Welcome To My Life

Welcome To My Life

Sinopse: Sonhos podem se realizar? Amar alguém que nem sabe que você existe e acreditar com todo o coração que um dia ele vai te amar isso é possível? Quando a sorte lhe sorri não tem como você não sorrir de volta.
Morar no Canadá, trabalhar, estudar e quem sabe até se apaixonar… Bem-vindo a minha vida.
Fandom: Simple Plan
Gênero: Romance,Drama,Ficção.
Classificação: não recomendado para menores de 18 anos, contém cenas de sexo.
Restrição: Podem ser mencionadas referências à banda Simple Plan. Integrantes da banda fixos.
Beta: Thalia Grace

Capítulos:

1- AMOR À PRIMEIRA VISTA

Não sei em que ponto essa história deixou de ser um sonho em um diário para se tornar realidade, agora os fatos se confundem um pouco na minha cabeça. Só sei que tudo se tornou uma realidade muito boa.

2003…

Diário, aqui estou eu sozinha em minha casa escrevendo para o nada e olhando para as paredes, pensando que há um ano eu estava em uma casa cheia de gente com risos e alegria…

— Quer saber? Eu cansei de escrever. Vou assistir televisão.

Liguei a TV e comecei a passar os canais sem prestar a menor atenção em nada já que a imagem da minha televisão estava uma droga, de repente paro na MTV e resolvo deixar, já que estava passando um clipe do Justin Timberlake e eu gosto bastante do clipe e, claro, gosto do Justin, porque ele é um gato. Fiquei ouvindo a música e fui fazer minhas tarefas diárias mecanicamente e sem a menor vontade. Quando finalmente terminei, resolvi parar para realmente assistir televisão. De repente começou a passar um clipe que eu nunca tinha visto antes: cinco caras que faziam de tudo por garotas, e se quebravam inteiros no decorrer da história, eu achei aquilo hilário e comecei a rir sozinha em casa. Aquilo me fez bem, já que fazia tempos que eu não sabia o que era sorrir. De tanto rir, não consegui ver de quem era a música e fiquei irritada comigo mesma, então resolvi sair pra esquecer a raiva e fui visitar um amigo. Chegando à casa do meu amigo deparei-me com a porta fechada.

— Que legal, viagem perdida. — Pensei, mais irritada ainda.

No caminho de volta pra minha casa eu acabei passando na frente de uma lan house, então tive uma ideia: acho que vou pesquisar na internet pra saber quem era aquela banda da TV.

— Mas que droga, já estou na internet faz uma hora e não consegui descobrir nada sobre a banda que eu vi na TV e meu tempo já vai acabar! — Dito e feito, meu tempo na internet acabou e eu tive de voltar para casa; à noite fiquei tentando lembrar da música. Até conseguia cantarolar umas frases, mas nada que me ajudasse a lembrar o nome da tal banda.

Amanheceu e eu acordei apressada para me aprontar para o trabalho. Minha sorte era que meu trabalho ficava perto de casa. Liguei o rádio na minha estação favorita, a Mix FM e fiquei escutando enquanto tomava café e me aprontava. De repente, começara a tocar a bendita música da tal banda. Ouvi a música com atenção tentando decorar algo que me dê alguma pista. Ouvi até o final, mas o cara da rádio não falou o nome da banda, e como eu já estava atrasada, desliguei o rádio e saí para o trabalho irritada mais uma vez por não descobrir o nome da banda que já estava me tirando o sono de tanta curiosidade.
Cheguei no trabalho bufando de raiva. Meu amigo percebeu e veio me perguntar:

— O que foi, ? Por que você está tão brava logo cedo?

— Nada não, . É besteira minha, eu estava ouvindo rádio em casa e não consegui descobrir o nome de uma banda, é só isso.

— Ah, é só isso? Deixa isso pra lá! Vamos começar a trabalhar. Vou deixar o rádio daqui ligado, se passar a tal música você me fala, que se eu souber quem canta eu te digo. Onde foi que você ouviu?

— Eu ouvi a música na rádio Mix FM, só que não sei o nome da música e muito menos o nome da banda. Isso está me dando nos nervos. — Respondi em tom de raiva. O dia passou sem muitas novidades e com o rádio ligado durante todo o dia, quando faltava meia hora para o meu turno acabar a bendita música começara a tocar. Dei um grito. — A música é essa, escuta aí! Você vai gostar. Agora me diz que você sabe quem canta?
escutou com atenção durante cinco minutos. Virou na minha direção rindo e disse:

— Ah, é essa a música que você tanto quer saber, ?

— É, criatura!! Fala logo! Quem é que canta? — , ainda rindo, me respondeu:

— Essa banda aí é o Simple Plan. — Eu não sabia se ficava feliz por ter descoberto o nome da banda ou confusa por nunca ter ouvido falar neles, então eu repeti sem entender:

— Simple Plan… Quem são eles?

— Eles são uma banda nova do Canadá, eles fazem um som legal. Nossa, , como você tá desinformada, eu até tenho esse CD deles. Se você quiser eu te empresto.

— Ah, valeu “senhor cultura”, eu estou sim desinformada. Mas quero me atualizar… Me empresta o CD pra eu ouvir e depois eu te devolvo. Agora tchau, , deu a minha hora. Até amanhã e valeu por me ajudar com o mistério. — Soprei um beijo no ar para o e fui pra casa com o CD do Simple Plan nas mãos, louca para ouvir e saber se iria gostar.

Nota da autora: Obrigada a todos que chegaram aqui para dar uma força para essa autora de primeira viagem, vocês não têm ideia de como me deixam feliz.
Até a próxima atualização xoxo Bia xoxo

2-Vencida
Eu mal cheguei em casa e já coloquei o CD no rádio pra ouvir. Primeiro ouvi o CD inteiro uma vez, prestando toda atenção a cada música tentando pegar o inglês que, para minha surpresa, era fácil, simples e limpo, e assim era melhor decorar já que eu sou apaixonada por inglês. Depois programei o “repetir” do rádio e ouvi cada música… Uma, duas e até três vezes seguidas até estar cantando pelo menos o refrão de cada uma das músicas sem muita dificuldade. Logo de cara eu já escolhi minhas favoritas como: My Alien, One Day, I’m Just a Kid e Perfect e eu nem sabia a tradução de nenhuma música ainda.

Mas eu não entendia o porquê da música Perfect me fazer chorar. Com o CD tocando, fui fazendo minhas tarefas e me preparando para dormir. Desliguei o rádio e guardei o CD já que no outro dia teria de devolvê-lo ao . Liguei a televisão enquanto o sono não vinha e, como de costume, deixei na MTV. Mas, para minha surpresa, em um horário da noite a programação era com clipes legendados… De repente, quando eu já me preparava para dormir, começou a passar na televisão o clipe de Perfect,/em> com legenda. Eu levantei da cama num salto só e comecei a ler a letra com toda a atenção, só que nem consegui ler até o final porque comecei a chorar antes disso. Principalmente na frase: I”m Sorry I can’t be Perfect… “Me desculpe eu não posso ser perfeito”… Agora eu sabia porque aquela música tinha me feito chorar logo de início. Eu sabia que não era perfeita, sabia porque ninguém me queria por perto, porque minha única parente tinha me abandonado e porque o pai do tentou me estuprar; porque eu não era nada, e porque eu estava sozinha, porque eu merecia!!

aquilo era realidade pra mim, tudo que eu sofri já não me afetava tanto, só se eu pensasse a respeito — coisa que eu evitava fazer. Fui dormir feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz porque finalmente tinha resolvido o mistério e descoberto o nome da banda. Tomei o cuidado de anotar o nome do CD que seria minha próxima compra sem dúvida: No Pads, No Helmets, Just Balls… E estava triste porque, de alguma forma, aquela música me fazia lembrar todo o meu sofrimento, e agora que eu sabia o que ela dizia, fazia mais sentido pra mim. Um pai que não aceitava as escolhas de seu filho e que sempre o criticava e o desaprovava em tudo. E aquilo escrito na letra de certa forma me deixava triste. Por que? Porque eu queria ter um pai que me desaprovasse e que me falasse que eu não era perfeita, mas eu não tinha. Eu não tinha nada nem ninguém, estava absolutamente sozinha no mundo e na vida. Esse pensamento me fez querer chorar de novo, então desliguei a TV e liguei o rádio de novo, coloquei o CD num volume baixo e deitei na cama ouvindo cada música de forma calma e tranquila. Quando chegou em I’m Just a Kid eu me lembrei da cena do clipe que eu tinha visto na TV e aquilo me fez rir de novo. Estava rindo da lembrança do clipe, aquilo era estranho, mas eu me senti melhor; rir sem ter um motivo aparente, rir sem ser um sorriso forçado ou rir por obrigação. Era bom rir sem ter um motivo. Fiquei ouvindo o CD até de madrugada e nem sei bem a que horas peguei no sono, só sei que dormi ouvindo o CD do grupo canadense Simple Plan e por incrível que pareça dormi muito bem, apesar do cansaço que estava sentindo e da enorme tristeza no meu coração solitário. Dormi bem mais, vencida pelo cansaço. Cansaço de estar sempre sozinha, sempre de lado e sempre abandonada pelos outros. Daquele dia em diante eu teria uma companhia em minha casa, ou pelo menos em meu CD player e seria o CD do Simple Plan que, sem motivo nem razão, sem eu nem saber quem eles eram, vendo um clipe na televisão, eles me fizeram voltar a sorrir mesmo que por um motivo tão bobo.

Por causa da música deles eu voltei a sorrir e a ter um breve momento de diversão e alegria na minha complicada esfera de solidão. Peguei no sono com uma idéia fixa na cabeça. No dia seguinte eu iria à loja comprar o CD do Simple Plan, tendo o dinheiro ou não, não me importava, eu queria e teria aquele CD custasse o que ele custasse e com essa ideia fixa na cabeça e no coração eu adormeci.

Acordei mais cedo que o normal e coloquei o CD no rádio. Fiquei ouvindo até dar a hora de eu sair pro trabalho. Fiquei feliz com as músicas que estava ouvindo. Peguei o CD e saí para o trabalho. Chegando lá, mal me vê e pergunta:

— Bom dia, !! Que cara de felicidade é essa? E meu CD, você trouxe?

— Bom dia pra você também, , eu estou feliz porque dormi bem e sim, eu trouxe seu CD. E por que você nunca me falou dessa banda antes?

— Ah, você sabe né, , o pessoal não gosta muito do meu estilo de música e de roupas, eles me acham emo e dizem que tudo que eu escuto é coisa de emo… Acham também que eu sou gay, por isso eu achei que você não ia gostar.

— Poxa, que isso, ! Eu gosto de você porque você é meu melhor amigo, independente das suas roupas, gosto musical ou opção sexual… E você sabe que eu sei qual é sua opção, né?

Quando disse isso comecei a rir muito e percebeu que eu sabia bem qual era a preferência dele.
— Shhhhhh, , pelo amor de Deus, vai… Eu sei que você sabe que eu sou gay, mas os outros não precisam saber, agora para de rir de mim.
Controlei o riso e falei a sério com .

— Ah, vai, . Você acha mesmo que ninguém aqui já sacou que você é gay? Acorda, meu amigo, você não precisa ter vergonha de ser quem você é. Você é lindo, único e especial da sua maneira e eu, , te aceito do jeito que você é.

