The Last Hope

The Last Hope

  • Por: M-Hobi
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 1668
  • Visualizações: 356
  • Capítulos: 3 | ver todos

Sinopse: Cantora e atriz mundialmente famosa, seu sucesso é enorme em todos os cantos do mundo e não há quem não conheça a jovem de vinte e dois anos dona de inúmeros recordes e prêmios. Jung Hoseok é membro da maior boyband em atividade, o septeto sul-coreano BTS. Os dois caminhos se cruzam e quando o interesse é mútuo, ambos precisam lidar com a diferença de culturas dentro de suas respectivas profissões e cenários. Seriam os dois o amor para ou da vida um do outro?
Gênero: Romance, Drama
Classificação: 16 anos
Restrição: Personagem principal fixo (J-Hope)
Betas: Rosie Dunne

Capítulos:

The Last Hope by M-Hobi

Prólogo
Los Angeles, 2017.

O barulho da conversa incessante das pessoas que estavam naquele imenso galpão era o suficiente para preencher todo o espaço, fazendo com que existisse a sensação de que haviam mais pessoas do que o de fato tinham ali. havia terminado sua refeição e estava rolando a página do Twitter enquanto aguardava o restante de sua equipe finalizar também, ainda precisavam fazer mais um último ensaio da apresentação no palco da premiação que aconteceria no dia seguinte. Assim como , os outros seres naquele galpão se dividiam entre artistas e suas equipes.
De repente o silêncio foi diminuindo, no mesmo instante ela decidiu colocar o celular de lado e tentar apressar sua equipe, algumas câmeras haviam entrado naquele local para filmar alguma coisa e não era de seu desejo aparecer em nenhuma filmagem alheia estando com aquela aparência de exausta. Havia chego em L.A. no dia anterior depois de quinze longos dias percorrendo alguns países da Europa para promover em festivais de cinema o novo longa em que havia estreado. Mal teve tempo para descansar e ir para sua casa na zona mais afastada da cidade, chegou e do aeroporto seguiu direto para o local onde seria o evento para reconhecer o palco, fazer alguns ajustes pessoais e se preparar para as longas horas de ensaio até o dia seguinte. Para a grande sorte, sua equipe havia conseguido mais de 50% de exclusividade dos ensaios naquele dia, as outras pessoas ali estavam fazendo outros tipos de checagem.
– Eu acho que é aquela boyband sul-coreana… BTF, não é? – ouviu sua empresária dizer e virou o rosto em sua direção.
– Não, Pam, é BTS. – Jordan, um dos dançarinos e melhores amigos de , respondeu rindo.
– Eles são umas gracinhas, adoro aquela música do assovio… – Pam deu continuidade no assunto e olhou para a direção de onde as câmeras apontavam.
Um a um foi entrando, era uma equipe enorme, mas como todos ali estavam acostumados com isso não era algo que chamasse tanto a atenção de quem estivesse ocupado com outra coisa – o que não era o caso dela. Não demorou muito para que ela pudesse ver dois seguranças escoltando um grupo de garotos – em sua concepção eram garotos, ela pouco sabia sobre eles – com cabelos bem arrumados e roupas largas, muito provavelmente para facilitar os ensaios de coreografias. Eles eram bem pálidos, conversavam entre si no próprio idioma e eram guiados para a fila de self-service. Não pôde deixar de reparar em como eram organizados e educados, não falavam alto e muito menos demonstravam querer ocupar espaço, um comportamento bem diferente do que era costumeiro nos países menos conservadores.
– Quantos anos vocês acham que eles têm? – Jordan disse levando um pedaço de bolo até a boca. – Eu chuto que o mais novo deve ter 19 anos, olhem para essa pele. – disse com a mão em frente a boca, pois estava com ela cheia de bolo ainda.
passou a reparar em um a um, mas o último deles lhe chamou a atenção de uma forma diferente por um detalhe que sempre a cativava: o sorriso. O cabelo vermelho também era algo que chamava a atenção, mas para a cantora e atriz aquele sorriso era o detalhe, era o charme de quem estava o carregando. Não tomou consciência de quanto tempo olhava em sua direção, apenas percebeu que o grupo se movimentava e ia para o lado da mesa em que ela estava. E tinha uma mesa ali vazia.
– Com licença… Erm… … Podemos… Erm… Sentar aqui? – o primeiro da fila, com a pele menos pálida, perguntou em um inglês bem entendível, mas gaguejando, parecendo estar com vergonha. Ele usar o seu nome artístico foi suficiente para que a tirasse daquele transe.
– Oh, sim! Fiquem à vontade. – ela sorriu apontando para o lado vazio e se pegou pensando que seria legal caso o último deles sentasse no espaço que tinha vago ao seu lado, queria olhar aquele sorriso de perto.
E novamente um a um foi se ajustando nos lugares disponíveis, sem baderna alguma. Jordan encarava a amiga sem que ela percebesse, já reparando no tanto que olhava para o de cabelo vermelho – que para a sorte do desejo de , sentou em sua frente, do outro lado da mesa, assim ela poderia observar mais o seu sorriso. ainda não havia captado o olhar malicioso do amigo, mas Pam o havia feito e segurava um riso.
– Muito obrigado por nos permitir sentar aqui. – o mesmo garoto de pele menos pálida agradeceu e ela sorriu novamente.
– Disponha! – respondeu e olhou um a um. – Vocês são o BTS, não é? – perguntou rapidamente, se lembrando do que havia ouvido de Jordan e Pam. – Eu sou , muito prazer. – disse sem muito esperar pela resposta do grupo.
– Erm… Hm… Nós a conhecemos, . Somos muito fãs do seu trabalho de forma geral! – o mesmo voltou a dizer. se perguntou se apenas ele tinha voz ou se era algum tipo de acordo de líder de grupo apenas ele falar. – Eu sou Namjoon, sou o líder do grupo e tradutor também, sou o único com inglês fluente. – esclareceu, parecendo ter lido os pensamentos dela. – Estes são… – e então ele apontou e disse algo para os outros garotos em coreano que ela não entendeu muito bem, mas acreditou ser para que se apresentassem, pela lógica do que veio a seguir.
– Eu sou o Jin. – o primeiro a se apresentar tinha o rosto mais fino e o cabelo bem preto.
– Jimin. – este tinha o cabelo tingido de um loiro mais puxado para dourado e um sorrisinho tímido.
– Taehyung, mas pode me chamar de V. – ela segurou o riso com o “V”, seu inglês saiu todo embolado, porém de forma adorável. Mas ela apenas sorriu mais abertamente vendo os garotos rirem dele de um jeito agradável.
– Jungkook. – este foi mais tímido e fez um aceno com a mão, ele estava do lado dela.
– Suga. – também acenou, mas de forma mais simples.
Quando chegou a vez do garoto de sorriso cativante e cabelo vermelho, todos olharam para ele e em coreano diziam algo, ela reparou que Namjoon levou a mão ao rosto e o que veio a seguir da boca do outro a fez rir de forma simples, mas divertida.
– Eu sou sua esperança. Você é a minha esperança. Eu sou o J-Hope.
– Desculpa por isso, é como ele se apresenta por causa dos fãs e tal… – Namjoon disse parecendo envergonhado pelo amigo.
– Sem problemas, eu achei adorável. – ela voltou o olhar para J-Hope e completou: – E como é o nome da minha esperança?
Após Namjoon traduzir para J-Hope o que havia dito, a resposta veio com um sorriso largo que novamente a deixou encantada.
– Jung Hoseok ou Hobi para você. – o “para você” foi de uma sonoridade meiga por conta da dificuldade com o idioma e o sotaque.
A conversa não pôde se estender, foi cortada por Pam, eles precisavam voltar para o local do palco e ensaiar. Ainda havia muito a ser feito para concluir a agenda de daquele dia. Ela se despediu deles rapidamente e seguiu pela saída com os olhares dos garotos sobre si. Não que ela percebesse, afinal saiu e não olhou para trás. O que deu um alívio para o septeto sentado.
– Fala sério, eu não consigo mais comer depois desse momento com a – uma pausa para abanar as mãos no ar. – ! – e Jimin foi o primeiro a dizer, empurrando o prato na mesa e se esticando na cadeira, incrédulo.
– Eu não sei como foi que consegui falar qualquer A para ela. – Namjoon disse e mostrou a mão trêmula. – Olha isso, eu to tremendo!
– Ela é incrível. Pessoalmente é muito mais elegante… – Jungkook mencionou.
– E o perfume? – Jin o cortou.
– Esperem um pouco… aquilo com o Hobi… – Jungkook, que de repente parou seu olhar no nada, disse pensativo fazendo com que todos olhassem na direção de J-Hope.
– O que? – ele perguntou confuso.
– Fui só eu quem reparou que ela estava olhando descaradamente para ele? – Jin questionou depois de captar o sentido para o que Jungkook estava querendo trazer em conversa.
– Ah… besteira, devia estar olhando para o One Direction ali… – Jung apontou um dos membros da boyband que já estava em hiatus citada, mas ninguém seguiu o olhar.
– Como é que ela perguntou mesmo, Namjoon? – V perguntou nostálgico.
– Ah sim… Qual o nome da minha esperança?
– Sério, dentre tantas formas que você podia se apresentar para , você usou a tradicional? – Jimin disse rindo e sem esquecer da ênfase no nome.
– Lamentável. – Jin negou com a cabeça.
– Ué, mas deu certo. Ela perguntou o nome da esperança dela… – Jung sorriu convencido. – Deu certo.

Capítulo 1
Seul, 2018.

