Old Me

  • Por: Vanessa Vasconcellos
  • Categoria: CALM | Especiais
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Sinopse: Após seis anos de um relacionamento cheio de desafios ela decidi que é hora de partir. Três anos depois do término eles se reencontro inesperadamente no hospital que ela começou a trabalhar há algumas semanas e são tomados por um turbilhão de sentimentos difíceis de compreender.
Ele jura que mudou. Porém, será que ela é capaz de confiar nele novamente?
Gênero: Drama, romance.
Classificação: 18 anos.
Restrição: Nenhuma.
Beta: Natasha Romanoff

 

Prólogo

Eu estava fodido.
Completamente fodido.
Mais uma vez eu havia sido inconsequente, pensado apenas depois da quantidade altíssima de álcool que eu tinha ingerido fazer efeito.
tinha razão, eu estava totalmente fora de controle.
Chutei para longe uma das muitas garrafas jogadas no chão da cobertura, tirei algumas roupas íntimas, camisinhas, bitucas de cigarro e uma quantidade enorme de saquinhos com o que parecia ser cocaína do meio do caminho. Minha tentativa era amenizar a situação antes que ela chegasse, mas nada poderia mudar a minha cagada, eu não estava presente em um dos dias mais importantes da vida dela.
Eu estava fadado a perdê-la.
Como se essa porra toda não pudesse piorar, a campainha do elevador tocou indicando que alguém estava subindo, antes mesmo que eu conseguisse pedir que os bêbados e drogados se retirassem.
Não tinha volta.
— Eu posso explicar — falei assim que vi a porta do elevador abrir.
vestia uma calça jeans despojada preta, com uma blusinha florida e um blazer preto. Presumi que ela estava de folga, devido ao jantar de ontem, por isso não vestia suas roupas mais confortáveis e também não carregava livros em seus braços.
Ela parou bem diante de mim e eu jurei que levaria um tapa bem no meio da cara, mas isso não aconteceu.
— Não quero que se explique, só vim buscar minhas coisas. — Baby andou em direção ao quarto, passando pelos corpos dormindo no chão.
Porra.
Como assim pegar as coisas dela? Senti meu coração palpitar.
— Amor, se acalma. Fala comigo — pedi enquanto a seguia.
Ao menos, não tinha ninguém no meu quarto — quase nosso — para piorar ainda mais a situação.
foi primeiro até o banheiro e começou a retirar as coisas dela e colocar em uma mala que eu nem tinha notado estar em suas mãos. Ela guardou tudo com rapidez e foi para o quarto, passando por mim sem dizer absolutamente nada.
— O que você está fazendo? — perguntei nervoso.
Meu coração palpitou ainda mais quando a vi abrir as gavetas e portas do ármario e retirar roupas e sapatos.
Tudo bem, ela só não queria mais viver na minha bagunça. Tentei me convencer disso.
— Tudo bem, você só não quer viver na minha bagunça, certo?
Escutei ela rir fraco e passar a mão no rosto assim que terminou de pegar a última peça.
estava chorando.
Eu a fiz chorar.
De novo.
— Amor, fala comigo — pedi e coloquei a mão no cabelo dela.
Um tapa atingiu minha mão na intenção de fazer com que eu me afastasse.
— Não encosta em mim. — Ela me olhou com firmeza.
Minha noiva estava irreconhecível.
Ela saiu do quarto antes que eu pudesse ter qualquer reação para dar uma resposta. A segui de volta para a sala, onde eu estava momentos antes, quando ela chegou. Algumas pessoas já tinham acordado e se retirado, outras ainda continuavam jogadas no chão como se nem estivessem vivas.
— Eu sei que fui um idiota, eu acabei me perdendo em um compromisso… — tentei me explicar.
deu uma risada carregada de ironia.
— Compromisso? — A voz dela estava trêmula e seu rosto muito vermelho. — Você chama essa merda de compromisso?
— Não fala assim — pedi com calma. — Vamos lá dentro, a gente pode conversar.
Baby apertou os olhos e vi lágrimas caírem.
— Não quero conversar, . — Seus olhos estavam vazios, de uma maneira que eu nunca tinha visto.
O que eu mais temia tinha acabado de acontecer, ela tirou a aliança. Eu não tinha reação alguma, era como se eu estivesse vendo tudo passar em câmera lenta, o toque dela na minha mão e a aliança fria sobre a minha pele.
Ela estava terminando nosso noivado.
A segurei delicadamente quando fez sinal de virar-se.
— Por favor, eu faço qualquer coisa — pedi.
, por favor, eu só quero ir embora. Não torne isso ainda mais difícil. — Sua voz era de uma frieza desconhecida por mim.
A soltei, mas ela permaneceu onde estava.
— Por favor — implorei. E eu faria isso quantas vezes fossem necessárias se isso a impedisse de me deixar.
— Eu cansei, . Eu dediquei seis anos da minha vida por um relacionamento que está fadado ao fracasso. — Baby colocou a mão no meu rosto, ela ainda chorava.
— Por favor… — pedi, mas seu toque já havia deixado minha pele.
Eu a tinha perdido, para sempre.
Porque tive que estragar tudo antes que eu realmente me conhecesse.

Capítulo único

3 anos depois…
Noah estava sendo um imbecil de novo bebendo do jeito exagerado dele mesmo depois de eu ter dito que o melhor a fazermos era ir embora. Mas, como ele não me escuta — como sempre —, aqui estávamos nós, de novo, em um pronto socorro, esperando que ele fosse atendido e medicado.
Chequei meu celular mais uma vez e me dei conta de que já estavamos há ao menos quarenta minutos esperando. Ele não estava tão mal, mas eu só queria ir para minha casa e dormir. Amanhã eu teria um bando de compromissos ao longo do dia e um maldito jantar, que Holly — minha irmã — me convenceu de ir, um encontro entre velhos amigos da época do colégio.