Pra minha surpresa, diante das minhas palavras, veio correndo em minha direção e me deu um abraço, dizendo: — Ai , valeu. É por isso que eu gosto tanto de você e faço de tudo pra te ajudar, e quero me desculpar pela merda que o traste do meu pai tentou fazer com você e por você não ter denunciado ele pra polícia.

— Você sabe que só não denunciei a tentativa do estupro por causa de você, né? — não querendo falar sobre isso digo: — Ok, . chega de choradeira. Vamos a um lugar comigo?

— Aonde vamos, ?

— Eu quero ir a uma loja de CDs comprar meu próprio CD do Simple Plan, já que com o seu eu não vou poder ficar, né amigo?

— Com certeza não. Eu amo esses meninos e morro de ciúmes do meu CD, só emprestei porque era pra você e sei que você é cuidadosa, então vamos.

Fomos até a loja de CDs. Chegando lá, procurei nas prateleiras mas não encontrei, então chamei o vendedor.

— Ei, moço, eu queria saber se vocês têm um CD.

— Bom, moça, aqui é uma loja de CDs. Que CD você quer?

Diante da grosseria do vendedor eu respondi numa rajada só.
— O cd do Simple Plan, vocês tem?

O vendedor me olhou assustado por minha resposta, percebeu que foi mal educado e tentou ser gentil.

— Ah, eu tenho sim, tá aqui.

Eu percebi que ele só queria se corrigir e que na verdade ele nem sabia direito quem era a banda. percebeu minha raiva e perguntou para o vendedor.

— Ei, moço, essa banda tem mais algum CD lançado?

Eu olhei pro que piscou pra mim enquanto esperava a resposta do vendedor. Ele gaguejou um pouco antes de respondê-lo.

— Huumm… É… Er…. Eu acho que esse é o primeiro CD dessa banda. O pessoal normal não procura muito o CD dessa banda por aqui.

Ao dizer isso o vendedor olhou direto para . Eu percebi que o infeliz do vendedor estava insultando e para terminar a discussão perguntei:

— Tá certo, então este é o primeiro CD da banda… E quanto custa?

— Trinta reais, vai levar?

Eu vacilei porque só tinha metade do dinheiro. percebeu minha tristeza, olhou para mim e voltou a fitar o vendedor abusado em seguida, dizendo.

— Sim, ela vai levar, pode embrulhar!

Saí da loja super feliz com meu CD novinho em folha nas mãos, e agradecendo muito ao meu amigo porque se não fosse ele completar o valor do CD eu nunca o teria em mãos.

Nota da autora: Quero agradecer se você está aqui comigo, lendo esta história sua presença aqui me motiva a continuar a escrever então obrigada e até a próxima att.
Grupo da história no Facebook: https://www.facebook.com/groups/1580481498761916
Xx. Bia

3 – Determinada

Minha rotina diária seguiu normalmente, só que agora com uma motivação diferente; não só de casa para o trabalho ou do trabalho pra casa, agora no meu tempo livre e nos dias de folga eu passo a maior parte do tempo possível na lan house (é, acreditem, ainda existem lan houses por aí) ou eu ficava na casa do pesquisando, procurando saber a tradução das músicas e ver os clipes do Simple Plan.

Eu tinha sorte por ter , já que ele me deixava usar o computador dele o tempo que eu quisesse e a gente aproveitava pra conversar muito sobre tudo. Em um dia qualquer eu perguntei pra ele o porquê de ele gostar tanto da banda Simple Plan e a resposta dele me surpreendeu:

, eu gosto do som dos caras porque eles são como eu! Cada música que está nesse CD parece que foi escrita pra mim e principalmente a música Perfect.

Eu, que até então só estava ouvindo o que dizia, parei de prestar atenção no computador e olhei pra ele. Quando olhei pra meu amigo, vi que ele estava com lágrimas nos olhos e entendi o que ele quis dizer sem ele precisar de fato falar.

— Ah meu DEUS! , seu pai não te aceita, não é mesmo? — me respondeu com um aceno de cabeça e me abraçou forte buscando apoio. , assim como eu, não tinha mãe. Ele vivia com o pai que era um alcoólatra e não aceitava as escolhas do filho. era gay assumido, mas, por causa do pai evitava falar disso ou levar qualquer possível namorado para casa, eu era a única que ele levava e o pai dele até chegou a achar que éramos namorados, mas não. Entre nós só existia uma grande amizade, a gente falava que éramos irmãos de almas.

Eu e ainda estávamos abraçados quando eu coloquei o clipe de Perfect pra passar no computador. E ficamos abraçados até o clipe terminar, e quando a música acabou me olhou fundo nos olhos e disse:

— Tá vendo por que eu gosto tanto de você, ? Porque você é minha melhor amiga, me faz companhia, me ouve e me entende… e o mais importante, você não me julga por eu ser quem sou.

— Ei, , para com isso, vai. Nós dois somos iguais, duas pessoas loucas julgadas pela sociedade.

Ao dizer isso nós dois rimos e isso era bom, poder fazer meu amigo sorrir quando ele queria chorar. Fiquei na casa de mais algumas horas, então achei melhor ir para casa, eu evitava dormir na casa do desde… bom, desde aquele dia…

Fui pra casa sob os protestos de que eu ficasse para jantar com ele. Não aceitei, o pai dele tinha acabado de chegar do bar e estava mais abusado do que de costume, então achei melhor não abusar da minha sorte. Quando cheguei em casa tomei um banho ouvindo meu CD e fiz um lanche rápido. Já sabia bastante informação sobre a banda, sobre cada integrante, tipo data de nascimento, signo, manias e descobri que antes de serem o Simple Plan eram a banda Reset.

Se passaram dias, semanas e minha determinação só aumentava. Eu queria saber mais e mais sobre a banda. Comecei a comprar revistas e pôsteres com fotos da banda e forrei as paredes de minha casa por completo. Comprava várias revistas com letras traduzidas para aprender melhor a cantar as músicas e ouvia muito as rádios e sempre que dava pedia as músicas nas rádios por telefone ou internet.

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Até que, um dia qualquer, algum tempo depois eu estava na casa do , era nosso dia de folga do trabalho e estávamos vendo os clipes da MTV do nada ele vira e diz:

— Nossa, , quem diria que você iria gostar tanto assim da banda, né? Se eu soubesse tinha falado deles antes.

— Pois é… , e a culpa é sua! Foi você quem me viciou. Quem diria que há dois anos atrás eu seria tão fã assim do Simple Plan. E hoje, quase três anos depois, se tudo der certo, eu talvez conheça a banda. Ao dizer isso olhei pra ele rindo.
Ele sorriu de volta e disse:

— Ah, tá bom. Nós vamos conhecer a banda que amamos, tenha fé gata. — me fala com aquela voz toda afetada. — Tá chega de baixo astral me fala. , qual dos meninos você gosta mais? — diante dessa pergunta difícil eu parei e pensei uns minutos…

— Caramba! Agora ferrou! Bom… O Chuck é um gatinho, o Seb é uma coisa de louco, com aqueles olhos azuis, amo os olhos dele. O Jeff é uma delícia e o David… Ai meu Deus! Todos são demais, lindos demais, talentosos demais, gatos demais… aí, sei lá, eu acho que o meu favorito é o Pierre. Ele tem alguma coisa que me encanta, me fascina e um sorriso lindo de morrer. — suspirei ao dizer isso em voz alta.

— É, amiga, concordo com você nesse ponto, todos são uns gatos e o Pierre é um pecado de tão lindo, mas o meu favorito é o David. — me encarou com o rosto levemente vermelho.

— Por que o David? — perguntei curiosa.

— Ah, sei lá, ele tem um jeitinho meio… ai meu Deus, que vontade de cuidar de você… eu adoro o cabelo dele, ele é tão branquinho… sensível e toca contrabaixo, bateria, e a voz…. ah, eu amo a voz dele… ele tem um sorriso que me tira o ar, e ele é uma delícia. — olhei para meu amigo rindo, feliz por termos os mesmos gostos e fiquei feliz porque juntos nós podíamos ser quem quiséssemos ser, sem críticas ou julgamentos, sem precisar fingir um pro outro ou se esconder. ligou o rádio e estava passando que música? I’m Just a Kid. Nós dois vibramos de alegria e quando a música acabou o locutor deu o seguinte aviso:

“Atenção fãs da banda Simple Plan… DEPOIS DE DOIS ANOS DE FÉRIAs, já que a última vez em que os caras estiveram no Brasil foi em um show da Mix, vocês fãs que querem conhecer a banda vão ter uma oportunidade única!

Escrevam uma carta de próprio punho dizendo o porquê merecem conhecer a banda, não importa o tamanho da carta, mas tem que ter um motivo, um bom motivo, forte e convincente. A melhor carta vai ganhar o direito de conhecer os caras e de assistir ao show em área privada, e ainda tem mais uma surpresa que os caras do Simple Plan reservaram, mas essa surpresa vai ser só para o ganhador do sorteio. Serão dez ganhadores pra assistir ao show e conhecer os caras e um dentre esses dez vai ganhar a surpresa extra! Então corram, pois o tempo é curto.”

e eu nos olhamos e demos um berro de tão animados que ficamos e fomos os dois escrever nossas respectivas cartas, sempre ajudando um ao outro. Só tinha um problema: o cara da Mix FM não disse quando seria o show, nem quando seria o sorteio e nenhum de nós tinha visto nada na internet em tantas semanas de pesquisa. Será que seria um show fechado e exclusivo? Quando seria o show? Quanto tempo tínhamos? Quando seria o sorteio? Será que estaríamos entre os dez sorteados? Eles teriam intérprete nesse show pra quem não falasse inglês? Sem saber as respostas às nossas perguntas, e eu começamos a escrever nossas cartas o quanto antes para irmos até a rádio entregar.

Enquanto eu pensava no que escrever na minha carta para a promoção da rádio, tinha que lidar com o trabalho e com um cara chato da escola que vivia dando em cima de mim. Ele queria a todo custo ficar comigo e eu sabia pelo que estava até rolando uma aposta entre os garotos pra ver quem dos metidos a fodões babacas da escola conseguiria tirar minha virgindade… eu queria que fosse especial, com alguém legal e lindo, tipo o Pierre do Simple Plan, mas eu não era idiota.

Sabia que sonhar com artista rico e famoso era furada, então em uma festa de final de ano da escola acabei ficando com o cara mais gato da turma. O nome dele era Gabriel, ele me tratou bem, me fazia rir e no final da festa eu acabei no banco de trás do carro dele e nós transamos. Acabei me entregando para um cara gato, mas babaca. No dia seguinte a festa ele me viu na rua e nem olhou na minha cara, me senti idiota, mas o me disse a mais pura realidade:

, homem é tudo igual: agradam até conseguirem o que quer, nesse caso sexo e depois deixam de lado. Assim é a vida, gata. Supera. Você é melhor que isso.

Pensei no que tinha falado e concordei. Esqueci daquela primeira vez desastrosa e decidi que quando achasse um cara legal e transasse com ele, aquela sim seria pra mim a minha primeira vez de verdade.

