa dos , era quase como um “ainda estou firme, mas talvez precise de ajuda”. A Mrs. deu uma corridinha dentro de casa e em questão de segundos, abriu a porta, dando de cara com quem tanto estava fazendo falta por ali.
-DAVID! – O grito animado da mulher saiu espontâneo ao ver o amigo de longa data. O homem abriu os braços e ganhou um abraço apertado da enfermeira.
! – Ele a abraçou com força de volta e os dois riram.
-A gente estava só te esperando! – sorriu e o beijou na bochecha. – Achei que você não vinha. – Ela o puxou pra dentro, vendo um sorriso fechado surgir nos lábios dele, tirando suas próprias conclusões sobre ser um esforço grande estar ali. – Você tá melhor? – A Mrs. perguntou o abraçando de lado e ouviu apenas um resmungo.
-O que o bocão do seu marido já foi te contar, mulher? – A pergunta saiu um pouco ácida, quando era pra ter saído divertida.
-Tudo? – fez a maior cara de ops e o homem riu, apertando-a mais um pouco no abraço. – O bocudo do meu marido me conta várias coisas, David.
-Completamente desnecessário. – Ele rolou os olhos.
-Você sabe que pode conversar comigo, não sabe? – A pergunta saiu sincera, cheia de compadecimento e engajada para mudar alguma coisa. – Sério, David. Eu não quero invadir a sua vida, ou qualquer espaço, mas eu estou aqui pra o que você precisar, prometo!
-Eu sei, . Obrigado! – Ele abriu um sorriso encantador e a beijou na cabeça, de uma das formas mais gratas. – Cadê meus filhos, barriga de aluguel? Quero ver meus meninos. Tá cuidando direitinho do e da Leonor? – Uma das sobrancelhas foi arqueada, a fazendo rir alto pela brincadeira.
-Claro que eu estou, cara de pau. – A enfermeira pôs a mão no peito, fazendo a linha indignada. – E seus filhos estão no quintal, estavam loucos pra ver a mamãe! – A dupla gargalhou mais uma vez e seguiram na direção de onde a bagunça daquele dia acontecia.
Eles caminharam os poucos metros que separava a porta da frente da porta dos fundos, e ao chegarem no quintal, ainda mantidos no abraço frouxo, tomou fôlego pra anunciar a chegada do atrasado.
-CHEGOU QUEM FALTAVA! – O grito estridente saiu ressoando pelo deck um pouco mais distante e até Leonor, Maya e Alex que brincavam na rampa de skate, pararam pra ver o que era.
O homem gargalhou com o escândalo dela e fingindo que estava com vergonha da postura da enfermeira, a soltou do abraço, fingindo que nem conhecia. Sendo questão de segundos até sentir um par de bracinhos abraçar suas pernas. Alex era, sem a menor sombra de dúvidas, a criança mais carinhosa dali. O garotinho foi colocado no colo e abraçado com força pelo tio, que logo havia virado sanduíche de simple kids. Era um amor sincero e que de alguma forma, o fazia entender que era sim amado por aquela enorme família.
-Vocês comeram fermento? – A pergunta saiu esganiçada, fazendo os cinco rirem alto. – O que houve com vocês? – Ele direcionou a pergunta aos adolescentes .
-Você que sumiu, tio! – Leonor beijou a bochecha do baixista, o fazendo rir e abraça-la de lado, beijando-a na cabeça. – Aí a gente cresceu. – A menina deu de ombros. David colocou o pequeno no chão e após bagunçar o cabelo dele, cumprimentou as meninas Stinco da mesma forma e logo depois o Simple Baby mais velho, enquanto andavam para o Deck onde o resto da família estava.
-Esticaram vocês numa prensa, não é possível. – Ele fez uma careta engraçada que os fez rirem.
-E você não sabe da última! – saltou com a frase, o vendo arregalar os olhos mais curioso, depois beijá-la na cabeça e lhe abraçar com força.
-Me conta que eu fico sabendo! – O homem riu, cumprimentando o resto da família.
-O primogênito da família tá de namoradinha. – A mulher soltou um gritinho, de certa forma bem orgulhosa do sobrinho e afilhado.
filho com namorada? – A careta saiu distorcida. – Nossa, , se ele for que nem vocês dois… – David arqueou uma das sobrancelhas, apontando para o casal anfitrião da vez, enquanto sentava perto da Mrs. , colocando o braço sob as costas da cadeira. – Ela é bonita, ?
-Vai te catar! – A acusada riu alto.
-Claro que é tio! – O moleque soltou um grito animado. – Inclusive, você libera a moto pra eu ir buscar ela?
-Claro que não, teu pai é outro, pirralho! – A ralhada saiu divertida, causando mais algumas risadas e embalando uma nova conversa, dessa vez com a presença de todos.
Logo a namorada de filho, também havia chegado e foi apresentada a grande família Simple Plan, mesmo que ainda incompleta, ou que os já conhecessem a nora dos . E entre as piadinhas sobre o garoto ser feio demais pra uma moça tão bonita e as respostas vingativas e venenosa do rapaz, afirmando que os homens da família tinham a sorte de apaixonar por mulheres bonitas, Madeline se sentiu em casa. Mesmo de uma forma bem estranha, ela sabia que estava sendo bem recebida e aquele almoço seria um dos mais divertidos, principalmente pelas promessas de que aquela seria a tarde pra envergonhar o rapaz que levava o nome do pai.
-Conta a historia da sunga! – se manifestou, fazendo todo mundo gargalhar e o rapaz se afundar em uma das cadeiras que estavam no Deck. Era oficial, aquele ia ser o seu declínio oficial perto da namorada.
-Ai meu Deus, a historia da sunguinha! – soltou um gritinho animado e até eufórico, talvez resultado do Whisky, fazendo gargalhar e o moleque querer se enfiar embaixo do chão.
-Que história? nunca me disse nada. – Madeline arregalou de leve os olhos, encostando os cotovelos nos joelhos e vendo o sogro tomar fôlego.
-Então, Mad. – O homem olhou pro filho que já começava ficar com a cara inteira vermelha. – O tinha 3 aninhos, a gente tinha combinado de viajar. Nessa época a Mi morava na Inglaterra e tinha vindo passar férias aqui, aí nós combinamos de viajar pra Califórnia. – O homem começou explicar o contexto da história, vendo a moça bem atenta. – Bom, aí eu comprei um maiô pra Len e uma sunga de cadarço pro . Era toda cheia de desenhos, não era anjo? – Ele perguntou rindo e afirmou. – Aí essas duas. – apontou da esposa pra cunhada. – Decidiram vestir a sunga no moleque pra ver como ficava, tirar foto e não sei o que mais… coisa de mãe e madrinha babona. O cadarço ficou pra dentro da sunga de banho, puxou pra amarrar do lado de fora. – umedeceu a boca, vendo o filho tentar sumir, ainda enfiado no acolchoado da cadeira, enquanto Jeff, e David, gargalhavam só de esperar o que vinha a seguir na história. – O começou ficar incomodado, colocando as mãozinhas entre as pernas e quando as duas tiraram a sunga, viram que o cadarço tinha laçado no pintinho. – O homem fez um bico com o lábio inferior como se sentisse pena da passada criança e a única coisa que ouviu, foram as gargalhadas da francesa. Madeline ria como se aquela fosse a sua última risada, carregando mais um punhado de gargalhadas consigo, de todos que tinham ido almoçar nos naquele dia. Enquanto o namorado da garota, parecia querer sumir.
-Se o negócio não funcionar, é culpa da sua sogra! – A frase maldosa surgiu por parte de um dos “tios” e o rapaz abriu a boca em um perfeito O, ficando retinha na cadeira.
-Tio David! – filho esganiçou ao ponto de mudar de voz, ouvindo as gargalhadas estridentes. – Tá tudo sob controle, eu garanto! – O traz soltou um pouco indignado e ganhou um beijo na bochecha da namorada. A garota estava vermelha de tanto rir. Definitivamente, seus sogros eram os melhores.
-Credo, garoto. Você é um nojo! – Leonor fez uma careta, ainda que risse e o irmão ganhou um leve tapa na cabeça, de .
-Ai mãe! – Ele reclamou pelo costume. – Eu sei, olha a boca. – se auto repreendeu e sentiu o pai afagar seu joelho como se tentasse se desculpar pelas histórias, mas avisando que aquilo ia se repetir sempre que tivesse a oportunidade.
-Meu bem, você vai ter que acostumar com essa família. É de praxe. – tentou confortar o jovem casal e Madeline afirmou ainda rindo.
-É como dizem né? A gente ganha uma namorada, mas o preço pra ter ela é alto. – Ele entrou na brincadeira, percebendo que se irritar com aquilo só ia deixá-lo ainda mais irritado, pois se conhecia bem o pai, sabia que o homem ia ser o primeiro a lhe encher a paciência até ele chorar.

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entrou na sala da frente da casa e viu deitado no sofá, com os braços atrás da cabeça e vendo algum programa na TV, bem aleatório pra ela. A mulher riu levemente, admirando ele tão sereno e concentrado, depois andou até onde ele estava, na intenção de sentar perto pra ver o programa junto. Mas ao chegar no campo de visão dele, o homem lhe abriu os braços, chamando-a pra deitar ali com ele depois do domingo cansativo no quintal.
A enfermeira sorriu e deitou no peito do marido se aconchegando ao corpo dele, ganhando um cafuné gostoso e vagaroso na cabeça. O homem sorriu ao vê-la de olhos fechados, ao ponto de mexer a cabeça contra a mão dele, exatamente como um gato fazia e aumentou a intensidade da massagem, fazendo-a suspirar.
A mulher sentiu uma das mãos dele segurar seu queixo e com delicadeza, levanta-lo de leve ao encontro do próprio rosto. Ela sentiu o perfume gostoso, amadeirado e que lhe dava nocaute sempre que adentrava suas narinas, tomar conta do seu cérebro deixando-a completamente entorpecida, senão viciada naquele cheiro tão bom. Logo os lábios quentes e macios do homem tomaram os seus em um selinho carinhoso, mas que logo se tornou mais ativo, tendo a total pretensão de virar um beijo propriamente dito. sentiu a língua dela tomar sua boca e sem mais qualquer espera, devolveu o gesto a agarrando com um pouco mais de força em um beijo calmo e apaixonado. Céus, há quanto tempo eles não se beijavam daquele jeito? E por que droga tinham parado se era tão bom? O homem fez carinho na coxa dela que estava repousada no fim do seu abdome, sentindo o mesmo carinho ser retribuído em seu braço e ombro, à medida que o beijo só ficava melhor. Ele sugou de leve a língua dela e por fim lhe deu um beijo casto na ponta dos lábios, fazendo-a sorrir e morder o lábio inferior, ainda de olhos fechados. repousou a mão sob o peito do marido, suspirando contente por tê-lo tão perto novamente.
-É tão bom namorar. – Ela disse baixinho e sentiu a risada dele vibrar contra sua cabeça, sendo depositado um beijo entre seus cabelos em seguida.
-Como se a gente fosse adolescente de novo? – perguntou baixo, complementando o cafuné a um carinho de leve no braço dela com o polegar. afirmou resmungando. – Antes dos seus 17? – O ar divertido rondava a pergunta.
-Definitivamente! – A mulher riu baixo. – Foi só quando deu tempo de namorar, embora nós dois estivéssemos mais apressados pra outra coisa.
-Agora é diferente. – Ele soprou baixinho. – As prioridades mudam e sexo é muito bom, mas é consequência. – A reflexão veio em cheio para os dois que suspiraram ao mesmo tempo.
-Sabe? De uns tempos pra cá, eu entendi porque mamãe sempre dizia pra gente que o namoro não pode faltar no casamento. – A mulher beijou de leve o peito dele e foi abraçada com força. Os dois riram baixo.
-É… Existem coisas que a gente só vai entender depois. – fez carinho entre os cabelos dela. – Depois que perde ou acaba… – Ele respirou fundo e sentiu seu corpo ser abraçado com força, como um conforto.
puxou um pouco o corpo dela sob o seu e deu mais um beijinho na mulher. deslizou a mão pelo rosto dele, deixando-a rente a mandíbula, sentindo a pele lisa que ele havia barbeado pela manhã, mas que logo tornaria a crescer. O homem apoiou uma das mãos na cintura dela, grudando-a um pouco mais a seu corpo, enquanto dessa vez deu a partida pra um beijo mais intenso tomando a boca dela com a língua. Eles se agarraram um pouco mais ainda no sofá e em um movimento confortável, o cantor puxou o copo dela pra cima do seu, deixando a esposa acomodada sob seu tronco e no meio de suas pernas. Dando continuidade a outro beijo calmo, cheio do desfrutar e do carinho, que não foi interrompido nem mesmo por uma voz mais do que conhecida naquela casa.
-Mãe? – Leonor chamou procurando a mulher pela casa e o casal riu baixo entre o beijo, se encolhendo no sofá como se aquilo pudesse esconder os dois.
-Shii. – sussurrou, pressionando de leve o indicador nos lábios da esposa.
-Pai? – A voz do rapaz foi ouvida. Dessa vez um pouco mais perto do sofá em que os dois tinham voltado a se beijar, não escutando qualquer chamado.
-Papai? – Leonor chamou mais uma vez, fazendo bufar e rolar os olhos, fazendo a mulher rir.
-O que é, Leonor? – O grito saiu meio irritado.
-Cadê vocês? – Ela voltou a querer saber.
-Na sala, pirralha. Namorando com sua mãe. Então acho bom dar meia volta se estiver aqui. – Ele respondeu meio saturado e arrancou uma gargalhada da mulher. – Por quê?
-A gente quer saber o que tem pra comer. – filho disse rindo e o homem rolou os olhos, fazendo rir mais e beija-lo repetidamente na bochecha.
-Água e língua, . Se virem aí. – O homem respondeu fazendo a esposa e os filhos caírem na gargalhada, consequentemente o fazendo rir também. – Porque eu tô muito bem servido. – O sorriso malicioso surgiu nos lábios do mais velho, à medida que o sussurro foi dado vibrante nos lábios da mulher.
-Eu amo esse idiota. – Ela sussurrou também e o beijou mais uma vez, sendo puxada num supetão pra cima do marido e abraçada com força.
1. Kids 0. – O homem comemorou com uma careta engraçada e sem pensar muito beijou a esposa de novo.
suspirou mais uma vez, sentindo o corpo relaxar completamente com tanto carinho e ainda de olhos fechados, passou de leve a mão pelo ombro nu do marido. Era bom demais sentir o calor que o corpo dele emanava, mesmo que ainda fosse do sol na cabeça durante todo o dia na piscina, mas era como se a revigorasse de qualquer forma. Havia sido tanto tempo longe dele, longe de toda aquela atmosfera gostosa que a fazia se sentir mais viva do que nunca.
beijou-a na cabeça, respirando fundo e assim expandindo toda a sua caixa torácica e mais uma vez apoiou a mão no rosto da esposa, beijando-a de novo. Se existia coisa melhor naquele mundo do que namorar e ganhar carinho, ele ainda não tinha conhecido. O homem sorriu ao vê-la abrir os olhos claros brilhantes e levantou a mão esquerda, abrindo-a como se chamasse a de para se juntar a sua.
O contraste de texturas em pele se fez presente quando a mão dela completou o gesto do marido. O macio delicado que completava o aspecto mais áspero e grosso da mão dele, fazendo os dois rirem ao ver a diferença gritante de tamanho.
-Sua mão é muito pequenininha. – O cantor abriu um sorriso encantado, não prestando atenção que a mulher o olhava com mais encanto ainda.
-A sua que é grande! – revidou rindo e lhe deu um beijo na mandíbula.
-Elas são o encaixe perfeito uma da outra. – O homem virou de leve a mão, fazendo a dela ir junto e sorriu mostrando todos os seus dentes claros. – E esse anel, anjo? – Ele se referiu ao anel que tinha uma única pedra verde no topo.
-Com a esmeralda? – Ela se aconchegou ainda mais ao corpo dele e ouviu um resmungo de afirmação. – Você me deu quando eu formei, a gente não fez baile… Você tinha acabado de fechar negócio na casa e ia ficar bem pesado, aí me deu esse anel, que eu aposto que custou bem mais que um baile. Tem meu nome e a data que eu formei gravado na parte interna.
-Nossa sim! – abriu um sorriso lindo e nostálgico. – Eu lembro disso, mas faz tanto tempo! – Os dois riram. – Uns 12 anos, não é?
-Exatamente, 12 anos. – Ela disse com um ar divertido. – Passa tão rápido.
-E meu amor por você só cresce. – Ele enlaçou os dedos dos dois, sentindo o rosto dela se afundar ainda mais em seu pescoço e tendo a certeza que nunca em 20 anos, ele tinha tomado decisão mais certa do que voltar.

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se espreguiçou esticando as pernas por baixo da mesa e tomou um gole do café quente que tinha feito àquela manhã, enquanto se dividia entre comprar algumas cerâmicas para a esposa pela internet e vê-la preparar o almoço cantarolando algo animado. Ele apostava como se tratava de Good Charlotte, era incrível como depois de conhecer a banda e ainda cultivar uma amizade com eles, ainda tinha admiração de fã. Era algo que deixava encantado, o fato de mesmo depois dos 36 e de inúmeros problemas ao longo da vida, a mulher não deixar sua essência de lado.
Ela era a mesma desde que eles tinham se conhecido com 10 anos de idade, claro que não a mesma criança imatura, mas a alma ainda era jovem, clara e linda. mesmo sendo esposa, ainda era sua melhor amiga, sua confidente, a pessoa que compartilhava das melhores conquistas, a mulher que ria das suas piadas sem graça e que tinha voltado a não ter vergonha dele. Era um trabalho diário desde o acidente, mas era algo que só aproximava ainda mais os dois, que sempre tinham sido melhores amigos na vida.
A mulher bateu a ponta da colher de pau na mão e levou a boca, provando o tempero do almoço daquele dia.
-Amor, já fez o pedido do Philip? – tomou um gole do café e suspirou, achando tão bom o silêncio da manhã sozinho em casa com a esposa.
-Já. Ontem! – virou o corpo levemente, lançando um sorriso bonito para o marido, o vendo sorrir da mesma forma em resposta. – Acabei nem te dizendo.
-Então hoje é a da Mrs. do fim do quarteirão e dos Dill, certo? – O homem se referia aos próximos projetos de designe que a mãe do seu filho desenvolveria, enquanto a ajudava fazendo e buscando as compras.
-Certíssimo, ! – Ela riu encantada com o persistente compromisso do marido em ajuda-la sempre que podia. Aquela sim era uma das melhores coisas de estar casada, ter sendo seu de todas as maneiras. – Para o quintal da família Dill, pede mais um saco das pedras de sal, essa semana eu vi que os que eu tinha pedido não iam ser suficientes.
-Pedido sendo feito! – Ele piscou esperto, fazendo a esposa rir encantada. – Tá vendo? Já pode me arranjar um emprego. – foi astuto, ouvindo a gargalhada divertida da esposa que preparava uma massa vegetariana. – Ah amor, mandaram uma coleção nova de pisos para o seu e-mail.
-Ai meu Deus! Nova? – A mulher soltou um gritinho animado sobre os ladrilhos, o fazendo sorri com a animação dela. Aquela era uma das coisas mais lindas que ele achava, a esposa animada com o que mais gostava de fazer. – Já olho! E você, querendo largar a vida de Rockstar é?
-Fazer meio período! – O homem empinou o nariz como se aquela fosse a ideia para resolver todos os problemas do mundo e os dois riram.
-É justamente o que você está fazendo, meu bem! – levou a cadeira até a beira da pia e lavou as mãos por lá, ouvindo o marido afirmar de forma divertida.
-Vem cá, ! Olha o que eu encontrei. – O homem chamou com uma animação fora do normal, apressando a esposa.
Ela riu ansiosa com o chamado e logo direcionou a cadeira que usava em casa pra agilizar as atividades diárias até ele. Era maravilhoso morar em lugar que cabia perfeitamente dentro das suas necessidades, poder se sentir livre e independente dentro da sua própria casa, era o que fazia de uma das mulheres mais fortes e empoderadas, fora dela.
-Me mostra! – Ela pediu animada, parando ao lado dele e ganhou um beijo carinhoso na bochecha.
-Você tá cheirando a tempero. – fez uma cara de nojo bem fingida e ganhou um empurrão de lado da mulher, que fazia bem a linha indignada.
-Eu estava cozinhando! – Ela colocou a mão no peito meio indignada, mas foi abraçada com força por ele, ganhando um beijo na cabeça.
-Continua com cheiro de tempero. – O homem insistiu com a pirraça e ganhou uma tapa no ombro, o fazendo rir alto. – Mas olha, olha o que eu achei aqui! – trocou a aba em que trabalhava, mostrando uma foto linda da época em que a esposa estava grávida do filho.
Era um ensaio que eles tinham feito pela gravidez, se sentia a pessoa mais feliz e sortuda do mundo na época do acontecido. Eles tinham acabado de casar e ela estava grávida, grávida de um bebezinho que iria encher a família de amor, completando ainda mais a felicidade de que não sabia se poderia ser mais completo. Já não bastava estar casado com a sua melhor amiga da vida, que tinha se tornado seu amor, eles iriam ter um filho. Se tinha felicidade maior do que aquela, ele não conhecia. Sentimentos que eram bem expostos na fotografia, o homem ajoelhado beijando a barriga nua de sete meses, enquanto ela sorria grandemente.
-Você grávida do Alex! – Ele abriu seu sorriso mais apaixonado, olhando para a esposa e em resposta, ganhou o mesmo olhar.
Como se os dois ainda fossem adolescentes, a aproximação não tardou a chegar e com um carinho gostoso na bochecha, foi beijada tão apaixonadamente quanto o sorriso. Ela apoiou a mão no braço dele, aproveitando o gesto de amor ao qual desempenhavam tão relaxadamente sem crianças em casa, ou alguém pra atrapalhar. lhe mordeu de leve o lábio inferior e os dois riram baixo, como se precisassem esconder um pequeno segredo.
-Vou confessar que já tinha esquecido da existência desse ensaio. – Os dois riram quando encostou a cabeça no ombro do marido. sorriu e beijou-a na cabeça.
-Eu lembro que você ficou tão animada com o ensaio, tão eufórica.
-Eu estava me sentindo a própria modelo! – A mulher fez uma pose, combinada a um bico engraçado que fez o marido rir e agarrar o rosto da esposa, beijando-a de novo.
-Você estava deslumbrante. – Ele brilhava ao acariciar a bochecha da mulher. – Mas nada se compara a agora, você só fica mais bonita a cada dia que passa. – O elogio sincero ainda a fazia sentir as bochechas queimarem. Os dois riram baixo.
-E você não para com os elogios. Eu já disse pra parar com isso! – arregalou de leve os olhos escuros, fazendo o marido sorrir largamente como se dissesse que não ia parar nunca com aquilo e a beijou na testa.
-Sabe… – Ele se escorou ao encosto da cadeira que fazia par com a mesa da cozinha, repousando o braço sobre os ombros da esposa. – Eu sinto saudade dessa época.
-Eu também… – O suspiro saiu cheio de saudade, enquanto relembrava todos os momentos ótimos da gravidez. riu baixo e a abraçou pelos ombros, beijando a cabeça da mulher em um ato de puro carinho.
-Você não acha o Alex sozinho? – A pergunta veio culpada, receosa talvez e até um pouco ansiosa. Não era segredo que o homem queria sim mais um filho, embora respeitasse todo o tempo e os medos da esposa em relação a isso, afinal não era fácil.
-Sozinho, amor? – Ela mordeu a boca, sabendo exatamente onde ele queria chegar com aquilo. – Ele é , criança mais sociável e cheia de amigos não existe! – Os dois riram. Sim, Alex era uma das crianças mais comunicativas que o casal já tinha visto.
-Eu sei! – O homem arregalou os grandes olhos claros. – Ele tem mais conhecidos que nós dois juntos. Mas eu ainda sinto falta de certas coisas. – Ele tentou fazer com ela entendesse nas entrelinhas e não era boba nem nada.
-Falta de um bebezinho nessa casa? Pois é, eu sei. Também sinto. – A resposta saiu direta e reta, enquanto ela prendia uma risada, só esperando o grito de surpresa dele.
-Você também? – O grito animado do homem a fez gargalhar em resposta, acenando freneticamente que sim. – Não acha que tá na hora de a gente ter outro? – Ele arregalou de leve os olhos, não parando quieto na cadeira e mesmo sem a intenção, fez a esposa prender a respiração.
De uma forma ou de outra, pensar em engravidar naquelas condições ainda assustava. Claro que não era um bicho de sete cabeças, mas era algo que a deixava com medo. Medo de tudo que pudesse dar errado dali pra frente, até porque ela tinha muito a perder.
-Sabe, não precisa ser agora na loucura. Mas eu digo pensar bem, estudar a possibilidade, planejar essa criança. Nós dois nos cuidarmos pra ela nascer com saúde e que você tenha uma gravidez mais que saudável também. – O pedido saiu sério e cheio de fundamento, para que entendesse que ela não estava sozinha se decidisse o caminho de tentar engravidar.
-Eu tenho medo, . – A sinceridade em saiu mais do que séria, fazendo o marido abraçá-la com força, beijando-a carinhosamente na testa.
-Eu também tenho. – Ele passou o polegar pela bochecha da esposa, admirando cada traço do rosto dela. – Não quero perder você, mas de verdade, acho que a gente poderia pensar na possibilidade. Pesquisar, estudar, buscar aconselhamento. – deu de ombros, querendo mostrar que aquela só iria ser uma fase mais do que incrível para os dois. – Seu terapeuta, a fisioterapeuta, a , sua ginecologista… Eles foram essenciais quando começamos nossa vida de novo. – Ela sabia bem sobre ao que o marido se referia e afirmou, soltando um suspiro pesado.
-Eu vou conversar sim, você vem comigo, né? – apertou os lábios em uma linha fina, vendo um sorriso encorajador surgir nos lábios dele.
-Eu falo até com ela, se você quiser! – O homem beijou-a na testa, passando toda a segurança do mundo e os dois se abraçaram com força. Um abraço que revigorava um ao outro.
Ela soltou a respiração de uma vez, mandando pra fora todos os sentimentos e pensamentos ruins que rondavam sua cabeça e abrindo um sorriso sapeca, o sorriso que trazia as maiores novidades que esperava na vida, continuou:
-Tudo bem, vamos tentar! – A resposta animada foi embalada por um grito escandaloso por parte dele, o que a fez gargalhar. Seu marido era um louco!
-EU CONVENCI ELA! – arregalava mais os olhos à medida que gritava, fazendo entrar ainda mais na crise de riso
-Não grita! – A ralhada surgiu mais divertida do que brigona, enquanto ele não parecia dar a mínima para a reclamação.
-Nós vamos realmente pensar na possibilidade de outro filho! – Ele tentou explicar, ainda com a voz umas oitavas mais altas que o normal. – Toma na cara, ! – O xingamento para o amigo ausente veio cheio de petulância, fazendo arquear as sobrancelhas.
-Ah, então é competição? – A voz indignada fingida saiu fazendo o homem rir meio desesperado, mal esperando que ela fosse entrar na brincadeira. – Sinto te informar, amor, mas ele tá ganhando. Os têm dois filhos faz tempo! – Os dois riram alto.
-Mas eu vou ser pai de um bebezinho de novo e ele não! – empinou o nariz, abraçando a mulher de lado e com força. – Não é competição. – O deu de ombros. – Mas eu estou bem feliz! – O sorriso gigante se fez presente, nascendo em a vontade de esmaga-lo em um abraço gostoso e assim ela fez.
-Será que o Alex vai gostar de ser irmão mais velho? – A mulher mordeu a boca, ansiosa em pensar como seria a reação do filho quando eles realmente decidissem dar um irmão a ele.
-Ele vai ficar louco, vai querer carregar a criança pra baixo e pra cima. – Os dois riram, concordando que sim, aquela seria a reação do moleque mais amado que aquele bairro conhecia.
-Mostrar a todos os amiguinhos! – A mulher pontou bem, fazendo os dois sorrirem de imaginar o quão feliz o pequeno Alex ficaria e não ser mais filho único. E bem lá no fundo, os dois eram quem estavam mais felizes em decidir tentar mais uma criança, mais um desafio que seria cumprido por eles, não por acharem que o filho era sozinho. Aquela se tratava da mais nova realização pessoal na vida dos dois, eles só precisavam descobrir que sim.

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Já era meio da tarde quando chegou à casa da irmã, usando da desculpa que aquele era o dia para a avaliação completa a cada três meses, quando a mulher queria mesmo era contar o que tinha acontecido nos últimos dias. Não que não tivesse percebido o quão radiante a mais nova estava e todo o tratamento cheio de amor para com . Era certo, eles tinham transado! Nunca na vida de um ano na seca, a enfermeira estava com um humor tão meigo e blindado para o estresse, a mulher parecia não se enraivar com nada. O mundo poderia cair ao lado dela que a antiga e otimista , aparecia para ver o melhor da situação.
Se aquilo era culpa de , que Deus o abençoasse.
-Você é chata! Que mania de querer ver minha bunda. – reclamou, mesmo que prendesse uma gargalhada entre os lábios e logo ouviu a estrondosa da irmã.
-Olha, olhar pra sua é necessidade. Gostar mesmo, eu gosto de ver é a do meu marido. – A outra declarou astuta, ouvindo a irmã rir com ela. – Você não anda usando a almofada, não é dona ? – A pergunta veio repreensiva ao identificar um ponto de pressão avermelhado em uma das nádegas da irmã, logo onde ficava uma das proeminências ósseas sacrais.
-Eu esqueci ontem, . E só. – A mulher rolou os olhos, segurando o peso do corpo com os braços, ainda de bruços na cama. – Apareceu alguma coisa?
-Tem um pontinho bem vermelho aqui, é categoria um. – A enfermeira estreitou os olhos por dentro dos óculos, tocando no local com a mão enluvada. – Mas provavelmente vai abrir na hora do banho. Você continua com o Hidrocoloide até fechar e não esquece da almofada, de mudar de lugar, de colocar a bunda pra um lado e a bunda pro outro enquanto estiver na cadeira…
-Você é chata, – A mamãe do Alex rolou os olhos.
-Mas sou necessária! – Ela usou de toda a sua pose convencida e as duas riram. – Vou colocar uma plaquinha bem pequena de hidrocoloide, até porque a lesão é minúscula e espero que não abra. Depois eu vou mandar o plastificar tua bunda toda pra ver se você larga de ser teimosa!
-Vai a merda! – xingou, gargalhando e fazendo a irmã ir pelo mesmo caminho, colocando a plaquinha pequena na lesão e cobrindo-a com filme transparente.
-Tudo certo, Mrs. – A mais nova anunciou o fim do procedimento e baixou o vestido solto da irmã, deixando que ela virasse de frente na cama e ficasse sentada.
-Ah, soeur… comprei uma blusa pra mim semana passada, mas não gostei quando vesti. Olha se você gosta! – apontou na direção do closet e viu dar um pulinho animado, como se fosse uma criança ganhando algo novo. Aquela essência das duas, era algo que nunca se perdia, desde a adolescência elas dividiam algumas roupas, fora o longo histórico da mais velha em comprar roupas para a irmã.
-Eu já gostei da cor! – saiu do closet com a blusa de cor escura em mãos, colocou a peça de roupa na cama da irmã e tirou a que usava na intenção de vestir a nova. Foi quando fez uma careta horrenda ao identificar uma marca roxa no colo da irmã, se impedindo de gritar que aquilo era um chupão muito bem dado.
, o que foi isso? – A pergunta saiu curiosa apenas para que ela tivesse a confirmação necessária e no involuntário, a mulher cobriu a marca. – Ai meu Deus, isso é um chupão! – A boca de foi ao chão, vendo as bochechas de enrubescerem.
-Cala a boca! – A enfermeira arregalou os olhos, parecendo ser a mesma adolescente de 17 anos que dava uns amassos escondidos com o namorado. As duas riram.
, olha a que ponto vocês chegaram! – A mais velha gargalhou, jogando o corpo pra trás na cama. – Ontem o chupão no pescoço do gritava: “Eu transei loucamente com a minha mulher”. E hoje você aparece com esse treco perto do sutiã. – fez uma careta de nojo fingida e recebeu o dedo do meio da irmã. – Tenha modos!
-Sobre o dele, dava pra ver? – Ela fez uma careta ao ajeitar a blusa no corpo. A mulher se virou para o grande espelho do quarto e sorriu satisfeita com o resultado da roupa.
-Claro que dava, ! Você fez aquilo no pescoço do cara, tem nem como esconder. Você deu sorte que os marmanjos mais moleques fingiram não ver, ou ia enchimento de saco na sua cabeça. – A Mrs. arqueou a sobrancelha para o reflexo da irmã no espelho e viu morder a boca prendendo um riso, olhando-a também pelo espelho com a expressão sapeca de quem queria contar simplesmente tudo que tinha acontecido. – ME CONTA! – O gritinho da mais velha rompeu todo o selo que impedia qualquer conversa e a mais nova virou de uma vez, quase se jogando na cama.
-É TÃO BOM SE SENTIR AMADA! – O grito foi estrondoso fazendo a designe de interiores se animar ainda mais.
-Vocês conversaram? Me conta o que aconteceu, mulher!
fez uma careta como se tivesse uma grande interrogação na cara. Conversar? Ela estava cheias de marcas no corpo após um fim de semana maravilhoso e vinha perguntar se eles tinham conversado?
-Conversamos? – Ela soltou uma risada morta. – Sobre o quê? – A pergunta saiu confusa, desfazendo a expressão eufórica na mamãe do Alex dar lugar a uma incrivelmente confusa e incrédula.
-Vocês transaram sem antes resolver as coisas? – parecia bem indignada com a postura da irmã mais nova, a vendo abrir o maior sorriso culpado. Será que ela não tinha aprendido nada com o tempo? – Eu não sei porque eu ainda pergunto. Claro que foi isso! – Ela apertou a junção as têmporas e soltou uma risada culpada. – Eliot é a prova viva de que foi isso!
-Touché! – apontou pra ela. – Mas eu estou com medo de tentar pôr os pingos nos is e foder tudo de novo. – A enfermeira mordeu a boca um tanto frustrada. – De verdade, eu estou com medo de saber porque ele foi embora, medo de ter sido a razão pro meu casamento ter desandado assim! – A mulher passou a mão pelo rosto, frustrada consigo.
? – chamou preocupada com a recusa da irmã em saber como tudo tinha chegado aquele ponto.
-Hm?
-Eu sei que você tá com medo. Eu sei! Enfrentar certas coisas não é fácil, sabe? – Quem mais tinha experiência em enfrentar um tsunami de coisas ao mesmo tempo, tentou confortar a irmã. – Mas não tem jeito, uma hora vai acontecer.
-Não entrar nesse assunto, era um jeito. – suspirou, mordendo a boca em seguida. Por que era tão complicado assumir que sim, ela precisava encarar os fatos.
-Não entrar no assunto é se esconder e vocês não têm mais 17 anos. – A frase saiu baixa por parte da designe. – Se vocês não conversarem, se não colocarem na mesa tudo que aconteceu e porque aconteceu, não vai dar certo. Vocês nunca vão realmente voltar, se não acertarem esses problemas. – Ela mordeu a boca, vendo a enfermeira fazer mais uma careta.
-Era mais fácil ter 17. – Ela suspirou.
-Não era. Foi um temporal os seus 17! – As duas suspiraram. – Mas infelizmente vocês precisam conversar.
-Nós vamos brigar de novo e briga nunca dá em coisa boa. – A mais nova coçou a cabeça.
-Talvez briguem sim, mas isso só vai acontecer se for necessário. Vai ficar mais fácil depois, vai por mim, soeur. – apertou a mão da irmã, ouvindo-a suspirar e afirmar.
Aquela era uma das melhores fases da vida dos , simplesmente por estarem em uma quase lua de mel tardia que era regada a muito carinho e safadeza.
-Eu só estou com medo de perder o pouco que eu recuperei do meu marido. Ele está tão ele, todo carinhoso e cheio de amor, fazendo de tudo pra me conquistar de novo, mesmo que eu não precise realmente ser reconquistada.
-Vem cá, ! – abriu os braços pra irmã, recebendo a mais nova como se ela fosse o Alex e lhe beijou a cabeça. – Tá vendo? É o , o seu marido! E do medo de perder eu entendo bem. Você lembra de quando meu casamento foi abaixo pós acidente, de como o lutou sozinho por várias e várias vezes. E mesmo depois de ele ter conseguido me acordar daquele transe horrível, quase um ano depois ainda tinha momentos que eu achava que a gente ia se separar, sabia?
-Isso você não me disse. – A mãe de dois adolescentes fez uma careta de repreensão.
-Não tinha importância! – As duas riram e foi ainda mais esmagada pela irmã. – Mas sério, só de ele estar sendo completamente o novamente, todo trabalhado na pagação de pau. Eu tenho certeza: vocês não se separam mais.
-Se aquele homem sorrir, eu me derreto! – debochou de si e as duas gargalharam.
-OLHA ESSA MULHER APAIXONADA, PRODUÇÃO! – O gritinho da outra fez as duas rirem ainda mais, dessa vez soltando do abraço. – Sério, tabuleiro de xadrez. – brincou sobre a marca roxa no corpo dela.
-Vai à merda! – gritou rindo e sentou na cama, checando a hora no celular.
-Vai por mim. Conversem, falem tudo que vocês tiverem que falar um pro outro, mesmo que seja difícil. Depois que vocês fizerem isso, irmãzinha, você vai sentir a diferença. A relação muda completamente, de verdade, vocês vão ficar bem mais parceiros e nada mais separa vcs. Foi o que aconteceu com a sua irmãzinha! – O conselho foi dado com maestria e sabedoria. Se tinha uma coisa que tinha, era sabedoria naquele assunto.
-Obrigada, ! – A enfermeira se jogou na irmã, a abraçando com força. – Eu prometo a você, que vamos conversar e resolver o inacabado! – Ela esmagou a outra entre os braços como se fossem bichos de pelúcia.
-Exatamente assim que eu gosto! – sorriu e beijou a bochecha da irmã. – Agora me ajuda aqui, preciso ir dar banho no Alex e você tem uma penca de visitas agora a tarde! – Ela esticou as mãos, sendo ajudada por , enquanto as duas riam como duas crianças.
-Tenho que ir na Dª Margot, agorinha! – A enfermeira arregalou os olhos claros e segurou a cadeira de rodas pra irmã fazer a transição. – Obrigada pela blusa nova, já vou usando porque amei. – beijou a cabeça de a fazendo sorrir animada e grata.
-De nada! – As duas se abraçaram e logo a mais velha afivelou o cinto da cadeira. – Ah, ! – Ela chamou antes que a irmã saísse do quarto. – Fala pro pegar leve da próxima vez e não te deixar cheia de marcas, chupão não é nada bonito! – A mulher piscou fazendo a outra abrir a boca indignada.
-Vai te catar! – O grito saiu esganiçado e a dupla gargalhou, se despedindo com acenos e beijos alados.

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-Pronto, Sra. Margot. Tudo certo por aqui! – A enfermeira sorriu ao fechar o curativo da mulher que tinha uma úlcera neuropática relacionada ao Diabetes Mellitus, vulgarmente conhecido como Pé Diabético. – São as mesmas recomendações de sempre: nada de fazer pressão em cima da ferida, não deixe de tomar seus medicamentos, aumentar a ingesta de água e sem exagerar nas massas, doces e gorduras, tudo bem? – tentou mais uma vez, orientar uma das suas pacientes mais teimosas e em troca, ganhou um sorriso travesso da senhora de cinquenta e poucos anos.
-Não posso prometer nada, – Ela riu de forma aberta, fazendo a enfermeira estreitar os olhos como se fosse a repreender.
-Mas a senhora precisa! – O esganiço da mais nova saiu fazendo a mulher rir. – A senhora sabe que o equilíbrio corporal é de extrema importância pra cicatrização. E que a nossa alimentação é essencial, então eu peço que, por favor, a senhora siga minhas recomendações. – tentou ralhar, mas as duas riram.
-É o que eu sempre digo a ela, – A filha da mulher reforçou, fazendo a enfermeira apontar pra ela.
-Tá vendo? Escuta sua filha. – A estomaterapeuta riu à medida que recolhia todos os materiais que haviam sido utilizados para fazer o curativo, assim como descartava o lixo infectante no saco de lixo branco.
-Querida, como você descarta tudo isso? – Margot perguntou um tanto curiosa com a organização da mulher, que recolhia a lâmina de bisturi em uma caixinha inox.
-Eu levo pra casa e lá a empresa recolhe. – Ela soltou um riso divertido, checou todos os materiais e por fim tirou as luvas sujas. – Antes eu levava na clínica, mas como está em reforma, estou organizando tudo em casa.
-E quando a sua clínica fica pronta? – A senhora perguntou curiosa, vendo um sorriso satisfeito surgiu no rosto da mais nova.
-Se tudo der certo, próxima semana estamos fechando toda a reforma e logo ela vai estar perfeitinha pra atender vocês! – A enfermeira explicou rindo se despediu da cliente com um meio abraço, pegando suas enormes bolsas em seguida.
-Isso é maravilhoso! – A mulher lançou um sorriso grato. – Quando nos vemos de novo?
-Em dois dias eu venho ver como seu pezinho está. Nada de molhá-lo, tudo bem? – lançou a ordem como se a cliente fosse uma criança e as duas riram.
A enfermeira foi direcionada até a porta da frente da casa, pela filha da sua paciente. As duas se despediram com acenos e logo a Mrs. destravou as portas do carro, vendo o porta-malas abrir de forma automática a sua frente. guardou seus equipamentos, os colocando de forma organizada no espaço para que nada fosse danificado e depois de baixar a porta, sentiu o celular vibrar na bolsa. Ela abriu a porta do motorista, se acomodou no banco e só aí atendeu a ligação, confusa em saber porque Leonor lhe ligava aquela manhã já que estava no colégio.
-O que houve? – A pergunta saiu esganiçada.
Mãe, dá pra você vir buscar eu e a Ashley no colégio? – A garota parecia eufórica, deixando preocupada com aquilo.
-Leonor, o que aconteceu? – A mãe voltou a insistir na pergunta, ouvindo um burburinho de várias vozes ao fundo da ligação e seu filho mandando alguém se afastar. – Leonor Anne, o que droga está acontecendo nesse colégio?
Descobriram que a Ash é uma princesa! – O esganiço da moça foi algo de outro mundo, fazendo arregalar os olhos. – Tá uma bagunça aqui no corredor perto do armário dela, o e o Andrew estão com a gente, mas eu acho melhor ela ir pra casa!
-Cadê os pais dela, Leonor? Cadê a diretora desse colégio? – parecia apavorada, dando na partida do Jeep branco.
Ela sabia que mais cedo ou mais tarde, o fato de Ashley, o irmão e a mãe serem de uma família real africana viria a tona naquele colégio, causando uma bagunça sem tamanho pra cabeça da pobre garota. Assim como também tinha plena sabedoria da história de Ashia e Matthew, desde quando a princesa havia chegado ao Canadá pra estudar medicina e conhecido o futuro marido durante a faculdade. Os dois haviam passado por maus bocados com a recusa da família, até ela abdicar do título pra se casar com o canadense e construir a tão sonhada família. Mesmo que anos depois, Ashia tivesse recuperado o reconhecimento monarca da família, ainda que fora da linha se sucessão.
-Leonor, vocês ligaram pra Ashia? – A mulher perguntou apavorada, transferindo a ligação para o sistema de Bluetooth do carro, enquanto se ajeitava pra sair dali imediatamente.
Eu tentei! Mas ela e o tio Matt estão em cirurgia. – A mais nova dos soltou um esganiço apavorado, deixando a mãe ainda mais nervosa com a historia. – A diretora tá chegando aqui!
-Graças a Deus. – A mulher suspirou aliviada, seguindo pra fora daquele bairro o mais rápido que conseguia. – Liga pro seu pai, ele tá em casa. Liga e ele vai levar vocês pra casa até os Dill saírem do centro cirúrgico.
Maman, nós vamos resolver com a diretora, depois eu ligo pro papai. – Leonor mandou um beijo estalado e fez o mesmo, desligando a chamada em seguida.
A mulher suspirou ao parar em um semáforo e mordeu a boca. Ela mesma ia ligar pra , não ia esperar que os dois fizessem aquilo ou a situação se agravaria. mordeu a boca e ainda dentro do limite vermelho do sinal de trânsito, discou o número do marido na agenda de emergências.

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sorriu para o cachorro que ocupava um dos espaços do sofá do estúdio e cantou mais um pedaço da música que tocava no violão, como se o Hulk fosse sua plateia àquele dia. O homem riu quando o Golden bocejou, e fez carinho na cabeça de um dos mais antigos membros da família.
-Eita garoto, o celular! – Ele colocou o violão no suporte e levantou de uma vez da cadeira, procurando o telefone com a vista. – Você viu? – A pergunta saiu como se fosse haver uma resposta, enquanto o cachorro olhava pra ele sem qualquer vontade de procurar o celular. afastou várias folhas soltas de um caderno por ali e achou o telefone que recebia uma ligação da esposa. – Oi anjo!
Oi amor! – Ele fez uma careta percebendo claramente o tom de voz preocupado dela e esperou o resto. – Tá em casa?
-Trabalhando aqui no estúdio. O que aconteceu? – cruzou um dos braços, ainda de sobrancelha vincada, esperando a bronca que estava por vir. O que tinha acontecido daquela vez?
Leonor já te ligou? – Ele fez uma careta, ao mesmo tempo que tirou o celular de perto do ouvido no susto pelo grito indignado dela. – DÁ SINAL QUANDO FOR PASSAR, CACETE!
-Leonor? Não, por quê? O que aconteceu com a Len, ? – O sentiu o coração palpitar com aquela conversa e logo procurou a carteira em cima da mesinha.
Com ela, nada! Mas descobriram sobre os Dill! – A mulher suspirou ainda mais preocupada com os amigos de longa data. – Eu estou do outro lado da cidade e pelo que a Leo me disse, estão fazendo o maior burburinho no pé da Ashley, papi. soltou todo o ar dos pulmões e passou a mão pelos cabelos, meio nervoso. Ele sabia bem o que era querer proteger os filhos o quanto pudesse e nem gostava de imaginar se acontecesse algo daquele tipo com os seus. – e Leo estavam tentando ajudar ela quando Leonor me ligou.
-Ai merda! – Ele xingou a situação, enquanto tentava por o estúdio em ordem antes de sair de casa e o Hulk latiu. – Como descobriram? Quem descobriu? Onde eles tão e o que eu faço? – guardou os papeis que estavam espalhados e calçou os tênis, perigando cair no meio do anexo.
Não sei e não sei. Eu sei que parece que eles estavam no corredor do colégio e mandando o pessoal ficar longe, até a diretora aparecer. – Ela disse um tanto apavorada pelo mesmo motivo que o marido. – Por isso eu pedi pra Leo te ligar. Você pode ir buscá-los no colégio?
-Claro! – O homem respondeu de prontidão, deixando seu local de trabalho impecável como sua mania por limpeza mandava. – Eu vou ligar pra Len e avisar que eu tô indo buscar eles todos. Vou trazer todo mundo pra cá e aí a gente vê melhor o que faz. Tenta falar com a Ashia e o Matthew e não se preocupa, que eu resolvo aqui. Tudo bem? – O cantor fez carinho na cabeça do bicho de estimação.
Tudo bem, anjo. Te amo! – Ela se despediu mais aliviada e mesmo sem ver, arrancou um sorriso imenso dele.
-Te amo também, anjo! – Ele devolveu a declaração sorrindo ao ponto de mostrar todos os dentes superiores e enrugar os olhos. – Eu vou lá no colégio, depois te aviso. – Os dois fizeram barulho de beijo e desligaram a chamada, colocou o celular no bolso traseiro da calça e agachou perto do Golden. – Vamos pra casinha, amigão? – O homem fez mais carinho no cachorro, vendo o animal responder a sua brincadeira. – Vem, Hulk, eu preciso sair, garoto! – A risada saiu divertida, enquanto os dois saíam do estúdio.

