Past Holidays: a Still Love You story

Past Holidays: a Still Love You story

Sinopse: O casamento lindo de quase duas décadas, chegou ao fim por circunstâncias da vida. Mas nada que o clima frio, ou o leve da brisa da praia onde a casa de veraneio do casal está, combinado à magia das festas de Fim de Ano, não pudessem ajudar a melhorar as coisas, não é mesmo? (Spin off da história Still Love You)
Gênero: Comédia Romantica
Classificação: 14
Restrição: Sem restrições
Beta: Sharpay Evans

Christmas Eve. Trois-Rivières, QC, 6PM
O grande carro branco estacionou em frente a uma das casas tradicionais daquela vizinhança e a mulher suspirou um tanto frustrada com os rumos que a situação estava tomando. Vizinha a residência que os pais ainda moravam e ela tinha crescido, ficava a casa dos pais de . Ali, entre aqueles dois endereços, havia surgido uma das histórias de amor mais bonitas que os dois conheciam, mas que, infelizmente, não tinha durado como ela esperava que fosse durar.
– Chegamos! – O grito animado do rapaz que estava na terrível fase de trocar a voz reverberou dentro do carro, fazendo a irmã rir com o desafino dele. Eliot pigarreou meio envergonhado.
– Sim, sim. Espero que a vovó tenha feito o melhor chocolate quente do mundo. Eu estava com saudade já. – A garota abriu a porta do carro agarrando a alça da mochila e, ao ajeitar a toque* de lã na cabeça e o cachecol no pescoço, fechou a porta em um baque surdo, vendo o irmão fazer o mesmo.
– A gente pede os Cookies da vovó Lenna e junta tudo. – O rapaz riu baixo, evitando animações bruscas e assim o desafino da voz, chegando perto da irmã com outra mochila cheia de coisas.
Os dois estavam em fases mais do que características da puberdade, Leonor estava com o corpo sem forma, embora estivesse quase da altura da mãe e o rosto repleto de espinhas. A garota tinha raiva de ainda parecer uma taboa perto das amigas, mesmo que a mãe dissesse que não estava longe de ela começar a desenvolver um corpo mais puxado para o de uma mulher. Eliot tinha dado o famoso estirão de crescimento e estava quase mais alto que o próprio pai, que media 1,80 de altura, além da voz que insistia em lhe sacanear na grande maioria das vezes, e as características de que ele não era mais um menino.
– Com certeza ela fez vários cookies, ela sabe que a gente adora. – A garota parecia mais eufórica do que nunca ao tagarelar sobre o quanto queria comer o biscoito que não percebeu quando o irmão parou no meio do caminho, mirando a casa dos avós paternos. – ? – Leonor chamou por não ouvir qualquer resmungo dele e ao olhar pra trás, encontrou o irmão plantado na neve.
– Será que o pai já tá aí? – Ele perguntou baixo, mordendo a boca ainda receoso com a suposição e transferiu sua ansiedade para a irmã, quase que imediatamente.
– Eu não sei, mas eu o ouvi dizendo a mamman que vinha – Ela mirou a porta fechada e com uma guirlanda enorme pendurada, denunciando que o Natal era muito bem-vindo por ali.
– Você ouviu a conversa dos dois? – P garoto arregalou de leve os olhos, se encolhendo pelo frio e percebeu a irmã ficar um pouco tensa.
– Não foi por querer, – Ela se apavorou levemente. – O telefone estava no viva-voz na cozinha e eu ia beber água, mas antes eu ouvi e preferi não interromper. Ao menos eles não estavam brigando. – A garota mordeu a boca e os dois deram de ombros.
– Acho que já é um começo – O rapaz respondeu baixo sentindo o estômago embrulhar pela ansiedade.
– Vocês não vão entrar? – passou beijando a cabeça dos dois e, antes que ela pudesse segurar a atenção dos filhos, um baque apressado da porta da outra casa abrindo puxou.
desceu as escadinhas da frente meio desesperado enquanto ainda tentava fechar um grosso casaco por cima de outro e colocava a touca na cabeça, sentindo os olhos arderem por finalmente ver os dois filhos pessoalmente depois de uns bons cinco meses. O homem não esperou por mais nada e correu de braços abertos, quase desequilibrando ao sentir o choque dos dois com o peito dele, abraçando-o com a força de quem não queria se separar nunca mais. Logo um punhado de lágrimas teimosas insistiam em cair quentes dos olhos do homem, enquanto ele tentava abraçar os dois ainda mais, ouvindo os resmungos de que tinham sentido uma imensa saudade desde que ele tinha ido embora. Ele distribuiu beijos pela testa dos dois, aproveitando o momento pra analisar cada cantinho do rosto das crianças como se elas tivessem passado uma década sem vê-lo.
– Eu senti tanto a falta de vocês! – Ele anunciou toda a sua angústia acumulada no peito, beijando mais uma vez a cabeça dos filhos e tentando sanar todo aquele sentimento, mesmo sabendo que a responsável por grande parte dele estava parada na escadinha da outra casa observando a cena mais do que atenta. Ele respirou fundo e ao levantar a vista, constatou o que vinha sentindo nos últimos dias: ele só conseguia se apaixonar ainda mais por ela a cada lembrança que lhe atacava. – ! – O primeiro nome pulou da boca sem nem mesmo esperar que o cortasse no apelido.
. – Ela lhe lançou um sorriso fechado, combinado a um aceno de cabeça e rapidamente entrou na casa dos pais.
Ele suspirou sem deixar que transparecesse seu estado para os filhos e os abraçou com mais força dessa vez, tentando matar a saudade toda de uma vez só.
– Vovó Louise fez chocolate quente. Querem entrar? – O homem perguntou rindo enquanto fungava um pouco e os fazia rir junto.
– Claro! A Leo veio tagarelando sobre isso a viagem toda. – O desafino saiu com esmero da boca do rapaz fazendo o pai prender a risada por entender bem aquela fase, por mais que tivesse passado por aquilo mais cedo que o filho. – E o chocolate quente da vovó Louise é o melhor do mundo. – Eliot continuou seus elogios, pigarreado depois.
pai e Leonor prenderam a risada. Ia ser cruel demais rir dele naquela situação.
– O chocolate só perde pro café dela! – O homem riu baixo, beijando a cabeça dos dois e viu a careta da moça.
– Eca! Como você gosta de café? – Leonor se perdeu no abraço apertado do pai e ganhou uma risada divertida.
– Sinal de velhice! – O cantor brincou e logo os três entraram na grande casa dos .
Mais uma vez o burburinho animado ficou intenso quando os avós viram os dois mocinhos que lhes visitavam com frequência, mas que sempre faziam falta. Abraços apertados e beijos no rosto foram dados, juntos com a promessa de que tinha um maravilhoso chocolate quente esperando por eles na cozinha. e Leonor praticamente brilharam com a notícia da bebida maravilhosa, quase sendo colocados nos braços pelo pai, que não desgrudava um só momento dos dois, enquanto tentava recuperar todo o tempo perdido de abraços e beijos que passara.
O homem suspirou encantado com seus dois pivetes conversando com os avós, enquanto tomavam o chocolate quente e contavam todas as novidades, sentindo o nó na garganta pesar mais um pouco, ainda que pigarreasse pra aquilo passar. Os dois estavam ali, eles iriam passar o feriado do Natal inteiro com ele, não era momento de chorar, muito pelo contrário, era momento de sorrir e tentar recuperar os cinco meses mais turbulentos de sua vida, mesmo que não estivesse por perto.
– Eu achei que vocês fossem chegar mais cedo. – Louise sorriu para os netos de boca cheia, quase querendo rir da carinha vermelha dos dois por estarem comendo. – E a ? Estou doida para vê-la. – A mulher falou sorridente.
– Ela foi direto ver a vovó Lenna. – Leonor riu com a boca cheia e no reflexo fez o pai sorrir junto. – Mas daqui a pouco ela vem aqui, eu acho.
-Vem sim. – O rapaz pigarreou ganhando a atenção do pai que se prendia pra não rir. Seu menino já não era mais um menino mesmo.
Os dois adolescentes continuaram se empanturrando de chocolate quente em meio aos comentários dos avós sobre o quanto eles estavam diferentes desde a última vez que os tinham visto. pai riu baixo sem acreditar que seus meninos estavam ali tão pertinho e logo batidas discretas na porta da cozinha foram ouvidas por todo o cômodo. Através do vidro uma , completamente empacotada pelo frio da cidadezinha litorânea, sorria um pouco culpada por possivelmente ter chegado atrasada para a festa do chocolate quente.
afastou a cadeira com o corpo mais do que rapidamente e sem dar qualquer chance para que a sua mãe se levantasse, andou a passos largos até onde a ex-esposa esperava que a porta fosse aberta, ansiando ganhar mais do que apenas um aceno de cabeça e a pronuncia de seu nome. A verdade é que ele ficaria imensamente feliz apenas com um sorriso sincero.
O homem abriu a porta e, mesmo sabendo que a cozinha da casa dos pais estava cheia de espectadores, não deu a mínima ao abrir um sorriso bonito e largo para a mulher com a postura tímida a sua frente.
– Hey – Ela foi a primeira a cumprimentar, não deixando de abrir um sorriso semelhante ao dele em tamanho.
! – A animação veio sem pedir licença a fazendo rir baixo e sentir meia porção de borboletas no estômago, quando o resto voava dentro do corpo dele causando o mesmo reboliço no peito. – Entra! – Ele escancarou a porta de uma vez, sentindo uma rajada do ar gelado entrar pelo cômodo e ouvir sua família reclamar por aquilo, enquanto a mulher lhe olhava esperando alguma coisa.
Talvez um abraço resgatasse tanta coisa boa que eles haviam vivido durante anos. se mexeu pra um lado e ela fez o mesmo quase chocando o rosto dos dois em um ato que seria tão simples há uns meses. mordeu a boca e pra tentar mais uma vez o meio abraço, inclinou pra direita, percebendo que havia feito o mesmo. Os dois riram sem acreditar a que ponto tinham chegado com aquele teatrinho de desconhecidos e finalmente deram um meio abraço que estava frio demais pra ocasião. Quem sabe ao longo do feriado ele não esquentasse?
A enfermeira finalmente entrou na casa, sendo muito bem recebida pela sogra que lhe abriu os braços com um sorriso imenso.
! Que bom te ver! – Louise saltou da cadeira animada com a presença da mulher ali e lhe deu um abraço apertado.
– Eu também estava morrendo de saudade, Lou! – A enfermeira apertou a mais velha no abraço, colocando pra fora toda a sua sinceridade.
O cumprimento se repetiu com o sogro, quando o homem estava feliz em ver que de alguma forma, aquela configuração familiar ainda se mantinha. bagunçou o cabelo dos filhos, beijando-lhes a cabeça em seguida e colocou um potinho com Cookies em cima da mesa.
– Se vocês não vão até os cookies, os cookies vêm até vocês. – A mulher riu com o ataque das crianças aos biscoitos. – Depois vão lá na vovó Lenna, ela também está morrendo de saudade!
Os dois afirmaram entendidos e logo a mulher iniciou uma conversa com Louise sobre vários assuntos aleatórios, principalmente a decoração de mesa daquele ano que parecia tão delicada como a casa que a mulher morava.