Quem sabe com o Pierre…

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Nota da autora: Descobertas, novidades e a ansiedade da promoção, como ser jovem e inexperiente pode ser estressante, mas a nossa PP ainda vai aprender muitas coisas.
Muito obrigada por estarem comigo aqui nessa jornada e, até a próxima att babies.
~ Bia ~

 

4 – Esperança e Expectativa

Depois da semana desastrosa do final das aulas e da minha primeira vez vergonhosa e terrível com o babaca do Gabriel, decidi esquecer que aquilo tinha acontecido e voltei toda a minha atenção e energia para a promoção da rádio Mix, já que ninguém sabia se teríamos intérprete no show, e como o cara da rádio disse: Seria o primeiro show deles no Brasil em dois anos, então seria uma chance única, e por isso tratamos de aprender alguma coisa pra não ficarmos só na enrolação do inglês ou no “my name is…”, só que nenhum de nós tinha como fazer um curso de inglês… Eu sei, tivemos dois anos pra aprender algo mas, infelizmente, nem e nem eu tínhamos grana sobrando pra fazer o curso de inglês. Desde que eu tinha conhecido a banda, eu por pagar aluguel e ter que viver e o por ter que sustentar o bêbado do pai, então teve uma ideia:

— Já sei! Vamos traduzir todas as músicas do cd sem a ajuda da internet, só com o dicionário mesmo, e vamos assistir muitos filmes e seriados. Quanto mais melhor.

Diante da empolgação de , eu achei que aquela ideia maluca pudesse dar certo. E nós prestamos atenção nas falas porque escrever já sabíamos um pouco, o difícil era falar. Enquanto não saía o resultado da promoção, nós dois nos dedicamos unicamente a aprender mesmo que fosse só o básico e de tanto estudarmos juntos, acabamos decorando frases prontas e até já conseguíamos conversar em inglês entre nós dois. Nesse tempo de estudo com eu tinha tido uma ideia legal pra minha carta: mandei imprimir cinco fotos diferentes dos meninos em folha sulfite e escrevi as cartas atrás; fiz uma carta para cada um deles. A ideia do foi parecida com a minha, só que ele fotografou os próprios pôsteres, imprimiu as fotos e fez a carta. A carta dele era bem maior que a minha, dava aproximadamente dez folhas, enquanto a minha tinha apenas sete, mas eu não desanimei…

Acreditava cegamente que eu iria ganhar o sorteio, antes de fazer a carta principal fiz um rascunho pra não ter erro, resolvi usar a carta que escrevi quando me apaixonei pela banda e por ele.
Diário, ano de 2003…

Vou escrever essa carta aqui primeiro para que, se ela não chegar até eles, eu saber que pelo menos eu tentei, lutei, fiz tudo o que pude para vencer…

“Sabe quando você ama uma pessoa sem nunca a ter visto antes? Quando só o fato de você ouvir a voz de alguém já torna o seu dia melhor? Pois é, isso que acontece comigo sempre que escuto a voz de vocês, seus sorrisos bobos às vezes alegram o meu dia, suas brincadeiras às vezes sem motivos nos vídeos me fazem sorrir quando eu nem quero estar alegre, quando na verdade tenho é motivos para chorar. Querem saber por que eu amo tanto vocês? É porque… por causa de vocês, minha vida triste e cinza tem um sentido, um propósito.

Por causa das suas músicas eu voltei a sorrir e pude dizer à felicidade: bem vinda à minha vida! Pode passar o tempo que for, eu vou esperar para sempre por uma oportunidade de encontrar vocês. Pode levar o tempo que for, por amor a vocês eu vou continuar aguentando firme.

Agradeço a vocês: Pierre, Sebástien, Chuck, David, Jeff e ao Patrick também por fazerem parte da minha vida e por fazerem minha vida ser um pouquinho menos difícil e triste.

Amo todos vocês (os seis) com todas as forças do meu coração e de toda a minha alma. Digo seis porque o Patrick pra mim faz parte da banda também.

Vocês são únicos para mim, e quando um de vocês não está presente nas apresentações ou em algum programa ou vídeo me dói na alma, porque parece que falta um pedaço, não está completo e, isso faz eu sentir que falta um pedaço de mim também. Dói na alma e, no coração.

Todas as palavras conhecidas que eu usar, seja no inglês ou no português, não vão expressar o tamanho e a dimensão do meu amor por vocês.

Só posso dizer que os amo demais; mais que tudo. É um amor além da distância e da razão.
Tão grande que chega a doer.

Pierre, Chuck, Seb, Jeff e David…

AMO VOCÊS!

Att: Ferrari.”

Depois de minha carta pronta, fiz o mesmo com as outras cinco cartas. Eu fiz uma carta para cada um deles e, na última, disse o quanto eu os amava de fato. Coloquei minha carta gigante no envelope. também tinha terminado sua carta, então nós dois decidimos ir até a rádio entregar, já que a regra era uma só: entregar na portaria da rádio Mix.

Saímos cedo e chegamos à rádio que estava quase vazia. Depois de entregarmos nossas cartas, decidimos passear. Fomos à galeria do rock, eu comprei pra mim uma camiseta nova do Simple Plan e o comprou pra ele um All Star Converse. Voltamos para casa e nosso dia de folga passou voando, cada um foi para sua casa e como era de tarde fui fazer um lanche. Coloquei o cd pra tocar e fui comer… De repente, meu celular toca, e eu fui correndo atender.

, é o . Liga a TV agora na MTV! — Ele disse em um tom de empolgação e eu liguei a TV correndo. Eram os meus meninos na tela. Estava passando um programa de entrevistas e o grupo entrevistado era Simple Plan.

Simplesmente dei um berro no telefone, o que deixou do outro lado da linha quase surdo. Desliguei o telefone e fui assistir o programa. Pierre estava falando sobre o cd: No Pads, no Helmets, Just Balls e nas inspirações para as músicas. Também dizia que Chuck o ajudou a escrever a música Perfect, que foi escrita por causa dos pais de Chuck que sempre o criticava em tudo… Assisti ao programa prestando atenção em todas as informações que eles passavam. E me pegava sonhando acordada. se um dia eu iria ver Pierre na minha frente…

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Nota da Autora: Muito obrigada por me acompanharem nessa jornada que está apenas no começo, mas que ainda promete muitas emoções… espero que estejam gostando e até a próxima att Babies…
~~Bia ~~ <3

5- Ainda parece um sonho

Nossa rotina durante a espera do resultado da promoção seguiu sem muita novidade. Era casa, trabalho e internet. Sempre para sabermos algo sobre o show, mas nada acontecia! Nenhuma informação. Foram dias, se passou um mês. E então no dia 01 de novembro saiu a primeira notícia: A banda canadense Simple Plan vem ao Brasil para quatro shows:

– 17 de novembro no Rio Grande do sul.
– 19 de novembro em Brasília.
– 21 de novembro no Rio de janeiro.
– E, 23 de novembro em São Paulo, fechando a turnê.

Ficamos prestando atenção pra ver se o cara da rádio falava alguma coisa da promoção, mas nada. E no site da banda só dizia que eles fariam os shows no Brasil. Nada além disso.

Na primeira semana de novembro, logo de manhã o telefone do tocou e ele atendeu meio sonolento:

— Alô? — Disse ele tentando acordar.

— Sr. Havy?

— Sim, sou eu. Quem fala?

— Aqui é da Rádio Mix FM, e você foi sorteado para conhecer a banda Simple Plan. — não acreditou no que ouviu, ainda confuso pelo sono e pelo susto de ter sido acordado de repente.

— Como é, moço?! — acordou rapidinho. Então o cara da rádio repetiu o que achou que tinha sonhado ter escutado.

— Você foi sorteado para conhecer a banda Simple Plan. Confirme seus dados, precisamos de algumas informações importantes… — mal ouvia o que era falado no telefone, ele estava tremendo e se segurando para não chorar. , mesmo tremendo e chorando, confirmou os dados e aguardou o retorno da ligação para marcar o dia e o horário para a programação do show.

desligou o telefone e me ligou em seguida com a voz embargada e ainda em choque.

, acorda! O cara da rádio me ligou! Eu fui escolhido para conhecer o Simple Plan! — berrava no telefone, tão alto que até me deixou com dor de ouvido.

Acordei num susto e tentei não parecer triste:

— Como é? Você ganhou? Que bom! Ai, estou feliz por você, amor. — Tentei falar com sinceridade, afinal meu amigo merecia, ele era fã da banda a mais tempo do que eu. Mas a verdade era que a ligação de me fez acordar e me deixou ansiosa e angustiada esperando meu telefone tocar. Deu dez da manhã, meio dia, uma da tarde e nada! Por volta das quatro da tarde chegou em casa todo feliz, notando que eu estava quase em desespero. Eu lutava contra as lágrimas hora após hora desde cedo…

— Calma , eles vão te ligar, é só ter fé. — Eu olhei pra ele com lágrimas nos olhos, mas não disse nada. Eu sabia que ele queria me animar, mas eu já estava perdendo as esperanças. Quando às seis horas da tarde meu telefone tocou, número restrito… Meu coração começou a disparar. Peguei o telefone às pressas e atendi, engolindo o choro.

— Alô? É a senhorita Ferrari?

— Sim, sou eu! Quem é?

— Eu sou da rádio Mix FM, e você foi a décima pessoa sorteada para conhecer a banda Simple Plan! Parabéns! — Comecei a chorar, perder a voz… O cara teve que me chamar à realidade três vezes.

Confirmei meus dados aos soluços, sem acreditar no que estava acontecendo. Ficou combinado que as dez pessoas sorteadas para conhecer a banda iriam se encontrar um dia antes do show para ser dito o que era ou não permitido. No dia marcado, e eu estávamos na rádio. Era permitido tirar fotos a vontade e autógrafos também, só não era permitido gravar vídeos. (o que não fazia muito sentido, mas era uma exigência da produtora e não da banda)

Eu nem me importava de não poder gravar nada, as fotos já me deixariam muito feliz. Só tinha um problema… Eu não tinha máquina fotográfica, e agora? Comecei a entrar em desespero…

, aonde eu vou conseguir arrumar uma máquina fotográfica? Eu não tenho ninguém que me arrume uma. — Estava chorando de novo. me olhou rindo…

— Como você pode rir com essa tragédia? Pare, por favor. — Implorei desesperada de novo.

, sua boba, já pensei em tudo. Você fica com a minha máquina e eu fico com a do meu amigo colorido emprestada pra mim. Para de drama, eu vou te ajudar, relaxa. — me tranquilizava na base da zoeira.

— Ai Meu Deus, é sério isso? O que eu faria sem você, amigo? , eu te adoro! — me abraçou e nós dois saímos da rádio e fomos pra minha casa, já que iria dormir lá pra facilitar no dia seguinte.

Mal dormimos de tão ansiosos que estávamos. Amanheceu e a gente acordou, se arrumou, mal comemos por causa do nervoso, e, como combinado com o pessoal da produção, às onze da manhã a van da rádio Mix FM buzinava na minha porta chegando pra buscar a gente. Nós saímos no portão e vimos a menina da rádio esperando por nós. Aproximei-me dela, juntamente com , e ela nos cumprimentou:

— Bom Dia! Eu sou a Sandra da rádio Mix e nós viemos buscar vocês.

— Vamos? — e eu dissemos ao mesmo tempo e eu me lembrando da educação completei: — Bom dia, Sandra. E sim, vamos, porque estamos muito ansiosos. Quase nem dormimos direito. — Falávamos em coro de tão ansiosos que estávamos.

Ela sorriu e nos mandou entrar no carro.

