Rockabye

  • Por: Leticia Pan
  • Categoria: Bandas | McFLY
  • Palavras: 291
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  • Capítulos: 2 | ver todos

Sinopse: Até onde o amor de uma mãe pode ir? Existe limite para proteger o seu filho? Qual seria o interesse de um homem como ele no seu caso? Você realmente pode confiar em alguém outra vez?
Gênero: Drama
Classificação: 16 anos
Restrição: O nome Dmitri Petrov e Seth Maxfield são fixos
Beta: Elena Alvarez

Capítulos:

Prólogo:

O teto cinza parecia cada vez mais interessante, talvez eu apenas estivesse muito entediada de estar ali, ou talvez encarar o teto e tentar me distrair para não pensar em todas as coisas que tinham acontecido fosse a única saída, provavelmente a terceira opção era a mais viável. Pelo menos, agora eu estava sozinha, e apesar de estar confinada para “a minha própria segurança”, não conseguia me sentir segura em momento algum e duvidava que conseguiria me sentir segura algum dia. As paredes completamente limpas pareciam se fechar ao meu redor, me dando uma sensação agoniante de que eu nunca sairia dali, os passos no corredor me faziam sentir angustia e ao mesmo tempo em que eu desejava que a porta se abrisse, eu temia o que viria se isso acontecesse realmente. Minhas unhas já eram quase inexistentes, devido ao nervosismo constante que me atacava. Mas de todos esses fatos, o pior era pensar em , quando eu me distraia e me permitia pensar na minha pequena garotinha, em onde estava, com quem estava, como estava, isso sim era o pior dos meus pesadelos, minha mente não era nem um pouco bondosa nesse aspecto, projetava imagens da minha pequena sofrendo, sendo maltratada, não recebendo os cuidados que eu sabia que eram necessários e que eu tinha a capacidade de dar a ela, quando esses pensamentos tomavam conta de tudo ao meu redor, eu desejava ter sido mais forte, desejava ter aguentado um pouco mais por ela, porque a única pessoa que tinha me restado no mundo, dependia de mim, eu não podia mais cuidar dela, e a culpa era inteiramente minha.

Capitulo 1:

– Você tem visita, vamos! – Abri os olhos lentamente ao ouvir a voz grossa e rude do homem que agora se encontrava em frente à porta, sentei-me na cama e o analisei por alguns instantes, deveria ser algum tipo de engano, não teria como eu receber visitas, levando em consideração que era muito pequena, e meu pai ignorava completamente a minha existência, a possibilidade de visitas era completamente nula.

– Tem certeza? – Minha voz saiu rouca e aquilo me assustou, fazia tanto tempo que eu não falava ou tinha contato com alguém, que as palavras pareciam sair rasgando por minha garganta, o guarda a minha frente apenas assentiu com a cabeça de forma mal humorada, deixando claro que ele não pretendia quebrar o meu jejum de palavras. Levantei da cama e segui pelo corredor estreito em completo silêncio, minha mente projetando diversas possibilidades sobre quem poderia ser. Talvez algum dos meus antigos amigos tivesse perdido ressentimento que tinham por mim, ou talvez algum deles apenas estivesse ali para ver de perto a minha derrota, e apesar de eu considerá-los bons amigos, a possibilidade de vê-los já me deixava nervosa. Só eu sabia o quanto eles me faziam falta, seja com suas risadas escandalosas e fora de hora, ou com o jeito enrolado como lidavam com os problemas do cotidiano. Franzi as sobrancelhas assim que o guarda me indicou uma das cadeiras e o homem que estava sentado atrás do vidro era um completo desconhecido. Peguei o pequeno telefone preto e o levei até a orelha, enquanto fazia uma pequena analise rápida do homem à minha frente, barba sem fazer, relógio caro no pulso, terno bem cortado e igualmente caro, e eu tenho certeza que se aquele vidro não nos separasse, eu conseguiria sentir o cheiro de algum perfume importado, a pequena analise me fez identificar o que ele era – Eu não vou alegar insanidade, você precisa avisar isso ao meu pai de uma vez por toda e fazê-lo desistir dessa ideia estúpida! – avisei sem dar a oportunidade para que o advogado à minha frente abrisse a boca – Se a sua visita é para isso, você perdeu o seu tempo! – continuei a falar, aproveitando a presença de alguém que fosse ouvir – Mas deve ter conseguido um bom dinheiro né? Pra vir até aqui, ver se consegue convencer a insolente filha do seu chefe a se declarar maluca, para ficar presa pra sempre em uma clínica psiquiátrica. Sinto muito, doutor, mas o senhor perdeu sua viagem! – estava pronta para bater o telefone no gancho quando o homem ergueu o dedo indicador, pedindo por apenas um minuto, o que me fez revirar os olhos automaticamente, será que ele não desistiria nunca? Apenas recostei meu corpo no encosto da cadeira e fiz um gesto, como se estivesse contando num relógio, e o tempo estivesse passando.