Christmas. Trois-Rivières, QC, 1AM
suspirou, vendo o vapor se condensar fora da sua boca e esfregou de leve as mãos enluvadas. Sabia que estar de madrugada na escadinha fora da casa dos pais com todo o quintal branco a sua frente não era a melhor escolha pra uma madrugada de inverno. Mas quando não conseguia dormir, ir para um dos lugares que mais lhe trazia lembranças boas era a alternativa. Ele levantou o cachecol para proteger o nariz e a boca, sentindo a necessidade de respirar ficar menos desconfortável e suspirou mais uma vez, mergulhado nas lembranças dos natais passados, sendo acordado por uma voz doce que melhorava em 500% o seu dia.
– Hey! – levantou a vista encontrando uma tão agasalhada quanto ele, até mais, segurando uma garrafa de vinho em uma mão e dois copos na outra. Ele sorriu involuntariamente com a cena e deu um tapinha de leve ao seu lado no degrau gelado.
– Hey! – A resposta veio animada a fazendo sorrir. – Senta aí!
– Por que você tá passando frio aqui sozinho? – Ela perguntou tentando encolher um pouco o corpo e o viu dar de ombros com um sorriso fechado.
– Apenas pensando. – riu baixo e soprou, com a respiração quente, as mãos enluvadas.
– Desculpa interromper – deu um sorriso culpado ao mesmo tempo que levantava uma garrafa de vinho e duas taças. – Mas roubei da adega do meu pai. – Ela mordeu a boca em uma expressão culpada.
– Opa! Vinho é sempre bom, ainda mais nesse frio! – Um sorriso que varava as bochechas gordas cortou o rosto barbado do , fazendo a mulher rir da mesma forma e se aproximar pra sentar ao lado dele na escadinha dos fundos da casa.
– Foi o que pensei. Ajuda a esquentar!
E como uma boa e velha desastrada não combinava com gelo, sentiu os pés escorregarem e logo as mãos dele se colorarem firmes em sua cintura para que ela não se espatifasse no chão.
– Cuidado, mulher! – O homem soltou uma risada divertida e a ouviu rir da mesma forma, enchendo os ouvidos dele com vida.
– A culpa é do gelo! – Ela soltou um gritinho divertido jogando a cabeça pra trás e logo conseguiu sentar com a ajuda dele, enquanto os dois riam como há praticamente um ano não acontecia. Era aquela risada tão gostosa e espontânea que a rotina tinha roubado.
– A Senhora Desastrada! – sacudiu a cabeça de leve.
– Vai te catar! A culpa é do gelo que é escorregadio. – Ela tentou argumentar enquanto resgatava as taças intactas.
– São fatos, . E contra fatos, não há argumentos. – Ele piscou com um sorriso superior e a mulher rolou os olhos.
– Shiu! Os meninos sofreram senhoras quedas hoje, quando a gente foi no lago. – Os dois riram ao lembrarem dos tombos e o homem suspirou contente em ter conseguido passar um tempo de paz com ela mais cedo, mesmo que os dois tivessem se falado tão pouco e parecessem ter uma ordem de restrição um contra o outro.
– Eles são crianças, nada mais normal! Ou seja, eles podem, você não. – apontou com uma pose zoeira e a mulher abriu a boca fingindo indignação com a acusação.
– Eu sou uma criança! – Ela colocou a mão no peito como se tivesse ofendida e ele não se controlou.
– E a vida é um pesadelo? – perguntou rindo e arrastou a risada dela junto enquanto abria o vinho roubado, mas que parecia ser um dos melhores da adega de Charlie. O que ele poderia fazer se sua ex-mulher era boa em escolher vinhos?
– Eu já ouvi essa música em algum lugar – Ela abriu um sorriso tímido, estendendo a taça e recebendo uma boa dose de vinho nela.
– A banda é incrível! – O homem deu um sobressalto ao encher a outra taça, colocando a garrafa apoiada no degrau perto dos dois. – A melhor de todas as bandas, pelo que ouvi. – Ele piscou recebendo a bebida da mão dela e a mulher negou com um aceno de cabeça.
– Pelo visto, temos um puxa saco aqui!
– Estou reproduzindo comentários que ouvi, apenas! – deu de ombros como se fosse um mero espectador do sucesso da sua banda.
– Internet? – A mulher indagou ao beber um grande gole, sentindo o álcool esquentar seu corpo gelado.
– Também! – Ele riu baixo, mirando os próprios pés enterrados na neve e ouviu o suspiro frustrado dela, fazendo o mesmo em seguida, ainda que nenhum dos dois se encarassem.
– Como você está? – A frase saiu baixa o fazendo morder a boca em uma careta indefinida, depois tomar um gole considerável da bebida roxa.
– Sinceramente? Não tenho certeza. Bem, eu acho. No geral. – Ele respondeu tão baixo quanto ela, agora mirando o fim do quintal, onde a neve escondia a grama e qualquer coisa que tivesse ficado pelo chão. – E você?
afirmou com um aceno contido sobre ele estar levando e cobriu a boca com o cachecol vermelho, marca registrada da enfermeira.
– Estou indo. – Ela soltou uma risada anasalada completamente sem humor. – Reaprendendo várias coisas.
– Pra mim também, muitas. – Tomou mais um gole que o impedia de declarar que dormir sem a presença dela na cama era uma delas.
– É complicado, . – A mulher mordeu a boca frustrada com o rumo da conversa. – Não é como se a sua ausência fosse por causa de shows, turnês ou qualquer coisa do tipo. Chega o fim da semana e a gente sabe que você não vai voltar pra casa. – suspirou.
– É complicado pra mim também. – Ele soltou o ar quente dos pulmões, vendo o vapor se manifestar. Os dois riram. – Chegar em casa depois de uma turnê ou até mesmo depois de um dia cansativo compondo, gravando ou dando entrevistas, e não ter os meninos e você lá, é a pior coisa pela qual eu já passei. Sem dúvidas. – mordeu a boca e encheu as taças mais uma vez.
– Nós passamos a vida juntos. Não é fácil. – Foi a vez dela de morder a boca.
– E parece ainda mais tempo. – O homem completou triste.
– É nisso que dá, pular as fases normais da vida. – prendeu uma risada divertida e o ele soltou uma anasalada.
– Não reclama! Foi tenso, mas foi bom! – riu mais espontâneo, apertando de leve o joelho dela e a mulher fez um bico em oposição.
– Tenso é piada né? Se eu pudesse voltar no tempo, eu tinha te obrigado a usar camisinha. Aí o ia ter 5 anos e a Leo 4. – sacudiu a cabeça em negação mesmo sabendo que, se tivesse a oportunidade, faria tudo de novo, exatamente daquele mesmo jeito.
– Você era louca demais pra pedir camisinha. – O homem soltou uma gargalhada espontânea, arrancando a dela junto. – A gente queria, aconteceu. – deu de ombros e ela cobriu o rosto com a luva gelada, enquanto os dois secavam mais uma vez, o conteúdo da taça.
– Eu era uma adolescente com hormônio saindo pelas narinas. É completamente diferente! – Ela meneou a mão num teatro gigante. – E convenhamos que você não estava muito por baixo.
– Na verdade, era por cima algumas vezes – A frase saiu em um tom completamente erótico, fazendo a mulher abrir a boca em um perfeito “O” e estapeá-lo no ombro.
– CREDO, ! – Ela gritou sem conseguir prender a risada e os dois acabaram se rendendo às risadas largas e espontâneas do momento. Tanto um como o outro sabia a veracidade da atividade sexual deles quando mais novos, chegava a ser preocupante tanto fogo em dois adolescentes. – Eu não acredito que você tá falando em posição sexual em pleno Natal! – o empurrou na brincadeira e o ouviu rir mais um pouco.
– Não me empurra, chata! – O cantor agarrou o corpo dela com as duas mãos, e a beijou forte na bochecha como se enterrasse seu rosto inteiro na bochecha da ex-esposa. Gesto que fez a mulher congelar inteira dos pés à cabeça, sentindo o coração bater quente no peito.
– Seu nariz tá gelado! – Ela quis desviar do curto que seu corpo estava e os dois riram.
– Esse treco é grande, o que eu posso fazer? – O homem desencostou o nariz já aquecido da bochecha dela e respirou fundo, contente, ficando ainda abraçado na ex-mulher. Enquanto ela não reclamasse, ele não soltava.
– Seu nariz é enorme! – gargalhou da cara de desgosto dele e enfiou o rosto no braço do homem, sentindo o abraço apertar mais um pouco enquanto os dois riam, com certeza já tocados pelo vinho pela metade.
– Você é terrível. – Ele rolou os olhos, usando de um tom bem afetado e os dois viraram o que restava do vinho no copo antes de o homem suspirar. – E os meninos? – A pergunta saiu baixa e curiosa em saber como e Leonor estavam reagindo aquilo tudo.
A enfermeira fez uma careta involuntária e estendeu a taça a ele, esperando que fosse cheia mais uma vez, antes que ela começasse contar a saga com os psicólogos.
– Eles estão reagindo melhor do que o que eu esperava, ainda tentei marcar psicólogo pros dois, mas eles não gostaram muito da ideia e pediram pra não ir mais – Ela mordeu a boca dando de ombros, afinal sabia que ter sido franca até certo ponto, tinha sido a melhor escolha. – Eu não tive como negar sabe? – A pergunta veio em busca de apoio e ela ganhou mais um beijo na bochecha nesse intuito. – Mas no geral eles estão me surpreendendo com essa bagunça toda.
– Ao menos uma coisa boa. – sorriu fechado e tilintou a taça na dela. – Sabe o que eu acho às vezes? Que nossos filhos são mais adultos que nós. Aliás, que eu, com certeza. – Ele mordeu a boca prendendo a risada e os dois riram juntos.
– Com certeza! Nisso não me sobra dúvidas! – A mulher suspirou e sem pensar muito, encostou a cabeça no ombro de , recebendo um beijo carinhoso no topo da cabeça revestida com a touca.
– Leonor principalmente, essa menina passou dos 20 na idade mental – Ele movimentou a mão como se não houvesse mais discussão para aquilo. – Ainda mais sendo sua filha, nossa menina prodígio dois.
– Para! Eu sou uma mulher normal. – Ela sentiu o corpo ser um pouco mais apertado pelo frio e suspirou satisfeita, em partes. – Normal até demais, na verdade. Eu trabalho cinco dias na semana, tenho dois filhos adolescentes e estou tentando manter uma relação de amizade com meu ex-marido. – Os dois pararam por um momento, esperando o resto da frase pra se manifestar. – Porque eu não aguento mais uma briga diferente toda vez que a gente se fala por telefone.
– Por favor! – Ele se manifestou positivamente sobre dar uma trégua nas discussões, enquanto esfregava o braço dela por cima do grosso casaco. – Eu sinto falta da época que não era tudo tão difícil. Você é importante demais na minha vida pra estar nesse clima terrível.
– Você também é na minha! – declarou, sentindo seu coração bater mais rápido e, como ele tinha feito há pouco, enfiou o nariz na bochecha do ex-marido como em um ato impulsivo mas cheio de saudade que acabou em os dois rindo pela zoeira com o nariz dele ser grande demais. O homem abriu o berreiro a rir, enquanto ela tentava se controlar pela piadinha infame e que não havia precisado de nenhuma palavra pra ser entendida. – Mas ele é grande! – Ela apontou e o viu negar com um aceno saturado. – E o nariz dos meninos é igual ao seu, o da Leo menos que o do . – E em um ato inconsciente, a mulher tocou na ponta do nariz dele, vendo o rosto do homem se suavizar de uma maneira fora do normal.
– O é todo eu. Pobre garoto. – pai encostou a cabeça junta a dela, sentindo peito quase explodir.
– Ele é lindo, mais que você, sem dúvidas. – A declaração os fez rir mais uma vez e deixar o vinho de lado.
– Aí eu preciso concordar. Sem mas.
– Você viu como ele esticou e tá mudando a voz? – Uma ansiedade de mãe coruja ocorreu ao mesmo tempo que a risada cruel pela fase do menino.
– SIM, EU VI. O menino tá enorme, meu Deus! Mais alto que eu. – suspirou sem acreditar que o tempo passava tão depressa. – Sobre a voz, eu ia zoar. Mas aí lembrei que ele rebate, decidi ser um bom pai e me fechei. – Os dois gargalharam da situação, percebendo que não eram exatamente os pais equilibrados em zoar uma criança pela puberdade.
– A Leo tá com ódio que não sai do canto, tá baixinha e sem um mísero sinal de corpo. – Ela continuou rindo das insatisfações de ser adolescente e viu uma careta se formar em .
– A Len pode ficar sendo meu bebê por anos ainda, ninguém reclama! – O homem abraçou a mulher com força, pressionando a boca na testa dela e, ao ver que não tinha sido repelido, decidiu fazer a proposta mais louca da sua vida naqueles seis meses. Chamaria ela e os meninos pra virar o ano com ele na casa de praia em Encinitas, afinal tanto eles poderiam melhorar ainda mais a convivência, como se matar no curto espaço de tempo, mas ele daria até o fígado – que não valia mais tanta coisa – para vê-la sorrindo e de biquíni outra vez. – Hey, ?
– Oi? – Ela mordeu a boca de leve ao prender um sorriso e o incentivou a continuar com um olhar ansioso.
– Planos para o ano novo? – a encarou com um sorriso ansioso.
– Me agarrar a uma garrafa de whisky enquanto estou com os meninos na rua para a queima de fogos, conta? – Ela enrugou o nariz ao usar um tom mais do que duvidoso e o viu arquear uma das sobrancelhas, abrindo o sorriso maroto que ela conhecia tão bem.
– Hm, não. Porque eu tenho uma ideia melhor. – Aquele típico sorriso filho da puta surgiu fazendo o pobre coraçãozinho dela esmurrar o peito. – O que você acha de assistir os fogos sentados nas espreguiçadeiras, na beira da praia, os meninos correndo na areia, enquanto a gente divide aquela garrafa de whisky? – Ele piscou pra completar a cena e a mulher se impediu de dar um gritinho.
– Você tá interessado na minha garrafa? – A boca dela abriu em um perfeito “O” e o homem deu de ombros com um sorriso divertido. – Ai que safado! – Os dois riram alto. – Mas sabe qual o problema? – Ela fingiu já sabendo que ele botaria a maior cara de tédio. – Eu não tenho roupa pro evento!
soltou um sorrisinho safado que ela conhecia bem e rolou os olhos.
– Não existem lojas em San Diego, claro. Como pude esquecer? – A ironia veio de cheio a fazendo rir e piscar, pronta para dar sua resposta.
– Um biquíni e umas camisetas resolvem o meu problema! – A enfermeira piscou e foi esmagada em um abraço feliz, o esmagando de volta na mesma intensidade. – A gente divide as passagens, pode ser? – Ela perguntou com um sorriso bonito e ganhou outro exatamente igual.
– Pode sim. – O homem achou melhor não contestar ou os dois passariam horas discutindo sobre o porquê de dividir as passagens, afinal se ele iria comprar, ela não precisava estar presente na hora e ele não a deixaria dividir nada. O cavalheirismo ainda existia para aqueles lados da família.
– Sendo assim, eu vou dormir. Amanhã o dia começa bem cedo – Os dois riram encantados. – Almoço de Natal. – Ela deu de ombros ao tentar se justificar e segurou o rosto dele o beijando firmemente na bochecha. – Feliz Natal!
– Feliz Natal, ! – Um sorriso que varava as bochechas vermelhas pelo frio, se apossou no rosto de enquanto ele fazia o mesmo que a mulher, antes que ela entrasse na casa dos pais.

