Little Things

Little Things

Sinopse: Pedro, mais uma vez teve que parar tudo que estava fazendo para resgatar Lisa de um idiota qualquer. Por que ela não percebe que quem realmente a ama está bem ao seu lado? Quando vai parar de se menosprezar e perceber que é linda? Tudo que Pedro queria era que Lisa conseguisse ver através de seus olhos; assim, ela iria perceber que todas essas pequenas coisas que odeia em si mesma, ele ama.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Contém alguns palavrões.
Beta: Regina George.
Shortfic

Capítulo Único

Quando me ligou chorando de madrugada, tudo o que pensei era em socar a cara daquele idiota. 

Soltei um rosnado e  não tinha me dado conta que queria fazer isso até o som sair de minha boca.

 — Que ótimo , agora só falta latir. sinto meus olhos se arregalarem de surpresa quando vejo parada na porta da cozinha apenas de toalha. 

Porra.

Relaxo os ombros e me obrigo a pôr um sorriso preguiçoso no rosto.

– Como foi o banho?

– Ótimo. O que está fazendo? – ela me olha com curiosidade dando um passo a frente, mas assim que percebe os pingos no chão,  desvia o olhar para si e a compreensão invade seu rosto.

– Ah! Preciso me trocar logo, esqueci de falar isso antes mas não tenho nada para vestir na bolsa, e minhas roupas ficaram encharcadas por conta da chuva. – vejo-a abaixar o olhar novamente, mas agora envergonhada, e suas feições ficam tristes conforme observa seu corpo.

Murmuro um xingamento baixo então volto minha atenção a ela.

– Tem camisetas no armário, você sabe. E ah, se quiser pode pegar uma cueca na segunda gaveta da cômoda. – percebo sua careta e arqueio uma sobrancelha achando graça na situação.

– Pegue as novas que estão na embalagem azul, e não me faça essa cara. Nojentinha.

– Sim, senhor. – ela presta uma continência e sai andando para o quarto.

Sorrio ao pensar que apesar de tudo ela não perde esse jeito debochado. Quando volto meu rosto para o fogão percebo que o chá está pronto. Abro o forno tirando a assadeira com os cookies que tinha deixado assando quando me ligou para buscá-la, vou passando rapidamente para um prato porque meus dedos estão queimando. Coloco chá em uma xícara e levo tudo para o quarto. Ela merece. E também quando dorme sem chá ela fala coisas durante o sono e não entendo nada. Certo dia peguei ela falando meu nome com um sorriso bobo, o que é estranho já que quando estamos juntos é sempre nos provocando, mas afinal, é isso que os melhores amigos fazem, certo? Provavelmente ela só estava com aquela expressão porque tirava sarro de mim enquanto dormia. É, deve ser isso, só o trouxa apaixonado aqui tem esperança que seja algo mais. 

Suspiro com meus pensamentos idiotas, é tudo o que posso fazer.

 

Assim que entro no quarto me deparo com uma capotada na cama. Apesar de ficar um pouco irritado por ela não provar meus cookies, não consigo deixar de reparar o quanto ela é linda até dormindo; sorrio ao ver suas covinhas nas costas, onde a blusa está um pouco levantada bem no fim da espinha, ela sempre diz que as odeia, mas acabei de decidir que as amo. 

Coloco a bandeja com os cookies e o chá em cima do criado mudo e me deito ao seu lado, parece tranquila e meu ego infla de pensar que ela está assim porque está aqui. Na minha casa. Na minha cama. Sob meus cuidados. 

Tá, isso foi meio homem das cavernas, mas ela me faz querer protegê-la de toda essa merda que existe no mundo. 

Meu olhar se demora na sua boca e penso como seria bom se eu pudesse beijá-la, abraçá-la. 

Diabos, estava certo, que maricas.

Pego o celular do bolso e desbloqueio a tela dando de cara com nossa conversa no WhatsApp, passo pelas últimas mensagens subindo para o áudio que me mandou no começo da noite quando estava se arrumando para aquele babaca, aperto o play.

“FALA SÉRIO, eu estou literalmente surtando! Não é possível que eu tenha engordado tanto que não consiga entrar em um jeans, ! UM JEANS QUE EU AMO! Eu vou te culpar pelo resto da vida, quem manda ficar fazendo essas porcarias gostosas, maravilhosas, e, e… arghhh, eu vou te matar, MATAR! TÁ OUVINDO?”

Dou uma gargalhada por saber que ela não resiste a nada que eu cozinho, e também por conta dessa ideia louca de achar que está gorda. 

