Decalcomania

Sinopse: Ainda que não fosse capaz de se lembrar da primeira vez em que teve um pincel entre os dedos, ela nunca se esqueceria do dia em que compreendeu, enfim, o que é a arte.
Até então, sua ideia era que o artístico estava na alma, e não no amor. Afinal, este era todo placidez e serenidade. A Arte, ao contrário, combinava explosão e fascínio, culminando em sua mais clássica definição:
arte é o que faz sentir.
Então ela conheceu Jungkook.
{ A história é uma coletânea de momentos do casal, não seguindo ordem cronológica }
Gênero: Romance
Classificação: 16 anos
Restrição: Jungkook é o principal, BTS fixo
Beta: Alex Russo

Capítulos:

PRÓLOGO

Ainda que não fosse capaz de se lembrar da primeira vez em que teve um pincel entre os dedos, nunca se esqueceria do dia em que compreendeu, enfim, o que era arte.
Até então, sua ideia era que o artístico estava na alma, e não no amor. Afinal, este era todo placidez e serenidade. A arte, ao contrário, combinava explosão e fascínio, culminando em sua mais clássica definição:
arte é o que faz sentir.
Então ela conheceu Jungkook.

UNICORNS IN SEOUL

14 de junho de 2016

— Sook, quantas vezes a tia vai ter que te dizer que a gente não pode se atrasar? – a jovem perguntou, ajeitando uma touca com orelhas de raposa sobre os cabelos negros da garotinha que tinha as bochechas coradas de frio e agitação. Os traços orientais da criança escondiam ali parte da semelhança física entre elas, mas um observador mais atento podia perceber que carregavam nos lábios o mesmo ar atrevido e travesso.
— Eu seeei, tia ! – a forma como a criança abriu os bracinhos para se explicar fez com que a mais velha precisasse reprimir um sorriso: com o aniversário de seis anos, viera também uma veia dramática bastante apurada – Mas eu precisava buscar a tiara do V! – continuou sua explanação de forma expressiva, exibindo com orgulho uma tiara de orelhinhas de gato que era provavelmente a coisa mais chamativa em um raio de quilômetros. Adorável. Ela própria usava, por exigência de Sook, uma semelhante: um unicórnio, para combinar com os cabelos cor de rosa feito algodão doce.
— Ahhh, então agora ‘tá explicado! – sorriu, pegando a mão da pequenina e fitando aqueles olhinhos puxados que brilhavam de animação – Pronta pra ir?
— Siiiiiim! – Sook gritou, fazendo com que a tia se perguntasse como um som tão alto podia sair de uma criaturinha tão pequena. Era como se a felicidade fosse tanta, que não coubesse em seu tamanho em miniatura – Tia ! – ela estacou, teatralmente – O desenho! Você pegou? – perguntou, erguendo as sobrancelhas com preocupação.
Oh, meu Deus! – a moça de cabelos coloridos replicou o ar dramático da primeira antes de rir, apertando a ponta do nariz da sobrinha com carinho – Peguei, guria. – apontou para a mochila, onde carregava a aquarela sobre a qual passara a noite debruçada: Taehyung era o rosto mais perfeito que já desenhara em toda a vida, mas não deixava de ser espantoso o fato de que não havia absolutamente nada que pudesse fazer com um pincel para torná-lo ainda mais bonito. Qualquer rasura poderia violar aquela beleza divinal, e ela havia se esforçado ao máximo para mantê-lo assim: feito obra-prima.
— Vocês já vão? – uma mulher que não podia ter mais do que 30 anos surgiu na sala carregando um bebê nos braços – Juro que eu não sei quem está mais animada… – piscou um dos olhos para a irmã mais jovem que, à exceção dos cabelos, assemelhava-se tanto a ela.
gargalhou, jogando os cabelos para trás enquanto colocava a mochila de Sook nas costas para poupar a menina do esforço. Era difícil competir, quando a sobrinha dava pulinhos pela sala. Mas, bem, seu coração fazia o mesmo dentro do peito.
— São os meus meninos, , você sabe disso…
E eles eram, de fato. Seus sete garotos preciosos.
É quase curioso como, àquela altura, nem mesmo os devaneios adolescentes de teriam sido ousados o suficiente para fantasiar tudo o que aconteceria após aquele evento para fãs. E como poderiam? Sendo cruelmente sincera, ela já era quase velha demais para sonhar com essas coisas. Nem mesmo tinha um bias, por Deus! Como boa aficionada das listas e categorizações, costumava dizer que, cada um à sua maneira, os sete eram donos de seu mais puro afeto: Namjoon e sua mente com a profundidade de oceanos não navegados; Taehyung, e a preciosidade da alma artística que ela amava de todo o coração, por reconhecer nele parte de si; Hoseok, o sorriso mais sincero que já veio à Terra, capaz de despertar o seu melhor; Jimin, cuja existência era uma prova de que força e sutileza compõem o mais belo equilíbrio; Jin, e a graciosidade de amar a si mesmo em todas as formas; Yoongi e a certeza de que amor e cuidado estão no não-dito.
