Better With You

Sinopse: Um passado recheado de lembranças, uma promessa quebrada e muitas mágoas acumuladas.
Ela não queria se reaproximar dele, não queria invadir sua nova vida e atrapalhar seus planos, mas quem disse que ele não ia tentar?
Seu ex-melhor amigo é nada mais, nada menos do que um dos membros da One Direction que agora que a reencontrou não irá deixá-la em paz tão cedo. Além de consertar os erros do passado, vocês terão de aprender a viver nesse novo universo que o rodeia, com novos amigos e quem sabe até mesmo um novo amor.
E você vai descobrir que muito além de um amor, a força dessa amizade pode levá-la até seus sonhos.
Gênero: Romance/Comédia Romântica
Classificação: 14 anos
Restrição: Sem restrições
Beta: Olivia W.Z.,

Capítulos:

PRÓLOGO
– Minha menina… – Sussurrei e beijei os seus cabelos esvoaçantes – Eu queria tanto te pedir pra ficar, mas eu sei que não posso.

Apertei-a mais em meus braços, tentando fazer com que minha voz não falhasse tanto.

– Vou sentir sua falta todos os dias! – Mesmo assim minha voz saiu rouca e embargada.

… – se agarrou mais a mim com toda sua força, como se sua vida dependesse daquilo. – Eu… Não… Quero ir.

Por mais que soubesse que ela estava tentando controlar seus soluços e o choro, ela tremia em meus braços.

– Olha pra mim, . – Aquilo era a coisa mais difícil de fazer, eu odiava chorar mas lá estava eu, tentando esconder as lágrimas que já escapavam dos meus olhos. – Você precisa ir, baby, mesmo com a distância eu estarei com você e não irei te deixar, wonderwall, lembra?

– Promete? – olhou no fundo dos meus olhos. Sempre confiamos um no outro, nossa amizade era a coisa mais preciosa que tínhamos e eu não mentiria para ela, disso sempre teria certeza.

Prometo! – Disse baixinho, sentindo mais algumas lágrimas caírem enquanto sustentava o olhar dela. Estaria sempre com a de alguma maneira. Sempre.

 

CAPÍTULO I</
 

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Mais um dia começando em Londres e parece que não dormi nem por meia hora. O corpo ainda estava dolorido devido ao show de ontem, o celular já estava gritando a uns cinco minutos que era hora de levantar. Olhei no visor e eram apenas 06:30 da manhã, levantei minha cabeça só um pouquinho para tentar ver pela fresta aberta da cortina o clima que estava lá fora, mas desisti quando meu corpo voltou a doer. Que droga. Bufei jogando o edredom para o lado, me arrependendo no segundo seguinte em que o ar gelado atingiu minha pele, me cobri novamente mas minha alegria acabou quando ouvi as típicas batidas na porta e Paul, nosso segurança, me chamando do lado de fora.

– Hora de levantar, ! Vamos lá!

– Tô indo! – Disse alto o suficiente para que ele ouvisse.

Mesmo morrendo de preguiça fui direto para debaixo do chuveiro. A água quente fazia com que o cansaço que ainda estava em meu corpo desaparecesse, e eu conseguisse relaxar. Sem nem perceber comecei a cantar Wonderwall, fechei meus olhos e pensei em Melanie, minha ex-melhor amiga. Essa costumava ser “nossa” música, ela me acompanhava e sempre ao final da música soltava uma de suas gargalhadas inconfundíveis. Acabei rindo com a lembrança e sai do banho com a mente cheia de memórias da Mel. Como eu sentia falta daquela maluca, mas nem sei se ela voltou do Brasil ou se um dia voltaria.

Assim que retornei ao quarto, encontrei três marmanjos empoleirados na minha cama.

– Hmm, acordou de bom humor. – Ouvi , a preguiça em pessoa, que estava deitado com os olhos quase fechando novamente e a voz rouca, quase babava em meu travesseiro. estava ao seu lado parecendo um pouco mais acordado.

– You’re my wonderwaaaaaaaaaallll – fingia ter um microfone e cantava desafinado. Todo mundo estava com a cara amassada e os cabelos espetados para todos os lados, ri enquanto passava a toalha por meus cabelos e de repente um coral super desafinado surgiu cantando Wonderwall mais uma vez. Assim que terminaram colocou só a cabeça para dentro do meu quarto com a cara mais amassada de todas.

