Insecurities

Sinopse: Melissa era uma garota sonhadora que estava realizando um antigo sonho de fazer intercambio em Los Angeles na Califórnia. Sua relação consigo mesma era conturbada e cheia de inseguranças, mas alguém especial entrará em sua vida para mudar o curso das coisas.
Gênero: Romance.
Classificação: 18 anos.
Restrição: Tem personagens fixos. Escrita com Harry, pode ser lida com qualquer outra pessoa, mas não fará tanto sentido.
Beta: Olivia W.Z

Capítulos:

CAPÍTULO 1

Fevereiro, 2019

Sabemos que fazer intercâmbio é um pouco difícil para algumas pessoas, assim como para . Ela tinha 23 anos, era de Recife, Pernambuco, e sempre teve o sonho de estudar fora. Mesmo vivendo muito bem financeiramente, nunca teve condições para bancar um intercâmbio. Ou talvez nunca tivesse parado para se organizar financeiramente, até porque não trabalhava, e, por isso, não tinha seu próprio dinheiro. Ela já havia visitado os EUA aos 16 anos numa viagem com sua turma de colégio, que foi paga no sufoco aos 45 do segundo tempo. Sempre estava nas melhores festas, morava num bom e espaçoso apartamento com sua família, mas nada se comparava com o preço de um intercâmbio, que envolvia muitas coisas como hospedagem, alimentação, passagem, compras extras… Enfim. Quando colocava tudo aquilo na ponta do lápis, acabava virando um sonho fora de alcance até então. Mas, enquanto ela ia crescendo, esse sonho nunca deixava seu coração.
fazia faculdade de Nutrição, mas sabia que, no fundo, não era isso que queria para si. No meio tempo durante a graduação, havia se tornado maquiadora. Investiu em vários cursos, produtos, e começou a ganhar seu próprio dinheiro. Já estava no ramo há três anos, mas ainda não era muito reconhecida no que fazia.
sempre foi muito tímida para as redes sociais. Sempre achou que nada estava bom o suficiente e que as pessoas tirariam sarro de qualquer coisa que ela fizesse, e tudo consequência de dramas passados. Mas tinha suas clientes fixas e sempre corria atrás de novas. Aquelas que passavam por suas mãos a enchiam de elogios sobre seu trabalho. Era onde a garota se sentia feliz e realizada. Não havia nada mais gratificante para ela do que ver, ao final de uma produção, os olhinhos de suas clientes brilhando de felicidade ao se olharem no espelho. Fazia com que todos os finais de semanas abdicados, todas as dores nas costas e todos os perrengues valessem a pena.
Quando contou para seu irmão que estava juntando dinheiro para fazer um intercâmbio, ele foi seu maior apoiador. Ao contrário de sua mãe, que não gostou muito da ideia. Mas, ao ver que a filha estava decidida a realizar aquele sonho, não se opôs a ajudá-la. Sua família era muito apegada, principalmente à sua mãe. Por isso, ela precisava desse tempo longe para se tornar independente e conhecer a si mesma. Mesmo sabendo da saudade que sentiria, aquilo faria muito bem para ela.
A partir do momento que colocou o destino da viagem na cabeça, ele nunca saiu de seus pensamentos. Ninguém conseguiria fazê-la mudar de ideia sobre ir para Los Angeles, Califórnia. sempre foi apaixonada por aquele lugar. No fundo, sentia que pertencia àquela cidade de alguma forma. Ela preferia se arrepender de ir para onde sempre quis conhecer a ficar se perguntando como poderia ter sido sua vida em L.A.
Sua pretensão era passar os próximos dois meses estudando lá, até porque era o tempo que conseguiria pagar com a ajuda da sua família. Sabendo disso, seu irmão deu a ideia de fazer um Work and Travel, um intercâmbio no qual a pessoa, além de ter toda a experiência de morar fora, poderia trabalhar e, ainda, ficar mais dois meses. Ou seja, ela ganharia um salário e residiria em Los Angeles por quatro meses. Assim, ficaria mais fácil se manter por lá, visto que L.A. era uma das cidades mais caras dos Estados Unidos.
Assim que recebeu a lista de empregadores que sua agente de intercâmbio lhe enviou, ela observou que havia pouquíssimas vagas para Los Angeles. Então, tratou de fazer a entrevista via Skype com os empregadores e acabou passando em uma delas, que, por sinal, era a que mais almejava. Apesar de não ser na função que queria, a localização era ótima. Ela iria trabalhar lavando louça em um café chamado Beachwood, a uns dois quilômetros da calçada da fama de Hollywood.
Em pouco mais de um mês que estava em L.A., se tornou amiga da colega de trabalho Emma Jones, que, em pouco tempo, se tornou sua colega de apartamento. Elas dividiam um apartamento em West Hollywood, próximo de onde trabalhavam.
Nascida em Savannah, Georgia, Emma estava tentando a vida assim como a amiga na tão famosa Cidade dos Anjos. A única diferença era que só teria mais alguns meses pela frente. Depois, teria que se despedir da amiga. Quando saiu do Brasil, sabia que lidar com a saudade da família seria um dos grandes desafios de morar fora, mas era engraçado saber que, em tão pouco tempo, ela podia chamar Emma de irmã. Uma menina-mulher, baladeira, extremamente extrovertida e animada. E uma das qualidades que mais admirava nela era a independência e confiança. Emma simplesmente não ligava para o que os outros falavam dela, porque era muito segura de si.
Claro que as duas não eram irmãs por conta das suas características físicas – Emma era a típica americana de olhos azuis –, mas podia-se dizer que eram irmãs de alma. Ela havia se tornado uma parte muito importante da vida de e, por isso, era extremamente grata por tê-la encontrado. Seria triste deixá-la ao final do intercâmbio, mas preferia evitar pensar naquilo e ocupar a mente com outras coisas, como aproveitar o tempo que ainda tinha na cidade antes de ficar pensando na saudade que sentiria daquele lugar e de sua amiga…

— Acorda, — Emma chamou sua atenção. — Estou falando com você.
— Quê?
— Faz uma hora que tô falando com você sobre hoje à noite, e você aí, toda avoada.
— Desculpa, mas você sabe que sou assim. Meus pensamentos fogem do meu controle às vezes, mas do que você tava falando mesmo?
— Ai, , só você mesmo, viu… Mas então, tava falando do rolê desse final de semana. Pensei em ficarmos lá no apartamento hoje, tomarmos um vinho e, quem sabe, pedirmos uma pizza. Amanhã podemos sair pra alguma balada ou dar uma festinha na casa do Jake, já que temos o sábado e o domingo de folga.
— Aaaah, santo Jake. Ele ser filho da dona nunca foi tão conveniente. Topo, vai ser divertido.
— Vai sim. Mas agora anda logo que nosso horário de almoço tá acabando e não quero abusar da boa vontade da Sra. Miller.
— Calma, garota. Ainda faltam quinze minutos — disse , que estava tomando sua Cherry Coke. — Você vai comigo na agência pra alugar o carro, né? Não sei lidar com aquelas burocracias.
— Claro que sim, amiga!

A horas se passaram e, por volta das 6:00 p.m., o final do expediente chegou. As garotas chamaram um Uber e foram até a locadora de carro como haviam combinado.

— Caralho, EMMA!!! Olha só esse carro, EU AMO ESSE PAÍS!

havia juntado todas as gorjetas do trabalho, economizado o dinheiro que levou por um mês inteiro – na esperança de conseguir alugar pelo menos um carro popular, daqueles econômicos –, para que conseguisse se locomover pela cidade. Em Los Angeles, tudo era longe e o transporte público não era lá dos melhores. Ao chegarem na agência, deram de cara com um antigo amigo de Emma, que deu à um upgrade no carro. E que carro, diga-se de passagem. A garota havia alugado um carro popular e saído de lá com uma Mercedes conversível.

— Meu Deus, amiga! Estou em choque! — exclamou Emy. — Que sorte ter encontrado o Mark aqui. Que mundo pequeno.
— Nossa, eu nunca nem sonhei com um carro desse. Mesmo não sendo meu, nunca pensei que poderia dirigir um carro desse porte. Olha só o tanto de botão, nem sei mexer nisso.
— Imagino. Mas você sabe que vai ter que me emprestar esse carrão algum dia desses, né?
— Até parece que vou te emprestar meu bebê, garota.
— O quê, ? Se não fosse eu, você nem tinha conseguido esse carrão aqui.
— Se não fosse o crush que o Mark tem em você, você quis dizer, né?
— Cala a boca, !
— Tá vendo? Você sabe que é verdade. Ele claramente só deu o upgrade pra te impressionar. Mas vamos embora, estou louca pra dirigir esse lindinho aqui.