Chapter Ten

respirou fundo, passou a mão pelos cabelos mais uma vez e olhou para os três adolescentes sentados em seu sofá. Ashley parecia que iria entrar em um ataque de nervos a qualquer momento, enquanto Leonor permanecia com os olhos grandes pronta pra socorrer a melhor amiga. sabia que tinha sido um belo baque pra moça que mal sabia o que era exposição à mídia daquele jeito, bem menos que seus meninos até. Óbvio que nem de longe, seus dois filhos sabiam o que era a verdadeira exposição que o marido experimentava sempre que precisava respirar em um lugar diferente, mas eles tinham uma ideia bem construída do que era ter pais bem conhecidos.
O homem suspirou meio desesperado de imaginar o que a filha dos amigos sentia e passou a mão pelos cabelos, andando de um lado pro outro na sala, deixando para a esposa a missão de tentar acalmar a garota que os dois tinham visto crescer. Era fato que Matthew e Ashia precisavam tomar um posicionamento perante ao colégio.
-Você está bem, querida? – A mulher sentou de forma delicada na mesinha de centro e, com uma voz mansa, passou segurança a quem deveria.
-Um pouco assustada, tia. – Ashley respirou fundo ainda meio encolhida no grande sofá claro e ganhou um abraço do conforto da mais velha. – Eu não achei que fosse ser aquela bagunça toda se descobrissem algum dia.
-Calma, tudo bem? Não precisa ficar assustada. – A enfermeira lançou um sorriso bonito para a moça e a viu afirmar. – Foi só hoje, não vai acontecer novamente.
-Não vai, Ash. – pai assegurou, ainda que tivesse com as mãos enfiadas no bolso, evidenciando seu estado de nervosismo. – A Mrs. Barbier me garantiu que não vai se repetir e eu garanto que seus pais não vão deixar acontecer de novo, nem os meninos. – Ele apontou para os filhos e os dois sorriram para a amiga.
-Eu sei, Sr. , muito obrigada! – A moça negra sorriu imensamente grata ao tio e foi abraçada com força por Leonor, quase sendo feita de urso de pelúcia pela melhor amiga e transformando o momento em risadas.
-Vocês podem me dizer como tudo isso aconteceu? – mordeu a boca ainda um pouco receosa e, com a visão periférica, viu o marido sustentar o peso do corpo em uma perna só.
-Foi rápido, maman. Do nada todo mundo começou a ficar no pé da Ash, falando um monte de coisas bem nada a ver… – Leonor sacudiu de leve os braços, atropelando as próprias palavras por falar tão rápido e arqueou de leve as sobrancelhas em um pedido silencioso pra que ela respirasse e continuasse. A garota respirou fundo e continuou: – Eu acho que alguém do colégio deve ter visto na ficha escolar e saiu espalhando. Alguém da rádio disse nos interfones e foi aí que começou o burburinho.
-Eu tomei partido e logo o Andrew chegou junto pra ajudar. – filho saltou na conversa, atraindo a atenção da mãe. – Nós tentamos passar despercebido, mas não deu. Logo tudo tinha virado uma bagunça até a Leo ligar pra você, a diretora chegar colocando todo mundo pra sala de aula e depois o papai aparecer lá. – O garoto tomou fôlego e mordeu a boca. – E nem era pra acontecer isso no colégio, lá estuda tanta gente conhecida e que os pais são como vocês, como os pais da Ash. Nem era pra ter dado tudo isso.
-Eu concordo com você, . – lançou um sorriso pro filho. – Mas você sabe bem que, às vezes, sai do nosso controle. – Ele suspirou e bagunçou o cabelo do moleque como uma forma de carinho. -Infelizmente. – pai passou a mão nos cabelos e sentou na mesinha de centro, dividindo o móvel com a mulher. – Quando seus pais chegarem, eu te levo em casa e converso com eles, Ashley. Tudo bem?
-Tudo bem, tio. Obrigada! – A moça sorriu agradecida mais uma vez e, finalmente, respirou aliviada naquele dia que havia sido assustador.
-Vão, os três pro banho! Vão, vão, vão! – falou mais do que rápido e levantou da mesinha de centro, fazendo os quatro rirem. – Subam agora mesmo, porque o tio vai fazer o melhor lanche das Américas. – A mulher saiu puxando os filhos e a garota do sofá como se eles fossem criança e os três levantaram a pulso. Rindo e reclamando da ordem velada.
-Eu vou fazer? Você não me disse isso! – colocou a mão no peito, fingindo estar indignado e ganhou um cutucão brincalhão da esposa.
-Shii pai! – O casal de filhos debochou rindo, enquanto Ashley ria se sentindo da família como sempre havia se sentido. A garota foi puxada pela melhor amiga e logo o trio subiu as escadas fazendo o maior barulho.
-TOMEM BANHO DIREITO. EU VOU JÁ VER SE ESFREGARAM AS ORELHAS! – A mulher gritou como se eles fossem crianças pequenas e ouviu as risadas, sabendo que ao menos estava tudo bem.
A enfermeira sacudiu de leve a cabeça e suspirou, olhando para o marido apavorado e ainda sentado na mesinha de centro, compartilhando da mesma angústia que ele. Era difícil ter filhos adolescentes, principalmente quando eles estavam na fase de redes sociais e tinham um pai mundialmente conhecido. Querendo ou não, seus filhos haviam sido criados em meio aos holofotes, mesmo que em épocas, os dois haviam preferido esconder de todo o mundo.
. – A arregalada de olhos foi suficiente pra ela entender que estava apavorado com aquela história toda.
-Eu estou tão apavorada quanto você. – Ela esganiçou baixo e passou a mão no rosto, sendo puxada delicadamente pelo marido e sentando em sua perna.
-Eu não sei o que fazer. – Ele manteve os olhos levemente arregalados, enquanto fazia um leve carinho inconsciente na perna da mulher.
-Nem eu, mas a gente vai dar um jeito. – piscou, o vendo soltar uma risada anasalada como se aquela pequena frase fosse a solução de todos os seus problemas.

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já tinha saído pra deixar Ashley em casa e conversar com os pais da garota sobre o acontecido no colégio, ansiando que a situação fosse resolvida logo e sem mais constrangimentos pra adolescente. aproveitou o tempinho que iria ter enquanto ele estivesse fora e se reuniu com os dois filhos no enorme quarto do casal, sentada no chão em frente a cama com o rapaz, o ajudando a escolher uma ideia para o pré-projeto que o faria concorrer a uma vaga no Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Não era segredo que o rapazote da família era muito bom em tudo que envolvia física, cálculos e afins.
Leonor suspirou trocando todos os canais da TV, procurando algo que lhe agradasse a assistir e não encontrando nada melhor, decidiu entrar num assunto que já lhe incomodava há bastante tempo.
-Mãe? – A garota chamou baixo.
-Oi princesa. – Ela inclinou a cabeça de leve pra trás, vendo a garota jogada em sua cama e com o controle da TV na mão.
-A gente queria te perguntar uma coisa. – A menina mordeu a boca, fazendo entender que iria se iniciar um assunto um tanto constrangedor, principalmente quando Leonor começava incluindo os dois irmãos.
-Que seria? – Ela manteve a atenção nos dois, disposta a tirar qualquer duvida que aparecesse e viu o filho deixar o notebook de lado.
-Eu sei que vocês separaram por algo sério que causava todas aquelas brigas. – Ela mordeu a boca. – A gente nunca viu briga, mas sabíamos da briga pela cara de vocês. Era péssimo chegar do colégio e ver você em um canto com cara de choro tentando rir e o papai no outro, agindo como se a gente fosse uma família linda e feliz. – Leonor suspirou e sentiu o coração pesar. Desde quando ela sabia analisar tão bem as situações?
-O meu pai te traiu? Por isso vocês brigavam tanto? – O rapaz que carregava o nome do pai, perguntou receoso e com medo da resposta, vendo a mãe arregalar os olhos.
-QUÊ? Não, não, não! Pelo amor de Deus, não! nunca fez isso, calma! – parecia mais apavorada que eles em defender a fidelidade do marido.
-Então explica pra gente. Acho que já somos grandes o bastante pra entender o que aconteceu com vocês. – Eliot pediu um tanto suplicante em entender toda a aquela situação, que pelos últimos acontecidos, tinha sido superada.
-Ok, vamos lá. – respirou fundo e prendeu sua atenção nas duas “crianças”. – , uma pergunta pra você que namora. O que é necessário pra um relacionamento existir?
-Eu gostar da pessoa e ela gostar de mim? – O garoto deu de ombros, com uma grande interrogação na cara e a mulher afirmou com um aceno.
-Certo, mas e pra ele durar? – A pergunta foi direcionada aos dois adolescentes. e Leonor abriram a boca na intenção de responder, fechando-a logo em seguida sem a devida resposta. – Só o amor não basta pra um relacionamento durar. Sim, ele é muito importante, mas não é tudo que segura um relacionamento, principalmente um casamento. E como vocês sabem, eu e estamos juntos desde os meus 15 anos, a gente namorava durante o colégio. Depois…
-Eu apareci. – Eliot completou a frase da mãe, fazendo as duas girls rirem. – E aí veio a Leo. – O rapaz apontou pra irmã.
-Exatamente! Apareceram os nossos maiores presentes. – abriu um sorriso encantado, mandando um beijo pra mais nova e beijando a cabeça do rapaz a sua frente. – Mas como eu ia dizendo, para um relacionamento andar é preciso liberdade, confiança, respeito e compreensão. – A mulher enumerou nos dedos. – Nós dois não tínhamos maturidade pra entender isso como algo necessário e depois de passar por bastante coisa com o início da carreira do seu pai e o da minha, nosso desgaste emocional só veio estourar uns anos depois. Não foi apenas uma coisa que causou a separação, não é como nos filmes ou livros, meus anjos. Virou uma bola de neve. De repente, a rotina estava chata, a convivência não era mais a mesma, nós dois não estávamos fazendo muito empenho de tentar melhorar o relacionamento. E a gente precisa disso, precisa querer melhorar sempre, entender o outro, abrir mão de algumas coisas, confiar principalmente.
-Vocês não confiavam um no outro? – Leonor perguntou um tanto confusa e a mãe suspirou.
-Claro que confiávamos, Leo. – A mulher mordeu a boca. – Mas depois que o Dimitri apareceu, a coisa só tendeu a piorar. começou a sentir um ciúme exagerado de mim, nós dois estávamos brigando porque ele não parava mais em casa. Ele já era ausente em algumas épocas do ano pelas turnês, os shows, as viagens… só que o Dimitri o induzia a querer sair praticamente a semana toda pra beber em Pubs e quando eu comecei me incomodar com isso, nós começamos a brigar feio e desgastar ainda mais um relacionamento que não estava tão forte como no início.
-Então tudo isso foi culpa do Dimitri? – O filho fez uma careta desgostosa, ouvindo uma risada leve da mãe.
-Não exatamente, . Confesso que ele foi um belo agravante, mas a culpa foi minha e do seu pai que deixamos o relacionamento chegar a esse ponto. Vocês entendem?
-Eu acho que sim, não sei. – Leonor fez uma careta mais que confusa, fazendo a mãe e o irmão rirem. – Você tá dizendo que meu pai fez o casamento acabar?
-Não, Leonor! – soltou um gritinho esganiçado. – Eu estou dizendo que a falta de empenho mútua, fez com que nós dois nos afastássemos. Ele tinha entrado em uma vibe de querer festas cinco dias na semana e eu não acompanhei, seu pai queria me levar junto nessa aventura, mas eu não fui. Eu não queria deixar vocês dois pra ir viver o que a gente não tinha vivido quando mais novo. Então, foi culpa dos dois, novos, imaturos e cheios de ressentimento. Deu no que deu. – Ela deu de ombros, vendo o casal de filhos afirmarem. – Se a gente não tivesse dado esse tempo, o casamento não tinha se salvado.
-Por isso ele foi embora? – O rapaz perguntou baixo, vendo a mãe morder a boca sem saber exatamente como explicar aquilo.
-Meu anjo, ele ter ido embora é algo que eu não sei se vocês vão entender por agora.
-Mas se você ama uma pessoa, você quer ficar com ela. – Leonor soltou um esganiço e riu. – Não?
-Não exatamente, Leo. Óbvio que deveria ser assim, mas amar é dar liberdade pra pessoa fazer o que ela quiser e foi isso que o seu pai tentou fazer. Até ele entender que não, nenhum de nós dois queria isso e o certo era tentar reconstruir um relacionamento tão bonito.
-E está dando certo?
-Claro que sim! – soltou um gritinho animado que fez os dois filhos rirem, uma risada aliviada que trazia toda a leveza daquela família a tona. – Não se preocupem, tá tudo dando certo sim. Nós somos velhos demais pra estar com certas picuinhas.
-OK, entendi. – filho acenou com a cabeça e tomou fôlego. – Eu sei que vocês dois estão nesse namoro de novo e que o pai tá praticamente morando aqui. Mas eu sei que ele não voltou pra casa. Quando vocês vão voltar?
abriu a boca algumas vezes antes de responder o filho e passou a mão pelos cabelos presos em um rabo de cavalo cheio. Aquilo era ruim de ouvir, de encarar e principalmente de não ter uma resposta concreta a dar. Ela até poderia explicar a situação atual, mas não queria frustrar ainda mais os dois filhos. Talvez aquele fosse o momento de acertar as coisas com .
-Você não sabe responder também? – Leonor perguntou um tanto receosa e a mãe desviou o olhar, firmando com um aceno.
-Nós estamos indo devagar, meu anjo. É algo que nós dois estamos entendendo e vamos resolver da melhor maneira possível. Eu posso garantir que nada vai ser como no último ano, tudo bem? – A mulher lançou um sorriso aos dois, mesmo sabendo que estava mentindo descaradamente sobre ir devagar e recebeu dois sorrisos gigantes com a garantia de que tudo só tenderia a melhorar. – Vamos, ! – A mulher bateu pequenas palmas como se encorajasse o filho e ouviu risadas. – Bota esse cabeção pra funcionar e vamos trabalhar! Leo, toda ajuda é bem vinda! Pensa em alguma coisa pro teu irmão entrar no MIT.
A enfermeira cutucou os dois, o filho na costela, fazendo o rapaz se encolher e a filha no pé, onde ela sabia que a menina era mais sensível, ouvindo a dupla rir meio desesperada pelas cócegas.
pai ouviu a movimentação animada e abriu um sorriso gigante ao entrar no quarto, encontrando os três amores da sua vida. Suas garotas e seu garoto rindo e lhe causando uma nostalgia tão grande que esquentava o peito.
-Qual a piada tão boa? – A pergunta veio acompanhada de um brilho encantador nos olhos castanhos.
-Maman tá fazendo cócegas na gente. – O rapaz recuou o corpo ainda rindo e voltou o notebook pro colo.
O homem riu encantado e chegou perto da cama pra cumprimentar os três. Se apoiou na cama, dando um leve beijinho nos lábios de e ganhou um sorriso imenso em troca. pai beijou e bagunçou os cabelos do primogênito, fazendo um toque de mão com o rapaz e logo se jogou na cama ao lado de Leonor, abraçando a menina como se ela ainda fosse seu bebezinho.
-Já conseguiu a ideia para o pré-projeto, ? – O cantor perguntou interessado e viu o garoto negar meio desgostoso.
-Ainda não. Achei que ia ser mais fácil. – Uma careta que deixava as bochechas do rapaz ainda maiores foi esboçada e mordeu a boca pra não gritar com a fofura do filho.
O cantor mordeu de leve a boca e beijou a testa de Leonor, soltando do abraço. Ele se apoiou na cama e projetou todo o corpo para o lado da cama que o garoto estava, colocou a cabeça perto dele e olhou sério para o filho, vendo o garoto ficar ainda mais confuso.
-Eu acho que você já deve ter escutado isso, mas toda vitória por cima do sacrifício é mais gostosa de vivenciar. Você é capaz, , e sempre foi! Você vai encontrar a sua ideia genial e vai passar no seu curso tão sonhado, sabe por quê? – pai disse com um sorriso crescente a cada palavra e viu o rapaz negar com um aceno. – Porque você é filho da mulher mais inteligente que eu conheci em toda a minha vida e de quebra, herdou o raciocínio dela. Cara, você faz coisas que eu morro e não consigo entender como se faz. Mexer com eletricidade? É choque na minha cara. Física? Sei nem pra onde vai. Como eu disse, você é capaz, Little Genius II: O retorno. – Ele abraçou o filho pelo pescoço e encheu a cabeça do garoto de beijos o fazendo sorrir imensamente satisfeito com as palavras.
Talvez bem lá no fundo, o pai tivesse razão.
-Mas pedir ajuda também não mata. – O homem riu baixo, sendo acompanhado pelo rapaz. – Seu padrinho tem uma afinidade enorme com esse tipo de coisa, com certeza ele vai saber te ajudar bem melhor que eu.
-Você tá ajudando muito, papou. Obrigado, de verdade! – O garoto o abraçou por cima dos braços do pai e ganhou mais um beijo na cabeça.

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levantou de leve o tecido da camisola preta e colocou o pé apoiado na cama, despejou um pouco de hidratante nas mãos e começou espalhar pela coxa, descendo com elas até toda a extensão da perna, gesto que fez o marido encarar boquiaberto, todos os movimentos. estava dividido entre olhar a perna nua sendo massageada, ou o decote que pulava a cada movimento. Ele respirou fundo e passou a mão pelos cabelos, coçando a nuca em seguida.
-Nós precisamos conversar, amor. – Ela disse baixo, tentando seguir os conselhos da irmã, mesmo que de uma forma inconsciente, despertasse o desejo mais profundo e libertino do marido.
-Sobre? – O cantor inclinou a cabeça para o lado, tentando melhorar a visão e suspirou. Como, droga, ela queria conversar quando usava uma camisola daquela e ainda massageava as pernas daquele jeito?
-Sobre o que aconteceu. – suspirou frustrada, tirando dele apenas um aceno de cabeça. Um aceno bem inconsciente para não deixar a esposa sem resposta.
projetou o corpo pra frente bem vagarosamente, como se fosse engatinhar em cima da cama e aproveitando a perna dela apoiada no colchão, beijou o dorso do pé da mulher com quem era casado há mais de uma década. A careta confusa se fez presente por parte dela e ele abriu um sorriso de canto, quase como se admitisse que estava aos seus pés.
-Vai falando… eu vou ouvindo. – A voz saiu baixa e vibrante no tornozelo da mulher, intencionada a fazê-la sentir um arrepio gostoso. Ela respirou fundo e sacudiu de leve a cabeça. realmente estava bem disposto.
-É sério, . – A enfermeira tentou argumentar mais uma vez e os dois riram baixo, quando ela mais queria que ele subisse com os beijinhos por ali. O homem umedeceu os lábios e deu mais um leve beijinho no tornozelo da esposa, subindo a trilha carinhosa pela canela dela, enquanto usava o nariz como um aliado para sentir o cheiro tão gostoso do hidratante e fazê-la arrepiar por completo.
-Nossa, anjo, você tá cheirosa demais pra gente pensar em conversar coisa séria agora. – Ao fim da frase, apoiou o queixo no joelho dela, vendo-a estreitar os olhos. – Hm? Aproveitar que não tem mais ninguém acordado… – Os beijos barulhentos e estalados partiram do joelho, seguindo um caminho imaginário que passava pela coxa e a enlouquecia a cada encostada de lábios por ali. – Só um pouquinho… Matar a saudade louca que eu estou de você… Hm? E aposto que você de mim. – Ele continuou com os beijos sinuosos, combinados as mãos sorrateiras que tomavam posse das pernas da mulher sem qualquer cerimonia ou limites. Fazendo perceber que já não tinha mais volta quando sentiu os dentes dele puxar de leve o cós da sua calcinha, o soltando em seguida e causando um estalo abafado.
-Você joga baixo. – Ela mordeu o lábio inferior e enfiou os dedos entre os cabelos curtos do marido, vendo-o olha-la com um sorriso divertido que tomava seus olhos, os enchendo de ruguinhas.
-Vem cá. – passou de leve as pontas dos dedos nas pernas da mãe de seus filhos, em um cuidado e delicadeza que transbordava pelo peito da mulher. – Um pouquinho e a gente conversa, prometo. – as palavras foram proferidas com uma segurança absurda e mesmo que soubesse que não ia ter qualquer conversa aquele dia, ela cedeu.
A mulher soltou um leve suspiro que condenava toda a sua postura de desistência e segurou as mãos dele, se entregando completamente. abriu um sorriso imenso e sem precisar de muito, guiou a esposa para sentar em seu colo, sendo abraçado carinhosamente por , que lhe deu um beijinho casto na ponta do lábio inferior, entre o queixo e a boca, entre a segurança e o desejo. Logo os beijinhos mais sugados se tornaram frequentes, abusados e com a presença de pequenos elementos que deixavam a atmosfera mais quente, mesmo que não perdesse a ternura. Um beijo lento que acendia qualquer desejo, foi iniciado sem pressa, sem fome, mas com paixão, à medida que as mãos dele tomavam rumo no corpo dela. O toque carinhoso que parecia dedilhar cada curva por baixo da camisola, era semelhante ao que ela fazia entre os ombros e as costas dele. Um desfrutar de tato que acendia ainda mais o beijo calmo que era dado.
O cantor inclinou o corpo pra trás na cama, deitando vagarosamente e levando o corpo dela junto. Gesto que fez a mulher rir baixo, ainda com os lábios colados aos dele. sugou alguns beijos como se sentisse o gosto da boca do marido, o fazendo arrepiar inteiro por aquilo. Só aquela mulher era capaz de excitá-lo apenas com um olhar, imagina com beijos tão gostosos. colocou uma mecha do cabelo cacheado dela atrás da orelha, fazendo o rosto da sua esposa ficar exposto no ângulo perfeito pra que ele fosse ainda mais convicto em suas conclusões. Ela era perfeita, mesmo com todas as imperfeições que juntas deixavam-na a mulher mais linda do mundo. O homem segurou o rosto dela com a mesma mão e a beijou novamente, sentindo os dedos sorrateiros da enfermeira brincarem em seu peito como se fizessem desenhos aleatórios, até sentir ela lhe apertar como reflexo da mordida no lábio. virou o corpo por cima, na cama, fazendo rir levemente mais uma vez e o abraçá-lo com as pernas.
-Você é tão linda, sabia? – A pergunta do saiu baixa, enquanto ele contornava o lábio inferior da mulher com o polegar, vendo-a abrir um sorriso largo e encantado.
-É a idade. – piscou, o fazendo rir alto com o que ela tinha dito e lhe beijar de forma casta. – A idade me fez bem.
-Um bem tão grande, que você não tem noção. – voltou aos círculos de elogio e a beijou na clavícula, contornando com a língua. A mulher suspirou, elevando quase o peito todo pra isso.
A enfermeira enfiou os dedos nos cabelos do esposo, sentindo aqueles beijos tão gostosos seguirem em um caminho fogoso para a alça trabalhada da sua camisola. a desceu por um dos ombros com dos dentes, e com a mão, fez o mesmo trajeto do outro lado.
-Não prefere que eu tire? – A pergunta saiu baixa e divertida, o fazendo rir baixinho só na intenção de vibrar contra a pele dela.
-Não. Eu gosto de te despir aos poucos. – Ele continuou a tirar a camisola devagar. – Admirar cada parte do seu corpo e tentar entender como eu sou tão apaixonado por você, por mais que eu só me apaixone mais toda vez que eu faça isso. – umedeceu os lábios, olhando atentamente para cada traço do corpo da mulher que era descoberto por ele.
-Eu também sou louca por você, papi. – Dessa vez o apelido saiu com uma entonação diferente. Era carinhoso, era safado, era um misto de sentidos que ele nunca ia conseguir decifrar como ela fazia aquilo.
O cantor sorriu grandemente, a vendo sorrir exatamente igual e voltou a beijá-la pelo corpo. A medida que tirava tão delicadamente a camisola da mulher, a fazendo ficar tão excitada como acontecia quando ele partia pra baixaria. Aquele era um dos inúmeros poderes e feitos que tinha sobre ela. Ele a tinha da forma mais completa que um homem poderia querer uma mulher, mesmo que a deixasse livre pra seguir.
arqueou de leve o corpo, quando sentiu seu busto ser descoberto e respirou fundo, sentindo a respiração falhar, misturando-se a um gemido sofrido, quando a língua do marido entrou em contrato com dos seus mamilos. Quente e sinuosa, a fazendo sentir toda aquela sensação gostosa de ansiedade, que começava bem no meio das pernas e subia aquecendo o corpo todo.
Ele continuou a distribuir os beijos entre os seios dela, a medida que as mãos contornavam cada curva das pernas de , dedilhando como se aquilo fosse ficar gravado em sua pele pra sempre. Era uma das formas mais despudoradas de lê-la e que o homem havia aprendido bem demais. segurou a barra da camisola com cuidado, enrolando-a aos poucos nos dedos, enquanto ainda dava leves selinhos pelos montes fartos, a fazendo remexer na cama quase em agonia. Logo as mãos vagarosas do cantor haviam deslizado coxa acima e encontrado o cós da calcinha de renda que fazia um belo par com a camisola que ele pretendia tirar. O homem enganchou os dedos com delicadeza e, com a ajuda dela, passou a pequena peça pelas pernas, tirando-a fora do corpo. Ele olhou abismado com o tamanho da lingerie em sua mão, mesmo que fosse a mais pura zoeira e em um ato de graça, rodou a calcinha no ar, ouvindo a gargalhada da esposa.
-Você é tão ridículo! – gargalhou largamente, ouvindo o marido rir junto e enquanto o homem estava de joelhos na cama, sentado em cima das próprias pernas, a mulher aproveitou o momento e sentou junto puxando a camisola embolada do corpo.
-E você me adora! – jogou a calcinha em qualquer canto, assim como a camisola dela tomou rumo o fazendo suspirar à medida que se perdia no corpo nu da esposa.
-Vou amar ainda mais quando você tirar esse samba canção. – Foi questão de segundos até o corpo dela ser jogado por cima do dele, enquanto as mãos da mulher dedilhavam os músculos contraídos da coxa do marido que ainda estava de joelhos.
-Hm, ela decidiu que vai fazer o que quer? – O sorriso safado e de canto surgiu nos lábios do homem quando sentiu ela apertar suas coxas ao mesmo tempo que vislumbrava o jeito completamente erótico que lhe olhava. Aquela mulher lhe matava quando decidia virar uma leoa pronta pro ataque.
-Sempre fiz, querido. – piscou sinuosa, passando a língua por entre os lábios.
Subiu ainda mais as mãos pelas coxas dele e quando chegou perto do volume turgido escondido pelo tecido fino e levemente acetinado, passou a mão por cima acariciando e o ouviu soltar um grunhido. Não estando satisfeita com o sofrimento alheio, a mulher dedilhou o cós da cueca com uma das suas expressões mais curiosas.
-Você me excita ainda mais com essa carinha de quem não sabe o que tem aí dentro. – O tom veio ainda mais safado do que o próprio clima do quarto.
mordeu a boca e sem pensar muito, agarrou o rosto da esposa beijando-a fortemente, deixando tudo mais intenso quando sentiu a língua dele tomar a sua boca em uma surpresa tão gostosa que ela já ansiava. Ter o contato da língua dele com a sua era uma das sensações que ela nunca iria conseguir descrever, era reconfortante, gostoso, safado. Eles beijavam com uma intimidade tão imensa que tudo se misturava mesmo após anos. Sensação parecida com o que tomou o meio das pernas dele ao receber os carinhos da mão quente dela lhe envolvendo por inteiro. As carícias mais despudoradas feitas com as pontas dos dedos, que iam de um lado a outro como um esfregado leve, o fez mover o quadril contra a mão dela e enfiar a mão dentro da própria roupa como se induzisse a esposa a resolver aliviar a ereção com as próprias mãos. Gesto que fez a mulher esfregar de leve as coxas uma na outra pelo momento proibido que a deixava ainda mais excitada. Ao ver que não faria diferença em ter a mão dela ali se ela não quisesse lhe ajudar, foi jogada na cama ao ouvir um gemido incompreendido, mas que arrepiava até o ultimo fio de cabelo.
O homem distribuiu algumas mordidas pelo corpo dela, à medida que tirava a samba canção, se deleitando com a imagem de ver sua mulher gemendo com a ansiedade antecedente do prazer. A intensidade que os beijos aconteciam, as provocações, os gemidos e as preliminares, deixavam a atmosfera do quarto em completo erotismo.
se esticou um pouco a procura do preservativo na sua gaveta da cômoda e rasgou o pacotinho preto fosco com a habilidade que tinha adquirido com o tempo. Colocou a camisinha com maior habilidade ainda, observando a esposa que lhe esperava quase em agonia, enquanto também era observado por entre aqueles longos cílios e uma mordida safada nos lábios, traduzindo toda a vontade da mulher ao encarar o membro túrgido do marido. Que a transa fosse incrível e que eles transassem pra caramba!
O homem se pôs sobre ela, com a testa quase colada e a beijou demoradamente, mudando por completo o clima mais despudorado e safado presente no cômodo. O poder de mudar completamente as situações apenas com um beijo era algo que o casal nunca entenderia de fato. Ele sentiu as unhas curtas de cravarem em seus braços e prosseguiu com as declarações:
-Eu te amo. – Foi o que ele disse antes de penetrá-la de uma vez, abafando o gemido com um beijo mais carinhoso. Afinal ele tinha plena consciência de que barulho demais acabaria com sua noite.
-Eu também te amo! – Ela respondeu entre uma estocada e outra, sentindo o corpo dele deslizar sobre o seu de forma firme e vagarosa, gemendo baixo.
deslizou a mão sobre a dela enlaçando os dedos dos dois em seguida em um ato de amor que de alguma forma exalava carinho no meio do ato. Ele apertou ainda mais os dedos dos dois e ao sentir a respiração descompassar a cada estocada que dava, ouvia gemidos baixos, sôfregos e satisfeitos no ouvido, que o deixavam ainda mais aceso. O homem mordeu a própria boca, se impedindo de gemer alto demais quando o corpo dela contraiu voluntariamente em torno do seu e deu graças aos céus pelo tal pompoarismo* que a esposa tanto mencionava. Os dois se agarraram ainda mais em meio ao deslizar de corpos, a mistura dos sons que mostravam o prazer mútuo e ao desespero pra sanar logo aquela vontade crescente.
Ele deu uma mordida tarada no queixo da mulher, vendo-a de olhos fechados à medida que o corpo deslizava embaixo do seu e logo viu a esposa morder o lábio inferior. cravou as unhas nos ombros dele, sentindo a sensação gostosa se aproximar e crescer exponencialmente abaixo do umbigo. Sabia que gemer em alto e bom som aquela hora iria incomodar os filhos e a ela também, posteriormente.
O homem aumentou a velocidade dos movimentos, ainda se deleitando com a situação e a ardência das unhas dela cravadas em seus ombros. Unhas que dali desceriam se arrastando pelos enormes braços, deixando-os marcados. arqueou o corpo, apertando ainda mais as pernas ao redor dele e os dois gemeram na manha, sabendo que orgasmo estava perto de vir. A mulher sentiu toda sua musculatura contrair, dessa vez involuntariamente, ouvindo o marido gemer em agonia em seu pescoço. aumentou a intensidade dos movimentos, sentindo o orgasmo vir e junto, as pernas dela se agarrarem mais a sua cintura, como se pedisse suplicante pra que ele não parasse até que ela gozasse. O cantor mordeu a boca e enfiou o rosto no pescoço da esposa, tentando abafar um gemido grosso que indicava seu limite. O homem respirou fundo e para não deixar esperando muito tempo, tentou voltar ao ritmo forte e rápido das estocadas, antes que o momento broxasse.
-Amor… – Ela chamou com a respiração cansada, sentindo os lábios dele se arrastarem em sua clavícula, assim como a mão que procurava o meio das pernas dela. Tentando ir e vir com as estocadas firmes, porém cansadas.
mordeu de leve a pele que cobria o ombro dela e ouviu-a gemer sem tanto pudor assim quando encontrou com os dedos, o que mais procurava ali. Ele levou a boca aos seios dela novamente e sugou com força, ao estocar uma última vez, massageando com a mão o ponto mais intenso de prazer na esposa.
se contorceu na cama, quase enfiando as unhas nos ombros do marido e tentou morder a boca pra esconder o gemido, sendo beijada com força enquanto contorcia os próprios pés pela imensa e gostosa sensação de prazer. A mulher sentiu o corpo esmorecer na cama e sem demora, sair de cima dela pra descartar a camisinha.
A enfermeira se deixou largar ainda mais no colchão confortável, esquecendo que tinha qualquer problema na vida e suspirou ainda de olhos fechados. Ela nunca ia entender como os dois tinham ficado tão bons naquilo. Definitivamente, se a intenção fosse engravidar, daquele sexo sairia uma criança perfeita. Merda! O sexo era espetacular, a química inigualável e o amor… Ah o amor era foda!
-Dormiu? – A pergunta veio acompanhada de uma risada baixa no pescoço dela quando ele se pôs sobre o corpo da mulher.
-Estou quase. – riu também, o abraçando pelo pescoço. – Preciso de um banho… – Ela respirou fundo, sentindo os beijinhos se arrastarem por seu pescoço e junto a risada sacana do marido. – Sozinha! – Os dois riram.
-Não vai dormir pelada? – beijou-a na bochecha e saiu de cima da esposa, vendo-a respirar fundo pra tomar coragem.
-Eu odeio dormir nua. – Ela roubou um beijo do marido e sentou na cama. – Você sabe. – se espreguiçou e levantou da cama, prendendo o cabelo.
-Pra minha infelicidade. – riu, colocando os braços atrás da cabeça e recebeu um beijo alado. – Eu troco a roupa de cama!
-Não demoro no banho! – A mulher declarou divertida e entrou no banheiro da suíte.

* O pompoarismo consiste em exercícios que fortalecem a musculatura do assoalho pélvico, através da contração e relaxamento muscular. Combatendo a incontinência urinária, promovendo a saúde da região íntima e melhorando o desempenho sexual.
 

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-Merda! O que aconteceu aí, Lewis? – perguntou a um de seus empreiteiros que trabalhava na clínica de , quando viu uma enorme mancha escura na parede. Aquilo, sem sombra de dúvidas, era uma infiltração. E das grandes.
-Uma infiltração, Mrs. . – O homem barbudo de pouco mais de trinta anos, coçou a cabeça ao olhar para a patroa. – Eu sinceramente, não sei de onde veio, mas apareceu de ontem pra hoje e muito provavelmente precisaremos derrubar e refazer essa parede.
respirou fundo com a péssima notícia que teria que dar a irmã, principalmente sobre a questão de precisar remarcar o coquetel de reinauguração da clínica. A mulher passou a mão pelo rosto, encarando o problema e tentando procurar qualquer alternativa que não fosse derrubar a parede. Já havia sido um imenso gasto pra reformar a clínica inteira, o orçamento já tinha passado do teto com aquele Upgrade e derrubar mais uma parede que, muito provavelmente, mexeria com a sustentação do lugar só iria deixar mais caro.
-Sem querer interromper, eu sei que a senhora está pensando na melhor alternativa… – O homem tentou interromper os devaneios da mulher, a fazendo olhar pra ele. – Mas por todo esse tempo de trabalho, eu acredito que a melhor alternativa seja refazer a parede. – Lewis continuava apreensivo esperando a resposta da patroa.
em contra partida, suspirou mais uma vez sentindo sua cabeça querer explodir com mais aquele imprevisto. Óbvio que derrubar e reconstruir era a melhor alternativa, aquele era um dos lugares que a irmã mais nova mais gostava no mundo e além de segurança, ela precisava de conforto, mas a mamãe do Alex precisava urgentemente consultá-la antes de dar o aval final.
-Tem algum perigo de danificar a estrutura se ela ficar assim até amanhã? – A pergunta curiosa surgiu em meio ao caos e o homem riu baixo, negando com um aceno.
-Não, Mrs. . Nenhum problema.
-Obrigado, Lewis. Eu não quero decidir isso sem falar com a antes, mas prometo que ainda hoje te retorno sobre o decidido. – A mulher deu um sorriso contido.
-Fico no aguardo, mas enfatize para a Mrs. que é a melhor solução. – O homem botou o boné escuro na cabeça e após um aceno, saiu do cômodo onde seria o consultório da estomaterapeuta.
A designe controlou o joystick da cadeira motorizada que usava a maioria das vezes quando precisava trabalhar e saiu de lá antes que sua cabeça pipocasse em preocupação. Ela respirou fundo um pouco frustrada com o acontecido de última hora, mas se recompôs antes de encontrar a irmã mais nova na recepção da clínica. As caixas que ela conferia no começo da manhã estavam de lado, assim como a prancheta e se despedia de um homem muito bonito, mas sério na mesma proporção e, que pelo modo de se vestir, parecia alguém bem importante. Principalmente na comunidade acadêmica. viu a irmã acenar com simpatia para o tal cara bonitão e logo ele se sair da clínica.
-Nossa! Quem era? – A Mrs. perguntou sem esperar que chegasse até ela.
-Pró-reitor da McGill. – Ela respondeu com o mesmo tom que a irmã e as duas olharam mais uma vez para a porta da clínica como se desse pra ver o homem. – Bonito né? – A pergunta mais esperada se exteriorizou e as duas se olharam, caindo na gargalhada. Céus, uma era pior que a outra.
-Puta merda, demais. – A designe soltou um suspiro completamente exausto que só fez as duas rirem mais um pouco. – O que ele queria?
-Muitas coisas! – riu baixo e soltou um suspiro pesado, sentando em uma das caixas com materiais de construção que tinha por lá. – Veio me oferecer um emprego… – Ela mordeu de leve a boca e vincou as sobrancelhas um pouco confusa. – De ser professora universitária na McGill. Curso de enfermagem. – A Mrs. mordeu o lábio inferior mais uma vez e a irmã arregalou de leve os olhos com a proposta. Era boa! Ótima, na verdade! – Confesso que nem cogitei em pensar sobre isso, antes que a minha vida declinasse eu recusei. Principalmente agora que as coisas estão se ajeitando, o que eu menos quero é passar mais tempo fora de casa. – tentou explicar sua recusa, mesmo que tentasse apenas se convencer daquilo e afirmou em concordância. – Ele também mencionou uma proposta para meu doutorado, abrir a clínica para convênio com estágios curriculares e insistiu mais uma vez sobre a docência… – As duas riram. – Algumas eu achei bem interessantes.
, você vai fazer o doutorado! – A mamãe do Alex impôs, ouvindo a irmã gargalhar e as duas se abraçaram com força, à medida que passava o conforto necessário para que a irmã mais nova soubesse que ela não precisava se culpar por aquilo, ela estava certa em querer ter tempo para a família, para o trabalho dela na clínica e principalmente para ela. – Parabéns! Tá vendo? Tudo isso é seu incrível trabalho sendo recompensado. Quando eu digo que você é a melhor estomaterapeuta do mundo, você não acredita em mim! – Ela riu extremamente feliz e beijou a bochecha da irmã, vendo-a com os olhos quase cheios por palavras tão lindas. – Mas quem você indicou para o corpo docente?
-O Andrew! – soltou um gritinho e a irmã fez o mesmo. – O moleque é foda demais e tá precisando de impulso, principalmente agora, recém terminado o mestrado. – A mulher comentou sobre um grande amigo que ela havia tido a imensa sorte de ajudar e co-orientar no mestrado, vendo a irmã concordar veemente.
-Concordo plenamente! Ele vai construir um legado naquele lugar. – sorriu grande. – Mas e o pró-reitor? Terminou por aí?
-Na verdade, não. Ele foi incrivelmente simpático e ainda trouxe maravilhosas propostas pra mim, então o convidei pra reinauguração da ’s Care. Depois marcamos de conversar melhor sobre isso. – A enfermeira abriu um sorriso esperto e astuto.
-Assim que se fala! – As duas comemoraram rindo com um high five. – Mas sobre a reinauguração… – mordeu um sorriso culpado, mesmo que não tivesse qualquer culpa ou influência sobre a infiltração.
-Ai merda! – cobriu o rosto com uma das mãos já esperando o baque. – Mais problemas?
-Uma infiltração enorme na parede do seu consultório.
As duas suspiraram e a Designe começou explicar como seria a melhor forma de resolver aquele problema.

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entrou no quarto na ponta dos pés, riu levemente com o marido capotado na cama como se fosse um urso pardo hibernando e mordeu a boca, tentada a acordá-lo. Ela checou o horário no delicado relógio de pulso que carregava no braço, confirmando que era hora de tirá-lo daquele sono que parecia tão gostoso. A mulher sentou perto do marido na borda da cama e fez carinho nas costas mais largas e lindas que ela conhecia. Um sorriso apaixonado foi mordido levemente quando o carinho se alastrou por toda a extensão definida. Aquela sim era uma das partes do corpo de que ela mais amava, a imensidão larga que fazia par com belos e definidos ombros, sem falar nos inúmeros sinaizinhos espalhados pela pele.
-Acorda, amor. – Ela beijou levemente a pele dele, não surtindo qualquer efeito quando continuava ressoando de bruços na cama, apenas com metade do corpo enrolado e parcialmente o começo da bunda de fora. – Acorda, príncipe da minha vida. – Ela tentou mais uma vez, fazendo carinho nos cabelos dele e ouviu um mínimo resmungo de quem não ia sair tão cedo da cama se ela continuasse a fazer carinho. Céus, que homem manhoso! – Já é mais de dez e você aí hibernando. A gente tem uma penca de coisa pra fazer hoje. – distribuiu mais alguns beijos pelos ombros e casualmente a nuca, o fazendo sorrir bobo ainda de olhos fechados. – … Deixa de manha.
-Eu tenho uma ideia melhor. – A voz rouca de quem tinha acabado de acordar se fez presente.
-YAY! Ele acordou! – A enfermeira soltou um gritinho animado, o ouvindo rir baixo.
-Deita aqui comigo e a gente fica até dar vontade de levantar. – disse ainda contra o travesseiro e em um movimento lento, tentou passar despercebido com a mão para puxá-la contra a cama.
-Sai ! – Ela deu um pulo que o fez rir alto. – Você precisa comer, depois volta a dormir. E infelizmente, não. Já estou mais do que acordada, estou elétrica. Já fiz visita domiciliar, fui ver a clínica, voltei pelo centro. – A matraca soltou-se a falar, enumerando nos dedos enquanto ele abria um imenso sorriso contra o travesseiro. – Estou elétrica!
-Ótimo! Então vem cá, vamos usar essa energia pra outra coisa. – O tom malicioso saiu bem claro, fazendo a mulher rir alto e dar um passo pra trás.
-Limpar a garagem? Concordo demais. – Ela levou a conversa a um outro nível, fazendo o marido rir dessa vez.
-Não é bem isso que eu tenho em mente. – riu e sentou na cama ao esfregar o rosto, sentindo o lençol claro sair do seu corpo nu.
-Eu não vou transar com você, não. Com esse bafo de leão? Nem pensar! – fez uma careta de deboche e os dois riram alto, enquanto se espreguiçava jogando os braços pra cima. – Amor, você prometeu ao que ia limpar a garagem pra ele ter um lugar limpo e organizado e poder trabalhar no projeto do MIT.
-Eu escovo! – O cantor tentou contestar sobre o bafo de leão e suspirou fingindo desapontamento: – O que um pai não faz por um filho?
-Você não cansa de sexo? – Ela perguntou rindo e viu a carinha de pau do marido aparecer sem demora.
-Com você? Jamais! – O sorriso meigo varou as bochechas avermelhadas quando se apoiou nos joelhos pra levantar da cama. negou com um aceno leve de cabeça e o incentivou a levantar com um gesto.
-Vai, levanta. Toma um banho e desce pra comer alguma coisa. – A mulher passou a mão no braço dele, ganhando um sorriso em resposta. – Você tá há mais de dez horas sem comer, não pode ser assim. – Ela soou preocupada, conseguindo arrancar um sorriso iluminado do marido.
-Tudo bem, enfermeira da minha vida. – Ele roubou um beijo no canto da boca, fazendo a esposa lhe dar um tapa de leve na coxa, enquanto se decidia se aproveitava que ele estava pelado, ou o enxotava de vez pro banheiro.
-Eu vou trocar de roupa. Quando voltar, acho bom que você esteja no banho. – piscou.
-Só porque eu gosto de mulher mandona! – se espreguiçou na intenção de que ela passe os olhos por todo o seu corpo. Dito e feito, a mulher tinha se perdido entre as saliências definidas que desciam sinuosamente até seu paraíso particular.
-A única mulher que você tem que gostar, sou eu. – Ela umedeceu os lábios e antes de olhá-lo nos olhos, sentiu a voz soprar em seu ouvido.
-A proposta ainda tá de pé! – O tom saiu malicioso demais. Ela riu e passou de leve as mãos abertas pelos ombros dele.
-Quem sabe depois de limpar a garagem. – A mordida na boca ganhou uma atenção mais do que especial. – Ah, e você precisa voltar a dormir vestido, amor.
-Ontem não tinha a mínima condição de eu colocar uma roupa, mulher. – arqueou a sobrancelha e a viu prender uma risada que, com certeza, ele adoraria ouvir. – E você sempre gostou, nem vem.
-Não é questão de me agradar, papi. – Ela fez um bico desgostoso. – É por motivos de: vai que acontece qualquer emergência na madrugada e você sai do quarto pelado. Isso não é bom! – alertou e o viu rir com uma expressão culpada que deixava suas bochechas mais salientes. – Você sabe que aconteceu uma vez, mas os meninos eram bem pequenos e eu percebi antes de virar uma catástrofe.
A enfermeira sacudiu de leve a cabeça, não querendo nem imaginar o que tinha acontecido se os filhos vissem e os dois riram.
-Eu nem lembrava mais disso! – O homem passou a mão pelos cabelos, soltando uma risada anasalada. – Mas você tem razão, eu preciso cuidar com isso. Então para sua tristeza, a partir de hoje, eu durmo vestido. – fez um bico fingido e direcionado a e a mulher rolou os olhos, o fazendo rir.
-Eu passo a mão em você na madrugada, não tem problema! – Ela empinou o nariz e correu alguns leves passos dentro do quarto, evitando que tomasse uma palmada na bunda do marido incrédulo e plantado perto da cama.
-Agora ela corre! – A incredulidade só ficou maior quando o homem cruzou os braços na altura do peito. – Maldade, anjo, maldade! – O grito desesperado se fez presente e os dois riram alto, enquanto se direcionava ao banheiro e ao closet do casal.
-Ah, te ligaram assim que eu cheguei. Era a moça da Idobi Radio, eu disse que você ligava depois. – Ela explicou sobre uma possível entrevista que daria ao telefone e ouviu um resmungo de afirmação.
-Tudo bem, obrigado! – Ele alteou mais a voz. – MAS NÃO VOU MENTIR QUE QUERO!
-QUER O QUÊ? – gritou em resposta e ouviu a risada sacana, entendendo na hora que se tratava da proposta indecente há pouco.
-VOCÊ SABE! – O grito veio junto com o barulho do chuveiro. – TUDO QUE EU TENHO DIREITO! – A frase foi suficiente pra que ela gargalhasse e desistisse de se trocar, tirando a roupa que tinha saído e ficando apenas de calcinha e sutiã.
-PODE DEIXAR, EU PASSO! – Ela respondeu do closet, organizando o que estava em suas vistas, antes que desse chilique por sua indigesta mania de limpeza.
-EU VOU TOMAR BANHO. A PORTA VAI FICAR ABERTA! VOCÊ É SEMPRE BEM-VINDA!
Foi o necessário para que a mulher abrisse um sorriso satisfeito e se enfiasse no banheiro sem mais interrogações, obstáculos ou negações.
-Sonhou comigo e acordou na vontade foi? – perguntou com um sorriso lascivo ao ver a água escorrer no corpo do marido, através do box todo feito em vidro. Ah sim, era muita sorte poder deslizar naquele corpo sem dó.
-Exatamente! – abriu a porta transparente e a chamou com um aceno de mão, vendo a mulher caminhar na sua direção enquanto desabotoava o sutiã e tirava a calcinha.
Ela entrou no box sentindo as mãos do marido tomarem vagarosamente sua cintura e logo a boca dele procurar um beijo gostoso. enfiou as mãos nos cabelos do marido, enquanto o desespero para que aquele beijo acendesse tudo e mais um pouco fez os dois se agarrarem ainda mais, principalmente após o baque surdo das costas dele no azulejo molhado. no reflexo apertou a bunda dela com as duas mãos e enfiou ainda mais a língua na boca da mulher, a beijando com mais força, o que muito provavelmente deixaria os lábios avermelhados depois e em troca recebeu unhas curtas cravadas em seus braços. Os dois se esfregaram mais um pouco naquele desespero de aumentar o atrito das intimidades latejantes de desejo, e quando sua esposa flexionou uma das pernas em seu quadril, o cantor procurou com os dedos sorrateiros, o meio delas. os passou vagarosamente, utilizando de um carinho mais safado e a ouviu gemer manhosa contra sua boca, o deixando tão excitado quanto.
desceu os beijos para o peito do marido, assim como as mãos que já acariciavam perigosamente a região baixa do abdome, o deixando ainda mais ereto contra ela. A mulher soltou um sorriso sacana com a tortura que fazia e sentiu todo o seu tesão ganhar ainda mais vida, quando um gemido indignado saiu da sua boca após criar expectativas demais quanto o marido lhe penetrar com os dedos e ele apenas continuar passando-os por lá, a induzindo que mexesse o quadril contra o dele. Foi o que fez e o ouviu gemer junto com o atrito e a ansiedade gostosa que um causava no outro.
-Vai anjo, rebola gostoso. –O homem cravou uma das mãos na bunda dela, sentindo o desespero delicioso de tê-la rebolando contra seu pênis como se o masturbasse. finalmente a penetrou com dois dedos, sentindo uma mordida no peito pelo repentino movimento.
Sabendo que dali a pouco daria para penetrá-la sem que ouvisse reclamações que transar na água era seco. gemeu contra o peito dele, ainda continuando com os movimentos que ajudavam os dois na estimulação e respirou fundo. Ao olhar pro marido, o viu de boca aberta e olhos apertadinhos. Ah não! Mas ele não ia fazer aquilo.
-Eu não acredito que você vai gozar assim. – A reclamação saiu manhosa.
-Você não tá ajudando, gostosa. – soltou um suspiro pesado e com a mão que estava cravada na bunda dela, subiu rapidamente, segurando com força a cabeça da mulher para que ele pudesse beija-la sem pudor e com um imenso desejo, sentindo o peito rígido dela esfregar ao seu. Ele beijou o pescoço da esposa, deixando uma chupada firme que a fez tremer e gemer contra seu ouvido.
soltou um grunhido manhoso de protesto e desespero por ter escutado um gemido tão incrível, não demorando muito para que ele a suspendesse para seu colo. Os dois gemeram com o roçar das intimidades pelas pernas enlaçadas e logo a mulher foi encostada na parede gelada, enquanto a água fria do chuveiro caía entre os dois. se apoiou nos ombros do marido sentindo o corpo ser abraçado com firmeza e rapidamente ser penetrada com o desconforto da água não ajudar em nada.
-Desliga o chuveiro! – Ela reclamou sentindo as estocadas travarem e puxou os cabelos do marido quando sentiu a esfregada gostosa de uma das palmas dele contra seu peito. – Tá travando, Charles, desliga a porra do chuveiro! – A indignação veio junto ao desespero do quadril dos dois, que mesmo com a dificuldade, continuavam a tentar deslizar um no outro.
O homem bateu a mão no registro o desligando e prensou ainda mais a esposa na parede aumentando o ritmo das estocadas, assim como ela aumentava das reboladas se segurando mais nele e gemendo a cada entrada com força que o homem dava. Ela sentiu apertar sua cintura com força e o ajudou contraindo a musculatura pélvica para que os dois gozassem mais rápido.
-Você é tão deliciosa quando faz isso. – O homem grunhiu fechando os olhos com a intensidade do acontecido e sentiu os dedos dela apertarem sua boca em um bico. Malvada, era malvada!
-O que? – A mulher perguntou mergulhada no cinismo e repetiu a contração dos músculos vaginais o ouvindo gemer por ter, indiscutivelmente, gostado daquilo. – Vai com força. – Ela pediu se agarrando mais a ele e os dois passaram a fazer movimentos mais intensos e desesperados, acompanhados de algumas puxadas de cabelo, apertadas e beijos despudorados, que fizeram a mulher chegar primeiro ao orgasmo, soltando um suspiro longo, barulhento e cansado.
-Tá indo, ! – anunciou que em pouco tempo seria a vez dele e enfiou o rosto no pescoço dela, enquanto a mulher ainda deslizava sobre ele.
-Não, não! Espera, vai fora! – Ela pediu desencaixando do marido e mesmo assim sentiu quando ele ejaculou dentro, como se o pedido tivesse sido tarde demais.
O homem suspirou satisfeito, ainda enterrado no pescoço da esposa e a abraçou com mais força, ouvindo a mulher resmungar. Ele beijou de leve o pescoço dela, ainda prendendo a vontade de rir pela reclamação que, com certeza, aconteceria a seguir. Algo que não apenas aconteceu, como veio acompanhada de um leve tapa na nuca.
Os dois riram.
-Eu mandei fora!
-Eu sei! – O cantor esganiçou rindo e sentiu as pernas dela desenlaçarem do seu corpo, logo se pondo de pés no chão. – Mas quando você mandou já estava vindo, não deu pra segurar. – Ele esboçou a maior cara lisa que tinha e ela rolou os olhos, sendo beijada de surpresa assim que o chuveiro foi ligado em cima dos dois.

