Life Goes On

  • Por: Galadriel
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 1419
  • Visualizações: 17

Sinopse: Aquele ano foi repleto de emoções, mas de uma forma um pouco diferente do que eles esperavam. Entre alegrias e tristezas, a vontade de viver e superar as adversidades falava mais alto. E ali estava ele, naquele dia que parecia que nunca ia chegar, a poucos passos do resto da sua vida.

Como um eco na floresta
Outro dia virá
Como se nada tivesse acontecido
Sim, a vida continua
Gênero: Drama/Romance
Classificação: Livre
Restrição: A história menciona um acidente de carro e o PP está em recuperação. Escrita originalmente com Jeon JungKook
Beta: Bridget Jones

Os últimos meses haviam sido bastante complicados. Por diversas vezes, e pensaram em adiar aquele sonho, mas os médicos foram enfáticos: não valia a pena. O ato heroico de podia ter acarretado consequências mais permanentes do que o esperado, e dadas as circunstâncias, não havia como estimar se em algum momento o tratamento daria resultado. O rapaz não se queixava, entretanto. Ele possivelmente passaria o resto da vida preso à cadeira de rodas que agora era quase parte de seu corpo, mas dormia com a consciência tranquila por saber que a menininha de tranças longas e vestido florido estava a salvo.
Enquanto arrumava a gravata, repassando mentalmente cada etapa do cronograma planejado para o dia, observava os amigos e familiares, alegres, brincando uns com os outros, em celebração. Estava vivo, afinal de contas, e isso bastava. Olhou a imagem no espelho, respirou fundo e aceitou a taça de champagne oferecida por um amigo. Não adiantava nada se deixar levar pelo nervosismo, agora; havia treinado incansavelmente para aquele momento, e faria o seu melhor.
— Ao ! — Alguém disse no meio da sala, e todos os presentes levantaram suas taças em brinde. O rapaz sorriu e agradeceu por estarem ali, com ele, em um dia tão importante. Se afastou um pouco do grupo e deslizou a cadeira até o sogro, que o chamava. Já havia se passado quase um ano e ainda sentia dificuldade em se locomover com as rodas no lugar das pernas.
O homem sorriu e apoiou uma mão no ombro direito de , como fazia desde o início do namoro dele com , quando estava prestar a dizer algo importante como “estou de olho em você, moleque!” ou “deixem essa droga de porta aberta”! Se abaixando até a altura dos olhos do rapaz, deu um leve aperto com a mão e soltou uma risada de contentamento.
é uma garota incrível, sempre disse isso a ela. Do tipo que merece um príncipe encantado que a trate como uma rainha, e não digo isso só porque ela é minha filha, não — os dois riram. tentava não ficar emocionado, mas sabia que, naquele dia, seus esforços seriam em vão. — Fico feliz que esse homem seja você, filho. Poucas pessoas teriam coragem de se arriscar como você se arriscou, e menos ainda conseguiriam encarar as sequelas de cabeça erguida como você tem feito.
Com lágrimas nos olhos e sem conseguir responder em palavras, o rapaz agradeceu com um sorriso e aceitou o abraço do sogro. era mesmo uma mulher incrível, forte e determinada, e a simples ideia de não estar ao lado dela era devastadora. se lembrou das noites que passaram no hospital, quando ele achava que estava sonhando com a noiva, induzido a um estado de semiconsciência pelo coma. Ela estava ali, ao seu lado, em cada uma das vezes que ele achou que não ia aguentar; cada uma das vezes que ele achou que nunca mais abriria os olhos para vê-la novamente, em carne e osso, e não apenas em sonho.
Se lembrava mais desses momentos do que da luz forte dos faróis do carro, se aproximando em alta velocidade da menina que estava no meio da rua, mas ainda tinha vívido na mente o som gutural do grito que o pai da pequena deu, quando ela se soltou da mão dele e correu em direção à mãe, na outra calçada. Apesar da pouca sensibilidade que tinha nas pernas, agora, com um pouquinho de concentração, podia sentir a força dos músculos que agiram involuntariamente, correndo em direção à criança a tempo de empurrá-la para fora do alcance do carro. E se lembrava, também, do som de seus próprios ossos se quebrando quando foi atingido no lugar dela.
Oito meses haviam se passado desde o dia em que acordou no hospital com a notícia de que talvez nunca mais voltasse a andar. Sete meses desde que tentou romper o relacionamento para libertar do fardo, e seis meses desde que ela finalmente conseguiu convencê-lo a fazer o tratamento com o fisioterapeuta e disse que ele teria que se esforçar mais se quisesse que ela fosse embora. Ele não queria.
Aos poucos, a sala foi se esvaziando e ficou sozinho. Aquela seria a última vez, pelo resto de sua vida. Ouviu a música começar ao longe e releu as anotações que trouxe consigo, aceitando que nada que colocasse em palavras seria forte o suficiente para descrever o que sentia pela mulher que o esperava. Conferiu se estava com tudo o que precisava e respirou fundo, de olhos fechados, algumas vezes. Uma batida leve na porta indicou que estava na hora.

