Mutual

  • Por: Vanessa Vasconcellos
  • Categoria: Cantores | Restritas
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Sinopse: Uma CEO aos vinte e nove anos, depois de muito lutar para conquistar seu lugar na empresa que era sua por direito, ela se depara com outra barreira.
Shawn Mendes.
O seu coração até então, só tinha lugar para sua carreira. Será que ele vai ser capaz de ganhar um espaço?
Gênero: Romance. Drama.
Classificação: +18. Sexo.
Restrição: Fanfic escrita com Shawn Mendes, mas é possível ler com quem quiser.
Beta: Natasha Romanoff

Eu estava nervoso pra caralho.
Aquela maldita reunião com a CEO da empresa que iria patrocinar o evento em que eu faria o “show” estava me tirando dos eixos. Aquela mulher tinha mexido comigo como nunca, eu não saberia dizer se por causa da minha fragilidade após a decepção que tive da última vez que me envolvi com alguém ou se era o poder de sua presença naquela sala. A segunda alternativa era provável.
Me joguei na cadeira do camarim e deixei que Alice, minha maquiadora, terminasse os preparativos para o “show”. Ficar andando de um lado para o outro não ia diminuir a minha ansiedade e nem fazer com que eu parasse de pensar naquela mulher e em como ela levou aquela reunião com destreza, colocando todos os homens daquela sala no lugar deles quando, ao passar pela porta, um deles sugeriu, rudemente: “Como será o Sr. Baker?”, como se uma mulher não fosse capaz de estar à frente de uma multinacional.
A lembrança ainda estava fresca em minha memória.

— Esse Sr. Baker deve ser muito poderoso, homens sabem como comandar uma empresa. — Um homem sentado do outro lado da mesa comentou, em um tom bem machista.
A porta se abriu naquele momento e uma mulher alta, de cabelos pretos bem longos e um corpo escultural lançou um olhar para todos na mesa, mas principalmente para o babaca que acabara de falar.
Ela parou na ponta da mesa e jogou algumas pastas que estava carregando. Uma risadinha debochada saiu em seguida.
— Talvez você encontre um Sr. Baker em outra empresa, mas aqui, na
Corporation, é Srta. Baker. — Riu debochada. — Mas já que pensa que homens sabem comandar, você deveria aprender a comandar melhor a sua língua.
O homem não sabia onde enfiar a cara e eu sem querer acabei soltando um riso debochado que foi repreendido por um olhar duro vindo da CEO. Sorri sem graça e ela desviou o olhar, passando os olhos pela sala, provavelmente para conferir se todo mundo que era necessário para a reunião já estava ali.
Ela tinha sido a última a chegar.
— Bom, hoje marquei a reunião para que possamos decidir os últimos detalhes do evento do mês que vem. — Ela caminhou para longe da mesa e ficou próxima de um painel enorme que acabara de ser ligado.
Enquanto a Srta. Baker se ocupava em arrumar os últimos detalhes para iniciar a reunião, aproveitei para olhá-la. Além dos cabelos pretos, que davam um ar muito sensual por chegarem até sua bunda — e que bunda —, o vestido colado que ia até os joelhos que ela estava usando a tornava ainda mais “sexy”. Sem falar nos olhos negros penetrantes e a boca carnuda coberta por um batom nude.
Uma mulher forte e de personalidade, muito mais que um corpo e um rostinho bonito.
— Sr. , podemos começar? — Escutei ela dizer, e só então me dei conta de que estava encarando-a, provavelmente com a maior cara de idiota.
— Desculpe.
Ela riu de leve.
— Tudo bem. — Ela apontou para a tela e ignorou totalmente minha atitude. — Bom, já que o Sr. acabou de chamar a atenção para ele, vamos falar do “show” que ele fará no evento.
A reunião prosseguiu com ela me chamando de “Sr. ” enquanto eu dizia que aquela formalidade não era necessária. Quase fui jogado pela janela do enorme edifício quando ousei chamá-la de “” quando ela se apresentou como Baker, CEO da Manhattan Corporation.