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fechou o chuveiro e saiu do box enlaçando a toalha na cintura, vendo a esposa secar o cabelo cacheado com outra toalha, já de frente para o enorme espelho em cima do lavabo. Ele sorriu satisfeito e ao dar um meio abraço na mulher por trás, enquanto segurava a própria toalha com uma das mãos e beijou-a de leve na ponta do ombro, ganhando um sorriso iluminado.
-Se eu disser algo, você me entende? – O homem perguntou direcionando os selinhos ao pescoço dela e a fez rir baixo. sabia que tinha feito algo de errado e precisava se retificar quanto a conduta. Sinceramente? Aquela era uma das melhores coisas no casamento dos dois, poder ouvir e ser ouvido. Aconselhar e ser aconselhado. Era a cumplicidade.
-Qual foi a merda que eu fiz? – A mulher soltou o ar dos pulmões, movimentando o pescoço pra que ele pudesse beijar mais. beijou-a uma última vez e soltou um suspiro pra lá de frustrado.
-Você não achou o castigo meio exagerado? – A pergunta saiu dosa, o fazendo entender que ela achava o mesmo quando viu a esposa desviar o olhar do seu, mesmo que pelo reflexo do espelho. – Eu sei que o errou em mentir. Mas poxa, ele é um bom menino!
suspirou completamente perdida na situação.
-Não sei, eu estava virada com a mentira. – Ela suspirou bem culpada com a situação. Odiava ter que ser tão dura com os filhos. – Eu não gosto de mentira, você sabe.
-Eu sei, anjo. Nesse ponto eu entendo e concordo. – suspirou e beijou-a na cabeça, um beijo forte e seguro. A enfermeira sorriu em resposta e encostou o corpo ao dele, sentindo a boca do marido pressionar mais a sua cabeça.
-Às vezes, eu acho que ele é maduro demais pra ter 16. – Ela disse pensativa, sentindo e vendo o marido lhe abraçar com força pela cintura, quase enfiando o rosto em seu pescoço.
-Ele é mais responsável que a gente era. – Os dois riram alto, embora soubessem bem que era verdade. – E quem nunca fez merda aos 16? É parte de ser adolescente!
-Infelizmente, nesse ponto, eu preciso concordar. é muito mais responsável que nós dois juntos. – respirou fundo e inclinou um pouco mais a cabeça, esperando que ele continuasse a beijar. – tem 16, nunca passou a noite fora de casa sem avisar, nunca bebeu pra porre, nunca tomou uma multa, nem no seu carro, nem no meu. – A mulher suspirou frustrada. – Ele não tem uma nota abaixo da média.
-Exatamente e a Leonor só tava encobrindo o irmão. – simplificou tudo que tinha acontecido, vendo a esposa fazer uma careta frente ao espelho. – E nisso, mocinha, você tem uma vasta experiência! – O homem segurou o rosto dela e lhe deu um beijo forte na bochecha.
-Em minha defesa, eu ia bem pra caramba no colégio! – A mulher tentou justificar as merdas da adolescência e os dois riram. – Mas é papel nosso, punir.
-Valeu a tentativa de justificar, little genius. – Os dois riram pelo apelido antigo e sentiu mais um beijo carinhoso entre os cabelos. – E o papel de punir é seu. Eu nunca soube fazer isso.
-Nem falar grosso você sabe, . – A risada dela saiu anasalada.
-Hm, tem certeza? – A frase saiu acompanhada de uma leve mordida na orelha dela, que a fez gargalhar abertamente, sendo acompanhada por ele.
-Eu digo com os meninos! – A mulher ressaltou muito bem. – Mas o que você sugere que eu faça?
-Libera eles do castigo…
-Assim não, . Liberar total não. – Ela o interrompeu antes que a fizesse ceder com todos aqueles beijos sedentos no pescoço. Céus, transar com aquele homem estava virando um vício nos últimos dias.
Um longo suspiro foi dado por parte dele, até se convencer que não seria tão facil liberar os pirralhos do castigo.
-A viagem e o carro? – A sugestão saiu em um completo tom de dúvida, fazendo ponderar bem a alternativa. Talvez fosse sim uma ótima escolha.
-Pode ser, mas a viagem só pra Leonor. fica comigo. – A enfermeira declarou como última alternativa e o viu soltar um suspiro derrotado. Aquela guerra já estava ganha de toda forma.
-E por que raios o castigo virou contra mim? – esganiçou ao ponto de mudar completamente o timbre da sua voz. Só poderia ser brincadeira de , como eles tinham a oportunidade de viajar pra Inglaterra, ver a banda que Leonor tanto gostava e de quebra, namorar um pouco no clima da cidade. E a mulher não ia? – Você não vai, ?
-Eu não posso deixar o sozinho em casa enquanto a gente viaja! É cruel demais fazer isso. E se eu disse que ele não vai pra Inglaterra, ele não vai. – Ela tentou se impor antes que o marido começasse mais uma vez o seu monólogo e mais uma vez, ele suspirou rendido.
-Tá, tá bom. Eu levo a Len e você libera o carro pro moleque. Beleza? – perguntou ao dar um beijinho no pescoço dela.
-Assim que se fala, papi! – piscou rindo e o viu abrir um sorriso maroto pelo reflexo do espelho.

-x-x-x-

Os dois estavam na garagem esvaziando os materiais que não serviam mais e guardando alguns tantos em caixas, cumprindo uma promessa sobre conseguir um lugar limpo e calmo para que filho pudesse desenvolver seus projetos para o MIT. pai estava carregando algumas caixas mais pesadas e as empilhando de forma organizada para que o galpão coubesse dois carros e ainda o “escritório” de criação do rapaz, enquanto o ajudava na organização do espaço. Ela mordeu a boca um pouco confusa quando viu o marido fazer força pra pegar uma caixa de ferramentas no chão, e fez uma leve careta ao ver a aliança grossa do anelar esquerdo dele. Sim, ela sempre estivera ali depois que ele havia voltado, mas será que permanecera naquele mesmo dedo durante o último ano?
-Você ainda usa aliança? – A dúvida se exteriorizou da forma errada e o homem olhou pra ela com uma enorme interrogação na cara.
apoiou a caixa na perna ainda sem entender a pergunta sem sentido, mordeu a boca supostamente pelo peso das ferramentas, gesto que causou na mulher a mesma reação. A de morder a boca. E ao perceber o olhar lascivo da sobre si, apertou ainda mais a mordida com os dentes, ao ponto de deixar o lábio esbranquiçado, sabendo que ia despertar nela os pensamentos mais insanos. Como se não bastasse toda aquela demonstração gratuita e de certa forma, discreta de obscenidades, o homem forçou os braços mais do que necessário, consequentemente os deixando mais definidos no tronco livre de camisas.
-Digo, usou no último ano? – A enfermeira piscou um pouco atarantada e sacudiu de leve a gola da camiseta cavada dele que ela usava. Talvez melhorasse um pouco aquela quentura.
-Usei, anjo. – riu um tanto debochado por vê-la afetada com as provocações dele e de quebra, inflou o peito ao colocar a caixa em uma das prateleiras. – Não vi necessidade de tirar. – Ele deu de ombros, batendo as mãos uma na outra pra tirar a suposta poeira e logo na bermuda jeans.
-Não viu a necessidade de tirar? – arqueou uma das sobrancelhas, assumindo uma postura bem duvidosa assim que apoiou a mão na cintura, fazendo também, sua aliança reluzir quase como ouro.
-Não, . – Ele suspirou meio risonho, depois a encarou passando a mão pelos cabelos. – Eu nunca vi necessidade de tirar. Na verdade, eu nunca quis tirar. – explicou bem a situação e ouviu um suspiro de confirmação vindo dela, que não estava em qualquer posição de questioná-lo sobre aquilo. – Até porque, parece que alguém também não tirou. – A piscada debochada veio acompanhada de um sorriso filho da puta no canto dos lábios.
-Tinha uma marca horrorosa no lugar dela. – A mulher usou do mesmo deboche e os dois gargalharam no meio da garagem.
-Claro, marca. Muito tempo usando, né? – O homem deu um sorriso sacana, mordeu a boca e balançou a cabeça negativamente.
-Sim, mais de quatorze anos usando. Deixa marca. – deu de ombros como se fosse nada demais e passou por ele, carregando o olhar safado do marido. – Sem falar que era uma forma de manter a encrenca longe de mim, . – A mulher o olhou por cima do ombro e abriu um sorriso sacana, sabendo que o faria começar a se emputar com aquilo. Talvez provocá-lo, valesse o seu dia.
-E acho bom mesmo manter a encrenca longe da minha mulher. disse sério, sabendo que não deveria se incomodar com algo tão pequeno. Mas quem iria obrigar o coração dele?
-Embora alguns tipos de encrenca não entendam o recado. – Ela mordeu a boca prendendo a risada estrondosa que queria sair e tirar com a cara dele. O homem se limitou a arquear as sobrancelhas como se a desafiasse, mesmo que sentisse o estômago embrulhar. Do que caralhos ela estava falando?
-Oi? – A pequena entonação veio cheia de ciúme e quem sabe até irritação, fazendo a mulher soltar a risada presa. Aquela era uma das vantagens de ter um marido ciumento, provocá-lo sabendo que ele não ia dar o braço a torcer. – Como é?
-Algumas encrencas não entendem o recado, ué. – Ela deu de ombros, ainda o olhando por cima do ombro e viu ficar com as bochechas ainda mais vermelhas, por certo, de raiva. Além de ter inflado o peito, é claro!
-Pois sinto informar, mas essas encrencas têm que entender que você é minha. Só minha! – mordeu um sorriso completamente sem vergonha e beliscou de leve a bunda dela.
-Amor! – arregalou os olhos, reclamando com uma manha sem tamanho pela reação dele.
-O quê? – O cantor perguntou com um cinismo sem tamanho e soltou a risada, abraçando a mulher em seguida. – Assim, só por curiosidade mesmo. Quem foi o desocupado?
-Por Deus, ! – A gargalhada dela saiu aos estrondosa. – Eu estou tirando com a sua cara, não percebeu ainda?
-Como é? – O homem soltou-a pra fazer uma das suas poses mais indignadas e aproveitou pra entrar logo na cozinha, rolando os olhos com a crise sem sentido.
-Brincando com você. – Ela foi óbvia, ainda não dando tanta importância pra indignação dele e passou pela porta da cozinha junto com ele. Sabia que tinha o pavio curto e era engraçado vê-lo irritado. – Quer alguma coisa? – A mulher se direcionou pra pia da cozinha na intenção de lavar as mãos.
-Além de aproveitar que os meninos estão fora? – Ele abriu um sorriso travesso, a fazendo rir alto. – Querer mesmo, eu queria era dar uma brincada. – voltou a jogar suas propostas quentes, assim como os cotovelos contra a ilha e viu a esposa abrir a boca com certa indignação, enquanto cerrava os olhos. – Mas na impossibilidade… Tem bolo? – O sorriso de criança deu contraste a todo o clima pesado na cozinha.
-Bolo? – soltou uma gargalhada estrondosa pela mudança repentina de assunto e se apoiou na ilha, de frente pra ele, com as mãos.
-É… – mordeu a boca, escondendo um sorriso bonito e deslizou as mãos sobre as dela. – Só você faz aquele bolo. – O homem piscou e respirou fundo, como se sentisse tanta saudade da comida ao ponto de sentir o gosto na boca, só de imaginar. – Faz pra mim? – Ele arrastou a mão da esposa delicadamente e beijou-a bem em cima da aliança, fazendo suspirar e abrir um sorriso imenso pra ele.
-Claro que eu faço! – Ela respondeu bem boba e o beijou carinhosamente nos lábios.
se movimentou rapidamente dentro do cômodo, selecionando tudo que precisaria para fazer o bolo de chocolate e ao colocar em cima da bancada, percebia o olhar encantado do marido sobre si. Era como se eles tivessem voltado uma boa porção de anos no tempo, ainda parecendo dois jovens adultos que mais brincavam dentro de casa. Ela dispensou a batedeira àquela vez e começou fazer a mistura manualmente, voltando realmente aos incríveis e bons anos que os dois já haviam passado naquela casa.
-E a clínica, ? – O mordeu a boca de leve, curioso em saber como andava o grande sonho da mulher. – Quando você marcou o coquetel de reinauguração?
-Em duas semanas, logo quando você voltar com a Leo. – A mulher abriu um sorriso imenso por saber que ele levava seu trabalho tão a sério quanto ela. – Foram os três meses mais torturantes pra mim, não poder usar minha clínica. – Ela disse rindo e passou o dorso da mão no rosto para livrar um pequeno incomodo.
-Eu acredito, anjo, você sempre foi louca por ela. A WOCN Society* vem? – abriu ainda mais o sorriso que varava suas bochechas e suspirou contente, ao vê-la com uma das bochechas sujas de farinha e tomando fôlego pra começar tagarelar sobre o que a mulher tanto gostava e tinha a vocação.
-Alguns representantes da sociedade confirmaram a presença sim. – A enfermeira umedeceu os lábios, sem conseguir conter o sorriso e sentiu a mão dele limpar sua bochecha com delicadeza.
-Tinha farinha. – Os dois riram feito crianças.
segurou o rosto dela com firmeza e roubou um beijo sugado, fazendo as pernas da esposa amolecerem. segurou a bacia com mais força, sem entender como aquele homem ainda conseguia aquele tipo de coisa depois de tantos anos e o ouviu rir alto, quando quase derrubou a tigela com a massa do bolo, no chão. O homem piscou ainda rindo e a mulher lhe deu um tapa leve no ombro, o deixando sujo de farinha.
-O bolo, papi! – A reclamação da enfermeira veio sem demora, fazendo com que ele virasse uma criança ranhenta e enfiasse o indicador na massa de chocolate.
O ar na cozinha mudou completamente quando levou o dedo a boca para lamber a massa crua em uma das demonstrações mais obscenas, enquanto a encarava. Ele fechou os olhos vagarosamente e os abriu, subindo o olhar por todo o corpo de , ainda que arrastasse a língua avermelhada pela extremidade do dedo, usando de movimentos muito bem pensados e que a mulher conhecia bem. Conhecia tão bem que ansiava aquele estrago em seu corpo, todo santo dia. Não era complicado de entender que ele queria fazer exatamente aquilo com a língua se ela deixasse.
-Qual o seu problema? – A pergunta saiu indignada e saturada, com uma ponta de nervosismo, talvez. Fazendo o homem gargalhar. – Vai te catar, ! – Ela gargalhou junto.
-Eu estou comendo a massa crua. – A resposta veio óbvia e cínica ao ponto de parecer que nada demais tinha acontecido há pouco. Ela estreitou os olhos e ganhou um sorriso meigo. – Lembra quando os meninos eram crianças? A folia que a gente fazia com o bolo? – O cantor mudou totalmente o centro do assunto e viu a esposa abrir um dos seus sorrisos mais encantadores.
-Lembro! – A mulher quase soltou um grito ao ver que ele estava preso na mesma lembrança que ela. – sujava a Leo e depois saía correndo, daí ela te sujava e virava um ciclo vicioso. – Os dois gargalharam imersos no momento. – Depois tinha três crianças sujas pra eu dar banho. – soltou um riso anasalado. – Céus, lembra quando o enfiou a tigela suja de massa de bolo na cabeça?
-Claro que eu lembro! Você queria me matar por não ter impedido. – A gargalhada esganiçada saiu desafinada, fazendo a mulher rir junto com ele. – Eu era um moleque com duas crianças lindas pra brincar, anjo. – abriu um sorriso imenso e sendo acompanhado por ela, beijou-a na bochecha. – Só podia dar em bagunça.
-Você nunca, nunca deixou de ser moleque. – Ela sorriu e o viu se esticar por cima da bancada em busca de um beijo. Os dois beijaram levemente, apenas no sentido de sentir os lábios um do outro. – Por isso os meninos são loucos por você.
-Sabe de uma coisa? – O homem pressionou os lábios em uma linha e passou uma das mãos pelos cabelos, sabendo que daria um pulo com a informação. – Eu tenho saudade de ser pai.
-Você é pai, amor. – Ela riu com a frase que ainda não estava fazendo sentido. – Tem dois filhos adolescentes dando trabalho aí.
-Não, anjo! – Ele riu, tentando disfarçar o desespero. – De ser pai mesmo, toda a história de uma gravidez. Correr atrás de um capetinha o dia todo pela casa, levar ao colégio, ensinar as coisas. Você sabe. – deu de ombros, enumerando nos dedos e levantou a vista pra ver o sorriso de gases no rosto da esposa.
A mulher piscou sem entender exatamente porque ele estava tocando naquele assunto, sem saber se ria da brincadeira, ou teoricamente chorava de desespero. estava louco?
-Você tá velho, , não aguenta mais correr atrás de criança. – levou na brincadeira, rezando pra que ele começasse a rir e esquecesse essa história de mais uma criança naquela casa. Em contra partida, ele parecia ofendido com a acusação.
-Eu vou a academia, surfo e jogo hockey. – O cantor enumerou nos dedos, exemplificando que aguentava bem o tranco com um bebê. – Sem falar que nós estamos bem ativos ultimamente. Então acho que posso muito bem cuidar de um filho. E nós estamos novos ainda.
piscou algumas vezes, olhando bem pra cara do marido. Ele não poderia estar falando sério. Falar de filho àquela altura do campeonato, principalmente quando os dois estavam ainda se resolvendo quanto a situação de casados? era louco!
-Eu sempre quis família grande e você sabe. Dois é pouco! – desviou a vista do olhar incisivo da esposa, tendo a certeza que ela lhe comeria vivo.
-Você enlouqueceu, . Você simplesmente pirou, não tem outra explicação. – ainda parecia incrédula com o pedido e o viu bufar com um bico de irritação.
-Eu não enlouqueci, eu quero ser pai de novo e isso não é pedir muito! – O homem rolou os olhos, se impedindo de ver o queixo dela quase encostar no chão. Em contra partida, a mulher soltou uma gargalhada estrondosa. De certo, só poderia estar de sacanagem com a sua cara.
-Você bebeu? – A pergunta saiu em meio a risada, o deixando ainda mais puto por não estar sendo levado a sério.
-Mulher zoeira é foda, viu? – O homem respirou fundo e passou a mão pelos cabelos curtos.
-É sério, eu não acredito que você tá pedindo filho na exata situação da nossa vida. – Ela sacudiu a cabeça e pegou o spray pra untar a forma circular do bolo.
-Eu não bebi, . Eu estou completamente lúcido e seguro do que eu estou falando.
-Eu disse que massa crua não era bom, amor. – A mulher abriu uma risada espontânea ao ver que ele estava todo irritadinho em não estar sendo levado à sério. E na verdade, nem tinha cabimento levar aquilo a sério.
-Você tá levando na esportiva. – soltou uma risada morta.
-Não dá pra não levar, amor. – riu junto com ele, por mais que soubesse que o desejo de ser pai era mais do que real em . Sim, ele sempre quisera uma família enorme, uma casa grande e um cachorro. Os dois últimos itens da lista ele tinha, só faltava completar o primeiro.
-Os meninos querem um irmão, você sabe! – Ele recorreu ao também desejo dos filhos, enquanto a esposa despejava a massa de chocolate na forma.
-Infelizmente, querer não é poder. – A Mrs. mandou um beijo, colocando a forma no forno, logo em seguida.
-Continuo querendo. – suspirou ao observar o corpo da esposa vestindo uma das suas camisetas cavadas.
Aquilo era algo que ele nunca iria entender, como ela ficava tão linda até em uma camiseta imensamente maior, ou o fato de os dois serem ainda mais opostos e mesmo assim se darem tão bem. O homem soltou uma risada leve ao olhar para os próprios pés calçados em um tênis e depois os dela descalços no meio da cozinha. tinha uma horrorosa mania de não usar qualquer chinelo em casa, ela dizia que assim era mais livre.
-Você é teimoso! – A enfermeira acusou, voltando a sua postura normal e o homem riu abraçando-a por trás, dando tempo apenas pra que ela batesse as costas em seu peito nu.
-E você gosta. – O sussurro saiu grave bem ao pé do ouvido, o que fez arregalar de leve os olhos e rir alto ao sentir a mão dele entrando pela lateral da camisa cavada.
-Você é tão convencido! – Ela jogou de leve a cabeça pra trás, ainda rindo com as péssimas intenções dele.
-Prefiro realista. – A frase saiu baixa novamente, à medida que a mão dele passeava por dentro da camisa cavada, mais especificamente no abdome.
-Continuo com convencido. – A mulher apoiou a nuca ao ombro do marido, esperando que a mão subisse mais um pouco e brincasse com ela. Ou talvez descesse, era uma ótima alternativa.
Ele riu baixo e deslizou de vez o braço pelo abdome dela, abraçando a mulher com força em um carinho inigualável. soltou um suspiro contente e deu um beijinho estalado no pescoço da esposa.
-Só pensa, OK? – O pedido saiu descarado, fazendo sair do abraço e lhe empurrar a vasilha suja com massa de bolo, o fazendo rir alto com a indignação dela.
-Come sua massa crua, vai? – Ela rolou os olhos com o pedido feito há pouco. Mas era muita falta de juízo num homem só.
-Poxa, anjo. – O bico nos lábios dele era imenso.
-Sem anjo pra cima de mim! – A mulher rolou os olhos e ouviu mais uma vez a gargalhada do marido. Ela segurou os lábios em uma linha fina na intenção de não gargalhar e sem esperar, sentiu a colher de pau encostar em sua bochecha deixando um rastro de massa crua por lá. – Amor! – O protesto veio em meio a um riso divertido, que o fez rir junto ainda que parecesse uma criança sapeca lambendo a colher suja. limpou a bochecha e o empurrou de leve com o quadril, sentindo o marido lhe sujar mais uma vez. – Poxa, eu estou limpinha!
-Nossa, coitadinha. – O homem fez um bico debochado e beijou a bochecha limpa.
-Eu vou precisar de outro banho e a culpa é toda sua. – Ela também fez um bico, passou o dedo na tigela suja e melou o nariz do marido. riu baixo e dispensou a panela que estava na mão, abraçando a mulher pela cintura logo em seguida.
-Sempre feliz em ajudar, . – Ele piscou, usando de um tom bem malicioso ao tentar beijar a enfermeira que estava presa em seus braços.
-Eu não vou tomar banho com você, de novo! – arregalou os olhos de leve, usando a maior obviedade na voz. – Credo, não!
-Eu estava há um ano sem sexo, mulher. Tenha dade de mim! Agora eu quero aproveitar o tempo perdido. – Ele acochou-a ainda mais no abraço, sentindo os braços da mulher deslizar ao redor do seu pescoço.
-Passou um ano se acabando na mão, igual colher de pedreiro? – O deboche na voz da mulher o atingiu em cheio, fazendo estreitar os olhos e se dividir entre ficar ofendido e rir alto.
-Sinceramente, eu não deveria nem rir dessa sua piada. – Ele repreendeu, mesmo que começasse a rir com o comentário infame. Se ele tinha se acabado na mão como disse ela, ela também tinha. – Na verdade, eu não queria nem falar, mas a sua situação foi bem parecida. – O homem riu malvado, se encolhendo e sabia que ia tomar um tapa no ombro. – Boatos que tava quase saindo da carreira de enfermeira e desbancando o Avicii.
-Vai te catar, ! – soltou um grito esganiçado, mas que foi misturado a uma dupla crise de risos. – Eu nem sei porque eu ainda insinuo essas coisas na sua frente, sinceramente. – Ela rolou os olhos ainda imersa na crise de risos e sentiu os lábios dele lhe roubar um beijo.
-Porque você me ama. – roubou mais um beijo da esposa. – Porque nós dois não temos filtro. – Mais outro beijo que fez a mulher rir de olhos fechados. – E porque nos sentimos confortáveis falando qualquer merda perto um do outro. O que me faz voltar a primeira suposição, nos amamos demais e temos uma intimidade do caralho.
-E sua boca é muito suja! – O deboche veio imperioso e em um movimento rápido, deitou-a suspensa no ar, ouvindo um gritinho de susto da esposa.
Os dois riram com o ar divertido e leve que pairava a cozinha e logo sentiu seus lábios serem beijados por ele, à medida que seu corpo era trazido de volta para a postura normal. Ela o abraçou ainda mais pelo pescoço, sentindo seu corpo ser abraçado pela cintura. O se escorou a bancada da cozinha, sentindo o corpo dela se encaixar ainda mais ao seu. Os dedos entre os cabelos, o gosto familiar, o cheiro mais ainda e o sensacional momento sem filhos gritando que queriam comer ou qualquer outra coisa do tipo. Ele riu sacana e após um beijinho sugado, puxou o lábio inferior dela entre os dentes em uma mordida que a fez suspirar satisfeita.
segurou a cabeça do marido com as mãos subindo pela nuca e sorrateiramente passou os dentes pelo queixo do homem. suspirou sofrido e mordeu a própria boca, tentando controlar o corpo e suas as reações, mesmo que fosse difícil quando aquela mulher encapetada arrastava a língua por seu queixo e as minúsculas unhas por sua nuca. Ela enfiou ainda mais os dedos entre os cabelos dele e puxou a cabeça do marido pra trás em um supetão, ouvindo a gargalhada larga e satisfeita dele. Se tinha uma coisa que não reclamava, era de ser dominado por sua mulher.
O homem sentiu o corpo entrar em colapso e perder totalmente o controle quando ela arrastou os dedos por trás da sua orelha. Céus, sabia bem como lhe deixar louco! A mulher sentiu seu corpo ser apertado com força em consequência a provocação e um quase grunhido manhoso sair da boca do marido, a fazendo abrir um sorriso malvado e lascivo. Foda-se que era meia tarde, os meninos estavam no colégio mesmo. O cantor esgueirou as mãos pela fenda lateral da camisa cavada dele, que ela estava usando e cobria parcialmente o jeans curto, fazendo a mulher arrepiar inteira e lhe beijar com tesão. As mãos que faziam carinho nos pontos atrás das orelhas dele estavam tão bem intencionadas quantos as que já haviam apertado a bunda dela, mas seguiam determinadas a entrar pelo short na parte interna da coxa.
O cantor baixou levemente a postura e após apertar as grossas coxas da esposa por trás com uma força que a deixava ainda mais excitada, flexionou os joelhos de leve e em um impulso, suspendeu a mulher fazendo a questão de esfregar o quadril dos dois. Talvez assim o livrasse mais do desespero. o abraçou com as pernas, firme o bastante pra que ele apenas lhe ajudasse no apoio e respirou fundo ao sentir os beijos famintos perto da sua orelha.
Um resmungo de suplica foi solto quando o marido lhe mordeu o lóbulo da orelha e ela enfiou ainda mais os dedos entre os cabelos dele. A mulher jogou a cabeça pra trás quando sentiu um dos seios ser apertado e o roçar do quadril dos dois. Mas viu todo seu tesão diminuir consideravelmente assim que percebeu a cozinha repleta de fumaça, além do cheio horroroso de bolo queimado.
-Merda! Merda! Merda! – Ela arregalou os olhos, mirando o forno embutido.
-O que foi? – perguntou assustado ao procurar dentro da cozinha alguma de suas crianças, sem saber como ia explicar o amasso que os dois estavam dando.
-O BOLO! – A enfermeira soltou um grito esganiçado, se mexendo pra ser solta e logo pôs os pés no chão.
-Merda, botamos fogo na cozinha! – O trocadilho infame de fez a mulher lhe olhar indignada após desligar o forno.
percebeu que a esposa tinha entendido o teor da piada desgraçada e imediatamente soltou uma gargalhada estrondosa. Aquela situação era, no mínimo, ridícula por estar acontecendo. Quantos anos eles tinham? 20 e não podiam se encostar? Céus, que fogo! mordeu os lábios, tentando prender a risada e não dar moral a ele, mas foi inútil ao ver o cara, com quem era casada há mais de 15 anos, rir como se não houvesse amanhã e se engasgar com a fumaça que tomava a cozinha mais fortemente. A enfermeira abriu de vez o forno, sentindo as lágrimas pela crise de riso descerem pelas bochechas, tossindo igualmente a ele, pela fumaça.
O cantor viu o divertimento ir embora quando a tarefa de respirar estava ficando difícil com todo aquele cheiro de queimado. Ele vincou as sobrancelhas tapando o nariz e a boca com o dorso de uma das mãos e rapidamente, agarrou a mão de , levando-a pra fora daquela cozinha antes que as coisas ferrassem pros dois.
-Olha o que você fez! – A mulher tentou xingar ainda que parasse de tossir e o ouviu rir alto.
-Eu? Era você quem estava no meu colo rebolando esse bundão maravilhoso! – O homem tentou se explicar e mais uma vez beliscou de leve a bunda da esposa. abriu a boca indignada com o afronte e distribuiu alguns tapas na mão dele, impedindo que o marido safado continuasse com aquilo. – Aproveitou o movimento e esqueceu do bolo. – esfregou de leve o quadril no corpo dela, insinuando leves estocadas e a mulher caiu na gargalhada.
-Vai te catar, ! – Ela deu um tapa ardido no ombro dele, ainda que concordasse e estivesse incrivelmente acesa com o amasso na cozinha. O cantor suspirou um pouco frustrado e beijou levemente o ombro da mulher.
-O que diabos vocês fizeram com a casa? – A pergunta assustada saltou da boca de Leonor fazendo os pais saírem do transe safado de supetão, tão rápido ao ponto de abraçar pela cintura e a mulher cruzar os braços, afastando um pouco mais pra frente dele na intenção de cobrir um certo ponto. Era uma bela imagem de um casal lindo, puro e feliz.
-Caramba! Vocês queimaram a casa? – O rapaz, que entrou em casa por último, abanava o rosto com uma das mãos e falava em um dos tons mais divertidos, fazendo o casal rir alto mais uma vez.
-Nós precisávamos de efeito especial pra dar um mega anuncio! – A enfermeira arregalou os olhos e abriu os braços, fazendo maior teatro que conseguia. – Na verdade, eu queimei o bolo, mas enfim! – A justificativa veio fazendo os garotos rirem.
-Qual é a boa?
-Vocês estão livres do castigo! – O grito da mãe ali veio estrondoso, trazendo as melhores notícias, fazendo o casal de filhos arregalarem ainda mais os olhos, incrédulos com aquilo. – Quase… – Ela pontuou bem. – volta a ter o carro e Leonor vai pra viagem! E o papai construiu uma oficina de criação pra você ter um lugar calmo e trabalhar no MIT, querido!
O grito ensurdecedor dos irmãos após a notícia foi animador, os dois pulavam abraçados em uma reação que e não esperavam, mas que gostaram de uma forma que nunca iriam explicar. O cantor sorriu e deu um beijo na cabeça da esposa, feliz em ver os dois felizes com algo tão simples como ser tirado de um castigo, ou ter um lugar calmo pra trabalhar nos projetos.
A mulher suspirou e ao cruzar os braços, sentiu uma quantidade relativamente grande de água jorrar sobre si. Ela olhou desesperada pro teto, percebendo que o alarme de incêndio da casa tinha sido ativado na parte térrea pela fumaça que saia do forno.
-Ai merda! Eu tinha esquecido dessa praga! – O grito possesso deu lugar a meiguice.
-Eu vou desligar o registro. – pai declarou antes de correr para que a casa não alagasse ou seus meninos pegassem um resfriado.

*Wound, Ostomy e Continence Nurses Society, basicamente, Sociedade de Enfermagem em Estomaterapia.

Chapter Eleven

-Ai, eu estou morta! – reclamou ao se apoiar na cama pra deitar e respirou fundo ao sentir o corpo bater contra o colchão. – Os meninos estavam espirrando, dei complexo vitamínico C. Enchi os dois de água, sucos e líquidos e ai… – Ela reclamou enfiando os dedos entre os cabelos, ouvindo uma risada anasalada do marido que prestava atenção em tudo que ela falava.
-Você tomou? – coçou os olhos por baixo dos óculos de grau que estavam muito bem guardado e escondido na rotina. Ele colocou o notebook, no qual reservava o hotel pra ficar com Leonor durante a viagem, em cima do criado mudo, depois sentou-se na cama.
-Não, eu não preciso disso. Meu sistema imunológico é bom. – A mulher sentiu o corpo praticamente derreter na cama e aquela dorzinha nas costas não estava tão chata durante o dia.
-Uhum, você é de ferro, mulher maravilha. – riu com a cara irónica dela e beijou a bochecha da mulher.
-Você tá usando óculos? – A enfermeira fez uma careta divertida e o viu dar de ombros.
-Me deu uma leve dor de cabeça, suspeitei que fosse a vista e resgatei ele da gaveta. – circundou-a com um dos braços e se apoiou por cima da esposa, roubando um beijo em seguida.
-Deve ser, você mal usa. – A mulher suspirou levantando os braços e os colocando em volta do pescoço do cantor, lhe fazendo um carinho na nuca e recebendo um sorriso maroto. – Eu uso direto.
-E fica extremamente sexy. – Um sorriso de canto foi puxado, assim que a mão dele se arrastou na lateral do corpo dela, levando o tecido da blusa e tocando a pele macia da mulher.
fechou os olhos controlando, ou ao menos tentando controlar, o reflexo do espirro, concentrando para não precisar fazer aquilo na cara dele, ninguém merecia levar um jato de espirro na cara. A mulher prendeu a respiração na vã intenção de absorver o reflexo, mesmo sabendo que só iria deixá-lo maior e percebeu seu esforço ser frustrado assim que baixou o rosto pra beijar a sua clavícula. Três espirros seguidos e escandalosos foram dados, fazendo o homem rir alto, parte em desespero por ter conseguido desviar, parte por ser engraçado estando doente, mesmo sem achar que estava.
-Merda! – A mulher reclamou ao esfregar o nariz e deu um tapa no ombro dele. – Não ri! – Ela riu junto.
-Você tá parecendo o Hulk espirrando! – gargalhou com a expressão imensamente tediosa da esposa e, sem que os dois pudessem controlar, mais um espirro se fez presente, dessa vez na cara dele.
A enfermeira arregalou os olhos, incrédula com os reflexos do próprio corpo, embora ainda estivesse com uma tremenda vontade de rir em ver seu marido de olhos fechados com uma das impressões mais indefinidas que poderiam existir, mas parecendo ter nojo da própria cara. Ela não o culpava por aquilo, mas não era recomendado ficar tão perto de uma mulher com rinite atacada.
-Eu vou buscar o complexo vitamínico C. – anunciou ainda de olhos fechados, sem acreditar que tinha virado alvo de um espirro e se apoiou melhor no colchão, conseguiu colocar o pé no chão pra levantar e perdeu de ver a expressão mais do que culpada da esposa pelo espirro.
-Amor, desculpa! – Ela soltou em meio a uma risada nervosa, cobrindo a boca com a mão e ele meneou a dele mostrando que não tinha problema, contanto que ela não voltasse muitas vezes no assunto.
-Eu vou buscar um remédio pra você. – respirou fundo e sacudiu de leve a cabeça ao ver a esposa encolhida entre os travesseiros com o maior sorriso amarelo e culpado. – Você poderia ter avisado, . – O homem revidou indignado, vendo-a prender os lábios em uma mordida culpada pra não rir na cara dele.
O cantor respirou fundo mais uma vez e, após passar a mão pelo rosto, entrou no banheiro da suíte em busca do complexo vitamínico, não demorando muito pra ouvir a gargalhada estrondosa e descontrolada dela. O rolou os olhos, mas se deu por vencido caindo em uma crise de risos enquanto procurava o tal remédio.

-x-x-x-

fechou a porta do quarto que dividia com com o maior cuidado pra não acordar a mulher, ela mal tinha conseguido dormir à noite pelos espirros ininterruptos e, quando finalmente ela caiu no sono, ele não ia acorda-la. O cantor se espreguiçou já estando no corredor e ali se sentiu realmente em casa, nada como uma manhã agitada para fazê-lo entrar de vez no clima papai de família.
A porta do quarto de Leonor foi aberta, enquanto a garota estava largada na cama como se não tivesse o controle do corpo durante o sono, os cabelos mais ondulados do que realmente cacheados espalhados pelo colchão grande demais pra uma pessoa só e a boca entreaberta, enquanto praticamente babava encantado na sua criança. Ele riu, logo adentrando o quarto da menina, beijou-a de leve na cabeça.
-Bom dia, princesa! – Ele resmungou sacudindo a filha de leve, vendo a moça se espreguiçar com a maior falta de coragem existente. – Sem corpo mole, vocês têm colégio. – O homem beijou a testa da menina e a viu sorrir em resposta com os olhinhos quase fechados pelas bochechas.
-Cadê a mamãe? – Leonor se espreguiçou mais uma vez, esticando todo o corpo e virando de lado na cama.
-Espirrou a noite toda. Deixei ela dormir. – O homem riu baixo, vendo a garota de bochechas vermelhas afirmar com um aceno preguiçoso. – Rinite. – Os dois falaram em coro e riu baixo antes de beijar a testa de Leonor, saindo do quarto dela para poder acordar o filho.
Ele encostou a porta apenas para dar privacidade à filha e se dirigiu para o quarto do mais velho, sabendo que a resistência do rapaz pra se pôr de pé iria ser bem maior do que Leonor, nisso filho era exatamente igual a mãe, tinha todo um ritual e tempo pra sair da cama. Os dois não poderiam acordar em cima da hora, ou se atrasariam mais do que o esperado. O pai abriu a porta, encontrando o filho todo encolhido, vestindo só a calça do pijama e o cabelo todo bagunçado, o homem riu baixo e sacudiu a cabeça ainda que aliviado por ver que sua criança mais velha não precisaria mais esconder a tatuagem fruto de uma mentira. Não que ele defendesse o menino, mesmo que sim, mas não queria imaginar como teria sido o último mês para o rapaz, vivendo clandestinamente dentro da própria casa.
-Ei campeão. – passou a mão pelos cabelos do molque que já estava mais alto que ele, o vendo se encolher mais. Só podia ser filho de mesmo. – , já é quase sete, você precisa acordar. Tem aula as oito. – Ele repetiu o discurso motivacional e beijou a cabeça do filho quando o viu abrir os olhos vagarosamente.
-Eu tenho que ir hoje? – O rapaz virou se espreguiçando e o pai prendeu a risada ao lembrar que a mulher chamava o garoto de tripa seca.
-Se você quer o MIT, tem que ir sim. – O cantor bagunçou o cabelo do filho. – Espero vocês lá embaixo e a Len está avisada para passar aqui, se você se atrasar. – Os dois riram quando o homem sacudiu de leve a cabeça, voltando a porta do quarto.
-Já vou, prometo! – Eliot respirou fundo. – Não que eu esteja reclamando da sua presença de manhã cedo. – Ele abriu um sorriso grato por ter o pai de volta na rotina. – Mas cadê minha mãezinha?
-A passou a noite espirrando, conseguiu dormir só agora de manhã. – riu baixo e bateu de leve na porta aberta do quarto, vendo o filho afirmar com um aceno. – Decidi deixar ela dormir. Espero vocês pro café. Não demora. – Ele piscou recebendo um sorriso e saiu de vez do quarto.
Precisava ligar pra Anne e pedir que ela remarcasse ou remanejasse os atendimentos de daquele dia. Por mais que sua esposa fosse fazer uma briga por não poder trabalhar, doente ela não poderia mesmo, era loucura mexer com lâmina na ferida de alguém quando se estava espirrando sem parar. Ele aguentaria a fúria da Maria Furacão.

