Queda e Ascensão

Queda e Ascensão

Sinopse: O querido ex-one direction, Niall Horan, sempre foi considerado como “bom-moço”, e, de uma hora pra outra, decidiu que cansou dessa imagem, causando diversos problemas para seus empresários..
Fandom: Niall Horan.
Gênero: Romance.
Classificação: não recomendado para menores de 18 anos, contém cenas de sexo.
Restrição: O Niall é fixo como pp. A fic faz crossover com My Boyfriend Is a Superstar e Slow.
Beta: Lara-Jean Covey.

Capítulos:

Prólogo

@NiallJHBra: Niall Horan nesta sexta (22) deixando uma boate, antes de socar um paparazzi que estava no local.
@NiallJHBra: Gente, nossa equipe lamenta pelo último acontecimento com Niall, nós não sabemos o que está acontecendo com ele.
@NiallSquad: Niall just punched a paps. WHAT. THE. ACTUAL. FUCK?
@MexicoNH: Yo no creo. ¿O qué está pasando con Niall?
@NJHUpdates: Our lovely Irishman isn’t that lovely anymore… What is going on with the “church boy”?
@NiallHFrance: Personne ne comprend ce qui arrive à Niall.
@JapaneseNialler: 何が起こっているのかわからない…もう彼を知らない.
@BrazilianNiall: É oficial, Niall James Horan acaba de ser cancelado.

Capitulo 1

“Niall Horan foi visto transando nos fundos de uma de umas baladas mais renomadas na Irlanda”

