Crazy Little Thing Called Love

Crazy Little Thing Called Love

  • Por: Sol
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 1932
  • Visualizações: 197

Sinopse: A pequena cidade de Sunville, no litoral dos Estados Unidos, é exatamente o que parece: sem graça, bom, é assim que Jeon Jungkook a descreveria. Cansado da quietude e mesmice da cidade em que cresceu, Jungkook sempre quisera deixar tudo para trás, seguir o sol e caminhar até onde lhe fosse possível, qualquer coisa para dar um pouco mais de emoção a sua vida. Mas, com a chegada de uma nova moradora, talvez ele não precise deixar a cidade para ver tudo virar de cabeça para baixo.
Gênero: Romance.
Classificação: +14.
Restrição: Todos os personagens, com exceção da personagem principal, são fixos.
Beta: Rosie Dunne.

CAPÍTULO 1

Primavera, 1974.

Jungkook acordou estranhamente animado naquela manhã, era apenas mais uma terça-feira comum e, como sempre, iria trabalhar, mas algo dentro de si dizia para ficar otimista. Talvez tivesse tido um sonho bom ou coisa do tipo, não conseguia se lembrar, mas decidiu confiar em seus instintos. Colocou o disco Billion Dollar Babies, último lançamento de Alice Cooper, um de seus artistas favoritos, levando a agulha direto para a faixa seis e abrindo um sorriso ao ouvir a guitarra que introduzia a canção. Balançou o corpo no ritmo enquanto seguia até o armário no canto oposto do quarto, se arrumando para aquele dia da melhor forma que podia, cantarolando junto com a música. Estava amarrando seus sapatos quando ouviu a porta do quarto ao lado bater com força, podendo ouvir as reclamações de sua irmã logo em seguida.

— Mãe! O Jungkook tá ouvindo música alta demais! — Ouviu Soyoung gritar ao passar por sua porta, revirando os olhos e indo até o aparelho para, propositalmente, aumentar o volume.

E lá se vai um pouco do seu bom humor.

— Jeon Jungkook! — A matriarca o chamou, o que fez o rapaz bufar e desligar o som.

Terminou de se vestir, pegando tudo que precisaria para aquele dia e descendo as escadas até a cozinha, assobiando no ritmo da música que ainda tocava em sua mente. Bebeu rapidamente um copo de leite, sem realmente parar para tomar café da manhã com a família, que estava toda em torno da mesa. Depositou um beijo na testa da mãe, se despedindo, e, antes que pudesse sair pela porta, ouviu a irmã gritá-lo, pedindo por carona até a escola. A contra gosto, esperou que a mais nova terminasse sua refeição e escovasse os dentes, levou a garota até a escola, olhando-a de forma suspeita ao ver que ela usava do espelhinho do carro para se maquiar. Parou o carro de forma brusca, recebendo um revirar de olhos da outra.

— Você tá namorando? — Questionou, se virando para ela, o que fez com que a garota arregalasse os olhos. — Eu sabia, Soyoung, eu sabia! Você tá se arrumando demais pra vir pra escola! — Acusou. — Eu vou contar pra mamãe!

— Jungkook! — Soyoung virou-se para o irmão, esquecendo a maquiagem no colo. — Por favor, Jungkook, não conta!

— Me dá um bom motivo. — Estreitou os olhos e cruzou os braços, olhando de forma séria para a irmã.

— É complicado, Jungoo. — Suspirou, lançando seu melhor olhar de cãozinho abandonado para o irmão.

— Ele é mais velho, não é isso? Ele fuma? Soyoung, você é muito nova pra namorar! — Exclamou, juntando as sobrancelhas e abrindo a boca em preocupação, ela era sua irmãzinha afinal de contas.

— Jungkook, por favor, confia em mim. — Pediu, pegando as mãos do irmão e mordendo o lábio inferior. — Eu vou contar pra mamãe, mas não agora.

O rapaz suspirou, suavizando a expressão e se dando por vencido, Soyoung sempre conseguia tudo o que queria dele e não seria diferente agora.

