Make It Right

Make It Right

  • Por: K.C.
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 3727
  • Visualizações: 185
  • Capítulos: 2 | ver todos

Sinopse: Depois de trabalhar com o BTS em sua última visita ao Brasil, um passeio com Taehyung parece ser a maior sorte que ela alcançaria na vida. Porém, a vida tem suas formas de surpreender quando menos se espera.
Uma fã e um idol que se tornam amigos e no meio dessa amizade um novo sentimento surge. Mas é como eu disse: a vida tem suas formas de surpreender – para o bem e para o mal.
Gênero: Romance, Drama
Classificação: 16 anos
Restrição: Taehyung é fixo como pp, assim como o resto dos meninos
Beta: Alex Russo

Capítulos:

UM
Taehyung
2017

Atrás das cortinas fechadas eu ouvia os gritos dos fãs e quando as cortinas se abriram minha boca se tornou um perfeito “O” em sinal da surpresa. O lugar estava lotado e as fãs pulavam enquanto gritavam também. Jungkook que estava ao meu lado tinha os olhos cheios e eu entendia o porque. Era nossa terceira vez no país e cada vez mais as pessoas nos enchiam com seu carinho.
— Boa noite Brasil! – foi RM quem gritou e em resposta os gritos dos fãs vieram — Vocês estão prontos para essa noite? – mais gritos em resposta — Então vamos lá. – e dizendo aquilo RM acenou para que baixassem a luz.
— Se divirtam. – a voz de J-Hope foi ouvida enquanto estávamos em posição no escuro. Aquilo seria fácil de obedecer.

[…]

Com quatro luzes focadas em mim, Jin, Jungkook e Jimin, Lost começou. As fãs não paravam de gritar nem por um minuto, e apesar disso, em meio a gritaria eu ouvia elas cantarem a letra da música e ainda me impressionava com o fato de terem aprendido outra língua apenas por nós.
Nós coreografávamos a música e quando me abaixei enquanto Jin estava de pé, meus olhos encontraram duas garotas. Estavam mais ao canto do palco e uma delas cantava a letra rindo para a amiga que parecia tentar acompanhar. Quando ela se virou para nos encarar, encontrou meu olhar sobre si e ela parou por um momento prendendo o riso apenas para continuar a cantar depois.
Prosseguimos com a performance e quando pare próximo a aquele canto do palco eu fiz questão de encarar a menina que riu me encarando e depois desviou o olhar. Eu ri fraco, apenas para voltar a minha formação em seguida.
Durante o resto da performance da música eu a via desviar o olhar para os outros e aquilo era engraçado.
Quando as luzes se apagaram eu a vi gritar junto da amiga e apenas ri aguardando que a próxima música começasse.

[…]

O show havia chegado ao fim e haveria uma breve entrevista. A produção estava com a pessoa que nos entrevistaria, dando as instruções a ela e esse tipo de coisa, enquanto nós estávamos no camarim. Não demorou muito para alguém da produção colocar a cabeça para dentro do camarim.
— Ela está aqui, todos prontos? – questionaram e murmuramos que sim. Eu estava sentado em uma cadeira perto da mesa onde mais cedo haviam arrumado meu cabelo quando a mulher entrou. Na verdade não era mais velha que eu, com certeza. E eu a conhecia.
Ela adentrou a sala estendendo a mão para Namjoon que a apertou cumprimentando a moça. Um a um ela nos cumprimentou, sendo que eu fui o último.
— Oi, eu sou a . – ela se apresentou.
— Você é a amiga daquela garota, não é? Aquela que estava cantando no canto do palco. – questionei e ela riu fraco.
— Sim, sou sim. – ela assentiu.
— Verdade, a garota que fez o rap com o Suga. – Jimin foi quem disse apontando para Yoongi — Onde ela está? – ele questionou e a outra moça torceu os lábios.
— Ela só veio me acompanhando no show, não consegui que ela me acompanhasse até aqui, então ela está me esperando lá fora. – Jin franziu o cenho.
— Lá fora no corredor ou lá fora na rua? – questionou preocupado.
— Lá fora na rua. – ela respondeu e Hobi soltou um murmúrio de desaprovação enquanto eu me levantava e ia até porta. Encontrei um grupo de seguranças ali.
— Ei. – chamei um deles — Tem uma garota lá fora, dessa altura mais ou menos. – mostrei com a mão — Está com um moletom amarelo. – forcei a memória tentando me lembrar — E ela está com a moça da rádio. Traga ela para cá. Está tarde para ela ficar na rua sozinha. – eles trocaram um olhar meio nervoso e depois um deles apenas assentiu e seguiu pelo corredor.
Voltei para dentro me sentando em meu lugar de novo e já estava sentada em uma cadeira com um bloco de papel em mãos e o celular repousado na perna. Não podia haver fotos nem vídeos e ela sabia disso, mas era liberado que gravasse o áudio daquela entrevista.
— Eu queria começar dizendo que o show foi incrível. – tinha um sorriso nos lábios e todos agradecemos — E queria perguntar: pra vocês qual foi a maior surpresa nesse show? – J-Hope tomou a frente respondendo a pergunta.
Poucos minutos de entrevista se passaram até que a porta do camarim se abrisse e um segurança olhasse para dentro para em seguida dar espaço para que a garota, amiga de entrasse. A menina sorriu de modo agradecido ao segurança e ficou parada perto da porta olhando para os próprios pés. Me levantei em silêncio para não atrapalhar Jungkook que respondia a uma pergunta e peguei uma cadeira levando-a para perto da menina que me encarou em seguida parecendo assustada.
— Toma, pode se sentar. – ela sorriu.
— Obrigada. – a resposta veio em coreano e eu a olhei surpreso.
— Isso foi inesperado. Achei que só falasse na nossa língua por aqui. – ela riu fraco.
— Faz parte de ser fã de caras coreanos que não falam inglês. – ela brincou e eu ri.
— Certo senhorita poliglota. – ela tornou a rir — Eu vou voltar para lá, nos falamos já já. –ela assentiu se sentando na cadeira. E eu tomei meu lugar de novo recebendo um sorriso breve de .