O aeroporto estava cheio de gente esperando por sua chegada e aguardava calmamente dentro de seu jatinho particular a deixa para que saísse. Eram muitos paparazzi espalhados por ali, misturados dentre dos muitos fãs e ela estava extremamente cansada para raciocinar qualquer passo fora daquele avião envolvendo inúmeras pessoas gritando por seu nome e outras com diversos flashes disparados sem pudor. A espera era porque os responsáveis pela sua locomoção estavam resolvendo detalhes para que os veículos da empresa contratada entrassem na pista de decolagem e ela pudesse sair por ali mesmo.
Já havia ido algumas vezes a Seul, na Coréia do Sul, mas era a primeira para duas noites de show da sua turnê de promoção do novo álbum de estúdio lançado recentemente. Para seu alívio e felicidade os shows estavam esgotados e o nível de aceitação do seu trabalho naquele país havia aumentado. Ela tinha receio quanto ao aceite em países mais conservadores. Entretanto, o respeito por culturas, seu ponto forte como artista, a impulsionava cada vez mais. Não era nova no ramo do show business, por mais que estivesse apenas com 22 anos, conhecia bem o meio em que trabalhava; a sua experiência de quase vinte anos a ajudava.
, podemos descer. – ouviu a voz de Pam e sorriu aliviada, vestiu o óculos de sol preto feito para sua coleção com a marca alemã, Hugo Boss, e puxou o capuz do moletom para cobrir sua cabeça.
– Tem muitos? – perguntou se levantando. Pam sabendo sobre o que ela estava perguntando, respondeu:
– Meia dúzia do que vimos. Mas deve ter alguns escondidos e pelo meio do caminho. – suspirou, apesar de estar com por alguns anos, ainda não estava acostumada com essa perseguição de paparazzi.
apenas deu de ombros e seguiu o caminho até a saída do jatinho. O dia estava completamente nublado e ela já sabia que em alguns sites de fofoca falariam muito mal sobre sua vestimenta ao chegar a Seul, com certeza afirmariam que ela é antipática. Desceu os degraus com cuidado, o jet leg gritava alto e ela agradecia mentalmente por ser apenas meio dia e ter o dia seguinte ainda como folga. Às vezes esses tempos curtos e pulinhos no meio de agendas lotadas favoreciam o descanso e isso ela aproveitava muito bem.
Quando entrou no carro se jogou no banco de forma toda largada, reparou nas câmeras instaladas em alguns pontos e resmungou por isso. É claro que gravariam cada passo dela na Ásia, aquilo fazia parte do projeto bem futuro de um documentário sobre sua carreira. Estava acostumada com as câmeras, mas não aguentava mais a falta de privacidade em momentos simples como aquele em que só havia ela e ela.
– Os representantes do BTS confirmaram a presença na noite do segundo show. – Pam disse entrando pela outra porta e se ajeitando no banco. – Coloca o sinto, por favor.
fez o que a empresária pediu e, pensando no que havia escutado, sorriu de lado.
Desde o encontro com o grupo no AMA em novembro do ano anterior, não parou de conversar com os membros, principalmente com o que havia mais chamado sua atenção: Jung Hoseok, o J-Hope. E Pam sabia disso, até porque não deixou passar despercebido a exigência de por aprender coreano – e sua disciplina em ter de três a quatro horas de aulas particulares por dia – desde então. Conhecia o suficiente para entender que ali havia algum interesse, mesmo que ainda inconsciente. Inclusive, quem havia dado a idéia de chamar o grupo para participar do show com algumas músicas do último álbum deles lançado.
– De repente eu notei um ar de animação… – disse vendo a outra pegar seu celular no bolso e digitar freneticamente para, o que ela reconheceu ser a conversa de com Jung Hoseok.
não estava mais naquele ambiente mentalmente para saber que Pam havia falado algo para ela, estava concentrada em digitar corretamente a mensagem. Seu coreano estava melhorando, mas ainda era muito complicado para digitar mensagens. Ela sempre recorria ao Google também. A diferença entre alfabetos ainda a complicava vez ou outra.
: Olá, Seul…
JH: Olha só, essa cidade acabou de ficar pequena pra mim
: Eu nunca consigo saber qual é o tom das suas brincadeiras haha
JH: Eu quis dizer que agora que você chegou com toda sua grandiosidade, vossa majestade, eu, um mero humano, não sou nada
: Exagerado
JH: Ficou sabendo?
: O que?
JH: Vamos sair da cidade e aí não poderemos ir ao seu show ☹
: Perdeu de zoar comigo, Pam me falou não tem nem dez minutos que deram o ok para vocês
JH: Ah, droga… não vou conseguir escapar.
JH: Não que eu queira, aliás
sorriu com a última mensagem, muito pelo conteúdo dela, e guardou seu celular. Olhou o movimento por fora do vidro do carro, muitas pessoas enfileiravam a calçada do lado de fora do aeroporto com cartazes e uma animação sem tamanho. Seu coração se aqueceu mais ainda, adorava aquele carinho dos fãs, por eles ela fazia o que fazia. Era satisfatório o resultado de todo o trabalho com responsabilidade que ela entregava.
Abaixou um pouco do vidro do carro e colocou apenas a mão para fora, acenou por um tempinho ouvindo os gritos aumentarem, até que a distância aumentou e ela recolheu o braço. Virou-se para Pam – que estava concentrada no iPad em mãos – e perguntou:
– O que tanto trabalha aí?
– Sua agenda. – ela respondeu baixo. – Acho que vamos encaixar um jantar hoje com os representantes da empresa que trouxe seu show pra cá.
– O quê? Eu to cansada, Pammie… não pôde evitar a manha ao falar o apelido pessoal de Pam. – Eu preciso dormir hoje, você não me falou nada, mas eu já sei que amanhã iremos pular a folga para ir ensaiar com o BTS. Eu preciso desse descanso…
… – Pam abaixou o celular e a olhou. – Você só tem mais três shows depois daqui e aí vai ter dez dias de folga até irmos para a América do Sul. Aguenta firme!
a encarou sem expressão nenhuma. Suspirou e deitou a cabeça no ombro de Pam.
– Qualquer dia desses faço igual esses artistas que somem e ninguém mais encontra. – diz fechando os olhos, caindo num cochilo.
O estúdio era enorme. estava maravilhada com o tamanho da estrutura daquele lugar. Além de toda a organização e tecnologia disponível. Já se imaginava produzindo ali o próximo álbum que estava em seus planos. Gostava de ambientes com um requinte mais “clean”, o conceito de menos é mais sempre a agradou e ali era um lugar exatamente assim. Era adorável.
Conforme ia caminhando podia ouvir a música do salão nos fundos ficar mais audível, reconheceu a batida de Airplane pt2 do BTS e começou a cantarolar o que lembrava da letra. Em sua frente ia Pam, Jordan e os outros dançarinos e um dos representantes do BTS com uma intérprete que traduzia tudo o que era dito. ficou bem contente ao perceber que já entendia boa parte do que era dito em coreano e que agora precisava apenas melhorar seu dialeto informal.
Quando chegaram na entrada do salão ela percebeu que o coração deu uma leve acelerada, lembrou que iria ter o segundo encontro com os garotos e dessa vez seria um pouco mais diferente, já que nos últimos meses havia trocado muitas mensagens com eles – inclusive, fazia parte de um grupo com os sete.
Foi a última a entrar e viu que eles estavam terminando a música, era um ensaio muito parecido com o que faziam ao vivo. Ficou parada observando os movimentos precisos de cada um deles, até que seus olhos pairaram em Jung. Ele usava uma calça jeans extremamente justa com rasgos no joelho e da cor preta, uma camiseta branca um pouco larga, nos pés era um tênis da Adidas preto e que parecia confortável, além do boné preto na cabeça. Todo esse conjunto o favorecia muito bem pela concepção de .
Assim que a música encerrou e o grupo sentou no chão demonstrando o cansaço, e o resto das pessoas que estavam junto bateram palmas. Então os sete se levantaram e foram na direção dos recém chegados, no meio do curto caminho pegaram toalhas para enxugar o suor.
– Finalmente está em nossas terras! – Namjoon foi o primeiro a dizer, como sabia muito bem falar em inglês já se sentiu mais a vontade.
– Pois é! Se eu dependesse de convite de vocês nunca que viria. – sorriu e foi em direção ao líder do grupo que abriu os braços para cumprimentá-la com um abraço.
– Ah, mas você não nos convidou para a América também! – Jin respondeu indo na direção dela e a cumprimentando, já que a intérprete estava atenta e fazia seu trabalho simultaneamente. por sua vez entendeu o que ele havia dito, mas ainda assim respondeu em inglês. Estava um pouco receosa.
– Pois para compensar eu lhes convidei para fazerem parte do “L to L stage”*!
– O que aconteceu com seu coreano? Mais de seis meses aprendendo e ainda não fala nada?
Todos olharam na direção da voz que vinha de fundo, era Hoseok. Ele mantinha um sorriso fino nos lábios e seu tom de brincadeira não passou despercebido por . Ela sorriu e encontrou com ele no meio do curto caminho que os distanciava.
– Preciso praticar com as pessoas certas. – ela respondeu tentando o idioma. O sorriso de Jung foi maior do que qualquer outro. Ela gostava de quando o via sorrir e fazia tempo que não tinha aquela experiência pessoalmente. Perguntava-se mentalmente se já podia dizer que estava com saudade.
– Na escrita você está indo muito bem, agora precisa falar. – ele deu uma piscadinha para ela e a abraçou.
– Teremos três dias para isso! – Jungkook disse animado.
Depois de cumprimentar o restante, e o grupo ouviram atentamente ao diretor e coreografo, tanto do show dela quanto deles, eles estavam explicando o que tinham em mente para aquele mashup que seria entregue no palco.
No roteiro do show de sempre havia um espaço para artistas convidados. Ela gostava que cada artista ou grupo convidado tivesse uma entrada diferente, para sempre gerar surpresa ao público. A música “C’mon” era de batida eletrônica e sua letra era sobre convidar pessoas a prestarem atenção nos detalhes, então a usava como transição para quando entrava seu convidado. O sample daria muito certo com o intro de Idol, portanto esta seria a primeira música que eles iriam performar, em seguida teria Mic Drop, Fake Love e DNA para encerrar. Quanto aos versos que ela cantaria já havia sido resolvido, passara a noite toda gravando um tipo de demo para o ensaio, para assim ter noção de entrada e posicionamentos.
– Eu acho que entrando com Idol eles podem vir da passarela dentro daquele dragão e encontram comigo no primeiro círculo. – apontou com a régua para o mapa do palco que tinha exposto na parede. – Aqui teremos os dançarinos e eu na pausa do breakdance de C’mon já misturando o sample com Idol. Eles nos contornam com o corpo do dragão e trocam lugares com meus dançarinos. Ai os dançarinos saem com o dragão e nós estaremos em posição, finalizamos o break e aí vem Idol. Para a saída dá para ser pelo elevador da passarela na fileira do posicionamento final de DNA. – finalizou esperando a resposta de todos.
– Caramba! – Jimin exclamou quando a intérprete terminou de traduzir o que disse. – Isso vai ficar show.
– Você já sabe algo da nossa coreografia? – Jung questionou.
– Alguns passos, por isso temos o dia inteiro para praticar. – suspirou lembrando que seria seu dia de folga.
– Então vamos começar? – o coreografo deles incentivou. – Melhor você já se aquecer, .
Ela concordou e foi com seus dançarinos para um canto aquecer. Enquanto isso Pam conectou via Bluetooth o som com seu celular e a música começou a tocar. Os garotos aproveitaram para tomar água e ir ao banheiro e enquanto isso ouviam atentos ao trabalho do mashup de C’mon com o sample de Idol na parte em que haveria essa transição das músicas. Também discutiram com o coreografo sobre as posições, acertando os detalhes.
Assim que terminou de se aquecer prendeu o cabelo e foi para o centro, Pam reiniciou a música e pausou, sabia que a mesma tinha um ritual até para os ensaios. Observou prender o cabelo em um rabo de cavalo alto e firme, flexionar o corpo para frente tocando as pontas dos pés calçados e depois alongar os braços mais uma vez. Quando ela colocou a mão na cintura e fechou os olhos, Pam sabia que estava pronta.
Depois da contagem regressiva ela tomou a posição inicial, como se estivesse segurando em um poste ela ergueu o braço esquerdo e manteve o olhar diretamente para frente com uma feição impassiva sentiu a batida inicial da música percorrer por seu corpo. Iniciou sua coreografia fazendo um lipsync e concentrada.
Jung estava de braços cruzados encostado na parede e observava atendo cada movimento de – já havia visto algum vídeo no youtube da turnê com essa performance. Mexia a cabeça sutilmente de acordo com a batida da música. Não deixou de reparar na entrega de em seus movimentos e mesmo quando os dançarinos foram entrando no meio da coreografia, vezes ficando na frente dela, não tirou os olhos e permaneceu vidrado em cada passo dado por ela.
– Mais um pouco você baba… Hobi. – Namjoon sussurrou no ouvido do amigo. O mesmo se assustou e se virou para a direção que veio a voz, deparando-se com os seis pares de olhos lhe encarando.
– Não comecem… – resmungou.
Eles riram, mas se conteram, era a hora de entrar. Em fila foram até , contornando ela e o grupo de dançarinos que estavam parados com os braços cruzados – parte da coreografia. Em ordem e sem erros as posições foram trocadas e a fila a ir embora foi de dançarinos. A música então parou e fez-se silêncio, nesse tempo o coreografo passou os detalhes do que aconteceria no palco e o motivo da pausa de um minuto. Ainda em suas posições eles compreenderam e acenaram positivamente.
– Essa é a hora que o público vai gritar feito louco. Quando a batida fizer a pausa vai ser uma gritaria sem fim. – Jordan comentou chegando ao lado de Pam, ainda ofegante.
– Fica preparado para a parte em que vai iniciar a coreo de Idol, Slim preparou uma coisa que ele nem faz ideia do que vai causar. – Pam riu levando a garrafa d’água até a boca.
Jordan pegou uma garrafinha na mesinha atrás de si e olhou para frente, nesse momento Slim, o tal coreografo, fazia o que Pam havia comentado. Jordan não conseguiu evitar e levou a mão na boca.
– Meu Deus… O surto vai vir! – riu com Pam.