O irlandês revirou os olhos ao ler o título da matéria que havia sido impressa pelo gerente da Capitol Records, rolou os olhos e tornou a encarar os executivos que ali estavam, jogando o papel longe. Ele não tinha notado minha presença ali na ponta de mesa.
– Ok, eu posso ir agora? – murmurou impaciente. – Sabe como é, eu preciso me arrumar para a festa de hoje.
– Não, Niall, você não pode! – Jordan, o gerente, bateu a mão na mesa. – Eu já cansei de ver esse tipo de notícia sobre você na mídia. – o grisalho estava furioso. – Você tem 26 anos, não é como se fosse um moleque.
– E se eu tiver me cansado de ser sempre o bonzinho? – Horan arqueou uma sobrancelha. – Sempre foi assim! Eu sempre fui o doce irlandês, aquele que ninguém nem podia saber que transava enquanto estava fodendo ao menos uma fã por noite. Eu cansei, Jordan. – o loiro se levantou, falando na mesma entonação de seu gerente.
– Uma coisa é você querer se rebelar, outra é entender que seu público tem dezoito anos. – Jordan gritou mais uma vez. – Pode cantar sobre sexo, sair com quantas garotas quiser, mas tudo tem um limite! Pode continuar usando suas drogas, desde que não sejam publicamente, mas que inferno!
– Na verdade, não deve de maneira nenhuma continuar usando as drogas. – Minha voz ressoou na sala, chamando atenção para mim. – E vai acabar em quantas reabilitações forem necessárias para que isso pare.
– E você é…? – o irlandês, que se encontrava vermelho de raiva, perguntou.
– Ah, que rude de minha parte. – dei um sorriso cínico. – Eu sou . Fawn . Mas você pode me chamar de .
– Mais uma vez, quem é você? – o moreno insistiu.
– Jordan não te disse a novidade? – ele negou. – Devido ao seu comportamento, Lewis deixou o cargo de seu empresário e eu estou assumindo agora. – Ele arregalou os olhos.
– Ótimo, quantos anos você tem? – o irlandês, que agora estava irritado de verdade, perguntou a mim. Ele tinha motivos para tal, Lewis era seu melhor amigo desde a infância, e foi só quando deixou o One Direction que pôde contratá-lo como empresário.
– Vinte e três. – Respondi ainda com expressão de deboche.
– Ótimo, você me põe uma garota de vinte e três anos para administrar a minha carreira. – Olhou para o gerente com olhos fumegantes. – Se fosse trocar Lewis, poderia ao menos pegar alguém mais experiente.
– Hm, Horan, é a filha de Steve… O – O grisalho avisou. – Te vem alguém em mente? – o cantor arregalou os olhos, mas logo voltou a sentir raiva. Sim, meu pai é o CEO da Capitol Records.
– E daí que ela é filha dele? Não quer dizer que ela saiba administrar a carreira de ninguém. – foi a vez da garota se levantar e parar na frente de Horan, que agora estava sentado.
– Escuta aqui, lindo, eu não sei quem ou o que te fez ter essa síndrome de estrelinha, mas comigo não vai colar. – apoiei minhas mãos nos braços da cadeira, curvando meu corpo para ficar com meus olhos na altura dos dele. – Eu não estudei e dediquei toda minha vida para uma profissão onde um cara que acha que o mundo gira em torno de seu umbigo vai falar esse tipo de coisa sobre meu trabalho. – levantei, o encarando com uma expressão nada boa.
– Que vida, garota?! Você tem vinte e três anos! – ele rolou os olhos mais uma vez, cruzando os braços.
– Eu estudo música desde nova, e tenho dois diplomas de faculdade, um em Relações Públicas e outro em Marketing, sim fiz dois cursos ao mesmo tempo por não serem integrais, e olhe só, você não tem nenhum. – comecei e pude notar todos os executivos na mesa arregalarem os olhos apreensivos. – Eu passo todos os dias com meu pai para cima e para baixo, resolvendo problemas da gravadora, então não pense que eu não sei o que estou fazendo, porque eu sei muito bem. E ai de você…
… – Jordan me interrompeu.
– Não, Jordie, se é pra ofender alguém eu também sei como fazer. – me virei ao grisalho. – Eu venho aqui com a maior boa vontade para ajudar e sou recebida como se fosse uma criança de 12 anos?
, acho que você já passou sua mensagem. – o mais velho me pediu novamente.
