Firework

Firework

Sinopse: Muitos diriam que ela tinha “a vida perfeita”, e jamais imaginariam a bagunça que existia dentro dela. Bagunça de sentimentos e frustrações, causados pela necessidade de agradar os outros. E isso era tão difícil… Doía tanto. Queria gritar em alto e bom som que estava cansada de tudo. Tão cansada. E esse grito veio, ele ecoou. Ecoou logo após ser pedida em casamento pelo homem que mais amava em sua vida.
Ela o amava com o seu coração, ele era a única pessoa que não a dizia como deveria viver a sua vida. Ela se casaria com ele, é claro. Mas… Antes de dizer sim a ele, precisava dizer sim para outra pessoa.
Fandom: Big Bang.
Gênero:
 Romance.
Classificação: 10 anos.
Restrição: Alguns nomes são fixos.
Betas: Alex Russo
Shortfic

Capítulos:

I.
O anúncio.

se olhou no espelho, se virou para poder ver o decote que deixava suas costas a mostra, suspirando quando ficou novamente frente a frente com o seu reflexo.
Ela gostava do tom vermelho da peça ao dado do seu tom de pele. Gostava do decote do vestido, das alças que ficavam finas quando se aproximavam de seu pescoço, que ela mesma amarrou na parte detrás de seu pescoço, em sua nuca. gostava do detalhe que tinha na altura de sua cintura, que havia ficado incrivelmente marcada e bonita com aquele vestido. Gostava ainda mais de como o pano caia leve até os seus pés. E da fenda que existia desde a metade de sua coxa esquerda. A mulher gostava ainda mais da sandália cor de pele que fazia com que a cor forte do vestido não ficasse “brigando” com nenhuma outra cor. sorriu orgulhosa de si mesma quando aproximou seu rosto do espelho e olhou mais uma vez a maquiagem que ela mesma havia feito, indo contra a sugestão de , que uma maquiadora profissional fosse contratada. estava orgulhosa de seus olhos bem marcados com um lápis preto, máscara para cílios a e sombra esfumada preta que usou. O pouco de gloss dando um brilho natural aos seus lábios lhe agradava, assim como as ondas que tinha feito em seu cabelo, que estava solto. Em suas orelhas havia um par de argolas de tamanho médio e de ouro, combinando com o cordão discreto que usava.
estava linda. E muito nervosa.
Vestidos longos, saltos e maquiagem se tornaram ainda mais presentes na vida dela depois que , um dos maiores empresários de New York, assumira um compromisso sério com ela publicamente há cinco anos, um ano após o pedido de namoro feito pelo homem. As peças, acessórios e produtos já existiam na vida de , que era filha única de um também importante empresário da cidade. Mas, naquela noite o nervosismo que sentia era bem diferente daquele que sempre fazia sua barriga tremer quando tinha que enfrentar algum tapete vermelho, ou de qualquer outra cor, com o homem que amava. Aquele nervosismo também era diferente do que sentia quando ia a alguma festa de empresários renomados, em jantares ou em festas de aniversário de aniversariantes que, às vezes, ela nem conhecia.
O nervosismo que sentia naquele momento, enquanto se olhava no espelho de seu closet, era um nervosismo novo e intenso. Afinal, aquela era a noite em que ela e iriam assumir para os seus familiares e amigos que estavam noivos.
E ela estava nervosa. Tão nervosa.
Mas, mesmo sentindo sua barriga embrulhar e seu coração bater acelerado, foi inevitável não sorrir ao olhar para sua mão direita e ver o belo anel que lhe entregou quando a pediu em casamento na noite retrasada. riu baixo quando a cena do homem lhe fazendo a pergunta de quatro palavras voltou com tudo em sua mente. Riu de como ele parecia inseguro, algo tão incomum em um homem tão seguro quanto , e de como ele assumiu que estava aliviado por ela ter lhe dito sim. Ele realmente achara que não iria aceitar o pedido.
E ela riu mais uma vez, se lembrando do quão bobo e burro um dos maiores empresários da cidade de New York, poderia ser.
Porque só sendo bobo e burro para achar que ela, , não iria aceitar se casar com , quando ele era o amor de sua vida.

++++

– Você está ainda mais linda. – se assustou quando ouviu aquela voz assim que virou o corredor, enquanto estava a caminho das escadas para descer para o primeiro andar, mas logo que reconheceu a voz e viu o rosto tão familiar a sua frente, um sorriso de alívio surgiu em sua face. – Eu sou mesmo um cara de sorte. – completou após olhar sua noiva dos pés a cabeça, admirado em como a mulher conseguira ficar ainda mais bonita do que já era com aquele vestido, sandálias, maquiagem e acessórios. E, principalmente, com aquela aliança em seu dedo. jamais cansaria de olhar para aquele anel com um pequeno diamante, e se sentir o cara mais sortudo do mundo por ter a mais bela das mulheres como sua futura esposa.
– Então, eu também sou uma mulher de sorte. Porque você também está lindo, senhor . – ela o elogiou volta, sorrindo e dando dois passos em direção a ele, vendo ainda mais de perto o lindo sorriso que enfeitava os lábios do grande empresário. – Mas, eu acho que isso aqui deveria estar fechado. Ou, não? – perguntou se referindo aos três primeiros botões da blusa branca social que estava debaixo do terno preto que usava.
– Eu juro que foi a enxerida da quem abriu. – ele a respondeu enquanto assistia sua noiva abotoar o terceiro botão, deixando somente os dois primeiros abertos, antes de passar as mãos levemente por cima da camisa, alisando o tecido e sentindo o corpo quente de por debaixo do tecido. Sentindo, por alguns segundos, o coração dele batendo contra a palma de sua mão. – Nervosa? – perguntou sentindo o carinho, que sempre ficava diferente quando estava nervosa. Quando ela estava calma, o seu toque transmitia a sua tranquilidade. Mas, quando ficava nervosa ou aflita com alguma coisa, o seu toque também transmitia o seu nervosismo e agonia. E era em momentos assim, de nervosismo e agonia, que o tocava para ter a certeza de que estava com ela, de que não estava sozinha.
– O que você acha? – ela questionou de volta, passando suas mãos em volta do corpo dele, terminando por abraçá-lo e encostar sua cabeça em cima da camisa social. Deixando sua testa encostada no peitoral de , que não demorou mais do que dois segundos para circular o corpo da mulher com seus braços, a apertando um pouco mais, dando a ela a sensação de proteção por estar envolta por seus braços e seu corpo. – Minha mãe vai vir, amor. – murmurou, recebendo um beijo no topo da cabeça do homem que sempre sorria quando a mulher o chamava por aquele apelido que apenas ela usava com ele. Aquele não era um apelido que somente eles dois usavam, e sabia disso, mas era o jeito que a voz dela soava leve quando o dizia que fazia sentir que a amava um pouco mais toda vez que a ouvia o chamando daquele jeito.
– Ela já chegou, na verdade. Foi uma das primeiras. – respondeu com os lábios ainda próximos ao couro cabeludo da mulher. suspirou e fechou seus olhos por alguns segundos, não deixando de se sentir grata quando soube que o noivo estava tentando tranquilizá-la quando continuou: – Sua mãe, seu pai, os meus pais, e os nossos amigos. Ela não é a única lá fora.
– Ah, ótimo, além de tudo ainda sou a atrasada? Vou ouvir ainda mais por isso. – choramingou no mesmo instante em que repreendeu a si mesma por ter sentindo-se tão nervosa, enquanto se arrumava que acabou esquecendo-se do horário que haviam marcado o jantar e de como a pontualidade era algo tão importante para sua família. Para sua mãe, na verdade.
– Você é a noiva, pode se atrasar. É um direito seu. – comentou, afastando um pouco seus corpos para que fosse capaz de segurar o queixo de com a ponta de seus dedos, erguendo o rosto da mulher até que seus olhos se encontrassem. – Você pode fazer o que você quiser.
– Eu posso me atrasar no dia do casamento, não no jantar de anúncio do noivado. – suspirou, e aproximou seus rostos antes de aproximar suas bocas e deixar um breve beijo nos lábios de , pouco se importando se a sua boca ficaria com o gloss que a mulher usava.
– Eu não me importei com o seu atraso. Então, ninguém pode se importar também. – ele sorriu quando a encarou novamente.
– Veio atrás de mim porque então? Não foi pra me apressar?
– Eu estava indo atrás de você para saber o motivo do seu atraso. – respondeu, tirando uma mecha de cabelo da frente do rosto de . Aproveitando para fazer carinho na pele da mulher, tendo cuidado para não estragar a maquiagem feita ou machucá-la. Mesmo que ele soubesse, e também soubesse, que nunca seria capaz de feri-la. – Eu queria saber se você estava atrasada porque se atrapalhou com o vestido. Ou se era porque estava sentada em um canto do quarto criando coragem para descer, ou se precisava que eu fosse até lá para segurar a sua mão e irmos juntos. Eu sei que esse é um grande passado para você, até mais do que para mim. Não que o nosso casamento não seja algo que eu considere grande, porque é, mas eu sei o peso que você tem nos ombros. Eu sei o que as pessoas esperam que você faça, e eu já te falei que você não precisa ser o que elas esperam. – o polegar de fazia um carinho na bochecha de , acalmando a pequena guerra que o nervosismo causava na boca de seu estômago. – Você é o que você é, e eu te amo por isso, babe. Eu quero me casar com você por isso. Porque você é incrível sendo quem é, e não porque me acompanha em eventos ou jantares. Eu não quero me casar com você porque conhece a minha vida profissional, mas sim porque você é a minha vida pessoal. Me conhece. E me faz feliz. – ele roubou mais um beijo curto de , vendo a mulher suspirar quando suas testas foram encostadas. – Eu quero me casar com você porque eu te amo, e vou continuar te amando mesmo que você escolha não me acompanhar mais em eventos ou jantares. Eu vou continuar te amando independente da escolha que você fizer.
– Então, eu já posso riscar da agenda o aniversário do senhor Morris, que acontece mês que vem? – perguntou, rindo logo em seguida assim que ouviu a risada do homem. É que mesmo nervosa e sentindo que poderia facilmente voltar para o quarto e pedir que cancelasse o jantar, sentia uma leve calma enquanto tinha os toques e a risada de seu noivo. Enquanto o tinha por perto. Afinal, sempre fora a sua calmaria.
– Pensei que você gostasse dele e de sua admirável esposa. – ele comentou, sendo totalmente irônico.
– Ela só fala de plástica, e ele fala cuspindo. – revirou os olhos e deu mais um beijo em sua testa antes que fosse para o seu lado. Ele segurou a mão da mulher, sentindo o anel de noivado contra sua pele e deixando um beijo no dorso da mão antes que, juntos, começassem a caminhar em direção à escada que ligava o primeiro e segundo andar da casa.
– Ok. Já risquei o aniversario dele da nossa agenda. – informou, segurando firme a mão de , não a deixando cair em algum dos degraus ou pisar no pano do vestido, que a mulher levantava um pouco com a mão livre. – E eu não acredito que de tudo que eu falei você só focou nessa parte.
– Eu prestei atenção em tudo que você falou, e guardei cada palavra dentro de mim. – garantiu, sorrindo e deixando um breve beijo no canto da boca de , que sorriu. Era fácil sorrir ao lado de , era natural. – Eu também te amo muito. Espero não te decepcionar, assim como espero que sejamos ainda mais felizes do que já fomos e somos ao longo desses anos. – desejou em um tom de voz baixo, tentando ao máximo ignorar o barulho de risadas e da música que tocava na área de fora da casa, mas que era possível de ouvir da sala.
– Para não me decepcionar é fácil. Apenas seja feliz. Você sendo feliz, eu vou estar feliz. – afirmou, enquanto fazia carinho com seu dedo no dorso da mão da noiva que se sentia menos nervosa, apenas por tê-lo ao seu lado. – E me diga quando deixar de ser. Eu prometo que juntos vamos dar um jeito, caso esse momento chegue. – ele a assistiu assentir com um movimento de cabeça, e sorriu ainda mais por isso. – Vamos? Está pronta?
– Pronta. – afirmou, respirando fundo, se enchendo de coragem.
O nervosismo ainda estava presente em todo o seu corpo, desde os pés até o último fio de cabelo no topo de sua cabeça. Anunciar seu noivado para as pessoas mais importantes de sua vida e da vida de era algo que exigia de uma coragem que ela sabia que não possuía. Mas, ter ao seu lado a tranquilizava e a permitia pensar que tudo estava bem, que tudo ficaria bem. Ela se sentia esperançosa e tinha a certeza de que, juntos, poderiam enfrentar tudo e todos.
Até o medo que ela sentia.