-x-x-x-
mordeu a boca ao andar de um lado pro outro dentro do seu quarto na casa dos pais e suspirou aliviada ao ver que a irmã tinha atendido.
– Sis, eu preciso de ajuda!
, você tem noção de que horas são? ralhou indignada pela hora que a irmã a tinha acordado e esperava que fosse um assunto de vida ou morte. – Alexander não dormiu! – A mulher esganiçou.
– Exatamente… duas e quinze da manhã. – A ainda Mrs. riu baixo e ouviu uma xingada da irmã. – Eu estou apavorada! Você precisa me ajudar. E por que o Alex não dormiu?
Apavorada com o quê, ? – Ela bufou. – Você não tá fazendo sentido e eu não sei, ele tá elétrico.
– Ok, várias coisas aconteceram desde que eu cheguei aqui e bom, eu conversei com o . – Ela riu meio trêmula e ouviu um gritinho animado da irmã. As duas riram. – Bom e aí ele me chamou pra passar o réveillon em Encinitas com os meninos. O que me leva a: EU NÃO SEI O QUE FAZER!
respirou fundo.
– Ah e deixa o Alex curtir, ele tem que estar elétrico em pleno o Natal.
Não é do filho que eu falo, sis. – A mais velha soltou uma risada espontânea que fez a outra arregalar os olhos e soltar um grunhido de nojo. – Não é só o filho quem ganha presente, mas deixa de frescura! E como assim você e o finalmente conversaram? Ai meu Deus do céu! – O gritinho animado da designer veio pra fazer as duas rirem baixo.
– Mas nada aconteceu! A gente só decidiu que não ia mais se comer vivo a cada ligação!
O que já é um grande avanço. Mas por que raios você precisava me ligar de madrugada, mulher? – Ela fingiu ralhar, ainda que estivesse empolgada e feliz com a notícia de uma possível trégua entre os dois.
– Praia, pouca roupa, nossa casa e minha abstinência horrorosa de meses. Além do nosso histórico de coelhos? Pode dar merda, até porque meu ex, é cheiroso demais! O medo é dar pra ele, gostar disso e piorar tudo! – A enfermeira despejou tudo em cima da irmã e ouviu uma risada mais do que espontânea e um resmungo que com certeza era de reclamando pelo barulho.
Depois a safada sou eu! – A Mrs. acusou e as duas riram mais uma vez.
– Eu nunca disse que eu era santa. – A enfermeira soltou em um tom sapeca.
Mas sabe o problema? Amiga, você gosta de dar pra ele. Isso é um fato! – A falou como se lamentasse o fato. – E eu acho que não vai piorar se vocês transarem.
– Eu não quero dar pra ele! – declarou na defensiva, mas parou bem pra analisar a própria frase antes que a irmã retrucasse. – Na verdade eu até quero, mas não devo.
Não deve ou acha que não deve? – A pergunta de a fez suspirar frustrada.
– E tem diferença? – A pergunta lisa da enfermeira, fez as duas rirem alto.
Maior do que você pensa! – Uma risada veio junto.
– No momento eu prefiro pensar que tudo é negação. – A enfermeira fez um bico, sabendo que a irmã tinha negado com um aceno. – Então eu devo viajar com ele e os meninos.
Claro que deve! Uma viagem em família é sempre bom.
– Eu não estou preparada vaidosamente pra ir pra praia – O esganiço veio até penoso pelo tom de voz dela.
Ah vai à merda! – A serenidade com que a Mrs. xingou a irmã foi algo que as fez rirem de forma cúmplice.
! Ele vai espalhar fotos nossas pelo Insta, eu preciso estar bonita! – coçou a cabeça em pensar que estava quase uma lesma de tão branca.
E quando não tá? usou de obviedade, fazendo a irmã sorrir grandemente.
– Você sabe que eu te amo, não sabe? Sua maravilhosa da minha vida. Mulherão da porra! – A mais nova soltou um gritinho agradecido pelo elogio, mesmo que elogiasse ainda mais a irmã. Ela suspirou. – Obrigada por conter meu surto! Te amo muito e eu vou desligar, acorda o e vai aproveitar o resto da noite!
Eu também te amo, meu amor! declarou seu amor pela irmã, sabendo aquilo ia além do espírito Natalino. – E eu não vou acordar ele nada! Daqui a pouco o Alex acorda e a gente vai precisar conter o furacão de Natal antes dos pais do chegarem. – Ela disse animada e as duas riram.
– Tudo bem, sis! Feliz Natal! Diz pro Alex que meu presente é o do embrulho azul.
Digo sim! Feliz Natal! E não esquece de entregar os meus aos meninos. – Ela também avisou sobre os embrulhos e as duas se despediram com sons de beijo.

Christmas morning. Trois-Rivières, QC, 8AM

fez uma careta ao procurar seu suéter preferido na mala que estava aberta no chão e suspirou quando não o encontrou em meio àquela bagunça horrenda de roupas por todo canto. filho tinha tomado banho antes dela e ao invés de deixar as coisas organizadas pra facilitar as malas pra Encinitas, ele tinha feito a maior zona no quarto que pertencera a mãe um dia. Típico do moleque. A mulher passou a mão pelos cabelos soltos e levantou a postura em frente à janela do quarto, suspirando meio sem paciência pra continuar procurando a roupa e como se aquilo fosse trazer seu suéter cheio de reninhas de volta.
Por que tinha que sumir justo o que ela mais gostava? Aquilo era injusto.
A enfermeira se deu por vencida na incansável busca e tirou a camiseta de alças do corpo, na intenção de procurar outra blusa que sanasse seu frio e a deixasse em espirito natalino. Ela jogou a camiseta clara em cima da cama e ajeitou o sutiã nos seios, rindo com a lembrança de ouvir risadinhas idiotas de quando fazia aquilo na frente do ex-marido. mordeu a boca mirando algumas roupas na mala e virou de uma vez ao ouvir barulhos tilintados no vidro de sua janela, inconscientemente se cobrindo com a figura sorridente do outro lado.
Do outro lado, na outra casa e exatamente em um quarto em frente ao seu, ria pelo susto dela e por mais que a mulher não pudesse escutar as risadas dele pelo vidro da janela estar fechado, ela sabia que ele estava adorando se divertir as suas custas. O cantor mostrou o telefone em mãos, pedindo que ela atendesse o dela, fazendo a mulher procurar o telefone pelo quarto.
– Acha que ainda tem 19 anos? – Ela perguntou rindo ao encará-lo pela janela e viu o homem abrir um sorriso malandro e safado.
Virou a vizinha peladona nas janelas? – A pergunta dele a fez passar o dedo no pescoço como se mostrasse que ia mata-lo.
– Deixou de ser o pulador das janelas e virou o tarado que espia? – Ela rebateu a pergunta e o viu fazer cara de dor, ao mesmo tempo que ouvia um outch, como se a resposta tivesse doído. não conseguiu de segurar e riu alto.
Quando a vizinha continua gostosa? Eu queria voltar a ser pulador. – O tom malicioso voltou a reinar e a mulher fechou as cortinas só pela pirraça. – Ah não, ! Não precisava ter fechado! parecia um bebê chorão enquanto a ouvia rir da forma mais espontânea e que ele sentia falta. Finalmente o homem estava conseguindo faze-la rir outra vez.
– Você é um pervertido! – Ela acusou controlando a crise de risos e suspirou. – Te vejo daqui a pouco?
Até agora, se você quiser. – Ele foi galante e causou as reações mais confusas na ex-esposa, desde um sorriso bobo, até uma revirada de olhos.
– Tchau, ! – O tom falsamente tedioso o fez rir e mandar beijo antes de desligar o telefone.