[…]

— Então é isso. Muito obrigada pelo tempo de vocês. – parou o gravador do celular e sorriu para nós.
— Nós que agradecemos. – Namjoon agradeceu. Suga se virou encarando a menina que continuava sentado encarando tudo que acontecia.
— Ei garota do rap. – ele se aproximou dela e a vimos arregalar os olhos. Suga estendeu a mão e ela a segurou.
— Oi. – a resposta ainda em coreano fez Suga sorrir.
— Gostou do show? – ele perguntou interessado e ela assentiu. Apesar da idade, a menina parecia muito assustada — Tá tudo bem com ela ? – Suga perguntou brincando para .
— Está. Ela só está nervosa. – a menina lançou um olhar de reprovação para a amiga — O que? É melhor que eles saibam que você tá nervosa do que acharem que você tá passando mal. – todos rimos e a garota riu negando com a cabeça.
— Certo, pode nos dizer o seu nome para pararmos de te chamar de garota do rap? – Hobi pediu.
— Me chamo , é um prazer conhecer vocês. – ela acenou.
— O prazer é nosso. – Jin acenou com a cabeça para ela.
— É o primeiro show de vocês? – Namjoon questionou.
— O meu sim. O da é o terceiro. – todos encaramos .
— Você estava naquele meeting? – questionei e ela assentiu.
— Sim, mas se quer que eu seja sincera aqui, naquela época eu não era fã de vocês. – ela fez uma careta quando Suga tocou o peito parecendo surpreso.
— Eu não acredito nisso. Estou chocado. – a garota riu.
— Minha prima gostava de vocês e queria ir no show, dai minha tia me fez ir com ela, mesmo que eu fosse só um ano mais velha. – terminou de explicar.
— Então acho que você deve agradecer a ela, não? – Jungkook questionou.
— Se eu agradecer mais vou ter, que, sei lá, dar o meu rim pra ela. – o comentário de nos fez rir.
— E a ? Quem te arrastou para o fandom? – Suga questionou que guardava suas coisas na bolsa.
— Podem culpar a . – ela apontou a amiga que forçou um sorriso — A gente divide apartamento e desde que a gente se conheceu ela tá sempre escutando vocês. Daí um dia ela me fez assistir uma apresentação, depois mostrou um clipe, alguns compilados e agora estamos aqui. – Suga ergueu a mão para um high five com a garota que bateu sua mão na dele.
— É pra isso que eu te criei, menina. – RM se aproximou com a mão erguida a fazendo rir mais ainda enquanto juntava sua mão a dele. Alguém bateu à porta e era alguém da produção.
— Já acabamos por aqui?
— Sim. Já sim. – respondeu colocando a bolsa no ombro — Bom, obrigada pelo tempo de vocês. – ela estendeu a mão para mim e eu a apertei.
— Foi um prazer, . – cumprimentei.
Ela se despediu de todos, assim , que me deixou por último. A mão à frente do corpo e um sorriso pequeno nos lábios.
— Foi um prazer conhecer. – eu sorri para a menina.
— O prazer foi meu. Obrigado por tudo. – o sorriso dela se abriu, revelando os dentes bem alinhados.
— Tchau Tae. – ela acenou e eu acenei de volta — Tchau e obrigada por tudo. Espero ver vocês de novo em breve. – ela acenou para os meninos que acenavam de volta.
— Até lá continuem convertendo pessoas. – RM pediu e as amigas riram.
— Pode deixar, Reizinho. – foi quem disse fazendo Namjoon sorrir pomposo pelo apelido.
Elas deixaram a sala e eu respirei fundo indo pegar minhas coisas para ir embora.
O Brasil, como sempre havia sido incrível naquela noite e eu só podia esperar que voltássemos em breve.

2018
A costa oeste dos Estados Unidos sempre foi algo que me impressionou. As ruas em Los Angeles eram sempre cheias de artistas que estavam dispostos a mostrar seus talentos por lá. Não tínhamos tanto tempo no país e pouco eu havia visto de lá no dia anterior, mas naquele dia em específico seria um dia cheio de entrevistas e a noite iríamos ao programa do Jimmy Fallon.
Naquela altura, pessoas vinham de vários cantos do país para nos entrevistar sobre a última parte da era Love Yourself. Era cansativo, mas de todo modo, satisfatório estar ali.
Anunciaram a penúltima entrevista daquele dia e logo uma mulher estava adentrando o local. Era alta, tinha cabelos enrolados mais curtos, a pele negra e um sorriso muito bonito. Ela estendeu a mão e nos cumprimentou e só quando seguiu de mim para RM foi que notei uma garota que vinha atrás dela. Eu a conhecia, tinha certeza disso, apenas não me lembrava de onde.
— Boa tarde. – ela estendeu a mão para mim e eu a segurei brevemente.
— Boa tarde. – respondi sorrindo fraco.
Ela seguiu para Namjoon, depois Jin, J-Hope, Jimin, Jungkook e quando chegou a Suga ele sorriu largo.
. – ele soltou o nome da garota como se encontrasse uma velha amiga.
— Oi. – ela respondeu.
Era muito menos tímida naquele momento, havia mais confiança em sua postura e em como falava. Mas um ano antes era bem mais tímida e havíamos nos encontrado a quilômetros dali.
A moça que a acompanhava disse algo que não entendemos muito bem.
— Teresa disse que é um prazer conhecê-los. – a garota traduziu, e ficou fácil saber qual era seu trabalho ali.
— É um prazer. – todos respondemos e ela traduziu para a mulher que sorriu gentil.
Teresa se sentou e tomou um lugar um pouco mais afastado, mais próxima ao pessoal da produção que ela cumprimentou com sorrisos e inclinando levemente o corpo para frente.
A entrevista teve seu começo e as perguntas eram em geral sobre as duas primeiras partes do Love yourself, trabalhos solo e planos para o futuro.
— Ela disse que gostou muito de Singularity, no Tear. – me encarou e eu sorri.
— Obrigado. Fico muito lisonjeado. – inclinei um pouco a cabeça e sorriu traduzindo — E você, qual foi sua favorita? – perguntei antes que pudesse realmente parar e ela me encarou com um olhar curioso.
— Answer: Love myself. – ela respondeu sem pensar muito.
— Gosto dessa também. – informei e ela sorriu. Encarou Teresa que a olhava confusa e disse algo em sua língua fazendo a moça sorrir.
Teresa encarou seu bloco de notas e em seguida disse algo a que sorriu parecendo orgulhosa da colega de trabalho.
— Essa é a última pergunta do dia e Teresa quer saber, como é para vocês essa crescente pela qual vem passando desde 2013 e quer saber se as ARMYS brasileiras podem esperar por vocês em nosso país no ano que vem. – eu sorri para .
— Essa última parte da pergunta é dela ou é pessoal, ? – questionei em tom de brincadeira e ela riu.
— Seria mentira se eu dissesse que não estava esperando que ela perguntasse isso. – ela comentou um pouco mais empolgada nos fazendo rir.
— Certo… Sobre o crescimento, vem sendo algo louco como as ARMYS tem feito seu melhor por nós. – RM foi quem respondeu e todos concordamos enquanto traduzia — Sempre se empenhando em divulgar nosso trabalho pela internet e para pessoas que conhecem, é com você mesmo que estou falando . – a garota riu e em seguida Teresa também que lhe lançou um olhar que dizia “é, eu sei bem” — E sinceramente tem sido maravilhoso como cada ano mais as pessoas parecem saber quem o BTS é. E acho que falo por todos quando digo que aquele bando de garotos lá em 2013 não esperava por tudo isso, mas estão muito gratos por tudo. – todos concordamos e o sorriso de aumentou — E sobre ir ao Brasil no próximo ano, não podemos garantir, nem dizer nada por hora, mas o Brasil sempre vai ter um espaço especial nos nossos corações e isso é certo. – fingiu abanar os olhos nos fazendo rir e em seguida Teresa disse algo que a fez rir.
— Ela disse que você pegou no meu coração agora. – todos tornamos a rir e RM fez uma comemoração fingida a fazendo rir. Teresa tornou a falar — Obrigada por tudo meninos. É um prazer muito grande conhecê-los e ver que os garotos que vi na internet são exatamente iguais aos que estão aqui na minha frente. – agradecemos enquanto Teresa se levantava e vinha até nós. se despediu do pessoal da produção que sorria para ela e em seguida veio até nós.
— Bom te ver de novo, . – Yoongi sorriu para ela que fez o mesmo.
— Bom ver vocês também. – ela apertou a mão de todos e quando chegou a mim eu estendi a mão antes dela.
— Sinto que vamos nos ver de novo em breve, . – informei e ela riu um pouco.
— Não me ilude, Taehyung. – ela brincou.
— Não costumo fazer isso. – comentei e ela estreitou os olhos para mim.
— Sei. – o tom de brincadeira, era mais leve que da última vez, definitivamente, mas ainda assim era meio nervoso — Nos vemos em breve então. – ela se afastou sorrindo e acenando para todos nós quando deixou a sala.
Bang PD que estava sentado em um canto se aproximou com um olhar confuso.
— Vocês conhecem ela? A mais nova, eu quero dizer. – questionou parecendo realmente preocupado.
— Ela esteve em um show ano passado acompanhando uma entrevistadora. É uma fã, mas acho que deve trabalhar no meio também. – Namjoon se apressou em explicar e vi Bang assentir desconfiado.
— Foi legal eles terem se preocupado em mandar alguém que fala nossa língua. – comentei e vi o empresário me encarar — Quero dizer, é bom entender completamente o que está sendo falado. – completei e vi ele sorrir pequeno.
— É, eu também achei. – Suga apoiou — Sem contar que é sempre muito educada. – todos assentimos e Bang assentiu também parecendo interessado.
— Ela é de onde? – questionou.
— Brasil. – Jin foi quem respondeu e novamente o empresário assentiu, voltando para onde estava mexendo em seu celular.
Pelo que eu conhecia de Bang sabia que ele estava naquele momento mandando que alguém procurasse informações sobre para saber se ela podia representar algum tipo de risco para nós. Ele era assim. Cuidava de nós sempre e quando algo parecia suspeito ele ia atrás.
Mas honestamente não achava que fosse encontrar algo sobre ela. Claro que eu não a conhecia, mas tinha uma boa sensação sobre a garota. E realmente sentia que a veria de novo em breve.