Assim que foi revelado quem era o convidado da noite – no caso “convidados” -, quando os dançarinos de saíram do palco com aquele corpo de dragão, o som estridente do público foi avassalador. Eles ficariam em silêncio por um minuto, apenas com a iluminação em cima de si e ouvindo a histeria. E o que causou alvoroço também foi pelo posicionamento de e Jung de frente um para o outro com um espaço quase invisível os separando. A coreografia inicial de Idol não incluía o membro do BTS na frente, mas por ser o dançarino principal fora escolhido por Slim para continuar o break de C’mon ali. Quem fazia a parte de frente com era Jordan; os dois ficavam de frente um para o outro e os outros dançarinos eram posicionados em formato de triângulo atrás.
Então de repente – na visão do público – o break de C’mon voltou e as mãos de Jung foram para a cintura de , mas sem tocar, havia uma distância entre as palmas das mãos com o corpo da mulher. Mas isso já foi suficiente para causar um pânico nas fãs que gritavam sem nenhuma cautela. As pulseiras que foram distribuídas para cada um dos presentes ali naquela multidão começaram a vibrar nos pulsos de seus usuários e a brilharem com as cores do arco íris em sequência.
A cada passo dado pelos artistas no palco o grito era mais estridente. Contado um minuto do restante do break as batidas de Idol entraram no mashup, aos poucos o refrão com “Oh oh woah” da música entrava em linha também e a coreografia então foi mudando para que eles se posicionassem no centro da forma como era feita pelo grupo para a música.
– Vocês estão prontos, Seul? – a cantora perguntou de forma séria, sua voz um pouco rouca tentando conter a respiração. O grito do público mais uma vez foi intenso. então tomou fôlego para acompanhar os movimentos quando a música começou de verdade.
Os passos que havia ensaiado com muito afinco se tornaram fáceis e os reproduzia muito bem, sem dificuldades. Acompanhou tranquilamente, também cantando alguns trechos, vezes sozinha, vezes dividindo com algum dos membros. Ela estava de fato se divertindo ali, ao mesmo tempo em que trabalhava. Idol logo acabou e aí foi a vez de Mic Drop; para essa música eles haviam concordado em ir para o circulo do meio da enorme passarela, deixando os diversos dançarinos reproduzindo a coreografia no palco principal. O palco do show de era enorme e a passarela normalmente alcançava toda a extensão da arena ou estádio; a ideia do tamanho foi dada por para que ela pudesse alcançar o máximo possível do público presente em seus shows. E essa passarela tinha dois pontos de circulo para algumas performances, um ficava na ponta e o outro no meio. E por toda a sua extensão haviam pontos estratégicos para elevadores que vinham do chão. Era tudo bem pensado para a locomoção dela.
Durante Mic Drop o chão parecia que entraria em erupção, a batida forte da música ecoava por todo o estádio. O publico parecia estar gostando da apresentação entregue pelos oito artistas no palco e se sentia, além de entregue, satisfeita. Passaram por Fake Love entre o caminho até a última plataforma da passarela e quando a música acabou eles seguiram para a última parada.
– Seul, vocês conseguem fazer isso aqui? – perguntou ao público e assoviou. – Precisaremos da ajuda de vocês. – pediu sorrindo e ajeitou a caixinha de seu microfone que estava presa em sua calça de vinil preta, também arrumando o objeto apoiado em sua orelha. – Então… – ajeitou o rabo de cavalo que estava bem preso e olhou para Jungkook, iniciando o assovio junto com ele e o público, na melodia da música.
Na última música a reação do público não foi tão diferente. Entre gritos histéricos e pulos, podiam ver a diversão de quem os assistia. Ao fim da música, posicionados na famosa fila da coreografia original, ficou na frente de Jung que encerrava do lado contrário que todos olhavam. Quando acabou, a plataforma – como elevador – abaixou e eles sumiram dos olhos do público.
Todos estavam exaustos e assim que terminaram de descer saiu correndo em direção ao ponto em que a levaria até o palco principal, ela tinha apenas três minutos para se trocar e voltar ao palco. Os meninos se dividiam entre jogados no chão e ainda extasiados.
Jimin estava recuperando o fôlego e já em inalação, aquela correria de cruzar toda uma passarela havia consumido todo seu ar; Suga estava jogado no chão se recuperando; Namjoon havia tirado a jaqueta vermelha de couro e alguns botões de sua camisa estavam abertos; Jin tentava alongar as pernas e secar todo suor; Jungkook e Taehyung bebiam água como se não houvesse fim; enquanto isso Hoseok já estava apenas com a camisa fina e sem sapatos andando para o caminho que os levaria até o backstage. Quando alcançou a parte do palco principal ficou preocupado de imediato, estava com muita falta de ar e a bombinha de inalação não parecia ser o suficiente, a movimentação em cima dela por parte de sua equipe era intensa, todos pareciam estar à beira de um colapso e falavam muitas coisas ao mesmo tempo e em diversos idiomas – um ele reconheceu como sendo inglês mesmo.
– O que ta acontecendo? – ouviu a voz de Namjoon atrás de si.
– Não sei, acho que ela está passando mal… – respondeu.
– Eu me lembro de ler em algum lugar que tem asma e que no intervalo da setlist ela tem que inalar. É bem rigoroso o tratamento, por isso sempre tem um médico com a equipe. – Suga disse fechando sua garrafinha, também se aproximando.
– Não a vi fazer isso uma vez desde que chegamos. – dessa vez foi Jungkook quem disse. Seus olhos miraram a situação e se arregalaram. estava muito mole e mais pálida que o possível.
– Estão dizendo que ela não o fez nenhuma vez hoje, que o cansaço da agenda cheia e rigorosa está a enfraquecendo e que é melhor ela não terminar… – Namjoon traduziu o que havia escutado.
tentava se manter firme no lugar, mas estava difícil. Quando se deu conta do tanto de gente em cima de si e do tempo que já estava ali, juntou toda a adrenalina em seu corpo e firmou os pés no chão, levantando da cadeira.
– Eu vou terminar esse show. Faltam poucas músicas. – disse um pouco embolado pela falta de ar.
– Nunca que você vai subir nesse palco desse jeito, ! – Pam exclamou tão alto que assustou a todos, ela sempre era calma e nunca gritava com a outra. – Olha sua condição, já viu no espelho a cor dos seus lábios? – completou nervosa. – Isso vai comprometer toda a sua agenda restante.
– O que é de amanhã a gente deixa para amanhã, Pam! Eu estou aqui agora e há trinta mil pessoas me esperando para terminar esse show, não vou deixar eles na mão. – respondeu. – Ainda mais quando ontem eu fiz o show sem nenhum problema!
– Doutor… – Pam olhou para o médico coreano que havia sido contratado para acompanhar as duas noites de shows.
– Ela não pode fazer esforço, dançar está fora de cogitação, nada que exija movimentos bruscos e a canse. – analisou.
– Bingo! – sorriu e soltou o cabelo. – Segura o público mais uns dois minutos e eu faço o resto do show com o piano. Vai reduzir meia hora, mas podemos resolver a questão burocrática tranquilamente e eu termino esse show com as músicas mais acústicas. A noite hoje está emocionante mesmo. – cruzou os braços e respirou fundo depois de falar.
– Shine Ya’ Light e Dear Helena para acabar e só! Suas músicas exigem muito do seu vocal e fôlego, sem arriscar. – Pam pegou o iPad em sua mão e o desbloqueou. – Ainda bem que o show de ontem deu tudo certo, vou cancelar os compromissos em sua agenda de programas e só iremos dar continuidade nos shows até a pausa.
A movimentação voltou e cada um seguiu um rumo, os dançarinos se organizaram recebendo instruções do plano B, que era o caso de enrolar mais o público em situações anormais de ausência da principal atração. vestiu o saiote branco de seda por cima do body verde que já estava usando – apenas despindo-se da calça de vinil – e soltou o cabelo, permanecendo descalça. Hoseok a observava ainda atendo enquanto os outros garotos já conversavam sobre outros assuntos empolgados, ele estava encantado em como ela administrava sua própria personalidade.
por sua vez pegou o microfone encapado com lantejoulas azul brilhante e muito gliter e retomou sua concentração exercitando a mandíbula para voltar a cantar. Ajeitou o ponto em seu ouvido e a caixinha de retorno do microfone sem frio no cós de sua saia, quando virou o tronco para ver se havia encaixado direito viu o olhar dele pairado sobre si. Sorriu de lado e se deu conta de que eles ainda estavam por ali.
– Ei. – disse sorrindo e deu alguns passos para alcançar o grupo. Hoseok agradeceu por ela estar bem avançada no idioma deles, assim não dependia de Nam para ficar traduzindo toda hora. – Desculpem pela correria… Querem ir comer algo no meu hotel depois? – ela convidou olhando diretamente para Hoseok. – Claro que se vocês não tiverem nenhum outro compromisso. – dessa vez varreu o olhar nos outros. E como sempre buscando a melhor forma de dizer sem parecer um robô toda formal e sem errar muito – pelo investimento de tempo e dinheiro, era de se esperar que estivesse falando bastante.
– Por mim tudo bem. – Jungkook respondeu vendo que Hobi havia ficado sem reação, mas recebeu um beliscão de Taehyung.
– Poxa, obrigado pelo convite, … Mas temos que ir para o estúdio finalizar um trabalho. – Nam respondeu recebendo olhares confusos e olhando firme para Jungkook. – Hobi, você terminou a sua parte, acho que pode nos representar… não pode? – virou-se para o amigo que ainda não havia dito nada. Foi aí que os outros entenderam a deixa.
– Sim! – Jin exclamou.
– Ele terminou, verdade… – Jimin sorriu prendendo o riso.
– Homem dedicado ele. – Taehyung completou. Ninguém quis dar atenção ao tom aleatório na fala dele, mas internamente anotaram um recado para que aquilo fosse usado num futuro próximo.
riu fraco e olhou para Hoseok esperando que dissesse algo.
– Será um prazer. – ele respondeu sorrindo.
– Legal! – sorriu abertamente e ouviu seu nome ser chamado. – Me espera no meu camarim… – disse a ele e se virou para os demais. – Foi um prazer rever vocês e tê-los aqui, vamos ver se conseguimos nos encontrar depois de eu terminar Tóquio. – manteve o sorriso e viu o diretor da turnê se aproximar, teve a certeza de ele iria a chamar mais uma vez.
… Vamos?
– Vamos! – respondeu e acenou para os meninos, pronta para se afastar. – Até já, Jung Hoseok! – ele acenou e ela se afastou. – Leva o Hoseok para o meu camarim, ele vai pro after com a gente. – ela encontrou com Pam no meio do caminho e pediu.
Hoseok observou ela subir na plataforma como se não houvesse passado mal alguns minutos anteriores, sentando no banco de frente com o piano dourado; ela estava deslumbrante e ele estava encantado. Lembrou-se das milhares de mensagens que já haviam trocado desde que se viram pela primeira vez na preparação do show do AMA e na premiação, adorava conversar com ela – mesmo que o fuso horário os prejudicasse as vezes.
Despediu-se dos companheiros e seguiu para a direção oposta deles, parou no meio do caminho em frente a uma tela que mostrava o show e ficou vidrado. Os dedos curtos de percorriam as teclas do piano com muita destreza e seu toque era delicado, suave e preciso. O microfone todo chamativo estava em um suporte pendurado no instrumento, perfeitamente colocado para sua altura. E ela cantava suavemente, cada palavra dita vinha de um lado dela que Hoseok passou a ter mais vontade de conhecer.
Sentiu uma mão em seu ombro e se assustou, não havia percebido a presença de mais ninguém ali. Virou-se e deparou-se com Pam, ela tinha um headset e o iPad em mãos e era acompanhada da tradutora, claro.
– Quer acompanhar o resto do show ali em cima no backstage? – ela perguntou e a moça traduziu simultaneamente. – vai terminar os trinta minutos, ela é muito teimosa. – explicou e ele entendeu melhor.
Apenas concordou e acompanhou Pam pela escada que tinha logo ali, ela lhe entregou protetores para o ouvido e o deixou a vontade na lateral do palco. Ele passou a assistir ao show e prestando atenção em cada movimento de se sentiu mais atraído, mais curioso.
– Eu não sei se vocês sabem, mas tenho feito aulas de coreano… – ela disse e ele leu no telão a legenda. Algo que ele havia achado incrível é que havia legendas em todas as telas do que ela falava e uma pessoa traduzindo no alto falante. O público gritou um pouco, como de costume e ela continuou a falar enquanto saía do piano e caminhava de vagar pela passarela, mas dessa vez em coreano. – É um idioma muito difícil de aprender. – riu fraco. – Mas acho que estou indo bem… Vocês sabem, adoro viajar o mundo todo e conhecer culturas… – o público gritava como resposta e ela sorria mais, ele estava ansioso por aquele sorriso. – E agora eu queria saber de vocês o que estão achando dessa noite. Gostaram da surpresa? Foi totalmente pra vocês. – e mais uma vez o sorriso. – Então se ainda estão animados, que tal a gente encerrar essa noite com mais energia? – incentivou.
Nesse momento qualquer pessoa na plateia sabia que era a hora de ouvir cantar Dear Helena, a música incógnita. Ninguém no mundo sabia para quem ela havia escrito, apesar de muitas especulações – o trabalho de composição e produção foi totalmente feito sozinha, era uma canção muito pessoal. E ela se emocionava sempre que cantava. A letra dizia sobre como o amor consegue ser tão humano a ponto de nos mostrar que ele machuca também, assim como nos faz feliz, sim.
Ela encaixou o microfone no pedestal e recebeu um violão de seu dançarino. Para esse momento era único, além do que a música representava para si, a aproximação com seu público nessa canção era incrível, ela recebia ali no palco – no círculo do meio da passarela – alguns fãs que eram selecionados para irem até ali e eles se sentavam em volta dela fechando uma roda.
A luz branca mudou e apenas a luz que vinha do chão da passarela iluminava quando os fãs se sentaram em sua volta, o estádio era iluminado apenas pelas pulseiras e então se fez um silêncio. Ela deu os primeiros acordes no violão e fechou os olhos quando começou a cantar.
Eu me lembro… ah, sim, lembro de tudo muito bem… – sua voz calma ecoava no estádio que, incrivelmente, tinha seu público quieto. Hoseok olhou rapidamente para confirmar isso e em seguida voltou os olhos para o telão, lendo a letra da música que era traduzida ali. – Você me olhava com dor e em seus olhos havia o pedido de desculpa e eu tentava te dizer que tudo ficaria bem, mas na verdade estávamos nos enganando e sabemos que quando se é humano, estar bem é apenas relativo… – ele a viu pressionar os olhos e tomar mais um fôlego para continuar.
escreveu essa música com apenas quatorze anos. Foi quando sua mãe morreu de câncer. – ouviu a voz de Jordan (pelo o que ele sabia do nome) misturada com a da tradutora.
– Eu me lembro de já ter ouvido, ela cantou essa no Grammy de 2017, não foi? – Hoseok questionou.
– Sim. – Jordan sorriu. – Ela não conta para ninguém. A família não gosta de exposição e a mãe dela era a única que a apoiava na carreira. O pai meio que pulou fora dessa ideia quando ela começou a estampar caixa de cereais na infância… Na mídia pouco se sabe sobre a família dela e ela também não é muito próxima, apenas alguns primos e o pai são mais presentes. – continuou explicando. – Ela entrou nessa vida muito cedo, com apenas dois anos já estava fazendo comerciais e com quatro anos começou a fazer séries. Então ela não teve muito tempo para ficar com a família e se prender muito a eles.
– Ela abdicou de tudo para estar onde está? – Hoseok perguntou se sentindo um pouco mais a vontade.
– Sim. Acho que isso é bem comum no mundo de vocês. – Jordan sorriu torto.
– E é.
– Mas não fala pra ela que eu te contei, ela odeia exposições exageradas. – o dançarino pediu rindo e ele murmurou um “ok”. – Você vai para o hotel com a gente, né? – Jordan não deu tempo de Jung responder e já iniciou outra fala: – Não se assuste, mas é cheio de câmeras, é um projeto de documentário para daqui uns anos.
– Vou sim… E..
– Espera, eu amo essa parte… olha. – apontou.
agora não tocava mais o violão, ele havia sumido e havia somente sua voz acapella ecoando.
E quando eu olhei em seus olhos minha querida Helena, eu senti aquela dor… Então entendi que o amor dói, assim como cura e aquece. – sua voz suave e potente cantava sem desafinar uma vez. – Porque, querida Helena, ele é humano assim como eu e você. – e seus olhos abriram, marejados e não demorando a transbordar.
Então a plateia finalizou o que ela deixava para eles, a última linha que dizia “E eu sei muito bem que ser humano é ser mortal”.
Jung a viu sumir novamente pelo elevador da passarela. Quando olhou para seu lado Jordan já havia sumido e viu a movimentação do outro lado do palco. Os fãs saiam da passarela com auxílio e no telão passava uma espécie de filme mostrando um pouco dos bastidores da gravação dos clipes de . Ele julgou serem das músicas que vinham a seguir.
Não demorou muito para uma batida mais parecida com R&B começar e aparecer na ponta da passarela sem a saia e com o cabelo novamente preso no rabo de cavalo firme. Ela usava apenas um body branco com as iniciais de seu nome em preto e um tênis da adidas branco. Ele percebeu como ela estava cansada, mas viu que não desistiria.
As três últimas músicas foram extremamente animadas e com coreografias impecáveis. Ela terminou em cima do palco principal e ele não viu o momento certo em que ela saiu, pois era um show de luzes que confundia qualquer um como se a intenção fosse de iludir qualquer ótica. Ainda meio tonto ele olhou para os lados e não achou nada além dos dançarinos que preenchiam o palco e todos os espaços da passarela saindo enfileirados.
As luzes se apagaram e de fundo ficou apenas um som ambiente, muitos homens apareceram no espaço do público para auxiliar a saída e ele observava tudo com atenção. Ainda queria saber por onde ela havia saído.
– Esse é o segredo.
O pulo e grito que Hoseok deu poderia ser ouvido por qualquer um naquele espaço, o susto que ele levou ao ouvir a voz de em seu ouvido foi suficiente para o levar no céu e voltar.
– Desculpa, não queria te assustar. – fez uma careta.
– Tudo bem… – Jung respondeu e sorriu fraco. – Eu estava concentrado tentando ver por onde você poderia ter saído.
– É o segredo. Guardado a sete chaves. – ela disse e ele reparou que estava ainda um pouco ofegante. Não que ele estivesse com sua respiração super controlada por todo o contexto, além de ter ela mantendo um diálogo claro em seu idioma.
– Você está bem? – perguntou preocupado.
– Por enquanto sim, a adrenalina é muito minha amiga. – ela novamente fez careta. – Eu vim buscar você, estamos indo. Vou tomar banho e tudo o mais no hotel mesmo, lá tem uma banheira e eu preciso desse momento de relaxamento.
Jung não conseguiu conter seus pensamentos e sentiu sua bochecha corar ao imaginar a cena sobre o que ela havia comentado. , por sua vez, riu por dentro e apenas o acompanhou até a van, ela sabia que ele tinha ficado sem graça.

