May 25th

May 25th

Sinopse: Amor precisa provar a Pai que é invencível. Ele precisa que as duas almas escolhidas por si continuem se amando vida após vida, mesmo que Destino, Morte e Ódio apareçam no meio do caminho.
Ou, uma história em que duas almas apaixonadas são impedidas de viver o amor da maneira correta por três vidas. Até que na quarta vida, elas se reencontram e entendem o porquê de terem sofrido todo esse tempo.
Gênero: Drama, romance.
Classificação: 12 anos.
Restrição: Sem restrição.
Beta: Alex Russo

Capítulos:

 

Death.

 

First life.

 

sentia que poderia cair a qualquer momento, estava sendo difícil manter o ritmo acelerado de corrida enquanto suas pernas estavam tão moles. Suas mãos suavam no tecido da saia do longo do longo vestido que usava, segurando a saia para lhe ajudar na corrida. Sua boca estava seca, o ar parecia cada vez mais escasso. O coração tão acelerado parecia pronto para sair de seu peito. Ela ouvia algumas pessoas lhe chamando, seu nome sendo gritado repetidas vezes por sua mãe, que tentava a acompanhar. Sentia os ombros dos servos e guardas que encontrava pelo caminho e esbarravam nos seus, mas pouco se importava.
não tinha cabeça para aqueles detalhes. Sua mente, seu coração e corpo tinham um único e importante objetivo: chegar ao quarto que ficava na quinta porta do terceiro andar do castelo. Ela precisava chegar lá o mais rápido possível, não tinha tempo para se preocupar com detalhes.
Quando finalmente teve a porta larga de madeira escura em seu campo de visão, parou e respirou fundo. Tentou puxar todo o ar para dentro de si, recuperar um pouco das forças já perdidas. Tentou. Tentou também segurar as lágrimas que beiravam e ardiam seus olhos. Tentou. Não quer dizer que conseguiu.
A princesa ignorou os dois guardas que faziam a segurança daquele quarto em especial, os dois melhores guardas de todo o reino. Eles a cumprimentaram mesmo assim, com a mesma formalidade e seriedade de sempre. E antes de empurrar a porta e adentrar aquele quarto, ignorou os gritos de sua mãe e respirou fundo mais uma vez.
Os olhares que recebera dos médicos e até curandeiros que estavam ali dentro, e que se retiraram do quarto no exato momento em que viram a princesa entrar, fizeram com que a garota engolisse em seco ao que sentia o peso do mundo duplicar em cima de sua cabeça.
E foi naquele quarto que cheirava forte a álcool e a algumas ervas que estavam em cima da pequena mesa que ficava no lado oposto a cama, que viu um dos seus maiores medos se tornando realidade.
Pela primeira vez em anos, tantos anos, viu quieto. Em silêncio. A visão do garoto deitado naquela cama, que parecia tão grande para ele que agora tinha o corpo ainda mais magro e pálido, fizera com que o coração de se partisse em outros pedaços. A vista era cruel demais. Era doloroso e angustiante olhar para e vê-lo daquele jeito, tão debilitado, irreconhecível.
se perguntava se tudo aquilo era mesmo real. Se todo aquele cenário, todos aqueles dias, não se tratava de mais um dos horríveis pesadelos que ela sempre tinha quando dormia com a barriga cheia demais por ter exagerado na comida. se perguntava se não acordaria aos prantos como sempre e se não seria abraçada por , que estaria deitado ao seu lado, também como sempre. Se ele não a diria que estava tudo bem, que havia sido somente um pesadelo e logo depois lhe daria uma bronca por ter comido demais.
Bem que tudo aquilo poderia ser apenas um terrível pesadelo, não é? Não era, e teve essa certeza quando o gemido baixo e sôfrego que saíra dos lábios de soara real demais. Tudo aquilo era real, muito real.
E doía como o inferno em por saber que aquela era sua realidade.
. – a chamou baixinho, a voz tão fraca e falha. O apelido saindo tão pesado dentre os lábios ressecados.
– Oi, meu amor. – ela o respondeu do mesmo jeito de sempre, arrancando um sorriso pequeno e quase imperceptível do garoto que mesmo debilitado ainda sentia o coração acelerar pela princesa.
se aproximou com tanto cuidado que seus passos não seriam capazes de quebrar os mais delicados ovos. Ela tinha medo que qualquer passo em falso, qualquer ar respirando mais do que o necessário, pudesse machucar que já lhe parecia machucado o suficiente por aquela vida. E mesmo que quisesse tocá-lo, senti-lo, apenas se aproximou e manteve suas mãos próximas ao seu corpo. Ela não sabia o que poderia ou deveria fazer, que parte do corpo de estava menos dolorido – se é que essa parte existia, por isso, preferia não arriscar qualquer toque. Mesmo querendo muito.
– Minha mãe disse que você me chamou, mas eu já estava vindo lhe ver.
– Eu sei que sim. – ele virou o rosto para encará-la, tão devagar que o movimento parecia em câmera lenta. – Queria lhe ver pela ultima vez, meu amor. – os olhos escuros e arredondados como jabuticabas, observaram pelo rosto da princesa que mordeu o interior de sua bochecha numa tentativa de segurar o choro. Tentativa mal sucedida, mais uma. – Não chore. – pediu, vendo o rosto de sendo molhado pelas lágrimas tão amargas e salgadas.
Tão amargas quanto o gosto que sentia em sua língua há três dias.
A vida do jovem casal havia mudado bruscamente há três dias, quando fora internado na enfermaria do palácio com sintomas fortes de uma gripe. Muitas dores no corpo e em sua cabeça, garganta arranhando e seca, olhos ardendo e bem avermelhados, ouvidos zunindo e alguns enjoos. Tantos sintomas que arrancavam de gemidos de dor. Não demorou muito para que os médicos o examinassem de todos os jeitos possíveis, sempre acompanhados do olhar atento de que estava tão preocupada que roera todas suas unhas das mãos. Logo a gripe de ficara mais forte, muito mais intensa, os sintomas se multiplicaram e logos os gemidos de dor se tornaram gritos de dor. Não demorou muito para que o médico da família real dissesse a todos aquilo que, no fundo, já desconfiavam, mas não tinham coragem de falar em voz alta: era mais uma das vítimas da peste que se espalhara pelo reino há poucos dias.
Ninguém sabia muito sobre aquela doença, nem de onde e como surgira. Mas sabiam que era algo severo demais, tão cruel a ponto de tirar a vida de diante dos olhos de todos que o cercava. Não se sabia como acontecia a infecção e, infelizmente, ainda não se sabia qual era a sua cura. As mais fortes ervas usadas pelos melhores curandeiros pareciam nada, os chás pareciam água e os xaropes pareciam suco. Nada amenizava as dores. Nada era útil na batalha contra aqueles sintomas. Nada. Nada aumentava as chances de vida de .
Nada era forte o suficiente para evitar que os infectados se tornassem vítimas fatais.
– Não fala isso. – pediu, sentindo o coração doer, e o choro se tornando um pouco mais intenso quando a mão de tocou sua face. A pele fria do jovem em contato com a pele quente da princesa. Os dedos tão magros acariciando a bochecha da esposa. – Não se despeça. Não faça isso, . – segurou com cuidado a mão dele, entrelaçou seus dedos e com muito mais cautela.
queria senti-lo. E mesmo que a mão de agora estivesse entre as duas, os dedos entrelaçados e suas peles se tocando, ainda não era o suficiente.
– Você é tão linda. – a voz sussurrada, tão leve quanto à brisa que movia a folhava das arvores do quintal, não tomara metade do espaço daquele quarto. – Tive tanta sorte em chamá-la de minha ao longo desses seis anos. – sorriu, os cantos dos lábios não subindo com a mesma facilidade de antes. – Os outros homens do reino sentiam inveja de mim. – a risada veio baixinha, quase como uma canção tocada no volume certo para alcançar o coração de quem ouve.
A canção que ouviria todos os minutos de sua vida se fosse possível.