-Bem, senhora Petr…. – O olhar mortal que lancei na direção do homem foi o suficiente para fazê-lo repensar suas palavras – Ok, não é uma boa ideia chamá-la de senhora Petrov – Murmurou como se estivesse falando com seu subconsciente, o que me fez revirar os olhos novamente, sentindo uma pequena pontada começar a incomodar minha cabeça – Vamos com o senhorita então, tudo bem? – Perguntou e eu apenas assenti com a cabeça, deixando bem claro o quanto sua indecisão estava aumentando a minha falta de paciência – Eu não tenho nenhuma ligação com o seu pai – disse como se aquilo fosse me fazer perder a carranca mal humorada que estampava meu rosto, mas tudo o que fiz foi dar de ombros – E não pretendo dizer para a senhorita se declarar incapaz das suas faculdades mentais… – Umedeceu os lábios com a ponta da língua ao ver que a expressão em meu rosto não mudava – Eu sou , represento o escritório de advocacia e o seu caso é do nosso interesse – de repente sua postura mudou, parecia mais seguro de si e confiante – Diante de todos os fatos ocorridos, e levando em consideração que esse é um caso público, devido ao seu pai e a forma como as coisas aconteceram, nós gostaríamos de nos oferecer para defende-la judicialmente. – Com o término de seu discurso, que parecia muito bem ensaiado foi a minha vez de erguer a postura. Apoiei os cotovelos na pequena bancada a minha frente e fiquei por alguns instantes olhando em seus olhos.

– E o que vocês ganham com isso? – Minha voz saiu tão desconfiada quanto eu estava no momento – Porque… Convenhamos, os gastos processuais são grandes, eu não tenho como paga-los e não pretendo conseguir ajuda com o meu pai para isso, logo, o trabalho de vocês seria completamente gratuito, mas, a troco de que já que são uma empresa privada? – Perguntei ainda sem desviar o olhar de seus olhos, eu acreditava firmemente, que quando alguém mente, ou tenta enganar, os olhos entregam a pessoa e se um mínimo traço de mentira passasse pelos olhos do homem à minha frente, seu tempo estaria terminado.

– Bem, nós ganhamos a publicidade. – Respondeu rapidamente e de forma que me pareceu sincera – Afinal de contas, num caso como o seu… Seria bem difícil conseguir um habeas corpus sequer, mas eu e a minha equipe estamos confiantes de que conseguimos inocentá-la. Na realidade, nessa história, você ganha mais do que eu e o meu escritório. – Franzi as sobrancelhas sem compreende-lo imediatamente, mas isso não impediu que sua voz continuasse entrando em meus ouvidos – Tentaremos um habeas corpus para ficar solta até o julgamento, vamos arrumar um lugar seguro para morar, podemos reaver a guarda da sua filha… – A partir do momento em que a possibilidade de ter de volta em meus braços me atingiu, tudo o que o homem falava parecia irrelevante, na realidade, eu apenas conseguia ver seus lábios movendo-se, mas não conseguia ouvir nenhuma palavra do que dizia, a pequena e remota possibilidade de ter minha filha de volta em meus braços me motivaria a tentar qualquer coisa.

– Eu topo. – As palavras saíram de minha boca em uma velocidade que poderia até ser considerada vergonhosa, se não fosse a oportunidade que estava sendo oferecida. O sorriso logo brotou no rosto do homem, que parecia muito satisfeito com a minha flexibilidade diante da sua proposta.