Assim que terminou de pentear o cabelo molhado, deixou a escova em cima da pia e saiu do banheiro caminhando lentamente. Depois de uma hora dentro da banheira e sozinha, acalmando seu corpo, o cansaço começou a aparecer e ela sentia cada músculo contrair e as dores começarem a aparecer. Vestiu seu casaco por cima do pijama de flanela e calçou uma pantufa quentinha; segurando pelas paredes foi para o outro ambiente do quarto alugado no hotel cinco estrelas, lá encontraria com Hoseok, Jordan e os outros dançarinos – Elie e Gus – e sua stylist, Sabrina.
Ao se aproximar ouviu as risadas escandalosas de todos, incluindo a de J-Hope. Observou que a tradutora não estava ali e ficou se questionando como estavam se virando para manter um diálogo. Ainda não haviam percebido sua presença, ela estava apoiada no sofá que a separava deles; Jung estava sentado no chão de costas para sua direção e já usava outra roupa, do seu lado tinha um espaço vazio e em seguida vinham Elie e Gus, na poltrona estavam Sabrina e Jordan do outro lado deitado no tapete felpudo.
– Ei, princesa! – ele foi o primeiro a vê-la e se levantou percebendo que ela precisava de ajuda. – Ta tudo bem?
Jung imediatamente olhou para trás e encontrou com o olhar de . Levantou-se também, assim como Jordan, tendo uma leve noção do que estavam dialogando.
– Eu acho que a adrenalina foi embora… – ela riu nervosa e pegou na mão de Jordan.
– Consegue sentar aqui? – Jordan apontou o sofá.
– Acho que seria bom ela deitar na cama e dormir. – Jung disse olhando para . Ela traduziu para Jordan que assentiu com a cabeça.
– Eu concordo. – ele a olhou nos olhos e depois para os outros. – Vamos embora e deixar você descansar.
Jung ficou confuso vendo todos se levantarem e olhou para com uma careta, ela achou adorável como ele estava perdido.
– Eles estão indo embora e me deixando. – ela fez um biquinho pra ele.
– Você consegue ajudar ela ir até o quarto? – Jordan o perguntou pausadamente.
– Ajudar? Quarto? – Jung repetiu o que havia entendido e Jordan concordou. – Sim, ajudo.
Jordan deu um beijo na testa de e assim como os demais se despediu. Quando Hoseok e ela ficaram a sós foi visível para ela como ele estava envergonhado e segurava em sua mão e cintura de forma respeitosa no caminho até o quarto. Depois dos poucos passos até o cômodo e de ajudar ela a subir na cama, ele ficou dividido entre a vontade de ficar com não saber se deveria ir embora também.
– Você comeu? – perguntou para ele se ajeitando na cama.
– Estávamos te esperando para pedir algo. – ele respondeu colocando as mãos no bolso da calça de linho.
– Então vamos pedir nós dois. – ela bateu no lado vazio da cama de casal. – Ai assistimos alguma coisa e você me faz companhia.
Hoseok a olhou por alguns instantes, estava hipnotizado com tamanho cuidado dela ao falar seu idioma, somente uma pessoa muito dedicada aprenderia em meses daquele jeito. Mesmo que ela fizesse algumas pausas entre umas palavras e outras para pensar, era adorável. Se lembrou de algum dia terem comentado sobre o Qi da mesma ser alto, fazendo alguma brincadeira com Namjoon que possui um alto índice.
– Você quer alguma coisa americana? – ele perguntou pegando o celular do bolso de trás, de alguma forma ela o fazia se sentir mais a vontade mesmo com o estilo de cultura diferente.
– Eu acho melhor não inventar muito, uma salada com algo grelhado já está ótimo. – ela sorriu e ligou a TV.
– E para beber? – Jung perguntou depois de abrir o aplicativo do restaurante do hotel. – Refrigerante ou suco?
– Água. Sem gelo. – ela entortou os lábios. – Sou proibida de tomar qualquer coisa gelada e com gás depois dos shows.
Hoseok sorriu de lado, ele entendia bem. Terminou os pedidos e, ainda um pouco receoso deu a volta na cama se sentando ao lado de . Ela o olhou rapidamente e estendeu o controle em sua direção.
– Escolhe algo pra gente assistir. – sorriu.
– Ah, eu não sou bom com essas coisas… Qualquer programa de TV já me prende e – olhou rapidamente pra TV – não sei se você entenderia… falam muito rápido.
– Você está subestimando meu nível de coreano? – ela o olhou desafiadora.
– Ah… você faz aulas há pouco tempo… é meio difícil ficar cem por cento fluente. – ele deu de ombros. – E ainda faz pausas entre as palavras, é bem adorável.
sentou mais ereta na cama e cruzou as pernas afastando totalmente o edredom que a cobria.
O gerente da fábrica de grãos temperados é o gerente da fábrica de molho de soja. – falou o trava-língua coreano rapidamente, recebendo um olhar surpreso. – Eu sei falar quase sete línguas além da minha nativa: italiano, francês, espanhol, alemão, russo e agora coreano. Tenho mais facilidade em decorar vocabulário e regras de gramática do que apresentações. – disse orgulhosa. – Comecei a aprender coreano na semana do AMA, quando nos vimos pela primeira vez… E ouvir mais de Kpop me ajudou bastante também.
– Ah… – Jung estava incrédulo. Lembrou das vezes que ele mal conseguia pronunciar palavras do próprio idioma. – Era um dos projetos por causa de futuro, porque já sabia dos shows aqui? Eu acho bem louco que a gente tenha agenda para dois ou três anos já feitas…
– É… Quase isso. – ela sentiu as bochechas corarem lembrando porque havia começado as aulas e não tinha nada a ver com agenda. – Eu fui atrás das aulas por sua causa… – disse lentamente e olhando para baixo.
– Minha causa? – Jung perguntou surpreso.
– É. – ela riu fraco. – Eu fiquei muito interessada em fazer amizade com vocês e tudo o mais. – estava morrendo de vergonha por aquele momento.
– Eu acho que agora estou muito por baixo nessa situação. – Jung levou a mão ao rosto. – Vou procurar um professor de inglês agora mesmo! – ele pegou o celular.
riu e por impulso levou a mão até a dele abaixando o celular. Os dois se olharam e Hoseok se ajeitou de forma mais ereta a olhando. Os olhos de pairaram em cima dos lábios rosados e bem desenhados dele e os de Hoseok seguiram a direção dos dela. Se lembrou das conversas que já havia tido com Yoon-gi sobre como se sentia atraído por , mas que a dificuldade pelo idioma e diferente culturas o impedia de avançar qualquer passo em direção a ela. O amigo por outro lado sempre o incentivava a avançar e com o máximo de respeito possível, não só por conta de tudo o que já havia conquistado, mas pela própria pessoa envolvida no outro lado. Ambos tinham a vida muito pública, qualquer passo em falso poderia os prejudicar e a carga emocional se tornaria mais pesada.
Porém, alternando o olhar entre os lábios e olhos de , Hobi não saberia encontrar naquele momento a parte em si que concordava com Suga, a ponto de raciocinar as coisas direito antes de continuar se envolvendo. Ele estava imerso naquela novidade, uma mulher com quem gastava parte de seu tempo conversando, pensando e admirando, havia se interessado nele a ponto de aprender seu idioma em pouco mais de meio ano.
Ele não podia e não queria perder a chance de provar aqueles lábios. E por , os pensamentos não eram tão diferentes.
... – ele disse bem baixo, seu hálito fresco a fez fechar os olhos e arrepiar quando ouviu o apelido que ele mesmo havia lhe dado.
Jayjay… – ela o respondeu no mesmo tom, com o apelido carinhoso também.
– Eu… – Hoseok sentiu a ponta de seu nariz esbarrar no de quando ia lhe pedir permissão para alcançar seus lábios.
– Pode… – ela o respondeu, o fazendo se surpreender mais uma vez. Talvez sabia ler a mente dele.
O primeiro encontro foi suave, sem pressa e tampouco sem delongas. Os dois se apreciaram antes de continuarem em um ritmo mais acelerado, parecendo um casal que não se viam há meses e tinham muita saudade para matar. Não era um beijo apaixonado, mas também não havia só desejo pela libido ali, era um mix de todos os sentimentos e as sensações causadas para os dois poderiam ser classificadas como únicas.
Não demorou muito para que a leitura de daqueles toques dele em sua cintura que passaram a serem mais firmes e passar mais por um certo ponto de suas costas, a fizesse subir em seu colo. Jung se ajeitou no colchão com as pernas estendidas, agradecendo por já estar descalço e passou as suas uma de cada lado do corpo dele. O beijo não demorou muito para mudar de local, os lábios do coreano passeavam pelo pescoço dela e suas mãos estavam mais firmes na cintura da mesma.
Quando Hoseok colocou uma das mãos por dentro da camiseta folgada do pijama de , sentindo a respiração dela ficar mais acelerada, sentiu seu corpo dar alertas de que já estava entregue e era ali que queria ficar. Os toques dela em sua nuca, vezes puxando seu cabelo, apertando seus ombros, tudo o que ela fazia era bom e ele queria por mais.
decidiu que já estava na hora de se livrar de algumas peças de roupa, já que estava sentindo um calor absurdo e quando se afastou um pouco de Jung recebeu um olhar perdido e preocupado dele, mas seu sorriso de lábios fechados o fizera acalmar. Ao que ela colocou as duas mãos na barra da camiseta ouviu a porta do quarto se abrir, levou um dedo aos lábios e fez sinal de silêncio para Hoseok.
– Senhorita, ? Seu jantar… – ouviu uma voz bem distante e olhou para trás, agradecendo pela porta estar encostada.
– Pode deixar ai por gentileza. – pediu com a voz bem alta e olhou rindo para Hoseok que estava corado. – E por favor, quando sair coloco um “não perturbe” na porta.
Os dois continuaram se olhando em silêncio; mordia os lábios para não rir e Jung brincava com sua seriedade beijando seu pescoço e apertando sua cintura. Não demorou para o alivio chegar com a saída do serviço de quarto.
– Onde a gente parou? – Hoseok perguntou no ouvido de .
– Não sei, você pode me ajudar?
Ele umedeceu os lábios e levou as mãos até a barra da camisa dela e olhando em seus olhos, recebendo sua permissão, ele puxou para cima, tendo ajuda para se livrar daquela peça. Seus olhos encheram de brilho olhando para o colo desnudo de , sem nenhuma peça de roupa íntima. Ele poderia continuar admirando ela por horas e sabia que não se cansaria.