Bufei de frustração e cansaço e escutei meu amigo resmungar de dor, então decidi que era hora de ir atrás de alguém, não era possível que alguém no estado dele tinha que ficar horas esperando para ser atendido.
— Cara, eu vou atrás de ajuda, você vai ficar numa boa? — perguntei e me levantei já colocando meu capuz, não queria correr o risco de ser reconhecido ao andar por ai.
Ele resmungou um único “uhum” e nem me dei ao trabalho de perguntar mais nada, saí em busca de alguém que pudesse me ajudar a agilizar o atendimento dele. O hospital estava muito vazio, o que me fazia questionar ainda mais a demora no atendimento dos pacientes.
— SO 1! — Escutei uma voz de mulher gritar e senti algo se ascender em mim.
Eu conhecia aquela voz.
— Está tudo ocupado. Estamos com muitas urgências. — A voz de um cara respondeu a mulher.
Virei meu olhar devagar e a vi.
Era , ela estava bem ali.
— Tudo bem, leve-o para a emergência então — ela disse enquanto anotava algo em uma prancheta. — Vou terminar aqui e cobrir o PS. Vai ficar bem sozinho, Jhon?
O rapaz assentiu e foi embora.
Ela estava linda. Apesar de três anos terem se passado desde aquela noite, a única coisa que tinha mudado era a cor de seu cabelo, antes era todo preto e agora continha algumas mechas de um loiro puxado para o mel. Eu deveria ter cogitado que a encontraria aqui, a última notícia que tinha recbido dela era que estava indo para o seu último ano como interna.
Me virei rápido assim que a vi olhar na minha direção e meus passos foram rápidos de volta para o pronto socorro. A única coisa que eu conseguia pensar era que eu queria sair dali o mais rápido possível. Levar Noah para outro hospital, tinha muitos naquela região.
— Noah, temos que ir — falei, tentando puxar meu amigo, que parecia um saco de areia atolado.
Revirei os olhos.
— Cara, por favor — insisti, mas ele resistiu.
— Não, eu gosto desse hospital, vamos ficar aqui! — Ele cruzou os braços e me encarou.
— Cara, lembra da ? — perguntei, talvez dizer que ela trabalhava aqui me ajudaria a convencê-lo.
Ele apenas fez sinal positivo com a cabeça.
— Ela está aqui, precisamos ir embora — pedi.
? — meu amigo perguntou alto e me sentei ao lado dele, fazendo sinal para que falasse baixo.
— Fala baixo! — pedi.
— Vamos! — falei e o puxei.
Noah não queria levantar de jeito nenhum, eu sabia que precisava dar um desconto porque ele estava bêbado, mas eu estava começando a perder a minha paciência. O puxei com mais força e notei algumas pessoas me olhando, mas não me importei porque para começar eu nem deveria estar ali, já que se não fosse suas atitudes, provavelmente a esta altura já estaria deitado na minha cama dormindo.
Eu estava quase conseguindo arrastá-lo para fora, quando ele me empurrou dizendo que não queria ir a lugar nenhum e que precisava de um médico.
— Noah, por favor! — quase berrei.
— Ei! — Escutei aquela voz gritar comigo.
Merda.
E ouvi-la me chamar daquela forma me fez recobrar minha noção do quanto eu estava sendo um idiota e, pior ainda, me dando a consciência de que meus atos estavam sendo iguaiszinhos ao eu do meu passado.
E eu definitivamente não queria ter mais nenhuma ligação com ele.
— Você é alguma coisa dele? — perguntou com firmeza e pude ouvir os passos dela. — Senhor?
Encarei Noah, que parecia estar se divertindo com a bagunça que causou. E naquele momento eu confesso que até queria rir do meu amigo, das ironias da vida e mais ainda da forma como eu ainda reagia àquela mulher.
— Não, tudo bem — falei tentando disfarçar minha voz.
— Preciso que venha comigo, vou atender seu amigo — escutei ela dizer e meu coração acelerou.
Eu não podia encontrá-la. Mesmo depois de três anos eu não fazia ideia de como ia encará-la, afinal, a última vez que nos vimos foi o pior momento que eu poderia ter feito ela passar.
— Você está me ouvindo? — insistiu.
Era tudo ou nada. Eu não podia me esconder para sempre.
Me virei lentamente e abaixei o capuz. A expressão dela de choque e confusão imediata, ela estava tão estática quanto eu fiquei ao vê-la depois de todo esse tempo sem nenhuma comunicação, acho que nenhum de nós planjava um reencontro assim. Ou talvez não planejávamos sequer um reencontro.
Se é que, por parte dela, existia chance de um reencontro.
— O-o-q-u-u… — ela gaguejou e a senti recuar. — O que você está fazendo aqui?
— Ele é meu amigo, bebeu demais e não está se sentindo nadabem — expliquei sem fazer rodeios e falando rápido demais.
Meu estômago estava embrulhado e eu me encontrava em uma mistura de nervosismo e confusão ao mesmo tempo porque eu não sabia se ela se recusaria atendê-lo e chamaria outra pessoa, ou se simplesmente fingiria que nada estava acontecendo ali. Eu confesso que uma parte de mim queria que ela me chamasse para conversar ou perguntasse alguma coisa relacionada a mim, mas eu sabia que era ridículo cogitar essa possibilizade.
Conhecendo o meu eu consciente, sabia que ela agiria da forma mais profissional possível.
— Será que posso ser atendido? — Noah perguntou em um resmungo, demonstrando que claramente não estava se sentindo bem.
piscou algumas vezes e eu tinha a sensação de que ela queria chorar, o que fez meu peito doer.
— Claro, com certeza — afirmou, mudando compeltamente a postura e estendeu a mão pra ele.