***

Ao chegarem em casa, foram logo abrindo uma garrafa de vinho…

— Então, o que fazemos agora? — perguntou Emma, se jogando no sofá e segurando sua taça de vinho.
— Cuidado com o sofá, garota!
— Nossa, tá parecendo a minha mãe falando assim.
— Há, há. Alguma notícia do Jake?
— Não, e você?
— Também não…
— Você tá a fim dele, né? Pode falar. Eu te conheço, — Emma jogou verde.
— O QUÊ? NÃO, claro que não! Quer dizer, ele é bonito e tudo mais, mas somos apenas amigos.
— Fala sério, , tá sua na cara que você tá gostando dele.
— E mesmo que isso fosse verdade, Emma?! Olha só pra mim, olha só pro Jake. Ele pode ter a garota que quiser…
ia continuar, mas Emma logo a interrompeu:
— Tá vendo? É disso que eu falo sempre. Você se diminui a todo custo, seja no seu trabalho, seja em relação ao seu corpo ou qualquer outra coisa. Você tem que parar com isso. Você é uma mulher incrível — disse Emy em tom de sermão, pois a amiga precisava escutar sempre aquele tipo de coisa. Ela tinha que aprender a se amar, se respeitar e entender o mulherão da porra que era.
— Amiga, é fácil pra você fal–
Emma a interrompeu novamente:
, não me venha com essa de que é “fácil” pra mim, porque sou magra e blá-blá-blá e toda essa conversa que você sempre fala. Eu nasci assim, você nasceu assim e não tem como a gente mudar isso. Temos que aprender a nos amarmos da forma que somos. Se nós mesmas não nos aceitarmos, quem mais vai? Agora, vamos mudar de assunto, porque tô cansada de dar sermão na senhora, porém darei sempre que for preciso, ok? Ok! Continuando, vai lá buscar aquelas máscaras de skin care pra gente colocar na geladeira enquanto eu peço uma pizza.

Emma acabou sendo interrompida pelo celular da amiga que apitou.

Jake
Hey 7:56 p.m.
O que você tá fazendo? 7:56 p.m.


Nada de mais 7:56 p.m.
Estou com a Emma em casa tomando vinho e vamos pedir pizza 7:56 p.m.

Jake
Como assim vocês não me chamaram? 7:57 p.m.


E desde de quando você precisa de convite, garoto? 7:58 p.m.

Jake
Justo 7:58 p.m.


Agora anda logo e traz a pizza pra não termos que pagar entrega 7:59 p.m.

Jake
Mas eu nem disse que iria 8:00 p.m.


Até parece que precisa, né, JJ. A gente te conhece 8:02 p.m.
Anda logo que estamos com fome 8:02 p.m.

Por volta das 9:10 p.m., Jake chegou com a pizza e tocou a campainha.

— Nossa, que demora, garoto — disse Emma, abrindo a porta.
— Como vocês são folgadas. Nem me convidam, pedem pra eu trazer a pizza e ainda reclamam.
— Tá, tá. Me dá logo isso — se apressou a dizer, pegando a pizza das mãos de Jake e colocando-a na mesa de centro junto com o vinho que tomavam. Ela pegou um pedaço e se jogou no sofá.
— Hey, também quero vinho — disse ele, se jogando ao lado da garota, também com um pedaço de pizza em mãos.
— As taças estão no lugar de sempre, como você já sabe — piscou para Jake.
— Poxa, eu trago pizza pra vocês e nem pra me darem uma taça — ele fez bico.
— EMMA, traz uma taça pra esse garoto parar de me aperrear.
— Toma aqui e para de encher o saco — Emma brincou e lhe entregou uma taça vazia, enquanto ele colocava a mão no peito teatralmente pela birra das duas amigas.

***

— Ei, mudando de assunto… E a festa amanhã na minha casa? — perguntou Jake. — Ainda está de pé ou preferem ir pra balada?
— Por mim, pode ser na sua casa. Mas e seus pais? — Emma perguntou.
— Eles viajaram agora mais cedo. Quando mandei mensagem pra , tinha acabado de deixá-los no aeroporto.
— Oh, sim, verdade — comentou. — Lembro da sua mãe comentando um dia desses no trabalho.
— Então, o que me dizem? — perguntou o garoto, esperançoso.
— Eu já topei, só falta a — a loira disse.
— Eu topo, mas com uma condição — falou e os dois a olharam atentamente. — O JJ vai ter que fazer skin care com a gente.
— Ah, não, . Skin care não — Jake protestou em tom manhoso.
— Ah, sim. Deixa de coisa, você vai amar. Até preparei uma máscara especial pra você quando soube que viria — disse, rindo da cara que Jake fazia. Depois, se levantou para buscar o que precisava. — Deita aqui no sofá pra ficar mais fácil de passar.
— O que eu não faço por você, hein, ?

Ele, que estava sentado no sofá, se inclinou para deitar. Deixou apenas o tronco levantado e esperou a menina se sentar para deitar em seu colo.

— Quando quiser, viu, JJ. No seu tempo — brincou ela, em pé, esperando o amigo se deitar.
— Você não acha que eu vou deitar a cabeça nesse encosto duro, acha?! — o garoto falou como se fosse óbvio, fazendo a menina revirar os olhos e se sentar no sofá, para que ele deitasse a cabeça em seu colo.
— Que troço preto é esse, ? Você não vai passar isso na minha cara — Jake tentou se levantar, mas sem sucesso. A menina o prendeu com os braços.
— Fica quieto, garoto! — disse e começou a passar o produto no rosto dele com toda a delicadeza.

Ele não tirava os olhos dela, que estava concentrada no que fazia. Jake estava simplesmente vidrado na garota, observando cada detalhe de seu rosto, cada sarda, cada sinal. Observou o formato de seus lábios e como eram carnudos e convidativos, e o quanto aquela menina era linda. Se pelo menos ela soubesse o que se passava na cabeça dele, o quanto a admirava…
Emma percebeu o clima e foi se retirando do local sem que ninguém percebesse. Foi em direção ao seu quarto para que os dois ficassem a sós.

— Até que não é tão ruim, é geladinho — Jake quebrou o silêncio.
— Tá vendo? Falei que você ia gostar. Falando nisso, mas sem ter nada a ver com o assunto, cadê a Emma?
— Não sei, acho que foi dormir.
— Mas já? Ela não costuma dormir a essa hora nem em dia de trabalho — disse, confusa. — Deixa eu ir lá no quarto dela ver o que houve.
— Não, fica aqui. Ela deve estar cansada ou falando com o Josh — ele se levantou do colo da garota e ficou sentado ao seu lado no sofá.
— Tudo bem…
— Tá, mas agora me conta. Como você tá? — JJ perguntou, se virando para se sentar de lado e ficando de frente para . — Faz tempo que não paramos pra conversar assim, só a gente.

Ele prestava atenção em cada palavra que saía de sua boca, porque essa era a coisa mais admirável nele. Jake era aquele tipo de pessoa que olhava nos olhos ao escutar uma conversa. Era cuidadoso e atencioso com quem quer que fosse, e essa era uma das qualidades que mais admirava em um homem. Talvez por isso eles se dessem tão bem.
Com muitas risadas regadas de vinho, a noite foi passando. Uma típica noite de Jake e , na qual eles se perdiam em seu próprio universo. O garoto parecia cada dia mais encantado pela amiga. Mas não era um encanto apenas de uma boa amizade, e sim no sentido real da coisa. Ela era uma mulher admirável e ele conseguia enxergar isso mais do que ela mesma podia. Mas Jake sempre foi muito cuidadoso, com medo de estragar a amizade que tinham. era uma daquelas amigas que ele levaria para a vida, mesmo que, em alguns meses, a garota tivesse que ir embora. Ele aproveitaria o tempo que lhe restava com ela.

***

acordou com um pouco de ressaca devido a algumas taças de vinho da noite passada. Caminhou até o banheiro e analisou o próprio rosto antes de jogar uma água nele para despertar. Deu passos lentos até a cozinha para tomar o café da manhã e deu de cara com Emma sentada, terminando de comer.