E então havia Jungkook. Aquele que, feito traquinagem infantil, jogava por Terra todas as suas teorias, porque havia nele um paradoxo tão extraordinário quanto incompreensível. Talvez fosse o fato de o maknae flutuar naquele espaço curioso entre o homem e o garoto, carregando nos olhos a leveza de ser menino pareada à seriedade de quem tem seu rosto estampado pelo mundo inteiro. Ou talvez estivesse justamente na admiração que nutria pela habilidade dele de ser excepcional em tudo – não por dom divino, mas por dedicação e esforço.
poderia tecer uma infinitude de hipóteses, mas duvidava que alguma explicasse de fato o que acontecia sempre que colocava os olhos naquele sorriso tão atrevido quanto encantador. No fim, Jungkook era feito um lembrete constante de que há um limite para o que se conhece de qualquer ídolo, porque o ser humano é uma extraordinária bagunça que câmeras jamais serão capazes de capturar com vivacidade. Talvez, apenas talvez, ela tivesse mais sorte com seu pincel.
O fato é que estaria sempre ali, amando de longe cada faceta daquele garoto, até mesmo – ou especialmente – as que estava fadada a nunca desvendar.
Afinal, como poderia imaginar tudo o que aquela tarde despretensiosa, em que o céu de Seul se coloriu de cor de rosa como se emoldurasse a sua existência, lhe reservava?
Era impossível prever que os olhos de Jungkook não se perderiam dela por um segundo sequer – a garota unicórnio, cuja gargalhada aberta se destacava não apenas por pelo som que carregava notas da mais pura alegria, mas por combinar tanto com a aura de sonho que lhe davam os cabelos.
Não fazia sentido que seu coração tivesse reagido de forma tão idiota quando, ao se colocar diante dele, assistiu-o gaguejar um adorável “eu não fico bem de rosa” quando lhe foi sugeriram tingir os cabelos feito os dela, deixando exposto e vulnerável o garoto tímido por quem tinha um carinho tão imenso, que mal cabia dentro do peito.
Céus! Nunca, em tempo algum,poderia sonhar com uma noite que terminasse com os dois dividindo sorrisos gêmeos, e o mesmo desejo secreto de que aquela não fosse a última vez que seus olhos – os dele, carregados de curiosidade juvenil; os dela, embebidos em admiração genuína – se cruzaram.
Aquela noite, passou em claro – é difícil adormecer quando a realidade tem caráter de sonho – e enquanto Sook dormia o sono mais sublime de sua vida inteirinha, a mais velha gastou horas debruçada sobre a mesa de desenho. Era um hábito antigo, cuja origem ela nem mesmo se recordava: todos os momentos marcantes de sua vida – dos mais extasiantes àqueles em que sentiu o chão ceder sob seus pés – transformavam-se em desenhos. Era assim desde seu aniversário de sete anos, quando ganhou uma coleção de aquarelas e passou deixar sobre o papel um retrato de seu coração: pulsos cheios de pulseirinhas da melhor amiga, a coroa de flores do velório do pai, os olhos marejados da mãe no dia em que deixaram uma vida para trás, rumo ao outro lado do mundo, os pezinhos de Sook recém nascida… Eram sempre detalhes desimportantes para o mundo, mas que permaneciam guardados no relicário de sua memória, e terminavam derramados em uma explosão de cores sobre o papel.
O que encontrou naquela manhã, também eram fragmentos: o sorriso característico de Suga. Os dedos cheios de anéis de Jimin. Um esboço de rosto com orelhinhas de gato que só podia pertencer a Taehyung. Os lábios de J-Hope, curvados em um sorriso. Cabelos cor de rosa e uma tiara de unicórnio. Um par de olhos grandes e curiosos que pareciam olhar diretamente para ela.
Há quem diga que arte e o amor são, em essência, um só: a habilidade de ver a si mesmo, além de si. Pela primeira vez, quando segurou o último desenho, compreendeu aquelas palavras: porque ela se enxergou bem ali, dentro dos olhos de Jungkook.