Eu sabia que era um pensamento ridículo, mas me ocorreu que eu estivesse no lugar do meu amigo só para poder ter aquele tipo de contato com ela. Porém eu, toda a mídia e ela — se ainda acompanhasse algo sobre mim — sabíamos que eu havia parado de beber há exatos três anos, porque todo aquele consumo de álcool tinha me feito perder uma das pessoas mais importantes da minha vida, como eu havia mencionado diversas vezes em todas as entrevistas que dei depois daquela noite.
— Você vem? — perguntou, tirando-me dos meus pensamentos e me fazendo encará-la. — Ele tem direito a um acompanhante.
A última frase tinha deixado claro que ela só havia perguntado aquilo porque era um direito do meu amigo me ter ali e não porque ela de fato me queria perto dela. Aquilo fez meu coração se partir no meio, mas eu assenti positivamente e os acompanhei mesmo assim.
Ela o levou primeiro para passar por uma avaliação com o enfermeiro, algo que no hospital era chamado de triagem, depois o encaminharam para fazer toda a ficha e neste meio tempo se afastou dizendo que assim que tudo estivesse pronto ela seria a médica que o atenderia e eu me vi sorrindo de leve por essa notícia. Todas as minhas reações eram ridículas, porque ela claramente não sentia absolutamente mais nada por mim e eu estava me iludindo completamente.
Mas como poderia ser diferente disso para mim?
Depois que me deixou naquela noite, eu me internei em uma reabilitação, não porque queria provar algo para ela ou torná-la a razão de eu acordar para mim, até porque se fosse isso, eu teria ido atrás dela tentando provar que havia mudado. Não, eu fiz tudo aquilo porque perdê-la me mostrou que eu nem sabia mais quem eu era e que demorei tempo demais para acordar e tomar jeito na vida.
Infelizmente, minhas atitudes do passado me fizeram perdê-la. E agora eu precisava conviver com isso, mesmo nunca tendo deixado de amá-la.
— Cara, cinco minutos ao lado dela e você já voltou a ser de quatro por essa mulher — Noah disse.
Estávamos sentados na sala de espera.
— Eu nunca deixei de ser — admiti sem encará-lo.
— Você acha que ela ainda sente algo por você? — Noah perguntou e eu sabia que ele estava tocando no assunto por estar preocupado com como eu estaria me sentindo.
Noah era meu melhor amigo e tinha acompanhado como eu havia ficado no fundo do poço nos primeiros meses após me deixar e ele mais do que ninguém sabia que eu nunca havia me envolvido romanticamente com ninguém depois dela, então ele queria se centificar de que estava tudo bem comigo.
— Não, eu não acho — admiti e suspirei pesadamente. — Mas como eu poderia culpá-la? Eu também não me amaria se fosse ela.
Meu amigo ficou em silêncio e o ouvi se mexer no lugar em que estava sentado.
— Você mudou, — Noah disse e o encarei.
— Sim, mas isso não muda as merdas que eu fiz — afirmei. — Além do mais, com certeza já…
— Vamos lá, Noah! — disse e engoli em seco, com medo de que ela poderia ter ouvido que eu estava falando sobre ela.
Meu amigo se levantou com um pouco de dificuldade e eu fiz o mesmo para poder ajudá-lo, mas a mulher diante de nós deu um passo à frente e o segurou do outro lado.
— Você não precisa vir agora — ela disse firme, me fazendo constatar que havia me escutado falar. — Caso sua presença seja necessária, eu mando alguém vir chamá-lo.
Segurei a respiração para conter o nervoso e assenti concordando com o que ela havia falado, já que eu não tinha como me opor àquilo ou sequer questionar, considerando que ela era a médica ali e eu apenas o acompanhante de um paciente. Então voltei a me sentar e precisei fazer algo que eu mais odiava, esperar.

Já tinha se passado mais de uma hora e meia e ninguém havia me dado nenhuma notícia sobre Noah, então resolvi ir procurar por algo porque já estava ficando preocupado que meu amigo poderia ter piorado. Infelizmente, ele conseguia exagerar na bebida o suficiente para ter resultados bem graves no dia seguinte, como já havia acontecido outras vezes, então minha preocupação não era em vão.
Passei por alguns corredores, onde as pessoas sempre me diziam para ir a um lugar diferente e comecei a me sentir um pouco frustrado por nunca conseguir resposta de ninguém. Eu estava cansado, tomado pelo sentimento de ter reencontrado e nunca fui muito fã de hospital, mas eu não tinha como ir para casa descansar sem ao menos saber que Noah estava sendo medicado.
— Ei — falei ao passar por uma pequena sala e ver que estava ali dentro.
Ela encontrava-se sentada em uma cadeira de frente para uma mesa e parecia estar anotando algo quando interrompeu o que fazia para encarar a porta onde eu me encontrava parado.
— Desculpa te atrapalhar, é que eu estou sem noticias do Noah já tem algum tempo — expliquei meio sem jeito e ela fez sinal para que eu entrasse.
Achei aquilo um pouco estranho e por um momento que foi só algo da minha cabeça, mas adentrei mesmo assim.
— Seu amigo vai precisar ficar internado — começou a dizer. — Nós já conversamos com ele, mas ele me autorizou a discutir todos os termos médicos com você.
Assenti positivamente para que ela continuasse falando.
— Não estou surpresa — as palavras saíram da boca dela de forma rápida e a vi morder o lábio com força.
Eu sabia o que ela queria dizer com aquilo, mas preferi não dizer nada e me mantive em silêncio.
— Desculpa, isso foi totalmente inapropriado da minha parte — disse e sorriu de leve.
Merda.
Eu precisava me controlar, mas a minha vontade era de agarrá-la ali mesmo.
— Tudo bem — respondi finalmente.
— Algumas coisas sérias deram alterações — explicou. — E depois que o consultei, ele começou a passar mal e precisamos sedá-lo.
Apertei os olhos e passei a mão pelos cabelos. Noah era meu melhor amigo, sabia disso e era difícil para mim vê-lo daquela forma.
