YBMH – You Bring Me Home

Sinopse: O amor os conectou a primeira vista. Mas o destino os separou para saber se ambos davam conta do recado, encontrar o caminho de volta um para o outro não era uma tarefa fácil ainda mais quando ele está na maior boyband da atualidade e ela está focada demais em terminar o colegial, ajudar a sua família e partir para faculdade.
Gênero: Romance.
Classificação: Livre.
Restrição: Sobrenomes e personagens secundários fixos, nomes como Chelsea, Juniper, Noah e Mabel estão em uso. A história foi originalmente escrita com o Liam, mas pode ser lida com qualquer um dos integrantes do One Direction.
Beta: Sofia Alonzo.

Capítulos:

PRÓLOGO
AGOSTO, 2014.
Blevins
“Querida ,
Parabéns! O comitê de admissão se une à mim na parte mais gratificante do meu trabalho oferecendo-lhe uma entrada na Universidade de Stanford e convidando-a a participar da nossa turma de 2014.
Você se destacou e ficamos impressionados e inspirados por sua paixão, determinação e realizações.

Agradecemos e comemoramos tudo pelo que você trabalhou com as boas novas que esta carta traz. Em Stanford, você se junta à uma comunidade diversificada, alegre e colaborativa do campus, com uma determinação compartilhada de mudar o mundo.”

Já sabia de cor e salteado as palavras que honravam a minha carta de admissão na faculdade dos meus sonhos, a mesma permanecia em cima de uma das minhas malas já prontas ao lado da porta do quarto, enquanto terminava de dobrar mais algumas peças de roupa para terminar a última mala, minha mãe resolveu dar o ar da graça aparecendo no quarto juntando o seu corpo ao batente da porta.
— Filha, você deveria escutar os conselhos da sua mãe. – referiu-se à ela mesma em terceira pessoa, pedindo pela milésima vez no dia, para não fazer algo que eu fosse me arrepender. – Não leve tudo à ferro e fogo, voce sabe que o ama.
Respirei fundo, dobrando coincidentemente um vestido floral no qual vestia na última vez que o vi, fazendo o meu coração bater mais rápido com tal lembrança.
— Não posso deixar que o amor atrapalhe meus sonhos – respondi o que já havia dito das outras vezes, como se fosse um mantra.
— O amor não está atrapalhando o meu sonho – Chelsea disse ao passar pelo corredor indo em direção ao seu quarto fazendo uma parada no caminho, ela tinha uma pilha de roupa em mãos. — E ele é o mesmo que o seu. – disse ao lado de nossa mãe.
— Pra você é fácil – rebato, mesmo sem argumentos.
— É claro, eu não complico as coisas.
Touché, poderia ter ficado sem essa.
Chelsea sorri satisfeita com o meu silêncio em resposta.
— Qual é a desculpa agora? – foi a vez do nosso pai juntar-se à conversa aparecendo atrás das duas mulheres.
— Você não podia ficar do meu lado? – reviro os olhos, irritada.
— Como pode ser tão cabeça dura minha filha? – perguntou.
— Blá-blá…
— O rapaz te ama, de quantas maneiras mais ele precisa te demonstrar isso?
— Quer que eu fale novas maneiras, para você contar à ele? – debochei.
— Bom, antes de começar, deixe-me pegar o celular para gravar um áudio para que ele possa ouvir – papai debochou de volta, nem preciso dizer que era algo de família.
— O amor não atrapalha nada, é a melhor coisa que existe. – minha mãe entornou o assunto.
— Vocês querem que eu faça o quê? – suspiro pesado parando de dobrar uma camiseta branca, a jogando de qualquer jeito dentro da mala, sentando-se na beirada da cama com os braços cruzados. — Já está tudo acabado. É muito provável que ele esteja em alguma festa por aí beijando a primeira modelo que aparecer em sua frente.
— Não fale besteira, sabe que ele não é assim – minha irmã o defendeu.
Meus pais se entreolharam, provavelmente cansados das minhas respostas tão ofensivas ao meu ex namorado que eles tanto amavam.
— Vou voltar a preparar o jantar – meu pai disse fingindo jogar uma toalha saindo do quarto. — Ela é igualzinha à você – gritou de uma distância segura para que nenhum objeto acabasse voando em sua cabeça.
— É nesse momento que agradeço por ter puxado o nosso pai – Chelsea riu ao entrar no quarto despejando sua pilha de roupas em minha cama sentando-se do meu lado.
— Por ser igualzinha à mim – minha mãe senta do meu outro lado pegando em minha mão – Sei que vai fazer o que é certo, não vai deixar o amor de lado. Lembre-se, minha filha, isso é o que nos transborda, sem o amor, nos tornamos apenas um vazio.
Naquele momento, na segurança das pessoas mais importantes da minha vida, meu coração pulsou mais rápido, fazendo com que eu apertasse a mão da minha mãe lhe puxando para um forte abraço, Chelsea também participou, passando a mão em meus cabelos.
Era extremamente difícil expressar meus sentimentos, sentia-me muitas vezes vulnerável, não queria que ninguém soubesse, que ninguém contasse à ele, queria poder apagá-lo da minha memória e seguir em frente, mas a quem eu estava querendo enganar?
— Eu o amo, mamãe – confessei em um tom de voz quase inaudível.

