Almost Illegal

Almost Illegal

  • Por: M. Angeli
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 4108
  • Visualizações: 146
  • Capítulos: 5 | ver todos

Sinopse: Conheceram-se pela internet, mas Hoseok não podia imaginar que aquela amizade virtual tomaria um rumo tão grandioso, especialmente quando tudo havia crescido em meio a um turbilhão de mentiras. Como ela reagiria se soubesse que seu amigo virtual, era também seu ídolo?
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Hoseok – e o resto do BTS – é fixo.
Beta: Alex Russo

Capítulos:

 

01.

Hoseok estava jogado em sua cama no hotel no qual estavam hospedados em Londres. Ainda era surreal, para ele, ter esgotado todos os ingressos da Wembley. Noventa mil pessoas não era seu público máximo, o Rose Bowl mesmo, era maior. Mas o Wembley era histórico. Poucos artistas esgotavam o estádio britânico e saber que eram um deles, que tinham toda essa força na Inglaterra, ainda era surpreendente.
Se perguntava se, um dia, acostumaria com tudo isso, mas sempre se surpreendia com os feitos que realizavam. Ele sempre pensava “não, isso é demais”, e então não era.
Surreal definitivamente era a palavra que definia o momento que estavam vivendo.
Com o celular nas mãos, Hoseok vasculhava a hashtag deles no twitter. Todo show tinha uma. Aquela era “#BTSatWembley” e como de costume, estava recheada com vídeos dele e dos meninos, os melhores momentos do show e discursos.
Ele gostava de ver aquilo, o amor e carinho dos fãs. Gostava também de ver a forma como tocavam cada um deles com suas palavras, a felicidade que causavam com gestos, às vezes, tão pequenos. O amor de um fã por seu ídolo é tão intenso, e ao mesmo tempo tão bonito. Hoseok perdia horas em tags como aquela, vendo a repercussão e a euforia que causavam. O amor e a alegria dos fãs que estiveram presentes no show.
Um dos tweets, enquanto descia a timeline, chamou sua atenção. Um conjunto de muitas e muitas carinhas tristes em um vídeo dele, sorrindo enquanto os fãs gritavam “J-Hope” em “Just Dance”. Hoseok, sem notar, fez um biquinho, como se imitasse o emoji.
— Oh, por que tão triste? — falou sozinho, e clicou no tweet. Ele sempre fazia aquilo, lia o que os fãs falavam. Era seu passatempo e aquele tweet, cheio de carinhas tristes, tinha várias respostas. Abriu para lê-las.
Apesar do tweet inicial da garota estar em coreano, ela na verdade era estrangeira. Notou porque as respostas estavam em outra língua. O idioma não era inglês, mas ele não se preocupou em saber qual era. Apenas clicou em “traduzir tweet” para entender o que diziam, independente da imprecisão daquela função da rede social.


@: Missão cumprida com sucesso” – escreveu uma garota com um icon do Jungkook. Embaixo, tinha um gif do Jimin fazendo pouco caso. Era como se contasse vantagem por sempre saber de algo. Pelo menos, Hoseok interpretou assim.
@: Eu te odeio.” – respondeu a dona do tweet, a mesma que havia postado as carinhas tristes.
@: Odeia nada, eu te fiz conhecer a perfeição de Jung Hoseok. Você me ama.”
@: Ele é perfeito, :(((((((((((((((((((((((((”
@: Não consigo acreditar até agora que o vi na minha frente. Ele tem uma aura incrível! No palco, você só consegue olhar para ele mesmo que ele não seja seu bias”
@: Esse homem dançando, sorrindo. Nunca vou superar aquele sorriso, e a alegria. Você nem pra amá-lo antes para ter ido comigo dia 25.”

Dia 25. Hoseok sequer precisou pensar para saber que falavam do show no Brasil e isso o fez sorrir. Sorriu pelas palavras, pelos elogios e em lembrar o show a qual ela se referiu. O público brasileiro era intenso e caloroso. Cantavam tão alto que Hoseok se sentia totalmente acolhido. Não tinha tido oportunidade de conhecer o país. Em sua cabeça, não tinha tanto a se fazer ou lugares para visitar quanto outros onde havia estado, mas ainda assim, somente pelo público, era um dos que mais valiam a pena. Hoseok sempre se lembrava do Brasil com carinho e afeição.
Mas ainda assim, sentiu-se curioso a cerca das carinhas tristes. Era porque não havia tido a oportunidade de ver o show? Pelo que entendeu, a garota dos emojis tristes, ““, os havia conhecido a pouco, uma nova army, e Hoseok voltou a ler os tweets, feliz com mais uma army no fandom mesmo que fosse totalmente bobo.
Hoseok era do tipo que ficava radiante com coisas pequenas. E não se importava se era bobo.


@: Queria ter ido. Vi todo os vídeos. Foi lindo.”
@: Aff, te odeio. O que fez comigo? Amo ele, . Tanto que fico triste.”

Hoseok, sem se conter, voltou a fazer bico. Era por isso as carinhas tristes, o amava tanto que ficava triste. Era fofo e adorável, mas também, triste, porque não queria que ela ficasse triste. Não queria fã nenhum triste, ainda mais por amá-lo.
Por um instante, esqueceu-se que estava na conta oficial do grupo e clicou em responder. No entanto, só se lembrou de onde estava quando, sem querer, deu “like” no tweet ao invés disso. Botões totalmente opostos, mas Hoseok conseguiu aquela proeza. Rapidamente, desfez a bagunça, agradecendo mentalmente que havia sido um like e não um RT, pois nesse caso todos com as notificações ligadas teriam notado. Ligeiramente preocupado, abriu o perfil da garota, para confirmar que ela não tinha tido tempo de ver aquilo, e suspirou aliviado ao notar que seu último tweet havia sido há horas atrás. Estava salvo, e sorriu ao ver a header da garota: “What makes you happy? Jung Hoseok”. Muito army para quem os conheceu há pouco, não pôde deixar de notar.
Hoseok decidiu que a responderia sim. E saiu do tweet do BTS para criar um novo. Criou, por segurança, um e-mail novo também. E evitou colocar seu celular. O fixado da garota era um gif do Kim Jongin, então terminou por criar um FC dele. Com icon e tudo. Seguiu várias pessoas, e a deixou por último. Já tinha cerca de vinte seguidores, pessoas que o seguiram de volta, quando ouviu duas batidas em sua porta, pulando de susto por estar tão distraído com aquela nova traquinagem.
— Ah, ah, ah… — resmungou, fazendo uma careta ao colocar a mão no peito.
— Hyung, já está pronto? — Taehyung bateu na porta, e somente então Hoseok lembrou-se que, desde o início, começou a stalkear a tag para passar o tempo, enquanto esperava Taehyung para conhecerem Londres.
— Estou indo! — gritou de volta, dando like em um tweet aleatório da garota para salvar seu perfil e respondê-la mais tarde.

+++

Já era tarde quando Hoseok voltou para o hotel. Gostava de sair com Taehyung, era sempre uma excelente companhia, mas estava exausto. Não que se arrependesse. Normalmente, era um dos exploradores do grupo. Aquele que acordava cedo para conhecer a cidade onde estavam. Dormir o dia todo era mais a cara de Yoongi, ou Jungkook, que estava cada dia mais parecido com ele.
Jimin havia insistido para que Hoseok fizesse uma live. E ele havia concordado. Era péssimo em negar qualquer coisa para a maknae line, especialmente Jimin e Jungkook, mas precisava admitir que dessa vez estava ligeiramente preguiçoso e voltou a se jogar na cama. Podia enrolar até que Jimin aparecesse em sua porta.
Hoseok fechou os olhos por um instante, mas então, quando estava quase caindo no sono, lembrou-se da army dos emojis tristes no twitter. Sorrindo, pegou o celular. Ele sorriu porque gostava daquilo, de espalhar palavras de amor e esperava que pudesse fazê-la sorrir também, mesmo que não pudesse contar que as palavras vinham dele.
Com o twitter aberto, ele seguiu a garota, mas teve um pouco de dificuldade em localizar o tweet onde ela explicava sobre as carinhas tristes. Isso porque, basicamente, ela passara o dia dando retweets em fotos dele. Hoseok riu por isso.
Uma nova army, definitivamente. E algumas discussões entre ela e a amiga aconteceram durante o dia por esse mesmo motivo. Hoseok já tinha afeição por aquela tal de “” também, só por isso.
Finalmente, alguns poucos minutos depois, ele encontrou o que procurava, e enviou para ela uma mensagem que esperava ajudar. Escreveu em coreano, pois grande parte das coisas no perfil dela também eram.

“Não fique triste!! Tenho certeza que ele não gostaria disso. Sorria porque ele sorri, e tenha certeza de que, mesmo que não te conheça, ele te ama. Eles amam todos nós.”

Hoseok estava satisfeito quando apertou o botão para enviar, mas não saiu do perfil da garota. Estava curioso sobre o que ela vinha falando.
Não costumava admitir, mas se sentia insuficiente as vezes, e até mesmo um pouco inseguro. Tentava sempre dar o seu melhor, não aceitava menos do que isso, mas nem sempre parecia ser o suficiente. Ele era maduro o bastante para saber que não deveria se sentir daquela forma, para saber que as pessoas eram cruéis e que muitas vezes, esqueciam que eles ali, sobre o palco, também eram humanos, mas era difícil ignorar a sensação de estar fazendo algo errado quando pedia para os fãs gritarem, e eles não o faziam. Ou quando não cantavam seu solo junto com ele, mesmo cantando todos os outros. Eram pequenas coisas que não deveriam lhe afetar, sabia que para cada pessoa que não gostava dele, existiam outras dez que gostavam, mas não podia mandar seu coração parar de se sentir daquela forma.
Era por isso que, quando encontrava pessoas que demonstravam amor a ele, ficava tão feliz. Sempre ficava radiante quando fãs demonstravam amor para qualquer um deles, na verdade. Era tudo que ele queria, que fossem reconhecidos, que os outros tivessem aquela sensação de reconhecimento, que se sentissem amados, mas não podia evitar aquele quentinho no peito sempre que falavam dele com admiração. Sentia tanto orgulho dos meninos quando era com eles, era incrível poder sentir aquilo de si mesmo também. Trazia certa sensação de missão cumprida e não só porque havia conquistado alguém, mas porque aquele amor era igualmente lindo para os dois lados. Porque fazia com que ele se sentisse no caminho certo e porque deixava alguém feliz também.
A garota, , era a prova disso. Havia passado o dia compartilhando fotos dele. Todas vinham acompanhadas de corações e carinhas tristes, mas isso o fez rir. Gostava de saber que a tocava o suficiente para causar aquela reação, mesmo que talvez preferisse somente os corações. Sem se conter, respondeu mais uma vez:

“Por que tantas carinhas tristes??? Não, não, carinhas sorrindo, por favor.”

Seu celular notificou, e entretido em stalkear a conta, acabou se assustando com o som. Hoseok pulou no lugar, apenas para rir de si mesmo mais tarde, ao notar que era apenas uma mention em seu twitter.


“@: Ele me faz sorrir quando sorri. E rir quando ri, mas também me deixa mole de amor” – ela respondeu o primeiro tweet.
“Mole de amor?” – Hoseok escreveu em retorno, curioso.
@: É, sabe, quando o coração enche de amor e te deixa molinha. – Ele riu com a resposta, mas não teve tempo de dizer nada antes da garota continuar por si.
@: Você ama tanto que quer abraçar e proteger do mundo, dizer que ele é especial e incrível, mas não pode então você também fica triste.”
@: Por que ele não parece saber o quão incrível é, e você não pode ajudá-lo a ver.”

Mais uma vez, ele não pôde deixar de sorrir. Era ele quem, agora, sentia o coração se encher de amor. Desejou poder contar que na verdade, ela tinha acabado de dizer a ele o que sempre quis, mas sabia que não podia fazer isso, de forma nenhuma, e se contentou em apenas sentir os elogios, sentir o amor.

“Gosto de pensar que eles leem o que falamos. Sabe, quando respondemos a eles no twitter. Gosto de pensar que, mesmo que não respondam, eles vejam. As vezes, ele já leu sobre seu amor, mas só não disse nada.” – finalmente respondeu.

@: Minha amiga fala o mesmo. Mas não sei se acredito nisso. E nem se me tranquiliza. Os comentários ruins vem em mesma proporção que os bons.”
@: E tantas pessoas mandam hate para ele. Queria poder dizer que ele é melhor que tudo isso. Que para cada hate existe pelo menos mais dez pessoas que o amam incondicionalmente. Não acho que ele veja isso.”
“Por que não?”
@: Ele se esforça tanto, me pergunto as vezes se não tem relação com o fato dele se achar insuficiente, por conta dos comentários negativos.”
@: Também me pergunto as vezes quem é o porto seguro dele, já que ele é o de todos os meninos. Hoseok sempre parece se moldar de acordo com quem está com ele.”
@: Ele sempre é aquela pessoa que precisam que ele seja. Então… Quem é a pessoa dele? Até mesmo o jeito dele, sempre brincalhão, me pergunto quantos desconfortos ele não mascara com isso.”