-x-x-x-
As luzes da grande árvore de natal piscavam como no ritmo da música e das conversas familiares que aconteciam no interior da sala conjugada da casa dos Cousseau. O cheiro familiar da comida caseira, que terminava de ser aprontada pelos rapazes, preenchia o ambiente sem pedir licença deixando o dia ainda mais especial, principalmente depois daquele ano difícil que quase tinha dividido uma família tão bonita. Eles estavam concentrados na cozinha grande e iluminada, quando as risadas e conversas se direcionavam às lembranças de quando os dois adolescentes eram crianças.
– E aí Leonor se escondia sempre no armário embaixo da escada – soltou uma gargalhada espontânea com a história enquanto pendia uma taça de vinho na mão.
– Era a mesma coisa todo ano. – completou a fala da ex-mulher, ao mesmo tempo que fechava a Tourtière* junto com o primogénito. – E nesse bendito ano ela inventou a história de uma armadilha. – O homem negou com a cabeça rindo e antes que terminasse, ouviu as gargalhadas de quem estava na cozinha dos sogros. Seus pais, os pais de e os dois filhos do casal.
– Eu queria conhecer o papai Noel, papou! – A moça esganiçou indignada em estar sendo exposta naquele natal, ela preferia mais quando faziam aquilo com o irmão, definitivamente. – E o também queria! Ele se escondeu comigo e me ajudou.
– Mas o plano foi seu! – Eliot apontou pra irmã, vendo-a rolar os olhos e os dois riram alto. – O plano foi todo seu, eu só segui suas ordens.
– Eu sempre fui mais esperta! – A moça fechou os olhos ao empinar o nariz e recebeu um abraço apertado do avô materno.
– Você sempre foi impossível, Leonor! – apontou rindo e tomou mais um gole de vinho sabendo que, se não parasse, em algumas horas estaria louca dentro de casa.
– Eu vou ter que concordar com sua mãe, Len. – O pai soltou uma risada anasalada e beijou a cabeça do filho pelo belo trabalho em fechar a torta.
– Posso pôr no forno? – O rapaz perguntou com um sorriso animado, feliz em poder estar com a família toda naquele natal.
– Pode sim, filho. Pode colocar. – O homem sorriu encorajando e voltou a atenção pra história que era contada.
– E qual era o plano mirabolante da Leo? – Elena incitou a conversa mais uma vez, vendo a neta com um sorriso de criança sapeca.
– Ela queria capturar o papai Noel, Lenna. – negou com um aceno frustrado, fingido, vendo um sorriso angelical no rosto da filha. Se ela não era a cara da mãe, ninguém mais era. – E justo na hora que eu fui colocar os presentes na árvore, esses dois apareceram me empurrando contra o sofá. Resultado: Um bolo de três no chão, meu grito de susto e uma apavorada no meio da sala sem entender se eu tinha derrubado os meninos, ou eles tinham me derrubado. – Ele havia acabado de contar e não houve tempo para respostas, apenas para as risadas que preencheram o cômodo médio, assim como o cheiro gostoso da comida que era preparada.
– Sem falar que depois foi osso pra dar a volta nos dois e tentar explicar que não era o papai Noel, ele só estava indo abrir a grade da lareira. – negou com um aceno de cabeça, vendo dois sorrisos angelicais no rosto dos seus pestinhas preferidos.
– E os dois ainda acabaram dormindo com a gente. – O homem completou a história e riu baixo, resgatando sua bebida que estava em cima da bancada da pia.
Ele olhou pra como se através do olhar conseguisse dizer ou perguntar tudo, resultado de anos de relacionamento, era uma intimidade tão gostosa que ia muito mais além de sexo. mordeu a boca ansioso com a resposta para a pergunta silenciosa e recebeu um aceno contido, juntamente com um sorriso bonito por parte da mulher.
– Ok, então. – Ele tomou um gole da long neck, sendo acompanhado pelo pai e o sogro. – Vocês ainda vão abrir os presentes, ainda vão fazer a festa ao pé da arvore, só não derrubem o papai Noel. – Eles riram. – Mas eu estive conversando com a ontem à noite e a gente combinou que talvez, assim, só talvez, – fez graça ao transformar o rosto em uma careta que havia deixado os filhos ansiosos pelo tal combinado. E como assim os pais tinham conversado na noite passada? Aquilo havia sido novidade até para os mais velhos ali presentes. – se vocês quiserem, a gente pode ir passar o Réveillon em Encinitas. E o convite se estende aos avós também. – Um sorriso bonito se formou no rosto do Mr. e os filhos adolescentes arregalaram os olhos com a notícia.
– NÓS VAMOS PRA PRAIA? – O grito desafinado do garoto saiu tão realizado que ele não se importou com sua voz fora de tom. – Meu Deus! Nós vamos mesmo pra praia? Mamãe, você vai, não vai? – filho perguntou sentindo uma felicidade sem tamanho lhe preencher ao ver que a mulher havia confirmado com um aceno de cabeça e os olhos marejados.
– NÓS VAMOS PRA ENCINITAS! – Leonor soltou um grito fino ao mesmo tempo que pulava na cozinha e fazia a alegria de quem estivesse ali. – A gente vai em casa pegar roupa? – A garota perguntou a mãe com os olhos arregalados, quando a mulher pode apenas negar pra não chorar vergonhosamente na frente deles.
– A gente resolve isso em San Diego, princesa! – O homem abriu um sorriso imenso ao ver a alegria da filha, ainda abraçado com o garoto que estava bem mais alto que ele. – Vamos comprar roupas por lá e mais o que vocês quiserem! – piscou, vendo a moça fazer uma dancinha animada no meio da cozinha, quase derrubando chocolate quente da caneca que estava em mãos.
– Mas a gente pode ir abrir os presentes? – Eliot perguntou com os olhos mais do que arregalados, ansioso em saber o que ganharia aquele ano.
– Isso! Eu quero abrir também! – Leonor largou a caneca em cima da mesa e logo os dois adolescentes foram guiados para a sala pelos avós babões.
Elena, Charlie, Louise e Réal, puxaram os dois sem qualquer demora para a sala tão bem decorada e que guardava quase toda a magia do natal aquele ano, onde a história se repetiria mais uma vez, os dois sentariam no chão e ajudariam a distribuir os presentes, enquanto abriam os próprios.
suspirou ao perceber que os filhos já haviam saído da cozinha e virou o resto de vinho que tinha na taça, encontrando lhe encarando com a sobrancelha arqueada. Céus, ele não precisava olhar-lhe daquele jeito, como se estivesse repreendendo pelo seu alto apreço alcoólico nas últimas horas. Não era complicado de entender que beber era o melhor remédio pra não implorar por certas coisas enquanto os dois estivessem sob o mesmo teto, ou talvez o álcool só aumentasse o calor. Ele riu da cara de frustração dela e em pequenos passos, chegou onde a mulher estava, tirando a taça vazia da mão dela.
– Não exagera, daqui a pouco eu estou te arrastando dentro dessa casa. – O homem soltou uma risada de deboche e ganhou um leve empurrão no ombro.
– Cala a boca, . – Ela tentou ser rude, mas findou rindo de desespero por saber que o arrastar era estritamente zoeiro e não acabaria no antigo quarto dela com a porta trancada. – Vamos ver os meninos abrindo os presentes, assim eu me mantenho longe do vinho. – A enfermeira suspirou, soltando uma baforada de ar no rosto dele.
– Meu Deus, eu fiquei tonto agora. – brincou com o fato de ela ter bebido demais e foi empurrado de leve quando os dois andavam para a sala da casa onde a magia acontecia.
Era uma alegria tão pura e bonita ao comentar cada caixa que abria, a ansiedade presente em saber do que se tratava e o brilho nos olhos dos irmãos eram a prova mais viva de que eles ainda eram crianças e que a magia do Natal não havia se perdido naqueles coraçõezinhos.

*A tradicional torta de carne canadense é obrigatória nas festividades de final de ano, principalmente na região do Quebec.