O show correu melhor do que eu esperava, apesar de eu ter me perdido nas lembranças com . Tivemos que nos encontrar diversas vezes para poder aprimorar os detalhes do evento de hoje e eu simplesmente não consegui conter a oportunidade de flertar com ela em todas elas.
Recebi foras, é claro, mas alguma coisa me dizia que a minha presença a incomodava de alguma forma.
Eu esperava que fosse boa.
O evento estava indo muito bem, exceto pelo fato de que eu não conseguia tirar os olhos de Baker. Ela estava usando um vestido de cor prata, longo, com uma fenda generosa que deixava suas costas à mostra. Desviei meu olhar assim que a vi me encarar e entrei em um corredor isolado que tinha no salão.
Quase infartei quando ela me prensou contra a parede.
— Sr. . — Ela abriu um sorriso presunçoso.
— Srta. Baker. — Abri meu melhor sorriso.
Ela me puxou mais para o fundo do corredor, onde estava mais escuro.
— Você não pode trocar olhares comigo aqui. — Ela me lançou um olhar de repreensão.
Eu ainda estava prensado contra a parede e o espaço entre nós era quase inexistente.
— Estou falando sério.
Soltei um riso com a posição séria dela e a virei contra a parede.
— Você não me escuta, não é mesmo? — Colocou a mão contra meu peito, na tentativa de me afastar. — Imagina o escândalo que seria, você aos 21 anos saindo com uma mulher de 29?
Ela riu nervosa.
— Toda carreira precisa de um bom escandâ-lo. — Falei, e a beijei.