-x-x-x-

O usou a espátula de silicone para despregar de leve as bordas da omelete que fazia toda a cozinha cheirar tão bem, mesmo que não conseguisse sentir o cheiro de nada com o nariz congestionado. Ele salpicou um pouco de pimenta em pó para dar gosto ao café reforçado da esposa doente e a ouviu fungar mais uma vez aquela manhã. O cantor virou de leve para olhar a figura quase debruçada à ilha com a maior cara de criança emburrada que ele já tinha visto na vida e riu levemente.
-Eu odeio coriza! – O resmungo dela saiu mais do que indignado com a própria alergia, enquanto via o café fumegante na caneca ajudar de leve na sua congestão nasal. – Meu nariz está completamente entupido. Ai que ódio! – A mulher rolou os olhos o ouvindo rir da situação.
-Calma, anjo! Você tomou remédio, vai aliviar! – virou a omelete na caçarola, trazendo um prato de porcelana pra perto e sabendo que faria comer nem que fosse a força.
-Não ri! – Ela reclamou meio odiada por estar caída. – Eu odeio estar doente, na verdade. – O suspiro saiu desolado e o homem negou de leve com a cabeça, sabendo que só daquele jeito, a esposa descansaria da rotina.
-E além do mais… – aspirou o cheiro bom da comida, quase lamentando que não conseguiria sentir nem o gosto. – Eu tentei te ajudar com a congestão nasal hoje de manhã. – Um sorriso safado foi puxado no canto da boca, causando nela a maior expressão indignada que ele já tinha visto naquela mulher, caindo na gargalhada. – Eu sei, anjo! Nada de sexo enquanto você estiver doente. Ri um pouco, mulher!
-Não dá pra rir! Eu vou derreter em secreção e você quer que eu ria? – soltou um grunhido frustrado, esfregando o nariz ao ponto de quase arrancar.
-A dramática da família é a sua irmã! – Ele voltou a protestar, ainda rindo da postura da esposa e a viu rolar os olhos, sibilando que ele era um idiota. – Linda! Mesmo com esse narizinho vermelho. – colocou o prato com a omelete perto da mulher, dando uma piscadinha marota que a fez ficar com as bochechas queimando. Como ele ainda conseguia após tantos anos? Era um mistério.
-Você me ama demais, sem condições! – Ela esfregou as bochechas na intenção de espalhar o sangue acumulado por lá e torceu o nariz ao ver a omelete perto. Ela não ia comer.
-Descobriu agora? – Ele arqueou uma das sobrancelhas como se mostrasse indignado com a dúvida dela.
-Não! – Ela riu um pouco fanha, tomando um gole do café ainda olhando esquisito para o prato com omelete, que foi empurrado um pouco pra mais perto, por ele. – Também te amo, preciosidade da minha vida! – sorriu genuinamente com os olhos brilhantes e um amor sem tamanho, deixando o homem com cara de bobo. Mas um bobo que havia projetado o corpo pra frente em busca de um beijo, mesmo que casto. – SAI DAQUI! – O grito da mulher saiu esganiçado.
-Saio nada, quero beijo! – Ele protestou, voltando a fazer o bico.
-Sai daqui, demônio! – A mulher soltou uma gargalhada gigante tentando o empurrar pelo peito, enquanto o marido ria feliz em vê-la mais animada de alguma forma.
-Você espirrou em mim, se é pra estar doente eu já estou! – tentou argumentar mais uma vez pra conseguir o beijo, ainda que frustrado pela distância que a esposa tomava da boca dele.
-Não passa na cara! – reclamou sobre a história do espirro. – E eu não vou te beijar, meu nariz está escorrendo! – Os olhos se arregalaram mais uma vez, enquanto a mulher forçava as mãos contra o peito do marido, fazendo com que ele mantivesse distância.
-E daí que tá escorrendo? Me beija! – O ultimato foi dado assim que o Mr. agarrou os pulsos dela, os afastando do seu peito e pegando a mulher de surpresa com um beijo. Bem mais casto, sem língua, mas era um beijo que fez a enfermeira esboçar uma careta horrenda.
!
-Não agarra a enferma, ! – A voz de surgiu na porta de vidro da cozinha, atraindo o olhar dos dois, animados e alegres pela visita mais do que frequente.
-Seu cunhado é tarado! – deu um tapa no ombro do marido que riu baixo e lhe roubou mais um beijo.
-Por você? Sou mesmo. – Ele deu uma piscadinha completamente sem vergonha, fazendo sua mulher rir um pouco nervosa pela presença da irmã na dita cena.
-Ew! – A designe fez uma careta horrenda chegando perto da ilha da casa dos com a cadeira. – Pelo amor de Deus, me poupem! Eu não sou obrigada! – A mulher reclamou um pouco enjoada com tamanha demonstração de afeto, ainda que fosse declaradamente fingida. Se tinha uma coisa que gostava, era de ver a irmã e o cunhado voltando a se dar tão bem, ou até melhor que antes.
-Oi sis! – A enferma da situação acenou para a irmãos mais velha, sorrindo como cumprimento e ganhou um sorriso igual de volta. – Quer café? O tá fazendo.
-Oi sis! – acenou em resposta, abrindo um sorriso bonito para a irmã e ganhando um beijo na cabeça do cunhado como saudação. – E sim, eu quero café. – As duas riram.
Era fato que as duas não tinham tantas características em comum assim, mas tinham um sorriso bem semelhante, assim como o formato dos olhos e os maridos músicos. De resto, e era completamente opostas, uma tinha o cabelo liso e a outra, cacheado, uma era das artes, a outra da saúde. Era como se as duas se completassem dentro da relação fortíssima de fraternidade existente, além de irmãs, elas eram amicíssimas.
-Bota café pra ela, amor. – pediu quando já se encarregava daquilo e com a atenção ainda voltada para a irmã, perguntou: – Visita tão cedo?
suspirou com o questionamento e por mais que soubesse que era brincadeira, ela não conseguia brincar quando a situação da clínica exigia uma decisão imediata.
-Eu queria conversar com você. – A mulher tomou um gole do café quente, deixando o clima ainda mais sério e confuso.
-Que houve? – fez uma careta já esperando ser algo relacionado a infiltração, ainda sem solução.
-Sobre o problema da clínica. – Ela mordeu a boca um pouco receosa e só aumentou mais a expressão ao ver a confusão no rosto do cunhado. – Quero saber se você pensou numa solução. – A frase saiu baixa quando a mais nova afundou o rosto nas mãos.
-Problema? Que problema? – interrompeu o assunto que pairava na bolha das irmãs, olhando de uma pra outra, bem incisivo e mesmo assim não recebeu a atenção devida para aquilo.
-Problema na reforma. – se limitou àquilo para não morrer pelas mãos da irmã ou deixar o cunhado sem resposta. Mas fez uma careta horrenda ao ouvir o choramingado fingido de . – Eu sei, soeur! Mas não dá pra esperar mais, infelizmente. – Ela suspirou frustrada.
-Mas eu não consegui pensar nisso! – A enfermeira levantou a vista ao ponto de ver apenas a irmã mais velha, desviando com sucesso do marido confuso e que estava começando a se irritar com estar sendo ignorado.
-Quer ajuda? – O suspiro da Mrs. veio com pesar. – , sem querer pressionar, mas não é pequeno, nós precisamos de uma solução logo. – Ela mordeu a boca preocupada com a irmã que tinha se fundido a superfície de mármore claro da ilha.
-Que problema, ? não me disse nada, eu quero saber. – O homem usou do seu tom mais sério e duro, enrijecendo com olhar fixado na esposa ainda de cabeça baixa.
-Eu sou apenas a Designe! – Ela levantou as mãos em rendição.
-Merda! – xingou enfiando ainda mais os dedos entre os cabelos. – Eu não tenho orçamento pra isso. Infelizmente extrapolou o meu planejado! – A enfermeira continuava dirigindo a palavra a irmã e deixando o marido ainda mais irritado com aquilo.
-E eu não tenho de onde tirar da reforma. – A outra fez uma careta horrenda.
-Por que eu não estou sabendo disso, ? – A voz dura voltou a ser direcionada exclusivamente a ela. É, não tinha mais jeito.
-Porque não tem necessidade! – ela arregalou os olhos ao movimentar os braços em um esganiço.
-Claro que tem necessidade. Você sabe que eu sou seu sócio lá e eu preciso saber o que está acontecendo pra ajudar! – sacudiu os braços como se aquele fosse o fim do mundo, ouvindo um grunhido frustrado de . Ela não queria entrar no assunto e isso ele tinha certeza, mas não dependia dela.
-Infiltração, . Uma infiltração gigante na sala dela. – revelou o mistério, já destravando as rodas da cadeira pra correr dali o mais rápido possível.
-VOCÊ FICA! – se adiantou antes que ela realmente fosse. – Começou a confusão, agora fica!
-Eu não comecei confusão nenhuma! – A mulher protestou meio indignada com aquilo. – Eu só não sei como resolver. E preciso de uma solução!
-Eu estou doente, você não vai brigar comigo estando doente! – A mais nova fez um bico para o marido como se aquilo fosse convencê-lo.
-Não vai funcionar dessa vez. Me fala. O quão ruim é? – A pergunta foi direcionada às duas mulheres ali, se uma não dissesse, a outra iria dizer. – Se não for uma, vai ser a outra. Mas alguém vai me falar. – O cantor inquiriu novamente.
suspirou fundo, olhando do marido para a irmã tentando achar uma saída que não fosse contar a ele a real gravidade da situação. E embora soubesse que, uma hora, iria descobrir o que estava acontecendo, ela só não queria contar e parecer dependente diante daquela situação.
-Nós precisamos de uma solução hoje. – deu um sorriso amarelo.
-Quanto é? – O homem foi direto ao ponto, já pegando o celular para entrar no aplicativo do banco, mas foi impedido por uma das mãos da esposa segurando seu pulso.
-EI, EI, EI! – Ela soltou um grito meio esganiçado. – Para aí, moneyboy. Nós vamos conversar e resolver isso, eu e você. – A enfermeira tentou mais uma vez, vendo a carinha de deboche do marido se formar.
-Você não escutou que precisa de uma solução hoje? – O homem arqueou a sobrancelha escura, causando em a reação de prender a risada.
-Hoje tem o resto do dia ainda. É quase fim da manhã eu vou resolver isso daqui pra mais tarde. – tentou contra argumentar, mesmo sabendo que seria frustrado quando ele tinha razão e sabia disso. – Sendo que você gastou quase 20 pila com um carro, sem a mínima necessidade. Eu não esqueci disso!
-Era pros nossos filhos! – O homem soltou um esganiço meio afetado, enquanto observava a discussão besta com uma vontade imensa de rir. – E pra quê ir até o fim do dia se eu posso resolver agora?
-Eu não vou deixar você bancar mais isso! – A mais nova esganiçou e sacudiu os braços.
-O que mais eu banquei, ? Nada! – Ele usou do mesmo tom. – Se eu posso pagar, eu vou pagar!
-Inferno! – xingou indignada por saber que ele estava certo e pior ainda, saber que precisava mesmo da ajuda dele.
-Quanto é, ? Eu estou esperando. Se você não me falar, a vai. – A cantor a encarou e ela suspirou frustrada com a situação, voltando a encostar a testa na bancada gelada. Só poderia ter jogado pedra na cruz pra ter que passar por aquilo. – Eu estou esperando. – ele voltou a falar, ouvindo um resmungo irônico pra ocasião. Ela não podia estar brincando. – , é sério.
-Eu não vou falar. – Ela resmungou ainda enfiada nos próprios braços. – Se a quiser, ela fala, mas eu não vou tratar de dinheiro com o meu marido.
-Eu não quero tratar de dinheiro com meu cunhado! – A Mrs. esganiçou com a proposta de resolver a situação.
-Você é a Designe! – rebateu.
-E você é a dona! – contra atacou.
-Ele também é dono! – A enfermeira voltou a apontar para o marido.
-E eu sou seu sócio na clínica. – reforçou seu posicionamento frente ao bate boca das duas. – Lá ou não, sou seu marido.
-Meu bem, bote uma coisa na sua cabeça, você é meu marido em qualquer lugar! – Ela piscou ao mandar um beijo alado, deixando o homem bobo, ainda que rolasse os olhos com a insistência. – Embora me estresse na maioria das vezes.
-Também te amo. – Ele deu uma piscadinha bem safada que a fez rolar os olhos e rir junto com a irmã.
-Só me dá um motivo pra essa confusão toda. – O suspiro dela veio exausto de tentar contra argumentar tanto.
-Dou vários! – abriu um sorriso vitorioso e, antes que a esposa mais teimosa que ele começasse falar, continuou: – Porque você é uma incrível estomaterapeuta que ama o que faz. O brilho nos seus olhos quando fala do trabalho é o mesmo de quando você fala dos meninos. E eu amo isso, assim como eu amo você. – Ele disse ternamente, segurando a mão dela com força, mostrando total sinceridade em tudo que falava. – E o que eu puder fazer pra você não perder isso, eu vou! Não importa o que seja. – O homem beijou-a na mão, ouvindo-a soltar um grito frustrado que deixava claro que ele tinha conseguido.
arregalou de leve os olhos com o poder de persuasão nas declarações do cunhado e em seguida interrogou a irmã com um olhar, se podia contar sobre os valores da reforma.
-Pode, sis. – A enfermeira suspirou.
-10 mil, . A gente tem que trocar tudo, por isso vai sair caro. – A mulher mordeu a boca, vendo apenas o cunhado confirmar com um aceno concentrado. – Mas vocês podem ajudar. Aí diminui os custos! – ela riu.
-Quero longe de mofo e poeira. Eles viajam em menos de um mês. – fez uma careta com a possibilidade do marido ficar doente e os três riram.
-Não vai rolar minha ajuda, cunhada. Mas eu pago! – Ele roubou um beijo da bochecha de e logo tratou de fazer a transferência da quantia para a conta da cunhada, sorrindo assim que finalizou a transação.
-Tudo certo! Solução encontrada! – A Designe sorriu mais do que feliz com a resolução de um problema que atormentaria a todos, caso não fosse resolvido.
-Você ferrou sua irmã. – A enfermeira resmungou sobre a outra ter dado com a língua nos dentes e as duas riram.
-Às vezes, precisamos tomar medidas drásticas. – piscou ao destravar a cadeira. – Mas preciso ir, tenho muito trabalho a fazer. – Ela anunciou para o casal. – Você repousa, . E você cuida dela, . – Ela apontou de um para o outro os vendo rir e afirmar.
A mulher se despediu do casal com abraços apertados e logo saiu da cozinha da irmã. Precisava o mais rápido possivel avisar ao Lewis sobre as notícias da reforma. passou as mãos pelos cabelos e ao olhar para a esposa teimosa, a viu com os braços abertos pedindo um abraço que foi dado sem a menor hesitação.
-Te amo. – Ela disse baixinho vibrando contra o peito dele e sentiu um beijo carinhoso entre os cabelos, assim como a mão do cantor levando seu rosto pra cima.
-Também te amo! – Ele deu um sorriso fechado e sincero ao encarar a boca avermelhada dela, beijando-a em seguida sem qualquer medo de reclamações quanto ao estado de saúde da esposa.
agarrou o tronco do marido, o trazendo para mais perto entre suas pernas e sentiu a mão dele apertar ainda mais seus fios cacheados na nuca, enquanto a abraçava com força na intenção de não soltá-la tão cedo. A enfermeira suspirou sentindo o lábio ser puxado de leve pelo marido e riu, enfiando o rosto no pescoço cheio de sinais.
-Eu não vou transar com você. – A mulher o apertou um pouco mais no abraço, deixando bem claro seu posicionamento.
-Ah vai. – Ele apertou os dedos entre os cabelos dela, puxando de leve a cabeça pra trás e vendo a mulher abrir um sorriso safado e malandro. – Talvez não agora, mas vai. – piscou e roubou mais um beijo, a fazendo rir e voltar a comer a omelete que estava quase toda ainda no prato.
O barulho da porta da frente abrindo causou um pouco de confusão no casal que esperou pra ver de quem se tratava àquela hora da manhã.
? – A mulher ouviu um chamado bem conhecido e largou o garfo no prato que ainda restava um pedaço pequeno da omelete.
-O resto, . – incorporou o pai reclamão apontando para o prato e a mulher rolou os olhos.
-Tem gente me chamando, . – Ela fez menção de levantar do banco, sendo impedida por uma das mãos dele sob a sua. – Tem gente na porta!
-Seja quem for, é de casa. Vai entrar. – Ele insistiu mais uma vez. Sinceramente, sua mulher doente ficava cinco vezes mais teimosa. – Você tá doente e não comeu nada que preste hoje, vai terminar a omelete antes de sair daí. – A voz mandona se fez presente e a mulher rolou os olhos mais uma vez com a postura ele.
? – Madeleine chamou mais uma vez entrando cuidadosa na casa por não saber o que ia encontrar por ali. – Você tá em casa?
-Na cozinha, Madeline! – respondeu pela mulher, vendo o olhar fuzilante dela em si. Muito provavelmente daquele dia ele não passaria, embora ela soubesse que só podia mata-lo se comesse a omelete.
Ah, hey! Bon jour! – A garota de rosto fino e alvo disse sorridente, carregando algumas pastas e ao que parecia um iPad debaixo do braço.
Bon jour, ma chère amie. abriu um sorriso bonito para a moça e a garota abriu um igual.
Bon jour, Mad! acenou para a moça assim que a garota sentou ao lado da sogra em um dos bancos que fazia par com a bancada, colocando tudo que carregava nos braços, ali em cima.
-Qual a honra da sua visita? – A mulher perguntou animada, vendo-a parecer brilhar e tomar fôlego.
-O Eliot me disse que você estava doente, aproveitei pra vir te visitar e mostrar o que já tenho da coleção pra reinauguração da ‘s Care.
-E só uma alergia! – A mulher riu, meneando a mão de leve. – Eles dois são exagerados. Mas me mostre o que você já tem.
fez uma careta confusa com a conversa e se escorou na bancada, atento a conversa das duas. Coleção? Será que Madeline fazia faculdade na área da saúde e estava ajudando sua esposa a desenvolver algum produto novo? Quem sabe uma tecnologia nova para curativos infantis ou bolsas de colostomia.
-Coleção de que? Bolsas de colostomia novas pro mercado? – perguntou na inocência sobre o assunto e ouviu as duas soltarem risadas altas.
-Eu faço faculdade de designe de moda, Mr. . – A garota tentou controlar suas risadas, enquanto já estava mais do que fanha, rindo.
, querida. Apenas . – Ele riu junto com elas e cutucou pra que ela parasse.
. – A garota confirmou. – Eu faço faculdade de moda aqui em Montreal e a me pediu pra confeccionar as roupas pra vocês usarem na reinauguração da clínica. – A moça deu um sorriso brilhante.
-Nossa! Sério? Que legal, o não tinha me contado que você fazia faculdade de moda. – Ele riu animado ainda mais escorado na bancada, ganhando um beijo na bochecha da esposa. – Quando você termina?
-Acredito que daqui a uns meses. – a garota riu tímida. – Meu intercâmbio está um pouco mais perto de acabar a cada dia que passa, mas a gente procura viver tudo muito bem vivido. – Ela se mostrou tão madura quanto a sua idade, deixando o casal mais velho sorridente com o tipo de garota que seu filho namorava. Talvez assim ele se espelhasse nela e continuasse tão maduro quanto já era.
-E você vai voltar pra França quando acabar o curso? – cruzou os braços ainda apoiado na ilha e viu uma careta no semblante da garota.
-Assim, eu queria continuar morando aqui em Montreal, pra ser sincera. – A moça riu um pouco tímida. – Mas no quesito moda, a França tem uma abertura bem maior para o meu trabalho. Então eu prefiro não pensar no quão doloroso isso será agora. – Ela findou, ganhando acenos positivos em resposta.
-Como você namora um moleque de 16 anos? – O esganiço de pai veio alto demais, fazendo escorar o rosto na mão e negar com um aceno de reprovação, enquanto a garota gargalhava a plenos pulmões. Céus, ele não ia fazer aquilo com a pobre criança.
-Porque eu gosto dele, . Eu gosto do Eliot pra caramba! – Madeline respirou fundo ao tentar parar de rir e ainda olhava incrédula para o marido.
-O quê?! – O homem perguntou na defensiva ao olhar pra esposa.
-Nada. – Ela suspirou e rolou os olhos. – Vamos, Mad. Nos mostre os modelos que você bolou para a reinauguração! – A mulher soltou um gritinho eufórico e logo a garota foi mostrar o que tinha planejado para a família.
usaria um vestido bordô todo colado no corpo e com uma fenda na lateral, o que faria um perfeito par com o corpo bonito da mulher. Leonor ficaria linda com o macaquinho de alfaiataria desenhado especialmente para a ocasião e por fim, pai usaria um blazer incrível risca de giz. Deixando a roupa do filho em completa surpresa quando a garota não revelava o que o rapaz tinha escolhido, usando da desculpa que ele preferia manter a surpresa.

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-Tá melhor? – perguntou baixo, sentindo a esposa respirar pesadamente em seu peito enquanto os dois viam qualquer filme na TV da sala.
-Muito melhor, sem comparação. – Ela riu sentindo o corpo melhor e mais recuperado da crise alérgica, assim como um beijo no topo da cabeça. – Você é meu remédio, você sabe. – A mulher se declarou e ouviu uma risada satisfeita dele.
-Opa, sério? – A pergunta saiu divertida. – Acho que isso aí foi desculpa pra ficar em casa comigo hoje, então.
-Quem sabe? – Ela piscou rindo e deu de ombros, vendo o marido sorrir encantado.
-Topa um encontro comigo? – mordeu de leve a própria boca, fazendo carinho na bochecha dela com o dorso da mão e viu a mulher sorrir ansiosa. – Cineminha amanhã. – Ele deu um sorriso de canto, mas logo fez uma careta. – Melhor, amanhã eu tenho a final do campeonato pra ir com o . – Os dois riram. – Mas depois de amanhã, topa sair comigo?
-Hm… – Ela mordeu a boca em uma expressão bem pensativa, o vendo rir apaixonado. – Acho que posso pensar na possibilidade, você sabe. É um encontro!
-O melhor da sua vida. – A piscadinha galante surgiu no meio da conversa de sussurros e os dois riram divertidos. – Eu tenho uma banda, sabia? – O homem arqueou a sobrancelha como se aquilo fosse interferir na decisão dela.
-E eu, uma clínica, bonitinho! – A mulher riu, fazendo exatamente o que ele tinha feito e beijou o marido de leve nos lábios. – Mas vou pensar no seu pedido. – piscou.
-Eu não vou dormir de ansiedade em saber que sim. – O cantor colocou o cabelo dela atrás da orelha, com um dos seus sorrisos mais largos e os dois se beijaram novamente, exalando carinho e cuidado.
-OPA! Leonor, fecha os olhos, tem cena indecente na sala! – O filho mais velho do casal gritou ao ver os pais imersos em um carinho tão bonito e logo a gargalhada de pai preencheu o cômodo.
-Vai procurar o que fazer, ! – A garota disse rindo e, junto com o rapaz, se dirigiu até onde os pais estavam, pendendo por cima do sofá felizes em ver os dois tão melosinhos.
-Já voltaram? – O pai levantou o braço na intenção de puxar os dois pra um beijo na cabeça, primeiro o rapaz e depois a moça, trocando a dupla e aí poderia fazer o mesmo.
-Sim, as aulas terminaram mais cedo hoje. – A garota disse rindo ainda debruçada nas costas do estofado. – E o esqueceu o uniforme de Lacrosse.
-Nada de treino hoje, capitão? – O homem perguntou rindo leve e o rapaz negou com um aceno.
-Nada de treino hoje, frontman. – O rapaz rebateu e os dois riram. – Por que você tá calada, mãe?
-Realmente, por que você tá caladinha, dona ? O gato comeu sua língua? – Leonor perguntou com um sorriso bonito e a mulher negou com um aceno de cabeça, ainda que abrigasse um sorriso gigante nos lábios.
-Nada não, estou vendo a beleza dos meninos que eu pari. Vocês cresceram rápido demais. – mandou beijo para os dois, recebendo os mais sinceros sorrisos. – É emocionante saber que vocês saíram de mim.
-Ah meu Deus, que fofinha ela! – Leonor disse com os olhos brilhantes ao ver o pai beijar a mãe na cabeça e o irmão se livrar da mochila.
-Espera, agora eu vou abraçar essa mulher, assim não dá. – O rapaz disse meio esganiçado e se apoiou nas costas do sofá, na intenção de pular em cima dos pais.
O homem entendeu a vontade do filho e arregalou os olhos já se preparando pra reclamar, mas antes que pudesse abrir a boca, o rapaz já tinha caído com o corpo sobre o seu e abraçava a mãe como se a mulher fosse um urso de pelúcia, a fazendo rir enquanto pai sentia o abdome doer pelo impacto.
-Porra, ! – Ele reclamou dando um pedala no garoto, que só gargalhou com a cara de tapado do pai. – Você é pesado moleque!
-Você machucou seu pai! – disse rindo com a cena e bateu de leve no braço do filho. Um bico se formou nos lábios do garoto.
-Eu pulei devagar, poxa! E eu nem sou pesado, eu tenho o mesmo peso que a minha mãe. – Ele fez um bico zoeiro e o homem rolou os olhos. Nem ali, nem na China aquela tripa seca tinha o mesmo peso que sua esposa.
-Ah não! Assim eu também quero! – Leonor reclamou por estar de fora da bagunça.
-Len, não! – O homem soltou um grito desesperado por imaginar o peso dos dois e o impacto ainda maior em cima do seu corpo.
Embora fosse tarde demais pra parar a adolescente de 14 anos que já havia tomado impulso pulando em cima do irmão. Logo o enorme estrondo do sofá quebrando foi misturado ao resmungo de dor de pai, fazendo gargalhar com a situação. Aqueles dois não cresciam mesmo, pareciam duas criancinhas de bochechas rosadas e deitadas no peito do pai, um pai que estava quase perdendo o fôlego de tanto peso lhe soterrando.
-Vocês tão comendo chumbo? – O grito do homem veio indignado, fazendo, finalmente, a família entrar em uma crise de riso.
Eram aqueles momentos que valiam a pena, mais do que tudo no mundo. Era aquele tipo de coisa que fazia aquela família ainda mais forte, mesmo que em um momento de reconstrução, reconciliação e perdão. Eram aquelas pequenas coisas que faziam a diferença em qualquer lugar e mereciam ser mostradas para o mundo, principalmente se o Mr. tivesse uma conta no instagram incrivelmente movimentada.

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escorou os cotovelos no chão ainda sentado na borda da piscina e suspirou ao balançar as pernas na água. Ele precisava encontrar uma saída para o que estava por vir, principalmente se a ausência de David, ainda incerta, fosse afetar os shows da banda na América Latina e pior ainda, se aquela ausência fosse devido à saúde mental dele. Não era segredo que o amigo estava mais retraído nos últimos tempos e dando vários sinais de que nada ali estava bem, principalmente seu estado de espirito e, por mais que várias pessoas pregassem o genuíno apoio nesses casos, ele sabia que as coisas tendiam a ser mais complicadas na prática. Porque se tinha uma coisa que David tinha dentro daquela enorme família, era apoio e nem por isso ele estava completamente são. O homem suspirou mais uma vez inconformado com tudo que estava acontecendo e balançou mais um pouco os pés dentro da água, vendo-a se movimentar e contrastar com as pequenas luzes espalhadas em toda a lateral da piscina.
-Te achei! – O gritinho baixo de o fez acordar dos devaneios e olhar imediatamente pra ela, um pouco assustado até por a mulher estar ali àquela hora da noite apenas de pijama e se abraçando pelo vento fresco que rondava a cidade naquela época do ano, anunciando que seria questão de dias até o outono chegar com força. A verdade é que aquele dia tinha sido uma exceção entre os outros e o clima mais ameno ainda deixava que as poucas roupas dominassem aquele quintal. – Posso sentar?
O sorriso dele se exteriorizou imenso em vê-la ali procurando por sua companhia, e assim bateu de leve ao seu lado pra que ela se acomodasse. A mulher sorriu em resposta e ainda um pouco abraçada no próprio corpo, sentou em posição de índio na borda da piscina, ganhando uma braço carinhoso e aconchegante dele. Devolvendo o carinho com um beijo na bochecha do marido.
-Tudo certo, capitão? – Ela abriu um sorriso bonito, sentindo a cabeça dele repousar em seu ombro. – Por que acordou e desceu? – A mulher o abraçou pelas costas, iniciando um carinho que o fez sorrir bobo.
-Insônia. – O suspiro veio acompanhado da palavra baixa, ao mesmo tempo que ele ganhou um beijinho na ponta do ombro desnudo.
-Por que, amor? – Ela o beijou mais uma vez no ombro, recebendo um sorriso bonito e fechado. Aquilo significava problemas.
-Preocupação de trabalho. Nada demais. – O homem umedeceu os lábios e deitou a cabeça no ombro dela como se procurasse carinho, recebendo um cafuné calmante nos cabelos. – Levantei pra não te acordar. Acordei?
-A cama estava vazia, acordou. – Os dois riram baixo. – Algo que eu possa ajudar? – A mulher se referiu ao problema, ainda sentindo o vento frio chocar com a sua pele.
-Infelizmente não. – Ele suspirou frustrado com toda a história. – Mas acredito que não seja grave, só é chato. – mordeu a boca e enfiou o nariz no pescoço dela, em busca de conforto no perfume da esposa. – E precisa ser resolvido.
-Vai ser resolvido logo, confia em mim. Eu sei das coisas. – passou as unhas com mais força pelo couro cabeludo dele, ouvindo o homem suspirar satisfeito. – Você vem procurar resposta na água, peixinho! – Ela descruzou as pernas e ainda receosa, colocou-as devagar dentro da piscina enorme, sentindo a água morna se adaptar a sua pele. tinha com certeza ligado o sistema térmico.
-A água tem um efeito em mim que eu não sei explicar. – Um sorriso veio bonito, acompanhando de um beijo na bochecha. – E eu confio. Confio cegamente em você.
Ela abriu um sorriso imenso e ao escorregar a mão pelo pescoço dele, juntou a testa dos dois em um dos gestos mais apaixonados que já havia acontecido. Um beijinho leve e sem mais intenções foi roubado, assim como um sorriso que mostrava todos os dentes claros e a gratidão de quem sabia que não estava sozinho, principalmente com aquela mulher na sua vida. fez um carinho com o nariz no dele, abrindo um sorriso semelhante por tê-lo de volta.
-Eu acho lindo a sua conexão com a água. – Ela riu baixo umedecendo os lábios. – Gosto de observar quando você tá concentrado nela. Parece até um bichinho aquático, ou filho de Poseidon. – A mulher riu ao se reportar à uma das grandes referências que enchia a perna direita dele em uma tatuagem imensa e muito bonita, uma das mais lindas que ela já tinha visto.
O homem voltou a se encostar nos cotovelos, encantado com o jeito que a mulher contornava um pedaço da tatuagem na sua coxa com a ponta dos dedos, como se aquele leve movimento desse vida a todas as imagens mostradas ali, além de lhe arrepiar a pele. Ela puxou de leve a samba canção pra cima e riu meio desesperada ao se deparar com a figura da “Deusa” que mais parecia com ela do que alguma criatura mística.
-Ainda não me conformo que você fez isso. – A enfermeira se apoiou na coxa dele e projetou o corpo pra frente na intenção de ganhar um beijo que foi muito bem retribuído. colocou a mão por cima da dela e apertou na própria perna, insinuando que ela continuasse com aquilo, mas recebeu uma risada travessa vibrando contra seus lábios.
-Eu precisava te gravar na minha pele, já que você roubou meu coração. – Ele piscou com a cantada brega e os dois riram alto, voltando para mais um beijo que ganhou a perna dela por cima das suas enquanto a mão da mulher tomava a nunca dele em um carinho enlouquecedor que tremia o meio das pernas.
-Me admira que você não tenha entrado na piscina ainda. – Ela recolheu as pernas na borda e ainda fazendo carinho na bochecha dele com o nariz, ouviu uma risada larga do marido.
-Quer entrar comigo? – Ele abraçou-a pela cintura com um dos braços, colando ainda mais o corpo dos dois e de forma consciente, a fazendo colocar a perna dobrada por cima das suas mais uma vez.
-Não, obrigada. – Uma risada divertida veio acompanhada do desgrudar dos corpos dos dois, fazendo o homem bufar.
-Tem certeza? – Ele se apoiou nos braços puxando o próprio corpo pra trás na intenção de ficar em pé na borda.
-Absoluta. Não quero me molhar nesse relento. – Ela fez uma careta pelo vento frio que começava a cortar a cidade naquela época do ano e o que a enfermeira menos precisava era de uma gripe pós crise alérgica. – E esse pijama não faz muito efeito na água. – A mulher olhou para o próprio corpo volumoso dentro da peça de roupa de seda vinho. Com certeza o mini short e a blusa de alça iam pregar em seu corpo como se ela fosse esculpida na pedra.
-Oh faz. E como faz, ele faz o efeito desejado. – deu uma piscada safada a deixando imersa em risadas espontâneas.
Os dois ficaram em pé na borda da piscina.
-Grudar no corpo? Não, obrigada. Estou exausta pra ser sex symbol, hoje! – riu ao apertar os braços contra o corpo pelo frio.
-É uma pena. – O bico que se formou nos lábios dele tinha um grande quê de deboche ao mesmo que um igual surgia nos dela, quando a imagem do homem era uma das mais engraçadas. Ele só de samba canção, cheio de marcas pelo reflexo da piscina e uma das mãos no quadril como se fosse uma velha com dor nas costas.
-Você vê quando quer. Tem mais nem graça! – riu e olhou para o movimento hipnotizante da água.
-Nem sempre que eu quero. – Ele revidou rindo. – Como agora, eu quero, mas não estou vendo. Principalmente porque tem graça sim, oh se tem. – O homem a olhou praticamente despindo-a com os olhos e ouviu a risada dela, sabendo que a esposa tinha percebido a secada descarada sem nem mesmo olhá-lo nos olhos.
-Você não ia pular na água? – apontou ao desviar do assunto anterior e o viu levantar a samba canção pelo elástico como se ajeitasse na cintura.
-Ah sim, claro. Nós vamos.
-Não, eu não vou. – Ela riu ao dar um passo pra trás e viu um sorriso travesso se puxar nos lábios dele.
-Vai. – Ele verbalizou e agarrou-a pela cintura antes que a mulher pudesse correr pelo quintal. Os dois riram feito dois adolescentes e deu um beijo leve no ombro dela, descoberto. – Eu falei que nós vamos pra água. – O homem apertou-a ainda mais contra o corpo em uma das intenções mais safadas, vendo a pele dela arrepiar por inteira, começando do pescoço e espalhando pelos ombros.
-Meu Deus do céu, onde eu fui amarrar meu burro? – Ela soltou um esganiço até certo ponto manhoso com aquilo, o ouvindo rir bem em seu ouvido. Seu marido era um filho da puta maravilhoso.
-Em um lugar muito bom! – riu das lamentações dela enquanto andava pra um pouco mais perto da borda e a arrastava.
-Amor, meu cabelo! – A última tentativa manhosa o fez rir.
-Existe secador! – Ele apresentou a solução astutamente, beijando-a na bochecha. Os dois riram. – Pronta? – A pergunta veio animada e até eufórica por parte do garoto preso no corpo de um homem de quase 40 anos.
-Não! – Ela soltou um gritinho desesperado que arrancou dele apenas uma gargalhada espontânea.
-Pois nós vamos do mesmo jeito. – Ele anunciou ainda mais animado e rapidamente pulou no lado profundo da grande piscina, levando o corpo da esposa junto enquanto ela gritava meio desesperada sem se importar se acordaria os filhos ou cachorro.
Os dois acabaram se separando já dentro da piscina após o impacto e logo emergiram com um imenso sorriso estampado no rosto, depois de algumas tossidas e caretas por ter entrado água até no cérebro pelo nariz. Eles não aguentaram segurar suas gargalhadas e riram sacudindo a cabeça de forma negativa ao se encararem, realmente lembrando do quanto aquilo tinha sido rotina na vida dos dois.
-Você que me ensinou a nadar quando eu tinha 15 anos. – A mulher sacudiu o cabelo cacheado e os dois nadaram pra mais perto um do outro.
-Eu lembro! – riu de forma nostálgica com a lembrança dela com medo de se afogar. – Você morria de medo nas primeiras vezes. – Ela concordou com um aceno divertido. – Depois ganhei sua confiança. Até demais. – arregalou de leve os olhos.
-Ganhou tanto que as duas estão dormindo lá em cima! – Ela riu e se apoiou nos ombros dele ao chegar perto, sentindo o marido lhe abraçar pela cintura em uma proximidade que dava pra os dois nadarem e se manterem com o pescoço fora d’água. suspirou por um momento, ganhando um beijo na bochecha e riu baixo ao lembrar de quantas noites eles já haviam passado naquela piscina logo quando haviam comprado a casa.
-Pensando em quê? – Ele beijou-a novamente na bochecha e a viu rir divertida.
-Olha a cara de quem sabe até quando eu estou pensando. – A mulher passou de leve a mão no rosto dele, vendo o marido dar de ombros. – Lembrando de quando a gente virava altas madrugadas nessa piscina. Nós tomávamos banho pelados aqui. Que desastre! – O esganiço veio acompanhado de uma mão no rosto, enquanto os dois riram e migravam para a parte rasa da piscina.
-Melhores madrugadas da vida! – O grito escapou do peito do cantor, rasgado, feliz e genuíno enquanto o homem abria os braços a fazendo rir. – Vamos ficar pelados de novo? – A pergunta veio como se ela fosse a melhor ideia do mundo.
-Claro que não! – esganiçou com a proposta e os dois riram. – Os meninos podem descer e imagina o trauma ver os pais pelados. CREDO! – Ela sacudiu a cabeça como se visse a cena e o homem repetiu o gesto.
-É, melhor não. Nem terapia resolveria. – declarou rindo e a ouviu rir junto.
-A gente soltava o Hulk, ele pulava na água e ficávamos podres. – Ela fez uma careta horrenda enrugando o nariz.
-Isso pode! – O grito veio acompanhado do arregalar de olhos empolgado dele que ao mesmo tempo nadava pra borda da piscina. – Cadê o monstrengo? HULK! – tentou subir na borda da piscina, mas foi puxado pela cintura, por o que fez os dois rirem como crianças.
-Você não vai acordar o doguinho e nem os meninos! – A mulher tentou segurá-lo dentro da piscina, mas quase encoxava o cantor pelo aperto. – E eu prefiro tirar a roupa do que jogar o cachorro aqui dentro!
-Então tira a roupa! – A fase veio junto com um sorriso travesso e logo um tapa ardido no ombro dele foi dado. – Au!
-Eu não vou ficar pelada sozinha! – Ela esganiçou como se reclamasse do pedido e o homem riu alto, ouvindo os latidos escandalosos do membro caçula daquela família. Se o Hulk tinha acordado, o Hulk iria para a piscina brincar também, nada mais justo!
-HULK VEM CÁ! – O homem subiu de vez na borda da piscina, animado em soltar animal que já era da família.
-Você acordou o mensageiro do apocalipse! – Ela fingiu estar saturada com aquilo e os dois acabaram rindo quando corria pela grama segurando a samba canção e sentindo o vento frio bater no corpo.
Assim que abriu o protão da casinha que era bem grande, o homem sentiu seu corpo ser alvo de uma enorme bola de pelos. O Golden pulava no dono como se ele tivesse passado anos fora de casa, além de distribuir lambidas que faziam o cantor gargalhar com tamanho afeto. Se diziam que o cão era o melhor amigo do homem, estavam certos, aquele sim era um dos amores mais puros que aquela família tinha experimentado desde muito tempo, principalmente quando tinham criado o molecão desde novinho.
-Oi garoto! – A alegria de era semelhante à do cachorro, enquanto os dois brincavam na grama.
-O Hulk ganhou um vale night com você, amor? – A mulher perguntou rindo encantada com a cena.
-Não tenho interesse! – riu alto com a proposta e conseguiu levantar do chão, ainda que o cachorro pulasse em si. – Hulk, para quieto! – O cantor ralhou fraco e o cachorro começou a correr pelo quintal, pulando como se chamasse o dono pra brincar junto.
-Olha que eu acho que tem! – contestou ao rir e viu o marido fazer uma careta engraçada.
-Desculpa, amigão, mas eu prefiro sua mãe. – O homem brincou em relação a esposa e a ouviu rir, enquanto o cachorro continuava brincando com o vento que batia nele. – Vem Hulk, vamos pra piscina! – chamou com um estalo de mão e logo os dois correram, caindo na piscina como duas bombas que espirravam água para todo lugar.
O Golden emergiu e nadou até onde estava de braços abertos, esperando pelo pet.
-Oi lindão da mamãe! – A mulher falou como se falasse com uma criança pequena e fez carinho no monstro que seus filhos tinham desde os cinco anos de idade. – Você secou metade da piscina com a baleia que é seu pai, foi meu amor? – Ela perguntou mais uma vez ao cachorro, o ouvindo latir e o marido gargalhar.
nadou até onde os dois estavam, quase na escadinha da piscina e ouviu a risada divertida da esposa quando tentou segurar a cueca no corpo, dentro d’água.
-Milagre essa coisa folgada não ter fugido com o pulo. – Ela soltou ainda brincando com o cachorro e pela visão periférica viu um sorriso malicioso surgir nos lábios do marido.
-Se cair você não reclama! – piscou com um sorriso de canto e a viu dar de ombros, gesto que o fez puxa-la pela cintura, agarrando a mulher que ria abertamente com a brincadeira de adolescente enquanto o cachorro voltava a brincar na piscina como se aquele fosse o dia mais feliz da sua vida.
-Nunca disse que ia. – Ela empinou o nariz de leve ao ser virada pra ele e o homem riu satisfeito, aproximando o rosto dos dois.
-Receio que precisemos sair. – esboçou uma careta pelo cheiro de cachorro molhado que vinha do marido. – E nos lavar no chuveiro! – Os dois riram.
-Não. Fica! – Ele acochou um pouco mais os braços ao redor dela e quando percebeu que a mulher iria lhe beijar, soltou um grito esganiçado em protesto. – Não me beija! – O som chegou a sair desafinado com o desespero. – O Hulk lambeu minha cara!
-Credo! Você foi lambido pelo cachorro, me solta! – A mulher se sacudiu com cara de nojo.
-Não solto! – A pirraça em o fazia parecer ter 16 anos de novo e ser um moleque remelento.
-Você foi lambido pelo cachorro! Me solta! – A enfermeira soltou um gritinho escandaloso.
-Você tá parecendo uma adolescente fresca de uns 16 anos. – O homem acusou a postura dela, vendo a mulher por quem era apaixonado abrir a boca em um perfeito O, ficando ainda mais fiel a figura que ele havia a comparado.
-Quer saber? Tchau! – empinou o nariz e ao conseguir se soltar dos braços do marido, subiu na borda da piscina em uma rapidez fora do comum, soltando mais um gritinho fino ao perceber que tinha feito o mesmo e estava pronto pra correr atrás dela naquele enorme quintal. – Você não me pega! – Ela balançou a bunda em uma dancinha bem infantil e logo saiu correndo pela grama como se tivessem lhe dado corda.
gargalhou com a frase e postura dela, negando com a cabeça, antes de verbalizar a resposta perfeita para aquilo.
-Mas sabe, eu pego sim. Pego muito! – Um sorriso ladinho surgiu junto com uma piscadinha filha da puta quando ele começou correr atrás dela, ouvindo os gritos divertidos da mulher pelo imenso terreno. decidiu que gritaria junto e logo os dois pareciam dois loucos no quintal de casa, fazendo barulho capaz de acordar os vizinhos e serem presos por perturbação alheia.
fugiu na direção da rampa na qual tinha no quintal e os meninos usavam pra brincar com o skate, rindo ao ouvir os resmungos do marido sobre correr demais e deixá-lo sem fôlego. Ela tomou impulso na parte baixa do brinquedo e após algumas passadas largas na madeira escura, conseguiu se segurar no topo de apoio, suspendendo o corpo pra sentar em cima e logo ficar de pé.
-I’M THE QUEEN! – Ela gritou com os braços pra cima, respirando com dificuldade pelo esforço e viu o marido rir, em pé na grama e incrédulo com a agilidade dela.
-Como você subiu aí, mulher? – O grito veio curioso, recebendo um nariz empinado em troca que o fez rir.
-Tenho meus segredos! – Ela gritou de volta e logo o olhar de mãe veio à tona ao encontrar tanta coisa espalhada na rampa, principalmente naquela época fria e que começava a ser chuvosa. Ia acabar com a madeira do skate que estava ali e por mais que o seu filho mais velho tivesse outros, ele precisava cuidar direito do que tinha. – deixou o skate aqui, esse moleque é desatento demais. – Ela rolou os olhos ao resmungar e sentiu um par de braços fortes lhe abraçarem por trás.
-E você também! – A voz de soou rente ao seu ouvido, quase fazendo a mulher enfartar de tão forte que seu coração batia.
-AMOR! – O grito de susto se fez presente e os dois riram. – Como você subiu aqui? – Ela repetiu a pergunta feita minutos antes por ele, ganhando um beijo de leve no ombro.
-Do mesmo jeito que você, oras. – Ele beijou-a apertado na bochecha, a fazendo se encolher no abraço frio que começava a ficar quentinho.
-Me solta, eu vou descer! – O pedido veio eufórico, muito mal pensado e mergulhado na impulsividade. – Preciso ver se ainda sei ficar em pé em um skate!
-Ui, ela vai descer no skate! – disse em um tom um tanto debochado e soltou-a do abraço.
-Não bota muita expectativa. – Ela mordeu a boca tentando controlar o nervosismo. – Vai que eu caio e me quebro toda. – puxou o brinquedo do filho com o pé e lembrando nos inúmeros anos de experiência nas pistas de Trois-Rivières quando era apenas uma garota, colocou o skate no ponto de descer na rampa, esperando apenas o peso do seu corpo. – Mas sabe, me deu uma imensa vontade de descer nessa rampa. – Um sorriso nostálgico escapou com maestria, o fazendo sorrir exatamente do mesmo jeito. – Só que faz anos que eu não boto meu pé num skate, uns dez, no mínimo! – Ela respirou fundo ao olhar a altura.
-É como andar de bicicleta, a gente não esquece. Vai por mim! – Ele disse com um sorriso bonito e a beijou na bochecha. – Vai lá, é toda sua. – Ele soprou perto do ouvido dela e após uma palmadinha encorajadora, deu um passo pra trás, vendo a esposa descer plenamente bem, como se ela não tivesse deixado de fazer aquilo nunca.
O vento frio batendo no corpo, o cabelo voando e a sensação de liberdade dominavam a mulher que era dona de casa, mãe e esposa, além de ser uma enfermeira empreendedora. Aquelas pequenas coisas eram as que faziam mais falta em sua vida, e talvez não tivesse sido tão ruim assim mais uma das suas crises de rinite, ali ela havia percebido que precisava de mais tempo pra viver uma vida que estava parada no último ano. Ela não iria deixar de ser esposa, nem mãe, muito menos dona de casa e a estomaterapeuta, mas ela iria continuar sendo a .
Ela voltou com um sorriso imenso, o vento espalhando o cabelo cacheado que estava molhado e sacudido, enquanto pregava no rosto dela a fazendo parecer que tinha 17 anos novamente. parou no topo da rampa, encontrando o marido com o sorriso mais orgulhoso, ansioso e feliz que já tinha existido. A mulher o abraçou com força, quase atropelando as próprias palavras de tão eufórica.
-Meu Deus, fazia tempo que eu não sentia tudo isso! É adrenalina demais! – Os olhos arregalados exteriorizavam ainda mais a alegria de não ter esquecido algo tão básico, mas que fazia um bem maravilhoso.
-Tá vendo porque eu nunca parei? – O homem perguntou rindo e ainda encantado com a alegria dela, a tirou do chão em um abraço apertado pela cintura.
-Fazia muito tempo que eu não sentia essa sensação tão gostosa de liberdade! – soltou um gritinho, o abraçando com força pelo pescoço. – Eu lembro que a gente vivia nas rampas de Trois-Rivières, eu grávida de quatro meses e a gente descendo feito louco lá. – Ela soltou uma risada animada e o viu fazer uma careta de desgosto.
-Dois loucos! Como eu te deixava fazer isso? – pai soltou uma risada morta, sacudindo de leve a cabeça em finalmente calcular o perigo daquilo. – Nossa, a gente saía escondido da Lenna pra não ouvir reclamação, sendo que ela tinha completa razão em tudo isso.
-Nós éramos duas crianças, amor! – A enfermeira segurou o rosto dele com as duas mãos, como se aquilo fosse fazê-lo entender que já tinha passado e não aconteceria de novo. – Não dava pra calcular o risco benefício disso. Pensa pelo lado positivo, ao menos o moleque nasceu saudável.
-Você tem razão. – Ele se permitiu respirar mais aliviado com aquilo, recebendo um sorriso bonito em troca.
-Claro que eu tenho! – abriu um riso divertido e roubou um beijo sugado do marido, arregalando bem os olhos claros. – Eu vou de novo. Vou descer de novo!
-VAI, VAI, VAI! – Ele se animou na mesma proporção, mas pareceu se agoniar com algo. – Espera, deixa eu ir buscar o celular. Quero filmar sua volta as pistas! – avisou já se preparando pra descer da rampa e ouviu um esganiço de protesto.
-Com esse pijama fino e pregado no meu corpo? Nem pensar! – A Mrs. soltou um gritinho indignado, o ouvindo rir enquanto corria para a cozinha da casa na intenção de pegar o aparelho de telefone que estava na bancada da cozinha, largado desde a noite passada.
-Eu não vou mostrar pra ninguém! – Ele gritou ao sair de casa, mirando a câmera do celular na esposa que estava a postos em cima da rampa. – Vai, mulher. Desce, eu estou gravando! – A ordem foi dada e em menos de poucos segundos, estava novamente deslizando sobre a rampa de madeira escura, ouvindo os gritos encorajadores do maior fanboy que ela tinha desde sempre.
Ela esperou chegar a ponta da rampa e logo pisou com força na extremidade da borda de madeira do brinquedo e ao empurra-lo pra frente com a mesma habilidade, conseguiu um belo salto, mais conhecido como Ollie. Ganhando a vibração louca do marido, o que a fez rir alto, afinal era algo tão simples para tanta comemoração.
Assim que conseguiu filmar a “volta as pistas” da esposa, viu um corpo volumoso correr de encontro ao seu com toda a felicidade que poderia habitar alguém, recebendo-a de braços e peito aberto. pulou no colo dele como se ainda fossem adolescentes e os dois riram, rodando no quintal grande em meio a um beijo apaixonado e feliz.
-Toda atleta, minha menina. – O homem abriu um imenso sorriso que a fez quase explodir em tanta felicidade.
-Doidinha! – ela sentiu as bochechas tomarem os olhos. – Mas eu realmente acho que a gente deveria ir tomar banho e depois dormir. – A mulher roubou mais um beijo do marido. – Até o Hulk tá cansado, tadinho. – desceu do colo dele e ao apontar para o Golden brincando na borda da piscina, percebeu como o tempo tinha passado rápido. – Seu pai é malvado, não é, meu amor? – O chamado foi feito para o cachorro que não demorou muito para ir até os donos sem perder a alegria de sempre.
-Vamos, garoto. Eu vou te colocar na casinha. – agachou para fazer carinho no animal e recebeu carinho em troca.
-Tá frio aqui fora, amor, e nós três estamos molhados. – Ela se encolheu de leve pelo frio. – Acho que tá na hora de colocar esse menino pra ficar dentro de casa já, os meninos arrumaram o cantinho dele hoje à tarde.
-Ok, amigão. Então a gente vai te secar e deixar você dormir em paz.
-Finalmente. – Os dois riram. – Leonor marcou o veterinário na semana que vem pra evitar de ele gripar. – fez carinho no cachorro e ganhou uma lambida em troca.
-Ele vai ficar bem. Não Vai, garoto? – riu encantado com a alegria do animal de estimação ao receber cafuné no pescoço.
-Claro que vai, ele é o nosso meninão! – usou um tom de voz como se falasse com um bebê, ganhando um beijo na bochecha, do marido. – Vamos dormir no quentinho, meu amor.
Os dois riram com a animação do cachorro e rapidamente o guiaram para dentro da grande casa clara, onde estava quentinho e pronto pra aconchegar qualquer um. secou o pelo do Hulk, com um secador que tinha especialmente para ele na área de serviço e aumentou a temperatura da casa, checando se estava confortável para o animal. Quando subiu pra finalmente tomar um banho e dormir, encontrou a esposa já no quinto sono, completamente enrolada nas cobertas e parecendo serena, bem diferente do furacão que preenchia sua vida. Ele riu baixo e beijou-a na cabeça, indo direto para o chuveiro, na intenção de tomar banho e conseguir, finalmente, dormir tão sereno quanto ela.

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-Por que eu não posso ir junto? – Leonor perguntou indignada com a postura do irmão em tentar lhe fazer inveja porque iria sair com o pai.
-Porque é momento de meninos, Leonor. Você não é um garoto! – O mais velho rolou os olhos enquanto procurava a faixa que tinha do Canadiens no quarto e ouviu a irmã bufar irritada.
-Você sabe que isso é machismo, não sabe? – O tom indignado voltar a reinar na garota baixinha e logo o rapaz virou vagarosamente pra ela, incrédulo com o que a pequena manipuladora tinha acabado de falar.
-Retira o que você disse, Leonor! Agora!
-Eu não vou retirar! Você sabe que é machismo*! – Ela devolveu a indignação dele com maior tom de protesto ainda.
-Eu fui muito bem criado e você sabe que eu não sou machista, Leonor Anne. Me respeite, você está atingindo o limite da pirraça. – O garoto desafinou até o tom de voz ao reclamar com a postura dela. – Você sabe muito bem que eu sou contra qualquer coisa desse tipo e você nem gosta tanto assim de Hockey, pare de ser chorona! Se é machismo eu ir assistir um jogo com o papai quando você não vai. É femismo* você ir pra Inglaterra com o papai ver o McFLY quando eu não vou!
-Não me ofenda! – Ela gritou possessa com o que ele tinha dito. – Eu não estou de femismo, seu idiota! Você não vai ver o McFLY porque mentiu pra mamãe sobre a tatuagem e eu não te dedurei, Eliot!
-Idiota é você, sua chata! – Ele bufou com a menção do castigo e da mentira outra vez, mas já sentindo o rosto queimar com a insistência da irmã mais nova em lhe encher o saco. Ela não iria estragar o momento que ele iria ter com o pai, principalmente em um jogo tão esperado. – Quando foi que eu te dedurei um dia, Leonor? – filho cruzou os braços indignado com a alegação dela. – O mínimo que você poderia fazer era me acobertar.
-EU NÃO SOU CHATA! – A garota gritou contra atacando e rapidamente pode ouvir um grito que vinha da parte térrea da casa.
-QUE PUTARIA É ESSA AÍ EM CIMA, HEIN? – rasgou a reclamação enquanto subia as escadas, vendo o casal de filhos se atropelarem ao mesmo tempo para culpar um ao outro como se ainda fossem crianças pequenas. – Calados, os dois! Será possível que eu não tenho um minuto de sossego nessa casa? Vocês dois são chatos quando tiram pra brigar e não são mais crianças pequenas, pelo amor de Deus. Será possível que eu não vou ter sossego? Vocês têm quase a mesma idade pra tá nesse pé de guerra infeliz. – A mulher continuou a reclamar e os dois tentaram mais uma vez tomar fôlego para culpar o irmão. – Eu não quero saber quem começou isso! Já deu, já. Então parou, eu não aguento mais tanto grito. Leonor vai procurar o que fazer lá embaixo e termina de se arrumar, porque eu vou chamar seu pai.
Os dois adolescentes fizeram uma careta um pro outro e após o pequeno gesto de desgosto, cada um seguiu seu rumo. suspirou com aquela briga mais sem sentido da face da terra e entrou no quarto do casal, estranhando não ver já arrumado pra sair com o filho. Ela fez uma careta confusa e andou até o closet para ver a quantas ele andava na arrumação, encontrando uma das cenas mais engraçadas que ela já tinha visto naqueles incríveis 18 anos com ele.
-Porque você está segurando meu coletor menstrual? – Ela soltou a pergunta de uma vez, na intenção de ver o homem tomar o maior susto da América. Dito e feito.
-Ai mulher! – O grito dele foi a resposta perfeita ao susto, mas a cara de nojo ao se dar conta do que tinha pego foi o que fez rir de verdade. – Coletor menstrual? – O gritinho de foi esganiçado e o homem simulou um arrepio de pavor, jogando o copinho azulado onde estava. – Ai , credo! – Ele esfregava as mãos como se aquilo fossem limpá-las e a mulher riu mais ainda.
-Tá limpo! Escaldado! – A enfermeira gritou rindo, escorada ao batente da porta, enquanto via o marido só de toalha, se encolher bem enojado.
-O que aconteceu com o velho O.B.? – Ele fez uma careta ao olhar mais uma vez para o coletor na pequena bancada.
-Incomoda pra caramba depois que absorve e incha. E o copinho é mais saudável pra região íntima. – deu de ombros como se aquilo fosse a coisa mais óbvia do mundo e o viu fazer uma careta pior, mas uma careta em apoio ao incomodo que o O.B. provavelmente causava.
-Eu achei que era uma camisinha nova! Tava imaginando como encaixava. – deu de ombros e os dois gargalharam com a imagem que a suposição causava. – Ah anjo, qual é? A gente já usou tanta coisa que eu sei lá o que eu achei, menos que era um coletor menstrual.
-Eu estou usando o anel vaginal. – Ela negou com um aceno de cabeça divertido e o viu fazer uma careta confusa. – O que a gente menos vem usando nos últimos dias, é camisinha.
-Que seria? – vincou as sobrancelhas sem entender a função do tal anel vaginal.
-Anticoncepcional, amor. É um anelzinho hormonal que dá pra pôr no colo do útero. – explicou com um sorriso calmo.
-E por que ainda estamos tão presos a camisinha? – O cantor fez a maior cara de perdido e a viu rolar os olhos. – Anjo, você sabe que transar sem nada é mais gostoso. – Ele esganiçou com o próprio argumento. Não sabia se estava mais incrédulo com o fato de ela estar usando anticoncepcional e ele não perceber, ou o fato de que, mais uma vez, estava anos luz a frente da sua capacidade.
-Como também sei que nós dois engravidamos de Leonor usando camisinha. Então, enquanto eu puder usar, nós vamos! – Ela deixou muito bem pontuado e o viu bufar com aquilo. Não era como se o uso da camisinha fosse regular e frequente, mas dar tanta sopa pro asar era demais. – Mas vê se agiliza aí, teus filhos estavam quase se pegando no tapa ali no corredor.
-Pelo amor de Deus, esses dois não dão trégua. – O homem suspirou meio cansado de já ter presenciado um bate-boca sem noção dos dois durante a manhã, ainda mais quando Leonor tinha começado com aquilo por nada.
-Pois é, não dão. Não sei o que foi dessa vez, nem procurei saber, só mandei se calarem e procurarem o que fazer. – Ela meneou a mão tentando explicar e ganhou um beijo alado. – Mas não demora ou vocês vão findar perdendo o jogo.
soprou um beijo pra ele e o homem piscou agradecido, pegando uma cueca na gaveta que pertencia a ele.

