Personal Cupid

Personal Cupid

Sinopse: Quando se trata de romance, Namjoon nunca teve muita sorte em sua vida, tendo o coração partido vezes o suficiente para fazê-lo desistir da ideia de se apaixonar. E não é como se ele sentisse falta, mas, é claro, assim como todos, há aqueles dias em que ele acordava se questionando se morreria sozinho ou não. Mas, bem, fora o aspecto romântico de sua vida, o rapaz tinha tudo que poderia desejar: possuía um emprego estável e que pagava razoavelmente bem, dividia o apartamento com dois de seus melhores amigos e era feliz. Não precisava de alguém parar amar, não romanticamente. Era o que acreditava até esbarrar com uma desconhecida na rua.
Se apiedando do jovem de vinte e quatro anos, o Amor decide ser uma boa ideia enviar uma de suas filhas para ajudá-lo a acreditar em si novamente e encontrar alguém para amar. Mas, ao imaginar que estaria resolvendo um problema, acabou criando outro: Namjoon apaixonado por ela.
A parte boa? Ela era linda. A ruim? Ela era sua cupido.
Gênero: Comédia Romântica.
Classificação:
+14.
Restrição:
Apenas a personagem principal é interativa, história escrita com Kim Namjoon.
Beta: 
Rosie Dunne

Capítulos:

Para a ciência, se apaixonar leva apenas um quinto de segundo, e não os famosos três que se acreditam popularmente. Nesse pequeno intervalo, o seu cérebro ativa doze áreas diferentes, responsáveis pela liberação dos químicos indutores da euforia, como dopamina, ocitocina, adrenalina e vasopressina. Dessa forma, o amor nada mais é do que uma reação química, havendo muito mais ciência no sentimento do que fantasia. Não há nada milagroso no amor, não há magia em se apaixonar. 

Esse é o discurso que Kim Namjoon repetia para si mesmo há anos, repassando-o sempre que sentia seu coração partir outra impossibilidade da ciência, corações não se partem, não literalmente. Levou vinte e quatro anos para que ele entendesse que sim, o amor é ciência mas também é mistério, é um fenômeno neurobiológico, uma reação dos neurotransmissores, mas causada pela sensação despertada por outra pessoa. Noradrenalina, serotonina, endorfina, todos são compostos químicos, são ciência, mas agora a euforia, a euforia é a forma mais pura e verdadeira do amor.

Depois de vinte e quatro anos na terra, Namjoon finalmente entendeu, aquele mísero 0,2 segundo mudou tudo. Aquela troca de olhares, o rápido encontro de seus ombros, o momento antes do sorriso nascer. 0,2 segundo do início de uma paixão, que só viria a se desenvolver efetivamente dias depois, mas que ainda assim fora responsável por jogar pela janela todo o discurso que o rapaz repetia em frente ao espelho e substituí-lo por sorrisos bobos e suspiros ocasionais, por olhares cheios de ternura e carinho e planos para o futuro.

Apenas um quinto de segundo, e ele estava perdidamente apaixonado por sua cupido.

Namjoon nunca fora de sonhar grande, um espaço confortável para chamar de seu e um emprego que pague tranquilamente as contas, era apenas isso que o homem desejava para si. Não era ambicioso como alguns de seus amigos, nem sequer fora para a faculdade após terminar o ensino básico — o que causara confusão com sua família, já que estava “desperdiçando o seu potencial de ser alguém na vida”. Mas Namjoon nunca quisera ser alguém, ele só queria ser ele mesmo, ser Kim Namjoon já era o suficiente.
Conseguira, de início, um emprego de meio período em um café perto de casa, investindo em um curso de barista para então, alguns meses depois, ser propriamente contratado. Levou alguns anos até que conseguisse deixar a casa de sua mãe, decidindo por dividir um apartamento com seu melhor amigo assim que o mesmo voltara para a Coreia.
Hoseok sempre fora esforçado e, graças a sua dedicação, havia dado o pontapé inicial em seu sonho e ganho uma bolsa para estudar dança no Japão. Ficou três anos no país antes de retornar para a casa, no ano anterior. Ainda não possuía dinheiro suficiente para abrir seu próprio estúdio, mas lutava por isso, trabalhando na mesma cafeteria que o melhor amigo e, algumas noites por semana, dando aulas em uma academia no centro da cidade. Não era a vida perfeita que ele sempre imaginou, mas estava cada dia mais perto de seu objetivo.
Namjoon e Hoseok tinham ainda outro colega de quarto: Kim Taehyung. Era o mais novo do trio e aspirante a artista, cursando o penúltimo ano de Artes Visuais na KNUA. O jovem Kim andava sempre com um sketchbook debaixo do braço e pode facilmente ser encontrado na praça próxima de casa com manchas de tinta distribuídas por suas roupas. Assim como Namjoon, Taehyung não tinha grandes ambições da vida, trabalhava meio período dando oficinas de desenho no Museu Nacional e o resto do tempo era dedicado a faculdade, e para ele a vida estava ótima dessa forma, era verdadeiramente feliz com o que tinha.
Mas, bem, voltando a Namjoon, nesta terça-feira particularmente chuvosa da primavera coreana, o rapaz caminhava calmamente de volta para a casa, após encerrar seu turno na cafeteria. Tinha os dois fones em seus ouvidos, ressonando uma música qualquer da playlist que Taehyung montara para si, alegando que o amigo precisava conhecer novos artistas. Cantarolava em tom baixo a melodia que já havia decorado e adorado, imaginando que tipo de coreografia Hoseok poderia criar para ela ou que cores Taehyung usaria para pintar algo inspirado na mesma.
Era o fã número um de seus amigos e apreciava a dedicação e o talento dos dois, sempre incentivando ambos a seguirem com o que os faria feliz. Era considerado pelos amigos o líder do grupo que haviam criado, composto pelos três e outros quatro rapazes que serão apresentados posteriormente. Sentiu o celular vibrar, sorrindo ao ver as provocações dos amigos no grupo que possuíam no aplicativo de mensagens, distraindo-se de seu entorno enquanto digitava algo que, com toda a certeza, colocaria mais fogo na brincadeira.
Distraído, não percebeu o iminente esbarrão até ser tarde demais.
Virou-se rapidamente, pronto para se desculpar, mas, ao observar os olhos cinzentos a sua frente, sentiu-se paralisar. As orbes de cor incomum o analisavam atentamente, assim como ele fazia com a mulher. O contato mínimo do esbarrar de seus ombros e o momento em que trocaram olhares pareceu durar longos minutos, mas foi tão rápido quanto a queda de um raio nas proximidades. Apenas 0,2 segundo. Um quinto de segundo até ela abrir o sorriso mais lindo que Namjoon já vira em toda a sua vida.

