Personal Cupid

Personal Cupid

Sinopse: Kim Namjoon nunca teve sorte alguma em sua vida amorosa, seu coração fora quebrado tantas e tantas vezes que não queria nem mesmo saber de outra paixão, acreditava fielmente que iria morrer sozinho e isso não era um problema para o rapaz. Mas a situação muda quando o Amor se apieda dele e decide mandar uma cupido para resolver o problema, sem perceber que acabaria criando outro: Namjoon apaixonado por ela.
Gênero: Comédia romântica.
Classificação: 14 anos.
Restrição: Todos os personagens, com exceção da personagem principal, são fixos.
Beta: Rosie Dunne.

Capítulos:

PRÓLOGO
Observava atentamente o rapaz de apenas treze anos chutar as pedras em seu caminho de volta para a casa, tinha a cabeça baixa e os ombros caídos, a decepção estampada em seu rosto, clara para que todos pudessem ver. Tinha um buquê de rosas vermelhas nas mãos e estava claramente vestido demais para um dia quente do verão sul coreano como aquele. As flores quase se arrastavam pelo chão ao que o garoto andava, mas não é como se ele se importasse com flores estúpidas agora, tinha algo mais importante para lidar: seu coração partido .
Jogou as flores na lata de lixo mais próxima e limpou as lágrimas que começavam a cair com a manga de blusa. Olhou para cima, concentrando-se em manter as lágrimas malcriadas onde estavam, já havia passado vergonha o suficiente mais cedo.
Suspirou e seu espectador fez o mesmo, com a mão pousada sobre o coração. Afinal de contas, era sua culpa, certo? Todos os males do mundo eram causados em seu nome, até mesmo as grandes guerras. Podia sentir toda a raiva e frustração que a desilusão amorosa havia causado no garoto, novo demais para sentir tanto. Mas sentia, e nesse exato momento poderia jurar que o mundo estava acabando. Bom, o seu estava, novamente .
Fez um sinal com a mão esquerda, rodando-a em sentido horário, e avançou no tempo. Pulou seis anos e, agora, podia observar o mesmo rapaz, estava mais velho e havia deixado o cabelo crescer, seu senso de moda também havia se alterado drasticamente, o que fez seu espectador rir. O rapaz estava sentado em um café popular da cidade, observando a duas mesas de distância dois colegas de classe se beijando, o café em suas mãos esquecido. Sentia um gosto amargo se espalhar pela boca, enquanto seu coração se partia mais uma vez, encarou a mesa e suspirou. Que ideia estúpida essa de sair no dia dos namorados. Levantou-se rapidamente e jogou a bebida, praticamente intocada, no lixo, caminhando para a casa em passos largos. Não iria chorar, não dessa vez
Girou a mão em sentido anti-horário, buscava alguma lembrança do garoto que não fosse triste, algo relacionado a si que o havia feito feliz, precisava disso . Parou quando viu que havia voltado demais.
Agora ele tinha cinco anos, brincava na sala de sua casa e tentava se distrair da gritaria ao fundo. Apertou os lábios e pressionou as mãos contra os ouvidos, fechando os olhos também. Ainda assim podia ouvir a briga de seus pais. Se levantou e subiu as escadas até o quarto onde os mais velhos estavam, mantendo-se escondido atrás da porta. Via seus progenitores, cada em um canto do pequeno quarto, ouvia as palavras que, para si, não faziam sentido algum. Arregalou os olhinhos e correu de volta para a sala ao ver seu pai se direcionar a porta, parando para gritar com a mulher outra vez.
Não demorou muito para que os dois descessem até o térreo da casa, seu pai com uma mala em mãos. Confuso, o garoto se levantou e seguiu ambos até a porta da casa, vendo o exato momento em que seu pai entrava no carro de outra mulher, mantendo-se escondido atrás da saia de sua mãe. Não sabia naquele momento, mas nunca mais veria seu pai.
Suspirou e avançou mais um pouco, apenas três anos, e viu o momento em que ele fazia amizade com o novo vizinho, um garotinho de sua idade. Sabia que os dois ainda eram próximos, e isso acalmou seu coração preocupado. Pelo menos ele tinha alguém .
Voltou para o presente, sabia o porquê do homem não acreditar em sua existência, havia o feito sofrer demais, perder pessoas demais. Sabia que precisava fazer algo para mudar isso, não podia o deixar sofrer desse jeito e passar o resto de sua vida em uma situação assim, precisava convencê-lo a acreditar em si novamente. Sua cabeça trabalhava, buscando incansavelmente por uma solução.
Durante toda a sua existência nesse Universo, todos os ciclos pelo qual passou, recebeu vários nomes. Para os gregos fora Eros , o deus rechonchudo que andava de fralda para cima e para baixo. Para os franceses, Amour , inspirando diversos livros e canções. Em alemão, Liebe , juntando os casais mais improváveis em momentos de tensão. No italiano lhe chamavam Amore , o representando no teatro e em suas estátuas. Possuía tantos nomes, em tantas línguas diferentes, que poderia passar dias e dias citando-os, mas tinha apreço por um em especial, uma palavrinha simples de quatro letras que sempre fazia seu coração cantarolar.