– Eu te amo tanto. Tanto. – ela se declarou, arrependendo-se por todas as vezes que poderia ter expressado mais sentimentos e não o fez porque nunca pensou que aquele momento chegaria. O momento em que teria que se despedir de . – Você não pode me deixar, . – afirmou, fechando os olhos e apertando devagar a mão de . Seu .
– Eu nunca irei te deixar, meu amor. – prometeu antes que uma tosse lhe aumentasse sua dor no peito, uma dor tão forte que se estivesse sozinho teria tirado de si um grito angustiante, mas, não estava sozinho. Por isso, sentiu a dor e se forçou em apenas lacrimejar os olhos. não poderia vê-lo gritando de dor. Não queria que ela ouvisse algo que jamais poderia esquecer, já era o bastante que o visse naquele estado. – Desculpe-me por não poder ficar para o nosso casamento.
– Nosso casamento já aconteceu. Cooky foi a nossa testemunha. – sorriu pequeno, e também.
A lembrança gostosa da cerimônia que o jovem casal fizera no quarto da princesa, há dois meses, tomara suas mentes e corações. O momento de tanto amor e doçura dando ao casal uma sensação de conforto e paz em meio a tanta dor. A cerimônia não teria valor algum diante do reino e ambos sabiam disso. Entretanto, pouco se importavam.
Antes que o casamento morganático fosse feito diante dos olhos de todo o reino, membros da família real e da população, e preferiram fazer uma cerimônia só deles. Antes de terem algo grandioso e exposto, quiseram se casar em segredo. A sós. Sussurrando suas juras de amor e fidelidade eterna. Colocando em seus dedos o par de alianças que comprara escondido de , com a ajuda de Jimin – o melhor amigo e de Jon e chefe da guarda do reino. Enquanto Cooky, o coelho rosa de pelúcia, um presente que dera para , fazia o papel da única testemunha daquele momento tão simples, puro e com tanto amor. E para eles aquele casamento que seria julgado como de mentirinha diante dos olhos alheio, tinha muito mais valor do que aquele que aconteceria dali um mês.
– Irei te encontrar de novo, . Em outra vida, eu juro que irei. – prometeu, sabendo que aquilo não estava em suas mãos, mas, desejando fortemente que o ser celestial e o destino o ajudassem a tornar aquela promessa real. Ainda não tinha vivido o suficiente ao lado de , precisava de mais.
Muito mais.
Mais três vidas, no mínimo.
– E eu vou te esperar. – segurou a mão de com uma mão, e levou a outra até o rosto dele acariciando a bochecha tão magra. – Iremos nos encontrar. Ainda não sei como, mas iremos.
– Irei te amar mais uma vez, assim que olhar em seus olhos. – visualizou o futuro, deixando que lágrimas ardidas escorressem pelos cantos de seus olhos. Tanto pela dor que sentia em seu corpo quanto por não querer partir.
– Nós seremos felizes para sempre, amor. Nós seremos. – prometeu, sentindo seu coração pesar e multiplicar os pedaços já partidos.
estava indo embora, e ambos sabiam disso.
– Deite-se comigo. – pediu. E mesmo que soubesse que era errado e que brigariam consigo caso a encontrasse deitada na cama com , ela o fez. Era sua despedida, afinal.
Qualquer segundo, minuto lado a lado era importante para ambos, principalmente para . Seriam essas lembranças, as memórias dos momentos vividos ao lado dele, que a ajudaria a lidar com sua partida. Ela precisaria das memórias da linda história do amor de para que fosse capaz de continuar vivendo. E foi por isso, exatamente por isso, essa necessidade, que fez com que se deitasse ao lado de com bastante cuidado, colocasse sua cabeça no peitoral já tão magro e repousasse sua mão em cima do local onde o coração dele batia tão fraco. Cada vez mais fraco.
– Eu te amo. – confessou mais uma vez, os olhos fechando quando o aperto de sua mão na de diminuiu.
– Eu sempre vou te amar.
sorriu ao ouvir aquela promessa, mesmo que suas forças fossem poucas para um sorriso largo. Ele sorriu, pois ouvir dizendo que o amava, seria sempre, para si, a primeira maravilha do mundo.
ergueu um pouco a cabeça para encarar o rosto de , a magreza do homem a assustava. O suor dava um brilho à pele pálida que a preocupava ainda mais, além da temperatura tão quente. sentia tanta dor, sofria tanto e sabia disso.
E por mais doloroso que fosse para si, era por saber e acompanhar todo o sofrimento dele que, mesmo querendo que ficasse ao seu lado por mais alguns dias, sabia que ele precisava descansar.
Ele precisava ir. Precisava se livrar de todas aquelas dores.
Doeria como o inferno em si quando ele partisse. Doeria não tê-lo mais ao seu lado, ter de viver num mundo sem ele, mas seria o melhor para ele. sabia disso e aceitava.
Não entendia como alguém tão bom como sofria tanto na hora de sua morte, mas aceitava porque sabia – se consolava nessa certeza – que o amor que ambos sentiam era forte demais para ser vivido por tão pouco tempo naquela vida. Eles teriam mais tempos juntos, a história de amor deles dois teria continuação em outra vida. Outras vidas.
se agarrava nessa certeza porque não queria acreditar que alguém tão bom como , e um sentimento tão puro como aquele que sentiam, fora enviado a este mundo somente para sofrer e ter um fim tão trágico. Era melhor que a vida os abençoasse com outras encarnações. Ela contava com isso.
E não estava tão errada assim.
Amor em sua forma com tons de cores claras, com a fumaça leve de calmaria que saia de si e fazia um caminho por onde passava, assistia aquela triste cena encostado a parede que ficava de frente para a cama. O cheiro de álcool daquele quarto o deixava enjoado, assim como as lágrimas derramadas pelo jovem casal o deixavam imensamente triste. Triste o bastante para fazê-lo suspirar e tentar, mais uma vez, segurar as lágrimas grosseiras da mais pura tristeza que ameaçam sair de seus olhos de pupilas azuis. O mais claro azul. Porque mesmo que não fosse feito de dor e sofrimento, mesmo que Pai não tivesse colocado em sua matéria prima a sensação sufocante que sentia naquele momento, ainda assim, Amor sofria com a dor da despedida de e . Ainda lhe doía. As borboletas em seu estomago partilhavam de sua tristeza, do sufoco que sentia, e por isso estavam quietas, sem bater as asas.
Uma lágrima escapou dos olhos do mais belo azul quando Morte se aproximou da única cama do quarto.
Morte em sua forma tão característica, tão pesada e assombrosa. A fumaça escura marcava seus passos pelo caminho que fazia, saindo debaixo da capa negra. A foice em sua mão combinando com sua aparência sombria, medonha. Morte fora criada com um único propósito, desde o primeiro segundo de sua existência. E era esse propósito que a levava aquele quarto. Estava ali para cumprir o seu trabalho.
– Cuide dele, por favor. – Amor pediu, suplicou, quando Morte encostou a ponta da foice na testa de , recolhendo a alma dele. – Por favor. – insistiu, assistindo a alma sendo guardada dentro da pequena bolsa prateada que Morte carregava consigo e colocava as almas ali dentro. – Ele é especial.
– Pensei que todos fossem. – Morte o respondeu. – Essa é a primeira vez, não será a última.
– Eu sei. – afirmou, fraquejando em seguida quando seu olhar fora em direção a que havia se mexido na cama. – A primeira de três.
Morte não tivera tempo para responder qualquer coisa a Amor, uma vez que o choro de ficou mais intenso e alto quando, sob sua mão, ela sentiu o coração de parar de bater no peito dele.
nunca sentira uma dor como aquela em toda sua vida. Uma dor que queimava todo o seu interior, agitava seu sangue, apertava e quebrava ainda mais seu coração já tão quebrado. Uma dor que a corroia. Seu rosto era banhado em lágrimas grossas e amargas, o gosto de ferro tomava sua boca, enquanto de seus lábios saiam o nome de que não a respondia. Que nunca mais a responderia.
– Me desculpe. – Amor pediu à princesa que não podia vê-lo ou ouvi-lo, mas podia senti-lo. Acontece que naquele momento de dor infinita, não sentia nada além daquilo: a mais pura e intensa dor que já sentira em toda a sua vida.