YUL, Montreal-Pierre Elliott Trudeau International Airport, QC, 10AM.
sorriu para o primogênito que a ajudava a colocar a bagagem de mão no lugar certo e ganhou um beijo na bochecha do garoto. Garoto esse que estava a xerox do pai e, desde o momento que eles haviam chegado naquele aeroporto, chamava atenção de um jeito absurdo, incomodando-a de alguma forma. Não que a enfermeira fosse contra a vida pública do marido, mas expor seus filhos demais a qualquer situação não a deixava tão confortável, afinal eles eram apenas crianças e não saberiam lidar com um terço do que o pai costumava encarar.
– Você vai comigo, amor? – Ela lançou mais um sorriso materno ao filho.
– Não, não. Eu vou do lado da Leo. Foi o papai quem me disse. – O rapaz apontou para onde a irmã se matava pra tentar colocar a bagagem no lugar.
– Então seu pai vai comigo e você vai com sua irmã? – A mulher arqueou a sobrancelha com a audácia do ex-marido. pai estava querendo, e não era pouco.
– Vou. – O menino acenou afirmando, ainda que a careta fosse desgostosa. – Se ela vai chegar viva, é outra história. – Ele abriu um sorriso de criança malvada e ganhou um pedala da mãe. – Ai!
– Não vão se engalfinhar no meio do avião! Eu finjo que nem conheço vocês. – A mulher suspirou saturada com aquelas briguinhas infantis. Eles poderiam se dar bem na maior parte do tempo, seria maravilhoso. – E seu pai é um sem jeito.
– Eu estou brincando, mãe! – O rapaz esganiçou na resposta, fazendo com que sua voz saísse completamente fora do tom e a mulher respirasse fundo pra não rir dele bem ali.
– Eu sou uma ótima mãe. Eu sou uma ótima mãe! – Ela recitou como se fosse um mantra, mantendo os olhos fechados e causando uma indignação no garoto. – Vai ajudar a sua irmã, seu pai vem ali. – A mulher apontou ao abrir os olhos e pigarreou impedindo que a risada escapasse da garganta.
O rapaz rolou os olhos e, a contragosto, foi ajudar a irmã colocar a bagagem de mão no local certo. Afinal ele estava sendo usado como escada naquela família. De que adiantava ser alto se só lhe usavam pra guardar ou pegar coisas?
– Vai dizer que foi engano? – Ela finalmente soltou a risada ao ver a cara de pau do ex-marido. – A sua é a de lá. – apontou para a poltrona que ficava rente a janela, o vendo se espremer entre elas e logo se jogar largado, tomando quase os dois assentos.
– Não foi. – O homem piscou sobre ser engano e suspirou relaxando, em tempo que causava um reboliço gostoso no peito da mulher. A enfermeira lembrava exatamente de um certo moleque de 19 anos, todas as vezes que o ainda amor da sua vida, agia daquele jeito.
– Eles dois vão se matar. – ela escorou o queixo na poltrona ao se referir aos filhos e viu o homem rir como se não fosse nada demais.
– A gente finge que não conhece. – Ele prendeu o riso com uma mordida pequena e bateu no assento do lado pra que ela sentasse.
– Eu ameacei isso! – A mulher riu baixo e sacudiu a cabeça. – Afasta aí! – Ela praticamente ordenou ao ver que ele tomava quase os dois bancos.
– Nunca vi mais trocador de voz! – zoou o próprio filho, ouvindo a gargalhada abafada da ex-mulher, mas não mudando um milímetro sequer de lugar.
– Que maldade com a criança, ! – Ela cobriu o rosto com a mão, tentando controlar as risadas antes que ela perturbasse o silencio alheio. – E eu quero sentar! – soltou um gritinho esganiçado, vendo a obviedade na testa dele gritando que era só sentar ali. – Eu não vou sentar no seu colo! – A mulher foi mais óbvia ainda o vendo rolar olhos.
– Ninguém ia reclamar se você fosse. – fez uma careta desgostosa e finalmente afastou minimamente pra que ela sentasse ao seu lado.
Era como se um ritual se repetisse todas as vezes que eles precisavam viajar juntos. entregava a bolsa de mão a ele e finalmente sentava na poltrona como se estivesse afofando-a com o corpo e enchendo de inveja de um estofado qualquer. A divisória dos dois assentos continuou encaixada entre os bancos, não sendo bem vinda pra destruir o laço, enquanto os dois estavam mais do que satisfeitos em estar encostando o corpo de um no outro. Era um atrito familiar e bom demais para ser quebrado. Ela se esticou um pouco pra ver os filhos nas poltronas logo atrás e sentiu a bolsa ser colocada entre os dois, apoiada nas duas pernas.
– Não sei se foi uma boa ideia. – voltou a postura ao normal e suspirou frustrada.
– O quê? Você não sentar no meu colo? Olha que com isso eu concordo. – O mais velho da família fez um bico desgostoso e de quebra, deu um tapinha na própria coxa.
– O quê? – Ela o olhou com uma interrogação imensa. – Vai te catar, ! – riu e lhe deu um tapa no ombro, vendo o homem fazer uma careta exagerada.
– Por quê? – Ele exagerou na pergunta, fazendo a mulher rolar os olhos.
– Porque eu falo dos meninos, não sei se foi uma boa ideia deixar os dois sozinhos assim. E tão longe. – Ela enrugou o nariz.
– Eles estão do nosso lado, ! – apertou a mão dela passando conforto e viu a mulher fazer um bico, rindo em seguida.
– Esses dias eles estavam no meu útero. – Ela fez cara de choro e o homem sacudiu a cabeça. – Você deveria me ajudar e não rir de mim. – encostou a cabeça de lado nas costas da poltrona e só aí pode ver realmente o rosto dele tão detalhadamente, a barba por fazer que já se alastrava por todo o rosto, as ruguinhas simpáticas no canto dos olhos e a boca avermelhada que lhe fazia uma imensa falta.
– No que você quer que eu te ajude, anjo? – A pergunta saiu baixa quando homem também encarava a boca dela, sem se preocupar se perceberia aquilo ou não. Afinal se ela estava encarando a boca dele com tanto apresso, ele poderia fazer o mesmo.
Ela suspirou nostálgica ao ouvir aquele apelido doce novamente e estava tão imersa no momento que não teve a mínima coragem de corrigi-lo. A saudade da pequena palavra falada por ele era tão grande que parecia um vício ao ouvir novamente, ela só queria escutá-la em cada entonação que ele criasse para aquilo.
– Faz quanto tempo que isso tá aí? – Ela riu de leve ao indicar a barba e o viu vincar as sobrancelhas em confusão. – Essa sujeira no seu rosto. – Os dois riram.
– Algum tempo. E sem deboche. – Ele manteve um sorriso fechado que fazia até seus olhos sorrirem.
– Ela esconde seu rosto. – A mulher umedeceu os lábios, e inconsciente, os movimentos foram acompanhados por ele.
– Sabe o que me frustra? O vai ter a barba que eu nunca tive. Escreve o que eu tô falando. – pai movimentou a mão como se ela fosse lhe dar a maior convicção do mundo e os dois riram. – Meses pra conseguir o que consegue em 3 dias. Eu odeio aquele cara! – A careta teatral fez negar com um aceno divertido.
– Seu modo mais efetivo de barba foi há três anos e ela ainda sugou sua juventude. – A mulher tentou não parecer tão cruel com o comentário, mesmo o vendo fazer uma imensa careta. Ela se esticou no banco procurando conforto e ouviu a voz cuidadosa ainda mais perto de si.
– Tá desconfortável?
– Não, não. Tá tudo ótimo! –sorriu fechado, porém grata pela preocupação dele. – Tirando a viagem louca que você me meteu. – A mamãe de dois, deu de ombros.
– Não é uma viagem louca! –colocou a mão no peito, fingido estar ofendido com o rótulo da viagem. – É uma viagem em família para praia. Se for uma viagem louca, é uma viagem louca maravilhosa.
– É justamente esse o problema! Eu estou em uma situação deplorável de palidez para entrar em contato com o sol. Imagina a supernova quando refletir toda aquela luz em mim, eu vou cegar milhões de pessoas e a culpa vai ser sua que me arrastou para a praia. – A enfermeira despejou tudo de uma vez em cima dele, ouvindo o ex-marido tentar controlar as risadas diante daquele surto sem precedentes. precisava mesmo tirar uns dias de férias, definitivamente.
– Você vai justamente pra pegar uma cor, mulher. Não exagera. – O cantor repreendeu o exagero dela e ganhou uma careta de desgosto, mesmo sabendo que ela uniria todas as forças pra provar que estava pálida.
– Eu vou te mostrar minha barriga, mas fecha um pouco os olhos, ou você vai cegar com a cor dela. – A estomaterapeuta tentou entrar mais uma vez no clima de brincadeira, o vendo se divertir com aquilo, assim como ela também estava. Aquela era uma das melhores coisas em conhecer tão bem alguém, era a intimidade, era realmente entender um ao outro sem precisar de muito esforço.
Em contra partida a pose dela, escorou o queixo na mão como se quisesse realmente avaliar a tal palidez da ex-mulher, mesmo que estivesse ansioso por uma brechinha daquele corpo outra vez, nem que fosse a barriga branca como ela dizia. Ainda concentrado e ouvindo as instruções de que ele deveria colocar uns óculos escuro, a blusa que ela usava foi levantada delicadamente na lateral esquerda, mostrando que saia da calça um pedaço da tatuagem dela. Tatuagem essa que ele não lembrava de ser tão grande, mesmo já tendo mapeado o desenho inteiro com os lábios, tinha certeza que ela estava maior.
– Eu aumentei a tatuagem. – A voz veio em tom explicativo, até receoso, se duvidasse. – Liguei pro Aaron e por sorte ele estava em Montreal.
– Estou vendo, ficou linda. – O homem inclinou de leve a cabeça, olhando com tanta intensidade para o pequeno desenho de fora que nada do que ela dissesse o faria acordar do transe de imaginar até onde iria a nova roupagem da tatuagem.
– Não vai conseguir ver o resto dela se você continuar olhando pra calça. Não adianta fazer força. – Um sorriso malvado surgiu nos lábios avermelhados da mulher.
– Sempre vale a tentativa! – piscou rindo e, mesmo que sentisse o desespero de não poder gritar ali mesmo, resgatou os fones do bolso da calça.
se acomodou mais confortável na poltrona e já com seu livro em mãos, notou a inquietude do homem ao seu lado. Ele fechou os olhos, se esticando completamente na poltrona já reclinada e fez uma careta manhosa na concepção dela.
– Osso não tá confortável. – Um resmungo manhoso só veio pra completar o que ela já esperava.
– Oi? – A pergunta escapou mesmo que ela houvesse entendido de primeira.
– A cervical. – suspirou passando a mão no pescoço e fez uma careta desgostosa, sabendo bem o que melhoraria seu conforto. O ombro dela.
– Se você continuar assim vai travar. – A mulher mordeu de leve a boca e o viu bufar como uma criança mimada, enquanto ela queria rir com o teatrinho. Mas se ele não ia sugerir logo, ela quem não ia oferecer o ombro, afinal brincar com era um dos seus hobbies favoritos. – Como você vai passar o resto da viagem?
– Acho que acordado. – Ele rolou os olhos, aumentando ainda mais o bico e a vontade dela de rir. – Eu deitei pra dormir, mas foi uma péssima escolha.
– São oito horas, não dá pra ficar oito horas sem fazer nada. – Ela abriu um sorriso contido e os dois afivelaram os cintos a mando da aeromoça, que dava todas as instruções para que o avião pudesse decolar e a mulher respirou fundo.
– Ainda tem medo? – Ele apertou a mão dela com força.
– Receio! – se pôs na defensiva. – Mas o que você vai fazer durante a viagem? – Ela perguntou se esticando para observar os filhos e concluir que eles estavam bem. – Quer meu livro? – A ficção foi estendida a , o fazendo sorrir grato.
– Não , eu sei que seu livro vai te acalmar. – sorriu contido em ver que ela ainda se importava com seu bem-estar.
– Então deita aí. – O tom de voz saiu baixo, porém firme e decidido. – Eu sei que é mais confortável pra você. Pode deitar, eu não me importo.
Imediatamente um sorriso imenso se formou nos lábios do cantor, era largo, satisfeito e até feliz, mesmo que tivesse tentado ser com descaso. sabia que tanto um como o outro, estavam loucos por aquele contato, conforto e ato de certa intimidade. Ele não esperou pensar muito e, logo após colocar os fones novamente, dando o play na lista de reprodução, deitou a cabeça no ombro da mulher sentindo o perfume dela lhe nocautear de cheio. Definitivamente aquele poderia ser seu aconchego pra sempre.
– Sem babar. – Ela deu um tapinha de leve na cabeça dele e no inconsciente repousou a mão como se fosse fazer um cafuné por ali, sentindo a boca do ex-marido encostar no vão do seu pescoço com um sorriso imenso enquanto ela arrepiava dos pés à cabeça.
– Vou tentar! – Ele rebateu e os dois riram na hora em que anunciavam a decolagem do avião.
fechou os olhos com força ao perceber que a pressão começava a aumentar e sem qualquer cerimônia, cravou as curtas unhas na perna de pelo receio com aquela pressão toda que apertava o peito. Ele colocou a mão por cima da dela e apertou passando segurança, mostrando que não precisava ter medo, ele estaria sempre ali, principalmente nas decolagens.
– Não precisa ter medo. – Ele soprou baixinho.
– Eu já disse que é receio. – Ela apertou ainda mais os olhos tentando dar uma de durona, mesmo que rezasse pra que o avião se estabilizasse logo no ar.
– Não vai acontecer nada, confia em mim. – se esticou um pouco e beijou a bochecha da mulher.