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A área da piscina que integrava uma das áreas de lazer da casa onde e moravam há quatro anos, estava linda. A mulher já amava aquele canto da casa porque era onde podia dar seus mergulhos noturnos na piscina sem precisar sair de dentro de casa, sem pegar o vento gélido da noite. gostava de ir à piscina a noite ou durante a madrugada de fato, e isso sempre deixava preocupado com a possibilidade de ela acabar ficando doente por causa da água gelada. Porque mesmo que ele tivesse contratado uma empresa para instalar aquecedor em toda a piscina, nunca fazia uso disso e sempre mergulhava na água fria. por vezes a acompanhou em seus mergulhos noturnos só para esperá-la sair da piscina e poder enrolá-la em uma toalha que ele sempre levava consigo, assim que saía da piscina.
O ambiente, que já era decorado em tons claros, naquela noite contava com a presença do vermelho espalhado por alguns detalhes. A grande mesa de jantar, com lugares suficientes para os dez convidados, estava bem arrumada com arranjos de rosas vermelhas que estavam em belos vasos de cristal. Pratos, taças e talheres, todos muito bem organizados dentro de um guardanapo em pano branco, com uma fita avermelhada dando um laço em volta e prendendo as peças ali dentro. Dois garçons andavam de um lado para o outro, ambos segurando bandejas com algumas taças que estavam ocupadas com champanhe da mais alta qualidade, o líquido muito bem gelado. Estava tudo muito lindo e delicado, digno de um jantar de noivado. E se lembraria de agradecer à senhora Jenkins, a governanta que trabalhava para antes mesmo de conhecê-lo, que foi a responsável por toda aquela decoração e organização, quando o jantar chegasse ao fim.
– Você não deveria ter tirado o anel? – questionou apontando para a jóia que estava no dedo de , atraindo a atenção dela, que estava distraída conversando sobre o filme da conversa anterior com . – Causaria mais impacto.
– Acho que não faria muita diferença, não é como se tivéssemos vindo até aqui esperando algo diferente. – opinou, dando de ombros e bebendo um pouco do champanhe que tinha na taça que pegou com um dos garçons. – Você realmente acha que causaria mais impacto, ou você só queria ver o seu irmão ajoelhado fazendo o pedido?
– O que você acha? – perguntou para a amiga, as duas rindo assim que , a irmã de riu, se denunciando.
Depois de ter cumprimentado cada um dos convidados ao lado de e ter conversado por alguns minutos com seus pais e seus sogros que estavam juntos, logo pediu licença e se afastou, indo até e que estavam sozinhas conversando em um canto mais afastado do centro do ambiente. precisava se afastar do olhar que sua mãe, nem disfarçava em lançar para o anel que enfeitava sua mão há menos de três dias O olhar da mais velha sempre deixava nervosa, e naquela noite a deixava ainda mais. Por isso, precisou ir até suas melhores amigas para tentar se distrair um pouco antes que a chamasse para fazerem o anúncio, juntos.
– Eu só queria registrar o momento do pedido, ok? Talvez eu ganhasse um bom dinheiro ao vender a imagem… – piscou, rindo junto com as outras duas que não esperavam nada de diferente da mais nova.
– Seu irmão iria te processar. – respondeu.
– Eu tenho um advogado para me defender. – a cunhada de deu de ombros.
– Você acha mesmo que o iria processar o ? – perguntou, apontando para o seu noivo e o noivo de , que estavam em uma pequena roda de conversa com outros três homens.
estava com , Richard, Dawg e ) em um canto mais afastado das mulheres. Os quatro homens pareciam entretidos em uma história que Richard, um dos advogados da empresa de e melhor amigo dele, contava, fazendo com que ), o marido de , risse junto com . E olhando bem para os rotos de e Dawg, poderia ser capaz de afirmar que os dois empresários estavam implicando com Richard e atrapalhando sua história, o que fazia com que ele os olhasse sério em alguns momentos.
– Eu tenho certeza de que tenho algumas vantagens, que o meu irmão, não tem. – respondeu após algum tempo observando os cinco homens. e riram sabendo bem ao que a outra se referia.

