Make It Alive

Make It Alive

  • Por: M. Angeli
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 311
  • Visualizações: 157
  • Capítulos: 2 | ver todos

Sinopse: Há anos, estavam juntos. Mas não podiam assumir esse amor. Um relacionamento escondido da mídia, que finalmente vem a tona.
Gênero: Romance
Classificação: Livre
Restrição: Escrita com o Yoongi, porém pode ser lida com qualquer um.
Beta: Alex Russo

Capítulos:

 

Dispatch:
, do BTS, está noivo de misteriosa garota. Veja fotos do final de semana romântico do casal.

Billboard:
Rumor! , do BTS, estaria noivo de garota misteriosa com quem supostamente está junto há dois anos.

Naver:
Fotos de , do BTS, em encontro com misteriosa garota caem na rede.

Joy News 24:
Rumores sobre suposto noivado de , do BTS, movimentam a internet. BigHit ainda não se pronunciou sobre o caso.

BigHit Entertainment:
Nos últimos dias temos sido questionados sobre um suposto relacionamento de . Veículos de comunicação de todo o mundo têm cobrado uma resposta quanto aos rumores noticiados. Quanto a isso, o que temos a dizer é que a vida pessoal de nossos artistas diz respeito apenas aos artistas. Agenciamos apenas suas vidas profissionais e, dessa forma, apenas o próprio pode se pronunciar sobre o assunto se assim quiser, pois sua vida pessoal não cabe a outras pessoas além dele e tampouco deveria se sobressair a sua carreira profissional.
Sobre as notícias em questão, o que temos a dizer é que não concordamos com a atitude dos veículos de comunicação em perseguir os artistas em momentos pessoais para fotografá-los sem seu consentimento e medidas legais serão tomadas sobre a divulgação das fotos.
Para os fãs, quem realmente importa, pedimos que apoiem e fiquem ao seu lado, como ele sempre fez com os armys. Pedimos que denunciem as fotos que encontrarem e aguardem, pois sentindo-se confortável, ele mesmo falará sobre o assunto, diretamente com vocês e não com a mídia.

Capítulo Único

bufa, e bloqueia a tela do celular após ler o pronunciamento da agência sobre . A resposta deles era melhor do que qualquer agência teria dado, a atitude deles em relação a sua vida pessoal também, mas ainda se revoltava com a necessidade daquilo, de se pronunciar por algo que não era da conta de ninguém. Pior que isso apenas o fato de terem exposto sua intimidade com ela para o mundo todo, literalmente.
O BTS tinha acabado de voltar da turnê, e a levou para um chalé nas montanhas, tiraram duas semanas para os dois. Na volta, pararam em um restaurante e foi lá que foram fotografados. Por sorte, não fizeram nada além de andarem de mãos dadas e um abraço, mas ficava profundamente irritado em ver esse momento por toda internet, como se fosse um crime. Como se não pudesse se envolver com ninguém.
E claro que ainda tinham que aumentar a história. estava se perguntando em que parte do abraço decidiram que ele estava noivo. Não entendia como haviam chegado àquela conclusão, sinceramente. A própria perguntou porque não havia sido convidada ao casamento se era a noiva. Ele sabia que ela não ligava para aquele tipo de coisa ou o que pensavam dela, mas sabia também o ódio que tinha da Dispatch e que apenas por ele, estava fingindo não se importar com a divulgação. Talvez realmente não ligasse tanto para as fotos, eram só fotos, mas o fato da Dispatch ter, de novo, exposto um idol, isso sim a irritaria.
— O que eles te disseram? — perguntou, e somente então notou que, quando seu celular notificou com a postagem da BigHit, parou ali mesmo, na sala, e que estava ali desde o início, deitado no sofá com um livro em mãos.
Sem notar, fez uma careta, aquela tão típica dele, juntando os lábios em uma linha fina e franzindo o nariz.
— Eles quem? — perguntou, com a voz arrastada, e ligeiramente confuso.
— A agência, sobre . — explicou, fechando o livro e sentando-se no sofá para encará-lo.
— Ahn… — suspirou, fazendo barulho ao puxar o ar pela boca enquanto pensava sobre o assunto. Normalmente, não gostava muito de conversar. Fazia mais o tipo que apreciava o silêncio, mas falar com sempre ajudava e por isso ele continuou. — Disseram que eu deveria processar a Dispatch. — confessou, e meneou positivamente com a cabeça, ouvindo atentamente. — Ela não tem uma vida pública e sequer censuraram seu rosto. Agora tem fotos dela por toda parte e ainda uma história mentirosa. — seguiu até o sofá, jogando-se sentado ali claramente impaciente. — A minha mãe me ligou pra saber se eu estou noivo.
— E você vai fazer isso? — voltou a questionar, ignorando a última fala.
— Queria, sim. Mas só vai dar mais ainda o que falar. Algo que poderia ser esquecido em uma semana, levaria meses para sumir. — respondeu, mas enquanto falava, pensou seriamente se queria mesmo que aquilo sumisse.
Não fazia dois anos que estava com e sim três e várias vezes naquele tempo, pensou no quanto queria assumir o que tinham. Queria assumir porque mesmo que sua vida pessoal não fosse da conta de ninguém, ela ainda era importante o suficiente para que quisesse que soubessem. Porque ela era especial e esconder que estava apaixonado por alguém tão incrível não fazia sentido para ele. Não era como se fosse sair por aí dizendo isso para as pessoas, que estava apaixonado, mas queria poder andar livremente com , sem precisar escolher lugares distantes como um chalé na montanha quando queriam ficar juntos. Aquele momento era a oportunidade perfeita para que ele fizesse tudo isso, mas ainda sentia raiva que não tivesse tido a oportunidade de decidir com anunciar seu relacionamento para o mundo e, principalmente, para seus fãs. Queria conversar com , decidir com ela o que fazer porque era a vida dela também. Deveria ser decisão dela, sair ou não do anonimato, e não de um jornalista qualquer e, se ela quisesse fazer isso, então era quem deveria falar aos armys.
Mas agora, graças a forma como tudo aconteceu, ele precisava decidir o mais rápido possível entre negar tudo ou assumir e, no caso de assumir, como fazer isso e se ia processar a droga da Dispatch por se meter de novo onde não devia.
— E você quer que suma? — perguntou, depois de alguns segundos, e o encarou, levando um tempo para lembrar sobre o que exatamente ele estava falando, graças a sua mente que havia divagado por aí com mil e um pensamentos.
E era exatamente isso que queria, o conhecia o suficiente para saber disso. As perguntas tinham como principal objetivo fazê-lo pensar sobre o assunto e não tirar dele qualquer resposta.
— Eu não quero. — falou de uma vez, cruzado os braços em frente ao peito e olhando para qualquer ponto aleatório a sua frente. — Mas queria escolher como contar isso. Junto com ela.
— E a quanto tempo você está pensando sobre isso? — perguntou, e estreitou os olhos, coçando uma das orelhas incomodado com a pergunta. Sabia onde queria chegar, sem que ele precisasse ser mais claro sobre isso, mas claro que esclareceu mesmo assim. — Há quanto tempo você de fato tem o anel de noivado e ainda não a pediu em casamento? — perguntou, e não o respondeu.
Fazia tempo demais que tinha a aliança, mas não era tão simples. Para começar, nunca tinha tido coragem de conversar com sobre colocá-la no meio da sua vida totalmente conturbada com a fama. Tinha medo de não gostar da resposta. Uma das coisas que mais amava nela era sua independência, e não via como ela poderia gostar de virar, da noite para o dia, a “mulher de “. Nem ele queria isso. Era um rótulo ridículo. Ela não havia estudado e trabalhado para ter sucesso em sua carreira e ser resumida a mulher de alguém, como se fosse um objeto. Manter as coisas como estavam era muito mais simples e, mais uma vez, xingou mentalmente a Dispatch por tê-lo colocado naquele beco sem saída. O estavam obrigando a tomar uma decisão.
Ficaram em silêncio por alguns minutos, enquanto pensava sobre o assunto. Agora, não tinha muito que ele pudesse fazer sem conversar com antes. Não era mais uma escolha somente dele.
— Decidiu o que vai fazer? — voltou a perguntar, após certo tempo, e suspirou.
— Não tem muito que fazer, tem? — perguntou insatisfeito, e deu de ombros.
— Até tem, mas só uma possibilidade faz sentido. — o encarou, esperando que dissesse qual era, mas não disse nada. O que nem era uma surpresa. — Não espere que eu te diga nada, você já sabe. Estão juntos há três anos, . — sem esperar uma resposta, se deitou novamente no sofá e voltou a abrir o livro, dando o assunto por encerrado enquanto franzia os lábios em uma linha reta.
Ele sabia, realmente sabia o que fazer, mas estava com um medo do inferno, essa era a verdade. Só era bom com palavras quando as passava para o papel. Ter aquela conversa com o deixava meio perturbado, mas de qualquer forma, não tinha mais como fugir agora, não quando o rosto dela estava por toda parte.
Mesmo que não fosse tão bom em admitir em voz alta, ele a amava e queria passar o resto dos seus dias com ela, então agora era a prova. Era o momento que sempre esperou para pedi-la em casamento, pedir que passasse o resto de seus dias com ele e sabia que o amava o suficiente para aceitar também, só precisava saber se ela ia aceitar embarcar naquela loucura de estar também no meio dos holofotes com ele. Ele e a fama eram um pacote e agora ele precisava saber se estava disposta a fazer parte daquilo também.

