Wookie

Wookie

  • Por: K.C.
  • Categoria: BTS | Kpop
  • Palavras: 2851
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Sinopse: Eles se conheciam desde a infância, mas a caminhada dele para o topo do mundo não a levou consigo. E nos anos separados muita coisa mudou.
Ele era um dos membros do boy group mais conhecido do mundo, era um produtor e compositor de renome, e todos sabiam quem Suga era.
Ela era recepcionista em uma clinica em Daegu, ainda não havia se formado na tão sonhada faculdade de enfermagem e agora, além de cuidar de si própria tinha uma pequena garotinha que era sua copia: Wook.
Em uma das visitas de Yoongi a sua cidade natal ele a reencontra, e junto a ela encontra aquele pequeno pedaço do presente da amiga. Ele melhor que ninguém sabia que a vida podia dar uma virada de uma hora para outra, só o que não esperava era que uma virada em sua vida viesse por conta de uma garotinha que era a copia exata da sua amiga de infância, a qual ele também amou em segredo por anos.
Gênero: Romance, Drama
Classificação: 16 anos
Restrição: O Yoongi é o pp e é fixo, assim como a filha da pp que dá nome a história. Os demais membros do bts aparecem.
Beta: Alex Russo

 


UM
2010

 

A chuva caia forte sem o mínimo medo ou pena do sofrimento causado a aqueles que repousavam na calçada de uma rua pouco movimentada de Daegu. Min Yoongi se encontrava sentado embaixo de um toldo velho tentando se proteger dos respingos da chuva, em vão. Ali ele se perguntava se valia realmente correr tanto atrás daquele sonho que não dava sinais de futuro.
Talvez devesse voltar para a casa de seus pais. Talvez devesse seguir aquilo que o pai tanto sonhava para ele – por mais que ele mesmo odiasse aquela ideia. Talvez aquilo tudo apenas pelo sonho de ser um rapper famoso algum dia não valesse realmente o esforço.
Tudo que ele se perguntava era como iria amanhã para o estúdio já que o dinheiro havia acabado. Talvez tivesse de acordar mais cedo que o normal e ir andando. Será que a mãe o deixaria usar o banheiro brevemente para um banho? Sabia que sim, porque o que a senhora Min mais queria era que o filho deixasse de besteira e voltasse para casa, mas a ideia de ir para casa pedir ajuda não agradava Yoongi nem um pouco.
Não, os pais não haviam o expulsado, ele havia saído. O orgulho não lhe permitia ficar onde seus sonhos eram questionados ao invés de apoiados. Ele não culpava os pais de todo modo, sabia que queriam um futuro para o filho, mas o futuro que Yoongi queria, era outro. Apesar de naquele momento até mesmo ele duvidar de que aquele futuro com o qual sonhava era possível.
O sono parecia disposto a levá-lo consigo mesmo em meio ao frio e chuva, e ele não se negaria a acompanhá-lo. Quando sentiu uma presença a sua frente abriu os olhos assustado preparado para iniciar uma briga, mas quando encontrou os olhos estreitos da garota foi que ele relaxou os músculos, apenas para se sentir tenso de novo, porque sabia o que vinha pela frente.
— Levanta daí agora. – o tom tranquilo não o fez se sentir mais calmo. Muito pelo contrário: a conhecia bem o suficiente para saber que tom tranquilo com ela significava a pior bronca que levaria.
— Como me encontrou? Sua casa e seu trabalho são do outro lado da cidade. – ele contestou e viu a expressão dela se fechar.
— Min Yoongi! Eu não acredito que estava realmente se escondendo de mim e mentindo na minha cara. – a indignação tomou conta do tom dela — Eu deveria te bater aqui mesmo, seu grande idiota. Agora levanta daí. – mandou e ele revirou os olhos se mantendo no mesmo lugar.