abriu a garrafinha de água com uma rapidez fora do normal e tomou todo o líquido parecendo ser alguém que não se hidratava há dias. Hoseok observou se sentando na cadeira e ajustando a manga do roupão para que não esbarrasse na comida. Abriu a tampa dos pratos e colocou no carrinho ao lado enquanto se sentada do outro lado da mesa. Olhou para ela por alguns instantes, imersa em seu celular e com aqueles cabelos molhados, o que trouxe a ele a lembrança do banho que tinham tomado há pouco tempo. Continuou a admirando enquanto servia seu copo com a sprite que tinha pedido.
– Olha isso… – ela mostrou um gif para ele em seu celular.
– Que rápidos! – ele comentou fazendo uma careta. – O que está escrito? – questionou a legenda.
– Juntaram nosso nome, ficando “iseok”, e estão dizendo que podemos ser ótimos amigos. – ela continuou lendo as páginas da rede social que tinha comentários sobre isso. – Por outro lado já tem quem me queira longe daqui o mais rápido possível… – riu jogando o celular em direção ao sofá.
– Não ligue pra isso. – a mão de Hoseok encontrou a dela por cima da mesa. – Não por agora…
sorriu mais animada e beijou a mão de Jung que estava entrelaçada com a sua.
– O que temos aqui, huh? – olhou para os pratos. – Bowl de salada coreana… Bibimbap! – ela disse animada ao reconhecer um de seus pratos favoritos. – Como você sabe que eu gosto?
– Seus fãs são bem específicos nas redes sociais sobre suas preferências. – ele disse rindo. – Especialmente quanto ao quão desastrada você é usando o hashi! – seu olhar zombeteiro a fez fechar a cara.
– Eu sou mesmo um desastre! – ela fez manha. – Cheguei a fazer curso de etiqueta para os diversos jantares que tive na primeira vez que vim até a Asia. Comi de garfo e faca em todos porque a vergonha com o hashi seria pior. – disse nostálgica.
– Queria saber onde eu estava que não pude te encontrar antes. – Jung disse a olhando nos olhos e ela apenas mordeu o lábio com as bochechas coradas. – Você disse que sabe falar quase sete idiomas, mas listou apenas seis… qual é o sétimo? – perguntou se lembrando da conversa de antes.
– Ah… Português… o brasileiro.
– Uau! – é tudo o que ele consegue dizer. – Ainda estou incrédulo que você aprendeu coreano em menos de um ano de forma tão completa.
– Então… – ela ri. – Eu devo muito disso a vocês sete e meu professor particular. Ele é nativo daqui, a gente se encontra todos os dias por pelo menos duas horas mínimas de aula. Hoje mesmo eu tive antes do show duas horas e meia. Ontem também… – bebe um pouco mais de água. – E, modéstia parte, tenho muita disciplina para isso. Foi assim com todos os idiomas que aprendi até agora, o mais complicado está sendo português. Mas ainda irei completar, daqui um mês vou para o Brasil encerrar a L to L World Tour**, gosto tanto daquele lugar que quero mostrar esse carinho e respeito por eles.
Enquanto a ouvia falar e vezes ou outra fazer pausas para não errar nenhuma palavra e nem a pronúncia, Jung entendeu que já não podia dizer que foi de repente, ele sabia que era equívoco usar esse termo. Mas estava se sentindo cada vez mais imerso naquela mulher e não conseguia enxergar um passo para trás. Hoseok não queria, aliás.