– Não vai se arrepender, senhorita. – Sua voz polida preencheu meus ouvidos novamente, enquanto o homem começava a digitar em seu aparelho celular – Não vamos demorar a nos ver, dessa vez, sem esse vidro na frente, você pode apostar! – Sorriu de forma confiante em minha direção, e eu gostaria que um terço daquela confiança me atingisse também, mas apesar da esperança em meu peito, eu ainda sentia medo, medo do que poderia dar errado, medo de estar sendo enganada, medo de nunca mais ver o meu bebê. Sem dizer mais uma palavra o homem colocou o telefone no gancho e se levantou, apenas acenando com a cabeça em minha direção, aceno esse que foi ignorado, enquanto ele não me mostrasse que poderia cumprir sua palavra, ou provasse que estava falando a verdade não teria nem um pouco de simpatia vinda da minha parte.

O caminho de volta para a minha cela tinha sido tão torturante e cheio de dúvidas quanto à noite que não demorou a chegar, mas para a minha infelicidade, parecia disposta a não passar tão rápido, tantos questionamentos, tantas dúvidas, até uma ponta de arrependimento passou por minha cabeça, talvez eu não devesse ter aceitado a proposta de um homem desconhecido, que alegava querer apenas publicidade como pagamento pelos serviços caros que prestaria, eu estava no mundo a tempo o suficiente para saber que não se pode confiar em homens, em nenhum deles, nem mesmo o meu próprio pai, principalmente em meu pai. Tudo isso poderia apenas ser uma armação dele, que me levaria a uma clínica psiquiátrica no final das contas, porque para sua reputação, era melhor ter uma filha maluca, do que ter uma filha presa. Assim como era melhor ter uma filha casada com um homem quase trinta anos mais velho do que ela, do que ter uma filha grávida e solteira. Essa era a sociedade onde nós vivíamos, esse era o tipo de mundo onde eu odiaria ver minha filha crescendo, o mesmo mundo em que eu cresci, por isso tentei de todas as formas não ceder a qualquer tipo de chantagem, mas Charles parecia realmente disposto a me ver casada e carregando um nome de prestígio.

Flashback

– Você tá maluca? – Sua voz esganiçou e a veia em sua testa saltou de tal forma, que eu não duvidaria nada se seu corpo caísse duro para frente e o homem tivesse um infarto – Você acha que as pessoas vão dizer o que? – Gritou mais uma vez, sem se importar em estarmos trancados no pequeno escritório, e que qualquer um poderia facilmente ouvir a conversa.

– Que eu tô trabalhando de forma digna? – Perguntei sentindo todo o sarcasmo que eu possuía no corpo sair por minha boca – Trabalhando para sustentar o meu bebê? – Minhas mãos automaticamente foram guiadas para meu abdômen, e mesmo que não existisse nenhuma ondulação visível, a minha ligação com aquele pequeno ser era impossível de descrever em meras palavras.

-Trabalhando como uma garçonete de merda? Numa lanchonete de merda? – O tom de sua voz era cada vez mais irritado e bravo, e eu não conseguia entender como aquilo feria seu código de ética e moral – Você quer ver o nosso nome na lama! – Apontou o indicador em minha direção – Primeiro fez isso ai – O dedo desceu na direção da minha barriga, o que fez minha raiva aumentar pelo rumo da conversa – Com um fodido, pé rapado que nem ao menos podia te pagar um sorvete num lugar à sua altura! – A mão que antes se encontrava em minha barriga se ergueu e encontraria o rosto do homem à minha frente, não fosse a agilidade dele.

-CALA A SUA BOCA, VOCÊ NÃO TEM O DIREITO DE FALAR DE ASSIM! – Gritei, sentindo as conhecidas lágrimas começarem a rolar por meu rosto – ELE SERIA UM PAI MIL VEZES MELHOR QUE VOCÊ SE QUER JÁ PENSOU EM SER! ELE CUIDARIA DESSA CRIANÇA COM TANTO AMOR, TANTA DEDICAÇÃO, QUE NENHUM DINHEIRO NESSE MUNDO COMPRARIA A FELICIDADE DO NOSSO FILHO!

-É uma pena que ele não esteja aqui, não é? – Perguntou com seu conhecido tom de voz ácido e debochado, fazendo com que um aperto maior crescesse em meu peito – Escuta bem, eu tô realmente sem tempo e sem paciência para esses seus joguinhos – Sua mão soltou meu pulso, e segurou meu rosto, observando-o por alguns instantes – Você vai fazer o que tem que fazer, e sabe por quê? – perguntou me olhando nos olhos – Porque você sabe o que está em risco aqui, sabe quem vai sofrer as consequências se você não for uma boa garota….