* Machismo é a ideologia que prega a superioridade do gênero masculino sobre o feminino
* Femismo é a ideologia que prega a superioridade do gênero feminino sobre o masculino

Chapter Twelve

O barulho que as torcidas organizadas faziam em frente ao imenso estádio, onde aconteceria o início do campeonato de Hockey, encantava o rapaz de um jeito que ele já mais conseguiria explicar, principalmente quando Eliot praticava aquele esporte há mais de dez anos e já tinha participado de campeonatos juniores junto com sua equipe. Aquele dia realmente não poderia estar melhor, principalmente porque pai havia esquecido o que era dirigir, carregando o filho metrô abaixo, mostrando a ele o que era um verdadeiro passeio pela rua, mesmo que parasse ao ser abordado por algumas pessoas. Mas nada, nada se comparava ao ver o estacionamento do Centre Bell entumecido de gente gritando por todos os lados, com as faixas, bandeiras e artigos que identificassem lindamente as torcidas ali agrupadas.
-Caralho, eu não acredito que a gente tá aqui! – O moleque soltou a frase sem filtrar o palavrão e ao invés de ganhar um tapa na cabeça, ouviu uma gargalhada do pai.
-Olha a boca, moleque! – ralhou apenas na intenção de não deixar aquilo barato e o abraçou com força de lado.
pai estava encantado em ver a alegria em que seu menino estava imerso. Era como se ele não acreditasse em nada do que estava vendo e a cada segundo apontasse pra algo diferente, não parecendo ter mais de cinco anos.
-O Alex já deve ter chegado com o , a gente ficou de se encontrar lá dentro junto com o Pat e o Ben. – O homem começou explicar enquanto guiava o filho pelo estacionamento, levando o garoto animado que acenava pra todo mundo. – Quer beber alguma coisa? – perguntou rindo e o moleque olhou pra ele sem conter o sorriso gigante.
-A gente pode comprar lá dentro? – O rapaz perguntou com um brilho imenso nos olhos e viu um sorriso largo do pai, que o abraçou pelo pescoço como se não fossem mais do que dois velhos amigos, logo arrastando Eliot para dentro do estádio.
Após passar as catracas e receber uma pulseira de papel que indicava em qual lugar das arquibancadas eles ficariam, os dois seguiram para onde era o bar do lugar. Aquele era o dia de se encher com qualquer troço que vendesse nesses estádios e se inserir completamente no espírito dos campeonatos. Os dois já tinham ido a inúmeros jogos juntos, desde que Eliot havia se entendido por gostar tanto de hockey. Aquele era mesmo o esporte dos canadenses e ai de quem dissesse que não.
-Pai, eu posso beber cerveja? – O garoto perguntou com uma esperança maior do que ele, vendo o homem fazer uma careta meio frustrada. – Não né?
-Infelizmente. – pai deu um tapinha de conforto nas costas do filho. – Você não tem idade legal pra beber ainda e isso pode gerar um problemão pra gente. Incluindo delegacia e sua mãe furiosa.
-Não queremos a delegacia e muito menos a mamãe furiosa! – Ele disse rindo com uma felicidade sem tamanho só em estar ali. – Me contento com uma coca bem gelada.
Os dois riram e seguiram para o balcão onde estava um tumulto grande de várias pessoas querendo comprar o que beber ou comer. A casa dos Canadiens estava cheia, todos que estavam ali e torciam para o time canadense, ansiavam a vitória do time por cima do adversário, até porque claro, seria um maravilhoso pressagio já no início do campeonato. Com Eliot não era diferente, ele estava extasiado com a oportunidade de comparecer mais um ano aos campeonatos do seu esporte do coração.
Os dois sentaram bem na primeira fila, rente ao local onde o time reserva ficaria e logo ao lado do corredor de onde a equipe completa do Canadiens sairia. Junto aos dois garotos , estavam e Alex, Patrick e Benjamin, as crianças mais empolgadas do que os pais até e depois de vários cumprimentos, abraços calorosos e algumas brincadeiras, os seis sentaram concentradinhos para ver o começo do show que precedia o tão esperado jogo.
Alex não parava quieto, mexendo as perninhas e balançando-as no alto do banco, segurando um copo enorme de refrigerante que era até maior que ele, o boné colocado pra trás dava o ar mais fofo do mundo ao menininho tão simpático.
-Você também tá ansioso, ? – Alexander perguntou ao primo mais velho, se ajeitando na cadeira de plástico, junto com Ben que estava igual na cadeira do lado. Eliot sorriu para o primo que era quase como um irmão e baixou um pouco a própria postura para ouvir direitinho o que a duplinha dizia.
-Claro que sim! Eu estava super ansioso pra ver o jogo. Vocês estavam? – O rapaz voltou a pergunta, vendo o menino abrir um sorriso enorme que era exatamente igual ao do pai.
-Sim e não! – Alex respondeu ao tomar um grande gole do refrigerante. – Eu não sabia que ia começar hoje, mas aí o papai me disse e quando ele me disse nós fizemos a maior festa.
-Eu estava bastante! – O pequeno Langlois saltou animado. – Só que o meu pai já tinha me prometido há dias e dias.
-Eu sei! Comigo foi assim também! – Eliot riu tão animado quanto e ao perceber que o primo olhava com os olhos grandes pra seu copo, perguntou: – Você quer um gole? Também é coca, mas vai que o gosto é diferente! – O rapaz deu de ombros ao ver o pequeno afirmar veemente.
-Não é refrigerante de adulto? – A pergunta receosa surgiu junto aos olhos azuis brilhantes do menor.
-Eu não sou adulto, bobo! – filho riu baixo, ajudando o menino de cinco anos a beber do seu refrigerante. – E aí?
-É O MESMO GOSTO DO MEU! – O gritinho esganiçado fez os seis rirem alto, assim que o barulho do Zambini* limpando o ringue indicava que logo, logo, o show de abertura começaria.
Daquela vez era um incrível show de hologramas onde um dos jogadores de Hockey, também fruto da tecnologia em 3D, tentava sobreviver a várias aventuras no gigante ringue retangular. O gelo se partia como se estivesse sendo quebrado e flutuando na água, tudo com o jogador vencendo todas aquelas loucuras. Um dragão apareceu fazendo todos gritarem, inclusive Alex e Ben que jogaram as mãozinhas pra cima, incrivelmente animados e impressionados em como aquilo tudo parecia real. As imagens apareciam em uma sequência encantadora de cores e realidade, deixando todos dentro daquele estádio imersos na magia de um bom jogo de hockey. Assim que o enorme telão acendeu por completo bem no meio do estádio, gritos embaralhados foram soltos indicando que aquela era a hora, hora dos times entrarem e a batalha começar.

*Carrinho que faz a limpeza no gelo.
 

-x-

Os e os , pais e filhos, saíram do estádio mais de uma hora após o encerramento do jogo, o qual o time de coração deles havia vencido, em direção a lanchonete que era ponto de referência para os torcedores da equipe de hockey local. Era praticamente impossível dizer qual estava mais animado, principalmente entre os mais novos. quase tinha luz própria de tanto brilhar, com certeza poderia ser capaz de cegar um, enquanto Alex, que estava de mãos dadas com o pai, tinha encarnado o próprio canguru.
– ISSO É TÃO LEGAL! – O mais novo dos exclamou, dando mais um pulinho animado, que fazia os outros três quererem o esmagar completamente nos braços. O pai e o tio eram baba pura!
– SIM NÉ! – filho concordou inteiramente com as palavras do primo. Com uma animação sem igual e contagiante, que deixava o pai, andando ao seu lado, praticamente explodindo de felicidade. – Nossa, eu tô morrendo de fome! – Ainda que estivesse brilhando mais do que tudo no mundo, Eliot era , então a fome era algo sempre bem presente.
– Eu queria ter vindo de metrô também! É legal andar de metrô! – Alex se pronunciou, lembrando que o tio e o primo tinham usado aquele tipo de transporte para chegar ao Centre Bell. Ele tinha andado poucas vezes, mas tinha gostado muito de todas elas! Imagina em um jogo? Devia ser incrível!! bagunçou a cabeça do filho, fazendo a promessa de que no próximo jogo que fossem, iriam de metrô, e recebendo um grito animado do pequeno em resposta. Seria muito divertido!!!!!
– O que vocês vão querer pra comer? Precisa ser algo grande, vocês têm muita coisa pra contar. – pai perguntou para a dupla dos mais novos, sorrindo feliz. O filho e o afilhado tinham entrado no vestiário do time para autógrafos e fotos, saindo mais empolgados do que criança pequena em dia de Natal.
– Um hambúrguer bem grandão e cheio de batata, não é, Alex? – Eliot se dirigiu ao primo, que ficou ainda mais animado, se aquilo era mesmo possível, soltando um grito feliz.
– SIIIIM! Com muita coca! – O loirinho gritou, levando os mais velhos aos risos. nem conseguia acreditar como entrava mais coisa em um corpinho tão pequeno, mas realmente não importava muito. Se o filho estava feliz, era o que contava para ele.
– É essa a lanchonete? – Jr apontou para o local todo enfeitado com as cores do time de hockey de Montréal, que em dias normais era apenas uma lanchonete como todas as outras, mas em dias de jogo, o lugar se transformava.
– ISSO MESMO! A lanchonete oficial dos torcedores do Canadiens! – O mais velho dos mostrou o lugar, todo feliz. Ele, e Patrick já tinham estado naquele lugar tantas vezes que ele nem saberia dizer, mas com certeza era um dos ambientes mais legais para assistir um bom jogo, além de, claro, o estádio. E agora poder levar os filhos para os lugares em que eles tinham passados alguns dos melhores momentos, era muito gratificante para os integrantes do Simple Plan.
– MEU DEUS! – O primogênito dos desafinou tanto, como se ainda fosse o pré adolescente sofrendo da mudança de voz. Ele mal podia esperar para contar aos amigos as aventuras daquele dia, que poderia muito bem ser classificado como um dos melhores de toda sua vida – Os caras do time não vão acreditar que eu tirei foto com o Domi! Eu vou, também, pregar a foto na parede do dormitório no MIT! Essa e a minha com o Alex e a nossa na arquibancada!
– Super apoiado! – O vocalista concordou, erguendo a mão para high five, que foi prontamente completado pelo filho, seguido de um abraço forte. Logo, o padrinho também entrou na roda. Era um sonho realizado para o adolescente, e não teria sido possível ser a ajuda dos mais velhos.
– Vocês são fo…. – Eliot se impediu de continuar a frase, por ser composta de um palavrão, coisa que ele procurava não falar na frente do priminho. – Incríveis demais! Sério, mesmo!
– Eu tô tão feliz de te ver assim animado! – , mais conhecido como manteiga derretida , se emocionou, com um sorriso gigante no rosto.
– Eu também quero uma foto no papel pra colar no meu quarto! Você me dá uma, ? – O garotinho perguntou com os olhos azuis arregalados e mergulhados na mais alta expectativa. Ele já imaginava as fotos daquela grande aventura, coladas na parede do seu quarto, onde ele poderia contar todas as coisas mais divertidas que aconteceram para quem quisesse ouvir.
– Claro!!! Quantas você quiser! – esganiçou mais uma vez, mostrando a maior verdade em suas palavras. Assim que ele fosse revelar as fotos, já providenciaria junto as do primo.
– YEY! – O mini boxeador, como vinha sendo carinhosamente chamado pela família, desde o acidente na escola, pulou mais uma vez, enquanto seguia o pai, o primo e o tio para dentro do estabelecimento.
O clima de festa na parte externa se repetia de forma bem clara e intensa no lado de dentro da lanchonete. O local estava simplesmente L-O-TA-D-O de torcedores do Canadiens, vestidos com camisetas e os mais variados acessórios que faziam alusão ao time.
– Nossa, a maman nem vai acreditar em tudo isso! – O mais novo estava simplesmente maravilhado com tudo que estava vendo e ouvindo. Seria seu assunto preferido nos próximos dias.
– A minha também vai ficar bem feliz e vai me chamar de menino grande! Não é dada? – O pequeno olhou para o pai com os olhos azuis mais brilhantes do mundo. O homem deu um sorriso gigante para o filho, ao passo que queria o esmagar em seus braços, enquanto eles caminhavam para uma mesa, em um canto mais reservado da lanchonete. Os mais velhos estavam brincando de anônimos naquele dia, mas era sempre bom não contar muito com a sorte.
– Isso mesmo, Alex!! Ela vai te chamar de menino grande! – concordou, com os braços meio em volta do filho, para que não acontecesse algum acidente. O menor tinha cismado que era grande o suficiente para subir na cadeira estofada sem ajuda. O que não poderia fazer o pai mais orgulhoso. Seu menininho estava crescendo! tirou o próprio casaco, ajudando o filho a fazer o mesmo, e sentou em frente a Alex, assim como os , que também haviam retirado as peças mais grossas antes de sentar. Eliot ficou ainda com o cachecol do Canadiens, que fazia par com um boné.
– O que vocês vão querer? – pai direcionou a pergunta para os mais novos.
– Muita batata! – Alex soltou um gritinho fino e animado para o lanche. Era oficial, ele explodiria. E Camila mataria o marido.
– Eu posso beber? Já que o tio vai dirigindo direto pra casa? – O mais velho entre as crias fez uma quase súplica, combinada a um sorriso falsamente angelical, que ele esperava que convencesse o pai.
… – O mais velho começou a sua tentativa de ralhada, que foi cortada pelo filho.
– Eu sei que você disse não no estádio! Mas só uma! – O demônio persuasivo mirim fez um bico gigante, que certamente poderia ser indicado para entrar no Guiness Book.
– Ele quer refrigerante de adulto? – Alex sussurrou, como se fosse um segredo, puxando a manga da camisa do pai. Quando teve a resposta afirmativa, o pequeno boxeador colocou a mãozinha na boca, chocado, e se virou na direção do quase irmão mais velho para soltar a ralhada que quase levou os outros três ocupantes da mesa, às gargalhadas. – você não é adulto! Você é uma criança que cresceu demais!
– Você que só pode tomar refrigerante de criança. – debochou, mostrando a língua para o mais novo, como se tivesse cinco anos de idade também.
– É muito mais gostoso do que o de adulto! Eu tenho um canudo legal e você não tem! Lero lero! – O loirinho deu corda para o deboche do primo.
– Eu posso pegar o seu canudo. – O adolescente piscou, cínico. Óbvio que ele não faria aquilo, tomar cerveja com canudo era horrível, segundo o pai e o tio. Mas era divertido brincar com Alex.
– Não pode não! – O menininho mexeu as mãos nas orelhas, fazendo o gesto de que Eliot estava doidinho, e fazendo os mais velhos rirem. decidiu acabar com aquela pseudo briga sem cabimento.
– Uma, Eliot! Uma cerveja. – Ergueu um dedo e depois o apontou para o filho, como se quisesse reforçar que seria aquilo e nada mais. O mais novo soltou um grito grosso e levantou de uma vez e abraçou o pai, que apenas ria alto, bem forte e beijou a bochecha do homem.
– Você é o melhor pai do mundo, sem mais! O melhor dia do mundo inteiro! – A voz de Eliot chegava a estar vergonhosamente desafinada. Alexander concordou com a última frase do primo sobre ser o melhor dia do mundo inteiro, ainda que não completamente por todos os mesmos motivos. Ele balançava as pernas gordinhas, que ainda eram um pouco curtas para alcançar o chão, mas a criança classificava aquilo como uma brincadeira divertida.
– Foi a melhor aventura do mundo! Nós gritamos tanto no estádio e a coca do tinha o gosto da minha e o Ben também gritou! – A metralhadora giratória começou a contar todos os melhores momentos daquele dia tão divertido, e virou de uma vez para o pai. Ele tinha tido uma grande ideia! – Pai, eu quero jogar hockey!
– Foi divertido, né? – Alex acenou freneticamente com a cabeça. Ele estava muito feliz, o alegrava o pai. Se ele queria ser jogador de hockey, que fosse, teria o maior apoio! Assim como em tudo que desejasse fazer. – Meu filho, jogador de hockey? QUERO!
– ISSO! – O mais novo dos quase entrou em curto com a possibilidade. – Aí eu vou marcar muitos pontos no ringue! E eu e o vamos ser do mesmo time!
– O tio e eu vamos ir ver toooooodos os jogos! – O dad L se animou, vendo o cunhado afirmar com toda a sinceridade do mundo. Ele estaria lá toda semana. – O que você acha de amanhã a gente procurar uma escola de hockey pra você? – perguntou para o filho, que tinha os olhos mais brilhantes em expectativa a cada segundo, enquanto fazia os pedidos dos lanches.
– Na minha tem os estágios iniciais, tio! Você podia levar o Alex lá, ia ser super legal! – O rapazote sugeriu, feliz. Seria legal ajudar o primo nisso.
– O que você acha, Alex? Quer ir na escola do seu primo? – quase não conseguiu terminar de falar, já ouvindo a agitação do filho, em concordância.
– QUERO! QUERO! QUERO!
– Então a gente vai lá amanhã. – O pai piscou, e dessa vez, Eliot se juntou aos gritos de Alex. Gritos que logo tomaram a lanchonete inteira, junto ao começo do hino da equipe de hockey, com os torcedores achando que a comemoração era por causa da vitória do time local. Tudo isso em meio ao anúncio do original de que as bebidas tinham chegado.

-x-x-x-

O jantar já tinha passado há algumas horas e mesmo depois de ter aquele momento apenas com a filha, já que os meninos tinham ido ver os grandes ídolos de filho, o tempo com Leonor havia sido bom, muito bom. Elas tiveram abertura pra conversar certas coisas que a garota não tinha coragem na frente do pai e, mesmo com toda a insistência de pra saber, a filha negara de pés juntos a possibilidade de qualquer crush no colégio, ao menos ainda. A mulher havia mesmo gostado de ver seus dois s animados como não via há algum tempo. O rapaz parecia ligado na tomada de tão animado, mesmo depois voltar do Centre Bell, cheio de souvenires que gritavam o fanatismo dele pelo hockey. Além de um presente discreto para a irmã briguenta.
As luzes da cozinha estavam apagadas e o cômodo estava claro apenas pela meia luz que iluminava as bancadas e ficava bem abaixo dos armários, dando um charme aconchegante a um dos lugares onde aquela família mais passava seu tempo livre. Sim, aquilo havia sido previsto desde a compra da casa, por isso era enorme e bem equipada, capaz de fazer qualquer um daqueles quatro bem felizes.
-Oi anjo! – A voz levemente rouca, por certamente ter gritado até não poder mais com o filho, soou na cozinha silenciosa que presenciava apenas o tilintar da louça sendo guardada por ela.
-Hey! – A mulher respondeu um pouco baixo e ganhou um beijo carinhoso na bochecha.
Ficando ainda mais confusa com o rumo que seu relacionamento estava tomando, principalmente quando os dois não tinham colocado os pingos nos is, ela respirou fundo tomando fôlego e coragem para entrar de vez naquele assunto, ali era o momento perfeito. Sem crianças, sem desculpas e sem qualquer outra coisa que atrapalhasse a conversa do casal, eram ele e ela para resolver algo simples.
-Precisa de ajuda? – O homem perguntou, desgrudando o corpo do dela e tratou de procurar um pano de prato para ajudar , assim ela terminaria mais rápido.
-Não, já estou terminando aqui. – Ela soltou uma risada leve e esticou um pouco o rosto em busca de um beijinho, prontamente dado por ele.
-Certeza? Tá bem tarde já, passou das 11pm. – O cantor protestou mais uma vez ao ataque dona de casa dela e fez uma careta.
-Eu achei que você já estivesse na cama. – A enfermeira guardou o último prato, passando a mão pela camisola azul marinho.
-Fiquei esperando você. – O homem piscou cheio da ousadia e conseguiu arrancar uma risada murcha dela. – Não apareceu e eu vim ver o que tinha de tão bom nessa cozinha.
-Eu só não consigo dormir quando a cabeça tá barulhenta. – deu de ombros com a simplicidade de algo que ele conhecia tão bem e o viu afirmar com um sorriso fechado, escorando a bancada fixada na parede.
-E qual o motivo de tanto barulho nessa cabecinha de gênio? – A pergunta veio baixa e carinhosa, fazendo a mulher se praguejar eternamente por entender que aquele era o momento perfeito para destruir o clima, falando em uma possível DR.
-Nós precisamos conversar! – A frase foi cuspida da boca com a mesma intensidade com que o homem empalideceu ao ouvir aquilo. Conversar sobre o quê? Ultimamente se os dois tentavam conversar, era briga sem sombra de dúvidas. Ao menos tinha sido assim no último ano. – Sobre o que aconteceu, ! – deixou ainda mais clara as intenções da conversa.
-Quê? – Ele se apoiou na bancada com as duas mãos, sabendo que o estômago dela revirava igual ao seu. – Não, não. A gente não precisa conversar sobre isso. É passado. – O esganiço surgiu um tanto desesperado, acompanhado do sacudir de mãos.
-A gente precisa conversar sim, ! Tudo deu errado por falta de conversa. – Ela apontou sentindo a garganta travar em pavor. – Eu não quero que isso aconteça novamente. Eu preciso entender porque nosso casamento deu errado. O que aconteceu pra você ter ido embora, pra você ter voltado! – O desespero na voz de só ficava cada vez mais presente, toda vez que ela via o marido querer desviar do assunto.
-Não precisa, anjo! – Em contrapartida, o desespero nele crescia em imaginar onde aquela conversa poderia dar. Poderia dar certo? Claro! Mas também poderia dar muito errado, como já tinha acontecido inúmeras vezes no último ano e ferrar de vez algo tão gostoso que os dois haviam construído nos últimos dois meses. – Vou dormir, tá? Te espero no quarto!
-Não, . Você não vai! – A mulher tomou fôlego ao esticar a mão, mesmo ainda vendo-o caminhar devagar pela cozinha. – Se você fizer isso, pode ir pro apartamento. Aqui você não fica mais. – O ultimato foi dado com mais dor do que ela esperava, o vendo estacar completamente no meio da cozinha e voltar com o rabo entre as pernas até a bancada. Deixando-a em um alívio imenso por entender que mesmo daquele jeito, ele não queria mais ir embora.
respirou fundo, se debruçando contra a bancada pra tomar coragem em iniciar aquilo, sabendo que não diria nada caso não fosse instigado. Talvez 20 anos de convivência a fizesse ter um pouco de conhecimento sobre o marido. passou a mão pelos cabelos, impaciente com o clima tenso que se formava no meio daquela cozinha.
-A gente precisa colocar os pingos nos is. Ou a coisa não vai andar. – Ela soltou o ar pela boca e coçou o nariz na intenção de não chorar tão logo.
-Já tá andando, anjo. – O homem soltou meio desesperado. – Tá ótimo assim, vamos esquecer o pesadelo que passou. A gente é adulto o bastante pra passar uma borracha no inferno que foi nos últimos oito meses e seguir bem daqui pra frente. Eu não quero outra bola de neve atolando a nossa vida!
-Eu estou tão assustada quanto você. Por mim eu continuava do jeito que tá, mas o risco de te perder é alto demais, mais uma vez. – Ela passou a mão pelos cabelos, ainda na impaciência da situação mais do que incomoda. – A gente tá junto desde o colégio e de repente nosso casamento começou a afundar. Eu quero entender o que merda aconteceu!
Ele suspirou desesperado, enfiando os dedos entre os cabelos, enquanto sentia a garganta começar a doer pelo nó que se formava. Não duraria muito até que os dois estivessem chorando.
-Não vai, você não vai me perder de novo, meu amor! Eu prometo! – engoliu o próprio choro em ver que a esposa estava tentando controlar um bico de choro. – E aconteceu que eu sou o maior idiota da face da terra! Eu me deixei levar por um estilo de vida que não era pra mim se você não tá junto, nunca tinha sido. Me deixei influenciar pelas merdas que o Dimitri disse sobre você, sobre nosso casamento. Sobre tudo! Eu sou um idiota e me perdi em achar que tinha algum tempo perdido da minha vida pra recuperar.
-Mas por que, ? Por quê? Por que raios você queria agir como solteiro, quando você era casado? – Ela cruzou os braços, ainda meio indignada em estar revivendo aquilo novamente. – Eu preciso entender se o problema fui eu. Se fui eu quem te afastei.
-Não! Não foi você, nunca foi você! – O homem saltou com sua justificativa mais do que convicta para fazê-la entender que em nada daquilo tinha culpa. Ele passou a mão pelos cabelos e riu morto. – Fui eu! Eu sou o grande idiota dessa história toda.
-E por que diabos você foi embora? O nosso casamento tava em crise, os meninos vendo grande parte das coisas e você achou mesmo que a melhor coisa era ir embora? – passou a mão no rosto, já até irritada demais com a conversa. Ela não acreditava no que estava ouvindo e, principalmente, não acreditava que algo simples, tinha demorado tanto tempo pra se resolver. – De repente um cara que você conhecia há dois anos tinha mais influência sob você do que eu. – A mulher respirou fundo, batendo a mão no peito.
-Eu fui um idiota, . Eu já admiti isso mil vezes nos últimos minutos! – O esganiço de saiu tão assustado e culpado quanto antes, em um dos momentos que ele não sabia mais o que fazer pra fugir do inferno que aquela conversa estava revivendo. E como se fosse um adolescente, ele só queria chorar agarrado aos joelhos.
-E você acha que admitir que foi um idiota vai resolver a situação? – O grito veio amedrontado e choroso, fazendo os dois sentirem os olhos transbordarem.
-Eu não sei mais o que fazer, anjo! Eu quero você pra mim, eu só quero que a gente seja feliz de novo! – fungou ao passar as mãos pelos olhos e a viu olhar pro teto, tentando não desabar com aquela bagunça na cozinha. – Você quer saber mesmo o porquê eu fui embora? Quer saber mesmo por que droga eu fui embora? – encarou bem a esposa ainda esperando uma reação afirmativa dela.
-É óbvio que eu quero, ! – tomou fôlego ao sentir as lágrimas escorrerem sem qualquer aviso, vendo que ele chorava tanto quanto ela, ainda que tentasse de forma bem frustrada, enxugar o rosto.
-Por você, anjo! E por mim! – pressionou a mão no peito, sentindo o rosto molhar a medida em que chorava. – A gente já tava separado, mas continuava brigando sempre que se via, não tinha conversa ou ao menos um sorriso. Eu não podia ser egoísta ao ponto de fazer da sua vida uma merda, porque era mais confortável pra mim ficar perto de você, mesmo que a gente brigasse. Eu precisava te deixar seguir a vida, eu não podia ficar aqui empatando tudo. Só que eu não ia aguentar ficar aqui vendo você seguindo sua vida, quando eu mais precisava de você pra seguir a minha! – O bico tremeu, fazendo a voz do homem vacilar e ela morder a própria boca pra tentar controlar o choro. – Eu precisava e preciso de você pra tudo! Eu não sei viver e muito menos ser feliz sem você, . Eu não aprendi como fazer isso, e se um dia eu já soube, esqueci há mais de 20 anos como é.
-E você acha que eu sabia? – A voz saiu embargada, assim como o punhado de lágrimas que insistiam em escorrer pelas bochechas, fazendo a garganta dele doer ainda mais. – Você acha mesmo que eu sabia ser feliz sem você? , a gente passou a vida inteira juntos e de repente eu me vi sozinha com os dois meninos, sem saber resolver nada sozinha, sem saber fazer nada. Porque eu sempre fui dependente emocionalmente da gente, sempre foi assim e do dia pra noite tudo mudou. Acha que eu estava feliz longe de você? Eu vim saber o que era felicidade agora, naquele maravilhoso dia que eu te vi na porta aqui de casa, cansado da viagem, mas com um sorriso imenso por estar aqui de novo. Eu nunca quis que você fosse, eu nunca quis você longe de mim. – enxugou o rosto com as costas da mão, tomando ar pra continuar: – Eu preferia mil vezes que você tivesse sido egoísta e ficado perto de mim, do que ter tomado decisões precipitadas, como se eu fosse conseguir seguir a minha vida sem meu copiloto.
O soluço em veio tão intenso ao ponto de fazê-lo sacudir os ombros com força, à medida em que o choro saía do sussurro e ganhava corpo na voz rouca do homem. cobriu o rosto com uma das mãos ao sentir o peito aliviar e só ouviu o fungado dela tentando controlar o próprio choro nada discreto. tinha certeza que enquanto não se controlasse, ele não pararia de chorar, era uma reação em cadeia. Caso ela fizesse um bico, não demoraria minutos até que o marido também estivesse chorando.
-Vem cá! – A mulher abriu os braços disposta a tê-lo ali novamente por resto da vida, sentindo bem a emoção quando o corpo do cantor agarrou o seu com força, tirando-a do chão.
Era um aconchego tão gostoso, trazendo lembranças tão boas de momentos complicados, era o companheirismo de saber que tudo ficaria bem se ele estivesse ali com ela. acomodou o rosto no pescoço da mulher e mesmo chorando, a apertou com mais força no abraço, sentindo os dedos delicados lhe fazerem um carinho no couro cabeludo.
-Eu só queria saber porque você voltou, . – A pergunta saiu baixa, enquanto ela afagava as costas nuas dele, ganhando o mesmo carinho.
-Saudades da minha identidade. Do verdadeiro . – O homem fechou os olhos com força, esmagando a esposa no abraço e sentiu um beijo carinhoso na bochecha.
-Ele voltou, calma. Ele voltou. – Ela sentiu o peito aliviar ao pronunciar aquelas palavras, entendo que sim, seu marido estava ali e tinha voltado de vez. Não o cara público, o compositor, mas seu marido. O homem com quem ela tinha vivido mais de 17 anos da sua vida. – Quando ele começou lutar por um espacinho nesse coração mole? – soltou um risinho baixo, sendo abraçada ainda mais forte.
-Quando absolutamente tudo perdeu a graça e a cor. – aconchegou o rosto no pescoço da esposa, sentindo que tudo finalmente estava encaixando naquele quebra cabeça. O perfume dela era seu calmante preferido. – Eu passei e odiar estar no palco, odiar a Califórnia, o mar, surfar, TUDO! Aquilo estava me separando de vocês, da minha família. Da minha vida! – Ele suspirou ao beijar o pescoço dela e sentiu as costas serem afagadas.
-Ah, mas isso era mole, a gente pedia os lápis de cor da Leo! – abriu um sorriso imenso ao sentir que seu marido estava ali por completo e disposto a consertar tudo junto com ela. Era maravilhoso ter seu por seguro novamente dentro daqueles braços. – Mas eu não gostei nada de saber que você tava deprimido assim! – A mulher fez um bico desgosto que ganhou um beijo rápido, fazendo os dois rirem com um brilho lindo e imenso nos olhos.
-Os meninos iam me visitar, e claro que isso aliviava um pouco, mas faltava você. Faltava uma parte de mim, a minha companheira dessa vida e, se tiver outras, quero que seja das próximas. – Ele distribuiu mais uma das suas declarações que faziam o coração da mulher bater igual a um tambor.
-Era só ligar e pedir que eu arrumava uma desculpa pra aparecer lá. – Ela disse de uma forma tão simples que o fez rir e beijá-la novamente. – Eu te amo, muito mesmo!
-Eu te amo bem mais! – O homem sorriu ao tirá-la novamente do chão. – Mas eu não podia arriscar ganhar uma tijolada na cabeça
A gargalhada contagiante da enfermeira preencheu a cozinha de uma forma encantadora.
-Não ri de mim, mulher! O medo era real. – colocou-a mais uma vez no chão e ganhou um beijinho casto na ponta dos lábios.
Ela mordeu a boca ainda com uma expressão divertida e logo inclinou a cabeça pro lado. Mesmo com toda a conversa, ainda tinha uma grande interrogação ali, enorme pra falar a verdade. Ainda tinha uma parte da história oculta e sendo bem sincera, uma das que ela mais estava ansiosa pra ouvir. Ouvir e passar na cara dele que estava certa sobre o embuste americano.
-E o embuste? – A pergunta seca fez o homem esboçar uma carranca mais do que irritada. – Que fim levou aquele filho de uma Puta?
-Espero que tenha morrido. – rolou os olhos ao mirar o olhar em qualquer ponto da cozinha que não fosse a esposa detetive.
-Me conta, ! – Ela inquiriu sabendo que tinha coisa naquela conversa sobre desejo de morte.
-Não quero, . – O homem parecia uma criança emburrada ganhando uma arqueada de sobrancelhas da mãe raivosa. Ele suspirou desgostoso e escorou a ilha, tomando fôlego pra começar a contar o belo tapa na cara que havia tomado. – Uma noite, a gente foi para um bar, um pub. – Ele coçou os cabelos grisalhos. – Eu não tava no clima, então decidi não beber. – umedeceu os lábios ao cruzar os braços e viu a esposa fazer o mesmo. – Mas ele bebeu demais, ficou altamente embriagado e se passou. Confessou o filho da puta que ele é! Acredita em mim, ele fodeu o nosso casamento com o único propósito de tomar o que é meu! – O cantor soltou incrivelmente indignado e esganiçado em lembrar de cada barbaridade imunda que ele tinha falado sobre .
-Ele fez essa merda toda por causa de dinheiro? – O grito da mulher saiu indignado com a conversa.
-NÃO, ! – O homem soltou um desafino tão forte que mais parecia estar trocando a voz. – Ele queria você! VOCÊ! Queria tomar a nossa família, os nossos meninos. Queria arrancar a minha família de mim! – A ofensa na voz de , mergulhado em um desespero horrendo fez a mulher amassar os lábios com força pra não rir na cara dele, embora estivesse sendo complicado manter a crise de riso. Ela soltou a gargalhada sem acreditar nenhum pingo naquela história. Até porque se o tal Dimitri tinha aquele grude todo com seu marido, era mais fácil ele ser apaixonado por .
-COMO É?
-Você tá rindo? – Ele parecia desacreditado da reação da esposa, que tampava a boca sentindo os olhos transbordarem nas gargalhadas. – Eu vou quase preso por uma agressão e você tá rindo. – sacudiu a cabeça meio saturado. – Ótimo! – O homem rolou os olhos, vendo-a prender os lábios entre os dentes para tentar prender as risadas. Espera! tinha batido nele?
-MENTIRA! AMOR, você bateu nele? – O gritinho esganiçado da mulher, finalmente o fez rir. Ah ele estava gostando daquilo, mesmo! tinha se animado com a notícia?
-Ah bati. – O homem se inflou com um sorriso vitorioso. – Cada merda que ele falou sobre você, eu não podia ficar só assistindo!
-Amor… eu não aguento você! – suspirou contente, acariciando de leve o braço de e sendo pega totalmente de surpresa assim que ele segurou sua cintura puxando-a pra si. Os corpos colados, a respiração baixa e um sorriso vitorioso preenchiam o momento.
-Eu sei que você jamais ficaria com ele, eu sei! Mas só de pensar que isso podia acontecer com outra pessoa, me subiu uma raiva que não dava pra controlar, anjo! Era raiva misturada com pânico. Pavor em perder você! – O suspiro veio frustrado e aliviado ao mesmo tempo, principalmente quando ele sabia que finalmente as cartas haviam sido colocadas em cima da mesa.
-Você tá pirando? – A mulher riu mais uma vez. – Em que mundo eu ia dar qualquer moral pro Dimitri? Eca! – Ela torceu o nariz mostrando o asco presente em si.
-Pra ele não, mas tá cheio de cara que te quer! – bufou todo cheio do ciúme, rolando os olhos. – Tem fila e eu dei mancada. Me mata, !
Outra gargalhada ressoou pela cozinha, enquanto a mulher afastava o corpo do marido frustrado.
-A vontade é essa mesmo. A de te matar, demônio. Te encher de bolacha! – Ela respondeu, mas continuou rindo pela tal fila que ele havia mencionado.
-Qual a da risada? – O homem bufou.
-Tem uma fila enorme aí na porta, não viu? – A ironia transbordante dançava nos lábios rosados dela, fazendo o marido rolar os olhos, meio debochado até.
-Coitadinhos, , coitadinhos. – Ele fez a maior careta de adolescente desgostosa, ouvindo-a rir ainda mais.
-Eu vou dormir, porque sinceramente? Eu ganho mais. – Ela soltou mais uma risada debochada, se sentindo vitoriosa com aquela história toda. Não tinha algo mais incrível do que saber que ela tinha razão dentro daquela bagunça.
-Tudo bem, eu vou pro apartamento. – Ele rolou os olhos com o deboche dela, esperando que a mulher contestasse aquilo. Embora ele soubesse que o último lugar que dormiria aquela noite, seria o apartamento.
-Eu vou subir, .
A mulher mandou um beijo alado cheio das mais insanas intenções como quem queria dizer que esperaria acordada, vendo o homem suspirar meio sofrido e sacudir a cabeça fazendo os dois riram. Ela respirou aliviada e ao sair do cômodo, encontrou o filho mais velho com uma expressão de dor… ou era cansaço?
-Oi amor. O que foi? – Ela estreitou os olhos ao segurar o rosto do primogênito, lhe beijando a bochecha.
-Nada! – A voz do rapaz saiu ruim na garganta seca. – Estou com sede. – Ele tentou sorrir fechado e beijou a bochecha da mãe, vendo-a afirmar com uma careta e sair do cômodo.
-Boa noite, ! – pai gritou em resposta a falta de sensibilidade dela e ouviu a mulher rir alto, porém irônica.
Embora não tenha percebido a expressão do filho se tencionar ainda mais em um bico de pavor, o garoto sentia a garganta travar e a vontade de chorar lhe assolar. O que droga tinha sido aquilo? O pai dele ia embora pro apartamento? Só poderia ser, principalmente depois dos murmúrios altos dentro da cozinha que o fizeram descer na ponta dos pés, conseguindo ouvir somente o momento da despedida mais formal do mundo.
-Pai? – A voz embargada do moleque saiu um pouco controlada e ele ganhou apenas um murmúrio em afirmação, enquanto o pai parecia comer algo. – Você vai embora? – O timbre saiu ainda pior.
O homem fez uma careta desgostosa ao analisar a situação e ponderou com um aceno de cabeça, ainda que estivesse tentando zoar com o filho. Ir embora? Em que mundo ele iria embora daquela casa outra vez? Nunca mais.
-Vocês tavam brigando, não era? – O choro do rapaz saiu esganiçado e desesperado, fazendo quem tinha acabado de conseguir se controlar, arregalar os olhos amedrontado com a postura do filho. – Não vai embora, não! Dá mais uma chance, tenta de novo com a mamãe! Por favor. Não vai embora de novo!
-Não, não! Filho, vem cá. – O cantor soltou desesperado, abrindo os braços ao ver o estado do filho e logo abraçou o garoto, confortando-o contra o peito. – A gente só tava conversando, . Não teve briga. Quando eu falei sobre ir embora, eu tava falando sobre o apartamento e ainda era brincadeira. Não tem porquê eu ir embora. – fez um chiado como se consolasse um bebê enquanto acalantava o moleque que estava bem maior que ele. – Não sobre Montreal, nunca. Eu não vou mais embora. Eu prometo!
-Você chamou minha mãe pelo nome e vocês falaram no Dimitri. Eu ouvi vocês brigando! – A voz embolada do garoto saía em um desespero fora do comum, deixando o pai ainda mais sem fôlego em tentar conter aquilo.
! – O homem segurou o rosto do filho, o fazendo lhe encarar e entender de verdade a situação. – , respira, não faz assim. Eu fico nervoso de te ver desse jeito! Calma, eu vou te explicar, mas eu preciso que você sente e respire. – Ele falou com os olhos mais sérios e a voz tão sincera quanto as intenções.
Pegou um copo de água para o rapaz, ainda tentando parar de tremer tanto com o desespero do filho e se escorou a bancada em frente a ele.
-Bebe um pouco e se acalma. – O homem pediu manso, vendo o rapaz enxugar as bochechas com as costas da mão e afirmar com a cabeça, mostrando que estava pronto para entender a situação. – Não houve briga ou discussão, a gente conversou, . Apenas isso. Existiam coisas que precisávamos resolver e enrolamos demais pra chegar até aqui.
-Foi sobre você ter ido embora, não foi?
-Foi, foi sim. Nós não tínhamos conversado sobre isso ainda, exposto nossos motivos, causas… essas coisas.
-Mas deu certo? Vocês se desculparam?
-Sim, . Deu. – O homem riu baixo com a dúvida do garoto e esticou o corpo, abraçando-o com força, tentando passar toda a segurança do mundo e mostrar que aquele tipo de coisa nunca mais aconteceria. Nunca mais.
-Desculpa? Vocês me assustaram. Você diz que vai pro apartamento, minha mãe diz que vai dormir e você ainda chama de . Eu morri. – O rapaz soltou meio nervoso com a situação que não parecia em nada com o que realmente era e fez o pai rir divertido. O homem beijou a bochecha dele e bagunçou o cabelo do rapaz.
-Se você prometer não fazer mais uma coisa dessas e não contar pra sua mãe, eu desculpo. – pai soltou uma risada baixa e viu um sorriso sincero surgir no filho.
O homem chamou o filho com um aceno e mão e logo o abraçou pelos ombros, levando o garoto para o andar de cima, onde se certificaria de que ele iria dormir serenamente e sem mais sustos.

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A penumbra do quarto escuro escondia as expressões mais despudoradas que surgiam após o friccionar dos corpos, as mãos trêmulas de fincadas a cintura da esposa, enquanto ela rebolava vagarosa nos movimentos de sobe e desce mais torturantes da sua vida. Ele queria rapidez pra que sua cabeça pudesse explodir logo, ao mesmo tempo em que aproveitava a sensação gostosa de punição. Quando se deixava preencher por inteiro e se encaixava em seu colo, mesmo que ele estivesse deitado e esticado na cama, passando as mãos nos seios e nas coxas dela.
Em contrapartida, ela amava saber que o fazia render-se em qualquer das situações, era excitante demais poder ditar as regras em certo momento do sexo, principalmente quando ele decidia assumir a situação de repente, como em um efeito rebote que ela esperava ansiosamente. Sempre! A mulher olhou-o com os olhos mais pidões do mundo, como se pedisse uma ação que a fizesse sentir o bom do sexo e o fazia mover o próprio quadril de forma mais rápida, contra ela. Sentindo o impacto dos quadris lhe trazer uma sensação de satisfação imensa, quando o prazer de sentir os dedos dele lhe ameaçando um carinho só excitava ainda mais. A mulher prendeu um gemido de satisfação na intenção de desafiá-lo a fazê-la gemer e ouviu a risada espontânea do marido ao apertar sua bunda com força.
-Saber que eu vou passar uma semana longe de você é foda. – Ele tomou fôlego quando a respiração já começava discretamente a ficar cansada. – Principalmente agora que… – O homem revirou os olhos e soltou um grunhido ao sentir o corpo dela se contrair em volta dele, enquanto a mulher mexia o quadril com uma habilidade incrível, o fazendo ficar ainda mais excitado e cheio de tesão, como se o seu estado não fosse o suficiente. – Porra, !
-Pra você não esquecer de mim. – Ela mordeu um sorriso maroto e soltou uma piscadinha ao baixar lentamente a postura, se apoiando no colchão para deixar o rosto dos dois rentes um com o outro, ainda movimentando o quadril.
-Oh, anjo. É impossível esquecer você. – A respiração pesada do cantor era o maior indício de que ele sempre estava rendido a ela, fosse no amor, fosse no sexo.
Ela abriu um sorriso vitorioso com a frase, ainda que soubesse de tudo aquilo e amasse ouvi-lo repetir sempre que possível.
-E com certeza, também será torturante pra mim. Sempre é péssimo passar dias longe de você, principalmente agora que as coisas estão mudando… Ficando melhores do que já foram algum dia. – Os dois sorriram contentes em vivenciar plenamente aquela fase e não demorou muito para que a enfermeira passasse as pequenas unhas pelo braço do marido, ainda repetindo os movimentos de vai e vem com o próprio corpo, vendo-o prender os lábios entre os dentes e logo abrir um sorriso sacana.
Ela passou os braços pelo pescoço dele, o abraçando ainda que estivessem minimamente encaixados na posição e percebeu que aquele sorriso safado indicava alguma coisa, ah se indicava. Dito o feito, se encolheu por inteira com o peso da mão grande dele estalada em sua bunda, causando sensações que ela nem esperava, ao sentir o corpo vibrar em volta do dele, fazendo os dois rirem. massageou o local levemente enquanto sentia a língua dela brincar com seu queixo e distribuiu outra palmada, fazendo-a prender a respiração e morder seu queixo para abafar um gemido despudorado.
Encostou os lábios aos dele, sugando o lábio do marido com o desejo de transformar aquela transa em um simbolismo que traria uma sensação ainda mais gostosa pros dois. As mãos do cantor subiram ao partir da bunda da esposa, ao passo que ele dedilhava seu violão favorito, sentindo a pele dela se eriçar com o toque delicado e que assim como a analogia, tirava-lhe os melhores sons. Era exatamente daquilo que ela sentia falta, era a mistura do delicado com o sacana, dos toques dele que a levavam a loucura à mínima menção e sempre fariam aquilo, sempre!
Os movimentos combinados aos beijos estavam deixando os dois mais acesos que o planejado, sendo questão de segundos até o que homem a puxasse pra cima rente ao seu corpo, entre o beijo faminto, desencaixando o corpo dos dois para desagrado geral. Ele virou-a de uma vez na cama, ouvindo a risada gostosa de quem estava adorando aquela inversão de papéis e não deixou de rir junto ao ver a expressão de ansiedade da esposa, esperando que ele fizesse bem mais do que apenas lhe olhar com aquele desejo todo. queria ação e, com certeza, iria dar o que ela queria.
-Cansei de brincar, ! – A reclamação veio em um tom sério demais, seguido da inclinação sobre o corpo dela, fazendo-a quase delirar de ansiedade.
As mãos foram presas no colchão pelas dele acima da cabeça da mulher, à medida que ela abria um sorriso incrivelmente ladino como se pedisse por mais. Mais dominação, mais determinação e mais prazer. sacudiu a cabeça quase explodindo com a petulância dela e, ao segurar firme o quadril de com uma das mãos, penetrou-a com força, ouvindo o gemido safado reverberar pelo quarto assim que ela arqueou o corpo, roçando os seios contra o peito dele. O homem baixou a postura o máximo que pode e à medida que a preenchia com a determinação de vê-la gemendo seu nome, sorveu um dos mamilos beliscando-o entre os dentes, ainda que fizesse questão de esfregar a pélvis dos dois em um dos maiores pontos de prazer na esposa.
Era sexo intenso que ela queria? Era sexo intenso que ela teria.
A mulher sentiu a cabeça querer explodir ao passo que as sensações mais insanas se misturavam dentro dela. A boca de em seu peito, a mão fincada na bunda e a firmeza com que ele estocava, estavam deixando-a louca sem conseguir entender o que sentia primeiro, restando retribuir apenas com sons que reverberavam pelo quarto e ficavam por ali mesmo pela boa acústica das paredes. O corpo em chamas trazia o desespero para a busca do prazer e assim que sentiu os punhos serem soltos pelo marido, soube que ele se apoiaria na cama para melhor resolver o problema dos dois. agarrou os cabelos de entre as mãos, vendo-o se apoiar em um dos braços e lamber os nós dos próprios dedos, concentrado em começar a massageá-la.
Gemidos manhosos encheram os ouvidos do homem que estava adorando se deleitar com a demonstração de prazer que partia dela, massageando ainda mais o clitóris da esposa com os nós dos dedos, enquanto também sentia seus cabelos serem quase arrancados pelas puxadas que ela dava. As estocadas continuaram firmes ao ponto de fazê-la revirar os olhos quando o quadril dele se chocava com o seu, ouvindo os gemidos abafados do marido. Merda! Ela ficaria dolorida depois daquilo. Mas nada iria superar o poder de um maravilhoso orgasmo, que já estava bem próximo no fim das contas. sentiu o corpo tencionar inteiro, passou as unhas curtas pelo couro cabeludo do marido, que já estava suado e sentiu seu corpo clamar por mais qualquer estimulo que fosse.
-Só mais uma, papi! – O pedido manhoso surgiu em meio aos gemidos desesperados e logo o homem aumentou o ritmo, a ouviu soltar um grunhido feliz e espontâneo, meio grotesco até. Mas que ele sabia que ela tinha chegado ao orgasmo, principalmente por conhecer os principais trejeitos da esposa, o nariz enrugado e as bochechas vermelhas quando aquilo acontecia.
segurou a cintura dela com as duas mãos e ao desencaixar os corpos, virou-a na cama com uma habilidade imensa, deixando-a de bruços ao mesmo tempo que ouvia uma gargalhada safada e cansada. Ele riu junto com a mesma intenção e após uma palmada que a fez reclamar com um gemido manhoso, penetrou-a continuando com o ritmo rápido das estocadas, intencionado a acabar logo com aquele desespero que lhe dominava. O homem mordeu a boca tentando não fazer tanto barulho e se apoiou na cama com as duas mãos, enquanto os joelhos estavam apoiados ao redor do corpo da esposa e a bunda dela empinada, sendo questão de pouco mais de alguns segundos, até sentir o alivio lhe tomar sem quaisquer precedentes, soltando o gemido grosso que havia prendido na garganta.
Ele apertou a cintura dela como se tentasse manter a força e o equilíbrio do corpo, ouvindo a mulher soltar uma risada safada.
-Que homem gostoso do caralho! – Ela jogou o tronco na cama rindo e ouviu a risada satisfeita do marido que havia desencaixado e baixado a postura pra lhe dar um beijo carinhoso no ombro.
-E é todo seu, todinho seu. – O sussurro apareceu junto a uma mordida carinhosa no ombro dela, vendo um sorriso imenso, contente e feliz surgir nos lábios da esposa que apoiava o rosto de lado nos braços. – Vou pro banho. – A risada baixa e espontânea só fez a enfermeira relaxar ainda mais o corpo, fechando os olhos pra sentir o momento de transe e satisfação, sorrindo grandemente ao sentir um selinho casto no fim da coluna, arrepiando toda a sua pele e um selinho apertado na nádega direita. – Gostosa!
Os dois riram e antes que pudesse voltar do banheiro, ela tinha adormecido serenamente na cama.