— Sinto muito, — ela disse calma e se aproximou, colocando uma mão sobre meus braços que estavam cruzados de frente para o meu corpo.
Nossos olhos se encontraram naquele momento e eu pude sentir o peso do ar mudar completamente à nossa volta. Eu estava segurando minha respiração, enquanto me encarava com aqueles olhos tão cheios de expressão, me fazendo ter a sensação de que aquela ela a primeira vez que ela me olhava daquela forma desde que havíamos nos visto.
Aquela mulher estava me olhando exatamente como eu costumava me lembrar, da mesma forma que sempre fazia quando estávamos em alguma situação delicada. Sua mão ainda se encontrava meu meus braços, suas bochechas estavam levemente rosadas e seus lábios avermelhados em um tom natural tremiam levemente. Provavelmente, ela estava tão nervosa com aquela situação quanto eu.
… — o nome dela saiu dos meus lábios como um sussurro de forma involuntária.
— Eu sei, — ela disse e sorriu de canto, me fazendo notar que uma lágrima havia caído no canto de seu rosto. — Eu também.
Apertei meus olhos e levei uma mão até o rosto dela para limpar aquela lágrima e a escutei respirar fundo. E naquele momento eu tive certeza de que aquela mulher ainda me amava e meu coração se partiu pela segunda vez naquela noite, de culpa e dor por saber que, apesar de todos os meus erros, ela ainda nutria algum tipo de sentimento por mim.
Me afastei dela sorrindo de leve e a vi franzir o cenho, quase como se minha atitude a tivesse machucado.
— Tem mais alguma coisa sobre Noah que precisamos discutir? — perguntei firme.
Eu não queria machucá-la, mas sabia que precisava ficar longe de e protegê-la da possibilidade de machucá-la de novo.
— Não, só isso. — Seu tom de voz agora era mais firme.
— Tudo bem, então — falei, tentando manter a conversa o mais normal possível. — Eu vou para casa porque preciso tomar um banho e descansar.
apenas assentiu e me virei para sair dali.
? — ela me chamou, fazendo com que eu me virasse.
, eu estou fazendo isso para protegê-la — falei, antes que ela dissesse mais alguma coisa. — Só quero que saiba disso.

† †
Abri os olhos pela manhã tendo certeza de que o que havia acontecido na noite interior foi um sonho, porém eu soube que não quando vi uma mensagem da mãe de Noah no meu celular pedindo que eu ligasse para ela e desse boas explicações de exatamente o que tinha acontecido com ele. Minha cabeça estava explodindo, meu corpo doendo e para piorar eu ainda precisava lidar com tudo isso e as notícias que eu tinha certeza que haviam vazado na imprensa.
Mesmo sabendo que eu não deveria, cancelar todos os meus compromissos era a única coisa sensata que eu poderia fazer, então liguei para o meu empresário — que me atendeu puto — e pedi que ele cancelasse tudo, recebendo a resposta de que ele obviamente já havia feito isso e que quando chegasse de viagem na segunda-feira iríamos conversar.
Tomei um banho bem quente e demorado, porque queria me convencer de que isso me ajudaria a relaxar, mas a verdade é que só me fez ficar rodeado em pensamentos relacionados aos meus problemas e também a que não saía mais da minha cabeça. Eu tinha passado os últimos anos me convencendo de que jamais a veria de novo, de que ela estaria casada e que eu teria que dar a chance de me relacionar com outra pessoa. E encontrá-la na noite anterior só reafirmou que eu jamais poderia amar alguém que não fosse ela.
era a dona do meu coração e nada poderia mudar isso.
Levei exatamente o tempo de trinta minutos para chegar ao hospital e, assim que estacionei meu carro, dei de cara com uma porção de repórteres parados na frente, já me abordando e fazendo perguntas sobre o que tinha acontecido e se eu teria voltado a ser aquele cara de três anos atrás. Ignorei todos eles e passei rapidamente, indo em direção à entrada do lugar, e fui até a recepção, onde a moça me passou as informações e peguei o elevador até o andar em que Noah se encontrava.
— Eu sabia que você seria uma ruína para o meu filho — a mãe de Noah disse assim que adentrei o quarto.
Meu amigo encontrava-se dormindo.
— Nós estávamos em uma festa e meu filho não é assim — ela disse firme. — Isso é tudo culpa sua. Conheço muito bem rapazes como você. Fingem que mudaram para agradar o público, mas a verdade sempre aparece.
Engoli em seco com as palavras dela, me perguntando se era mesmo aquilo que as pessoas pensavam sobre mim.
— Saia daqui! — a mulher gritou.
Nesse momento, adentrou o quarto com uma expressão nada amigável.
— O que está acontecendo aqui? — perguntou visivelmente irritada, mas sem alterar o tom de voz.
— Eu não quero este rapaz aqui — Eliza, a mãe de Noah, disse firme.
Me afastei e saí do quarto antes memo que ela falasse mais alguma coisa. Eu não queria causar nenhum problema para ela e por um momento senti como se eu fosse vomitar de tanto nervoso que estava sentindo. Normalmente eu sabia lidar com coisas assim, mas fazia tanto tempo que tudo na minha vida estava tão calmo que eu senti como se estivesse voltando ao meu passado, onde eu vivia fazendo merdas como essa sem me importar com as consequências.
Me recostei na parede do lado de fora e fechei meus olhos tentando acalmar minha respiração, com as palavras dela ainda ressoando em meus pensamentos. Pior do que ela, ou qualqer outra pessoa pensar que eu tinha fingido a minha mudança nos últimos anos, era a ideia de por algum momento pensar que foi tudo mentira da minha parte.
O que estava acontecendo comigo? Eu estava surtando por dentro, de uma forma que nunca tinha acontecido antes.
? — Escutei uma voz de longe me chamar e tentei abrir meus olhos.
Minha cabeça estava doendo e por um momento jurei que fosse desmaiar ali mesmo.