– Ok. – respirei fundo e peguei um envelope que estava na mesa. – Pode, por favor, assinar isso aqui para eu conseguir começar a executar minha função? – entreguei nas mãos do cantor.
– E eu tenho alguma outra opção? – bufou ao pegar a caneta assinando nos lugares destinados a ele.
– Nos vemos a noite em sua festa. – lancei um beijinho no ar para Niall e saí da sala.
Eu estava revoltada. Talvez mais que isso. Tudo o que eu menos precisava era que Niall James Horan fosse um completo babaca, e adivinha só o que ele era? Pois é! Eu jamais imaginaria que ele seria um completo idiota dessa forma, já que todo o contato que tive com os outros 4 ex-membros da One Direction foi completamente diferente. O que me deixa com mais ódio nessa história é que eu não posso nem o chamar de feio, porque o filho da puta não é.
Eu vinha estudando sobre Niall nas últimas semanas, antes de Lewis finalmente tomar a decisão de deixar o amigo, porque ele já havia conversado com meu pai sobre a possibilidade de isso acontecer. Não o culpo, eu, no lugar dele, também estaria exausta de tentar controlar um homem mimado como Horan.
Continuei o caminho até minha sala pensando nas formas como gostaria de matar o meu mais novo cliente. Ali me tranquei. A vontade era de gritar, mas não podia fazer, porque, se fizesse, chamaria atenção de todos no escritório. Com o tempo consegui me acalmar e retomar meu trabalho.
Voltei a estudar sobre ele, mas dessa vez mais a fundo. Parei de procurar sobre as fofocas atuais que haviam sido publicadas, e até print de outras que foram pagas para serem retiradas do ar, e fui parar em 2011, bem no início de sua carreira, já que no The X Factor ele ainda nem sabia o que iria acontecer. O que me chocou foi que ele não parecia ser como é hoje. Ele era um ser humano doce, engraçado e atencioso. Isso não mudou nada até pelo menos 2015. Depois disso ele sumiu da mídia por um tempo e quando voltou, começou a se comportar de maneira estranha. A Flicker Tour foi mágica para os fãs, mas era notável o inferno que ele estava passando e, ao fim dela, as coisas pioraram. O abuso de drogas se tornou mais intenso, assim como o de álcool. Fotos e até vídeos dele em momentos íntimos com mulheres começaram a vazar com mais frequência, e começou a tratar quem o entrevistava mal, a ponto de muita gente cancelar sua presença nos programas onde já era hábito ele participar.
– Niall Horan, o que aconteceu com você? – sussurrei sem ao menos notar que alguém tinha entrado na sala.
– Pouco te importa, eu sei que você não vai aguentar também. – dei um salto na cadeira quando ouvi a voz de Horan. – Se meu melhor amigo desistiu, quem é você pra não.
– Eu não vou desistir, pois é como minha mãe sempre diz “brasileiro não desiste nunca”. – disse em português o ditado e ele arqueou uma sobrancelha.
– Ta, tanto faz. – rolou os olhos. Se esse garoto rolar os olhos mais uma vez pra mim hoje eu arranco eles fora. – Só vim aqui para te dizer que a festa vai ser na minha casa às 21h. – respirou fundo. – Eu nem ia te convidar, mas como Jordan me obrigou, aqui estou.
– Eu não costumo ir a lugares onde não sou bem vinda, sabe, Horan?! – dei o meu melhor falso sorriso. – Mas como eu sei que isso vai te irritar, eu vou.
– Que seja, . – me chamou pelo apelido.
Ele saiu da sala e eu me toquei que nem uma roupa decente para usar hoje a noite eu tinha. Arrumei as coisas na minha mesa, desliguei meu computador, subi dois andares para avisar meu pai que já estava indo, e deixei a empresa na busca de um look para a noite.
Rodei em algumas lojas do shopping antes de achar o conjunto perfeito para aproveitar a festa “intimista” que de íntima não teria nada. Já imaginava que seria uma casa de celebridade, cheia de outras celebridades, então isso pesou muito na escolha até mesmo do tecido que usaria. Peguei meu celular, abri o whatsapp, mandando uma mensagem para minha amiga que é maquiadora e ela disse que estava disponível para fazer minha maquiagem hoje em casa. Otimo, tudo certo, agora é só ir pra casa e esperar a hora de começar a me arrumar.