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Os dias estavam passando como o vento forte e ligeiro do outono. Leonor estava mais do que eufórica com a viagem que aconteceria dali a 24 horas, surtando e deixando quem estivesse perto em surto conjunto. A garota já tinha arrumado todas as malas, preparado tudo que queria e precisaria levar para ver o McFLY tocar em uma das turnês que mais trazia medo aos fãs, principalmente por parecer algo como uma despedida. Isso estava deixando a garota mais pilhada ainda, já não bastava a idade que trazia mais inseguranças do que a vida inteira, ainda tinha o sentimento de ansiedade para um dos dias que ela acreditava que iria ser um dos melhores da sua vida.
O quarto claro e mediano estava impecável como sempre, as paredes desenhadas pela própria garota davam um ar mais aconchegante ao cômodo. Os móveis brancos e mais modernos misturados as cores variadas da decoração deixavam o local ainda mais a cara da moça, lindo e prático! Os lápis de cor haviam ganhado uma estante especial na parede perto da escrivaninha, separados por cores em vários potes, cores essas que só Leonor e Camila saberiam identificar, definir e conversar por horas sobre elas. E por fim, algumas fotos das pessoas mais importantes para ela, estampavam a maior parede do cômodo.
fechou a última mala da filha, pós checar direitinho todos os pertences e mirou a mochila preta cheia de girassóis que tinha o nome da garota bordado no bolso da frente. A enfermeira conferiu novamente o interior da bolsa e acalmou o coração quando viu todos os documentos ali certinhos, depois faltaria apenas ajudar com a dele. Ela mordeu o canto da unha e fez uma careta ao se tocar que não tinha visto a bolsinha de peças intimas de Leonor dentro da mala de viagem.
-Leo? Por que suas calcinhas e sutiãs não estão aqui? – A mulher alteou a voz para a garota que estava no banheiro, com certeza secando o cabelo para que os cachinhos leves ficassem definidos e ouviu a resposta bem logo.
-Eu coloquei na bolsinha amarela cheia de florzinha que você comprou pra mim. – procurou a tal bolsa e viu em cima da cômoda toda arrumadinha, faltava apenas pôr na mala.
-Achei! Já separou tudo direitinho né? – Ela sentou na cama pra esperar Leonor sair do banheiro e ter mais uma vez, a conversa sobre a menstruação estar mais perto de vir, principalmente com uma viagem daquelas bem na cara. Era possível que a primeira menstruação da garota descesse e não teria colhão pra falar um A sobre aquilo.
-Mãe, eu acho que meu corpo não é normal. – A garota falou com uma grande interrogação na cara, saindo mais apavorada ainda do banheiro e riu. – É sério! – Leonor esganiçou, ainda enrolada no roupão, que se dependesse dela, continuaria ali pro resto da vida.
-Por que, meu bem? – A mulher mordeu a boca prendendo a risada anterior. Aquele era o momento que ela virava mãe e não uma moleca. – O que tem de errado no seu corpinho lindo?
-Eu tenho um peito maior que o outro. – A adolescente arregalou os olhos, esganiçando a voz ao ponto de parecer um sussurro e apertou os braços por cima do roupão.
-Ai, meu amor. É normal! – também arregalou os olhos dela, apoiando as mãos na cama e projetando o corpo pra frente. – Eu também tenho um maior que o outro, só que é algo que só a gente percebe. Se ficar de pilha, o juízo enlouquece. – A enfermeira lançou um sorriso maternal pra filha e a garota fez uma cara nauseada.
A mãe dela ter um peito maior do que o outro? Nunca! Dona era dona do maior par de seios que a garota já tinha visto na vida e aparentemente eles não tinham nada de desiguais.
-Você não tem um maior do que o outro. – A menina sentou na cadeira giratória da mesinha e ainda se apertando dentro do roupão claro, olhou na direção do busto da mãe, desviando os olhos logo em seguida. – Eles são… iguais.
-Leo, não são do mesmo tamanho. – A mulher riu baixo, de alguma forma encantada com a confusão da filha. – Eles só são um pouco… – olhou pro decote. – Grandes.
-Mãe, eles são enormes! – Leonor foi óbvia em suas conclusões, arregalando até um pouco os olhos na situação. Fazendo as duas gargalharem e destruir o clima “eu falo e você escuta” presente no quarto.
-Ok. – respirou fundo tentando controlar as risadas e passou a mão no rosto, ao cruzar as pernas. – Mas como eu te disse, só eu percebo a diferença de tamanho. É normal, é fisiológico. Só que a nossa cabeça fica pensando mil e uma coisas e procurando defeitos onde não existem. Não são apenas mudanças físicas nessa época da puberdade, o nosso psicológico também muda, beleza?
-Beleza, mãe. – A garota suspirou aliviada com a conversa, sentindo os ombros baixarem, ficando ainda meio encolhida na cadeira. Embora fosse muito grata em poder conversar, perguntar e falar sobre qualquer coisa com a mãe. Era maravilhoso saber que as duas também eram amigas, além de mãe e filha.
-Querida, e sua menarca*? – A enfermeira escorou um dos cotovelos no joelho, achando brecha no assunto pra se apropriar de como andava a puberdade da filha mais nova. – A menstruação já desceu?
-Não. – Leonor balançou a cabeça, dando um impacto jornalístico à resposta e as duas riram. – Mas eu acho que não vai demorar, eu ando sentindo umas coisas esquisitas. Dores, principalmente.
-Esquisitas como? – mordeu a boca, bem atenta a garota a sua frente. – E dor onde?
-Eu ando meio brava e me irritando por qualquer coisa, eu fui uma chata com o àquele dia. – A menina mordeu a boca bem triste com a própria postura. – E eu estava no colégio hoje e senti uma dor meio esquisita perto da lombar, mas aí a Ash disse que podia ser cólica. Ela disse que com ela era assim bem no começo, depois que mudou e ficou mais bem embaixo na barriga. Como você chama mesmo? – A pergunta saiu debochada pelos termos médicos que a mãe usava e a mulher abriu a boca em um O perfeito.
-Baixo ventre, pirralha! – Um bicho de pelúcia voou e Leonor desviou, rindo alto com a indignação da mãe. – E sim, essas cólicas iniciais são bem difusas mesmo. Mas o nome desse sentimento demoníaco que faz a gente se embravecer com tudo é Tensão Pré-Menstrual, o que significa que sim, o fim está próximo. – fez a maior cara de morte, arrancando a melhor e mais espontânea gargalhada na filha. – Pode acontecer de os peitos incharem, ou a barriga, enjoo, dores e mais umas coisas bem desagradáveis, por causa da oscilação hormonal. Então você pode chorar por nada, matar um por nada, rir por tudo. Depende muito. – A mulher deu um sorriso trincado ao ver a cara transtornada da filha e soltou mais uma risada espontânea. – Você tá levando o absorvente pro colégio? Vai levar pra viagem? É como eu te disse, não dá pra prever quando vai descer, precisamos estar preparadas. Ok?
-Ok, tá tudo na bolsa, dona ! – Leonor bateu continência, fazendo a mãe sorrir largamente e mandar um beijo pra ela.
A garota respirou fundo e mordeu a boca, fazendo um desenho aleatório no joelho com a ponta do dedo, deixando confusa e preocupada. Se ela conhecia bem a filha, a moça queria dizer alguma coisa, ou até perguntar e ela ia esperar pela pergunta. Talvez fosse algum crush no colégio, alguém que ela gostava e estava querendo saber como prosseguir, como também poderia ser só mais um pedido pra que o irmão viajasse junto.
-Mãe? Lembra quando você disse que eu podia te contar tudo? – A pergunta saiu no tom completamente diferente, fazendo o coração de bater errado. Aquilo não tinha nada de problemas adolescentes, parecia algo bem maior.
A enfermeira engoliu a frustração, o medo do que estava por vir e mandou seu instinto materno calar a boca, aquilo não ia ser nada demais. No máximo, Leonor estava com alguma dúvida sobre qualquer coisa que tivessem falado no colégio.
-Claro que eu lembro! – Ela tentou não soar tão desesperada. – E você pode me contar tudo, sempre que quiser. Eu sou sua mãe, Leo, e acima de tudo, sua amiga. O que houve?
-Hoje nós ficamos sabendo que uma colega de sala está grávida… – A moça mordeu a boca e engoliu em seco, sabendo o quanto a garota iria ter que ralar e se virar dali pra frente. Ainda que os pais a apoiassem. – E a professora falou sobre gravidez na adolescência, tudo que você disse pra mim e pro aquele dia. Sobre como evitar e essas coisas. – Leonor amassou os dedos das mãos, assim como os lábios em uma linha fina.
-Sim, querida. – A mãe deu abertura pra que ela continuasse.
-E quando ela tocou no assunto de gravidez na adolescência…
-Automaticamente o assunto virou pra mim, eu sei. – A enfermeira riu baixo, sorrindo e mostrando que aquilo não tinha nada demais. Afinal não era segredo pra ninguém que tinha sido mãe tão cedo.
-Também, só que aí ela disse que estudos apontam que filhos de pais, que foram pais na adolescência tendem a ser pais tão cedo quanto. – Leonor tentou explicar, achando que tinha ficado confuso quando viu a careta horrenda da mãe. – E aí ela me chamou depois da aula e me deu isso. – A garota levantou da cadeira da escrivaninha e puxou a mochila do colégio no chão, tirando três pacotes de preservativos de lá.
Leonor mordeu a boca e estendeu as camisinhas pra mãe, vendo as expressões de ficarem ainda mais intensas. Piores do que quando ficaram depois de ter descoberto toda a mentira que Eliot tinha contado sobre a tatuagem.
-Ela fez o quê, Leonor? – sentiu a fúria subir a sua cabeça e se instalar por lá, assim como a quentura que subia mais e mais no pescoço.
Como raios uma professora de ensino médio fazia uma merda daquela, só por supor que seria um risco Leonor ser filha de pais que haviam sido pais na adolescência? Onde infernos aquela mulher tinha se formado? Era muita audácia.
-Onde raios ela fez isso, Leonor? – A fúria na voz da mãe se externou sem qualquer suavização, deixando a mulher tão inquieta ao ponto de levantar da cama, ou enfartaria de ódio.
-Ela me chamou na enfermaria, conversou sobre tudo que você já tinha conversado e me deu. – A garota rolou os olhos, mostrando que aquilo tinha sido o cúmulo. – Sinceramente, eu quase xinguei ela por causa disso, não é como se você fosse deixar a gente sem saber de nada. Qual é?!
A Mrs. respirou fundo ao passar os dedos pelos cabelos e soltou um grunhido frustrado, assustando levemente a filha. Ela sabia, sabia que em algum momento, um dos dois iria sofrer com a merda do preconceito em relação a sua gravidez na adolescência. só não esperava que fosse daquela forma e ainda mais expondo Leonor dentro de sala de aula com aquele cacete de conversa torta.
-Eu vou resolver isso, Leonor. – As expressões divertidas na mulher tinham sumido completamente, quando ela pegou os três pacotes na mão da filha, ainda de forma delicada. – Eu vou resolver isso amanhã mesmo no colégio. Você sabe o que foi isso?
-Uma extrema falta de respeito. – A garota respondeu astuta como sempre. – E eu recorri a Mrs. Barbier e ela me disse que iria tomar as providências, também pediu desculpas pelo acontecido.
-Isso foi uma atitude preconceituosa, Leo. Extremamente preconceituosa. – A mulher bufou ao tentar controlar a raiva e descansou a mão no peito, olhando com ainda mais ira para os pacotes de camisinha. – Se vista, tudo bem? Eu vou chamar seu pai pra irmos comer em qualquer lugar. Avisa ao . – deu um sorriso fechado e beijou a testa da filha antes de sair do quarto.
As pisadas duras quase afundavam a madeira que revestia o piso do corredor de cima da grande casa, enquanto a mulher só sentia a raiva subir ainda mais a cabeça, o pescoço ficar quente e a vontade de matar um, se apossar fortemente do seu peito. Ela abriu a porta do próprio quarto como em um estampido e sem pensar muito, jogou os três pacotes de camisinha em cima do marido que praticava alguma melodia bem concentrado ao violão. fez uma careta gigante ao sentir o pacotinho leve, mas que logo se transformou em um sorriso safado ao se dar conta de que eram camisinhas.
-Vamos usar todas essas hoje, anjo? – O violão foi deixado de lado quando o homem decidiu brincar até entender porque estava tão puta da cara.
A mulher bufou sem paciência para as piadinhas e passou as mãos pelos cabelos, andando de um lado pro outro dentro do quarto. Ele riu baixo e pegou os pacotes em cima da cama, não entendendo muito que marca era aquela já que os dois nunca tinham usado.
-Que marca é essa? É nova?
-É isso que a professora da tua filha anda entregando a ela! – gritou ainda mais possessa por ter que repassar toda a conversa anterior na cabeça, ainda sacudindo as mãos pra não surtar de vez na frente do marido confuso.
-Anjo, já entregaram pro . – tentou soar meio óbvio, ainda que analisasse o pacote. – Só realmente não conheço a marca… será que é boa?
-Eu não quero saber se essa merda é boa ou o caralho a quatro, . – Ela soltou imensamente indignada com a postura dele. Será possível que não entendia a gravidade da situação? Prontamente ele levantou as mãos em rendição, mas ainda prendendo uma risada nos lábios. – Nem me vem com proposta de merda porque eu não vou transar com você usando isso! Eu estou puta demais! – A mulher suspirou ainda mais pesado pra começar o pior assunto dali. – E não, eles não entregaram ao usando do pressuposto ridículo de que os pais dele foram pais na adolescência. ELA CONSTRANGEU MINHA FILHA, !
O berro esganiçado fez o cantor arregalar os olhos no susto, colocando o violão de lado pra tentar entender, ou argumentar com aquilo.
-Quê? Calma, como assim a gente entrou na história? Me explica o que aconteceu, anjo.
-Acontece que essa professorinha de merda. – arregalou bem os olhos, baixando levemente a postura pra mostrar toda a sua raiva acumulada. – Foi falar com a turma sobre gravidez na adolescência, porque uma colega da Leonor tá grávida. Tudo bem, até aí ok, eles precisam ser francos com os alunos e tentar ao máximo prevenir qualquer pratica arriscada. Mas como SEMPRE, a história cai pro nosso lado. – A mulher apontou para o próprio peito com os dois polegares. – Eu estou acostumada com isso já e nem me importo.
-Então por que você tá assim? – perguntou com um ar de riso. Por que ela ficava tão linda toda brava? – Ela disse algo com a Len?
-Ela veio com uma conversa que filhos de pais adolescentes tendem a ser pais durante a adolescência. Que era comprovado cientificamente. – O semblante de asco se fez presente na enfermeira. – VOCÊ ACHA QUE EU NÃO SEI DISSO? SÉRIO? EU? Ela disse tudo isso a Leonor e entregou preservativo a minha filha de 14 anos e apenas ela, em uma atitude bem preconceituosa sobre nós dois termos sido pais na adolescência! EU SOU ENFERMEIRA, . EU SEI MUITO BEM ESCLARECER E ORIENTAR MEUS FILHOS! – A mulher disse batendo no peito e se mostrando incrivelmente ofendida com aquilo.
-Eu sei, anjo! Você já até falou com eles sobre isso que eu sei. Calma! Você é incrível como mãe e ninguém pode negar. – O homem tentou apaziguar a situação, mesmo sabendo que seria complicado pelo nível de raiva da mulher. – Eu tenho certeza que não é o que eles acham, . – sorriu encantado.
-Mas foi o que ela fez!!!! Ela deu camisinha apenas a Leonor. APENAS A LEONOR! VOCÊ TEM NOÇÃO DISSO?
-Você é linda quando fica bravinha, sabia? Tão linda! – Ele abriu um sorriso apaixonado, sabendo que o comentário iria deixa-la ainda mais irritada, mas posteriormente faria um bico imenso e pediria por colo.
-Como é, ? – A fúria se carregou em uma frase simples, deixando-a estrondosa.
-Nada. Prossiga, meu amor. – Ele abriu um sorriso preguiçoso.
-Você tá deboche com a minha cara? – carregou um tom incrédulo.
-Claro que não, ! – A voz saiu firme e sincera, embora o homem mantivesse um sorriso apaixonado nos lábios.
-Então para de dizer que eu fico bonita quando estou puta! – Ela bufou irritada, vendo-o passar um zíper imaginário na boca.
-Eu concordo com você que foi errado. Mas não adianta ficar assim! – Ele esticou os braços e puxou-a de leve pela cintura, na intenção de conter tantos surtos.
-Foi preconceituoso! – O esganiço da enfermeira saiu bem ofendido, fazendo o marido rir e beija-la de leve na barriga, onde havia uma brecha entre a camiseta e o cós do moletom. – Eu estou ofendida!
-Anjo, nós fomos pais na adolescência, o preconceito é algo que sempre vai estar presente. – Ele deu mais um beijo casto na cintura dela, ouvindo a mulher suspirar.
-Ninguém pagou o leite deles, foi você. Então ninguém tem direito de tá enfiando o nariz na criação dos nossos filhos! Imagina se vira hobby daquelas cheerleaders, importunar a Leonor porque a mãe dela engravidou aos 17. – A metralhadora giratória, mais conhecida como , havia desatado a falar tudo de uma vez, desencadeando em a maior vontade de rir, contida pelos beijos que ele dava vagarosamente na barriga dela. – Ah meu bem, eu me matriculo nesse colégio pra resolver isso! – Ela bufou ainda irritada e ganhou mais um beijo divertido, que fez seu corpo inteiro arrepiar. – Eu estou com raiva! Você não entende? – A manha na mulher já estava vencendo toda a ira. – E eu não vou dar pra você!
piscou fingindo incredulidade com o afronte dela e levantou a cabeça, encarando bem a esposa que já tinha melhorado bastante do quesito raiva e ira.
-E eu só te faço carinho quando quero transar? – soltou meio indignado e finalmente ouviu a gargalhada mais espontânea da esposa, enquanto ela negava com um aceno de cabeça. – Então vem cá. – O homem abriu os braços pra ela, incentivando-a a sentar em seu colo.
-Por quê?
-Por que eu estou pedindo. Eu quero um abraço! – manteve os braços abertos e sentiu seu corpo ser esmagado por um abraço de urso, um daqueles que pedia por socorro e veio acompanhado por um punhado de lágrimas teimosas que desceram silenciosas nas bochechas de . – Hey, hey, anjo, não. – Ele passou os polegares pelas bochechas dela, sabendo que aquilo era uma mistura de raiva, frustração e até medo. – Você tá assim por causa da Leonor ou por sua causa?
-Por causa dela, claro! – fungou ao controlar as lagrimas teimosas, ainda que sua voz estivesse chorosa.
-Certeza que foi por ela? – O homem suspirou, beijando a esposa na lateral da cabeça e em resposta, recebeu um aceno negativo.
-Não quero ser motivo pra os meus filhos sofrerem essas coisas. – A mulher continuou com a palavra firme, mesmo que soubesse que nada daquilo estava relacionado apenas a Leonor. – Então eu estou assim por mim, não por ela. – Um suspiro pesado fez seu marido lhe abraçar com força.
-Sabia! , presta atenção em mim, tá? – O cantor pediu ao segurar de leve o rosto dela com uma das mãos. – Os nossos filhos nos conhecem. Eles sabem a nossa história, tudo que aconteceu e como a gente passou por tudo da melhor maneira que conseguimos. A gente sempre foi tão aberto com eles, que eu acho que isso preparou os dois pra lidar com essas situações e você não vai ser o motivo de eles passarem por isso, são as pessoas que não entendem que não devem se meter na vida dos outros. Porque, infelizmente, não tem como blindar eles de qualquer coisa. E você sabe que, se tivesse como, eu faria isso. – Um sorriso bonito escapou entre os lábios dele, fazendo-a suspirar em concordância.
-Eu sei que você faria de tudo pra blindar os meninos disso. – verbalizou e abraçou o marido com força, escondendo o rosto no pescoço dele. Ganhando um abraço tão maravilhoso quanto em troca.
-Você é incrível, não esquece disso. – O Mr. piscou ao tocar a ponta do nariz dela com uma delicadeza sem tamanho. – Como mulher, como profissional e especialmente como mãe, todo mundo que te conhece, sabe disso. E a Len tá seguindo o seu exemplo, por mais que seja duro e eu não queira admitir, a Leonor tá se tornando uma mulher incrível por seu exemplo. – abriu um sorriso orgulhoso e logo sentiu quando os lábios macios dela chocaram-se aos seus em um beijo carinhoso.
-Eu te amo, sabia? – Ela sorriu contente, fazendo carinho no rosto dele com uma das mãos, à medida que analisava cada pintinha e ruga que havia aparecido por ali.
-Não mais do que eu te amo. – sorriu de forma semelhante, passando o polegar pela bochecha avermelhada da esposa. – Demais! – Ele umedeceu os lábios, beijando-a mais uma vez com a maior ternura que poderia existir entre os dois.
-A gente deveria ir comer em algum lugar. – A enfermeira disse ainda de olhos fechados, mordendo os próprios lábios pela sensação gostosa que os lábios dele tinham deixado nos seus e sentindo enfiar o rosto em seu pescoço pra abafar uma gargalhada espontânea e gostosa pelo pedido.

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Após três horas de uma das viagens mais divertidas e instantâneas que aquela família já tinha feito, os quatro haviam chegado em um simpático restaurante situado na saída de Trois-Rivières e que havia trabalho durante bons tempos na adolescência e antes que a banda fosse um sucesso mundial. O designe do lugar era inspirado nos maiores restaurantes dos anos 80, com um grande balcão varando a entrada da cozinha, algumas mesinhas quadradas espalhadas pelo salão e várias cabines acopladas na parede. Leonor com certeza diria que aquele lugar era o próprio Pop’s, afinal se uma parte de Riverdale tinha sido gravada no Canadá, o Rob’s poderia realmente ser o Pop’s.
Eles estavam divididos por bancos, e abraçados como velhos namorados em um dos lados da cabine, enquanto os filhos estavam do outro, entretidos mexendo no celular do pai enquanto o poutini esfriava em cima da mesa. O som que rodava no ambiente era uns dos mais atuais, Ed Sheeran era uma escolha e tanto para acalmar os corações ali e à medida que cantarolava a letra de Thinking out loud, apreciava a voz doce da esposa, de olhos fechados.
-Eu adoro esse lugar! – Ela interrompeu a própria cantoria, olhando pra tudo a sua volta.
-Só faltava você vir toda com roupa de bolinha! – Eliot zoou a mãe na maior cara de pau, ouvindo as gargalhadas escandalosas da irmã ressoar dentro da lanchonete que estava quase fechada. O homem arregalou os olhos ao imaginar a esposa praticamente como uma garçonete e ao tentar prender a risada, engasgou com o refrigerante, sentindo a ardência que ele causava ao sair espirrando pelas narinas.
-Sem morrer! – gritou rindo na mesma intensidade e deu um tapa nas costas do cantor, mas logo se afastou por nojo de todo a coca saindo pelo nariz.
-Tá escorrendo pelo nariz! – Leonor gritou enquanto mirava a câmera do celular, com certeza a pequena demônia estava filmando aquilo para alguma rede social.
-Vem cá! Me beija! – pediu a ao se recuperar do engasgo, jogando a postura toda pra cima dela, vendo a careta de nojo da mulher se engrandecer.
-Sai daqui! – Ela riu alto mais uma vez. – Os meninos estão vendo! – A enfermeira apontou na intenção de que ele parasse com aquilo.
-A gente tá filmando! – filho riu ao se apoiar do lado da irmã, capturando melhor a tela do celular com os olhos.
-Está tudo no seu Instagram! – Leonor completou a frase com um sorriso malvado, enquanto o pai ainda tentava beijar , sendo frustrado pela cara de nojo da mulher. Era óbvio que ela não ia beijar ele todo melecado daquele jeito, sem chance!
-Leonor! – tentou ralhar, mas saiu esganiçado demais ao passo que olhava pra seu celular, sentindo o rosto ser puxado com delicadeza pela esposa.
-Eles tão filmando, deixa eu te limpar! – Ela sorriu com ternura, usando um dos lenços de papel, para limpar o nariz dele. Seu marido parecia uma criança de, no máximo, cinco anos quando o assunto era brincar com os filhos.
-Me beeeeeeeeeija! – gritou mais uma vez, agarrando a mulher de uma vez só pra fazer pirraça e ouviu o grito exagerado dela no susto. Ele estava ficando doido? NÃO SE AGARRAVA NINGUÉM DAQUELE JEITO NA FRENTE DOS FILHOS!
-SAI, CAPETA! – Ela gritou de volta rindo e ouviu as gargalhadas serem geral na mesa em que estavam, ainda que desse graças a Deus pelo casal de filhos terem largado o celular. O homem sorriu com a gentileza da esposa e a beijou carinhosamente, apenas um selinho nos lábios pra não perder o costume, mas em troca, ouviu reclamações de nojo por parte dos seus dois adolescentes zoeiros.
-EW!
-Calados! – A mulher reclamou e enfiou uma garfada gigante de poutini na boca, parecendo uma criança pequena.
-Vocês acreditam em cegonha, por acaso? – O cantor rolou os olhos em um tédio mais do que fingido, vendo os filhos cara de pau darem de ombros.
-Eu preferia acreditar! – Eliot soltou um berro estridente dentro do pequeno restaurante, fazendo os pais e a irmã rirem tão alto quanto. – Que ela errou o endereço e foi parar na casa da vovó!
-É… Não foi bem assim. – pai deu uma grande mordida no sanduíche, enchendo a boca pra dar aquele assunto por encerrado, ou seriam horas de zoação!
-Mudando de assunto! – instigou rindo e apontou pra sua garotinha que estava tão crescida ao ponto de receber camisinhas no colégio. – Vamos comer e falar da Inglaterra!
-Sem chance do ir junto? – A mocinha voltou a insistir contra o castigo do irmão, fazendo um dos seus maiores bicos pidões. Ela era mesmo filha de , não tinha condições!
-Próxima pergunta! – O Mr. riu.
-Sem chance, Leo! Mas me diz o que você vai falar pro McFLY! – Eliot concordou com o castigo merecido e escorou o cotovelo na mesa, vendo a irmã mais nova brilhar como uma estrela.
-Na verdade, ainda não sei. Eu estou meio nervosa porque é tanta coisa ao mesmo tempo, acho que o inglês vai fugir e eu vou me embolar toda! – A menina soltou uma risada meio nervosa só pensar na vergonha grande e ouviu os pais rirem um tanto encantados com ela. Óbvio que presenciava aquele tipo de confusão de idiomas de forma frequente, mas era tão novo estar por trás dos bastidores.
-Provavelmente você vai paralisar quando ver o Danny, ou é Dougie? – abriu um sorriso animado e compreensivo, vendo a filha rir meio nervosa. – É sempre assim, mas eles são sempre uns amores com os fãs. Qualquer banda que se preze, vai tratar os fãs com respeito! – A mulher piscou em uma tentativa de conforto.
-Danny! – A garota confirmou quem era seu fave na banda.
-Somos mesmo! – O vocalista do Simple Plan piscou para a esposa como se ela direcionasse a frase apenas a ele.
-Eu falo dos ingleses! – A enfermeira piscou de forma afrontosa, ouvindo os três rirem divertidos. – Vai ser lindo, Leo. Você vai ver! – A mulher lançou um sorriso orgulhoso pra ela, beijando a bochecha do marido em seguida. – Uma foto? – fez um bico de súplica.
-Vocês ouviram a mama. – O mais velho avisou as suas crias, vendo-os se juntarem nos bancos. Ele abraçou a esposa pelos ombros como se os dois não passassem de dois namorados e os quatro fizeram caretas engraçadas para o momento registrado por Eliot.

Chapter Thirteen

London, England. 10 am.
A garota sentia o coração quase sair pela boca sempre que pensava que em alguns minutos, talvez uma hora, estaria conhecendo seus maiores ídolos e não podia aguentar o tanto que seu coração batia rápido, as mãos suavam e o estômago embrulhava só em pensar em comida, mesmo sabendo que seu pai tentaria enfiar meio restaurante goela abaixo. Seu e seus exageros. Ela respirou fundo ao olhar no espelho a camiseta que gritava a banda e, por segundos, se perguntou se algum dia sentiria aquilo tudo por um garoto, embora ansiasse que não, já que o McFLY tinha alcançado níveis altíssimos em sua vida.
Será que as garotas também ficavam daquele jeito pra ver o pai dela? Leonor fez uma careta só de imaginar que sim, sabendo que não gostava muito daquilo, principalmente porque a única que deveria morrer de amores por seu pai, era a sua mãe.
-Len? – O chamado do pai a fez acordar dos devaneios. – Já acabou, querida? Nós precisamos descer pra comer, avisar a sua mãe que chegamos bem e andar um pouco por aí! – O homem declarou o motivo de estar tão apressado, ouvindo a garota rir baixo.
-Já terminei sim! – Ela respirou fundo. – Estava só arrumando o cabelo. – Leonor sacudiu os cachos abertos e abriu a porta do banheiro com o maior sorriso trincado que conseguia. – Pai, a gente vai comprar a tinta em gel né? Deixa, deixa, deixa!
-Tinta em gel, Len? – O homem soltou uma risada alta ao pegar a carteira na mesinha. – Você já não tem tanta coisa lá em casa? Sua mãe me disse que sua última mesada foi toda na papelaria.
-Pra o cabelo! – A garota esganiçou com os grandes olhos claros arregalados, vendo o pai quase engasgar com aquela história de pintar o cabelo.
-Pintar o cabelo? O quê? – sentiu a nuca suar só em pensar na possibilidade. Leonor estava doida, só poderia.
Ela era nova demais pra fazer certas merdas na aparência das quais iria se arrepender depois, embora a garota o olhasse com a maior expressão de obviedade possível em uma adolescente. Onde já se viu? Pintar o cabelo com alguém que não fosse da confiança de sua mãe era a mais pura tolice.
-Dad, sai com água. – Ela piscou os olhos meio incrédula com a cara de pânico de . – É só pra eu fazer mechas nos cabelos. Sabe… a música… 5 colours. Da garota que tinha cinco cores no cabelo e depois raspou tudo. – Leonor arregalou de leve os olhos querendo mostrar que a intenção era apenas figurar algo importante pra ela e a banda, assim como várias garotas faziam pelo Simple Plan, permitindo que o homem suspirasse aliviado. – Referências… Você sabe! As pessoas também fazem isso quando vão ver o Simple Plan, pedem até que vocês escrevam alguma coisa pra ela tatuarem.
-Eu sei, Len. Eu sei! – suspirou se dando por vencido e até um pouco derrotado com o pedido. Ele sabia que não tinha nada demais em a filha se apegar a uma banda, mesmo que não fosse a dele. – Vem, vamos comer e depois a gente vai comprar sua tinta! – O homem sorriu estendendo a mão pra adolescente de quase 15 anos e viu sua garotinha se agitar em animação, o abraçando com força pela cintura.
Aquele sim era o melhor sentimento que poderia esperar, ver sua filha animada, eufórica e emocionada em poder ir a um show que tanto queria. Era como estar do outro lado de toda aquela loucura que movia a sua vida, ele não era mais o foco dali, agora ele era o pai que precisaria aprender a conter as próprias emoções e instintos protetores para com a mocinha que estava mais independente do que ele queria acreditar que estaria. beijou a cabeça de Leonor e abraçados os dois saíram do quarto, enquanto a menina já levava várias sacolas com presentes para os seus ídolos.
Para Leonor era a realização do seu maior sonho atual, ela nem poderia acreditar que tinha mesmo conseguido a oportunidade de ir a um show do McFLY depois de tanto tempo com a banda parada e em projetos paralelos. Tudo bem que eles não trariam músicas novas, mas só em poder ouvir todos os álbuns ao vivo, a fazia ficar mais viva do que nunca. Era a ansiedade gostosa de saber que iria poder cantar suas músicas preferidas junto com os caras que tinham escrito e, se ela desse sorte, talvez conseguisse até uma foto. Sem depender do pai, óbvio! Aquele era o dia em que ela iria ser fangirl e não queria qualquer privilégio que a fizesse parecer diferente dos fãs que estavam ali do mesmo jeito que ela. Por mais que metade do mundo conhecesse seu pai, ela sabia que ele não ia atrapalhar seu momento de ser uma adolescente normal conhecendo várias pessoas, que também gostavam das mesmas coisas que ela. Mesmo sabendo que o Mr. não ia ser fácil no início, mas nada que sua mãe não resolvesse.
O restaurante do hotel servia várias coisas incrivelmente diferentes para o café da manhã, tudo que a garota já tinha pesquisado e posto em seu itinerário de viagem mais completo do mundo. O caderninho vermelho escuro estava sempre com Leonor, mostrando que ela iria aproveitar aqueles 4 dias ao máximo que pudesse, principalmente com os shows que estavam por vir.
-O que você vai querer, princesa? – perguntou enquanto olhava o cardápio e percebeu a garota inquieta pra acomodar tudo perto. – Quer ajuda?
-Não, não! Deu certo aqui! – A mocinha sorriu e puxou a cadeira, sentando em seguida. – E eu quero um tradicional english breakfast. – Ela carregou no sotaque, fazendo o pai babão rir alto.
-Tem certeza, Len? Você já viu o tamanho do café inglês e o que vem nele? – O homem duvidou como se a garota fosse apenas uma criança movida pelo impulso.
-Claro que eu tenho certeza, pai. – Ela soltou uma risada anasalada. – Eu sei bem o que vem no pedido, feijão, ovo, torradas, linguiça e mais uma porção de coisas incomuns. Só que eu quero viver a visita em Londres até o último minuto, quero fazer tudo que eu já tive vontade e pesquisei. – A garota abriu um sorriso bonito, mostrando ao pai que ela tinha completa convicção do que queria.
-Sendo assim, eu vou te acompanhar! – O homem largou o cardápio, sorrindo orgulhoso pra sua menina que nem era mais uma menina, vendo que a garçonete se aproximava para registrar os pedidos.
-Bom dia! Quais serão os pedidos? – O sotaque inglês característico ressoou da boca da loira, fazendo Leonor sorrir imensamente animada por entender cada palavrinha que a mulher tinha perguntado. A moça tomou fôlego pra responder e o pai, ao ver aquilo, deixou que ela tomasse as rédeas da situação.
Two english breakfast, please! – A moça sorriu ao perceber que não tinha sido tão complicado sair da sua zona de conforto.
Diferentemente do que todos pensavam, a família não era muito adepta a usar o idioma inglês quando estavam em casa, principalmente quando a língua mãe de sua província natal era o francês, deixando-os imersos no idioma. E justamente por isso, Leonor e o irmão não utilizavam tanto o idioma inglês, deixando a moça um pouco nervosa quando precisava colocá-lo em prática.
A garçonete afirmou com um sorriso e logo se aproximou do balcão.
-E esse inglês? – A pergunta de pai veio divertida e orgulhosa ao mesmo tempo, fazendo a moça inflar o peito.
-Tenho várias cartas na manga, papai! – Leonor riu e piscou, ganhando um beijo apertado na mão. – Só tenho medo de ele travar se eu conseguir ver os meninos! – Ela arregalou de leve os olhos, pronta pra exteriorizar toda a sua ansiedade acumulada. – Eu não quero passar vergonha e travar, sabe? Sem falar que às vezes nem eu entendo quando eu começo falar rápido!
O homem soltou uma risada divertida, vendo uma fangirl nervosa no lugar da filha. Quando sua menininha tinha crescido tanto? Quando ela tinha começado a se apegar tanto a pessoas com a vida pública igual a sua?
-Não ri de mim! – A garota arregalou ainda mais os olhos. – É isso que você faz com as suas fãs?
-Claro que não, Len! – riu ainda um pouco esganiçado. – A gente tenta consolar, ou não dá pra entender nada!
-Pois então! – Ela sacudiu a cabeça da forma mais óbvia. – Me apoie! Eu estou nervosa, porque eu não sei exatamente se vou conseguir encontrar os quatro fora do O2 Forum, já que eles moram nos arredores daqui e provavelmente só vão direto para o local do show. – Leonor mordeu a boca até meio frustrada com as informações que não estavam lhe dando muita esperança. – Eu preciso entregar os presentes!
-Você trouxe presentes? – A expressão do pai estava mais pra um quase queixo no chão, principalmente ao ver o balançado de cabeça óbvio da filha.
-Claro que sim, papa. Na verdade, eu fiz! Fiz quatro desenhos sobre os quatro e eu espero muito que eles gostem, porque, definitivamente, foi o meu melhor trabalho nesses anos desenhando. Então, eu estou bem ansiosa pra conhecer eles, falar tudo que eu tenho pra falar e tirar várias fotos. Meu deus! Imagina se eu também consigo ver os filhinhos deles? Pai, eu vou surtar! Uma moça brasileira estava hospedada em Glasgow e ficou no mesmo hotel que eles, conseguiu conversar bastante e ainda brincou um pouco com a Lola!
-Leonor, calma! – O homem arregalou os olhos com a metralhadora giratória que a filha tinha virado, atropelando todas as palavras em francês. Os dois riram. – Vamos por partes! – Ele levantou as mãos em rendição, ainda que a ponta de ciúmes ficasse ainda maior com toda aquela atenção que a menina dava aos ídolos. Não fazia mal se ela pagasse pau pro Simple Plan, fazia? – Primeiro, eu posso ver os tais presentes? – A voz de se carregou em ciúmes, por mais que ele quisesse disfarçar.
-Não! – Ela suspirou e sorriu ao ver a garçonete se aproximar com a bandeja, soltando um sonoro “merci beaucoup” ao ter o prato colocado em sua frente. arqueou de leve a sobrancelha e a garota impactou um pouco na expressão. – Desculpa, obrigada! – Leonor riu com a confusão de idiomas, arrancando um sorriso divertido da moça que servia. agradeceu com um sorriso fechado e logo foi deixado a sós novamente com a filha.
-Por que eu não posso ver? – O assunto se voltou novamente ao McFLY.
-Porque tá tudo embrulhado e eu quero que os quatro abram. – Leonor falou meio despercebida, sem saber que tinha quase enfiado uma adaga no peito do pai. – Nossa o cheiro está incrível, preciso postar nos stories! – O gritinho dela fez o homem rir e também pegar o celular, desencadeando no mais velho o mesmo reflexo, mas de fotografa-la e espalhar em suas redes sociais. – Você tirou foto minha? – O gritinho veio acompanhado de uma risada.
-Minha menininha estava tão entretida que não resisti! – O Mr. disse rindo e mostrando a foto. – Posso postar? – O respeito se fez presente com uma pergunta tão simples, mas que significava muito dentro daquela família.
-Pode sim! – A moça sorriu agitada e logo começou a comer, ouvindo as recomendações do pai sobre não colocar os filhos de Tom e Harry no colo, ou tirar foto com as crianças, ou brincar como se elas fossem o Alex, sem pedir permissão antes. Ele entendia bem a proteção e o respeito que o rondava quando se colocava em jogo os fãs e a família, não querendo que Leonor ultrapassasse qualquer limite daqueles.

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Montreal, Canadá. 1 pm.
entrou no corredor vazio do Green Park High School, pisando firme a cada passada e pronta pra tirar toda aquela história que havia constrangido Leonor a limpo. Desde o dia anterior, a mulher tinha marcado uma hora com os tais professores de biologia, ansiando profundamente que a tal professorinha não fosse com aquela história preconceituosa pra cima dela, pois ela seria colocada no seu lugar. De onde já se viu? Um educador tinha o papel de orientar seus alunos, não os segregar pela configuração familiar.
Ela suspirou um pouco frustrada com aquela bagunça toda e educadamente bateu na porta da sala dos professores, sendo recepcionada por um homem simpático que não parecia ser mais velho do que ela.
-Bom dia, eu sou a mãe de e Leonor e gostaria de falar com a Srtª. Tatuine. – A estomaterapeuta se apresentou calmamente.
-Bom dia, Mrs. . Eu me chamo Peter Benoit e também sou professor de biologia dos seus filhos. – Ele se apresentou com um sorriso de conforto, convidando-a para entrar na sala e assim, tentar conversar com mais calma sobre o acontecido. – Sente, por favor.
O homem mostrou o sofá escuro da pequena sala. sorriu agradecida e fez o que ele pedia, ainda que soubesse que ela não daria uma palavra com a professora, principalmente quando o colégio queria preservar ao máximo os ânimos e com certeza, já tinha advertido da melhor forma.
-Aceita um café? – A pergunta veio educada, fazendo-a afirmar com um aceno.
-Obrigada! – A mulher sorriu mais calma, até, agradecendo pelo pouco de conforto que seria transmitido no café.
Peter sorriu e sentou no outro sofá, lateral ao que ela estava sentada, pronto pra conversar sobre o ocorrido e pedir as mais sinceras desculpas, já que ele era coordenador da matéria de Biologia e, consequentemente, respondia por todos os professores que lecionassem os conteúdos pertinentes.

