We’ll All Be

  • Por: Fernanda Oliveira
  • Categoria: Bandas | McFLY
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Sinopse: “We may not be gettin’ younger, our days might be slippin’ away. Yeah we’re still so fucking young, so we’ll party like it’s our last day”
Um casal de melhores amigos se reencontram, depois de alguns anos afastados, num dos maiores festivais de música da Inglaterra. Glastonbury Festival trás a tona as memórias que ambos escondiam todos esses anos afastados.
Gênero: Comédia romântica
Classificação: livre
Restrição: nenhuma
Beta:  Alex Russo

 

Capítulo Único

We all have been degraded

We all have been the greatest

O despertador ao lado da cama de tocava ao mesmo tempo em que sua porta recebia fortes batidas. Ela não sabia por que raios o despertador estava tocando na sua primeira sexta-feira de férias. Coitada da pessoa que estava no outro lado da porta batendo enlouquecida.
– JÁ VAI! E SE PREPARE PRA MORRER! – Ela gritou do corredor do apartamento, enquanto prendia os cabelos num coque mal feito. Olhou no relógio da cozinha, ao passar pela mesma, e marcava oito horas da manhã. Suspirou, derrotada.
– Eu vou matar esse des… – parou de falar no momento que abriu a porta e se deparou com três rostos conhecidos. – AAAAA EU ODEIO VOCÊS E TAVA MORRENDO DE SAUDADE! – As três garotas pularam em cima da dona do apartamento, fazendo-a cair no chão.
– Vai matar quem agora? – foi a primeira a falar em meio a tantas risadas, gritos, beijos e abraços.
– Vai matar de tanto amor, isso sim. – Foi a vez de parar de abraçar a amiga e se sentar no tapete da sala, sendo acompanhada pelas outras.
– Não tem nada pra comer nesse lugar, não? – largou a mochila no chão e foi direto a cozinha, em busca de comida.
– Mas que abuso. É sexta-feira, oito da madrugada, quase arrebentaram minha porta e ainda querem comida? Eu não sei o que faço com vocês. – enumerava com os dedos todos os “absurdos” das amigas num falso tom de indignação.
– Com a gente você não vai fazer nada. – voltou com uma maçã na mão, se sentando no sofá. – Mas pode começar arrumando suas coisas, porque nós vamos ter um final de semana incrível no melhor e maior festival da Inglaterra, baby. – balançou os braços pra cima animada.
– O que?
– Isso mesmo, nós vamos para o Glastonbury Festival! – quem respondeu foi , colocando uma música pra tocar no ambiente, até então, silencioso.
– Eu nem sei se tenho disposição e coluna pra isso ainda, gente. – A garota parecia realmente desanimada. Mas a verdade é que o festival trazia tantas lembranças, as quais foram coladas dentro de uma caixa e guardadas no lugar mais fundo de seu coração e não havia nada que a fizesse tirá-las de lá tão cedo.
, você não tem escolha. Levanta essa bunda desse sofá e vai arrumar suas coisas agora, queremos pegar estrada ainda hoje. –
empurrou a amiga pelos ombros em direção ao quarto. Enquanto a morena foi ao banheiro, a amiga começou a arrumar as roupas dentro de uma mala, não muito grande, mas que era o suficiente para os três dias do festival.
Já fazia alguns anos que , , e não se reuniam. Não com a mesma frequência da época em que estudavam juntas e moravam próximas umas da outra. A vida pós-colegial fez com que elas tomassem algumas decisões cruciais, mas que eram essenciais no momento. A distância era sem dúvida a parte mais difícil daquela amizade, mas agora faltava tão pouco para que todas estivessem juntas novamente, ao menos na mesma cidade.
A pequena e charmosa cidade de Farnham, de repente, pareceu ainda menor para os oito jovens recém formados no colegial e que tinham sede por coisas novas, experiências e, principalmente, por se descobrir e seguir seus sonhos. Na época, e Harry decidiram ir para a Universidade de Surrey, onde o rapaz fez Administração e a garota se formou em Literatura. A mesma faculdade só os fez se aproximarem ainda mais, a distância até a cidade natal era pequena e muitas vezes eles voltavam juntos, até que decidiram começar a namorar e as visitas a Farnham deixaram de acontecer com tanta frequência, assim que o casal decidiu morar junto.
Com e Dougie o assunto era bem diferente, os dois pareciam gato e rato numa disputa eterna de quem conseguia esconder o amor que sentiam um pelo outro por mais tempo. Enquanto ela tinha se formado em astrofísica pela renomada Universidade de Cambridge, o garoto com toda pinta galã tinha seguido carreira como modelo, fazendo jus a toda sua fama de garanhão e aproveitando de todos os benefícios que a vida estava lhe proporcionando, e isso incluía mulheres, é claro. Toda vez que se encontravam a troca de farpas era certa, afinal Dougie nunca engoliu o fora que levara de durante o ensino médio e agora que estava “por cima” fazia questão de esfregar na cara dela tudo que ela estava perdendo.
Enquanto e Dougie tinham uma guerra declarada a travar, outro casal escondia seus sentimentos de tudo e todos: Danny e eram melhores amigos com benefícios desde o último ano do colegial, mas o medo de assumir um compromisso, que não estavam prontos para encarar, falava mais alto. Os dois seguiram vidas acadêmicas diferentes, ele graduado em direito e ela em publicidade, ambos pela Universidade de Oxford.
Entretanto, havia mais um casal de amigos e a história deles era ainda mais complicada e inacabada. e Tom eram melhores amigos desde sempre, literalmente. Suas mães já se conheciam antes mesmo deles nascerem e os dois tinham apenas três meses de diferença, sendo o garoto o mais velho. Cresceram juntos e estudaram na mesma escola desde pequenos, mas a adolescência trouxe novas descobertas e sentimentos que eles ainda não estavam prontos para lidar, ocasionando em uma série de escolhas doloridas para ambos. Ela escolheu fazer design gráfico e se especializou em desenho criativo, assim podia expressar todos os seus desenhos de alguma forma. Alguns eram apenas projetados e guardados numa pasta, para aprimorar depois. Ao contrário de , Tom havia escolhido economia, fazendo o pai ficar orgulhoso da profissão do filho, além do mesmo ter ido cuidar dos negócios da família assim que terminou a graduação. A mais dolorosa despedidas de todas, a qual ele ignorou todos os anos de amizades entre eles e não compareceu nem para desejar um boa sorte a amiga, pois ela decidira ir estudar em Londres, ficando mais longe da família.

