Devils Roll The Dice

  • Por: Mari Gomez
  • Categoria: Bandas | Queen
  • Palavras: 1062
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  • Capítulos: 3 | ver todos

Sinopse: Dizem que os destino vai colocar você exatamente com a pessoa que você deve passar a sua vida no melhor momento e que dali em diante, as coisas fluirão em perfeita sintonia.
Mas o que eles não dizem é que muitas vezes o destino é comandado por pequenos diabinhos que vivem de fazer traquinagem e brincadeira com seus alvos e os anjos ficam responsáveis por consertar toda a bagunça que eles causam.
Ninguém espera encontrar a pessoa com quem vai passar o resto da vida em pub numa quarta-feira a noite. Muito menos que ele seja o baterista da banda que está se apresentando.

Mas como já descobrimos, o destino é muito manipulado por pequenos seres brincalhões. Numa delas um relacionamento amoroso nasce e as coisas começam a ficar complicadas da forma que eles gostam. Seu irmão se torna vocalista da banda do seu namorado, quando eles se veem sem um. E em pouco tempo, eles alcançam o estrelato e se tornam a maior banda da atualidade. Será fácil continuar com o relacionamento ideal que você tinha com ele quando turnês, groupies, fama e tudo mais se tornassem um grande fator na vida de vocês?

Será que não seria mais fácil implorar a ajuda de algo maior ao invés de assistir um amor vermelho e ardente se tornar algo azul e frio? As coisas não seriam mais convenientes se os anjos jogassem os dados uma única vez?
Gênero: Romance, drama.
Classificação: +18 anos.
Restrição: Cenas de sexo, linguagem de baixo calão.
Beta: Thomasin.

Capítulos:

Prólogo

As flores brancas que faziam parte da ornamentação do espaço contrastavam com todo o verde do jardim e o azul do céu. As pessoas ao redor estavam impecavelmente bem trajadas e se você prestasse atenção, você conseguiria encontrar um rosto famoso dentre elas. A maioria dos convidados segurava uma taça de champagne nas mãos e estavam todos ansiosos pelos minutos que se aproximavam. Diante de todas aquelas pessoas sentadas, estavam cinco homens: três do lado esquerdo do que se encontrava no centro e um reverendo à frente.
A forma como o vento era gentil àquele momento deixava todos no local acreditarem que até a Mãe Natureza estava feliz com aquele acontecimento e ela ajudaria de todas as maneiras que poderia, prova disso era o lindo dia de verão que estava agradável e ninguém estava sendo incomodado com calor. Tudo estava preparado nos mínimos detalhes. Até os anjos que já haviam desistido daquela história há tempos, estavam com os olhos fixos na pequena cerimônia.
Roger já estava começando a ficar inquieto e de minuto em minuto, olhava na direção de seus amigos e companheiros de banda em busca de conforto. Ele sabia que esse tipo de coisa era normal, infelizmente essa não era a primeira experiência dele com casamentos, mas ele se sentia dez vezes mais nervoso no momento do que se sentiu anteriormente. Talvez o motivo de tamanha inquietação fosse o fato de que ele sabia que agora ele se casaria com a pessoa certa. Era com ela que ele deveria ter dividido a primeira vez em que subiu ao altar, mas o homem também estava imensamente satisfeito em estar passando por esse exato momento. Ele sabia que isso era só a oficialização do resto da vida dele e nada poderia deixá-lo mais feliz.
Todo o momento em que o loiro estava ali, ele foi levado de volta a todos os momentos em que ele esteve ao lado de sua futura esposa. Todas as vezes em que foram separados pelo destino ou pelas inconsequências de seus devidos atos. Mas, por mais cruel e insano que pareça, todas aquelas coisas os trouxeram exatamente a este momento e ele mudaria pouquíssimas coisas, se pudesse.
Olhando um pouco a frente, ele pode ver o filho do outro lado da porta de vidro que os separava. A criança prestava atenção nas palavras de Kashmira enquanto segurava uma almofadinha vermelha. Mesmo estando distante, Roger conseguia ver o quão nervoso Felix estava.
Momentos que pareceram infinitos se passaram cada vez mais devagar até que o músico conseguisse escutar as primeiras notas da marcha nupcial. Instantaneamente todos os convidados se puseram de pé e viraram para o início do pequeno corredor. A sincronia em que a pequena orquestra performava a marcha e o vestido de se tornava cada vez mais visível, as pessoas começavam a se esticar cada vez mais para conseguirem um vislumbre melhor da noiva.
Se Taylor achava que iria desmaiar antes, agora ele tinha plena certeza de que precisava apoiar seu corpo em algum lugar. Ele ainda achava difícil acreditar que ela estava há poucos metros de distância caminhando em direção ao altar em que ele esteve se desesperado nos últimos quinze minutos. Ao conseguir vê-la completamente, o homem ficou boquiaberto. Nunca duvidou que fosse a mulher mais bela com quem já houvesse cruzado caminhos, mas a forma como o vestido de alças finas ajustava-se ao corpo dela era inimaginável. O tronco da mulher estava delineado com as rendas que ajudavam o vestido se tornar ainda mais gracioso e delicado. Mesmo sem ser uma peça com uma saia rodada demais ou uma cauda longa, Roger não conseguia imaginar ela em nada melhor. A simplicidade que aquela peça trazia em si era um espelho do que sempre foi.
Roger se perguntava como conseguia perceber tantos detalhes no vestido de , tendo em vista que ela ainda estava numa distância significativa do músico e ele nunca teve a melhor das visões. O motivo apesar de parecer óbvio só o deixava mais intrigado. Como ele podia amar tanto alguém ao ponto de perceber tudo o que essa pessoa queira passar nos momentos. Os mínimos detalhes de não foram ignorados pelos olhos do baterista. Ele conseguia ver como a maquiagem um pouco mais pesada do que ela costumava usar se assentava com o batom um pouco mais rosado; ele conseguia ver que a pálpebra da mulher carregava uma coloração um pouco mais dourada; as bochechas dela também carregavam um pouco mais de cor. Os cabelos escuros dela estavam soltos e completamente lisos e o pequeno acessório que prendia o véu, estava preso em duas mechas que foram puxadas da frente.
Taylor mal pode perceber quando a marcha se aproximou do fim já que seus olhos ficaram fixos em sua noiva desde o momento em que ela apareceu em seu campo de vista. ainda tinha seu braço entrelaçado ao de Bomi Bulsara, seu pai, quando chegou diante do altar. Roger teve que prender a respiração instantaneamente quando ela o olhou. Ele sabia que não conseguiria sustentar o olhar brilhante que ela tinha direcionado a ele. Rapidamente o homem desceu as duas escadas que o separava de seu sogro e sua noiva e, após trocar um breve abraço com Bomi, ele finalmente tinha suas mãos entrelaçadas com as de .
Nada parecia real, não depois de todo esse tempo e não depois de tudo o que passaram. Ambos se olharam e puderam perceber que os dois ainda estavam achando que tudo era um sonho, quando em um movimento quase sincronizado, sorriram e subiram de volta ao altar onde o cerimonialista os aguardava. Por mais parecido com um sonho, ali eles estavam há poucas palavras de se tornaram oficialmente um do outro para o resto das suas vidas.

28 de Maio de 1970

esperava impaciente Farrokh terminar de se arrumar para poderem sair. Sabia que o irmão gostava de estar impecável em todas as ocasiões em que as pessoas eram agraciadas com sua presença, mas a Bulsara mais nova via que se não saíssem de casa naquele momento, eles perderiam a apresentação da banda local e ela não estava nada afim de jogar dez libras fora por causa do atraso do irmão que decidiu se arrumar mais tarde do que deveria.
— Farrokh, vamos logo — ela disse batendo na porta do quarto do irmão. — Se você demorar mais um minuto é capaz de perdermos a apresentação deles.
— Eu já estou indo, querida. Preciso de apenas um minuto a mais — respondeu ele, tendo a voz abafada pela barreira que a porta fechada criou entre os dois.
desistiu de tentar apressar o irmão e voltou para sua posição anterior no sofá ao lado de Kash que tinha os olhos fixos no livro que segurava como se sua vida dependesse daquilo. olhou para o relógio que se encontrava na parece atrás da cabeça de Kashmira e suspirou pesado vendo que faltavam vinte minutos para o pub abrir e o caminho de sua casa até lá era de no mínimo 25 minutos. Provavelmente perderiam o início. Se inclinando um pouco, ela capturou uma das revistas que a mãe, Jer Bulsara, sempre mantinha na sala de estar para distrair as visitas quando algo não dava muito certo na cozinha e ela precisava se demorar mais um pouco.
Farrokh, por outro lado, estava ficando realmente estressado com o fato de que não conseguia encontrar sua jaqueta e ele sabia que não poderia usar outra coisa, já que isso iria estragar completamente a aparência que ele pretendia passar naquela noite. A noite dele não seria estragada por uma jaqueta que ele jurou ter deixado em cima da cama quando foi para o banho.
— Farrokh! — ele escutou a irmã gritar novamente e suspirou derrotado ao olhar para o relógio na sua mesa de cabeceira.
[…]
Finalmente quando chegaram no local, eles mal conseguiram se mover de tão cheio que estava. Ao entrarem no pub, a sensação térmica parecia ter subido gradativamente. Eles conseguiam visualizar várias pessoas que já tinham a pele brilhando devido ao calor que o local se encontrava. tentou procurar por algum lugar em que ela e o irmão pudessem ficar confortáveis, mas era impossível tentar enxergar por cima de toda aquela quantidade de pessoas.
Ela já estava começando a sentir o calor do local tomar conta de seu corpo, então sutilmente se desfez do casaco que usava por cima de seu vestido. O roxo do vestido brilhava intensamente toda vez que a bola de espelhos o tocava e conseguia sentir algumas pessoas olhando para ela. Sabia que ter escutado Farrokh e ter usando aquele vestido não havia sido uma boa ideia. Agora teria que lidar uma noite toda com o fato que viraria um farol toda vez que algo brilhante tocasse o tecido do vestido.
Farrokh demorou longos minutos para aparecer ao lado da irmã e quando o fez, ele tinha um copo de cerveja em uma mão e uma garrafa de água na outra. olhou para ele incrédula e tomou a garrafa de plástico das mãos do irmão que sorria sem olhar um ponto fixo.

