05. Telepathy

05. Telepathy

  • Por: Bianca
  • Categoria: BE | Especiais
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Sinopse: Uma ilha, eles se encontravam apenas uma vez no ano, por um curto período, mas as vezes dependendo da pessoa ou da situação, apenas uma vez é o suficiente para despertas sentimentos que pessoas que você encontra todos os dias não lhe trazem.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Beta: Rosie Dunne

Caminho da Ilha de Knorh, 10 de janeiro de 2001
Os pais de se encontravam super animados, sentados no banco da frente do carro, já chegavam ao local para pegar o barco e seguir com ele a viagem, a ilha era conhecida por ser pequena, tinha apenas uma casa nela toda, esta que pertencia a uma senhora que alugava para quem quisesse visitá-la, ela estava bem animada de ir para um lugar diferente e seus pais ficaram satisfeitos com a reação de sua filha quando contaram a novidade.
Um dos poucos barcos que levavam a ilha já estava preparado quando eles saíram do carro e caminharam até ele, colocaram todas as suas coisas e mostraram a reserva da casa, já que eles só tinham permissão de levar alguém até lá se confirmassem o aluguel de alguma forma, o pai de não entendeu muito bem a cara de confuso que o homem que iria dirigir o barco lhe fez, mas achou melhor ignorar, já que ele parecia ter feito o mesmo.
A viagem pela água não era das mais demoradas, a família, entretida com a paisagem, nem sentiu os minutos passando quando ouviram a voz dizendo que estavam chegando, quando o barco parou e eles desceram, tentando segurar tudo o que tinham levado para não cair na água e acabar molhando, tiveram a sensação de estarem sendo observados, sensação essa que foi confirmada em menos de cinco minutos quando ouviram a voz de um menininho dizendo “Mamãe, quem são aqueles?”, olhava para a direção do som, apertando os olhinhos devido ao sol, tentando identificar a pessoa que tinha dito aquilo.
E foi ali naquela manhã do dia dez de janeiro, que eles perceberam que foram vítimas de uma confusão, as duas crianças apenas observavam seus pais conversando, gesticulando parecendo tentarem entender algo, o que foi descoberto no final é que a dona da casa havia se confundido com as datas, o que nunca tinha acontecido antes, e marcado ambas as famílias para a mesma estadia e, depois de muita conversa, ambos decidiram ficar por ali mesmo, a casa não era uma mansão, mas dava perfeitamente para ser dividida, e também as crianças já pareciam ter se entendido entre elas.

Ilha de Knorh, 10 de janeiro de 2019
Ele desceu do barco todo atrapalhado, devido a sua ansiedade por ter chegado à ilha, seus pés estavam molhados por ter pisado na água, isso fazia com que a areia ficasse mais grudada neles, mas ele não parecia estar se importando muito com isso, correu em direção a casa que poderia ser vista de longe devido ao tamanho da ilha, não conseguia conter o que estava sentindo por finalmente poder vê-la novamente.
Ela sempre chegava primeiro, todos os anos, todas as vezes eram sempre assim, por isso quando adentrou a porta que havia aberto, gritou por seu nome e não foi correspondido, não conseguiu conter a interrogação misturada com decepção que cresceu dentro dele, mesmo tendo certeza de que se ela estivesse no local teria lhe respondido, resolveu olhar cada cômodo da casa, encontrando ninguém no final.
Já havia se passado uma hora desde que ele havia desembarcado, o barco já havia ido embora e procurava qualquer coisa para tentar se distrair, o que não estava dando muito certo já que qualquer barulho que escutava ou pensava ter escutado o deixava super alarmado de que poderia ser ela