*L to L stage (Palco L para L) é o nome que deu ao seu palco, fazendo menção ao nome de sua turnê que carrega o título do álbum de estúdio.
**L to L World tour (L para L turnê mundial) é o nome da turnê internacional que está fazendo.

Capítulo 2

Nova Iorque, 2018.
– Estou disfarçada o suficiente?
A risada de Hoseok ecoou por todo o quarto com a pergunta de . Ela se virou terminando de colocar o cachecol laranja em volta do pescoço e pousou as mãos na cintura em seguida. Seu sorriso como sempre alimentando as borboletas no estômago do rapaz.
– Eu acho que… – ele se levantou da cama e posicionou-se em frente a ela com sua feição séria. – Se tirarmos isso aqui fica melhor, não está tão frio não é mesmo? – completou tirando o cachecol.
– Olha só quem conseguiu falar uma frase inteira em inglês sem gaguejar!
comemorou batendo palmas e deu um beijo na bochecha de Hoseok. Eles estavam no quarto do hotel se preparando para irem até o local da assembléia da ONU, onde teriam um momento para discursar. O que era incrível, aliás. iria acompanhá-los e depois de muito ouvir de Pam, teve de investir em uma peruca diferente das que já tinha e algum estilo de disfarce. Não haviam assumido ao público ainda o relacionamento e aparecer junto deles em um momento como aquele seria muito complicado. Era necessária cautela – até porque aquele dia a notícia tinha que ser o BTS e sua parceria com a Organização das Nações Unidas e não o novo relacionamento de um dos membros com uma americana, que poderia gerar muita polêmica.
Foi em meados de junho que ela terminou sua passagem pela Ásia depois de encerrar com show em Tóquio – que contou com a presença dele e de mais dois amigos do grupo, Yoongi e Taehyung. Esteve em Seul durante seus 15 dias de pausa antes de seguir com a turnê para a América do Sul, aproveitou cada segundo e momento vivendo um pouco da rotinha de Hoseok e quando teve de ir embora nenhum dos dois conseguiu se despedir o suficiente.
Então estavam sempre dando um jeito de se encontrar, conversarem e estarem juntos ao vivo ou por chamadas. Estavam dando um jeito de terem um relacionamento à maneira que suas vidas permitiam.
– Tenho uma ótima professora para praticar. – ele sorriu depositando um beijo nos lábios macios dela.
Por mais que quisesse ficar naquele quarto por horas e aproveitar a presença do namorado para assistirem filmes abraçados na cama – haviam feito muitas sessões de stream simultâneas na Netflix de forma compartilhada enquanto separados – ela sabia que já estavam atrasados. Taehyung bateu inúmeras vezes na porta do quarto buscando pelo casal, mas pouco foi respondido. Então ela fechou o último botão de sua camisa branca e puxou o blazer do cabide, suspirando ao ver o namorado puxar o próprio blazer da cama e o vestir.
Permaneceu hipnotizada por poucos segundos enquanto o admirava usando uma das peças que estava presente em sua coleção com a Hugo Boss. Mas durou pouco tempo, pois logo ouviu a impaciência na voz de Taehyung entrando no quarto, a assustando.
– Já te falaram o quão brega vocês são quando ficam nesses momentos de se admirar? – disse entediado enquanto cruzava os braços na altura do peito.
– E já te falaram alguma vez que entrar sem bater na porta e ser autorizado é falta de educação? – Hoseok rebateu com a sobrancelha erguida.
– Se fosse o Yoongi teria sido pior, acreditem, ele está uma pilha de nervos que já saiu no tapa até com o Jimin. – Taehyung riu se lembrando da cena em que os dois citados brigaram por terem pegado um o blazer do outro sem perceber.
riu fraco imaginando como foi a cena e entrelaçou seu braço no de Hoseok quando ele lhe ofereceu. Os três caminharam para a saída do quarto.
– Aliás, você está irreconhecível, . – o amigo disse enquanto parava no corredor movimentado.
– Que bom, Tae! Esse é o objetivo. – ela sorriu.
Caminharam em direção ao final do corredor para encontrarem com o restante do grupo e equipe que seguiriam para o local da assembleia. A movimentação era muito barulhenta e intensa, cada um dos staffs cumprindo com sua função e com extrema rigorosidade para que tudo saísse como no planejado e sem frustrações.
– Ainda bem que vocês não morreram naquele quarto! –Yoongi foi o primeiro a dizer quando avistou os três, seu humor ácido transparecendo na voz.
– Que exagero, nem estamos tão atrasados assim. – Hoseok respondeu. Varreu o olhar pelas pessoas ali e sentiu falta de um. – Cadê RM?
– Desceu já, está uma pilha de ansiedade que não conseguiu ficar aqui esperando o Jungkook e vocês dois. – novamente Yoongi deixou transparecer sua acidez. – Inclusive, ótimo trabalho . Não dá pra te reconhecer. – fez um jóia com o polegar.
apenas acenou positivamente agradecendo. Não se atreveria a dizer nada, os homens estavam atacados pelo nervosismo e ela sabia bem o quão importante aquele momento estava sendo. Sentira a mesma coisa quando foi convidada para ser embaixadora da UNICEF e sentiu como se fosse colapsar em seu primeiro discurso. Era compreensível.
– Não dê atenção, eles estão muito nervosos. – Hoseok sussurrou em seu ouvido percebendo seu silêncio e em seguida passou o braço por sua cintura, puxando-a mais para perto estando lado a lado.
– Oi, ! – uma das staffs que ela nunca lembrava o nome a cumprimentou e ela apenas sorriu. – Você vai na van com a gente que vai sair agora e os meninos na outra. Vamos evitar que eles sejam vistos com outras pessoas… Vamos te colocar lá como staff – explicou gentilmente.
– Ok. – apenas acatou e se afastou brevemente do abraço ladino do namorado.
– Nos vemos depois, baby. – ouviu ele dizer. O uso de “baby” era sempre em tom brincalhão, uma vez em que Taehyung brincava com algumas coisas de casais que eles faziam e ele achava bem clichês.
Ela recebeu os lábios dele com todo o carinho do mundo nos seus. Sorriu quando se separaram e abraçou cada um dos meninos ali. Até Jungkook que chegou no momento em que estava saindo comentou sobre como ela não parecia ser ela. De alguma forma isso despertou um pequeno incômodo dentro de seu eu mais íntimo, mas resolveu ignorar.
Quando estava no estacionamento viu Namjoon andando de um lado para o outro próximo ao que ela reconheceu ser a van que os levaria até o local. Pediu licença e se aproximou do rapaz que ela já chamava de amigo.
– Ei, ta tudo bem? – questionou suavemente.
Namjoon não evitou o susto. Estava dizendo para si mesmo as palavras que deveria proferir no discurso logo mais. A princípio não reconheceu , mas depois de ecoar a voz dela por sua mente algumas vezes, viu que era ela em sua frente.
– Eu quase não te reconheci, ! – disse levando a mão ao peito. – Você fica muito elegante de terninho.
Ela sorriu genuinamente. Ele estava muito pálido.
– Nam, você sabe que vai dar tudo certo, não sabe? – perguntou colocando a mão no ombro dele. – É só encarar um ponto fixo no vazio e vez ou outra mudar a direção dele.
– Eu to nervoso, não quero ler e nem gaguejar, . – ele murchou os olhos.
– Quando discursei na UNICEF tinha a mesma teimosia. Mas minutos antes de entrar no palanque sumiu tudo da minha cabeça. Se você assistir o vídeo, eu simplesmente li. – riu se lembrando. – Não tem problema nenhum nisso. E você vai se sair muito bem. Não importa como, mas o que será dito. As pessoas no mundo afora querem suas palavras ditas com o coração, sendo lidas ou não.
Namjoon absorveu o que ela disse e tornou a respirar de forma mais controlada. Sorriu e puxou a amiga para um abraço. Nunca achou que teria a chance um dia de encontrar com e se tornar um amigo próximo dela, a ponto de dividirem assuntos íntimos. Tudo aquilo era muito satisfatório.
Sentada em um banco próxima o suficiente da saída de emergência, prestava atenção na saída do grupo daquele palanque. Estava orgulhosa e a cada palma batida sentia que emanava sua alegria em direção a eles. Não conseguia conter em seu interior a felicidade por ver Namjoon proferir com propriedade tudo o que estava no papel que ele decorou – e lia vezes ou outra durante o discurso. Ela sabia qual a importância tinha para eles tudo aquilo, talvez não com exatidão porque cada experiência, por mais parecida que seja, tem seu diferencial, mas tinha uma noção suficiente.
Foi guiada pelo corredor da saída de emergência algum tempo depois, em silêncio seguia a staff que sempre era “responsável” por ela – e que ela não lembrava o nome. A ansiedade por encontrar seus amigos e o namorado para lhes parabenizar por aquele momento incrível gritava em seu peito. Pelos seus cálculos ela poderia voltar na mesma van que eles, já que o estacionamento era no sub-solo ninguém iria ver um rosto diferente entrando no veículo e nas ruas estariam bem protegidos pela película escura dos vidros.
Mas sentiu seus ombros caírem ao ver que só tinha um carro ali, lhe disseram que eles já haviam ido embora para um tipo de coquetel e que ela seria levada ao hotel e lá esperaria por Hoseok no quarto que ela mesma havia pego para os dois – a muito contra-gosto da equipe do grupo, aliás. Poucos minutos depois de estar no fluxo da 5ª Avenida sentiu seu celular vibrar, sorriu com o apelido de Hobi na tela e abriu a notificação de mensagem, recebendo uma atrás da outra.
JH: Me desculpa…
JH: Não deu tempo de te procurar, saímos por outro lado
JH:Isso aqui vai ser um tédio sem você
JH:e disseram que vai ter aquele negócio de camarão que você adora
JH:Vou ver se cabe no bolso do Jin e levo pra você comer
JH: Prometo fingir uma dor de barriga pra ir embora rapidinho
JH:Não esqueci dos nossos planos de sessão clichê com sexo nem tão fofinho + muito amor embaixo das cobertas
JH:Mais uma vez, me desculpa
JH:Já estou com saudades
JH:Vou parar de mandar mensagem porque o Tae já fofocou pra todos aqui quais os nosso planos, ele não sabe o que é privacidade
sorriu e bloqueou a tela do celular, vendo sua foto com Hoseok iluminar. Haviam tirado ela quando se encontraram em Tóquio e seguiram para um tour com Taehyung em lugares afastados da cidade um dia antes de irem para Seul; Yoongi teria ido se não estivesse tão preocupado com sua agenda de sono, lembra que naquele dia ele dormiu tanto que acharam possível ele ter ido para outra dimensão.
A foto havia sido tirada por Tae quando eles passaram rapidamente pelos Jardins do Palácio Imperial. Ela era completamente apaixonada por aquele dia, os momentos vividos – principalmente quando saíram os quatro para jantar clandestinamente próximo à madrugada – e todas as lembranças eram parte de momentos que ela queria e levaria pra vida toda.
O trajeto foi tranquilo e logo que ela chegou em seu quarto sozinha começou a se despir jogando todas as peças pelo chão. Colocou uma música parar tocar e foi para o banheiro, já apenas de lingerie vestiu seu roupão e abriu as torneiras para que a banheira fosse completada por água – programando temperatura e tempo da água corrente. Jogou alguns sais que julgou serem necessários e voltou para o quarto pegando o cardápio em cima da mesinha no segundo ambiente. Ligou rapidamente para a recepção pedindo um lanche com muita batata frita e refrigerante, já pensando em acordar cedo no outro dia e aproveitar a academia do hotel – se lhe fosse permitido sair do quarto e ser vista nos corredores do mesmo lugar em que BTS estava.
Chegou a revirar os olhos com tal pensamento, mas novamente afastou o incomodo e voltou para o banheiro. Cuidadosamente tirou a peruca que estava colada em sua cabeça e demaquilou o rosto para remover o pouco de maquiagem que tinha ali. Depois de lavar o rosto e aplicar produtos e mais produtos para o cuidado de sua pele, soltou o cabelo e o ajeitou novamente em um rabo de cavalo desta vez.
Finalmente pôde tirar sua roupa por completo e entrar na banheira, sentindo a água quente relaxar seus músculos. Se ajeitou com a cabeça apoiada na borda e puxou o pequeno controle ao lado, no suporte feito para ele, aumentou a música e fechou os olhos para contemplar aquele momento de relaxamento que teria por horas a fio.
Mesmo que as horas tenham se passado de vagar, não demorou muito para que o coquetel acabasse e o grupo estivesse livre para voltar ao hotel. Hoseok saiu do elevador já animado para chegar logo em seu quarto. Despediu-se de Jin, Jimin, Jungkook e Namjoon para seguir com Yoongi e Taehyung para o lado oposto do corredor, os dois estavam dividindo o quarto ao lado do dele e de . Tirou o cartão do bolso do blazer quando parou de frente com a porta e respondeu à despedida dos amigos sem muito prestar atenção, concentrou sua atenção a abrir aquilo que o separava de estar perto da namorada.
Percebeu rapidamente que ela não estava em nenhum dos dois ambientes e logo seguiu o caminho de roupas jogadas pelo chão que iam até o banheiro – sem deixar de reparar na quantia de comida em cima da mesa do primeiro ambiente. Durante o percurso aproveitou para tirar seu blazer e dar a ele o mesmo destino que as roupas de . Parou na porta do banheiro e a viu de olhos fechados dentro da banheira, totalmente relaxada e aparentemente adormecida. Sorriu involuntariamente e começou a tirar a própria camisa, queria juntar-se a ela naquele momento, principalmente para sentir o calor de seus corpos bem próximos.
Deu alguns passos para dentro do banheiro e sentou na borda da banheira a observando. Dentro de seu peito o coração batia forte, se sentia extremamente grato por ter alguém como aquela mulher a sua frente, orgulhoso por tê-la conquistado, feliz por poder fazer parte de sua vida e completo por tudo isso e muito mais. O muito mais que ele nunca saberia explicar se lhe perguntassem. Que ele não gostaria de dizer, não por não saber, mas por querer guardar o segredo de como ser feliz para si mesmo, sem correr risco de perdê-la.
Estava tão hipnotizado que não percebeu quando a mão de saiu do apoio lateral e alcançou sua perna ainda coberta pela calça social de linho. Levou um breve susto, mas sentiu algo bom.
– Você vai ficar quanto tempo ai me olhando?
Sua voz saiu um pouco rouca e baixa, ela realmente devia ter dormido ali dentro.
– Ah, eu poderia ficar aqui o dia todo. – ele sorriu enquanto ela abria os olhos. – E não me cansaria.
E o sorriso dele sempre oferecendo a ela borboletas no estômago.
– Cadê meu camarão a provençal? – perguntou erguendo a cabeça.
– Kookie comeu tudo. Desculpa. – Hoseok fez um bico. – Mas eu vi que pediu bastante batata frita.
– Pedi, mas voltei pra cá e dormi antes de comer. – riu. – Devem estar frias já. – suspirou. – Diferente dessa água que está quentinha, sabe? Do jeito que você gosta.- o olhou tentando soar despretensiosa.
O olhar ladino de Hoseok a fez sentir um frio na espinha, puxando as pernas dentro da água para pressionar a própria pelve. Uma ação involuntária para conter seu próprio desejo. Ele não a respondeu, apenas se levantou e arrancou o restante que lhe cobria – sapatos, calça, meias e cueca. mordeu levemente o lábio e se afastou do encosto da banheira, não se importava dela ser enorme, queria que ele sentasse naquele local para que pudesse se aninhar em seu abraço.
E foi o que ele fez.
– Você colocou aqueles sais de banhos que tem morango com champanhe? – Hobi perguntou depositando um beijo em seu pescoço logo em seguida.
– Sim. E um com camomila. Disseram-me que é bom para relaxar… – respondeu tombando a cabeça para trás, apoiando-a no peito nu dele.
– Então é isso que está de diferente no seu cheiro, senhorita . – Hoseok inspirou próximo ao pé do ouvido de , a fazendo arrepiar, ele havia notado nessa diferença de aroma por baixo do perfume no corpo dela nos últimos encontros que tiveram. – Eu senti falta de você lá no coquetel. – sussurrou em seu ouvido, sentindo-se entregue aos poucos pelo cheiro inalado. Ele gostava da sensação que aquilo lhe dava e quando se dava conta estava como naquele momento, selando seus lábios na pele exposta da namorada, guiando seu sentimento com toques de desejos.
não respondeu, apenas sentiu uma parte daquele incomodo que estava querendo tomar conta de si se esvair com a presença e o toque dele. Era como se realmente nada pudesse tirar dela a segurança que ele lhe oferecia. Com toda certeza Jung Hoseok era seu porto seguro naquele momento de sua vida e ela queria que perdurasse por mais e mais.