Nota da Autora:
Antes de mais nada, se você chegou até aqui preciso deixar meu mais sincero MUITO OBRIGADA ❤
Essa história me acompanha já há alguns anos, e foi a primeira que escrevi sobre kpop. Tem muito do meu amor pelo JK aqui, numa tentativa falha de deixar ele o mais próximo possível do que eu imagino que ele é de verdade. E também muito amor por essa protagonista, essa mulher feita de sonhos que, com alguma sorte, vai fazer você se identificar com ela – e se apaixonar também.
Qualquer crítica é muito bem-vinda aqui embaixo!! Vamos conversar!
Com carinho, Belle 💕

 

FAVORITE KISS

21 de setembro de 2018

despertou aos pouquinhos, flutuando por alguns minutos naquele estado gostoso do limbo entre o sonho e a consciência, conectando-se a seus sentidos pouco a pouco: o sol que entrava pela janela do estúdio, tornando o interior de suas pálpebras avermelhadas; o som eventual dos carros do lado de fora denunciando que o dia já começara naquela manhã de inverno; o cheiro familiar em seus lençóis, e naquele cujo calor ela sentia ao seu lado. Quando se espreguiçou, ainda de olhos fechados, o peso conhecido ao redor de sua cintura se acentuou, e ela abriu um sorriso quase preguiçoso. Só então, diante desse incentivo, reuniu a determinação necessária para vencer a claridade uma vez que, por mais que odiasse acordar cedo, flagrar Jungkook dormindo nunca falhava em aquecer seu coração.
Kook dormia de bruços, com um dos braços em torno dela, e havia algo na expressão serena dele que aprendera a apreciar profundamente: era gostoso demais senti-lo assim tão tranquilo e saber que parte disso se devia àquele laço alegre e despretensioso que construíam, pouco a pouco. A garota moveu o corpo devagar ao se virar de lado, cuidando mesmo sabendo que seria necessário muito mais do que aquilo para que ele acordasse, e riu baixinho da forma como o rapaz franziu o nariz, mexendo os lábios discretamente e denunciando que notara algum movimento na cama. Ali, com os cabelos bagunçados e os olhos espertos escondidos detrás dos cílios grossos, ele se parecia com o garoto de vinte e poucos anos que era. E ela não poderia gostar mais do que via.
A mulher escorregou ainda mais para dentro do abraço dele, chegando o rosto perto de seu ombro para pousar ali um beijo leve, que logo se abriu em sorriso. Diante da ausência de qualquer reação, alinhou seu rosto ao dele, roubando-lhe a ponta do travesseiro, e levou uma das mãos até os cabelos do rapaz, agora tingidos de castanho próximo do natural, correndo os fios entre os dedos até afastá-los do rosto. Depois de desenhar aqueles traços tantas vezes com tinta sobre tela, desta vez ela os desenhava sobre o rosto dele com ponta dos dedos: tocou com carinho suas pálpebras que escondiam o que havia de mais bonito no garoto, e então a pontinha do nariz, rindo quando ele resmungou baixinho, para enfim contornar os lábios em forma de coração, sem perceber que mordia um sorriso ao fazê-lo.
— Acorda, guri… – murmurou baixinho, apoiando-se sobre um dos cotovelos para alcançar o pescoço dele, deixando ali um beijo mais estalado, objetivando trazê-lo de volta à consciência com carinho. – Kook… – chamou mais uma vez, e dessa vez a mão dele em suas costas a trouxe para mais perto, deixando-os frente a frente, e não sabia se sorria porque estava enfim conseguindo começar a acordá-lo, ou porque ele a abraçava mesmo no sono. A garota passou uma das pernas por sobre as dele, encaixando-os ainda mais, para só então ver os cílios de Jungkook tremerem de levinho, denunciando que acordara. – Bom dia… murmurou, tocando os lábios dele com os seus levemente, permitindo-se atrasar um pouco mais aquele abrir de olhos. As mãos de Jungkook brincavam em um carinho preguiçoso nas costas da garota, e quando ele abriu os olhos – e um sorriso sonolento – foi como se acariciasse o coração dela da mesma maneira.
— Bom dia… – aquele tom murmurado aliado ao modo como a voz dele parecia rouca pela manhã era algo que teria tocando em seus fones de ouvido, se fosse possível.
Jungkook subiu uma das mãos pelas costas da garota, um sorriso miúdo e culpado surgindo em seu rosto ao não encontrar nada que impedisse o avanço, contornando o ombro até chegar ao rosto e apenas segurá-lo com carinho, desenhando a mandíbula da artista com o polegar e demorando o que pareceu uma vida até unir seus lábios mais uma vez num beijo tranquilo e delicioso, que se partiu com meia dúzia de sorrisos.
— Você acordou há muito tempo? – ele perguntou, brincando com alguns fios dos cabelos cor de rosa da garota, que negou com a cabeça, arrancando-lhe um meio sorriso. – Não consegue mesmo ficar acordada sozinha, não é? – continuou, rindo de verdade quando negou mais uma vez, rindo com certa culpa. Ele não se importava de acordar com ela, no entanto: naquela rotina tão maluca, cada minuto na presença de parecia precioso demais, porque era quando estava com ela – comendo na cama, rindo debaixo do chuveiro ou amando no sofá da sala – que ele sentia a cabeça nas nuvens, mas os pés bem perto do chão.