Amor? — Sorriu leve ao ser chamado, sabendo que a presença da mulher era a resposta que pedia ao Universo naquele momento.

Virou-se para ela e abriu os braços, chamando-a para um abraço caloroso.

— Sei que ainda possui pouco tempo de vida e não pôde viver a época em que andávamos livres pela Terra. Vive me questionando sobre como era, não é? — Questionou, observando a jovem mulher parada em sua frente, ambos com sorrisos idênticos nos rostos. Eram pai e filha afinal de contas .

— O quê você está aprontando agora? — O sorriso dela aumentou, adorava as ideias mirabolantes do mais velho, admirava como a mente dele funcionava.

O Amor sentou-se no pequeno divã e a chamou para se juntar a si, sendo prontamente atendido.

— Tem um rapaz em particular com quem estou preocupado. — Confessou, pousando a mão no peito ao replicar os sentimentos do mesmo.

— E o que pretende fazer? — Estava genuinamente curiosa, adorava vê-lo em ação.

Amor pensou por alguns segundos, projetando a imagem do homem, agora com vinte e quatro anos, em uma cafeteria. Observava os casais no lugar e se questionava sobre o porquê de não ter pedido folga naquele dia.

— O que você acha da ideia de ser cupido pessoal de Kim Namjoon?

Congelou a imagem, focando no rosto tristonho do outro, virando-se para a filha e vendo o brilho em seus olhos — tão característico da mesma — crescer com a sugestão.

— Está me pedindo para ir para a Terra? — Mordeu um sorriso, com medo de ter tirado conclusões precipitadas.

— Estou, e pedindo para ajudá-lo. — Ele mesmo sorria, sabia que a mulher adoraria a chance. — O que me diz?

— Quando posso começar?