Nota da Autora: Espero que tenham gostado! Comentem se possível hihihi.
Qualquer coisa podem me procurar no twitter também, ‘tô lá como @loeykwon. Beijos e até a próxima, que (se o mundo ajudar) será daqui uma semana!



II
Destiny,

second life.

– Você acha que eu vou conseguir? – perguntou inseguro para a menina ao seu lado, ao que mordia o sanduíche de frango que segurava com as duas mãos e evitava encarar , que o olhou com uma sobrancelha erguida.
– E porque não conseguiria?
– Porque eu não sei fazer rap, a minha voz não é tão boa e minha dança não é a melhor – listou algumas de suas imperfeições, coisas que pareciam tão obvias para si e que, com toda certeza, o atrapalhariam naquele novo desafio. – E você sabe, nós dois sabemos, eles buscam sempre o melhor – suspirou.
– Você é o melhor, – afirmou, virando-se de frente para o garoto que ainda não conseguia controlar os batimentos do próprio coração toda que vez que o chamava daquele jeito, com aquele apelido que somente ela usava. – Você pode não ser muito no rap, mas é incrível cantando. Sua voz é maravilhosa, entenda isso. Só a sua voz me faz dormir em paz no meio de uma crise de choro, lembra? E olha que eu nem gosto que falem comigo quando estou chorando, mas eu gosto de ouvir a sua voz porque ela me acalma. Você dança muito bem também. Você sempre ganha de mim quando vamos ao fliperama e me convence a ir com você naquela maquina idiota de dança, só pra me humilhar!
– A máquina não é idiota… Você que não consegue acompanhar os passos.
– Mas você consegue! Porque é rápido e consegue acompanhar os movimentos e tal! Viu, você é o melhor! – afirmou, quase gritando para que entendesse de uma vez por todas o quão incrível ele era. – Vai dar tudo certo, . – prometeu depois de um curto silêncio, bagunçando os fios negros do cabelo do garoto que era seu melhor amigo desde sempre.
– E se não der? – a voz tremeu com tanta insegurança. – E se tudo isso for um erro? E se eu decepcionar meus pais? Minha família? Decepcionar você?
Os olhos já grandes de naquele momento pareceram um pouco maiores, o brilho que tinha ali era causado pelas lágrimas que deixavam turva a visão do garoto. Aquela visão, a de quase chorando enquanto parecia tão frágil e inseguro, fazia o coração de apertar em dor.
A ideia de deixar Busan para ir pra Seul partira do próprio , há pouco mais de dois anos, quando ele confessou para seus pais e irmão mais velho que desejava ir atrás do seu sonho de ser cantor. O apoio da família foi imediato, pouco depois da conversa séria que tiveram com o mais novo sobre o que tudo aquilo poderia representar. Os mais velhos falaram dos riscos, do que poderia ou não dar certo, mas, principalmente, também falaram do apoio que daria ao caçula da família sempre que fosse necessário. Combinaram que deixaram Busan quando tivesse seus doze anos completados, o que deu aos mais velhos algum tempo para observar se o filho não desistiria da ideia. não mudou de ideia, não voltou atrás com sua palavra e por isso deixariam Busan.
Fora necessário muito autocontrole para lidar com a ansiedade e nervosismo que sentira por todo esse tempo, sempre que pensava que logo estaria indo atrás de seu sonho. E é claro que tudo se tornara mais fácil, como sempre se tornava, porque ele tinha ao seu lado.
Juntos eles imaginavam vários cenários para a carreira de . Carreira que, é claro, seria muito bem sucedida. As músicas de estariam nos topos das listas de melhores, mais tocadas e compradas. Os shows seriam todos lotados – mal haveria espaços para mosquitos. Na agenda faltaria tempo até mesmo para tomar banho, mas já tinham combinado que deveria tomar, pelo menos, um banho por dia. Ele teria uma equipe consigo que o ajudaria a viver todo aquele sonho. Os planos feitos por e eram lindos, esperançosos, desenhados com muito amor, carinho e cumplicidade. Erros não existiam na imaginação dos dois. O sonho de se tornaria real e ponto final. Para os dois jovens, o sonho do garoto seria realizado tão logo ele chegasse a Seul.
Entretanto, toda a insegurança que não havia tomado conta de nos meses anteriores, o fazia tremer por inteiro naquele momento. Ele sentia tanto medo de falhar, de estar fazendo sua família se mudar para Seul em busca de algo que não daria certo, que poderia chorar a qualquer momento. Poderia chorar naquele exato momento. Estava tão apavorado que poderia sair correndo da casa de madeira na arvore no quintal de sua casa, ir até seus pais e pedir a eles que cancelassem toda a viagem e mudança. Dizer que havia mudado de ideia, que não queria sair de Busan.
poderia desistir de tudo naquele instante, tinha certeza disso. Na verdade, estava pronto para desistir de tudo. E parecendo perceber isso – o que não surpreenderia ninguém, nem mesmo a , afinal, o conhecia como ninguém – a garota logo o respondeu:
– Você só vai me decepcionar se desistir de tudo, se não for. – Se virou de frente para que abaixou a cabeça segurando o choro. – Você vai conseguir .
– Mas e se eu não conseguir? – perguntou novamente, erguendo a cabeça mostrando para a amiga o rosto já molhado por lágrimas salgadas de medo. – Não rir. Idiota.
– Você vai conseguir, porque ninguém consegue dizer não pra esse sorriso e essa carinha de dó. – brincou apertando o rosto do garoto que tentou escapar de seu toque. – Você vai conseguir porque você é incrível, . E será um dos melhores, senão o maior, cantor que já pisou na Coreia. Mas, se por acaso, você não conseguir… O que eu duvido que vá acontecer – apontou –, é só procurar outro sonho e ir atrás dele. Mas, antes você precisa tentar viver esse sonho – afirmou, esperando um aceno positivo do garoto que demonstrou ter entendido. – Agora pare de chorar. Porque se você sair daqui com a cara inchada de choro sua mãe vai achar que eu te bati.
– Ela já acha que você me bate às vezes. – confessou o que já não era segredo para a garota que riu. era um pouco bruta e por isso, às vezes, sua comunicação podia envolver alguns empurrões, tapas e socos – nada muito forte, é claro. – Para, chega! – empurrou as mãos da garota que secava as lágrimas dele com as mangas do próprio casaco rosa. riu e continuou secando o rosto dele, tentando, implicando com que passou a tentar segurá-la pelos pulsos.
As risadas de ambos não demorou a preencher a casa de madeira na arvore, a implicância os distraindo a ponto de não repararem quando derrubaram um dos copos de suco se virou e sujou o chão com o líquido laranja.
A amizade de e era feita de conselhos trocados – mesmo que não tivessem mais do que treze anos cada e soubessem tão pouco a respeito da vida e do mundo, filmes assistidos, apostas feitas durante alguns jogos ou quando um queria mostrar para o outro que estava certo sobre algo, brincadeiras idiotas que arrancava deles as melhores risadas e lhes rendiam lembranças que jamais esqueceriam. Não precisam de muito quando estavam juntos. Suas presenças bastavam, um era o suficiente para o outro. E seja lá o que fizesse juntos, desde as brincadeiras aos castigos impostos pelos mais velhos, tudo se tornava melhor e muito especial quando estavam juntos.