Capítulo 2

Meu cabelo estava arrumado com cachos leves, uma maquiagem não tão exagerada e um conjunto de saia e cropped jeans que era simplesmente perfeito. Nos pés tinha uma sandália preta com algumas tiras. Vestia também um sobretudo preto que não permaneceria ali assim que eu chegasse a casa de Horan. Liguei para minha prima, Alexia, que acabara de chegar do Brasil para saber se ela realmente me acompanharia, e sim, ela ainda iria.
Chamei o uber, segui para o hotel onde Alexia estava hospedada, e de lá fomos direto para a casa de Niall, passando pelo meio de dez paparazzi para conseguir tocar a campainha. Avisei Lexi que precisava achar o dono da festa, e que logo estaria de volta. Ela apenas assentiu e entrei no meio da multidão que estava concentrada na sala de estar. Perguntei para algumas pessoas se alguém havia visto Horan em algum lugar, e nenhuma delas tinha tido contato com ele naquela noite ainda. Acabei chegando ao jardim dos fundos, onde pude vê-lo com uma garota sentada em seu colo, enquanto ele preparava uma carreira de cocaína entre os peitos dela para cheirar.
– O que você acha que vai fazer? – Perguntou ao me ver parada ao seu lado de braços cruzados. A biscate me olhou de cima a baixo e deu um sorriso irônico.
– O que você acha? – Perguntei como se fosse óbvio o que estava prestes a acontecer. Me inclinei próximo aos peitos da garota.
– Você sabe que não vai fazer isso né? – assoprei toda a droga que estava ali, e pudemos ver ela se espalhar pelo ar.
– Não vou fazer o que? – Ainda inclinada, me virei para ele. Estávamos com o rosto bem próximo. Ele me olhava furioso, jogou a cabeça para trás e esfregou os olhos, buscando autocontrole. A garota saiu do colo dele me olhando feio, enquanto eu me levantava.
– Você tinha dito que não frequentava lugares onde não era convidada. – Ele soltou ácido.
– Mas você não me deixou escolha menino Horan, eu precisava vir. – ri nasalado. – Afinal, dei a minha palavra de que daria um jeito de te pôr na linha.
– Já que está aqui, então vamos festejar. – ele levantou e pegou minha mão. – Talvez assim você veja onde está se metendo e esqueça essa idiotice.
– Me faça desistir, Horan. – o provoquei. Já sabia o que estava por vir: álcool, sexo e drogas, mas não era nenhuma santa também, então sabia exatamente onde estava indo.
Niall me puxou para a cozinha, onde tinha um freezer cheio de bebidas. Enfiou a mão e tirou de lá uma garrafa com líquido verde pela metade. Pegou dois copos de shot e, sem me mostrar o que era aquilo, os encheu e devolveu a garrafa para o freezer.
– Um pra você e um pra mim. – empurrou o copinho para minha frente.
– O que é isso? – perguntei antes de pegar o copinho e cheirar. Aquilo parecia etanol puro.
– Só bebe, , depois eu digo o que é. – ele virou o shot. – Se fosse veneno eu não beberia. Respirei fundo e virei o líquido. Senti um gosto adocicado, mas logo o amargor do álcool tomou conta de minha boca, e pude sentir minha língua formigando.
– Pode me dizer o que é agora? – bati o copinho no balcão, enquanto fazia uma careta.
– Absinto de Cannabis. – eu arregalei os olhos. – Calma, é só com a essência da flor, e esse tem só 75% de álcool. – ele ria como se fosse seu aniversário. – Agora a festa vai começar a ficar boa.
Niall me puxou mais uma vez pela mão até o lugar onde as pessoas estavam dançando. Não sabia qual era a bruxaria daquela bebida, mas em minutos eu já estava bêbada. Contudo, ao invés de parar de beber, eu queria beber mais. Haviam luzes piscando por todo lado e o DJ tocava Pussycat Dolls. Eu cresci ouvindo PCD, sabia todas as coreografias, e a notícia do come back delas estava me deixando surtada. Ali, sob efeito de álcool, eu não queria saber quem estava olhando, só queria dançar uma das minhas músicas favoritas como se não houvesse o amanhã. Horan estava do meu lado, mas olhava pra uma loira peituda que passava, então ele não viu o momento que comecei a dançar o refrão de When I Grow Up, da maneira que minha saia apertada permitia. Haviam dançarinas ali perto, que logo identificaram a coreografia e me acompanharam. Parecia um flash mob, mas era só eu e álcool no mesmo lugar. Nunca fui uma dançarina profissional, mas quando criança fazia dança para perder peso, então eu sabia como rebolar minha bunda. Foi engraçado ver a cara de Niall quando ele voltou sua atenção pra mim e eu já estava me enturmando com as meninas. Assim que a música acabou, olhei Horan que me observava com um sorriso de canto de rosto.