, você está se sentindo bem? — Uma mão tocou meu braço com leveza e abri meus olhos, encontrando os de , que me encarava com uma expressão preocupada.
Ri fracamente e assenti.
— Você está pálido, vem — disse pegando minha mão e me movi, seguindo-a.
Eu não fazia ideia de onde estávamos indo, mas qualquer lugar era melhor do que onde eu me encontrava agora. Ela ainda segurava minha mão enquanto me guiava por entre os corredores, como se aquilo não fosse a coisa mais estranha que poderia estar acontecendo entre nós naquele momento, mas uma parte de mim preferiu aproveitar daquele toque mesmo sabendo que não era certo.
Ela me puxou para dentro de uma pequena sala e fechou a porta atrás de nós, acendendo a luz logo em seguida e fez sinal para que eu me sentasse na maca que tinha ali. Eu não sabia o que dizer e eu senti que o mesmo parecia estar acontecendo com ela e permanecemos em silêncio enquanto pegava se estétoscopio e levava até meu peito enquanto checava a contagem em seu relógio.
Ela estava me examinando e totalmente concentrada no que fazia.
— Não sei o que aconteceu — admiti um pouco envergonhado.
terminou o que estava fazendo e me encarou.
— Você teve um ataque de pânico — explicou. — É bem comum, ainda mais considerando a quantidade de repórteres e a situação do seu amigo.
Assenti concordando.
— O que ela disse… — falei baixo. — Só não quero descobrir que todos pensam como ela.
— Tenho certeza que ninguém pensa assim — afirmou com um sorriso de canto. — Eu não penso.
Sorri ao ouvir aquelas palavras e a fiquei encarando. estava muito bonita, apesar de estar usando um pijama cirúrgico, com a expressão de quem havia passado a noite toda trabalhando e com os cabelos presos de qualquer jeito. Isso quase me fazia lembrar de quando acordávamos juntos em uma manhã qualquer em que não teríamos compromisso algum, onde ela estava com a cabeça sobre o meu peito.
Era impossível não sentir saudade daqueles momentos.
— O Noah disse que quer ser transferido de hospital — disse, quase me fazendo notar uma tristeza em sua voz.
Aquilo era novo para mim, já que não esperava por isso.
— Ele disse que vai ser melhor para ele… — explicou. — E para você também.
Eu sabia que esse era o nível de fidelidade que meu amigo tinha à nosssa amizade, mas eu não poderia permitir que ele trocasse para outro hospital — quando tinha bons atendimentos aqui — só por minha causa. aparentemente estava de volta à minha vida e eu precisaria aprender a lidar com a presença dela, mesmo sem poder tê-la nela como gostaria.
— Eu não vou deixar ele fazer isso — respondi prontamente. — Somos adultos e eu preciso entender que você é a médica dele.
sorriu com a minha resposta.
— Não sou bem a médica dele — respondeu rindo. — Eu sou nova no hospital, voltei para a cidade tem algumas semanas.
Isso fazia sentido de alguma forma, considerando que eu nunca a tinha encontrado nos anos que passei sem ter notícias dela. E eu esperava tê-la visto alguma vez, já que tinhamos um grupo de amigos em comum… e pensando nisso, eu concluí pela primeira vez que tinha a possibilidde de ela estar no jantar que Holly estava organizando.
— Você tem falado com a Holly? — perguntei.
Minha irmã nunca me falou nada, mas eu sabia como elas eram amigas. Mesmo depois do fim do nosso relacionamento.
— Sim — respondeu prontamente. — Ela me chamou para o jantar, se é isso que quer saber.
— Eu não preciso ir, se você não quiser — disse, mesmo sabendo que no fundo queria ir só para vê-la de novo.
— Você acabou de dizer que somos adultos — rebateu. — Então acho que essa decisão cabe só a você. Holly já tinha me avisado que possivelmente você estaria lá e eu disse que iria mesmo assim, pois nossa amizade vem em primeiro lugar.
Afirmei positivamente.
— Quais eram as chances de eu vir parar aqui? — perguntei retoricamente.
— Destino, talvez — respondeu rindo.
Ri fraco ao pensar que ela sempre acreditou naquelas coisas e que eu na maioria das vezes dizia ser bobagem, mas que agora estava começando a acreditar também.
— Bom, acho que te vejo no jantar. Então? — perguntei, já me levantando. — Estou me sentindo melhor, obrigado.
assentiu e abriu a porta.
— Até logo, — ela disse e sorriu levemente.
— Até, — falei e saí sem olhar para trás.

Eu tinha passado o dia todo pensando sobre o jantar e cheguei a quase enlouquecer de tanta ansiedade, então quando o despertador marcou exatamente 7h40pm eu saí de casa para ir em direção ao apartamento da minha irmã. Minhas mãos estavam suando frio enquanto eu apertava o volante do carro com força, tentando ao máximo que podia controlar toda a agitação presente em meu corpo, mas era difícil fazer isso sabendo que passaria o restante da noite em contado direto com .
A forma como eu amava aquela mulher era uma coisa enloquecedora, como uma droga que eu não conseguia me livrar mesmo após três anos. Eu queria tê-la como antigamente de novo e eu quase conseguia sentir seu cheiro no ambiente ao pensar nisso, porém eu sabia que não era certo ou saudável, para ela… para nós. Eu e nunca seríamos um casal fadado a dar certo, por mais que eu odiasse admitir isso, era a dura verdade.
Joguei todos os pensamentos para o limbo no fundo da minha mente e desci do carro após estacionar de frente para a casa de Holly. O lugar era bonito, com bastante árvores à volta e só algumas casas próximas da dela, que dava um ar muito reservado e tranquilo para a vizinhança, e comecei a cogitar que a ideia dela de que eu deveria comprar uma casa ali era boa.
