Hold me, save me

Hold me, save me

  • Por: Osgood
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 1959
  • Visualizações: 102

Sinopse: Seokjin já tinha perdido as contas de quantas vezes ele tinha voltando para o dia 11 de abril. Mesmo assim ele levantava da cama, se esforçava, tentava salvar a todos. E falhava. Talvez fosse hora de entender que ele não deveria cumprir aquela missão sozinho. Eles eram sete, afinal.
Gênero: Fantasia/Drama
Classificação: 12
Restrição: Fanfic não interativa
Betas: Rosie Dunne

01. Butterfly
 

Você vai ficar ao meu lado?
Vai me prometer?
Se eu soltar sua mão, você vai voar para longe e partir?
Estou com medo
Você vai parar o tempo se o momento passar?
Como se nada tivesse acontecido

Antes mesmo de abrir os olhos, Seokjin sabe exatamente tudo o que está acontecendo.
É 11 de abril novamente.
Ele falhou novamente.
O quarto está claro e a cama de hotel, o local temporário enquanto a reforma do próprio quarto não finaliza, fica posicionada perto da janela, facilitando que os raios de sol iluminem seu rosto. Ele respira fundo antes de abrir os olhos. Seu corpo se contorce, cansado de viver o mesmo dia tantas vezes, implorando por descanso, por um pouco de paz.
Mas ele sabe que não pode se dar esse luxo.
Enquanto acorda lentamente, Seokjin começa a repassar mentalmente tudo o que aconteceu nos últimos dias. No último dia. Ele não sabe mais dizer, o conceito de tempo está completamente perdido. Não tem como ter certeza de quanto tempo se passou, se tempo nenhum passou. As horas, dias, semanas, meses, tudo se perdeu em um emaranhado de tentativas e erros.
Ele finalmente senta na cama e tira do bolso a polaroid dos sete amigos na praia em tempos mais felizes. Tudo o que Seokjin mais deseja é poder repetir aquela imagem em uma realidade em que tudo esteja bem, em que todos estejam felizes, seguros, vivos. Mas, dado o número de vezes que ele voltou para o dia 11 de abril, ele sabe que o Universo acha seu desejo muito complicado.
Porém, ele é teimoso demais para apenas desistir, e sente que o Universo sabe disso.
Da última vez quase tudo deu certo. Ele encontrou Taehyung cedo e, com a ajuda do amigo, tudo pareceu finalmente se encaixar. Seokjin chegou a acreditar que não viveria mais o dia 11 de abril, uma crença tola. A essa altura, ele deveria saber melhor.
Seokjin se lembra de morrer.
A morte em si não tinha sido aterrorizante. Era quase como um adormecer. Aos poucos, lentamente, seu corpo desligava, pronto para nunca mais voltar. Enquanto seu sangue jorrava, ele descobria como era realmente a sensação de ter a vida deixando seu corpo.
Talvez morrer tivesse sido pacífico, não fosse por Taehyung.
Os gritos desesperados do amigo ainda ecoavam sem sua mente. Seokjin sabe que Taehyung não teve intenção de matá-lo. Tudo não tinha passado de um infeliz acidente, uma escolha ruim em um momento ainda pior. Mas Seokjin ainda lembra de maneira vívida dos braços de Taehyung o abraçando, desesperado. Seu sangue espalhado no corpo do amigo, respingado em seu rosto, nas lágrimas que escorriam com força pelas bochechas de Taehyung enquanto ele gritava em desespero, como se isso pudesse trazê-lo de volta à vida.
O que Seokjin ainda não entende é porque ele voltou para o dia 11 de abril. Ele não sabe dizer ao certo se foi apenas uma reação automática de seu corpo, ou se ele simplesmente não vai conseguir viver – ou morrer – sem antes consertar tudo.
Mas lá está ele, novamente no mesmo quarto, no mesmo dia, com um trabalho a fazer.
Enquanto se levanta e troca de roupa, Seokjin pensa sobre todas às vezesue viveu o dia 11 de abril, tudo o que deu certo ou errado em cada uma delas. Ele está cansado de cometer os mesmos erros, de falhar em salvar seus amigos, mas sabe que não pode desistir. Não pode apenas viver o dia 11 de abril como se ele não fosse quando tudo dá errado.