— O que aconteceu com você ontem? — perguntou.
— Bom dia pra você também.
— Oh, desculpa, bom dia! Agora, responda a minha pergunta — ela forçou um sorriso.
— Então, eu vi que tava rolando um clima entre você e o Jake e saí de fininho pra te deixar à vontade.
— O quê? Agora você viajou real.
, o JJ não tirava os olhos de você em nenhum momento. Era como se eu nem estivesse lá.
— Claro que ele estava olhando pra mim, eu estava praticamente em cima dele passando a máscara. Pra onde mais ele olharia? — tentou convencer mais a si mesma do que à amiga.
— Ele poderia ficar de olhos fechados, olhar pra qualquer lugar do apartamento… Mas não. Ele estava vidrado em você de um jeito que nunca vi o Jake te olhar antes.
— Meu Deus, Emma, para! Tá viajando — a garota começou a ficar nervosa.
— Tá vendo como você se sabota? Tá na cara que o Jake sente algo por você e você fica aí, tentando se enganar. Você sempre faz isso, . Sempre que um cara tá a fim de você, você se sabota. Por quê?
— Por que, Jones? Vou te dizer o porquê. Caras como o Jake não namoram garotas como eu. Caras como o Jake namoram garotas como você, garotas que eles vão mostrar como uma conquista aos amigos. Comigo eles só querem ficar às escondidas, e eu prometi a mim mesma que não me submeteria a isso nunca mais — ela falou tudo o que tinha preso dentro de si. E, com lágrimas nos olhos, continuou: — Tá satisfeita? Era isso que queria? — finalizou, com os braços abertos.
— Você sabe que o Jake não é assim. Ele jamais faria isso com você, — Emma dizia cuidadosamente.
— Eu sei, mas tenho medo. Gosto muito da amizade que tenho com ele e não quero perder isso. Prefiro que as coisas continuem do jeito que estão — falou tristemente e foi em direção ao quarto.
— Hey, não vai tomar café?
— Perdi a fome — a garota respondeu, batendo a porta.

Era sempre assim que se sentia, reprimida por suas vontades. Porque ela tinha sim desejos. Sentia atração por pessoas que não a olhavam com o tesão que ela gostaria. Esse mundo era cheio de internalização de padrões de beleza que, a cada dia mais, era impossível de alcançar. E ela se sentia mal. se sentia, muitas vezes, sem forças para poder empoderar-se. Mesmo sentindo-se linda, mesmo tendo o cabelo liso, mesmo tendo um rostinho lindo, as pessoas ainda assim não olhavam para ela como olhavam para meninas magras. Talvez estivesse gostando de Jake, mas não poderia demonstrar e correr o risco de ser rejeitada mais uma vez.

***

— Anda logo, Jones. O Jake já mandou umas vinte mensagens — disse , impaciente.
— Tô pronta, tô pronta. Calma.
— Vai logo, ele já tá me infernizando de novo — empurrou a amiga porta afora e fechou o apartamento.
— Cadê aquela playlist de músicas brasileiras? — perguntou a loira.
— Aqui, ó. Só não sei conectar aí nesse troço — respondeu, entregando o celular a Emma.
— Deixa eu ver aqui se consigo — ela pegou o celular da mão de e começou a mexer na tela touch do painel do carro. Rapidinho o conectou e, ao som de um funk qualquer, chegaram até a casa de Jake.

O pai e a mãe dele – que também era a chefe de – haviam viajado para aproveitar o feriado que se aproximava. A garota não conhecia muito bem o Sr. Miller, pois ele vivia sempre muito ocupado cuidando dos negócios da galeria de fotos bem conceituada que tinha.
Como gostava de irritar JJ, começou a tocar a campainha sem parar, até que o garoto abrisse a porta agoniado.

— Tá louca, ? Só podia ser você. Não tô surdo, não — ele fingiu estar bravo.
— Não, eu sou — ela disse simplesmente, deu um beijo na bochecha dele e foi entrando, seguida por Emma.
— Só se for louca por mim, né — Jake brincou, retribuindo o beijo.
— Nos seus sonhos, garoto.
— Cadê a bebida desse lugar? — perguntou Emma.
— Aqui, me sigam — ele foi indo até a cozinha.
— Tá, mas cadê todo mundo?
— Ainda não chegaram. Devem chegar umas dez horas, por aí.
— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ FICOU ME INFERNIZANDO ESSE TEMPO TODO, SENDO QUE NINGUÉM CHEGOU E AINDA VÃO DEMORAR A CHEGAR — gritou, indignada.
— Mas é que eu não queria ficar sozinho — ele se aproximou de para abraçá-la, e ela apenas revirou os olhos.
— Garoto, eu devia te matar — Emma também estava indignada. — Nem sequei meu cabelo direito, porque a ficou me apressando.
— Foi mal, gente. Mas já que estamos aqui, vamos tomar logo uma dose de tequila. E eu não quero ninguém pedindo arrego hoje, viu, ? — ele riu e olhou para ela.
— HÁ, HÁ, palhaço! Cadê? Me dá logo esse shot aí e para de graça — respondeu, também rindo.

Era uma festa minimalista, porque Jake não havia convidado muitas pessoas, apenas alguns amigos mais chegados. Além de e Emy, chegaram depois mais cinco pessoas: Ashley, Emily, Amelie, Ethan e Ryan. Já era de madrugada e os amigos já estavam no famigerado brilho, até que um deles teve a brilhante ideia de jogar beer pong.

— Por que a gente não joga beer pong? — Ethan sugeriu.
— Por mim tudo bem, estou entediada mesmo — Amelie levantou os ombros.
O restante do grupo não se opôs, exceto :
— Eu até toparia, mas não gosto de cerveja.
— A gente pode fazer assim — Ashley sugeriu —, quem não quiser beber cerveja, bebe um shot de tequila.
— Justo — concordou.

Após algum tempo de jogo, já havia bebido alguns shots de tequila. Só percebeu que estava bêbada quando, na mesa, os amigos diziam que só havia um copo, mas ela insistia que tinham dois. Então, decidiu dar um tempo e tomar um ar no jardim da casa.
Party In The U.S.A tocava alto, o que não deixava ninguém no tédio. A garota não entendia por que aquela música fazia tanto sucesso, a ponto de ouvi-la tocar pelo menos umas três vezes em qualquer bar, balada ou festa. E eles cantavam com um amor à pátria que era admirável, mas, de fato, não importava o tempo que passasse, achava a música boa e nostálgica.
Todos estavam embriagados, principalmente depois de várias rodadas de beer pong. Alguns se reuniram na pista de dança para extravasar o álcool e Jake passou o olho pela sala, dando falta da amiga.

— Cadê a ? — perguntou, preocupado.
— Não sei, faz um tempinho que ela saiu — Emma respondeu.
— Eu vi ela indo em direção ao jardim — disse Emily.
— Vai lá ver se ela está bem, é a minha vez de jogar — Emma foi pegar a bola para sua jogada.

Jake foi chegando no jardim e encontrou encostada na parede, segurando um cigarro, olhando para o nada e perdida em seus pensamentos; mas como se estivesse pensando em tudo. A garota não era muito de fumar, apenas o fazia quando sua cabeça estava cheia de pensamentos e ela tentava colocá-los no lugar.

— Um centavo pelos seus pensamentos…? — perguntou o garoto, ansioso pela resposta.
— Hey… Não estou pensando em nada específico. Só admirando o céu.
— Você está bem? — perguntou, dando um gole em seu copo.
— Estou sim, bêbada, porém bem.
— Eu também, estou bem bêbado — ele riu e se encostou na parede ao lado dela.
— Aceita? — ofereceu ela, lhe mostrando uma carteira de cigarro.

Jake apenas assentiu, pegando um pra si. Ficaram em silêncio por um tempo.

— Preciso fazer algo que tem estado na minha cabeça há algum tempo e, se eu não fizer agora, talvez não tenha coragem de fazer nunca mais. Provavelmente, você não vai se lembrar disso amanhã e, talvez, eu também não. Mas preciso e espero que isso não mude nada — ele falou, olhando nos olhos dela, que também o encarava. Jake deixou seu copo em um batente próximo e voltou sua atenção para a garota.
— O quê? — perguntou, confusa, não tirando os olhos dele.
— Isso — ele disse, pegando delicadamente em sua cintura e a puxando para um beijo.

demorou para assimilar o que estava acontecendo, sendo pega de surpresa. Mas logo se rendeu ao momento que, mesmo negando para si mesma, desejava tê-lo. Colocou as mãos ao redor do pescoço dele, aprofundando o beijo, enquanto sentia cada parte do seu corpo arrepiar-se. As mãos de Jake passeavam pelas suas costas e desciam para sua bunda, apalpando-a. Demoravam-se porque sabiam que, no dia seguinte, talvez ninguém se lembraria daquilo.
Ela prolongava o fim do beijo porque não queria lidar com aquela situação. Estava nervosa demais e temia o que poderia vir a seguir. Ele prolongava o fim do beijo porque tinha medo de ser rejeitado por ela, mas mal sabiam eles que seus medos eram bobos comparados ao sentimento que cresceria a partir dali.
Ao separarem os lábios, se entreolharam por muitos minutos em silêncio, porque não havia nada a ser dito naquele momento. Naqueles olhares, eles souberam que seria difícil ignorar o que sentiram hoje. Eles se conheciam o suficiente para saber que seria difícil seguir a vida sem repetir aquilo.