CAPÍTULO 01
Namjoon grunhiu ao ouvir o despertador tocar de manhã, coçando os olhos e se espreguiçando até ter os pés para fora da cama de casal e da fina coberta, resolvendo rolar para o lado e dormir mais um pouco, abraçando um de seus travesseiros e esfregando o rosto no mesmo. Quando começou a cochilar outra vez, o segundo alarme soou, fazendo-o bufar e sentar de uma só vez na cama, jogando o tecido verde musgo para o lado agressivamente. Alongou rapidamente os braços e se levantou, esfregando os olhos e seguindo até a pequena suíte, alheio a tudo em seu apartamento. Enrolou tanto quanto possível em seu banho — o que não era muito, considerando quão em cima da hora se levantava todos os dias —, observando os azulejos antigos que, a essa altura, já estavam desbotados, deixando-o em dúvida se o tal desenho em amarelo em um deles poderia ainda ser chamado de pássaro ou se era melhor apenas considerar como uma mancha que nunca conseguiria tirar completamente. Saiu do banheiro e seguiu até seu armário, com o mal humor matinal já instalado em si e preparado para olhar os clientes abusados de forma entediada, até que desistissem das inúmeras perguntas e pedissem logo o maldito latte descafeinado que sempre optavam no fim.
Foi tirado de seus pensamentos ao ouvir um riso, seguido do latido de Monnie, o pequeno esquimó americano que era sua companhia. Vestiu rapidamente um par de jeans e passou os olhos pelo quarto, buscando por um objeto que pudesse usar para se defender, avistando a raquete de tênis que seu melhor amigo deixara ali na última semana. Com a mesma em mãos, e a blusa que deveria vestir jogada nos ombros, repassou rapidamente em sua mente se, por algum acaso ou motivo que ele tenha esquecido, havia trazido alguém para a casa na noite anterior. Mesmo sendo um cenário completamente incomum para si, sua mente lhe fez avaliar toda a situação antes de dar um vexame na frente que alguém que, supostamente, teria sua permissão para estar ali. Lembrou-se do dia anterior, refazendo toda a sua rotina, desde o momento em que acordara, fora trabalhar, saíra com dois de seus amigos para jantar e então voltado para casa para dormir, chegando a conclusão de que não, não havia tido espaço algum para que uma coisa como aquele acontecesse — o que não serviu para tranquilizá-lo, pelo contrário.
Respirou fundo, tomando coragem e ajeitando a raquete em sua mão, abriu a porta do quarto — que nem se lembrava de ter fechado no dia anterior, deveria ter chego realmente cansado — e foi até a pequena cozinha com passos silenciosos e calculados, fazendo o possível para não emitir som algum. Surpreendeu-se em ver a velha mesa de madeira, que trouxera da casa de sua mãe, arrumada para o café da manhã — Com certeza não havia feito aquilo, não confiava em si mesmo na cozinha para isso. Sabia que, caso tentasse preparar panquecas ou algo consideravelmente próximo, sabia que daria um jeito de deixar a casa em chamas. Fazia o básico para não morrer de fome, mas estava na ponta completamente oposta de um chefe de cozinha.
Virou-se para a sala ao ouvir o cão latir novamente, se atrapalhando e desequilibrando ao ver uma mulher sentada ao chão, brincando com Monnie. Perdeu o equilíbrio e se apoiou em uma das quatro cadeiras da mesa, batendo a mão, que segurava a raquete, no armário atrás de si e chamando a atenção de ambos. Os olhos grandes e curiosos da mulher o observavam com uma animação e um brilho que nunca vira, tinha os longos fios de cabelo em um tom de loiro, beirando o branco, e, embora não pudesse afirmar com certeza já que estava sentada, arriscou pensar que ela seria menor do que si.
Fez um barulho com a garganta, corrigindo a postura e vendo um sorriso se abrir no rosto da desconhecida, que se levantou e se curvou em cumprimento, Monnie correndo até si e se deitando de barriga para baixo, pronto para receber carinhos do dono, mas sendo completamente ignorado ao não entender a situação que se passava.

— Kim Namjoon, certo? — A mulher perguntou, ainda com um sorriso no rosto, que só aumentou ao vê-lo concordar. — Eu sou , sua cupido pessoal!

Apertou a raquete mais forte nas mãos, vendo o olhar da outra ser direcionado ao objeto e um olhar curioso lhe tomar o rosto. Namjoon sorriu amarelo, sem saber como reagir, havia uma estranha em seu apartamento e ele não havia entendido uma palavra do que a mulher havia dito.

— Me desculpa, a gente se conhece? — Achou seguro começar com o básico, ficando ainda mais confuso ao vê-la rir baixo.

— Não exatamente. — Deitou a cabeça, o analisando. — Eu te conheço, mas você não me conhece ainda. — Aproximou-se dele, parando na ponta oposta a mesa. — Como eu disse, sou sua cupido pessoal, então sim, eu te conheço, mas você nunca me viu por aí.

Namjoon franziu o cenho, sem saber ao certo o que dizer ou fazer, aquela história lhe parecendo extremamente mal contada e fantasiosa, a ponto de fazê-lo questionar a sanidade da mulher. Largou a raquete próxima à parede e passou as mãos pelos fios e pelo rosto.

— Você não acredita em mim, não é? — Puxou uma cadeira e se sentou, apoiando o rosto nas mãos e o observando. — Meu pai disse que você não acreditaria e, com o seu histórico , eu também ficaria em dúvida.

Meu histórico? — Repetiu baixo, antes de focar na primeira metade da frase e passar os olhos nervosamente pelo apartamento, arrependendo-se de ter largado a raquete e pensando em uma forma de pegá-la novamente sem alertar a mulher em sua frente. — Seu pai ‘tá aqui também?

Viu-a dar de ombros, como se a pergunta fosse óbvia demais ou descartável.