— Foi o Jae, não foi? – ela não respondeu e ele sabia que não o faria — Se eu não escutei ele porque acha que eu vou escutar você, ? – a garota se abaixou a altura dos olhos dele.
— Porque eu não sou o Jae. – e dizendo aquilo ela puxou a bolsa do rapaz de maneira que o surpreendeu. Se colocou de pé e começou a caminhar o deixando para trás — Se não vier vai ficar sem suas coisas. – avisou sem sequer se virar. A voz ecoando por todo o lugar tão alta e firme quanto ele jamais escutará antes.
Ele se colocou de pé a seguindo e apressando o passo até alcançá-la. Era mais nova que ele, mas sempre pareceu mais velha. Não na aparência, mas em sua forma de sempre ser o lado naquela relação que sabia o certo a se fazer.
— Sinceramente, Yoongi. Achou que iria mentir para mim por mais quanto tempo? – ela questionou irritada — Ia passar a noite na rua? Como se não tivesse a quem recorrer? – ela virou a rua se colocando debaixo de um ponto de ônibus e ele a acompanhou.
— Eu não vou para a casa dos meus pais . – avisou e ela revirou os olhos.
— É claro que não. Porque é burro e cabeça dura. – a garota empurrou a mochila contra o peito dele.
— O que queria que eu fizesse? Eu não tinha muitas outras opções. – a garota o olhou indignada.
— Seu grande idiota, minha casa não era uma opção? – Yoongi encolheu os ombros.
— Sua mãe não gosta de mim, . – a garota revirou os olhos.
— Min ela gosta de você, não concorda com o que quer fazer com sua vida, mas gosta de você. – Yoongi respirou fundo.
— Mas é por isso que sai da casa dos meus pais, . Eu não preciso ficar ouvindo que isso não vai dar certo. – murmurou e viu a garota se aproximar dele. O toque da mão fria dela em seu rosto foi uma surpresa.
— Min Yoongi, escute bem o que vou dizer, porque se tiver de repetir isso vai ser te socando. – ele reprimiu um riso. era assim. Paciente até que perdesse toda a sua paciência, e ninguém sabia qual era o limite da paciência dela. Nem mesmo ele que era amigo da garota desde que se lembrava. — Se quer alcançar o topo você vai ouvir pelo caminho que não vai conseguir, que não é bom, e mais um monte de coisas e não vai poder fugir disso sempre, então aprenda a saber quem você é e o que a sua música é. Sabendo disso você vai saber aonde quer chegar e nada disso vai importar. Me entendeu? – o rapaz assentiu encarando fixamente os olhos da garota, que pela primeira vez nos últimos minutos sorriu. O sorriso que pra ele tinha sensação de segurança — Você vai longe, Yoongi. Escuta o que estou dizendo. O mundo ainda vai saber quem Min Yoongi é. – o garoto sorriu de modo contido. era a única com quem ele permitia que suas inseguranças fossem claras e aquela era uma delas.
— Você acha? – ela soltou o rosto do rapaz e o abraçou. Não era um costume entre eles e Yoongi sempre tinha certo estranhamento quando acontecia, mas aceitava de bom grado. O coração palpitante no peito era uma reação involuntária a proximidade dela. O corpo dela trazendo a ele calor e conforto, era quase um convite a permanecer ali por longos minutos.
— Eu tenho certeza. – a voz era um sussurro reconfortante e naquele momento, apenas para si Yoongi desejou que pudesse tê-la sempre ao seu lado. Porque acreditava no amigo como ninguém.
Fugindo completamente do que era costumeiro a eles, Yoongi deixou um beijo breve na cabeça da amiga que riu fraco para em seguida se afastar.
— Vamos pra casa. Você vai se trocar e dormir direito, seu grande doldaegali. – Yoongi torceu os lábios.