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fez uma leve careta pelo sol fechado que rondava a cidade naquele belo dia frio e respirou fundo, sentindo sua vida valer mais um pouco a pena só por estar livre de carros aquele dia. Tinha resolvido de vez o problema sobre as camisinhas, em que o Mr. Benoit havia prometido não acontecer mais de forma segregada, ainda convidando-a pra conversar sobre com os alunos. Se era enfermeira, iria dar um show de conhecimento com as turmas do High School.
Além de ter conseguido sequestrar o filho das aulas de meio dia para almoçar com ela, fazia tempo que a mulher não tinha tido um tempo como aquele para conversar sobre qualquer coisa e tentar puxar algumas informações sobre a vida do Eliot. Não que ele fosse fechado com a mãe, mas o fato de ser um rapaz, lhe deixava meio constrangido com certos assuntos, o que era completamente diferente quando Leonor entrava em cena, a moça era extremamente aberta e conseguia envergonhar até o babão do pai.
Ela suspirou contente ao balançar a pequena bolsa na mão, decidiu mandar uma mensagem pra .
: preciso comprar um sofá novo. Me ajuda?
Mrs. : Claro que ajudo! Mas o que diabos vocês fizeram com o sofá, ?
: Os meninos pularam em cima da gente! Credo, !
Mrs. : Não sei se acredito nessa mentira, mas posso tentar! Me manda sua localização que chego em alguns minutos!
riu com o afronte em forma de mensagem e após mandar alguns emojis com beijinhos, enviou a localização para a irmã, sabendo que as duas teriam um bom pedaço da tarde pra jogar conversa fora e fazer algumas compras até que a enfermeira precisasse ir fazer uma visita domiciliar a um paciente colostomizado. Ela mordeu levemente a boca e ao perceber que o fuso horário na Inglaterra era de uma diferença de cinco horas, decidiu ligar para o marido na intenção de saber como estavam sendo as experiências de Leonor, além das milhões de fotos que já tinha recebido aquele dia.
-Boa tarde, fanboy! – A voz zoeira da enfermeira ressoou até animada ao ouvir a respiração do marido e logo uma gargalhada estrondosa.
Oi, anjo! – A voz empolgada a vez sorrir como boba no meio das ruas geladas de Montreal, enquanto o baque seco do salto da bota ressoava junto aos sons dos carros.
-E aí? Como estão? Já comeram? – Ela disparou as perguntas mais maternais, ouvindo o marido rir largamente. – Já estou morrendo de saudade!
OLHA A MAMÃE DEDICADA! – O gritinho esganiçado de a fez rir abertamente, enquanto se acomodava perto de um dos pontos de fogueira protegida da cidade. Se ela ia ficar de papo no telefone, que fosse ao menos perto de um ponto quente. – E nós chegamos bem, mas era madrugada aí e não quis te acordar. – O homem soltou uma risada breve. – No mais, deu tudo certo, Len dormiu a viagem toda, então nós largamos as coisas todas no hotel, comemos um famoso café inglês e agora estamos na O2 Forum.
soltou uma risada divertida com a menção do café inglês, só em lembrar o quanto Leonor estava ansiosa para curtir tudo aquilo, lhe dando uma certa invejinha branca de não poder estar compartilhando daquele momento com o marido.
-Eu acabei de almoçar com o ! Sequestrei ele da aula e fomos ao Fritatta. Talvez você encontre fotos minhas com um rapaz bonito por aí! – brincou, ainda que um sorriso de saudade brincasse em seus lábios.
É só eu dar um passo e já tem desocupado em cima? – A voz fracamente embravecida de a fez rir alto, sabendo que ele tinha entrado gloriosamente na brincadeira.
-Ele parece com você! Não resisti! – fez um bico fingido, ouvindo o marido bufar. – Mas espera! VOCÊS JÁ ENTRARAM? Por que você não me mandou foto da Leo conhecendo os meninos? Eu te pedi isso, pedi que você filmasse! – A mulher soltou bem frustrada com o que tinha entendido.
Ela ainda não conheceu! – O homem soltou um esganiço desafinado pra tentar parar o desespero de . – A gente tá atrás da O2 Forum Kentish Town, do lado de fora, esperando…
-Quem te viu, quem te vê, ! – A mulher soltou uma risada encantadinha por o marido estar no lugar de muitos pais que já haviam passado por aquilo pelos filhos. – Me conta! Como ela está? Nervosa? Ansiosa? Já fez amizades? Não ficaram no seu pé, né? Me diz que minha filha ainda é uma anônima!
Sua filha é uma anônima surtada. soltou um suspiro meio enciumado com aquele surto todo. –É sério, amor, essa menina vai ter uma síncope até o fim da viagem! Capaz de pedir que eu poste tudo no Instagram!
-E você vai! Quero muitos stories, eu vi o de vocês comendo e ela pintando o cabelo no meio da rua. – A mulher soltou um gritinho, mostrando o quão a filha parecia com ela na loucura de fangirl. – Ela estava mega ansiosa pra fazer referência a música e eu achei genial a pintura no cabelo, espero que eles também liguem a isso e não frustrem minha filha. – A careta dos dois foi quase sincronizada em pensar que sim, aquilo poderia acontecer.
Eu mato, se fizerem isso. – A frase do papai protetor atingiu a mulher da forma mais engraçada, fazendo-a gargalhar com aquela história. Jura mesmo que o cantor relapso iria virar um papai protetor e ciumento? lhe matava de rir.
-Bem menos! Maior parte do tempo, você não é um pai protetor, você é o vocalista desligado. Cadê ela? – O riso frouxo surgiu junto ao grunhido de reclamação dele.
É… Ela tá conversando com um grupo de Galaxy Defenders, é isso? – A risada veio divertida sobre o nome do fandom, ouvindo a esposa afirmar. – Já fez umas dez amizades, marcaram de sair amanhã de manhã e ir ao Madame Tussauds e ainda descobriu que parte do grupo tá hospedado no hotel que estamos. declarou exatamente animado por a facilidade de comunicação da filha, ouvindo um gritinho orgulhoso do outro lado da linha.
-O que é ótimo. Me deixa imensamente feliz! Mas o boné te escondeu bem? – O questionamento arrancou mais uma baforada desgostosa de ar e se conhecia bem o marido, sabia que ele estava extremamente desgostoso por uma possível e mais do que provável, falta de atenção para com ele. Embora ela estivesse ainda mais feliz e encantada com o fato de Leonor estar se misturando como uma adolescente normal e anônima.
Escondeu, escondeu. Ninguém tá nem aí pra mim. Literalmente ninguém!
Ai meu Deus, ele estava com ciúme??
-Você não é um McGuy, ! – Ela tentou manter a voz normal, mesmo querendo rir com a cena que ele fazia. – E se serve de consolo, eu estou totalmente aí pra você, vocalista pulador!
Mas eu sou um SPGuy! – A frase em tom de ofensa a fez soltar a gargalhada que estava presa, tendo a mais plena certeza que estava rolando os olhos mais que tudo do outro lado da linha. – E você é minha mulher, é obrigação sua surtar por mim!
-Claro que não! Eu posso ser fangirl de quem eu quiser! – Outro resmungo de desgosto foi ouvindo ao fim da frase. – Amor? – perguntou enquanto prendia uma gargalhada com a provável cara de bunda que ele estava.
Hm?
-Você tá com ciúme?
Eu? Não, claro que não!
O tom da defensiva demais a fez rir ainda mais alto, tirando suas próprias conclusões que sim! Ele estava mortinho de ciúme.
-Você tá se mordendo de ciúme. Você tá com ciúmes porque a Leo só fala do McFLY!
Isso é desnecessário, ! – Ele tentou contornar a situação e manter o porte de homem sério, mesmo sabendo que estava tudo perdido naquela vida.
-O seu ciúme? Concordo! – Ela se manifestou lindamente com o deboche. – Ela te mostrou os presentes?
Ela só me disse que fez uns presentes, mas não posso ver. Tem cabimento isso? Ela nunca reagiu assim pela gente, anjo. Ela tem presentes. Presentes secretos! suspirou. – Que eu estou segurando, inclusive, porque ela jogou em minhas mãos e não pediu de volta.
-Tá embrulhado! Ela quer que eles abram os presentes, é uma emoção muito gostosa de vivenciar. Você abre vários presentes, ganha abraços e beijos! – O tom usado pela enfermeira foi de completa obviedade, enquanto ela se aproximava ainda mais da fogueira protegida no centro de Montreal.
Não da Len! – O esganiço a fez rir ainda mais.
-Porque ela é sua filha! – soou até meio indignada com aquela conversa. só poderia estar muito chapado pra estar tão carente de atenção. – Ela te dá presente em datas comemorativas. Não dá pra ela ser fangirl do pai, é completamente sem cabimento. Ela tem um crush imenso no McFLY, seria imensamente esquisito se você com vocês! – A mulher decidiu ser dura e cortar logo aquela manha pela raiz, antes que atrapalhasse o show da menina. – Você é o pai dela, não é o cara que ela prega pôsteres na parede e sonha em conhecer!
Um tiro doeria menos, ! – A voz do homem voltou a ficar firme e ela sorriu vitoriosa em conseguir o efeito desejado. A enfermeira conhecia o marido bem demais pra saber quando ele precisava de uma prensa, e aquela era uma delas.
-Amor, ela não tem mais quatro anos! Você ainda é o herói dela, o ídolo. Só que de um jeito diferente! – O homem bufou com o que havia escutado e sabia exatamente onde ela queria chegar.
Por que raios, precisava ser tão realista com ele? Dar-lhe uma tapa na cara era bem mais fácil do que precisar ouvir que sua menininha estava crescendo e nutria sentimentos por outras bandas. O mundo era cruel e àquele ponto, até sua mulher estava sendo!
-Você lembra do Timberlake?
A pequena pergunta fez o homem soltar um grunhido indignado com aquela história. De novo, diga-se de passagem. não já tinha superado a tal boyband? E o pior, quando ele decidiu pintar o cabelo igual ao do tal Timberlake, ganhou um “ridículo” na cara. Sério mesmo que ela ia entrar no assunto?
Ah não! Me recuso a comparar os dois, , me recuso!
-O primeiro crush a gente nunca esquece! – Ela só poderia estar de brincadeira com aquela sacanagem. – É isso, ela tem uma queda pelo Danny. E veja pelo lado bom, ao menos ele é bonito pra caramba.
Você paga pau pra mim, shiu! – Os dois riram alto com o afronte.
-Pago uma serraria inteira, mas temos que admitir que o cara é bonito e o crush da sua filha!
não estava vendo, mas tinha certeza que um sorriso superior dançava nos lábios da esposa. Afinal, ela perdia o marido, mas não perdia a piada. Mulher zoeira era foda.
-Ele não é o crush dela! – O esganiço que o homem soltou saiu até desafinado com aquela droga de história. – Leonor é uma criança pra ter crush em um marmanjo, !
-Você é um marmanjo que alimenta crushes de várias crianças, !
Por que eu nunca ganho uma discussão com você? – A pergunta veio exausta, embora mostrasse que sim, ele concordava com ela que estava na hora de controlar tanto ciúme sem sentido ou iria estragar a viagem da filha. E a última coisa que ele queria, era acabar com aquele encanto que já tinha visto inúmeras vezes nos olhos de outras garotas, mas nunca nos da filha.
-Porque eu sou sua mulher! – A resposta veio astuta, o fazendo rir espontaneamente. – Já decidiram onde ficar na hora do show? – Ela perguntou controlando a risada e finalmente ouviu um suspiro feliz.
Na grade, ao menos isso tá dando certo! – Ele disse contente.
-Graças a Deus! – A mulher suspirou aliviada, mas tomando fôlego para dar certas instruções a ele. – Não prende ela, não prende! Solta a Leo, é o primeiro show grande da vida dela que não é o pai quem está cantando, ela precisa de espaço, porque ela vai chorar e não é pouco! Ela vai gritar, vai chorar e vai ser uma garota surtando por quatro carinhas. Por favor, não infarta! – O grunhido de dor veio como resposta. – Yeeey, papai entendeu o que é ser pai de uma fangirl! Você vai pedir foto com os meninos do McFLY, né?
Já não basta a Len? – O homem soltou uma risada com a empolgação dela, sabendo que a diplomacia não ficaria de lado. Afinal era sempre muito bom encontrar outras bandas, ouvir outros estilos, músicas e viver a emoção de um show diferente dos seus, aquilo inspirava a níveis altíssimos. – Ela vai ter dezenas!
-Não, porque a gente gosta da diplomacia. – foi curta e grossa, fantasiando uma possível foto do marido com a banda. – Cinco homens lindos quebrando o Instagram! Vai ser icônico!
Se a nossa filha largar eles, eu viro diplomata! riu da imaginação da esposa, ao mesmo tempo em que via uma enorme Van estacionar em frente a porta e se ele lembrava bem, ali dentro estariam os astros da noite. – Anjo? Eu preciso ir, eles chegaram!
-Ai meu Deus! Filma tudo, tudinho e me manda! Manda um beijo pra Leo! Amo vocês!
Quando ela parar de gritar, eu mando o beijo! – Os dois riram alto, à medida que já acompanhava a movimentação de Leonor com os olhos, prestes a desligar o telefone e não perder a filha de vista. – Amo vocês também, manda um beijo pra minha cópia! – Os dois finalizaram a conversa com barulho de beijo e, rapidamente, enfiou o telefone no bolso traseiro da calça.
O homem correu rapidamente para onde a filha estava com o grupo dos amigos recém-feitos e sem demora, entregou as sacolas a Leonor. A última coisa que ele queria era interromper o momento da filha e ainda nessa perspectiva, se afastou um pouco de onde ela estava, assim que os caras do McFLY começavam se aproximar pra falar com o grupo de fãs e começar com a interação que causava gritinhos, abraços e gargalhadas.
Leonor sentiu as pernas cederem ainda mais e o estômago afundar ao ver que Harry Judd sorria tão lindamente para o grupinho que estava ali ao seu lado, enquanto os outros três se revezavam em cumprimentar todo mundo com alguns sorrisos mais tímidos. As vozes de Tom e Dougie se misturavam em sua cabeça, à medida que o guitarrista e o baixista respondiam a inúmeras perguntas feitas de forma mais solta e até mais amigável. Será que eles já conheciam todos os fãs que estavam ali? Será que já tinham acompanhado a turnê desde o começo e os meninos haviam reconhecido a fisionomia? Por Deus, quando ela chegaria aquele patamar na vida de uma banda? Ela não sabia, mas tinha certeza que poderia vomitar a qualquer momento o bolo que travava a sua garganta, principalmente quando a gargalhada escandalosa e inconfundível de Danny Jones preencheu seus ouvidos, fazendo-a se perder ainda mais naquele sentimento não compreendido. Os olhos encheram em não conseguir respirar direito e a garota agradeceu quando seu pai havia prometido ficar longe, ou era certeza que agoniado como ele era, já tinha feito ela passar vergonha, ou chamar o socorro por suas expressões de pavor e felicidade ao mesmo tempo.
Ela sentiu um sacolejar meio violento em seu braço, por uma das moças que a garota mais tinha se identificado naquelas horas de conversa e finalmente acordou do transe paralisante.
-Seu nome! – Joana repetiu quase querendo sacudir Leonor mais uma vez, principalmente quando o Judd estava concentrado em se comunicar com a menina pálida.
-LEO! – Leonor soltou um grito findo de empolgação. – Meu nome é Leo! – Ela arregalou os imensos olhos claros ao perceber que de uma forma bem surreal, o inglês tinha saído bem claro e fluente da sua boca. O homem riu com um divertimento reconfortante ao esperar que ela fizesse mais qualquer coisa, como já era de costume sempre que eles decidiam tocar em algum lugar. – Eu posso tirar uma foto com você, Harry? – A pergunta pulou da boca dela como um jato e o fez sorrir lindamente.
-Claro, Leo! – Harry Judd tinha mesmo repetido seu nome? Sério? De verdade? ELA IRIA MORRER, DEFINITIVAMENTE MORRER!
-Eu posso te abraçar? – Leonor soltou mais uma pergunta que causou uma porção de risadas e um par de braços abertos na sua direção.
A garota não contou conversa e tratou de abraçar o baterista mais fofo da face da terra com todo o seu amor de fã, recebendo um abraço tão gostoso quanto em troca, ainda mais quando Harry a sacudiu de leve no abraço como se a mocinha fosse alguém do seu convívio, ou até da sua família. Gesto que a fez rir de forma mais espontânea e relaxada, depois de tanta emoção guardada e acumulada.
-A Izzy vem com a Lola? – A pergunta de uma das amigas da garota fez o baterista rir levemente e se preparar pra responder, ainda com Leonor com a orelha quase pregada em seu peito.
-Sim, sim, acredito que daqui algumas horas elas vêm. Você é brasileira, não é Joana? – Ele perguntou rindo ao ver a bandeira no ombro da moça com quem já havia falado. – Trouxe paçoca pra mim? – O homem respondeu rindo e soltou do abraço junto com a garota. – Me dá o celular, deixa eu te ajudar com a foto? – Ele pediu ao ver que ela tremia feito vara verde, recebendo prontamente o aparelho de telefone. A garota sorriu como se aquele fosse o dia mais incrível da sua vida e logo a imagem foi gravada com esplendor e beleza.
-Claro que sim! – A moça de nacionalidade brasileira riu parecendo mais familiarizada com o ídolo e estendeu o potinho que fez o homem vibrar e agarra-lo, como se protegesse a filha.
-Ai meu Deus, obrigada! – Ela se pronunciou novamente, já sentindo o pavor acalmar em seu peito, pelo menos por enquanto. – Eu trouxe um presente pra vocês! – O inglês saiu com um sotaque francês tão rápido, que o homem precisou de uns segundos pra digerir, enquanto ela se praguejava por estar tão nervosa. – Presente, eu trouxe um presente pra vocês quatro. – Leonor esticou a sacolinha de papel que continha um quadrinho e seria destinada a ele. O baterista recebeu com a maior gratidão existente.
HARRY JUDD ERA UM ANJO, SEM MAIS.
-É lindo, Leo! – Harry arregalou os olhos ao ver o desenho que se encaixava como um retrato seu e da Izzy de uma forma mais puxada pra caricatura, mas era sim incrível de conseguir capturar as essências, enquanto a vontade de vomitar em Leonor, voltava com todo o fervor. – CARAS! EU GANHEI PRESENTES! – O Judd levantou o quadrinho junto com o pote de paçoca como se fizesse inveja aos três amigos que estavam a poucos passos de distância.
À medida que os três homens se aproximavam ainda mais de Leonor, ela sentia a respiração sumir, assim como a vontade de viver. NÃO ERA POSSÍVEL QUE O MCFLY ESTIVESSE EM PESO NA SUA FRENTE! Tudo bem que ela já tinha superado toda a presença de Harry Judd, mas ver seu crush de dentes brancos, olhos azuis redondos e dono de uma risada mais do escandalosa a fazia querer chorar agarrada nos joelhos. Danny Jones não poderia ter um sorriso menos bonito?
-Eu também quero! – Junto com a voz rouca aveludada, veio a vontade de vomitar crescente em Leonor. – Deixa eu ver, mush. – Jones implicou com o baterista.
Who the hell is she? – Fletcher, o exato criador daquela maravilha de música, havia pego a referência assim que viu a mocinha que parecia estacada e pálida, ainda que parecesse um arco-íris de tantas cores. Leonor respirou fundo e não deixou de sorrir com o reconhecimento, mesmo que seu ar começasse a faltar pela briguinha sem sentido de Danny e Harry pelo quadro.
The weirdo with five colours in her hair? –A pergunta incrivelmente cheia de sotaque que Danny soltou para o amigo, como se aquilo fosse a coisa mais óbvia, deixou a garota ao ponto de precisar de um salvamento para afogamento seco. Ele tinha mesmo feito aquela careta de quem não estava entendendo nada?
-Não, Danny, a garota. Dick! – Dougie soltou o palavrão e uma gargalhada da cara do amigo, deixando Leonor de olhos arregalados e a vontade imensa de rir, não conseguindo contê-la. Mas logo as atenções se concentraram nela, mesmo que por uma pequena fração de segundos.
-Que legal, seu cabelo! – Jones soltou como se tivesse entendido a referência naquele exato momento, desencadeando na menina, o reflexo de fala mais estranho que ela já tinha visto na vida. Era uma chance única, Leonor, deixe pra morrer depois, sua tapada!
-Leo! Meu nome é Leonor. – Ela engoliu o medo e com ele, o inglês que estava parecendo fluido demais nas últimas horas, despejando em cima da banda uma frase até meio desconexa em francês.
-Leo, você está tagarelando em francês. – A recém amiga cutucou-a mais uma vez, tentando ajuda-la naquele momento de tensão e recebeu um par de olhos arregalados da moça, em troca ela fez um gesto com a mão mandando que ela respirasse.
-Leonor é o meu nome! – O inglês saiu de forma mais clara, recebendo acenos de cabeça em entendimento. – Eu achei o máximo que vocês reconheceram as cores do meu cabelo e esse é o meu primeiro show e eu estou bem nervosa e ansiosa. – A metralhadora giratória mais nova dos soltou como se não fizesse ideia da rapidez com que falava. – Eu trouxe presente pra todo mundo, não precisa brigar! – Ela soltou uma risadinha de deboche que fez os ídolos rirem junto.
Não esperando muito pra distribuir as sacolinhas de papel, a garota entregou uma de cada vez, recebendo um abraço de lado e aproveitando pra tirar uma selfie. Tom foi o segundo a receber, fazendo a maior expressão de surpresa ao ver o quanto a garota desenhava bem e realmente feliz por ter ganhado algo tão bonito, deixando-a com um pouco mais de vontade de chorar assim que foi elogiada. Se ela continuasse guardando aquilo, Sr. iria morrer de um infarto quando a visse se debulhando em lágrimas. A garota olhou de leve pra trás, vendo o pai com um sorriso imenso ao vê-la realizando o sonho e acenou de leve pra garota, ganhando um sorriso ansioso em troca de quem agradecia pela distância segura, ainda que aquilo partisse em pedacinhos o coração do papai babão.
-Olhem, dudes, eu e a Gi! – Thomas mostrou o quadrinho com as bordas brancas e o mesmo fez Harry, mostrando o dele, deixando os outros com mais vontade ainda de ganhar o seu, à medida que ela caminhava para o corredor da morte ao ver que o sorriso Jones esperava pelo seu.
O coração batia como um tambor na garganta, fazendo-a sentir uma sensação de reviramento bem esquisita no estomago, mas sabia que precisava entregar logo a sacolinha, ou empalharia o tempo dos homens, se é que já não estava fazendo aquilo. Ela respirou fundo visivelmente e a expectativa só aumentou, assim que entregou a sacolinha ao crush da banda, o homem deu um sorriso bonito que enrugava os olhos e coração da pobre menina quase virou sua bateria.
-Posso te abraçar? – O café da manhã da moça quase voltou mais uma vez naquela manhã, o que já estava virando folia dentro da sua barriga.
-Claro que sim. – O homem foi simpático com o receio dela e logo sentiu um abraço apertado lhe passando as melhores energias. Ele abraçou-a de volta e Leonor quase teve a certeza de que Danny poderia sentir seu coração vibrando dentro do peito, principalmente quando ela prendia um gritinho escandaloso por estar abraçando-o depois de tantos anos acompanhando a banda.
Os dois se ajeitaram para tirar a foto, quando a garota parecia brilhar com o que tinha acabado de acontecer. Era surreal estar tão perto de uma das suas bandas de referência, depois da banda do pai e que ele não soubesse, ou explodiria de convencimento. Mais uma selfie foi tirada com magia e dois belos sorrisos mostrando os dentes, enquanto Leonor tentava não o apertar demais no abraço de lado, afinal nem todo mundo era tão adepto a abraços acochados como seu pai e o Harry. Além de que Daniel já tinha baixado um pouco a postura pra que ela não ficasse tão baixinha e ainda descansava a mão em seu braço. Controle-se Leonor, você não pode apertar as pessoas sem mais nem menos. O que era inevitável ao estar praticamente grudada a Danny Jones! Céus, ele era tão cheiroso.
Umas duas outras fotos foram tiradas em meio a tremelica de quem estava nervosa e logo ela o soltou, esperando a reação pelo quadro.
-Oh, obrigado! É muito bonito! – A frase carregada no sotaque surgiu a fazendo encher os olhinhos claros de lágrimas. Ele tinha mesmo gostado? Meu Deus, será que a Geórgia também iria gostar? Ela esperava muito, muito, muito que sim! – Eu também tenho, mushes! – Danny agiu que nem uma criança na frente dos amigos, restando a garota, rir animada e meio nervosa até.
Por último, Dougie recebeu o presente dele, também com um sorriso animado, despertando na garota a maior vontade de apertá-lo no abraço, simplesmente porque ele nem parecia tão pequeninho pessoalmente, muito pelo contrário, o Poynter regulava bem com os outros postes do McFLY e nem sua voz era tão aguda. Talvez fosse a diferença de cantar e falar, que nem acontecia com seu pai e mais uma porção de cantores. O homem sorriu agradecido pelo presente, surgindo até ruguinhas no canto dos olhos que o deixava ainda mais fofinho e assim como Harry, ajudou-a a tirar a foto com o celular.
-Obrigado, Leonor! – O baixista agradeceu mais do que animado, quase enfiando a cara na sacola onde estava o seu quadrinho. E após o agradecimento, os quatro acenaram pra todo mundo que estava na área externa da O2 Forum, sabendo que não deixaram de atender qualquer pessoa ali e entraram rapidamente dentro do prédio.
-AI MEU DEUS! – O gritinho da garota foi ensurdecedor, assim como o do grupinho de amigos que estavam sentindo a mesma emoção que ela, alguns até já conheciam os meninos do McFLY de outros carnavais, mas era sempre tão maravilhoso conseguir encontra-los.
olhava de longe o burburinho e mesmo com o coração apertado, sabia que tinha feito a coisa certa em se manter resguardado naquele momento. Era incrível estar do outro lado da moeda, aprender a entender todo aquele sentimento de fã que a filha sentia e muito provavelmente continuaria por uns bons anos a fio e ainda melhor, era saber que tudo tinha dado certo, ou Leonor não estaria surtando. Ele riu baixo e decidiu se aproximar pra entender e saber tudo que tinha acontecido, sendo recebido por um abraço mais do que apertado da filha, que estava com os olhos marejados e um sorriso lindo de felicidade.
-Obrigada, papai! – O idioma mãe veio acompanhado de um abraço esmagador de ossos quando a moça agarrou o pai pelo tronco, sentido o mesmo abraço ser retribuído ainda mais feliz que o dela. O homem beijou-a na cabeça enquanto afagava suas costas e sentia os soluços escaparem em meio a respiração da filha.
-Calma, princesa. Não precisa chorar! – Ele disse ainda baixinho, com a boca encostada nos cabelos coloridos da menina, não se importando se a tinta pintaria sua cara ou não.
-Papa, eu consegui tirar foto com os quatro e eles ainda viram meu cabelo! – O esganiço embolado surgiu o fazendo respirar fundo e contente. – O Tom até citou uma frase da música e o Danny brincou com a música também. – Leonor disse às pressas, ouvindo uma risada encantada do pai, enquanto tentava lhe consolar abraçando-a com muita força e vendo os novos amigos da filha, rirem com a cena fofa.
-Ela conseguiu ao menos falar, ou ficou chorando? – O homem direcionou a pergunta ao grupo, tentando fazer do momento mais divertido.
-Quase explodiu quando chegou perto do Danny. – Joana riu junto. – Falou em francês.
-Ah não, Len! – sacudiu a filha e a garota soltou uma gargalhada estrondosa. – Não acredito que você passou essa vergonha, pirralha!
-A gente precisou sacudir ela bem! – Deborah, outra moça que havia feito amizade com a mais nova dos , disse rindo. O homem riu junto e encheu a filha mais nova de beijos, sabendo que ia envergonha-la na frente dos amigos, mas ao menos ela iria tentar voltar ao normal. Dito e feito, a garota se afastou como se ele desse choque, causando risadas em quem estava ali.
-Você não queria gastar a mesada inteira na Merch, Leonor Anne? – O cantor perguntou com a sobrancelha arqueada quando tirou o boné da cabeça e ajeitou o cabelo.
-Claro que sim! – A moça pegou a mochila que o pai segurava e a colocou nas costas. – Será que já abriu? – Ela perguntou as moças com quem já havia combinado inúmeras coisas para os próximos dias.
-Eu acho que sim, já vi bastante gente vindo de lá. – Deborah respondeu e as três seguiram para a lojinha com as camisas e lembrancinhas personalizadas do McFLY, enquanto apressava o passo pra acompanhar o grupo.
De alguma forma, por mais que ele tivesse enchido os ouvidos da esposa, o homem havia gostado de ser tratado apenas como o pai de Leonor, depois de algumas fotos concedidas. Afinal, era o que ele era por ali, apenas o pai babão dela.
Montreal, Canadá. 3pm.
filho, sai desse banheiro! – A mulher gritou na porta do quarto, se dividindo entre reclamar do tempo do banho do filho, ou correr para abrir a porta, onde alguém apertava a campainha de forma incessante.
-Já vou, mãe! – O rapaz respondeu até meio emburrado com a cobrança dela, principalmente quando ele tinha desmontado o sofá quebrado e carregado tudo pra garagem, sozinho.
-Espero que saia logo mesmo! – gritou mais uma vez e deixou a porta do quarto, descendo as escadas mais rapidamente para atender a porta.
Ela bufou ao passar pela sala vazia e espaçosa demais sem o sofá, fazendo uma careta pela estética do lugar, mesmo sabendo que em alguns dias o novo chegaria, provavelmente até no dia seguinte. A enfermeira ajeitou os óculos de grau no rosto e abriu a porta de casa, dando de cara com um velho amigo e pupilo. Andrew Jones!
-Andrew! – O gritinho animado dela, fez o rapaz abrir os braços a convidando pra um abraço que foi prontamente dado. – Faz um tempão que eu não te vejo. Tudo bem? – Ela perguntou rindo pelo abraço apertado do amigo e viu o rapaz sorrir grandemente.
-Tá tudo ótimo! – O enfermeiro soltou-a do abraço, portando um sorriso imenso nos lábios. – E o ? E os meninos, como estão? Eu vim agradecer a indicação de docência.
-Estamos todos ótimos! – Ela sorriu da mesma forma. – Vem, entra! – O convite surgiu animado, não demorando muito para que o estomaterapeuta aceitasse. – viajou com Leonor pra ver o McFLY e o tá tomando banho. – A mulher disse animada e o viu rir, com certeza, por estar presenciando um dos seus maiores pesadelos como pai: a filha surtando por outras bandas. – E sobre a indicação, você era a pessoa perfeita pro cargo, nem inventa de agradecer!
-O que aconteceu com seu sofá? – A careta do homem surgiu ao passar pela sala vazia.
-Os meninos quebraram na semana passada. – Ela meneou a mão mostrando que aquilo era mais recorrente do que ela gostaria. – Vem, vamos conversar na cozinha! Já o desce e você vai ver como ele tá enorme e a cara do pai.
-Ele sempre foi a cópia do . – Andrew disse rindo e sentou em um dos bancos da bancada. – Leonor quem parece com você. Ela deve estar surtando né? Na Inglaterra? – Jones perguntou rindo e ouviu a gargalhada espontânea da amiga.
-Completamente. O me mandou algumas fotos e um vídeo dela conhecendo o McFLY, ela me mandou um áudio surtando porque eles tinham sido uns amores e até repararam no cabelo colorido dela. – A enfermeira abriu um sorriso encantado com os últimos acontecimentos e aproveitou para servir suco de melancia para o amigo.
-Obrigado! – Andrew agradeceu com um sorriso fechado. – Sabe o que eu acho? Se eles não tivessem sido legais, o tinha comido o fígado de um por um.
-Ele estava era todo emburrado, porque ninguém fez conta dele. – Os dois riram e arregalou de leve os olhos, ansiosa em saber como tinha sido todo o contato com a universidade que ele ensinaria dali pra frente. – Mas não foge do assunto, Andy! Me conta. Já começou a dar aula? Os alunos foram calorosos contigo?
O estomaterapeuta tomou fôlego de forma teatral e se escorou a bancada da ilha, ansioso em contar como as coisas estavam acontecendo, principalmente quando a universidade o havia recebido bem demais, o salário era ótimo e a experiência melhor ainda.
-Foi incrível! – O homem soltou um gritinho esganiçado. – Eu já conheci todas as turmas que eu vou dar aula e eles foram muito receptivos, possivelmente já vou pegar três orientandos de monografia e o pró-reitor me deu carta branca sobre querer implementar algum projeto. – Andrew tomou mais um gole do suco de melancia e umedeceu os lábios, pronto para responder o que os olhos atentos e expressivos de perguntavam. Ela queria saber se tinha alguém puxado para prodígio e, felizmente, ele já tinha uma aluna em mente. – Sim, eu já consegui localizar alguém que brilhou só na minha menção sobre estomaterapia, ela me contou que deu um problema com o projeto dela de TCC inicial, mas ela pretende construir uma cartilha para prevenção de lesão por pressão, . Tudo isso! – O esganiço do homem a fez soltar uma risada satisfeita. – Eu vi você todinha naquela menina.
-Então carrega ela pra gente! – a declaração animada fez os dois baterem high five, com certeza eles tinham algo em mente pra impulsionar a tal moça.
-HEY, ANDREW! – O grito eufórico de filho ressoou por toda a cozinha, assim que o garoto abraçou de lado o amigo da mãe.
-Moleque, você tá enorme! – O homem arregalou os olhos ao ver a altura do filho de e a semelhança que ele tinha com o pai. Pareciam realmente ser o mesmo cara, só que em um universo paralelo que juntava o passado e o futuro. – Anda comendo fermento? – Andrew abraçou com força e ouviu a risada satisfeita dele.
-Eu estou mais alto que meu pai! – O garoto respondeu mais do que inflado, orgulhoso de ser o mais alto daquela família.
-Eu estou vendo. O vocalista tá sendo deixado pra trás. – A risada do mais velho foi espontânea. – E o MIT?
-Trabalhando duro pra conseguir entrar! – Eliot soou um pouco eufórico, arrancando um sorriso encantado e orgulhoso da mãe. – Ainda estou trabalhando no projeto, decidi tentar construir algo que ajude vocês a trabalhar, sabe?
-Ow! Que maravilha, hein? Quero ser o primeiro a testar isso aí… – O homem fez um toque de mão com o garoto, que sorriu.
-Pode deixar! – filho piscou e em seguida, beijou a cabeça da mãe, pegou uma banana e saiu pela porta da cozinha, inspirado a descobrir de vez como construiria sua tecnologia para o MIT.
-Esse moleque vai longe! – Andrew elogiou.
-E você acha que eu não sei? – alargou ainda mais seu sorriso orgulhoso, continuando a conversa sobre as turmas que o amigo assumiria na McGill.
London, England. 8 pm.
Leonor segurou mais uma vez na grade de proteção, quase se pendurando, como se aquilo fosse fazer a banda entrar mais rápido, não conseguindo ouvir nada com clareza só pelo nervosismo, enquanto seu pai conversava com algumas pessoas que estavam perto dos dois, explicando o porquê de estar tão longe do Canadá e em um show do McFLY. O palco não era alto e nem muito longe de onde ela estava, se desse sorte conseguiria até uma palheta de algum dos meninos. Os instrumentos já estavam todos montados lá em cima e um gigante banner com a logo do McFLY e as duas barrinhas laranjas, fixado a parede do fundo, denunciavam qual banda tocaria ali, não que fosse necessário, simplesmente porque toda aquela energia e atmosfera dentro da O2 Forum era o McFLY. A moça já tinha ido, participado e presenciado inúmeros shows do pai, e mesmo que não conseguisse explicar, ela sentia o quão diferente era a energia de um fandom pra outro. Intensos igualmente, porém diferentes.
O pessoal da produção passava pra lá e pra cá, organizando tudo pra que o show fosse a despedida perfeita daquela turnê tão bem recebida e acolhido pelos fãs exigentes, afinal eles sabiam que ter a banda na ativa novamente era melhor do que nada. Leonor umedeceu os lábios a procura de alguém que ela supostamente conhecesse, um deles, algum familiar nas laterais e até o Fletch, quem sabe, reconhecendo de cara o simpático Tommy, gerente de turnê da banda.
-Pai! Olha, o Tommy! – A garota puxou de leve a mão do pai, trazendo-o junto pra grade. Pai e filha tinham conseguido um lugar entre o meio e o canto esquerdo, tendo uma visão privilegiada do palco e o que aconteceria nele.
-Quem é, Len? – O homem fez uma leve careta por não conhecer mais do que os integrantes da banda.
-Ele é tipo o Vance! – Leonor arregalou os olhos levemente e quase sentiu o coração parar ao ver que o senhor de cabelos brancos andava na direção dela e do pai. Céus, o que será que ele queria?
-Gerente de turnê? – rio baixo e beijou a cabeça da filha, após ela afirmar. – Será que ele vem falar com a gente? – A pergunta saiu em completa confusão pela movimentação suspeita do homem.
-Eu acho que sim, mas ele tá olhando pra você. – Leonor inclinou um pouco a cabeça, até nervosa com a possibilidade de terem dado na presença de seu pai ali, o mais provável dentro das possibilidades. Ela só não queria que aquele reconhecimento, acabasse com os melhores lugares do show.
-Pra mim? – Foi o que conseguiu perguntar, antes de perceber e entender que a atenção era realmente voltada a ele.
Tommy cumprimentou o cantor de forma contida e com alguns acenos de cabeça e uma conversa baixa, fez Leonor se roer de curiosidade em saber o que os dois tanto cochichavam. Qual é? Aquele momento era dela, que já até tinha trocado algumas palavras com o Smith pelo Twitter, não do seu pai que mal conhecia as pessoas por ali. Os dois sorriram mais uma vez e com um aperto de mão, findaram o assunto tão misterioso.
-O que era? – A pergunta curiosa de Leonor foi interrompida pela movimentação a sua frente, fazendo-a perceber que aquela era a hora do show. Os quatro já entravam no palco acenando pra todo mundo ali, com os maiores sorrisos do mundo, sendo recebidos com calorosos gritos.
-Depois eu te conto! – disse no ouvido da filha, ainda suspeitando se a garota tinha sequer prestado atenção, principalmente quando os gritos ensurdecedores anunciavam a entrada da banda no palco simpático.
-GOOD NIGHT, LONDON! WE ARE MCFLY! – A saudação mais do que característica de Danny com os braços abertos, mostrando que era o verdadeiro King of the North, fez Leonor e os milhares de pessoas ali, entrarem em curto mais uma vez naquele dia.
Não dava mesmo para acreditar que ela estava ali vivenciando tudo aquilo da forma mais incrível e maravilhosa possível. Cara, era a sua banda preferida tocando todas as músicas já gravadas e que ela escutava desde os 11 anos de idade. Aquele dia, definitivamente, não poderia ficar melhor. Afinal, ele já estava perfeito!
A sequência no setlist começou com 5 colours in her hair e entre uma parte e outra da letra, se dividia entre filmar a filha dançando e brincar ao responder que ela era a garota esquisita de cinco cores no cabelo, deixando a menina extremamente feliz pela referência. O show seguia na ordem do primeiro álbum da banda inglesa, Room on the 3rd floor, e logo Obviously começou tocar, causando mais uma onda de gritos ensurdecedores quando nenhuma pessoa dali deixou que eles cantassem sem um reforço, gesto que arrancou uma risada do Tom. A garota estava encantada em presenciar algo tão intenso e gostoso de sentir, ver a banda como ela era exatamente em todos os vídeos que ela via na TV, os trejeitos de cada um, as piadinhas e brincadeiras, as dancinhas esquisitas, os diálogos entre as músicas e as maiores referências que só o fandom conseguia entender com maestria. Era como se tudo ganhasse ainda mais vida com as vozes misturadas e sincronizadas.
Os minutos passavam rápido e devagar demais, em uma sensação incrível pra quem estava no primeiro show de uma banda alheia, deixando o bobo ao lado, mais encantado do que nunca. E mesmo que ele lembrasse de todas as palavras da esposa, se perguntava quando Leonor começaria a chorar por estar ali, afinal já tinha passado pelo estado de choque e permanecia no estado de surto. Mas uma melodia até familiar por já estar acostumado a ouvir com a filha, ressoou na casa de shows, causando gritos dos fãs e um reboliço nada bom no peito do vocalista do Simple Plan. Por que She left me tinha que lembrar tanto a separação com ? Até o ritmo melódico que remetia a algo meio década de oitenta lembrava a mulher e a letra não deixava a desejar.
Enquanto Leonor cantava com as mãos pra cima, balançando-as de um lado pro outro, ele aproveitou a deixa pra mandar uma mensagem pra quem estava ocupando a sua mente naquele exato momento, principalmente quando os versos cantados exibiam exatamente o que ele tinha feito.
I tried calling her up on her phone
No one’s there
I’ve left messages after the tone
Really, mush?
Yeah mush loads
I didn’t know, what I did wrong
But now I just can’t move on
Yeah, yeah, yeah

Ange: Je t’aime. Tu me manques. *
Ele respirou fundo e riu com as péssimas lembranças, percebendo que Leonor não tinha sequer prestado atenção em seu momento drama. Era melhor assim, principalmente quando um conjunto mais animado e com uma letra mais chiclete tomou a casa de show, fazendo quem estava ali pular e balançar as cabeças. Mas nada, nada se comparava a ver Leonor tão feliz e animada, aquilo o fazia perceber que tinha zerado a vida de pai, definitivamente.
A garota gritava a letra da música e mesmo sabendo que ao fim da viagem estaria completamente sem voz, aquela chance era única pra viver o momento galaxy defender num show! Seu coração batia no ritmo da bateria do Harry e ela não estava nem aí pra se estava sendo prensada a grade ou não, a moça estava mesmo concentrada em se entregar ao momento e filmar algumas coisas pra mostrar a mãe e as amigas.
-Danny Jones, eu acho que você vai introduzir essa música. – Dougie disse entre uma risada anasalada que deixava sua voz engraçada, assim que uma das pausas para certas conversas começou.
-Introduzir “essa música” qual? – O frontman do McFLY respondeu com um tom duvidoso e até amedrontado, soltando uma negação de lamento quando Harry começou com os batuques característicos.
-AI MEU DEUS! EU AMO ESSA MÚSICA PAI, É A MINHA PREFERIDA! – Leonor arregalou os olhos pra , quase pulando no colo dele em um abraço apertado e viu o homem se animar exatamente igual a ela com a melodia. Se ela estava animada, ele também estaria.
-E ELA SE CHAMA, SURFEEER BAAAABE! – O grito de Danny Jones foi logo seguido da letra cantada por ele, Tom e Dougie.
Leonor puxou o braço das amigas recém-feitas e logo as três, junto com , dançavam a música animada que colocava qualquer pessoa pra cima. Era algo leve, gostoso de cantar, de ouvir e que traduzia uma sensação de praia gigantesca que rendeu inúmeros áudios para com a seguinte frase: “You don’t think you’re my type. But you are, but you are, but you are, but you are”
O resto do show passou como um piscar de olhos e assim que as últimas músicas começaram a ser tocadas, sendo mais certo de identificar por não pertencerem ao primeiro álbum da banda e aquilo fazia o coração da garota apertar. Primeiro veio Love is on the radio que fez o público inteiro cantar junto e a plenos pulmões, logo Love is easy e seu ukulele rosa tomaram mais uma vez a galera, seguidas de No worries e Silence is a scary sound, mostrando o incrível espetáculo que o McFLY era capaz de fazer. Mas estava faltando alguma coisa ali, faltava o hino da banda, aquela que sempre se reafirmava nos momentos mais difíceis e assim, The heart never lies foi recebida com um punhado de lágrimas da parte de Leonor e metade das pessoas que estavam ali. Não dava pra explicar a emoção de ouvir ao vivo a famosa frase “Another year is over and we’re still together it’s not always easy, but McFLY’s here forever”.

-x-x-x-

Os ânimos já tinham se acalmado e as pessoas saiam da O2 Forum Kentish Town de forma devagar e calma, boa parte ali estava cansado pela enxurrada de emoções vividas naquele dia, mas ainda mais ansioso pelo que viria nos próximos e não era diferente com a filha mais nova dos . A moça ainda continuava elétrica e brilhava tanto quanto uma estrela que tinha luz própria, deixando pai imensamente encantado com a pureza e felicidade presente nela.
O homem se escorou um pouco mais na grande, percebendo o conforto de um lugar mais vazio e sentiu a mão ser puxada pela filha.
-A gente não vai? – Ela perguntou confusa, fazendo uma caretinha fofa e ele negou com um aceno contido de cabeça. – Tá com saudade dos palcos, dada?
-Também. – O homem riu a puxando de uma vez pra dentro do seu abraço apertado. – Só não é isso. – Ele piscou prendendo a filha enquanto a sacudia. – Achei que você quisesse saber o que o Tommy conversou comigo.
-E eu quero! – O esganiço dela tomou vida só em lembrar da conversa misteriosa. – Eu já tinha até esquecido! O que ele te disse? Eu fiquei muito curiosa.
-Então, pequena Len… Ele veio conversar comigo porque o Fletch tinha dito aos caras do McFLY que eu viria para o show com a minha filha, embora eu acho que eles acharam… – O homem fez uma careta pela repetição das palavras e ouviu a gargalhada alta da moça, rindo junto com ela. – Que você era uma criancinha, mas é o seguinte: os quatro pediram que nós dois esperássemos até depois do show, porque queriam nos cumprimentar e aí, eu pensei que os poderiam convidar o McFLY pra um almoço amanhã. O que você acha? – falou sem qualquer emoção na voz e até certa simplicidade, ouvindo um gritinho ensurdecedor da garota que pulava, mesmo estando presa no abraço.
-EU TE AMO, PAI!

Chapter Fourteen

London, England. 10pm. Day 1.
As mãos da garota estavam mais geladas do que quando ela estava esperando a banda nos fundos da casa de shows, a respiração meio descompassada e a cada mínimo barulho perto do palco, Leonor olhava na ansiedade que a banda aparecesse novamente. Óbvio que ela já tinha realizado o seu grande sonho de conhecer os caras, tirar foto, entregar os presentes, mas parecia que o fato de os ter conhecido só a deixava ainda mais ávida a manter contato.
-Será que vai demorar muito, dada? – A pergunta da moça saiu tão ansiosa que transbordava no tom de voz. – Eu quero muito ver a cara deles ao te ver. Vocês já se conheciam antes? Nunca se encontraram em um evento desses de gente famosa?
riu alto com a quantidade de perguntas jogadas em cima dele e abraçou a garota com força de lado.
-A gente não se conhece pessoalmente, Len. De uma forma bem estranha, nosso público acaba não sendo o mesmo, ainda que boa parte seja, acabamos não frequentando os mesmos eventos. – Ele deu de ombros mostrando que não entendia exatamente o porquê daquilo e a garota respirou fundo. – Mas posso te contar um segredo? – sorriu misterioso pra filha, vendo-a afirmar freneticamente. – Eu gostei pra caramba do show, eles fazem um som muito bom e isso serve até de inspiração! – O homem piscou com um sorriso bonito, sendo esmagado prontamente pela filha, embora tivesse plena consciência de que ela não era mais um bebê.
-Que incrível, papa! – Leonor soltou um gritinho animado.
-Vamos? – A voz de Tommy sobressaiu os surtos da menina de 14 anos, enquanto chamava os dois pra cumprimentar os moços do McFLY. – Peço desculpas pela demora! – O senhor sorriu simpático e Leonor soltou um gritinho eufórico, não perdendo a oportunidade de pedir uma foto com ele e elogia-lo sobre o belo trabalho que fazia.
Logo que a foto foi tirada por um que prendia a risada alta pelas reações da menina, os dois andaram rapidamente pelos corredores e portas do backstage, deixando nos um sentimento nostálgico maravilhoso. Afinal, os dois que estavam ali, adoravam tudo que se referia a palco, fossem os preparativos ou o show em si. Mal da família, como cansava de deixar claro.
Na porta do camarim, um singelo papel identificava que ali estava a banda tão esperada da noite, quem sabe até dos últimos anos. A menina sorriu ao encorajar o pai e sentiu a mão ser apertada por ele no mesmo sentido, assim que a porta foi aberta e os dois recebidos de forma calorosa.
Mais uma porção de abraços e cumprimentos foram adicionados àquele dia, ainda mais quando o camarim estava repleto de crianças e as famílias. Os quatro homens receberam pai e filha bem demais e entre comentários em saber o que os levavam ao show, a honra de receber uma visita tão legal e atenderem mais uma vez aos abraços da garota, dessa vez um pouco mais calorosos do que nos fundos da casa de show.
-Hey! A gente te viu lá fora, não viu? – Judd fez uma careta engraçada ao ter certeza que já tinha visto aquele cabelo colorido aquele dia e a garota soltou uma gargalhada estrondosa.
-Sim, sim! Eu encontrei vocês antes do show. Leo! – Ela repetiu o nome bem sorridente, dessa vez um pouco menos nervosa e abraçou o baterista mais uma vez, ganhando uma sacudida de leve que fez rir.
-Você não estava com seu pai, estava? – Danny fez uma careta confusa ao olhar de um pro outro, lembrando realmente do cabelo colorido de Leonor.
-Na verdade, eu estava de longe. Decidi não interferir no momento fangirl da Len, ou a esposa me degolava! – O vocalista do Simple Plan arregalou de leve os olhos e ouviu as risadas generalizadas.
-Ela é a sua filha? – Tom fez uma careta engraçada que arrancou mais umas boas risadas. – Pelo que o Fletch falou parecia ser uma menininha.
Leonor tentou prender a risada, mas a gargalhada saiu completamente estrondosa da boca dela, assustando o loiro de uma cova solitária na bochecha e ainda sendo acompanhada por Danny que tinha a risada mais contagiante daquele mundo. Em poucos segundos, o camarim em peso ria sem saber exatamente porquê, apenas pela risada de um certo guitarrista sardento.
-Toca aqui, Leo! – Jones levantou a mão pra High five com ela, puxando a adolescente pra um abraço apertado em seguida e deixando ela em curto interno.
-Eu e a começamos bem cedo. – O riu ao tentar explicar o porquê de ter uma filha adolescente quando ele não tinha inteirado nem os 40 anos ainda e ouviu mais uma porção de risadas, dessa vez um pouco mais maliciosas, fazendo Leonor prender a vontade soltar uma piadinha o chamando de coelho. Não queria destruir a inocência do pai ao abrir a boca, por mais que o Mr. não fosse o único coelho ali… Fletcher, se apresente, querido. – Temos mais um rapaz de 16, além da Len!
Dougie soltou uma risadinha pior do que a anterior e, ao invés de deixar o vocalista sem jeito, arrancou mais algumas risadas junto. Logo os cumprimentos se estenderam aos integrantes da família McFLY que estavam logo atrás e Leonor sentia que podia desmaiar a qualquer momento ao ver as McWives e os McBabies tão pertinho dela, eles eram realmente muito mais lindos ao vivo do que por todas as fotos do Instagram e o melhor de tudo, eram reais! A família McFLY inteira era real, meu Deus!
Giovanna parecia bem entretida brincando com Buzz, o garotinho usava um fone gigantesco e verde, bem parecido com os que Leonor já tinha usado em vários anos da sua vida. Izzy brincava com Lola no colo e a garotinha parecia ainda mais perfeita ao vivo, principalmente os cachinhos dourados presos por também um fone e, por fim, Georgia foi a maior surpresa que a moça de 14 anos poderia encontrar, ela conversava rindo, animada e tão solta com as amigas, que, por um momento, lembrou bem a sua mãe. Seria por coincidência dos signos?
Os cumprimentaram as mulheres e crianças com sorrisos muito bonitos e breves abraços, enquanto a garota fazia caretas engraçadas ao se deparar com os bebês mais fofos da terra, depois do Alex, obviamente. O momento não foi desperdiçado apenas com conversas, alguns convites simples e bem importantes foram feitos, convidou a banda pra almoçar junto com ele e a filha no outro dia, enquanto Tom encabeçou o outro lado dos convites, chamando pai e filha pra se juntarem a eles na passagem de som do segundo dia de shows. Depois de mais uma sessão de fotos, a tão sonhada foto da diplomacia que tanto havia ressaltado e que havia ficado linda demais com os cinco homens levemente abraçados e sorrindo, além de uma outra com Leonor junto e com a maior carinha de palerma da terra. Qual é? Era o maior sonho dela sendo realizado.
London, England. 11am. Day 2.
O homem suspirou mais uma vez pela demora da menina, que provavelmente sairia do banheiro repleta de referências de alguma música do McFLY e se largou mais um pouco na poltrona do quarto. Ele batucou de leve os dedos na coxa, se animando exponencialmente ao ver o celular vibrar em várias mensagens de . Imediatamente entrou no aplicativo de mensagens, ansioso em saber o que ela tinha mandado, principalmente quando no Canadá era quase seis horas da manhã. Por que raios a mulher tinha madrugado?
Claro! Ansiedade em receber os livros que chegariam todos naquele dia, o deixando mergulhado em uma frustração sem tamanho por não poder estar junto da esposa em um momento tão importante.
Ange: Mornin’ my love. Chorei horrores ao ouvir os áudios e ver as fotos de vocês. Leo estava tão feliz né? Isso me deixa mergulhada em um sentimento maravilhoso de amor e alegria.
Ange: 📷
Ele sorriu com os olhos cheios e brilhantes ao ler exatamente o que tinha sentido na noite passada. Ele riu ao ver a primeira foto da esposa com os cabelos cacheados lindos espalhados na cama, o sorriso largo, os olhinhos apertados da noite de sono, ainda percebendo um pedaço do ombro e da cabeça do filho. Tendo ainda mais certeza de como odiava dormir sozinha.
: Mornin’ my angel. Senti exatamente a mesma coisa ontem, foi bem como você me disse que seria.
: LINDA DEMAIS. PUTA MERDA!
: Essa foto me faz ter vontade de nunca ter viajado. Acordar ao seu lado é melhor do que um café bem quente!
Ange: Acordei feito uma pilha por causa dos livros KKKKK eu odeio ser tão ansiosa
: Se eu tivesse em casa, vc já tinha me acordado feito um furacão
: Já pensou em tomar um banho quente? As vezes ajuda
Ange: preferia um frio com vc
suspirou só de imaginar o bico gigante nos lábios dela.
: Isso mesmo, . Machuca, judia de mim, me mata
: malvada 😫
Ange: 📷
suspirou pesado ao receber mais uma foto, ansioso em saber o que seria. Talvez mais uma selfie linda pra animar seu dia que seria longo atrás de Leonor, de cima pra baixo e de baixo pra cima onde quer que ela quisesse ir. Não demorou muito pra a foto carregasse e a boca de fosse ao chão. já estava com os cabelos presos no topo da cabeça, parecendo um abacaxi como a mulher sempre costumava ressaltar e não teria nada demais na selfie, senão o reflexo da bunda dela bem atrás no espelho. A imagem pegava desde o colo superior da mulher e o rosto com uma careta engraçada, mas com certeza ela estava no banheiro dos dois e o espelho do lavabo condenava totalmente, quando refletia a bunda redonda dela.
: vc tá nua???? PORRA , ASSIM NÃO DÁ
Ange: eu vou pro banho, não dá pra ir com roupa KKKKKKKKKKK
Ange: Não é como se você nunca tivesse me visto nua
: tô duro
Ange: 🎥 ué, esperei que fosse ficar agora
O homem soltou uma risada ainda mais desesperada do que a anterior ao dar de cara com um claro nude da esposa. Sim, tinha sido bem proposital o vídeo, ou gif, não conseguia pensar direito e racionar qual a droga do tipo daquela mídia, a única coisa que ele estava processando era o fato de que a mãe dos seus filhos estava despida em frente ao espelho e se mexia mostrando ora a tatuagem na lateral da perna que pegava de leve a bunda, ora mostrava o corpo incrivelmente lindo de frente, que por mais que ela achasse pequenos defeitos em todos os lugares, era o único corpo que acendia o vocalista do Simple Plan, literalmente.
Ange: Babe?
A mensagem dela surgiu na barrinha superior da tela, sendo prontamente ignorada por que estava bem mais entretido em analisar o gif e cruzar as pernas, tentando segurar ou esconder a reação da saudade.
Ange: Posso fazer uma vídeo chamada? Queria te ver, tô com saudade
A barrinha de mensagens desceu novamente, revelando um pedido desesperado que deixou o homem daquele mesmo jeito. Que merda! Ele não poderia aceitar a chamada perigando Leonor aparecer e ver tudo aquilo.
Um suspiro sofrido foi dado por , à medida em que ele inclinava de leve a cabeça, apertando o play da mídia várias vezes só pra aproveitar muito bem o pequeno vídeo, embora não entendesse como ela estava tão mais gostosa. Talvez fosse a saudade, ou até a ousadia de mandar certas fotos depois de tanto tempo de casamento, ou ainda um sorriso safado e superior que brincava bem sem vergonha nos lábios da mulher que tinha 34 anos, dois filhos adolescentes, um par de seios muito bonitos e ainda dava de 10 a zero em qualquer garota mais nova.
Indiscutivelmente, ela era o amor da vida dele.
PAI! – Leonor chamou firmemente ao ver que o pai se torcia na poltrona, como se estivesse perdendo as forças do corpo e se ela não tivesse tão preocupada com a cena grotesca, teria filmado.
tomou um susto com o grito autoritário da garota, quase parecendo a criança que era pega no flagra por um dos pais, enquanto fazia coisa errada. Em reação ao susto, o celular preto parecia um sabonete molhado na mão de alguém que estava todo ensaboado e os segundos que ele passou pulando de mão em mão até cair no colo do homem, parecerem longos minutos de desespero. Ele arregalou os olhos meio agoniado e apertou ainda mais as pernas cruzadas, uma por cima da outra, virou a tela do aparelho pra perna e encostou o queixo na mão como se aquela fosse sua maneira de agir naturalmente.
-Oi, amor. – Um sorriso de dor foi esboçado pelo vocalista safado, vendo uma interrogação gigantesca na testa da filha que parecia uma árvore de natal com tanta estrela na roupa. – O que foi? Você tá a própria Star Girl! – Ele comemorou internamente por ter lembrado a referência e viu um sorriso animado surgir em Leonor.
-A gente precisa ir, ou vai atrasar pra ir ao Madame Tussauds e consequentemente vamos atrasar pro almoço com o McFLY. Lembre-se da pontualidade inglesa, Dad! –A garota despejou as informações em cima do pai que estava com o foco lindamente desviado para as mensagens que tinha recebido.
-Sim, claro, claro. – Ele coçou a cabeça meio agoniado, pensando em algo que pudesse tirar logo a menina do quarto antes que ele passasse vergonha. – Quer ir descendo pra encontrar suas amigas? Eu vou só pegar a carteira, o carregador portátil e mandar uma mensagem pra sua mãe.
-Mr. , Mr. . – A garota condenou a tal mensagem sem saber que a putaria já tinha acontecido.
-Desce logo, garota, senão eu vendo teus ingressos! – Ohomem ralhou apontando pra porta do quarto e ouviu a gargalhada debochada da filha, que sacudiu de leve a cabeça e mandou um beijo pra ele, batendo a porta do quarto na rapidez pra encontrar logo as amigas.
: Vou precisar sair com a Len agora, mas minha cabeça tá em você
: Assim você me fode, anjo
Ange: Não como nós dois queríamos. Inferno
Ange: Boa saída, mandem fotos! Mais tarde eu faço chamada de vídeo pra ver vocês. Tô indo pro banho
: Pode deixar, eu vou mandando pra vocês assim que a gente for vendo os lugares legais. E sobre o banho, não faça nada que eu não faria
Ange: Preferia bem mais você aqui fazendo 😘😘
: 😘😘😘

-x-x-x-

Montreal, Canadá. 1pm.
saiu do banho revigorada em coragem e animação, após uma longa manhã de trabalho e respondeu algumas mensagens de reclamando de estar tão longe, embora estivesse animado por estar mais uma vez à espera do segundo show da banda preferida de Leonor, sabendo que, de alguma forma, aquilo era uma inspiração gigantesca pra ele, principalmente as letras diferentes da sua área de conforto. A mulher riu com a quantidade de fotos e vídeos da filha agindo espontaneamente perto dos quatro caras do McFLY, devido ao encontro que tinha acontecido mais cedo e ficou sabendo que a moça tinha até tocado junto com eles na passagem de som. Era certo que a garota falaria daquilo pelo resto do ano.
E segundo os gritos de Leonor, até tinha arranhado a letra de All About You com Tom, Danny, Dougie e Harry em um vídeo que tinha sido oferecido especialmente pra ela. era uma mulher de sorte. A garota também estava mais do animada, principalmente com os gritos dizendo que tinha ganhado um par de baquetas de Harry Judd. Era certeza que Leonor as colocaria em um quadro de vidro pra ninguém pegar.
A enfermeira dançou pela cozinha ao som da música ambiente, enquanto pegava frutas frescas para fazer uma vitamina reforçada para o rapaz que não saía mais da garagem. Certamente uma vitamina bem feita e um sanduíche bem recheado o faria ter ainda mais euforia pra trabalhar no projeto, fome não ajudava a ninguém, no fim das contas. Ela arrumou tudo em uma bandeja grande, dois sanduíches bem recheados com carne defumada e mostarda, o famoso Montreal-style Smoked Meat, e copos enormes de uma vitamina feita com banana, morangos e framboesas.
Um sorriso imenso foi esboçado assim que ela chegou à porta da garagem, encontrando dois jovens incrivelmente lindos, sorridentes e que pareciam bem empolgados. e Matthew Dill, filho mais velhos dos Dill e irmão de Ashley, eram amigos há uma boa porção de anos, desde que os tinham mudado para aquele bairro. Os dois garotos, embora com idades diferentes, sempre tiveram o apreço por coisas bem parecidas e até o curso da faculdade seguia naquela linha, enquanto o príncipe já estava estudando no Instituto de Tecnologia de Massachusetts há seis meses.
-Incomodo os engenheiros? – perguntou com um sorriso maternal, vendo dois olhares engradecidos serem direcionados a ela, junto a sorrisos espontâneos.
-Imagina, mãe! O Matthew tá me ajudando. – Eliot respondeu animado, assim que o amigo levantou pra cumprimentar a tia de longa data. A enfermeira colocou a bandeja em cima da pequena mesa que tinha algumas ferramentas e um laptop aberto, abraçando o garoto, que era quase como um segundo filho, em seguida.
-Oi ! – O príncipe do Reino Zulu sorriu lindamente e apertou-a em um abraço carinhoso.
-Querido! Tudo bem? Você tá enorme! – O espanto na voz da Mrs. fez o rapaz negro rir alto. – Aliás, você e a Ashley são gigantescos. Faz um tempão que eu te vi, menino! Veio ver seus pais?
-Eu estou ótimo, tia! E você? – O rapaz riu com a conversa de velha dela. – Eu consegui duas semanas de folga e aí vim matar a saudade dos velhos e da pirralha.
-Que coisa ótima! A Ashia estava morrendo de saudade você, se lamentou bastante esses dias. – riu ao bagunçar o cabelo de mais uma criança, na visão dela, e aproveitou a proximidade com o Eliot para abraça-lo, bagunçando o cabelo dele logo após um beijo estalado na cabeça. – Depois responde as mensagens do seu pai.
-Mas ele ainda tá mandando? – Eliot fez a maior cara de sofrimento fingida.
-24 horas por dia e você ignora, ingrato! – Ela ralhou meio esganiçada, dando um tapa fraco na cabeça do moleque.
-Onde tá o ? – Matt perguntou curioso com a conversa dos dois, principalmente por não ter encontrado nem pai e nem Leonor naquela casa em um sábado.
-Foi pra Inglaterra com a Leo! Foram ver o show do McFLY. – riu levemente, cruzando os braços. – Só que o bonito do seu amigo tatuou metade do corpo sem minha permissão. Já falou dessa presepada? – A mulher apontou pro filho mais velho, mostrando o quanto reprovava a atitude do garoto e ouviu o outro rapaz soltar uma gargalhada estridente.
-Essa informação ele esqueceu de falar! – O príncipe disse rindo e deu um pedala no amigo, vendo o filho mais velho dos lhe mandar o dedo. – Mas aposto que você colocou o moleque no lugar dele, certo?
-Até demais, Matthew! – Eliot riu da própria desgraça.
-TOUCHDOWN! – ergueu os braços como se o rapaz tivesse marcado o maior dos pontos e as risadas preencheram a enorme garagem. – Ficou castigo por duas semanas e ainda sem a viagem pro show! – Ela bateu high five com o filho dos Dill. – Te amo, criancinha! – A enfermeira mandou um beijo alado pro filho mais velho, recebendo outro em troca, juntamente com um sorriso que era exatamente igual ao do pai.
-Acho bem empregado! – Matthew revidou ao provocar o amigo.
-E a faculdade, querido? Como anda o projeto do Drone meteorológico? – Ela sorriu curiosa ao cruzar os braços.
-Tá tudo indo muito bem, tia! Bem certo, a gente até quer levar para algumas feiras como protótipo, inclusive. – Rapaz de pele negra abriu um sorriso largo e até orgulhoso do trabalho que estava fazendo, era mesmo muito incrível poder trabalhar com algo que ele sempre tinha sonhado. – Vamos ver se dá certo!
-Vai ser um sucesso, pode acreditar! – soltou um gritinho empolgado, vendo o filho da amiga sorrir ainda mais. – E essas feiras são maravilhosas, é uma troca de conhecimento e experiência sem igual. Eu até libero o pra ir ver!
-Opa! Vai apresentar comigo, aí já vai aprendendo. O que você acha, ? – O convite surgiu casual, mas que atingiu o amigo de uma forma mais intensa do que ele esperava. Só poderia ser brincadeira!
-MENTIRA! – O gritinho esganiçado do mais velho saiu até desafinado pela surpresa e animação. – Eu vou, é CLARO QUE EU VOU! Vai ser incrível, muito, muito incrível! Eu quero levar o meu também e a gente pode até ir dirigindo pra Boston, nem é tão longe assim! – O rapaz disse tudo de uma vez, ganhando um beijo da mãe bem apertado na bochecha.
-Deu curto? – Matthew perguntou pela euforia do mais novo, embora estivesse tão animado quanto ele. Iria ser incrível inserir no mundo do MIT!
-Eu estou ansioso, Matthew! Seja sensível, príncipe do Reino Zulu. – Eliot usou um tom de deboche com o amigo e o rapaz riu, levando tudo na maturidade, ainda que fosse apenas dois anos mais velho que o primogênito dos .
-Você tem que se acostumar com o MIT, dude. Com esse projeto, tá com os dois pés lá dentro. – Matthew piscou encorajador, sabendo que não demoraria muito pra que o amigo entrasse em curto mais uma vez. Aquilo era extremamente engraçado no rapaz, ele era tão agoniado do juízo como .
-Você tem certeza né? – filho soltou uma risada meio desesperada. – O MIT é minha maior meta de vida!
-Absoluta!
-Concordo com o Matt, mas sentem e comam. – A mulher abanou as mãos como se os induzisse a sentar por ali e comer. – Engenheiro vazio não para em pé, tudo bem? Eu fiz um lanche reforçado com Smoothie e sanduíches. – Os dois rapazes acenaram animados com a comida e prontamente se escoraram perto da bandeja. – Vou deixar vocês trabalhando e ir ver a , prometi de ajudar ela a fechar a reforma da clínica. Juízo!!
-Eu cuido do pirralho, pode deixar! – Matthew soltou a zoeira e desviou do pedala, ouvindo a mãe do amigo rir. – Manda um abraço pra , tia!
-Mando sim! Confio em você, Matt. Beijo, meninos! – A enfermeira mandou um beijo alado pros dois e deixou a garagem de casa.