— Sim, é por ele que você ‘tá procurando? — Questionou, vendo a certeza nos olhos do outro. — Você não vai conseguir vê-lo, você só consegue sentir. — Pousou as mãos no coração, teatralmente, encostando-se na cadeira.

Namjoon a observou descrente, não acreditava que estava tendo aquele tipo de conversa, não tão cedo na manhã. Deveria estar sonhando, é isso.

— Você tá me dizendo que seu pai é Deus? — Ergueu a sobrancelha, encarando-a. — Olha, eu conheço esse papo sobre ele ser pai de todos e tudo o mais, mas eu acho que você tá no lugar errado.

A mulher suspirou, enrolando uma das panquecas em sua frente e mordendo, murmurando para si mesma como aquilo estava gostoso.

— O meu pai, querido Namjoon, é o Amor. — Explicou, movendo a mão livre. — E ele me mandou aqui em uma missão muito importante.

E então Namjoon riu, vendo-a o olhar em desaprovação, que tipo de história é aquela? Só poderia ser pegadinha, certo? Quem é que acreditaria em algo desse tipo? Apenas Hoseok e…. Hoseok. Só poderia ter sido ele que a mandou ali, é claro, não havia outra explicação.

— Foi o Hoseok que te mandou aqui, né? — Puxou uma cadeira e se sentou em frente a loira. — Olha, pode dizer pra ele que a pegadinha foi um sucesso, que vocês me enganaram direitinho, pode dizer o que quiser. Mas eu preciso muito que você vá embora, eu preciso trabalhar. — Encarou o relógio de ponteiros na parede ao seu lado, concluindo que teria que correr para não se atrasar e suspirando, lá se foi seu banho.

— Eu não conheço nenhum Hoseok e não faço a menor ideia do que você tá falando. — o olhou como se ele tivesse dito a maior das besteiras, o que era verdade. — Eu já te disse, sou sua cupido pessoal e estou aqui em uma missão.

O homem suspirou audivelmente, pousando os cotovelos na mesa e escondendo o rosto nas mãos.

— Você precisa de alguma ajuda? — A encarou, os fios negros bagunçados por ter mexido nos mesmos mais de uma vez naquele pequeno intervalo de tempo. — Eu não tenho dinheiro, se é isso que você tá procurando.

Ela bufou, cruzando os braços e vendo-o levantar uma sobrancelha em resposta a sua atitude. Estava claro que não iriam se entender, não de primeira, e não é como se tivessem todo o tempo do mundo para gastar naquela conversa, bem, Namjoon com certeza não tinha.

— Eu não estou aqui atrás de ajuda, eu sou a ajuda. — Declarou. — Como eu já disse estou aqui em uma…

— Uma missão, essa parte eu entendi. — Interrompeu. — Mas que missão é essa? E como você entrou aqui?

— A minha missão é te encontrar um amor, sua própria alma gêmea. — Disse calma, como se explicasse algo para uma criança, dando de ombros no fim. — E eu entrei pela porta, oras.

Namjoon suspirou, vestindo a camisa e se levantando.

, né? — Ela assentiu. — Tudo bem, você vem comigo.

O homem virou-se e foi até o quarto, pegando o celular e a carteira, voltando para a sala e vendo-a já próxima a porta. Suspirou, colocando um pouco de ração para Monnie e saindo do apartamento. Seria um longo dia.

 

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Chegou em cima do horário na cafeteria, agradecendo pela movimentação fraca na rua, o que permitiu que pedalasse rápido o suficiente pela ciclovia, com Aiko atrás de si. Passou as primeiras horas de seu turno com medo de que ela fosse algo próximo de uma psicopata, já que observava atentamente cada um dos clientes e sorrido aleatoriamente para crianças e casais. Caso fizesse algo contra qualquer um presente ali, ao puxarem as filmagens da câmera de segurança, saberiam que ele a teria trazido, e tudo o que Namjoon não precisava no momento era de confusão.

— Quem é ela? — Hoseok, seu melhor amigo desde a infância, questionou, apoiando-se no balcão vazio ao lado do mais alto.

— Não foi você, né? — O Kim perguntou, vendo o outro franzir o cenho em confusão, suspirando e negando com a cabeça. — Ela apareceu lá em casa hoje com uma conversa estranha.