8 meses depois…

Eu tinha batalhado demais para chegar onde eu estava e a ideia de simplesmente arriscar tudo por causa de um “romance” era algo totalmente inconcebível para mim. Nunca fui o tipo de mulher que se importa com o que as pessoas dizem, mas sempre estive muito focada na minha carreira e em meus objetivos profissionais e jamais faria algo que pudesse arruinar tudo isso.
Nada disso estaria acontecendo se nunca tivesse entrado na minha vida.
Era ridículo pensar que uma mulher com seus vinte e nove anos, CEO de uma das empresas mais renomadas dos Estados Unidos, estivesse se arriscando em um relacionamento com um garoto de 21 anos. Um garoto, porque é isso que ele é.
Um garoto que é muito gostoso.
Ou talvez não, homens fazem isso o tempo todo e ninguém fala nada. Mas isso era uma regra pessoal minha. Nada de relacionamentos, mais novo ou mais velo.
Deus, eu precisava me concentrar e não ficar tendo pensamentos impróprios.
Joguei a pasta que eu estava analisando do outro lado da mesa enorme de reunião e me debrucei em frustração sobre a mesa. Eu tinha um contrato muito importante para pensar e não podia me dar o luxo de me preocupar com questões amorosas, a empresa estava em uma de suas melhores fases e eu precisava aproveitar.
— Srta. Baker, precisa de alguma coisa? — Olga, minha secretária, entrou na sala, parecendo que conseguia ler meus pensamentos conturbados.
A encarei com cara de interrogação.
— Ah! Eu vi a senhora se debruçando sobre a mesa, pensei que poderia precisar de um comprimido para dor de cabeça… talvez — sugeriu.
Eu quase tinha me esquecido que a sala de reuniões era toda de vidro.
Pareceu uma boa ideia na época, mas não agora.
— Seria ótimo. — Era uma boa ideia, minha cabeça provavelmente ia começar a doer a qualquer momento. — Muito obrigada!
Depois de tomar meu remédio, tentei trabalhar, mas logo desisti. Eu precisava de um bom banho e talvez só na minha cama com uma boa taça de vinho eu conseguiria me concentrar nos contratos que teria que ler.
— Olga, preciso que me mande toda minha agenda de amanhã. Pode fazer isso até o final do dia? — perguntei, já do lado de fora da sala.
Ela me olhou confusa.
— Qual o problema, Olga?
— Já é final da tarde, Srta. Baker. — A voz de reverberou pelo ambiente, pegando-me totalmente de surpresa.
Revirei os olhos, como uma adolescente emburrada.
O que ele estava fazendo aqui?
— Eu disse que não tinha nenhum agendamento com ele para hoje, mas ele insistiu que tinha marcado diretamente com você. — Olga se explicou, como se tivesse alguma obrigação de fazer isso.
— Sr. , eu lhe respondi dizendo que não poderia hoje. — Tentei parecer o mais convincente possível.
— Pensei que era melhor resolvermos todos os detalhes do evento de amanhã a noite. — Ele me olhou presunçoso.
O encarei por alguns instantes, na esperança de que ele desistisse, mas não aconteceu.
— Tudo bem, me acompanhe até minha sala.
Nem o comprimido que eu havia tomado ia me ajudar, minha cabeça já estava latejando e o fato de ter vindo até a empresa me deixou ainda mais nervosa do que eu já estava. As chances de eu chegar em casa e ler aqueles malditos contratos agora tinham caído por terra e eu estava prestes a perder a cabeça.
Entrei na minha sala, seguida por ele, e fechei a porta atrás de nós. Nem tive oportunidade de começar a dizer tudo que estava se passando pela minha cabeça porque ele me agarrou pela cintura e me prensou contra minha mesa de trabalho.