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– Um minuto da atenção de todos, por favor. – pediu quando se levantou da cadeira que ocupava, ao lado de . – Tenho um anuncio importante. Amor? – estendeu sua mão esquerda para sua noiva, enquanto a direita segurava a taça de champanhe. riu quando pegou sua mão, e ele sentiu a palma gélida e trêmula da mulher. – Está tudo bem. – ele sussurrou próximo ao ouvido dela, que assentiu com um breve movimento de cabeça. deixou um beijo na bochecha da mulher ao seu lado, seu objetivo era acalmá-la.
– É segredo ou todos vão podem ouvir? – gritou, fazendo com que os outros rissem e , Richard, Dawg, e ) gritassem em apoio à irmã de .
– Todos vão poder ouvir. – ele afirmou, rindo. – Como todos sabem, eu e estamos em um relacionamento há seis anos. Passamos por muitas coisas durante esse tempo, momentos bons e ruins. Aprendemos muito um com o outro... E sou muito grato por ter essa mulher em minha vida. – falou enquanto seus olhos estavam no rosto de , podendo observar quando as bochechas da mulher ganharam um tom avermelhado. Ele sabia que detestava ser o centro das atenções, e essa era uma das coisas que ele mais admirava na mulher com quem iria se casar. – Seis anos... Uns acham tempo demais, outros tempo de menos, mas achei ser o tempo ideal. E sei que a concorda comigo. – sorriu quando recebeu um aceno positivo dela. – E talvez me arrependesse se não tivesse feito o que fiz, agora. – apertou a mão gelada da de , fazendo um carinho com seu polegar na pele do dorso. – Nós pensamos nesse jantar e convidamos cada um de vocês, para que eu pudesse informar que... – suspirou, sentindo-se nervoso pela primeira vez na noite. Não nervoso por medo da reação que um dos convidados poderia ter, era um nervosismo diferente. Era o nervosismo causado pela felicidade de poder anunciar para seus pais e amigos que ele iria se casar com a mulher que, com certeza, era o amor de sua vida. – Eu pedi a mão dessa mulher incrível em casamento. E, ela me disse sim.

II.

Os preparativos.

A cabeça de latejava, tamanha a dor que sentia. Ela estava cansada de ouvir a voz de cada uma das cinco amigas de sua mãe, e até mesmo a voz da mulher que possuía o mesmo sobrenome que o seu. sentia-se cansada de ouvir sobre plásticas, o que deveria ou não fazer na cerimônia de seu casamento, se precisava ou não pintar ou cortar seu cabelo. Se precisava de alguma plástica ou se suas roupas precisavam ser ainda mais sofisticadas agora que iria ser a esposa de um homem importante. As duas horas que o relógio marcava já ter passado após sua chegada aquele restaurante acompanhada com sua mãe, lhe pareciam dez horas. Não bastando à dor em sua cabeça, sua bunda também doía por ter que ficar em uma única posição: de pernas cruzadas, é claro.
Aquele almoço estava sendo o mais exaustivo que já tivera em seus vinte e poucos anos. Mas, ela já sabia que não poderia esperar nada de diferente daquilo desde o dia em que sua mãe lhe telefonou, informando que havia marcado o almoço com umas amigas. não era amiga intima de nenhuma daquelas mulheres, mas sua mãe era. As cinco mulheres e sua mãe levavam o mesmo estilo de vida e nem tentavam disfarçar seus desejos; que tivesse a mesma vida que elas. Mas, viver na sombra de um marido não era o que a mais nova daquela mesa, do restaurante de cinco-estrelas, queria para a sua vida.
amava , o amava com todo seu coração. Mas, ela não queria ficar em casa o dia inteiro só esperando pelo momento em que ele retornasse de seu trabalho. Ela não queria só ouvir como havia sido o dia dele no escritório. Não queria ficar só gastando o dinheiro de seu esposo que, segundo sua mãe e as amigas dela, nunca iria acabar porque era milionário. E, muito menos, queria ficar só o acompanhando em eventos, jantares e aniversários de pessoas do ramo profissional dele. queria mais. E ela sentia que podia fazer mais do que aquelas coisas que aquelas mulheres falavam. Aquela vida, de madame que é bancada e vive para agradar um homem rico, não era para ela. Era para sua mãe e suas amigas. Mas não para que ouvia tudo aquilo com um embrulho no estomago e uma vontade imensa de sair correndo dali.
O problema é que depois de tantos anos tentando explicar para sua mãe a visão diferente que tinha sobre a vida de uma mulher com um esposo ao lado, havia desistido de fazer a mais velha entender o seu ponto de vista. E agora com seu casamento com data marcada para dali alguns poucos meses, sabia que sua mãe não se esforçaria para entendê-la. E, acima de tudo, sabia que sua mãe estava ainda mais feliz com o casamento porque achava que a mais nova havia desistido das ideias idiotas que rondavam sua mente, e mais ainda, que agora iria seguir seus passos.
– Querida? Está tudo bem? – a voz fina da mulher a frente de chamou a atenção dela que sorriu sem graça quando precisou encarar a mulher, que deveria ter feito, no mínimo, umas dez aplicações de botox só na área dos olhos.
– Ah, desculpa, tudo bem sim. – se desculpou por ter deixado as mais velhas conversando entre si, mesmo que não quisesse se desculpar por algo que não se importou em fazer. queria ir embora daquele restaurante que nem tinha uma comida tão boa assim pra ser classificado com cinco-estrelas. – Sou um pouco distraída às vezes, desculpe.
– Uh, isso é um problema. – a outra mulher apontou, e a encarou, confusa, por não ter entendido como sua distração poderia ser um problema. Ok é verdade que em alguns assuntos ela precisava usar o máximo de sua atenção, mas não era o caso dos assuntos que aquelas mulheres falavam. – Esposas de homens ricos e importantes como os nossos, não podem ficar distraídas. Temos que estar sempre atentas.
– Isso é verdade! Concordo com a Elizabeth! – A loira e “esposa de homens ricos e importantes”, concordou com a mulher, que mais cedo havia dito que na humilde opinião dela, deveria se casar em um castelo porque tinha dinheiro suficiente para isso em sua conta bancária. – Tem sempre algumas… Você sabe… De olho em nossos homens.
– Algumas…? – perguntou com uma sobrancelha erguida, se recusando a acreditar que elas estavam se referindo a outras mulheres com aquele tom de desdém. Como se os seus maridos não dessem bola para as outras mulheres porque queriam. – Estão se referindo a outras mulheres? As que ainda não são casadas?
– Claro, e quem mais seria? Elas sentem inveja porque conseguimos nos casar com homens tão importantes e ricos, donos de empresas, e elas não. – explicou, e teve de segurar a vontade de lhe perguntar se eram mesmo as outras mulheres que sentiam inveja de suas vidas ou elas que sentiam inveja dos corpos das outras mulheres. – Elas fazem de tudo para atrair atenção deles, desde vestidos curtos e colados no corpo, até piscadas de olhos. Essas vadias não medem esforços para tentar acabar com nossos casamentos. – a dona da ideia do casamento no castelo falou com tanta certeza, que só serviu para aumentar a vontade de vomitar que sentia desde que chegou ao estabelecimento. – Oh, desculpe a palavra feia. Você não se importa, não é querida? – A mais velha perguntou em meio a um sorriso que era tudo, menos verdadeiro, e não teve tempo de respondê-la, pois sua mãe logo começou a falar sobre as vadias.
nunca sentiu tanta ânsia de vômito durante um almoço em toda sua vida.