— Eu vou te recompensar com café da manhã. – ela mordeu a língua em um sorriso, segurando o queixo dele com os dedos para lhe roubar um beijo estalado antes se sentar na cama, deixando Jungkook com a visão de suas costas nuas. O garoto permitiu que seus olhos vagassem por ali por um instante, mas se apressou em afastá-los, quase como se não tivesse autorização para uma vista tão íntima que, apesar de já ter tido tantas vezes, ainda lhe fazia enrubescer quando fora de um contexto de sensualidade.
— A gente não pode só esquentar a pizza de ontem à noite? – ele coçou os olhos, espreguiçando-se, e quando voltou a olhar para ela, um de seus moletons engolia o corpo de , fazendo-o sorrir. Era como se a peça fosse feita para abrigá-la, e parecia concordar visto que passava mais tempo do que ele com o agasalho. E, mais uma vez, Jungkook não se importava nadinha com aquilo.
— Não, senhor… – riu, andando até a cozinha, pronta para agir como a noona que era. Ou quase. – Você nunca come direito quando tá aqui, eu já tô me sentindo culpada… – argumentou, tirando uma frigideira de dentro do armário para preparar ovos mexidos com torradas, o que era seu ápice do saudável. Jungkook enrolou na cama por mais alguns minutos, mas logo o cheiro do café fez com que se levantasse. O garoto resgatou as calças de moletom do chão, vestindo-as antes de se sentar no balcão diante de bem no momento em que ela colocava os ovos sobre as torradas.
O rapaz agradeceu, como sempre fazia diante do menor gesto de carinho, e sorriu enquanto contornava o balcão, sentando-se ao lado dele com as pernas cruzadas. Jungkook não tinha percebido que sentia tanta fome, e soltou pequenas exclamações de satisfação enquanto comia, até que a garota não pudesse mais segurar uma risada.
— Argh, como eu queria que você provasse pão na chapa e café com leite, guri. – riu, imaginando como ele reagiria àquilo, e Jungkook lhe devolveu o sorriso, porque adorava aquela forma como ela lhe chamava. Guri. E quando ela falava assim, ele também queria provar café com leite, pão na chapa, e o que quer que ela sugerisse, além disso.
— Como peço isso em português? – ele perguntou, segurando os olhos dela nos seus, que pareciam querer apreender o mundo inteiro.
— Café com leite. – ensinou, sorrindo largo quando ele repetiu, dando graça a cada palavra. – E pão na chapa. – completou, e Jungkook repetiu tantas vezes o pedido, que foi feito um telefone sem fio, e o resultado final em nada se parecia com o começo. Não deixava de ser adorável.
— Eu vou pedir isso quando for ao Brasil de novo. – garantiu, soando tão fofo. não conteve uma risada antes de selar seus lábios aos dele, mais uma vez.
Terminaram de comer conversando sobre o final do filme que viram na noite anterior, e não perdeu a oportunidade de implicar com o garoto por ter dormido no meio, só porque adorava aquela mania dele de colocar a língua contra a bochecha, denunciando seu próprio incômodo. O rosto de Kook era um espelho de seus pensamentos, e era por isso que pintá-lo nunca deixava de ser interessante: havia uma infinitude de expressões que se divertia em decifrar, uma a uma.
Ainda era tão cedo que voltaram para a cama, escondendo-se do frio sob as cobertas, e aproveitando o silêncio do lado de fora para cerrarem os olhos por mais alguns minutos. se deitou sobre o peito do garoto, passando sobre as pernas dele uma das suas, na qual Kook fazia um carinho sonolento com as pontas dos dedos, começando no meio da coxa e terminando próximo das costelas, por dentro do moletom largo. E aquilo era tão gostoso que sentiu seu corpo se arrepiar.
Os beijos que vieram a seguir não eram como os anteriores, e hoje Jungkook sabia bem diferenciá-los. Nestes, havia mãos por todos os lugares, e sons também. E, por Deus, como ele amava conquistar algum som baixinho de , especialmente quando ela lhe entregava aquilo direto em seus lábios. estava em cima dele com o moletom erguido a ponto de já revelar a tatuagem que ela tinha sobre as costelas, e aquele era um dos momentos em que o rapaz não se sentia enrubescer diante do corpo dela. Pelo contrário, desejava-a tanto que terminava de deslizar a peça com as mãos ágeis no instante em que o telefone de tocou sobre a cabeceira.
— Oh merda… – a garota suspirou ao ver o nome da irmã na tela do celular. – Preciso buscar a Sook, prometi ficar com ela… – explicou, passando os dedos pelos cabelos de Jungkook apenas para colocar o que havia tirado do lugar, mordendo um sorriso culpado. – Posso deixar você em casa, o que você tem hoje? – perguntou, acostumada à agenda lotada do cantor.
— Tenho que buscar a Sook, pra ficarmos com ela. – Jungkook respondeu de pronto, e quando se inclinou para beijá-la foi tarde demais, e terminou por beijar seu sorriso.
E foi ali que ele meio que descobriu seu beijo favorito.

