Famous

Sinopse: Depois do sucesso irrefreável, após a West Coast ser formada, se tornou inegável que Noah Evans começou a se envolver em várias polêmicas com paparazzi, bebidas e saídas com mulheres diferentes a cada final de semana.
A vida como um astro do pop nunca foi tão extraordinária, até encontrar com Cecília, uma garota que odeia holofotes e qualquer coisa que não fosse sua cama e seus livros.
No árdua linha tênue entre amor e amizade criada entre eles, ambos entram em um conflito interno para escolher entre o certo e o errado. Noah mostrará o mundo a Ceci onde os flashes não podem chegar.
Gênero: Romance.
Classificação: +18 anos.
Restrição: Contém palavras de baixo calão e cenas de sexo explícito.
Beta: Olívia W.Z.

Capítulos:

 

Prefácio.

Fama.

Todos veem a fama como um troféu a ser ganhado, na esperança de que ela traga somente as coisas boas da vida, como fãs, carros, dinheiro e uma vida socialmente ativa. Contudo, a fama não é somente dádivas. Ela é, sobretudo, destrutiva e corrosiva. A fama te dá todos os bens materiais que você um dia sonhou ter, mas toma tudo o que você mais sonhou e almejou durante sua vida inteira; a liberdade.
Aos dezoito anos, com planos inimagináveis, me mudei para Londres a fim de ter a liberdade sonhada, conquistar meus sonhos e junto com eles, a felicidade. Eu pretendia encontrar tudo o que planejei durante anos, mas o destino é um cara do contra. O destino é, sobretudo, inusitado. Infelizmente, você não pode planejar seu futuro a risca, porque ele é uma caixinha de surpresas prestes a explodir em direções completamente diferentes.
Ao chegar a Londres, eu não imaginava tudo o que ela me traria. Agora, quase formada em arquitetura, planejando viajar o mundo nas férias do trabalho e escolhendo o vestido de formatura, o destino me trouxe alguém imprevisível. .
é o maior exemplo de fama destrutiva e liberdade erradicada. Na frente das câmeras, é obrigado a ser um cara perfeito e livre de defeitos, mas por trás delas é o total oposto. é as duas faces da fama, mas, acima de tudo isso, é o cara que roubou meu coração.
Quando eu o conheci, todos os meus planos foram por água abaixo. As calmarias se tornaram tempestades, o sol se tornou neve e tudo se tornou uma confusão profunda. Minha vida e meus planos já não eram mais os mesmos. E eu, amante do controle, não poderia estar mais grata às cores infinitas que ele trouxe consigo.

 

01.