– Eu acho que está na hora de mais álcool. – ele segurou minha mão outra vez, fazendo o mesmo caminho da cozinha, mas dessa vez ele tirou tequila de dentro. – Body shot! – pegou um pote de sal e um limão fatiado. – Você primeiro. – entregou as coisas em minha mão. – Sou todo seu, a não ser que você não saiba como fazer. – me desafiou. Antes eu pensava em fazer algo mais tranquilo, mas Niall Horan, por que você tem que me provocar até meus limites?
– Deita na bancada, blondie. – descobri, nas pesquisas que fiz, que ele odiava ser chamado assim, pois remetia ao seu passado de bom moço. Ele deitou e eu levantei sua blusa sem muita delicadeza. Polvilhei sal entre seu umbigo e o botão de sua calça. O limão deixei em cima do zíper e o copinho com o líquido alcoólico no meio de suas pernas. – Tá preparado? – ele assentiu. Lambi o sal em direção a sua pelve, peguei o copinho com a mão mesmo e virei de uma só vez. Peguei o limão com a boca, olhando em seus olhos, que estavam surpresos com tal atitude. – Sua vez. – falei por fim, tirando o bagaço do limão e jogando fora.
– Não preciso que sente ou deite, pode ficar só paradinha onde está. – ele falou enquanto pegava o sal e vinha polvilhar no meu pescoço. Colocou o copinho do shot no meu decote e o limão em minha boca. – Isso, do jeito que eu gosto. – Eu sabia que ele estava me testando, e não iria deixar ele sair por cima, de jeito nenhum. Mas meu corpo respondeu o oposto quando, sem avisar, ele passou a língua quente em meu pescoço. Niall pegou o copinho com a boca e virou a bebida. Eu segurava o limão com os dentes, e ele o pegou ao encostar sua boca suavemente na minha. Tinha uma festa acontecendo no meio das minhas pernas, contudo não deixaria transparecer. – Parece que a certinha” só existe quando tem executivos conhecidos do papai por perto.
– Você não me conhece, Horan. Eu nunca disse que era certinha, e sim que eu estava aqui para limpar a sua imagem. – coloquei mais um shot para mim. – Essas verdades são apenas suas, querido. – virei o líquido em minha boca e o deixei sozinho na cozinha.
Enquanto voltava para onde todas as pessoas estavam, lembrei de Lexi sozinha na festa. MERDA! Ela nunca mais vai querer sair comigo outra vez. Rodei por todo a casa, até a encontrar em um balcão, que tinha um barman. Eu nem sabia que existia isso Aqui. Talvez isso explique o por que de a cozinha estar tão vazia… Mas Lexi não estava sozinha, ela estava conversando com um cara alto e de cabelos castanhos.
– LEXI! – chamei de longe. – Lexi, o que você está fazendo aqui? – olhei de relance e vi que sua companhia era Harry Styles.
– Você me abandonou, , eu estava ocupando meu tempo. – ela respondeu. – Aliás, acho que vou chamar o uber e ir pro hotel.
– Tem certeza? – perguntei para desencargo de consciência, e ela assentiu. – Ok, então, vou voltar a tentar não deixar Niall aprontar. – Ela sorriu doce e dei um beijo em sua bochecha, antes de entrar no meio das pessoas dançando outra vez.
Eu já me sentia tonta e minha boca estava formigando. Sabia que esse era o sinal que meu corpo me dava quando eu estava prestes a começar a ficar completamente bêbada. Não estava me conformando com isso, pois eu não havia bebido muito, contudo o pouco que havia bebido era de alta concentração. Maldito absinto! Se eu tivesse bebido apenas tequilas, eu estaria completamente bem. Encontrei meu cliente junto de Lewis Capaldi fumando. Não iria me aproximar, afinal, já estraguei sua cocaína, não iria estragar sua erva… E caso fosse um cigarro branco, não teria motivo para eu tirar de sua mão. Já fui invasiva demais por uma noite. Meu objetivo, a partir de agora, é apenas não o deixar fazer nenhuma merda.
Voltei ao balcão do barman, pedi um cosmopolitan e a última coisa que me lembro dessa fatídica noite é Niall me colocando numa cama, depois apagando a luz e saindo do quarto.