M&M
10 de fevereiro de 2017

Yah!
O som quase ronronado fez com que erguesse os olhos da enorme embalagem de m&m’s na qual concentrava sua atenção: Jungkook largara as canetas coloridas com as quais desenhava em seu tênis e agora lhe encarava com a boca aberta e o pescoço estendido, esperando um lançamento. Estreitando os olhos teatralmente, ela se empenhou em mirar antes de jogar a bolinha vermelha de chocolate, fazendo-a aterrissar perfeitamente na língua do garoto, que abriu um sorriso satisfeito. Ponto!
— Metade do pacote e você finalmente está ficando bom nisso… – brincou, arremessando um m&m verde que Jungkook alcançou no ar, fazendo um estalo divertido com os dentes, como se provasse ali o quanto ele era bom naquilo, e ela que se calasse!
— Vai ficar sem chocolate da próxima vez… – ele deu de ombros, fingindo não se importar, mas deixando escapar um meio sorriso quando abriu a boca em indignação. Aproveitando a deixa, ele roubou um m&m do saquinho, jogando-o e acertando em cheio, pegando-a de surpresa. – Cesta! – piscou, voltando a destampar uma caneta, gesticulando para que voltasse à posição anterior.
— Besta! – a mulher jogou de lado os cabelos coloridos, deitando-se no o chão da sala, mantendo as pernas sobre o colo de Jungkook, sentado no sofá, para que ele continuasse o desenho que começara como alternativa à preguiça de qualquer outra coisa – principalmente escolher algo pra assistir no streaming, já que sempre acabavam perdendo a 1h30 de filme só assistindo o catálogo, brigando pelo controle remoto. Acabaram, assim, gastando a tarde fazendo absolutamente nada que não aproveitar a companhia um do outro. E eles meio que gostavam disso…
Não tinha nome, o que quer que fosse aquilo. Amizade colorida? Parecia pouco em alguns aspectos, e demais em outros. Eles mal se beijavam, afinal. Ao mesmo tempo, não eram só amigos. Talvez fosse algo especial demais, para o qual não tinham inventado um nome ainda – Jungkook pensava assim. Estava no modo como seus olhos travessos se encontravam, provocando risadas por piadas telepáticas. No cuidado de ao pisar com calma naquele terreno novo para ele, deixando-o aproveitar cada passo do caminho. No carinho dele, fazendo-se sua presença rara ser, de fato, um presente. Havia afeto, antes de mais nada, mesmo que não fosse romântico. Mas então aconteceu um beijo. E outros depois deste. E a cada novo encontro de lábios, encontravam também uma nova parte daquele quebra cabeça que se montava de pouquinho em pouquinho dentro de seus corações. Talvez em breve, vendo o quadro completo, o sentimento que já tinha vida própria ganhasse também um nome.
— O que você tá fazendo aí, hein? – ergueu o tronco, apoiando-se nos cotovelos enquanto se esticava para ver o que Jungkook desenhava na sola de seu sapato, admirando a ruguinha de concentração entre as sobrancelhas do garoto. A forma como ele puxou seu tornozelo de leve, com um sorriso brincalhão, fez com que a mulher caísse deitada de volta – Argh, deixa eu ver, guri! – ela gemeu um tom dramático movido pela curiosidade, recebendo uma negativa do garoto, acompanhada de um sorriso miúdo: ele gostava tanto quando ela o chamava assim… Sentia até mesmo as bochechas corarem com o pensamento, porque sempre foi avesso a algumas formas de tratamento – tinha um verdadeiro trauma do famigerado “oppa” – mas quando se tratava de … ele gostava de ser seu ‘guri’. – Me deixa veeer! – ela insistiu, soando quase como Sook em seus draminhas, e quando foi novamente contrariada passou a balançar o pé direito de forma ritmada: se ele não lhe deixava ver, também não conseguiria desenhar!
— Noona! – Jungkook soltou um resmungo aborrecido, mas tinha um meio sorriso brincando no cantinho dos lábios: geralmente era ele quem agia como uma criança birrenta, e finalmente podia compreender o que dizia sobre ser quase fofo quando ele fazia o mesmo. Quase, porque nunca se enquadraria exatamente neste termo enquanto o encarasse de dentro daquele blusão largo, com shorts que deixando expostas as tatuagens das pernas e, como se não fosse o bastante, lábios preenchidos por um sorriso atrevido cuja visão sempre fazia que que os seus comichassem. Ele já estava se acostumando à sensação, na verdade, de tão constante. Ainda não sabia bem quando cabia um beijo… Ele podia beijá-la sempre que quisesse? Se fosse o caso, não fariam mais nada o dia inteirinho… – Vai borrar tudo… – forçou-se para fora de sua própria imaginação, e parecia tão adorável com aquele biquinho contrariado, que soltou uma risada gostosa antes de enfim sossegar.