– Calem a boca – Resmungou ele, entrando no meu quarto parecendo um zumbi e se arrastando até a cama, pulando em cima de e que se afastaram minimamente, não deixando espaço para que ele se ajeitasse na cama.

– Então é isso mesmo, ninguém vai trabalhar hoje não?! – Perguntei enquanto colocava minha calça e ninguém se mexeu, parecia que havia voltado a dormir enquanto e se esforçavam para tirar um sonâmbulo de cima deles.

Até que Paul apareceu no quarto. Ele provavelmente estava procurando todos eles, porque assim que entrou no cômodo, cruzou os braços olhando para cada um de nós. Eu apenas dei de ombros enquanto Paul começava mais uma saga para fazer com que eles se mexessem. Geralmente eu dava mais trabalho, mas hoje estou dando uma trégua e me divertindo vendo o nosso segurança quase jogar água pra fazer todo mundo levantar.

Depois de muito trabalho, todos levantaram foram se arrumar. Estávamos quase atrasados e Paul odiava atrasos, então em menos de meia hora ele fez com que nós estivéssemos prontos e a caminho da rádio.

Passamos no Starbucks, e enquanto Paul foi buscar nossos cafés, eu observava as poucas pessoas que passavam na rua naquele horário. A maioria estava a caminho do trabalho ou da escola. Vi uma garotinha linda que atravessava a rua com sua mãe, ela olhava para o nosso carro com a testa franzida. Quando elas chegaram mais perto, sorri para a garotinha sem saber ao certo se ela podia mesmo me ver. Bem… ela podia. Assim que sorri, sua boca abriu em surpresa, ela olhou para sua mãe que nem prestava atenção, voltou o olhar para mim acenou e sorriu, sumindo de vista com sua mãe logo em seguida.

Ainda sorria por causa da garotinha quando meus olhos se voltaram para o outro lado da rua e um arrepio percorreu todo meu corpo. Uma garota que aparentava ter a mesma idade que eu, também esperava para atravessar a rua, com fones no ouvido e as mãos dentro do casaco, ela olhou na direção do nosso carro e não me viu, mas eu conhecia aqueles olhos; eu jamais esqueceria aquele olhar. Ela olhava para o Starbucks e quando passou pela frente do carro eu pude ver ela mordiscar seu lábio inferior, em seguida entrou na loja, passando por Paul sorrindo levemente para ele que estava saindo de lá.

Meu Deus, é a .

Quase saltei do carro para falar com ela, mas foi só pensar nisso que Paul entrou no carro entregando nossos cafés e dando sinal para que partíssemos. Acompanhei a entrada do Starbucks o quanto pude, mas viramos na esquina seguinte e voltei a me virar para frente, frustrado, eu só precisava voltar lá. Quando peguei meu café, senti me olhando com uma sobrancelha erguida, eu não queria contar quem era a agora; eu ainda nem tinha certeza se era ela mesma. Apenas fiz um sinal com a mão indicando que depois eu falava e fiquei em silêncio todo o caminho, tomando meu café e querendo mais que tudo voltar lá para acabar de vez com essa dúvida.

Na entrada da rádio algumas fãs nos esperavam, tentamos dar atenção a todas mas já estávamos em cima da hora, então tivemos que correr para dentro do prédio da rádio onde uma garota muito bonita nos esperava sorrindo.

– Bom dia, meninos! Meu nome é e eu vou auxiliar vocês nesta manhã. – Ela tinha um sotaque diferente, tinha quase certeza que ela não era britânica, pelo visto pensou a mesma coisa, tanto que enquanto ele a cumprimentava com um beijo no rosto pude ouvir ele perguntar:

– Prazer, , desculpa mas esse seu sotaque…. Você não é daqui, né?! – Ela sorriu para ele enquanto cumprimentava a todos os meninos da mesma maneira que fez com .

– Não, eu sou brasileira. – Como eu era o último na fila, assim que ela respondeu seu olhar cruzou com o meu e tinha algo no jeito como ela me olhava, não, não era algo tipo “quero você” nem nada, tinha algo implícito naquela resposta, me apresentei mesmo sabendo que ela já nos conhecia.

– Prazer, – Ela sorriu amarelo e consegui ouvi-la dizer bem baixinho “eu sei”.