++++

ouvia o barulho dos próprios saltos em contato com o piso do chão da casa que e ) moravam. E mesmo que já tivesse frequentado aquela casa por dezenas de vezes, não se cansava de observar os quadros de arte que ficavam pendurados nas paredes brancas, e nem das fotos do casal com seus amigos e familiares em alguns porta-retratos. E jamais iria se cansar de sorrir enquanto observava e percebia que cada parte do imóvel tinha um pouco de e ). Uma mistura muito bem feita dos dois. E ficava imensamente feliz toda vez que pensava naquilo e via o quanto sua melhor amiga estava feliz casada com o homem que amava.
– Pode entrar. – a voz de soou do outro lado da porta de madeira que bateu, dando permissão que ela precisava para adentrar o local. – Eu não sei por que você ainda bate na porta. Já falei que você não precisa disso, pode sair entrando. – reclamou sem tirar os olhos da tela do computador que estava na mesa a sua frente.
– Não gosto de sair entrando nos lugares, e você sabe disso. – repetiu pelo que deveria ser a centésima vez, fechando a porta com cuidado para não fazer barulho e indo em direção à mesa para se sentar na cadeira que ficava do outro lado, de frente para . – Estou atrapalhando? Posso te esperar e...
– Você nunca atrapalha, para com isso. – a interrompeu quando digitou mais algumas coisas, logo suspirando e deixando de olhar para o computador para encarar sua melhor amiga. – Acabei. Ele se vira quando chegar de viagem. Não comi nada depois do almoço, podemos ir para cozinha?
– Claro.
se levantou no mesmo instante que , e ambas deixaram o escritório e caminharam em direção à cozinha que ficava no primeiro andar da casa.
) está viajando? – perguntou quando se sentou em um dos bancos que ficava em volta da ilha da cozinha, sendo capaz de ver abrir a geladeira e procurar por alguma coisa dentro do eletrodoméstico.
– Ele foi para Londres hoje de manhã. – informou deixando alguns potes em cima da pedra de mármore claro da ilha, antes de voltar a procurar mais alguma coisa dentro da geladeira. – Hoje a noite ele tem um jantar com uns sócios, e amanhã tem um almoço beneficente pra ir.
– Ele não te chamou pra ir com ele? – questionou quando a amiga fechou a geladeira e foi pegar alguns pratos, copos e talheres em um dos armários.
– Chamou, mas eu não quis ir. Você sabe, não sou muito fã dessas reuniões cheias de formalidade e nem de viagens tão longas de avião. – respondeu, dando de ombros quando sentou no banco ao lado de , mas, logo se levantando quando percebeu que havia se esquecido de pegar os pães para montar os sanduiches. – E os sócios são dele, ele que lute. – completou rindo enquanto voltava para o banco ao lado de , que também riu.
– E como você consegue? Sabe, não ir a esses lugares com ele? Não se sente culpada? – questionou e a encarou com as sobrancelhas arqueadas, como se aquela pergunta não tivesse o mínimo de sentido.
– Me sentir culpada por quê? Por deixar de ir a um lugar que não gosto? Claro que não. – respondeu a que mesmo conhecendo como ninguém, e também conhecendo o casamento da amiga com ), ainda não entendia como mesmo casada há anos com o músico e empresário, não o acompanhava em todos os eventos e lugares que o homem precisava ir. Incontáveis foram às vezes que foi a um evento com , e não encontrou ao lado de ), que mesmo desacompanhado sempre sorria ao falar da mulher que ficara em casa.
– E como você decide em qual evento vai ou não com ele? – perguntou ainda mais curiosa. – Obrigada. – agradeceu o sanduíche que a amiga fez e colocou no prato a sua frente junto com um copo com suco.
– Eu vou naquele evento que ) tiver brilho nos olhos quando fala sobre. Alguns eventos são meras formalidades e sem tanta importância, então, eu não vou. Se os olhos de meu marido estiverem brilhando que ele fala do evento, eu vou. Caso contrário, não vou. – explicou dando de ombros antes de morder o sanduíche e constatar que havia feito um delicioso trabalho. – ) também não gosta muito de eventos, jantares e todas essas coisas. Principalmente, da puxação de saco que acontece nesses lugares. – revirou os olhos, e riu. – Pode não parecer já que ele vai a quase todos em que é convidado, mas ) prefere ficar em casa. Ele prefere ficar fazendo seus desenhos, compondo ou produzindo suas músicas do que indo a eventos para a divulgação.
– E quando você tem algum desfile da sua marca? Ele vai a todos, não vai? – perguntou depois que engoliu o pedaço que mordeu do sanduíche.
– É a mesma coisa. Ele diz que vai aos desfiles e me acompanha em tudo relacionado à minha marca porque meus olhos brilham quando falo sobre, e porque ele sempre soube que essa é uma realização pessoal muito importante para mim. – sorriu, muito provavelmente por se lembrar do esposo. Enquanto ) era dono de uma marca de roupas masculinas, que agora estava fazendo uma coleção unissex, tinha sua própria marca de roupas femininas e de maquiagem. Ambos desenhavam as roupas de suas marcas e ajudavam um ao outro sempre que possível. ) não se importava de cheirar mil cheiros diferentes para ajudar a esposa a escolher o aroma suave que uma maquiagem deveria ter ou que renda ficaria melhor em um sutiã, e não se importava nenhum pouco em ouvir cada música do homem e opinar sobre o que quer que ele lhe pedisse ajuda. Eles funcionavam muito bem juntos, e isso era lindo de se ver. E , por um segundo, se perguntou o que sua mãe e as amigas achariam do casamento de sua melhor amiga. Mas ela já sabia a resposta, e a detestava. – O que temos é um acordo mútuo, que foi decidido sem qualquer reunião. Eu vou para onde ele quer que eu vá, e ele vai aonde eu quero que ele esteja. Não funcionamos e nem sabemos viver com isso de irmos a algum evento juntos porque uma terceira ou quarta pessoa acha que devemos ir, isso não faz sentido. Acompanhar ou não o outro não é algo que consideramos uma obrigação, é o que chamamos de ódio.
– E deixando de ir a alguns lugares com ele... Isso não afeta o lance do apoio?
– Não, porque apoio não é só o fato de irmos a algum lugar juntos. – se virou de frente para a amiga, conhecendo a outra o suficiente para saber o que se passava em sua cabeça. – Quando eu volto pra casa depois de um evento que fui sozinha, e encontro o ) em algum cômodo dessa casa... É o suficiente. Ele me ajuda e me salva em muitos momentos, e ir a um evento não mede o suporte que damos um ao outro. Mesmo que eu vá sozinha em algum evento ou ele vá, ainda temos a certeza de que temos o apoio do outro, e que a ausência naquele evento não quer dizer nada, entende? Eu ainda vou estar aqui, caso ele precise de mim, e eu sei que também posso contar com ele quando tudo desabar. Eu decidir não ir com ele ou ele escolher não ir comigo, não quer dizer que na nossa relação nos falta apoio, só significa que somos indivíduos e que cada um tem uma vida e vontades. Não precisamos nos tornar a sombra um do outro só porque temos um par de alianças e nos amamos. – concluiu, sorrindo. – Sua mãe e as amigas dela tentaram mais uma vez te dizer o que fazer?
– Sim. Você acredita que uma das amigas da minha mãe, sugeriu que eu me casasse em um castelo?! – perguntou soando ofendida e desacreditada, como se a ideia da mulher fosse uma ofensa, e riu diante da sugestão. – “Ah, querida, vocês deveriam se casar em um castelo. Acho tão lindos os casamentos em castelos, e não é como se o seu noivo não tivesse dinheiro para arcar com as despesas.” – repetiu exatamente cada palavra que a mais velha usara. – E eu ainda tive que ouvir que preciso aplicar botox na cara porque tenho muita linha de expressão.
– Meu Deus! – gargalhou com a última informação, quase cuspindo o restante do suco que tinha em sua boca. – Eu preciso ir a um desses almoços com essas mulheres.
– Vão te odiar. – informou, tendo em mente o que sua mãe e as amigas dela achariam de quando ela falasse de seu casamento com ). – Elas acham ridícula e sem fundamentos a ideia das esposas não acompanharem seus maridos para tudo quanto é lugar. Na verdade, elas acham que tudo o que devemos fazer é ficar em casa, esperando eles chegarem do trabalho para ouvirmos o que eles têm a dizer, e gastar o dinheiro deles. É isso que elas esperam que eu faça depois de me casar com o . – suspirou, sentindo que poderia chorar tamanha era a angustia que sentia ao pensar que aquele era o futuro que sua mãe desejava para si. – se elas ouvirem como é o seu casamento com o ), elas vão julgá-los eternamente.
, eu sei que algumas pessoas já julgam o meu casamento. Eu sei, principalmente, que a sua mãe nos julga. – respondeu com um sorriso no rosto, como se nada daquilo tivesse tanta importância para sua vida. Importância alguma, na verdade. – E eu não me importo. Tenho o ), e está tudo bem. E, e eu acho que você também não deveria se importar com o que as pessoas querem ou pensam de você. Eu sei que é difícil, porque é sua mãe e você quer agradá-la, mas... é a sua vida que está em jogo. – segurou a mão da amiga, fazendo um carinho que, mesmo que não houvesse dito em voz alta, era o motivo dela ter ido até ali. Aquele afeto. – Você saiu do colégio e cursou uma faculdade para agradar o seu pai. Foi pra Londres estudar algo que não gostava, mas mesmo assim tirou as maiores notas só pra ver o seu pai feliz. Depois foi trabalhar na empresa dele só para vê-lo feliz, mais uma vez. Você fez de tudo para realizar o sonho dele, que era ver a filha na empresa dele. Você vai a esses encontros com a sua mãe e as amigas dela, para agradá-la. E não bastando, ainda se veste do jeito que sabe que ela vai gostar. Se comporta do jeito que ela gostaria que você se comportasse, e só fala o que sabe que ela vai gostar de ouvir. Ei, – a chamou, levantando o rosto de pelo queixo, com cuidado, usando um de seus dedos para poder olhar nos olhos da amiga, que estava chorando. odiava ver chorando, doía em si. E se pudesse, iria naquele exato momento atrás da mãe da garota só para lhe dizer umas verdades. Mas, ela sabia que isso não era algo que cabia a si. Era algo que quem precisava fazer. – você precisa começar a fazer o que te deixa feliz, . Você precisa começar a olhar pra si mesma. Eu sei que você se sente um pouco perdida quando olha para a minha marca, a carreira da como roteirista de cinema, o sendo o incrível advogado que ele é... Eu sei que ver todo mundo fazendo o que ama te deixa um pouco assustada e muito triste, só porque você ainda não fez nada do que realmente gosta. Eu percebo como você se sente incomodada quando nos vê falando de nossos trabalhos e conquistas. E eu sei que não é inveja ou algo do tipo, e sim porque você também queria ter algo para falar sobre. Uma carreira. Algo que ame.
– Eu só queria ter algum... Sabe? Não quero terminar como a minha mãe ou as amigas dela. – confessou baixo, respirando fundo e soando como um bebê que precisava ser protegido. Aumentando a vontade que sentia de gritar umas verdades na cara da mais velha. – Mas parece que é só isso que elas acham que eu sou capaz. Que só sou capaz de me casar, ficar esperando o meu mari...
– Você é capaz de fazer tudo o que você quiser fazer. – a interrompeu. – E o seu diploma de fotografia? Você também se formou em fotografia enquanto estava fazendo relações internacionais em Londres, não é?
– Sim, mas...
– E você não gostava? – a interrompeu mais uma vez e riu, mesmo que ainda sem entender onde queria chegar. – Eu acho que você gostava bastante, na verdade. Qual é! Você dividia seu tempo entre fotografia e relações internacionais. Além de ter conseguido uma bolsa de cem por cento para cursar fotografia, enquanto seu pai precisava pagar a que ele queria que você fizesse. Eu não acho que se esforçaria tanto pra fazer algo que, no fundo, não gostasse.
– Está querendo dizer que devo ser fotografa?
– Estou querendo dizer que você deve fazer o que te faz feliz. Se tirar fotos te faz suspirar de felicidade, tudo bem. Se ter uma câmera em mãos te faz se sentir a dona do mundo, ótimo. – riu de suas próprias palavras, não deixando de acariciar a mão de em nenhum momento. – Eu só quero que você seja feliz. E eu aposto a minha marca, a do ) e até o nosso casamento, que o também só quer te ver feliz. – afirmou, vendo sorrir quando abaixou o olhar para o anel de noivado que ficava tão bonito em seu dedo. – te ama, . E independente do que você escolher, ele vai te apoiar. Porque é isso que acontece quando amamos alguém, apoiamos e damos suporte.
– Ele diz que só quer me ver feliz. – se lembrou da noite do jantar de anuncio do noivado, e de todas as vezes em que lhe dissera isso ao longo dos anos de relacionamento.
– É o que todos nós queremos. – sorriu, antes de se levanta para guardar as coisas de volta na geladeira e colocar as louças sujas na lava-louças.
– Você acha que... – chamou a atenção da amiga que se virou para encará-la.
– Eu acho que antes de dizer sim ao , você precisa dizer sim para si mesma.