Nem toquei a campainha, apenas adentrei — como sempre fazia — e fui tomado pelo som baixo de uma música que eu gostava muito e pensei em como ligava aquela canção ao meu relacionamento com . Ri fracamente e coloquei as mãos nos bolsos da calça enquanto adentrava cada vez mais o lugar, até chegar à enorme sala de jantar que tinha ali, onde alguns velhos amigos já estavam reunidos.
— Você veio — Holly disse ao me ver e caminhou até mim, me abraçando.
— Fala baixinha — falei, abraçando-a e dei um beijo no topo de sua cabeça.
Minha irmã era bem mais baixa do que eu e isso facilitava o gesto carinhoso que eu sempre tinha com ela.
— Fico feliz que veio. — Apenas sorri com o que ela disse e a soltei para poder cumprimentar as outras pessoas presentes.
Primeiro fiz um toque de mãos com Carter, um velho amigo do colégico que eu não via há algum tempo e que sabia apenas estar se dando muito bem no ramo do futebol americano. Depois segui em direção a mais duas velhas amigas e as abracei enquanto trocamos algumas poucas palavras sobre como todos nós havíamos mudado muito e, então, meu olhar seguiu para a varanda ao lado de fora, onde vi uma mulher sozinha apoiada no parapeito.
Ela usava um vestido preto todo aberto nas costas e seu cabelo estava solto, mas colocado todo para um lado só. Engoli em seco ao me dar conta de quem era e caminhei tranquilamente — da melhor forma que pude — até lá enquanto entava controlar todos os pensamentos que percorriam a minha mente naquele momento, porque nenhum deles era exatamente apropriado.
Ela se virou antes que eu chegasse lá e sorriu ao me ver.
— Oi — foi tudo que consegui dizer.
— Oi — ela respondeu e riu fraco. — Você está muito bonito.
Caralho.
Ela não podia me falar aquelas coisas, ou eu não conseguiria me controlar por muito tempo.
— Você ainda tem o mesmo jeitinho, disse e arregalei o olhar.
— Por que diz isso? — perguntei curioso.
— Porque você reage exatamente da mesma forma quando eu te elogio — disse na lata.
Desviei o olhar tentando espantar o que havia se passado na minha mente naquele momento.
— Vejo que tomou sua decisão — ela disse e voltei a olhá-la, pois aquilo tinha chamado minha atenção.
Ela estava se referindo à nossa conversa de mais cedo quando disse que cabia a mim decidir se deveria vir ao jantar e me perguntei se ela esperava que eu decidisse estar ali perto dela. E infelizmente, mais uma vez, eu estava ali me iludindo com a possibilidade de ela me querer por perto tanto quanto eu a queria.
— Todo mundo está tão diferente — ela mudou de assunto, já que eu não havia respondido nada.
— É, parece que sim — respondi simplesmente.
Era incrível como eu perdia minha total capacidade de raciocinar quando estava ao lado dela.
— Você vai ficar só concordando comigo, ? — perguntou, me fazendo lembrar que por trás daquele jeito dela quietinha, também existia um que gostava de confrontar as pessoas.
Ri fazendo um aceno de cabeça e passei a mão pelos cabelos de forma nervosa.
— O que você quer que eu faça, ? — perguntei encarando-a e dei um passo em sua direção.
Meus movimentos ali estavam sendo tomados por total impulso, mas que se foda. Eu só queria aproveitar o pouco de tempo que tinha ali com ela, afinal, tinha certeza que esse tipo de encontro entre nós passaria a ser cada vez menor com o tempo.
Ela deu um passo na minha direção e levantou a cabeça para me encarar nos olhos.
Porra, eu estava a ponto de agarrar aquela mulher e fazer coisas que nem deveria estar pensando ali mesmo, na frente de todas as aquelas pessoas sem sequer me importar com a presença delas.
— Você deveria saber o que quer, — ela disse me chamando pelo meu sobrenome ao mesmo tempo que deu um tapinha no meu peito e passou por mim, saindo dali.
Me virei para vê-la e mordi o lábio enquanto passava meus olhos pelo seu corpo, mas desviei meu olhar antes que começasse a pensar nela em cima de mim como costumava acontecer sempre que estávamos juntos.
— Você vem? — Holly perguntou, me trazendo de volta à vida.
— Onde? — Fiz uma careta de confusão.
, você ta parecendo um adolescente — minha irmã disse rindo.
— Cala a boca — falei rindo. — Vamos logo.
— Você nem sabe onde está indo — ela disse rindo.
Passei meu braço em volta do ombro dela e gargalhei concordando.
— Que diferença faz? — perguntei. — Vou encontrá-la de qualquer forma.
Holly concordou com um aceno de cabeça enquanto ainda ria e fomos desse jeito até a cozinha, onde eu a ajudei a pegar as últimas coisas para colocar em cima da mesa de jantar em que o pessoal já estava reunido conversando. E até eu terminar de arrumar tudo nem tinha me dado conta de que mais cinco amigos da época do colégico tinham chegado. Aproveitei para cumprimentar todos antes de me sentar na única cadeira vaga que tinha na mesa.
E o lugar era bem ao lado de .
Dei um gole no copo de bebida que estava na minha mão e o coloquei do meu lado, vendo que ela me lançou um olhar que logo reconheci como repreensão e me perguntei o que tinha mudado desde os poucos minutos que havíamos conversado. Fiquei com isso na cabeça conforme o tempo corria durante o jantar e todos conversavam empolgados, diminuindo cada vez a minha vontade de falar sobre algo.
Como eu captava cada coisa ali, pude perceber que ela já estava no terceiro copo de caipirinha — fora as dose de tequila — e senti uma preocupação crescer dentro de mim por saber como ela era fraca para bebida. Porém eu não queria dar uma de controlador e dizer a ela que deveria pegar leve, eu nunca tinha feito isso durante o nosso relacionamento e não seria agora que teria uma atitude invasiva como essa.