+++

deixou suas cópias das chaves do apartamento de sobre a mesa de vidro, ao lado da porta, e tirou o casaco. Ela ainda não havia chegado, mas não seria uma novidade que ele estivesse ali antes dela, ou sem ela. Já praticamente morava naquele apartamento sempre que estava em Seoul.
Assim que fechou a porta, Bob, o cachorro de estimação de , veio correndo ao seu encontro, abanando o rabo e se esfregando em suas pernas. Passou entre elas, como sempre pensando que era muito menor do que era de fato, e por pouco não derrubou , que riu mostrando todos os dentes enquanto erguia as sacolas de comida para que o cachorro não as roubasse.
— Ya, ya! — reclamou com o bicho, mas Bob apenas repetiu o feito anterior, passando por entre suas pernas e esfregando o focinho gelado em sua mão, esperando por carinho. — Nos vimos ontem, não faz tanto tempo, para com isso. — falou, mas já coçava a orelha do cachorro, que abriu a boca e recebeu o carinho com a língua pra fora.
Bob era um total bobalhão, um labrador enorme de pelo claro, mas que definitivamente só tinha tamanho, não passava de um filhote bagunceiro e que, claramente, não tinha noção do tamanho que tinha. Sempre tentava se enfiar em lugares onde não cabia, ou deitar sobre e como se não fosse pesado o suficiente para lhes tirar o ar.
— Amigão, vou precisar de uma ajuda, okay? — voltou a falar com o cachorro, que latiu como se entendesse e acabou rindo mais uma vez. Aquilo parecia uma confirmação, mas ele não confiou no cachorro mesmo assim, deixando as sacolas sobre o balcão da cozinha, onde Bob não poderia alcançar. — Eu quero recepcionar sua dona com comida, na mesa da sala porque ela vai querer arrancar os sapatos e se jogar no chão quando chegar. — explicou para o bicho, que ficou sentado ouvindo atentamente. — Mas para isso, seria interessante que o cachorro não roubasse a comida. — Bob latiu de novo, e estreitou os olhos. Não tinha mesmo como ele entender, tinha? — Eu te trouxe isso. — tirou da sacola um petisco para o labrador. Era suficiente fedido para que não gostasse de comprar, mas Bob amava então trouxe para que ele ficasse quieto. — Vou te dar um agora, e se você se comportar, ganha outro mais tarde. Temos um acordo? — Bob latiu outra vez, para o biscoito, e negou com a cabeça, rindo mais uma vez da reação do cachorro.
Não, Bob não estava entendendo nada, mas já havia aprendido que riam sempre que ele o fazia depois que conversavam com ele. Era o cachorro quem mandava na casa, e não o contrário, e desistiu de tentar conversar, simplesmente entregando o biscoito para o bicho, que saiu correndo dali imediatamente, procurando um pano onde roer o biscoito que o entreteria pelos próximos minutos.
Finalmente sozinho, seguiu para a cozinha, procurando uma toalha para a mesa de centro e buscando pratos e talheres antes de colocar servir o jantar. Quando terminou, sentou-se ali, esperando por enquanto sentia o enorme peso da caixinha em seu bolso, com o anel de noivado.
Ele tinha planos de fazer daquele momento, o pedido de casamento, memorável de alguma forma. Algo romântico e bonito como se vê na televisão, mas provavelmente só morreria de vergonha se tentasse e riria a suas custas. Além disso, era um momento muito mais delicado que isso, precisavam conversar antes de qualquer coisa. Ele precisava saber se queria isso antes de pressioná-la com o pedido e não tinha problemas se ele não viesse acompanhado de um evento grandioso porque sabia que ela preferiria que fosse simples e sincero do que grandioso só por aparências, só para ter uma história a contar.
ouviu o barulho da porta e olhou para ela, esperando que entrasse na sala. Ainda fora de seu campo de visão, ouviu quando ela deixou as chaves sobre a mesinha, ao lado da sua, e escutou os sapatos de salto serem deixados ali mesmo, na porta, antes que ela entrasse em casa com a bolsa ainda nos braços.
— Hum… — ela suspirou ao se aproximar, fechando os olhos brevemente para o cheiro de comida que tomava conta do ambiente. Sem cerimônias, ela deixou a bolsa sobre o sofá e sentou-se ao seu lado, não dando a mínima por estar ou não de saia. Apenas cuidou de não perdê-la no caminho ou mostrar mais do que deveria.
sorriu para ela, e fechou os olhos quando a mulher se inclinou para deixar em seus lábios um beijo leve e singelo, um simples encostar de lábios, mas que era o suficiente para aquecer todo seu corpo da forma mais doce possível.
— Tudo bem? — ela perguntou assim que se afastou, mas a mão que havia pousado em sua cintura não saiu de lá, mantendo-os próximos. Não tinham tanto tempo para aproveitar momentos simples como aquele, então desfrutavam o máximo possível de todos que tinham.
— Eu que te pergunto. — ele devolveu, deixando mais um beijo em sua bochecha, e fez um gesto com a mão, como se pedisse para que ele deixasse aquilo para lá. Sabia exatamente o motivo daquela pergunta, sem que ele precisasse justificar.
— No máximo, ouvi um comentário ou outro, mas ninguém importante o suficiente para que eu não pudesse mandar tomar no cu. — ela respondeu, e ele riu mostrando os dentes, os olhos brilhando como sempre brilhavam quando estava com ela e notou sorrir também. Ela sempre sorria quando ele o fazia. Era tão óbvio que até mesmo ele já havia notado e ficava ainda mais apaixonado por ela sempre que acontecia.
— Espero que tenha mandado.