III.

É hora de dizer “sim”.

não gostava de elevadores. Detestava a pressão que sentia sempre que a caixa de metal estava em movimento, e odiava como sempre demorava a chegar onde queria. Ainda mais quando estava com pressa e precisava chegar a determinado andar o mais rápido possível. E naquele momento, sozinha, dentro de um dos elevadores da empresa que pertencia a , estava detestando a demora do equipamento em levá-la até o décimo quinto andar. E talvez, também estivesse detestando e xingando o noivo por ter escolhido um andar tão alto e longe do solo.
Por isso, quando o elevador parou e as portas foram abertas no andar da presidência, xingou baixinho o equipamento enquanto agradecia aos céus por finalmente ter chegado ali.
– Boa tarde, senhor…
. – interrompeu Emma, a secretária de , que foi quem abriu a porta de vidro para ao apertar um botão que tinha em sua mesa.
– Sim, . – Emma repetiu, envergonhada, não se sentindo confortável em chamar pelo nome. Considerava aquele tratamento informal demais, visto que elas nem eram amigas e ainda era a noiva de seu patrão que era, simplesmente, o dono da empresa em que trabalhava.
– Tudo bem com você? – perguntou e riu quando a mulher a sua frente, que deveria ter a sua idade, lhe respondeu com um simples “sim, e com você?” – Estou bem também. Uh, ele está aí? Ou está em alguma reunião? – perguntou por seu noivo, apontando para a sala ele e vendo que as cortinas do lado de dentro estavam fechadas, e que por isso não era possível ter nenhuma visão do interior da sala.
– Senhor está na sala. – a secretária informou e nem pensou em anunciar a presença de . Porque se chamar pelo nome não lhe renderia uma demissão, anunciar sua chegada para o presidente, que sempre deixou claro que a mulher tinha carta branca e até transparente na empresa, com certeza poderia ser motivo para uma visita ao RH da empresa.
– Ok, vou falar com ele. Obrigada, Emma. E tenha um bom dia de trabalho. – se despediu da secretária, sorrindo e acenando antes de se virar e caminhar em direção à porta de da sala de .
suspirou quando viu a pequena placa com o nome e cargo de seu noivo, bem colocada na porta. Sentiu todo o nervosismo que achou ter diminuído com a demora do elevador voltar. E por um instante, enquanto segurava e girava a maçaneta, se perguntou se ainda tinha como voltar atrás em sua decisão. Mas, quando ergueu o olhar dos papéis que tinha em sua mesa e sorriu para ela, soube que não tinha como desistir.
? – a chamou pelo apelido, querendo ter a certeza de que a mulher estava realmente ali, em seu escritório. – A que devo a honra? – perguntou, sorrindo e se levantando para ir em direção a , que o parou com um simples movimento.
– Não, espera. – ela pediu com uma mão erguida, o fazendo parar onde ele estava. sabia que não conseguiria ir até o final se a beijasse, abraçasse e brincasse sobre sua aparição repentina. Logo ela que nunca se interessou muito pelo prédio ou pelo tratamento que os funcionários davam a ela, como se tratar bem fosse a garantia de seus empregos. Bom, talvez fosse. – Eu preciso falar com você.
– Aconteceu alguma coisa? – perguntou preocupado, não estava acostumado a ver como naquele momento. Era possível ver que ela respirava profundamente e que seu lábio inferior tremia, mordendo o interior de suas bochechas. – Amor, aconteceu alguma coisa?
– Eu cansei. – suspirou, sentindo seu coração bater tão acelerado que poderia ser capaz de sair de seu peito. – Deus… Eu cansei. Eu cansei de tentar ser o que as pessoas esperam que eu seja. Cansei de fazer o que querem que eu faça, de me vestir como querem que eu me vista e de me comportar como acham que eu devo me comportar. Eu não quero mais fazer o que agrada os outros. Quero fazer o que me agrada. Quero fazer só o que me faça feliz, que me faça… Sabe? – perguntou sem a intenção de fazê-lo uma pergunta. As palavras que havia ensaiado antes de chegar ali pareciam confusas em sua mente. Mas, sabia o que deveria falar e fazer, e foi por isso que continuou mesmo que as palavras não tivessem saindo na ordem planejada. – Eu fiz uma faculdade e trabalhei na empresa de meu pai para agradá-lo. E agora, eu penso que o nosso casamento deve ser do jeito que minha mãe diz que deve ser porque aí eu vou fazer o que ela quer e isso vai deixá-la feliz. E se tivermos casamentos parecidos, talvez tenhamos algum assunto em comum para conversarmos sem brigar. – riu fraco e baixo, não queria rir. Queria chorar. Era pesado o fardo que carregava ao tentar ser tudo para todo mundo, quando não era nada pra si mesma. – Mas eu sei que vamos continuar brigando e sem um dialogo decente, porque eu e minha mãe somos muito diferentes. E isso não seria certo com nós dois, e eu não quero fazer isso com a gente.
Apontou de si para o homem que continuava em silêncio, prestando atenção em seu desabafo que soava tão desesperado.
– Eu não posso me casar com você pensando em ter a vida que a minha mãe leva com o meu pai, apenas para agradá-la. Porque eu sei que não seria feliz se tivéssemos uma vida como a deles. Eu não seria feliz se só tivesse que te esperar chegar do trabalho, te ouvir falar do seu dia e gastar o seu dinheiro com roupas e coisas fúteis quando estivesse entediada. Eu quero mais que isso, . Eu quero mais que isso pra gente, para nós dois! E pra mim! – respirou fundo, encarando o homem que a observava e não dera uma única palavra. Fazendo com que ela o amasse ainda mais por estar respeitando o seu espaço. Continuou: – Eu quero ter um trabalho também, uma carreira. Algo que eu sinta orgulho em dizer que faço bem. E que eu seja feliz fazendo. Quando chegar ao final do dia, eu quero poder te encontrar em casa, após termos voltado de nossos trabalhos, e poder compartilhar com você como foi meu dia. E escutar como foi o seu. Eu quero poder te contar dos meus objetivos profissionais. Quero poder escolher se vou ou não com você para algum lugar, sem sentir o peso da culpa caso eu não queira ir. Eu não quero mais estar ao seu lado porque me dizem que eu devo estar, porque é o certo a se fazer quando se é casada com um homem importante. Eu sei que você não me força a ir para nenhum lugar, e que às vezes até insiste para que eu não vá, mas saber que vão me achar menos digna de você porque não fui a algum lugar com você dói. – respirou fundo novamente, passando as mãos por seu rosto, limpando as lágrimas que molhavam sua pele. – Eu não quero me casar com você, pensando que devo ser a esposa perfeita que tanto desenham em cima de mim. Eu não quero que as pessoas achem que estou com você por causa do seu dinheiro, ou da sua vida. E, principalmente, não quero me sentir inútil ao seu lado, mesmo que só estar ao seu lado seja suficiente em alguns momentos. Eu só… Só quero me descobrir antes de me casar com você. E pra isso, antes eu preciso casar comigo mesma. Isso deve ter ficado confuso, droga! – se xingou, fechando os olhos por alguns segundos, os abrindo quando ouviu uma risada que conhecia tão bem. – Não ri, por favor. Vou explicar melhor, eu-
– Você precisa dizer sim pra si, antes de dizer para mim. Não é isso? – ele sugeriu quando a interrompeu, um sorriso enfeitava seus lábios e queria que aquele bendito sorriso mexesse menos consigo só para que a tarefa de deixá–lo fosse um pouco mais fácil.