— Eu entendo vocês, isso é perfeitamente normal. Tem gente que até desmaia quando encontra os ídolos. — olhou sério pra mim e disse sorrindo para Sandra:

— Ah, pois esse não vai ser o nosso caso. Temos muitas fotos pra tirar e muitos autógrafos para pedir, por isso vamos estar bem dispostos e acordados.

A van da rádio passou em outros lugares para pegar os outros fãs e quando os dez entraram no carro, cinco meninos e cinco meninas, a van foi rapidamente para o salão de festas da rádio.

Chegamos lá por volta de meio dia e tinha todo um buffet preparado, Sandra disse para almoçarmos primeiro para relaxar e descontrair um pouco. Fizemos o que ela mandou, embora ninguém de fato estivesse conseguindo comer direito por causa do nervoso e da ansiedade.

Comemos e conversamos um pouco. Estávamos todos brincando e rindo.
Então a uma da tarde em ponto ELES surgem no salão…

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Nota da Autora: Que realização… que sonho! Poder ver a banda que ama, que sonhou por tanto tempo. Acho que esse é o maior desejo de todo fã.
E agora, como será esse encontro e o que pode acontecer nesse show?
Só esperando pra saber, e, de verdade, espero que estejam gostando de ler tanto quanto eu estou gostando de escrever.
Obrigada por estarem comigo e, até a próxima att, Angels <3
~~ Bia ~~

6 – Não consigo acreditar em meus olhos

Todos os assuntos ficaram congelados. Paramos de falar e ficamos em choque no lugar com a entrada deles. Eles perceberam o clima de espanto de todos. Os meninos da banda sorriram juntos… E que sorrisos… Falaram pra fazermos uma fileira e um por um vieram falar com a gente.

— Oi pessoal, tudo bem? Como estão vocês?

Perguntaram nossos nomes e se estávamos sendo bem tratados pela equipe. Muitos de nós nem tínhamos voz para falar com eles e mal conseguíamos dizer um oi.
Eu estava tão boba que comecei a sonhar acordada, imaginando o Pierre vindo falar conosco. Seb ficou com a gente por um bom tempo. Peguei-me sem querer olhando na direção de Pierre e pensando “Será que ele não vai vir aqui falar com a gente? Eu queria falar com ele, mas não tenho coragem. Meu amor, tão lindo…”. Eu estava tão perdida em meus pensamentos que nem percebi que Sebástien tinha saído de perto de nós e que agora Chuck estava perto de nosso pequeno grupo. Chuck interrompeu meus pensamentos.

— Você quer falar com ele, não é? Vai até lá, porque se você não for até lá ele não vai conseguir chegar aqui nunca.

Eu me assustei de meus pensamentos serem tão claros em meu rosto.

— Quero muito falar com ele sim, só que eu tenho medo de ter um treco ou pagar algum mico, eu estou muito nervosa e não quero falar nenhuma besteira, nem fazer nada errado. — Eu disse ainda olhando para Pierre, aflita.

— Ei Pierre, você pode vir até aqui por favor? Tenho dois amigos pra te apresentar. — Chuck disse me olhando nos olhos, dando uma piscadinha, o que fez meu coração acelerar. Tanto quanto eu ficamos felizes por ele nos chamar de amigos, mas eu entrei em pânico com a aproximação de Pierre. Ele se aproxima de nós sorrindo e eu, já sem ar, deixei escorrer algumas lágrimas.

— Pronto, me apresente seus amigos. Estou ansioso para conhecê-los. — Ele disse com aquele sorriso lindo estampado no rosto.

— Bom, Pierre, estes são e . — Chuck apontou em nossa direção. Eu fiquei com mais vergonha ainda e logo abaixei o rosto. por outro lado não, cumprimentou Pierre com um aperto de mãos e um abraço, conversou com ele, pediu autógrafo e tirou várias fotos enquanto eu fiquei congelada no lugar sem ação e muda feito uma idiota de tão nervosa.

Passado dez minutos, quando terminou com suas fotos, Pierre veio de novo em minha direção. Nesse momento eu olhei, mas não acreditei, me esqueci de como respirar e a voz ficou presa na garganta. Ele é o meu grande amor, o cara mais lindo de todos, o cara que habitou meus sonhos mais secretos nos últimos dois anos e, que eu achava que nunca iria conhecer… Eu nunca na minha vida imaginei que veria Pierre na minha frente e, agora ele estava ali, lindo, maravilhoso, cheiroso e vindo na minha direção.

Ele chegou bem perto de mim, e eu tremia. Como pode alguém ser tão perfeito? Ele é de verdade? Meu coração martelava no meu peito, minha boca estava seca e, minhas pernas estavam moles. Mas eu não iria desmaiar … eu me recusava a pagar tal mico.

— Oi, você não vai tirar foto comigo? De todos só falta você.

Meu Deus, o amor da minha vida perguntando pra mim se eu quero tirar foto com ele? É claro que sim! Eu quero foto, abraço, beijo e, se possível, levar você pra casa, pode? Ok, eu estava viajando acordada de novo. Foco, , o cara tá na sua frente falando com você… acorda!

— Você é a , certo? Onde quer que eu autografe? — Ele sorriu para mim.

Ele também sabia o meu nome! Nada importava agora! Ele quer me dar seu autógrafo, onde era mesmo? Ah, claro, na agenda. Meu Deus eu estava muito lesada!
Pierre ainda esperava minha resposta à sua pergunta sorrindo.

— Sim, eu quero tirar foto com você, meu nome é e você pode autografar na minha agenda. — Disse tudo meio rápido e atropelei as palavras. Ele deu uma risada mais debochada.

, acalme-se, você está nervosa. Relaxa! Eu não vou morder.

Pensem comigo: relaxar? Como, hein? Se eu estou com a perfeição em pessoa na minha frente? E morder, bom… Eu ia adorar se você me mordesse, Bouvier seu lindo! Alguém me bate? Eu preciso parar de sonhar acordada! E, de pensar besteira também.

Dei um sorriso sem graça ainda olhando pra ele, já que não conseguia tirar os olhos do rosto dele, e quem consegue? Sem querer, deixei uma lágrima teimosa escorrer pelo meu rosto. Pierre me vendo chorar teve uma atitude que eu, ingênua como sou, bom sou ingênua em relação a ele, e mesmo assim eu jamais esperaria que ele fizesse o que fez… Ele se aproximou mais de mim e bem delicadamente colocou a mão no meu rosto, enxugando a lágrima. Mais uma vez congelei no lugar sem reação; duas coisas diferentes acontecem ao mesmo tempo quando Pierre me tocou, foi um toque rápido e gentil, que fez todo meu corpo estremecer da ponta dos pés até o último fio de cabelo, e em seguida um calor me dominou. Começou no rosto e se arrastou por cada célula do meu corpo, indo morar direto no meu coração… Tão rápido e breve, mas tão importante pra mim. Eu nunca tinha sentido nada parecido com aquilo, já tinha ficado com outros caras e, sido tocada por homens mas, o toque de Pierre foi diferente, um toque breve, leve e, gentil mas, que me fez sentir algo tão diferente e, isso me assustava por que eu não sabia o que significava, ainda…

Pierre Bouvier tocou meu rosto, isso eu jamais iria esquecer. Meu coração estava aos pulos, eu podia sentir em meus ouvidos de tão forte que era a batida, minhas pernas pareciam gelatina e, a voz estava embargada.

— Desculpe por isso, Pierre. Mas eu estou muito feliz de te conhecer, não queria chorar, mas estou meio nervosa. Tipo muito!

— Sem problemas , eu entendo. — Pierre sorriu de novo, de um jeito fofo, mas ele estava diferente, me tratava diferente, ficava sempre perto, me abraçou, me acalmou, tentava o tempo todo me fazer rir. Ele tirou fotos comigo o dobro de que com os outros e ficou bem mais tempo perto do que ficou com os outros fãs, o que me deixou muito feliz. Ele me perguntou sobre meus pais e eu disse que sou sozinha, disse que era órfã e, que tirando uma prima de terceiro grau, ninguém se importaria comigo. Ou que poucos sentiriam minha falta. A essa altura todos já estavam prestando atenção em nossa conversa, até Patrick que chegou depois tirando foto com os fãs, com e comigo, enquanto Pierre dava uma pausa nas perguntas pra tomar um refrigerante.

Mas por que Pierre estava me fazendo tantas perguntas? Não devia ser ao contrário? Isso era muito estranho… E já estava me deixando com vergonha, até por que todos estavam me olhando com pena, e eu odiava que me olhassem com pena, compaixão ou como se eu fosse uma coitada!

O tempo passou rápido, já faziam duas horas que estávamos com eles. Então alguém da produção chegou e disse para a gente que as conversas tinham que acabar ali.

— Pessoal, acabou o tempo de vocês. Agora todos se organizem para sair porque vocês vão ver um ensaio para o show de hoje à noite. — Disse a produção. Nós iríamos participar da Soundcheck! Que demais!

Todos ficaram super animados ao saber que veríamos o ensaio e saberíamos a playlist do show. Na hora de sair, Chuck se juntou comigo e com e conversou animado querendo saber mais sobre o Brasil, o que me fez sorrir feito boba tendo a certeza que ele é a pessoa mais meiga, gentil e humilde… Apesar de todo o dinheiro e fama. O Chuck gostava de conversar e nunca deixava o assunto acabar. Era gostoso demais conversar com ele.

Todos foram a outro salão onde já estavam todos os instrumentos prontos, só esperando por nós e pelos caras. Chuck nos disse para ficarmos à vontade para fotografar e até filmar se quiséssemos, e os meninos pegaram seus instrumentos e começaram a afinar. saiu correndo do meu lado e ficou bem perto de David para o ver tocar.

— Você toca? — Disse David percebendo a admiração de .

— Ainda estou aprendendo, na verdade. Comecei a aprender por sua causa. respondeu sem jeito, ficando vermelho e, isso era raro de se ver.

— Então se dedique e estude muito, tente sempre ser o melhor músico que puder ser, nunca pare de estudar porque a música nunca para de mudar e evoluir, a música sempre melhora e, a cada nota nova, a cada acorde diferente que a gente aprende, é um novo conhecimento que a gente ganha. Aprendi isso com esse cara aqui. — David olhou para Jeff e sorriu para o amigo que estava perto afinando e sincronizando a guitarra com o baixo de David. — O melhor guitarrista que já vi e por isso sempre tento melhorar pra seguir o exemplo dele. — Jeff ficou sem graça e abraçou David.

— Pode deixar, eu vou sempre dar o meu melhor em respeito a vocês. Disse quase chorando por ver os caras em quem se inspirava ali tão perto e, melhor ainda dando conselhos que, ele levaria para a vida.

— Bom pessoal, vamos começar a ensaiar. Se divirtam pra valer, ok? — Falou Pierre chamando a atenção do público.