Hoseok soltou uma exclamação baixa com aquele comentário, surpreso com tantas observações. Pra quem tinha começado a se envolver tão recentemente, ela havia observado coisas demais. Nem mesmo ele havia parado pra pensar sobre esse assunto antes, mas não pôde negar que ela estava certa. Tinha o apoio dos outros sempre que precisava, mas era tão raro que ele demonstrasse suas inseguranças ou desconfortos. Não duvidava que o conhecessem o suficiente para entendê-lo, mesmo sem que dissesse uma palavra, mas Hoseok preferia se mostrar positivo sempre. A positividade lhe tranquilizava também então… Vivia bem dessa forma.


“Eu acho que, independente de tudo, ele tem o apoio dos outros. E isso deve bastar. Mesmo quando as pessoas são ruins, eles têm um ao outro como apoio, e me sinto mais tranquilo em pensar dessa forma.”
“Hoseok sempre tenta ver o lado positivo das coisas. Siga o exemplo! Fique feliz! Tenho certeza de que, quando ele espalha o amor, é pra levar felicidade as pessoas, e não lágrimas”


@: Ah sim, não duvido disso. Mas fico mole de amor mesmo assim.”
@: Ter tantas coisas para dizer, mas não poder dizer nada, certamente contribui. Ele é tão precioso.”

“Eu acredito que pensamentos positivos influenciam muito. Mandar esse tipo de energia, mesmo que não possa dizer com palavras, também significam algo.”

: Não sei se é a mesma coisa.” – ela respondeu, e ele fez um biquinho. Sabia que não, mas não era como se pudesse confessar que ela já tinha dito tudo. Que ela já tinha, sem querer, feito exatamente o que queria.
“Eu sei que não, mas… Tem que bastar, né?” – devolveu apenas, e foi respondido com mais um monte de carinhas tristes.

Com um timing perfeito, Jimin bateu na porta e Hoseok pulou no lugar, de susto. Era sempre muito fácil assustá-lo e o garoto levou a mão até o coração enquanto resmungava um “aish” audível o suficiente para que o mais novo risse do lado de fora.
— Vamos, hyung. Você prometeu. — falou, e Hoseok olhou com um muxoxo para o celular. A conversa com “” poderia perfeitamente terminar ali. Na verdade, aquela era a deixa perfeita para o final, mas ele não se sentiu satisfeito com isso, tentando pensar em qualquer coisa que pudesse dizer para continuar a conversa. — Hyung? — Jimin insistiu, e ele se levantou da cama para calçar os chinelos.
— Estou indo. — respondeu ao mais novo, mas sorriu quando conseguiu pensar em algo para dar continuidade a conversa.

“Posso fazer uma pergunta? Fiquei curioso com algo” – ele escreveu, e não esperou uma resposta para continuar. – “Você não é coreana, é? Você fala outro idioma no twitter. Mas se comunicou muito bem em coreano.”

Hoseok teve medo de soar intrometido, ou que ela notasse que havia sido stalkeada, já que aquela era a única forma dele perceber aquilo, no entanto, a garota respondeu rapidamente, e de forma educada, que na verdade era brasileira, mas estudava na Coréia há anos. Estava, inclusive, no último ano de seus estudos e se não conseguisse uma forma de trabalhar e conseguir dinheiro por lá, teria que voltar para casa. era seu nome, apenas um apelido. Ela dava aulas particulares de inglês e português para Coreanos em busca de se manter sem ajuda de seus pais, e Hoseok descobriu tudo isso porque, mesmo durante a live e pelo resto da noite, trocou mensagens com a garota, sentindo-se mais ansioso do que deveria com aquilo.

+++

Jungkook riu. Era um riso meio nervoso, mas ele riu mesmo assim e Hoseok, apesar de preocupado, acabou fazendo o mesmo enquanto negava com a cabeça. Era difícil controlar o riso quando a maknae line ria. Na verdade, ele tinha dificuldade de dizer não pra a maknae line no geral, e por isso estavam ali, provavelmente encrencados agora.
— Me lembre de nunca mais confiar no seu nível de inglês. — Hoseok falou, e Jungkook riu mais uma vez, agora realmente achando graça. Era uma criança.
— Meu inglês está melhorando, de verdade.
— Você entendeu alguma coisa das instruções que o homem passou?
— Não, mas ele entendeu minha pergunta, já é alguma coisa.
— Jungkook, como você sabe que ele entendeu se não conseguiu entender a resposta? Ele podia estar falando qualquer coisa.
— Ele gesticulou como se passasse instruções. — Jungkook devolveu, e Hoseok se condenou mentalmente por rir, mais uma vez. Aquele era o poder dos mais novos sobre ele.
— Deveríamos pedir socorro ao Namjoon. — Hoseok sacou o celular, mas Jungkook o impediu de discar, segurando-o pelo pulso.
— Não, a gente pode fazer isso! — respondeu, com uma positividade contagiante. — Por favor, por favor, a gente consegue! — insistiu, determinado. — Nem é a primeira vez que ficamos perdidos de qualquer forma. Podemos encontrar o caminho de volta. Já fizemos isso outras vezes.
— Kookie, nunca estivemos sozinhos de verdade. No voyage sempre tem staffs prontos para nos socorrer em caso de emergência.
— Eu sei, por isso mesmo devemos tentar, sozinhos. Precisamos fazer esse tipo de coisa sem que façam sempre por nós.
— Você planejou isso desde o início, né? — Hoseok perguntou, e o garoto mordeu o lábio inferior, o encarando de forma um tanto quanto travessa. Hoseok suspirou, mas de alguma forma, acabou achando graça também, negando com a cabeça. — Jungkook… Sabe que estamos encrencados, não sabe? — perguntou. Era o último dia deles na França, e apenas os deixaram sair sozinhos porque era para ser uma breve passagem no café há uma quadrada dali, mas Jungkook decidiu que conseguiria levá-los até o outro lado da cidade, para conhecer um ponto turístico. Não avisaram a ninguém porque os fariam voltar para irem acompanhados e apesar de Hoseok realmente acreditar que aquilo era o melhor, Jungkook conseguiu convencê-lo de que poderiam fazer aquilo.
O problema era que o inglês dos franceses era péssimo e as placas estavam em francês também. Estavam perdidos a cerca de meia hora, e nem haviam chegado no local ainda. Sequer sabiam onde estavam. Se pedissem ajuda, seriam repreendidos pelo resto da vida por terem sumido sem avisar, em outro país. Por sorte não haviam sido reconhecidos ou ai sim teriam um problema. Fãs internacionais não eram como os coreanos. Ele se condenava por não ter pensado nisso tudo antes de dizer sim para o maknae.
Mas por um lado, era realmente bom que aprendessem a se virar sozinhos, também era melhor que Jungkook estivesse acompanhado dele, melhor do que sozinho, mas ainda se condenava por não estar ajudando em nada, especialmente quando sentia-se responsável pelo garoto. Hoseok era péssimo em inglês e não se dedicava quase nada em aprender. Sequer parecia assim tão necessário quando tinha tantas pessoas ao redor dele que sabiam e faziam para ele qualquer coisa que fosse referente ao idioma. Nunca antes sentiu tanta necessidade de aprender como agora, que estavam perdidos e sem ninguém pra ajudar.
— Vamos fazer um acordo. — Jungkook parou de frente para ele, e Hoseok o encarou desconfiado. — Eu sei, nos perdemos no último acordo. — ele falou exatamente o que o outro pensava. — Mas eu juro que agora você vai gostar.
— O acordo envolve ligar para o Namjoon? — perguntou, e Jungkook riu, negando com a cabeça.
— O acordo é voltarmos. Mas sozinhos.
— E não era isso que estávamos tentando fazer?!
— Ahn…
— Jungkook!
— Mas fazemos agora, fazemos agora. Por favor. — juntou as mãos em sinal de prece, e Hoseok suspirou.
— Está bem. — concordou, e o garoto bateu palminhas em comemoração, o fazendo rir. — Mas vamos usar o celular agora.
— Hyung…
— Nós não sabemos francês, Jungkook. — quando o garoto abriu a boca para retrucar, ele o fez mais rápido. — E nem inglês.
— Eu estou aprendendo. — murmurou com um bico, mas Hoseok não se deixou levar dessa vez.
— Só que não estamos nos Estados Unidos. Estamos na França onde as pessoas sabem tanto inglês quanto a gente. Até o Namjoon teria dificuldade.
— Ah, não teria não.
— Não mesmo. — Hoseok foi obrigado a concordar. — Mas nós não somos o Namjoon. — completou, embora o pensamento tenha lhe feito desejar, só um pouquinho, ser o RM. Só para que conseguissem se achar.
Precisava aprender inglês, pra ontem.
Seu celular vibrou no bolso, e antes de tentar seguir caminho junto com Jungkook, ele pegou o aparelho, com o outro indo para trás dele e literalmente se pendurando em seus ombros para tentar espiar, temendo que fosse alguém da equipe e que Hoseok os denunciasse.
Mas, ao invés disso, era , que quase como um sinal, lhe marcara em uma postagem no twitter. Quão irônico era que a garota lhe chamasse quando pensava sobre aprender inglês? Ela dava aulas de inglês.
? Quem é ? Você fez uma fan account no twitter? — Jungkook questionou, e Hoseok apenas bloqueou a tela do aparelho, devolvendo o celular para o bolso.
— Eu fiz a conta, mas não sei quem é. Devem estar me marcando em um sorteio. — mentiu antes que pudesse pensar sobre o que fazia. Vinha conversando com diariamente há uma semana e por algum motivo, achou que deveria esconder. Provavelmente por estar gostando daquilo mais do que deveria e saber disso. Saber que não deveria e saber que era errado. — Para onde vamos? — perguntou, e Jungkook se voltou para as placas, tentando se achar. O maknae não pareceu notar qualquer coisa suspeita na atitude do mais velho, mas a mente de Hoseok já estava longe. Ele poderia pagar qualquer um para lhe dar aulas de inglês. Poderia contratar um professor até para dar aulas particulares durante a turnê, mas já havia decidido que falaria disso com ela. Assim que conseguissem voltar ao hotel.

 