— Namjoon, me fala que ela não ‘tá grávida. — Arregalou os olhos observando o amigo, que negou e riu.

— Não esse tipo de conversa estranha, — Viu o outro suspirar aliviado, o olhando com curiosidade. — É uma conversa estranha mesmo.

Jung olhou para a mulher, que observava a praça, localizada em frente ao estabelecimento, pela janela.

— Como assim estranha? — Questionou, virando-se de frente para o amigo e vendo-o fazer o mesmo. O movimento fraco do café naquele dia permitia a eles que conversassem tranquilamente, já que não havia muito o que fazer em plena terça-feira.

— Eu acordei e ela já ‘tava lá em casa, brincando com o Monnie. — Coçou o pescoço, ainda confuso com tudo o que havia acontecido. — Aí ela falou que é filha do Amor, minha cupido pessoal e foi mandada pra cá na missão de me achar uma alma gêmea.

— Uma alma gêmea pra você? Logo pra você? — Hoseok perguntou descrente, rindo gostosamente em seguida. — Ela vai ter trabalho.

Namjoon revirou os olhos.

— Ela não vai ter trabalho, porque não é verdade. — Disse, logicamente. — Ela precisa ir embora.

Hoseok o olhou divertido, batendo em seu ombro e lhe desejando boa sorte, antes de sair para atender ao novo cliente que se aproximava. Alguns minutos mais tarde soltou um suspiro ao encarar o relógio e perceber que já estava na hora de seu intervalo, o momento perfeito para torcer para que a mulher desistisse e lhe desse um motivo lógico por ter aparecido em sua casa.
Caminhou com dois cafés até a mesa onde a mulher estava,. sentando-se à sua frente e estendendo um copo a ela, permanecendo com o outro, tomando um longo gole antes de começar a falar.

— Tudo bem, o que você quer? — Perguntou, levantando uma sobrancelha ao ver a careta que a outra fazia ao provar a bebida, cheirando a mesma logo em seguida e aumentando ainda mais a expressão de desgosto. Era o melhor entre os cafés que vendiam, e ele mesmo havia preparado, sabia que estava delicioso. Já ouvira diversos elogios de seus clientes sobre aquela mesma bebida, embora Hoseok afirmasse com certeza que só estavam buscando uma desculpa para flertar com Namjoon.

— Eu já disse, estou aqui para te ajudar.

Namjoon suspirou outra vez, passando os dedos por entre os fios e apoiando a cabeça em uma das mãos, quase desistindo de ter uma conversa racional com a mulher.

— Ajudar com o quê exatamente?

— A achar sua alma gêmea. — Respondeu, empurrando a bebida de volta para ele com o nariz franzido.

Ele observou o copo e soltou um riso anasalado.

— Não gosta de café? — Não pode evitar perguntar.

— Eu sou filha do Amor, meu caro Namjoon, não gosto de coisas amargas. — Declarou como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. — Mas se você quiser me trazer aquela bebida rosa, eu aceito com um lindo sorriso no rosto. — Apontou para a mesa ao lado, onde uma garotinha bebia animadamente uma das bebidas sem cafeína do cardápio.

Namjoon riu, arqueando a sobrancelha e negando com a cabeça.

— Tudo bem, senhorita filha do Amor. — Encostou-se na cadeira, cruzando os braços. — Como exatamente você planeja me ajudar?

A mulher abriu mais um sorriso arteiro, apontando na direção do outro.

— Primeiro de tudo, caso tenha esquecido, o meu nome é . — Sorriu atrevidamente. — E se você, senhor Kim, não prestou atenção quando me apresentei mais cedo, eu sou sua cupido pessoal.

CAPÍTULO 02
— Mais uma vez , quantos dedos eu tenho atrás das costas?

A mulher revirou os olhos, estavam naquela há quase uma hora e ela já sentia vontade de jogar sua missão para o alto e voltar para a casa. Mas é claro que não faria isso, então apenas bufou e cruzou os braços, lançando um olhar acusador para Namjoon, que se segurava o riso.

— Olha, eu já falei quatro vezes. — Se ajeitou na cadeira, olhando feio para o homem a sua frente.— Hoseok, eu não sou mágica e nem bruxa, eu sou cupido.