Essa garota era estranha e eu não gostava do jeito como ela olhava pra mim. nos guiou até uma sala para tirarmos algumas fotos de divulgação da rádio, em seguida fomos para a cabine onde seria a entrevista, e cada hora que passava o comportamento desta tal de em relação a mim ficava mais estranho. Não sei se é coisa da minha cabeça, mas parece que ela vai me bater daqui a pouco.

– Onde eu pego água? – perguntou a que sorriu e entregou uma garrafa fechada para ele. Há meia hora, eu pedi a mesma coisa, ela entregou a garrafa aberta pra mim, fazendo questão, claro, de derramar um pouco de água na minha calça. e riram baixo porque já perceberam a antipatia dela por mim.

Ao final da entrevista tinha sumido e todos os meninos estavam me zoando.

– Ou ela te ama ou te odeia. – bateu em meu ombro enquanto nós esperávamos , que tinha ido no banheiro.

– E eu nunca a vi na vida, juro por Deus. – Disse rindo achando tudo isso engraçado mesmo sem entender nada. Trouxeram alguns CDs e camisetas para irmos autografando, voltou do banheiro e se sentou rindo ao meu lado.

, – Ele me chamou um pouco mais baixo, me aproximei enquanto ele ria levemente – Quem é ?

Para ele podia ser uma pergunta simples, mas para mim esse nome carregava muito mais significado do que eles podiam imaginar. Paralisei sentindo meu coração vacilar em uma batida, senti o sorriso que estava em meu rosto se desfazer um pouco, olhei diretamente em seus olhos e ele recuou um pouco.

– Hey, calma. – colocou a mão no meu ombro e se aproximou novamente – A garota lá, a , eu ouvi ela falando no telefone que tinha vontade de te bater, mas queria que essa estivesse junto, e te batesse mais do que ela. Achei engraçado e sexy. – Ele disse analisando minha reação, pude sentir que estava ficando pálido.

Pensei que nunca mais fosse ouvir alguém falando dela.

Minhas saudades dessa maluca eram algo que eu sempre guardei pra mim, somente minha mãe sabe a importância e o tamanho da dor que eu senti quando minha melhor amiga foi embora para o Brasil. Somente a possibilidade de saber alguma notícia dela fez meu coração pular, levantei rápido e olhei ao meu redor, mas não vi por ali, olhei para que me olhava como se eu fosse um louco e no momento eu não poderia discordar.

– Onde você a viu? – apenas apontou o dedo para o corredor, em seguida virando ele para a esquerda. Sem nem pensar duas vezes sai da sala onde foi feita a entrevista e fui atrás de . Eu precisava mais do que nunca saber se a com quem ela estava falando era a minha .

O corredor estava vazio, segui por ele olhando algumas portas, mas todas estavam fechadas. Ouvi uma gargalhada vindo da última porta a esquerda, fui até lá e encontrei e um cara conversando, ela fechou a cara assim que me viu e o cara alternava seu olhar entre nós dois. Olhei fixamente para ele.

– Pode nos dar licença? – Mais do que depressa ele saiu da sala olhando sugestivamente para nós. Foda-se, nem quero saber o que ele estava pensando, tinha um assunto mais importante para tratar no momento.

– O que quer ? – perguntou de braços cruzados e me olhando séria, mandando a postura, até então “profissional”, para o espaço.

– Quem era a com quem você estava falando? – Minha pergunta a surpreendeu, ela abriu levemente a boca, mas logo endireitou sua postura.

– Não te interessa! – Ela foi rápida e seca, descruzou os braços e já se encaminhava para sair da sala, mas eu a segurei pelo braço. Não podia desistir tão fácil. olhou para minha mão em seu braço e eu a soltei, mas me coloquei em sua frente.

– Por favor, eu preciso saber se é quem eu estou pensando; é a , não é?! – Meu coração pulou quando disse aquele nome inteiro, há tanto tempo eu não fazia isso.

– Por que quer saber, ? Se fosse essa tal aí? O que você quer? – Ela se afastou sentando em cima da mesa que tinha ali. Seu olhar era duro, ela parecia me julgar o tempo todo.

– Meu Deus, eu PRE-CI-SO falar com ela, me ajuda, caramba! – Cada vez mais eu tinha certeza que ela sabia exatamente de quem eu estava falando. Levei as mãos até meus cabelos um pouco desesperado para saber a verdade de uma vez.