Gritamos um “sim” em coro e eles começaram a tocar. Primeiro tocaram Everytime pra aquecer os instrumentos, e depois tocaram Promise, e a galera toda tirando fotos andando pelo salão pra filmar melhor e o que não saía de perto do David nem por tortura. Eu fiquei perto do pequeno palco que pra minha sorte não era alto, e filmava tudo ali mesmo, cantando junto todas as músicas. Tocaram Jump e até umas músicas que não faziam parte do CD como Surrender (tema de O quarteto fantástico), Vacation (tema de No pique de NY), e até Let me Go (do grupo Reset). Essa quase ninguém sabia, mas e eu cantamos e pulamos muito ao som de Let me Go, o que deixou Chuck e Pierre com um sorriso enorme, e para terminar o pequeno ensaio, eles tocaram Welcome to my life. Eu não aguentei e parei na hora abraçada com , que lembrou que eu existia. E, enquanto todos cantavam e pulavam, eu só conseguia cantar e tentar não chorar. Do nada Chuck saiu da bateria, deixou os caras tocando só voz, e cordas e veio pro meu lado, me abraçando até a música acabar. Ao ver isso a galera gritou e começou a aplaudir. Desabei a chorar morrendo de vergonha. Quando a música terminou, eles desceram para se despedir. Estávamos em círculo de novo, Séb olha para nós e diz:

— Bom pessoal, vamos agora para o show, mas antes eu preciso dizer: não sei se vocês se lembram, mas ainda tem mais um prêmio…

Paramos curiosos e prestamos atenção. Jeff continuou a fala de Séb:

— O prêmio vai ser ótimo e só vamos dizer depois do show. Curtam e se divirtam muito que depois do show vamos dizer qual será o grande prêmio. — Jeff fez piada, deixando a gente ainda mais nervoso e curiosos.

Todos nós ficamos ainda mais curiosos e meio decepcionados, então os meninos saíram do salão e foram descansar um pouco, já que ainda faltava uma hora para o show começar.

— E aí , tá viva? Sobreviveu ao seu amado furacão Bouvier? — Disse , que havia se lembrado que eu existia de novo, já que ele era a sombra de David, onde o David ia o estava.

— E você sobreviveu ao tsunami Desrosiers? — Falei de forma debochada, zoando na maior cara de pau já que nós dois éramos iguais, tanto quanto eu não deixamos de seguir os caras onde quer que eles fossem mesmo que só com os olhos, Pierre e David sempre estavam ao nosso alcance. Nós nos olhamos por um tempo e caímos na gargalhada, sem acreditar que nosso sonho estava se realizando.

Mesmo com tudo registrado em fotos e vídeos era impossível de acreditar. Nós acabamos de ver, ouvir e, falar com os caras do Simple Plan e, logo mais a noite estaríamos no show! Era maluquice, mas sim!!! Nosso sonho estava se realizando.

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Nota da autora: Que realização! Poder estar em uma soundcheck com a banda, conversar, tirar foto e ver a setlist do show e ainda poder sentir o toque dele… quantos sentimentos podem nascer com um toque? O que esse simples gesto significou pra ele? O que pode acontecer daqui pra frente?
Agora só esperando pra saber… Obrigada por estarem comigo nessa aventura e, até a próxima att. – X.
~~ Bia ~~

espero que estejam gostando… <3

7- É HORA DO SHOW
e eu ficamos um tempo vendo as fotos um do outro e conversando com outros fãs, então alguém se aproximou e fez a pergunta que ninguém queria pensar no momento:

— Ei, quem será que eles vão escolher pra dar esse prêmio extra? O que será esse prêmio extra? Eram tantas perguntas, e eu ainda me perguntava por que o Pierre havia me feito tantas perguntas pessoais… o que minha vida sem graça teria de tão interessante pra ele querer saber? Aquilo me perturbou.

— Quer saber? Quem ganhar vai ter muita sorte, mas por enquanto, vamos aproveitar o show como o Pierre disse pra gente. E depois pensamos ou se preocupamos com isso, que tal? — Falei meio irritada, aquilo estava me deixando estressada ainda mais em pensar nas várias perguntas de Pierre… se eu trabalhava, se tinha casa, se tinha família, se eu tinha namorado…

Todos riram de mim, mas pararam de falar porque sam que eu tinha razão, e se ficássemos pensando muito naquilo, não aproveitaríamos o show.

Faltando dez minutos pro show começar, o pessoal da produção chamou a gente e nos fez passar pela parte de trás do palco, onde os meninos já estavam prontos e posicionados, só esperando a introdução do pessoal do staff para que eles entrassem no palco e dessem início ao show. Os fãs já gritavam em coro chamando por eles.

Quando passei por Pierre ele me viu, me olhou sorrindo e me deu tchauzinho, e, com esse simples gesto, eu quase morri de alegria; parei no lugar onde estavam fazendo todos pararem também e, com isso, ficamos batendo uns nos outros, o que fez Pierre rir mais abertamente e meu coração vacilar diante daquele sorriso lindo. Como eu amava aquele sorriso… como eu amava ver ele sorrir…

, acorda. — percebeu que eu estava toda boba. Fiquei assustada e saí andando apressada, já tinha pago mico mesmo agora já era.

A produção nos colocou com os primeiros da grade, como se fôssemos do Crew, só que na frente deles, o que gerou uma certa briga ali, mas os organizadores da rádio explicaram que iríamos ficar ali e ponto final. Ficamos bem no meio com uma visão perfeita do palco… Nem era tão alto, para meu alívio, eu estava bem em frente ao microfone, então eu estaria o show todo bem na frente de Pierre, o que me deixou bem feliz.

Pontualmente o show começou às 20:00 hrs.

— Boa Noite São Paulo! — Pierre gritou com aquele sotaque arranhado que eu tanto amo. Não me aguentei e comecei a gritar junto com todos.

Eles começaram tocando Shut Up, que era uma música que ainda seria lançada no CD novo, e depois tocaram I’d do Anything, God Must Hate me, My Alien, I’m Just a kid e toda a galera cantava pulava e gritava muito. Eu já estava quase sem voz.

Tocaram Addict, Jump (mais uma do novo CD, o que fez todos surtarem) e finalmente Welcome to my life, outra do CD que eu já sa inteira. Eu não me segurei mais, desabei a chorar de novo, cantando com toda força e com o que me restava de voz. do meu lado também cantou, chorou e gritou, e na hora da música Perfect foi a minha vez de consolar o que chorou e gritou pra valer, e como já imaginávamos, Perfect foi a última música.

Eles se despiram de todos fazendo promessas de que voltariam ao Brasil em breve e saíram do palco. O show acabou às 23:00, foram três horas de show que passaram voando… O pessoal da produção tirou a gente da frente do palco e, nos levou para a lateral nos mandou esperar pra recebermos todos juntos a notícia de quem seria o ganhador do prêmio misterioso e pra nos despirmos dos meninos. E assim fizemos.

Já com a casa de show vazia de todos os fãs, só nós ficamos por lá esperando cheios de nervoso e, ansiade. Era uma espera sofrida, já que ninguém sa quem iria ganhar o tal prêmio surpresa.

Por volta das 23:30 eles foram de volta até o salão do show onde nós todos estávamos e se despiram de todos sem exceção. Agradeceram nossa presença no show e nossa participação na promoção da rádio

— Ok, vocês todos estão ansiosos pra saber qual é o tão misterioso prêmio, certo? Vou dizer…. — Disse Chuck, olhando a nossa volta e fazendo suspense.

— O ganhador ou ganhadora vai com a gente em turnê, mas não é a passeio não. A pessoa vai trabalhar com a gente na turnê como estagiária… — Seb interrompeu Chuck, mas nós o interrompemos, pulando eufóricos e desesperados.

— Ok pessoal, calma… Termine, Seb. — Disse Jeff, chamando a nossa a atenção.

— Então… O ganhador ou ganhadora vai trabalhar com a gente por um ano, e se a dicação e o progresso forem bons, o contrato pode ser estendido por mais um ou dois anos, quem sabe. — Seb terminou de falar e a euforia e gritaria nos invadiram.

— Certo, certo… Agora acalmem-se. Podemos falar quem venceu? Ou melhor, a carta vencora? — Pierre tentou chamar a nossa atenção, e nós paramos para ouvir de mãos dadas. Antes de revelar o ganhador Pierre completou:

— Só quero dizer antes que todos vocês foram ótimos, e que foi uma escolha bem difícil, todos estão de parabéns e agradecemos de coração o carinho de todos vocês.

— Bem, sem mais demora, a carta vencora nos agradou por vários motivos, mas foi todo o sentimento escrito com tanta intensidade e de forma tão simples e pura que chamou nossa atenção, de fato, e a minha mais ainda…

No meio da frase, Pierre parou de falar e olhou para todos. Eu já estava chorando abraçada com . Não achava que eu tivesse chance, eu não tinha esperança nenhuma… estava preparada para encarar que outra pessoa seria a ganhadora do prêmio até que…

— A carta que venceu foi… — Pierre olhou para todos no círculo.

Minutos de suspense e tensão. Olhei nos olhos dele e esperei com o coração acelerado. Pierre me encarava, os olhos dele cravados nos meus.

— A carta vencora foi… a sua, Ferrari. — Ele completou.

, você venceu! Meus parabéns!

Ele terminou de falar e veio pra me dar um abraço. Eu mal compreendi o que ele disse direito, e todos os outros vieram me cumprimentar. Eu estava em estado de choque vendo todos me cumprimentando, sem acritar e nem entender. “A carta vencora foi a sua, Ferrari.” A voz de Pierre ecoava na minha cabeça confusa. Eu ganhei o prêmio? Eu era a vencora? Eu iria viajar com eles? Eu iria realizar meu sonho de estudar e aprender mais com os meninos do Simple Plan? Só podia ser um sonho… Eu iria poder estudar, conhecer o Canadá, trabalhar com a banda, morar na casa de um deles ou em um hotel, sei lá. Nem me importava com nada! Eu iria para o Canadá e com o Simple Plan! conseguiu passar por todos que me cercavam e já veio logo falando:

— Amiga, você ganhou! — me alcançou e foi me abraçando.

— Hã? O quê? Eu…? Eu ganhei mesmo? Sou eu quem vou viajar com a banda?

percebeu meu choque e me sacudiu com força, mas sem resultado, ele deu um tapa em meu rosto. Com isso, eu acordei da surpresa, mas ainda sem acritar.

— Quê, ? Eu ganhei? Sério? Ai meu Deus, nem acrito…! — eu repetia com o corpo ainda tremendo de emoção.

— Ei cara, cuidado, vai machucar nossa estagiária. — Pierre viu a cena do tapa e sorriu pra nós. encarou Pierre e falou o mais debochado possível:

— Que nada, tapa de irmão não dói. — Todos riram e eu ainda estava sem acritar no que estava acontecendo… eu ia mesmo para o Canadá!

, vá até sua casa com o motorista. Você tem um dia pra resolver tudo, desculpe. Sei que é pouco tempo, mas só podemos ficar no Brasil por mais um dia, na segunda feira de manhã temos que estar de volta ao Canadá e você já tem trabalho a fazer por lá. — Pensei depressa hoje, tecnicamente ainda era sexta-feira, então no Sábado eu teria que correr com tudo para no domingo arrumar as malas e segunda de manhã embarcar para a viagem… Meu Deus era pouco tempo! Mesmo desesperada com a correria que teria de fazer, tentei parecer calma e otimista.

— Não se preocupe, eu vou resolver tudo com o e estarei aqui o horário que você quiser. — Falei quase sem voz ainda pensando no que eu resolveria primeiro logo de manhã.

— Por hoje vá descansar, porque você vai precisar da voz. O motorista vai levar você e para o hotel em que estamos hospados, e aí vocês descansam um pouco. Amanhã bem co você vai com o motorista resolver tudo, ok? E se der algum problema de última hora você me liga. Por que nós precisamos de tudo acertado para viajar tranquilo na segunda de manhã.