– Vou postar essa foto nossa.
estendeu o braço por cima da mesa mostrando a imagem em seu celular para Hobi. Esperou ele engolir o que tinha mastigado, olhando-o com expectativa.
– Eu sei que ainda não assumimos nada publicamente e que a sua agência quer fazer tudo direitinho e etc… – disse quando a ansiedade não a deixou esperar pela resposta dele. – Mas é que eu quero que as pessoas saibam que tem alguém na minha vida, na foto não vai mostrar que é você, mas vai… – deu uma pausa, o olhar dele em sua direção era totalmente atento. Hoseok sempre prestava atenção no que ela dizia com interesse e isso muitas vezes a deixava ruborizada. Como neste momento.
– Pode postar, amor… – respondeu tranquilo enquanto limpava a boca.
– Sério? – recolheu o braço com uma sobrancelha erguida.
– Sério. Eu não acho que irão associar a mim imediatamente, o que é uma droga. – revirou os olhos lembrando-se de uns dois meses antes ver rumores de que sua namorada estava de caso com um jogador de futebol, que era amigo dela, inclusive.
reconheceu a pontada de ciúmes do namorado e lembrou-se do mesmo fato. Rindo fraco ela disse:
– Não vão achar que é o Brahim, amor. E ele está com Carla, todo mundo já sabe…
– De qualquer forma, eu queria que soubessem que sou eu. – Hobi disse por fim levando mais um pedaço do lanche à boca. – Posta, vamos começar a preparar o mundo para saber que está comprometida.
sabia que o último comentário foi mais para amenizar a situação. Era doloroso ter que esconder que estavam juntos apenas porque precisavam seguir um padrão e script. Estavam beirando os cinco meses desde que assumiram um relacionamento e os encontros eram sempre em lugares privados, com muita restrição e na maioria das vezes eram resumidos ao apartamento de Hoseok, casa de férias de em uma cidade no interior da Inglaterra, ou em hotéis com um corredor e mais um andar acima e abaixo fechados somente para que tenham privacidade.
Mas ela sabia muito bem quando aceitou se envolver com Jung Hoseok, ele fazer parte de uma boyband muito famosa e com muitas regras – principalmente conservadoras por sua cultura – era de seu conhecimento. Teria de aprender a conviver com o que tinha e se adaptar a isso, assim como ele também estava se esforçando para se adaptar ao dela. O que incluiu na lista aulas de inglês, assim como fez quando decidiu que queria se aproximar dele.
O observou concentrado em seu lanche e celular, talvez um pouco mais sério que de costume, mas de qualquer forma ele continuava sendo o homem a qual ela se apaixonava a cada dia. E como agradecia mentalmente por ter o visto novamente nos bastidores da premiação, tido tempo de conversar com o grupo e oferecer trocarem contatos para possíveis trabalhos juntos – não que essa havia sido a sua principal intenção.
– Eu vou ser muito egoísta se fizer isso. – disse chamando sua atenção.
– O que?
– A foto, se eu postar ela… – se levantou e deu a volta na mesa, sendo recebida no colo dele sem muitas perguntas. – Eu vejo na internet, Jayjay… há quem já percebeu o quão próxima eu estou de vocês. – outro pensamento cruzou sua memória e em meio a uma careta, sussurrou como se fosse um absurdo: – Existem fanfics sobre eu ser a malvada que irá separar vocês.
Hoseok não pôde evitar o riso divertido. Continuou a olhando e fazendo carinho em sua costas com a mão que estava próxima e a outra pousou em sua perna quase nua pela abertura do roupão.
– Prossiga, o que mais você viu? – pediu a encarando divertido.
– Se você vai ficar rindo da minha cara eu não irei falar nada. – fez menção de se levantar, mas as mãos dele a seguraram em seu colo. O olhar lançado em sua direção fez voltar a falar: – São coisas bobas, mas são coisas. – murchou os ombros.
– Há espaço pra todo mundo aqui. E para prioridades.
sabia como as fãs do grupo eram tudo para eles. E o quão gratos eles eram por elas, reconheciam que todo sucesso vinha dessa fonte. Como uma parceria bem forte: os dois lados trabalhavam duro para tudo ser como estava sendo.
– Eu não vou e nem quero tomar o lugar de ninguém. – disse reflexiva.
– E não vai, você tem o seu. – poderia dizer que aquele sorriso de lábios fechados era a oitava maravilha do mundo, mas mentiria porque o sorriso genuíno e natural de Hoseok era mil vezes mais a porta do paraíso. – Me dá seu celular.
Hobi pediu e não esperou muito por uma resposta, pegou o aparelho de uma das mãos delas com gentileza e abriu o instagram. Abriu a aba de postagens para o feed e, com observando bem atenta, ele selecionou a foto que ela havia lhe mostrado. De legenda ele apenas colocou um emoji, o de um girassol – a flor favorita de .
– Agora a gente desliga os celulares e termina de comer, vai ali para aquela cama e continua nosso programa clichê. – disse fazendo o que estava ditando, com o olhar de fixo em si.
– Se não for o documentário da vida selvagem eu não aceito! – escolheu mudar o foco e entrar naquele momento novamente. Disse divertida e cruzou os braços, tentando soar brava, mas a resposta que recebeu lhe fez rir. Além do sotaque e da dificuldade em falar algumas palavras, a cara de desespero de Hobi foi o ápice.
– De selvagem já basta o que fizemos naquele banheiro, Mulher!