***

Era por volta de 11:00 p.m. quando acordou. Ela tentou se levantar um pouco e colocou a mão na cabeça, sentindo aquela dor de ressaca. Resolveu se deitar de novo e tateou a cama para encontrar seu celular. Observou uma mensagem em específico no grupo que tinha com Emma e Jake; na verdade, não era uma mensagem, e sim uma foto. Era ela beijando Jake.
arregalou os olhos enquanto tentava se lembrar daquele momento, mas não recordava. Momento perfeito para ter uma amnésia pós-cachaça, quando tudo o que ela queria era se lembrar daquele beijo por muito tempo.
levantou-se às pressas. A primeira coisa que fez foi sair em disparada do quarto para procurar sua amiga e perguntar o que tinha acontecido.

— EMMA!!! — a garota gritou, fazendo a amiga aparecer desesperada na porta de seu quarto.
— O que houve? — perguntou Emy, ofegante.
— QUE MERDA É ESSA?
— Oh, você viu a foto. Nada de mais, ué. Só uma foto pra te provar que eu estava certa o tempo todo, como sempre. Mais um motivo pra você ouvir meus sermões — disse com tom de deboche.
— CARALHO, eu não lembro disso de jeito nenhum, Emma.
— O QUÊ? COMO ASSIM VOCÊ NÃO SE LEMBRA?
— Eu não me lembro, simplesmente não me lembro. Estava bêbada e não me lembro… Será que o Jake se lembra? Meu Deus! O Jake! O que ele deve tá pensando? Ele nem sequer respondeu a foto e aqui tá visualizado — ia falando sem parar, até a amiga interrompê-la.
— Calma, , não é pra tanto. Foi só um beijo. Todo mundo se beija, ok?
— Ok, vou me acalmar… Meu Deus, com que cara vou olhar pro Jake hoje quando ele vier trazer o carro? — se preocupou. As garotas tinham vindo de Uber pois beberam e deixaram o carro na casa dele.
— Com a mesma cara de sempre, ué. Deixa de besteira, .

***

Jake
Hey, tudo bem? 3:50 p.m.


Tudo bem sim, com um pouco de ressaca 🙂 3:50 p.m.

Jake
Imagino, a senhora bebeu todas e mais um pouco ontem hahaha 3:52 p.m.
Vocês estão em casa? Queria saber se posso levar o carro agora, provavelmente você vai precisar mais tarde, não sei… 3:52 p.m.


Pode sim, por favor 🙂 3:55 p.m.

Jake
Chego aí em 20min se o trânsito colaborar, até daqui a pouco 3:56 p.m.

Algum tempo depois, Jake chegou ao prédio que as garotas moravam e tocou a campainha…

— Oi — surpresa, abriu a porta para que o garoto entrasse. — Pensei que ia ligar pra eu descer e pegar a chave com você.
— Eu também, mas acho que a gente precisa conversar sobre a foto…

ficou em silêncio. Ela queria fugir a qualquer custo daquela conversa.

Percebendo que a amiga não iria responder, Jake perguntou:
— Cadê a Emma?
— Ela saiu, acho que foi fazer as unhas ou algo do tipo. Vai sair com o Josh — explicou, tentando não parecer nervosa.
— Ótimo, então podemos conversar a sós–
— Jake — a garota o interrompeu —, a gente pode conversar sobre isso outra hora? Estou ocupada agora e logo mais vou ter que sair — foi em direção à porta e a abriu para que o garoto saísse.
— Tudo bem, eu acho… — ele aceitou a contragosto e saiu, vendo a porta se fechar logo atrás de si.

não poderia lidar com aquilo agora. Não quando mal tinha dado tempo para pensar no que aquilo tudo significava. Não quando ela não se lembrava do que tinha acontecido e até mesmo da sensação de beijá-lo.
Jake estava desesperado para falar, porque, na cabeça da garota, ele provavelmente falaria que o que aconteceu foi apenas a bebida falando, por pura carência. E ela não conseguiria ouvir aquilo da boca dele naquele momento. Seria demais.

***

— Hey, como foi com o Jake? — Emma perguntou, cautelosa, aparecendo na porta do quarto da amiga.
— Tudo bem, eu acho. Ele queria conversar sobre… Você sabe…
— O beijo — Emy revirou os olhos. — Mas e aí? Vocês resolveram?
— Eu meio que mandei ele ir embora.
— O QUÊ? COMO ASSIM? — ela se aproximou e se sentou ao lado da garota na cama.
— Eu disse que a gente conversaria uma outra hora, porque estava ocupada e teria que sair — deu um sorriso amarelo.
— E por qual razão isso, ?
— Não tô acostumada com isso, Emma. Prometo que a gente vai conversar, só não hoje. Agora a gente pode, por favor, mudar o assunto?
— Tá, tá, ok — respondeu simplesmente, revirando os olhos. — A propósito, pensou sobre hoje à noite?
— Amiga, já falei que não quero sair com um cara que nunca vi na vida — a garota odiava encontros às cegas, achava muito constrangedor.
— Mas , não é como se ele fosse um completo estranho. Ele é amigo do Josh, e o Josh disse que mostrou seu Instagram e ele te achou linda. E outra, o JJ iria ficar morrendo de ciúmes.
— EMMA!
— OK, OK, tudo bem! Não está mais aqui quem falou e também vou fingir que isso tudo não é por causa do Jake.
— Cala a boca, Emma!
— Mas você vai ficar sozinha? É seu primeiro Valentine’s Day, não queria te ver presa nesse apartamento sozinha.
— Não é porque não tenho um encontro que tenho que ficar em casa, Emy.
— Justo! Então quais seus planos pra hoje, gatinha?
— Nada de mais, Emy. Vou passear pela cidade de carro, ver as ruas e, quando cansar, vou no drive-thru do In-N-Out. Vou comprar toda a comida que tenho direito, voltar pra casa e maratonar Camp Rock no Disney+ — falou, como se aquele fosse o melhor programa para se fazer num sábado.
— Ai, , você é tão sem graça… Mas ok, respeito esse seu jeitinho de ser — Emma riu. — Já que você não tem hora, levanta esse rabão daí, vem me ajudar com minha roupa e fazer um milagre nesse rostinho lindo aqui, ó — ela colocou a mão embaixo do queixo e fez biquinho.
— Ah, não! Tô de folga hoje.
— Nem vem com essa, . Você prometeu que faria minha maquiagem hoje. E outra, você nunca terá folga de mim, sua palhaça! Mesmo no Brasil, a senhora trate de me responder e me ligar.

fingiu estar dormindo enquanto Emy falava, então ela deu uma travesseirada na cara da amiga, que tomou um susto, fazendo com que as duas caíssem na gargalhada.

***

— Wow, ! Você não é Deus, mas faz milagre, garota! — Emma falou, pasma, olhando para o espelho. — Não sabia que eu podia ficar ainda mais bonita.
— HÁ, HÁ, Jones. Você é hilária.
— Mas falando sério, , você é muito boa no que faz.
— Obrigada, Emy!

ficava muito feliz quando recebia elogios pelo seu trabalho. Era muito gratificante para ela, sabia que estava no caminho certo.

— Puta que pariu, ! Como você ainda não é famosa?
— Obrigada de verdade, amiga, mas você é suspeita — ela agradeceu novamente, rindo.

Antes que a amiga pudesse mandar calar a boca e parar de falar besteira, o celular de Emy vibrou e indicou uma mensagem de Josh, avisando que havia chegado. Emma catou as coisas, colocou-as na bolsa e se despediu de , avisando que não tinha hora para chegar. Então, foi embora.
Era sábado à noite, Valentine’s Day. então tomou seu banho, colocou uma roupa confortável, pegou suas chaves e sua bolsa e saiu para dar uma volta em seu carro alugado. Apesar de ainda estar se familiarizando com as ruas e o trânsito de L.A., ela queria apreciar o movimento na rua, os casais apaixonados e aproveitar para passar no drive-thru do In-N-Out que tanto amava.
estava vestindo uma legging preta, um moletom preto escrito “C’est La Vie” e seu Vans branco. Ela sempre gostou muito dos feriados americanos e era a primeira vez que estava presenciando o famoso Dia dos Namorados. Apesar de sua vida amorosa ser uma “desgraça” como ela gostava sempre de brincar, estava amando ver as ruas, restaurantes, lojas e tudo decorado.
Passeando pela cidade, acabou se perdendo e indo parar em um bairro que não conhecia; aparentemente um bairro de nobre, com muitas mansões. Ao andar mais um pouco, parou em um semáforo ao lado de um parque. A rua era um pouco escura e estava deserta. Aproveitou para colocar no Google Maps o caminho para o In-N-Out, que ficava próximo ao aeroporto. Amava ver os aviões que passavam bem próximos.
Estava distraída mexendo no celular e ouvindo Only Angel, até que um vulto passou pela sua frente e entrou no carro, gritando desesperadamente:

— ACELERA! ACELERA!!!

Nota da autora: Insta da minha PP: @lealmelissa_
Link do grupo do facebook.