2019
Haviam vários fãs que já preenchiam uma pequena parte da área frontal do palco. Nós acenamos enquanto o soundcheck tinha seu fim naquela tarde. O clima de São Paulo era doido e quase não dava para saber se faria calor ou se choveria naquela noite, mas de todo modo os fãs eram animados.
Seguimos caminhando pela passarela enquanto acenavamos para alguns fãs que gritavam alto. Braços ao meu redor e quando virei brevemente a cabeça vi Jimin sorrindo e Yoongi ao seu lado rindo também.
— To morrendo de fome. – Yoongi reclamou assim que chegamos a lateral do palco.
— Quando não está, essa é real pergunta. – Jimin respondeu e Suga fez uma careta para ele.
Descemos as escadas que davam para o backstage e logo estávamos seguindo pelo corredor até o camarim.
— Taetae, posso falar com você? – Yoongi pediu caminhando um pouco mais devagar atrás dos demais membros. Jimin me encarou brevemente seguindo apressado mais a frente.
— O que houve, Hyung? – questionei e ele pareceu incerto ao seguir com o que tinha a dizer.
— Eu estava pensando… – o tom tranquilo de sempre estava ali, porém encobrindo uma pequena camada de incerteza — O que acha se eu trocar Seesaw do set? As pessoas não parecem ligar muito pra ela. – ele deu de ombros fingindo não se importar, mas eu sabia que se importava.
— O que? – a indignação, apesar de mais forçada, ainda era real — Está brincando comigo? Eu amo essa música. Você não vai tirá-la. – protestei — Nem que eu tenha que descer para a plateia e gritar toda a letra a plenos pulmões. – ele riu fraco negando com a cabeça — Trocar seesaw. Onde já se viu esse tipo de afronta? – ele tornou a rir e eu fiz o mesmo — Não acho que deva. É uma música muito boa. Quer que eu cante? – questionei e ele riu.
— Não, pelo amor de deus. – eu ri junto a ele enquanto virávamos no corredor quase chegando ao camarim.
No começo era bem divertido com todos os altos e baixos… – comecei a música e Suga riu.
— Taehyung chega ou eu vou te bater bem aqui. – parei de falar erguendo uma das mãos em rendição. Yoongi olhou para frente e franziu o cenho em seguida — A gente não conhece aquela garota que tá falando com o Bang? – segui seus olhos e assim que vi de quem ele falava franzi o cenho.
Mais a frente, a metros do camarim, Bang Si-hyuk estava parado. Os braços cruzados enquanto ele conversava com outro homem e uma garota. Ela sorria enquanto falava e um sorriso pequeno era visto nos lábios de Bang. Era . Ela mudava o olhar do outro homem para Bang e o sorriso não a deixava.
— É a . – minha voz era surpresa. O que ela fazia ali?
— Eu achei que estava imaginando coisas. – ficamos observando por mais algum tempo até seguir para o outro lado com o outro homem e Bang nos ver, vindo em nossa direção — Talvez eu esteja começando a ficar assustado com a quantidade de vezes que já encontramos . – Yoongi comentou e Bang riu fraco.
— Pode ficar tranquilo. Ela é intérprete. Trabalhar para a empresa que faz os shows aqui no Brasil. – ele parecia despreocupado — Na primeira entrevista de vocês ela veio realmente acompanhando uma amiga, em Los Angeles ela foi contratada por indicação e o mesmo com a empresa dos shows. – foi mais específico e eu franzi o cenho.
— Eu queria saber como você tem acesso a tanta informação assim. – Bang riu.
— Contatos, meu caro Kim Taehyung. Contatos. – ele piscou — Vão descansar um pouco. – apontou para mim e para Yoongi visto que o resto dos membros já havia entrado no camarim.
— Eu amo esse cara, mas as vezes tenho medo dele. – o tom de Yoongi me fez rir enquanto o encarava.
— Cuidado que qualquer dia você vai acordar de madrugada e ele vai estar na beira da sua cama. – o garoto estreitou os olhos para mim
— Para com isso. – e rindo, nós entramos pela porta nos juntando aos outros.