02.
Semanas depois

— Aaaah, eu fui um bom aluno não fui? Eu mereço uma pausa. — Hoseok resmungou enquanto se virava na cama do hotel. Ele literalmente rolou de um lado para o outro e sorriu quando ouviu a risada de do outro lado.
— Em inglês, você tem que falar em inglês. — ela insistiu, e ele fez um bico que ela, pelo microfone, não poderia ver.
— Você parece o Nam… — ele se interrompeu antes que falasse mais do que devia, e arregalou os olhos enquanto fazia uma careta. — Um amigo meu. — ele corrigiu, ao notar que quase falara o nome de Namjoon. — Namhyun, o nome dele. Ele aprendeu inglês sozinho e cobra que a gente faça o mesmo. Mas a verdade é que ele é inteligente demais para isso.
— Eu aprendi sozinha. — defendeu, e ele fez outra careta, agora mais engraçada. Era natural dele, mesmo sozinho, fazer aquele tipo de coisa.
— Não muda meu argumento de que só pessoas muito inteligentes consigam isso. — ele respondeu, e ela riu mais uma vez.
Já fazia um tempo desde que começaram a conversar todos os dias. E não somente por causa das aulas. Conversavam por Kakao Talk durante o dia, por tweeter quando encontravam-se online e duas vezes por semana por telefone para que pudessem fazer as aulas de inglês. Trabalhavam mais conversação. Hoseok pagava pelas aulas e sentia sim certa melhora. Era diferente ter alguém lhe indicando caminho do que estudar e fazer, mas confessava que sentia-se culpado quando Jungkook e Taehyung tentavam saber como ele havia melhorado tanto em tão pouco tempo.
Ele não havia falado com ninguém sobre , pois sabia que estava sendo imprudente. Sabia, no fundo, que Yoongi desconfiava de algo, mas assim como ele era observador o suficiente para notar que havia algo, também era discreto demais para questionar, especialmente algo que não lhe dizia respeito. Se quisesse procurar Yoongi para conversar, ele estava disposto a ouvir, mas caso contrário, Yoongi não se metia a menos que deduzisse que algo estava errado. E ele nunca errava. Hoseok sabia que aquilo, que ele estava fazendo, tinha tudo para dar errado também. Para machucar alguém, ele ou ou quem sabe os dois, mas já havia se tornado um hábito do qual ele não queria se livrar. Sabia que, justamente por isso, que alguém se machucaria, mas já não podia mais evitar. As vezes até desejava uma intervenção de Yoongi, mas o mais velho confiava nele o suficiente para acreditar que Hoseok não fosse fazer algo estúpido. Estava errado, e Hoseok sentia-se culpado por ferir aquela confiança também.
— Sabe, esse seu amigo está certo. A prática é a chave. Não tem relação com inteligência. Okay, é um pouco mais difícil para vocês, que sequer usam nosso alfabeto, mas você já sabia essa parte e o resto é questão de vocabulário.
— Continuo aprendendo cinco palavras novas por dia.
— Aumente pra dez.
— Por que me tortura desse jeito?
— Você está me pagando para te ajudar, e essa é minha ajuda. Agora são dez. Estou marcando para nossa próxima aula, vai ter que me explicar cada uma delas.
— Em inglês também, imagino.
— Óbvio! Precisava mesmo explicar?
— É, acho que não. — ele riu. — Mas não custava tentar. — também riu de sua tentativa. Ela ria muito quando falava com ele. Não que fosse uma novidade, mas normalmente Hoseok se esforçava para que rissem e com ela, assim como com seus meninos, ele era somente ele. Sabia que ela poderia desconfiar se ele agisse como o Hoseok da televisão, então era somente ele, o verdadeiro, e não conseguia deixar de se perguntar se ela ria assim somente com ele, ou com outras pessoas também. Odiava ter esse tipo de pensamento, era quase possessivo e nem ao menos se conheciam de verdade. Pelo menos, ela não o conhecia, e sentia-se um mentiroso sempre que precisavam sair.
— Hunjin-ssi? — ela chamou, e como sempre, ele levou um instante para de dar conta de que era com ele. Lee Hunjin era o nome que ele fingia ser o dele, mas na verdade, aquele era o nome de um de seus dançarinos.
— Uhm? — ele perguntou, enquanto encarava o teto. Já haviam dado a aula como encerrada, mas apesar do marcador no celular de Hoseok indicar que já estavam há mais de duas horas na linha um com o outro, nenhum deles tinha pretensão de desligar. Pelo menos já estava de volta a Coreia, após os shows no Japão, pois suas contas telefônicas estavam sendo caríssimas. Não que dinheiro fosse um problema. — ? — perguntou, quando ela não disse nada, e a garota suspirou. — Tem algo de errado?
— Eu não sei, na verdade.
— Como assim? — questionou, e notou que ela, mais uma vez, vacilou antes de responder.
— Pode falar, qualquer coisa. — ele incentivou. — Prometo que não vou julgar.
— Eu sei que não. — ela respondeu. — Sei que nunca faz isso. É que… Eu estava olhando minha antiga agenda. Nossas aulas começaram em Junho e estamos em Agosto.
— Já faz tanto tempo? — ele também se surpreendeu, e a ouviu concordar do outro lado da linha.
— Faz. — ela respondeu, mas não continuou, o que serviu apenas para deixá-lo ainda mais confuso.
-ya, qual o problema? — perguntou, desconfiado, e dessa vez ela respondeu.
— As vezes eu me pergunto se você é mesmo real. — falou de uma vez, e apesar daquilo ser um pouco previsível, visto que ele de fato se escondia, foi pego de surpresa por sua fala. Hoseok não admitiria pois sabia que era errado, mas ouvir aquilo o deixava ligeiramente magoado, como se ela desconfiasse dele de alguma forma mesmo que ela estivesse certa em fazer aquilo. — A maior parte das minhas melhores amigas, são virtuais, sabe? E não são poucas, são várias, e confio mais nelas do que em algumas pessoas que conheço pessoalmente. Mayara eu já conheço faz mais de cinco ou seis anos, mas as outras, apesar de ter menos tempo, sinto que as conheço intimamente, sabe? Conversamos tanto quanto eu converso com você, mas… Falamos sobre nós, sobre nossa vida, conforme surge o assunto. Conversamos por fotos, compartilhamos até memes uma da outra e por várias redes sociais ao mesmo tempo, mas com você tudo é tão distante. Próximo e distante ao mesmo tempo, porque eu sinto que te conheço, mas quando paro para pensar, também percebo que não sei nada. Com certeza, sei apenas que é coreano e que agora, está na Coréia. Sei o que pensa sobre vários assuntos, as coisas que gosta e que desgosta. Sei o suficiente sobre sua personalidade e sei que é uma ótima pessoa, mas é estranho que com tanto tempo, você nunca tenha deixado escapar nada sobre seu dia-a-dia. Não sei nem o que faz da vida para se manter, sei apenas as coisas que posso deduzir com ligações internacionais e provavelmente caríssimas que você não se incomoda em custear.
Surpreso, com todas aquelas observações, Hoseok não soube o que dizer. Não tinha nenhuma outra amizade virtual além da dela na qual se basear, mas não era muito difícil entender o que ela queria dizer. Hoseok conhecia todas as amigas de , mesmo nunca tendo falado com elas. Sabia que duas delas eram dentistas, outra era fotógrafa e tinha Mayara e que eram as mais próximas. Dentre elas, apenas conheceu na Coréia apesar de também ser brasileira, mas todas as outras estavam em seu país de origem. Hoseok sabia sobre a família de , e seu pai policial. Sabia como ela havia chegado na Coreia para estudar e a quanto tempo estava lá. Hoseok a via postando fotos de si no twitter, vários selcas day dos quais ela participava. Acompanhava suas postagens no instagram, mesmo que ela não soubesse disso e podia dizer com certeza que ela era real por isso tudo. Por que ele não só conversava com ela, mas ele a via enquanto não tinha nada dele. Hoseok era apenas uma foto de um idol no twitter. E mesmo no twitter ele quase não falava a menos que fosse com . Ele não tinha qualquer outro amigo virtual e odiou-se por, só então, se dar conta disso.
— Acho que… eu entendo onde quer chegar. — ele começou, cuidadoso. Não tinha ideia de como consertar aquilo. — Não sou de falar muito.
— Não é de falar muito? — acabou rindo, e ele precisou fazer o mesmo. Ele falava muito. Hoseok falava demais mesmo. Ela era quem não gostava de falar, ou de mandar áudios. Ele sabia que ela só permitia as ligações por serem necessárias nas aulas.
— Eu quero dizer, sobre minha vida, eu acho. Eu sou dançarino, em uma companhia de dança. Viajo para concursos as vezes, por isso as ligações internacionais. — ele respondeu. Mentir parecia até fácil agora, depois de tanto tempo, e ele repudiou a si mesmo por isso, mas sabia que era necessário e por isso continuou. Não, na verdade, não era necessário. O certo era que ele se afastasse. Ela era uma garota comum, totalmente alheia ao seu mundo e aproximar-se daquela forma era errado, mas não queria se afastar, mesmo que aquilo fizesse dele um puta egoísta. — Eu recebo bem o suficiente para que as ligações não sejam um problema. Também tenho um plano específico para isso, já que viajo bastante. — explicou, e essa segunda parte nem era mentira. Não que se sentisse aliviado por isso. — Não tenho muito tempo para amigos virtuais, trabalho muito, meus horários são uma bagunça e essa parte você deve ter notado. Uhm… Nunca vejo motivos para falar tanto assim de mim.
— Eu acho que também não falo tanto, sabe? Uma das reclamações das minhas amigas costuma ser essa. Normalmente, eu sei mais sobre elas do que elas sabem sobre mim e a situação invertida parece… estranho, eu acho. Nem é sua culpa no final, parando para pensar. — Hoseok se sentiu mal ao notar que ela se culpava quando estava certa, mas não podia contestar quando não tinha explicações para dar e por isso se calou. — Mas, sabe… — ela voltou a falar, e ele prendeu a respiração, odiando cada segundo daquela conversa. — Eu queria poder… te ver. — disse ela, e Hoseok sentiu seu coração gelar, como quando você se dá conta de que fez algo muito e totalmente errado e não tem como consertar. — É estranho conversar com você todos os dias, e não conhecer seu rosto. Não quero parecer enxerida, mas… Faz tanto tempo já.
Hoseok sabia que ela estava certa, mas não tinha ideia de como responder àquele pedido. Simplesmente não podia mandar foto de si mesmo, assim como também sequer poderia cogitar a ideia de mandar foto de outra pessoa. Aquilo ultrapassaria todos os limites do errado e Hoseok não era assim. , sem querer, o colocara contra a parede, e suas possibilidades eram fugir agora ou se sincero.
Ele não podia ser sincero.
, eu… — ele começou, sem ter ideia do que dizer. Provavelmente seria uma desculpa qualquer, que ela não compraria, mas antes que pudesse terminar, Jimin entrou em seu quarto sem bater na porta, tão discreto como só Jimin podia ser.
— Hoseok-ssi… — começou a dizer, mas Hoseok fingiu gritar de susto para cobrir sua voz, antes que Jimin denunciasse seu nome, e o loiro pulou de susto também com aquela reação, rindo em seguida. — Chegou isso pra você, pelo correio. — Jimin explicou, lhe entregando um pequeno pacote. — ? Mesmo em coreano, acho que nunca escutei esse nome…
Meio desesperado, Hoseok tirou rapidamente o telefone do viva-voz, para que ela não pudesse escutar a voz de Jimin. Já bastava a sua voz soando familiar, agora a de Jimin, era demais. Sem contar que havia acabado de expressar que notava suas viagens internacionais. Não era tão difícil ligar uma coisa a outra se conhecesse de perto a agenda do grupo e pesquisasse os DDDs das chamadas. Caramba, tantos cuidados e repentinamente, sentia-se um completo idiota. Por sorte ela era realista demais para acreditar que conseguiria realmente aquele contato.
— Chegou! — , animada, falou do outro lado da linha, e Hoseok suspirou ligeiramente aliviado em notar que ela não parecia ter se dado conta de nada. — Faz tanto tempo que o rastreio deu com entregue, mas só agora chegou. — ele pôde notar, em seu tom de voz, que ela fazia um bico ao falar, mas não questionou. Óbvio que Hoseok não havia passado seu endereço diretamente, por isso a demora. — Você poderia me agradecer com um unboxing. Em vídeo.
— Minha câmera está com problema, lembra? — ele riu ao repetir a mentira anteriormente contada e Jimin, a sua frente, franziu o cenho enquanto lhe entregava o pacote.
— E seu amigo? — tentou, e Hoseok fez sinal com o indicador a Jimin, pedindo que fizesse silêncio. — Ahn, ele acabou de sair. — mentiu, novamente, e ela suspirou.
— Tudo bem. — respondeu, mas a decepção palpável em seu tom de voz partiu seu coração. — Mas quero que fique na linha. Quero ouvir sua reação.
— Estou curioso, o que é? — ele perguntou, colocando o aparelho mais uma vez no viva-voz para que pudesse abrir a embalagem. Jimin ainda estava no quarto, mas após pedir silêncio, sabia que o garoto respeitaria, apesar da curiosidade.
— Abra. — disse apenas, e ele obedeceu, rasgando a embalagem com o máximo de delicadeza que possuía, o que não era o suficiente para embalagens delicadas. Assim que abriu, Hoseok sorriu ao se dar conta do que era. lhe enviara um livro, mas não qualquer livro, um dela. escrevia fanfics para internet, mas nunca o deixara ler uma, por mais que Hoseok insistisse. Estava escrito “Rear View” no meio da capa, e embaixo, “” como autora da obra. Seu nome em português e o título em inglês.
— É o que eu estou pensando? — ele perguntou, mesmo já sabendo a resposta, e ela concordou.
— Um exemplar único e somente seu. — ela respondeu. — Abra. — pediu, e ele o fez, sorrindo para a primeira página ao notar que ela escrevera ali. Era uma mensagem, em inglês, com sua assinatura embaixo. Hoseok entendeu algo como “Para um grande amigo, que eu conheci por ai. Uma ótima forma de usar sua curiosidade para aprender inglês, não? Haha Me perdoe (mesmo que eu não me sinta culpada)”.
Novamente, ele sorriu, enquanto passava uma das mãos pelas letras escritas. Nem precisou passar a próxima página para saber o que ela havia feito.
— Me mandou seu livro, mas em inglês. Certo? — quis saber, e ela riu do outro lado.
— Você queria tanto, então… Ai está.
— Traiçoeira.
— Gosto de ver como uma professora dedicada.
— Obrigada, -ya. — ele respondeu, voltando a fechar o livro para analisar bem a capa. Era linda, e em meio a felicidade pelo presente, Hoseok somente se sentiu ainda mais culpado por estar mentindo tanto. — Eu gostei muito, de verdade. — falou, mesmo assim, e a escutou rir do outro lado.
— Espere para dizer depois que ler.
— Sei que vou gostar também. — devolveu, voltando a se lembrar de Jimin apenas quando o garoto, parecendo muito curioso, tombava a cabeça para o lado ligeiramente, prestando atenção a conversa. Hoseok pigarreou. — Ahn, eu posso… Boo está batendo na porta de novo e eu lembrei que… Preciso ir. — ele se atrapalhou, mentindo que precisava sair para evitar mais um pedido por foto. Hoseok, literalmente, explorou o medo da garota em ser indelicada ou inconveniente, mas apenas somaria aquilo a todos os motivos para que ele se sentisse um lixo quando envolvia a garota.
— Tudo bem, claro. Eu entendo. — ela falou rapidamente, mas ele podia sentir em seu tom de voz que não estava. — Pode só me prometer que… Qualquer dia desses, você…
— Eu te mando. — Hoseok falou, apenas porque, já prestes a desligar o telefone, era fácil dizer aquilo e contar que ela esquecesse. Ou, quem sabe, se tivesse decência, ele tomasse coragem para fazer o que devia e nunca mais lhe procurar. — A foto, te mando. — para descontrair, ele riu. — Quem sabe, depois de tanto mistério, eu não aproveite seu endereço para mandar em um porta retrato? Mando até o Boo junto.
— Eu vou adorar. — ela riu, e ele lhe acompanhou.
— Tchau, -ya. Boa noite. — se despediu, e ela fez o mesmo, antes que desligassem a ligação.
— Mas o que foi isso? — Jimin, curioso, perguntou, sentando-se na cama de Hoseok sem ser convidado. Tinham intimidade o suficiente para dispensar aquele tipo de formalidade. — Quem é -ya?!
Hoseok suspirou, somente então se dando conta do quanto precisava desabafar sobre aquele assunto. Ele olhou para o livro em suas mãos, recebido de presente, e deixou que seja ombros caíssem, tão deprimidos quando ele se sentisse.
Era irônico que acreditasse tanto na positividade de J-Hope, sei ídolo, mas fizesse dele mais deprimido cada vez que conversavam sem que ela soubesse que falava com o próprio J-Hope. Não que fosse culpa dela, jamais poderia lhe culpar por algo que não sabia, mas essa era a verdade. Começou aquilo por ego e agora se sentia mais ligado a ela do que deveria. Não conseguia se afastar, mas sentia-se péssimo em mentir. Pensava em contar a verdade, mas então lembrava de tudo que estava em jogo e voltava atrás. Não acreditava que lhe usaria pela fama ou qualquer coisa assim. Uma das coisas que mais lhe fizeram se apegar a garota fora seu bom coração, sua visão de moral e a visão tão sensata que tinha do mundo. não faria nenhum mal a ele ou ao grupo, mas Hoseok teria todo o mal que faria a ela se contasse. Ela descobriria que se dedicou tanto tempo a uma mentira e, quem sabe, ainda terminaria decepcionada não só com ele, mas também com um ídolo que só lhe fazia bem. Hoseok, ao longo daquele mês, vira o amor de crescer por J-Hope. Era lindo, e puro, apesar de alguns comentários que o faziam rir envergonhado. Ela o amava e entre os motivos pelo qual temos contar tinha aquele, o de fazê-la se decepcionar com um ídolo que ela idealizada. E Hoseok não negava que doía nele também a possibilidade de vê-la decepcionada consigo.
— Hyung? — Jimin insistiu, quando não teve nenhum retorno, e somente então Hoseok lembrou-se dele ali, decidindo contar sua história desde o começo, desde a conta falsa que ainda mantinha no twitter.
— Você está apaixonado por ela. — Jimin falou, surpreso, quando Hoseok terminou de contar. E o mais velho surpreendeu-se também com aquela conclusão.
— O quê? Não, Jimin.
— Claro que está! Você não tem noção do quanto seus olhos brilham ao falar dela. E você a stalkea em todas as redes sociais!
— É só curiosidade.
— Hyung… — Jimin começou, cruzando as pernas sobre a cama, e Hoseok deixou que ele falasse. — Você sabe que o que está fazendo é errado. Está mentindo, e eu te conheço. Eu sei o que pensa sobre isso e sei que nunca mentiria a menos que fosse totalmente necessário…
— O que não é.
— Claro que sim. É a única maneira de manter contato com ela. Então é necessário, se você gosta dela. E essa preocupação com tudo que ela vai pensar e como reagir? Sendo que poderia só se afastar? Ela não sabe nem mesmo o seu nome. Sumir seria muito fácil, mas você está preocupado com ela. Isso não aconteceria se não gostasse dela.
— Não nego que gosto, só… Apaixonado talvez seja demais.
— Se você visse seu sorriso quando recebeu o livro, não negaria. — Jimin argumentou, e ele abaixou o olhar, envergonhado. — Está tudo bem, hyung. Mas se me permite dizer, acho que deveria falar com ela, antes que não dê mais para reverter e você termine vivendo uma mentira.
— Eu já vivo, Jimin.
— Tirando seu nome, você mais oculta do que mente. Se tivesse mandado fotos falsas ou algo assim, não teria mais volta. Mas você não fez ainda então nem tudo está perdido. Pense sobre isso, hyung. Por favor. Vai te fazer bem. Ela já te faz bem, eu vi em seu sorriso. Assim como vejo também o que mentir está fazendo com você.
— O… O quê?
— Hobi-hying, nós te amamos, acha mesmo que não notaríamos que está triste? Tentamos te dar espaço até que se sentisse bem para contar. Mas notamos. E se é ela o motivo então mude o jogo.
— Você não tem medo? Que ela não seja o que eu espero? Que me decepcione ou… Não sei?
— Ah, não. Confio em você. — Jimin falou, finalmente levantando-se da cama. — Tenho certeza que você não gostaria de ninguém que fosse menos do que especial, ou menos do que uma pessoa tão incrível quanto você. Com um coração tão grande.
— Não acha que suas expectativas estão altas demais?
— Não. — ele respondeu, sem vacilar. — Eu já disse, Hoseok-ssi. Te conheço. Sei que ela é incrível só por ter conquistado seu coração.
— Jimin… — ele sorriu, sem graça, e Jimin fez sinal com a mão para deixar aquilo de lado.
— Aproveite que temos mais dois meses de férias e ligue pra ela. Marque de se conhecerem. E faça isso hoje. — Jimin literalmente decretou, saindo do quarto e fechando a porta atrás de si para deixá-lo a sós com seus pensamentos.
Não tinha mais o que fazer afinal, tinha? havia dado o xeque-mate. Ou se revelava ou ia embora de vez. Ela não era ingênua e nem boba. Não se deixaria levar se ele continuasse se esquivando agora que falara com todas as letras que queria uma fotografia.
Incerto, Hoseok olhou do livro em suas mãos para o telefone ao seu lado.
Se afastar ou contar a verdade.
Não podia se afastar.
E já gostava das duas versões que tinha dele. Amava o J-Hope, mantinha uma amizade sincera com Hoseok. Não tinha porque dar errado. o ouviria, ela era do tipo que ouvia. Ela tentaria entendê-lo. Jimin estava certo sobre a garota ser incrível, mesmo que talvez, depois de tantas mentiras, ele não merecesse tanta compreensão.
Mas ela merecia a resposta. As respostas, a verdade, e pensando nisso, Hoseok finalmente pegou o telefone, discando o número já tão conhecido de . Marcaria um encontro, entre amigos, e finalmente contaria a verdade.