“Vai borrar tudo…” – ela o imitou, de um jeitinho cantarolado, começando a rir porque sabia, antes mesmo que Jungkook erguesse os olhos, a expressão de criança enfezada encontraria em seu rosto – Jungkook-ah! – o gritinho agudo interrompeu a gargalhada no instante em que, com um sorriso maldoso, Kook começou a rabiscar seu tornozelo. – Para, garoto! – exclamou, ocupada em tentar livrar a perna das mãos de Jungkook que agora a segurava com mais força, alargando o sorriso ao vê-la se debater e rabiscando ainda mais, perna acima – Argh! – um novo grito se misturou à risada quando ele deixou de lado a caneta hidrográfica para morder de brincadeira a pele exposta do tornozelo da mulher, fazendo a barriga dela doer de tanto rir – da mesma forma como as bochechas dele doíam pelo sorriso.
Eram momentos como aquele que faziam um sentimento engraçada tomar conta do peito do garoto, algo que o deixava com a sensação de que poderia flutuar acima das nuvens, mas também afundar dentro do friozinho que tomava conta de seu estômago. Era incômodo, fazia seu coração bater rápido demais, mas também era gostoso. Algo que só sentia quando estava perto dela. Estar no Mundo de era feito adentrar um universo paralelo em que risadas fora de hora, cabelos de algodão doce, carinhos atrapalhados, silêncios confortáveis e unicórnios se misturavam, e era aquela bagunça que lhe causava o sentimento esquisito.
As vezes ele se perguntava o que Namjoon-hyung teria a dizer sobre aquilo, mas a pergunta morria em sua mente porque não sabia nem mesmo explicar o que sentia. Taehyung era quem mais falava sobre a ‘garota-unicórnio’, mas Kook sempre reagia com protestos e não gostava de lhe dar ouvidos – afinal, como poderia, se Tae insistia em dizer que estava apaixonado?
— Já tá quase acabando… – ele trocou a caneta azul pela cor de rosa, e continuou seu desenho sob o olhar da artista que, não era novidade alguma, tinha um fraco ridículo pela expressão dele quando ele estava realmente focado em algo. Era espetacular quão enormes e sedentos do mundo os olhos dele pareciam, e ser expectadora daquilo era um de seus prazeres secretos. E não só dos olhos, mas o sorriso. Céus, o sorriso de Jungkook diante de algo novo e empolgante era um espetáculo à parte. E foi se lembrando de um sorriso em especial, o que ele deu quando se beijaram pela primeira vez, que ela perdeu a noção do tempo, despertando apenas quando o garoto quebrou o contato com sua perna, olhando satisfeito para sua obra de arte. – Pronto! – exclamou, falseando um suspiro enfadado, mas soltando uma risada para o modo como recolheu a perna rápido demais, sentando-se em um verdadeiro contorcionismo para ver cada detalhe do desenho.
— Jungkook! – ela exclamou, um sorriso tão grande que Kook se sentiu quase orgulhoso: estava se tornando um hobby, fazer coisas que a fizessem sorrir bem assim – Eu amei! – ela gargalhou, erguendo o pé para pertinho do rosto, examinando cada detalhe do desenho que trazia o Plancton, vilão do Bob Esponja, amassado sob a sola de seus pés. Era divertido, descolado e tão bonito: combinava com ele. Combinava com ela.
— Pra combinar com a sua blusa. – ele riu, referindo-se a uma camiseta da garota, estampada com o personagem tentando sobrar a fórmula mágica do Hambúrguer de Siri. Jungkook a vira com ela há algum tempo, e achara genial. sorriu, sentindo seu estômago dar uma cambalhota gostosa e ansiosa. Oh merda.
Aos 25 anos, ela não era mais ingênua: era por coisas assim – o cuidado aos menores detalhes, como se lembrar de uma camiseta que ela usou meses atrás – que as pessoas, ou pelo menos ela, se apaixonavam.
— Kook – chamou com um meio sorriso enquanto subia no sofá, sentando-se ao seu lado. Ele a encarava despretensiosamente enquanto levava um m&m até a boca, mas seus olhos se nublaram com expectativa quando viu os da mulher tomarem o rumo de seus lábios, e deixou o doce ali, preso entre os incisivos. riu baixinho enquanto se aproximava, pegando-o de surpresa ao roubar o chocolate só com a pontinha dos dentes – Desculpa, mas realmente preciso fazer uma coisa. – murmurou, um segundo antes de se inclinar sobre ele, unindo seus lábios em um beijo doce.
É. Talvez Taehyung estivesse certo, afinal.