Pierre tirou o celular do bolso, prestes a me entregar quando percebeu que estava sem bateria…

Meu Deus! Pierre vai me entregar o próprio celular? Então ele me olha e fala:

— Você tem celular, ? — O encarei sem entender, é claro que eu tinha celular, mas por causa do show estava totalmente descarregado.

— Eu tenho sim, mas está sem bateria. — Respondi sem graça. Pierre me olha sorri de leve e diz:

— Eu estava pensando em deixar meu celular com você, mas está sem bateria… Resolverei isso já.Chuck, me faz um favor?

— Claro, fala aí, mano? — Chuck se aproximou de nós todo sorridente.

— Deixa o seu celular com a até amanhã, eu ia dar o meu pra ela, mas o meu descarregou e eu vou precisar falar com ela pra saber se está tudo bem.

Sem nem questionar, Chuck tirou o celular do bolso e me entregou.

— Cuidado com minha belezinha. — Chuck provocou.

— Tá, você sobrevive. — Pierre notou minha cara de espanto e riu. — Calma , o Chuck tem outro celular ou… — Pierre entregou o próprio telefone para Chuck que ria da minha cara de perdida. — Pode usar o meu, Chuck. É só carregar. — Pierre jogou o celular e Chuck pegou no ar.

— Então , vamos todos descansar agora. E se tiver problemas, me ligue.

Balancei a cabeça de forma positiva, indicando que sim. Incapaz de falar, eu já estava indo com o motorista que veio nos pegar assim que todos os outros fãs tinham ido embora. Só esperava Pierre acabar de falar para então irmos até o hotel, quando de repente Pierre parou no meio do caminho.

? — Disse ele.

Levei um susto e me virei pra olhar em sua direção.

— Sim?

— O meu número é o primeiro da agenda do celular do Chuck, ok? E mais uma vez parabéns, e boa noite. — Ele completou me dando mais um abraço, um forte abraço.

Olhei para o telefone em minhas mãos e para Pierre que saiu rindo da minha expressão confusa. Chegamos ao hotel por volta das 2 horas da manhã. e eu desmaiamos exaustos, sem saber se tudo o que tinha acontecido naquele dia incrível era sonho ou realidade.

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Nota da Autora: Que show! Que notícia boa!! Mas e agora? Ela vai deixar tudo e todos para trás e, embarcar em um avião para outro país?
É uma oportunidade única… o que vocês fariam?
Obrigada a vocês queridos leitores que chegaram aqui para dar uma chance a esta história. Vocês fazem meu dia feliz.
Até a próxima Att Babies . X.
~~ Bia ~~



8- Mudança de Vida

Não conseguimos dormir bem no hotel, porque a noite passou voando. Às sete horas da manhã o segurança dos meninos bateu na porta do quarto dizendo que deveríamos tomar café. Descemos e fomos até o restaurante do hotel.

Na mesa estava uma variedade de comidas que eu nunca tinha visto antes, aquele não era o horário normal de café da manhã e, com certeza, deveria ser algum tipo de cortesia para nós. Por causa de nossos anfitriões famosos.

Só estávamos e eu. Tomamos o nosso café bem reforçado. Suco de laranja, algumas torradas e umas frutas, além de pão fresco e frios. Um café da manhã muito saudável. De repente, o nosso motorista se aproximou da mesa e sentou-se à minha frente. Aliás, motorista dos meninos, mas que nós havíamos “emprestado” por um tempo. Nada mal.

— Onde estão os meninos? — Perguntei olhando em volta, um pouco triste por não estar vendo-os.

— Os caras acordam tarde, mas podem tomar o café de vocês. Precisamos sair no máximo às 07:30, porque hoje seu dia vai ser longo. — Respondeu o motorista, rindo ao observar a minha tristeza.

— Está bem, vamos… — Disse um pouco sem jeito. Senti meu rosto vermelho em poucos segundos.

— Calma, tomem café e depois que nós vamos. Se vocês não se alimentarem bem, os patrões me matam.

— Duvido que eles sejam maus patrões, eles são o máximo… — falou impressionado.

— Você teve muita sorte, . Eles são pessoas humildes e de bom coração, você vai se dar bem, pode acreditar. Espero vocês lá fora, ok? — O motorista riu, terminou de tomar o seu café e saiu.

e eu só balançamos a cabeça positivamente, concordando. Tomamos café o mais rápido possível, já que tinha tanta coisa pra comer e era difícil escolher. Meu Deus, como eles podiam comer tanto? Vida de rico é mesmo complicada. Difícil até pra comer, eram muitas opções.

Em 15 minutos saímos e encontramos o motorista já no carro esperando por nós. Não era um carro muito grande, mas era um carro lindo e incrível: um Volvo c30 prata. Fiquei impressionada com a beleza do carro, e entrei me acomodando no banco traseiro de boca aberta.

— Caraca, que carro lindo… Nossa! — disse em alto e bom som. Sempre foi o mais descarado. Aliás, o mais cara-de-pau. Que vergonha. Precisava ter gritado daquele jeito e ter me feito pagar mico? Vou matar esse menino, cada vexame que eu passo… mas tudo bem, , acalme-se… Hoje não é dia de ficar estressada.

Eu tentava me acalmar e, me lembrar que aqueles eram meus últimos momentos com o antes de eu ir embora por dois anos… e pensar nisso me dava vontade de chorar, deixar meu melhor amigo… meu irmão de coração ia ser a coisa mais difícil que eu ia fazer desde a morte dos meus pais…

O motorista me tirou de minha tristeza repentina com um comentário sobre o carro:

— Vocês ainda não viram nada. Esse é só um carro alugado para ser utilizado aqui no Brasil, vocês têm que ver os carros deles mesmos, são máquinas de babar, não são super carros nem nada, mas são carros muito melhores dos que tem aqui no Brasil. — O motorista respondeu após rir do incidente de .

— Imagino, eu tiro como exemplo o celular que o Chuck deixou comigo. — Completei o que ele havia dito. Olhei pro celular em minhas mãos e pensei “Meu Deus, um Apple de última geração. Dá medo até de segurar, imagina usar isso”. Eu nunca tinha usado um celular da Apple antes e era bem assustador, já que eu estava acostumada ao meu bom e velho Android, que mesmo com três anos de luta ao meu lado ainda estava firme e forte. Ou quase.

Fui tirada de meus pensamentos com o motorista dizendo:

— Aliás, meu nome é Robert, já que ninguém me perguntou. — Ele sorriu olhando em nossa direção.

— Meu Deus, Robert! Desculpa, é que são tantas coisas juntas… Eu sou a e esse é o . — Respondi, percebendo a falta de atenção. Onde eu estava com a cabeça? Que péssima educação a minha, nem me apresentei e nem perguntei o nome dele. Eu estava morta de vergonha pelo meu total esquecimento.

Robert deu uma gargalhada e respondeu:

— É, eu sei, e fiquem tranquilos. Eu fui encarregado pessoalmente pelo Pierre de te ajudar , você vai resolver tudo o mais depressa possível, porque no máximo segunda de manhã temos que pegar o voo para o Canadá. Portanto, para onde vamos, moça? — Robert falava em tom sério mas sorrindo, ele me parecia ser legal.

Dei meu endereço para Robert e ele dirigiu sem dificuldades. No caminho fomos conversando um pouco, e, durante o papo, acabei descobrindo — não foi bem uma descoberta, mas foi legal saber disso — que Robert morava no Canadá há dois anos e que era viúvo, por isso não se importava de viajar em turnê com a banda. Ele se casou jovem, mas infelizmente não teve sorte. Parei e olhei de lado para Robert… Aparentava ter seus 27 anos, aproximadamente.

Chegamos a minha casa. Robert e desceram para me ajudar a começar a separar e a fazer as malas para a viagem, e enquanto arrumava minhas coisas e tirava os pôsteres da parede — eu não podia deixar de levá-los —, parei e pensei: “Vou deixar minha casa e minhas coisas pro . Já que vou embora de vez, por que não fazer isso?”

, você quer ficar morando aqui? Assim… Com tudo. A casa fica sendo sua. O aluguel já está pago e os próximos você assume. O que acha? Eu sei que você sempre quis morar sozinho. Por favor, diz que aceita… — Disse quase implorando, olhando para sorrindo, aguardando a resposta.

— Amiga, isso é sério? Você vai dar sua casa pra mim? Digo suas coisas? Seus móveis? Claro que eu aceito, e vai estar tudo aqui se você um dia quiser voltar. — Ele respondeu chorando e sorrindo. Todas as emoções juntas invadindo uma só pessoa. Mas as lágrimas eram de alegria.

Dei um forte abraço no , e juntos terminamos de arrumar minhas malas que nem eram tantas, foram duas malas e uma mochila. Nada mais do que isso, já que eu não tinha tanta roupa para vestir, e muito menos roupa para o frio intenso do Canadá, eu iria congelar era certo. Pensei em comprar tudo quando chegasse no Canadá. Mas eu quase não tinha dinheiro, era esperar que o acordo que eu faria no trabalho me rendesse alguma grana extra.

Fui até o trabalho e expliquei tudo. Eles me liberaram — ufa, que alívio — com a condição de resolver a papelada e me enviar para assinar. Como imaginei, sai do trabalho apenas com o salário do mês, deixando três anos de direitos trabalhistas para trás, mas era por um bom motivo. E, para viajar com eles, valia a pena perder algumas coisas.

Já era quase noite de sábado e ainda tinha muita coisa pra fazer; despedi-me dos poucos colegas e na hora de ir quase me esqueci de devolver a câmera de . Eu disse que minha cabeça estava confusa…

, meu amor, a sua máquina. Falei já com a garganta trancada pela vontade de chorar.

— Para, , você me deixou sua casa… Fica com a máquina, é uma lembrança minha. Mas por favor, me manda notícias e fotos pelo menos uma vez por semana. — Ele disse já aos prantos.

Corri em direção ao e o abracei chorando também, estava chegando a hora da despedida e isso estava me matando por dentro.

— Me promete uma coisa? — Ele disse com um pouco de dificuldades por estar chorando.

— Prometo. — Respondi soluçando.

— Me prometa que nunca, jamais, você vai se humilhar nem se curvar pra ninguém. E sempre vai dar o seu melhor em tudo que fizer, e o mais importante, que você vai fazer de tudo… vai fazer qualquer coisa para ser feliz. Promete?

— Claro que sim, pela primeira vez na minha vida vou ser feliz de verdade. Sei que não vai ser fácil, mas eu vou lutar e vou conseguir. Eu te prometo que vou ser feliz sim, e você, meu irmão querido, quero que se cuide. Você sabe que é meu irmão de coração e eu te prometo que vou ser MUITO FELIZ, e eu cumpro minhas promessas. — Falei aos soluços. assim como eu estava tremendo.

— Desculpe, mas temos que ir. — O motorista nos interrompeu com uma voz triste. Por que é sempre ruim despedir-se de quem você queria guardar num pote só pra ti?

Dei um último abraço no e tirei uma foto pra levar comigo. Entrei no carro e dei adeus ao meu melhor amigo e a uma vida que tinha ali.

Robert nos levou a um restaurante, já que eram quase cinco horas da tarde e ainda não tínhamos almoçado. Quando cheguei lá, percebi que o lugar nem era tão chique. O que era um alívio para mim, já que eu achava estar mal vestida de jeans, tênis All Star e camiseta.

