Uma Namorada Para Dougie Poynter

Sinopse: Dougie Poynter é o único integrante da banda McFLY solteiro e sem filhos. Apesar do baixista viver uma vida tranquila, seus colegas de banda acreditam que ele se sente deixado de lado e solitário devido ao rumo que suas vidas tomaram. Decidem, então, iniciar uma busca por uma namorada perfeita para Dougie, lhe apresentando pretendentes e lançando uma campanha no twitter com a hashtag #DougieMeNamora, sem o consentimento do baixista. Logo Poynter se vê no meio de uma confusão sem proporções e resolve colocar em prática uma pequena vingança: arrumaria uma namorada falsa e tiraria uma onda com a cara dos amigos. E para que seu plano funcione, ele precisa de uma namorada e sua vizinha e melhor amiga de todos os seus amigos, se mostra a opção perfeita para o seu plano. Existe apenas um porém: eles se odeiam.
Por conta de um problema pessoal, ela se vê obrigada a aceitar a proposta do baixista e eles iniciam um namoro falso. Sem uma data determinada para acabar.
Gênero: Romance.
Classificação: 14 anos.
Restrição: Palavras de baixo calão e insinuação sexual.
Beta: Regina George.

Prólogo

Aquela era uma tarde normal em Londres. O sol estava escondido por trás das nuvens e um vento fresco tomava conta do ar. O quintal de Tom Fletcher estava tomado por folhas caídas, mas nem por isto a reunião entre amigos fora cancelada. O anúncio da gravidez de já havia sido dado às famílias do casal, mas os amigos mais próximos e o restante do mundo ainda não sabiam sobre as novidades. Tom havia convidado os parceiros de banda – e de vida – para um almoço em sua casa para contar as boas novas. A grelha já estava sendo manuseada por Tom e os hambúrgueres já estavam sendo preparados por Danny e Harry, enquanto suas esposas conversavam nos sofás e as crianças brincavam pelo pátio.
– Dougie disse que horas chega? – Harry indagou, enquanto preparava molhos especiais em vasilhas separadas.
– Disse que chegaria a tempo para o almoço. – Tom respondeu, dando de ombros.
– Faz alguns dias que não falo com ele. – Danny comentou, enquanto Harry revirava os olhos para a forma como ele cortava as alfaces. – Desde que Cooper nasceu e as gravações para o The Voice retornaram, não tenho tido muito tempo para qualquer coisa.
– Lola e Kit também me deixam bastante ocupado. – Harry suspirou. – Tenho medo que ele pense que está sendo deixado de lado.
– Ele jamais pensaria isso. Somos família, não somos? – Tom retrucou, enquanto colocava alguns bifes para grelhar.
– Sim. – Danny resmungou. – Mas, entre nós quatro, ele é o único com uma vida diferente.
– O que querem dizer com isso? – Tom arqueou as sobrancelhas, confuso.
– Ora, Fletcher. Vai dizer que nunca reparou? – Harry revirou os olhos. – Nós três somos casados. Temos filhos, casa, animais de estimação e vidas completamente agitadas por conta disso. Dougie é o único que não tem nada disso. E, desde que ele e a Ellie terminaram o namoro, ele não parece o mesmo. – Harry disse, com uma expressão pesarosa no rosto.
– Parece solitário. – Danny comentou. – Obviamente ele não nos deixa perceber e acredito que nem mesmo ele tenha se dado conta de que está menos feliz do que costumava ser. Ele deve sentir falta dos tempos antigos. Quando caíamos na estrada por conta dos shows e estávamos sempre juntos.
– Eu nunca tinha parado para pensar nisso. – Tom reclamou, sentindo-se o pior amigo do mundo.
– Não é exatamente sua culpa. As nossas vidas foram mudando naturalmente e nenhum de nós se deu conta que Dougie foi o único a não nos acompanhar. – Harry deu de ombros, sabendo que tanto ele como os dois amigos estavam com sentimentos preocupados com relação a Dougie.
Por fim, a conversa foi interrompida pelo barulho da campainha. se moveu até a porta com passos rápidos e, assim que viu Dougie, o puxou para um abraço carinhoso. O homem tinha os cabelos desgrenhados por conta do vento, mas o sorriso contido estava presente em seus lábios. o analisou de cima a baixo, com preocupação no olhar.
– Parece que não dorme ou come há dias. – estreitou o olhar para Poynter, enquanto o colocava para dentro e ambos seguiam para os fundos da casa. – Sabe que pode sempre comer e dormir aqui em casa, não sabe?
– Eu sei, . – Dougie riu. – Estou dormindo e me alimentando muito bem, ao contrário do que parece. Só estou com um breve resfriado, nada sério. Nem queria vir, por medo de passar a doença para as crianças. Mas Tom me obrigou, então aqui estou, chapado de remédios. – abriu os braços e sorriu preguiçosamente, um pouco mais lento que o normal. balançou a cabeça para os lados.
– As crianças são vacinadas, ao contrário de você, Poynter. – alfinetou, enquanto os dois riam.
Passaram pela cozinha e Dougie cumprimentou com um abraço, já que ela estava no cômodo para tomar um copo de suco. Pegou o pequeno Cooper Jones em seus braços e beijou a testa da criança, sorrindo para o bebê, enquanto e o observavam com atenção.
– Ele é a coisa mais linda, . – Dougie elogiou. – Não puxou nada ao Danny.
– Ouvi meu nome. – a voz de Danny se fez presente segundos antes de ele entrar na cozinha. Sorriu ao ver Dougie com o filho no colo, estreitando os olhos em seguida para o amigo. – Estou ouvindo você me difamar, nanico.
– Apenas digo as verdades que ninguém mais quer dizer. – Dougie deu de ombros com cuidado, para não acordar Cooper. Entregou o bebê para novamente e abraçou Danny, que logo o arrastou para os fundos.
Dougie abraçou e beijou Kit na testa, enquanto ela reclamava por ele nunca aparecer em casa para um jantar e Harry o chamava de idiota, o puxando para um abraço também. Logo Tom recepcionou o amigo e Dougie teve sua atenção roubada pelas crianças. Adorava mimar aquelas crianças e brincava com eles como se não houvesse amanhã. Harry, Tom e Danny observavam Dougie brincar com Buzz, Buddy e Lola de pique esconde, enquanto continuavam a preparar o almoço.
– Ele parece bem. – Tom disse por fim, com um suspiro.
– Ele está bem, mas poderia estar melhor. – Harry retrucou.
– Ele precisa de uma namorada. – Danny resmungou, sem dar muita atenção para o que falara. Harry e Tom trocaram um olhar surpreso, antes de encarar Danny com sorrisos imensos. – O que foi?
– Você é genial, Jones. – Tom afirmou, beijando o amigo no rosto.
– Pena que é lerdo demais para perceber isso. – Harry deu de ombros, enquanto ele e Tom riam da cara de um Danny Jones confuso.
Algumas coisas, afinal, nunca mudavam.

Capítulo 1 – Eu sou Groot

Dougie acordou naquela manhã de sábado ainda mais cansado do que quando fora dormir na noite anterior. Suas olheiras e o cabelo revirado destacavam seu estado. E, apesar de querer voltar para a cama e dormir o dia inteiro, sabia que não podia. Tom havia lhe infernizado para que fosse jantar em sua casa naquela noite e Dougie não havia conseguido montar uma desculpa convincente que não soasse idiota, mesmo que apenas seus próprios pensamentos. Dando-se por vencido, levantou da cama e seguiu para o banheiro, onde fez sua higiene matinal e tomou uma ducha rapidamente. Saiu do quarto vestindo apenas uma bermuda e seguiu para a cozinha, tomando um susto ao dar de cara com Jazzie quase dormindo em cima das panquecas em seu prato. Havia esquecido totalmente que a irmã estava hospedada em sua casa por alguns dias.
– Acorda, cabeçuda. – deu um peteleco na irmã, que pulou na cadeira e bateu com o cotovelo no pote de melado, sujando a mesa com o doce.
– Idiota. – Jazzie revirou os olhos, socando Dougie no braço em seguida.
– Quando você vai embora? – indagou, apenas para encher o saco. – Não aguento mais acordar e olhar essa cara de derrotada.
– Ah, pronto. – Jazzie bufou. – Eu sei que me ama, Douglas. – implicou, recebendo um revirar de olhos como resposta.
– Não estarei em casa à noite. – Dougie avisou. – Vou jantar na casa do Tom.
– De novo? – a mulher questionou, voltando a mastigar suas panquecas. – Você jantou lá na quarta.
– Eu sei. Mas não consegui recusar o convite. – deu de ombros, enquanto se movia pela cozinha, juntando os ingredientes necessários para um café da manhã decente. Ovos, bacon e torradas eram sua única especialidade para a primeira refeição do dia. – Acredito que eles achem que eu me sinto solitário aqui.
– Por que acha isso? – Jazzie indagou.
– Além do jantar de hoje, amanhã vou almoçar com Harry e Danny me chamou para uma social na segunda de noite.
– Eles certamente acham que está solitário. – a mulher concluiu e eles riram.
– O mais estranho de tudo isso, foi ter convidado uma amiga para o jantar de quarta. – Dougie comentou, virando o bacon na frigideira em seguida. – E Tom me indagar várias vezes o que eu havia achado da mulher, como se minha opinião tivesse alguma importância.
Ao terminar a fala, Jazzie soltou uma gargalhada alta. Dougie se virou para a irmã com uma expressão que dizia claramente “mulher, você está maluca?”, o que só fez ela rir mais alto e com mais vontade.
– Do que, diabos, você está rindo? – Dougie finalmente perguntou, quando Jazzie finalmente parou de rir, alguns minutos depois.
– Maninho, você é muito ingênuo. – ela sacudiu a cabeça, terminando suas panquecas e deixando o prato dentro da pia. Deu um peteleco na testa do homem e saiu da cozinha. Dougie ficou encarando o portal que dividia a sala da cozinha por um tempo, até uma gota de óleo respingar em seu braço e ele lembrar que estava fritando bacon. Bufou irritado e voltou sua atenção para o café da manhã, ignorando totalmente o surto de Jazzie.
Afinal, ela era doida e ele já sabia disso desde sempre.

O restante da manhã se passou sem maiores surpresas. Dougie deu uma organizada em sua bagunça, enquanto Jazzie estava fora para fazer alguma coisa na qual ele não prestara atenção. Jazzie falava demais e Dougie tinha anos de prática em desligar seu cérebro quando ela iniciava seus monólogos.
À tarde, recebeu uma ligação de Harry pelo FaceTime. Estava jogado no sofá assistindo ao National Geographic e comendo pipoca quando aceitou a chamada do amigo. Visualizou primeiro as bochechas de Lola e sorriu imediatamente.
– Qual foi, mané. – resmungou, assim que a cara de Harry apareceu na tela de seu celular.
– Lola queria falar com você. – Harry disse. – Mas agora não quer mais.
– Diga para ela que eu estou muito magoado e vou chorar.
– Não vou fazer terror emocional com a minha filha. – Harry resmungou, fazendo Dougie rir. – Soube do jantar na casa do Tom.
– Qual deles? – Dougie indagou. – O de quarta ou o de hoje?
– Ele marcou dois jantares? – Harry indagou e sua feição irritada deixou Poynter curioso.
– Sim.
– Filho da mãe.
– Judd. – Dougie chamou, em alerta, estreitando os olhos para o amigo. – O que está rolando?
– Nada. – a feição de Harry não convenceu Dougie, mas o homem resolveu deixar para lá. Harry era estranho e ele já estava acostumado.
– Ok. – resmungou. – O que vai ter para o almoço amanhã?
está falando de lasanha. Ou seja, eu vou ter que fazer lasanha para agradá-la. – Judd revirou os olhos.
– Malefícios do casamento.
– Os benefícios são maiores, então compensa. – os dois riram.
– Ah, posso levar a Jazzie? – Poynter indagou, lembrando que a irmã estava hospedada em sua casa e não poderia deixá-la sozinha no almoço de domingo. Sua mãe o mataria caso descobrisse e ele bem sabia que Jazzie não sabia manter a boca fechada.
– Não sabia que ela estava aí.
– Veio me encher o saco, saber como estou e essas coisas. – Dougie resmungou e Harry riu.
– Pode trazer ela, sim. Sem problemas. – Harry respondeu. Dougie ouviu chamar pelo amigo e Harry revirar os olhos. – Preciso ir. Minha vez de trocar fraldas.
– Boa sorte. – Poynter fez uma careta de nojo. – Manda um beijo para e avisa Lola que estou tão magoado que nem vou levar um presente para ela amanhã.
– Para de mimar e chantagear a minha filha, nanico.
E, com isso, finalizou a chamada. Dougie riu sozinho antes de voltar a prestar atenção na tv. Acabou cochilando no meio do programa, que não estava muito interessante, acordando quase uma hora mais tarde com os gritos de sua irmã o chamando. Coçou os olhos e bocejou, encarando Jazzie com uma expressão de poucos amigos.
– Por que você está gritando como uma louca nos meus ouvidos? – o homem indagou, irritado.
– Porque você não acordava e pensei que tinha morrido. – Jazzie deu de ombros, se jogando no sofá ao lado do irmão.
– Eu não te aguento mais. Vou te deportar para a casa do Harry. – Dougie resmungou.
– Harry me ama mais do que você. Certamente me aceitaria. – Jazzie sorriu, convencida.
– Porque ele é idiota. – retrucou, fechando os olhos e ignorando a irmã. Eles se amavam, mas viviam implicando um com o outro, como se tivessem 12 anos.
– Dougie?
Ele nada respondeu.
– Dougie. – O sacudiu pelo ombro.
– Jazzie, o que foi? – finalmente abriu os olhos e fitou a irmã.
– Porque sua vizinha tem um Groot?
– O quê? – questionou, confuso.
– Um Groot, Poynter. Sua vizinha tem um no quintal. – Jazzie deu de ombros, desviando a atenção para a TV.
– Minha vizinha tem o que?
– Um Groot! – exclamou, impaciente. – Você é surdo?
– Que porra é um Groot?
– Ah não, Douglas. Eu te deserdo, de uma vez por todas. – Jazzie se jogou para trás no sofá, sacudindo a cabeça para os lados, em um drama exagerado.
– Eu não sei do que você está falando.
– Saia ali na rua e olhe para o quintal da sua vizinha. – Jazzie disse por fim, indicando a porta dos fundos.
Sabendo que não seria deixado em paz caso não descobrisse o que “um Groot” significava, Poynter levantou do sofá, sonolento, e se arrastou até a porta de trás, procurando alguma anomalia no quintal da vizinha com quem ele queria distância.
Arregalou os olhos ao se deparar com a decoração mais estranha que já havia visto no quintal de alguém. E, levando em consideração que ele convivia com Danny Jones há muitos anos, o Groot de sua vizinha ser a coisa mais bizarra que Dougie já havia visto era algo realmente impressionante.
– Caralho. – foi tudo o que conseguiu dizer. Jazzie parou ao seu lado, com um sorriso imenso no rosto e Dougie a fitou incrédulo.
– Legal, né?! Você precisa comprar um Groot. – a mulher afirmou. – É a decoração de quintal mais incrível que eu já vi!
– Não vou comprar um balanço em formato de um super herói da Marvel. – Dougie retrucou.
– Você é péssimo. – Jazzie afirmou, com uma careta. No mesmo instante, porta dos fundos da casa ao lado se abriu e uma morena saiu de lá, carregando algumas caixas. – Vou lá fazer amizade com ela. – dito isso, saiu porta afora em direção à cerca viva que dividia os terrenos.
Antes que Dougie pudesse impedir, Jazzie já gritava animada para a vizinha. Poynter resmungou em desagrado assim que largou as caixas no chão e seguiu em direção a Jazzie.
– Meu irmão está querendo me matar, mas eu preciso te dizer que esse balanço é demais! – Jazzie exclamou. sorriu.
– Obrigada! – lançou um breve olhar desdenhoso para Poynter, antes de voltar a falar com Jazzie. – Não dê ouvidos ao seu irmão. Ele é extremamente desnecessário.
– Precisamos ser amigas, é sério! – a loira quase gritou, rindo junto com em seguida.
A verdade era que Dougie e , para os mais íntimos, coisa que o homem não era – se detestavam. Ela era amiga de , já que ambas eram modelos muito famosas no Reino Unido, e eles haviam se conhecido por intermédio da mesma, em um evento catastrófico que havia resultado naquele ódio morno que sentiam um pelo outro. A casa em que Dougie vivia agora havia sido indicação de , mesmo que a mulher não soubesse que era ele quem procurava uma moradia e não Danny quando fizera a indicação. Mas nem a proximidade de Charlotte com seus melhores amigos – porque ela era adorada por todos eles – fazia com que ela e Dougie se entendessem.
Ambos tinham personalidades muito distintas e isso tornava o convívio entre eles bastante complicado. Eles viviam brigando por conta das implicâncias de Poynter e os comentários irritados da morena. Com o passar do tempo, acharam por bem evitar a convivência o máximo que pudessem, mesmo morando um ao lado do outro e tendo tantos amigos em comum, que haviam tentado diversas vezes uni-los como um casal, o que só agrava o desentendimento entre eles.
– Ele nem sabia o que era o Groot. – Jazzie comentou, chamando a atenção do irmão novamente. O olhar petulante de se fixou em Dougie e ela riu com deboche.
– Dougster, assim você me decepciona. – balançou a cabeça, fingindo tristeza. Dougie revirou os olhos.
– Eu sei o que é Groot. – resmungou. Jazzie riu.
– Não foi o que pareceu. – e voltou a falar com como se o irmão não estivesse ali. Suspirando alto, Poynter voltou para dentro de casa, afinal, tinha um jantar na casa de Tom aquela noite e precisava se arrumar.
Uma hora passada e ele usava jeans e um casaco pesado. Conhecia o clima de Londres como a palma de sua mão e não queria retornar para o resfriado do qual havia se curado a poucos dias. Colocou uma touca na cabeça e um cachecol enrolado no pescoço, vestindo um par de tênis e saindo do quarto em seguida. Encontrou Jazzie jogada no sofá comendo doces, enrolada em uma coberta.
– Sua vizinha é ótima. – ela comentou, rindo da careta que Dougie fez.
– E irritante. – revirou os olhos. – Tem certeza de que não quer ir comigo hoje?
O brilho divertido no olhar de Jazzie deixou Poynter curioso, mas a irmã nada lhe disse. Apenas balançou a cabeça para os lados, contendo o riso que ela claramente queria deixar escapar.
– Nem pensar. – afirmou. – Bom jantar, maninho. – seu tom de zombaria fez com que Dougie revisasse os olhos. Ele guardou o celular no bolso e pegou as chaves do carro, se dirigindo para a garagem em seguida.
Chegou à casa de Tom meia hora passada. O trânsito, mesmo em seu estado tranquilo, acabara por aumentar o tempo gasto em viagem até a casa dos Fletcher. Cumprimentou com um abraço e beijou as crianças na testa. Logo foi arrastado por Buzz até a sala, onde vários brinquedos estavam espalhados.
– Tio Dougie, vamos brincar de dinossauros? – o pequeno Buzz indagou, animado, sendo seguido de perto por Buddy. Dougie riu, pois sabia que aquelas crianças o conheciam bem demais e sabiam de sua paixão por dinossauros, usando isso contra ele para fazê-lo brincar por horas e horas seguidas.
– Prometo que brinco com vocês mais tarde. – Dougie disse. – Preciso dar oi para o seu pai antes.
– Tudo bem! – Buzz disse, puxando o irmão para os brinquedos em seguida.
– A cada dia mais espertos. – Poynter comentou com , que assentiu em concordância.
– Você não faz ideia. – riu. – Estamos cogitando uma babá, conforme eu for ficando mais grávida. Só Tom e eu não daremos conta de tudo.
– É uma ótima ideia, . Você vai precisar descansar. – o loiro comentou, seguindo até a cozinha e percebendo que Tom não estava sozinho no cômodo.
Uma ruiva estava sentada à mesa, trajando um vestido de mangas longas e botas até a canela. Dougie arqueou a sobrancelha, confuso, antes de se virar para Tom e cumprimentar o amigo. Aquela não era a mesma mulher do jantar de quarta e isso alarmou Poynter consideravelmente.
– Dougie, essa é minha amiga, Melissa. Trabalhamos para a mesma editora. – apresentou, sorrindo.
Poynter se aproximou da mulher e estendeu a mão, em forma de cumprimento. Notou seu sorriso largo demais para a situação e sentiu a desconfiança sobre o intuito daquele jantar tomar conta de si. Preferiu não perguntar nada a Fletcher e agiu com casualidade durante toda a noite. Mas não pôde deixar de notar os olhares esperançosos de Melissa para si, da mesma forma que a conversa era direcionada à mulher e a Dougie a todo o momento, como se Tom e esperassem que eles se conhecessem melhor.
Ao final da noite, Poynter se ofereceu para dar uma carona a Melissa, já que ela estava sem carro e morava a caminho de sua casa. Se despediram da família e seguiram para o carro. Após colocar o endereço no GPS, Dougie dirigiu calmamente, sentindo o olhar da mulher pipocar em seu rosto.
Ouviu seu suspiro alto quando estacionou em frente ao prédio em que ela morava.
– Foi ótimo te conhecer, Poynter. – ela disse por fim, após alguns segundos em silêncio.
– Foi um prazer conhecê-la também, Melissa. – Dougie sorriu sem mostrar os dentes.
– Caso queira levar isso adiante, me ligue. – e entregou um cartão de visitas para ele. – Vou adorar ocupar o cargo de namorada de Dougie Poynter. – e, com isso, se inclinou e beijou o rosto do homem, saindo do carro em seguida.
Dougie quase riu, finalmente entendendo o motivo das risadas de Jazzie. E, apesar de estar puto com os amigos, esperaria até a social na casa de Danny, na segunda-feira, para ter certeza de que não havia tirado conclusões precipitadas. Apesar da decisão de aguardar os próximos eventos, Dougie sorriu ao dar partida no carro e iniciar o planejamento de uma vingança.
Chegou em casa e ignorou as perguntas e risadas da irmã, que se divertia às suas custas, gargalhando sem parar, mesmo quando ele já estava em seu quarto sozinho. Deitou na cama com um único pensamento em mente: seus amigos iriam se arrepender por terem dado início aquela ideia absurda.

Capítulo 2 – Três idiotas com um plano ainda mais idiota

Dougie acordou naquela manhã de domingo parcialmente animado. Havia passado parte da noite analisando os vários planos vingativos que sua mente furiosa fora capaz de montar, em diversos cenários, mas não havia chegado a nenhuma decisão, o que lhe deixava bastante ansioso. Olhou para o relógio no criado mudo e constatou que ainda não estava tão atrasado para o almoço com Harry, o que era um milagre, visto que Poynter sempre se atrasava para tudo. Era um péssimo inglês e sabia disso.
Bocejou e buscou o celular embaixo do travesseiro, abrindo as notificações e passando os olhos rapidamente para as mensagens que Judd havia enviado naquela manhã.

Juddão
Lola quer o tal presente que você mencionou 9:47 am
Não se atrase 10:51 am
Já está atrasado 11:20 am

Dougie digitou um “estou chegando”, mesmo que não estivesse, correndo para o banheiro em seguida. Tomou um banho rápido e vestiu a primeira roupa que achou em seu closet. Jeans, jaqueta e um par de botas. Pegou os óculos escuros e a touca que havia usado na noite anterior. Encontrou Jazzie na sala, assistindo Supernatural, usando praticamente a mesma coisa que ele e revirou os olhos.
– Seremos alvo de piadas. – constatou, chamando a atenção da irmã, apontando para suas roupas.
– Nem a pau. – ela disse e correu para o quarto de hóspedes. Voltou cinco minutos mais tarde, usando vestido e botas de cano alto, juntamente com um sobretudo preto. Dougie sorriu e ambos seguiram para o carro do homem.
– Já estamos atrasados, segundo Harry. – comentou, enquanto dava a partida no veículo.
– Normal. – Jazzie murmurou. – Você sempre se atrasa.
– Porque diabos você não me disse que eles estão tramando contra mim? – reclamou e ela gargalhou. Dougie esperou pacientemente que a irmã se acalmasse, recebendo um dar de ombros como resposta.
– Primeiro, eu não tinha certeza. – disse o óbvio. – Foi uma impressão e ela só se confirmou quando você chegou irritado ontem. E segundo, você acha mesmo que eu diria e perderia a diversão? – ela riu novamente. – Por favor, né Dougie.
– Eu ainda não acredito que eles querem me arrumar uma namorada. – resmungou, inconformado.
– Demorou, até. – Jazzie comentou, dando de ombros.
– Como assim?
– Oras, você é o único solteiro da banda. O único que não namora a muito tempo e nem pensa nisso. Nenhum de nós te viu fazer qualquer esforço para procurar alguém depois da Ellie.
– Porque eu não quero. Estou bem da forma que estou. – Dougie retrucou.
– Eu sei que sim. – Jazzie suspirou. – Mas os rapazes provavelmente acham que está infeliz. Eles estão casados há bastante tempo. Não lembram mais que estar solteiro é diferente de estar solitário.
– Podiam ter falado comigo.
– Até parece que não conhece os seus amigos. – a loira revirou os olhos. – Só fazem merda e metem os pés pelas mãos.
Daquilo, Poynter não tinha dúvidas. Não existiam pessoas mais propensas a atitudes idiotas como aqueles três caras que ele tinha como irmãos. Ele mesmo não se salvava, precisava admitir. Eram quatro idiotas com ideias quase sempre ridículas.
– Gostou de alguma delas? – Jazzie indagou, com uma inocência forçada que não convenceu o irmão nem por um segundo. Dougie lançou um olhar debochado para ela, que retomou as risadas.
– Não funciona assim. – disse simplesmente, encerrando o assunto.
Chegaram à casa de Harry pouco tempo depois e foram recebidos por Judd de avental amarelo florido. Dougie gargalhou e tirou uma foto, enquanto Jazzie abraçava Harry.
– Que saudades pirralha! – disse o mais velho, fazendo a loira revirar os olhos.
– Vocês adoram apelidar os Poynter. Acho isso um preconceito. – resmungou, entrando na casa em seguida. Dougie abraçou Harry e seguiu a irmã, pegando no colo uma Lola que corria em sua direção e beijando seu rosto várias vezes. A garotinha ria e pedia para ele parar e Poynter negava e continuava a distribuir beijos nela.
– Presente! – Lola resmungou por fim e tanto Harry como Dougie a encararam surpresos.
– Parece você, Judd. Interesseiro. – Dougie comentou. Puxou do bolso da jaqueta um embrulho pequeno e entregou para Lola, que voltou a correr pela casa, em direção a sala e sua pilha de brinquedos.
estava na cozinha, conversando com Jazzie e mais uma mulher, enquanto Kit estava na cadeira de refeições, brincando com um ursinho de borracha. Dougie precisou conter a vontade de revirar os olhos e Jazzie quase gargalhou da cara do irmão. Beijou o bebê na testa, que nem lhe deu atenção, abraçou e estendeu a mão em cumprimento a mulher ao lado da amiga.
– Dougie Poynter. Muito prazer. – sorriu.
– Gwen Collins. – o sorriso dela foi infinitamente maior e mais genuíno que o dele.
– Gwen é minha amiga a muito tempo. Estudamos juntas. Ela também é violinista. – explicou.
O restante do almoço se passou como Dougie já esperava. e Harry tentavam vender o peixe de Gwen a todo custo. Jazzie ia ao banheiro a cada dez minutos para rir e Dougie se sentia cada vez mais incomodado com a situação. Sentia como se estivesse em um encontro às cegas e ele realmente não gostava daquele tipo de coisa. A ideia de alguém lhe apresentando uma pretendente, como algo em um cardápio o deixava extremamente insatisfeito e irritado. Ainda não podia acreditar que os amigos realmente pensavam que podiam lhe arrumar uma namorada daquela forma.
A sobremesa servida por estava maravilhosa e Dougie repetiu três vezes, arrancando risadas de todos a mesa, pois fora ele, a única a comer o doce tantas vezes havia sido Lola.
– Imagina o Poynter com filhos. – comentou, rindo. – Ia brigar mais por comida do que as próprias crianças.
– Ele sempre foi assim. – Jazzie afirmou, recebendo um olhar atravessado do irmão. – Lembro que quando éramos pequenos…
– Coisa que não mudou, não é? – Harry tirou sarro e Dougie o mandou catar coquinho, já que Lola estava a mesa e não poderia falar as palavras que tinha em mente.
– Vou fingir que não ouvi de forma proposital. – Jazzie disse, revirando os olhos para Judd. – Enfim, Dougie e eu sempre saímos no tapa por causa da sobremesa. Uma vez, ele comeu meia vasilha de torta escondido. Quando eu descobri, coloquei coco do nosso gato no travesseiro dele.
– Foi uma tristeza tirar aquilo do meu cabelo. – Dougie choramingou, fazendo drama. Lola estendeu a mão até o homem e acariciou seu braço, o consolando. Harry e trocaram um olhar surpreso e cheio de carinho para a filha.
– Não chora, tio Doug. – Lola pediu.
– Não vou chorar, lindinha. – o loiro disse, beijando a mãozinha de Lola em seguida.
– Que amor! – Gwen comentou e Poynter não sabia se ela falava dele ou de Lola, decidindo que realmente não se importava no final das contas.
– Ela puxou totalmente a . – Dougie falou, olhando para Harry. – Você é bruto demais.
– Assim você me magoa, marido. – Judd comentou e ambos riram.
Após retirar os pratos da mesa, Dougie se ofereceu para ajudar Harry com a louça, enquanto as mulheres seguiam para a sala com as crianças.
– Como está indo no estúdio? – Judd indagou, ensaboando os pratos. Dougie ficara responsável por secar e guardar.
– Tranquilo. – Poynter deu de ombros. – Não sabia que sentia tanta falta dessa vida até voltar para ela.
– Desistiu de modelar então? – Harry indagou, curioso e zombeteiro. Poynter conhecia o amigo bem demais para entender que ele só queria saber se ele estava feliz com suas escolhas.
– Não exatamente. Eu gosto e foi uma experiência sensacional. – explicou. – Mas eu amo tocar. Nasci pra isso. Não sei como vou conciliar tudo ao mesmo tempo, então provavelmente vou dar um tempo. E tem mais a Polonius. – deu de ombros.
– Eu queria muito voltar. – Harry confessou. – Mas com Lola e Kit as coisas ficam complicadas. Eu não conseguiria ficar muito tempo longe deles por enquanto. Mas sinto falta.
– E com o baby Fletcher número três, duvido que as coisas se alterem por uns bons anos.
– Você sabe que eu não te culpo por buscar novos ares, não sabe? – Harry indagou, preocupado. Terminou de lavar a louça e secou as mãos.
– Sei, dude. – Dougie sorriu. – E eu entendo que nenhum de vocês três vai voltar para aquela vida. Mas eu ainda não estou pronto para largar tudo. – guardou a última louça e deixou o pano molhado estendido na secadora.
Harry sorriu e abraçou Dougie pelos ombros.
– Que bom que está feliz.
– Digo o mesmo.
Poynter se despediu dos Judd quase ao final da tarde de domingo. Harry e claramente entenderam que ele não havia se interessado por Gwen e não insistiram no assunto, o que os fazia menos irritantes do que os Fletcher.
– Bom jantar amanhã! – se despediu, já na porta da casa dos Judd e Dougie arqueou as sobrancelhas para ela, confuso.
– Vocês sabem disso? – indagou.
– Danny mencionou durante uma ligação ontem. – Harry desconversou.
– Hm. – Poynter murmurou.
– Você também vai Jazzie? – perguntou.
– Não. Estou voltando para casa amanhã de manhã. – Jazzie informou. – Dougie me expulsou da casa dele.
– Isso não é exatamente verdade. – Poynter resmungou.
– Ele gosta de viver isolado. – Harry riu.
– Insuportável. – Jazzie deu de ombros e abraçou o casal, seguindo Dougie para o carro minutos depois.
A viagem até em casa fora tranquila. Poynter estava menos irritado com toda a situação do que estava no dia anterior, mas mesmo assim, os amigos tentarem lhe arrumar uma namorada sem seu consentimento lhe incomodava muito.
– Vamos pedir uma pizza para o jantar? – Jazzie indagou, assim que entraram em casa.
– Pode ser. – Dougie respondeu. – Vou tomar um banho e tirar um cochilo. Me acorda quando a pizza chegar.
– Ok. – a loira resmungou.
Poynter foi para seu quarto e tomou um banho longo. Vestiu uma calça de moletom e se jogou na cama, gastando alguns minutos navegando por suas redes sociais, antes de cair num sono pesado.
Acordou quase duas horas mais tarde, com risadas altas soando por toda a casa. Dougie bocejou alto e levantou, seguindo até a cozinha em passos lentos. Jazzie estava sentada no balcão, de costas para a porta, com uma taça de vinho em mãos. Do lado oposto a Jazzie, mordia um pedaço de pizza e assim que Dougie entrou no cômodo, lhe lançou um sorrisinho implicante.
– Boa noite, Poynter. – murmurou, chamando a atenção de Jazzie, que se virou e sorriu para o irmão. A careta de Dougie não se desfez em nenhum momento.
– Já ia te chamar. A pizza chegou faz uns 5 minutos. – informou a loira.
– Aham. – Poynter resmungou, se aproximando do balcão e pegando uma fatia de pizza para si. Caminhou até a geladeira e pegou uma lata de cerveja sem álcool, sentando no balcão em seguida.
estava me contando como vocês se conheceram. – Jazzie comentou, rindo, ainda sem acreditar no quão estúpida era aquela história e a birra que se seguiu entre os dois por causa daquilo.
– Tenho certeza que de ela foi completamente neutra em sua versão. – Dougie falou, com sarcasmo. arqueou as sobrancelhas em sua direção.
– Falei apenas a verdade, Dougster. Não tenho culpa das suas atitudes idiotas. – deu de ombros.
– Você nunca vai superar? Já fazem uns 10 anos – Poynter reclamou.
– Não. – sorriu sem mostrar os dentes.
Durante um show da Motion in the Ocean tour, Dougie resolvera pregar uma peça em Danny, como uma pequena vingança pelo amigo ter comido um sanduíche que pertencia a Poynter. Colocou um balde cheio de água em cima da porta, para que quem a abrisse primeiro, levasse um banho. Danny era sempre o primeiro a sair do palco e entrar correndo no camarim para usar o banheiro, então o plano era seria um sucesso. Mas não fora Danny a primeira pessoa a entrar no camarim naquele dia e sua surpresa só não foi maior do que o ódio de ao descobrir que fora Poynter o responsável pelo banho de água fria que tomara. Havia ido até o backstage do show do McFLY a pedido de , que na época estava ficando com Danny pela primeira vez, pois ambos haviam dito terem um amigo para lhe apresentar. Acabou saindo de lá encharcada, furiosa e com um encontro marcado de menos, visto que jamais sairia com Poynter após o ocorrido.
Desde então, sempre que eram obrigados a frequentar o mesmo ambiente, se tratavam com piadinhas e implicâncias como se estivessem na terceira série. Já estavam acostumados com aquele relacionamento e se algum dia alguém conseguisse lhes arrancar uma opinião sincera sobre aquilo, receberia um sorriso divertido e um dar de ombros como resposta. Mas o único retorno que os aventureiros que tentavam desvendar os motivos de tanta implicância era um alto e sonoro “a gente não se dá bem” e fim de papo.
– Vocês brigam mesmo o tempo todo? – Jazzie indagou. – Eu achei que era brincadeira.
que é uma insuportável.
– E você é super legal né, Poynter? – retrucou.
– Eu sou mesmo. – Dougie sorriu sem mostrar os dentes.
– Eu não vou discutir com você. – ela virou a cara.
– Bem, isto é realmente um milagre. – ele zombou.
– Certo, qual o problema de vocês? Brigam como se tivessem 15 anos. – Jazzie exclamou.
– Seu irmão tem essa exata idade mental. – alfinetou e Jazzie teve que conter a gargalhada que adoraria soltar. Ela concordava com em mais de 100%.
– Você não consegue me deixar em paz, não é? – Poynter bufou. – Isso só pode ser amor reprimido.
– Ah sim, obviamente eu sou totalmente apaixonada por você. – ironizou. – “Oh Poynter, me ame por favor”.
– Se você pedir com jeitinho, pode ser que eu pense no seu caso. – Dougie riu.
– Me poupe, por favor. – revirou os olhos.
Dougie gargalhou alto, antes de levantar e seguir até a mulher. Beijou seu rosto e se moveu para fora da cozinha.
– Boa noite, docinho.
– Eu já disse para não me chamar assim. – ela resmungou.
– E eu não ligo. – Dougie sorriu, divertido. Beijou Jazzie na testa e seguiu para seu quarto.
Poynter se jogou em sua cama e perdeu umas boas horas nas redes sociais. Estava exausto, mas sua mente não parava de bolar planos para sua pequena vingança contra os amigos. Ele sabia que Danny também tentaria lhe apresentar uma candidata a namorada e não conseguiria evitar passar pela saia justa que seria aquela “social”. Desconfiava que convidaria , mas não apostaria todas as suas fichas naquele palpite. Por mais insistente que fosse na tentativa de juntar ele e como um casal, ela também acumulava várias experiências fracassadas ao longo dos anos, visto que tanto Poynter como jamais demonstraram interesse em mudar o tipo de relacionamento que tinham. Ele tinha um plano, mas precisaria analisar toda a situação antes de tomar alguma decisão. E pensando nisso, Poynter finalmente pegou no sono.
Na cozinha, Jazzie e ainda conversavam. A loira tentava entender como a personalidade de poderia mudar tanto quando estava perto de seu irmão. A mulher praticamente virava outra pessoa. A de Dougie era implicante, mal humorada, irritada e sarcástica. Completamente ao contrário da mulher que era quando esteve apenas com Jazzie.
– Certo, Dougie já foi. Pode me explicar o que diabos acontece entre vocês. – Jazzie exclamou. revirou os olhos, mordendo sua pizza em seguida.
– Não acontece nada. – deu de ombros. – Nós apenas não nos damos bem.
– Não se dar bem é diferente disto. – a loira resmungou. – Vocês basicamente viram outra pessoa quando estão perto um do outro.
ficou quieta por alguns minutos, divagando sobre as palavras de Jazzie. Ela sabia que tratava Poynter de forma diferente, pois o fazia de forma consciente. Eles não haviam se conhecido de uma forma legal e desta forma, uma antipatia gratuita havia surgido. Ela realmente não gostava de algumas características de Poynter, mas seriam coisas suportáveis caso ele não tivesse sido um completo babaca quando se conheceram. Se sabia que já haviam se passado anos e Poynter provavelmente havia amadurecido? Sim, ela não era tosca. Mas havia se acostumado com a forma como tratava Poynter e sabia que ele também sentia a mesma coisa. Caso contrário, já teriam conversado e tentado resolver suas pontas sem nó.
– Bem, ele sempre agiu dessa forma comigo, então eu só revido.
– É estranho. – Jazzie disse. – Dougie não é assim, normalmente. Acho que as únicas vezes que o vi sendo gratuitamente babaca, foi quando ele passou por aqueles dias ruins após a separação de Frankie.
– Nós nos conhecemos antes de eles começarem a namorar. Ele era imaturo e eu não estava passando por uma fase legal. O ódio gratuito foi apenas um resultado de todos os fatores. – disse. – Nos acostumamos com a situação. É estranho estar no mesmo ambiente que Poynter sem implicâncias bobas e piadas ridículas.
Jazzie se deu por vencida. Mudou de assunto drasticamente e quase agradeceu de joelhos. Passaram mais algumas horas conversando, antes de finalmente se despedirem. Jazzie prometeu voltar mais vezes e procurá-la e agradeceu pela companhia e pelo convite, antes de se retirar para sua própria casa.

Capítulo 3 – Um pedido para Cooper

Dougie passou o dia inteiro trancado no estúdio com os rapazes da Ink e quando chegou em casa, constatou que já estava atrasado para a social de Jones. Havia levado Jazzie para a estação pela manhã e seguido direto para o estúdio, de onde só saíra para ir ao banheiro e fazer um lanche rápido.
Os rapazes estavam envolvidos com a pós produção do EP e apesar de ser um trabalho cansativo, Poynter amava aquela vida e sentia tanta falta daquilo que nem reclamava da dor absurda que se instalara em seu pescoço, por conta das várias horas sentado na mesma posição.
Tomou seu banho com calma, apesar do atraso no qual já se encontrava. Estava uma noite fria, como o usual, então adicionou uma blusa de lã por cima do moletom costumeiro e colocou uma touca na cabeça. Vestiu uma jaqueta de couro e coturnos, pegando um cachecol e enrolando no pescoço enquanto andava em direção a porta da frente. Abriu a porta no mesmo instante em que a campainha soou, dando de cara com . Arqueou as sobrancelhas em confusão, mas a mulher nem lhe deu tempo de falar alguma coisa e se enfiou dentro de sua casa, fechando a porta atrás de si.
– Mas o q…
– Só preciso que me esconda por dez minutos. No máximo, quinze. – ela disse, rapidamente.
– Você matou alguém e está fugindo da polícia? – Dougie perguntou a primeira coisa que passou em sua mente. – Pois eu não quero ser preso por abrigar uma criminosa.
– É claro que não! – bufou.
– De você eu não duvido nada. – ele deu de ombros. – Mas então porque raios precisa se esconder?
– Estou fugindo do meu ex! – ela exclamou, aborrecida.
– Porque? – Dougie indagou, confuso.
– Porque ele é um cretino ridículo que não aceita que eu tenha dado um pé na bunda dele a mais de dois meses. – ela explicou. – Agora o infeliz está com o carro estacionado na frente da minha casa, esperando-me chegar do trabalho, para me infernizar e pedir para voltar.
– Hm. – Poynter resmungou, entendendo a situação. Por mais que odiasse admitir, mesmo que apenas para si mesmo, acabou sentindo uma empatia absurda perante a situação de . Não teria coragem de expulsar a mulher de sua casa, mesmo que ainda a achasse irritante.
– E eu sei que a gente não se dá bem e o caralho a quatro, mas estou tão desesperada para me livrar dele que não tive opções mais viáveis. – ela suspirou. – Ele não me viu entrar aqui porque me esgueirei pela cerca.
– Sem problemas. – Poynter deu de ombros. – Sei como é querer se livrar de um ex e não conseguir. – se jogou no sofá, indicando que poderia se sentar ao seu lado, caso quisesse. A mulher suspirou novamente e desabou ao lado do loiro.
– Eu não sinto mais nada. – afirmou. – Mas é um inferno não ter paz de espírito em minha própria casa.
Dougie a fitou com compreensão. Ele sabia muito bem o que era querer seguir em frente e ser impedido por outra pessoa. Obviamente, as situações eram completamente diferentes, já que realmente parecia sincera ao afirmar que não tinha mais sentimentos pelo ex, mas a sensação de estar tendo sua vida transformada em um inferno era a mesma que Dougie conhecia muito bem. Com uma ideia em mente, Poynter tornou a falar.
– Olha, já que eu sou um cara muito legal e você não está sendo uma cretina nesse momento…
– Eu não sou uma cretina! – exclamou, dando um soco no braço de Dougie, que revirou os olhos, como se ela fosse maluca em discordar dele em uma hora como aquela.
– Como eu estava tentando dizer antes de você me interromper e agredir, – estalou os lábios. – Talvez eu possa te ajudar. Vem comigo. – Poynter falou, levantando do sofá e puxando para a porta.
– Vai me ajudar me entregando aos leões? – indagou, incrédula.
– Aposto como ele é apenas um carneirinho e sua comparação não tem fundamento. – Dougie debochou e bufou em irritação, não negando tal afirmação e arrancando uma gargalhada de Poynter.
Saíram porta afora e Dougie abraçou pelos ombros. A mulher retesou o corpo e tentou se afastar, mas o loiro a manteve firme ao seu lado.
– Entre no personagem. – ele resmungou.
Caminharam até o portão de e Dougie finalizou a caminhada, puxando a mulher para seus braços e beijando seu rosto diversas vezes, num gesto que seria carinhoso caso a careta de ambos não denunciasse que eles não queriam aquele contato de forma nenhuma.
– Tem certeza de que não quer ir comigo, linda? Tenho certeza de que os rapazes vão adorar ter você lá hoje. – ele disse, em alto e bom som.
espiou discretamente por seu ombro, encontrando o olhar descrente do ex fixo na cena que protagonizava. Abriu seu melhor sorriso e voltou o olhar para Poynter e seus globos oculares extremamente azuis. Ela gostava dos olhos dele, não podia negar. Eram de um azul tão bonito que era fácil se perder ali e ignorar o restante do homem.
– Não, amor. – respondeu, ignorando a careta que Poynter fizera. – Vai você e aproveita a noite com seus amigos.
– Tudo bem. Caso mude de ideia, me ligue. Eu venho te buscar no mesmo instante. – Poynter disse. Se inclinou para e beijou o canto de sua boca com cuidado, sabendo que o telespectador não teria dúvidas de que aquele ato havia sido nos lábios da mulher, devido ao ângulo em que se encontrava. – Boa noite, linda.
Poynter caminhou até seu carro e antes de entrar no veículo, ouviu o grito de .
– Ainda está com a chave que eu te dei? – ela indagou. Confuso, Dougie fingiu um sorriso e afirmou com a cabeça. – Ótimo. Use-a para me surpreender quando voltar da casa dos rapazes. Vou te esperar com a camisola que é a sua favorita. – e com um sorriso safado, ela se virou e marchou até sua casa.
Poynter soltou um riso, antes de fingir falar para si mesmo, de forma debochada, como se o ex de não estivesse o observando atentamente.
– Eu não mereço essa maravilha de mulher. – então entrou no carro e deu a partida no veículo.
O caminho até a casa de Danny e foi rápido. Dougie prestava atenção na estrada e vez ou outra, acabava por cantarolar alguma música da Ink. Chegou com meia hora de atraso – o que já era costume de Poynter, e foi recebido por com um abraço.
– Oi . – Dougie murmurou, entrando na casa em seguida. A mulher fechou a porta atrás de si e sorriu.
– Obrigada. – exclamou.
– Pelo que? – o loiro indagou, confuso.
– Fizemos um bolão sobre o seu atraso. Ganhei de Danny de lavada. – ela deu de ombros, andando em direção a cozinha e sendo seguida pelo amigo.
– É muito fácil ganhar de Danny em apostas. Ele é totalmente sem noção. – comentou e ambos riram com gosto.
Como já esperava, a social de Danny foi justamente um plano para juntar Dougie com alguma amiga de . De todas as quatro que havia conhecido, Heidi era de longe a menos mundana. Também era modelo e desta forma, Poynter e ela tinham mais assuntos em comum. Mas ainda assim, o loiro não tinha nenhum interesse na morena que lhe fora apresentada.
Não importava o quão bem conceituada era sua carreira ou quantas campanhas para a Vogue ela tinha feito. Poynter não se sentia atraído e muito menos interessado na vida da mulher.
Estavam no meio de uma conversa animada – na realidade, Heidi e conversavam e Dougie fingia ouvir, sobre os desfiles de Heidi quando Danny mudou completamente de assunto.
– Mas então Heidi, está saindo com alguém?
– No momento não. – ela respondeu, sorrindo.
– O Dougie também não! Não é uma coincidência enorme? – ele exclamou, sorrindo largo Discrição não era exatamente uma qualidade que Jones possuía.
– Sem nenhuma dúvida. – Dougie debochou.
– Como anda o projeto novo, Dougie? – indagou. – Você tem que ouvir, Heidi. É sensacional.
– Eu adoraria!
– Está indo bem. – Poynter resmungou. – Logo vai estar disponível nas plataformas online. Aí você vai poder ouvir. – disse para Heidi, que murchou o sorriso.
Meia hora passada e nenhum interesse de Poynter resultaram na desculpa mais esfarrapada de Heidi para ir embora mais cedo. Poynter se escondeu no banheiro assim que a mulher saiu, enquanto Danny e conversavam desanimados sobre a desastrosa social.
Dougie pegou parte da conversa ao voltar para a cozinha e se escondeu no vão da porta, para ouvir sobre os planos dos amigos.
– Ele ao menos olhou para os peitos dela? – ouviu a voz de Harry indagar e constatou que eles estavam em alguma chamada de vídeo. Tirou o celular do bolso e iniciou uma gravação de áudio. Ter provas seria fundamental.
– Nem uma vez sequer. – Danny respondeu, num tom de voz baixo. Dougie nem se atrevia a respirar, com medo de perder uma parte da conversa.
– Acho que nenhum de nós teve sucesso. – Tom suspirou.
– E você ainda roubou, Fletcher. O combinado era uma candidata por família. – Harry acusou.
– Regras não foram estipuladas. – Tom se defendeu.
– Típico papo de ladrão. – retrucou, rindo.
– Mas e o que vamos fazer agora? – Danny questionou.
– Partir para o plano B. – Harry disse e Dougie quase o viu dar de ombros.
– Eu ainda prefiro o plano C. – exclamou.
– Jamais daria certo. – ouviu a voz de . – Eles são orgulhosos demais para admitir que tem atração um pelo outro.
– Eu concordo por mim e pela . – Tom comentou. – Tentar empurrar para Dougie nunca deu certo, em todos esses anos. Porque daria agora?
– Plano B então? – foi a vez de Danny falar.
– Plano B. – ouviu todos concordarem e o barulho do notebook sendo fechado.
Dougie voltou a passos lentos até o banheiro e abriu e fechou a porta fazendo barulho. Andou normalmente até a cozinha e encarou os amigos escondendo seu sorriso presunçoso. Não podia deixar pistas de que sabia de seus planos.
– Acho que já vou. – explicou. – Estou exausto e amanhã à tarde tenho que ir para a gravadora.
– Tudo bem, dude. – Danny sorriu para o amigo.
– Vou subir e me despedir de Cooper, ok?
– Claro! Vai lá. – disse, se levantando da cadeira e ajudando Danny e colocar a louça na pia.
Poynter subiu até o segundo andar e beijou o pequeno Cooper na testa, antes de rir com sarcasmo e falar para o pequeno bebê: – Seus pais estão tramando contra mim. Seja um afilhado legal e chore a noite toda para me vingar, ok?
Se despediu dos amigos e dirigiu para sua casa. Estacionou o carro e quase soltou uma gargalhada ao notar o carro do ex namorado de estacionado no mesmo lugar de horas atrás. Pescou o celular no bolso e iniciou uma conversa – pela primeira vez desde que se conheciam – com pelo WhatsApp.

Seu ex ainda está aqui na frente. O cara é realmente insistente, tenho que admitir 10:15 pm


EU SEI! E agora? Ele deve estar esperando que você entre aqui em casa 10:16 pm

Posso fingir uma ligação onde falo estar muito cansado e o que for necessário 10:16 pm


Ele não vai acreditar 10:17 pm
Seria pedir muito que você viesse aqui? Finge que não achou a chave e toca a campainha 10:17 pm
Estou em uma maratona de Stranger Things e tenho pizza 10:18 pm

Espero que tenha doces também 10:18 pm

Dougie bloqueou o aparelho em suas mãos e fingiu uma busca pelo carro por alguns minutos. Saiu do veículo e bufou irritado. Atravessou seu próprio gramado, resmungando sobre ser um lesado e não ter achado a chave de quando passou em frente ao carro do ex da mulher. Andou até a porta de e tocou a campainha. A mulher abriu a porta com um sorriso gigante e se jogou nos braços de Poynter sem cerimônia, depositando um selinho longo em seus lábios.
– Onde enfiou a chave que eu te dei? – ela resmungou, num tom de voz alto, se afastando dele levemente.
– Acho que deixei aqui e não levei comigo. – ele deu de ombros. – Você certamente sabe me distrair quando usa essa camisola. – Poynter abriu um largo sorriso safado e riu, puxando o homem para dentro e batendo a porta em seguida.
Encenaram um teatrinho em frente a janela da sala por mais alguns minutos, até ouvirem um barulho de pneus cantando e o carro do ex desaparecer na esquina. suspirou em alívio, se jogando no sofá em seguida.
– Me desculpe por isso. – ela disse, num fiapo de voz. – Não queria te envolver em meus problemas.
– A ideia foi minha. – Poynter deu de ombros, sentando ao lado da mulher. – Nada mais justo que eu terminar o plano.
– Obrigada, de verdade. – resmungou. – Você não foi nada odiável hoje e isso é realmente um milagre.
– Eu não sou nada odiável. – Poynter retrucou. – Você que é rancorosa e incapaz de entender uma brincadeira.
– Eu não vou discutir com você agora, Poynter. – a morena bufou alto. – Estou exausta, nervosa, meu ex não é capaz de entender que eu não quero mais nada com ele e preciso usar um homem pra isso e pior ainda, tive que usar você. Assim que ele descobrir que foi tudo uma mentira, vai voltar a infernizar a minha vida.
– Belo ex namorado você arrumou.
– Ele era ainda pior como namorado. – confessou.
– E porque você ficou com ele? – Dougie indagou, incrédulo.
fitou seus olhos com intensidade antes de dar de ombros e responder: – Pelo mesmo motivo que você ficou com Frankie.
Poynter deixou seus argumentos de lado e respirou fundo, entendendo completamente os motivos de . Afinal, ninguém podia simplesmente decidir não se apaixonar cegamente por alguém.
– Certo. – ele levantou. – Acho melhor eu ir para casa.
– Tudo bem. – o acompanhou até a porta, checando se a barra estava realmente limpa. – Obrigada Poynter, de verdade. Se tiver algo que eu possa fazer por você, por favor, me avise. Estou te devendo uma, por mais que não goste de admitir.
Dougie sorriu fraco.
– Boa sorte com seu ex namorado perseguidor.
– Obrigada. – ela sorriu, fechando a porta em seguida.
Poynter entrou em sua própria casa e se jogou na cama sem nem se dar ao trabalho de tirar os sapatos. Parou para repassar todo o dia em sua mente e, ao se tocar da chance que havia perdido, buscou o celular no bolso e mandou uma mensagem para .

Acho que sei como você pode retribuir esse favor e de quebra, se livrar de uma vez por todas do seu ex perseguidor 11:06 pm


Eu não vou vender minha alma para o diabo, Poynter, se é isso que está sugerindo, seu esquisito! 11:06 pm

Essa é a medida extrema. Ainda não chegamos a ela, docinho 11:07 pm


E qual medida sugere? 11:07 pm

Te espero para irmos tomar café da manhã juntos amanhã às 9h. Eu te conto tudo na Starbucks11:07 pm

Capítulo 4 – Isso não é uma fanfic do McFLY!

Dougie estava irritado. Não, ele estava muito mais do que irritado. Estava irado, furioso, raivoso… estava puto, era isso. Segurava o aparelho de celular em suas mãos com uma força desnecessária, enquanto corria os olhos por toda a timeline do Twitter e só conseguia ver aquela maldita hashtag, zombando da sua cara. #DougieMeNamora estava em primeiro lugar nos trending topics mundiais desde a noite anterior.
Não importava o quanto ele tentasse, todo tweet que aparecia em seu feed, continha aquela hashtag. Entrou na conta dos amigos apenas para constatar o óbvio: os três haviam tweetado aquela frase maldita e lançado uma campanha para encontrar uma namorada para ele. Na porra do Twitter. Até Mark Hoppus do Blink 182 – a banda favorita de Poynter – havia postado uma foto de Dougie, de um dia em que eles haviam tomado café juntos, com a legenda “this man needs a wife”, zoando a campanha que ¾ do McFLY havia lançado. Agora o mundo inteiro achava que Dougie havia virado um solteirão amargurado que precisava urgentemente de uma namorada para lhe tirar da solidão e lhe fazer feliz.
Poynter queria vomitar. E nem havia tocado nos donuts gordurosos que havia comprado.
E por falar na mulher, ela estava sentada de frente para o loiro, usando um moletom pesado, jeans e um All Star surrado e tentava conter o riso. Mas conforme lia o feedback que aquela campanha estava tendo, não conseguia conter os resmungos que soltava no lugar das gargalhadas. Poynter bufou, antes de largar o celular em cima da mesa e encarar a mulher com irritação, se recostando no banco em seguida.
– Pode rir. Não vai piorar a minha situação.
não esperou nem mais um segundo e caiu na risada. Quase toda a Starbucks parou para assistir ao show que a mulher dava, enquanto ria e tentava puxar o ar para seus pulmões aos montes e sem sucesso. Poynter esperou pacientemente, ainda mais irritado do que antes, comprovando que as coisas poderiam ficar piores sim, enquanto parava de rir aos poucos e o encarava com um divertimento estampado no olhar. Era óbvio que ela se divertia com a desgraça do loiro. Apesar do clima amistoso e incomum do dia anterior, eles ainda eram Dougie e . E ainda implicavam um com o outro como se suas vidas dependessem daquilo.
– Eu amo esses caras. – Ela afirmou, ainda deixando algumas risadas escaparem.
– Eu não acredito que eles fizeram isso. – Dougie suspirou. – Sério. É muita exposição. Eles não podem achar que isso dará certo, não é?
– Eu não sei o que se passa na cabeça daqueles três. – deu de ombros. – Mas para terem realmente lançado isso ao público, eles devem estar desesperados.
– Sabe quem está desesperado? Eu. – Falou irritado. – Eu ‘tô desesperado. Esses idiotas ferraram com a minha vida.
revirou os olhos, frente ao exagero de Poynter. Bebeu seu café e pegou um donuts para comer.
– Não seja dramático. – Murmurou. – No máximo a MTV vai te chamar para uma versão especial de Are You The One?. Só que com algumas participantes lutando pelo coração do McFLY mais novo. – riu, se divertindo com a ideia. – Acho que vou vender os direitos desse programa. Talvez eu até consiga apresentá-lo!
– Eu acho que vou vomitar. – Poynter avisou. pegou a cesta de donuts e afastou do homem.
– Não nos meus donuts.
– Eu vou matar aqueles três assim que os vir. Juro que vou.
– Certo. – A morena estalou os lábios. – Mas antes de cometer três homicídios e ir para a cadeia, por favor, me diga qual a maldita solução que você encontrou para meu pequeno probleminha perseguidor?
E ali estava, Dougie lembrou, a chance de se vingar dos amigos. Naquele momento, mais do que tudo, Poynter precisava que aceitasse sua proposta maluca. Ele precisava se vingar dos amigos, depois de toda a exposição que eles haviam lhe causado. E que forma melhor para isso do que fingir um relacionamento amoroso com ? A mulher com quem eles sempre esperaram que Dougie namorasse? Aquela com quem havia sido obrigado a conviver diversas vezes enquanto seus amigos bancavam os cupidos e esperavam que as flechas do amor os atingissem? A única mulher com quem ele jamais se envolveria emocionalmente? Não podia arriscar um relacionamento falso com uma desconhecida. Poderia dar tudo errado e acabar envolvido.
Mas com não tinha erros. Eles se detestavam e continuariam dessa forma até o fim de seus dias. Um relacionamento falso em nada mudaria esse fator.
Seria uma vingança cômica, se não fosse trágica a situação na qual Poynter se encontrava.
– Bem… eu já vinha pensando nisso desde que percebi que eles estavam tentando me arrumar uma namorada com aqueles convites para jantar, mas não tinha certeza de como faria.
– Poynter, não estou entendendo o que isso tem a ver com eu me livrar de Trevor de uma vez por todas. – pontuou, com calma.
– É algo que vai beneficiar a nós dois. – O loiro garantiu, a fazendo estreitar o olhar, em desconfiança.
– Desembucha.
Poynter olhou para os lados, a fim de checar se alguém os ouviria. Se inclinou para e diminuiu o tom de voz ao murmurar:
– Estou te propondo um namoro falso.
voltou a rir. E riu com gosto, até perceber que Poynter não estava rindo junto. Então parou. Fixou o olhar no homem, esperando que ele indicasse que estava brincando. Coisa que não aconteceu e isso a fez arregalar os olhos.
– Você está falando sério? – Questionou, incrédula.
– Eu pareço ter ânimo para brincadeiras hoje? – O homem bufou, impaciente.
– Não pode estar falando sério. – Murmurou atônita. – Isso não é a porra de uma fanfic do McFLY, Poynter. É da nossa vida que estamos falando. – exclamou, chocada.
– Olha, isso seria bom para nós dois. – O loiro ponderou. – Eu me vingaria daqueles otários que se dizem meus amigos, namorando falsamente a mulher com quem eles sempre sonharam em me juntar e você se livraria do Trevor. E de quebra, ainda tiraria uma onda com nossos amigos e se vingaria de todas as saias justas nas quais fomos colocados em todos esses anos em que nos conhecemos. E você sabe que não foram poucas.
Ele tinha um bom ponto, tinha que admitir. Mas um namoro? Mesmo que falso, ainda tinha algum peso. Ok, ela queria se livrar de Trevor. E se vingar de todas as vezes que ouviu, “mas você e o Dougie foram feitos um para o outro” ou “você não vai me convencer de que não sente nada por ele” seria realmente algo que valeria a pena. Mas um namoro com Poynter? Justo com Poynter, o cara que havia jogado água nela e era um completo babaca quase o tempo todo?
Não era, nem de longe, uma boa ideia. Mas ela não tinha nenhuma outra alternativa mais viável.
– Eu sei que não nos damos bem. – Poynter murmurou. – E é exatamente por isso que não existiria chances de acabarmos envolvidos de verdade. E eu nem mencionei que você é o plano C deles.
– O que? – indagou, surpresa.
Dougie pegou o celular e fuçou até achar a gravação da noite anterior, passando o aparelho para e indicando que ela deveria ouvir o conteúdo. Um minuto se passou e devolver o celular para Poynter, com uma expressão irritada no rosto. Respirou fundo e encarou os olhos azuis de Dougie com firmeza, antes de pronunciar a frase que mudaria tudo dali em diante.
– Certo. E o que fazemos agora?
Poynter sorriu largamente.
– Agora nós plantamos a sementinha da desconfiança.
Durante o resto do dia, Dougie não tweetou nada que fizesse menção a maldita hashtag. Foi para o estúdio e aguentou as piadinhas dos amigos e colegas. Voltou para casa e assistiu uma série da Netflix até estar com tanto sono que poderia dormir no sofá. Tudo para fingir que aquela campanha não lhe afetava.

Na quarta-feira, Dougie tinha uma gravação de entrevista para um programa de TV as 3h da tarde, na mesma emissora na qual trabalhava. Acordou lá pela 1h, com a ligação de seu agente, que o orientou a chegar mais cedo até o estúdio de gravação. Poynter então apenas tomou banho e vestiu uma roupa confortável, antes de se dirigir até o estúdio. Encontrou Fletch*, seu empresário, o esperando no camarim que fora designado para ele.
– Nós temos um problema. – O homem avisou, antes mesmo que Dougie pudesse desejar uma boa tarde.
– O que foi dessa vez? – Poynter suspirou, já sentindo as dores de cabeça lhe afetarem. Aquela campanha havia ferrado com seu sono e consequentemente, lhe dado uma dor de cabeça absurda.
– A tal da hashtag não sai dos trending topics. – Flecth informou. – E o pessoal da produção avisou que a entrevista vai se dar em cima disso e não mais sobre a sua carreira no geral.
– Mas que caralho mesmo. – Dougie reclamou, se jogando no sofá e recostando a cabeça na parede, suspirando alto.
Era só o que lhe faltava. Acabar ofuscando sua volta para o mundo da música por causa de uma campanha idiota criada por seus amigos idiotas.
– Precisamos de um plano de ação. – Fletch disse, checando seu celular e voltando a encarar Poynter. – Podemos afirmar que foi apenas uma brincadeira. Uma aposta que você perdeu para os garotos. Ou então, você diz que a campanha é real e você realmente está procurando uma namorada. Daria um belo marketing para a banda.
– Mas nem a pau. – Poynter retrucou. – Eu tenho um plano.
– Dougie, não faça bobagem. – o mais velho recomendou, num suspiro.
– Eu nunca faço. – Dougie sorriu, mas os dois sabiam que ele estava mentindo.
Meia hora passada e ele já estava no set de gravação. Tinha trocado de roupa e deixado a produção arrumar seus cabelos e passar alguma maquiagem em seu rosto, tudo para parecer mais apresentável em frente às câmeras. Sentou-se no sofá e cumprimentou a todos. O programa era uma nova aposta da emissora e Owen, o apresentador, parecia ser um cara simpático e engraçado e Poynter logo se sentiu confortável para a gravação. Tirou o celular do bolso ao senti-lo vibrar e visualizou uma nova mensagem de .


Até que você fica bonitinho quando penteia os cabelos 02:50 pm

Eu sou bonito sempre, você que finge que não sente atração por mim 02:50 pm
E de onde diabos você está me vendo para saber do meu cabelo? 02:50 pm


Eu trabalho nessa emissora, gênio. Tenho passe livre para qualquer estúdio de gravação 02:51 pm

Dougie levantou os olhos do celular e procurou por junto a equipe do programa. A mulher estava sentada perto da câmera principal, usando jeans e um casaco pesado, juntamente de uma bota ugg. Sorriu para ele e acenou brevemente, dando de língua em seguida. Poynter revirou os olhos frente a infantilidade de , tendo sua atenção tomada por Owen, que o chamava animadamente.
– Podemos começar? – indagou.
– Claro. – Poynter balançou a cabeça, em concordância.
Owen se virou para a câmera e iniciou o programa, apresentando o quadro de entrevistas de que Dougie participaria e fazendo uma breve recapitulação da carreira de Poynter ao apresentá-lo.
– Então Dougie, é verdade que você está em outra banda? – Owen indagou.
– Sim. – Poynter assentiu. – Dei um tempo com os desfiles para me dedicar a música. A Ink nasceu de uma vontade individual de cada integrante de fazer música, independente do retorno midiático.
– E o McFLY? Acabou?
– Não. McFLY é para sempre. Apenas estamos dando um tempo. Os caras precisam cuidar de suas famílias e eu preciso cuidar da minha samambaia. – Dougie disse, arrancando risadas de Owen.
– Então existe possibilidade de o McFLY voltar? Porque veja bem, os fãs de vocês já estão perdendo as esperanças.
– Sim, existe. – Dougie sorriu. – Algumas das nossas prioridades podem ter mudado com o passar dos anos, mas a banda sempre será algo importante para nós. E nós jamais poderíamos abandonar nossos fãs. Eles estiverem conosco desde o começo. Nada mais justo que nós ficarmos com eles para sempre. – Poynter concluiu e Owen assentiu em concordância.
– Agora vamos falar da sua vida pessoal. – Owen disse e Poynter fez uma careta forçada, fazendo o homem rir. – Fiquei sabendo que seus amigos estão procurando uma namorada para você.
– Você e o mundo inteiro, não é? – Poynter fez piada, rindo fraco.
– Como está a repercussão da campanha?
– Sinceramente? Um saco. – Os dois riram. – Eu nem consigo usar minhas redes sociais porque a única coisa que aparece é aquela tag.
– Mas você concordou ou os rapazes simplesmente resolveram fazer isso de surpresa?
– Foi uma total surpresa. Eu não estava esperando. – Dougie contou, se recostando na poltrona. – Eu descobri ontem pela manhã, enquanto tomava café.
– Mas você não negou. – Owen pontuou. – Está mesmo procurando uma namorada?
– Não. – Dougie sorriu, ajeitando os cabelos em seguida. – Não neguei porque sabia que isso só alimentaria a repercussão.
– Mas você está fugindo da pergunta. – Owen sorriu. – Está mesmo procurando uma namorada?
– Não estou, desculpem moças. – Dougie olhou para a câmera, se desculpando. – Meus amigos iniciaram essa brincadeira porque eu não quis contar uma coisa para eles. – Confidenciou, com um sorriso divertido.
– E essa coisa tem a ver com um relacionamento? – Owen questionou, curioso.
Poynter deu de ombros, ainda sorrindo.
– Talvez.
– E quem é ela? Já está sério o suficiente para revelar?
– Só posso dizer que é uma pessoa muito especial para mim. – Dougie disse. – Estamos caminhando para algo legal e não quero estragar isso.
– Certo. – Owen assentiu. – Saberemos quem ela é em breve?
– Creio que sim. – Dougie respondeu. – Ela não vai enrolar muito para aceitar meu pedido. Sou irresistível demais. – E olhou discretamente para ao lado da câmera, dando uma piscadela para a mulher, que revirou os olhos e o mandou se foder apenas movendo os lábios.
– E o que ela achou da campanha dos garotos? – Owen questionou, interessado no assunto. Dougie sorriu, sacudindo os cabelos novamente,
– Ela deu risada. – Poynter respondeu. – Muita risada mesmo.
– Parece ser uma moça divertida, então. – Concluiu.
– As outras pessoas dizem que sim. – O loiro deu de ombros, indiferente.
– Então ela é famosa?
– Mais do que eu, com certeza.
– E como nunca vimos vocês juntos? – Owen indagou, curioso.
– Como eu disse, é algo recente. Não quisemos exposição de início para não termos expectativas em cima de nós. – Dougie explicou. – Mas está sendo ótimo, então não vamos demorar a assumir. Não gosto de viver escondido.
– Ela provavelmente vai assistir a esse programa, não é?
– Sem dúvidas. – Poynter riu, lançando um olhar rápido para , que fazia uma careta.
– Creio que falo por muita gente, quando peço para que vocês revelem esse romance! O mundo quer shippar esse casal, seja você quem for! – Owen exclamou, olhando para a câmera.
– Tenho certeza de que ela vai te ouvir, Owen. – Dougie comentou, sorrindo de leve.
Após mais alguns comentários, a entrevista foi finalizada e Dougie seguiu para seu camarim com Fletch na sua cola, fazendo milhares de perguntas a respeito da suposta namorada que ele tinha arrumado. Dougie apenas deu de ombros e falou que na hora certa todos saberiam quem era a mulher, findando o assunto em seguida.

*: Eu dei uma pesquisada e não encontrei menções ao empresário atual do Dougie, então usei nosso querido Fletch, que já conhecemos e amamos desde sempre.

Capítulo 5 – As tais pantufas de tartaruga

estava jogada no sofá da casa de Poynter. Usava um conjunto de moletom, pantufas em formato de tartaruga – acessório esse do qual Dougie riu bastante; os cabelos presos em um rabo de cavalo e nada de maquiagem no rosto. Mas nem por isso, ela deixava de ser bonita, mesmo que Dougie, sentado ao seu lado, nunca fosse admitir aquilo em voz alta perto da mulher ou de qualquer outra pessoa. Para ser bem sincero, o homem reprimia aqueles pensamentos dentro da própria cabeça, como se ao evitar pensar naquilo, ele fingisse que não tinha aquela opinião.
Os dois comiam pizza e bebiam refrigerante, apesar do frio que fazia, chocolate quente e queijo não faria bem ao estômago de nenhum deles. A paz reinava na sala desde que havia chego com uma caixa de pizza, alegando que ela e Poynter precisavam montar um esquema para o namoro falso deles. Dougie reclamou no início, alegando que não era obrigado a aturar a presença da mulher no seu final de domingo, mas logo o mandou calar a boca, já que o plano de se vingar dos amigos era dele e ela só o estava ajudando. Ignorou o fato de que precisava se livrar do ex namorado, mas nem Dougie lembrou daquele incômodo. Por conhecer os amigos que os dois compartilhavam, sabia que não seria fácil convencê-los de que ela e Dougie estavam apaixonados e em um relacionamento. Ela havia negado qualquer chance de envolvimento com Poynter vezes demais para que simplesmente acreditasse que eles estavam juntos, principalmente após ela e Danny terem tentado arrumar uma namorada para o loiro. Então eles precisariam trabalhar jogando algumas pistas, antes de “assumir acidentalmente” qualquer rótulo e era esse plano que ela e Dougie precisavam montar naquela noite.
– E como devemos fazer isso? Sair de mãos dadas na rua seria o suficiente, não? – Dougie questionou, recebendo um revirar de olhos em resposta. O homem estava sentado no canto esquerdo do sofá, usando um conjunto de moletom e touca, enrolado em uma manta. Faltavam poucas semanas para a primavera chegar, mas ainda fazia um frio absurdo na Inglaterra.
– Deixa de ser lesado, Poynter. – murmurou. – Se simplesmente chegarmos para eles e assumirmos um namoro, eles obviamente vão desconfiar e nos desmascarar em segundos. Nem todos eles são lerdos como o Danny. – Ela explicou. – Provavelmente até o Danny descobriria a nossa farsa.
– Ok. – Dougie concordou, a contragosto. – Qual o seu plano?
– Meu plano? – indagou, as sobrancelhas arqueadas pela surpresa. Limpou as mãos com um guardanapo e tomou um gole de seu refrigerante. – Porque a responsabilidade de ter um plano caiu para mim?
– Porque você criticou minhas ideias! – Dougie acusou, como se fosse óbvio.
– Suas ideias eram podres! – retrucou e Poynter revirou os olhos para ela.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, tentando montar algum plano e chegando à conclusão de que aquela convivência repleta de brigas sem sentido, não daria certo caso eles realmente quisessem convencer os amigos de que estavam namorando. Eles precisam convencê-los de que estavam apaixonados. E aquela seria uma tarefa muito difícil.
– Tudo bem. – suspirou, levantando as mãos para o alto, simbolizando rendição. – Antes de pensarmos em um plano para nosso namoro falso, seria bom esclarecermos alguns pontos para melhorar a nossa convivência. Não vamos convencer ninguém desse jeito. – Apontou para os dois, exemplificando o tipo de relacionamento que tinham.
– Virou psicóloga, agora? – Dougie indagou, em um tom debochado, recebendo um olhar feio de . O loiro suspirou, largando a pizza na caixa e assentindo em concordância. – Vou tentar ser menos implicante. – Falou por fim, enquanto limpava as mãos com guardanapos.
– Obrigada por admitir que você começa a implicar comigo e por isso nós brigamos. – sorriu sem mostrar os dentes.
– Em nenhum momento eu disse isso.
– Quieto, Poynter! – A mulher chiou. – Eu estou tentando fazer isso aqui dar certo e você precisa colaborar! – Disse, como se não tivesse acabado de provocá-lo. Dougie, em uma situação normal, retrucaria e eles começariam a brigar. Mas naquele momento, só se permitiu gargalhar pela audácia de . Aquela mulher era maluca e disso ele tinha certeza.
– Eu vou me arrepender amargamente por ter te chamado para isso, não vou? – Ele indagou, ajeitando os cabelos com a mão.
– Com certeza! – riu. – Mas agora é sério. Precisamos resolver essa situação. Então seja sincero e diga porque me enche tanto o saco. – Perguntou, inquisitiva. Apesar do tom descontraído, Dougie pôde notar uma curiosidade genuína nos olhos de e quase se deixou gargalhar, mas acabou por dar de ombros, sem saber como começar a responder aquela pergunta.
o irritava, isso era inegável. Desde o acidente com o balde de água, a mulher não fazia questão em ser amigável ou gentil com ele. E Poynter não era o tipo que aceitava as coisas calado, então ele revidava. Mas ele também admitia que se divertia com a situação. Suas brigas eram infantis e nada ofensivas de verdade, então era apenas uma forma de extravasar.
– Não sei, exatamente. – Suspirou. – Acho que me acostumei a te provocar. É divertido. – Deu de ombros novamente.
– Certo. – estalou os lábios, bebendo mais um gole de seu refrigerante, sem desviar os olhos do homem sentado ao seu lado. – E o que mais?
– Acho que você é rancorosa. – Completou. – A gente só briga porque você não superou a história do balde.
– Eu admito essa culpa. – disse. – Mas acrescento que você sempre foi um idiota comigo. O balde, as provocações, as piadinhas…
– Eu te encho o saco, porque você não esquece a coisa com o balde. – Dougie retrucou. – Eu te pedi desculpas e você continua a tocar no assunto. – Exclamou, impaciente. – Era só aceitar as desculpas e seguir em frente, sem me tratar com grosseria.
riu alto, sacudindo a cabeça para os lados, sem acreditar que realmente havia escutado aquilo.
– Você nunca me pediu desculpas. – Ela pontuou e Dougie arqueou as sobrancelhas, confuso.
– Claro que pedi!
– Não, Poynter, não pediu. – debochou. – Você disse, abre aspas, “você não deveria ter entrado primeiro”, fecha aspas. E após isso, simplesmente passou a implicar comigo e a fazer piadinhas idiotas. Como acontece até hoje.
– É sério? – Dougie questionou, surpreso. Não acreditava que tinha sido babaca aquele ponto e não havia pedido desculpas a mulher. Agora ele entendia porque ela o tratava mal e não tirava sua razão. – Desculpe, de verdade. Eu era um idiota. Sempre achei que você era a rancorosa, mas nunca parei para pensar se eu havia mesmo te pedido desculpas.
– Está desculpado, mesmo que alguns anos atrasado. – sorriu fraco. – Eu normalmente não guardo rancor atoa. E muito menos trato as pessoas mal sem motivos.
– Vou guardar isso na lembrança, para o caso de precisar de um argumento no futuro. – O loiro disse, rindo. revirou os olhos.
– Estamos esclarecidos, então? – Ela indagou.
– Acredito que sim. – Ele deu de ombros. – Eu te pedi desculpas, você me desculpou. Não vai mais ser uma arrogante comigo e eu vou deixar de fazer piadinhas e te irritar.
– Certo, toda a diversão foi para o lixo. – pontuou.
– Podemos acabar virando amigos. – Dougie sugeriu, incerto. Eles trocaram um olhar rápido e logo ambos sacudiram a cabeça para os lados, jogando a ideia fora. Era divertido demais as provocações para eles simplesmente desistirem daquilo e virarem melhores amigos.
– Talvez amigos que brigam de vez em quando. – decidiu e Dougie assentiu em concordância.
– Muito melhor. – Disse. – E agora, quanto ao nosso namoro? – Fez uma careta e riu. O sentimento era recíproco no que se dizia respeito a serem namorados, mesmo que falsos.
– Como eu te disse, chegar avisando que estamos juntos não vai dar certo. me ouviu vezes demais reclamar por ela tentar nos juntar e não vai simplesmente aceitar, que de uma hora para outra, nós nos apaixonamos e estamos namorando. – explicou e Dougie assentiu em concordância.
– Realmente, eu reclamei muito sobre isso também, com todos eles. – Dougie disse.
– Então temos que trabalhar com o que temos. – explicou. – Você deu uma entrevista lá na emissora mês passado, não deu?
– Sim. – Poynter lançou um olhar desconfiado para a mulher. – Como você sabe?
– Foi a Tina quem te entrevistou. – Ela revirou os olhos. – Ela passou duas semanas enchendo o saco e falando que “Dougie Poynter tinha uma entrevista com ela”.
– Eu sou muito desejado. – Ele sorriu, charmoso. – Você é a única que nega isso.
– Porque eu sou consciente. – Ela sorriu, angelicalmente. Poynter lhe mostrou o dedo do meio. – Enfim, podemos dizer que nos esbarramos por lá e tomamos um café. Esclarecemos a situação do balde e acabamos virando alguma coisa tipo amigos. Aí começamos a sair e acabou nascendo um sentimento. – Ela disse, com uma expressão que demonstrava nojo.
– Essa careta não me convence. – Poynter debochou. – Eu sei que você está louca para assumirmos esse namoro para poder me beijar.
– Não, obrigada. Eu passo. – disse e Dougie gargalhou.
– Tudo bem. – Deu-se por vencido. – A entrevista que dei na quarta-feira vai ao ar hoje. Harry disse que ia assistir, então podemos contar com a plantação da sementinha da desconfiança.
– Ótimo! – exclamou.
– E se eles perguntarem porque não falamos sobre isso, explicamos que eles não acreditariam que estávamos saindo, porque foi uma surpresa para nós também, devido ao nosso histórico. – Dougie sugeriu. – E preferimos manter em segredo até termos certeza de que era o que queríamos.
– A ideia é boa e eu sou obrigada a concordar. – suspirou, fingindo decepção.
– Olha, estamos progredindo bastante por aqui. – Dougie ergueu as mãos para o alto, fingindo agradecer aos céus pelo milagre.
– Sim, por algum milagre divino você está raciocinando como um ser humano normal. – retrucou, mordendo o sorriso. Poynter bufou.
– E voltamos à estaca zero.
– Admita, Dougster. É muito mais divertido com as implicâncias. – A mulher deu de ombros, inocentemente. – Mas teremos que nos policiar quando estivermos com eles. Em qualquer deslize, seremos mortos. Literalmente. – falou, arregalando os olhos para enfatizar sua fala.
– Eles não vão ficar contentes quando descobrirem a verdade. – Dougie comentou, pensativo.
– Eles vão ficar putos. – disse, simplesmente.
O sorriso gigante que Dougie abriu ao ouvir aquela frase fez entender que aquela era a intenção de Dougie desde o início. E a mulher não podia negar que se divertiria às custas daquela vingança.
– Mas então, como iremos começar a lançar as pistas? – Dougie questionou, com interesse. deixou seu olhar vagar pela casa, em uma tentativa de encontrar alguma ideia para aquele problema. Pousou o olhar em suas pantufas e sorriu largamente, devido ao estalo que seus pensamentos deram ao montar uma ideia.
– Pega seu celular. – Ela pediu e logo Poynter tinha o aparelho em mãos. A mulher cruzou as pernas e deixou a ponta da pantufa esquerda no ângulo que enquadraria a poltrona e as plantas de Dougie em frente a janela da casa. – Enquadra apenas a ponta do meu pé, de forma a dar a entender de que é uma pantufa de tartaruga mas não deixa explícita que pantufa é. Posta no stories. Eu postei um stories antes de vir para cá, usando essas pantufas. Isso não prova nada, mas dá alguma pista.
– Certo. – Poynter murmurou, fazendo o que sugeriu. – E agora?
– Agora eu vou para a minha casa dormir, pois amanhã a rotina está de volta e eu preciso trabalhar. – Ela respondeu, se colocando de pé num salto. – E vou deixar a bagunça para você arrumar, já que eu trouxe a pizza. – sorriu inocentemente e Dougie revirou os olhos.
– Você já está abusando. – Ele murmurou, rabugento.
– Esse é meu papel de namorada, namorado. – Ela riu, debochando de Dougie ao chamá-lo por aquela palavra.
se aproximou de Poynter e pegou a touca dele, colocando na própria cabeça. Antes que Dougie pudesse reclamar, ela estendeu a mão para que eu ficasse quieto, pois ela iria explicar.
– Todo mundo conhece essa touca como sua. – falou. – Essa vai ser a minha pista de hoje.
– Eu vou querer ela de volta. – Dougie avisou, levantando do sofá e seguindo com até a porta.
– Eu vou pensar no seu caso. – A mulher sorriu, tremendo ao sentir a brisa gelada da noite londrina. Parou no batente da porta, com Dougie ao seu lado, segurando a porta.
– Qualquer coisa, eu te mando mensagem para contar as novidades. – Dougie avisou, recebendo um assentir de cabeça como resposta.
Antes de se despedir de Poynter, checou a rua para garantir que não encontraria o carro do ex estacionado em frente à sua casa. Suspirou em alívio ao não encontrar a BMW preta, atraindo a atenção de Poynter para o ato.
– Ele ainda fica aí na frente? – O homem questionou, curioso.
– Duas noites durante essa semana. Fora isso, mensagens e ligações. – Ela deu de ombros, parada em frente à porta. – Ninguém pode acusá-lo de não ser insistente.
– Logo que assumirmos, ele desiste. – Dougie falou, com otimismo.
– Espero que sim. Foi para isso que me meti nessa loucura. – suspirou. – Bem, boa noite, Poynter.
E dito isso, deu as costas e cruzou o gramado de Dougie, que só fechou a porta quando viu a mulher entrar dentro da própria casa. Dougie suspirou, voltando para a sala e recolhendo a caixa de pizza junto das latinhas de refrigerante, antes de trancar a casa e subir para seu quarto. Um banho e um livro iriam ser o suficiente para entretê-lo enquanto o programa não ia ao ar.