DOIS
Taehyung
2019

Depois do soundcheck tivemos um tempo de descanso onde eu e Jungkook acabamos dormindo juntos. Quando fomos acordados pela produção informando que alguém estava vindo nos ajudar com os textos daquela noite, eu imaginei quem seria. E minha suspeita foi confirmada ao abrir da porta depois de confirmarmos que estávamos todos vestidos.
— Certo, você está nos seguindo ou o que? – Namjoon brincou e eu vi a garota rir fraco, corando as bochechas.
— Não, pode ficar tranquilo. – ela acenou com a mão — Eu não faço esse tipo de fã. – RM estendeu a mão para ela que a apertou.
— Estou apenas brincando. – o esclarecimento não era necessário, mas aquele era Namjoon, sempre evitando ser mal interpretado, o mais gentil que pudesse.
— Eu sei. – garantiu — Oi. – ela acenou para o resto de nós, que acenamos de volta — Bom, eu vim ajudar vocês. Do que precisam? – ela juntou suas mãos nas costas nos encarando.
— Eu te garanto que vai querer se sentar. – ri para ela indicando o lugar ao meu lado que estava vago e ela assentiu dando a volta no sofá e se sentando ali.
— Pode ler isso pra mim, por favor? – Hobi foi o primeiro a pedir lhe estendendo o celular. Ela encarou a tela e lendo o que havia ali fez um bico enquanto sorria fraco.
Sabem que eu amo muito vocês, né? – eu não fazia ideia do que aquilo queria dizer, mas a palavra “amo” me deu uma direção para entender a cara encantada da menina. Hobi repetiu devagar sendo corrigido por ela em alguns pontos enquanto ela sorria.
Por alguns minutos, apenas ajudou os demais, rindo junto a todos vez ou outra e sorrindo de modo encantado a cada nova palavra que deixava a boca de todos. Havia câmeras gravando, porém sempre deixavam a imagem de de fora e ela sempre parecia estar fugindo delas de todo o modo.
— E você? – ela se virou para mim me fazendo arquear ambas as sobrancelhas.
— O que tem eu? – ela riu.
— Não quer ajuda com nada? – questionou e eu fiz uma careta.
— É um pouco egocêntrico. – confessei e ela olhou em volta. Todos pareciam estar distraídos com suas próprias coisas.
— Se você não contar, eu também não conto. – ela colocou a mão na lateral da boca, como que para esconder e eu ri fraco.
— Não vai zombar? – questionei e ela ergueu o mindinho, beijando a própria mão em seguida.
— Prometo que não. – eu a analisei por um momento e em seguida lhe passei o meu papel para que lesse o que continha ali. Ela o leu atentamente e sorriu fraco, claramente contendo uma risada.
— Egocêntrico. – ela apenas disse isso e eu não apenas sorri junto — Mas vamos lá. Está vendo essa parte? – ela apontou me mostrando e eu assenti — Se diz eu estou muito feliz hoje. – explicou e eu assenti.
Eu estou muito feliz hoje? – repeti. A pronúncia foi o que eu considerei um desastre, mas ela sorriu.
— Quase. Mais uma vez. Eu estou muito feliz hoje. – ela incentivou que eu repetisse e assim o fiz e vendo sorrir um pouco mais com minha pronuncia melhor das palavras — Isso. Aqui agora. – ela apontou outra parte — Vocês estão felizes também? – eu repeti em uma pronúncia enrolada, mas ainda assim boa — Sim! – imitou o que seriam os gritos das Armys e eu ri — Dai vem essa parte. Esperaram? E respondem de novo o óbvio… – ela fez uma cara que fez minha pergunta parecer um ultraje — E daí vem essa parte aqui. – ela mostra novamente — É sério? – ela fala com calma e de maneira que cada som de sua frase seja captado com clareza. A espera paciente para que eu repita vem junto a seus olhos sobre mim, e quando ela vem fácil e simples ela sorri — Ótimo. E então vamos para o seu momento egocêntrico… – ela brinca apontando o papel — Gritem o meu nome. Eu quero muito ouvir. – ela me encara e espera que eu diga as mesmas palavras:
Gritem o meu nomé. Eu querro muito ouvi. ri fraco, mas não há deboche ali, apenas diversão.
Nome e quero muito ouvir. – ela indica as correções e eu as faço vendo um sorriso surgir em seus lábios.
Por alguns minutos ela se dedica a me ajudar repetindo aquela frase, seguindo depois para mais algumas. era paciente e gentil, quase como se ensinar fosse o que fizesse da vida, e em momento algum existe desconforto ou vergonha por eu não saber a língua de seu país.
, pode me ajudar? – Jungkook é quem se aproxima, os olhos atentos observando a tela de seu celular — Uma pessoa me pediu para dizer isso, mas não faço ideia de como pronunciar, a não ser essa palavra que acho que é inglês. Shallow. – tinha os olhos em Jungkook exatamente como eu tinha em Yeontan ou em um bebê.
— Eu estou tentando manter o profissionalismo aqui, mas é impossível. Como vocês aguentam o Jungkook com esses olhinhos o tempo todo? – ela pergunta me encarando e eu solto uma risada.
— Não aguentamos, é por isso que ele sempre ganha tudo que quer de nós. – dou de ombros e todos riem e concordam enquanto Kookie sorri de modo travesso.
— Não é verdade, hyung. – ele solta em seu tom inocente e eu sinto vontade de apertá-lo de tão fofo que consegue ser.
— Precisa de mais ajuda aqui ou eu posso ir ajudá-lo? – ela me encarou e eu fiz um bico fingido.
— Jungkook sempre ganha o que quer. – brinquei e ela riu fraco.
— Vocês parem com isso que eu não tenho estruturas. – ela pediu me fazendo rir.
— Mas e eu, ? – Namjoon entrou na brincadeira e a garota ruborizou de uma vez me fazendo gargalhar.
— Eu vou embora. Tô avisando que vou embora. – ela apontou a porta e todos rimos.
— É brincadeira , pode ajudar o Jungkook, eu estou bem aqui já. – avisei e ela respirou fundo rindo fraco.
— Obrigada pelo coração forte, Deus. – ela olhou para cima, e me fazendo rir mais uma vez, ela se levantou para ir ajudar Jungkook.