Há duas coisas que você precisa saber sobre Hannah Carter, minha colega de apartamento e melhor amiga desde que Londres se tornou, oficialmente, meu lar. A primeira é que ela é a pessoa mais persuasiva do mundo inteiro, me arrastando para qualquer lugar que não fosse nosso apartamento ou a biblioteca da faculdade e a segunda é que as festas são sua primeira casa, ou melhor, ela vive mais em festas que em nosso próprio apartamento.
Em seus vinte e quatro anos recém completos, Hannah queria comemorá-los como se não houvesse amanhã, porque estamos em seu penúltimo semestre na faculdade, ou seja, ano que vem ela não estará mais comemorando seu aniversário na faculdade. Ela usou quinze motivos persuasivos para me tirar da minha zona de conforto e trazer até uma boate. Em suas palavras, a melhor boate de Londres, embora, em minha opinião, um pub seria melhor, porque não pegaríamos uma fila interminável, nem ficaríamos espremidas como sardinhas enlatadas em meio a tantas pessoas.
O rock pesado que toca no som carro quase explode meus ouvidos com a altura que Hannah ligou quando saímos do apartamento, mas ela, em nenhuma circunstância, abaixava o volume. Parte de mim deveria estar acostumada com essa situação por estar vivendo tantos anos embaixo do mesmo teto, mas eu simplesmente não consigo. Meus ouvidos estão começando a zumbir e o caminho até a boate parece ter se estendido drasticamente.
A música alta da boate mais próxima faz as janelas do carro vibrarem freneticamente e se mistura ao som do rock pesado, fazendo uma junção nada agradável e de difícil compreensão. Hannah para o carro mais próximo possível do local, mas, como consequência do alto número de pessoas e de carros estacionados, o carro de Hannah fica um pouco mais distante que o esperado e planejado.
“Isso está uma loucura!” exclamo atônita ao observar o fluxo de pessoas caminhando na calçada e o número de carros estacionados. Abro a porta do carro em uma rapidez desconhecida, enquanto Hannah desliga o som e pula na calçada com suas botas pretas e inseparáveis de cano alto.
Fecho a porta do carro brutalmente, mesmo sabendo que Hannah não irá sentir a força que estou exercendo para fechá-la, embora desejo que sinta. Mal consigo ficar em pé nos saltos que ela me emprestou. Sinto que irei cair a qualquer momento, e, contando com o fato de que mal sei caminhar com eles, apenas piora a situação em que me encontro.
Há inúmeras lojas e bares no caminho. Letreiros luminosos e postes com as luzes amareladas iluminam as calçadas durante a caminhada longa dos quarteirões em que passamos, ao mesmo tempo em que observo pessoas de vários estilos passando ao meu lado no trajeto até a entrada e nenhuma delas se parece comigo.
O tamanho da fila é assustador. Talvez seja a hora de reconsiderar nossa entrada; um barzinho e algumas doses de tequila cairiam bem neste momento, mas os planos de Hannah não se parecem muito com ‘reconsiderar a nossa entrada’, porque, mesmo com a fila interminável, ela caminha animadamente até a porta da entrada.
Algumas pessoas cumprimentam Hannah à medida que encostamos à entrada e eu me questiono se é essa a boate que ela vivia enaltecendo desde o mês passado, quando Matt a apresentou. Ambos tentaram me arrastar até ela, mas meu foco nas provas e trabalhos da faculdade era maior. Até esta noite, no entanto.
“Vamos para casa, Hannah!” imploro quando chegamos próximo à entrada enorme da boate.
Gosto da imagem que se reflete através do espelho; uma versão mais bonita e ousada de mim que eu gostaria de explorar mais vezes. No entanto, sair não é bem o que eu gosto de fazer. A quantidade de pessoas é um pouco intimidador para mim e eu tento ignorar o fato. Um filme qualquer e uma pizza deliciosa seriam suficientes para me divertir em um aniversário.
Vejo o letreiro da boate oscilando entre azul e rosa neon irrefreávelmente, iluminando precariamente a calçada e as primeiras pessoas na fila. Há dois seguranças de terno na entrada, impedindo as pessoas de passarem e pegando somente as pessoas que têm o nome na lista ou ticket.
“E perder a melhor parte?” abre um sorriso enorme e completa, por fim: “Não mesmo, !” aumenta o tom de voz por estarmos cada vez mais perto da música alta “Faz isso ao menos uma vez na vida!” tento sorrir e espantar meu desconforto. Sei que ela está certa, mas não quero dar o braço a torcer, principalmente porque tenho aula amanhã cedo.
“Desculpe, garotas, mas a boate está reservada esta noite.” o homem gigante de terno a nossa frente fala quando tentamos cortar a fila. Há algumas pessoas inconformadas nela, porque não conseguem entrar também. Apesar da música alta, consigo escutar alguns resmungos inconformados.
“Acho que devemos ir embora, não?” pergunto e suspiro aliviada “Tem um pub…” Hannah nega, me interrompendo. O sorriso malicioso que começa a ostentar em seu rosto fino a entrega, dando-me a sensação de que não vai acontecer nada de bom nos próximos minutos, e eu bem como a conheço, não quero imaginar.
“Espera um pouco.” sussurra, como se o segurança pudesse ouvir com a música ensurdecedora tocando “Eu tenho um papel que Ethan pediu para entregar, caso nossa entrada fosse negada.” pisca e volta ao segurança, sussurrando algo em seu ouvido. O sorriso malicioso que ele oferece em resposta me causa náuseas, mas quando Hannah tira um papel amassado e os tickets do peito para não pegarmos a fila enorme, ele aceita e, desta vez, sem hesitar, nos deixa entrar.
Caminhamos por um pequeno corredor estreito e iluminado também com luzes neon. Ao chegar ao final dele, vejo a aglomeração tão intensa de pessoas em todos os lugares, que é quase impossível caminhar sem acabar esbarrando em alguém.
Tento me equilibrar no salto enquanto andamos em meio às pessoas em direção ao bar, porque Hannah disse que é essencial comemorar seu aniversário com algumas doses.
As luzes coloridas rodam por todo salão e há um DJ em cima do palco principal tocando uma música eletrônica agitada. Minha irmã mais nova adoraria estar em meu lugar, no entanto, aqui estou eu; nada amante de baladas e bebidas à procura do bar. Acho que Hannah e eu criamos um impasse.
Há várias pessoas na pista dançando animadamente e cantando. Toda essa situação me faz sentir um pouco deslocada, principalmente porque devo ser a única indo a uma festa preocupada com o dia seguinte, mas tento me recompor novamente e colocar um sorriso no rosto. Acho que devo um pouco de diversão a mim mesma há um tempo.
Hannah para em frente ao bar lotado. Há várias pessoas na fila e os barmans estão fazendo todas as bebidas às pressas devido a quantidade de pessoas. Após longos minutos de espera, Hannah consegue pedir bebida para nós duas. Embora não tenha conseguido escutar o nome delas, tenho certeza de que é algo forte. Principalmente quando está animada, ela sempre exagera na quantidade de álcool.
“É isso que eu chamo de vida!” fala alto em meu ouvido e eu não consigo responder. Nossas definições de vida são completamente opostas e ela sabe disso como ninguém.
O barman traz as bebidas vermelhas que Hannah pediu, deixando-as no balcão à nossa frente. Hannah vira o copo, enquanto eu tomo um pequeno gole. Diferente dela, sou fraca com bebidas, por isso tento maneirar nas doses.
“Caramba, !” Hannah faz careta e bate o copo vazio no balcão “Você está se saindo muito bem hoje!” comemora, porque não costumo beber quando saímos, embora nossas saídas aconteçam raramente. Normalmente peço algum suco ou água e recuso a bebida.
Estamos paradas em frente ao bar, no mesmo tempo em que todos dançam e gritam ao nosso redor. Ninguém parece se preocupar tanto com a bebida à medida que o tempo passa, pois o bar está ficando cada vez mais vazio, permitindo que continuássemos ali.