, acalme-se um pouco. Você está muito nervosa, eu te entendo, mas relaxa e curta o momento porque senão quando chegarmos ao Canadá, você vai surtar. As mudanças só estão começando pra você, e tem mais, os caras são bem simples. Eles só se arrumam um pouco mais quando é um programa de TV mais formal ou algum evento beneficente, fora isso, eles são bem relaxados até. — Robert percebeu o meu nervosismo.

— Eles não são relaxados nada, eles são perfeitos. — Olhei feio para ele. Ah, mas ninguém falava mal deles perto de mim, nem mesmo o motorista.

— Ok, já entendi. — Robert riu da minha irritação sem necessidade,— Vamos almoçar porque o pessoal está esperando a gente. Pode pedir o que quiser.

Ele riu percebendo a minha raiva. Escolhemos uma mesa e pedimos o almoço, quase lanche da tarde. Não demoramos muito e já estávamos de saída, e, de repente, o celular que Chuck tinha deixado comigo começou a tocar. Atrapalhei-me para atender e Robert, que já estava quase no carro, voltou para ver qual era o problema.

— Atende, deve ser o Pierre querendo saber o porquê da nossa demora. — Olhei para o Robert assustada.

— É justamente esse o problema. E se for ele? O que eu digo? — Disse com voz de choro. Desesperada, confusa e, sem reação; eu devia estar com crise nervosa ou de tpm eu estava chorando demais. Credo!

Robert pegou o telefone que ainda tocava de minhas mãos trêmulas e atendeu.

— Alô? — Disse Robert com o telefone nas mãos.

— Oi Robert, aqui é o Pierre. Tudo bem?

— Tudo bem sim chefe, já estamos voltando para o hotel.

— Já resolveram tudo?

— Sim, praticamente tudo certo, só falta uns poucos detalhes e ai, podemos viajar sem complicações.

— E o passaporte da está tudo ok? Precisamos viajar amanhã… — Robert esperou que Pierre falasse tudo e, então respondeu:

— Sim patrão, está tudo certo. Resolvi tudo e já estou com o passaporte da moça aqui nas mãos. Estamos indo de volta para o hotel. Não se preocupe, sua mais nova estagiária está bem. — Robert me olhou sorrindo.

— Ela está bem? Vocês já comeram?

— Sim Pierre, ela está bem, acabamos de almoçar e ela está louca pra ver vocês de novo.

Ouvi toda a conversa e pensei: “Então foi por isso que fomos mais ced)o até a polícia federal e falamos com a imigração? Para resolver essas burocracias todas de passaporte, visto e permissão de estudo e de trabalho… E que conseguimos tudo isso em caráter de emergência em um sábado? Sendo que só o passaporte demoraria 30 dias e, o visto mais 30…”

Robert se despediu de Pierre e me devolveu o celular. Ele me viu um pouco triste, e então perguntou:

— O que foi agora, ?

— É que o Pierre não perguntou de mim… — Meu Deus eu estava muito carente! Devia estar sentindo falta do já.

— Perguntou sim e eu disse que você estava bem e ansiosa para revê-los, agora vamos porque até o hotel é uma viagem meio longa.

Robert mal acabou de falar e eu já estava sorrindo de novo. Respondi depressa:

— Ok, vamos logo, quero rever meus meninos. — Robert sorriu, ele devia estar me achando maluca com essas mudanças de humor.

— Ok, vamos. É bem fácil te deixar feliz, né ?

— Quando se trata deles, sim, mas você nem imagina como estou nervosa.

Ainda tem momentos que acho que estou sonhando e que tudo é mentira, mas aí olho pra esse celular nas minhas mãos e vejo a foto do Chuck na tela…

Acabo acreditando que tudo é verdadeiro e não mais um sonho maluco. Confessei toda a minha insegurança, eu precisava falar com alguém ou iria surtar.

Robert me olhou fixo nos olhos e falou sério:

— Olha, , em dois anos trabalhando com eles eu já vi de tudo que você pode imaginar. Fãs malucas, taradas e até psicopatas, a ponto de invadirem quarto de hotel e se esconder no porta-malas dos carros e doparem seguranças, mas você é diferente; seu amor por eles é puro, sincero e lindo… Sinceramente, você merecia mesmo ganhar esse prêmio. Agora um conselho de quem é mais velho que você e já passou poucas e boas longe de casa: se dedique, estude e trabalhe duro, mas sempre com honestidade e humildade no coração, porque aí sim você vai longe, mais longe do que você pode sonhar ou imaginar. Você tem tudo pra se dar bem com os meninos, é só saber aproveitar as oportunidades e estudar muito, sempre com coragem, fé e força de vontade.

Quando Robert acabou de falar, eu já estava chorando, e o respondi com a voz rouca:

— Obrigada por estar sendo tão legal comigo, e por esses conselhos… Vou usá-los bem, pode ter certeza. — Robert me encarou com ternura.

— É somente o conselho que me deram quando cheguei ao Canadá e graças a esses conselhos estou me dando bem… Agora vamos que o pessoal está esperando a gente pra jantar.

— Jantar? Que horas são? — Olhei no relógio e eram quase sete da noite. — Já? Mas não são nem oito horas… Por que tão cedo? — Disse um pouco assustada. Afinal a gente meio que tinha acabado de almoçar…

— Os caras gostam de comer cedo e ainda mais um deles que vive com fome a toda hora… e tem o horário de refeições do hotel…

Robert nem terminou a frase e eu comecei a rir alto. Ele percebeu que entendi a piada e nós dois falamos ao mesmo tempo:

— Pierre! — Contive meu riso para prosseguir a minha fala. — Meu gordo vive mesmo com fome, até parece que tem estômago de avestruz. — Continuei rindo e pensando na loucura que era aquilo tudo. Eu estava indo viajar com eles!

— Pois é, você conhece mesmo ele, né? Vamos então.

Robert dirigiu bem por São Paulo sem muitas dificuldades, e eu já curiosa perguntei:

— Você morava em São Paulo antes de se mudar para o Canadá?

— Você é bem observadora, hein? Sim, eu morei aqui minha vida toda, até que resolvi tentar a sorte em outro lugar. — Ele sorriu pelo retrovisor.

Apenas concordei com a cabeça, já percebendo que estávamos perto do hotel dos meninos, o que me deixou tensa de novo. Robert percebeu minha mudança de espírito.

— Mais um conselho: Tente agir naturalmente e seja você sempre, não se preocupe se às vezes você for apenas a fã, eles até gostam disso e são bem brincalhões. Se você ficar à vontade, vai deixá-los à vontade, e eles vão se soltar e brincar com você. Mas você tem que dar espaço e liberdade pra eles fazerem isso. — Disse Robert percebendo o quanto eu estava tensa.

Só concordei nervosa e Robert apertou as minhas mãos dando apoio, e depois disse no meu ouvido:

— Relaxe e aproveite cada momento. Vão ser dias inesquecíveis e muito especiais e importantes, viva a cada dia de cada vez, e no final você vai ser outra pessoa. — Concordei e tentei relaxar.

Como eu já tinha sido registrada no hotel no dia anterior, entrei sem problemas. Cheguei no saguão e Pierre esperava por nós com um sorriso.

Congelei no lugar vendo aquele sorriso lindo. Robert percebeu e me puxou pela mão cumprimentando Pierre ao mesmo tempo.

— Desculpe nossa demora, chefe, é que nossa amiga aqui morava bem longe. — Ele sorriu na minha direção, me deixando sem graça. Pierre sorriu timidamente para mim e disse:

— Não ligue para as piadas do Robert, ele é indiscreto, ‘tá? Mas e aí, foi tudo bem? O Robert te tratou bem? Se não me fala agora que eu desço a porrada na cara dele. — Pierre sorriu pra Robert. Respirei fundo e disse com os olhos no chão:

— Fui muito bem tratada, e deu tudo certo. Você não precisa se machucar batendo no Robert, eu mesma faço isso. — Dei um soco em Robert com toda minha força. Ele disse para eu me soltar e fingir ser forte era um bom jeito de começar.

Robert sorriu vendo que estava tentando relaxar.

— Uau! Essa aí é brava, nem mexa com ela, ok. — Pierre disse em um tom brincalhão.

Dei um sorriso tímido pra Pierre e travei no lugar. Era difícil ser eu mesma na frente dele, eu me sentia intimidada diante de tanta beleza e, gentileza.

— Vamos jantar, só estávamos esperando vocês. — Pierre alisou a barriga, dando a entender que estava com fome. Confirmamos e seguimos Pierre até o restaurante do hotel mesmo que Robert e eu nem estivéssemos com fome naquele momento.

Já estavam todos à nossa espera, fazendo a maior bagunça, quando Chuck me viu, abriu um sorriso enorme e me pediu para sentar do lado dele na mesa.

Retribuí o sorriso de forma gentil e me sentei do lado dele. Todos começaram a comer e Chuck me perguntou de repente:

— Tudo certo pra você viajar com os caras mais malucos que você já viu?

Levei um susto e percebi todos me olhando, inclusive Robert, que me acenou com a cabeça, a fim de me dar coragem. Respirei fundo e respondi no tom mais natural que consegui:

— Malucos vocês? Acho que não, vocês nem sabem o que eu faria de maluquices, então acho que eu sou bem mais louca que qualquer um de vocês, meninos. — Dei um sorriso, feliz por conseguir dar uma resposta sincera sem perder o ar; acho que meu corpo só perdia o controle perto de Pierre, com os outros eu conseguia agir normal.

Chuck fez cara de espanto e olhou em torno da mesa.

— Então você está no lugar certo, maluca com malucos. Bem-vinda a Família Simple Plan.

— Ei caras, um brinde a mais nova membro da família! — Ele levantou o copo fazendo todos brindarem à minha presença.

Fiquei sem jeito, mas aí Jeff que estava sentado do meu outro lado me abraçou e disse:

— Coitada de você que vai ter que aguentar todas as nossas brincadeiras e maluquices, mas adoramos ter você com a gente e sabemos que escolhemos direito.

— Muito obrigada por tudo, e prometo trabalhar duro e não desapontar vocês. — A esse ponto eu já estava bastante emocionada, segurando para não chorar.

— Meninos? — Pierre repetiu rindo. Com cara de confuso pela forma como eu havia chamado todos eles.

— É sim, por que? Eu sempre chamei vocês assim… Mas se você não gosta, tudo bem, eu posso parar. — tentei me desculpar.

Nem terminei de falar e Pierre me interrompeu rindo ainda mais.

— Já nos chamaram de várias coisas, mas de meninos é a primeira vez. Gostei disso! — Ele me encarou do outro lado da mesa e, me deu seu sorriso mais lindo. Tá ok, eu amava qualquer sorriso dele.

Todos riram da piada de Pierre e eu completei entrando na brincadeira.

— É, eu sei bem do que chamam vocês…, Mas, deixa pra lá.

Terminamos de jantar assim, em tom de brincadeiras e zoações, e eu bem mais calma e relaxada na presença dos caras e principalmente com Pierre, que era quem me deixava mais nervosa e sem graça. Principalmente quando ele me pegava olhando pra ele às vezes. Eu disfarçava e, ele fingia não ver; mesmo sorrindo de leve na minha direção.