— Mas é claro que sim. — ela respondeu, somente então dando pela falta de Bob ao olhar para os lados. — O que fez com meu cachorro? — perguntou curiosa enquanto ele servia seus pratos. — Como conseguiu por a mesa e me esperar chegar?
— Eu tenho minhas táticas. — respondeu, e ela estreitou os olhos.
— Você comprou aquele petisco fedido de novo, não foi? — quando coçou a orelha, sem erguer o olhar, ela levou uma das mãos para a cintura. — . — ralhou, e ele fez um biquinho adorável ao encará-la.
— Eu precisava distraí-lo. — se defendeu. — Imaginei que você não ia gostar se eu dopasse o cachorro.
Ele nunca doparia o cachorro, ambos sabiam disso, mas estreitou os olhos mesmo assim, fingindo estar muito ofendida.
— Eu te amarrava na casinha dele e o deixava dormir no seu lugar. — ameaçou, e ele deu de ombros.
— Ele já dorme no meu lugar. — expôs o óbvio. Bob estava tão acostumado com a cama de que literalmente precisava brigar por seu lugar quando usavam a cama apenas para dormir.
— É um treinamento. — ela respondeu, e riu quando ele fez careta, franzindo o nariz e estufando as bochechas. Imediatamente, segurou seu rosto, e mordeu seu nariz, fazendo-o gritar de forma exagerada.
— Ya, ya! — reclamou, tentando estapeá-la sem força nenhuma, e apenas riu mais enquanto se esquivava, lhe roubando um selinho em seguida antes de se voltar para o prato servido bem a sua frente.
— Hum… Estou com uma fome…
— Vamos concordar que fome não é um requisito pra você comer nada né? — caçoou, e quando ela olhou feio para ele, voltou a rir, fazendo com que ela segurasse o riso também. — Está tudo bem, eu gosto de pessoas que se alimentam bem, sabe? — provocou e ela olhou feio.
— Mas não segue o exemplo né?
— Eu gosto que comam por mim e por elas. — sorriu, com os lábios fechados em uma linha fina para fazer graça, e ela apontou para seu prato.
— Come.
— Eu vou comer, vou comer. — se defendeu, colocando um pouco de comida na boca sob os olhares atentos dela que o esperou terminar de mastigar para voltar a falar, indo direto ao ponto dessa vez:
— Eu sei que quer dizer algo. Por que não começa? — perguntou de uma vez, enquanto levava o hashi até a boca e ele desviou por um instante o olhar até a mesa, pensando sobre como começar.
— Um… — iniciou, fazendo um som com a boca parecido com um ronronar, e notou sorrir por isso. — Você leu? O pronunciamento? — perguntou, e ela concordou com a cabeça.
— Quem reclama da BigHit definitivamente não conhece outras agências, ou grupos. — ela respondeu, simples, e foi obrigado a concordar. Não que sua agência não cometesse erros ou o irritasse vez ou outra. As vezes sua agenda era tão corrida que mal tinha tempo de respirar, mas eles tinham uma liberdade enorme se fosse comparar com outros grupo. — Mas e ai?
— Um? — ele perguntou, e ela revirou os olhos.
— Tem mais, não tem? “Sentindo-se confortável, ele mesmo falará sobre o assunto” — ela citou, diretamente do pronunciamento, e suspirou. — Eu imagino que eles tenham pedido para que se pronuncie.
— Pediram. — confessou, e ela deixou os hashis de lado para apoiar a cabeça em uma de suas mãos, esperando que ele continuasse.
— E o que você vai dizer? — quis saber, e puxou o ar pela boca em um suspiro. Aquela era a deixa para que iniciasse a conversa da qual fugiu por tanto tempo.
— Eu não acho que posso decidir sozinho, já que não envolve somente a mim. — começou francamente, lhe encarando e demonstrando uma confiança que certamente não sentia sobre aquele assunto. — Eu acho que é a hora de decidirmos se devemos contar de uma vez, assumir para as pessoas que estamos juntos. — falou de uma vez, mas , se sentiu-se desconfortável ao assunto de alguma forma, não transpareceu, limitando-se em virar a cabeça para o lado e continuar lhe encarando.
— Você quer? — perguntou, tranquilamente, e concordou com a cabeça.
— Eu quero, só não sei se é tão simples quanto só contar. — admitiu, o tom sério fazendo com que sua voz soasse ainda mais arrastada e firme. — Muita coisa vai mudar depois disso, especialmente pra você e na sua vida e por isso eu acho que você é quem deveria tomar essa decisão. Eu estou acostumado com as câmeras e com meu nome em manchetes por ai. Estou acostumado com as pessoas me olhando na rua e apontando para mim, mas você não. Se assumirmos hoje, pode ser que daqui há uma semana te esqueçam mas pode ser que não, não temos como controlar o que vai acontecer, então… Eu acho que você deve tomar essa decisão. Pensar em todas as formas que isso pode afetar sua vida e se quer que seja assim, se vale mesmo a pena. — “se eu valho a pena”, ele pensou, mas não quis verbalizar essa parte. Não queria influenciar a decisão, não queria que soasse como chantagem emocional, ele só queria que ela pensasse francamente, e tomasse a decisão que julgasse melhor para si mesma.
— E se não contarmos? — ela questionou, embora não parecesse tão desconfortável quanto ele se sentia. — Se você se pronunciar dizendo que é tudo mentira, vamos continuar nos escondendo para sempre?
não quis responder aquela pergunta, porque não gostava das alternativas que vinham a sua mente. Na primeira delas, sim, se escondiam para sempre, juntos, mas correndo o risco de serem pegos a qualquer momento e isso tudo terminar como uma terrível catástrofe. Na outra escondiam, mas ela se cansava dessa vida e simplesmente ia embora e somente a mera possibilidade disso lhe causava arrepios, porém, ainda assim, não era pior do que a próxima alternativa, onde ela ia embora desde já, porque esse fantasma sempre existiria se ela continuasse com ele e sentia uma dor absurda somente de cogitar essa possibilidade.