Me propus a tirar todas as coisas da mesa — já que a maioria ali estava bêbado — e aproveitei aquele momento para ficar um pouco sozinho. Enquanto eu separava tudo, ia e vinha entre a sala de jantar e a cozinha, não conseguia deixar de pensar em como tinha mudado da água para o vinho comigo e o que eu poderia ter feito para tal atitude dela.
Talvez fosse só ela se dando conta de que era melhor manter distância.
Depois de terminar tudo, fui em direção à sala de jogos e vi que ela não se encontrava ali, então saí antes que todos percebessem minha presença e em um instinto subi as escadas, indo ao terceiro andar da casa, onde ficava uma área mais aberta. Não precisei nem andar muito pelo espaço para encontrá-la sentada em um dos estofados na varanda, com seu copo na mão e olhando para o nada de forma pensativa.
— Não vai jogar com o restante do pessoal? — perguntei ao me aproximar e caminhei até o parapeito.
A escutei rir fracamente e constatei que ela já estava levemente alterada.
— Por que você não está? — perguntou em um tom inquisidor.
— Bom, porque vim te procurar — admiti.
Não queria mentir para ela sobre como estava me sentindo e essa era a verdade. Eu não estava jogando porque não a vi na sala e decidi procurá-la.
— Obrigada pela honestidade, por hora — disse e arqueei minha sobrancelha ao encará-la.
— Aconteceu algo que não estou sabendo? — perguntei confuso.
riu e levantou-se de onde estava, já caminhando em minha direção como quem estava irritada. Ela colocou sua taça sobe o parapeito ao nosso lado, já que ele era largo, e me encarou como se esperasse uma resposta de mim, mas eu só conseguia encarar aqueles olhos profundos e seus lábios carnudos que encontravam-se trêmulos.
A vi abrir a boca para dizer algo, mas ela parou quando perdeu o equilibrio e precisei levar minha mão até sua cintura para segurá-la.
— Baby, se você não me dizer o que é, eu não tenho como resolver — falei calmo.
Ela engoliu em seco devido à forma como eu a havia chamado e vi seus olhos encherem de lágrimas.
, eu não quero te fazer sofrer de novo… — admiti. — Mas eu realmente não sei o que está acontecendo.
— Achei que você tinha mudado — disse quase para si mesma e senti meu coração disparar. — E aí você senta bem ao meu lado com aquele copo de vodka…
Franzi o cenho confuso e tirei minha mão de sua cintura — o que gerou um grunhido dela — e me lembrei do meu copo de água. Aquilo por um momento me fez sentir uma certa felicidade por sua preocupação comigo, mas passou logo e transformou-se em dor no meu peito ao pensar que eu a tinha traumatizado daquela forma.
— Era água — falei simplesmente e aproximei meu rosto ao dela. — Eu sei que não tenho muito crédio com você, mas não mentiria para você sobre isso.
A mulher me encarou e em seguida se afastou um pouco.
— Desculpa… — ela disse baixo. — Eu nem tenho o direito de te cobrar dessa forma.
Fiquei encarando-a, porque eu não sabia exatamente o que dizer diante daquela situação. Ambos estávamos rendidos àquele momento e a todo sentimento que existia entre nós mesmo depois de três anos sem nem sequer nos vermos, e eu tinha medo de dizer algo e estragar ainda mais as coisas.
— Eu não esperava esse reencontro, entende? — disse de forma retórica. — E eu esperava menos ainda reagir dessa forma.
Olhei um pouco confuso, porque não tinha ideia do que “essa forma” queria dizer e a vi caminhar para a parte de dentro.
? — a chamei.
— Qual foi o dia mais feliz da sua vida? — ela perguntou e franzi o cenho em confusão.
Aquela conversa estava ficando cada vez mais estranha e eu já estava me perdendo em meio aos assuntos, tentando entender aonde ela queria chegar.
— Você ainda lembra do nosso noivado? — perguntou e virou para me encarar. — Digo, do dia que noivamos.
E naquele momento meu coração foi quebrado em mil pedaços, ao me dar conta de que ela estava querendo me dizer que o dia mais feliz de sua vida foi o em que noivamos e esperava que fosse o meu.
— Claro que eu lembro, — respondi e me aproximei dela. — Me pergunto se você quer que eu toque em você, tanto quanto eu quero te tocar.
— Como eu sempre quis — ela afirmou e se aproximou ainda mais de mim.
Apertei meus olhos enquanto a encarava e a vi morder os lábios.
— Eu sei que vou me arrepender disso, mas que se foda — falei e puxei o corpo dela contra o meu, já colando nossos lábios.
Levei minha mão até seus cabelos, entrelaçando meus dedos ali e a senti levar as suas até as minhas costas por dentro da minha blusa, onde ela cravou as unhas na minha pele conforme eu a empurrava em direção à parede. Todos os meus movimentos estavam sendo controlados pelo maldito impulso que me era causado sempre que eu estava com aquela mulher e aumentei o ritmo do beijo entre nós conforme eu pressionava meu corpo contra o dela.
dava leves arranhadas na minha pele, o que me arrancou leves gemidos e pressionei minha cintura contra a dela, que grunhiu entre os meus lábios. Eu já estava mais duro que uma pedra, pronto para qualquer coisa que ela quisesse fazer comigo quando senti algo molhado contra o meu rosto e me dei conta de que ela estava chorando e isso fez com que eu me afastasse imediadamente.
E da mesma forma que nossos corpos se atraíram como um imã, eles se afastaram como se não pertencessem mais um ao outro.
— Desculpa… — ela disse ao me ver virar de costas.
Respirei fundo, tentando segurar tudo que estava sentindo, mas era muito mais difícil dessa vez, porque o toque dela tinha me feito experimentar algo que eu vinha esperando por tanto tempo.
E eu fui arrastado por aquelas ondas de sentimentos como se estivesse naufragando no mar aberto em meio a uma tempestade.