 

03.

Hoseok estava tão nervoso, que seu coração parecia prestes a sair pela boca. Era o nervosismo de encontrar a garota pessoalmente. Era o nervosismo de ter que se explicar, de contar que mentiu, a expectativa de ser ou não aceito, se decepcioná-la duplamente ou não e, para piorar, aquilo ainda tinha tudo para dar errado porque ele, como o bom medroso que era, tinha feito tudo da maneira mais estúpida que poderia fazer.
Quem, em sã consciência, não aceitava uma sugestão de Min Yoongi? Yoongi avisou que o mais seguro era fazer aquilo tudo pela internet. Usar o próprio Kakao para uma live, onde ela veria claramente que ele era O Jung Hoseok, em carne e osso. Por live, poderia se explicar e se ela aceitasse tudo, poderiam marcar. Ou mesmo que não aceitasse, pelo menos saberia quem ele era e poderiam marcar um lugar privado para o encontro.
Mas Hoseok não ouviu Yoongi. Decidiu fazer tudo da maneira mais estúpida e agora estava em um parque com Mickey se perguntando como encontraria a garota em um local tão público. Certo, talvez nem fosse tão difícil encontrá-la já que a garota o exato oposto de todas as coreanas típicas. Sua pele não era tão clara, seu cabelo era naturalmente cacheado e não liso. Nada nela era típico na verdade, pelo menos não em seus padrões. A diferença cultural era muito evidente, até mesmo em sua personalidade e isso também o assustava um pouco. Foi um dos motivos pelo qual adiou o momento ao máximo, evitando aquela apresentação prévia que caramba, fazia mais sentido cada vez que ele pensava sobre o assunto. Mesmo que ele a encontrasse, como simplesmente iria lhe abordar? Sem contar que, era um parque, ele parecia um fugitivo da polícia escondido da cabeça aos pés. Não era possível ver nem mesmo seus olhos. Qualquer garota fugiria se alguém se aproximasse vestido daquela forma.
Sentindo-se ainda mais nervoso do que antes com o pensamento, Hoseok pegou seu celular no bolso, perguntando-se se ainda era tempo de cancelar. o odiaria se a fizesse perder a viagem até ali? Hoseok desbloqueou a tela, e abriu o chat do Kakao, mas surpreendeu-se quando foi a primeira em lhe enviar uma mensagem:

“Já cheguei. Está aqui?” – 14:05

Hoseok prendeu a respiração, sentindo-se ainda mais nervoso do que antes, se é que isso era possível. Viu o sinal de que ela estava digitando novamente, e ergueu a cabeça para olhar para os lados e encontrá-la. Estava dividido entre correr dali ou encontrá-la. Queria ver a garota com quem conversava há tanto tempo e como se o destino decidisse realizar seu desejo, da pior forma possível, obviamente, bastou virar para o lado para esbarrar justamente nela, em , como se a vida fosse um dorama clichê. Claro que, obviamente, aquilo não fora uma coincidência tão absurda assim. Haviam marcado de estar naquela praça, naquele horário e próximos àquela árvore, mas ainda assim, tudo depois daquilo, se desenrolou de forma rápida demais e confusa demais para que Hoseok conseguisse assimilar.
Hoseok pulou de susto, soltando sem notar a guia de Mickey. O grito que deu, por sua vez, assustou não só a como também ao cachorro, que correu para longe tão assustado quanto ele havia ficado no primeiro instante. Hoseok não pensou duas vezes antes de correr atrás do animal, gritando seu nome, e correu para o outro lado, tentando ajudá-lo. De início, Hoseok não entendeu o motivo, se quer entendeu porque ela se colocou a correr na direção contrária, mas então, haviam cercado o cachorro que não teve outro lugar para ir que não os braços da garota.
ergueu Mickey nos braços, e o animalzinho imediatamente atacou seu rosto com lambidas, fazendo-a rir. Ele abanava o rabinho, feliz como se a conhecesse há muito tempo, mas a cena, apesar de bonita, lhe tirou o sossego muito rapidamente. Sequer teve tempo de acusar Mickey de traição por trocá-lo tão facilmente. A questão era que, agora, teria que falar com . Simplesmente não tinha mais como fugir. Ela estava com seu cachorro nos braços e ele nunca, em semanas, havia visualizado aquilo em sua mente. Nunca cogitou a possibilidade de seu cachorro apresentá-los, mas lá estava ele, obrigando Hoseok a isso.
Traidor.
Hoseok ficou congelado onde estava, sem saber como reagir. Estava nervoso, sabia que tinha que ir buscar o cachorro, mas não fez isso e, quando notou,, já caminhava em sua direção, sorrindo graças a Mickey. Hoseok sentiu seu coração vir a boca, e por um instante, esqueceu-se até mesmo quem era. Mas não no sentido clichê, no sentido “você é um astro POP” e para os outros, você não é uma pessoa comum. Passou tanto tempo sendo apenas ele com , sem rótulos, que esqueceu-se naquele momento, que tinha um. Que ela veria um quando o visse.
E como o esperado, arregalou os olhos assim que chegou perto o suficiente para reconhecê-lo, fazendo com que ele, por reflexo, puxasse o capuz mais para frente dos olhos.
— H… Hoseok? — gaguejou, surpresa o suficiente para esquecer-se de Mickey que, agora, tentava se jogar de seus braços para o chão. Hobi pegou o cachorro de volta, mas não tinha idéia de como simplesmente responder a ela “Não, na verdade eu sou o Lee Hunjin”. — Mickey… — ela repetiu, olhando para o cachorro como se tudo fizesse sentido. Claro que fazia, ele nunca havia escondido o nome do animal, ou a raça dele, e deixou o queixo cair, totalmente sem fala.
As reações das fãs, quando os conheciam, eram sempre as mais variadas. Tinha as que choravam, as que gritavam, as que ficavam entre felicidade e um colapso nervoso, que se jogavam neles ou no chão e tinha as que congelavam no lugar, como se apenas se perguntassem se aquilo era mesmo real. Aquela última opção, era . A garota ainda tinha os braços estendidos, como se ainda segurasse Mickey. Sua boca estava entreaberta, seus olhos parcialmente arregalados, mas havia aquele brilho de felicidade em seu olhar, aquele que as fãs normalmente tinham quando olhavam para eles, como se fossem as pessoas mais preciosas do mundo tudo, perfeitas e livres de qualquer defeito. Ela havia idealizado um Hoseok em sua mente que não existia, inalcançável, e foi ali que ele soube, não podia contar a verdade. Não podia decepcionar alguém tanto assim.
Hoseok sentiu um bolo no estômago, mas sorriu para ela, sorriu como o próprio sol, exatamente como as fãs esperavam dele, aquela máscara de felicidade constante. Ele sabia que era mais do que isso, que muitas vezes via por trás até mesmo do próprio J-Hope. Ela tinha consciência de que ele era uma pessoa como qualquer outra, mas naquele momento, ele era seu ídolo e ele não foi capaz de dizer que havia mentido para ela todos os dias no último mês.
— Desculpa, desculpa. — Hoseok falou, com a voz afetada enquanto sacudia uma das patinhas de Mickey, como se o animal é quem pedisse desculpas. Ele quem havia esbarrado nela e ainda soltado a guia para que o cachorro fugisse, mas ele não pensou em nada melhor para dizer. — Agradece, por ela ter te pegado. — falou, com seu tom normal, e depois voltou a imitar o cachorro para responder. — Obrigado. — sacudiu novamente as patinhas dele, e riu olhando entre Hoseok e Mickey. Mas o que era apenas uma risada tímida se tornou uma crise de riso e ela levou uma das mãos até a boca, tentando se esconder enquanto ele, sem conseguir evitar, ria junto. Hoseok ia classificar aquilo em “colapso nervoso”, mas um muito divertido de assistir.
— Eu li isso em mil fanfics. — falou entre risos. Tantos que seus olhos já lacrimejavam. — Na verdade, eu fecho a fanfic, quando começa assim. — continuou, falando sozinha. — Quem vai acreditar nisso? “Então, eu estava andando no parque e o cachorro do Hoseok me lambeu”.
— Assim parece que o cachorro sou eu. — ele respondeu, e ela riu mais.
— Claro, ninguém acreditaria que seu cachorro me lambeu, mas acreditariam que você fez isso.
— Tudo depende da forma como você conta.
finalmente parou de rir, e apenas o encarou. Não tinha muito para ver na verdade, ele estava todo coberto, praticamente, mas ele podia ver em seus olhos a curiosidade ao lado da admiração. Ele podia ver mil perguntas se formando em sua mente, mas por mais que quisesse ficar e responder todas elas, mesmo como J-Hope e não como Lee Hunjin, ele sabia que não poderia fazer isso.
— Obrigado. Por resgatar o Mickey. — falou de uma vez, iniciando uma despedida, e viu a garota suspirar como se tivesse muito a dizer, o suficiente para não saber por onde começar. Ele conhecia a maioria delas, já havia escutado sem que ela soubesse que falava diretamente com ela, mas esperou. Lembrou-se do dia em que falou com ela a primeira vez, e soube o quanto aquilo significaria a ela.
— Eu posso só… te pedir uma coisa? — ela perguntou, e ele sorriu ao concordar com a cabeça, curioso com o que, entre tantas coisas, ela escolheria pedir. — Eu só queria te pedir pra… Ser feliz.
— Acha que eu não sou feliz?
— Não, eu…
— Não estou ofendido. — ele riu, e ela concordou.
— Eu só quero dizer que… É confuso, mas, eu quis dizer para sorrir mais por você, do que pelos outros. Sabe, fazer o que te faz feliz, e não ficar feliz por deixar alguém feliz… — ela fez uma careta, diante da confusão que a frase gerou, mas ele apenas sorriu mais uma vez. — Desculpe, ficou tão…
— Eu entendi. Pensar mais em mim do que nos outros.
— Isso! — ela sorriu, satisfeita, e ele fez o mesmo. — Você é incrível, mesmo que não tenha noção disso. Uma pessoa incrível, e eu sempre quis dizer isso. Admiro a forma como pensa nos outros, e cuida dos outros, mas gostaria que cuidasse de si também. É… isso. Desculpe se soou estranho e nem é da minha conta, mas…
— Tudo bem, eu vou guardar o conselho. — ele sorriu, e ela concordou com a cabeça, suspirando mais uma vez embora, agora, ele tenha sentido certo alívio na atitude, como se estivesse satisfeita por ele ter entendido. — Obrigada…
.
. — ele repetiu, antes de acenar para finalmente ir embora.
Naquele dia, conheceu Jung Hoseok e ele tinha certeza que seu coração estava tão eufórico quanto ao dela por isso. Estava feliz em ouvir sua voz pessoalmente, em tê-la na sua frente por alguns instantes, em carne e osso, mas, infelizmente, ela nunca conheceria Lee Hunjin. Aquela parte dele se perdia ali, sem que ela soubesse, e Hoseok deixou que o sorriso morresse em seu rosto junto com ele.
Lee Hunjin acabava ali.

+++

— Me explica de novo, eu acho que não entendi. Você saiu de casa só para se encontrar com ela, mas deixou que ela te conhecesse só como J-Hope? — Jimin perguntou, confuso, e Hoseok suspirou.
— Não saiu bem como o planejado.
— Mas ai era só voltar pro planejado. Mostrava o celular, ela ia acreditar.
— Jimin, o problema não é esse. — Yoongi interrompeu o mais novo e Jimin se jogou sentado no sofá, frustrado, o encarando impaciente enquanto esperava uma explicação que não era realmente necessária. Jimin entendia sim o ponto, mas não queria acreditar, essa era a verdade. Ele provavelmente faria o mesmo no lugar de Hoseok, mas não queria que ele tivesse feito porque Hoseok chateado lhe deixava chateado. Jimin queria que ele só tivesse contato de uma vez, para continuar sorrindo como sorria sempre que trocava mensagens com a garota pelo celular.
— Eu só não queria decepcionar, Jimin.
— E em que mundo você decepcionaria alguém, hyung?!
— Eu menti o mês inteiro.
— Não é como se você pudesse só sair por ai dizendo quem é, né? Eu tenho certeza que ela entenderia.
— Não duvido que entendesse, mas naquele momento eu era apenas Jung Hoseok, ela não queria que fosse outra pessoa ali.
— Você não está com ciúmes de si mesmo, está?
— Claro que não. Só que… eu acho que prefiro que ela mantenha essa imagem idealizada de uma pessoa perfeita.
— Eu nunca antes quis tanto socar alguém em toda minha vida. — Jimin resmungou, esparramando-se mais ainda no sofá com um bico enorme no rosto. Hoseok sabia que ele voltaria a falar logo, ainda inconformado e cheio de argumentos.
Seu celular vibrou em seu bolso, e Hoseok o tomou em mãos, ciente de que era antes mesmo que pudesse olhar para a tela. Ainda assim, como um bom masoquista, ele desbloqueou o aparelho, apenas para, mais uma vez, dar de cara com as mensagens da garota ali.
Ela o tinha esperado por duas horas antes de ir embora. Sentia-se péssimo por isso, mas era necessário se ele queria dar um basta naquilo.

“Eu estou preocupada, Hunjin. Está tudo bem?” – 19:45

Hoseok sentiu seu coração apertar quando leu a mensagem, mas apenas bloqueou novamente a tela, decidido a não responder. Antes que pudesse guardar o aparelho, no entanto, uma nova mensagem chamou sua atenção, e ele novamente abriu o chat com , ligeiramente assustado com o tamanho do novo texto:

“Confesso que fiquei um pouco frustrada quando você não apareceu hoje, mas depois me perguntei se não tinha pressionado demais. Acho que a internet é sempre uma boa forma das pessoas se esconderem de algo, as vezes de si mesmas e okay se não estiver pronto, mas me diz isso, está bem? Eu vou entender se foi isso, só não me deixe preocupada achando que aconteceu alguma coisa” – 19:46
“Se aconteceu mesmo algo e eu estou aqui fazendo esse tipo de dedução, vou me sentir muito boba. Mas pelo menos podemos rir juntos disso. Só me responde assim que puder, ok? – 19:46

— Não vai mesmo falar com ela? Tipo nunca mais? — Jimin perguntou, literalmente atrás de Hoseok que pulou de susto, soltando um gritinho que muitos achariam exagerado. Não havia notado quando, mas Jimin havia se movido para trás do sofá, a fim de ler a mensagem que enviara.
— Aish, para de espionar. — resmungou, com a mão no peito, mas Jimin nada disse, aguardando uma resposta a sua pergunta.
— Jimin, eu nem deveria ter começado a falar.
— Mas por quê?! — Jimin estava inconformado, e jogou os braços para o alto como se não acreditasse naquilo. — Aaaaah, Hoseok-ssi. — resmungou, como se falar manhoso pudesse convencer Hoseok a qualquer coisa.
— Olha, Hobi… Não quero me intrometer, mas… — Yoongi começou, e Hoseok respirou fundo. Ele nunca abria a boca se não tinha nada importante a dizer, se não soubesse exatamente o que falar e chegava a ser assustador as vezes, a forma como ele absorvia tudo ao seu redor e analisava. E não importava quantas vezes ele fizesse aquilo ou quantos anos se passassem, eles ainda eram pegos de surpresa por isso, e por sua franqueza quando começava a falar. Especialmente porque, muitas vezes, a verdade dói. E Yoongi não era do tipo que via as coisas darem errado sem avisar. Ele, basicamente, te fazia assumir o risco e naquele momento, Hoseok soube que não ia gostar de ouvir o que ele tinha a dizer, mas Yoongi falaria mesmo assim.
— É difícil dizer até que ponto uma mentira é justificável, ou se é. Ela tem sempre dois lados e você pode até achar que está fazendo o melhor para a pessoa em mentir, mas a pessoa pode pensar diferente. É tudo muito relativo, mas também perdoável se houver diálogo. Sabe, ninguém pode te dizer o que fazer e ninguém pode dizer também como a garota vai reagir com a verdade, mas isso porque não a conhecemos, diferente de você. Se você não quiser dizer a verdade porque não confia na reação dela, tudo bem. Mas sinceramente, eu te conheço e sei que você não teria mantido isso se ela fosse o tipo de pessoa que não sabe ouvir. Se você se esforçou pra manter esse contato, é porque ela vale a pena. E se vale, você só vai se arrepender de se afastar dela por medo. — Hoseok suspirou mais uma vez, mas não encarava Yoongi enquanto este falava, diferente de Jimin que assistia atentamente e concordava com absolutamente tudo. — Acho que você deveria pensar sobre isso, mas pensar sozinho e com calma sobre o que fazer, mas eu acho que devo dizer que, se você estiver se afastando por medo, vai se arrepender. E eu não digo só medo de contar a verdade, mas medo também do que virá depois, de como a nossa vida pode afetar a dela, do futuro, do que você sente… — surpreso, Hoseok encarou Yoongi ao final daquela frase, e o mais velho apenas concordou com a cabeça. — Você sabe que gosta dela, não me olha assim. Até parece que faria metade desse drama se não gostasse. — falou, levantando-se do sofá. — Temos mil amizades mantidas por Kakao, Hoseok. Você também. Não minta para si mesmo, pense sobre os motivos para não querer falar, e então decida o que fazer. Só tente não decidir por ela, o que acha que é melhor para ela, porque isso também é relativo e vocês podem não concordar.
Yoongi gesticulou com a cabeça na direção de Jimin, e o garoto soltou uma pequena exclamação antes de levantar, entendendo que aquela era sua deixa para sair e largar o amigo com seus próprios pensamentos. Ambos foram até a porta, mas antes de sair Jimin parou ali, voltando-se para Hoseok mais uma vez.
— Hyung? — ele chamou, e Hoseok o encarou. Assim que o fez, Jimin sorriu, e ergueu os braços sobre a cabeça. — Saranghae! — ele gritou, e Hoseok sorriu, mas não teve tempo de dizer nada antes do outro sair correndo para fora do quarto, fechando a porta atrás de si para deixá-lo com seus próprios pensamentos.