Estava jogado em sua cama, o celular em mãos e a TV conectada ao canal que passaria sua entrevista com Owen. Quando a vinheta do programa iniciou, seu celular vibrou, anunciando duas mensagens de conversas distintas. Abriu a mais recente, encontrando uma foto dos Judd sentados no sofá. segurava Kit – que mais parecia uma bola devido a quantidade de roupas que usava – e Lola estava sentada no colo de Harry. Todos enrolados em cobertores e com sorrisos nos rostos. A legenda da foto era:

Juddão
Preparados para assistir ao tio Dougie na TV 08:58 pm

Dougie sorriu, começando a digitar uma resposta que acabou sendo apagada quando uma nova mensagem de Harry chegou.

Juddão
quer saber de quem eram as pantufas no teu stories, porque ela amou e queria comprar para ela 08:58 pm

Resolveu não responder as mensagens do amigo naquele momento. Esperaria o programa terminar, pois sabia que Harry teria muitas outras questões para abordar. Abriu a outra conversa com uma foto de , usando sua touca e em frente à TV onde a vinheta do programa apresentava um histórico da carreira de Dougie com uma foto dele desfilando fazendo fundo. A mulher estava enrolada em uma manta colorida e fazia o clássico hang loose com uma das mãos.


Assistindo meu namorado na TV usando a touca dele 08:59 pm

Dougie riu alto, digitando uma resposta rápida para a mulher antes de bloquear o celular e prestar atenção da TV.

Não resiste de saudades de mim e precisa assistir minhas entrevistas? 09:00 pm

Enquanto a entrevista corria, apenas ouvia o celular vibrar. Ao final da entrevista, o toque de ligação se fez presente e Dougie riu, ao ler o nome de Harry na tela do aparelho. Aquela havia sido rápida e certeira, pensou. Pegou o aparelho em mãos e aceitou a chamada de vídeo do amigo.
– MAS QUE PORRA FOI ESSA, POYNTER? – Harry gritou, com uma expressão que misturava raiva e choque no rosto. Dougie viu a mão de entrar em ação e a mulher depositar um tapa no braço de Judd.
– Olha a boca, Harold. As crianças estão na sala ao lado! – Ela exclamou, tirando o aparelho das mãos de Harry e então focando a atenção em Dougie.
– Que porra foi essa Dougie? – Ela disse, num tom de voz mais baixo. Harry voltou ao vídeo, parando atrás de e Dougie quase riu ao ver a expressão indignada no rosto do amigo.
– Porque você pode falar e eu não? – Ele resmungou, irritado.
– Porque eu não sou exagerada e fico gritando. – revirou os olhos. – Você sabe que Lola repete tudo que ela escuta. Vai ser lindo ouvi-la repetindo palavrões no almoço de domingo na casa da sua mãe.
– Certo. – Harry bufou, se rendendo. Voltou a atenção para Dougie e estreitou o olhar. – Desembucha, Poynter. Que história é essa de você estar namorando?
– Eu nunca disse que estava solteiro. – Poynter retrucou, vendo os amigos ficarem sem argumentos. – Inclusive, obrigado por lançar uma campanha para me arrumar uma namorada sem o meu consentimento. – Disse, de forma ácida.
– A ideia foi do Danny! – Harry se defendeu.
– Não seja mentiroso, Harry. – acusou, lançando um olhar reprovador para o marido. – A ideia foi de todos nós, Dougie. Danny só deu o pontapé inicial, mesmo sem perceber. – A mulher sorriu sem graça.
– De toda a forma, foi uma droga. – Dougie suspirou. – Mas ela se divertiu. – Deu de ombros, ocultando o nome de intencionalmente.
– E quem é ela? Porque você não mencionou isso antes? – questionou, curiosa.
– Teria evitado toda a confusão que acabamos criando. – Harry falou.
– Não estávamos e ainda não estamos confortáveis em assumir. – Dougie explicou. – É complicado.
– Mas é sério ou é casual?
– É sério. – Dougie afirmou, com um aceno de cabeça. Viu Harry e trocarem um olhar rápido e quase riu.
– Bom, esperamos conhecê-la em breve, então. – concluiu, mandando um beijo para Dougie antes de devolver o celular para Harry.
– Vamos, me fale. – Judd pressionou e Dougie riu.
– Ainda não é a hora certa.
– Porra Dougie, se você tivesse me contado, a gente não teria inventado nenhuma campanha para te arrumar uma namorada. – Harry suspirou.
– Eu sei. Mas eu não queria precipitar as coisas. – Dougie disse. – E vocês são uns idiotas se pensaram que essa campanha daria certo.
– Na nossa cabeça fazia sentido. – Judd deu de ombros. – E idiotas nós sempre fomos. – Os dois riram.
– É, eu sei. – Dougie sacudiu a cabeça para os lados. – Logo vocês vão saber quem é, não se preocupe.
– Mas você gosta dela? – Harry indagou e Dougie sorriu fraco.
– Pode-se dizer que sim. – Deu de ombros.
– Tudo bem. – Judd disse. – Vamos marcar um jantar para essa semana, pode ser? – Sugeriu e Dougie acenou em concordância. – Aí colocamos as novidades em dia.
– Quarta eu estou livre. – Dougie mencionou e Harry assentiu.
– Quarta então. Vou chamar os outros dois também.
– Ok.
– Só para matar a curiosidade, as pantufas no teu stories são dela? – Harry questionou, curioso.
– Sim, Judd. Minhas que não seriam. – Poynter revirou os olhos.
– Ah, não duvido de mais nada vindo de você. – Harry falou e Dougie o mandou à merda. Finalizaram a chamada em seguida e Dougie se permitiu abrir a conversa com .


Quase postei um stories assistindo a entrevista, mas ia ficar muito na cara 10:00 pm

Sem dúvidas 10:00 pm
Harry me ligou. Ficou puto porque eu “não disse que estava namorando” 10:01 pm


Ah, meta atingida com sucesso! 💁 10:01 pm
Eu postei um stories com a tua touca e uma legenda misteriosa. Logo alguém vai ligar as coisas e começar a divulgar teorias da conspiração 10:02 pm

Vou jantar com os caras na quarta. Vamos precisar tirar uma foto onde você não dê para te identificar muito bem, mas deixe um mistério. Vou deixar meu celular, sem querer, com a tela acesa durante algum momento do jantar 10:03 pm


Estou me sentindo no CSI 10:04 pm

Sherlock é muito melhor! 10:04 pm


Vocês britânicos adoram desprezar as séries americanas 10:04 pm

Só quando temos séries melhores 😁 10:05 pm


Vá a merda, Poynter. Amanhã passe aqui em casa para tirarmos a foto 10:05 pm

E já vou recuperar a minha touca! 10:06 pm


Não crie muitas esperanças. Boa noite, namorado 10:06 pm

Boa noite, namorada 10:06 pm

Dougie suspirou e bloqueou o celular, colocando o aparelho para carregar em seguida. Desligou a TV e ajeitou os cobertores, fechando os olhos e deixando o sono tomar conta de si. O dia seguinte iniciaria uma semana interessante e um pouco turbulenta e ele precisaria estar descansado para acompanhar tudo o que viria a acontecer.

Capítulo 6 – O primeiro último ato

A voz de gritou de dentro da casa, para Poynter entrar e trancar a porta. O homem bufou, reclamando a respeito de ela ser uma abusada e não ter a decência de ir atendê-lo e o mandou a merda.
Dougie nunca havia entrado na casa de , então foi uma surpresa encontrar diversos pôsteres de filmes clássicos decorando a parede do hall de entrada. Um pequeno sofá fazia companhia a um armário e vários vasos de plantas decoravam o pequeno cômodo. Dougie seguiu para a sala e percebeu um padrão de decoração: diversas cores, plantas e quadros. Os móveis eram de cores escuras, mas todo o restante da sala era decorado com cores vivas. A manta no sofá era azul, o tapete tinha tons de lilás e as almofadas eram verdes. Era um ambiente aconchegante e bastante diferente dos tons de branco e cinza que Dougie possuía na própria casa. não estava na sala e Dougie presumiu que a mulher estivesse na cozinha, já que os barulhos de panelas vinham com frequência do cômodo. Seguiu com passos largos até o local e encontrou entretida com a decoração de um bolo. Dougie acabou escorado no batente da porta, enquanto murmurava uma música que ele não conseguiu identificar com clareza e usava um saco de confeitar para colocar flores em cima do bolo de dois andares no qual ela trabalhava. Identificou a cobertura como butter cream e acabou bastante surpreso ao descobrir que sabia cozinhar.
– Você está me assustando, parado aí com essa cara de otário. – murmurou, fitando Dougie com os olhos arregalados, forçando um susto exagerado.
Dougie revirou os olhos, se aproximando da bancada e fitando o bolo com atenção.
– Não sabia que você cozinhava. – Comentou, despreocupado. o analisou brevemente, antes de dar de ombros. – Sempre achei que as fotos no teu Instagram eram de encomendas.
– É um dos meus hobbies. – Ela explicou. – Me alivia o stress.
– Entendo. – Dougie disse. – Eu jogo videogame.
– Eu só sei jogar The Sims. – comentou e Dougie riu, pois aquilo era algo que ele poderia supor sozinho.
– Não me surpreende. – Disse e recebeu um olhar atravessado da mulher.
– Marcamos alguma coisa? – Ela questionou por fim, confusa. Terminou de confeitar o bolo e colocou os utensílios sujos dentro da pia. Diferente da sala, a cozinha de era toda em tons de marrom e branco. As únicas cores diferentes pertenciam as flores em vasos coloridos, dispostos na janela.
– Não. Mas eu preciso daquela foto. – Dougie falou e acenou com a cabeça, demonstrando que havia lembrado.
– Você não viria na segunda? – Ela questionou, enquanto lavava o pouco de louça dentro da pia.
– Sim, mas acabei indo para o estúdio. – Dougie explicou. – Finalizamos o EP para lançamento e acabei chegando muito tarde.
– Sem problemas. – acenou. – Espero que você não pretenda ir com essa roupa para o jantar.
– Porque não? – Dougie indagou, olhando para suas próprias roupas. O dia não estava muito frio e ele usava jeans, camiseta branca e uma flanela grossa em tons de vermelho.
– Porque vai ficar muito na cara que a foto foi tirada hoje, cabeção. – Ela debochou e Dougie revirou os olhos para si mesmo.
– Não pensei nisso. – Confessou e riu.
– É claro que não. – Secou as mãos com um pano de cozinha e arrastou Dougie para o segundo andar.
– Para onde estamos indo? – Ele questionou, confuso.
– Para o meu quarto. – disse o óbvio e Dougie arregalou os olhos.
– Porque?
– Porque eu tenho uma parede branca sem decoração e precisamos de um fundo que não dê suspeitas.
– Você tem certeza que trabalha como apresentadora e não é uma agente da CIA infiltrada? – Dougie indagou, fazendo piada. revirou os olhos para ele.
– Não é minha culpa se você é tapado. Se dependesse de ti, seríamos descobertos antes mesmo de anunciarmos o tal namoro.
Dougie fechou a cara e mandou a merda, ante de entrar no quarto da mulher. A decoração seguia o padrão da sala. A cama era formada por paletes e tinha um colchão box. Os lençóis eram brancos, mas os cobertores tinham cores distintas. Os móveis eram em tons escuros e o quarto possuía duas portas, fora a varanda, e Dougie presumiu que dessem para o banheiro e para o closet. Se aproximou da estante de livros que tinha diversos colecionáveis fazendo decoração. tinha duas prateleiras apenas para HQs e Dougie se pegou ainda mais surpreso e admirado. Realmente não conhecia e não fazia ideia dos gostos pessoais da mulher.
– Eu sou um pouco nerd. – comentou, se aproximando da estante e parando ao lado de Poynter.
– Estou admirado. – Ele confessou. – Não fazia ideia dos teus gostos.
– A gente não se conhece realmente né. – deu de ombros. – E isso vai ser um problema. – Ela suspirou, atraindo a atenção do loiro.
– Como?
– A gente não se conhece, Poynter. Como vamos fingir namorar?
– Mas estaríamos no começo do namoro. Não temos que saber tudo um do outro. – Dougie contrapôs.
– É. Mas você nem sabia que eu gosto de HQs. Isso é uma das coisas mais básicas sobre mim.
– É, tem razão. – Dougie concordou finalmente, entendendo o ponto da mulher. – Vamos precisar trocar informações importantes.
– Sexta-feira? – Ela sugeriu. – Posso até cozinhar.
– Está querendo me conquistar é? – Dougie debochou e recebeu um sorriso divertido de .
– Para que, se você já é meu namorado? – Ela riu e foi a vez de Poynter revirar os olhos. – Vamos tirar logo essa foto.
– Minha touca! – Dougie exclamou, após seu olhar cair brevemente para a penteadeira da mulher. A touca estava intacta e ele logo estava com o objeto cobrindo seus cabelos. puxou Dougie para perto da parede branca e tirou a touca da cabeça dele, colocando na sua própria.
– Como vamos tirar a foto sem deixar parecer que sou eu? – A mulher questionou, pensativa.
– Eu procurei algumas ideias no Pinterest. – Dougie comentou, não deixando brecha para comentar a respeito de ele usar uma rede social como o Pinterest. – A maneira mais convincente seria estarmos abraçados e você com o rosto escondido contra meu peito.
A careta de não poderia ser mais explícita e Dougie gargalhou.
– Não estou feliz com isso. – Ela pontuou, se aproximando do homem.
– Sua sorte é que eu tomei banho hoje. – Dougie riu e revirou os olhos. Ela fazia muito aquilo quando ele abria a boca para falar, bem… qualquer coisa.
– Vamos logo com isso. – E respirando fundo, grudou seu corpo ao de Dougie. O abraçou pela cintura enquanto Poynter passou o braço por seus ombros. escondeu o rosto contra o peito de Dougie, que retirou o celular do bolso e abriu um sorriso enorme enquanto batia a foto.
– Vamos tirar mais algumas, só para termos material para esfregar na cara daqueles otários. – Dougie sugeriu e riu, devido a irritação do loiro ao mencionar os amigos.
A mulher abriu um sorriso enorme e Dougie fez mais alguns cliques. Beijou o topo da cabeça de enquanto ela sorria com os olhos quase fechados e mais alguns cliques foram feitos. A última pose que fizeram foi o clichê de estarem se encarando e sorrindo como idiotas. Após Dougie checar a qualidade das fotos, se afastou de e estendeu o aparelho para ela analisar as fotos.
– Ficaram ótimas. – Ela concordou, devolvendo o celular para o rapaz.
– Até que não ficamos um desastre juntos. – Dougie riu.
– Meu querido, eu salvo qualquer foto com esse rostinho lindo aqui. – comentou, sorrindo largamente e apontando para o próprio rosto, de forma convencida. Dougie revirou os olhos.
– Certo, senhorita maravilhosa.
Desceram para a sala e acompanhou Dougie até a porta, parando no batente e lançando um breve olhar para a rua. Acabou encontrando a BMW estacionada do outro lado da rua, em frente à sua casa e puxou Dougie para perto antes do rapaz se afastar. A confusão em seu olhar durou apenas um segundo, pois indicou o carro preto com a cabeça discretamente.
– Ele não desiste? – Dougie questionou, entrando no personagem e enlaçando a cintura de com os braços.
– Fazia uns dias que ele não aparecia. – Ela suspirou. – Já pensei em ir até a delegacia, mas não tenho provas de que ele está aí na frente por minha causa. Não teve ameaças e nem nada do tipo.
– Você precisaria de provas mesmo. – Dougie concordou, com um suspiro.
– Uma hora ele tem que desistir. – deu de ombros. – De qualquer forma, acredito que isso vá afastá-lo. Ele é orgulhoso demais para aceitar sucessivas humilhações.
– Se não funcionar, eu posso quebrar a cara dele. – Dougie sugeriu e gargalhou.
– Ele é jogador. Te quebra em dois, Poynter. – Ela afirmou. – É mais fácil chamar o Judd.
– Não me subestime, mulher. – Dougie brincou. Olhou o horário em seu relógio e suspirou, percebendo que já estava atrasado. – Harry vai comer meu rim. – Ele murmurou. – Estou atrasado.
– Nada de novo sob o Sol. – brincou. – Último ato para finalizar a cena. – Murmurou, abraçando Dougie com força antes de segurar o rosto do rapaz e grudar seus lábios nos dele. O ângulo não os daria a chance de evitarem o beijo e tanto Poynter como sabiam daquilo. E ambos sabiam que em um simples selinho não seria o suficiente e por este motivo, Dougie entreabriu os lábios e permitiu que o beijo se aprofundasse.
Não haviam borboletas no estômago ou fogos de artifício estourando a sua volta. Ambos se sentiam estranhos, mas de uma forma boa. O beijo não era ruim e eles pareciam se moldar de forma a deixar o encaixe perfeito. De alguma forma bizarra, Dougie sentia que aquele era o melhor beijo que havia dado nos últimos tempos, mesmo que fosse a pessoa quem ele beijava. A mulher findou o beijo com um selinho e ambos evitaram se olhar após a troca de carícias, sorrindo fraco e se despedindo com murmúrios que poderiam ser interpretados como palavras apaixonadas pelo telespectador do outro lado da rua. entrou em casa e fechou a porta, enquanto Dougie seguia para sua própria casa.
Afinal, teria que trocar o casaco e colocar um boné, já que não havia devolvido sua touca favorita.

Como o esperado, Dougie chegou atrasado no restaurante em que Harry havia feito reserva para eles. Agradeceu mentalmente ao amigo por ter escolhido um restaurante italiano e se dirigiu até a recepção, dando o nome de Judd e sendo guiado até a mesa em que os amigos estavam sentados. Harry sentava de costas para a parede, no canto direito. Tom estava sentado de frente para Judd e ambos riam de alguma coisa quando Dougie se aproximou. Cumprimentou ambos com um toque de mãos e sentou ao lado de Harry.
– Se não se atrasasse, não seria você. – Tom comentou e Dougie deu de ombros.
– Acabei perdendo o horário. – Explicou.
– Na casa da namorada? – Harry questionou, com um sorriso malicioso. Tom arqueou as sobrancelhas na direção de Poynter, que lançou um olhar feio para o moreno.
– Dougie está namorado? – Tom questionou, surpreso. – Mas e a nossa campanha?
– Bem lembrado, meu caro Fletcher. – Dougie murmurou. – Vocês são uns idiotas, eu só queria pontuar isso. – Sorriu sem mostrar os dentes, encarando os amigos com irritação.
– Eu já expliquei a situação para ele. – Harry disse no mesmo instante em que Tom começaria a se defender. – E sim, ele está namorando. – Tom novamente abriu a boca para falar e Harry o cortou. – E não, ele não quis me contar quem é.
– E não pretendo. – Dougie afirmou. Os três amigos acabaram tendo sua conversa interrompida pelo garçom do restaurante por cerca de cinco minutos, enquanto faziam seus pedidos. – Aliás, não deveríamos esperar o Jones?
– Danny não vem. – Tom comunicou. – Jantar com a família de ou algo assim.
– Mas é um bundão mesmo. – Poynter resmungou.
– Pare de enrolar e nos fale da sua namorada. – Harry reclamou, impaciente.
– Eu não vou falar quem é. E nem mostrar fotos. – Poynter disse, dando de ombros e recebendo olhares nada amigáveis.
– Porque você não nos disse que estava namorando? – Tom questionou.
– Então ela é famosa? – Harry indagou e sua expressão deixava claro que ele tinha algumas suspeitas.
– Vocês não me perguntaram, não é mesmo? – Retrucou, de forma ácida. – Só me chamaram para almoços e jantares e convidaram mulheres para que eu conhecesse. E então, não contentes, lançaram uma campanha na internet. – Poynter ironizou. – Ninguém chegou para mim e perguntou “hey Dougie, você está namorando?”.
– Pensamos que se você estivesse com alguém, teria nos contado. Como nunca falou nada, concluímos que estava solteiro. – Tom deu de ombros, defendendo seu ponto. Dougie bufou.
– Mesmo que eu estivesse solteiro – retrucou, pensando no quão mentiroso ele estava sendo e não se envergonhando por fazer os amigos de otários. Afinal, eles nem demonstravam arrependimento pela campanha. Eram uns cretinos, no final das contas. – Lançar uma campanha para me arrumar uma namorada? Vocês pensaram mesmo que isso daria certo? – A curiosidade era real, pois Dougie esperava que os amigos fossem menos idiotas do que o demonstrado.
– Bem, sim? – Harry murmurou, em tom de obviedade.
Claramente eles eram ainda mais idiotas do que Dougie imaginara.
– Eu tenho pena dos filhos de vocês. – Dougie sentenciou, recostando-se na cadeira e suspirando. – Vão crescer com os pais mais sem noção do mundo.
– Vá a merda. – Fletcher xingou. – Te apresentamos candidatas e você não demonstrou interesse. Tivemos que tomar medidas drásticas.
– Apesar de que agora sabemos o motivo pelos quais você nem olhou para a bunda de qualquer uma das pretendentes que te arrumamos. – Harry murmurou, pensativo.
– Até parece que não me conhecem. – Dougie revirou os olhos. – Eu jamais compactuaria com isso.
– De qualquer forma, já foi. – Tom deu de ombros. – Não podemos desfazer.
– E foi bem divertido, para ser sincero. Recebemos muitas inscrições.
– E vocês tem a capacidade de dizerem que são meus amigos. – Poynter dramatizou, recebendo apenas revirar de olhos como resposta.
– Você não respondeu se ela é famosa. – Tom lembrou e Harry assentiu em concordância.
– Mais do que eu, certamente.
– Qualquer pessoa é mais famosa que você. – Harry debochou.
– Você não. – Poynter riu e Harry lhe estirou o dedo do meio.
– Qual o meio dela? – Tom questionou, curioso. – Onde vocês se conheceram?
– Desista, Fletcher. Eu não vou falar nada. – O mais novo riu.
– Porque não?
– Qualquer coisa que eu fale, vai entregar totalmente quem ela é. E como eu disse para o Harry, nós ainda não falamos sobre assumir para o mundo.
– Certo. – Tom desistiu, contrariado. – Mas a quanto tempo vocês estão juntos?
– Tem um mês que começamos a sair. Mas namorando mesmo, umas duas semanas.
– Então é recente. – Harry pontuou.
– Mais ou menos. – Dougie deu de ombros.
– Como assim? Vocês já se conheciam? – Tom franziu o cenho, surpreso. – Você não voltou com a Ellie, não é? Porque eu vi teu stories esses tempos.
– Não é a Ellie. – Dougie exclamou. – Definitivamente, não voltamos. Apenas nos encontramos em um show, nada demais.
– Certo. – Harry suspirou, aliviado. – Eu ia te dar um soco na cara se depois de todo esse suspense, você contasse que tinha voltado com a Ellie.
– Ellie e eu somos apenas amigos. – Dougie pontuou.
– Mas dude… você está feliz? Com essa garota? – Tom indagou, com preocupação. – Porque segundo o que você contou, já estão juntos a um mês. Era para termos percebido alguma mudança, mas não foi o que aconteceu. Te achamos bem para baixo, na realidade.
– Eu estou feliz, dudes. De verdade. – Dougie afirmou, não mais se referindo ao seu “relacionamento” e sim, a sua vida de solteiro. Ele era feliz, não tinha do que reclamar. – E ela só acrescenta.
– Tudo bem. – Tom suspirou. – É que realmente não te vimos dando esses sorrisos idiotas antes. Sei o quanto você é discreto, mas pensei que teríamos percebido alguma mudança de comportamento quando você entrasse em algum relacionamento.
Dougie franziu o cenho, confuso. Sorrisos idiotas? Que sorrisos idiotas? Porque raios ele estaria com um sorriso idiota no rosto?
– Eu não estou sorrindo feito idiota. – Se defendeu, com uma careta.
– Ah não, sou eu. – Harry debochou.
– De qualquer forma, estou feliz por você. – Tom sorriu para o amigo. – Dá para notar que essa mulher está te fazendo bem.
– Concordo. – Harry assentiu. – Você está até de banho tomado.
– Vá a merda. – O loiro retrucou.
O celular de Poynter, estrategicamente colocado em cima da mesa, vibrou com uma notificação do Instagram e os olhares de Judd e Fletcher voaram para a imagem na proteção de tela. Dougie já estava pensando em uma mensagem exibida para enviar para , se gabando por seu plano ter dado certo, quando Tom e Harry ergueram o rosto em sua direção, com expressões idênticas de susto: queixo no chão e os olhos arregalados. Confuso, Poynter fixou os olhos na tela de seu telefone e visualizou o nome de em suas notificações do WhatsApp.
Puta merda, foi tudo o que ele pensou, antes de ser atacado pelos amigos e seus milhares de questionamentos.

Capítulo 7 – O alvo de piadas

A cozinha de estava tomada por diversos sons: da lasanha assando no forno elétrico. A música de alguma playlist que adorava. O liquidificador que batia o mousse de morango para a sobremesa. E claro, as risadas de , já que a mulher não parou de gargalhar e debochar de Dougie por conta da situação na qual ele havia se envolvido.
Poynter, sentado na bancada da cozinha de , usava um conjunto de moletom e mantinha a expressão do mais puro tédio estampado em seu rosto. Primeiro, porque já estava rindo de sua cara a mais de 10 minutos. E segundo, porque ele sabia que merecia. Tinha se enfiado em uma situação complicada no dia anterior e com a desculpa mais esfarrapada do mundo – que ele não fazia ideia de como os amigos tinham acreditado, havia conseguido se safar e salvar seu plano de vingança.
O caso era que Dougie sabia que deveria ter trocado o nome de no contato de seu celular. Era a coisa mais inteligente a se fazer, mas ele não havia feito e desta forma, seus amigos haviam descoberto a existência da troca de mensagens entre ele e . E a atitude de Dougie não fora assumir o tal namoro falso com a mulher. Não, ele havia inventado uma desculpa absurda sobre a banda estar agendando uma entrevista para o programa de e por isto, eles estavam trocando mensagens. Agora teria que convencer seu diretor a chamar a Ink para uma entrevista, para poder cobrir o furo que Dougie deu com Harry e Tom.
– Seria muito mais fácil se você simplesmente tivesse feito a egípcia e fingido que não entendia o motivo de tanto choque deles. – comentou, ainda se divertindo horrores. Dougie metido em problemas por ser um lesado? Era melhor que a TV fechada para ela!
– E nosso plano para assumir no final de semana?
– Não sei, Poynter. – deu de ombros. Desligou o liquidificador e colocou o mousse em uma travessa decorada, largando o recipiente sujo na lava louças. – Podemos manter, mas vai ser estranho. Principalmente por você não ter deixado a nossa conexão mais “íntima” – e ela fez uma careta ao mencionar a palavra, que fez com que Dougie disse – em aberto.
– Eu sei, fiz merda. – Suspirou. – Mas eu entrei em pânico e não soube o que fazer.
– Eu queria demonstrar apoio, mas só consigo ter vontade de rir. – disse por fim e Dougie revirou os olhos.
– Você também não me ajuda né? – Reclamou. semicerrou os olhos, usando a colher de madeira para bater no braço do loiro.
– Eu estou montando todos os planos sozinha, porque você é um imprestável!
– O plano original é meu! – Dougie se defendeu.
– E sem minhas ideias, você já teria sido descoberto a muito tempo. – pontuou e Poynter não pôde negar. Ele sabia que não era o melhor montando planos e a ajuda de estava sendo essencial para que sua vingança desse certo. Devia a ela e não sabia como começar a ajudá-la a se livrar do ex namorado.
– Quer saber? – Indagou, após algum tempo de reflexão. – Você tem razão.
deixou a colher que usava para uniformizar a ganache de chocolate em cima do mousse cair na pia. Encarou Dougie com o queixo no chão e os olhos arregalados.
– Perdão? – Ela riu, incrédula. – Você acabou de me dar razão?
– Sim. – O loiro afirmou, apenas deixando ainda mais abismada. – Você está me ajudando horrores com esse plano e até agora, não teve retorno em nosso acordo. Trevor continua te perseguindo e enchendo o saco.
– É, mas isso só vai mudar quando assumirmos esse “namoro”. – bufou e Dougie sabia o quanto a mulher odiava a necessidade daquele falso relacionamento para ter novamente sua liberdade e paz assegurada. Ele mesmo achava uma completa droga um homem não ser capaz de respeitar um “não” de uma mulher. Que mundo era aquele em que alguns homens só respeitavam outros homens?
– Então vamos assumir. – Dougie exclamou e o encarou como se fosse louco.
– Acabamos de comentar sobre você ter estragado essa oportunidade. – Ela lembrou, como se fosse óbvio.
– Podemos inventar alguma coisa. – Sugeriu, já começando a montar alguns planos em sua mente. deu de ombros, terminando a sobremesa e colocando na geladeira.
– Certo, gênio. – Ela estalou os lábios. – Coloque a mesa enquanto eu tomo um banho, pode ser? E aí traçamos um plano maligno para resolver essa situação. – A mulher propôs e Poynter acenou em concordância. Observou sumir pela cozinha e se pôs a procurar os objetos necessários para que eles jantassem naquela noite de quinta.
Escolheu um jogo de jantar normal e colocou a mesa, como havia instruído. Como não era um completo inútil na cozinha, cuidou o cozimento da lasanha e tirou do forno quando estava no ponto. O suco de laranja fez companhia a travessa de lasanha na mesa e Dougie se deu por satisfeito com o trabalho. desceu para a sala de jantar minutos mais tarde, usando moletom e calças folgadas, que parecia ser seu tipo favorito de roupa, já que Dougie raramente a via completamente arrumada. Admirava aquilo nela, mesmo que não gostasse de admitir. A forma como ela lidava com o mundo e deixava bem claro que qualquer coisa que ela fizesse, era pôr e para ela mesma. Aquilo despertava em Dougie um sentimento de admiração bastante intenso. Ele gostava de pessoas que lutavam por causas em torno de um bem maior e não se deixavam corromper pelo sistema ao aderir a esses posicionamentos porque eram, de alguma forma, lucrativos.
– Você cuidou do cozimento da lasanha direitinho? – Ela questionou, enquanto prendia os cabelos em um coque apertado.
– Da forma como minha mãe ensinou. – Dougie respondeu, com um aceno de cabeça em confirmação.
– Vamos jantar então. – sugeriu, sorrindo brevemente.
Fizeram a refeição em silêncio, apenas apreciando o gosto da comida – que Dougie teria que admitir que estava sensacional, e após o jantar, serviu duas taças com a sobremesa e eles seguiram para a sala da casa da mulher, que ligou a TV apenas para preencher o silêncio do ambiente.
– Pensou em alguma coisa? – Ela questionou, após a primeira colherada no doce. Poynter assentiu, deixando a sua taça na mesa de centro e se virando em direção a .
– Creio que seja o suficiente. – Deu de ombros. – Podemos sair para comer alguma coisa, meio disfarçados, como se não quiséssemos sermos reconhecidos e vistos juntos. E aí vão cair fotos na rede e eles ficarão sabendo “acidentalmente”. – Fez aspas com os dedos.
– Hm. – murmurou, assentindo com a cabeça. – Desta forma, não teríamos anunciado nada. Apenas tivemos o azar de alguém nos fotografar juntos.
– Exato. – Dougie exclamou, voltando sua atenção para a sobremesa e dando algumas colheradas. – Eles não teriam como me culpar por não falar nada e nosso plano anterior se mantém.
– Por mim pode ser. – Deu de ombros.
– Eu tenho algumas gravações para o filme na segunda. Podemos marcar antes disso? – Poynter questionou.
– Claro. – sorriu. – Só temos algumas coisas para esclarecer antes de realmente passar para a fase 2 desse plano.
– Quais? – Dougie franziu o cenho, confuso.
– Precisa falar com a sua irmã e abrir o jogo. – comentou. – Fora ela, ninguém teve contato conosco ao mesmo tempo nos últimos tempos. Para qualquer um deles, nosso relacionamento seria uma surpresa, mas algo possível de acontecer. Mas Jazzie? Não vai acreditar nessa história nem se a gente marcar a data do casamento.
Dougie suspirou, pois havia esquecido totalmente da irmã naquela equação. Jazzie realmente havia visto de perto o quão turbulento era a relação entre ele e e jamais acreditaria que eles estavam apaixonados de uma hora para outra. Sem mencionar que, ela sabia do plano dos amigos em arrumar uma namorada para Dougie. Jazzie apenas juntaria 2 + 2 e chegaria à conclusão óbvia de que aquela relação era falsa. Era melhor abrir o jogo com a garota do que contar com a sorte.
– Tudo bem. – Assentiu. – O que mais?
– Minha família precisa nos apoiar completamente. – suspirou. – Caso contrário, Trevor não vai acreditar nisso, pois ele conhece meus pais e sabe como eles são. Provavelmente teremos que passar um final de semana em York com eles.
– Sem problemas. – Dougie afirmou, fazendo com que respirasse em alívio.
– Para isso dar certo, precisamos nos conhecer. – Ela decretou e Poynter concordou rapidamente.
– Pensei em usarmos esse final de semana para isso. – O loiro sugeriu. – Trocamos mensagens com informações importantes sobre nós mesmos.
– Pode ser. – assentiu. – Até para termos isso registrado, em caso de esquecimento.
– E usar o celular é algo corriqueiro. – Dougie lembrou.
– Temos um plano, então. – sorriu, estendendo a mão em direção a Poynter.
– Temos um plano. – E trocaram um aperto de mãos, selando algo muito maior do que um namoro falso.

Dougie havia enviado uma mensagem para a irmã assim que entrara em casa, pedindo para a mais nova lhe ligar pois tinha algo importante para conversar com ela.
Acabou ajeitando a casa, guardando algumas roupas limpas que estavam jogadas em seu quarto, colocando as roupas sujas na lavanderia e tomando um banho demorado para espantar o frio que estava fazendo naquela noite. Felizmente, dias mais quentes estavam por vir e Dougie não via a hora de se livrar dos quatro casacos que usava no inverno e os três pares de meia. Ligou o aquecedor para não precisar dormir de moletom, se permitindo apenas uma bermuda de algodão, se jogando na cama e pescando o celular em cima do criado mudo, para checar as mensagens. Jazzie havia ligado a menos de dois minutos e logo Poynter retornou à ligação da irmã. A loira tinha os olhos bem maquiados e um batom claro nos lábios quando apareceu na tela de Dougie, que esticou o olhar até o relógio na parede, constatando que ainda não eram 10 horas da noite e Jazzie certamente estava se arrumando para sair.
– Está parecendo um panda. – Ele brincou, recebendo um revirar de olhos em resposta.
– E você parece um velho ranzinza. – Ela retrucou. – Aposto que já está deitado, com o aquecedor ligado e analisando as possibilidades do que assistir na Netflix.
– Só para você saber, eu já sei o que vou assistir. – Deu de língua e Jazzie gargalhou.
– Sua juventude já viu dias melhores. – Alfinetou.
– Os fios de cabelos brancos na sua cabeça também. – Dougie riu.
– Me ligou só para me zoar ou tinha algum motivo em especial?
– Os dois. – Sorriu. – Como está? E mamãe?
– Bem, nós duas. Está devendo uma visita para ela. Ela reclama disso toda vez que vê um post seu no Instagram, ou seja, ela reclama muito.
– Estou agendando uma semana de folga para visitar vocês. – Poynter explicou. – Finalizamos o EP da banda e as últimas gravações do filme pendentes. Fora a turnê.
– Nos avise quando for vir, para a mamãe preparar o seu quarto.
– Peça para a mamãe preparar o quarto para dois. – Dougie murmurou e Jazzie assentiu, sem prestar muita atenção nas palavras do irmão.
– Claro né, idiota. Ela não vai te deixar dormir… espera aí, o que? – Indagou, confusa. Os olhos se arregalaram e Jazzie encarou o irmão através da tela do celular abismada.
– Vou levar uma pessoa comigo. – Dougie falou por fim. Seria muito mais convincente se e ele fossem para a casa da mãe dele, assim como iam para a casa dos pais da garota.
– Você está namorando? – A voz fina de Jazzie indicava o quão chocada ela estava e Dougie quase riu. – Com quem? Desde quando? É por causa da campanha dos garotos? Eles te arrumaram alguém? Você aceitou? Douglas!
– Estou te ligando exatamente para esclarecer as coisas, antes que você veja na internet e tenha um ataque do coração. – Poynter murmurou. – Então se acalme e me deixe falar.
– Desembucha! – Jazzie exclamou e Dougie não pode não lembrar de lhe dizendo aquela mesma palavra. Que coincidência, não é?, pensou com sarcasmo.
– Estou namorando com a . – Falou, curto e rápido. Apenas observou o semblante de Jazzie se transformar de pura curiosidade para puro divertimento.
E em questão de segundos, a loira caiu na risada.
E Dougie se viu novamente como alvo de piadas daquele dia.
– Você e ? – Ela questionou, ainda rindo. – Ok, qual é a piada?
– Não tem piada. – Dougie suspirou. – Está mais para um acordo.
– Me explique, antes que eu morra de curiosidade! – Jazzie exclamou.
– É um relacionamento falso. – Falou. – Eu quero me vingar dos caras, por terem inventado aquela campanha ridícula para me arrumar uma namorada e precisa de mim para se livrar do ex namorado que não aceita o término.
– Vocês fizerem um contrato? – Jazzie questionou, confusa.
– Não exatamente. Apenas um acordo de que fingiríamos um namoro para obter os resultados que queremos.
– Certo. – A loira estalou os lábios e Dougie logo soube que ela iria começar a argumentar. – E você mediu as chances de isso dar errado?
– Não tem como dar errado, Jazzie. – retrucou, com segurança. – Nós jamais nos envolveríamos romanticamente de forma real. Não tem possibilidade de isso dar errado.
– Certo. – Novamente o estalar de lábios. – E quais as chances de alguém acreditar que vocês estão apaixonados, sendo que brigam o tempo todo? Essa história de amor e ódio só convence na TV.
– Estamos nos dando melhor. – Dougie explicou. – Esclarecemos os pontos de discórdia e estamos quase amigáveis, para ser sincero.
O sorriso de Jazzie cresceu a ponto de os olhos da mulher quase sumirem e Dougie pressentiu que não gostaria das próximas palavras trocadas com a irmã.
– Você realmente pensou em tudo, hm? – Murmurou, divertida.
– Eu adoraria que isso fosse um elogio, mas estou sentindo um “porém” vindo por aí.
– Porém, como você mesmo observou, você esqueceu totalmente que relações humanas não podem ser interpretadas como permanentes.
– E isso quer dizer que? – Dougie questionou, não gostando mesmo do rumo daquela conversa.
– Mais cedo ou mais tarde, um de vocês vai se envolver demais. – Jazzie suspirou. – E eu espero, sinceramente, que seja recíproco.
– Não vai acontecer, Jazzie. – Descartou a possibilidade. – Foi por isso que topamos esse namoro. jamais ficaria comigo e eu muito menos com ela.
– Talvez isso fosse uma verdade antes de vocês se conhecerem. Opiniões mudam, percepções também e sentimentos mais ainda. – Jazzie falou, como quem falava com uma criança de cinco anos. Dougie revirou os olhos.
– Está lendo livros de romance demais. – Retrucou. – Somos adultos. Isso não vai rolar. – Decretou.
– Tudo bem. – Jazzie sorriu. – Mas caso as coisas não andem como você espera, não seja um cuzão e deixe a chance passar.
– Vá encher a cara de tequila e pare de falar bobagens. – Poynter sugeriu. – Mande um beijo para mamãe.
– Mando sim. – Jazzie assentiu. – E tome cuidado, mano.
– Você também, pirralha. – Dougie sorriu, se despedindo de Jazzie e finalizando a chamada.
Acabou demorando mais tempo que o recomendado para pegar no sono, zapeando dezenas de programas na Netflix e optando por assistir novamente Jurassic Park. As palavras de Jazzie ecoavam em seus pensamentos, enquanto Dougie fingia que não as ouvia. Era a melhor maneira de lidar com a dúvida que não existia antes da mente fantasiosa e romântica de sua irmã entrar na equação.

Capítulo 8 – Uma ótima namorada

Dougie estava jogado em um dos pufes da sala de Todd, com o celular em mãos, enquanto ria e revirava os olhos para as mensagens que recebia de . Todd e Corey, seus amigos e parceiros de banda, encaravam o amigo com expressões surpresas e até mesmo, desconfiadas. Desde que conheciam Poynter, ele jamais havia agido daquela forma e de uma hora para outra, estava todo sorrisos para a tela do celular.
– Hey, o que você tanto faz nesse celular? – Todd indagou, atirando uma almofada em Dougie para conseguir a atenção do loiro.
– Oi? – Poynter murmurou, confuso. Bloqueou o aparelho e então encarou os amigos. – O que foi?
– Dude, você está estranho. – Corey comentou. Levantou do sofá para buscar um pacote de salgadinhos, enquanto Todd assentia com veemência. Dougie realmente estava estranho e aquilo já os estava preocupando.
– Eu? Estranho? Porque? – Questionou, perdido no assunto.
– Estamos a dez minutos comentando sobre a turnê estar esgotada e você não deu um pio a respeito. – Todd explicou.
– É que eu estava distraído. – Murmurou. – Mas estou feliz demais por isso. Não esperava uma recepção tão positiva para a banda.
– Realmente, te colocar como baixista foi uma aposta. As fãs do McFLY poderiam odiar a Ink por conta disso. – Corey divagou.
– Felizmente nossos fãs nos acompanham mesmo com o hiatus do McFLY. – Dougie sorriu. Amava os fãs que tinha conquistado com a banda e ficava muito feliz em ter o apoio deles na Ink, já que não haviam declarado o fim do McFLY ou dado indícios para um retorno breve.
– Mas então, não fuja do assunto, Poynter. – Todd semicerrou os olhos para Dougie. – O que está rolando?
Outra mensagem de desviou a atenção de Dougie para o celular. O loiro riu ao ler as palavras da mulher, respondendo rapidamente de forma irônica. Eles estavam trocando mensagens o dia todo, de forma a se conhecerem melhor e validarem aquele relacionamento, já que precisavam convencer os amigos de que estavam perdidamente apaixonados. estava contando sobre seu relacionamento com Trevor Scott, enquanto Dougie apenas zombava do homem e da, como ele estava chamando, insanidade da mulher em namorar um cara daqueles.


Você não tem o direito de me julgar. Afinal, eu só sacrifiquei um período da minha vida. Você sacrificou bem mais pela Frankie e eu não estou jogando isso na sua cara 03:15 pm

Pois me parece que acabou de jogar 03:15 pm

– Dougie? – Corey chamou. – O que está acontecendo?
– Ah. – O outro suspirou, sem saber como começar a contar para os amigos. Porque bem, ele teria que contar, não é? e ele tinham planos de “assumir” aquele namoro falso na manhã do dia seguinte e mais cedo ou mais tarde, o mundo ficaria sabendo daquele relacionamento. Todd e Corey não tinham nenhuma ligação com a vingança de Dougie, mas ele não poderia contar a verdade aos amigos. Precisava que o plano corresse perfeitamente e não podia arriscar mais alguém sabendo sobre a farsa. Jazzie já era risco o suficiente.
– Está tudo bem? – Todd questionou, com preocupação.
– Eu estou namorando. – Poynter disse de uma vez, como se tirasse um band-aid de um ferimento. Esperou pela reação dramática dos amigos por vários instantes. Todd e Corey apenas encaravam Dougie com incredulidade. O loiro realmente estava estranho daquela forma porque estava namorando?
– Eu fiquei um pouco confuso. – Corey disse por fim. – Isso não é algo bom?
– Deveria ser. – Todd concordou e os dois esperaram que Dougie se pronunciasse.
– É que… não é uma relação convencional. – Suspirou.
– Como assim?
Decidindo pelas meias verdades, Dougie iniciou a explicação que daria ao restante dos amigos assim que eles ficassem sabendo daquele “namoro”.
– Nos conhecemos a muito tempo. Uns dez anos, para ser sincero. E nunca nos demos bem. Na verdade, detestávamos um ao outro. E então, no mês passado eu dei uma entrevista para um programa de TV na emissora em que ela trabalha. Nós tomamos um café juntos, acabamos conversando e acertando os pontos. Saímos mais vezes durante um tempo. Até que… rolou. – Deu de ombros, abrindo um sorriso que os amigos interpretariam como “muito apaixonado”. Corey fingiu um suspiro encantado, enquanto Todd riu e parabenizou o amigo.
– Que ótimo, cara! – Disse. – Fico feliz por você.
– Quem é ela? – Corey indagou, curioso.
– Acreditem ou não, mas ela é minha vizinha. – Dougie disse, sabendo que aquilo seria o suficiente para que os amigos descobrissem que a mulher de quem falava era . A primeira vez em que eles haviam ido até a casa de Dougie, viram a mulher entrando em sua casa e ambos tiveram um surto. Eles eram fãs do programa dela e Corey adorava os trabalhos de como modelo.
– Não. – Corey murmurou, sem realmente acreditar. Encarava Dougie com a incredulidade estampada no rosto, o que quase fez o loiro rir.
– Você está namorado ? Aquela ? – Todd questionou, também incrédulo.
– O que uma mulher como , sem ofensas, ia querer com você? – Corey indagou e Dougie se sentiu ofendido de qualquer forma. – Ela namorou um jogador da seleção!
– Que inclusive, é o maior otário do mundo. – Dougie pontuou. – E sim, eu estou namorando . – Bufou irritado.
– Eu só acredito vendo. – Todd murmurou e ambos se aproximaram de Poynter. Dougie revirou os olhos, destravando o celular e acessando a galeria de fotos. Selecionou uma das fotos que havia tirado com e mostrou aos amigos, que pareciam ainda mais chocados do que antes.
– Porra, você está mesmo namorado a ! – Corey disse, boquiaberto. – Cara, ela é uma das maiores celebridades do Reino Unido!
– Do mundo, cara. – Todd completou. – Sério, todo mundo conhece ela.
– Eu sei. – Dougie revirou os olhos, decidindo usar o rumo da conversa a seu favor. – Por isso estamos sendo reservados. Não queremos o mundo inteiro nos procurando e apontando suas câmeras para nós. Ainda é muito recente.
– E vocês estão certos. – Todd sorriu. – Mas sério, parabéns Dougie. Você merece ser feliz.
E com o pensamento de que sua vaga no inferno – caso ele realmente existisse – estava garantida, Dougie agradeceu as felicitações dos amigos e logo eles voltaram a falar da turnê, que se iniciaria dali uma semana, e das expectativas que estavam criando em cima dela.

Na segunda de manhã, Dougie acordou mais cedo do que o normal. Tomou banho, escolheu uma roupa comum e colocou uma touca na cabeça, mesmo que o clima já estivesse agradável e não fizesse necessário o uso daquele item. Mas ele e tinham um plano e ele precisava da touca para um disfarce “convincente”. Dougie já sabia uma porção de coisas sobre a mulher, quando saiu de casa com uma torrada em mãos e atravessou seu gramado, em direção à casa da vizinha.
Ele sabia que tinha medo de altura, mas que sempre andava em brinquedos radicais quando ia a parques de diversão. Sabia que a comida favorita dela era lasanha e que ela odiava sushi, mesmo sem nunca ter provado. Sabia que ela tinha uma almofada com a qual dormia abraçada e também que ela não assistia filmes de terror desacompanhada e durante a noite. Ela gostava de turquesa e do cheiro de café passado, mesmo que não o tomasse com frequência. Ela gostava de conversar sozinha e tinha um sinal de nascimento nas costas, em formato de coração. Tinha preguiça de correr todas as manhãs e por isso, subia os cinco andares para o estúdio onde gravava seu programa de TV pelas escadas. E a cada nova descoberta, Dougie apenas confirmava sua ideia de que era maluca. Adoravelmente maluca, na opinião sincera que ele jamais admitiria em voz alta. E quando tocou a campainha e foi recebido com uma gargalhada, Dougie logo percebeu que ele não era o único que sabia coisas demais sobre alguém. Ele também havia compartilhado coisas a seu respeito com a mulher e naquele momento, já se arrependia de tal ato.
– Bom dia sr. Eu tenho uma cueca da sorte do ursinho Pooh. – sorriu com diversão, enquanto dava espaço para Dougie adentrar sua casa.
– Eu deveria ter filtrado as informações que trocamos. – Ele suspirou, desgostoso. Entrou na casa e seguiu para a cozinha, ao sentir o cheiro maravilhoso de panquecas.
– Era algo que a sua namorada saberia, então, o filtro seria inútil. – deu de ombros. Sentou na bancada e indicou o outro banco para Dougie. – Vamos tomar café antes de sair para tomar café.
– Se eu comer mais, não vou almoçar. – Dougie murmurou.
– Azar o seu, então. – Ela disse simplesmente, servindo-se de duas panquecas e bebericando o copo de suco posto em frente ao seu prato.
– Onde vamos, afinal?
– Já que você dispensou o café, podemos simplesmente ir em alguma loja comprar alguma coisa e depois, nos despedir.
– Eu não dispensei o café. – retrucou. – Posso comer mais, sem problema nenhum. – Ela sorriu, terminando com uma das panquecas em seu prato.
– Esqueceu de mencionar que você tem o apetite de um elefante. – Dougie implicou e o mandou à merda. – É preocupante a quantidade de comida que você ingere.
– Poynter, não me amole a paciência. – suspirou. Terminou a refeição e então subiu para o quarto, a fim de terminar de se arrumar. Dougie seguiu para a sala e aguardou poucos minutos, até reaparecer na sala, usando jeans, camiseta, jaqueta de couro, tênis e um boné com uma frase irônica. Bad hair day, dizia a frase. Dougie olhou para a trança mal feita de e concordou com a afirmação, apesar de realmente não ligar para aquilo. A aparência de era a última coisa na qual ele poderia apontar defeito.
– Podemos ir? – Ele indagou e estava no meio de um aceno de cabeça quando exclamou que havia esquecido a bolsa no quarto. Dougie revirou os olhos, enquanto a mulher subia as escadas correndo.
– Não posso acreditar que arrumei uma namorada que se atrasa mais do que eu. – O loiro resmungou, quando voltou a sala.
– Namorada falsa, vale lembrar. – retrucou, com a bolsa em mãos. – E eu não sou inglesa. Tenho licença poética, como uma boa norte americana, para me atrasar.
Dougie revirou os olhos.
– Você fica lembrando disso como se eu pudesse esquecer e realmente pensar em você como minha namorada.
– Pois fique sabendo que eu sou uma namorada maravilhosa. – respondeu, irritada. – Tão maravilhosa que meu ex está me perseguindo e eu estou namorando com você falsamente para me livrar da criatura.
Dougie não tinha como argumentar contra aquilo, então simplesmente deu de ombros, com indiferença. sorriu triunfante, sabendo que Poynter havia ficado sem argumentos.
– Não esqueça dos óculos escuros. – Ele lembrou, quando a mulher fez menção de sair pela porta.
– Mas o dia está nublado!
– Ele faz parte do combo “casal de celebridades que tentou se esconder dos paparazzi”. – Dougie deu de ombros, colocando os próprios óculos no rosto.
– Eu acho que vou vomitar. – resmungou.
– Na frente dos paparazzi, por favor. Ai amanhã estamos nas manchetes como noivos e esperando um bebê.
– Mas nem em sonho, Poynter. – Ela disse, fazendo-o gargalhar. pegou os óculos escuros e finalmente arrastou Poynter para fora de sua casa. – Então, para que loja?
– Você quem é a ótima namorada, – Poynter sorriu, debochado. – Me diga você. – E destravou o carro, apenas para tomar as chaves de sua mão e travar novamente. A encarou confuso, mas a mulher nem lhe deu tempo de questionar e o arrastou para o próprio carro estacionado em sua garagem.
– A ótima namorada aqui, depois das compras vai te levar e buscar no estúdio, porque morre de saudades desse rostinho bonito. – Ela sorriu, com sarcasmo. – Não vai ser lindo?
– Eu jamais vou admitir que é uma boa ideia. – Poynter reprimiu um sorriso. – Jamais.
– Não preciso que você admita nada, docinho. – disse, usando o apelido que ela odiava e dando partida no carro em seguida.
dirigiu até o centro de Londres, enquanto Dougie reclamava das músicas da rádio e batucava nas pernas. Ela estacionou em frente a uma loja de departamentos bem ao centro da cidade, onde ambos já haviam sido fotografados anteriormente. Antes que eles saíssem do carro e realmente se tornassem um casal, eles se encararam por alguns minutos. respirou fundo e Dougie ajeitou os cabelos na touca.
– É isso então? – Ela indagou, receosa.
– É isso. – Dougie concordou. – Vamos lá. – E com isso, Poynter saiu do carro, colocando os óculos no rosto em seguida. seguiu o homem, já usando o boné e os óculos. Trancou o carro e parou ao lado de Poynter. Trocaram um breve olhar antes de Dougie entrelaçar seus dedos aos da mulher e ambos andarem até a loja. Eram o típico casal de celebridades que saíra para fazer algumas compras. observava as araras, enquanto Dougie seguia a mulher como se fossem conectados. Trocavam sorrisos e cochichos, que para os telespectadores poderiam ser amorosos, mas para eles eram apenas implicâncias e piadinhas sem graça.
– A menina do caixa já nos fotografou três vezes. – comentou para Dougie, em um dos momentos em que havia se virado em direção ao homem e aproximado seus corpos.
– Quer dar o show completo ou só uma amostra? – Dougie questionou e sorriu, antes de envolver o homem com seus braços e beijá-lo rapidamente.
– Eu sou profissional, namorado. – Ela murmurou, se afastando em seguida e o arrastando para outra seção da loja.
Próximos de um grupo de adolescentes que os encarava, Dougie resolveu superar a atuação de . Se aproximou de uma arara com camisetas e se virou para a mulher, com a melhor expressão de indecisão que ele poderia colocar no rosto.
– Amor, você não acha um exagero eu comprar roupas novas apenas por causa da turnê? – Ele questionou e o encarou com as sobrancelhas arqueadas.
– Apenas se você não estiver precisando. – Ela respondeu, de forma carinhosa. Ouviu um suspiro das meninas por quem eram observados e então resolveu entrar na brincadeira de Poynter. Se tinham que fingir um namoro, que pelo menos pudessem se divertir. – Caso não ache necessário, compre apenas meias. Você sabe que sempre acaba perdendo os pares.
– Você me conhece bem demais. – Dougie sorriu, puxando contra si e selando seus lábios rapidamente. Se afastaram com sorrisos nos rostos e cerca de vinte minutos mais tarde, estavam ambos dentro do carro da mulher, satisfeitos com o resultado de seu plano.
– Será que deu certo? – questionou, preocupada. Estava dirigindo até o estúdio onde Dougie gravaria algumas cenas finais para o filme, enquanto Poynter mantinha a atenção no aparelho de celular.
– Sem dúvidas. – Ele respondeu por fim, quando estacionou em frente ao estúdio. Estendeu o celular para e o queixo da mulher caiu ao ler as palavras na tela do aparelho.
– Puta merda, Poynter. – Ela murmurou, incrédula. Voltou os olhos para Dougie e o encontrou sorrindo de orelha a orelha. – Nós enlouquecemos a internet.
– Nós criamos o melhor plano de vingança, . É por isso que as pessoas estão surtadas.
– Porque eles realmente acreditam que somos um casal. – Ela disse por fim, sem perceber que sua vida estaria tomando um rumo totalmente inesperado por conta daquilo.
Afinal de contas, o mundo inteiro acreditava naquele relacionamento. As únicas pessoas que ainda o viam como falso, eram eles. Mas até quando aquele pensamento iria durar?

Capítulo 9 – Há uma cerca viva de distância

Dougie estava ignorando seu celular completamente desde o dia anterior.
Tinham mais de 30 notificações de ligações, que variavam entre seus amigos, sua irmã e até mesmo sua mãe. Mensagens no WhatsApp, torpedos e até mesmo seu Messenger no Facebook estavam lotados. Ele simplesmente não estava com paciência para lidar com aquilo naquele momento. Havia gravado durante todo o dia e sentia uma vontade imensa de comer pizza, deitar em sua cama e dormir. Mas ele estava sentado no sofá, comendo uma maçã e ouvindo resmungar e bufar em irritação a cada cinco segundos. A mulher havia aparecido em sua casa pelo final da tarde, gritando e reclamando da falta de paz que estava tendo graças aquele “namoro infernal”, nas palavras dela. Dougie – que não estava nenhum pouco feliz com a situação, gritou em retorno e logo os dois estavam discutindo e se xingando. Até ambos perceberem que não fazia sentido estarem brigando. Agora estavam jogados no sofá de Poynter, comentando sobre a repercussão de seu namoro e as possíveis consequências que aquilo traria para suas vidas. Porque o que antes era apenas uma possibilidade, naquele momento tudo era real demais.
O casal estava estampado em 8 capas de revista naquele dia. Algumas apenas comentavam sobre o affair entre eles. Outras especulavam mais fundo e criavam teorias sobre o início do relacionamento entre eles. Trevor Scott havia sido mencionado em mais da metade das revistas e isso deixava bastante incomodada. Ainda tinha seu nome associado ao do ex e não gostava nada daquilo. Eles também estavam sendo notícia em todas as redes sociais, desde o dia anterior. Alguns programas de TV sobre celebridades haviam feito uma retrospectiva sobre a relação deles e isso fora o cúmulo para , que simplesmente começou a ignorar o celular e focar sua atenção nas plantas da casa de Poynter.
não queria estar lá. E muito menos, queria estar sendo obrigada a ignorar seu celular e todas suas notificações. Mas sua agente a havia instruído a dar um tempo e era isso que ela estava fazendo, apesar de isso a manter no escuro no que dizia respeito ao seu trabalho. A verdade era que o reboliço que as fotos dela com Poynter havia causado não era surpresa para nenhum deles. Dougie, mesmo com o McFLY ainda em hiato, era modelo, ator e ativista em campanhas ambientais. Estava entre as celebridades mais influentes na mídia do Reino Unido e agora com a Ink, estava mais nos holofotes, do que no ano anterior. E não ficava atrás da fama do homem. Muito pelo contrário, ela era muito mais famosa do que ele. A morena era modelo e já havia sido angel da Victoria Secrets. Era apresentadora de um programa na TV fechada e estava sempre envolvida em campanhas pelo direito das mulheres e outras minorias sociais. Tinha muita influência devido ao seu Instagram e sempre estava nas listas de maiores influencers do Reino Unido.
Tanto a agente de como o agente de Poynter – que não faziam ideia de que aquele relacionamento era falso – estavam sendo extremamente prestativos em tentar apagar o incêndio que suas fotos causaram na grande mídia. Fosse pela campanha criada pelos ¾ do McFLY ou o choque de um possível relacionamento entre duas celebridades que publicamente não se davam bem, eles estavam em todos os lugares. O Twitter manteve seus nomes nos trending topics por mais de 10 horas, usando diversas hashtags, sendo a principal delas: #IsReal. As pessoas simplesmente não conseguiam parar de falar daquilo.
– A gente sabia que ia dar nisso. – Dougie comentou, passando as mãos no cabelo em seguida.
– Eu sei. – suspirou. – Só não estava preparada. Decidimos de última hora “assumir” esse namoro. Eu realmente não estava esperando toda essa bagunça.
– É. – Deu de ombros. – Mas acho que foi melhor assim, sabe?
– Já pensou que estaremos enganando o mundo todo e não somente nossos amigos? – indagou, num fio de voz. – Eu sei que quero me livrar de Trevor e aparentemente estou conseguindo. Mas talvez a gente não tenha pesado as consequências direito.
– Eu pesei. – Dougie falou. – E acredito que você também. Só precisamos ter paciência e esperar a poeira baixar. Se passou apenas um dia, . Logo a família real anuncia mais um herdeiro e nós seremos notícias passadas.
riu com gosto e Dougie sorriu, por finalmente conseguir distrair a mulher. O momento descontraído fora interrompido pelo toque de chamada do celular de , que ao ler o nome da agente na tela do aparelho, logo atendeu a chamada.
– Betty. – Ela saudou, sendo observada por Poynter. – O que foi? – Questionou, com apreensão. Logo uma careta de desgosto tomou seu rosto e suspirou em irritação. – Porra. Está falando sério?… Tudo bem. Eu vou postar alguma coisa. Obrigada por me avisar… Certo. Nos falamos na segunda. Abraço. – finalizou a chamada e jogou o celular no lugar vazio ao seu lado. Respirou fundo, antes de se voltar para Poynter e anunciar:
– Trevor postou uma sequência de stories afirmando que nosso namoro é de fachada. – Ela disse e Dougie bufou.
– Porra de cara chato, hein. – Resmungou, impaciente.
– Segundo Betty, ele não foi levado a sério. Mas de toda a forma, levanta um precedente.
– E tendo um precedente, qualquer deslize nos coloca na mira. – Dougie concluiu, vendo assentir com a cabeça.
– Mas não iremos cometer erros. – Ela afirmou, com convicção. – Vamos convencer todos eles de que estamos perdidamente apaixonados.
– Eu tenho uma ideia… – Dougie abriu um sorriso pequeno e o fitou com interesse.
– Vamos ouvir. – Decidiu.
– Eu entro em turnê semana que vem. – Poynter comentou. – Você poderia ir comigo. Não para toda a turnê, mas apenas para os dois primeiros shows e alguns shows intermediários.
– Pode ser. – concordou, dando de ombros. – Mas eu não vou dormir na mesma cama que você. – Ela exclamou, fazendo Poynter rir.
– Nosso ônibus tem um sofá bem legal. – Ele riu, com diversão.
– Vá a merda, Poynter. – revirou os olhos, atirando uma almofada na cara de Dougie em seguida.

O sábado chegou e Dougie acordou assustado, com o toque de seu celular. Resmungou alguma coisa sobre a falta de respeito que era ligar para alguém antes das 9h da manhã e atendeu a ligação sem checar a visor.
– Alô? – Indagou, rouco e sonolento.
– Poynter, venha para cá agora!
– Quem é? – Dougie resmungou, confuso. Sentou-se na cama e esfregou o rosto, tentando focar sua atenção.
! – A pessoa do outro lado disse, e finalmente Poynter reconheceu o timbre irritante da morena.
– O que raios você quer às 8:35 da manhã, ? Não temos nada marcado.
– Eu sei! – Ela retrucou. – Mas está na porta de minha casa e você precisa estar aqui para fingir que dormimos juntos!
– Mas…
– Um casal real que fosse vizinho faria isso, Poynter. Acorda!
– Tudo bem. Destranque a porta dos fundos. – Foi tudo o que o loiro disse, antes de sair do quarto correndo e seguir para a porta dos fundos. Se esgueirou pelo quintal e não vendo nenhum de seus amigos por ali, pulou a cerca viva e correu até a porta de , passando pelo Groot num piscar de olhos. o esperava na cozinha e tinha os cabelos revirados e a cara inchada. Usava um shortinho e uma regata branca.
– Como raios chegou aqui? – Ela indagou, curiosa.
– Pulei a cerca viva. – Deu de ombros.
– Você o que? – A morena indagou, confusa.
– Pulei a cerca viva. – Ele revirou os olhos. – Agora sobe para o quarto que eu atendo a porta. – Ordenou, tirando a camiseta e a jogando para a mulher. – Vista isso.
não retrucou, sumindo para o andar de cima assim que a campainha soou novamente. Dougie bagunçou ainda mais os cabelos e deu tapinhas em seu abdômen, para criar uma vermelhidão que indicaria que a mulher teria dormido com a cabeça em seu peito. Sorriu satisfeito com sua ideia e se moveu até o hall, girando a chave e abrindo a porta com a maior cara de sono que conseguiu fingir. O que não foi nenhum trabalho, já que ele realmente estava com sono.
O queixo caído e os olhos arregalados de fizeram tudo valer a pena. Dougie primeiro fingiu uma expressão surpresa e então uma sem graça, beirando a vergonha.
não disse nada por longos minutos, apenas encarou o amigo, totalmente incrédula. Ela olhou para a fachada da casa e então para a fachada da casa de Dougie, para conferir que não tinha apertado a campainha errada. Havia visto a entrevista de Dougie. Havia visto as fotos dele com . Mas não acreditou realmente que eles pudessem estar juntos. Pensou que fosse uma brincadeira ou qualquer coisa, mas agora ela encarava Poynter seminu, com os cabelos revirados de uma forma que gritava sexo, o corpo vermelho e a cara inchada de sono. Na casa de . Abrindo sua porta pela manhã, como se aquilo fosse normal.
– Mas o que caral… – Ela começou a falar, sendo interrompida pelo barulho de passos no corredor e um par de braços envolvendo Poynter pela cintura.
– O que foi, amor? – questionou, se inclinando sobre o ombro de Dougie e focando os olhos em , que a encarava ainda mais horrorizada do que antes. se afastou de Poynter rapidamente, empurrando o braço do homem e parando em frente a amiga. Poynter tinha que admitir que ela era uma ótima atriz. – O que você faz aqui? – indagou, com a voz fina.
– Eu? A pergunta é, o que o Dougie faz aqui? Porque caralhos você o chamou de amor? PORQUE DIABOS VOCÊS FORAM FOTOGRAFADOS JUNTOS NA QUINTA-FEIRA? – finalmente havia surtado e Dougie não podia se sentir mais realizado. Ele conseguiria se vingar dos amigos de forma épica e aquilo era tudo o que ele queria.
– Eu, er… – se enrolou, buscando Dougie com o olhar. O loiro entendeu que aquela era a sua deixa e pigarreou, chamando a atenção de para si.
– Vamos entrar e então conversamos. – O loiro sugeriu, dando espaço para entrar na casa de . A loira passou pelo casal com um olhar questionador e Dougie e trocaram um olhar rapidamente.
– Agora é de verdade. – sussurrou para Poynter, quando se afastou. – Eu estou suando.
– Respira fundo. – Dougie falou, segurando pelos ombros e respirando de forma lenta, indicando que ela deveria fazer o mesmo. – Pense em todos os momentos constrangedores em que eles nos enfiaram nos últimos anos. Todas as piadas e as insinuações.
assentiu, respirando fundo uma última vez, abrindo um sorriso divertido em seguida.
– Esse é o pagamento com juros. – Exclamou, puxando Dougie pela mão até a cozinha, onde já estava acomodada no balcão e tamborilava as unhas no mármore com impaciência. Ela olhou para dos pés à cabeça e arqueou as sobrancelhas, desviando o olhar para Dougie e exclamando um “ah”. O truque da camiseta tinha funcionado perfeitamente.
– Antes de tudo, eu preciso tomar café da manhã. – avisou, olhando diretamente para a amiga. – Você já comeu?
– Não. – respondeu.
– Ótimo. – estalou os lábios, se movendo pela cozinha em seguida. Dougie a observou pegar xícaras e pratos e colocar o café na cafeteira. Se adiantou até a geladeira e pegou o suco e os frios para os sanduíches. Colocou tudo na mesa, ao mesmo tempo que organizava os pães e o bolo de chocolate. O café levou alguns minutos para ficar pronto e enquanto aguardavam, e Dougie sentiam o olhar de os acompanhando em seus movimentos.
– Então vocês estão transando? – A loira questionou, de forma direta e objetiva. , que servia o café nas xícaras, acabou derrubando uma pequena quantidade na mão e soltou um xingamento alto. Dougie se aproximou da mulher e afastou a jarra dela. Trocaram um olhar cúmplice antes de ele pigarrear e falar:
– Coloca a mão na água gelada. Vai aliviar. – Ele disse, terminando de servir os cafés e os levando para o balcão. não parecia ter notado o pequeno descuido de na cozinha e ainda os encarava com intensidade, esperando uma resposta. sentou de frente para e Dougie sentou ao lado da morena.
… – começou e a loira a cortou com um aceno.
– Vocês estão apenas transando ou não? – Repetiu, impaciente. – Porque essa é a única explicação que faz sentido para mim. Vocês dois são solteiros, atraentes e etc., e ambos têm cara de que sabem o que fazem na cama, se é que me entendem. – Tagarelou, como sempre fazia quando se sentia perdida. – Então é só sexo?
– Não é só isso. – respondeu, suspirando longamente e deixando os ombros caírem. Dougie movia o olhar de uma para a outra, não querendo perder nenhum detalhe. e ele precisavam estar em sintonia e não poderiam se distrair. Qualquer erro colocaria todos seus planos no lixo.
– Vocês estão namorando? – riu, incrédula. – Vocês dois? e Dougie?
– Sim. – Dougie afirmou, chamando a atenção da amiga para si.
– Não pode ser. – sacudiu a cabeça para os lados, soltando risos esporádicos. – Quantas vezes eu tentei juntar vocês e ouvi, de ambos, que isso jamais iria acontecer? Caramba, vocês se detestam! Como podem estar namorando?
– As coisas mudaram, . – comentou.
– Acredite, isso também é muito estranho para nós, devido a todo nosso histórico. – Dougie comentou. – Por isso nós preferimos manter em sigilo, por um tempo.
– Como? – Ela indagou por fim, parecendo se dar por vencida de que aquilo não era uma brincadeira. – Como raios isso aconteceu?
– Dougie deu uma entrevista para um programa lá na emissora mês passado. – começou a contar a história inventada por eles, de forma tão natural que até Dougie se convenceria, caso eles não tivessem montado aquilo juntos. – Nos encontramos lá e conversamos por um tempo. Acertamos nossos pontos de conflito e acabamos marcando de sair para tomar um café, para comemorar a recém adquirida paz. – sorriu fraco. – Eu acabei cancelando o café pois tinha uma gravação de última hora e então chamei Dougie para jantar aqui em casa, em substituição.
– E uma coisa levou a outra. – Dougie deu de ombros. – Nós começamos a nos ver com frequência, por conta da proximidade de nossas casas e quando nos demos conta, já estávamos envolvidos. – Dougie contou, olhando para e sorrindo de forma “apaixonada”. os encarava estupefata, sem realmente acreditar que estava presenciando uma cena como aquela.
– Estamos namorando a pouco tempo. – retomou a fala. – Não quisemos expor porque não sabíamos no que isso ia dar. Acabamos nos descuidando e fomos fotografados na quinta. Sempre cuidamos para não sermos vistos juntos, porque não estávamos preparados para a exposição que viria.
– Mas agora já foi. – Dougie suspirou. – Estamos em todos os lugares, como você deve ter visto.
Dougie e esperaram por uma atitude de . Diversas coisas passaram na cabeça de ambos. temia que não acreditasse naquela historinha e eles precisassem repetir tantas vezes, que acabariam se enrolando e estragando tudo, enquanto Dougie ensaiava frases de efeito para sustentar seus argumentos, pois sabia que não seria facilmente convencida. Nenhum dos dois realmente acertou sobre o que se passava na cabeça da mulher.
– Eu não acredito que vivi para ver isso. – A loira disse por fim, abrindo um sorriso gigante e levantando do banco, seguindo para perto deles e os abraçando, os dois de uma só vez. – Vocês são meu casal favorito antes mesmo de se tornarem um casal de verdade!
e Dougie trocaram um olhar surpreso, mas logo foram distraídos por uma animada e falante, que queria saber de todos os detalhes sobre o namoro deles. E por mais algumas horas, eles tiveram que fingir estarem perdidamente apaixonados e reprimir as implicâncias e brincadeiras. Mas uma coisa era certa: compartilhar a presença já não era mais uma tortura, para nenhum deles. Eles gostavam de passar um tempo juntos e aquilo era evidente, não apenas para , mas para eles mesmos. As coisas realmente estavam mudando.

Capítulo 10 – Uma sacola da Tiffany

A sala da casa de Dougie estava uma bagunça. Todd e Corey estavam jogados no sofá, comendo salgadinhos e bebendo cerveja, enquanto disputavam uma partida de vídeo game contra Dougie, que havia vencido os dois rapazes separadamente e agora era vítima de uma revanche. Com uma habilidade que apenas a prática proporcionava, Poynter venceu os dois, com pouco mais de metade da caixa que indicava a vida de seu personagem cheia.
– Fala sério! – Todd reclamou. – Que porra você fez pra vencer sempre?
– Tédio. Tempo livre. – Dougie deu de ombros. Jogou o corpo no sofá e suspirou, passando as mãos pelos cabelos em seguida. Estava com uma dor nas costas absurda por ter ensaiado o dia inteiro, já que a turnê iniciaria na sexta-feira e ele não tinha nem uma semana para se preparar para aquilo. Apesar de ter feito inúmeras turnês com o McFLY, havia perdido um pouco da prática por conta dos anos parado. Mas esperava que a sensação de subir no palco lhe trouxesse familiaridade e com isso, relembrasse da experiência que ele já tinha.
– É muito viciado. – Corey reclamou, também se jogando no sofá e fechando os olhos, na intenção de cochilar. – Eu estou destruído. – Comentou.
– Somos dois. – Todd disse.
– Três. – Dougie completou e os três riram brevemente.
– Acho que está na minha hora. – Todd murmurou, após checar as horas em seu relógio de pulso. Eram quase 7h da noite e pelas contas de Dougie, eles estavam envolvidos naquele jogo desde as 5h.
– Vamos pedir uma pizza. – Corey sugeriu. – Eu estou com muita preguiça de ir para casa.
Os dois se envolveram em uma discussão, onde Todd argumentava que não fazia sentido comer a pizza na casa de Dougie e depois ir embora e Corey rebatia dizendo que era muito mais prático. Poynter se perdeu na conversa, distraído pelo toque de mensagens de seu celular. Era e ela estava novamente tendo um surto. Desde o dia anterior, Dougie já havia acalmado quatro surtos da mulher. Toda a questão com e Trevor deixaram-na extremamente insegura com aquele plano e Dougie estava sendo bastante paciente quanto a isso, porque ele entendia os motivos de . Apesar de querer se vingar, ele tinha noção do peso das mentiras que estava contando para o mundo todo. Mas se fosse ser sincero, ele realmente não se importava. Não estava machucando ou magoando ninguém, então não via problemas em manter aquela mentira por algum tempo. não havia mandado nenhuma frase coerente, apenas vários “Hey, está aí?” e “Apareça Poynter!”.