— Você não tem que me pedir desculpas — falei, me virando para ela.
— Eu quero isso — disse, apontando para nós.
Arregalei os olhos um pouco surpreso.
— Podemos ir para outro lugar? — ela perguntou, mais uma fez me pegando de surpresa.
— Para onde você quer ir? — questionei.
— Você sabe onde — rebateu.
Ri fracamente por ter certeza de que era uma péssima ideia.
— Isso é uma péssima ideia — falei rindo.
— Por favor — ela pediu e sorriu fracamente.
Passei a mão pelos cabelos e assenti positivamente.
— Você precisa saber que não vai acontecer nada, — afirmei. — Não posso fazer isso com você desse jeito.
Ela apenas assentiu e começou a andar em direção às escadas, demonstrando que entendia o que eu queria dizer, mas que não concordava.

Acendi as luzes do apartamento enquanto ela observava o ambiente e de uma certa forma o explorava parecendo tomar nota de cada detalhe daquele lugar. A decoração tinha um pouco da minha personalidade e até mesmo algumas que envolviam os gostos dela, já que tínhamos bastante coisas em comum e eu ainda morava no mesmo lugar que praticamente dividi com ela enquanto ainda éramos noivos.
Ela parecia um pouco surpresa com o fato de eu ter decidido continuar ali e apenas sorriu para mim quando meu olhar caiu sobre ela e continuou andando e olhando para todo lado. A ter ali me trazia tantas memórias que eram quase palpáveis para mim, eu conseguia pensar em todos os momentos que tínhamos vivido naquele apartamento e eu odiava me dar conta de que tínhamos tantos que eram tristes.
— Você quer beber algo? — perguntei, tentando quebrar o gelo.
— Água? — sugeriu, me fazendo rir e afirmei com a cabeça.
A deixei na sala de estar e fui até a cozinha pegar água, onde aproveitei para tomar um pouco também e quanto voltei ela já não estava mais lá. De primeiro momento, achei que tudo que tinha acontecido essa noite não tinha se passado de uma alucinação minha e depois comecei a sentir uma leve ansiedade ao cogitar que ela poderia ter concluido que era uma má ideia estar ali e ter ido embora.
A voz dela vinda da varanda fez com quem eu me acalmasse.
— Eu tinha me esquecido o quanto você gosta de varandas — comentei ao entregar o copo a ela.
— Hm — resmungou rindo e bebericou o líquido. — Eu ainda me lembro que disse que esse seria o apartamento perfeito por essa bela varanda espaçosa e a vista privilegiada da cidade de Nova Iorque.
Ri fracamente, concordando com um maneio de cabeça.
— Fico feliz que ainda more aqui — ela comentou e sorriu levemente.
— É, pareceu o certo a se fazer. — Sorri para ela de forma sincera, porque o fato de te sido algo escolhido por ela foi um motivos da minha escolha de ficar até hoje.
— Então… — ela começou a dizer e sentou-se em uma das cadeiras que tinha ali. — Você parou mesmo de beber.
Eu não esperava que ela ia tocar naquele assunto e isso me fez perceber que ela sabia vagamente sobre o assunto pela forma de falar.
— Sim, estou limpo há três anos — expliquei. — No início, precisei de uma reabilitação, mas agora tudo é mais fácil e parece mais claro.
— Eu fico feliz — disse e bebeu mais um pouco da água. — Contudo, eu confesso que gostaria que isso tivesse acontecido antes.
Engoli em seco e senti o peso de suas palavras me atingirem como um soco, porque eu também desejei ao longo desses anos que tivesse reconhecido meus erros antes disso. Talvez se eu tivesse feito, ainda teria alguma chance para nós.
— Com chegamos aqui, ? — ela perguntou enquanto colocava o copo sobre a mesa de centro e virou para me encarar.
Eu, que ainda estava em pé, decidi que era hora de sentar.
— Bom, eu tive que estragar tudo antes que eu realmente me conhecesse — falei com sinceridade. — E todos os erros que eu cometi foram o preço que eu paguei.
me encarou tomando nota de tudo que falei e inesperadamente levantou de onde estava e caminhou na minha direção. Eu não sabia exatamente o que fazer e esperar dela, e em um gesto rápido ela se sentou ao meu lado e colocou sua cabeça em meu peito como costumava fazer no passado, fazendo com que eu passasse meu lado por ela, colocando-o na lateral de seu corpo e a puxasse contra mim.
— Me diz que podemos ficar aqui o tempo que for necessário — disse e isso me fez prender a respiração. — Só quero aproveitar enquanto isso ainda não afundou. Porque eu quero acreditar que todas as vezes que nos reencontrarmos será assim, porque isso é tudo que podemos ter, já que estaremos sempre fadados ao fracasso.
Tentei sorrir com suas palavras, mas lágrimas de arrependimento se formaram em meus olhos.
— Tudo bem, baby — falei e a apertei contra o meu corpo.
E nós ficamos ali tempo suficiente para eu compreender que eu a tinha perdido devido a todos os erros que comedi, me provando ser o preço mais alto que já paguei.

FIM

Nota da autora: Oi, amores, tudo bem?
Bom, primeiro eu quero agradecer a quem chegou até aqui. Eu escrevi essa short bem rapidinho e usei um plot que eu já tinha pronto há algum tempo, então espero que tenham gostado e se apaixonado com a tensão desse casal tanto quanto eu.
E falando em tensão, aposto que quiseram me matar por ter usado esse casalzão Machine Gun Kelly e Megan fox sem ter feito uma restrita HAHAHAHAHAHAHAHA. Porém, eu prometo que vai ter continuação — talvez até uma long — e aí teremos a tão esperada restrita entre eles e muito mais explicação de como ficaram esses coraçãozinhos.
Então, não esquece de comentar me falando o que acharam e espero ver vocês em breve.

Com amor,
Vanessa <3