— Se a mamãe descobrir que eu sei, ela vai arrancar o meu couro, você sabe disso So. — Desviou o olhar para suas mãos juntas. — Quem é ele?

— Ela não vai descobrir, eu tô tomando cuidado. — Sorriu leve para o irmão. — E eu vou te contar quem é na hora certa, eu não tô pronta pra isso ainda.

Puxou a irmã para um abraço apertado, beijando os fios dela antes de se afastarem. Percebeu que ela havia deixado uma lágrima escorrer, e se esforçava para que as outras não seguissem o mesmo caminho. Franziu o cenho, vendo ela negar com a cabeça, não queria falar sobre aquilo, e então assentiu, soltando um suspiro antes de ligar o carro novamente e seguir o caminho até a escola da mais nova.

— Eu amo você, Soyoung. — Disse, ao estacionar o carro.

— Eu também amo você, Jungoo. — Depositou um beijo na bochecha do irmão. — Obrigada.

 

🌻🌻🌻
Alguns minutos mais tarde, Jungkook estacionava a caminhonete em frente à Dynamite, local onde trabalhava. A pequena, mas única, loja de discos era da família de Kim Namjoon, um de seus veteranos na época da escola e também de família imigrante, assim como a sua. Os Kim haviam deixado a Coréia à três gerações e foram a primeira família não estadounidense da pequena cidade de Sunville, tendo sido recebidos com estranheza pelos locais de primeira, já que não sabiam comunicar-se em inglês muito bem. Levou algum tempo para que se acostumassem a nova realidade e a língua que deveriam adotar, mas a situação tornou-se mais fácil quando outras famílias imigrantes chegaram à cidade — totalizando em sete famílias coreanas vivendo na pacata cidade atualmente. A família Jeon havia chegado apenas uma geração depois dos Kim, tendo sido praticamente adotados pelos mesmo, ambos desesperados por alguma familiaridade naquela terra estranha.
Entrou na loja, ouvindo o pequeno sino acima da porta soar e chamando a atenção de Namjoon, que mexia em algumas prateleiras na parede a sua frente.

— Bom dia, hyung. — Cumprimentou, sorrindo.

— Bom dia, Jungkook. — Sorriu para o mais novo, se aproximando. — Que cara é essa?

Jungkook jogou-se no banco próximo a porta, tirando os discos que estavam apoiados e colocando-os em seu colo, soltando um suspiro e encarando o amigo.

— A Soyoung tá namorando, ela é só uma criança, hyung! — Abriu os braços, expressando sua preocupação, quase deixando os discos em seu colo caírem e recebendo um olhar reprovador do mais velho.

— Ela tem dezesseis. — Deu de ombros. — Você tinha quinze quando teve sua primeira namorada, não pode cobrar nada dela.

O mais novo revirou os olhos, não querendo ouvir Namjoon o dizendo sobre como sua irmã havia crescido, para ele Soyoung ainda era a mesma garotinha que pintava suas unhas e o obrigava a tomar chá com as bonecas. Não havia se passado tanto tempo assim, havia? Bom, dez anos haviam se passado, mas não era nada demais. Suspirou, se levantando para trabalhar ao conferir o horário no relógio na parede, já era quase hora de abrir.

Estava animado para ver os discos que haviam chegado no dia anterior, ele e Namjoon não haviam tido tempo suficiente para abrir as caixas na ocasião e nada era mais atrativo para Jungkook do que explorar todas as novas opções musicais que o senhor Kim havia trazido da cidade grande. Arregalou os olhos ao ver o novo disco do Aerosmith, Get Your Wings, e agradeceu mentalmente ao senhor Kim por aquilo antes de virar-se para o amigo.

— Hyung! — Chamou, arregalando os olhos e abrindo a boca em um perfeito ‘O’, levantando o álbum.

Namjoon abriu um sorriso ao ver a expressão do mais novo, sabendo que não poderia negar nada à ele.

— Pode levar, Jungoo. — Disse, vendo o sorriso crescer no rosto dele, deixando-o parecido com um coelho.