O que foi? 07:10 pm


Temos um problema 07:11 pm
quer marcar um jantar conosco e todo o pessoal 07:11 pm

Para o final de semana? Lembre-a que a turnê da Ink começa na sexta. Temos a desculpa perfeita para fugir disso 07:12 pm


Você acha que ela é o Danny???? Óbvio que ela sabe que não poderíamos ir na sexta 🙄 07:12 pm
Ela quer marcar para quarta-feira, pois a quinta serviria para você “arrumar as malas e todo o resto” 07:12 pm

Como uma mulher esperta assim se casou com o Danny?🤔 07:13 pm


Opostos complementares 😍 07:13 pm
De qualquer forma, precisamos decidir o que fazer 07:14 pm

Todd e Corey estão aqui em casa. Pelo que parece, vamos pedir pizza. Quer vir? Aí podemos discutir isso pessoalmente, depois que eles forem embora 07:15 pm


Dois minutos 07:15 pm

Dougie bloqueou o celular, voltando a atenção aos amigos, que ainda brigavam por conta da pizza. Percebeu que eles haviam decidido por ficar e jantar e que estavam brigando por causa dos sabores que iriam pedir. Dougie riu, pois já estava acostumado com aquela situação.
– Caras. – Chamou, atraindo a atenção de ambos. – Ah… A está vindo para cá.
– Certo. – Corey deu de ombros. – Quer que a gente vá embora?
– Não vamos ficar magoados, dude. – Todd riu.
– Não, capaz. – Dougie revirou os olhos. – É até bom que vocês a conheçam antes de sexta-feira.
– Então ela vai mesmo? – Corey questionou, surpreso. Dougie havia comentado da possibilidade, mas não havia confirmado que os acompanharia na turnê.
– Só o final de semana. – Explicou. – Vocês disseram que estava ok, então…
– E está. – Todd garantiu. – Mas achamos que ela desistiria. Afinal, é ônibus de turnê. Não tem muito conforto.
– Acreditem, não é cheia de frescuras. – Dougie sorriu fraco e Todd e Corey trocaram um olhar cúmplice. Na cabeça deles, Poynter estava de quatro por e tentava fingir que não.
– Ainda bem que pedimos quartos separados no ônibus. – Corey falou, arrancando risadas de Todd e um revirar de olhos de Poynter.
O som da campainha os despertou para a realidade e logo Dougie virou o alvo da discussão por não ter avisado que realmente já estava chegando, já que a sala estava uma zona e eles deveriam ter dado uma ajeitada antes de ela chegar. Dougie levantou para atender a porta, enquanto os outros dois corriam de um lado para o outro, juntando latinhas de cerveja e pacotes de salgadinhos, tentando organizar o local. Não fizeram um trabalho invejável, mas pelo menos o ambiente estava habitável. Dougie revirou os olhos para o esforço dos amigos e abriu a porta, sorrindo para de orelha a orelha, de forma totalmente espontânea.
– Hey. – Ela murmurou, se aproximando do loiro e o beijando brevemente nos lábios, afinal, para Todd e Corey eles realmente estavam namorando. A mulher usava um vestido rosa claro de mangas compridas e um tênis branco. O clima já estava ameno e não fazia mais necessário o uso de roupas de inverno.
– Foram realmente dois minutos. – Dougie comentou.
– Cheguei em casa agora a pouco. – explicou. – Estava gravando aquele especial para o programa, lembra?
– Ah, é verdade. – Dougie bateu com a mão na própria testa. realmente havia comentado sobre a gravação para o programa no dia anterior.
Os dois seguiram para a sala, comentando sobre seus dias brevemente. encontrou a sala em um misto de organização e bagunça e arqueou as sobrancelhas, estranhando o local.
– Passou um furacão por aqui? – Ela brincou, olhando para Dougie com diversão. O homem deu de ombros, claramente sem graça.
– Quase isso. – Se virou para os amigos, que o ignoravam totalmente e encaravam quase sem piscar. Dougie quis rir no momento que sentiu desconfortável com a situação. – Esses são Todd e Corey, meus parceiros na Ink. – Apresentou por fim, despertando os amigos de seus transes. se aproximou de cada um, os cumprimentando individualmente com um beijo no rosto. Logo eles haviam saído do choque inicial e estavam conversando normalmente com a mulher, que agradecia internamente por aquele momento estranho ter acabado.
Dougie se manteve quieto em grande parte do tempo em que esperavam pelas pizzas, apenas observando a situação. Era engraçado como conquistava todas as pessoas a sua volta. A mulher era extremamente carismática e simpática e atraia as pessoas quase que com magnetismo. Diferente de Dougie, que apenas fazia brincadeiras e deixava sua personalidade aparente para os amigos mais próximos. Talvez fosse por esse motivo que eles tivessem demorado tanto tempo para resolverem seus mal entendidos e estabelecido uma relação amigável. Afinal de contas, era realmente tudo aquilo que vivia dizendo para Dougie e o loiro rejeitava fielmente, pois as brigas e implicâncias falavam mais alto que a sua vontade de abrir os olhos para a realidade.
A noite passou rapidamente, entre conversas e piadas. Quando Todd e Corey se despediram do casal, já eram quase 10h da noite. ajudou Poynter com a louça suja, enquanto o loiro reclamava de dor nas costas vez ou outra, e eles conversavam sobre o jantar na casa dos Jones.
– Talvez eu possa te ajudar. – comentou, enxugando o último prato e entregando para Poynter guardar. O loiro lhe lançou um olhar curioso.
– Com o que? – Questionou, sem saber realmente do que ela falava.
– A dor nas costas. – indicou. – Minha mãe me ensinou alguma coisa sobre massagens.
– Ah, não precisa se preocupar. Só preciso deitar e descansar.
– Isso não vai melhorar e você vai ter dores durante a turnê. – argumentou. Ela não gostava de ver pessoas doloridas e sempre tentava ajudar a todo custo. – me chamava para massagear suas costas durante a gravidez quase todos os dias. Não me custa nada.
– Tudo bem. – Poynter cedeu. Terminou de guardar as louças e seguiu para a sala, com em seu encalço.
– Você tem algum óleo ou creme corporal? – Ela questionou, recebendo um acenar de cabeça como resposta.
– Vou buscar. – Dougie informou, seguindo para o banheiro do quarto de hóspedes. Jazzie sempre deixava algum produto como aquele após suas visitas e Dougie agradeceu mentalmente a irmã, ao encontrar um óleo corporal de amêndoas. Não ficaria com um cheiro ruim e aquilo seria um bônus, caso a massagem de fosse um desastre. Voltou para a sala e entregou o óleo para a morena, que passou a ler o rótulo do produto.
– Este serve. – Disse por fim. – Pode tirar a blusa. – Indicou e Dougie assentiu novamente, puxando a camiseta pela cabeça e a jogando na poltrona. Deitou no sofá, de barriga para baixo e resmungou de dor. – Eu só preciso deitar e descansar. – tentou uma falha imitação da voz de Dougie, debochando da frase do homem.
– Deixa de ser implicante. – Dougie reclamou, rindo em seguida. – Ah, espera… Implicante é o seu segundo nome.
revirou os olhos, ensopando as mãos com o gel e espalhando por toda a extensão das costas de Poynter.
– Se você me irritar, eu aperto os nós errados, e aí você vai realmente sentir dores.
– Eu poderia te denunciar para a polícia por essa ameaça.
– Mas aí você perderia sua namorada perfeita. – retrucou. Poynter revirou os olhos, soltando um suspiro baixo quando as mãos de começaram a massagear um dos pontos doloridos em suas costas.
– Falando nisso, como faremos na quarta-feira? – Questionou, realmente preocupado com a situação.
– Atuação nível máximo. – respondeu, enquanto massageava as costas do loiro. – Todos eles estarão lá, observando cada palavra e cada gesto nosso.
– Teremos oito pares de olhos e ouvidos nos seguindo. – Dougie concluiu, sentindo um alívio imediato quando mais um nó se desfez sob os dedos de . – O café da manhã com a vai virar nada, perto disso.
– Eu sei. – suspirou, movendo os dedos para a lombar de Poynter. – Mas eu estou contando com o fator da surpresa. Eles realmente estão apavorados com isso.
– Também pudera. – Dougie riu abafado. – A gente quase se matava durante esses jantares.
– E agora estamos aqui, no meio de uma massagem. – também riu. – Planejando uma forma de enganar nossos amigos.
– Nada que eles não mereçam. – Dougie disse, dando de ombros. Alguns minutos em silêncio dominaram o ambiente, enquanto finalizava a massagem. Utilizou a pia da cozinha para lavar as mãos e instruiu Poynter a tomar um banho morno, pois a água ajudaria a acalmar os músculos.
– Muito obrigado, de verdade. – Dougie agradeceu. – Por um momento, achei que você seria um desastre com isso.
– Me dê algum crédito. – retrucou. – Já duvidou das minhas habilidades especiais duas vezes. Na terceira, não tem perdão. – Ela brincou. Dougie revirou os olhos, vestindo a camiseta novamente. Sentou no sofá, enquanto se escorou no braço da poltrona.
– Vai dar tudo certo, na quarta. – Poynter comentou, de forma a encorajar a mulher.
– Eu sei. – suspirou. – Estou mais preocupada em convencer Trevor do que nossos amigos.
– O que aconteceu? – O loiro questionou, preocupado.
– Ele apareceu na emissora hoje. Os guardas não o deixaram entrar, então tive que descer até o portão para saber o que ele queria.
– Ele te ameaçou? – Dougie sentiu a raiva subir a sua cabeça, mesmo que não entendesse a origem daquele sentimento. Se convenceu de que sentiria raiva de qualquer cara que estivesse perseguindo uma mulher e assim aliviou sua consciência.
– Não. – negou. – Não a mim. Mas disse que não acredita no nosso relacionamento. – Ela fez careta. – E disse que vai encontrar uma forma de provar que estamos mentindo.
– E o que ele ganha com isso? – Dougie perguntou, realmente sem entender as intenções de Scott. – Você não vai voltar para ele assim.
– Ele está com o ego ferido, Poynter. Está fazendo isso apenas por vingança. – deu de ombros. Afinal homens eram, em sua maioria, iguais. A masculinidade era algo extremamente frágil e qualquer coisa as colocava em perigo, transformando caras comuns, em lunáticos.
Dougie desviou o olhar para a TV, tentando montar um plano que pudesse ajudar a sair daquela situação. Sorriu, quando um protótipo de ideia surgiu em sua mente. Voltou a olhar para a mulher, que lhe lançou um olhar curioso.
– O que foi?
– Por um acaso, você sabe se tem algum lugar que ele frequenta com assiduidade? – Questionou, deixando a mulher ainda mais curiosa.
– Happy hour, todos os dias, em uma hamburgueria no centro. Ele sai do treino e vai para lá, com os outros jogadores. – disse, com uma careta posta no rosto.
– Perfeito. – Poynter sorriu.
– O que você vai fazer? – indagou, curiosa.
– Demarcar território. – Dougie disse, dando de ombros em seguida. – Aliás, que número de anel você usa?

Dougie já havia entrado na Tiffany algumas vezes em sua vida. Havia ajudado os amigos a escolherem suas alianças de noivado. Havia presenteado a mãe e a irmã com joias. E também já havia comprado anéis de compromisso, uma ou duas vezes. Mas nenhum deles, havia sido tão caro e tão extravagante quanto aquele par de alianças que estavam, pomposamente, guardados dentro da caixinha de veludo vermelho. A sacola da loja expunha uma ideia bem óbvia do conteúdo da compra e Dougie esperava que aquilo fosse o suficiente para calar a boca de Trevor Scott por alguns dias e com sorte, para sempre.
Pegou o celular no bolso do jeans e digitou uma mensagem para Jazzie, para avisar que ela deveria lhe ligar dali 15 minutos. Recebendo a confirmação da irmã, respirou fundo e empurrou a porta, entrando no estabelecimento e escaneando o local com o olhar. Encontrou seu alvo, em uma mesa perto do bar, com três dos melhores jogadores da Inglaterra. Estrategicamente, Dougie escolheu um lugar no balcão próximo à mesa de Scott, para garantir que ele ouviria a conversa. Deixou a sacola da Tiffany exposta em cima do balcão e chamou pelo garçom, pedindo pelo cardápio. Analisou com cuidado os pratos e acabou pedindo dois hambúrgueres triplos para viagem e batatas fritas, já que havia prometido para que levaria o jantar para ela. Pediu também dois copos de suco natural de laranja com mamão e agradeceu ao garçom, entregando novamente o cardápio para o funcionário. Deixou a atenção vagar por alguns minutos, até seu celular começar a vibrar e ele pegar o aparelho, atendendo a ligação de Jazzie em seguida.
– Fala, chata. – Saudou a irmã, rindo em seguida.
– Você é um idiota, Dougie. – Jazzie ralhou e ele pôde imaginá-la revirando os olhos. – Me pede para te ligar, colaborar com esse plano maluco e me atende assim.
– Desculpa, irmãzinha querida. – Revirou os olhos. – Eu estou bem e você?
– Essa vai ser a conversa mais estranha que já tivemos, percebe isso?
– E a mamãe, como está? – Dougie indagou, ouvindo um muxoxo de descontentamento do outro lado da linha.
– Você é realmente retardado. – Jazzie decretou. – Não poderia ter fingido uma ligação?
– Você sabe que não. – Dougie retrucou. – está ótima. Estou comprando comida para jantarmos juntos hoje.
– An, que bonitinho! Comprando comidinha para jantar com a namoradinha de mentirinha! – Jazzie debochou e Dougie quis mandá-la a merda.
– Estamos bem. Na verdade, queria te contar uma coisa. – Dougie continuou no personagem, após perceber o silêncio que vinha da mesa de Trevor.
– Que ela é ótima e você é um bundão? Isso eu já sei! – Jazzie não parava de debochar e Dougie sentiu que era a hora de virar o jogo.
– Passei na Tiffany hoje. – Foi o que ele disse.
– Tiffany? Para que? Está falando sério? – Jazzie questionou, sem realmente levar a sério as palavras do irmão.
– Alianças de compromisso. – Sorriu, entrando no personagem de cabeça. – Senti que já estava na hora, entende?
– Você comprou alianças de verdade, Dougie? E não se atreva a me responder frases ensaiadas! – Jazzie ameaçou e Dougie a imaginou com sua melhor expressão irritada.
– Não estou brincando, Jazzie. Comprei alianças. – Bufou, impaciente. – Assim que eu chegar em casa te mando uma foto.
– Eu estou perplexa. – Foi tudo o que Jazzie disse.
– Não estou apressando as coisas. Nós tivemos bastante tempo para decidirmos se isso daria certo ou se era apenas o tesão nos motivando.
– Se eu não soubesse a verdade, cairia que nem um patinho nessa sua ladainha. – A loira bufou.
– Não, eu não comentei com ela sobre isso. Pretendo fazer uma surpresa. – Poynter sorriu fraco. – Mas nós estamos apaixonados e namorando sério, uma aliança de compromisso é apenas um simbolismo. – O garçom lhe chamou a atenção, indicando que seu pedido já estava a pronto e Dougie assentiu para o rapaz. – Preciso desligar. Nos falamos mais tarde, ok?
– Por favor, eu quero a foto!
– Manda um beijo para a mamãe. – Dougie pediu. – Tchau Jazzie.
Encerrou a ligação e guardou o celular no bolso novamente. Pegou a sacola da Tiffany e se dirigiu para o caixa, pagando a compra e seguindo para a saída, carregando as duas sacolas na mesma mão. Não dirigiu o olhar para a mesa de Trevor, mas assim que entrou em seu carro e colocou as sacolas no banco do passageiro, uma batida no vidro e a presença de Trevor Scott asseguraram a Dougie a eficácia de seu plano.
Fingiu uma expressão que mesclava a surpresa com a confusão, abrindo o vidro da janela e encarando o homem com as sobrancelhas arqueadas.
– Posso te ajudar? – Questionou, com educação.
– Então você e estão mesmo namorando? – Scott foi objetivo e Dougie admirou isso nele, por mais que detestasse todo o resto.
– Sim. – Dougie afirmou, sem pestanejar. – E aproveitando a sua presença, gostaria de pedir para deixá-la em paz. Ela não tem nenhum interesse em reatar com você e isso já vem de bem antes de começarmos a namorar.
Trevor pareceu sem graça, coçando a nuca com a mão e suspirando em seguida, antes de dizer: – Olha cara, eu amo a de verdade. E sei que fui um péssimo namorado e realmente quero uma segunda chance. E sinceramente, não acredito nesse relacionamento de vocês.
– No que você acredita ou não, é problema seu. – Dougie retrucou, dando de ombros. – está feliz. Você deveria respeitar isso, já que diz amá-la. Agora se me dá licença, preciso levar o jantar dela. Você a conhece, sabe como ela fica mal humorada quando está com fome.
E com isso, Trevor se afastou da janela e Dougie deu a partida no carro, rumando para sua casa com um sorriso no rosto. Estacionou o carro em sua garagem e atravessou os gramados, andando em direção à casa de . Naquela manhã, eles haviam decidido trocar cópias das chaves de suas casas, pois isso indicaria uma intimidade tremenda, que poderia lhes ser útil no decorrer daquele plano. Por conta disso, Dougie puxou seu próprio chaveiro e destrancou a porta de , entrando na casa e avisando de sua presença com um grito.
– Querida, cheguei! – Ele riu em seguida, não acreditando que realmente havia dito aquilo.
Seguiu a passos largos até a sala, encontrando jogada no sofá, lendo um livro. Ela levantou o olhar para ele, abrindo um sorriso gigante quando viu a sacola com o emblema da hamburgueria.
– E então, como foi? – Ela questionou, fechando o livro e fazendo menção de levantar.
– Esclarecedor. – Dougie comentou, entregando ambas as sacolas para a mulher. – Ele afirma não acreditar, mas pelo visto, vai dar um tempo. Acho que o deixei em dúvida e isso vai detê-lo por enquanto. – Deu de ombros, arregalando os olhos em surpresa quando soltou um gritinho agudo e o abraçou com força, murmurando agradecimentos.
– Muito obrigada! – Ela exclamou, beijando o rosto de Poynter uma única vez, antes de se afastar. – Eu já estava achando que jamais iria me livrar dele.
– Ainda não é definitivo. – Dougie emendou, claramente sem graça por conta do abraço que recebera.
– Mas já é alguma coisa. – O sorriso contente de fez Dougie também sorrir, mesmo que um pouco mais contido. – E obrigada por trazer o jantar.
– Vamos dividir, não se anime muito. – Retrucou, recebendo um revirar de olhos por parte dela. voltou a se sentar e analisou as sacolas, encontrando a sacola da Tiffany e lançando um olhar curioso para Dougie.
– O que é isso?
– Que tal exibir uma aliança de compromisso que custou os olhos da cara no jantar de quarta-feira? – Dougie questionou, com um sorriso divertido. gargalhou, abrindo o pacote e tirando a caixinha de veludo de dentro dele. Duas alianças prateadas repousavam dentro da caixa, uma delas muito mais simples e a outra trabalhada com pedras preciosas.
– O quanto você gastou nisso? – Ela questionou, de queixo caído.
– O suficiente para dar esse mesmo anel para a minha futura e imaginária esposa. – Dougie brincou e riu alto.
– Ao menos você tem bom gosto. – A morena deu de ombros, colocando o anel em seu dedo e entregando a aliança de Dougie para ele. – Estamos mesmo nos esforçando para isso parecer de verdade. – Ela comentou, em um tom de voz mais sério.
– Se você vai declarar seu amor por mim agora é melhor ser rápida, antes que eu fuja! – Poynter arregalou os olhos, fingindo uma expressão amedrontada. gargalhou alto, revirando os olhos em seguida.
– Bem que você queria, Dougie Poynter. – Retrucou, voltando sua atenção para a sacola com a refeição e deixando Dougie marinar aquela frase em seus pensamentos.
Ele realmente queria aquilo?

Capítulo 11 – Uma babá para a samambaia

A música no carro era agradável. cantarolava os versos de Youngblood da banda australiana 5 Seconds of Summer, enquanto batucava nas pernas e balançava a cabeça de acordo com o ritmo da música. Dougie era o motorista da rodada e estava tão nervoso que sequer havia tentando alimentar um diálogo durante a viagem. Ele havia reclamado dos surtos de , mas estava tão ou mais surtado do que a morena. Simplesmente havia lhe caído a ficha da grandiosidade daquilo que estava fazendo e do quão impecáveis eles deveriam se sair. Aquele era o primeiro teste real daquele relacionamento e Poynter não sabia se iria ser convincente. Suspirou, quando estacionou o carro em frente à casa dos Jones. Virou a cabeça para e a encontrou o encarando. A mulher abriu um sorriso encorajador para ele.
– Vai dar certo. – Ela disse. – Estamos nos dando bem, Dougie. Só vamos ser nós mesmos, com um pouco de fingimento de que estamos apaixonados. – Deu de ombros.
– Você tem razão. – Dougie concordou. – Ainda bem que trouxemos comida para distraí-los. – Brincou, indicando o purê de batatas rústicas e a torta de chocolate que estavam seguras no banco traseiro do carro.
– Nada como comida para tirar a atenção do nosso relacionamento. – riu, abrindo a porta do carro e se colocando para fora do veículo. Ela usava um vestido vermelho de alças e saia rodada, junto de um par de sapatilhas douradas. Os cabelos estavam soltos e ela havia colocado uma quantidade razoável de maquiagem no rosto. Dougie a havia elogiado mais cedo, pois ela realmente estava bonita. Suspirou uma última vez e também saiu do carro, abrindo a porta traseira e pegando a travessa com o purê de batatas, já que pegara a torta. Acionou o alarme do carro e parou ao lado de , em frente ao portão dos Jones.
entrelaçou seus dedos aos de Poynter e então eles seguiram pelo gramado. Foi ela quem tocou a campainha e também a primeira pessoa que a animadíssima viu e puxou para um abraço.
– Meu casal favorito! – Ela grunhiu, como cumprimento. entrou na casa e Dougie foi esmagado pelos braços finos de , que fechou a porta assim que ele estava dentro do hall. – Vocês ficam lindos juntos até quando usam cores contrastantes! – exclamou, apontando para o vestido de e a camiseta azul de Dougie. – Um arraso!
– Trouxemos comida! – Dougie exclamou, como se aquele fosse o assunto mais emocionante da noite. lhe lançou um olhar torto e riu, atraindo a atenção da amiga para si.
– Ele vai passar a noite falando disso, porque ele cozinhou junto comigo. – Ela explicou, de forma descontraída e riu.
– Homens. Danny fez o assado, então deve estar daquele jeito. – avisou, enquanto os guiava para a cozinha. – O pessoal está na sala e as crianças na sala de TV. Chamamos três babás para darem uma olhada neles, para que possamos ter uma noite mais tranquila. – A loira explicou. Guardou ambas as travessas na geladeira e eles seguiram para a sala.
– Viu amor, deveríamos ter trazido a sua samambaia. – indicou, olhando para Dougie rapidamente. riu e Dougie quase suspirou em alívio por estar tão descontraída naquele momento, enquanto ele tinha alguns surtos, que poderiam colocar tudo a perder.
– Deixamos a coitada sozinha em casa. – Lamentou e recebeu um olhar de encorajamento de .
Entraram na sala de estar e toda a conversa no ambiente cessou. A sala tinha dois sofás de três lugares e duas poltronas. Danny e Tom ocupavam as poltronas, enquanto , Harry e ocupavam um dos sofás. se sentou na ponta do sofá que restou, que era o lugar mais próximo de Danny e apenas encarou a situação com um sorriso no rosto. Dougie procurou pela mão de e encontrou os dedos dela preparados para se entrelaçarem aos dele. E esse pequeno gesto foi seguido pelos cinco pares de olhos arregalados na sala, o que apenas fez Dougie engolir em seco.
– Caralho, vocês estão me assustando. – reclamou por fim e com isso, dispersou o silêncio. Logo os cinco estavam de pé, cada um com uma pergunta na ponta da língua e braços puxando e Dougie para abraços de cumprimento um pouco confusos.
– Ai gente, calma! – exclamou. – Eu já contei tudo que eles me contaram para vocês.
– Não deixa de ser menos assustador. – confessou, finalmente se afastando do casal e voltando a se sentar. Os únicos que permaneceram de pé foram Harry e Tom, que brigavam com Dougie por não ter contado a eles no jantar que haviam tido.
– Eu prometo que vou explicar tudo. – Dougie garantiu. – Mas se acalmem.
– Nós somos calmos. – Tom contestou. – Mas então nossos amigos que se odiavam decidem começar a namorar e não contar para nós. Temos o direito de surtar.
– Certo, seus dramáticos. Vocês não me veem a meses e só sabem falar de Dougie e eu. Vocês são uns amigos horríveis! – acusou, montando um bico nos lábios apenas para desfazê-lo quando os três homens a puxaram para um abraço em grupo, já que Danny havia levantado novamente.
– Sentimos sua falta no churrasco lá em casa! – Tom exclamou, de forma carinhosa.
– Eu estava viajando a trabalho. – Ela se desculpou. – Mas fiquei tão feliz quando soube do bebê! – sorriu para e Tom. – Mas vocês precisam de uma televisão. – Declarou por fim, arrancando risos de todos.
Puxou Dougie para o sofá em que estava sentada, o deixando na ponta e ocupando o assento do meio. Dougie passou o braço pelos ombros de e a mulher sorriu para ele, gesto que foi observado atentamente pelos amigos, que já haviam voltando a se acomodar nos sofás.
– Então , nos diga… que tipo de drogas você está usando para ter caído na lábia desse nanico aí? – Harry brincou, recebendo um beliscão na coxa, dado por . O homem fez uma careta, enquanto a esposa lhe lançava um olhar mortal.
– O que Harry quis dizer, é que ficamos muito surpresos quando soubemos que vocês estavam juntos e gostaríamos de saber como diabos isso aconteceu. – sorriu e Harry lhe lançou um olhar incrédulo.
– De que forma isso é melhor do que as palavras que eu usei? – Ele reclamou, mas abanou as mãos para ele, dispensando a briga.
– Vocês não podem manter segredo de uma mulher grávida! – Ela exclamou e Dougie riu baixinho.
– O bebê vai nascer com cara de segredos. – Danny comentou e lançou um olhar quase pesaroso para o marido, enquanto os outros caiam na risada.
– Eu tenho pena da as vezes. – Tom riu.
– Amor, não. – Foi tudo o que ela disse, causando mais risos nos amigos.
– Tomara que Cooper puxe a você, . – Dougie comentou e Danny o mandou à merda.
– Não desviem do assunto principal! – reclamou. – Me. Expliquem. Tudo. – Ela disse, pausadamente e com o olhar fixo em Dougie e .
– A disse que já tinha contado para vocês. – retrucou.
– E ela contou. – Tom afirmou. – Mas nós não entendemos o porquê.
– O porquê do que, exatamente? – Dougie questionou, confuso.
– O porque vocês resolveram se envolver. Sério, nunca foi algo que eu pudesse imaginar de acontecer. – Tom explicou.
– Não foi algo intencional. – deu de ombros, trocando um rápido olhar com Dougie. – Nós resolvemos nossas pendências e nos aproximamos. Somos vizinhos e apenas não tínhamos proximidade porque éramos dois idiotas orgulhosos. – Ela riu.
– Além de orgulhoso, eu era babaca. – Dougie lembrou, arrancando uma risada de , que acenou em concordância. Os amigos, sem compreender a piada interna, apenas os encararam de forma confusa. – Eu nunca havia pedido desculpas pela história do balde. – Ele explicou. – Por isso implicava comigo.
– E ele, como um bom garoto de 15 anos mentais, fazia a mesma coisa. – implicou e Poynter revirou os olhos para ela. – O ponto é que, nós não tínhamos nenhuma intenção de nos envolver. – Ela voltou a atenção aos amigos.
– Primeiro achamos que era só algo casual. – Dougie disse e Harry adquiriu uma expressão de “agora está explicado” no rosto. – Ambos estávamos solteiros… – Ele deu de ombros, deixando o assunto no ar. – Mas acabou não sendo só isso. Agora estamos aqui. – Sorriu.
– Acreditem, ficamos tão surpresos quanto vocês e às vezes as coisas são estranhas, porque bem, somos nós. – riu. – Mas estamos felizes. – Concluiu.
– Esse anel brilhante na sua mão esquerda prova muito esse argumento. – comentou, atraindo a atenção de todo o grupo para o tal anel. se adiantou e puxou a mão de para si, analisando a joia com atenção.
– Porra. – Foi tudo o que ela disse e logo e estavam disputando a mão de , enquanto Harry zombava do anel de Dougie e Danny comentava que o amigo estava “amarrado”.
– Gastou uma nota, hein Poynter? – elogiou e Dougie riu, sacudindo a cabeça para os lados.
– Ela me obrigou a dividir o valor. – Ele disse, com sinceridade. realmente havia o obrigado a aceitar metade do valor que ele havia gasto naquelas joias.
– Mas vocês compraram juntos? – questionou, interessada.
– Ele comprou. – explicou. – Eu só fiquei sabendo quando ele me entregou a sacola.
– Ai, que amor! – exclamou, batendo palmas em animação, antes de se voltar para Danny. – Estou sentindo um cheiro vindo do forno…
– Meu assado! – Danny exclamou, levantando num pulo e seguindo para a cozinha.
– Já vi que vamos ter que pedir pizza. – Harry reclamou, suspirando alto.
– Se vocês tivessem trazido algo, como e Dougie, não passaríamos por isso. – pontuou e Tom lançou um olhar ofendido para ela.
– Quando você vai comer lá em casa não leva nada! – Ele acusou a loira, que deu de ombros.
– Estou falando de vocês, não de mim! – Ela retrucou.
– Vamos ajudar o Danny. – Harry decidiu, puxando Tom pelos ombros e fazendo um sinal para Dougie segui-los.
O loiro se virou para e selou seus lábios rapidamente, murmurando que já voltava e seguindo para fora da sala com os amigos. Assim que os homens estavam fora, se viu cercada pelas amigas, que a carregaram para o andar de cima em um instante.
– Nós queremos saber tudo! – exclamou, assim que fechou a porta do quarto de hóspedes. a encarou com confusão.
– Eu não quero parecer ambígua, mas contamos tudo lá embaixo a menos de quinze minutos. – Ela falou e revirou os olhos.
– Aí amiga, não seja ingênua. Só tem uma coisa que temos que discutir longe dos rapazes. – A mulher disse.
gargalhou, finalmente entendendo o propósito das amigas.
– Ah, isso.
– Sim, isso! – bufou. – Ande logo. Nós sabemos que Trevor nunca lhe deu orgasmos decentes. – Pontuou, sem papas na língua. – Como está sendo a performance do nosso amigo Dougie? – arqueou as sobrancelhas, com um sorriso malicioso nos lábios.

Na cozinha, a conversa não fugia muito do tema abordado no quarto pelas mulheres. Dougie estava aquecendo o purê, enquanto Harry cuidava o cozimento do arroz, Tom fazia as saladas e Danny cortava o assado em fatias grossas.
– Mas então, Poynter… Como está se saindo? – Harry questionou, de forma maliciosa.
– Perdão? – Dougie enrugou a testa em confusão.
– Sexo, Poynter. – Tom revirou os olhos.
– Tudo ok. – O mais novo deu de ombros, não querendo prolongar o assunto.
– “Tudo ok”? – Danny repetiu a frase, com uma careta. – Isso não quer dizer nada!
– Para que vocês querem saber disso? – Poynter questionou. Tirou o purê do banho maria e voltou a mexer o conteúdo da vasilha.
– Porque sempre conversamos sobre isso. – Harry deu de ombros.
– Mas é a . – Dougie falou, suspirando. – É diferente.
Tom, Danny e Harry trocaram um olhar surpreso. Dougie nunca havia tido aquele tipo de pensamento em seus outros relacionamentos, mesmo quando namorara Lara, que era parente de Danny. Ele era sempre muito sincero e respondia se era bom ou se era excepcional, pois aquele era um assunto normal para os amigos.
– Você gosta mesmo dela, não é? – Tom questionou e Dougie focou o olhar no amigo. Não estava atuando quando havia dito aquela frase e Tom interpretar suas palavras como um indício da paixão dele por era no mínimo, estranho.
– Gosto. – Falou, desta vez, se forçando a retornar ao papel, mesmo que ele sentisse um carinho crescente por a cada dia que passava.
– Tudo bem. – Danny disse por fim. – Acho estranho falar disso, porque cara… é a . Não havia pensado por esse ângulo antes.
– Só me diga que você está nos orgulhando. – Harry pediu, desligando o fogo e procurando uma vasilha de vidro no armário para colocar o arroz dentro.
– E você dúvida disso, seu idiota? – Dougie reclamou, socando o ombro de Judd em seguida.
Antes do jantar, o grupo passou na sala de TV para ver as crianças. Kit, Cooper e Buddy já estavam dormindo e Lola e Buzz assistiam um desenho na TV, enquanto comiam salgadinhos. e Dougie ficaram por alguns minutos com as crianças, enquanto os outros colocavam a mesa. O jantar foi tudo o que Dougie e já esperavam. Perguntas e mais perguntas sobre o relacionamento deles, que foram respondidas de forma a não deixar suspeitas. As mulheres ficaram responsáveis por organizar a cozinha, já que os rapazes haviam “feito” o jantar e pediu para Danny servir as sobremesas na sala de estar. Logo os oito estavam reunidos na sala novamente, comendo doces e jogando conversa fora. Tom e falando sobre o bebê e o lançamento de seu livro em conjunto, Danny falou sobre o The Voice Kids, Harry e falaram que pretendiam viajar com as crianças para o campo e Dougie comentou sobre a turnê com a Ink.
– E como vão ficar as coisas entre vocês? – indagou para .
– Eu vou viajar com ele neste final de semana. Depois nos veremos em Birmingham e Nottingham. E eles tem show em Londres uns dias antes da turnê acabar. – explicou. – Não vão ser muitos dias distantes. – Sorriu fraco e Dougie a abraçou com mais força.
– É menos ruim do que quando fazíamos turnê mundial. – Tom comentou. – ficava meses sem me ver.
– Sorte a dela. – Danny zombou e Tom deu um soco no ombro do amigo.
– Idiota.
– Estamos bem com isso. O primeiro teste do relacionamento, não é? – Dougie indagou para , com um sorriso divertido.
– Achei que o primeiro teste seria descobrir a sua cueca da sorte. – Ela retrucou, arrancando gargalhadas dos amigos.
– Dougie ainda tem aquela coisa ridícula do ursinho Pooh? – Harry questionou, rindo alto quando assentiu em concordância.
– Como a disse… mentalidade de 15 anos. – Tom riu.
– Vão a merda. – Dougie reclamou.
– Tadinho! – exclamou, se virando para o loiro e apertando as bochechas dele. Selou seus lábios rapidamente e se voltou para os amigos.
– Ah, a fase do mel. – comentou, revirando os olhos. – Você lembra de quando não queria que eu sumisse na sexta à noite e só aparecesse no domingo? – Questionou para Harry, que lançou um olhar sonhador para o horizonte.
– Bons tempos. – Suspirou, de forma exagerada.
– Às vezes e eu dividimos a casa, para mantermos distância. – Tom exclamou.
– Ele fica com o andar de cima e eu o de baixo. Entrego pizza para ele pela escada. – disse, arrancando risos de todos.
– Cooper nos mantém juntos. – Foi tudo o que disse e Danny lhe lançou um olhar ofendido.
– Depois ela vem dizer que me ama. – Retrucou e sorriu para ele.
– Quanto encorajamento. – Dougie revirou os olhos, enquanto os outros riam.
– Não gosto de ser a estraga prazeres, mas… – disse, olhando para o relógio em seu pulso.
– Você adora ser a estraga prazeres. – Harry acusou, fazendo-a dar de ombros e não negar as acusações.
– De qualquer forma, – Falou, o ignorando propositalmente. – Eu tenho que gravar amanhã cedo e ainda não terminei a mala. – Ela informou, com uma careta.
– Nós temos dois filhos para colocar na cama. – suspirou. – Precisamos ir também. – Olhou para Tom, que concordou com um aceno de cabeça.
Todos começaram a se organizar e se despediram quase meia hora mais tarde. Dougie e voltaram para casa muito mais aliviados e sorridentes do que no trajeto de ida.
Dougie estacionou o carro em sua garagem e suspirou em alívio, arrancando um riso baixo de .
– Para quem queria se vingar, você surtou muito fácil. – Ela brincou. Dougie deu de ombros, sem ter como se defender.
– Fazia muito tempo que eu não apresentava alguém para eles, mesmo que isso não seja real. – Sorriu fraco. – Eu vejo muita diferença na minha vida e na deles, sabe? – Suspirou e lançou um olhar carinhoso para ele. – Não sei, as vezes só tenho medo de eles continuarem me vendo como o amigo mais novo que não toma um rumo na vida.
– Eles não te veem dessa forma, Dougie. – garantiu. – Eles tem muito orgulho de você, de verdade.
Dougie levantou o olhar para ela e sorriu, agradecido. Permaneceram se olhando por longos instantes e uma única vez, Dougie deixou seu olhar cair para os lábios de . Mas tão rápido quanto veio, sumiu. Ele pigarreou e dispersou o momento estranho.
– Muito obrigado. – Ele disse. – Pelo jantar e por isso.
– Sempre que precisar. – falou, sorrindo uma última vez antes de se colocar para fora do carro e seguir para sua casa.
Dougie suspirou. Deixou a cabeça repousar no volante e se xingou, sem realmente acreditar na merda que quase havia feito.

Eram 2h30mim da madrugada de sexta-feira quando Dougie acordou, com seu despertador berrando. Acabou ativando a soneca e dormiu por mais dez minutos, antes de finalmente levantar e seguir para o banheiro. Tomou um banho rápido e vestiu um conjunto de moletom. Apesar do clima ameno, a noite londrina era fria e fazia necessário o uso de uma roupa mais pesada. Dougie escovou os dentes, penteou o cabelo e o bagunçou novamente, deixando da forma desordenada que enlouquecia suas fãs mais agitadas. Suas malas já estavam na sala, então ele apenas pegou o celular e o carregador reserva e desceu para o primeiro andar. Ele iria comer algo na casa de , já que em sua própria casa tinha apenas alimentos não perecíveis. Ele ficaria um mês fora de e não queria desperdiçar comida, desta forma, não havia feito às compras mensais.
Trancou a casa e andou a passos largos até a o jardim de . Estendeu a mão para tocar a campainha quando lembrou que tinha a chave e o havia autorizado a utilizá-la naquele dia. Destrancou a casa da mulher e o cheiro de bacon e ovos logo invadiu seu olfato, fazendo-o suspirar de alívio.
? – Chamou, assim que colocou os pés na sala.
– Cozinha. – A voz da mulher gritou e logo Dougie estava no cômodo. usava jeans e camiseta, que mais parecia um pijama do que qualquer outra coisa, os cabelos presos em um rabo de cavalo e um cardigã vinho.
– Eu estou morrendo de fome. – Ele comentou. – Obrigado por me oferecer café da manhã. Lá em casa só tem arroz e café.
riu. Dividiu os alimentos em dois pratos, colocando as xícaras em cima da bancada e dando um longo gole no conteúdo de sua xícara. Suspirou em satisfação, enquanto Dougie se acomodava e começava a devorar os ovos mexidos.
– Só fiz uma mala. – comentou.
– Tudo bem. – Dougie assentiu. – Não quer levar mais nada? Tem espaço.
– Não. Não vou precisar de muita coisa. – Ela assegurou. – Está tudo certo para os rapazes, eu ir nesse final de semana? – Questionou, receosa.
– Claro. – Dougie assentiu novamente. – Eles estão até animados com isso. – Riu.
– Não quero atrapalhar vocês.
– Não vai. – Dougie disse, olhando diretamente nos olhos de , que assentiu e sorriu fraco.
– A única coisa extra que eu peguei foi uma manta e minha almofada.
– Eu sempre levo meu travesseiro. – Dougie comentou. – Mas teremos mesmo que dividir a cama. – Ele avisou.
– Eu já estava ciente. – Ela deu de ombros.
Eles terminaram de tomar café e Dougie se dispôs a ajudar a lavar a louça. O ônibus passaria às 3h30 para buscá-los e como já eram quase 3h10, correu para escovar os dentes e checar se as tomadas estavam vazias e as luzes desligadas, antes de trancar a casa e seguir para a casa de Dougie, com sua manta e almofada em mãos, enquanto Dougie levara a mala e a deixara perto do portão da casa. Poynter conferiu as luzes de sua própria casa, trancou as janelas e as portas e tirou os aparelhos da tomada. No horário marcado, estavam os dois em frente à casa. Dougie abraçava pelos ombros, já que eles não sabiam quem desceria do ônibus para recebê-los e ali fora, eram um casal apaixonado.
Dougie não havia pensando ou comentado a respeito do quase momento que tivera com na noite de quarta. Ele simplesmente havia fingido que nada havia acontecido e não parecia ter percebido qualquer coisa, o que facilitava as coisas para ele. Então ele estava evitando pensar sobre o assunto, convencendo a si mesmo que havia sido coisa de momento, por conta da intimidade compartilhada naqueles poucos instantes. Não deveria se preocupar com uma possível atração por . Estava tudo bem, na cabeça dele.
Foram recebidos por Antony, o empresário da Ink, e Todd, que cumprimentou o casal com entusiasmo e comentou que Corey estava desmaiado em seu quarto. Dougie riu, já sabendo que aquilo aconteceria. Colocou suas malas no bagageiro do ônibus e subiu para seu quarto apenas com sua mochila e a mala de .
O ônibus partiu no mesmo instante e Todd ofereceu um pequeno tour pelo ônibus para o casal, já que Dougie não havia visto o veículo depois das reformas. No primeiro andar tinha uma sala de estar com dois sofás de dois lugares, TV e vídeo game. Também tinha uma cozinha, com balcões, armários suspensos, fogão, geladeira, micro-ondas e outros eletrodomésticos. O banheiro e os quartos ficavam no segundo andar e cada integrante da banda tinha um quarto, que nada mais era que um retângulo que media 1×2 e tinha uma cama, mesa de cabeceira e um pequeno armário. Tinham quatro quartos no ônibus, um para cada integrante da Ink e outro para Antony.
Após a tour, o casal se despediu de Todd e entrou no quarto que dividiria. organizou as coisas mais essenciais para uso diário e levou mais tempo do que esperava, pois quando se virou para falar alguma coisa com Dougie, o encontrou já dormindo. Suspirou, olhando para o relógio na parede e constando que eram 4h da madrugada. Ela precisava dormir também e com esse pensamento em mente, tirou os tênis e as calças jeans, vestindo um moletom qualquer e se aproximou da cama, empurrando Dougie para o canto e se deitando ao lado do homem. Apesar da cama não ser grande, os dois couberam confortavelmente no móvel e logo também estava dormindo, abraçada em um travesseiro, enquanto Dougie abraçava a cintura dela, mesmo que de forma inconsciente.

Capítulo 12 – Unir o útil ao agradável

Quando Dougie acordou naquela sexta-feira, estranhou a cama em que dormia. Estranhou também o barulho de carros e buzinas e se surpreendeu com o grito de comemoração de Corey, seguido por vários xingamentos de Todd. Poynter suspirou, se mexendo na cama e percebendo que mais alguém dividia aquele espaço com ele, já que sentia algo encostado no vão entre seu ombro e tronco, cabelos com cheiro de menta estavam próximos de seu rosto e uma respiração batia em seu peito. Abriu os olhos, com alguma dificuldade, encontrando deitada ao seu lado, de bruços, com um dos braços envolvendo sua cintura, enquanto ele próprio a abraçava pelo pescoço.
Dougie arregalou os olhos, se movendo bruscamente e acordando , que o fitou com algo que ele identificou como irritação.
– Volta a dormir, porra. – Ela reclamou, voltando a fechar os olhos e se aconchegando mais em seu peito.
– Cadê a sua almofada? – Ele indagou, curioso. deu de ombros, sem realmente prestar atenção no que o loiro dizia.
– Devo ter perdido no meio da noite. A cama é pequena. – Comentou. – E você estava aí, sendo inútil. Juntei o útil ao agradável.
– Certo. – Ele conteve o riso, voltando a fechar os olhos e tentando dormir novamente. Uma gargalhada vinda do corredor os assustou e logo batidas na porta soaram.
– Acorda casal! Estamos chegando no hotel em Brighton. – A voz de Todd se fez presente do lado de fora do quarto e Dougie suspirou.
– Ok! – Respondeu, no mesmo instante que abriu os olhos e se sentou na cama, demonstrando uma preguiça absurda.
– Que horas são? – Perguntou, em um tom de voz baixo.
– Quase 7h. – Dougie informou, após checar o horário no celular. O homem levantou e procurou sua mochila, tirando de lá seus itens básicos de higiene. – Você quer tomar banho aqui ou no hotel?
– No hotel. – respondeu. – Não ligo se alguém me vir de moletom, óculos escuros e boné, saindo de um ônibus de turnê.
– Eles vão ter uma única interpretação desse seu estado. – Dougie disse, com um sorriso divertido nos lábios. levou o olhar até ele e enrugou a testa em confusão.
– Que?
– Que tivemos uma noite excelente de sexo e que você está louca para dormir em uma cama confortável. – Deu de ombros, como se aquilo não fosse nada.
– Nessa cama não dá, querido. Sinto muito. – Ela retrucou, sem se deixar abalar. Também levantou e procurou sua mala.
– Vou ao banheiro. – Dougie informou, saindo do quarto em seguida. Após realizar sua higiene matinal, voltou ao quarto e encontrou deitada na cama de novo, quase dormindo. Pelo menos a mala dela estava fechada, Dougie percebeu. Pescou a almofada dela no chão e atirou na mulher, que o mandou à merda antes de abrir os olhos.
– Vamos descer. – Dougie disse. – Ou prefere ficar aqui? Tenho certeza que o hotel é bem mais confortável. E tem café da manhã. – Ele finalizou, finalmente chamando a atenção de .
– Você disse as palavras mágicas. – murmurou, se colocando de pé e seguindo para o banheiro. Dougie a encontrou no corredor, carregando sua mochila e a mala da mulher, que já estava muito mais apresentável e desperta e os dois desceram de mãos dadas. Encontraram Todd no sofá, assistindo televisão, enquanto Corey bebia um suco na cozinha.
– Bom dia, flores do dia. – Dougie murmurou, colocando a mala de perto da mesa da cozinha.
– Bom dia. – sorriu educadamente.
– Gostei mais dela. – Corey afirmou, apontando para o moletom que a morena usava. – Gente como a gente.
– Ela só se veste bem para o programa. Normalmente anda como uma mendiga. – Dougie implicou e depositou um tapa no braço do homem.
– Me respeita, Douglas. – Ela reclamou, recebendo um beijo estalado como pedido de desculpas. seguiu para o sofá e Dougie para a cozinha, enquanto Corey voltava para a sala.
– Não tem nada para comer. – Todd murmurou para Dougie, que observava o conteúdo na geladeira. – Vamos tomar café no hotel.
– E falta quanto para chegarmos? – Poynter questionou, caminhando para a sala e sentando no braço do sofá, perto de . – Essa monstrinha aqui não pode ficar com fome por muito tempo. – Indicou , que bufou para ele, dando de língua em seguida, num gesto muito maduro. Poynter, ainda mais maduro que ela, ameaçou puxar a língua dela com os dedos, causando risos nos amigos.
– Alguns minutos. – Corey respondeu. – E tenho a impressão de que ela quer te matar. – Olhou para , que assentiu com veemência.
– Ele adora me testar a paciência de manhã cedo. – Ela informou. – Não tem medo da morte.
Todd riu: – Já sabemos quem manda na relação. – Falou para Corey. Dougie estava pronto para retrucar quando Antony abriu a porta que dava para a cabine do motorista, cumprimentando o casal com animação.
– Chegamos. – Informou e no mesmo instante o ônibus estacionou. – Vocês tem até às 17h para dormir e qualquer outra coisa. 17h30min vamos sair do hotel e vamos para a casa de shows.
– Certo, chefe. – Corey bateu continência e Antony revirou os olhos.
Logo Dougie e estavam fora do ônibus e enquanto esperavam que Antony fizesse o check-in, aguardaram junto dos outros dois rapazes, sentados nos sofás do hotel. deitou a cabeça no ombro de Dougie e fechou os olhos, pronta para cochilar.
– Nós já vamos subir. – Dougie comentou, num tom de voz baixo que apenas ela poderia ouvir.
– Só estou descansando os olhos. – Ela murmurou em resposta, fazendo Dougie rir com gosto.
– Certo.
Quinze minutos se passaram quando as chaves de seus quartos finalmente foram entregues. carregou sua mala e a mochila de Poynter, enquanto o homem carregava a outra mala que havia levado, que era muito maior e mais pesada. Ficaram todos no mesmo corredor e Corey avisou, antes de entrar em seu quarto, que só deveriam perturbá-lo se alguém estivesse prestes a morrer. riu.
– Gostei mais dele. – Comentou, repetindo a frase que o homem havia dito mais cedo.
Ela própria entrou no quarto que dividiria com Dougie e deixou as malas em um canto, antes de se jogar na cama e se enfiar debaixo dos cobertores.
– Você vai mesmo dormir? – Dougie questionou, divertido.
– Sim. E você deveria fazer o mesmo. – retrucou. – Eu que não vou fazer show estou sentindo a necessidade de dormir mais. Imagina você.
– Tem razão. – Poynter suspirou. Fechou as cortinas do quarto e apagou a luz. Tirou a camiseta e se aproximou da cama, empurrando para o canto e se enfiando debaixo dos cobertores. Ligou o ar condicionado, ajustando para uma temperatura mais fria e colocou o celular para despertar. Se aconchegou na cama e suspirou, sentindo o cansaço tomar conta de si.
– Essa cama é maravilhosa. – Ele comentou. , que até então tinha a cabeça afundada nos travesseiros, levantou o tronco e estreitou o olhar para Poynter.
– Se você falar o que eu acho que vai falar, vou arrancar seu pau com um alicate. – Ela retrucou, arrancando risadas de Dougie.
– Eu nem ia falar nada. – Ele se defendeu.
– Aham. – voltou a se deitar. – Quem não te conhece que te compre.
E com isso, se aproximou mais de Dougie e o abraçou, sem ao menos pedir permissão. Poynter sorriu, mantendo seus comentários para si e a puxando para mais perto, deixando o queixo encostar no topo da cabeça de e fechando os olhos, para tentar dormir.

Dougie e acordaram quase no meio da tarde. Tinham cerca de duas horas livres até o horário estipulado por Antony, então poderiam se organizar e comer alguma coisa com calma. foi a primeira a ir para o banho, enquanto Dougie reclamava da demora da mulher e insinuava que ela não precisava depilar as pernas pois ele não se incomodava com aquilo. saiu do banheiro já vestida e penteada e socou o ombro de Poynter, que riu e ocupou o cômodo em seguida. Ela organizou suas coisas e esperou pacientemente por Dougie, que não levou 15 minutos para ficar pronto. Decidiram comer fora do hotel e aproveitaram a paz que uma cidade como Brighton oferecia. Eles não precisavam se preocupar com paparazzi, mas ainda assim, não abandonaram os personagens que diziam estar interpretando, por medo de serem flagrados e ferrarem todo o plano. Acabaram se acomodando na mesa de um café, não muito longe do hotel, e fizerem seus pedidos. estava faminta, então pediu o dobro de coisas que normalmente pediria e Dougie fez piada com o apetite dela, sendo xingado novamente.
– Mas então, vamos passar a noite em Brighton? – Ela questionou, após dar duas garfadas na torta de frango cremosa que havia pedido e suspirar em aprovação.
– Sim. – Poynter afirmou, já finalizando o sanduíche que havia pedido. – Vamos para Blandford amanhã de manhã e passaremos a noite por lá, mas no ônibus. Seguimos para Plymouth de manhã.
– Tudo bem. – assentiu. – Não vou ficar para o show de Plymouth, então vou comprar uma passagem para o horário do almoço.
– Tranquilo. – Dougie falou, bebericando sua vitamina de morango, enquanto finalizava a compra da passagem pelo celular.
me mandou vinte mensagens. – comentou, revirando os olhos. Apontou a câmera do celular para Dougie, que sorriu imediatamente e tirou uma foto, enviando para a amiga com um trecho breve de como estava sendo a viagem. – Agora ela para de encher o saco. – Resmungou e Dougie riu.
– Tom sugeriu que nós tocássemos na festa de casamento do Matt. – Dougie comentou. , que até então estava entretida com sua torta, arregalou os olhos e deixou o garfo descansar no prato. Encarou Dougie com a surpresa estampada no olhar.
– O McFLY? – Ela questionou, incrédula. – Sério?
– Sim. – O loiro deu de ombros. – Achei uma boa ideia. Faz muito tempo que não tocamos juntos.
– Eu sei. Fui no último show de vocês.
Dougie arqueou as sobrancelhas, resgatando a lembrança daquele dia e depois riu.
– Ah, é verdade. – Ele concordou. – Você trocou o energético na minha garrafa por suco verde.
– Em minha defesa, você estava debochando do meu cabelo. – revirou os olhos. – Todo mundo elogiou, enquanto você disse que eu parecia um espantalho.
– Para resolver essa pendência, eu estava brincando. – Dougie murmurou. – Você ficou muito bonita loira.
corou levemente, antes de dar de ombros.
– Eu sei. – Retrucou, fazendo Dougie rir. – Desculpe pelo suco verde.
– Nan. – Dougie dispensou as desculpas com a mão. – Eu gostei. Tomo sempre que posso.
– Certo. – riu.
Eles terminaram de comer e Dougie insistiu para pagar a conta, enquanto reclamava dizendo que queria rachar. Dougie desistiu de convencê-la a aceitar a cortesia e pagou metade do que foi consumido. Acabaram dando uma volta pela cidade, antes de voltarem para o hotel e trocarem de roupa. Dougie vestiu uma camiseta branca com uma camisa xadrez por cima, bermuda e tênis, enquanto optou por uma camiseta sem gola que deixava um de seus ombros a mostra, saia de couro e botas de cano curto. Prendeu os cabelos em um rabo de cavalo e aplicou apenas rímel e batom. Eles seguiram para o térreo de mãos dadas e encontraram Todd e Corey sentados na área de espera, já arrumados para o show.
– Onde está Antony? – Dougie questionou.
– Ainda não desceu. – Todd informou. – Vocês saíram hoje? – Questionou, interessado.
– Fomos comer fora. – respondeu. – Valeu a pena pois comi a melhor torta de frango da minha vida.
– Não fala em comida, por favor. – Corey implorou e Dougie arqueou as sobrancelhas para ele, enquanto Todd gargalhava.
– O que aconteceu?
– Ele ainda não comeu nada. – Todd disse. – Acordou agora a pouco e o hotel ainda não abriu o horário para o café.
– Antony vai ter que me arrumar algo para comer. – Corey reclamou, enquanto Dougie revirava os olhos e procurava alguma coisa em sua bolsa. Tirou um pacote de biscoitos recheados e ofereceu para Corey, que só faltou chorar de alegria.
, você é a melhor. – Ele murmurou, antes de abrir o pacote e enfiar dois biscoitos na boca. Dougie a encarou estupefato, enquanto ela apenas dava de ombros.
– Nunca deixo a minha bolsa sem algo para comer. Não se sabe quando alguém vai precisar.
– Prevenida. – Todd elogiou.
– Esfomeada, isso sim. – Dougie rolou os olhos e o encarou com os olhos em fendas.
– Me respeita, Douglas. – Ela disse, pela segunda vez no dia.
Antony chegou cinco minutos mais tarde e praticamente arrastou a banda e para a van que havia alugado em Brighton, já que andar com o ônibus da turnê não seria nada prático. Antes de chegaram à casa de shows, passaram no drive thru do McDonald’s para comprar lanches para todos. Quando chegaram na casa de shows, encontraram uma fila significativa de pessoas já esperando pelo show. A banda desceu da van e foi cumprimentar os fãs, enquanto seguia com Antony para o camarim.
Dougie tirou diversas fotos e autografou braços, cadernos e até mesmo uma nuca, onde escreveu “Transylvania” abaixo da tatuagem de um castelo. Apesar do show ser da Ink, muitos fãs de McFLY estavam apoiando a carreira de Dougie e virando fãs da nova banda do rapaz consequentemente. Ficou cerca de vinte minutos na rua e então foi escoltado para dentro da casa de shows, sendo seguido pelos dois amigos, que estavam super animados e ansiosos. O camarim era simples e não tinha nada de muito anormal, já que eles não haviam feito nenhuma exigência. Logo eles seguiram para o palco e passaram o som, enquanto gravava alguns trechos e postava em seus stories no Snapchat com a hashtag #InkSoundcheck.
A passagem de som durou quase uma hora e meia e quando voltaram para o camarim, os rapazes foram para o chuveiro, a fim de trocar de roupa e tirar o suor do corpo. Os rapazes fizeram alguns stories para o Instagram da banda no tempo que aguardavam dentro do camarim para o show iniciar e quando faltavam apenas dez minutos, se despediu de Todd e Corey, avisando que ficaria na grade durante o show. Ela e Dougie se beijaram rapidamente, antes da mulher seguir para fora do camarim e ocupar seu lugar na frente do palco.
O primeiro show da banda foi incrível. Os fãs não pararam de cantar nem por um minuto e os rapazes deram seu máximo em suas performances. gravou muitos stories para o Instagram, enquanto ela mesma curtia o show. Não podia negar que gostava das músicas e ver Dougie pulando no palco como uma gazela louca, lhe trazia um sentimento confortável de lembrança dos diversos shows do McFLY que ela havia assistido durante sua vida.

Capítulo 13 – O ponto de ligação

O despertador tocou às 10h da manhã do sábado e Dougie resmungou, abrindo os olhos com relutância apenas para checar as horas no celular e constatar que não poderia dormir mais. dormia tranquilamente, agarrada em sua almofada, mas com as pernas enroscadas nas de Dougie. O loiro suspirou, antes de levantar da cama com cuidado para não acordar e seguir para o banheiro. Tomou banho e se vestiu, voltando para o quarto e começando a organizar a bagunça que havia deixado no dia anterior. Eles pegariam a estrada ao meio dia e chegariam a Blandford lá pelas duas da tarde, a tempo de se organizarem e curtirem parte do Teddy Rocks Festival.
Dougie juntou as roupas e outros pertences, colocando tudo dentro da mala, para então se voltar para e cutucar a mulher na cintura, com a finalidade de acordá-la. Após dois cutucões, bufou em irritação e deu um tapa na mão de Dougie, que riu alto e a fez abrir os olhos finalmente.
– Você me odeia, não é Poynter? – Ela questionou, com um fiapo de voz.
– Na verdade não. – O loiro respondeu. – Mas você precisa se organizar para ter tempo de almoçar antes de pegarmos a estrada para Blandford.
– Argh. – murmurou, voltando a esconder o rosto contra o travesseiro. – Não sei como vocês aguentam, de verdade. – Ela voltou a falar, com a voz abafada. – Eu não fiz nada além de assistir ontem e estou destruída.
– Mentirosa. – Dougie retrucou, andando até o criado mudo e pegando seu celular. Não viu quando sentou na cama e o fitou com os olhos semicerrados.
– Como é? – Ela indagou e Poynter finalmente a encarou, com um sorriso divertido nos lábios.
– Eu disse que você é uma mentirosa. – Ele deu de ombros.
– E porque você diz isso?
– Porque eu vi você cantando e dançando durante todo o show. Então você fez alguma coisa além de “assistir”. – Dougie fez sinal de aspas com os dedos e sua expressão debochada fez com que revirasse os olhos.
– Poynter, você realmente testa a minha paciência. – Ela retrucou, bufando irritada. Determinado a incomodar , Dougie se jogou ao lado da mulher na cama, ouvindo-a resmungar alguma coisa sobre ele ser irritante.
– Sabe o que me lembrou te ver daquela forma ontem? – Ele questionou e frente ao silêncio dela, voltou a falar: – Que você fazia a mesma coisa nos shows do McFLY. Qual será o ponto de ligação entre a Ink e o McFLY? – Ele se questionou, colocando a mão no queixo e montando uma expressão pensativa no rosto.
– Douglas, eu vou te dar um soco. – Ela avisou, deixando Dougie mais risonho do que antes.
– Ah, é verdade! – Ele exclamou, dando um tapinha na testa, em um claro gesto que indicava que ele estava sendo tolo. – Sou eu!
– Mas você está impossível hoje, Poynter. – grunhiu, levantando da cama e seguindo para o banheiro a passos pesados, batendo a porta às suas costas, enquanto Dougie ria alto e gritava que a amava também.

A viagem para Blandford foi tranquila. passou a maior parte do tempo no notebook, organizando a agenda do programa que ela apresentava, enquanto Dougie e os outros rapazes jogavam videogame e comiam salgadinhos. Ao chegarem ao Teddy Rocks Festival, foram direto para a passagem de som, já que a Ink era uma das primeiras bandas a tocar naquele sábado. , usando jeans e camiseta, permaneceu ao lado de Antony durante toda a passagem de som, gravando alguns stories e batendo fotografias dos rapazes. Em determinado momento, Dougie se aproximou dela, vendo-a com o celular na mão e arrotou alto, arrancando gargalhadas de todos os presentes e uma careta de nojo de .
– Ridículo. – Ela murmurou, enquanto ele lhe atirou beijos.
Após a passagem de som, voltaram para o ônibus. Todd e Corey decidiram comer alguma coisa, enquanto e Dougie subiram para o andar dos quartos. Dougie ficou no quarto enquanto a mulher tomava banho, ocupando o cômodo assim que ela o liberou. usava um short jeans de lavagem escura, All Star preto e uma camiseta sem mangas soltinha que deixava seu top rendado a mostra. Deixou os cabelos soltos, colocou brincos e pulseiras e passou rímel, dando-se por satisfeita no instante em que se olhou no espelho. Após Dougie sair do banho, usando bermuda e regata, eles desceram para ao primeiro andar e beliscaram os sanduíches que estavam prontos na geladeira.
– Quantas bandas tocam antes de vocês? – questionou, assim que Dougie desceu do ônibus e parou ao seu lado. De onde estavam, já podiam ter certeza de que a primeira banda estava no palco e que o público estava animado.
– Quatro. – Dougie respondeu. Entrelaçou seus dedos aos de e eles seguiram para o gramado onde estava montado o palco. Ficaram na parte de trás, apenas curtindo as músicas, enquanto gravava vídeos vez ou outra para postar nos stories.
– Nunca vim ao festival. – Ela comentou. – Apesar da ideia me agradar muito.
– Sim. Aceitamos tocar aqui justamente por defender uma causa nobre. – Dougie explicou.
Pouco tempo depois, Todd e Corey se juntaram ao casal. se aproximou de Dougie e parou a sua frente, encostando seu corpo ao dele e fazendo-o abraçá-la pela cintura. Dougie descansou a cabeça no ombro esquerdo da mulher, vez ou outra murmurando as melodias das músicas tocadas durante o festival. Todd e Corey permaneceram perto deles, mas estavam tão envolvidos pelo espírito do público que não paravam de conversar sobre suas expectativas para o show.
– Você vai assistir ao show amanhã, ? – Corey questionou, quando a terceira banda subiu ao palco, animando ainda mais ao público.
– Não. – negou com a cabeça. – Comprei uma passagem para o meio dia.
– Ah, que pena. – Lamentou o homem. – Teremos que aturar o Dougie choramingando de saudades. – Corey revirou os olhos, enquanto Dougie o mandava a merda.
– Aguento ele choramingando se não precisar dividir a cama com ele. – Todd brincou, deixando Dougie ainda mais carrancudo, enquanto gargalhava.
– Prometo ligar para ele todos os dias. – Ela sorriu. – Aí não terá muito acúmulo de saudades.
– Claramente deveríamos substituir o Dougie pela , porque ela é muito mais legal. – Corey comentou, ignorando Poynter totalmente.
– Vocês são uns otários. – Ele murmurou por fim, beliscando a cintura de , que ria com vontade. A mulher deu um tapinha na mão dele, que sorriu ladino e voltou a prestar atenção na banda que tocava.
Algumas bandas mais tarde, a Ink subiu no palco. , na grade do show, gritou em animação, logo iniciando uma live pelo Instagram, fazendo comentários a respeito das músicas e da performance dos rapazes, que em sua opinião verdadeira, estava impecável. Em determinado momento, Dougie se aproximou dela e mandou beijos para a transmissão, voltando a pular pelo palco no instante seguinte, enquanto revirava os olhos. O show fora animado e o público reagira positivamente as músicas da banda. Os rapazes deixaram o palco muito mais suados e animados do que na noite anterior e logo estava com eles, elogiando a performance, enquanto Dougie tentava puxá-la para um abraço e ela se esquivava, fazendo os outros dois rirem. Na opinião deles, eles formavam um casal muito bonito e divertido.
– Aí amor, vem cá. – Dougie exclamou, de forma manhosa, tentando puxar para perto de si, enquanto ela revirava os olhos.
– Nem pensar, Douglas. Segue daqui para o banho. – Retrucou, o empurrando para dentro do ônibus. Dougie foi o primeiro a tomar banho e após vestir uma roupa confortável, arrastou para o festival, onde a abraçou pela cintura e assistiu mais algumas bandas com a cabeça dela repousada em seu ombro.

Dougie estava sentado no sofá, rindo da cara de Corey, que estava puto por ter perdido cinco vezes seguidas para Todd no futebol. O homem largou o controle do videogame no sofá, bufando em irritação e fazendo Poynter rir mais ainda.
– Claramente Todd está fazendo pacto junto com você. – Acusou, olhando para Dougie com os olhos semicerrados.
– Ou então, você quem é ruim demais. – Dougie retrucou. – Já pensou nisso? – Debochou, levando uma almofada no rosto.
– Vá se foder, Poynter. – Corey revirou os olhos.
– Quem sabe amanhã você aprende. – Todd brincou com o amigo, levantando do sofá e se espreguiçou. – Eu vou dormir caras, estou destruído. – Murmurou, acenando para os amigos e subindo para o segundo andar. Dougie checou as horas em seu relógio e suspirou, também se colocando de pé.
– Também vou indo. – Avisou. – Aproveite para treinar, Corey. – Riu, recebendo apenas o dedo educado do amigo como resposta e subindo para o segundo andar rapidamente. Deu duas batidinhas na porta do quarto, antes de girar a maçaneta e encontrar jogada na cama, toda torta, lendo um livro.
– Hey. – Dougie murmurou, entrando no quarto e fechando a porta às suas costas. – Achei que já estava dormindo. – Ele comentou. Tirou o casaco e os tênis, seguindo para a cama e sentando na beirada, de forma a não atrapalhar o espaço que ocupava.
– Nan, estou sem sono. – Ela suspirou. – desligou faz uma meia hora, eu acho. – A mulher explicou, se referindo a ligação que ela fora atender no andar de cima e que por este motivo, Dougie ficara sozinho com os amigos na sala.
– E como estão todos por lá? – Indagou, atencioso.
– Bem. – respondeu. – Danny está no estúdio e disse que ele está surtando. Talvez fosse bom você ligar para ele e distraí-lo um pouco. – Sugeriu, sorrindo fraco. Dougie assentiu com a cabeça, antes de levantar e avisar que iria trocar de roupa no banheiro.
Voltou minutos depois, usando a camiseta e o moletom com os quais dormia, com os dentes escovados e os cabelos penteados. já havia abandonado o livro que lia e usava uma camiseta alguns números maiores que ela, que Poynter tinha certeza que era dele. Arqueou as sobrancelhas em direção a mulher, que deu de ombros, sem se deixar afetar.
– Já sei. – Dougie riu. – Ela estava ali, sendo inútil e você juntou o útil ao agradável.
– Exatamente! – bateu palmas, com diversão. – Você está realmente atento, Douglas. ‘Tô gostando de ver. – Elogiou, fazendo-o revirar os olhos.
abriu espaço para Dougie deitar e o homem apagou a luz, antes de se jogar na cama e fazer reclamar de seus modos. Usou o edredom para cobrir os dois e logo sentiu os braços de ao seu redor, se surpreendendo por não ter estranhado aquela atitude. Já estava se acostumando com por perto, com suas manias estranhas e sua total falta de espaço individual e não achava que aquilo era realmente algo bom. Na verdade, era realmente preocupante, se Poynter parasse para pensar sobre aquilo. Mas ele não parava e continuava ignorando os sentimentos que estavam nascendo em seu peito.
– Então, o que achou do final de semana? – Dougie questionou, puxando assunto. Sentiu dar de ombros.
– Foi legal. – Ela respondeu. – E você foi só um pouquinho irritante.
Poynter rolou os olhos. – Eu não poderia perder a chance de encher o saco.
– Claro que não. – Ela riu baixo. – No final das contas, vou acabar sentindo sua falta por esses dias.
– Ah é? – Dougie indagou, surpreso. Mesmo que a mulher não pudesse ver seu rosto, ele arqueou as sobrancelhas em sua direção.
– Sim. – Riu novamente. – Não vai ter ninguém pra fazer merda e me proporcionar boas risadas.
– Você é ridícula, . – Poynter bufou, beliscando a cintura da mulher, que tentou se esquivar dele antes de lhe desferir um tapa ardido no peito.
– Não fica tristinho não, Dougster. – riu. – Quando você voltar, tenho certeza que logo vai fazer alguma merda e tudo voltará ao normal.
– Idiota. – Dougie resmungou, tentando conter o riso.
– Mas agora falando sério… No final das contas, viramos amigos, não é? – questionou, de forma despreocupada.
– Quem diria. – Foi a vez de Dougie rir. – Nunca pensei que isso iria acontecer.
– Eu muito menos. – retrucou. – Planejei seu assassinato mais de uma vez.
– Lembra daquela vez em que eu coloquei cola no teu esmalte? – O loiro indagou, rindo, recebendo um novo tapa no peito.
– Você era muito retardado, Poynter, fala sério. – bufou.
– Depois daquilo, briguei feio com a Frankie. – Contou, atraindo a atenção de , que levantou a cabeça e tentou fitá-lo em meio a escuridão.
– Porque?
– Ela dizia que eu parecia um adolescente implicando com, e agora vou abrir aspas, “a garota que eu gostava”. – Dougie falou, rindo pelo nariz.
gargalhou, sem conseguir se conter. – Nossa, forçou.
– Muito. – Poynter concordou. – Eu não te suportava.
– Era mútuo. – logo disse. – Agora eu até que te suporto um pouco.
– Você me ama e não admite, . – Dougie revirou os olhos, fingindo uma exaustão que não existia.
– Vá a merda, Douglas. – murmurou, se aconchegando mais no peito do homem.
– Se você me tratar mal, vai dormir no chão. – Dougie avisou, recebendo um beliscão. – Porra , para com isso. – Reclamou, fazendo-a rir.
– Então deixe de ser insuportável. – Ela disse. – Mas sabe, nunca entendi realmente porque ela não gostava de mim. Agora as coisas fazem um pouco mais de sentido.
– Fora eu, ela era a única que não gostava de você. – Dougie pontuou. – Ellie gostava de você, mesmo vocês tendo se visto pouquíssimas vezes. – Comentou.
– Ellie é muito legal. – disse. – Mas eu nunca entendi porque vocês terminaram.
– Chegamos à conclusão que éramos muito melhor como amigos do que como namorados. – Dougie deu de ombros. – Não iríamos para frente, sabe? Não pensávamos em um futuro.
– Entendo. – suspirou. – Eu pensei que você finalmente tinha arrumado alguém decente. Ela era muito mais legal do que você. – Implicou, fazendo Dougie rir.
– Você não consegue se conter, não é? – Reclamou, mesmo que não desse realmente importância para aquilo. Se divertia com e gostava de estar com ela por conta daquilo. Não tinham dias ruins com ela.
– Não mesmo. – Ela falou. – Mas falando sério agora… Fico feliz por você ter amadurecido, Poynter.
– Quer explicar? – Dougie franziu o cenho, confuso.
– Bom, – estalou os lábios, antes de voltar a falar. – Não éramos próximos e eu nem sequer gostava de estar no mesmo ambiente que você, mas eu lembro como foi pesada a fase pós Frankie. Acompanhei pelos rapazes toda a questão da rehab e quando você voltou, estava bem diferente. Acho que você amadureceu muito a respeito de como você encara um relacionamento. – suspirou. – E isso é bom, pois você não vai passar por tudo aquilo novamente, porque aprendeu que não pode depender de ninguém para ser feliz.
– Foi uma fase horrível. – Dougie comentou, num tom de voz baixo. Agradeceu pela escuridão na qual o quarto se encontrava, pois não queria que visse a tristeza em seu rosto. – O término só agravou uma situação complicada que eu já vivia. Mas foi aprendizado. Realmente não me deixo mais depender de ninguém, fora eu mesmo.
– Isso é ótimo, Dougie. – sorriu. – Você merece encontrar alguém que só vai acrescentar e te fazer transbordar, ao invés de preencher um buraco.
– Acredito nisso, mas não é prioridade. – Dougie falou.
– Eu sei. Mas ainda é meu desejo para você. – E com isso, se calou e Dougie não falou mais nada, pois não tinha palavras. E aproveitando do conforto que a proximidade entre seus corpos trazia, se deixaram cair no sono.

Quando Dougie acordou, estranhou o fato de não ter estranhado a cama em que dormia e o corpo que o abraçava. E isso lhe provocou um furacão de pensamentos conflituosos com os quais ele não estava preparado para lidar tão cedo naquela manhã de domingo. Suspirou, afastando os braços de de sua cintura e pulou para fora da cama, seguindo para o banheiro e fazendo sua higiene. Aproveitou para tomar um banho e lavar os cabelos, na esperança de afastar toda aquela confusão de sua mente.
Não adiantou muito, pois assim que voltou para o quarto, encontrou abraçada em seu travesseiro e sentiu-se inquieto novamente. A mulher partiria dali algumas horas e ele teria que se acostumar com a falta da presença dela. E acima de tudo, Dougie não entendia porque diabos sentiria falta de , se a mulher apenas reclamava e implicava com ele quase durante todo o tempo. Sentindo-se idiota, Dougie desceu para o primeiro andar, não encontrando os amigos ou Antony por lá. Espiou pela janela e percebeu que o ônibus estava em movimento, o que indicava que eles ainda não haviam chegado a Plymouth.
Dispensando o café da manhã, apenas abriu um potinho de iogurte e se jogou no sofá, ligando a TV e colocando em um programa qualquer do Discovery Channel, como lhe era de costume. Não percebeu quando cochilou e muito menos quando desceu, já arrumada e com sua mala organizada. Ela sorriu, antes de atirar uma almofada no rosto do homem e assustá-lo. Dougie lhe lançou um olhar mortal, que apenas a fez rir com mais vontade.
– É seu último dia aqui e você já começou implicando comigo? – Ele questionou. se sentou ao seu lado, dando de ombros.
– Não posso perder o costume. – Respondeu simplesmente. Puxou o celular do bolso, para checar suas notificações.
– Alguém vai te buscar na estação em Londres? – Dougie questionou, como quem não queria nada, mas sentindo um fundo de preocupação a respeito do bem estar de .
– Harry se ofereceu. – A mulher informou. – Eles querem que eu jante com eles essa semana, para não ficar tão sozinha. – Ela riu, acompanhada de Dougie.
– A sua sorte é estar nesse relacionamento ou eles lançariam uma campanha para você também. – Brincou.
– E estariam mortos em dois segundos. – Ela sorriu, sem mostrar os dentes. – Não sou frouxa como você.
Dougie revirou os olhos, enquanto se aproximava e virava a câmera frontal para eles.
– Ah, não. – Ele resmungou, mal humorado.
– Deixa de ser chato, Douglas. – bufou. Passou o braço esquerdo em torno do pescoço do homem, deixando a mão em que usava o anel pender no ombro dele, estrategicamente colocada ali. Sorriu para a câmera, enquanto Dougie fazia uma careta. suspirou, resolvendo usar aquilo a seu favor e grudou os lábios no rosto de Dougie, fazendo alguns cliques em seguida. Se afastou, analisando as fotos e sorrindo para o resultado. A expressão de Dougie facilmente poderia ser interpretada como tristeza e usaria aquela foto para ilustrar o fim da temporada deles juntos. Entregou o celular para ele e pediu para ele bater uma nova foto, com ambos sorrindo. Deixou a mão com o anel pendendo no ombro deles e eles sorriram para a câmera, antes da mulher recuperar seu celular.
– Você só quer tirar fotos em momentos inoportunos. – Dougie reclamou.
– São os mais convincentes. – retrucou, se calando no instante exato em que Antony surgiu das escadas. Acenou em bom dia para os dias, seguindo para a cozinha.
– Já estamos chegando ao hotel. – Avisou. – Vocês vão subir? – Questionou.
Dougie checou as horas no relógio, percebendo que já eram 10h30min da manhã. Sacudiu a cabeça para os lados, em negação.
– Podemos comer na rua, o que acha? Aí seguimos para a estação. – Olhou para , buscando confirmação na mulher.
– Claro. Mais prático. – Ela assentiu.
Quando chegaram ao hotel, Dougie largou suas malas no quarto e então seguiu com para a estação de trem de Plymouth. Acabaram almoçando em um restaurante dentro da estação e logo a mulher já estava acomodada em sua cabine, com a janela aberta e metade do corpo para fora do veículo.
– Me avisa quando chegar. – Dougie pediu, com o tom de voz baixo. Sentia os olhares de algumas pessoas e não queria sua conversa transcrita para as revistas de fofoca.
– Aviso sim. – sorriu. – Não esquece de ligar para o Danny.
– Se eu esquecer, você me lembra. – Deu de ombros.
– Sou sua namorada, não sua agenda particular, Poynter. – revirou os olhos.
– Se você diz. – Dougie riu e se inclinou para bater nele, recuando no mesmo instante em que ouviu o apito indicando que o trem já iria partir.
Dougie se inclinou para ela, selando seus lábios rapidamente e se afastando. Acenou para quando a mulher fechou sua janela e viu o trem partir, caminhando para fora da estação de Plymouth com as mãos no bolso e os pensamentos bagunçados.
Fosse o que fosse que estivesse acontecendo, ficar longe de ajudaria seus pensamentos a voltarem para o lugar. Era aquilo que ele esperava.

Capítulo 14 – Um tempo para curtir a Lua de Mel

Estava chovendo bastante em Birmingham e Dougie estava muito agradecido por ter recusado o convite de Todd e Corey, que saíram para beber e curtir a noite e ter ficado no hotel, comendo pizza e assistindo Netflix. Não podia negar que estava entediado e talvez um pouco decepcionado, mas Dougie se recusava a deixar que aquele sentimento tomasse conta de sua mente.
Afinal, não havia ido para Birmingham e estava tudo bem, porque Dougie e ela tinham apenas um relacionamento falso e o homem não deveria ter nutrido expectativas a respeito da viagem da mulher para encontrá-lo naquele final de semana.
E por mais que tentasse se convencer daquilo, se sentia um idiota, pois sabia que estava mentindo para si mesmo. Poynter estava sim esperando a visita de . E muito mais do que isso, ficara bastante desapontado, quando em uma de suas ligações diárias – porque sim, eles se falavam todos os dias desde que ela havia voltado para Londres – o avisou que não poderia encontrá-lo em Birmingham, pois teria que viajar para a França por pedido da emissora em que trabalhava. Algo a respeito de um especial, que Poynter nem lembrava do título. Decidido a não se sentir um idiota, Dougie pegou seu celular e discou os números do telefone daquela que sempre conseguia acalmá-lo e fazê-lo se sentir bem: sua mãe. Suspirou em alívio quando a mulher atendeu a chamada, sorrindo fraco ao ouvi-la chamar pelo seu nome e não pelo apelido.
– Douglas, que saudades de você, meu filho! – Sam exclamou, a voz subindo algumas oitavas graças a emoção que sentia.
– Oi mãe. – Suspirou. – Também senti saudades.
– E porque não me ligou? – Reclamou a mulher, estalando os lábios em seguida. – Esqueça, não vou brigar com você agora. – Ela riu. – Jazzie mandou um beijo para você.
– Duvido muito disso. – Poynter riu.
– Ela te chamou de idiota, na verdade, mas eu não quis ser tão direta. – Sam confessou.
– Como você está, mãe? – Questionou, enquanto zapeava o catálogo da Netflix, sem realmente prestar atenção nos títulos dos filmes.
– Estou ótima, querido. – Sam o confortou. – E você?
– Um pouco cansado por causa da turnê, mas estou bem. – Dougie disse.
– Não parece que está bem. – Ouviu Sam comentar alguma coisa com Jazzie e Dougie podia apostar que logo seria colocado no viva-voz. Dito e feito, logo ouviu a voz da irmã se fazer presente e quase riu.
– O que houve, bundão? – Jazzie questionou, parecendo preocupada.
– Nada, Jazzie. – Dougie negou.
– Ele ainda insiste em mentir para nós. – Sam murmurou e Poynter podia visualizá-la revirando os olhos.
– Não posso mais sentir falta da minha família e querer ligar por livre e espontânea vontade? – Questionou, fingindo ultraje.
– Pode. – Jazzie estalou os lábios. – Mas não em uma sexta à noite, quando você deveria estar com seus amigos ou com a sua namorada.
– Falando em namorada, quando vai trazê-la em casa, Douglas? – Sam indagou, animada. – Quero muito conhecê-la.
– Meus amigos saíram e minha namorada não pôde vir para Birmingham. – Dougie retrucou, bufando. – Após a turnê, mãe, se tudo der certo.
– Então o problema é esse. – Jazzie riu, parecendo se divertir. – Está chateado porque não foi te visitar, é?
– Não seja idiota, Jazzie. – Dougie retrucou.
– É normal sentir saudades, filho. – Sam falou, carinhosamente. – Vou na cozinha checar o jantar e já volto. – Informou e Dougie resmungou em contragosto, pois estava “sozinho” com Jazzie.
– Você está com saudades dela, não está? – Jazzie indagou, curiosa.
– Não, Jazzie. – O loiro suspirou. – Não é saudades, entende? Sei lá, só queria passar um tempo com ela, como amigos. A gente se diverte e sinto que ela é a única pessoa com quem consigo conversar sem precisar fingir e mentir.
– Tudo bem, não vou cortar a sua ilusão. – A outra retrucou.
– Eu não estou apaixonado por ela. – Dougie falou, com sinceridade. Sabia que não estava caído de amores por , mas sabia também que estava confuso quanto a essência dos seus sentimentos.
– Eu sei, não disse que estava. – Jazzie falou. – Mas já pensou na possibilidade de estar se apaixonando?
– Já e descartei. – Respondeu, rapidamente. – Gosto de passar um tempo com ela, da mesma forma que gosto de passar um tempo com você ou .
– Tudo bem. Então descartamos a paixão. – Jazzie falou. – Por ora.
– Vá a merda. – Dougie xingou.
Passou mais um tempo no telefone com a mãe e a irmã, contando sobre a turnê e as ouvindo falar sobre os dias em Essex, rindo das loucuras de Sam e implicando com Jazzie, como de costume. Acabou findando a ligação tarde da noite, escolhendo rever De Volta para o Futuro na Netflix e deixando a pizza de lado, depois de ter comido quase todas as fatias.