– Sim, só quero fazer o que eu acho que devo faze antes de juntos fazermos alguma coisa. – completou seu raciocínio, e suspirou.
– Nós estamos juntos há mais de cinco anos, . Eu te conheço o suficiente para saber sobre isso tudo. – afirmou, e a mulher se espantou diante da confissão dele. – Eu sempre soube que em algum momento você iria agir por si. E quer saber de uma coisa? – perguntou se aproximando dela, ficando frente a frente com , para então poder segurar o rosto dela com suas duas mãos. amava tocar a mulher, amava ainda mais segurar o rosto dela tão próximo do seu para poder observar cada pequeno detalhe que a tornava tão linda. – Esperei ansiosamente por este dia. Eu te amo, . Amo muito, o suficiente para te pedir em casamento e querer passar o resto da minha vida com você.
Ele sorriu, e fechou os olhos. Ela não queria começar a chorar de fato, derramar algumas lágrimas já havia sido um erro, mas segurá-las parecia impossível. Era impossível não chorar quando continuava sendo o seu ponto de equilíbrio depois de tê-lo dito que não iriam mais se casar dali a pouco tempo.
– Não conheço muito sobre o amor, afinal eu só o conheci depois que te conheci. Mas, eu sei que esse sentimento não é egoísta. Eu sempre quis que você parasse de ouvir a sua mãe, seu pai ou sei lá mais quem, e começasse a se ouvir. Se você quiser passar o resto da vida só me esperando em casa, e gastando o meu dinheiro, – ele riu ao que repetiu as palavras dela, passando seus dedos pelas bochechas de e tirando suas lágrimas dali. – está tudo bem. Eu poderia te dar todo o meu dinheiro e ainda chegaria em casa mais cedo só pra te ver logo. Mas, no fundo eu sempre soube que você poderia e pode ser muito mais do que a minha namorada, noiva ou esposa. Você pode ser muito mais do que esperam que você seja. – deixou um beijo na testa de , e ela se permitiu abraçá-lo e apertar o seu corpo contra o dele. – Você já sabe o que vai fazer?
– Sim. – ela o respondeu enquanto tinha o cuidado de guardar o cheiro dele em sua memória, porque não sabia quando o sentiria novamente. – Daqui a duas horas eu tenho um vôo pra Paris. Vou tentar fotografia.
– Nada melhor do que a cidade luz, é claro. – ele a apertou um pouco mais, deixou um beijo no topo de sua cabeça antes de se afastar um pouco para que pudesse olhar novamente o rosto da mulher. – Paris vai ser apenas o seu começo, tenho certeza. Logo você vai estar cheia de fotos, e com uma galeria em cada canto do mundo. E eu vou continuar aqui, sendo o seu fã número um.
– Eu não sei quando vou voltar, . – o avisou, sentindo seu coração se apertar por ter chegado a pior parte de sua ida até ali. A despedida. – Não posso te pedir que me espere, e nem vou. Seria injusto demais.
– Eu não estou dizendo isso, . Estou dizendo que independente do que aconteça, se mantivermos contato ou não, eu vou continuar aqui sendo o seu fã número um. – afirmou, e se perguntou se ele não poderia com ela. Mas, ela já sabia a resposta. – Porque eu te amo.
Então, ele a beijou.
E aproveitou cada segundo daquele beijo, do toque em seu rosto e em sua cintura. Aproveitou cada fio de cabelo de que ela sentia em sua mão, que estava na nuca dele, e da sensação que tomava conta de todo o seu corpo quando ele a beijava e a tocava. Amor. Era isso que sentia sempre que tinha os lábios e as mãos de em si. Ela se sentia amada. E esperava que ele se sentisse da mesma forma, porque ela o amava. E só ela e Deus sabiam o quanto estava sendo difícil deixar para ir em busca de si mesma.
Doía muito mais do que ela julgou que fosse doer. Foram seis anos ao lado dele. Seis anos segurando a mão de e ficando ao lado dele enquanto o observava crescer. E agora, era ela quem iria crescer. E não teria a mão dele para segurar e nem a voz de para lhe dizer que tudo vai ficar bem quando uma dificuldade aparecesse. estava indo fazer algo para si, estava indo se conhecer melhor e se tornar dona de si. Estava saindo em busca de algo novo, desconhecido, e não teria ao seu lado. Mas, no fundo ela sabia que toda essa distância seria apenas algo físico. Porque mesmo que se proibisse de pensar que ela e iriam se reencontrar dali algum tempo, era impossível dizer que o homem não permaneceria em seu coração. Dizer que não permaneceria em seu coração por um longo período de tempo, ou pelo resto de sua vida, era impossível. O home havia sido alguém de extrema importância na vida de , por Deus, seria impossível esquecê-lo. E seria difícil aprender a viver longe dele.
– Você precisa ir. – murmurou com os lábios encostados ao de , também sentindo dificuldade em deixá-la ir para longe de si. Ele a amava tanto.
– Estou indo. – afirmou, abaixando sua cabeça para olhar o anel de noivado e retirá-lo de seu anelar. – Aqui. – colocou a jóia no meio da palma de , dobrando os dedos dele com cuidado até que mão estivesse fechada em punhos e o anel protegido. – Obrigada por tudo.
guardou o anel no bolso de sua calça social, fez carinho no rosto de antes de deixar um beijo na testa dela e se afastar. Ele caminhou até a porta de seu escritório, segurou a maçaneta e se virou para encarar que o acompanhou até ali.
Vá e mostre o que você vale. – aconselhou sorrindo, e também sorriu. Porque sempre fora assim: sorria e sorria junto. Era impossível não sorrir ou deixar de sentir um leve tremor na boca de seu estomago sempre que o via sorrindo ou rindo. – Eu já sei que você vale muito. Mas, aparentemente algumas pessoas não sabem. E eu vou estar aqui quando a notícia do seu sucesso chegar. Você vai surpreender muita gente, eu sei disso.
– Vou colocar uma foto sua na minha primeira exposição. – ela prometeu, sorrindo, e ele assentiu com um breve movimento de cabeça antes de abrir a porta e vê-la partindo, torcendo para que não olhasse para trás.
Ela não olhou. E ele sorriu de orgulho da mulher que o deixou, mas estava indo em busca da própria felicidade e realização.
Naquele dia, deixou a cidade de New York com o coração apertado por ter terminado com o homem que mais amou em sua vida. Deixou a cidade brigada com sua mãe, que não aceitou sua decisão que foi anunciada quando a mulher foi à casa de seus pais pouco antes de ir até a empresa de . jamais esqueceria do abraço que recebeu de seu pai que, mesmo não concordando cem por cento com sua decisão, ainda era seu pai e só queria que ela fosse feliz. Naquele dia, deixou New York já sentindo saudades de e , que a levaram até o aeroporto, e com saudades de todos aqueles que conhecia na cidade.
O medo também tomava conta de si quando deixou New York. Medo, ansiedade, nervosismo e insegurança por não saber se seus planos dariam certo. Mas, foi quando o avião aterrissou no aeroporto de Paris, encerrando as horas de vôo, que respirou fundo e sorriu. Ela até poderia não ter a certeza se seus planos dariam certos ou não, mas, iria tentar. Iria dar o melhor de si, usar cada gota de esforço que houvesse em seu sistema.
A mesma vontade que ela usava para fazer coisas que agradavam os outros, agora iria usar para fazer as suas vontades.
E sinceramente? mal podia esperar.

IV.

E viveu feliz para sempre.