— Não é porque estamos longe da mamãe e do papai que eu deixei de ser seu irmão mais velho, querida — disse ao olhar para a irmã e ver o olhar de indignação que ela expressava.
— Eu não mereço você, viu? — suspirou derrotada e tomou um gole da água relativamente gelada.
— Claro que não merece, — disse o homem com um pequeno sorriso nos lábios. — Eu sou demais para vocês poderem aguentar. Não dá pra lidar com tanta perfeição sem sofrer alguns danos colaterais.
[…]

Era visível a quilômetros de distância o quão irritado Roger estava, ele poderia matar alguém com apenas um olhar. Ele não conseguia acreditar que Tim havia feito isso de novo, não desta vez. Na noite em que a casa estava cheia, eles conseguiram vender todos os ingressos para o pequeno show e Tim estava atrasado? A banda que era empregada pela casa estava prestes a terminar e muito em breve seria a hora deles. Como diabos eles poderiam se apresentar se seu vocalista não estivesse em lugar nenhum?

Ele nem viu para onde estava indo, mas assim que pediu a cerveja, o lugar ao redor fazia mais sentido. Sem nem mesmo perceber ele foi ao bar. Era como se seu corpo soubesse que ele precisava esfriar um pouco a cabeça e o que poderia fazer você se sentir melhor que uma cerveja gelada e uma garota bonita, não é?
Sem que ele percebesse, havia um par de olhos grudados em sua figura e mal piscavam desde o momento em que ele entrou em sua perspectiva. Não era um olhar estranho, no entanto. Não, a pessoa sabia o que aquele olhar significava. Roger também sabia e era por isso que não o incomodava. Ele só tinha que ter certeza de que valeria a pena, como ela também deveria.

— Você sabe, você deve respirar entre esses goles — uma doce voz aveludada chegou aos seus ouvidos.
— Acredite em mim, amor, eu prefiro não dar a mínima para isso agora— Ele disse sem se virar e levou a garrafa aos lábios novamente.

Imediatamente um calor tomou conta do rosto da menina e ela se sentiu envergonhada em ter começado a conversa com ele.

— Hm, faça do seu jeito então — a garota respondeu e levantou-se de onde estava sentada. — Tenha uma boa noite, mas não engasgue com a cerveja — e com isso ela foi embora. Roger soltou um suspiro pesado enquanto xingava baixinho.

Do outro lado do ombro, uma risada abafada tocou seus ouvidos e, com isso, ele virou a cabeça para procurar a fonte. Ele engasgou com a cerveja. Aquilo simplesmente não poderia ser possível. Era como se ele estivesse olhando para a personificação da própria Afrodite. A garota tinha cabelos castanhos ondulados longos que chegavam no meio de suas costas. Quando ele olhou para o corpo dela ele ficou ainda mais perdido, o vestido roxo que se agarrava aos lugares perfeitos fazia com que ela parecesse que ela estava usando uma camisola de cetim e a simplicidade realmente o atingiu. Ela nem precisava tentar parecer bonita. Era inevitável.