Na metade do filme e no meio de uma gargalhada, Dougie sentiu o celular vibrar e franziu o cenho, confuso. Já era tarde e dificilmente alguém estaria lhe mandando mensagens àquela hora da noite. Desbloqueou o celular e rolou a barra de notificação para baixo, se deparando com uma marcação de fotos no Instagram de . Clicou na notificação e uma das fotos que a mulher havia tirado em Blandford estava postada na rede social de , com a seguinte legenda:
@ saudades do meu amor ❤️
Poynter sorriu, logo digitando um comentário na foto antes de bloquear o celular e voltar a prestar atenção na TV, muito mais feliz do que gostaria de admitir.
@idougahole queria que estivesse aqui

O show de Londres poderia ser o mais memorável de toda a turnê. Não que os outros shows não tivessem sido bons, para Dougie, todos eles haviam sido especiais e mereciam ser lembrados, mas Londres era a capital da Inglaterra e desta forma, toda atração na cidade era maior e mais animada. Poynter não tinha ido para casa, mesmo estando a apenas 30 minutos, contando com um bom trânsito, de sua residência. Havia permanecido no ônibus por pura preguiça e naquele momento, seguia com Todd e Corey para a casa de shows.
– Sou só eu ou vocês também estão nervosos para um caralho? – Corey indagou, seguindo pelo corredor que daria no camarim que a Ink usaria.
– Eu acho que vou vomitar. – Todd murmurou, afastando os amigos de perto de si no mesmo instante.
– Não vomite em mim. – Dougie logo disse, enquanto Todd ria. Antony, à frente do grupo, parou em uma das portas do corredor e a abriu, indicando que os rapazes deveriam entrar.
– Foi só uma analogia. – Todd revirou os olhos.
– Enfie a sua analogia no c… ! – Corey exclamou, surpreso. Logo Dougie e Todd estavam dentro do camarim, sendo observados por uma sorridente. A mulher abraçou os rapazes, antes de se inclinar e beijar Poynter nos lábios, murmurando que havia sentido saudades.
– Pensei que ainda estava na França! – Dougie murmurou, confuso, mas retribuindo o abraço da mulher carinhosamente.
– Voltei hoje, na verdade. – Ela sorriu. – Poderia ter esticado o final de semana, mas não aguentava mais os franceses. – Revirou os olhos, fazendo os rapazes rirem.
– E como foi por lá? – Todd indagou, se jogando no sofá ao lado de Corey. Dougie ocupou a poltrona e sentou no braço do móvel, deixando seu braço esquerdo envolta dos ombros do loiro.
– Bacana. Gravamos muito para o programa e estou ansiosa para que vá ao ar. – Ela sorriu, orgulhosa de seu trabalho. – Mas e vocês, como estão?
– Nervosos. – Corey disse.
– Querendo vomitar. – Todd murmurou, recebendo um soco no ombro, dado por Corey.
– Para com essa merda, cara. – Reclamou.
– Mas falta tão pouco para acabar! – exclamou. – Como podem estar nervosos só agora?
– Londres é sempre maior. – Dougie respondeu.
– Vocês vão ser ótimos, acreditem! – A mulher sorriu, os encorajando.
– Tomara que sim. – Todd sorriu, em agradecimento. – Bom, vou começar a me arrumar. – Informou, seguindo para o banheiro.
– E eu vou procurar alguma coisa para comer. – Corey disse, acenando com a mão e saindo do camarim.
No mesmo instante, Dougie olhou para com as sobrancelhas arqueadas.
– Porque não me disse que estava vindo?
– Surpresa! – Ela exclamou, tardiamente. Dougie riu.
– Na verdade, vim com o pessoal. – disse. – Eles queriam vir ao show e me chamaram para vir junto. – Sorriu fraco.
– Todos eles vem? – Dougie indagou, surpreso.
– Uhum. – A morena assentiu. – Logo devem estar chegando.
– Vou pedir credenciais para vocês então. – Dougie falou, fazendo menção de se levantar.
– Na verdade, compramos ingressos para o camarote. – informou, o fazendo sentar novamente. – Como eu disse, surpresa! – Levantou os braços, em animação. Dougie gargalhou.
– Tudo bem, vou aceitar essa gentileza. – Suspirou.
– Você fala como se tivesse outra alternativa. – Ela rolou os olhos. Levantou do braço da poltrona e caminhou até o sofá, se sentando no móvel e indicando o lugar ao seu lado para Dougie. O homem rolou os olhos, mas logo estava ao lado de , com a cabeça deitada no ombro da mulher.
– Desculpe por não ter ido para Birmingham. – Ela murmurou.
– Está tudo bem. – Dougie falou.
– Lembra que eu disse que provavelmente iria sentir sua falta? – Ela questionou, em um tom de voz mais baixo.
Dougie levantou o olhar para ela, com o cenho franzido. – Sim?
– Acabei sentindo mesmo. – Sorriu fraco. – Você é a única pessoa com quem posso conversar, de verdade. – Deu de ombros.
– Também cheguei a essa conclusão. – O loiro estalou os lábios.
– Está tudo bem, não é? – Ela indagou, parecendo confusa. – Estarmos próximos dessa forma. – Explicou
– Sim, é claro. – Dougie respondeu, prontamente.
– Certo. – Foi quem estalou os lábios. – Ah, deixa eu te contar, antes que você encontre a rapazes e eles falem disso. – A mulher se mexeu no sofá, se virando para Dougie e ficando de frente para ele.
– Temos dois compromissos pendentes: o show do Danny e a festa de Matt e Emma – Falou e Dougie assentiu. – Harry sugeriu que nós viajássemos juntos, como em uma trip family, sabe? Na semana após o show do Danny.
– Ah não. – Dougie fez uma careta.
– Essa foi a mesma reação que eu tive, – Riu. – Então se eles te perguntarem, vamos para a casa dos meus pais nessa semana e estaremos impossibilitados de viajar com eles. – disse.
– Ótimo. – Poynter suspirou. – Sei que daríamos conta, mas não é algo com o qual devemos nos preocupar agora. – Ponderou. – Temos como prioridade te livrar do Scott.
– Bom, só vou saber em que pé estamos a respeito disso durante essa semana. – suspirou, encostando as costas no sofá. – Ao menos ele não me seguiu para a França. – Riu fraco.
Dougie e permaneceram no camarim por todo o tempo livre até a hora do show, quando a mulher se despediu dele e dos rapazes e seguiu para o camarote, encontrando os amigos a esperando. O show foi ótimo, a banda tocou muito bem e animou o público e logo Dougie estava de banho tomado, livre de compromissos e pronto para seguir para o restaurante onde jantaria com os amigos e .

– Cara, o show foi sensacional! – Harry exclamou, pela terceira vez, abocanhando mais uma porção de batatas fritas em seguida. entortou os lábios para os modos do marido, mas não disse nada, o que causou risos em , sentada ao lado da mulher.
A mesa para oito pessoas estava uma bagunça. Tinham cestas de petiscos e papéis de hambúrgueres bem como copos com refrigerantes espalhados por todo canto. Danny e riam de alguma piada que Tom havia contado, Harry não parava de comer e perdia apenas para , que comia por dois e estava perdoada. revirava os olhos para o marido ocasionalmente, mas continuava a conversar com a respeito da viagem para a França, enquanto Dougie mantinha o braço envolta dos ombros da morena e bebia seu refrigerante calmamente.
– Dougie no palco não mudou nada. – Tom comentou, sorrindo para o amigo.
– Eu disse a mesma coisa para ele em Brighton. – riu.
– Nem parece que já tem 30 anos. – falou.
– Não precisa me lembrar desta tragédia. – Dougie suspirou, fazendo drama.
– Como vocês são exagerados. – revirou os olhos.
– Você fique quieta. – chiou. – Apenas maiores de 30 podem falar.
– Você vai deixá-la me tratar assim? – exclamou, olhando para Dougie com uma expressão severa. Douglas riu, dando de ombros.
– Desculpa amor, não posso lidar com os seus 28 anos agora.
– Você é ridículo e vai dormir no chão hoje. – Impôs, se virando para o outro lado e fazendo os amigos gargalharam.
– Se lascou, Poynter. – Danny riu.
– Ela não consegue dormir sem mim. – O loiro murmurou, sem se abalar. – Certeza que dormiu mal todos esses dias na França.
– Você quem pensa. – estalou os lábios para o namorado.
– Você falou com ele a respeito da viagem? – Harry indagou para ela e Dougie franziu o cenho, montando a maior expressão confusa que seu talento como ator permitia.
– Não. – negou, com um aceno de cabeça.
– Estamos planejando ir para Torquay daqui alguns dias, passar o final de semana. – Tom informou ao amigo. – Seria legal reunir todo mundo, como antigamente.
– Talvez nem tanto como antigamente. – riu, apontando para o quase abraço entre Dougie e .
– Só um pouquinho então. – Danny concordou com a esposa.
– Seria ótimo, mas nós vamos para a casa dos pais da . E minha mãe também está perturbando porque quer uma visita em Essex. – Dougie montou um semblante chateado.
– Eu disse para vocês que eles estão em lua de mel. – retrucou. – Deixem-nos transarem em paz!
– Os hormônios estão deixando-a louca. – Tom comentou, fazendo todos rirem.
– Vamos pensar nisso depois que voltarmos de Essex, pode ser? – Dougie sugeriu e Harry assentiu em concordância.
– Tudo bem. Transem bastante, enquanto não tem filhos. – E com isso, Harry quase fez se engasgar com o refrigerante de limão que havia acabado de bebericar. Dougie soprou no rosto da mulher, vendo as lágrimas acumularem nas bordas dos olhos dela enquanto ela forçava a respiração.
– Porra Harold, quer me matar? – Ela reclamou, irritada.
– Não se faça de louca porque eu sei que você quer ter filhos. – rolou os olhos. Surpreso, Dougie encarou com o cenho franzido, enquanto ela ria e tentava amenizar o clima com uma piada.
– Daqui a pouco eles estão nos casando.
– Se vocês quiserem, podemos providenciar. – Danny disse, puxando o celular do bolso e fazendo Dougie arregalar os olhos. Logo eles estavam rindo, como o grupo de idiotas que eram.
– Vocês não existem. – revirou os olhos.
Eles permaneceram no restaurante por mais algumas horas e quando se despediram, desejaram boa sorte para o resto da turnê da Ink e relembraram que se veriam em poucos dias, para o primeiro show solo de Danny. , que estava de carro, se ofereceu para levar Dougie de volta para o ônibus da turnê, pois a banda partiria naquela madrugada para Tunbridge Wells, onde fariam o próximo show.
estacionou o carro perto do ônibus, olhando para Dougie em seguida e o encontrando a fitando com o cenho franzido.
– O que foi, Poynter? – Ela indagou, curiosa.
Dougie sacudiu a cabeça para os lados. – Só fiquei surpreso em saber que você gostaria de ter filhos.
– É algo que eu gostaria sim. Mas não agora. – Sorriu fraco. – Minha carreira ainda precisa de atenção ilimitada e eu não teria tempo para isso.
– Nem um namorado. – Ele lembrou.
– Bom, gerar um filho não é exatamente algo que sempre esteve em meus planos. – Ela deu de ombros, o deixando ainda mais confuso. – Sempre me imaginei adotando, sabe? Tem tantas crianças em orfanatos, que merecem uma família que as ame.
– Por isso você faz caridade para orfanatos. – Dougie apontou, lembrando de uma das milhares de campanhas em que era ativista.
– Exatamente. – Sorriu novamente. – Meu irmão é adotado e foi a melhor coisa que aconteceu para a minha família. Gostaria de fazer a mesma coisa. Toda criança merece ser amada.
Dougie não conseguiu conter o sorriso que se alargou em seu rosto e o carinho que fez no rosto de com a mão esquerda. Ela arregalou os olhos levemente, mas aproveitou da carícia, suspirando baixinho.
– Você é uma mulher incrível, . – Ele disse. – Fico imensamente feliz por ter te conhecido de verdade.
– Digo o mesmo, Poynter. – Ela sorriu, após abrir os olhos e o fitar com intensidade.
Dougie se inclinou e a beijou no rosto, saindo do carro em seguida. Acenou para ela, antes de entrar no ônibus e fechar a porta atrás de si. Poynter passou as mãos pelo rosto, antes de suspirar alto e parar por um momento, tentando entender o que estava acontecendo com ele. Estava confuso, mas de uma forma estranha, se sentia bem. o fazia se sentir bem, como não lembrava de se sentir a bastante tempo.

Capítulo 15 – As mãozinhas de fada

Esse capítulo é no ponto de vista da pp.

acordou com uma inusitada sensação de domingo no meio de sua semana. Se espreguiçou, suspirando baixo antes de se colocar em pé e seguir para o banheiro. Fez sua higiene matinal, tomou um banho rápido e se vestiu, optando por uma camisa social de botões preta, calça jeans de cós alto e uma sandália vermelha. Escolheu um par de brincos, que combinavam com seu colar favorito – presente de seu irmão – e encarou sua caixinha de anéis com um sorriso terno nos lábios. Na mão direita colocou um anel que fazia conjunto com o resto dos acessórios que havia escolhido. Na esquerda, a aliança que Dougie havia comprado enfeitava seu anelar, brilhando e zombando de sua cara.
organizou sua cama e juntou as peças de roupas que estavam jogadas no chão e desceu para o primeiro andar, seguindo para a lavanderia e colocando as roupas para lavar. Já tinha uma pilha suficiente para não gastar água à toa e ela se deu por satisfeita por sua ajuda ao meio ambiente. Na cozinha, preparou o café da manhã – suco de laranja e torradas com geleia de morango – e comeu silenciosamente, sentindo seu celular vibrar no bolso do jeans, mas o ignorando totalmente. Primeiro mataria sua fome, depois responderia as mensagens. Lavou a pequena louça, pegou a bolsa e um casaco leve no hall de entrada e saiu de casa, passando a chave na porta e andando para seu carro. Entrou no veículo e largou seus pertences no banco traseiro, colocando o cinto e então pescando o celular no bolso, para ler suas mensagens. Algumas mensagens da diretora do programa que apresentava, mensagens de sua mãe, de seu irmão, e Dougie. Nada anormal. Primeiro respondeu a diretora e então sua mãe, avisando que ligaria para casa durante a tarde. , para sua sorte, queria almoçar no Burger King naquele dia e logo aceitou a oferta da amiga. Seu irmão comentava sobre o último episódio de seu programa e por último Dougie, que havia mandado uma foto do show da noite anterior com uma legenda engraçada. A morena revirou os olhos, sem conseguir conter o riso, antes de digitar uma resposta.

Dougie
Exausto e com saudades dessas mãozinhas de fada 11:30 pm

Agora você me dá valor, não é? 07h45min AM
Ridículo 07:45 am

Riu consigo mesma, bloqueando o celular e então dando a partida no carro. O trânsito caótico de Londres se fez presente e levou um tempo maior do que planejou para chegar à emissora. Passou a manhã inteira organizando a agenda da semana seguinte com sua diretora, reorganizou o especial que havia gravado na França e agendou novas entrevistas para o programa. Saiu da emissora perto do meio dia para encontrar no Burger King, que ficava a uma quadra de distância de onde trabalhava. Resolvera ir caminhando, novamente com seu celular em mãos pra responder as mensagens e fazer a temida ligação para seus pais. Sua mãe estava insistindo para que ela fosse para York assim que Dougie voltasse da turnê e tentava convencê-la de que não seria possível, assim tão em cima da hora. Ela os estava enrolando para apresentar Dougie, tanto que nem pelo celular Poynter havia conversado com seus pais. Sabia que iria escapar, mas não queria apresentar um namorado falso. Argumentou sobre o show de Danny e a festa de casamento de Emma e Matt mas só recebeu mais reclamações da mãe, que solicitava apenas um final de semana do casal. Acabou não dando respostas concretas e focou sua atenção na festa de Emma e Matt. Com isso em mente, fez uma nota mental de ir procurar um vestido ainda naquela semana. Emma havia exigido que todas as convidadas fossem à festa usando vestidos de noiva e nem havia pensado no que usaria e isso era realmente preocupante.

Dougie
Não me xinga. Sei que está com saudades 😙 12:09 pm

Você é iludido mesmo hein, Douglas. Me poupa 12:10 pm
Você já comprou seu black tie para a festa de Matt e Emma? 12:10 pm

Dougie
Claro 12:11 pm
Que não 12:11 pm

revirou os olhos, dobrando a esquina e avistando o Burger King a menos de 100 metros. já havia feito seu pedido e a estava esperando na mesa e agradecia pela amiga maravilhosa que tinha. Voltou a digitar mensagens para Dougie, querendo finalizar aquele assunto rapidamente.

Idiota 12:13 pm
Eu nem deveria oferecer, porque você é um babaca, mas já que vamos juntos, não quero passar vergonha 12:13 pm
Posso procurar para você, se me mandar as suas medidas 12:14 pm

Dougie
Sua empatia é comovente 🙄 12:14 pm
Entra lá em casa e procura no meu armário. Tenho certeza que tem um terno velho por lá 12:14 pm

Tudo bem. Qualquer coisa eu te mando mensagem. Vou almoçar agora. Beijos 😘 12:15 pm

Dougie
Certo 12:15 pm
Até mais 😉 12:15 pm

Guardou o celular na bolsa quando se aproximou da porta da lanchonete. Logo avistou em uma mesa ao fundo, com Cooper na cadeira de bebê conforto. Se aproximou com passos rápidos, abraçando a loira e beijando o afilhado no rosto.
– Ele está uma graça! – Apontou para a camiseta azul claro de botões que o menino usava.
– Puxou a mim. – riu e revirou os olhos, sentando de frente para a amiga, que lhe estendeu sua bandeja com o combo do stacker triplo.
– Eu poderia me casar com você, se você já não fosse casada! – Murmurou, soltando um muxoxo satisfeito após dar a primeira mordida.
– E se você não fosse compromissada né amiga, não esqueça. – sorriu, beliscando as batatas fritas de seu combo. O favoritismo da loira por Poynter sempre havia irritado , mas naquele momento, ela não se importou. E por mais que aquele sentimento tivesse passado batido em seus pensamentos, logo ele se tornaria um problema. Afinal, ela e Dougie não eram um casal. E a amiga precisaria superar aquilo quando eles “terminassem”.
– Como posso esquecer? – indagou, divertida. – Douglas não me deixa em paz.
– Ele te ama, oras. É normal. – exclamou. franziu o cenho, abandonando o hambúrguer na bandeja e encarando com confusão no olhar. A loira arregalou os olhos, parecendo constrangida. – Opa, ele ainda não disse as três palavras?
– Não é isso, é que… – Ela não terminou a frase, perdida em sua própria confusão mental.
, é normal ele ainda não ter dito. Vocês estão juntos a o que, dois meses? Ainda é cedo. – a confortou. – Mas dá para ver que ele está feliz com você. Eu diria que é apenas questão de tempo para ele dizer as palavras.
– Acho que tem razão. – sorriu fraco, voltando sua atenção ao hambúrguer.
– Mas e você, já disse? – questionou, os olhos faiscando.
– Não. – respondeu prontamente.
– Mas sente? – E lá estava, a pergunta de um milhão de dólares. mordeu o lábio inferior, surpresa com a pergunta da amiga.
– Não, eu… – Foi o que ela respondeu. – Quero dizer, – Emendou, lembrando que não poderia levantar suspeitas, ainda mais para . – Eu gosto dele. Gosto de passar um tempo com ele, de conversar, de ficar junto, sabe? – Falou, com sinceridade. – A gente se diverte, não tem clima ruim. Mesmo com as implicâncias, dá certo. É diferente. – Deu de ombros.
– Me parece que você está bem apaixonada, amiga. – começou, os olhos de águia fixos em . – E pelo que percebi dele, é recíproco. Ele não tira os olhos de você. Está sempre te abraçando e te agradando.
Claro, a ideia é convencer de que estamos mesmo juntos, pensou.
– Seja como for, vocês vão descobrir no futuro. – sorriu, fazendo assentir em concordância.
Elas terminaram o almoço quase uma hora mais tarde e logo estava de volta ao trabalho, tentando se concentrar nas gravações e esquecer as palavras de . Aquela relação já estava convencendo demais e a qualquer hora, eles não saberiam mais diferenciar o que era fingimento da realidade. E por mais que ainda não soubesse, ela não iria realmente se importar caso as coisas se confundissem. Já estava tão acostumada com Dougie, que oficializar aquele namoro de mentirinha não mudaria quase nada em sua vida. Ela apenas não havia percebido aquilo ainda.

abriu a casa de Dougie com a chave que ele havia lhe dado há quase um mês e entortou o nariz, sentindo a poeira instigar sua rinite. Bufou, cobrindo o nariz com a mão e se colocando para dentro da casa, fechando a porta às suas costas. Passou pela sala e subiu para o segundo andar. Abriu porta por porta, procurando pelo quarto de Poynter e o achando no final do corredor. Se surpreendeu por achar dois quartos de hóspedes totalmente mobiliados e supôs que os cômodos eram destinados a Jazzie e a mãe do homem.
O quarto de Dougie seguia o mesmo padrão do resto da casa. Cores claras e tudo muito organizado. procurou debaixo da cama por alguma roupa jogada no chão e não encontrou nada, revirando os olhos para si mesma e xingando Dougie mentalmente, já que ela não poderia implicar com ele por causa daquilo. Seguiu para o closet e se perdeu no meio de tantas roupas. Era possível que ele tivesse mais roupas do que ela e se admirou pela organização dentro do closet. pegou um dos chapéus de Poynter e colocou na cabeça, tirando uma foto que enviou para ele segundos depois. Recolocou o chapéu na prateleira e se pôs a procurar o tal terno que Dougie dizia ter. Não levou mais do que cinco minutos para achar o cabide com as vestes e logo já estava fora da casa do homem, seguindo para seu próprio carro e dirigindo até o centro de Londres, mais especificamente, para a loja de Stella McCartney.
Havia encomendado seu vestido da mesma estilista que havia desenhado a peça que usara para ser madrinha do casamento de e Danny, então só teria que fazer a última prova e ir buscar o vestido dali 10 dias. Acabou indo comprar o terno de Dougie apenas para facilitar a vida do homem e fez uma nota mental de obrigá-lo a ser mais legal com ela por conta daquele gesto de boa vontade.
Foi atendida por uma vendedora muito simpática e logo estava vendo os modelos de terno para Poynter. O loiro avisou que queria apenas o blazer e as calças, mas acabou escolhendo uma camisa e uma gravata, para o caso de ele mudar de ideia. Após escolher as peças para Dougie, seguiu para a seção feminina apenas para dar uma olhada nas roupas e se arrependeu no mesmo instante em que pisou no salão. Trevor Scott ocupava uma poltrona na área de espera, enquanto a irmã dele, Kimberley, passeava pelas araras. A mulher avistou antes que ela pudesse fugir, soltando um gritinho animado e correndo para abraçar a ex cunhada. Apesar da péssima relação que teve com Trevor, sempre foi muito próxima da família dele, principalmente de Kimberley. Trevor lançou um olhar indecifrável para a ex namorada, mas a morena não perdeu tempo olhando para ele e focou sua atenção em Kimberley.
, nossa, que saudades! – A loira exclamou, apertando os braços envolta de .
– Kim! – Exclamou, desconfortável. – Que bom te ver! Como está?
– Ótima! – A outra sorriu, soltando e analisando-a com curiosidade. – Mas você está maravilhosa! – Falou e sorriu sem graça.
– Ah, estou bem. – Disse. – E como vão os preparativos para o casamento?
– Uma loucura! – Kimberley suspirou. – Todd não opina para nada. Você o conhece. – Revirou os olhos.
– Todd não muda. – riu fraco.
– O que faz aqui? – Kimberley indagou.
– Apenas matando a curiosidade a respeito da nova coleção, enquanto espero a vendedora embalar o terno de Dougie.
– Dougie Poynter, hein. – A loira riu com malícia e quase engasgou com sua própria saliva. Nem parecia que ali na sua frente estava a irmã de seu ex namorado. – Nunca pensei que vocês dois acabariam juntos.
– Pois nem eu. – comentou, tentando parecer descontraída. – Foi algo totalmente inusitado.
– Mas você parece feliz. – Kim pontuou. – Sei que eu deveria torcer para você e Trevor voltarem, mas não consigo. Dá para ver no seu rosto que você está melhor com Dougie.
– Eu estou feliz mesmo. – Sorriu. Olhou o relógio em seu pulso, suspirando em seguida. – E atrasada.
– Vamos marcar um café! – Kimberley pediu, pegando a mão de e a sacudindo com animação. – Não é porque você e meu irmão terminaram que não podemos ser amigas.
– Ainda tenho o mesmo número. Me ligue para combinarmos. – sugeriu, vendo a loira assentir com a cabeça. Trocaram um último abraço e seguiu para fora do salão, sem nem olhar para Trevor novamente.
Não teve muita sorte em sua tentativa de fugir antes do homem ir atrás dela, pois logo passos apressados soaram as suas costas e cinco dedos se fecharam em seu braço. se virou, já com uma expressão irritada no rosto e encarou o ex namorado com os olhos em fendas. Ele a soltou, dando dois passos para trás. Conhecia o temperamento da ex namorada e não era louco de arriscar irritá-la ainda mais.
– O que foi? – Questionou, de forma seca.
– Eu só queria te pedir desculpas. – Trevor falou, surpreendo , que arregalou os olhos levemente. – Eu fui um idiota e não respeitei sua decisão. Fui exatamente aquilo que te fez terminar comigo e só consegui me dar conta disso ao perceber que Poynter realmente gosta de você e te trata como você merece.
– Por acaso isso é um jogo seu ou coisa do tipo? – indagou, sem realmente acreditar nas palavras de Trevor. O homem suspirou, deixando os ombros caírem e lançando um olhar cabisbaixo para .
– Não estou brincando, . – Respondeu. – Quero que você seja feliz, mesmo que não o vá ser comigo.
– Obrigada, eu acho. – Ela murmurou, sem saber como agir.
– Eu poderia sugerir que fossemos amigos, mas não vou forçar a barra. – Riu, sem humor. – Mas pode sempre contar comigo, para o que precisar. E mais uma vez, me desculpe pelo meu comportamento.
– Certo. – assentiu. – Boa sorte com tudo, Trevor. Nos vemos por aí.
– Sim, nos vemos. – E com isso, Trevor deu as costas para e voltou para o salão onde Kimberley o aguardava. E , de queixo caído e um pouco receosa, seguiu para o caixa e pagou pela compra, dirigindo para casa em seguida.
Pensou em ligar para Dougie e contar as boas novas, mas se conteve. Não queria falar daquilo com ele e se surpreendeu por querer falar com ele sobre outras coisas.
suspirou, após se jogar em sua cama e encarar o teto de seu quarto por longos minutos, ponderando ligar ou não para Poynter. Acabou discando o número dele e aguardando enquanto chamava. E quando o ouviu dizer “Já está sentindo minha falta de novo?”, ela sorriu fraco e mordeu o lábio.
Ela realmente estava sentindo falta dele naquele momento, pois ele era o único com quem ela poderia conversar. E o único com quem ela queria conversar.

Capítulo 16 – E se o balde não tivesse caído?

Dougie tocou a campainha da casa de , mesmo com uma cópia da chave dela presa em seu chaveiro. Usava roupas confortáveis, camiseta e calça de moletom, e tinha os cabelos revirados por conta do vento. Não levou dois minutos para abrir a porta e sorrir para ele, o abraçando pelo pescoço e depositando um beijo em seu rosto. Dougie retribuiu o abraço, sorrindo largo.
– Senti sua falta, sua irritante. – Ele murmurou, fazendo-a rir.
– Isso era óbvio. – Deu de ombros. – Eu sou legal demais.
– A convivência comigo está afetando seu ego. – Dougie apontou, rindo.
– Porque não entrou? – Ela indagou, dando passagem para ele entrar na casa. – Você tem a chave. – Lembrou.
– Não queria te assustar. Ou parecer mal educado. – Dougie deu de ombros.
fechou a porta às suas costas e ambos seguiram para a cozinha. O cheiro de strogonoff invadiu o olfato de Poynter e ele suspirou, já prevendo que passaria mal de tanto comer naquela noite.
Dougie havia voltado da turnê faziam dois dias. Não havia visto durante esse tempo e os passou em casa, organizando suas coisas e trabalhando em cima da divulgação da Polonius, sua marca de roupas própria. Estava agendando com os modelos e fotógrafos para realizarem o photoshoot durante a próxima semana, ou seja, andara atarefado. Mas não mais do que . Ela passara a semana anterior e todo o final de semana envolvida com a arrecadação de fundos para uma ONG que apoiava mulheres vítimas de violência doméstica. Estava participando de reuniões com a prefeitura e fazendo campanha para que artistas realizassem doações e mal tivera tempo para conversar com Poynter por mensagens nos últimos dias. E por mais que Dougie não gostasse de admitir, ele havia sentido falta dela.
– O cheiro está ótimo. – Ele elogiou e sorriu em agradecimento. – Precisa de ajuda?
– Na realidade, sim. – Ela assentiu, estalando os lábios. – Você cuida o cozimento do arroz e do strogonoff? Preciso terminar a sobremesa.
– Claro. – Poynter lavou as mãos e se aproximou do fogão, usando colheres diferentes para checar o cozimento de cada alimento.
ocupou o balcão na ilha da cozinha, já com os ingredientes que havia pego na geladeira em mãos. Tinham dois recipientes com cremes e uma forma redonda de fundo removível.
– O que você está fazendo? – Dougie indagou, curioso.
– Um cheesecake. – respondeu, levantando o olhar para ele brevemente. – Primeiro você tem que triturar a bolacha e misturar manteiga derretida, para que ela assente e não esfarele na forma. – Orientou. – A minha já está pronta pois precisa de meia hora no freezer para ficar firme. – Se aproximou de Dougie e mostrou a forma.
– Fica tipo uma cesta? – Ele questionou, em sua própria lógica. riu, assentindo em seguida.
– Tipo isso. – Falou. – A beirada tem que ser alta o suficiente para abrigar o creme e não deixar escorrer.
– E os cremes são do que?
– Pode ser de qualquer coisa. – Ela deu de ombros, voltando para o balcão. Dougie aproveitou para checar as panelas e desligou o arroz, deixando apenas o strogonoff cozinhando mais um pouco. – Eu fiz com Nutella e derreti chocolate para fazer uma ganache. Vou decorar com trufas.
– Você realmente tem um dom para cozinhar. – Dougie elogiou. levantou o olhar para ele e sorriu.
– Pode ser. – Sacudiu os ombros. – Mas eu também assisto todos os programas de culinária disponíveis na Netflix. – Confessou, arrancando uma gargalhada de Poynter.
– Eu assisto alguns e não sou muito bom na cozinha. – Ele retrucou. Checou o strogonoff uma última vez e desligou o fogo. Se aproximou de , observando atentamente enquanto ela montava o cheesecake.
Primeiro, despejou o creme de Nutella e deixou no freezer por 15 minutos. Após isso, cobriu com a ganache e decorou com as trufas que ela havia feito durante a tarde. Pegou uma com a ponta dos dedos e estendeu para Poynter provar. Ele, ao invés de pegar a trufa em sua mão, puxou a mão de em direção a sua boca e envolveu a trufa com os lábios. o encarou por alguns instantes, parecendo aturdida, mas logo revirou os olhos e o chamou de preguiçoso, enquanto Dougie a puxava para um beijo no rosto e após engolir a trufa, elogiou seu talento culinário mais uma vez.
Eles jantaram no sofá, assistindo ao último filme do Thor na Netflix, enquanto tentava explicar para Poynter o universo do MCU, entre uma garfada e outra. Estavam sentados lado a lado, com os braços quase grudados.
– Tá, então agora ele não tem mais o martelo? – Dougie questionou, pela quarta vez, desviando o olhar da TV e o focando em .
– Sim, Poynter. – revirou os olhos. Abandonou o prato vazio na mesa de centro e se recostou no sofá, suspirando em seguida. – Mas ele vai arrumar uma nova arma.
– Então porque destruíram o martelo dele? – Dougie não estava entendendo a importância da destruição do Mjölnir para a evolução de Thor como personagem e já estava ficando impaciente.
– Você está me fazendo de idiota? – Ela questionou, com os olhos estreitos na direção do homem.
– Claro que não, maluca. – Ele riu, após dar a última garfada em sua refeição e também abandonar o prato na mesa de centro. – Só não entendi o motivo para destruir o martelo, se iriam dar outra arma para ele. Não era mais fácil manter o martelo? – Ele questionou, realmente crente em sua teoria. o olhou como se fosse louco.
– Poynter, você precisa assistir a todos os filmes do MCU. É sério. – Ela falou, fazendo-o rir.
– Vou assistir, eu prometo.
– Sobremesa? – Ela questionou, animada. Poynter sorriu e assentiu, enquanto a morena levantava e levava os pratos para a cozinha. Voltou pouco tempo depois, com duas fatias de cheesecake e duas xícaras de chá. Se aconchegou ao lado de Dougie e entregou um prato e uma xícara para ele, voltando a atenção para a TV em seguida. Comeram em silêncio, ou melhor, o máximo de silêncio que o intervalo entre as cenas engraçadas – que faziam rir alto como uma criança – permitia.
Após terminarem a sobremesa, Dougie levou a louça suja para a cozinha e colocou tudo na lava louças, voltando a sentar ao lado de e puxar as pernas dela para seu colo. Ela se aconchegou no sofá e eles terminaram de assistir ao filme em silêncio.
– Você não me contou como foi o final da turnê. – Ela lembrou, enquanto Poynter zapeava pelas categorias do streaming, em busca de um filme de seu agrado.
– Foi ótimo. – Dougie sorriu fraco. – Eu senti muita falta de tocar e só percebi o quanto, quando voltei para isso.
– Imagino. – concordou. – Não sei o que eu faria sem o programa.
– Existe uma diferença muita grande entre os fãs da Ink e os fãs do McFLY. – Dougie comentou, passando a mão pelos cabelos. – Já tocamos em estádios. Haviam shows em que eu mal conseguia me ouvir tocar, de tão alto que os fãs cantavam. – Sorriu largo, as lembranças invadindo sua mente. – Mas foi maravilhoso. Shows pequenos e público animado também são sensacionais.
– Eu ainda acredito que vocês podem voltar com o McFLY. – disse, esperançosa. – Vocês nasceram para isso e tem fãs esperando pelo retorno, mesmo depois de tanto tempo.
– Eu não perdi as esperanças. – Dougie confessou. – Mas vou me manter ocupado, enquanto isso não acontece.
– Está certo. – Ela sorriu largo. Dougie acabou escolhendo o remake de Ghostbusters e bateu palmas em animação.
– Adoro esse filme. – Comentou, fazendo-o rir. Era óbvio que ela gostava do filme. O remake tinha apenas mulheres como principais e não seria ela mesma se não empodera-se mulheres à sua volta.
– Ah, eu tenho um convite para te fazer. – Dougie lembrou-se, chamando a atenção de , que franziu o cenho.
– Convite para que?
– Modelar minhas roupas. – Dougie explicou. já sabia a respeito da Polonius, então ele não precisava explicar muito mais. – Preciso de uma modelo para as roupas femininas e bem, você é uma modelo sensacional.
– Obrigada. – Ela falou, com um brilho diferente nos olhos. – Pelo elogio e pelo convite.
– Então, você aceita? – Poynter questionou, animado.
– Só se você prometer ser menos irritante. – Ela impôs, fazendo-o revirar os olhos.
– Isso é impossível. – Ele deu de ombros. – Assim como é para você. – Implicou, apenas por birra.
– Shhh, Poynter. – Ela o beliscou no braço. – Olha que eu recuso esse convite, hein? – Ameaçou e Dougie se inclinou sobre seu corpo, as mãos já grudadas em sua cintura. gritou, tentando desviar do ataque de cócegas de Poynter, sem muito sucesso. Ela gargalhava alto, enquanto ele ria do escândalo que ela fazia.
– Para Poynter! – Ela pediu, com um grito. Dougie se afastou e respirou fundo diversas vezes. – Você é um idiota. – Xingou.
– E você é muito sensível na barriga. – Ele devolveu.
– Isso não é algo que eu posso controlar. – Ela retrucou. – Agora você ser idiota é toda e completamente, uma escolha sua. – Deu de língua para Dougie.
– Na escala de idiotas, estou abaixo ou acima do seu ex? – Ele questionou, brincalhão. – Porque isso pode ser realmente ofensivo. – Arqueou as sobrancelhas, fazendo-a rir.
– Está abaixo, com alguma folga. – Ela pontuou.
– Ufa. – Dougie fingiu secar o suor de sua testa e revirou os olhos. Voltou a colocar as pernas no colo dele, enquanto procurava as palavras certas para começar a explicar para Poynter, seu encontro inusitado com Trevor.
– Dougie? – Ela chamou por fim, atraindo os olhos azuis do homem para si. Poynter a encarou de forma afetuosa, antes de franzir o cenho, começando a se preocupar, devido a careta de .
– O que foi?
– Eu não quis te contar por telefone, porque não achei que era a melhor forma de falarmos sobre isso. – Pontuou, fazendo-o assentir, a incentivando a continuar. – Encontrei Trevor na semana passada.
Dougie fez uma careta no mesmo instante. Não gostava da ideia de sozinha com o idiota perseguidor do ex namorado e mais ainda, não gostava nenhum pouco da pontinha de medo que se apossara de sua mente: perder . Se recriminou, pois não havia nada para ser perdido ali. Eles eram amigos e continuariam sendo amigos, caso ela voltasse com o ex. Ou arrumasse um novo namorado. A ideia de estar se apaixonando por havia morrido durante aquela última semana longe. Era apenas a carência falando e Dougie evitava pensar no assunto. Fazia muito tempo desde seu último encontro de verdade e ter o corpo quente de junto do seu, por aquele final de semana durante a turnê, o havia acostumado mal e lhe dado a sensação de estar se apaixonando, quando na verdade, era tudo coisa de sua cabeça.
Pelo menos, ele esperava que fosse. Não saberia lidar com uma paixão por . Aquela mulher o destruiria, caso realmente se apaixonasse por ela. E Dougie não poderia correr o risco.
– Foi por acaso ou…
– Por acaso. – Afirmou. – Quando fui comprar seu terno. Ele estava com a irmã, provando as roupas para o casamento dela.
– E como foi? – Questionou, fingindo despreocupação. Agradeceu pelo cabelo caindo em seu rosto e encobrindo sua expressão desconfortável.
– Estranho. – estalou os lábios, dando de ombros. – Ele pediu desculpas.
Dougie arregalou os olhos. Abriu a boca para falar e nada disse. Suspirou, passando a mão pelos cabelos e voltando a encarar , que o fitava com apreensão. – E você acha que foi sincero?
– Pareceu que sim. – Deu de ombros novamente. – Pelo menos, ele não apareceu mais por aqui. E apagou as fotos do Instagram.
– Isso é… Ótimo. – Dougie disse por fim, suspirando. – Agora você está livre.
– É. – sorriu fraco. – De qualquer forma, ainda estou com um pé atrás. Vai que seja apenas uma manipulação dele. Não seria a primeira vez. – Sacudiu os ombros.
– Tem razão. – Dougie sorriu, puxando para seu abraço em seguida, sentindo uma necessidade de contato físico com ela. o envolveu pela cintura e deitou a cabeça em seu ombro. Estava sentada quase no colo de Dougie, mas não se importava. Eles gostavam demais daquele carinho e daquela cumplicidade que estavam criando um com o outro.
– Vai ficar tudo bem. – Dougie falou. – Você vai ver.
E por mais que quisesse acreditar em suas palavras, Poynter não tinha certeza de que tudo iria ficar bem para ele também. Seu coração descompassado insistia em gritar que não, mas que ele iria gostar de como as coisas ficariam.

A loja da Starbucks estava bastante vazia, quando Dougie e adentraram o estabelecimento, o que era surpreendente para uma tarde de quinta-feira ensolarada. O loiro usava tênis, bermuda de lavagem escura, camiseta vermelha e uma camisa jeans amarrada em sua cintura. Já usava uma regata branca, shorts de tweed preto e tênis na mesma cor. Ele tinha o braço direito envolto dos ombros dela e segurava sua bolsa na mão direita e tinha os dedos da mão esquerda entrelaçados aos de Dougie.
Poynter estava entediado em casa quando aparecera, o convidando para um passeio pelo Hyde Park, já que o dia estava ensolarado e uma brisa leve não os deixaria derreter no sol. Prontamente o loiro trocou de roupa e seguiu para seu carro, enquanto eles brigavam para decidir qual música ouvir. acabara perdendo a disputa e eles foram o caminho todo escutando Blink 182. Decidiram passar na Starbucks antes de ir para o parque e por esse motivo, estavam sendo encarados pela garçonete do estabelecimento, que mantinha os olhos arregalados e o queixo no chão.
Dougie trocou um olhar com , antes de pigarrear e sorrir para a moça.
– Está tudo bem? – Ele questionou, educado. A atendente sacudiu a cabeça levemente e assentiu, sorrindo largo.
– Sim. – Exclamou. – Mil perdões, mas é que eu sou muito fã de vocês.
– Ah, muito obrigada pelo apoio! – agradeceu.
– Gostaria de uma foto? – Dougie indagou, após olhar ao seu redor e constatar que não tinham clientes esperando pelo atendimento, já que, por algum milagre, eram os únicos na fila.
– Eu adoraria. – A menina sorriu, agradecida. – Mas primeiro, façamos seus pedidos!
– Eu quero um croissant de frango, uma fatia de brownie de chocolate e um expresso de brigadeiro. – pediu, animada.
– Eu quero um latte e um pão de queijo especial. – Dougie falou, com um sorriso terno nos lábios.
– Vocês vão levar ou comer aqui? – Questionou, após anotar os pedidos.
– Vamos levar. – Dougie respondeu.
A atendente se retirou e em poucos segundos estava de volta, já sem o boné da loja e com os cabelos arrumados para a foto. Bateu uma fotografia individual e uma junto do casal, agradecendo diversas vezes, antes de sumir atrás do balcão. sorriu, encostando a cabeça no ombro de Dougie. Estavam parados perto do caixa, esperando seus pedidos ficarem prontos para pagarem e irem embora. Toda a transação não levou dez minutos e logo estavam no Hyde Park, procurando a sombra de uma árvore, onde pudessem se sentar.
Dougie estendeu sua camisa para sentar em cima e não sujar sua roupa e a mulher agradeceu com um sorriso. Acabaram dividindo a peça de roupa e sentaram lado a lado, escorados na árvore. foi a primeira a pegar a sacola da Starbucks, sem surpreender Dougie. Ele já estava acostumado com o apetite voraz da morena.
– Estou faminta. – Ela comentou, fazendo-o rir.
– Nenhuma novidade. – Dougie retrucou, recebendo um tapa no ombro. – Você pegou mania de me bater, não é?
– E você de me irritar. – Acusou, dando uma mordida em seu croissant e suspirando em alívio. – Nada como frango e requeijão para fazer uma pessoa feliz.
Dougie riu, mordendo seu próprio lanche e percebendo que também estava faminto. Não havia comido nada sólido durante toda a manhã, pois estava envolvido com a divulgação da Polonius nas redes sociais. – E como estão sendo as reuniões? – Ele indagou, interessado. – Conseguiu apoio o suficiente?
– Em partes. – suspirou, deixando os ombros caírem, demonstrando sua frustração. – A maioria dos políticos não vê necessidade em ajudar a ONG porque já existe o Centro de Apoio à Mulher. – Murmurou. – Passei os últimos três dias explicando que são violências diferentes e que essas mulheres precisam de um apoio adequado. Amanhã vou para Manchester, para mais reuniões. Espero conseguir algum retorno, sem precisar ir a mídia.
– Vai dar certo. – Poynter encorajou-a, um sorriso fraco nos lábios. – Pode parecer que não, mas vai. Você acredita nisso e logo as pessoas vão te ouvir.
– Obrigada. – sorriu, o fitando com carinho no olhar.
Eles terminaram os lanches, com uma pequena briga entre e Dougie por causa do brownie. Ele queria um pedaço e ela se recusava a dar, pois se ele quisesse um doce, deveria ter comprado para ele. Discutiram por quase dez minutos, até ela finalmente ceder e dar um pedaço para Poynter, que a beijou no rosto em agradecimento. acabou deitando de lado no colo do loiro, afirmando que iria descansar só um pouquinho, o obrigando a ser um “bom namorado” e fazer-lhe cafuné.
– Sabe no que eu estive pensando esses dias? – Ela questionou, de forma descontraída.
– Que você é chata e eu sou muito legal? – Dougie sugeriu, apenas por implicância. entortou os lábios, revirando os olhos em seguida.
– Não, claro que não. – Bufou, fazendo-o rir.
– Em que, então?
– No que teria acontecido se você não tivesse colocado aquele balde em cima da porta.
– E em qual conclusão você chegou?
– Ah, sei lá. – deu de ombros. – Talvez tivéssemos nos conhecido direito e nos tornado amigos antes.
– Eu era muito idiota naquela época. – Dougie lembrou, rindo ao vê-la concordar veementemente. – Provavelmente teríamos brigado por alguma outra coisa. – Ele riu novamente e ela o acompanhou.
– Você acha? – Ela virou o corpo para cima, encarando Dougie com diversão.
– Tenho certeza. – Afirmou. – Eu arrumaria algum motivo para implicar com você.
– Você tem realmente um dom para a implicância. – comentou, desenhando círculos no pulso tatuado de Poynter, que descansava em sua barriga.
– Tenho a Jazzie como irmã mais nova. É uma forma de defesa. – Ele deu de ombros.
– Jazzie é ótima. – defendeu a loira. – Eu tenho um irmão mais novo e não implicava com ele. – Argumentou.
– Porque você é mais velha que ele. Irmãs mais novas que são irritantes. – Dougie revirou os olhos, como se fosse óbvio.
– É, mas quando meus pais o adotaram, Keith só tinha cinco anos. – Ela contou e Dougie arqueou as sobrancelhas, curioso. pouco falava de sua família e quando falava, Poynter prestava total atenção as palavras da mulher. Gostava de conhecê-la um pouco mais, a cada dia. – Eu tinha sete anos e parecia que ele era mais velho. Keith sempre foi muito protetor e maduro.
– Ele parece um cara legal. – Poynter comentou.
– Ele é. – sorriu, encarando as folhas de árvores. – Sempre fomos muito próximos. Ele morou comigo aqui em Londres durante todo o início da minha carreira. Terminou o colegial aqui e iniciou a faculdade. Ele ia aos desfiles, aos estúdios de fotografia… Me deu muito apoio.
– E porque ele voltou para York?
– Ele conheceu Beatrice. – contou, os olhos brilhando em expectativa. – Sabe aqueles amores de contos de fada? Beatrice e Keith foram assim. – Falou. – Faziam uns quatro anos que estávamos em Londres. Eu tinha bons contratos e estava me estabilizando como modelo de passarela. Voltamos para York para as festas de final de ano e lá estava Beatrice, a nova vizinha de nossos pais. Eles trocaram um olhar e eu soube que Keith não voltaria para Londres comigo.
– Mas e a faculdade dele? – Dougie questionou, confuso.
– Ele transferiu. – deu de ombros. – Ainda me lembro dele me pedindo desculpas na estação de trem, sentindo-se culpado. Mas eu sabia que ele teria a vida que sempre quis e merecia, com Beatrice. Hoje eles tem uma filhinha linda. Annelise tem 3 anos e é a criança mais adorável que eu já conheci.
– Gostaria se conhecê-los. – Dougie comentou, atraindo o olhar de para si.
– Ótimo. – Estalou os lábios. – Porque eles estão loucos para te conhecer.
– É? – Dougie arqueou as sobrancelhas, com um riso divertido nos lábios. – E você falou de mim para eles?
– Claro né. – Ela revirou os olhos. – Keith ficou sabendo pelo Twitter e contou para os meus pais. – Suspirou. – E eu tinha te dito que teríamos que ir para York.
– Eu sei. – Dougie assentiu. – Podemos combinar uma data que não te atrapalhe na emissora.
– Tenho alguns dias para tirar de folga. – respondeu. – Acho que poderíamos ir no sábado, que vem, o que acha? Danny se apresenta na terça e teríamos tempo para nos organizarmos.
– Acho ótimo. – Dougie disse e assentiu.
– Vou avisar a minha mãe. Ela vai adorar. Passou a semana me ligando e implorando a nossa visita.
– É porque você tem um namorado sensacional. – Dougie sorriu, galanteador. O vento balançou seus cabelos loiros, promovendo quase uma cena de filme para , que mordeu o lábio inferior quase que imperceptivelmente. – Qualquer sogra iria querer me conhecer logo.
– Seu ego não conhece os limites da física. – rolou os olhos, mas acabou rindo junto de Dougie.
– E você gosta de mim assim mesmo. – O loiro deu de ombros. – O que me leva a repensar, que talvez tivéssemos criado uma amizade se o episódio do balde não existisse.
– E porque mudou de opinião? – arqueou as sobrancelhas, curiosa.
– Você não é de todo ruim. – Ele falou, em pura implicância.
– Você é muito ridículo, Poynter. – retrucou por fim, fechando os olhos e aproveitando o carinho que recebia de Dougie, sem deixar de desenhar círculos na pele dele.
Ele a observou, com um sorriso frouxo no rosto e apenas um pensamento em mente: se o episódio do balde não tivesse acontecido, ele teria se apaixonado por ela imediatamente. Talvez o balde não tivesse sido uma ideia tão ruim, no final das contas. Dougie era imaturo demais naquela época. E ele gostava de como as coisas estavam atualmente.

Capítulo 17 – Que tipo de promessa é essa?

Daily Mail UK: e Dougie Poynter curtem passeio no Hyde Park
Na tarde de sábado (20), o mais novo e queridinho casal do Reino Unido, (28) e Dougie Poynter (30), aproveitaram uma tarde de muito sol e romance no Hyde Park, em Londres. Segundo nossas fontes, eles estiveram em uma Starbucks no início da tarde, onde tiraram fotos com uma fã que relatou em seu Twitter que: “eles eram ainda mais adoráveis juntos do que aparentavam nas fotos e redes sociais”. Pouco tempo depois, eles foram fotografados no Hyde Park, comendo seus lanches e aproveitando da presença um do outro. Nossas fotos mostram claramente deitada no colo de Poynter, que fazia cafuné em seus cabelos e vez ou outra, acariciava sua cintura. Muitos risos e carícias foram trocadas enquanto eles conversavam e nossos fotógrafos fizeram todos os cliques necessários para provarmos que eles são o casal mais fofo do Reino Unido. Depois de todos esses anos negando uma proximidade e afirmando que não gostavam um do outro, finalmente é real, para alegria dos fãs que sempre shipparam com Dougie, mesmo quando ambos estavam em outros relacionamentos.
Estamos no aguardo da confirmação do noivado e mantemos nossos dedos cruzados pela felicidade desse casal!

Dougie suspirou, fechando a aba do Daily Mail no celular e largando o aparelho no sofá. havia lhe enviado o link da notícia com a frase “que plano de sucesso” e se não fosse por ela, Dougie jamais saberia que sua tarde de quinta-feira estava exposta para o mundo inteiro em mais de um site de fofocas. havia passado a sexta-feira inteira em Manchester e havia voltado para Londres naquela manhã, mas ela e Dougie ainda não havia se visto, apenas haviam conversado por mensagens. Poynter tinha um compromisso com Harry durante a tarde – iria ajudar o amigo a comprar um terno para a festa de Matt e Emma e no dia seguinte, e ele iriam almoçar na casa de Tom e . Tinham uma semana cheia antes de poderem respirar e iniciar a viagem para a casa dos pais da morena.
Poynter voltou a encarar o celular, jogado no sofá e suspirou alto novamente. Ele sabia que deveria estar radiante. Afinal, seu plano estava indo muito bem, obrigado. Seus amigos estavam prontos para casá-lo com e não tinham nenhuma dúvida quanto a veracidade daquela relação. Porém, ele não se sentia satisfeito com aquela repercussão em cima de seu “relacionamento”. Em nenhum momento, durante o passeio no sábado, ele havia pensado em sua pequena vingança. Para ser sincero consigo mesmo, havia até esquecido, por algumas horas, do motivo de toda aquela aproximação com . Dougie estava esquecendo-se com frequência do motivo pelo qual eles haviam se aproximado, para começo de conversa. Já não se lembrava dos dias em que era apenas sua vizinha irritante e uma amiga de , a esposa de seu amigo Danny. , agora, era sua amiga e ele a adorava. E não havia aceitado passear com ela, pensando unicamente em seu plano. Apenas havia aceitado porque gostava de passar um tempo com ela. , por outro lado, parecia extremamente focada em fornecer material para os paparazzi. Ele só não sabia se ela fazia aquilo por ela, afinal, já havia dito que queria confirmar a desistência de Trevor em tê-la de volta, ou se ela o fazia por Dougie, para manter aquele relacionamento de fachada sempre na mídia. A segunda opção não deixava Poynter feliz. E apesar da desconfiança, ele não queria admitir para si mesmo, de uma vez por todas, que estava mesmo se apaixonando por .
Sentiu-se cansado, subitamente. Havia acordado a pouco mais de duas horas e mesmo assim, sua mente pedia por alguns momentos de descanso. Precisava colocar sua cabeça no lugar. Levantou do sofá e passou a chave na porta, subindo para o segundo andar e se jogando na cama. Ficou se revirando por quase meia hora, antes de desistir de dormir e ligar a TV. Acabou assistindo a todo primeiro filme do Homem de Ferro e metade do segundo – já que havia prometido a que iria se render ao MCU -, quando finalmente pegou no sono e dormiu.

A campainha o despertou horas mais tarde. Ainda meio sonolento Poynter desceu as escadas o mais rápido que conseguiu e encontrou Harry na soleira de sua porta, com uma expressão nada amigável. Arqueou as sobrancelhas, confuso com a súbita visita do amigo. Harry fez uma careta ao encarar Dougie dos pés à cabeça.
– O que você faz aqui? – Questionou confuso. Deu passagem para o amigo entrar e fechou a porta. O relógio na parede indicava que eram quase 3 da tarde e Dougie se assustou com o quanto havia dormido, pois havia ido se deitar antes das 10 horas da manhã.
– Nós temos um compromisso. – Respondeu prontamente. – E você esqueceu. – Acusou, rindo.
Dougie suspirou, passando a mão pelos cabelos e dando de ombros.
– Fico pronto em 10 minutos. – Avisou, correndo para o andar de cima no mesmo instante. Tomou um banho extremamente rápido e vestiu uma roupa confortável, já que não estava com cabeça para escolher algo mais excêntrico. Encontrou Harry entretido em seu celular e logo se amaldiçoou, pois havia ido dormir e abandonado o celular e consequentemente, a conversa que estava tendo com durante a manhã.
– Dude, você está péssimo. – Harry comentou, guardando seu celular no bolso da calça.
– Eu estava com dor de cabeça. – O loiro retrucou. – Por isso fui dormir.
– Vamos comer alguma coisa então. De qualquer forma, você está péssimo. – Judd deu de ombros. Entraram no carro e Harry dirigiu até o centro, enquanto contava as últimas peripécias de Lola e Kit e Dougie ria, fazendo comentários em favor dos afilhados.
Harry escolhera uma hamburgueria não muito famosa e logo os dois amigos ocuparam uma mesa, aos fundos do estabelecimento. Foram atenciosamente atendidos pelo garçom e logo dois copos de cerveja estavam em suas mãos e um cesto de fritas fazia companhia aos condimentos. Dougie sentiu seu celular vibrar e quis bater em si mesmo, já que não havia checado as notificações do aparelho. Largou a cerveja na mesa e pescou o celular no bolso do jeans, ignorando uma notificação do Instagram e abrindo a conversa com .


Toma um leite com mel para dormir 9:45 AM
Não fica forçando a dor se cabeça 9:45 AM
Hey, me liga durante o almoço 11:10 AM
Poynter? 12:32 PM
Preciso da sua ajuda, apareça 13:06 PM
Você deve ter dormido então me liga assim que ver essa mensagem 14:29 PM

– Que tanto você fuça nesse celular? – Harry questionou, focando o olhar em Dougie.
– Esqueci-me de responder a . – Comentou, suspirando em seguida.
– Se eu me esqueço de responder a , durmo na sala. – Harry riu, Dougie riu baixo.
– Eu fui dormir e esqueci completamente de avisar a ela. – Comentou, antes de clicar no contato de e iniciar uma ligação. Colocou o telefone na orelha e escutou o aparelho chamar algumas vezes, antes de atender com um “oi” extremamente afobado.
– Hey, . – Saudou. – Desculpe o sumiço. Eu acabei pegando no sono.
– Foi o que eu pensei mesmo. – Ouviu rir. – Melhorou?
– Um pouco. – Murmurou. – Vim comer alguma coisa e depois Harry e eu vamos comprar o terno dele.
– Mande um beijo pro Judd. – falou e Dougie a imaginou sorrindo. Voltou-se para o amigo e passou o recado.
– Beijo, . – Harry falou alto, fazendo-a rir e Dougie revirar os olhos.
– Mas então, o que você queria falar? – Indagou curioso.
– Ah sim. – Ela estalou os lábios. – Eu tenho um compromisso com duas amigas hoje. Não nos vemos a muito tempo, porque elas estão morando fora da Inglaterra. Mas estão de passagem por aqui e vamos sair. – contou e Dougie franziu o cenho, confuso quanto ao rumo da conversa. – Eu pensei que iria ser uma saída tranquila, um bar ou coisa assim, coisas apenas de mulheres. – Estalou os lábios novamente e Dougie sorriu torto. – Mas as duas idiotas vão ir com seus respectivos acompanhantes e eu não posso aparecer lá sem você. – Bufou, parecendo irritada.
– Tudo bem. – Dougie riu. – Que horas você vai sair?
– Umas 8 da noite. – falou. – Vamos a um barzinho ou sei lá, não prestei atenção depois de saber que elas não iriam sozinhas.
Dougie riu. – Tudo bem. Vou chegar em casa, me arrumar e aí vou para a sua casa, tudo bem?
– Ok. Obrigada Dougie. – falou, suspirando em alívio.
– Sem problemas. – Sorriu. – Até mais tarde. Beijo.
– Tá. Tchau, Poynter. – Ela riu, desligando a chamada em seguida. Dougie guardou o celular no bolso, mantendo um sorriso animado nos lábios. Teve sua atenção roubada quando Harry riu alto ao seu lado e Poynter arqueou as sobrancelhas para o amigo.
– Está rindo do que, idiota? – Dougie indagou confuso.
– Dessa sua cara de babaca. – Harry retrucou.
– Dá para se explicar? – Dougie murmurou impaciente. Fitou Harry com os olhos em fendas, fazendo o outro rir novamente.
– A cara de quem vai transar muito hoje. – Harry deu de ombros e Dougie arregalou os olhos.
– Não, eu… – Tentou falar, o que apenas fez Harry rir mais.
– Olha, sei que você disse que não quer falar no assunto, então não vou forçar. – Falou, dando de ombros. – Mas também não vamos agir como se estivéssemos no high school e sexo fosse um tabu.
– Não é um tabu. – Dougie bufou, irritado. Não queria que a conversa seguisse para aquele rumo.
– Cara, você está precisando transar mais. – Judd zoou. – Está muito estressadinho.
– Não estou estressado. – Dougie retrucou emburrado. Harry riu mais uma vez, o que apenas o deixou mais irritado. – E nós não estamos transando. – Falou, esquecendo-se por um instante, que Judd não sabia que aquele relacionamento era falso.
Harry arqueou as sobrancelhas, extremamente confuso.
– Porque não? – Indagou.
– Ah. – Dougie coçou a nuca, sem saber exatamente o que responder. – Essa semana foi corrida. Não deu tempo. – Deu de ombros, como se aquilo fosse normal.
– Não deu tempo? – Harry estava perplexo. – Você queria o que, transar na Torre Eiffel?
– Deixa de ser idiota. – Dougie revirou os olhos, bebendo mais de sua cerveja.
– Dougie, fala sério. – Harry riu, desacreditado. – Vocês não se veem desde o show da Ink aqui em Londres. Isso tem o que, 15 dias? – Indagou, apenas para ter certeza.
– Por aí. – Poynter suspirou.
– E antes disso, ficaram mais alguns bons 20 dias sem se ver. – Pontuou.
– Não transamos naquele dia também. – Dougie falou, novamente sem pensar. Quis socar sua cara outra vez e cogitou ir embora, antes de estragar tudo e ferrar o maldito plano totalmente.
– Vocês não transam a um mês? – Harry questionou de olhos arregalados, parecendo extremamente chocado.
– Por aí. – Poynter repetiu, quase em um sussurro.
– Caralho. – Harry riu, em puro nervosismo. – Vocês estão fazendo promessa ou alguma coisa assim?
– Que? – Dougie fez uma careta. – Claro que não. – Riu.
– Então, qual o problema?
– Nosso relacionamento não é só sexo. – Inventou, usando a desculpa mais esfarrapada do mundo.
– Tudo bem, isso é lindo. – Harry fingiu secar uma lágrima. – Mas sexo é uma parte fundamental de um relacionamento adulto. Vocês não têm mais 15 anos para viver de beijinhos.
– Não é isso, cara. – Dougie bufou.
– Então, aproveitem que vocês podem transar. – Harry falou. – Eu queria ter uma noite livre com a por mês, mas infelizmente, não dá.
– Com a é complicado. – Dougie optou por usar mais desculpas, esperando que Harry desce o assunto por encerrado.
Ledo engano.
– Por quê? Ela gosta de transar de meias? – Riu.
– Não, claro que não. – Poynter revirou os olhos. – Mas é que eu não vejo só isso nela.
– E está certo. – Harry assentiu. – Tem que ver outras coisas também. Mas pode alternar o olhar entre o sorriso e a bunda dela. Tenho certeza de que ela não vai reclamar, por ter o namorado dela louco para transar.
– Podemos mudar de assunto, por favor? – Dougie murmurou, quase juntando as mãos para rezar. Harry gargalhou.
– Só se você me prometer que vai transar muito hoje. – Sorriu sugestivo para o amigo.
– Promessa feita com um combo. – Dougie falou. – e eu podemos ser babás para você ter uma noite com a em paz.
– Foi por isso que eu me casei com você! – Harry agradeceu, fazendo Dougie rir alto.

Por pedido de , Dougie usou a chave que tinha em posse para entrar na casa da mulher naquela noite de sábado. Avisou de sua presença com um grito e respondeu que estava terminando de se arrumar. Poynter então seguiu para a cozinha, em busca de um copo de água. Acabou com uma fatia de torta em mãos, já que não tinha certeza do lugar para onde iriam e se lá teria algo para comer. E qualquer coisa que cozinhava não deveria ser renegada, na opinião de Dougie.
Terminar a torta pouco tempo antes de descer. Dougie já estava na sala, jogando no celular, totalmente distraído. Acabou ouvindo os passos na escada, e antes que a mulher chegasse ao primeiro andar, confessou o assalto a torta que estava na geladeira.
– Muita falta de consideração sua, fazer uma torta de morango e não me convidar para comer. – Poynter murmurou, fazendo rir.
– Você provou? – Ela indagou. Dougie levantou do sofá e pousou os olhos nela.
Por um instante, não soube se a conversa com Harry tinha deixado sua cabeça fora do lugar ou se realmente estava diferente naquela noite, usando aquele vestido preto e saltos vermelhos. Os cabelos estavam soltos e rebeldes e um batom vermelho cobria seus lábios. Ela estava extremamente bonita e para azar de Dougie, muito atraente. De uma forma que ele jamais havia reparado.
– Sim. Estava maravilhosa. – Respondeu, sem saber ao certo se se referia a torta ou a .
– Você sempre diz isso. – Ela revirou os olhos. Colocou a bolsa preta nos ombros e seguiu para a porta, com Dougie em seu encalço. – Vamos a um pub. – Comentou. – Que tal pedirmos um Uber? Aí nos poupa a preocupação com o carro.
– Acho ótimo. – Dougie respondeu, agradecido pela roupa que havia escolhido ser própria para frequentar um pub. Jeans, camisa de botões com as mangas dobradas e tênis. Estava comum, mas elegante.
Meia hora passada e ambos estavam sentados na mesa do pub, com Sylvia, Lauren, Hillary e Clint. Sylvia e Hillary eram amigas de desde que tinham 17 anos. Haviam trabalhado em algumas campanhas juntas e desfilado para a Gucci enquanto havia se tornado uma angel da Victoria Secrets. Lauren era namorada de Sylvia e era empresária, dona de algumas casas noturnas na França. Já Clint era professor de Química em uma universidade em Milão e Hillary e ele estavam noivos a quase um ano.
Algumas bebidas, petiscos e conversas jogadas fora, espantaram os pensamentos perturbadores de Dougie, a respeito de . Ele havia se enturmado muito bem com os amigos dela e estavam se divertindo muito, comentando sobre as histórias malucas que as três amigas compartilhavam e atualizando-se sobre a vida uns dos outros.
– Quando eu soube que vocês estavam namorando, quase não acreditei. – Hillary comentou, apontando para e Dougie. Ele tinha o braço direito nos ombros dela e o outro segurando um copo com cerveja sem álcool. bebia um Sex on the Beach pelo canudinho e arqueou as sobrancelhas para a amiga, em questionamento para o assunto.
– Por quê? – Indagou.
– Bom você o detestava, não é? – Sylvia entrou no assunto, rindo.
– Apesar de sempre ter achado Dougie lindo. – Hillary dedurou e Dougie se empertigou na cadeira, muito mais interessado pelo assunto.
– Ah é? – Indagou para as duas, movendo o olhar para rapidamente. As bochechas coradas apenas fizeram todos na mesa rirem alto. – Ela nunca me disse isso.
– Bom, estamos te dizendo então. – Sylvia deu de ombros. – Era sempre um “Dougie é muito bonito, porém é extremamente idiota”.
– Eu era idiota mesmo. – Poynter deu de ombros, causando novos risos.
– Vocês formam um belo casal. – Lauren comentou.
– Obrigada. – sorriu. – Estamos bem, apesar do nosso histórico. – Riu fraco.
– Vocês vão ao nosso casamento, não é? – Hillary indagou e Clint a abraçou com mais força ao ter a cerimônia mencionada. – Ainda tem um ano, mas já estamos mandando com convites.
– Sem dúvidas! – assentiu com a cabeça. – Eu nem acredito que vocês vão se casar. – Riu. – Vocês viviam dizendo que não era nada sério.
– E não era. – Clint deu de ombros. – Até eu ir embora e perceber que precisava dela.
– E eu ir atrás dele, porque sou maluca. – Hillary riu.
– É uma bela história. – Dougie comentou. – Vocês tem sorte.
– Todos têm. – Lauren comentou. Pediu mais uma rodada de bebidas ao garçom, antes de ser puxada para a pista de dança pela namorada.
– Clint e eu não dançamos. – Hillary avisou, mesmo que já soubesse daquele fato. Eles não tinham mesmo jeito para dançar, mesmo com aulas e professores particulares. – Mas vocês deveriam ir! – Incentivou. estava prestes a dizer que estava bem, quando Dougie a puxou para a pista. Ela só teve tempo de deixar sua bebida na mesa, antes de pousar os braços em torno do pescoço de Dougie. Strip That Down do Liam Payne estava no final e logo Side Effects do The Chainsmokers ocupou os auto falantes do pub.
Dê play na música.
Dougie pousou as mãos na cintura de , puxando-a para mais perto de seu corpo. A respiração dela bateu no pescoço dele e eles começaram a dançar, no ritmo da música. Em um primeiro momento, nenhum deles esteve realmente confortável naquela situação. Era um toque diferente. Eles já tinham se beijado e já tinham dormido juntos, tão entrelaçados quanto era humanamente possível para duas pessoas adormecidas. Mas o clima dentro daquele pub era outro. Eles não poderiam ser Dougie e que implicavam um com o outro. Ou Dougie e amigos, cúmplices de um plano maluco.

Ooh, you’re all that I want
No good at giving you up
C’mon and give me some love tonight
Ooh, you’re all that I want
No good at giving you up
C’mon and give me some love tonight

A música tinha uma batida gostosa. Em outra ocasião, classificaria aquela música como ideal para rebolar contra seu parceiro e fazê-lo entrar em uma bolha de tensão sexual. Mas aquele era Dougie. Não existia tensão sexual ali, existia? levantou o olhar para Poynter e encontrou a mesma confusão que sentia, estampada nas irises extremamente azuis do homem.
Dougie sorriu fraco, apertando o toque na cintura de , que deu de ombros, quase que imperceptivelmente e desceu as mãos que estavam entrelaçadas no pescoço do loiro, para os ombros dele. A perna esquerda de Poynter parou entre as pernas de e eles voltaram a dançar.

Ooh, I think about it all the time
Make it happen in my mind
I’m telling you, yeah
Ooh, you’re all that I want
No good at giving you up
C’mon and give me some love tonight

Dougie pegou a mão esquerda de , segurando-a com força e fazendo a mulher girar para longe dele, antes de puxá-la de volta e abraça-la pela cintura. Ela gargalhou, voltando a abraçá-lo pelo pescoço. Acabou encostando a testa no ombro do loiro, um sorriso frouxo preso nos lábios, enquanto Poynter não desviava os olhos dela.
nunca havia parecido tão real para Dougie como naquele momento. Ele nunca havia tido tanta consciência dela, como estava tendo durante aquela dança, em que ela rebolava os quadris de forma tão natural e sensual. Dougie estava notando em coisas que haviam passado batido para ele, devido a todos os anos em que passara odiando a mulher sem motivos realmente importantes. Coisas como, os cabelos volumosos dela, que faziam uma bela simetria do rosto dela. As bochechas coradas e os lábios cheios, bem como o olhar astuto e suas irises brilhantes. Não era o tipo de coisas que teria parado para reparar caso não a conhecesse da forma como conhecia.
Eles já haviam dividido um quarto e mesmo assim, Poynter não havia se dado conta do quanto era bonita. Ela não era mais magricela, como quando se conheceram e ela desfilava para a Victoria Secrets. Tinha um corpo comum, como qualquer outra mulher. Seu jeans não era 36 e seu sutiã não era G, mas ela era bonita demais. Dougie finalmente percebera que era bonita como nenhuma outra e talvez aquela fosse uma opinião extremamente particular. Fosse como fosse, era ela que estava ali, remexendo os quadris junto dos seus, rebolando aquela bunda que ele passara a achar realmente interessante, com os braços em seu pescoço enquanto ela brincava com os fios de seu cabelo.

Time should’ve taught me the lesson
When looking for a sign, but instead I got a message
I take off my pride every time we undressing
Draw the line, I’m at the line, yeah

A música terminou com Dougie e se encarando fixamente. Ela sorriu, selando seus lábios rapidamente, antes de puxá-lo de volta para a mesa, onde seus companheiros estavam. Dougie a seguiu, os olhos fixos no remexer os quadris de enquanto andava e um nó na garganta que não sentia a muito tempo. Desconforto era a palavra que procuravam para definir a si mesmo.
E tensão sexual era o conceito que ele se recusava a proferir.

Capítulo 18 – Corpos, lagartos e afins

No domingo, Dougie acordou atrasado, mas nem isso o fez sair correndo da cama desesperadamente. Estava com uma dor de cabeça irritante e uma preguiça absurda e se arrastou para fora da cama com muita má vontade. Fez sua higiene matinal e tomou um banho. Ainda de toalha amarrada na cintura, secou os cabelos e fez a barba, que já estava lhe incomodando. Aproveitou para tomar duas aspirinas e seguiu para o closet. Acabou optando por uma roupa básica, já que iria passar a tarde com os Fletcher e Dougie bem sabia que nem Buzz e muito menos Buddy lhe deixariam ficar quieto, sem precisar rolar na grama durante as brincadeiras. A voz de lhe gritou do andar inferior da casa, já que Poynter havia lhe dito para encontrá-lo em casa para irem à casa de Tom e .
– Pode subir! – Gritou volta, esperando que a mulher o tivesse ouvido, já que o closet ficava na parte mais afastada do quarto.
Cerca de cinco minutos depois adentrou o quarto. Usava um vestido preto soltinho e tênis brancos. Os óculos prendiam os fios de seu cabelo escuro para trás e uma bolsa marrom estava pendurada em seu ombro.
– Me diga que você tem aspirinas, porque não achei uma mísera lá em casa. – Ela murmurou, quando Dougie a espiou pela porta do closet. se sentou na cama e focou o olhar no homem.
– Na caixinha de primeiros socorros no banheiro. – Ele disse, fazendo-a sorrir em agradecimento e se retirar para o banheiro rapidamente. – Eu te disse para não disputar shots de tequila com Sylvia. Aquela mulher não estava blefando.
– Eu havia esquecido que ela era uma esponja! – riu, voltando ao quarto e sentando-se na cama novamente. Dougie voltou para dentro do closet e vestiu uma cueca boxer e a bermuda jeans. Saiu sem a camiseta, já que usaria um modelo simples que estava jogado em sua poltrona. De costas para , Poynter perdeu o momento em que a morena fitou sua silhueta e fixou o olhar em seus ombros. Ela mordeu o lábio inferior, imperceptivelmente, antes de sacudir a cabeça para os lados e retomar o controle de seus pensamentos.
– Tom mandou alguma mensagem? – Dougie questionou, virando-se para e vestindo a camiseta. Ela encarava um ponto além da cabeça de Poynter.
indagou se já estávamos indo. Avisei que estávamos atrasados. – Ela sorriu, encarando Poynter com as bochechas rosadas. Ele franziu o cenho, sem entender a atitude da mulher, mas preferiu não questionar. Sentou na cama ao lado dela e calçou os tênis, enquanto mantinha o olhar fixo na janela.
– Então, já avisou a tua família sobre a nossa visita? – Dougie questionou, apenas para puxar assunto.
– Ah sim. – sorriu, o fitando brevemente. – Minha mãe está ansiosa para te conhecer. – Deu de ombros.
– Já falei com a minha mãe também. – Ele comentou. – Jazzie está louca para te rever.
– Ela é uma querida. – pontuou. – Vamos?
– Só vou pegar umas barrinhas de cereais na cozinha. – Dougie respondeu.
Desceram juntos para o primeiro andar e enquanto checava o estado de seu cabelo no espelho, Dougie pegou algumas barrinhas de cereal e uma caixinha de suco de laranja. Logo voltou a sala e ele e seguiram para o carro da mulher. Ela ligou o aparelho de som assim que afivelou o cinto de segurança e Poynter ficou encarregado de escolher uma música, enquanto ela manobrava o carro.
– Que tal Halsey? – Dougie indagou, com os olhos na tela de seu celular, onde o Spotify estava aberto.
– Nan. – resmungou, sem desviar a atenção do trânsito. – Algo mais animado.
Optando por uma playlist com sucessos dos anos 2000, Dougie e foram durante todo o caminho cantando Backstreet Boys e N’sync, com Dougie fazendo vozes diferentes para representar cada integrante das bandas e caretas que faziam gargalhar alto e xingá-lo por distraí-la do trânsito. Chegaram à casa dos Fletcher antes das 11h da manhã e foram recebidos por uma cada vez mais grávida.
– Você está linda, ! – elogiou a amiga, assim que a mulher fechou a porta às suas costas. Dougie tinha a mão esquerda entrelaçada na direita de e um sorriso pequeno nos lábios. Abraçou assim que ela e separaram-se e seguiram para a cozinha.
– Cadê os furacões? – Dougie questionou, dando por volta de Buzz e Buddy pelo caminho.
– No quintal. – bufou. – O amigo de vocês resolveu comprar uma piscina de bolinhas. – O tom de voz da mulher deixava claro que ela não aprovava a ideia. – Me diz se tem cabimento? Eles não querem sair daquilo nem para comer!
– Ela já está falando mal da minha compra? – Tom indagou, assim que o trio chegou à cozinha. Abraçou e Dougie e então voltou para a mesa, onde um prato de panquecas esperavam para serem recheadas.
– E vou falar mal até aquilo sumir do quintal! – reclamou. Aproximou-se da porta e chamou os filhos para cumprimentarem os recém chegados. Antes que Dougie pudesse se preparar, Buzz e Buddy estavam a sua volta, comentando sobre o quão legal era ter uma piscina de bolinhas e convidando o homem para brincar com eles. Nem viram quando os abraçou pelas costas, beijando suas bochechas gordinhas e fazendo-os rir pelas cócegas na barriga que ela iniciou de surpresa.
– Tia ! – Buzz exclamou, no meio de uma risada. Poynter observou a cena com um sorriso no rosto, enquanto e Tom trocavam um olhar cúmplice.
– Tia, vamos brincar! – Buddy chamou, pegando a mão da mulher e tentando puxá-la para o quintal.
– Fui esquecido na cara de pau. – Dougie comentou, fazendo Tom rir.
é a tia legal. – deu de ombros. – Você é o tio idiota.
– Obrigada por isso, amiga. – riu, levantando o olhar para Poynter, parecendo estar se divertindo muito. Ele deu de língua para ela, que apenas riu e voltou a atenção para as crianças.
– Já que você foi trocado, me ajude com o almoço. – Tom falou. Dougie torceu a boca em descontentamento, mas logo sentiu os braços de em torno de sua cintura e a boca dela em sua bochecha direita. Virou o rosto para ela e sorriu.
– Deixa de ser chato e ajuda o Tom. – Ela murmurou. – Eu vou fazer companhia pra enquanto esses pestinhas brincam. – Ela sorriu. – Mostra para ele que eu te ensinei direitinho a cozinhar. – Riu, afastando-se de Poynter e seguindo com para o quintal, com Buddy e Buzz segurando em cada uma de suas mãos.
– If this is love, love, love, oh it’s the easiest thing to do… – Tom cantarolou e Dougie revirou os olhos, pegando um pano de secar louça e batendo em Tom com ele. Fletcher gargalhou enquanto Poynter lavava as mãos e se aproximava para ajudá-lo. – Eu ia perguntar se vocês estavam bem, mas só esse sorriso idiota no seu rosto dá respostas o suficiente.
– Vá se ferrar. – Poynter reclamou, rindo. – Estamos bem. – Deu de ombros. – Vamos viajar no final de semana.
– Uhhh. – Tom fez alarde. – E vão para onde?
– Vou conhecer meus sogros e depois vamos para Essex matar a vontade da dona Samantha em conhecer .
– Está sério então. – Tom comentou. – Sabe, é meio cedo para dizer isso, mas vejo muita diferença entre seu relacionamento com a e o relacionamento que você teve com a Ellie.
Dougie levantou o olhar para Tom, ignorando a panqueca que deveria rechear. – No que, exatamente? – Indagou.
– Não me leve a mal, mas vocês não tinham futuro e todo mundo sabia. Tanto que acabou porque vocês queriam coisas diferentes. – Tom disse e Poynter assentiu em concordância. – E com … Bom, vejo a mesma coisa que vi entre e Harry e Danny e . A mesma coisa que tem entre e eu.
Poynter franziu o cenho, confuso.
– Vontade de casar? – Indagou e Thomas gargalhou.
– Não, seu idiota. – Bufou. – Vontade de construir algo mais. – Disse por fim.
– Normalmente todos relacionamentos começam assim. – Retrucou.
– Você sabe que não. – Tom pontuou. Uma gargalhada despertou a atenção de Dougie e ele virou o rosto em direção ao quintal. corria com Buddy e Buzz em seu encalço, atirando bolinhas nela, que tentava revidar sem muito sucesso. Sorriu novamente e Tom sacudiu a cabeça para os lados, em negação. Dougie podia ainda não saber, mas Fletcher tinha certeza que muito em breve o mais novo se daria conta de que era a mulher de sua vida.