Por volta das 21:30 hrs todos foram se deitar, os meninos me deram boa noite e foram cada um para seus quartos. Meu quarto ficava de frente com o quarto de Pierre, que antes de entrar, me disse:

— Amanhã ainda é domingo, e vamos tirar o dia para descansar e aproveitar o hotel e o clima do Brasil, já que na segunda bem cedo estaremos voltando para o Canadá e, lá agora está um inverno terrível. Então aproveite e descanse bem e, amanhã não se preocupe de acordar tão cedo ok? — Pierre me encarou e sorriu de leve.

— Certo Pierre. — sorri. — Amanhã eu levantarei por volta das dez da manhã, tudo bem pra você? — Falei para ele sabendo que eu mal dormiria aquela noite.

— Tudo bem então amanhã quando estiver descendo para tomar café da manhã passo aqui pra te chamar e, , amanhã vamos passar o dia na piscina. — Pierre me sorriu e se vira para seu quarto, me deixando em pânico.

Piscina? Porcaria! Eu não tinha nem um biquíni decente… ah não! Comecei a revirar minhas malas e depois de uma meia hora procurando finalmente encontrei na minha mochila um biquíni que eu nem lembrava que tinha comprado estava com a etiqueta da loja ainda… dormi bem melhor na minha segunda noite naquele quarto de hotel. Tendo sonhos felizes com um certo vocalista gato.

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Amanheceu, domingo de sol e calor, um dia lindo e ótimo para ficar na piscina só tinha um problema… eu não sabia nadar e mesmo amando água mal aproveitava praia ou piscina. Às 10:30 Pierre bateu na porta do meu quarto, eu já estava acordada desde as 10 horas então já estava pronta, meu biquíni era azul turquesa, com estampa de frutas, alça de amarrar nas costas e no pescoço e a calcinha não era nada indecente, de tiras largas e bem grande até para os padrões brasileiros, como eu não iria me molhar, vesti um short de malha preto e usei uma camisa social branca que eu tinha roubado do como saída de praia. Prendi o cabelo em um rabo de cavalo alto.

Quando abri a porta do quarto, Pierre me esperava no corredor, de camiseta regata, óculos escuros na cabeça, bermuda e chinelos. E, meu Deus, que visão maravilhosa! Todas aquelas tatuagens à mostra… Que visão!

Pierre me encarou, me olhou de baixo em cima e sorriu. Parou nas minhas mãos que estavam com um livro. Já que eu não iria nadar, tiraria o tempo pra ler um pouco. Olhou a capa e, pareceu confuso já que o título e a capa estavam em português.

— Que livro é esse? — Pierre me encarou sem entender a capa.

— Crepúsculo, essa é a capa em português, para o resto do mundo o nome é Twilight. — Expliquei sorrindo.

— Mas estamos indo para a piscina, você não vai nadar com a gente? — Pierre parecia desapontado.

— Então… eu não sei nadar, acho melhor só ficar sentada na beira da água lendo um pouco enquanto vocês aproveitam o dia. — Falei sem graça.

— Ah, é isso? Deixa de bobagem , a gente cuida de você na água, não tem perigo nenhum. — Pierre insistia.

— Pierre cuidando de mim? Ai meu Deus… Olha Pierre não tenho boas lembranças com água e com piscinas, já quase me afoguei uma vez e não quero correr esse risco de novo, então é melhor eu só ficar olhando mesmo…Tentava me justificar.

— Qual é , você não confia em mim? Acha que eu vou deixar você se afogar? Ou os caras? — Pierre se corrigiu depressa.

— Ok Pierre, vou tentar beleza? Mas não garanto nada. — Respondi ainda insegura, eu até confiava em Pierre, mas o medo era maior.

Descemos até o restaurante do hotel, todos já estavam lá esperando por nós. Tomamos o café e por volta de 1 da tarde todos fomos para a piscina. Jeff e David já correram e foram logo dar um mergulho, Séb foi logo atrás, Chuck se sentou na espreguiçadeira ao meu lado e Pierre na outra de modo que eu fiquei entre Pierre e Chuck cada um de um lado, eu com meu livro, Pierre olhando os amigos e Chuck tentando puxar assunto comigo.

— Não vai cair na água ? — Chuck quis saber.

— Não Chuck, obrigada prefiro ficar aqui com meu livro. Apontei para a capa e sorri.

— Ah, qual é , vamos lá está um dia lindo e você pode ler no avião. — Ele insistiu.

— Melhor não Chuck, prefiro ficar vendo vocês daqui mesmo. — Não queria ter que me explicar de novo e admitir que não sabia nadar. Pierre encarou Chuck com um olhar irritado e disse:

— Deixa a em paz cara, quando ela quiser nadar ela vai. — Chuck olhou de mim para Pierre, fez bico e disse chateado:

— Tá bom poxa… desculpa , bom eu vou lá dar um mergulho.

Chuck saiu antes que eu pudesse dizer que não estava brava com ele então dei uma bronca em Pierre:

— Não precisava ter falado assim com ele, afinal ele não sabe de nada. Ele só estava querendo ser legal. — Falei com a voz irritada.

— Se você quer acreditar nisso beleza, mas o que o Chuck quer mesmo é ver você de biquíni. — Pierre falou e saiu em direção ao trampolim.

Fiquei sem resposta, não imaginava que fosse essa a razão. Comecei a rir feito boba, deixei o comentário abusado de Pierre pra lá e continuei a minha leitura, eu mal voltei para o livro e, de repente Jeff chega jogando água em mim.

— Hey , vamos para a água? Tá bem legal lá, vamos começar uma partida de bola e só falta um pra dar certo os times… vem? Por favor? — Jeff me implorava feito cachorrinho sem dono. E agora o que eu poderia falar? Decidi pela verdade mesmo que fosse vergonhosa.

— Olha Jeff desculpa, mas eu não sei nadar e eu só iria atrapalhar. — Confessei sem jeito.

— Ah, então é por isso que você não chega nem perto da borda da piscina? Poxa , podia ter falado com a gente antes, nós somos cinco caras bem grandes e fortes e não vamos deixar você se afogar e, você pode ficar na parte rasa então não tem tanto perigo assim. Nós cuidamos de você, prometo.

Jeff falava e ria, aquela risada gostosa e alta. Olhei pra ele, depois para os meninos que se divertiam na piscina, estava um dia lindo e quente, eu estava morrendo de calor e com vontade de entrar na água. Decidi deixar minha vergonha de lado, minha timidez e, o medo de que eles rissem ou julgassem meu corpo, tirei a camisa e deixei na cadeira junto com meu livro, mas não iria tirar o short. Fui com Jeff até a beirada da piscina.

Jeff estava radiante, parecia não acrediitar que tinha me convencido a ir para a água, quando cheguei os outros quatro estavam tão surpresos quanto Jeff, Pierre me encarou de cara amarrada, Chuck sorria de orelha a orelha e Séb estava de boca aberta e, David me lançou um jóia com os polegares. Não entendi a reação deles, mas decidi ignorar. Apenas falei e tentei parecer calma, coisa que eu não estava.

— Foi daqui que pediram mais um jogador? Vou ficar no time de quem? — Falei e encarei os cinco que ainda estavam parados.

— Ah, você vai jogar? Que legal! — Séb comemorou. — Você pode ficar no meu time se quiser; — ele já se adiantou.

— Nada disso mano, eu fui buscar a ela fica no meu time. — protestou Jeff.

— Que tal a gente tirar no par ou ímpar? — Pierre sugeriu. Ainda de cara amarrada na minha direção.

Pierre e Jeff tiraram par ou Ímpar e eu acabei ficando no time de Jeff, os times ficaram assim: Pierre, Chuck e Séb de um lado. Eu, Jeff e David do outro. Era chato jogar contra Pierre, mas, fazer o que? Antes de começarmos a jogar já avisei:

— Olha meninos, eu não sei nadar, nada mesmo, eu mal sei boiar então se eu escorregar ou cair por favor não me deixem morrer afogada. Peguem leve comigo por favor? — Pedi desesperada com medo.

Pierre do outro lado da rede me encarou, olhou os amigos e falou em tom sério:

— Você agora é nossa responsabilidade , nenhum de nós aqui vai deixar que nada de ruim te aconteça, pode confiar em nós. — Sorriu e lançou a bola.

Eu estava encantada com o que ele tinha acabado de dizer, ele parecia sincero e realmente, todos estavam tendo o maior cuidado comigo, mesmo eu estando na parte rasa da piscina. E, a única vez em que eu me desequilibrei e cai, Pierre nadou tão rápido que logo estava do meu lado me levantando. O toque dele em mim me causava arrepios que não eram por causa da água. Ele apenas me olhava e sorria de forma sapeca.

O dia passou assim, rápido, entre o jogo, pausa para o almoço, mais uma rodada de jogo e depois o jantar. Já eram 8 da noite quando subimos paras os quartos e dessa vez eu estava exausta, pelas brincadeiras na piscina e o dia tão legal que tive, só queria um bom banho e cama. Já que no dia seguinte teria que levantar de madrugada para ir para o aeroporto. Eu mal conseguia acreditar, o dia da viagem finalmente tinha chegado. Era real eu iria para o Canadá.

Dei boa noite para os meninos que ainda estavam no bar do hotel tentando se dar bem com algumas garotas de lá, não queria ver aquilo, ainda mais que tinha uma das meninas dando mole para Pierre. Mas para a minha surpresa ele não fica no bar com os amigos, ele sobe para o quarto comigo me fazendo companhia no elevador.

Na porta do meu quarto Pierre para, sorri pra mim e me diz:

— Hoje foi um dia muito divertido, e que bom que você resolveu aproveitar a piscina. O jogo foi bem legal. — Pierre comentou e sorriu de leve. Então completou parecendo se lembrar de algo importante: — Amanhã vamos sair por volta das seis da manhã, tenta dormir bem por que a viagem é longa. Descanse bastante, e boa noite.

— Sim, vou descansar, e boa noite pra você também. — Respondi sorrindo.

Meu Deus, meu quarto na frente do dele e ele ainda me pede pra descansar e dormir bem? Como? E ainda me deseja boa noite? Ah, vou ter uma bela noite sonhando com você e ouvindo sua voz me dando boa noite.

Pierre sorriu uma última vez e entrou no quarto. Fiz o mesmo e me joguei na cama. Pela primeira vez no dia, eu estava chorando tudo o que eu havia segurado na frente de Robert, na frente de e na frente do próprio Pierre, e ainda sem acreditar muito em tudo, chorei muito, até faltarem lágrimas. Entrei no chuveiro e tomei um banho para me acalmar.

Deitei pra dormir com medo de acordar no dia seguinte e tudo ser um sonho, coloquei o celular de Chuck do meu lado vazio na cama que era de casal. Deixei para despertar e coloquei uma música pra tocar… Welcome To My Life, claro, para assim, ter a certeza de que tudo era uma feliz realidade, e desse jeito ouvindo a voz doce do meu amado Pierre que estava tão perto de mim logo ali no quarto da frente, peguei no sono.

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Nota da autora: Tantos acontecimentos em tão pouco tempo, show, saída do trabalho, dizer adeus ao melhor amigo, medo, insegurança, ansiedade e amor… Tomara que a nossa PP consiga lidar com essa montanha russa de emoções.
Obrigada a cada leitor que chega até aqui e, saiba que ainda tem muito mais.
Obrigada pelo apoio e, pelo carinho. Até a próxima att Angels – X
~~ Bia ~~