Ilha de Knorh, 10 de janeiro de 2010
escutava algum rock dos anos 80’s em seu fone, enquanto já avistava o local que passaria suas férias, como sempre desde que tinha seis anos, não reclamava, afinal ali era o único local e época que encontrava sua melhor amiga, mesmo que só se vissem uma vez ao ano e só ficassem juntos por quase um mês, não tinha ninguém que ele confiava mais que ela
, , oiiii – foi a primeira coisa que ele escutou quando desligou a sua música porque já estavam próximos demais, a garota de quinze anos gritava animada enquanto acenava já na areia da praia.
— Oii, … – ele não conseguiu dizer mais nada devido ao abraço que a menina lhe deu, ele apenas a abraçou de volta.
Sentiam muita falta um do outro, mas não reclamavam, afinal seus pais tinham topado a loucura de sempre ir para o mesmo local todo começo do ano, apenas para os dois conseguirem se ver, os dois casais acabaram desenvolvendo uma relação legal também entre eles.
, como sempre, puxou logo seu melhor amigo para algum lugar da ilha em que eles pudessem conversar sozinhos, ela sempre havia sido muito comunicativa e ele achava aquilo de certa forma fofo, por isso apenas se deixava ler, como sempre, o que ele não esperava e que foi naquele verão de 2010 que começou tudo, que ele percebeu como eles estavam crescendo e como seu sentimento por ela estava virando algo a mais.

Ilha de Knorh, 11 de janeiro de 2019
mal havia conseguido dormir noite passada, se forçou a pegar no sono por um curto período de tempo apenas porque se convenceu que, quando acordasse, ela estaria lá, mas estava errado, nenhum sinal da tinha sido visto e as possibilidades começavam a rodear a cabeça dele, odiava pensar em coisas negativas, mas não conseguia evitar, algumas pessoas se estivessem vendo essa situação de fora, poderiam achar um completo exagero por parte do homem, mas ele levava muito a sério o compromisso de estar lá e sabia que também levava, e isso o levava a crer que algo tinha acontecido.
Nessas horas odiava não ter contato com ela fora dali, não tinha endereço de nada, nem uma amiga próxima para quem pudesse ligar e perguntar sobre, não que o sinal da ali fosse lhe ajudar com isso, mas ele gostava de pensar que seria seu refúgio.
Já era de tarde quando ele começou a pensar se ela não havia aparecido devido a sua confissão da última vez que se viram e isso lhe deixou um pouco desesperado.

Ilha de Knorh, 31 de janeiro de 2018
Era o último dia de ambos na ilha, já fazia alguns anos que seus pais deixaram de acompanhá-los e os dois se encontravam sozinhos na viagem, eles tinham caminhado até uma parte que havia pedras na praia e estavam sentados enquanto observavam o pôr-do-sol lindo que conseguiam admirar dali
, posso te perguntar uma coisa?
Ele que havia passado grande parte do dia quieto, perguntou quebrando o silêncio instaurado ali.
— Claro , você sempre pode me perguntar qualquer coisa.
E ela sorriu para ele depois da resposta, ele amava ouvir o seu apelido sair pela boca dela e sorriu por isso, antes de continuar o que pretendia falar.
— O que significa isso para você? – ele perguntou diretamente.
— Isso… A gente?
Ele deu mais um sorriso pela forma que ela o entendia sem ele precisar ficar explicando.
– Exato.
— Aaaah , eu não sei explicar muito bem, mas achei que o fato que eu volto para cá todo ano já dizia muita coisa – ela terminou o olhando
— E diz, é só que – ele respirou fundo antes de continuar – você sabe que eu trabalho em um escritório né? Minha vida sempre segue uma rotina muito bem planejada, sempre são as mesmas coisas e tudo mais, mas quando eu venho para cá, quando eu estou com você, parece que uma parte de mim se revela, e uma parte muito boa.
— Bom, você sabe que eu sou uma artista né, confesso que apesar da minha vida ser corrida, não tenho muito isso de rotina, mas isso não diminui o que sinto por você ou o que essa experiência de férias me proporciona.
— É exatamente isso, , se a gente se faz tão bem porque continuamos limitando isso tudo a um mês por ano de nossas vidas? Por que não estender?
– e foi a vez dela de respirar fundo – achei que já tínhamos conversado sobre isso.
— E conversamos, mas… Eu me sinto frustrado.
A conversa se alastrou um pouco mais, ele demonstrava sua insatisfação e ela tentava colocar seu ponto, o clima havia ficado ruim, eles não falaram mais nada quando voltaram para a casa e aquela tinha sido a primeira vez que os dois tinham se despedido com um clima ruim entre eles.