Depois do almoço muito bem preparado por Dougie e Tom – aos quais não poupou elogios -, eles foram arrastados para o quintal por Buddy e Buzz. empurrou Dougie para a brincadeira, pontuando que tinha brincado durante toda a manhã. Dougie reclamou, visto que eles haviam chegado quase perto do meio dia e ela apenas riu e o mandou brincar. Não precisou de muito para Dougie estar jogado na grama com Buddy nos braços e Buzz em cima dos dois, em uma falha tentativa de recriar os famosos “montinhos” que eram uma das marcas registradas do McFLY.
– Ele é mais infantil do que as crianças. – comentou rindo.
estava sentada ao lado da mulher e Tom estava em pé, gravando e tirando fotos dos filhos.
– Eu não sei como aguento. – murmurou, fazendo rir mais alto.
– Vocês se divertem fingindo que não se gostam? – A mulher indagou, divertida. arregalou os olhos para ela, no mesmo instante em que Dougie pediu bandeira branca para poder atender ao celular. Buzz e Buddy correram para a piscina de bolinhas no instante seguinte.
– Perdão? – murmurou.
– Ah, você sabe. – abanou as mãos em direção a . – Toda vez que falamos em algo mais sério entre vocês ou sobre estarem super apaixonados, vocês fogem do assunto.
mordeu o lábio inferior, passando a mão direita pelos cabelos. – É complicado. – Suspirou. – Não queremos cair de cabeça nisso, sabe? Se der errado, vai doer menos. – Deu de ombros. Tom já estava sentado em um dos sofás e prestava atenção na conversa, enquanto Dougie andava de um lado para o outro, frustrado com o rumo de sua ligação.
– Acredite amiga, isso não vai dar errado. – garantiu, piscando um olho para . A mulher se abrigou a sorrir agradecida, sentindo o toque de Poynter em seu ombro.
– Vou precisar comprar uma lente para o maldito fotógrafo fazer as fotos amanhã. – Revirou os olhos. – Vamos ter que ir. – Fez uma careta.
– Ah, tudo bem. – assentiu. – Marcamos outro almoço quando voltarmos de viagem. – Falou para Tom e . Se despediram dos amigos e das crianças, seguindo para o carro de mãos dadas. entregou as chaves para Poynter, já que ele tinha o endereço de onde encontrar a tal lente que o fotógrafo das fotos da Polonius iria precisar.
– Onde você vai encontrar essa lente? – questionou, assim que Dougie estacionou o carro em uma das principais avenidas de Londres.
– Tem uma loja especializada em fotografia. Mas não sei se vai estar aberta, já que é domingo. – Suspirou.
– Pense positivo. Brigue com o fotógrafo amanhã. – Orientou, fazendo-o rir alto.
Saíram do carro e logo Dougie tinha o braço direito envolta dos ombros de , que enlaçou seus dedos no dele, segurando a bolsa com a mão esquerda. Andavam pela calçada tranquilamente, não encontrando toda a movimentação que era característica dos dias de semana. Mas aquela era Londres e sempre teriam pessoas na rua, independente do dia da semana.
Dougie bufou quando encontrou a loja fechada. Praguejou aos céus e xingou o fotógrafo de, pelo menos, uma dúzia de palavrões bem feios que jamais deixaria o homem proferir perto de alguma criança.
– Amanhã você vem aqui e pega. – tentou aliviar o estresse. – Vai dar tudo certo.
– Isso se eu não matar o fotógrafo por ter me avisado isso em cima da hora. – Dougie revirou os olhos. – Acabamos indo embora para nada.
– Podemos comer sobremesa em outro lugar. – deu de ombros, sem se abalar. Puxou Poynter pela mão e logo eles estavam em uma cafeteria bastante charmosa. pediu uma fatia de torta de chocolate e uma vitamina de morango, enquanto Dougie optou por mousse de maracujá e suco de laranja.
– Minhas fotos vão ser na terça-feira, não é? – Ela questionou, assim que a garçonete se retirou.
– Isso. – Poynter concordou. – Consegue encaixar na sua agenda?
– Claro. – Deu de ombros. – Mas provavelmente vamos ter que nos encontrar na casa de shows a noite. – Murmurou, se referindo ao show de Danny.
– Ou posso passar na emissora e irmos juntos. – Dougie sugeriu.
– Ah, isso seria ótimo. – sorriu, alargando o gesto quando sua torta de chocolate foi posta à sua frente. Dougie riu da atitude da mulher, mesmo que não se surpreendesse com o entusiasmo que ela sempre mostrava com relação a comida.
– Como você vivia quando desfilava para a Victoria Secrets? – Poynter indagou, após saírem da cafeteria e tomarem um caminho de volta ao carro, diferente do que haviam feito anteriormente. Tinha os dedos entrelaçados aos de , da maneira que já estava se acostumando e secretamente, adorando.
– Triste. – respondeu, rindo fraco. – Não me leve a mal, eu amava meu trabalho e sou muito grata as portas que a VS me abriu… Mas não era uma boa vida, sabe? Meu personal não dava um tempo. Eu ficava semanas sem ingerir açúcar ou qualquer coisa gordurosa. – Suspirou. – Eu não voltaria para aquela vida em busca de um corpo “perfeito”. – Abriu aspas com os dedos ao pronunciar a última palavra.
– Não vejo nada de errado com o seu corpo de agora. – Dougie retrucou e arqueou as sobrancelhas para ele, parando de andar e o encarando com diversão. – Quero dizer, não tinha nada de errado com seu corpo antes também. – Completou, rapidamente.
– Então você presta atenção no meu corpo? – Indagou e Dougie corou levemente, rindo fraco. Coçou a nuca e desviou o olhar da mulher, que cruzou os braços em frente ao corpo, esperando uma resposta. – Hein, Poynter?
– É meio difícil não reparar. – Dougie deu de ombros e sorriu torto para .
– Certo. – Ela riu. – Vai dizer que meu corpo era mais bonito antes? – Indagou, curiosa.
– Não. – Dougie respondeu, com convicção. – Você tinha um corpo bonito, mas era, sei lá, “modelo” demais, sabe? – Ele riu, descontraído. – Você está mais sexy agora. – Falou por fim, sem um pingo de vergonha na cara.
o encarou com a surpresa estampada no olhar. Pigarreou, virando o rosto para a vitrine da loja ao lado, tentando esconder as bochechas coradas. – Resposta certa. – Foi o que ela disse, fazendo Dougie rir e também encarar a vitrine da loja.
– Oh. – Ele exclamou, ao dar de cara com um estabelecimento de adoção e venda de animais. Sorriu ao ver alguns lagartos em exposição e voltou seu olhar analítico para ele no mesmo instante. Ela sabia de toda a história a respeito da coleção de lagartos a qual ele se desfez por Frankie, e sempre se questionou sobre o motivo de Poynter não ter adquirido outro lagarto, já que ele tinha fascínio pela espécie.
– Porque você nunca teve outro? – Indagou, chamando a atenção dele para si novamente.
– Ah, sei lá. – Dougie suspirou. – Tinham turnês e todo o resto.
– Mas você não estava em turnê faziam dois anos. – Lembrou.
– É. Mas não queria precisar me desfazer de novo, sabe? – Estalou os lábios. – Por um relacionamento ou qualquer coisa.
– Você não deveria sacrificar algo que gosta tanto por um relacionamento, Dougie. – disse, se aproximando dele e unindo suas mãos. – A pessoa que estiver com você precisa aceitar e te apoiar.
– Talvez eu compre um, qualquer dia. – Murmurou, pensativo. – Mas… Não, melhor não. – Sorriu triste, a fitando brevemente. – Eu não teria como cuidar dele em turnê e não gostaria de deixá-lo sozinho. – Deu de ombros.
– Posso cuidar para você. – se ofereceu e Dougie arregalou os olhos, surpreso. – Aí não haveria desculpas para você continuar se privando de algo que gosta. – Ela sorriu largamente.
– Eles se alimentam com minhocas. – Dougie lembrou, fitando-a com curiosidade.
– Eu sei. – assentiu.
– E você precisa colocar a mão dentro do viveiro. – Falou novamente.
– Eu sei, Poynter. – bufou. – Não sou idiota. – Ela revirou os olhos e Dougie a encarou encantado.
Talvez ele adquirisse mesmo outro lagarto. Talvez a ideia fosse realmente boa. Tinha muitas incertezas, mas a única verdade que encontrava naquele momento era que o surpreendia e encantava todos os dias. E a batida que seu coração perdeu ao vê-la comentando sobre o que entendia de lagartos apenas confirmou algo que estava se alastrando em seu peito a muito tempo. E que os deuses tivessem piedade, mas ele não ligava nem um pouco para as consequências daquilo.

Capítulo 19 – Houston, nós temos um problema!

Dougie estacionou em frente à emissora de . Pegou o celular no bolso do jeans e mandou uma mensagem para ela, avisando que já havia chegado. Recebeu apenas um “dez minutinhos!” e revirou os olhos para si mesmo, se amaldiçoando por ter saído de casa mais cedo do que deveria, uma vez que tinha o costume de estar mais atrasada do que ele. Suspirou, aumentando o volume do rádio, fazendo careta para qualquer que fosse. Tinha escolhido uma playlist qualquer, visto que trocaria de música assim que entrasse no carro. Ela sempre escolhia as músicas, mesmo quando parecia que ele havia escolhido e Dougie já estava acostumado.
Eles tinham fotografado para a Polonius na manhã daquele dia. Tinham tomado café juntos e então partiram para o estúdio onde as fotos seriam feitas. Apesar da falta de simpatia de Dougie com o fotógrafo e os constantes cutucões que lhe dava para que ele fosse menos rude, havia sido uma manhã agradável. Não era novidade para ninguém que e Dougie tinham uma química incrível. As poses entre eles eram espontâneas e as fotos haviam ficado maravilhosas – na opinião do fotógrafo que Dougie ignorou assim que foi proferida. Após checar foto por foto, escolher suas favoritas e fazer mais alguns cliques individuais, Dougie deu a sessão de fotos por encerrada e pode se livrar, de uma vez por todas, do fotógrafo metido. Eles não almoçaram juntos, pois precisava ir para a emissora, então Dougie apenas a deixou no prédio e seguiu para casa. Passou a tarde ocupado com algumas tarefas, já que fizera compras, limpara o quintal e organizara a garagem, até finalmente tomar um banho e se arrumar para o show de Danny. Usava uma roupa comum – blusa branca, calça jeans, botas e uma jaqueta de couro. Estava confortável e extremamente normal.
Uma batida na janela do carro despertou Dougie do limbo em que sua mente havia se enfiado e ele deu um pulinho, agradecendo aos deuses pelo vidro fumê do carro não ter dado a chance para rir da cara dele por aquilo. Destravou a porta do carro e logo entrou, jogando uma bolsa enorme no banco de trás e se inclinando para Dougie, beijando-o no rosto rapidamente. Poynter a encarou com um pequeno sorriso, analisando as roupas da mulher, enquanto ela colocava o cinto e se organizava. Ela usava uma blusa cropped branca, com um decote considerável, calças listradas em preto e branco de cintura alta e boca larga, sandálias pretas e segurava uma bolsa prateada. Os cabelos estavam soltos e rebeldes, como de costume, e ela usava um batom vermelho e rímel. Nada fora do comum, mas de alguma forma, Poynter a achou extremamente bonita. Talvez mais do que em qualquer outro dia. sorriu para Dougie, como em um pedido de desculpas.
– Desculpe a demora. – murmurou. – Tive uma reunião de última hora e acabei me atrasando. – Ela suspirou. Com o celular em mãos, conectou o celular ao aparelho de som do carro e escolheu uma música que Dougie não conhecia.
– Sem problemas. – Poynter deu de ombros, tornando a ligar o carro e colocando o veículo em movimento. – Acabei não me atrasando hoje e isso é um milagre.
– Realmente! – exclamou, rindo. – Deveríamos comprar uma torta para comemorar esse grande acontecimento! – Falou, arregalando os olhos levemente.
– Hahaha. – Dougie murmurou. – Engraçadinha.
– Estou falando sério, palhaço. – Ela reclamou, fazendo drama. – Eu tentei a todo custo fazer Danny me enviar o single dele hoje e fui totalmente ignorada. – Ela bufou, impaciente e Dougie gargalhou. Danny estava fazendo o maior suspense com a música – nem o nome ele havia divulgado – e acreditar que teria chances de conseguir o áudio inédito era, no mínimo, ingenuidade dela. – Então quando chegarmos, seja um bom namoro e soque o Jones em meu nome.
– Meu amor, – Ele riu da careta que ela fez. – É mais fácil você bater nele do que eu.
– É, realmente. – suspirou, dando de ombros. – Você é muito frouxo para isso.
Aproveitando um sinal fechado, Poynter arqueou as sobrancelhas para e lançou um sorriso debochado para ela. – Você não tem como afirmar isso sem experimentar. – Disse, fazendo a mulher arregalar os olhos em pura surpresa.
– Poynter! – Ela reclamou, enquanto ele gargalhava alto. – Você é um idiota, nossa. – Ela bufou novamente.
– Por você, namorada. – Mandou um beijo estalado para ela, voltando a prestar atenção no trânsito no instante seguinte.
Com o olhar fixo na avenida, Dougie perdeu o rubor momentâneo nas bochechas de . Ela logo disfarçou o desconforto e iniciou a cantoria da música que tocava.

Dougie deixou o carro no estacionamento e logo eles deram as mãos, apresentando as credenciais na porta e sendo conduzidos para o camarim, onde Danny e o restante dos amigos os aguardavam.
Harry foi o primeiro a avistar o casal, abraçando com força e dando um soco no ombro de Dougie, como de costume. Logo eles foram recepcionados pelo restante do grupo, enquanto as mulheres elogiavam as roupas uma das outras e os homens comentavam sobre o quão bonitas elas estavam. se aproximou de Danny, com Dougie em seu alcanço, o abraçando e comentando sobre o quão ansiosa para o show ela estava.
– Estou suando em bicas. – Danny confessou. – Ter vocês no palco comigo me fazia sentir menos idiota. – Olhou para Dougie, que revirou os olhos para ele.
– Vai dar tudo certo, dude. – Dougie falou, passando o braço pelos ombros de assim que ela se afastou de Jones. – Você é um músico incrível e tenho certeza de que vai arrasar.
– Estou ansiosa demais para ouvir essa música, Daniel. – pontuou. – Inclusive, você está no meu caderninho do rancor por não ter me enviado o áudio. – Ela murmurou, com amargura. Danny gargalhou. – Meu caderninho não tem muitas pessoas então a situação é grave! – Arregalou os olhos exageradamente, apenas para causar um drama.
– Quem encabeça a lista? – Danny indagou e indicou Dougie com a cabeça.
– Ele só me irrita. – Comentou, fazendo Jones rir e Dougie lhe estirar a língua.
– E você me ama assim mesmo. – Poynter retrucou.
– Vou deixar você se iludindo. – murmurou, dando de ombros e afastando o rosto dos lábios de Poynter, que se inclinou para beijá-la.
– Prometo que vai valer a pena ter esperado, . – Danny disse, voltando ao assunto principal. – Nem ouviu. – Comentou.
– O que tem eu? – indagou do sofá, em um tom de voz alto. Os três viraram-se em direção a mulher, que tinha os olhos em fendas para o marido.
está reclamando por não ter ouvido a música. – Danny comentou para o grupo. – E eu disse que nem você ouviu.
– E achei isso ridículo. – murmurou. – Meus direitos como esposa foram ignorados! – Reclamou, fazendo todos rirem.
– Ninguém ouviu, . – Tom bufou. – Esse idiota não quis deixar a gente ouvir.
– Se for ruim, você está fodido, irmão. – Harry pontuou, rindo com diversão.
– Claro que não vai ser ruim. – revirou os olhos para o marido. – Danny é um músico excelente.
tem razão. – sorriu para o amigo. – É uma das poucas coisas que Danny faz direito.
– Estou sendo caluniado pelos meus próprios amigos. – Danny bufou, de forma dramática.
Pouco tempo depois, Danny foi chamado para a concentração e o restante do grupo seguiu para o camarote que ocuparia no segundo andar da casa de shows. Era um lugar amplo e cada camarote tinha duas mesas e uma grade que dava uma visão privilegiada do show. Ao fundo, uma área conectava todos os camarotes da casa de show, onde localizava-se o bar. Algumas músicas eletrônicas tocavam, animando o público antes do show. Dougie e ocuparam uma mesa com , enquanto os outros ficaram na mesa ao lado.
– Querem beber alguma coisa? – Poynter indagou e sorriu para ele, assentindo com a cabeça.
– O que você for beber. – Ela respondeu. – Vou te acompanhar hoje. – Murmurou, dando de ombros. Dougie sorriu.
– Eu quero um drink. – suspirou. – Qualquer um, não tenho preferência.
Dougie assentiu, seguindo para o bar em seguida. Pediu duas cervejas sem álcool e um drink colorido. Se escorou no balcão e passou a observar o local, encontrando um rosto conhecido por entre as mesas do camarote ao lado do que ocupava com os amigos. Estreitou o olhar, tentando enxergar com clareza, mas só teve suas dúvidas sanadas quando o homem levantou e seguiu em sua direção, parando ao seu lado e pedindo uma dose de whisky para o barman.
Com um pigarro, Trevor Scott se virou em direção a Dougie e o encarou com um resquício de diversão no olhar. Poynter lhe lançou um olhar indiferente, antes de voltar a observar o local, como se o jogador nem estivesse ali. Encontrou o olhar de fixo nele e sorriu minimamente para ela, tentando avisar de que estava tudo ok.
– Então já está te fazendo de capacho? – Trevor debochou, não provocando qualquer reação em Dougie. – Nunca pensei que você fosse desse tipo, Poynter.
– E eu nunca pensei que você fosse um babaca que não sabe aceitar um não. – Dougie retrucou. – quase acreditou na sua ceninha de bom moço. – Sacudiu a cabeça para os lados, em negação. – Você é patético.
– Bom, era o que eu queria que ela fizesse. – Trevor murmurou, dando de ombros. – Eu estou aqui para ver um show e por acaso, encontrei com você. Nem cheguei perto dela.
– Você acha que ela é idiota? – Poynter indagou, descrente, lançando um olhar enojado para o jogador.
– Não. – Trevor sorriu. – Mas ela é esperta o suficiente para não acreditar nas mentiras do atual namorado sobre o ex.
– Você não tem mesmo o que fazer. – Poynter debochou. – É muito humilhante correr atrás da namorada dos outros, sabia?
– Eu não estou correndo atrás dela. – Scott retrucou. – Estou no bar, esperando minha bebida, enquanto você está na defensiva.
– Na defensiva? – Dougie riu com escárnio. – Porque eu estaria na defensiva? Você não faz diferença na minha vida ou na de para que eu sequer chegue a me preocupar com você. – Finalizou. Se virou ao ouvir o chamado do barman e pegou as duas garrafas de cerveja e o drink de , agradecendo com um aceno de cabeça.
– Poynter? – Trevor chamou, quando Dougie fez menção de voltar para a mesa que ocupava. – Você está apaixonado por ela, eu sei. – Ele falou. – Mas seja qual for o motivo que fez iniciar esse relacionamento com você, não foi amor. – Scott disse, com segurança na voz. Poynter lhe lançou um olhar indecifrável.
– Não importam os motivos do início. Importam os motivos para ela permanecer. – Foi a resposta do loiro, antes de se afastar a passos largos, sem se preocupar com as palavras de Scott.
pegou uma das garrafas de cerveja assim que Dougie sentou-se à mesa. agradeceu o drink e no instante seguinte estava na mesa ao lado, dando privacidade para que eles pudessem conversar. segurou as mãos de Dougie e o encarou com apreensão.
– O que aconteceu? – Indagou, ansiosa.
– Nada com o que deva se preocupar. – Poynter forçou um sorriso convincente.
– Dougie. – A morena murmurou, em alerta.
– Está tudo bem. – Dougie garantiu. Não queria preocupá-la ou estragar a noite deles. – Juro. – Sorriu novamente, entrelaçando seus dedos nos dela. assentiu uma vez, ainda com os olhos fixos em Poynter.
– Certo. – Ela suspirou. – Qualquer coisa eu dou um soco na cara dele. – Disse, fazendo-o rir.
– Esse papel não deveria ser meu? – Questionou, com as sobrancelhas arqueadas.
– Você entrando em uma briga? – Ela debochou. – Por favor né, Poynter. – Fez pouco caso dele. Dougie beliscou a cintura dela, que revidou com um tapa no braço dele.
– Agressiva. – Poynter acusou, com os olhos estreitos.
– Idiota. – Ela deu de língua para ele, dando um gole em sua cerveja em seguida. – Aí, isso é horrível! – Reclamou e Poynter gargalhou algo.
– Bem-vinda ao meu mundo. – Pegou sua garrafa e brindou com ela. fez uma careta, dando outro gole, a contra gosto.
– Odiei. – Disse por fim.
Pouco tempo depois as luzes da casa de show diminuíram e a música que tocava foi cortada. surgiu ao lado de em um estado de animação invejável, puxando a amiga para a grade no instante que Danny subiu no palco. Dougie abandonou sua garrafa e se postou ao lado de , envolvendo a cintura dela com o braço esquerdo. Logo Harry, , e Tom estavam na grade junto dos três, aplaudindo Danny e assobiando alto, causando o maior barulho.
Jones cumprimentou o público e dedicou a apresentação a e Cooper, agradecendo pela presença de todos e principalmente, pelo apoio de seus amigos. Logo estava nos braços de Poynter, que apoiava o queixo no ombro da mulher e a abraçava pela cintura. Danny cantou algumas músicas conhecidas do McFLY e alguns covers, antes de enfim, comentar que tocaria pela primeira vez o single inicial de sua carreira solo. estava concentrada no show e confortável nos braços de Dougie, que apertara os braços em torno dela assim que Danny dedilhou os primeiros acordes em seu violão.
– Essa música se chama Is This Still Love. – Danny disse ao microfone, arrancando gritos e aplausos da plateia.

Dê play na música.

Like nobody could do
You took my heart, you
Gave it a home
But now, I start to wonder
As we grow older
Are we together alone?

Dougie olhou para seus amigos e viu Tom e abraçados. e Harry de mãos dadas e escorada na grade do camarote, sorrindo para Danny e com os olhos marejados. Estavam todos orgulhosos de Jones e qualquer pessoa que os visse, não poderia defini-los como nada além de uma família. Uma grande, estranha e incrível família.

You got a heart of gold you’re everything to me
I pray, I hope that you’re feeling the same way that I do

Aquele trecho em especial chamou a atenção de Dougie, de uma forma que ele não esperava ser possível. Desviou o olhar do amigo e o focou em . Ela sorria, também com os olhos marejados e apertava as mãos de Dougie, que se entrelaçavam na cintura dela. Observou os traços de seu rosto, o brilho em seus olhos e apreciou o cheiro de seus cabelos. Dougie chegou a apenas uma constatação:

Is it still love that’s keeping us together?
‘Cause if it’s not love then I gotta know what it is
Is this still us when you think of forever?
‘Cause if it’s not love then I don’t know what it is

Ele adorava aquela mulher. Não conseguia mais ver sua vida sem ela e não poderia mais negar aquilo. Era um sentimento novo. Dougie não sabia exatamente o que era, mas gostava. Gostava de como se sentia perto dela. Era bom, fácil e natural. Como sempre deveria ter sido.

So, so many questions
And not enough answers
Where do we go?
Is, is it just madness?
Fuelling this sadness
How do I know?

Dougie voltou a prestar atenção no palco. Danny desviava seu olhar da plateia para o camarote em que estavam a todo momento, procurando por . Na plateia, lanternas de celular foram ligadas, enquanto o público batia palmas e arriscava cantar a letra desconhecida, seguindo o ritmo da melodia que Jones dedilhava no violão.

You know my heart and soul
You help me to believe and give me hope
Are you feeling the same way that I do?

suspirou, se aconchegando nos braços de Dougie e balançando o corpo no ritmo da música. Poynter sorriu frouxo, novamente usando o ombro dela para repousar seu queixo e murmurando o refrão que ele já havia decorado, não percebendo que havia se arrepiado e retesado o corpo no mesmo instante.

Is it still love that’s keeping us together?
‘Cause if it’s not love then I gotta know what it is
Is this still us when you think of forever?
‘Cause if it’s not love then I don’t know what it is, yeah

Ao terminar o refrão, Dougie finalmente notou uma mudança na postura de . Afrouxou o abraço que a prendia e ela se virou de frente para ele, fitando seus olhos com intensidade. As mãos de Dougie foram parar na cintura de e os olhos caíram para os lábios dela no instante seguinte. o abraçou pelo pescoço, envolvendo os cabelos de Dougie com a mão esquerda e usando a destra para acariciar a nuca do loiro. A tensão era palpável entre eles. A música de Danny provocara sentimentos e vontades que antes ficavam mascaradas e encobertas por outros momentos que partilhavam. Mas ali, com aquela música tão honesta sobre amor, eles não poderiam mais negar a vontade que os estava matando aos poucos.

You will always be a part of me
So let’s talk and tell me honestly
Hey now, don’t be sorry, we’re here now

Dougie envolveu a cintura de com os braços e a puxou para si. Fitou-a uma última vez, encontrando confusão e o desejo nas irises dela, que mais pareciam espelhar os sentimentos que estavam tomando conta de seu corpo. Como em uma autorização muda, entreabriu os lábios e fechou os olhos, se inclinando para cima quase instintivamente. Dougie fechou os próprios olhos e grudou seus lábios nos dela, suspirando audivelmente quando a língua de acariciou a sua.

You will always be a part of me
So let’s talk and tell me honestly
Hey now, don’t be sorry, we’re here now

Aquele não fora como o primeiro beijo que haviam trocado, no começo de todo aquele plano maluco. Fora um beijo sem qualquer significado. Eram apenas duas bocas se acariciando, duas pessoas totalmente diferentes daquelas que se beijavam naquele momento. Eram duas pessoas totalmente diferentes uma para a outra. Eles haviam percorrido juntos um longo caminho. Se conhecendo, se descobrindo, se aceitando. E aquele beijo era apenas o resultado de tudo aquilo.

Is this still love that’s keeping us together?
‘Cause if it’s not love then I gotta know what it is
Is this still us when you think of forever?
‘Cause if it’s not love then I don’t know what it is, yeah

Todos os momentos compartilhados, as conversas, as risadas, as carícias, a intimidade. Era um beijo novo, desesperado. O ponto culminante de todos os sentimentos despercebidos e ocultos dentro de seus peitos.

Is this still love
Is this still love

Afastaram-se muitos instantes depois, mantendo os olhares um no outro por algum tempo. sorriu, acariciando o rosto de Dougie com a mão direita, selando seus lábios uma última vez, antes de virar-se, voltando a prestar atenção no palco. Ela fechou os olhos com força assim que Dougie não pôde mais ver suas expressões, respirou fundo expirou o ar pela boca, sem saber exatamente o que havia acontecido.
E Dougie, perplexo e tomado pelo turbilhão de sentimentos que aquele beijo despertara em seu coração, apenas a puxou para seus braços novamente, sorrindo largo ao sentir-se extremamente confortável com toda aquela situação. Era como estar em casa, depois de uma longa viagem.

Dougie estacionou o carro em frente à sua casa. , sentada no banco do carona, havia permanecido quieta durante toda a viagem. Também ficara um pouco retraída após o final do show, mesmo enquanto parabenizava Danny pela ótima performance. E apesar de também estar se sentindo estranho, Dougie sabia que precisava esclarecer as coisas.
– O show foi ótimo. – Ele comentou, apenas para puxar assunto. Revirou os olhos para si mesmo, sentindo-se patético. Eles haviam se beijado e agora estavam agindo como dois adolescentes envergonhados.
– Sim. – concordou, com um aceno de cabeça. – Danny realmente arrasou.
– É. – Poynter suspirou audivelmente. desafivelou o cinto e se virou para Poynter, parecendo apreensiva.
– Olha, sobre o que aconteceu…
– Não diga que foi um erro. – Dougie pediu, sem deixar a mulher terminar a frase. Também livrou-se do cinto de segurança e se virou para ela.
– Dougie. – suspirou, sem saber exatamente o que dizer.
– Eu quis te beijar. – Ele exclamou. – Quis de verdade e talvez tenha querido a bastante tempo. E por mais estranho que isso seja, eu ainda quero. – Confessou de uma vez, buscando uma forma madura de resolver aquela situação.
o encarou, mordendo o lábio inferior no instante seguinte. – Não sei se é uma boa ideia, Dougie. – Soltou o ar pela boca. – Quero dizer, temos esse plano e…
– Esse é o menor dos meus problemas agora. – Poynter disse. – Eu não sei, só… Queria descobrir o que é isso. – Apontou para ele e então para . – É diferente, você percebeu? Não existia e agora está aqui, como se sempre tivesse estado presente. – Dougie segurou a mão esquerda dela, brincando com os dedos da mulher. – Talvez valha a pena.
– É, talvez valha. – suspirou alto. – Merda, onde eu estou me metendo? – Murmurou, parecendo falar consigo mesma. Dougie sorriu, puxando-a para seu colo no instante seguinte. o abraçou pelo pescoço e o encarou com um meio sorriso nos lábios.
– Comigo. – Concluiu, antes de selar seus lábios novamente.

Capítulo 20 – Rachel deveria ter ido para Paris

Dougie estava esparramado em sua cama, no décimo quinto sono, quando sentiu um beliscão na coxa. Resmungou algo incompreensível, sem dar muita atenção para qualquer coisa que não fosse voltar a dormir. Mais um beliscão e uma risada fizeram Poynter abrir os olhos, muito lentamente e de muito mau humor, mas ele não fez questão de levantar a cabeça do travesseiro e apenas resmungou em irritação.
– Deixa de ser preguiçoso, Poynter. – resmungou, sentando na beirada da cama e puxando o lençol para longe do corpo do loiro, que resmungou novamente, algo que ela interpretou com “vá a merda”. revirou os olhos, beliscando a cintura de Dougie com um pouco mais de força. Ele empurrou o braço dela para longe, apenas conseguindo arrancar outro riso dela.
– Que horas são? – Resmungou sonolento. – Para você já estar me enchendo o saco.
– 7 da manhã. – respondeu.
– E porque caralhos você está me acordando a essa hora? – Reclamou. Virou para o lado direito, permanecendo deitado de lado e piscando lentamente em direção à mulher. Ela revirou os olhos para ele, enquanto prendia os cabelos em um coque. Usava jeans e regata, uma roupa bastante comum, mas que para Dougie, deixavam-na ainda mais bonita.
– Porque precisamos conversar. Sobre ontem. – Ela respondeu prontamente, mordendo o sorriso que queria dar. Dougie sonolento e com o cabelo revirado era algo que trazia um sentimento bom para , mesmo que ela só houvesse percebido aquilo, naquele exato momento.
– Agora? – Dougie fez uma careta e revirou os olhos para ele novamente. – Eu ainda estou dormindo. – Argumentou.
– O mais rápido possível, Poynter.
– Às 7 da manhã? – Suspirou. – Tem certeza?
– Eu preciso ir até a emissora hoje. – Ela deu de ombros. – É isso ou durante o almoço.
– Almoçamos juntos então. – Decidiu.
– Eu não acordei uma hora mais cedo para nada, Dougie. – bufou, levantando da cama no instante seguinte.
– Isso eu resolvo. – Ele a puxou pelo braço em um movimento rápido. soltou um gritinho, devido ao susto, mas logo estava na cama junto de Dougie, que a abraçou pela cintura e escondeu o rosto na curva do pescoço dela.
– Você quer dormir assim? – Ela perguntou, divertida. Passou o braço esquerdo por baixo do pescoço de Dougie e o direito repousou no peito do homem, se aconchegando nos braços dele.
– Uhum. – Dougie resmungou, já de olhos fechados. – Gosto do teu cheiro.
– Eu vou gostar quando você escovar os dentes. – murmurou, fazendo Poynter erguer a cabeça e encará-la com os olhos semicerrados.
– Você estraga o clima, sabia? – Revirou os olhos.
– Sabia. – riu. – Vai se escovar porquinho ou eu vou ir dormir em casa. – Ameaçou e Poynter bufou, levantando da cama e sumindo dentro do banheiro. Fez sua higiene matinal, penteou os cabelos e voltou ao quarto. estava deitada na cama, fuçando no celular distraidamente. Ela deitou de lado assim que Dougie se aproximou, abandonando o aparelho na mesa e cabeceira e abriu os braços para Poynter, que sorriu torto e voltou a envolvê-la pela cintura.
– Pronto madame. – Ele sorriu. – Agora eu posso te beijar? – Indagou, com um sorriso esperto nos lábios. riu, encarando Dougie com diversão, antes de dar de ombros.
– Não é realmente algo que me deixa ansiosa… – Ela zombou. – Mas se você quer…
– Ridícula. – Dougie revirou os olhos. – Agora não vou te beijar. – Fez bico, enquanto ria da cara de emburrado dele, que mais parecia ter 15 anos do que os 30 que ele carregava nas costas. Ela aproximou seus rostos, roçando seu nariz no de Dougie e suspirando contra os lábios dele sutilmente, apenas para provocá-lo. Poynter estreitou o olhar para ela, estalando os lábios e rindo de si mesmo. Não podia acreditar que estava sendo manipulado por . – Você joga sujo.
– Eu sei. – deu de ombros, indiferente, antes de sentir os lábios de Dougie contra os seus. Ambos suspiraram, envolvidos demais pela saudade que havia sentido daquele toque mais íntimo, mesmo que nem fizesse 12 horas de seu último beijo dentro do carro do loiro. Poynter aumentou a pressão de seus dedos na cintura de , puxando o corpo da mulher para mais perto do seu, conforme o beijo se tornava mais intenso. Logo ela tinha uma perna de cada lado da cintura de Poynter, enquanto ele descia as carícias da cintura dela para as coxas. Eles se beijaram por incontáveis minutos, aproveitando a presença um do outro, provocando e aumentando a tensão que eles não haviam notado que existia a algum tempo. selou seus lábios uma última vez, buscando ar e caindo na cama ao lado de Poynter. Ele a puxou para perto, com um sorriso largo no rosto. A mulher deitou a cabeça no peito de Dougie, o abraçando pela cintura, enquanto ele brincava com os fios de cabelo dela que escapava do coque com a destra e com o braço esquerdo, a abraçava.
– Bom dia. – Murmurou, fazendo-a rir com gosto.
– Bom dia, Dougie. – E fechou os olhos, suspirando quando sentiu o abraço apertado de Poynter.

Dougie havia escolhido um restaurante pouco conhecido para que eles almoçassem. Precisavam de privacidade e nada melhor que um restaurante que oferecia uma varanda privativa como opção de reserva. Entraram de mãos dadas e logo foram acompanhados até a mesa, cuja varanda proporcionava uma visão incrível de Londres.
– Uau. – murmurou, estalando os lábios em seguida. – Por acaso está tentando me impressionar, Poynter? – Ela arqueou as sobrancelhas para ele, que riu com gosto.
– Tudo para a minha garota. – Piscou para ela, de forma sedutora. gargalhou.
– Idiota. – Retrucou. Sentou-se antes que Poynter pudesse puxar a cadeira para ela – não estava acostumada com cavalheirismo e tinha em mente que se ela tinha mãos, podia fazer as coisas por si mesma – e pegou o cardápio antes mesmo de Dougie se acomodar. Ele sorriu, já conhecendo o suficiente para saber que quando o assunto era comida, ela era a personificação da ansiedade.
– Você já veio aqui antes? – Dougie indagou, desviando o olhar do cardápio para a morena. sacudiu a cabeça para os lados, em negação.
– Não. – Deu de ombros. – Trevor não era muito de sair. – Estalou os lábios. – E estou sempre atarefada na emissora.
– É um privilégio ser seu primeiro. – Dougie murmurou, deixando claro o duplo sentido da frase. gargalhou.
– Deixa de ser besta, Poynter. – Deu de língua para ele.
Com os pedidos já feitos e um vinho escolhido por Dougie, eles encararam a vista da cidade por alguns instantes, antes de Dougie finalmente quebrar o silêncio e iniciar a conversa que eles deveriam ter tido na noite anterior ou naquela manhã, mas que havia sido adiada, pois, segundo Dougie, beijar era muito mais interessante.
– Então, – Dougie suspirou e virou o rosto em direção a ele, abrindo um sorriso encorajador. – Ontem… E hoje…
– A gente ficou. – disse, de forma simples.
– É. – Dougie assentiu em concordância. – E foi bom, não foi?
– Sim, foi bom. – riu. – Bastante surpreendente também.
– É. – Poynter suspirou. – Eu não esperava que acontecesse. – Confessou. – Já tinha notado algumas mudanças, mas não cheguei a pensar nisso, entende? Parecia tão… – Não soube explicar, mas sabia exatamente sobre o que ele se referia. Sentia-se da mesma forma.
– Improvável? – Ela chutou, recebendo um acenar de cabeça do loiro. – Eu sei. Não esperava que fôssemos nos envolver de verdade. – Ela suspirou. – Eu estou bem confusa, Dougie. Mas como você sugeriu, nós podemos ver no que vai dar.
– Podemos ir com calma. – Dougie sorriu de lado. – Pra entendermos tudo isso.
– Gosto da ideia. – Ela sorriu também. – Nós já somos um casal para o mundo, só vamos adicionar mais intimidade ao que já existe agora. – franziu o cenho. – Ao que nós já fazemos juntos e etc. – Explicou, fazendo Dougie rir.
– Eu entendi. – Ele afirmou.
– Certo. – Ela riu, com as bochechas coradas.
– Sabe o que é engraçado? – Questionou, fitando-a com intensidade.
– O que? – indagou curiosa.
– Aquele dia na cafeteria, quando eu te propus essa maluquice… Eu disse que a vantagem era que nós jamais nos envolveríamos de verdade. – Ele comentou.
– E não teríamos feito isso. – Ela concordou. – Eu não teria me envolvido com aquele Dougie. Mas você é outra pessoa para mim porque agora eu te conheço e não estou presa em um estereótipo imaginário. – completou.
– Tem razão. – Dougie concordou. – Eu jamais teria beijado aquela metida a esnobe. – Alfinetou, recebendo um estreitar de olhos em retorno.
– Poynter, nem você acredita nisso. – debochou, bebendo um gole de seu vinho. Largou a taça de volta na mesa e fixou seu olhar analítico em Dougie.
– O que quer dizer com isso?
– Quero dizer que você sempre quis dormir comigo. – Ela retrucou. Batia as unhas ritmadamente contra a mesa, enquanto Dougie sorria torto e se inclinava em direção a ela.
– Não posso negar isso. – Ele falou. – Você sempre foi gostosa. – Piscou para ela, que gargalhou alto, sacudindo a cabeça para os lados, desacreditada na falta de vergonha na cara de Dougie.
E Dougie a assistiu rir, com um sorriso frouxo em seus próprios lábios. Aquela mulher mexia com ele e não havia mais como negar.

Era o quinto – ou sexto? Dougie já não fazia mais ideia – episódio de Friends que assistia pelo tablet, enquanto estava confortavelmente acolhida nos braços do loiro, que mantinha o queixo repousado no ombro dela e os braços firmes em torno da cintura da mulher. Seu corpo estava esticado por todo o banco da cabine do trem, com acomodada entre suas pernas. Estavam cobertos por uma manta que ela havia levado e Dougie tinha um travesseiro confortável servindo de apoio as suas costas. Haviam pegado um trem quase ao final da tarde de sábado, já que havia adiantado algumas gravações do programa durante a manhã e eles acharam mais cômodo chegar à York ao anoitecer. A cabine privativa sempre seria a melhor ideia para viajar de trem na Inglaterra, principalmente por serem pessoas públicas. E era muito maia confortável viajar sozinho, do com um bando de estranhos.
– Eu não entendo porque ela gosta dele. – Dougie disse por fim, encarando a figura de Rachel com a testa franzida. Em todos os episódios que havia visto durante a viagem, notara que Ross era um personagem extremamente problemático: ciumento, possessivo, inconveniente e vivia fazendo piadinhas desnecessárias. Poynter gostava muito mais de Joey e Chandler, apesar de também haver pontos que o incomodavam nos personagens. Mas nada como Ross. Ele odiava Ross.
– Eu entendo. – suspirou.
– Você gosta dele? – Dougie indagou, parecendo surpreso.
– Não, claro que não. – Ela sacudiu a cabeça em negação. – Mas entendo a Rachel. Ela só teve relacionamentos fracassados, onde ela era apenas um enfeite, sabe? A peça bonita que um homem exibia. Nunca havia sido amada. E Ross, de um jeito estranho, sempre a amou. – Deu de ombros, presa em sua própria divagação. – Consigo entender a necessidade de se agarrar a essa esperança de um amor recíproco.
Dougie encarou por alguns instantes, absorvendo a fala da mulher, analisando sua resposta. Puxou-a para mais perto de seu corpo, depositando um beijo em seu ombro.
– Você sabe que merece mais, não sabe? – Dougie indagou cuidadoso. Sabia que passara por alguns relacionamentos fracassados. Desde que a conhecia, nunca a havia visto em um bom relacionamento. Ela sempre parecera ter dedo podre para homens. Até Dougie, que havia chegado ao fundo do poço com a ajuda de um fim de relacionamento, tinha uma sorte maior que na área romântica de sua vida. Seu relacionamento com Lara não havia sido ruim e com Ellie, bom, apenas havia terminado porque eles queriam coisas diferentes. Mas ? Ela não tinha mesmo sorte. E Trevor Scott, o babaca perseguidor, apenas comprovava aquilo.
– Estávamos falando da Rachel. – lembrou. Seu coração havia aquecido por conta da pergunta de Poynter. Parecia simples, mas para ela, significava muito.
– Eu sei. – Dougie falou. – Mas você se identifica, não é?
– Talvez. – Ela não deu o braço a torcer e Dougie mordeu um sorriso. A série ainda rodava, com o volume quase no zero. Era uma cena de Rachel e Ross brigando, com o restante dos amigos presos no quarto de Mônica xeretando a briga. – Mas isso não significa que eu vá arrumar um Ross para mim.
– Eu não disse isso. – Dougie murmurou, iniciando uma carícia no braço da mulher. – Só disse que você merece mais, porque é verdade.
– Eu sei. – suspirou. – Mas nunca tive sorte, você sabe. Sai de um relacionamento ruim para outro. Um babaca para outro pior ainda. – Ela sorriu triste, deitando a cabeça no ombro de Dougie. – Mas eu não sou a Rachel. Eu jamais aceitaria um Ross. Tanto que, quando as coisas com Trevor ficaram ruins, eu larguei fora. Ele quem não entendeu. – Ela riu baixo, sendo acompanhada por Dougie.
– Joey ou Chandler?
– Chandler. – respondeu, prontamente. – Mas entre todos, Mônica. Porra, eu me casava fácil com ela. – Ela comentou e Dougie riu.
– Eu também.
– Não é estranho falar disso com você, mesmo na atual situação em que nos encontramos. – apontou, bloqueando o tablet e o guardando na bolsa que estava no chão. Virou-se de bruços e abraçou Dougie pela cintura, descansando o queixo no peito dele e o encarando nos olhos.
– A vantagem é podermos falar de qualquer coisa. – Dougie sorriu, beijando-a na testa.
– Gosto que você não me julga. – sorriu, de olhos fechados. – Obrigada.
– De nada. – Dougie soprou, apertando seu abraço em torno dela e também fechando os olhos, aproveitando o momento bom que estavam partilhando.
Meia hora mais tarde, Dougie e arrastavam suas malas pela estação de trem de York. Keith, o irmão de , ficara encarregado de buscá-los e deixá-los na casa dos pais da mulher, que segundo , ficava a duas quadras de distância da casa do próprio Keith. De mãos dadas, o casal atravessou o saguão da estação, Dougie sendo guiado por , que conhecia a cidade como a palma de sua mão, já que havia vivido 15 anos nela. Atravessaram as portas e parou na calçada, procurando pelo irmão. A noite já havia caído, mas nem isso a impediu de ver o homem, soltar um grito e correr para abraçá-lo, deixando com Dougie a responsabilidade de carregar sua mala. Mas ele não reclamaria daquilo. Estava sorrindo como um idiota ao ver a expressão completamente feliz de . Pegou ambas as malas e seguiu para onde a mulher estava, ainda abraçada no homem de cabelos escuros que Dougie só podia supor ser Keith.
– Eu senti tanto a sua falta! – murmurou, após longos minutos abraçando o irmão. Segurou o rosto dele entre suas mãos e fez uma careta. – Você está magro demais!
– Desculpa mãe. – Keith revirou os olhos e Dougie gostou dele no mesmo instante. – Eu juro que estou me alimentando corretamente. A abstinência da sua comida faz isso comigo. – O homem brincou, fazendo revirar os olhos.
– Deixa de ser idiota. Beatrice e você cozinham tão bem quanto eu. – Retrucou. Olhou para Dougie as suas costas e sorriu, puxando-o pela mão para se postar ao seu lado. – Keith, esse é Dougie, meu namorado. – Apresentou. Dougie estendeu a mão que não segurava para o homem, que o avaliou por alguns instantes, antes de sorrir e cumprimentar o loiro.
– Será que ele sobrevive ao seu álbum de fotografias, ? – Keith comentou, em uma clara zoação com .
– Ah, vá à merda garoto. – Ela xingou, puxando Dougie para o carro enquanto Keith gargalhava.
– O que tem esse álbum de fotografias? – Dougie indagou curioso. Acomodou-se no banco traseiro, junto das malas, enquanto ocupava o banco do carona.
– Nada! – A mulher retrucou.
– Eu vou adorar ver esse álbum. Rir da cara da é algo que eu nunca dispenso. – Comentou com Keith, que lançou um olhar de aprovação para ele e depois sorriu para .
– Gostei dele. – Foi o que disse, rindo da careta da irmã.
Dougie viu pouco de York pela janela do carro. A viagem fora rápida, em menos de 20 minutos, Keith tinha estacionado em frente a uma típica casa inglesa. A cerca de metal era branca, um jardim pequeno decorava à frente da casa, que tinha tons de marrom. sorriu imediatamente assim que pulou para fora do carro, esquecendo-se totalmente de Poynter e seguindo porta adentro, sem nem tocar a campainha. Keith ajudou Dougie com as malas, analisando as ações do loiro longe da irmã. Poynter sorriu largo ao ouvir um grito de , rindo para si mesmo da atitude da mulher.
– Fazia um bom tempo que ela não vinha em casa. – Keith comentou, após fechar o carro. – O ex-namorado dela, a estrelinha da seleção – Fez uma careta e Dougie gostou mais do rapaz. – Só nos conheceu porque fomos até Londres para as festas de final de ano.
– Ele é um babaca. – Dougie comentou.
– É. – Keith concordou. Dougie e ele seguiram para a casa e indicando que Poynter deveria entrar, o loiro seguiu pelo hall até a sala. estava abraçada com a mãe, enquanto seu pai abraçava as duas. Dougie sorriu largo quando o olhar de encontrou o dele, sentindo-se muito mais à vontade.
, de alguma forma, trazia um sentimento de casa para Poynter. E ele gostava demais da sensação.

Capítulo 21 – Soldado abatido!

Dougie já estava de banho tomado e vestido quando ocupou o pequeno banheiro integrado ao quarto que costumava ser dela durante a infância e início da adolescência. Desejando um bom dia murmurado, a mulher ocupou a pia e prendeu os cabelos em um rabo de cavalo, enquanto Poynter utilizava o espelho para organizar os fios de cabelo que teimavam em ficar arrepiados. A típica cena de um casal usando o mesmo espelho, enquanto se preparava para passar o dia juntos. Após escovar os dentes e lavar o rosto, finalmente se inclinou até Dougie e o beijou rapidamente dos lábios, fazendo-o sorrir levemente.
– Planos para hoje? – ele indagou curioso.
– Almoço em família. – respondeu. – A tarde quero te levar em um dos meus lugares favoritos aqui em York.
– Eu já conheço os pontos turísticos mais famosos. – Dougie avisou.
– Não iríamos a nenhum mesmo. – riu. Empurrou Dougie para fora do quarto sem nenhuma cerimônia e o loiro riu. – Pega uma roupa na mala para mim, por favor.
– Abusada você hein? – Dougie retrucou, fazendo rir e dar de língua para ele.
A noite anterior havia sido muito agradável para Poynter. Os pais de tinham o costume de dormir cedo, então eles se apresentaram e conversaram um pouco, antes de eles se recolherem em seu quarto. Dougie havia sido muito bem tratado por Victor e Mariah, que parecia empolgadíssima com a ideia de seu genro estar em sua casa para conhecê-la. Keith não havia ficado para o jantar improvisado com sanduíches preparados por , mas confirmou sua presença no almoço daquele domingo, junto de sua esposa Beatrice e sua filha Annelise. fora a primeira a pegar no sono na noite anterior, visto que havia trabalhado durante o dia. Já Dougie demorou um pouco mais para dormir, mas os braços de em torno de sua cintura e a respiração calma dela contra seu peito foi eficaz na missão de finalmente adormecê-lo.
Dougie escolheu uma roupa confortável para . Jeans, camiseta e um cardigã que deveria bater na altura dos joelhos dela. A escolha dos calçados ficaria na responsabilidade dela e com sua tarefa feita, Dougie se jogou na cama e pegou seu celular. Curtiu algumas fotos no Instagram, postou um stories da parede do quarto com uma legenda engraçadinha a respeito do pôster de “De Volta para o Futuro” que a de 14 anos havia pregado e postou alguns tweets aleatórios, como já era seu costume. Respondeu uma das várias replys que questionavam sobre onde ele estava, dizendo apenas que estava em York com e então bloqueou o celular, optando por tirar um rápido cochilo. Não teve sorte, já que um instante depois, gritou para que Dougie alcançasse sua roupa e poucos minutos depois eles desceram para o primeiro andar da casa de mãos dadas. Mariah estava na sala, assistindo a um canal de culinária, enquanto uma peça de tricô estava abandonada ao seu lado no sofá. sorriu para a mãe e a beijou no rosto, enquanto Dougie a cumprimentava e desejava um bom dia.
– Deveria ter chamado a gente, mãe. – murmurou. – Perdemos a hora completamente.
– Ela perdeu a hora, Mariah. – Dougie dedurou e Mariah riu. – Eu já estava acordado há bastante tempo.
– Calado, Poynter. – sibilou, beliscando Dougie no braço. Ele fez uma careta, sendo puxado para o sofá por Mariah.
– Não ataque meu genro, ! – a mais velha ralhou, deixando um sorriso debochado tomar conta dos lábios de Dougie. estreitou os olhos para os dois.
– Ah, vocês vão se unir contra mim? – Indagou, desacreditada. Dougie fingiu não ouvi-la e então se acomodou no sofá, virando-se para Mariah.
– Keith falou alguma coisa sobre álbuns de foto. – Comentou, fazendo a mais velha sorrir largamente e bater palmas em entusiasmo.
– Ah, você vai adorar ver os álbuns da . – ela murmurou, levantando-se no mesmo instante e seguindo para fora da sala. revirou os olhos, puxando uma mecha dos cabelos de Dougie com mais força do que o necessário.
– Agressiva. – ele comentou, como de costume e não lhe deu atenção.
– Era só o que faltava a minha mãe estar apaixonada por você, Poynter. – bufou, irritada. – E trate de sumir com esse sorriso convencido da boca, ok? – retrucou, irritada. Dougie riu, puxando-a para frente e selando seus lábios em um beijo calmo. segurou os cabelos de Dougie, enquanto ele tinha uma mão em seu rosto e a outra em sua nunca, sugando a língua da mulher para dentro de sua boca de uma forma enlouquecedora. estava ficando viciada naqueles beijos.
– Se você me ajudar a sumir com ele assim, eu não reclamo. – Poynter brincou, após separar seus lábios, fazendo-a revirar os olhos novamente.
– Idiota. – resmungou. – Eu vou tomar café da manhã. Vai ficar aí? – indagou, já seguindo para a cozinha.
– Você poderia ser uma namorada excelente e trazer algo para mim, não é? – Dougie comentou, como se estivesse falando do clima.
– Você é abusado demais. – replicou e Dougie teve certeza que ela prepararia alguma coisa para ele. Sorriu largamente e lançou um olhar animado para os três álbuns de foto que Mariah trazia nos braços ao retornar à sala.

gostava muito de usar minhas roupas. – Mariah comentou, apontando a foto de uma pequena usando um vestido grande demais para ela e sapatos de salto. Dougie riu, enquanto a própria enfiou o rosto contra as mãos, fazendo Victor sorrir e acariciar os cabelos da filha.
Dougie e Mariah estavam no sofá de dois lugares, ocupados vendo o segundo álbum de fotos. Para a infelicidade de , ainda havia mais um e ela tinha certeza de que aquele seria o pior, pois eram os registros do início de sua adolescência. E não se orgulhava do visual emo que ela adotara entre seus 12 e 14 anos. Ela estava sentada no chão, escorada nas pernas de seu pai, que ocupava a poltrona. Mariah havia comentado com Dougie que sempre fora a “garotinha do papai”, já que ambos eram muito ligados e companheiros. retrucou que Keith era o “filhinho da mamãe” enquanto Mariah estava na cozinha e Dougie gargalhou ao notar o ciúme explícito na voz da mulher.
– Ela desfilava pela vizinhança usando meus vestidos. – Mariah disse, sorrindo de forma carinhosa para a filha.
– Enquanto entregava biscoitos para os vizinhos. – Victor riu.
– Então ela sempre gostou de cozinhar? – Dougie indagou, lançando um olhar de esguelha para .
– Sim, sempre! Fazia doces toda semana para levar para a professora na escola, distribuía para os vizinhos… – Mariah disse.
– Alasca adorava! – Victor comentou e riu baixo, parecendo perdida em memórias. Dougie franziu o cenho, confuso quanto a identidade da pessoa que Victor havia mencionado.
– Falando em comida, onde está o meu ajudante? – indagou, checando as horas no relógio da sala. – Se Keith demorar mais, o almoço vai atrasar. – reclamou.
– Annelise tem muito em comum com você, querida. Ela odeia acordar cedo. – Victor comentou, fazendo sorrir.
– Estou morta de saudades daquela menina! – ela exclamou. Colocou-se em pé e então puxou Dougie pela mão. – Você vai substituir Keith. Acredite, ver o terceiro álbum com ele aqui vai ser muito mais divertido para ambos. – murmurou, com uma careta de desgosto.
– Precisa de alguma coisa do mercado, querida? – Victor indagou, antes que eles sumissem para a cozinha.
– Mais queijo, sem dúvidas. – sorriu.
– Ah, lasanha! – Mariah bateu palmas, animada. – Voltamos logo! – ela exclamou, fazendo assentir e arrastar Dougie para a cozinha.
– Então chefe, como vai ser? – Dougie indagou, enquanto pescava todos os ingredientes necessários na geladeira.
– Eu digo o que você precisa fazer e você faz. – disse, como se fosse óbvio. Prendeu os cabelos em um coque após depositar os ingredientes no balcão.
– Você é muito mandona. – Dougie reclamou.
– Uhum. – estalou os lábios, sem dar importância às reclamações de Poynter, que a abraçou pelas costas e beijou a nuca da mulher algumas vezes, causando arrepios nela.
– Não me distraia Poynter. – retrucou, batendo nos braços dele e o obrigando a soltá-la. Dougie revirou os olhos, logo recebendo sua primeira tarefa: cortar os temperos.
– Você sabe mesmo estragar o clima. – retrucou, de cara feia. riu, se inclinando para ele e o beijando rapidamente nos lábios.
– Melhor? – ela arqueou as sobrancelhas, parecendo se divertir.
– Mais ou menos. – Dougie deu de ombros, apenas para implicar e ela sorriu.

Keith chegou quase meia hora mais tarde, junto dos pais de e as compras no mercado. já tinha o recheio pronto e a massa da lasanha pré-cozida e foi necessária apenas a tarefa de montar a lasanha, coisa a qual Dougie e Keith foram incumbidos de fazer, enquanto a mulher conversava com Beatrice – a quem Dougie fora apresentado por Keith, já que estava totalmente ocupada em dar atenção a pequena Annelise.
– Não deixe comprar presentes para Anne na The Shambles. – Keith murmurou para Dougie, após colocarem a lasanha no forno. O moreno abriu a geladeira e pegou duas cervejas, oferecendo uma a Dougie, que recusou com um aceno de cabeça.
– Eu não bebo álcool. – Poynter explicou. – Mas prometo tentar não deixar comprar nada. Mas já aviso, vai ser difícil. – Dougie riu. Estava escorado no balcão e Keith se acomodou na banqueta. – Ela normalmente não dá a mínima para o que eu falo.
Keith gargalhou. – Ela nunca deu a mínima para a opinião dos outros. – comentou. – Nem quando era pirralha. sempre foi muito decidida. Arrumou muita encrenca na escola.
– Consigo imaginar claramente. – Dougie riu novamente.
– Ela sempre compra muita coisa para Anne. Beatrice e eu precisamos fazer uma limpa nos brinquedos a cada visita dela. – Keith falou. – gosta muito de crianças e acaba exagerando.
– Ah, eu sei. – Dougie concordou. – E as crianças a adoram. Os filhos de nossos amigos tem uma clara preferência por ela.
– Annelise também. – Keith fez uma careta. Beatrice entrou na cozinha, seguida de e Annelise, que brincava com os fios de cabelo da tia.
– Cadê a lasanha? – franziu o cenho, olhando de Dougie para Keith, esperando uma resposta.
– No forno. – Keith respondeu. Abraçou Beatrice pelos ombros e a mulher sorriu para ele. – Annelise já te trocou?
– O que você acha? – a ruiva revirou os olhos. – tem algum imã, não é possível. – comentou, fazendo todos rirem, até mesmo a pequena Annelise, que abraçou pelo pescoço com mais vontade.
– Boa sorte ao tentar recuperar sua namorada. – Keith falou para Dougie e o loiro deu de ombros.
– Não tem como competir com essa garotinha linda. – ele sorriu para Anne, que o encarou de forma analítica, antes de devolver o sorriso.
– Ela decidiu que gosta de você. – Beatrice comentou com Dougie.
– Tia, quem é ele? – Anne indagou para , apontando para Poynter.
– Esse é o Dougie, o namorado da tia . – a mulher respondeu, sorrindo de lado. – Ele é meio idiota, mas se você fizer aquela carinha fofa, ele te compra um presente lindo amanhã! – murmurou, baixando o tom de voz, mas não o suficiente para que apenas Annelise ouvisse.
– Resista Dougie! – Keith falou, fazendo Beatrice rir. Mas já era tarde demais. Annelise sorriu largamente para Dougie, mostrando todos seus pequenos dentinhos e as duas covinhas, uma em cada bochecha. Piscou os longos cílios lentamente e esticou os braços para Poynter, que soltou um suspiro baixo e segurou a menina em seus braços.
– Perdemos um soldado. – Beatrice disse, estalando os lábios em seguida. gargalhou, se aproximando de Dougie para cochichar no ouvido dele.
– Só faltava você conquistar a Anne. Agora todos estão encantados por você.
– Todos? – Dougie indagou, arqueando as sobrancelhas para . Ela deu de ombros, sem responder à pergunta dele.
Dougie a encarou brevemente com um sorriso nos lábios, enquanto Anne comentava sobre os tipos de brinquedos que eram seus favoritos, fornecendo as opções necessárias para ganhar um presente de seu agrado. estalou um beijo na bochecha de Dougie e se afastou, seguindo para perto do forno no instante seguinte.

jogou uma almofada em Keith, fazendo Dougie rir mais alto do que já estava rindo. A mulher estava sentada entre suas pernas, com o terceiro e famoso álbum de fotos em mãos. Ambos sentados no chão, enquanto Keith e Beatrice ocupavam o sofá de dois lugares. Mariah e Victor haviam levado Annelise até a praça localizada ao final da rua em que moravam, visto que o açúcar contido na mousse de chocolate que preparou para a sobremesa deixou a garotinha extremamente alerta e agitada.
– Então você foi emo? – Dougie indagou, a diversão estampada em seus olhos. bufou, fazendo menção de fechar o álbum de fotos e tendo o objeto arrancado de suas mãos por Keith.
– Emo demais! – Keith exclamou, virando a página e mostrando mais uma foto para Poynter. Na fotografia usava um vestido preto que mais parecia uma camiseta masculina, meia calça arrastão e um all star surrado. Os olhos estavam pintados de preto e a franja escondia metade de seu rosto. Ela tinha os lábios arqueados, em uma espécie de sorriso, enquanto um pequeno Keith vestido de Marty McFly sorria ao lado dela. – Essa foi no Halloween. tinha 12 anos e eu 10.
– Você parecia aquelas crianças de filme de terror. – Dougie comentou, recebendo um beliscão de .
– Você vai me pagar em Essex, Poynter, guarde minhas palavras! – ela grunhiu, irritada. Poynter a beijou no rosto, o que apenas a irritou mais ainda.
– Ninguém pode te acusar de não ter atitude. – Beatrice disse para a cunhada.
– Atitude das trevas. – Keith riu. – Ela ouvia Blink 182 no volume máximo. Depois vieram My Chemical Romance, Fall Out Boy… – o moreno fez uma careta e Dougie riu. – e Alasca se trancavam no quarto e ouviam esses caras a tarde toda.
– Quem é Alasca? – Dougie indagou curioso. Eram bem a terceira ou quarta vez que ele ouvia alguém mencionar aquele nome e estava realmente curioso a respeito de quem poderia ser essa pessoa que fizera parte da vida de de forma tão presente.
– Você não contou para ele? – Keith arqueou as sobrancelhas para , em confusão. A mulher deu de ombros.
– Nem lembrei. – respondeu. Encarou Dougie e mordeu o lábio inferior, sem saber como contar aquilo para ele. – Alasca era… uma amiga. – disse por fim, suspirando ao final da frase.
– Uma amiga muito próxima. – Keith debochou e Beatrice deu um tapa no ombro do moreno. Dougie franziu o cenho para , esperando uma resposta mais clara.
– Nós meio que namoramos por um tempo. – explicou. – Antes de eu decidir ir para Londres.
– Hm. – Dougie murmurou. Coçou a nuca, encarando um ponto além da cabeça de por alguns instantes. ser bissexual não era algo realmente surpreendente para Poynter. Na verdade, parecia até meio óbvio, se ele parasse para pensar com clareza. – Faz sentido. – disse por fim.
– Nada de “como assim você era lésbica, ?” Ou “você estava confusa ou o que?” – indagou, com um sorriso de canto querendo aparecer em seu rosto. Dougie deu de ombros.
– Eu sei o que é bissexualidade, , não sou idiota. – Poynter retrucou. – E de qualquer forma, não me surpreende que você seja.
– Temos aqui nosso candidato. – Keith exclamou. Beatrice concordara veementemente com a cabeça. Dougie e encararam o casal com os cenhos franzidos e expressões confusas.
– Candidato do que? – indagou.
– A nosso cunhado vitalício. – Beatrice explicou. Dougie riu baixinho, lançando um olhar de esguelha para , que tinha as bochechas coradas levemente.

Dougie estava na cozinha, preparando alguns sanduíches – tudo de acordo com as instruções deixadas por – enquanto a mulher tomava banho. Haviam passado a tarde toda na companhia da família , seus álbuns de fotos e vídeos caseiros e também, o show de dança da pequena Annelise, que afirmava que seria bailarina. Dougie, assim como qualquer outra pessoa, estava encantado pela menina e entendia perfeitamente o porquê de estar sempre agarrada à garotinha. Poynter fechou o último sanduíche, dando-se por satisfeito com seu trabalho. já havia feito um suco de morango com abacaxi e Dougie precisava apenas servir a bebida nos copos para que ele e jantassem.
A entrada de Victor na cozinha distraiu Dougie de seus pensamentos e ele logo lançou um sorriso para o homem. era uma cópia perfeita de Victor e Mariah. Os cabelos escuros da mãe e os olhos e os traços faciais do pai. Até mesmo Keith parecia com ambos, mesmo que geneticamente ele tivesse outros genitores. Victor abriu a geladeira e tirou uma jarra de água de lá, enchendo um copo para si e bebendo alguns goles antes de pigarrear levemente. Uh, Dougie pensou. Lá vinha a conversa constrangedora entre o genro e o sogro que se conheciam pela primeira vez.
pediu para você levar os sanduíches para o quarto. – Victor comentou. – Ela está com preguiça de descer para comer. Pelo visto brincar de aviãozinho com Anne a deixou dolorida. – o homem riu e Poynter o acompanhou.
– Eu avisei que ela deveria comer antes de tomar banho. – Dougie murmurou. – Vou preparar um prato e levar para ela. – avisou, já pegando dois copos e servindo o suco.
– Dougie, antes de subir, queria conversar com você. – Victor falou. Poynter assentiu e abandonou a tarefa, se virando para Victor e esperando que o homem tomasse a palavra.
– Sim?
– Ah, juro que não vou seguir o protocolo e perguntar sobre suas intenções com a minha filha. – Victor riu. – Conheço o suficiente para confiar nas escolhas que ela faz para si mesma. – falou e Dougie assentiu com a cabeça. – Mas eu estou com algumas dúvidas.
– Se eu puder lhe responder, o farei com prazer. – Dougie afirmou.
– Eu sei que você e não se davam bem. – Victor comentou, fazendo Dougie engolir em seco. – Keith ficou bastante surpreso quando soube que vocês estavam juntos e comentou que não te suportava, mas que ele acreditava que vocês tivessem feito as pazes. – o homem encarou Dougie com convicção. – Mas eu conheço a minha filha. Ela enrolou tempo demais para contar para nós e só o fez porque Keith ficou sabendo pela internet. E nunca escondeu qualquer relacionamento da família. Então Dougie, porque ela tentou esconder você?
– É uma pergunta complicada, Victor. – Dougie suspirou. – As coisas começaram complicadas para nós. – disse, optando por meias verdades.
– E ainda estão complicadas?
– Não exatamente. As coisas estão desenrolando e indo para seus lugares. – Poynter respondeu.
– Tudo bem. Vocês são adultos, sabem o que fazem. Ou pelo menos, deveriam saber. – Victor riu. – Mas posso ver que vocês se gostam e que está bem e feliz. E isso para mim basta. – sorriu, largando o copo na pia e saindo da cozinha. Dougie passou a mão pelos cabelos, suspirando alto em seguida.
– Caralho. – sussurrou para si mesmo, antes de colocar alguns sanduíches em um prato e pegas os dois copos de suco. Desejou um boa noite para Mariah e Victor quando passou pela sala e encontrou jogada na cama, com o celular em mãos. A música do Candy Crush soava no quarto e a mulher abriu um sorriso para Dougie quando ele fechou a porta às suas costas.
– Eu já estava achando que ia ter que descer. – ela murmurou, apenas para implicar. – Demorou hein?
– Seu pai queria conversar comigo. – Dougie explicou. sentou-se na cama, alarmada, e após Poynter colocar o prato e os copos na mesa de cabeceira, ela o puxou para a cama.
– O que ele queria? – indagou ansiosa.
– Tirar algumas dúvidas. – Dougie deu de ombros. – Mas não se preocupe, eu não dei bandeira. – garantiu. estalou os lábios, descrente.
– Sei. – debochou.
– Me respeita ! – o loiro exclamou, usando a frase que já era típica de contra ela. A mulher gargalhou, revirando os olhos em seguida.
– Idiota. – xingou.
– Ingrata é pouco para o que você é. – Dougie acusou. – Eu faço sanduíches, trago para você, salvo seu pescoço e você me trata assim mulher? – a encarou com os olhos em fendas. riu, puxando Dougie para perto de si e o abraçando pelo pescoço. Beijou-o no rosto diversas vezes, apenas para fazê-lo rir e desmanchar a cara feia. – Além de tudo é manipuladora.
– Eu arrumei um namorado reclamão, credo. – comentou, dando de língua para Poynter.
– Esqueceu a parte do “sensacional”. – Dougie piscou para ela, com um sorriso torto.
– Banho, Poynter. – o empurrou. – Eu guardo um sanduíche para você. – garantiu e Dougie riu alto, se afastando da cama e seguindo para o banheiro.
– Quero pelo menos dois.
– Está pedindo demais. – atirou um beijo para ele antes de Dougie fechar a porta do banheiro.

Capítulo 22 – Quem é você Alasca?

atirou uma batata frita em Dougie, recebendo uma careta nada simpática em retorno. Ela sorriu, piscando os cílios lentamente na direção dele e Poynter revirou os olhos.
– Essa tática só funciona com a Annelise. – ele sinalizou. fez um bico com os lábios, deixando os ombros caírem em um desânimo exagerado.
– Péssimo namorado. – retrucou.
– Manipuladora. – Dougie acusou.
– Eu faço o que posso. – riu. – Anda logo Poynter, você demora demais para comer!
– Não posso nem almoçar em paz. – Dougie reclamou. Empurrou seu pacote de batatas para , fazendo-a sorrir largo. – Come as batatinhas em silêncio e me deixa aproveitar o hambúrguer, pode ser?
– Você é um amor! – exclamou, o beijando no rosto e focando sua atenção nas batatas fritas em seguida. Dougie riu, mordendo seu hambúrguer novamente.
Estavam os dois lanchando no McDonald’s antes de irem fazer o passeio de barco pelo Rio Ouse. ainda planejava guiar Dougie em um passeio pela Skeldergate Bridge e pelas Muralhas de York antes de finalmente visitarem a The Shambles, o local de compras mais famoso da cidade. comentara que a rua se assemelhava muito ao Beco Diagonal da saga Harry Potter e isso animou Dougie consideravelmente para bancar o turista por um dia. Haviam dormido até tarde naquela segunda-feira, visto que tanto Victor como Mariah tinham seus compromissos durante o dia e não estavam em casa para obrigá-los a acordar cedo. Dougie sabia que ambos eram professores universitários da área de humanas, assim como Keith havia seguido o caminho dos pais e dava aulas de História em uma escola pública. era a única que havia seguido uma carreira diferente. Não que isso fosse alguma vergonha para os , muito pelo contrário. Todos apoiavam a mulher em todos seus projetos.
– Feliz? – Dougie indagou, após finalizar seu hambúrguer e perceber que havia comido todas as batatas.
– Um milkshake cairia muito bem, para ser sincera. – ela murmurou, fazendo Dougie rir e sacudir a cabeça em negação. Juntaram a bagunça da mesa e deixaram a bandeja no local indicado, antes de Dougie ser arrastado para o balcão e fazer um novo pedido. Cerca de 20 minutos mais tarde, estavam os dois andando em direção a Skeldergate Bridge, seguindo a orla do Rio Ouse. Toda a área era muito arborizada e dava um charme especial para a cidade, que já era extremamente bonita graças a seus monumentos históricos. Perto de York, Essex era quase uma fazenda, na opinião de Dougie. Ele e não teriam muito que fazer em sua cidade Natal. Durante a caminhada, Poynter abraçava pelos ombros, enquanto ela se divertia com o milkshake de chocolate.
– Então, quantos dos seus ex eu vou encontrar por aqui? – Dougie indagou, o deboche explícito em seu tom de voz. arqueou as sobrancelhas para ele, em desafio.
– Porque isso é relevante, Poynter? Ciúmes? – ela riu.
– Bem que você queria. – Dougie revirou os olhos. – Só para eu ter noção e ficar preparado. – deu de ombros.
– Você mente muito mal. – debochou e ele beliscou seu ombro. – Mas não vai lidar com muitos. Na verdade, apenas dois. Alasca e George. – contou, de forma simples.
– Alasca foi seu último namoro aqui? – Dougie indagou curioso. sugou o milkshake e assentiu com a cabeça, deixando o olhar de Poynter preso nos lábios dela por alguns segundos. Ele estava ficando realmente viciado em beijar aquela mulher.
– Uhum. – ela estalou os lábios. – Na verdade, durou um pouquinho mais. Mas não aguentamos um mês após eu mudar para Londres. – sorriu triste. – E George foi antes dela. Na verdade, foi por causa dele que nós acabamos juntas.
– Como assim? – o loiro franziu o cenho.
– Ele me traiu, o babaca. – xingou. – Alasca era minha melhor amiga e bom… O resto você deve imaginar. – riu.
– Então você teve um relacionamento bom? – Dougie indagou, fingindo surpresa.
– Pois é! – concordou. – Mas foi com uma mulher e mulheres são maravilhosas. – ela suspirou sonhadora.
– Eu vou fingir que não senti a alfinetada. – Poynter murmurou, levantando a cabeça e fingindo ignorar a existência de . Ela riu, se inclinando para ele e o beijando no rosto.
– Você é manhoso assim mesmo? Ou está me testando? – indagou curiosa.
– Você nunca saberá. – Dougie respondeu, fazendo-a revirar os olhos.
Pararam na bilhetagem e compraram dois ingressos para o passeio de barco. Tinham cerca de 30 minutos até o barco partir e logo arrastou Dougie para a ponte, entregando seu celular para ele e pedindo uma foto dela com York ao fundo. Dougie tirou uma dezena de fotos, com as mais variadas poses de e ela o agradeceu com um beijo nos lábios.
– Que tal uma foto de casal? – ela sugeriu, já virando a câmera frontal na direção deles.
– Você está pedindo ou ordenando? – Poynter indagou, divertido.
– Uma meia sugestão. – deu de ombros. Dougie riu, puxando-a para perto e a abraçando pelas costas. Entrelaçou seus dedos em frente a barriga da mulher e pousou o queixo no topo da cabeça dela. sorriu e cutucou Dougie com o cotovelo para que ele também sorrisse. Bateu a foto apenas quando ele abriu o sorriso largo que quase fazia seus olhos sumirem, o qual ela adorava. sorriu satisfeita e levou quase 5 minutos editando a foto, com a cabeça escorada no ombro de Dougie, confortável demais nos braços dele. Postou a foto com a legenda “ele veio conhecer York comigo” e então guardou o aparelho no bolso do jeans, virando-se de frente para Poynter e devolvendo o abraço.
– Posso perguntar uma coisa? – Dougie indagou receoso. encostou o queixo no peito dele e o fitou sob os cílios, assentindo com a cabeça.
– Por favor.
– Você posta fotos nossas nas redes sociais por causa do plano? – questionou, encarando-a com intensidade. Dougie não conseguia tirar aquele pensamento da cabeça e já fazia algum tempo. Preocupava-se em estar mais presente na tentativa daquele relacionamento do que e precisava tirar a dúvida de uma vez por todas. sorriu de lado, sacudindo a cabeça para os lados, em negação.
– Não, Dougie. – ela murmurou. – E já faz um tempo.
– Quanto? – Dougie franziu o cenho.
– Desde que você voltou de turnê, talvez. – confessou. – Mas era mais pela companhia, sabe? Me acostumei com você. E eu compartilho as coisas boas da minha vida. – deu de ombros. Dougie sorriu largo, subindo a mão esquerda que repousava na cintura de para a nuca dela e aproximando seus rostos.
– Então sou uma coisa boa na sua vida? – o loiro indagou, os lábios quase encostando aos de . Ela suspirou fraco.
– Quando está quieto. – retrucou. Já tinha os braços em torno do pescoço do homem e brincava com os fios de cabelo dele.
– Assim? – Dougie sugou o lábio inferior da mulher e mordeu-o levemente, selando seus lábios algumas vezes, sem aprofundar o beijo.
– Exatamente assim. – assentiu, acabando com a distância e beijando Dougie de uma vez por todas. Ambos gemeram baixinho quando suas línguas entraram em contato e logo Dougie apertou seu abraço na cintura de , enquanto ela arranhava a nuca dele e puxava os fios de seu cabelo vez ou outra.