“Não olha agora, mas tem um cara muito quente te encarando…” Hannah fala, enquanto começo a ficar nervosa. Quero me virar e olhá-lo no mesmo instante, porque odeio quando minha curiosidade atinge o ápice e com Hannah falando dessa forma, tende a aguçar cada vez mais. Minhas mãos estão suando, enquanto arrumo meu cabelo desajeitadamente “Céus, ele é muito gato!” Hannah bebe um gole da sua bebida o encarando minuciosamente em aprovação “Ele está caminhando em nossa direção, então é a minha deixa para dançar” levanta do banco, deixando-o livre.
“Espera!” aumento o tom da minha voz, mas ela começa a caminhar na direção oposta à minha.
“Divirta-se por mim” Hannah vira e grita, antes de sumir na multidão. Reviro os olhos e me viro para o barman que agitando alguma bebida à minha frente, fingindo total interesse.
“Perdida?” uma voz gutural soa abafada atrás de mim.
Viro-me lentamente em direção ao dono da voz e quase deixo o copo cheio cair das minhas mãos, ao mesmo tempo em que minha boca se abre involuntariamente.
Seus olhos, verdes como esmeraldas, estão me encarando intensamente e um sorriso malicioso começa a surgir em seus lábios rosados e perfeitamente desenhados, enquanto as maçãs do rosto, incrivelmente perfeitas, se movem. Sua mão direita joga seu cabelo, que insiste em cair nos olhos, atrás da cabeça, deixando à mostra todos os anéis em seus dedos esguios e se perde nos fios sedosos e macios da nuca.
A blusa preta com manga curta em seu corpo parece apertar levemente seus músculos e deixa expostas todas as tatuagens em seus braços definidos. Seus ombros são largos e eu consigo imaginar minhas unhas correndo por suas costas. Minha imaginação fértil está me levando para lugares inimagináveis, que deixam minhas bochechas queimarem em vergonha. Ele é quente como inferno e exala sexo em todas as partes do seu corpo, principalmente em seu sorriso carregado de malícia e em seus movimentos que parecem milimetricamente calculados para deixá-lo ainda mais sexy e bonito.
“O gato comeu sua língua?” abro a boca e fecho sem saber o que responder. Sua beleza completamente invulgar me deixa sem palavras.
O sorriso malicioso não sai dos seus lábios à medida que os segundos correm. Ele apenas aumenta, como se soubesse de todos os pensamentos sórdidos que correm em minha imaginação.
“Desculpe?” ainda estou atordoada e tento não gaguejar. Quem é esse cara?
“Qual o seu nome?” pergunta, sentando-se ao meu lado, no lugar que Hannah deixou vazio. Sinto minhas mãos começarem a tremer, então arrumo os fios rebeldes do meu cabelo, durante a segunda vez, tentando esconder o nervosismo aparente, mas é quase impossível. Não com esse homem enorme ao meu lado.
.” imagino-o sussurrando meu nome em seus lábios rosados junto à sua voz rouca e parece cair tão bem.
“É um prazer enorme, .” toma um gole de sua bebida e volta a falar “Sou . .”
Sua língua contorna lentamente seus lábios rosados, umedecendo-os. A cena é tão sexy que me pego desejando beijá-lo e eu sequer o conheço. Meus pensamentos são tão pecaminosos, que sinto minhas bochechas corarem em vergonha durante a segunda vez.
“Pode me chamar de .” vejo Hannah nos assistindo de longe com um sorriso enorme nos lábios. parece perceber o comportamento de Hannah também, pois seu sorriso se alarga e suas covinhas aparecem em cada lado da sua bochecha.
“E o que você faz, além de se perder nas boates?” volto minha atenção a seu rosto e arqueio as sobrancelhas.
“Ei! Eu não estou perdida!” resmungo e um sorriso cresce em seus lábios, fazendo-me abrir outro em seguida. Ele está brincando. Começo a entender o sentido literal da sua frase; ele sabe, de alguma forma, que não me encaixo em boates. Provavelmente porque minha preocupação com as aulas está aparente “Estou cursando arquitetura, e você?”
demora alguns segundos para me responder, talvez por vergonha ou receio da sua profissão.
“Sou um roadie.” afirma hesitante e meus olhos arregalam em surpresa e adoração.
“Céus!” animo-me. “Você deve viajar muito, não é?” ele afirma, dando mais um gole em sua bebida. O sorriso, agora divertido, não sai dos seus lábios.
“Passo o tempo inteiro viajando, então é difícil parar em casa.” acho que meus olhos estão brilhando na menção de viajar o mundo, porque é isso o que eu sempre sonhei, além de ser arquiteta.
“Minha irmã é mochileira e eu invejo sua coragem. Queria passar o tempo todo viajando também. Deve ser muito divertido.” ele assente e pede uma cerveja ao barman, porque a sua anterior acabou há alguns minutos.
“Quando falam sobre a aventura de viajar o mundo, esquecem de contar sobre o cansaço infinito e a vontade de voltar para casa.” pondero a situação e o cansaço não me impediria de viajar o mundo “Sinto falta das pequenas coisas, como ficar em casa com minha família e beber cerveja com meus tios, enquanto assistimos uma partida de futebol.”
“Vocês não fazem mais isso?” pergunto, sentindo a melancolia em sua fala, apesar de não o conhecer.
“Não com tanta frequência quanto eu gostaria.” levanta a cabeça e a balança levemente, como se quisesse espantar todos os pensamentos que o rondam.
O barman demora alguns segundos para trazer a bebida. Quando se levanta para pegar o dinheiro no bolso da calça jeans, o barman nega com a cabeça, fazendo-o sentar novamente.
Então começamos a entrar em um universo paralelo durante os próximos minutos; conversamos sobre tudo e nada ao mesmo tempo. Conversamos sobre suas viagens e em como o invejo e sonho em viajar o mundo, sobre arquitetura e meu amor pela profissão, sobre as bebidas e rimos das pessoas bêbadas ao nosso redor.
“Você não quer ir para a parte vip comigo?” pergunta, e aponta para as grades do andar de cima “Isso está um loucura!”
Oscilo meu olhar entre o andar de cima e o de baixo e deixo um suspiro alto escapar. Por que não? Questiono-me internamente, enquanto tento criar coragem para aceitar. Um pouco de diversão não faz mal a ninguém, não é? Beijar um desconhecido quase entrou para a lista de coisas que eu queria fazer em Londres, se eu não estivesse tão focada nos estudos.
“E então…?” ele pergunta, esperando uma resposta imediata.
“Certo.” afirmo e ele se levanta.
Deixo meu copo de bebida pela metade para trás quando me levanto. entrelaça sua mão calejada na minha e me guia em meio à pista de dança lotada de corpos suados dançando. A fumaça, típica de baladas e boates, jorra quando estamos passando, dificultando nossa visão por alguns segundos.
Há alguns olhares voltados para nós, enquanto caminhamos em direção às escadas e eu me questiono o motivo. Há algo de errado com meu cabelo? Considerando a quantidade de vezes que o ajeitei para esconder o nervosismo, provavelmente não.
solta minha mão e passa primeiro pelos seguranças e quando eu tento passar, ele me barra com o braço ridiculamente forte, fazendo-me recuar alguns passos.
“É necessário a pulseira, senhorita.” sua voz grossa me dá arrepios e eu assinto, dando mais um passo para trás.
“Ela está comigo.” assegura ao segurança e segura minha mão, ajudando-me a passar por ele tão facilmente que não consigo evitar a feição de surpresa.
O segurança assente e permite a minha entrada, voltando a colocar as duas mãos na frente do corpo. Uau! exclamo mentalmente, surpresa com a facilidade que conseguiu convencer o segurança.
Juntos subimos as escadas e chegamos ao primeiro andar. A quantidade de pessoas é incomparável com o andar de baixo e eu acho que consigo contar nos dedos. Fico aliviada, porque me sinto mais confortável. No entanto, as roupas e jóias ostentadas sequer chegam a caber em meu orçamento.
“Você quer algo para beber?” pergunta e eu nego com a cabeça.
“Já bebi o suficiente por uma noite.” assente e nos guia para uma mesa vazia no canto.
“Vou pegar algo. Tudo bem esperar aqui por um tempo?” assinto com a cabeça e me sento no banco.
Assisto a figura esguia de caminhar até o bar e conversar com o único barman disponível. Meu celular começa a vibrar na bolsa no mesmo instante, indicando uma mensagem nova e eu o tiro de lá, desviando a atenção de para ele. Hannah.