76
19 fevereiro de 2018

— Setenta e seis? – o número brilhava em amarelo vivo na tela da TV ao lado de um disparatado “nicetry”, e parecia tão ofensivo quanto o tom de voz de Jungkook fazia soar. Afinal, não era possível que ele tivesse pontuado no karaokê míseros e risíveis setenta e seis pontos em uma droga de música que era sua. A mesma que ele cantava toda semana, porra, todo santo dia. Querendo ou não. Maravilhosa e espetacularmente bem. Na-na-ni-na-não – Não se atreva a rir! – acrescentou, tarde demais, fazendo deixar escapar a risada que antes tivera o bom senso de tentar conter mordendo as costas da mão direita.
— Me desculpa, amor… – ela deu um passo na direção do rapaz, a voz entrecortada pelo riso, apenas para o assistir se afastar, ainda agarrado ao microfone – Você viu só, foi uma boa tentativa… – continuou com um tom teatralmente reconfortante, apontando para a tela só porque provocá-lo era uma das coisas mais deliciosas em toda a vida. Céus, Jungkook era um péssimo perdedor! Do tipo que faz birra, grita com objetos inanimados, revolta-se contra tudo e todos… E é claro que havia a parte enjoada disso – por Deus, ele podia ficar verdadeiramente insuportável por horas! – mas, depois de alguns anos juntos, na maior parte do tempo aquilo só o fazia parecer extremamente divertido. Fofo, até.
E, bem, se conseguisse irritá-lo o suficiente, meio gostoso também.
— Você sabe que isso tá avacalhado… – ele apontou com raiva para a TV que, felizmente, havia parado de exibir o aviso ofensivo de sua pontuação mediana, dando lugar a uma tela de descanso que brilhava com uma animação em roxo, lançando uma coloração que contribuía para o ambiente, fazendo-o parecer preso nos anos 80.
O karaokê era de um amigo da garota e ali, escondido em um canto da cidade que ele jamais conheceria se não fosse por ela, JK se sentia um garoto normal curtindo uma sexta à noite com a namorada. Exceto pelo fato de serem duas da manhã. E o lugar ter sido fechado exclusivamente para os dois, a pedido da garota – ela achava que ele não sabia disso, e ele mantinha a mentira para que ela ficasse feliz. E, bem, ele e não eram namorados.
Aquilo parecia complexo para qualquer um que olhasse de fora, mas na prática era tão simples. Namoro, naquela circunstância e depois de passarem por tanto, só agregava um peso desnecessário. Estavam juntos. Secretamente, mas inteiramente juntos. Juntos a ponto de ela se aquietar em um relacionamento em segredo, que lhe cerceava de algumas liberdades – porra, como queria viajar com ele, mochilando pela Ásia com Jungkook ao seu lado sem a droga de uma máscara cobrindo o rosto! Juntos, a ponto de ele revirar sua agenda ocupada para que sempre pudesse passar ao menos algum tempo com ela. Ela não podia lhe acompanhar nas premiações; ele aparecia na casa dela de madrugada, saído direto do show. Eles não podiam comemorar dias especiais juntos; então tinham seu próprio dia – que era decretado por a qualquer momento do mês, apenas para fazê-lo rir e se sentir menos mal por não estar com ela nas datas verdadeiramente importantes. Eles não podiam ir a um encontro como duas pessoas normais – então ela fechava todo um estabelecimento no meio da madrugada, para que ficassem juntos, e em paz.
Era esse o tipo de relacionamento que tinham.
— Se você não tirar esse bico da cara, serei obrigada a te beijar. – declarou, em um tom solene. Jungkook revirou os olhos tão intensamente que suas íris desapareceram detrás de todo o desaforo da garota, e foi por muito pouco que conseguiu esconder o sorriso pequeno que ameaçou despontar em seus lábios, só porque ele adorava secretamente quando ela agia assim. Quando o provocava sempre que agia feito um garoto mimado.
— Eu não sou nota 76. – soltou, sem se importar com o quanto aquilo soava infantil, ou como seus lábios crispados em um bico emburrado faziam com que parecesse ter 8 anos de idade – Essa merda tá quebrada.
— Olha a boca suja! – implicou mais uma vez, esticando uma das mãos como se fosse tocar os lábios dele, fazendo Kook recuar, sentindo as bochechas corarem de raiva – É claro que você não é… – amansou o tom, mordendo uma uma risada, e Jungkook nem mesmo conseguiu sentir o calor em seu peito como sempre que ela lhe olhava com aquele sorriso, porque desta vez ele vinha com as sobrancelhas unidas e um olhar condescendente que fazia com que quisesse rosnar de raiva. Nem mesmo a forma como os cabelos dela pareciam ainda mais coloridos, coroando-a com em uma aura de deslumbramento, conseguia lhe roubar a atenção. Ou talvez conseguisse. UGH! Estar apaixonado era exaustivo, especialmente quando se apaixonara por alguém feito – Vá em frente. – estendeu o microfone na direção da mulher, erguendo uma sobrancelha em desafio. Aquela era outra coisa sobre ele… Jungkook nunca se dava por vencido. E se ele era um setenta e seis, queria ver que nota o karaokê maldito daria a ela.
— Não seja idiota… – os lábios rosados da mulher se partiram em uma risada contra o vidro esverdeado da garrafa de soju. Ela deixou que o líquido gelado descesse por sua garganta sem tirar os olhos do rapaz e, vendo-o manter a pose, aceitou o microfone com um gracejo – Como quiser.
Jungkook cruzou os braços ao lado dela enquanto rolava distraidamente pelas músicas disponíveis, fazendo gracinhas ao escolher, apenas para vê-lo se revirar, inquieto. Seu guri impaciente. Com o perfil marcado pelas luzes da TV, ele parecia tão bonito. Tão crescido… O rosto juvenil que ela guardava na memória, hoje dava lugar a ângulos masculinos e atraentes. As orelhas furadas carregavam duas argolinhas de prata pelas quais ela era apaixonada, e que ele casualmente sempre usava quando ia se encontrar com ela. Os ombros largos deixavam evidentes sob a camiseta preta cada músculo que ela conhecia com as palmas das mãos e a ponta da língua. Céus, como queria beijar aquela boca!
— Perdeu alguma coisa? – Jungkook perguntou, a voz soando um tanto mais baixa como sempre que, inconscientemente, estava em algum momento mais íntimo com ela. O que era o caso daquele olhar que o devorava, fazendo com que precisasse morder o lábio inferior já que não podia fazê-lo com o dele. O brilho convencido nos olhos dele fez com que a mulher forçasse o ar para fora dos pulmões com força, decidindo não ceder de pronto. Ainda que doesse. Argh, e como doía.
— Perdi. A educação que eu te dei. – revidou, dando um soquinho leve no braço do rapaz, que se permitiu rir largamente desta vez. JK também encontrava prazer em atiçá-la, e vinha aprendendo cada dia mais como fazer isso com maestria. Ele, tão fã de jogos, havia descoberto ali o seu favorito.