 

04.
Dias depois

estava em seu quarto, deitada na cama com o computador ao lado enquanto, mais uma vez, stalkeava a conta de Hunjin no twitter. Ela havia ligado o notebook para escrever, tinha até mesmo aberto o arquivo de sua última história, mas apesar de faltar apenas uma única cena para o final, ela não conseguia escrever. Não escrevia há dias, alias. Desde que Hunjin sumiu sem dar nenhuma notícia. Não saber o que havia acontecido a estava matando. E ela até tinha várias possibilidades em mente, mas aquela coisa de apenas supor não funcionava muito bem para ela e por isso não conseguia seguir adiante.
O que havia acontecido?
Pelo que conhecera dele no último mês, não conseguia acreditar que ele simplesmente sumiria sem dar notícias, que a deixaria preocupada, acreditando que ele havia morrido.
Mas também não demorou muito para que ela começasse a questionar o quanto havia conhecido de verdade. Nunca viu seu rosto, nunca o encontrou em nenhuma outra rede social. Ela nunca soube nada dele além de seu nome e sua idade, e nem tinha como garantir que ambas as coisas eram verdade. Ele podia ser qualquer um e ela nunca saberia. Mas também não conseguia deixar de pensar em qual motivo ele teria para se esconder se esse fosse o caso? Se ele tivesse mostrado qualquer foto em algum momento ela entenderia, ele poderia ter mentido a aparência, mas ela nunca o viu. Não existia nenhum motivo para que ele tivesse medo de encontrá-la e, consequentemente, de sumir. E então, sempre que ela chegava nesse ponto, voltava a estaca zero: Algo ruim tinha acontecido. Afinal, não havia qualquer motivo para que ele fugisse dela ao ser pressionado para conhecê-la. Não havia motivo para se esconder dela.
Frustrada, como sempre que pensava em Hunjin, ela suspirou e se virou na cama, desistindo totalmente da ideia de escrever. Como havia se deixado aproximar tanto de alguém que não conhecia? Ele deveria ser somente mais um user aleatório do twitter, com quem conversa por dois dias e perde o contato, mas não. Foi um mês inteiro de conversas constantes e tão misteriosamente quanto ele havia aparecido, também sumiu. Se ele tivesse morrido, ela nunca saberia e sentia-se a ponto de enlouquecer com essa possibilidade.
Ao seu lado, o celular notificou, mas diferente dos primeiros dias após o frustrado encontro com Hunjin, ela não o pegou na mão com o mesmo desespero de antes, acreditando que poderia ser ele, esclarecendo o que havia acontecido. já nem esperava mais por mensagens, essa era a verdade, e isso a deixava ainda mais triste.
Como o esperado, mais uma vez, não era ele na notificação, mas ela sorriu, mesmo que de forma ligeiramente melancólica, quando viu no vlive que Hoseok fazia uma live junto com Taehyung. O sumiço de Hunjin havia levado toda sua euforia por ter conhecido Hoseok. Ela não conseguia lembrar de forma feliz daquele dia pois, apesar de conhecer um de seus ídolos naquela praça, também havia perdido alguém que em pouco tempo, se tornara tão especial. Alguém que ela gostava muito mais do que deveria, especialmente levando-se em consideração que ela sequer tinha um rosto para associar a pessoa.
Em uma tentativa quase desesperada de limpar seus pensamentos por pelo menos alguns minutos, ela clicou na notificação e abriu o vlive, esperando poucos segundos para que a live carregasse e Hoseok aparecesse na tela, entre Jungkook e Jimin que, muito provavelmente, invadira a live. Os mais novos se batiam por algum motivo que nem imaginava qual era, e a garota riu logo que eles apareceram, pegando o celular para avisar Mayara que os Jikook estavam vivíssimos e se agredindo enquanto Hoseok, entre eles, gritava.
— Eu estou no meio, estou no meio, no meio! — Hope gritava, e os mais novos riram por isso. podia apostar, inclusive, que por isso mesmo continuavam, já que aqueles tapinhas mixurucas não iriam ferir ninguém.
Jimin segurou a mão de Jungkook, e o maknae o mordeu, fazendo com que o outro gritasse exatamente na orelha de Hoseok que gritou junto, pulando para o lado de Jungkook. Mais uma vez, o maknae riu, mas precisou novamente se defender de Jimin quando este tentou atacá-lo. Agora, mais perto da beirada da cama graças a proximidade de Hoseok, acabou caindo no chão e só não levou o computador junto porque Hope o ergue rapidamente. Jimin gargalhou, e mesmo que não fosse mais possível ver Jungkook onde ele estava, dava para ouvir sua risada também, tão alta quanto a dos outros dois.
— Jungkook-ah, você está bem? — Hoseok perguntou, entre risos, e o mais novo ergueu apenas o polegar em frente a tela, fazendo os dois rirem mais antes de finalmente se apoiar na cômoda para levantar. Quando o fez, algo caiu, e Hoseok curioso se inclinou para saber o que havia sido. O mais velho segurou o computador em seu colo para que não caísse também, mas isto fez com que a câmera também focasse no chão e até teria rido se não fosse pelo que ela viu quando Hoseok fez isso.
Jungkook havia derrubado o livro de cabeceira de Hoseok, mas não era qualquer livro, era o seu livro. O livro que havia escrito, confeccionado e dado apenas para três pessoas no mundo todo: Mayara, e Hunjin.
A garota deixou o queixo cair, e ficou olhando, pasma, para a tela, mesmo depois que Hoseok mudou o foco da câmera. Ele olhou para o computador com o semblante ligeiramente preocupado, como se tentasse de alguma forma saber se a câmera havia focado no livro e olhou brevemente para Jimin esperando alguma confirmação, mas o outro ainda olhava para Jungkook sem ter notado nada diferente. Provavelmente não havia reparado no que Hoseok havia feito.
— Que livro é esse? — Jungkook perguntou, mas a câmera não focava nele para que as pessoas soubessem qual era. Imediatamente, Hoseok virou a câmera para Jimin, lhe entregando o computador, mas o loiro abaixou a tela para o teclado, evitando que focasse seu rosto.
— Quieto, garoto propaganda. — Jimin respondeu, mas o que os outros faziam, não era possível ver. — Amaciante Downy. — caçoou, rindo, e a câmera foi então erguida novamente, os outros dois estavam de volta, como se nada tivesse acontecido. quase se perguntou se não havia imaginado, mas quando notou as notificações incessantes de seu celular, permitiu-se considerar que era verdade. Permitiu-se encaixar todas as peças daquele quebra-cabeças que somente então cogitou estar vivendo.
Aquilo era mesmo possível?
— Achei que não era para fazer propaganda. — Jungkook respondeu Jimin, mas mal ouvia.
— Essa você já fez pela vida toda, né. — Jimin devolveu, e Jungkook apenas riu, já que não podia exatamente negar.
O telefone de começou a tocar, e o nome de Mayara apareceu no topo da tela. A garota só ligava quando algo realmente importante havia acontecido, muito importante. Importante para que aquela fosse tipo a quinta ligação que fazia a em seis anos de amizade e a garota soube que não havia imaginado a capa do livro. Era mesmo o seu livro, e a menos que uma das amigas tivessem enviado a Hoseok, não tinha como estar nas mãos dele. Na verdade, talvez até cogitasse aquela possibilidade se outras coisas não tivessem misteriosamente feito sentido. Coisas que ela antes nem havia notado que não faziam, na verdade. Hunjin havia feito contato pela primeira vez quando falava de Hoseok no twitter. A conta de Hunjin havia sido criada naquele mesmo dia e apesar de ser dedicada ao EXO, ele nunca falara sobre o grupo lá. Ele sequer seguia os integrantes em suas contas pessoais, o fez apenas quando ela, um dia, comentou. nunca o havia visto pessoalmente e lembrava-se de, a primeira vez que falou com ele, ter comentado que sua voz se assemelhava a de Hoseok.
E, como se isso não bastasse, tinha o fato de, no dia e lugar marcado para se encontrarem, ela ter, na verdade, conhecido o próprio J-Hope.
se sentiu traída em constatar tudo aquilo. Mas, mais do que isso, sentiu-se decepcionada. Tão decepcionada quanto nunca antes havia estado. Ela estava certa de que algo havia acontecido com ele porque Hunjin não sumiria assim, sem dar notícias, sendo que, no final, Hunjin nem existia. Era uma pessoa inventada e ela nem sabia o motivo. Não conseguia imaginar o motivo.
Sem que se desse conta, uma lágrima escapou de seus olhos, solitária. Sentia-se uma boba. Passou tanto tempo acreditando que algo havia acontecido com ele e torcendo para que, de alguma forma, pudesse saber se ele estava bem ou não, que agora não podia deixar de pensar que ele estava vivo. Aquela não deveria ser a primeira coisa em sua cabeça, ele havia mentido para ela todo esse tempo, mas era no que ela pensava, mesmo que a decepção ainda fosse tão grande. E não só por Hunjin, mas também por Hoseok. Ela estava mesmo falando com seu ídolo todo esse tempo, mas ele estava mentindo. Pensando por esse lado na verdade, não podia imaginá-lo dizendo a verdade. Ele era famoso, mantendo contato com uma fã.
Assim que o pensamento rondou sua mente, ela negou com a cabeça. Pôde até mesmo ouvir, mentalmente, gritar com ela. Hunjin, ou Hoseok, havia se aproximado por escolha dele. Mesmo que tivesse motivos para mentir, não tinha direito de fazer com que ela se aproximasse o suficiente para sentir sua falta se estava mentindo. Se a qualquer momento, podia sumir, mas ele o fez, e ela gostava dele, mais do que deveria. Gostava porque estava acostumada com amizades virtuais, porque suas melhores amigas eram amigas virtuais e confiou nele mais do que deveria por isso.
Antes que pudesse pensar sobre o que estava fazendo, mudou seu nome no vlive para o mesmo user que utilizava no twitter. Notou que algumas pessoas já perguntavam sobre o nome do livro e comentavam sobre não encontrarem em livrarias online. Se tinham prints da capa, já tinham também seu nome e não poderia usá-lo, mas sabia que se Hunjin fosse mesmo Hoseok, ele a reconheceria pelo user do twitter e por isso trocou, voltando imediatamente para a live para mandar mensagem também.

@: Rear View? Não achei o livro, mas já li uma fanfic com esse nome.” — escreveu. teria orgulho do comentário sonso.
Mas ela não tinha orgulho de si mesma no momento. Era decepção dele e de si mesma certa raiva por ter se deixado gostar tanto de alguém que nunca mostrou o rosto.
@: Engraçado que a fanfic que eu li, a autora também tinha um nome semelhante.”

parou por um instante, e suspirou, pensando em mais coisas para dizer. Tinha tanta gente falando ao mesmo tempo que era quase o possível que ele visse sua mensagem, mas ela precisava que ele visse. Precisava que ele visse por ali, que soubesse que ela tinha visto e entendido. Mais do que isso, ela queria ver sua reação ao comentário, para ter certeza de que não ficaria mais tarde procurando desculpas que a fizessem acreditar que tinha imaginado tudo aquilo.
Ela sabia, do fundo do coração, que Hunjin era Hoseok, só que mais tarde precisaria daquela prova, para si mesma, e por isso continuou:

@: Meu ex melhor amigo, Hunjin, ganhou um livro com esse mesmo nome.” — ela escreveu, bem quando ele olhava para a tela, e imaginou que alguma força cósmica estava torcendo muito por ela, pois ao contrário de todas as expectativas, ele viu.
Hoseok viu seu comentário.
soube quando ele ficou pálido, ao mesmo tempo que Jungkook começava a ler o que ela havia escrito sem saber como a frase terminaria. Foi Jimin quem notou primeiro, e falou mais alto que Jungkook para impedi-lo de continuar.
— Jungkook! — ele gritou, pulando no lugar como se lembrasse de algo. — Não tínhamos marcado com o Jin tipo agora?
— O quê? — o mais novo perguntou, confuso, mas Jimin já levantava, acenando para a live como se estivesse se despedindo. De fato, ele estava. comprovou ali que o loiro sabia sobre ela enquanto Jungkook, não. Essa era a única explicação para ele, duas vezes, ter “salvado” Hoseok daquele assunto.
J-Hope tinha falado dela para Jimin. Dois de seus ídolos, membros do BTS, falaram sobre ela. Se não estivesse se sentindo tão péssima com Hunjin, talvez tivesse rido disso.
— Vamos, Jungkook. — Jimin insistiu. — Tchau, army! Nos vemos em breve. — falou animado, voltando-se para Hoseok. — Não vai se despedir? — perguntou, e o mais velho mudou completamente sua feição, sorrindo tão alegremente quanto o próprio sol para acenar e se despedir, junto com Jungkook. O lado fã não gostou daquilo, da forma como ele rapidamente colocou aquela máscara de felicidade em seu rosto, mas a razão gritou com ela para que parasse. Hoseok havia causado aquilo consigo mesmo. Pelo menos dessa vez.
sentiu uma nova lágrima escorrer, mas não a limpou dessa vez, deixando que ela escorresse simultaneamente com a live que se encerrava. A garota ponderou ainda por um instante sobre o que deveria fazer e então abriu o chat do kakao, abrindo sua conversa com Hunjin lotada de mensagens não respondidas dela. Precisava colocar um fim naquilo para acalmar seu coração e nunca mais voltar a chamá-lo.