Capítulo 3

Acordei ainda um pouco tonta. Esfreguei meus olhos antes de finalmente os abrir e não reconhecer o quarto em que estava. A mobília moderna vermelha e branca não era minha, muito menos aquela decoração. Ok, eu definitivamente não estava em casa. Peguei meu celular para ver se ali continha informação de onde eu poderia estar, mas ele estava sem bateria. Ótimo, , você conseguiu cair no jogo de Niall Horan. Não sabia nem que horas eram, mas sabia que devia estar no prédio da Capitol por volta de uma da tarde. Tomei coragem e levantei, me dando conta que vestia apenas minha lingerie. Meu Deus o que eu fiz ontem?
Vesti minha roupa, que achei dobrada em cima do criado mudo, e abri a porta, chegando num corredor com várias portas fechadas. Desci a escada e finalmente me dei conta de que eu havia dormido na casa de Niall. Levei a mão ao rosto apreensiva. Ele tinha a faca e o queijo na mão, e caso seu plano fosse destruir a minha imagem e me tirar do cargo em que estou, daria 100% certo. A casa não estava suja, então já devia ser bem tarde.

, você ta bem? – Niall me olhou preocupado.
– Ih, Blondie, eu to ótima, melhor impossível. – respondi eufórica até demais.
– Você sabe que eu não sou loiro mais, né? – assenti. – Tem certeza de que está bem? – perguntou mais uma vez e eu afirmei. – Então eu vou te soltar, ok?
– Ai Niall, para com isso, eu hein. – revirei os olhos e ele me soltou, mas pegou logo em seguida. Tá, eu admito, talvez eu não estivesse tão bem.
– Você tá bêbada pra caralho. – riu – Vem, vou te pôr num quarto. – passou meu braço por cima de seu ombro e pegou minhas pernas, me carregando no colo. Eu simplesmente o abracei e deixei que me carregasse.
Niall abriu uma porta e entrou. Sentou-me na cama e tirou minha roupa sendo completamente cuidadoso para não tocar onde não deveria, e, ao terminar, me deitou. Regulou o aquecedor e entregou-me um cobertor grosso.
– Dorme, ta? – disse enquanto ia até a saída do quarto. – Quando você acordar vai estar melhor. – apagou a luz e fechou a porta.