“Onde você está, ???”

Olho para uma última vez, antes de vê-lo conversando com outras duas garotas que estão ao seu lado no bar. Bom demais para ser real. O choque de realidade me golpeia com uma força brutal e eu suspiro alto. Começo a questionar o que diabos estou fazendo aqui.

“Estou na área vip. Quase voltando para casa.”

“COMO VOCÊ CHEGOU ATÉ AÍ??? Quer que eu te leve para casa?”

“Longa história. Conto quando chegar em casa. Não é necessário. Obrigada. Vou pegar um Uber.”

“Certo. Espero que o motivo seja nada menos que o pedaço de mal caminho. Aguardo os detalhes ansiosamente.”

Começo a me levantar da mesa, pronta para andar para o mesmo lugar onde entrei, mas uma mão fria no meu ombro me faz parar e a diferença de temperatura me faz arrepiar.
“Tentando sair despercebida, ?” fala, ostentando sarcasmo em sua voz seguido de um sorrisinho de lado.
“Sim…” balanço a cabeça de um lado para o outro “Quer dizer… não.”
“Desculpe-me a demora.” sorri, sentando-se ao meu lado e bebe um pouco da bebida em suas mãos “Encontrei velhas amigas no bar” afirma.
Seus ombros estão colados nos meus. Se a manga do meu vestido não estivesse ali, sentiria sua pele junto a minha e eu me pego desejando que não estivesse, mas dois segundos depois me pego me recriminando por pensar sobre isso.
Seus olhos de cor esmeralda estão presos nos meus e eu não consigo desviar um segundo sequer. Meu subconsciente implora para que ele me beije, mas minha mente grita que é errado e que eu mal o conheço. No entanto, ele está tão perto que minha respiração trava e eu não quero me mover.
“Está tudo bem.” respondo alguns segundos depois. arruma seus cabelos e encosta um pouco mais perto de mim, como se quisesse me beijar.
“Eu quero muito beijar você agora.” fala, enquanto tira a mecha de cabelo que entrou na frente dos meus olhos “Mas eu não posso fazer isso sem sua permissão.”
“Huh!” exclamo surpresa “Eu…”
Antes que eu consiga completar a frase, pronta para aceitar sua proposta, uma figura alta para ao nosso lado. Seus braços estão cruzados abaixo do peito, suas sobrancelhas grossas estão franzidas e algumas veias saltam do seu pescoço em uma pose completamente autoritária e nervosa.
“Jim está uma pilha de nervos por sua causa, !” sua voz grossa soa abafada por conta da música alta, mas eu ainda consigo escutar claramente.
Cabelos meio raspados, blusa preta com o símbolo da nirvana, coturnos pretos e uma beleza de tirar o fôlego completam seu visual de membro de uma banda de rock.
“Ele está procurando por você há horas.” seus olhos reviram em impaciência.
“Estou ocupado agora, Jack.” avisa e o outro nega, quase rindo desacreditado com a situação.
“Tom está te esperando na entrada.” avisa e se vira para sair “Agora.” ordena e nos dá as costas.
Ele não parece amigável, pois não me cumprimentou e ignorou minha presença na mesa. Não estava esperando uma apresentação informal, mas um cumprimento é essencial. Continuo sentada, olhando-o sem reação. coça a cabeça, provavelmente desconfortável com o ocorrido. “Desculpe a falta de educação. Aquele é o Jack.” Jack é tão bonito quanto e seu rosto é angelical, não tem a malícia que carrega consigo, mas é um pouco arrogante, então acho que seu rosto não faz jus à sua personalidade.
“Deixe-me adivinhar…” assente, esperando eu completar a frase “Membro da banda que você trabalha?”
“Está mais para um pai que realmente um membro” sorri e coloca seu copo, ainda cheio, em cima da mesa “Olha, eu preciso mesmo ir.” resmunga e se levanta.
“Tudo bem. Não quero tomar seu tempo.” abro um meio sorriso e me levanto “Está tarde e Hannah deve ter saído com um cara qualquer. Vou pegar um uber e…”
“Eu te deixo em casa.” me interrompe e começamos a caminhar juntos até a saída.
“Não precisa se incomodar, . Eu vou chamar um uber. Minha casa não é tão longe.” tento não tropeçar nos saltos, enquanto caminhamos juntos, mas fica cada vez mais complicado, porque ele caminha muito rápido “Além disso, aquele cara disse que tinha alguém te esperando e eu não quero incomodar ele também.”
Termino de falar e, quando alcançamos à calçada, escuto alguns gritos ensurdecedores e flashes por todos os lados. Sinto-me zonza e coloco a mão no rosto para tapar todo transtorno. Sua mão segura a minha, mas não quero soltar, porque sei que se eu soltar, não conseguirei andar.
Salpicos coloridos dificultam minha visão e eu não consigo ver para onde estamos indo, fazendo com que seja mais difícil caminhar com os saltos. Há uma multidão ao nosso redor, eu consigo sentir devido à força dos gritos.
“Droga.” escuto resmungar quando entro em seu carro.
Há alguém de terno preto no banco do motorista, enquanto estamos no banco de trás. Há pessoas rondando o carro e tudo isso me deixa confusa. Ele era algum roadie de alguém bem famoso, pelo visto.
“Desculpe-me o transtorno.” suspira “Pensei que eles não estariam aqui hoje.”
“Está tudo bem.” tento sorrir e passar-lhe conforto, mas não quero aparecer em jornais amanhã e eu espero que não aconteça. Um roadie não pode ser tão famoso, não é?
“Onde você mora?” minhas mãos estão trêmulas. Ainda consigo ouvir os gritos quando saímos da boate. Após dar as indicações ao motorista, ele dá partida no carro.
“Você pode me passar seu número?” o receio toma conta de mim por um momento “Por favor.” implora quando começa a ver que eu estou receosa.
“Não costumo dar meu número a desconhecidos.” ironizo e seu sorriso se abre.
“Eu sou um desconhecido que está te dando carona neste momento, então acho que você pode abrir uma exceção hoje.”
“Tudo bem.” sorri e me entrega seu celular.
“Então, futura arquiteta, o que te motivou escolher a profissão?” arqueia a sobrancelha e eu devolvo seu celular, após digitar meu número.
“Desde sempre gostei de desenhar ao mesmo tempo em que gostava de matemática, arte e história. Então decidi juntar o útil ao agradável.” passa as mãos em seu cabelo, bagunçando-os ainda mais “E você, o que te motivou a ser um roadie?”
“Não sei. Acho que a ideia de conhecer o mundo parecia ser algo que eu seria incapaz de explicar.” apesar da luz precária, consigo ver seus olhos ganhando um brilho invulgar e é tão lindo.
“Não é mais?” arqueio a sobrancelha.
“Eu continuo não sendo capaz de explicar.” sorri “Um homem cansado, que viaja o mundo e ainda não consegue explicar a sensação. Isso soa engraçado para você?”
“Um pouco.”
A boate é próxima ao meu apartamento, então a corrida não demora muito tempo. observa o prédio inteiro minuciosamente, enquanto o silêncio toma o carro inteiro.
“Legal.” sorri de lado e o motorista abre a porta do carro. Não sei como me despedir, mas tento da maneira tradicional possível.
“Tchau, ! Foi um prazer te conhecer.” sorrio e beijo sua bochecha, mas ele vira o rosto, roçando seus lábios nos meus. Por ser pega de surpresa, fico petrificada e me falta ar. se afasta sorrindo.
“O prazer é todo meu.” sussurra maliciosamente e minhas bochechas ficam avermelhadas, enquanto saio do carro e fecho a porta.

