Thin White Lies

Thin White Lies

Sinopse: O que mais esperar de uma escritora que possui um olhar profundo e vazio que desperta interesse? Luke e Amber, uma escritora americana, namoraram por dois anos ao se conhecerem em uma festa de amigos em comum. Thin White Lies foi escrita por Luke Hemmings, fruto desse relacionamento com um fim certamente turbulento.
Gênero: Romance.
Classificação: +14 anos.
Restrição: Nenhuma.
Beta: Natasha Romanoff.

Capítulo único

— Essa música parece com o relacionamento que você teve com a . — Ashton me encarou quando terminou de ler a letra.
— Você gostou da música? — Eu levantei uma das sobrancelhas, encarando-o.
— Minha nossa, é sobre ela mesmo? Há quanto tempo tem essa música guardada? — Ashton perguntou se interessando sobre o assunto.
— Vamos poder usar ela no álbum ou não? — tentei cortar o assunto, olhando para Calum e Michael.
— Acho que sim — Michael respondeu e Calum balançou a cabeça positivamente.
— Viu, nem perguntaram sobre a música. — Dei um tapa na cabeça de Ashton ao passar por ele e sair do estúdio para pegar um café.
— Certeza que é sobre a . — Ashton riu, colocando a letra da música em cima da mesa, foi a única coisa que ouvi antes de fechar a porta.
Realmente, a música se tratava dos dois anos em que eu e estivemos juntos. Foram anos meio turbulentos. Conheci ela em uma festa de amigos próximos que eu e ela tínhamos em comum. Ela estava lá, na varanda, folheando algumas revistas, há 4 anos.
— A Rolling Stone é uma revista bem interessante. — Eu me aproximei da menina com um copo de tequila em mãos.
— Claro, você já deve ter dado uma entrevista lá. — Ela riu, folheando a página.
— Pelo visto tem certa aversão sobre eles.
— Me despediram, disseram que eu era… — Ela estreitou os olhos e levantou a cabeça na minha direção. — Conceitual e subjetiva demais.
— Hm… — Olhei a menina dos pés à cabeça e mordi o lábio inferior, tentando decidir se era verdade ou não. A menina tinha cabelos escuros e olhos verdes, usava um vestido preto bem colado no corpo, mas nos pés havia coturnos, o que eu não achava tão comum. — Não sei decifrá-la.
— Deve ser bom. — Ela deu um sorriso ladeado.
— Por quê? — Levantei uma das sobrancelhas, retribuindo o seu olhar fixo.
— É bom saber que as pessoas não conhecem o seu verdadeiro eu. — Ela me entregou a revista e deu as costas para mim, saindo da varanda.
— Ei! — eu chamei a menina, que olhou para mim por cima do ombro. — Você não me disse o seu nome.
— É só olhar na revista. Dizem que conhecemos a pessoa pela escrita, quem sabe você não descobre pela minha assinatura? — Ela deu as costas e voltou a andar para dentro da casa.

Confesso que fiquei dois dias lendo aquela revista procurando pela garota. Não sabia exatamente de onde meu interesse tinha surgido, devia ter sido pelo olhar profundo dela, era como se tivesse muita coisa, mas, ao mesmo tempo, nada, como se fosse um grande e profundo poço.
Tinha anotado alguns nomes de possíveis colunistas, até que encontrei uma crítica de . Marquei o nome da menina em vermelho e liguei para a editora, procurando por . De imediato, não queriam me passar o número dela por ter sido desligada da empresa, mas depois de insistir bastante, eu consegui.