A essa altura, Seokjin não tem mais certeza de nada. A ordem de acontecimentos nunca é a mesma, e em casos como de Yoongi, nem mesmo o local se mantém. A única coisa que sabe é que não consegue mais fazer aquilo sozinho, carregar todo aquele peso nas próprias costas todo o tempo.
Da última vez, ele teve uma conversa interessante com Taehyung, sobre os sonhos que o amigo estava tendo, todos mostrando exatamente o que aconteceria com cada um deles se Seokjin não tentasse impedir. Ele não sabe ao certo porque aquelas coisas estão acontecendo, porque justo com eles, mas ele tem uma missão.
Seokjin dirige pelas ruas de Incheon rapidamente, indo para o local onde ele sabe que conseguirá encontrar Taehyung. Não sabe porque o amigo está em uma delegacia, mas não duvida que se trate de mais uma de suas aventuras grafitando os muros da cidade. Pelo menos por enquanto o motivo para que Taehyung esteja ali é inofensivo.
— Seokjin? — Taehyung parece confuso de início, mas logo abre um sorriso animado por estar vendo-o após tanto tempo.
O sorriso de Taehyung aquece o coração de Seokjin e, para lhe lembrar que o mundo é completamente injusto e como as coisas nunca vão acontecer do jeito que ele espera, a imagem de Taehyung chorando, sujo com seu sangue, parece piscar em sua frente. Seokjin balança a cabeça, tentando afastar lembrança ruim. Ele também tenta abrir um sorriso, mas não consegue.
— A gente precisa conversar — a frase destrói completamente o sorriso de Taehyung, mas ele apenas balança a cabeça concordando.
Eles entram no carro e ficam em silêncio por alguns bons minutos enquanto Seokjin apenas dirige. É risível que ele não consiga sequer começar o assunto mas, em sua defesa, como ele pode falar tudo o que precisa sem que o amigo o ache completamente maluco? Ele mesmo não acreditaria na própria história se fosse contada por outra pessoa.
— Faz tempo que a gente não se vê — Taehyung puxa assunto, quebrando o silêncio completamente desconfortável do carro. — Faz quanto tempo que você voltou dos Estados Unidos?
— Pouco.
— E como foi lá?
Seokjin contém o arrepio que tenta passar por seu corpo, a imagem de uma amiga sendo atropelada tomando cada pequeno canto de sua mente. Ele respira fundo e finalmente consegue abrir um sorriso falso, que ele tem certeza que nunca enganará Taehyung, mas também confia que o amigo não irá insistir em fazê-lo entrar em um assunto que claramente causa desconforto.
Ele prometeu a si mesmo que voltar para Incheon seria a nova página que sua vida precisava. É quase irônico pensar isso agora.
— Nada bom — o sorriso ainda está em seu rosto quando ele solta um suspiro pesado.
— O que você precisa falar comigo? — Taehyung decide ir direto ao ponto. — Nós ficamos… Dois anos sem sequer conversar. Não tem como eu já ter feito alguma merda — a brincadeira o faz rir. Taehyung ainda é exatamente como ele se lembra.
— Você quer tomar um café? — Seokjin pergunta e Taehyung estreita os olhos, parecendo desconfiado, mas logo balança os ombros, aceitando o convite.
O café é pequeno e confortável, quase vazio. Seokjin se lembra de ter ido em algumas filiais nos Estados Unidos, e que sempre gostou de como o local passa a sensação de aconchego. Eles se sentam em uma mesa ao canto e cada um pede uma bebida. Durante todo o tempo, Taehyung o encara com curiosidade. Apenas após receberem as bebidas, Seokjin se sente confiante o bastante para iniciar o assunto:
— Nós precisamos conversar sobre os sonhos que você ‘tá tendo.
O queixo de Taehyung cai completamente. Ele parece totalmente chocado, e Seokjin não pode culpá-lo. Ainda assim, ele fica em silêncio, esperando o amigo absorver aquele momento.