— Escolhe logo, guria. – cutucou a cintura dele com os dedos, usando o apelidinho cantado que soava tão gostoso em seu sotaque. Ele não tinha começado com aquilo há muito tempo, mas era fácil notar o quanto gostava do apelido, derretendo-se sempre que ele a chamava por ele.
— Pronto! – ela selecionou tão rápido que Jungkook não teve tempo de ver a música eleita, até ouvir as primeiras notas soarem e lhe arrancarem um sorriso, no mesmo instante em que levou o microfone até próximo dos lábios, grudando seus olhos aos dele naquele momento, sem deixar que escapassem mais – “He calls me thedevil, I make him wanna sin, every time I knock, he can’t help but let me in” – ela começou, soando bem o suficiente para que ele precisasse forçar um olhar analítico e desconfiado quando na verdade só se atentava ao modo como os lábios dela se moviam por sob a melodia sexy e gostosa – “Must be homesick for the real, I’m the realest it gets…” – soprou a verdade de cada palavra enquanto o puxava para perto pelo casaco, sorrindo para o modo como o garoto se forçou a desviar os olhos dela enquanto roubava sua bebida – “You probably still adore me with my hands around your neck” – deu de ombros, uma atriz impecável enquanto interpretava cada verso e, com um sorriso sacana, fez questão de levar uma das mãos até o pescoço de Jungkook no instante em que ele engolia sua bebida, fazendo-o quase se engasgar quando as unhas longas alisaram de leve sua pele.
Enquanto cantava o segundo verso, se dividia entre cantar e deslizar as mãos pelos ombros de Jungkook, aproveitando como podia aquele momentinho de privacidade que tinham: era raro estarem assim, tocando-se intimamente fora da segurança da própria casa, e era gostoso demais tê-lo sem restrições – mesmo que um biquinho de teimosia ainda se ocupasse dos lábios dele. Alcançou o abdome, sentindo-o se contrair discretamente, e assistiu com satisfação ao modo como o rapaz fechou os olhos, suspirando baixinho: ele era lindo, seu Jungkook. O guri impaciente que, de quando em quando, desmontava-se sob seus dedos.
“Cause we’re hot like hell… Does it burn when I’m not there? – lembrou que deveria cantar, dessa vez se adiantando na direção dele até que a parte posterior dos joelhos de Jungkook tocassem o pequeno sofá esquecido da sala de karaokê. As mãos dele se apoiaram na cintura de enquanto se sentava, dando espaço para que ela se ajeitasse em seu colo… E foi a vez dela de suspirar. Porque as pernas de Jungkook eram seu ponto fraco, e Deus sabia o quanto ele era espetacular por inteiro, mas sentir os músculos retesados sob o jeans fazia coisas com ela que não deviam ser permitidas, despertando-lhe um lado tão impaciente quanto ele – When you’re by yourself, am I the answer to your prayers? I’m giving you the pleasure of heaven and I’ll give it to you hotter than hell.”
Finalizou a promessa, sorrindo largo quando os dedos de Jungkook seguiram até seus cabelos, puxando-os enquanto ele tentava trazer o rosto dela para perto, tão perto que seus lábios se tocariam se não fosse pelo microfone que a garota mantinha entre eles. Respiravam pesado, compartilhando do mesmo ar assim como suas intenções e desejos já haviam encontrado a mesma sintonia. sorriu, afastando-se apenas o suficiente para que Jungkook entendesse que não teria o que queria, não ainda. Porque ela ainda tinha uma música para terminar – ainda queria vencê-lo.
— Você não vai me distrair só pra me ver perder… – ela murmurou fora do microfone, arranhando os dentes pelo pescoço dele, desmascarando suas intenções.
— Eu posso te distrair só porque eu quero? – ele perguntou, os olhos grandes e castanhos recheados de uma inocência que seus lábios desmentiam.
A mulher respirou fundo, decidida a terminar a música, mesmo que com custo. Era difícil quando o garoto não tirava os olhos – ou as mãos – de cima dela, mas era uma mulher crescida, e podia fazer melhor que aquilo, certo?
Errado.
No instante em que a música terminou, seus lábios avançaram sobre a sobre a boca dele, trazendo-a para si com os dentes, numa voracidade que o tirava de órbita e sempre lhe deixava à mercê dela. Jungkook, às vezes, ainda a beijava como um garoto. E nessas vezes, sempre acabava por beijar um sorriso dela. Era um começo bagunçado, sempre que se queriam demais… A pontinha da língua dela brincava com a dele, apenas o suficiente para instigá-lo a persegui-la para dentro de sua própria boca.
— Espera, quem ganhou? – tentou olhar para trás, mas foi impedida por Jungkook, que ainda não estava disposto a deixar seus lábios.
Foda-se. – ele murmurou dentro da boca dela, e estremeceu baixinho, porque havia algum prazer em vê-lo xingar quando estava com ela, apenas uma amostra de toda a perda de controle e compostura.
— Não foi assim que eu te ensinei… – partiu o beijo, tocando os lábios dele com as pontinhas dos dedos apenas para vê-lo tensionar a mandíbula com desejo, e desceu beijos por aquela linha bem marcada até alcançar o lóbulo da orelha, alcançando o metal gelado do brinco que o adornava com a língua – Mas eu gosto da sua boca suja, amor.
Jungkook grunhiu baixinho, e voltou a beijá-la com a intimidade de quem se conhece e se adora nos menores detalhes: ele sabia o que ela queria ao tombar a cabeça discretamente para trás, e entregava-lhe uma mordida gostosa no lábio inferior antes de descer os beijos pelo pescoço da mulher, inspirando o cheiro dela que acendia todos os seus instintos. Era doce, lembrava frutas tropicais e verão, e sempre lhe causava um calor gostoso a correr pelos poros. Jungkook se moveu minimamente, e soube o que ele queria. Contato. Ondulou os quadris sobre as pernas dele uma, duas, três vezes. Até ser impedida pelas mãos grandes do garoto em seu quadril, obrigando e implorando que parasse.
. – alertou, com um sorriso rendido quando jogou a cabeça para trás, e sua voz soava diferente do habitual, naquele tom secreto que era só dela. Um arrepio de prazer percorreu a espinha da mulher, porque amava quando ele usava seu nome. Quando eliminava qualquer diferença que existia entre eles, colocando-se diante dela olho no olho, atestando o que eram. Um do outro. Um só. – Já chega, vamos embora agora. – decretou, levantando-se do sofá enquanto mantinha a mulher no colo, as pernas entrelaçadas em sua cintura até chegarem perto da porta, quando estacou, com uma risada – Eu ganhei. – o sorriso de Jungkook era largo quando passaram pela TV, mas ele não parecia muito interessado no resultado do jogo agora que haviam dado início a outra brincadeira. Mas é claro que não tinha se esquecido…
— Eu acho que vou ter que te recompensar, então… – estalou um último beijo nos lábios dele, afastando-se apenas para sorrir, sabendo das consequências de suas palavras e adorando cada uma delas – Nota setenta e seis.