Nota da autora: Olá! Como vocês estão?
Estou ansiosa para compartilhar um pouco da minha imaginação com vocês. A história foi escrita originalmente com os membros da One Direction e Harry como o principal, mas, ao longo do tempo, mudei muitas coisas e para não ficar cheio de perguntas, deixei só o principal interativo.
Espero que gostem!

 

02.

Para mim, chegar cedo às aulas e sentar na primeira cadeira da frente, além de manter ótimas notas, sempre foram metas essenciais desde que iniciei a faculdade de arquitetura. Vinte minutos de atraso no meu último semestre, no entanto, quebra pela terceira vez o paradigma que estipulei de chegar cedo às aulas.
Não pude deixar de notar as olheiras mais fortes que o comum e sono acumulado quando encarei meu reflexo no espelho do banheiro, após acordar e perceber que o despertador do meu celular simplesmente me deixou na mão quando eu mais necessitava. Agora, assistindo a última aula do dia, sinto que irei dormir a qualquer momento. Apesar dos trabalhos da Universidade me deixarem constantemente exausta e acordada a noite inteira, sinto que estou dez vezes pior que passar a noite em claro estudando.
O tique taque do relógio parece soar em câmera lenta, junto à fala arrastada do professor. As cadeiras, hoje organizadas em um grande círculo, estão ocupando os cantos da sala, deixando o meio para que Sr. Lewis explique o assunto de uma forma dinâmica e ‘divertida’, como alegou antes de ordenar.
Minhas costas estão doendo pelo tempo interminável que fiquei sentada à espera das aulas acabarem e minha cabeça parece explodir, não apenas em dor, mas também em acúmulo de pensamentos. Não deveria ter cogitado a ideia de sair de casa noite anterior, porque hoje sinto o cansaço de uma noite mal dormida. Hannah sempre consegue ser persuasiva quando quer.
Apesar da persuasão compulsiva, Hannah me compreende como ninguém e sempre fala o que eu necessito ouvir. Somos o oposto uma da outra e isso não há como negar ou esconder, no entanto, com todas as inúmeras contradições, nos damos muito bem e é por isso que estamos morando juntas até hoje. Ela me ajudou quando eu mais precisava e não tinha ninguém. Ela esteve comigo quando Wally me deixou da pior maneira possível, um fardo que eu tive que carregar durante meses, e quando minha avó faleceu.
O som do sinal tocando se faz audível em todas as salas, fazendo-me soltar um suspiro de alívio. Levanto-me rapidamente da cadeira desconfortável, fazendo-a arrastar para trás e coloco todo material dentro da mochila preta e surrada do segundo ano de uso.
Há poucas pessoas na sala quando termino de guardar meu material e as que restam estão a caminho da porta. O professor ainda está arrumando a mesa onde suas coisas estão e, quando percebe que estou a caminho da porta, me chama:
“Você pode vir aqui um minuto, ?” seus óculos insistem em escorregar pelo nariz, mas ele volta a empurrá-los, colocando-os no lugar sempre que isso acontece.
Coloco a mochila nas costas e caminho até a mesa onde Steve está sentado. Ele ainda está guardando as folhas da atividade que sobraram da maneira mais lenta possível, como se o tempo curto fosse o menor dos seus problemas.
“Precisa de ajuda?” pergunto, mas não espero ele responder para começar a juntar as folhas espalhadas pela mesa.
Ele começa a pegar os livros extremamente pesados em cima da mesa e colocá-los na mala. Olhando-o de perto, percebo que seus cabelos estão começando a ficar grisalhos, apesar de ainda carrega a aparência jovial.
“Obrigado, mas não é necessário” assinto e deixo os papéis em cima da mesa, recuando alguns centímetros para trás “Você é a minha melhor aluna, . Eu, como seu professor, deixei isso bem claro inúmeras vezes durante minhas aulas, mas hoje não sei o que aconteceu com você. Pareceu-me um pouco dispersa e isso é um ponto negativo” suas mãos insistem em mexer em sua barba por fazer e seu olhar cai em mim completamente preocupado. Eu não o culpo, porque eu mal consegui prestar atenção em sua aula. Pela primeira vez na faculdade, meus pensamentos estavam em outras dimensões “Não quero me envolver em sua vida pessoal, então peço para que revise o assunto que passei quantas vezes for necessário e evite distrações desnecessárias” assinto constrangida. É a primeira vez que Steve chama minha atenção em suas aulas. Ele é conhecido por chamar a atenção dos alunos quando necessário e eu nunca imaginei que algum dia seria minha vez. Os professores da faculdade não costumam fazer isso. Steve é a exceção.
“Estou com alguns problemas pessoais, mas prometo melhorar amanhã” Steve assente e termina de arrumar os papéis em sua mochila.
“É seu último semestre, . Estou esperando muito de você” engulo em seco e quase respondo que eu também espero e cobro muito de mim. Sempre. Mas eu não falo.
“Obrigada, Steve!” nos despedimos e eu caminho para o ponto de ônibus. Por causa de alguns segundos, quase o perco. Estou totalmente esgotada e eu sabia que isso era uma possibilidade de acontecer quando aceitei sair com Hannah ontem.
Quando abro a porta do apartamento, jogo a mochila no sofá e caminho até a cozinha. Hannah está com um copo de água em mãos e quase engasga ao me ver. Seus olhos caem de mim para a mesa, e no mesmo instante deixa o copo quase cheio de lado.
“Caramba, !” exclama preocupada “Te liguei um milhão de vezes e você simplesmente não me atendeu.”
“Estava na faculdade. Você sabe que eu não podia atender” Hannah pega a revista que está em cima da mesa e me entrega.
“Reconhece essas duas pessoas que estão na capa?” pergunta e meus olhos arregalam em surpresa. Há uma foto minha de mãos dadas com em um círculo quase grande. Uma das minhas mãos está sobre meu rosto, mas ainda consigo ver a roupa e os saltos que Hannah me emprestou ontem.
Sento-me na cadeira e Hannah segue meu ato, sentando-se ao meu lado. Ela parece tão surpresa quanto eu. Um bilhão de sentimentos caem em mim no momento e eu não sei qual deles é o mais devastador.
“O que é isso?” pergunto, ainda em choque e é a única coisa que consigo falar no momento, embora queria jorrar milhões de perguntas, mesmo estando ciente que ela não conseguirá respondê-las.
“Você não viu ainda a parte melhor. Abra na página 10” mal espero ela acabar de falar e abro a página. Agora a foto está maior, mais nítida e retangular. Há várias pessoas ao nosso redor com câmeras fotográficas, celulares e garotas com a boca aberta, provavelmente gritando e/ou sorrindo. Há cartazes nas mãos de algumas delas com o nome com letras enormes, frases escritas e alguns com fotos dele espalhadas.