Seus lábios tocaram os meus de maneira ardente e senti cada parte do meu corpo se acender. Minha mente dizia para eu empurrá-lo e acabar com aquilo, mas o meu corpo dizia outra coisa porque àquela altura eu já estava com a minha saia para na cintura e os lábios dele desciam pelo meu pescoço, me causando arrepios.
o que… — Arfei ao vê-lo agachado na minha frente.
Ele puxou a minha calcinha com destreza até meus pés.
— Shiu… — disse, e segurou minhas pernas. — Sugiro que se segure na mesa.
Sua boca tocou minha intimidade e mordi o lábio para segurar o gemido. Com uma mão, segurei na mesa e com a outra eu segurei os cabelos dele com força, sua língua trabalhava com destreza em mim e minhas pernas estavam ficando bambas. Segurei os gemidos o máximo que consegui enquanto ele aumentava o ritmo, deixei escapar um quando ele deslizou dois dedos para dentro de mim.
Eu estava quase lá e ele sabia disso.
— Goza para mim, baby. — Ele pediu, e intensificou as chupadas e as estocadas com o dedo.
O orgasmo que eu tive foi tão intenso que foi preciso que ele me segurasse em seus braços.
Eu estava ofegante e o que tinha acabado de acontecer me pegou totalmente de surpresa, mas o que eu precisava dizer a ele ainda rodeava a minha mente. Ainda mais depois que ele fez essa aparição sem nem sequer me avisar.
— Eu sei. — Ele disse, me encarando, sua expressão tinha mudado.
— Sabe o quê? — perguntei, calma.
riu.
— Qual a graça?
— Você fingindo que não sabe do que estou falando. — Ele se afastou de mim, passando as mãos pelos cabelos. — Sei que não deveria ter aparecido aqui.
— Então, por que veio?
— Porque preciso saber se isso é mutuo. — Ele disse, e se aproximou novamente.
— O quê?
Do que ele estava falando?
— É difícil saber exatamente o que você quer.
— Já falamos sobre isso.
desviou o olhar e andou até a porta. Eu não sabia o que dizer a ele, pois já tinha dito diversas vezes que jamais existiria nada entre nós além de sexo e eu pensei que ele estivesse bem com isso depois da nossa última conversa, mas estava na cara que não.
Ele parou na porta e eu permaneci em silêncio.
— Te vejo amanhã, no evento.
Fui salva de cometer a loucura de ir atrás dele no meio da empresa pelo meu telefone que tocava com o número do meu irmão na tela. Eu tinha me esquecido completamente que havia marcado um jantar em casa, com ele e mais alguns amigos para resolver algumas coisas relacionadas ao evento de amanhã.
Não atendi e mandei apenas uma mensagem dizendo que estava tudo certo e que às oito horas ele já poderia estar lá. Meu relógio ainda marcava cinco horas e eu não tinha muito tempo para chegar em casa e me arrumar, então saí apressada, apenas reforçando para a Olga que precisava das coordenadas do evento.
Amanhã aconteceria o Baker Global Event. Todo ano, minha empresa promovia uma festa para receber todos os investidores e clientes para saber como estava o andamento dos clientes e, claro, para atrair ainda mais pessoas para a empresa. Ser uma mulher CEO aos vinte e nove anos me custou muito tempo e dedicação desde que completei meus dezoito anos.
Meu pai nem queria que eu assumisse a Baker Coporation. Para ele, meu irmão é quem deveria estar na cadeira de CEO. Porém, meu querido irmão nunca quis esta responsabilidade e seus sonhos eram outros, então meu pai, depois de muita insistência da minha parte e de Zack — meu irmão — decidiu que pior do que a empresa ser comandada por uma mulher seria se fosse por um desconhecido.
Um machista incurável.