Flashback On

– Tem certeza que você não quer que o seu pai te leve? – ouviu sua mãe perguntar pela vigésima vez
– Mãe, tá tudo bem. Não precisa mesmo, o pai já fez uma viagem comigo e não é necessário fazer outra. – ela disse abraçando a mãe, que não parava de chorar. Tentou controlar as lágrimas, mas algumas escaparam de seus olhos e ela deu mais um abraço apertado em cada um. Ainda escutando as recomendações de sua mãe e dando uma última olhada na casa a frente da sua, apenas para ter certeza que ele não sairia dali mesmo. Uma parte do seu corpo parecia ter fincado os pés no chão e outra parecia querer ir embora dali o mais rápido que podia, porém seu corpo não controlava nenhuma das duas vontades.
Deu um último beijo e abraço nos pais e entrou no carro sem olhar para trás. Seu coração estava dilacerado, a visão ficando cada vez mais embaçada devido às lágrimas em seu rosto. nunca chegou a contar o que havia feito naquele dia, mas assim que dobrou na primeira quadra, saindo da vista dos pais e de quem pudesse vê-la, estacionou o carro e deixou o choro lhe invadir. Ela só precisava de um abraço de despedida e nem isso ele foi capaz de lhe dar. Tom havia prometido que estaria com ela naquele momento e ali estava , tentando controlar sua respiração, a sensação de vazio no peito e a saudade de casa que sentiria, mesmo nem tendo saído da cidade ainda. A impotência a invadiu de uma forma devastadora e a partir de então ela resolveu não criar mais expectativas sobre nenhum tipo de amizade, guardou todas as memórias a sete chaves e não pretendia recordá-las tão cedo. Voltou a ligar o carro e seguiu seu caminho até Londres deixando todas as memórias na pequena Farnham.

Flashback off

– Hum, que cheirinho bom. – murmurou ao chegar a cozinha, após o banho.
– Fiz a comida mais chique de Paris, macarrão com caldo e especiarias. – colocou a panela no centro da mesa.
– Mais conhecido como miojo. – completou, chegando logo em seguida na cozinha também.
– Ah – levantou o dedo indicador – Macarrão com caldo e especiarias – corrigiu fazendo a amiga rolar os olhos e rir.
– Meu deus, eu senti muita falta disso. – ria das amigas enquanto se servia com um pouco de macarrão. – Não são nem dez horas da manhã e eu tô comendo miojo com vocês. ‘Tá, vou parar com essa melação, ‘tô ficando muito boiola.
Entre muitas risadas e brincadeiras as meninas terminaram a refeição e arrumaram toda a cozinha, apesar de e terem começado uma pequena guerrinha de água, molhando um pouco o local. Depois de tudo pronto as meninas se juntaram no quarto de enquanto a mesma se arrumava para que pudessem sair.
– Como tá indo você e o Harry? – perguntou a , que girava na cadeira da mesinha.
– Tudo bem, o Harry conseguiu um emprego agora e segundo ele vai começar a juntar uma grana pro nosso futuro.
– Isso quer dizer casamento? – deu um pulo na cama, chegando mais perto da ponta para encarar a amiga.
– Calma lá, a gente só tá pensando em um apê novo – riu.
– Que pena, achei que ia ser daminha – confessou decepcionada fazendo gargalhar.
– Mas bem que podia ser casamento mesmo – apoiou.
– Credo gente, muito cedo.
– Compromisso sério dá muito trabalho mesmo. – disse, pensativa.
– Por isso você e o Danny escondem o relacionamento de vocês igual o diabo se esconde da cruz? – perguntou, saindo do banheiro já vestida com a roupa que iria sair.
– O que? Nós só somos amigos. – tentava parecer normal, mas sua voz a traiu e a fala saiu esganiçada.
– Amigos? Sei – riu.
– Vocês dois se comem pelas nossas costas, isso sim – comentou.
– Chega disso, tem notícias do Dougie? – perguntou, mudando o assunto.
– E pergunta logo pra mim? Virei lixeira agora? – arqueou uma das sobrancelhas fazendo as amigas gargalharem.
– Ele é modelo agora né? Parece que ‘tá super bem – deu de ombros.
– E o Tom? – dessa vez foi quem mudou de assunto.
– Não sei – disse alheia enquanto tentava decidir qual blusa usar, a preta básica que já estava no corpo ou do Oasis também preta.
– Como assim não sei? Vocês são melhores amigos. –
questionou.
– Sim, inseparáveis igual aos padrinhos mágicos. – girava mais uma vez na cadeira parando apenas para receber uma resposta de , a qual não teve retorno.
– Igual Tico e Teco. Os padrinhos mágicos são casados. – comentou, corrigindo a amiga, que revirou os olhos.
– Eu não sei gente. Sei lá, nunca mais falei com ele. O Tom deve estar muito ocupado agora. – suspirou, indo pentear os cabelos depois de decidir ficar vestindo a camiseta preta.
Enquanto a conversa rolava solta, se arrumava parecendo distante, presa em seus pensamentos despertados pela lembrança de Tom.

Flashback on
– Tom, para! – a garota de cabelos castanhos gritava em meio ao riso enquanto deitava no chão coberto por neve. Sua barriga já doía de tanto que ela ria do amigo que não parava de lhe jogar neve. O garoto se deitou, cansado, ao lado de .. Os rostos vermelhos de tanto rir não escondia a felicidade de ambos.
– Você sabe que eu gosto de te incomodar, né? – o garoto perguntou brincalhão enquanto fazia pequenos desenhos na palma da mão da garota. – Vou sentir sua falta. – ele disse sem esperar qualquer resposta dela. Não aguentava mais guardar aquilo só para ele. Não precisavam esconder nada um do outro.
– Eu também vou. – ela suspirou e olhou para o amigo que a olhava, deixando a garota ainda mais vermelha. – Ei, tenho um presente pra você. – Ela disse se levantando e indo em direção a sua bolsa, que estava jogada no chão. Dentro dela, retirou um pequeno pacote entregando ao garoto. O olhar curioso do garoto fez com que ela mordesse o lábio de nervosismo. Era tradição todo natal eles se darem um presente, sendo caseiro ou não, mas naquele natal era diferente. Era o último ano do colegial e eles não sabiam se no próximo Natal estariam tão próximos assim. A ideia e a pressão de ir para a universidade os assustavam, então todo e qualquer tempo juntos estava sendo essencial. Tom abriu o pacote rapidamente, tirando uma pequena caixa enrolada com um laço vermelho. Abriu a caixa e encontrou uma pequena luminária da Millenium Falcon, uma foto dos dois, ainda crianças, e uma carta no fundo da caixa. Todos os itens da caixa era uma forma de mostrar o quanto gostavam um do outro e o quanto se conheciam tão bem.
– Eu também tenho um pra você. Mas abra em casa. – Tom tirou outra caixa da mochila e apenas entregou a garota. – Vamos, já está tarde. – colocou a mochila nas costas e os dois foram em silêncio para casa. Não eram necessárias palavras naquele momento, eles precisavam apenas da presença um do outro.
Pararam em frente a porta da casa de . Não queriam se despedir.
– Eu te amo, melhor amiga. – Tom disse, enquanto a abraçava forte.
– Também te amo, melhor amigo. – correspondeu ao abraço, apertando-o ainda mais. Tom a soltou e colou seus lábios num selinho demorado. Ele precisava ter certeza do que estava sentindo, mesmo que não soubesse naquele momento, ele era completamente apaixonado pela garota.
Entretanto, quando os feriados festivos passaram, junto ao recesso, eles voltaram ao normal como se aquele simples beijo jamais tivesse acontecido. Talvez eles tivessem cometido ali o primeiro erro: fingindo que nada tinha acontecido.