“Não consigo acreditar que isso está acontecendo” o nervosismo toma conta de mim e minha preocupação com a faculdade aumenta drasticamente “Mas também não consigo entender. Achei que um roadie não seria tão famoso” estou confusa, nervosa e um pouco furiosa. Não queria estar em revistas, sites ou qualquer outra coisa relacionada, mas olha onde estou agora; na capa de uma revista, roubando uma página inteira. Não consigo parar de pensar no quão inacreditável a situação se tornou.
“Eu sugiro que você leia o que está escrito ao lado” suas palavras soam tão estranhas quando sua vida é mais pacata que qualquer coisa e as únicas fotos que algumas pessoas podem ver é em seu instagram privado.
sai da boate com mais uma garota desconhecida, onde comemorava com a banda o novo álbum lançado” leio o título em voz alta. Hannah me encara e o copo já está de volta em sua mão. Agora ela parece menos preocupada, mas eu não consigo não ficar.
“Continua” ela pede e eu assinto. Não quero continuar, pois só de olhar nossas mãos entrelaçadas meu estômago revira. Parece tão íntimo que tenho vontade de fechar a página e fingir que nada disso aconteceu.
O cantor foi visto na noite anterior” pauso assustada quando as palavras ressoam de forma alta em meus ouvidos “Ele é um cantor?” pergunto em voz baixa e arqueio a sobrancelha em confusão.
“Aparentemente sim” uma de suas mãos passa em meu cabelo, tentando, inutilmente, me acalmar “Pensa no lado positivo, . Não apareceu seu rosto.”
“Eu sei, Hannah, mas eu estou confusa. Ele disse que era um roadie, e não que era o cantor de uma banda famosa” suspiro e fecho os olhos, completamente derrotada. Falar em voz alta soa ainda mais irreal que em pensamentos.
“Sinto muito, mas acho que ele não vai poder tirá-la da revista.”
Sei que ela está certa, mas a situação é um pouco assustadora. Agora não consigo parar de ler a mesma página e acabo perdendo a conta de quantas vezes acabei relendo. Outra parte de mim está decepcionada por ele ter mentido dessa forma. Não consigo imaginar cantando em um palco. Então, só por via das dúvidas, quando estou sozinha em meu quarto, pesquiso seu nome na internet.
é um cantor, compositor e ator inglês. ganhou fama mundial como membro da banda de pop rock britânica West Coast.
Droga. Quase grito. É completamente inacreditável. Meu corpo inteiro treme e eu começo a escolher uma música aleatória da banda chamada “Sensation“. Sua voz é rouca e terrivelmente linda. Estou tão admirada e surpresa que me perco ouvindo sua voz no refrão da música.
Reconheço Jack, o moreno que apareceu na boate ao meu lado no clipe. Ele está tão bonito quanto na noite anterior e eu não consigo não ficar surpresa. Dois famosos em uma só noite e eu não consigo parar de repetir o quão inacreditável a situação se tornou.
Completamente anestesiada e temendo que o mundo real me empurre de volta a realidade cruel, fecho os olhos, apreciando minuciosamente a música. Sua voz é tão sexy, fazendo jus à imagem na qual carrego tentadoramente em pensamentos. Não esperava nada menos que isso.
Escuto a porta abrir e a cabeça de Hannah aparece. Seus cabelos estão presos em um coque no alto da cabeça e em seu corpo há um blusa enorme de uma banda de rock do seu ex-namorado. É a sua camisa favorita para dormir.
“Posso entrar?” assinto e ela o faz, fechando a porta em seguida. Ela analisa a tela do notebook e encara os garotos na tela, escutando atentamente a música.
“Eles não são tão maus” senta em minha cama e eu deito em seu colo, deixando a música rolar “Essa música é a que mais toca nas rádios desde o mês passado. Como não desconfiei?” sua boca se fecha em uma linha fina.
“Você anda com tempo suficiente para pesquisar sobre boybands no último semestre da faculdade?” arqueio a sobrancelha.
“Não faço isso desde que me formei no ensino médio” gargalha alto e se joga na cama “Ele ainda não deu sinal de vida?” nego e ela suspira, como se estivesse decepcionada.
No fundo, não estava esperando uma mensagem ou ligação. não parece alguém que manda mensagem ou ligação no dia seguinte. O pequeno fio de esperança que tinha foi empurrado abruptamente quando descobri que ele era o cantor, não o roadie da banda.
“Onde está seu colar?” Hannah pergunta, olhando fixamente para meu pescoço. Ergo as sobrancelhas e passo a mão em meu pescoço, temendo ser uma brincadeira de mau gosto. No entanto, sinto apenas o vazio e me assusto.
“Você tem certeza de que ele não está aqui?” pergunto, apesar de estar constatando o óbvio e sinto meu corpo inteiro gelar. Caminho até o espelho e vejo a pele nua do meu pescoço “Foi a única coisa que minha avó me deixou, Hannah” falo, completamente desesperada “Eu preciso encontrá-lo.”
Caminho ao redor do quarto, começando a procurar todos os cantos. Hannah se levanta da cama e me ajuda a procurar também.
O colar tem um significado enorme para mim. Antes de morrer, minha avó tirou do pescoço e me deu. Disse que ele era importante para a família e que eu deveria cuidar dele com o maior cuidado possível. Ela colocou nas minhas mãos e me falou das gerações em que ele passou e em como ele era especial para ela e para sua família. Então ela simplesmente me escolheu e confiou cegamente em mim. Não escolheu minha mãe, muito menos uma das minhas irmãs. No entanto, estou sendo a primeira a decepcioná-la. Talvez, se ela tivesse escolhido Clara ou Clarisse, isso nunca teria acontecido.
Jogo meus lençóis no chão e procuro na penteadeira, no banheiro e depois nos outros cômodos. Hannah e eu procuramos por toda a casa, mas não o achamos. Em cada canto que eu procuro e vejo o vazio ao invés do colar, meu coração se aperta em desespero.
“E agora, Hannah?” sinto as lágrimas rolarem em minhas bochechas.
“Vamos refazer o caminho da faculdade. Talvez você perdeu por lá” ela tem razão e eu não hesito em caminhar até a garagem. Hannah tira seu carro da garagem, enquanto eu pego meu celular em cima da mesa e refazemos o caminho de casa para a faculdade, mas o percurso se torna em vão, porque ele não está lá.
“Sinto muito” Hannah diz ao fim da busca pelo colar. Mesmo que eu compre outro parecido, será insubstituível. Ela confiou em mim e eu, infelizmente, a decepcionei.
Em um sussurro trêmulo, peço desculpas para minha avó, porque, por hora, é a única coisa que posso fazer para me deixar menos infeliz.