Ele tinha cuidado de mim. Mas por que? Será que aquele Niall que era o good guy ainda existe em algum lugar? Será que ele está apenas fingindo essa imagem de bad boy por algum motivo específico? Essas perguntas rondavam meu pensamento enquanto entrava na cozinha que tanto havia frequentado na noite anterior. O café da manhã ainda estava posto, então, sentei-me e peguei um copo de suco de laranja e uma fatia de pão integral. Eu precisava ir pra casa, tomar um banho e ir para o trabalho, mas ainda não tinha descobrido como faria isso. O dono da casa não parecia estar ali, então para quem eu poderia pedir um carregador emprestado? E não, não iria mexer em suas coisas para procurar por um.
– Olha só quem acordou. – O moreno chegou na cozinha vestindo um moletom simples.
– Eu preciso ir pra casa, Niall. Me empresta seu carregador por 5 minutos? – pedi de uma vez e ele tirou a capinha de seu iphone e me entregou.
– É uma capinha que carrega o celular, pode usar. – sentou num banquinho do outro lado da mesa enquanto preparava seu iogurte com granola. – Eu te subestimei, . – desviei o olhar do celular por um segundo para o encarar. – Você com essa postura de “você vai voltar aos eixos sim”, sendo que nem você tem seus próprios eixos no lugar.
– O que? – eu não tinha acreditado no que ele havia acabado de dizer. Não era errado, não mesmo. Mas nunca tinha ouvido isso da boca de ninguém.
– Você sabe. Você não contestou nada do que eu te submeti a fazer, e você sabia o que estava fazendo. Não era algo novo. – ele olhou no fundo dos meus olhos. – Você não me engana . Adoraria saber o que seu pai e todos os executivos que beijam seus pés fariam se soubessem quem você é de verdade.
– O que te faz ter tanta certeza que você, logo você, sabe quem eu sou?
– Tudo o que você faz quando está sob efeito de álcool é o que você tem vontade de fazer quando está sóbria, mas se controla. – ele começou. – Não dá pra culpar o álcool, afinal é só você sem todos os disfarces. É o que está no seu subconsciente. – jogou uma granola em mim. – Relaxa, minha intenção não era acabar com sua carreira, isso você vai fazer sozinha tentando me fazer voltar ao que era, mas sim te conhecer, já que você gerencia toda a minha carreira agora. – enfiou uma colherada de iogurte na boca.
– Pois que fique claro que eu sei que você está apenas interpretando um personagem, Niall Horan. Esse não é o seu verdadeiro eu, e você sabe disso tão bem quanto eu. – terminei meu suco. – Tira tantas conclusões sobre as pessoas que estão ao seu redor, que esquece que você tá interpretando um personagem… – devolvi sua capinha-carregador – Agora eu preciso ir, meu uber está esperando ali fora. – O dei as costas, deixando-o com uma expressão não muito feliz.
Achei muita cara de pau ele me dizer coisas como essas. O que mais me irrita é o fato dele não estar errado. Mas que inferno! Eu consigo enxergar a tamanha hipocrisia de minha parte por querer que ele volte a ter uma imagem limpa, sendo que eu mesma não era tão correta assim. É, literalmente, o sujo querendo limpar o imundo. Não tive muito tempo para me torturar com esses pensamentos, já que tive pouquíssimo tempo para me arrumar e ir trabalhar.
Assim que passei pelo hall de entrada e cumprimentei as pessoas que estavam ali presentes, segui direto para minha sala. Precisava fazer mais pesquisas. Precisava saber onde Niall tinha dado errado. Assim que liguei meu notebook, meu pai entrou no escritório me parabenizando por não ter nenhuma notícia polêmica sobre Horan até agora. Fingi um sorriso, agradeci a congratulação, e, no momento que ele deixou a sala, levei minhas mãos até a cabeça. O que eu tô fazendo com a minha vida? Antes de começar a pesquisa, terminei de fazer os últimos acertos para a Secret Session que teria em Londres para o lançamento do álbum. Álbum que eu nem sabia ainda qual nome levaria, ou as músicas que teriam. Demorei um pouco demais nisso, e quando menos esperei, já eram três da tarde. Não teria como fazer o que pretendia, já que havia combinado com Alexia que iria a ajudar a encontrar um flat decente no centro de Londres. Saí do prédio, entrei no carro e parti para o hotel, para buscá-la.
– Eu podia jurar que você ia esquecer de mim. – ela brincou. – Esqueceu ontem… – fechou a porta e pôs o cinto de segurança.
– Eu não te esqueci ontem, eu estava um pouco ocupada… Ele é meu trabalho. – ressaltei e ela rolou os olhos.
– Pelo amor de Deus, , você já estava bêbada quando me achou. – ela soltou antes de começar a rir. – Eu sou fraca para bebidas, mas parabéns, você ganhou de mim.