— Me responde. — ela insistiu, suavemente, e ele suspirou, concordando com a cabeça devagar.
— Seria… uma das possibilidades, eu acho. Não tem muito que fazer, na verdade. Podemos contar, ou mentir e continuar mentindo, só que… Não vamos ter um futuro assim. — suspirou, e encarou a mesa por alguns instantes, pensando seriamente se aquele era ou não o melhor momento para mostrar o anel. Não queria influenciá-la a assumir nada, mas por fim decidiu que naquele momento, ser sincero era o que deveria ser feito. sempre prezava isso de qualquer forma e, se ela precisava escolher, seria melhor se tivesse todas as cartas na mesa.
levou a mão para o bolso dentro de sua jaqueta, e tirou de lá a pequena caixinha de veludo preta, vendo prender a respiração com os olhos arregalados, focados na caixinha.
— O… quê…?
— Eu estou com isso guardado há um tempo… considerável. — admitiu, e voltou a encará-lo, recebendo o olhar atento do próprio em seu rosto. — Sei que eu não falo o que sinto com muita frequência, eu… Sou terrível nisso, mas sinto. Comprei porque queria te pedir em casamento, eu queria que pudéssemos ser um do outro até o final, mas não fiz justamente por isso tudo. Por que se fizesse teríamos que assumir para o mundo o que temos um com o outro e eu não sabia se era a hora, se você estava pronta ou mesmo se você queria. Nunca tínhamos conversado sobre o assunto e eu também não tinha coragem de tentar falar porque tinha muito medo da resposta. Eu sei que você compreende as opções, e o que está em jogo em cada uma delas, então… Acho que esse é o momento em que você decide. Pode ser hoje ou amanhã para que pense melhor, mas precisamos decidir.
ficou em silêncio mesmo depois que ele terminou. ainda tinha uma das mãos sobre a caixinha de veludo, mas a mulher apenas o encarava, sem dizer nada, e ele pensou no quanto queria poder ler sua mente nesse momento. Levou cerca de cinco minutos para que ela falasse alguma coisa, mas para ele mais pareceu uma eternidade.
— Eu estou confusa com uma coisa. — começou, e estreitou os olhos. — Essa caixinha, você trouxe para me pedir em casamento?
— Um… — ele murmurou confuso, com aquele ronronar adorável apesar do tom de voz meio rouco ao fazer isso. Ele notou, mais uma vez, que segurava o riso, e isso apenas vez com que ele franzisse ainda mais o cenho. Em sua cabeça, aquela conversa era mais dramática do que divertida, então porque ela segurava o riso? — Eu… ia? — respondeu, mas em meio à confusão, soou muito mais como uma pergunta.
— Não vai mais?
— Um? — questionou, sem saber o que exatamente deveria responder, e ela acabou rindo dessa vez.
— Você é adorável, . — falou, lhe encarando com uma ternura que não demonstrava para muitas pessoas. Assim como , também tinha um jeito ligeiramente bruto, que só servia para encantá-lo ainda mais, ao contrário das expectativas.
— Eu estou bem confuso agora. — confessou, e ela apenas riu mais uma vez antes de explicar.
— Estamos juntos há três anos, . Você acha que eu ficaria aqui se não fosse sério? E sendo, acha que eu nunca teria pensado sobre isso? — falou, e ele estreitou os olhinhos, abrindo ligeiramente a boca como se não soubesse exatamente o que dizer sobre aquilo.
— Pensou? — perguntou, e ela sorriu, achando graça em sua reação.
— Você não?
— Ahn, sim? — respondeu, mas soava como uma pergunta. Se estavam tendo aquela conversa era porque ele havia pensado. Não era? Ele estava realmente confuso agora.
— Então. — deu de ombros, pegando novamente os hashis para voltar a comer e apenas continuou lhe encarando, enquanto repassava a conversa mentalmente.
Aquilo deveria ser uma resposta? Ele sentia que era, mas não tinha muita certeza de que havia entendido. Normalmente ele era mais rápido para entender as coisas, mas relacionamentos o confundiam. era o tipo de pessoa que sentia tudo de forma intensa demais, mas que não conseguia pôr tudo para fora e essa dificuldade em se expressar fazia com que ele temesse a reação das pessoas a ele, pois nunca sabia se elas realmente entendiam o quanto ele as amava, já que não era capaz de demonstrar.
— Acho que não entendi a resposta ainda. — ele admitiu, ainda a encarando com os olhos semicerrados. — Mas você parece ter… Encerrado o assunto?
— Estou com fome. — ela falou apenas, assoprando a comida, e ele deixou o queixo cair, chocado com sua tranquilidade.
— Ya! — reclamou, agora rindo também, pois em um instante, o clima voltou a se suavizar. — !
— O quê?! — ela exclamou, rindo também, mas ele se manteve impaciente.
. — insistiu e ela riu mais uma vez, mas deixou os hashis de lado para voltar a falar, com seriedade dessa vez.
— Sabe, eu esperava que isso fosse acontecer em algum momento. Confesso que preferia manter o anonimato, sim, mas não é como se eu não soubesse que em algum momento isso teria que mudar. , eu quero passar o resto dos meus dias ao seu lado, sim. E eu sei que pra isso, algum dia as pessoas teriam que saber sobre nós. Eu preferia que pudéssemos ter escolhido quando, que tivéssemos mais tempo e principalmente, que não tivesse dedo da Dispatch nessa conversa, mas isso era inevitável se pretendíamos mesmo continuar juntos. — ela explicou, esticando um dos braços para que pudesse tocar sua mão sobre a mesa. — Tudo bem, talvez eu tenha que ficar longe da internet por alguns dias até tudo se acalmar, para evitar passar raiva, mas é um preço pequeno se pudermos só continuar com nossas vidas. Uma hora as pessoas vão ter que aceitar e superar e se alguém encher meu saco, eu faço o de sempre e mando para o inferno.