[…]

Make it right iniciou e junto a ela eu cheguei a beira do palco encarando vários rostos que cantavam a música conosco. Meus olhos vagueavam entre as pessoas enquanto a música era tocada.
Quando o refrão chegou, eu e Jimin estávamos a frente do palco e eu jogava meus braços para cima meio inebriado pela quantidade de pessoas ali. Meus olhos pararam em duas garotas que estavam bem próximas ao palco e cantavam o refrão rindo e com muita vontade. Quando ambas levantaram os olhos, porque Jhope havia começado o verso seguinte, elas pegaram meu olhar sobre elas e riram para mim, me fazendo rir junto. Era e junto a ela eu podia jurar ser .
Me afastei seguindo para outra ponta do palco e encarando mais pessoas conforme cantava. Jimin me cutucou apontando as arquibancadas e eu ri ao ver duas outras garotas gritarem quando ele apontou para suas camisetas que tinham a minha cara e de Jimin.
Durante toda música nós andávamos por todo o espaço que tínhamos encontrando pessoas gritando a plenos pulmões cada letra e era incrível. O tipo de coisa que te causa arrepios.
Quando o pré refrão voltou, eu estava novamente a frente do palco e encontrei as duas garotas de novo. Eu estava cantando quando apontou uma polaroid para mim. Arqueei uma sobrancelha confuso, e ela imitou alguém fazendo uma pose e eu entendi que ela queria que eu fizesse uma pose para que ela tirasse uma foto. Levantei dois dedos os colocando um pouco a frente do corpo enquanto refrão da música se aproximava e ela bateu a foto no exato momento em que levantei o braço. Ela fez um sinal de agradecimento e eu sorri fraco, seguindo os caras para o palco principal.
O resto da música seguiu até que eu a finalizasse em frente a câmera. Uma conversa com a platéia se iniciou e a primeira tentativa de uma hola falhou. Enquanto Jhope tentava explicar o que deveria ser feito eu me aproximei da beira do palco onde as duas estavam.
— A foto ficou boa? – questionei alto me abaixando um pouco e ela franziu o cenho tentando entender já que eu não falava no microfone. Fiz alguns gestos esperando que ela entendesse e ela arqueou a sobrancelha, assentindo e colocando a mão no bolso de trás, puxando de lá a fotografia e a estendendo na minha direção. Bati brevemente no braço do segurança e pedi que ele pegasse para mim e assim ele fez, trazendo a foto até minhas mãos. Eu a encarei sorrindo — Posso ficar pra mim? – pedi e ela negou com a cabeça rindo e eu a acompanhei entregando para o segurança que a devolveu.
A tentativa de explicar o que viria a seguir ainda acontecia e resolvi ajudar. Acenei para a garota que sorriu acenando de volta e me juntei aos meus amigos.

[…]

Eu já estava pronto para ir embora, mas os rapazes ainda se aprontavam. Precisava encontrar Bang e assim que passei por alguém da produção me informaram que ele estava no refeitório. Eu segui para o lugar e assim que cheguei a porta o encontrei sentado com , ela parecia explicar algo para ele.
— Eu geralmente gosto com morangos, kiwi, leite condensado e granola, mas você pode escolher suas frutas favoritas. Tem gente que pede chocolate e leite em pó, mas na minha opinião não combina. – ela apontava a tela do aparelho e ele assentiu.
— E o gosto? É muito forte? – Bang questionou parecendo cogitar sua decisão.
— Não. É muito bom na verdade. Talvez até melhor que sorvete, na minha opinião. – ele a encarou com dúvida — É sério. – ela respondeu rindo.
— Vou confiar em você . – ele mexeu no celular por algum tempo e depois a encarou.
— Amanhã você me diz o que achou. Os meninos também vão gostar. – ela se levantou pegando a bolsa do chão.
— Os meninos vão gostar? – questionei e ela se virou me encarando sorrindo.
me ajudou a comprar açaí pelo aplicativo. Vai chegar em meia hora. Eu estava curioso para experimentar. – Bang informou animado.
— Agora estou empolgado também, não experimentei na última vez.
— Aposto que vão gostar. – ela jogou a bolsa sob o ombro.
— Aposta o que? – questionei e ela me olhou confusa para em seguida rir.
— Isso é uma expressão, Taehyung. Não quero realmente apostar. – ela explicou e eu fiz um bico.
— Ah. – foi tudo que respondi a vendo rir e estendendo a mão para PD.
— Nos vemos amanhã. – eles sacudiram a mão um do outro e ela seguiu em minha direção estendendo a mão — Tchau. – ela sorriu sem mostrar os dentes.
— Tchau . – e após me despedir, ela se foi porta a fora. Eu me aproximei de Bang e me sentei ao seu lado — Então te ganhou, hm? – brinquei e ele me encarou de olhos estreitos.
— Eu confio nela. Um pouco pelo menos. – o encarei desconfiado — O que? Ela é uma menina sincera. Gosto disso. – ele deu de ombros e eu ri fraco.
Acho que de algum modo era algo sobre ela, a aura de transparência que ela tinha. Como se nunca fosse capaz de esconder suas reais intenções. E sim, eu sei que não a conhecia bem o suficiente, mas era apenas uma sensação.

[…]

Estava em meu quarto encarando o teto. Acabava de passar das onze da noite e eu me sentia entediado. Levantei-me e segui para a janela do hotel encarando a cidade e tudo que parecia silencioso. Eu queria sair e andar, como se não tivesse preocupações ou como se realmente pudesse fazer aquilo sozinho em um país desconhecido.
Questionei-me se algum dos membros me acompanharia caso eu chamasse para sairmos escondidos, mas eu sabia que não. Nem mesmo Suga que sempre parecia predisposto a descumprir certas regras. Deveria estar dormindo àquela hora.
Sentei-me na cama e peguei meu celular entrando na conta do twitter da banda para olhar o que diziam sobre o show e foi quando um vídeo que foi gravado a alguns metros do palco de quando estávamos cantando Make it right surgiu que eu tive a ideia.
Era a ideia mais sensata que eu já havia tido? Não. Mas Bang havia dito que confiava nela, nem que fosse um pouco e de todo modo, caso ela aceitasse eu deixaria alguém ciente de com quem eu estava saindo. Não seria Bang, mas alguém saberia.
Abri o navegador do celular e procurei por pensando que seria fácil de achar, porém era bem difícil, já que na internet pareciam existir muitas pessoas com esse nome. Em seguida joguei palavras chave junto ao nome, até finalmente encontrar um perfil no instagram. Era ela, haviam stories postados recentemente, poucas fotos no feed, a maioria de algum ponto da cidade, e apenas duas eram dela. Ela ria meio sem jeito em uma delas enquanto olhava a própria calça e na outra era apenas uma imagem mais próxima de seu rosto.
Pensei em como falar com ela pelo direct, mas aquilo poderia me causa problemas e quando subi até o topo de seu feed notei que havia um e-mail na bio, ao qual precisei traduzir para entender que era um contato comercial.
Eu tinha um e-mail que havia criado a algum tempo para um jogo online com um amigo. Era pouco usado e não tinha meu nome de todo modo. Loguei nele em meu celular e decidi enviar um e-mail para o dela.