Flashback ends

– Ok meninas, hora de pegar estrada. – foi tirada de seus pensamentos quando ouviu a voz da amiga num tom mais alto. Passou um batom claro nos lábios, colocou um pouco de perfume e uma ultima olhada em seus cabelos antes de se seguir as amigas para fora do apartamento.
– Eu preciso saber o line up completo desse festival, porque eu não tava preparada pra isso, não. – pegou o panfleto da mão de e começou a olhar as principais atrações estampadas no papel. – EU NÃO ACREDITO QUE THE KILLERS E LIAM GALLAGHER VÃO CANTAR NO MESMO FESTIVAL. EU JÁ POSSO MORRER EM PAZ! – ela dava pulos animados no banco do carona, seguido de gritos das amigas. Cada uma gritava mais alto qual artista era melhor e qual estavam esperando a mais tempo para ver.
– Eu xingo o Liam sempre que posso, mas ele fala um A e eu já to: filho da puta, eu te amo, porra! – falava no meio de tanta gritaria e risada.
– Esse arrombado gostoso dos infernos. – disse compartilhando do mesmo sentimento da amiga fingindo enxugar uma falsa lágrima.
– Eu não sei vocês, mas eu só saio desse festival depois que Brandon Flowers cantar The Way It Was ou eu mesma dou um jeito de cair na porrada com esse homem.
– E Losing Touch – disse animada, largando o panfleto.
– E The Man – disse, já colocando a música pra tocar no rádio.
– E Somebody Told Me. – disse por último e todas as outras olharam rapidamente em sua direção, ficando em silêncio, com exceção de , que a olhou pelo espelho rapidamente, voltando a atenção para a estrada.
Não demorou muito para que todas caíssem na gargalhada.
– Amada, é óbvio que eles vão cantar Somebody Told Me ou não precisa nem ir nesse festival. – parecia que estava falando com uma criança naquele momento e acabou dando um tapa no braço de ao ver a careta que a amiga fazia ao prender o riso.
– Eu sei, eu sei. Mas eles adoram nos fazer de trouxa e eu não duvido nada eles “esquecerem” de cantar esse hino.

+++

A sensação de liberdade e felicidade começava se apossar do corpo de , ela não tinha se dado conta do quanto sentia falta das amigas. As melhores amigas, diga-se de passagem. Não sabia quando fariam aquilo de novo, a última vez foi quando todas elas tinham completados o tão sonhado dezoito anos, a maioridade. Agora, já beirando os vinte e cinco estavam ali, fazendo tudo de novo.
Esquecendo de todas as responsabilidades da vida adulta e aproveitando toda a magia que o festival proporcionava, isso incluía dormir em barracas, pegar chuva (sim, sempre chovia), beber o máximo que pudesse e, o principal e mais importante, cantar até perder a voz e as pernas doerem de tanto pular.
O vasto parque já abrigava algumas – muitas – centenas de pessoas, todas elas tão animadas e excitadas para aproveitar todos os três dias de muita música, dança e arte do local quanto as garotas. estacionou o carro na parte destinada para os veículos, tiraram as duas barracas do porta-malas e começaram a montá-las. Agradeceram mentalmente pelos vários anos indo a acampamentos na infância e por saberem algumas coisas básicas sem passar trabalho na montagem da barraca. Logo, as duas barracas já estavam erguidas. Só faltava uma coisa pra começar a aproveitar o festival: CERVEJAS!
– Ok, eu preciso beber! – disse largando a mochila dentro da barraca que dividia com e fechando em seguida, já que a garota estava ao seu lado pronta para passear pelo local.
– Vamos lá, a gente busca algumas cervejas pra essas duas amarradas aí dentro. – apontou com a cabeça para a barraca ao lado, ouvindo e conversando, não pretendiam sair dali tão cedo.
As duas foram até um dos foodtrucks montados estrategicamente, no meio de vários, e compraram as bebidas. e carregavam, cada uma, dois copos de 500 ml de cerveja, enquanto bebiam o seu o outro cuidavam para levar para as amigas. Cantarolavam as músicas tocadas nos alto falantes, distribuídos no enorme parque. Pararam para posar para a foto quando viram um dos fotógrafos oficiais do festival passar por elas e pedir para tirar uma foto, fazendo várias poses e caretas, derramando alguns pingos dos copos de cerveja.