“Jung Hoseok, quem diria… Eu nem sei o que pensar sobre isso, sinceramente. Nunca antes me enganei tanto com alguém. Passei dias preocupada crente que havia lhe acontecido algo, pois não acreditava que o Lee Hunjin que eu conheci, simplesmente sumiria assim e me deixaria para trás cheia de preocupação.
Mas eu nem conhecia Lee Hunjin. Ele não existe, não é mesmo? Agora mesmo, eu escrevo isso sem saber com quem eu estou falando. De repente, é estranho falar com você, porque não estou mais falando com você, agora é Jung Hoseok.
Sabe, queria dizer que te odeio por isso, e por ter mentido, mas não odeio. Estou decepcionada, mas não odeio. Seria mais fácil se odiasse, sim, mas acho que me deixei gostar demais de você pra isso. Acho que esse é o motivo por estar tão decepcionada, com você por me fazer confiar e gostar tanto de você sabendo que mentia todo esse tempo e comigo mesma também, por ter me permitido gostar de um completo estranho.
Enfim, acho que é isso. Precisava desabafar para pôr um fim nisso de uma vez.
Adeus.”

Assim que a garota enviou, bloqueou o contato de Hoseok no aplicativo e soluçou baixinho. Era a última vez que falava com Lee Hunjin.

+++

olhou para o celular, e suspirou quando não viu nenhuma outra ligação de Hoseok ali. Era estúpido na verdade, que ela esperasse ligações quando tinha recusado todas nos últimos dois dias, mas ela estava fazendo o que a razão mandava fazer, porque no fundo ela sabia que era o certo, que se afastar dele era o melhor para ela, mas no fundo como uma boa fanfiqueira que era, esperava mais. Esperava que ele fosse atrás dela e explicasse seus motivos. Que dissesse que não havia se aproximado só porque estava entediado, que dissesse que gostava dela só um pouquinho como ela gostava dele, que não desistisse tão fácil, que ela valesse para Hoseok o tanto que ele valia para ela, ou só metade, mas aparentemente, ele havia desistido, fácil demais, o que só a deixava ainda mais decepcionada, mesmo que não devesse. Ela já esperava aquilo, na verdade, mas tinha esperanças de que ele insistisse. Ela queria que ele a fizesse mudar de ideia, mas ele nem tentou de verdade e não havia nada mais doloroso do que ter suas esperanças destruídas daquela forma.
Talvez devesse ter atendido a primeira ligação, pensou consigo mesma. Mas tão rápido quanto o pensamento veio, também foi embora. Se tivesse atendido, não saberia que não tinha nenhuma importância para ele. Que Hoseok não achava que ela valia mais de algumas tentativas.
Sentindo as lágrimas voltarem em seus olhos, a garota abriu o wattpad. insistira o dia inteiro que ela deveria ler uma nova fanfic na plataforma. “Almost Illegal” era o nome e ela jurara que valia a pena.
Ainda dentro do ônibus, começou a ler, e se perguntou se tinha algum problema. Normalmente ela não fazia o tipo insensível, muito pelo contrário. era uma das pessoas mais preocupadas com o bem estar alheio que ela conhecia. Sempre sabia quando algo estava errado, sentia. E sempre sabia o que dizer também. Mas aquela fic, um idol que inicia uma amizade virtual com um fã? sabia o que ela estava passando, indicar aquela fanfic era o auge da insensibilidade. Ainda mais quando o idol na fic era ninguém menos que o próprio Hoseok.
desceu um pouco a rolagem da fanfic, sem ler de fato o que estava escrito. Não tinha vontade de ler aquilo, pois não existia qualquer chance de ler aquilo sem se sentir mal. Mas foi então, enquanto rolava, que sentiu seu coração disparar em seu peito e o ar fugir de seus pulmões. “@leehunji” era o user da conta fake criada por Hoseok no twitter. Não era a mesma que ele usava na vida real, mas era o nome com o qual havia se apresentando para , Lee Hunjin. Imediatamente, voltou para a capa da fanfic. Mayara ou haviam escrito aquilo? Okay, sua história era uma ótima fanfic dramática, mas não parecia do feitio delas fazer isso.
A capa da fanfic, não tinha um nome, mas o usuário que havia postado a história também era Lee Hunjin enquanto, o icon, era uma foto do Hoseok. Uma que nunca havia visto antes. A conta tinha sido criada um dia atrás e na header estava escrito “desculpa” em vários idiomas diferentes. Não precisava ser um gênio para saber o que estava acontecendo.
deixou uma lágrima escorrer, e a limpou rapidamente com as costas da mão, olhando para a cidade do lado de fora do vidro antes de pegar novamente o celular, para escrever uma mensagem para .

“O que significa isso?”
“Está lendo?”
, como ele falou com você?”
“Só leia,
“Não posso”
“Lê logo. Você precisa ler. É o ponto de vista dele de tudo que aconteceu.”
“E nós duas sabemos que você quer entender.”
, você não queria que ele desistisse e ele não desistiu. Ele só estava procurando a melhor forma de explicar”
“E ele escreveu uma fanfic pra você. Assim como você escreveu várias para ele”
“Meu Deus, ele leu minhas fanfics!!!” — escreveu, somente então se dando conta disso, e escondeu o rosto nas mãos, morrendo de vergonha só de imaginar.
“Agora já era aushuashuauashuash”
“Mas é sério, leia. Até o final. E então decida se quer ou não dar uma chance para ele.”
“Tá”
“Até o final. Você vai entender porque estou insistindo”

A garota suspirou, e voltou a ler. Na fic, Hoseok criava outra conta para se comunicar com (que na fanfic se chamava Bonnie) por mera curiosidade e por fim, acabava se aproximando dela mais do que deveria. Era literalmente a história dos dois, como tudo havia acontecido, os motivos que o levaram a pedir as aulas de inglês, a forma como se tornaram amigos e depois, como os sentimentos dele mudaram para algo mais. Assim como os dela. Hoseok escreveu tudo ali, até mesmo como Jimin descobriu e a conversa com Yoongi sobre ela, quando Hoseok decidiu se encontrar com Bonnie/. Todos os sentimentos dele estavam ali, seus pensamentos, os motivos pelos quais, no dia, não conseguiu contar que ele era Hunjin e seu desespero quando leu a mensagem dela. A euforia em seu coração e a decepção que sentiu consigo mesmo ao saber que a tinha magoado tão profundamente.
Mas a história não terminava ali, e como havia dito, ela entendeu o motivo de sua insistência.
A fanfic não tinha um final, Hoseok não tinha escrito porque eles ainda não tinham vivido aquilo. Mas o Hoseok da fanfic, ele estava em sua casa, lhe esperando, e ela sabia que se chegasse em casa agora, ele também estaria lá.
Apressada, a garota desceu do ônibus enquanto chamava um uber. Mesmo que tivesse que esperar o carro chegar, ainda estaria em casa mais rápido do que de ônibus, com o veículo parando em todos os pontos até lá.
Sentia seu coração prestes a sair pela boca, mas ao invés de chorar, dessa vez ela riu.
Ele não havia desistido.

+++

respirou fundo assim que chegou a porta de seu apartamento, parando com a mão na maçaneta. Era um lugar muito pequeno, a sala dividia espaço com a cozinha, apenas um balcão separava os dois cômodos. A única porta ali era a de seu quarto, o único banheiro do apartamento também era lá e, resumindo, se Hoseok estivesse mesmo ali, bom, ela o veria assim que abrisse a porta, e tudo seria real. Não que ela duvidasse que fosse, mas era Jung Hoseok, no seu apartamento. Quais eram as chances? Aquilo era suas melhores fanfics virando realidade, ou piores por ser tão absurdamente clichê.
Tomando coragem então, ela finalmente abriu a porta, lentamente, e quando entrou no apartamento ele estava ali, de verdade, em carne e osso e de pé no meio de sua sala que ele mesmo havia decorado. Com sugestões do Jimin. Ela tinha lido isso, na fanfic, por mais inacreditável que fosse.
Luzes em forma de pequenas flores haviam sido penduradas em sua cortina, pequenas velas acesas sobre o balcão da cozinha. Uma toalha branca e bonita foi colocada sobre sua mesa de centro, arrastando pelo chão devido ao fato da mesa ser tão baixa. Como não tinha mesa de jantar, Hoseok o havia servido na mesa de centro, mas independente disso, estava linda, especialmente no conjunto com o restante da decoração.
ficou totalmente sem fala e ele, por sua vez, parecia tão sem jeito quanto ela. havia deixado Hoseok sem fala, tímido. Ela iria rir disso mais tarde. Era um feito histórico, tão histórico quanto o fato dele estar mesmo de pé no meio de seu apartamento.
— Uhm, a decoração, foi demais? — perguntou, coçando a nuca enquanto ria claramente nervoso ao notar que ela ainda olhava as coisas ao redor. — Sabe, foi ideia do…
— Jimin. — ela respondeu, mordendo o lábio inferior antes de se voltar para ele. Hoseok era tão bonito que parecia uma escultura. Sua pele tão perfeita que ela só pensava em tocá-lo para comprovar que era mesmo real e distraída com isso, com ele, levou alguns segundos para notar que o havia interrompido. — Eu… Ahn, li. Na fanfic. — explicou, e ele riu brevemente.
— Eu nunca tinha escrito nada assim antes. Sabe, só músicas, mas é bem diferente. Desculpe se não ficou bom, eu…
— Estava perfeito… Hoseok…-ssi? — ela respondeu, repentinamente confusa até mesmo sobre como chamá-lo. já tinha certa intimidade com Lee Hunjin, e ele era Jung Hoseok, eram a mesma pessoa, mas Hoseok também era um de seus maiores ídolos e seu cérebro não tinha processado direito aquela parte da informação. Internamente ela queria surtar por ser Hoseok ali, depois de ter preparado para ela um jantar e decorado sua sala. Mas então se lembrava do porque de tudo aquilo, de Hunjin e sua mente virava uma confusão só. não sabia reagir a Hoseok, apenas a Hunjin, mas este não existia. Hunjin nunca existiu.
Hoseok fez sinal para que se sentasse, e ela automaticamente obedeceu, mesmo sem ter ideia do que fazer ainda. Ela o acompanhou com o olhar, enquanto Hoseok se juntava a ela, sentando-se a sua frente e juntando as próprias mãos sobre a mesa, suspirando sem encará-la.
— Sabe, eu queria me desculpar… — ele começou, e ela não soube o que fazer além de escutá-lo, aproveitando-se do fato dele não estar olhando para analisar cada detalhe de sua face. Hoseok era Hunjin. Ela precisava aceitar aquilo para que pudessem ter aquela conversa. Precisava aceitar que no último mês, ele havia sido um grande amigo e não tinha motivos para se sentir intimidada. — Me desculpe por mentir. Eu sei que escrevi a fanfic para que tentasse entender meus motivos, mas…
— Eu entendo, Hoseok. Eu… Acho que entendo. — ela o interrompeu, mas ainda assim sentiu o coração vacilar quando ele a encarou. “Hunjin, ele é Hunjn agora e não um idol”, repetiu para si mesma. — Você é… Famoso. Não pode sair por ai falando com qualquer um, ainda mais pela internet. Seria loucura se você simplesmente se aproximasse de qualquer estranho dizendo quem é de verdade. E também perigoso. Você não pode se expor para qualquer um, e não me conhece para fazer isso…
— Eu conheço, . — ele a interrompeu também, rapidamente. — Ai que está o ponto, eu te conheço. Você está certa sobre me expor, mas não é como se tivéssemos conversado só duas vezes. Eu deveria ter te contado no momento em que você se tornou importante na minha vida. No momento em que percebi que mesmo que conversássemos apenas pela internet, eu podia confiar em você. Eu sei que te conheço, . E você me conhece também.
— E… eu não sei se conheço. — ela chacoalhou a cabeça, confusa com sua própria fala. — Quer dizer… Eu conheço Jung Hoseok, conheço o ídol e tenho bem formulada em minha mente uma versão que eu, como fã, inventei, mas não conheço de verdade, não conheço além dessa versão perfeita que eu criei.
— Conhece. — ele insistiu, e ela não disse nada dessa vez para contestá-lo. — Eu ainda sou o Lee Hunjin, . Não mentia quem era com ele, muito pelo contrário. Ele era meu porta voz, quem eu usava para poder ser exatamente quem eu sou. Menti só meu nome. Ele ainda sou eu, acredite em mim. — ele pediu, e ela concordou com a cabeça porque acreditava naquilo, acreditava nele, de verdade. Nunca sentiu que ele estivesse mentindo e por isso se aproximou tanto em tão pouco tempo, mesmo sem ter um rosto para Hunjin.
Mas acreditar não fazia com que as coisas fossem menos confusas.
— Eu acredito que estava sendo honesto com Hunjin. É mais fácil ser honesto pela internet, falar sem medo porque as pessoas lendo não te conhecem de verdade. Porque não estão te vendo, porque mesmo que te julguem, não são pessoas que importam o suficiente para que o julgamento sirva de alguma coisa. A internet é um ótimo refúgio para falar o que pensa, eu acredito que as pessoas sejam mais reais falando pela internet do que pessoalmente muitas vezes. O problema, ele… Não é esse.
— Então me explica, por favor.
— Hunjin era um grande amigo, que me decepcionou por estar mentindo. Não foi difícil, sozinha, entender os motivos e nem perdoar. Eu não sinto raiva, nem decepção na verdade, não mais. Só que… Eu não sei se consigo enxergar você como Hunjin. Não é como se eu tivesse dando um rosto desconhecido para ele. Hunjin e Hoseok são duas pessoas diferentes na minha cabeça, duas que já existiam de formas diferentes. Hoseok é um ídolo que me faz querer gritar por ter na minha sala.
Hoseok riu um pouco.
— Queria gritar agora?
— Honestamente? Um pouquinho. Mesmo que eu me sinta ridícula por isso. Idol ou não, você é uma pessoa, como qualquer outra. Com qualidades lindas e alguns defeitos também. Hunjin me mostrou isso. Eu só preciso conseguir juntar os dois em uma só pessoa.
Hoseok olhou para ela, sorrindo, e corou quando ele, por alguns segundos, não disse nada.
— Você é incrível. — falou simplesmente, pegando a garota desprevenida. abriu a boca em um “ah”, e ele riu por isso, como se finalmente se sentisse mais leve com aquela conversa. — Eu não sei se qualquer um teria entendido as coisas dessa forma. — se explicou. — Mas acho que se você não fosse exatamente assim, como é, eu nunca teria me aproximado tanto. — a garota franziu o cenho, confusa, e Hoseok sorriu novamente antes de voltar a falar. — Sabe, uma vez conheci essa garota, essa fã, e ela me disse que eu não sabia o quão especial eu era. Aquilo me tocou e você, bom… Você me faz lembrar ela, porque também não sabe disso. Não sabe que também é incrível e passa tanto tempo acreditando que ainda é uma criança que não tem noção do quão madura é também. — quando , mais uma vez, franziu o cenho, Hoseok riu. — Eu não estou te chamando de velha, eu só quis dizer que você é muito madura apesar de se achar tão infantil. O melhor das duas idades? — ele tentou consertar, e ela acabou rindo dessa vez, de verdade, e ele a acompanhou, satisfeito por isso. — Acho que agora eu posso dizer que você está certa quando diz que se identifica com o Jungkook.
— Há, eu sempre soube. — a garota comemorou satisfeita. Sempre dizia para as amigas que era a versão feminina de Jungkook, e Hunjin sabia daquilo. Como Hunjin, ele não podia fazer nada além de apenas especular, tanto quanto ela e suas amigas, mas como Hoseok, aquilo valia mais. Mas tão rápido quanto as risadas começaram, elas também se foram e outro pensamento surgiu em sua mente. Ao invés de deixar que mil ideias diferentes se misturassem em sua mente, ela decidiu aproveitar o momento de sinceridade para questionar. — O que… vai ser agora? — perguntou, e viu Hoseok brincar com um talher ao lado do prato.
— Se você quiser, eu… Eu gostaria de começar de novo. — falou, e ela esperou que continuasse. — Amizades não se jogam fora. E eu não quero perder a sua. Se eu estou aqui hoje é porque você é importante para mim e gostaria que continuasse sendo. Sabe, eu não tenho muito tempo para sair, mas podemos continuar como sempre fomos, se você quiser, se… Ainda achar que vale a pena.
— Ridículo você me perguntar isso. — a garota bufou, como uma criança contrariada, e ele riu, ciente de que ela não estava realmente brava, muito pelo contrário. Ele a conhecia o suficiente para saber que aquilo, na verdade, era uma resposta positiva, e sentiu-se até mesmo orgulhoso de si mesmo por saber daquilo, sobre ela.
— Isso então é um sim? — ele perguntou, só para confirmar e riu quando ela o encarou como se perguntasse “o que você acha?”. — Comer, então? — perguntou, e ela concordou com a cabeça enquanto sorria.
— Comer. — concordou, realmente curiosa sobre o que ele havia preparado.
Naquela noite, eles jantaram e não demorou para descobrir que Yoongi o havia ajudado com a comida. quis morrer de vergonha em saber que não só o resto do grupo sabia sobre ela, como também haviam cozinhado seu jantar, mas Hoseok era o melhor em fazer tudo parecer muito simples. Passaram a noite juntos, praticamente. E em momento nenhum ela se lembrou que ele era um idol e não apenas Hoseok, um amigo que ela conheceu sem querer, na internet.