— Não discute que eu ainda quero te bater. – ela mandou e ele riu.
Ficaram em silêncio. Os anos haviam feito com que os silêncios fossem tão conhecidos a eles quanto os momentos em que trocavam palavras. Quando o ônibus veio lançou um olhar para Min e ele apenas entrou sem contestar. Ela cumprimentou o motorista que sorriu e ambos seguiram para seus lugares, sentando um ao lado do outro no último banco. A cabeça de Yoongi encostada no vidro frio enquanto as luzes de Daegu passavam do lado de fora, embaçadas pelo suor do vidro.
Sentiu a cabeça da amiga repousar em seu ombro e se virou brevemente a encarando. Apenas para em seguida voltar sua atenção para fora. Quase que como em um reflexo a mão dele encontrou os cabelos da menina deixando ali um carinho. Não era o tipo de cena comum, mas apenas eles estavam no ônibus, então não estavam incomodando ninguém.
Yoongi agora tinha a mente divagando sobre a vida que havia vivido até ali. Encarou que cochilava e se recordou de todas as vezes que a garota, sempre menor que ele e parecendo tão inofensiva e gentil, levantou seu tom de voz em defesa do que acreditava. Em defesa dele. Pensou em quantas vezes esteve em uma quadra apenas para torcer por ele em seus jogos de basquete, mesmo que a garota não visse sentido em passar longos minutos observando pessoas correrem atrás de uma bola, e em como vibravam horrores sempre que ele fazia uma cesta gritando para quem quisesse ouvir que ele era seu melhor amigo. Pensou que queria acreditar em si como ela, e lutar para alcançar o que tanto almejava como ela lutaria. E foi ali, no transporte público em alguma rua de Daegu que ele não sabia identificar qual era, que ele prometeu a si mesmo que aprenderia a acreditar em si como acreditava.
Quando o ônibus chegou ao ponto deles, ambos desceram do mesmo e seguiram alguns metros até a casa da garota, onde a sala se encontrava vazia, já que os pais de dormiam cedo.
— Vem. – ela acenou com a cabeça e ele a seguiu pelo corredor até o quarto da garota — Jae deixou algumas roupas suas aqui. – ela apontou a beira de sua cama onde uma sacola de papel se encontrava. Ela abriu a gaveta de sua cômoda e pegou dali uma toalha que passou para Yoongi — Eu vou tomar banho primeiro porque preciso arrumar onde você vai dormir, então assim que eu sair você pode ir. – ele assentiu vendo a amiga deixar o quarto com uma muda de roupas em mãos.
Assim que se encontrou sozinho, Yoongi deixou a mochila no chão mexendo na sacola com suas roupas separando uma calça de moletom e camiseta para dormir aquela noite. Se sentou no chão encarando o quarto conhecido. Os adesivos de borboletas ainda presos no teto o fizeram se lembrar de quando ele mesmo os colou ali. Tinham dez anos, reclamava a ele que não conseguia dormir por conta de pesadelos, então quando passou em frente a uma loja com a mãe vendo os adesivos a ideia surgiu a ele. sempre adorou borboletas e quando ele colou a última no teto da garota depois de se empoleirar em uma escada, ele prometeu a ela que as borboletas lhe trariam bons sonhos. Nunca houve outra reclamação de sonhos ruins depois daquilo.
Yoongi sorriu ao sentir o cheiro de por todo o canto. Ele gostava do cheiro dela. O perfume de alguma flor, misturado ao cheiro característico da garota, despertavam em Yoongi lembranças de uma vida inteira.
Se lembrou do abraço dela e como, sempre tinha a mesma sensação quando aconteciam. O coração acelerava, o estômago parecia revirar e ficar gelado, e a respiração parecia parar de funcionar corretamente. Ele sabia o que aquilo era. Nunca havia sentido antes dela, mas não precisava ser muito genial para saber do que se tratava, já havia ouvido vezes suficientes sobre aquilo. Enquanto cresciam era um sentimento que ele achava ser normal entre amigos, porém quando realmente aprendeu a entendê-lo decidiu reprimi-lo por medo de perder aquela que era sua melhor amiga no mundo todo.
Não sabia dizer quanto tempo se passou, mas quando a garota apareceu à porta do quarto novamente com roupas largas e o cabelo molhado, ele sorriu quase que instantaneamente. Um sorriso pequeno e contido.
— Você não vai poder dormir aqui, meu pai ficaria doido com isso. – ela começou a explicar.