— Alô? — uma menina atendeu no outro lado da linha, até que parecia com a voz dela.
? — perguntei, indo sentar em um dos sofás da sala.
— Com quem eu falo?
— Sabe, achei sua crítica até interessante, mas realmente muito subjetiva.
— É assim que se escreve uma crítica, .
— Você realmente se acha importante assim pra que te ligue?
— Você tem o ego tão alto quanto você? Ninguém mais me ligaria pra saber das minhas críticas, só podia ser você. Demorou dois dias pra descobrir? — Ela riu no outro lado do telefone.
— Ah, tinha bastante matéria, não tinha como saber qual área era exatamente a sua. Pelo menos eu já sei que é escritora. — Eu sorri, girando a cadeira com os pés.
— E eu sei que gosta de morenas. — Tinha certeza de que ela sorriu no outro lado do telefone.
— Possivelmente. — Houve um certo silêncio nesse momento. — Você quer sair pra almoçar qualquer dia desses?
— Qualquer dia desses não existe no meu calendário.
— Que tal sexta? — perguntei meio esperançoso.
— Meio-dia. Você me passa o nome do lugar.
— Fechado!
— Acho que você está seguindo por um caminho desconhecido com os olhos vendados, .
— Vou arriscar — respondi e ela desligou o celular, me deixando sozinho diante do escritório.
era uma menina incrível. Ela na verdade gostava de escrever poemas, mas como precisava se sustentar, arriscava um emprego nas editoras, geralmente como colunista. Ela tinha 21 anos na época, era bem nova e estava cursando Letras, porém parecia ela parecia ter uns 25 anos, provavelmente pelo modo como falava. tinha um sorriso lindo, ela tinha uma linda e perfeita harmonia com ela mesma, pelo menos era o que ela demonstrava para mim. Seu gênero musical preferido era indie, ela me conhecia devido às entrevistas e aos shows, mas nunca tinha parado realmente para escutar as músicas da banda.
Depois de alguns meses conversando, passamos a namorar. Eu tinha meus compromissos e ela tinha a redação pra dar conta, porém de vez em quando conseguíamos nos ver no almoço ou eu ia pro apartamento dela. não era uma pessoa muito calorosa, ela era bem fria e depois de alguns meses de namoro comecei a perceber que ela era uma pessoa com problemas.
? — chamei pela minha namorada, retirando o tênis, colocando-o ao lado da porta. Ela não estava na cozinha e nem na sala. Quando segui o corredor e olhei para dentro do seu escritório, vi minha namorada sentada no chão em meio há milhares de papéis amassados.
— Ah, você chegou. — Ela sorriu e deu um gole na garrafa de uísque.
— O que aconteceu? — perguntei preocupado com a situação em que ela se encontrava.
— Nada demais, só não consigo escrever uma coisa que preste. Crise. — Ela revirou os olhos bufando.
, olha o estado desse lugar! — Apontei para o cômodo que estava um caos e ela permaneceu imóvel, apenas me olhando.
— Já aconteceu outras vezes. — Ela deu de ombros e se apoiou na mesa, tentando se levantar.
— Como assim?
. Eu avisei para você que estava seguindo um caminho desconhecido. — Ela deu dois tapinhas no meu ombro e seguiu cambaleando para fora do escritório.
— Ei, espera. Você precisa de um banho. — Alcancei a menina, onde retirei a garrafa de suas mãos e passei o braço ao redor dos seus ombros para que seguisse em direção ao banheiro.
Assim que a banheira encheu, se despiu e entrou dentro da banheira. Ela permaneceu em silêncio enquanto eu lavava a sua cabeça, até que começou a falar.
— Eu saí de casa quando completei 18 anos. — Ela abraçou as pernas, apoiando o queixo nos joelhos. — Meus pais queriam que eu fosse pra área da saúde, diziam que eu teria um emprego mais estável. Na primeira oportunidade eu fui embora, não queria deixar controlarem a minha vida. Trabalhei até ano passado, foi quando consegui entrar na universidade. O problema é que a minha escrita não agrada as pessoas, como não agradava os meus pais.
Foi a primeira e única vez que realmente se abriu pra mim, conversou sobre seus problemas e o que ela estava sentindo no momento. Desse dia em diante as coisas mudaram. Eu a amava, já havia dito isso para ela, fazia de tudo para que ela fosse feliz, mas ela parecia não retribuir isso, eu não sentia isso dela. Eu gostava da companhia dela e ela da minha, mas só isso não bastava, então acabamos nos acostumando com a companhia um do outro. Tanto que eu continuei indo até a casa dela.