a encarou boquiaberto por alguns instantes, se perguntando porque não esperou aquele tipo de reação. Três anos juntos, deveria ser óbvio para ele. Até era na verdade, agora que ele parava para pensar nisso, mas de alguma forma o medo de perdê-la lhe impediu de ver aquilo. De qualquer modo, tudo que ele mais quis naquele momento foi agarrá-la ali mesmo e beijá-la até o amanhecer, porque era a mulher mais incrível que ele já havia conhecido, mas se conteve por um instante, pois aquela conversa ainda não havia chegado ao fim.
— Eu te amo. — falou, sem pensar sobre o assunto, e, bom, ele só falava quando era totalmente espontâneo, o que a fazia rir sempre.
— Eu também te amo. — devolveu, e ele concordou com a cabeça. — Mas não vou te amar se não me deixar terminar de comer. — provocou, e mais aliviado ele se permitiu rir mais uma vez. — Decida como quer falar sobre o assunto, eu confio em você e sei que vai fazer da melhor forma, mas, eu tenho uma condição sobre isso. — falou, e ele esperou atentamente que ela continuasse. — Chute lindamente a bunda da Dispatch. Aliás, sugiro um vídeo. Uma live trabalhada no deboche. Tenho certeza que seus fãs também vão amar. Todo mundo odeia a Dispatch. E, hum…
— Não era uma condição só? — ele interrompeu, agora divertido, e ela sacudiu o hashi em sua direção.
— Quieto, faz parte da primeira. — o repreendeu, e ele riu.
— Estou ouvindo.
— Processe-os. Deve ter alguma forma, algum argumento, mesmo você sendo pessoa pública. Nada que um bom advogado não resolva e eu sei que a BigHit tem uns ótimos.
— Tem. — ele concordou, mas uma idéia um tanto quanto arriscada surgiu em sua mente e ele olhou pensativo para o alto por um instante antes de verbalizá-la. — Hum… você pode fazer isso comigo também, se quiser.
— Ahn? — parou com o hashi na boca, e mordeu o lábio inferior antes de passar o polegar por ele para explicar.
— A live, podemos fazer juntos e comer juntos o cu da Dispatch. — sugeriu, fazendo-a sorrir satisfeita apesar de ligeiramente surpresa com a sugestão.
— Gosto de como sua mente diabólica funciona.
— Eu sei, a sua funciona igual. — retrucou, e ela apontou o hashi em sua direção mais uma vez, agora como se concordasse, antes de voltar a comer. — Isso é um sim? — questionou, mas voltou a falar antes que ela respondesse. — Se fizer isso, ai não tem mais volta mesmo. Seu rosto vai estar ainda mais em evidência e não vai demorar muito para descobrirem tudo sobre você…
— Você pensa demais, . — o interrompeu.
— Precisamos analisar os prós e contras, .
— Eu sei. Mas já decidi que vamos fazer isso, então… Não vai adiantar muito continuar me escondendo, vai?
negou, e ela deu de ombros, mas antes que voltasse a comer, ele afastou sua tigela e tomou os lábios dela para os seus. riu contra sua boca, e passou os braços ao redor de seu pescoço, deixando que ele iniciasse um beijo calmo, porém tão intenso como de costume. Suas línguas se tocaram, e derreteu-se por ela mais uma vez. Era inevitável sempre que estava com , pois não importava quantas vezes se tocassem ou se beijassem, seria sempre como a primeira vez. Sempre a mesma ansiedade, sempre o mesmo frio na barriga.
se inclinou sobre ela, e a mulher caiu para trás, contra o chão da sala com ele por cima, equilibrando o próprio peso contra um de seus braços. Ambos riram, mas não se soltaram e apenas iniciaram um novo beijo enquanto a temperatura da sala elevava alguns graus.
— Qual era exatamente o tamanho daquele petisco que você deu para o Bob? — perguntou, interrompendo o beijo quando uma das mãos dele apertou sua cintura.
— Um… — ele suspirou, contra sua boca, mas não teve dificuldade de entender o motivo por trás daquela pergunta. — Acho que não o suficiente para não sermos interrompidos. — respondeu, e ela resmungou contrariada.
— Vamos para o quarto então, a live pode esperar. — sugeriu, e nem mesmo cogitou a possibilidade de negar.
— Uhum. — concordou, mas não levantou ou deixou que ela fizesse o mesmo, puxando seu lábio inferior entre os dentes ao invés disso. — Mas eu ainda quero uma resposta. — falou, contra seus lábios, e passou a língua por eles.
— Que resposta? — perguntou, iniciando em seguida um novo beijo, que interrompeu antes que suas línguas voltassem a trabalhar uma na outra.
— Para meu pedido de casamento. — respondeu ele, e ela riu fraco, puxando seus cabelos levemente entre os dedos.
— Você não fez um pedido. — retrucou, e o viu sorrir. colocou uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, e olhou atentamente no fundo de seus olhos.
— Casa comigo? — perguntou, e ela mordeu o próprio lábio inferior.
— Quer fazer o pedido assim, agora?
— Quero que você case comigo. — insistiu em um sussurro que serviu apenas para arrepiá-la por completo.
— Eu caso. — aceitou, sem pensar duas vezes, e diante de sua resposta sorriu antes de voltar a beijá-la, sentindo-se mais feliz do que lembrava de um dia já ter estado.