Oi. Sei que você provavelmente não vai ver isso hoje e também é um convite estranho, mas não custa tentar.
É o V e eu gostaria de saber se você poderia me levar para conhecer a cidade. Eu sei que é tarde, mas é meu único tempo livre e eu realmente queria só… Andar por aí.
E eu sei que é estranho receber um e-mail meu a essas horas, mas de todo modo. Sou eu. O açaí estava bom, alias.

Eu definitivamente era um desastre com e-mails, mas de todo modo o enviei. Deixei o celular sob a cama tentando não encará-lo de modo ansioso, mas apenas não consegui. Era a primeira vez que fazia algo assim e estava nervoso. Tão nervoso que quando o celular apitou com uma notificação de e-mail poucos minutos mais tarde eu quase pulei nele.

Só para confirmar: o que tinha no açaí?
Ri fraco digitando a resposta e a enviando logo. Demoraram mais cinco minutos até a resposta dela estar ali.

Prefere me encontrar em algum lugar ou que eu vá até seu hotel?

Sorri largo. Marcamos um lugar onde nos encontraríamos em meia hora e ela avisou que estava deixando sua amiga avisada pro caso de eu ser um sequestrador e eu apenas informei que alguém estaria informado por minha parte também.
Me levantei e segui para minha mala pegando um casaco e calças pretas. Calcei um tênis de mesma cor e pegando o celular eu deixei o quarto seguindo para a porta ao lado e batendo nela. Um Yoongi esfregando os olhos surgiu me encarando confuso.
— O que…
— Eu preciso que me acoberte. – informei e ele franziu o cenho — Eu vou sair. Ver a cidade com a . Se alguém perguntar de mim diga que não sabe e me avise por mensagem que eu volto, e se eu não aparecer era com ela que eu estava. – Yoongi abriu um sorriso.
, hm? – ele provocou e eu revirei os olhos.
— É a única pessoa que conhece a cidade e não vai me fazer andar por aí com mais quinze pessoas. – ele riu.
— Certo, mas não fique muito tempo na rua. Que horas são agora? – olhei o celular e lhe mostrei o visor que marcava 23:26 — Vou colocar um alarme para às três da manhã, se você não estiver aqui eu saio gritando e chamando a polícia. – ri fraco — Tô falando sério, se atrasar um minuto eu nunca mais te acoberto na vida e de quebra ainda pego você. – ele falou sério e eu apenas assenti.
Às vezes Yoongi era assustador, mesmo depois de tantos anos.
— Certo. Três da manhã. – concordei e ele assentiu.
— Se divirta. – aconselhou — Mas talvez não tanto, temos show amanhã. – eu assenti o puxando e beijando sua bochecha.
— Você é o melhor, Yoongi. – ele limpou o rosto em fingido nojo e acenou com a mão.
— Tá, tá, já sei. Sai daqui antes que alguém te pegue. – e dizendo aquilo ele fechou a porta e eu segui pelo corredor colocando o capuz do casaco até chegar ao elevador. Quando ele chegou ao meu andar estava vazio e assim seguiu até o térreo.
Quando cheguei ao saguão a primeira que pessoa que vi de costas foi Bang PD e corri para me esconder atrás de uma planta enorme que havia ali. Ele estava no balcão pedindo alguma informação e ficou por ali por uns cinco minutos até seguir para o elevador e enquanto eu dava a volta na planta e ele entrava no cubículo. Quando as portas de metal se fecharam segui apressado para fora do hotel. Copiei o nome do lugar onde havia marcado com e o coloquei no aplicativo do uber apenas pedindo o carro, apenas torcendo para ser o certo, já que haviam três de nome parecido.
O carro chegou em cinco minutos e eu entrei nele. O motorista me cumprimentou em inglês, talvez pela área ser frequentada por pessoas que não eram dali. Com meu inglês enferrujado eu o cumprimentei e apenas confirmei quando ele perguntou se estava indo para o lugar que havia dito.
Depois de olhar a paisagem que passava pela janela e sem saber ao certo quantos minutos haviam se passado, o carro parou. Era um prédio alto. Haviam poucas pessoas na porta e dava para escutar uma música. A frente do local olhando em volta e checando o celular eu vi . Usava calças e casaco jeans e uma blusa que eu não sabia o que dizia.
Agradeci ao motorista e desci do carro. Assim que bati a porta a atenção de foi tomada para mim e ela sorriu ao me ver. Me aproximei meio incerto olhando em volta.
— É agora que descubro que você é uma psicopata que estava me perseguindo e agora vai me sequestrar? – brinquei e ela riu de um jeito leve que realmente aliviou minha tensão. Apesar de querer muito fazer aquilo, eu ainda estava meio apreensivo e com medo.
— Eu ia fazer uma brincadeira, mas é melhor não, você pode levar a sério e se assustar. Então vou te dar um momento de paz e te responder que: não, eu não estou te perseguindo e não vou te sequestrar. – ela garantiu e eu soltei o ar aliviado a fazendo rir.
— Ainda bem. – juntei as mãos e ela negou com a cabeça.
— Vem, quero te mostrar uma coisa. – ela acenou com a cabeça para dentro do prédio e eu a olhei desconfiado — Vamos, o prédio só parece suspeito, mas é um lugar legal, prometo. – ela acenou com a cabeça de novo e eu apenas a segui prédio a dentro.
Subimos algumas escadas até o primeiro andar e ali entramos em uma sala. Fotografias pendiam do teto penduradas por barbantes, ou em forma de varal pelas paredes de todo o canto. Segurei uma entre as minhas mãos e aquela eu conhecia. Era do museu do estado, disso eu sabia por conta do vermelho.
— Você disse que queria conhecer a cidade e vou dar o meu melhor pra te mostrar a vida paulistana, mas acho que não conseguiria te mostrar tudo, então decidi te trazer aqui. – ela tinha as mãos nos bolsos enquanto caminhava — Eu juro que não vou ficar sendo a chata que sabe tudo sobre você, mas eu sei que gosta de fotografia e como aqui alguns fotógrafos da cidade expõe a sua visão dela, eu acho que é um bom começo. – eu sorri para ela que me olhava meio incerta.
— Eu acho que foi uma ideia muito boa. – comentei a vendo aliviar a tensão dos ombros. Caminhei pela sala encarando as fotos com atenção. Algumas das fotografias eram iguais, porém sempre havia uma visão ou sensação diferente do mesmo local — Você é daqui? – questionei encarando — Quero dizer, mora aqui perto? – só depois que fiz a pergunta notei quão sugestiva ela podia soar — Eu não quis dizer… Eu estava… – riu.
— Taehyung eu entendi, fique tranquilo. Estava puxando assunto. – ela respondeu de forma tranquila e eu ri fraco — E a resposta é mais ou menos. Não é tão perto, mas é perto. – encarei uma das fotos olhando em volta em seguida.
— Qual seu lugar favorito? – perguntei e ela encarou o local todo parecendo buscar por algo. Seguiu até uma das fotos que estavam em um varal do outro lado da sala e eu me aproximei. A foto era de uma rua. Duas faixas amarelas seguiam pelo chão e alguns prédios estavam ao lado, enquanto outro se erguia bem ao meio.
— É o farol Santander. È um prédio com algumas exposições, mas eu gosto do terraço. – ela explicou encarando a foto.
— O que tem lá? – questionei a encarando e ela deu de ombros.
— Nada demais na verdade, eu só gosto. – se explicou.
— Ele está na lista de lugares que temos de visitar hoje? – questionei e ela me encarou.
— É nossa última parada. – eu sorri.
— Acho bom que seu planejamento esteja feito até antes de três da manhã, Suga me deu esse horário para voltar ou ele chama a polícia. Pior ainda… Ele ameaçou me bater. – ela riu.
— Para com isso, Yoongi é um neném. – eu fechei a cara.
— Um neném que pode me matar com o dedinho mindinho enquanto eu durmo. – soltei e ela riu revirando os olhos.
— Você não deveria ficar se chamando de Lindo boy por aí, deveria se chamar Drama boy. – ela brincou e eu neguei com a cabeça.
— É só dar o mínimo de intimidade que a coisa desanda. – brinquei e ela riu.
— A ideia foi sua. – me culpou — Vem vamos terminar por aqui porque três da manhã chega rápido. – ela me apressou seguindo para fora da sala e eu notei que tomava outra escada. Eu tinha a sensação de que aquela seria uma ótima noite.