CAPÍTULO 2

estava de folga naquele domingo, apesar de ser Valentine´s Day, ele não tinha planos. Kendall havia o convidado para uma festa que Kylie daria aquela noite e depois poderiam seguir para casa dela e comemorar a data do jeito que mais gostavam, mas ele preferiu aproveitar aquela folga e tirar um tempo para si, estava exausto de tanto trabalho ultimamente e não queria gastar sua noite de folga dando sorrisos falsos e conversando sobre qualquer assunto superficial com aquelas pessoas que Kendall insistia em chamar de amigos. Então resolveu dar uma volta em um parque próximo a sua casa em Hollywood Hills, para espairecer as ideias. Quando estava para ir embora, notou que estava que sendo seguido por um grupo de caras, na tentativa de despista-los, atravessou a rua, mas assim que o fez, o grupo também atravessou, até que o abordaram.
– Ei, cara, cê fuma maconha? – Um deles perguntou chegando próximo de , com uma voz mal encarada.
– Não. – Disse tentando não se mostrar nervoso.
– Cê quer maconha? – Outro deles perguntou.
– Não.
– O que cê tem ai? – O maior deles perguntou, fazendo com os outros cercassem
– Nada, cara, não tenho nada! – que estava assustado falou levantando as mãos mostrando não ter nada com ele, mas um deles acabou vendo seu celular e o pegou.
– Desbloqueia a porra do celular agora! – Continuou o maior deles, levantando a blusa e mostrando uma faca na cintura.
Nesse momento, entrou em desespero, não podia desbloquear o celular, praticamente tudo seu estava ali dentro, trabalho, contatos importantes, e-mails, agenda pessoal, fotos, notas, enfim, tudo. Pensou em jogar o celular em lago ali no parque, assim nem ele nem os assaltantes ficariam com o celular, afinal de contas o problema não era o aparelho em si e sim o que tinha dentro, mas preferiu não irrita-los, afinal de contas eles estavam armados com faca e não queria que aquilo acabasse em tragédia. viu um carro parar no semáforo, tomou coragem e saiu correndo em direção a ele, por sorte a porta estava destrancada, assim que entrou no carro gritou:
– ACELERA! ACELERA! – Gritou descompensado com a adrenalina a mil.


Assustada, ela pisou no acelerador passando pelo sinal ainda vermelho. Até então, estava com tanto medo que não teve coragem de se quer olhar para o lado, apenas manteve seu olhar fixo na pista, sem se quer prestar atenção no caminho que estava indo, até que começou a ouvir risadas baixas ao seu lado, sem entender o que estava havendo, finalmente resolveu olhar para o lado para entender o que estava acontecendo.
Puta que pariu, caralho! – Disse ela, baixo em português, estava tão chocada que não conseguia tirar os olhos de e acabou perdendo um pouco o controle do carro.
que estava rindo, não sabia se era de nervoso pelo ocorrido anteriormente ou se era pelo fato de sua música estar tocando naquele momento tornando-o icônico, se assim poderia dizer, ele parou de rir e gritou novamente:
– PARA O CARRO! PARA O CARRO! – gritou aflito com medo que acontecesse um acidente com os dois.
freou o carro de vez, no susto, por sorte a rua estava deserta e não havia carro atrás, respirou fundo e com toda sua calma, falou:
– Encosta o carro ali – apontou para a calçada
Sem nem raciocinar, ela apenas o fez.
Passaram alguns segundos em silêncio, olhando para frente, estava em choque e não soltava o volante por nada, até que tentou iniciar um diálogo com ela.
– Hey, você está bem?
CA RA LHO falou pausadamente em português, chocada, ainda tentando compreender aquela situação bizarra que estava acontecendo.
– Não entendi, você fala inglês?
Ela estava em transe olhando para ele, até que se tocou da pergunta e acabou por soltar o volante.
– Meu Deus, me desculpa, falo sim! É só que… – Ela estava se dando conta do que de fato estava acontecendo e sem encontrar palavras para conseguir se expressar, aquilo só poderia ser um sonho ou pegadinha, ela tinha certeza, não era possível.
– Me desculpa se te assustei, quer dizer… obviamente eu te assustei, mas perdão por ter entrado no seu carro assim do nada e gritado com você, eu estava sendo assaltado, inclusive você deveria trancar as portas do carro, para que estranhos como eu não entrem, poderia ser alguém mal-intencionado, mas fico feliz que não tenha trancado hoje, salvou minha vida
– Tá tudo bem – estava pasma olhando pra ele, respirou fundo pra cair em sim e continuou – você quase me matou do coração, mas está tudo bem! – Ela brincou – Tipo, não sei bem mexer nesse carro ainda, ele é alugado e tem esse monte de botão então ainda não acostumei
– Oh entendi, a proposito sou – ele sorriu e estendeu a mão para a garota ao seu lado
– Eu sei – estava com um sorriso bobo no rosto, admirada do fato de supor que a garota não saberia quem ele era e estendendo a mão para que selassem o aperto de mão. – Me chamo , mas pode me chamar de .
– É um nome muito bonito e devo dizer, você tem bom gosto, a trilha sonora não poderia ser melhor – Riu
– MEU DEUS, QUE VERGONHA! – Ao se dar conta da música que estava tocando, rapidamente desligou o som e colocou as duas mão no rosto
– O que? Por que vergonha? – Ele estava rindo do desespero dela
– Porque você deve estar achando que sou uma daquelas fãs malucas
– Mas você não é? – brincou
– NÃO! Quer dizer, talvez… mas não era pra você saber, pelo menos não assim! – Falou indignada, em tom de desistência
deu uma gargalhada gostosa, achando toda aquela situação hilária, o que contagiou a fazendo gargalhar também e ficaram os dois ali rindo, por alguns minutos…
– Tá com fome?
– Que? – achou que não tinha ouvido direito.
– Perguntei se você tá com fome.
– Sim, por que? – Ela perguntou desconfiada, não era possível que estava a convidando para comer
– Porque vou te levar para comer ué, quer dizer, você que está dirigindo, mas você entendeu o que quis dizer – Falou rindo graciosamente
– Desculpa perguntar, não quero parecer rude ou coisa do tipo, mas você não tem nada melhor para fazer? Tipo, não me entenda mal, seria um sonho sair pra jantar com você, conversar e tudo mais, mas é Valentine’s Day, você provavelmente deve ter algum date ou festa pra ir e não quero te incomodar, odeio a sensação de estar incomodando alguém – E não parava de falar, agia assim quando ficava nervosa, ela imaginou diversas vezes a fanfic em sua cabeça, onde ela conheceria , o chamaria para um café onde ela faria questão de pagar e conversariam sobre coisas da vida e tudo aquilo parecia fácil demais, afinal de contas na imaginação seguia seu roteiro, mas aquilo era vida real, estava de fato vivendo sua fanfic e só em pensar que poderia ficar algumas horas a sós com ele, fazia seu coração bater tão forte que parecia querer sair do peito, e se ela não soubesse o que falar? E se ela falasse alguma besteira? Ou pior e se não gostasse dela? E sem perceber, ela havia começado a se sabotar novamente.
– Hey, deixa de besteira, eu estou te convidando não estou?
– Sim, mas… – ela ia falar algo mas foi interrompida
– Sem mais, você é meu date hoje, – ele a olhava intensamente
Por um momento ela se perdeu no verde dos olhos dele. Vendo que ela não sabia o que responder, continuou falando:
, é o mínimo que posso fazer, depois de tudo que aconteceu hoje e eu estou com fome também – Falou com um sorriso iluminado no rosto – E então, o que me diz?
– Eu perdi tudo no “” – Disse ela divertida e boba, olhando pra ele – Mas posso te pedir uma coisa antes?
– Claro, qualquer coisa!
– Você pode ir dirigindo? Se não for incomodar, claro, eu ainda estou um pouco em choque e nervosa com tudo isso – Perguntou timidamente
– Você que manda hoje! O que quer comer? – Ele tirou o cinto e abriu a porta para trocar de lugar com ela.
fez o mesmo e assim que ele abriu a porta para que ela saísse do carro, respondeu:
– Eu não sei… qualquer lugar com você vai ser perfeito!
Durante o caminho estava calada, ainda sem acreditar que estava no carro com a caminho de um jantar, nos dias dos namorados, depois de ter salvo ele, na cabeça dela, aquilo era um sonho no qual ela iria acordar a qualquer momento. ao perceber que estava tão calada, resolveu iniciar um diálogo novamente.
– Então… você também não deveria estar em um encontro?
– Não necessariamente – a garota riu e continuou após receber um olhar rápido e curioso de que estava dirigindo – as vezes curtir a própria companhia é a melhor opção e não queria estragar meu primeiro Valentine’s Day com o constrangimento de conhecer alguém as cegas, eu odeio esse tipo de coisa – levantou os ombros
– Você tem razão
– E de qualquer forma, se eu estivesse em algum encontro, quem teria te salvado?
– É verdade e ainda bem que não trancou a porta do carro – disse brincando também e continuou- Você disse primeiro Valentine’s Day? Como assim?
– Eu não sou daqui, você deve ter percebido pelo meu sotaque ou pelo meu nome.
– De onde você é?
– Brasil.
– Caramba, como não percebi antes, eu amo o Brasil! Eu tenho até uma tatuagem.
– Eu sei – disse rindo ao lembrar dele abaixando as calças para mostrar a tatuagem em um dos shows do 1D que viu em algum vídeo aleatório no tik tok
– Mas espera ai, como assim é o seu primeiro Valentine’s Day? No Brasil não tem?
– Então… A gente não comemora o Valentine’s Day, mas a gente tem o Dia dos namorados, que é em Junho, mas eu nunca namorei, então… – falou sem graça
percebeu que ela tinha ficado sem graça ao falar que nunca tinha namorado e resolveu não prolongar esse assunto, pelo menos não naquele momento, não entendia como uma garota como , tão bonita, engraçada e aparentemente tão cheia de qualidades nunca tenha namorado, então foi logo falando:
– Pois vamos mudar isso agora, seu primeiro Valentine’s Day tem que ser muito especial, já sei exatamente onde te levar – Disse entusiasmado
– Onde? – Ela perguntou sem acreditar que estava indo jantar com no Valentine’s Day.
– Surpresa, mas você vai amar! – disse sorrindo olhando pra ela
, se você me levar para comer no Pink’s eu vou amar – disse brincando
– Heyyy, eu adoro o Pinks, ok?! – falou fingindo estar ofendido
– Em minha defesa, eu também! O que eu quero dizer é só que, não importava o lugar que você me leve, eu nunca vou esquecer esse dia, já ta sendo muito especial. – explicou com um sorriso no rosto – a propósito, achei que não comesse carne
– E não como… quer dizer, não mais – explicou ele – quando estava em turnê com a banda, eu e os garotos sempre pedíamos para alguém da produção comprar comida pra gente para que comêssemos após o show no hotel