+++

— Tem certeza de que quer fazer isso? — perguntou a antes de realmente ligar a câmera e a mulher revirou os olhos, dando a ele, com o gesto, a resposta que precisava para iniciar de uma vez a live prometida.
Ele não tinha falado com ninguém além dos meninos sobre aquilo, menos ainda pedido qualquer permissão ou consultoria para BigHit sobre o que dizer ou se deveria dizer. Ele simplesmente seguiu o que a agência havia dito sobre “falar quando se sentisse confortável” e não perguntou se tinham falado por falar só por aparências ou se era realmente real. De qualquer forma, aquele era o momento de abrir a boca, seu momento de ser totalmente sincero.
Suas únicas preocupações eram a cerca de , que já havia confirmado estar certa daquilo, e o próprio grupo, que poderia sofrer impactos negativos quanto a seu pronunciamento, mas eles também lhe apoiaram. O que viesse dali para frente, enfrentariam juntos também, confiando em seus fãs para apoiarem aquela decisão.
— Uhm… — ele já começou a live com um ronronar, levando uma das mãos para o pescoço e não pôde fazer nada além de olhar para ele e sorrir. — Boa tarde. — ele ergueu uma das mãos em um cumprimento discreto, e então se voltou para a mulher ao seu lado, gesticulando para que ela fizesse o mesmo.
— Ah, é… — ela voltou a si, acenando também, embora o tenha feito de forma um tanto quanto exagerada, claramente nervosa, como se só então tivesse notado que estava ao vivo para o mundo inteiro, literalmente, e que aquilo estava realmente acontecendo. Estava se apresentando finalmente como namorada de . Não, como noiva. Quase riu desacreditada só em pensar. — Eu sou , um… A garota misteriosa?
— Não parece mais tão misteriosa assim. — brincou, e soube que deu certo quando ela riu, mesmo que olhasse para ele e não para a câmera como era o habitual a se fazer.
— Não… Que pena. — ela devolveu e ele riu junto por isso, voltando-se para a frente em seguida para controlar a vontade repentina que sentiu de beijá-la. Isso, provavelmente, já seria demais.
— Ahn, vocês já imaginam porque estamos aqui, acredito. — ele foi direto ao ponto, mas desejou ter pensado antes no que falar porque aquilo acabou sendo mais difícil do que ele esperava. — Todos viram as fotos, é difícil negar o que está exposto ali e eu nem quero, por isso decidimos por essa live. — segurou a mão de , e a ergueu em frente a tela, expondo um anel de ouro branco com uma pequena e discreta jóia em cima. Poderia ter dado a ela algo mais extravagante, uma pedra enorme, mas sabia que ficaria muito mais feliz com algo discreto. — A Dispatch não mentiu, estamos juntos, e noivos. Mas ficamos noivos ontem porque… Não estamos juntos há dois anos, faz mais tempo que isso. Eu sei que muitos fãs se sentirão traídos, muitos enxergam que esconder um relacionamento é falta de honestidade, mas eu queria que antes de julgarem, me ouvissem. Eu não posso falar por ninguém além de mim, mas acredito que, quando uma pessoa no meio artístico escolhe esconder um relacionamento, não é pelo prazer de mentir, não é por esconder, não é por nada do que vocês acreditam. O principal motivo que me levou a esconder, e acredito que leve outros a fazerem o mesmo, é o medo. — confessou, esperando sinceramente fazer com que as pessoas vissem aquilo com outros olhos. Estava cansado de ver carreiras acabarem por um envolvimento amoroso, como se eles não pudessem se apaixonar como tudo mundo. — Parece bobagem dizer isso, mas se vocês tirarem cinco minutos para olhar ao redor, eu acho que vão conseguir entender. Estava tudo bem semana passada e de repente um momento íntimo com uma pessoa que eu gosto está por toda a internet. E não de uma forma boa, as pessoas estão xingando, brigando, e se fosse só por mim, tudo bem, estou acostumado com isso, eu tenho uma vida pública, mas ela não. E me machuca saber que a estão agredindo tanto quanto saber que ela está sendo exposta dessa forma, sem ter pedido por isso ou escolhido isso. Ela era uma pessoa comum até ontem, e agora fotos suas estão por toda parte, sem sua permissão. As pessoas a param na rua e apontam o dedo, jornalistas não param de ligar, e é por isso que ninguém conta. Não importa de verdade se o relacionamento for assumido hoje, em duas semanas, ou que tivéssemos feito isso há meses atrás, as pessoas ainda tentariam descobrir quem ela é e ainda tirariam seu sossego. — ele fez uma pausa. Via o contador de pessoas online subirem cada vez mais. Mais do que já tinha visto antes, mas não se intimidou, muito pelo contrário. Finalmente dizer tudo aquilo, por pra fora aqueles pensamentos, era libertador. Normalmente os idols tinham medo de falar sobre o assunto tão abertamente quando acontecia, mas já tinha se preparado para as consequências caso desse tudo errado e desde que pudesse realmente se casar com a garota que gostava com seus amigos do lado apoiando, estava tudo bem. — Sabe, eu já tinha decidido que quando a pedisse em casamento, assumiria tudo para as pessoas. Mas passei meses escondendo a aliança porque tinha medo disso. Tinha medo da perseguição das revistas e paparazzis. Tinha medo da resposta da BigHit, tinha medo das consêquencias negativas disso para o grupo, tinha medo de acabar com a vida dela. De fora parece simples, mas pra gente, assumir um relacionamento tem muitos riscos e eu estou fazendo essa live para contar porque queria ser o mais honesto possível sobre isso, já que de qualquer forma, me tiraram a escolha de decidir como e quando contar. — alfinetou, e apertou um pouco mais sua mão, já que ambos não haviam se soltado ainda. Não se importou se dava ou não para perceber pela câmera, e apenas sorriu, demonstrando que estava orgulhosa dele mesmo que não dissesse. sorriu de volta. Ele entendia sem que ela precisasse dizer. E eram essas pequenas coisas sobre os dois que fazia com que ele tivesse certeza de ter tomado a atitude certa.