– Não posso fazer nada por você. – Ela desviou o olhar do meu, olhando para a janela, o que fez com que eu acreditasse que ela estava mentindo, me aproximei e se assustou com a minha proximidade.

– Não mente, você pode me ajudar se quiser. – Essa garota era difícil, mas eu não desistiria, se preciso fosse colocaria até um detetive atrás dela.

Consegui olhar em seus olhos e fiz a pergunta da qual a resposta era a que mais me interessava.

– Ela voltou? – Prendi a respiração e vi olhar para baixo. Sim, ela tinha voltado, eu sabia!

– Me dá uma pista, pelo amor de Deus! Eu não sei o que foi que eu te fiz, porque você parece me odiar tanto, mas eu me importo com a . – Quando disse isso ela levantou o olhar e semicerrou os olhos. Ela me fuzilaria com o olhar se fosse possível. Ignorei isso e continuei – E quero muito falar com ela, saber como ela está, se ela lembra de mim, me ajuda, garota! – Eu queria chacoalhá-la e fazê-la me contar tudo. me analisava minuciosamente, se levantou ainda em silêncio, olhou para cima e bufou irritada.

– Sabe, eu não vou mesmo com a sua cara, mas eu sei que isto pode acontecer a qualquer momento, então lá vai – Ela suspirou meio relutante e voltou a falar. – Sim, ela voltou, mora em Londres e não espere que eu te diga onde. – continuou brava, se aproximando de mim e apontando um dedo na minha cara, na intenção clara de me intimidar. – Se você for voltar para a vida dela, faça o favor de demonstrar melhor que se importa e vê se olha aquela porcaria de e-mail, caralho!

Ela saiu estressada pela porta me deixando confuso com as suas últimas palavras, mas, ainda assim, muito feliz em finalmente ter alguma notícia. Infelizmente não deu tempo de sair atrás da e descobrir onde estava, meu celular vibrou, era uma mensagem de : “Cadê você? Temos que ir!”, guardei meu celular e fui ao encontro da banda que já se despedia de todos na rádio, fiz o mesmo e logo em seguida partimos para mais uma rádio que já nos aguardava.

O tempo parecia voar, e em um piscar de olhos já estava anoitecendo. Nós enfim conseguimos voltar para o hotel, e somente quando entrei em meu quarto e me joguei na cama, as palavras de surgiram em minha mente; “vê se olha aquela porra de e-mail” ou algo assim. Fechei meus olhos e uma lembrança dominou completamente meus pensamentos.

FLASHBACK ON

, vai ser difícil pra gente se comunicar. O Brasil é longe pra cacete e é caro pra ligar. – me olhava com ansiedade e mordia o lábio inferior. Sempre que ficava ansiosa ela repetia esse gesto. Mexi em meu cabelo bagunçando, pensando em alguma alternativa.

– Nós podemos usar aquele e-mail que você criou. Só uso ele pra falar com você mesmo e, pelo menos uma vez por mês, a gente pode se telefonar. Eu não quero te perder de vista, maluca. – Sugeri ainda em dúvida quanto as nossas opções, mas era tudo que eu lembrava no momento.

– Isso! – Ela disse animada, sorrindo abertamente – Mas é pra usar mesmo , ai de você se esquecer, volto só pra te bater. – Ela disse rindo e me dando um soco de leve. Massageei o local, e logo em seguida a puxei para mais um abraço.

FLASHBACK OFF

Será que era desse e-mail que a garota da rádio estava falando? Eu não lembrava nem o meu username que dirá a senha. Mas, mesmo assim, resolvi dar uma conferida. Depois de uns dez minutos consegui lembrar meu user e resgatar a senha. Antes de entrar respirei fundo, não sabendo o que me esperava a partir de agora.

Bem, era sobre isso que ela falava. 6 e-mails não lidos e meu coração apertou ao ver que todos eram de . Decidi começar pelo mais antigo.