seguiu seu caminho até o restaurante em questão, que era um pouco distante de onde estavam.

– Você tá me sequestrando? Quero dizer, se você estiver, por mim tudo bem, não tenho objeções quanto a isso, só me dê uns minutos pra me despedir da minha família – a garota disse tentando se manter séria mas sem sucesso, o que fez com que dessa uma gargalhada
– Engraçadinha, estamos quase chegando
– Você bem que poderia me falar onde você ta me levando… espera ai, aquela placa ali diz que já estamos em Malibu
– Sim
– Agora tenho certeza que está me sequestrando

O resto do caminho foi inteiramente de risadas, já estava um pouco mais acostumada com a presença intimidante do cantor, o que fez com que ela se soltasse mais, mostrando um lado dela que a fazia ser tão querida por todos.
Após algum tempo chegaram ao tão famoso Nobu Malibu. O lugar era simplesmente lindo, sofisticado e simples, nada de exageros cafonas, era chique e ponto, além do fato de ser de frente para o mar de Malibu, ou seja, o lugar perfeito para um jantar de Valentine’s Day.

– Chegamos – foi se soltando do cinto de segurança, prestes a descer do carro e entregar a chave para o manobrista
, esse restaurante é muito caro e outra, eu não estou nem vestida para entrar nesse lugar – Ela estava chocada olhando para a entrada vendo todas aquelas pessoas chiques e arrumadas entrando e saindo do restaurante
hoje o jantar é por minha conta, você não tem que se preocupar com nada e além do mais, você está mais arrumada que eu, olha só pra mim eu estou de moletom, shorts e tênis
– Mas você é fucking ! Você pode vestir o que você quiser e se bobear ainda vira moda – pra ela aquilo era a coisa mais óbvia
– E daí? Ninguém deveria te dizer o que vestir, você pode vestir o que quiser, onde quiser a hora que quiser e ai de alguém se te falar o contrário! Agora deixa de besteira e vamos curtir esse jantar que eu estou morrendo de fome. – disse ele olhando nos olhos dela
– Ok ok, você tem razão! Mas , nenhum de nós fez reserva, como vamos conseguir entrar, olha o tamanho da fila de espera, assim só vamos conseguir comer no próximo ano
– Deixa comigo, que isso eu resolvo. – Então ele desceu do carro, abriu a porta para que a garota descesse e estendeu a mão para ajudá-la.
Restaurantes famosos como o Nobu Malibu, sempre deixavam algumas mesas vagas para casos como esse de , de celebridades ou pessoas importantes de última hora aparecerem para jantar. Então ele falou com a hostess do restaurante que logo disponibilizou uma das melhores mesas do restaurante, com vista para a praia. Assim que se acomodaram, observava sem tirar os olhos dela, a luz da lua batendo em seu rosto, o vento balançando levemente seus lindos cabelos castanhos, ela parecia abismada com tamanha beleza da paisagem, ele respeitou o momento dela, até que ela finalmente falou algo:
– Uau, ! Esse lugar é lindo, nossa olha essa vista.
– É lindo mesmo, fico feliz que tenha gostado. – ele sorria graciosamente.
– Eu amei!
Até que um garçom os interrompeu:
– Olá, sejam bem-vindos, espero que estejam bem acomodados – o garçom disse simpático.
– Obrigado, estamos sim! – estendeu a mão para ele que a apertou prontamente.
– Que bom, fico feliz, posso pegar os pedidos de vocês ou gostariam de aguardar mais um pouco – o garçom perguntou
– Qual seu nome? – perguntou normalmente e recebeu olhares curioso de e do próprio garçom, que não estava acostumado com pessoas perguntando seu nome e quando o faziam, coisa boa não era.
– Me chamo James, senhorita – ele a respondeu com receio e apenas observava a cena calado – Algum problema?
– Não James, pode ficar tranquilo – disse ela que continuou – Adoraríamos que você pegasse nossos pedidos, estamos famintos – disse sorrindo para ele e pode observar a expressão de alivio de James
sempre gostou de tratar as pessoas pelo nome, isso fazia com que as pessoas se sentissem mais queridas e com que elas se aproximassem mais e ela gostava disso.
– Claro, senhorita, o que vão querer? – Disse ele muito simpático e aliviado.
– Agora que você perguntou, eu não sei, vou deixar ele escolher –Disse rindo e acordou dos pensamentos.
– Oh, ok, deixe-me ver – disse olhando o cardápio – alguma sugestão? – perguntou a James.
– Nosso tempurá de camarão e lagosta spicy com molho de Trufa é uma de nossas entradas mais famosos– disse James.
– Você gosta de camarão e lagosta? – perguntou olhando pra ela.
– Gosto sim, muito.
– Então James, de entrada você pode trazer um prato desse e uma porção sortida de Sashimi Tacos de atum, lagosta e camarão tenho certeza que ela vai amar, são os meus favoritos daqui – disse sorrindo e olhando para ela, que assentiu.
– Certo, senhor e quanto ao prato principal, já querem fazer o pedido ou esperar as entradas?
– Vamos fazer logo, melhor né? Pode ser que demore, está muito lotado hoje – perguntou a ela que assentiu.
– Do que você gosta? – a perguntou e ela começou a olhar o cardápio novamente
– Eu achava que entendia de sushi, até ver esse cardápio.
– Deixa eu te ajudar, quais peixes você gosta?
– Ah, eu gosto de salmão, até como os outros peixes, mas gosto mesmo de salmão – Ela disse timidamente.
– James, você pode pedir para o chef montar um combinado de 40 peças para nós, com a maioria das peças de salmão, por favor?
– Claro é para já, querem algo para beber?
– Eu vou querer uma cherry coke – disse.
– Vou querer uma soda italiana de maçã verde.
– É pra já! Fiquem a vontade.
– Obrigada, James! – disse agradecida e ele assentiu sorrindo e se retirando do local, os deixando-os a sós.
e , voltaram atenção um para o outro e ficaram se observando por alguns instantes, até iniciar um dialogo novamente.