— Quais… sonhos? — Taehyung ainda parece chocado.
— Com o pessoal. Namjoon preso, Jimin no hospital, o acidente do Hoseok, Jungkook no telhado, o… Yoongi. Esses sonhos — Seokjin percebe como Taehyung parece ainda mais chocado.
— Como você… Eu não contei pra ninguém — a voz do amigo não passa de um sussurro surpreso enquanto ele engole em seco. — Como você sabe?
— Essa é a parte maluca.
Seokjin respira fundo e conta a história completa, desde a primeira vez que foi 11 de abril. Durante praticamente todo o tempo, Taehyung o encara como se ele fosse um completo lunático, e novamente Seokjin não pode culpá-lo. A história que ele está contando é realmente um tanto fantasiosa.
Quando Seokjin termina, Taehyung continua em silêncio por mais algum tempo. Ele respira fundo e dá o gole final em sua bebida, parecendo confuso, provavelmente tentando absorver tudo o que foi falado. Por um lado, a história é completamente maluca. Por outro, Seokjin acabou de descrever detalhadamente sonhos que Taehyung vem tendo nos últimos dias. Algumas coisas não podem ser negadas.
— Então… você vem do futuro? — Taehyung finalmente pergunta. Ele não parece acreditar totalmente no que Seokjin contou, mas ao menos está disposto a lhe dar o benefício da dúvida, e levando em consideração a vida que Seokjin tem vivido, isso é tudo o que ele pode pedir.
— Não exatamente. É… Complicado. Eu fico voltando pro dia 11 de abril o tempo todo.
— E… Da última vez… Eu te contei sobre os sonhos?
Seokjin balança a cabeça, confirmando. Taehyung encara a própria xícara, parecendo pensativo, tentando entender melhor o que está acontecendo.
— Você ‘tá me falando que, basicamente, você viaja no tempo e eu vejo o futuro?
— É um jeito de ver as coisas — Seokjin franze as sobrancelhas, se sentindo um pouco confuso. Nunca tinha pensado por esse ponto de vista, é estranho. É como se eles tivessem algum tipo de superpoder, o que deixa tudo ainda mais esquisito. — Você acredita em mim?
Taehyung encara a própria xícara por muito tempo, mais tempo do que o confortável, ficando completamente em silêncio, ponderando suas opções. Seokjin o encara, nervoso, desejando de todo seu coração que o amigo acredite nele. Taehyung é sua última esperança de conseguir salvar a todos; se ele não acreditar em Seokjin, o rapaz não sabe mais o que fazer, como será capaz de continuar vivendo daquela maneira. Talvez ele desista, talvez ele-
— Tudo bem — a voz de Taehyung corta sua linha de pensamento.
— Tudo bem? — Seokjin o encara quase assustado e percebe que soa completamente surpreso. — Você acredita em mim?
— Não por enquanto — a resposta de Taehyung quebra seu coração. — Mas eu vou te dar o benefício da dúvida. Você disse que nós precisamos salvar os outros, né?
— Sim, se não eles… — Seokjin não consegue completar a própria frase, engolindo em seco.
Ele lembra de Namjoon algemado, de Jimin na banheira, de Hoseok na maca, do som do coração de Yoongi parando, do corpo de Jungkook caindo… Ele está decidido a salvar os amigos, mas ele não sabe quanto tempo mais aguentará vê-los morrendo, vê-los tão mal assim. Todo mundo tem um limite.
— Então… Podemos começar pelo Namjoon — a frase de Taehyung o enche de esperança. — Eu acho que, se tudo isso for verdade, ele vai ser o melhor pra nos ajudar com os outros.
Seokjin não tenta esconder o sorriso que praticamente rasga seu rosto, sentindo-se aliviado. Ele faz questão de pagar a conta sozinho antes deles levantarem e saírem do café. Enquanto dá partida no carro, Seokjin respira fundo, tentando manter a calma. Agora tudo vai dar certo. Tem que dar certo porque, se não der, ele não sabe mais o que fazer.