— Eu sempre achei isso, se me permitem dizer, uma enorme falta de respeito. — começou, e precisava admitir que sentiu certo receio. não era muito boa em controlar a língua. Não que ele não gostasse da sinceridade, mas ela podia ser mais impulsiva do que ele às vezes e o público ainda estava no processo de decidir se iam gostar dela ou não. Mas tão rápido quanto o pensamento veio, também foi embora. Não era como se estivesse preocupada com o que pensavam dela e ele muito menos. — A mídia persegue os idols porque as pessoas e até mesmo os fãs, julgam qualquer atitude mínima que tire a visão de perfeição que criam para eles. Uma visão equivocada que faz com que se esqueçam de que eles são humanos como qualquer um de nós. Eu acho que seria muito mais bonito se os amassem independente de seus defeitos, mas não. Eles precisam ser perfeitos ou nada feito. Mas “vamos criar uma perfeição que não existe”. Isso é muito errado, isso faz com que a mídia os persiga para tirar qualquer coisa dali. E tiram, tiram a liberdade, tiram a calma, os privam de ter uma vida social e até mesmo de escolherem quando revelar que estão namorando ou não. A sociedade faz com que eles tenham medo de expor que são humanos e então a mídia vem e joga isso na cara de todo mundo e ao invés de se revoltarem com a mídia, se revoltam com o ídolo. Esquecem o amor que juravam sentir, do dia para a noite. — se calou, finalmente dando-se por satisfeita com tudo que havia dito, e lhe encarou, ficando alguns segundos entretido em simplesmente admirá-la antes de falar qualquer coisa.
— Concordo. — se pronunciou por fim, ainda sem para de encará-la. — Com absolutamente tudo. — falou, olhando para ela que deu de ombros de forma convencida.
— Eu sei. — ela riu, e ele fez o mesmo antes de voltar-se para a tela, pensando se havia algo mais a dizer além de tudo aquilo.
— Enfim… —recomeçou, pausando apenas para puxar o ar pela boca por um instante. — Eu acho que no geral, era isso que tínhamos a dizer. As manchetes eram reais, era eu mesmo nas fotos, e estou noivo. Namoro há alguns anos, não contei antes por medo, e também não teria contado agora se não me sentisse obrigado a isso. Queria escolher o momento de ser sincero, queria me sentir pronto, mas me tiraram essa escolha, sobre como administrar minha vida pessoal. — confessou de uma vez, não poupando palavras para descrever como se sentia. — Sinceramente, eu fico profundamente ofendido com isso, mas estamos tentando ver tudo como uma forma de falar, desabafar, e eu espero que possamos contar com os armys para nos apoiar. Estar ou não noivo não muda nada na minha carreira, na minha relação com os meninos e muito menos com os fãs. Não muda minha dedicação com o BTS, meu amor pelo que eu faço ou por vocês e espero que enxerguem isso, e principalmente respeitem minha decisão. E, claro, que respeitem também , porque ela é minha noiva, é a pessoa que eu gosto e… Só confiem em mim. Tenho meus motivos para ter tomado todas essas decisões. Vocês podem não conhecê-la, mas eu conheço o suficiente para gostar dela enquanto vocês me conhecem o suficiente para saber que não estaríamos juntos se eu não acreditasse que ela é especial.
sentiu o olhar de sobre ele, e mais uma vez a encarou de volta. Ela o olhava com ternura, e ele só conseguiu pensar no quanto ela era linda em absolutamente tudo, por dentro e por fora, e no quão certo sentia-se sobre o que tinha dito e tudo que envolvia o futuro dos dois juntos.
— As perguntas que você disse que responderia estão na tela, não no meu rosto. — ela falou, sentindo-se ligeiramente envergonhada em pensar que tantas pessoas estavam assistindo aquela troca de olhar. riu, mas coçou a orelha em seguida, constrangido ao notar o que fazia. Por fim, ele sorriu sem mostrar os dentes enquanto estreitava os olhos e se inclinava para frente, a fim de enxergar a tela sem as lentes ou os óculos.
— Uhm… “A fama é um pacote, faz parte de . Não acham que quem quer que fosse em um relacionamento com ele, deveria já estar preparado por isso?” leu, mas soltou um resmungo insatisfeito assim que terminou. abriu a boca para responder, mas ele apertou sua mão, um aperto fraco, apenas para que ela entendesse que ele mesmo queria responder aquilo. — Eu amo música e poder viver dela. Amo compor, produzir, e estar no palco para performá-la. Amo minha carreira, os armys, mas não sou só isso, não me resumo ao Min que vocês estão acostumados a ver. Sou o mesmo, sim, mas eu tenho uma vida fora do palco e mesmo que a fama seja um pacote, eu não acho certo que as outras pessoas ao meu redor sejam obrigados a se submeter a vida que eu escolhi, porque ela é minha, escolha minha, e não deles. Eu escolhi ter uma vida pública e não eles. Se envolver comigo não dá o direito das pessoas invadirem sua privacidade. É justamente sobre isso que estamos falando desde que iniciamos essa live. Quem faz isso, ignora a privacidade alheia, são mídias como a Despatch, que se preocupam mais com uma notícia do que com o respeito ao próximo.