Afinal, estarem juntos era o suficiente.
e se conheciam desde sempre. Suas famílias já eram vizinhas antes mesmo dos dois nascerem, então, a aproximação entre eles foi algo simples e esperado. A amizade que começou tão cedo se fortaleceu com o decorrer do tempo, se fortalecia. O que existia entre ambos era algo concreto, resistente, fiel e muito verdadeiro. Um conhecia muito bem o outro, por inteiro. Se amavam, se respeitavam e desejavam as melhores coisas para o outro. E, é claro, desejavam viver as melhores coisas juntos. Eram melhores amigos.
Entretanto, estavam na fase da pré-adolescência. A fase tão conhecida por chegar trazendo consigo as incertezas, dúvidas e a primeira paixãozinha.
E diante da proximidade que tinham, não era surpresa alguma que um despertasse sentimentos estranhos no outro. e ainda não sabiam muito bem o que era aquilo que sentiam, como haviam chegado naquele estado e como fazia pra parar, estavam confusos e com medo. Se estivessem sentindo tudo aquilo por outra pessoa, talvez por uma das meninas da sala de aula de ou um dos garotos idiotas que achava bonito no colégio, ambos já teriam compartilhado entre si o que sentiam e juntos tentariam entender tudo aquilo. Porém, a situação era outra e por isso não podiam, não conseguiam, pedir conselhos para a melhor pessoa que conheciam, pois era por essa pessoa que sentiam o coração acelerar de repente.
Portanto, tudo o que eles faziam era esperar que aqueles sentimentos, sensações sumissem de dentro de si. Ignoravam cada vez mais as vontades que surgiam aos poucos, a curiosidade que ficava cada dia mais aguçada. Assim como também tentavam ignorar a intensidade da dor que sentiam há alguns dias, desde que a família de começara a empacotar todas as coisas para a mudança. Entretanto, aquela dor não era sobre a despedida momentânea que eles como prometiam a eles mesmos, era a dor da despedida definitiva eles só não sabiam disso ainda.
! – a voz do irmão mais velho de , assustou os dois jovens que acabaram caindo um sob o outro no chão de madeira. Os olhos arregalando quando perceberam a proximidade que existia entre seus corpos. ainda segurava os pulsos de enquanto estava em cima dela, o coração acelerado combinando com o da garota que o encarava de volta. – A mamãe está te chamando, pirralho! – o mais velho gritou mais uma vez, acordando os dois mais novos que se afastaram rapidamente e levantaram num pulo.
– ‘Tô indo! – gritou de volta, olhando ao mesmo passo em que tentava parar de encarar que assim como ele não sabia o que fazer. Começaram a catar e juntar a sujeira que fizeram por ali ao mesmo tempo, ambos fugindo de qualquer contato visual ou toque. Desceram da casa da arvore apressados, distantes, evitando se encararem, sentindo os corações acelerados em seus peitos e a boca seca.
Enquanto andavam ao lado do irmão de em direção a casa, o menor tendo o cabelo bagunçado pela mão do mais velho, tinham os rostos quentes de vergonha pelo o que acontecera há minutos atrás e só servira para despertar o que tanto tentavam ignorar.
– Eles precisam… – Amor suspirou, observando e adentrando a casa junto com o irmão do garoto. Sentindo tudo o que os mais novos sentiam. – Por favor.
– Eu não posso. E você sabe disso. – Destino, tão lindo e único em sua forma que era feita com diversos tons de amarelo desde os mais claros aos mais escuros, com as pupilas douradas como ouro, respondeu. – Sabe que o que foi escrito não pode ser alterado – repetiu a regra que todos deveriam saber de cor. Encarou Amor que estava ao seu lado, observou a feição alheia que estava repuxava em tristeza e suspirou pesado.
– Você pode! Você pode mudar! – apontou desesperado, para o livro que Destino carregava consigo. Um livro de capa dura na cor marrom, com muitas páginas e uma caneta de ouro branco entre duas páginas, marcando uma parte da história de e que tinham os nomes cravados na capa do livro com tinta definitiva.
– Eu não posso. Especialmente nesse caso, e você também sabe disso.
– Eles precisam se reencontrar. Eles precisam… Precisam. – Suspirou interrompendo a si mesmo, já tão cansado de tudo aquilo justaente por saber que era apenas o começo.
– E irão. – Destino segurou a mão do irmão, Amor, assegurando e sorrindo para encorajá-lo. – Quando você conseguir passar nesse teste. O que eu sei que vai acontecer, pois eu acredito em você.
Amor suspirou mais uma vez, não sabendo como responder a Destino que sempre demonstrava tanto fé em si, ouvindo ao longe o barulho que a família fazia dentro da casa, animados com o que viria com a mudança.
Suspirou sabendo que quando fosse embora para Seul o garoto não conseguiria realizar seu sonho. Ele não se tornaria um dos maiores, ou o maior, cantor da Coreia – assim como fora prometido por , não naquela vida. acabaria se tornando um advogado depois de alguns anos de muito estudo, de muitas lágrimas e noites mal dormidas com a dor do sonho não realizado. Amor suspirou mais uma vez, uma lágrima prata saindo de seus olhos ao lembrar-se a historia que ele sabia de cor. e nunca mais se encontrariam. Um nunca mais cuidaria da dor alheia. Ela não estaria lá para amparar o melhor amigo que sentiria o chão sair de seus pés quando tudo começasse a dar errado, e não estaria lá quando sofresse de amor. Um nunca mais secaria as lágrimas do outro. Não haveria mais brincadeiras idiotas entre eles, apostas ou implicâncias. Nunca mais.
O reencontro prometido e tão esperado jamais aconteceria. Uma vez que, após uma semana depois da mudança dos , a mãe de seria transferida pela a empresa em que trabalhava para a sede de Londres, Inglaterra.
Os números de telefone seriam alterados. E o contato perdido. E mesmo que pensassem buscar por informações um dos outro no futuro, não iriam. sentiria vergonha demais e não teria coragem de ir atrás da amiga para dizer que “ei, eu fracassei como cantor, mas sou um advogado muito bom!”, enquanto estaria presa numa vida de dona de casa com dois filhos e um marido que a faria feliz. Entretanto, não como poderia fazê-la.
Amor suspirou sabendo que os dois jovens que o tinham em seus corações, não teriam a chance de vivê-lo. Eles seriam afastados, separados. E mesmo que jamais fosse esquecer a garota que o agitava ao chamá-lo de , e ela jamais se esquecesse do garoto de sorriso bonito e carinha de dó, e ainda fossem carregar aquele sentimento no fundo de si até os últimos dias de suas vidas, eles não poderiam viver uma linda história de amor juntos. Porque Amor estava sendo testado, e precisava provar a Pai que conseguia resistir a tudo e todos.
Era um teste rígido, doloroso, em que Amor precisava ser aprovado.
E seria. Ele faria de tudo para passar naquele teste.
Mesmo que isso doesse em si, lhe custasse o agito das borboletas que moravam em seu estomago, e as várias lágrimas prateadas que molhavam sua face enquanto ainda estava sentado ao lado de Destino. Lágrimas que sempre molhavam seu rosto toda vez que assistir e sendo separados.
A mesma quantidade de lágrimas que molhariam os rostos de e dali alguns dias.