Minha vida toda foi marcada por provar que eu era capaz como qualquer outro homem. Minha mãe morreu quando eu tinha apenas dez anos e isso tornou tudo muito pior. Meu pai nunca aceitou meu potencial e fazia de tudo para me diminuir, mas eu provei a ele que era uma mulher muito forte e tornei nossa empresa a melhor do mercado de publicidade, fui ainda mais além do que ele.
Atravessei a porta de entrada da minha cobertura e fui logo para o andar de cima. Tomei um banho longo e relaxante, fazendo com que me restasse apenas uma hora para eu me arrumar antes do jantar, optei por um vestido preto sem decote e um salto alto da mesma cor, soltei os cabelos para que ficassem naturais e fiz uma maquiagem leve.
Não demorou muito para que a maioria dos convidados chegasse, meu irmão foi o último. Ele é minha única família e graças a Deus tinhas sido bem diferente do meu pai, sempre acreditei que ambos puxamos nossa mãe e nunca fomos tão próximos de nosso pai.
— Então, fiquei sabendo que sua relação com é muito boa. — Zack disse, ao entrar na cozinha onde eu estava pegando uma garrafa de vinho.
Me deu uma crise de tosse na hora.
— Eu quis dizer a empresa. — Zack me olhou intrigado.
— Sim, lógico. — Desviei o olhar e fui até a adega.
Zack soltou um riso, ele tinha sacado e eu me entreguei igual uma idiota.
— Eu sabia! — Zack disse, gargalhando.
— Sabia o quê? — gritei, da adega, me fazendo de desentendida.
— Que você está tendo um romance com .
Revirei os olhos e voltei para a cozinha.
— Não, eu não estou — neguei, mesmo sabendo que ele não acreditaria em mim. Sempre fui uma péssima mentirosa.
— Qual é, , nós dois sabemos que você não sabe mentir. — Ele riu debochado. — Eu saquei naquela reunião que tivemos, na semana passada. O cara está caidinho por você.
Revirei os olhos de novo, um hábito péssimo.
— Zack, eu tenho vinte e nove anos e ele tem vinte e um, não viaja. — O repreendi enquanto procurava pelo abridor.
Meu irmão se aproximou e me puxou de maneira que eu olhasse para ele.
— O que foi? — Perguntei, ao ver que ele estava sério.
— E daí que você tem vinte e nove anos e ele vinte e um? Grande merda. — Meu irmão revirou os olhos.
Soltei uma risada pelo comentário.
— Ok, eu sou uma CEO séria e o papai reviraria no túmulo se eu fizesse isso estando no comando da empresa. — Tentei arrumar outra desculpa que fizesse sentido.
— Pelo amor de Deus, . — Zack revirou os olhos dessa vez. — Que Deus o tenha, mas foda-se o papai. Você precisa viver, ter uns orgasmos!
Soltei uma gargalhada, mas me senti na obrigação de repreendê-lo.
— Zack.
— Não me venha com Zack, aposto que teve uns bons com o garoto e sugiro que continue a fazer isso!
Ri tanto depois disso que minha barriga até começou a doer.
— Hoje ele me perguntou se o sentimento era mútuo — comentei, ainda lembrando das palavras de .
— Eu espero que seja, até eu gostaria de ter aos meus pés.
— Para de graça. — Dei um tapa no braço dele.
, apenas viva. — Meu irmão concluiu, e o vi sair da cozinha.
O restante do jantar correu bem, apesar de alguns comentários inapropriados do meu irmão insinuando a todo momento que eu estava em um relacionamento. Por sorte, as pessoas que estavam ali eram bons conhecidos e eu sabia que aquele assunto não sairia em nenhum tabloide, só de pensar nesta possibilidade eu ficava nervosa.
Minha noite de sono não foi muito bem sucedida devido à minha ansiedade. Eu estava nervosa com o evento, não conseguia parar de pensar na conversa com meu irmão e muito menos sobre as coisas que tinha me dito na minha sala.
Agora eu estava sendo a imatura. Ele merecia um posicionamento da minha parte e eu estava fugindo como uma criança medrosa.