— Você é incrível. — elogiou, sorrindo de forma boba, e ele concordou com a cabeça.
— Eu sei. — respondeu, exatamente como ela tinha respondido pouco antes, e ambos riram disso. — Faça as honras. — apontou para a tela, para que ela lesse mais uma pergunta, e procurou uma relevante para ler em voz alta.
“A BihHit concordou com essa live? E os meninos?”
— Apenas os meninos ficaram sabendo que eu faria isso. Somos um grupo, se tudo der errado aqui, eles serão diretamente afetados, então contei minha ideia a eles antes de colocar em prática. Bom, se estou aqui é porque eles apoiaram, óbvio. Mas quanto a BigHit… Eles disseram que eu poderia falar quando me sentisse confortável e eu estou falando. Não avisei que o faria, mas estou fazendo.
voltou a estreitar os olhos para ler a tela, e sorriu para alguns comentários positivos que podia ver aqui e ali. Coisas como: “É tão linda a forma como olham um para o outro”, ou “É incrível a forma como ela te faz sorrir”. Talvez não precisasse ter tido tanto medo assim de contar afinal.
“Vocês já tem planos para o casamento?” escolheu ler por fim, motivado pelas mensagens positivas. Ele olhou para cima por um instante, enquanto puxava o ar pela boca e pensava na resposta, mas então se deu conta de que já sabia o principal. — Casar na praia, provavelmente. — falou, e sorriu quando o encarou. Ele não se virou para encará-la de volta, mas podia imaginar perfeitamente sua expressão enquanto o olhava. , em alguma das diversas conversas que já haviam tido, comentou sobre isso, sobre gostar de casamentos ao ar livre, especialmente sob um céu azul e limpo com o oceano ao fundo. Mas fazia tanto tempo, ela provavelmente não esperava que ele fosse lembrar, mas lembrou. — Confesso que não pensei em nada, além disso, mas, ei, eu fiz o pedido ontem.
Imediatamente, choveram perguntas sobre como havia sido o pedido, a quanto tempo estavam de fato juntos, como ele tinha contado para os meninos e ele ficou verdadeiramente feliz com a curiosidade. Só o fato de serem perguntas e não xingamentos já soava ótimo para ele, mas decidindo que a live já estava longa demais, optou por ler uma pergunta que lhes permitiria ser bem claros quanto a seus planos com a Dispatch.
“Por que escolheu fazer a live com ela?” — leu, e se voltou para , sem que fosse necessário dizer nada para que ela entendesse que era sua deixa para responder.
— Bom, porque eu queria dizer pessoalmente que vamos processar a Dispatch! — falou aquilo com tanta felicidade, que caiu na gargalhada. Não era só uma risada, era literalmente um ataque de riso como poucos que ele tinha, o que fez rir junto e terminou por estapeá-lo muito provavelmente porque ele tinha estragado o momento dramático em falar sobre o processo. — Você está estragando meu momento.
— Desculpa, continua. — ele acenou, gesticulando para que ela continuasse, e assim o fez, mesmo que ainda entre risos.
— Estava na hora de alguém processar a Dispatch. São anos de uma política de desrespeito e violação com qualquer um que tenha vida pública. E okay, aqui eles não estavam errados, mas não cabia a eles contar. Não é a vida deles para que eles escolham expor. Foi a nossa vida, e o meu rosto, então vai ter volta e eu espero que isso sirva de alguma coisa.
O chat se encheu de respostas motivacionais, desde “fighting” até palavrões do tipo “comam o cu deles” e não pôde se sentir mais satisfeito por isso. Eles se despediram da live, e prometeram que, se a repercussão fosse positiva, fariam um vídeo para responder curiosidades sobre o casal, como várias que surgiram enquanto falavam. Quando finalmente desligaram, ambos sorriram um para o outro, e a puxou para seu colo, tendo seu pescoço rapidamente envolvido pelos braços de .
— Eu estou orgulhoso de você. — ele falou, lhe roubando um selinho, e ela riu por isso.
— E eu de você. — ela respondeu, roubando outro. — Casar na praia? — ela perguntou, logo em seguida, e ele se fez de desentendido.
— Sabe, se não quiser… — brincou, e ela olhou feio por isso.
— Não pode mais voltar atrás, o que está dito está dito. — o repreendeu e ele sorriu, mostrando todos os seus dentes em um lindo sorriso gengival.
— Que bom, porque eu estou esperando isso há meses. — confessou, e ela deu de ombros com um olhar superior.
— Culpa totalmente sua de não ter feito o pedido antes.
— Não nego. — ele respondeu, lhe roubando um breve selinho. — . — a chamou, e ela devolveu um “uhm?” com os lábios ainda roçando aos dele. — Eu te amo.
— Duas vezes na semana. — ela caçoou, sem que pudesse controlar. — Eu estou chocada. — riu e ele a acompanhou, enquanto tocava sua bochecha delicadamente.
— Te amo, mesmo que não diga. — falou de uma vez, satisfazendo-se em ter sido totalmente honesto sobre aquilo, e a viu concordar com a cabeça.
— Eu sei. — ela beijou a pontinha de seu nariz. — Assim como você sabe que eu também te amo.
— Eu também sei. — concordou, e ambos sorriram antes dela ser puxada para mais um beijo.

FIM

Nota da Autora:
Short pequenininha, mas espero que gostem! <3 Fiz especialmente para uma amiga minha, Joziane, mas gostei dela e estou compartilhando. Hahaha Me contem o que acharam! Vou deixar aqui meu grupo de leitoras e meu twitter caso queiram encontrar as outras fanfics que eu já escrevi. E não esqueçam de comentar, pls. Grupo: https://www.facebook.com/groups/mafictions/
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