(Coloque a música para tocar)

As flores coloridas enfeitavam todo o caminho de até o campo. Ainda era manhã, e o sol de primavera aquecia e iluminava o local. O rapaz se permitiu parar por um instante, sentindo o toque dos raios na pele e respirando o ar puro. Pelos vãos entre os pilares de pedra que sustentavam o salão com ares de castelo de conto de fadas, viu o manto verde reluzente, com cheiro fresco de grama recém cortada. Os amigos, familiares e médicos que acompanharam o casal desde o início e por todas as tribulações estavam acomodados em bancos de madeira clara e entalhada, decorados com lanternas e pequenos buquês de mosquitinho e cravinhos.
As tais borboletas rodopiavam tanto dentro quando fora da barriga de , rodeando os arranjos e trazendo boa sorte. O rapaz ainda não entendia por que havia ganhado uma segunda chance, uma nova vida, podia assim dizer, mas cada detalhe colocado ali o fazia agradecer o fato de estar vivo. Olhou para baixo, encarando as próprias pernas, e agradeceu a elas, também. Seja lá quais fossem as linhas tortas pelas quais o destino escrevia, sabia que era hoje uma pessoa muito melhor do que era oito meses atrás, e se sentia verdadeiramente digno do amor de .
Com as mãos firmes nas rodas, avançou mais um pouco, até o início do corredor formado pelas pessoas mais queridas pelos dois. Olhou em frente, como havia aprendido a fazer, e lá estava ela, linda, angelical, quase, no vestido branco adornado com pequenas pedrinhas brilhantes e o sorriso mais precioso que o rapaz já havia visto. Concordaram em quebrar a tradição, e era que o esperava no altar, acompanhada pela menininha de tranças longas, vestida à imagem da mulher, com a cestinha de pétalas de rosas ainda nas mãos.
Os convidados se levantaram para receber o noivo. As rodas deslizavam devagar, suaves, pela passarela de madeira que o conduzia até a futura esposa. Tentou conter o sorriso e manter a concentração, mas cada vez que levantava os olhos e encontrava os de , marejados, desistia. Era impossível não sorrir na presença dela.
Dizem que a vida continua, apesar das dores e dificuldades, e o rapaz era prova disso. Observou o rosto de quando ele parou a cadeira de rodas antes da marca combinada, e gravou na memória cada traço de confusão se transformando em alegria ao ver o noivo se levantar, com cuidado e muito esforço, se apoiando na muleta discreta que levava consigo. Aquele era o dia mais importante de sua vida, e dava, com as próprias pernas, os últimos três passos para a felicidade.

Notas da Autora

Ok, essa é a definição de surto.

Life Goes On não tinha a menor pretensão de existir, até que existiu HAHA e agora eu estou apaixonada por ela (tanto pela fic, quanto pela música. E que música, senhoras e senhoras)!

Obrigada por ler até aqui, espero que tenha gostado. Vou ficar muito feliz se você puder deixar um feedback, também. Me ajuda muito a crescer como autora.