4 meses antes…

, você quer alguma coisa? — gritou, da cozinha, enquanto eu procurava pelo meu protetor solar há mais de uma hora.
Revirei os olhos irritada e desisti. Eu teria que comprar outro ou simplesmente não usar nada e arriscar ficar toda ardida. Eu confesso que estava inclinada à segunda opção, pois não queria correr o risco de ser vista na cidade com ele, precisávamos ser discretos.
? — me chamou, de novo, nem tinha me dado conta de que não havia o respondido.
— Não — gritei.
Puxei o lençol da cama, na intenção de arrumá-la, e escutei o abrulho de algo caindo no chão, o bendito protetor estava lá. O peguei e escutei passos atrás de mim, fazendo com que me virasse e tivesse a visão de um sem camisa, apenas de bermuda e com um sorriso de felicidade.
— O que foi? — perguntei, despreocupada.
— Você tem um corpo realmente ótimo. — Ele me mediu dos pés à cabeça.
— Você quis dizer gostosa, certo? — Arqueei a sobrancelha. — Graças ao box, meu maior hobby.
— Hm, você está descontraída. — Dei de ombros.
caminhou até a cama e se sentou nela.
— Eu sou descontraída. — Ele riu.
Joguei uma toalha nele.
— Qual é, , você é toda séria.
— Sou uma mulher de negócios, preciso ser séria ou ninguém me respeita. — Expliquei, sem nenhuma intenção de ofendê-lo.
Essa era apenas a verdade.
— Isso é uma merda. Mulheres deveriam ser respeitadas em qualquer ocasião — disse, com a maior naturalidade.
sempre me surpreendia.
— Certo. Nós vamos para a cachoeira agora ou vai ficar aí deitado? — perguntei, mudando de assunto, na intenção de não demonstrar que eu tinha gostado do que ele havia dito.
Ele me encarou como se estivesse esperando por alguma resposta minha.
— Claro — disse, por fim.
O dia estava bonito e eu queria me desapegar de qualquer preocupação, mas era difícil toda vez que eu pensava na possibilidade de sermos vistos juntos. Eu ainda estava achando uma péssima ideia ter vindo para a minha casa de praia, na Califórnia, mas insistiu que precisávamos de um tempo como um “casal” normal.
Aí estava o problema, não éramos um casal normal só pelo simples fato de que ele era um cantor famoso e eu uma CEO de uma das maiores empresas dos Estados Unidos e isso não parava de rodear a minha mente que se caso isso caísse em algum tabloide, nossa imagem seria arruinada.
— Você precisa se desprender. — disse, fazendo com que eu saísse dos meus pensamentos.
— É difícil!
— Por quê? — questionou.
, nós dois temos uma carreira. Talvez a sua não seja tão importante para você, mas a minha é tudo que eu tenho, batalhei muito para chegar aqui.
Ele revirou os olhos.
— O quê?
— De fato, deve ter sido muito difícil seu pai ter te passado a empresa.
O comentário dele me atingiu de uma forma terrível, eu nunca mais tinha escutado nada como aquilo desde a morte do meu pai. Vez ou outra, eu tinha que ouvir comentários machistas pelo fato de ser uma mulher comandando uma multinacional, mas não esperava aquelas palavras vindas dele.
Me contive em dizer qualquer coisa e peguei minhas coisas que estavam espalhadas na areia. Aquilo só me constatou de que tinha sido uma puta besteira ter ido até ali com ele e começar tudo isso, uma mulher tão para frente como eu não poderia esperar que ele entendesse minhas conquistas.
me encarava confuso enquanto me acompanhava e ele só se deu conta de que eu tinha a intenção de ir embora quando entrei na casa, indo direto para o quarto, e comecei arrumar minhas malas. Pela primeira vez em anos, eu me sentia realmente irritada com um comentário daqueles — afinal, estava acostumada — e ainda mais vindo dele.
A raiva aumentou quando me dei conta de uma coisa. estava marcado em mim e eu estava me apaixonando por ele, ou não teria ficado tão decepcionada com as palavras dele.
— Ei, pera aí, eu brinquei com você. — Ele me pegou delicadamente pelo braço.
O encarei.
— Claro, todo mundo sempre brinca. — Continuei pegando minhas coisas.
— Ei, você sempre brinca comigo sobre a minha carreira, pensei que eu poderia fazer o mesmo.
parecia realmente preocupado.
— Você pareceu bem sério. — Parei para encará-lo.
— O quê? — Ele riu nervoso. — Qual é, ? Você, mais do que ninguém, sabe como eu te admiro.
— Ok, mas falar sobre como eu comecei a comandar aquela empresa é um assunto muito delicado para mim. — Meus olhos arderam e notei que ele percebeu as lágrimas que se formavam porque colocou uma mão em meu rosto.
— Pode me contar, qualquer coisa. — disse, delicadamente.
Eu já estava um pouco mais calma. Já tinha dois anos que meu pai havia morrido e ele me marcou tanto com a sua indiferença aos meus esforços que me deixou marcada de uma forma que ainda me fazia ter este tipo de reação, mesmo quando alguém muito próximo de mim fazia qualquer brincadeira sobre o assunto.
— Tudo bem. — Falei, e me virei, não queria chorar na frente dele.
Respirei fundo e o peguei pela mão. O levei até a varanda da casa e me sentei ali com ele, fiquei entre a pena dele enquanto me escutava atentamente dizer cada palavra. Era a primeira vez que eu contava para alguém que estava me relacionando sobre a minha vida pessoal, relação com meus pais e como de fato eu passei a me tornar a cabeça de toda a Baker Corporation.
Me senti leve assim que terminei de falar tudo.
— Isso é muito sério. — Falei, por fim.
— Claro que é, um absurdo tudo que seu pai fez.
— Não estou falando isso. — O encarei.
O sol estava batendo nos olhos dele, deixando-o em um tom de mel.
— Eu começar a alimentar sentimentos por você é algo muito sério. Agora você conheceu meu lado mais frágil.
riu.
— Qual a graça?
— Que você tenha um lado frágil. — ficou sério e me encarou, colocou uma mexa do meu cabelo atrás da minha orelha e sorriu. — Porque você é tão forte, que você acabou se tornando o meu lado mais forte.
Fiquei sem palavras e minha única reação foi beijá-lo.