— ‘Pra conseguir alguém pro Namjoon, você vai precisar fazer mágica, então é bom ir treinando. — Ouviu um ”Ei!” do amigo, dando-lhe a língua. — Vai , última vez, quantos dedos eu tenho atrás das costas?

Bufando e revirando os olhos uma última vez, encarou Hoseok, pensando por alguns segundos antes de responder.

— Dois.

Viu o homem arregalar os olhos, trazendo a mão a frente do corpo e mostrando aos outros dois que sim, ele tinha dois dedos esticados atrás das costas. A cara de surpresa e incredulidade do mais velho fizera Namjoon, finalmente, rir, gargalhando e se apoiando na mesa. Já Hoseok alternava o olhar entre o sorriso triunfante que tentava esconder e a própria mão, sua mente buscando por uma solução não-racional para aquilo.

— Tem certeza que você não é uma bruxa? — Questionou, claramente em dúvida, vendo a mulher negar. — Namjoon, ela é cupido de verdade, tenho cem por cento de certeza.

O Kim levantou a sobrancelha, com um sorriso de canto, olhando de um para o outro antes de rir anasalado e negar com a cabeça. Hoseok era fácil de impressionar, fácil até demais.

— Esse foi o seu teste, que você passou a tarde toda montando? — Provocou.

— Eu achei esse um teste legítimo. — defendeu, mordendo um sorriso e vendo Namjoon a encarar divertido. — Você conseguiu provar que eu sou cupido, — Deu de ombros. — agora só falta o seu amigo aí cooperar comigo.

A cafeteria estava fechada àquele ponto, restando somente os três no ambiente. Hoseok era o responsável por fechar e abrir o local naquela semana, o que permitiu que ficassem até mais tarde para que o mesmo pudesse testar , o que consistiu em testes de lógica infantis e um jogo de palavras infantil, que Hoseok jurava ser o método infalível e, após ter cumprido todos os pré requisitos, o homem estava decidido que ela falava a verdade e que Namjoon deveria aceitar o seu destino, afinal de contas não se pode contrariar um cupido — palavras dele mesmo.
Após garantir que todas as portas estavam devidamente trancadas, Hoseok se despediu dos outros dois e seguiu para a casa, deixando Namjoon para lidar com a questão de o que faria com agora. Não poderia simplesmente largá-la na rua — ou poderia? Ela provavelmente teria algum lugar para voltar —, mas também não queria levá-la para seu apartamento, afinal não conhecia e não confiava na mulher. Com um suspiro, balançou a cabeça em negação e encarou a mulher, que observava o céu com atenção, atenta à chuva que ameaçava cair.

— Onde você mora? — Perguntou, optando por seguir pelo caminho seguro.

— No geral? Em outro plano astral. — Deu de ombros, ainda encarando o céu. — Agora? Com você.

Namjoon a olhou, questionador, vendo a mulher levar os olhos até ele com um ”o quê?” estampado no rosto. Como dizer a ela, delicadamente, que não, não moravam juntos? Mas, antes que dissesse algo, já andava em direção à estação de metrô mais próxima, olhando por cima do ombro ao ver que ele não a seguia.

— Você não vai querer voltar de bicicleta na chuva.

Procurando por seu cartão, Namjoon não vira o momento em que descera a estação sem pagar por uma passagem, mas a olhou duvidoso quando a mulher revirou os olhos e o chamou, pousando a mão sobre o censor e fazendo a passagem ser liberada. apenas deu de ombros, antes de se virar e seguir em direção a plataforma, sendo seguida pelo homem. Após alguns minutos, o vagão havia chego e Namjoon ainda não havia pensado em uma desculpa para que a mulher não fosse consigo até em casa, o que apenas o fez suspirar e chamá-la para entrarem no transporte. Não faria mal algum ela passar uma noite em sua casa, certo? No dia seguinte poderia mandá-la embora, nada demais.