– Não enche o saco! – curvei a esquerda, na via de mão única, para entrar em Waterloo.
Prédios naquela região costumam ser muito caros, mas o “emprego” de Lexi a permitia viver num lugar como aquele. Lexi não tinha um emprego convencional como a maioria das pessoas no mundo. Ela é atleta, mais especificamente cheerleader. Quando ela me disse que havia entrado para o time, ainda quando fazia faculdade, eu acreditava que era vestir o uniforme, pegar o pompom e torcer para seja lá qual time estivesse jogando, mas me assustei quando, dois anos depois, ela me contou que tinha entrado no time brasileiro de cheerleading. Pesquisei mais sobre o esporte, e descobri que é uma coisa muito difícil de fazer, afinal, reúne movimentos de ginástica olímpica, danças e força para jogar uma pessoa super alto e depois para segurar a pessoa que “voou” quando ela estivesse caindo. Lexi é o que chamam de flyer, a garota que é arremessada metros de altura por uma base, que a recepciona graciosamente quando ela volta a descer. É admirável a confiança que ela tem em seus companheiros, porque jamais faria algo parecido. Ela foi convidada a fazer parte do time britânico, depois de ter um grande destaque no mundial, e como ofereceram mais dinheiro do que o time brasileiro, ela decidiu se juntar ao Team UK, mas com a condição de não competir por eles no mundial. Alexia, embora esteja acostumada com os holofotes de seu esporte não tão popular, não é muito de buscar atenção pública, tanto que nem acreditei quando ela concordou em ir comigo a uma festa cheia de pessoas famosas e fúteis. E apesar de ter milhares de seguidores e alguns patrocinadores, ela não faz questão de nenhum privilégio que a fama traz.
– Aqui! – ela apontou para um prédio bonito na esquina.
Estacionei o carro para podermos entrar e ver se o apartamento era o que ela queria. Era bom, amplo, mas ela dizia que não conseguia ver ela morando ali. E assim foi o mesmo discurso por pelo menos duas horas, até achar um flat perfeito, com vista para a London Eye, bastante iluminado e no andar que ela queria. Ela pegou a papelada para assinar o contrato enquanto fiquei na janela observando a paisagem. Senti meu celular vibrar e era uma mensagem de Kelsy, minha melhor amiga e uma das melhores marqueteiras que conheço, dizendo que haviam publicado algo por eu ter saído da casa de Niall pela manhã, mas ela tinha conseguido reverter a situação, dizendo que eu havia chegado logo cedo pela manhã, junto da equipe de faxineiros, e que eu era a nova empresária dele. Contudo, me implorou para que eu a contasse o que havia acontecido, porque estava curiosa.
– Ai meu Deus. – Lexi soltou assim que deixamos seu novo prédio. – Era só o que me faltava.
– O que foi? – perguntei sem entender seu desespero.
– Olha isso. – me mostrou um tweet que dizia “Harry Styles deixa garota misteriosa em seu hotel”, contendo uma foto dela escondendo o rosto. – As meninas do time brasileiro estão tweetando loucamente sobre isso… E essa sou eu, só não dá pra ver direito…. – Ela bloqueou o celular e enfiou dentro de sua bolsa. – Por isso que odeio conhecer celebridades, eles nunca tem privacidade, e se eu andar com eles também não terei. – entramos no carro.
– Calma, Lexi, vai ficar tudo bem. Logo isso some da internet. – coloquei minha mão em seu ombro antes de dar partida e a leva-la de volta para seu hotel.
Depois que levei Alexia para o hotel, fui direto para casa. Precisava dormir, estava cansada demais… Navegar na internet para conhecer o passado de Horan estava fora de cogitação, embora tenha sido meu objetivo no início do dia. Tomei um banho, coloquei meu pijama mais confortável e liguei a TV para assistir qualquer bobagem que estivesse passando. Acabei me interessando por um programa chamado “The Masked Singer” e precisava saber quem era a dona da voz melódica e perfeita que estava por baixo da fantasia de abelha rainha. Senti meu celular vibrar, Niall havia me mandado um vídeo, com a legenda “Senhorita Faça o Que Digo, Mas Não Faça o Que Faço”. Abri o vídeo, que era na verdade um compilado de momentos meus na festa, desde a dança, até o final, onde ele me carregava para o quarto. Respondi apenas um emoji rolando os olhos e um com o dedo do meio amostra. Enfim, me rendi de vez ao cansaço, fui para o quarto e deitei. Em pouco tempo já estava roncando.

Nota da autora:  Twitter: @amanda_ritis | Instagram: @amandar_autora

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