– Eu não sabia que tinha me transformado em um cachorro – Puxei meu rosto com força, afastando-me de suas mãos – Onde tenho que me comportar como uma boa garota porque você quer, porque você acha que trabalhar como garçonete é indigno! – Grunhi em sua direção, me virando de costas para o homem e passando a mão pelo rosto, eu não deveria, não poderia me irritar naquela altura do campeonato, não quando a única coisa que ainda me ligava a dependia apenas de mim e perde-la seria o final de tudo o que existiu entre nós.

– Muitas vezes eu já pensei que você fosse igual a sua mãe, sabia? – Seus passos ecoavam pela pequena saleta, mas a proximidade não vinha, o que me levou a crer que andava de um lado para o outro – Mas eu nunca pensei que você fosse ser tão burra quanto ela com essa porra de gostar de alguém – Respirei fundo, tentando de alguma forma manter a calma e não avançar para cima do homem novamente – Ela se acabou pelo simples fato de gostar de mim! – Riu com deboche – Porque eu não queria mais nada com ela, porque eu achei alguém melhor para estar ao meu lado, você sabe , sabe muito bem toda essa história não é?

– Você é sujo – Sussurrei, elevando meus olhos e encarando o teto por alguns instantes, não daria a ele o gosto de ver mais lágrimas saindo por meus olhos – Você e essa gente que chama de amigos, essa tal alta sociedade que nunca acrescentou em nada! Todos vocês são podres, e eu vou fazer tudo o que estiver ao meu alcance para evitar que o meu bebê cresça perto de gente do seu tipo – Me virei em sua direção apenas para ver sua expressão dura de pessoa rica que não está acostumada a ser contrariada.

– Tudo bem, você escolheu assim… – Ergueu os ombros e um suspiro de alívio escapou por meus lábios, ele finalmente iria embora e eu poderia continuar com o meu trabalho – Mas quero te avisar que você está demitida – fez uma pequena expressão de pena – E vai ser assim em todos os seus empregos – Deu mais um passo em minha direção, deixando nossos corpos o mais próximo que poderia sem que se tocassem – Na verdade, toda empresa que você for procurar emprego você vai encontrar um grande e redondo não, sabe por quê? Porque se alguém cogitar em te contratar, a empresa dessa pessoa automaticamente vai ser fechada! – Sorriu vitorioso e colocou as mãos no bolso do terno – E digo mesmo quanto aos seus amigos que certamente vão estar dispostos a te ajudar… Acho que você deveria pensar neles também, filha!

End Flashback.

Muitas vezes eu me perguntava como minha vida tinha chegado naquele ponto, como eu consegui acabar desse jeito. Algumas vezes atribuía a culpa a morte precoce da minha mãe quando eu tinha apenas quatro anos, e me pegava imaginando em como minha vida seria se ela ainda estivesse ao meu lado, provavelmente as coisas seriam diferentes em diversos aspectos, já que só uma mãe sabe exatamente todas as necessidades dos filhos e muitas vezes passa por cima das suas próprias necessidades para suprir as da criança, era o que eu fazia com Eva, ela sempre estava em primeiro lugar, sempre. E eu gosto de pensar que minha mãe faria o mesmo por mim, me colocaria em primeiro lugar, me defenderia e iria contra o meu pai nos seus devaneios de que a alta sociedade não deve se misturar com a ‘escória da sociedade’, em suas palavras. Mas no lugar da minha mãe, eu tive Scarlet, e o seu deslumbramento por alcançar uma classe social bastante superior à dela, o que para a mulher importava muito, visto que ela não podia nunca ser vista com uma roupa repetida, sapatos repetidos, ou de uma coleção passada. No lugar de uma casa amorosa e reestruturada, eu tive empregados que me cuidavam por pena, ou porque eram pagos para aquilo. Empregados que logo foram substituídos por um colégio interno quando eu atingi idade o suficiente para me virar sozinha. Não posso dizer que o colégio foi de todo ruim, de forma alguma isso seria realidade, nele eu conheci grande parte dos meus amigos, e , o cara por quem eu me apaixonei, o cara que eu ainda amava, o cara que me deu um grande presente, mas não esteve aqui para poder vê-lo e segura-lo em seus braços, e a cada minuto que eu pensava em como ele lidaria com as coisas, como ele seguraria no colo, como lhe daria comida e todas as outras coisas que eu tenho certeza que ele executaria, cada momento que um pensamento desses me atingia, meu coração sangrava, e eu tinha plena certeza de que ele nunca mais pararia de sangrar.