Agora O dia do evento.

O dia tão esperado do ano, por mim e pela empresa, tinha finalmente chegado e eu mal conseguia me conter. Qualquer lugar em que eu ficava parecia pequeno demais para mim e toda a ansiedade que estava me consumindo. Eu mal tinha conseguido dormir, devo ter pregado os olhos por apenas uma hora e quase pulei da cama quando o despertador tocou às cinco e meia.
A caminhada matinal e o treino de box me ajudaram a relaxar um pouco, finalmente eu estaria pronta para ler contratos e me concentrar nos últimos detalhes para o evento desta noite. Depois de chegar em casa e preparar uma boa vitamina, fui direto para o meu escritório, na cobertura do meu apartament. Ele ficava bem na parte onde a enorme janela de vidro dava de frente para a cidade.
Profundamente relaxante.
Terminei todos os contratos, mandei os últimos detalhes que queria para o evento e fui tomar um longo banho, pois logo chegaria meu cabeleireiro e maquiador para me deixar totalmente impecável. Peguei o vestido longo vermelho sem alça que eu tinha escolhido há um mês e deixei separado, assim era só vesti-lo após arrumar meu cabelo.
— Você tem certeza? — Andy, minha cabeleireira, perguntou, antes de cortar meu cabelo.
— Sim, quero que corte ele, quero na altura dos ombros — afirmei.
Eu estava determinada a mudar e queria começar pelo cabelo. Eles sempre foram longos, já estava mais que na hora de fazer uma mudança e senti que estava completamente certa quando ele começou a cortar.
— Está maravilhosa. — Ela sorriu carinhosamente, pude ver através do reflexo do espelho.
Quando finalmente encarei meu reflexo, ao estar totalmente vestida e com o cabelo pronto, me senti realizada. Tudo estava conforme o planejado e as coordenadas que eu tinha recebido em meu celular sobre o evento mostrava que tudo estava dentro do esperado.
O caminho até o local foi tranquilo e demorei apenas trinta minutos para chegar. A entrada estava lotada de repórteres querendo muitas informações sobre o evento, quem participaria e quais seriam as atrações principais, mas eu não tinha a intenção de dizer nada que estragasse as surpresas da noite e passei educadamente por todos eles.
Meu objetivo não era falar com ninguém naquele momento, meus pés seguiram as ordens dos meus pensamentos e me levaram rapidamente à área dos camarins dos artistas. Assim que li “ ” na porta, dei três batidas e escutei a voz dele autorizando a entrada.
— Sr. , está pronto? — perguntei, como de costume.
Eu não estava falando sério, mas pelo olhar dele eu sabia que ele pensava que sim.
— Minha entrada é apenas às 21h, correto? — perguntou, sem me olhar.
Raspei a garganta.
me encarou e abriu um sorriso, passando os olhos por todo meu corpo até chegar em meu rosto. Ele se aproximou e senti cada pedaço de mim se acender em uma espécie de frenesi. O toque dele em meu cabelo fez com que me arrepiasse de imediato.
— Você está linda, adorei o cabelo. — Ele sorriu para mim, sem tirar a mão dos meus cabelos.
— Obrigada.
Eu não queria ser seca com ele, mas esse era meu jeito habitual e a ideia de que eu teria que mudar para agradá-lo me incomodava de certa forma.
— Sem problema. — Ele sorriu e voltou para onde estava, se arrumando.
. — Dessa vez, decidi chamá-lo informalmente.
Ele me lançou um olhar, dando a entender que eu poderia prosseguir com o que tivesse para dizer.
— Não é minha intenção ser indiferente a você… — falei.
Ele riu.
— Essa não é a questão aqui, não estou pedindo que seja alguém que não quer ser.
O encarei um pouco confusa.
— Não estou entendendo.
se aproximou de novo.
— Não, eu não quero ter que ir embora.
— Quem falou sobre ir? — perguntei, com uma certa preocupação.
Era a primeira vez que eu realmente me importava se alguém tinha a intenção de sair da minha vida.
— Mas metade de você não é suficiente para mim.
Meus olhos encararam os dele por alguns instante e o abracei. Eu tinha a intenção de dizer mais algumas coisas, quando a porta do camarim se abriu e uma das meninas que selecionei para ficar responsável por toda a equipe de entrou.
— Me desculpa. — A garota estava claramente desconfortável com o que presenciou.
— Eu já estava de saída — afirmei, de forma simpática, para a garota simpática na porta.
Me virei para encarar de novo, como se a garota nem estivesse ali. Eu deveria estar nervosa, mas pela primeira vez eu estava tentando seguir os conselhos do meu irmão sobre viver, me sentia satisfeita com isso e não tinha vontade alguma de voltar.
Meu coração estava disparado, mas de uma maneira boa.
— Te vejo lá fora, ?
— Sim, Srta. Baker.
Abriu um sorriso e me virei para ir embora, mas parei ao ouvi-lo dizer:
— Callie, certo? — Ele estava se referindo à garota. — Se puder não contar a ninguém o que aconteceu aqui.
Soltei um riso nervoso.
— Pois eu espero que conte. — Falei, e saí do lugar batendo a porta atrás de mim.
Eu nem tinha me dado o trabalho de ver a reação de quando eu disse aquilo para a moça, mas eu poderia dizer que foi de espanto pela forma que ele me encarava enquanto fazia o “show”. Tudo parecia calmo e não aparentava ter nenhum boato sobre uma CEO namorando .
O pensamento quase me fez rir.
O evento estava perfeito, exatamente como eu imaginei e o “show” dele foi o ponto forte de tudo. Com a voz incrível e a presença de palco dele eu sabia que não seria diferente, sem falar na simpatia dele ao lidar com os fãs e com todas as pessoas que iam até ele.
— Bom, agora eu gostaria de chamar uma pessoa para vir até aqui. — disse, e quase dei um pulo na cadeira, isso eu sabia que não estava no roteiro.
, você pode vir aqui? — Ele perguntou, me chamando pelo apelido.