Eram duas pessoas sentadas de frente uma para a outra em um banco de um lugar cheio de girassóis, mas apenas tinha seu rosto à mostra. Hoseok estava afundando o seu em seu pescoço, então não havia resquícios de como reconhecê-lo ali. A não ser pelas roupas, mas só se saíssem pesquisando por aí. Ninguém faria isso. Ou fariam?
Pelo menos Namjoon preferia achar que não enquanto ouvia a equipe do grupo colapsar dentro da sala de reuniões oferecida pelo hotel. Claro que ele concordava com alguns pontos, mas achava que outros eram puro exagero. Sendo um idol na Ásia ou na América, em qualquer lugar do mundo, haviam coisas que deveriam permanecer como decisões totalmente pessoais.
Decidiu sair dali antes que enlouquecesse e ir logo chamar o casal para aquela conversa, afinal eram eles o assunto.
Não demorou muito e chegou ao quarto, conseguia ouvir as risadas do corredor mesmo – seria meio redundante pra quem conhecia tanto Hoseok quanto , os dois tinham a risada muito escandalosa. Bateu na porta e logo viu Jimin indo em direção ao quarto dividido por Yoongi e Taehyung, o riso dele demonstrava sua curiosidade.
– Estão muito ferrados? – perguntou.
– Trends topics por horas, acha que não? – Namjoon respirou fundo. – arrumou um problemão…
– Por essas e outras eu agradeço por termos você como líder. – Jimin riu novamente e se afastou, antes de sumir pela porta do quarto, disse: – Boa sorte.
Assim que Jimin fechou sua porta, a de fora aberta por ela mesma. Seu sorriso murchou assim que reparou como ele a olhava sério.
– Que cara de enterro é essa? – o questionou abrindo mais a porta, revelando Hoseok logo atrás de si.
– Ta tudo bem Namjoon? – ele questionou.
– Tudo vai depender de ponto de vista. – Nam resolveu falar. – Estão chamando vocês dois para a sala de reuniões.
virou a cabeça para trás buscando os olhos do namorado e ambos se encontraram ansiosos. Não precisava ser nenhum expert para saber sobre o que seria.
– De 0 a 10, qual o nível? – perguntou já se colocando para fora do quarto.
– Chegando no 8 a cada minuto que vocês demoram. Se eu não viesse e vocês continuassem a ignorar chamadas, o negócio ia ficar mais complicado… – Namjoon foi honesto.
Hoseok logo saiu e fechou a porta guardando o cartão no bolso.
– Qual minha melhor defesa? – perguntou quando começaram a caminhar em direção ao elevador.
– Nenhuma. Só sentar e ouvir. – o amigo respondeu chamando pelo elevador.
Quando chegaram na sala estava tudo uma calmaria, Namjoon chegou a se questionar se estava ficando louco a ponto de ter visto coisas. Os presentes ali que estavam colapsando alguns minutos antes agora ocupavam as cadeiras de forma organizada, eles esperavam os três. Inclusive, era em momentos como aquele que Kim Namjoon detestava o posto de líder.
Hoseok e sentaram-se em cadeiras lado a lado e ele ficou no lugar ao lado de .
– Se quiser ligar para sua empresária, fique a vontade, . – ouviu a voz de uma das staffs direcionada a si e tomou sua postura mais séria.
– E pra quê seria necessário? – questionou.
– Vamos discutir alguns termos para o contrato de relacionamento de vocês e seria interessante seus representantes aqui.
olhou para Hoseok quieto ao seu lado e em seguida para a direção da pessoa com quem estava dialogando. Pareceu um pouco perdida.
– Contrato? C-como assim um contrato? – deixou um pouco de seu nervosismo transparecer e sentiu a mão de Hobi em sua perna, apertando levemente.
– Bom, temos que manter algumas coisas na linha, . E como você se precipitou ao postar uma foto no instagram e as pessoas já estão comentando…
– Não foi ela, Sohoo. Eu postei pelo celular dela. – Hoseok cortou a mulher, recebendo um olhar de recriminação.
– Independente de quem foi. O nome dela é o mais comentado e procurado na internet desde então. – Sohoo respirou fundo. – Pense a popularidade que ela já possui, a quantia de vezes que o google processa o nome dela em pesquisa e que a citam no twitter. Agora multiplique isso por três.
– Mas na foto não tem nada explícito, Sohoo… – se atreveu com um tom mais calmo, agradecendo por Hoseok ter dito o nome da mesma.
– Sabe como descobriram que você tinha ensaiado com eles para a apresentação no show em Seul antes mesmo do dance practice ou qualquer outra informação vazar? – obviamente eles não tinham a resposta. – Pela toalha de rosto que você levou do Suga embora. Sem logo de hotel, nem da BigHit. Acha que pra descobrirem o dono daquele look todo da Gucci vai ser difícil pra eles?
– Mas… olha, me desculpa, eu não consigo encontrar o problema nisso. – tentava ao máximo não ser rude ou desrespeitosa.
– Eles têm um roteiro a seguir para as fãs. Como eu explico que o ídolo delas não é 100% no seu âmbito pessoal do que é com elas? – Sohoo parecia ter um ponto, só não conseguia encontrar. – A maioria vê neles simples garotos que vivem para elas.
“Garotos? O mais novo tem quase 22 anos, pelo amor de Deus!”, pensou. Mas se limitou a suspirar e questionar:
– Quais os termos? Podemos listar e vocês enviam para Pam analisar com meus advogados, então eu assino.
Hoseok manteve sua mão na perna da namorada fazendo carinho ali. Ele queria dizer algo, mas não sabia o quê exatamente, estava vidrado pela forma como tomava as rédeas sozinha. Talvez Pam fosse ficar bem frustrada por não ter sido chamada, anotou um lembrete mental para que garantisse a culpa toda pra si.
Uma cópia de documento foi entregue a todos e tanto quanto Hoseok e Namjoon passaram a ler.
– Uma multa a cada cláusula quebrada? – Nam questionou ao vento com indignação.
– O que? – ergueu o rosto. – Isso é sério caçou no documento e encontrou a cláusula que Namjoon estava citando.
– Essa é uma medida de contenção, senhorita .
– Sei bem… – bufou e continuou lendo.
“Medida de contenção? Pensar que vou ter que pagar para uma agência caso eu queira abraçar meu namorado em local público? Isso é ridículo”, pensou.
E não era só isso. Estava basicamente enfrentando um tipo de mundo paralelo a cada palavra dita.
– Certo. – soltou a respiração pesada e pegou a caneta. – Vamos tirar que os passeios públicos devem ser feitos quando agendados previamente e com autorização. Iremos sair quando quisermos e não somos duas crianças que não sabem a vida que vive. – olhou de Hobi para Sohoo. – Também não vou ter minhas redes sociais controlada por ninguém que não seja da minha equipe. – riscou mais uma cláusula no papel. – O restante das exigências serão analisadas com meus advogados e equipe.
Pela primeira vez em meses Namjoon e Hoseok presenciaram um momento de impaciência por . Em nenhum momento ela falou em coreano como sempre fazia na presença deles, em nenhum momento ela parecia preocupada em soar desrespeitosa com os mais velhos ali. Ela parecia estar firme em suas palavras e posicionamento, como se controlar a situação ali fosse extremamente fácil. E Hoseok apenas a encarava admirado pela forma como ela não se deixou manipular por ordens que às vezes nem ele entendia porque existiam.
Trocou um olhar rápido com o amigo, entendeu bastante do que foi dito, mas havia algumas palavras que ele ainda não conhecia daquele vocabulário. Mais uma nota mental para continuar estudando.
, é algo para se tornar simples. Queremos blindar o relacionamento-
– Com todo respeito, Sohoo, mas os interesses do relacionamento envolvem apenas e Jung Hoseok. – sentiu extrema vontade de rolar os olhos, Sohoo agora a chamava pelo apelido. E ela podia sentir nos olhos da mulher que não era muito sua fã. – O que vocês querem blindar é J-Hope do Bangtan. Eu entendo, mas continuo sem compreender algumas abordagens. – respirou fundo e se levantou com os papeis em mão, deixando a caneta em cima da mesa. – Somos de culturas diferentes, mas não significa que um costume deve prevalecer em cima do outro. E eu muito menos vou plantar uma briga com milhares de adolescentes no mundo todo que ainda não enxergaram que eles são homens maduros o suficiente pra ter uma vida, afinal o mais velho deles está mais próximo dos trinta anos do que parece. Com licença.
Os passos de até a porta foram rápidos e seguidos por todos os olhares, Hoseok olhou novamente para Namjoon e o amigo o guiou com o olhar para a direção por onde ela tinha saído entendendo que ele queria ajuda pra saber se deveria ir ou não.
– Com licença… – disse se levantando e parou no lugar quando ouviu a voz séria de Sohoo
– Hoseok, eu espero que você entenda. E fale com ela. Se na cultura dela não existe respeito, talvez ela não seja a mulher certa para entrar no seu mundo.
Se o perguntassem por que não teve reação alguma ou ajudou naquela discussão, ele não saberia responder e muito menos se sentiria confortável com isso. Infelizmente não soube como reagir e quando ela se posicionou a frente da situação se sentiu como se estivesse sendo protegido o suficiente. Mas ouvir aquelas palavras de Sohoo o fez sentir um formigamento horrível por todo o corpo, como se estivesse a ponto de explodir.
Quem Sohoo achava que era para supor que não seria a mulher certa para ele?

Nota da Autora: Olá!
Primeiramente, me perdoem, eu esqueci de adicionar uma nota no primeiro capítulo hahah
Segundo, me digam, gostaram? Já shippam esse casal? A PP ta agradando vocês? O que Hobi tem que fazer diferente? Quem dos meninos vocês acham que vai ser o BFF, tipo irmão mesmo, da nossa PP? Sohoo é boa pessoa ou não? Eu quero saber tudo pela perspectiva de vocês!

Bom, agora falando um pouquinho sobre The Last Hope… É para ser uma fanfic curta, tenho todo o planejamento dela e os capítulos não possuem tanta ligação – é como se fosse uma história corrida. Então me deixem saber se vocês gostariam de ler mais sobre momentos citados ao decorrer da fic que não foram narrados, tipo o encontro dela com Hoseok, Taetae e Yoongi no Japão, como eles chegaram ao “vamo namorar”, etc… Quem sabe eu traga em formato de oneshot ou short pra vocês, hein?

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