III
Hate,

third life.

tinha o sono pesado, mas não o suficiente para continuar dormindo com a movimentação constante que sentiu ao seu redor. Abriu os olhos e logo ficou assustado, tentando entender o que acontecia a sua volta enquanto sua cabeça latejava e pesava uma tonelada. Seu corpo inteiro também doía, e tudo lhe parecia muito mais confuso que normalmente parecia quando acordava.
Sentou-se na cama devagar, sentindo a cabeça rodar, o frio atingindo a pele que fora exposta quando o cobertor que o cobria deslizou por seu corpo com o ato. Ele estranhou o fato de seu tronco estar nu, ficando ainda mais confuso quando ergueu o edredom e observou a única peça de roupa que tinha em seu corpo: uma cueca azul marinho.
Franziu o cenho enquanto se perguntava quando foi que tirou o pijama na noite anterior, que lembrava ter vestido após ter tomado banho. A dor em sua cabeça se tornou aguda, arrancando um resmungo dele que ainda estava bem confuso. Entretanto, se viu sem tento para entender o que havia acontecido com seu corpo. Os olhos arregalaram quando ele virou a cabeça para o lado ao ouvir barulhos de movimentos, e viu Adora, uma colega de trabalho, vestindo um vestido vermelho, apressada, enquanto tentava cobrir o conjunto de lingerie que vestia.
não entendia o que estava acontecendo, a presença de Adora o deixava assustado e ainda mais confuso. E ele perguntaria a companheira de trabalho o que tinha acontecido, como ela parou no quarto dele e que diabos estava acontecendo, se não fosse a presença de ao lado da única cama do quarto, próxima a porta.
, eu… – começou, sem saber o que falar, como explicar o que estava acontecendo, uma vez que ele mesmo não sabia o que estava acontecendo. Porém, mesmo sem saber ele continuou tentando se explicar, convencer a noiva de que nada daquilo era o que ela estava pensando. – Eu juro que… – tentou mais uma vez, a voz falhando, a boca abrindo quando seus olhos capturaram o momento em que Adora, a única que poderia explicar o que tinha acontecido, saiu do quarto a passos largos e rápidos. Ela o deixou sozinho com , levando consigo a explicação para tudo aquilo.
Que porra?!
A porta da frente foi batida, o barulho fazendo com que pulasse de susto e se levantar da cama preocupando-se em se enrolar no cobertor.
– Eu não sei o que aconteceu, eu juro. – formulou a frase que poderia ser dita naquele momento, mas, ironia ou não, era a única que soaria sincera naquele momento. Ele realmente não sabia o que tinha acontecido e como Adora havia parado em seu quarto vestindo apenas calcinha e sutiã enquanto ele só tinha uma cueca em seu corpo.
– Não fala nada – pediu , apontando na direção do homem que sentiu todo o peso do mundo em cima de si quando viu lágrimas molhando o rosto da namorada. – Não se atreva, . Não minta pra mim. Não minta.
– Eu não estou mentindo! Eu juro! – afirmou, se levantando e saindo da cama. Ele foi em direção a que ergueu o braço e manteve a mão aberta para afastá-lo de si, delimitando uma distância entre eles. – , por favor, me escuta.
– Não chega perto – pediu mais uma vez, olhando de cima a baixo o corpo alheio seminu. – Você me disse que nunca tiveram nada! Que você nunca saiu com ela! Que ela não fazia o seu tipo. Que eram apenas colegas de trabalho. Você… Meu Deus, ! Você me prometeu que não tinha nada com ela!
– E eu falei a verdade! Eu prometi porque era verdade! É verdade! – respirou fundo, pegando o short do pijama que vestiu na noite anterior e que nada momento, sabe-se lá Deus como, estava no chão ao lado da cama. – , por favor, me escuta. Acredita em mim! Eu sei que é difícil, mas, meu amor…
– Eu não quero ouvir a sua voz – anunciou, olhando-o seriamente, sentindo um gosto amargo no interior de sua boca. – Eu quero que você suma. Eu quero que… Meu Deus – suspirou não conseguindo terminar a frase, passando a mão pelo rosto e logo em seguida pegando sua bolsa que caiu de sua mão com o susto que levou ao adentrar o quarto. – Não me procure nunca mais! – gritou dando as costas para o ator que sentia o coração batendo fortemente dentro do peito.
deixou o quarto tão rápido quanto Adora, as lágrimas continuavam molhando sua pele, o coração apertado e cada segundo mais dolorido. Ela queria tanto ir embora dali, deixar aquele apartamento e para trás. Queria se esquecer dele, da história deles, dos meses em que morou ali com ele enquanto faziam planos para o futuro que estavam dispostos a construir juntos.
, por favor! – a chamou, alcançando por fim e a mulher que se virou ao ter o braço segurado por ele. – Não aconteceu nada, eu juro!
– Então me diz – pediu ao puxar o braço para si, soltando-se de – o que ela estava fazendo deitada ao seu lado na sua cama? Na nossa cama? – corrigiu, sentindo a dor de ser traída pelo homem que mais amou em sua vida. – Vai ter coragem de dizer que estavam jogando videogame e de repente pegaram no sono? Ou, que estavam trabalhando no roteiro do seu próximo trabalho e dormiram de tão cansados? Ou, melhor, que ela estava sofrendo por amo e você foi um bom amigo e a consolou!
– Não, não! – negou diversas vezes, sentindo doer onde já doía. sempre sofria um pouco mais quando agia daquela forma contra ele: com ironia, atacando-o, tão distante. – Eu juro que não sei! – gritou, desesperado. – Eu fui pra festa de lançamento do novo álbum do Namjoon com o Sejin, como eu te falei que iria. Ficamos lá por algumas horas, bebi uma taça de champanhe só e pedi Sejin me trouxesse pra casa quando comecei a me sentir meio enjoado e tonto. Deve ter sido porque bebi álcool com o estomago vazio, me esqueci de comer alguma coisa depois que sai da sessão de fotos e fui direto pra festa. – respirou fundo, encarando a mulher que o encarava de volta enquanto o escutava. – Eu lembro que tomei banho quando cheguei em casa, comi alguma coisa salgada pra ver se o enjoo diminuía, então fui pra cama e… Só. Eu só me lembro disso. Quando acordei você já estava aqui, Adora colocando o vestido e…