Ilha de Knorh, 18 de janeiro de 2019.
Uma semana havia se passado desde que ele chegara ali e sua mente só se alimentava do pensamento que a lembrança do último verão havia trazido, a fala de “achei que o fato que eu volto para cá todo ano já dizia muita coisa” ficava rodeando sua mente, será que era isso? O fato dela não ter aparecido significava que o que eles tinham havia acabado? se sentia extremamente sufocado só de pensar nessa possibilidade, não tinha gostado de ter ido embora brigado com ela, mas isso não havia abalado nenhum pouco seus sentimentos e muito menos a vontade dele de voltar para aquela ilha, e ele pensar que talvez do lado dela sim, apesar de respeitar todas as decisões que ela poderia tomar, ele sentia seu coração quebrar.
Ficar à mercê do tempo mexia com a ansiedade de qualquer um, como eles sempre ficaram restritos aquilo, ele não poderia fazer nada, ele pensou em altas possibilidades e no final estava decidido a sair dali, ela nunca havia atrasado e uma semana era tempo demais de atraso, ele queria apenas saber o que estava acontecendo e começou a arrumar as suas coisas para ir atrás de respostas, um “” soou de longe e ele tinha certeza que já estava alucinando pela espera, mas quando ouviu novamente enquanto jogava suas roupas na mala, não conseguiu ignorar, desceu as escadas para o primeiro andar e avistou a figura da mulher na varanda da casa tirando a areia da roupa, correu até lá e a abraçou tão forte como ela tinha feito com ele alguns verões atrás.
— Estava com saudades também – ela foi a primeira a falar ainda no abraço.
— Você não tem ideia do alívio que é ouvir a sua voz – ele respondeu a apertando mais forte.
— Me desculpa, , uma semana é muita coisa né? Eu tinha como te avisar, deu uns problemas profissionais, eu juro que tentei correr para cá o mais rápido possível, mesmo assim estou me sentindo extremamente culpada – ela tinha começado a fazer um carinho em seu cabelo que ele jurava que era o mais gostoso que já havia recebido.
— Não vou mentir para você falando que essa semana não foi angustiante, porque foi, mas o importante é que você está aqui agora – ele soltou um pouco o abraço, segurando seu rosto com ambas as mãos – por um momento eu pensei…
— Que eu não fosse vir por conta do que aconteceu verão passado?
Ele sorriu por estar certo em como ela entendia ele.
— Sim.
, eu precisava voltar exatamente por isso, para dizer que você estava certo, eu passei o último imaginando coisas que eu vivi, como seria viver com você, eu tive aquela reação porque eu morria de medo de tirar isso daqui e acabar estragando tudo, mas eu cheguei à conclusão que não é esse lugar que torna tudo entre a gente especial, mas sim a nossa relação e se você ainda quiser, eu topo arriscar.
— Se eu ainda quiser? Tá de brincadeira? Eu estava arrumando minhas malas agora para ir atrás de você ou de alguma resposta que fosse, a gente cresceu vendo a vida um do outro passar por palavras e histórias que contávamos desde pequenos e eu sou muito grato por ter presenciado você contando cada uma delas, mas eu estou muito animado para ver por conta própria.
— Se você estava indo embora parece que cheguei em um bom momento então – ela terminou de falar e colou os braços ao redor de seu pescoço.
— Você chegou no momento certo – ele respondeu já se aproximando.
Não precisavam dizer mais nada, os dois se completavam muito bem para isso, tinham uma intimidade como nunca outra, por isso se beijaram com muita tranquilidade, já esperavam por isso há algum tempo, embora só tivessem dito em voz alta um para o outro a apenas um ano, mas aquele beijo na frente daquele paraíso que observou a evolução da relação deles, significava para eles que estavam com coragem de arriscar e ver como funcionavam longe dali, na rotina de cada um, não estavam com medo, pois sabiam que tudo era muito especial para poder ser estragado.

Nota da Autora:
Oiii amorzinhos, tudo bem? Espero que sim 😊
Foi muito especial escrever essa música, eu amei esse álbum e amei mais ainda a mensagem por trás dele, fiquei pensando em como desenvolver algo a partir dessa música e esse foi o resultado, eu espero de coração que tenham gostado <3 Muito obrigada por ler até aqui 😊 <3