 

CAPÍTULO UM – 2009

SETEMBRO

You and me were raised in the same part of town


Era inevitável a solidão.
Era a pessoa mais invisível daquele colégio, todos me ignoravam, não queriam juntar-se à mim nos grupos para fazer trabalho, mesmo tirando notas altas, não era o tipo de nerd que era paparicado. Ninguém queria ser meu amigo, ou estar próximo de mim e o pior de tudo era que eu não fazia ideia do porquê tamanha crueldade. Mas tudo isso parecia mudar.
Quando ela apareceu.
Chovia sem trégua em e ela chegou atrasada em seu primeiro dia, molhando toda a sala de aula, suas botas estavam ensopadas igualmente à toda a sua roupa que formavam uma poça de água no chão.
O professor de história, o Sr. Ortiz, lhe lançou o seu famoso olhar de reprovação que todos nós já conhecíamos, a mandando para a direção de imediato e recebendo uma resposta inusitada, que fez com que a turma toda ficasse chocada com tamanha audácia da novata.
— Perdão, mas eu acabei de vir da direção e estou cansada demais para ficar perambulando molhada pelos corredores deste colégio, enquanto podia muito bem estar assistindo aula sem perder a matéria do primeiro dia.
Como se tivesse enfiado uma faca no pescoço do Sr. Ortiz, ele engoliu a seco olhando para toda a sala para ver quem seria o corajoso de rir daquela cena, antes de apenas mandá-la entrar com um gesto com a mão.
Sorrindo satisfeita, ela andou de cabeça erguida até o fundo da sala sentando-se em uma das carteiras livres.
Em seu primeiro dia, ela conseguiu se tornar a garota mais sensacional de toda a turma.
— Sr. , leia o texto da página 42. – Sr. Ortiz ordenou batendo a mão em minha carteira.

***

Para o meu azar, a chuva continuou durante todo o intervalo, me impossibilitando de passar o período no jardim que tanto gostava. Acabei sentando na mesa mais afastada das demais no refeitório, onde pude observá-la entrando sendo seguida por uma garota idêntica à ela, porém me parecia ser mais nova.
Fiquei imaginando quando a sorte sorriria para mim, fazendo com que fosse pelo menos notado por uma garota como aquela.