End of the year. Encinitas, CA, 10 AM.
O sol da manhã quente adentrava em toda a grande casa, deixando-a clara e ainda mais aconchegante para quem estivesse ali dentro. O estilo rústico mais puxado para interiorano fazia um contraste perfeito com a casa que o casal mantinha em Montreal. Enquanto uma era prática e moderna, bem a cara da mulher, a outra tinha um ar de fazenda confortável e simples, combinando bem mais com . As poltronas postas embaixo da janela juntamente com um sofá escuro, faziam par com a pouca decoração de Natal colocada aquele ano e por mais que fosse a festa preferida do cantor, não ter seus meninos por perto, havia deixado o momento frio demais. E embora tudo estivesse ganhando cor outra vez, eles não iam perder tempo decorando a casa pra ter que desmontar tudo dali alguns dias.
– Eu odeio jet lag, definitivamente. – riu sentindo o corpo pedir por mais algumas horas de sono e cumprimentou os presentes na cozinha com vários bons dias e beijos nos filhos.
– Não matou o sono? – filho perguntou rindo e viu um bico enorme se formar no rosto da mãe. – Senta e come, o papai deixou seu café pronto. – O garoto sorriu.
– Cadê ele? – A mulher se acomodou à ilha e viu finalmente Leonor conseguir se manifestar já sem estar com a boca tão cheia. – Engole devagar, Leo! – Disse rindo e viu a menina rir junto.
– A gente desceu bem cedo na praia e quando voltamos ele foi logo fazendo o café. Depois fizemos panquecas. – A moça sorriu animada e contente de poder estar fazendo tudo aquilo outra vez, enquanto o irmão enchia a boca de comida fazendo a mãe rir. – Dessa vez a gente fez sozinho, não foi, ?
– Uhum! – Foi o que o garoto conseguiu resmungar de boca cheia.
– Opa! Panqueca feita por vocês? Agora que eu vou comer pra ver se tá boa mesmo! – saltou animada na tentativa de incentivar os filhos e os dois riram bem orgulhoso de si. – Já tomaram banho? Pensei que a gente podia ir em San Diego hoje pela manhã pra ir comprar roupa, não aguento calça jeans nesse calor. – A mulher sorriu enchendo um prato com panquecas, morangos e mirtilos.
– Eu quero! Eu também não gosto de roupa quente quando tá calor assim. – Leonor colocou mais um pedaço de panqueca na boca repassou o mel para a mãe, enquanto balançava a cabeça ao som do radinho que estava ligado.
– O papa me emprestou roupa, mas elas ficam folgadas. – Eliot fez uma careta ao olhar para o próprio corpo e ver o balão que elas tinham ficado. – E você tá engraçada com vestido de mangas no meio da Califórnia. – O primogênito tentou zoar a mãe e ouviu as risadas das duas dentro da cozinha.
– Por isso mesmo eu preciso ir comprar uns biquínis, cabeça. – Ela rolou os olhos, tratando o filho como se fosse apenas um amigo e o garoto riu. – Vocês entraram com roupa e tudo no mar?
– Eu sim. O tirou a camisa. – Leonor se espreguiçou, tomando o resto do suco de laranja e viu a mulher afirmar.
– Pois eu vou só terminar aqui e ir pedir a chave do carro a seu pai. Daí a gente vai em San Diego. – A mulher sorriu dando mais uma garfada nas panquecas. – Vocês vão me sustentar de panquecas, agora. Isso aqui tá muito gostoso! – O elogio veio orgulhoso e verdadeiro.
– É só você comprar tudo que a gente faz todo dia. – filho empinou o nariz com uma das suas expressões mais convencidas e a mulher riu achando uma fofura.
– Vamos viver de panquecas lá em Montreal. – Ela piscou para os filhos. – Mas cadê ?
– Ele disse que ia tomar banho. – Leonor deu de ombros e bateu os dedos de forma impaciente na bancada.

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bateu na porta do quarto que já havia dividido inúmeras vezes com e ouviu o resmungo dele ao perguntar quem era. Sinal de que estava pouco vestido ou até nenhuma roupa, quem sabe. Claro que a informação passada era a de que ele tinha ido tomar banho, mas era tempo suficiente para que o homem estivesse vestido decentemente.
! – Ela se limitou a falar o apelido, esperando que ele aparecesse fora do quarto ou perguntasse dali mesmo o que ela precisava.
– Entra! – O convite a fez morder a boca com força pra não surtar.
A porta de madeira escura foi empurrada com cuidado e como se um tapete vermelho para o inferno se estendesse no chão, a mulher entrou ansiando obscuramente que ele estivesse, no mínimo, com pouca roupa. Não era pedir demais ver aquele corpo novamente, principalmente depois de tê-la visto só de sutiã dentro do quarto no outro dia. A imagem definitivamente não poderia ser melhor, ele acabava de subir a calça no corpo, mostrando a cueca preta pelo zíper aberto do jeans, o tronco a amostra devido à falta de camisa e, para completar, ainda meio molhado, provavelmente do banho. Se aquela não era a imagem do paraíso, ela realmente não sabia o que poderia ser mais tentador.
– Eu poderia ter esperado! – A frase surgiu apenas pela mais pura educação, enquanto seus olhos lhe traíam e o ar começava a querer faltar.
piscou freneticamente, sem conseguir tirar os olhos do abdômen definido do ex-marido e, quando finalmente o encarou, encontrou um homem com uma das expressões mais confusas como se lhe perguntasse porque diabos ela precisava esperar.
– Você terminar de se trocar. Eu podia ter esperado lá fora! – O gritinho assustado mais falso que a mulher conseguiu não enganava a ele, principalmente porque os olhos dela estavam adorando explorar cada partezinha descoberta. A enfermeira respirou fundo e tentou se manter firme nas aparências, ainda que passasse a mão no pescoço como se quisesse amenizar qualquer calor que se formasse ali. – E eu queria a chave do carro, emprestado. – Ela tentou mudar o foco da conversa, mesmo que fosse tarde demais.
– Sem necessidade, ! – Ele gargalhou ao perceber o nervosismo dela e segurou a braguilha pra fechar o zíper da calça, deixando o movimento tão erótico ao ponto de incendiar o quarto. – E daí que eu estou me vestindo? Por Deus, mulher! Nós temos dois filhos!
– A chave, . Foca na chave! – A mulher prendeu uma risada pela situação.
– Na mesinha de cabeceira. – O cantor sacudiu a cabeça com um ar de riso pela situação. – Do seu lado esquerdo. – Um suspiro frustrado se fez presente em saber que ela estava tão longe dele, mesmo ali dentro do quarto. Era só chegar perto mais um pouquinho, só um pouquinho e dava pra agarrar sem culpa.
– Vai te catar! – xingou pelo deboche e se apoiou na cama pra pegar a chave da Land Cruiser. – E as circunstâncias atuais são outras, bem diferentes. – Ela se referiu ao que ele disse sobre terem dois filhos e ao jeito que era olhada.
– Ah são? – Um deboche imenso brotou da voz dele, cinismo até. – Me conta! – cruzou os braços, apertando ainda mais o peito e aumentando os ombros. – Se for à San Diego, só é bom prevenir pra quando for voltar. – Ele respondeu sobre precisar abastecer o carro.
– Você quer saber? – Ela arqueou uma das sobrancelhas, rodando a chave do carro em um dos dedos.
– Claro que sim. – O homem abriu um sorriso de canto.
– Ok, primeira coisa: as coisas tendem a ser mais gostosas quando a gente não tem mais. E não que seja da sua conta, mas há quase seis meses, eu não sei o que é sexo. E você sabe, nós somos coelhos. – A enfermeira riu morta pela declaração. – Quer alguma roupa? – Ela tentou desviar do assunto que estava deixando o ambiente pesado.
– Não, não, obrigado. E quem te disse que não tem mais? – A pergunta veio em cheio no peito dela, fazendo a mulher trancar a respiração.
– Nem uma camisa nova? Eu vou acabar trazendo alguma coisa. – fez um bico tentando manter a conversa apenas nas compras, mas se deu por vencida ao estar sendo encarada tão intensamente. – A vida, ! O último ano. – O suspiro veio frustrado demais ao ponto de fazê-la passar a mão pelos cabelos. – Ainda usa M?
Uma gargalhada estrondosa preencheu o quarto pela oscilação de assunto da mulher.
– Não, eu uso G. E eu sei que você vai trazer alguma coisa, por isso eu disse que não precisava. – Ele suspirou divertido com a cara de paisagem dela. – Nada mudou, anjo!
– Muita coisa mudou. – Ela mordeu a boca em uma careta pensativa, ainda mais depois de imaginar o estrago que aqueles braços em tamanho G poderiam fazer. – Até você cresceu! – A mulher fez um bico desgostoso.
– Engordei, isso sim! – apontou ao soltar uma risada e viu as expressões da ex-esposa se tornarem completamente carnais.
– Tá gostoso. – Um sussurro descarado foi solto, o fazendo rir satisfeito em ouvir aquilo. Finalmente estavam andando para algum lugar?
– Disponha! – Uma piscada safada foi direcionada à .
– Filho da puta!
– Poxa, não xinga a sogra. – mostrou um bico de lamento bem fingido enquanto procurava a camisa e recebeu uma revirada de olhos.
– Eu vou indo antes que o comércio feche. – meneou a mão já se preparando pra sair do cômodo quente e ouviu o afronte.
– Ou antes que a gente se agarre? – A pergunta cínica veio tão baixa que arrepiou a mulher inteira, só pela imaginação do amasso.
– Vai procurar o que fazer, ! – mostrou não dar ouvidos ao que mais queria nos últimos meses e acenou ao abrir a porta para sair do cômodo.
Ele riu maroto ao saber que ela estava nervosa com todo aquele clima safado e, para provocar ainda mais a mulher, correu até a porta do quarto, abriu-a e ao dar de cara com os três amores da sua vida, animados na intenção das compras, gritou:
! – O chamado foi alto, capturando a atenção dos três. – Você também tá gostosa. Pra caramba! – A piscadinha safada a fez quase encostar o queixo no chão, por certo envergonhada com a presença dos meninos ali.
– PAI! – O grito esganiçado dos dois adolescentes foi a chave de ouro para que ela os puxasse casa a fora e deixasse o homem rindo escorado a porta do quarto.