Tom’s Pov

Eu estava sentando no gramado junto com Harry e Danny enquanto bebia minha cerveja. Depois de alguns anos longe, um final de semana juntos para conversar sobre a vida e relembrar algumas do ensino médio não fazia mal a ninguém. A gente falava sobre o que cada um fazia agora, onde morava e se ainda mantinham contato com as meninas, mas eles bem sabiam que eu não tinha mais contato com já alguns anos. Logo que ela foi embora, eu achei que seria fácil retomar o contato com ela, mas a cada mês que passava ficava ainda mais difícil e a coragem se esvaindo. Eu sabia que a culpa era minha, principalmente, quando eu prometi que estaria ao seu lado no dia mais importante, mas eu não estava. Eu não queria perdê-la naquele dia e acabei a perdendo para sempre.
Por algum motivo, razão ou qualquer questão do destino, mesmo que eu não acreditasse, ela estava ali. Linda como sempre fora.
Parei de prestar atenção na conversa dos meus amigos e fiquei preso naquele sorriso, naqueles olhos castanhos, torcendo para que ela olhasse na minha direção e torcendo também para que ela não saísse correndo assim que me visse. Por sorte, ou não, ela não me viu naquele momento e eu fiquei feliz por poder observá-la por mais alguns minutos, vendo-a sorrir enquanto conversava animadamente com . A minha vontade era sair correndo até onde ela estava e abraçá-la o mais forte que eu podia, pedir desculpas por ter sumido durante todos esses anos e pedir para recomeçar ao seu lado, se ela ainda quisesse.
– Você ainda gosta dela, não é? – Harry me tirou dos meus pensamentos, que insistiam me fazer voltar sempre para a época em que eu tinha sido um verdadeiro babaca. Me arrependia amargamente.
– Sim. – passei as mãos pelos meus cabelos, atordoado com aquele turbilhão de sentimentos, sentindo que podia explodir.
– Cara, essa é sua chance. Se não for aqui, não sei se vai conseguir ou sequer ter outra oportunidade. Sabe que nenhuma das meninas vai passar o endereço ou telefone dela. – Danny disse tomando mais um gole de sua cerveja. Esvaziei o conteúdo do meu copo e voltei a olhar em volta, mas não a encontrei de novo.
– Eu sei, vou precisar da ajuda de vocês. – disse por fim, era agora ou nunca.
– Pode contar com a gente. Vou falar com a . –
Harry disse já se afastando a procura da namorada. Continuei ali conversando com Danny e tentando planejar uma forma de me aproximar de . Eu precisava tentar.

Tom’s Pov Off

+++

– Não acredito! – parou atônita, olhando para um ponto fixo.
não entendeu até acompanhar o olhar da amiga. Estavam quase chegando ao local das barracas, mas os pés de resolveram ficar cravados no chão e a garota não se mexia dali por nada. riu baixo vendo a cara de horrorizada da amiga. – O universo me odeia, , isso não pode estar acontecendo. Sério que de todos os lugares do mundo ele tinha que estar logo aqui? – fez uma cara de choro, mas sabia que a amiga apenas estava sendo dramática. O modelo mais queridinho da Inglaterra (e odiado fortemente por ), vulgo Dougie, estava rodeado por algumas garotas. O rapaz nem ao menos tinha notado a presença de sua arquiinimiga, mas esta já o fuzilava com os olhos e se estes soltassem laser, o modelo já teria virado churrasquinho.
– Amiga, é um evento público. Ele não pode deixar de estar em algum lugar só porque você também está. – a garota de cabelos castanhos explicou pacientemente e sorriu terna ao ver a amiga soltando um suspiro derrotado e balançando a cabeça positivamente, de forma que concordava com a explicação que recebera.
– Eu sei, mas às vezes parece que o universo gosta de jogar essas peças na gente. Em mim, especificamente. – ouviu a gargalhada de ao seu lado e logo fechou a cara, mas a amiga não deixou de rir. – Não ria, é sério. Não tô vendo nenhum Tom Fletcher aqui como forma do destino te punir, se é que seria uma punição, né. Eu acharia ótimo pra vocês se entenderem. – de repente começou a tagarelar sobre a vida – nada amorosa – da amiga.
– Olha, a gente tá aqui pra se divertir. Relembrar os bons momentos que costumávamos passar juntas. Não existe Dougie e nem Tom que vai nos atrapalhar. E, só pra deixar claro, se algum deles pensar em nos atrapalhar, nada que uma porrada na fuça daqueles dois não resolva. – como se tivesse dito as palavras mágicas para o corpo de destravar, a mesma moveu suas pernas rapidamente e chegaram até onde as amigas estavam antes, encontrando apenas sentada por fora da barraca mexendo no celular.
– Cadê a ? –
abriu a boca pra responder, mas viu o casal se aproximando e preferiu ficar quieta.
– Tá aqui, tive que roubá-la um pouquinho. – Harry disse segurando a namorada pela cintura e virou-se rapidamente pra ver de onde vinha aquela voz conhecida.
– Harry! – entregou o copo de cerveja para e abraçou o amigo.
– Ei, baixinha. – ela fez uma careta ao ouvir o apelido da época do colégio. – Vocês querem aproveitar os shows com a gente? – Harry perguntou olhando para todas as garotas, mas parando especificamente em , como se esperasse sua aprovação.
– Se ele estiver junto eu não quero. – ela disse rapidamente. Sabia que Harry e Tom eram amigos e provavelmente ele havia deixado de manter contato somente com ela, o que a magoava ainda mais. – Desculpa Harry, nada contra você, sabe. – deu de ombros e o rapaz acenou com a cabeça.

Flashback On

– Vamos lá Tom, não seja fraco. – arrastava o amigo pela mão. O garoto de dezessete anos fazia questão de andar cada vez mais devagar pela rua. Estavam chegando próximos de suas respectivas casas.
– Ta, ta. Estou indo. – voltou ao passo normal e logo eles já estavam dentro da casa da garota. Subiram correndo para o quarto de e a mesma fechou a porta. A carta que tanto havia esperado estava em cima de sua cama. Respirou fundo, no mínimo, umas mil vezes e enfim pegou a carta em sua mão. Era da Universidade de Londres e, só então, ela percebeu como o ano havia passado tão rápido.
– Vai dar certo. Não tem como eles recusarem você. – Tom apertou sua mão com carinho e sorriu para a amiga. respirou fundo uma última vez e decidiu abrir a carta o mais rápido possível. A garota passou os olhos rapidamente e sua mente se concentrou apenas nas palavras “aprovada” e “Universidade de Londres”.
– Eu consegui, Tom. Eu consegui. – seu corpo foi cercado pelos braços do amigo, a girando pelo quarto. – EU CONSEGUI! EU VOU PRA LONDRES! – a garota gritava entre lágrimas e abraçava forte o amigo. Havia muito mais que felicidade naquele abraço. Era apenas o começo de uma nova etapa, mas Tom não estava pronto para esse encerrar esse ciclo e sair do ensino médio. Seguir a vida e seus sonhos como a amiga já estava.
– Você merece todo o sucesso do mundo. Esse é só o primeiro passo. – Tom disse ainda abraçado na amiga e aproveitando aquele momento juntos.
– Você vai comigo, não vai? – ela disse com os braços em volta de seu pescoço, mas Tom parecia estar perdido em seus pensamentos. – Tom?
– Oi. Vou, é claro. Prometo estar lá. – ele balançou a cabeça afastando os pensamentos.
– Eu te amo. – estava abraçada ao amigo quando deixou escapar a declaração.
– Também te amo. – Ambos sabiam que não teriam mais tanto tempo para ficarem juntos e momentos como aqueles seriam raros. Eles mal sabiam que aquele seria um dos últimos.