– Então… me fala mais sobre você.
– Não tem muito para contar, o que quer saber? – ela estava perdida no verde daqueles olhos iluminados pela luz da lua.
– Quero saber tudo!
– Olha lá o que você tá pedindo, hein, eu sou geminiana, quando começo a falar não paro mais, você vai se arrepender.
-Tenho certeza que não.
– Ok, depois não diz que eu não avisei… – disse rindo levantando os ombros e continuou – Bem, por onde começa a falar dessa minha vida muito agitada…- disse ela pensando alto e continuou – Certo, vamos lá, eu sou de uma cidade chamada Recife que fica em Pernambuco no Nordeste do Brasil, provavelmente você nunca ouviu falar, mas deveria, é uma cidade muito cultural e temos o melhor carnaval do mundo e diga-se de passagem, é meu feriado favorito do ano – disse ela se gabando tentando se manter seria como se estivesse dando um sermão em por não conhecer sua cidade e ele segurava o riso e a ouvia atentamente e então continuou falando – Tenho 23 anos, faço faculdade de nutrição mas não pretendo seguir a carreira, sou maquiadora há uns 4 anos e sou apaixonada pela minha profissão, apesar de não ser bem sucedida ou ter o reconhecimento que gostaria, sou muito realizada com ela, tenho um irmão de mais velho e inclusive acho que você iria gostar dele, meus pais são separados… Não sei mais o que te falar – disse finalmente.
– Você é feliz? Quero dizer, com o seu trabalho.
– Sim!
– Sabe, uma vez um amigo me disse que se você está feliz fazendo o que faz, então ninguém pode te falar que você não é bem sucedida – ele olhava diretamente em seus olhos.
– Eu acho que precisava ouvir isso, obrigada! – a garota agradeceu e ele assentiu.
– Qual o nome do seu irmão?
– Felipe, ele tem 30 anos.
– Oh, a mesma idade da minha irmã.
– Sim, tenho certeza que você iria adorar ele, todo mundo adora.
– E você?
– Eu o que?
– Eu não vou te adorar?
– Você até pode, mas provavelmente você iria gostar mais do meu irmão.
– E porque diz isso?
– As vezes eu posso ter um temperamento difícil, nem todo mundo me aguenta por muito tempo – ela soltou um riso meio triste tentando disfarçar .
– Eu duvido.


havia ficado intrigado com a fala da garota, ela parecia tão divertida, não conseguia imagina-lá com um temperamento diferente daquele, obviamente todos tinham seus momentos mais escuros, mas tinha certeza que não era algo a ponto de afastar as pessoas ao redor.

– Mas me conta, há quanto tempo você mora aqui?
Quando ela ia responder foi interrompida pelo garçom trazendo suas bebidas.
– Aqui está, suas entradas já estão em preparo. – disse James servindo o refrigerante no copo de vidro depois de colocar a bebida na mesa.
– Obrigada, James – ela agradeceu.
– Obrigada!
– Não há de que! – James respondeu sorrindo e se retirou do local.
– Como você tem coragem de beber isso? – perguntou ao ver a garota tomar um gole de sua bebida.
– O que, cherry coke?
– Sim!
– É muito bom!
– É meio nojento.
– Para, você já provou?
– Não…
– Tá vendo, como você fala que algo é nojento sem provar?
– Porque é! Coca já é boa, não precisa adicionar mais nada.
– Prova.
– Não.
, por favor! Você disse que hoje eu que mando.
– Não acredito que você tá usando minha própria fala contra mim! – disse ele rindo.
-Vai ter que provar agora. – ela também riu.
– Tá vai, vou provar. – ele desistiu, bebendo um gole do copo da garota.
– E então?
– Não acredito que vou dizer isso, mas é estranhamente bom. – disse ele divertido.
– Tá vendo, eu te disse! Agora devolve aqui meu copo.
– Não, não, agora é meu!
! Então vou tomar sua soda.
– Por mim tudo bem… – deu de ombros.
– Então, voltando ao assunto, já faz um mês que estou morando aqui, mas volto para o Brasil no final de Abril.
– Mas já? Por que?
– Eu vim para cá no intuito de melhorar meu inglês e eu queria muito vir para Los Angeles, que infelizmente é uma cidade bem cara, então não conseguiria me manter aqui por mais tempo que isso – disse ela tentando não mostrar que ficava triste ao falar sobre o assunto. – E de qualquer forma o programa que eu escolhi, só permite que o intercambista fique até 4 meses.
– Oh, entendi, mas você está gostando?
– Na real eu estou amando, por mais que eu sinta saudade de casa, eu vou sentir muita falta desse lugar, das pessoas incríveis que eu conheci aqui – ao falar algumas lágrimas invadiram seus olhos mas ela não as deixou que caíssem – Aí meu Deus, como eu sou boba, choro por tudo
– Você não é boba, você é real.
– Mas eu já falei muito de mim, agora é sua vez – ela disse passando as costas das mãos nos olhos.
– Você provavelmente já sabe tudo sobre mim.
– Não o quanto eu gostaria, você é bem reservado.
– Isso é verdade.
– Então pode começar.
– O que quer saber?
– Hum, deixa eu pensar – a garota disse pensativa cerrando os olhos em direção a ele.
– Achei que já tivesse alguma pergunta em mente – ele falou achando graça
– São tantas perguntas e além do mais eu estou nervosa, você tem que me dar um desconto.
– Ainda está nervosa? Achei que já tivéssemos passado dessa fase.
– Mas é claro que eu estou nervosa, até horas atrás eu nunca tinha tido se quer a oportunidade de ver um show seu e agora eu estou em Malibu, no Valentines Day com você, como eu não estaria nervosa?
– Ok, talvez você tenha razão, mas você tem que ir no meu show e como minha convidada.
– Eu iria amar, quando a turnê vai voltar?
– Em Maio.
– Poxa, eu já vou ter voltado para o Brasil – A menina visivelmente triste
– Você não pode adiar sua passagem? Qual é, é o meu show – disse a última parte se gabando divertidamente.
– Talvez, acho que só vou saber quando estiver mais perto.
– Entendo.
– Já sei o que quero te perguntar.
– Manda.
– Você teve medo de lançar esse álbum?
– Sim, sim, tive medo, afinal de contas é algo novo, meu primeiro álbum solo, não sabia como as pessoas iriam reagir, é um material bem diferente do que eu fazia no 1D.
– Mas você ficou na sua zona de conforto?
– Assim, quando eu ouço o álbum, sonoramente e liricamente falando, eu percebo que estava indo com cuidado, que estava com medo de errar, entende? Mas eu amo tanto esse álbum porque representa um grande momento da minha vida.
– Obrigada por me contar.
Ele apenas assentiu.
– Posso fazer outra pergunta?
– Claro.
– Queria saber como você faz para lhe dar com toda a pressão da mídia, quero dizer, deve ser muito difícil, eu não sou famosa nem nada e tenho problemas de ansiedade e tudo mais.
– Eu acabei desenvolvendo ansiedade na época da banda, quanto mais o tempo passava mais ficávamos conhecidos e a rotina que tínhamos era pesada demais, exigiam demais da gente e a mídia só intensificava isso. Quando a banda entrou em hiatos, essa coisa da mídia social ficava cada vez mais forte e mais tóxica, por isso tomei a decisão de não ser muito presente, por mais que existissem pessoas maravilhosas lá, a toxidade de algumas delas acabava pesando mais e para o bem da minha saúde mental eu resolvi me manter afastado e aparecer esporadicamente por lá. Acho que isso responde sua pergunta.
– Sim, obrigada por compartilhar isso comigo!
– Por nada, essa foi uma pergunta muito boa na verdade, as pessoas não costumam me perguntar sobre esse tipo de coisa ou quando perguntam em alguma entrevista eu respondo de uma forma genérica, porque na real elas não se importam de verdade.

***

e se divertiram muito naquele jantar, sequer haviam visto a hora passar, nem pensaram em pegar no celular, apenas aproveitaram o momento, pareciam amigos de longa data, quem os via de fora, julgaria que até pareciam um casal.
Ela era real e ele sentia falta de pessoas assim em sua vida, pois sempre estava rodeado de pessoas que queriam algo dele. era simples, tinha o riso fácil, era engraçada, tratava as pessoas com gentileza e isso era algo que ele admirava muito. Há muito tempo não se sentia assim, na verdade desde a sua última visita a casa de sua mãe em Holmes Chapel, onde ele esquecia da fama e da pressão que a mesma trazia como bagagem e podia ser ele mesmo e era assim que ele estava se sentindo naquele momento.
No caminho de volta, estavam numa parte da estrada que de um dos lados era a praia, o que fez com que abrisse o vidro, encostasse a cabeça no banco do carro fechando seus olhos e sentindo o vento alisando sua pele e fazendo seus cabelos se movimentarem de forma graciosa. a observava se soslaio e sentia o seu perfume trazido pelo vento, invadindo seu nariz, ele tinha que admitir, estava encantado pela garota.
? – disse ela ainda com os olhos fechado.
– Sim.
– Posso te pedir algo? – disse ela abrindo os olhos e encarando o perfil dele.
– Pode, qualquer coisa – desviou a atenção rapidamente para ela.
– Você pode cantar para mim? – ela perguntou, provavelmente depois daquele dia, nunca mais veria , então queria aproveitar os últimos momentos com ele ao máximo.
– Claro, o que quer que eu cante?
-Kiwi – disse divertida e continuou – Você se incomoda se abrirmos a capota do carro?
– Achei que nunca fosse pedir – disse ele divertido e diminuindo a velocidade do carro, para que a capota fosse guardada e continuou – Agora coloca aí a música de fundo para eu não esquecer a letra – disse ele divertido
Ela prontamente colocou a música e começou a cantar, tirando as vezes os olhos da pista e olhando para ela, que também o olhava com a maior cara de apaixonada, afinal de contas seu ídolo estava cantando uma de suas canções favoritas só para ela, aquele de fato era o melhor dia de sua vida.