– Eu não consigo acreditar em você – confessou, olhando para com um olhar que ele não conhecia até então. tinha o olhar carregado de decepção, nojo, raiva. – Eu não consigo acreditar em uma palavra que saiu da sua boca. Sinto que você está me escondendo algo porque a sua explicação não se encaixa com a cena que eu vi, que meus olhos viram. Como que você não sabe o que aconteceu entre você e ela se quando eu cheguei aqui, entrei naquele quarto, ela estava dormindo em cima de você? Agarrada a você? Como que eu vou acreditar que você veio pra casa, tomou banho, comeu e foi dormir sozinho, se eu a vi de calcinha e sutiã e você de cueca? Eu não sou tão idiota assim, .
– Não, você não é. Eu sei que não. – Suspirou derrotado, estava escapando por seus dedos como areia e não sabia o que fazer para fazê-la ficar. Ele tinha noção de que se estivesse no lugar dela, também duvidaria de qualquer palavra dita. – Acredita em mim, por favor – implorou mais uma vez, sentindo os olhos arderem quando lágrimas apareceram.
– Eu não consigo, – confessou, apertando a alça da bolsa, desejando que tudo aquilo fosse mais um dos pesadelos que tinha de vez em quando. – Me conta a verdade, por favor.
– Essa é a verdade, eu não sei.
negou com a cabeça, segurando o choro que travava sua garganta. Lágrimas já haviam sido derramadas, é verdade, mas nada se comparava ao choro que estava preso dentro de si. Ela queria chorar muito e gritar toda aquela dor que sentia diminuir seu coração, porém não queria chorar tão abertamente e dolorido na frente de . Por isso, ela respirou fundo e se virou de costas para ele, indo em direção a porta principal.
E mesmo que quisesse segurá-la, ele sabia que não podia. Ele não tinha esse direito e nem sabia como fazer uma coisa dessas. precisava de explicações lógicas, certezas, e não tinha nada daquilo naquele momento.
– Você sabe a verdade.
– Sim – respondeu Ódio, dando de ombro, enquanto junto a Amor assista aquela cena que começara a se desenrolar muito antes da noite anterior. – E você sabe que só estou fazendo o meu trabalho.
– Seu trabalho é sujo – repetiu para o irmão que pouco se importava com aquela acusação, pois sabia que era verdade.
Ódio, ao contrário do Amor, era feito de um degrade de preto, vermelho escuro e laranja, uma fumaça densa e escura – não tanto quanto a de Morte –, sua energia era pesada. As pupilas eram do mais puro e escuro vermelho que deixava com medo qualquer um que o encarasse, menos o Amor. Amor não conseguia sentir medo de Ódio, e talvez isso só aumentasse o desgosto que Ódio sentia daquele que era a sua versão contrária. Pois, ele só gostava de quem o temia e sentia medo de si. E, principalmente, daqueles que se rendiam e o sentiam com tanta intensidade e verdade.
– Você choraminga demais. – Fez careta para o irmão e para a cena de sentando-se no chão da sala. – Parece que alguém morreu, credo – desdenhou do sofrimento alheio fazendo outra careta.
– Ele está triste. Ele a perdeu – apontou Amor, respirando profundamente detestando ver triste mais uma vez.
– Há outras por aí.
– Não há outras como ela por aí – corrigiu o irmão que deu de ombros. – Ele vai descobrir a verdade não vai? – questionou, virando-se para encarar aquele que estava ao seu lado.
– Vai. Daqui uns dez dias. Vai começar a faltar o trabalho, o amigo vai vir atrás dele, eles vão brigar e no meio da briga Sejin vai deixar escapar tudo – resumiu a história que havia descoberto com a ajuda de Destino, gostando de cada detalhe daquela situação. Daquele plano tão eficaz em separar o casal que tinha tanto para viver juntos. Podia parecer errado para aqueles que como seu irmão, Amor, era sentimental demais, mas Ódio gostava demais quando seu trabalho era concluído com sucesso.
– Sejin vai vir atrás dele? Ele terá coragem?! – perguntou assustado com a maldade alheia, com a cara de pau. – Depois de tudo o que ele fez?!
– Você ainda não aprendeu que nem todo mundo tem você dentro do peito? Que nem todo ser humano se importa com o outro? Que alguns estão pouco se fodendo para sentimentos alheios? – questionou desdenhoso, achando um saco ter que lidar com Amor e sua ingenuidade, seu sentimentalismo, mais uma vez. – Algumas pessoas não te conhecem e nem querem conhecer. Alguns só se importam com o dinheiro, reconhecimento e a fama. Sejin é uma dessas pessoas. Ele só quer o dinheiro que aquele ali – apontou para que chorava agarrado as próprias pernas, com a testa encostada nos joelhos. – pode dar a ele. Sejin acha que é errado assumir o relacionamento dele com , que isso vai acabar com a carreira dele. Por isso, montou todo esse plano que, sinceramente, achei bem ridículo. Já vi melhores – deu de ombros. – E Adora só aceitou porque acha que vai decolar como atriz de vez, coitada.
– Adora me sente. Ela se arrepende do que fez, eu sei que sim. – Amor respondeu, sabendo perfeitamente ao arrependimento que a atriz e colega de trabalho de sentia. – Ela é uma boa pessoa.
– Uma pessoa tão boa que aceitou acabar com um relacionamento assim que ouviu que poderia ser beneficiada em algum momento, uh realmente. Uma ótima pessoa – debochou Ódio, chegou até mesmo a rir. Uma risada carregada de sua marca registrada: negatividade, ruindade. – Você precisa parar de ser tão ingênuo, de achar que vai mudar o mundo – aconselhou o irmão que encarava o ser humano choroso. Revirou os olhos escuros. – Fica aí com o seu bebê chorão. Tchau.
– Essa foi a última vez, eu prometo – prometeu, observando chorar tão sentido, tão sofrido. – Eu prometo que na próxima vai ser diferente. Vocês serão felizes. Tão felizes que irão se perguntar se é realidade ou um sonho. E será real. – Sorriu esperançoso, certo de que faria tudo bem feito na sua vez. O sorriso de Amor emanou um vento fresco que atingiu que, apesar de ainda estar chorando e sentindo que havia perdido tudo ao perder , se sentiu acolhido de alguma forma. – Eu só peço que se lembre. Por favor, se lembre de mim. Sinta-me. E me deixe cuidar de você. De vocês.