Flashback Off

Aquela memória lhe pegou em cheio quando os seus olhos encontraram com os olhos castanhos daquele que ela não esperava ver tão cedo. Desde que Harry havia insinuado que ele estaria junto, ela sabia que estava correndo esse risco, mas não esperava que estivesse tão perto de acontecer. Parecia que a portinha com todas as lembranças mais profundas guardadas no lugar mais fundo do seu coração tinha sido aberta involuntariamente. Entretanto, ela ainda não estava preparada para lidar com todo esse misto de sentimentos e memórias flutuantes pelo corpo.
Olhou em volta e percebeu que as amigas já estavam numa rodinha, sentadas em troncos de madeira, junto de Harry e Danny. Não tinha se dado conta do quanto suas lembranças estavam fazendo aquele lugar perder todo o encanto e ser tão especial quanto era antes. Se quisesse mesmo aproveitar ao máximo tudo a sua volta, ela precisaria esquecer todas as coisas ruins que a estavam afetando tanto.
Respirou fundo algumas vezes, antes de tomar aquela maldita decisão, mas resolveu por fim se juntar a rodinha de amigos, sentando-se o mais longe possível de Tom e evitando a todo custo encarar aquele par de olhos tão penetrantes.

+++

– Ele berrava na minha porta de madrugada “CADÊ VOCÊ PRINCESA? EU SEI QUE VOCÊ TÁ COM ESSE LOIRO AGUADO, MAS EU SOU MELHOR QUE ELE!” – todos gargalhavam enquanto um Harry se fingindo de emburrado tentava ficar sério, falhando miseravelmente.
– Eu achei que ia morrer naquele dia. Confesso que fiquei com muito medo do teu pai quando eu acordei. – Harry terminou de tomar sua cerveja e deu um beijo em .
– Eu não deixei ele te matar. Já estava apaixonada por você. – retribuiu o beijo do namorado ao som de um coro de “awwn” dos amigos.
– Eu sou irresistível babe. – Harry esboçou um dos seus sorrisos encantadores e se levantou em seguida puxando para ir junto. – Vamos pegar mais cerveja.
– Eu também.
– Vou junto.
– Opa, me esperem. – Danny se levantou por último indo atrás de e . balançou a cabeça em negação com a atitude mega discreta que seus amigos conseguiram ter. O clima dessa vez já estava mais leve e talvez fosse a hora de começar uma conversa. Manter o mínimo contato e educação apenas por alguns minutos não ia matar ninguém.
– Como você está? – seu corpo estremeceu ao ouvir a voz do rapaz. Por mais que tentasse, os anos ausentes não foram o suficiente para esquecer aquela voz e nem a sensação que causava em seu corpo.
– Estou bem. E você? – seus dedos pareceram mais interessantes naquele momento do que encarar Tom nos olhos.
– Bem também. – um silêncio constrangedor se instalou, no meio de toda aquela barulheira. O som da música, a essa altura, já parecia inexistente. – Eu sei que já faz muito tempo, mas quero que saiba que eu sinto muito pelo o que aconteceu entre a gente. Eu fui um verdadeiro babaca quando te abandonei, porque foi isso eu fiz em Farnham.
– Tom, eu não quero falar sobre isso agora. Não aqui, não hoje. – o cortou, visivelmente abalada com as palavras do rapaz. Ela sabia que eles tinham muito que conversar e não seria ali, naquele lugar que era tão especial, que resolveriam tudo.
– Eu sei e eu detesto ter você desse jeito comigo. Eu já estive longe de você por tanto tempo e agora ‘tá aqui a chance de resolver isso e ter minha amiga de volta. Eu só quero ter você de volta. – ela soltou um riso baixo. Se ele soubesse a falta que tinha feito em sua vida nos últimos anos e o quanto ela lutou com todos os sentimentos para esquecer ou, tentar, esconder.
– Só que foi você que escolheu me ter longe. Na primeira oportunidade se escondeu feito um cachorrinho e nem sequer me ligou, mandou um email, carta ou qualquer coisa. Nem a merda teve a capacidade de me mandar. – sua voz saiu alguns tons mais alto do que esperava. Já podia sentir seu rosto ficando vermelho e a ardência em seus olhos, implorando para lágrimas se formarem e, em seguida, derramarem pelo seu rosto.
– Eu fiquei com medo de te perder, mas no fim foi exatamente isso que aconteceu. Eu sinto tanto a sua falta.
– Sabe, eu senti muito a sua falta por todos esses anos. Mas agora não faz mais diferença se você está ou não na minha vida, porque eu já aprendi a viver sem você, Tom. – sem querer as palavras escaparam de seus lábios ao mesmo tempo em que um peso enorme saía de seus ombros. Era necessário, mesmo que difícil. – Eu só quero aproveitar o festival, é pra isso que estou aqui.
deu as costas a Tom e foi em direção ao grupo de amigos. No palco a banda The 1975 começava a se apresentar e a garota deixou a batida da música invadir seu corpo. Dançava e cantava junto das amigas e aproveitou para tomar mais algumas garrafas de cerveja a fim de esquecer a conversa que acabara de ter.