O passeio de barco havia durado quase 50 minutos. Durante todo o tempo, Dougie prestara atenção nos comentários de a respeito do discurso turístico do barqueiro. Ele apontava os locais históricos e comentava sobre algum momento que vivera no determinado local durante a infância. Keith e Alasca sempre estavam em suas lembranças e Dougie já se sentia muito próximo de ambos, mesmo conhecendo apenas Keith. falava com tanto carinho dos dois que era impossível não se encantar pelas palavras dela. Acabaram comprando mais um milkshake antes de arrastar Dougie para as Muralhas de York, não sem passar pela Lendal Bridge – a ponte mais importante de York, a qual Dougie registrou algumas fotos em seu stories do Instagram. E mesmo reclamando, Dougie não se arrependeu de caminhar por quase 1 hora. A visão que as Muralhas davam da cidade era realmente magnífica e Poynter estava mais apaixonado por York do que nas outras vezes que visitara a cidade. tinha muita influência naquilo e Dougie não podia negar. Acabaram saindo novamente perto da Skeldergate Bridge e seguiram para a Shambles Street. Já eram quase 5 da tarde quando eles finalmente colocaram os pés na rua e Dougie soltou um assobio, que arrancou uma risada de .
– Eu disse que era legal. – contou vantagem. Entrelaçou seus dedos aos de Dougie e o puxou para a loja mais próxima.
– Estou encarregado de não deixar você comprar presentes demais para Anne. – Dougie comentou ao visualizar o nome da loja. Era um estabelecimento especializado em brinquedos infantis e eram claras as intenções de ao escolher aquela loja.
– Nem você acredita que pode me controlar, Poynter. – ela retrucou, já procurando uma Barbie na prateleira principal da loja. Dougie a abraçou pelas costas, deixando um beijinho na curva do pescoço da mulher.
– Bom, eu poderia tentar. – Dougie comentou.
– Ia falhar miseravelmente. – riu, não dando o braço a torcer, mesmo que Poynter estivesse ciente dos pelos arrepiados em sua nuca.
– Acho que você não tem tanta certeza disso. – ele apertou a cintura dela e então se afastou, pegando um ursinho de pelúcia e estendendo para . – Anne disse que faltava um ursinho na prateleira dela.
o encarou com as sobrancelhas arqueadas, antes de pigarrear e pegar o urso com a mão direita. – Se você diz.
Passearam por mais uma porção de lojas, onde comprou uma diversidade absurda de coisas. Tinham lembrancinhas para sua família, para os amigos em Londres e ela até mesmo comprou algo para Jazzie e Sam, mesmo que ainda não tivesse conhecido a mãe de Poynter. O casal andava pelas ruas de mãos dadas, carregando sacolas nas mãos livros. Conversavam sobre tudo e nada, enquanto enchia Dougie de momentos sobre sua infância. E a cada momento, o loiro parecia mais e mais encantado por . Sua personalidade forte era invejável, mesmo quando ela ainda era uma criança. Poynter duvidava que teria aberto tanto de sua vida para ele caso eles não tivessem estabelecido uma quase relação de verdade. Quando a noite caiu, eles pediram um Uber e voltaram para a casa dos pais da mulher. Um carro estava estacionado em frente à residência e Dougie logo arqueou as sobrancelhas.
– Você tem mais parentes por aqui? – ele indagou curioso. negou.
– Pode ser o carro de Beatrice. – deu de ombros, puxando Poynter para dentro da casa.
– Mas você gosta de me puxar, hein?
– Quase tanto quanto de te beijar. – retrucou, fazendo Poynter rir alto. Entraram na casa e avisou de sua presença com um grito, não surpreendendo Dougie em nada. Ela fazia isso na casa dele, então já estava acostumado.
– Estamos na cozinha querida! – Mariah gritou de volta, deixando bem claro sobre os genes de quem havia puxado.
Largaram as sacolas no sofá da sala e seguiram para a cozinha, encontrando Mariah cortando alguns legumes na bancada, Victor sentado em uma das banquetas e uma mulher parada ao lado de Mariah, com uma garrafinha de suco em mãos e um sorriso largo no rosto quando olhou para . Era alta e magra, os cabelos tinham um tom de loiro rosado e ela tinha um piercing no septo. Usava roupas comuns, mas que por algum motivo, nela pareciam extremamente estilosas.
– Alasca? – murmurou, parecendo chocada. Soltou a mão de Dougie e se aproximou da mulher, abraçando-a com força.
– Eu senti sua falta! – Alasca comentou, retribuindo o abraço. Dougie, parado perto do portal de entrada da cozinha, franziu o cenho e trocou o peso do corpo para a perna esquerda. Estava claramente desconfortável e percebendo os ânimos do rapaz, Victor resolveu intervir.
– Comentamos com Alasca sobre sua visita. – Victor comentou, chamando a atenção de , que se soltou do abraço com a loira e encarou o pai. – Ela está trabalhando na pesquisa comigo.
– Oh, jura? – indagou, voltando a sorrir para Alasca. – Que legal! Fico feliz que tenha conseguido seguir a carreira que sempre quis. – acariciou o ombro da outra, recebendo um sorriso como resposta. Dougie pigarreou, claramente incomodado. Victor suprimiu uma risada e escondeu o riso atrás da caneca onde seu chá gelado estava e Mariah sorriu para Poynter de forma amigável. o encarou com a culpa explícita no olhar e Alasca arqueou as sobrancelhas para ele.
– Alasca, esse é…
– Dougie Poynter, eu sei. – a outra completou, não deixando terminar a apresentação. Aproximou-se de Poynter e estendeu a mão em cumprimento.
– Oi. – Dougie forçou um sorriso simpático, retribuindo o cumprimento da mulher.
– Pelo visto você sabe quem eu sou. – Alasca comentou. – Isso é bom. O outro não sabia. – ela riu, olhando para com divertimento.
– Dougie é diferente. – a morena respondeu simplesmente.
– Eu confio no julgamento dela. – Alasca comentou, voltando a encarar Dougie. – Mas esteja avisado que se quebrar o coraçãozinho dela, nós teremos assuntos pendentes. – sorriu sem mostrar os dentes, voltando para o lado de Mariah e ajudando a mais velha a preparar o jantar. riu, antes de inventar uma desculpa qualquer e puxar Dougie para o segundo andar, levando as sacolas junto de si. Assim que ela fechou a porta às suas costas, se aproximou de Poynter e segurou as mãos dele.
– Desculpe, eu fiquei totalmente surpresa. – justificou-se e Dougie deu de ombros.
– Tudo bem. – ele disse, mas não estava tudo bem. Ele não queria admitir, mas um ramo de ciúmes havia crescido em seu peito e ele não sabia a proporção de crescimento que aquele raminho teria. Poderia se tornar uma mudinha inofensiva ou uma árvore gigantesca.
– Juro que não vou te deixar de lado. – murmurou, mas tanto ela como Dougie sabiam que ela estava mentindo. Dougie assentiu, fingindo que acreditava e selou seus lábios rapidamente.
O restante da noite não foi tão agradável quanto Dougie gostaria. Ele não tinha nada contra Alasca. A mulher era bastante simpática e extrovertida e distraia todos com suas histórias malucas. O problema de Poynter era o ciúme, sentimento que ela só admitiu para si mesmo estar existindo na terceira vez que abraçou Alasca sem nenhum motivo aparente. E o problema morava ali: não havia nada entre elas fora uma amizade incrível e um carinho gigante. Elas haviam convivido por muitos anos, tinha companheirismo e empatia naquela relação… E por mais que Dougie soubesse que ele e tinham uma coisa legal, ele não conseguia evitar as comparações. Afinal de contas, ele não conhecia como Alasca conhecia. Ele não convivera com o tanto que Alasca convivera. Ele não conhecia a família e a infância da mulher, como a outra conhecia. Ele não tinha ciúmes de Alasca. Estava na cara que o que elas tiveram estava enterrado no passado. Poynter tinha ciúmes porque ele queria ter aquela mesma conexão com . Queria nunca ter entrado naquele acordo de relacionamento falso, porque agora que eles tinham alguma coisa de verdade, Dougie não sabia com exatidão se seus momentos juntos eram parte do plano ou eram espontâneos.
E aquilo o estava matando. Porque ele era inseguro quanto a relacionamentos. A vida o havia ensinado lições valiosas, mas também o estragara completamente. Ele tinha problemas de confiança. Tinha problemas para se deixar entregar a um relacionamento. Tinha uma cabeça ferrada e um coração fechado a sete chaves. Era inseguro demais, mesmo que ele conseguisse fingir muito bem ao contrário. E por conta disso, ele passou toda a noite tenso. Ria quando necessário, fazia comentários e puxava assuntos com Victor vez ou outra. Mas suas mãos suavam a cada vez que e Alasca relembravam algum momento que haviam passado juntas. Engolia em seco a cada gesto ou palavra carinhosa entre elas. Remexia-se incomodado a cada sorriso cúmplice que elas trocavam. Para ele foi um alívio quando Alasca finalmente se despediu e ele e ficaram sozinhos na cozinha, visto que Victor e Mariah haviam ido dormir antes mesmo de Alasca ir embora. Dougie lavava a louça e secava e guardava. Um silêncio incômodo e anormal prevalecia entre eles e como usual, foi a primeira a quebrá-lo.
– Tudo bem, o que foi? – ela indagou, abandonando o pano em cima do balcão, pousando as mãos uma em cada lado da cintura e focando os olhos analíticos em cima de Dougie.
– Sobre o que? – ele indagou, fingindo confusão.
– Ah, não se faça de idiota. – bufou. – Você passou a noite toda amuado, mais rígido que o mármore do balcão. Foi a Alasca?
– Não, é claro que não. – Dougie revirou os olhos. Era óbvio que ele não iria admitir suas inseguranças para . Não tão cedo e não sem saber se ela sentia alguma coisa fora a atração que já haviam confessado. Se ele sabia que era muito mais fácil perguntar? Sim, ele sabia. Mas não iria fazê-lo. Não iria abrir seus sentimentos tão facilmente, até porque, nem ele mesmo sabia o que sentia exatamente.
– Então o que foi? – ela insistiu, não se dando por vencida. Dougie sabia que não iria desistir até conseguir a resposta que queria. E por todas as divindades, ele teria que dar um jeito de escapar daquilo.
– Nada . – negou novamente, sem saber como dar fim naquele assunto.
– Isso é ciúme Poynter? – indagou, meio descrente. Um projeto de sorriso brincava em seus lábios e ela parecia estar se divertindo.
Quase agradecendo aos céus, Dougie fingiu a expressão mais ultrajante que conseguiu colocar em seu rosto. Se havia interpretado aquilo como um ciúme bobo qualquer, não seria ele a plantar a dúvida na cabeça dela sobre os reais motivos pelo qual ele passou a noite desconfortável. – Claro que não! – exclamou.
– É ciúme sim! – riu, soltando uma gargalhada alta e usando as mãos para conter os risos escandalosos.
– Você está maluca. – Dougie sacudiu a cabeça para os lados, rindo pelo nariz em seguida.
– Dougie está com ciúmes, Dougie está com ciúmes… – cantarolou, apenas para irritá-lo. E por mais satisfeito que estivesse por ter desviado do assunto verdadeiro, Dougie lançara um olhar nada simpático para a mulher. Terminou a louça e usou o pano que deixara em cima do balão para secar as mãos.
– Eu não estou com ciúmes, . – retrucou, quase em um grunhido. Virou-se para e a encarou com convicção. – Não tenho porque ter ciúmes.
– Uh, não tem é? – arqueou as sobrancelhas para ele, debochando. – Nem mesmo pela minha ex namorada e único relacionamento bom que eu tive?
– Nem por ela. – Dougie disse, sem se abalar.
– Pois eu acho que está mentindo. – retrucou, em pura teimosia.
– Não estou. Não tenho mesmo porque sentir ciúmes e o motivo é você.
– Eu? – riu. – Não deveria ser ao contrário?
– E seria. – Dougie deu de ombros. – Mas você fica toda arrepiada e derretida quando eu te toco. Não preciso ter ciúmes. – ele sorriu convencido e estalou os lábios para ele.
– O melhor mentiroso é aquele que acredita nas próprias mentiras. – replicou, sem desviar o olhar do de Dougie.
– É por isso que você mente tão bem então? – Dougie retrucou.
– Me respeita Douglas. – a mulher bufou, socando o ombro dele, os olhos em fendas.
– Vai dizer que eu estou mentindo? – ele indagou, com divertimento. Deu um passo em direção a e puxou-a pela cintura em sua direção, chocando seus corpos. arfou em surpresa quando Dougie a segurou com mais força e colocou-a sentada no balcão. Ele encaixou-se entre suas pernas e a olhou nos olhos antes de murmurar: – Vai negar que está louca para que eu te beije? – aproximou seus rostos, roçando seus lábios aos da mulher, sentindo a respiração descompassada dela contra sua pele. – Vai negar ?
– Você é um idiota. – foi o que ela respondeu.
– Idiota? Talvez. – ele sorriu, selando seus lábios rapidamente. – Mas você está louca por mim. – deu de ombros, convencido. levou apenas dois segundos para finalmente assentir em concordância e envolver o pescoço de Dougie com seus braços, arranhando a nuca dele levemente e fazendo-o soltar um suspiro satisfeito.
– Você acredita mesmo que é o único que sabe jogar, Poynter? – riu, em puro deboche. Dougie franziu o cenho em confusão e o sorriso da mulher se alargou. – Se você quer brincar, nós vamos brincar. – ela decidiu. Empurrou o loiro pelo peito e pulou do balcão, sem desviar o olhar de Dougie. – Mas acredite, eu não entre em uma disputa para perder.
– Eu também não. – Dougie sorriu largo.
– Ótimo, assim vai ser mais divertido. – estalou os lábios e antes de sair da cozinha, beijou Dougie lentamente, sem envolver a língua no ato, apenas para provocá-lo. – Estarei te esperando para dormir. – sorriu inocentemente para Poynter, que sacudiu a cabeça para os lados e riu, passando a mão pelos cabelos em seguida.
Maldita hora em que ele resolveu brincar com aquela mulher. Dougie sabia que perderia, sem nenhuma dúvida. Mas ele realmente não se importava. Terminou a louça rapidamente e subiu para o quarto. Ele tinha certeza que ela não iria dormir de calça de moletom e camiseta naquela noite e ele precisaria de muito autocontrole para não ceder tão rápido.

Capítulo 23 – Convite para o chá da noite

Dougie acordou naquela terça-feira por conta do Sol em seus olhos. Havia esquecido de fechar a cortina do quarto e a claridade batia diretamente em seu rosto. Ele suspirou, nada contente por ter tido seu sono interrompido, virou-se para o lado e encontrou ainda adormecida. Por algum milagre, ela não estava o abraçando, como costumava fazer. Ela estava de bruços, um dos braços segurando uma almofada e o outro jogado ao seu lado. A camiseta que ela usava era dele, o que deixava as pernas da mulher completamente a mostra. Se ele se esforçasse, conseguiria ver a calcinha dela, que não estava exatamente coberta pela roupa. Dougie sacudiu a cabeça para os lados, evitando que aqueles pensamentos tomassem sua mente por completo.
A noite passada havia sido um divisor de águas entre eles. Eles foram, em poucos minutos, do “vamos com calma” para “vou te provocar até você ceder e transarmos loucamente”. E por mais que Dougie quisesse acreditar que ele seria forte o suficiente para resistir, ele sabia que não ia jogar limpo. E ele estava ansioso para vê-la empenhada em enlouquecê-lo.
Cutucou a mulher na cintura, recebendo um resmungo como resposta. Riu baixo, cutucando-a novamente. Afastou os cabelos que cobriam o rosto de e a beijou na bochecha algumas vezes, com a intenção de despertá-la.
– Me deixa dormir Poynter. – reclamou.
– Já passou do meio dia e você disse que iríamos passear novamente.
– Af. – finalmente abriu os olhos e encarou Poynter com uma careta. – Para quem não gosta de turistar, você está bem animadinho. – arqueou as sobrancelhas para ele.
– E para quem não é louca por mim, você está bem confortável com a ideia de passar o dia na cama comigo. – Dougie devolveu, com um sorriso convencido.
– E quem disse que estou confortável? – estalou os lábios.
– “Me deixa dormir Poynter”. – o loiro a imitou, recebendo um tapa estalado no braço. – Vou tomar banho enquanto você aproveita meu cheiro no travesseiro. – avisou, pulando para fora da cama antes que pudesse dar outro tapa nele.
– Ah, vá à merda Douglas. – a mulher bufou, voltando a afundar o rosto no travesseiro. Dougie riu, sumindo para dentro do banheiro no instante seguinte. Pouco tempo depois saiu do cômodo já vestido, novamente com uma roupa básica. Não via necessidade em usar algo muito elaborado nos últimos tempos. Secava o cabelo com uma toalha e estava pronto para fazer alguma piadinha com quando voltou seu olhar para a cama e encontrou a mulher ainda deitada de bruços, o lençol não cobria seu corpo e a camiseta estava erguida até a cintura da mulher, deixando a maldita da calcinha à mostra. Não era pequena e mais parecia um shortinho extremamente curto, em um tom de azul claro e com alguns desenhos que Dougie não conseguiu identificar graças à distância em que se encontrava. O homem respirou fundo, largando a toalha em cima da escrivaninha e em um impulso, tirou a camiseta, ficando apenas com a calça jeans. Se queria apelar, então ele faria a mesma coisa.
– Se você não for tomar banho para sairmos, vou realmente acreditar que você quer ficar o dia todo na cama comigo. – Dougie murmurou. se remexeu, erguendo o tronco e apoiando os cotovelos no colchão. Encarou Poynter de cima abaixo e fixou o olhar no rosto dele, ignorando totalmente a falta de roupas do homem. Ela era, sem nenhuma dúvida, muito melhor naquilo do que ele, que mal conseguia desviar o olhar das pernas e os focar nos olhos da mulher.
– Você não tem uma roupa, não? – ela indagou, em um tom divertido.
– Você está usando a minha roupa. – apontou para a sua camiseta. sorriu, pulando para fora da cama e se aproximando de Dougie. Parou a frente do loiro, se inclinou e selou seus lábios rapidamente, antes de segurar a barra da camiseta e retirar a peça de seu corpo. Dougie arqueou as sobrancelhas e engoliu em seco, encarando fixamente o top esportivo que ela usava para dormir. Não havia sido uma boa ideia contra-atacar as provocações de de forma tão direta, ainda mais quando ela tinha muito mais a oferecer do que ele. Se ele era um cara bonito? Sabia que sim e todos os comentários em suas fotos no Instagram deixavam isso claro como cristal. Mas era realmente maravilhosa. Poynter nunca tinha reparado no corpo da mulher com tanta atenção desde que ela abandonara as passarelas da VS, porque mesmo detestando-a, era impossível ignorar a beleza dela e ele já havia confessado aquilo. Mas aquela ali a sua frente não era mais a de quadril milimetricamente medido para ser aceita no VSFS. Era uma mulher de verdade e ele estava encantado por ela. Ela emanava confiança, mesmo usando tão poucas roupas e sabendo que Dougie já a havia visto em dias em que estivera no padrão. Mas realmente não ligava para aquilo. Sabia que era bonita, amava seu corpo e sabia que Poynter estava atraído por ela. E com isso em mente, jogava muito melhor do que ele.
entregou a camiseta para Dougie e se dirigiu até o banheiro, rebolando os quadris e causando um arrepio na espinha de Poynter, que ainda a encarava embasbacado, com a camiseta em mãos.
– Agora você pode aproveitar meu cheiro usando essa camiseta. – sorriu, antes de fechar a porta do banheiro. Dougie soltou o ar que ele nem sabia que estava prendendo e encarou a peça de roupa em suas mãos por alguns instantes, antes de sacudir a cabeça para os lados e rir. iria mesmo matá-lo.

Após o almoço – se recusou a cozinhar e falou que não iria comer a gororoba que Dougie poderia tentar fazer, então acabaram em um restaurante de comida italiana, onde ela fez a festa com a massa ravióli ao molho branco que pediu – foram ao Brezzy Kness Gardens. Acabaram optando por utilizar o metrô a chamar um Uber e passaram a tarde toda passeando pelo jardim e tirando fotos. E apesar da tentativa de se distrair, a mente de Dougie estava presa em . Parecia um adolescente de 15 anos com os hormônios à flor da pele. A cada vez que ele olhava em sua direção, lembrava-se dela sem a sua camiseta e suas mãos formigavam pela vontade de tocá-la. sorria e ele pensava nos seios dela e na forma como pareciam caber perfeitamente em suas mãos. Ela falava qualquer coisa, ele se lembrava da maldita calcinha azul. Ela segurava sua mão e os pensamentos dele voavam para o movimento dos quadris dela. E por conta disso, passou a buscar mais contato físico entre eles. Abraços inesperados e longos – mais do que estavam acostumados – e não podia conter sua vontade de beijá-la a todo instante e sem motivo aparente. Apenas puxava-a para seus braços e a beijava. Durante todo o passeio pelo Breezy Knees Gardens, a atenção de Dougie fora toda e completamente voltada para . Ele mal havia visto as flores e não poderia ligar menos para aquilo. E mesmo que tenha percebido a falta de atenção do homem durante o passeio, ela não implicou com ele. Apenas o deixou beijá-la e abraçá-la quantas vezes ele quisesse, porque além de gostar muito dos carinhos de Poynter, ela também estava com sua atração por ele à flor da pele. Só sabia disfarçar melhor que Dougie.
Após o passeio, foram direto para a casa de Keith, onde jantariam naquela noite, já que tanto Victor quanto Mariah davam aulas nas terças-feiras à noite. Apenas passaram na casa para pegar os presentes de Annelise e tomarem um banho rápido. A casa de Keith não era muito diferente da dos pais de e a única mudança realmente contrastante era o quintal: enquanto Victor e Mariah tinham uma pequena piscina e cozinha ao ar livre, Keith e Beatrice tinham um parquinho, pequenas árvores e um balanço do Groot igual ao que tinha em sua casa. A porta de vidro da cozinha dava uma visão privilegiada do quintal e assim que Dougie viu o balanço, puxou – que estava sentada na banqueta da cozinha enquanto esperava Keith voltar do andar de cima para começarem a preparar o jantar – e apontou para o brinquedo com as sobrancelhas arqueadas.
– Era o aniversário de um aninho dela! – exclamou, fazendo Poynter rir.
– Ela tem um balanço desses antes de você? – indagou surpreso.
– Sim. – assentiu. – Meu quintal costumava ter uma piscina antes da reforma. – murmurou. – Após isso eu consegui comprar um balanço para mim.
– Você usa o balanço? – Dougie indagou, mesmo que já soubesse da resposta.
– É claro Poynter. – revirou os olhos. – Porque eu compraria algo que não iria usar?
– Você é meio doida. – deu de ombros, recebendo um soco no ombro. – E agressiva. – acrescentou.
– E você é idiota. – deu de língua para ele, em uma atitude que Dougie julgou como muito madura.
– Quem dá língua pede beijo. – Dougie arqueou a sobrancelha para , em uma clara provocação.
– E você como sempre sendo lerdo demais. – ela retrucou, sem se deixar abalar, como sempre. Dougie riu, puxando-a para perto de si e abraçando-a pela cintura.
– Você não perde uma, não é? – reclamou e riu, negando com a cabeça.
– Para você não. – sorriu, se inclinando para ele e finalmente o beijando. Separaram-se instantes depois, graças a volta de Keith para a cozinha e a chegada de Beatrice e Anne, que correu para os braços de e a abraçou com força. – Você está tão cheirosa meu amor! – murmurou, enchendo a garotinha de beijos no rosto, que gargalhava e tomava ar com força.
– Mamãe estava me dando banho com um sabonete das princesas! – Anne exclamou, fazendo tanto como todos os outros presentes na cozinha sorrirem abobados pela fofura da menina.
– E não é que funcionou? – a mulher indagou e Anne franziu o cenho em confusão. – Você está exatamente como uma princesa. – exclamou.
– Mamãe disse isso, mas eu não acreditei. – Anne sorriu largo. – Mas agora eu acredito.
– Eu que não acredito que carreguei essa garota por nove meses e ela coloca mais fé nas palavras da do que nas minhas. – Beatrice estalou os lábios, arrancando risadas de todos. Anne se desvencilhou dos braços de e se inclinou para Dougie, que encarou a mulher com um misto de confusão e surpresa. apenas sorriu, entregando a garotinha para Poynter. Annelise o abraçou pelo pescoço e brincou um pouco com os cabelos do loiro.
– Doug, – a menina falou após findar o abraço, de forma desajeitada e Poynter a achou ainda mais fofa. – Agora que você namora a tia você é meu tio também. – aquilo não era uma pergunta e antes que qualquer pessoa pudesse comentar, Annelise continuou: – Então você está convidado para o chá da tarde no meu restaurante. – finalizou, encarando Poynter com atenção.
– Já é noite Anne. – Keith a lembrou, com um largo sorriso. Ele e Beatrice olhavam para a filha com tanto carinho e orgulho que seria impossível dizer que não eram felizes com as escolhas que haviam feito em suas vidas. – E eles vão embora amanhã, eu já tinha contado para você.
– Podemos mudar para chá da noite. – a menina decidiu, pedindo para descer do colo de Dougie. Não demorou a segurar a mão do homem e puxá-lo para a sala e para o tal “chá da noite”, como ela mesma havia denominado a atividade. Poynter só teve tempo de lançar um sorriso para e antes de passar pelo portal, ouviu-a reclamar:
– Eu não acredito que fui trocada!
– Isso é o que nós sofremos quando você vem aqui. – Keith riu.

e Keith cozinharam juntos, enquanto Beatrice alternava sua permanência entre a cozinha e sala de estar, onde Anne servia uma xícara de chá a cada cinco minutos para Dougie. Ele não era exatamente bom com crianças, mesmo que todas o adorassem por participar de suas brincadeiras com entusiasmo. Anne adorara servir chás e dar biscoitos de massinha de modelar para Dougie fingir que comia, enquanto elogiava o atendimento da casa de chá da menina. As panquecas gratinadas de fizeram o maior sucesso e Keith, que apenas havia feito às saladas e o arroz, se dispôs a limpar a cozinha junto de Dougie enquanto e Beatrice ajudavam Annelise a organizar os brinquedos que haviam ganhado.
– Então, fiquei sabendo que conheceu a Alasca. – Keith murmurou. Dougie entregou mais um prato limpo para ele enxugar e assentiu com a cabeça.
– Sim, ela ficou para o jantar ontem.
– E como foi? – indagou o outro, sem conter sua curiosidade.
– Para ser sincero? – Dougie indagou, encarando Keith. – Bastante desconfortável para mim.
– Imagino. – Keith respondeu. – Eu me sentiria desconfortável na mesma situação.
– Mas não tem nada a ver com ser bissexual e etc. – explicou. – Foi só estranho porque, bom, elas tem uma conexão maluca. – riu, sentindo-se extremamente idiota.
– Eu te entendo. – Keith murmurou. – Eu sentia muito ciúmes de Alasca antigamente. Só fui realmente começar a criar simpatia por ela quase no fim do namoro delas.
– Sério? – Dougie indagou surpreso. Mais um prato limpo e entregue a Keith. – Alasca parece o tipo de pessoa que conquista todo mundo.
– E ela é. – o outro riu. – Mas ela estava roubando a minha irmã de mim e eu não a suportava. – deu de ombros. – Hoje ela janta aqui em casa uma vez por mês.
– Compreensível. – Poynter estalou os lábios. – Sei lá, só fiquei confuso.
– Acredite, eu entendo o motivo da preocupação sobre a intimidade que elas têm. – Keith comentou. – Mas vocês dois também tem uma ligação e pode ser que você não perceba. – riu quando Dougie lhe lançou um olhar atravessado.
– Bom, nós namoramos, não é? – Dougie replicou. – Alguma ligação temos que ter. – fingiu um riso.
– Poynter, eu conheço a . – o outro disse, parando a atividade de secar e guardar a louça e encarando Dougie com seriedade. – Ela não quis abrir o jogo comigo, mas eu sei que vocês não começaram isso direito. Mas seja como for, as coisas mudaram e isso está muito aparente.
– As coisas demoraram a se acertar. – Poynter ainda insistiu e Keith riu.
– Dois cabeças dura. Deve ser por isso que está dando certo. – parecia falar consigo mesmo. – De qualquer forma, nos espere para o Natal. – Keith mudou totalmente de assunto, voltando a secar a louça. – Aliás, esse ano você vai na festa de Natal da ? – arqueou as sobrancelhas para Dougie, a diversão estampada no olhar.
As festas natalinas de eram praticamente uma tradição para a mulher e Dougie sabia. Todos os anos, ela fazia uma reunião para a família e os amigos mais próximos na noite do dia 24, mesmo que o Natal fosse comemorando apenas no dia 25. Era uma tradição que havia experimentado e amado durante sua passagem pelo Brasil em alguma campanha fotográfica. Desde então, as festas dela sempre eram bastante comentadas e não porque iam diversas celebridades, mas sim porque era ela quem cuidava de todos os preparativos, desde o envio dos convites até o último prato de purê de batata que seria servido. Dougie nunca havia ido a nenhuma festa, mesmo com a insistência dos amigos em arrastá-lo ano após ano, mas as coisas haviam mudado.
– Serei obrigado. – Dougie brincou. – Mas ainda não falamos sobre as festas de final de ano.
– Estão convidados a irem para Torquay conosco no Ano Novo. – Keith falou. – Annelise ainda não foi à praia, então vai ser uma ótima experiência. – riu.
– Vou sugerir a . – Poynter prometeu.
Finalizaram a louça e pouco tempo depois Dougie e se despediram do casal e de uma Annelise muito sonolenta, que exigiu mais visitas antes do Natal. Keith e Beatrice abraçaram com força e desejaram uma boa viagem a ambos. Antes de fecharem a porta, Keith gritou para Dougie cuidar de sua irmã e piscou para ele. encarou os dois com confusão, mas resolveu não se envolver no assunto naquele instante. Foram caminhando para a casa dos pais de , de mãos dadas e um meio abraço que lhes parecia bastante confortável. Quando pararam a soleira da porta e tirou a chave do bolso, desistiu de abrir a porta e se virou para Dougie, o encarando com os olhos em fendas.
– O que você e meu irmão conversaram na cozinha? – indagou, sem rodeios.
– Não sei do que você está falando. – Dougie logo se defendeu e a mulher bufou.
– Poynter, não brinque comigo. – reclamou.
– Nada que tenha relação a você. – mentiu.
– Conta outra. – estalou os lábios.
– Ele comentou sobre uma ida a Torquay na virada do ano, nada demais. – Dougie murmurou.
– Tudo bem, você não vai me dizer. – sorriu com maldade. – Eu vou dormir sem calcinha hoje e se você tocar em mim vai apanhar.
– Você não faria isso. – Dougie retrucou. – Está blefando.
– Eu não blefo Poynter. – ela suspirou, fingindo cansaço. – E estou muito cansada, sabia? – bocejou, espreguiçando os braços. – Vou subir e cair na cama. – voltou a sorrir com malícia e antes que ela pudesse girar a maçaneta, Dougie colou seus corpos e a prendeu contra a porta. Aproximou seus lábios e então a segurou pela cintura com mais força que o normal.
– Você vai acabar comigo mulher. – riu pelo nariz.
– Você só precisa me contar o que Keith disse e eu não irei te torturar.
– Talvez eu queira ser torturado. – Poynter deu de ombros, abrindo um sorriso cafajeste.
– Você poderia receber alguma recompensa se não fosse um mentiroso compulsivo. – replicou, fazendo Dougie rir e selar seus lábios lentamente.
– Eu não sou um mentiroso compulsivo. – negou após separar seus lábios. Encarou-a diretamente nos olhos e sorriu.
– Prove. – ela arqueou a sobrancelha esquerda em desafio.
– Faça uma pergunta e eu serei completamente honesto na resposta. – falou. levou apenas dois segundos para assentir e o abraçar pelo pescoço, antes de murmurar:
– De ontem para hoje, quantas vezes você pensou em desistir e ceder? – ela indagou, de forma maldosa. Dougie riu, pois já esperava alguma pergunta naquele estilo.
– Mais vezes do que eu poderia contabilizar. – confessou.
– Ótimo. – assentiu, beijando-o com suavidade. – Vou dormir de calcinha.
– Ah. – Dougie fez uma careta descontente e beliscou seu ombro.
– Tarado. – xingou.
– Gostosa. – Poynter retrucou e ela riu, antes de puxá-lo para dentro da casa.

Capítulo 24 – Pequenas conversas, grandes confusões

Dougie estava entediado. Aquele era a quarta tentativa de virar a fase do jogo que ele iniciava, querendo além de distrair-se, a chance de bater o recorde que havia conquistado na noite anterior. Porque ela havia honrado sua palavra e dormido de calcinha e Dougie precisou de uma distração… Até tomar o celular de suas mãos e resolver passar à fase na qual Dougie havia encalhado. E ela não apenas havia passado a fase, como adquirira um novo recorde de tempo para a conclusão do maldito nível. E enquanto esperava pela própria e seus pais no saguão da Universidade de York, onde ambos trabalhavam, Dougie tentava recuperar o primeiro lugar no jogo e seu orgulho. Porque afinal de contas, havia alguma coisa na qual não era melhor que ele?
Desde a noite anterior, aquela era uma questão que estava rondando os pensamentos de Dougie. Veja bem, ele não gostava de competições. Era tranquilo, calmo até demais, alguns diziam. Era um cara “muito de boas” e desta forma, evitava qualquer tipo de estresse. E competições geram estresse. Mas ali estava ele, se martirizando por não conseguir ganhar uma única vez de , em qualquer que fosse a disputa. Ela era muito melhor para elaborar planos e tudo aquilo só havia começado e dado certo por causa dela. Ela também era infinitamente melhor nas provocações em que os deixavam em pé de guerra antes de iniciaram aquele pseudo relacionamento. E Dougie não era orgulhoso ou sequer mentiroso para negar que era muito melhor naquele joguinho de sedução que eles haviam iniciado. Dougie estava completamente de quatro por ela, sem saber como lidar com toda aquela atração e tensão sexual na qual nenhum deles prestou atenção antes da última semana e que agora parecia ser tudo no que ambos pensavam.
Poynter suspirou alto, passando a mão pelos cabelos e chamando a atenção de uma mulher que passava pelo saguão onde ele se encontrava. Os cabelos coloridos dela denunciavam sua identidade antes mesmo que pudesse ver seu rosto e Dougie conteve a careta de desgosto quando percebeu que ela havia mudado seu trajeto e andava em sua direção. Ele guardou o celular no bolso e Alasca sentou no banco ao lado dele, largando sua mochila no chão aos seus pés e se voltando para Poynter com um sorriso esperto nos lábios pintados de vermelho.
– E aí, aproveitando a solidão?
foi buscar os pais dela para irmos almoçar. – Dougie comentou. – Estamos indo embora hoje. – achou de bom tom mencionar e Alasca não deixou passar o tom de voz nada amigável do homem.
– Você não gosta de mim. – ela decretou e sem dar tempo para Dougie contestar, continuou:- Você sabe que não rola mais nada entre ela e eu, não sabe? – a mulher indagou, fitando o rosto de Poynter com atenção.
– Eu sei. – ele respondeu e ela imediatamente acreditou nele. – E eu não tenho nada contra você.
– Isso é ótimo. – Alasca estalou os lábios. – Porque o que e eu tivemos ficou no passado. Nós seguimos nossos caminhos, mas o carinho permanece pois nos conhecemos desde sempre. É normal ter ciúmes disso.
– Não é ciúmes. – bufou. – É só um incômodo. – Dougie suspirou, confessando seus temores mais confusos para Alasca, a ex namorada de sua namorada falsa. – Eu não tenho ciúmes de você. Mas me incomodo com vocês. Porque é algo que eu e ela não temos.
– Vocês tem alguma coisa Poynter. – Alasca comentou. – Pode não ser tão intenso, mas existe algo. Eu conheço a . Ela não estaria com você se não sentisse alguma coisa.
– O problema é exatamente esse. – Dougie riu, sem humor algum. A mulher arqueou as sobrancelhas em direção a ele, confusa.
– O que quer dizer com isso?
– Nós não somos de verdade. – comentou, sentindo que poderia confiar na mulher. Afinal, se confiava nela, porque ele não poderia? – Pelo menos, não éramos até alguns dias atrás. Agora eu já não sei mais.
– Porque vocês se meteram nisso? – Alasca indagou, desacreditada. Jamais poderia acreditar que eles tinham um relacionamento de fachada. O jeito que eles se olhavam… Ela simplesmente não podia acreditar. – Por publicidade?
– Não. – Poynter negou. – Era para ser uma brincadeira com nossos amigos. Eles tentaram me arrumar uma namorada sem me consultar e eu quis me vingar.
– Ok, eu entendo. – ela assentiu. – Mas porque a aceitou isso?
– Trevor. – foi o que Dougie falou. – Ele não aceitou o término muito bem.
– Mas já fazem quase 8 meses desde que eles terminaram! – a outra contestou, parecendo extremamente irritada.
– Ele esteve rondando e pressionando durante esse tempo. – Dougie explicou. – Iniciar esse namoro comigo o afugentou um pouco.
– Motivos plausíveis. – Alasca disse por fim. – Mas agora vocês estão juntos, não é?
– Mais ou menos. – ele suspirou. – Estamos envolvidos, mas não é um namoro, sabe?
– Não é o que parece. – Alasca riu. – Eu realmente acreditei que vocês estavam namorando sério.
– Nós fingimos bem. – Dougie replicou e a outra o encarou como se ele fosse muito idiota.
– Você é meio tapado. – ela murmurou. – Mas eu vou te ajudar. Eu sou psicóloga, mas não faço milagres, então formule melhor. – Alasca riu, tentando fazer piada.
– Eu não quero uma análise, obrigado. – Dougie retrucou. Tudo o que ele não precisava era da ex namorada de o analisando quando nem ele mesmo entendia o que sentia.
– Oras, vamos lá Poynter. Eu nem vou cobrar. – ela brincou novamente. – E conheço muito bem para conseguir lhe dar conselhos efetivos.
Dougie encarou a mulher com ceticismo, revirando os olhos para si mesmo e a parcela de sua mente que estava cogitando abrir seu coração e seus pensamentos para Alasca. Que merda estava acontecendo com ele, afinal de contas?
– Eu não sei por onde começar. – ele murmurou, suspirando ao final da frase.
– Comece pelo começo. Quando a relação de vocês mudou? – ela questionou, de forma profissional e Dougie fez uma careta. Aquilo parecia mesmo terapia e ele não tinha boas lembranças relacionadas àquilo.
– Não foi do dia para a noite. Passamos a conviver, nos conhecer… Ela ainda não se abriu totalmente para mim, tanto que eu só fui saber sobre você quando cheguei aqui. – suspirou, dando de ombros.
é assim. Ela nos conquista aos poucos, conforme vai nos inserindo no mundo dela. – a mulher sorriu.
– Eu só fui perceber que as coisas realmente estavam diferentes quando nos beijamos. Não tínhamos esse costume, era algo sempre forçado por alguma situação ou pessoa. Mas foi natural quando aconteceu. – Poynter sorriu. – E então decidimos tentar fazer dar certo, seja lá o que isso que exista entre nós seja.
– Tudo bem. – Alasca assentiu. – Vocês estão apaixonados.
– Eu não iria tão longe. – Dougie negou e ela o encarou com deboche explícito no olhar.
– Odeio gente em negação. – bufou. – De qualquer forma, tente colocar em palavras o motivo do seu desconforto. Não é mesmo porque eu e ela já namoramos?
– Não, nenhum pouco. – Poynter afirmou com convicção e Alasca acreditou nele.
– Então o que é?
– Talvez eu queira conhecê-la tão bem quanto você. – ele murmurou. – Ter a
intimidade que vocês têm. Por isso eu me incomodo com vocês e não especificamente com você. – deu de ombros. – Ela olha para você com tanto carinho, tanto amor… Sei lá. Eu a adoro. Aprendi a adorar. Só queria não estar mais envolvido nesse quase relacionamento que ela. – confessou.
– Você é realmente muito tapado. – Alasca riu e antes que Dougie pudesse retrucar, o som de passos e risadas tomaram a atenção de ambos, que viraram o rosto em direção ao som. vinha seguida dos pais, rindo de alguma coisa junto de Victor, enquanto Mariah fazia careta para os dois e mordia o sorriso que também queria dar. Automaticamente, Dougie ajeitou-se no banco e sorriu sem mostrar os dentes, como se a presença de no ambiente fosse o único motivo para ele se alegrar. A morena sorriu para ele, antes de se aproximar de Alasca e abraçar a amiga.
– Estava vigiando seu namorado para você. – ela brincou e riu.
– Eu confio em Dougie. – deu de ombros.
– Ele disse que vocês estão indo embora hoje. – a outra murmurou, fazendo uma careta.
– Sim, nós vamos para Essex. – contou, sorrindo largo. – Essa é oficialmente a semana de conhecer as famílias. – riu, sendo acompanhada por todos. Alasca lançou um olhar significativo para Poynter, que não entendeu bulhufas da atitude da mulher.
– Bom, não esqueça do meu convite para o casamento. – Alasca disse por fim, juntando sua bolsa e recebendo um olhar perplexo de Dougie e um nada amigável de .
– Vá a merda. – retrucou e a outra riu, puxando-a para um abraço. Estavam definitivamente se despedindo de Alasca, seus cabelos coloridos e seus conselhos malucos que deixavam Dougie extremamente confuso.

A viagem de volta para Londres pareceu demorar ainda mais do que a de ida. Talvez porque dormira durante todo o percurso e os pensamentos de Dougie ficaram altos demais em sua cabeça. Eram tantas dúvidas, tanta confusão que ele se obrigou a colocar a colocar os fones de ouvido e aumentar o volume no máximo. Não haviam pego uma cabine para a volta e desta forma, tinha a cabeça escorada no ombro de Dougie enquanto a manta cobria ambos. Chegaram a Londres quase 7 da noite e pediram um Uber até a casa de Poynter, onde pegaram o carro do homem e disto contabilizaram mais uma hora de viagem até Corringham em Essex. , já desperta, passou todo o caminho admirando a paisagem, gravando stories e cantando as músicas da playlist “pé na estrada” que ela mesma criara. Dougie achou a atitude bastante engraçada e a zoara por alguns instantes apenas para irritá-la. Mas estava de muitíssimo bom humor e ignorou a todas as gracinhas do loiro. A viagem demorou mais tempo do que o necessário, visto que Dougie teve que passar na casa de Jazzie para dar uma carona a irmã, que “não perderia aquele final de semana por nada em sua vida”. A loira entrou no carro já xingando Poynter pelo atraso, antes de se inclinar para frente e puxar para um abraço meio torto, visto que havia um banco entre as duas.
– A gente mal se conhece mas eu senti sua falta! – Jazzie exclamou, enquanto Dougie revirava os olhos para o fiasco da irmã. Não sabia como eles poderiam ser tão diferentes e terem vindo do mesmo útero.
– Ah eu também! – murmurou, sorrindo largamente assim que Jazzie soltou-a de seus braços. – Dougie nunca liga para você quando estamos juntos. – a morena reclamou.
– Ah pronto, agora são melhores amigas. – o loiro revirou os olhos e lhe estirou a língua.
– Deixa de ser ciumento. – ela riu e Jazzie encarou o irmão com o divertimento estampado em seus olhos.
– Dougie sempre foi assim. – murmurou a mulher, atraindo a atenção de novamente para si. Dougie, que prestava atenção na estrada, apenas estreitou os olhos para a irmã e fez a careta.
– Jasmine, fica quieta por favor. – Poynter reclamou. – Eu já estou te fazendo um favor imenso.
– Não está fazendo nada além da sua obrigação como irmão mais velho. – retrucou e Jazzie gargalhou.
– Eu adoro essa mulher, fala sério. – a loira exclamou, batendo palmas em animação. – Vocês precisam namorar de verdade.
E esse foi o comentário responsável por mudar todo o clima dentro do carro. arqueou as sobrancelhas na direção de Dougie, como se perguntasse se ele havia contado as novidades para a irmã e o homem lançava um olhar nada satisfeito para a Poynter caçula. Notando a dualidade das atitudes, Jazzie franziu o cenho e então analisou melhor a cena. Dougie dirigia, uma playlist – não criada por ele, pois o gosto musical do homem não incluía Ariana Grande – tocava no rádio. estava sentada no banco do passageiro, usava jeans e uma camiseta – que parecia muito com uma peça de roupa de Dougie -, tinha os cabelos presos em um coque e uma marca vermelha não muito aparente no pescoço. Jazzie arregalou os olhos e imediatamente se inclinou na direção do irmão, que a xingou assim que sentiu a camiseta que vestia ser puxada para trás enquanto Jazzie analisava a pele das costas dele. Ela soltou um grito que mais parecia uma risada e então voltou a se sentar, cruzando as pernas e colocando ambas as mãos em cima de seu joelho direito.
– Você perdeu a noção? – Dougie reclamou, se virando para trás rapidamente, assim que parou o carro em um sinal vermelho.
– Sim e faz muito tempo. – Jazzie sorriu. – Muito mais tempo do que a criação desses arranhões nas suas costas. – ela murmurou, deixando Dougie mudo e de bochechas coradas.
– Jazzie. – Dougie suspirou por fim e a loira chiou, abanando as mãos na direção dele.
– Quando vocês iriam me falar que estão se pegando? – e essa pergunta foi a deixa para Jazzie passar os próximos 40 minutos de viagem rindo e zoando da cara de Dougie, que mal via a hora do sábado chegar e ele voltar para a quietude de sua casa em Londres. Ou para o máximo de quietude que proporcionava em sua vida.
Logo que chegaram ao seu destino, Jazzie deixou as malas para Dougie levar e arrastou para dentro da casa, avisando que apresentaria a mulher para Sam e Paul e que Dougie não precisava se preocupar com aquilo. Claro que Poynter não acreditou na irmã e as seguiu imediatamente, deixando as malas no carro e se dando o trabalho de apenas ligar o alarme. Dougie encontrou as duas na sala, enquanto Sam ignorava Jazzie completamente e abraçavam com força. Paul estava afastado, apenas olhando a cena e assim que viu Dougie, se aproximou para cumprimentá-lo.
– Sua mãe estava louca para que vocês chegassem. – ele comentou, rindo fraco e recebendo um sacudir de cabeça de Poynter.
– Nós não. . – resmungou, fazendo Paul rir mais ainda.
– Você é ainda mais bonita pessoalmente! – Sam murmurou, após findar o abraço com e segurar a mulher pelo rosto, uma mão em cada bochecha dela. – Terão filhos lindos, tenho certeza!
Jazzie gargalhou, Paul enfiou o rosto nas mãos, corou e Dougie soltou um muxoxo descontente. Ele sabia que iria passar vergonha, mas não pensou que seria tão rapidamente.
– Mãe, por favor, não se precipite. – murmurou e só então Samantha pareceu perceber que os filhos estavam na sala. Beijou Jazzie no rosto e se aproximou do primogênito com passos rápidos, puxando-o para um abraço apertado enquanto repetia que havia sentido saudades dele. – Também senti sua falta. – Dougie murmurou, beijando o topo da cabeça de Sam. – Mas você precisa parar de me deixar constrangido. – concluiu, fazendo-a rir.
– Eu estou empolgada! – replicou, após se afastar do filho. – Ouvi tanto falar de e estava louca para conhecê-la.
– Jazzie, o que você andou falando de mim? – indagou, fazendo Sam rir e abanar as mãos na direção dela.
– Não foi a Jazzie querida. – sorriu largo e olhou para Dougie rapidamente. – Dougie sempre fala de você quando me liga. Apaixonado é pouco para o que ele está. – Sam concluiu, antes de seguir em direção a cozinha e puxar uma de olhos arregalados junto com ela. Paul se ofereceu para pegar as malas no carro e assim que ele sumiu pela porta, Jazzie se postou ao lado do irmão e riu baixo da expressão desesperada no rosto dele.
– Cedo demais para começar a dizer “eu te avisei”? – ela indagou, com o cenho franzido em uma confusão exageradamente fingida.
– Eu não estou… – começou a negar, mas Jazzie não lhe deu ouvidos.
– Tudo bem. – ela riu. – Mas eu avisei.

O único som que se podia ouvir na casa toda era o da TV ligada no quarto de Dougie. Tanto Sam e Paul como Jazzie já estavam dormindo a algum tempo, mas estava empolgada para ver um episódio do programa de um de seus amigos da emissora e portanto, ela e Dougie estavam acordados assistindo TV. Ou melhor, fingindo assistir TV, já que tinha quase todo o corpo em cima de Dougie enquanto descansava uma mão no peito dele e a outra usava para brincar com os fios loiros do cabelo do homem e Poynter a envolvia pela cintura com os braços, acariciando a pele exposta por conta da regata curta que ela usava e vez ou outra, descia as carícias até as bandas da bunda da mulher.
– Eu gosto disso. – murmurou, cada palavra saindo como um sopro contra o pescoço de Poynter, que não pode evitar que seus pelos se arrepiassem.
– Do programa? – ele indagou, franzindo o cenho.
riu e negou com a cabeça. – Não. – murmurou. – De como você não pressiona.
– Não pressiono o que? – mais confusão e revirou os olhos. Mas quem poderia culpá-lo por estar tão distraído? Quando tinha o corpo quente de colado ao seu e cada palavra que saia da boca da mulher causava arrepios insanos até em sua alma. Dougie estava experimentando uma situação em seu limite. Estavam naquela brincadeira de provocações há apenas dois dias, mas pareciam meses. Meses de tortura, já que cada beijo e cada toque deixavam Dougie alucinado por mais. Mais de e daquela química sinistra que eles tinham.
– Presta atenção no que eu falo e não na minha bunda Poynter. – ela reclamou, bufando em irritação. Dougie riu e desceu ambas as mãos que estavam na cintura dela para onde havia mencionado, acariciando o local e puxando-a para ainda mais perto, de forma a colar seus corpos completamente.
– É meio difícil prestar atenção em outra coisa. – confessou.
– Difícil é gostar de homem, isso sim. – retrucou, emburrada. Não gostava de falar pelos cotovelos e ser ignorada. Ainda mais quando estava perto de deixar claro como se sentia sobre eles para Poynter e esperava obter alguma dica sobre como estavam os sentimentos dele.
– Não pode ser tão ruim assim. – Dougie riu, achando extremamente engraçado o bico que estava formado nos lábios da mulher.
– Ah é péssimo. E você não ajuda. – retrucou e logo Poynter inclinou a cabeça para baixo e grudou suas bocas. Abriu os lábios lentamente, deixando a língua saborear a de com lentidão e cuidado, antes de aprofundar o beijo e se movimentar em cima de seu corpo, deixando uma perna de cada lado de sua cintura e usando ambas as mãos para segurar e puxar os cabelos de Dougie. Se beijaram por incontáveis minutos, sentindo a necessidade de proximidade cada vez maior. Quando estava pronta para tirar a própria blusa, Dougie findou o beijo com uma mordida no lábio inferior dela e o encarou com as pálpebras baixas, ainda extasiada pelo beijo que haviam dado.
– Ajudei agora? – Dougie indagou com um sorriso esperto nos lábios.
– Você é ridículo. – resmungou por fim, enquanto Dougie ria. Ela revirou os olhos e se jogou no colchão, ocupando o espaço ao lado de Poynter e virando-se de costas para ele. Dougie riu novamente e então se aproximou dela, unindo seus corpos na famosa posição de conchinha. Afastou os cabelos de e beijou a nuca dela algumas vezes, causando arrepios no corpo da mulher que não pôde conter os suspiros em aprovação.
– Sobre o que você estava falando? – Poynter indagou, interessado pelo assunto.
– Agora você quer saber? – resmungou, debochada.
– Deixa de ser teimosa e birrenta. – Poynter riu novamente, cutucando a cintura da mulher apenas para irritá-la. – Fala do que você gosta, além de me beijar, é claro.
riu e virou-se de frente para Dougie, o abraçando pelo pescoço e iniciando um carinho na nuca dele. – Gosto de como isso é natural.
– Eu ainda não entendi. – Poynter franziu o cenho.
– Eu me sinto confortável com você. – ela explicou. – Pensei que as coisas ficariam estranhas, mas não ficaram. Nem após o show ou após deixarmos claro que estamos atraídos um pelo outro.
– É gostoso. – Dougie disse por fim e assentiu em concordância.
– Isso nunca aconteceu comigo. – murmurou. – Era sempre um tesão gigante e zero carinho. Ou muito carinho e zero tesão.
– Em quantos por cento de tesão estamos aqui? – o loiro indagou, com um sorriso sacana. – Porque mais de 60% é necessário que a gente transe.
– Sua mãe está no quarto ao lado. – lembrou, meio rindo e meio séria.
– Então está dizendo que se ela não estivesse, a gente transaria hoje? – ele arqueou as sobrancelhas para ela e riu, revirando os olhos em seguida.
– Eu nem quero transar com você. – retrucou, deixando alguns beijos no queixo e no pescoço de Dougie.
– Aham. – ele estalou os lábios. – E está me beijando por quê?
– Porque você não está me beijando. – replicou. – Agora cala a boca Dougie.
– Calo. – Poynter assentiu, o olhar fixo no de quando aproximou novamente seus lábios dos dela.
E mesmo com o som da TV indicando que o programa que queria assistir iria começar, eles não deram a mínima atenção para o objeto. Estavam ocupados demais perdidos na boca um do outro e extasiados demais pelos toques e suspiros trocados.

Capítulo 25 – A estrela do sonho

Você pode ler o spin off (+18 anos) que precede esse capítulo aqui.

– Dougie? – Jazzie chamou novamente, o cenho franzido em confusão, já que o irmão parecia ter a cabeça nas nuvens naquela manhã de quinta-feira e não estava prestando atenção em nada do que ela falava. E a falava bastante e por conta desse motivo, gostava de receber bastante atenção. , sentada no chão ao lado de Jasmine, reprimiu uma risadinha e focou a atenção na TV, enquanto Jazzie levantava e sentava ao lado de Dougie. A loira estalou os dedos na frente do rosto do irmão e não obteve sucesso eu resgatar a atenção dele. Bufando, Jazzie sacudiu Dougie pelos ombros e recebeu um olhar nada satisfeito dele.
– Eu sempre esqueço o quão irritante você é. – Dougie reclamou. Se acomodou melhor no sofá e então focou o olhar em , que ainda reprimia o riso. Poynter bufou frustrado, sem acreditar na situação na qual se encontrava. Seus pensamentos iam e voltavam para aquele sonho e dentro de um vestidinho preto e colado não estava ajudando em nada.
Mas ele sabia que ela estava fazendo de propósito para provocá-lo. Infelizmente não havia conseguido esconder sua animação e ela descobrira que ele tivera um sonho erótico. Com ela. E descobrir nem era a palavra certa, já que Poynter não havia conseguido mentir e inventar alguma coisa e fora obrigado a confessar. Mas ele não tinha do que se envergonhar. Não tinha como escolher seus sonhos e sabia disso. Ela deixou de provocá-lo e debochar dele por compreender a situação? Não, claro que não. Era afinal de contas. O hobby dela era tirar uma onda com a cara de Dougie e ele já estava acostumado.
– Eu não seria irritante se você me ouvisse. – Jazzie reclamou.
– O que você quer? – Dougie indagou, encarando a irmã com uma expressão de poucos amigos.
– Saber porque você está tão distraído.
– Não é da sua conta.
– Uhhh. – Jasmine riu. – Dormiu com os pés para fora da cama, é?
– Não foi bem com os pés para fora da cama que ele dormiu. – murmurou baixinho, mas para o azar de Dougie, Jasmine também ouvira o comentário da mulher e arqueou as sobrancelhas na direção da morena.
– Como assim? – o olhar da loira se movia de para Dougie, ansiosa para obter a resposta da sua pergunta.
– Jazzie, vai achar o que fazer. – Dougie reclamou, o que apenas deu mais motivação para Jazzie azucrinar a cabeça dele.
– Me conta! – ela exclamou, repetindo as duas palavrinhas mais umas quinze vezes até Dougie finalmente bufar irritado e contar o motivo do comentário de . Que inclusive, estava na lista negra do homem daquele momento em diante.
– Eu tive um sonho e está me provocando por causa disso. – falou por fim, deixando Jazzie sem palavras por alguns segundos. Até ela explodir em risadas e puxar para um abraço.
– Caraca, eu te adoro demais! – Jasmine gritou, enquanto ria e Dougie revirava os olhos para as duas. Havia sido uma ideia horrível comentar com Jazzie que ele e passariam 3 dias em Essex. Sua viagem seria tão mais fácil se Jasmine não estivesse ali. Ou não existisse. Qualquer uma das duas opções estavam boas para Dougie.
– Ele te contou os detalhes? – a loira indagou, arqueando as sobrancelhas para .
– Não. – bufou. – Achei um desaforo, já que eu fui a estrela do sonho.
– Vocês são insuportáveis. – Poynter reclamou.
– E você é um adolescente de 15 anos novamente. – Jazzie devolveu. – Nossa, eu pagaria para ver a cara dele quando te viu pela manhã! – gargalhou novamente.
– Jazzie, vai achar o que fazer. – Dougie bufou irritado e antes que a loira pudesse responder, Sam apareceu na sala e a chamou para ajudar com o almoço. também se ofereceu, mas Sam apenas sorriu e disse que ela e Dougie precisavam aproveitar as férias juntos. Jazzie reclamou um pouco antes de ir para a cozinha e só o fez após rir e debochar de Dougie mais algumas vezes. Assim que a loira fechou a porta e deixou e Dougie sozinhos na sala, Poynter lançou um olhar nada amigável para a morena, que sorriu com diversão e deu de ombros.
– Eu não fiz por querer. – ela murmurou.
– Você mente muito mal. – Dougie acusou, emburrado.
– Agora Jazzie não vai me deixar em paz.
– Se você tivesse me contado os detalhes, eu não teria mencionado nada com a sua irmã. – retrucou, sem dar a mínima importância para a chantagem que havia feito.
– Para que você quer os detalhes? – Poynter franziu o cenho, em confusão. sorriu e então engatinhou em direção a ele, colocando uma mão em cada joelho dele e erguendo o corpo em direção ao loiro, que suspirou e colocou uma mão na cintura dela e a outra na nuca, unindo seus lábios em um beijo rápido. Toda e qualquer proximidade com resultava em beijos intensos e toques carinhosos. Era quase impossível para eles se manterem perto um do outro sem se tocarem.
– Para saber uma das coisas que vamos fazer quando voltarmos para Londres. – ela deu de ombros, fingindo inocência.
– Me provocar assim é maldade até para você. – ele murmurou, após dar uma mordida no lábio inferior de , sem conseguir conter seus pensamentos graças às palavras da mulher. Ele queria muito que aquele sonho acontecesse de verdade.
– Maldade é você não me contar do seu sonho erótico. – ela sorriu sem mostrar os dentes. – Seria quase voyeurismo e eu tenho curiosidades.
Dougie encarou com o queixo caído e os olhos escuros de desejo e apenas conseguiu puxá-la para mais um beijo intenso enquanto seus pensamentos voavam. iria mesmo matá-lo, não tinha mais dúvidas daquilo.

A TV estava ligada em algum programa musical, apenas para preencher o ambiente, uma vez que nem Dougie e muito menos estavam prestando atenção na competição. A mulher estava sentada no sofá, usava uma camiseta de Poynter, calça de moletom e tinha os cabelos ensopados com os produtos para hidratação que Samantha havia lhe emprestado. Havia feito um coque e dispensado a touca térmica. Dougie estava deitado no sofá, usando camiseta e moletom assim como e tinha a cabeça repousada nas pernas da mulher, que fazia um cafuné tão gostoso em seus cabelos que Dougie tinha os olhos fechados e um sorriso torto nos lábios.
– Dougie? – chamou e o loiro abriu os olhos para fitá-la.
– Hm? – estalou os lábios, indicando que ela deveria continuar.
– Você não faz hidratação nos cabelos? – questionou, parecendo curiosa.
– Não. – Poynter franziu o cenho, confuso.
– E como diabos não tem uma ponta dupla aqui? – ela indagou, analisando os fios de cabelo de Dougie que estavam em suas mãos. Ele riu, dando de ombros.
– Sei lá.
– Como assim “sei lá”? – fez uma careta.
– Sei lá, ué. – riu novamente.
– Alguma coisa você deve fazer! – insistiu.
– Eu uso shampoo e condicionador.
– Duvido que seja só isso. – replicou e Dougie revirou os olhos.
– Mas você adora teimar comigo não é? – abafou o riso, cutucando-a na cintura na intenção de irritá-la.
– Eu estou apenas comentando. – falou, emburrada. – Não tenho culpa se você adora esconder as coisas de mim.
– Não estou escondendo mulher. Não faço nada mesmo. – riu. – Minha mãe quem corta meu cabelo e ela não faz nada além disso.
– Ok. – estalou os lábios, voltando sua atenção para a TV e ignorando Dougie deliberadamente. Poynter riu novamente, antes de puxá-la para seus braços e tentar lhe roubar um beijo. virou o rosto e acabou recebendo uma mordida na bochecha, antes de ela empurrar Dougie e levantar do sofá. – Me respeita Poynter. – ela brigou, no mesmo instante em que Jazzie descia as escadas em direção a sala e Dougie gargalhava.
– O que foi? – Jasmine indagou, com aa sobrancelhas arqueadas.
– Seu irmão é um idiota. – xingou.
– Nada de novo sob o Sol. – Jazzie estalou os lábios.
Mais uma risada de Poynter foi o suficiente para lhe lançar um olhar homicida e então anunciar que iria tomar banho para tirar o creme do cabelo. A mulher subiu para o segundo andar enquanto Dougie a observava com uma expressão encantada. Ele a adorava e Jazzie não pôde deixar de notar o brilho no olhar do irmão. Sentou-se ao lado de Dougie e o encarou com um sorriso largo.
– O que foi? – Dougie indagou, franzindo o cenho em direção a Jasmine.
– Desde quando? – ela questionou, sem desmanchar seu sorriso.
– Desde quando o que?
– Você está apaixonado. – deu de ombros.
– Não estou apaixonado. – Dougie retrucou, fechando a cara no mesmo instante.
– Você sabe que está. – Jazzie suspirou. – Está mentindo para si mesmo porquê?
– Porque não é mentira Jazzie. – exclamou. – Eu adoro e estamos em um clima muito bom. Mas eu não estou apaixonado.
– Não é o que parece. – Jazzie insistiu. – Eu nunca te vi tão feliz e tão tranquilo, Dougie. Nem com a Ellie. Sempre tinha algo que te deixava estranho. Agora não. – a loira sorriu. – É notável o quão bem vocês fazem um para o outro.
– Não nego que passamos tempos ótimos juntos. – Dougie suspirou. – Mas não é paixão, Jazzie. Eu já me apaixonei e nunca foi assim. – deu de ombros, parecendo conformado.
– Talvez você não tenha se apaixonado como acredita ter feito. – Jazzie sorriu para o irmão, beijando-o no rosto antes de levantar do sofá. – Pense nisso. – e dito isso, seguiu para a cozinha e deixou Dougie extremamente confuso. O homem suspirou alto, voltando a se deitar no sofá e fechando os olhos com força. Precisava colocar sua cabeça em ordem e entender os sentimentos que estavam crescendo em seu peito.
Existia uma possibilidade de estar se apaixonando por e ele não negaria aquilo. Mas ele também sabia que não se entregaria tão fácil para aquele sentimento. Não tinha boas experiências com o amor e não queria quebrar a cara novamente. Mesmo que fosse completamente diferente de todas suas ex namoradas. De alguma forma, Dougie não sentia tanto medo com ela. Apenas precisava descobrir se aquilo era um indício de uma nova paixão ou apenas coisa da sua cabeça.

Na sexta-feira Dougie e não fizeram muita coisa além de ficar em casa com Samantha e Jazzie. Paul fora visitar o sítio da família e voltaria apenas à noite, de forma que Dougie passou o dia inteiro com as três mulheres falando em seus ouvidos. Samantha achava que Dougie estava muito magro, Jazzie debochava do irmão por qualquer coisa e colocava lenha na fogueira apenas para provocá-lo. Tentando livrar-se da situação, Dougie inventou um passeio qualquer para ele e . Levaria a mulher no parque onde costumava andar de skate e esperava ter alguns momentos de paz junto de . Não foi bem o que aconteceu, já que em menos de 30 minutos de andança, Dougie acabou tendo uma surpresa nada agradável ao encontrar seu pai. Ele não disse nada, mas notou que algo estava estranho, já que Dougie mudou a rota do passeio bruscamente e seu sorriso frouxo fora substituído por uma careta desagradável. Quando já estavam de volta ao carro, ele não disse nada durante todo o trajeto, mesmo com tentando puxar o assunto das formas mais variadas. Dougie desligou o carro assim que o estacionou na garagem da casa da mãe e assim que fez menção de sair do veículo, o segurou pelo braço e pediu para ele ficar. Poynter tornou a fechar a porta e encarou com uma expressão tranquila e muito fingida.
– O que foi? – Dougie indagou, com a expressão mais falsa que conseguiu colocar no rosto.
– O que aconteceu? – ela indagou, direta e reta.
– Nada. – Poynter deu de ombros. – Não sei do que você está falando.
– Estou falando do homem que tentou falar com você no parque e de quem você fugiu. – retrucou. – Eu não sou idiota, Poynter.
– Não é nada relevante. – ele insistiu.
revirou os olhos. – Pois me parece muito relevante, já que saímos correndo do parque por causa disso.
, sério, não é nada. – Dougie suspirou, deixando os ombros caírem. Se recostou no banco e fechou os olhos com força assim que lhe lançou um olhar irritado.
– Você disse que queria ver no que isso ia dar. – lembrou, uma expressão quase desapontada no rosto. – Disse que valia a pena tentar. Eu te mostrei uma parte do meu mundo que ninguém conhece, Dougie. – ela suspirou. – Isso não vai funcionar se só eu me esforçar.
Eles se encararam por alguns instantes, antes de Poynter soltar o ar pela boca e então assentiu com a cabeça. Ele sabia que tinha razão. E ele também não tinha motivos para esconder alguma coisa dela. Ele confiava em de modo que aceitaria ser vendado e guiado por ela. Mas era um assunto complicado para ele. Ele mesmo não aceitava a situação muito bem e por este motivo era tão difícil falar daquilo. Era uma mágoa da qual ele nunca havia conseguido se livrar. Diferente de Jazzie, Dougie não havia perdoado o pai e nem via motivos para tal atitude. Seu pai não apenas havia magoado sua mãe, mas também havia magoado ele e deixado uma responsabilidade que não deveria ter estado nos ombros de um garoto de 15 anos. A responsabilidade de ser o homem da casa, tendo uma irmã mais nova e uma mãe abalada pelo final do próprio casamento. E também, eles nunca haviam sido um exemplo de relação entre pai e filho, mesmo antes de Gary ir embora. Dougie não recebeu apoio do pai no que se dizia respeito a banda e esse era o segundo maior motivo pelo qual o loiro se mantinha afastado do genitor. Não fazia diferença em sua vida.
– Aquele é o meu pai. – Dougie murmurou, em um fiapo de voz. – E parece idiota que um homem de 30 anos guarde mágoas do pai, mas eu simplesmente não consigo superar isso e tentar criar a boa relação com ele.
– Você não é obrigado a perdoar alguém que te magoou. – ponderou e Dougie, que até então olhava para o painel do carro, levantou o olhar até ela em pura surpresa. – Eu sei que teu pai abandonou vocês. E também sei que ele nunca te apoiou em nada. – a mulher suspirou. – Você não é obrigado a ter uma boa relação com ele e perdoá-lo apenas porque as pessoas esperam que isso seja uma atitude de um homem maduro.
– Você é a primeira pessoa a falar isso. – Dougie murmurou. – A maioria das pessoas entende, mas o discurso de que meu pai mudou e sempre vem junto. E eu sei que ele mudou, se não Jazzie não teria uma boa relação com ele. – suspirou alto. – Mas não consigo. Ele nos deixou sem nem pensar duas vezes. Minha mãe ficou destruída, Jazzie era uma criança e não entendia nada. E eu era um moleque, só queria tocar em uma banda e curtir com meus amigos. E aí, de uma hora para a outra, eu precisava cuidar das duas. Tínhamos contas para pagar, problemas para resolver… ele não pensou nisso quando foi embora. Não pensou em mim ou na Jazzie. Não pensou que estaria magoando a minha mãe. Pensou apenas nele. E eu não consigo perdoar isso.
– E você não precisa. – disse. – Não precisa mesmo, Dougie. Olha tudo o que você conquistou. Tudo pelo que você passou. Tudo sem ele. Não faz diferença na sua vida, então não tem porque mudar isso. Você é um homem adulto, não deve satisfações para ninguém. Não é obrigado a fingir que alguém não te magoou. Quem deve se arrepender pelo que fez é ele. E talvez ele se arrependa. – ela deu de ombros. – Mas é fácil demais apontar o erro dos outros quando não somos nós na situação.
levantou e pulou para o colo de Dougie. O abraçou pelo pescoço e deixou que ele escondesse o rosto na curva de seu pescoço, enquanto a envolvia com os braços pela cintura. Dougie soltou o ar pela boca, sentindo um peso sair de suas costas. havia sido a primeira pessoa a não julgá-lo por preferir se manter afastado do pai e aquilo significava demais para ele. Dougie nem sabia mensurar o quanto.
– Obrigado. – ele suspirou baixo.
– Pelo que?
– Por ver as coisas com os meus olhos e não me julgar pelas minhas escolhas.
– São as suas escolhas, Dougie. – segurou o queixo dele e fixou o olhar mas irises azuis de Poynter. – Eu não tenho porque te julgar. Apenas aceitar e te dar apoio. – ela deu de ombros, antes de abrir um sorriso fraco.
O coração de Dougie perdeu uma batida quando fechou os olhos e o beijou na testa. Sentiu-se alegre e com um sentimento confortável de ser importante para ela. Sentiu-se cuidado, como não se sentia a muito tempo. Talvez toda sua vida, já que não lembrava de receber tanto carinho e empatia de uma mesma pessoa. Dougie também fechou os olhos, suspirando baixinho e a apertando ainda mais em seu abraço. Ele não precisaria de muito mais para descobrir que estava apaixonado. E talvez ele aceitasse aquele sentimento como aceitava o abraço de : de bom grado e de braços abertos.

Capítulo 26 – A pessoa certa

O último dia de Dougie e em Essex amanheceu ensolarado. Os pássaros cantavam empoleirados na árvore de fronte a janela do quarto de Poynter e o cheiro das panquecas de Samantha invadia a casa. Quando Dougie acordou, a cama ao seu lado já estava vazia e apenas o cheiro de lhe fazia companhia. Ele suspirou baixinho, passando as mãos pelos cabelos e esfregando os olhos, antes levantar da cama e seguir para o banheiro. Tomou um banho rápido e fez sua higiene, se vestindo em seguida e iniciando a organização de sua mala. , metódica como ela era, já tinha todas as suas coisas organizadas e muito bem guardadas em sua mala desde a noite anterior. Dougie, tal qual como um bom preguiçoso, havia deixado tudo para a última hora graças ao maldito jogo que havia comprado na Apple Store. Passou a noite jogando enquanto e Jazzie assistiam a um programa de reformas e se fechavam em um mundinho só delas. Jazzie havia mostrado as fotos de infância dela e de Dougie para , que havia se divertido horrores à custa do loiro. Poynter se sentira abandonado, mas jamais se deixaria demonstrar aquilo em frente à Jazzie. Já havia sido zoado o suficiente naqueles últimos dias.
Após organizar suas coisas e arrumar a cama, Dougie desceu para o primeiro andar e encontrou Jazzie jogada no sofá, cochilando de olhos abertos, já que mirava a TV, mas parecia estar em outra realidade. Riu e se aproximou dela, depositando um peteleco no nariz da irmã, que deu um pulo graças ao susto e levou apenas dois segundos para estapear Dougie no braço.
– Babaca. – xingou, nada contente.
– Cadê a ?
– A namorada é sua, não minha. – Jasmine retrucou, nada inclinada a ser simpática com o irmão mais velho depois da atitude infantil dele.
– Lembre-se disso na próxima vez que for monopolizar a atenção dela. – Dougie acusou e Jazzie o encarou com divertimento.
– Ciúmes? – estalou os lábios, antes de dar-se conta da raridade que fora a fala do irmão. Dougie longe do estado de negação era algo que ela não podia perder. – Espera… Próxima vez? – ela riu. – Não era apenas uma “coisa”? – fez aspas com os dedos. – Agora vai ter uma próxima visita de vocês aqui? – alargou o sorriso. – Espero que escolham convites bonitos para o casamento de vocês.
– Vá se ferrar. – Poynter xingou, sem estender o assunto, se afastando do sofá e seguindo para a cozinha enquanto Jazzie gargalhava. Dougie já estava cansado de ser o motivo das piadas da irmã mais nova.
O corredor que levava para a cozinha estava impregnado pelo cheiro de panquecas e de café recém passado e a barriga de Dougie se manifestou em animação com um barulho esquisito. Poynter fez careta e estava com a mão estendida para girar a maçaneta e abrir a porta quando a voz de se fez presente e Dougie, atiçando a curiosidade do loiro a respeito do assunto entre e sua mãe.
– Eu não tenho do que reclamar. – falou, estalando os lábios em seguida. – Eu adoro meu emprego e não gostaria de voltar para as passarelas e abandonar as tortas de morango. – riu, sendo acompanhada por Samantha.
– Dougie elogia demais a sua comida. – a mais velha comentou. – Algumas semanas atrás ele me enviou uma foto de um cheesecake que vocês fizeram juntos e eu fiquei com água na boca!
– Não fizemos juntos! – negou e Dougie mordeu seu riso. Era óbvio que ele havia aumentado sua participação na criação daquele cheesecake e que reclamaria por horas quando descobrisse que ele havia mentido para Sam. – Eu fiz tudo, ele apenas cuidou para a ganache não queimar.
– Típico de Dougie. – Samantha suspirou e Dougie a imaginou revirando os olhos. – Eu bem que desconfiei, mas como já havia ouvido muito sobre você, pensei que ele realmente estivesse empenhado em aprender a cozinhar para te agradar.
– Ele me agrada comprando hambúrgueres. – pontuou e Dougie sorriu largo. o defendendo era realmente algo raro e que trazia uma sensação gostosa na boca do estômago de Poynter.
– Espero que ele te agrade de outras maneiras também. – Sam concluiu, fazendo rir.
– Acredite, ele agrada sim.
Alguns segundos de silêncio seguiram a fala de e Dougie estava pronto para entrar de uma vez na cozinha quando Sam estalou os lábios, em uma atitude que indicava que ela queria falar alguma coisa e não sabia por onde começar. Dougie havia ouvido aquele estalar de lábios por muitos anos de sua vida, fosse cara a cara ou por uma ligação ou chamada de vídeo. Conhecia muito bem a mãe que tinha.
, eu queria te perguntar uma coisa. – Samantha murmurou.
– Sou toda ouvidos. – incentivou.
– Você está feliz?
– Perdão? – riu de nervoso.
– Com Dougie. – Samantha explicou. – Ele lhe trata bem?
Dougie franziu o cenho, sem entender o propósito da pergunta de sua mãe. Afinal, ele não era uma pessoa ruim para que Sam ficasse preocupada com o bem-estar de .
– Sim. – afirmou. – Dougie é uma pessoa incrível. Não teria capacidade de fazer mal a uma mosca. – riu fraco.
– Quando ele era pequeno ele se recusava a andar na grama para não matar as formigas. – Sam comentou.
– É realmente algo que eu poderia imaginar que Dougie faria. – gargalhou.
– Dougie tem problemas com relacionamentos. – Samantha comentou, mudando completamente de assunto, o que causou um desconforto imediato em Poynter. – Eu consigo ver o quanto ele gosta de você, mas me preocupo com a forma que ele esteja lidando com isso.
Dougie se aproximou um pouco mais da porta para ouvir melhor a conversa entre sua mãe e sua… Namorada? Amiga com benefícios? Casinho? Dougie já não sabia mais classificar sua relação com , apenas sentia que existia algo. A conversa que haviam tido a respeito de seu pai havia estabelecido uma ligação ainda mais significativa entre e ele. E todas as provocações apenas deixavam claro que havia uma tensão sexual concreta entre eles e que não seria necessário muito autocontrole para que eles extravasassem todo aquele tesão reprimido com um sexo pesado.
E quando eles finalmente se encontrassem na cama, o último dos estágios para o estabelecimento de uma intimidade concreta, nada poderia separá-los senão eles mesmos. Mas Dougie não sabia daquilo e esperava apenas um sexo incrível.
– Eu já tive muitos relacionamentos ruins, Sam. – suspirou. – Ruins mesmo. Mas eu não tenho nada para reclamar de Dougie. Ele é extremamente atencioso, carinhoso e preocupado. Escuta-me, mesmo nas coisas mais bobas. Ele presta atenção nos pequenos detalhes e isso torna tudo diferente entre nós.
Dougie sorriu convencido, fazendo uma nota mental de que merecia uma boa massagem nas costas.
– Eu fico feliz por ouvir isso. – Sam suspirou em puro alívio. – Estou torcendo por vocês.
Poynter fez uma careta nada simpática, não gostando nada do rumo que aquela conversa estava tomando.
– Eu consigo ver no olhar dele o quanto você o faz bem. Eu não sei dizer, mas sinto que pode ser você.
– O que?
– A pessoa certa para Dougie. – Sam suspirou. – Ele esteve sozinho há tanto tempo. Mesmo enquanto ainda estava com Ellie, dava para ver que faltava algo. Eu podia ver que tinha algo faltando. Agora não vejo mais. Eu quero que Dougie ame. Aquele amor imensurável sabe? Ele nunca teve isso e por isso se tornou tão sozinho.
– Eu juro que estou dando meu máximo para mostrar a ele que existem outros tipos de relacionamentos. – confessou, em um tom de voz mais baixo que fez com que Dougie precisasse se aproximar mais da porta para ouvi-la. Um bolo subiu em sua garganta e ele quase engasgou. – Dougie se tornou uma pessoa importante na minha vida e quero vê-lo bem.
– Eu espero que vocês deem certo. Gostei de você. – Samantha falou, de forma amorosa e Dougie a imaginou acariciando o rosto de , da forma que sempre fizera com ele ao usar aquele tom de voz.
– Eu também. – falou e então Dougie se obrigou a interromper o momento. Precisava tomar uma atitude antes que seu coração saísse pela boca. O que significava aquele “eu também”? realmente acreditava que eles poderiam dar certo? Ela queria que desse certo? Dougie tinha um turbilhão de pensamentos rondando sua mente e precisava se acalmar.
Respirou fundo antes de arrastar os pés pelo corredor e então girar a maçaneta da porta, adentrando a cozinha e forçando um sorriso para as duas mulheres, tentando demonstrar tranquilidade enquanto seu interior estava uma bagunça. Samantha o encarou com um brilho no olhar diferente e tinha as bochechas levemente coradas e o sorriso contente que brincava no canto de seus lábios fez Dougie alargar seu sorriso automaticamente, mesmo com seu interior ainda uma bagunça.
– Bom dia filho. – Sam murmurou, se aproximando do primogênito e o abraçando.
– Bom dia mãe. – Dougie respondeu, beijando-a na cabeça. Sam o soltou e voltou para o fogão, e logo Poynter se aproximou de , que estava sentada no balcão e o recebeu de braços abertos. O loiro se colocou por entre as pernas dela e a abraçou pela cintura, aproximando seus lábios rapidamente e sentindo um nervosismo estranho na boca de seu estômago, que em nada tinha relação com os efeitos da conversa que havia escutado. Nos últimos dias, andava sentindo nervosismos demais quando se aproximava de e ele não conseguia entender o motivo. Nunca havia sentido aquilo antes.
– Bom dia. – ela desejou baixinho, escondendo o rosto contra o peito dele.
– Pronta para nosso último dia de férias? – o homem indagou, acariciando os ombros dela em uma quase massagem.
– Não. – entortou os lábios. – Voltar a trabalhar vai ser um saco. – reclamou e Dougie riu.
– Você não tem aquela entrevista com o elenco de Spider-Man? – lembrou, fazendo-a sorrir imediatamente.
– Nossa, eu havia esquecido. – exclamou, batendo com a mão na própria testa. – Vamos voltar agora! – falou, causando mais risos em Poynter.
– Facilmente trocado por Spider-Man. – Dougie revirou os olhos.
– Não vejo Melinda Breslin e Tom Holland todos os dias. Você é meu vizinho, já cansei de olhar para a sua cara. – ela deu de ombros, fazendo pouco caso do homem. Dougie a beliscou na cintura, antes de eles darem um último beijo e ele procurar pelo café da manhã pelo qual ansiava, enquanto Sam os observava com um sorriso gigante no rosto.