“Não sabia que eles eram íntimos.”
“Será que tem algo mais por trás disso?”
e a CEO?”.

Eu conseguia ouvir os sussurros das pessoas enquanto me levantava ainda meio atônita ao que estava acontecendo. Seja lá o que ele estivesse planejando, eu não tinha a intenção de impedir.
Encarei Zack da primeira fila de cadeiras, que sorriu de maneira animadora para mim e puder ler nos lábios dele “Se joga” quase me fazendo rir, se não fosse pelo nervosismo que eu estava sentindo.
fez sinal para que eu me sentasse em um banco de frente para o dele.
— Eu espero que não tenha mudado de ideia, porque agora não tem volta. — Ele sussurrou, ao se inclinar para ajustar o microfone.
Soltei um riso nervoso.
Agora não tinha como voltar, certo?
— Eu fiz uma música, chamada Mutual e eu gostaria de dedicar para essa mulher incrível que tive a oportunidade de conhecer e trabalhar.
Olhando a plateia, eu conseguia dizer que algumas pessoas estavam um pouco confusas, outras já especulavam que algo estava acontecendo entre nós e algumas, um pouco incrédulas, apenas diziam que ele era um garoto muito bom e queria fazer uma gentileza.
Quando começou a cantar, meu coração disparou… Desde que ele tinha tido aquela reação na minha sala suas palavras não faziam sentido, só então me dei conta de que cada frase de alerta daquela era uma música que ele estava escrevendo.

I want you close to me
(Eu quero você perto de mim)
I want you close, I want you closer
(Eu quero você perto, eu quero você mais perto)
But when you’re here with me
(Mas quando você está aqui comigo)
It’s hard to tell just what you’re after
(É difícil saber exatamente o que você quer)

A letra da música era muito pronta e eu não conseguia disfarçar o quanto ela estava mexendo comigo. Em um gesto não pensado, eu peguei a mão dele e apertei por um momento, não tive certeza se as outras pessoas tinham notado da mesma maneira que ele, mas isso não importava.

And get way too involved
(E me envolver demais)
I want you bad, baby
(Eu te quero demais)
Can you reciprocate?
(Você pode retribuir?)
No, I don’t want to have to leave
(Não, eu não quero ter que ir embora)
But half of you’s not enough for me
(Mas metade de você não é suficiente pra mim)

Ele terminou a música e antes que pudéssemos dizer alguma coisa, fomos tomados por milhares de aplausos. agradeceu e eu desci do palco ao ser chamada pela equipe de assessoria do evento. Eles me passaram alguns comandos e eu subi ao palco para dizer que todos poderiam ficar à vontade que a partir de agora o evento tinha oficialmente começado.
Eu estava ocupada demais em receber todos os investidores e novos interessados na empresa, mal tive oportunidade de encontrar com depois do “show” dele e a única coisa que consegui foi algumas trocas de olhares de longe.
Pedi licença para algumas pessoas e fui em direção à saída para ver as coisas como estavam por lá, quando se aproximou de mim e fomos tomados por repórteres que estavam ali.
— O que você tem a dizer sobre a música que ele escreveu para você? — uma mulher perguntou.
— Vocês estão íntimos há quanto tempo?

colocou a mão nas minhas costas.
— Não precisa responder nada disso, se não quiser. — Ele sussurrou, no meu ouvido.
— Vocês estão tendo algum tipo de relacionamento? Ou podemos supor que é apenas uma aventura?
— Considerando sua idade. — Um repórter perguntou, em um tom extremamente machista.

— Ei! — Ouvi dizer, mas segurei a mão dele.
— Eu vou responder a todas as perguntas, se todos se acalmarem — falei, com firmeza.
Foi ainda pior, eles ficaram mais barulhentos e começaram um bombardeio de perguntas.
Viva sua vida.
Tenha orgasmos.

A voz do meu irmão estava ecoando na minha cabeça.
Puxei mais para perto de mim.
— Eu espero que você esteja pronto para o que eu vou fazer. — Sussurrei.
— Sim. Eu não quero ter que ir embora. — Foi a última coisa que o ouvi dizer, antes que as minhas palavras fizessem com que todos os repórteres ficassem eufóricos.

FIM