Tom’s pov

Definitivamente foi a mais difícil e pior conversa que eu já tive com em todos os anos que no conhecíamos. Nos tratando feito dois estranhos, com tantas coisas não ditas, tantos sentimentos escondidos e nem assim conseguimos nos entender. Eu sabia que não seria fácil, mas não imaginava que seria tão difícil. Ela tinha todos os motivos pra me odiar, eu sabia disso. Eu só queria poder voltar no tempo e fazer tudo diferente, agora com quase 27 anos, eu não podia mais agir da mesma forma de quando eu tinha dezessete. Eu não podia simplesmente beijá-la e fingir que nada tinha acontecido, até porque eu nem queria agir dessa forma. Eu queria poder beijá-la todos os dias da minha vida, acordar ao seu lado, ser o primeiro a ver seu sorriso ao acordar e protegê-la de tudo e de todos. Entretanto, eu sabia também que eu estava fazendo mal a ela.
Então, decidi fazer a única coisa que ela me pediu, lhe deixei aproveitar o festival. Era sua escolha e eu não tinha direito de pedir mais nada depois de todos esses anos longe.
Liam Gallagher terminava de tocar Cigarettes and alcohol, um cover do Oasis, quando os primeiros pingos de chuva começaram a dar sinal de vida. Não sei que obra do destino nossos amigos estavam tramando, mas novamente nos vimos sozinhos no meio de toda aquela multidão. A chuva já começava a ficar forte e estava acompanhada de uns raios e trovões. Vi fechar os olhos com o barulho do trovão, um medo de infância que nunca superou.
– Vem, eu te ajudo a achar tua barraca. – a segurei pela mão e conseguimos nos desvencilhar do meio da multidão. Quando conseguimos achar o local das barracas, já estava tudo inundado. Certamente molharia tudo se tentássemos abrir a barraca, a única opção era o meu carro. Fomos em direção oposta, mas pareceu travar quando percebeu que não ficaríamos ali.
– Onde a gente tá indo?
– Pro meu carro. Se a gente tentar abrir a barraca vai inundar tudo. Amanhã a gente volta aqui e você pega suas coisas.
– Não, eu vou ficar aqui. Tá tudo bem. – ela mordeu o canto do lábio como fazia quando estava nervosa.
, não vou deixar você sozinha aí. A gente espera a chuva passar e voltamos, tudo bem? – disse vendo-a olhar em volta, provavelmente procurando algumas das meninas, sem sucesso. Por fim balançou a cabeça concordando e fomos em silêncio para o meu carro.

’s pov

Tom destravou o veículo e o quentinho dentro do carro nunca pareceu tão agradável. Mesmo com a minha roupa encharcada ali dentro ainda era mais confortável que a barraca. Sentamos no banco traseiro e Tom tirou da mochila das toalhas grandes, me estendendo uma delas. Sequei meu corpo da melhor forma possível e me enrolei na toalha em seguida para tentar ficar ainda mais aquecida.
Confesso que não queria estar sozinha com Tom depois da nossa última conversa, mas a presença dele ainda me acalmava e me fazia sentir segura. Eu odiava essa sensação, porque quando o domingo chegasse, o festival acabasse e todo mundo voltaria para a sua rotina e seguiria com a sua vida, ele não estaria mais lá comigo. Tudo voltaria a ser como antes.
Afundei meu corpo no banco fofinho do carro e deixei o cansaço me dominar, eu sabia que não sairia dali de dentro quando a chuva passasse, tampouco acordaria antes de o sol raiar. Virei para o lado e Tom estava igualmente cansado, mas ainda parecia tenso enquanto olhava a chuva pela janela.
– Se preferir, eu posso ir pra minha barraca.
– Não precisa. – ele sorriu amigável e foi impossível eu não fazer o mesmo. Mas fechei os olhos em seguida com o barulho do trovão. Foi involuntário, ainda era um medo que eu não tinha superado. Isso só se constatou com a risada do Tom ecoando dentro do carro.
– Não ri, é sério.
– É engraçado.
– Porque não é com você.
– Ok, desculpa. – ele fez um carinho na minha mão para que eu me acalmasse e funcionou.
– Por que não apareceu… naquele dia? – aproveitei o efeito do álcool ainda em meu sangue junto com o restinho de coragem e resolvi perguntar por fim, já me preparando para a pior resposta.
Era agora ou nunca, eu não poderia voltar para Londres sem ter essa resposta. Por pior que ela fosse, eu voltaria para Londres e continuaria a minha vida, tendo a certeza que era um ciclo que deveria ser encerrado, mas para isso acontecer eu precisava daquilo, precisava de uma explicação. Tom ficou alguns segundos me encarando, e nem eu acreditava que tinha feito aquela pergunta, mas agora já era tarde demais e eu só precisava de uma resposta.
– Porque ir pra Londres com você significava encerrar a nossa amizade. Eu sabia que lá você ia encontrar alguém muito melhor que eu e, sinceramente, eu não estava disposto a fazer isso. Eu não queria acabar com a nossa amizade. Eu não queria perder você e fui egoísta e covarde na minha escolha. – a verdade é que nunca encontrei nenhuma pessoa que fosse melhor que Tom, nem sequer encontrei alguém que chegava perto de ser a pessoa incrível que o meu amigo era.
– Mas acabou fazendo isso da pior forma possível. Eu precisei de você naquele momento e eu não tive absolutamente ninguém com quem contar. As meninas estavam tão animadas com a vida delas que eu não tive coragem de contar como estava sendo pra mim. O primeiro ano foi o mais difícil, fiquei alguns meses sem voltar para Farnham pra não ter que contar aos meus pais os dias horríveis que eu tinha na faculdade. No ano seguinte pensei em mudar de curso ou até mesmo voltar pra casa e não encarar a faculdade naquele ano. Mas no fim, Londres acabou se tornando um refúgio e eu não voltei mais pra Farnham quando terminei a faculdade. – acabei confessando. Não sei se foi por ironia do destino ou não, mas Tom era sempre a pessoa que eu confiava para contar tudo e, mais uma vez, eu estava ali contando tudo que não tive coragem de contar para outra pessoa.

Narração em terceira pessoa

– Eu sinto muito, de verdade. – conseguia ver a sinceridade nos olhos do rapaz. – Quando percebi o que eu tinha feito só ficou mais difícil voltar atrás, entende? Não foi fácil pra mim também, mas sei que nada justifica o que eu fiz. Eu só quero poder fazer parte da tua vida agora, se você ainda quiser. Eu prometo que nun…
– Eu não quero promessa. Eu só quero que você fique dessa vez. – sua voz saiu tão firme que nem ela mesma acreditou ao se dar conta do que tinha acabado de falar. Deixou um sorriso escapar e viu os olhos do amigo brilharem com a resposta.
Não tocaram mais no assunto e entenderam que aquilo já estava encerrado. Entretanto, foi a brecha necessário para que eles pudessem se reconectar, saber o que cada um fazia da vida agora, onde moravam, se pretendiam voltar para a cidade natal ou não. A chuva já havia parado também, fato que foi totalmente ignorado, já que só se ouvia o som das risadas de ambos dentro do veículo e continuaram assim até que o sono começou a dar de sinal, fazendo-os dormirem em seguida.