New year’s eve. Encinitas, CA, 8 AM.
O sol daquela manhã estava em um nível perfeito de quentura, dava pra brincar na areia e no mar, ao mesmo tempo que dava pra pegar uma cor para melhorar a palidez causada pelo gelo. A imagem de cenário típico da Califórnia não poderia estar mais forte, principalmente quando três pranchas coloridas e enfiadas na areia indicavam que existiam alguns aspirantes a surfistas por ali.
tinha acabado de virar de bruços em uma toalha na areia clara da praia, aproveitando aquele clima gostoso pra ficar com algumas marquinhas legais. brincava com os filhos a beira da água, sentindo o mar viajar nas oscilações e molhar seus pés sempre que procurava aconchego na areia quente. O homem riu ao sacar a bola para o primogênito em um vôlei sem regras e logo o saque se direcionar pra Leonor, que esperava ansiosa para jogar de volta. O pai sacudiu de leve a cabeça para olhar de relance para e, ao se perder na imagem da mulher tomando sol com o laço da parte de cima do biquíni desamarrado, sentiu apenas quando a bola pegou em cheio na lateral do seu rosto, jogando o óculos escuro e o boné longe.
– Leonor! – Ele arregalou os olhos ao soltar um gritinho esganiçado por ter sido pego de surpresa e ouviu o casal de filhos gargalhar da situação.
– Você estava distraído, pai! – O menino tentou defender a irmã que não conseguia parar de rir. – A culpa não é nossa!
– Vem alguém pra festa mais tarde? – Leonor respirou fundo e finalmente viu pai rir enquanto recolhia os óculos e o boné no chão.
– Acredito que só os vizinhos mesmo. Decidimos não fazer nada grande demais, ou sai do controle. – Ele sorriu recebendo a bola de modo certo dessa vez.
– A tia poderia vir, vovô e vovó, também. – Eliot recebeu a bola em um pulinho, direcionando-a pra irmã.
– Nós chamamos todos eles, mas preferiram ficar na neve. – O cantor deu de ombros, rindo ao ver a filha se embaralhar toda com a bola. – Assim ela foge, Len!
– Eu não tenho culpa se a bola não gosta de mim! – Ela soltou um gritinho esganiçado e jogou a bola no chão, correndo pra água do mar.
– Cuidado, princesa! Não se afasta, a água é traiçoeira. – O mais velho alertou a sua criança e viu o filho fazer a mesma careta preocupada.
– A gente deveria surfar de novo! – Leonor gritou de onde estava, fazendo festa com as ondas calmas que iam e vinham levando seu corpo junto.
O homem sorriu ao perceber que os dois filhos já brincavam juntos em uma guerrinha de água que faria um dos dois sair com raiva e os olhos ardendo. Mas aquilo era ter irmão, aquilo era ter uma relação de amizade com os irmãos. Claro que as brigas iriam estar presentes dentro dessa fraternidade, mas o companheirismo também estava e era isso que fazia o homem ter plena certeza que ele e a mulher haviam criado bem os filhos.
Ele abriu ainda mais o sorriso orgulhoso e, para não ficar de fora daquela brincadeira, invadiu o mar junto com seus meninos ouvindo aos gritinhos da filha adolescente e as gargalhadas do trocador de voz. pegou a garota no colo, colocando-a pendurada no ombro na intenção de tirá-la de tão longe da praia. Era sorrateiro o jeito que o mar carregava tudo que encontrasse na areia e quando você menos esperava, estava longe de tudo que conhecia e, por mais que seus meninos fossem iguais a dois peixes, ele não daria sopa pro azar. O riu puxando o filho junto e viu o rapaz sacudir a cabeça exatamente igual ele fazia. Genética, era a genética e suas pegadinhas.
– Nós vamos surfar? – O rapaz perguntou com um brilho gigante nos olhos ao ver a irmã sendo colocada em pé perto das pranchas.
– NÓS VAMOS! – A garota fez uma dancinha engraçada e eles riram, ao passo que parecia serena demais naquela posição há vários minutos.
O moleque preso no corpo de um quase quarentão sinalizou pra que seus filhos se organizassem com as pranchas e decidiu embirrar com a ex-esposa. Primeiro ele jogou o boné molhado quase em cima da bunda dela, vendo a mulher se encolher com o choque gelado do tecido e logo fazer uma careta imensa ao perceber que sacudia o cabelo ao ponto de respingar toda aquela água em seu corpo.
– VOCÊ TÁ ME MOLHANDO! – O grito em meio as risadas de escapou sem demora quando a mulher virou de leve o corpo, segurando o biquíni no peito pra não escapar.
– Era a intenção! – riu divertido com a indignação fingida dela e abaixou um pouco a postura. – Quer ajuda com o laço?
– Quero. Aperta bem pra não soltar! – negou com um aceno de cabeça e soltou o biquíni quando sentiu os dedos de tocarem suas costas e a faixa grossa da roupa de banho. Ela se apoiou nos cotovelos na intenção de ajudá-lo com a altura e sentiu o biquíni ser muito bem amarrado no corpo, fixo e firme. Um daqueles típicos nós que ela nunca conseguia tirar e sempre pedia ajuda a ele.
Merda! Ela não ia conseguir tirar aquilo sozinha.
– Prontinho! – afastou a mão na intenção de dar uma palmadinha na bunda exposta e ainda tomou impulso, mas desistiu em questão de segundos. Se embananando no meio do caminho em como desviar daquilo e acabou jogando o corpo pra frente pra se apoiar na areia. – Opa! – Ele fingiu uma quase queda e ouviu a risada dos filhos que pareciam não ter entendido o motivo daquilo.
– Sem cair em cima de mim! – virou para encará-lo, deixando com a maior cara de palerma ao se dar conta que o biquíni não tapava completamente o decote. – Onde vocês vão? – A pergunta direcionada a e Leonor tirou o cantor do transe, o fazendo levantar de vez a postura.
– Surfar. Você não vai? – pai estendeu a mão a ela e viu-a negar com um bico engraçado. – Só um pouquinho? – Ele tentou apelar pro bico, mas ganhou uma risada divertida.
– Depois, agora eu quero apenas fotos de vocês. Venham pra cá! – procurou o celular dentro de uma bolsa grande e viu seus três amores se animarem em posar para a câmera do celular.
Os sorrisos imensos agarrados as pranchas coloridas, o mar ao fundo e aquele arzinho gostoso de fim de ano, fizeram a foto ser uma das mais lindas que a mulher já tinha visto. Logo bicos e caretas tomaram lugares nas expressões, deixando o momento ainda mais divertido, enquanto cuidava pra não perder nada daqueles três surfando.

New year’s eve. Encinitas, CA, 4 PM.
A mulher riu alto com as fotos e vídeos tirados nos últimos dias, brincando com os filhos, zoando os filhos, sorrindo com os meninos e imersos em um clima tão gostoso que esquentava o coração da mulher. Nada, absolutamente nada, poderia destruir um início tão gostoso de reconciliação, principalmente com os quatro metidos na casa de veraneio que já tinha abrigado tantas coisas boas.
– Oi, ! – A voz que mais a deixava com asco soou bem clara dentro da sala, fazendo a mulher olhar de uma vez só pra ter certeza do que via. Não era possível que aquele embuste estava ali depois de tudo que havia feito a sua família.
– O que merda você tá fazendo aqui, Dimitri? – Ela estufou o peito, jogando fora todo o seu ódio acumulado e imediatamente largou o celular no sofá ao vê-lo andar pra cozinha como se fosse alguém bem-vindo ali.
– Vou pegar uma cerveja. – O homem avisou como se fosse algo casual.
– Você vai embora! – sentiu o sangue querer fugir do corpo em ter o desespero do último lhe tingindo em cheio novamente. – Eu não quero você aqui! – O grito apavorado veio antes mesmo que ela pudesse se controlar ao vê-lo virar uma garrafa contra a boca. Era o desespero, o nojo e a raiva tudo junto e crescendo dentro de uma mulher tão pequena.
– Estou visitando os amigos, mulher. – O deboche na voz de Dimitri fez o estômago dela revirar.
– Você não é meu amigo e não é bem-vindo na minha casa! – Ela voltou a inquirir, tentando controlar seu estado de nervos. – ! – A mulher tentou chamar pelo marido, mas sentindo o fôlego querer faltar.
– Mas sabe, eu acho que sou bem vindo sim. Sou amigo do dono da casa. – Dimitri piscou ao perceber que ela estava nervosa e apavorada com a presença dele ali.
– A casa é minha! MINHA! – A enfermeira bateu no peito, sentindo todo o seu pavor se transformar em raiva quando a maior vontade era de encher a cara daquele homem deplorável de sopapos e socos.
– Calma, mulher. Não se arma assim! – Ele soltou uma risada cínica, levantando as mãos em rendição como se fosse a única louca dali.
– Oh, jura? E o que supostamente eu deveria fazer? Te receber de braços abertos? – respirou fundo tentando se controlar mais uma vez e mirou o olhar na grande janela da casa em busca da imagem do ex-marido. – Depois de você arrastar meu marido pro buraco?
– Seria o esperado de uma mulher como você. – Ele deu de ombros mencionando a frase imensamente pejorativa, que veio pensada para atacar , derrubá-la e a única coisa que ele conseguiu foi o ódio flamejante que crescia na mulher a cada vez que ele respirava.
– O que você disse? – A mulher arregalou os olhos e estufou o peito, pronta pra atacá-lo e enche-lo de tapas na cara e em qualquer lugar que pegasse a fúria da baixinha.
– O que eu disse? – Dimitri abriu um sorriso debochado como se estivesse brincando com a cara dela e viu a mulher se armar ainda mais, adquirindo certo medo daquilo. Principalmente quando ela inflou toda a postura pra cima dele, ganhando um tamanho que ninguém imaginava e esperava em uma pessoa tão meiga quanto ela.
– Primeira coisa que você deveria saber, não ponha os pés nessa casa enquanto eu estiver aqui. Eu não gosto de você, eu não respeito você e muito menos me agrado da sua presença. Eu tenho nojo de você, Dimitri. Nojo de um homem tão baixo que não consegue ser feliz com a própria vida e carrega os outros pro buraco. – Ela se engrandeceu ainda mais na postura inflada, sentindo o ódio lhe dar ainda mais força. – Segunda coisa que você precisa enfiar nessa merda de cabeça sem cérebro. Me respeite! Não ache que eu sou qualquer mulher que vou aguentar desaforo de certos filhos da puta, eu tenho orgulho de ser quem sou e não vou baixar a cabeça pra um cara medíocre que nem você. Que se tivesse a porra de um pingo de vergonha na cara, não pisaria dentro da minha casa como se eu sentisse qualquer empatia por você. – cuspiu todo o seu discurso de ódio na cara do embuste ali presente e a única coisa que conseguiu foi um sorrisinho irônico.
Ela bufou possessa de raiva e vendo que partir pra lição de moral não iria resolver, decidiu partir pro deboche. Era com fogo do inferno que destruiria fogo!
– Por que você tá tão brava, ? O não tá comparecendo? – A pergunta infame surgiu maliciosa demais para o mínimo contato que eles tinham, inchando ainda mais a mulher de raiva.
– Quer saber? Vai pra puta que te pariu. Não aja como se estivesse no meu círculo de convivência, de você eu quero é distância! – Ela rolou os olhos possessa com aquela merda toda que ele estava insinuando.
– Nós somos amigos há anos, mulher! Tá doida? – A risada construída em deboche escapou por entre os lábios dele ao saber que estava entrando no joguinho de xingamentos.
– Vai à merda! – Ela jogou a expressão, mais do que possessa, em cima dele. – ! , CARALHO, APARECE! – A mulher gritou mais uma vez pelo ex-marido, pedindo paciência pra lidar com aquele tipo de coisa, antes que matasse Dimitri.
– É com essa boca suja que você beija o ? – Ele perguntou rindo ao vê-la passando, mais do que possessa, em direção a porta da frente.
– Sinceramente, eu joguei pedra na cruz. Não tem outra explicação. – bufou odiada com as piadinhas mais sem noção que ele fazia e decidiu rebater com efetividade até fazer o favor de aparecer. – Sim, Dimitri, é com essa boca suja que eu faço o que eu quiser com ele e não é da sua conta! – Ela deu um sorriso trincado e irônico.
– Nossa, coitado do cara. – Um último gole foi dado na lonk neck, quando a maior vontade de era enfiar aquela garrafa na goela dele, ou quem sabe até em outro canto.
– Jura? Eu garanto que ele gosta. Nunca reclamou, sempre pediu mais! – Ela deu de ombros enquanto procurava por no enorme jardim daquela casa, sem saber onde raios ele tinha se enfiado, deixando aquele embuste lá.
– Ele é louco, você sabe. – O outro deu de ombros ainda tentando atiçar a ira da mulher e a única coisa que conseguiu foi que ela rolasse os olhos.
– Por mim? – A enfermeira esquentada pôs a mão no peito. – É eu sei, ele faz questão de espalhar aos quatro ventos. OH ! – O chamado se fez mais uma vez presente, quando finalmente ela o avistou dentro do terreno. Por certo tinha ido à casa do vizinho.
– Será que é por isso? – Dimitri decidiu cutucar em um assunto muito mais sério, se referindo claramente a fidelidade do “amigo” e se fez de desentendida, olhando-o com uma grande interrogação na cara. – Você acha que é a única, ? Mesmo? – O deboche veio descarregado em cheio, a fazendo respirar fundo pra não partir pra violência. Afinal, era com fogo do inferno que se destruía o fogo.
Ela o olhou com sua maior expressão de arrogância e soltou uma risada anasalada.
– Olha, se eu sou a única ou não, é pra minha cama que ele volta. É na minha cama que ele dorme e é o meu nome que ele geme. – Um sorriso cínico abrigou-se perfeitamente nos lábios avermelhados dela e, quando o outro tomou fôlego sem saber mais como rebater, a mulher sabia que tinha ganhado aquela briga e em grande estilo, para falar a verdade.
– Se você acha. – Ele ainda tentou recuperar o deboche perdido, mas saiu tão baixo ao ponto de parecer um resmungo.
– Oi anjo! Chamou? – sorriu largamente ao vê-la, ainda que precisasse tomar fôlego pela pequena corrida.
-Chamei e eu quero que você tire esse homem daqui – Ela disse irada de raiva apontando para o falso inocente mais atrás. – Você vai ter que escolher, . Ou eu, ou ele nessa casa. – deu o ultimato, vendo o ex-marido arregalar bem os olhos com a situação, obviamente ele a escolheria, sem qualquer sombra de dúvidas. Mas o que merda tinha acontecido ali? – E você deveria escolher melhor suas amizades, a boca dele foi dizer que você não aguenta o tranco.
– Não é ele quem precisa saber se eu aguento ou não. – O homem olhou para o péssimo ser humano plantado na sua sala, em uma pergunta silenciosa estampada na cara, de o que merda ele tinha dito. – O que você disse pra ela? – A pergunta saiu um pouco desesperada demais, amedrontada até.
– Nada! – Ele usou de vitimismo. – que é nervosa e já foi me atacando assim que eu entrei.
– Ah, pelo universo, vai à merda! – rolou os olhos já bem saturada com aquela situação. – Eu vou descer para a praia com os meninos, quando eu voltar, não quero ele aqui. – A mulher sacudiu a cabeça e não esperou muito pra arrastar os meninos dali.
– Não se faz de vítima, cara. Vocês são gato e rato! – rolou os olhos com a insistência do pseudoamigo em encher tanto a paciência de . – Vem logo.
– Tá, . – O outro riu com escarnio. – Faz as vontades dela mesmo, porque quando ela descobrir, meu amigo, você tá fodido. – Ele tentou usar de um tom divertido em uma ameaça velada sobre o que tinha acontecido envolvendo o quase ainda casado.
– Cala a boca, cara, é sério! – o Mr. tentou não dar ouvidos, mesmo que sentisse o corpo entrar em colapso com a menção daquilo. – Vai logo, senão daqui a pouco ela volta e em vez de arrumar meu relacionamento, eu volto a estaca zero. – Ele puxou o homem pelo braço, quase o enxotando pra fora de sua casa, enquanto o ouvia rir em divertimento com o desespero alheio.
– Estou indo, estou indo! Tchau! – Dimitri bateu a porta do carro, tirando a caminhonete dali tão rápido quanto havia chegado e deixando um completamente aliviado na varanda.
Ok, com Dimitri fora da reta. Era o momento de ele tentar se desculpar com .