***

Quando a aula chegou ao fim, tivemos a sorte da chuva ter nos dado a trégua que tanto torcíamos, pra poder corrermos de volta aos nosso lares. Então, eu caminhava tranquilamente em direção ao ponto de ônibus quando fui surpreendido pela nova garota… E a sua amiga.
— Ei, você! – Ela me chamou com um toque em meu ombro.
— Pois, não? – Respondo desligando a música dos fones de ouvido.
Ela era ainda mais linda olhando de perto.
— Você pode achar loucura – Ela começou a dizer meio sem graça.
— É claro que isso é loucura – A sua amiga disse revirando os olhos.
— Quieta – a repreendeu. – A minha intuição disse à mim que eu deveria lhe seguir, pois estaria indo ao ponto de ônibus.
Olhei para ambas desconfiado, mas apontei para o ponto de ônibus à poucos metros a nossa frente.
— Sim, eu o vi, mas… – ela fez uma pausa pegando um papel em seu bolso da jaqueta jeans, era um papel que continha seus horários de aula. – Poderia me dizer se é o ponto desse ônibus aqui.
Estreitei os olhos pegando o papel com gentileza de suas mãos e o meu coração bateu mais rápido ao ver que pegaríamos o mesmo ônibus.
Meu Deus do céu, pela primeira vez na vida a sorte resolveu sorrir para mim.
— Esse é o meu ônibus – respondo em baixo tom devolvendo o seu papel – E esse é o ponto dele.
— Podemos esperar com você? – perguntou antes que eu pudesse dar um passo à frente. – Desculpe, sei que deve estar achando isso muito estranho…
— Não vou esperar. – digo vendo seus olhos perderem o brilho esperançoso que continham e a mais nova bufar, mas logo conserto a situação. – Porque o ônibus já está vindo – novamente aponto para onde bem ao fundo posso vê-lo. — Vamos?
A novata abre um sorriso de orelha a orelha ao olhar para trás e ver o ônibus.
— Claro – ela responde andando ao meu lado até a cobertura do ponto de ônibus. — Com todo esse medo de não perder o ônibus eu acabei nem ao menos me apresentando, sou Blevins – estendeu a mão que estava coberta por uma luvas preta com detalhes em roxo, aquilo me mostrava que ela não era muito acostumada com o frio da cidade. — Essa é a minha irmã mais nova…
Chelsea – a mais nova diz seu nome sorrindo.
— É-é, eu sei seu nome – comento mordendo os lábios – Você é a garota que calou a boca do nosso professor de história.
— Ó, meu Deus – ela levou as mãos ao rosto na tentativa de cobri-lo. — Dia ruim. Hora ruim. – justificou-se.
— Eu posso imaginar – concordo com a cabeça. — Afinal de contas, me chamo . – estendo a mão em sua direção. — . – ela então aperta minha mão olhando no fundo dos meus olhos. — É um prazer conhecê-las, e Chelsea.
– repetiu – Nome de artista.
— Quem sabe um dia – dou risada, enquanto o ônibus para em nossa frente abrindo as portas. — Primeiro as damas.
sorri me puxando pela mão para dentro do ônibus.
Eu não sabia em qual parada as duas garotas iam descer, mas não pareciam muito interessadas em saber também, pois me perguntava sobre toda a cidade e sobre o nosso colégio.
— Você sabe quando tem que descer? – perguntei não aguentando-me de curiosidade.
— Sim, no ponto final do outro lado da cidade – disse olhando para fora da janela.
— Nós moramos no fim do mundo – diz Chelsea do banco da frente.
— Não acredito – digo surpreso, a sorte não parava de me surpreender. — Moramos do mesmo lado da cidade.
— Não brinca?! – disse ela sem acreditar da mesma maneira que eu. – Minha intuição estava certa.
— Se costuma seguir sua intuição muitas vezes, pode confiar que está em boas mãos.
desviou o olhar de fora, em minha direção olhando novamente em meus olhos, intimidando-me ao parecer observar cada detalhe que podia, desceu seus olhos em direção aos meus lábios me instigando a fazer o mesmo e ver um sorriso formar-se de forma tímida.
— Sei muito bem que posso confiar.
Seguimos viagem conversando sobre as pessoas inusitadas que subiam e desciam do ônibus tentando adivinhar suas profissões baseadas em suas roupas, isso fez passar boa parte do tempo até chegarmos no ponto final.
Bastou eu colocar o pé no chão para começar a ser atingido por gotas de chuva que formavam uma fina garoa. Estendi a mão para ajudar descer e ela aceitou, mas Chelsea apenas pulou molhando a barra da minha calça com água suja.
— Chelsea, olha só o que você fez – a mais velha disse repreendendo a mais nova ao descer do ônibus.
— Ó, meu Deus, me desculpa – ela disse ao me puxar para baixo da cobertura do ponto. — Não era essa intenção.
— Não tem problemas, vamos embora antes que essa chuva piore… – e antes que eu ao menos terminasse de falar a chuva começou a ficar mais forte.
A sorte cansou de sorrir.
Bufei revirando os olhos, não podia acreditar que teria que tomar aquela chuva.
— Pelo visto estamos presos aqui – Chelsea subiu em cima do banco para fugir da chuva.
— Vou ligar para o meu pai ele vem buscar a gente.
— A gente? – perguntei sem entender.
— É. Eu não vou te deixar aqui no meio dessa tempestade, né, ?! – negou com a cabeça pegando o celular e ligando para o seu pai.
O pai de demorou poucos minutos para chegar, estacionando o mais próximo que podia e abrindo a porta da caminhonete pedindo para que a garota pulasse logo para dentro do veículo.
deu prioridade para a irmã mais nova que correu rapidamente pulando para dentro da cabine juntando-se bem perto de seu pai que reclamou que ficaria todo molhado, logo após juntou-se aos dois.
— Vem, – ela gritou me chamando
— Vem e fecha a porta, garoto – o pai dela gritou também olhando para trás certificando-se que não vinha algum ônibus.
Eu corri passando para dentro da caminhonete batendo a porta com mais força do que necessário, olhei para o pai de de canto de olho para ver se ele tinha ficado bravo, mas ele não parecia se importar com isso dirigindo tranquilamente de volta à sua casa.