Jungkook odiava quando o diziam isso, mas era impossível para todos ao seu redor não o associarem com o pequeno animal, o garoto apenas revirava os olhos e deixava um bico discreto tomar-lhe os lábios. Era o mais novo entre os amigos e, por isso, era mimado por todos, não que ele reclamasse enquanto poderia tirar vantagem, como levar para a casa um álbum que ainda não seria posto a venda ou ter um dos mais velhos comprando comida para si.

— Eu pago no fim do mês, prometo! — Levantou-se animado, indo até o balcão e se abaixando para guardar o disco em um lugar onde não o esqueceria.

Ainda estava abaixado quando ouviu o sino da porta soar e Namjoon, que agora estava nos fundos da loja, gritar para que ele atendesse. Prontamente, Jungkook levantou-se com um sorriso no rosto, arregalando os olhos ao ver a mulher a sua frente. Ela tinha os cabelos castanhos cortados pouco acima dos ombros e andava em meio aos discos, dedilhando com atenção por entre eles e sorrindo ao encontrar algo que gostava.
Nervosamente, Jungkook passou as mãos pelos fios e se apoiando no balcão de forma descontraída, antes de abrir um sorriso. Sabia que aquela mulher não era da cidade, havia crescido em Sunville e nunca a havia visto e, pelos traços de seus rosto, poderia jurar que era imigrante assim como ele.

— Bom dia, posso ajudar com alguma coisa? — Perguntou, chamando a atenção da mulher, e recebendo um sorriso que fez seu coração pular como resposta.

A mulher se aproximou de onde ele estava, abrindo novamente um sorriso antes de se pronunciar.

— Oi, eu vim saber se vocês estão contratando. — Encarou-o nos olhos e Jungkook engoliu em seco, era com toda a certeza a mulher mais bonita que já vira em toda a sua vida. Percebeu estar a encarando tempo demais quando Namjoon apareceu ao seu lado, depositando uma das mãos em seu ombro antes de responder a mulher.

— Desculpa, não estamos. — Jungkook virou a cabeça na direção do amigo, com os olhos arregalados, e recebeu um olhar questionador em retorno. Como assim não estavam contratando? Não faria mal algum contratá-la. — Você não é daqui, né?

Ela abriu um sorriso para ele, antes de negar e encarar o mais alto.

— Meu nome é , acabei de me mudar pra cá.

— Nasceu aqui ou é imigrante? — Namjoon perguntou, cruzando os braços e abrindo um sorriso para ela.

— Imigrante, cheguei a três anos. — Levou os olhos de um para o outro, Jungkook ainda a encarava e despertou ao receber um empurrão do amigo. Piscou os olhos algumas vezes e limpou a garganta, fazendo a mulher segurar um riso. — E vocês?

— Família imigrante, mas nascemos aqui. — O mais velho respondeu, vendo ela acenar em resposta.

— Bom, eu vou indo então. — Indicou a porta. — Vou ver em outro lugar, obrigada.

— Jungkook, o Danny não tá contratando? — Namjoon atraíra a atenção antes que ela pudesse ir embora, lançando um olhar divertido para o amigo e vendo-o concordar. — Porque você não leva ela lá?

Jungkook arregalou os olhos, encarando o amigo em descrença, e olhando para a mulher parada a poucos passos de distância. Em meio ao nervosismo, até pensara em negar mas, ao ver que os olhos de brilhavam em expectativa, não conseguiu evitar o sorriso e as palavras que sairiam de sua boca.

— Claro, levo sim.

E, ao ver o efeito que o sorriso da jovem teve sobre si, pediu mentalmente a qualquer divindade que o escutasse para que ela fosse contratada. Seria apenas uma desculpa para vê-la novamente.

 

🌻🌻🌻

 

Nota da Autora: Oi gente! Mais uma vez eu perdi o controle da minha vida e tô começando outra long hahaha Essa surgiu depois de eu ter visto Dynamite pela 39023902 vez (views no mv!), espero que gostem! Vocês podem entrar em contato comigo pelo meu twitter e pelo meu instagram.