 

03.

O táxi para em frente à casa dos meus pais e eu sinto uma felicidade enorme me invadir por apenas pensar em estar junto a eles novamente depois de alguns meses distante de casa. O muro da casa havia sido pintado em um tom bege e há enfeites em tom marrom, como eu havia sugerido a minha mãe. O portão branco se abre quando toco a campainha.
Ainda há rosas vermelhas e perfumadas enfeitando nossa fachada, junto a outras plantas que minha mãe pegava mudas das vizinhas. Essa é a única coisa que eu acredito que não vai mudar tão cedo; minha mãe cuida todos os dias delas como se fossem suas filhas. Meu peito aperta em saudade, porque eu a ajudava a cuidar das rosas todos os dias.
A porta de madeira se abre e minha mãe sorridente é a primeira coisa que vejo. Seus braços passam em volta do meu pescoço, enquanto as minhas vão para sua cintura. Ela me aperta tanto que quase sinto o ar faltar dos meus pulmões.
“Mamãe, dessa forma não sobra para matar nossa saudade” ouço Clarisse, minha irmã mais velha, falar. Há um pano de prato em suas mãos e eu deduzo que ela está cozinhando algo para comermos no jantar, já que está quase anoitecendo e ela ama cozinhar mais que qualquer pessoa no mundo inteiro.
“Como você está, meu bem?” minha mãe pergunta, segurando em meus braços, ao mesmo tempo que me analisa minuciosamente. Suas mãos apertam minhas bochechas e abrem mais meu olho como se estivesse me examinando em uma consulta médica “Está se alimentando bem em Londres?” assinto e ela me solta para que Clarisse venha ao meu encontro.
“Estou me virando com Hannah. Sabe que sem Clarisse dentro de casa eu sobrevivo de macarrão instantâneo e frutas” rimos e elas me dão espaço para entrar.
“E então?” Clarisse arqueia uma sobrancelha como se soubesse de tudo o que estava acontecendo comigo.
“Para de me olhar assim” reviro os olhos e ela me olha novamente, sorrindo maliciosamente.
“Estou interessada em saber sobre sua vida amorosa. Encontrou algum londrino gato?” minha mãe aparece na porta da cozinha.
“Clarisse, por favor, pare de encher sua irmã com a vida amorosa dela” Clarisse gargalha alto e irritantemente.
“Mamãe, tem que me contar sobre suas aventuras em Londres.”
Minha mãe tem um medo surreal de aparecer outro Wally em minha vida depois que ele me deixou. Não a culpo, porque eu também tenho. Por isso ela vive dizendo que eu não preciso apressar as coisas, tenho que fazê-las no tempo certo, ou seja, quando eu estiver preparada e eu às vezes tenho a sensação ruim de que não vou ficar preparada por um bom tempo. Infelizmente, o filho da mão deixou mais cicatrizes do que realmente pretendia.
“Você sabe muito bem o motivo, Clarisse! Não entendo o porquê de fazer disso uma piada” Clarisse revira os olhos e caminha até o meu lado, passando um dos braços por cima dos meus ombros.
“Eu sei, mas é que eu quero te ver viva novamente como ninguém. Quero te ver como você era antes de Wally aparecer.”
Meu pai interrompe a conversa quando desce as escadas com sua caixa de ferramentas em mãos junto a Will, o marido de Clarisse e eu os agradeço mentalmente. Falar sobre Wally ainda é cruel para mim. Eu tento me convencer de que é apenas um fantasma do passado, mas eu sei que é muito mais que isso.
“Pai!” caminho até o final da escada e o abraço calorosamente.
“Como você está, querida?” suas mãos me envolvem, enquanto uma desliza sob meus cabelos.
“Estou muito bem, e você?” saio do seu abraço, mas sua mão não deixa minhas costas.
“Estou indo, meu bem! Há tanta coisa pra arrumar dentro de casa antes dos seus tios chegarem”
“Certo, pai! Não quero atrapalhar” meu pai beija minha testa antes de sair para o quintal.
“Oi, Will” o abraço “Como estão os negócios?”
“Melhor que nunca, ! Obrigada por ter nos ajudado” sorri.
“Você sabe, desde que Clara e seu namorado quase não ficam por Lavenham, você é o meu cunhado favorito” Will gargalha alto e se afasta para ajudar meu pai.
Caminho até a cozinha, ainda com a mochila nas costas. O cheiro saudoso de comida impregnado em todo o cômodo e o chiado da panela de pressão me invadem veemente quando passo pela porta.
“Olá, meu bem!” cumprimenta Jade, minha tia. Ela está sentada à mesa, cortando os legumes e minha irmã já está de volta ao fogão, enquanto minha mãe lava os pratos. Todas estão ocupadas a espera dos meus tios, por causa do evento beneficente que ocorrerá amanhã.
Nossa vizinhança, incluindo os meus pais, criaram o evento para ajudar as família mais carentes da cidade, mas o projeto está tão grande que vários famosos da região têm contribuído, fazendo com que vários orfanatos fossem criados e inúmeras cestas básicas e roupas fossem distribuídas.
“Tem algo que eu possa fazer para ajudar?” todas as três negam de imediato.
“Você deve estar cansada” minha mãe responde e eu assinto.
Estou em uma rotina de faculdade-casa que estou sem tempo para descanso. Sempre que minha mãe me liga, conto um pouco sobre minha rotina louca de universitária e a monotonia desgastante dos meus dias “Vai deitar um pouco, quando a comida estiver pronta, eu te chamo.”
Caminho até meu quarto e coloco minha mochila no canto da parede. Minhas fotografias ainda enfeitam a escrivaninha e meus livros a estante. Tudo como havia deixado da última vez e eu me sinto bem em saber que minha mãe não moveu nada do lugar, apenas limpou o pó e trocou as roupas de cama.
O quarto ainda tem o meu cheiro característico. Minhas fotos enfeitam a parede com um coração grande. Há tantas fotos antigas que é impossível olhar para elas e não sentir falta do passado.
“Posso entrar?” a cabeça da minha mãe aparece na porta e eu assinto, me jogando na cama “Eu senti tanto sua falta, ” me abraça novamente “Você está tão estranha! Aconteceu alguma coisa nos últimos meses?”.
“Posso fazer uma suposição?” pergunto e ela assente. Estou receosa em contar e ela descobrir que foi comigo que aconteceu toda essa reviravolta “Eu tenho uma amiga”.
“Hannah?” pergunta e eu nego.
“Outra. Conheci ela tem alguns meses na faculdade” ela senta em minha cama e eu coloco os pés, livres dos sapatos e das meias, na parede.