— A garota estava olhando para você desde o minuto em que você se aproximou da pista de dança. Era como se você fosse algum tipo de presa para um bando de leões famintos.

Diferente da voz da outra garota, essa voz também era doce, mas não era no intuito de tentar seduzi-lo e isso o deixou mais confortável. Ele estava começando a pensar que aquela garota foi feita do céu

— Desculpe, eu não quis fazer você se engasgar com isso — ela se desculpou quando se aproximou. — Eu sou — ela sorriu e estendeu a mão para o rapaz.
— Roger, querida. Meu nome é Roger Taylor — ele respondeu com um pequeno sorriso no canto dos lábios carnudos.

Eles passaram bons minutos conversando até um rapaz não muito mais velho que o próprio Roger, se aproximou e sussurrou algo no ouvido do mesmo. Roger rapidamente se despidiu de e foi em direção ao pequeno palco que estava preparado para eles usarem durante aquela noite. Freddie que havia desaparecido novamente, apareceu ao lado da irmã no exato momento em que os primeiros acordes começaram a ressoar pelas paredes do pub. Com um sorriso convencido, ele olhou para que tinha os olhos presos no homem de cabelos loiros que se encontrava atrás da bateria.

— Eu ainda vou entrar para essa banda — disse ele com uma certeza que jurou nunca ter ouvido ele falar antes.

De qualquer forma, a única coisa que cruzava o pensamento do baterista e da menina que o observava da plateia, era que eles gostariam muito de se encontrar novamente. E não importava o que fosse preciso, eles iriam se ver de novo.

Capítulo 2 – The Future’s Not Ours To See

 

As semanas se passaram de forma tão rápida, que novamente se arrumava para encontrar-se com Roger. Desde a primeira vez que se viram e passaram inúmeros minutos conversando, eles sentiram uma atração pelo outro que não conseguiam explicar. Após terminar a apresentação daquela noite, Roger decidiu procurar pela morena novamente e a encontrou sentada ao lado de um rapaz jovem, que depois descobriu ser seu irmão.

Novamente os dois voltaram a se perder em assuntos variados. Ela aprendera sobre o que ele estava cursando e que ele desistiu de odontologia para cursar biologia; Roger descobriu que ela havia acabado de se formar no ensino médio e estava muito indecisa com o que cursar, por que no fim a paixão dela era a música. também descobriu que o rapaz que havia interrompido sua conversa anterior com o baterista, era o melhor amigo do mesmo. Brian May era um garoto um tanto peculiar. Os cabelos levemente alisados e o rosto fino davam a ele uma aparência mais jovem e saudável, e ele era relativamente alto para alguém com vinte e três anos de idade. Brian, diferente de Roger que tinha olhos extremamente azuis e cabelos loiros, era Moreno e seus olhos caiam mais para uma cor esverdeada. Ele era tão belo quanto o baterista.

Ao olhar-se no espelho, se questionava se o casaco de pele falsa que escolheu seria realmente uma boa pegada. Ela sabia que as cores que usava combinavam e nada era extremamente chamativo, mas ainda assim ela estava mais nervosa do que imaginava. Era a segunda vez que ela veria Roger Taylor e não seria nada em relação a Smile, banda que ele fazia parte. Era um encontro. Um encontro que ele havia a convidado no fim da noite em que se conheceram.

Roger, do outro lado da cidade, já havia desistido de procurar seu all-star rosa. Sim, ele sempre usava um all-star colorido quando queria se sentir sortudo, e não, ele não achava que isso estragava o look. Na verdade, ele fazia isso quando queria se sentir confortável com uma situação. E, por incrível que pareça, ele não estava preocupado em não usá-lo essa noite. Havia se sentido extremamente confortável ao lado de , por isso ele antecipava cada minuto para que o momento de se encontrar chegasse mais rápido.

Ele havia marcado de encontrá-la em uma pequena sorveteira que ficava duas quadras de distância do pub onde se conheceram, quando ele sujeriu e ela disse que conhecia, não pareceu uma opção melhor. Sorvete sempre foi uma das coisas que o deixavam mais calmo, mesmo que ele quase nunca admitisse isso. Não era algo que ele achava que as pessoas precisassem saber, então nunca compartilhou com ninguém.