***

O nervosismo que estava passando, em estar dentro da casa da garota que eu havia passado a manhã toda imaginando se algum dia me daria bola, apavorava-me a ponto de me fazer tremer e nem era por estar congelando com as roupas molhadas.
Estava sentado na cadeira da cozinha que fora colocada ao lado da porta, a mãe de pediu para que eu tirasse o tênis o deixando na varanda para que não sujasse o interior da casa, minhas meias na cor azul escura com desenhos de dinossauro não tinham sido uma boa escolha pela manhã.
Em minha defesa, eram bem quentes.
O pai de voltou a prestar atenção na série que assistia na sala, me deixando sozinho com a sua esposa que preparava algo para comermos.
Após ter tomado banho e estar quente em roupas secas, voltou para a cozinha sorrindo para mim com um conjunto de calça e moletom em mãos.
— Para você – estendeu em minha direção sorrindo – Vá se trocar, se não vai acabar quebrando os dentes de tanto que os bate.
— N-não, não precisa, eu estou bem, já vou embora. – dispenso as roupas que provavelmente deveriam ser do seu pai, aquilo já era intimidade demais para um dia.
— Ele deve estar pensando que são do seu pai – a mãe dela disse fazendo com que eu arregale os olhos, ela tinha lido a minha mente?
— Não são do meu pai – riu sem humor – São minhas, gosto de moletom grandes, mas a calça, o tamanho veio errado e acabei ficando com preguiça de trocar pela internet, é muita burocracia, então uso apenas para dormir. – explicou-se dando de ombros. – Agora vai se trocar, .
disse em tom autoritário, concordei com a cabeça pegando as peças de roupa da sua mão, ela me indicou a onde ficava o banheiro. Troquei-me rapidamente percebendo que a calça acabou ficando certa em meu corpo juntamente com o moletom que na garota costumaria a ficar largo.
— Está muito lindo, , com todo respeito – a mãe dela elogiou-me assim que voltei para a cozinha, me deixando um pouco constrangido. — Sente-se, já está ficando pronto.
— Seco e quente também – completou assim que sentei ao seu lado.
— Onde está Chelsea? – o pai perguntou olhando apenas para nos dois sentados à mesa.
— Pediu para que eu avisasse que está sem fome e que prefere descansar um pouco – contou .
— Deve ter sido um dia e tanto, essa garota nunca dormiu de tarde nem quando era bebê – o pai disse impressionado com a caçula.
— Isso acontece uma vez em cada ano – riu da irmã.
— Quem diria que vocês teriam um primeiro dia de aula tão agitado, querida – a mãe dela comentou enquanto ela ainda permanecia com os olhos vidrados aos meus.
Eu poderia me acostumar em ser tão observado dessa maneira.
— Eu estou amando o meu primeiro dia. – disse ao apoiar o rosto em sua mão sorrindo para mim.