 

Epílogo.
Dois meses depois

Hoseok trocou de roupa na velocidade da luz e após avisar os meninos muito brevemente que estava saindo, correu para fora do camarim que dividia com eles, ansioso para encontrar . A convite dele, a garota havia ido assistir o último show da Speak Yourself Tour e o aguardava no camarote sobre a arena. Não era o melhor lugar para aproveitar o show, mas era o único onde ele poderia encontrá-la no final e depois de um mês sem vê-la, ele estava mais ansioso do que deveria.
Quando chegou e abriu a porta, a garota estava lá, sentada o mais próximo possível do vidro e de costas para ele, olhando o palco que se estendia de uma ponta a outra do estádio olímpico de Seoul.
— Ainda estou inconformada com o tamanho desse palco, . — a garota falou, pensando que o barulho da porta indicara a chegada e sua amiga e não de Hoseok. — Mesmo daqui ele parece tão grande, mas eles não eram maiores que uma formiguinha em cima dele.
— Parecíamos tão pequenos justamente pelo palco ser tão grande. — Hoseok respondeu, e a garota imediatamente pulou no banco, levantando-se para ficar de frente para ele.
vestia apenas jeans rasgados, uma blusa simples e tênis branco, mas estava tão linda quanto ele se lembrava. Ela segurava em mãos uma army bomb, que Hoseok dera a ela junto com o convite para o show. Ela sempre preferira gastar dinheiro com álbuns, então ele a presenteou com o lightstick do grupo mesmo que, dali, não fosse possível que ninguém do lado de fora enxergasse a luz do objeto.
— Eu não te esperava tão rápido. — ela falou, e ele sorriu, ainda sem se aproximar.
— Talvez eu estivesse ansioso e tenha me adiantado. — confessou, e ela sorriu, adiantando-se para perto dele já que Hoseok, por si, não havia se movido.
— Eu disse que ia te dar um abraço, quando te visse de novo. — ela avisou. Normalmente, não fazia aquilo, não avisava. amava abraços, e abraçava todo mundo mesmo que estes não gostassem disso. sempre a empurrava para longe e não se importava em segurá-la ainda mais forte por isso, mas coreanos não eram tão receptivos a contatos de estranhos quanto brasileiros eram. Mas Hoseok, depois de cerca de três ou quatro meses, já havia sido avisado quanto aquilo, pois como todos os seus amigos, estava ansiosa para abraçá-lo.
Hoseok, por fim, riu antes de abrir os braços, e a garota sorriu largamente, como uma criança, antes de literalmente se jogar nele, o segurando apertado e escondendo o rosto em seu peito enquanto o próprio coração disparava o suficiente para sair pela boca a qualquer momento.
Talvez só não tivesse o abraçado de vez, sem aviso mesmo, porque sentia por ele muito mais do que deveria. Não estava abraçando só um amigo e nem só um idol. Estava abraçando o cara que gostava, e gostava antes mesmo de saber que Hoseok era Hunjin. Gostava dele como Hunjin e gostava como Hoseok.
O abraço de Hoseok era tão confortável e quente quanto ela esperava e nem se importou em passar ali mais tempo do que o socialmente aceitável. Desejava aquele abraço há tempo que apenas ficou ali, apreciando cada segundo daquele momento.
— Isso tudo é saudade? — ele perguntou, rindo nervoso e torcendo para que ela não notasse, mas notou e riu também, concordando com a cabeça antes de se afastar, independente de não querer aquilo. — Mas conversamos todos os dias. — ele respondeu, com um bico, e ela negou com a cabeça.
— Mas não nos abraçamos todos os dias. — ela devolveu, e ele sorriu.
— Não.
— Como foi o show?
— Incrível. — ela sorriu, animada. — Sua energia no palco é incrível. Seu sorriso, a forma como canta e dança. estava certa, não dá pra olhar para outra pessoa quando você está no palco.
— Tentou olhar para outra pessoa? Estou ofendido.
— Não tentei porque não conseguiria nem se eu quisesse. Obrigada pelo convite.
— Preciso confessar que foi um convite até meio egoísta.
— Egoísta?
— Não quis ter que esperar até amanhã para te ver.
sentiu o rosto corar, e ele riu por isso. Ainda estavam muito próximos um do outro, o suficiente para que voltassem a se tocar sem que fosse necessário ao menos esticar totalmente os braços. Hoseok podia sentir seu perfume doce, o cheirinho de baunilha em seu cabelo, e sentia uma vontade imensa de tocá-lo. Não só seu cabelo, na verdade. Hoseok queria muito tocar seus lábios com os dele, desde aquele jantar onde se conheceram pessoalmente, ou até mesmo antes disso.
… — ele a chamou, e precisou controlar o ímpeto de dar mais um passo em sua direção, para encostar seus corpos novamente, como há segundos atrás, no abraço que ela lhe deu. Hoseok mordeu o lábio inferior, e viu quanto acompanhou o gesto com o olhar. Ela estava, literalmente, olhando para seus lábios, e se ele precisava de coragem até então, agora não precisava mais. Aquilo era o suficiente. — , eu… Eu vou te beijar agora. — ele avisou, mas apesar da evidente surpresa em sua expressão, ela não negou ou falou qualquer coisa que o impedisse de fazer aquilo. Hoseok então deu finalmente o passo que queria, e tocou sua bochecha com uma das mãos. olhou em seus olhos, e quando se moveu, tudo o que fez foi levar uma de suas mãos para seu ombro, a descansando ali. — Se não quiser, é só falar… — ele começou, mas a garota negou com a cabeça.
— Não vou dizer. — ela respondeu em um sussurro, interrompendo sua fala, e então Hoseok quebrou o restante de espaço que ainda havia entre eles, entre seus lábios, colando finalmente os seus aos dela.
O primeiro contato foi apenas um leve toque, mas o envolveu pelo pescoço com a mão livre enquanto Hoseok a segurava pela cintura, permitindo que suas línguas se tocassem ao aprofundar o beijo.
Ambos sentiram a euforia de finalmente provarem o sabor um do outro, os lábios macios e tão quentes quanto haviam imaginado e sim, ambos imaginaram aquele momento, diversas vezes, e mesmo assim, não era nem de longe tão bom em pensamentos quanto ali, na vida real, enquanto suas bocas moviam-se uma pela outra, lentamente, para que pudessem aproveitar cada segundo daquela sensação.
Quando se afastaram, foi apenas porque o ar, ou a falta dele, os impediu de continuar, mas nenhum dos dois teve coragem de se afastar mais do que o suficiente para apenas romper o beijo.
ainda levou alguns instantes para abrir os olhos, e Hoseok colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha enquanto esperava, sorrindo quando ela também o fez, abrindo finalmente os olhos.
— Vamos ficar algum tempo na Coréia agora. — ele sussurrou. — Com o final do ano vão começar as premiações e apesar de termos muitos ensaios, nós podemos sair entre eles, ou… — ele vacilou, sob o olhar atento de ouvindo cada uma de suas palavras. — Ou não sair porque não podemos ser vistos, mas podemos nos ver mesmo assim e fazer alguma coisa…
— Eu adoraria não sair com você, Hoseok. — ela respondeu, e ele riu, se perguntando porque ficava tão nervoso se ela sempre entendia onde ele queria chegar, antes que terminasse de dizer. A resposta era bem óbvia na verdade, estava apaixonado, mas preferiu não rotular nada ainda e apenas sorriu novamente, a beijando mais uma vez. Sabia que nunca cansaria daquele sabor, de estar com ela e de beijá-la e sabia que precisava aproveitar cada segundo que tinha com ela. Bastou um beijo para saber que todo o tempo que tivesse com seria pouco e sua rotina era corrida demais para que estivessem sempre juntos.
Mas ele sabia que dariam um jeito. De alguma forma, ele apenas sabia porque o que sentia, sempre que estava com ela, era lindo demais para que deixassem qualquer coisa ficar entre eles.

FIM

 

Nota da Autora:
Essa foi presentinho pra Bruna, de amigo secreto Hahaha Espero que ela tenha gostado e quem leu tbm. XD
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