 

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Uma semana havia se passado e ainda estava morando no apartamento de Namjoon. Em alguns dias ele acordava e ela não estava lá, então ele suspirava aliviado e seguida com a sua rotina, até voltar para a casa e encontrá-la com um pote de sorvete ou um saco de salgadinhos em frente a televisão, o que resultava em momentos como o de agora: Os dois sentados lado a lado no sofá da sala, assistindo à algum programa qualquer, dividindo um pote de pipoca, que a mulher havia feito.
Namjoon olhava entediado para a tela, estavam no final de algum romance que ele, sinceramente, não fazia questão de saber o nome, tirou o celular do bolso e se distraiu por alguns minutos, até ouvi o fungar da mulher ao seu lado. Levou os olhos até ela, constatando que chorava, e depois até o filme, vendo a cena clichê do beijo na chuva após a declaração de amor feita pelos personagens, que encerrava o filme junto de uma música qualquer. Não pode evitar o riso de escapar de seus lábios, o que atraiu a atenção de para si.

— O que foi? — A mulher perguntou, tinha os olhos avermelhados e o rosto molhado, fazendo par ao pequeno bico que tomava seus lábios.

— Se você é mesmo cupido, já viu todo tipo de romance acontecer na sua frente, certo? — Questionou, vendo ela assentir. — Então como você ainda se emociona com um filme clichê desses?

— O amor nunca deixa de ser bonito, mesmo os falsos e roteirizados como os dos filmes e livros. O amor é o sentimento mais verdadeiro que alguém pode viver, ele nunca deixa de ser bonito ou de impressionar, ele sempre vai mexer com você. — Declarou, secando as bochechas, agora levemente avermelhadas. — Vai saber disso quando se apaixonar, quando encontrar aquela pessoa com quem quer passar o resto da sua vida, com quem você vai fazer os planos mais impossíveis, mas também os mais cotidianos. O amor é lindo, mesmo aquele que não dá certo, aquele que esfria ou simplesmente deixa de existir, o que importa é que foi amor e que ele foi vivido enquanto esteve ali. Vocês humanos complicam demais, é sim o sentimento mais bonito que existe, mas é só isso, sabe? Um sentimento. E a beleza dele ‘tá nessa simplicidade, nos detalhes, na rotina. — Encarou a televisão, sorrindo para a cena final do filme. — ‘Tá no beijo na chuva, no andar de mãos dadas, nas declarações sussurradas e naquelas gritadas pro mundo todo ouvir. — Deu de ombros. — Fictício ou no mundo real, o amor nunca deixa de me emocionar, mesmo com todos esses séculos de vida que eu tenho, mesmo tendo visto ele acontecer de todas as formas possíveis. Eu nasci e fui criada pelo Amor, faz parte de quem eu sou.

Encarou o homem com um sorriso no rosto, os olhos brilhavam por tocar em um assunto tão precioso e importante para si. Namjoon a encarava, em confusão sobre o que dizer, havia visto de perto a face feia do amor, havia convivido com ela por toda a sua vida, mas como dizer isso a , quando ela estava tão convicta e crente do que dizia? Como olhar para a suposta Cupido em sua frente e lhe dizer que não, o amor não era o sentimento mais bonito que existia, que ele poderia ser cruel e mesquinho, que ele também machucava e causava cicatrizes? Namjoon não acreditava no amor, e em qualquer outro momento teria algum argumento, baseado em sua infância e adolescência, para rebater a mulher. Mas não agora, não quando ela sorria tão bonito e seus olhos brilhavam como se possuíssem uma constelação própria.

Suspirou, vinha fazendo muito aquilo ultimamente, desviando o olhar para o tapete e ouvindo a risada de .

— Boa noite, Namjoon. — Disse, se levantando e seguindo para o quarto de visitas, onde vinha passando suas noites. — Pensa no que eu disse, eu preciso que você me ajude a te ajudar.

E, com isso em mente, Kim Namjoon passou longos minutos encarando o vazio a seus pés, o tapete cor de creme logo esquecido. Repassou todos os acontecimentos envolvendo o amor por sua mente, todas as vezes que teve o seu coração partido, assim como o de pessoas próximas a si. Chacoalhou a cabeça, espantando os pensamentos. Não acredita no amor, nunca havia pensado diferente e não era a chegada de que iria mudar isso. Certo?

 

 

Nota da Autora: Oi 👀 Me enfiei em tanto especial que precisei deixar meu xodózinho no canto um pouquinho, mas agora voltamos definitivamente! Agora as atualizações serão semana sim, semana não, e serão todas duplas.
Me digam, o que acharam desse capítulo?
Vocês podem entrar em contato comigo e me xingar pelos meus twitters: @riotjoon e @jinastin