Durante a viagem de volta para Londres, Dougie manteve-se pensativo. Tinha um turbilhão de pensamentos e sentimentos dentro de sua cabeça, muitos dos quais ele conhecia e tinha medo. Estar se apaixonando de verdade, depois de muito tempo sozinho, não estava em suas metas para aquele ano. Principalmente porque a pessoa pela qual estava nutrindo tais sentimentos era . Eles haviam começado tudo aquilo de forma tão estranha e inesperada. A intimidade era algo natural, mas todo aquele sentimento era preocupante. Dougie não sabia mais se apaixonar. Não queria aquilo. Mas como poderia tirar aquilo de seu peito, sendo que todo sorriso de estava lhe provocando borboletas no estômago? Se não conseguia mais ficar longe dela? Queria o cheiro dela impregnado em suas roupas e os beijos que trocavam a todo instante. Queria dividir mais momentos de sua vida com ela, queria ela por perto por mais tempo do que deveria. E talvez ela quisesse a mesma coisa. Dougie não saberia afirmar com exatidão que entendia os sentimentos da mulher. Afinal, ela poderia estar apenas empenhada no acordo que tinham.
Em Londres, as coisas poderiam voltar ao que eram antes. Aquela semana havia necessitado de uma nova postura entre eles. Suas famílias estavam o tempo todo com eles e eles precisavam de uma atenção maior para não entregar a verdade sobre aquele relacionamento. Mas para Dougie, nada daquilo havia sido fingimento. E quando se dera conta daquilo, um medo absurdo tomara conta de todo seu ser. Ele queria saber se para havia sido apenas atuação ou se ela tinha sido verdadeira em suas atitudes e palavras. E por conta de toda essa confusão, Dougie fora o caminho todo inquieto, enquanto dormia no banco do passageiro, completamente alheia aos sentimentos confusos dentro de Poynter. A mulher despertou quando já estavam em Londres e tinham apenas mais dez minutos antes de chegarem ao seu bairro. Dougie estacionou o carro em sua garagem e ajudou com suas malas, largando-as no hall da casa da mulher e então retornando para o exterior, se escorando na parede enquanto abria um sorriso fraco e fechava a porta atrás de si, encostando-se ao objeto e encarando Dougie com uma pitada de nervosismo.
– Então é isso. – ela murmurou, soltando um suspiro baixo.
– É isso. – Dougie concordou com um aceno de cabeça. – Vai fazer o que amanhã? – questionou, de forma tranquila.
– Não sei. – deu de ombros. – Acho que vou organizar a casa. Preciso me livrar de toda poeira para não morrer por causa da rinite. – ela riu.
– Se precisar de ajuda, pode me chamar. Não vou limpar a minha casa tão cedo.
– Não seja porco. – estalou os lábios. – Mas eu te chamo se precisar. – ela sorriu fraco. Deu um passo em direção a Dougie e o envolveu pelo pescoço, sentindo os braços do homem em torno de sua cintura no instante seguinte. – Te vejo durante a semana.
– Sim, claro. – Dougie concordou. Desfez o abraço, mas não retirou as mãos da cintura de . Encarou-a diretamente nos olhos e vacilou rapidamente, descendo o olhar para os lábios dela e sentindo novamente aquele nervosismo tomar conta de si. Que droga era aquela, afinal de contas? Por que se sentia daquela maneira? Sendo sugado para uma realidade onde tudo o que podia ver e ouvir eram ? Onde tudo o que ele queria era ela? Ela e apenas ela. Ele iria sentir saudades. Saudades daquela pequena rotina que haviam criado durante aqueles dias. Aquela semana o havia acostumado mal e Dougie não sabia como iria lidar com a distância, mesmo que ela não fosse realmente significativa, uma vez que eles eram vizinhos. Mas ele havia se acostumado em dormir com . Sentir o cheiro dela ao acordar. Os beijos, os abraços, os carinhos… Eles não teriam tanto daquilo dali para frente. Suas rotinas não deixariam e Dougie não saberia lidar com a distância. Queria ficar perto dela o tempo todo e aquilo o assustava consideravelmente. Fazia bastante tempo que não sentia algo tão forte. E ser a detentora de seus sentimentos era algo realmente inesperado. E um pouco desesperador.
– Eu quero te beijar. – Dougie murmurou. – Você não tem ideia do quanto.
sorriu, assentindo com a cabeça. Segurou nos ombros de Poynter e se inclinou para ele, aproximando seus rostos e roçando seus lábios aos do loiro. Suspirou contra a boca dele antes de deixar um selinho rápido, se afastando para poder olhar nos olhos de Dougie no instante seguinte.
– Você pode me beijar. Já havíamos concordado que existe algo aqui, antes mesmo de irmos para York. – murmurou.
– Eu sei. – Dougie assentiu. – Mas essa semana pareceu fazer parte de outra realidade. Eu não quero te forçar a nada. – disse, arrancando um risinho de .
– A única coisa que você vai forçar é meu corpo contra a porta quando finalmente me beijar, Poynter. – ela falou, fazendo Dougie rir também e sacudir a cabeça para os lados. Aquela mulher era completamente dona de si e ele já devia ter se acostumado com aquilo. não fazia nada que não queria. E se ela estava ali, com o corpo a milímetros de distância do dele, era porque ela queria. Ela o queria. E quem era ele para lhe negar qualquer coisa? Principalmente algo como aquilo. Ele jamais poderia afirmar ser capaz de negar um beijo a ela. Estava viciado em e todas as sensações que ela lhe proporcionava. E queria mais a cada dia que passava.
Dougie deu um passo para frente e realmente pressionou o corpo contra o de , empurrando-a contra a porta e colando seus corpos. Desceu as mãos que estavam na cintura dela para os quadris e então para as coxas da mulher, sem desviar o olhar do dela, os narizes se encostando, as testas coladas e as respirações misturadas. Dougie segurou pelas coxas e ela impulsionou o corpo para cima, envolvendo-o pela cintura com as pernas, diminuindo a distância de seu abraço no pescoço de Poynter no instante seguinte. Soltou um suspirou baixinho quando Dougie capturou seus lábios em um pequeno beijo e agarrou os cabelos da nuca dele com a destra, deixando a canhota no ombro de Dougie e usando as unhas para arranhá-lo.
– Me beija logo. – ela pediu, quase em um sussurro.
– Eu quero aproveitar. – Dougie respondeu, movendo os lábios dos de para a bochecha da mulher, beijando a ponto do queixo dela antes de voltar a encará-la. – Não vou ter seus beijos a todo instante nos próximos dias.
– Você tem a chave de casa. – lembrou. – Não precisa ficar sentindo vontade.
Dougie sorriu: – Você não deveria ter sugerido isso. Não vou te deixar em paz.
– Tudo bem. – riu. – Não é nenhum sacrifício ficar com você.
– Mesmo? – Poynter arqueou a sobrancelha direita para , mordendo o lábio inferior dela em seguida.
– Mesmo. – ela assentiu e logo os lábios de Dougie estavam sob os dela.
Aquele era um beijo diferente. Diferente de todos os outros que haviam dado durante a semana. Era um beijo que já tinha gosto de saudade. Um beijo que nenhum deles gostaria que acabasse e por saberem que aquele era um destino inevitável, se beijavam como se quisessem marcar um ao outro. Não havia mais escapatória daquele relacionamento. Eles estavam verdadeiramente envolvidos e nenhum deles gostaria de estar de outra forma. Não mais. Não havia mais porque se esconder daquilo. Estava claro como cristal e seria burrice, de qualquer um deles, fingir ao contrário.
Dougie suspirou entre o beijo, chupando a língua de daquela forma que ele descobrira que ela adorava, já que ela sempre o arranhava nos ombros com mais vontade quando ele fazia aquilo. Mordiscou o lábio inferior dela em busca de fôlego, descendo uma trilha de beijos pelo pescoço da mulher, que soltava grunhidos em aprovação e descontava sua animação puxando os cabelos da nuca de Poynter. Dougie beijou a clavícula de com cuidado, subindo os lábios para o pescoço dela novamente antes de abocanhar a área atrás da orelha da mulher.
– Poynter. – ela gemeu baixinho, puxando-o para mais perto de si e sentindo os efeitos do beijo que trocavam reverberarem na área abaixo de seu umbigo.
– Merda. – Dougie xingou, mordendo a bochecha de antes de colar suas testas e abrir os olhos, encarando-a com a luxúria explícita em seu olhar. – Você vai me deixar louco. – ele acusou. respirou fundo e mordeu o próprio lábio, segurando o rosto de Poynter com as mãos e aproximando seus lábios dos dele mais uma vez.
– A gente se vê amanhã. – ela decidiu. – Tudo bem?
– Certo. – ele assentiu em concordância. Beijou-a intensa e lentamente uma última vez, desejando que tivesse uma noite tão inquieta quanto a que ele sabia que teria, já que não pararia de pensar nela nem por um segundo. – Nos vemos amanhã.
pulou para o chão e Dougie a abraçou pela cintura, escondendo o rosto contra o pescoço dela e respirando o cheiro de antes de finalmente se afastar. Ela o segurou pela gola da camiseta e depositou um selinho nos lábios de Dougie, dando as costas para ele e entrando em sua casa. Poynter respirou fundo, soltando o ar pela boca e passando as mãos pelos cabelos. Encarou a porta da casa de uma última vez antes de finalmente seguir para sua própria casa. Deixou as malas no carro, já que não tinha pressa de arrumar as coisas naquele dia e entrou em casa, trancando a porta e seguindo para seu próprio quarto. Tomou um banho gelado e se jogou na cama, usando apenas uma boxer e calça de moletom. Cruzou as pernas e então pegou o celular que havia jogado na cama antes de ir para o banheiro. Encarou a tela do aparelho por alguns instantes antes de finalmente tomar uma decisão. Abriu o WhatsApp e digitou algumas mensagens para .
Estava feito. Ele havia finalmente desistido de fingir que não a queria. Agora cabia a decidir o que fazer. Dougie havia dado o último passo em direção ao estabelecimento de uma relação verdadeira entre eles. deveria escolher entre aceitar ou não. E quando ela finalmente apareceu na porta de seu quarto, Dougie percebeu que algo muito maior do que a vontade de transar estava acontecendo entre eles. Mas com em seu colo, o beijando de forma desesperada, ele não poderia ligar menos para aquela constatação. Iria se preocupar com aquilo na manhã seguinte.

Capítulo 27 – Nove indícios e um coração barulhento

Você pode ler o spin off (+18 anos) que precede esse capítulo aqui.

Quando Dougie acordou no domingo, sua primeira reação foi soltar um assobio baixo e abrir um sorriso largo. Fazia muito tempo desde a última transa realmente boa que ele havia tido e estar de muitíssimo bom humor era apenas a reação mais sensata que ele poderia ter. Piscou lentamente, antes de suspirar e olhar em direção a em seu lado direito. Ela tinha as pernas enroscadas nas de Dougie, mas dormia virada para a porta do quarto. As costas nuas, os cabelos jogados pelo travesseiro, um dos braços em torno de uma almofada de Poynter e uma expressão tranquila – e até mesmo satisfeita – no rosto. O lençol cobria a bunda dela e Dougie desceu seu olhar por todo o corpo de , com as lembranças da noite anterior vivas em sua mente. Havia sido muito bom. Bom demais e ele tinha certeza de que estava viciado. Iria querer àquela mulher a todo instante depois de tê-la e aquilo não seria normal. Aquela atração era forte demais, Dougie não se lembrava de já ter se sentido daquela forma alguma vez na vida. Ali, deitado ao lado de e contando todas as pintinhas que a mulher tinha nas costas, Dougie se pegou analisando todo aquele turbilhão de sensações e sentimentos que estavam se manifestando dentro de si nos últimos dias. Era tudo intenso demais e não poderia ser apenas carinho por . Ele sentia que havia algo a mais, mas não sabia denominar o que era exatamente. Já havia se apaixonado anteriormente e nunca havia sido daquela forma. E com um estalo, algumas conversas com Jazzie surgiram em sua mente.
E se… Não, Dougie logo descartou a possibilidade que surgiu em seus pensamentos. Ele já havia se apaixonado. Sabia que sim. Jazzie sugerira que ele nunca havia sentido aquilo e estava experimentando pela primeira vez era algo realmente irreal. Afinal, ele havia se apaixonado por Frankie, Lara, Ellie e algumas outras mulheres com quem não tivera um relacionamento. Ele tinha certeza. E quando parou para rever seus relacionamentos anteriores e a forma como lembrava se sentir, não via semelhanças com a forma como sentia-se a respeito de . Então talvez Jazzie estivesse certa e ele nunca tivesse se apaixonado de verdade. E com um terror tomando conta de seu coração, Dougie buscou o celular na mesa de cabeceira e abriu a caixa de pesquisas na internet.
Encarou a tela do celular por longos segundos, sentindo-se a pessoa mais idiota da face da Terra, antes de revirar os olhos e jogar tudo para o alto. Já estava fodido da cabeça mesmo, aquela pesquisa na internet seria apenas a confirmação final de seu desespero. Encontrou uma matéria do Independent que parecia confiável, e sem realmente acreditar que estava fazendo aquilo, começou a ler os nove indícios de que alguém estava apaixonado, segundo a Ciência. Porque sim, ele estava pirando e precisava confirmar que aquilo era tudo coisa da sua cabeça. Não estava apaixonado por e a Ciência iria garantir aquilo.
1 – Você não consegue parar de olhar para ela.
Talvez, Dougie pensou. Ele olhava para com frequência? Sim, mas não era educado ignorar a pessoa com quem conviveu durante uma semana inteira. E ele a adorava. Analisar os trejeitos dela era quase que um passatempo. era uma criatura inigualável. Assinalou mentalmente um sim e suspirou, passando para a próxima afirmativa, sentindo-se muito idiota.
2 – Você sente como se estivesse fora de sua mente.
Oh, sem dúvidas! Nem precisava pensar naquela resposta, visto que a única coisa da qual tinha certeza é que sua cabeça estava uma bagunça completa, onde apenas era uma constante. Outro sim.
3 – Você sempre pensa sobre ela.
Oh, sim. E não somente porque eles haviam passado os últimos dias juntos, mas sim porque Dougie gostava de analisar e descobrir coisas sobre ela. Dougie pensava sobre o tempo todo, quando estavam juntos se questionava sobre os pensamentos dela e quando estavam longe, sobre o que ela estaria fazendo. Sim, mesmo que ele não gostasse de admitir.
4 – Você quer que ela seja feliz.
Aquele era mesmo um indício? Dougie não desejava infelicidade para ninguém. Sim, era óbvio.
5 – Você anda estressado.
Não, nenhum pouco. Ele sentia-se extremamente em paz e tranquilo com suas decisões. Como não sentia-se desde sua saída da reabilitação e sua decisão de lutar pela sobriedade.
6 – Você não se importa em se machucar no processo.
Não. E aquele era um não muito bem definido. Dougie nem precisava pensar naquela resposta. Ele não queria se machucar. Já havia superado a ideia de que amar era sinônimo de sentir dor e não queria aquela sensação novamente, obrigado. Mas ele sabia que com ele jamais sairia machucado. As chances de ele fazer alguma merda e acabar magoando-a eram bem maiores do que de ela o magoar. tinha muito respeito e cuidado pelos sentimentos dos outros. Ela era incapaz de magoar alguém e Dougie a adorava um pouco mais por conta daquilo.
7 – Você está tentando coisas novas.
Bom, era óbvio que sim. Toda a dinâmica daquele relacionamento implicava em testar novas coisas, já que eles não haviam começado aquilo de forma verdadeira. E ele havia testado uma porção de coisas com durante aqueles meses de convivência. Havia cozinhado, dormido de conchinha e comprado um anel de compromisso. Sem falar nos jantares não programados com os quais eles haviam se acostumado antes da turnê. Merda, era outro sim ali.
8 – Seu coração está sincronizado com o dela.
Na noite anterior eles estavam. Eram apenas um e aquela lembrança estava viva demais na cabeça de Poynter. Ainda sentia os lábios de contra os seus, enquanto movia seu corpo contra o dela e seus corações batiam em conjunto. E quando o sexo acabou e Dougie puxou para seus braços, eles adormeceram com as batidas de seus corações sincronizadas. Era outro sim e Dougie nem precisava fazer a contagem para saber o resultado.

Todos os sim indicavam que ele estava apaixonado. A porra da Ciência estava esfregando em sua cara, uma coisa que Jazzie já havia sugerido e Dougie havia descartado. Porque afinal, quais eram as chances de Dougie Poynter se apaixonar por ? Eles se conheciam a quase dez anos e aquilo nunca havia tido a mais remota chance de acontecer! O que havia mudado? Dougie suspirou, abandonando o celular e voltando a encarar , sentindo um quentinho no coração que lhe fazia muito bem. Suspirou, antes de se aproximar e beijar as costas dela, subindo para o ombro direito e afastando os cabelos da nuca da mulher. Depositou alguns beijinhos cálidos na pele dela, até que despertasse. Ela se virou para ele e abriu um sorriso preguiçoso, que fez o coração de Dougie abrir suas portas para ela de uma vez por todas. Não tinha como lutar contra aquilo. Aquela mulher o havia conquistado completamente.
– Bom dia. – ela murmurou, rouca, enquanto apenas uma constatação pipocava na mente do loiro: ele estava completamente apaixonado por ela.
– Bom dia. – Dougie desejou, puxando-a para seus braços e unindo seus lábios, em um sinal de aceitação daquele sentimento. Porque apesar do medo de saber que estava apaixonado, Dougie não iria fugir. Ele queria estar apaixonado. E não como alguém que queria amor, não importasse de onde ou como viesse, como havia sido das outras vezes em que pensara estar apaixonado. Ele queria o amor de . Apenas o dela e aquilo respondiam todas as suas perguntas.

O cheiro de panquecas tomava conta de toda a cozinha. Lost in Your Light da Dua Lipa tocava no ambiente e dançava no ritmo da música enquanto terminava de preparar as panquecas para o café da manhã no fogão. A mulher usava uma camiseta de Poynter e sua própria calcinha – que achara perdida pelo quarto quando Dougie e ela finalmente levantaram da cama naquela manhã, depois de horas procrastinando e trocando carícias. Poynter estava no balcão, descascando e cortando algumas frutas em cubos, na esperança de conseguir fazer uma taça decorada que lhe rendesse um sorriso largo e um beijo longo de . O suco de laranja ele havia preparado com ajuda do espremedor de frutas e a pasta de amendoim para as panquecas já estava no balcão.
Em determinado momento da música, Poynter finalizou sua tarefa e contente com o resultado – a taça realmente havia ficado bonita, graças a variedade de frutas e cores -, Poynter se aproximou de – que havia finalmente terminado a última panqueca e desligado o fogão – e a abraçou pelas costas, beijando a curva do pescoço dela e fazendo-a rir baixinho.
– Vamos comer? – ela indagou e Dougie riu contra a pele dela.
– Depende do que você está oferecendo. – deu de ombros.
– Você já não teve o suficiente? – questionou, a diversão aparente em seu tom de voz. Dougie apertou os braços em torno da cintura dela.
– De você? Acho que não. – estalou os lábios. se virou de frente para o loiro e o abraçou pelo pescoço, aproximando seus lábios dos dele e selando-os lentamente.
– Gosto quando é sincero. – a mulher murmurou. – Me traz segurança para também ser sincera com você, sobre qualquer coisa e principalmente sobre nós.
– Já somos “nós”? – Dougie arqueou as sobrancelhas.
– Bom, se levarmos em consideração que o último passo para estabelecermos uma relação era transar, acredito que sim. – deu de ombros. – Mas isso não é a imposição de um rótulo. – a mulher deixou claro e Dougie assentiu com a cabeça. – Só estou tentando deixar tudo claro. Não somos mais adolescentes para ficar escondendo o jogo. – concluiu.
– Eu sei. – o loiro murmurou. – Eu gosto de sermos nós.
– Bendito sexo. – riu e afundou o rosto contra o pescoço do homem, deixando alguns beijos contra a pele dele.
– Ainda bem que você cedeu. – Dougie suspirou e no mesmo instante os beijos de cessaram. Ela se afastou dele e com uma expressão pouco amigável, fitou seus olhos.
– Eu cedi? – grunhiu. – Foi você quem cedeu, Poynter. Perdeu. – declarou. Dougie findou o abraço e deu um passo para trás. cruzou os braços em frente ao corpo e manteve a expressão severa no rosto: olhos em fendas e lábios franzidos, e Dougie logo soube que estava encrencado. Mas a achava linda com aquele bico emburrado nos lábios.
– Você veio até aqui. – ele lembrou. – A matemática é fácil, não tente reverter a situação. Você quem perdeu.
gargalhou de forma irônica. – Dougie, você mandou a mensagem. – ela acusou. – Foi você quem cedeu, meu querido.
– E você veio em casa. – Dougie repetiu. – Qual das duas parece uma medida desesperada? – sorriu de forma triunfante.
– Você vai ver o desespero quando eu enfiar a mão na sua cara. – bufou, marchando para fora da cozinha. Dougie riu, seguindo a mulher no instante seguinte.
– Não precisa ter vergonha, . – ele provocou. – Eu sou realmente maravilhoso, então não posso te julgar por ter cedido.
– Você quer que eu releia a nossa conversa, Poynter? – ameaçou, enquanto subia as escadas e Dougie a seguia. – Porque eu lembro com exatidão de uma mensagem sua que dizia que deveríamos continuar a nos beijar e não parar mais.
– Exatamente. – Dougie concordou e se virou para ele, parando no meio do corredor do segundo andar. – Beijar, não transar. – alargou o sorriso debochado.
– Ah, vá se foder. – xingou e fez menção de voltar a seguir o caminho em direção ao quarto do homem. Dougie tinha certeza de que ela iria pegar suas coisas e ir para sua casa, mas ele ainda não estava preparado para deixá-la ir. Ele ainda queria mais de naquele dia. E nos dias que iriam seguir aquele.
Com passos rápidos, Dougie segurou pelo braço e a puxou em sua direção. Ela soltou um grunhido descontente, mas logo estava nos braços dele, que a encarava diretamente nos olhos.
– Eu estava esperando uma resposta sua para ir até a sua casa. – confessou. O olhar de suavizou, mas ela não o abraçou como Dougie precisava. Ele desceu as mãos para a cintura dela e acariciou a pele da mulher por cima da camiseta. – Você me deixa fascinado e um pouco obcecado por você, . – suspirou. – Eu não menti quando disse que a sua boca me deixava louco. Mas não apenas ela, como você por inteira. Tem alguma coisa que me puxa em sua direção desde aquele beijo no show de Danny. – Poynter deu de ombros. – Eu sou apenas idiota e estava te provocando, mas você já sabia disso. – riu baixinho.
espalmou as mãos nos ombros de Dougie e o beijou lentamente.
– Eu não vou transar com você agora só porque disse coisas bonitas. – ela retrucou, quando separou seus lábios dos dele. Manteve perto o suficiente para sentir a respiração de Dougie contra sua boca.
– Transa comigo depois. – ele suspirou, puxando-a para mais um beijo de tirar o fôlego. De ambos, já que se afastou de Dougie com a respiração falha e os lábios vermelhos.
– Talvez agora. – ela decidiu, puxando-o para o quarto e fazendo-o rir. Adorava aquela mulher demais.

– Eu preciso organizar essas coisas Poynter. – reclamou, afastando as mãos dele de seus ombros. Era noite de segunda-feira e ela tinha uma pilha de coisas do programa para organizar. Havia adiantado parte do trabalho antes de viajar, mas já tinha muito trabalho acumulado, entrevistas para agendar e programas para gravar até o final daquela semana. Dougie estava sentado no sofá, ao lado de , que estava inclinada em direção à mesa de centro, com todos seus papéis e suas três agendas esparramadas pelo móvel. Ambos usavam roupas confortáveis e esperavam pela pizza que Dougie havia encomendado para que jantassem em sua casa naquela noite.
– Só estou fazendo uma massagem nesses seus ombros tensos. – Poynter retrucou.
– Estou tensa porque você fica tirando a minha atenção do trabalho. – ela lançou um olhar de lado para ele, nada amigável. – Quanto mais cedo eu terminar, mais rápido posso te dar atenção. É isso que você quer, não é? – ela provocou.
– Você está muito egocêntrica. – Poynter decidiu.
– Estou convivendo demais com você. – devolveu, piscando para ele lentamente. Poynter deu de língua para ela.
– Vou tomar um banho. – avisou.
– Traz o meu celular quando descer. – ela pediu.
– Se a pizza chegar, você me espera para comer. – Poynter destacou.
tinha sua atenção de volta aos papéis e mordia a ponta de uma caneta. Deu de ombros, sem dar-se ao trabalho de olhar para o loiro. – Não prometo nada.
Dougie beliscou a cintura dela, recebendo um tapa no braço, antes de subir para o segundo andar. Ocupou o banheiro e tomou um banho rápido, lavando os cabelos com seu shampoo favorito e então vestindo um conjunto de moletom. Não estava tão frio naquela noite e Dougie agora poderia contar com o calor do corpo de para aquecê-lo, já que a morena passaria a noite na casa dele. Quase na porta de seu quarto, Dougie se lembrou do pedido de e então retornou para perto da cama, pegando o celular que a mulher havia deixado carregando em cima da mesa de cabeceira e encarando o papel de parede com um sorriso fraco. usava uma touca de panda e Annelise estava ao seu lado, usando uma touca idêntica e fazendo careta enquanto sorria. Aquela foto aqueceu o coração de Dougie, que por um mísero instante, pensou em como seria se e ele seguissem os mesmos passos de seus amigos. Mas aquele instante de devaneios estranhos fora substituído por uma expressão nada contente e uma sensação de irritação e inquietude. Uma notificação de um número não salvo na agenda de apareceu no celular da mulher e apesar de odiar a ideia de invadir a privacidade de , a curiosidade de Dougie falou muito mais alto do que seu bom senso. Curiosidade essa que ele usava como desculpa para mascarar seu ciúme.

Aqui é o Trevor, sei que provavelmente você apagou o meu número. Pensei que fosse vir ao casamento da Kimberley. Ela te esperou e como estamos bem um com o outro, nós dois achamos que te veríamos por aqui. Uma pena que não veio, eu gostaria de te ver. Espero que esteja bem, beijo!

Dougie apertou o botão de bloqueio da tela do celular de e respirou fundo, antes de passar a mão pelos cabelos molhados e então soltar o ar pela boca. Não gostou nenhum pouco de saber que Trevor estava mandando mensagens para . Porque aquela poderia não ser a primeira. E só de pensar na possibilidade de decidir voltar para Scott, seu estômago se contorcia e ele sentia ânsia de vômito. Rumou para fora do quarto e encontrou na mesma posição em que ela estava quando Dougie subiu para o banho. A pizza estava em cima da mesa de centro, intocada, e isso o fez sorrir.
– Eu sabia que você me esperaria. – ele provocou e recebeu um revirar de olhos. Estendeu o celular para , que desbloqueou o aparelho e fez uma careta para a tela do objeto.
– Só porque fiquei com preguiça. – ela resmungou. Digitou algumas coisas no celular, antes de revirar os olhos e então bloqueá-lo novamente, jogando-o no sofá. Dougie retornou ao lugar em que estava sentado antes e segurou a mão de . Ela o olhou e ele sorriu, puxando-a para seu colo a abraçando-a pela cintura.
– Eu estava pensando…
– Hm, está explicado o cheiro de queimado. – a mulher riu. – Seus últimos neurônios morreram. – murmurou, enquanto brincava com a gola da camiseta de Dougie. Poynter sorriu torto para ela.
– Ridícula. – estalou os lábios e ela o beijou rapidamente. – Estou tentando falar sério.
– Tudo bem. Continue. – ela o incentivou.
– Esse relacionamento é diferente de tudo o que eu já tive. – Dougie comentou. – E eu gosto disso. – sorriu para ela. – Mas às vezes me pego pensando se você não se arrependeu de iniciar essa loucura.
– Não estou entendendo aonde você quer chegar. – foi direta.
– Você, alguma vez, pensou em voltar para o seu ex? – Poynter questionou. – Ele é um babaca, mas realmente gosta de você. – deu de ombros. – E você não tinha certeza de que eu não te desprezava completamente e só fingia o contrário por causa do plano. Não até o show do Danny, ao menos.
– Nunca pensei. – respondeu. – Mesmo se não tivéssemos iniciado essa loucura, eu jamais voltaria para ele.
– Certo. – Dougie assentiu.
– Você não precisa ficar inseguro. – garantiu. – Se eu estou aqui, é porque eu quero. E enquanto eu quiser, você vai saber. E se em algum momento eu mudar de ideia, você também vai saber.
– O nome disso é relacionamento saudável? – Dougie franziu o cenho, fingindo espanto. – Eu só havia ouvido falar sobre, pensei que fosse um mito.
– Você é um idiota. – revirou os olhos.
– E você é gostosa. – Dougie acariciou as coxas de , mesmo que cobertas pela calça que ela vestia.
– Primeiro você come a pizza. – decidiu. – Depois me come.
– E malvada. – Poynter acrescentou, fazendo-a rir alto e abraçá-lo com força pelo pescoço. Aqueles eram os momentos favoritos de ambos. E ali, com em seu colo o abraçando com tanto carinho, Dougie cogitou a ideia de não ser o único apaixonado. Talvez ela também estivesse. E por todas as divindades, ele queria muito que ela estivesse.

Capítulo 28 – A torta da discórdia

Dougie soltou um gemido baixo quando sentiu os dedos de apertarem um nó bem no meio de suas costas. A mulher riu baixinho, ainda sem acreditar que Poynter havia dormido em seu sofá na noite passada simplesmente porque ela não havia dividido um último pedaço de torta com ele após o jantar. Dougie sabia que ela estava de TPM e havia feito um drama desnecessário. E agora estava pagando o preço por ter sido infantil a ponto de não dividir a cama com devido a sua birra. Ele tinha 30 anos, mas ainda agia como uma criança de 5 anos.
estava sentada na lombar do loiro, desfazendo os diversos nós que a noite mal dormida havia proporcionado para o baixista. Ela usava apenas uma calcinha confortável e uma camiseta dele, já que sua menstruação havia descido naquele dia, o que apenas deixava Dougie ainda mais insatisfeito. não gostava de transar menstruada, então ele havia perdido sua chance devido a sua pirraça na noite anterior e ficaria uma semana – já que o ciclo dela era completamente regulado – sem sexo. Era uma tortura, visto que desde que haviam voltado de Essex, eles transavam com uma frequência absurda. Primeiro porque era incrível e segundo porque eles precisavam compensar o tempo perdido.
– Aí. – Dougie reclamou quando apertou com um pouco mais de força o nó localizado em seu ombro direito.
– Pare de reclamar. – ela bufou. – Parece uma criança. – continuou massageando as costas dele, ignorando os protestos e resmungos que Poynter insistia em proferir.
– Ai , para de me maltratar. – ele choramingou, com um drama exagerado que apenas fez revirar os olhos.
– Você é insuportável. – ela murmurou, estalando os lábios antes de se jogar ao lado dele na cama. – E vai ficar com dor, porque eu desisto de tentar te ajudar. Sofra em silêncio. – chiou.
– Eu estava com dor enquanto você massageava. – Dougie deu de ombros. – Então não faz diferença.
– Mal agradecido. – a mulher empinou o nariz, dando as costas para Poynter e levantando da cama. Seguiu para o banheiro e deixou a porta aberta, enquanto Dougie virava-se de barriga para cima e prestava atenção no teto de seu quarto, enquanto o barulho de escovando os dentes fazia companhia ao da respiração dele.
Ele estava feliz. Muito feliz, tinha que admitir. Aquela rotina que havia estabelecido com desde que haviam voltado de Essex, há quase duas semanas, lhe fazia muito bem. ia para a emissora durante o dia e Dougie se ocupava com suas tarefas. Sempre tinha algum problema com a loja da Polonius ou então, alguma reunião com a Ink para acertar as novas datas da turnê da banda. Só naqueles 10 dias, havia ido a seis reuniões com Todd e Corey, nas quais nada fora resolvido porque eles se distraiam e acabavam jogando videogame durante toda a tarde. Dougie buscara todos os dias e eles revezavam a casa onde iriam dormir. Cozinhavam juntos, implicavam um com o outro, viam um filme ou então apenas transavam. Poynter não poderia estar mais contente, já que estar com a mulher por quem estava apaixonado era uma das melhores coisas de sua vida atualmente. Mesmo que ela ainda não soubesse a profundidade dos sentimentos dele, já que em um resumo, ele era um bundão e estava com medo de ser rejeitado. Dougie respirou fundo e virou o rosto para o lado quando sentiu o colchão afundar, encontrando o olhar de sobre si. Um brilho curioso brilhava nas irises dela e um início de sorriso parecia querer surgir no canto de seus lábios.
– O que foi? – ele indagou, com o cenho franzido.
– Você colocou a minha escova de dentes no seu armário. – ela murmurou.
– E daí? – ele ainda estava com o cenho franzido. – Você deixou aqui na segunda-feira e eu guardei.
– Às vezes você é meio fofo, sabe? – riu, se aconchegando nos braços de Dougie, que a abraçou pela cintura, deixando-a brincar com os cabelos de sua nuca, coisa que ela parecia gostar muito de fazer. – Principalmente porque faz esse tipo de coisa sem perceber.
– Que tipo de coisa? – Dougie estava ainda mais confuso. Afinal, do que estava falando?
– Fofo, mas lerdo. – ela estalou os lábios nos dele e Dougie estreitou o olhar para ela.
– Me fala. – pediu, puxando o lábio dela por entre os dentes apenas em provocação.
– Você tem algumas atitudes espontâneas. – explicou. – O tipo de coisa que causaria um surto em um cara normal porque demanda muito compromisso. Mas você nem percebe o que está fazendo.
– E você chegou a essa conclusão porque eu guardei a sua escova no armário para não deixá-la pegar germes? – ele torceu o nariz e riu, negando com um aceno de cabeça.
– Eu já tive um namorado que atravessou a cidade para devolver minha escova de dentes e um recipiente de shampoo que eu havia deixado na casa dele. – comentou e Dougie arregalou os olhos. – Mas você simplesmente guardou minha escova. – ela deu de ombros.
– E isso é bom? – ele indagou, curioso.
– Sim. – o beijou novamente. – Mostra que você não tem medo de estar comigo. Que já está acostumado com a ideia de existir um nós a ponto de não se importar em ter algo meu tão pessoal no meio das suas coisas. – mordeu o sorriso. – Eu gosto disso.
– E o que mais eu faço? – Dougie indagou. – Sempre precisei me esforçar para ser um bom namorado. – comentou, encarando com intensidade. – Presentes, flores, declarações… – deu de ombros. – Nunca fui muito bom nisso. Todas sempre reclamaram que parecíamos mais amigos do que namorados, porque eu não era romântico o suficiente.
– Um relacionamento não se faz apenas com isso. – retrucou. – Se faz com companheirismo e intimidade. E de alguma forma, nós temos isso. – sorriu.
– Eu nunca pensei que estaríamos nessa situação. – Dougie riu pelo nariz. – Eu realmente não gostava de você. Na maioria das vezes eu queria que você sumisse. Os caras sempre ficavam do seu lado e te protegiam, enquanto eu era o imaturo que não sabia estar na mesma sala que você e não te provocar.
– É que eu sou muito bonita, por isso eles preferiam a mim. – fez graça e Dougie riu, puxando-a para um beijo lento. Provou da boca dela como se fosse a primeira vez, suspirando quando suas línguas se acariciavam e descontava a tensão puxando os fios de seu cabelo.
– É realmente muito bonita. – o loiro concordou, quando finalmente separou seus lábios dos dela. – Mas você ainda não me disse que as outras coisas que eu fiz. – lembrou e assentiu, se aninhando ainda mais nos braços dele enquanto aproveitava o carinho que Dougie deixava em sua cintura.
– Você comprou mais leite do que costumava comprar, porque sabe que eu prefiro café com leite a café puro. – ela murmurou, traçando as linhas tatuadas no braço de Dougie com a ponta dos dedos. – Também adicionou alguns filmes na sua lista de favoritos da Netflix. Filmes que eu gosto e você não faz muita questão. – ela sorriu. – Sempre deixa uma camiseta com o seu cheiro para eu dormir. Me busca na emissora, mesmo quando não tem compromissos perto, porque entende que eu não gosto de dirigir em horário de pique. Trocou o shampoo porque eu gosto do cheiro de hortelã. – suspirou uma última vez, antes de abraçar Dougie e apertar os braços em redor dele, colando suas testas e beijando a ponta do nariz dele. – E fazem menos de duas semanas que voltamos para Londres. O que vai acontecer em um mês? – ela riu fraco.
– Provavelmente vou tatuar “” no meu pau. – Dougie também brincou e a morena o encarou com as sobrancelhas franzidas.
– Nesse ponto? – ela sorriu de forma maliciosa. – Eu sei que sou boa, mas aí você fazer uma tatuagem?
– Ah, cale a boca. Eu estava brincando. – Dougie reclamou, fazendo-a gargalhar.
– Pode tatuar, Dougie. – ela insistiu. – Não pretendo te dividir com ninguém. – deu de ombros, como se estivesse comentando sobre o clima.
– E você vai tatuar meu nome onde? – ele questionou, interessado. – Direitos iguais. – arqueou as sobrancelhas para ela.
– Aí tadinho do homem branco oprimido. – debochou e Poynter a beliscou na cintura. – Vou tatuar no meu coraçãozinho. – ela bateu os cílios e sorriu para ele. Dougie gargalhou.
– Brega. – deu de língua para ela.
– Me respeita Douglas. – beliscou a perna dele.
– Eu não vou conseguir dormir agora. – Dougie murmurou, fazendo um bico com os lábios. Se aproximou de e passou a ponta do nariz pela bochecha e queixo da mulher, descendo alguns beijos pelo pescoço antes de sugar a pele dela para dentro de sua boca e arrancar alguns gemidos de . – A gente podia… – uma mão sugestiva se apossou da coxa direita de , colocando a perna dela ao redor de sua cintura e unindo mais seus corpos.
– Não. – o empurrou. – Só daqui seis dias. – estalou os lábios. Dougie bufou.
– Merda. – reclamou e riu. Era mesmo uma criança no corpo de um adulto.
– Você vai almoçar com Harry amanhã? – indagou, curiosa.
– Uhum. – Dougie murmurou, puxando para cima de si, passando a acariciar as costas dela por baixo da camiseta. Ela o abraçou e deixou um beijo estalado no pescoço do loiro, antes de deitar a cabeça no peito dele. – Ele quer me cobrar um favor. – suspirou.
– Que favor?
– Sermos babás de Lola e Kit.
– Pois aceite logo! – grunhiu animada, fazendo Dougie rir baixinho. – Lola é minha criança favorita!
– E Anne? – ele arqueou as sobrancelhas para ela.
– Em Londres. – retrucou, torcendo os lábios. – Aliás, eu já estou morrendo de saudades de Anne.
– Completamente compreensível. – Poynter assentiu com a cabeça. – Então, que filme vamos ver?
– Escolha qualquer um. – deu de ombros. – Estou morta de cansada e só preciso de carinho para dormir.
– Seu pedido é uma ordem madame. – Dougie riu e iniciou um cafuné na mulher, que soltou um suspiro em agradecimento quando Dougie os cobriu com o edredom. Ela não demorou a pegar no sono e Poynter se viu sorrindo como um idiota para a figura adormecida de . Ele estava muito apaixonado por ela. E tornava aquilo fácil demais para ele.

Era a quarta – ou talvez quinta – vez que Dougie precisava correr atrás de Lola pelo quintal da casa dos Judd, já que a garotinha insistia em pegar seu celular para mandar áudios para a “tia “. E nada diferente do que Poynter esperava da ex modelo, ela entretia Lola com áudios imensos e fotos engraçadas. Dougie achara a situação extremamente fofa, até Harry mencionar que a filha havia quebrado a tela de seu próprio celular mais de 6 vezes. Tão rápido quanto um velocista, Poynter recuperou seu aparelho e o guardou no bolso. Mas isso não impedia as mãozinhas rápidas de Lola de pegaram o celular furtivamente e ela fugir para a casinha de madeira que tinha no quintal de sua casa, obrigando Dougie a correr atrás dela, enquanto Lola gargalhava.
– Judd, você precisa parar de alimentar seus filhos com essas coisas fitness. – reclamou o mais novo, voltando a sentar-se no balcão e deixando o celular em cima da bancada, onde Lola não poderia alcançar sem ser pega em flagrante. – Eles têm energia demais.
Harry gargalhou, antes de largar Kit no chão e deixá-lo ir atrás da irmã, que ainda estava no quintal.
– É você quem está ficando velho, meu amigo. – Harry debochou e Dougie virou-se para checar se as crianças não estavam prestando atenção neles para poder estirar o dedo do meio para Judd sem peso na consciência de estar sendo um mau exemplo.
– São as dores nas costas por ter dormido no sofá anteontem. – suspirou.
te chutou do quarto? – Harry riu, enquanto servia uma xícara de chá para cada um deles. Os tempos em que bebiam cerveja as 3 horas da tarde haviam passado e tudo o que eles precisavam atualmente era de uma boa xícara de chá quente para enfrentar o restante do dia.
– Não. Muito pior. – Dougie fez drama. Bebeu um gole do chá que Harry lhe ofereceu antes de completar: – Ela não dividiu uma torta comigo.
Harry encarou Poynter com o cenho franzido e uma expressão confusa, antes de soltar uma gargalhada alta e quase parecer Danny. O baterista riu por incontáveis segundos, enquanto Dougie mantinha uma expressão entediada no rosto e bebia seu chá lentamente. Era a própria personificação de “saturado”.
– Você dormiu no sofá por causa de uma torta? – Harry questionou, como se quisesse checar as informações.
– Sim. Foi o que eu disse. – o loiro bufou.
– As prioridades de vocês são incríveis. – Harry suspirou. – Quando eu ou dormimos no sofá é porque estamos exaustos demais para irmos para o quarto, depois de um dia correndo com as crianças. – deu de ombros.
– Malefícios da paternidade. – Dougie deu de ombros.
– E por isso você está aqui, meu amigo. – Harry sorriu largamente.
– Eu sei, lhe devo uma noite como babá. – assentiu em concordância. – Mas eu alerto: é ainda mais infantil que Lola e Kit e eu não vou me responsabilizar por ela.
– Do jeito que está, você não apenas vai se responsabilizar, como vai limpar a bagunça que ela fizer com meus filhos. – Harry retrucou, sem se deixar abalar. Correu até o quintal para pegar os filhos, que haviam sumido de sua vista e voltou para dentro da casa com um debaixo de cada braço. Kit ria e Lola reclamava pois queria brincar mais. – Brinquem aqui dentro. – Harry indicou o cercadinho onde todos os brinquedos deles estavam guardados e logo os dois pequenos correram para lá, deixando Judd voltar ao balcão e beber mais de seu chá. – Voltando ao assunto, – ele estalou os lábios. – Você está com uma cara de idiota apaixonado como nunca antes.
Dougie deu de ombros. – São as consequências de conviver com por muito tempo.
– Bom, você não está negando. – Harry observou. – Essa viagem realmente fez milagres.
– Foi bastante esclarecedora mesmo. – Poynter concordou.
– Sabe o que é engraçado? – Harry arqueou as sobrancelhas para Dougie. – Nós sempre dissemos que vocês dariam certo e sempre obtivemos respostas nada educadas de vocês dois. me deu um soco uma vez. – lembrou, arrancando uma gargalhada de Dougie, já que ele lembrava da cena em questão. Apesar de ter sido modelo, ainda era baixa perto de Harry e muito mais magra do que ele e mesmo ass, Harry reclamou de dor após receber o soco no ombro.
– Eu lembro. – Dougie murmurou. – Foi engraçado.
– Aquela mãozinha pesa. – Judd chiou, nada contente.
– Eu sei. – Poynter assentiu com a cabeça e Harry lançou um olhar malicioso para o amigo, mas manteve-se calado.
– De qualquer forma, nenhum de nós esperava que algum dia, vocês cedessem. – deu de ombros. – Fico feliz que tenham se dado uma chance, finalmente. Poderiam estar juntos a mais tempo de não fossem dois teimosos. – estalou os lábios para Dougie.
– Não estaríamos juntos. – Dougie retrucou. – Precisamos passar por certas situações e superar traumas para podermos ter maturidade o suficiente para entrarmos nesse relacionamento. – suspirou. – Fico feliz que tenha sido agora. Eu a teria perdido se tivéssemos nos envolvido antigamente.
Harry encarou Dougie com um pequeno sorriso e olhos brilhantes. – Fico feliz que esteja bem.
– Estou feliz. – Dougie também sorriu. – Como não era a muito tempo. Na verdade, nem lembro de ter sido genuinamente feliz assim em algum momento da minha vida. Talvez no início do McFLY, mas após isso tudo sempre esteve muito embaçado por causa da bebida e das drogas. – torceu os lábios.
é a pessoa certa. – Harry garantiu e Dougie lembrou-se das palavras de sua mãe imediatamente. – Mas me conte, como foi com a Samantha? – indagou, como o bom fofoqueiro que era.
– Minha mãe adorou . – Dougie contou. – Jazzie e ela passaram mais tempo com do que eu. – deu de ombros.
– Isso é bom. – Judd murmurou. – Samantha odiava a Frankie e era completamente indiferente a Ellie. E ninguém nunca lembra da Lara. – riu, sendo acompanhado de Dougie. Lara havia sido seu relacionamento mais estranho e ele não poderia negar aquilo.
– Sim. – Poynter concordou. – Acho que é a pessoa certa mesmo. – suspirou.
– Não foda as coisas, cara. – Harry alertou. – Ou então você vai apanhar do Danny.
– Eu não vou apanhar do Danny. – Dougie retrucou. – Vou apanhar da . – completou e ambos riram.
Poynter certamente temia mais do que Danny. E Harry não tirava sua razão. A mulher era assustadora às vezes.

Capítulo 29 – Seis anos em uma ilha deserta

Quando entrou no carro de Dougie, ele soube imediatamente que ela estava irritada. Preferiu não falar nada – ela ainda estava de TPM e ele não sabia se era seguro ser ele mesmo, ou seja, irritante, com ela naquele momento – e deu a partida no veículo, enquanto a mulher digitava furiosamente no celular por alguns instantes, até finalmente jogar o aparelho dentro da bolsa, fechar o zíper e então lançar um olhar para Poynter, um misto de desculpas e irritação.
– Desculpe, eu nem falei com você. – suspirou. – Eu só tinha que resolver essa merda de uma vez. – falou.
– Tudo bem. – Dougie sorriu para ela, desviando o olhar da estrada rapidamente. – O que aconteceu?
– Meu chefe é um idiota. – a mulher reclamou. – Primeiro porque ele acha que a festa de aniversário da emissora tem que ser temática. – revirou os olhos e Dougie reprimiu o riso. – Coisa completamente desnecessária e não adianta toda a equipe comentar que seria ridículo, ele está insistindo na ideia.
– Temática? Qual o tema?
– Ele ainda não decidiu, mas tenho certeza de que vai ser horrível. – decretou e Dougie riu baixinho.
– E qual o segundo motivo para você estar de muitíssimo bom humor hoje? – debochou e a mulher lhe lançou um olhar homicida.
– Esse você vai adorar. – ela riu, de forma quase maníaca. Dougie franziu o cenho para ela. – Ele quer que eu faça uma entrevista com você e os rapazes da Ink. – explicou e Dougie franziu ainda mais o cenho.
– E isso é ruim por quê… – ele deixou a frase no ar e estalou os lábios antes de responder.
– Porque ele quer que seja na edição de comemoração do programa. Já são dois anos no ar. – murmurou. – E adivinha qual a outra celebridade convidada para o programa? – questionou e Dougie aproveitou o sinal fechado para encarar a mulher e arquear as sobrancelhas para ela em questionamento. – Vai ser incrível ter você e o meu ex dividindo o mesmo sofá. – falou por fim e Dougie fez uma careta imediata.
– É sério? – murmurou descrente.
– Uhum. – bufou. Ele voltou a prestar atenção na estrada, mas a careta não abandonou seu rosto. – É uma edição especial, então estamos chamando celebridades que se destacaram nesse ano. Tipo a Ink teve muita repercussão por aqui. E Trevor foi o melhor jogador da seleção durante a copa. Shawn Mendes e Camila Cabello também foram convidados, mas ainda não recebemos uma confirmação. – suspirou. – De qualquer forma, eu passei o restante da tarde brigando a respeito disso. É extremamente desnecessário me colocar nessa situação.
– Extremamente desnecessário mesmo. – Poynter concordou emburrado. Não queria mesmo ter que dividir o mesmo ambiente com Trevor e muito menos ter perto do ex.
– Não que eu não saiba diferenciar a minha vida amorosa da vida profissional. – ela continuou falando. – Mas não tem necessidade.
– Eu e os caras podemos negar o convite. – Dougie lembrou.
– Eu não pediria isso. – sorriu fraco para ele. – Vocês merecem essa divulgação e não seria nada justo privar Todd e Corey disso. O babaca do meu chefe que mude de ideia. – deu de ombros, enterrando o assunto no mesmo instante.
– Você é incrível. – Dougie disse por fim.
– Mereço uma pizza por isso, você não acha? – ela o encarou com as sobrancelhas arqueadas e uma expressão cômica no rosto.
– Merece até duas. – Poynter concordou. – Por falar em pizza, precisamos decidir o que fazer com Lola e Kit no sábado.
– Não se preocupe. Eu estou planejando tudo. – garantiu e Dougie torceu os lábios.
– Eu já estou prevendo que terei que limpar toda a bagunça sozinho. – choramingou e riu, se inclinando para o homem e o beijando no rosto.
– Eu vou te ajudar. – ela garantiu, mas Dougie sabia que era mentira.
– Você não tem vergonha de mentir para mim? – questionou, os olhos semicerrados para a mulher.
– Claro que não. – retrucou. – Estou nem aí para você, Poynter.
– Então eu posso dormir em casa hoje. – Dougie falou, a atenção presa no trânsito. Não viu a careta de desgosto no rosto de , que estalou os lábios e negou rapidamente.
– Não mesmo. – ela disse. – Gosto de te usar como travesseiro, mesmo sendo só pele e osso. Inclusive seria ótimo se você fosse para academia com Harry. Está precisando malhar. – alfinetou e Poynter gargalhou pela audácia da ex modelo.
– Eu vou para academia. Todos os dias. – ele chiou. – Você que é sedentária e não acorda cedo para me ver sair para ir malhar.
– Sou completamente contra acordar antes das 10 horas da manhã. Eu acordo porque sou obrigada. – pontuou.
– Então vou trocar meu horário para de tarde. Então poderemos ir juntos. – sugeriu, sorrindo para a mulher. fez uma careta.
– Sou completamente contra qualquer tipo de exercício. Não conte comigo para isso. – disse por fim, fazendo Dougie gargalhar e cutucar a cintura dela com o dedo indicador. deu um tapa na mão dele no mesmo instante.
– Me respeita Dougie! – ela chiou, como de costume e Poynter sorriu para ela.
– Então, quem mais vai estar nesse programa? – questionou interessado.
– Muita gente. – deu de ombros. – A maioria por convite meu.
– Ooh. – Dougie debochou e estirou a língua para ele.
– Leonardo DiCaprio já confirmou presença e eu não estou animada com isso, porque realmente não tenho assuntos para conversar com ele. – suspirou. – Ao menos assuntos que não envolvam um sermão.
– Tudo bem. – Dougie estalou os lábios. – Por que diabos você daria um sermão no Leonardo DiCaprio? – questionou extremamente exasperado.
– Ele namora uma garota muitos anos mais nova do que ele. – a mulher respondeu, como se aquilo bastasse para o questionamento de Dougie. Ele franziu o cenho em confusão. – E parece ter um padrão. Ele não namora mulheres com mais de 30 anos.
– E daí? Ele gosta de mulheres mais novas. – Dougie falou e imediatamente sentiu o olhar mortal de preso em seu rosto.
– Ele não deveria se sentir atraído por meninas de 20 e poucos anos. Isso não é normal.
– Mas elas não são maiores de idade? – indagou. – Não estou dizendo que ele está certo, só tentando entender o real problema que você vê. – se apressou em dizer.
– Você vê normatização de relacionamentos onde a mulher é muito mais velha que o homem? É sempre um absurdo, a mídia trata como um espetáculo sensacionalista. Difama a mulher e normalmente afirma que o homem tem outros interesses que não a possibilidade de ele estar apaixonado. Afinal, o que um cara jovem e bonito vai querer com uma mulher velha? – questionou, a voz em um tom diferente. – Agora um homem de 50 e poucos anos namorando uma garota de 20 e poucos é completamente ok. – bufou e Dougie fez uma careta. Não queria provocar a ira de e conseguia entender o ponto dela com clareza.
– Eu não acho ok. – Poynter disse por fim.
– E não deveria. – concordou. – Não é nada ok, principalmente com mulheres que acabaram de sair da adolescência. Ela não deixa de ser uma menina por ter 21 anos e um cara de 30 e poucos não deveria se sentir atraído por ela. Acho doentio e nojento. – concluiu.
– Você tem razão. – Dougie falou e lhe lançou um olhar nada amigável.
– Você não está concordando comigo com sinceridade. – ela acusou. – Aposto que namoraria uma modelo novinha, caso tivesse oportunidade.
– Não. – o loiro negou com um aceno de cabeça. – Nunca me interessei por mulheres muito mais novas antes e não teria porque começar agora. E foi por você que eu me apaixonei, não foi? – ele murmurou, sem se dar conta do que havia acabado de falar. arregalou os olhos para ele, completamente chocada com a frase do baixista. – Algum motivo para isso existe.
– Você o que? – foi o que exclamou e só então Dougie se deu conta do que havia falado.
Puta que pariu, ele pensou, desviando o olhar do trânsito para com os olhos arregalados e o queixo no chão. O que havia acabado de admitir? Que estava apaixonado? Como pudera ser tão descuidado? Estava monitorando suas frases nos últimos dias e agora simplesmente soltava aquilo, sem mais nem menos. Em um momento completamente inapropriado e sem qualquer contexto. Era um idiota, estava decidido. E talvez se matar não fosse uma ideia tão ruim, caso não estivesse no mesmo carro que ele.
Permaneceu em silêncio, enquanto o encarava. Dirigiu por mais alguns segundos antes de estacionar o carro na garagem de sua pizzaria favorita, ainda sem falar nada. Para seu azar, não fingiria que não tinha escutado e segurou o braço do loiro quando ele fez menção de sair do carro enquanto murmurava “vou pedir a pizza”.
– Dougie. – ela chamou, em um tom de voz contigo. Poynter levou o olhar até ela, receoso da expressão que encontraria.
– Pode fingir que não ouviu? – ele questionou e ela riu, sacudindo a cabeça para os lados.
– De jeito nenhum. – decidiu e Poynter fez uma careta. – Você disse que estava apaixonado por mim.
– Sim, eu disse. – suspirou. – Não pensei direito sobre isso, simplesmente escapou e…
– É verdade? – questionou, cortando a frase de Dougie sem cerimônias.
Dougie a encarou por mais alguns instantes, antes de suspirar novamente e assentir com a cabeça.
– Sim.
– Eu gosto que esteja apaixonado por mim. Gosto muito. – falou, pulando para o banco de Dougie e grudando seus lábios nos dele. E quando suas línguas se encontraram e suspiros satisfeitos foram emitidos de ambos, Dougie se sentiu em paz com aquela afirmação. Afinal, ele estava mesmo apaixonado. Estava muito apaixonado. E aquela mulher merecia cada pedacinho do sentimento que ele nutria por ela.

estava sentada por entre as pernas de Dougie. Era sexta-feira e eles haviam cozinhado massa com molho bolonhesa para o jantar. E haviam cozinhado juntos, já que estava em uma missão particular de ensinar Dougie a ser “menos inútil na cozinha”, pelas palavras dela. O sofá da sala era seu segundo móvel favorito na casa da mulher, já que o primeiro claramente era a cama. Por ser um sofá cama, eles tinham espaço de sobra para ficarem abraçados e confortáveis, como estavam naquele exato momento. Cada um segurava seu prato de massa e os copos com refresco de limão estavam na mesa de centro, junto do novo álbum de Shawn Mendes, que estava estudando para a entrevista que teria com o canadense na semana seguinte. O cantor não poderia comparecer na edição de aniversário do programa, devido a compromissos pessoais – que segundo envolvia a namorada dele – e se dispôs a gravar com em outro dia, o que era realmente bom para , já que teria muito mais tempo para entrevistar Mendes e isso aumentaria a audiência do programa consideravelmente. O canadense arrastava multidões por onde andava e o mundo inteiro sabia daquilo.
– Ele é muito bom. – Dougie comentou.
– Eu ainda estou desacreditada que você nunca havia ouvido Shawn Mendes. – retrucou e Dougie revirou os olhos. Ela havia feito um fiasco quando Dougie comentara que ainda não havia ouvido o álbum novo de Mendes – ou qualquer outro álbum.
– Eu conheço Stitches. – relembrou.
– Shawn Mendes é muito mais do que Stitches. – revirou os olhos.
– Certo. – Poynter não se estendeu no assunto. – Quem vai ocupar o lugar dele no programa?
– Demi Lovato. – suspirou. – Esse programa está me dando tanta dor de cabeça. – respirou fundo. – Ao menos você aprendeu a fazer massagem. – deu de ombros e Dougie riu, enquanto acabava com a massa em seu prato e se inclinava para deixar o objeto na mesa de centro.
– Eu estou aprendendo muitas coisas ultimamente. – pontuou.
– Eu sou realmente boa nessa coisa de relacionamento. – se gabou. – Você até poderia ser confundido com uma pessoa decente agora. – estalou os lábios, a provocação dançando em seu sorriso de canto. Dougie lhe cutucou a barriga, logo após dando mais uma garfada na massa em seu prato. – Para com isso, Poynter!
– Pare de ser chata então.
– Não sou chata. – retrucou. – Sou realista.
– Chata. – Dougie insistiu e a mulher revirou os olhos, decidindo que iria ignorá-lo e voltando a prestar atenção na música que tocava. Dougie realmente não conhecia as músicas do cantor canadense, então não fazia ideia do porquê sorria e fazia anotações no celular, listando faixa por faixa e fazendo comentários sobre a música.
Dougie terminou de jantar e deixou o prato junto com o da mulher, puxando-a para trás e a abraçando pela cintura, naquela posição meio deitados que deixava seus corpos completamente colados. Beijou a nuca exposta de , já que ela estava com os cabelos presos em um coque, subindo as mãos pelos braços da mulher e acariciando a pele dela com toques firmes e ao mesmo tempo gentis. Gostava muito de tocá-la e tratá-la bem e parecia adorar as atitudes de Poynter. Para sua surpresa, o apocalipse não havia acontecido quando soltara que estava apaixonado por ela. O chão não se abriu sob seus pés e não saiu correndo em busca de proteção. Ela simplesmente acolhera aquele sentimento que ele já estava destinando a ela e o recebeu de braços abertos. Ela havia dito o mesmo em retorno? Não. Mas Dougie não estava preocupado. Não queria forçar a mulher a nada e sabia que se fosse o caso de ela também estar apaixonada, diria mais cedo ou mais tarde. E caso não fosse, ela também lhe diria para que pudessem seguir a vida. Afinal, era a pessoa com maior preocupação a respeito dos sentimentos alheios que Dougie conhecia.
– Ele escreveu essa música para a namorada. – comentou, completamente aleatória e Dougie quase riu. Era apenas ela o distraindo e quebrando a tensão sexual que os estava rondando durante os últimos dias. Ainda estava menstruada, então nada de sexo para eles, já que Dougie não era um babaca egoísta que pediria uma mãozinha para ela em troca de nada.
– E qual o nome dessa música? Nem sabia que ele namorava. – murmurou e novamente lhe lançou um olhar incrédulo.
– Em que mundo você vive? – indagou, estridente. – Parece que passou seis anos em uma ilha deserta e voltou hoje. – revirou os olhos e Poynter riu mais.
– Eu não sou muito ligado nessas coisas. – deu de ombros. – Passo mais tempo vendo vídeos sobre natureza do que nas redes sociais.
– Sim, eu sei. Por isso você só posta bobagem quando não está falando do meio ambiente. – alfinetou e Dougie estirou a língua para ela. – De qualquer forma, o namoro dele foi notícia durante meses. É impossível que você não tenha ouvido falar.
– Nada é impossível. – Dougie arqueou as sobrancelhas para .
– Ele namora uma fã brasileira. – foi a explicação da ex modelo e Poynter soltou um resmungo de entendimento. Sim, ele realmente entendia porque o namoro de Shawn Mendes havia sido notícia por meses. Afinal, um cantor do nível de Mendes começar a namorar já era algo passível de capa de revistas por dois meses. Agora com uma fã? Ainda por cima, brasileira? A vida do garoto deve ter se tornado um inferno, Dougie supunha. E ele nem queria imaginar a vida da brasileira, já que ele conhecia os malefícios de um fandom adolescente e sabia o quanto as pessoas poderiam ser maldosas e cruéis quando as coisas aconteciam com outras pessoas e não com elas.
– Deve ter sido uma merda toda essa repercussão. – comentou e assentiu.
– Sim, foi bem ridículo. Eu me recusei a fazer parte desse circo. – comentou, repousando a cabeça no ombro de Dougie e soltando um suspiro. – Não falei nada sobre eles no programa, apesar de estar no script toda semana.
– Um anjo essa mulher. – Poynter comentou, apertando os braços em torno de e deixando um beijo na bochecha direita dela.
– Não sou? – riu, convencida e Dougie decidiu ignorar. Não iria alimentar ainda mais o monstrinho que o ego de estava se tornando.
– Então, você não disse o nome da música. – o loiro relembrou. – A letra é muito bonita. Lembra-me as músicas do Ed Sheeran. – comentou.
– Então Ed Sheeran você conhece? Uau. – zombou. – Passou só 5 anos na ilha e não 6. – continuou a provocação e Dougie revirou os olhos para ela.
– Às vezes você parece uma criança de quatro anos.
– É para combinar com a sua maturidade. – devolveu e Dougie gargalhou. – De qualquer forma, eles não escreveram essa música juntos, mas escreveram outra, de acordo com o Google. – ela estalou os lábios, voltando a atenção para seu celular. – Essa se chama Lost in Japan. A que ele escreveu com o Ed é Fallin All In You e é a coisa mais linda que eu já ouvi.
– Fora a minha bela voz. – Poynter lembrou e o encarou com o cenho franzido e uma expressão engraçada no rosto. A música mudou e Fallin All In You começou a tocar.
– Dougie, você cantando parece um bebê morrendo. – ela falou e o baixista a empurrou para o lado com cuidado, levantando do sofá em seguida, fingindo estar extremamente ofendido.
– Você é horrível, é sério. – ele resmungou e ela riu.
– Me desculpe, mas eu estou sendo sincera. – deu de ombros. se jogou no sofá de costas e soltou um suspiro, cantarolando a letra da música para si mesma. Dougie colocou uma mão em cada lado da cintura e manteve-se encarando , que só percebeu o olhar do loiro segundos mais tarde. – O que foi? – ela indagou, os olhos arregalados para Dougie.
– Você não vai pedir desculpas? – ele questionou, como se fosse óbvio. riu.
– Claro que não.
– Então vai dizer que prefere o Tom cantando? – Dougie insistiu, a expressão completamente fechada.
– Não. Tom também é irritante. – logo falou. – Sempre preferi a voz do Danny.
– Por isso o Danny te protegia. – Dougie concluiu e riu um pouco mais, se colocando de pé e se aproximando do loiro, o abraçando pela cintura e não recebendo o carinho em retorno. Inclinou-se para ele e lhe beijou os lábios repetidas vezes, até que Dougie desfizesse o bico emburrado e lhe abraçasse de volta.

You are bringing out a different kind of me
There’s no safety net that’s underneath
I’m free, fallin’ all in you
– Essa música combina com a gente. – Dougie murmurou por fim, após segundos encarando os olhos de enquanto o único som no ambiente era a voz de Shawn Mendes.
– E não é que é verdade? – a apresentadora soltou um risinho. – Já ouvi essa música diversas vezes e nunca tinha parado para pensar nisso.
– Porque você é avoada. – Dougie implicou e semicerrou os olhos para ele.
– Me respeita Douglas. – ela chiou e Dougie riu, a beijando com suavidade e suspirando após romper aquele carinho. Começou a balançar o corpo no ritmo da música e o encarou com um sorriso largo, que facilmente poderia iluminar toda a vida de Dougie daquele dia em diante. – Vamos dançar de verdade?
– Mais ou menos. – ele deu de ombros. – Não sou muito bom nisso. – sorriu de forma fofa e riu. Continuaram se movimentando no ritmo da música, enquanto a ex modelo repousava a cabeça no peito de Poynter e Dougie acariciava a cintura dela por dentro da roupa. Beijou-lhe o topo da cabeça e sorriu ao constatar que poderia fazer aquilo pelo resto de sua vida. Agradeceria pela oportunidade e pediria para repetir na próxima encarnação. realmente havia mudado algo nele para melhor e ele gostava muito daquilo. Mas gostava ainda mais dela.

Every night I’m with you I fall more in love
Now I’m laying by your side
Everything feels right since you came along
I’m thinking, baby

Capítulo 30 – Sementinha do amor

Dougie estava na sala de estar dos Judd, enquanto Kit assistia TV sentado ao seu lado no sofá e e Lola estavam no tapete, brincando de desenhar. O olhar de Dougie não se prendia muito no desenho que Kit havia escolhido, já que seu maior passatempo era observar . O sorriso largo e a forma carinhosa como a mulher falava com Lola eram uma das coisas mais lindas que o baixista já havia visto na vida. E aquilo o fazia se apaixonar por ela um pouco mais.
Sorriu largo quando seus olhares se encontraram, ao mesmo tempo em que a barriga de Kit fazia um barulho alto, denunciando que ele estava com fome. e Dougie riram, enquanto as crianças se animavam com a aproximação do jantar. Eles haviam chego a casa dos Judd a pouco mais de duas horas. O único pedido de Harry fora para que eles não tocassem fogo na casa, enquanto revirava os olhos para o marido.
– O que vocês querem jantar? – indagou, abandonando os lápis de cor e puxando Lola para seu colo, beijando a menininha na bochecha em seguida. As crianças trocaram um olhar cúmplice, antes de gritarem:
– Pizza!
Dougie riu, enquanto sorria largo.
– Tudo bem, vamos pedir. – o loiro concordou, já puxando o celular do bolso.
– Não! Vamos fazer as pizzas! – retrucou e Lola saltou do colo da mulher, dando pulos animados enquanto batia palmas.
– Cozinhar! Vamos tia ! – grunhiu, sem conseguir conter a animação. – Por favor!
trocou um último olhar com Dougie, que deu de ombros e voltou a guardar o celular no bolso.
– Vamos! – a mulher disse por fim e Lola gritou em pura alegria. Logo Kit estava com ela, também gritando e pulando pela casa, seguindo para a cozinha junto da irmã sem nem mesmo esperar por .
– Eu cozinho, você limpa a bagunça. – a mulher declarou para Dougie, levantando do chão e seguindo para o colo dele e o abraçando pelo pescoço.
– E o que eu vou ganhar com isso? – – Poynter abriu um sorriso malicioso para a ex modelo.
– Uma pizza deliciosa. – bateu os cílios lentamente para ele. Dougie revirou os olhos.
– Sem graça. – estirou a língua para ela. deitou a cabeça no peito do baixista, suspirando baixinho quando Poynter a abraçou pela cintura.
– Você vai ser uma mãe incrível. – ele comentou. – Todas as crianças são apaixonadas por você e você nem as pariu. – riu, enquanto o acompanhava.
– Não pretendo parir, de qualquer forma. – deu de ombros. – Pretendo adotar. Vários.
– Eu sei. – sorriu. – Mas eu gostaria. – Dougie suspirou.
– De parir? – o encarou com o cenho franzido e um sorriso torto. Dougie revirou os olhos para ela novamente.
– Claro que não, tonta. – chiou. o beliscou no braço. – Bruta.
– Então não me chame de tonta, docinho. – sorriu cínica para ele. – Explique.
– Gostaria que tivesse filhos. E os parisse. – murmurou.
– Por quê? – franziu o cenho novamente.
– Seriam lindos. – Poynter sorriu. – Teriam os seus olhos e as bochechas grandes iguais as suas. – implicou.
– E os seus cabelos. – comentou, dando de ombros.
– Então você quer ter filhos comigo? – o baixista arqueou as sobrancelhas para a mulher. o beijou na curva do pescoço.
– Talvez. – ela disse por fim. – Não depende apenas de mim, não é? – riu. Dougie assentiu em concordância.
– Vamos precisar colocar proteção acústica no quarto. Para as crianças não ouvirem a mãe delas gritando e pedindo por mais, sabe. – ele comentou, encarando com seriedade. A mulher revirou os olhos no mesmo instante.
– Você é um idiota. – xingou desacreditada. Levantou do colo de Dougie apenas para ele puxá-la novamente e grudar seus lábios em um beijo calmo.
– E você gosta de mim desse jeito. – deu de ombros.
– TIA! – Lola gritou da cozinha, interrompendo a declaração que faria e que Dougie não esperava ouvir. Porque ela não apenas gostava dele. Estava apaixonada e só ele não havia percebido.
– Já estou indo, princesa. – gritou em retorno, selando seus lábios aos de Dougie mais uma vez e então se colocando de pé, puxando o loiro para a cozinha junto dela.
– Pizza!!! – Kit gritou, causando risos nos mais velhos. Dougie ajudou o menino a sentar em uma das banquetas e recrutou Lola para a organização dos alimentos. Acabou encontrando massa de pizza pré-pronta e comemorou, já que não iria precisar fazer a massa e passar horas sovando.
Depois de todos os ingredientes organizados, a mulher pegou o celular e colocou uma playlist para tocar. Logo Lola preencheu a cozinha e Lola bateu palmas animada, enquanto Kit ria e gritava “McFLY”. Dougie e trocaram um olhar, antes de iniciarem a cantoria junto das crianças. separou uma tarefa para cada: cortaria os ingredientes para o molho e Dougie a calabresa, antes de entregarem nas mãos das crianças. Lola era responsável por montar a pizza, então ela espalharia molho de tomate na massa e Kit lhe alcançaria a calabresa e o queijo para finalizar a montagem.
– I asked her name and in a dark brown voice she said Lola. – cantou junto das crianças, usando a colher de madeira como microfone. Estendeu a colher para Lola cantar a próxima estrofe e a garotinha berrou animada as palavras. Kit batia palmas no ritmo da música, também contagiado pela animação das duas.
– L O L A Lola. La la la la Lola.
E enquanto Dougie cortava a calabresa, observava realizar a tarefa de preparar o molho enquanto cantava em alto e bom som, abafando completamente a voz de Tom. E Poynter precisava admitir que preferia a voz dela, mil e uma vezes. Aliás, qualquer coisa que envolvesse logo conquistava sua predileção. Adorava aquela mulher. Cada pedacinho dela, cada mínimo trejeito. Desde as calças de moletom até os cabelos bagunçados aos quais ela prendia no topo da cabeça, e por serem curtos, alguns fios ficavam soltos por sua nuca. E observando a adoração que Lola e Kit sentiam pela mulher, Dougie teve certeza de que não era o único que caía nos encantos de . Não que se importasse em ser um completo idiota por ela, pois não dava a mínima, mas era reconfortante saber que estava apaixonado por alguém tão incrível quanto e que as coisas estavam dando certo para eles.
– Tia , podemos fazer cookies também? – Lola questionou, aguardando ansiosa por sua tarefa com as pizzas, já que tinha duas colheres em mãos. Já Kit, usava suas colheres para bater na mesa, no ritmo da música.
– É claro! – sorriu. – Podemos comer cookies quentinhos após o jantar, beber um copo de leite e assistir Toy Story. – sugeriu e um novo coro animado foi a resposta das crianças.
– Você gosta de Toy Story, tio Dougie? – Lola questionou, voltando sua atenção para o loiro. Poynter assentiu.
– É claro. – sorriu.
– Buzz tem o mesmo nome do Buzz Lightyear. – Kit murmurou. – Por quê meu nome não é Woody? – abriu uma careta triste.
– Porque Kit é nome de príncipe e você é um. – retrucou, enquanto Dougie mantinha a expressão de tonto no rosto, sem saber como confortar o menino.
– E eu sou uma princesa! – Lola comentou, pulando para fora da banqueta – com o auxílio de – e correndo para buscar suas bonecas princesas. Kit lançou um olhar para Dougie, que o colocou no chão e observou o garoto sumir atrás da irmã. Logo estava abraçando Dougie, os braços envolvendo a cintura dele e a cabeça repousando no ombro do homem.
– Sou péssimo com isso. – Poynter suspirou.
– Você aprende. – o beijou na nuca. – Ainda temos algum tempo, não?
– Casamento. – Dougie murmurou. – Vai levar mesmo algum tempo para os filhos. – estalou os lábios. não respondeu de imediato, apenas o abraçou com mais força e suspirou.
– Manterei meu sobrenome. – foi a fala dela.
– Não espero outra coisa de você. – Dougie virou o rosto para ela, selando seus lábios e suspirando junto de .
Foram interrompidos novamente por Lola, Kit e murmúrios de nojo vindo das crianças. Dougie as encarou e a expressão enojada no rosto de cada um apenas o fez arquear as sobrancelhas e morder o riso.
– Que nojo! – foi Kit quem gritou.
– Eles vão fazer bebês! – Lola comentou com o irmão, que arregalou os olhos e soltou um gritinho animado.
– Como é? – Poynter questionou confuso. Lola o encarou.
– Papai disse que beijou muito a mamãe e ela engravidou. A sementinha do beijo de amor deles virou eu e o Kit! – a garotinha explicou, completamente confiante. Poynter gargalhou.
– Tenho certeza que seu pai beijou a sua mãe, mas não foi a sementinha do beijo de amor que fez vocês não. – ele retrucou e cobriu a boca de Dougie com a mão. Kit gargalhou e Lola franziu o cenho.
– Não dê bola para o seu tio Dougie. – logo disse. – Vamos terminar a pizza?
– Pizza! – a menininha gritou. beliscou Dougie na cintura e ele torceu os lábios em descontentamento.
O restante da noite passou em meio a pizza, cookies, Toy Story e muitas risadas. E quando Harry e voltaram para casa, na manhã seguinte, encontraram e Dougie desmaiados no sofá, enquanto as crianças dormiam em cima deles. Uma coberta os cobria e a bagunça estava por todo lado. E para sorte de Dougie, não seria ele quem limparia.

A fila para o cinema estava consideravelmente cheia. Dougie e estavam abraçados, enquanto ele carregava a bolsa da mulher e brincava com os dedos da mão dela. descansava a cabeça no ombro dele, enquanto suspirava a cada dois segundos de insatisfação pela demora da fila. Iriam assistir Venom – por muita insistência de -, mesmo que Dougie não estivesse realmente animado para o filme. Não via sentido em existir um filme do Venom sem o Homem-Aranha, mas estava animada para fazer algo fora de casa e Poynter não sabia lhe dizer não.
– Odeio esperar. – a mulher murmurou pela oitava vez. Dougie riu.
– Eu nem tinha percebido. – debochou, recebendo um beliscão na cintura em resposta.
– Péssima ideia sair de casa. – estalou os lábios.
– Deixa de ser chata. Você estava super animada para ver o filme.
– E agora não estou mais.
– Chataaaaa. – Dougie resmungou, puxando a mulher para frente de seu corpo e selando seus lábios rapidamente. – Se o filme for ruim, a gente se pega no escuro e compensa. – sorriu largo para a mulher. o encarou por alguns instantes, caindo na gargalhada em seguida.
– Você tem 13 anos? – questionou, em pura implicância. – Só adolescente vai ao cinema para se pegar. Adulto quer ver o filme. Ainda mais com o Tom Hardy. – alargou o sorriso.
Dougie revirou os olhos.
– Ele nem é tudo isso. – retrucou.
– Ah, claro. – debochou. A fila andou mais um pouco, fazendo-os dar alguns passos, sem romper o abraço. – Você que é.
– Você desfaz de mim de uma forma… – Dougie torceu os lábios. – Quem vê de fora nem deve acreditar que a gente namora.
– Bom… – deu de ombros. – Ainda não oficializamos. Não de verdade. – murmurou, em um tom de voz mais baixo. Dougie arqueou as sobrancelhas para a mulher, estalando os lábios e assentindo em concordância em seguida.
tinha razão. Apesar de estarem envolvidos de verdade, o namoro deles ainda era oficialmente falso, já que nenhum deles havia proposto a situação do relacionamento. E aquilo era realmente surpreendente, principalmente porque para Dougie, namorar com era tão fácil quanto respirar. Nunca havia sido difícil, nem mesmo quando eles viviam implicando um com o outro e evitando qualquer contato físico mais íntimo. Dougie já nem lembrava mais como era não estar envolvido com . Não tê-la em sua vida era uma lembrança vaga e cinza. Gostava do colorido que a apresentadora trazia para seus dias.
Ergueu os olhos para e analisou a expressão no rosto dela. Não havia decepção por um pedido não ter acontecido ou expectativa para que ele acontecesse. Ela estava apenas constatando um fato e Dougie a adorava por aquilo. Não haviam cobrança entre eles. Respeitavam seu tempo, sua individualidade e tinham respeito um pelo outro. Havia paixão, carinho e cumplicidade, de uma forma que Dougie jamais havia experimentado na vida. Ele não queria estragar tudo com . Queria mesmo que tudo desse certo entre eles e todos aqueles planos futuros – que ele nunca pensou que faria – virassem realidade. Uma casa grande, com cercas brancas, jardim e um Groot no quintal. Quatro quartos e uma sala de música no porão. Teriam um filho e adotariam mais alguns. E Dougie nem havia contado os cachorros, gatos e lagartos. E mesmo que fosse um pouco assustador pensar naquilo, quando olhava nos olhos, sentia uma calmaria no coração e segurança para acolher aquela expectativa de futuro. Seria bom. Seria bom demais ter aquela oportunidade e Dougie queria. Queria tudo aquilo. Com .
– Quer namorar comigo? – Dougie questionou por fim, segurando o rosto de com as palmas, acariciando as bochechas dela com os polegares. – De verdade. Sem planos ou pedidos desesperados de socorro como plano de fundo. – falou. – Só nós, do jeito que aprendemos a gostar um do outro.
A mulher sorriu, envolvendo o pescoço dele com os braços e depositando um selinho em seus lábios.
– Namoro. – assentiu. – Namoro muito. De verdade. – selou seus lábios novamente.
– Dougie Poynter conseguiu uma namorada. – o loiro murmurou, fazendo a mulher rir. – No final, o plano deles deu certo.
– Plano C. De . – ela riu e Dougie a abraçou com força.
– Quer ir para casa? – ele questionou, uma expressão pidona no rosto. – Você disse que era o último dia hoje. – lembrou, se referindo a menstruação da mulher. – Vamos comemorar. – sorriu.
– Eu quero ver o filme. – disse. A fila andou mais um pouco e eles estavam quase no guichê. – Mas só amanhã. – lançou um olhar divertido para o então namorado.
– Por quê? – Dougie questionou descontente. Seus dedos estavam entrelaçados aos de quando ela se aproximou do guichê e pediu dois ingressos para Venom.
– Porque o último dia é hoje, não foi ontem. – explicou, após pegar os ingressos e arrastar Dougie para a fila do snack bar.
– Que droga. – o homem bufou.
– Não fica assim não, Poynter. – ela o consolou, beijando seu rosto. – Eu fico cheia de tesão quando acaba. Essa boquinha vai trabalhar durante a semana. – garantiu, sussurrando no ouvido do loiro. Dougie sorriu largo.
– Você é a melhor namorada do mundo. – decidiu, beijando-a mais uma vez, antes de passarem ao balcão e realizarem seu pedido. Tinham duas horas de filme pela frente e mais algumas horas de tensão sexual.
– Claro que eu sou. – concordou e Dougie riu. Eles tinham mesmo pego as manias um do outro.
– Podemos cancelar com Olly? – Dougie questionou. Seu amigo, Olly Murs os havia convidado para um jantar na sexta-feira e estava completamente animada. Ela adorava Olly. – Podemos ficar em casa e aproveitar que você vai estar cheia de tesão. – murmurou no ouvido dela. estalou os lábios, negando com um aceno de cabeça.
– Não. Quero rever Olly. – decidiu.
. – Poynter choramingou. – Eu deixo você me amarrar. – sugeriu e a mulher gargalhou.
– Eu vou te amarrar de qualquer forma. – deu de ombros e Dougie não pôde negar. Ele realmente cedia aos caprichos dela sem hesitar.

Capítulo 31 – Chandler do McFLY

Na segunda-feira, Dougie tinha mais uma reunião com os rapazes da Ink. Ele acordou cedo, foi para academia e quando voltou para casa, ainda estava dormindo. Aquilo não era realmente surpreendente, visto que a mulher não era a maior fã de acordar cedo, mas acabou estranhando já que normalmente ela estava no banho naquele horário. Eles sempre tomavam banho juntos e Dougie não iria dispensar aquela rotina de forma alguma. Aproximou-se de , sentando na cama e se inclinando para ela, deixando alguns beijos no rosto da mulher, na tentativa de acordá-la.
– Não. – foi a resposta de e Dougie riu. Acariciou o rosto dela e abriu os olhos preguiçosamente.
– Acorda. Você vai se atrasar para o trabalho. – murmurou.
– Estou mal. – suspirou. – Acho que foi a chuva de ontem. Meu corpo está pesado e minha cabeça dói. A garganta está uma merda. – torceu os lábios.
Na noite anterior, após saírem do cinema, acabaram pegando uma chuva inesperada. E Dougie tivera a pior ideia de mundo, pelo visto, já que sua escolha romântica de beijar na chuva resultara em uma gripe para .
– Desculpe. – ele falou. – A ideia da chuva foi minha.
– E eu adorei. – garantiu. – Pena que não havia ninguém para registrar nosso momento comédia romântica clichê água com açúcar. – riu e Dougie a acompanhou.
– Mas ainda prefiro seu beijo puro. – ele sorriu para e a mulher o puxou para a cama, sem se importar com o suor seco de Dougie.
– Vou ligar para a emissora e avisar que não vou hoje. – murmurou. – Traga sopa para mim quando voltar da reunião com os rapazes. – pediu e Poynter revirou os olhos para ela.
– Não vou para a reunião.
– Por quê? – franziu o cenho.
– Porque minha namorada está doente e eu vou ficar em casa cuidando dela. – deu de ombros, pulando para fora da cama no instante seguinte. Selou seus lábios aos de e então ocupou o banheiro, tomando uma ducha rápida e vestindo roupas confortáveis. Voltou ao quarto e encontrou na mesma posição. Riu e sacudiu a cabeça para os lados.
– O que você vai fazer?
– Mingau. – respondeu. – E sim, eu sei fazer mingau. – completou quando lhe lançou um olhar descrente. – E você vai tomar banho e trocar esse pijama por um mais quentinho.
– Pensei que gostasse dos meus pijamas de renda. – a mulher provocou. Dougie assentiu em concordância.
– Eu adoro. Mas você está doente e precisa se esquentar. – deu de ombros, se retirando do quarto no instante seguinte. Seguiu para a cozinha e preparou o mingau, comemorando internamente por ter conseguido não queimar o conteúdo. Colocou em uma tigela e subiu para o quarto. Encontrou ainda na cama, usando outro pijama, então supôs que ela havia tomado banho. Entregou a tigela para a mulher e ocupou o lugar ao lado dela, também se cobrindo com o edredom.
cheirou o conteúdo da tigela – apenas para implicar com Dougie, ele sabia – e deu a primeira colherada, fazendo a careta em seguida. Poynter torceu os lábios.
– Nem está ruim. – ele murmurou e a mulher assentiu em concordância.
– Mas está quente. Queimei a língua. – respondeu após engolir, os olhos cheios de lágrimas.
– Tonta. – Dougie riu, recebendo novo beliscão no braço.
– Já disse para não me chamar de tonta. – chiou e Dougie revirou os olhos. Pegou o celular na mesa de cabeceira e mandou uma mensagem para os amigos, avisando que faltaria a reunião naquele dia porque estava doente. Todd, educado como era, desejou melhoras para a ex modelo e comentou que poderiam marcar a reunião para outro dia. Corey, esquisito como era, recomendou que Dougie levasse a mulher ao hospital porque ele a mataria, já que não entendia nada de doenças e engatou uma conversa sobre hepatite.
– Corey perguntou se você está com hepatite. – Poynter murmurou, se virando para , o dedão segurando o botão de áudio do WhatsApp.
– Eu estou gripada. Não seja esquisito, Corey. – a mulher retrucou, arrancando risadas de Dougie, que enviou o áudio no instante seguinte, novamente abandonando o celular na mesa de cabeceira e então ligando a TV. Abriu o catálogo da Netflix e optou por Friends, enquanto finalizava o mingau. Ela correu para o banheiro e escovou os dentes, voltando para a cama e para os braços de Dougie após finalizar a higiene.
– Já decidiu que roupa vai usar no sábado? – ela questionou. – Tem a festa da emissora.
– Você disse que seria temática. – Dougie lembrou.
– Vai ser formal. – deu de ombros.
– Então vou usar meu único terno. – Poynter sorriu.
– Você tem dois ternos. Comprei outro para a festa de Matt e Emma, lembra? – bocejou.
– Ah, é verdade. – Dougie assentiu. – É na semana que vem, não é?
– Uhum. – estalou os lábios. – Eu preciso buscar meu vestido essa semana.
– E a lingerie. – o loiro alargou o sorriso.
– Não vou usar, então não preciso buscar. – a apresentadora rebateu. Dougie estreitou o olhar para ela.
– Faz sete dias. Não me teste, mulher. – bufou, fazendo-a rir alto e o abraçar com mais força. Dougie devolveu o abraço, passando a acariciar a cintura dela com a ponta dos dedos, enquanto focavam a atenção na TV.
– Lembra quando falamos sobre Friends? Estávamos indo para York e você disse que eu merecia mais que um Ross. – a mulher murmurou, quebrando os minutos de silêncio.
– Sim. – Dougie concordou.
– Você é meu Chandler. – decidiu, fazendo-o sorrir largo e a puxar para um beijo. – Vou te passar gripe. – ela suspirou, sem desviar o olhar de Dougie.
– Tudo bem. – ele assentiu novamente e a puxou para outro beijo. era sua Monica e juntos, eram o melhor casal de todos os tempos.