4 anos depois.

nunca se sentiu tão nervosa quanto naquele momento. Sua barriga estava muito mais do que embrulhada, seu estômago parecia completamente revirado e seu coração estava tão acelerado que ela o sentia quando tocava em seu pulso. Suas mãos soavam e o ar parecia mais pesado, mesmo que ela estivesse no segundo andar do prédio onde acontecia sua primeira exposição de fotos.
E não era apenas o nervosismo que tomava conta de si, era também a sensação de estar vivendo um sonho. De estar sonhando. Como se todos aqueles quadros com suas fotografias que estavam pendurados nas paredes tão brancas, fossem de mentira. Todas aquelas pessoas entrando e circulando pelo local, admirando suas fotos, fossem personagens inventados por seu cérebro, que não cansava de inventar sonhos tão realistas e bem produzidos.
Mas, era real. Tudo aquilo fazia parte de sua realidade, tudo graças aos seus esforços. E estava tão feliz que queria chorar de felicidade, mas não conseguia porque tudo que conseguia fazer era sorrir e sentir orgulho de si.
Dizer que chegar até ali foi fácil seria o mesmo que contar uma mentira. Uma imensa e grosseira mentira. Foi difícil, muito. Incontáveis foram as noites em que fora dormir chorando, se julgando ao pensar que cometera um grande erro quando deixou New York e fora para Paris. Também eram incontáveis as lágrimas que ela derramou e quantos “não” escutou.
Até que, por uma obra do destino ou da vida, um dia esqueceu sua câmera fotográfica em cima da mesa do restaurante que almoçou, e quando voltou desesperada atrás do aparelho, a encontrou nas mãos de um cliente que, naquele exato momento de sua volta, entregava a câmera ao dono do estabelecimento. E em menos de cinco minutos de conversa, o homem assumiu ter visto as fotos que havia na câmera, porque a imagem que estava na tela quando encontrou o aparelho em cima da mesa chamou a sua atenção.
O homem se chamava Hector, e não deveria ser muito mais novo que seu pai, mas se acostumou a chamá-lo de anjo da guarda que Paris colocara em sua vida. No mesmo dia em que se conheceram e conversaram por horas, ele a convidou para conhecer seu estúdio de fotografias que ficava no segundo andar de um prédio que não ficava muito longe do restaurante, Hector depois a levou para conhecer a exposição que ele fazia de suas imagens no terceiro andar. E ficou encantada, apaixonada por como as fotos de Hector eram tão lindas e detalhistas. Ela se viu deslumbrada pelo incrível olhar que o homem tinha, e de como era capaz de transmitir tantos sentimentos por suas imagens. O convite para trabalharem juntos não demorou a chegar, assim como a resposta de . Ela trabalhou com Hector e Appolline, a filha dele e segundo anjo que apareceu na vida de em Paris, durante todos os dias ao longo de três anos. Foram dias de muito aprendizado. Após os três anos, pegou sua câmera, seus tripés, luzes e foi trabalhar sozinha, com o incentivo do próprio Hector que enfatizou e assegurou que ela estava pronta para abrir o seu próprio estúdio. E que ele sempre estaria ali quando ela precisasse.
abriu seu próprio estúdio de fotografia.
E teve momentos difíceis, em que jurou não ter aprendido o suficiente para ficar a frente de um estúdio e ligava desesperada para Hector, que a ouvia e dizia que tudo iria ficar bem. Mas também existiram momentos felizes, geralmente eram aqueles em que ela conseguia sair para fotografar de manhã e quando voltava para casa seus dois cartões de memória estavam cheios de ótimas imagens. Ou, como naquele dia em que saiu o resultado do processo seletivo para uma revista de modas que estava em busca de novos fotógrafos, e seu nome estava atrás das palavras que acelerou seu coração assim que as leu “Bem vinda a nossa equipe!”. A revista não exigia muito, aparentemente estavam em busca de novos fotógrafos, estilistas, maquiadores, de uma nova equipe para que pudessem ter novas percepções. A direção da revista estava cansada das mesmas poses para os modelos, mesmos estilos de ensaios, figurinos… Eles queriam algo diferente, inovador. E no dia que a revista mandou o e-mail para as dez pessoas aprovadas em seu processo seletivo que durou quase dois meses, sentiu que poderia explodir de felicidade.
E agora, naquele exato momento, diante de uma das suas fotografias, sentia que não poderia ter feito escolha melhor ao deixar New York e ir para Paris. E ela também sentia que poderia explodir de felicidade e orgulho de si mesma.
– Sempre soube que você era capaz, mas assumo que estou surpreso.
se virou assustada quando ouviu aquela voz soar bem próxima ao seu ouvido, suas mãos cobriram sua boca na tentativa falha de impedir o grito que já havia escapado por seus lábios. E então, ela o abraçou com toda força que tinha em seu corpo. E foi como se uma parte de si tivesse se encaixado no vazio que existia há algum tempo.
sabia que era possível que sentisse o coração dela batendo tão acelerado contra seu peitoral, mas não se importava. Ela mal podia acreditar que havia aceitado seu convite que foi enviado há três meses, quando teve a certeza de que faria a exposição, e que estava de fato ali. E não conseguia acreditar em como ele continuava tão lindo e cheiroso. E como, mesmo após quatro anos, ela ainda se sentia em casa quando os braços dele lhe seguravam de forma tão firme.
– Você veio. – ela comentou baixo, sua voz sendo atrapalhada pelo tecido do sobretudo que usava, mas alta o suficiente para que ele a ouvisse ainda assim.
– Você disse que iria colocar uma foto minha na sua primeira exposição. Precisei vir para saber se precisarei acionar ou não os meus advogados. – ele a respondeu e riu.
– Idiota. – xingou quando o soltou e pôde encarar o rosto dele, que sorria. E é claro que não havia mudado nada, os quatro anos pareciam não ter passado para ele que continuava com os mesmos traços, o mesmo semblante de quando o deixou em seu escritório. Ele continuava lindo. – Pensei que você não fosse vir.
– Desde quando o fã número um perde o trabalho de seu ídolo? – questionou e, mesmo sem querer, sentiu seu coração aquecer em meio aos batimentos acelerados. Sentia saudades dele, do apoio que sempre lhe dera. – Eu não perderia sua exposição por nada. E se você não tivesse me convidado, eu ficaria realmente chateado.
– Estou feliz que você esteja aqui. – ela afirmou, não sendo capaz de conter a alegria que sentia ao tê-la na sua frente. – Posso te mostrar todas as imagens?
– É claro. – afirmou, gesticulando que ela o guiasse. E ele a acompanhou, ficou ao seu lado e não deixou de ouvir cada palavra dita por ou de prestar atenção em cada detalhe de cada imagem que seus olhos encontravam.
contou para tudo sobre cada imagem, desde onde havia tirado e quando, mesmo que no canto dos quadros estivessem a data e o local que a fotografia havia sido tirada. Explicou como se sentiu quando estava no local da fotografia, e o que queria passar com cada imagem. E a ouviu em silêncio, só falando quando julgava preciso, o que não aconteceu muitas vezes porque estava tão animada em falar de seu trabalho que a deixou falar o quanto ela quisesse, e só a ouviu. escutou cada detalhe e guardou todos eles em um lugar muito especial dentro de si. No mesmo lugar onde ainda estava.
E então, de repente, sem eles perceberem, parecia que só existia os dois dentro da exposição. Por mais que tivesse que parar para falar com alguém que a cumprimentava, em determinados momentos, sua atenção logo voltava para e continuavam a caminhar lado a lado, olhando o belo trabalho de . Eles riram de algumas fotos, de histórias contadas pela fotografa e das breves e engraçadas piadas que fazia. Observavam os detalhes das imagens em silêncio, e até posaram para uma foto que o fotografo que contratara para a exposição pediu.
– Essa eu tirei na minha antiga casa em New York. Foi durante a festa de aniversário do meu ex-noivo. Nesse momento, tínhamos fugido dos convidados e sentamos em um dos corredores da casa. Eu queria descansar dos saltos, e ele só foi me fazer companhia. – sorriu olhando a fotografia a sua frente, uma de suas preferidas. A imagem não tinha muita variedade de cor, apenas o tom pastel claro da parede, a luz branca que saia da iluminaria que estava quase que em cima da cabeça de que estava sentado em uma cadeira que não aparecia graças ao corpo do homem. Na foto ele estava todo de preto, o cabelo muito bem penteado em um topete para o lado, enquanto o relógio de pulso aparecia de dentro da manga da camisa social que tinha os botões brancos. – Tirei do meu celular mesmo, eu só queria guardar aquele momento. Só queria deixar registrado quão sortuda eu era por ter aquele homem ao meu lado. – ela sorriu, observando o sorriso de lado que tinha nos lábios na hora da foto.
– E eu aposto que, naquele momento, ele, seu ex-noivo, te olhava e pensava no quão sortudo ele era. – afirmou, levando alguns segundos para virar seu rosto e encarar .
– Passei no processo seletivo da VOGUE. compartilhou o resultado, contando para alguém pela primeira vez, e ela sabia que não poderia ter sido para alguém melhor. – Eles estão atrás de uma equipe nova. Não pediram experiência porque estão cansados de profissionais que já sabem o que fazer e que fazem sempre a mesma coisa. Eu pensei que não fosse passar, mas, passei. Eles gostaram das minhas fotografias e me sai bem em todas as provas. Ainda não sei pra qual filial eu vou, aqui ou em…
– Parabéns! – a interrompeu no exato momento em que a abraçou pela segunda vez desde a sua chegada. Ele estava tão feliz e orgulhoso da nova conquista de que a tirou do chão, se esqueceu de que ambos não estavam mais juntos e que anos se passaram desde a última vez que se viram, e a beijou.
beijou os lábios de .
E era difícil dizer qual dos dois sentiu mais saudades daquele contato. Não apenas do beijo, mas de todos os momentos que tiveram antes que seus lábios se tocassem. A conversa, as risadas, a companhia do outro, compartilhar as conquistas do outro… Difícil dizer se foi ou quem mais sentiu saudades de tudo isso durante esses quatro anos.
Mas era tão fácil falar sobre a felicidade que sentia por estarem novamente frente a frente. Até porque foi essa felicidade imensa que levou a beijar os lábios de que não teve outra reação senão fechar seus olhos e aproveitar o gesto que não durou muito mais que dez segundos. O beijo não fora intenso, com muitos movimentos ou qualquer outra coisa, seus lábios apenas se encostaram e ficaram juntos por alguns segundos, mas isso fora o suficiente. Porque não estavam mais juntos, e mesmo que a felicidade de estarem juntos fosse imensa, tanto quanto ainda sabiam que não poderiam se iludir sobre algo que poderia não acontecer novamente.
– Desculpa, eu…
– Tudo bem. – ela o interrompeu, sorrindo ao ver o homem parecer tão nervoso. – Eu tenho que ir falar com os outros, mas…
– Podemos sair depois que a exposição acabar. – completou sabendo, de algum jeito, o que iria sugerir.
– Isso. Você precisa experimentar a pizza do restaurante da esquina! É a melhor que já provei! – Ela o convidou mesmo sem perceber, soando tão animada que riu e assentiu com um movimento de cabeça, antes de terem suas atenções voltadas para uma mulher que chamou por , que precisou deixá-lo sozinho para ir falar com as outras pessoas que chegavam e admiravam seu trabalho.
viu deixá-lo sozinho e sorriu quando ela olhou para trás, para ele, antes de ser apresentada a um casal pela mulher que a chamara. Ele respirou fundo e se virou para os quadros a sua frente e viu tanto de em cada uma daquelas imagens. andou pela exposição, sozinho, viu o restante das imagens e às vezes olhava ao seu redor procurando por que estava tão diferente da mulher que foi no seu escritório anos atrás. Ainda mais linda e o motivo era tão óbvio; era a felicidade de estar fazendo o que realmente gostava, sem ter ninguém lhe puxando para baixo ou pressionando-a a fazer coisas chatas como ir a restaurantes e ouvir sobre plásticas e casamentos perfeitos. E não poderia estar mais feliz em vê-la tão radiante e segura de si. Ele estava feliz por tudo que conquistou e aprendeu nos anos que passou longe de New York. estava feliz pela coragem que encontrou dentro de si para deixar sua cidade natal e ir em busca do que realmente a fizesse feliz. Ele sabia que aquela exposição era apenas o inicio de uma linda e incrível carreira, e que o trabalho na revista era um dos degraus iniciais da grande escada que a levaria ao topo do mundo. Porque era isso que merecia; o mundo. E ela o teria.