~N.A: SUGIRO QUE COLOQUE KIWI PARA TOCAR ~

She worked her way through a cheap pack of cigarettes
Hard liquor mixed with a bit of intellect
And all the boys, they were saying they were into it
Such a pretty face on a pretty neck

Ele cantava se divertindo, fazendo caras e bocas enquanto dançava dividido entra a pista e ela.
She’s driving me crazy, but I’m into it, but I’m into it
I’m kinda into it
It’s getting crazy, I think I’m losing it, I think I’m losing it

– Canta comigo! – Pediu ele sorrindo.
Oh, I think she said
E assim aumentou o volume do carro e começou a cantar o refrão com ele.
I’m having your baby
It’s none of your business
I’m having your baby
It’s none of your business
(It’s none of your, it’s none of your)
I’m having your baby (hey!)
It’s none of your business (oh)
I’m having your baby (hey!)
It’s none of your, it’s none of your

A garota havia se empolgado, então se sentou no banco de forma que ficasse virada para ele e usou o celular como microfone e voltou a cantar, a garota não cantava bem, mas quem estava ligando? Certamente não, muito pelo contrário, ele estava apreciando aquele momento tão espontâneo e verdadeiro da garota.

It’s New York, baby, always jacked up
Holland Tunnel for a nose, it’s always backed up
When she’s alone, she goes home to a cactus
In a black dress, she’s such an actress

Driving me crazy, but I’m into it, but I’m into it
I’m kinda into it
It’s getting crazy, I think I’m losing it, I think I’m losing it
Oh, I think she said

Ao começar o refrão, virou pra frente, encostou a cabeça no banco do carro e fechou os olhos e levantou os braços sentindo a força do vento, até que abriu os olhos e encontrou os de a encarando admirado, o que durou apenas alguns segundos, pois ele voltou sua atenção a estrada.

I’m having your baby (hey!)
It’s none of your business (oh)
I’m having your baby (hey!)
It’s none of your business
(It’s none of your, it’s none of your)
I’m having your baby (hey!)
It’s none of your business (oh)
I’m having your baby (hey!)
It’s none of your, it’s none of your

Eles continuaram cantando alto, com a capota aberta, sem se preocupar se alguém estava olhando, apenas se divertindo e esquecendo do resto do mundo, naquele momento só existia eles. A música havia acabado, mas as risadas jamais e fora assim até estacionar o carro em frente de sua casa. Ficaram um tempo em silencio, naquele momento nenhum do dois queria se despedir, mas ele o fez.

, queria te agradecer por tudo novamente, eu amei te conhecer, de verdade, de certa forma o assalto serviu para que a gente se conhecesse de alguma maneira e sou grato por isso. – disse sincero olhando para ela.
– Eu que não sei nem como te agradecer por esse dia, serio, foi muito especial e jamais vou esquecer. – ela estava sentindo um aperto no coração, odiava despedidas e sabia que provavelmente não o veria nunca mais.
Se soltaram do cinto de segurança e desceram do carro, para que ela fosse para o banco de motorista, porém antes disso ainda na calçada da casa do cantor, ele a abraçou passando os braços pelo pescoço dela e dando um beijo terno em sua testa, fazendo com que ela o abraçasse pela barriga, pois era muito alto ao seu lado, ele esperou que ela partisse o abraço, mas a verdade é que ele também não queria que aquele momento acabasse, então ao se separarem, passou a mão pelo cabelo dela que estava em seu rosto, devido ao vento.
– Já está bem para dirigir? – perguntou ele preocupado e ela assentiu.
Ele então a levou até o carro, abrindo a porta para ela, que entrou no carro colocando o cinto e o ligou.
– Vê se dessa vez trava essa porta. – ele falou divertido, fazendo dar uma gargalhada
– Adeus, . – E deu partida no carro.

Era por volta das 1:30h da manhã, quando ela estacionou o carro em sua garagem, e começou a reviver toda aquela noite maravilhosa que acabara de ter com , ele era exatamente do jeito que ela imaginou, sem tirar nem pôr, quer dizer, ele era muito mais bonito pessoalmente, muito mais alto do que imaginava, era gentil com todo mundo, o cara mais doce que havia conhecido.
estava muito feliz, na verdade ela não tinha palavras para descrever o que aquela noite havia significado para ela, mas no fundo ela se sentia angustiada, era como se ele estivesse perto e ao mesmo tempo longe, sabia que não o veria novamente a não ser por alguma tela ou no máximo um show, sabia que nunca mais iria sentir o que sentiu quando estava com .
Ficou ali no carro por um tempo, chorou para aliviar a angustia que estava sentido, enxugou as lagrimas e subiu para o seu apartamento, tomou um banho, colocou seu pijama favorito e deitou na tentativa frustrada de dormir, sabia que não conseguiria.


Esperou que desse partida no carro para entrar em casa, assim que o fez, se jogou no sofá enorme de sua sala e um filme de tudo que tinha acontecido aquele dia começou a passar em sua mente, de certa forma, por mais que aquilo parecesse estranho, estava grato por tudo que havia acontecido mais cedo, pois havia saído ileso do assalto e de alguma maneira, o acontecido fez com que entrasse em sua vida, apesar de por algumas horas, mas horas suficientes para que percebesse a falta que já estava fazendo, mesmo que em tão pouco tempo. Ela havia o feito se sentir tão leve em tão pouco tempo, poucas pessoas ao seu redor o faziam se sentir assim, e foi nesse momento que ele percebeu que a queria perto de si de alguma forma.
estava preocupado, queria saber se ela havia chegado bem em casa, a menina parecia distante na despedida, então pegou seu celular para mandar uma mensagem, para saber se estava tudo certo e pedir que ela avisasse quando chegar em casa, mas nesse momento se deu conta que não havia pego o número da garota, num ato de desespero, resolveu tentar encontra-la no Instagram, mas sem sucesso, a garota não havia lhe dito seu sobrenome, certamente ele lembraria e haviam milhares de ’s na rede social, no fundo sabia que era uma missão quase impossível e talvez não fosse pra ser, ele pensou.
O cantor estava caindo de sono, então subiu para tomar um banho relaxante e cair no sono.

Ás 3 e pouca da manhã, ouviu barulho da porta abrindo e já sabia que era Emma voltando de seu encontro com Josh, então levantou até a porta de seu quarto.
– Boa noite… Ou devo dizer bom dia? Pelo visto a noite foi boa.
– Bom dia, baby! Olha, foi sensacional. – a garota fez uma cara safada.
– Nossa, Emma, você é podre! – Disse dando uma gargalhada que contagiou Emy.
– Cala a boca, , você quem começou. Mas me conta ai, como foi sua noite, paquerou muito os Jonas pela Tv?
– Haha, palhaça! Se eu te contar, você não acredita.
– O que? Anda, , desembucha, fala logo! – Emma foi empurrando a amiga pra dentro do quarto e sentando junto com ela na cama.
– Mas você não vai acreditar…
– ANDA, FALA LOGO, NÃO TO BRINCANDO!
– Ta bem, ta bem! – Disse ela desistindo e continuou. – então, eu meio que me perdi no caminho e acabei indo parar em Hollywood Hills e… – Ela continuou contando o que havia acontecido.
– E foi isso. – olhava para Emy que até então não esboçava nenhuma reação, como se estivesse assimilando o que a amiga tinha acabado de contar, até que…
– AHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA – Emma caiu na gargalha, achava que a amiga estava ficando louca.
– Ta vendo, eu disse que você não acreditaria
– Amiga, desculpa, mas acho que você está lendo muita fanfic.
– É sério, Emy, a troco de que eu inventaria isso? – estava frustrada.
– Ok, vamos supor que seja verdade, cadê a foto para provar?
– Err…essa é uma história engraçada, eu esqueci de tirar, então não tem foto. – Disse sem graça.
– Ah, , como você espera que eu acredite nisso? Você me fala que salvou a vida de um dos seus ídolos, saiu para jantar com ele e tudo mais e nem ao menos você tirou uma foto?
– Sim?! – estava com um sorriso amarelo no rosto.
– Eu vou é tomar banho e cair na cama, porque daqui a pouco a gente tem que trabalhar.


acordou com o celular apitando, havia esquecido de colocar o aparelho no silencioso, pensou em ignorar e continuar dormindo, mas o aparelho não parava, então resolveu ver o que era, poderia ser importante.

Kendall 09:15am
~Print Screen~
é visto saindo de famoso restaurante em Malibu com garota desconhecida
Fontes afirmam que os dois estavam em clima de romance e pareciam ter se divertido bastante no jantar, fãs especulam novo affair de .

Que merda é essa, ?