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Surrounded by familiar faces, the people that you love to see
(Cercado por rostos familiares, as pessoas que você ama ver)
Where everybody knows your name, and they’re smiling
(Onde todos sabem o seu nome, eles estão sorrindo)
We may not be gettin’ younger, our days might be slippin’ away
(Podemos não estar ficando mais jovens, nossos dias podem estar indo embora)
Yeah we’re still so fucking young, so we’ll party like it’s our last day
(Yeah, nós continuamos jovens, então nós vamos festejar como se fosse nosso último dia)

Os raios solares começavam aos poucos a invadir o veículo, ainda que este estivesse com os vidros escuros fechados. Permitia, mesmo assim, que a iluminação de fora chegasse até ali. se remexeu tentando achar uma posição mais confortável, o que não aconteceu e acabou desistindo. Se ajeitou no banco e prendeu os cabelos num coque apertado, esfregou o rosto tentando se lembrar onde estava. Ela sabia que não havia dormido na sua barraca, então toda a conversa da madrugada passada veio a tona. Pela primeira vez em anos, se sentiu aliviada. O que quer que fosse acontecer de agora em diante ela tinha certeza sobre seus sentimentos e sobre querer novamente Tom em sua vida.

And for the first time, I feel less alone
(E pela primeira vez, eu me sinto menos sozinho)
And for the first time, I can call this home
(E pela primeira vez, eu posso chamar isso de casa)
It’s our last time, to say goodnight
(É a nossa última vez para dizer boa noite)
Don’t say goodbye, ‘cause in the morning we’ll
(Não diga adeus, pois nessa manhã)
We’ll see you around
(Nós te veremos)
And we’ll sing it again, same time tomorrow, yeah we’ll all join in
(E cantaremos de novo, mesma hora amanhã, yeah nós vamos nos unir)

A porta do carro abriu e um Tom com os cabelos um pouco bagunçados apareceu com a mochila de na mão, a entregando em seguida. A garota agradeceu e começou a escolher uma roupa, por sorte não havia molhado nada que estava dentro do objeto, podendo então tirar aquela roupa úmida e colocar uma limpa e seca.
– Dougie e estão tendo alguma coisa? – Tom perguntou tomando um gole de seu café.
– Várias brigas apenas, por quê?
– Não foi o que pareceu na barraca de vocês.
– Como assim? – Tom tirou o celular do bolso e entregou para a garota mostrando uma foto com Dougie e dormindo abraçados. arregalou os olhos, abriu e fechou a boca várias vezes sem saber o que falar, por fim soltou uma gargalhada alta.
– Eu não acredito. Esses dois me pagam. – ela disse, ainda rindo. – Ela ‘tava dizendo que não era lixeira e não sei mais o que. Eles continuam feito cão e gato toda vez que se encontram. – revirou os olhos entregando o celular.
– Definitivamente não parecem cão e gato agora. – ele riu e fechou a porta, dando espaço para trocar de roupa. O dia estava mais quente, então optou por usar um short jeans curto, a camiseta branca do Oasis que tinha separado e seu all star vermelho. Saiu do carro e encontrou com , Harry e Tom do lado de fora, ignorando os olhares questionadores do casal.

I’m ashamed of feeling down now
(Estou envergonhado de me sentir triste agora)
‘Cause we’re the people we’ve been waiting on
(Pois nós somos as pessoas que temos esperado)
All we needed was some good friends
(Tudo o que precisávamos eram alguns bons amigos)
And a song to sing a long
(E uma boa música para cantar junto)
With voices yelling in the front room
(Com vozes gritantes na frente da sala)
No one could tell us keep it down
(Ninguém poderia nos dizer para mantê-lo pra baixo)
So we all just kept it loud, and tried to wake the entire town
(Então nós todos o mantemos alto, e tentamos acordar toda a cidade)

– Não vai parar mesmo de beber, hein? – sentou ao lado de na grama. Aproveitou que Harry não estava com a garota e fugiu da vista de Tom para conversar com a amiga.
– Ih, virou fiscal de bêbada agora?
– Eca, só quero me certificar que a minha amiga que tramou com o querido namorado dela para que eu e o Tom nos entendêssemos não passe mal. – deu um sorriso cínico para a amiga sem mostrar os dentes.
– Mas funcionou, então deveria nos agradecer. – ao contrário do obrigado que a garota pensou que receberia, foi lhe dado um dedo do meio, o que fez rir sendo acompanhada da amiga.
– Obrigada. – respondeu depois de um suspiro longo.
– Vocês precisavam de um empurrãozinho. Eu não aguentava mais receber visita do Tom querendo saber notícias suas. – recebeu um olhar assustado e questionador de – Eu adoro ele, mas não era algo que a gente podia fazer. Vocês tinham que conversar.
– Como assim? Vocês dois estavam tendo contato com ele todo esse tempo?
– Faz pouco tempo na verdade, talvez uns dois meses. Você sabe que o Harry nunca parou de falar com ele. Mas agora ele ta morando em Londres, então começamos a ter mais contato. – explicou, calma. – Ele queria ter conversado com você antes, mas nos últimos meses o pai dele teve alguns problemas de saúde e o Tom ficou bem mal. – ficou se questionando se ele havia mencionado ou não algum problema familiar na noite passada, mas não conseguia se lembrar e talvez fosse culpa do álcool. Ou talvez por estar recomeçando a ter contato ele não quisesse jogar seus problemas pra cima dela logo de cara. Entretanto, se fossem outros tempos ele não pensaria duas vezes antes de compartilhar com ela qualquer problema. Agora era necessário lembrar que não eram mais tão próximos assim e ainda estavam pisando em ovos sobre determinados assuntos.
– Ele não me falou nada.
– Ele vai. Dê tempo ao tempo, você também não estava tão aberta para conversar com ele. As coisas estão começando a se ajeitar pra vocês.
– Eu sei. Ele me faz tão bem e eu senti tanta falta.
– Vocês são dois cabeça oca teimosos mesmo. – disse se levantando. – Eu vou tentar achar o Harry e deixar vocês recuperar o tempo perdido. – deu uma piscadela para a amiga e se afastou. permaneceu sentada na grama, aproveitando a brisa leve do lugar.