OUTUBRO

Feels like this could be forever right now

A chegada de ao colégio trouxe fim à minha solidão, mesmo no começo onde todos tentavam afastá-la de mim tentando mudar suas ideias dizendo que sou um perdedor, ela ficou ao meu lado fazendo-me ser mais aceito pelos outros alunos que começavam a interagir mais comigo.
Enquanto os garotos mais velhos caíam matando em cima.
Ela era decidida o suficiente para conseguir enrolá-los, fazendo o seu grupinho de amigas rirem de suas histórias com eles.
Não sei como descrevê-la, sua personalidade era tão forte ao lado de outras pessoas que a tornavam invencível, mas ao meu lado era tão frágil fazendo eu ter a vontade de cuidá-la a todo minuto.
Era domingo, estávamos na varanda da sua casa, enquanto afinava o violão e ela ria de alguma coisa na revista que estava lendo, dividia a sua atenção entre a revista e o labrador Hope que descansava recebendo carinho da dona.
Chelsea infelizmente não pode se juntar à nós, tinha reprovado em matemática e tinha que estudar para uma prova muito importante que iria fazer no dia seguinte.
Limpei a garganta para atrair sua atenção, sentou-se com as pernas cruzadas olhando-me atentamente.
Comecei a dedilhar as notas no violão respirando fundo para começar a cantar.
A música que havia escolhido para lhe apresentar, era Obviously, do McFLY, ela me contou quer era sua banda favorita e o mural no seu quarto mostrava que ela era apaixonada por Dougie Poynter.
Recently I’ve been hopelessly reaching – abri os olhos podendo ver um sorrindo formando em seus lábios, o que me deixou mais à vontade. — Out for this girl, who’s out of this world… Believe me!
Enquanto cantava, observava a beleza de como nunca tinha feito antes – ou já – seus cabelos estavam presos alguns fios em um “coquinho”, como ela mesmo chamava, no topo da sua cabeça deixando o resto dos fios soltos até quase o fim da sua espinha soltos, suas bochechas tinham um tom avermelhado ao natural que contrastavam perfeitamente com a cor dos seus olhos, que eram dos mais lindo que já existiram, sua boca tinham um tom rosado que nunca vi em nenhuma outra garota.
– ela disse assim que parei de tocar – Você canta perfeitamente bem, eu estou surpresa demais, porque nunca cantou para mim antes?
— Acho que nunca tocamos nesse assunto – dei de ombros, na verdade já tínhamos tocado nesse assunto, mas eu não me sentia confiante o suficiente para cantar na frente dela, ela poderia me ridicularizar e dizer que sou péssimo, por exemplo.
— Você é incrível – elogiou-me novamente. – Já pensou em se inscrever em algum programa de talentos?
— Bom, isso é o que eu queria te contar – passo a mão entre os fios de cabelo enquanto ela me olhava aguardando ansiosamente eu falar — Estou pensando em me inscrever no The X Factor ano que vem.
demorou por alguns segundos a captar as informações, antes de levantar-se assustando o próprio cachorro ao sentar do meu lado abraçando-me como conseguia.
— Lembra o que eu disse pra você no primeiro dia que nos conhecemos? – perguntou baixinho em meu ouvido, fazendo um arrepio percorrer meu corpo.
— N-não me lembro, o que você disse? – pergunto nervoso ao vê-la se afastar, porém não muito, ficando à centímetros do meu rosto olhando em meus olhos.
— Eu disse, – fez uma pausa – Que você tem nome de artista.
— Lembro disso – sorri sem graça desviando o olhar. — Ter nome não significa nada.
— Então, lembre-se bem do que vou dizer para você agora. — ela segura meu rosto com sua mão quente. — Você vai ser um artista. Você vai ser famoso. Você vai ganhar esse mundo todo só pra você, .
Emocionado com suas palavras, abracei com força, era bom ter uma pessoa que acreditava em mim além da minha própria família e eu faria com que ela sentisse orgulhosa de mim futuramente.