— Eu imaginei e não estou disposto a levar uma facada do Sr. . – riu.
— Vou arrumar sua cama no porão e levar cobertores extras. Desça para lá quando terminar de tomar banho e leve a roupa molhada com você. – ele assentiu enquanto ela se dirigia ao guarda roupas em busca do que precisaria.
Ele tomou o corredor em direção ao banheiro que ainda tinha o vapor quente do banho da menina. Deixou a roupa molhada em um canto e entrou no chuveiro deixando que a água quente trouxesse conforto para si. Depois de estar limpo e aquecido deixou o banheiro vestindo uma roupa seca. Passando no quarto da amiga apenas para pegar sua bolsa, para depois seguir para o porão da casa que conhecia tão bem quanto a sua.
Quando chegou lá se encontrava sentada na cama antiga que a família mantinha por ali. Na bancada de madeira do pai dela dois recipientes fumegavam com Kimchi dentro e outro continha arroz.
Yoongi deixou sua roupa molhada onde já sabia que devia e repousou a mochila em um canto se juntando a amiga enquanto pegava um dos recipientes com comida e um par de jeotgarak para passar para ela, apenas para em seguida pegar um para si junto ao arroz. Sabia que era para ele. não comia Kimchi com arroz.
Cruzou as pernas sob a cama e começou a comer. O estômago parecia reconfortado com aquilo e Yoongi agradeceu mentalmente por conhecê-lo tão bem.
— Como foi a venda das músicas hoje? – ela questionou comendo de seu próprio prato. Yoongi deu de ombros.
— Acabei recebendo menos por uma música e sei que não vou recuperar o dinheiro de todo modo. – aquilo era comum e Yoongi tentava não se apegar a aqueles detalhes.
— Não deveria ser aquele cara do grupo que se encarrega disso? – questionou com o cenho franzido.
— Devia, mas… – Yoongi apenas deixou a frase solta.
Um novo silêncio se instalou entre eles enquanto comiam. Quando terminaram ambos deixaram suas vasilhas de lado apenas se encarando.
— Jae pediu que te entregasse isso. – ela estendeu para o amigo algumas notas as quais ele negou com a cabeça — Pare com isso e pegue logo, você sabe que ele nunca nem citaria que te deu isso. – ela insistiu e com algum custo ele pegou o dinheiro sem contar as notas. Independente de quanto fosse, estava agradecido — Tem outra coisa. – ela chamou sua atenção — Quero comprar uma música sua. – Yoongi riu — Estou falando sério.
, não precisa disso. Está tudo bem, amanhã vai ser melhor. – ela negou com a cabeça.
— Eu realmente quero. – ela insistiu e o garoto riu fraco.
— E vai gravar ela? Sinceramente não te imagino fazendo rap. – ela riu. Uma gargalhada alta no meio da noite.
— Não. Eu sou um desastre. – ela assumiu e ele apenas concordou com a cabeça — Você vai gravar. – ela continuou — Um dia. Não sei quando exatamente. Mas você vai guardá-la e um dia quando as pessoas souberem quem você é você vai gravá-la. – Yoongi apenas riu negando com a cabeça.
— E qual delas é? – ele questionou pensando que tudo não passava de uma brincadeira.
— Ainda não está feita. Mas você vai fazer quando o dia chegar. E vai se lembrar desse dia quando a fizer. – ela sorriu para o amigo. O sorriso de todas as vezes que o que dizia parecia uma loucura. O sorriso que o fazia acreditar que era possível.
— Sabe que tem uns parafusos a menos nessa sua cabeça ai, não sabe? – ele brincou e ela riu.
— É por isso que você é meu amigo a tanto tempo. Só uma cabeça oca para entender a cabeça mais oca ainda. – ela se colocou de pé. Pegou as vasilhas onde haviam comido e enfiou a mão no bolso em seguida tirando de lá algum dinheiro e o colocando no colo do amigo — Está pago. – Yoongi riu negando com a cabeça enquanto encarava o dinheiro a sua frente. Encarou e se colocando de pé foi quem tomou a atitude de abraçá-la.
— Obrigado. – ele agradeceu a apertando mais ainda em seus braços e sequer pôde ver o sorriso que brotou nos lábios de .
— Eu acredito em você, Yoongie. – a frase dita contra o peito dele fez seu coração se acalmar, mesmo apesar do contato entre ambos.
Naquela época, nenhum deles sabia, mas dali a alguns meses, Min Yoongi estaria dando seus passos em direção ao topo do mundo e muita coisa estaria para mudar.