25/08/2010
!
Sei que fazem apenas duas semanas mas eu sinto sua falta mais do que eu podia imaginar.
Minha avó morreu há dois dias e a dor que senti ao acordar e perceber que nunca mais ela estaria aqui me fez chorar por horas. Eu odeio chorar, mas ela era tão especial pra mim! Apesar de toda a distância, ela era uma das minhas melhores amigas.
Minha mãe está inconsolável e eu sinto que ela está sendo excluída por minhas tias brasileiras. Meu pai ainda está bravo por termos vindo pra cá e eu me sinto mais deslocada do que jamais estive.
Dói. Dói demais. Mas eu estou sendo o mais forte que posso pela minha mãe. Pela minha família, por mim. Nunca o seu abraço fez tanto falta, my dear. Mesmo eu querendo você por perto sei que você deve estar trabalhando duro no X-Factor. Continue assim. Se cuida por favor.
Saudades, !
Amo você.”

15/10/2010
“Olá, !
Percebi que você não viu meu último e-mail, mas te perdoo só porque eu estou te vendo na TV agora. Meu coração aperta, e acho que é saudade de você, bobão. Estou TÃO orgulhosa e TÃO feliz por você! Quando você quase não passou, juro que chorei muito e ninguém entendeu bosta nenhuma aqui nessa casa, só minha mãe, mas ela está cada dia mais esquisita e não me ajudou em muita coisa.
Estou trabalhando em um Fast-Food aqui, por duas razões: para não ficar muito em casa e para juntar dinheiro, eu vou voltar, . Não suportarei viver aqui, esse não é o meu lugar.
Me sinto uma louca falando sozinha, mas eu só tenho você! Ou quem sabe uma ilusão sua, mas é o único jeito de não explodir e mandar todos a merda.
Saudades!
Se cuida, garoto.
Amo você.”

13/12/2010
“Hello, !
Esse e-mail parece mais um diário virtual que eu envio para um amigo imaginário. Amigo esse que faz falta.
Hoje é aniversário de casamento dos meus pais, sabe como eles estão comemorando?! Aos berros no andar debaixo, sem a menor cerimônia, distribuindo ofensas e mágoas. Eles gritam tanto que meus ouvidos doem e não parecem as mesmas pessoas que nós conhecíamos. Meu pai começou a beber há uns meses e está cada dia mais insuportável, assim como minha mãe que está cada dia mais rabugenta e implicante. Eu estou aqui trancada nesse quarto, olhando pra ele que não tem nada de meu, assim como esta casa e até esta família. A única coisa que faço é fechar os olhos e lembrar da sua gargalhada, . Lembra quando eu reclamava dos meus pais e você saia comigo? Eu sempre esquecia porque estava brava, você sempre me fazia rir.
Hoje a única coisa que eu queria era poder esquecer de tudo isso, e te abraçar, daquele jeito que só você sabia fazer, enquanto cantava Wonderwall bem baixinho pra que eu nunca esquecesse que você ia me proteger, lembra?
Acho que já te perdi, não é mesmo? Mas ainda assim continuarei a torcer por você em cada passo que você der, mesmo que agora esteja mais difícil de te acompanhar, eu estarei contigo. Mesmo que só por pensamento.
Se cuida.
Te adoro.”

08/06/2011
,
Acabou. Não dá mais. Perdi tudo.
Minha família oficialmente acabou, meus pais se separaram. Há dois dias meu pai voltou para Londres, e por mais que meu coração implorasse para que eu fosse com ele, não poderia abandonar minha mãe aqui; por mais ruim que tudo esteja, ela só tem a mim. Já briguei tanto com todas as minhas primas, ninguém mais acredita que eu já fui sua amiga um dia, que eu sequer te conhecia; para eles só estou mentindo, sendo metida. Não posso culpá-los, eu não tenho mais como provar que te conheço e isso me dói demais. Por isso, esta é uma despedida. Provavelmente meu último e-mail para o nada, já estou sozinha aqui, e manter sua ilusão tem machucado demais, então eu vou evitar me torturar tanto. Parei de ouvir seu CD, parei de comprar revistas ou assistir reportagens onde você apareça, guardo apenas sua foto e a camiseta que você me deu, o resto foi para o lixo.
Te guardo no coração, nossas lembranças são o que me alegram nos piores dias, é o que me faz bem, mas a saudade tem doído demais, mais do que eu posso suportar. Não sei quanto tempo ainda vai demorar para que eu consiga voltar para Londres, não sei como será se um dia eu voltar. Então até lá, vou suportando essa minha vida aqui, quem eu tenho que ser aqui, evitando algumas dores para conseguir suportar outras. Wonderwall está aposentada, . Você vai ficar guardado na caixinha no fundo do armário. Espero que fingir que você não existe, ajude a enganar meu coração e ele doa menos.
Se cuida por mim.
Até algum dia.”