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-Não, não, eu consegui resolver com o , não se preocupa. – riu do suspiro aliviado do marido do outro lado da linha. Realmente era péssimo estar do outro lado do mundo quando os problemas e pepinos surgiam, sem falar na saudade imensa de casa e outra viagem em vias de acontecer, dessa vez, com ele sendo o rosckstar.
E seus livros, anjo? – O homem perguntou mostrando toda a sua atenção e cuidado para com a carreira da esposa, assim como ela tinha com a sua.
tomou fôlego pra soltar toda a sua euforia nervosa em uma enxurrada de palavras que provavelmente teriam que ser repetidas posteriormente, mas arregalou os olhos ao ver uma figura característica inglesa bem atrás do marido.
-ESSA É A RAINHA ELIZABETH? – O grito da estomaterapeuta assustou o cantor de um modo que o fez estourar em risadas quando percebeu que estava bem em frente à estátua de cera da mulher.
É a estátua de cera dela, mulher! disse enquanto tentava prender as risadas no meio do museu, ainda que sem jeito pelo berro que tinha dado. – Eu estou fazendo sua filha passar vergonha no meio do Madame Tussauds e a culpa é toda sua! – Ele não conseguia parar de rir e ouviu alguns xingamentos da esposa, que também ria alto.
-Gente, eu jurei que era ela. Não me julga, safado! – A enfermeira sacudiu a cabeça e continuou esperta pra ver se conhecia mais alguém por ali. – Cadê a Leo? – Os olhos da mamãe brilharam em uma curiosidade imensa.
A Len tá tirando foto com a One Direction, junto com as amizades que ela fez ontem. – O homem sorriu orgulhoso da grande facilidade de comunicação da filha e antes que a esposa pedisse, sabendo bem que ela iria pedir, trocou a câmera do celular focando em Leonor que estava solta e animada com as outras moças, fazendo brincadeiras enquanto tiravam fotos com as mais diversas celebridades.
-Que coisa mais linda de se ver. – A mulher soltou um gritinho esganiçado, podendo ser ouvido apenas por por causa dos fones. – Isso me deixa tão orgulhosa, que você nem imagina!
Imagino, porque é o que eu estou sentindo! – Ele riu tão encantado quanto ela e os dois suspiraram satisfeitos, ao mesmo tempo, soltando uma risadinha cumplice depois.
-Meu Deus, é o Madame Tussauds? – O esganiço de filho assustou os dois que estavam concentrados em Leonor, fazendo o homem mudar a tela imediatamente pra ver o filho, alguém que ele também estava morrendo de saudade depois de tanto tempo.
? – A pergunta do vocalista saiu meio desesperada ao ver sua cópia com a cara enfiada no celular da mãe. – Meu Deus, moleque, eu estou morrendo de saudade! – Ele soltou meio desesperado ao ver o sorriso bonito do filho adolescente e não poder abraça-lo. – Como estão as coisas? A garagem deu certo? E o projeto? Você não me liga, mal responde as mensagens que eu te mando, pivete!
-Ele se enfiou na garagem e não sai mais de lá! – riu divertida, puxou a cabeça do filho, beijando a bochecha dele bem apertado e deixando o rapaz meio vermelho de vergonha.
-É, pai! Eu acho que finalmente decidi meu projeto, conversei com o tio ontem e ele me deu a maior força. – O garoto disse com a voz vibrante em alegria, deixando o pai tão eufórico quanto ele, por suas escolhas. – Decidi fazer algo que vai ajudar a mamãe a tratar melhor os pacientes dela!
Que coisa mais incrível, ! – O homem sorriu ao ponto de enrugar o canto dos olhos. – Isso me deixa tão orgulhoso de você, amigão! – O elogio saiu em tempo hábil, deixando o rapaz de pouca idade completamente inflado e com o peito estufado. Era realmente muito bom ouvir algo daquele tipo, principalmente de quem era sua maior referência como homem, seu pai.
-Obrigado, pai! Mesmo, muito obrigado. Eu estou muito ansioso pra continuar o trabalho, acordei bem cedo hoje mal comi direito, fui direto pra garagem! – Eliot disse um tanto eufórico e ouviu a risada dos pais, ambos sabiam que ele era tão imediatista quanto pai quando queria muito alguma coisa. Se poderia ser feito hoje, por raios seria deixada pra outro dia?
Respira, moleque! Você precisa comer, estudar e tirar boas notas no colégio ainda, antes de ir para o MIT. – os dois da família, riram.
sorriu imensamente feliz por as atuais circunstâncias e suspirou animada em ver que eles continuavam reunidos, mesmo metade da família estando bem longe do Canadá. Não demorou muito pra que Leonor se juntasse a videoconferência, soltando os gritos mais finos e animados que ela já tinha visto em 14 anos.
Oi mãe! Oi ! Tá sendo tudo tão legal! Você viu as minhas fotos com os meninos do McFLY? A gente gritou tanto no show, pulamos, depois gritamos mais uma vez, eu chorei bastante e também fiz váaarias amigas. – A garota soltava tudo de uma vez, enquanto via a mãe e o irmão tão empolgados quanto ela em saber tudo que estava acontecendo. – Aí depois o Tommy veio falar com o papai, sabe o Tommy? – Ela riu e viu os dois afirmarem eufóricos. – Ele disse que a gente ia cumprimentar o McFLY no camarim, quando eu cheguei lá, eles foram ainda mais incríveis e conversaram horrores com a gente, nós ainda conhecemos a Giovanna, a Georgia e a Izzy. Vocês têm noção? Os filhinhos são a perfeição na terra! – A moça disse contendo mais gritos e viu a mãe sorrir com os olhos mais brilhantes que o dela até. – Até que a gente tirou uma foto bem linda ontem, o papai até postou no Instagram dele, fazendo a tal diplomacia. – O deboche saiu sem demora, fazendo a família rir alto. – E nós convidamos a banda pra almoçar hoje e também fomos convidados pra ver o soundchek.
-MENTIRA, LEONOR! – O gritinho de fazia parecer que a mulher tinha exatamente a idade da filha, deixando-a ainda mais animada do outro lado da linha, à medida que afirmava freneticamente e quase tomava toda a visão do pai, tirando o celular da mão dele. – Eu acho que ia surtar junto com você, que momento mais lindo, minha filha! A mamãe tá com o coração explodindo em felicidade por você. – O sorriso maternal surgiu a fazendo retornar a pose de mãe.
-Eu juro que vou pensar duas vezes, na próxima tentativa de tatuagem! Assim dá pra viajar tranquilo. – O garoto riu alto e sentindo o coração ficar mais feliz por matar, nem que fosse um pouquinho, a saudade da irmã, continuou: – Pirralha você nasceu com a bunda na lua! – Ele gritou e os dois riram alto, enquanto ela fazia uma pose no meio do museu de cera. – Eu estou morrendo de saudade, sua ingrata, mereço um presente muito bom!
Sem chance! Já gastei toda a minha mesada com tinta e camiseta, sorry! – Leonor fez um bico zoeiro e o irmão mostrou a língua.
-Sem desculpas, estoura o cartão do pai, ué! Pra que serve o cartão dele?
Eliot! – O homem esganiçou bem fingido pra situação, ouvindo o filho mais velho rir e mandar um beijo zoeiro.
Mas e o seu projeto, ? Dando certo? – Leonor abriu um sorriso cumplice de quem já sabia exatamente o que o irmão estava planejando e despertou nos pais um sentimento meio indignado. Como assim aquele moleque continuava fazendo mistério pra eles?
-Firme e forte! – O rapaz piscou com o mesmo sentimento cumplice e os dois riram.
E os livros, anjo? tomou a vez na conversa, vendo-a tomar fôlego pra despejar uma gama de informações na conversa, mas antes que pudesse virar a filha em estado de euforia, a campainha da casa tocou.
-AI MEU DEUS! ACHO QUE SÃO OS LIVROS! – Ela direcionou sua euforia a possível chegada e praticamente jogou o celular nas mãos do filho mais velho, ouvindo os dois rirem alto. Embora não ligasse pra estar virando chacota daquela família, a enfermeira queria mesmo era ver seu mais novo produto chegando e prontinho do jeito que ela havia encomendado tudo.
Quem trouxe? pai perguntou ainda rindo e viu o filho negar a pergunta, mostrando que não fazia a mínima ideia, por a mãe não ter aberto a porta ainda. – Vira a câmera, ! Nós não queremos perder esse momento! – Em tempo apenas de o cantor conhecer o sogro sorridente ao ver a caçulinha dele. – Seu avô? – A pergunta veio acompanhada de uma gargalhada.
-Eu também não sei porque ele trouxe os livros. – O filho ria tão perdido quanto o pai. – Eu achei que o Andrew fosse trazer, ele e a mãe ficaram até tarde ontem tagarelando sobre isso. OI VÔ! – O rapaz gritou ao mesmo tempo que ia de encontro ao pai da sua mãe, ansiando abraça-lo tão forte quanto seria abraçado.
! – Charlie gritou ainda abraçado a filha, quase sacudindo-a como se a estomaterapeuta tivesse a idade de Leonor.
-CADÊ O VOVÔ? – Leonor soltou um gritinho fino que poderia ser ouvido de toda a Inglaterra.
Os abraços se estenderam até o rapaz que ainda segurava o celular na mão, o fazendo entender que não importava o quanto ele crescesse, ainda seriam uma criança. Se sua mãe que já era mãe de dois, nunca deixaria de ser criança para o pai dela, imagina ele que era a criança da criança.
-Como você tá? E o vestibular? – O senhor de mais de 60 anos perguntou bem concentrado no neto. Vendo o rapaz sorrir largamente.
-Eu estou bem, vô. O tio tá me ajudando com o projeto da faculdade. Eu vou passar! – Ele respondeu animado e ganhou um beijo na cabeça.
-Claro que vai! Quem foi o louco duvidou disso? – O homem sorriu encorajador ao sacudir mais uma vez o rapaz. – Cadê a Leonor? Eu ouvi a voz dela!
Aqui, vovô! – A moça voltou a tagarelar do outro lado da tela, vendo Charlie espremer um pouco os olhos pra enxerga-la e finalmente rir, ajeitando os óculos no rosto. – Você vai ficar aí até quando?
-Onde você tá, menina? – O homem mais velho perguntou rindo e logo cumprimentou o genro. – ! Tudo bem?
Hey, Charlie! Tudo bem sim, e com vocês? Nunca mais apareceram!
-Estamos bem! Eu vim resolver umas coisas em Montreal e passei pra ver minhas meninas. – O homem sorriu e ainda que considerasse duas filhas já adultas como crianças, era completamente entendido por naquele quesito.
Eu estou na Inglaterra, vô! – Leonor soltou um gritinho animado. – Vim ver um show do McFLY com o meu pai! Está sendo tão incrível.
-Mc… o quê? Esses moleques de hoje em dia. – O senhor soltou meio saturado pela falta de criatividade com o nome da banda e ouviu a risada estrondosa do genro e da filha.
-Pai, eles são quase da nossa idade! – A enfermeira abraçou o pai de lado, recebendo um beijo carinhoso na cabeça.
-Como eu disse, moleques! – O homem voltou a afirmar. – O outro tem uma banda chamada Simple Plan, vê se pode. – Ele pirraçou com o genro e arrancou mais algumas risadas, inclusive do vocalista em questão que sempre se esvaía em risadas quando o assunto vinha à tona.
Você adora a banda, Charlie, nem vem! – O Mr. riu em poder rebater a brincadeira.
-Não quando dois integrantes dela tiraram minhas duas filhas de mim. – O choramingo veio como uma ralhada, mas interrompido por um toque irritante no interfone.
Com certeza era Andrew! Só poderia ser ele, junto com o carregamento de livros que procurava retratar bem a convivência com o paciente estomizado, a busca por uma vida normal e todos os cuidados necessários para que a pequena estomia não se tornasse um imenso problema. Aquele livro estava sendo um dos mais esperados, não só para a enfermeira estomaterapeuta, mas por um grande público que a acompanhava há longos anos e já tinha garantido o exemplar na pré-venda pela internet. Uma oportunidade perfeita era lançá-lo na reinauguração da clínica e mostrar o lindo produto que aquele trabalho duro estava resultando, além de algumas coberturas patenteadas e um modelo de prótese sintética para que os futuros pacientes estomizados pudessem aprender a ver o corpo novamente.
A porta foi aberta revelando um rapaz sorridente e tão eufórico quanto a Mrs. , eles dois sabiam bem o trabalho que tinha dado construir todo aquele material.
-CHEGARAM? – A mulher arrancou uma das caixas das mãos dele, ouvindo o amigo soltar um gritinho semelhante ao dela. – MEU DEUS, MEU DEUS, EU PRECISO ABRIR E VER A CAPA! – encostou a caixa que estava em mãos, perto das caixas do sofá novo, que estava esperando pra ser montado e sem mais demoras, rasgou a fita adesiva que selavam os lados do papelão enquanto Eliot e Charlie ajudavam Andrew a pegar o resto.
O celular da mulher foi colocado pertinho dela no chão e à medida que ela abria a caixa e tirava os livros, ia mostrando a pai e a Leonor, ouvindo exclamações tão animadas quanto a dela, principalmente as de um marido que estava imensamente orgulhos e feliz por participar de um momento tão importante quanto aquele. sabia bem o quanto a esposa vinha dando duro pra escrever e publicar o livro, ainda que estivesse de longe com todos os problemas que envolvia a separação mais desastrosa.

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ouviu a campainha da casa tocar e colocou o laptop em cima da mesinha de centro, pendurou o fone de ouvido na tela e calçou os chinelos confortáveis que gostava de usar em casa pra ir atender a porta. Capaz de ser com o carregamento de batatinhas e vinho pra noite que os três haviam combinado. Como em todos os outros anos, era daquele jeito que eles comemoravam a nova vida de , às vezes com mais gente, às vezes com apenas o trio e outras vezes, só com as duas mulheres e algumas crianças no tapete. O homem sabia que a esposa iria ter uma surpresa bem bonita aquele dia com a presença do pai dela nas comemorações, principalmente quando ela tinha passado o dia pra cima e pra baixo resolvendo todos os problemas relacionados aos seus projetos de emprego.
-Boa noite, família! – O Mr. sorriu ao dar de cara com um trio da pesada assim que abriu a porta, a cunhada, o afilhado e o sogro pareciam ansiosos pra festa particular. O primeiro a ganhar um abraço apertado foi Charlie, sentindo a felicidade de abraçar o genro que havia se tornado filho depois de tantos anos. – Que bom te ver de novo, Charlie! A Mrs. tá dando banho no Alex, já ela desce e causa aqueles gritos.
-Estou louco pra ver minha filha! – O mais velho sorriu da forma mais paternal.
-Ela vai adorar saber quem veio pra noite especial! – O marido apaixonado disse sorrindo e soltou um suspiro mais discreto, embora condenasse o quanto ele era arriado pela esposa.
E como um cavalheiro, Charlie deu espaço para que a filha mais nova e o neto mais velho entrassem na casa dos , cumprimentando com leves abraços.
-E aí, tripa seca, tudo certo com o projeto? – A pergunta do guitarrista mais geek de todos os tempos veio pra zoar o afilhado, vendo o garoto rolar os olhos e rir depois.
-Sim, dindo. Já consegui trabalhar bastante nele, obrigado pela ajuda. Amanhã você pode ir lá em casa né? Ver como tá o andamento, o vovô adorou a ideia!
-E ninguém me conta do que se trata! – ralhou um tanto indignada com aquilo, recebendo um trio de cínicos sorrindo em sua direção. – Garotos! – Ela rolou os olhos e aproveitou a familiaridade com a casa espaçosa pra colocar os mantimentos em cima da bancada. – Posso ir botando as batatas no forno, ?
-À vontade, ! – O homem meneou a mão e sentou ao sofá, acompanhado do sogro e do sobrinho. – Já contou pro seu avô que você tá namorando? – A pergunta do atingiu em cheio a cara do garoto.
-Como assim você tá namorando? – Charlie perguntou divido entre estar animado e preocupado com a informação. – Você tem idade pra isso? – O deboche surgiu em cheio, fazendo e rirem alto. Os dois sabiam bem que o pai das gênias da família Cousseau já tinha a pele calejada de tanto pepino.
-Óbvio que tenho, vô! Eu tenho 16! – Eliot disse meio ofendido com a pergunta mais sem noção. – Minha mãe tinha 15 quando começou namorar com meu pai!
-E te teve aos 17, não é exemplo!
-Pai! – Ela reclamou fazendo a ofendida, ouvindo toda a conversa de onde estava. – Eu tive o aos 18!
-Continua não sendo exemplo!
-Sabe que eu concordo plenamente! – O barulho do motor da cadeira motorizada, junto a voz de se fizeram presente na sala de estar conjugada a cozinha e o homem olhou-a de uma vez, imerso em saudade e felicidade. – PAPAI!
-VOVÔ! – O grito de um Alexander com o cabelo molhado foi mais alto do que a voz da mãe, dando corda a um garotinho que não precisava de muito pra correr como se tivesse em uma maratona e sem esperar mais, ele se agarrou nas pernas do avô, sendo colocado no colo em seguida. – Eu estava morrendo de saudade!
-Campeão! – Charlie levantou a criança no ar e jogou-a de leve pra cima, arrancando uma gargalhada mais do que espontânea do menino. – Eu também estava morrendo de saudade do meu skatista preferido! Tudo bem? E a escola? – O senhor beijou a bochecha do neto, fazendo a criança se inflar pra despejar todas as respostas de uma vez.
-Tudo bem, sim! O senhor sabe que hoje é o aniversário da mamãe né? Mas é o segundo aniversário dela. E na escolinha eu só tiro A+, sou bem inteligente! – O convencimento do moleque gerou algumas risadas encantadas e mais um abraço apertado no pequeno.
-Você é um super gênio que nem seu primo! – O Mr. Cousseau piscou orgulhoso e viu um aceno frenético do molequinho esperto.
-Eu vou pro TIM que nem o . – Alex fechou os olhos mostrando o quanto estava convencido daquilo.
-É MIT, pirralho! – Eliot corrigiu o primo, mas achando uma fofura da parte dele lhe usar como espelho.
-Isso mesmo! – Alexander se saracoteou pra sair do colo do avô e prontamente foi colocado no chão, ganhando um beijo carinhoso na cabeça.
Charlie levantou a vista e sorriu imensamente ao ver uma das suas menininhas, que já não era mais qualquer moça. era uma mulher muito bem resolvida, mas era como diziam os mais velhos, os filhos nunca deixariam de ser pequenos aos olhos do pai. Ele sorriu ao abraçar ainda mais a filha mais velha, enquanto a mulher quase se pendurava ao pescoço do pai, imersa em tanta felicidade por tê-lo ali em sua casa. Um beijo carinhoso foi dado na bochecha de como se a designe fosse uma criancinha de sete anos apenas e os dois riram mergulhados em uma emoção bem bonita de se ver.
-Eu estava morrendo de saudade, papai! – Ela verbalizou com uma emoção sem tamanho, ganhando mais um abraço apertado e cheio de amor.
-Imagina a gente que mora tão longe! – Charlie agachou em frente a cadeira, sorrindo largamente ao ver que sua menina estava tão bem. – Como vocês estão? Como você se sente por hoje? Eu sei que é um dia difícil.
-Estamos muito bem, pai! – apertou a mão dele com força, passando total segurança. – Eu me sinto melhor a cada ano, é difícil sim pensar em como minha vida mudou tanto depois do acidente, mas eu tenho vocês! – A mulher o abraçou mais uma vez com força, principalmente quando sabia que toda a família lembrava daquele dia como um segundo aniversário dela. – E todo dia eu aprendo uma coisa nova, eu aprendo como driblar mais coisas e também consigo ensinar o melhor de tudo ao Alex.
-E você sempre vai ter a nós todos, somos sua família! É tão bom saber que você só aprende mais a cada ano, meu anjo! – Charlie abriu um sorriso bonito, que entre uma fungada e outra, ficava ainda maior. Ele ouviu a risada divertida da filha mais velha, à medida que a Designe passava os polegares em suas bochechas pra conter o começo do choro. – Sua mãe está morrendo de saudade, choramingou bastante em não poder vir, mas disse que logo a gente vem, todo mundo!
-Sim!!! Em algumas semanas os meninos vão tocar aqui em Montreal e a gente quer todo mundo aqui para o grande show! – O sorriso surgiu com a pureza de um sorriso infantil e alegre, fazendo Charlie apertar ainda mais as mãos dela, beijando o dorso em seguida. – Senta aqui e me conta como estão os negócios na padaria. – Ela riu divertida e deu um tapinha no sofá que estava ao seu lado, ouvindo uma risada divertida do pai.
-Uma loucura! – O homem sentou no sofá e encheu o peito pra falar. – Essa semana sua mãe inventou que a gente tem que expandir ainda mais e quer comprar mais um imóvel pra franquia! – Os dois riram por saber que Elena era um pouco agoniada.
-Eu nem sei como ela não me ligou ainda, sendo bem sincera! – A mulher sacudiu de leve a cabeça. – Ela sempre quer que eu faça os projetos da padaria. Mas sempre fica tão aconchegante né?
-Sim! Eu adorei o jeito que vocês organizaram a nossa maior, todo mundo elogia tanto quando vai por lá e nós sempre enchemos a boca pra dizer que foi nossa filha! – O pai sorriu largamente, mostrando todo o seu orgulho.
-Melhor recompensa do mundo! – O gritinho de o fez rir, enquanto ela travava as rodas da cadeira pra fazer a transição pro sofá.
-Deixa eu te ajudar! – Charlie levantou prontamente e ainda sob protestos desgarrados, tirou a filha mais velha da cadeira de rodas, colocando-a sentada no sofá grande e escuro da casa. – Tá confortável? – O homem perguntou arrumando algumas almofadas ao redor dela. – Quer colocar os pés em cima de alguma coisa?
-Tá ótimo assim, pai! – arregalou de leve os olhos, tentando fazê-lo parar com tanto paparico e fez o senhor de cabelos grisalhos soltar uma risada espontânea. – Assim vai ficar com ciúme!
-VOU MESMO, HEIN! – O grito de deboche ressoou da cozinha. – Que paparico é esse? – A enfermeira fingiu indignação.
-Eu passei o dia te ajudando pra cima e pra baixo, garota! Não reclama! – O Mr. Cousseau reclamou parecendo quando reclamava dos ciúmes exagerados de Leonor e as irmãs riram, à medida que a que estava mais perto abraçava o pai com força.
-Vovô, vamos brincar de bola de gude? – Alex cutucou o joelho de Charlie, fazendo um brilho gigantesco tomar os olhos do homem. – Eu, o senhor e o no tapete! – A criança arregalou os olhos azuis extremamente claros, da cor dos olhos do pai, segurando um saquinho gigantesco com inúmeras bolas de gude que haviam sido compradas em várias partes do mundo.
-Claro que eu quero brincar de bola de gude! – O homem se animou como se tivesse cinco anos de idade, despertando um sorriso imenso e bonito na filha, que já ajudava e a acomodar as coisas na mesinha de centro, enquanto segurava algumas bacias.
Os três sentaram no tapete sem mais cerimônias e logo o menino derramou todas as bolinhas de dentro do saquinho, despertando o instinto mais infantil de quem estava brincando com ele. Era realmente maravilhoso poder brincar com qualquer pessoa e mesmo que ele não tivesse irmãos, tinha vários amigos, grandes ou pequenos. O trio entrou em uma bolha divertida e cheia de risadas pelas bolinhas de gude coloridas e que rolavam com a maior rapidez do mundo pelo tapete, transformando o homem e o projeto de um, em dois meninos de cinco anos assim como Alexander.
, e se acomodaram no sofá escuro e logo trataram de ligar a TV em qualquer serviço de streaming, colocando o mais idiota dos filmes pra rodar. Ao menos renderia boas risadas àquela noite, que junto aos petiscos maravilhosos e várias conversas paralelas, seriam a melhor forma de comemorar o aniversário torto de . Cinco anos de um acidente que tinha mudado e pra melhor a vida de todo mundo!

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London, England. 6pm. Day 3.
-Charles? Hey, cara! – cumprimentou o melhor amigo de eras, dividido entre ficar pra prestar atenção em Leonor, ou se afastar um pouco pela ligação. Achando a segunda opção mais propícia.
Oi! Tudo certo? – Chuck cumprimentou. – Eu liguei pra combinar os próximos ensaios, já que a gente vai fazer show em Montreal em algumas semanas. O Frank disponibilizou o espaço do estúdio, então acho que a gente vai conseguir ensaiar muito bem.
-Sim, sim, tudo certo! Ótimo, na verdade. Eu ainda estou com a Leo aqui em Londres. – respondeu e fez uma careta pelo som que atrapalhava um pouco a ligação, mas ouviu o amigo rir. Não sabia se dele, ou se em solidariedade por entender que a afilhada estava crescendo rápido demais. – Mas podemos começar o quanto antes sim, é bom que aí não me come vivo por causa da voz.
Como sempre! – Os dois riram pelas atitudes duras da mulher, principalmente quando a disciplina do marido em relação a voz, estava envolvida. – Mas me diz… vocês conseguiram resolver essa bagunça toda? – Comeau perguntou um pouco preocupado com a situação do casal de amigos, principalmente sabendo o quanto a situação afetava .
O soltou um suspiro tão aliviado e animado que despertou uma curiosidade ainda maior no amigo, ao menos uma curiosidade boa, principalmente quando tudo vinha a indicar que sim.
-Sim, cara. – riu da forma mais idiota ao lembrar da esposa. – A gente conversou antes de eu viajar com a Len. Nossa, se eu soubesse que ia ser fácil, a gente já tinha conversado bem antes. Acho que acabamos amadurecendo nesse inferno de ano que passou.
Era de se esperar, ! Porque sinceramente, depois de tanto sofrimento que vocês dois fizeram os meninos passarem, se não tivesse resolvido. Era melhor pedir o divórcio! – Chuck foi um pouco duro nas palavras e ouviu um resmungo desgostoso. – Tem certeza que deu certo, não tem, ?
-Óbvio que eu tenho, Comeau! – rolou os olhos com tanta insistência, ainda que o medo batesse fundo no peito.
Dá última vez que você me disse que estava tudo dando certo, a porra de uma bomba explodiu nas mãos de todo mundo com você mudando pra cá sem a e os meninos, então eu espero muito que dessa vez seja verdade.
-Você acha que se tivesse fodido de novo, eu já não tinha voltado pra aí? – O tom de saiu até meio irritado com a insistência do melhor amigo, por mais que soubesse que no fundo, ele tinha razão.
Eu sinceramente, não sei. Por favor, faz a coisa andar agora, não dá uma de moleque mimado e inconsequente. Você não tem nem mais idade pra isso!
-Eu sei, Chuck! Pelo amor de Deus, eu não sou criança. Não é a minha vida que tá em jogo, é a vida dos meus filhos, é a vida da minha esposa. Dá pra confiar em mim, ao menos uma vez na vida? Como você mesmo disse, eu nem tenho idade pra agir feito um moleque idiota, portanto, não vou!
Assim espero, ! Assim espero! – Comeau alertou como se fosse pai do amigo e ouviu um baixo “vai à merda”, fazendo-o rir alto com o xingamento tão infantil. – Vai você, idiota! – Os dois riram como se não tivessem mais que 18 anos. – Vai lá curtir com a Leo e manda um beijo pra ela, diz que o dindo tá com saudade. Assim que chegar em Montreal, eu, a Jackie e o London vamos lá!
-Estamos ansiosos com a visita! – passou a mão pelos cabelos escuros. – Até depois, Chuck!
Até, ! – Os dois se despediram e o Mr. desligou o telefone com uma dúvida gigantesca pairando sua cabeça.
Será que a conversa tinha mesmo resolvido a situação dos dois, ou só apaziguado o problema? Óbvio que os dois já estavam envolvidos a um nível extremamente íntimo e carnal, mas sexo entre o casal nunca tinha sido sinal de reconciliação, não apenas, na verdade. Ele ponderou ligar pra ela mais uma vez naquele dia, mas sabia que não era a melhor maneira de resolver qualquer mal-entendido. Pessoalmente. Era pessoalmente que bateria o martelo sobre voltar mesmo pra casa!

Chapter Fifteen

-Eles disseram a hora que o voo chegava? – Eliot perguntou impaciente com a demora da chegada, enquanto via a mãe mais do que tranquila sentada em um dos bancos e parecendo resolver algo da clínica por telefone.
-Leo só me avisou a hora que eles tinham saído de lá, meu anjo. – levantou a vista e percebeu que o rapaz parecia um pouco desconfortável com alguns olhares em cima dele.
A mulher prendeu a risada entre os lábios e bateu de leve na cadeira ao lado dela, sabendo bem o quanto incomodava ao garoto ser tão parecido com o pai na maioria das vezes. Um parecia realmente a versão mais nova do outro e isso atraía vários olhares quando os dois, ou apenas um, estavam em público, sendo um pouco constrangedor pro mais novo. Principalmente quando pai se vestia igual a um garoto de no máximo, vinte anos, ou seja, igual a filho.
-Você tá desconfortável com tanta gente te olhando não é? – Ela perguntou ao soltar uma risada anasalada, o rapaz bufou se dando por vencido e logo sentou ao lado da mãe, como se derretesse na cadeira de ferro desconfortável
-Eu fui no banheiro e uma moça me parou. – apontou na direção do corredor. – Viu que eu não era meu pai e pediu desculpas.
mordeu a boca, tentando mais uma vez não rir do garoto, embora fosse frustrado com um bico gigantesco que nem o do filho. Ela abriu o berreiro a rir, vendo o adolescente rolar os olhos e se afundar ainda mais na cadeira, sabendo que estavam chamando ainda mais atenção pela risada da mãe.
-É que você é tão lindo quanto seu pai, meu coração! – Ela se recompôs e passou a mão no coque, amassando os cachos. – Vem cá! – A enfermeira inclinou o corpo, tirando o boné e o óculos escuro do rapaz, que era bem parecido com o do pai. – Pronto! Agora você tá meu filho, seu pai só anda de boné e óculos por aí, o pessoal confunde mesmo. Pode respirar! – piscou e beijou a bochecha do rapaz, sabendo que aquilo o deixaria mais seguro, embora não resolvesse nadinha. Ele era mesmo a cara do original e nem ela distinguia tanta semelhança, às vezes.
-Você não se incomoda com tanta gente olhando pra gente? – filho fez uma careta ao bagunçar o cabelo.
, desde que eu tinha uns vinte e poucos anos que eu vivo isso. Me incomodava bastante, mas é algo comum pra mim agora, com o tempo você acostuma. – Ela guardou o celular na bolsa pequena e ajeitou o óculos de grau no rosto. – Quando vê, tá até acenando para as pessoas e sorrindo. Eu já nem sei mais quem me conhece por ser a e quem me conhece por ser a esposa do .
-Será que algum dia alguém vai me conhecer por ser o Eliot e não mais o filho do vocalista do Simple Plan? – O garoto mordeu a boca bem duvidoso da sua pergunta, vendo a mãe abrir um sorriso largo.
-Não tenho a menor dúvida que sim! – Ela beliscou a ponta do nariz dele. – Um dia desses o Charles vai ser conhecido como “o pai do Eliot!”
O rapaz riu todo fofo com a declaração da mãe e se sentindo como alguém anônimo, ficou mais confortável com a situação. Os dois passaram alguns minutos observando o aeroporto enorme, que nunca parava e trazia as melhores notícias para alguns, assim como a que mãe e filho esperavam há cerca de 30 minutos naquele dia. O monitor fixado às colunas grossas mostrava os horários, atrasos, companhias trabalhando e moviam todo aquele lugar de um lado para o outro. Os guichês não paravam um minuto pra atender as filas intermináveis, assim como a esteira que carregava todas as malas.
-Acho que chegaram, ! – disse ao estreitar os olhos para o monitor e reconhecer o número de voo em que o marido e a filha estavam.
Os dois levantaram dos bancos de ferro e logo andaram para um dos portões de embarque e desembarque mais perto da área que eles estavam, ansiosos e cheios de saudade para receber e Leonor, depois de uma semana fora de casa. Após uns bons minutos, várias pessoas começavam a sair pela grande porta de vidro, até que os dois avistaram a dupla dinâmica, onde Leonor parecia a personificação do McFLY pela camisa temática que usava e o homem a derrota em pessoa, com um semblante incrivelmente cansado de quem só queria colo depois de horas dentro de um avião.
O abraço não tardou a chegar e enquanto a ponta mais nova daquela família parecia uma matraquinha tagarela contando sobre todas as camisas legais que tinha trazido pro irmão, a ponta mais velha pedia socorro com apenas um olhar pelo desgaste. Ele não estava mais tão novo quanto costumava pensar. e filho ajudaram a arrastar as malas e entre abraços e risadas, os quatro iam saindo do aeroporto imenso daquele lugar.
-Eu vou dormir doze horas seguidas depois do banho. – O homem disse com a boca contra a cabeça da esposa, sentindo o acocho do abraço aumentar.
-Exausto? – Ela perguntou baixinho ao enfiar o rosto na bochecha dele e ganhou um beijo rápido nos lábios.
-Pra caramba. Eu odeio jet lag. – Os dois riram com o trocadilho nada intencional e mais um beijinho rolou em meio ao abraço apertado do casal.
-Em casa a gente liga a hidro! – Ela piscou sabendo que aquela era uma ideia maravilhosa e ouviu o suspiro contente dele sobre a banheira de hidromassagem pra aliviar o cansaço de uma viagem longa.
-Só eu sei como eu te amo, mulher! – O suspiro de escapou cansado da boca dele e mesmo que soubesse de todas as intenções da esposa em querer ligar a hidromassagem, ia manter a palavra e segurar a vontade até que as coisas estivessem mais do que esclarecidas.

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-Ai que essa semana me deixou morrendo de saudade de você! – saiu do closet se insinuando claramente pro marido largado na cama.
-Eu também, anjo! – Ele riu baixo, evitando de levantar a vista e sentir toda sua decisão em não transar até resolver tudo, ir por água abaixo. – Ficar longe de casa é ruim de todo jeito. – O vocalista do Simple Plan largou um livro qualquer de lado e desligou a luz do abajur, ainda que soubesse que aquilo não pararia .
-E você acha que eu não sei, só não foi tão ruim porque aproveitei pra me atolar com o trabalho. – A risada baixa surgiu na penumbra quando ela se apoiava na cama insinuando que passaria por cima dele pra deitar do outro lado. – Você queria conversar o quê? – A pergunta veio acompanhada das mãos dela apoiadas no abdome definido e contraído do marido. rebaixou a postura e sem vergonha alguma sentou no colo dele, recebendo um olhar desesperado e até apavorado do homem.
desejava sumir diante de tal situação. A merda de uma camisola branca que tinha uma fenda desde o ponto entre os seios, fartos à propósito, e separava todo o tecido, mostrando a minúscula calcinha praticamente transparente. Se não bastasse a visão mais do que instigadora dela sentada em seu colo com um sorriso ladino, os cabelos cacheados rebeldes em um volume incrivelmente lindo e que já era a identidade de , as unhas já um pouco maiores começavam passear por ali causando os piores reboliços que o homem já tinha imaginado. Ela mordeu o lábio inferior em um sorriso bem safado ao sentir que ele já ficava ereto só com carinho que as unhas faziam subindo no abdome, ouvindo uma risada desesperada por parte do marido.
Ela estava de unha grande? nunca usava unha grande! Por que a unha dela estava grande?
-Anjo, anjo. A gente precisa conversar uma coisinha. – Ele soltou mais uma risada desesperada ao sentir as unhas dela irem subindo pro seu peito, à medida que a mulher se inclinava e a ereção se encaixava tão bem entre as pernas dela.
-Cama não é lugar para conversas… – Ela se encaixou ainda mais no colo dele, sentindo as mãos de agarrarem suas pernas como em um protesto, ou como alguém que não fazia a mínima ideia do que fazer.
-Anjo, eu não vou transar enquanto a gente não resolver isso. – O homem verbalizou o que nem imaginava que fosse verbalizar e ouviu a risada provocativa dela. Aquela velha risadinha de quem não estava nem aí, ela ia conseguir o que quisesse. – Anjo… Sabe quando você fala não? – A pergunta veio acompanhada de uma risada esmorecida.
Ele não estava fazendo e nem falando aquilo, só poderia ser brincadeira.
-Eu estou falando não.
piscou repetidamente, sem entender exatamente o que raios ele estava falando. Desde quando recusava um bom sexo? Desde quando ele olhava pra cara dela e falava não? A incredulidade na mulher a fez ficar estática e confusa com aquilo, entrando em situação pior ao perceber quando ele segurou suas mãos com delicadeza e tirou-as de seu peito.
-Conversar antes…
-Eu não vou conversar merda nenhuma com você! – A mulher furiosa pulou fora do colo dele, acendendo a luz do abajur pra que suas expressões de ira ficassem bem claras. – Você disse não, então é não! – O sorriso cínico apareceu marcado nos lábios dela e o homem se jogou pra trás no colchão.
-Sem ser assim cabeça dura, . Por favor! – sentou novamente na cama, passando as mãos impaciente entre os cabelos, principalmente quando a outra cabeça implorava por um contato nem que fosse pequeno. Ela arqueou a sobrancelha e olhou pro meio das pernas do marido como se o condenasse por aquilo. – Você está seminua, gostosa pra caramba e estava sentada no meu colo. Queria o quê? – P esganiço chegou a mudar a voz do cantor, o fazendo pigarrear depois e tomar a frente dela, na resposta. – Foi retórico, mulher!
-Foda-se! Você é um belo de um filho da puta. – Ela xingou possessa com postura omissa dele e deu meia volta pra sair do quarto, carregando o robe de moletom e cor de papa de aveia junto, mas que escondia bem demais o pecado que aquela camisola era.
O baque forte da porta batendo não conseguiu se confundir ao grunhido desesperado que preencheu o espaço do quarto, mostrando o quanto queria se matar por causa daquilo. Será possível que depois de quase 20 anos ele não sabia introduzir uma conversa adulta com a própria mulher? Não era tão difícil assim chegar pra ela e tirar logo a limpo toda a história, saber que estava em casa, encher o armário outra vez e ser feliz com a família que ele tinha. Mas não, o idiota do homem em questão tinha preferido passar o dia na base do paparico e resolver conversar a noite, logo na hora em que os dois mais precisavam daquele sexo. Ela tinha completa razão, ele era sim um belo filho da Puta!
A porta do quarto abriu no mesmo supetão que tinha sido fechada e a mulher furiosa caminhava com o peito inflado de ódio na direção da cama, tirou o robe mamãezinha e depois de joga-lo na poltrona que estava perto, continuou sem dar uma mísera palavra que fosse. desabotoou a camisola sabendo que tinha um espectador na penumbra, que pela cara de culpado queria dizer algo que o tirasse daquele espiral ruim, embora sabendo que apanharia na cara se desse um pio. A mulher sacudiu o cabelo cacheado e jogou a peça branca na cara do marido intencionalmente, deitando apenas de calcinha na cama gigantesca. A posição lateralizada e com a bunda empinada era pra ferrar com o juízo de quem quer que fosse, principalmente o marido que estava do lado e lhe negando bons gemidos.
suspirou cansado, frustrado e meio desesperado pela situação, jogou a camisola dela na poltrona junto com o robe cor de papa e ergueu a postura na direção da mulher deitada de costas pra ele. Circundou-a com um dos braços, deixando a imensa expectativa de misericórdia no ar, principalmente por estar com a boca quase encostada no ombro dela. A outra ponta do lençol foi agarrada e em uma rapidez imensa, o homem cobriu o corpo despido que estava lhe matando.
-Boa noite, anjo. Te amo! – O sopro na orelha veio acompanhado de um beijinho casto.
-Vai à merda. – Ela revidou a declaração, ouvindo a gargalhada estridente do vocalista e rolou os olhos, focada em dormir, antes que o amarrasse na cama e transasse mesmo sem ele querer.

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Depois que Leonor saiu distribuindo todos os presentes comprados na Inglaterra, incluindo quase uma coleção nova de camisas pro irmão, algumas lembrancinhas pra Ashley, mais algumas amigas de colégio e outras pro Alex, a moça desembestou a tagarelar sobre toda a viagem e o quão mágico havia sido conhecer os caras da banda preferida, deixando a mãe imersa em uma emoção tão mágica. Algo que deixava mais do que feliz, principalmente em saber que Harry, o baterista da banda, era um dos maiores responsáveis por fazer sua filhar voltar a dar foco pra bateria, ainda mais depois que ela ganhou um par de baquetas autografadas.
Na escola não tinha sido diferente, o sucesso da viagem se espalhava a cada conversa entre o pessoal e embora ela tivesse ingressado no high school há pouco tempo, já era uma das pessoas mais conhecidas daquele lugar, apostando claramente que tudo aquilo era por estar na equipe de torcida, onde consequentemente estavam as “populares”. e Leonor não eram os mais ligados naquele tipo de coisa, os irmãos eram até despercebidos demais em relação àquilo e não estavam tão preocupados assim se eram famosos, idolatrados ou não.
Fora os burburinhos sobre o McFLY e todas as conversas exageradas que vinham junto, o Green Park High School estava imerso nos preparativos para o início da temporada de Hockey, onde o time do colégio jogaria contra os outros colégios da cidade e assim disputariam os títulos até ir pras regionais, almejando as nacionais. Faixas já tinham sido espalhadas em todos os lugares, coreografias ensaiadas e os garotos do time estavam mais focados do que nunca, assim como acontecia quando começava a temporada do basquete, do lacrosse e assim sucessivamente.
-Como se sente, ? – filho perguntou ao jogar o braço nos ombros da irmã, assim que a acompanhou no corredor e os dois riram.
-Invadida! – A garota arregalou de leve os olhos. – Já me perguntaram três vezes se eu estava em uma after party super doidona! – Ela olhou pro irmão com uma interrogação gigantesca na cara, ouvindo gargalhar com aquela história.
-Esse pessoal é pirado! – O rapaz beijou a cabeça da irmã e apertou-a mais no abraço. – Mas e sobre sua primeira apresentação com as líderes de torcida?
-Um pouco nervosa. – Leonor deu de ombros não se importando muito com aquilo. – Estou mais preocupada em recuperar o que perdi de conteúdo nessa semana que passei fora. Ash tentou me passar tudo ontem, mas era coisa pra caramba e já tem teste do Mr. Benoit na semana que vem.
-Eu fiz teste dele semana passada, não me pareceu tão complicado! – Eliot deu de ombros e a garota fez uma careta de oposição.
-Você é inteligente, criança!
-Falou a gêniazinha dos! – Ele rebateu e os dois riram. – Não tá mesmo empolgada com essa coisa toda de líder de torcida? Catherine tá capaz de parir umas 15 crianças porque eu disse a ela que não vou dançar.
-Você dançando? – Leonor soltou uma gargalhada estrondosa, ouvindo o irmão rir junto com ela. – Você deveria, vai ser legal. Mas eu sinceramente, estou bem mais preocupada em ter médias satisfatórias. O que vier de resto é lucro, até porque esse colégio não