IV
Love,

fourth and last life.

, levanta. Vamos almoçar – chamou o amigo mais uma vez, balançando o corpo do mais novo que respondeu e cobriu a cabeça com o travesseiro. – , vamos. Levanta!
– Eu ‘tô sem fome, .
– Se você não descer comigo, vai ter que descer quando o vier te buscar.
Como uma última tentativa, visto que o mais novo nem se moveu diante da ameaça, se jogou em cima do corpo de que era um pouco maior que o seu. O mais velho ficou com o corpo atravessado em cima de , a cabeça caindo na costela do garoto que resmungou sentindo o peso de em cima de si. O de bochechas cheias e olhos que pareciam duas fendas quando ria, estava rindo ao que se movia de um lado para o outro, enquanto cantarolava o nome de em chamados.
– Tá, me deixa levantar – resmungou, arrancando uma nova risada de que se levantou e se sentou ao lado de que demorou um pouco a levantar também. – Vamos, estamos todos te esperando.
– Eu posso comer depois – insistiu, sentindo a cabeça voltar a doer de um jeito tão característico e já conhecido por si.
– Você nunca come depois. Está sentindo alguma dor? – questionou Park, tocando a testa e bochechas de com a mão pequena. A fim de saber se o mais novo estava mais quente que o normal, com febre.
– Dor de cabeça e no corpo – confessou, suspirando e fechando os olhos para esfregá-los devagar com as mãos. Os mais simples dos gestos pareciam ser esforços imensos.
– Sinto muito. – odiava ter aquela visão tão frágil de , detestava quando o mais novo sentia dores que ele não poderia curar ou pegar para si. Era injusto que alguém tão bom como sentisse aquelas dores em todos os anos de sua vida, e a medicina nunca encontrasse uma resposta e cura para tudo aquilo. Tinha que haver uma explicação, certo? – Nós vamos encontrar uma resposta pra tudo isso – prometeu, passando a mão devagar na tese do mais novo para tirar o cabelo que caia na frente do rosto de . – Não importa como, mas vamos encontrar uma resposta.
– Eu já desisti dessa resposta – suspirou, encarando que o observava. – Desisti de entender porque meu corpo sempre fica assim quando chega o quinto mês do ano.
Era só o mês de maio começar que mudava por inteiro. Tudo começava com a dor de cabeça que aumentava conforme as horas e dias iam passando, até que toda a aparência se tornasse abatida e as dores aumentassem. Olheiras marcavam abaixo dos olhos – resultado das noites, que ficavam cada vez mais mal dormidas –, o olhar perdia o brilho, os olhos ressecavam, o cabelo caia mais do que o normal, a voz saia tremula em diversos momentos, as mãos suavam frias, o que, vez ou outra, despertava em crises de ansiedade. Ele queria se ver livre de tudo aquilo, pois doía demais. O mês de maio poderia significar algo bom para alguns, mas, para significava dor desde o seu nascimento.
Quando ainda bebê, deixava os pais desesperados com seus choros tão constantes e doloridos. As lágrimas que molhavam a face do garoto desde muito cedo desesperava os mais velhos que começaram cedo à busca por respostas. E após passar por tantos médicos de tantas cidades diferentes, fazer tantos exames de sangue e tecnológicos, responder a tantas perguntas e ser observado por diversos profissionais da saúde mental e física, adolescente, já tão cansado de tudo aquilo, decidiu que a melhor saída seria ficar recluso quando o quinto mês do ano chegasse. É que depois de tanta busca pelo o que parecia ser desconhecido pelos seres humanos, decidiu que enfrentaria suas dores sozinho em seu quarto, dentro de sua casa.
Em determinado momento de sua vida, se acostumou com cada uma das dores. Claro que a familiaridade não fazia com que as dores diminuíssem, ele ainda chorava de dor em alguns momentos, mas o garoto não se surpreendia mais quando tudo começava e ficava consigo por todo o mês de maio. Ele não pedia mais por ajuda quando o ar começava a faltar, as mãos tremiam, a cabeça latejar enquanto o coração parecia prestes a explodir em pedaços.
havia se acostumado, mas, ainda assim, tudo continuava a doer como o inferno.
O principal fator que o fizera aceitar e se acostumar com tudo aquilo é que ele sabia, tinha certeza depois de tantas tentativas, que jamais encontraria a resposta para cada uma daquelas dores ou para uma delas. Idas intermináveis a consultórios o provaram isso. Aceitar que estava fadado a sofrer por toda sua vida foi quase que uma obrigação com ele mesmo. Era isso, aceitar, ou continuar se sentindo como um ratinho de laboratório sendo estudado.
Agora com pouco mais de vinte anos, sendo um cantor mundialmente famoso, só queria ao seu lado pessoas que entendessem sua situação, respeitassem e o permitisse ficar sozinho durante todo o mês de maio. Além, é claro, de esconder aquela parte de sua vida de seus fãs e da imprensa. E o que a vida não o abençoou com todas aquelas dores, o abençoou quando colocou em sua vida companheiros de grupo que se tão logo se tornaram amigos e que entendiam toda a situação do . Desde o começo todos entenderam muito bem as condições do mais novo, por isso não foi sacrifício algum quando decidiram que deixariam todos os meses de maio vagos para que pudesse ter o seu tempo.