New year’s eve. Encinitas, CA, 6 PM.
– Ainda tá assim, mulher? – perguntou rindo ao ver zanzando dentro da casa com uma cara confusa, como se procurasse alguma coisa por ali. – Já é quase noite, os meninos já foram pro banho.
– Eu sei, eu já ia também, mas estou procurando uma tesoura. – Ela soltou o ar dos pulmões de uma vez, como se aquilo fosse a coisa mais irritante do mundo e viu o ex-marido fazer uma careta.
– Tesoura? Pra que você quer tesoura? – Ele vincou de leve as sobrancelhas.
-A peste do nó que você deu no meu biquíni de manhã, não quer soltar. Eu já tentei de tudo e essa coisa não solta e nem passa pelos peitos. – soltou indignada com a cara de palerma dele ao escutar a história. Com certeza aquele filho de uma mãe queria rir e mais certeza ainda, era a de que ele tinha feito de propósito.
– Não era mais fácil me pedir pra soltar o nó? – A pergunta óbvia acompanhada de um meio sorriso sacana, a fez rolar os olhos e estapeá-lo nos ombros enquanto o homem ria sem qualquer vergonha. – Ai, ai, ai, ! – reclamou entre as gargalhadas, sentindo a mão dela ficar ainda mais pesada a cada tapa.
– Você fez de propósito, seu filho da mãe! – Ela gritou possessa com a postura dele, mas acabou rindo com o homem.
– Você me pediu pra dar um nó firme. Eu dei! – O mais velho daquela pequena família, levantou as mãos em rendição e viu a Mrs. bufar bem saturada com aquela carinha inocente.
Ela rolou os olhos e virou de costas pra ele, afastando o cabelo das costas.
– Desata logo isso, eu preciso de um banho. – A ordem veio mandona por parte dela, deixando um ar gostoso de casamento no meio daquela pequena discussão sem sentido.
– Você quem manda, Mrs. – riu baixo e beijou-a na cabeça, antes de deslizar levemente as pontas dos dedos pela pele das costas dela em um ato de saudade, inconsciente, porém que arrepiou a mulher dos pés à cabeça.
prendeu a respiração enquanto fechava os olhos com força, a mesma força que segurava a parte de cima do biquíni no corpo, ela definitivamente não imaginava que um simples toque fosse trazer de volta as melhores sensações de sua vida todas de uma vez.
? – O homem chamou baixo, ouvindo um resmungo em resposta, à medida que ela esperava ele desfazer o nó. – Sobre o que aconteceu mais cedo… eu não sabia que ele vinha aqui e eu sinto muito que tenha te irritado. A última coisa que eu quero depois desses últimos dias, é que alguém de fora estrague tudo outra vez. – suspirou desfazendo seu nó de escoteiro no biquíni dela. – Peço desculpas pela bagunça e prometo que enquanto você estiver aqui, ele não aparece mais. Eu não sei se deu pra perceber a minha escolha, mas foi você, é você e sempre vai ser você. – Soltou de vez o nó do biquíni e deu mais um beijo na cabeça dela, sabendo que ela tinha tirado um peso imenso das costas só pela postura em que tinha ficado.
A mulher respirou fundo, aproveitando cada partícula de ar que enchia seus pulmões, os dedos dele ainda em contato com seus ombros, a proximidade dos corpos e a voz doce lhe dizendo algo que de alguma forma ela não tinha mais tanta certeza nos últimos meses. Era como se fosse um mecanismo pra não se machucar ainda mais quando ele tentasse seguir sua vida, mas ali estava mais do que claro que ninguém estava cogitando a ideia.
– Eu sei, eu sempre soube. – virou pra ele de olhos fechados, falando uma das maiores convicções da sua vida. Um suspiro aliviado se fez presente assim que ela abriu os olhos para encontra-lo sorrindo largamente. – Mas se ele aparecer aqui de novo, eu não respondo por mim! – A ralhada veio desgostosa o fazendo rir e afirmar com toda a concordância do mundo, vendo a baixinha mais esquentada do mundo lhe mandar um beijo alado em agradecimento pelo nó desatado e ir direto para o quarto.

New year’s eve. Encinitas, CA, 11:50 PM.
A praia estava repleta de pessoas à espera do novo ano, crianças brincavam descalças na areia com chuvinhas acesas e corriam de um lado para o outro, várias famílias ali espalhadas pelas toalhas ouvindo o barulho do mar em meio as conversas e a música ambiente que rolava em cada área. O cheiro de comida, misturado a maresia e ao álcool de todas as bebidas ali, fazia o momento ser único. Era uma ansiedade gostosa pra receber de braços abertos mais um ciclo, mais um ano que tinha tudo para ser mais leve do que o que havia passado. Era o momento de deixar as angustias para trás e receber o novo ano com o coração mais aberto possível.
e se esticaram em uma grande toalha na areia, que mais funcionava como uma grande toalha de piquenique, uma cesta com vários lanchinhos e frutas, fazia lindamente par com a ocasião, assim como os copos coloridos espalhados e o cooler mais ao lado completo com todo tipo de bebida. Inclusive um espumante que aguardava ansioso o estouro para a meia noite em ponto. A mulher usava um maiô florado de costas nuas e uma canga de renda branca, mostrando toda a leveza que ela esperava ter. Leonor não estava tão diferente da mãe, a garota usava um maiô colorido bem alegre e a cara dela, fazendo par com um shortinho de cadarço. Os s daquela família estavam no maior estilo “Pai e Filho” de roupas, a mulher tinha feito questão de comprar roupas bem parecidas para os meninos da sua vida: camisas brancas de botão e mangas curtas, combinando com uma bermuda cor de areia.
– Os meninos já comeram? – pai perguntou ao se escorar nos cotovelos e sorriu encantado assim que viu balançar ao som da música que ressoava do rádio deles. Ah sim, aquele momento precisava mesmo ser registrado. Ele sacou o celular sem que ela visse e capturou o momento em um vídeo curto, enquanto a mulher se divertia. Agora envolvendo os filhos que haviam chegado onde eles estavam e começavam a dançar que nem a mãe, deixando o homem ainda mais apaixonado por aquilo. Definitivamente, não existia jeito melhor de terminar um ano e começar outro.
– Ah não pai! – Eliot reclamou ao ver a câmera, diferente de Leonor que fez ainda mais pose e careta, deixando os pais imersos nas risadas. – Que coisa. Parece paparazzi!
– Eu não quero perder nada, absolutamente nada de hoje. Deixa de ser rabugento, moleque! – pai ralhou em um divertimento que fez o menino rir e fazer a maior carinha de anjo. – Onde vocês estavam?
– Com os irmãos Jarrah! – O rapaz respondeu sentando na toalha de piquenique, enquanto a irmã vasculhava a cesta em busca de comida. – Mas aí como já estava perto de virar, viemos passar o ano aqui com vocês. – Ele abriu um sorriso exatamente igual ao do pai e ganhou um beijo na bochecha da mãe.
– Então se acomodem aí! – sorriu para os dois, afastando as pernas pra que eles pudessem sentar juntos e conseguir ver a queima de fogos. – Vamos ver 2016 nascer, juntos. – A mulher soltou um gritinho animado, tentando arrumar as duas crianças como se eles tivessem pouca idade.
pai riu com a preocupação dela em acomodar os filhos e beijou-a na cabeça com um imenso carinho. Logo ganhando um sorriso largo e puro, um daqueles que fazia meses que ele não via.
! Tira uma foto nossa! – O pedido animado do homem contagiou a família acomodada na toalha enquanto ele estendia o celular para o rapaz.
– Nós quatro? – O menino recebeu o celular, engolindo pedaço de sanduíche que tinha tirado da irmã.
– Depois! Agora, eu e sua mãe. – puxou a mulher pela cintura, abraçando-a com força em um aconchego bom demais pra ser verdade.
A mulher sentiu o rosto dele se enfiar em sua bochecha em um beijo apertado que faria aquela foto uma das mais lindas do ano. Ela sorriu ao ponto de as bochechas cobrirem os olhos e naquele clima gostoso, a contagem regressiva começou ser entoada por todos que estavam ali a beira mar. Era o marco de um novo ano, de um novo relacionamento e de uma nova vida, estivessem eles juntos ou não. Era a certeza de que tudo ficaria bem mais uma vez.

 

 

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