[…]

— Para de roubar minha batata. – me repreendeu rindo.
— A sua tinha mais. – contestei — As coisas têm de ser justas. – ela fez uma careta.
me levou por todos os lugares possíveis naquela noite. Desde alguns parques, a bares – onde não bebemos, apenas pedimos por coisas que pudéssemos consumir naquele momento – galerias, a famosa avenida Paulista por onde apenas passamos seguindo para uma pizzaria descolada na nove de Julho, uma loja de discos que por alguma razão ficava aberta até tarde e depois, quando as duas da manhã chegaram ela nos encaminhou para um Mc Donald’s onde compramos batatas fritas e milk shake, seguindo para o prédio que eu havia visto mais cedo na foto.
Descobri algumas coisas sobre naquela noite: ela era formada em jornalismo, mas desistiu da profissão quando começou a trabalhar como tradutora e intérprete. Ela nasceu em uma cidade a uma hora e alguns minutos de distância dali de metrô. Não tinha irmãos, mas a família tanto por parte de pai quanto de mãe era grande e a mãe dela vivia no interior do estado com o padrasto de , por isso ela continuava morando no centro da cidade com .
Paramos à porta do prédio e acenou para um homem que se encontrava na recepção. Ele sorriu gentil e abriu para que entrássemos. Ele devia ter seus quarenta anos, mas era forte e tinha um olhar firme. Ele falou com e ela apontou para mim dizendo algumas coisas em sua língua nativa, para em seguida ele assentir e apenas abrir caminho.
O lugar estava vazio e nós tomamos o elevador. Assim que entramos, apertou o botão do último andar.
— Nós deveríamos estar aqui? – questionei e ela riu comendo sua batata.
— O segurança é amigo do meu pai. – explicou — Meu pai trabalhava aqui a algum tempo atrás. Hoje em dia ele me deixa voltar quando está vazio para aproveitar o terraço. – ela mantinha seus olhos fixos nos pés.
— Então você tem privilégios? – questionei e ela riu.
— Alguns. E não vou reclamar. – eu ri a acompanhando.
— Como aprendeu coreano? Não parece uma língua comum por aqui. – comi a minha batata e as portas do elevador se abriram. me guiou por um corredor.
— Eu queria aprender inglês quando era mais nova e pedi para a minha mãe me matricular em uma escola. Porém, no dia em que ela estava fazendo a minha matrícula a escola estava fazendo um tipo de promoção que o segundo curso sairia mais barato. Eu não queria fazer outro curso, porque estava em uma época preguiçosa onde eu só queria estudar inglês porque tinha certeza que iria conhecer algum dos meus cantores favoritos e queria poder falar com eles e entender tudo. – ela fez uma cara de quem tinha vergonha de estar confessando aquilo — Sonhos adolescentes, não me julgue. – completou e eu ri — Mas enfim, minha mãe queria porque queria que eu fizesse o outro curso e prometeu que se eu não gostasse podíamos cancelar e eu concordei. Preciso confessar que escolhi o idioma que mais achei que fosse detestar, porém o plot twist aconteceu: eu me apaixonei pela língua e aqui estou. – ela se sentou em um banco perto de uma grande janela.e eu me sentei ao lado dela.
— É o efeito da Coréia. – ela riu do meu comentário e eu acompanhei.
— É, eu meio que acabei curtindo muito as coisas da Coréia. Definitivamente meus cantores de K-R&B favoritos são de lá. – ela provocou e eu a encarei revirando os olhos — O que você mais gosta na vida que leva? – ela questionou tomando de seu milk shake e pousando o copo entre nós.
— É meio clichê, mas os fãs definitivamente. Tanta gente se juntando para ver uns caras cantarem e dançarem. Ver tanta gente aprendendo música de um idioma não tão comum apenas para cantar com a gente e sentir o carinho de todas essas pessoas. Acho que isso é o melhor de tudo. – ela sorriu fraco.
— Não é por uns caras que cantam e dançam. Pelo menos pra mim não foi. – ela respondeu me encarando.
— E porque foi? – questionei curioso deixando meu copo e minhas batatas para prestar atenção nela.
— A energia de vocês. Como parecem se divertir no palco e por como parecem transmitir parte de vocês nas músicas. Por como sempre estão lá para o fandom, dando apoio a eles e a causas boas. – ela deu de ombros — Eu não fui realmente fã de muita gente na vida, mas ser de vocês foi bem fácil, porque vocês, apesar dos momentos difíceis que sabemos que tentam muito não mostrar, sempre são muito vocês e é isso que leva as pessoas. Acho que se eu pudesse apostar em qual a receita do sucesso de vocês, seria essa. A autenticidade e verdade no que são e no que fazem. – sorri para ela.
— Obrigado. – ela assentiu e deixou sua batata pegando a bolsa.
— Tenho algo para você. – ela abriu a bolsa e de lá pegou um papel e o estendeu, percebi ser uma polaroid. Era a foto que ela havia tirado de mim no chão — Eu pensei em guardar, mas você tem uma cara muito fofa quando pede as coisas e eu fiquei com a consciência pesada por não te dar a foto no show, então aí está. – eu ri jogando a cabeça para trás enquanto ela pegava seu milk shake e sorria.
— É ótimo saber que é assim que se ganha você. Agora já sei como te pedir mais açaí amanhã. – ela negou com a cabeça.
— Só sou usada. – brincou e eu tornei a rir. Encarei a foto e havia algo escrito, mas não conseguia entender o que era.
— Ei, o que diz aqui? – apontei e ela engoliu o milk shake torcendo o lábio em seguida.
— É o trecho da música que você estava cantando quando pedi a foto. – eu franzi o cenho — Tá em português. – ela explicou e eu assenti.
— E qual trecho era? – perguntei sem conseguir me lembrar realmente.
— Qual é, vai realmente me fazer dizer? Eu estava esperando que você só ignorasse. – o comentário me fez rir.
— Agora é que eu quero saber. – ela revirou os olhos ficando vermelha.
— Isso é meio vergonhoso. – ela comentou respirando fundo — Tá escrito “posso segurar sua mão agora?”. – ela prendia uma risada enquanto as bochechas ficavam ainda mais vermelhas.
, pode assumir que eu sou seu favorito. – ela gargalhou.
— Tira o cavalinho da chuva Taehyung. – franzi o cenho pela frase e ela riu — Quer dizer que você pode esquecer. Sem chances. – eu assenti.
— Tira o cavalinho da chuva. – repeti apenas para me lembrar.
— É, isso aí. – ela afirmou me encarando por alguns segundo apenas para depois rir fraco negando com a cabeça.