A mídia e os fãs conheciam aquele mês como “o mês das férias”, o que explicava o sumiço do grupo durante aqueles dias. Permitindo que o mais novo tivesse seu momento que, infelizmente, nunca era tão legal e agradável quanto às férias de fato.
E não bastando todo o apoio prestado e demonstrado sempre que cumpriam a promessa de que o quinto mês do ano seria sempre vazio de compromissos, os companheiros de permaneciam ao redor dele. Cada um deles se recusava a fazer viagens, ainda que fossem aquelas para visitar familiares. , , e permaneciam ao lado de prontos para socorrê-lo caso fosse necessário. Faziam as vontades do mais novo, fosse comprando ou fazendo as comidas que ele mais gostava, intercalando entre eles nas visitas frequentes que faziam ao quarto do mais novo – já que era naquele cômodo que passava a maior parte do tempo daqueles dias –, o chamando para assistir alguma coisa com a televisão num volume baixíssimo ou o fazendo companhia em silêncio.
O fato era que sentia-se sortudo por ter sua vida cruzada com aqueles quatro homens incríveis. Por tê-los em sua vida durante alguns anos e, especialmente, no quinto mês do ano. Eles tornavam as dores um pouco com mais suportáveis com todo cuidado e companheirismo que demonstravam.
– Nós vamos descobrir – prometeu , mais uma vez, jamais desistindo de encontrar uma resposta para tudo aquilo. Ele sorriu para o mais novo, tentando encorajar que assentiu com um movimento de cabeça e sorriso fraco. Tão fraco quando a sua esperança em encontrar uma explicação ou solução para seus problemas. – Posso trazer o seu almoço, se preferir. Não precisa ir até lá – ofereceu vendo o mais novo fazer uma careta e fechar os olhos por alguns segundos.
– Não, tudo bem, eu vou. – se levantou do colchão e sentiu o frio do chão quando os pés o tocaram. – Só um minuto.
foi para o banheiro, deixando sozinho o esperando. Fechou a porta do quarto e suspirou quando olhou seu reflexo no espelho. Ainda era o segundo dia do mês de maio e sua aparência já havia mudado: a pele já estava abatida, os olhos opacos e os lábios começando a ficar ressecados. Era assustador como o mês mexia consigo.
A verdade é que mesmo que tivesse se acostumado com todas as dores, as mudanças e tudo que acontecia consigo ao decorrer do mês de maio, ainda era assustador pra si.
E mesmo que tivesse dito há minutos atrás para que desistira de encontrar respostas, e que repetisse aquilo sempre que tocavam naquele assunto, ainda existia uma pequena chama de esperança dentro do cantor. Ele ainda acreditava, mesmo que minimamente, que um dia saberia o porquê de tudo aquilo.
Afinal, não é possível, deveria haver uma resposta, uma misera justificativa para tudo aquilo. Não é possível que o quinto mês fosse um inferno pra apenas por… Ser, sem nenhum motivo.Tinha que existir uma explicação.
E existia.
O motivo que fazia sofrer tanto em todo mês de maio, era o mesmo que causava em dores idênticas aos do cantor.
Entretanto, ao contrário dele, ela não podia tirar todo o mês de maio de férias e se isolar do mundo. precisava continuar trabalhando, afinal, tinha contas para pagar ao final do mês e ainda não conseguira se abrir sobre suas condições com ninguém.
Ela não tivera a chance de procurar um possível tratamento para tudo o que sentia quando muito nova, e a vida a levou por caminhos em que precisou se manter sozinha e não tinha tempo pra ir em busca de respostas. Se acostumar com as dores e todas as mudanças não foi uma escolha, e sim sua única opção.
– Lá vamos nós… – suspirou sozinha no quarto pequeno da casa que morava, bem em cima do bar onde trabalhava com garçonete das quatro horas da tarde até a meia noite. – Só mais um dia.
Passou a mão por cima do cabelo e em seguida em cima do uniforme branco com preto que vestia. Encarando seu reflexo no espelho viu o trabalho que fizera com maquiagem em seu rosto, cobrindo as olheiras e lhe dando um ar mais… Vivo. Respirou fundo mais uma vez, tomou um analgésico antes de sair de casa e ir trabalhar.
e não sabiam, mas descobririam o motivo que os levava a sentir todas aquelas coisas e lhes causava tanto sofrimento no mês de maio. Porém, não seria naquele dia e muito menos no dia seguinte. Seria em breve, mas não imediatamente.
Amor que assistia toda a agonia de enquanto a observava no canto do quarto, e sentiu toda a agonia de desde que ambos acordaram em suas casas, pediu que eles tivessem um pouquinho mais de paciência e lhes prometeu, num sussurro baixinho, que em breve tudo ficaria bem.
Afinal, aquela era a quarta vida, aquela que seria comandada por Amor. E ele estava disposto a, finalmente, dar a e a felicidade que ambos mereciam.

N/A: Demorei, mas voltei! hihihi. Vou tentar não demorar tanto com o próximo capítulo, afinal ele já tá pronto só falta eu revisar!
Obrigada a quem leu, e me diga o que achou aí nos comentários ok?! Até o próximo! Xx