— Kim Namjoon? — Questionou, vendo o rapaz assentir, confuso. — Finalmente te achei!

 

۞۞۞

 

tinha um sorriso largo no rosto, havia encontrado Namjoon mais rápido do que esperava. Tudo bem que não dera certo de primeira, não se lembrava exatamente do número do apartamento do rapaz e acabou batendo na porta de sua vizinha, que não ficou nada feliz em dizê-la onde poderia encontrar o tal senhor Kim. Ao bater na próxima porta, sentiu-se murchar ao ser atendida por outro rapaz, com um sorriso de coração. O mesmo lhe informou que sim, Namjoon vivia ali, mas estava no trabalho, e foi completamente atencioso ao lhe explicar como chegar até a tal cafeteria. Andou pelas ruas, um pouco nervosa se estava ou não seguindo o caminho certo, já que seu senso de direção não era dos melhores. Mas, por sorte — ou talvez uma ajudinha de seu pai —, havia esbarrado em Namjoon.

Observou atentamente o rapaz, os fios escuros um pouco bagunçados agora que havia retirado o capuz, o moletom branco fazendo par às calças preta e o par de tênis de mesma cor. Era alguns bons centímetros maior do que si, mas nada extravagante. Procurava por seu molho de chaves na mochila, soltando um palavrão baixo ao não encontrá-lo, suspirando e tocando a campainha.

— Hyung, veio uma moça aqui te procurando, vocês ‘tão saindo? — Um rapaz diferente daquele que a recebera abria a porta agora, sem lançar sequer um olhar para o lado de fora antes de se virar e continuar falando. — Ela é bonita hyung, eu acho que você devia investir.

— Taehyung. — Namjoon disse, tentando chamar a atenção do rapaz.

— Já faz um bom tempo que você não sai com ninguém, faz bem tirar a teia da boca, sabe? — O mais novo continuou, ignorando o outro e se jogando no sofá. — Você sabe que eu falo isso pro seu bem, não sabe?

Taehyung. — Insistiu, ainda parado ao batente da porta, só então recebendo a atenção que queria.

— O que foi, hyung? Não vai falar que ficou chateado ou… — Parou, arregalando os olhos e sorrindo amarelo. — Ah, oi.

— Oi. — A mulher respondeu, prendendo o riso. — Obrigada pelo elogio.

Abrindo outro sorriso amarelo, Taehyung olhou para Namjoon, esperando que ele a apresentasse. Enquanto isso, Hoseok observava a cena e ria, sem se preocupar com a impressão que poderia estar passando para a estranha.

— Essa é a . — Apresentou. — , esses são Taehyung e Hoseok. — Taehyung sorriu, de verdade dessa vez, enquanto Hoseok acenava.

A mulher se curvou, cumprimentando devidamente os rapazes.

— É um prazer conhecer vocês. — Sorriu. — Não se incomodem comigo, vou fazer meu trabalho rapidinho e logo vou embora.

Os dois mais novos franziram o cenho, trocando olhares confusos entre si.

— Trabalho…? — Hoseok questionou, incerto, olhando para Namjoon, parado ao lado dela.

— Esqueci de comentar. — Começou, após pigarrear e coçar a nuca, nervoso. — A é minha cupido, e ela ‘tá aqui pra fazer eu me apaixonar.