[…]

Estavamos no térreo esperando nossos carros e eu sabia que tinha que pedir algo a , mas não queria ofendê-la. Passei vários minutos pensando em como pedir aquilo e esperava não soar grosseiro.
. – a chamei a garota me encarou — Espero que não se ofenda, mas tenho que pedir que não conte sobre hoje a ninguém e que nem conte sobre aquele e-mail para ninguém também. – pedi a encarando sério e ela assentiu.
— Eu não estava pretendendo contar de todo modo. – ela tirou o celular do bolso e me mostrou a tela enquanto deslizava o dedo nos emails que havíamos trocado, os apagando. Me senti mal por aquilo. Não queria que ela achasse que não confiava nela, mas… eu não a conhecia direito — Tae, está tudo bem. Eu entendo. – ela comentou como se pudesse ler minha mente.
— Certeza? – questionei meio incerto e ela sorriu fraco.
— Tenho. – ela assentiu e eu fiz o mesmo — Aqui, faça isso. – ela me mostrou o dedo mindinho e eu ri.
— Vamos fazer uma promessa de mindinho? – questionei e ela revirou os olhos.
— Anda logo. – pediu e eu o levantei, preparado para juntá-lo com o dela — Não, assim mesmo. – ela indicou que deveria ficar com meu dedo onde estava — Agora você faz uma promessa e beija o nó do seu polegar depois. – ela explicou mostrando o local no polegar — Eu prometo que não vou contar sobre isso pra ninguém e que não estou chateada com você. Você promete que vai guardar a foto? Porque eu gosto muito dela. – eu ri negando brevemente com a cabeça.
— Prometo. – garanti.
— Ótimo, agora beija seu polegar. – ela beijou o próprio polegar eu fiz o mesmo — Pronto, promessas feitas. – ela sorriu e eu a acompanhei.
— Por que não só juntar os dedos? – questionei.
— Porque isso todo mundo faz e sempre acaba quebrando a promessa, assim como quebram o laço entre os dedos quando os separam. Assim, não a laços quebrado e não importa quando, onde ou porque a promessa tem de ser mantida. – ela explicou.
— Você inventou isso agora? – questionei e a garota gargalhou.
— Não, não fui eu. Um dia te conto quem foi. Seu carro chegou. – ela apontou um carro que encostava perto a calçada. Eu me virei a encarando e sorri.
— Obrigado. Por tudo. – ela sorriu largo.
— Sempre que precisar. – por alguns momentos apenas nos encaramos.
tinha um rosto gentil, que condizia completamente com a pessoa que ela era. Ela nunca ultrapassava limites, ou te fazia sentir desconfortável. Nunca estava perguntando coisas que não tinham relação com minha música ou comigo como artista. Ela parecia entender tão bem que haviam limites que o tipo de relação que tínhamos não podia ultrapassar que eu sentia vontade de contar mais a ela apenas para que pudéssemos conversar.
Por um momento pensei que ela seria uma boa amiga, mas amigos não são coisas que se pedem ou se forçam uma barra para acontecer. Eles apenas acontecem.
— Vou indo então. Você vai ficar bem? – questionei e ela assentiu.
— Meu carro está a um minuto daqui e tio André está bem ali. – ela apontou o segurança do prédio.
— Tudo bem. Eu te aviso quando chegar ao hotel e você me diz se chegou bem, ok? – ela assentiu sorrindo — Tchau . Nos vemos mais tarde. – acenei seguindo para o carro e abrindo a porta.
— Até, Tae. – e com ela acenando para mim foi que o carro partiu seguindo o caminho até meu hotel novamente.
Adentrei o saguão e segui para o elevador subindo para o quarto e me jogando na cama assim que adentrei o local. Tirei meus tênis e o casaco e peguei o celular enviando um novo e-mail para informando que havia chego. Ela respondeu rapidamente com um e-mail dizendo que também e que estava bem. Ela desejou boa noite e eu fiz o mesmo decidido a dormir, porém ouvi batidas na minha porta.
Meu corpo gelou ao pensar que poderia ser Bang, mas me lembrei de Yoongi que iria ao meu quarto e a suspeita foi confirmada quando o encontrei bocejando a minha porta.
— Chegou agora? – ele encarou o lado de dentro do quarto como se procurasse algo.
— Sim e estou sozinho. – informei e ele negou com a cabeça.
— Achei que estava me enrolando com essa história de passeio, mas to vendo que não. – eu ri fraco e ele fez o mesmo — Vou dormir, mais tarde você me conta se foi legal. Boa noite Taetae. – ele acenou.
— Obrigado Yoongi. – ele apenas jogou a mão como quem diz “deixa disso” e se foi.
Eu me joguei na cama novamente e pensei naquela noite. Eu havia gostado daquilo e sabia que não faria de novo tão cedo, mas estava satisfeito. Como se precisasse sair pelo menos um pouco da linha para me sentir bem. E havia o feito.
Pensei em me levantar e tomar um banho, mas a exaustão venceu e o sono, aos poucos, foi me levando. Naquela noite sonhei com no alto daquele prédio sorrindo para mim e fazendo sua promessa de dedinho. E eu só esperava que de algum modo, o destino que havia a feito ir parar naquela aula de coreano e cruzado os nossos caminhos até então continuasse fazendo aquele trabalho. Eu não reclamaria.