“Oh!” sussurra “Você não me contou isso nas vezes que liguei pra você.”
“Enfim, mãe” reviro os olhos por sua interrupção “Ela conheceu um cara em uma boate e ele contou a ela que era um roadie”.
“Ele não ligou para ela?” passa uma de suas mãos em meus cabelos, tal como eu gostava.
“Também, mas ele mentiu para ela. Disse ser um roadie, um cara que ajuda na montagens e desmontagens do show” explico, sabendo que ela provavelmente não saberia o significado “Mas era um cantor” suspiro e ela permanece calada “Ele também não ligou nenhum dia do mês que se passou e fotos dos dois saíram na capa de algumas revistas e em alguns sites de fofoca.”
“Vamos começar a tratar essas pessoas por nomes, certo? Não tem problema você sair com esse tal ‘cantor’. Nem todos os caras vão ligar para você no dia seguinte” não era esse o maior dos problemas.
“Eu não me importo se ele ligaria ou não, mamãe, mas ele mentiu pra mim” resmungo e coloco as mãos atrás da cabeça, encarando a parede fria e branca à minha frente.
“Talvez ele estivesse cansado de todas as pessoas que têm interesse em seu dinheiro ao invés da sua amizade o tempo todo, querida”
“Se ele tivesse contado, evitaria transtornos e fotos minhas pela internet” ela sorri, levantando-se da cama.
“E que história é essa de boate que eu não fiquei sabendo?” arqueia a sobrancelha.
“Hannah. Como sempre” ironizo.
“Por isso que gosto dela; ela te faz tirar o pijama e te leva para lugares mais sociais. Achei que demorou muito tempo para ela te levar uma segunda vez” caminha até a porta e a abre.
“Mãe!” exclamo e jogo uma almofada em sua direção, mas ela fecha a porta, evitando que a almofada caia nela.
A conversa na cozinha está tão alta que consigo escutar do meu quarto. As janelas de vidro estão abertas, dando-me a visão da árvore alta e bonita do quintal. Lembro-me de quando minhas irmãs e eu a plantamos no quintal com planos futuros de construir uma casa na árvore. No entanto, o plano nunca foi à frente. Quando a árvore cresceu o suficiente, Clarisse tinha acabado de noivar e eu estava saindo do ensino médio, enquanto Clara estava entrando.
A porta se abre novamente alguns minutos depois que minha mãe sai. Clara, minha irmã mais nova, aparece. Seus cabelos estão mais curtos e claros. Houve uma mudança radical em seu estilo. Agora ela parece um pouco hippie e mais como ela mesma ao invés de vestir uma capa fictícia de felicidade.
“Quem é vivo sempre aparece” fala, fechando a porta atrás de si.
Diferente de mim, Clara é cheia de vida e animada. Agora que formou, está seguindo a vida como mochileira junto ao seu namorado. Minha mãe e meu pai odeiam a ideia de que Clara fique viajando o mundo, porque pode ser perigoso. Eu e Clarisse, no entanto, estamos felizes por ela estar seguindo o sonho.
Clara caminha silenciosamente até minha cama e deita ao meu lado, colocando seus pés na parede ao lado dos meus. Seus cabelos, vermelhos como chama de fogo, se espalham na cama, deixando-os bagunçados.
“Você não é a pessoa mais qualificada para falar sobre isso, Clara! Vive viajando o mundo” Clara sorri e coloca os braços atrás da cabeça, começando a olhar as estrelas coladas no teto do quarto que brilham quando desligamos a luz.
“Senti sua falta” suspira alto e fecha os olhos.
Estamos sentindo a presença uma da outra, porque não nos vemos há quase um ano. Clara com suas viagens loucas e eu com minha faculdade.
“Eu também” afirmo e viro meu rosto para olhá-la “Como tem sido viajar o mundo?”
“Incrível” vejo seus olhos brilharem, como se viajar o mundo fosse muito mais do que ela consegue narrar “Foi a melhor experiência que já tive em anos, ! Os lugares por onde passei… as pessoas. Foi tudo tão extraordinário e mágico” levanta os braços e gesticula com as mãos em excitação.
“Admiro sua coragem” o silêncio confortável se faz presente.
“Não pude deixar de escutar sua conversa sobre o cantor com minha mãe” Clara quebra o silêncio alguns minutos depois e eu olho-a indignada por escutar a conversa alheia. Quase solto um sermão para ela parar com a mania de escutar atrás da porta “Acho que você deve um pouco de diversão a si mesma” afirma “Você está quase se formando em arquitetura e sequer deixa os livros.”
“Eu sei” suspiro “Eu quero encontrar alguém, mas não quero que seja algum famoso, Clara. Quero alguém que me entenda e fique por perto. Viajar o mundo é ótimo e excitante, mas a saudade é cruel.”
“Se você não arriscar, nunca irá saber” ela tem razão, no entanto, não consigo listar motivos suficientes que me façam querer me divertir um pouco com “Se eu deixasse meus medos me impedirem de viver, nunca teria realizado meu maior sonho. Eu ficaria presa em algo que não me traz felicidade e isso é a pior coisa que alguém pode fazer; se privar da felicidade.”
“Posso pensar sobre, mas não posso dar certeza” Clara sorri “Porque estamos conversando sobre isso? e eu conversamos apenas uma vez.”
“Eu sou sua irmã mais nova e vivi mais aventuras que você em apenas um ano” Clara em momento algum cita Wally em nossa conversa e eu a agradeço por isso.
“Obrigada por afirmar que minha vida pacata é sem graça” ironizo e Clara sorri.
“Em algum momento alguém tinha que fazer e fico feliz que esse alguém tenha sido eu.”
O silêncio se instala no quarto, enquanto encaro a madeira do teto e conto as estrelas da maneira mais lenta possível. Consigo ouvir a respiração alta e devagar de Clara misturando-se ao som do tique-taque do relógio na parede.
“Eu perdi o colar que vovó me deu” solto e mordo o lábio inferior. Sinto Clara me encarar silenciosamente e vejo seu peito subir e descer rapidamente em um suspiro baixo.
“Como?”
“Eu realmente não sei. Num dia ele estava em meu pescoço, noutro eu não fazia ideia onde estava. Procurei por dois dias em todos os lugares onde passei, mas nem sinal” Clara passa a mão em meu braço confortavelmente.
“Sinto muito” diz baixo, quase inaudível.
“Sei que sim” respondo da mesma forma e sorrio melancolicamente.