 

V.

“Fim” ou “Continua…”?

7 meses depois. – New York.

precisou ficar na ponta dos pés pra conseguir arrumar a softbox do jeito que precisava, depois deu alguns passos para trás e observou atentamente com cuidado para se certificar de que ficara do jeito que queria. Sorriu satisfeita consigo mesma quando viu que estava tudo ok, andou então na direção de sua melhor amiga; a câmera que levou consigo de casa para tirar todas as fotos da sessão marcada para aquele dia.
Ela havia chegado a New York há cinco dias, se instalara em um dos quartos que a empresa reservou para ela e seus companheiros de equipe. E mesmo tendo um quarto imenso só para si e tendo chego à cidade há alguns dias, ainda não conseguira ter tempo para pensar que estava de volta, pois seu tempo estava sendo completamente tomado pelo trabalho que precisava fazer junto com os outros profissionais. No mesmo dia em que chegaram a NYC foram a sede da revista que ficava em um prédio todo espelhado no centro da cidade e descobriram que teriam de fazer uma matéria com as pessoas mais importantes da cidade no mundo dos negócios. Homens, mulheres, jovens ou pessoas com mais idade, e sua equipe precisavam fazer uma matéria completa com entrevistas, fotos exclusivas e todos os detalhes possíveis e imagináveis sobre a vida dos CEOs das grandes empresas.
A equipe resolveu que deveriam se dividir em duplas e que cada uma tinha que procurar o máximo possível de informações sobre, no mínimo, cinco empresários de determinada área, cada dupla ficou responsável por uma área. E ao longo dos dias que se seguiram foram fazendo reuniões entre si para verem o que tinham conseguido, ligações para as empresas, organizando pauta para as entrevistas e tudo que fosse necessário para entregar a matéria perfeita. Afinal, todos sabiam que aquele primeiro trabalho poderia definir a permanência ou saída de cada um na revista.
Foram dias difíceis, noites sem sono, e todos pareciam cansados de falar com pessoas cheias de dinheiro que achavam que tinham o mundo dentro de seus umbigos, mas eles haviam conseguido. Todos conseguiram fechar entrevistas e fotos com doze empresários, homens e mulheres, que eram importantes e tinham seus nomes nos topos das pesquisas de pessoas mais influentes da cidade de New York.
– Só mais um e estamos livres. – Luizze comemorou ao seu lado, atraindo a atenção de que a olhou e respirou fundo.
– Você está livre. Eu ainda vou ter que acompanhar o Leonard e a Camille nas empresas, pra tirar fotos deles trabalhando. – respirou fundo, sabendo que os dois dias seguintes, que ficariam separados para as fotos nas empresas, seriam muito mais cansativos do que os dias em que fotografaram na sala que alugaram em um dos hotéis mais caros e sofisticados da cidade.
– Que pena. – Luizze fez biquinho, implicando com , que a empurrou de leve e ouviu a garota rindo enquanto se afastava dizendo que iria buscar café.
deixou sua câmera de volta no tripé quando sentiu o celular vibrar no bolso, pegou o aparelho e sorriu quando viu uma mensagem de na tela. E foi naquele momento enquanto lia a curta mensagem que avisava que e ) estariam indo para Paris dali três semanas, que pôde, mesmo que por alguns breves minutos, pensar que estava de volta a New York. E que além de estar ansiosa para assustar quando aparecesse em sua casa naquela noite de surpresa, também sentia uma felicidade infinita tomar conta de si.
Ela estava de volta a New York.
Quase cinco anos haviam se passado desde a ultima vez que estivera na cidade, desde o dia em que deixou tudo e todos pra trás para ir em busca do seu verdadeiro eu, na busca de descobrir o que realmente lhe faria feliz. E agora, ali estava ela, de volta a sua cidade de origem, sentindo como se fogos de artifício estivessem explodindo em seu interior. A felicidade que sentia por ter voltado após ter encontrado algo que lhe fizesse sentir tão realizada, jamais poderia ser colocada em palavras. O sentimento de realização própria não permitia mais que se importasse ou levasse em consideração o que os outros pensavam ou achavam de si e do trabalho que havia descoberto ser o que acelerava seu coração. Ela não queria mais saber o que os outros pensavam ou achavam, e nunca se sentiu tão leve em sua vida. E nunca achou que um dia fosse capaz de não sentir mais o peso do mundo em suas costas. Carregar as expectativas dos outros era pesado e exigia muito de si, carregar as suas próprias expectativas, sonhos e desejos, lhe fazia querer levantar todos os dias para ir atrás de tudo aquilo.
não poderia estar mais feliz ou realizada. Ela sentia que podia alcançar o céu se esticasse o braço. E ela de fato podia, só precisava acreditar nisso.
– Essa é a , a nossa fotografa. – a voz de Leonard soou perto demais, e percebeu que deveria pensar mais em sua felicidade mais tarde quando tivesse uma taça de champanhe em sua mão, agora ela deveria voltar para o trabalho. – Prometo que ela irá fazer o melhor para deixá-lo ainda mais bonito. – Ela riu com quando ele repetiu as exatas palavras que falara para os homens e mulheres anteriores, mas logo se concentrou em ficar séria. – .
Ela se virou quando teve seu nome chamado, e pôde jurar que seu coração parou de bater por alguns milésimos de segundos, e que o ar que circulava pela sala pareceu mais pesado quando seu olhar caiu no homem a sua frente.
– Esse é o senhor . Seu escritório é o melhor no ramo de advocacia, tê-lo em nossa matéria vai ser muito bom. – Leonard o apresentou, sempre sorrindo e sendo educado.
Mas, aquela apresentação não era necessária.
o conhecia. Afinal, ele era o seu ex-noivo.

FIM.

 

Nota da Autora:
Obrigada Thata por ter me ajudado imensamente com esse plot. Obrigada a quem leu, e a minha beta maravilhosa. Espero que tenham gostado! E saibam que: Você pode fazer tudo o que quiser! Vá e brilhe!
Até a próxima!
Meu twitter: @loeykwon