And for the first time, I feel less alone
(E pela primeira vez, eu me sinto menos sozinho)
And for the first time, I can call this home
(E pela primeira vez, eu posso chamar isso de casa)
It’s our last time, to say goodnight
(É a nossa última vez para dizer boa noite)
Don’t say goodbye, ‘cause in the morning we’ll
(Não diga adeus, pois nessa manhã)
We’ll see you around
(Nós te veremos)
And we’ll sing it again, same time tomorrow, yeah we’ll all join in
(E cantaremos de novo, mesma hora amanhã, yeah nós vamos nos unir)

 

– Tá tudo bem? – Tom sentou-se ao seu lado.
– Tá tudo onde deveria estar. – sorriu para o amigo e fechou os olhos. Não havia mais aquela tensão da primeira vez que se encontraram. Ela já havia admitido para si mesma que o queria, o queria de volta e não iria perder tempo fingindo que não se importava. Apoiou a cabeça em seu ombro, sendo puxada para um abraço e deixou que ele brincasse com os seus dedos, fazendo um carinho em sua mão em seguida. A sensação de poder sentir e aproveitar a presença um do outro apenas era maravilhosa. Depois de tantos anos longe, eles podiam finalmente desfrutar desse momento.

Oh those days are numbered
(Cada dia um número)
But we can’t forget last summer
(Mas não podemos esquecer o verão passado)
When we sang and threw our arms into the air
(Quando cantávamos e jogávamos os braços pro alto)
Go on and sing it out
(Vá em frente e cante alto)
Our days are numbered
(Nossos dias estão contados)
And we know we’re not getting younger
(Sabemos que não estamos ficando mais jovens)
But it’s nights like these that make you not really care
(Mas são noites como aquelas que fazem não nos importarmos)

 

Mais tarde, próximo do pôr do sol, o grupo voltou a se reunir no mesmo lugar do dia anterior, mas dessa vez quem parecia travar uma luta interna era Dougie e que não conseguiam se olhar sem soltar comentários maldosos sobre o outro.
– Eles acham que estão enganando alguém com essas briguinhas? – Tom cochichou no ouvido de .
– Não podemos negar que eles estão um fazendo um bom trabalho tentando. –
respondeu no mesmo tom de voz e viu Tom concordar com um aceno.
– O que tanto o novo casal cochicha? – sentou ao lado de com uma cerveja na mão. Céus, como ela ainda estava sóbria?
– Dougie e dormiram abraçados na nossa barraca. – foi direta, mas tampou a boca da amiga rapidamente, prevendo que a mesma estava pronta para gritar para todos os cantos. – Vamos deixar eles se enganarem mais um pouquinho.
– Tá na hora do show, vamos indo pra lá. – gritou no meio da roda, mas saiu a passos apressados logo depois de ter gritado um palavrão a Dougie.

Oh each day’s a number, but we can’t forget last summer
(Cada dia um número, mas não podemos esquecer o verão passado)
When we say we do, we’re on to the end
(Quando dizemos que podemos, estamos perto do fim)
Go on and sing it out
(Vá em frente e cante alto)
Our days are numbered, we know we’re not gettin’ any younger
(Nossos dias estão contados, sabemos que não estamos ficando mais jovens)
But it’s nights like these that make you not really care
(Mas são noites como aquelas que fazem não nos importarmos)

 

As pessoas se aglomeravam cada vez mais no vasto espaço destinado a “pista” para os shows daquela noite. O espaço entre eles ia ficando cada vez menor conforme as pessoas lutavam para o espaço mais próximo do palco. As batidas de Jenny was a friend of mine fez a galera ir a loucura e cantarem em coro a música.
O grupo resolveu sair do meio do público e ficar mais próximo do gramado, podendo aproveitar o show da melhor forma possível, livres de pisões nos pés e cotoveladas nas costelas. As garotas já estavam quase sem voz e ainda pulavam animadas quando a estrofe de Somebody Told Me começou a tocar indicando o final do show. A adrenalina ainda corria nas veias de e ela aproveitou todo o momento, o lugar, os amigos e principalmente todos os sentimentos que ainda nutria dentro de si. Encontrou o par de olhos castanhos e o sorriso que ela tanto gostava e caminhou em passos lentos até ele.
– Lembra quando eu disse que não fazia mais diferença você estar na minha vida ou não, que eu já tinha aprendido a viver sem você? – ela disse assim que chegou perto o suficiente para que Tom escutasse. – A verdade, é que eu não aprendi e nem quero. Não quero mais ter que acordar e saber que não tenho mais meu melhor amigo por erros que cometemos no passado. Não quero ter que assistir Star Wars sozinha no 4 de maio ou em qualquer outro dia. Não quero não poder compartilhar as bobagens que acontecem no meu dia a dia. Não quero ter que evitar lugares, pessoas ou coisas porque elas lembram o que nós fomos um dia. Eu quero ter você comigo todos os dias na minha vida para todos os momentos, sejam eles bons ou ruins. Eu te amo Tom, eu sempre amei. A raiva que eu senti todos esses anos não me deixou perceber o quanto nós poderíamos ter evitado toda essa distância, todo esse constr….- foi interrompida pelos lábios macios de Tom. Ela tinha acabado de dar a certeza do que sentiam e se ainda nutriam o mesmo sentimento toda vez que estavam juntos. Sentir os lábios de novamente era como voltar no tempo, era como ter dezessete anos e, principalmente, ter sua melhor amiga de volta. E era exatamente isso que ambos queriam. O beijo que começou calmo foi se intensificando, a sensação de estar fazendo a coisa certa dessa vez foi invadindo cada pedacinho do corpo deles, como se tudo estivesse em seu devido lugar. Tom logo puxou a garota mais para perto de si, fazendo-a estremecer com o toque em sua nuca, não permitindo que o beijo fosse interrompido.
Eles não iam interromper de qualquer forma.
passou a arranhar levemente a nuca do rapaz e ainda puxar levemente alguns fios de cabelo. O encaixe perfeito de seus lábios, a guerra que suas línguas travavam para explorar o máximo que podiam deu suas bocas e o arrepio que passava por seus corpos, era tudo que eles precisavam e estavam tendo no momento.
– Eu te amo, sempre amei. – ele disse interrompendo o beijo e depositando vários selinhos nos lábios da mulher. – Fui um adolescente burro o suficiente pra ficar longe de você todos esses anos, mas não vou mais, nunca mais. Aceita namorar comigo?
– TOM! – deu um tapa e seu braço e riu em seguida. Mas o rapaz logo a puxou para mais um beijo intenso. – Sim, eu aceito namorar com você. – disse num sussurro enquanto encostava seus lábios novamente. Dessa vez um beijo calmo, terno e, principalmente, de amor.

We all have been degraded
(Todos temos sido reduzidos)
We all have been the greatest
(Todos temos sido os maiores)
We all have been degraded
(Todos temos sido reduzidos)
We all have been the greatest
(Todos temos sido os maiores)