Remédios para gripe. Dougie não fazia ideia do que comprar e contava com a sabedoria do atendente da farmácia para lhe ajudar naquela noite de segunda-feira. havia piorado da gripe e como nenhum deles tinha medicamento em casa, Poynter pegou o carro e procurou pela farmácia mais próxima de casa, apenas para encontrar o local fechado e precisar rodar mais um pouco. Acabou no bairro vizinho e soltou uma exclamação de alívio quando finalmente encontrou uma farmácia aberta.
Estacionou o carro e correu para dentro do estabelecimento, pegando o celular no bolso e discando o número de . Ela o atendeu no mesmo instante em que Dougie abria a porta da farmácia, se colocando para dentro do local.
– Ok, o que você precisa? – ele questionou, se movendo pelas prateleiras em busca dos comprimidos para gripe.
– “Remédio para gripe.” – a mulher retrucou e Poynter revirou os olhos.
, colabora. – chiou e ela riu.
– “Tudo bem.” – e passou a listar os nomes de todos os remédios que precisaria.
Dougie precisou de uma cesta para guardar tudo e quando finalizou a busca, quase dez minutos mais tarde – era realmente difícil encontrar algo naquelas prateleiras -, seguiu direto para o caixa. Havia duas pessoas dentro da farmácia, mas Dougie não havia prestado atenção, já que estava ocupado em falar com pelo telefone. Ledo engano, já que assim que chegou ao balcão, ouviu uma risada às suas costas. Virou-se, encontrando Trevor Scott com um sorriso debochado no rosto e uma cesta igual a sua em mãos. Poynter revirou os olhos e voltou sua atenção para o balconista.
– Boa noite. – o balconista cumprimentou. – Precisa de mais alguma coisa? – questionou, enquanto calculava o valor total da compra.
está doente? – Scott questionou. Dougie nem se deu ao trabalho de virar o rosto em sua direção.
– Não é da sua conta. – retrucou. – É só isso. – Dougie respondeu ao balconista, que assentiu em concordância, mesmo que seu olhar encarasse Dougie e então Trevor com curiosidade.
O balconista embalou suas compras e Poynter lhe entregou o cartão de crédito, mesmo que houvesse obrigado Dougie a pegar seu dinheiro para o pagamento. Ele deliberadamente havia esquecido as notas no balcão da cozinha.
– Obrigado. – agradeceu com um sorriso quando suas compras lhe foram entregues. Não olhou para Scott enquanto seguia para fora da farmácia e só parou de andar quando o homem gritou às suas costas. Poynter revirou os olhos outra vez, completamente sem paciência para lidar com aquilo no momento.
está doente? – voltou a questionar e Dougie fez uma careta ao ouvi-lo usar o apelido da mulher.
– Eu já disse que isso não é da sua conta. – chiou.
– Você não precisa ficar na defensiva, Poynter. – Scott debochou. – Ela está apaixonada por você, não está? – riu. – Não existem motivos para você ter medo de mim ou algo do tipo. Eu não vou roubá-la de você sem que ela decida por isso.
Dougie levou dois segundos para compreender as palavras de Trevor e quando respondeu, já era tarde demais. O jogador já havia interpretado a hesitação dele com incerteza e sabia exatamente como fazer Dougie baixar a guarda.
– Eu não tenho medo de você. – bufou.
– Ela ainda não disse que está apaixonada por você. – Trevor concluiu, um sorriso largo no rosto.
– Nossa, – Dougie riu em deboche. Pelo ombro de Trevor, pôde ver o balconista os espiando pela porta de vidro da farmácia. Ótimo, pensou. Seria notícia em todo Reino Unido na manhã seguinte. – Você realmente vive um conto de fadas na sua mente, não é? Supõe coisas, cria histórias… – revirou os olhos.
– Eu a conheço, Dougie. – Trevor respondeu. – Eu já fui você. Estive na mesma situação. Apaixonado e sem receber retribuição.
– Ah claro. – Poynter riu em puro deboche. – Jogue a culpa do seu fracasso para ela. Muito maduro. – revirou os olhos.
– Eu fui um merda como namorado. Não culpo por ter terminado comigo. – o jogador replicou. – Mas ela nunca havia dito o que sentia por mim.
– Porque talvez ela não sentisse nada. – Dougie retrucou, sem se deixar abalar. – De qualquer forma, isso não justifica você ter sido um merda e continuar sendo um babaca ao persegui-la.
– Eu não estou perseguindo-a. – se defendeu.
– Não mais. Porque ela está comigo. – o encarou com o semblante sério. Trevor encarou Dougie de volta, as sobrancelhas arqueadas.
– Foi por isso, não foi? – questionou. Dougie franziu o cenho para ele.
– Do que você está falando? – questionou, confuso.
– Foi por isso que vocês começaram a namorar. Porque eu a estava perseguindo. – deduziu e Dougie gargalhou alto. – Você me disse uma vez que os motivos pelos quais vocês iniciaram esse namoro não importavam. – lembrou.
– E não importam. – Dougie concordou. – O que importa é o que decidimos manter entre nós.
– Agora tudo faz sentido. Ela te odiava. Não iria iniciar um relacionamento com você tão inesperadamente. – Scott supôs.
– Você pode acreditar no que quiser. – Dougie deu de ombros. – Ela é minha namorada e não está interessada em você.
– Você tem certeza disso? – Trevor riu, dando as costas para Dougie e seguindo para o próprio carro, deixando o baixista com a cabeça atordoada e um peso no coração.

Dougie soltou um suspiro, passando as mãos pelos cabelos e desviando o olhar da TV para , adormecida em seus braços. Estavam no quarto da mulher e desde que havia tomado os remédios para gripe, estava dormindo abraçada a Dougie, que se mantinha meio sentado e com a atenção na TV. Ela estava doente desde o dia anterior e desde então, Dougie estava cuidando dela. Mas sua cabeça estava uma bagunça.
Não queria deixar as inseguranças tomarem conta de si. Afinal, sempre havia deixado clara sua posição para ele dentro daquele relacionamento, mesmo quando ainda era fingimento. Ela sempre fora completamente sincera sobre o que sentia. E se ainda não havia dito que estava apaixonada, Dougie deveria respeitar e fazê-la se apaixonar ao invés de surtar como estava fazendo naquele momento. Suspirou, passando novamente a mão pelos cabelos. Ajeitou na cama para que pudesse levantar e desceu para a cozinha, descalço e usando apenas a calça do moletom. O celular estava em sua mão esquerda e ele usou a destra para destrancar a porta da cozinha e seguiu para o quintal. Acabou ocupando o balanço de Groot de e riu antes de procurar o número da irmã na agenda e iniciar uma ligação para Jazzie.
– “Nossa, você não vive mesmo sem mim.” – Jasmine provocou, sem nem mesmo cumprimentar o irmão e Poynter revirou os olhos.
– Acredite, você é a única opção que eu tenho para essa ligação. – retrucou.
– “Eu deveria desligar na sua cara.” – Jazzie chiou. – “Mas pelo visto está desesperado e eu sou uma pessoa boa demais para simplesmente te ignorar.”
– É, você merece até um Nobel da Paz. – Dougie debochou.
– “Que bom que concordamos com isso.” – ele podia ver Jazzie sorrindo de forma convencida. – “Agora me conte qual o problema.”
– Eu estou apaixonado. Pela . – Dougie murmurou, recostando a cabeça na haste do balanço. Fechou os olhos e respirou fundo.
– “Ah, não me diga?” – a Poynter caçula debochou. – “Você só descobriu isso agora? Sério?”
– Não. – o baixista torceu os lábios. – Eu sei disso desde que voltamos para Londres. E eu já falei para ela.
– “Oh.” – Jazzie estalou os lábios. – “Por essa eu não esperava.” – alguns segundos em silêncio. – “Se você sabe e disse para ela, qual o problema então?”
– Ela não disse de volta. Mas aceitou meu pedido de namoro.
– “Hey, espera um pouco.” – Jazzie replicou. – “Vocês estão namorando de verdade? E você confessou estar apaixonado? Que droga está acontecendo, Dougie?”
Poynter riu e explicou brevemente os acontecimentos desde a volta para Londres, há pouco menos de duas semanas. – E então eu estou surtado. – finalizou.
– “Ela gosta de você e está feliz.” – Jazzie garantiu.
– Então por que ela não diz? – Dougie questionou.
– “Eu entendo que isso te deixe inseguro. Entendo que isso tudo seja novo para você.” – Jazzie falou. – “Mas ela deve ter os motivos dela. E você não deve cobrar nada dela.”
– Não irei cobrar, eu só…
– “Está com medo de se dar mal no final. Está com medo de voltar para o ex. Está com medo de ter o coração partido novamente.” – Jazzie concluiu. – “ não é a Frankie. Você não é o mesmo Dougie. E o relacionamento de vocês não é igual ao que você tinha com a Frankie.” – lembrou. – “Não confunda as coisas, Dougie.”
– Eu sei, eu só… – suspirou. – Quero que dê certo. – deu de ombros, mesmo que a irmã não pudesse vê-lo.
– “E vai dar. Apenas não seja babaca.” – Jasmine retrucou. – “E converse com a . Exponha suas inseguranças, deposite nela sua confiança. Ela não vai te tratar com descaso.” – garantiu.
– Idiota. – xingou. – Obrigado, Jazzie. – agradeceu por fim, ignorando a parte sobre conversar com sobre aquilo. Ele não o faria de forma alguma.
– “Sempre que precisar, maninho.” – Jazzie murmurou.
Eles conversaram um pouco mais antes de Dougie desligar e voltar para a cama e puxar para seus braços. Apesar de ainda estar sentindo-se bagunçado, estava tentando colocar as coisas em ordem em sua cabeça e principalmente, em seu coração.

Capítulo 32 – O pior casal de todos os tempos

Dougie bebeu mais um gole do seu café, enquanto Todd e Corey discutiam a respeito de uma música para o novo projeto da Ink. Estavam no estúdio da gravadora, acertando os últimos detalhes a respeito do futuro da banda – que para Dougie parecia meio incerto, visto que se sentia deslocado. Ou era apenas sua cabeça cheia de Trevor-babaca-Scott que o deixava fora de órbita e sem interesse genuíno na discussão dos amigos.
Suspirou, pegando o celular em mãos e abrindo o WhatsApp. havia lhe mandado uma mensagem há vinte minutos – que ele não havia respondido ainda -, cancelando o almoço que teriam por conta de um compromisso da emissora. Segundo ela, teria que almoçar com alguns dos convidados especiais para a edição de aniversário de seu programa para fechar as últimas participações.
não havia percebido a bagunça que estava Dougie. Ele havia atuado bem demais e no dia anterior, eles tinham passado pouquíssimo tempo juntos, o que facilitou a vida de Poynter. trabalhara até tarde e não havia ido para a casa de Dougie na noite passada. Por ter faltado na segunda-feira, tinha muito trabalho acumulado e muitas coisas para resolver a respeito do programa. E naquele dia, eles não haviam se visto pela manhã. E Dougie estava sentindo falta dela, mesmo que tivesse passado toda a segunda-feira grudado a mulher. Conversar com Jazzie havia ajudado – mas não o suficiente já que ele não havia colocado os conselhos dela em prática. Sabia que estava errando. sempre deixou claro que sinceridade era uma necessidade dentro de qualquer relacionamento e lá estava Dougie, surtando e escondendo as coisas dela. Mas ele poderia mesmo se culpar? Tinha suas inseguranças, tinha seus medos e seus receios. Nunca estivera apaixonado daquela forma e não sabia como lidar. Não queria cobrar nada de . Ela não deveria se sentir pressionada para se apaixonar por ele. Deveria ser algo natural. Ele deveria conquistar aquela paixão, assim como ela o havia conquistado.
Dougie suspirou, fechando os olhos e recostando a cabeça no encosto da poltrona. Acabou chamando a atenção de Todd e Corey e logo dois pares de olhos estavam sobre ele.
– Continuem, por favor. – Dougie murmurou. – Talvez a briga de vocês me distraia.
– Não estamos brigando. – Corey retrucou.
– É claro que estão. – Poynter revirou os olhos. – Vocês sempre estão brigando. Parecem casados. – riu e Corey o mandou a merda, enquanto Todd revirava os olhos.
– Quem parece casado é você. – Todd replicou. – Está praticamente morando com .
– Isso não é verdade. – Dougie torceu os lábios. Estava mentindo e os amigos sabiam. – Ela dorme na minha casa também.
– Uau, que diferença. – Corey debochou. Ambos puxaram suas cadeiras para perto de Dougie e o baixista logo se sentiu desconfortável. Aquele tipo de ação o lembrava de seus dias na reabilitação e o sentimento não lhe era agradável.
– Então, qual o problema? – Todd questionou, curioso e preocupado.
– Por que existiria um problema? – Dougie tentou desconversar.
– Às vezes eu queria te dar um soco. – Corey murmurou, fazendo Todd rir.
– Você não está brigando com Corey a respeito da melodia. Vocês sempre brigam por isso. – o homem comentou. – Você tem algum problema, principalmente porque Corey está errado e você não jogou isso na cara dele. – deu de ombros.
– Eu não estou errado! – o outro replicou e Todd revirou os olhos para ele, enquanto Dougie revirava os olhos para os dois.
– Tenho certeza de que está errado. – Poynter comentou e recebeu um olhar nada satisfeito do amigo. – De qualquer forma, não é nada grave. – suspirou. – Eu só estou cheio de coisas na cabeça.
– Por quê? – Todd questionou. – Você e são uma meta de relacionamento. – murmurou. – Para qualquer pessoa. – acrescentou.
– É verdade. – Corey concordou. – principalmente. Você nem tanto. – deu de ombros e Dougie estirou o dedo do meio para ele.
– Encontrei com o ex dela. Segunda-feira à noite. – Dougie contou.
– Ah não. – Corey logo sacudiu a cabeça em negação. – Não se dá ouvidos a qualquer ex-namorado de mulher. Você é homem, sabe disso. A gente sempre joga a culpa para elas. – murmurou.
– E isso é errado. – Todd comentou, lançando um olhar torto para o amigo.
– Eu sei. – o outro bufou. – Não estou dizendo que está certo. – revirou os olhos.
– Cara, conversa com ela. – Todd aconselhou. – Tenho certeza de que seja o que for que ele tenha dito, pode te explicar e acabar com essa confusão mental que você está carregando.
– Vocês já se apaixonaram? – Dougie questionou subitamente. Todd franziu o cenho em confusão e Corey deu de ombros. – Porque eu estou apaixonado. Completamente apaixonado. E só a possibilidade de perdê-la me deixa maluco. Eu não me vejo sem a . Não mais. – suspirou.
– Então fale para ela. – foi a resposta de Corey. – Ela não vai ler sua mente e descobrir sozinha.
– Dessa vez eu preciso admitir que Corey esteja certo. – Todd suspirou. – Mas não a respeito da música.
– Jamais a respeito da música. – Dougie concordou, fazendo o outro revirar os olhos.
– Façam essa merda de arranjo então, seus otários. – Corey bufou, jogando o caderno de partituras em cima de Dougie, que riu.
– Vamos trabalhar, princesas. – Todd disse por fim. – E você deixe de ser um bundão. – apontou para Dougie ao se levantar.
– É praticamente uma tarefa impossível. – Corey debochou e Dougie atirou o caderno na cabeça dele.
Precisava conversar com . Mas não pensaria naquilo. Não naquele instante. Precisava arrumar o arranjo da música, que realmente estava uma droga.

A cozinha cheirava a molho de tomate. O cheiro não era tão bom quanto o cheiro da comida de , mas Dougie estava fazendo o seu melhor. Assistira alguns vídeos no YouTube e também, resgatara em sua memória todas as lições culinárias que havia lhe passado naqueles dias em que o arrastava para a cozinha junto dela. Poynter havia aprendido alguma coisa, mas ainda estava longe de ser um profissional. Ao menos um macarrão com molho à bolonhesa ele sabia preparar.
– Certo Dougie, tudo certo por aqui. – murmurou para si mesmo, após provar a comida e atestar a qualidade do alimento. Não estava tão gostosa quanto a de , mas o que importava era a intenção, não era? Afinal, ele havia tentado cozinhar para e por ela. saberia avaliar a situação. Deixou a massa em um refratário de vidro e guardou dentro do micro-ondas, para que o jantar não esfriasse. Seguiu para o segundo andar e ocupou o banheiro, tomando um banho rápido e vestindo algo confortável antes de voltar para a sala. Seu celular estava esquecido no sofá e quando sentou no móvel, pegou o aparelho em mãos para se distrair enquanto não chegava.
E aquela havia sido a pior ideia que ele poderia ter tido, no final das contas.
Dougie estava rolando a timeline do Twitter quando algumas fotos chamaram sua atenção. Seus olhos captaram o rosto de imediatamente, abrindo um sorriso torto somente por visualizar o sorriso da mulher nas fotografias. Eram daquele mesmo dia, já que Dougie se lembrava das roupas que havia vestido antes de lhe beijar os lábios e desejar uma boa reunião com a banda. Subiu o olhar para a legenda da foto e franziu o cenho em confusão.
Cadê o Dougie?
Desviou a atenção para o restante do conteúdo das fotos. estava lá. Mas não estava sozinha e o acompanhante da mulher fez Dougie torcer os lábios em desgosto e a irritação tomar conta de sua mente. estivera com Trevor naquele dia. Em a cafeteria no centro de Londres. Eles riam, em duas das quatro fotos, entretidos em alguma conversa, Dougie supunha. Nas outras duas fotos, eles se abraçavam. E continuava sorrindo. Ela não estava fazendo careta, fugindo ou então gritando com ele. Não estava desconfortável. E aquilo trazia um nó para a garganta de Dougie, como nunca antes. Que merda era aquela que ele estava sentindo? Aquela fúria morna, aquele incômodo… Aquela decepção e principalmente, o medo. Medo de ser substituído. Medo de perder . Porque Dougie sabia que não era o suficiente. Ela era tão incrível e ele era completamente mediano. Em tudo. Então entendia que ela merecia mais. E desejava ser tudo aquilo que merecia. Ele se esforçaria para aquilo. Mas se ela não estava apaixonada por ele, do que adiantava? Acabaria magoado. Novamente. E pior ainda, ela voltaria para Trevor. Trevor, o babaca perseguidor.
O barulho da porta lhe chamou a atenção e Dougie virou o rosto em direção a entrada da casa no mesmo instante em que adentrava o local. Ela sorriu para ele imediatamente e tudo o que Dougie pôde fazer foi torcer os lábios em desgosto.
– Oi! – exclamou. Andou em direção a Dougie e largou a bolsa na poltrona, parando em frente ao homem e franzindo o cenho em confusão. – O que foi?
Dougie não respondeu. Apenas se levantou do sofá e seguiu novamente para a cozinha, torcendo os dedos das mãos de forma nervosa enquanto seu coração batia ritmadamente. Trevor estava certo. não estava apaixonada por ele. Provavelmente só estava entrando naquele relacionamento porque Dougie se apaixonara e ela tinha muito respeito e cuidado com os sentimentos alheios. E apesar de aquilo parecer nobre, apenas deixava Dougie irritado. Ela não poderia simplesmente ser uma cretina e mandá-lo caminhar?
– Dougie? – chamou, o seguindo pela cozinha. Poynter espalmou o balcão, abaixando a cabeça e respirando fundo. não estava apaixonada por ele. E ele havia quebrado a cara novamente. – O que aconteceu?
– Por que você não me disse? – questionou, quase em um sussurro.
– Não disse o que? Você não está fazendo sentido. – ela replicou.
– Por que não me disse que iria sair com Trevor? – ele se virou para ela. torceu os lábios imediatamente.
– Nós não saímos. – respondeu e Dougie riu debochado.
– Eu vi as fotos, . Por favor, não minta. – chiou e a apresentadora arqueou as sobrancelhas para ele.
– Quando foi que eu menti para você? Sobre qualquer coisa? – questionou, parecendo irritada. – Para que seu surto ao menos tenha fundamento?
– Está mentindo agora. – Poynter acusou. – Porque você saiu com Trevor hoje. – grunhiu, também irritado. O medo o estava tornando irracional. – E está me dizendo que não saiu.
– Não sai! – retrucou, cruzando os braços em frente ao corpo, em forma de autodefesa. – Estava em reunião com outra pessoa e encontrei com ele por acaso, nada demais!
– Você só pode estar brincando comigo. – Dougie murmurou, dando as costas para e abandonando a cozinha, andando a passos largos em direção à porta da frente, mesmo que aquela fosse a sua casa. A mulher o seguiu, puxando-o pelo braço e obrigando-o a encara-la.
– Você não vai agir como a porra de um personagem de fanfic! – ordenou, irritada. – Eu te falei que essa merda não era ficção e agora você vai me ouvir, ao invés de foder tudo como um idiota orgulhoso! – soltou o braço dele, os olhos faiscando em irritação.
– Então se explique. – Dougie replicou, jogando os braços para cima, rindo ironicamente em seguida. – Me diga por que saíram fotos de você e Trevor no mesmo local, abraçados e rindo. – urrou. – Me explique!
– Em primeiro lugar, seu idiota, – ela xingou, empurrando o peito do loiro com o dedo indicador. – Eu não lhe devo explicações sobre o que eu faço e com quem eu saio. Você não é meu proprietário, Dougie Poynter, e não deveria agir como se fosse. – chiou.
– Você aceitou namorar comigo. – ele a lembrou, o tom de voz completamente frio. – Ou já se esqueceu? Uma tarde com Trevor e eu volto a ser irrelevante? – a pergunta era séria e aquilo apenas fez o sangue de ferver.
– Você é um ridículo! – gritou. – Um ridículo! – repetiu. – Eu aceitei namorar você porque eu gosto de você. Eu jamais aceitaria se gostasse de outra pessoa. E você me fala uma merda dessas? – questionou, desacreditada. – E ainda age como se eu devesse explicações para você, como se fosse meu dono ou algo do tipo. – riu em puro desgosto.
– Eu não disse que sou seu dono! – Dougie replicou. – Só quero saber por que a minha namorada estava em uma cafeteria abraçando o ex-namorado dela, que é um babaca. – arqueou as sobrancelhas para a mulher.
– Não, você não quer saber isso. – acusou. – Porque se quisesse, tinha aberto o jogo comigo de forma madura, sem me acusar ou surtar. Você nem ao menos teria me ouvido se eu não tivesse te obrigado a ficar aqui. – lançou um olhar gélido para o baixista.
– Bom, foi você quem mentiu, não foi? – Dougie replicou e a mulher revirou os olhos, andando para longe dele e rumando em direção a poltrona para pegar sua bolsa.
– Quer saber, vá se foder. – chiou. – Você nem ao menos confia em mim, Poynter. – outro olhar gélido. – Nem ao menos me conhece, já que supôs que eu voltaria para Trevor. E também supôs que eu aceitaria ter algo de verdade com você, sem gostar realmente do que temos. Isso tudo é uma grande perda de tempo. – disse por fim, rumando para a porta da frente.
– Se você ao menos tivesse me dito se está apaixonada por mim. – foi a resposta de Dougie. se virou para ele, a mão segurando a maçaneta e uma expressão desacreditada no rosto.
– Eu disse. Muitas e muitas vezes. – ela murmurou, o tom de voz magoado. Dougie se encolheu automaticamente. – Quando te levei para conhecer minha família. Quando te contei sobre Alasca. Quando falei sobre meu desejo de adotar. Quando conheci sua mãe. Quando não te julguei ou te condenei por preferir continuar afastado do seu pai. – falou. – Eu disse que estava apaixonada quando dormi com você. Quando te abracei, quando te beijei. Em todos esses momentos, depois do nosso primeiro beijo, eu disse que estava apaixonada por você. – murmurou. – E se isso não foi o suficiente, eu não posso fazer mais nada. – deixou os ombros caírem.
Aquilo foi como um tapa no rosto de Dougie. Ele deu um passo para trás, realmente surpreso com a fala de . Porque ela tinha razão. Ela estava mostrando que estava apaixonada por ele, que gostaria de tentar fazer aquele relacionamento dar certo. Com atos e não com palavras. Porque ela entendia as inseguranças de Dougie. Ele já havia ouvido palavras e quebrado a cara. E como havia dito para sua mãe, estava tentando mostrar a ele que haviam outros tipos de relacionamentos. Poynter sentiu-se um babaca e quando deu um passo em direção a , ela ergueu a mão, pedindo para que ele não se aproximasse.
– Eu não vou passar por isso novamente. – ela replicou. – Eu já estive em relacionamentos assim e não vou fazer isso comigo mesma. Não de novo. – suspirou. – Você ainda acha que estar apaixonado, que amar alguém, é sinônimo de posse. Você ainda tem medo, ainda desconfia, ainda supõe e acusa. E eu não quero isso para mim.
… – Dougie murmurou.
– A gente tentou. Não deu certo. – deu de ombros. – Melhor acabar agora.
Dougie não iria argumentar. Ele não teria coragem de tentar convencer do contrário, não naquele momento. Sempre soubera que não era bom o suficiente e ter sido um babaca apenas reforçava sua ideia. Assentiu em concordância e viu no olhar dela, o espelho do seu: mágoa e decepção.
– E o plano? – foi o que ele disse e pareceu ainda mais magoada. Dougie quis bater em sua própria cara. Aquele era o pior momento para trazer o plano para o assunto.
– Eu invento algo para . – falou. – Não se preocupe, eu não vou colocar a culpa em você. – finalizou, abrindo a porta e se colocando para fora.
Dougie sentou-se no sofá, apoiou os cotovelos nos joelhos e enfiou o rosto entre as mãos. Havia feito uma merda tão grande e já estava arrependido. Mas tinha razão. Eles haviam tentado e não havia dado certo.
Eles não eram o melhor casal de todos os tempos, afinal de contas.

Capítulo 33 – A grama do vizinho não é mais verde

As coisas estavam esquisitas para Dougie nos dias que seguiram o término com . Ele sentia falta dela. Em tudo. Desde o beijo preguiçoso que trocavam ao acordar até mesmo as não brigas para decidir o sabor da pizza – sempre escolhia. E Poynter estava completamente arrependido e sentindo-se um completo babaca. Afinal, as coisas estavam claras como cristal e ele simplesmente ignorou tudo, deixando a insegurança e o medo tomarem conta de sua racionalidade. Como resultado, perdera . E não poderia culpá-la por preferir acabar tudo de uma vez. Ela já havia passado por relacionamentos ruins e de forma alguma merecia mais um. Mesmo que Dougie acreditasse que poderia ser melhor, ele não iria insistir. Não quando ela havia deixado claro que não gostaria de tentar ajeitar as coisas com ele.
Soltou um suspiro alto quando entrou em casa, após mais uma reunião com Todd e Corey. Ambos haviam notado que Poynter não estava bem e quando fora questionado a respeito, Dougie apenas dera de ombros e colocara a culpa na dor de cabeça. Todd perguntou sobre e um “está bem” foi a resposta do baixista, findando o assunto no instante seguinte, já que nem Todd nem Corey insistiram na conversa. Tinham coisas demais sobre a banda para discutirem e se Poynter não queria se abrir, eles não o forçariam.
Para azar de Dougie, no caminho para casa recebera uma mensagem de Olly, para confirmar o encontro daquela noite. Dougie respondeu ao amigo que não iria, pois estava cheia de trabalho, mas não conseguira escapar, já que Olly insistiu para quem Dougie comparecesse, nem que fosse por alguns minutos apenas. Derrotado, subiu para o segundo andar e ocupou o banheiro. Tomou um banho rápido e vestiu algo confortável, que não fugia nada do que vestia normalmente: jeans, camiseta e uma jaqueta. Secou o cabelo com o secador e ajeitou os fios de qualquer jeito, pegando o celular e a carteira e os colocando no bolso. Desceu para o primeiro andar e então seguiu para fora de casa, desviando o olhar para a casa de enquanto se movia em direção ao carro. As luzes estavam apagadas e apenas a claridade da TV era vista pela janela. Soltou outro suspiro antes de entrar no carro, batendo com a cabeça no volante e apertando os olhos, se martirizando pela péssima atitude que tivera com a mulher. Poderia estar com ela ao seu lado naquela noite, reclamando sobre a cerveja sem álcool que beberia junto dele. Passariam boas horas com Olly e mais alguns conhecidos, comendo e falando sobre tudo e qualquer coisa. Voltariam para casa tarde e fariam sexo até que ambos caíssem no sono pela exaustão.
Dougie tinha arruinado a melhor coisa de sua vida e sabia daquilo.
Dirigiu com cuidado até o bar onde encontraria Olly, deixando as chaves com o manobrista e seguindo para dentro do estabelecimento. Rodou pelo local duas vezes até finalmente encontrar Murs em uma das mesas ao fundo do bar, cumprimentando a todos com simpatias e abraçando Olly com carinho, já que não via o cantor a muito tempo. Sentou-se ao lado de Murs, pedindo uma cerveja sem álcool para o garçom que fora atendê-lo.
– E então Poynter, desacompanhado hoje? – Olly questionou e Dougie deu de ombros, soltando um suspiro alto.
– É. – murmurou em resposta. – está ocupada com a organização da edição de aniversário do programa.
– Ela parecia tão animada quando nos falamos no início da semana. – Murs comentou. – Uma pena que não tenha podido vir.
– É. – repetiu. Agradeceu ao garçom quando a cerveja lhe fora entregue.
– Podemos marcar um almoço qualquer dia. – o outro sugeriu e a careta no rosto de Dougie não passou despercebida. Olly arqueou as sobrancelhas para o loiro. – Está tudo bem entre vocês? – questionou, parecendo preocupado. – Não quero me intrometer, mas ambos são amigos queridos para mim. – explicou. – Não quero forçar algo, se vocês não estão bem.
– Eu nem sei mais em que pé nós estamos, para ser sincero. – comentou. De alguma forma, precisaria começar a alertar as pessoas sobre seu término. Para o mundo, era um casal há pelo menos, cinco meses, e seu término precisava ser esclarecido.
– Como assim? Vocês terminaram? – Murs questionou surpreso. Dougie assentiu com a cabeça.
– Não estava dando certo.
– Eu vi fotos de vocês no cinema esses dias. – murmurou. – Pareciam apaixonados. – Dougie torceu os lábios em desgosto.
– É, estávamos tentando sair da rotina, sabe? Para ver se as coisas mudavam. Acabou não surtindo efeito. – deu de ombros.
– E como você está? E ?
– Estamos bem. Foi um término pacífico. – sorriu fraco. – Continuaremos amigos. – e sobre aquilo Dougie não tinha mesmo nenhuma certeza.
– Isso nunca dá certo, cara. – Olly riu e Dougie o acompanhou.
– Vamos tentar. – novamente deu de ombros.
– Fico triste com a notícia. Pensei que dessa vez você seguiria os passos dos caras. – suspirou. Dougie franziu o cenho para o amigo.
– Você quer dizer noivado e casamento? – questionou e Olly assentiu.
– E filhos. – acrescentou.
Poynter deu um gole em sua cerveja e soltou um suspiro alto.
– É, eu também. – murmurou. – Eu também.

Na segunda-feira, Dougie não foi para a academia, como de costume. Dormiu um pouco mais do que o necessário e quando seguiu para a cozinha – após fazer sua higiene matinal e tomar um banho -, encontrou a geladeira vazia e os armários cheios de vento. Suspirou, passando a mãos pelos cabelos e procurando pelas chaves do carro. Tomaria café em algum lugar e então faria compras, já que de estômago vazio não teria paciência para aturar o supermercado. Odiava mesmo fazer compras.
Usando sua segunda touca favorita – a primeira ainda estava em posse de e Dougie duvidava que fosse conseguir a peça de volta, principalmente nas circunstâncias onde se encontravam – Dougie dirigiu até uma cafeteria no centro de Londres. Acabou distraído com o jornal enquanto bebia o café forte que havia pedido, tendo sua atenção desviada para uma das colunas de fofoca quando viu uma foto sua e de dentro de um coração partido. Franziu o cenho em confusão e passou a ler a pequena reportagem.
e Dougie Poynter terminaram?
Um súbito rumor passou a circular pelas redes sociais no último final de semana. O casal do momento, , ex modelo e atual apresentadora no canal 4Music, e Dougie Poynter, baixista do McFLY, parecem ter terminado seu relacionamento de cinco meses. Poynter fora visto em um bar na companhia de alguns amigos, no sábado à noite, enquanto comparecera a festa anual da 4Music desacompanhada e sem o anel de brilhante que ela portava na mão esquerda desde que assumira seu relacionamento com Poynter.
Dias antes, fora fotografada com seu ex-namorado, Trevor Scott, estrela do Liverpool e da seleção inglesa, em uma cafeteria no centro de Londres. Eles passaram alguns minutos juntos, entre risadas e abraços calorosos. Será esse o motivo do término de ? Lembrando que nenhum dos dois declarou ou admitiu o final do relacionamento. Desejamos o melhor para os dois.

Dougie revirou os olhos, torcendo os lábios em seguida quando percebeu alguns olhares em sua direção e então uma câmera de celular apontada para si. Deixou o café e metade do sanduíche na mesa e seguiu para o caixa, pagando pela comida e então voltando para seu carro. Faria a droga das compras e comeria em casa, onde ninguém iria tirar fotos dele e postar na internet com legendas a respeito de seu coração partido após o fim do relacionamento com .
Ele não precisava da pena de ninguém. Nem mesmo se achava merecedor da compaixão de outrem. Havia saído sim com o coração partido daquele relacionamento, mas a culpa era toda e exclusivamente sua. , como ela mesma havia dito, havia tentado ao máximo fazer aquilo dar certo. Havia se empenhado em mostrar a Poynter que existiam outros tipos de relacionamentos, onde o companheirismo e a cumplicidade formavam a base. Onde nem tudo era cobrança, insegurança e medo. Onde ele poderia ser ele mesmo, de coração aberto e com suas feridas remendadas a mostra. Onde não seria julgado por ter uma bagagem emocional. Onde seria acolhido e amado de qualquer forma. Suspirou, realmente desapontado consigo mesmo. Novamente havia arruinado algo bom em sua vida. Era especialista em sabotar sua própria felicidade e aquilo não lhe era novidade.
Não poderia culpar ninguém pelos seus fracassos, fora a si mesmo. Quase havia arruinado sua carreira por causa da bebida e das drogas, e aquilo quase havia acabado com a sua vida. Havia arruinado seu relacionamento com Ellie e também com Lara, que eram duas pessoas maravilhosas que só queriam o seu bem. E era o único culpado pela droga que havia sido seu relacionamento com Frankie, já que estava sempre ocupado enchendo a cara com bebida e usando todo tipo de droga, ao invés de ser um cara legal e um namorado decente para a mulher. Ele não mais a culpava por suas paranoias, mesmo que o tivesse feito por um longo tempo. Agora ele entendia sua responsabilidade naquele relacionamento fracassado e de forma alguma culpava Frankie. Dougie não poderia justificar suas atitudes com como resultado dos medos acumulados em seus relacionamentos anteriores. Não havia arruinado as coisas com por ser fodido emocionalmente. A premissa de que um novo amor não tinha culpa dos anteriores era real, e mesmo que não fosse, não era desculpa para Poynter, já que sempre fora ele o responsável por tudo dar errado. Afinal, parecia não ter aprendido nada.
Como se o destino estivesse brincando com a sua cara, ao entrar no estacionamento e procurar uma vaga para seu carro, Poynter acabou focando a atenção em uma família que terminava de colocar suas compras no porta-malas do veículo. Apertou os olhos, sem acreditar que estava mesmo vendo Frankie naquela manhã. Especialmente naquela manhã, onde estava sentindo-se miserável e se culpando por outro relacionamento fracassado. A mulher estava mais magra do que da última vez que a havia visto e os cabelos estavam mais curtos. Dois meninos a rodeavam, entregando-lhe sacolas, enquanto saltitavam e riam de algo que Francesca lhes dizia. Wayne Bridge, atual marido de Frankie, colocara a última sacola no porta-malas e então pegara os filhos no colo, os colocando dentro do carro, enquanto Frankie procurava por algo na bolsa. O olhar dela caiu sobre Dougie e com um segundo de confusão, abriu um sorriso simpático e acenou para o homem, seguindo para o carro e para sua família no instante seguinte. Dougie ocupou a vaga que a família Bridge havia liberado e quando desligou o carro, recostou-se no banco, de olhos fechados e respirando com força.
Ele não sentia mais nada por Frankie. Já havia se desculpado com a mulher, anos atrás, quando finalmente tomara consciência da merda que havia feito com ela. Eles não tinham mais nenhuma chance, mas Poynter sentira-se na responsabilidade de esclarecer as coisas com Frankie. Desculpou-se por culpá-la e se desculpou pela música que ajudara Tom a escrever. Havia colocado apenas seu ponto de vista na situação – algo nada parcial – e deixado à mulher enfrentar sozinha a mídia e um fandom enlouquecido, enquanto ele se escondia na reabilitação. Não havia sido justo e Dougie tinha sorte por Frankie tê-lo perdoado. E sentia-se feliz por terem tido seu fim. Ela agora tinha uma família e merecia a felicidade que vivia.
Com Lara, ele não havia levado o relacionamento a sério. E aquilo também era sua culpa, assim como havia sido sua culpa o término com Ellie. Dougie não estava preparado para avançar com o relacionamento e queria coisas diferentes de Ellie: ela queria casar e ter filhos. Dougie queria festas e turnês com a banda. Não havia sido sincero com a mulher a respeito de seus planos futuros, e desta forma, não evitara o desgaste e posterior fim do relacionamento. A verdade era que era difícil para Dougie assumir a culpa por seus erros. Era difícil se colocar como responsável da sua falta de sorte no amor. Ele nem precisava de julgamento. Sabia que era culpado.
Seu relacionamento com havia sido uma surpresa. Eles haviam construído aquela relação com cuidado e paciência, tijolo por tijolo. Mesmo que a maioria das coisas estivesse oculta dentro da nuvem daquele relacionamento falso, Dougie havia experimentado a felicidade. Aquela felicidade sobre a qual ele lia e ouvia melodias. Aquela paixão, aquele… Amor? Podia dizer aquilo? Poderia admitir que amava ? Que os últimos cinco meses, haviam sido os melhores de sua vida, simplesmente porque tivera ela por perto? Ele nunca havia experimentado dias tão coloridos. Era sempre verão, quando estava por perto. Dougie havia finalmente entendido, de forma plena, o que Tom e Danny queriam dizer na letra de Love Is On The Radio. havia sido o limpa vidros de suas janelas embaçadas e quando olhava para fora, via apenas flores e passarinhos cantando. Nem se lembrava dos dias nebulosos e das coisas sem sentido que vivera antes dela. Não eram mais importantes. Ele sentia-se bem com . Sentia-se feliz e seguro para ser ele mesmo. Completo. Seu lado da grama era ainda mais verde que a do vizinho e quando pensava no futuro, não tinha medo. Não com ela. Queria uma casa grande, cerca branca e crianças correndo no quintal. Algo que nunca quisera com nenhuma outra mulher. Algo com o qual nunca havia sonhado. Mas queria com . Queria muito.
E por querer tanto, ele não poderia deixá-la escapar. Ele a amava. E não havia se dado conta daquilo, porque nunca havia experimentado aquele tipo de amor. Fácil, natural. Mas estava ali, debaixo do seu nariz e dentro do seu coração. Ele precisava tentar uma última vez. Se o chutasse – e ele não a culparia por aquilo -, ao menos ele não viveria com a sombra do “e se” o rodeando. Apenas se lembraria dos bons momentos e reclamaria por ter sido um idiota e arruinado tudo. Ele precisava saber se ainda tinha chances. Mas como? não queria vê-lo nem pintado de ouro. E então teve uma ideia.
– Eu estou decidindo pela minha própria morte. – murmurou, ligando novamente o carro e dirigindo para fora do estacionamento do mercado. Atravessou a cidade, com um único pensamento em mente: desfazer a merda e reconquistar . Quando tocou a campainha dos Jones e encontrou uma descabelada e com cara de sono, sentiu que estava fazendo a coisa certa. era a única pessoa que poderia arrancar de a resposta que Dougie precisava.
– Poynter, o que você faz aqui a essa hora da manhã? – questionou confusa.
– Preciso da sua ajuda. – Dougie falou. – e eu não estávamos namorando de verdade. Não até alguns dias atrás. – respirou fundo. – Mas eu estou apaixonado por ela e preciso da sua ajuda para reconquistá-la.

Capítulo 34 – O idiota mais apaixonado de todos

Dougie encarou com determinação, enquanto a mulher processava a informação que havia acabado de receber. Minutos mais tarde, Danny aparecera na porta e franziu o cenho, passando os olhos do amigo para a esposa, confuso com a situação.
– O que aconteceu? – Jones questionou, finalmente despertando , que estreitou o olhar para Dougie e lhe deu um tapa no ombro.
– Você a magoou, não foi? – ela exclamou, parecendo furiosa. Dougie deu um passo para trás, mas não desviou do segundo tapa. Danny arregalou os olhos e segurou a esposa pela cintura, contendo o avanço da fúria assassina dela para cima do baixista.
– Que droga você fez, Poynter? – o mais velho questionou.
– Ele magoou a ! – praticamente gritou. Dougie deu mais um passo para trás, enquanto a loira lutava contra os braços de Danny. – O namoro não era de verdade para ele. E agora ele diz que está apaixonado, depois de magoar ela!
– Hey, espere aí. – Dougie retrucou, torcendo os lábios. Ambos os Jones o encararam. – O namoro não era verdadeiro para nenhum de nós dois.
– Que porra você está falando? – Danny fez uma careta.
– Eu vou explicar tudo. – garantiu. – Mas se acalme. – olhou para , que estreitou o olhar para ele novamente.
– Eu vou te matar. – prometeu, fazendo tanto Danny como Dougie se trocarem um olhar assustado. A mulher se livrou dos braços do marido e marchou para dentro da casa, sendo seguida pelos dois homens. Acabaram na cozinha, e antes que Dougie pudesse abrir a boca, a campainha tocou. Danny imediatamente suspirou e sorriu largo, de forma maligna. Dougie franziu o cenho.
– É o Harry. – Danny explicou. – Iríamos correr hoje.
– E ele vai me ajudar a te matar. – garantiu. Dougie fez uma careta.
– Certo. – o baixista murmurou. – Seria mais prático contar para vocês todos. – suspirou.
– Vou ligar para Tom. – Jones murmurou, já saindo da cozinha em direção a porta e então até seu celular abandonado no quarto. novamente encarou Dougie com uma expressão de poucos amigos e o loiro revirou os olhos.
– Pare com isso. – ele pediu.
– Você magoou minha melhor amiga, Poynter. – ela murmurou. – Tem sorte de ainda estar vivo para tentar se explicar. – arqueou as sobrancelhas para ele.
– Eu não a magoei de propósito. – se defendeu.
– Mas a magoou de qualquer forma. E é a última pessoa no mundo que merece ser magoada. – a loira pontuou. Poynter assentiu em concordância.
– Eu sei. Sinto-me um bosta. – suspirou.
– Sua autodepreciação não vai acalmar minha fúria. – ela deu de ombros. Harry adentrou a cozinha um instante depois, com o seguindo. Lançou um olhar confuso para Dougie e então uma careta para .
– O que aconteceu? Parece que você tomou uma surra. – murmurou para a loira. o beliscou no braço.
– Não seja rude. – a mulher murmurou.
– Seu amigo idiota. – apontou para Dougie.
– Danny disse que precisava de todos nós aqui. – comentou. – Eu estava indo para a academia.
– Dougie tem um anúncio. – a loira explicou.
– Onde está ? – Harry questionou. Poynter torceu os lábios no mesmo instante.
– Tom está vindo. – Danny anunciou, voltando a cozinha instantes depois. Sentaram-se todos na bancada, encarando Dougie com curiosidade. Fora , que encarava o baixista com o olhar assassino.
– Não pode contar agora e depois repetir para Tom? – questionou, sem conter sua curiosidade.
– Se for para tomar esporro, prefiro tomar de uma vez. – o mais novo explicou. Imediatamente Harry fez uma careta.
– O que você fez? – questionou.
– Merda. – foi quem respondeu.
– Já estou me arrependendo de ter vindo aqui. – Poynter suspirou.
Danny e Harry engataram uma conversa sobre o álbum solo do amigo, enquanto e falavam sobre yoga. Dougie, completamente alheio a tudo, apenas rolava o feed do Instagram, curtindo fotos esporádicas. Acabou encontrando uma foto de na festa da emissora e suspirou baixo. Ela estava linda naquele vestido preto decotado, com os cabelos curtos elegantemente penteados. O sorriso no rosto dela era enorme e Dougie sentiu-se novamente miserável. Como pudera deixar aquela mulher escapar? Tudo a volta dela era colorido e brilhante. Tudo irradiava luz. Era realmente um completo babaca. E esperava, com todas as suas forças, que não fosse tarde demais.
Tom e chegaram meia hora mais tarde, e após uma breve explicação sobre o paradeiro de Buzz e Buddy – creche, assim como Lola e Kit -, ocuparam um lugar à mesa e voltaram a atenção para Dougie, que respirou fundo e então passou a contar tudo. Desde o começo. Explicou a respeito de como ele odiara o plano dos amigos em lhe arrumar uma namorada. Como a ideia do plano sobre o relacionamento falso surgiu e como acabou envolvida. Falou sobre o relacionamento deles, que foi se construindo aos poucos. Falou sobre a amizade, a sinceridade e a cumplicidade. Sobre o primeiro beijo e sobre a viagem para a casa de seus pais. Contou sobre como se dera conta de que estava apaixonado e também, sobre o início do relacionamento real entre ele e . Mencionou o pedido de namoro e então falou sobre o término. Não deixou nenhum detalhe de fora a respeito da briga e conforme ia falando, seus amigos mantinham-se cada vez mais quietos. Apenas continuava com o olhar assassino, mas Dougie já estava se acostumando com ele.
– E então, hoje de manhã eu saí para comer fora e depois faria compras. – suspirou. – Acabei revendo Frankie no estacionamento do supermercado. E então tudo veio à tona. Sobre eu sabotar meus relacionamentos, sabem? A culpa sempre fora minha. – outro suspiro. – E eu estou tão arrependido.
– Pelo que? – cortou o silêncio do grupo pela primeira vez.
– Ter sido um babaca com . – murmurou.
– Se te consola, você foi um babaca ainda maior com Ellie e Frankie. – murmurou.
Dougie franziu o cenho. – Não me consola. – retrucou.
– Azar o seu. – chiou.
– Vocês conversaram sobre? – Danny questionou.
– Não. Eu não quis desrespeitar o espaço e a decisão dela. – explicou.
– E para que você está aqui, então? Se não pretende desrespeitar a decisão de em nunca mais olhar na sua cara? – indagou. – O que é uma decisão brilhante, devo confessar.
– Preciso da sua ajuda. – Poynter disse por fim. – Preciso que descubra se eu ainda tenho chances com ela.
– Não. – a loira foi firme em sua resposta. e trocaram um olhar, enquanto os homens apenas se mantinham em silêncio.
… – o baixista suspirou.
– Não, Poynter. – repetiu. – Você foi um imbecil e não precisa passar por isso novamente. Ela já esgotou a cota de namorados imbecis.
– Eu sei que fiz merda. – retrucou. – E estou arrependido.
– Seu arrependimento não serve para nada. – a loira disse. – Quem me garante que você não vai fazer de novo? Você mesmo acabou de dizer que fodeu todos os seus relacionamentos.
Dougie suspirou, encarando com aflição. Ele sabia que ela tinha razão. Mas não conseguia tirar da cabeça que poderia ser melhor. Que poderia fazer feliz.
– Eu estou completamente apaixonado por ela, . Como nunca estive antes. – murmurou, em um tom de voz sério. – Eu consigo entender Love Is Easy agora. – comentou e Tom arqueou as sobrancelhas em surpresa. – E eu sei que fui idiota e falei coisas idiotas. Mas eu tive medo de perdê-la para Trevor. Eu sou naturalmente inseguro e não acredito que me mereça. Mas todo relacionamento tem divergências e eu seria um imbecil ainda maior, se desistisse na primeira. A vale a tentativa. – finalizou e o encarou por alguns segundos, antes de soltar o ar pela boca e deixar os ombros caírem, em rendição. Podia ver a sinceridade nas palavras de Dougie e não poderia continuar lhe negando ajuda. Apenas esperava que fosse forte e não o quisesse de volta.
– Eu vou conversar com ela. – cedeu. – Se ela me disser que não quer mais nada com você, de jeito nenhum, você desiste e a deixa em paz. – acordou e Poynter assentiu imediatamente.
– Você tem a minha palavra. – garantiu. A loira levantou da cadeira, se retirando da cozinha no instante seguinte, já com o celular na orelha. O restante do grupo manteve-se encarando o baixista, que torceu os lábios em desgosto. – Podem dar esporro. – murmurou. – Eu sei que eu mereço.
– Não tenho esporro para dar. – foi a resposta de Tom. – E acho que está certo em pedir mais uma chance. Todos nós erramos em algum momento. – deu de ombros.
– Harry e eu quase terminamos definitivamente uma vez. – comentou. – E olhe para nós agora. – riu. – Casados e pai de gêmeos. – brincou a respeito da semelhança dos filhos.
e eu, quatro vezes. – Danny riu.
– Relacionamentos são complicados. O que realmente os torna únicos é a vontade de não desistir da outra pessoa. – falou, sendo abraçada por Tom em seguida.
– Eu não quero desistir de . – Dougie disse com convicção.
– Então não faça isso. – sorriu para ele.

Passaram o resto da manhã na casa de Danny, enquanto estava com para um café/almoço. Nenhum deles queria ir embora antes de saber se a mulher ainda estava disposta a aceitar Dougie de volta, então tomaram café juntos e estavam ajeitando as coisas para preparar o almoço enquanto Dougie e Harry estavam no quintal, conversando sobre o que havia acontecido e o motivo de Dougie ter surtado. Apesar de Tom e Danny serem como seus irmãos, o baixista tinha mais afinidade e sentia-se mais confortável em desabafar com Harry. Eram muitos anos de amizade entre eles.
– Se ela me quiser de volta, tenho uma ideia de como reconquista-la. – Dougie murmurou. – A festa de Matt e Emma. – sorriu.
– Ela vai chorar.
– E vai ficar linda chorando. – Poynter sorriu fraco.
– Quando você se deu conta de que estava apaixonado? – Harry questionou.
– Demorou. – Dougie respondeu e o baterista riu. – Eu não esperava que isso fosse acontecer, sabe? Eu já a adorava, mas ter a certeza de que estava apaixonado, eu só tive depois que dormimos juntos. – suspirou.
– Sexo é sempre um divisor de águas. – Judd riu. Dougie revirou os olhos para ele.
– Eu realmente gosto dela, dude. – sorriu triste. – Esses últimos dias sem ela foram uma droga. Eu sinto falta. Demais. – respirou fundo.
– Você consegue se ver ao lado dessa mulher, sem cansar da rotina que vocês vão estabelecer? – Harry indagou, de forma séria. Dougie franziu o cenho para ele.
– Como assim?
– Eu sei que você diz estar apaixonado por ela. Mas Dougie, não é qualquer uma. – murmurou. – E se você não está pronto para assumir algo sério, eu não acho que você deva insistir. Às vezes, gostar de alguém não é o suficiente, principalmente quando vocês querem coisas distintas.
– Você acha que eu não a mereço?
– Não disse isso. – Judd sorriu para o amigo. – Eu me apaixonei pela assim que a conheci, você sabe. – Harry comentou.
“Cometi muitos erros antes de finalmente entender o que eu queria e quando entendi, foi me fazendo essa pergunta. Se eu gostaria de passar todos os dias da minha vida com ela. Fazendo as mesmas coisas que fazíamos quando namorávamos ou fazendo coisas diferentes após morarmos juntos. Dormindo no mesmo lado da cama porque ela só dorme no lado direito. Bebendo o pior café preto porque ela não sabe fazer e eu não gosto de magoa-la dizendo que é horrível. Ouvindo-a reclamar sobre a toalha molhada em cima da cama, todos os dias. A cantoria dela enquanto cozinha. Aturar o vício dela em séries policiais.”
– E quando percebi que eu amava tudo isso, foi fácil decidir o que fazer. Foi fácil abrir mão dos meus planos individuais, para criar planos conjuntos com a . – falou. – Então Dougie, escolha um dia qualquer que tenha passado com a . Com coisas boas e coisas que te irritam. Você gostaria de viver esse mesmo dia pelo resto da sua vida? – questionou. – Porque se a resposta for “não”, você não deveria insistir nesse relacionamento. Mesmo que sua vida seja infinitamente melhor com ela ao seu lado, você não deveria insistir nisso. Seria egoísta. Você a magoaria no futuro e não merece isso. – Harry disse por fim.
– Eu não estou cometendo o mesmo erro, dos meus relacionamentos anteriores. Não estou insistindo nela por orgulho, como fiz com Frankie. Também não estou com planos futuros distintos dos dela, como aconteceu entre Ellie e eu. – Dougie respondeu. – Eu realmente gosto da . Ela desperta o melhor de mim e eu gosto disso. Eu não tenho medo quando penso no futuro, não quando estou com ela. Meu maior arrependimento seria desistir.
– Então a resposta é sim? – Judd questionou.
– Sim. Eu gostaria de reviver qualquer um dos dias que passei com ela. E não me importaria de reviver o mesmo dia para sempre. – garantiu.
Harry sorriu largo.
– Você a ama. – concluiu e Dougie apenas assentiu em concordância.
– Poynter. – ouviu um chamado às suas costas e quando se virou, encontrou de braços cruzados e uma expressão nada contente no rosto. Torceu os lábios imediatamente, esperando por uma resposta negativa. – Eu realmente não entendo aquela mulher, mas por algum motivo, ela está disposta a te aceitar de volta. – revirou os olhos. – Seja o que for que ela sinta por você, é o suficiente para fazê-la perdoar o seu vacilo.
Dougie sorriu largo, sentindo a mão de Harry em seu ombro. Eles já tinham um plano. E precisariam do estúdio de Tom para alguns ensaios.

Capítulo 35 – Eu jamais trocaria Paris por você

Dougie arrumou a gravata no pescoço, encarando seus próprios olhos no espelho retrovisor do carro e respirando fundo algumas vezes, ajeitando o cabelo com as mãos, antes de se colocar para fora do carro e acionar o alarme. Usava o terno escolhido por , e ele precisava admitir que havia vestido muito bem e que a mulher tinha um excelente gosto – e havia borrifado na nuca e nos pulsos perfume que ela havia confessado adorar. Seu plano estava esquematizado e após alguns dias de ensaio com os amigos, tudo deveria correr na mais completa perfeição imaginada em sua cabeça. Ele não havia pensado em um plano B e tampouco havia cogitado a possibilidade de tudo dar errado. Ele precisava que desse certo, precisava reconquistar . Não poderia perdê-la por conta de sua burrice sem tamanho. Ele era um idiota e já sabia daquilo, então talvez fosse mais fácil para ela, perdoá-lo por ser um imbecil.
Enquanto andava em direção ao salão de festas, mantinha as mãos nos bolsos e o olhar perdido no estacionamento do salão de festas que Matt e Emma haviam alugado para a comemoração de seus dez anos de casados – e para Dougie, que havia comparecido à cerimônia de casamento dos amigos quando tinha apenas 20 anos, o tempo havia voado e ele mal podia acreditar que eles já estavam completando uma década como o casal mais maluco que Poynter conhecia. O salão de festas parecia uma casa de campo, já que se localizava em uma propriedade privada tomada por árvores e flores dos mais diferentes tipos. O caminho de pedras brancas do estacionamento até o salão era curto e logo Dougie já estava parado no hall de entrada, dando seu nome para o recepcionista da festa e procurando pela mesa que ocuparia. Para sua sorte – ou azar, ele ainda não saberia definir -, Emma o havia colocado na mesma mesa que e o restante do McFLY, já que quando montara o mapa das mesas, era um casal. Falso, mas um casal.
Harry e já ocupavam seus lugares e Dougie encontrou Tom e há algumas mesas adiante, em uma conversa com James Bourne. Acenou para o amigo, rumando para o lugar que ocuparia e sentando ao lado de Harry após cumprimentar com um beijo no rosto e trocar um bater de mãos com Judd.
– Nervoso? – questionou e tudo o que Poynter fez foi dar de ombros, sem negar ou concordar com o estado de espírito sugerido pela amiga.
– Desesperado é a melhor definição. – Murmurou, arrancando risos do casal de amigos.
– Vai dar tudo certo. – Harry garantiu. – conseguiu trazer o McFLY de volta e se isso não tiver peso para ela, eu mesmo a mato. – Acenou com a mão.
– Isso vai mesmo ser um marco histórico. – concordou. Poucos minutos depois de Danny e chegarem, Tom e ocuparam seus lugares e estrategicamente, o único lugar que restava era ao lado de Dougie e quando o baixista se deu conta disso, soltou um suspiro pesado.
– Você não poderia trocar de lugar? – Pediu para , apontando para o assento vazio ao seu lado. A ex modelo, há duas cadeiras de distância, apenas abriu um sorriso diabólico e negou com um aceno de cabeça.
– De jeito nenhum. – chiou. – Sofra em silêncio. – E sorriu sem mostrar os dentes, voltando a prestar atenção na conversa com .
Poynter revirou os olhos e só não atirou uma bolinha de guardanapo na amiga porque resolveu roubar toda sua atenção ao passar pelas portas do salão. E seu coração bateu tão rápido que Dougie pensou que iria morrer. Respirou fundo, enquanto seus olhos não perdiam os movimentos da mulher nem por um instante. Ela sorriu para alguns conhecidos, ajeitando os cabelos curtos atrás da orelha direita e ergueu a cabeça à procura de alguma coisa. E quando seus olhares se encontraram e torceu os lábios rosados em desagrado, Dougie sentiu uma pontada no coração.
estava usando um vestido simples de noiva – assim como todas as outras convidadas, já que fora uma imposição de Emma no convite da festa -, mas se Dougie algum dia havia cogitado se casar, aquele seria o modelo que ele mais gostaria de ver sua futura esposa usando. Não era longo e deixava os tornozelos de a mostra, tinha mangas médias de renda, um decote quadrado e a cintura marcada. A saia não era estilo princesa, mas também não era colada ao corpo, e dava leveza ao caminhar da mulher, enquanto ela seguia em direção à mesa em que deveria sentar. Ao lado de Dougie, o que apenas o fez engolir em seco e desviar a atenção para a mão de . Ela não usava mais o anel que ele havia comprado e aquilo lhe doeu. Quase não havia maquiagem em seu rosto e os cabelos estavam penteados, o que era realmente um milagre, já que costumava apenas desembaraçar os fios com os dedos e seguir com seu dia não dando a mínima para os padrões de beleza. Ela sentou-se ao seu lado, pendurando a bolsa na cadeira e abrindo um sorriso para os amigos, ignorando completamente a presença de Dougie. E mesmo que não gostasse, Poynter sabia que merecia aquele tratamento.
– Você está estonteante. – elogiou a amiga, lançando um olhar de canto para Dougie rapidamente e mordendo um sorriso satisfeito ao notar que ele ainda estava embasbacado com a chegada de .
– Completamente normal. – deu de ombros. – Vocês estão maravilhosas, até parece que são vocês fazendo bodas de estanho. – Riu.
– Ainda faltam alguns anos para nós. – murmurou, apertando a mão de Tom, que sorriu para a esposa.
– Ansiosa para mais uma festa com comida grátis. – murmurou, arrancando uma risadinha de Dougie. A mulher desviou o olhar para ele rapidamente e sem dizer uma palavra, voltou a atenção para . Harry deu uma batidinha no ombro de Poynter, para consolá-lo, mas Dougie apenas soltou um suspiro e pediu licença. Se refugiou na mesa de James por quase meia hora e só voltou para o lugar que lhe fora destinado quando Matt e Emma entraram no salão, ao som de All You Need Is Love, sob muitos aplausos e assovios. Eram um casal muito querido e amado por todos e nada poderia lhes fazer mais feliz do que comemorar sua primeira década juntos na companhia dos amigos e familiares.
– Emma está radiante. – Dougie murmurou, o olhar fixo na mulher que subia no palco com a ajuda de Matt.
– Ela está mesmo. – concordou e Poynter se surpreendeu por ela lhe dirigir a palavra. – Matt é um sortudo maldito. – Riu fraco.
– Ele não fez a burrice de perder a mulher da vida dele. – O baixista comentou e novamente o encarou por alguns instantes, antes de assentir em concordância.
– É, ele não foi um idiota. – Foi tudo o que ela disse, voltando a focar sua atenção em Matt – que agora fazia um discurso inicial sobre como havia conhecido Emma – em cima do palco.
– As primeiras pessoas a saberem sobre Emma foram aqueles caras ali atrás. – Matt apontou para a mesa que o McFLY ocupava e então para James há duas mesas de distância e todos os convidados se voltaram para eles. – E quando eu decidi que iria pedi-la em casamento, Harry e Dougie me acompanharam a uma joalheria para comprar as alianças. E acho que foi a primeira vez, em toda a nossa vida, em que entramos em uma joalheria. – Matt falou, causando risos gerais.
– Eu voltei alguns anos mais tarde. – Harry gritou para descontrair e cobriu o rosto com as mãos, causando ainda mais risos.
– Dougie tentou. – James berrou e Dougie se virou para o amigo, lhe mandando sutilmente a merda e Bourne lhe atirou um beijo.
– De qualquer forma, eu não pensei que ela iria aceitar. – Matt continuou. – Ela tinha algo perto dos 35, não é amor? – Sorriu para Emma ao mencionar a idade da mulher, que lhe estirou o dedo do meio sem nenhuma cerimônia, causando mais risos gerais. – E eu era um moleque de 26 anos, completamente idiota. – Riu. – Mas por algum milagre, ela aceitou. E eu nem posso dizer que foi por conta dos meus belos olhos, porque não tenho as duas piscinas azuis como o meu amigo Dougie. – Poynter gargalhou alto. – E pouco tempo depois do casamento, pouco tempo mesmo gente, falo sério, – Mais risos da careta de Matt. – Emma estava grávida e eu salvei minha bunda da morte, porque o pai dela ia acabar comigo. – Sacudiu as mãos, se virando para Emma em seguida. – Obrigado por ter dito sim e tornado esses últimos dez anos os melhores da minha vida, mesmo que tenham sido uma amostra grátis do inferno às vezes.
E finalizou seu discurso ao puxar Emma para um beijo, que após estapear o marido, pegou o microfone e foi sua vez de discursar. E ela falou sobre amor, companheirismo e honestidade, que eram as bases de seu relacionamento com Matt. Agradeceu pelos filhos que eles tinham e finalizou pedindo para que ele e os amigos jamais voltassem com o McBusted, porque ela não aguentaria ver Fletcher de cabelo azul novamente.
A festa seguiu por quase uma hora, o que apenas deixava Dougie mais nervoso. Seu estômago revirava de ansiedade a cada risada que soltava ao seu lado. Seu coração aumentava o ritmo das batidas toda vez que ela sorria a ponto de seus olhos sumirem e então tirava os cabelos do rosto, apenas para fazer Dougie morder o sorriso bobo que gostaria de abrir. Suas mãos formigavam para entrelaçar seus dedos aos dela e ele sentia falta de seu braço em torno dos ombros de . Ele sentia tanta falta dela que mal sabia colocar em palavras. Soltou um suspiro baixinho quando gargalhou mais uma vez e novamente Harry lhe afagou no ombro, tentando lhe passar algum conforto. Dougie encarou o amigo e deu de ombros, como em um sinal de que não havia o que fazer. Ele só esperava que pudesse lhe perdoar e talvez lhe dar a chance de se provar digno. Ele até levantaria o Mjölnir por ela e saber referência de super herói da Marvel era a maior prova de que havia mudado toda a sua vida.
– Emma falou que teria uma surpresa na festa. – comentou e todos os outros sentados à mesa trocaram um olhar culpado. – Se for a cabine de fotos, eu vou matá-la. – Decidiu.
– Vai ser algo legal, eu estou sentindo. – murmurou.
– Bebidas? – Tom indagou, após receber o sinal de Matt indicando que estava na hora de subirem no palco. Haviam combinado com Matt e Emma que o McFLY faria uma pequena apresentação com suas músicas mais românticas e como Dougie não queria roubar os holofotes dos amigos para tentar se redimir com , não iria escancarar ao mundo que cantaria Love Is On The Radio para ela. Mas ela saberia.
– Tem garçons na festa. – disse o óbvio, sendo completamente ignorada enquanto Danny, Harry e Tom se levantavam e se afastavam da mesa. Dougie respirou fundo antes de cutucar a mulher na cintura e receber um olhar nada simpático em retorno. Com uma coragem que ele não sabia de onde vinha, puxou a mão dela e entrelaçou seus dedos, sentindo a tensão emanar de no mesmo instante.
– Eu fiz uma merda tão grande. – Ele murmurou em um tom de voz baixo, sem desviar o olhar do rosto de . – E eu estou me arrependendo disso desde o momento em que você fechou a porta da minha casa e foi embora.
– Poynter. – Ela chamou em aviso, mas Dougie apenas respirou fundo e continuou a falar.
– Eu não acho que sou o certo para você. – Exclamou. – Tenho certeza de que você merece alguém muito melhor, mas não consigo tirar da cabeça a ideia de que eu poderia melhorar. De que eu gostaria de melhorar para ser a pessoa certa, me tornar merecedor. – Sorriu fraco. – Você é a porra do meu Mjölnir e eu quero muito ser digno do seu amor. Porque é isso, . – Deu de ombros, enquanto a mulher arregalava os olhos e deixava o queixo cair levemente. – Eu te amo. E lembro do dia em que firmamos aquele acordo imbecil, em que eu disse que não existia nenhuma possibilidade de nos envolvermos porque jamais iríamos nos apaixonar. – Riu sem graça. – Gostaria de poder voltar no tempo e dar um tapa na minha própria cara, por ter a capacidade de dizer uma asneira tão grande. Nunca existiu a menor possibilidade de eu não me apaixonar por você. E agora que eu me dei conta de que te amo, não estou com medo disso. – Suspirou, novamente fixando seu olhar no da mulher, que parecia incapaz de dizer qualquer coisa. – Amar você foi a coisa mais fácil que eu fiz em toda a minha vida e por isso eu te peço outra chance. – Torceu os lábios. – Eu não prometo que nunca mais vou ser um idiota, mas te dou total liberdade para me dar um soco caso eu venha a ser. Então por favor, eu realmente estou te implorando outra chance. Eu não quero ser o Capitão América quase cagando nas calças para levantar o Mjölnir. Quero ser o Visão, tão digno quanto o Thor, mas não tão bonito quanto ele. – Finalizou, dando de ombros e se colocando em pé. Olhou para uma última vez e então se afastou, enquanto a mulher ainda o encarava completamente embasbacada e sem saber o que dizer.
Dougie subiu ao palco junto dos amigos e quando encontrou na plateia que se formou em frente ao palco, abriu um largo sorriso para ela antes de assumir o microfone principal e colocar a alça do baixo nos ombros.
– Já faz algum tempo que não tocamos juntos, – Tom omitiu os ensaios propositalmente. – Então peguem leve conosco, somos velhos e temos sentimentos. – Arrancou risos de todos.
– Essa música não é usualmente cantada por mim. – Dougie murmurou ao microfone. – Mas é uma ocasião especial e me sinto na obrigação de presentear vocês com a minha linda voz de bebê morrendo. – Sorriu e pôde ouvir as risadas gerais. Harry fez a contagem e logo os primeiros acordes de Love Is On The Radio soaram pelo salão. Emma, abraçada a Matt na linha de frente do público, pulou em animação, mas Dougie só tinha olhos para , parada ao lado de . Ela tinha os braços cruzados em frente ao busto, mordia seu sorriso e seus olhos deixavam claro quão incrédula ela estava. E Poynter a achou linda, como a droga do amor de sua vida deveria ser.

I was alone and my stomach was twisted, but I can get up now, the dark clouds have lifted
Back in the old life, before you existed, I couldn’t see right, my windows were misted
Said one word, made me feel much better, starts with L and it’s got four letters

Uma música nunca havia sido tão autoexplicativa na vida de Dougie. Ele havia pensando em compor alguma coisa – com a ajuda de Tom e Danny certamente algo de bom surgiria, mas naquelas circunstâncias, com uma música que definia sua vida em cada palavra, não havia nenhuma necessidade de compor algo novo. não se importaria em receber uma música velha como pedido de desculpas, já que ela sabia que a letra nunca tivera qualquer significado para Dougie. Não como tinha agora que ele entendia o que realmente era o amor. Suas janelas não estavam mais embaçadas e quando olhava para fora, tudo o que via era o sorriso que tentava morder enquanto ele cantava para ela.

Things are looking up, looking up (hey!), there’s magic everywhere you go
Strangers stop to say hello, hello, hello, hello
So turn it up, turn it up (hey!), as loud as you can make it go
‘Cause love is on the radio
Now that I’ve found you, my heart’s beating faster, we could be happy forever and after
We could be married, like Mrs. and Mr., we’ll have a son and we’ll give him a sister
Just one thing holding us together, a four letter word and it lasts forever

Não era assustador pensar em um futuro com . Com uma casa de dois andares, cerca branca, um balanço do Groot no quintal e um jardim que eles cuidariam juntos, mas que Dougie iria arruinar ao tentar plantar uma samambaia. Pensava em crianças de olhos azuis e cabelos escuros como os de , com o formato do rosto dela e uma predileção para répteis como Dougie. Uma criança, precisava corrigir sua imaginação. As outras duas eles iriam adotar e seriam tão amadas quanto aquela que iria gerar e não gostaria de parir por conta da dor. Teriam também um cachorro e um gato, apenas para completar a foto de família esquisita que eles tirariam em todos os natais. Dougie não sentia medo daquilo, porque o amor que sentia por era fácil como respirar. Ela não lhe trazia medos e inseguranças, muito pelo contrário, era um porto seguro para o seu navio maltrapilho e quebrado.

Things are looking up, looking up (hey!), there’s magic everywhere you go
Strangers stop to say hello, hello, hello, hello)
So turn it up, turn it up (hey!), as loud as you can make it go
‘Cause love is on the radio

Ele poderia entrar em uma joalheria por ela novamente. Gastaria mais uma fortuna em um anel, caso ela quisesse. Mas ele sabia que ela adoraria um anel de coquinho, caso fosse a única coisa que ele pudesse lhe oferecer. E Dougie, enquanto cantava com o olhar fixo no dela, esperava do fundo de seu coração, um dia ter a oportunidade de pedir para que aquela mulher se casasse com ele. Seria o filho da puta mais sortudo do mundo caso ela lhe dissesse sim.

Love is on the radio, love is on the radio (turn it up, turn it up)
Love is on the radio (turn it up, turn it up), love is on the radio (turn it up, turn it up)
Love is on the radio (turn it up, turn it up), love is on the radio (turn it up, turn it up)
Love is on the radio (turn it up, turn it up), love is on the radio

Funny one thing led to another, you came along, filled my days with color
And it’s been an everlasting summer, since we found each other

E aquela era a maior verdade que Dougie poderia dizer para . Ela realmente havia enchido os seus dias de cor. E aromas culinários deliciosos, sons de batalha de filmes de herói, conversas sobre Friends e discursos sobre a necessidade de acabar com o patriarcado, com os quais ele concordava completamente. Havia colorido seus dias que antes eram em tons pastéis, mas que se tornaram quase neon quando ela chegou com sua singularidade e esquisitice. E Poynter queria viver aquele eterno verão, em todos os dias de sua vida enquanto ainda fosse vivo. Queria os fios de cabelo que ela perdia no travesseiro e uma torta diferente na geladeira todos os dias. Queria suas estantes cheias de filmes e quadros de séries pendurados na parede. Queria o Groot em seu quintal, mas queria que o quintal fosse deles. Porque ele amava . Com todo seu coração idiota.

Things are looking up, looking up (hey!), there’s magic everywhere you go
Strangers stop to say hello, hello, hello, hello)
So turn it up, turn it up (hey!), as loud as you can make it go
Play until your speakers blow, listen ‘til your ears explode
‘Cause love is on the radio

A música terminou e o McFLY foi aplaudido com todo entusiasmo que os convidados de Emma e Matt poderiam acumular depois de muita bebida e comida. Tom agradeceu, pedindo um minuto antes de retornarem ao palco. E enquanto tirava o baixo dos ombros, Dougie procurou por no meio do público e não encontrou a mulher. Soltou um suspiro alto, deixando os ombros caírem e seguindo para a pista de dança junto dos amigos. Um puxão impediu que continuasse a andar em direção à mesa que deveria ocupar e quando se virou, encontrou no meio do aglomerado de pessoas, que agora dançavam ao som de Dua Lipa. soltou seu braço e Dougie deu um passo na direção dela, sem saber como começar a se desculpar outra vez.
– Você é um idiota, Poynter. – chiou. Ele assentiu em concordância.
– Eu sei.
– E eu sou ainda mais idiota por gostar de você, sendo idiota desse jeito. – Ela abriu um sorriso largo e quando Dougie fez menção de se aproximar e a puxar para um abraço, ela apontou o dedo para ele e exclamou: – Eu vou deixar a acabar com a sua raça se você fizer merda novamente.
– Eu aceito os seus termos. – O baixista sorriu. – Posso ser o Chandler novamente? Eu odeio ser o Ross. – Torceu os lábios, envolvendo a cintura da mulher em um abraço apertado. piscou seus longos cílios para ele, afastando a franja da testa e então assentindo, enquanto passava os braços em torno do pescoço dele e unia seus lábios em um selinho simples.
– Eu não queria ser a Rachel de qualquer forma. Jamais trocaria Paris por sua causa. – Deu de ombros.
– Eu jamais pediria que trocasse. – Dougie sorriu. – Iria junto.
– Temos um acordo? – abriu um sorriso divertido e Dougie riu.
– Temos um acordo. – E novamente grudou suas bocas, não se importando se tinham plateia e ele tinha que tocar All About You em alguns minutos.
Dougie Poynter havia encontrado uma namorada. E para a sua sorte, ela era o amor de sua vida.

Epílogo

Aquela não era uma tarde normal em Londres. O sol não estava escondido por trás das nuvens e nenhum vento fresco tomava conta do ar. Dougie não saberia dizer como estava o quintal de Tom Fletcher, já que estava seu próprio quintal, organizando as coisas para um almoço com os amigos mais idiotas que ele poderia encontrar na vida. Não havia grelha para assar os bifes de hambúrguer – já que naquela casa eles eram adeptos ao veganismo há quase um ano – e não havia nenhuma criança correndo pelo gramado. Ainda.
Quando a campainha soou, Dougie trocou um rápido olhar com , que sorriu para ele, antes de seguir para dentro da casa para receber os amigos. Poynter terminou de organizar os salgadinhos – havia poucas opções com carne – na mesa quando o falatório invadiu seus ouvidos e ele se virou em direção a porta da cozinha. Harry e adentraram o quintal primeiro, cada um segurando a mão de um filho. Lola estava vestida de bailarina e Kit usava a jardineira de dinossauros que Dougie havia lhe presenteado em seu último aniversário. Tom e vinham em seguida, o mais velho carregando o pequeno Max Fletcher, enquanto Buzz e Buddy vinham ao lado da mãe, usando roupas tão excêntricas quanto as de Tom no início da carreira do McFLY. Danny e vinham por último, junto de , que carregava o pequeno Cooper Jones e o enchia de beijos no rosto, arrancando um sorriso de Poynter.
– Tem carne nesses salgadinhos? – Harry indagou para Dougie, após abraçá-lo em cumprimento. Dougie torceu os lábios em desgosto.
comprou algumas opções. – Respondeu.
– Por isso eu prefiro a sua namorada a você. – Foi a resposta de Judd, atirando um beijo para em seguida, que fingiu um desmaio e causou risos em todos.
Logo as crianças estavam correndo pelo gramado e brigando pela chance de andar no balanço de Groot de , enquanto os adultos estavam acomodados no lounge – pensado e organizado por -, comendo e bebendo enquanto colocavam os assuntos em dia. Danny estava com a turnê de seu álbum solo esgotada, estava prestes a lançar um novo livro, queria voltar aos palcos com seu violino e Harry iria ser o único responsável por levar os filhos para a escola e lavar as roupas durante a semana. E enquanto todos se divertiam, Dougie só precisou trocar um olhar com para que decidissem que aquele era o momento para contar a novidade aos amigos. A novidade de que iriam dividir a casa com outros seres vivos, fora Goose, o gato que os odiava e vivia na casa do vizinho – antiga casa de Dougie, já que ele morava com há seis meses.
– Nós temos um anúncio para fazer. – chamou a atenção de todos, se colocando de pé e puxando Dougie para parar ao seu lado. Após conquistar o silêncio geral, a mulher puxou de trás da almofada da poltrona que Dougie ocupava um envelope pardo, arrancando um gritinho entusiasmado de . Afinal, de todas as mulheres presentes, ela havia visto aquele envelope mais vezes.
Dougie sorriu largo, abraçando pelas costas e entrelaçando seus dedos em frente a barriga dela, segurando seu ventre como se desse outra pista a respeito do anúncio que gostariam de fazer aos amigos. cobriu o rosto com as mãos, enquanto soltou um palavrão feio que todos esperavam que nenhuma das crianças tivesse escutado. Tom e Danny pareciam não ter qualquer reação, enquanto Harry sorria largo.
– Eu não acredito! – Danny soltou um riso estrangulado.
– Já contamos para as nossas famílias e agora, vamos contar para vocês, nossa segunda família. – sorriu largo.
– Já sabemos há algum tempo, mas estávamos esperando descobrir o sexo para poder contar de uma vez. – Dougie deu de ombros.
– Mas ela nem engordou! – choramingou e Poynter precisou conter a gargalhada.
respirou fundo, sorrindo para os amigos em seguida e puxando o papel de dentro do envelope. Trocou um olhar cúmplice com Dougie e ambos voltaram a encarar o grupo no mesmo instante em que virava a folha na direção deles, para que visualizassem a foto, e gritava: – Adotamos um casal de lagartos!
E enquanto ambos eram xingados e ameaçados pelo restante do grupo, Dougie apertou em seus braços e teve ainda mais certeza de que aquela era a mulher certa para que ele formasse uma família humana. Dali alguns anos, já que seus planos imediatos incluíam um mochilão pelo mundo e a tutela de dois lagartos para os quais já haviam comprado um viveiro e colocado no quarto de hóspedes, junto da cama onde Goose jamais dormia.

Fim.

Nota da autora: Decidir escrever essa fanfic foi uma das melhores decisões da minha vida. Mudou completamente meus objetivos, colocou meus sonhos em perspectiva e tornou minha vida algo muito melhor e mais saudável pra mim, por ter me dado confiança de acreditar na minha escrita. UNPDP foi revisada e publicada como obra independente e vocês podem adquirir por esse link. Ela sempre vai estar disponível aqui para releitura e eu sou grata demais pelo carinho que vocês tem por essa história. Vocês podem ler a parte 2, Uma Família para Dougie Poynter neste link.

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