O crepúsculo já crescia no horizonte quando os dois se encontraram finalmente. Uma pequena ansiedade corria nas veias de ambos até o momento em que entraram e se sentaram em uma das mesas disponíveis. O local não estava cheio, mas também não era o mais deserto. As luzes amarelas deixavam o espaço mais aconchegante e olhando ao redor, você conseguia ver inúmeros discos grudados nas paredes como uma forma de decoração. O teto era de um azul turquesa, enquanto as paredes mesclavam entre o brando e o rosa. Bastante colorido o local. Uma música tocava de fundo e tanto Roger como tentaram identificar, mas sem sucesso.

– Eu não esperava que nós fôssemos nos encontrar novamente — começou ao olhar para Roger.
– Eu também estava pensando a mesma coisa – declarou o loiro. — Mas acho que foi meio inevitável, né? Não tínhamos como fugir disso e eu não deixaria você escapar tão fácil — disse ele com um sorriso galanteador nos lábios.
– Eu estava esperando que você não deixasse — ela respondeu e sorriu para a garçonete que veio os servir.

A noite não demorou muito para se tornar algo real. Logo as luzes da cidade já pintavam as ruas e você poderia ver uma quantidade bem menor de carros na rua. não fazia ideia de que horas era, mas sabia que havia passado ao menos duas horas na sorveteira com Taylor. Eles decidiram que já haviam gastado o suficiente e sabendo que não tinham tanto dinheiro disponível para isso, decidiram fechar a conta. O que foi um pequeno problema, já que se recusou a deixar que Roger pagasse por tudo sozinho, então eles passaram alguns minutos com esse pequeno impasse, até que o rapaz que o estava no caixa sugerisse que eles dividissem igualmente.

O silêncio que finalmente pairou entre os dois, foi algo extremamente confortável e ambos já não sabiam se existiria alguma barreira na próxima vez que se encontrassem. Sim, haveria uma próxima vez. O braço de Roger estava ao redor dos ombros de e ela tinha sua cabeça apoiada no ombro dele. Eles caminhavam sem rumo, nenhum dos dois com uma vontade genuína de terminar aquele encontro. Por mais que parecesse algo simples e até novo para os dois, eles realmente desejavam que durasse mais algumas horas. Mas ainda morava com os pais e deveria estar em casa até certo horário, Roger entendia e sabia o quão complicada as coisas poderiam ficar se eles não respeitassem essa regra no início.

Farrokh, que novamente havia ajudado a irmã a escolher uma roupa para usar, se dispôs a acoberta-lá apenas se ela concordasse em ajudá-lo a ter um contato maior com os membros da banda. Ele não havia desistido de tentar entrar para a Smile e, no momento, era a forma perfeita dele conseguir algum resultado disso. Então ele disse que a encontraria três quarteirões de distância de casa para que a mentira que contaram para os pais não tivesse furo.

Roger estava um tanto inquieto, mas não sabia como expressar aquilo. Desta forma decidiu passar o resto do caminho que faria com , perdido em seus pensamentos. Aquela não era a primeira vez em que levava uma garota a um encontro, mas aquela era, de fato, a primeira vez em que não precisava se esforçar e manter a sua aparência de performer para ter certeza de que a garota estava interessada nele. Isso o intrigou. o intrigava e isso era uma coisa boa.

[…]

, eu juro que se você falar nesse menino de novo, eu vou me jogar das escadas — exclamou Farrokh suspirando. — Eu entendo que ele seja um cara legal e você esteja caidinha por ele, mas temos que ver as coisas por outro lado. Vocês tem outra forma de manter contato a não ser os pequenos shows que ele faz?

– Bom… —começou a morena ao se sentar na cama. — Nós ainda não trocamos telefone e nem nada parecido, estamos vendo como as coisas podem acontecer — finalizou olhando para as unhas pintadas.

, eu não quero que você fique triste e nem pense que eu não estou feliz por você — Farrokh segurou as mãos da irmã enquanto olhava nos olhos dela. — Mas tente ir com um pouco mais de calma, espere ele vir até você. Ele te procurar, entende? Não se jogue de cabeça ou crie grandes expectativas disso, no fim do dia ele pode ser um cara bem babaca — declarou o rapaz que deixou uma respiração pesada escapar seus lábios ao ver o olhar de sua irmã cair.

– Você está certo… — concluiu. — Eu vou evitar olhar muito nas entrelinhas até eu saber que não sou só eu quem estou fazendo isso.

Farrokh que tinha os olhos fixos na irmã sorriu de lado. Ele a conhecia bem demais para saber que suas palavras não tocaram os ouvidos dela como deveriam e que ela já estava na beira do precipício que Roger Taylor poderia ser, ele só desejava que quando ela pulasse, ela pairasse sob um jardim florido.