08/02/2012
“Hey!
Eu prometi que nunca mais ia usar este e-mail, mas se você estivesse lendo diria com seu sorriso brincalhão idiota: “Você não vive sem mim, ”. Algum tempo já se passou. Tudo mudou e graças a Deus, quem está mudando dessa vez sou EU. Estou voltando pro lugar de onde nunca deveria ter saído. Voltando pra UK, vou morar em Londres!!! Como eu sempre sonhei.
Não sei se vou esbarrar em você por lá, e não sei o que vou encontrar; você não é mais o meu , aquele moleque que eu deixei no UK prestes a tentar realizar seu sonho. Você conseguiu realizar o seu sonho, está conhecendo o mundo, está feliz; mas infelizmente aquele meu melhor amigo não se lembra mais de mim. E é esse melhor amigo que eu queria encontrar, mas sei que as probabilidades disso acontecer são mínimas. Não te culpo, o destino quis assim. Eu também mudei, não sei se pra melhor, mas sei que não sou mais aquela garota que você conhecia, que compartilhava os sonhos, que queria te arrastar pra um monte de lugares. Eu me perdi, mas estou tentando me reencontrar, e sei que esta viagem vai me ajudar.
Deixo minha mãe aqui, ela achou um cara brasileiro, está tão mais feliz que as vezes me assusta. Estou tranquila porque ela está em paz com ela mesma. Não vou morar com meu pai e sim com uma amiga brasileira, é o nome dela. Ela não gosta destes e-mails, vive me chamando de idiota, mas ela não entende que “isso” era tudo o que eu tinha pra me manter firme aqui.
Estou tão contente como há muito tempo não estava. Minhas malas já estão prontas, por mais idiota que isso seja, vou usar a sua camiseta na viagem. Que droga, eu ainda queria pular em você e contar minha novidade.
Não vou ficar igual uma louca te procurando em cada esquina, mas eu ia acabar te batendo se você não me reconhecesse. E ia complicar pro meu lado que eu sei.
Esse é o último realmente, não vou mais entrar nesta conta, nem pretendo reler estes e-mails. É o fim deste ciclo que tanto para o bem quanto para o mal me fez crescer.
Tchau, !
Se cuida.
.”

O bolo em minha garganta era uma mistura de remorso, tristeza e saudade. Melanie. Era a única coisa que se passava pela minha cabeça, como ela era, como nós éramos. Meu Deus, como eu sentia sua falta; e o pior, o quanto eu fiz falta a ela. Eu prometi não me afastar e continuar mantendo contato. Sabia que seria difícil pra ela lá no Brasil, e eu simplesmente não podia ter feito isso. ia me procurar; claro que ia. Ela odiava o Brasil e eu fui burro em não estar presente para ela.

Fechei meus olhos com força e senti algumas lágrimas rolando por meu rosto, meu coração se apertava a cada linha lida dos e-mails. Nunca me senti tão mal. Minha vontade era correr agora para qualquer lugar onde estivesse e abraçá-la tão forte, que ela diria que eu era um idiota e reclamaria que eu estava a sufocando.

Como eu sinto sua falta, .

Eu conseguia vê-la nitidamente, me olhando nos olhos e lendo aqueles e-mails. A decepção era pior dor de todas; maior até do que a saudade, era saber que eu decepcionei quem confiava cegamente em mim, quem precisou e eu prometi que não deixaria. Ela acreditou em mim e isso estava me matando agora. Não sei se conseguirei seu perdão algum dia ou até mesmo sua amizade, mas eu precisava vê-la mais do que tudo. Eu preciso ver a .

“Eu vou te achar, minha pequena. Minha , eu vou te achar!”

Mesmo sabendo que ela não veria, mandei o e-mail.

Eu vou te encontrar , nem que tenha que revirar essa cidade inteira. Eu preciso pedir perdão, preciso abraçá-la, preciso da minha amiga de volta.

Nota da autora: Oiee!!! Tudo bem com vocês?
Essa fic tem um lugar muito especial no meu coração, e gostaria de dividir ela com vocês, espero que gostem! Me contem o que estão achando ;D Vou amar saber a opinião de cada um, de verdade! Qualquer coisa, tô sempre por aqui também: @just_aliine
Miiiil beijoos
Até a próxima!