NOVEMBRO

— Tem certeza que não estou patético? – perguntei à minha mãe pela milésima vez.
Hoje era o aniversário de . Queria lhe fazer uma surpresa no colégio, mas não fazia muita ideia do que poderia ou não fazer, acabei pedindo ajuda à minha única, melhor e confidente amiga: minha mãe.
Ela deu a incrível ideia que me arrumasse extremamente bem. Então lá estava eu, com as roupas novas que provavelmente eu usaria novamente só no Natal.
Comprou o maior buquê de rosas vermelhas da floricultura, com os melhores chocolates que acabou custando quase toda a minha mesada.
— Não, , você não está patético, ela vai amar. – minha mãe dizia animada segurando-me pelas bochechas. – Agora chega de drama, te dou uma carona até a casa dela – disse balançando as chaves do carro.
Apressei-me jogando a mochila sobre os ombros, seguindo a mais velha e batendo a porta em seguida. Como e eu morávamos próximos, o caminho até sua casa não durou cerca de dez minutos, mas mesmo assim eu soava frio e meus batimentos cardíacos estavam à milhão.
Quando minha mãe estacionou o carro um pouco longe da sua casa, olhei pra ela claramente perguntando o que eu faria em seguida. Ela apenas destravou o carro abrindo a porta me empurrando para fora.
Andei em passos trêmulos até a varanda da casa de apertando a campainha sem mais delongas.
— O delivery da farmácia foi a melhor coisa que inventa… ! – a mãe de disse ao me olhar – Wow, – arregalou os olhos ao ver o buquê de rosas. — Entre meu querido, entre.
— Acho que você estava esperando a farmácia, mas estou mais para floricultura – dou risada extremamente sem graça.
— Ó, meu querido. – abraçou-se dando um beijo em meu rosto. – Ela vai amar.
— Amor, olha o que achei perto do estábulo para enfeitar a bandeja… – o pai adentrava pela porta da cozinha com flores da cor lilás em mãos. – Deixa pra lá. – deixou as flores sobre o balcão da cozinha retirando o sobretudo preto que usava. – Bom dia, , acertou em cheio na escolha.
— É-é, obrigado, desculpe estragar a sua ideia – peço desculpa ainda morrendo de vergonha.
— Relaxa. Ainda sou o homem mais importante da vida dela, isso basta.
— Ciumento – a mãe revirou os olhos indo em sua direção e o abraçando. — Você quer colocar aqui na mesa? – perguntou-me.
— Vou esperá-la descer, minha mãe está esperando no carro para nos dar carona.
— Ó, , ela não te contou? – perguntou arqueando a sobrancelha. – Ela pegou um resfriado, teve febre a noite toda, não pode ir ao colégio hoje.
— Ela não contou – respondi cabisbaixo. – Posso subir para vê-la?
— Claro, aproveita e chame a Chelsea para mim. – pediu ao me ver subindo as escadas.
— Porta aberta, . – o pai gritou em um tom de voz bravo.
Apenas ri balançando a cabeça, acho que no fundo os pais dela confiavam em mim, sabendo que as minhas intenções eram as melhores. Dei duas batidinhas no quarto de Chelsea a chamando para descer antes de parar em frente à porta de entreaberta, a olhando dormir toda enrolada em baixo das cobertas.
— Bom dia, Bela Adormecida – disse empurrando a porta devagar, ela abria os olhos aos poucos para acostumar com a claridade e os arregalou ao ver o tamanho do meu buquê de rosas.
Palmas para minha mãe, era aquela reação que eu queria.
– ela disse rouca de tudo. – S-são p-pra para mim? – gaguejou.
— Para a aniversariante do dia. – explico entregando em suas mãos – Feliz aniversário.
— Ó, meu Deus. Eu nunca tinha ganho flores em toda a minha vida. – comentou ao olhar as rosas com seus olhos brilhando, mesmo doente ela continuava linda.
— E chocolates? – lhe entrego a caixa de chocolates, ela deixa o buquê ao seu lado na cama pegando a caixa em suas mãos.
, eu não acredito – comentou boquiaberta. – Você é perfeito – elogiou-me. — Eu queria muito poder abraçá-lo para agradecer o carinho que você tem por…
E antes que ela completasse sua frase, aproximei-me sentando ao seu lado da cama abraçando-a, ela estava mais quente que o normal, devido ao seu estado febril, ela soltou a caixa de chocolates me abraçando de volta.
— Você é louco? – perguntou assim que me afastei, ainda permanecendo sentado ao seu lado.
— Por quê?
— Pode acabar ficando doente, . Fique longe. – me deu um leve empurrão pelo ombro fazendo-me rir.
— Não ligo pra isso. – dei de ombros — O importante é a sua surpresa.
ficou sem resposta sorrindo para mim.
— Pode ter certeza que eu amei receber flores e chocolate – constatou – Você é incrível, – passou a mão em meus cabelos, sorri olhando para minhas próprias mãos, não sabia muito bem o que dizer naquele momento.
— Prometo que todo ano terá uma surpresa diferente no seu aniversário – faço uma promessa repentina que veio em minha mente, ela abre um enorme sorriso enquanto entrelaço nossos dedos da mão.
— Assim vou ficar mal acostumada – murmurou em resposta.
— Talvez você fique… Mas agora eu já prometi. – dei de ombros.
— De dedinho? – apontou para os nossos dedos entrelaçados.
— De dedinho – avanço com meu corpo em direção ao seu encostados nossas cabeças, equilibro-me com a outra mão do outro lado do seu corpo.
. . – o pai de grita meu nome do corredor fazendo-me arregalar os olhos e ela rir.
— É melhor eu ir antes que ele me mate – afasto-me da garota que cruza os braços pedindo com os olhos brilhantes para que eu fique, ela parecia estar fazendo cinco anos. — Eu volto para comer um pedaço de bolo.
— Sabia que tinha alguma segunda intenção por trás dessa surpresa – zombou pegando a caixa de chocolates enquanto saio. — , esses são os meus preferidos! – posso ouvir mesmo rouca ela gritar enquanto fecho a porta do quarto.
A missão de fazê-la feliz no dia do seu aniversário estava concluída com sucesso.