Garotas…

Estava pronto para apertar em outro áudio quando a voz dela rasga o quarto.

– Eu só queria saber por que diabos você me acordou com minha própria voz porra, você sabe que eu odeio escutar meus áudios. 

Maneio a cabeça para o lado e dou de cara com uma cheia de vincos na testa e uma carranca enorme. Abro meu melhor sorriso cafajeste e digo:

– Sua voz é linda, florzinha.

Ela acerta uma almofada na minha cara ao mesmo tempo que fala:

– Você é um saco.

– Eu tenho um e provavelmente você iria gostar.

!

– Um saco plástico, cheio de florzinhas iguais a você, seu Zé deixou na porta essa manhã, ele provavelmente está fazendo confusão de novo com a dona Maria do 320. 

Ela revira os olhos e cai na cama cruzando os braços.

– Como você está? – pergunto receoso.

– Eu, eu.. não sei. Foi horrível e.. só pensei que queria você lá, eu não sei o que deu na minha cabeça quando aceitei sair com ele, mas quando a sorte bate na sua porta dizendo que você é linda, te olha com aqueles olhos famintos e te chama pra sair.. eu só achei que pelo menos um dia poderia me sentir bem comigo mesma, poderia me sentir como aquelas garotas que vejo todo dia com caras como ele, eu me senti desejada, e gostei, mas tudo não passou de uma aposta. É lógico que de novo eu ia quebrar a cara, não sou suficiente para alguém, não sou suficiente para mim mesma.

Ouvi tudo calado, percebendo o momento que a primeira lágrima desceu em seu rosto, seguida de várias outras. Fechei as mãos em punhos enquanto ouvia ela falar de mais uma decepção, mais um idiota que não lhe deu valor, mais um tapa na sua autoestima. Odiava vê-la assim. Odiava sempre ter que secar suas lágrimas e abraçá-la porque outros caras a magoavam, eu queria isso, queria o contato, mas não desse jeito, não por ela estar sofrendo, não por estar buscando apenas apoio. Queria que ela me amasse, que me abraçasse por estar feliz, que sorrisse para mim daquele jeito que inundava meus sonhos todas as noites; então ela parou de falar olhando para meu rosto como se estivesse perguntado algo. 

Tomei uma decisão.

Me movi. 

Agora ajoelhado na cama, de frente para ela.

Peguei seu rosto com as duas mãos, e com os polegares limpei suas lágrimas, ela me olhava grata mas ao mesmo tempo surpresa por não entender toda a determinação em meu rosto. 

Abaixei a cabeça em seu ouvido, então num sussurro, disse:

– Preste bem atenção porque só vou falar uma vez. Você é a mulher mais linda que conheço, tudo isso que você odeia em si mesma, eu amo. Não me importo se você entra ou não na porcaria do seu jeans favorito, e todas essas malditas pequenas coisas que pensa de si mesma. Sim, pequenas, porque não se compararam a maldita luz que brilha toda vez que você chega. Me importo apenas com o fato de você ter as pernas mais lindas que já vi, me importo de ter que fazer um esforço enorme para deixar minhas mãos longe delas, de você, e me importo com o fato de que fui burro o bastante pra esconder isso por tanto tempo. Me importo com o fato de você se odiar tanto e não conseguir enxergar que tudo isso que odeia em si é o que me faz te amar.

Ela chorava ainda mais agora, peguei em suas mãos enquanto esperava ela se recompor, sem acreditar no que havia acabado de fazer. 

Vi quando ela abriu e fechou a boca sem saber o que dizer, estava começando a ficar preocupado, não deveria ter pressionado tanto.

 Abaixei a cabeça derrotado.

– Você tem certeza? – sussurrou ela.

Me movi lentamente prestando bem atenção para ver se conseguia capturar algum sentimento em seu rosto, os olhos brilhavam confusos, mas também havia admiração, carinho, e… Céus, era calor ali? 

– Ainda não entendeu? Estou apaixonado por você. Apaixonado por você e todas essas pequenas coisas nas quais você se importa. – Ela soluçou.– Eu te amo, ! Por Deus, como não percebeu isso antes? 

 Apesar do choro, vi quando surgiu um sorriso debochado em seu rosto, vi quando ela se arrastou para mais perto com o olhar fixo em mim, então parou. Eu estava prestes a falar algo quando percebi seus lábios se mexendo.

– Sempre soube que seria você, só estava esperando que me dissesse.

Não aguentei esperar nenhum segundo a mais para beijá-la.

Fim.