…? — Eu estava sentado na cama quando escutei ela sussurrar pelo meu nome com a voz pesada de sono. Já era de madrugada, eu estava com insônia. Eu olhei para a minha namorada deitada na cama, vestindo uma camisa minha e com uma calcinha de renda preta. Ela conseguia me deixar fora da caixinha, às vezes não sabia qual direção seguir. Passei a mão pelos cabelos, respirando fundo.
— Preciso ir — respondi, olhando para ela por cima do ombro.
— Mas você sempre dorme aqui. — Ela abriu os olhos, encarando-me com aqueles olhos verdes.
— Eu sei, mas…
— Por favor, não precisa ir embora. — Ela se ajoelhou na cama, vindo até mim e abraçando-me pelas costas. Senti seus beijos começarem a ser distribuídos pelo meu pescoço como provocação. Droga, ela sabia muito bem como me instigar. — Só mais uma vez… — ela sussurrou no meu ouvido.
Eu retirei seus braços do meu corpo e me levantei da cama, puxando o corpo da menina ajoelhada na cama de encontro ao meu.
Eu ainda consigo sentir como nossos corpos se encaixavam perfeitamente. Sempre que lembro das vezes que estivemos juntos, a minha nuca se arrepia. Naquele mesmo dia, durante a manhã, eu descobri o que ela achava de mim e eu percebi que era realmente tudo aquilo, afinal, ela já desconfiava. Não tinha sido nenhuma surpresa, pois nós dois já estávamos cansados.
— O que é isso? — eu perguntei, indo até a cozinha com o poema em mãos.
— Isso o quê? — ela perguntou, levantando uma das sobrancelhas enquanto fazia o café. Quando viu o título do poema, não vi nenhuma reação da parte dela.
— Um poema.
, não é só um poema. Claramente é sobre mim. — Eu coloquei a folha em cima da mesa irritado.
— Por que está transtornado desse jeito? Tem seu nome nele por acaso? — Ela cruzou os braços, encostando na pia.
, por favor, eu não estou afim dos seus joguinhos.
— Quer saber? Tudo bem. Sabe que dia eu escrevi esse poema? — Ela se aproximou da mesa e puxou a cadeira para se sentar.
— No dia em que eu saí com as meninas da faculdade. Você estava cansado e não te chamei, porém voltei pra sua casa pra ficar com você, foi quando vi você sair de carro. Achei que fosse voltar pro estúdio, mas acabou que você foi pra casa de outra pessoa que te esperava na portaria. Mas eu não te culpo, sinceramente, nosso relacionamento já estava desgastado mesmo. — Ela deu de ombros.
— Como é? — Eu levantei as sobrancelhas sem acreditar no que estava ouvindo.
. Qual é. Você sentia a mesma coisa. Se não, não teria ido atrás de outra pessoa. Eu te peguei com a boca na botija.
— O que mais me surpreende é você ter visto e não ter feito nada. Você nunca me chamou pra sair. Você e suas mentiras. Você nunca vai pra barzinho, sempre muda o rumo e dá uma desculpa. Você não me ama, se me amasse teria se importado com a traição. Se amasse, demonstraria isso, mas eu não sinto seu amor, .
— Você também não me ama, . — Ela suspirou.
— Como que não, ?
— Não teria acontecido a traição e você não estaria tão transtornado. Você ama a companhia que tem comigo, mas não me ama. Você ama o sexo comigo, mas não me ama. Você ama se torturar, por isso ainda está comigo, não consegue desaparecer. — Ela riu com deboche. Que narcisista!
— Então faz o seguinte, fica sentada aí observando enquanto eu desapareço da sua vida.
Foi exatamente isso que aconteceu. Eu simplesmente desapareci, ela também não telefonou, nós dois tínhamos egos muito grandes pra poder pedir desculpas ou tentar reatar, nosso relacionamento também não seria o mesmo. Meu coração já estava partido antes mesmo de o nosso relacionamento ter entrado em crise, tanto que soube depois, de uma das amigas dela, que ela também havia me traído. Quando li aquele poema que ela havia escrito sobre mim, havia doído, muito, porque sabia que não era de mentir nas suas escritas, nas suas escritas jamais. Será que aquele realmente era eu? Não conseguia me olhar no espelho como a mesma pessoa de antes, fazia com que a gente duvidasse da nossa própria personalidade, próprios atos, era por isso que sua escrita era tão pesada para algumas editoras. Era tão profunda e fria como ela era realmente por dentro. Com aquele poema ela conseguiu me destruir. Era por isso que tinha ficado tão incomodado com Ashton perguntando sobre a música. Eu havia escrito justamente como resposta para o poema dela, queria que ela visse como eu tinha me sentido.

FIM

 

Nota da autora: Muito obrigada por ter lido até aqui. Se quiser deixar um recadinho, ficarei muito feliz!
Para conhecer outras histórias de minha autoria, pode entrar na aba de “autoras” aqui do site e procurar pelo nome de L. Del Caro! Beijos, beijos <3